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LIVRO - O RIO e A FÉ (Rui André e Sónia Pacheco)

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rio de moinhos o rio e a fé RUI ANDRÉ | SONIA PACHECO


rio de moinhos o rio e a fé RUI ANDRÉ | SONIA PACHECO


A todos os riomoinhenses e amigos que quiseram partilhar as suas memórias, testemunhos e saberes. Muito obrigado pelas fotografias cedidas que se traduzem em exemplares únicos e valiosos da nossa história


ficha técnica Título Rio de Moinhos - O rio e a fé Autoria Rui André Coautoria Sonia Pacheco Investigação e Recolha Rui André Edição e Composição Sonia Pacheco Propriedade Rui André Impressão Prova de Cor - Design e Publicidade, Lda Abrantes Depósito Legal Julho 2017


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Rui André

Nasceu, em França, a 29 de maio de 1971. É casado e tem duas filhas. A nível académico: Mestrado em Educação e Comunicação Multimédia; Licenciatura em Educação Visual e Tecnológica - Professor do 2.º ciclo do Ensino Básico. A nível político: Presidente da Junta de Freguesia de Rio de Moinhos (20052009/2013-2017); Presidente da Assembleia de Freguesia de Rio de Moinhos (2001-2005). A nível associativo: Integrou os corpos sociais da Casa do Povo de Rio de Moinhos e da Filarmónica Riomoinhense; Fundador da APEOCA (Associação de Pais e Encarregados de Educação).

A nível profissional: Professor de EVT, com destaque para obtenção de três prémios internacionais – o mais relevante em 2012 com a turma do PIEF DE ABRANTES; Trabalhou no Centro de Recuperação e Integração de Abrantes na vertente Educacional; Atualmente, e desde 2014, está em regime de mobilidade estatutária na Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (Ministério da Justiça) como técnico superior. A nível pessoal: Fundador do Boletim Informativo “O Riomoinhense”; Proponente da ideia vencedora do orçamento participativo “A Carrinha do Cidadão”.

O património, a cultura, a identidade e alma de um povo são as coisas mais importantes das nossas vidas. Ouvir com atenção as histórias dos nossos antepassados e aprender com elas, as nossas verdadeiras origens para depois transmiti-las aos nossos filhos. Saber quem sou, de onde venho e seguir o meu caminho para saber onde vou, é o objetivo deste livro. Uma forma de perpetuar a nossa história através de textos, artigos e sobretudo fotografias, algumas com mais de 100 anos. Um livro especial numa altura também ela especial da minha vida. Durante o século XX, diversas fotografias foram tiradas e infelizmente só algumas perduram ao longo dos tempos. Cabe-nos guardá-las, conservá-las, partilhá-las e sobretudo valorizá-las para que tenham um verdadeiro sentido. Horas e horas à procura de mais fotografias a fim de poder construir este puzzle cultural ilustrado e deixar para as próximas gerações à alma de um povo … o povo da freguesia de Rio de Moinhos. Um livro, uma história, um destino que estava marcado. Sem uma ajuda divina, não seria possível elaborar este livro e acredito sinceramente que Deus teve influência positiva neste livro e na minha vida. Muitos agradecimentos … Felizmente a minha vida está repleta de boas pessoas, quer familiares quer amigos. Agradecimento a minha amiga Sónia Pacheco, que desde do início acreditou que era possível criar algo de especial. Agradecimento a toda a minha família que de uma maneira ou de outra tiveram grande influência na pessoa que sou hoje. Um especial agradecimento e reconhecimento aos meus avós falecidos, aos meus pais


5 e irmãos, a minha esposa São e as minhas princesas Mariana e Lara pela sabedoria e paciência para comigo. Agradecimento aos amigos que encontrei em Portugal e que tiveram muita paciência em me aturar mas sobretudo por acreditar que a minha loucura, os meus sonhos têm um propósito nesta vida. Um obrigado sincero a todos no geral e em especial ao João Paulo Rosado (Mota), Júlio Flor e João Claro. Agradecimento a todos os riomoinhenses espalhados pelo mundo fora e que todos os dias recordam com saudades a sua terra, a sua pátria. Um bem hajam sentido e partilhado ... Agradecimento aos colaboradores das fotografias e dos textos referidos neste livro. Uma homenagem especial ao meu falecido amigo Vítor Sobreiro (falecido em 16-052010). Por fim, uma homenagem sentida a todos os riomoinhenses falecidos que contribuíram para a história da nossa terra. Determinação, coragem e autoconfiança são fatores decisivos para o sucesso. Não importa quais sejam os obstáculos e as dificuldades. Se estamos possuídos de uma inabalável determinação, conseguiremos superá-los. Independentemente das circunstâncias, devemos ser sempre humildes, recatados e despidos de orgulho. DALAI LAMA

1930. Rio de Moinhos

1918. Rio de Moinhos


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Sonia Pacheco

Natural de Rio de Moinhos, nasceu a 31 de dezembro de 1984. A nível académico: Licenciatura em Comunicação Social - Jornalismo. A nível associativo: Antiga clarinetista e atual elemento da direção da Filarmónica Riomoinhense. A nível profissional: Jornalista na imprensa regional; Técnica do Gabinete de Apoio Social da Freguesia de Rio de Moinhos. A nível pessoal: Vencedora do 2.º Prémio do “Concurso 25 de Abril: Liberdade e Cidadania”, na modalidade Conto, promovido pela Câmara Municipal de Abrantes; Co-Fundadora do Boletim Informativo “O Riomoinhense”.

Não conhecer o passado, é viver de alma vazia. Não conhecer as origens, é viver sem identidade. Como vamos saber para onde vamos, se não sabemos de onde viemos? Que sentido conseguimos dar ao presente, se ignoramos o passado? É a história que corre no sangue dos nossos avós que define o que hoje somos. São as vivências, os sentimentos e as emoções vividas pelos nossos antepassados que ergueram o nosso presente. São as memórias que eles nos deixaram que nos enchem de lições de vida e esperança para construir um futuro melhor. Vamos então imortalizar as suas vidas e as suas obras. Mostrar às gerações mais jovens o mundo de ontem e assegurar aos mais idosos que nada do que fizeram foi em vão. As suas atitudes serão sempre uma referência e, neste caso, serão sempre um marco histórico para Rio de Moinhos. Rio de Moinhos… a aldeia que encantou Rui André. “Ele não é de cá”, é verdade. Nasceu em França, mas apaixonou-se por este lugar como um riomoinhense de gema. E contagiou-me na sua incansável busca pelos testemunhos, pelas lutas, pelas tristezas, pelas alegrias, pelas conquistas, pelas paixões, pela devoção, pela fé e, principalmente, pelo acreditar que fizeram mover esta freguesia. Obrigada Rui… muitíssimo obrigada pela oportunidade. Fazer parte da construção deste projeto é, sem dúvida, uma honra. E dez anos já passaram desde a primeira vez que o Rui me falou no seu desejo de publicar um livro sobre Rio de Moinhos e me lançou um grande desafio, participar na sua elaboração. O tempo foi passando, mas nunca a vontade. Até ao dia que o Rui me diz ser altura de avançar. Cedeu-me o material que recolheu, durante anos, meses, dias, horas e horas a fio. Pus mãos à obra e o resultado, “Rio de Moinhos – o Rio e a Fé”, pretende destacar os principais temas que envolvem esta freguesia num desenrolar de registos, essencialmente, fotográficos. Uma marca deste povo que permanecerá para todo o sempre. Mas, na verdade, muito ainda fica por revelar da valiosíssima e incessante investigação que o Rui realizou e continua a realizar. Talvez o futuro nos reserve outros projetos… Resta-me ainda agradecer também a quem sempre acreditou no meu trabalho e, claro, a todos os riomoinhenses que nos deixaram eternizar as suas memórias.


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1950. Rio de Moinhos


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prefácio o rio e a fé Apesar de o autor deste livro ter origens nesta freguesia, foi no verão de 1986 quando tinha quinze anos, que fixou residência na aldeia de Rio de Moinhos e fez-nos sentir que esta poderia não ter sido a melhor escolha da sua família para a sua vida ainda na adolescência. Inicialmente tropeçava nas palavras de português, mas rapidamente se integrou e, mais tarde, formou-se na área educacional, fruto da sua energia, inteligência e resiliência. Ao percorrer os caminhos da freguesia e em especial da pequena e bela aldeia, à beira Tejo plantada, que ganhou um novo retrato com a construção do viaduto da A23, há muitas histórias que permanecem na memória coletiva, mas que a pressa do dia a dia não ajuda que sejam reveladas. Foi assim que o Rui André, movido pelo amor à “Terra” e às pessoas, foi

investigando e recolhendo, por meios audiovisuais, os costumes, hábitos e tradições deste povo, sendo esta obra fruto de um excelente trabalho de pesquisa efetuado pelo autor. Foca-se no rio Tejo e nas ribeiras e glorifica o valioso trabalho dos pescadores e dos nossos bravos marítimos que muito lutaram no transporte fluvial, rio abaixo - rio acima, bem como na importância que esses cursos de água tiveram no desenvolvimento económico e social desta comunidade e da região, nos séculos XIX e XX. O património religioso e a religiosidade associada foi o outro tema que lhe suscitou interesse e devoção, registando a cultura e as tradições e fazendo a ligação entre o profano (Rio) e o sagrado (Fé). Posto isto, e não sendo este, o lugar para uma mais extensa apreciação,

diremos que, depois deste magnífico livro (julgamos com certeza que não será o primeiro, de outros de mérito do seu autor), se faça a ponte para um futuro mais enriquecedor e que a obra perpetue e honre a memória de todos, ilustres e anónimos, mas sempre mui nobres Rio Moinhenses. Recomendamos a todos a sua leitura e que se deixe levar e contagiar pela emoção e energia deste nosso amigo. Faça uma viagem no “Tempo”. Muito gratos ao Rui André, pelo convite e desafio de um prefácio a 3 mãos. Os amigos João Claro João Rosado Júlio Flor


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1950. Rio de Moinhos


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introdução Como do próprio nome se deduz, esta freguesia nasceu à beira de rios e em volta de moinhos. Quase a seus pés, corre majestoso o Tejo que em grandes invernos se espraia por estas campinas, invadindo o principal largo e ruas adjacentes desta formosa Aldeia. Em dias de grande cheia é, sem dúvida um quadro digno da paleta de um artista, o panorama observado do alto da Portela de Abrançalha. Toda esta vastíssima campina, a perder-se de vista para os lados da Golegã, transformada em imenso lençol de água, de onde emergem semi-submersas milhares de árvores. Mas, não é ao Grande Rio que a freguesia deve o seu nome. Vindo do lado do Porto Escuro, já na freguesia de Aldeia do Mato, corre em direcção ao Tejo um pequeno rio, pequeno em extensão mas benéfico, como fonte de riqueza, para os campos marginais que vai fertilizando. O seu caudal, sempre certo, mesmo nos verões de maior canícula, serviu em épocas não muito remotas de força motriz para accionar muitas dezenas de Azenhas que povoavam este encantador vale da Pucariça. A povoação da Aldeinha que, segundo a tradição, é o aglomerado populacional mais antigo da freguesia, é atravessada por este rio. Aqui passava a velha via romana que ligava a Vila de Abrantes a Santarém. Ainda ali se podem observar restos desse antigo caminho. Pois foi este pequeno rio, com as suas Azenhas que “baptizou” a actual freguesia de Rio de Moinhos. Como Paróquia independente, não é muito antiga a história desta freguesia. O Padre Guilherme Nunes Tavares que a paroquiou em princípios deste século, lavrou à margem de um Prontuário de Registos de Casamentos, o seguinte apontamento: “Nota-se por curiosidade que o Registo de Casamento mais antigo desta freguesia tem a data de 1802”. No Prontuário de Baptismos lavrou também o seguinte: “Nota-se por curiosidade que o Registo de Baptismo mais antigo desta freguesia tem a data de 1797 e um banco de castanho, já velho, que está ao fundo da Igreja tem a data de 1741”. (…) Rio de Moinhos atingiu a sua maioridade, como freguesia independente, em fins do século XVIII. Antes, a sua história perdese na da notável Vila de Abrantes, de cujo termo fazia parte. (…) Pertenceu primitivamente à Diocese de Castelo Branco e no seu arquivo estão algumas pastorais dos Bispos e Vigários Capitulares de Castelo Branco. Foi sempre a sua Padroeira Santa Eufémia que foi mártir em Calcedónia no reinado do Imperador Diocleciano. Aqui existiram várias Confrarias como a das Almas e a do Santíssimo Sacramento, cujos Bens desapareceram na voragem de 1910. Muita gente ainda se lembra das chamadas oliveiras do Senhor. Eram oliveiras que pertenciam às Confrarias (…)1 1 “A Voz de Rio de Moinhos”, A Nossa Terra, Fevereiro de 1973


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Em termos económicos, para além da agricultura de regadio, com recurso às águas da ribeira, a proximidade do Tejo fez de Rio de Moinhos uma povoação “marítima”. Antes da generalização dos transportes terrestres, em meados do século XX, o Tejo funcionou como a grande via que ligava o litoral ao interior. Rio de Moinhos, dada a sua posição geográfica, destacou-se nesta actividade: construção de varinos (barcos de “água acima”) no seu estaleiro e terra de “marítimos” (tripulantes) que desfraldavam as velas a partir do cais da localidade.2 2 CAMPOS, Eduardo; ROSA, Maria João, “As Memórias Paroquiais de 1758 – Rio de Moinhos”, Zahara, nº 7, Junho de 2006

1954. Rio de Moinhos

Anos 40. Rio de Moinhos


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Anos 40. Rio de Moinhos

Meados Sec XX. Estrada Nacional, Rio de Moinhos - Abrantes

1959. Estrada Rio de Moinhos - Pucariça

1959. Estrada Rio de Moinhos - Pucariça


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1955. Quinta da Capela vista da Estrada Nacional

1959. Quinta da Feia

1950. Quinta da Capela


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1930. Rua Fernando Vieira Ferreira, Rio de Moinhos


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Meados Sec XX. Casa na Rua Direita junto ao atual edifício da Junta de Freguesia

Meados Sec XX. Travessa José Maria Mora, Rio de Moinhos

Anos 30. Pensão Gama Covão na Rua Fernando Vieira Ferreira, Rio de Moinhos


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Anos 40. Rua Direita, Rio de Moinhos


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1935. Rua Direita, Rio de Moinhos


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Meados Sec XX. Rua Direita, Rio de Moinhos. A peixeira percorre as ruas da aldeia.


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Meados Sec XX. Rua Direita, Rio de Moinhos


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Meados Sec XX. Rua Avelar Machado (Estrada Nacional), Rio de Moinhos


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Anos 40. Largo Joaquim dos Santos, Rio de Moinhos


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Meados Sec XX. Fonte da Chã, Rio de Moinhos


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Anos 40. Rua Dr João de Deus, Rio de Moinhos

Anos 60. Fonte da Chã, Rio de Moinhos

1948. Era com esta carroça que João Cravo, de Amoreira, vendia pão em Rio de Moinhos


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1955. Mercado em Rio de Moinhos


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1950. Mercado em Rio de Moinhos

1957. Mercado em Rio de Moinhos

Anos 50. Mercado em Rio de Moinhos


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1910. Grupo de homens, Rio de Moinhos


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O rio...


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1965. Passagem da Barca, Rio de Moinhos, para Tramagal. Curiosa ponte de estacas


30 Novembro. Grande cheia do Tejo, a maior de que até então havia notícia. Consta por tradição que o dilúvio foi de tal ordem que o rio levou na sua corrente muitos barcos, casas e arvoredos.

1550

Segundo um levantamento deste ano, dos 1490 barcos de navegação fluvial (de carregar e pescar) que havia recenseados entre Abrantes e Lisboa, 180 pertenciam a Abrantes (100 de carreira e 80 de pesca), só depois se lhes seguindo em importância Santarém e Tancos com 100 embarcações cada. Lisboa, capital do Reino e cabeça do Império era abastecida diariamente de carvão, palha, cereais, azeite, vinho e muitos outros produtos idos do porto de Abrantes, sendo alguns provenientes do Alentejo, da Beira Baixa, da Estremadura e até de Espanha.

1552

Por um livro de registo das entradas de barcos no porto do Tejo, dos primeiros meses deste ano conhece-se com algum pormenor o movimento de mercadorias de e para Abrantes. Tratando-se dos piores meses para o tráfego, o número de embarcações era então relativamente escasso, raramente ultrapassando as cinco unidades diárias, mas o volume das mercadorias era considerável. Para Lisboa seguiam sobretudo sacas de carvão, cargas de azeite, trigo e castanha; de Lisboa chegavam em maior quantidade cargas de sal, bacalhau e couros.

1725 Dezembro, 4. Cheia grande do Tejo. A água ultrapassou o terceiro degrau das escadas da entrada da Igreja de S. Miguel do Rio Torto.

1739

Abril, 10 e 11. Grandes cheias no Vale do Tejo. Registo do reitor-cura de Aldeia do Mato, Mateus Lopes: “Para que conste aos meus sucessores (…) foi a cheia [do Zêzere] tam grande em os rios, que não há memória de outra tão grande e a perda tam extraordinária que em as terras da borda da água se diz fez maior estrago que o terramoto de 1755, que este será memorável enquanto houver Portugal”.

1769


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1919. Trinta riomoinhenses fazem um almoço na margem esquerda do rio Tejo

1955. Margem esquerda do rio Tejo. Vista para Tramagal


32 Janeiro, 7 e 8. Registase forte temporal, com cheia do Tejo.

1810

Janeiro, 29 a Fevereiro, 6. Decorre mais uma grande cheia do Tejo. Dezembro, 20. Uma ordem superior dirigida às autoridades de Abrantes, e outras com portos do Tejo até Santarém, obriga que todas as barcas fiquem ao serviço do Exército, sob pena de prisão.

1812

O concelho de Abrantes contava então 18450 habitantes nas suas 19 freguesias. Mas a vila registava uma perda acentuada da importância que detinha na navegação do Tejo, sendo ultrapassada tanto no número de barcos como de barqueiros por portos menores (Atalaia – Barquinha e Paio de Pele – Praia do Ribatejo).

1821 Dezembro, 18 a 21. No Rossio ao Sul do Tejo a cheia cobre os primeiros andares das casas. Inundação, trovoada, chuvas e vento forte provoca avultados prejuízos. A subscrição que se fez para lhes acudir rendeu 137.615 réis, tendo o Governo subsidiado 401.585 réis. Após todas as reparações sobraram 155.130 réis que foram destinados a Rio de Moinhos para o seu cemitério.

1853

Fevereiro, 18 a 20. As sucessivas chuvas que começaram em força no dia 13 deram lugar a aparecer o receio do crescimento das águas do Tejo. Em Abrantes na povoação do Rocio trinta edifícios ficaram quási totalmente arruinados nesta freguesia. Calcula-se acima de mil alqueires as perdas de azeite que o Tejo levou. Na escala de Rodão a água atinge 22,50 metros e em Abrantes 16 metros. Na Quinta da Onia subiu a água até ao 5º degrau das escadas. Do norte tocou a cimalha superior das casas de Agostinho Lopes Gonçalves e na Quinta da Fábrica mandou o Dr. Zeferino Benevenuto da Serpa (…!) colocar uma lápida como sinal designativo da altura que subiu o rio.

1855


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1950 Abril, 10. Inauguração do barco “Sempre se Fez”, de João Dono Júnior, nas Festa de Nossa Senhora da Boa Viagem, Constância.

1950 Abril,10. Participação de Rio de Moinhos nas Festas de Nossa Senhora da Boa Viagem, Constância

1931. VArinos em Valada do Ribatejo


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Janeiro, 7. Cheia em tudo semelhante à de 1855.

1856 O movimento de mercadorias registado no porto fluvial de Abrantes foi, neste ano, de 3876 toneladas de importação e de 7635 de exportação.

1859

Dezembro, 23 e 25. Cheia igual à dos anos anteriores (16 metros em Abrantes).

1860 Fevereiro, 6. Na escala de Rodão a água atinge 16,10 metros e em Abrantes 11,50 metros.

1872

Janeiro. Na escala de Rodão a água atinge 18,30 metros. Dezembro, 6 a 8. É a maior cheia conhecida e referenciada com as respetivas marcas. Em Vila Velha de Ródão, atingiu uma altura de cerca de 25,40 metros e em Abrantes 16,25 metros. No Rossio ao Sul do Tejo estão debaixo de água a maior parte das casas. Tem aparecido afogados alguns animais. A Estação de Abrantes ficou cercada pela cheia que ia crescendo com alguma violência. A CMA solicita ao Governo a nomeação de uma comissão para avaliar os enormes estragos e prejuízos causados pela cheia.

1876

1877 Janeiro. Na escala de Rodão a água atinge 16,80 metros.

1881 Março, 19. A CMA recomenda ao empregado das obras do Tejo, Francisco Sanches, que não permita que se façam depósitos de madeiras e outros volumes no porto do cais de Rio de Moinhos. Abril. Na escala de Rodão a água atinge 16,40 metros.

1884


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Anos 40. VArino em Amoreira

1948 Abril, 26. Cais de Rio de Moinhos

1955. Cais de Rio de Moinhos

1955. Cais de Rio de Moinhos


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1923. Cais de Amoreira


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1946. Cais de Amoreira. Dono do Barco: Sebastião Vicente Lopes. Nome do Barco: “António Franklin” (60 toneladas)


38 Fevereiro, 25 e 26. Regista-se uma grande cheia do Tejo. Na escala de Rodão a água atinge 19,70 metros e em Abrantes 13/12 metros. Alguns habitantes do Rossio ao Sul do Tejo obtêm abrigo no Convento de Nossa Senhora da Graça.

Maio, 24. A região é assolada por uma violenta trovoada que provoca avultados prejuízos em culturas no Tramagal, Rio de Moinhos, Abrançalha, Chainça e Hortas.

1895

1901

Fevereiro, 13. Uma cheia de grandes proporções inundou parte do Rossio ao Sul do Tejo. A escala de Rodão assinala 16,40 metros. Famílias são alojadas na Vila de Abrantes.

1900

As devastadoras cheias destroem o Cais de Rio de Moinhos.

1902 Novembro, 28. Inauguração do Cais de Rio Moinhos depois de totalmente reconstruído.

1903

Dezembro, 24. Um violento temporal assola a região de Abrantes durante mais de uma semana. A cheia do Tejo atinge 12,73 metros em Abrantes.

1909

Dezembro, 11. A cheia do Tejo atinge 11,61 metros em Abrantes.

1910

Fevereiro, 8 e 9. Linhas férreas, telegráficas e telefónicas interrompidas – os vastos campos do Ribatejo completamente inundados – No Tejo afunda-se um grande número de fragatas – os mouchões estão cobertos de água. Em certos pontos, o rio tem cinco vezes a largura habitual. Em resultado de um temporal que assola a região as águas atingiram a cota de 13,36 metros em Abrantes.

1912


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1938. Marítimos. João Dono Júnior e José Malfeito, Lameira

1930. Marítimos

1920. Marítimos. Valada do Ribatejo

Meados Sec XX. Marítimos.


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Meados Sec XX. Marítimos nas fragatas de Lisboa


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1950 Abril, 26. Marítimos. João Dono Júnior


42 Dezembro, 29. Os marítimos de Rio de Moinhos iniciam uma greve motivada pelo excessivo preço das madeiras.

1915

Março, 21-23. Registam-se novas cheias do Tejo e do Zêzere, com bastantes casas alagadas em Rio de Moinhos e Constância. Dezembro, 19. As cheias atingiram a cota de 12,15 metros em Abrantes.

Fevereiro, 2. O Diário do Governo nº 30 faz referência aos trinta e quatro dias de copiozas, e não interrompidas chuvas, a par de ventos tempestuosos […] e à perda de todas as sementeiras já feitas desde Beirolas até Abrantes.

1923

1916 Fevereiro, 9. As cheias atingem a cota 10,37 em Abrantes. Fevereiro, 15. As cheias atingiram a cota de 11 metros em Abrantes.

1917

Fevereiro, 20 e 21. Neste ano as cheias atingem a cota 10,89 metros.

1919

Novembro, 1. Grande naufrágio no Rio Tejo. Um barco do proprietário e arrais João Gomes Chouriço, quetinha recebido a carga composta por 37 cascos cheios de vinho, saiu do cais de Rio de Moinhos seguindo rio abaixo com destino a Lisboa. Na ponte do caminho-de-ferro, em Praia do Ribatejo, no encontro das águas do Rio Tejo com as águas do Rio Zêzere, atirou com o barco contra um pilar da ponte, o barco partiu-se ao meio ficando metade para cada lado. Graças a Deus. Os três tripulantes foram salvos, mas, os cascos com o vinho seguiram rio abaixo entregues às águas do Tejo.

1926


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1931 Janeiro, 24. Diploma concedido a José Ramos Júnior


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A Construção Naval

O desenvolvimento da navegação fluvial no rio Tejo levou a construção de embarcações bastante variadas, conforme a função e o estilo próprio de cada estaleiro e povoação. Na freguesia de Rio de Moinhos (Rio de Moinhos e Amoreira), construíram-se várias embarcações, como o varino, sendo a técnica de construção passado de geração em geração, ou seja, de pai para filhos. O actual cais de Rio de Moinhos tem 100 anos de existência mas pela história sabe-se que esta cultura do Tejo é muito mais antiga. Em Amoreira também houve um Cais que está actualmente soterrado por salgueiros e por lama. Existiram dois estaleiros navais,

um em Caldelas e outro em Amoreira. Estes eram erguidos a céu aberto junto do rio Tejo onde se faziam a construção e a reparação naval, geralmente nos meses de Verão visto que o caudal do Tejo era muito baixo. Alguns calafates, ou seja, construtores navais trabalhavam na construção ou reparação dos barcos. Depois de construídos, os barcos eram transportados com a ajuda dos bois até ao respectivo cais. Com o desenho do barco em papel, ou de cabeça, os calafates iam ao mato escolher a madeira mais adequada a fim de utilizar nos barcos, sendo o pinho manso o mais utilizado nas cavernas e vaus, enquanto o pinho bravo era utilizado nas forras e pavimento. O eucalipto era empregue nos mastros e vergas e o freixo nos remos, palamenta e cana do leme.1

Antiga recordação

1 ANDRÉ, Rui, “Postais de Rio de Moinhos – uma freguesia com história”, Zahara, nº 4, Dezembro 2004

1 ARRAIS VICENTE (1996) Cantos do Tejo, Câmara Municipal de Salvaterra de Magos

No lugar de Amoreira (minha terra natal), freguesia de Rio de Moinhos, concelho de Abrantes foi construído um cais em 1921, na margem do rio Tejo para os barcos acostarem e carregar e descarregar toda a qualidade de mercadorias. Eu vi colocar as argolas para as amarrações dos ditos barcos se segurarem. Eram de metal amarelo (ou seja de latão). Os anos foram passando e as cheias juntaram terras em cima do dito cais, hoje o cais está debaixo da terra e tem muitos salgueiros em cima dele, quando a gente se dirige para o Tejo fica situado na berma da estrada ao nosso lado esquerdo. Os homens do meu tempo sabem desta construção, mas daqui a 50 ou 100 anos se forem fazer um desaterro naquele local ficam de boca aberta, ali foi Porto de Mar.1


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1947 Setembro, 6. Construção do varino “Sempre se Fez” no Estaleiro da Pedreira


46 Dezembro, 24. As cheias atingem a cota de 11,61 metros em Abrantes.

1927 Dezembro, 28. As inundações deste ano atingiram a cota de 11,12 metros em Abrantes.

1935

Janeiro, 26 / Fevereiro, 19. O Rossio terra mártir regista uma grande cheia. As águas ameaçaram a estação do caminho-de-ferro. No manuscrito que se encontra no Arquivo Municipal Eduardo Campos, Henrique Martins de Carvalho descreve assim esta inundação: É um espetáculo imponente, visto das muralhas do Castelo, só conhecendo rival na vista das “Portas do Sol” de Santarém… Cotas 10,39 e 12,98 metros em Abrantes.

1936

Susto Perigoso No mês de Fevereiro de 1927, navegava pelo rio Tejo acima o barco São João Gualberto, foi-lhe posto este nome pelo motivo de ter sido deitado à água no dia 12 de Julho, pois é o dia que tem o nome deste conhecido santo, seguia com destino ao cais da Amoreira (Rio de Moinhos), de onde era natural e sendo conduzido pelo seu próprio dono e arrais António Vicente Lopes. O vento era a favor e muito forte pela proa, depois de ter passado por Vila Nova da Barquinha e já próximo do Castelo de Almourol, devido à curva que o Tejo tem naquele sítio, a vela do seu barco repentinamente tomou balanço e cambou de bombordo para estibordo. Naquela trajectória instantânea a escota colheu o arrais pelas pernas, atirando com ele ao rio Tejo, os seus tripulantes e companheiros de bordo, vendo que o seu mestre corria o perigo de morrer afogado gritaram com toda a força dos seus pulmões para os tripulantes de outro barco que vinha mais atrás, à sua retaguarda que assim conseguiram salvar aquele naufrago, já muito cansado e sem forças, perto daquela morte certa. Relembrando que os barcos que navegavam no rio Tejo, de tipo varino e com fundo chato a maior percentagem e quantidade destes barcos foram construídos no concelho de Abrantes, em Rossio ao Sul do Tejo, Amoreira e Rio de Moinhos onde se encontravam bons construtores, verdadeiros artistas na construção naval. Faziam barcos para toda a tonelagem. Podia citar o nome de alguns, por este motivo o concelho de Abrantes foi o que mais barcos teve a navegar no Ribatejo, fazendo transportes de diversas e todas as qualidades de mercadorias, para qualquer e todos os portos de cais do rio Tejo, fosse na margem Norte ou Sul.1 1 ARRAIS VICENTE (1996) Cantos do Tejo, Câmara Municipal de Salvaterra de Magos


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Anos 50/60. Passeios no Tejo


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Meados Sec XX. Passeios no Tejo


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1950 Abril, 15. Cais de Rio de Moinhos

Meados Sec XX. Passeios no Tejo


50 Fevereiro, 1 / Março, 14. Cotas 11,76 e 10,15 metros em Abrantes.

1937

Janeiro, 18. Cota 12,15 metros em Abrantes.

1939 Fevereiro, 3 e 4. Violentíssimos temporais assolam o Ribatejo. O Tejo inundou Rossio, Abrantes e Rio Moinhos. Cortadas as comunicações entre Abrantes e o Alto Alentejo. A escala marcou em Abrantes 13,75 metros no dia 3 e 10,55 metros no dia 4 de Fevereiro.

1940

Janeiro, 24 / Fevereiro, 15. O Rio Tejo inundou os terrenos até à cota 14,69 em Abrantes. O Correio de Abrantes, a 2 de Fevereiro de 1941, refere: O Tejo subiu a pontos julgados inacessíveis, primeiros andares […] O Tejo teve a maior cheia que as gerações atuais tinham visto. Inundou, entre outros, o Rossio, a estação de Abrantes, a estrada do Tramagal, a igreja e cemitério de S. Miguel, Rio de Moinhos, etc. Numa área de 50km2, com mais de 1500 casas que tiveram de ser abandonadas, os prejuízos foram incalculáveis.

1941 Outubro, 18. Ocorre uma violenta trovoada “como não há memória”, segundo o relato da imprensa, provocando grandes prejuízos em Tramagal, Rio de Moinhos e S. Vicente.

1945

Fevereiro, 23 / Março, 5. Cotas 12,58 e 13,68 metros em Abrantes.

1947 Abril, 1. Cota 11,48 metros em Abrantes.

1952 Janeiro, 17 / Março, 24. Cotas 10,36 e 11,90 metros em Abrantes.

1956


51

1920 Abril, 30. É passada a Carta de Arrais a João da Silva Vitório

1976 Janeiro, 1. É emitido o cartão do Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes Fluviais a José Rodrigues Serrano


52

Transportes no Rio Tejo

No fim do mês de Novembro de 1937 largaram do cais da Chamusca, 33 barcos carregados com fardos de cortiça, os maiores carregavam 400 fardos, os mais pequenos carregavam 200 fardos. Dá média de 300 fardos por cada barco, somou aproximadamente 10000 fardos de cortiça. Nesse mesmo dia parámos em Santarém, arrais Vicente também vinha nesse grupo conduzindo o barco PROGRESSO, carregado com 370 fardos de cortiça ao preço de 3$00 cada fardo. No dia seguinte largámos de Santarém, chegámos ao Caramujo, fábrica Rank 7 barcos; chegaram ao Montijo 12 barcos fábrica Mundet, chegaram ao Seixal 6 barcos fábrica Mundet e ao Barreiro 8 barcos fábrica Caiado. Nesses mesmos dias largaram de

Abrantes (Rossio ao Sul do Tejo) 14 barcos carregados com fardos de cortiça à média de 250 fardos cada barco, soma 3500 fardos dirigidos a várias fábricas, ao preço de 4$00 cada fardo, para Montijo ou Barreiro. Também nesses mesmos dias largaram do Cais de Rio de Moinhos, 12 barcos carregados com madeiras diversas com destino a diversas localidades. Pois em Rio de Moinhos, 12 barcos à média de 30 toneladas, preço por cada tonelada de 28$00, são 360 toneladas. Nesta localidade havia 5 fábricas a serrar madeiras, eram as firmas Covão e Irmão, Zeferino Pereira, Manuel Batista Damasceno, João Pereira e Filhos e Francisco Esteves. De Praia do Ribatejo largaram 4 barcos carregados com tabuado para exportação. Somando estes transportes, só nesta cheia do Tejo, embarcaram na Chamusca e cais do Rossio ao Sul do Tejo, em 47 barcos, soma 13500 fardos de cortiça, em Rio de Moinhos embarcaram em 12

barcos 360 toneladas de madeiras, Praia do Ribatejo em 4 barcos embarcaram 150 toneladas de tabuado para exportação. Além destes quatro cais havia embarques em Almeirim – cascos com vinho, aguardentes e madeiras, em Santarém – cascos cheios com vinho, cereais e madeiras, Cais do Sabugueiro (Muge) – muitos fardos de cortiça, cascos cheios com tintos e brancos e também lá carreguei metano (rama de pinho) e muitas madeiras, em Valada do Ribatejo – vinhos e melões. No regresso para cima carregavase nas fábricas do Barreiro – adubos, sulfatos, amónias e caixas cheias com sabão (nesse tempo não havia detergentes), descarregava-se para Armazéns que a Companhia União Fabril tinha na Ribeira de Santarém. Havia arrais que prometiam ir à noite pôr velas acesas a iluminar a imagem da Santa Iria, se tivessem bom vento para os barcos andarem para cima, contra a corrente da água, pois, era navegar contra a


53 força da corrente da água. Também havia barcos que carregavam sal em Alcochete e Samoco para irem vendendo nas margens do rio Tejo, nesse tempo não havia frigoríficos era tudo conservado em sal – carnes, peixes e bagaços para alimento das pessoas e animais durante todo o ano. Havia agricultores que compravam de uma só vez muitos alqueires de sal, assim como todos os comerciantes compravam muitos sacos cheios com sal para depois venderem aos seus clientes.1 1 ARRAIS VICENTE (1996) Cantos do Tejo, Câmara Municipal de Salvaterra de Magos

Anos 60. Serração dos Zeferinos

1964 Março, 3. Serração dos Zeferinos


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Palavras certas

Quando eu, Vicente Francisco fiz exame para arrais, ouvi da boca do Exmo Sr Tenente Fajardo, um grande elogio aos homens da água acima, era assim que eram conhecidos os navegantes do rio Tejo que navegavam até Abrantes. Havia, também, quem lhes chamasse abranteiros. Dizia o Sr Tenente são marinheiros do rio Tejo, pois sabem ver onde há pedras ou estacas no fundo do rio, pela corrente da água dizem que ali há pedras debaixo de água ou ali há estacas debaixo de água e pela mesma corrente de água conhecem os margidos e sabem dizer e ver se a água tem muita ou pouca profundidade, para saberem por onde devem passar com os barcos e seguir a sua linha de navegação sem encalhar. Se falarem a um arrais que só

tenha navegado de Vila Franca de Xira para baixo, para ir levar um barco a Abrantes, ele diz logo que não vai porque não conhece o rio. Se falarem a um arrais de água acima para trazer um barco de Abrantes para Lisboa ou para qualquer cais ou margem do rio, seja norte ou sul, esse arrais navega até onde seja preciso. Ao passo que os homens que navegam nos oceanos não são competentes para governar ou conduzir qualquer embarcação em águas baixas, ficam logo encalhados. Os homens do Tejo são competentes para toda a navegação nos rios ou no mar. Em 1945, visto por muitos homens do serviço do rio Tejo, ficou declarado e provado que as palavras que o Sr Tenente Fajardo disse eram verdadeiras. À saída da ponta da erva no rio Sorraia encontravam-se 4 barcos carregados com cavacas de madeira de pinheiros destinadas à fábrica de loiças de Sacavém. Entre eles estava o arrais António

Major, natural da Amoreira, Abrantes, Vicente Francisco da mesma localidade, José Casanova de Benavente e um barco da Moita – Sarilhos. Era certo que o tempo estava mau, o vento era muito forte e contrário, nós queríamos andar para baixo e o vento empurrava para cima, pois era vento pelo Oeste e com a maré a vazar levantava ondulação de pôr qualquer barco em perigo de naufragar. O arrais António Major sempre o conheci como bom marinheiro e muito trabalhador, foi o primeiro a pôr as velas no ar e pôr o seu barco a lutar contra aquele mau tempo, arrais Vicente estava a temer o perigo, mas quando viu aquele companheiro a navegar, pensou se aquele vai eu também vou, os outros dois companheiros naturalmente também pensaram o mesmo, se aqueles vão, eu também vou, mas uns 500 metros andados desistiram e arribaram, para melhor dizer voltaram para trás, fugiram ao mau tempo e foram novamente procurar


55 arrevessa dentro do rio Sorraia. O António Major e o Vicente Francisco continuaram a lutar contra aquele vento forte e vagas de mar, daquelas de fazer tremer o coração. Nós vimos 7 ou 8 barcos largar de Alcochete, mas mais à frente desistiram, completamente todos, todos voltando novamente para Alcochete. António Major e Vicente Francisco continuaram lutando contra aquele vento forte e mar de naufragar, SALVA RIO ia na sua cola e numa volta de grande aventura, navegou sobre uma rocha de ostras e passou para a frente e chegou à entrada de Sacavém mesmo no cais em primeiro lugar, conquistando assim mais uma vitória num dia de muito perigo. O grande e bom marinheiro António Major acompanhado dos seus dois filhos João Major e Manuel Major é que foram os três heróis mais aventureiros naquele dia de navegação

difícil, chegaram 30 minutos depois de o SALVA RIO ter chegado ao cais de Sacavém. Se aqueles três marinheiros não me tivessem encorajado o SALVA RIO, naquela vazante, não tinha navegado. Assim, alcançou mais uma vitória, naquele dia tão completo com o perigo à vista. Mais uma vez os homens de Abrantes mostraram aos seus colegas que sabem navegar, naquele dia memorável em que vinham doze barcos a lutar com o mau tempo, só dois Abranteiros conseguiram chegar ao cais para entregar a mercadoria na fábrica, naquele dia. A que declaro e agradeço ao mestre de velas para barcos e fragatas Sr Braz da Silva foi sempre ele que fez as velas muito bem feitas, para que o SALVA RIO conquistasse muitas vitórias nas suas viagens e chegadas.1 1 ARRAIS VICENTE (1996) Cantos do Tejo, Câmara Municipal de Salvaterra de Magos

1934. Varino “Casca de Noz”


56

As cheias em Rio de Moinhos, nos anos 30-40 do séc. XX

Mariana, minha querida neta, Mariana, minha querida bisneta, Tenho muita pena de ter estragado o Natal de todos e já perguntei ao tio Fernando Jorge e à tia Fatinha porque é que isto me aconteceu, porque estou assim nesta cama do hospital. Eles falam-me logo das bolachas, dos chocolates e de que eu não ando nada, não me mexo, mas eu não tenho comido nada às escondidas!... Não vou ao farol, a andar, mas subo e desço as escadas lá de casa muitas vezes por dia. Eles riem-se… Aqui no hospital vejo quase todos os telejornais. O tio Fernando Jorge está comigo na hora das notícias e vemos os dois as notícias.

Tenho-me lembrado muito das cheias em minha casa, no meu tempo, em Rio de Moinhos, por causa das cheias que vai haver hoje em Constância e na Barquinha. Quando vinham as cheias, nós tínhamos de sair pela janela para o barco… às vezes, fazíamos as sementeiras e depois perdíamos tudo, o meu pai, coitado, trabalhava tanto e ficava sem nada… Uma vez a minha mãe, a avó Rosa, foi à janela e começou a gritar, deixou de ver o barco onde nós íamos… ia lá eu, o meu pai - o vosso avô Branco -, e iam também outras pessoas, o barco desapareceu da vista dela porque às vezes o barco tinha de fazer umas voltas e foi o que aconteceu nesse dia em que a minha mãe foi à janela. O “velho” [o avô Branco] uma vez teve de empenhar a máquina de costura, o cordão de ouro da avó Rosa e a corrente dele, também de ouro… é que vinha o Tejo e levava tudo… Depois não houve dinheiro para ir buscar outra vez o cordão e a corrente “ao prego”.

Acabámos por comprar outro cordão para a avó, foi a minha irmã, a tia Rosinda, que pagou, e foi depois a Hélia, a vossa prima, que ficou depois com ele quando a avó Rosa morreu. Só conseguimos ir buscar outra vez a máquina de costura, o cordão e a corrente, os meus pais ficaram sem eles. Quando saímos de Rio de Moinhos para Abrantes, a minha mãe costumava dizer que tinha lá deixado os dentes. Ela queria dizer que tinham lá deixado tudo, o Tejo tinha-lhes levado tudo. Era… tínhamos de saltar pelas janelas para ir às compras… a casa em que a gente morava era grande, chegámos a acolher lá cinco famílias por causa das cheias… a cheia chegava quase à casa da Milú, a vossa prima, filha da minha irmã Beatriz, que os vossos pais conhecem, já fica lá para a parte de cima de Rio de Moinhos. Havia umas poucas de ribeiras que faziam a junção… Quando o Tejo começava a subir nós íamos pôr-nos à janela a ver até onde é que ele chegava. Os


57 homens punham pedras a ver o que o Tejo subia… quando chegava à nossa casa, como já vos disse, tínhamos de saltar pela janela para o barco para ir ao pão, cá para cima, ao pé da casa da Milú… as oliveiras ficavam todas tapadas… Quando o Tejo descia, ficavam umas poças de água e nas poças de água ficava, sabem o quê?, ficava sável, íamos ao sável, o tio David e eu, eu não apanhava, era o meu irmão David que apanhava, eu segurava o cesto… Uma vez, nós tínhamos uma marrã com crias e ele foi salválas da água. Nós ficámos todas com muito medo porque ele não sabia nadar, mas ele enquanto não salvou a bicha e as crias não descansou, tivemos mesmo muito medo. Às vezes o Tejo subia e descia, eles não gostavam quando o Tejo descia

muito depressa, era sinal de que ele ia subir outra vez. A nossa casa ainda lá está, é na rua principal, a chegar ao largo… era uma casa que o avô Branco tinha alugado… agora é cor-de-rosa, mas no nosso tempo era amarela. Olhem, agora na televisão estão a falar do rei D. Carlos… o meu avô David, pai da minha mãe, ia muitas vezes à caça com o rei D. Carlos, ali numa quinta perto dos Casais, chamada Anadia… o meu avô era uma espécie de couteiro… ele era muito educado, era uma pessoa que sabia muito…

1935. Cheias. Rua Avelar Machado / EN3, Rio de Moinhos

Avó Lourdes, Hospital da Horta, 29 de Dezembro de 20091

1 Depoimento recolhido por Fernando Pinto

1978. Cheias. Rua Combatentes da Grande Guerra, Rio de Moinhos


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1978. Cheias. EN3, Rio de Moinhos


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1978. Cheias. Rua Avelar Machado / EN3, Rio de Moinhos


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1978. Cheias. Rua Avelar Machado / EN3 / Largo Joaquim dos Santos, Rio de Moinhos


61

1978. Cheias. Rua Avelar Machado / EN3 / Largo Joaquim dos Santos, Rio de Moinhos


62 Dezembro, 19. Cota 11,96 metros em Abrantes.

1959 Janeiro, 27 / Fevereiro, 18. Cotas de 12,32 e 10,72 em Abrantes.

1960

Fevereiro, 25. Cota 15,85 escala Rodão e 11,57 metros em Abrantes.

1964 Abril, 16. Cota 14,22 escala Rodão e 11,07 metros em Abrantes.

1966

Janeiro, 9. Cota 14,10 escala Rodão e 11,08 metros em Abrantes.

1963

Março, 14. Escala Rodão 15,50 e 11,86 metros em Abrantes.

1969

Janeiro, 12. Escala Rodão 17,32 e 12,62 metros em Abrantes.

1970 Fevereiro, 3. Escala Rodão 12,10 e 11,02 metros em Abrantes.

1972 Março, 1 e 4. A cheia do Tejo provoca avultados prejuízos em toda a zona ribeirinha do Concelho de Abrantes. Em Rio de Moinhos as águas subiram ao nível do 1º andar, causando elevados prejuízos materiais.

1978

Fevereiro, 9 a 13. A maior cheia do século. Seis mil desalojados no concelho de Abrantes. A Gare dos Caminhos de Ferro ficou completamente alagada. Bombeiros, forças militares e militarizadas foram mobilizadas na sua totalidade. Na Freguesia de S. Miguel do Rio Torto a água chegou a entrar no cemitério. Os valores das águas em Abrantes chegam próximo dos 16 metros. O ministro da Administração Interna, Dr. António Gonçalves Ribeiro, visitou oficialmente nos dias 12 e 13 de fevereiro a região para se inteirar dos prejuízos causados pela cheia. No dia 17 de fevereiro, pelo mesmo motivo, o ministro da Indústria e Tecnologia, Eng.º António Batista Cardoso e Cunha visita o concelho. No dia 4 de março o Presidente da Republica, general António Ramalho Eanes e os ministros da das Obras Públicas e da Indústria e Tecnologia, Dr. Orlindo Almeida Pina e Eng.º Álvaro Roque de Pinto Bissaia Barreto, visitam oficialmente o Rossio ao Sul do Tejo para se inteiraram dos prejuízos causados pela cheia. Em Rio de Moinhos, militares retiram os moradores das suas casas.

1979


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1978. Cheias. Rua Avelar Machado / EN3 / Largo Joaquim dos Santos, Rio de Moinhos


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1978. Cheias. Rua Avelar Machado / EN3, Rio de Moinhos


65

1978. Cheias. Rua Avelar Machado / EN3, Rio de Moinhos


66

1978. Cheias. Rua Avelar Machado / EN3, Rio de Moinhos


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1979 Fevereiro, 11. Cheias. Rua Direita, Rio de Moinhos

1979 Fevereiro, 11. Cheias. Rua Fernando Vieira Ferreira, Rio de Moinhos


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Francisco Jacinto

Apaixonado pelo Tejo, Francisco Jacinto recorda com saudade uma vida de marítimo, embora afirme ter visto muitas vezes “a morte à frente dos olhos”. “Sempre tive uma grande paixão pelo Tejo”, afirma Francisco Jacinto. Faça chuva ou faça sol não há dia nenhum que não vá até ao cais de Rio de Moinhos. “Às vezes juntamo-nos lá todos a conversar e a relembrar velhos tempos que já não voltam”. Marítimo desde os 14 anos, Francisco Jacinto começou como moço. Aos 17 anos já era marinheiro e aos 22 chegou a arrais. Era o arrais mais novo dos cerca de 20 que existiam em Rio de Moinhos e que comandavam as mais de três dezenas de embarcações existentes na freguesia. Aos 30 anos já era mestre das fragatas em Lisboa. Conduziu barcos até

1200 toneladas, com 90 metros de comprimento. “Se havia vento era com a vela se não havia era com as varas” que manejava os barcos Tejo acima, contra a corrente. No movimentado cais de Rio de Moinhos carregavam-se, principalmente, madeiras que eram transportados até à zona de Lisboa, de onde vinham o sal, o ferro e outros produtos. “Antigamente chegou-se a carregar, ao mesmo tempo, 13 barcos de madeira”, lembra Francisco Jacinto. “Ia com o meu pai Tejo abaixo até Valada do Ribatejo, nas jangadas de madeira aqui construídas”. Mas a feitura dos barcos requer sabedoria. “É preciso saber mexer na madeira, tem de se aproveitar as pernadas tortas das árvores”, explica o marítimo que, hoje, aos 76 anos, mantém um barco que construiu, há quatro anos, o “Tolan”. “É o nome do barco que se afundou, em Lisboa, nos anos 80”. No entanto, a pesca passou a ser uma diversão e “já não é a mesma coisa”. Muitos são os episódios, marcados

pelo perigo, que hoje se relatam. Francisco Jacinto afirma ter visto muitas vezes “a morte à frente dos olhos”. O seu pai tinha um barco de 13 toneladas e uma vez carregou-o com madeira para o Montijo. O tempo estava bom, mas, quando chegaram a Alverca, levantou-se um temporal, a lancha partiu a corda e perdeu-se. Conseguiram chegar ao destino com a embarcação já meia de água. Também as cheias eram uma constante. “Em 1973, saí da janela do primeiro andar para dentro de barco”, exclama Francisco Jacinto. No entanto, recordam-se também algumas histórias com nostalgia. “Quando as embarcações se juntavam, fazíamos o comer juntos e comíamos todos do mesmo alguidar. Fazíamos paródias e havia uma grande amizade que hoje não se vê”, lembra o marítimo que afirma: “Tudo se passou e tenho saudades. As pessoas já não ligam ao rio, quem lá não andou não aprecia”.1 1 “Francisco Jacinto”, O Riomoinhense, n.º 13, Dezembro de 2007


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Natural de Amoreira, Joaquim da Costa Flor nasceu a 9 de Agosto de 1886 e faleceu a 8 de Maio de 1932. Foi marítimo e proprietário de um barco varino

Documentos de João da Silva Vitório relativos à Caixa de Previdência


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Fernando Marques

Há 51 que Fernando Marques atravessa, diariamente, o Tejo entre Rio de Moinhos e Tramagal para ir trabalhar. Faça chuva ou faça sol, Fernando Marques, 66 anos, continua a atravessar o rio entre Rio de Moinhos, onde reside, e Tramagal, onde trabalha. Confessa que, por vezes, “é um pouco arriscado”, mas… “o vício já morde”. Todas as manhãs, cerca das sete e meia, embarca em Rio de Moinhos até à outra margem e a viagem de regresso é igualmente feita no seu barco chamado “Benfica”. Fernando Marques declara que prefere ir de barco, já que de carro “a volta é muito grande”. Mesmo que chova, o guarda-chuva não se abre “por causa do vento e é difícil remar e segurar numa sombrinha ao mesmo tempo”. A sua primeira

travessia foi a 31 de Janeiro de 1957 quando foi trabalhar para a Metalúrgica Duarte Ferreira. Na altura, centenas de pessoas atravessavam o Tejo. A empresa tinha uma barca que levava 72 pessoas, outra que levava 68, mais quatro barcos que levavam entre 12 a 18 pessoas e mais um ou dois barcos pequenos. O barqueiro, conhecido como o Joaquim da Barca, tinha também quatro ou cinco barcos para passar as pessoas. Fernando Marques lembra que “antigamente era mais difícil, mas como era muita gente encostávamo-nos aos mais velhos. Agora é mais fácil porque já tenho um bocado de traquejo e já não há as cheias que havia antigamente”. As cheias inundavam as margens e era um “pouco assustador” atravessar o rio. Quando o Tejo estava cheio a própria administração da MDF não permitia que passassem numa zona que chamavam a Quinta

da Barca, onde estava a bomba que puxava a água para a quinta e também para a metalúrgica. “Por duas vezes tive que dar a volta a pé por Tramagal direito ao Rossio e passar por Abrantes para vir para casa e para ir trabalhar. O temporal era muito, o Tejo ia muito cheio e as pessoas tinham medo, embora houvesse indivíduos com mais arrojo que atravessassem. Mas eram poucos”. Hoje não há cheias como antes, mas quando a água é pouca o barco encalha em cima das pedras e, por vezes, é necessário atirar-se à água para conseguir desencalhar o barco. Fernando Marques afirma que nunca teve medo de atravessar o rio. Aliás, quando estava na tropa em Santa Margarida chegava a atravessar o Tejo durante a madrugada.1

1 “Fernando Marques”, O Riomoinhense, n.º 14, Junho de 2008


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Cédula de Inscrição Marítima de João da Silva Vitório


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Manuel dos Santos “Frade”

Filho e irmão de marítimos, Manuel José Ferreira dos Santos “Frade”, nasceu a 29 de Janeiro de 1929 e faleceu a 3 de Abril de 2011. Concluiu a 4ª classe e aos 11 anos iniciou a sua vida de marítimo. Aos 21 foi cumprir o serviço militar, durante sete meses, e voltou ao Tejo até aos 23 anos, altura em que se tornou motorista de camionagem na empresa “Victor Flor Pereira”, sediada em Rio de Moinhos. Esta empresa transportava madeira dos pinhais até às serrações da terra e de Vila Nova da Barquinha, Constância ou Tomar, entre outras. Em Rio de Moinhos, existiam três serrações, no início do século XX: Zeferino Álvaro Pereira, Possidónio Covão e Baptista Damasceno. Cada uma detinha vários barcos “Varinos” a navegar no Rio Tejo para transportar madeira até Lisboa. O transporte também era feito em jangada, sobretudo no verão quando o caudal da água era bastante reduzido. Em 1943, apenas com 14 anos de idade, Manuel dos Santos estava no Porto do Sabugueiro, Muge, para transportar cepos de pinheiro rachados para a fábrica de louça de Sacavém e… Ao romper da manhã, junto à ponte ferroviária de Muge, o Arrais António Ferreira Frade, meu pai, pediu-me para ir buscar a guia da carga ao porto do Sabugueiro. Como eu estava cheio de sono, recusei o seu pedido e de seguida, o meu pai agarrou uma raiz de um pinheiro para me agredir. Eu desviei-me e com medo, saltei para

a água. Nadei pelo menos uns 50 metros até atingir a terra. Mais tarde, caminhei todo molhado até a casa de uma tia minha, irmã do meu pai que vivia em Muge. Chegado à casa dela, contei o sucedido e ela convidou-me para lá ficar. Eu estava tão enervado que implorei a minha tia para ficar com ela para sempre. Nunca mais queria regressar para trabalhar com o meu pai. Horas depois, o meu pai veio à

minha procura e bateu à porta e disse à minha tia: Quero já o meu rapaz aqui para vir comigo trabalhar. A minha tia falou com ele e ordenou-o para que eu fosse bem tratado e para que ele não me batesse mais. Após alguma reflexão, o Arrais prometeu à minha tia que não tocaria mais em mim. A partir desta data, o meu pai nunca mais me bateu.


73

Documentos de João da Silva Vitório relativos ao Sindicato Nacional


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Teófilo Mendes

Natural de Amoreira, Rio de Moinhos, Teófilo Vicente Lopes Mendes estudou até à 4ª classe e foi marítimo dos 14 aos 50 anos de idade, tendo depois sido encarregado de fábrica na Somapre, em Tramagal, até à reforma. Durante uma cheia do Tejo, o Arrais Serafim Lopes Bexiga vinha, por água abaixo, do Rossio ao Sul do Tejo no seu varino que transportava cortiça. Perto de Tramagal, o mastro do barco bate nos fios de eletricidade, partese e embate na “Pedra da Velha”, em Caldelas, Rio de Moinhos. O varino afunda-se e os tripulantes saltam para a “Pedra da Velha”. Só assim conseguiram sobreviver à fúria das águas. Contado por Joaquina Gaspar, esposa do Camarada Teófilo Vicente Lopes Mendes

Num dia de Todos os Santos, junto da Siderurgia do Seixal, estava tanto vento que até levava as embarcações. Descansado dentro do meu varino “A Família”, chamei a minha tripulação e saltei para dentro da lancha para ir espiar o ancorote (ou baixar o ferro). Quando estávamos a estriar a corrente, esta amarrou-se ao meu pé e levou-me para o fundo das águas. A minha tripulação nunca mais me viu e a mim, parecia-me que o tempo nunca mais parava. Mas passados alguns minutos, apareci ao cimo de água a nadar junto da lancha. Foi um susto que nunca mais me esqueci. As pessoas que nunca andaram no Tejo não sabem aquilo que a gente passava. Claro que foram bons e maus momentos. Mas penso que a nossa vida estava sempre por nossa conta. Contado pelo Camarada Teófilo Vicente Lopes Mendes


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Meados Sec XX. Margens do Tejo, Rio de Moinhos


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Possidónio “Carneiro”

Possidónio Luís “Carneiro” nasceu a 12 de Abril de 1910, em Rio de Moinhos, e faleceu a 27 de Novembro de 1978. Era irmão do Camarada António Luís e do Camarada José Luís “Bacalau”. Jorge Luís, filho do Arrais Possidónio, costumava passar alguns das suas férias de verão com o seu pai a bordo do barco que se encontrava em Lisboa. E em 1957, com sete anos de idade, estava num dos almoços, na presença de, pelo menos, doze pessoas (marítimos estivadores) quando algo aconteceu.

Depois da confecionada, a refeição era servida num alguidar/bacia e a comida era retirada com um garfo por cada um dos elementos. Mas, o menino da aldeia com poucos conhecimentos da educação marítima, mergulhou um pedaço de pão no recipiente para “molhar a sopa”. De repente… uma mão bateu-lhe

na face, derrubando-o para o chão. O seu pai tinha acabado de lhe dar uma boa bofetada, dizendo-lhe: “Não são porcos que estão aqui para comer. Só depois de todos terem comido e posado o garfo é que podem molhar a sopa”. Esta aventura custo-lhe uma chapada, mas a partir desta data o seu pai nunca mais lhe bateu.


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1949 Janeiro, 1. Painel de azulejos colocado em Amoreira


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1900. Quadro de Alfredo Keil. Barcos em Abrantes


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...e a fé


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Anos 50. Igreja Matriz, Rio de Moinhos


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A Igreja Matriz

Embora existam referências a uma Igreja de Santa Eufémia em períodos anteriores, a Igreja Matriz parece remontar do século XVI, não só pelo que resta de uma porta deste período, como pela existência de uma inscrição funerária reaproveitada na soleira da porta que liga o corpo da Igreja à sacristia. Templo de uma só nave, comum na região, linhas muito simples, salientando-se a sua porta lateral em granito, de verga direita, decorada com rosetões e encordoamentos. Igreja de modestas dimensões, possuía já em 1758, segundo nos dizem as Memórias Paroquiais, seis altares: Santa Eufémia, Nossa Senhora do

Rosário (que se supõe ter vindo do extinto Convento de São Domingos de Abrantes) Santo António, Espírito Santo, Senhor Jesus e das Almas. Posteriormente foram acrescentados mais dois dedicados a Nossa Senhora do Carmo e a Nossa Senhora da Soledade. Todos merecem um olhar atento, mas é de salientar o altar colateral do Espírito Santo com um retábulo quinhentista, decorado com pinturas, sem maior mérito, mas onde se encontra uma excelente escultura quinhentista em pedra estofada, da Santíssima Trindade. A figura do Pai eterno, com coroa aberta, é imponente. Também em pedra, da mesma época, possui esta Igreja uma Santa Luzia trajada e ornamentada à moda da época, toucado de tranças e pendentes nas orelhas,

que a tornam um exemplar interessantíssimo. Existe ainda um São Sebastião em pedra pintada e estofada do século XVII. Outras imagens em madeira do século XVII, XVIII e XIX, algumas provenientes do extinto Convento da Graça de Abrantes, assim como das extintas Irmandades (das Almas e da Santíssima Trindade) que existiram em Rio de Moinhos, povoam os diversos altares. Realce ainda para as duas pias de água benta, uma em forma de concha à entrada da porta colateral, e outra sobre fuste torcido, de gosto manuelino, junto da porta principal. E no Adro da Igreja detetouse uma necrópole após uma intervenção em 1995 onde, numa pequena área de cerca de 216 metros, foram exumados 57 enterramentos.


83 A deposição dos corpos nesta área foi simplesmente feita diretamente no solo, sem haver indícios da presença de caixão (pregos) ou da preparação prévia do local onde se abriu a modesta vala. Condicionados pelo exíguo espaço do Adro, as ossadas sobrepõem-se de forma quase anárquica, sendo frequente que uns enterramentos violem outros. Foi possível observar uma longa e extensa diacronia na utilização do espaço. Pode ter começado no século XVI e ter-se estendido ao século XVIII.1

1 AA.VV. (2007) Rotas Divinas, Gabinete de Apoio Técnico de Abrantes Direção-Geral do Património Cultural (1996) Rio de Moinhos - Igreja Matriz de Santa Eufémia. Disponível em http://arqueologia.patrimoniocultural. pt/?sid=sitios.resultados&subsid=2151499 (acedido a 21 de Abril de 2017)

Meados Sec XX. Igreja Matriz, Rio de Moinhos


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1955. Senhor dos Passos. Igreja Matriz, Rio de Moinhos

1955. Altar de Nossa Senhora do Rosário. Igreja Matriz, Rio de Moinhos


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1955. Altar-Mor. Igreja Matriz, Rio de Moinhos

1955. Igreja Matriz, Rio de Moinhos

1955. Altar-Mor. Igreja Matriz, Rio de Moinhos


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1955. Igreja Matriz, Rio de Moinhos


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1955. Altar do Espírito Santo. Igreja Matriz, Rio de Moinhos

1955. Igreja Matriz, Rio de Moinhos


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Movimentos

A Sociedade de S. Vicente de Paulo foi introduzida em Portugal a 27 de Setembro de 1859 com o nascimento da primeira Conferência portuguesa, em Lisboa. Em Rio de Moinhos, a Conferência Mista de Santo António da Sociedade de S. Vicente de Paulo, foi fundada a 1 de Novembro de 1953 pelo Dr Manuel Pádua Ramos. Este movimento Vicentino, em regime de voluntariado, tinha por missão desenvolver ações de solidariedade social destinadas às pessoas mais carenciadas desta freguesia. Para além de ter assumido a distribuição de bens alimentares vindos do Banco Alimentar, este movimento riomoinhense, quando possível e necessário, concedia também apoios monetários. A organização vivia apenas de coletas e quotas, tendo sido extinta em 2016. A Cruzada Eucarística foi fundada, em 1938, pelo Padre Amaro que chegou à Paróquia de Santa Eufémia neste mesmo ano. Este movimento funcionava como uma catequese durante a Santa Missa e tinha lugar de honra na Capela Mor. Os seus associados vestiam fatos brancos, com uma cruz vermelha estampada, que eram confecionados em casa da costureira Maria José Patrício. A Cruzada Eucarística foi extinta em 1941. Além deste movimento, surgiu ainda, nos anos sessenta, a Liga Eucarística formada por um grupo de homens e cujo lema era também servir Cristo. Entretanto, tinha ainda sido criado o Apostolado da Oração, cujas receitas se encontram mencionadas já no ano de 1939 sendo rubricadas pelo Padre Joaquim Nunes Bernardo.


89

1938 Outubro, 4. Padre Amaro acompanha a Cruzada Eucarística


90

1950 Abril, 30. Grupo da Freguesia de Rio de Moinhos participa no Cortejo de Oferendas de Abrantes

1948 Fevereiro, 15. Grupo da Freguesia de Rio de Moinhos participa no Cortejo de Oferendas de Abrantes

1950 Abril, 21. Grupo de senhoras vindo de uma missa na Capela da Pedreira


91

1948 Fevereiro, 15. Grupo da Freguesia de Rio de Moinhos participa no Cortejo de Oferendas de Abrantes

1938. Grupo de meninas à saída da missa, Rio de Moinhos


92 Já existia neste ano, sendo provavelmente muito antiga, a Igreja de Santa Maria da Amoreira, hoje desaparecida mas com existência comprovada entre Amoreira e Montalvo, pelo menos até ao século XVII. Desse ano documenta-se ali um enterramento.

1577

Maio, 1. Concedida a licença para a criação do Compromisso da Irmandade do Santíssimo Sacramento.

1747 Nas Memórias Paroquiais é referido que em Rio de Moinhos existe uma Igreja Matriz dedicada a Santa Eufémia e duas ermidas uma de Nossa Senhora da Guia e outra de Santo António.

1758

As Atas da Câmara referem que os 155.130 reis sobrantes do peditório para as vítimas das cheias do Rossio ao Sul do Tejo foram destinados à construção do cemitério de Rio de Moinhos.

1854 Data deste ano a construção do cemitério público de Rio de Moinhos, que fora autorizado por portaria governamental de 3 de Dezembro de 1856 e que custou cerca de 320.000 réis. A lápide mais antiga do cemitério remonta a 1907 e o portão tem a data de 1913.

1857


93

1955 Junho, 6. Casamento. Maria Deonilde Baptista Major “Mariazinha” e José Rodrigues Brunhete “Zé Barbeiro”


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Ao Povo de Rio de Moinhos

Todos os riomoinhenses sabem que a festa do Bodo não teve logar este anno como estava projectada em face de varias circumstancias. Vou relatar este facto publicamente e em nome de vários meus amigos promotores dos festejos por ser da máxima conveniência para a classe marítima. Como todos sabem é a esta classe que os festejos se devem já por ser o principal elemento de Rio de Moinhos, já pelos benefícios com que indirectamente contribuem afim de os levar à realidade. Como sempre todos esperavam a festa, era mesmo gosto da parte de todos os membros a sua realisação porque alem de vir dar alento a terra, satisfaz cabalmente às suas promessas. Mas a fatalidade, oh, triste fatalidade veio de

encontro aos nossos planos projectados, levando d´esta vida para a eternidade um membro querido, um filho trabalhador que todos n´elle confiavam pela rectidão do seu caracter, pois só no seu espírito predominava a honradez chamava se elle Serafim da Costa Flor. Foi marítimo de profissão e a classe na sua maioria ficou enlutada com tão triste acontecimento resolvendo unanimemente não levar a pratica os projectados festejos do Espírito Santo. Mas não parou aqui a fatalidade, foi caminhando e na sua passagem mais dois entes roubou d´esta vida, os quaes é inútil dizer o que foram, chamavam-se elles José Couveiro e Álvaro Lopes Secco, também marítimos. D´esta sorte attentas as circunstancias imprevistas, pois nada d´isto se esperava, ficou resolvido que os festejos ficassem a cargo dos mesmos promotores, para opportunamente se resolver qual a attitude a tomar. Alem

d´estes factos narrados, ao publico diremos que tomou bastante incremento na classe marítima um boato que correu. Talvez infundado, o qual foi dizer-se que haviam alguns contribuintes que desejavam que fosse tocar a philarmonica de Rio de Moinhos nas festas do Bodo, o que não é da vontade da maioria da classe. Escusado será dizer que é inútil qualquer tentativa com o fim de fazer para que esta philarmonica toque n´esta festa. Enquanto publicamente se não retratar da acção que praticou em 1891. Fica de pé a opposição aberta e declarada. Lisboa, 12 de Junho de 1893. Em nome dos seus amigos marítimos. António Pereira1

1 “Ao Povo de Rio de Moinhos”, O Abrantes, n.º 34, 18 de Junho de 1893


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1959 Janeiro, 25. Casamento. Alberto Dono Baltazar e Maria José Jesus Monteiro

1961 Setembro, 3. Casamento. Joaquim Vieira Mouzinho e Maria Antónia mendes dos Santos

1966 Maio, 8. Casamento. Joaquim Maria da Silva André e Maria Manuela Rodrigues Vasco


96

A Igreja recebeu estatuária variada, de madeira, do século XIX proveniente do Convento da Graça.

1901

Segundo os jornais da época, foi realizada uma festa e procissão em honra de Nossa Senhora do Carmo, por uma comissão de senhoras de Lisboa, em férias, com o objetivo de assegurar a continuação do seu culto, construindo assim um altar privativo. A mesma notícia refere também que o capitão Júlio Lopes d’Oliveira, natural de Rio de Moinhos, lançou a ideia de se fazer uma petição à “Rainha Regente” para a construção de uma nova igreja. A petição datada de 25 de Outubro 1902 foi enviada, mas não se conhece o resultado.

1902

Fevereiro, 13. A Junta de Paróquia de Rio de Moinhos encerra a Igreja Paroquial.

1913 Março, 7. É constituído um Agrupamento Cultural Transitório em Rio de Moinhos. Estes grupos constituíram-se em praticamente todas as freguesias do concelho, o que permitiu o funcionamento das Igrejas.

1913 Julho, 22. A portaria n.º 3 271 autoriza uma comissão de católicos de Rio de Moinhos a construir na Igreja Paroquial um novo altar, sem encargos para o estado.

1922


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Meados Sec XX. Amoreira


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Rio de Moinhos

Realiza-se no próximo domingo n´esta formosa aldeia a festa da Nossa Senhora do Carmo, promovido por um grupo de senhoras residentes em Lisboa. O programma é deveras attrahente. No dia 30, às 5 horas da tarde, abertura da kermesse no adro, arraial e musica. A´s 10 horas da noite fogo de artifício e iluminação à veneziana, tocando alternadamente a philarmonica e a tuna riomoinhenses.

No dia 31, alvorada, festa d´egreja por musica e instrumental e sermão pelo revd.º parocho. As 4 da tarde procissão, em seguida arraial e kermesse. A´s 10 horas da noite grande marcha com archotes e balões, fogo de artifício no Tejo e serenata em barcos illuminados à veneziana. No dia 1 de Setembro, às 5 horas da tarde, kermesse, arraial, corridas de saccos e outras diversões populares.1

1 “Rio de Moinhos”, Amador Arraes, n.º 134, 28 de Agosto de 1902

Festival em Rio de Moinhos

Conforme o programma distribuido, realisaram-se em Rio de Moinhos, nos passados dias 30 e 31 de agosto e 1º do corrente as festas promovidas em honra de Nossa Senhora do Carmo. Foi um festival realmente deslumbrante e que deixou satisfeitos quantos ali foram. A commissão era constituida pelas ex.as sr.as. D. Adelaide de Oliveira Pinho, D. Felismina Nunes Coelho, D. Gertrudes Mora Tavares, D. Julia Lina Mora, D. Maria Amalia Nunes Sanches e D. Rosa de Castro Balga e Serra. Auxiliavam a commissão os sr.s: Antonio Soares Sanches, Antonio de Araujo Cerveira Serra e Antonio Jacintho Coelho, conceituados commerciantes da praça de Lisboa, e Augusto Alves Tavares, illustrado capitão de cavalaria e ainda outros cavalheiros, cujos nomes não pudemos saber. A´s 5 horas da tarde do dia 30 abriu a kermesse subindo ao ar por essa ocasião algumas girandolas de foguetes, e ás 10 horas da noite queimou-se fogo de artificio.


99 A iluminação era á veneziana. Tocou a philarmonica de Rio de Moinhos, organizaram-se bailes populares no adro da igreja e á meia noite deu-se por terminada a primeira parte do programma. No dia immediato, ás 5 horas da manhã, a philarmonica da terra tocou a alvorada e percorreu as principaes ruas da aldeia. Entretanto queimavam-se alguns morteiros, e grupos de forasteiros, fugindo ao calor, vinham chegando, alegres, satisfeitos, cantando trovas, procurando pousada. Ao meio dia cantou-se a missa por musica e instrumental, prégando ao Evangelho, o reverendo parocho da freguezia. A´s 5 horas sahia a procissão na qual tomou parte, alem da philarmonica riomoinhense, a banda de caçadores 1 e uma guarda de honra do mesmo regimento. As Senhoras do Carmo e do Rozario levavam mantos de seda, riquissimos. Foi na verdade um prestito religioso respeitavel, impotente, devido ás pessoas escolhidas que n´elle tomaram parte. Alem d´outras creanças, vimos ricamente vestidas de anjo as meninas Judith Sanches, Maria de Oliveira Pinho, e Innocencia Tavares Terenas. Representavam S. João os meninos Mario Nunes Coelho, João Pires e Americo Pinho.

Atrás do andor da Senhora do Carmo, seguiam as Ex.as promotoras da festa, com excepção da Sr.a D. Julia Lino Mora, que nos disseram estar ausente. Depois da procissão, abriu de novo a kermesse, sendo difficil o transito no largo da igreja. A´s 10 horas organisava-se a grande marcha com archotes e balões desde do adro até ao Tejo onde foi queimado fogo de artificio com serenata, nos intervallos, em barcos á veneziana. A marcha foi brilhante, tão brilhante como na provincia ainda não vimos melhor. N´ella tomaram parte todas as senhoras e cavalheiros que estão veraneando em Rio de Moinhos, muitos cavaleiros de Abrantes, a philarmonica, seguindo no couce milhares de pessoas. No Tejo, o effeito que produziam os barcos illuminados era encantador. A´1 hora da noite em Rio de Moinhos dormia a somno solto, porque nesse dia 1.º havia mais festa, mais foguetes, mais musica, como effectivamente houve kermesse, mastro do cocagne, corridas de saccos e nova marcha com balões e serenata no rio. Dissemos no começo d´esta noticia que o festival foi realmente deslumbrante. Não exageramos. Rio de Moinhos, a pittoresca aldeia do nosso concelho, pode e deve de orgulhar-se de ter proporcionado

aos seus numerosos forasteiros um periodo de festas digno de applauso. Fez-se ali o que em muitas villas não se faz. Não houve uma nota de discordante, uma desordem, sendo entretanto, a policia feita apenas pelos guardas campestres e cabos sob as ordens do regedor. Isto dá a medida da bôa educação d´aquelle povo, muito trabalhador, muito obsequeiador e digno por isso de todas as deferencias. Felicitamos a sympathica commissão e os cavalheiros que tanto a auxiliaram pelo bello resultado dos seus esforços. Oxalá não esmoreçam nos annos posteriores e que continuem a darnos festas tão agradaveis como as que presenceámos. São esses os nossos desejos sinceros porque tambem é mui sincera a nossa sympathia pela formosa aldeia. Em Rio de Moinhos realisa-se hoje a festividade de Nossa Senhora do Rosario, com missa por musica, sermão e procissão a seguir. De tarde e á noite continuará a kermesse em favor do festival da Senhora do Carmo, queimando-se fogo do ar e areostatos..1

1 “Festival em Rio de Moinhos”, Echo do Tejo, n.º 83, 7 de Setembro de 1902


100

1923. Festa do Bodo, Amoreira


101

1923. Festa do Bodo, Amoreira


102 Construção do coreto. De referir que existia outro projeto para esta obra. Nunca foi executado.

1930 É comprado um novo sino para o campanário.

1932

A Igreja foi dotada de energia elétrica. O trabalho de instalação foi feito, gratuitamente, por Joaquim da Silva Morgado.

1934 Foi oferecido um harmónio, adquirido por meio de subscrição de senhoras da freguesia.

1935

J. Silva, pintor de Alcaravela, pintou o altar-mor da Igreja de Rio de Moinhos.

1940 Datadas 1943, existem cópias de cartas dirigidas ao bispado de Portalegre onde o Padre Augusto Sousa e Silva tenta esclarecer algumas dúvidas existentes sobre a casa paroquial, inexistente até aquela data, mas também sobre a Escola Primária ou “Casa do Bodo” e ainda a casa da Junta. Relativamente à “Casa do Bodo” (Escola Primária), o edifício foi doado, no século XIX, à Irmandade do Santíssimo Sacramento por um dos seus membros para que aqui se pudesse preparar a Festa do Bodo e guardar as alfaias usadas na referida celebração. Mais tarde, a Irmandade e a Junta da Paróquia acordam o funcionamento da escola neste edifício, ficando salvaguardada a sua utilização durante a Festa do Bodo. A sala torna-se propriedade já Junta da Paróquia aquando da extinção da referida Irmandade. Neste local nunca existiu uma Capela.

1943


103

1951 Maio, 5. Passagem da imagem de Nossa Senhora de Fátima em Rio de Moinhos


104

1951 Maio, 5. Passagem da imagem de Nossa Senhora de Fátima em Rio de Moinhos


105

(à esquerda e em cima) 1951 Maio, 5. Passagem da imagem de Nossa Senhora de Fátima em Rio de Moinhos

Fim Anos 50. Construção da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, Amoreira


106 Conclusão do cemitério da Amoreira.

1953 Dezembro, 16. Inauguração do cemitério de Amoreira e da respetiva Capela da Nossa Senhora do Carmo.

1956 Construção da Igreja de Amoreira.

1962

Construção da Igreja da Pucariça. Nesta altura o Pároco já celebrava numa das salas da Escola Primária da Pucariça.

1967

Párocos de Santa Eufémia 27-04-1758 Padre Luís Soares 12-06-1819 Padre António José Honrado 01-04-1900 Padre Joaquim Nunes Bernardo 01-01-1901 Padre Guilherme Nunes Tavares 01-10-1908 Padre Antero Moreira Mirrado 21-03-1910 Padre João Augusto dos Santos

Água no cemitério de Amoreira.

14-08-1912 Padre Joaquim Nunes Bernardo

1967

30-09-1939 Padre Augusto Serras e Silva

28-01-1938 Padre Amaro Fernandes Alves 22-11-1951 Padre Manuel de Sousa Lopes 03-02-1995 Mons. Cónego José Genro Carvalheira

Relógio para a Torre da Igreja Matriz.

08-07-1995 Cónego José da Graça

1972

03-10-2004 Padre José Manuel Marques Cardoso

10-03-1996 Mons. Cónego José Genro Carvalheira 22-09-2013 Padre Nuno Miguel Lopes da Silva 02-10-2016 Padre Carlos José Cardoso de Almeida


107

1966. Festejos em Pucariça para angariação de fundos destinados à construção da Igreja de Santo António

1967. Cartaz dos Festejos já refere a conclusão da obra embora as receitas revertam em seu benefício


108

Acto de Generosidade

Dignou-se oferecer à nossa Igreja novos quadros para a Via Sacra, o Senhor João Paulo Rosa. Trata-se de quadro em madeira e bronze, que muito embelezam e enriquecem a nossa Igreja. O nosso sincero bem haja.1

1 “A Voz de Rio de Moinhos – Procissão dos Passos”, A Nossa Terra Natal, Abril de 1973

Procissão dos Passos

No próximo Domingo de Ramos, dia 15 de Abril, segundo uma tradição que nasceu simultâneamente com a criação da freguesia, vai celebrar-se a Procissão do Senhor Jesus dos Passos. No decurso do ano é exactamente neste dia, que Rio de Moinhos é visitado por uma verdadeira multidão de fiéis que connosco se associam à comemoração piedosa da Paixão de Cristo. Este facto exige de todos nós uma preparação espiritual condigna a manifestar-se exteriormente numa atitude de Fé e num estemunho de vivência cristã. Sem isso, a Procissão de pouco valeria. Em ordem a essa preparação, vai realizar-se no dia 8 de Abril a Comunhão colectiva das Crianças e da Juventude de Rio de Moinhos e no dia 15 a Comunhão dos Homens e das Senhoras. No dia 12, quinta-feira, às 10 horas, lembraremos com Ofício solene os nossos Irmãos que foram ao encontro de Deus. No Domingo de Ramos, excepcionalmente, o programa das Missas será o seguinte: às 9 horas Pucariça; às 10.30 Rio de Moinhos e às 12.30 Amoreira. A Procissão começará às 17 horas. Este ano, em virtude do imenso trânsito da estrada que atravessa Rio de Moinhos, a cerimónia do encontro não será no local do costume. Todas as pessoas inteligentes compreendem que não só temos o direito ao respeito e silêncio devidos a uma Procissão de Penitência mas também temos de respeitar o livre trânsito a quem pode ter urgência em passar.1 1 “A Voz de Rio de Moinhos – Procissão dos Passos”, A Nossa Terra Natal, Abril de 1973


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1964 Março, 22. Procissão dos Passos, Rio de Moinhos


110

Anos 40. Procissão dos Passos, Rio de Moinhos

Anos 60. Procissão dos Passos, Rio de Moinhos

1974. Procissão dos Passos, Rio de Moinhos


111

1986. Procissão dos Passos, Rio de Moinhos

1984. Procissão dos Passos, Rio de Moinhos


112

Meados Sec XX. Procissão em Rio de Moinhos

1964 Março, 22. Procissão dos Passos, Rio de Moinhos

Anos 70. Procissão em Rio de Moinhos


113

Meados Sec XX. Procissão em Rio de Moinhos

1974. Procissão em Rio de Moinhos

Meados Sec XX. Procissão em Rio de Moinhos


114

Domingo de Ramos

Autêntica multidão de peregrinos atraídos pela tradição dos Passos em Rio de Moinhos e por um tempo primaveril acorreram a esta localidade, a fim de participarem numa das mais eloquentes manifestações de Fé desta região ribatejana. De manhã celebraram-se missas em Amoreira, Pucariça e sede da freguesia. Foram algumas centenas de fiéis que neste dia cumpriram o preceito pascal; pelas 17 horas começou a organizar-se a Procissão. Todos os passos estavam ornamentados com arte e beleza, convidando à oração e recolhimento. A procissão nas suas longas filas percorre as ruas todas atapetadas de alecrim. Ouvem-se os acordes da nossa Filarmónica que, impecavelmente afinada, acompanha a Procissão. No lugar do Encontro fala com elevação e pureza de doutrina o Rev.º Padre Henrique Marques, Pároco e Arcipreste de Abrantes. Tomando como tema o Amor de Deus que se manifesta exuberantemente na obra da Criação e ainda com mais eloquência na obra da Redenção, faz um apelo à caridade cristã, elo bendito a unir e irmanar todos os membros da família humana. Quanto ao novo local onde este ano se celebrou o Encontro, reconheceu-se que nos proporcionava um ambiente de maior respeito e silêncio, mas também se reconheceu a ausência das necessárias condições acústicas, sendo por consequência aconselhável, de futuro, o uso de uma instalação sonora.1

1 “A Voz de Rio de Moinhos – Domingo de Ramos”, A Nossa Terra Natal, Maio de 1973


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Anos 60/70. Procissão em Rio de Moinhos

1950. Procissão das Fogaças, Rio de Moinhos


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Festa de Nossa Senhora do Rosário

Sob as mais diversas inovações não há cantinho algum da nossa Pátria onde a Mãe de Jesus não seja venerada ou invocada. A nossa região, talvez por influência do Convento dominicana da cidade de Abrantes, ficou notavelmente marcada pela devoção a Nossa Senhora do Rosário. Encontrámos a sua imagem em todas as igrejas paroquiais deste alto Ribatejo e Rio de Moinhos possue uma das mais belas e artísticas imagens que nos tem sido dado observar. Imagem do princípio do século XVIII, artisticamente executada em todos os pormenores, inspira de facto devoção e piedade. Está mo primeiro Altar lateral da direita da igreja matriz. O retábulo deste Altar está

enriquecido com pequenas telas com pinturas, de relativo valor, alusivas aos mistérios do Rosário. Todo o autêntico Riomoinhense consagra uma sincera devoção a Nossa Senhora do Rosário. Quantas promessas e votos em honra d´Aquela a quem todas as gerações proclamam Bemaventurada! Por isso todos os anos – com mais ou menos solenidade – a Festa de Nossa Senhora do Rosário constitui um dos acontecimentos mais notáveis na vida religiosa e social da nossa Aldeia. Este ano será celebrada a 16 de Setembro com o seguinte programa: Dia 7 de Setembro, às 20 horas início da novena preparatória com recitação do Terço do Rosário, Meditação e Celebração

Eucarística. Dia 16, Domingo – 7 horas, alvorada; 14 horas, organização do Cortejo de Fogaças. Além das oferecidas na Sede da Freguesia virão Fogaças da Pucariça, Aldeinha, Caldeiras, Vale de Zebro, Azinhal, etc.; 15 horas, missa cantada em honra da Nossa Senhora do Rosário com sermão em cumprimento de um voto; 16 horas, procissão abrilhantada pela Filarmónica local; 17 horas, benção dos Carros (Camionetas e automóveis). A benção será dada no largo que fica junto ao adro da Igreja Matriz; 17.30, animado leilão das Fogaças.1 1 “A Voz de Rio de Moinhos – Festa de Nossa Senhora do Rosário”, A Nossa Terra Natal, Setembro de 1973


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(à esquerda e em cima) 1946 Setembro. Procissão das Fogaças, Rio de Moinhos

(à direita) 1960. Procissão em Rio de Moinhos


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1972. Procissão das Fogaças, Rio de Moinhos


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1938 Setembro, 12. Festa de Setembro, Rio de Moinhos


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1946 Setembro, 17. Cândido da Costa Flor, Maria Emília Morais e irmãs do Padre Augusto

1946 Setembro, 17. Festa de Setembro, Rio de Moinhos

Anos 50. Festa do Bodo, Rio de Moinhos


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1950. Festa do Bodo, Rio de Moinhos


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1950 Maio, 28. Festa do Bodo, Rio de Moinhos


123

Anos 20. Festa do Bodo, Rio de Moinhos

Anos 70. Festa do Coração de Jesus, Rio de Moinhos

Meados Sec XX. Festa do Bodo, Rio de Moinhos


124

Festa do Coração de Jesus

Precedida de uma semana de Pregação, vai celebrar-se no dia 21 de Outubro, a Festa do Coração de Jesus. Como sempre é promovida pelo Centro local do Apostolado da Oração. Será orador durante a semana de preparação, um Sacerdote das Missões da Consolada. Na sede da freguesia as Conferências, seguidas de Projecções, realizam-se no Salão da Casa do Povo, às 21 horas. Haverá também Conferências em Amoreira e Pucariça. Depois de alguns meses de intensa preparação, vão fazer neste dia a sua Profissão de fé 32 crianças. No dia 21, o programa será o seguinte: às 10 horas, renovação das Promessas de Baptismo pelas crianças e celebração Eucarística com comunhão geral dos fiéis. Presentes também os Homens da Liga Eucarística, que neste dia realizam a sua reunião mensal. Às 11 horas, alegre convívio de todas as crianças da freguesia que frequentam a catequese. Às 16 horas, Procissão, Consagração ao sagrado Coração de Jesus e entrega de Diplomas às crianças da Profissão de Fé. Este dia é sem dúvida uma óptima oportunidade para os nossos jovens cristãos se interrogarem como têm vivido as Promessas do dia, mais ou menos longínquo, da sua Profissão de Fé. Como cristão conscientes ficamos comprometidos com Deus no respeito e amorosa obediência que todo o Homem deve à sua Santa Lei.1

1 “A Voz de Rio de Moinhos – Festa do Coração de Jesus”, A Nossa Terra Natal, Outubro de 1973


125

1951 Outubro, 4. Profissão de Fé, Rio de Moinhos

Anos 70. Profissão de Fé, Rio de Moinhos


126

Meados Sec XX. Profissão de Fé, Rio de Moinhos


127

1927 Julho, 24. Profissão de Fé, Rio de Moinhos


128

1950. Diploma da Profissão de Fé


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bibliografia Fontes Impressas

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ANDRÉ, Rui, “Postais de Rio de Moinhos – uma freguesia com história”, Zahara, nº 4, Dezembro 2004

“Ao Povo de Rio de Moinhos”, O Abrantes, n.º 34, 18 de Junho de 1893

ARRAIS VICENTE (1996) Cantos do Tejo, Câmara Municipal de Salvaterra de Magos

“Rio de Moinhos”, Amador Arraes, n.º 134, 28 de Agosto de 1902

AA.VV. (2007) Rotas Divinas, Gabinete de Apoio Técnico de Abrantes CAMPOS, Eduardo; ROSA, Maria João, “As Memórias Paroquiais de 1758 – Rio de Moinhos”, Zahara, nº 7, Junho de 2006 SILVA, Joaquim Candeias, História cronológica do concelho de Abrantes - Da Pré-História a 1916, Câmara Municipal de Abrantes VIEIRA, José Manuel d’Oliveira, Abrantes – Cronologia das cheias do rio Tejo 1550-2010 Publicações Periódicas “A Voz de Rio de Moinhos”, A Nossa Terra, Fevereiro de 1973 “Francisco Jacinto”, O Riomoinhense, n.º 13, Dezembro de 2007

“Festival em Rio de Moinhos”, Echo do Tejo, n.º 83, 7 de Setembro de 1902 “A Voz de Rio de Moinhos – Domingo de Ramos”, A Nossa Terra Natal, Maio de 1973 “A Voz de Rio de Moinhos – Festa de Nossa Senhora do Rosário”, A Nossa Terra Natal, Setembro de 1973 “A Voz de Rio de Moinhos – Festa do Coração de Jesus”, A Nossa Terra Natal, Outubro de 1973 Fontes Online Direção-Geral do Património Cultural (1996). Rio de Moinhos - Igreja Matriz de Santa Eufémia. Disponível em http://arqueologia.patrimoniocultural.pt/?sid=sitios. resultados&subsid=2151499 (acedido a 21 de Abril de 2017) http://www.cidadecentenaria.cm-abrantes.pt/index.php/pt/ cronologia


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1910. Rio de Moinhos


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