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Revista Túnel | Vol. 3, n. 1, 2020

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Ilustração: Luciana Ruiz de Vilhena

CEFET-MG faz ciência

Muito mais tecnológico que o VAR software possibilita coordenar robôs em uma partida de futebol

Pesquisa

Monitoramento pra cachorro projeto facilita a realização de ressonância magnética em animais

comunicação entre você e a ciência

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Tecnologia

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Semana C&T e META: eventos científicos abrem espaço para trabalhos inovadores

edição #1 - 2018 volume 3/ nº1/ 2020


comunicação entre você e a ciência


comunicação entre você e a ciência

EXPEDIENTE

Projeto Gráfico e Diagramação Luciana Ruiz de Vilhena

Diretor-Geral Prof. Flávio Antônio dos Santos Vice-Diretora Profa. Maria Celeste Monteiro de Souza Costa Diretor de Pesquisa e Pós-Graduação Prof. Conrado de Souza Rodrigues Coordenadora de Divulgação Científica e Tecnológica Sônia Miranda de Oliveira Secretário de Comunicação Social Luiz Eduardo Pacheco Conselho Editorial André Luiz Silva Flávia Dias Leila Caeiro Prof. Conrado de Souza Rodrigues Prof. Carla Moreira Barbosa Sônia Miranda de Oliveira Editora-Chefe Flávia Dias – MTB 9.167/MG Projeto Editorial Flávia Dias

Equipe de Jornalismo André Luiz Silva Andréa Santiago Diogo Tognolo Flávia Dias Gilberto Todescato Telini Leila Caeiro Nívia Rodrigues Organização Diretoria de Pesquisa e Pós-Graduação – DPPG Coordenação Geral de Divulgação Científica e Tecnológica - CGDCT Secretaria de Comunicação Social – SECOM Apoio Fundação de Apoio à Educação e Desenvolvimento Tecnológico – Fundação CEFETMinas Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais - FAPEMIG Isabela Reis (estagiária) Contatos www.periodicos.cefetmg.br dct@dppg.cefetmg.br

Av. Amazonas, 5.253 – Nova Suíça – Belo Horizonte/MG CEP: 30421-169 / Tel: (31) 3319-7110 www.cefetmg.br


Divulgação científica: mobilização crescente e imprescindível Em tempos de pandemia causada pelo novo coronavírus (COVID-19), a divulgação da ciência se tornou ainda mais urgente e necessária. As pesquisas sobre vacinas para combater o vírus, as formas de proliferação e prevenção, entre outros assuntos que envolvem esse novo cenário que estamos vivenciando, precisam ser divulgadas amplamente em diversos canais, com uma linguagem acessível, para que a sociedade como um todo tenha conhecimento para se mobilizar, resguardar-se e tomar decisões de maneira consciente. Acreditando no papel fundamental que a divulgação científica e tecnológica exerce na contemporaneidade, nós, jornalistas e colaboradores da Revista Túnel, temos buscado fazer uma “ponte” entre a ciência feita pelos pesquisadores do CEFET-MG e a sociedade. A cada edição, temos buscado adequar a linguagem da Túnel, para que, cada vez mais, se torne uma leitura fluida e interessante sobre ciência para você, leitor. Nesta terceira edição, estamos divulgando a Túnel apenas digitalmente, diferentemente do que fizemos nas edições anteriores, quando pudemos imprimi-la e distribuí-la. Ainda assim, você pode desfrutar, em sua casa, de um conteúdo instigante e diversificado sobre projetos científicos que podem afetar diretamente sua vida. Nesta edição, estamos te convidando a conhecer dois eventos científicos tradicionais, realizados anualmente no CEFET-MG, e que envolvem alunos, professores, técnicos administrativos, terceirizados, escolas e a comunidade externa como um todo: a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, que há 15 anos, integra a agenda de popularização nacional do conhecimento científico; e a Mostra Específica de Trabalhos e Aplicações (META), que chega à 30ª edição este ano e que, em 2019, contou com mais de 900 trabalhos científicos apresentados a toda a comunidade. Mantendo a ideia de trazer nomes do cenário brasileiro que estão envolvidos com a divulgação científica, na seção “Entrevista”, conversamos com o atual presidente da Sociedade Brasileira do Progresso da Ciência (SBPC), professor Ildeu de Castro, que nos conta sobre a queda nos recursos destinados à ciência e tecnologia no Brasil. Além de abordar projetos que têm as mulheres como foco, assim como a diversidade de gênero, esta Túnel traz projetos tecnológicos inovadores, como o monitoramento para animais que necessitam fazer ressonância magnética, robôs que participam de uma partida de futebol e tecnologia de baixo custo para favorecer a cadeia de reciclagem. Além disso, tratamos da obsolescência programada. Você sabe o que é? Empresas podem estar criando produtos que deixam de ser úteis rapidamente, estimulando o consumidor a comprar novamente. Esses e outros temas estão presentes na Túnel, que busca promover um diálogo entre vários setores da sociedade. E, nesse momento de incertezas e inseguranças, nós, comunicadores da ciência, somos chamados a fortalecer o campo da divulgação da ciência e a agir em prol da disseminação do conhecimento. Aproveite o conteúdo. Revista Túnel – Comunicação entre você e a ciência Editora-Chefe


0814 18 Entrevista

Robótica Inteligente

Tecnologia

Ciência e Tecnologia em xeque, com o atual presidente da SBPC, professor Ildeu de Castro

Muito mais tecnológico que o var - Software coordena robôs em futebol

“Adeus” ao Cartão de Vacina - Sistema eletrônico acompanha a imunização

34 3842 Mulher na Ciência

Inclusão

Tecnologia e Inovação

O poder de Atena- Projetos científicos têm como foco a mulher

Poder para o povo preto! Alunas discutem resistência e inclusão

Monitoramento pra cachorro - Ressonância magnética para animais

5660 Dica do Pesquisador

Descomplicado

Saúde Mental: Não é NORMAL... Nem na pós-graduação

O que é obsolescência?


202630 Eu faço Ciência

Memória

Ciência e Comunidade

Semana de Ciência e Tecnologia e META abrem espaço para trabalhos inovadores

Livro produzido no CEFETMG conta, nas palavras e na forma, a história das editoras mineiras

Robótica nas escolas Enxurrada de Bits desperta interesse pela programação e robótica

4448 52 Ciência e Comunidade

Destaque

Pós-Graduação

Sensor indica enchimento de resíduos recicláveis na lixeira

Prêmio Mercosul de C&T contempla estudante do CEFET-MG

Decisão estratégica: como fazer a melhor escolha

6468 Ética na pesquisa

Diversidade

Proibido copiar - Professor explica o que é o plágio acadêmico e quais cuidados tomar

Gênero e Diversidade. O que queremos? Respeito.


CIÊNCIA E

8 08

Ilustração: Luciana Ruiz de Vilhena


EM XEQUE

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André Silva Corte de bolsas, contingenciamento de recursos, proliferação de notícias falsas, ataques às pesquisas... 2019 foi um ano nada favorável para a ciência e tecnologia no Brasil. Segundo o atual presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), professor Ildeu de Castro Moreira, os recursos para pesquisa vêm diminuindo desde 2014, mas o cenário posto a partir de 2018 e que se vislumbra para os próximos anos é “catastrófico” em termos orçamentários. “O recurso para investimento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) em ciência e tecnologia é hoje, mais ou menos, um terço do que tínhamos há dez anos”, afirma Ildeu. A Túnel conversou com o professor, que é doutor em Física pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 5 de dezembro de 2019, sobre o contexto que circunda a ciência no Brasil atualmente. Em linhas gerais, qual a situação da ciência e tecnologia no país? Nos últimos anos, a partir de 2014, fundamentalmente, houve um corte acentuado para recursos de ciência e tecnologia, tanto no MCTIC (que abriga o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), entre outras instituições de fomento), quanto na

Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Mas isso se acentuou muito em 2018 e, para 2020, esse orçamento, a nosso ver, está catastrófico. O recurso para investimento do MCTIC é da ordem de R$ 3,5 bi (investimento total, sem contar as despesas obrigatórias), o que é, mais ou menos, um terço do que tínhamos há dez anos. Tínhamos conseguido um patamar nos últimos anos, ainda que baixo, da ordem de R$ 5,5 bi por ano. Isso é uma questão extremamente preocupante. A Capes, em 2019, por exemplo, contou com recursos da ordem de R$ 4,2 bi, mas uma parte foi contingenciada e restaurada ao longo do ano. Apesar disso, a Coordenação extinguiu, aproximadamente, 8.000 bolsas, ainda que se tenha restaurado algumas delas neste fim de ano. No CNPq, da mesma forma, houve uma redução de bolsas de projeto que o Conselho tradicionalmente apoia, como bolsas ligadas a programas, o Edital Universal, os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) etc., totalizando um corte de cerca de 6.000 bolsas. Para 2020, a Capes está com um orçamento programado de, aproximadamente, R$ 3 bi. Em 2019, foi de R$ 4,2, uma perda de mais de 28%. A situação do CNPq para 2020 foi mantida a mesma que a do ano passado, mas em 2019 faltaram R$ 300 mi para pagamento de bolsas, o que

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nos obrigou a fazer uma movimentação no Congresso Nacional e pressionar o Governo para o CNPq conseguir cumprir suas obrigações pagando as bolsas deste ano. Para 2020, embora o orçamento do CNPq continue o mesmo, houve uma modificação: a pesquisa foi tirada do fomento, da ordem de R$ 200 mi, e foi passado para bolsas. Ainda assim vão faltar R$ 100 mi. E como está a situação da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep)? A principal forma de financiamento da Finep é o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), que passa por uma questão dramática, porque o recurso do Fundo é recolhido dos setores financeiros, por meio de tributos para pesquisa e desenvolvimento (os chamados Fundos Setoriais, criados no fim da década de 90). Esse recurso é colocado em uma reserva de contingência, que está bloqueada em 90%. É um Fundo que tem R$ 5 bi, que seria fundamental para a pesquisa brasileira, para subvenção econômica, para inovação, para empresários inovadores etc. e esse recurso fica congelado, ou apropriado para outras finalidades. A nosso ver, isso significa um desvio de finalidade do Fundo.

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Como a SBPC tem se posicionado em relação a essa diminuição de recursos para ciência e tecnologia? Nós, a SBPC e diversas entidades científicas, estamos em diálogo permanente com o Congresso Nacional para recompor o orçamento. E estamos ainda pressionando o Governo Federal, porque é o responsável pela economia. Estamos falando de um orçamento que é da ordem de R$ 3 tri, e o orçamento para ciência e tecnologia é 0,25% desse orçamento. Estamos falando de valores muito pequenos diante de todo esse orçamento, mas mesmo assim encontramos pouca sensibilidade. Ainda que haja parlamentares sensibilizados, a área econômica não tem a menor sensibilidade. Muito pelo contrário, parece que é uma política deliberada de desmonte da ciência brasileira. Por falar em desmonte, como o senhor tem percebido as notícias falsas e os sucessivos ataques à ciência, sobretudo por meio das redes sociais digitais? A ciência produziu essas redes fantásticas que temos hoje, que interligam o mundo, permitindo que cada indivíduo seja fonte de informação, mas possibilitou, da mesma forma,


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Ildeu de Castro Moreira


aflorar preconceitos, ideias falsas, ignorâncias de maneira muito intensa, principalmente por meio das redes sociais. É importante sabermos que isso sempre existiu. Isso faz parte da humanidade. Mas hoje há correntes muito intensas com os próprios meios que a ciência construiu. Diante disso, temos que ter uma atitude de educar mais as pessoas, mostrar que a ciência é importante. Precisamos mostrar que a ciência na escola não pode ser um “catecismo”, uma obrigação, algo para se responder em uma prova, deve ser muito mais que isso; o estudante tem que participar, experimentar, debater, porque senão vira uma opinião como qualquer outra, uma coisa que está no livro e, se está no livro, se foi Aristóteles que falou ou se foi Olavo de Carvalho, vai ser mesma coisa. E são, evidentemente, muito diferentes, porque aquele faz parte de uma ciência construída, e não opiniões jogadas, às vezes, de maneira alucinada. Essa compreensão do conhecimento científico se adquire fazendo, participando, experimentando. Tem que valorizar a curiosidade do estudante, ir para a natureza, que é um grande laboratório, e mostrar o funcionamento de fenômenos básicos. Então, eu acho que em vez de ficar respondendo a uma, duas ou quatro pessoas nas redes em relação a notícias falsas envolvendo ciência, temos que ter uma estratégia de melhorar o conhecimento das pessoas,

a percepção delas sobre a ciência. Isso vai ser muito mais eficaz. Você vai ter muito mais pessoas com visão crítica e que, naturalmente, vão não aceitar esse tipo de “baboseira” que circula por aí. A SBPC dá muita importância ao trabalho de popularização da ciência e da tecnologia, por meio de eventos (como a Reunião Anual da SBPC) ou de veículos (como o “Jornal da Ciência”). De que maneira, na opinião do senhor, universidades e instituições de pesquisa do Brasil têm que atuar para se fazerem conhecidas e levarem à população, sobretudo aquela que não transita na academia, informações sobre ciência e tecnologia? A SBPC tem usado muito as redes sociais para tentar fazer mais divulgação científica. Criamos um “Canal SBPC”, temos revistas, mas certamente temos que fazer mais do que estamos fazendo. E é fundamental que a comunidade científica, instituições de pesquisas e universidades se mobilizem mais neste momento em que estamos vivendo essa redução de recursos. Temos que fazer dois movimentos: lutar para que o governo (seja Federal, seja estadual) coloque mais recursos na divulgação científica, melhorar a qualidade dela, criar mais atividades para os estudantes e buscar melhorar a educação científica nas escolas. Quando fazemos

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essas pesquisas de percepção pública da ciência e tecnologia, vemos que a maioria dos brasileiros tem interesse, diz que é importante para a economia e para as condições de vida das pessoas, mas, ao mesmo tempo, que há pouco acesso à informação sobre ciência e tecnologia. Para que isso mude, seria preciso, por exemplo, haver uma rede muito mais ampla de museus e de outros espaços de ciência no país. Há alguns anos, a SBPC criou um programa de ciência móvel, em que há vários veículos circulando para tentar atenuar essa ausência de espaços de conhecimento científico. Mas precisaríamos ter muito mais. Então, temos que ter mais espaços dedicados à ciência, bem como melhorar a educação científica nas escolas e usar os meios de comunicação atuais, internet, televisão, que ainda é um meio muito importante, mas que tem pouco programa de divulgação científica; um dos poucos que tinha, o Globo Ciência, acabou. As próprias TVs universitárias, com algumas exceções, como a TV UFMG (que faz um esforço nessa direção significativo), têm muito pouco programa de divulgação científica. Agora, evidentemente, isso exige recurso e visão de gestores e governantes de que é importante fazer isso. As instituições e os pesquisadores têm que entender que fazer divulgação científica é fundamental, faz parte do trabalho deles difundir aquilo que estão produzindo.


ROBÓTICA INTELIGENTE

MUITO MAIS

TECNOLÓGICO

QUE O VAR*

Software desenvolvido por estudantes do campus Timóteo possibilita coordenar robôs em uma partida de futebol Flávia Dias Campo, bola e jogadores. Esses três elementos juntos são a combinação perfeita para uma partida de futebol. Mas, nesse caso, o futebol não é convencional, é um esporte para robôs. O campo é uma chapa plana e rígida de madeira preta, fosca e não reflexiva, a bola é de golfe na cor laranja e os jogadores são robôs, neles estão localizadas a parte eletrônica e mecânica do esporte, assim como o sistema de visão, estratégia e comunicação sem fio. Uma partida, com esses jogadores, deve ser disputada por dois times, cada qual constituído por três robôs. Um pode ser o goleiro. Toda essa dinâmica criativa foi desenvolvida pelos estudantes do curso de Engenharia de Computação do campus Timóteo do CEFET-MG Alexsander Ramos e Daniel Henriques, com orientação do professor Elder de Oliveira. O projeto, denominado “Visão computacional, abordagem com robôs de futebol”, conta com robôs autônomos capazes de reconhecer o ambiente onde estão, a bola e os adversários e de responder a estímulos coordenados de forma que o time programado com sua estratégia marque gols. O objetivo do projeto é a construção de um “sistema de visão computacional”, de forma a atuar no campo de futebol por meio de “um protótipo de robô”, conforme regra estabelecida conhecida como Robocup, categoria Very Small Size. O software processa imagens enviando informações ao protótipo para que execute ações conforme posição dentro do campo de futebol. A execução dessas ações envolve um sistema embarcado (hardware) que, por meio do sistema de visão computacional, processa as

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Ilustração: Luciana Ruiz de Vilhena

* VAR, sigla em inglês de video assistant referee, é o sistema de vídeo-arbitragem. Um conjunto de câmeras transmitem as imagens para uma sala isolada do campo, onde assistentes de vídeo podem rever as jogadas.

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Ilustração: Luciana Ruiz de Vilhena


diversas condições de locomoção no campo a partir de um protocolo de comunicação que é realizado via bluetooth. O sistema de controle deve ser capaz de responder de acordo com as informações do sistema de visão computacional, que localiza a bola de futebol e informa aos robôs, via protocolo de comunicação, sua posição para tomada de decisão, como defesa ou ataque. Como surgiu o projeto Segundo o orientador, o projeto surgiu a partir da inciativa de dois alunos com perfis diferentes: um voltado para Sistemas Embarcados e outro para a área de Inteligência Artificial. Daí a proposta do projeto dividida em dois planejamentos, uma para um robô simplista e outro para identificação desses robôs em um campo de futebol nos moldes da categoria Very Small Size. A ideia, segundo o professor Elder, foi criar um padrão arquitetural para estabelecer o fluxo e as regras para a implementação de um software que identifica e coordena um robô de forma baixamente acoplada, pois um sistema de futebol de robôs sempre estará sendo alterado para competições – futuramente coordenará um time. “Um padrão arquitetural poderá manter o sistema sempre seguindo uma forma fixa, tornando a codificação em equipe mais organizada e efetiva, fazendo com que o trabalho em

equipe durante o desenvolvimento seja mais simplificado”, explica. O estudante Alexsander Ramos entende que o desenvolvimento do trabalho é uma maneira de aplicar o conhecimento que obteve durante a graduação. “Por meio da experimentação, pude colocar à prova diversas teorias matemáticas. Podemos atrair a atenção do público que pode não saber qual a importância do seno para calcular a trajetória do robô, mas entende o que é futebol, gerando interesse pelas ciências exatas”, destaca. Para ele, a tecnologia é o futuro. “No futebol de robôs, você tem que entender de eletrônica, programação, algoritmos, adaptar problemas matemáticos para o computador, tratar de desempenho, aprendizado de máquina, entre outros”, destaca.

A categoria Very Small Size é uma competição de futebol de robôs, como a Competição Brasileira de Robótica (CBR) e a Competição Latino-Americana de Robótica (LARC). O desenvolvimento do trabalho, de acordo com o professor, cria um fortalecimento do vínculo do aluno com a Instituição. “O aprendizado de máquina com reconhecimento de imagem e robótica é interessante pois incentiva novos estudantes. Além do mais, vários temas da computação estão envolvidos, o que

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permite aos alunos avançarem em estudo e prática”, ressalta. O professor destaca a relevância de trabalhos que envolvem a inteligência artificial e a robótica. “A automação, de certa forma, abraça a humanidade em vários setores. Cada vez mais, trabalhos manuais são substituídos por robótica e inteligência de máquina. Ademais, como exemplo, a Indústria 4.0 bate à porta de todos os países mostrando que, quando temos a capacidade de envolver várias tecnologias num contexto de auxiliar o ser humano, seja no entretenimento ou no trabalho, é possível conseguir uma eficiência melhor nos resultados planejados e estratégias estabelecidas”, conclui. O trabalho envolveu habilidades multidisciplinares de áreas como Visão Computacional, Estratégia (Matemática), Mecânica, Comunicação sem Fio, Sistemas Embarcados, Controle, Programação e Eletrônica. “Geralmente, as pessoas têm dificuldade de se aproximarem de temas popularmente tidos como difíceis, tal qual a Matemática. Penso que o futebol de robôs quebra essa barreira e faz esse contato, aflora a curiosidade e torna o descobrimento de assuntos como a programação e a Matemática muito mais fáceis e divertidos”, ressalta Alexsander. O trabalho foi vencedor da Semana de Ciência e Tecnologia 2019 no campus Timóteo do CEFET-MG, categoria “Engenharias”.


TECNOLOGIA

WEB

VACINEI Professores desenvolvem homepage que auxilia o acompanhamento da imunização 18


Andréa Santiago

Prevenir para não precisar remediar. O dito popular é antigo, mas fundamental no que diz respeito à nossa saúde. A vacinação encaixa-se neste dizer, representando uma das mais eficientes alternativas para evitar doenças. O Brasil, conforme dados do Ministério da Saúde, possui um dos maiores programas de imunização do mundo, disponibilizando um total de 45 diferentes imunológicos para todas as faixas etárias da população. O calendário completo de vacinação pode ser acessado no site do Ministério da Saúde. Mediante a importância de manter-se protegido de possíveis doenças, como sarampo e hepatites, trazemos uma pergunta relevante a você, leitor: Neste momento, você faz ideia de onde está o seu cartão de vacina? E especificamente aos adultos: sabia que seguimos precisando de algumas vacinas mesmo não sendo mais crianças? Ao perceber que a maioria das pessoas responde negativamente a essas duas questões, um grupo de pesquisadores do CEFET-MG, coordenado pelo professor do Departamento de Informática, Gestão e Design no campus Divinópolis, Luís Augusto Mattos, desenvolveu de março de 2019 a fevereiro de 2020 o projeto de iniciação científica Web Vacinei.

A equipe, composta pelo professor e pelos coorientadores André Luiz Maravilha, Hewerton Luis Pereira e Leonardo Andrade, o bolsista João Vitor Queiroz e a voluntária Larissa Valadares, trabalhou durante um ano na criação da plataforma que leva o mesmo nome do projeto. A iniciativa foi premiada com o segundo lugar geral na 15ª Semana de Ciência e Tecnologia do CEFET-MG. O primeiro perfil, voltado aos gestores de saúde, permite o cadastro inicial, acompanhamento e recuperação das informações referentes às dosagens de vacinas atribuídas a cada Pessoa Física. A identificação ocorre por meio do Cadastro de Pessoas Físicas (CPF). No segundo perfil da plataforma, o usuário poderá visualizar digitalmente as campanhas de vacinação, as informações de cada vacina (propósito, dosagem, ciclo de aplicação), as vacinas que não recebeu (pendentes) e o seu cartão de vacinas. Além disso, também poderá imprimi-lo, caso necessite. “Não saber onde está guardado o cartão é comum entre a maioria das pessoas, dificultando o acompanhamento e a adesão às campanhas de vacinação promovidas pelo Ministério da Saúde. Com esta plataforma, queremos colaborar para amenizar o problema”, explicou o professor Luís Augusto.

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Com a finalização da plataforma, os pesquisadores estabeleceram um contato preliminar com a gestão de saúde do município de Belo Horizonte (MG) informando a existência da nova ferramenta. Acesse: www.vacinei.projetoscomputacao.com.br

Próximo desafio Os pesquisadores tiveram o projeto “Cartão virtual de vacina: Desenvolvimento de um aplicativo Android para acompanhamento da imunização da população brasileira” aprovado no edital do Programa Institucional de Iniciação Científica Voluntária Júnior (PICV-Jr) do CEFET-MG. O objetivo é a criação de um aplicativo por meio do qual será disponibilizado um cartão virtual com o intuito de auxiliar as pessoas a manterem o cartão de vacinação atualizado e em sua posse. A ideia acompanha a tendência atual do Governo Federal que tem desenvolvido aplicativos como carteira de trabalho digital, título de eleitor digital e a carteira de estudante digital. “Esperamos avançar na construção dos conceitos envolvidos no Programa de Vacinação e, consequentemente, proporcionar à população um acompanhamento preciso das imunizações a que esta se submeteu”, finalizou o professor.


CEFET-MG FAZ

CIÊNCIA Semana C&T e META: Eventos científicos abrem espaço para trabalhos inovadores 20


40 ANOS APROXIMANDO CIÊNCIA E SOCIEDADE Mostra de Trabalhos chega à 30ª edição em 2020 valorizando a ciência aliada à prática Nívia Rodrigues Ao completar 40 anos em 2019 e chegar à 30ª edição em 2020, a Mostra Específica de Trabalhos e Aplicações (META) comprova a vocação do CEFET-MG no desenvolvimento da pesquisa aplicada. O evento representa o engajamento dos estudantes e dos servidores na realização de trabalhos práticos que contribuem diretamente para a melhoria do dia a dia da população. Segundo dados levantados pela pesquisadora Eliane Cangussu, a então Escola Técnica Federal sempre esteve ligada aos eventos científicos realizados no Estado. Entre 1969 e 1976, passou a ceder o espaço físico para a realização da Feira de Ciência de Minas Gerais, porém as comissões julgadoras à época eram compostas por professores universitários distantes do ensino técnico. Esse fato, somado à participação intensa dos estudantes cefetianos, criou condições de a Instituição promover o seu próprio evento. Em 1978, com o aprimoramento da ideia, foi realizada a primeira edição da META, com 55 trabalhos inscritos.

A partir de 1993, a feira ganhou uma nova fase, em que se buscou a integração entre teoria e prática, o desenvolvimento de pesquisas que priorizassem a autonomia dos estudantes, as relações sociais e a criatividade, entre outros aspectos. Ainda hoje, entre os objetivos da META, estão o desenvolvimento de habilidades e projetos que contribuam para a resolução de problemas da ciência, das tecnologias e da sociedade e a promoção do intercâmbio entre os estudantes e servidores do CEFET-MG com empresas, instituições de ensino e com a comunidade em geral. O diretor adjunto de Educação Profissional e Tecnológica, professor Ezequiel de Souza Costa Júnior, foi aluno da Instituição do ensino técnico ao mestrado, e conhece com propriedade a história da META. Presidente da Comissão Geral do evento em 2019, o professor garante que as relações estabelecidas durante o desenvolvimento dos trabalhos compõem alguns dos aspectos mais relevantes da feira. “É importantíssimo considerar ainda que, apesar do tema para avaliadores ou orientadores ser bem consolidado, para o aluno, cada pesquisa e cada abordagem se constitui, quase sempre, numa experiência nova e, nesse ponto, única”, afirma.

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Avanço Em 1989, os estudantes de graduação também foram incentivados a participar, preferencialmente, com trabalhos vinculados aos estágios supervisionados. Essas e outras medidas contribuíram para consolidar a META dentro e fora do CEFET-MG. A edição de 2019, por exemplo, registrou 459 trabalhos apresentados em todos os campi, com a participação de 1.300 autores. META em números: trabalhos apresentados de 2000 a 2019: Edição

Ano

Trabalhos apresentados na META

Edição

Ano

18ª

2000

95 (Fonte: Revista da XVIII META - Publicada em 2003 - Trabalhos em Exposição)

23ª

2013

160 (Fonte: Relatório Presidente Comissão XXIII META)

24ª

2014

281

2005

94 (Fonte: Anais da I Semana de Ciência e Tecnologia do CEFET-MG Resumos)

25ª

2015

356

2016

2007

26ª

20ª

99 (Fonte: Relatório da Comissão Responsável)

374 (Fonte: Relatório de Gestão)

27ª

2017

431

21ª

2009

121

28ª

2018

306

22ª

2011

132

29ª

2019

459

19ª

Trabalhos apresentados na META

Conheça a história da META O artigo “Mostra específica de trabalhos e aplicações – META – um exemplo de feira que sobreviveu no CEFET-MG”, da pesquisadora Eliane Cangussu Wanderley, foi baseado na dissertação de mestrado da autora, defendida na Instituição, e é um importante resgate da história do evento e do CEFET-MG. bit.ly/31sYTOF

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Os artigos referentes aos trabalhos apresentados na META em 2016 estão disponíveis na internet e também fazem parte da história da feira. Algumas das pesquisas estão em pleno funcionamento, como a Unidade Piloto de Reciclagem Automotiva. bit.ly/383vtcD


CIÊNCIA É PARA TODOS Há 15 anos, CEFET-MG integra agenda nacional de popularização do conhecimento científico produzido por pesquisadores das mais diversas áreas Gilberto Todescato Telini Melhorar a qualidade de vida da população; aumentar o nível educacional e cultural dos povos; promover o cuidado verdadeiro com o meio ambiente e os recursos naturais; criar oportunidades de emprego e de maior qualificação dos recursos humanos. Essas são as agendas para a Ciência e Tecnologia, previstas pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Para fomentar e divulgar a produção científica nacional, desde 2004, acontece no Brasil a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (Semana C&T), criada por decreto pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Naquele ano, 1.840 atividades foram realizadas em 252 municípios. Na última edição, em 2019, 31.891 ações foram registradas em 870 municípios, consolidando o evento no calendário do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Desde 2005, o CEFET-MG integra a agenda da Semana C&T nacional. Com 15 anos ininterrup-

tos de participação, houve um salto de 68 trabalhos apresentados em 2005 para 457 na última edição, em 2019 (ver tabela). Não só a quantidade, mas também a qualidade dos trabalhos avançou durante o período, reconhecida, inclusive, em feiras e mostras pelo país. “Em todas as edições da Semana, os melhores trabalhos são selecionados para participar da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) na USP, em São Paulo, onde já tivemos vários trabalhos premiados”, destaca a coordenadora-geral de Divulgação Científica e Tecnológica, Sônia Oliveira. Em 2019, com o objetivo de ampliar a participação do público externo na Semana C&T, os alunos das escolas da rede pública municipal e estadual foram convidados a conhecerem projetos e pesquisas desenvolvidos no CEFET-MG. Ao todo, 13 escolas, com cerca de 550 alunos, participaram. Além disso, na programação, foram incluídas atividades artísticas e culturais, como apresentações musicais e performances de danças, teatro e poesia. “Assim, arte e cultura contribuíram para um fazer científico

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mais lúdico e mais próximo do público em geral”, finaliza a coordenadora. Com uma história consolidada, nacionalmente e no CEFET-MG, a Semana de Ciência e Tecnologia se firma como uma vitrine para as pesquisas desenvolvidas nas instituições e leva o conhecimento científico aos mais diversos públicos, financiadores, inclusive, das pesquisas empreendidas nos espaços públicos, como nas universidades.

Semana Nacional de Ciência e Tecnologia pelos olhos de cientistas Carina Pascotto Garroti, em 2014, defendeu dissertação de mestrado na Unicamp sobre a “Semana Nacional de Ciência e Tecnologia no Brasil: avanços e desafios”. A pesquisa resgata a história do evento no Brasil, especialmente em São Paulo. Versão completa: https://bit.ly/2Oirl0j Felipe Conrado Fiani, em 2015, defendeu a dissertação “Análise Crítica da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia para a Popularização do Conhecimento Científico” na Unesp. O trabalho traça um panorama teórico-crítico nas ações de C&T para o público em geral. Versão completa: https://bit. ly/2LZbqlY

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Memória da Semana C&T no Brasil e no CEFET-MG : Trabalhos apresentados no CEFET-MG

Edição nacional

Edição CEFET-MG

Ano

1ª

--

2004

Brasil, olhe para o céu

2ª

1ª

2005

Brasil, olhe para a água!

68

3ª

2ª

2006

Criatividade e inovação

148

4ª

3ª

2007

Terra

207

5ª

4ª

2008

Evolução e diversidade

276

6ª

5ª

2009

Ciência no Brasil

144

7ª

6ª

2010

Ciência para o desenvolvimento sustentável

242

8ª

7ª

2011

Mudanças climáticas, desastres naturais e prevenção de risco

163

9ª

8ª

2012

Economia verde, sustentabilidade e erradicação da pobreza

185

10ª

9ª

2013

Ciência, saúde e esporte

198

10ª

2014

Ciência e tecnologia para o desenvolvimento social

239

12ª

11ª

2015

Luz, ciência e vida

224

13ª

12ª

2016

Ciência alimentando o Brasil

372

11ª

Temática

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MINAS

GEO/GRÁFICA Livro produzido no CEFET-MG conta, nas palavras e na forma, a história das editoras mineiras. A obra, que faz um mapeamento geográfico da cena editorial no Estado, também inaugura o catálogo da Editora Laboratório do curso de Letras (Led) Gilberto Todescato Telini “O livro é uma extensão da memória e da imaginação.” A frase, do escritor argentino Jorge Luís Borges, é uma metáfora apropriada para o Minas Geo/gráfica, primeira obra produzida na editora experimental do CEFET-MG. Basicamente, o livro trata disso: da memória das editoras mineiras, recuperada pelos alunos de Letras e contada pelas mentes criativas da professora Ana Elisa Ribeiro e do design Mário Vinícius.

pela professora Ana Elisa. Até então, a bibliografia utilizada para esses primeiros contatos eram os três volumes publicados pelos Cadernos Viva Voz, da Faculdade de Letras da UFMG, que estão desatualizados, pois datam de 2008 e 2009. “Muita coisa aconteceu ao mercado editorial mineiro nos últimos dez anos. Eu nutria o sonho de atualizar isso, mas na forma de verbetes sobre editoras e feito aqui por nós, obviamente”, destaca a professora.

Prefácio

Para isso, um dos trabalhos da turma 2019/1 foi reprogramado e os alunos tiveram a missão de pesquisar e escrever sobre as casas editoriais de Minas. “Passamos a produzir verbetes, a partir de um padrão de um projeto espanhol de que participo. Com os verbetes dos estudantes, eu e Mário [Vinícius] escrevemos os de editoras

Há uma particularidade no Bacharelado em Letras do CEFET-MG: os formandos são habilitados para a Edição. E uma forma de introduzi-los ao assunto, logo no 1º período, é a disciplina Contexto Social e Profissional, ministrada

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Foto: Julio Sardinha

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que faltavam (e mesmo assim faltaram várias!, que vamos corrigir em breve)”, conta a professora, que também se envolveu nas atividades de padronização, revisão, marcas e projeto gráfico.

Conteúdo/forma

A força expressiva do Minas Geo/gráfica se deve, em grande medida, ao projeto desenvolvido pelo design Mário Vinícius, orientando da professora Ana Elisa no doutorado em Estudos de Linguagens. Mário, entre a poesia e as artes gráficas, pensou em um livro orgânico, que desse continente (geo) gráfico à história das editoras mineiras. “Cuidei desde a escolha da família tipográfica, papéis, cores, tratamento de imagens, acabamento etc. (...) Também fui responsável pela, digamos, ‘cenografia’ do livro: a criação da espécie de ‘versão semiótica’ do poema do Affonso Ávila, com a qual o volume é aberto; o caligrama do triângulo invertido...”, detalha. Além do trabalho com cores e formas, Mário Vinícius também colaborou com os aspectos textuais do volume: redação de alguns verbetes, revisão e outras decisões editoriais, como índice, posicionamento das seções, etc, materializados em um livro-mapa, “movente, inquieto e inquietante”, assim caracterizado pelos organizadores.

Posfácio Para que o objeto sonhado pelos autores se materializasse, a professora Ana Elisa escreveu um projeto de financiamento na Diretoria de Extensão e Desenvolvimento Comunitário. “Aprovado, tivemos condições de sonhar mais alto, pensar num livro impresso realmente lindo, coisa que conseguimos com a Impressões de Minas, uma das gráficas mais especiais da cidade”, comemora. Ao mesmo tempo, a editora-laboratório do curso

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também estava em discussão, e o livro passou a figurar como uma possibilidade inaugural do catálogo, já que foi feito com estudantes de graduação, o que acabou acontecendo. “É o primeiro livro que sai com a marca da Led (Editora Laboratório do Bacharelado em Letras). O gesto de publicar um primeiro livro é fundacional e é assim com todas as editoras que existem ou existiram. Embora ainda haja muito a fazer, a Led já existe com esta marca, este livro e abre alas para os próximos projetos, que virão logo, também na parceria entre professores e estudantes”, ressalta. Foram impressas 500 unidades do livro, cujo destino são bibliotecas mineiras e de outros estados, centros culturais e professores de Letras ou Edição. A versão digital do Minas Geo/gráfica está disponível, na íntegra, no site da Led: http://www. letras.bh.cefetmg.br/nosso-catalogo/ . A obra também passa a compor a bibliografia do curso do CEFET-MG, ajudando a contar a história da cena editorial de uma Minas literária. “Somos um Estado originário de uma parte enorme da literatura brasileira. É uma vergonha não termos noção disso e de como as nossas editoras fazem a diferença. Isso é de alto impacto social”, pondera a professora. Os contornos do livro, também, materializam um esforço constante de alunos, pesquisadores e professores da Instituição para situar Minas Gerais no mapa da história editorial nacional. “Deixando uma questão como nossa história editorial entregue à dinâmica já vigente, que privilegia sempre a parte que corresponde ao eixo RJ-SP (...), ela simplesmente passará por inexistente, ao passo que a história deles, já em uma espécie de ‘movimento retilíneo uniforme’, seguirá sendo contada. Então, acho que iniciativas como o Minas Geo/gráfica servem para, concretamente, desconstruírem esse tipo de aparência, de superficialidade”, finaliza Mário Vinícius.


Foto: Julio Sardinha

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Ilustração: Luciana Ruiz de Vilhena

ROBÓTICA NAS ESCOLAS

Programa de Extensão Enxurrada de Bits desperta o interesse pela programação e robótica e promove a inclusão social 30


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Flávia Dias Crianças e adolescentes, que tal aprenderem atividades diferentes das convencionais vistas em sala de aula? Programação, criação de aplicativos e desenvolvimento de robôs para diversas finalidades. Essa é a proposta do Programa Enxurrada de Bits. A ideia surgiu quando o professor do CEFET-MG Sandro Renato Dias, coordenador do Programa, percebeu a carência desses conhecimentos por parte de estudantes de escolas públicas que não têm condições de frequentar cursos livres em escolas privadas. O Enxurrada de Bits oferece cursos gratuitos regulares de programação, robótica e informática básica no CEFET-MG,

bem como oficinas em escolas públicas e em eventos abertos ao público. O objetivo é ensinar e promover o conhecimento e interesse pelas áreas de atuação da Engenharia de Computação. Os cursos e oficinas são ministrados por instrutores e monitores, estudantes voluntários de cursos de graduação e técnico do CEFET-MG. O público dos cursos oferecidos no CEFET-MG é composto por alunos de escolas públicas (Ensinos Fundamental I e Fundamental II e Ensino Médio). Há também turmas específicas para professores das escolas de Belo Horizonte e Região Metropolitana. Enzoh Amorin, 9 anos, estudava na Escola Estadual Deputa-

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do Renato Azeredo participou das atividades do Enxurrada de Bits durante um semestre e, segundo seu pai, Lourival Oliveira, exerceu um papel importante no desempenho escolar do filho. Lourival considera o acesso às atividades extracurriculares uma conquista ímpar. “A exposição de conteúdos modernos e essenciais que auxiliam na formação e entendimento das disciplinas da área de Ciências Exatas é algo positivo. Serve para inserir os alunos num contexto moderno de educação”, ressalta . A ideia, segundo o coordenador Sandro, é desenvolver o interesse pela área de tecnologia nos jovens e, com isso, despertar a visão de um fu-


turo profissional promissor, já que esta é uma área em contínuo crescimento. “Além da lógica, o estudante desenvolve outras habilidades, como trabalho em equipe, respeito, hierarquia e comunicação. No intuito de promover a inclusão social e digital de crianças e adolescentes provenientes de escolas públicas, o programa espera afastá-los da criminalidade e do desemprego, despertando seu interesse pela programação e pela robótica. Essa proposta segue alinhada à inclusão social e contribui para afastar crianças e adolescentes da criminalidade e violência”, explica. No primeiro semestre de 2019, o Programa recebeu mais de

2.000 inscrições. “Há o interesse dos alunos em participar, aprender e disseminar os conhecimentos ministrados pelos instrutores a cada sábado. Despertar nas crianças e, principalmente nos adolescentes, o interesse pela tecnologia e mostrar como é vasto o campo de trabalho e interessantes são as remunerações fazem com esses alunos se empenhem ainda mais nas aulas vislumbrando um futuro na área de Tecnologia da Informação (TI)”, ressalta Sandro. A tecnologia está presente na vida de todos e lidamos com ela no trabalho e na vida pessoal. “Criar e capacitar profissionais apaixonados pela TI torna-se imprescindível para

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que toda essa tecnologia seja dominada por estes que serão os profissionais do futuro, em profissões que ainda serão criadas, mas que, com certeza, demandarão de conhecimentos de tecnologia aliados a outros necessários”, destaca Sandro. Estimular os alunos de escolas públicas a conhecerem a tecnologia, descobrir novas áreas possíveis e interessantes para trabalho, contribuir com a sociedade levando até ela o que é produzido no CEFET-MG. Essas são as propostas do Enxurrada de Bits.


Ilustração: Luciana Ruiz de Vilhena

MULHER CIÊNCIA

NA

O PODER DE

ATENA

Projetos científicos têm como foco a mulher

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Flávia Dias Na Mitologia Grega, Atena é a deusa da sabedoria, das artes, da inteligência, da guerra e da justiça. Pensando em todas essas características, as alunas Ana Carolina Souza, Ana Flávia Cândida, Andressa Garcia e Marina Pereira, todas do curso técnico de Redes de Computadores do campus Nepomuceno, com a orientação da professora Nívea Guimarães, desenvolveram o “Jogo Atena”, um jogo de tabuleiro de perguntas visualizadas por QRcode, com respostas relacionadas à trajetória de mulheres nas ciências e na tecnologia. A ideia surgiu por meio dos debates do Grupo de Pesquisa em Avaliação do Ensino Técnico e Engenharia (GPAETE). Nas análises sobre a evasão e reprovação, o grupo direcionou a reflexão para o recorte de gênero e de como ele pode influenciar no que consideramos ser um “bom comportamento” e a aptidão para determinas disciplinas, por exemplo. “Essas questões, por vezes, naturalizadas na estrutura escolar e em seus agentes acabam por influenciar diretamente na permanência na escola e nas possibilidades de continuidade na área técnica, seja no mercado de trabalho ou no ensino superior”, explica. A professora considera relevante abordar a temática de gênero na instituição escolar, especialmente, de nível técnico, isso demonstra significativos avanços no debate. “Apesar de mais frequentes na escola, de serem a maioria no ensino superior e de, normalmente, serem associadas ao “bom comportamento”, as mulheres recebem salários menores em relação aos homens e são minoria na ocupação de cargos de liderança. Este é apenas um caso que exemplifica como as percepções de gênero estão arraigadas na estrutura social e de como é necessário investiga-las e propor soluções”, destaca Nívea. A professora ressalta também a necessidade

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dos estudos de gênero para serem associados às categorias de cor ou raça para que abarque as experiências diversas das estudantes, principalmente no que diz respeito às análises sobre reprovação, evasão e as perspectivas de continuidade na área técnica. “O recorte de gênero tem muito a contribuir para a formulação das políticas institucionais”, conclui. A estudante Marina Pereira conta que o projeto ajudou em seu crescimento acadêmico. “As formas de pesquisas para saber como cada mulher criou cada coisa, igual ao wi-fi, meu curso é redes de computadores e em momento nenhum eu pensei que foi inventado por uma mulher, acho que essas novas descobertas acrescentaram muito”. O trabalho foi apresentado na 29ª Mostra Específica de Trabalhos e Aplicações (META) no campus Nepomuceno “Quando as pessoas passavam no posso projeto, muitas se surpreendiam com invenções feitas por mulheres que todos acham que são feitas por homem. Então, na atualidade é importante difundir esse conhecimento de alguma forma. A parte mais importante é mostrar que as mulheres também realizam grandes feitos e também mostrar que as mulheres são inteligentes e empoderadas e que não merecem reconhecimento só por sua beleza física e sim pelos seus feitos”, pontua Marina.

“Na atualidade, esse assunto é de suma importância para desconstruir padrões impostos pela sociedade extremamente ‘machistas’ em que estamos inseridos. Durante a apresentação do projeto, percebemos que a maioria das pessoas não sabia como as mulheres foram e ainda são importantes para a ciência – mesmo o título do projeto sendo “A Atuação das Mulheres na Ciência”, muitas pessoas ainda respondiam que algumas coisas foram criadas/descobertas por homens – e isso é assustador”, pontua Ana Carolina Souza.


Elas.net: iniciativa fomenta uma rede de apoio entre alunas e professoras na Computação As atividades são específicas para elas. São palestras e minicursos técnicos; orientações sobre o mercado de trabalho; rodas de conversas sobre diversos assuntos, como atuação feminina no mercado de trabalho, dificuldades enfrentadas nos cursos e em relação aos colegas e professores e violência de gênero. A ideia do Elas.net é incentivar e apoiar a participação feminina na Computação, mais especificamente, nos cursos de Redes, Informática e Engenharia de Computação do Departamento de Computação do campus Belo Horionte. A proposta é incentivar as alunas em suas trajetórias nos cursos até a inserção no mercado de trabalho. Com isso, espera-se que elas percebam que têm referências femininas em seus cursos, são acolhidas e não estão sozinhas. É fomentar uma rede de apoio mútuo entre alunas e professoras, daí o nome Elas.net. A coordenadora do projeto, Kecia Aline Marques, explica que, atualmente, a quantidade de mulheres na Computação é muito pequena, embora em tempos anteriores isso não ocorresse. “Não há consenso sobre a causa desce decréscimo de interesse das mulheres pela área, mas há alguns aspectos que podem contribuir para isso, tais como a falta de incentivo às meninas para atuarem nas áreas de exatas, poucas referências femininas e os preconceitos que lamentavelmente enfrentamos nessas áreas”, aponta. As consequências, para Kecia, são relevantes porque é importante haver diversidade nas empresas, na escola e na pesquisa para que as soluções dadas sejam mais ricas. “Não podemos perder o olhar feminino na Computação”, ressalta. A criação do Elas.net se deu a partir da percepção da professora Kecia e da professora Glivia Angélica Rodrigues e dentro do papel de educadoras sentiram que podem prestar algum tipo de apoio às alunas.

Kecia acredita que as ações realizadas por meio do projeto possam resultar na diminuição da evasão das alunas. “A inclusão social é a temática central desse projeto. A sociedade impõe à mulher uma série de dificuldades no âmbito familiar, acadêmico e profissional, dentre as quais podemos citar: salários menores do que os dos homens, dupla jornada de trabalho, obstáculos para ascensão nas carreiras e ações machistas de colegas, professores, chefes e familiares. Dessa forma, as iniciativas de apoio à mulher em qualquer contexto são essenciais nos dias atuais. O Elas.net visa contribuir para inclusão da mulher na área de Computação”, pontua. A página do projeto é http://www.prisma.cefetmg.br/projetos/ elas-net/

VOCÊ SABIA? Muitas ações têm sido realizadas ao redor do mundo para contornar o problema da diminuição da presença feminina na Computação. A Association for Computing Machinary (ACM), uma instituição internacional da área, mantém o ACM-W, um programa para fomentar a participação de mulheres na Computação. A Sociedade Brasileira de Computação (SBC) possui o projeto Meninas Digitais, um programa voltado para alunas do ensino médio e dos últimos anos do ensino fundamental para incentivá-las a ingressarem em carreiras de Computação.

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Ilustração: Luciana Ruiz de Vilhena

INCLUSÃO

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PODER PARA O POVO

PRETO!* Alunas em Belo Horizonte e Nepomuceno discutem resistência e inclusão dentro dos muros do CEFET-MG Nívia Rodrigues “Pensar feminismos negros é pensar projetos democráticos”. É o que pensa a mestra em Filosofia Djamila Ribeiro e o que vem sendo colocado em prática no CEFET-MG. A “sensação de inadequação”, como denomina a filósofa, em espaços de poder e, dentre eles, em instituições de ensino, vem impulsionando debates importantes promovidos por alunas negras dos campi de Belo Horizonte e Nepomuceno.

ainda vai render frutos no campus Nepomuceno. Durante oito meses, as jovens fizeram uma imersão nas temáticas de gênero e raça. As bases foram reportagens publicadas pela imprensa e as obras “Quem tem medo do feminismo negro” e “O lugar de fala”, ambos de Djamila, além de sessões de cinema e música. O desejo do grupo que as discussões se tornem sistemáticas, permanentes e abarquem cada vez mais pessoas.

Amanda, Franciele, Giovanna, Jhennifer e Larissa, então estudantes dos cursos de Eletrotécnica, Rede de Computadores e Mecatrônica, foram as pioneiras de um projeto que

O orientador da pesquisa, professor Luiz Fernando de Oliveira, explica que o projeto ofereceu às alunas bases teórica e política para a luta pela democracia e contra todas as formas

de discriminação. “A mudança na forma como as estudantes passaram a encarar a sua negritude e a sua feminilidade salta aos olhos de quem com elas têm contato”, comemora. O resultado dos debates transformou-se em uma instalação apresentada na Mostra Específica de Trabalhos e Aplicações (META) e buscou aguçar os sentidos dos espectadores: fotos, música e perfumes lembraram as lutas diárias enfrentadas pelas mulheres negras.

Movimento “Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com

* A frase de Stokely Carmichael (“o que nós queremos agora é poder para o povo preto”), deu início, em 1967, ao movimento Black Power nos Estados Unidos

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ela”, afirma a filósofa norte-americana Ângela Davis. As alunas autodeclaradas negras Lívia Sales, Marcela de Jesus e Sara Cantão, com orientação da professora Juliana Godin, promoveram essa movimentação em Belo Horizonte ao diagnosticarem a experiência de 156 alunos que ingressaram nos campi I e II por meio de cotas raciais e sociais. Quase 80% afirmaram que a perspectiva de futuro mudou após o ingresso na Instituição. Porém, a perspectiva só se concretizará se os problemas enfrentados por esse público forem sanados. A professora Juliana enumera: sentimento de inferioridade por condições financeiras; o rótulo carregado, devido à forma de ingresso; e a dificuldade de acompanhamento em algumas disciplinas, devido à defasagem escolar. Sara Cantão conhece bem a “sensação de inadequação”. Como estudante negra e da periferia, notou, logo que ingressou em Rede de Computadores, que não se enxergava no corpo de servidores e de alunos. “Acho importante o acolhimento, mas senti que fui sendo ‘abandonada’ ao longo do ano. Necessitamos de apoio para diminuir a taxa de evasão, principalmente dos cotistas. Ir, aos poucos, acabando com o preconceito que existe e, assim, extinguindo dos cotistas o sentimento de não-pertencimento ao CEFET”, pondera. Lívia Sales, de Hospedagem, avalia que, para os cotistas serem mais bem acolhidos, a Instituição precisa se mobilizar. “O que mais percebemos é que as cotas ainda são tratadas como tabu. As melhores ferramentas para reduzir o preconceito que o cotista sofre são a informação e a conscientização”. Para Marcela, também do curso de Hospedagem, a pesquisa teve o intuito de ser acadêmica e imparcial, além de contribuir para uma maior divulgação dessa realidade. “Nós queríamos mostrar os resultados sem que nossas opiniões influenciassem. Vai muito além de ser a favor ou contra a política de cotas. Esse trabalho veio para informar o que acontece e abrir ideias de como melhorar o sistema em que estamos inseridos, fazendo dele mais humano e acolhedor”, avalia. As pesquisas “Feminismo negro: o problema da interseccionalidade e a luta pela democracia” e “Narrativas de cotistas sobre as suas experiências enquanto estudantes em uma Instituição de Educação Tecnológica Federal” foram premiadas como primeiro lugar geral e primeiro lugar na categoria Ciência e Sociedade na META 2019 de Nepomuceno e de Belo Horizonte, respectivamente.

Pequeno dicionário prático sobre negritude pelas alunas de Nepomuceno

Interseccionalidade “Quando se fala em feminismo, quem são essas mulheres? São brancas? Negras? Deficientes? Que feminismo é esse, que luta é essa? As lutas na sociedade são diferentes e o próprio oprimido, muitas vezes, pode ser também o opressor”. Amanda Rangel

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Feminismo negro “O sistema nos torna tão reprimidas que, desde novas, somos obrigadas a nos adequar. Aprendi que, como jovem negra, posso entrar em um curso de Medicina, tenho direito de usar o cabelo liso ou cacheado e tenho como dever mostrar para as outras garotas que o nosso lugar é onde a gente quiser estar”. Franciele Souza


Frases de estudantes cotistas que responderam ao questionário “Pensei em desistir várias vezes, mas fui conseguindo acompanhar o ritmo de ensino com a ajuda de alguns amigos”

“Eu sinto que está em minhas mãos mudar o futuro da minha família”

“Principalmente no início, existia o sentimento de que o CEFET não era lugar pra mim”

“O aluno cotista sofre mais pressão, muitas vezes, por sua aprovação no CEFET ser vista como um privilégio, e não como uma conquista”

Vejo pessoas com problemas distantes, alguns se preocupam em manter seu estilo com roupas de marca, enquanto o outro se preocupa em pagar a conta de luz da sua casa”

“É necessário primeiro que os professores aceitem que no CEFET existem alunos de diferentes realidades e que possuem defasagens para, a partir disso, a escola como um todo fornecer aulas paralelas ou algo do tipo para equiparar os alunos”

Lugar de fala “É pensar em ter uma postura ética. Não é restrito somente a mulheres negras falarem sobre o feminismo negro: outras pessoas também podem falar sobre o assunto, desde que se tenha respeito e sejam vistos os limites de conhecimento e experiência em relação ao que está sendo abordado”. Larissa Silva

Pertencimento “Os momentos de trocas de experiências são os mais importantes, pois isso trazia a segurança de que eu não estava sozinha e que não era a única incomodada com o modelo social desigual e opressor em que vivemos”. Giovanna Trindade

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Reconhecimento “Dado o fato de eu sou parda, eu comecei a procurar entender sobre a minha cor, sobre os meus antepassados. Foi a oportunidade perfeita para entender essas questões e ir adiante, mostrar para outras pessoas o tema e a importância dele.” Jhennifer Borges


Ilustração: Luciana Ruiz de Vilhena

TECNOLOGIA E INOVAÇÃO

MONITORAMENTO PARA

CACHORRO Projeto desenvolvido no Departamento de Eletrônica e Biomédica facilita a realização de ressonância magnética em animais 42


Diogo Tognolo Você já fez uma ressonância magnética? É aquele exame em que você entra numa grande máquina, composta por um ímã que interage com nosso corpo por meio de campos magnéticos e pulsos de radiofrequência. Ela cria imagens em alta definição, que servem para identificar fraturas, tumores, derrames, entre outros males. Mas a ressonância magnética não é feita apenas por humanos. Muitas vezes, animais também precisam ser submetidos ao teste para, por exemplo, avaliar lesões no sistema neurológico ou na coluna vertebral. O processo, no entanto, é lento e necessita que os animais fiquem imóveis. Por isso, são usados anestésicos que, com o longo tempo de duração do exame, podem causar efeitos indesejáveis. A solução, então, é monitorar constantemente os sinais cardíacos e respiratórios dos animais. Há aparelhos para isso, mas são caros. Para atenuar esses problemas, um projeto do Departamento de Eletrônica e Biomédica do CEFET-MG, Belo Horizonte, criou um sistema de monitoração cardíaca e respiratória adaptado para pequenos animais que se submetem ao processo de ressonância magnética. A pesquisa foi desenvolvida pela estudante Rebeca Coércio, pela técnica de laboratório Laisla de Almeida e pelo professor Alexandre Farias. Como conta Alexandre Farias, o projeto surgiu de sua tese, “Nova abordagem para acelerar imagem por ressonância magnética abdominal de camundongo combinando as técnicas de gating respiratório e Compressed Sensing”, finalizada em 2018 no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O que o projeto do CEFET-MG propõe é um sistema de monitoração fisiológica para pequenos animais. Para ilustrar a efetividade, os participantes apresentaram resultados experimentais com

camundongo em um scanner de ressonância magnética de 4.7 Teslas. “Os animais utilizados durante os exames de ressonância magnética não possuíam monitoração de seus parâmetros fisiológicos. Equipamentos para isso até existem, mas são muito caros. Portanto, desenvolver um sistema de monitoração de baixo custo compatível com o ambiente de ressonância magnética permite maior controle do nível de anestesia do animal, o que lhe proporciona menor exposição aos seus efeitos nocivos”, explica Alexandre. O projeto está na fase de testes em bancada. O protótipo foi feito utilizando impressora 3D, com o desenvolvimento de um circuito eletrônico baseado em fibra ótica. A estudante Rebeca Coércio, ex-aluna do curso técnico de Equipamentos Biomédicos, cursando atualmente Engenharia Elétrica também no CEFET-MG, conta que a participação no projeto contribuiu para sua aprendizagem e conhecimento profissional. “Com todo o processo de pesquisa e prototipagem, eu pude colocar em prática toda a teoria que aprendi no curso de Equipamentos Biomédicos e aprimorar técnicas de soldagem, desenvolvimento de placas de circuito impresso e troubleshooting, por exemplo”, conta. “Além disso, vivenciar o desenvolvimento de um projeto completamente diferente, desde o início, me trouxe conhecimentos novos, como modelagem e impressão de peças 3D e também me preparou para lidar emocionalmente com todo o processo, que não é fácil. Tudo isso foi e está sendo muito importante para a minha carreira e ter feito parte desse projeto só me deu a certeza de que é este o caminho que eu desejo seguir”. “Sistema de monitoração cardíaca e respiratória para pequenos animais compatível com ambiente de ressonância magnética” foi premiado na 15ª Semana de Ciência e Tecnologia do CEFET-MG, com o primeiro lugar geral entre os projetos de Belo Horizonte.

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Ilustração: Luciana Ruiz de Vilhena


TECNOLOGIA NA

RECICLAGEM Sensor indica enchimento de resíduos recicláveis na lixeira e envia e-mail para Associação de Catadores

Flávia Dias O Ponto de Entrega Voluntária (PEV) indica por meio de um sensor quando atinge a capacidade máxima. Logo, um e-mail é enviado automaticamente para a Associação de Catadores de Recicláveis de Timóteo (Ascati) e, assim, o caminhão faz a coleta do resíduo. A rota do caminhão é otimizada e, quando chega ao campus, recolhe uma maior quantidade de resíduos. Assim funciona o projeto “Ponto de Entrega Voluntária (PEV): o mínimo que cada um pode fazer com o seu “lixo”, de autoria do professor do campus Timóteo Flávio Barony. O PEV já é utilizado no Brasil, porém o projeto tem o diferencial de ser tecnológico. O objetivo é coletar os resíduos recicláveis (latinha, pet, tetra Pak, papelão) gerados no campus e dar a oportunidade para os estudantes separarem os resíduos em suas casas para entregá-los no PEV. Além disso, a ideia é reduzir os custos com o deslocamento do caminhão da Associação de Catadores e aumentar a produtividade deles.

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O PEV, como conta Flávio, apresenta baixo custo; acessibilidade, ou seja, maior facilidade para coletar os resíduos; possui o aspecto tecnológico, que é o sensor de indicação de enchimento e envio de e-mail para a Associação de Catadores; e permite que a comunidade acadêmica separe os resíduos e o destinem ao PEV sem gerar custos, pois o Ponto está localizado em um lugar de acesso contínuo no campus. Segundo o professor, o projeto tem sua importância por mudar a cultura e integrar estudantes de diferentes cursos (Edificações, que fizeram o desenho no Autocad, Metalurgia, Computação e Química, sendo que os estudantes deste último ficaram responsáveis pela conscientização). “Há 23 anos, faço coleta seletiva, daí vem a minha motivação pela temática. Em todas as escolas que já trabalhei, tive atuação nesta área e percebo o quanto ainda precisamos avançar”, conclui Flávio. Além do professor Flávio, participam também do projeto o professor Rodrigo Gaiba e os estudantes Alysson Kelvim, Ana Clara (estudantes de Computação), Luís Cláudio, Felipe Emanuel e Pedro Henrique (estudantes do curso técnico de Química). Para Ana Clara Rodrigues, estudante de Engenharia de Computação, fazer parte do projeto foi uma oportunidade para colocar em prática conteúdos que aprendeu durante o curso. “Muitas vezes, nós alunos não conseguimos ter visão da aplicabilidade daquilo que aprendemos em sala de aula. Este projeto foi de suma importância para ampliar a minha percepção das possibilidades práticas das disciplinas do curso”, explica. Ainda, segundo a estudante, “aprendi a buscar meios de preservar o meio ambiente e que com pequenas práticas podemos fazer uma grande

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diferença, não só para o meio ambiente, mas também para ajudar aqueles que vivem deste recurso, neste caso, as famílias beneficiadas pela Ascati”. Amanda Bueno, do curso de Química, conta que o projeto teve muita importância para o aprendizado e crescimento. “Com o desenvolvimento do projeto, tive a oportunidade de aprender a lidar melhor com grandes tarefas em curtos períodos de tempo, a administrar melhor meu tempo e a ser mais criativa ao resolver problemas”. Assim como para Luís Cláudio Prado, do técnico em Química, que percebeu o que as pessoas conseguem fazer quando se juntam. “Com a união dos alunos do campus Timóteo, conseguimos desenvolver esse projeto. O que mais me deixa empolgado é pensar nele sendo implantado em todos os cantos do país, nas crianças crescendo em volta de pontos de reciclagem desde seus nascimentos, desse jeito adquirindo um pensamento em prol do meio ambiente desde cedo. Este projeto não é só ambiental, também é social. Eu aprendi sobre muitas coisas desenvolvendo o PEV, como, por exemplo, que o Brasil produz mais de 240 mil toneladas de lixo por dia, números horripilantes. Apresentando o projeto, eu desenvolvi uma mente mais aberta e preocupada com o meio ambiente, espero ter mais chances para fazer o bem para as pessoas”. O projeto foi vencedor da Mostra Específica de Trabalho e Aplicações (META) no campus Timóteo. “Fiquei surpreso com a vitória do projeto, mas foi muito gratificante por ter tido este reconhecimento dos pares. Fiquei muito feliz em contribuir com a Instituição e com a integração de diferentes áreas de conhecimento, pois envolveu estudantes de diferentes cursos”, conta Flávio.


Outra iniciativa - Aplicativo Coleta Seletiva

No campus Divinópolis, estudantes e professores também estão atuando na coleta seletiva. O aplicativo recicle+ surgiu de uma proposta apresentada pela ONG Lixo e Cidadania. O projeto do aplicativo iniciou-se em 2017. Atualmente, o aplicativo foi desenvolvido pelos alunos do curso técnico em Informática Bruno Pereira, Frederico Xavier e Kaniny Alves, sob orientação dos professores Alisson Marques e Thiago Magela. A ideia é auxiliar na coleta seletiva, integrando os doadores de recicláveis e os catadores. O aplicativo funciona de maneira similar aos aplicativos de transporte (como Uber), porém com foco na coleta de recicláveis. “A importância e a necessidade estão totalmente ligadas à grande necessidade de aumentar o percentual de resíduos recicláveis nas cidades. O aplicativo envia uma notificação para todos os catadores. O catador que tiver interesse em realizar a coleta atende ao chamado pelo aplicativo. Após selecionar a coleta, o doador e o catador podem interagir via chat para acertar detalhes da coleta, se necessário. Após a coleta, ambos avaliam o processo”, explica o professor Alisson Marques. O aplicativo já está disponível para download no Google Play com o nome “recicle+”.

Curiosidade

O Fundo Mundial para a Natureza (WWF) desenvolveu o estudo “Solucionar a Poluição Plástica: Transparência e Responsabilização” e mostra que o Brasil é o quarto país no mundo que mais produz lixo. São mais de 11 milhões de toneladas e apenas 1,28% de reciclagem, ficando atrás somente dos Estados Unidos, China e Índia.

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DESTAQUE

PRÊMIO

MERCOSUL DE C&T CONTEMPLA ESTUDANTE DO CEFET-MG

Indústria 4.0 é tema da edição 2019; premiação reconhece trabalhos que potencializam o desenvolvimento científico e tecnológico dos países-membros Flávia Dias A Indústria 4.0 é conhecida como indústria inteligente por apresentar uma mudança significativa de paradigma em relação à maneira como as fábricas atuam. Descentralização do controle dos processos produtivos e proliferação de dispositivos inteligentes interconectados ao longo de toda a cadeia produtiva e logística. Essas são algumas das características da Indústria 4.0 que faz referência à 4ª revolução industrial.

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A área foi escolhida como tema do Prêmio Mercosul de Ciência & Tecnologia na edição 2019. Estudantes e pesquisadores dos países-membros ou associados ao Mercosul (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai, Venezuela, Guiana e Suriname) puderam concorrer nas categorias Iniciação Científica, Estudante Universitário, Jovem Pesquisador e Pesquisador Sênior, e Integração. Promovido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Prêmio recebeu 175 trabalhos de candidatos de noves países e os vencedores foram do Brasil, do Uruguai e da Argentina. Um dos premiados foi o brasileiro Lucas Saldanha, doutorando em Modelagem Matemática e Computacional do CEFET-MG com o trabalho “Aplicação de visão computacional para automatização do processo de reconhecimento de placas de aço bruto”. “O projeto foi desenvolvido com uma grande siderúrgica que atua no Brasil. Naturalmente, a empresa queria resolver um problema prático e real, porém extremamente

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complexo. Nenhuma solução disponível no mercado conseguiu atingir as expectativas. Dada a situação, a siderúrgica buscou pessoas aptas a pesquisar e desenvolver essa solução do zero. O projeto acabou sendo um sucesso do ponto de vista de produto e agora se tornou um sucesso do ponto de vista de ciência. E este sempre foi o objetivo da equipe envolvida: agregar ciência e produto na Indústria 4.0. ”, explica. Para Lucas, o prêmio representa a noção que mestrado e doutorado não são apenas para acadêmicos e que, cada vez mais, o mercado de trabalho reconhece isso. Lucas desenvolveu um sistema que se utiliza de câmeras para identificar automaticamente os números das placas no pátio e informa onde cada placa está para o operador da garra. Para explicar melhor, é preciso entender como funciona as grandes siderúrgicas. Elas possuem pátios onde armazenam placas de aço bruto, que são eventualmente transportadas para serem transformadas em produtos mais úteis. “As placas de aço bruto são retangulares


(parecidas com caixas de bombom, só que muito maiores e mais pesadas). Essas barras são todas numeradas e devem ser transportadas na ordem certa, de acordo com o planejamento. Até pouco tempo, um operador pegava essas placas por meio de uma garra gigante que vinha por cima do galpão. Durante esse processo, outro operador deveria ficar no chão, próximo às placas, conferindo as numerações e orientando o operador da garra”, explica. Então, o sistema, além de identificar automaticamente os números das placas no pátio e informar onde cada placa está para o operador da garra, também detecta qual placa a garra pegou e o destino de cada uma delas. “Em outras palavras, nosso sistema usa visão computacional para fazer um ‘controle de estoque’ de placas de aço bruto”, resume. Lucas concorreu na categoria “Integração”, que exige pelo menos duas nacionalidades diferentes na equipe. O pesquisador colombiano Brayan Ace-

vedo, que está fazendo doutorado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), fez parte da equipe. “Ele tem trabalhado como peça-chave no projeto desde o começo. Sem ele nada disso teria acontecido. Além disso, o tema deste ano se encaixou muito bem. Nosso projeto está funcionando em uma siderúrgica real e já provou não apenas sua utilidade, mas sua viabilidade econômica, isso deve ter contado muitos pontos”, destaca. Lucas ressalta a importância da premiação para a sua carreira profissional. “O prêmio representa o reconhecimento e a validação de muito tempo e esforço em pesquisa e desenvolvimento, não somente meus, mas de vários envolvidos. Representa o reconhecimento que pesquisa pode gerar valor agregado e publicações científicas de qualidade ao mesmo tempo. Penso que essa premiação mostra que eu consegui unir a pesquisa e a indústria. Espero que isso abra várias portas fora da área acadêmica não só para mim, mas para todos os mestres, doutores e pós-doutores que queiram fazer carreira na indústria”.

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Ilustração: Luciana Ruiz de Vilhena

PÓSGRADUAÇÃO

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DECISÃO É COISA SÉRIA

Mestrado em Administração do CEFET-MG foca os sistemas decisórios nas organizações, suas implicações e consequências

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Leila Caeiro Tomar decisões não é uma tarefa fácil. E, se essa tomada de decisão resultar no sucesso ou fracasso de uma instituição, a situação se torna mais complexa ainda. A fim de compreender de forma crítica as questões sociais, científicas, técnicas e econômicas características das tomadas de decisão, desde 2015, o Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGA) do CEFET-MG oferece o Mestrado em Administração com foco em processos e sistemas decisórios nas organizações. A coordenadora do curso, professora Laíse Ferraz, explica que área de concentração do Programa compreende não apenas a decisão por si só, mas a implementação, o controle e a avaliação dos resultados de tal escolha nas diferentes estruturas da empresa. “O Mestrado em Administração busca oferecer condições necessárias para atender a uma demanda socioeconômica de melhor compreensão e maior eficácia na tomada de decisões em organizações nas esferas privada, pública e do terceiro setor”.

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Laíse acredita que há espaço, principalmente na cidade de Belo Horizonte, para profissionais interessados em atuar como agentes de mudança nos atuais processos de tomada de decisão empresariais, sobretudo em setores típicos da economia mineira, como moda, móveis, calçados e artesanato.

Depoimentos: “O Mestrado em Administração significou um mundo de novas possibilidades. Por meio dos conhecimentos obtidos durante o curso, pude dar novos direcionamentos para minha carreira profissional e recebi oportunidades que não imaginava ter. As habilidades adquiridas são hoje o cerne da minha atuação como docente e consultor. O curso se destaca pela qualidade do corpo docente e proximidade da coordenação com os alunos. As orientações são desenvolvidas por meio de uma relação muito próxima entre professor e aluno, e as matérias ofertadas são escolhidas de acordo com os trabalhos que estão sendo elaborados dentro das linhas de pesquisa do programa. Em minha pesquisa, utilizei aplicações de Machine Learning para estudo e operação no mercado financeiro. O uso


dessas técnicas já é realidade nos mais diversos setores do mercado de trabalho”. (Wendel Duarte – turma 2016/2018) “Fazer o Mestrado em Administração me proporcionou crescimento profissional e, ao mesmo tempo, a realização de um sonho pessoal antigo. O grande destaque do curso é a condição dada ao corpo docente de poder oferecer uma orientação diferenciada. O que se podia perceber era uma equipe de professores muito dedicada, disposta e disponível. Ademais, o curso conta com a qualidade da estrutura disponibilizada pela Instituição. A minha pesquisa teve como objetivo observar as dinâmicas de mercado envolvidas no uso do espaço público e, para isso, foi utilizado o contexto do carnaval de rua de Belo Horizonte. Nos resultados, identificamos a relevância das estruturas socioculturais no processo de evolução dos mercados e ressaltamos a importância de empresas e instituições governamentais considerá-las nas tomadas de decisão”. (Lilian Fernandes – turma 2016-2018) “O Mestrado em Administração do CEFET foi minha primeira opção. Nele consegui desenvolver um tra-

balho que me permitiu aproveitar meus conhecimentos em Engenharia. Em minha pesquisa, utilizo técnicas de otimização e simulação para auxiliar o processo decisório do SAMU-BH em relação à localização de bases e alocação de ambulâncias pelo território da capital, de forma a minimizar o tempo que uma demanda médica emergencial deverá aguardar até que o socorro de uma ambulância chegue até ela. Sinto-me extremamente gratificado por poder ser aluno do PPGA-CEFET e por desenvolver uma pesquisa com tamanha relevância social”. (Charles Paulino – turma 2018-2020)

Sobre o Mestrado: Implantado em agosto de 2015, no campus II (Av. Amazonas, 7.675, Nova Gameleira) Área de concentração: Processos e Sistemas Decisórios em Arranjos Organizacionais Campos temáticos: Finanças Corporativas e de Mercado; Estudos Organizacionais, Sociedade e Subjetividade; Inovação, Competitividade e Empreendedorismo; Arranjos Organizacionais. As informações para ingressar no processo seletivo são disponibilizadas na página: https://bit.ly/2SfZbWg

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Ilustração: Luciana Ruiz de Vilhena

DICA DO PESQUISADOR

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NÃO É

NORMAL... NEM NA PÓS-GRADUAÇÃO

André Silva Em 2017, a Frente Universitária de Saúde Mental criou a campanha #nãoénormal, para denunciar o quanto a vida acadêmica pode prejudicar a saúde mental dos estudantes. Nesse sentido, o estudo “Evidence for a mental health crisis in graduate education” (“Evidências de uma crise de saúde mental na pós-graduação”), publicado na Nature Biotechnology, por Teresa Evans e outros pesquisadores, constatou que um terço dos alunos de pós-graduação tem depressão ou ansiedade. São 36% dos estudantes de mestrado e doutorado com esses distúrbios, sendo que, na população geral, o índice é de 6%.

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De acordo com o psicólogo do CEFET-MG (campus Belo Horizonte) Matheus Bocardi, que trabalha com a temática em seu mestrado (“Fatores de risco e de proteção para ansiedade, depressão e ideação suicida em estudantes de pós-graduação”), as principais dificuldades são cumprimento de prazos, recursos financeiros, relações interpessoais, cultura interna do programa de pós-graduação e autoexigência pelo desempenho. “Em nossa experiência, percebemos ainda queixas referentes à solidão na pesquisa científica e nos laboratórios, baixa qualidade de apoio do orientador, obstáculos em relação à escrita (dada a especificidade da linguagem acadêmica)”, conta Matheus. Ainda segundo o psicólogo, todas as pessoas têm, em variados graus, vulnerabilidades psicológicas para adoecimento, de modo que estar atento à própria vulnerabilidade é um bom caminho para a prevenção. “Importantes sinais são dados pelo aparato cérebro-mente a todo tempo, por exemplo, baixa concentração e rendimento nos estudos, irritabilidade, cansaço excessivo, tensão muscular, preocupação constante, baixa autoestima, desesperança”, elenca. Nesse sentido, o(a) estudante, ao perceber estes e outros sinais, explica Matheus, pode concluir que o estressor (no caso, mestrado/ doutorado) está rompendo com sua “barreira” da vulnerabilidade e, em breve, pode adoecer.

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Para manter o equilíbrio mental, o psicólogo recomenda que o(a) estudante, quando em contato com o estresse (ou aquilo que o causa), deve contar com o apoio de colegas, amigos e familiares, falando, desabafando, abrindo-se, compartilhando o peso que aquilo lhe causa. “Não custa relembrar que manter os estados corporais em dia é de suma importância, ou seja, comer bem, em refeições balanceadas, praticar atividades físicas e dormir com qualidade e disciplina; é recomendável ainda o lazer: sair com amigos, envolver-se em projetos pessoais (música, arte, espiritualidade, viagens etc.)”, completa Matheus.

Fatores de estresse na pós-graduação: - Solidão na pesquisa científica; - baixa qualidade de apoio do orientador; - cumprimento de prazos; - cobrança por publicação em revistas científicas e participação em congressos; - dificuldades na escrita (dada a especificidade da linguagem acadêmica); - distância da família e do contexto social de origem (aos migrantes); - atraso ou perda da bolsa (aos bolsistas).

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Ilustração: Luciana Ruiz de Vilhena

DESCOMPLICADO

O QUE É

OBSOLESCÊNCIA? Troca constante de equipamentos eletrônicos mostra problemas do consumismo e cria problemas para o descarte do lixo

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Diogo Tognolo

Você está satisfeito com seu celular? Talvez você esteja de olho naquele novo modelo lançado, com uma câmera melhorada e um processador mais rápido. Tudo bem! Mas você provavelmente nem tira tantas fotos assim, ou então a resolução atual seja mais que suficiente. Mas e a vontade de ter algo novo? Talvez você sinta que, de uns tempos para cá, o seu aparelho começou a ficar lento. Por coincidência, justo quando aquele novo modelo foi anunciado. Nos dois casos, estamos falando do conceito de obsolescência: quando um produto ou serviço deixa de ser útil, mesmo estando em perfeito estado de funcionamento, devido

ao surgimento de um produto tecnologicamente mais avançado. Há quem diga que existe até a obsolescência programada, em que a empresa propositalmente cria um produto que vai se tornar obsoleto depois de um tempo, forçando a compra de um novo. Em um artigo de 2013, o professor do CEFET-MG José Geraldo Pedrosa e o técnico administrativo Fábio Pereira comentam sobre o conceito a partir das ideias do autor norte-americano Vance Packard. A pesquisa é fruto do Programa de Pesquisas Americanismo, Trabalho e Educação, do Mestrado em Educação Tecnológica do CEFET-MG. Segundo os pesquisadores, a ideia de uma obsolescência programada, ou planejada, tem a ver com o contexto de

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produção e de aceleração do fluxo de consumo dos Estados Unidos, já desde a primeira metade do século XX. Eles traçam três tipos de obsolescência: de função (quando um produto novo executa melhor a função), de qualidade (quando um produto quebra ou se desgasta em determinado tempo, geralmente não muito longo) e de desejabilidade (quando, mesmo ainda podendo ser utilizado, um produto torna-se “gasto” em nossa mente porque um aprimoramento de estilo ou outra modificação faz com que fique menos desejável). É esse último tipo que, principalmente, faz com que tenhamos uma troca tão constante de produtos tecnológicos. No caso dos celulares, por exemplo, uma pesquisa da International Data Corporation (IDC) mostrou que, em 2017, 41,9% dos proprietários


de smartphones brasileiros tendiam a trocar o aparelho a cada dois anos.

Não jogue no lixo E depois que você troca o seu celular por um novo, o que você faz com o aparelho antigo? Qual o destino dele? Um projeto de pesquisa do professor Mário Guimarães Júnior, do campus Araxá, tenta investigar essas questões. “Descarte de equipamentos eletroeletrônicos: riscos e soluções” busca identificar e analisar o descarte incorreto de equipamentos eletroeletrônicos em aterros de resíduos sólidos urbanos ou lixões a céu aberto. Em 2009 e 2010, o projeto realizou uma pesquisa em Araxá. “A população em geral mostrou uma necessidade de aquisição de equipamentos eletrônicos mais

modernos, em detrimento daqueles adquiridos há mais tempo, para satisfação de suas necessidades de consumo”, explica Mário Guimarães. “Essa necessidade desenfreada e sem controle se mostrou a principal causa do aumento da produção do lixo eletrônico”. A pesquisa mostrou que, em média, o usuário de equipamentos eletrônicos, notadamente, celulares e TVs, troca seus equipamentos a cada 20 a 30 meses. Em Araxá, a média de produção de lixo eletrônico foi de 3,5kg por habitante, superior à taxa média brasileira, em 2009, que foi de 2,6kg/hab. Segundo o professor, a pesquisa apontou que nenhuma das empresas de manutenção visitadas apresentava um plano de recolhimento desses aparelhos, nem tinha um pla-

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no de gerenciamento desses materiais após o seu descarte. Ao observarem as empresas de venda e assistência técnica em celulares, 79% dos entrevistados desconheciam completamente os perigos causados pelo descarte incorreto e armazenamento inadequado dos aparelhos. “O desafio principal está na inadequada fiscalização e monitoramento deste tipo de e-lixo por parte dos órgãos competentes (órgãos públicos e fabricantes), que infelizmente não fazem absolutamente nada para conter ou diminuir o descarte inadequado desses aparelhos”, explica Mário. Em 2020, o grupo planeja realizar uma nova pesquisa, utilizando a mesma metodologia empregada em 2010.


Ilustração: Luciana Ruiz de Vilhena

ÉTICA NA PESQUISA

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PROIBIDO

COPIAR Professor explica o que é o plágio acadêmico e quais cuidados tomar

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Diogo Tognolo Todo mundo sabe a definição clássica de plágio: copiar algo intencionalmente de outra pessoa e usar como se fosse de sua autoria. Mas será que os estudantes chegam à graduação e pós-graduação sabendo mesmo o que é plágio e como evitá-lo? Uma pesquisa de 2018 da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), feita com alunos de graduação e pós-graduação, mostrou que 87% deles não estão familiarizados com o que é o plágio em trabalhos acadêmicos. 36% admitiram ter parafraseado ou copiado um conteúdo sem citar a fonte original.

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O professor do Departamento de Ciências Sociais Aplicadas do CEFET-MG, Belo Horizonte, Uajará Pessoa Araújo explica em que consiste o plágio: “De forma simplificada, o plágio consiste em usar parte de uma obra (por exemplo, livro ou artigo científico) sem o cuidado de citar (dar os créditos) a fonte. Pode tratar-se de apropriação indevida, deliberada, uma fraude: o plagiador quer se apresentar como se fosse o próprio autor, tomando os créditos de trabalho alheio”, explica. “Outras vezes, e mais frequente em pesquisadores iniciantes, trata-se de um erro: o plagiador simplesmente não sabe ou se esquece de conferir os direitos a quem é devido”.


Ou seja, há sim aquele plágio mais facilmente detectável, mas há de se ter cuidado para não falhar. “Pode ser o caso daquela ideiazinha que parece que surgiu da sua criatividade, mas veio na verdade de uma obra que você nem lembra ter lido”, conta Uajará. O professor afirma ser recomendado o uso de software anti-plagiarismo (confira o quadro): “Ele pega o problema mais grosseiro. Mas não é capaz de identificar coisas mais sutis, como a apropriação de uma ideia, um protocolo, um método. Aí cabe mesmo ao pesquisador”.

Segundo Uajará Araújo, é necessário um trabalho preventivo, de treinamento e divulgação para os problemas do plágio. “Na graduação, plágio é motivo de alerta nas disciplinas de Metodologia Científica e de Pesquisa e das orientações para elaboração da monografia de final de curso”, explica. “Na pós-graduação, cada curso se encarrega de dar ainda maior relevância ao problema”.

O Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo (USP) disponibilizou uma lista de softwares anti-plágio disponíveis no mercado. A listagem conta com opções gratuitas e pagas, e que apresentam diferentes funcionalidades. Confira: http://bit.ly/2EGJ4tf

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Ilustração: Luciana Ruiz de Vilhena

DIVERSIDADE

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GÊNERO E

DIVERSIDADE O que queremos? Respeito

Leila Caeiro

Alguns conceitos: Toda instituição de ensino pode e deve ser vista como um espaço de conhecimento e reconhecimento das diversidades. Pensando propostas para que a diversidade seja respeitada, foi criado no CEFET-MG, em 2014, o Núcleo de Estudos sobre Gênero e Diversidades (NEGED). O núcleo visa garantir que nas atividades de pesquisa, ensino e extensão sejam incluídas as questões relacionadas ao gênero e à diversidade sexual e cultural como parte da construção social. Coordenado pela professora Karla Torres, do campus Curvelo, o núcleo realiza estudos e pesquisas sobre gênero e diversidade e coloca foco nessas discussões dentro do ambiente acadêmico. O grupo é responsável pela produção de cartilhas e materiais educativos e ainda promove diferentes atividades direcionadas à comunidade cefetiana e a outras instituições de ensino, organizações não-governamentais, lideranças comunitárias e outros grupos. O NEGED promove atividades, ações e discussões que envolvam o processo de aprendizagem, a formação de professores, ensino técnico e tecnológico, classe social, profissões, etnia e orientação sexual. Karla esclarece que o objetivo do grupo é “propor e monitorar políticas, programas, projetos e atividades que promovam a igualdade de gênero e uma educação não-sexista em uma perspectiva étnica, racial e de classe no CEFET”.

Gênero: É uma construção social, que, portanto, pode variar de acordo com o tempo-histórico e a sociedade. O comportamento de homens e mulheres em sociedade é construído ao longo de aprendizagens familiares, escolares e sociais. É um conjunto de características, atitudes, funções sociais, econômicas e culturais que são historicamente determinadas. Se a cultura é um processo dinâmico que constantemente reinventa tradições e significados, a Identidade de gênero é o resultado de uma construção cultural, social e simbólica e não de uma determinação do sexo biológico. A maneira de ser homem e de ser mulher se deve pela cultura e nos contextos socioculturais. Nesse sentido, o Gênero significa que homens e mulheres são produtos da realidade social e não decorrência da anatomia de seus corpos. Sexo: É definido pelas diferenças biológicas, físicas e anatômicas. Consideram-se basicamente os órgãos genitais, aparelhos reprodutores e a função de cada um na reprodução humana. Educação não-sexista: É uma educação que busca promover a igualdade entre homens e mulheres. Nas instituições de ensino busca alternativas didático-pedagógicas que não reproduzam o sexismo e promovam a equidade entre os seres humanos de modo a não limitar a capacidade, a competência e a autonomia feminina e das mulheres.

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comunicação entre você 71 e a ciência


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Revista Túnel | Vol. 3, n. 1, 2020 by Túnel - Issuu