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R EG I STRO GER AL D O Q U E I N T E R ESS A

SOPHIE CHARLOTTE

OUTUBRO 2011 R$ 10,90

9 771678 904006

00110

I SSN 1678-9040

SITERG.COM.BR

A MAIOR APOSTA DA TV BRASILEIRA MIRA ALTO. ASSISTA AQUI!

INÉDITO! EIKE BATISTA REVELA SEUS SONHOS DE CONSUMO

PORRADA VÍTOR BELFORT POSA PARA MICHAEL ROBERTS. E FALA DE AMOR

ESCÂNDALO! A CINDERELA TUPINIQUIM QUE PROCESSA O REI DE WALL STREET

VERMELHO E ROSA OS TONS DA MODA. USE JÁ! HOMENS, TAMBÉM

NOSSAS MUSAS: DEBORA BLOCH, ADRIANE GALISTEU, SABRINA SATO, CAROLINA FERRAZ


EXPEDIENTE OUTUBRO 2011

ISSN 1678-9040

DIRETORA RESPONSÁVEL

PATRICIA CARTA

DIRETORES DE REDAÇÃO DUDI MACHADO E JEFF ARES PROJETO GRÁFICO E DIREÇÃO CRIATIVA GIOVANNI BIANCO DIRETORA DE COMUNICAÇÃO DORIS BICUDO EDITORA-ASSISTENTE LUIZA SOUZA CHEFE DE ARTE CAMILA TOLEDO PRODUTORA EXECUTIVA MAYRA OMETTO DESIGNER MARCELLA KATZ UEHARA ASSISTENTE DE PRODUÇÃO JULIANA DO COUTO ROSA LIUZZI ASSISTENTE DE ARTE VICTORIA POLAK ASSISTENTE DE REDAÇÃO MANOELA MEIRELLES REVISOR INÁCIO SILVA DIRETOR DE PRODUÇÃO GRÁFICA PAULO SÉRGIO CASTILLO LOPES COORDENADOR ROBERTO APOLINÁRIO PRODUÇÃO GRÁFICA DANILO CARVALHO

COLABORADORES ADRIANA CYMES, ALISSON LOUBACK, ANDRÉ BRANDÃO, ANTONIO TRIGO, ANTONIO FRAJADO, ARTHUR ROCHA, BRUBI GHETTI, CARLA BIRIBA, CARLOS CUBI, CAROL QUINTANILHA, CASSIA TABATINI, CHANTAL SORDI, CHRISTIAN GAUL, DANIEL HERNANDEZ, DANIEL KLAJMIC, DIEGO QUIRINO, FÁBIO BARTELT, FABRIZIO ROLLO, FELIPPE SEGALL, FERNANDO YOUNG, GUI BORGOMONI, GUI PAGANINI, HOUSSEIN JAROUCHE, IORAM FINGUERMAN, JANETE LONGO, JOÃO LUIZ VIEIRA, KAREN COUTO, LIANA HAJE, LUCAS BORI, LUCAS KARAM, LUIS FIOD, LUIZ TRIPOLLI, MARCELO KRASILCIC, MARCIO VICENTTINI, MARILIA NEUSTEIN, MARTHA BENDER, MICHAEL ROBERTS, MIRELLA PENTEADO, NICOLE NODLAND, PAULA MENDES, PAULO REIS, PAULO VAINER, RAQUEL ZIMMERMANN, RENATA CORRÊA, ROBERT ESTEVÃO, ROBERTO CECATO, ROSANA RODINI, TOM CARDOSO, VALENTINO FIALDINI, VICENTE DE MELLO, WALTER FIRMO, WEL CALANDRIA, XUXU GUIMARÃES, ZECA ZIEMBIK

SITE RG DIRETORA DE REDAÇÃO ROSANA RODINI SUBEDITORA MIRELLA PENTEADO DESIGNER E GERENTE DE MÍDIAS SOCIAIS JOANA MONTENEGRO REPÓRTER VICTOR FRESI FOTÓGRAFOS ANDRÉ LIGEIRO E ZECA FLORENTINO

ASSINATURAS ASSINATURAS@CARTAEDITORIAL.COM.BR / CENTRAL DE ATENDIMENTO AO CLIENTE, TELS. (11) 3038-1488 E 0800-7771400 – FAX 24 HORAS (11) 3038-1415 / SERVIÇO DE ATENDIMENTO AO CLIENTE: SAC@CARTAEDITORIAL.COM.BR / WWW.CARTAEDITORIAL.COM.BR

MARKETING E CIRCULAÇÃO MARKETING@CARTAEDITORIAL.COM.BR. NÚMEROS ATRASADOS: BANCAS@CARTAEDITORIAL.COM.BR

PUBLICIDADE DIRETORA DILU FREIRE HUTH DIRETORA DE PROJETOS ESPECIAIS BEATRIZ MONTEIRO EXECUTIVOS DE NEGÓCIOS CIDINHA CASTRO, LUCIANE GRACIANO, MILENA MUTARELLI, RENATO MASCARENHAS E VALÉRIA ALVES EXECUTIVOS DE NEGÓCIOS ON-LINE DEBORA TIEME MOCHIDA ASSISTENTE COMERCIAL BABILA GARCIA ASSISTENTE DE ARTE RENATA ZUCCHINI

REPRESENTANTES COMERCIAIS RIO DE JANEIRO MARCA 21 – CARLA TORRES E MARTA PIMENTEL – TEL. (21) 2224-0095, CARLATORRES@MARCA21.COM.BR, MARTAPIMENTEL@MARCA21.COM.BR MINAS GERAIS SBF PUBLICIDADE – CIBELLE BERNARDES – TEL. (31) 2125-2900, CIBELLE@SBFPUBLICIDADE.COM.BR RIO GRANDE DO SUL JC COMUNICAÇÕES – LUCAS PONTES – TEL. (51) 3332-3994, 3330-0211, LUCAS.PONTES@JCCOMUNICACOES.COM.BR

DIRETORIA DIRETOR EXECUTIVO IDEL ARCUSCHIN DIRETORA FINANCEIRA E ADMINISTRATIVA ANA CRISTINA FERREIRA LEITE RG É UMA PUBLICAÇÃO MENSAL DA CARTA EDITORIAL LTDA. AVENIDA BRASIL, 1.456, TEL. (11) 3084-1400, FAX (11) 3084-1401, CEP 01430-001, SÃO PAULO, SP

DIRETORES PATRICIA CARTA E IDEL ARCUSCHIN FUNDADORES LUIS CARTA (1975-1986), ANDREA CARTA (1986-2003) RG NÃO SE RESPONSABILIZA PELOS CONCEITOS EMITIDOS NOS ARTIGOS ASSINADOS. AS PESSOAS QUE NÃO CONSTAM NO EXPEDIENTE NÃO TÊM AUTORIZAÇÃO PARA FALAR EM NOME DA RG OU DE RETIRAR QUALQUER TIPO DE MATERIAL SE NÃO TIVEREM EM SEU PODER UMA CARTA EM PAPEL TIMBRADO ASSINADA POR QUALQUER PESSOA QUE CONSTE DO EXPEDIENTE. REGISTRO Nº 219.382, DE 20/07/2004, NO 1º OFÍCIO DE REGISTRO DE TÍTULOS E DOCUMENTOS, DE ACORDO COM A LEI DE IMPRENSA. FOTOLITOS: BUREAU SÃO PAULO E DIGISCAN DISTRIBUIÇÃO: FC COMERCIAL E DISTRIBUIDORA S/A. IMPRESSÃO: GRÁFICA PROL. TIRAGEM DESTA EDIÇÃO 40 MIL EXEMPLARES

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ÍNDICE OUTUBRO 2011

28

54

62

68

116

SABRINA SATO E DANIEL HERNANDEZ PROTAGONIZAM UM DIA DE BEAUTÉ NIPÔNICA, COM DICAS PARA GUEIXAS MODERNAS

VÍTOR BELFORT POSOU PARA AS LENTES DO FASHION ICON MICHAEL ROBERTS E BATEU UM PAPO CARA LIMPA COM RG

DEBORA BLOCH

REGISTROS

LIVROS

JOIAS

A ATRIZ MOSTRA MAIS DO QUE O USUAL NUM RETRATO FANTÁSTICO DE MARCELO KRASILCIC. E EMBARCA NUMA “HOT LINE” COM RG

CAROLINA FERRAZ LANÇA UM SITE, O PESCADOR GOURMET CARIOCA, A MULHER MAIS QUENTE DA CHINA, O FILHO PINTOR DE RITA LEE...

PERSONAGENS IRREVERENTES E VISIONÁRIOS GANHAM LIVROS CHEIOS DE GLAMOUR E GRANDES HISTÓRIAS, DEVORE

DIAMANTES NEGROS, RUBIS E ESMERALDAS: A MISTURA É EXPLOSIVA E DITA A TENDÊNCIA DA JOALHERIA BRASILEIRA

BELEZA

26

110 EM CASA

GALISTEU TUÍTA!

RG BATEU UM PAPO COM A APRESENTADORA, A NOVA MUSA DO TWITTER. SÃO 15 MINUTOS DELICIOSOS, PERCA SEU TEMPO

CHIARA GADALETA KLAJMIC E OS FILHOS NUM ENSAIO FOTOGRAFADO PELO DONO DA CASA, DANIEL KLAJMIC

60

FRIVOLIDADE MÁXIMA UMA SELEÇÃO DAS MAIS RELUZENTES NECESSIDADES DE CONSUMO

PORRADA

CAPA FOTO PAULO VAINER EDIÇÃO DE MODA LUIS FIOD/MINT BELEZA ROBERT ESTEVÃO TRATAMENTO DE IMAGEM ALEX WINK SOPHIE USA BRACELETES A.BRAND

FOTOS DANIEL KLAJMIC, CHRISTIAN GAUL E DIVULGAÇÃO

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04

FELIPPE SEGALL

RAQUEL ZIMMERMANN

MICHAEL ROBERTS

ROSANA RODINI

Um dos artistas plásticos mais interessantes de sua geração, Felippe abraçou a nossa coluna menos cartesiana, uma pensata – inclusive visual – que reflete o zeitgeist desse tempo. Ótimo de imagem e revelador em texto, o neto de Lasar Segall faz jus à verve e atualiza o interesse pelo sobrenome. Arte na veia.

A modelo número 1 do planeta deixou mais transcendentais as nossas páginas com seu testemunho sobre a meditação que aprendeu com o cineasta David Lynch, uma prática que transformou sua vida. Num texto fluido e inspirador, a loira mais quente dos editoriais mostra que tem opinião e conhece mais do que crê a nossa vã filosofia.

Alguém faça o favor de entregar um passaporte diplomático para o Michael Roberts? Um dos nomes quentes da moda é divulgador incansável do Brasil, país que virou tema recorrente de suas matérias de moda, ilustrações e fotografias. Nesta edição, ele nos presenteia com portraits de Vítor Belfort, o casca-grossa que amamos.

Diretora do site de RG, Rosana Rodini é das mais brilhantes jornalistas do seu tempo. Brilha no texto e brilha nos salões, fazendo as vezes de deejay nas festas mais secretas da paróquia. Nesta edição, ela assina o perfil de nossa it girl, bate um papo com Carolina Ferraz e revela Karina Mota, numa impressão completamente digital.

FOTOS VALENTINO FIALDINI E DIVULGAÇÃO

COLABORADORES OUTUBRO 2011


TRIO MARAVILHA Não resisti. Antes de fazer a revista chegar até você, saí com as páginas prontas embaixo do braço colhendo opiniões – ela surpreendeu. Cheguei a ouvir até que era bonita demais. Houve quem não me aconselhasse a peitar tal ousadia, mas julgo que seja esse um dos importantes papéis de uma boa publicação. Falo isso bem à vontade, já que o mérito desse projeto é de Giovanni Bianco. Bom vendedor que é, me deixou inebriada com a proposta pop, vibrante e sofisticada. Mesmo assim a revista é cartesiana, precisa, e ganha frescor ao se utilizar, de certo modo, da linguagem digital. O DNA é o mesmo de origem, basicamente invade mundos, apresenta gente. Mas o melhor de tudo

é renovar com as pessoas-chave e queridas de sempre. E se o projeto gráfico é do Bianco – que, além de seu trabalho ao lado de Madonna, é o responsável pela direção artística daquelas campanhas desejo –, o conteúdo e o visual é da dupla arretada de diretores de redação. Sim, um é pouco e dois é o ideal. Na RG desde o número 1, Dudi Machado sabe tudo e de tudo. Crítico, debochado e refinado, simples assim. Jeff Ares, que lançou e editava o site até agora, não deixa por menos. Afinado, texto delicioso, fareja o novo a léguas. Perfeito para o projeto. A cada página você encontra um pouco de cada um deles, que de pouco não tem nada. – PATRICIA CARTA

FOTOS GUI PAGANINI, ARQUIVO PESSOAL E MIDORI DE LUCCA

CARTA DA PATRICIA OUTUBRO 2011


STRIP TEASE

DEBORA É FOGO!

VILÃ NO FOLHETIM, MOCINHA AOS 48. RG DESPE DEBORA BLOCH, ATRIZ QUE TEMOS EM ALTÍSSIMA CONTA POR JEFF ARES FOTO MARCELO KRASILCIC

O star system brasileiro é puxado. Um mar de tchutchucas siliconadas se digladia pelo posto de musa da borracharia, anabolizando as coxas para favorecer o close ginecológico do reality show. A gente até acha graça, mas valorizar a gente não valoriza não. Faz mal para a condição feminina. Tudo para dizer que Debora Bloch é a quintessência da antítese. É a mulher, de fato. Tremendamente mais sexy do que as purpurinadas – que devem, por gentileza, perdoar a franqueza. É que Debora é a desse tempo, a que seduz por uma porção de coisas – inclusive o corpo, cujas curvas fazem bonito sob a RG

OUTUBRO 2011

lente de Marcelo Krasilcic. A atriz que amamos anda mais gata do que nunca. Olha os anos e ri deles, e com eles. E com RG, num papo caliente-cabeça, do jeito que a gente gosta...

HOT LINE O que te despe? DB: O desejo. O que te veste? DB: Boas personagens. O que te rasga? DB: Dançar, dançar, dançar... O que te excita? DB: Boa música. O que te renova? DB: O sul da Bahia. O que é o amor? DB: "Que não seja imortal, posto que é chama. Mas que seja infinito enquanto dure."

STYLING ANTONIO FRAJADO BELEZA CARLA BIRIBA TRATAMENTO DE IMAGEM FUJOCKA

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TRIPOLLI

A R Q U I VO

ANA PAULA, LOLITA POR LUIZ TRIPOLLI

Conheci Ana Paula Arósio quando ela tinha 13 anos. Não me lembro, nesses 47 anos de trabalho, ter fotografado um rosto tão perfeito e expressivo. Parecia ter baixado no meu estúdio, em 1988, um ser de outro planeta. Nossa sintonia rendeu um resultado fantástico; pedi a Ana que se transformasse em vários personagens, de acordo com cada produção que fazíamos, e ela desempenhava os papéis com tal facilidade que percebi imediatamente que, no futuro, ela se transformaria em uma grande atriz, o que acabou acontecendo. Fotografamos durante quatro anos e fizemos alguns experimentos cinematográficos, entre eles Sonho de Boneca, RG

OUTUBRO 2011

que também deu início à minha carreira de diretor. Acho que poderia publicar um livro de 300 páginas com fotos dela desse momento mágico, a transição da menina se transformando em mulher, da modelo se transformando em atriz. Não gosto de comparações, mas diria que a perfeição dos traços me lembra Elizabeth Taylor na juventude.

WWW.SITERG.COM.BR VEJA MAIS IMAGENS DOS TENROS ANOS DE ANA PAULA CLICADOS POR TRIPOLLI NO SITE, OK?


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PRIMEIRA P E S S OA

UMA LOIRA TRANSCENDENTAL

O CINEASTA DAVID LYNCH TRANSFORMOU A VIDA DE RAQUEL ZIMMERMANN. PARA RG, A TOP MODEL CONTA A SUA EXPERIÊNCIA POR RAQUEL ZIMMERMANN

Meu primeiro encontro com David Lynch foi na gravação de um comercial para um perfume da Gucci. Ele me pareceu muito diferente do que eu esperava, se considerarmos seus filmes. É uma pessoa positiva e de bom espírito, e o trabalho foi excelente. Fiquei curiosa e fui ler seu livro, Em Águas Profundas, sobre as vantagens de praticar a meditação transcendental e de como podemos, por meio dela, alcançar mais criatividade. Criar é a palavra-chave no meu trabalho. Como modelo, gosto de participar dos processos, com o diretor de arte e o fotógrafo. Me interessa criar novos personagens e ideias. Eu adoro novas ideias. RG

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Alguns anos depois de conhecer o David, eu decidi: vou aprender a meditar! Já faz um ano, e desde a primeira semana senti uma grande diferença. Eu medito três vezes ao dia: de manhã, antes do café, por 20 minutos; no fim da tarde, por 20 minutos; e antes de dormir, por 10 minutos. As pessoas acham que é algo difícil, mas não é. Na meditação transcendental você não precisa se concentrar em algo fixo, ou na respiracão. Pode praticar em qualquer lugar. Basta sentar-se, com um apoio para as costas. O único esforço é a dedicação. E falta de tempo não é uma boa desculpa: o curso é feito em três dias e toma apenas duas horas.


FOTOS ARQUIVO PESSOAL, GETTY IMAGES E DAVID LYNCH FOUNDATION TRATAMENTO DE IMAGEM STUDIO OCTAVIO DUARTE

PRIMEIRA PESSOA

A meditação me fez apreciar mais todos os aspectos da minha vida pessoal e profissional. Como modelo, me empenho e gosto mais e mais dos meus trabalhos. Pessoalmente, sinto um grande amor, valorizo o contato com a natureza, mantenho o corpo saudável. A prática também me ajuda a lidar com as pessoas de forma mais compreensiva e agradável. E os benefícios são comprovados cientificamente, diga-se. No meio fashion, eu conheço uma maquiadora e uma editora de moda que praticam essa meditacão. E a Donna Karan, que encontrei em um evento da The David Lynch Foundation em parceria com o Urban Zen, o projeto social que ela mantém. Juntos, eles lançaram uma nova missão: ensinar veteranos de guerra a meditar. Emocionante escutar os depoimentos de soldados que, passados os horrores da guerra, encontraram paz, conforto e esperança. Foi muito bom reencontrar David e Donna e ter a oportunidade de elogiá-los por esse lindo projeto e compartilhar com eles os benefícios que adquiri.

A fundação de David também prega a meditação para pessoas necessitadas e presidiários. E ensina crianças do mundo inteiro a meditar – inclusive no Brasil, onde ele esteve para difundir a ideia nas escolas. Acredito que, em breve, ele lançará um documentário sobre o assunto. “A raiva, a depressão e o sofrimento são muito bonitinhos nos enredos, mas venenosos para o cineasta e o artista. São como torniquetes na criatividade. Se você estiver preso nesse torniquete, vai ser difícil se levantar da cama e, mais ainda, vivenciar o fluxo de criatividade e ideias. Para criar, é preciso ter clareza.” David Lynch, no livro Em Águas Profundas.

NA PÁGINA ANTERIOR, RAQUEL MEDITA EM SUA CASA, EM NY. ACIMA, A MODELO E DAVID LYNCH, SEU MUSO INSPIRADOR. E MAIS RAQUEL, QUE NUNCA É DEMAIS OUTUBRO 2011

RG


24 PENSATA

O PLANETA DOS BEAT MACACOS

MACACOS TRANSGRESSORES DA FICÇÃO REBAIXAM OS HOMINÍDEOS DE HOJE, UMA TURMA CUJA REVOLUÇÃO NÃO DÁ SINAIS DE EVOLUÇÃO POR FELIPPE SEGALL

É impossível não pensar no grito de alforria do símio César no filme O Planeta dos Macacos: A Origem. Os risos causados no momento do já notório "NO!!!" diluíram a magnitude daquele salto evolutivo. Para nós, humanos, significou dar adeus a uma existência de caça e coleta. E boas-vindas para o desenvolvimento de relações sociais mais complexas, a organização e o planejamento estratégico, uma consciência de passado, presente e futuro e, principalmente, o pensamento abstrato e simbólico. Me refiro ao nascimento de uma linguagem verbal complexa, decorrente da fala. Assim como todas as mudanças genéticas que acompanham o enredo evolutivo da vida no planeta, a linguagem, de acordo com algumas correntes antropológicas, é consequência de mutações randômicas, acidentais, que quando resultam em vantagem para a sobrevivência são gradativamente incorporadas, até se tornarem dominantes. Evidências indicam que a linguagem oral avançada só se tornou possível após transformações fundamentais na anatomia da linhagem “homo”: postura ereta, liberação das mãos para outros fins, desenvolvimento do polegar opositor, crescimento cerebral, mutações na estrutura do aparelho vocal... Portanto, tão implausíveis quanto RG

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o macaco falante foram os acidentes evolutivos que, ao longo de mais de 1 milhão de anos possibilitaram linguagem avançada e fala ao Homo sapiens. Mais do que engraçado, evoco Schopenhauer e arrisco chamar o momento de sublime – que, ao contrário do senso comum, nada tem a ver com beleza e, sim, com uma ambígua sensação de prazer diante de eventos/objetos que ameaçam infligir dor ou destruir o observador. "Em algum remoto rincão do universo cintilante que se derrama em um sem-número de sistemas solares, havia uma vez um astro, e animais inteligentes inventaram o conhecimento. Foi o minuto mais soberbo e mais mentiroso da ‘história universal’: mas também foi somente um minuto. Passados poucos fôlegos da natureza congelou-se o astro, e os animais inteligentes tiveram de morrer", Nietzsche. O triste fim dos dinossauros, outra espécie que dominou esse astro, todos conhecem. Mas poucos ouviram falar da catástrofe de Toba. Trata-se de uma hipótese, mas não deixa de ser absolutamente aterrorizante. Há indícios de que, há cerca de 75 mil anos, uma erupção de proporções inimagináveis, em Sumatra, reduziu a população de Homo sapiens para cerca de 10 mil.


FOTOS DIVULGAÇÃO

FELIPPE SEGALL

Alguns – os pessimistas – defendem que esse gargalo populacional poupou apenas dois mil dos nossos! Imagine a espécie reduzida ao público pagante de uma partida de segunda divisão. César, Nietzsche e Toba lembram do nosso lugar no mundo. E agora, onde está a graça? Uma outra revolução, milênios após o nascimento da linguagem, na mesma costa oeste de César, foi marcada não por um grito, mas um uivo, de um outro peludão: Allen Ginsberg. Um dos pilares da santa trindade do movimento Beat, ao lado de Kerouac e Burroughs, ele conquistou notoriedade na declamação histórica de um poema, nos arredores de Berkeley. Mais que um texto, "O Uivo" nasceu como um evento, uma experiência coletiva. Talvez por isso represente com tanta força um momento seminal do movimento. Os beatniks: pais dos hippies, anticonformistas radicais, condutores de uma revolução literária, de linguagem. Ignoraram os alicerces do modernismo – TS Eliot, Faulkner – e conquistaram autonomia defendendo a escrita livre, fluida, de conteúdo altamente sexual e político, com urgência e velocidade, olhar para o presente, desejo de captar impressões

e sentimentos viscerais, senão primordiais, em um refluxo incessante de consciência. Um olhar que apontaria para a filosofia oriental, possivelmente o maior antídoto para os valores que rejeitavam. Assim seguiram, flutuando na fronteira entre a realidade e a ficção, construindo uma potente simbiose entre processo, conteúdo e forma. Se é que participamos de alguma revolução, ela emana da mesma costa oeste americana: Silicon Valley. Um uivo na ponta dos dedos, em frente a telas de LCD. Não existem mais regras. Nada mais para quebrar, transgredir. Quem se aventura a uivar?. * A banana de Warhol no CD do Velvet Underground é para César, que, enquanto não declama "O Uivo" para uma plateia de beat macacos, precisa se alimentar.

NA PÁGINA ANTERIOR CÉSAR, O ORIGINAL. ACIMA, O BEATNIK ALLEN GINSBERG, A REPRESENTAÇÃO DO SUBLIME DE C. D. FRIEDRICH E A BANANA DE WARHOL OUTUBRO 2011

RG


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15 S MINUTO

ENTREVISTA

ELA QUER UM MILHÃO DE AMIGOS Adriane Galisteu fugia de tecnologia como o diabo da cruz. Hoje, viciou no Twitter, com quase 400 mil seguidores. Nem aí para cantadas e polêmicas, ela quer é bater recordes. O que fez você entrar na onda tecnológica? Adriane Galisteu: O Marco Raduan, meu amigo e sócio no Talk Fast – programa de aprendizado de línguas on-line – me mostrou como a tecnologia pode simplificar a vida. Mas tenho limites: eu só tuíto do meu iPhone, nunca em casa. Só falo de trabalho. Não é redação para ficar falando que acordou, comeu, tomou banho… Quais foram seus posts que mais deram ibope? AG: Vários: quando eu falei que a Bruna Surfistinha estava muito quieta n’ A Fazenda, me tacharam de preconceituosa… Meus posts durante o Miss Universo geraram polêmica, fui parar no TT (o ranking) mundial. E teve uma vez que eu presenciei RG

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um tiroteio na rua Estados Unidos (nos Jardins, em São Paulo) e postei. A polícia só chegou depois do meu post. Quem você mais gosta de seguir? AG: Adoro a @Katylene, o @HugoGloss e um menino que tem poucos seguidores, mas é muito engraçado, o @GomezdaCosta. A Preta Gil também é sensacional. E cantada via internet, acontece muito? AG: Tem um cara que encanou que quer cheirar o meu chulé… Só que ele posta isso 30 vezes todos os dias! Teve um dia que eu falei: "Ok, mas vai ter de se matricular no Talk Fast". Quem você gostaria que te seguisse? AG: Quero que o país inteiro me siga, quero ter mais de um milhão de amigos!

TRATAMENTO DE IMAGEM STUDIO OCTAVIO DUARTE

POR LUIZA SOUZA FOTO CHRISTIAN GAUL


28 GENTE

MUITO PRAZER, CAROLINA AUGUSTA POR ROSANA RODINI FOTO PAULO REIS

Mulher de todas as vontades, a atriz Carolina Ferraz inventou mais uma. Sua aptidão para as letras, que já lhe rendeu livros e colunas, agora virou business. Ao lado de Helena Augusta, a PR que cuida de sua imagem, a star de O Astro vai lançar o Carolina Augusta, um site de "home & lifestyle", como definiu Helena, com "moda, decoração, viagem, comida...". E um e-commerce, com uma curadoria feita pelas duas. "Nosso universo é a casa da gente, nossa maneira de receber e viver o dia a dia", convidou Carolina, que espera assim aplacar qualquer impulso consumista mais devastador. "Procurar, descobrir, descolar o copo mais legal pelo melhor preço, já são por si só um belo exercício, muito mais bacana que comprar, não!?" Sim?! A gente aqui duvida que ela não vá gastar um pouquinho, é muita tentação. Ao lado das boas ofertas, muitos textos. "Seremos as editoras do site, faremos todo o conteúdo e os textos teRG

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rão o nosso 'olhar' sobre cada tema abordado", contou Helena. Sua partner está animada com a labuta. E promete novos projetos literários: "Sim, tenho outro livro que, se Deus quiser, conseguirei lançar no final de 2012! Mas, por favor, ao mesmo tempo tenho muita vergonha de escrever e me expor, rsrs! As mulheres e suas contradições... Adoraria conseguir contar histórias para adolescentes e senhoras se ocuparem no verão, um livro agradável e despretensioso... Help me God!!”. Fique tranquila, que os astros estão conspirando, Carolina...

WWW.SITERG.COM.BR LÁ NO SITE, VAMOS ACOMPANHAR O LANÇAMENTO DO SITE DA CAROLINA FERRAZ E DA HELENA AUGUSTA, QUE ESTREIA AINDA ESTE MÊS. PARA ACESSAR, PROCURE O ENDEREÇO NOS NOSSOS BONS LINKS!


REGISTRO

HISTÓRIA DE PESCADOR POR LUIZA SOUZA FOTO FERNANDO YOUNG

Já comeu um pampo? Um wahoo? Ou talvez uma bicuda? São peixes, mas não para qualquer bico. Viraram hit no cardápio do Fasano Al Mare, o restô do famosíssimo hotel carioca. Os nadadores dão sopa em mares cariocas, mas não são pescados por qualquer um, nem encontrados em qualquer mercado. Daí a fama de Francisco Loffredi, desde já um queridinho dos gourmets locais. Adepto da pesca submarina profissional em apneia, ele empunha um arvalete – espécie de estilingue gigante de inox – e mergulha, em Ipanema ou Copacabana. Com fôlego de atleta, traz do fundo do mar cardumes especiais. Com frescura (literal), oferece seus serviços via Facebook, na página “Peixe Ultrafrescos Arpoados”. Chico sai do mar, liga o iPhone e vende na rede o que encontrou no oceano – e a clientela dispara os pedidos. Pronto: o melhor dos almoços está garantido. O pescador chique caiu nas graças de Lucca Gozzani, chef do Fasano Al Mare, que tratou de fechar uma exclusividade. Caçarolas de restaurante, só as dele. “Não é raro eu entrar em sua cozinha ainda molhado de água do mar, segurando os peixes que acabei de matar”, se diverte o sanguinário, jurando que nada disso é lorota de pescador.

NEGÓCIO DA CHINA POR MARILIA NEUSTEIN

FOTOS CORBIS

Na China elas também conquistam seu espaço. Yue-Sai Kan é o exemplo mais pulsante da vitória feminina naquele país. Espécie de Oprah Winfrey da maior potência econômica da Ásia, a empresária acumula o côté apresentadora de TV e sete best-sellers num país de bilhões. No mês passado, Yue-Sai deu um rasante em São Paulo para acompanhar o Miss Universo, concurso cujos direitos detém em seu país. Deixou a pauliceia sem a vitória da Miss China, mas fechou negócios – vai distribuir os cosméticos de Cristiana Arcangeli nos mais de cinco mil salões de beleza de sua terra natal. Para RG, a mulher mais famosa da China afirmou não encontrar diferenças entre suas conterrâneas e as brasileiras. Para ela, o conflito é universal: o equilíbro entre a vida afetiva e a carreira. Entretanto, reconhece que a limitação política impõe mais barreiras às chinesas. Conquistas profissionais não são incentivadas – inclusive pelos maridos. Avançada aqui, moderada ali: sobre a violação dos direitos humanos em seu país, ela tergiversa e considera o regime uma "ditadura benevolente".

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RG


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ARTE NA DINASTIA LEE POR CHANTAL SORDI FOTO ALISSON LOUBACK

Antonio Lee não imaginava ter qualquer dote artístico. Até o fim da adolescência, só rabiscava uma bobeira aqui e uma caricatura ali no colégio. Mas quando ganhou um conjunto de canetinhas de sua mãe, a cantora Rita Lee, percebeu que havia algo a explorar. “Comecei a me perder nos detalhes”, conta. Vieram as primeiras psicodelias monocromáticas. “Eu parti do p&b, depois incluí o vermelho... até que comecei a fazer misturas com acrílico e nanquim para, finalmente, chegar ao óleo.” Em sua primeira série, Antonio pintou imagens perdidas no tempo. “Gosto muito de fotografias antigas. Busco ‘found photographs’ na internet, antigas polaroides de famílias americanas dos anos 60. É quase um banco de imagens do coletivo humano.” Das referências, ele cita “Gerhard Richter, Francis Bacon e as colagens de um americano chamado Romare Bearden. Também sou obcecado pelo trabalho de Adrian Ghenie e Lars Elling”. Há três meses trabalhando com tinta a óleo, Antonio pintou cerca de dez telas. Com o incentivo da namorada, a escritora Camila Fremder, montou um blog. “Havia gente disposta a pagar. Aí pensei comigo: por que não?” Já vendeu duas telas – e não foi a mãe que comprou não.

GENTE

WWW.SITERG.COM.BR PARA CONHECER AS OBRAS DE ANTONIO LEE, ACESSE O NOSSO SITE E COLOQUE O NOME DELE NA BUSCA. TEM UMA GALERIA VIRTUAL LÁ

NASCE UMA GANGUE POR LUIZA SOUZA FOTO ALISSON LOUBACK

Os quatro rapazes ao lado são amigos de longa data e vêm juntando uma boa turma nas noites de sexta-feira. Mais um clubinho em São Paulo? Não é bem isso… Os irmãos Fabio e Lelo Marcondes mais Gianfranco Wis e Marcello Leonel reformaram uma casa em Pinheiros e abriram o Studio Dama, que saiu do papel como um espaço de eventos – dá para fazer de casamento a festa da firma. Bem relacionados, animados, eles também jogam a favor da diversão própria e (por que não?) têm armado por lá festas quinzenais nas quais só entram amigos (e amigos dos amigos). Quem já foi gostou: a pista ferve e a “laje” de 200 m2 garante bons papos ao ar livre, coisa cada vez mais rara na cidade. Mas não parou não: os eventos são o start do selo Le Vagabond, criado por eles para organizar intervenções culturais, sessões de cinema ao ar livre, exposições e um get together, para além da balada. A Lei Rouanet que se prepare.

THE DAMA'S BOYS: OS IRMÃOS LELO E FABIO MARCONDES, MARCELLO LEONEL E GIANFRANCO WIS RG

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REGISTRO

CARAVANA ARTSY POR JEFF ARES FOTOS ANDRÉ BRANDÃO

Rose Klabin e Rodolpho Parigi alugaram um furgão. Partiram de Miami para NY, numa viagem de duas semanas. Artistas plásticos dos mais promissores (e gentis) de sua geração, embarcaram na trip com vontades distintas e um objetivo comum: chegar em NY no dia exato (16.09) da abertura de uma exposição conjunta na galeria Rabbithole, no Brooklyn. Rose precisava levar umas obras que estavam em Miami para a tal exposição. Inventou de fazê-lo de carro, liberdade em riste, e aproveitou a vista para investigar os efeitos da crise econômica na América profunda, o cataclísmico declínio do império. Observação salutar para o trabalho de uma artista que disseca questões corporativas, muitas delas vívidas no cerne de sua criação e de sua família. Parigi, o mais novo melhor amigo, entrou na onda beatnik. Foi arejar o espírito irrefreadamente colorido para trovejar pantones pela estrada. Há quem diga que um crash de cores ainda se vê no céu da costa leste. Ah, a aventura vai virar documentário. No site da RG, espere o relato da viagem, desses que revista especializada alguma se atreveu a publicar.

CASAL JOIA POR MIRELLA PENTEADO FOTOS CASSIA TABATINI

O casal 20 aí é o novo hit entre os modernos da pauliceia. Modelos, David Pimentel e Angelica Mantuan criaram a Skull, marca de acessórios unissex profícua em caveiras, espadas e lenços que ganhou as bênçãos de Dudu Bertholini. O estilista da Neon, entidade da modernidade, caiu de amores pelo estilo da dupla e cunhou o termo “gypsy rocker” para definir David, Angelica e sua turma, que inclui a atriz Mayana Moura, a modelo Alicia Kuczman, o roqueiro Rafa Vella… Só os lindos, todos de posse dos acessórios desenhados por David, que durante uma viagem ao Chile, enquanto ainda modelava, fez seus primeiros traços. Virou tatuador, “rabiscando” amigos como o modelo Mateus Verdelho. Aí veio um estalo: uma amiga de Angelica sugeriu que o casal transformasse as tattoos numa linha de semijoias. Ambos se lançaram ao trabalho – ela nos detalhes mais delicados, ele nos processos mais pesados. Casamento perfeito. De papel passado neste ano. E gypsy na essência. “O coração cigano é livre, mas sempre conectado a quem se ama”, tatua David.

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REGISTRO

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UM SONHO DE REVISTA Namorada do bilionário russo Roman Abramovich, Dasha Zhukova leva uma vida de sonho. Nada mais natural do que criar para si uma revista que é o sonho de qualquer editor. Colecionadora de arte e vestidos couture, a exeditora da Pop não mediu esforços na criação da Garage. Com um time que só ela teria cacife para bancar, a moça aposta num mix do melhor das artes e da moda. Nomes como Dinos Chapman, Nick Knight, Lily Donaldson, Juergen Teller, Tavi G e Marina Abramovic e outros stars colaboram para essa publicação surrealmente autoral, como sua dona.

ACIMA, UMA DAS TRÊS CAPAS DA PRIMEIRA GARAGE : FOTO DE HEDI SLIMANE E DECALQUE DE DAMIEN HIRST, QUE REVELA A TATTOO DE... UMA BORBOLETA. FOI LANÇADA DURANTE A NY FASHION WEEK. AO LADO, DASHA ZHUKOVA RG

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FOTOS GETTY IMAGES E DIVULGAÇÃO

POR DUDI MACHADO


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REGISTRO

JAM SESSION Ele tem uma guitarra autografada por Ozzy, Alice Cooper e Eric Clapton; com este último ele já tocou (!), numa jam

DESENHANDO O PRÓPRIO CAMINHO

V I DA A PRIVAD

RELIGIÃO A coleção de budas e ganeshas representa tudo aquilo que ele mais preza: “O espírito livre e a simplicidade das coisas”

POR ANTONIO TRIGO FOTOS WEL CALANDRIA

Marcello Maksoud se divide entre dois trabalhos bem diferentes do que seu sobrenome hoteleiro poderia nos fazer supor. Foi buscar o seu próprio caminho. Formado em publicidade, pilota a Nuyoung, agência de internet, design gráfico e consultoria de design mobiliário – este último uma paixão, que nos leva à sua segunda habilidade: é designer. E sócio da mãe, Sandra Habib, na loja Benedixt, referência em décor na cidade. Intrépido, deu nova cara ao negócio ao lançar uma linha, a Super Furniture, com móveis desenhados por ele e outros jovens criadores. Depois de alguma resistência, invadimos o loft onde vive nosso personagem, no bairro do Morumbi. Ali, estão claros os seus interesses e os vestígios de suas andanças. Na decoração, um mix de assinaturas importantes e achados vintage, mais um sem-fim de livros e discos. “Não segui uma linha racional para decorar meu apartamento”, confessou. Ponto pra ele: é autoral. Tem lá as suas crenças, sua guitarra, seu amor pelo mobiliário. E um enfeite daqueles: a namorada, Fernanda Moraes, que você já conheceu na RG. . RG

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UNIDADE No gaveteiro vintage, a máscara do Homem de Ferro, presente da namorada, que acha Marcello parecido com Robert Downey Jr.


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MEU MUND O

REGISTRO

MISSONI A scarf que foi de sua mãe colore qualquer look

ACRÍLICO A clutch vermelha vai para as nights cariocas

MININÉCESSAIRE No interiror, lápis de olhos coloridos, seu segredo de make up

ZOO Os anéis de bichos que Yasmine cria viraram mania

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TALENTO DE FAMÍLIA FOTOS LUCAS BORI

É a típica menina das boas rodas cariocas, daquelas que frequenta a praia do Leblon mas vive fugindo para Búzios com as amigas. No quesito estilo, Yasmine Paranaguá sempre se destacou por fazer sua própria moda. Primeira neta de Glorinha Paranaguá, criadora de bolsas autorais e caprichadas há décadas, ela herdou o bom gosto e o olhar afiado da avó paterna. Mas não só dela. A mãe é a Naná, exemplo de elegância no Rio, o pai é Pedro Paranaguá, arquiteto dos bons, o tio é Cacá de Souza, RP do Valentino. A avó materna a ensinou a bordar e costurar. E assim foi... Yasmine, hoje com 25 anos, é designer. Toda criativa, resolveu explorar seus talentos ao lado da amiga Duda Moraes, de carona na moda dos acessórios de bichos. Com a faca – as ideias e o desenho – e o queijo – os contatos com modelistas e fornecedores – na mão, fizeram a primeira coleção de bijoux para uso próprio. O resto da história você já conhece: as amigas se encantaram, os pedidos aumentaram, o Facebook deu uma forcinha para divulgar e hoje os anéis de coelhos, onças, coalas, micos, sapinhos e outros bichos (e também não bichos) são vendidos nas lojas cariocas de Antonia Bernardes, Q-guai e na multimarcas Via Flores. Já chegaram também em São Paulo, parte da esperta seleção da LOOL. Aqui ao lado, um microcosmo do mundo da Yasmine, uma legítima Paranaguá. – LUIZA SOUZA


REGISTRO

O H N SO EU M BUGATTI VEYRON É o carro de rua mais rápido do mundo. Custa US$ 2.7 milhões e alcança 437,16 km/h. Time is money, afinal

GULFSTREAM G650 Se o trânsito atrapalhar, eis a solução: o top jato custa US$ 65 milhões e será lançado em 2012 (por isso ele não tem)

PADARIA ALEMÃ Ao lado dos brinquedos milionários, uma prosaica padaria. Côté gourmet e um quê emocional: a mãe é alemã, e ele passou a adolescência por lá. A padoca vai bombar

SHOW DO BILHÃO FOTOS FOLHA PRESS E DIVULGAÇÃO

POR JEFF ARES

Será que ainda falta alguma coisa para o oitavo homem mais rico do mundo? A boa notícia para você, que ainda não entrou para o ranking da Forbes, é que até o bilionário popstar sente falta de algumas coisinhas. Num esforço de reportagem, RG foi correr atrás dos sonhos de Eike Batista. Os de consumo e os mais recônditos, entre os abstratos e os soníferos. Para tal proeza, lançamos mão de uma ajudinha providencial para a logística da informação: Flavia Sampaio, a namorada. “Não foi uma tarefa muito fácil”, ela observou, depois de gentilmente nos enviar pelo Facebook nosso sonho de consumo editorial. No pacote, uma lista de compras e duas revelações que dizem muito (Freud explica) sobre a personalidade do tycoon. “Acabo de descobrir que meu namorado sonha constantemente que está voando”, nos confidenciou Flavia, com a

devida anuência do sonhador em questão. Ela até entendeu o porquê de um quadro que retrata um índio voando, lá na sala. Das vontades intangíveis, “ver o mundo melhorar”, a grande utopia, que faz de Eike um cara como todos nós (ok, nem tanto). Mas, veja só, se até ele tem sonhos a realizar, é de se reconsiderar a ansiedade e refletir. Nossos movimentos são movidos pelo desejo. É o que te empurra, e é bom. Siga sonhando, que até o Eike o faz. (Sim, a gente também entende de autoajuda, tá pensando o que?).

WWW.SITERG.COM.BR LOGO MAIS, ESTREIA A COLUNA DE BELEZA DA FLAVIA SAMPAIO, NÃO PERCA! OUTUBRO 2011

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REGISTRO

TOUCHSCREEN CULTO AO DESIGN

O mundo ganhou a dimensão de um toque. Jobs implementou o touchscreen no iPhone, no iTouch, nos notebooks, no iPad... uma experiência deliciosa e viciante. Seremos táteis para todo o sempre.

Steve Jobs deixou o mundo mais clean. E o cuidado não se resumia ao produto em si, mas (bingo!) às embalagens e (bingo!) aos acessórios. Fios, fones, carregadores e tomadas nunca foram tão bem tratados.

LISTA

HYPE HIGH-TECH

LOJAS SAGRADAS

Anualmente, Jobs anunciava uma novidade bombástica. Usando a moda como referência, o gênio da Apple renovou o desejo consumista lançando os gadgets da estação.

Jobs abriu lojas exclusivas da Apple nas principais capitais do mundo. Experiências sensoriais, de arquitetura impecável, que remetem a templos ou igrejas. Religião, saca?

O LEGADO DE JOBS

O FUNDADOR DA APPLE SAI DE CENA. MAS ENTRA PRA HISTÓRIA POR ARTHUR ROCHA ILUSTRAÇÃO GUI BORGOMONI

Semideus para muitos, Deus dos geeks, Steve Jobs deixou o mundo sem conexão no dia 24 de agosto deste ano, ao comunicar o seu afastamento da presidência da Apple, empresa cujo nome é a marca mais valiosa do planeta. Uma forma rara de câncer no pâncreas o levou à decisão, que não seria encarada com tanta apreensão não fosse ele um dos homens mais importantes dos últimos 50 anos, ícone de gerações que reverenciam suas criações com o fervor dos religiosos. Jobs uniu dois conceitos que pareciam distantes: tecnologia e emoção, culpa de sua obsessão pelo design. Com produtos extraordináRG

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rios, o CEO revolucionou hábitos e a relação homem-máquina. Escutar música é uma nova experiência com o iTunes e o iPod. Consumir livros e revistas ganhou possibilidades com o iPad. Mais: demitido da empresa que fundou, em 1976, e reconduzido à sua presidência, em 1996, Jobs tornou-se o maior garoto-propaganda da Apple, mesmo contra rumores de tirania que ecoam no Vale do Silício. Doente, o popstar da tecnologia entrega seu cargo a Tim Cooks, funcionário leal desde 1998. É consenso entre os especialistas que a empresa seguirá forte, mas sem um guru. RG faz um apanhado do seu legado.


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IT GIRL

INDECIFRÁVEL CLEO POR ROSANA RODINI FOTO CHRISTIAN GAUL

Reparamos nela há um tempo, numa tarde cult qualquer. Foi um olhar e pronto: virou objeto de desejo desta seção, reservada às garotas que aparentemente nasceram prontas, mas ainda têm muito por fazer. Caso de Cleo Dobberthin. Naturalmente, já que ela tem 20 anos. “Acabei de trancar a faculdade de arquitetura.” Por quê? Porque descobriu que gostava de outras coisas: figurino de cinema, arte. E de Berlim. Decidiu passar dois meses no epicentro dos hipsters. “Morei atrás de uma galeria.” Trabalhou no projeto Agora CoWorking Space, três andares dedicados à tal da arte. Começou a criar. RG

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“Recolho material no lixo. E procuro objetos em lojas de segunda mão.” Durante a temporada alemã, fez cadernos misturando as suas obsessões. Coisas para logo mais, sem pressa. Ela tem todo o tempo do mundo, não? Anda numa fase de autoconhecimento. “Adoro ficar sozinha.” Se está solteira? “Sim, mas não coloca isso, não.” Desculpe, mas impossível não revelar o status da moça, que é linda, zero comum, cheia de personalidade. E que fascina não só pelos traços. Uma prova? Encerra o papo discorrendo sobre Francis Alÿs, Marina Abramovic… com propriedade. É nossa aposta. Pra já.


REGISTRO

BELEZA DIEGO QUIRINO TRATAMENTO DE IMAGEM STUDIO OCTAVIO DUARTE

IT GU

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O ARQUITETO DA VEZ POR LUIZA SOUZA FOTO CHRISTIAN GAUL

Educado, culto, inteligente. E bonito. Nunca viu esse cara flanando pela noite? Talvez nem vá ver. Samuel Lamas troca qualquer badalo pela vida mais tranquila lá de casa – que, no caso, fica em Brasília, cidade em que nasceu. Aos 30 anos, é o jovem arquiteto para prestar atenção. Estudou na Università degli Studi Roma Tre, uma das melhores de Roma, e trabalhou ao lado de Massimiliano Fuksas, um dos arquitetos mais importantes de hoje. Em seu escritório, ajudou a conceber projetos como o do paradisíaco resort Is Molas, na Sardenha. De volta ao Brasil, Samuel viu seu currículo ganhar força com projetos para trend-

setters da pauliceia. Por exemplo, criou o conceito e garimpou o mobiliário do novo apartamento de Carlinhos Jereissati, presidente do Grupo Iguatemi. “Pensei na casa de um cara brasileiro moderno que conversa com o mundo, sem apegos a ícones. Tive a liberdade de encomendar um sofá de Sergio Rodrigues, comprar móveis em galerias de Los Angeles e uma luminária no Mercado Livre”, enumerou, divertindo-se. O publicitário Rony Rodrigues, sócio da agência de tendências BOX1824 e mais novo proprietário de uma casa no Jardim Europa, também entrou para o time dos clientes. É, Brasília deve perder um filho ilustre, já, já. OUTUBRO 2011

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DESIGN

LIBERTEM A CRÍTICA

PARA A FORMAÇÃO DE UM MERCADO DE DESIGN MADURO, COM IDEIAS QUENTES E PRODUTOS ACESSÍVEIS, O CAMINHO É QUESTIONAR Como tratar o design no Brasil, como torná-lo mais acessível? Para mudar, tem de questionar, criticar. Não é o que se vê aqui no país. Estamos presos em uma bolha gigantesca, uma massa anestesiada que aceita o que é imposto. O consumidor de design deve olhar além – um exercício que pode ser mais simples do que se imagina. Exigir produtos que agradem e confortem. Buscar aquilo que realmente seja necessário, ou simplesmente belo. Um marketing poderoso dita as regras do jogo e provoca estragos. Isso desde os anos 40, quando os reclames começaram a nos lobotomizar. A manipulação combatida pelo personagem do seminal The Fountainhead, filme supostamente inspirado em Frank Lloyd Wright, cujo protagonista é um arquiteto que se considera fora do "sistema" imposto pela sociedade. O Brasil foi sempre o país em que tudo pode ser negociado. RG

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Tudo pode ser aceito. Mas os tempos são outros. Não é possível que aceitemos x ou y de designers apenas por endeusá-los ou colocá-los como troféus em nosso habitat. É mitificação sem base crítica, heroísmo marqueteiro que não permite a margem de erro. E qual o problema de errar? Rem Koolhaas (foto), o famoso arquiteto, sempre levantou essa questão. Ousou, explorou novos conceitos. Errou. Mas estava convencido de que o erro nada mais é que a evolução da criatividade. O racionalismo em excesso nos distancia da margem de erro. Nos aproxima do comodismo. Questione, critique, pense a respeito do design aqui no Brasil. Assim, podemos evoluir e elevar o design a um nível mais alto, para que os produtos criados, manufaturados e comprados sejam mais compreendidos e aceitos. Evite aceitar, se conformar. Critique.

FOTO GETTY IMAGES

POR HOUSSEIN JAROUCHE


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PIU PIU MILIONÁRIO

ULTRAPOP, JEFF KOONS É UMA DAS VEDETES DA EXPOSIÇÃO DE ARTE CONTEMPORÂNEA AMERICANA QUE RELUZ ATÉ DEZEMBRO NO PRÉDIO DA BIENAL DE SÃO PAULO POR JEFF ARES

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Filhos do pós-guerra, bombardeados pela cultura do consumo e do espetáculo que exportaria seus preceitos pelo mundo, esses artistas reagem com cor e ironia ao pop, à arte conceitual e à nova crítica, algo que Gunnar Kvaran, o curador do museu e da exposição, classifica como “arte da apropriação”. Há pouco, Kvaran esteve no Brasil. Deve voltar para a exposição, com Koons a tiracolo. Já imaginou o impacto que nossa multicolorida cultura pode causar na obra do cara?

ACESSE WWW.BIENAL.ORG.BR PARA SABER COMO CHEGAR, QUANTO PAGAR... ATÉ 4 DE DEZEMBRO, WWW.SITERG.COM.BR, O MAKING OF, O COCKTAIL DE ABERTURA E UMA CAÇA A JEFF KOONS EM TERRA BRASILIS

FOTOS DIVULGAÇÃO

Dois anos é hiato grande demais, concluiu Heitor Martins, presidente da fundação que coloca de pé a Bienal de São Paulo. A retomada financeira da instituição deu realidade à vontade: a partir deste ano, a Bienal passa a promover grandes mostras nos anos em que não realiza o seu principal evento. A estreia é de impacto: desembarcam no país obras de 50 expoentes da arte contemporânea americana, um recorte da coleção do Astrup Fearnley Museum of Modern Art, museu que abarca a coleção do empresário norueguês, herdeiro de um centenário império naval, um dos 200 colecionadores mais importantes do planeta, segundo a bíblia Artreview. É uma chance dessas sensacionais para um contato real com trabalhos, inéditos por aqui, de artistas-celebridades como Cindy Sherman, Felix Gonzalez-Torres, Jeff Koons (o do Piu Piu em questão), Matthew Barney, Nan Goldin, Richard Prince...


REGISTRO

Cindy Sherman

Dan Colen

SEM TÍTULO, 2000

ME JESUS AND THE CHILDREN, 2001

Matthew Barney

Felix Gonzalez-Torrez

TRANSEXUALIS (DECLINE), 1991

ISCHIA , 1993

Damien Hirst

Tom Sachs

THE FATE OF MAN , 2005

NUTSYS MCDONALD'S , 2003

AS OBRAS IMPERDÍVEIS DA COLEÇÃO ASTRUP FEARNLEY

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TRAMA

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SACODE A POEIRA Genaro e Gillon, grandes nomes da arte e do design brasileiro da metade do século 20, estão por cima (e na vertical) com a volta de suas tapeçarias de lã coloridas. Precursor do Modernismo na Bahia, Genaro de Carvalho (1926-1971), um apaixonado pela arte milenar que conheceu na Europa, criou, na década de 50, o primeiro ateliê de tapeçarias do país. Desde os tempos da Babilônia decorando palácios e templos, a tapeçaria narrava fatos históricos. Contemporâneos como o francês Jean Lurçat e o catalão Josep Grau-Garriga resgataram a técnica e ganharam status. Por aqui, a coisa foi menos impactante. Embora na moda entre os anos 50 e 70,  as tapeçarias foram arrancadas das paredes; muitas delas destruídas. Vedetes na casa moderna daquela tia (lembra das suas férias?), essas paisagens bordadas ilustram o imaginário de uma época: caipirinha, bossanova, almoço na piscina… Encantado, o designer e decorador Jean Gillon (1919-2007) encomendou tapeçarias a Genaro para usar em seus projetos. Ocupadíssimo, o baiano mandou que Gillon não lhe enchesse a paciência e que produzisse ele mesmo suas “obras”. Assim Gillon o fez, e entrou para o colorido, felpudo e agora não mais empoeirado hall dos brasileiros que criaram maravilhosos tapetes de parede. RG

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APRENDIZ DE TAPECEIRO Tapeçarias de lã, tecidas à mão com a técnica petit point levam a assinatura de seus artistas. No alto, Genaro de Carvalho; acima, Jean Gillon. Ambas à venda na loja Passado Composto Século XX

FOTOS CAROL QUINTANILHA E DIVULGAÇÃO

POR FABRIZIO ROLLO


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PERTO DO CORAÇÃO SELVAGEM

COM UM TIMBRE GRAVE E DOCE, BOCÃO SEXY, AMOR PELO GANGSTA E ESTÉTICA RETRÔ, LANA DEL REY É A MUSA POP DE AMANHÃ. DIGA SIM POR JEFF ARES FOTO NICOLE NODLAND

“It’s you, it’s all for you, everything I do…” Vem essa moça e seus lábios carnudos (botocados, dizem, mas quem liga?) e solta trinados lânguidos, envoltos por uma orquestração pop muito bem produzida. Você se entrega. Com lançamento mundial marcado para o dia 9 deste mês, “Video Games” é um dos melhores singles do ano. Quem canta é Lana del Rey, alter ego de Lizzy Grant, americana de 24 anos que foi para a luz com o sucesso do vídeo de seu primeiro single no YouTube – quase 500 mil acessos até aqui. Lana se autoproclama a “Nancy Sinatra gangsta”. Tem um timbre parecido com o do ícone feminista dos 60's. Canta mansinho, às vezes girlie, às vezes forte. Da Nancy herdou o sex appeal, um quê de mocinha fatal que faria Nabokov tremer. Referências: filmes dos 50's, David Lynch, a decadência de Coney Island, amor rasgado. E uma RG

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confessa obsessão por Vincent Gallo. “Faço um equivalente sonoro aos filmes dele”, declarou, sem modéstia. Também nutre um fraco por skate e hip hop; é seu lado “gangsta”, evidente na produção de “Blue Jeans”, o lado B do single, tão bom quanto o A. Transitando entre o popcabeça e a fase mais triste de Cat Power (larga o Prozac, Cat?), Lana é da linhagem de cantoras que mimetizam estéticas musicais e visuais de décadas passadas. Mas é das mais originais, porque não é literal. Faz reverência, mas dita outro ritmo. Seu tempo é outro, e é agora.

WWW.SITERG.COM.BR ASSISTA OS VÍDEOS DE “VIDEO GAMES” E “BLUE JEANS” NA RGTV, LÁ NO SITE, OK?


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NANA RIZZINI

MONIQUE MAION

CIBELLE

BARBARA EUGENIA

SILVIA MACHETE

MARINA DE LA RIVA

AS CANTORAS DESTES TEMPOS E SUAS DÉCADAS-REFERÊNCIA-FETICHE

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LIVRO

SUÍTES IMPERIAIS BRET EASTON ELLIS A mais recente obra do escritor californiano chega ao mercado brasileiro editada pela Rocco (176 páginas, R$ 26,90), retomando os personagens do cult Abaixo de Zero, 25 anos depois

IRREVERENTES VISIONÁRIOS Carine, Bret, Diana. Inventores de modos e modas, criadores de imagens que valem mil palavras, melhores stylists das próprias vidas. Alguns dos mais visionários e irreverentes personagens do estilo e do glamour são pauta de três dos melhores novos títulos que chegam às livrarias do Brasil e do mundo. Representante-mor da força criativa da moda nesse início de século, a editrix e stylist Carine Roitfeld é pauta de Irreverent, biografia com cara de scrapbook, sob a edição do amigo e parceiro de trabalho Olivier Zahm, criador da revista cult Purple. Sem previsão de publicação por aqui, o livro está disponível para os brasileiros apenas no site da Amazon. Enquanto Carine não ganha versão tupiniquim, chega a eterna Diana Vreeland, com seu famoso allure. Aqui chamado de Glamour e publicado pela Cosac Naify, o livro tem prefácio de Marc Jacobs e é um verdadeiro testamento de uma das maiores inventoras de moda da história. Para fechar a trinca de visionários, eis Bret Easton Ellis, que reencontra, em Suítes Imperiais, os agora não mais tão jovens personagens de seu primeiro romance, Abaixo de Zero, de 1985. Ricos que vivem num turbilhão de sexo, drogas, violência e glamour, eles são as perfeitas vítimas da moda – e de nossas editoras. RG

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GLAMOUR DIANA VREELAND A obra da icônica editora da Harper’s Bazaar ganha versão brasileira, editada por Charles Cosac. Com prefácio de Marc Jacobs, o livro traz fotos de estrelas como Audrey Hepburn, Maria Callas e Marilyn Monroe

FOTOS DIVULGAÇÃO

POR DUDI MACHADO


REGISTRO

O C L A P

BIG BROTHER DO TABLADO

SOB A DIREÇÃO DE MARCELO RUBENS PAIVA, MARIA RIBEIRO E MARCOS DAMIGO ENCENAM TEXTO QUE ANTECIPOU A ESQUIZOFRENIA DOS REALITY SHOWS POR JEFF ARES FOTO VICENTE DE MELLO

“É a peça que estamos há dez anos tentando montar”, comemorou Marcelo Rubens Paiva, o escritor, animado com sua bissexta e bem-sucedida carreira de diretor teatral. No dia 13 deste mês estreia, no Rio, Deus É um DJ, texto do alemão Falk Richter, uma crônica sobre o comportamento dos jovens dos anos 90, afetados por questões que seguem atuais, e mais quentes, até: imagem, fama, a relação entre o público e o privado… “É a história de um casal que ganha dinheiro exibindo sua rotina na internet. Ele é um deejay, ela uma ex-apresentadora de TV que quer se tornar artista plástica ‘séria’”, resumiu Paiva. “É uma mistura de teatro com reality show, que joga com a verdade e a mentira”, clareou o diretor. Richter escreveu aos 28 anos, antevendo o Big Brother: os atores Marcos Damigo e Maria Ribeiro dão vida ao casal; contratados por uma galeria

de arte, vivem cercados por câmeras. Marcos, que vai operar luz e som em cena, produz o espetáculo, cujos direitos adquiriu naqueles mesmos dez anos atrás, quando fez uma leitura do texto com o Paiva. “Tem um flerte com o universo pop e tira onda dessa coisa midiática”, refletiu o ator-produtor. “Como artista, é uma questão muito presente.” Em especial agora, em que ele acaba de sair de um folhetim das nove… Laboratório feito. Agora é com a gente.

WWW.SITERG.COM.BR NO SITE, A COBERTURA DA PRÉ-ESTREIA DA PEÇA, EM CARTAZ ATÉ 13 DE NOVEMBRO NO OI FUTURO FLAMENGO, NO RIO DE JANEIRO OUTUBRO 2011

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TV

THAT 60´S SHOW Na esteira do sucesso da premiadíssima Mad Man, duas das maiores apostas da TV americana desta temporada entram na onda retrô. Pan Am fala de uma época em que embarcar em um voo internacional tinha real glamour. Nostálgica, tem Christina Ricci no papel de uma aeromoça da icônica companhia aérea que dá nome à série. Em tom mais picante, The Playboy Club já fez barulho: puritanos americanos prometiam boicote antes mesmo da estreia. A cena é Chicago, 1963, mais precisamente no Playboy Club – o clube original que a revista homônima mantinha na cidade. Na trama da NBC, que por aqui será exibida no canal FX, Maureen (Amber Heard) é a novata que, em uma das famosas festas do clube, mata por acidente um importante membro da família Bianchi. O jovem advogado Nick Dalton (Eddie Cibrian) usa seus contatos para tirar Maureen da mira da máfia. Ou seja, mais do mesmo: sexo, sangue e suspense. Vai perder?

ACIMA, CHRISTINA RICCI E SUAS COMPANHEIRAS DE LABUTA NA SÉRIE INSPIRADA NOS TEMPOS ÁUREOS DA ICÔNICA COMPANHIA AÉREA AO LADO, MAUREEN, A VOLUPTUOSA COELHINHA RG

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POR DUDI MACHADO


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HOT LIST

FRIVOLIDADE MÁXIMA

GLAMOUR, EXCENTRICIDADE E TRADIÇÃO SÃO OS INGREDIENTES DA RECEITA PERFEITA DO MIX DE DESEJOS DA TEMPORADA POR DUDI MACHADO PESQUISA MARILANE BORGES

01 CHAPELEIRO DELUXE, STEPHEN JONES É SINÔNIMO DE IRREVERÊNCIA BRI-

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QUALQUER PRODUÇÃO. SEU POR US$ 590. 07 PERFUMISTA E GOURMET, MILLER

TÂNICA, TAMBÉM NAS PASSARELAS COUTURE. 02 INSTALADA EM LONDRES DESDE

HARRIS CRIOU UMA SÉRIE DE AZEITES COM FRAGRÂNCIAS ESPECIAIS. EM

1760, A FLORIS É A FAVORITA DA MONARQUIA, A FRAGRÂNCIA NIGHT SCENTED

PARCERIA COM O MARQUÉS DE VALDUEZA, CUSTAM US$ 25. 08 COM MUSEU

JASMINE É O NOVO HIT DA MARCA. 03 SALTOS QUE ILUMINARAM A COLEÇÃO IN-

INAUGURADO EM PARIS, OS VASOS, COPOS E AFINS DA CRISTALERIA FRANCESA

VERNO 2011 DA MIU MIU. VISTA OS SEUS POR 595 EUROS. 04 PREPPY RELOADED,

LALIQUE ESTÃO COM IBOPE E PREÇO NAS ALTURAS. O ITEM DA COLEÇÃO DE

AS PEÇAS DA GANT SÃO FEITAS SOB MEDIDA PARA O HOMEM DO SÉCULO 21.

1926 TEM PREÇO SOB CONSULTA. 09 INSPIRADAS NOS AMULETOS SAGRADOS

O BLAZER DESENHADO POR MICHAEL BASTIAN É PROVA DISSO. 05 PREDILETA

BUDISTAS, AS JOIAS DA SHAMBALLA GANHARAM O CORAÇÃO E O PULSO DOS

DOS ARISTOCRATAS ITALIANOS, A SADDLERS UNION GANHA VIDA E LOJA

FASHIONISTAS. DEMI MOORE, VALENTINO E JAY-Z SÃO FÃS DA MARCA QUE TEM

NOVA NA VIA MARGUTTA, EM ROMA. A CLÁSSICA CESTA DE COURO SAI POR

PULSEIRAS A PARTIR DE 5.000 EUROS. 10 DOBRÁVEIS E FÁCEIS DE CARREGAR, AS

US$ 1.500. 06 PARA PROTEGER E FAZER BONITO NA PRAIA, OS ACESSÓRIOS

SAPATILHAS DA BAGLLERINA SÃO MUST ENTRE AS FRANCESAS QUE NÃO SAEM

SUMMER-RESORT 2011 DA PUCCI DÃO UM TOQUE DE SOFISTICAÇÃO RETRÔ A

DE CASA SEM UM PAR NA BOLSA. COMPRE POR 100 EUROS NO SITE DA MARCA.

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BELEZA DIEGO QUIRINO MODELO RE NATA FASANELLA/WAY TRATAMENTO DE IMAGEM ALEX WINK E LEO VAS (STILLS)

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LANTERNA VERDE

DIAMANTES NEGROS E RUBIS RESSALTAM O BRILHO DE ESMERALDAS PODEROSAS POR PAULA MENDES FOTO VALENTINO FIALDINI FOTOS STILL ROBERTO CECATO

NA PÁGINA ANTERIOR: PULSEIRA COM REDONITA E DIAMANTES NEGROS, JACK VARTANIAN, R$ 24 MIL; ANEL COM ESMERALDA E DIAMANTES, NOOR, R$ 199.859.79; ANEL DE OURO BRANCO COM DIAMANTES NEGROS, ROSANE MAGRI LEVY, R$ 15.120. NESTA PÁGINA: 01 ANEL COM JADE NEFRITA, CARLA AMORIM, R$ 13.190; 02 COLAR DE DIAMANTES NEGROS E ESMERALDA, JACK VARTANIAN, R$ 75.900; 03 BRINCO DE OURO NEGRO COM RUBI, ANA TINELLI, R$ 3.200; 04 BRINCO COM JADE NEFRITA, CARLA AMORIM, R$ 29.910 05 BRINCO COM JADE E RUBI INDIANO, SILVIA FURMANOVICH NA LOOL, R$ 14.400.

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S O I R SÓ S E C A

TUTTI FRUTTI CORES VIBRANTES ACABAM COM A MONOTONIA DE QUALQUER VISUAL POR PAULA MENDES FOTOS ROBERTO CECATO

01 BOLSA DE COURO E CAMURÇA , THELURE, R$ 788 02 BOLSA DE COURO, AREZZO, R$ 700 03 CLUTCH DE COURO, 284, R$ 179

04 CLUTCH DE CETIM E COURO, CHLOÉ NA DASLU, R$ 4.590 05 CLUTCH DE PÍTON, ANGELA DI VERBENO, R$ 2.980 RG

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MODA

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VISÃO DO ARCO-ÍRIS

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EM LENTES E ARMAÇÕES, CORES DÃO O TOM DOS ÓCULOS DA TEMPORADA

01 DE ACETATO, GUCCI NA SÁFILO, R$ 1.090 02 DE ACETATO COM DETALHE DE METAL, BURBERRY NA SÁFILO, R$ 840 03 DE ACETATO E METAL, RAY-BAN NA ÓTICAS ULTRA VIOLETA, PREÇO SOB CONSULTA 04 DE ACETATO, GUCCI NA ÓTICAS WANNY, R$ 862 05 DE ACETATO E METAL, EMPORIO ARMANI NA SÁFILO, R$ 835 06 DE ACETATO, D&G NA LUXOTTICA, R$ 913

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ACESSÓRIOS

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DUPLA DINÂMICA

COMBINAÇÃO INUSITADA NOS TONS MAIS MODERNOS DA PRIMAVERA POR PAULA MENDES FOTOS ROBERTO CECATO E CARLOS CUBI

01 ANABELA DE PALHA, SHOESTOCK, R$ 150 02 PEEP TOE DE CAMURÇA, MY SHOES, R$ 250 03 ESCARPIM DE COURO GALUCHAT, DIOR, R$ 2 MIL 04 SANDÁLIA DE CAMURÇA, SCHUTZ, R$ 280

05 SANDÁLIA DE CAMURÇA, STUDIO TMLS, R$ 435 RG

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TRATAMENTO DE IMAGEM LEO VAS

ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ

DESIGN INOVADOR, PEQUENOS ACESSÓRIOS E MATERIAIS DUROS NA QUEDA 01 RELÓGIO COM CAIXA DE AÇO E VIDRO DE SAFIRA, TIFFANY R$ 20.600 02 CARTEIRA DE COURO, CAROLINA HERRERA , R$ 400

03 CASE PARA IPHONE FEITO EM CANVAS DAMIER GRAPHITE, LOUIS VUITTON, R$ 605 04 CINTO DE GORGORÃO COM DETALHE DE COURO, DASLU, R$ 120 05 MALA DE LONA COM DETALHES DE COURO, ERMENEGILDO ZEGNA , R$ 1.700

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BELEZ A

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MODELO PAULA LOURENZO/WAY ASSISTENTE DE BELEZA PATRICK GUISSO ASSISTENTES DE FOTO JHONATAN CHICARONI E RENATO COSTA TRATAMENTO DE IMAGEM ALEX WINK AGRADECIMENTO ESTÚDIO BURTI HD

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BELEZA

COMO UMA GUEIXA POR LUIZA SOUZA BELEZA DANIEL HERNANDEZ FOTOS GUI PAGANINI (MODELO) E FÁBIO BARTELT

Sabrina Sato já perdeu as contas de quantas vezes sentou-se na cadeira de Daniel Hernandez. A cada make, uma surpresa. Porque ele é simplesmente um artista – vide a “pintura” que criou no rosto da modelo na página ao lado. Mais do que invencionices, o melhor truque que o maquiador ensinou a Sabrina foi como valorizar seus traços orientais. “Por não ter o côncavo do olho, ela achava que não podia fazer uma maquiagem poderosa nessa região”, revelou. Para a RG, Hernandez colocou a lição em prática. Siga! Depois de preparar a pele, desenhou a sobrancelha com lápis marrom. Para criar o côncavo, usou o mesmo para marcar e então delineador dourado em caneta para preencher. A sombra marrom embaixo dos cílios inferiores deu mais intensidade ao olhar. Já o acabamento foi feito com uma surpreendente sombra azul-marinho, cílios postiços, muita máscara e curvex. Look aprovado pela apresentadora, que arrematou: “Adoro o Daniel, que consegue fazer tanto um make carregado como esse, quanto deixar a gente linda, parecendo que não passou nada, quando, na verdade, usou mil produtos!”, contou, sem pânico.

DANIEL USOU SUPERSLICK LIQUID EYE LINER, M.A.C, R$ 67, MÁSCARA PHENOMEN'EYES, GIVENCHY, R$ 128, LÁPIS DELINEADOR PARA OLHOS COM ESFUMADOR, CACAU, R$ 26, E SOMBRA SATIN, NOITE, R$ 32, AMBOS DUDA MOLINOS OUTUBRO 2011

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LISO ABSOLUTO FOTO GUI PAGANINI BELEZA DANIEL HERNANDEZ

Nem todas as mulheres têm a sorte de ser abençoadas com madeixas lisas (como as orientais). Para ficar alinhada e conseguir o cabelo comportado do momento, dá, sim, para fugir dos métodos agressivos e investir na boa e velha escova seguida de chapinha. Quem dá a letra para que o resultado fique digno de salão é Sergio G., do Studio W: “O segredo é o giro da escova, que deve ser circular. As cerdas fecham a cutícula dos fios, o que causa o seu polimento. Em casa, as mulheres costumam passar o secador sem girar a escova, apenas escovando para baixo. Por isso o movimento, o brilho e a durabilidade não são os mesmos”, explica, meticulosamente. Já a chapinha dá o acabamento e sela as escamas que foram polidas e alinhadas. Para turbinar o efeito lisérrimo, produtos tecnológicos ajudam no processo. Catalogados como alisantes temporários e termoativos, facilitam a escovação e dão flexibilidade aos cabelos. E, sabe o que é melhor? Lavou, tá novo. – L. S.

DA ESQUERDA PARA DIREITA GEL ALISADOR SMOOTH GELÉE, SENSCIENCE, R$ 79, ESCOVA MODELLATI, CONDOR , R$ 29, HEAT-PROTECTIVE SILK-STRAIGHTENING CREAM, KIEHL'S, R$ 79, SLEEK MYSTIQUE HAUTE IRON SPRAY, CATWALK, R$ 80, POWER TAME 16, REDKEN, R$ 95, CHAPA E ESCOVA, TAIFF, R$ 218 RG

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BELEZA

FOTOS STILL CARLOS CUBI MODELO PAOLA LUDTKE/WAY ASSISTENTE DE BELEZA PATRICK GUISSO TRATAMENTO DE IMAGEM ALEX WINK E LEO VAS (STILLS) AGRADECIMENTO ESTÚDIO BURTI HD

QUEBRE O VIDRO Em caso de emergência… perfume-se! Destino? O Oriente. Express! O passaporte: as fragrâncias com acentos orientais. Embarque na versão renovada do Opium, fragrância icônica inspirada na sensualidade exotique oriental e criada na maison Yves Saint Laurent em 1977. Batizado de Belle D'Opium, o perfume atual não nega suas origens – e leva até notas de incenso! Da culinária para universo da beauté, o frescor do gengibre dá o tom do novo perfume de Marc Jacobs, que acerta muito também nesse quesito. Issey Miyake e Kenzo, estilistas japoneses com tradição na perfumaria de luxo também apresentam aromas cheios de personalidade. O primeiro traz a versão primaveril do clássico L’Eau D’Issey, enquanto o Madly Kenzo! é doce e forte, com flor de laranjeira, rosa da Bulgária e flor de heliotrópio em sua fórmula. Oriente-se, já! – L. S.

DA ESQUERDA PARA DIREITA BELLE D’OPIUM, YVES SAINT LAURENT, R$ 279, SPLASH GINGER, MARC JACOBS, R$ 268, MADLY KENZO!, KENZO, R$ 299, L’EAU D’ISSEY FLORALE, ISSEY MIYAKE, R$ 380

A REVANCHE DO GLOSS Ele foi largado no fundo da gaveta. Depois de reinar por anos, o gloss andava perdendo feio para o batom, queridinho das mulheres e das marcas de beleza. Principalmente os batons de efeito mate, sem brilho. Mas, como make-up também segue a moda, era mesmo esperado o retorno dos lábios brilhantes e pegajosos. Dito e feito: as bocas agora devem reluzir! “O gloss voltou mesmo, mas ele não é o preferido das mulheres brasileiras, que implicam com a boca melada. As americanas e europeias jamais largaram o produto”, atesta Rosman Bráz, maquiador e cabeleireiro do Salão Marcos Proença. Mas calma… Esqueça glitter e purpurina. No próximo verão, o gloss (e o próprio batom) vem mais discreto, apenas com o brilho natural e cremoso do próprio produto em contato com os lábios. Quanto às cores, invista nas diferentes tonalidades de rosa, no laranja e no lilás. – L. S.

DA ESQUERDA PARA DIREITA GLOSS APPEAL, ICED PINK, CLARINS, R$ 76, GLOSS INTERDIT 30, CANDICE TANGERINE, GIVENCHY, R$ 88, MY KISS GLOSS, AC MAKE-UP, R$ 16, LÉVRES SCINTILLANTES, NAKKAR, CHANEL, R$ 108, PHYTO LIP STAR, PRECIOUS CORAL, SISLEY, R$ 183, GLOSS EFFET 3D, 03, BOURJOIS, R$ 72 OUTUBRO 2011

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AMANDA FAIÇAL, modelo: jaqueta Thelure, regata Carlos Miele, calça Tufi Duek, óculos Ray-Ban, anel Carla Amorim e sapato Schutz

PRIMAVERA EM COR NAS RUAS E NOS JARDINS, ROSAS, ROXOS, VERMELHOS E AMARELOS SÃO OS TONS DA TEMPORADA

ROBERTA DO COUTO ROSA CARVALHO, blogueira: camiseta NK Store, short Topshop, óculos Ray-Ban, bolsa Stella McCartney e sandália Isabel Marant

SCHYNAIDER GARNEIRO, modelo: jaqueta Carina Duek, camiseta Marc Jacobs, short John John na Daslu, joias AG Guerreiro, bolsa Siberian e bota Gucci

STRE ET CH IC

FOTOS PAULO REIS EDIÇÃO MARCIO VICENTTINI

Tradicionalmente associados a dias ensolarados à beira da piscina ou do mar, looks coloridos ganham vida nova quando em contraste com o concreto da cidade. Inspire-se em Yves Saint Laurent e aposte nas misturas de rosa e laranja, verde e azul... e em qualquer outra combinação que iluminar sua vontade. Em pontos de cor ou no look total, a única regra válida é apostar na imaginação. Invista na sua!

BLAKE LIVELY, atriz: colete Theyskens' Theory, camiseta e saia Rag & Bone e sandália Havaianas RG

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MODA

ALICE FERRAZ, empresária de moda: camisa e saia Joseph, colar Butler & Wilson, bolsa Celine e sapato Pedro García

CRISTINA STRECIWIK, assistente de moda: blazer Pop up Store, camiseta Topshop, calça Doc Dog, bolsa Asos, anéis Vivara, Beacon's Closet e H&M e sapato Shoestock

VANESSA MONTEIRO, stylist: jaqueta Forum, saia Neon, bolsa vintage e bota Carlota Joaquina

NATALIA SEMENSIN, stylist: tudo Daslu

IZADORA RIBEIRO SUPLICY, restauratrice: regata Huis Clos, saia Zara, bolsa C'est Super e espadrille Arezzo

KATIE HOLMES, atriz: camisa Holmes & Yang, short J Brand e bota Isabel Marant OUTUBRO 2011

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O O S S O N ERID PREF

CHANTEL VALENTINE, diretora criativa da marca Resin: blusa Equipment e calรงa Resin

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FOTOS GETTYIMAGES E REX FEATURES

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LOOK DO MÊS SABRINA GASPERIN, modelo e designer: camisa e calça Erre, bolsa Hermès, joias Sabrina por Ara Vartanian e sapatilha Lanvin

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NEW COLOURS ON THE BLOCK

SEGUINDO A TENDÊNCIA QUE INVADIU AS PASSARELAS FEMININAS, CORES FORTES INSTIGAM OS HOMENS A COLORIR A ESTAÇÃO POR DUDI MACHADO

Quase sempre reservadas aos arroubos dos criativos de plantão, nessa temporada as cores fortes assumiram papel principal. Com lugar garantido nas passarelas de Bottega Veneta, Burberry, D&G, Dior Homme, Jil Sander e Versace, só para citar algumas, os pantones fortes também ganharam as ruas durante a última semana de coleções masculinas em Paris, Milão e Florença. Tudo devidamente retratado e publicado nos blogs e sites de street style, reforçando a ideia de que a tendência veio, já virou realidade e deve seguir forte para a próxima temporada. Do azul royal ao amarelo cintilante, passando pelo laranja elétrico e o rosa-shocking, tudo foi permitido. É como se toda a sobriedade tradicionalmente imposta às cores do tradicional guarda-roupa masculino explodisse numa gama de cores vivas, antes contida apenas na imaginação de cada um. Analista-mor do que é, vai virar ou já era, a jornalista Suzy RG

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Menkes aposta no sucesso das cores no menswear. Mas só da cintura para baixo. Como Mrs. Menkes, também acredito que o colour blocking masculino ainda não tem seguidores suficientemente ousados para as salas de reunião. Convenhamos, um terno laranja ainda é visto como ousadia exibicionista, mesmo entre os grandes excêntricos. Para o homem real, a dica é investir em um bom par de calças vermelhas, amarelas, verdes, roxas... ou da cor que lhe convier, para alegrar um pouco o verão. Inspirações, aqui.

ACIMA, PASSARELAS DE DSQUARED2 E VERSACE, VERÃO 2012, E LOOK GANT; NA PÁGINA SEGUINTE, A TENDÊNCIA MATERIALIZADA EM BRAD GORESKI DURANTE A SEMANA DE MODA DE MILÃO


FOTOS GETTY IMAGES, DIVULGAÇÃO E TOMMY TON

GET OOK THE L MODA

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GAME ON Aí você recebe o convite pra festa. Aquela festa. Primeiro ato: roupa nova. É como a gente andava por aqui: uma redação louca para tomar uns drinks e se divertir. Faltava o look… Ei-lo. Giovanni Bianco decretou o dress code, e lá vamos nós. Dez anos depois, RG acelera. Uma revista mais adulta, menos prolixa, com irrefreável flerte com o chique. Esperta também, atrás do pop de ontem, do cult de amanhã. E doida por gente. Apaixonada por seus personagens, os de sempre e os novos sorrisos, agora muito bem-vindos. Como esse de Sophie Charlotte, moça com nome e élan de nouvelle vague, sangue alemão e obstinação brasileira. Uma grande aposta para um momento de renovação. Imprima! É capa! Dudi Machado e Jeff Ares diretores de redação OUTUBRO 2011

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A ESCOLHA DE SOPHIE POR/JEFF ARES FOTOS/PAULO VAINER

A MAIOR APOSTA DA TV BRASILEIRA NOS ÚLTIMOS ANOS ASSUME O POSTO DE MOCINHA DO FOLHETIM DAS NOVE HORAS. NÃO POR ACASO. SOPHIE CHARLOTTE SABE EXATAMENTE O QUE QUER, E NÃO MEDIU ESFORÇOS PARA CONQUISTAR VOCÊ EDIÇÃO DE MODA LUIS FIOD/MINT BELEZA ROBERT ESTEVÃO COM PRODUTOS DUDA MOLINOS E SCHWARZKOPF SOPHIE USA CORSET MADAME CHER

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SOPHIE CHARLOTTE

“Ser atriz foi minha primeira opinião”, conta a moça de feições delicadas e olhos ardendo em febre. Opinião precoce, aos 3 anos, segundo consta no anedotário de sua mãe, uma alemã de Hamburgo que se apaixonou por um paraense que tentava a vida por lá. A bióloga e o cabeleireiro protagonizaram um amor transnacional, com direito a uma filha no enredo. Sophie Charlotte, junção dos nomes de suas bisavós, saiu da terra natal aos 7 anos. Rumo a Niterói, no Rio de Janeiro. Ali passou a infância e a adolescência nutrindo o sonho dourado de boa parte das garotas de sua geração: tornar-se atriz. Atriz de novela, diva do cinema. “Assistia aos filmes da Sophia Loren, da Sophie Marceau... Olhava meu nome ali nos créditos, já encaixava”. O sonho virou certeza.“Tudo o que eu fazia era pra isso. Aos 5 anos fui fazer teatro amador, aos 11, O Tablado (a famosa escola de atores fundada por Maria Clara Machado). Fiz 13 anos de balé. Dos 11 aos 18 fiz testes para a Malhação.” Até, taurina que é, conseguir. Largou a faculdade de artes cênicas no segundo período para se dedicar à protagonista da novela juvenil, o estopim de uma meteórica carreira televisiva. Dali em diante, sua vida mudaria radicalmente; dois bem-sucedidos papéis em novelas das sete e experiências teatrais com o ícone Domingos de Oliveira a levariam ao posto imaculado de mocinha do folhetim das nove. Não é por acaso, portanto, que seus olhos ofuscam, trovejando faíscas. “Às vezes eu tenho uma vontade de sorrir disso...” É o êxtase de quem conquistou o que queria. “Sou da geração das princesas da Disney.” Mas não há princesa que se preze sem um bom príncipe.

Malvino Salvador, um homem desses talhados, é o dono do castelo. A origem manauara do ator ajudou nas coisas, já que Sophie tem raízes no Pará. “Tem gente que pode estranhar se você convida para um pato com tucupi, mas ele já adorou.” Juntos há “um ano e sete meses” (mulheres são precisas nessa matemática), Sophie e Malvino compartilham mais do que a mesma casa: habitam o mesmo set lá no Projac, o conjunto de estúdios da hollywoodiana TV Globo, interpretando irmãos. Um pseudoincesto que só faz aumentar a cotação do star quality da dupla. Não raro estampam páginas das revistas de celebridades, seja em matérias que detalham uma briga conjugal, seja em flagrantes frugais, da praia ao shopping. “É muito estranho pensar que tem uma lente na sua bunda”, assume, num arroubo de franqueza. “Outro dia estava com o Malvino na praia; vi lá o paparazzi, do outro lado da rua. Queria muito entrar no mar, mas esperei. O bizarro é quando ficam horas... Quando ele baixou a guarda, disparei em direção à água, me sentindo num filme do Hitchcock.”

NA PÁGINA AO LADO SOPHIE USA CAMISA DIANE VON FURSTENBERG. NESTA PÁGINA BLUSA CHLÓE NA DASLU E BRACELETE A.BRAND OUTUBRO 2011

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SOPHIE CHARLOTTE

“O ASSÉDIO DAS MULHERES É MAIOR: ELAS GRITAM, TE ARRANHAM, É QUASE UM ASSALTO”

Ela ri, mas não se diverte. Resigna-se com o script que escolheu.“ Isso tudo ainda é novo, estou aprendendo a lidar”. Já tem seus métodos: “Conheço as caras de todos os jornalistas”, ameaça, agridoce. E ela não se esquece das manchetes. “Às vezes escrevem que eu fui na padaria ‘sem o namorado’... Mas, ué, nós não somos grudados! Eles trabalham com o que vende, colocam a sua frase mais bombástica na capa. Mas isso também é culpa de quem consome”, observa. Seus “consumidores” andam ávidos. Dá de ombros quando o assunto é o assédio masculino. “O das mulheres é que é maior: elas gritam, te arranham, é quase um assalto. O dos homens eu não percebo muito, acho que eles me viram crescer pela TV, não me olham assim.” Hum, pouco crível, Sophie, vá nos desculpando. Você é linda de entortar pescoços. Sexy sem esforço, daquele tipo de mulher doce, gentil, que num descuido pode assolar, furacão. Aos 22 anos, Sophie tem rara consciência de onde está. “Não subestimo nenhuma das minhas conquistas.” Sabe do que tem nas mãos (“É um certo poder”) e do trabalho que tem pela frente (“Ando ocupada com tudo o que queria alcançar”). E quer mais. Está escalada para um filme do diretor Ash Baron-Cohen (irmão de Sasha, o “Borat”), com Lenny Kravitz e Mickey Rourke no elenco, ainda em pré-produção. “Miro alto”, ela confirma, devolvendo um “ainda não” quando RG pergunta sobre a contratação de um agente internacional. É boa atriz, é redundantemente gata, sabe cantar (cantou em casamentos, até, e sonha encenar West Side Story ), tem carisma acima da média, compreende os pormenores do star system – e os abraça, do alto de uma invejável experiência, ainda tão jovem. Um conjunto avassalador, que promete um final feliz. “Quero ser a mocinha da minha história.”

SOPHIE VESTE CAPA AMERICAN APPAREL OUTUBRO 2011

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NA PÁGINA AO LADO BLUSA CHLÓE NA DASLU E BRACELETE ROBERTO CAVALLI. NESTA PÁGINA CAMISA E BRACELETES A.BRAND OUTUBRO 2011

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CAMISA DIANE VON FURSTENBERG RG

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SOPHIE POR CHARLOTTE

GENTILMENTE, A PERSONAGEM DESTA EDIÇÃO ESCREVE SOBRE SI RG: Registro Geral, identidade... É a primeira vez que tenho de escrever sobre mim, e agora? Me posicionar, escolher?! Respira, calma. Penso: CORAGEM! Foco! Sophie Charlotte... da Silva! (olha o Brasil aí, gente!!!). 22 anos, alemã/brasileira, de riso escandaloso e pranto incontrolável. Amo música tanto quanto o silêncio; passar tempo com quem amo e também ir ao cinema sozinha, cheia de referências e ideias. Um paradoxo. Sou ATRIZ. (Ponto.) Tenho a curiosidade do mundo, não sou dona da verdade. Quero descobrir muitos segredos e realizar tantos outros sonhos. Porque já entendi a força de quem sonha com as estrelas, enquanto mantém os pés no chão. Me dou o direito de errar, mudar de opinião e tentar o melhor. Peço saúde sempre. Agradeço pela minha família, meus amigos e minhas histórias. Tudo certo, tudo lindo!  Aproveito cada dia desse verão sem fim que é a minha vida, e deixo cada segundo me transformar... vou colorindo meu caminho. Dias de chuva todo mundo tem, não sou exceção. Porém, me dou o direito de dizer, sem culpa, que sou MEGAfeliz. No fim? Um arco-íris! 

FOTO DA ESQUERDA VESTIDO A.BRAND. FOTO ACIMA CAMISA EMPORIO ARMANI. PRODUÇÃO EXECUTIVA MAYRA OMETTO E ZECA ZIEMBIK ASSISTENTES DE PRODUÇÃO DE MODA EDUARDO SEEMANN E GUSTAVO XAVIER ASSISTENTES DE FOTOS LUCIANA IZUKA E PEDRO NASSER ASSISTENTE DE BELEZA BRUNO CARDOSO TRATAMENTO DE IMAGEM ALEX WINK/STUDIO AW OUTUBRO 2011

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CHIC CHIC BOOOM! FOTOS/GUI PAGANINI

STYLING/RENATA CORRÊA

TURBANTES NA CABEÇA, GRAFISMOS E AMARRAÇÕES. APOSTE NAS MISTURAS ÉTNICAS E LIBERE A CARMEN MIRANDA QUE HABITA EM VOCÊ!


TURBANTE DE TECIDO DE ALGODÃO AFRICAN ECHOES, COLETE DE MIÇANGAS, R$ 2.298, E VESTIDO DE SHANTUNG, R$ 2.298, AMBOS PRISCILLA DAROLT, BRACELETE DE PAETÊ TUFI DUEK, R$ 400


CAMISA DE ALGODÃO ELLUS 2ND FLOOR, R$ 249, SAIA DASLU, R$ 490, COLAR DE CONTAS TÊCA, R$ 540, BRACELETE DE COURO CAMALEOA, R$ 180, E SANDÁLIA DE PÍTON MIXED, R$ 965


PALETÓ DE SEDA EMPORIO ARMANI, R$ 3.070, MACACÃO OSKLEN, R$ 797, BRINCO DIFFERENZA, R$ 629, CINTO CORELLO, R$ 59, TURBANTE E FAIXA DE ALGODÃO NA CINTURA AFRICAN ECHOES


VESTIDO DE TRICÔ LUCAS NASCIMENTO NA CHOIX, R$ 669, SAIA NUTRISPORT, R$ 320, GARGANTILHA ACQUASTUDIO, R$ 660, E COLAR BRECHÓ MINHA AVÓ TINHA, PREÇO SOB CONSULTA


CARDIGÃ FILI DELL´ARTE, R$ 144, CAMISA DE SEDA DIANE VON FURSTENBERG, R$ 900, SAIA DE SEDA ARMANI EXCHANGE, R$ 289, SAIA DE PLUMAS TRITON, R$ 1.600, CINTO CORELLO, R$ 59, ÓCULOS ACERVO DA STYLIST


VESTIDO DE RÁFIA E COURO, R$ 1.945, E SHORT DE PAETÊ, R$ 700, AMBOS TUFI DUEK, ARRANJO DE CABEÇA DE ACRÍLICO BORDADO, R$ 450, E GARGANTILHA, R$ 660, AMBOS ACQUASTUDIO


CARDIGÃ ALCAÇUZ, R$ 620, TOP PHILLIP LIM NA NK STORE, R$ 2.390, HOT PANTS DASLU, R$ 190, GOLA DE CONTAS OPTO ACESSORIES, PREÇO SOB CONSULTA, CINTO DE COURO E CONCHAS GIULIANA ROMANO, R$ 425, E SANDÁLIA PRISCILLA DAROLT, R$ 768


VESTIDO DE ALGODÃO TÊCA, R$ 823, SAIA DE LÃ FERNANDA YAMAMOTO, R$ 307, E SANDÁLIA DE COURO ANIMALE, R$ 998


PALETÓ DE PIQUÊ MAX MARA, R$ 2.860, TOP DE MALHA GIULIANA ROMANO, R$ 293, SHORT DE PAETÊ, R$ 700, E SAIA DE CUPRO E RESINA, R$ 2.873, AMBOS TUFI DUEK, CINTO MIXED, R$ 448, FITA DE ALGODÃO AMERICAN APPAREL, R$ 34, GARGANTILHA ACQUASTUDIO, R$ 660, E COLAR BRECHÓ MINHA AVÓ TINHA, PREÇO SOB CONSULTA

BELEZA HENRIQUE MARTINS ASSISTENTE DE STYLING MARCELL MAIA PRODUÇÃO DE MODA LUIZE FEDERMAN ASSISTENTES DE FOTOS JHONATAN CHICARONI E DIOGO FIGUEIREDO ASSISTENTE DE BELEZA MURILO DE PAULA TRATAMENTO DE IMAGEM ALEX WINK AGRADECIMENTO ESTUDIO BURTI HD


BONJOUR MADAME POR/ROSANA RODINI FOTOS/CHRISTIAN GAUL

RG INVESTIGA AS SUTILEZAS QUE FIZERAM DE KARINA MOTA UMA DAS MAIS VIBRANTES FIGURAS DA PAULICEIA, A MULHER QUE MODIFICOU O JEITO DE PENSAR E AGIR DOS HIPSTERS DA CIDADE. SEM ESFORÇO BELEZA DIEGO QUIRINO TRATAMENTO DE IMAGEM STUDIO OCTAVIO DUARTE

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Terça-feira pré-feriado e o sol escaldante voltou a tomar conta de São Paulo. Parece propício. É dia do sexo, afirma o calendário. E a musa inspiradora desta seção transpira voluptuosidade. O briefing? Buscar mulheres fortes, inspiradoras, dessas do tipo da Charlotte Gainsbourg, a diva cult francesa, filha de Serge Gainsbourg e Jane Birkin. Localizamos com certa rapidez a nossa Charlotte dos trópicos. Ela chega: óculos escuros, jeans com jeans, cabelo no rosto e chapéu gigante para proteger a pele. “A Charlotte era minha vizinha em Paris. Mas me identifico com a Lou Doillon, sua irmã, que é mais ousada”, reflete Karina Mota, deixando à mostra muito sobre a sua personalidade, assim na primeira frase. A Karina é diferente. Não gosta de rótulos, é avessa a mesmices, à rotina. Ainda assim estamos sentadas, mais uma vez, numa mesinha na calçada na alameda Lorena, na altura do 1989. Rua e número, não coincidentemente, dão nome ao restaurante que ela e seus sócios transformaram em parada obrigatória na cidade. Contra o calor, portanto, sangria. O drink é o favorito entre os frequentadores do seu restô e fórmula perfeita para um bom papo. Aos 31 anos, nossa personagem é um dos vértices da trupe que lidera uma minirrevolução francesa na pauliceia. Coman-

dam três bem-sucedidos empreendimentos: o “bar secreto”, o Lorena 1989 e a Surface to Air, label parisiense, o primeiro negócio, responsável pela  chegada dela à cidade. O sangue francês não corre nas veias. Poderia. Natural de São José dos Campos, percebeu cedo que queria outros ares. Aos 19, partiu para a Cidade Luz. “Fiz um ano de Sorbonne, curso de civilização francesa. As pessoas já falavam sobre política aos 15. A liberdade de pensamento era total.” Decidiu ficar. Entrou numa faculdade, comunicação. Mas queria mesmo era trabalhar com cinema, sonhava com o Festival de Cannes. Nem aí para as aspirações cinematográficas da Karina, o centro de empregos da universidade a direcionou para outros caminhos. Recebeu três indicações de entrevistas, uma delas, na marca de Stella McCartney. “Eu era introspectiva, o que foi visto com bons olhos. Comecei organizando o desfile.

DA ESQUERDA PARA DIREITA NO JARDIM DE INVERNO DO SEU APARTAMENTO EM HIGIENÓPOLIS; CABELO NO ROSTO, JAQUETA SURFACE, PULSEIRAS CHRISTINE YUFON E O QUADRO DO VÍDEO DE IGOR CAVALERA, DIRIGIDO PELA S2A EM PARIS OUTUBRO 2011

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“GOSTO DE FILME DE HORROR, DOS LIVROS. SOU FASCINADA POR CARRIE, A ESTRANHA. PODERIA TER SIDO ESTRANHA, SOZINHA, MAS ADORO DIVIDIR AS MINHAS COISAS”

”Durante a semana de moda, entre outras coisas, recebia o Paul McCartney, fato que ela relembra, assim, com a maior naturalidade. E a gente aqui só pensando, mas “o cara é um ex-Beatle!”. Ensaiou uma breve passagem por um escritório de marcas de luxo. Mas vislumbrava ainda a tal da sétima arte, com uma queda toda particular por filmes de horror. A referência maior? Carrie, a Estranha, clássico de 76, baseado no romance homônimo de Stephen King. O destino conspirou outra vez. “Um amigo me disse que tinha encontrado o trabalho perfeito para mim. Só que ele não tinha nenhuma conexão lá.” Muito menos ela, que nem sabia de quem se tratava Martin Margiela, o designer belga, representante maior do minimalismo, avesso a aparições. “Fiz três entrevistas. A última, com ele.” Contratada. E aí, no meio disso tudo, da busca profissional, de acasos, surgiu um alicerce, o francês Seb�� Orth. “Ele era minha dupla de faculdade.” Virou parceiro de vida, pra vida. Marido. “É a minha família, meu melhor amigo, meu sócio e porto seguro.” Nessa época, ela já trabalhava na Surface to Air, butique e estúdio criativo parisiense, núcleo de gente jovem, interessante, inteligente. “Ele era publicitário, de agência. O indiquei para a marca.” Feito. Viviam juntos, trabalhavam juntos e vieram, juntos, de férias para o Brasil. O gringo, com todo respeito, caiu de quatro. Disse que ela sorria mais nos trópicos. Voltaram para a terra dele com os planos de fixar residência em São Paulo, abrir um negócio. “Sentamos com o Jeremie Rozan, um dos donos da Surface, para contar do nosso projeto, uma marca. Nem pensava na Surface, que tinha uma única loja no mundo” – a deles é a segunda; a terceira acaba de abrir as portas, em NY. “Dissemos alguns nomes. Ele respondeu com uma negativa, pegou uma folha de papel e escreveu o nome da sua label.” Sutilmente, firmou-se a sociedade.

AO LADO NA SALA, OS QUADROS DE MARCELO KRASILCIC SOBRE A MESA E A PINTURA DE RAFA DEJOTA OUTUBRO 2011

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IMPRESSÃO DIGITAL

“Amo a sutileza”, pontua, enquanto, sutilmente, pede o café. Chama a garçonete pelo nome. Uma entre os hoje quase 300 funcionários dos empreendimentos. Do bar secreto, clubinho que mudou a cara da cena noturna in town e virou palco de festas absurdas, à sua multimarcas, passando pelo restaurante e... sim, há um novo projeto logo ali: uma hamburgueria gourmet que abre as portas neste outubro, no quarteirão seguinte. “É um restaurante pequeno, em parceria com os chefs Adriana Cymes e Victor Vasconcellos”, adianta sobre a Chez Burguer. O grupo tem fino faro para a coisa. “Fomos convidados para abrir um restaurante no Rio e um em Nova York.” Estão estudando. Por ora, de certo é que vão montar um grupo, ou dar nome a ele: “Clasta, de iconoclasta, para envolver o site e todos os nossos negócios, do qual atuo como diretora de comunicação”, revela, para depois falar de rotina, ou da falta dela. “Não tenho hora para dormir, nem para acordar. Mas tudo é trabalho.” Natural, logo, que trabalho e prazer se misturem. Exemplos? A visita incógnita de Margiela à Surface (“ele elogiou a decoração”), o dia em que Ney Matogrosso, seu ícone, jantou no Lorena, as festas de amigos, as aparições superstar no bar secreto (até a Madonna se esbaldou por lá! E mandou flores para a Karina, com um bilhetinho agradecendo a sua gentileza). “Gentileza, sou a favor dela.” E a Karina é

gentil mesmo – com a cliente que interrompe o almoço, com a funcionária que agora traz o cafezinho, com a gente. Com seu grupo de amigos, que define como o círculo de pessoas certas, gente incrível com quem “divide uma hierarquia intelectual”. É um doce. “Com o resto do mundo sou um pouco fechada, nada invasiva. Mas sou curiosa, gosto de conhecer coisas novas.” E gosta de jeans com jeans, adora. “É que nasci nos anos 80, né? Sempre brinquei com o guardaroupa dos meus pais”, divaga, enquanto arruma o chapéu. E ama arte. Um quadro grande, cheio de frutas, é a estrela da sua cozinha, obra de Marcelo Krasilcic. Nos outros cômodos, criações de Rafa Dejota, imagens de Marcelo Gomes. “Estou fazendo esculturas, umas peças grandes, com pedras semipreciosas”, surpreende. Ou não. Num outro papo, nessa mesma mesa, ela tinha contado que também canta. Ainda canta? A Karina ri, joga o cabelo na cara e deixa as coisas assim, por dizer. “É porque sempre tenho algo por contar.” E que graça teria se ela entregasse tudo?

DA ESQUERDA PARA DIREITA OS LIVROS DE TERROR QUE ELA ADORA, O SAPATO DA MARCA ARGENTINA A.Y NOT DEAD E A OBRA DE MARCELO KRASILCIC NA COZINHA OUTUBRO 2011

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GYPSY QUEEN POR/DUDI MACHADO FOTOS/DANIEL KLAJMIC

SUSTENTÁVEL E CHIQUE, A MORADA DA DIRETORA DE MODA DA HARPER’S BAZAAR BRASIL CHIARA GADALETA KLAJMIC E DE SEU MARIDO, O FOTÓGRAFO DANIEL KLAJMIC, É REFLEXO DO OLHAR ESTETA DO CASAL BELEZA DIEGO QUIRINO PRODUÇÃO DE OBJETOS XUXU GUIMARÃES

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EM CASA

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Ter um porto seguro para viver, trabalhar, namorar e até viajar, mesmo sem sair de casa, é o sonho de consumo de qualquer habitante que deseje manter a sanidade em uma megalópole como São Paulo. Transformar essa ideia em realidade foi a meta quando Chiara Gadaleta Klajmic e Daniel Klajmic resolveram dividir o mesmo teto. Trabalho e vida, no caso da dupla de moradores do espaçoso e iluminado apartamento no Jardim Paulistano, estão ligados de maneira indissociável. Daniel, carioca descendente de poloneses, radicado em São Paulo, é um dos maiores talentos da fotografia de moda de sua geração. Vidrado por motos e carros antigos, suas paixões convivem lado a lado com a pluralidade da estética e da moda que corre nas veias de Chiara, francamente hippie – na filosofia sustentável e no mix de culturas – e sempre chique. Nascida em Nápoles, berço da tarantela, da gritaria e de algumas das mais sofisticadas princesas da nobreza italiana, Chiara aportou em São Paulo aos cinco anos de idade. Criada no berço da alta burguesia paulistana, passou pelas carteiras do colégio Porto Seguro direto para o badalado pátio da Faap, onde cursou comunicação, como várias “bem-nascidas” de sua geração. Esguia, a morena de beleza marcante e 1,80 metro não passou despercebida pelos olhos da então editora de moda Patricia Carta. “Ela me viu e comandou: 'Vá já para o estúdio do Bob!'” Frase proferida nos corredores da Carta Editorial, casa para onde Chiara acaba de retornar, agora como diretora de moda da edição brasileira da primeiRG

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ra revista de moda do mundo, a Harper’s Bazaar. O Bob em questão era o renomado fotógrafo Bob Wolfenson, que, na época, fotografava um catálogo para a marca Huis Clos. Três meses depois, ela estava em Paris. Foram dois anos de passarelas, editoriais, provas de roupa, jantares, festas e afins. Mergulhada no métier, Chiara percebeu que sua real vocação era a de criadora, no backstage. Inscreveu-se na melhor escola de estilistas de Paris, o Studio Berçot, e sob a tutela de sua mentora e guia, Marie Rucki, abraçou a moda como profissão. Com gabarito e formação, foi de modelo a stylist, tornou-se empresária e estilista e, finalmente, dona da própria marca. E, mais importante, do próprio nariz. Chiara criou da mesma forma a sua casa: à sua maneira, seguindo seu gosto, para si e sua família. A sustentabilidade, mantra do nosso século, tem pautado a vida de Chiara, no Brasil a maior porta-voz do tema no mundo da moda. A produção dos caftãs handmade da sua extinta marca, a Tarântula, a alertaram para essa nova realidade.

ACIMA, CHIARA NO ATELIÊ TRABALHANDO EM CASA; NA PÁGINA SEGUINTE, ESPELHO VINTAGE E MAPA ANTIGO NAPOLITANO, HERANÇA DE FAMÍLIA. A GRANADA FOI PRESENTE DO AMIGO ARA VARTANIAN. MANEQUIM COM BIJOUX DA TRIBO PATAXÓ PRODUZIDO EM PARCERIA COM RENATA MELÃO PARA UM DESFILE


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EM CASA

“Todo o processo de criação era instintivamente sustentável, antes mesmo de eu saber o que isso significava. Eu reutilizava tecidos antigos que comprei ao longo da minha vida. Usava a mão de obra superespecializada de costureiras, pintoras e bordadeiras brasileiras, não queria produzir em série, usando gente que trabalha sem as menores condições, na Índia ou na China. Sem querer, já praticava reciclagem e capacitava a nossa mão de obra local”, enumera, empolgada, verdadeira ph.D. no assunto. Além de muito estudo e pesquisa, Chiara fala como quem já nasceu com isso no DNA. Pudera. Em sua família, trabalhos manuais são uma tradição passada de geração para geração. “As bordadeiras me olham de outra maneira quando veem que além de direcionar o design das peças que elas criam, eu coloco a mão na massa também.” Transformar o artesanato em objeto de desejo é sua meta, tanto em casa quanto no trabalho. No lar, o mix estético fica evidentemente vívido. Uma das salas funciona como seu ateliê, um home office no qual ela cria, pesquisa, ensaia. Pinta e borda com tecidos, linhas e materiais novos. Experimenta no manequim, e em si mesma, o que veste bem o corpo, enche os olhos e alimenta a alma. Ritualista, Chiara adora acender um incenso na sala (apesar de não praticar nenhuma religião), e o faz com a mesma naturalidade com que coloca a mão, literalmente, na massa. Afinal, o que mais poderia esperar de uma napolitana nata?

NA PÁG. AO LADO, CHIARA E OS FILHOS GIANLUCCA BUGEL E LAILA KLAJMIC EM FRENTE AO FURGÃO VINTAGE DA FAMÍLIA;

ACIMA LIVING ILUMINADO; À DIREITA, FERRAMENTAS DE DANIEL WWW.SITERG.COM.BR SEM MILITÂNCIA NEM ECOCHATICE, CHIARA PROMOVE LIÇÕES DE BEM VIVER NO SUSTENTÁVEL COM ESTILO, SITE QUE TEM LINK FIXO NO NOSSO. ENTRE NESSA OUTUBRO 2011

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O EXTERMINADOR DO FUTURO

VÍTOR BELFORT É O GLADIADOR MODERNO: LUTA COM PRINCÍPIOS, DÁ NOME À ACADEMIA E UNDERWEAR E PREGA O AMOR POR JEFF ARES FOTOS MICHAEL ROBERTS

Quem vê não pensa, mas esse homenzarrão aí das fotos (de Michael Roberts, exclusivas para RG) já enfrentou preconceito. “Já venci, agora vou formar o conceito.” Vítor Belfort refere-se à resistência ao seu esporte, o MMA, mix de artes marciais que arranca sangue na porrada. Considerado extremamente violento, ganhou força exuberante nos últimos anos, inclusive no Brasil. Lá fora, longe dos excessos dos pitboys, as lutas marciais gozam de maior deferência – e viraram febre nas academias. “Não pode generalizar. A violência está na política, no futebol, na polícia... Tem gente boa e ruim em todas as áreas. O MMA é um esporte seguro, e é entretenimento. A luta educa”, defende Belfort, embaixador do UFC (o circuito) no país e, desde já, uma lenda do esporte. Aos 34 anos, o lutador carioca já foi campeão e hoje figura no Top 10 de sua categoria, a de meio-pesados, encabeçada pelo midiático Anderson Silva – cuja fama explodiu depois de um chute que nocauteou Belfort, nesse ano. Luta histórica. “Sou um gladiador moderno”, batiza Belfort. Definição exata para quem faz do esporte profissão. “Dou um golpe como um RG

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samurai, com orgulho e respeito pelo adversário.” Seu discurso é quase messiânico, mas não é mais francamente evangélico, como um dia já foi. “Sou um homem de fé, tenho um relacionamento sincero com Deus, mas não preciso da aprovação de padre, pastor ou guru. Jesus foi colocado numa prateleira. Ele não precisa de nada de você, nem do dízimo, nem da oferta. Ele precisa do seu amor. Eu creio no amor.” Uma risada de criança, do outro lado do telefone, deixa tudo mais claro. A trágica perda de sua irmã, anos atrás, fez aumentar o sentido da família para Belfort, marido de Joana Prado e pai de três filhos. Todos moram em Las Vegas, onde ele pretende inaugurar uma academia megaexclusiva, um clube da luta que vai unir fitness e artes marciais. Outro projeto? Uma promissora linha de underwear, desenhada pela chique da Lenny Niemeyer. Ideia de Jason Herbert, diretor criativo do Fashion Rocks e mais novo empresário de Belfort. “A marca é inspirada no sungão de luta”, ele conta. “Sungão, nada de sunga de dois dedos!”, decreta. E quem é louco de contrariar?


PERFIL

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PÉ NA ESTRADA POR/LUIZA SOUZA

FOTOS/IORAM FINGUERMAN MARIANA BITTENCOURT E FABIO DINIZ TRANSFORMARAM A PAIXÃO PELAS ROAD TRIPS EM NEGÓCIO. RG EMBARCOU NA IDEIA E FOI CONHECER OS DETALHES DE UMA VIDA SOBRE DUAS RODAS, UM ROTEIRO DE FAZER INVEJA A QUALQUER EASY RIDER

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INVADE

É assim: eles entram no recinto e mudam tudo. Aquele clichê de casal 20 cai como uma luva em Mariana Bittencourt e Fabio Diniz. Ela, modelo de sucesso, uma das stars de sua geração. Ele, um Diniz mais pro rebelde, roqueiro, doido por motocas. Os dois lindos de arder os olhos. Juntos há mais de nove anos, casados há cerca de dois, decidiram fazer um negócio inspirados pela paixão mútua por motocicletas e velocidade. Adolescente ainda, Fabio comprou sua primeira Harley-Davidson. Mariana aprendeu a pilotar com seu pai quando era menina. Adora um ventinho no rosto – ainda que prefira ir na garupa do marido. No melhor estilo easy rider, acumulam milhas pelas rotas abertas pelos selvagens da motocicleta. Na primeira grande viagem, em 2009, a dupla rodou 25 mil quilômetros pelas estradas americanas, em três meses. Foi num desses dias que Fabio teve a ideia: abrir uma oficina de customização de motos em São Paulo. “Não curtia o perfil das customizações disponíveis no Brasil e decidi trazer a cena californiana dos anos 60 e 70, das vintage bikes, que são a minha cara”, vendeu. E a gente comprou. A Rock ‘n Cycles fica ali no Itaim, e abriu suas portas no mês passado. RG passou boas horas por lá, no dia da inauguração, para captar a mensagem e conhecer o espaço, projetado pelo arquiteto Felipe Diniz. É incrível: oficina mesmo, com to-

das aquelas ferramentas esquisitas para as customizações, a montagem de novas motos e os serviços de manutenção. Não tem foto de mulher nua nas paredes, mas tem gente linda, de carne e osso. A turma do casal é um decalque: casais jovens e bonitos, com um fraco pela liberdade de espírito. Quem não é chegado em velocidade, capacete e afins também pode se entender por ali. Tem um bar (!) que embala manhãs e tardes roqueiras (todo sábado, eles prometem) e uma linha de roupas, que mistura um garimpo das viagens e camisetas assinadas por Mariana – sim, a moça virou designer, e tem tino para a coisa. Moda é o DNA, afinal. De olho nisso, a estilista e amiga dos tempos de passarela Cris Barros convidou Mariana e Fabio para traduzirem o espírito rock’n’roll da coleção de sandálias que ela criou para a Grendha, linha da gigante Grendene, que chega às lojas no fim do mês. “A campanha nasceu para eles”, concorda Cris, que fez o vestido de casamento da Mariana e já virou cliente: “Amo t-shirts e comprei várias daquelas de motoqueiro”. Um aval e tanto, né?

SELVAGENS DA MOTOCICLETA: MARIANA BITTENCOURT E FABIO DINIZ, BEM À VONTADE NA ROCK ‘N CYCLES OUTUBRO 2011

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DE CIMA PARA BAIXO, TOP 6: LUCIANA GIANI, ANA CLAUDIA MICHELS, MARIANA BITTENCOURT, DANIELA RAIZEL, FABIANA TAMBOSI E CAMILA GUEBUR. NO ROCK, CRIS BARROS E TONINHO ABDALLA. UM HOMEM DE FAMÍLIA: ANDRÉ DINIZ, CHAT ENTRE MARCELO BORMAC, KARIN SOUZA E EDUARDO DUTRA RG

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INVADE

Nas paredes de tijolo da oficina, fotografias da mais recente viagem do casal, que começou em julho deste ano e acabou pouco antes do opening da Rock ‘n Cycles. Meio que rito de passagem, a recente road trip rendeu aventuras memoráveis por cerca de vinte estados americanos, com destino ao Canadá. Ao som de rock e blues (muito Bob Dylan, Rolling Stones e AC/DC), Mariana fez fotos incríveis das insólitas paisagens, várias delas direto da garupa. O site da RG mostrou as imagens antes de todo mundo, assim que eles voltaram. Acesse, tem fotos lindas lá, mais um punhado de boas histórias, como a da cascavel que se materializou ao lado da moto numa das paradas. Sem contar as intempéries: “Pegamos um dia inteiro de tempestade nas costas, sob o risco de um tornado. Em alguns dias a temperatura chegava a 50 graus”, relembra Mariana, que, reza a lenda, ganhou um anel de Jack Vartanian pelo desapego – imagine viajar 50 dias com a calça do corpo e duas camisetas na mala, dormir em hotéis de beira de estrada, bem pouco confortáveis... “É preciso focar e ser forte – não só fisicamente, mas psicologicamente. No meio do caminho, não dá para querer voltar. Mariana é a melhor companhia para esse rolé porque, além de tudo, é uma mulher valente.” E que final não fica feliz com uma declaração de amor?

EM SENTIDO HORÁRIO FABIANA PASTORE, LINDA DE VIVER. MOTOCICLETAS ALL OVER. SUPERTRIO: FELIPE LOCANTO, ARNALDO DINIZ FILHO E BRUNO DINIZ BERNARDINI. DANIELA LARA CAMPOS E MARIELE CAPSSA, EM CASA

WWW.SITERG.COM.BR LÁ NO SITE, ACESSE O BLOG DE MARIANA E FABIO, NA NOSSA PÁGINA DE LINKS. E BOA VIAGEM OUTUBRO 2011

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BEAUTIFUL BAHIA

FOTOS/SHARON EVE SMITH

PARA CELEBRAR O CASAMENTO DE CAMILA HAMAOUI E THOMAZ HORTA, A JEUNESSE DORÉE PAULISTANA BAIXOU EM TRANCOSO. CERIMÔNIA EMOCIONANTE E FESTANÇA ANIMADA ATÉ O SOL VOLTAR. EXCLUSIVO, OK?

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STEPHANIE SCHULTZ-WENK E CAMILA SCHNARNDORF Moças finas apostaram no tropical chique

ANA ALENCAR E ANTONIO CARLOS MATA PIRES Casal temperado: ela é carioca, ele baiano

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FLASH

JULIA BRESSER Flower power!

CAMILA CAMARGO BARELLA Maxibrincos fazem um bonito al mare

LUIZA VON MUTIUS Da Daslu (ela é buyer de lá) para a Bahia

MARIA ISABEL MACHADO O azul deu o tom

NANÁ GONÇALVES Color fever no vestido Missoni

MARINA RIVETTI Fresh, de brincos Silvia Furmanovich

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ROMANCE FLORIDO

ACONCHEGO BAIANO

Tecido de fios de seda, a flor do cabelo enfeitou ainda mais a noiva (que nem precisaria de enfeite, diga-se). O acessório, assim como o vestido, uma moulage, foi criado exclusivamente para Camila por Clô Orozco e Vanessa Abbud, da Huis Clos.

Camila e Thomaz protagonizaram o primeiro casamento da pousada Tangará. Aberta há menos de um ano, virou hit. Para o grande dia, foram construídas duas estruturas cobertas, espaços com muitas almofadas: chiques e roots, com vista para o mar…

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POUSADA TANGARÁ (73) 3668 -1212

RAPHAEL FALCI

H   ECTOR ALBERTAZZI

C   ARLA AMORIM

O formato geométrico injeta personalidade e equilibra a delicadeza do coral. O brinco é a grande estrela da noite. R$ 995

A pedra verde alegra qualquer produção – o acessório é perfeito para um casamento diurno. R$ 396

O brinco Etnia mistura opala de fogo e brites de ouro vermelho. Na medida para noites quentes. R$ 13.350

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VIRGO POWER FOTOS/JANETE LONGO FESTEIROS CONVICTOS, OS VIRGINIANOS TATIANA E MILTON PILÃO COMEMORARAM AS PRIMAVERAS (NA PRIMAVERA) E O ANIVERSÁRIO DE 12 ANOS DE CASAMENTO. RG, QUE É INSIDER, FOI CELEBRAR. CHEERS!

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MILTON E TATIANA PILÃO A colunista e o empresário reuniram a turma para uma festa na casa deles, no Morumbi, em São Paulo

ANA RAIA A “bff’ do casal veste a grife da irmã, Paula Raia

ANA LAURA GUIMARÃES E FERNANDA VIDIGAL Adeptas do pretinho básico, com bossa

ANDREA PINHEIRO Lanvin lady

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PAULA RAIA E ANDREA CONTI Paula, com um look da sua marca, e Andrea de Hervé Léger

FERNANDA KUJAWSKI Outra que investiu em look da própria marca

ROBERTA TILKIAN Fugiu do vestido e apostou no couro e no laranja da vez

CINTHIA YUNES Em print de jaguar, by Joseph

LORENA DIAS DE SOUZA Leopardos nas ruas

DAMARIS JACOB Onça em tom de girafa

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ANIMAIS À SOLTA

ALERTA LARANJA

Prints selvagens, sempre em alta, mostram suas garras (de novo) nesta temporada. Aposte nos acessórios em contraste com cores bold para se destacar no salão

No look total, combinado com rosa ou cores contrastantes, o laranja vai colorir a primavera. Vide a calça da novíssima coleção de Paula Raia – já passou na nova loja?

ARROZ DE FESTA

BUFFET GINGER

BANQUETING

A banqueteira Adriana Cymes é craque em criar misturas; com bossa, faz uma mesa muito chique, e fun. Premiada, é das mais requisitadas (e queridas) da cidade.

Tatiana Pilão lançou mão de um menu oriental, um dos vários sabores possíveis do buffet de Nina Horta e Andrea Rinzler, um dos mais incríveis de Sampa.

A chef Martha Bender prefere sabores clássicos. A criatividade entra na apresentação dos quitutes. Quer uma festa com os seus gostos? Chame a Martha.

WWW.ARROZDEFESTA.COM.BR

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WWW.BANQUETING.COM.BR OUTUBRO 2011

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IN AND OUT

CERVEJA JAMAICANA Nos clubinhos do East de Londres, Red Stripe é a língua corrente

DRY MARTINI Esse é um clássico… Azeitona feelings

CHEVAL BLANC Os grandes bourdeaux estão em alta nas altas rodas

MINT JULEP Um morrito de whisky, servido numa caneca de prata medieval… pro verão, já!

IRISH CREAM O creme de licor irlandês é de uma cafonice atroz

ROMANÉE - CONTI Virou o vinho mais corrente entre os politicos e perdeu um pouco do status

COSMOPOLITAN Depois de Sex and the City… affe!

CERVEJA MEXICANA O limãozinho agora só vale para a tequila. Aposente o sombrero

#BONSDRINKS

AS TENDÊNCIAS ETÍLICAS VARIAM DE TEMPOS EM TEMPOS, DE BAR EM BAR. DIZEM MUITO SOBRE A ÉPOCA EM QUE SE DERRAMAM. RG LISTOU O QUE DESCE E SOBE NA FESTA… HIC! POR MARTHA BENDER OUTUBRO 2011

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VIDA

IT GIRL ORIGINAL

ASSUMINDO SEU MELHOR PAPEL, O DE SI MESMA, A DIVA MARISA BERENSON ILUSTRA EM LIVRO UMA HISTÓRIA QUE A MIRA DAS LENTES NÃO CAPTOU POR BRUNO GHETTI

A mítica Diana Vreeland decidiu que ela deveria posar e Irving Penn, Avedon, Bailey, Beaton e Helmut Newton a transformaram em supermodelo. Muito antes de o termo existir. Yves Saint Laurent sentenciou: ela era a “garota dos anos 70”. Luchino Visconti e Stanley Kubrick a transformaram em musa da sétima arte. Sua avó, Elsa Schiaparelli, maior rival de Chanel, teria preferido que ela ficasse em casa. Mais completa tradução do termo “it girl”, Marisa é objeto, neste mês, de um lançamento luxuoso. O livro Marisa Berenson: A Life in Pictures (Editora Rizzoli) revê sua trajetória, ilustrado com imagens marcantes dos tempos de maneca, frames de seus filmes e curiosos retratos de seu acervo pessoal. A edição traz ainda um revelador depoimento da própria Marisa e a transcrição de um bate-papo entre ela e a “bff” Diane von Furstenberg – dona de uma trajetória parecida, também “it girl” da década de 70, modelo antes de se lançar como estilista. Marisa nasceu em Nova York em 1947, filha da condessa Gogo Schiaparelli, que tinha sangue Médici nas veias, e do di-

plomata americano Robert Berenson. A ribalta já lhe alcançou aos cinco anos, quando posou para a capa da revista Elle, clicada ao lado da irmã, Berry Berenson – que mais tarde se tornaria uma conhecida fotógrafa. As irmãs estavam vestidas, é claro, com looks da vovó “Schiap”, a lendária estilista que diluiu barreiras entre arte e moda. Mas Marisa, veja só, nunca se deu bem com a avó. Ela define a relação como “traumática”. Transgressora no trabalho, “Schiap” era bem mais conservadora no âmbito familiar e não escondia a indignação com os looks da neta nos anos 60. “Ela achava a minha geração a mais vulgar de todas, sem nenhum estilo”, diz Marisa, em depoimento no livro. Naquela época, no epicentro da “Swinging London”, ela se apaixonou pelas criações de Ossie Clark e Zandra Rhodes.

SUPERMODELO A MUSA FOTOGRAFADA POR HENRY CLARKE EM EDITORIAIS DOS ANOS 60 OUTUBRO 2011

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FOTOS DO LIVRO MARISA BERENSON: A LIFE IN PICTURES, EDITORA RIZZOLI, US$ 60, WWW.RIZZOLIUSA.COM E CORBIS

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VIDA

Em meados da década, a garota que se achava feiosa (ela detestava o próprio nariz) foi a uma festa que mudaria sua vida para sempre: ali, a influente editora de moda Diana Vreeland percebeu que ela tinha algo especial. A transformou em sua modelo predileta. Seu ar aristocrático estampou incontáveis capas de revistas; pilhas de Harper’s Bazaar. “Diana encorajava o talento e a personalidade. Naquela época, (…) éramos muito diferentes umas das outras”, diz Marisa. Um alfinete para as tops padronizadas de hoje, distantes de suas contemporâneas, como Twiggy, Jean Shrimpton e Veruschka. Na década seguinte, Marisa desfilava dentro e fora das passarelas. Figura fácil na pista do Studio 54 e em Saint-Tropez. Vivia rodeada dos amigos que todos gostariam de ter, como Andy Warhol, Liza Minnelli, YSL, Bianca Jagger e John Travolta. Causava inveja também pelos namorados, que não foram poucos – a lista inclui o ator e “it boy” Terence Stamp, o fotógrafo e aventureiro Arnaud de Rosnay, o automobilista Rikki von Opel, o barão David de Rothschild e os atores Sam Shepard e Kevin Kline. Casamento mesmo, Marisa só teve dois: com o advogado Richard Golub e com o milionário Jimmy Randall, com quem teve uma filha de curioso nome, Starlite Melody. Mas sua principal companhia nas festinhas era Helmut Berger, ator favorito (e namorado) de Luchino Visconti, um party boy incorrigível. Entre um amor, uma festinha e amigos do sistema estelar, Marisa encontrou sua vocação como atriz. O que começou como um curso de teatro para perder a timidez virou profissão séria, sobretudo após Visconti convidá-la para atuar em Morte em Veneza (1971). Dois anos depois, foi indicada ao Globo

de Ouro de atriz coadjuvante por Cabaret . Em 1975, Stanley Kubrick lhe daria o papel que marcaria sua vida: a eterna Lady Lyndon, em Barry Lyndon. Na década de 80, cansada de badalar e sentindo-se vazia, Marisa mudou seu estilo de vida. Dedicou-se com afinco à meditação transcendental (que conheceu quando esteve na Índia nos anos 60, junto com os Beatles) e reduziu suas aparições, inclusive nas telas, salvo trabalhos com Blake Edwards e Clint Eastwood. No fim da década, mudou-se para a França, passando a atuar somente em produções europeias. Em 2001, quando o mundo chorava pelo 11 de Setembro, Marisa viveu uma tragédia pessoal: perdeu a irmã Berry, que estava em um dos aviões sequestrados, o que atingiu a primeira torre gêmea. Hoje, mais serenamente, aos 64, a disco girl ainda estremece os ambientes. É presença cativa nas primeiras filas (dá consultorias de estilo) e continua a inspirar designers como Tom Ford, que fez questão de tê-la na passarela do lançamento de sua label feminina. E segue nas telas, a la grande; dividiu a cena com Tilda Swinton em seu último longa, Um Sonho de Amor, indicado ao Oscar. Como se vê, Marisa não perdeu aquele “algo especial” que Diana Vreeland percebeu.

NA PÁGINA AO LADO: NO AUGE DA CARREIRA, FAZENDO A LOLITA PARA AS LENTES DE BERT STERN. ACIMA: MARISA EM 1971, FANTASIADA DE MARQUESA CASATI NO BAL PROUST DO CHÂTEAU DE FERRIÈRES E NA PRIMEIRA FILA DO DESFILE DE ALTACOSTURA DE VALENTINO, EM 2007 OUTUBRO 2011

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CINDERELA, UMA TRAGÉDIA BAIANA

SOPAPOS, CIÚME E UM PROCESSO JUDICIAL. RUMORES DE UM FIM NADA AGRADÁVEL PARA UM QUASE CONTO DE FADAS, PROTAGONIZADO PELA ATRIZ BRASILEIRA ADRIANA FERREYR E PELO BILIONÁRIO GEORGE SOROS Você já ouvir falar em Adriana Ferreyr? Não? Primeira pista: ela trabalhou na novela Marisol do SBT. Segunda pista: ela trabalhou na novela Marisol do SBT. Terceira pista: ela trabalhou na novela Marisol do SBT. O histórico profissional da mulher que tira o sono de um dos homens mais ricos do mundo resumese a apenas uma linha. Tão misterioso quanto a trajetória da atriz baiana Adriana Ferreyr é o seu envolvimento com George Soros, bilionário húngaro que detém uma fortuna avaliada em US$ 14,5 bilhões. Os dois – ela com 20 e poucos anos e ele já octogenário – namoraram durante três anos, até que Soros decidiu trocar a brasileira por sua enfermeira. Adriana logo se deixou levar pela “síndrome de Sthefany Brito”, e, assim que Soros oficializou a separação, exigiu na Justiça uma indenização de R$ 81 milhões. Ela o acusa de agressão e de não cumprir uma promessa de lhe dar um apartamento em Upper East Side, uma das regiões mais valorizadas de Manhattan. O caso caiu com uma bomba no mundo financeiro e, desde então, Soros, que já sofre com a crise internacional, tem mais uma dor de cabeça para administrar. RG

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Como o processo corre em segredo de Justiça e Adriana – hoje estudante da Universidade de Columbia, em Nova York – decidiu dar apenas uma entrevista (ao jornal The New York Times) durante todo o caso, a reportagem de RG tentou levantar o passado da atriz baiana para entender melhor quem é Adriana Ferreyr e como ela passou a fazer parte do cotidiano de um bilionário como George Soros. Tarefa das mais complicadas, já que a baiana é conhecida apenas por um trabalho: sua participação na novela... sim, você sabe, Marisol (!), exibida pelo SBT em 2002. Na trama, Adriana vivia Vanessa Lima do Vale, a vilã, irmã da protagonista Marisol Lima do Vale, interpretada por Barbara Paz. “Não tivemos nenhum tipo de relação durante as filmagens.

ACIMA, ADRIANA NUM LOOK CINDERELA NO GALA DA AMFAR EM CANNES, EM MAIO DESTE ANO NA PÁG. AO LADO, GEORGE SOROS E A NAMORADA BRASILEIRA PEGAM UMA PRAINHA EM ST. BARTH, NO CARIBE ABAIXO, SOROS EM SUA LIMUSINE, EM NOVA YORK CITY

FOTOS GETTY IMAGES E GROSBY GROUP

POR TOM CARDOSO


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FOTOS CORBIS E SPLASH NEWS

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SEGUNDO ADRIANA, SOROS LHE DEU UM TAPA NO ROSTO, TENTOU SUFOCÁ-LA E CHEGOU A JOGAR UM ABAJUR CONTRA SUA CABEÇA

Nunca mais falei com ela depois que a novela acabou”, diz Barbara. Já Alexandre Frota, que também fazia parte do elenco da novela, sequer lembra de Adriana. “Ela atuou em Marisol? Nunca ouvir falar dessa mulher”, diz. Até mesmo um dos diretores de Marisol, Jacques Lagoa, tem pouca a dizer sobre Adriana. “Ela não é uma atriz brilhante, mas teve um comportamento superprofissional durante as gravações. Uma mulher discreta”, diz Jacques. O mistério continua. RG ligou para as redações dos principais jornais de Salvador, cidade onde nasceu a atriz. Conversando com colunistas e repórteres, descobrimos que Adriana é filha do engenheiro Rogério Ferreiro e neta de Esmeraldo Borges Nery, fazendeiro de Iguaí, um dos mais poderosos “coronéis” do interior da Bahia. Ambos não foram localizados. Apesar da origem social, Adriana pouco frequentou o high-society baiano. “Eu não me lembro de ter visto essa menina em nenhuma festa. Também nunca publiquei nada sobre ela na minha coluna”, diz July Isensse, veterana colunista social do jornal A Tarde . Na entrevista que concedeu ao NY Times, Adriana contou que Soros prometeu um apartamento de US$ 4 milhões em janeiro de 2010. Oito meses depois, enquanto “conversavam” na cama, o bilionário teria confessado a ela que teria dado o mesmo apartamento a uma “nova namorada”. Os dois discutiram e, segundo Adriana, Soros lhe deu uma tapa no rosto, tentou sufocá-la e chegou a jogar um abajur contra sua cabeça. O advogado do investidor, William Zabel, negou

as acusações. “A reclamação proposta é recheada de falsas acusações e é obviamente uma tentativa de extrair dinheiro de meu cliente, que é conhecido por ser muito rico.” Não, não é verdade que a experiência televisiva de Adriana Ferreyr se resuma à sua participação na novela exaustivamente citada. Numa busca pelo YouTube, é possível assistir à atriz baiana participando do programa Domingo Legal, de Gugu Liberato, experimentando, com os olhos vendados, sagu e outras guloseimas (http://www.youtube.com/watch?v=c8gb FljHDxQ&feature=related) e numa mesa-redonda (ao lado de Elba Ramalho e Silvia Poppovic) no extinto programa É Show, de Adriane Galisteu. A sua participação (http://www.youtube. com/watch?v=zH06Rcq0Ze4&feature=related) foi tão marcante que a apresentadora, adivinhe, não se lembra da convidada. “Adriana Ferreyr? Nunca ouvi falar”, diz Galisteu. Ah, Adriana também aparece com 12 anos de idade estrelando uma propaganda do McDonald’s (http://www.youtube. com/watch?v=tzhfsxKP9m0&feature=related), revelando as vantagens nutricionais do Big Mac: dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial.... “Uma gracinha, né?”, diria Hebe Camargo. George Soros achava. Não acha mais.

NA PÁG. ANTERIOR, O OCTOGENÁRIO BILIONÁRIO E SUA ADRIANA CHEGANDO NA FESTA DE RÉVEILLON NO IATE DE RON PERELMAN. ACIMA , SOROS: UM PROBLEMINHA A MAIS NA PAUTA OUTUBRO 2011

RG


144 D E ST I N O

UNIDOS DA CHIQUERIA

HÁ DESCOBERTAS POSSÍVEIS NAS AREIAS ESCALDANTES DOS EMIRADOS. DESÇA DO CAMELO, SUBA NA FERRARI E DURMA COM ARMANI POR JOÃO LUIZ VIEIRA

É preciso explicar que Dubai e Abu Dhabi são apenas dois dos sete estados que compõem um dos países mais ricos do Golfo Pérsico, os Emirados Árabes Unidos, donos da sexta maior reserva de petróleo do mundo e de uma renda per capita de US$ 47 mil – no Brasil, não chega a US$ 11 mil. Dubai é o segundo maior, o mais famoso, exibicionista e visitado dos emirados; Abu Dhabi �� o centro político e cultural. Mas é no primeiro que está um dos hotéis mais incríveis do mundo, o Armani. “Tudo é impressionante, de bom gosto. Hóspedes sabem que o funcionário se aproxima do quarto pela TV e, durante a tarde, por gentileza, ganham morangos com creme para observar a vista”, lembra Sergio Kalil, um dos sócios do Spot. Para ele, Dubai seria uma São Paulo reduzida, com arquitetura vistosa e vida frenética – praticamente subterrânea por causa de termômetros não raramente chegando a 45 graus à sombra. Abu Dhabi, uma Rio de Janeiro, com orla linRG

OUTUBRO 2011

da e coqueiros milimetricamente postados. “As mulheres vão de burca para a areia e eles se assombram se usamos sunga”, complementa o publicitário Sergio Ignacio, turista recente. Passeios indicados: um rali nas areias, como um figurante de Sex and the City 2. Esqui no shopping de Dubai. Sim, há neve e pessoas agasalhadas (!). Compras? As melhores grifes estão lá. Nas mesquitas, aconselha-se traje completo, mesmo no calor, para não ser barrado. É também pontual caminhar por entre tapetes e aromas das cidades velhas de ambos os emirados. E a dica final: vá antes que acabe. Sabe lá o que será quando o petróleo se for?

ACIMA, MESQUITA SHEIKH ZAYED: SE FOR VISITAR, VISTA CALÇA COMPRIDA E CAMISA QUE CUBRA OMBROS E COLO


TRATAMENTO DE IMAGEM STUDIO OCTAVIO DUARTE

GUIA

BURJ DUBAI

Perto das construções de Dubai, os prédios da região da Berrini, em São Paulo, parecem construções da Cohab... Tudo é megablaster

SOUK TECIDOS

Não fazer um pit stop no mercado para, no mínimo, conferir a profusão de tecidos é o mesmo que ir ao Rio e não pisar em Ipanema

HOTEL ARMANI

Um dos hotéis mais chiques do mundo está em Dubai. Quem passou por lá procurou e não achou um defeito sequer. Giorgio sabe das coisas

FERRARI WORLD

Mesmo para quem não é fã de Fórmula 1, conhecer esse megaempreendimento, que fica em Abu Dhabi, é experiência de fazer cair o queixo OUTUBRO 2011

RG


146 GAST RON

OMIA

JAPAN POP SHOW POR KAREN COUTO

Há cerca de um ano, fiz uma viagem gastronômica pelo Japão, um mês pela rota dos clássicos. Muito menu degustação, essa ideia que, sim, ouso dizer, nasceu por lá e não na França – pequenas porções, produtos nobres e raros. Dos japas gourmet locais, recomendo o Giro Giro, verdadeira orgia “high quality/ high charming”. No restô de Kyoto, uma caixinha de fósforos, três chefs de cabelo punk pilotam uma orquestra afinada. No Giro Giro de Paris, o chef Edakuni, o fundador, insere ingredientes franceses na história. O valor é absurdamente baixo se comparado a outros desse nível. Como o Masa, em NY, caríssima experiência: de US$ 350 a US$ 600 por pessoa, sem bebidas. Mas vale! Com três estrelas no Michelin, é o máximo. Três horas de degustação, sob a sobriedade minimalista típica; experiência única e delicious. O chef escolhe e prepara tudo com simplicidade, respeitando a essência do sabor. E, pasme, o peixe vem voando lá do Japão. Já aqui em São Paulo, vale visitar o Kinoshita, desde 2008 sacolejando a cozinha kappo num encontro surpreendente. São três menus degustação de preço salgado e porções pouco generosas. Mas você deve ir.

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GUIA

A ROTA DO SAQUÊ A bebida símbolo do Japão tem nuances geográficas que merecem nota. Nas cidades de Kobe e Kyoto, os bairros de Nada e Fushimi, respectivamente, exalam saquê. A bebida fabricada em Kyoto é suave e adocicada, já as marcas da região norte do Japão, principalmente as da província de Niigata, destacam-se pelo seu gosto seco e forte – o chamado kara-kuchi. Uonuma, sinônimo de arroz de qualidade, é o berço do Hakkaisan, um dos tops do ranking da bebida. Só na região de Toyama você encontra o especial Masu Izumi. Já as famosas marcas Dassai e Dewazakura são encontradas em todo o país, e fora dele. Cidades com bons produtores de saquê também têm onsen (termas). Mas cuidado com as correntezas. Aprecie o saquê depois do banho termal, ok?

FOTOS DIVULGAÇÃO TRATAMENTO DE IMAGEM STUDIO OCTAVIO DUARTE

JOIAS DA COROA Toraya não é uma loja de doces, é uma joalheria! Provei e me lambuzei com os famosos Wagashi, elaborações tipicamente japonesas, feitas com rigor. Surgiram com a cerimônia do chá representando a filosofia do bem receber. Anunciam, por meio de forma e cor, as belezas do Japão: a literatura, a natureza, as estações do ano ou uma data festiva. São feitos com uma base de feijões, grãos, açúcares e vários tipos de farinha. Seu sabor delicado e doce suaviza as papilas para receber o chá amargo, como os da cerimônia.  As joias têm a aprovação da coroa: a família imperial japonesa mantém uma unidade da Toraya dentro de seu palácio. Mas se você não é amigo do imperador e não tem planos de visitar o Japão, onde existem nove lojas, pode adoçar a vida na filial de Paris. Et voilà! 

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RG


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AC O N T E C E

FERNANDO ALTÉRIO E PAULA RAIA FIZERAM AS HONRAS NA ABERTURA DA NOVA TEMPORADA DO CIRQUE DU SOLEIL EM SÃO PAULO

PAULA RAIA, RAPHAEL E FERNANDO ALTÉRIO

CLÉO PIRES

ANNE HATHAWAY ANA PAULA JUNQUEIRA Les moluptas cone alcuptur.

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RONALDO, O FENÔMENO

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VALENTINO E ANDREA DELLAL

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NIZAN GUANAES

LEONA FORMAN RECEBEU CONVIDADOS NO GALA ANUAL DA BRAZIL FOUNDATION, QUE HOMENAGEOU ANDREA DELLAL E NIZAN GUANAES

FOTOS JANETE LONGO E BILLY FARRELL, BFA

PICADEIRO


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“TRANSFORMAM O PAÍS INTEIRO NUM PUTEIRO, POIS ASSIM SE GANHA MAIS DINHEIRO” por

Cazuza

RG

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ONDE ENCONTRAR FRIVOLIDADE MÁXIMA Bagllerina www.bagllerina.com Emilio Pucci www.emiliopucci.com Floris www.florisoflondon.com Gant www.gant.com Lalique www.lalique.com Miu Miu www.miumiu.com Miller Harris www.millerharris.com Saddlers Union

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HAPPY END

WALTER FIRMO

FOTÓGRAFO DA GENTE BRASILEIRA, CLICOU CARTOLA E DONA ZICA NO MORRO DA MANGUEIRA, EM 1979 RG

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