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ZELO 53

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E SE A VERDADEIRA SOFISTICAÇÃO

NÃO FOSSE DEFINIDA POR TER MAIS?

MAIS COMPROMISSOS. MAIS NOTIFICAÇÕES.

MAIS VELOCIDADE. MAIS PRESSA.

E, SIM, POR

SENTIR MAIS

MAIS RESPIRO. MAIS PRESENÇA.

MAIS VIDA ACONTECENDO SEM INTERRUPÇÕES.

A linha WIDE by EBM traduz uma arquitetura que vai além da estética: empreendimentos que inspiram novas percepções, despertam sentidos e transformam ambientes em pontos de equilíbrio entre emoção, bem-estar e contemporaneidade.

Mais do que acomodar a rotina, redefinem a maneira como a vida acontece, com espaços bem desenhados e endereços que valorizam a experiência de viver a cidade.

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DIRETORA EDITORIAL

Rosângela Motta

DIRETORA EXECUTIVA

Ângela Motta

EDITORA

Hannah Motta

REPORTAGEM

Adan Neto

Hannah Motta

Júnior Bueno

Lucas de Godoi

Lucas Pereira

FOTOGRAFIA

Edgard César

Fabrício Cardoso

João Carlos

DIAGRAMAÇÃO

Mateus Feitosa (Freeesh!)

TRATAMENTO DE IMAGENS

Joãozimar Oliveira

REVISÃO

Fátima Toledo

JORNALISTA RESPONSÁVEL

Astero Motta (JP - 2233)

ZELO EM BRASÍLIA

Kell Motta (61) 99915-5115

ASSESSORIA JURÍDICA

Andressa Mota (OAB-GO 69.652)

IMPRESSÃO

Gráfica Formato

Aquilo que permanece

Mota Editora Ltda

CNPJ 02.589.924/0001-09

Telefones: (62) 3259-6510 / (62) 985010333 www.revistazelo.com.br redacao@revistazelo.com.br Av. T-63, 1.296, sala 308, Edifício New World - Setor Bueno, Goiânia - GO CEP: 74230-100

Existe uma imagem recorrente quando pensamos em mulheres bem-sucedidas. Elas costumam estar associadas aos cargos que ocupam, às empresas que lideram ou aos resultados que alcançam. Com o tempo, porém, fui percebendo que aquilo que mais me chama atenção raramente está nos títulos, mas sim na constância. Na capacidade de sustentar uma equipe, conduzir um projeto por anos, recomeçar quando necessário e transformar ideias em algo que permanece. Talvez por isso esta edição seja tão especial. Ao longo destas páginas, encontramos mulheres que atuam em universos distintos, mas compartilham uma característica comum: a capacidade de construir. Construir empresas, trajetórias, oportunidades, repertórios e memórias. Algumas movimentam setores inteiros da economia. Outras transformam experiências em negócio. E ainda têm aquelas que fazem da arte uma forma de investigar o mundo ao redor. Não por acaso, nossa capa reúne Tana e Cristal Lobo, irmãs que transformaram suas personalidades complementares em método de trabalho e fizeram da arte de receber uma assinatura própria. Encontramos também Leonora Guedes, à frente de uma das maiores operações de rally da América Latina; Georgia Adriano, que conecta tradição, negócios e estilo de vida em uma área predominantemente masculina; e Sallisa Rosa, cuja produção artística parte de um olhar sensível do mundo para refletir sobre memória e pertencimento. A filósofa Hannah Arendt escreveu em A Condição Humana que "o mundo é aquilo que existe entre as pessoas". Gosto dessa ideia porque ela nos lembra que as transformações mais duradouras raramente acontecem de forma isolada. Elas nascem dos encontros, das relações e da capacidade de construir algo que ultrapassa o individual. De diferentes maneiras, as mulheres desta edição fazem exatamente isso. Que estas páginas sejam um convite para conhecer suas histórias – e muitas outras descritas aqui –, e, sobretudo, para observar aquilo que elas deixam como marca.

Colaboradores

LUCAS PEREIRA @OUTLUCAS JORNALISTA

MARCUS ORRICO @MARCUSORRICO COMUNICAÇÃO DIGITAL

JÚNIOR BUENO @MUYPEROMUYBUENO JORNALISTA

LUCAS DE GODOI @LUCASDEGODOI JORNALISTA

PEDRO MOTTA @PEEEDROMOTA COMUNICAÇÃO DIGITAL

FABRÍCIO CARDOSO @FACAFOTO FOTÓGRAFO

MATEUS FEITOSA @MATEUSFFEITOSA DESIGNER

ASTERO MOTTA @ASTEROMOTTA JORNALISTA

JOÃO CARLOS @JOAOCARLOS84 FOTÓGRAFO FÁTIMA TOLEDO @MFATIMATOLEDO03 REVISORA

ADAN NETO @ADDANS_ JORNALISTA

KELL MOTTA @KELLDAMOTTA REPÓTER FOTOGRÁFICA

EXPRESSÕES

Mais de 100 trabalhos ocupam a Vila Cultural Cora

Coralina em uma retrospectiva de seis décadas de Siron Franco

ARTE

Sallisa Rosa transforma elementos naturais em investigações poéticas sobre paisagem, memória e pertencimento

ACERVO

Um roteiro pelos museus que ajudam a compreender a formação cultural, artística e histórica da Capital

CAPA

As irmãs Tana e Cristal Lobo revelam os bastidores da Vero Festas, a parceria nos negócios e os novos caminhos da marca

HOLOFOTE

Leonora Guedes fala sobre gestão, impacto social e a expansão do Rally dos Sertões

TRADIÇÃO

Georgia Adriano conecta cavalos, herança familiar e consumo contemporâneo em uma trajetória ligada ao campo

ARQUITETURA

A CasaCor Goiás retorna ao Setor Marista propondo reflexões sobre morar, vínculos, natureza e qualidade de vida

FAIRWAY

Estrutura de ponta e novos hábitos impulsionam o crescimento do golfe e sua presença em Goiânia

REFÚGIO URBANO

Com apenas três suítes, Íz Hotel propõe hospedagem baseada em curadoria, privacidade e alta gastronomia

Uma frase de Freud mexeu comigo desde que a conheci: “É preciso amar para não adoecer, estamos destinados a cair doentes se em consequência da frustração formos incapazes de amar.” Uau! É interessante perceber que, ao estudar os bebês em seus primeiros meses, já vemos aí a importância desse movimento de encontrar o outro (e, claro, sair de si mesmo). Já vou explicar.

A história do bebê com o mundo segue um ritmo de valsa: 1, 2, 3... 1, 2, 3...

Poderíamos dizer que dançamos com a vida e na vida. O primeiro movimento é ativo – por exemplo, aquele que o bebê faz em direção ao seio materno em busca da primeira mamada; o segundo é reflexivo, ou seja, a criança busca em si o prazer que teve no encontro com o outro, então ela coloca o dedo na boca para sugar, por exemplo.

O terceiro movimento, que vem para completar, fechar esse circuito, é chamado passivo e, que paradoxo!, é o mais sofisticadamente ativo de todos e o que mais utilizaremos, já que necessitamos obter no mundo externo o que não produzimos em nosso corpo. Quando o bebê “se faz” prazeroso para o outro, oferecendo o pezinho para ser degustado pela mãe, o delicioso convite para entrar na vida é aceito. Aí começa o baile do encontro (ou desencontro). Assim entramos no mundo.

Esse é o circuito pulsional descrito por Freud, mas hoje já sabemos que a palavra passivo diz pouco desse bebê que, ao “se fazer”, está, ele mesmo, permitindo-se ser sujeito e objeto na relação que dá prazer ao outro, mas também a ele, por sentirse desejado. Uma verdadeira festa de vida que, a partir desse primeiro encontro, nos marcará de tal forma que levaremos esses registros para os encontros futuros. Quando, por algum motivo, o terceiro tempo não acontece, aí existe um problema. Tum, tum. Tum, tum. No 1, 2 não há dança com o outro. Essa interrupção no circuito pode acontecer por vários motivos nos meses iniciais de vida, apontam para um sofrimento e é importante que seja acudida a tempo. Mas este texto nasceu para pensar em como o adulto também pode adoecer ao se fechar em seus medos e desejos. E quando Freud fala em amar, trata-se de um movimento amplo, de relação não apenas a dois, mas com todo o ambiente que nos circunda. O palco para essa dança é gigante. Trata-se de nossos vínculos com pessoas ou coisas que nos rodeiam, com o trabalho, com o planeta.

A tal da frustração atrapalha um bocado o baile. Muitas vezes, para evitar a dor de ter, sempre correndo o risco de perder (o que podemos até chamar de autopreservação), a escolha passa a ser habitar uma bolha – e imagine como esse lugar é sufocante, isolado e solitário. Não à toa, o adoecimento vem.

Ter prazer e dar prazer. Amar a si e amar o outro. Nossa vida psíquica floresce nessa dança, ora lá, ora cá, dando frutos que podem ser saboreados como o caldo de uma fruta suculenta que escorre pela boca. Amar é investir na possibilidade de trocas com um mundo totalmente inexplorado, como o encontro de dois planetas, e isso traz a chance de não repetirmos somente o que já “sabemos” e “entendemos” sobre o viver (ou seja, o que foi aprendido lá no comecinho da vida).

Então, assim como beber água, fazer atividades físicas, cuidar do sono e comer bem, amar é imprescindível para ficarmos saudáveis? Pois é, disso você não sabia.

Bora amar!

Luciene Godoy é psicanalista, pesquisadora e escritora

Valéria Belém é psicanalista e escritora

Para além do espelho

Mariana Cardoso é médica psiquiatra. CRM-GO 19753 | RQE 12832

Essa busca costuma ser apresentada como sinônimo de saúde e bem-estar. Na prática, porém, muitas vezes observamos o contrário: emagrecimento e hipertrofia a qualquer custo, rotinas de exercícios extenuantes e incompatíveis com a realidade da maioria das pessoas e uma pressão constante para alcançar resultados cada vez mais extremos.

No consultório, tenho observado um triste padrão de pacientes que passam a restringir a própria vida social para não interromper planos alimentares ou programas de treinamento. Em determinados casos, a aparência deixa de ser apenas um aspecto da identidade e passa a definir a própria existência.

As consequências emocionais desse processo são previsíveis. O cérebro humano não foi feito para funcionar permanentemente em estado de estresse, comparação e vigilância. Precisamos de lazer, descanso, menos rigidez e, sobretudo, desenvolver uma relação mais gentil conosco mesmos. Talvez por isso uma das maiores dificuldades atuais seja aceitar aquilo que acontece quando não dedicamos cada hora livre ao aperfeiçoamento da aparência: ter um corpo natural.

Nunca houve uma geração tão exposta à própria imagem e, ao mesmo tempo, tão distante de si mesma.

Vivemos uma era de exposição permanente. Pela primeira vez na história, milhões de pessoas observam, registram, editam e avaliam a própria aparência diariamente. O que poderia estimular autoconhecimento acabou alimentando um ciclo contínuo de comparação, cobrança e insatisfação.

Também nunca se falou tanto em saúde mental. Ainda assim, assistimos ao crescimento de comportamentos que produzem exatamente o contrário: sofrimento psíquico em nome da busca por uma perfeição que não existe.

Às vezes me pergunto se não estamos vivendo uma espécie de delírio coletivo. Faço aqui uma referência livre ao conceito psiquiátrico de folie à deux, quando uma pessoa transmite suas crenças delirantes a outra. Evidentemente, trata-se de uma metáfora. Mas ela ajuda a refletir sobre o quanto passamos a aceitar, sem questionamento, tudo o que vemos nas redes sociais, inclusive padrões corporais inalcançáveis.

Sabemos racionalmente que o corpo perfeito não existe. O problema é que nosso cérebro não processa apenas argumentos; ele responde aos estímulos aos quais está constantemente exposto. E hoje somos bombardeados por imagens de corpos fotografados sob condições ideais, editados por filtros e aperfeiçoados por recursos digitais.

Vivemos uma época em que o natural parece causar desconforto. Uma pele sem maquiagem, marcas da idade, pequenas assimetrias ou um percentual de gordura compatível com a vida real passaram a ser vistos quase como falhas. Quem não adere a essa lógica muitas vezes sente que está à margem de um padrão social cada vez mais rígido.

Nesse contexto, aparência física, sucesso profissional e realização pessoal acabam sendo frequentemente associados. Curtidas, seguidores e métricas de engajamento reforçam a ideia de que a imagem se transformou em uma espécie de moeda social.

Foi assim que o corpo deixou de ser apenas parte de quem somos para se tornar um projeto permanente: sempre insuficiente, exigindo mais músculos, menos gordura e mais simetria.

A comparação incessante alimenta esse mecanismo. As redes sociais exibem versões cuidadosamente selecionadas da vida alheia, raramente revelando seus bastidores. Enquanto isso, surgem consequências cada vez mais visíveis: dietas restritivas que evoluem para quadros graves de compulsão alimentar ou anorexia, além da busca incessante por procedimentos estéticos que, em alguns casos, agravam quadros como o Transtorno Dismórfico Corporal.

Talvez o grande desafio do nosso tempo seja reconstruir uma relação mais equilibrada com o próprio corpo. Isso não significa abandonar os cuidados com a saúde, mas lembrar algo fundamental: corpos não foram feitos para atender expectativas irreais. Foram feitos para viver.

O valor de uma pessoa jamais deveria ser medido pelo número na balança, pelos centímetros da fita métrica ou pela aprovação obtida em uma tela.

A anatomia do não dito

Nas engrenagens do afeto, essa burocratização atinge contornos de uma auditoria quase fiscal. O flerte moderno perdeu o direito à sinuosidade, transformado em uma sabatina prévia de recursos humanos. As pessoas encontram-se munidas de um portfólio de si mesmas, prontas para justificar cada idiossincrasia com um diagnóstico psicológico da moda ou um determinismo astrológico conveniente. Aboliu-se o imponderável do magnetismo. Ninguém mais quer se perder no labirinto do outro; exigem o mapa com coordenadas de GPS antes mesmo do primeiro brinde, como se o amor fosse um investimento de baixo risco sujeito a recall. Essa pressa em decodificar o parceiro eliminou o delicioso tempo de maturação da dúvida, aquele espaço sagrado onde o coração tateia no escuro e a imaginação trabalha horas extras. O resultado é uma profusão de acoplamentos perfeitos, contratos emocionais milimetricamente blindados e existências profundamente anestesiadas pelo excesso de compatibilidade, onde os amantes já nascem arqueológicos, sabendo tudo uns dos outros sem nunca terem de fato se descoberto.

Tenho desenvolvido uma persistente alergia a tudo que se apresenta com manual de instrução, sobretudo a alma humana. O mundo contemporâneo, acometido por um surto de higienismo mental, decidiu decretar a obsolescência da entrelinha. Estamos vivendo a era da gourmetização do óbvio, onde as interações sociais foram reduzidas a um cardápio autoexplicativo, pasteurizado, sem gordura e transbordante de certezas enfadonhas. Onde antes habitava o mistério do indizível, hoje repousa uma bula farmacêutica explicando, miligrama por miligrama, como se deve sentir, reagir e, horror dos horrores, tuitar.

Essa assepsia semântica assassinou a nossa capacidade de síncope. O sujeito contemporâneo sofre de uma espécie de hipermetropia cognitiva: enxerga o horizonte das grandes causas globais em telas de cristal líquido, mas tropeça na primeira sutil ironia que cruza o tapete da sua sala. A ironia, essa aristocrata do intelecto, virou mercadoria de contrabando. Se você desvia um milímetro do tom professoral em um jantar, o ambiente congela em um torpor analítico. O interlocutor, desprovido do músculo da desconfiança, reage com o pânico de quem depara com uma equação de terceiro grau. Falta-nos a elegância do benefício da dúvida.

O espaço público converteu-se em um imenso tribunal de pequenas causas linguísticas. As redes sociais operam como usinas de triturar nuances, onde o pensamento complexo é sumariamente executado em praça pública pela guilhotina do algoritmo de engajamento imediato. Criou-se a figura patética do “explicador de piadas”, o sujeito que necessita de legendas heráldicas para compreender que a realidade é intrinsecamente paradoxal. Esquecemos que o verdadeiro refinamento de uma civilização não se mede pela quantidade de dados que ela processa, mas pela espessura daquilo que ela consegue ler sem que precise ser soletrado.

Como esteta, recuso-me a assinar esse pacto de mediocridade uníssona. Prefiro a nobreza do desalinhamento, o espetáculo da incongruência viva. Há mais verdade na imperfeição de um detalhe esquecido do que na opulência de um monumento impecável. O pensamento precisa de fricção, de rugosidade, de um ponto de fuga que escape à geometria rígida das conveniências do momento. Uma vida sem o duplo sentido é como uma galeria de arte iluminada por luz neon de escritório: expõe tudo, mas desidrata a poesia do claro-escuro.

Que os guardiões da nova ordem continuem, portanto, catalogando suas vidas em planilhas impecáveis e emitindo seus editais de bom comportamento. De minha parte, sigo exercendo o direito sagrado à perplexidade e ao descompasso lírico. Afinal, quando a cortina deste imenso teatro burocrático finalmente baixar, a história não se lembrará dos que sabiam de cor o roteiro, mas daqueles que tiveram a audácia de improvisar na brecha do silêncio.

Sandro Tôrres é Mestre em História

VERDE E AMARELO REVISITADOS

OBrasil está na moda — e talvez nunca tenha deixado de estar. Com a proximidade da Copa do Mundo de 2026, o verde, o amarelo e o azul reaparecem em coleções, acessórios e collabs que resgatam símbolos tradicionalmente ligados ao futebol e os deslocam para um território mais urbano, sofisticado e contemporâneo. A camisa da seleção, os uniformes retrô e referências de arquibancada deixam o contexto esportivo para ocupar editoriais, passarelas e produções de street style. Se antes o Brazilcore surgia como tendência impulsionada pelas redes sociais, agora ganha uma leitura menos caricata e mais refinada. Há um resgate direto da estética esportiva dos anos 1990 e 2000, misturada à cultura pop, ao streetwear e à moda de luxo em produções que unem alfaiataria, beachwear, joias e modelagens oversized. Mais do que vestir as cores da bandeira, a moda revisita a identidade visual brasileira de forma menos literal — e muito mais desejável. Aqui, uma seleção de itens para entrar no clima!

Polo Brahma x Foxton
Riachuelo + Piet
Maillot Regata Viés Copa – Salinas
Relógio Copacabana - Terranova
Boné e polo Guaraná Original para Renner
Fotos: Divulgação
Polo Tricot Oversized - Oriba
Anabela BananeiraLe Borô
Vestido Tuca TropicalFarm Rio
Bermuda BRS2 Dendezeiro
Calça e top Espírito Brasileiro - PatBO
Adidas Gazelle Indoor Fifa World Cup 2026
Bolsa Galia Long Bag Nannacay
Bolsa Maxi Chanel Coco Beach 2026
Earcuff A.Damous para Glória Coelho
Camiseta Calma Brasil

TrendZELO

Peças de herança

Fotos: Divulgação

Existe uma diferença entre comprar roupa e investir em peça. O inverno 2026 me lembrou disso com clareza: os bordados intrincados da Dior, os jacquards Valentino, os detalhes em contas que transformam uma jaqueta num objeto de desejo com prazo de validade infinito. A pergunta que passei a me fazer antes de qualquer compra: minha filha vai querer isso daqui a 20 anos? Se a resposta for sim, é peça de herança. Se for não, talvez seja só impulso.

Transparência

Transparência mal executada vira vulgaridade rapidinho, e a moda já cometeu esse erro antes. O que a Prada fez nesta temporada foi diferente: camadas de materiais translúcidos que criam janelas estratégicas, revelando o look de dentro sem entregá-lo de uma vez. PVC sobre mesh estruturado, véu sobre cetim. É um jogo de mostrar e esconder que tem muito mais a ver com sofisticação do que com exposição. Tom Ford, como sempre, também entendeu o recado.

Frivolidade sem freios

Nem tudo precisa ser cotidiano. Às vezes a moda existe para fazer uma entrada, e ponto. Os babados escultóricos da Maison Valentino, as rendas em camadas da Chanel e os drapeados arquitetônicos da Dior desta temporada não são roupas para transitar, mas sim declarações. Peças que exigem horas de trabalho manual só para existirem. Há algo muito honesto nisso: o luxo visível que não finge ser outra coisa.

Minimalismo

Tem uma arrogância bonita no minimalismo bem-feito. Uma camisa de poplin impecável, uma saia lápis em linho sem uma dobra fora do lugar, um casaco em cashmere duplo lavado que custa o que custa porque merece custar. Alaïa e Calvin Klein, por exemplo, não estão te vendendo menos, estão te vendendo o suficiente. E nessa temporada, o suficiente parece o máximo.

Animal

A moda tem esse poder de transportar, e o animalístico do inverno 2026 leva isso ao limite. Schiaparelli e Calvin Klein apostam em texturas brutas, detalhes que remetem ao selvagem, peças que parecem ter vida própria. É escapismo puro: a roupa como portal para fora da realidade cotidiana. Não é sobre combinar com nada, mas sentir que você pertence a outro lugar.

Karol Menezes é influenciadora digital de moda, beleza e lifestyle, conectando marcas a um público feminino que valoriza estética, qualidade e experiências autênticas

Sofisticado

18—19

Saint Laurent não ressuscitou o Le Smoking nesta temporada, afinal ele nunca morreu. O que a Maison fez foi lembrar ao mundo por que essa jaqueta de lapelas de cetim, usada sem camisa por baixo, ainda é o item mais poderoso que uma mulher pode vestir numa sala. Khaite acrescentou gravatas- borboleta e cummerbunds e fez a coisa parecer nova sem deixar de parecer clássica. O tuxedo feminino como uniforme de poder continua sendo uma das ideias mais bem-resolvidas da moda.

Roxo regal

Do ameixa profundo ao violeta vibrante, o roxo aparece como uma das cores mais presentes da temporada. Mugler explora tons intensos em produções monocromáticas de impacto, enquanto Chloé trabalha versões mais suaves e fluidas. A tonalidade surge tanto em peças de alfaiataria quanto em vestidos e acessórios, frequentemente combinada a vermelho, vinho ou preto. O resultado transmite dramaticidade e sofisticação sem perder modernidade.

Couture para o dia a dia

A lógica do vestir cotidiano ganha acabamento de altacostura. Chanel, Celine e Dior propõem combinações que aproximam peças elaboradas da rotina, misturando bordados, brilhos e tecidos sofisticados a itens básicos e funcionais. Saias trabalhadas aparecem com camisetas simples; vestidos bordados surgem sob trench coats clássicos. A proposta equilibra impacto visual e praticidade, tornando o luxo menos distante e mais incorporado ao cotidiano.

Ajustado

O terno segue como uma das peças centrais do guardaroupa feminino, agora com foco ainda maior em modelagem e construção. Tom Ford aposta em versões de forte apelo sensual, enquanto The Row trabalha interpretações mais limpas e arquitetônicas. Ombros marcados, cinturas desenhadas e golas estruturadas atualizam a alfaiataria clássica sem perder versatilidade.

Foco na silhueta

Depois de temporadas dominadas por modelagens amplas, o inverno 2026 marca o retorno das roupas que acompanham o corpo de maneira mais precisa. Gucci, Marc Jacobs e Michael Rider investem em casacos acinturados, calças ajustadas e camisas de recorte mais rente à silhueta. A tendência recupera uma feminilidade mais marcada, sem abrir mão da estrutura contemporânea. O efeito é elegante e visualmente mais afiado.

ZELOIndica

REDAÇÃO redacao@revistazelo.com.br

Fotos: Divulgação

Fusão ítalo-goiana

O novo endereço gastronômico de Ian Baiocchi no Setor Marista aposta no encontro entre a tradição italiana e os sabores do Cerrado. O nip (“Not in Napoli”) surge sem a pretensão de reproduzir receitas clássicas, mas de reinterpretá-las a partir de ingredientes e referências locais. O resultado aparece em pratos como a macarronada de pequi com almôndegas de carne de lata, o cacio e pepe com queijo regional e pizzas que aproximam Itália e Goiás em combinações autorais.

Arte à mesa

As campanhas promocionais do Shopping Bougainville ganharam status de coleção. Criada pelo artista Wes Gama, a linha Passaredo leva para boleiras, bowls, pratos e travessas ilustrações inspiradas na fauna e flora brasileiras. As peças são distribuídas ao longo do ano mediante o acúmulo de notas fiscais das lojas participantes, cadastradas pelo aplicativo ou no Lounge de Trocas. O sucesso das edições anteriores transformou alguns itens em objetos disputados por colecionadores, motivo suficiente para não deixar o resgate para os últimos dias da campanha.

Terroir do Cerrado

A pouco mais de 150 km de Goiânia, a Vinícola São Patrício se tornou um dos principais destinos do enoturismo no Centro-Oeste e ajuda a projetar Goiás no mapa dos novos terroirs brasileiros. Instalada em Rianápolis, no Vale do São Patrício, a propriedade aposta na técnica da dupla poda, que transfere a colheita para o inverno e permite que as uvas amadureçam durante o período seco do ano, condição considerada estratégica para a produção de vinhos mais equilibrados e complexos. Nos vinhedos, variedades como Syrah, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Marselan, Chenin Blanc e Viognier dão origem a rótulos que carregam referências à fauna regional, reforçando a identidade do projeto. Além da produção, a experiência turística inclui passeios pelos vinhedos, visitas à área de vinificação e degustações guiadas pela enóloga Bárbara Marques. Com paisagens que contrastam fileiras de videiras e a vegetação nativa, a vinícola tem atraído visitantes interessados em gastronomia, turismo rural e no crescimento da cultura do vinho produzida em solo goiano.

Sob a curadoria da redação da Zelo, confira lançamentos, tendências e descobertas que merecem entrar no seu radar.

Bastidores do poder

Para quem aprecia história política, a nova edição de Os Inquilinos da Casa Verde reúne relatos, imagens e episódios pouco conhecidos dos governos goianos. Atualizado pelos jornalistas Bruno Rocha e Ana Cláudia Rocha a partir da obra original de Hélio Rocha, o livro revisita diferentes períodos da administração estadual por meio de entrevistas e registros ligados ao Palácio das Esmeraldas. A terceira edição amplia o conteúdo e oferece um panorama das transformações políticas de Goiás ao longo das últimas décadas.

Do grão à barra

Com produção artesanal, a C'alma Chocolate acompanha todas as etapas de elaboração de seus produtos, da seleção dos ingredientes ao acabamento final. A marca goiana aposta em combinações que unem sabores sofisticados a ingredientes do Cerrado, como cagaita, baru e cajá. Entre os destaques está a barra inspirada no tradicional Pastelinho de Goiás. O cardápio também ganha uma novidade: chocolate branco com morango e pimenta. Além da linha permanente, a chocolateria desenvolve kits personalizados e presentes corporativos sob medida para eventos e ocasiões especiais.

Sofisticação discreta

Couro, linhas limpas e acabamento artesanal definem a proposta da Casa Jacob. A marca goiana reúne bandejas, organizadores, jogos americanos e outros objetos utilitários que combinam funcionalidade, durabilidade e uma estética atemporal. À frente da criação está Ana Núbia Jacob, fundadora e diretora criativa da etiqueta, que transita entre design, arquitetura e cultura material em peças pensadas para atravessar tendências e acompanhar diferentes estilos de morar.

Natureza lapidada

Inspirada nas formas orgânicas do flamboyant, a coleção Florescer, da Moya Joias, traduz a natureza em peças de ouro 18k. Chokers, brincos, anéis e braceletes destacam o brilho dos diamantes brancos em desenhos que exploram leveza e movimento. O lançamento marca uma nova fase da joalheria ao combinar técnicas tradicionais com uma linguagem contemporânea.

Fotografia por Fabrício Cardoso Styling por Adriana Forti Beleza por Casa L’Être
Agradecimentos à CasaCor Goiás

perfil

A hora das irmãs Lobo

À frente da Vero Festas, Tana e Cristal Lobo consolidaram uma trajetória que ultrapassa as fronteiras de Goiás. À Zelo, a dupla fala sobre trabalho, família e a construção de uma carreira em parceria

Nomes à frente da Vero Festas, as irmãs e empresárias Cristal e Tana Lobo se tornaram referências na produção de eventos por sua capacidade de aliar estratégia e sensibilidade, além da hospitalidade brasileira e do jeito goiano de receber, para transformar celebrações em experiências. Com uma rotina intensa de trabalho, as profissionais chegam a realizar mais de 300 festas em um ano. “As pessoas nos procuram em busca de algo que vai ficar registrado para sempre. São momentos únicos, memória, legado. Esse é o nosso compromisso”, afirmam.

A trajetória das irmãs sempre esteve atrelada ao universo da criatividade, do empreendedorismo, do lifestyle e da alta sociedade goianiense. Filhas da chef de cozinha e empresária Liliane Lobo, Tana e Cristal foram criadas em meio aos eventos que a mãe capitaneia com seu buffet, um dos mais tradicionais da gastronomia local. Elas cresceram aprendendo que suas personalidades e repertórios nunca foram distintos, mas complementares. E quando assumiram a Vero, esse se tornou o ponto alto da sinergia entre as duas.

“Nós éramos muito novas quando a minha mãe começou, tínhamos cinco e seis anos. Então, desde pequenas nós queríamos ajudar na cozinha do buffet. A gente se divertia preparando tábuas de frios, montando arranjos de flores. Ao mesmo tempo em que era uma brincadeira, isso já nos mostrava o valor do trabalho. Nossa mãe foi muito visionária e esse exemplo ficou marcado em nós", relembra Tana. “Crescemos sócias, não teve outro jeito”, se diverte Cristal.

“Nós temos personalidades diferentes, mas valores e objetivos semelhantes, então conseguimos construir uma intimidade natural e uma maturidade realmente sinérgica. Temos uma equipe que nos auxilia a tornar possível até sete eventos em um mesmo final de semana, por exemplo. Sem demagogia ou falsa modéstia, nós nos orgulhamos de trazer inovações para o mercado”, afirmam.

Sobre dar conta de tudo, elas asseguram que o segredo é o trabalho em equipe. “Um time unido, com o mesmo foco e uma cultura bem estabelecida, faz tudo fluir”, dizem. A dupla conta que a Vero tem hoje cerca de 90 colaboradores. “Em um final de semana, chegamos a 200 pessoas trabalhando", complementam.

Mas suas referências e inspirações raramente vêm de eventos. “Nos inspiramos em viagens, hotéis, museus, lojas. A moda está muito ligada ao nosso universo”, revela Tana. E foi esse olhar atento ao mundo que as levou ao mercado internacional. “O brasileiro tem uma linha de eventos muito característica, gostamos de receber bem e investimos nisso. Lá fora, os costumes são diferentes, então as pessoas ficam impressionadas com a magnitude do nosso trabalho, com o nível de cuidado e detalhes. É um borogodó que a gente carrega”, brinca Cristal.

A dupla conquistou ainda mais visibilidade ao integrar o elenco do reality show Poderosas do Cerrado, da Globoplay. “Inicialmente, sentimos certo receio. Nós já tínhamos um trabalho sólido, reconhecimento e um público fiel, então pensamos bastante antes de aceitar. Nosso único pedido foi por fidelidade. Pessoas que conheciam nosso trabalho puderam nos conhecer também como pessoas. O alcance fora de Goiânia foi enorme e ampliou a nossa conexão com outros públicos”, contam.

As irmãs estreiam a capa e o editorial desta edição da Zelo, fotografadas no ambiente “O que Sustenta o Futuro”, assinado por elas para a CasaCor Goiás 2026. O espaço propõe uma experiência sensorial que conduz o visitante da agitação cotidiana à introspecção, tendo uma árvore-coração vermelha como elemento central. “Nós quisemos propor algo impactante, fugir do óbvio. Então, partimos do tema desta edição da mostra, ‘Mente e Coração’, e com o nosso toque. Quisemos criar algo que perdure de alguma forma, desperte os sentidos e que represente refúgio, aconchego, identidade e memória”, dizem.

Nunca entregar apenas o trivial é algo intrínseco às duas. “Até tomar um cafezinho durante o primeiro bate-papo com o cliente a gente transforma em experiência. Isso é para entendermos quem é aquela pessoa, o que ela gosta e o que deseja. Essa é a nossa forma de garantir assinatura e não entregar só um produto. Afinal, um bom produto muita gente oferece, nós procuramos ir além. O que podemos oferecer a mais? Esse é sempre o nosso ponto de partida”, concordam.

Assim, as irmãs Lobo seguem ampliando a atuação da Vero Festas e consolidando uma trajetória pautada em experiências que marcam a memória de seus clientes.

determinação

Sertões de Leonora

Da articulação institucional à presidência executiva, Leonora Guedes construiu uma trajetória que acompanha a transformação do Sertões ao longo das últimas duas décadas

À frente do maior rali das Américas e um dos maiores do mundo, executiva goiana desponta como liderança responsável por elevar evento a experiência turística

Lucas Pereira

Única mulher entre os oito sócios e atualmente CEO do Rally dos Sertões, a empresária goiana Leonora Guedes revolucionou o projeto. “Entendo que carrego a responsabilidade de abrir caminhos para outras mulheres em lideranças em setores historicamente masculinos. Olhando para trás, vejo que cada etapa, da articulação pública à gestão executiva, foi essencial para consolidar o Sertões como uma plataforma de negócios,

esporte e impacto real para o Brasil”, diz. E sua relação com o Sertões começou em 2002, quando o rali largou pela primeira vez de Goiânia. “Eu era estagiária na Secretaria de Turismo do Estado de Goiás, e o governo goiano era um grande parceiro do evento. Foi essa boa relação com o poder público que possibilitou que a capital goiana se tornasse a cidade que mais recebeu largadas da prova; este ano será a 18ª em 34 edições”, conta.

Foto: Duda Bairros

E a estrada que a levou ao posto atual foi percorrida com dedicação. Até 2006, na Secretaria de Turismo, ela participou de toda articulação da estrutura estadual do Sertões em Goiás; em 2007, mudou-se para Brasília para fazer um mestrado em Turismo, sua área de formação. A partir daí, prestou consultorias para o evento, sobretudo na prospecção de cidades para largadas e chegadas. Em 2018, foi convidada a atuar com exclusividade para o Sertões e mudou-se para São Paulo. Menos de um ano depois, a empresa foi vendida e ela foi a única da antiga gestão a permanecer, tornando-se COO. Em 2021, virou sócia e, em 2024, assumiu a posição de CEO.

Leonora brinca que o Sertões é uma operação de guerra, no melhor sentido. “É uma estrutura altamente profissional, construída em cima de segurança e de previsibilidade em um cenário que, por natureza, tem pouco de ambas. Somos uma equipe em torno de 30 pessoas que salta para cerca de 350 durante o evento. Não existe universidade que ensine a administrar uma operação dessa escala. É preciso sabedoria para lidar com imprevistos”, afirma.

Logística de caravana

De acordo com ela, organizar uma caravana dessa magnitude exige gerenciamento desde a interdição de vias até a comunicação com órgãos públicos e a adaptação às leis de trânsito. “Os desafios começam pelo trajeto de 4 mil quilômetros em oito dias por áreas remotas e vias não pavimentadas. A operação exige interditar caminhos e posicionar equipes técnicas para impedir acessos enquanto os veículos transitam em alta velocidade. Isso envolve desde avisar prefeituras sobre rotas escolares e solicitar autorizações ao ICMBio para trechos próximos a parques nacionais até criar zonas de radar para redução de velocidade. Nas rodovias, o alinhamento com a Polícia Rodoviária Federal é essencial para a circulação de veículos não emplacados, enquanto nas áreas urbanas a legislação de trânsito é seguida rigorosamente”, diz.

Impacto econômico

No centro do Rally dos Sertões está a relação entre as cidadessede e o seu impacto econômico. “Movimentar a economia local é uma das nossas premissas, por isso incentivamos as equipes a comprarem tudo o que precisam nos destinos. Estamos falando de uma caravana de aproximadamente 2.500 pessoas que, ao chegar, utiliza toda a cadeia produtiva do turismo. Esse movimento garante que o evento deixe um legado financeiro real em cada parada”, diz.

Sobre o processo, ela explica que a seleção das cidades começa pela largada e chegada, e acontece com até dois anos de antecedência. “As tratativas são extensas porque esses pontos precisam fazer sentido técnico, algo desafiador em um país de dimensões continentais. A cada ano, a busca por roteiros fica mais complexa. Priorizamos áreas menos populosas ou regiões de fazendas para garantir a segurança da prova e reduzir o impacto nas comunidades. Definidas partida e chegada, traçamos as cidades intermediárias em um recorte geográfico de cerca de 4 mil quilômetros. Essas sedes precisam atender a critérios objetivos, começando pela infraestrutura hoteleira”, esclarece.

“Quando se chega a uma posição de liderança nesse universo, sendo mulher, é preciso lidar com a necessidade frequente de reafirmar autoridade técnica.”

(Leonora Guedes)

Ela comenta que, diante dessa escala, uma estrutura de resgate é montada com dois helicópteros de UTI aérea, uma carreta médica para primeiros-socorros, ambulâncias 4x4 e uma equipe médica robusta. “Há ainda limitações que determinam a janela operacional. Os helicópteros só voam durante o dia e não podem operar sob chuva. Por isso a prova acontece entre 7h e 17h30. Os deslocamentos podem ocorrer à noite, mas a competição em si fica restrita à janela diurna”, esclarece.

Instituto Sertões

Leonora comenta que, desde as primeiras edições, já existiam iniciativas sociais, que foram se fortalecendo e, assim, surgiu o Instituto Sertões, em 2022. “Hoje temos um portfólio de ações sociais e ambientais que cumprem a missão de deixar um legado nas cidades por onde passamos”, garante. Por meio do Saúde e Alegria no Sertões, por exemplo, o rali leva atendimento médico especializado e gratuito, sempre alinhado às necessidades da região e mapeado com antecedência, junto à Secretaria de Saúde do Estado.

“Com o projeto de oftalmopediatria, atendemos crianças geralmente vinculadas à rede pública de ensino. Na educação, temos uma parceria forte com o Instituto Brasil Solidário, com um projeto de educação financeira nas escolas. Temos ainda o Carência Menstrual, voltado a mulheres em situação de vulnerabilidade; o Antes que Aconteça, também focado no público feminino; e iniciativas de horta pedagógica, conscientização e educação ambiental. Tudo com um olhar atento às principais demandas e dores do que chamamos de ‘Brasil profundo’”, afirma.

Liderança feminina

Sobre o seu destaque em um ambiente historicamente masculino, Leonora tem um olhar analítico. “Quando se chega a uma posição de liderança nesse universo, sendo mulher, é preciso lidar com o olhar de surpresa em algumas reuniões, a necessidade frequente de reafirmar autoridade técnica, a sensação de ter que provar competência onde, para um homem, a competência seria presumida. Por outro lado, vejo isso muito mais como motor do que como barreira. Uma liderança feminina traz diferenciais importantes: escuta mais ativa, leitura mais sensível de cenários, preocupação genuína com o cuidado, o atleta, a equipe, os parceiros, as comunidades e a experiência de quem vive o evento. No Sertões, isso se traduz além da pista: na hospitalidade, segurança, comunicação e legado social”, enfatiza. Ela ainda é uma forte incentivadora do aumento de mulheres no setor. “Temos cada vez mais mulheres pilotando, navegando, integrando equipes técnicas, em cargos de gestão e liderança. No próprio Sertões, o número de competidoras vem crescendo, e isso é fruto de um trabalho consistente de criar um ambiente acolhedor, seguro e que valorize a participação feminina. A presença feminina deixou de ser exceção para se tornar parte estrutural desse universo, e isso torna o esporte mais plural, inclusivo, inovador e, sem dúvida, mais forte.”

Turismo de experiência

Nesse sentido, Leonora comenta que as perspectivas para o futuro são diversas. “Nossa principal frente é a expansão do ecossistema de produtos e experiências que orbitam o evento. O público que se aproxima do Sertões hoje não busca apenas uma competição, mas um estilo de vida. Por isso, posicionamos a marca de forma muito clara dentro do turismo de experiência. Há ainda o legado territorial: estamos nos posicionando como um vetor de desenvolvimento para as cidades por onde passamos. Em resumo, eu vejo o Sertões se tornando uma marca lifestyle de referência no universo do endurance e da aventura no Brasil”, conclui.

“Entendo que carrego a responsabilidade de abrir caminhos para outras mulheres”, afirma Leonora Guedes, CEO do Rally dos Sertões e única mulher entre os sócios da organização

Foto: Duda Bairros

ASTERO MOTTA astero@revistazelo.com.br

Nova geração

Velocidade em dose dupla

Outubro será movimentado para os fãs de automobilismo. O Autódromo Internacional Ayrton Senna recebe duas das principais competições da Porsche Cup Brasil C6 Bank. No dia 3, acontece a segunda etapa do Porsche C6 Bank Endurance Challenge Brasil. Uma semana depois, em 10 e 11 de outubro, o circuito recebe as provas da Porsche C6 Bank Sprint Challenge Brasil e da Porsche Sprint Trophy Brasil, reunindo diferentes gerações de pilotos e modelos da marca alemã.

A Nascar Brasil Series desembarca em Goiânia nos dias 22 e 23 de agosto para a sexta etapa da temporada 2026. Além da disputa nas pistas, o campeonato marca a chegada dos carros RiSE26, nova geração desenvolvida para elevar os padrões de desempenho, segurança e tecnologia da categoria. Ao longo do ano, a competição percorre diferentes circuitos do País em um calendário composto por nove etapas e 20 corridas.

No radar da Indy

Rumo à Europa

Aos 15 anos, Alexandre Louza já começa a construir uma trajetória que ultrapassa as fronteiras do automobilismo nacional. Em 2026, o piloto goiano acumulou participações na Fórmula 1600, Fórmula Inter, Fórmula Delta e Campeonato Gaúcho de Endurance, além de estrear na F4 Brasil, principal categoria de formação vinculada à FIA no País. O desempenho abriu caminho para sua entrada no F4 CEZ Championship, disputado em circuitos da Europa Central e considerado um dos degraus rumo às principais categorias do esporte.

A possibilidade de ver a Fórmula Indy novamente em Goiânia ganhou força nos últimos meses.

A Penske Entertainment iniciou estudos para incluir o Autódromo Internacional Ayrton Senna no calendário da categoria a partir de 2027 e enviou ao Brasil uma comitiva liderada pelo CEO Mark Miles para avaliar as condições do circuito. A visita incluiu inspeções técnicas da pista, da infraestrutura operacional e das melhorias recentes realizadas no complexo esportivo, etapa que integra o processo de análise para futuras corridas internacionais.

Estreia eletrificada

A BYD escolheu Goiânia para apresentar ao mercado brasileiro o Sealion 7, primeiro SUV cupê da marca no Brasil. O lançamento amplia a presença da fabricante chinesa no segmento premium ao combinar desenho esportivo, tecnologia embarcada e motorização elétrica. A apresentação ocorreu no Autódromo Internacional Ayrton Senna, cenário escolhido para reforçar o posicionamento da empresa em um momento de expansão da marca no mercado nacional.

Fotos: Divulgação

Embaixadora do agro

Empresária e influenciadora, Georgia Adriano se tornou um dos principais nomes do lifestyle western no Brasil ao conectar o universo dos cavalos ao mercado de luxo contemporâneo em uma assinatura marcada por autenticidade e tradição

Lucas Pereira
Foto: João Carlos poder

Advogada e administradora por formação, empresária, entusiasta da moda e influenciadora digital, Georgia Adriano é casada com o empresário Fabrício Batista e, juntos, são responsáveis pelo sucesso do JBJ Ranch e Família Quartista Weekend, evento que se consolidou como o maior leilão de cavalos Quarto de Milha do mundo, tendo batido o faturamento recorde de R$ 257 milhões este ano, na sua 5ª edição. Georgia recebeu a equipe da Zelo em sua casa, em um condomínio de luxo em Goiânia, para uma conversa exclusiva sobre sua trajetória, o universo dos cavalos, sua conexão com o campo, a força da mulher no agro, negócios, família e lifestyle.

Atualmente, Georgia é o grande nome do agro couture, movimento que tem difundido a ligação entre as tradições do campo e o mercado de luxo contemporâneo. Apaixonada pela estética western, ela tem expandido para todo o País a identidade desse estilo, que sempre fez parte da sua essência. Nascida em Uberaba, Minas Gerais, ela conta que cresceu na fazenda, onde o pai mantinha um haras dedicado à criação de cavalos Mangalarga, até se mudar para Goiânia com a mãe. “Quando eu conheci o Fabrício, foi como resgatar esse mundo que tinha sido parte da minha vida. Foi muito natural quando começamos com o projeto, foi realmente um hobby que virou um negócio.”

Leilão da Família

“O JBJ Ranch, na verdade, começou despretensiosamente, em um leilão de um casal de amigos onde o Fabrício adquiriu a sua primeira égua. Aos poucos, ele comprou mais animais e o haras foi crescendo. Depois de um ano, ele decidiu fazer um leilão e eu tomei frente da organização do evento. Foi um match perfeito”, brinca. Criado oficialmente em 2021, o projeto surgiu com o objetivo de impulsionar a indústria dos cavalos de elite. Para Georgia, a iniciativa cresceu de maneira orgânica. “Nós começamos com a expectativa de fazer o melhoramento genético da tropa de cavalos. Fomos ampliando o investimento na festa e tivemos feedbacks muito positivos. O público foi aumentando gradativamente e hoje já conseguimos estabelecer o leilão como uma tradição”, comenta.

Em poucos anos, o JBJ Ranch estruturou uma robusta base genética no Brasil e nos Estados Unidos, incluindo operação própria no Texas, principal polo global da raça Quarto de Milha, o que ampliou o acesso a linhagens, mercados e oportunidades.

“Para a edição deste ano, além do investimento genético, quisemos proporcionar uma imersão completa no mundo do western, uma tendência de moda inspirada no Velho Oeste americano, que traz elementos rústicos e sofisticados. Então, toda a decoração foi inspirada em Fort Worth, cidade no Texas considerada o berço desse estilo”, afirma Georgia.

Western contemporâneo

Com olhar empreendedor, Georgia Adriano passou a aproximar o agro do universo da moda e do lifestyle ao compartilhar nas redes sociais aspectos de sua rotina ligada ao campo. O movimento resultou em colaborações com as marcas Paula Torres e Patrícia Vieira, apresentadas durante a última edição do Família Quartista Weekend. Com Paula Torres, assinou a bota Georgia. O modelo revisita referências western em uma leitura contemporânea. “É a peça central da colaboração. Em couro e uma construção estruturada, o modelo atualiza o western com linhas limpas e proporções equilibradas, com paleta em tons terrosos e toques metálicos”, conta. Já a parceria com Patrícia Vieira reúne vestidos, saias, jaquetas e trench coats inspirados no boho chic e em elementos do estilo country, como franjas, couro e tons terrosos.

Inspiração feminina

Georgia revela que interage com seguidoras de Norte a Sul do Brasil. “Elas compartilham histórias, hobbies, viagens, projetos. Me sinto realizada por poder ampliar o interesse por essa cultura tão rica.” E nesse sentido, ela afirma perceber o aumento da presença feminina em um universo majoritariamente masculino. “Quando se pensa no agronegócio, existe um senso comum de que os homens predominam. Mas até pelo exemplo da minha mãe, que precisou tomar frente dos negócios após ficar viúva, eu vejo que cada vez mais mulheres têm se interessado e se envolvido com o segmento. Quando se tem abertura e oportunidades, esse movimento ganha mais força. E é bonito poder estimular essa paixão”, diz. Georgia, inclusive, adianta que já tem o projeto de um evento voltado para o público feminino na fazenda da família, previsto para o ano que vem. “Eu tenho me empenhado em conectar as mulheres nesse meio, seja através da moda, dos cavalos, das redes sociais ou da inspiração familiar”, afirma.

Essência familiar

Georgia é mãe de três filhos – duas meninas e um menino, de seis, três e um ano –, que ela faz questão de levar todos os dias para a escola pela manhã. “A prioridade são eles sempre”, enfatiza. Entre a rotina dos negócios e os compromissos profissionais, ela busca equilibrar o tempo dedicado à família, aos momentos em casa e na fazenda, onde os filhos têm contato próximo com a natureza, os animais e a vida no campo. “O desafio é balancear tudo, mas, com cuidado e dedicação, tudo vai dando certo”, afirma. Georgia também diz gostar de montar arranjos de flores em casa, hábito que costuma compartilhar com as filhas. Para ela, a relação com o universo rural representa um resgate das próprias origens. “Eu acho que aquela Georgia criança, que já gostava dos cavalos e de pescar, se sentiria orgulhosa de ver que eu mantive as minhas raízes”, diz.

PULSÃO DE VIDA

OExposição Expressões, na Vila Cultural Cora Coralina, reúne mais de 100 obras do artista goiano e percorre seis décadas de uma produção marcada por memória política, crítica social e questões humanas

Júnior Bueno

poeta Ferreira Gullar escreveu certa vez que “a ligação com a vida é um traço da própria personalidade de Siron”. Esta frase sintetiza com precisão a trajetória de Siron Franco, artista goiano que transformou a pintura em denúncia e intervenção sobre o seu tempo. Em Expressões, exposição em cartaz na Vila Cultural Cora Coralina até 6 de julho, essa dimensão aparece com força: mais de 100 obras percorrem diferentes fases de uma carreira construída a partir das feridas políticas, sociais e humanas do Brasil.

A mostra reúne principalmente trabalhos produzidos entre as décadas de 1960 e 1980 –período decisivo na formação estética e política do artista –, mas também avança até obras recentes, criando uma travessia que conecta mais de seis décadas de produção. Entre pinturas, desenhos e instalações, é possível observar uma obra profundamente atravessada pela história brasileira: ditadura militar, desigualdade, feminicídio, intolerância e o trauma do acidente radiológico com o Césio-137 aparecem como elementos recorrentes de sua produção.

“Estou muito feliz porque sempre quis fazer uma grande exposição em Goiânia e isso ainda não tinha acontecido”, afirma Siron. “Essa mostra percorre uma trajetória muito longa da minha vida e do meu trabalho. Ela começa em 1961, quando eu tinha 14 anos, e chega até Os Imigrantes, obra que produzi no ano passado.” Para o artista, revisitar essa trajetória provoca sentimentos contraditórios: “Fico feliz de revisitar essa trajetória, mas também me entristece perceber que muitos dos temas que abordei há décadas continuam extremamente atuais no Brasil. Questões sociais, políticas e humanas permanecem acontecendo diante dos nossos olhos.”

A relação entre arte e política atravessa toda a exposição. Há um núcleo dedicado aos anos de chumbo, especialmente a partir de 1968, período em que Siron produziu obras marcadas por figuras deformadas, atmosferas sombrias e símbolos de autoridade. “Estão ali as relações entre o Exército, os militares, a igreja e as estruturas de poder, temas que marcaram profundamente minha produção naquele período”, explica o artista.

Fotos: João Carlos
trajetória

Em destaque, as obras Pôr do sol em Brasília (1984); Cachorro Premiado (1978) e Série Semelhantes (1980)

Idealizador da mostra, Leopoldo Veiga Jardim afirma que o recorte curatorial foi construído justamente a partir dessa dimensão histórica da obra do artista. “Siron é um artista que transforma memória em linguagem visual”, diz. “A exposição foi organizada de maneira a permitir que o visitante atravessasse diferentes momentos históricos por meio da arte.”

Segundo Leopoldo, o objetivo era construir uma experiência de imersão emocional e política. “Não queríamos apenas apresentar obras importantes do ponto de vista artístico, mas criar um percurso capaz de provocar sensações, memórias e questionamentos”, . Entre os conjuntos mais impactantes está o dedicado ao Césio-137, episódio que marcou definitivamente Goiás e também a trajetória pessoal do artista, que viveu no Bairro Popular, em Goiânia, região diretamente afetada pelo acidente radioativo de 1987.

“Uma das questões mais comoventes desse conjunto é perceber como Siron incorporou a terra de Goiás em algumas dessas obras, justamente em um momento em que o Estado era visto com desconfiança pelo restante do País, como se tudo aqui estivesse contaminado”, revela Leopoldo. “Há um gesto profundamente simbólico nisso: transformar a dor coletiva em arte, memória e resistência.”

Outro núcleo importante aborda a violência contra a mulher por meio de dezenas de Madonas produzidas entre os

anos 1970 e 1980. As figuras religiosas aparecem ressignificadas em instalações que discutem dor, silenciamento e feminicídio, revelando outra característica da produção de Siron: a capacidade de unir espiritualidade e denúncia social numa mesma imagem.

A trajetória de Siron também ajuda a compreender a dimensão dessa obra. Nascido na Cidade de Goiás, em 1947, ele iniciou ainda adolescente uma formação autodidata em desenho e pintura. Nos anos 1970, consolidou-se nacionalmente ao conquistar importantes prêmios nas bienais de São Paulo e no Salão Nacional de Artes Plásticas, tornando-se um dos principais nomes da arte contemporânea brasileira. Ao longo da carreira, sua produção transitou entre figuração, expressionismo, instalação e grandes planos cromáticos, tendo como eixo central o olhar crítico à sociedade.

Para Leopoldo, essa é justamente a razão pela qual a obra de Siron permanece tão atual. “Ele realiza verdadeiras biópsias do tecido social brasileiro”, afirma. “Sua obra provoca, denuncia, emociona e obriga o espectador a refletir. Enquanto existirem dores, conflitos, medos e esperanças, ela continuará necessária.”

A exposição Expressões não serve apenas como retrospectiva, ela revela como a obra de Siron Franco continua pulsando hoje, movida pela mesma urgência humana e política presente desde os primeiros desenhos. Uma arte que, como definiu Ferreira Gullar, nunca se desligou da vida.

Fragmento da instalação Feminicídio

As Madonas produzidas entre as décadas de 1970 e 1980 atravessam temas como violência, silenciamento e espiritualidade

Guernica, 1981, Óleo sobre tela

Trabalhos revelam diferentes momentos da trajetória de Siron Franco, marcada por tensões sociais, memória política e experimentações

Obras dedicadas ao Césio-137 incorporam materiais e referências ligados ao acidente radiológico de 1987

Cenário em expansão

Com crescimento recorde, Fargo 2026 amplia presença nacional e consolida Goiânia como polo do mercado de arte contemporânea

Júnior Bueno

Quando a Feira de Arte Goiás (Fargo) surgiu, em 2017, o cenário das artes visuais em Goiânia ainda operava de forma fragmentada, com poucas galerias, circulação restrita e um mercado pouco estruturado. Idealizada e organizada pela Casa Arte Plena, a iniciativa nasceu em um momento em que o setor ainda buscava ampliar sua visibilidade e profissionalização. Nove anos depois, a edição de 2026 evidencia a dimensão alcançada pelo projeto. Realizada no Museu de Arte Contemporânea de Goiás (MAC), a Fargo praticamente dobrou de tamanho, passando de 30 para 50 estandes e reunindo mais de 1.500 obras.

Debates, encontros e lançamentos editoriais integraram a programação da Fargo 2026, aproximando o público de nomes do circuito brasileiro de arte contemporânea

cultura
Com galerias, instalações e obras espalhadas pelo MAC e pelo Centro Cultural Oscar Niemeyer, em 2026, a feira ampliou a ocupação dos espaços expositivos
Fotos: Caio Nogueira, Emillia Moraes e Mayara Varalho

Neste ano, além das instalações do MAC, a feira também passou a ocupar as galerias do subsolo do Centro Cultural Oscar Niemeyer, ampliando o alcance físico da programação. O crescimento da Fargo acontece em sintonia com a expansão do mercado brasileiro de arte, que movimentou R$ 3,12 bilhões em 2025, segundo dados da Act Arte. Em Goiânia, porém, o impacto ultrapassa os números e lança luz sobre a produção artística do Centro-Oeste.

Para a diretora da Fargo, Wanessa Cruz, a feira deixou de ser apenas um espaço de exibição para se tornar um elo de articulação entre artistas, galerias, colecionadores e profissionais do setor. “A Fargo vem se firmando como uma plataforma capaz de ativar toda uma cadeia produtiva. A presença crescente de galeristas e agentes do meio mostra uma dinâmica que ultrapassa os dias da feira e impulsiona relações de médio e longo prazo”, diz.

Esse amadurecimento também transformou a estrutura do mercado local. Curador e coordenador de projetos da feira, Sandro Tôrres relembra que, no início, o principal desafio parecia ser apenas atrair público. “Depois entendemos que, para chegar a esse público, era preciso profissionalizar todo o entorno”, explica. Hoje, segundo ele, a feira movimenta uma rede que envolve montadores, moldurarias, fotógrafos especializados, designers, iluminadores e jornalistas preparados para cobrir o setor sob a ótica do mercado e da economia criativa.

Foi justamente essa evolução que passou a atrair galerias de outras regiões do País. Presente pela segunda vez na Fargo, a galerista paulistana Marília Razuk observa uma mudança clara no perfil do colecionismo goiano. “A cidade tem uma cena forte, público, poder aquisitivo e vontade de aprender. O colecionador goiano, que antes mantinha um vínculo mais restrito com a produção regional, começa a abrir espaço para a arte contemporânea nacional”, avalia. Marília ressalta que o movimento também acontece no sentido inverso: galeristas e colecionadores de outras regiões passaram a olhar com mais interesse para a produção contemporânea feita em Goiás.

Para a diretora artística Anna Carolina Cruz, a escassez histórica de galerias no Estado acabou criando um ambiente

mais livre para experimentações. “Os artistas goianos são muito corajosos e livres para ousar em técnicas mistas e experimentações, porque não sofrem o polimento prévio do mercado tradicional de galerias”, afirma.

Segundo ela, esse avanço técnico é perceptível especialmente entre os jovens artistas. A Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás (FAV/UFG), presente desde a primeira edição da feira, tornou-se um dos exemplos mais visíveis dessa transformação. “Antes, os estudantes não tinham portfólio. Hoje, isso virou regra. Eles se organizam, cuidam da expografia, da montagem e entendem a importância da profissionalização”, destaca.

Além do viés comercial, a Fargo também se firma como espaço de formação de repertório. A programação de 2026 reuniu debates, lançamentos e encontros com nomes como Charles Cosac, Daniela Bousso, Claudinei Roberto da Silva, Flávio Cerqueira, Carollina Lauriano, Marcus Lontra e Thiago Martins de Melo. Nesta edição, o Cerrado surgiu como conceito curatorial que atravessou diferentes exposições, conectando discussões sobre resistência, território e regeneração.

O impacto da Fargo também se refletiu no público. A expectativa inicial de 25 mil visitantes foi superada ao longo dos cinco dias de programação, atraindo famílias, estudantes, colecionadores e caravanas de outros Estados. Para o pesquisador e especialista em colecionismo Nei Vargas, esse movimento demonstra que a Fargo ultrapassou os limites tradicionais do circuito especializado. “Não estamos falando apenas de artistas. Existe uma cadeia que envolve transporte, hotelaria, gastronomia, turismo cultural e serviços especializados. É uma economia limpa e altamente rentável”, afirma.

Mais do que consolidar um mercado, a Fargo passou a construir um sentimento de pertencimento cultural em Goiânia. Assim como acontece com eventos já tradicionais da cidade, a feira deixou de ser apenas um acontecimento no calendário artístico para se tornar motivo de identificação coletiva. “Hoje, as pessoas se apropriam da Fargo, compartilham e têm orgulho dela”, resume Sandro Tôrres.

Anna Carolina Cruz, Sandro Tôrres e Wanessa Cruz conduzem mais uma edição da Fargo
Entre pinturas, esculturas e experimentações visuais, a programação reuniu artistas e galerias de diferentes regiões do País Foto:
Fotos: Pedro Motta

ENTRE A TERRA E A MEMÓRIA

Sallisa Rosa se consolida no circuito da arte contemporânea, transformando materiais coletados na natureza em obras que investigam memória, território e paisagem

Júnior Bueno

Para a artista goiana Sallisa Rosa, a terra nunca é apenas matéria. É o solo que sustenta o corpo, planeta em transformação e território de pertencimento. Em sua produção, barro, galhos e fibras vegetais aparecem como fragmentos dessa relação profunda entre humanos e paisagem, revelando histórias guardadas no solo e nos ciclos naturais.

Sallisa vive um momento de consolidação no circuito da arte contemporânea. Após uma residência na Rijksa-kademie van Beeldende Kunsten, em Amsterdã, e trabalhos apresentados em instituições internacionais, ela retornou a Goiânia com a instalação Muitos Nomes, exibida na itinerância da 36ª Bienal de São Paulo. A mostra, apresentada no Museu de Arte Contemporânea de Goiás (MAC Goiás) entre março e abril, inseriu a Capital no circuito da Bienal e marcou um reencontro simbólico da artista com a cidade onde nasceu.

Radicada no Rio de Janeiro, Sallisa construiu uma trajetória que atravessa diferentes linguagens, quase sempre a partir de elementos naturais. A terra, sobretudo o barro, ocupa um papel central em sua pesquisa artística, entendida como um suporte de memória que registra histórias humanas e transformações do território.

Esse diálogo entre terra e memória também atravessa o retorno a Goiânia, onde nasceu em 1986. A artista viveu na Capital até perto dos 30 anos e cursou Jornalismo na PUC Goiás. “Muita gente pergunta se eu estudei arte, mas eu estudei jornalismo”, diz Sallisa. Apesar da formação em comunicação, a trajetória artística começou mais tarde, já no Rio de Janeiro, para onde se mudou com o pai.

A decisão surgiu quando um professor amigo de seu pai sugeriu que ela se inscrevesse em um edital e experimentasse criar uma obra. “Eu fiz e percebi que me comunico muito melhor pela arte.”

A percepção veio acompanhada de um reconhecimento tardio. “Eu acho que sempre fui artista, mas não tinha consciência disso.” Filha de uma família em processo de ascensão social, Sallisa foi a primeira a ingressar na universidade. “Eu não cresci indo a museus. Minha família foi ao museu pela primeira vez para ver o meu trabalho.”

No Rio, vive em uma casa coletiva com outros artistas. “É uma aldeia em área urbana com artistas de diferentes regiões do Brasil. Muitas pessoas ali têm ateliê em casa e trabalham com sementes, madeira, miçanga.” Para ela, a separação entre arte e artesanato não faz sentido. A artista destaca o caráter manual de sua produção, participando de todas as etapas do processo, da coleta dos materiais à construção das obras.

Grande parte da produção de Sallisa nasce de processos manuais. Apesar de ter a ajuda de um coletivo de pessoas para criar, ela trabalha diretamente na construção das peças e instalações com materiais coletados em diferentes territórios. “Gosto muito de fazer instalação. Sou ligada à manualidade. Gosto de construir as coisas com as minhas próprias mãos”, afirma.

Essa relação direta com o fazer também envolve autonomia.

“Usar ferramentas, fazer nós, criar estruturas. Acho que todo mundo deveria aprender isso na escola.” A primeira instalação surgiu por volta de 2017 e, em menos de uma década, Sallisa participou de residências e exposições que ampliaram sua presença no circuito contemporâneo, como a Bolsa Pampulha, em Belo Horizonte, em 2019. “Era uma residência de seis meses com artistas de várias partes do Brasil. Aprendi muito.”

cipó aerado, cipó de visgo, cipó da terra. Encontrei mais de dez nomes. Por isso a obra se chama ‘Muitos nomes’.”

Construída com galhos coletados no Parque Ibirapuera e esculturas em cerâmica, a instalação levou cerca de 20 dias entre coleta e montagem. Trazer o trabalho para Goiânia tem um significado especial. Mesmo visitando frequentemente a cidade por causa da família, Sallisa afirma que raramente tinha a oportunidade de apresentar obras de grande escala por aqui.

“Para verem o meu trabalho, muitas vezes as pessoas da minha família ou amigas precisam viajar”, diz. “É muito especial poder mostrar um trabalho grande, instalativo, aqui na minha cidade.” A presença da instalação também reforça a relação entre sua produção artística e a paisagem do Cerrado. “Eu sou uma pessoa do Centro-Oeste. Estou viajando, fazendo coisas em outros lugares, mas eu sou daqui.”

“Quem viu a obra, viu. Depois ela volta para a natureza. Num mundo em que tudo é feito para durar indefinidamente, isso provoca um conflito interessante” (Sallisa Rosa)

A coleta de materiais é central em sua prática artística. Galhos, cipós, fibras e argila surgem com frequência em esculturas e instalações. “Eu nunca comprei argila em uma loja, sempre coleto na natureza”, explica. “Esses materiais são arquivos históricos. Um galho carrega informações da terra: se faltou água, se choveu muito. Na argila, também fica registrado quem viveu ali, quem plantou, o que foi construído ou destruído. Não é só o material, é a memória.”

A obra apresentada na Bienal nasce de uma história da infância da artista. Quando criança, Sallisa ouvia que entrar no mato e passar por baixo de um cipó poderia fazer alguém se perder. “Eu morria de medo desse cipó”, lembra. Com o tempo, ela investigou a narrativa e descobriu que a história aparece em diferentes regiões do País. “Cada lugar tem um nome para esse cipó: cipó de caipora, cipó de boia, cipó rabo-de-cobra,

Segundo ela, muitos aspectos visuais de seu trabalho dialogam com o bioma. “Os galhos retorcidos e secos lembram muito a paisagem do Cerrado.” A artista acredita que a distância acabou reforçando o sentimento de pertencimento. “Acho que quanto mais longe você vai, mais percebe de onde vem. Quando saí de Goiânia, eu queria sair mesmo, mas quanto mais viajo, mais vontade tenho de voltar.”

Sallisa investiga também a relação entre solo e água. Em sua exposição individual mais recente, intitulada “Eixo Terra”, ela partiu de estudos científicos sobre como processos de irrigação podem alterar o eixo do planeta. “Um artigo publicado na revista Science mostrou que o eixo da Terra mudou cerca de 20 centímetros por causa da redistribuição de água no planeta”, explica.

A reflexão se conecta à própria ideia de impermanência presente em suas obras. Diferentemente de muitas produções artísticas feitas para durar indefinidamente, suas instalações frequentemente retornam à natureza após o período expositivo. “Na Bienal, por exemplo, coletamos os galhos, montamos a obra, desmontamos e devolvemos os galhos ao parque”, conta. “Ela tem um ciclo, como na natureza.”

Para a artista, essa lógica abre novas discussões sobre materialidade, memória e tempo na arte contemporânea. “Num mundo em que tudo é feito para durar indefinidamente, isso provoca um conflito interessante”, afirma. “Quem viu a obra, viu. Depois ela volta para a natureza.”

Entre galhos, cerâmica e memórias atravessadas pela paisagem, Muitos Nomes traduz a investigação de Sallisa Rosa sobre pertencimento, ancestralidade e as histórias que permanecem na terra

AVANT-Première

JÚNIOR BUENO redacao@revistazelo.com.br

Museu de Arte Contemporânea de Goiás (Foto: Secult)

Goiânia

A sequência de grandes exposições realizadas nos últimos meses reforça o momento de expansão das artes visuais em Goiânia. Após receber a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo, a Fargo – que praticamente dobrou de tamanho em 2026 –, e a mostra fotográfica "10 Anos de Guerra Sem Fim", o MAC Goiás, no Centro Cultural Oscar Niemeyer, trabalha na confirmação da 1ª Bienal de Arte Contemporânea do Centro-Oeste. Ainda sem datas anunciadas, a iniciativa deve ampliar a circulação de artistas, curadores e pesquisadores na Capital.

O calendário do segundo semestre também reserva novas exposições. Na Cerrado Galeria, Alice Lara abre a programação entre 15 de agosto e 19 de setembro, em mostra com curadoria de Divino Sobral e participação de Silvana Macedo, Raquel Nava e Fernanda Azou. Entre 3 de outubro e 14 de novembro, Walter Pimentel integra uma coletiva de acervo, também conduzida por Sobral.

Já o Centro Cultural UFG recebe, de 6 de agosto a 25 de setembro, o 2º Salão Nacional de Arte Contemporânea de Goiás, reunindo obras de 30 artistas selecionados em todo o País. Promovido pela Associação Cultural Mapa em parceria com a Secult Goiás, o projeto inclui exposições, ações educativas e mesas-redondas.

Las Patojitas las tres en su cumpleaños hace una ceremonia de ellasElena Curruchich (Fotos: Divulgação)

O Museu de Arte de São Paulo (MASP) apresenta, de 4 de setembro a 31 de janeiro de 2027, "Histórias latino-americanas", coletiva internacional que ocupa cinco andares do edifício Pietro Maria Bardi. Com curadoria de Amanda Carneiro e Julieta González, a mostra investiga a construção da ideia de América Latina a partir de temas como colonização, migrações e resistências indígenas e afrodescendentes. Já a Pinacoteca de São Paulo dedica uma sala às gravuras de Beatriz Milhazes até 14 de março de 2027. Pela primeira vez, o museu reúne as 27 obras doadas pela artista, produzidas entre 1996 e 2019 em parceria com Jean-Paul Russell e a Durham Press. A curadoria é de Renato Menezes.

Jamaica - Beatriz Milhazes (Foto: Acervo/ Museu de Arte do Rio de Janeiro)

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Rio de Janeiro

Até 7 de setembro, o Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro recebe "Vik Muniz: A olho nu", maior retrospectiva já dedicada ao artista. A seleção reúne trabalhos tridimensionais, séries fotográficas e produções recentes, evidenciando mais de três décadas de pesquisa sobre imagem, matéria e percepção. Entre 25 e 27 de agosto, o 4º Salão Rio de Interiores ocupa a sede histórica do Instituto de Arquitetos do Brasil, no Flamengo, com debates, lançamentos e encontros voltados aos setores de arquitetura, design e decoração. Já a ArtRio realiza sua 16ª edição de 16 a 20 de setembro, reunindo galerias, colecionadores e curadores de diferentes países, além de manter ações educativas ao longo do ano.

Outras cidades

O Inhotim celebra 20 anos em 2026 com oito inaugurações e uma exposição comemorativa aberta em setembro. Em Tiradentes, a Semana Criativa chega à 10ª edição entre 15 e 18 de outubro, reunindo design, artesanato e inovação social. Em Curitiba, a Bienal Internacional de Arte Contemporânea segue até 15 de novembro com artistas brasileiros e estrangeiros, além de ações educativas e universitárias por meio do circuito CUBIC. Já o Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte recebe, a partir de julho, "Joaquín Torres García – 150 anos", mostra que reúne cerca de 500 itens do artista uruguaio, entre pinturas, desenhos, maquetes, manuscritos e brinquedos articulados.

Internacional

Goiânia participa da Bienal de Veneza 2026 com o Pavilhão do Brasil, que passou por um amplo processo de recuperação arquitetônica e modernização concluído neste ano. A mostra, que pode ser conferida até 22 de novembro, marca um momento de maior projeção internacional para a cena artística goiana, presente na agenda oficial do evento por meio de ações articuladas pela Secretaria de Estado da Cultura. Projetado em 1964 pelos arquitetos Giancarlo Palanti, Henrique Mindlin e Walmyr Lima Amaral, o espaço recebeu melhorias de infraestrutura, acessibilidade e adequações técnicas para exposições de grande porte. Nesta edição, o pavilhão abriga a mostra "Comigo ninguém pode", com curadoria de Diane Lima e participação das artistas Adriana Varejão e Rosana Paulino.

Inhotim (Foto: Divulgação/Inhotim) Peças em artesanato Casa Pará (Foto: Divulgação/ Semana Criativa de Tiradentes)
Família, Vik Muniz (Foto: Divulgação)
Pavilhão do Brasil na 61ª Bienal de Veneza (Foto: Divulgação)

memória

caminhos da cidadE

Entre a Praça Cívica e o Bosque dos Buritis, percurso conecta acervos, arquitetura e narrativas que ajudam a compreender a história da capital goiana

Foto: Kamila Brandão

Existem muitas formas de contar a história de uma cidade.

O Centro de Goiânia, por exemplo, guarda, em poucos quilômetros, diferentes camadas do tempo. A partir da Praça Cívica, um curto percurso reúne quatro dos principais museus da cidade: o Museu Zoroastro Artiaga, o Museu da Imagem e do Som de Goiás (MIS), o Museu Pedro Ludovico Teixeira e o Museu de Arte de Goiânia (MAG).

Entre edifícios Art Déco e áreas verdes, o caminho acompanha também a requalificação urbana da região. Nos últimos anos, a Praça Cívica recebeu mais de R$ 18 milhões em investimentos voltados à preservação do patrimônio e à reativação cultural. “Estamos preservando a memória, a identidade e a história de Goiás”, afirma a secretária de Estado da Cultura de Goiás, Yara Nunes.

Segundo a museóloga Bárbara Freire Ribeiro Rocha, iniciativas que articulam essas instituições “são fundamentais para ampliar o acesso e fortalecer a relação da população com os museus”. Ela coordena projetos de mediação e sinalização, como o “Aqui Tem Museu”, que buscam tornar esses equipamentos culturais mais visíveis e integrados ao cotidiano urbano.

A Secretaria de Cultura já discute a possibilidade de um circuito ampliado, conectando pontos como a Estação Ferroviária, a Avenida Goiás, o Teatro Goiânia e a Praça Cívica. “É um desejo que já temos, mas depende também da iniciativa privada e de serviços que ativem esses espaços”, afirma Yara Nunes.

Nesse contexto, os museus deixam de funcionar como pontos isolados e passam a compor uma rede cultural, reforçada por instituições próximas, como o Centro de Memória da Justiça Eleitoral de Goiás e o Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGG).

O roteiro começa na Praça Cívica, onde o Museu Goiano Professor Zoroastro Artiaga ocupa um dos edifícios mais

representativos do conjunto Art Déco. Primeiro museu da cidade, criado em 1946, a instituição consolidou-se como referência na preservação da memória de Goiás e reabriu recentemente após restauração que recuperou características originais da construção.

No acervo, cerca de 4,6 mil peças, entre arqueologia, etnologia indígena, arte sacra e cultura popular, compõem um panorama das múltiplas formações do Estado. O conjunto permite compreender o território antes da fundação de Goiânia, articulando mineração, cultura indígena e religiosidade.

A intervenção recente, com investimento de R$ 6,6 milhões, enfrentou problemas estruturais acumulados ao longo de décadas. “O estado era crítico, com infiltrações e até parte do teto comprometida”, explica a secretária de Cultura. Como se trata de um bem tombado, o restauro seguiu diretrizes rigorosas do Iphan, garantindo fidelidade ao projeto original, desde materiais até técnicas construtivas, incluindo a substituição do telhado por telhas francesas.

Além da recuperação física, o museu investe na ampliação do acesso ao acervo por meio da tecnologia. Entre as principais frentes está a digitalização das peças, realizada com apoio do Tainacan, plataforma brasileira voltada à gestão e difusão de acervos digitais. Segundo o coordenador Giulliano Santos Ramos, a ferramenta permite disponibilizar não apenas os itens em exposição, mas também peças da reserva técnica, acompanhadas de seus metadados.

Ainda na Praça Cívica, o Museu da Imagem e do Som de Goiás introduz outra camada de leitura, na qual a memória passa a ser construída por registros audiovisuais, como fragmentos de tempo capturados em fotografias, filmes e sons. Criado em 1988, o MIS reúne cerca de 200 mil itens, entre acervos fotográficos,

Instalado na Praça Cívica, o Museu Zoroastro Artiaga ocupa um dos edifícios mais representativos do conjunto Art Déco de Goiânia
Foto: Wagnas Cabral

Móveis, fotografias e itens pessoais ajudam a reconstruir hábitos domésticos e momentos da vida pública do ex-governador

fonográficos, videográficos e documentos diversos, formando um dos maiores conjuntos dessa natureza no Estado e registrando transformações culturais, sociais e urbanas ao longo das décadas.

Segundo Leslie Carvalho, coordenadora de exposições do museu, a programação combina mostras com acervo próprio e exposições realizadas em parceria com artistas, curadores e instituições culturais. Organizadas a partir de recortes temáticos, as montagens mantêm diálogo constante com questões contemporâneas e permitem diferentes leituras sobre o conjunto preservado pelo museu. “As exposições acompanham a natureza do acervo, permitindo leituras diferentes a cada montagem. A ideia é justamente não limitar o olhar”, afirma Leslie.

Nos bastidores, o trabalho é contínuo: projetos de digitalização e conservação, com apoio de instituições como BNDES e Petrobras, preservam acervos sensíveis e ampliam o acesso público. O MIS também passa por reestruturação, com mudança prevista para uma sede maior na Praça Cívica, o que deve qualificar a reserva técnica e fortalecer as ações expositivas, educativas e de difusão.

Saindo da Praça Cívica, o percurso avança até a Rua Dona Gercina Borges Teixeira, onde está o Museu Pedro Ludovico. Médico e político responsável pela transferência da capital do Estado para Goiânia, Pedro Ludovico Teixeira foi uma das figuras centrais da formação da cidade. Gercina, que dá nome à via, foi sua esposa e também parceira na vida pública, participando do contexto político que acompanhou a construção da nova capital.

Instalado na antiga residência do fundador de Goiânia, o museu materializa o projeto político que deu origem à Capital. Construída entre 1934 e 1937, em estilo Art Déco e com projeto de Attílio Corrêa Lima, a casa acompanhou diferentes momentos da trajetória de Pedro Ludovico, que viveu ali até sua morte, em 1979.

Transformada em museu em 1987, a residência preserva um acervo de cerca de 8,5 mil documentos, 1,8 mil peças e uma ampla coleção de registros históricos, que permitem compreender tanto a trajetória política de Ludovico quanto aspectos da vida cotidiana durante a construção da Capital. Parte do acervo fotográfico, hoje sob guarda do MIS, amplia essa rede de memória.

Cercada por jardins e preservada como museu desde 1987, a antiga residência de Pedro Ludovico preserva documentos, objetos e lembranças ligados à trajetória do político
Foto: Alessandra Sousa Foto: Thiago Silva

Integrada ao surgimento da cidade, a arquitetura preserva marcas do projeto moderno e conduz o visitante por um percurso entre o público e o privado, revelando como decisões individuais moldaram Goiânia. O espaço passou por requalificação recente voltada à conservação. “O prédio estava preservado, havia um desgaste natural do tempo. Fizemos a pintura na cor original, restauramos o jardim e alguns itens internos”, explica Yara. Entre os destaques, o veículo oficial de Pedro Ludovico reforça a dimensão concreta dessa história.

O percurso se abre novamente ao chegar ao Bosque dos Buritis. Em meio à área verde, a paisagem muda e o concreto dá lugar ao parque. É ali que o Museu de Arte de Goiânia apresenta outra camada de leitura: a cidade como produção artística. Criado em 1969 e com a primeira exposição realizada em 1970, é o principal equipamento público municipal dedicado às artes visuais, atuando na preservação, circulação e estímulo à produção local.

Um dos destaques do acervo é a presença significativa de mulheres artistas. “Quase 40% do nosso acervo é composto por obras de mulheres, exatamente 39,6%, o que considero fantástico”, afirma o coordenador Antônio da Mata. “São mais de 100 obras”, completa, ao destacar nomes como Ana Maria Pacheco, Tomie Ohtake e Regina Silveira.

A formação do acervo está diretamente ligada aos artistas, principais responsáveis pelas doações que sustentam o museu. “Raríssimas exceções foram adquiridas por compra. Os artistas são nossos grandes parceiros”, afirma Da Mata. Ao lado de projetos culturais e leis de incentivo, essa rede de colaboração sustenta a continuidade das atividades da instituição.

O MAG funciona com exposições temporárias organizadas em calendário anual. “A gente começa a falar de uma exposição com cerca de seis meses de antecedência, mas o trabalho mais intenso acontece nos dois meses anteriores”, diz o coordenador. A rotina envolve também catalogação, conservação e articulação com outras instituições.

Hoje, o museu recebe cerca de 2 mil visitantes por mês, número que pode chegar a 2,5 mil. Para Da Mata, o desafio está em ampliar essa visibilidade sem perder a qualidade da experiência.

Para o futuro, o MAG projeta crescimento. Há planos de ampliação que incluem novas galerias, um segundo andar e a criação de áreas de convivência, como loja e café. “Queremos que o museu cresça, ganhe mais visibilidade e atraia mais público”, afirma Da Mata. “Eu gostaria que recebêssemos 60 mil pessoas por mês, como um estádio de futebol.” Ainda distante desse cenário, ele resume: “É um processo e depende de trabalho contínuo.”

O MIS reúne registros que atravessam diferentes períodos da produção cultural em Goiás

O acervo do MAG evidencia diferentes gerações e linguagens das artes visuais produzidas no Brasil

Foto: Stefany Machado Foto: Pedro Motta

Mente e Coração

Um percurso pelos projetos que interpretam o tema da mostra CasaCor Goiás 2026 sob diferentes perspectivas

"Loft Urucum", do arquiteto Marcos Lula, para a CasaCor Goiás 2026 (Foto: Edgard César)

A casa como abrigo

Na CasaCor Goiás 2026, ambientes compartilham uma mesma busca por bem-estar, memória e presença

Hannah Motta

Ao percorrer os corredores da CasaCor Goiás 2026, fica evidente que a unidade da mostra não está apenas na recorrência entre estilos, cores ou materiais. Ela aparece na forma como os profissionais respondem a uma mesma inquietação contemporânea: como criar espaços capazes de acolher quem vive neles.

Em sua 29ª edição, a mostra retorna ao Setor Marista com o tema "Mente e Coração". A proposta convida arquitetos, designers e paisagistas a refletir sobre a casa em um momento marcado por hiperconectividade, excesso de informações e pressão constante por produtividade. O resultado pode ser observado nos 43 ambientes distribuídos em cerca de 3.300 metros quadrados, assinados por 60 profissionais.

Embora cada projeto siga uma linguagem própria, alguns elementos chamam atenção: materiais naturais, texturas orgânicas, objetos feitos à mão e acabamentos artesanais aparecem em diferentes propostas, muitas vezes associados à busca por conforto sensorial e conexão com a natureza.

A ideia de abrigo também é recorrente. Além de vitrine de tendências, tecnologias e lançamentos, em 2026, a casa assume um papel mais próximo do refúgio, do afeto, e de um espaço pensado para desacelerar, contemplar e estabelecer novas relações com o cotidiano.

Essa percepção atravessa ambientes destinados ao cuidado e à introspecção. São banheiros, spas, lounges e espaços de permanência, que ganham protagonismo ao incorporar recursos voltados ao conforto físico e à experiência dos sentidos. Iluminação indireta, materiais táteis e percursos mais fluidos contribuem para essa atmosfera.

A memória constitui outro eixo recorrente. Objetos afetivos, referências familiares, peças artesanais e materiais associados ao tempo aparecem em diferentes interpretações, carregando histórias, identidades e experiências pessoais.

Também é frequente a valorização da presença. Muitos ambientes propõem momentos de desconexão digital, reforçam o contato com elementos naturais e estimulam uma relação mais atenta com o espaço físico. Jardins, áreas de contemplação e ambientes integrados ajudam a construir essa narrativa.

A diversidade de linguagens é justamente o que torna essa unidade perceptível em uma conversa comum em torno do bemestar, da memória e da forma como a arquitetura pode participar da experiência cotidiana de quem habita a casa. A seguir, um compilado de alguns dos principais destaques da CasaCor Goiás 2026, apresentados por seus autores e traduzidos em espaços que dialogam com o tema desta edição. Confira!

O que Permanece - Lara Zago Arquitetura
arquitetura
Instantes Sagrados - Juliana Bessa
Minhas Memórias - Luisa Azevedo
Casa 1961 - Lourenço Milaneze
Casa Brastemp - Bezerra Panobianco Arquitetura
Sebrae Venda Benquerença - Willy Martins e Higor Cardoso
Spa Recanto - Studio Dous Arquitetura
Das Coisas Nascem Coisas - Leo Romano
O Reencontro do ImaginárioRogoski Arquitetura
Foto: Edgar César

genuíno

A cor do desejo

Ambiente de Marcos Lula traduz brasilidade contemporânea com protagonismo do vermelho, mobiliário da Líder e lançamento autoral na CasaCor Goiás 2026

Júnior Bueno

O “Loft Urucum”, ambiente assinado por Marcos Lula para a CasaCor Goiás 2026, parte de uma investigação sobre o que é, afinal, a brasilidade contemporânea. Longe de referências óbvias ou folclóricas, o arquiteto propõe um mergulho em camadas menos evidentes da cultura nacional, traduzidas em um espaço que privilegia a intensidade e a experimentação. O ponto de partida surge de um processo coletivo dentro do escritório, que reuniu diferentes olhares sobre o Brasil – da fotografia à moda, do cinema à música.

O ponto de inflexão do projeto surge com o urucum, elemento que organiza toda a narrativa do espaço. “Ele está presente em diferentes camadas da cultura brasileira, da culinária ao uso ancestral pelos povos originários. Entendi que o vermelho do urucum traduziria bem a intenção do projeto”, declara.

A escolha vai além da estética e assume papel central na narrativa do ambiente. Segundo o arquiteto, a tonalidade carrega potência, espiritualidade e vitalidade, definindo a atmosfera sensorial da proposta. No loft de 64 m², o elemento cromático organiza o espaço e concentra a energia do projeto. “O vermelho não pede licença, ele impõe presença”, ressalta o profissional.

A parceria com a Líder Design se integra a essa narrativa ao trazer o mobiliário como extensão do conceito. São peças assinadas por nomes como Nildo José e Maurício Arruda, que reforçam a linguagem do projeto.

Mais do que funcional, o “Loft Urucum” se posiciona como uma experiência sensorial e artística. “Quero provocar afeto, mas também intensidade e até incômodo.” Obras do artista Marco Caldas, criadas especialmente para o loft, reforçam essa intenção. “Elas não entram como decoração, fazem parte da concepção.”

Com forte caráter autoral, Marcos apresenta a peça Araguaia, um painel em alto-relevo desenvolvido em parceria com a Szent Revestimento. São módulos que simulam o fluxo das águas, em uma série de elementos desenhados exclusivamente para a mostra. O resultado é um espaço que olha para o passado sem nostalgia, mas com consciência, e projeta um Brasil potente, diverso e em constante transformação.

Marcos Lula @arqmarcoslula (62) 99630-0123

A cor vermelha e o mobiliário autoral conduzem a narrativa sensorial do espaço inspirado na brasilidade contemporânea
Arquiteto Marcos Lula
Foto: Edgard César
Foto: João Carlos

conexão

Formas e lembranças

No loft “Minhas Memórias”, Luísa Azevedo traduz lembranças, permanências e identidade em uma composição integrada de 63 m² marcada pela fluidez entre os ambientes

Júnior Bueno

Formas geométricas, iluminação indireta e objetos ligados ao cotidiano orientam “Minhas Memórias”, loft assinado por Luísa Azevedo para a CasaCor Goiás 2026. Em 63 m², o ambiente propõe uma leitura mais integrada do morar, reunindo convivência, descanso e banho em uma composição marcada por memórias e continuidade visual.

Em sua sexta participação na mostra, a arquiteta organiza o loft a partir de uma planta que prioriza a ausência de divisões definitivas, permitindo que os ambientes se conectem de maneira mais natural. “A proposta foi justamente criar um espaço 100% fluido, sem barreiras rígidas entre as funções”, afirma. A escolha por um layout aberto parte de uma leitura contemporânea do morar, especialmente em metragens mais compactas, em uma configuração que busca aproximar usos cotidianos sem comprometer conforto ou privacidade.

O conceito do ambiente nasce da memória como elemento formador da identidade. “As memórias são o que nos sustentam, o que mantém a mente ativa e aquece o coração”, diz Luísa. A proposta trata as lembranças como experiências que atravessam tempo, relações e vivências. Referências pessoais ao balé, ao ciclismo e à própria arquitetura aparecem distribuídas pelo loft como fragmentos de trajetória. “São coisas que fazem parte da minha história, do que me trouxe até aqui”, resume.

Essa dimensão afetiva também orienta as escolhas visuais do projeto. A repetição de formas geométricas

aparece em diferentes pontos do loft, em painéis, mobiliário e detalhes construtivos, como referência aos ciclos da vida e às conexões entre experiências distintas. A materialidade segue uma linguagem contida, construída sobre base neutra, acabamentos contínuos e madeira em tons claros, criando unidade visual ao ambiente. “A ideia foi deixar a estrutura fixa mais neutra e permitir que as cores aparecessem no mobiliário”, explica a arquiteta. Assim, sofá em tom vinho, poltrona verde e objetos decorativos introduzem pontos de cor sem romper a sobriedade.

A iluminação também participa da construção da atmosfera do loft. Sem recorrer a múltiplos pontos de luz distribuídos pelo teto, o ambiente aposta em soluções indiretas integradas à marcenaria e em um único pendente decorativo. O resultado é uma luz difusa, que valoriza texturas, volumes e profundidade. “Isso foi intencional para criar uma atmosfera mais íntima, mais acolhedora”, ressalta Luísa.

O mobiliário, majoritariamente assinado pelo Estudiobola, combina peças conhecidas da marca com lançamentos incorporados ao ambiente. Entre elas, cadeiras que coincidentemente levam o nome da arquiteta, além de novos desenhos de sofá e poltrona. Luminárias assinadas por Jader Almeida e peças desenvolvidas por Leo Romano completam a composição, marcada pela continuidade entre formas, materiais e linguagem visual.

Luísa Azevedo @luisaazevedo.arquitetura (62) 99929-3773

Sofá em tom vinho, madeira clara e iluminação difusa conduzem a composição do loft, marcada pela continuidade visual e pela atmosfera acolhedora
Arquiteta Luísa Azevedo
Foto: João Carlos
Foto: Edgard César

Quando o presente abraça o passado

Em um living de 43 m², Rodrigo Peixoto combina materiais naturais, peças garimpadas e design contemporâneo para criar um espaço de acolhimento e permanência

Júnior Bueno

Em tempos de excesso, buscar o essencial parece cada vez mais necessário. É a partir dessa premissa que o arquiteto Rodrigo Peixoto apresenta o ambiente "Origem Presente", na CasaCor Goiás 2026. O living propõe uma experiência de acolhimento construída por meio de texturas naturais, peças com história e mobiliário contemporâneo. “O nome surgiu dessa ideia de conectar elementos naturais à contemporaneidade. Quis unir materiais com rusticidade, imperfeições e história a peças atuais e funcionais”, explica Rodrigo.

A proposta aparece na combinação entre pedras naturais e revestimentos contemporâneos, reforçada pela presença da pedra Kingdom, da Super Pedras, utilizada tanto na composição do living quanto na claraboia criada pelo arquiteto. O material imprime força natural, desenho marcante e uma materialidade que transforma o espaço de forma silenciosa e imponente.

A mistura entre objetos artesanais, móveis assinados e peças garimpadas em antiquários também compõe o living. Entre os destaques do ambiente está o sofá Girinho, da Forma Bruta, composto por um sistema modular que reforça a continuidade do living e permite diferentes configurações. A composição inclui ainda poltronas assinadas pela designer Linda Martins, além de um aparador em pedra desenhado pelo escritório de Rodrigo e executado pela EBM Mármores.

ZELO 56—57

O arquiteto também incorporou peças carregadas de referências pessoais, como um móvel da década de 1980 e antigas cadeiras de diretor dobráveis, reinterpretadas com bordados feitos manualmente. “Acho interessante incorporar móveis que carregam afetividade junto de objetos atuais. Isso deixa o ambiente mais humano e habitável”, afirma. O living também reúne peças da designer Paola Vilas, conhecida por criar objetos inspirados em partes do corpo humano. Uma orelha metálica usada como maçaneta e uma luminária em formato de mão reforçam o caráter artístico e sensorial da composição.

Com cerca de 43 m² e marcado pela presença da escada que dá acesso ao andar superior da mostra, o ambiente exigiu soluções que equilibrassem estética, acessibilidade e permanência. O elemento deixou de ser apenas uma área de circulação para se tornar parte da narrativa. Para ampliar a sensação de continuidade, Rodrigo apostou em uma paleta clara, texturas suaves e mobiliário de formas curvas, elementos que conduzem o olhar de maneira natural pela composição e reforçam a percepção de amplitude.

Entre os detalhes mais íntimos do espaço está uma fotografia de infância do arquiteto ao lado dos pais, inserida discretamente no living. O gesto reforça a proposta central do projeto: transformar o morar em um lugar onde origens e presente coexistem de maneira natural.

Rodrigo Peixoto @rodrigopeixoto.arq (62) 99337-9669

Arquiteto Rodrigo Peixoto
A pedra natural percorre o ambiente e conduz o olhar por superfícies marcadas por textura, luz e continuidade visual habitar
Fotos: Edgard César Foto: João Carlos
Mistura entre mobiliário assinado, objetos artesanais e peças de antiquário cria uma composição guiada por contrastes

equilíbrio

Poético e funcional

Ambiente de Lucas Panobianco e Expedito Bezerra para a CasaCor Goiás 2026, “Casa Brastemp” aposta em brasilidade e conforto para refletir os hábitos da moradia contemporânea

Júnior Bueno

Na Casa Brastemp, assinada pelo escritório Bezerra Panobianco Arquitetura, dos arquitetos Expedito Bezerra e Lucas Panobianco, para a CasaCor Goiás 2026, cozinha, living, lounge de serviços e suíte se articulam em uma planta fluida de 100 m², pensada para estimular convivência e flexibilidade no cotidiano. O projeto parte da ideia de uma casa sem divisões rígidas, em que os ambientes se conectam sem perder conforto ou privacidade.

Convidados pela marca, os arquitetos desenvolveram o ambiente a partir de um briefing que aproxima a Brastemp a uma arquitetura contemporânea e afetiva. “A proposta era unir os preceitos da marca ao nosso olhar projetual, principalmente nas cores, na materialização e na atmosfera do espaço”, explica Expedito.

A cozinha ocupa posição central no projeto e organiza a circulação dos demais ambientes. Uma parede que não alcança o teto delimita parcialmente os usos sem interromper a integração visual da casa. A solução reforça uma lógica contemporânea de habitar, em que os espaços deixam de ser compartimentados para favorecer convivência, permanência e dinamismo.

A lavanderia também ganha novo papel dentro da proposta. Em vez de permanecer isolada como área exclusivamente técnica, ela passa a integrar os usos sociais da residência,

incorporando adega e espaço para atividades físicas. “O lounge de serviços não foi pensado como uma lavanderia escondida. Ele faz parte da casa e pode assumir diferentes usos ligados ao bemestar e ao lifestyle do morador”, afirma Expedito.

Na composição material, tons de marsala, azul e toques de laranja aparecem em diálogo com quartzitos brasileiros, madeira, fibras naturais e elementos vazados que favorecem ventilação e permeabilidade visual. A entrada de luz natural, potencializada pelas paredes com fechamento incompleto até o teto, contribui para conforto térmico e eficiência energética. A tecnologia surge incorporada de maneira discreta à experiência da casa, associada à ventilação, à iluminação e ao conforto sensorial.

O ambiente reúne ainda peças autorais desenhadas pelo escritório, como a mesa de centro Gravità e tapetes confeccionados manualmente em fibras naturais. O projeto luminotécnico leva assinatura de Waldir Junior, responsável também por algumas peças decorativas presentes no espaço.

Para Lucas e Expedito, o projeto busca equilibrar função e atmosfera em uma proposta habitável e conectada ao cotidiano. “A gente quer que o visitante se emocione, sinta uma mensagem, mas também consiga se imaginar morando ali”, resume Lucas.

Bezerra Panobianco Arquitetura @bezerrapanobianco (62) 98195-9782

Os arquitetos Expedito Bezerra e Lucas Panobianco na cozinha, ambiente que funciona como o coração do projeto
A integração entre os espaços constrói uma atmosfera fluida, em que convivência e permanência orientam a experiência de habitar
Fotos: Estúdio NY18

conceito

Ritmo desacelerado

Projetado por Grace Santiago, o banheiro da CasaCor Goiás 2026 ganha atmosfera contemplativa com pedras naturais, iluminação cênica e estímulos sensoriais orientados pela neuroarquitetura

Em meio ao fluxo intenso da CasaCor Goiás 2026, o ambiente "Entre Ritmos", assinado pela arquiteta Grace Santiago, propõe uma pausa na dinâmica da mostra. Em sua estreia no evento, a profissional transformou o banheiro público da edição em um refúgio sensorial de 34 m², concebido para desacelerar o corpo e silenciar a mente por alguns instantes. Especialista em neuroarquitetura, ela parte da ideia de que os espaços afetam diretamente emoções e comportamentos. “Eu quis criar um ambiente que nasce justamente no intervalo entre a pressa e o silêncio”, define.

O projeto estimula os sentidos por meio da iluminação, dos aromas, dos sons e dos materiais naturais, em diálogo com o tema da CasaCor deste ano, "Mente e Coração". “A mente aparece da matéria, da técnica, da proporção, da luz cuidadosamente calculada, da funcionalidade e da precisão dos elementos. Já o coração se manifesta nas sensações. Na forma como o ambiente acolhe, desacelera, emociona e desperta memórias por meio dos sentidos”, explica a arquiteta.

O travertino, uma pedra natural marcada por veios e cavidades moldados ao longo de milhares de anos, carrega significado simbólico ao projeto. Grace relaciona o processo natural de transformação do material à própria trajetória humana. “Gosto da ideia de que a pedra passa por um processo de transformação ao longo do tempo e carrega marcas dessa trajetória. Isso se conecta diretamente com o ser humano, que

também está em constante evolução e lapidação”, diz.

Essa narrativa se estende ao mobiliário e aos elementos decorativos. O espelho e o banco Bailarina, assinados por Leo Romano, reforçam a ideia de transformação da matéria-prima até alcançar uma forma delicada e orgânica. Já as arandelas de Waldir Júnior surgem como “joias” inseridas na composição, ampliando a sensação de acolhimento por meio da luz cênica. O ambiente também incorpora obras do fotógrafo Marcelo Menezes produzidas na Chapada dos Veadeiros, especialmente no Vale da Lua, paisagem moldada pela ação do tempo.

Apesar da atmosfera contemplativa, o projeto exigiu soluções técnicas rigorosas para garantir o funcionamento do banheiro unissex sem comprometer a experiência sensorial. “Não podia ser apenas um ambiente bonito, precisava funcionar muito bem”, afirma Grace. O equilíbrio entre eficiência e acolhimento aparece também na resposta do público, que permanece mais tempo no espaço e pergunta sobre os aromas, a playlist e os materiais utilizados. “As pessoas não apenas observam o ambiente, elas interagem com ele”, completa.

Em "Entre Ritmos", o banheiro público assume a função de espaço de pausa, introspecção e contato com os sentidos. “Mais do que falar sobre arquitetura, o ambiente fala sobre humanidade, sobre o tempo e sobre sentir. Evoluir também faz parte da beleza”, resume a arquiteta.

Grace Santiago @gracesantiago.arquiteta | (62) 99341-9496

Pateo 136, sala 2007 - Av. 136, Setor Marista - Goiânia (GO) gracesantiago.com.br

ZELO 58—59

Júnior Bueno
Arquiteta Grace Santiago
O travertino aparece como elemento central da composição, explorando texturas, veios e marcas naturais da pedra
Concebido a partir dos princípios da neuroarquitetura, o ambiente convida o visitante a se reconectar
Fotos: Edgard César

Raízes de afeto

Thalia Salgado e Maysa Selaysim apresentam quarto de bebê que traduz memórias da infância rural em um espaço sensorial e funcional

Cheiro de talco, luz suave, madeira pintada à mão e tons que remetem à natureza compõem o universo criado por Thalia Salgado e Maysa Selaysim para “Raízes”, ambiente pensado pela dupla para a CasaCor Goiás 2026. Inspirado nas lembranças de infância das arquitetas e na relação afetiva com a fazenda, o quarto de bebê propõe um espaço onde sensibilidade, acolhimento e funcionalidade caminham juntos desde os primeiros anos de vida.

Com 13 m², o ambiente organiza berço, cama auxiliar, poltrona de amamentação e bancada com trocador em um layout pensado para acompanhar a rotina da criança e dos cuidadores sem comprometer a fluidez da circulação. As arquitetas, que assinam seu primeiro espaço em parceria, compartilham referências ligadas ao universo rural, ponto de partida para a construção estética do projeto. “O principal conceito foi trazer um pouco da nossa infância para dentro do espaço. Pensamos em um quarto de bebê de campo. É um lugar de respiro, e queríamos traduzir isso aqui”, afirma Thalia.

No ambiente, texturas aparecem em tecidos, revestimentos e materiais naturais, enquanto a paleta percorre tons de verde, vermelho e laranja. A pintura manual do lambril em MDF cru, desenvolvida pelo artista Nilander Lima, aproxima o espaço de uma

estética artesanal e afetiva, conectada às referências de memória propostas pelas arquitetas. “Trouxemos esse material para resgatar essa memória, mas com uma leitura atual”, diz Maysa.

Sem abertura natural, o quarto simula uma janela por meio de tela tensionada, criando uma iluminação difusa que acompanha uma lógica mais suave para o cotidiano da criança. A iluminação circadiana reforça a proposta de conforto visual e bem-estar. “O bebê precisa desse conforto visual, então evitamos uma luz intensa”, explica Thalia.

A funcionalidade conduz as escolhas do projeto. O layout organiza o fluxo entre banho, troca e amamentação, e as escolhas de mobiliário apostam em soluções adaptáveis, como o berço que se transforma em cama de acordo com o crescimento da criança. “O espaço pequeno é um desafio, mas não um limitador. A gente consegue trazer tudo o que é necessário e ainda criar um ambiente afetivo”, diz Thalia.

Entre os destaques, a dupla aponta o tapete da Tecevi e o mobiliário da Muskinha, incluindo uma poltrona autoral. “São elementos que traduzem o conceito da proposta”, resume Maysa. Mais do que reproduzir um quarto infantil tradicional, o ambiente busca criar uma atmosfera de cuidado e conexão, equilibrando técnica, memória afetiva e permanência.

Thalia Salgado e Maysa Selaysim @arquitetathaliasalgado | @arqmaysaselaysim (62) 98279-6205 | (64) 99950-6900

Arquitetas Maysa Selaysim e Thalia Salgado
Júnior Bueno
sob medida
Foto: Edgard César
Foto: João Carlos

atmosfera

Banho de luz

Com proposta inspirada nos rituais de desaceleração, “Rito do Cuidar Deca”, assinado por Lucas

Machado, propõe experiência de autocuidado a partir de atmosfera inspirada em spas contemporâneos

Bueno

Pensado como um refúgio contemporâneo, o “Rito do Cuidar Deca”, na CasaCor Goiás 2026, transforma o banho em um ritual de pausa e permanência. Assinado pelo arquiteto Lucas Machado, o projeto utiliza iluminação indireta, materiais naturais e tons terrosos para construir uma atmosfera acolhedora inspirada em spas contemporâneos.

Segundo Lucas, o espaço de aproximadamente 64 m² foi concebido como um refúgio voltado ao autocuidado. “A proposta é estimular uma experiência de desaceleração e de conexão com o próprio corpo”, explica. A intenção é conduzir o visitante a uma vivência imersiva, marcada por conforto e contemplação.

O principal elemento visual do projeto é o lustre Holly Leaf Design, da marca Elite Bohemia, comercializado com exclusividade pela Ilumine Home no Brasil. Posicionada sobre as banheiras de imersão da Deca, a peça em cristal tcheco cria

um efeito suspenso que dialoga com as referências orgânicas presentes no ambiente. “As folhas simulam um movimento de queda sobre as banheiras, reforçando a ideia de leveza e contemplação”, destaca Lucas.

Nesse contexto, a iluminação assume papel central na construção da atmosfera, com soluções pensadas para criar uma ambientação acolhedora e discreta. “A iluminação geral é cênica e sutil. A ideia foi criar uma base neutra para valorizar o elemento central do espaço”, afirma o arquiteto. Durante o dia, a entrada de luz natural projeta sombras no lustre a partir da incidência solar; à noite, a iluminação artificial reforça esse efeito e contribui para uma experiência mais introspectiva.

Para Luciana Vidigal, à frente da Ilumine Home, o Holly Leaf sintetiza a proposta da marca de incorporar iluminação decorativa como parte da narrativa dos ambientes. “Trata-

Lustre em cristal tcheco suspenso sobre as banheiras reforça a atmosfera contemplativa proposta pelo ambiente

se de uma peça escultórica, reconhecida pela leveza e pela transparência do cristal”, afirma. “Ela ajuda a construir a atmosfera do espaço”, completa.

A relação entre o lustre e o restante do projeto acontece de forma integrada. O ambiente trabalha com uma paleta de tons terrosos, marcada pela presença de madeira, rochas naturais e nuances de marrom, criando uma base acolhedora. Elementos dourados aparecem pontualmente e estabelecem diálogo tanto com as folhas de cristal quanto com a obra do artista pernambucano Bruno Vilela, presente no espaço. “Pequenos detalhes em dourado direcionam o olhar para os pontos de destaque. Tudo foi pensado para manter uma unidade estética e sensorial”, explica Lucas.

A parceria entre a empresa e o arquiteto se repete em mais uma edição da mostra. “Essa já é a terceira CasaCor que realizamos juntos. Desenvolvemos uma relação baseada em confiança, alinhamento estético e respeito pelo processo criativo”, destaca Luciana Vidigal.

O “Rito do Cuidar Deca” é um dos 11 ambientes da mostra que contam com peças do acervo da Ilumine Home, com curadoria selecionada em diálogo com os arquitetos para compor a atmosfera proposta em cada projeto. O número representa uma participação ampliada da marca nesta edição da CasaCor Goiás. “Representa a consolidação de um trabalho desenvolvido com consistência e dedicação”, afirma a empresária.

Entre os espaços que contam com assinatura da Ilumine Home estão ambientes de profissionais como Carol Gama, Giovanna Arimatéa, Gustavo Watanabe Machado e Aline Aratake, além de Isabela Tonial Carvalho, Isis Dallarmi, Juliana Bessa, Lara Veiga Zago, Leo Magno, Studio Dous Arquitetura e Interiores, Vanessa Figueiredo e o próprio Lucas Machado. Em todos eles, a iluminação aparece integrada às propostas arquitetônicas e aos diferentes usos dos ambientes. “Mais do que iluminar, buscamos criar atmosferas alinhadas à identidade de cada projeto”, resume Luciana.

Studio Lucas Machado @studiolucasmachado | (62) 99860-8510 Ilumine Home @ilumine.home | (62) 98545-0686

Rua 1132, 62 - St. Marista, Goiânia - GO

Materiais naturais e tons terrosos conduzem a um ambiente para desacelerar, onde arquitetura e bem-estar se encontram de forma acolhedora e sensorial

Arquiteto Lucas Machado
Fotos: Edgard César
Foto: João Carlos

autêntico

O valor do feito à mão

“Espaço Sebrae” na CasaCor Goiás 2026 reúne 150 artesãos e evidencia o artesanato como expressão cultural e atividade econômica

Júnior Bueno

Em meio a peças de barro, fibra natural, madeira e bordado, o “Espaço Sebrae”, na CasaCor Goiás 2026, apresenta um recorte do artesanato goiano a partir de materiais, técnicas e memórias que atravessam gerações. Em sua quinta participação na mostra, a instituição reúne cerca de 150 artesãos e mais de 1.200 artigos em um espaço que aproxima tradição, design e identidade cultural, ao mesmo tempo em que reforça o trabalho de fomentar, qualificar e apoiar artesãos como agentes culturais e econômicos.

O espaço, assinado pelos arquitetos Willy Martins e Higor Cardoso, tem como conceito o afeto e foi inspirado em referências do interior goiano, como as cidades de Goiás e Pirenópolis. “A gente quis resgatar a memória afetiva do povo goiano, trazendo elementos naturais e ligados ao artesanato”, explicam. Com cerca de 60 m², o ambiente recria uma venda antiga, com uso de barro, palha e madeira em sua composição.

A criação utiliza técnicas construtivas tradicionais, com paredes em adobe, telhas coloniais, forro de madeira e piso orgânico. “A intenção foi criar um lugar onde a pessoa se identifique com memórias da infância”, afirmam os arquitetos. O resultado é um ambiente que equilibra cenografia e curadoria, pensado para valorizar as peças sem abrir mão da experiência.

A curadoria de Daniella Caixeta, gestora estadual de Artesanato do Sebrae Goiás, sintetiza um trabalho contínuo junto aos artesãos. “Desde 2021, desenvolvemos um projeto para fomentar o artesanato goiano. A gente capacita esses profissionais em gestão, precificação e marketing, tudo o que eles precisam para se posicionar no mercado”, afirma. Segundo ela, o espaço na CasaCor é um desdobramento direto desse processo: “Aqui está o melhor do artesanato goiano, resultado de uma curadoria muito criteriosa.”

Distribuídas pelo ambiente, as peças ajudam a construir uma leitura ampla do artesanato produzido no Estado. “Nosso foco também está no design e na identidade cultural, em produtos que realmente representem o Estado”, completa Daniella.

Entre os destaques, o projeto Goiás Original ocupa três cristaleiras e dialoga com uma mesa posta composta por utilitários artesanais, mostrando como tradição e contemporaneidade podem coexistir. Ao reunir produção, formação e visibilidade, o espaço apresenta o artesanato como expressão cultural e atividade econômica. Mais do que expor, o Sebrae cria oportunidades para que esses criadores ocupem novos mercados sem abrir mão de sua identidade.

Sebrae Goiás @sebraegoias | 0800 570 0800 Av. T-3, 1.000 - St. Bueno, Goiânia – GO

Palha, madeira, adobe e referências à arquitetura vernacular conduzem a ambientação, que propõe uma leitura contemporânea das memórias e tradições do interior goiano
Foto: Edgard César

design

Móveis que contam histórias

Lara Veiga Zago combina materiais naturais, volumes orgânicos e peças atemporais em ambiente para a CasaCor Goiás 2026

Júnior Bueno

Mais do que estética ou funcionalidade, a escolha dos móveis pode traduzir afeto, memória e até mesmo a passagem do tempo. No living "O que Permanece", assinado por Lara Veiga Zago para a CasaCor Goiás 2026, o mobiliário assume papel central na composição. Em 68 m² integrados entre estar e jantar, as peças selecionadas pela arquiteta a partir da curadoria da Cenário Móveis organizam a circulação e ajudam a construir uma composição sofisticada, fluida e cheia de personalidade.

A seleção privilegia móveis de desenho atemporal, materiais naturais e formas orgânicas, em uma combinação de proporções equilibradas e volumes bem resolvidos, capazes de conferir presença visual ao décor sem comprometer a leveza do ambiente. “Queria que o mobiliário ajudasse a contar a história do ambiente. Cada peça foi escolhida para transmitir acolhimento, permanência e essa sensação de casa vivida, de memórias sendo construídas ao redor das pessoas”, afirma.

A composição aposta em linhas orgânicas, volumes horizontais e materiais naturais para construir um ambiente voltado ao convívio. Tons terrosos, madeira nogal, mármores Curaçá escovado e Bege Bahia formam a base do projeto, enquanto o mobiliário acompanha a mesma linguagem quente e tátil.

O layout fluido ganha movimento com a mesa de jantar Gaia, do designer Lorenzo Razzera, cuja base curva introduz leveza ao espaço. Já os sofás e poltronas arredondados suavizam a circulação e ampliam a sensação de conforto. No centro do living, a mesa Filamento, com desenho em grid, organiza visualmente a composição e conecta os dois ambientes.

Para a diretora da Cenário Móveis, Danielle Gaioso, o projeto nasceu de uma afinidade de valores entre marca e arquiteta. “Existe algo muito especial nessa parceria porque ela vai além da estética. O ambiente fala sobre vínculos, memória e escolhas feitas com intenção”, destaca. Todo o mobiliário do living é exclusivo da Cenário Móveis e reúne peças que representam o design brasileiro contemporâneo.

Entre os destaques está a Poltrona Cesto, assinada por Igor Santos e vencedora do iF Design Award, além da Cadeira Repouso, de Pedro Galasso, escolhida pela leveza visual e pelo conforto. A iluminação cênica completa a experiência ao valorizar texturas, curvas e volumes de maneira sutil. A luz indireta cria profundidade e acentua a atmosfera intimista do living, transformando o espaço em um ambiente de contemplação e encontro.

Cenário Móveis @cenariomoveis | (62) 99644-8937

Rua 90, 392, St. Sul - Goiânia - GO

Formas orgânicas, iluminação indireta e materiais naturais criam atmosfera marcada por equilíbrio e continuidade visual
A mesa Filamento organiza o living com desenho em grid e reforça o ritmo da composição
A empresária Danielle Gaioso e a arquiteta Lara Veiga Zago
Fotos: Edgard César
Foto: Pedro Motta

Fotos: João Carlos

Natureza Intuitiva

Na CasaCor Goiás 2026, Cejana Pires apresenta obras inspiradas no Rio Araguaia e transforma o ambiente “Entre Rios” em uma experiência sensorial ligada ao Cerrado e à espiritualidade

As criações de Cejana Pires nascem da necessidade de materializar sentidos. Para a artista, o processo criativo está ligado a uma percepção sensível e quase instintiva do mundo. “É minha missão de vida”, revela a goiana, que também é arquiteta, ao definir sua relação visceral com a arte. Compreender seu trabalho, no entanto, exige mais do que uma simples observação: é preciso se conectar. “Acredito que a arte tem o poder de tocar lugares invisíveis da alma”, enfatiza.

No ambiente “Entre Rios”, assinado pelos arquitetos Gustavo Watanabe e Aline Aratake para a CasaCor Goiás 2026, a artista apresenta obras inspiradas em um dos maiores corredores ecológicos do País, o Rio Araguaia.

A coleção “A Água que Cura” reúne esculturas, quadros, instalações e adornos que ampliam a atmosfera sensorial do espaço por meio de referências à fauna e à flora do Cerrado. “A natureza sempre foi minha grande fonte de inspiração. Ao contemplá-la, recebo insights e me conecto à essência que inspira a criação das minhas obras”, afirma Cejana. A artista também incorpora elementos indígenas à construção de suas obras.

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Um dos pontos centrais do ambiente é a instalação “Rede de Pescadores”, que retrata a pesca como prática de sustento e relaciona a água à ideia de abundância e fluxo da vida. Fruto de um longo processo artesanal, a peça utiliza papel reciclado, fibras naturais e cerâmica, materiais recorrentes em sua produção, que refletem seu compromisso com a sustentabilidade. “Entendi que minha arte também pode levar a mensagem de conscientização sobre a preservação do meio ambiente”, diz. O espaço ainda incorpora elementos que reforçam a memória afetiva e a relação simbólica do rio com os goianos, como pescadores, pássaros, peixes e canoas.

Com peças que circulam por exposições, feiras e mostras de design internacionais, a arquiteta transforma a arte em uma experiência marcada por espiritualidade, sensibilidade e conexão emocional. Cejana compreende sua produção artística como um processo intuitivo, guiado pela relação entre matéria, natureza e percepção sensível. “Onde minhas obras estiverem, desejo que as pessoas sintam a presença da luz, da espiritualidade e da conexão com algo maior”, finaliza.

Cejana Pires @cejanapirescasa | (62) 99902-4609 www.cejanapires.com.br

Na obra Entre Rios, Cejana Pires traz memórias afetivas ligadas ao Cerrado

visual

Personalidade no olhar

A Status Casa integra o ambiente “Ótica”, na CasaCor Goiás 2026, assinado pela arquiteta

Simone Moura, e transforma o espaço comercial em uma experiência de permanência

Júnior Bueno

Na CasaCor Goiás 2026, a Status Casa amplia sua atuação ao integrar o ambiente "Ótica", parceria com Simone Moura & Zampollo Arquitetura e Interiores. Após três edições explorando espaços residenciais e de convivência, a marca das empresárias Márcia Dantas e Simonia Antônia estreia em um projeto comercial que evidencia a versatilidade de seu mobiliário, transitando por diferentes tipologias sem perder identidade.

Com 25 m², o espaço propõe uma nova leitura das óticas. “A proposta não foi criar um espaço de consumo imediato, em que o cliente entra, compra e sai. A intenção foi estimular a permanência, o convívio e a pausa”, afirma Simone Moura. O layout, concebido como uma pequena sala de estar, organizase em torno de uma mesa de centro e poltronas, favorecendo o diálogo e o conforto.

Esse direcionamento encontra eco na trajetória recente da Status Casa na mostra. “Ao longo dessas três participações consecutivas, sempre buscamos sair do óbvio. Cada edição representa uma nova leitura da marca”, afirma Márcia Dantas. A entrada em um ambiente comercial surge, segundo ela, como desdobramento natural desse percurso. “Mais do que uma mudança, é uma evolução natural.” A parceria com Simone

Moura, acrescenta, partiu de uma afinidade de linguagem: “Ela já traz uma sensibilidade muito alinhada com a nossa essência.”

No projeto, o mobiliário é o ponto central para a experiência. “Buscamos peças que convidassem à permanência, com acolhimento, mas também com personalidade e presença estética”, esclarece Márcia. Entre as escolhas estão a poltrona Solar, da Ancezki; a mesa de centro Orvalho, da Origin Brazil; e as mesas laterais Calhau.

O uso de madeira, texturas e superfícies curvas constrói uma atmosfera envolvente, com acolhimento e fluidez. “A madeira contribui para uma sensação de aconchego, como se o espaço abraçasse o visitante, enquanto as curvas trazem leveza”, explica Simone Moura. O projeto luminotécnico foi pensado para valorizar os óculos da Gustavo Eyewear sem comprometer o conforto visual. Ao aproximar o consumo de uma experiência doméstica, o ambiente propõe uma mudança de lógica. “A desaceleração começa no sentir. O mobiliário convida ao conforto e ao acolhimento”, afirma Márcia. “O espaço favorece a permanência, a experimentação e uma experiência mais completa com a marca.” Nesse contexto, o mobiliário da Status Casa atua como mediador dessa vivência.

Status Casa @ status.casa l (62) 3996-1414

R. Santa Catarina, 436 - Jardim Guanabara, Goiânia - GO

Curvas, madeira e texturas naturais conduzem um mobiliário pensado para permanência, conforto e fluidez no espaço
A arquiteta Simone Moura entre as sócias da Status Casa, Simonia Antônia e Márcia Dantas
Foto: João Carlos
Foto: Edgard César

inovação

da Automatize

A evolução da automação

Aos 20 anos, Automatize acompanha as transformações do morar contemporâneo com soluções integradas que unem conforto, conectividade e usabilidade

Júnior Bueno

Antes associada apenas à conveniência e a projetos de alto padrão, a automação passou a transformar a relação das pessoas com a própria casa, especialmente em aspectos ligados à segurança, ao monitoramento remoto e à integração da rotina. Comandada por Raphael Santome, Leandro Ribeiro e Gilberto Ribeiro, a Automatize completa duas décadas de atuação em Goiás acompanhando o avanço das tecnologias voltadas às smart homes e a evolução da automação residencial e predial no Estado.

Segundo Raphael Santome, a mudança no perfil do cliente foi determinante para essa evolução. Antes associada ao luxo, a automação hoje é vista como solução prática, segura e funcional. “O cliente deixou de buscar tecnologia pela tecnologia. Ele quer soluções que funcionem bem, sejam discretas e realmente melhorem a rotina”, afirma. Esse avanço acompanha a transformação do setor, com sistemas conectados, aplicativos, assistentes de voz e inteligência artificial traduzidos em experiências simples, integradas e focadas na usabilidade. A relação entre automação e arquitetura também se transformou. Hoje, a tecnologia é pensada desde o início do projeto. Dispositivos embutidos, interfaces discretas e soluções que respeitam materiais, cores e layout permitem

que o desempenho técnico aconteça sem interferir na estética. “Quando bem executada, a automação melhora a experiência sem chamar atenção para si”, explica Raphael. O resultado são ambientes mais limpos, em que iluminação, áudio, climatização e segurança operam de forma coordenada.

Na CasaCor Goiás 2026, a Automatize integra 12 ambientes da mostra, incluindo projetos assinados por Clécio Lourenço e Gervásio Milaneze, Marcos Lula, Espaço OM e Vero Festas, Felipe Félix e Guilherme Barbosa, Ísis Dallarmi e Letícia Santos, com soluções que reforçam o papel da automação como elemento sensorial, capaz de adaptar os espaços a diferentes usos. A proposta é permitir que cada ambiente responda de forma intuitiva a momentos distintos, como receber, relaxar ou trabalhar.

Versátil, a tecnologia se adapta a diferentes tipos de projetos: nas residências, prioriza conforto e personalização; nos espaços comerciais, eficiência e controle; e, em ambientes expositivos, experiência e impacto sensorial.

Para os próximos anos, o empresário explica que a tendência é de sistemas mais integrados e responsivos, capazes de entender hábitos e preferências, em uma lógica cada vez mais cognitiva, na qual a interação se aproxima da linguagem natural e os ambientes passam a antecipar necessidades.

ZELO 66—67 Automatize @automatizeoficial Rua 1.131, 568 - St. Marista, Goiânia - GO

À frente
estão os sócios Raphael Santome, Leandro Ribeiro e Gilberto Ribeiro
Fotos: Divulgação

Morar contemporâneo

Assinado pela arquiteta Natália Maciel, decorado apresenta marcenaria planejada, integração de ambientes e mobiliário atemporal para criar espaços sofisticados e funcionais

Com rotinas cada vez mais dinâmicas, arquitetura e design passaram a assumir novas funções voltadas à otimização e ao desaceleramento do cotidiano. Marcenaria planejada, projeto personalizado e mobiliário atemporal são pontos diferenciais no viver contemporâneo. Pensando nisso, a arquiteta Natália Maciel transforma a experiência do morar a partir do decorado Kairós, empreendimento de 121 m² da Tapajós Engenharia, em Goiânia.

A marcenaria, bem executada pela NL Móveis Planejados, apresenta uma proposta multifuncional por meio de prateleiras, nichos, armários embutidos e uma chapelaria na entrada. Além disso, painéis contínuos de madeira em tom marrom intenso ampliam visualmente os espaços, reforçando a integração entre os ambientes. Segundo a arquiteta, a criação de projetos únicos está relacionada ao planejamento do layout. “A marcenaria permite a criação de diversos formatos que tornam os ambientes criativos e viáveis”, complementa.

A narrativa estética do projeto busca se distanciar de modismos. “Meu estilo é desprovido de tendências passageiras induzidas pelo consumo excessivo dos dias atuais”, explica.

Desse modo, na sala de estar, Natália aplica referências do design japonês na elaboração de soluções inteligentes, como um painel dinâmico com uma porta oculta que separa os dormitórios da parte social. Um dos destaques do mobiliário é a poltrona Womb Chair, desenhada por Eero Saarinen em 1946, que reforça a identidade atemporal.

Já na cozinha, a bancada recebe revestimentos que dialogam com os armários em MDF kashmir, unindo textura e sofisticação. A área gourmet é integrada ao living por meio de armários contínuos e uma mesa imponente.

Os quartos infantis possuem uma paleta acolhedora por meio de papéis de parede em tonalidades de azul-marinho e verdeoliva. A suíte, por sua vez, é concebida a partir da ideia de refúgio e é ampliada por meio de espelhos e jogos de luz estratégicos.

Em resposta às transformações do cotidiano, o projeto propõe uma forma de morar pautada pela praticidade sem abrir mão do conforto. “A harmonia entre forma, função e identidade é fundamental para alcançar resultados satisfatórios”, finaliza Natália.

Natália Maciel Arquitetura @nataliamacielarquitetura l (62) 99658-7067

NL Móveis Planejados l @nlprojetosdeinteriores (62) 3432-7900 / (62) 99507-9292 / (62) 98187-5096

Rua Marília, 760, Jardim Guanabara, Goiânia - GO

Arquiteta Natália Maciel
Poltrona Womb Chair integra o living e reforça a proposta atemporal do projeto
A bancada organiza o espaço e reforça a continuidade visual entre os ambientes
Fotos: João Carlos

empreender

Qualidade que impulsiona resultados

Com exclusividade de marcas em Goiás e atuação voltada à curadoria e personalização, Mundial Mix amplia presença no mercado de acabamentos de alto padrão

Júnior Bueno

À frente da Mundial Mix, as empresárias Daniella e Denise Carvalho consolidam um modelo de negócio que combina curadoria estratégica, relacionamento com arquitetos e consistência operacional. O resultado mais recente veio no começo de 2026, quando o grupo foi reconhecido como a loja que mais cresceu em vendas da Decortiles no Brasil e alcançou o primeiro lugar em pontuação no ConnectArq, plataforma de relacionamento com arquitetos e especificadores, destacandose entre as unidades Black da marca.

“Ficamos em primeiro lugar entre 33 lojas no Brasil”, comemora Denise. O desempenho, no entanto, não é tratado como um movimento pontual. Daniella define o crescimento como consequência de um processo contínuo de aproximação com o mercado. “Foi um trabalho gradual, mostrando o profissionalismo das marcas e as vantagens de estar no nosso programa”, afirma.

Parte desse posicionamento está ancorada na estrutura do portfólio. A Mundial Mix reúne marcas como Indusparquet, Eliane Revestimentos e Decortiles, com exclusividade em Goiás, o que permite atender desde projetos residenciais de alto padrão até demandas comerciais. “Temos uma ampla carteira de indústrias no Estado. Isso faz com que o arquiteto consiga atender diferentes perfis de cliente em um só lugar”, explica Denise. “Trabalhamos com algumas das mais relevantes inovações em porcelanato do mundo, o que impacta diretamente na qualidade final”, acrescenta.

A empresa também atua de forma ativa na curadoria, visitando fábricas para selecionar o que oferecer ao mercado local, considerando o perfil do público. “Nem tudo que funciona em São Paulo funciona aqui. A gente já conhece o que faz sentido para Goiânia”, afirma Denise. Essa proximidade influencia, inclusive, o desenvolvimento de produtos. “Muitas vezes, os lançamentos

Para seu projeto na Mostra Artefacto 2026, Doriselma Mariotto escolheu o piso Eucalipto Citri, da Indusparquet, marcado pela tonalidade contemporânea e pela proposta de composições leves e elegantes
Fotos: Amanda Afonso

surgem a partir das nossas sugestões, porque estamos na ponta, entendendo o cliente”, completa Daniella.

“Cada casa é um caso. O cliente precisa visualizar o projeto, e nosso papel é ajudar nessa leitura”, diz Denise. A loja também disponibiliza um coworking para que profissionais atendam seus clientes no local, integrando a apresentação do projeto e a escolha de materiais no mesmo ambiente.

A presença em mostras amplia a visibilidade da marca e evidencia sua atuação em projetos autorais. Na Artefacto 2026, a Mundial Mix participa de ambientes assinados por arquitetos como Doriselma Mariotto e Giovanni Borges, em projetos que incorporam produtos exclusivos do grupo. “Foi um convite que tem tudo a ver com o nosso posicionamento. Trabalhamos com a ideia de que cada projeto é único, então o produto também precisa ser”, afirma Denise.

O aquecimento do mercado imobiliário em Goiânia aparece como outro fator que impulsiona a expansão da empresa. Segundo Denise, a Capital tem atraído clientes de diferentes regiões e até do exterior, interessados em projetos de alto padrão. “Estamos vivendo um ‘boom’. Atendemos clientes de outros Estados e até estrangeiros, que vêm buscar aqui produtos que não encontram em suas cidades”, enfatiza.

A personalização, nesse cenário, ganha protagonismo. A empresa busca desenvolver soluções exclusivas para projetos específicos em parceria com as marcas. “Muitos itens são feitos sob medida, então não dá para errar. É um processo que exige acompanhamento próximo e muito cuidado”, esclarece Denise. Para as empresárias, essa combinação sustenta o crescimento. “O reconhecimento não vem do dia para a noite. É resultado de anos de trabalho consistente”, conclui a dupla.

Mundial Mix | @mundialmixacabamentos Av. T-63, 3.448, Jardim América – Goiânia – GO (62) 3945-7481

A Mundial Mix conquistou o primeiro lugar no ConnectArq, programa da Decortiles voltado ao relacionamento com arquitetos e especificadores
Giovanni Borges utilizou vinílicos amadeirados da Eliane Floor, representada pela Mundial Mix em Goiás, no ambiente que assina para a Artefacto 2026
Entre Denise e Daniella Carvalho, a arquiteta Doriselma Mariotto posa no ambiente desenvolvido por ela para a Mostra Artefacto 2026
Foto:
Divulgação

No ritmo da alameda

Bueno urbanismo

Atmosfera da Ricardo Paranhos redefine o morar no Setor Marista e orienta projetos como o “Storya”, da Brasal Incorporações, que integram qualidade de vida ao desenho dos empreendimentos

A proximidade com a Alameda Ricardo Paranhos, um dos corredores de saúde e bem-estar da cidade, no Setor Marista, tem orientado novos empreendimentos que traduzem, em arquitetura, hábitos já consolidados. Mais do que o tamanho do imóvel, ganha relevância a forma como ele se conecta à vida cotidiana.

Localizado a 50 m da Ricardo Paranhos, o “Storya Casa Versátil”, da Brasal Incorporações, parte dessa lógica ao integrar o entorno ao conceito do empreendimento. “É esse estilo de vida que o Marista traz, essa busca das pessoas por mais tempo e qualidade de vida”, afirma Bruna Caetano Caramaschi, coordenadora de marketing da incorporadora. Essa leitura também impacta o perfil de quem busca viver na região. “Há um movimento de pessoas que saem de bairros mais afastados em direção a áreas mais valorizadas, como o Marista”, observa o gerente comercial Maurício D’Angelo. Para ele, a escolha do imóvel acompanha diferentes fases da vida. “O mesmo empreendimento pode atender desde um studio até uma penthouse”, esclarece.

Com interiores assinado por William Hanna e paisagismo de João Paulo Florentino, o “Storya” reúne comodidades como mini market, horta, espaços de convivência e soluções voltadas à mobilidade e tecnologia. “Essas estruturas trazem mais praticidade e agilidade para os moradores. É possível resolver muita coisa dentro do próprio prédio”, afirma Maurício.

Situada no 27º andar com vista panorâmica, e mais de 200 m², a Praça Wellness se consolida como um dos destaques do empreendimento, com piscina, academia, sauna e áreas voltadas ao relaxamento. “Por estar em um pavimento elevado, esta área cria uma experiência mais imersiva, que reforça o bem-estar”, explica Tainá Carrilho, coordenadora de desenvolvimento de produto da Brasal.

O que se desenha não é apenas um novo tipo de imóvel, mas uma nova forma de habitar. “A proposta é transformar o prédio em um ecossistema de convivência mais dinâmico, fluido e alinhado às diferentes formas de viver contemporâneas”, define Tainá.

Brasal Incorporações @brasalincorporacoes Alameda Ricardo Paranhos, 1.468 - St. Marista

Com elegância, o empreendimento traduz uma rotina urbana conectada à qualidade de vida no Setor Marista
No 27º andar, a academia une vista panorâmica da cidade a uma experiência integrada ao cotidiano
Fotos: Divulgação

BOSSADesign,Arte&Cia

GENÉSIO MARANHÃO genesiomaranhao@uol.com.br

iF Design Award 2026

O sofá Anish, criação do talentoso arquiteto, designer e artista visual Leo Romano, primorosamente produzido pela goiana Movelaria Brasileira, acaba de ganhar o iF Design Award 2026, o Oscar do design. Com proporções generosas, volumes sólidos, linhas retas e curvas sutis apoiadas sobre uma base esbelta, apresenta um visual de quase flutuação. Com linguagem contemporânea, é uma peça confortável, sofisticada e que valoriza o espaço onde se encontra sem perder a poesia, traço de identidade do design brasileiro. A estreia de um design genuinamente goiano na prestigiada premiação alemã orgulha a todos os engajados na construção do morar bem em Goiás.

Jatobá Nascente

Espaço coletivo reúne seis artistas de diferentes regiões do País em uma experiência integrada de produção artística, arte-educação, moradia e exposições. Trata-se do Jatobá Nascente, idealizado pelo artista Dalton de Paula, criador e mentor do Sertão Negro, de onde são egressos os artistas visuais Abraão Veloso, Lucélia Maciel, Genor Sales, Tor Teixeira, William Maia e Xica. Eles contribuem, a partir de diferentes trajetórias e repertórios, para a construção de um espaço plural pautado pela colaboração e pelo fortalecimento mútuo.

Em 1961, quando o visionário Pedro Tormin Borges criou, no centro da jovem capital goiana, a Itapuã Decorações – afetiva homenagem às origens de Vera Lúcia, musa inspiradora de todos os seus sonhos –, não imaginava que plantava as bases de um dos mais sólidos empreendimentos de móveis e decoração de alto padrão em Goiás. Atento às mudanças que vivenciou ao longo das décadas, soube, com maestria, ajustar esses movimentos aos gostos, preferências, espaços, ambientes e lifestyle dos clientes do coração do Brasil, reafirmando conceitos de luxo e sofisticação. A Itapuã Decorações transformou-se em Via Condotti — o sotaque italiano era moda à época — e ganhou novo e prestigiado endereço. Novos empreendimentos surgiram no ritmo das transformações urbanas que passaram a definir diferentes formas de morar, trabalhar e viver, sem abrir mão da premissa original de qualidade, requinte e inovação. Pedro Tormin não está mais entre nós, mas seu legado permanece vivo graças ao vigor e ao empenho das gerações sucessoras, herdeiras do talento comercial, do apurado bom gosto e da paixão pelo que fazem.

Bibelôs

• A Fargo – Feira de Arte Goiás encerra a 8ª edição, marcada pela participação de expressivas galerias e escritórios de arte, daqui e dos grandes centros produtores e consumidores do País, e pelo prestígio do público especializado. A edição é destaque regional do Centro-Oeste no Prêmio ABCA 2026.

• Novo sócio da Ventura Casa, o empresário Rodrigo Arantes assume a gestão e os negócios da empresa. Na pauta, maior aproximação com o bom design nacional e com a tecnologia, sem perder o frescor dos novos movimentos que traduzem o bem-estar e o morar melhor. Taísa Bueno continua na gerência da loja, traduzindo com sua experiência e carisma um atendimento pra lá de personalizado.

• Ainda há tempo para visitar a 29ª edição da CasaCor Goiás. Com sucesso de público e crítica, os 3.300 m² distribuídos em 43 ambientes assinados por 60 competentes profissionais consolidam a confortável posição da mostra como a maior de arquitetura, design, paisagismo e arte de Goiás.

Via Condotti, 65 anos
Bossa (bos.sa) s.f. 1 . O essa e o isso o que versa sobre a graça - no tom ela se mostra. 2 . Acústica que belisca as futricas do que passa (Marcos Caiado)
Fotos: Divulgação

Dr. Bones: beleza a favor do tempo

Ao transformar sua visão sobre envelhecimento saudável em uma marca, dermatologista goiano ampliou sua atuação entre estética, formação profissional e negócios

Lucas de Godoi

Foto: João Carlos

Quem chega ao consultório de Dr. Bones Júnior percebe rapidamente que o espaço foi desenhado para comunicar algo além da sofisticação. Arte, móveis assinados pelo arquiteto Leo Romano, bebidas exclusivas e um ritmo menos apressado ajudam a sustentar a ideia que organiza toda a experiência: a de que estética não deveria interromper o tempo, mas acompanhar o modo como cada pessoa atravessa esse processo. Foi dessa visão que nasceu um personagem que hoje ocupa um espaço particular no mercado brasileiro de estética de alto padrão. Conhecido como Dr. Colágeno, o dermatologista transformou sua atuação à frente da B. Aesthetic & Co. em um ecossistema que conecta clínica, formação profissional, projetos empresariais e uma compreensão de que médicos precisam entender a profissão para além da técnica.

Graduado em Medicina pela Universidade Federal de Goiás (UFG), com especialização em Dermatologia e pós-graduação em Cirurgia Dermatológica, Dr. Bones construiu sua trajetória acompanhando a expansão da dermatologia estética no País. Congressos, imersões e atualizações constantes passaram a fazer parte de uma rotina que ajudou a consolidar seu nome em um segmento cada vez mais competitivo.

O ponto de partida desse processo veio há cerca de uma década. Enquanto parte do setor caminhava para harmonizações mais volumosas e procedimentos que aproximavam rostos de um mesmo padrão estético, o médico e empresário começou a defender o colágeno como símbolo de outra abordagem. Menos associada à transformação e mais próxima da regeneração, da bioestimulação e da promoção de um envelhecimento saudável e consciente. “Quando eu percebi que não seria líder disputando o mesmo espaço que todo mundo, entendi que precisava criar um novo mercado”, resume.

Ao redor dessa proposta surgiram protocolos, conteúdos, uma linguagem própria e uma leitura que mais tarde ganharia nome: Beleza Autêntica. A proposta passou a defender intervenções voltadas à preservação de características individuais, em oposição à busca por padrões estéticos uniformizados. A partir dessa visão, Dr. Bones estruturou o movimento Revele sua Beleza, iniciativa que incentiva mulheres a reconhecer e valorizar traços que as tornam únicas, sem a expectativa de reproduzir referências externas.

Essa visão também orienta os investimentos realizados na B. Aesthetic & Co., que incorporou tecnologias voltadas à bioestimulação, regeneração tecidual e tratamentos preventivos. Para o dermatologista, o avanço dos equipamentos ampliou as possibilidades de intervenção, mas não substituiu a necessidade de personalização dos tratamentos.

Círculo de influência À medida que sua atuação ganhou alcance, o consultório deixou de reunir apenas pacientes e passou a conectar Bones a empresários, investidores e novos negócios. Entre eles está a curadoria de protocolos ligados a uma rede de estética associada à apresentadora Ana Hickmann. “Todo mundo estava disputando o mesmo mercado. Eu pensei: deixa eu mostrar o que acredito e ver se faz sentido. Hoje eu faço essa curadoria dos protocolos para a clínica da Ana Hickmann porque não adianta olhar só como dermatologista e também não dá para olhar só empresarialmente”, explica.

Ao longo da conversa, ele menciona nomes do empresariado goiano, da música e do agronegócio com naturalidade. Não trata esse trânsito como demonstração de acesso, mas como consequência de uma ideia que ganhou escala e encontrou espaço em ambientes que passaram a reconhecer identidade e posicionamento como parte do valor entregue.

Formar para permanecer

Nos últimos anos, parte da agenda do dermatologista passou a migrar do consultório para programas de formação e mentorias voltadas a médicos e odontólogos. O argumento que sustenta essas iniciativas parte de uma leitura recorrente nas suas falas: o conhecimento técnico deixou de ser suficiente para sustentar uma carreira sólida. “O extraordinário não está só em ser bom tecnicamente. Isso é obrigação. O diferencial está no que você entrega além”, diz.

Ao defender que médicos precisam aprender identidade, posicionamento e visão empresarial, ele parece falar também sobre o próprio percurso. Em vez de abandonar a medicina para empreender, sua proposta é ampliar o alcance da profissão por outros caminhos.

Para além do consultório

O sorriso que guia a conversa sobre negócios, inovação e construção de marca muda quando a entrevista chega à família. Ao falar da esposa, Tatyane, com quem é casado há cerca de 15 anos, e dos quatro filhos, a emoção aparece antes de qualquer conclusão.

Ao descrever a rotina em casa, surge alguém que gosta de transformar o trajeto em conversa e estimular perguntas improváveis. “Eu sempre falo que a escola não pode ser um limitador do conhecimento deles. Outro dia estávamos discutindo qual seria a menor partícula do mundo. Gosto que eles cheguem já pensando além.”

Talvez seja nesse momento que diferentes dimensões de sua atuação se encontrem. O médico que fala sobre envelhecimento saudável, formação profissional e construção de marca leva a mesma lógica para a vida familiar: estimular autonomia, repertório e desenvolvimento contínuo.

Bones Júnior (CRM: 11543/ RQE: 7173) @drbonesdermato/ @b.aestheticco | (62) 99808-4040

Av. Dep. Jamel Cecílio, 2.690 - Jardim Goiás, Goiânia - GO

Reinvenção

ZELOBeleza

A linha Studio Fix, da M·A·C, ganha três lançamentos voltados à correção, contorno e uniformização da pele: o corretivo Studio Fix 36H Smooth Angles Concealer; o contorno líquido Multisculpt Matte Liquid Colour, e o corretor de cor Studio Fix 24H. As novidades acompanham a busca por acabamentos mais naturais e técnicas de escultura facial mais sutis, com produtos de longa duração, cobertura construível e resistência à água, suor e transferência. Entre os destaques está o corretivo reformulado, agora disponível em 44 tons, além do contorno líquido com efeito matte suave e dos corretivos cromáticos.

Para o corpo

A Fenty amplia seu portfólio de beleza com a Fenty Body Collection, linha de cuidados corporais desenvolvida por Rihanna para transformar a rotina de banho em uma experiência sensorial. A coleção reúne body wash, brumas corporais e kits com fragrâncias multidimensionais e fórmulas que envolvem a pele do pescoço para baixo com o mesmo cuidado dedicado ao skincare facial. Os aromas transitam entre notas florais, gourmand e tropicais.

Chamego

Entre notas de coco e framboesa, a L’Occitane au Brésil apresenta Chamego, nova fragrância da linha Puro Suco inspirada nas demonstrações de afeto típicas da brasilidade. A fragrância aposta em uma composição frutal floral gourmand que combina frescor tropical, cremosidade e nuances adocicadas em produtos como mist desodorante perfumado e frappé hidratante corporal. Com proposta jovem e sensorial, a linha transforma o autocuidado em uma experiência sensorial marcada por conforto e afeto.

Base com tratamento

Fragrância

A coleção Absolus Allegoria, da Guerlain, recebe Tabac Sahara, fragrância inspirada na atmosfera misteriosa do deserto sob a luz das estrelas. Desenvolvido por Delphine Jelk, o perfume combina notas esfumaçadas de tabaco com acorde de framboesa e nuances ambaradas, resultando em uma composição intensa e contrastante. Parte da linha Aqua Allegoria, a novidade aposta em fórmulas com mais de 90% de ingredientes de origem natural.

O Boticário apresenta uma nova fase de Make B. Mate Salicylic, base desenvolvida para atender às necessidades da pele oleosa das brasileiras. Disponível em 42 tons, a base combina maquiagem e tratamento com Ácido Salicílico, promovendo controle da oleosidade por até 18 horas sem craquelar ou exigir retoques. A fórmula de acabamento mate aveludado também disfarça poros e linhas de expressão, além de ajudar na redução da aparência de acnes. A linha inclui ainda primer com efeito blur e batons de textura leve e acabamento mate.

Fotos: Divulgação

Para os lábios

A The Ordinary amplia sua linha de cuidados com o lançamento no Brasil do PHA 5% Exfoliating Lip Serum, primeiro sérum esfoliante desenvolvido especialmente para os lábios. Com PHAs e alfa-hidroxiácidos, a fórmula promove renovação suave, hidratação e melhora da textura sem abrasão, atendendo à demanda por produtos voltados à região, mais fina e sensível que a pele do rosto. A fórmula também auxilia na aparência de volume e maciez, substituindo esfoliantes físicos por uma abordagem química mais delicada. A novidade já está disponível na Sephora Brasil.

Do Japão para o Brasil

A Too Faced lança o Blush Iluminador Love Flush, blush líquido que aposta no efeito de pele naturalmente corada com acabamento luminoso e leve. Com fórmula hidratante enriquecida com ácido hialurônico, a textura desliza facilmente, permite construção de camadas e entrega desde um rubor suave até um visual mais intenso. O aplicador em formato de coração reforça a identidade divertida da marca e facilita a aplicação. Disponível em seis tonalidades, o blush chega ao e-commerce da marca e à Sephora com proposta de unir cor, glow e cuidado com a pele.

A Curél Japanese Skincare, marca referência em cuidados para peles secas e sensíveis no Japão, estreia no Brasil com fórmulas desenvolvidas a partir de ceramidas biomiméticas, tecnologia desenvolvida para restaurar e fortalecer a barreira cutânea. Seguindo os princípios da rotina “J-Beauty”, a linha aposta em dupla limpeza e dupla hidratação com produtos de texturas leves, sem fragrância, álcool ou corantes artificiais. Entre os destaques está o Intensive Moisture Care Creme Hidratante Reparador para Região dos Olhos, criado para hidratar profundamente a região delicada ao redor dos olhos, ajudando a reduzir linhas finas causadas pela desidratação e protegendo contra o ressecamento.

Gourmand

A Huda Beauty estreia no universo das fragrâncias com Easy Bake Intense Eau de Parfum, criação inspirada no famoso pó facial da marca. Desenvolvida após pedidos dos fãs, a fragrância passou por mais de 100 versões ao lado do perfumista Hamid Merati-Kashani. A composição mistura cereja silvestre, florais brancos, canela, leite caramelizado e bourbon de baunilha em uma assinatura gourmand intensa, criada para funcionar como o toque final da rotina de beleza idealizada por Huda Kattan.

CORPO EM PERSPECTIVA

Foto: Johnathan Mateus

No Instituto Essencie, o médico Alceu Paulino Rezende Neto aposta na personalização para conduzir tratamentos de emagrecimento, saúde metabólica e qualidade de vida

Hannah Motta

Ao entrar na clínica do médico Alceu Paulino Rezende Neto, o Instituto Essencie, em Goiânia, uma obra de Leo Marino chama atenção. “Idas/Vindas” retrata o movimento contínuo da vida à beira-mar, com fluxos de chegada e partida que sugerem transformação. A imagem sintetiza a proposta do espaço: acompanhar processos individuais de mudança, respeitando o tempo e a trajetória de cada paciente.

Médico há quase 15 anos, Alceu iniciou a carreira na radiologia, com foco em diagnóstico. A transição para a nutrologia marcou uma mudança de enfoque: do exame para o acompanhamento contínuo. “Eu sentia falta do paciente, de poder tratar de fato, e foi quando decidi fazer uma pós-graduação em nutrologia. Ali eu me encontrei”, afirma. Hoje, no Instituto Essencie, o atendimento parte de uma leitura ampliada da saúde, que considera rotina, comportamento e contexto de vida.

No consultório, a procura se concentra especialmente em três frentes: emagrecimento, estratégias voltadas ao envelhecimento com qualidade de vida e tratamentos estéticos. Segundo o médico, o perfil mais frequente é formado por homens e mulheres entre 40 e 60 anos, que buscam resultados sustentáveis. “Existe uma diferença entre perder peso e emagrecer. Perder peso é perder número na balança. Emagrecer com saúde, preservando músculo, qualidade de sono, energia e humor é outra coisa”, explica.

O médico relata que o uso de medicamentos para emagrecimento, especialmente as chamadas “canetas emagrecedoras”, tem ganhado mais espaço e aceitação na rotina clínica, mas observa uma mudança na percepção dos pacientes em relação a esse tipo de tratamento. “Por muito tempo foi um tabu usar remédio para emagrecimento, mas hoje as pessoas estão mais conscientes e interessadas em estar saudáveis. Se o remédio for um caminho para isso, por que não?”, avalia.

Do ponto de vista médico, essas medicações atuam em diferentes sistemas do organismo. Compostos que imitam hormônios naturais promovem saciedade, retardam o esvaziamento gástrico e reduzem a compulsão alimentar. Há também impacto no metabolismo, com atuação no tecido

adiposo. A indicação, no entanto, não é padronizada. A definição do tratamento depende de variáveis como perfil metabólico, condição hormonal, faixa etária e presença de outras doenças, o que exige avaliação individual.

Apesar da eficácia, o médico reforça a importância do acompanhamento contínuo. Ele explica que parte da perda de peso pode incluir massa muscular quando não há orientação adequada. Nesse contexto, a musculação é apontada como uma prática ainda negligenciada. “Muitas pessoas ainda insistem apenas na atividade aeróbica, mas o que mais emagrece, do ponto de vista metabólico, é a musculação”, afirma.

No Instituto Essencie, a condução do tratamento se organiza a partir da personalização. Cada paciente passa por uma avaliação detalhada, que inclui exames laboratoriais completos, histórico clínico e análise de hábitos. A partir desse mapeamento, são definidos protocolos individualizados, que combinam alimentação, suplementação, atividade física e, quando necessário, medicação. “Aqui tudo é personalizado. Se atendemos dez pacientes em um dia, serão dez protocolos diferentes, porque cada um deles é único”, declara o médico. Segundo ele, essa abordagem permite maior precisão nos resultados e redução de efeitos adversos, além de favorecer a manutenção do peso ao longo do tempo.

O médico também alerta para os riscos do uso de medicamentos sem procedência, especialmente quando falamos das canetas injetáveis de uso semanal ou diário, como a semaglutida e a tirzepatida. “Produtos adquiridos fora de canais regulados podem não ter controle sanitário, composição validada ou rastreabilidade, o que impede a verificação da substância aplicada”, esclarece. Nesse cenário, o paciente pode estar utilizando combinações desconhecidas de compostos, com efeitos imprevisíveis. Alceu comenta que, na prática clínica, chegam casos de emagrecimento associado à perda de massa muscular, queda de cabelo, baixa energia e alterações de humor. “Além dos efeitos imediatos, há incerteza sobre os impactos a longo prazo, o que reforça a necessidade de prescrição médica e acompanhamento contínuo”, finaliza.

Alceu Paulino Rezende Neto (CRM-GO: 16710 / RQE: 15808) @dralceurezende/ @institutoessencie | (62) 99875-0303

Edifício Órion - Av. Portugal, 1.148 - Setor Marista, Goiânia – GO

Precisão e acolhimento

Instalada no WTC Goiânia, nova clínica do ortodontista Marcelo Cunha reúne tecnologia de ponta, atendimento personalizado e um ambiente projetado para proporcionar mais conforto aos pacientes

Ao longo de mais de 24 anos de atuação, Marcelo Cunha acompanhou a evolução da odontologia e as mudanças no perfil dos pacientes. Na nova clínica instalada no WTC Goiânia, o ortodontista reúne esses dois movimentos em um projeto que combina soluções tecnológicas avançadas, atendimento personalizado e conforto. “Essa clínica é a continuidade de um projeto que vem sendo construído há muitos anos. Muitos pacientes passaram a solicitar um atendimento mais exclusivo. Ela nasceu justamente dessa demanda e representa a concretização desse novo momento”, afirma.

Com 78 m², a clínica foi concebida para romper com a atmosfera tradicional dos consultórios odontológicos. O projeto foi pensado para aproximar equipe e pacientes e transmitir acolhimento. “Queríamos que o paciente soubesse que está em uma clínica, mas que se sentisse tranquilo e à vontade”, explica. A localização no WTC Goiânia complementa a proposta ao reunir hotelaria e serviços que facilitam a jornada de pacientes vindos de outras cidades. Se o ambiente foi pensado para acolher, a tecnologia foi incorporada para tornar os procedimentos mais precisos. Escaneamento digital, planejamento virtual e simulação prévia do sorriso contribuem para maior previsibilidade dos trata-

mentos. “A tecnologia trouxe mais conforto, agilidade e precisão. Hoje conseguimos eliminar etapas e tornar os tratamentos mais previsíveis”, afirma.

Apesar disso, Marcelo ressalta que ferramentas de inteligência artificial e softwares de planejamento são recursos valiosos, mas não substituem a experiência clínica: “A tecnologia não trabalha sozinha. Cada profissional tem sua assinatura. A experiência humana continua sendo o que direciona as decisões.” Além dos recursos digitais de monitoramento, o ortodontista mantém contato frequente durante os tratamentos, especialmente nos casos mais complexos. “Nosso objetivo é que ninguém se sinta desamparado. A tecnologia facilita o acompanhamento, mas o paciente precisa saber que existe alguém olhando atentamente por ele”, diz.

Paralelamente à inauguração da clínica, Marcelo assume a coordenação da pós-graduação em Ortodontia da São Leopoldo Mandic, instituição de ensino superior com atuação nacional na formação de profissionais da saúde, em Brasília. O retorno à sala de aula, segundo ele, representa uma oportunidade de troca constante com novas gerações de profissionais. “Quando você ensina, aprende muito mais do que está ensinando. O contato com profissionais mais jovens traz novas ideias e novas perspectivas”, finaliza.

Marcelo Cunha (CRO-GO: 7178) @drmarcelocunha | (62) 99832-1808 WTC Goiânia - Av. D, 45 - St. Marista, Goiânia - GO

Foto: Cristina Dourado

Cuidado que transforma

Muito além de uma preocupação estética, as varizes podem afetar o bem-estar e a circulação sanguínea ao longo do tempo. Em Goiânia, a cirurgiã vascular Paula Sabrina Milhomem dedica sua atuação ao tratamento dessas condições, combinando recursos tecnológicos avançados, diagnóstico preciso e atendimento voltado às particularidades de cada paciente.

Formada em Medicina pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e especializada em Cirurgia Vascular, Paula construiu sua trajetória motivada pela possibilidade de tratar sintomas físicos sem ignorar os impactos emocionais causados pelas doenças venosas.

“A cirurgia vascular permite cuidar da saúde e, ao mesmo tempo, devolver conforto, confiança e autoestima aos pacientes”, afirma.

Seu consultório, localizado no Órion Business & Health Complex, oferece tratamentos para varizes e vasinhos utilizando tecnologias como o laser transdérmico e o laser endovenoso.

“A escolha da técnica varia conforme o tipo e a profundidade das veias comprometidas. Cada caso apresenta um padrão e é tão particular quanto uma impressão digital”, explica a médica.

Além dos recursos empregados nos tratamentos, Paula destaca a importância da prevenção. Segundo ela, hábitos como atividade física regular, alimentação equilibrada e controle do peso favorecem o fluxo sanguíneo e ajudam a reduzir sintomas. Ainda assim, a predisposição genética continua sendo um fator determinante: “Não falamos em cura das varizes, porque novas veias podem adoecer ao longo do tempo. Por isso, o acompanhamento periódico é fundamental.”

Embora as mulheres sejam maioria entre os pacientes, os homens também devem estar atentos aos cuidados. “Muitos acabam adiando a consulta, mas o ideal é procurar avaliação nos primeiros sintomas, antes que a doença avance”, afirma. Segundo a médica, o diagnóstico precoce contribui para abordagens mais simples e eficazes.

Entre equipamentos modernos e protocolos atualizados, a profissional preserva aquilo que considera insubstituível: a relação humana. “Nenhuma tecnologia supera a empatia, a escuta e o acolhimento. O tratamento só faz sentido quando conseguimos compreender a necessidade de cada pessoa”, conclui.

Especialista em cirurgia vascular, médica destaca a importância da avaliação precoce e do acompanhamento contínuo para a saúde circulatória

Júnior Bueno

Foto: Clarisse Alves

compromisso com o aperfeiçoamento

À frente do 4º Registro Civil e Tabelionato de Notas de Goiânia e do Cartório Nathália Mansur, a tabeliã e mestre em Direito Nathália Mansur fala à Zelo sobre sua trajetória no universo jurídico, a realidade cartorial, o incentivo à educação e a conexão com sua criança interior

Lucas Pereira

Comprometimento, persistência e organização são cruciais para atingir objetivos.

A junção dos três ilustra bem a vida e a trajetória profissional da tabeliã e mestre em Direito Nathália Mansur. À frente do 4º Registro Civil e Tabelionato de Notas de Goiânia, ela atua na atividade cartorial voltada à garantia da segurança jurídica e à aproximação do serviço com a população. Nathália também é responsável pelo Cartório Nathália Mansur, única serventia cartorial da região norte da Capital, que atende bairros como Jaó, Goiânia 2 e áreas próximas ao Campus 2 da Universidade Federal de Goiás (UFG). Ela se dedica a uma gestão humanizada, com atendimento descomplicado, na intenção de desmistificar a ideia de burocracia associada aos cartórios. A profissional também realiza iniciativas sociais e investe na qualificação da equipe. Para ela, a qualidade do trabalho cartorial e a aproximação com as pessoas são fundamentais para o desenvolvimento da sociedade.

Autora de livros e professora de cursos jurídicos, Nathália é formada em Direito pela Faculdade Milton Campos (FDMC), em Nova Lima, Minas Gerais, e pósgraduada em Direito Tributário, Processual, Público, Ministério Público, Novo Constitucionalismo, Civil e Processo Civil. “Nunca tive influência familiar para seguir o Direito. Minha mãe foi bancária durante muitos anos, até abrir a própria financeira. Meu pai tem uma imobiliária. Sou caçula e tenho um irmão dez anos mais velho. Cresci cercada de cuidados. Nunca fui de sair, era mais tímida, apesar de curiosa. Minha atividade preferida era a leitura. Veio daí, e também de uma certa vocação, acredito, o interesse pelo Direito”, conta.

Caminho do Direito

Durante a faculdade, intercorrências familiares a levaram a se afastar da área. “Eu me voltei para o comércio com a minha mãe. Um tempo depois, fui chamada pelo Ministério Público de Minas Gerais e decidi retomar o meu sonho. Mas comecei a questionar o que eu realmente queria. Foi na tentativa de aliar minha experiência técnica, a maturidade daquele momento e o tino comercial que adquiri que resolvi prestar concurso para cartório”, relembra.

Aprovada em diferentes regiões do Brasil, ela conta que demorou a tomar uma decisão. “Fui primeiro para o interior de São Paulo, onde tive uma experiência muito importante. Era um cartório pequeno, então precisei aprender a fazer de tudo. Em seguida, surgiu a oportunidade de vir para Goiânia”, diz. Nathália brinca que ainda está se adaptando à cultura goiana. “Goiás tem um perfil cultural muito específico. Existem semelhanças com Minas, mas também muitas diferenças. Meu primeiro desafio aqui foi entender as pessoas e compreender como aplicar meu perfil de trabalho nessa nova realidade.”

Realidade cartorial

“Historicamente, os cartórios se popularizaram como espaços de distanciamento, com estruturas engessadas e pouco acessíveis. Hoje, trabalhamos para inverter essa lógica, aproximar o usuário, reduzir a linguagem complexa, ter mais proatividade e uma escuta ativa. Muitas vezes, a pessoa chega com uma necessidade e, na verdade, precisa de outra solução. A burocracia é necessária, com formas e regras que garantem segurança para todos. Mas é preciso acolher com simplicidade, em um ambiente agradável. A resolução de questões pelo cartório é um processo mais prático, rápido e acessível. E nós somos responsáveis por demonstrar isso à sociedade”, afirma.

Trabalho integrado

A tabeliã vê no aperfeiçoamento profissional um investimento. “As meninas da contabilidade estão estudando Gestão Contábil, por exemplo, com parte dos cursos paga pelo cartório. É uma forma de estimular as pessoas a conquistarem seus objetivos por meio dos estudos. Também começamos a realizar campanhas sociais, com doação de kits escolares. Eu acredito muito em um movimento em prol da comunidade. Estou em um cartório no Centro da cidade, por exemplo. O que podemos fazer para contribuir com a melhoria desse espaço? São preocupações que fazem diferença, além do serviço prestado”, diz.

Criança interior

Na rotina pessoal, Nathália é mais reservada. “Venho de uma família muito ligada às artes, gosto de cinema e teatro, estou sempre lendo. A leitura também ensina a ler as pessoas. Eu lido com gente o tempo todo, e isso me ajuda muito”, revela. Após a entrevista, durante as fotos, ela acena para uma escultura que mantém no escritório: Mila, uma menina que carrega um coração de ouro. “É a minha pequena menina de gesso, frágil por fora e firme por dentro”, diz. Questionada sobre sua criança interior, afirma se sentir confortável com as escolhas que fez. “No fundo, é como se nada tivesse mudado. Continuo aquela menina que gosta de ler e aprender.”

Foto: João Carlos

campo aberto

TEMPO DE GOLFE

Silêncio, estratégia e paisagens amplas ajudam a explicar o interesse crescente pelo esporte, que alia técnica, concentração e convivência ao ar livre

Lucas de Godoi

AGoiânia que avançou pela GO-020 transformou antigas áreas rurais em condomínios horizontais, empreendimentos de alto padrão e um dos eixos mais valorizados da Capital. Em meio à expansão que seguiu naquela direção, o Goiânia Golf Club permaneceu quase como uma pausa. Cercado por lagos, campos desenhados sobre a paisagem e mata preservada, o espaço que o golfista profissional José Marcos Nascimento define como uma “fazenda de grama” ainda oferece a sensação cada vez mais rara na cidade: a de desacelerar.

Numa manhã de outono, a Zelo percorreu o local enquanto a luz batia suavemente na grama úmida e o campo parecia despertar devagar. É ali que o clube revela uma sensação incomum de isolamento em meio ao crescimento urbano acelerado.

Nos Estados Unidos dos anos 1970, Leonardo Rizzo descobriu o golfe antes de descobrir o que faria com a vida

Foi justamente essa relação entre urbanismo, natureza e estilo de vida que encantou Leonardo Rizzo quando viveu nos Estados Unidos, no início da década de 1970. Natural da Cidade de Goiás, ele deixou a Capital aos 18 anos decidido a tentar carreira como ator, mas acabou encontrando outro projeto de vida ao descobrir os campos de golfe e o conceito urbanístico que os cercava. “Me apaixonei pelo conceito de moradia e de como um bairro se desenvolve quando tem um campo de golfe”, relembra. Ao retornar ao Brasil, criou sua própria empresa e, aos 30 anos, adquiriu a área onde hoje funciona o clube, transformando aquela visão em um dos empreendimentos mais singulares de Goiânia.

Com cerca de 76 hectares, o Goiânia Golf Club foi desenhado dentro dos padrões internacionais, com 18 buracos e par 72, número que indica a quantidade ideal de tacadas para completar o percurso. O projeto leva a assinatura do arquiteto norte-americano Dan Blankenship, referência mundial na criação de campos profissionais. Em um passeio guiado, Leonardo detalha a dinâmica do clube e a manutenção diária da equipe de greenkeeping, responsável pelo cuidado da grama e pelo desenho técnico do relevo. Durante o trajeto, aponta residências vizinhas de artistas sertanejos como Mateus, da dupla com Jorge, Hugo & Guilherme e Israel Novaes, entorno que reforça o perfil reservado do complexo.

O Goiânia Golf Club prepara uma expansão voltada à convivência e ao bem-estar. O masterplan prevê restaurantes integrados à paisagem, decks e áreas abertas em volta do lago central, com cerca de dois mil metros quadrados urbanizados, além de espaços dedicados a práticas esportivas, caminhadas e hospitalidade. Cercado por vegetação preservada e habitado por peixes, o lago será o eixo contemplativo do projeto.

A proposta aproxima o clube de modelos internacionais em que o campo de golfe organiza uma experiência mais ampla de moradia e integração com a natureza. “Hoje, o conceito de morar em um condomínio de golfe é de integração com o meio ambiente, com o bem-estar e com uma etapa da vida mais consolidada”, afirma Leonardo. “Aqui você anda quilômetros sem ver nenhuma casa. Isso em Goiânia é raro.”

O novo golfe

No imaginário brasileiro, o golfe permaneceu durante anos associado a clubes fechados, alto custo e uma rotina distante para a maior parte da população. Aos poucos, essa percepção começa a mudar, inclusive em Goiânia, onde praticantes e

Fotos:
João Carlos

Das bordas do campo em Brasília, onde observava diplomatas bater bola, José Marcos Nascimento ensina o esporte a uma nova geração em Goiânia

Antes da tacada, o jogo já se constrói em movimentos calculados e decisões precisas

profissionais do esporte rejeitam a ideia de uma atividade elitista ou excludente.

No Goiânia Golf Club, o crescimento recente da modalidade aparece na presença cada vez mais frequente de jovens, famílias e iniciantes nos espaços antes dominados quase exclusivamente por jogadores mais experientes. O movimento acompanha uma transformação internacional impulsionada pela retomada olímpica do golfe em 2016 e pela busca crescente por atividades ligadas ao bem-estar, à contemplação e à desaceleração.

Para o presidente da Associação Goiana de Golfe (AGG), Michel Thó, a expansão recente da modalidade em Goiás passa menos pela competição em si e mais pela criação de uma cultura de convivência em torno do esporte. Para ele, a abertura de um espaço social dentro do clube mudou a dinâmica de quem chegava para conhecer o golfe. “Antes, a pessoa fazia uma aula e ia embora porque não tinha um lugar para sentar, tomar alguma coisa e conversar sobre a experiência. Quando criamos esse espaço de convivência, as pessoas começaram a trazer esposas, filhos e amigos. Isso mudou completamente o ambiente.”

Em números, Michel aponta que a associação triplicou os jogadores cadastrados nos últimos dois anos, movimento impulsionado pela ampliação do convívio social, pela chegada

de novos públicos e pela percepção de um esporte mais acessível. “Hoje você consegue jogar golfe pagando o preço de uma mensalidade de academia. O equipamento, que antes era muito caro, hoje custa como duas raquetes de tênis.”

A iluminação noturna na área de treino, cuja inauguração está prevista, deve acelerar ainda mais esse crescimento, na avaliação de Michel. “Isso vai ser um divisor de águas. Muita gente que não consegue fazer aula durante o dia vai poder começar à noite.”

Head pro do clube há uma década, José Marcos Nascimento acompanha essa mudança de perto. Ex-caddie em Brasília, aprendeu o esporte observando diplomatas estrangeiros e tornou-se uma das figuras responsáveis por aproximar novos praticantes do golfe em Goiás.

O perfil de quem procura o golfe mudou nos últimos anos, segundo ele. “As pessoas buscam ambientes exclusivos, sofisticados, mas também lugares onde consigam desacelerar.” Além da técnica, José Marcos ensina etiqueta, comportamento e convivência. O silêncio durante a tacada, o respeito ao tempo do outro e o cuidado com o espaço fazem parte do esporte tanto quanto o swing. “O golfe educa muito. Principalmente crianças. Você aprende comportamento, respeito e honestidade.”

Esporte em expansão

O médico e empresário Edilson Carvalho representa esse novo perfil de praticante que chega ao esporte por indicação de amigos e, pouco tempo depois, passa também a convidar outras pessoas para a experiência. Há seis anos, quando recebeu os primeiros convites para conhecer o golfe, recusou todos. “Achava que não era para mim”, explica. A primeira experiência em campo foi suficiente para mudar completamente de percepção.

Hoje, descreve o clube como um espaço de convivência, pausa e presença. “Você chega aqui e esquece o restante. Quer conversar, rir, brincar. É uma calmaria gostosa. Você tira da cabeça aquilo que te atropela no dia a dia.”

Mesmo habituado ao universo dos negócios, Edilson rejeita a ideia de que o golfe exista prioritariamente para networking. Embora admita que relações comerciais aconteçam naturalmente, acredita que o ambiente funciona justamente porque ninguém entra em campo pensando nisso. “Você não sai de casa para vender nada. As coisas acontecem naturalmente. Já aconteceu de eu comentar sobre uma área minha aqui dentro do clube e a pessoa se interessar. Sem esforço nenhum. O golfe aproxima as pessoas de um jeito muito espontâneo.”

A experiência também atravessa gerações da família. Recentemente, Edilson levou a filha, estudante de Medicina, para começar as aulas no clube, além de amigos próximos interessados em conhecer o esporte. “Ela gosta do ambiente, gosta do golfe. Tenho outros amigos começando também. As pessoas vão conhecendo, assistindo, ouvindo falar e acabam querendo experimentar.”

O praticante Guilherme Dell'Isola Junior, que viveu por anos em Bruxelas e frequentou clubes em diferentes países europeus, acredita que o crescimento do golfe acompanha uma mudança cultural mais ampla. “Hoje as pessoas estão procurando experiências. Lugares onde consigam realmente se desconectar.” Para ele, o esporte oferece uma concentração exclusiva em meio à hiperconexão cotidiana.

O ritmo de Rita Marçal

Por muito tempo, os campos de golfe foram ocupados majoritariamente por homens, especialmente empresários, executivos e jogadores mais velhos. Esse cenário começa a se transformar com mulheres ocupando mais espaço nos campos, clubes e competições.

Após frequentar clubes em Bruxelas, Guilherme Dell’Isola encontrou em Goiânia o mesmo que buscava lá fora: um lugar para se desconectar

Rita Marçal acompanha essa transformação de dentro do percurso. Psicóloga aposentada, avó de dez netos e competidora do circuito sênior, ela transformou o golfe em parte da rotina. Aos 69 anos, organiza viagens considerando a existência de campos pelo caminho e leva os tacos sempre que pode. “Se fico dez dias fora, jogo pelo menos quatro”, conta.

A relação com o esporte começou durante uma temporada em Sauípe, na Bahia, após insistência de amigos europeus que organizavam torneios. Até então, o golfe parecia distante de sua realidade. O sol forte e as horas prolongadas no campo causavam resistência. Bastou a primeira experiência para mudar de ideia. “Quando consegui levantar a primeira bolinha, não parei mais.”

No esporte, Rita encontrou uma combinação entre movimento, técnica e leveza. “Não é força. É um swing, quase uma coreografia. Para a mulher, é quase como um bailado”, define.

A presença feminina acompanha um movimento internacional de crescimento da modalidade. Dados da National Golf Foundation mostram que as mulheres representam cerca de 28% dos praticantes de golfe nos Estados Unidos – quase 8 milhões de jogadoras – e respondem por aproximadamente 60% da expansão da modalidade desde 2019.

Para Rita, a mudança também já é visível em Goiânia. “Hoje vemos adolescentes começando, pais trazendo filhos pequenos e mais mulheres entrando no esporte. Isso não existia antes.” A relação com o jogo, ela diz, passa diretamente pelo equilíbrio emocional. “Quando você não está bem, isso pesa no jogo. Você perde a leveza.”

Mesmo sem se considerar excessivamente competitiva, Rita passou a disputar torneios da Associação Brasileira de Golfe Sênior e recentemente conquistou o primeiro lugar na categoria NET feminino, modalidade que considera o desempenho ajustado pelo handicap das atletas, em uma etapa realizada em Brasília. Na ocasião, registrou desempenho equivalente a handicap 20, uma das melhores marcas da trajetória no esporte. “Fui para me divertir e acabei jogando melhor ainda.”

Mais do que os troféus, porém, é a experiência ao redor do esporte que sustenta sua ligação com o golfe. O silêncio do campo, o contato com a natureza e a possibilidade de envelhecer em movimento transformaram o esporte em parte da rotina. “Qualidade de vida. É isso que o golfe representa para mim.”

Enquanto projeta novas viagens e próximos torneios, Rita mantém um objetivo simples: continuar jogando. “Comecei aos 50 anos. Quero, se Deus quiser, estar aqui jogando aos 90.”

Rita Marçal organiza as viagens em torno dos campos e os tacos, assegura, são presença garantida na mala

A ARTE DE RECEBER BEM

Íz Hotel Conceito integra gastronomia autoral, arquitetura intimista e hospitalidade goiana em uma experiência singular de hospedagem no Centro-Oeste

Uma espécie de refúgio urbano em uma casa modernista dos anos 1970, no Setor Marista, onde o concreto parece se dobrar não só às linhas e curvas, mas também à natureza e à atmosfera que envolvem o lugar. Assim é o Íz Hotel Conceito. Idealizado para celebrar o aniversário de dez anos do Íz Restaurante, primeira casa do Grupo Íz, fruto das mentes visionárias dos sócios e amigos Ian Baiocchi e Domingos Ávila, o espaço foi inaugurado em novembro de 2025 e tem revolucionado a hospedagem de luxo e a alta gastronomia em Goiânia. O hotel surge enquanto extensão do restaurante, não o contrário. É uma coexistência de propostas que se entrelaçam.

E isso é crucial para entender a sua intenção, pautada pela união sinestésica entre a arte culinária e a hotelaria em uma vivência que não propõe somente originalidade, mas resgata a hospitalidade enquanto fundamento da goianidade. O termo, que compreende os aspectos da identidade cultural goiana, está intrinsecamente

O bem-estar está presente desde o som dos pássaros que se ouve na entrada, no vento que bate em ritmo próprio, no mix de cores no salão principal, na playlist imersiva e na harmonização dos traços ao paladar. O hotel tem projeto arquitetônico assinado pelo arquiteto Victor Tomé, com paisagismo do Escritório Florentino Arquitetura Paisagística e curadoria de Eleonora Hsiung, que desenvolveu a identidade visual, desde o painel artesanal na recepção até a cenografia dos quartos. Alinhado a uma mudança global no consumo contemporâneo de luxo, cada vez menos associado à ostentação e mais ligado à exclusividade, privacidade e experiências personalizadas, o diferencial do Íz está em um ingrediente que não se encontra em nenhum outro lugar do mundo: sua assinatura goiana. pausa

relacionado à trajetória do chef Ian Baiocchi e à profusão de sabores que ele cria a partir de ingredientes nativos do Cerrado. A goianidade é parte central da sua cozinha e do seu propósito.

Fotos: Kirah van der Lemon

Com apenas três suítes, o hotel boutique aposta em privacidade e em propostas de ambientação inspiradas por diferentes narrativas

O mobiliário foi cuidadosamente selecionado

Instalado em uma casa modernista dos anos 1970, o Íz Hotel Conceito ocupa um imóvel onde arquitetura e gastronomia compartilham o mesmo endereço

O hotel boutique conta com apenas três suítes exclusivas e propostas imersivas distintas. A primeira alia conforto e contemporaneidade em uma ambiência que parece suspensa no ar e convida à contemplação. Inspirada na leveza das nuvens e no brilho dourado, cada detalhe desperta os sentidos e faz o hóspede se sentir envolto em um luxo leve e irresistível. O destaque fica por conta de um paredão em mármore azul quase hipnótico no banheiro.

O segundo quarto é um espaço que celebra a liberdade criativa, a mente artística em ebulição, em uma fusão entre referências literárias e o surrealismo. Intitulado "Graciliano Ramos em Paris", o ambiente homenageia o escritor retratando o encontro efusivo entre o sertão e a sofisticação francesa. É um quarto minuciosamente concebido para quem pensa, sente e cria. Já a terceira suíte incita à pausa e à arte de estar consigo mesmo. Inspirada na introspecção como forma de prazer, foi projetada para o recolhimento e a contemplação, em um ambiente onde a madeira e os tons neutros parecem afastar a inquietude. As três acomodações oferecem ainda área privativa, jacuzzi e espreguiçadeiras.

O restaurante reúne com 46 lugares, com mesas em mármore, iluminação indireta e uma circulação fluida que faz do verde frondoso da vegetação ao redor o coração vivo do salão. E, ainda, harmoniza com o chão em pastilha verde, em frente à cozinha aberta, que foi preservado da planta original da casa. Com um ambiente intimista e acolhedor, o antigo e o novo representam o que muda e o que fica e dialogam por meio da mistura de elementos. Em meio a peças de Jader Almeida, Folio, Neriage e Sérgio Rodrigues, o design é parte da alma do lugar. “Comida e design se confundem o tempo todo. Assim como em um desenho, aqui cada linha tem um propósito”, diz o chef. Esse jogo de texturas faz com que o visual do lugar remeta a um prato elaborado. E, no cardápio, essa sensação se materializa. O novo Íz Restaurante aposta em menus degustação em três, cinco e oito etapas, em um percurso que segue o equilíbrio entre terra e mar, com o encontro entre técnicas internacionais e a alma da cozinha autoral de Baiocchi. O endereço mudou, mas a cozinha livre do Íz permanece, com seus ingredientes regionais, sazonais, rastreáveis e orgânicos, dos quais saltam ao paladar narrativas que passeiam por mundos e memórias, em uma intenção de acolhimento estendido. Sobre os dez anos de história, Ian afirma não sentir saudosismo, mas enumera movimentação, evolução e renovação como propulsores desse novo momento. “O Íz é um traço de personalidade, é pluralidade e movimento”, caracteriza.

Refeição que talvez seja a grande marca de uma hospedagem, o café da manhã do Íz Hotel não pode ser mais especial. Servido ao longo de todo o dia, o hóspede pode solicitá-lo no momento que desejar. Os itens oferecidos proporcionam uma verdadeira viagem por um Goiás de sabores: tábua de queijos locais e charcutaria

Servido a qualquer hora do dia, o café da manhã reúne produtos artesanais, ingredientes regionais e preparos feitos na casa

curada, com doces, compotas, marmelada de Santa Luzia; pães de fermentação natural, manteiga artesanal, barutella, iogurte feito na casa com granola e mel, seleção de frutas frescas, ovos com aspargos e stracciatella de queijo trança, tapiocas e sanduíches variados, além de sucos naturais que misturam frutos regionais e cafés preparados com grãos selecionados.

A circulação, tanto pelo hotel quanto pelo restaurante, prioriza a privacidade acima de tudo. Entre os espaços exclusivos, com funcionamento permanente, estão spa, piscina, sauna e uma academia com equipamentos de ponta. O serviço de quarto também pode ser acionado a qualquer momento. E o atendimento da equipe, integrada, detalhista e atenciosa, arremata a vivência de ser muito mais do que bem tratado, mas bem cuidado.

O local ainda abriga o Instituto Íz, iniciativa sem fins lucrativos do grupo voltada à identificação, ao desenvolvimento, à pesquisa e ao fomento da gastronomia goiana por meio do resgate da culinária

afetiva do Cerrado, dedicando-se à reprodução de receitas e modos de fazer com cursos e oficinas. No espaço, uma intervenção artística remonta o mapa de Goiás e identifica pontos de onde vieram iguarias tradicionais do Estado. Assim, formação cultural, tradição e contemporaneidade desenham uma mise en place ao mesmo tempo singular e plural.

“Aqui, o conceito de hospitalidade se confunde com o conforto do sentimento pleno de fazer parte”, conjectura Ian. E, afinal, a arte de receber bem sempre foi uma assinatura do Íz, que agora amplia seu alcance a um novo patamar ao redefinir os conceitos de hotelaria de luxo e goianidade. Essa é a sensação de se hospedar no Íz Hotel e vislumbrar uma fresta de luz que invade o quarto, ouvir o barulho revigorante da água e sentir por meio de cada sabor. É como estar suspenso do mundo exterior, alheio à pressa e ao relógio, atento ao que realmente importa, com a certeza de que cada momento merece ser desfrutado em toda a sua imensidão.

Spa, sauna, piscina e academia integram a estrutura do hotel
Ian Baiocchi amplia para a hotelaria uma proposta construída inicialmente a partir da gastronomia

Circuito criativo

A CasaCor Goiás segue entre os endereços mais concorridos da temporada. Além dos ambientes assinados por arquitetos, designers e paisagistas, a mostra reúne empresários, artistas, profissionais da economia criativa e convidados em uma agenda que inclui inaugurações, lançamentos, visitas guiadas e eventos exclusivos. Ao longo das últimas semanas, o espaço se consolida como cenário de encontros e ativações que movimentam os universos da arquitetura, do design e do lifestyle em Goiás.

Eliane Martins e Sheila Podestá
Clécio Lourenço e Gervásio Milaneze
Raphael Santome e Camila Ribeiro
Olívio Costa e Bruno Albernaz
Karol Medeiros e Mariana Romano
Joel de Sant'Anna Braga Filho, Sheila Podestá e Sandro Mabel
Hugo Salvater e Marcos Lula
Vanessa Figueiredo
Vinicius Castro
Taisa Bueno e Rose Pinheiro
Leandro de Paula
Aline Lobo
Léo Magno e Paula Karina
Bruna Kehrnvald, Alisson Ferreira e Amanda Gomes
Clarismar Machado, Simone Hellen e Marina Paula
Bibiana Rogoski
Eliane Martins, Lara Zago e Isac Gomes
Diogo Pimenta, Luciana Vidigal, Lucas Machado, Jitka Kolářová e Josef Chlum

Negócios

Georgia Adriano e Fabrício Batista receberam convidados em Nazário para a quinta edição do JBJ Ranch & Família Quartista Weekend. Entre os convidados, investidores e empresários ligados ao universo do cavalo Quarto de Milha em uma programação que incluiu provas, leilões e atrações musicais. Entre os destaques esteve o leilão beneficente comandado por Gusttavo Lima em apoio ao Hospital do Câncer Cora. O evento encerrou a edição com movimentação recorde de R$ 257 milhões em negócios.

Georgia Adriano e Fabrício Batista
Fotos:
Garibaldi Adriano e Mariana Busato
Fernando Urzeda e Bruna Urzeda
Fabrício Batista, Georgia Adriano e Gusttavo Lima
Fabrício Batista e Daniel Vilela
Nayara Azevedo, Lalá Noleto, Silvinha Saraiva e Fabíola Batista
Katia Aveiro
Georgia Adriano, Lala Noleto, Amanda Gomes e Mariana
Tatyane Araújo, Bones Júnior, Josy Araújo e José Batista Júnior

Novo capítulo

Após 26 anos de atuação no mercado joalheiro goiano, a Moya Joias inaugurou sua loja no Flamboyant Shopping em um evento que reuniu clientes, parceiros e convidados. A ocasião marcou também o lançamento da coleção Florescer, inspirada na flor do flamboyant. Desenvolvida durante o processo de expansão da marca, a linha traduz em joias temas como origem, história e renovação, conceitos que dialogam com a nova fase da empresa.

social
Cláudia Moya, Kátia Moya, Emmanuele Louza e Carina Moya
Foto: Cristiano Borges
Fotos: João Carlos
Camila Moya, Júlia Moya e Natalia Moya
Jr Lacroix, Clau Oliveira e Inez Resplande
Kátia Moya e Sheyla Doumit
Cecília Fonseca, Lucila Fonseca e Sandra Fonseca
Cristiane Maffra, Carmem Lúcia Maffra e Sissi Calixto
Nathan Camargo, Izabella Camargo e Natalia Moya
Cláudia, Matias, Carina, Lucy e Kátia Moya com Emmanuele Louza

Arte na cidade

A Fargo alcançou sua maior dimensão em 2026. Para este ano, a feira passou a ocupar não apenas o Museu de Arte Contemporânea de Goiás (MAC), mas também as galerias do Centro Cultural Oscar Niemeyer, ampliando significativamente sua área expositiva. O evento, encabeçado por Wanessa Cruz, Sandro Tôrres e Anna Carolina Cruz, reuniu artistas, galeristas, curadores, colecionadores e profissionais da economia criativa em cinco dias de programação dedicados às artes visuais.

Anna Carolina Cruz, Sandro Tôrres e Wanessa Cruz
Sebastião Abreu e Gabriela Rassi
Rossana Jardim, Simione Evangelista e Eliane Miclos
Igor Lobo e Gervásio Milaneze
Rogério Ranulfo, Wanessa Cruz e Henrique Bezerra
Sáida Cunha e Helena Vasconcelos
Ana Augusta Fleury e Dener Mallard
Aloisio Ferreira e Fábio Melo
Vinicius Oliveira e Jacy Filho
Fotos: João Carlos

Valor e legado

Expressões artísticas, conversas e experiências marcaram o encontro "Arte que Inspira, Valor que Multiplica", que reuniu mulheres investidoras e convidadas especiais em uma tarde dedicada ao relacionamento e à troca de perspectivas. Realizado pela Multiplica, em parceria com o Ateliê Sertão Negro, de Dalton Paula, e a Cerrado Galeria, o evento aproximou o colecionismo e a gestão patrimonial ao destacar valores como visão de longo prazo, sensibilidade e construção de legado. Em um ambiente de sofisticação, as participantes circularam entre obras, encontros e reflexões sobre diferentes formas de reconhecer e preservar valor de modo duradouro.

Ana Flávia Canedo, Andréia Spessatto, Ivana Menezes, Dalton Paula, Cristal Lobo, Ana Maria Figueiredo, Vanessa Gualberto e Carla Gabriel
Maria Levorin e Lúcio Albuquerque
Lívia Torquato e Dalton Paula
Lara Figueiredo
Anyrene Magalhães e Dalton Paula
Luis Cláudio Faleiro, Melissa Alves e Isabella Valente
Bel Lasmar
Convidadas participaram de uma tarde dedicada à cultura e ao conhecimento
Colandy Dourado e Dalton Paula
Dalton Paula e Iara Netto Vilela

Musas em sintonia

Voz ao vivo, discotecagem e releituras sofisticadas transformam clássicos e sucessos contemporâneos em experiência musical singular

OMuzás une voz ao vivo e discotecagem em releituras que atravessam gerações e estilos. É assim que a cantora Maria Ponto e a DJ Cássia Kilmister definem o projeto, em que transformam repertórios conhecidos em apresentações voltadas a eventos e produções de alto padrão. Nascido da afinidade artística entre as duas musicistas, o Muzás surgiu há menos de um ano e consolidou uma proposta que transita com naturalidade entre atmosferas contemplativas e pistas mais vibrantes.

“Nem eu sou uma cantora que trabalha com todos os estilos, nem a Cássia é uma DJ que toca de tudo. Fomos lapidando o repertório dentro do que faz parte da nossa linguagem e do nosso estudo diário de música”, explica Maria, que vem de apresentações em casamentos e eventos intimistas, enquanto Cássia construiu sua trajetória na discotecagem com referências à disco music e aos grandes clássicos das décadas de 1970 e 1980.

O nome Muzás vem de “musas” e traduz a essência da dupla. “Como é um trabalho protagonizado por duas mulheres, queríamos trazer essa estética, mas também revisitar o repertório de grandes intérpretes femininas”, conta Maria. “Nossa linha é mais voltada para esse universo das divas”, acrescenta Cássia. Ainda assim, a curadoria percorre diferentes

artistas e épocas, sem se prender a uma única referência.

A combinação entre voz ao vivo e discotecagem está no centro da experiência. Enquanto Maria conduz as interpretações, Cássia cria conexões entre artistas, períodos e gêneros musicais. As fusões fazem parte da identidade da dupla. Em um mesmo mashup, Rihanna encontra Michael Jackson, Madonna surge ao lado de Dua Lipa e Gloria Gaynor dialoga com Miley Cyrus. “As pessoas reconhecem a música, mas não esperam ouvi-la daquela forma. Gostamos de brincar com o imaginário do público”, afirma Cássia.

As apresentações transitam entre bossa lounge, jazz eletrônico e trechos mais dançantes. O repertório é moldado pelo clima de cada ocasião. “Nosso show não é completamente combinado. A gente sente a pista o tempo inteiro”, diz Maria. Em algumas ocasiões, a cantora permanece cerca de 40 minutos cantando de forma ininterrupta, enquanto Cássia conduz as mixagens ao vivo. “Existe uma história sendo contada durante toda a apresentação”, reforça a DJ.

O cuidado visual integra a experiência, com figurinos que dialogam com o conceito de cada produção e, sempre que possível, desenvolvidos por estilistas mulheres. “Não é algo explícito, mas faz parte da gente. Somos moldadas por outras mulheres e isso aparece naturalmente no Muzás”, conclui Cássia.

Muzás @pontomuzas (62) 99295-0188

Foto: João Carlos

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