01 . 10
O Sul nasce para todos
NR 00
Mensário . Nr 00 . Janeiro de 2010 . Preço: € 0,01 . Director: Luís Humberto Teixeira
ASTROLÁBIO
de ideias e a partilha de conhecimento.
PÁG. 06
PÁG. 08
PÁG. 15
O jornal impresso tem um semanário republicano design da publicação. Por Adaptando o conceito aos lugar na edição impressa. de se reinventar ou tornar- em tempos monárquicos vivermos numa época de nossos dias, este mensáQuerendo contribuir se-á irrelevante. Repetida para o qual escreveram excesso de informação, op- rio será composto por re- para a renovação do deinúmeras vezes nos últi- figuras como Ana de Cas- támos pela periodicidade portagens, bate público mos anos devido à pene- tro Osório ou Paulino de mensal. Para chegarmos entrevise da cidadaOs tração cada vez maior dos Oliveira. A filosofia contra- ao maior número possível tas, artigos nia activa, meios electrónicos (rádio, corrente agradou, assim de leitores, decidimos que a de opinião Portugueses, O Sul será um espaço televisão e Internet), esta como o perfil dos colabo- edição em papel seria gra- e textos de ensaio de de partilha, profecia foi radores e a tuita e complementámo-la divulgação tida em consua ligação com um espaço na Internet do patrimóaberto à coMiguel Real ta antes de se à região. (www.jornalosul.com).Só nio histórilaboração de Igualdade avançar com Quanto ao faltava dar conteúdo ao co, cultural todos os que este projecto. nome, era projecto. e natural tenham algo no Mas como curto, forte Voltámos atrás no tempo que nos envolve.Além de a comunicar. A função da casamento e evocativo. e inspirámo-nos nas in- reproduzir parcialmente o equipa que está deste lado recriar um meio de coTínhamos fluentes publicações de dis- jornal em papel, a versão será lançar desafios e promunicação marca. Era cussão literária e política do online conterá trabalhos ceder à triagem dos trabacom séculos agora pre- século XIX para criar O Sul - que, tendo qualidade para lhos mais pertinentes e/ou de existência numa era do- ciso renovar, tanto a marca Jornal Cultural e de Debates. publicação e merecendo ser com melhor qualidade, os minada por novas tecnolo- como o meio. Mantendo a partilhados pela comuni- quais podem ser enviados gias? Como torná-lo útil na força do original, acdade, não tenham por todos os que queiram construção de um espaço tualizámos o encontrado intervir publicamente na público mais plural, mais logótipo o seu construção da sociedade. inclusivo e com cidadãos e o Afinal, O Sul quando mais interventivos? E que nasce é para todos. nome dar-lhe, numa époEstatuto Editorial ca em que a marca é Luís Humberto tudo? Teixeira O Sul é um siderar mais per- opiRecuou-se órgão de in- tinentes pelo seu n i ã o até 1901, ano formação que valor jornalístico e pública da criação visa divulgar a interesse público. informada, do jorcultura e proactiva e internal O mover o debate veniente é condiSul,
O Sul orienta-se pelos princípios da liberdade, do pluralismo e da independência, procurando assegurar a todos o direito à informação.
O Sul acolhe os contributos de todos os que lhe quiserem fazer chegar as suas opiniões, reflexões, análises e informações, publicando os artigos que con-
Transformar a cidade
ção fundamental da democracia e da dinâmica de uma sociedade aberta e plural.
O Sul tem uma distribuição física, em papel, de âmbito regional e garante a
O Sul está ao serviço do desenvolvimento da identidade regional e nacional O Sul visa e da promoção do divulgar a cultura e progresso promover o debate de económico, social ideias e a partilha de e cultural conhecimento das populações, tendo sempre presentes princípios de sua difusão nacional sustentabilidade. e internacional através da Internet (www. O Sul entende que jornalosul.com). a existência de uma
“
O Sul respeita os direitos, liberdades e garantias consignados na Constituição da República Portuguesa, bem como todas as demais leis, em particular as aplicáveis à comunicação social. O Sul rege-se pelos princípios da Prima Folia, cooperativa cultural que o edita.
JAN 2010
NR 00
02 PERIFERIAS
Um incentivo para Balanço do Ano Internacional da Astronomia
A celebração de Anos Internacionais, dedicados a um ou vários temas, é uma iniciativa patrocinada pela AssembleiaGeral das Nações Unidas, que decorre com carácter regular desde 1957. Os Anos Internacionais têm como objectivo não só celebrar, informar e promover as temáticas seleccionadas junto do grande público, mas igualmente fomentar a cooperação internacional entre as nações. Por exemplo, o Ano Internacional da Geofísica (1957-1958) marcou o reatar das relações Este/Oeste, interrompidas em consequência da Guerra Fria. No quadro deste evento, a União Soviética lançou a 4 de Outubro de 1957 o primeiro satélite artificial – Sputnik (Companheiro de Viagem) – tendo os Estados Unidos, pouco depois, colocado em órbita o seu próprio satélite, que descobriu as cinturas de radiação de Van-Allen que rodeiam a Terra.
O ano de 2009 revestiuNessa mesma altura descobriram-se as fossas sub- se de uma importância parmarinas, que confirmaram a ticular neste domínio, pois Teoria da Tectónica de Pla- celebraram-se os 400 anos cas, e realizaram-se também das primeiras observações várias expedições científicas astronómicas feitas com um telescópio à Antárctida, por Galileu fazendo com O Instituto SupeGalilei e a que, até à data, publicação o Ano Interna- rior Técnico foi selecda obra Ascional da Ge- cionado pela Agência tronomia ofísica fosse o Espacial Europeia para Nova, d e maior projecto a construção de uma Johannes científico in- instalação que irá siKepler, um ternacional de mular a fase de entrada dos maiosempre. res tratados E m 2 0 0 6 , de veículos espaciais em da história a 62.ª Assem- atmosferas planetárias da Astrobleia-Geral nomia. da ONU proComeclamou 2009 como o Ano Internacional moraram-se igualmente ouda Astronomia (AIA2009), no tras efemérides, como a exseguimento de uma proposta pedição de Eddington à ilha de 2003 da União Astronó- do Príncipe, a 29 de Maio de mica Internacional (UAI). A 1919, para validar a Teoria UNESCO foi designada como da Relatividade através de instituição responsável pelo observações de um eclipse evento, cabendo à UAI a im- Solar, bem como a primeira alunagem pela Apollo 11, a 20 plementação.
“
de Julho de 1969. O coordenador global do AIA2009 foi o português Pedro Russo, astrónomo do European South Observatory de Munique, e a nível nacional a coordenação coube ao astrónomo João Fernandes, sob a égide da Sociedade Portuguesa de Astronomia. Findo o ano de 2009, é chegado o momento de fazer um balanço sobre as iniciativas promovidas a nível nacional, e do impacto que estas tiveram. E este balanço é extremamente positivo, pois 2009 foi palco de um grande número de iniciativas que colocaram a temática da astronomia e da exploração do Espaço na ribalta. Por cá, o início das comemorações do AIA2009 ocorreu ainda durante 2008, com a exposição Espaço, a Última Fronteira que esteve patente no Pavilhão do Conhecimento em Lisboa, de 27 de Setembro de 2008 a 30 de Agosto de
2009. A exposição, especialmente dedicada aos mais novos, propunha aos visitantes serem astronautas por um dia, pilotando o vaivém espacial em simulador, manobrando um rover marciano, ou ainda admirando uma réplica à escala 1:10 da Estação Espacial Internacional. Oficialmente, o Ano Internacional da Astronomia foi inaugurado na sede da UNESCO em Paris, a 15 de Janeiro de 2009, seguido de uma cerimónia nacional, que teve lugar a 31 de Janeiro, na Casa da Música do Porto, onde se realizou uma palestra da astrónoma Teresa Lago, seguida de um concerto pela Orquestra Nacional do Porto. A primeira grande manifestação do AIA2009 teve lugar a 2 de Abril com as 100 Horas de Astronomia, durante as quais se realizou uma série ininterrupta de observações astronómicas e palestras. Foi de particular destaque o no
do Conde acolheram grupos de jovens que «demonstraram grande entusiasmo pelos jogos e actividades sugeridos». Quem desejar iniciar-se nesta área pode investir 10 euros num curso que pretende transmitir conhecimentos e estimular a curiosidade sobre esta ciência onde «a contemplação, tão rara nos dias de hoje, é fundamental», como sublinha Pedro Cotrim. A acção da Anime tem tido particular impacto nas escolas, onde os alunos «ficam fascinados com o telescópio para observar o sol, um equipamento especial que só pode ser utilizado durante o dia» e que foi adquirido pela associação com o apoio de verbas do Ministério da Ciência e Tecnologia. Por falar em escolas, fica
a informação de que todos os alunos do ensino básico e secundário ainda podem concorrer até 31 de Janeiro ao Concurso Astronomia Artística, organizado pela Sociedade Portuguesa de Astronomia. Tendo como finalidade promover o diálogo astronomia/arte e o interesse dos alunos por esta ciência, incentivando a sua criatividade, originalidade e capacidade de inovação, este concurso aceita trabalhos de Artes Plásticas e Multimédia, Poesia, Conto e Música. Os interessados podem obter mais informações no site nacional do AIA2009 (www.astronomia2009.org) ou junto de Fernanda Freitas, a coordenadora do concurso (fernandagamafreitas@gmail. com).
A Anime, associação sediada na Quinta do Conde, foi uma das entidades mais dinâmicas durante o AIA2009, tendo realizado observações em múltiplos eventos ao longo do ano nos concelhos de Sesimbra, Lisboa, Almada, Palmela e Mértola. Estimando que cerca de 7.000 pessoas participaram nestas iniciativas da Anime, Pedro Cotrim, coordenador da área de Astronomia da associação condense, diz que o feedback recebido indica que «a experiência de espreitar por um telescópio para observar um objecto longínquo é uma surpresa para a grande maioria dos participantes», destacando o Verão como a época do ano em que esta actividade tem mais saída. «No início do Verão, numa
ANIME
De olhos nas estrelas iniciativa na Fortaleza de Santiago, em Sesimbra, tivemos 1.500 pessoas numa só noite», recordou, sublinhando que o mais interessante é a variedade do público que aflui a estas noites de astronomia, pois «às tantas, damos por nós a falar de filosofia, de história, de ficção científica, da Guerra Fria, da corrida ao espaço, de tudo um pouco, pois o céu proporciona muitas conversas». Dado o prolongamento do AIA2009 até ao final de Março de 2010, Pedro Cotrim revelou que a Anime pondera realizar mais iniciativas em breve, apesar de já ter feito um encerramento simbólico do AIA no concelho de Sesimbra entre os dias 9 e 12 de Dezembro. Nessa ocasião, os espaços da Biblioteca Municipal e da Junta de Freguesia da Quinta
JAN 2010
NR 00
PERIFERIAS 03
contemplar o céu A celebração de Anos Inter- das primeiras observações nacionais, dedicados a um ou astronómicas feitas com um vários temas, é uma iniciativa telescópio por Galileu Galilei e patrocinada pela Assembleia- a publicação da obra AstronoGeral das Nações Unidas, que mia Nova, de Johannes Kepler, decorre com carácter regular um dos maiores tratados da história da Astronomia. desde 1957. Comemoraram-se igualOs Anos Internacionais têm como objectivo não só mente outras efemérides, celebrar, informar e promo- como a expedição de Eddingver as temáticas seleccionadas ton à ilha do Príncipe, a 29 de junto do grande público, mas Maio de 1919, para validar a igualmente fomentar a coope- Teoria da Relatividade através ração internacional entre as de observações de um eclipse nações. Por exemplo, o Ano Solar, bem como a primeira Internacional da Geofísica alunagem pela Apollo 11, a 20 (1957-1958) marcou o reatar de Julho de 1969. O coordenador global do das relações Este/Oeste, interrompidas em consequência da AIA2009 foi o português Guerra Fria. No quadro deste Pedro Russo, astrónomo do evento, a União Soviética lan- European South Observatory çou a 4 de Outubro de 1957 de Munique, e a nível nacioo primeiro satélite artificial nal a coordenação coube ao – Sputnik (Companheiro de astrónomo João Fernandes, Viagem) – tendo os Estados sob a égide da Sociedade PorUnidos, pouco depois, colo- tuguesa de Astronomia. Findo o ano de 2009, é checado em órbita o seu próprio satélite, que descobriu as cin- gado o momento de fazer um turas de radiação de Van-Allen balanço sobre as iniciativas promovidas a nível nacional, e que rodeiam a Terra. Nessa mesma altura desco- do impacto que estas tiveram. briram-se as fossas submari- E este balanço é extremamente positivo, nas, que confirpois 2009 maram a Teoria O astrofotógrafo foi palco de da Tectónica um grande d e P l a c a s , e português Luís Miguel número de realizaram-se Santo conquistou o prit a m b é m v á - meiro prémio da compe- iniciativas que color i a s e x p e d i - tição Beyond the Earth caram a ções científicas (Para além da Terra) das temática da à Antárctida, astronomia fazendo com Noites de Galileu e da exploque, até à data, ração do o Ano Internacional da Geofísica fosse Espaço na ribalta. Por cá, o início das comeo maior projecto científico morações do AIA2009 ocorinternacional de sempre. Em 2006, a 62.ª Assem- reu ainda durante 2008, com bleia-Geral da ONU procla- a exposição Espaço, a Última mou 2009 como o Ano In- Fronteira que esteve patente ternacional da Astronomia no Pavilhão do Conhecimento (AIA2009), no seguimento em Lisboa, de 27 de Setembro de uma proposta de 2003 da de 2008 a 30 de Agosto de União Astronómica Interna- 2009. A exposição, especialcional (UAI). A UNESCO foi mente dedicada aos mais nodesignada como instituição vos, propunha aos visitantes responsável pelo evento, serem astronautas por um dia, cabendo à UAI a implemen- pilotando o vaivém espacial em simulador, manobrando tação. O ano de 2009 revestiu- um rover marciano, ou ainda se de uma importância par- admirando uma réplica à esticular neste domínio, pois cala 1:10 da Estação Espacial celebraram-se os 400 anos Internacional.
“
Oficialmente, o Ano Inter-
nacional da Astronomia foi
inaugurado na sede da UNES-
JAN 2010
NR 00
04 NA VIGIA
A outra margem Pegava no telefone e falava com ela, eu em Lisboa, ela no Barreiro, chamada local. Pouco mais de 8 quilómetros de linha. Quando a saudade apertava e o namoro mais substancial se impunha, pegava no carro e fazia quase 30 quilómetros para lá chegar. As horas dos namorados nem sempre são compatíveis com os horários dos catamarãs, que à altura nem existiam. Às priori. Mas sou também fã de boas vezes olhávamos para o rio e imaginávamos uma pequena contas, de, salvo raríssimas ponte que ligasse o Seixal ao excepções, não se gastar o Barreiro transformando em que não se tem e de, caso já escassas centenas de metros se tenha uma “senhora díviuma dúzia de voltas e contra da”, eleger o pagamento da voltas que exigia ir picar o dita e a redução dos encargos ponto a Coina para atraves- com os juros como uma excesar o belíssimo braço de rio lente aposta de investimento de sapais e moinhos de maré. com os olhos no futuro. Por isso, olhanEm outras noido para a tes de maior Olho para o Tejo extensa lisdelírio, imagita de obras návamos uma e imagino que lhe falta públicas nova avenida a uma perpendicular funque temos ligar a Grande damental, uma artéria projectaLisboa. Entreque reduza o esforço das, olhando tanto nasceu para a dívida de facto uma aos passantes, que lhe ponte, dita cir- reduza as “margens”, que de décadas que temos cular, nas mar- potencie a malha densa acumulada gens de Lisboa e em crescie nas margens mento condo grande núcleo populacional a Sul do tínuo e olhando para o impeTejo. Mas olho para o Tejo rativo que a crise actual impõe e imagino que lhe falta uma em termos de apoios sociais, perpendicular fundamental, todos os alertas de prudência uma artéria que reduza o es- e cautela extrema em termos forço aos passantes, que lhe de apoiar grandes obras nos reduza as “margens”, que tempos mais próximos dispotencie a malha densa, que param com alarido. Decidir fazer uma nova estimule a sua valorização, a sua reabilitação, que enobreça ponte não é decisão que se e reúna a Grande Cidade. Sou tome de ânimo leve. Falei da fã de pontes, é este o meu a ponte sobre o Tejo porque
“
lhe reconheço utilidade e potencial de geração de riqueza que é alheio e anterior ao TGV e ao aeroporto. Observo as interacções e a circulação pendular entre as duas margens e parece-me natural imaginar uma extensão sólida, uma via a meio termo entre as duas pontes existentes, ligando zonas urbanas há muito consolidadas e amadurecidas. Não acredito na eficácia e bondade de não ligar para não saturar, como muitos que se opõem a novas pontes no Tejo têm defendido. Prefiro oferecer uma excelente alternativa de transportes colectivos (o comboio) e mitigar os tempos de espera, os quilómetros nos acessos às circulares a que são forçados os que de facto precisam de entrar na cidade e, claro, espero que tenhamos, em breve, uma alternativa muito mais amigável às cidades em termos de combustível, a nível das emissões poluentes.O Tejo acarreta contudo uma dificuldade adicional: fazer
pontes por lá é particular- vidas de outras auto-estradas, mente dispendioso porque é este parece-me um investitambém tecnicamente desa- mento claramente prioritário, fiante, segundo me dizem. E, no melhor interesse de um númuito francamente, não sei se mero muito mais expressivo de portugueses os próximos e com capacianos são Havendo dinheiro, dade de lhes - também p a r a e s t a era aqui [Ponte Lisboa- melhorar significativamente obra, a que Barreiro] e, modularreconheço a mente, no Aeroporto que as condições de vida, reduzindo capacidade deveríamos começar por as assimetrias de gerar gaavançar em termos de inaceitáveis nhos importantes a nível Grandes Obras públicas q u e e x i s t e m ainda no seio do bem estar da própria área e do desenmetropolitana volvimento económico do país - o tempo de Lisboa. Havendo dinheiro, era aqui oportuno face às restrições e condicionantes presentes e, modularmente, no Aeropore futuras que se adivinham to que deveríamos começar por avançar em termos de para as contas públicas. Em todo o caso, olhando Grandes Obras públicas. em particular para o TGV e para as auto-estradas que se Rui Cerdeira Branco, propõem ligar cidades já sereconomista
“
PUBLICIDADE
ACADEMIA PROBLEMÁTICA E OBSCURA a questionar desde 1721 O SUL está na rua! E agora?, jantar-tertulia a 15 de Janeiro Stars Aligned, exposição de Francisco Noá, patente até 28 de Janeiro Ocidente vs Oriente, jantar com Miguel Portas a 23 de Janeiro
RUA DEPUTADO HENRIQUE CARDOSO NR 34 , SETÚBAL
Concerto O Cubo Mágico de Nuno Barreto a 6 de Fevereiro
http://primafolia.blogspot.com
O Consumo dos Animais na Alimentação Contemporânea, jantar com Carla Santos a 5 de Fev.
TEL: 96 388 31 43
JAN 2010
NR 00
NA VIGIA 05 Electrodomésticos,
transportes e obras públicas
o que devemos mesmo comprar?
Quando pensamos em ser aplicado a dúvidas mais comprar um electrodomés- realistas, como escolher entre tico, tomamos a decisão que o comboio e o carro. Esperaríamos que os gomais nos satisfaça. Por vezes ela não é evidente, e devemos vernos fizessem o mesmo por ponderá-la bem. Primeiro, há nós, quando tomam decisões que perceber se vale mesmo sobre obras públicas. Este tipo a pena comprá-lo; se o que de ponderação é tanto mais já temos funciona bem, para importante de fazer quanto quê comprar um novo? Mas maior é o investimento em talvez o que temos dê alguns causa. Por isso gastamos mais problemas, ou os mode- tempo a estudar as hipóteses quando los novos sejam compramuito melhores, Como habitual, mos um ou nos últimos anos tenhamos antes de tomar a decisão carro ou uma casa enriquecido e já [de avançar com a AV] do que possamos ter um o Governo não colocou quando modelo de topo. seriamente a questão: se trata Em certas deos benefícios para os de um cisões, vale a pena fazer contas para portugueses são maiores s i m p l e s electroavaliar hipóteses. do que os custos? domésNo caso de uma tico.No escolha de transcaso dos portes podemos fazê-lo, por exemplo, para investimentos públicos, essa decidir entre realizar uma é precisamente uma das viagem de comboio ou de áreas em que economistas e helicóptero entre Setúbal engenheiros podem ser muie Lisboa. Apesar de o heli- to úteis: avaliar os impactes cóptero ser rápido, é claro positivos e negativos de várias para a maioria das pessoas soluções possíveis e apontar que o preço não compensa a para a melhor. Existe inclusivé rapidez. Se a viagem de heli- um guia da Comissão Eurocóptero custar 300€ a mais peia destinado a ajudar os e poupar 30 minutos, a es- governos a desenvolver este colha seria certa apenas se o tipo de estudos, denominados nosso tempo valesse 600€/ Análises Custo-Benefício. Infelizmente as decisões hora. O exemplo é absurdo, mas o mesmo princípio pode dos nossos governos sobre
“
hipóteses não parecem mui- fícios deste electrodoméstico to distantes disso, tendo em topo de gama que é o TGV, RITA OLIVEIRA MARTINS conta os custos elevadíssimos fizémo-lo apenas a posteriori para justificar o financiamento da construção. É importante referir que do “pai”. E porque não optam os estudos daquele tipo foram depois realizados pela RAVE, governos por gastar o nosso i n v e s t i m e n t o s em 2008. Porquê realizar os dinheiro em grandes obras em transpor tes estudos, se a decisão já havia públicas com base num estunão têm seguido sido tomada? É que para obter do rigoroso dos seus méritos? esta via. Recorde-se a financiamento da UE eles são Há vários motivos possíveis: decisão da construção necessários, com resultados a) obra feita dá votos; b) igdo novo aeroporto na positivos. Para perceber me- norância dos políticos sobre Ota, fundamentada na lhor a questão, é importan- como tomar as decisões de forma ricomparação entre ape- te saber que a gorosa; c) nas duas soluções, só missão da empacto conssob a óptica ambiental. presa pública Para garantir o Foi a sociedade civil quem, RAVE pressu- rigor e isenção, teria sido c i e n t e o u inconsciente através de um estudo da CIP, põe um manimportante [os estude políticos “obrigou” o Governo a realizar dato claro para dos sobre a AV] serem com interesuma análise mais séria (ainda a concretização ses particuassim não exaustiva, e feita à da rede de AV, e concretizados por uma lares. pressa) sobre a localização do com isso tam- entidade independente Tudo isto Novo Aeroporto, que mudou a bém o empre- do resultado. Mas, como faz parte da decisão para Alcochete. A his- go de quem lá ficou claro, o objectidemocracia, tória quase se repetiu com a trabalha. Serão, vo dos estudos não foi até certo 3ª Travessia do Tejo. Desta vez pois, estes esverificar o mérito da AV, ponto. Mas o LNEC veio a concluir que a tudos (disponías consesolução previamente decidida veis no site da mas apenas justificar o quências era de facto a melhor, o que RAVE) fiáveis? financiamento europeu. negativas terá ocorrido por casualidade Os resultados podem ser dado que a análise em questão deste tipo de análises são facilmente “orien- minimizadas. Uma forma é não tinha antes sido feita. Hoje a agenda é marcada táveis” pelos pressupostos precisamente a acção da sopelo comboio de Alta Velo- assumidos, como o volume ciedade civil, que pode ajucidade (AV). Foram tomadas de procura, os custos, ou o dar a denunciar que muita as decisões políticas para a valor do tempo para os pas- e vistosa obra não é necessua construção em 2003 na sageiros. Para garantir o rigor sariamente coisa boa. Outra Cimeira Luso-Hispânica, e em e isenção, teria sido importan- forma possível seria obrigar Resolução do Conselho de Mi- te serem concretizados por por lei os governos a tomar nistros em 2004, que aprovou uma entidade independente decisões deste tipo apenas o desenvolvimento da rede do resultado. Mas, como ficou após a realização de estudos claro, o ob- custo-benefício, verificados nas ligações jectivo dos por uma entidade indepenLisboa-Madrid, E porque não estudos não dente do ciclo político. Lisboa-Porto, Os investimentos em carfoi verificar P o r t o - V i g o , optam os governos por o mérito da teira para as linhas LisboaLisboa-Faro- gastar o nosso AV, mas ape- Madrid e Lisboa-Porto cusHuelva e Avei- dinheiro em grandes tarão 7 mil milhões de Euros. ro-Salamanca. obras públicas com base nas justificar o financia- Dava para várias viagens de Como habitual, num estudo rigoroso dos mento eu- helicóptero por português. Seantes de tomar ria bom que os investimentos ropeu. a decisão o Go- seus méritos? Existem em carteira para a AV só viesverno não coloportanto al- sem mesmo a ser realizados cou seriamente a questão: os benefícios para gumas incongruências bási- se valessem mesmo a pena, os portugueses são maiores cas no processo de decisão do facto que gostaria muito de do que os custos? No entanto, comboio de alta velocidade. ver seriamente esclarecido. se viajar de helicóptero é uma Quando deveríamos ter feito opção ridícula para a maioria as contas a fim de avaliar se os João Bernardino, das pessoas, algumas destas custos compensam os beneconsultor de transportes
“
“
JAN 2010
NR 00
06 NA VIGIA Transformar as cidades
em algo diferente
Apesar de serem dos mais cidade há que ter presente da cidade que queremos. Na verdade, num mundo recentes e, por isso, não cons- que se trata de um domínio onde as cidades continuam a cívico e político ainda sem tarem formalmente da Declaser submetidas a um procesantecedentes na maioria das ração Universal dos Direitos Humanos, nem por isso os Constituições dos países, mas so de metropolização intensa, direitos à habitação e à cidade que vem ganhando terreno muito há ainda por fazer nesse deixam de ocupar e preocu- desde a queda do muro de sentido. Defender o direito à par, de modo crescente, todos Berlim, em 1989. A partir des- cidade é defender o direito a os que desempenham missões sa data assistiu-se, no Leste um espaço democrático que político-governativas em todo da Europa, mas também um rompe com a exclusão e com o planeta. De facto, estamos pouco por todo o lado, ao ruir o processo de fragmentação perante dois direitos sociais de Estados fechados e imper- existente hoje nas nossas que são reconhecidos, em mo- meáveis ao diálogo com os cidades. Mas para que o dimentos temporais distintos, governos locais e outros ac- reito à cidade seja uma realidade efectiva e concreta e somente em pleno século XX: tores sociais. Neste novo contexto na- não apenas retórica, há que o direito à habitação no pós II Guerra Mundial e o direito cional e internacional, e por pressionar e fazer convergir à cidade em 1996, na Confe- pressão de movimentos so- nesse sentido a acção dos gorência de Istambul das Nações ciais afluindo na sustentabili- vernos, da iniciativa privada, dade ambiental dos movimentos organizados Unidas sobre e dos territó- e da população em geral. DesHabitat II. O reconhecimenrios em geral, ta convergência (quase semNo caso foi possível a pre conflitual) de objectivos d e P o r t u - to constitucional não emergência de será possível modificar a regal, a con- significa que o direito um novo olhar alidade urbana por meio da sagração à habitação se torne sobre a cidade construção de cidades mais do direito à realmente efectivo para e a importância humanas, democráticas e habitação só em o articular sustentáveis. a c o n t e c e u todos. A realidade está É claro que neste processo com o direito na Consti- aí para o provar: trataà habitação, negocial os governos desemt u i ç ã o d e se de um direito que direitos agora penham um papel essencial, 1976. Con- continua a não estar ao considerados por poderem garantir a sua tudo, deve alcance de uma parte inseparáveis e efectivação, seja por meio de salientar-se muito significativa dos convergentes. regulamentações, programas, que, apeNeste sentido, acções, projectos ou políticas, sar de nada portugueses. uma referência mas também por poderem ter constar nesta Constituição sobre as cida- deve ser feita à Conferência em conta a visão dos habides, este direito à habitação Habitat II, realizada em Istam- tantes e o que estes pensam aparece já relacionado com bul, em 1996, e que teve como dos esforços concretos, sem o ordenamento do território objectivo principal actuali- esquecer quais os direitos que e o urbanismo, a qualidade de zar os temas e paradigmas entendem que não foram ainvida e o ambiente. Não será que fundamentam a política da atendidos pelas Políticas demais lembrar, a propósi- urbana e habitacional, com Públicas. Antes de terminar este to, que este reconhecimento vista a reorientar a linha de constitucional não significa acção dos órgãos e agências apontamento sobre o tema que o direito à habitação se de cooperação internacional do direito à cidade, será estimulante concluir com o pentorne realmente efectivo para para estes temas. Pode então afirmar-se que samento crítico de David Hartodos. A realidade está aí para o provar: trata-se de um direi- foi nesta Conferência de Is- vey, expresso no Fórum Social Mundial que to que continua a não estar ao tambul que teve lugar em alcance de uma parte muito s e l a n ç o u Defender o direiBelém de Pará, significativa dos portugueses. m u n d i a l em Fevereiro De facto, os dados fornecidos m e n t e o to à cidade é defender de 2008: pelos Censos 2001 são mes- tema do di- o direito a um espaço «O direimo chocantes e não podem reito à cida- democrático que rompe to à cidade é deixar de nos fazer pensar: há de. A partir com a exclusão e com o o direito de 325.000 fogos degradados, de então váprocesso de fragmentatransformar 544.000 vazios e quase um rios têm sido as cidades em milhão sem água canaliza- os Fór uns ção existente hoje nas algo radicalda, esgotos ou electricidade. U r b a n o s nossas cidades. mente diferenIsto quer dizer que o direito à Mundiais, o te, o direito de habitação considerado funda- próximo dos mental pela Lei fundamental quais será no Rio de Janeiro, participar dos processos de da República não passa, ainda, de 22 a 26 de Março deste ano, transformação das cidades de um direito muito condicio- onde se tem reafirmado a ne- que, normalmente, são conscessidade de repensar e rene- truídas segundo os interesses nado e limitado! Ao falar-se de direito à gociar as bases fundamentais do capital em detrimento das
“
RITA OLIVEIRA MARTINS
“
pessoas. A luta pelo direito à cidade é uma luta contra o capital. Há um estreito relacionamento entre o capital e os processos de construção das cidades». No entender deste pensador há que criar alterna-
tivas, mas as alternativas só poderão surgir se se começar o debate sobre a alternativa ao capitalismo com o debate sobre o direito à cidade. Carlos Vieira de Faria, sociólogo-urbanista
JAN 2010
NR 00
ACTIVISMOS 07 Direitos dos animais
Passemos do papel à realidade
“
zer muito melhor! E, aparentemente não sou só eu, pois, pelo menos desde 2002, fala-se na possibilidade de construção de um canil intermunicipal (Setúbal/Palmela). Já no início de 2009, foi aprovada em reunião pública a desanexação de terreno para este projecto, junto ao Cemitério de Algeruz. Espero que traga dignidade aos animais que por lá passem, traduzida em melhores condições de vida, num esforço real para o seu encaminhamento para uma família, na abolição da política de abate a animais cujo único crime é ocuparem espaço… Esperanças à parte, a concretização deste projecto seria uma lufada de ar fresco para todos os envolvidos na luta pelos animais. Uma lufada de ar fresco ainda mais refrescante, se houvesse lugar à criação de uma entidade oficial – o ideal seria esta entidade ter uma acção nacional, mas trabalhar através de vários núcleos municipais; pensar globalmente, agir localmente! – encarregada de defender os animais, nomeadamente na fiscalização efectiva da legislação que, embora ainda muito deficiente e quase desconhecida, já existe para proteger estes nossos amigos. Esta entidade seria ainda apoiada por uma estrutura, envolvendo veterinários municipais, bombeiros, forças de segurança e associações,
capaz de permitir e garantir to de receberem um olhar de o socorro, recolha e acolhi- agradecimento em troca! Há empresas e cidadãos mento de animais em risco, conhecedores do mecenato abandonados ou não. Infelizmente, “não há al- social – que pode ser aqui moços grátis” e, assim sendo, aplicado através do recurso toda esta mudança pesaria no às terapias assistidas com animais, junto erário público. de crianças Mas nem isto Há empresas e e idosos em é argumento, cidadãos conhecedores risco –; além pois há outras formas de ali- do mecenato social – que de veterinários que tegeirar o “peso”. pode ser aqui aplicado rão gosto em Algum do fi- através do recurso às utilizar os nanciamento terapias assistidas com seus conhepoderia advir animais, junto de criancimentos e directamente ças e idosos em risco capacidades da aplicação para ajudar. de coimas, E diversas oriundas da superfícies fiscalização comerciais efectiva, que referi acima, por exemplo. E poderiam ser desafiadas a por que não convidar os mu- doar ração – cujo prazo de nícipes a contribuir com um validade esteja já próximo euro mensal para o bem-estar de expirar, por exemplo – e animal? Muitos aceitariam outros bens considerados o desafio e quem sabe não essenciais. São apenas ideias e sugesse envolveriam mais com a questão, funcionando tam- tões, é verdade. Mas acredito bém este ponto como factor que, com boa vontade e diálogo, é possível modificar de sensibilização. As parcerias são também uma situação que integra o um aspecto importantíssi- rol de preocupações de muita mo. Existirão, com certeza, gente, setubalenses ou não. a par dos funcionários que Basta não baixar os braços e deveriam receber formação mostrar a nossa disponibilidada Direcção Geral de Vete- de para que as ideias passem rinária, voluntários aptos a do papel para a realidade. A colaborar com o projecto mu- mudança passa por todos nós. nicipal – mãos que tratam os E é sempre possível fazer mais animais, que acarinham, que e melhor! passeiam os cães, que organizam e incentivam campanhas Susana Andrade, de adopção, pelo simples facactivista
“
LUÍS TEIXEIRA
Não pertenço a qualquer de informação com pessoas força política organizada, em- que trabalham no terreno, na bora não consiga manter-me defesa dos animais, aqui em alheia ao que se passa na so- Setúbal e não só; pessoas que ciedade, tanto mais que sou se preocupam e que graciodas que insistem em acreditar sa e fervorosamente cedem o na existência de um mundo seu tempo, esforços e finanmelhor. Nesse sentido, tento ças para colmatar uma lacuna dar o meu melhor em todas as existente, no final de contas, áreas e com todas as entidades devido à inércia da maioria dos cidadãos. possíveis. Há factos que não podemos Um dos últimos contributos foi junto da concelhia de forma alguma disfarçar, sadina do Bloco de Esquerda, apesar de, todos os dias, muita à qual fiz chegar um docu- gente se empenhar em ignorámento acerca dos direitos los. Um dos mais prementes, dos animais, abordando re- na minha opinião, relaciona-se com sumidamente o o número que, penso eu, A concretização de animais deveria consdeste projecto [o canil abandonatar em todos intermunicipal Setúbal/ dos, neglios programas genciados e eleitorais au- Palmela] seria uma mal tratados tárquicos. Até lufada de ar fresco para que não dic e r t o p o n - todos os envolvidos na minui, antes to, uma mera luta pelos animais pelo contráadaptação local rio (também da Declaração o circo e a Universal dos tourada me Direitos dos parecem teAnimais a uma sociedade, no geral, pou- mas importantes para aborco respeitadora dos artigos dar, mas neste texto cinjo-me nela constantes, mas só isto a esta problemática). Claro que, quando se fala dava um outro artigo e com muito mais a discutir, por isso, deste assunto, o canil municipal é ponto obrigatório. O adiante. Embora apenas alguns canil setubalense foi, como pontos tenham sido inseri- tantos outros pelo país fora, a dos no programa municipal resposta possível a um cenádaquele partido, não pude rio que, visto de forma muito deixar de me comprazer estrita, constitui uma ameaça com o facto. As medidas à segurança e à saúde públiapresentadas foram fruto, cas. E digo foi porque acredito sobretudo, de muitas trocas que, actualmente, se pode fa-
JAN 2010
NR 00
08 ACTIVISMOS
Igualdade no Casamento
Apenas mais um passo na luta pelos direitos LGBT
Com os resultados das um facto muito importante últimas eleições legislativas para a defesa dos direitos cicriaram-se finalmente as con- vis em Portugal. Realizar um dições para que o casamento referendo sobre este tema secivil entre dois cidadãos do ria um precedente perigoso, mesmo sexo fosse aprovado pois, por princípio, direitos em Portugal. E o Parlamen- fundamentais não se devem referendar. A to aproveitou essa maioria não oportunidade a 8 O casamento deve por sua de Janeiro, com a civil entre pessoas iniciativa deaprovação de um do mesmo sexo cidir sobre a projecto lei que elidiscriminamina esta forma de não irá retirar quaisquer direitos ção das midiscriminação. norias. O casamento ci- aos casais heterosContudo, vil entre pessoas do sexuais, nem irá a p ó s a es mesmo sexo não irá interferir nos casaperada leretirar quaisquer dimentos religiosos. galização do reitos aos casais hecasamento terossexuais, nem irá entre indivíinterferir nos casamentos religiosos. Apenas irá duos do mesmo sexo, outras estender a opção do contrato questões terão de ser discuticivil de casamento, com os das, nomeadamente o direito seus direitos e obrigações, à adopção, com o qual o PCP a um tipo de casal que até no passado já demonstrou não ao momento não tinha esta concordar, e que, por não ser opção. Desde problemas com contemplado na nova lei, será heranças e transferência de uma fonte de discriminação rendas de habitação, questões muito forte. Quem deve defiscais e de segurança social ou cidir em questões de adopção direito de visita em hospitais, são os assistentes sociais, caso é justo que casais do mesmo a caso, escolhendo a melhor sexo possam ter exactamen- opção para cada criança, lite os mesmos direitos que os vres de constrangimentos legais que excluam à partida casais heterossexuais. A única barreira significati- casais do mesmo sexo. Também o direito à prova a este desenvolvimento teria sido a eventual realização criação medicamente assisde um referendo, que chegou tida não deve ser recusado a a ser solicitada por um gru- nenhuma mulher, não compo de peticionários ligados à petindo à lei excluir mulheres Igreja. A recusa do mesmo é solteiras ou casais do mesmo
ANA CANDEIAS
“
sexo do acesso à inseminação artificial ou aos tratamentos de fertilidade. Estas são barreiras discriminatórias artificiais que acabam, na prática, por não impedir nenhuma mulher que o deseje de engravidar, e criam mais problemas do que aqueles que supostamente desejam resolver. O direito à igualdade de género é outra questão ainda por resolver. Um cidadão que faça uma operação de alteração de sexo ainda não pode facilmente mudar para um nome do sexo oposto, ficando muitas vezes exposto a situações constrangedoras. Devia por isso ser possível que, assim que iniciasse um processo de alteração de sexo, um indivíduo pudesse adoptar oficialmente um novo nome, mais condizente com o género que está em vias de ter. A legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo é por isso apenas mais um (importante) passo numa longa caminhada que ainda há por fazer no que toca aos direitos LGBT e às liberdades individuais em Portugal. Porventura, é o passo possível neste momento, numa sociedade que ainda é muito pouco liberal e que vai aos poucos aprendendo a respeitar a diferença. Miguel Duarte, presidente do Movimento Liberal Social
PUBLICIDADE
5 e 6 de FEVEREIRO FÓRUM CULTURAL DE ALCOCHETE
serviços de arqueologia e património serviços de conservação e restauro documentários e multimédia projectos educativos Protegemos Património, Promovemos Cultura LARGO ANTÓNIO JOAQUIM CORREIA, NR 7 1ºDT, 2900-231 SETÚBAL . PRIMAFOLIA@GMAIL.COM
JAN 2010
NR 00
ACTIVISMOS 09
Uma petição para combater a precariedade e defender a Segurança Social
O ano arranca, infelizmente precários – APRE! (Activis- trabalhar a falsos recibos vercom poucas razões para gran- tas Precários), FERVE (Far- des, privadas de um contrato des esperanças para a maioria tos d’Estes Recibos Verdes), de trabalho apesar de asseguPlataforma dos In- rarem funções permanentes da população. termitentes do Es- e sem nenhuma autonomia 2009 foi mais pectáculo e Audio- (não são “independentes”, um ano de criA Segurança visual, e Precários portanto), muitas vezes com se profunda e Social tem de Inflexíveis – na or- rendimentos muito baixos e adivinham-se traduzir a solidaganização de uma impedidas de cumprir as suas mais dias dipetição a enviar à contribuições para a Seguranfíceis. No ano riedade e a garanAssembleia da Re- ça Social. Acabar com esta inq u e p a s s o u , tia nos momentos pública, com o ob- justiça é responder ao desafio como nos ante- difíceis – e não jectivo de terminar de combater por um sistema riores, agrava- transformar-se em de Segurança Social efectivo, ram-se inconmais um peso sobre com as injustiças do trabalho a fal- para todos e com futuro. testavelmente os mais fracos Sabemos bem que esta é sos recibos verdes, as condições nomeadamente uma luta que diz respeito ao para trabalhar e viver: para lá do desempre- no que diz respeito às con- conjunto dos trabalhadores. go a atingir pesadamente um tribuições para a Segurança A Segurança Social tem de traduzir a solidariedade e a número crescente de pesso- Social. Os milhares de pessoas garantia nos momentos dias, a precariedade impõe-se fíceis – e não como regra implacável nas que já assinaram a transformarrelações laborais e na vida. petição “Antes da Acabar com se em mais um Desemprego e precariedade: Dívida Temos Dipeso sobre os duas faces da mesma moeda, reitos” exigem que esta injustiça é mais fracos. Por que ameaçam tudo e todos e termine a insensi- responder ao deisso apelamos prometem aumentar a explo- bilidade que leva a safio de combater a que se junração no trabalho e diminuir Segurança Social por um sistema de tem ainda mais a capacidade de organização a cobrar dívidas Segurança Social subscrições, social para lhe responder, injustas às vítimas para engrossar utilizando descaradamente do trabalho ilegal- efectivo, para todos esta exigência – mente precário: se a chantagem e o medo. basta consultar Mas traçar o cenário das quem trabalha a dificuldades não pode ser ape- falsos recibos verdes é preju- o site www.antesdadividatenas contribuir para a desespe- dicado nos descontos, não se mosdireitos.org para subsrança generalizada, já muito podem constituir devedores crever online e até contribuir sem averiguar como para a recolha. alimentada Lançada no final de Noforam contraídas as pela desiluExistem hoje dívidas. É preciso vembro último, esta petição são e falta de que quem sempre conseguiu as 4 mil assinap e r s p e c t i - cerca de 900 mil vas. É preci- pessoas a trabalhar deveu direitos não turas necessárias logo nos escape mais uma primeiros cinco dias. Em so mobilizar, a falsos recibos vez no momento breve será entregue na Asresponder e verdes, privadas de fazer as contas sembleia da República, pelo propor. de um contrato de difíceis – os patrões que o Parlamento terá mesmo É esse que trabalho apesar poupam porque não de discutir esta proposta. Cá tem sido o fazem contratos e estamos para este combate, percurso da de assegurarem luta contra funções permanen- são poupados, mais para o qual sabemos serem uma vez, quando a precisas muitas vozes e cada a precarie- tes e sem nenhuma vez mais força – certo é que factura pesa. dade. E foi autonomia Esta é uma ques- nada nos será oferecido. esta vontade tão fundamental. e disponibilidade que juntou quatro mo- Não só porque existem hoje Tiago Gillot, membro vimentos de trabalhadores cerca de 900 mil pessoas a dos Precários Inflexíveis
“
“
IMAGEM DE ...
“
PUBLICIDADE
GESTÃO DE PATRIMÓNIO TEL. 91 44 88 465 IMOBILIÁRIO
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PRAÇA MACHADO DOS SANTOS, 39 2900 SETÚBAL
JAN 2010
NR 00
10 CULTURA Mariana Angélica d’Andrade
A Poetisa do Sado
As Touradas
M a r i a n a A n g é l i c a ta troca de correspondência po – a guerra, a injustiça, a d’Andrade nasceu em Casa que o amor nasceu entre eles, pobreza, a liberdade – os quais Branca, Sousel, em 11 de Maio sendo ele ainda estudante em foram recitados em festas e de 1840. Era filha de Joaquim Coimbra. Foi viver para Lis- recitais em Setúbal. Os seus versos valeramAntónio Serrano, poeta, escri- boa, na Calçada do Duque, lhe o cognome de “A Poetisa tor e jornalista do Diário de 13-2º. Viveu na época do libe- do Sado”, mas Mariana tamNotícias e de Francisca Pereira da Silva. Aos 4 anos veio ralismo político, moral e ar- bém foi autora de artigos de Foi o opinião e de crítica, contos, para Setúbal, onde vivia a sua tístico. fantasias e duas comédias e madrinha Gertrudes Angélica traduziu para português d’Andrade, que a criou e eduromances de autores escou e de quem adoptou trangeiros, que foram os apelidos que usava. publicados em foProvavelmente, vilhetins de jornais veu na Rua Nova e revistas. da Conceição Escreveu que (actual Av. 5 de a mulher não Outubro), no devia aspirar nº 21. à vida polítiDado o sisca e aos cartema educativo gos públicos, português da mas defendeu altura – 1846a emancipação 1850 –, é natuda mulher pelo ral que Mariana trabalho e pela tenha frequentaeducação. A podo o ensino prietisa nunca aborvado ou tido uma dou as questões jupreceptora, solução rídicas ou políticas de adoptada pelas famílias emancipação da mulher, mais abastadas para dar pois nela coexistiam ideias alguma instrução às meninas. conservadoras e progressistas, Viúva de um rico proprietápo da mas creio poder dizer que foi rio, a madrinha de Mariana t e m fazia parte da burguesia da Regeneração em Portugal, de- uma defensora dos direitos cidade e foi umas das pessoas pois de findas as lutas entre da mulher e da melhoria da que mais contribuiu para a absolutistas e liberais. Na sua sua condição, sobretudo, se existência e manutenção do poesia estão presentes: o “eu”, tivermos em consideração o Asilo da Infância Desvalida o sentimentalismo, a fantasia, contexto e o tempo em que viveu. a melancolia, a nade Setúbal. Mariana AnMariana começou a es- tureza individuali[Mariana Angélica faleceu crever poesia muito cedo. O zada, o reflexo dos gélica d’Andrade] às 3 horas da poema Estações da Vida tem a estados de ânimo, madrugada, em data de 1854 e foi publicado no a morte, a noite, a defendeu a eman14 de Novembro seu primeiro livro, Murmúrios evasão. Verifica-se cipação da mulher do Sado, de 1870, volume que na obra poética a pelo trabalho e pela de 1882, vítima de tuberculose mereceu a atenção do Grémio sua revolta, a sua educação pulmonar. TiLiterário do Brasil, tendo sido insatisfação, a sua nha 42 anos e lavrado à autora um diploma mágoa com o facto duas filhas: Rode sócia honorária. Ainda em de ser mulher. Um dos aspectos que a salina e Corina, de 7 e 5 anos, 1870, a sua comédia As Esporas do Alferes foi estreada em preocupava era a Educação respectivamente. Foi enterSetúbal e representada pelo em geral, e a das mulheres rada a 16 de Novembro, às 11 e m p a r t i c u l a r, horas da manhã, no Cemitério actor José Rot e n d o a b o r d a - Ocidental, hoje Cemitério dos mano. Verifica-se do o assunto por Prazeres. Casou civilna obra poética a A obra Revérberos do Poente várias vezes nas mente em 1874 publicações onde foi publicada postumamente, com o escritor, sua revolta, a sua colaborava. Em em 1883, no Porto, com prefilólogo e poeta insatisfação, a sua termos estéticos, fácio de Gomes de Amorim. E António Cândi- mágoa com o facto Mariana Angélica as suas Rimas Selectas foram, do de Figueire- de ser mulher d’ Andrade foi uma em 1917, incluídas por Nuno do, com o qual romântica e tratou Catarino Cardoso na antologia se correspontambém temas re- Poetisas Portuguesas. dera durante anos e que estimulou a sua lacionados com problemas actividade poética. Foi des- políticos e sociais do seu temAnita Vilar, psiquiatra
É tarde de função, encheu-se a praça, Não resta em toda ela um só lugar; No doido entusiasmo a populaça
“
“
Ao Sr. Conselheiro José Silvestre Ribeiro
Assobia, e não cessa de gritar. Acode tudo: há classes variadas, Clero, nobreza e povo; e custa crer Que cenas, já de si tão condenadas, Sirvam de passatempo e de prazer! As mães levam seus filhos, ensinando Que é bonito, que é bom morrer assim, Em luta desigual, inglória, e dando À morte aquele aspecto de festim! Cavalos expirando, como é lindo!... Pegar um boi à unha…encantador!... O sangue cobre a arena, e o povo rindo! Ao som de um hino, cai um lutador! Nos velhos circos romanos Eram às feras lançados Centenas de desgraçados, Que tinham martírio atroz Eram prazeres insanos De requintada maldade; A ignorância, a crueldade De um povo tornado algoz! Porém hoje… hoje, evitemos Que esta mancha do passado Seja um opróbrio legado Às gerações de amanhã. Filhos da luz, não devemos Aplaudir por modos vários Esses quadros sanguinários Da velha Roma pagã… Como é triste e doloroso Ver ali em holocausto, Caindo por terra exausto Um artista forte e audaz O seu braço vigoroso, O seu talento e destreza, Valiam mais, com certeza, Nas santas lutas da paz. Lutas em prol do seu berço, Nos ofícios e nas artes, Que vão em todas as partes Espalhar bens sem rivais. Mal entendido progresso Que consente por tão pouco O combate inútil, louco, Dos homens com animais! Alguns dos que ali vão jogar a vida - Não pela liberdade Da pátria, ou outra causa justa e santa – Caem feridos. Alguém há que os levanta, E a festa continua divertida… Mas depois, para os filhos na orfandade Implora-se uma esmola… …………………………………………….. Não mais touradas! Finde a espúria raça, Da velha Roma; e em vez de cada praça Levante-se uma escola! Mariana Angélica d’Andrade, 1881
JAN 2010
NR 00
11
CULTURA Luís Soares, vocalista e líder da Djimi Band
«Somos todos iguais na vontade de estarmos juntos» Novo Dia é o nome do primeiro álbum da Djimi Band. O Sul entrevistou Luís Soares, vocalista e líder deste projecto musical que tem a sua origem em Setúbal mas já se faz ouvir por todo o país, através da série Morangos com Açúcar.
S – De onde vem o nome Djimi Band? LS – Djimi é a minha alcunha desde os 15, 16 anos, porque a minha primeira influência foi Jimi Hendrix. Por isso, depois de pensarmos em vários nomes, optámos pela simplicidade: “Sou o Djimi e esta é a minha banda”. O nome tem sonoridade, em apenas três sílabas. S – Já tinha havido uma maquete há três anos e, em
Dezembro, foi apresentado o álbum... LS – Sim, entretanto houve reestruturações da banda, novas ideias, novos instrumentos a entrar. O álbum é um trabalho mais pensado, com objectivos mais definidos.
S – Como surgiu a oportunidade de o tema integrar a banda sonora dos Morangos com Açúcar? LS – O álbum foi apresentado à editora do grupo Media Capital e acabou por chegar à produção da série (onde também tínhamos um contacto), que se mostrou interessada. Passou na série de Verão e vai continuar a passar na série que acompanha este ano lectivo. É uma óptima oportunidade de divulgar o projecto e que já foi aproveitada por outras bandas da região, como os Arsha ou os Hands on Approach.
S – Como o descreveria? LS – É um álbum positivo, acima de tudo, para transmitir boas vibrações, bons pensamentos. A reflexão que faço e coloco nas letras é de que há sempre forma de resolvermos e superarmos as dificuldades com que nos deparamos e de nos divertirmos perante cada situação. S – Chega na altura certa, face à actual conjuntura de crise? LS – Para mim, a crise não é tanto económica mas mais de valores, de identificação do que é realmente importante, e é disso que também falo nas músicas. Creio que precisamos de redefinir as nossas prioridades e objectivos e percebermos do que necessitamos mesmo para sermos felizes. S – Um dos temas que já passa, e que está disponível no MySpace (www.myspace.com/djimiband), é Preto branco, que nos remete para a multiculturalidade. Sente-se numa fronteira? LS – Sim, é quase um tema autobiográfico. Eu tenho ascendência europeia e africana, sou metade preto e metade
PUBLICIDADE
SEJA ASSINANTE D’ O SUL E AJUDE ESTE PROJECTO A CRESCER. SAIBA COMO EM WWW.JORNALOSUL.COM OU CONTACTE ATRAVÉS DE 96 388 31 43.
S – Dado o receio das majors em apostar em novas bandas, como estão a planear o futuro? LS – A nossa confiança no projecto é muita, pelo que não vale a pena estarmos parados à espera que decidam apostar em nós. Por isso avançámos com uma edição independente e na parte de design, fotos de promoção e videoclips juntamos várias cabeças criativas de Setúbal, o que está a ser muito giro. Se temos aqui as pessoas e há vontade, vamos aproveitar. Este pode ser um projecto independente, mas tem uma vontade profissional e isso faz muita diferença. RUI DAVID
O Sul – Como é que um enfermeiro decide enveredar pelo mundo da música? Luís Soares – A questão talvez se coloque ao contrário: Porque é que um suposto aspirante a músico decide ir para enfermagem? Obviamente, a escolha foi bastante ponderada, pois sempre fui muito metódico e concentrado naquilo que deveria fazer para alcançar objectivos. A música exige investimento e para a sustentar eu tinha de ter um emprego sólido com o qual me identificasse. É a enfermagem que me permite manter a “carreira de aspirante a músico”. [risos] Uma coisa consolida a outra. Em mim, há uma simbiose entre as duas áreas, que se complementam perfeitamente. Num futuro não muito distante gostava de diminuir a carga horária na enfermagem para me dedicar mais à música, mas enquanto esta última não der maior retorno financeiro...
branco e não me sinto nem uma coisa nem outra. Sintome esse “preto branco”. O que importa não é de onde viemos mas para onde vamos, pois acima de tudo somos pessoas e somos todos iguais na vontade de estarmos juntos.
Luís Humberto Teixeira luis.teixeira@jornalosul.com
PUBLICIDADE
JAN 2010
NR 00
12
CULTURA
João Vaz e Setúbal
João Vaz . Cais de Setúbal . Óleo sobre tela, 35x57. 1913-21 . Cascais, Museu-Biblioteca Condes Castro Guimarães
Até ao final de Fevereiro, está patente ao público na Casa da Baía (Av. Luísa Todi, em Setúbal), a exposição João Vaz e Setúbal, composta por três centenas de obras de um dos principais pintores naturalistas portugueses. João Vaz nasceu em Setúbal em 1859. Embora tenha daqui saído aos 13 anos para ir estudar em Lisboa – e por lá tenha ficado a residir depois de casar – visitou e pintou regularmente a sua cidade natal, o Sado, Tróia, a Arrábida e suas praias. Foi um pintor de muito sucesso em vida, vendendo quase toda a obra que produzia; e parte da que não vendeu, a família encarregou-se de o fazer após a sua morte. Desse modo, a sua obra encontra-se espalhada por variadíssimas
colecções particulares, tornando-se difícil aos apreciadores de Arte tomar contacto com um número considerável de quadros seus. Assim, enquanto o Museu da Cidade não reabrir as suas portas para podermos observar a sala dedicada ao grande mestre, só em raras exposições, como esta, os setubalenses terão à sua disposição um pouco da sua vasta obra. João Vaz teve uma formação clássica de base, cursando Desenho e frequentando aulas de Pintura de Paisagem na Academia Real de Belas-Artes de Lisboa. Também decisiva para a sua formação foi a estadia por um ano em Paris (1883/84), onde o então jovem pintor de 24 anos tomou contacto com o Impressionismo.
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Um espaço que mar-
SERRA DO LOURO, 2950 -131 PALMELA . TEL: 21 233 30 19
“
PUBLICIDADE
L i v ra r i a
WWW.MOINHOSVIVOS.COM
Outro aspecto de grande quadros há ambientes de paimportância no percurso de leta cromática reduzida, onde João Vaz foi a sua participação ele cria maravilhosas harmono Grupo do Leão, que levou a nias investindo nas nuances cabo importantes exposições. que os diferentes tons podem Dele faziam parte os pintores proporcionar. João Vaz não pinta regularAntónio Ramalho, Sousa Pinto, Silva Porto, José Malhoa mente com pincelada solta e justaposta, à base e os irmãos de cores primáColumbano e A sua obra rias, com vista a Rafael Bordalo uma mistura ópPinheiro, entre [de João Vaz] tem tica dessas cores, outros artistas uma relevante ime intelectuais. portância histórica como era habitual nos impressionisPintor de ar e etnográfica tas. Ele usa a pinlivre, João Vaz celada solta sobreregistou diferentes condições atmosféricas tudo em esboços e no registo e de luz. Nos seus quadros, dos reflexos da água. É curiosa, e importante, a as formas e o ar adquirem as tonalidades próprias de cada relação entre a Pintura e a Foambiente. Neles sentimos a tografia na obra deste pintor, luz, a temperatura e a humi- que possuía um número condade do local e do momento siderável de fotografias que registados. Em vários dos seus ele próprio tirava ou adquiria
ca a diferença
Rua do Concelho, nr 13, Setúbal. Junto à Câmara Municipal de Setúbal De 2ª a 6ª feira das 9h-13h e 14h-19h
nos locais por onde passava. Às imagens a preto e branco, João Vaz acrescentava um deslumbrante colorido. A sua obra tem uma relevante importância histórica e etnográfica. Nalgumas telas observamos troços de Setúbal que já não existem e outros que se encontram profundamente modificados. Foram diversas as embarcações que registou, dando-nos ainda a conhecer alguns métodos e apetrechos de pesca. Podemos mesmo dizer que João Vaz é o grande pintor de marinhas português. E é um dos que mais pintou a sua terra natal; por certo aquele que mais a pintou não estando a residir nela. António Galrinho, professor
PUBLICIDADE
JAN 2010
13
NR 00
CULTURA Encantadoras feiticeiras
o trabalho exemplar das Avozinhas de Palmela
Conheci o grupo de teatro permitam apresentar à popuAs Avozinhas a propósito de lação espectáculos de cariz um trabalho de investigação contemporâneo. Foi a partir relacionado com projectos da insistência no primeiro performativos experimentais tipo de cruzamento – entre que exploram as potencialida- a comunidade local e a arte des de participantes não pro- contemporânea – que nasfissionais no enriquecimento ceu, não tanto o grupo (que das linguagens artísticas. Foi tinha já algumas experiências durante uma entrevista a João anteriores à sua relação com Brites, sobre a sua experiência o FIAR) mas a sua qualidade de trabalho com intérpretes única e o seu poder, poderíaque não são actores (nem mos dizer, encantatório. Um dos primeiros “enfeiprofissionais, nem amadores), que ouvi os primeiros relatos tiçados” foi o (à época) jovem sobre as especificidades e pe- escritor Gonçalo M. Tavares que, no final da apresentaculiaridades deste grupo. ção de um dos Com cerca de 7 espectáculos anos de existência, do grupo, deAs Avozinhas torUm dos prisafiou Dolores naram-se conhe- meiros “enfeitiçade Matos a tracidas a partir das dos” foi o (à época) balhar um texto encenações projovem escritor Gonda sua autoria, duzidas no âmbito ainda inédito, das actividades da çalo M. Tavares e que viria a associação cultuser publicado ral FIAR – Festival Internacional de Artes de Rua pela editora Caminho na série de Palmela, dirigida por Dolo- Bairro, com o título O Senhor res de Matos. O FIAR assume Henri (2003). Encenado por como objectivo primordial a João Brites, assim surgiu o promoção do encontro entre primeiro espectáculo em diferentes referências artís- que As Avozinhas se lançaram ticas e culturais, convidan- na aventura da performance do anualmente artistas com contemporânea lidando, do origens distintas a produzir ponto de vista dramatúrgico e criações originais em duas da interpretação, com textos e frentes: em conjugação com linguagens artísticas e cénicas os artistas locais ou trazendo que até aí desconheciam. Este propostas experimentais que trabalho e o sucesso do grupo
PUBLICIDADE
FIAR
“
seria consolidado com o projecto seguinte: o espectáculo A Cotovia (2007), a partir do Auto da Feiticeira Cotovia e outros textos da autoria de
Natália Correia. Sabemos que existem vários e muito relevantes projectos comunitários que utilizam os meios de expressão
PUBLICIDADE
artística como instrumentos de intervenção social. Sabemos também que a prática teatral amadora é um mecanismo de construção identitária que desempenha um papel crucial na sobrevivência e estruturação de sociabilidades locais no mundo contemporâneo globalizado. O que não é tão comum é assistirmos ao encontro coerente da exigência significativa da produção artística de nível profissional com as histórias comuns de mulheres especiais – linguagens complexas e aparentemente inconciliáveis. É quando o espectador se deixa afectar por esse choque, que o feitiço é lançado por estas encantadoras mulheres, conscientes do seu poder cénico. Esta operação, no entanto, não é perceptível a olho nu e muito menos literal. Ela surge a partir daquilo que de mais importante a arte tem para dar: uma interpretação poética da urgência de agir sobre o mundo. Por isso, se As Avozinhas actuarem num palco perto de si, não deixe escapar a oportunidade. Mas só se estiver disponível para se deixar enfeitiçar! Teresa Fradique, antropóloga
JAN 2010
NR 00
14
CULTURA
Cortar as amarras que nos prendem Reza a lenda que um mou- temido que manda os súbdiro – pai de duas filhas formo- tos trabalharem para o país se síssimas – geria uma taberna desenvolver, enquanto ele se onde os pescadores de Setúbal entretém com Caim, de José paravam antes de ir para a Saramago – um pormenor faina. Um deles apaixonou- anacrónico a evocar a descrise por uma das moças... que ção que o jornalista-escritor lhe correspondeu. Quando espanhol Juan Árias faz do o pai descobriu, encantou a livro do Nobel português: «um filha: não voltaria a ser vista grito contra todos os deuses enquanto houvesse dor, fome falsos e ditadores criados para amordaçar o homem, e inveja sobre a Terra. O curto e simples enredo impedindo-o de viver, em serviu de base ao novo mu- total liberdade, a sua vida e sical do Teatro Animação de o seu destino». A mesma ideia de libertaSetúbal (TAS): A Lenda da Moura Encantada, em cena ção serve de pano de fundo à lenda que dá tíaté ao final de Fetulo ao musical, vereiro no Teatro A Lenda da na qual Afonso de Bolso. Esta 111.ª (José Nobre) e a produção do TAS Moura Encanmoura Zuleima foi encenada por tada é uma boa (Isabel Ganilho) Fernando Gomes, oportunidade desenvolvem um que acrescentou à para descontrair amor que ultrahistória uma série passa todas as de pontos que lhe dão um carácter mais apela- barreiras e em que um aceita o tivo e repleto de paralelismos outro tal como é, inclusive do com os dias de hoje, apesar ponto de vista religioso. Este amor é realçado por de a trama se desenrolar no contraste com outro par amoséculo XIV. Para começar, acoplou à roso, composto por Tóino (Mipeça uma versão sui generis guel Assis), o melhor amigo de da conhecida lenda da Rainha Afonso, e pela irmã de ZuleiSanta Isabel (“são rosas, se- ma (Susana Brito), que se connhor”), na qual D. Dinis (inter- verte ao cristianismo, muda o pretado por Duarte Victor) é nome para Fátima e foge com retratado como um soberano o pescador para Castela, bem
TAS
“
longe da então pequena vila de Setúbal, apresentada como um lugar onde impera a maledicência e a intolerância para com os estrangeiros, mesmo quando estes são “mouros de trabalho” e honestos – o pai das jovens é o único que não compra fiado… Mas, entrelinhas sociopolíticas à parte, A Lenda da Moura Encantada é uma boa oportunidade para descontrair, com diversos momentos cómicos servidos ao longo das cerca de duas horas de espectáculo. Luís Humberto Teixeira luis.teixeira@jornalosul.com
FICHA TÉCNICA: A Lenda da Moura Encantada Texto e encenação: Fernando Gomes Actores: Célia David, Duarte Victor, Isabel Ganilho, José Nobre, Maria Simões, Maria Sobral, Miguel Assis, Sónia Martins e Susana Brito Composições e arranjos musicais: Quim Tó Direcção vocal: Nuno Batalha Coreografia: Luís Sousa Cenografia e grafismo: Luís Valido Figurinos: Zé Nova
Desafios para as próximas edições O Sul é um jornal aberto à colaboração de todos, acolhendo artigos de opinião, reflexão ou análise, reportagens, entrevistas ou textos de divulgação científica, que serão lidos pela Direcção e pelo Conselho Editorial, estruturas cuja função é seleccionar o que será publicado online e/ ou em papel. São aceites todo o tipo de contributos, sem restrições quanto ao assunto, mas como sabemos que às vezes o mais difícil é decidir sobre o que escrever, avançaremos em cada edição com sugestões de temas para as edições seguintes. Seguem abaixo os nossos desafios para os próximos números. As sugestões feitas a seguir aos temas são
meramente indicativas, dado que os ângulos de abordagem dependem da criatividade de cada um. Edição n.º 1 Entrega: até 1 de Fevereiro Sai a 11 de Fevereiro Biodiversidade – 2010 é o Ano Internacional da Biodiversidade. Diga-nos quais as medidas que deveriam ser tomadas, pelo Estado e pelos cidadãos, para garantir ecossistemas mais diversos e dinâmicos, ou fale de espécies ou habitats que mereçam uma protecção especial e explique porquê. Juventude – Já dizia a canção que «a Primavera da vida é bonita de viver, tão depressa
o Sol brilha como a seguir está a chover». Opine, reflicta ou faça a sua análise sobre esta fase da vida composta por paixões e depressões. Migrações – Ir viver para outro país, região ou concelho pode representar não só uma mudança geográfica como também um choque cultural. Em que medida podem os migrantes alterar os hábitos dos locais para onde vão? Quais são os seus direitos? E os seus deveres? Edição n.º 2 Entrega: até 1 de Março Sai a 11 de Março Mulher – Catalogadas como “sexo fraco” durante séculos,
as mulheres têm hoje um papel cada vez mais relevante. Escreva-nos com o seu ponto de vista acerca dos custos individuais e sociais desta ascensão, recorde sufragistas como Ana de Castro Osório ou conte-nos histórias de outras mulheres, reconhecidas ou nem por isso. Teatro – Em Março celebrase o Dia Mundial do Teatro, uma arte milenar que continua a atrair espectadores. Se a vida é um palco em que todos desempenhamos um papel, terá qualquer um capacidade para ser actor? E como pode uma arte que vive da presença física competir com o apelo de novos mundos virtuais à distância de um clique?
Ecologismo – Há 25 anos teve lugar em Tróia o primeiro Encontro Nacional de Ecologistas. Esteve lá e gostaria de recordar algum episódio curioso? E o que pensa da evolução do movimento ecologista e da implantação destes ideais na nossa sociedade? Se ainda estamos longe de ser uma civilização sustentável, o que podemos todos nós fazer para passar a sê-lo? Os artigos e afins devem ser enviados para o e-mail colabore@jornalosul.com. Caso não tenha possibilidade de usar este meio de comunicação, contacte-nos através do telefone 963 883 143, para, em conjunto, encontrarmos uma solução.
JAN 2010
15
NR 00
ENSAIO Os Portugueses Mais generosos que ava- e a necessidade de, para além ros, mais comunitários que de tudo, acreditarmos que individualistas, mais emotivos Nossa Senhora nos privileque racionais, mais espiritua- gia e nos salva. Mais do que listas que materialistas, mais trabalharmos arduamente e supersticiosos (Fátima) que criativamente, acreditamos devotos, mais líricos que pro- que o euromilhões, um emsaicos, mais soltos que disci- prego de ocasião, um negócio plinados, mais improvisadores milagroso ou uma herança que metódicos, sempre des- salva a nossa vida. Da Idade Média, profunprezados pelos poderes públicos, os portugueses são um damente religiosa, ficou-nos povo desejoso de abastança e uma marca: o pensamento solidariedade, um povo que é superior à matéria e o esdefende ser a razão menos pírito ao corpo. Assim, hoje, sem transcenimportante que a dência espiripaixão, o calculisAcreditatual de valores mo menos imporligados à beletante que a fruição mos que o eurolúdica da vida, um milhões (...) salva za, ao bem e ao sagrado (mesmo povo que, face aos a nossa vida à natureza como interesses económisagrado), Portucos, tem pugnado pelos valores do sentimento gal transformar-se-á numa e da comoção, os valores do mera região geográfica da gregarismo e da generosida- Comunidade Europeia, cheia de, os valores da partilha e de sol, de turistas e de euros, do companheirismo, unidos coarctada, porém, do essene vinculados a um sentido cial da vida que realiza os potranscendente orientador na vos e os cidadãos. Não são os busca da justiça, que desespe- Portugueses, no século XXI, ra por nunca chegar. Volta-se analfabetos e pobres, como então para Nossa Senhora, es- os albaneses ou os sudaneses, perando do Céu o que a terra mas cidadãos culturalmente ignorantes, robôs movidos lhe nega. A fibra de lutador dos Por- a dinheiro, tão alegres extugueses advém da sua his- teriormente quanto vazios tória e da sua cultura – uma e infelizes interiormente. O história, primeiro, de guerra presente português alimentacontra os mouros; depois, de se da mutilação do homem, guerra contra a natureza e os unidimensionaliza-o numa povos “pagãos” que descobria estreita visão economicista. O em África, no Oriente e no futuro consistirá na libertação Brasil; finalmente, arredado deste homem-máquina e na da fruição do Ouro do Brasil, assunção de um homem plurestrito às elites políticas, a ridimensional, aberto a todos luta pela sobrevivência numa os valores, vivenciando uma vida em permanente miséria realização quotidiana asseneconómica até à actualidade. te na união entre o corpo e o Todas estas causas fizeram dos espírito – pensar, amar, trabaportugueses um povo menos lhar serão fundidos num único votado a uma vida certa e ro- verbo: viver em plenitude. Os Portugueses sempre tineira e mais votado a uma vida improvisada, na qual defenderam um punhado de cada um deveria “desenras- valores clássicos (lealdade, car-se” por si próprio ou no amizade, honestidade, geneinterior de um pequeno grupo rosidade…), alimentado por um sentido transcendente da de companheiros. D o s D e s c o b r i m e n t o s , História e do Homem (Deus, ficou-nos uma fortíssima para uns; o Homem/Humacapacidade de improvisação nidade, segundo a Declaração
LEONARDO DA SILVA
“
Universal dos Direitos do Ho- rigoroso e disciplinado, hora mem, para outros). Este es- a hora, semana a semana, piritualismo nasceu de um criando progressivamente conjunto de constrangimentos riqueza própria, e mais a eshistórico-sociais muito par- peculação de terras e imóveis, ticulares: menos o privilégio ou seja, menos produção e ao indivíduo e à liberdade e mais comercialização e esmais ao gregarismo comuni- peculação. Portugal é um país igual tário; menos a autonomia e independência da sociedade aos outros, carregado de decivil e mais o endeusamento feitos e virtudes, mas com um do Estado (a “Corte”); menos jeitinho muito especial para operar consensos. a separação e Porventura devido distinção radical Portugal é à sua localização entre as esferas geográfica (cabo da da religião e do um país igual aos Europa, olhos viraEstado e mais outros, carregado dos para o Atlântia prevalência de defeitos e co e para África), dos modos travirtudes, mas com à sua dimensão dicionais de soum jeitinho muito (país territorialcialização do samente pequeno) grado; menos a especial para e fraca capacidade generalização da operar consensos económica, as iniriqueza do todo ciativas de Portudistribuída entre gal não ameaçam as partes e mais a concentração em pequenos outras posições no tablado grupos privilegiados; menos geoestratégico internacional. medidas de reforço da socie- Neste sentido, nunca estando dade civil e mais subordina- no topo das estatísticas munção do todo da comunidade diais, os Portugueses também ao Estado; menos o trabalho não se situam na base, antes
“
pelo contrário: situam-se no “meio”, ganhando a confiança dos que têm menos sem amedrontar os que têm mais. É a posição do “meio” que serve permanentemente a Portugal – uma força “mediadora”, um povo de “capatazia”, como dizia Agostinho da Silva, nem de arquitectos/engenheiros, nem de trolhas e pedreiros. Assim, os Portugueses podem augurar a exercer um papel colectivo cada vez mais importante no conflito entre as nações, gerando oportunidades para a paz internacional, a justiça mundial, preparando um novo modelo organizativo e institucional onde mais prevaleça a harmonia que a desarmonia. Por outro lado, o jeito lento de sermos, a contenção na ambição de que somos feitos (consequência de 800 anos de cristianismo), a alegria natural de que somos possuídos sempre que em grupo, a predominância da afeição pelo sagrado (as romarias, os santuários, as procissões, Fátima) e o amor que devotamos à natureza (conservamos alguns dos mais selvagens – genuínos – parques naturais da Europa), podem funcionar como elementos atractivos para os povos da Europa do Norte, mais frios, racionais, ambiciosos e trabalhadores do que nós, forçando-os a mudarem de vida e a seguirem as nossas pisadas, abandonando-se a uma vida calma, justa, harmónica, gregária, numa palavra, feliz. A ideia portuguesa de Quinto Império, hoje, século XXI, consiste justamente numa Europa harmónica com a natureza, um território de paz, um continente justo, uma terra da alegria, onde o trabalho teria uma importantíssima componente comunitária e o Estado velaria pelas necessidades de todos os cidadãos. Miguel Real, professor e escritor
FICHA TÉCNICA: Propriedade e Editor: Prima Folia - Cooperativa Cultural, CRL Morada: Largo António Joaquim Correia, n.º 7 1º Dto - 2900-231 Setúbal Director: Luís Humberto Teixeira Subdirectores: José Luís Neto e António Serzedelo Consultor Especial: Fernando Dacosta Conselho Editorial: Anita Vilar, Hugo Silva, Leonardo da Silva, Maria Madalena Fialho e Patrícia Trindade Coelho Directora de Arte: Rita Oliveira Martins Consultor Artístico: João Raminhos Morada da redacção: Rua Deputado Henrique Cardoso, 30-34 - 2900-109 Setúbal E-mail: info@jornalosul.com Site: http://www.jornalosul.com Registo ERC: Periodicidade: Mensário Tiragem: 6.000 exemplares Impressão: Tipografia Rápida de Setúbal Morada da tipografia: Travessa Jorge d'Aquino, 1 r/c - 2900-389 Setúbal