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Revista Têxtil 796

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A REVISTA TEXTIL é uma publicação da R. da Silva Haydu & Cia. Ltda.

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Diretor-Presidente: Ricardo Haydu

Editor Chefe: Frederico Haydu

Diretora de redação: Ursula Orlando (MTb 031433)

Designer: André Luiz Vilela Gaiteiro

Diagramação: Plataforma Editorial

Comercial: Frederico Haydu

Digital: Daniela Marx, Henrique Pereira, Ursula Orlando, Danila Salvatori e Eric Rodrigues

Capa: Isabeli Fontana desfila no Festival do Jeans em Toritama. Foto: divulgação. Arte: Carlos Viera

Quarta capa: arte Carlos Viera

Colaboradores: Daniela Marx, Sarah Caldas, Clarissa Magalhaes, Vanessa San Jorge, Bruno Leonard, Guia Jeanswear, Carla Angelini, Laura Yamane, Senai-SP textil e moda, Senai-Cetiqt RJ e IEMI.

Agradecimentos: Dani Marx, Dudu Bertholini, Marta De Divitiis, Guia Jeanswear, Carlos Vieira e a Reachr, Henrique Pereira, Carlos Tartaglioni, Bruno Leonard, Ricardo Gomes, Lea T, Flavinha Tavares, Renata Torres e Guia Jeanswear.

Representantes Comerciais comercial@revistatextil.com.br

Europa: Felix Emesto Arias Huck ernesto.arias@revistatextil.com.br/ +49 173 6741626

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Publicação bimestral com circulação dirigida às fiações, tecelagens, malharias, beneficiadoras, confecções nacionais e internacionais, universidades e escolas técnicas. Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem, necessariamente, a filosofia da revista. A reprodução total ou parcial dos artigos desta revista depende de prévia autorização da Editora.

Redação Releases, comentários sobre o conteúdo editorial, sugestões e críticas a matérias. Pedidos de informação relacionados às matérias e à localização de reportagens: revistatextil@revistatextil.com.br

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ENTRE FIOS, MÁQUINAS E TRABALHO

Toritama é uma cidade pequena no mapa, mas gigantesca na história da indústria brasileira. No agreste pernambucano, milhares de trabalhadores transformam tecido em movimento econômico, fazendo da cidade um dos principais polos do jeans no país. Uma demonstração de que a verdadeira força da indústria nasce do conhecimento acumulado, do trabalho coletivo e da capacidade de produzir.

Ao mesmo tempo, na Alemanha, a indústria têxtil apresenta os avanços mais recentes em máquinas, fibras, automação e tecnologia. Inovações que apontam caminhos para o futuro do setor e revelam como a produção têxtil é resultado de uma rede global de pessoas, processos e saberes.

Esta edição celebra justamente essa conexão. Do campo à fibra, da pesquisa à fábrica, da máquina à peça final, cada etapa depende da outra. Nenhuma inovação existe sem quem a projete, opere, mantenha e transforme em realidade.

Mais do que falar sobre produtos ou tecnologias, esta revista é um reconhecimento da indústria têxtil como uma construção coletiva. Uma cadeia formada por trabalhadores, empresas, pesquisadores e comunidades que, em diferentes partes do mundo, seguem entrelaçando desenvolvimento, conhecimento e transformação social.

Porque, por trás de cada fio, existe sempre uma história humana. E é ela que move toda a indústria.

CONEXÕES QUE CELEBRAM O TÊXTIL

Há edições que informam. Outras que registram momentos importantes da indústria. E existem aquelas que emocionam por traduzirem exatamente o que é o setor têxtil: conexão, transformação, cultura, inovação e pessoas.

ESTA EDIÇÃO DA REVISTA TÊXTIL REPRESENTA TUDO ISSO.

É impossível não sentir orgulho ao perceber como conseguimos unir, em um mesmo conteúdo, diferentes polos, visões e potências que movimentam a cadeia têxtil brasileira e mundial. Da Alemanha a Toritama, do agreste pernambucano com o protagonismo do jeans nacional, até a grandiosidade da Texprocess e da Techtextil em Frankfurt, vitrine global das mais avançadas tecnologias, maquinários, fibras, sustentabilidade e inovação para a indústria. Mais do que acompanhar eventos, acompanhamos movimentos que moldam o futuro do setor. Também olhamos para a Ásia e suas conexões estratégicas, que seguem fortalecendo negócios, parcerias internacionais e novos caminhos de excelência produtiva e criativa. Em paralelo, vemos crescer com força o universo do têxtil-lar, agora ampliado pelo conceito de lifestyle, que transforma o morar em experiência, bem-estar, identidade e forma de viver. O têxtil hoje não veste apenas corpos. Ele habita ambientes, desperta sensações, conecta culturas e traduz comportamento.

Nesta edição, também celebramos o conhecimento. A força do ensino e da formação técnica segue sendo um dos pilares da nossa indústria. O Senai-SP, no coração do Brás, e o tradicional Senai CETIQT, no Rio de Janeiro, continuam formando talentos e preparando profissionais para os desafios de um mercado cada vez mais tecnológico, criativo e sustentável. E é impossível falar de Rio sem lembrar que a cidade abriga uma das maiores vitrines de moda do mundo: a Rio Fashion Week, expressão da criatividade brasileira e da potência cultural que inspira o setor.

Celebramos ainda o trabalho das associações, institutos e entidades que ajudam a construir inteligência para o mercado, como o IEMI e o Cotton Move , fundamentais para ampliar debates, pesquisas, sustentabilidade e desenvolvimento estratégico para toda a cadeia. A arte também ocupa espaço central nesta edição. As narrativas poéticas e necessárias de Ronaldo Fraga, as criações autorais e quase escultóricas de Lino Villaventura, a expertise do denim apresentada pela Guia Jeanswear na Denim City São Paulo e o olhar inspirador de Sueli Pereira na coluna Mulheres de Fibra mostram como moda, criatividade e indústria caminham juntas.

O têxtil é isso: técnica e emoção. Negócios e arte. Produção e identidade e com muito orgulho em seguir o legado da Revista Têxtil, que há 94anos acompanha, registrando

e informando a indústria em toda a sua amplitude, do fio à vitrine.

Mais do que uma revista, somos parte desta história. E nada disso seria possível sem os colaboradores incríveis que constroem cada edição conosco, trazendo conteúdo relevante, conhecimento e propriedade nos mais diversos segmentos do setor têxtil.

Esta é uma celebração, acima de tudo, das conexões humanas que movem cada tecido, cada costura, cada negócio e cada realização. E para celebrar estas conexões nesta edição tão especial, dedicamos e à nossa colaboradora, cabeça criativa, guiança e inspiração da Revista Têxtil, Daniela Marx. É uma honra caminhar este legado ao seu lado. Que sua e nossa trajetória siga repleta de bênçãos, inspiração, conquistas e realizações. Feliz Aniversário!

Celebrando insights da Revolução Têxtil, desejo uma boa leitura para todos.

Fred Haydu

SUMÁRIO

Clarissa Magalhães

Jornalista e consultora, atua com estratégia, bioeconomia e inovação para a trasformação do setor têxtil

COLABORADORES

Dani Marx

Palestrante e Mentora de Negócios de Moda e 20 anos de experiencia no mercado de moda e varejo

Vanessa San Jorge Braga

Sócia Co-fundadora e COO Reachr

Carla Angelini

Engenheira têxtil e consultora em energia, com atuação em eficiência energética, geração distribuída fotovoltaica, armazenamento e transição energética no setor industrial

Sarah Caldas

Agente AVA e Coordenadora do Núcleo São Paulo da ABTT

Bruno Leonard

Representante de moda e eventos para Revista Textil

Laura Yamane

Consultora de moda, tecelagem e estamparia , Dra. Em Moda e Cultura Popular

ABIT DESTACA AVANÇO DO ACORDO

MERCOSUL--UNIÃO EUROPEIA

LIVRE COMÉRCIO PARA A INDÚSTRIA BRASILEIRA BENEFICIARÁ ESPECIALMENTE O SETOR TÊXTIL E DE CONFECÇÃO, PIONEIRO EM DEBATER PARÂMETROS

MERCADOLÓGICOS EQUILIBRADOS

Aentrada em vigor do acordo entre Mercosul e União Europeia é um passo relevante para o fortalecimento das relações comerciais e para a inserção mais competitiva do Brasil na economia global. A Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) recebe o avanço com satisfação, reconhecendo seu potencial para

ampliar investimentos, exportações, inovação e geração de empregos.

Ao mesmo tempo, é fundamental destacar que os resultados dependerão da capacidade de implementar e preparar as empresas e o ambiente de negócios. Será necessário trabalhar de maneira coordenada para assegurar condições efetivas de competitividade, aprovei-

tando as oportunidades e enfrentando os desafios que um acordo dessa magnitude naturalmente traz.

Para o setor têxtil e de confecção, trata-se de uma oportunidade estratégica, que exigirá esforço contínuo para que os benefícios se concretizem plenamente, tanto para os blocos quanto, em especial, para o Brasil.

REVOGAÇÃO DA “TAXA DAS BLUSINHAS”

AMEAÇA EMPREGOS E EMPRESAS

AAssociação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) manifesta profunda preocupação e repudia a decisão anunciada pelo Governo federal de extinguir a tributação sobre compras internacionais de até US$ 50, medida conhecida como “taxa das blusinhas”. Trata-se de uma decisão extremamente equivocada, que penaliza de modo direto quem investe, produz, emprega e acredita no Brasil.

Em vez de fortalecer a indústria nacional, o varejo formal, os empregos e a arrecadação do País, a medida amplia ainda mais a desigualdade tributária e regulatória entre as empresas brasileiras e as plataformas internacionais. Trata-se de um tratamento desigual, danoso à indústria e ao varejo nacionais.

Os dois setores atendem, há décadas, consumidores de todas as faixas de renda, oferecendo produtos acessíveis, qualidade, inovação e diversidade. Além disso, geram milhões de empregos formais. Cerca de 80% das peças comercializadas no Brasil têm valor

abaixo de US$ 50, justamente a faixa que agora volta a receber tratamento favorecido para produtos importados.

É inadmissível que empresas brasileiras arquem com elevada carga tributária, juros reais altíssimos, custos logísticos, exigências trabalhistas, ambientais e regulatórias, enquanto concorrentes estrangeiros passam a ter vantagens ainda maiores para acessar o mercado nacional. Cabe lembrar que as indústrias fabricantes dos produtos que ingressam via plataformas eletrônicas já têm subsídios em seus países. O fim da taxa representa mais uma subvenção, mas concedida pelo governo brasileiro.

A decisão também representa um duro golpe sobre os investimentos produtivos, a geração de empregos formais e toda a cadeia têxtil e de confecção do Brasil. Esta é uma das maiores geradoras de empregos industriais do País e presente em mais de 60% dos municípios brasileiros. Cabe enfatizar que as mulheres representam 80% dos postos de trabalho do setor.

Ou seja, a medida afeta de modo grave as trabalhadoras brasileiras.

Além disso, a medida impactará negativamente a própria arrecadação pública. Apenas nos quatro primeiros meses de 2026, as encomendas internacionais geraram R$ 1,78 bilhão em arrecadação federal, demonstrando que havia um caminho de maior equilíbrio competitivo e formalização do comércio eletrônico internacional.

O Brasil precisa fortalecer sua produção, ampliar sua competitividade e estimular investimentos industriais. A revogação da “taxa das blusinhas” conspira contra esses objetivos, aprofundando a dependência externa e desestimulando aqueles que aqui produzem sob regras rígidas e custos elevados.

A Abit seguirá atuando com firmeza perante o Congresso Nacional e as autoridades competentes em defesa da indústria nacional, do emprego formal, da concorrência justa e do desenvolvimento econômico sustentável do Brasil.

Fonte: Associação Brasileira da IndústriaTêxtil e de Confecção (Abit)

ABIT E APEXBRASIL RENOVAM CONVÊNIO

PROGRAMA PREVÊ INVESTIMENTO DE R$ 48 MILHÕES EM AÇÕES PARA INTERNACIONALIZAR A INDÚSTRIA DA MODA BRASILEIRA E AMPLIAR AS EXPORTAÇÕES DO SETOR

OTexbrasil, Programa de Internacionalização da Indústria Têxtil e de Moda Brasileira, realizado pela Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) teve a 14ª renovação de convênio para o biênio 2026-2028. No total, estão previstos investimentos na ordem de R$ 48,2 milhões, entre recursos da ApexBrasil e contrapartida, promovendo a internacionalização e alavancando os negócios da indústria têxtil e de confecção brasileira, em todas as etapas de seu processo exportador.

Durante duas décadas de realização, o Texbrasil atendeu mais de 2 mil empresas. Apoia cerca de 450 empresas, com relevante participação de micro e pequenas empresas, dos segmentos de vestuário, têxtil, cama, mesa e banho, nãotecidos e tecidos tecnológicos. Neste novo ciclo, serão contempladas cerca de 150 iniciativas que visam ações promocionais dos negócios, agregando qualificação e aumentando a competitividade por meio de critérios estratégicos para promover o desenvolvimento, estímulo à inovação e práticas de sustentabilidade. Também serão fortalecidas as atividades no âmbito da defesa de interesses e do posicionamento de marcas, orientando sobre as certificações internacionais e as boas práticas ESG para agregar valor às empre-

sas brasileiras, que terão melhores condições e atributos competitivos nos mercados internacionais.

“O Texbrasil reafirma o exemplo de parcerias bem-sucedidas e necessárias para alavancar resultados consistentes das empresas brasileiras. Essa conquista é viabilizada após muito empenho e capacitação constante para agregar inovação, planejamento e estratégia aos negócios, fatores inerentes à Abit que também são retransmitidos ao setor para que possamos, juntos, nos consolidar como referência de moda e design criativo, mirando expandir a nossa presença no mercado internacional”, declara Fernando Valente Pimentel, diretor-superintendente da Abit.

No biênio, foram estipulados 14 mercados-alvo internacionais: Argentina, Austrália, China, Colômbia, Egito, Emirados Árabes, Espanha, Estados Únidos, França, Grécia, Japão, México, Panamá e Paraguai. As marcas participantes do convênio contarão com mentorias para desvendar o processo de internacionalização, desenvolver táticas empreendedoras e culturais para alcançar melhores oportunidades de negócios.

A renovação do projeto fortalece o propósito de gerar resultados, garantindo ações planejadas a longo prazo ao privilegiar visão estratégica mercadológica, instigando mais iniciativas de preparação às empresas para que elas façam incursões em feiras internacionais, em

projetos compradores, roadshows, showrooms e possam crescer, conquistando maturidade e chegando aos marketplaces.

Lilian Kaddissi, superintendente de Marketing e Negócios da Abit, também chama atenção para os benefícios do Texbrasil ao aliar conhecimento e prática. “Estamos em sintonia com as macrotendências, oferecendo consultorias estratégicas, mapeando oportunidades, eventos e o mais importante, acompanhando as empresas com pouca ou muita expertise mercadológica em todas as etapas da jornada exportadora. Atuamos como um hub acelerador para levar o produto brasileiro mais longe”, explica.

As atividades do convênio permitirão às empresas participantes dessa iniciativa acessar, de maneira eficaz, o mercado global, contribuindo expressivamente para o aumento da competitividade do setor rumo à ampliação das exportações brasileiras. As agendas das iniciativas e dos eventos internacionais poderão ser acessadas no site.

Fonte: Abit

MULHERES DE FIBRA

SUELI PEREIRA

MULHER QUE TECE CONEXÕES

Com uma trajetória consolidada na Santista Textil, Sueli Pereira tornou-se uma das profissionais mais respeitadas do universo do denim e da indústria têxtil no Brasil. Sua atuação contribuiu para fortalecer a presença da Santista como referência em inovação, comportamento, sustentabilidade e comunicação de moda no mercado nacional e internacional.

Reconhecida por conectar estratégia, criatividade e sensibilidade cultural, Sueli construiu uma carreira marcada pela valorização do jeans como linguagem de identidade, transformação e expressão humana. Ao longo de décadas, participou ativamente do desenvolvimento de projetos, pesquisas e iniciativas que aproximaram indústria têxtil, moda, arte e cultura; sua trajetória ajudou a ampliar o entendimento do denim para além do produto, como território de memória, comportamento e construção cultural.

REVISTA TÊXTIL: Quando você percebeu que sua atuação na moda e no denim poderia impactar pessoas além dos produtos?

SUELI PEREIRA: Minha formação em jornalismo sempre me conduziu pelas perguntas essenciais: quem, como, quando, onde e por quê. À medida que minha trajetória na indústria se desenvolvia, percebia com mais clareza que a moda representa muito mais do que roupa, ela carrega simbolismos, valores e modos de existir. Com o tempo, entendi que esse valor ganha ainda mais potência quando conectado à

materialidade: à matéria-prima, aos processos e às pessoas que constroem cada etapa do fazer.

Lembro de um episódio marcante. Um cliente do segmento de malharia circular me perguntou se eu criava ou inventava todas aquelas ideias presentes nos vídeos e materiais que apresentávamos. Naquele momento, a Santista começava a expandir o universo jeanswear para além do denim tradicional, dialogando também com a malharia. E ali percebi algo importante: eu falava de direções criativas e comportamento, mas a pesquisa que sustentava aquelas leituras ainda permanecia invisível. Foi nesse instante que compreendi que precisava tornar esse processo mais evidente. Passei então a compartilhar não apenas tendências, mas os sinais do contexto que as antecedem: arte, tecnologia, economia, transformações sociais e movimentos culturais capazes de revelar novas formas de expressão e comportamento.

Acredito que trazer à luz essa pesquisa contribuiu para ampliar o entendimento sobre a complexidade do sistema da moda e sobre como produto, cultura e negócio estão profundamente entrelaçados.

RT: Você costuma falar sobre memória, cultura e comportamento ligados ao jeans. Por que esses elementos são tão importantes dentro da indústria da moda?

SUELI: Acredito que a memória seja um dos pilares da tessitura social.

Chegamos a qualquer lugar por meio das experiências que acumulamos; são elas que moldam nossos olhares, valores e culturas.

A cultura, por sua vez, é construída diariamente nos comportamentos, nas adaptações, nas rebeldias e nos códigos que estabelecemos para viver, nos relacionar e nos expressar.

Vejo o jeans quase como um corpo social que atravessa diferentes culturas e tempos históricos. Um elemento que se ressignificou continuamente ao adquirir novos significados simbólicos e práticos.

Para mim, ele expressa memória nas camadas do índigo , nas formas que assume através do design e nas marcas que carrega ao longo do uso. Talvez por isso o denim ocupe um lugar singular: ao mesmo tempo em que acompanha as transformações da moda, permanece como um elemento de estabilidade dentro de um siste -

ma marcado pela mudança.

Quando compreendemos memória, cultura e comportamento, conseguimos perceber inquietações e questões relevantes do nosso tempo, ainda que transitórias e, a partir delas, conectar produtos e pessoas por meio de valores, significados e estética. Porque a estética continua sendo fundamental para a moda, mas ganha profundidade quando atravessada por sentido.

RT: Como equilibrar inovação, sustentabilidade e humanidade dentro de uma indústria tão dinâmica e competitiva?

SUELI: A primeira reflexão que me vem é que inovação vai muito além da tecnologia.

Inovar é, muitas vezes, enxergar antes e agir mesmo quando ainda não existe consenso.

Já a sustentabilidade talvez seja um dos maiores desafios e paradoxos da moda. Falamos de um setor historicamente associado à renovação constante e à obsolescência simbólica, ao mesmo tempo em que cresce a consciência sobre responsabilidade ambiental, social e econômica. Por isso, acredito que sustentabilidade não pode permanecer apenas como agenda ou discurso. Ela precisa estar presente na prática cotidiana e nas decisões de todos os envolvidos, de quem produz, cria, comercializa, educa e consome.

Vejo um movimento importante nesse sentido: pessoas e empresas redescobrindo saberes locais, valorizando processos mais responsáveis e ampliando o olhar para além do estilo ou do resultado imediato do negócio.

MULHERES DE FIBRA

Outro desafio igualmente importante é transformar a potência criativa em sustentabilidade econômica. O entrelaçamento entre criação, gestão, financeiro e comercial é fundamental para que a moda se fortaleça como setor e para que o criador preserve sua relevância sem se tornar refém das lógicas do mercado.

RT: Como você viu evoluir a participação das mulheres dentro do setor têxtil?

SUELI: As mulheres estão presentes de forma expressiva no consumo, na produção, na criação e na gestão, mas ainda existe um descompasso quando olhamos para a ocupação da alta liderança e dos espaços de decisão. O desafio não está apenas no acesso, mas também na permanência, no reconhecimento e na construção de trajetórias consistentes dentro das estruturas corporativas.

Historicamente, a mulher tem uma autoexigência, ao mesmo tempo, continua sendo frequentemente mais cobrada para justificar sua presença em espaços de liderança. Os estudos mostram que a tolerância ao erro feminino costuma ser menor — e que esse desafio pode se intensificar quando atravessado por questões raciais ou outros marcadores sociais.

Também existem contradições nas expectativas dirigidas à liderança feminina. Espera-se, muitas vezes, que a mulher seja acolhedora e cuidadosa, mas simultaneamente firme e objetiva, como se precisasse equilibrar permanentemente polaridades para ser legitimada.

Participo de grupos de mulheres em

liderança e considero muito valioso trazer para a conversa temas historicamente vistos como fragilidades no ambiente corporativo — como maternidade, cuidado e gestão da vida pessoal, mas que podem representar competências humanas e relacionais fundamentais.

Gosto de lembrar uma reflexão de Catherine Macaulay, ainda no século XVIII, quando afirmava “que a aparente fragilidade das mulheres derivava de sua educação inadequada”. Estamos vivendo um processo de reeducação coletiva das mulheres, dos homens e das instituições.

Ao longo da minha trajetória, tive profissionais que me ensinaram e abriram caminhos importantes, e acredito que compartilhar repertório e oportunidades também faz parte da responsabilidade de quem constrói uma carreira.Tenho um carinho especial por acompanhar a trajetória de muitas mulheres que passaram ao meu lado profissionalmente. Em grande parte das situações, mantivemos vínculos e trocas ao longo do tempo.

Ver seus caminhos se expandindo e perceber que, de alguma forma, contribuí para esse percurso é algo que me traz muita alegria.

Considero positiva a ampliação da presença feminina nos espaços de decisão.

Talvez o mais importante seja a existência de referências concretas. Quando vemos mulheres ocupando esses lugares com naturalidade, competência e legitimidade, outras mulheres passam também a se perceber como parte possível desses espaços e a disputar essas posições com mais confiança.

MAQUINÁRIO

E MERCADO: TRANSFORMANDO A INDÚSTRIA TÊXTIL

RIETER AVANÇA NO REPOSICIONAMENTO ESTRATÉGICO COM AQUISIÇÃO DA BARMAG

ARieter concluiu, em fevereiro de 2026, a aquisição da Barmag, marco fundamental em seu reposicionamento estratégico. Com essa operação, a empresa amplia significativamente seu escopo de atuação, passando a operar em toda a cadeia de fibras naturais e sintéticas.

A Barmag formará a divisão de fibras químicas (Man-Made Fiber) da Rieter, permitindo expansão além das fibras curtas e posicionando a companhia como fornecedora global de sistemas completos, com ênfase em automação e digitalização.

Em 2025, a companhia registrou entrada de pedidos de aproximadamente € 763,4 milhões, mantendo estabilidade em base cambial, apesar do ambiente desafiador. O cenário global, marcado por tensões

BRASIL

Junho: 09 a 11: Fevest

comerciais e incertezas geopolíticas, retardou a recuperação do mercado de máquinas têxteis.

As vendas totalizaram cerca de € 743,6 milhões, queda de 20% em relação ao ano anterior. Ainda assim, a empresa manteve EBIT operacional positivo de € 2,7 milhões, sustentado por medidas de controle de custos. O resultado líquido, porém, foi negativo em aproximadamente € 68,8 milhões, impactado por despesas extraordinárias ligadas à aquisição.

O fluxo de caixa livre ficou em € -44,0 milhões, enquanto a liquidez líquida atingiu cerca de € 200,0 milhões, refletindo o aumento de capital realizado para financiar a operação.

Com a entrada no mercado de fibras sintéticas, estruturalmente em expansão, a companhia fortalece

sua resiliência e reduz a dependência de ciclos específicos. A Ásia, região estratégica, ganha ainda mais relevância nesse contexto.

Para o médio prazo, a Rieter projeta receitas entre aproximadamente € 1,52 bilhão e € 2,39 bilhões, com margens operacionais que podem chegar a 11%, dependendo das condições de mercado. Para 2026, considerado um ano de transição, a expectativa é de faturamento entre cerca de € 1,41 bilhão e € 1,63 bilhão, com margem EBIT entre 0% e 3%.

A integração da Barmag deve gerar sinergias de pelo menos € 21,7 milhões, consolidando a transformação da Rieter em um player mais robusto e preparado para capturar a retomada do mercado global de máquinas têxteis.

CALENDÁRIO DE FEIRAS 2026

Dezembro: Casa de Criadores, SP

10 a 12/11 – BFShow, SP

22 a 25: Interior Lifestyle -Anhembi SP

Julho: Casa de Criadores SP

14 a 17: FuturePrint SP

21 a 22: ONDM Fortaleza

Agosto: 01 a 03: Veste, SC

07 e 08: InspiraMais, SP

Focus Fashion Summit

18 a 21: Febratex, Blumenau, SC

Setembro: Lançamentos Denim City, S

23 a 25/09 - Gotex Show

Outubro: Minas Trend, MG

São Paulo Fashion Week

20 a 22: ONDM, Balneário Camboriú Congresso Internacional Abit, SP

INTERNACIONAL

Março: 11 a 13: Intertextile Shanghai

Abril: 5 a 16: Kingpins Amsterdã

21 a 24: Texprocess e Techtextil, Frankfurt

27 a 29: Heimtextil, Medellín, Colombia

Maio: 01 a 05: Canton Fair (fase 3), Cantao, China

20 a 21: Denim Première Vision

21 a 22: Kingpins China-Hangzhou

19 a 21: ITPCE China

Junho: 02 a 04: Emitex, Argentina

09 a 11: Shenzhen International Textile Yarn Expo

09 a 13: ITM ,Istambul, Turquia

16 a 19: Pitti Uomo

24 a 25: Future Fabrics, Bruxelas

Julho: 21 a 23: Texworld, Los Angeles, USA

22 a 23: Kingpins NY,USA

28 a 30: Colombiamoda, Medellin, Colombia

29 a 31: Texworld, NY, USA

Agosto: 04 a 06: Techtextil, USA

18 a 20 Intertextile Home Textiles, Shanghai

Setembro: 01 a 03: Premiere Vision Paris

Outubro: 14 a 15: Kingpins Amsterdã

Novembro: 20 a 24: ITMA Asia+Citme, Shanghai

Dezembro: 04 a 09: ITME, India

Fonte: Rieter

INTERTEXTILE SHENZHEN REFORÇA INOVAÇÃO

TÊXTIL NO POLO DE MODA E IA DO SUL DA CHINA

Aedição 2026 da Intertextile Shenzhen Apparel Fabrics, que acontece entre 9 e 11 de junho, chega com foco estratégico em inovação têxtil, refletindo o avanço de Shenzhen como um dos principais polos globais de tecnologia aplicada à moda. Organizada pela Messe Frankfurt, a feira acompanha o movimento da Grande Baía (GBA), região que integra inteligência artificial a processos como design, inspeção, dados e transações digitais.

A proposta desta edição é aprofundar a conexão entre tecnologia e indústria, destacando soluções que impulsionam eficiência e competitividade. Entre as novidades estão o Innovation Studio, voltado à apresentação de materiais avançados e soluções têxteis, e o fórum Future Horizons, dedicado à discussão de tendências e inovações que estão redefinindo o setor.

Segundo Wilmet Shea, diretora da Messe Frankfurt (HK), a feira consolida sua posição ao explorar o potencial de Shenzhen como hub de moda e inovação. A iniciativa também está alinhada ao conceito global “Texpertise Focus AI”, que busca integrar inteligência artificial aos mais de 60 eventos têxteis promovidos pela Messe Frankfurt no mundo.

Localizada no distrito de Futian, a feira se beneficia de uma posição estratégica próxima a importantes centros produtivos como Dongguan, Guangzhou e Hong Kong, ampliando seu alcance regional e internacional. A política de facilitação de vistos da China também

contribui para a atração de visitantes estrangeiros, fortalecendo o caráter global do evento.

Na edição anterior, a Intertextile Shenzhen registrou cerca de 40 mil visitas de 64 países e regiões, evidenciando sua relevância crescente. Em 2026, além da expansão do espaço The Closet, dedicado a materiais sustentáveis e novos talentos, a introdução do Innovation Studio reforça o papel da feira como vitrine de soluções tecnológicas.

A programação paralela também ganha força com o fórum Future Horizons, que reunirá fabricantes, fornecedores e designers em torno de debates sobre inovação, sustentabilidade e transformação digital. O objetivo é oferecer insights estratégicos capazes de orientar o desenvolvimento futuro da indústria.

demanda crescente por soluções digitais no setor.

Realizada simultaneamente à Yarn Expo Shenzhen e à PH Value, Intertextile Shenzhen reafirma seu papel como plataforma essencial para o lançamento de tendências, modelos de negócio e tecnologias que moldam o futuro da indústria têxtil global.

GROZ-BECKERT

DESTACARÁ AVANÇOS

EM MALHARIA

E TECELAGEM COM FOCO EM EFICIÊNCIA

E DESEMPENHO NA

ITM 2026

Durante a ITM 2026, a Groz-Beckert destacará sua estratégia de inovação ao apresentar soluções voltadas ao aumento de produtividade, economia de energia e maior qualidade nos processos de formação de malha e preparação para tecelagem. No segmento de malharia circular, o destaque será a LCmax™, nova geração de agulhas desenvolvida para reduzir o consumo energético. Com uma inovadora geometria ondulada na haste, a solução promete diminuir o atrito durante o funcionamento, melhorar a eficiência operacional e facilitar o manuseio, entregando alto desempenho com menor demanda energética.

Para malharia retilínea, a empresa apresentará duas soluções especializadas. A SAN™ TT será voltada ao trabalho com estruturas mais fechadas, indicada especialmente para aplicações técnicas e médicas. Já a SAN™ FY foi desenvolvida para o processamento de fios fantasia e irregulares, buscando garantir acabamento uniforme mesmo em desenhos mais complexos.

Em malharia por urdume , a companhia apresentará a expansão de seu portfólio de módulos para formação de laçadas, com foco em estabilidade, precisão e eficiência.

Já em tecelagem, o principal destaque será a KnotMaster, máquina de remeteção desenvolvida para tornar a preparação da tecelagem mais rápida e flexível. Com design compacto e modular, o equipamento deverá reduzir tempos de troca de urdume e ampliar a produtividade, inclusive em padrões complexos e fios para estofamento.

A Groz-Beckert está consigo, todos os dias

As nossas ferramentas de precisão estão ao serviço do mundo têxtil. Com a ajuda dos nossos cerca de 70 000 produtos e abrangentes serviços, apoiamos as indústrias de tricô e malha, tecelagem, feltragem, tufagem, cardagem e costura na criação de têxteis indispensáveis para o nosso quotidiano: desde vestuário e tapetes até têxteis técnicos para veículos ou para a área médica.

Mais de 170 anos após a sua fundação, a Groz-Beckert continua a ter a sua sede nos Alpes Suábios, mas está presente em todo o mundo.

Superar desafios para avançarmos juntos.

www.groz-beckert.com

TECHTEXTIL E TEXPROCESS 2026

REVELAM A NOVA ERA DA INDÚSTRIA TÊXTIL GLOBAL

FRANKFURT COMO CENTRO MUNDIAL DA INOVAÇÃO TÊXTIL

Frankfurt foi novamente o epi centro mundial da inovação têxtil entre os dias 21 e 24 de abril de 2026, com a realização da Techtextil e da Texprocess. Mais do que feiras setoriais, os dois eventos consolidam a transformação da indústria têxtil em uma plataforma tecnológica estratégica que conec ta automação, inteligência artificial, sustentabilidade, novos materiais, defesa, medicina, mobilidade e ma nufatura avançada.

Em um cenário global marcado por desafios econômicos, pressão re gulatória ambiental e necessidade crescente de eficiência produtiva, a Techtextil e a Texprocess mostram como a cadeia têxtil vem assumin do papel central no desenvolvimen to de soluções para diversas indús trias.

“Especialmente em tempos de re tração de investimentos, fica ain

Por Fred Haydu

da mais claro o quanto a força da inovação é decisiva”, afirmou Olaf Schmidt. “A Techtextil e a Texprocess são os lugares onde as ideias não apenas são apresentadas, mas transformadas em soluções prontas para o mercado.”

Embora aconteçam simultaneamente em Frankfurt e compartilhem o foco em inovação para a indústria, a Texprocess e a Techtextil ocupam posições diferentes dentro da cadeia produtiva. A Techtextil é voltada aos materiais e aplicações, reunindo fabricantes de têxteis técnicos, não tecidos, fibras funcionais e soluções para segmentos

como mobilidade, construção, saúde, proteção, esporte e sustentabilidade. Já a Texprocess concentra-se nos processos e tecnologias de transformação, apresentando máquinas, automação, costura, corte, bordado, acabamento, digitalização e sistemas para a confecção e produção têxtil. Em outras palavras, enquanto a Techtextil mostra o que está sendo desenvolvido em materiais têxteis avançados, a Texprocess revela como esses materiais são produzidos, convertidos e industrializados, formando, juntas, um panorama completo da inovação têxtil global.

VDMA: AUTOMAÇÃO, DIGITALIZAÇÃO E SUSTENTABILIDADE MOLDAM O FUTURO DO PROCESSAMENTO TÊXTIL

Durante a Texprocess 2026, a VDMA Textile Care, Fabric and Leather Technologies apresentou o estudo “Threads of the Future –How Automation and Digitalization Will Reinvent Textile Processing by 2035”, apontando as profundas mudanças estruturais que deverão transformar a indústria têxtil global na próxima década. Segundo o relatório, automação, conectividade digital e exigências crescentes de sustentabilidade estão redefinindo permanentemente estruturas produtivas, cadeias de valor e competitividade industrial. A conclusão central do estudo é clara: o futuro da competitividade deixará de depender apenas de máquinas individuais e passará a ser determinado por sistemas integrados de produção digitalmente conectados. Elgar Straub destacou que integração de processos, interoperabilidade entre equipamentos, padronização de dados e segurança cibernética se tornam pilares fundamentais para a indústria têxtil europeia manter competitividade

global. A sustentabilidade também deixa de ser apenas uma questão regulatória para assumir papel de diferencial competitivo mensurável, especialmente em eficiência de água, energia e materiais. Elgar ainda ressaltou a necessidade e a expectativa com a abertura do co mércio internacional entre Europa e Mercosul. “Estamos de verdade torcendo para que ocorra rápido esse pacto comercial. Infelizmen te ainda não saiu, mas somos mui

to otimistas quanto a melhores negociações em um futuro próximo”, complementa.

Presença norte-americana da Spesa
Equipe Messe Frankfurt
ElgarStraubeVeronikaMaerz,daVDMA

INNOVATION AWARDS DESTACAM SOLUÇÕES PARA DESAFIOS GLOBAIS

A edição 202 6 da Techtextil reforça a ascensão dos têxteis técnicos como motores de inovação em setores como aeroespacial, automotivo, arquitetura, construção civil, robótica, medicina e proteção industrial.

Os 17 projetos reconhecidos pelo Techtextil Innovation Awards 2026 evidenciam justamente essa transversalidade da indústria, premiando pesquisas, materiais, processos e tecnologias que apontam caminhos para um futuro mais inteligente, automatizado e sustentável. Entre os temas centrais apresentados estão a circularidade dos materiais sintéticos, aplicações inteligentes para aeronaves e veículos, robôs humanoides, suturas cirúrgicas e edifícios, além da incorporação crescente da inteligência artificial na cadeia produtiva têxtil.

A busca por alternativas aos PFAS, conhecidos como “quí micos eternos”, também ganha enorme relevância diante das res trições ambientais cada vez mais rigorosas na Europa e em outros mercados globai

“Estamos entusiasmados com a extraordinária diversidade de ideias. Essas inovações demonstram que os têxteis são forças impulsionadoras em inúmeras indústrias”, afirmou Sabine Scharrer. “Ao mesmo tempo, esses novos desenvolvimentos fortalecem a viabilidade futura da indústria têxtil e confirmam a relevância global de nossas feiras internacionais.”

Um dos momentos de maior destaque da Texprocess Innovation Awards 2026 foi o reconhecimento de tecnologias que demonstram como a indústria têxtil e de confecção está acelerando sua transformação em direção à automação, eficiência e

de manufatura. Mais do que premiar equipamentos, o Innovation Awards se consolidou como um termômetro das mudanças que devem influenciar o futuro da cadeia têxtil global, evidenciando como integração tecnológica, conectividade e desenvolvimento sustentável vêm se tornando critérios centrais para a competitividade do setor.

Ganhadores Innovation Award

TECHTEXTIL | TEXPROCESS

TÊXTEIS DE DEFESA GANHAM PROTAGONISMO

Outro grande destaque da Techtextil 2026 é o avanço dos têxteis de proteção e defesa. Impulsionado pelos investimentos europeus em defesa, que alcançaram cerca de €381 bilhões em 2025, o setor passa a demandar materiais cada vez mais inteligentes, leves, resistentes e multifuncionais. O Programa de Trabalho 2026 do Fundo Europeu de Defesa já posiciona os “têxteis inteligentes e multifuncionais” como prioridade estratégica.

Mais de 10% dos mais de 1.500 expositores da Techtextil apresentarão

soluções voltadas à proteção balística, resistência térmica, proteção química e conforto ergonômico. A necessidade de unir segurança, leveza, durabilidade e sustentabilidade acelera o desenvolvimento de novas fibras, acabamentos e sistemas têxteis avançados.

Entre os destaques estão fibras retardantes de chama, fios de alta performance produzidos a partir de polímeros sintéticos e soluções para aplicações extremas voltadas aos setores militar, industrial e de proteção civil.

INTELIGÊNCIA TÊXTIL E CONEXÃO COM A NASA

O Techtextil Forum amplia esse debate ao trazer especialistas da NASA e discussões sobre “Textile Intelligence” e “Resilient Textiles”

As apresentações exploram funcionalidades inteligentes, resiliência de materiais e a rápida transição do conceito para aplicações industriais escaláveis, refletindo a aproximação entre ciência, tecnologia espacial e indústria têxtil. A integração entre materiais inteligentes, sensores, automação e inteligência artificial evidencia um novo momento para os têxteis técnicos, cada vez mais conectados às demandas da Indústria 4.0.

ESCALABILIDADE INDUSTRIAL E NOVOS MATERIAIS

O conceito de escalabilidade industrial aparece como um dos pilares da edição 2026. Na área “Performance Apparel Textiles”, cerca de 150 expositores demonstram aplicações reais para vestuário de proteção no formato “Performance Apparels on Stage”

Já o novo segmento “Textile Chemicals & Dyes” aproxima processos químicos das aplicações têxteis industriais, evidenciando a integração cada vez maior entre química, engenharia e manufatura.

Especialistas do setor destacam que inovação deixou de ser apenas o desenvolvimento de uma nova fibra ou acabamento. Testabilidade, reprodutibilidade industrial e capacidade de escalonamento produtivo passam a ser fatores decisivos para o mercado de têxteis técnicos.

Componentes técnicos, fitas de alta performance, malhas especiais e sistemas integrados reforçam a convergência entre inovação têxtil e viabilidade industrial.

TEXPROCESS 2026 ACELERA AUTOMAÇÃO E DIGITALIZAÇÃO

Paralelamente, a Texprocess 2026 fortalece sua posição como principal plataforma internacional para tecnologias de processamento têxtil, automação e digitalização industrial.

A feira reunirá cerca de 200 expositores de 28 países, apresentando soluções para toda a cadeia produtiva, do CAD/CAM ao corte automatizado, costura, bordado, acabamento e processamento técnico de

materiais de alta performance. Em um ambiente industrial cada vez mais orientado por dados, inteligência artificial e eficiência operacional, a Texprocess mostra como a automação redefine os processos produtivos têxteis.

As tecnologias apresentadas têm foco na redução de desperdícios, otimização de recursos, precisão industrial e aumento de produtividade.

STARTUPS, IA E NOVAS TECNOLOGIAS AMPLIAM A

TRANSFORMAÇÃO INDUSTRIAL

Empresas globais como Bullmer, Brother, Eton Systems, Morgan Tecnica, Veit e Zünd estão entre os destaques da edição 2026, ao lado de novos participantes e startups internacionais que ampliam a conexão entre indústria, pesquisa e desenvolvimento tecnológico.

A presença crescente de startups voltadas à inteligência artificial aplicada à manufatura reforça outra grande tendência observada

nas feiras: a digitalização comple ta da cadeia têxtil. O setor passa a integrar sensores, automação inte ligente, rastreabilidade, controle de produção em tempo real e desen volvimento de materiais multifun cionais em uma escala cada vez mais sofisticada.

As tecnologias de corte de alta pre cisão e processamento de materiais técnicos para aplicações extremas também ganham protagonismo, re-

fletindo o crescimento de segmentos ligados à proteção, defesa, mobilidade e engenharia avançada.

A INDÚSTRIA TÊXTIL COMO PLATAFORMA TECNOLÓGICA DO FUTURO

Mais do que apresentar máquinas, fibras ou processos isolados, Techtextil e Texprocess 2026 revelam uma nova configuração da indústria têxtil global, mais tecnológica, conectada, sustentável e multidisciplinar.

“A indústria enfrenta desafios que exigem evolução contínua. Novas tecnologias e materiais inovadores

carregam enorme potencial para o futuro. Na Techtextil e Texprocess, apoiamos as empresas a transformar esse potencial em oportunidades reais de mercado internacional”, destacou Olaf Schmidt.

Frankfurt se consolida, assim, como palco estratégico para compreender como os têxteis passam a ocupar posição central no futuro da

indústria, da engenharia e da inovação mundial.

CETIQT E RIACHUELO, PRESENTES

Em meio aos corredores da feira na Alemanha, encontramos representantes do Senai CETIQT e da Riachuelo. Jairo Amorim, diretor executivo da Riachuelo, destacou a importância estratégica da participação brasileira em eventos internacionais como a Techtextil e a Texprocess. Segundo ele, as feiras já se consolidaram como compromissos indispensáveis no calendário de quem acompanha produto, confecção, tecnologia e sustentabilidade dentro da cadeia têxtil.

“São eventos que não podem ficar fora do nosso calendário. Aqui encontramos muitas soluções interessantes e viemos justamente para captar novidades e tecnolo gias que possam melhorar nossos processos e ampliar a competitivi dade da indústria têxtil e do vestuá rio no Brasil”, comentou. Jairo também ressaltou que o

momento é de observação e preparação para futuros investimentos, com foco em projetos para os próximos anos e em ganhos de eficiência sustentáveis. Para ele, a conexão entre indústria, informação e troca de conhecimento é um dos grandes diferenciais do evento. “Quando unimos conhecimento, conseguimos elevar nossa competitividade com sustentabilidade. O Brasil já é uma potência têxtil e tem todos os recursos para ampliar ainda mais esse protagonismo de forma responsável”, afirmou. Ao final, ele também destacou a importância da presença da Revista Têxtil na cobertura do evento, como ponte para levar ao mercado brasileiro as principais tendências, tecnologias e oportunidades observadas na feira. Michelle Souza, consultora de pes quisa, e Sergio Motta, diretor exe cutivo, ambos do SENAI CETIQT,

também estavam muito impressionados com a feira. “Para o SENAI CETIQT, participar da feira é acompanhar, em tempo real, a evolução tecnológica que transforma toda a cadeia têxtil. Eventos como este se consolidam como pontos de encontro obrigatórios para profissionais que atuam com tecnologia aplicada ao setor, reunindo não apenas inovações em materiais, mas também avanços em equipamentos para a indústria têxtil e de confecção”, compartilhou Michelle. Segundo ela, estar presente significa ampliar repertório, entender tendências e acompanhar de perto as soluções que irão impactar o futuro da produção. A cobertura realizada pela Revista Têxtil também foi destacada como uma forma de levar esse conhecimento ao mercado e conectar os leitores às principais novidades

LANÇAMENTOS TEXPROCESS/TECHTEXTIL

BARUDAN – a tradicional empresa japonesa de maquinários de bordado apresentou uma máquina com até 12 cabeças, que podem fazer bordados distintos no mesmo tecido ao mesmo tempo. Essa função dá a liberdade de fazer até 4 bordados separados na mesma peça, sem precisar repetir processos sobre o tecido.

BIANCO – a empresa italiana lançou o maquinário Traverssing System, que visa ao controle de qualidade do tecido. Com capacidade de qualificar tecidos de até 6 metros de comprimento, este lançamento certifica se o peso e a gramatura do tecido estão corretos.

KURIS – a alemã trouxe um novo dispositivo para maquinários de corte Tex Cut 2219. Uma máquina de corte que corta de 200 a 300 camadas de tecido pode, com o dispositivo, cortar apenas uma camada de tecido, algo muito necessário para testes. A KURIS sempre entrega uma diversidade enorme para cortes têxteis e outras funções.

JUKI – a empresa japonesa traz muita tecnologia para automação em uma enorme variedade de máquinas de costura. Traz como novidade a máquina de costura que movimenta a agulha para fazer costuras arredondadas e de diferentes formas não retas. Ou seja, o tecido fica estático e o maquinário vai se movimentando para costurar.

KARL MAYER – empresa tradicional alemã de vanguarda e inovação na área de maquinários lança maquinários para produção de filtros para respiradores hospitalares. Em outro segmento, a Karl Mayer lidera parce rias com grandes marcas de tênis, com a produção de tecidos tecnoló gicos para coberturas de camadas únicas e duplas de tênis, além de maquinário que pode acrescentar textura e padrões de

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MORGAN TECNICA – empresa tradicional italiana de corte industrial traz o grande lançamento, a Spider Cut, máquina de corte operada por braços mecânicos e robóticos que cortam e conduzem o corte com extrema precisão e plena automação.

VANDEWIELE – a companhia belga lança a máquina de automação para transferência de rolos de fios direto para as máquinas de costura industriais. Isso promove uma automação cada vez mais autônoma, robótica e sem a necessidade de interferência manual.

PICANOL – sediada na Bélgica, com grande tradição em maquinários de tecelagem de alta performance, a Picanol compartilha uma nova ferramenta de tecnologia, o PicConnect, a expansão da plataforma digital da empresa para monitoramento, serviços, suporte e gestão conectada dos teares. A ideia é centralizar dados e aumentar a eficiência operacional.

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TEMCO / RIETER – a alemã Temco, do grupo suíço Rieter, traz a nova geração de sistemas de rolamentos (Engineered Bearing Solutions), desenvolvidos para aumentar a estabilidade de processo, reduzir vibração e ampliar a vida útil em linhas de filamentos. Componentes para texturização de fios com discos de texturização, sistemas antitorção e jatos de entrelaçamento têm o objetivo de melhorar a regularidade do fio e a produtividade em POY, DTY e FDY. E, também, separadores de rolos e componentes de precisão para aplicações tanto no têxtil quanto em segmentos industriais como higiene e baterias. A empresa reforçou o desenvolvimento

para produção de filamentos industriais de alta resistência, especialmente para fios para airbags, com foco em segurança automotiva, e fios para cintos de segurança.

SAURER – protagonista em tecnologia para processamento de fibras e fios, baseada na Suíça, apresentou a , um sistema para criação de fios híbridos. Foi uma das tecnologias mais comentadas do estande. Permite combinar dinamicamente diferentes tipos e títulos de fios para criar estruturas híbridas e aplicações em reforços técnicos, borracha, pneus e têxteis inteligentes.

TRUTZSCHLER – tradicional empresa de maquinário têxtil alemã, traz novidades de automação e sustentabilidade, com destaque para o T-ONE, ambiente digital da Trützschler que inclui monitoramento energético em tempo real, cálculo de CO₂ por ordem/rolo e detecção de anomalias por câmera para reduzir paradas. E o Truecycled, sistema de reciclagem têxtil integrada, traz solução completa para reciclagem de resíduos têxteis, que vai do corte e desfibragem até a cardagem e preparação da fibra reciclada para reintrodução produtiva.

NUCLEUS – empresa alemã com sede em Dusseldorf apresentou uma máquina de costura para tecidos sintéticos, mas sem costura efetiva. O uso da fricção de 35 mil vezes por minuto por essa máquina gera um calor natural que, com a pressão também exercida, faz a costura como se colasse os tecidos, tecnologia que dá acabamento impecável e deixa a costura super-resistente e sem marcas.

BROTHER – a multinacional japonesa, referência em maquinários têxteis de diversos setores, lança a máquina de costura sem costura. Feita para tecidos sintéticos e principalmente para tecidos com fibras de elastano na composição. Com uma cola especial que impregna no tecido quando “costurada”. A amplitude da “costura” se destaca principalmente pela performance de não ter de ser feita em linhas retas, podendo unir tecidos de diferentes modelagens, “costurando” em curvas também.

SERKON – fundada na Turquia, une tecnologia e eficiência, elevando a automação com a introdução da inteligência artificial em suas máquinas de estender tecidos, gerando mais autonomia e performance para a fábrica.

STAUBLI – a Staubli, sediada na Suíça, trouxe uma mensagem muito forte: o próximo salto dos têxteis técnicos passa pela tecelagem 3D e por arquiteturas complexas de tecido, mais do que por aumento puro de velocidade, e apresentou a nova geração de sistemas de tecelagem para estruturas 3D e multicamadas, desenvolvidos para tecidos técnicos avançados. A TF20, com foco em produtividade e opção de dupla pinça para reforços leves, e a TF30, que prioriza controle delicado do fio e geometrias mais sofisticadas.

GROZ-BECKERT – a empresa alemã, talvez a mais conhecida mundialmente em agulhas têxteis, apresentou nova agulha, Litespeed™ (felting needle), chamada pela própria empresa de “one-hit wonder” Ela foi desenvolvida para não tecidos e o foco não foi apenas produtividade, mas também reduzir manutenção e aumentar estabilidade operacional. Ela reduz o tempo de inserção e retirada da agulha no processo, diminui esforço mecânico no sistema, aumenta a vida útil das placas de agulhas e reduz o risco de empenamento das agulhas.

TECHTEXTIL | TEXPROCESS

ETON SYSTEM – a empresa sueca de automação é conhecida internacionalmente por suas linhas suspensas e automáticas para transporte de vestuário em fábricas e confecções. A novidade apresentada está na inclusão de câmeras que operam tirando fotos das peças para melhor identificação de erros e aprimoramento do controle de qualidade de cada peça que passa no percurso.

STRATASYS – empresa que está revolucionando a impressão 3D. Sua tecnologia imprime sobre qualquer tecido camadas de 27 microns de resina patenteada. Essa resina, com luz ultravioleta, se solidifica e se integra ao tecido, com infinitas possibilidades de criação de estampas, texturas e cores. Cada tecido tem uma receita própria de tempo e quantidade de resina para promover melhor performance

KORNIT – traz as impressoras 3D, que fazem a impressão já sobre o tecido sem a necessidade de passar novamente o tecido para ter a impressão com relevo, ou 3D, tecnologia com a qual se fazem texturas e se cria a impressão de que parecem apliques ou algum tipo de beneficiamento do tecido. Muito bacanas as impressões de denim sobre qualquer tecido, os quais não são denim.

empresa alemã especializada em maquinários para acabamento de confecção, apresentou uma passadeira a vapor que, com a umidade, passa e faz o acabamento da roupa, tecnologia que já tira a umidade das peças. A linha -

NIRMAL FIBRES – sediada na Índia, empresa de produção de fios reciclados de garrafa PET, traz uma gama grande de cores e tem sua maior demanda para produção de revestimentos de feltro e enchimentos.

WGC – empresa intermediadora de fibras naturais, sediada na Alemanha, compra e distribui fibras naturais. Com representantes de diversos países, reúne as mais diversas fibras naturais: alpaca, algodão, cânhamo, linho, sisal, seda, juta e outras fibras. Acesse www.dnfi.org.

LENZING – multinacional produtora de fibras de celulose, apresenta diversas cores vibrantes. Tem grande propriedade na elaboração de fios para o setor militar e workwear, que visam resistência e performance com suas patentes Tencel™, sempre reforçando o protagonismo multinacional de fibras sustentáveis e grandes parcerias.

SKTEX – sediada na Eslovênia, esta empresa usa camisetas descartadas da IKEA, beneficia este material para criar blocos e placas que são utilizados em revestimentos na área de construção e criou placas que servem para receber telhados verdes, que são telhados com plantas e grama plantadas, uma técnica de bioconstrução que cria um ambiente interno sem muita interferência da amplitude térmica exterior.

ADITYA BIRLA GROUP – empresa indiana de grande renome, tem uma gama enorme de fios feitos de garrafas PET, celulose, entre outros. Esta empresa indiana traz muita tecnologia para diversos segmentos, como o automotivo, o de workwear e tecnologia antichamas em seus produtos.

TECHTEXTIL | TEXPROCESS

LAMORAL – empresa holandesa que produz sua linha GoDry , produção quase 100% natural que, quando aplicada em spray , produz uma película repelente à água que dá impermeabilidade ao tecido. Fornecedora da SPEEDO, esta tecnologia ajudou na conquista de dezessete medalhas olímpicas, mostrando esse produto em relevância de performance com essa tecnologia têxtil. A LAMORAL fornece industrialmente para tecelagens e confecções ou em garrafas para venda no varejo.

MATERIALLIANCE – plataforma digital que reuniu empresas de vestuário que atuam com sustentabilidade e inovação, exemplo da EVA D’LAAT, que produz e desenvolveu um tecido feito com 80% de papel, e com este, fez alfaiataria com modelagem e estrutura impecáveis. Esta é apenas uma das inúmeras possibilidades sustentáveis e inovadoras do pavilhão holandês.

BETI – sediada na Eslovênia, a BETI, referência na produção de fios de celulose, trouxe uma parceria sustentável inovadora junto com a ALGIE, empresa israelense que faz uma gama grande de cores para tingimento, tudo feito com algas. Extraem os pigmentos de diversas espécies de algas, uma prática sustentável de tingimento que cada vez mais está no cenário industrial.

KONFIDA – empresa turca que fabrica rolos de papelão para inúmeros tamanhos de rolo de tecido. O estande foi todo montado com esses rolos, mostrando diversos tamanhos e sua grande resistência.

Fotos: Fred Haydu

INTERTEXTILE APPAREL MOVIMENTA O

SETOR

GLOBAL COM NOVAS TENDÊNCIAS E INOVAÇÕES AO LONGO DE TRÊS DIAS FOCADOS EM

NEGÓCIOS EM SHANGAI

Mesmo diante de incertezas no comércio e nas viagens, a Intertextile Shanghai Apparel Fabrics – Spring Edition 2026 apresentou resultados sólidos, com participantes destacando o papel da plataforma na promoção de inovação sustentável, digitalização, tendências e negócios no setor global de têxteis para vestuário. Mais de 96 mil visitantes de 119 países e regiões exploraram a oferta de mais de 3.000 expositores entre os dias 11 e 13 de março, no National Exhibition and Convention Center (Shanghai), onde foram apresentadas, com clareza, tendências e tecidos de alto potencial para a primavera/verão 2027. Além dos estandes, eventos paralelos e exposições de produtos ampliaram o alcance de novos materiais e melhorias de processos.

A área e sua extensão The CUBE, regis traram grande fluxo de visitantes nesta edição.

Ao final do evento, Wilmet Shea, diretora-geral da Messe Frankfurt (HK) Ltda, afirmou: “O cenário de mercado apresenta desafios, mas a indústria continua confiando na Intertextile Apparel — evidenciado pela alta taxa de retorno de expositores e fluxo consistente de visitantes, com

forte participação internacional. A China vem abrindo caminho para a evolução funcional, digital e sustentável da moda, tornando esta feira — uma das maiores do mundo para têxteis de vestuário — essencial para a troca global entre mercados tradicionais e emergentes.”

Os expositores internacionais retornaram em mais de 60%, com novos participantes contribuindo para um leve crescimento total. O evento

contou com oito zonas temáticas, sete pavilhões nacionais ou regionais e três pavilhões de grupos. Para mais de 100 compradores VIP e 200 compradores de 10 delegações internacionais, visitas guiadas e sessões de business matching facilitaram a geração de negócios.

Na programação paralela, especialistas apresentaram temas ligados à moda, desempenho, sustentabilidade e inovação em 50 eventos, reunindo mais de 4.500 participantes. Cerca de 1.500 amostras foram exibidas em espaços como o Intertextile Directions Trend Forum, o Econogy Hub, o novo Pet Boutique e o The CUBE, permitindo comparação ágil de tecidos e identificação de fornecedores.

INOVAÇÃO SUSTENTÁVEL E

NOVAS DEMANDAS DO MERCADO:

A Lenzing destacou-se com pavilhão próprio e participação ativa na programação. Segundo Maggie Li, responsável de marketing na China, mais de 60% dos consumidores chineses já reconhecem a marca TENCEL™, e 92% demonstram interesse em adquirir produtos derivados. O lançamento da nova fibra TENCEL™

Lyocell HV100 atraiu forte interesse. Fred Wang, da empresa, destacou o crescimento médio anual de 15% no segmento pet, criando oportunidades para têxteis voltados a esse mercado. A feira também evidenciou o avanço de soluções sustentáveis e aplicações de fibras naturais. Compradores locais mantiveram visão otimista. Para Yanchi Shao, da Yagang Lace, apesar das incertezas macroeconômicas, feiras como a Intertextile são fundamentais para geração de negócios e acompanhamento de tendências, reforçando a confiança no desenvolvimento sustentável da China.

FEEDBACKS REFORÇAM

RELEVÂNCIA GLOBAL

DA FEIRA:

Executivos de empresas como TESTEX AG destacaram a importância da plataforma para conexão com parceiros globais e avanço em áreas como rastreabilidade e economia circular.

Já fabricantes internacionais ressaltaram o potencial da Ásia como mercado em expansão, enquanto empresas italianas apontaram o aumento da demanda chinesa por fibras natu-

rais de alto valor, alinhadas a conceitos de luxo sustentável e conforto.

Expositores também destacaram o crescimento da demanda por tecidos funcionais, impulsionada por estilos de vida mais saudáveis e práticas esportivas. Novos participantes elogiaram a qualidade dos contatos e o alinhamento com a agenda sustentável do setor.

VISITANTES DESTACAM TENDÊNCIAS E TRANSFORMAÇÃO

DIGITAL:

Delegações internacionais enfatizaram a escala do evento e a eficiência na conexão com fornecedores. Designers destacaram tendências como tons terrosos e novas aplicações de tecidos, além da forte presença de inovação.

O evento também evidenciou o crescimento de materiais sustentáveis voltados a segmentos específicos, como o mercado infantil, com foco em maciez, processos ecológicos e desempenho.

Para especialistas, a Intertextile vai além de uma plataforma de sourcing, consolidando-se como referência global e centro de inspiração para a indústria têxtil.

INTERTEXTILE: UMA EXPERIENCIA DE CONEXÃO, OPORTUNIDADES, INSPIRAÇÃO E CULTURA

Aexperiência de visitar a Intertextile Shanghai Apparel Fabrics certamente marcou um dos momentos mais relevantes da minha trajetória profissional recente dentro do setor têxtil. Não poderia ter sido mais bem recebido na China do que tendo a oportunidade de vivenciar de perto a grandiosidade da Intertextile e toda a força que o mercado têxtil chinês representa hoje para o mundo.

Minha ida à China tinha objetivos muito claros: aprofundar o entendimento sobre a estrutura industrial chinesa, compreender sua capacidade de inovação e competitividade, fortalecer relacionamentos já existentes com parceiros e fornecedores, além de buscar novas oportunidades que trouxessem complementaridade aos meus negócios no Brasil. E a feira entregou exatamente isso. Ao longo dos dias de visita, tive a oportunidade de conhecer novos fornecedores, estreitar relações com clientes, fortalecer meu networking internacional e, principalmente, enxergar com clareza como a China opera em uma lógica industrial extremamente integrada, veloz e especializada.

O que mais impressiona na China é a escala. Tudo funciona em uma dimensão difícil de comparar com o que estamos acostumados no Ocidente e a Intertextile traduz perfeitamente essa realidade. Com seus 16 pavilhões de expo -

sição, a feira reúne praticamente toda a cadeia têxtil global em um único ecossistema. Foi possível percorrer desde a Yarn Expo , com fabricantes de fios e matérias-primas, até fabricantes de tecidos, malharias, traders, empresas de acabamento e grandes produtores de vestuário. Mais do que uma feira, a Intertextile funciona como um verdadeiro centro de inteligência da indústria têxtil mundial.

Outro ponto que chama atenção é o nível de organização e infraestrutura. Mesmo diante de um fluxo gigantesco de visitantes, os acessos funcionam de forma extremamente eficiente graças ao uso intenso de automação e tecnologia. As filas praticamente não param, e toda a experiência de entrada, deslocamento e circulação acontece com fluidez impressionante. A mobilidade urbana também reforça essa sensação de eficiência. A feira é facilmente acessada por metrô, trem de alta velocidade, táxis e aplicativos de transporte, além de contar com uma ampla rede hoteleira ao redor do centro de exposições, permitindo uma imersão completa naquele ecossistema de negócios e inovação.

Mas talvez o maior insight dessa jornada tenha sido perceber que a competitividade chinesa vai muito além do custo. Ela está baseada em velocidade, especialização, integração da cadeia produtiva e ca-

pacidade de adaptação. O modelo chinês opera de forma altamente clusterizada, permitindo que empresas trabalhem de maneira complementar, reduzindo custos logísticos, acelerando desenvolvimento e ampliando portfólios sem necessariamente verticalizar toda a produção. Essa lógica cria um ambiente extremamente dinâmico e eficiente, capaz de responder rapidamente às mudanças do mercado global.

Saio dessa experiência com a convicção de que o futuro da indústria têxtil passa cada vez mais pela capacidade de conectar tecnologia, velocidade, relacionamento e inteligência de mercado. E, acima de tudo, com a certeza de que entender o que acontece na China hoje é fundamental para compreender o futuro do setor têxtil mundial.

INTERTEXTILE SHANGHAI REFORÇA

INOVAÇÃO

FUNCIONAL, SUSTENTABILIDADE E ESTREIA

ÁREA

DEDICADA AO MERCADO PET

Aedição de outono da Intertextile Shanghai Apparel Fabrics – Autumn Edition acontecerá entre os dias 25 e 27 de agosto de 2026, no National Exhibition and Convention Center, consolidando-se como uma das mais importantes plataformas globais de sourcing para a indústria têxtil de vestuário. Organizada pela Messe Frankfurt em parceria com o Conselho da Indústria Têxtil da CCPIT e o China Textile Information Center, a feira amplia nesta edição seu foco em funcionalidade, sustentabilidade, transformação digital e novos nichos de mercado, como o setor pet.

O evento retorna após o sucesso da edição de 2025, que reuniu mais de 3.700 expositores de 26 países e regiões e recebeu mais de 100 mil compradores vindos de 123 países e regiões. Para 2026, a feira aposta em quatro pilares estratégicos que refletem as transformações da cadeia têxtil global.

O tema Fashion Forward trará inspirações criativas e tendências por meio de fóruns e apresentações de tecidos direcionados às próximas

temporadas. Já Performance Textiles destacará tecidos funcionais voltados para sportswear, outdoor e lifestyle, acompanhando a crescente demanda por conforto, resistência e desempenho técnico.

A sustentabilidade seguirá como um dos grandes eixos da feira. Dentro do espaço Econogy Hub, empresas apresentarão materiais ecológicos, certificações internacionais e soluções alinhadas às exigências ambientais globais. Paralelamente, o conceito Textile Future mostrará o avanço da inteligência artificial, ferramentas digitais de criação e tecnologias de manufatura inteligente aplicadas à cadeia têxtil.

Entre as novidades mais comentadas está a estreia da área Pet Boutique na edição de outono. O espaço, lançado inicialmente na edição de primavera, ganha expansão diante do crescimento acelerado do mercado pet. A proposta é reunir fornecedores especializados em tecidos, acessórios e materiais voltados para roupas e produtos destinados aos animais de estimação. Segundo projeções do setor, o mercado global de têxteis pet deverá crescer cerca de 5,6% ao ano até 2031, com destaque para a região Ásia-Pacífico.

Outro destaque será a ampliação do Functional Lab, ambiente voltado à inovação em tecidos técnicos. O espaço apresentará soluções para têxteis adaptáveis ao clima, capazes de regular temperatura e umi-

dade, além de produtos direcionados ao público da chamada “silver age”, focados em conforto, leveza, praticidade e bem-estar para consumidores mais velhos.

A feira também contará com áreas especializadas como Beyond Denim, dedicada às novas tecnologias para denim; Premium Wool Zone, focada em lã de alta performance; SalonEurope, com tecidos premium europeus; e a Innovation & Digital Solutions Zone, voltada à digitalização e inteligência artificial na produção têxtil.

Realizada simultaneamente à Yarn Expo Autumn, à CHIC e à PH Value, a Intertextile Shanghai reforça o posicionamento da China como um dos principais polos globais de negócios, tecnologia e inovação para a indústria têxtil e da moda.

FEIRAS

CANTON FAIR: FOCO EM TECNOLOGIA, SUSTENTABILIDADE

Realizada entre os dias 1º e 5 de maio de 2026, no complexo da China Import and Export Fair Complex, em Guangzhou, a terceira fase da Canton Fair voltou a evidenciar a força da indústria têxtil e de confecção chinesa no cenário global. Conhecida oficialmente como China Import and Export Fair, a feira reuniu milhares de expositores e compradores internacionais em um momento marcado pela retomada do consumo global, pela busca de cadeias produtivas mais sustentáveis e pela crescente integração entre moda, tecnologia e inovação.

A fase 3 da feira, tradicionalmente dedicada aos segmentos de moda, têxteis, vestuário, calçados, artigos esportivos e produtos para o consumidor final, apresentou um panorama amplo da nova indústria têxtil chinesa: mais tecnológica, sustentável e orientada para valor agregado.

Entre os destaques estiveram os tecidos funcionais de alta performance, soluções voltadas ao conforto térmico, proteção UV, controle de umidade e aplicações esportivas. Empresas chinesas também mostraram avan-

E NOVOS MERCADOS

ços em tecidos reciclados, fibras biodegradáveis, misturas com bambu, além de processos produtivos de baixo consumo de água e energia — temas cada vez mais centrais para compradores internacionais.

A digitalização da cadeia produtiva apareceu como outro eixo importante da feira. Diversos expositores apresentaram plataformas de desenvolvimento virtual de produtos, impressão digital têxtil, softwares de modelagem 3D e ferramentas de inteligência artificial aplicadas à criação de estampas e gestão da produção. O movimento reforça o posicionamento da China não apenas como grande produtora global, mas também como polo de inovação industrial.

O segmento de moda íntima, activewear e athleisure chamou atenção pelo crescimento da demanda internacional, especialmente em mercados da América Latina, Oriente Médio e Sudeste Asiático. Também ganharam espaço os fornecedores especializados em pequenas produções flexíveis, capazes de atender marcas independentes e modelos de produção sob demanda.

Outro destaque da edição foi a forte presença de soluções ligadas à sustentabilidade e rastreabilidade. Certificações ambientais, transparência na origem das matérias-primas e compromisso com metas ESG tornaram-se argumentos centrais nas negociações entre fabricantes e compradores estrangeiros.

A participação brasileira manteve presença relevante, tanto por meio de importadores quanto de empresas em busca de fornecedores para os setores de moda, decoração têxtil e insumos industriais. A feira também reforçou a aproximação comercial entre China e América Latina, ampliando oportunidades para negócios estratégicos no setor têxtil.

A Canton Fair mostrou como a indústria chinesa vem acelerando sua migração para segmentos premium e de maior valor agregado, investindo em design, inovação funcional e diferenciação estética. Bordados sofisticados, superfícies tecnológicas, tecidos inteligentes e novas construções têxteis ganharam destaque entre as vitrines da feira.

MISSÃO EMPRESARIAL CHINA

INTERTEXTILE

(AGOSTO 2026 / MARÇO 2027)

Shanghai – China

AGOSTO DE 2026: A principal feira asiática do setor de têxteis para casa. Uma plataforma internacional para networking, tendências, novos fornecedores e inspirações em design para o setor home têxtil.

Destaques da última edição:

• Quase 900 expositores

• Mais de 35 mil visitantes profissionais

MARÇO DE 2027: Apresenta as últimas tendências de tecidos e acessórios. É o ambiente ideal para negócios e parcerias entre fornecedores e clientes.

Destaques da última edição:

• Mais de 3.000 expositores

• Mais de 96.000 visitantes de 119 países e regiões

Ideal para empresas e profissionais que buscam inovação, negócios e conexões globais no mercado têxtil.

OS PACOTES TERRESTRES INCLUEM:

• Hotel 4 estrelas com café da manhã

• Traslados com assistência em português

• Visitas técnicas + transporte local

• Tradutor português/mandarim durante a agenda

• Transporte diário para a feira

• Seguro-viagem internacional

• Acompanhamento de especialista técnico

• Apoio local especializado

Aéreo opcional com voo oficial

CANTON FAIR 3ª FASE (OUTUBRO/NOVEMBRO) DE 2026

Guangzhou - China

Uma plataforma internacional para networking, tendências, novos fornecedores e oportunidades globais de negócios em diversos segmentos de consumo.

Destaques da 3ª Fase:

• Moda e vestuário

• Têxteis e acessórios

• Bolsas e malas

• Outros (11) 91605-7348 eliezer.chung@chinatradecenter.com.br

Convidam:

INTERTEXTILE SHANGHAI HOME TEXTILES 2026

APOSTA EM BEM-ESTAR, SUSTENTABILIDADE E TECNOLOGIA PARA O TÊXTIL-LAR

Entre os dias 18 e 20 de agosto de 2026, o tile Shanghai Home Textiles – Autumn Edition nal Exhibition and Convention Cen ter, em Shanghai, consolidando-se como uma das principais platafor mas globais para o setor de têxteis -lar, decoração e interiores. Organiza da pela Messe Frankfurt em parceria com entidades chinesas da indústria têxtil, a feira deve receber mais de 35 mil compradores profissionais de cerca de 116 países e regiões, além de reunir aproximadamente 900 ex positores internacionais.

A edição de 2026 chega em um mo mento em que o mercado global de home textiles com bem-estar, sustentabilidade e funcionalidade. Muito além da tradi cional cama, mesa e banho, os têx teis para interiores assumem papel cada vez mais relevante em expe riências ligadas ao conforto emo cional, qualidade do sono, saúde e estética sensorial dos ambientes.

Entre os principais destaques es perados estão os tecidos tecnoló gicos aplicados ao descanso e ao

TÊXTIL LAR E LIFESTYLE: TECNOLOGIA, ARTE E BEM-ESTAR

MOLDAM O NOVO MORAR

Ouniverso de cama, mesa e banho deixou de ser apenas funcional para se transformar em um dos segmentos mais estratégicos do lifestyle contemporâneo. Em um momento em que a casa assume papel central na busca por bem-estar, acolhimento e identidade, o têxtil lar brasileiro ganha protagonismo ao unir design, tecnologia, conforto e sofisticação.

A influência internacional de feiras como a Heimtextil 2026 e a Heimtextil Colômbia , que acabou de acontecer em Medellín sob a

direção da Inex Moda e a Messe Frankfurt, reforça como o consumidor passou a enxergar o lar como extensão do estilo de vida. Tendências como sensorialidade, tecidos naturais, minimalismo acolhedor, sustentabilidade e wellness impulsionam novas coleções e posicionamentos de marcas brasileiras e internacionais.

A edição colombiana da Heimtextil consolidou-se como uma das plataformas mais relevantes da América Latina para o setor de têxtil lar, decoração e design. Realizada em

Medellín em parceria com a Colombiatex e Messe, a feira reuniu centenas de expositores e recebeu milhares de visitantes internacionais. O evento ampliou o diálogo entre moda, interiores, criatividade e negócios em toda a região.

Segundo Sebastián Díaz, o consumidor latino americano busca cada vez mais produtos que conectem bem-estar, design, sustentabilidade e identidade cultural. A fala traduz o momento vivido pela indústria, em que o lar passa a representar experiência emocional e estilo de vida.

Jogos americanos em denim na HeimTextil Colombia
Poltrana reciclada e tingida com pidmentos naturais também de Patricia Urquiola
Sofá reciclado de Patricia Urquiola apresentado na HeimTextil

CONFORTO EMOCIONAL E EXPERIÊNCIA SENSORIAL DEFINEM O SETOR

Mais do que enxovais, as empresas passaram a vender experiências. Toalhas ultramacias, lençóis respiráveis, tecidos inteligentes, mantas decorativas e aromas para casa tornam-se elementos fundamentais da arquitetura do bem-estar.

A tecnologia, antes concentrada no sportswear, começa a migrar de forma intensa para o têxtil lar e para o lifestyle doméstico. Conceitos de performance, termorregulação, respirabilidade e controle de umidade passam a integrar produtos voltados ao descanso e ao conforto cotidiano.

Marcas como a Insider Store ajudaram a popularizar no Brasil a ideia de tecidos tecnológicos aplicados ao conforto diário. A empresa utiliza fios com controle térmico, secagem rápida e redução de odores. Esse movimento influencia diretamente o desenvolvimento do home textile premium, aproximando moda, tecnologia e bem-estar.

Outro exemplo importante é a expansão global dos fios reciclados de alta performance como o REPREVE. Eles são produzidos a partir de garrafas PET recicladas e utilizados por grandes marcas internacionais, incluindo coleções esportivas da adidas. O avanço desses materiais demonstra como sustentabilidade e inovação deixaram de ser tendências para se tornarem pilares da indústria têxtil contemporânea.

Hoje, tecidos inteligentes oferecem controle térmico e gerenciamento de umidade, proteção antibacteriana e conforto tátil, maior durabilida-

Quando o têxtil lar se une ao lifestyle , surgem experiências completas de habitar. As casas refletem identidade, consciência e conexão emocional. O lar contemporâneo incorpora elementos do spa, da hotelaria premium , do design biofílico e até da moda.

Essa convergência também fortalece o trabalho de artistas, designers e artesãos brasileiros. O movimento valoriza manualidades, técnicas ancestrais e matérias primas naturais em coleções cada vez mais exclusivas.

MARCAS BRASILEIRAS LIDERAM O SETOR DE CAMA, MESA E BANHO

de e redução de impacto ambiental e rastreabilidade produtiva.

TÊXTIL LAR ATUA

COMO EXPRESSÃO ARTÍSTICA E CULTURAL

O segmento home também se apro xima cada vez mais do universo da arte, do design autoral e da decora ção afetiva. O desenvolvimento de superfícies têxteis transforma te cidos em elementos de expressão visual, tátil e emocional.

Bordados artesanais, jacquards contemporâneos, tramas naturais, tapeçarias, estampas artísticas e texturas tridimensionais passam a ocupar espaço central em ambien tes sofisticados. O têxtil deixa de ser complemento para assumir pro tagonismo estético.

Tecidos com tecnologia anti-chamas para textil lar outdoor

Textil lar unindo estampa, tecido e tecnologia

SUSTENTABILIDADE E CONSCIÊNCIA

ORIENTAM O FUTURO DO MORAR

O novo consumidor busca produtos alinhados a propósito, responsabilidade ambiental e qualidade de vida. Sustentabilidade envolve não apenas matéria prima reciclada, mas também processos produtivos mais limpos, rastreabilidade, economia circular e consumo consciente.

O conceito de bem-estar ganha profundidade ao integrar conforto físico, equilíbrio emocional e responsabilidade ambiental. O lar deixa de ser apenas um espaço estético para se tornar ambiente de regeneração, desaceleração e conexão.

Nesse cenário, o têxtil lar brasileiro vive uma transformação estratégica. A indústria une tradição industrial, inovação tecnológica, arte,

sustentabilidade e lifestyle em uma experiência completa de viver.

TECNOLOGIA E LIFESTYLE INTEGRAM O FUTURO DAS CONEXÕES

O avanço do conceito lifestyle também aproxima o setor têxtil de outros universos estratégicos, como tecnologia, comunicação, design, mobiliário e eletrônicos inteligentes. A casa contemporânea passa a integrar conectividade, conforto, experiência sensorial e identidade visual em um mesmo ambiente.

Essa convergência pode ser observada na Interior Lifestyle South America

O evento está agendado para o período entre 22 e 25 de junho de 2026, no Distrito Anhembi, em São Paulo, pelo Grupo Eletrolar em parceria com a Messe Frankfurt. Inspirada no sucesso internacional da Ambiente Frankfurt, a feira deve reunir mais de 40 mil visitantes nacionais e internacionais. Trata-se de um ecossistema que conecta decoração, têxtil lar, design, utilidades domésticas, tecnologia, comunicação e inovação para o varejo contemporâneo.

O evento representa uma nova leitura do morar contemporâneo ao unir lifestyle, decoração, têxtil lar, bem-estar, inovação e tecnologia eletrônica em uma experiência integrada de consumo e comportamento.

A proposta da feira reflete uma transformação global. Os produtos deixam de ser apenas objetos e passam a construir experiências emocionais e sensoriais. O têxtil conversa com iluminação, automação, áudio, eletroportáteis, aromas, mobiliário e soluções inteligentes para o lar.

Mais do que uma plataforma comercial, a feira se posiciona como um espaço de convergência criativa entre indústria, varejo e comportamento. O encontro conecta marcas que entendem o consumidor contemporâneo como alguém que busca praticidade, consciência, acolhimento e identidade em todos os aspectos da vida cotidiana. Nesse novo cenário, o têxtil lar amplia sua relevância ao deixar de ser apenas decoração para assumir papel central na construção emocional, tecnológica e sensorial dos ambientes do futuro.

Linha de banho da TokStok by Dudu Bertholini
Roberto Cavalli linha de cama, tecidos nobres visando respirabilidade e toque macio

22 A 25 DE JUNHO DE 2026

DISTRITO ANHEMBI

SÃO PAULO - BRASIL

Escaneie o QR Code e saiba como participar.

MARCA GLOBAL REPREVE ® E HERANÇA CULTURAL

A COLABORAÇÃO UNE MOBILIÁRIO HISTÓRICO E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA SUSTENTÁVEL E TEM LANÇAMENTO OFICIAL NA 22º. SP-ARTE E, SIMULTANEAMENTE, NA GALERIA

HERANÇA CULTURAL

Móveis emblemáticos do design brasileiro e internacional são destaque, dentre eles, peças de Geraldo de Barros, Percival Lafer, Afra & Tobias Scarpa Martin Eisler, Giuseppe Scapinelli e Walter Knoll.

A primeira parceria entre a REPREVE - líder global em resinas e fibras recicladas de alta performance - e a Herança Cultural, referência há mais de três décadas no mercado de design brasileiro, propõe um novo olhar sobre o mobiliário assinado, valorizando estética, história e responsabilidade ambiental.

O projeto colaborativo parte de uma curadoria da Herança Cultural, que selecionou do seu acervo móveis do design nacional e internacional, dentre eles, peças assinadas de Geraldo de Barros, Percival Lafer, Afra & Tobias Scarpa, Martin Eisler, Giuseppe Scapinelli e Walter Knoll - para receber revestimentos desenvolvidos com o fio REPREVE. O resultado é um diálogo entre design atemporal e inovação, em que tecnologia e sustentabilidade se integram ao valor histórico da mobília.

A poltrona Soriana, de Afra e Tobia Scarpa, revestida com malha tecnológica da empresa Branyl feita com fio REPREVE será apresentada no estande da Herança Cultural durante a 22º SP-Arte, ampliando a visibilidade da parceria em um dos principais eventos de arte e design da América Latina. Os demais móveis - todos íco-

nes do design, estarão disponíveis no espaço da galeria Herança Cultural com lançamento paralelo à feira. Todos os tecidos usados nos móveis incorporam a tecnologia têxtil do fio REPREVE, produzida a partir de garrafas PET pós-consumo, uma matéria-prima reciclada, rastreável e de

AFRA & TOBIA SCARPA

alta performance — que alia excelência técnica à responsabilidade ambiental, contribuindo para a redução de emissões de CO₂ e a preservação de recursos hídricos. REPREVE já transformou mais de 46 bilhões de garrafas plásticas dando uma nova vida aos resíduos plásticos.

A icônica poltrona Soriana de Afra & Tobia Scarpa, de design italiano, com formas orgânicas e estrutura metálica, ganha revestimento da Branyl, empresa que há mais de 50 anos transforma tecnologia têxtil em experiência.

GERALDO DE BARROS

A poltrona sem braços Geraldo de Barros, com estrutura em madeira, recebe tecido encorpado da marca Fiateci, empresa com tradição desde 1891, reconhecida por soluções que aliam design e inovação no segmento de revestimentos corporativos.

Fonte: Sônia Gonçalves Fotos: Rafael Felix

PERCIVAL LAFER

O sofá MP-79 de Percival Lafer, da década de 1970, em madeira maciça e assento em espuma injetada, é revestido com tecido da Texion, marca têxtil que equilibra tradição e contemporaneidade com olhar atento às tendências globais.

MARTIN EISLER

A chaise Martin Eisler de estrutura metálica recebe tecido cinza da têxtil Merlintec, ressaltando suas linhas elegantes e atemporais.

GIUSEPPE SCAPINELLI

A poltrona assinada de Giuseppe Scapienlli em pau-marfim, da década de 1960, é revestida em uma malha da marca Merlintec, valorizando sua linguagem modernista.

WALTER KNOLL

A poltrona Antimott de Walter Knoll, dos anos 1960, recebe malha jacquard da Merlintec, evidenciando sofisticação e precisão técnica.

DENIM

TORITAMA – CAPITAL DO JEANS BRASILEIRO E PERNAMBUCANO

A edição 2026 do Festival do Jeans de Toritama não apenas consolidou o evento como o maior encontro de moda jeans do Brasil, ela mostrou como um polo produtivo pode se transformar em plataforma cultural, criativa e econômica para toda a moda nacional. Com mais de 10 mil visitantes presenciais, participação de mais de 60 empresas e alcance digital superior a 618 mil visualizações, o Festival reafirmou a força do Agreste pernambucano dentro da cadeia têxtil brasileira.

Enquanto grandes capitais concentram semanas de moda e centros de consumo, Toritama revela outro movimento: uma moda que nasce da indústria, mas ganha potência

através da cultura, da criatividade local e da capacidade de transformar produto em identidade. Conhecida como a “Capital do Jeans”, a cidade abriga confecções, lavanderias e uma cadeia produtiva que movimenta empregos, turismo e economia criativa.

Mais do que um evento de negócios, o Festival do Jeans vem se consolidando como um dos ecossistemas mais autênticos da moda brasileira, um território onde produção, comportamento, entretenimento e impacto social convivem no mesmo espaço.

A dimensão alcançada pelo Festival do Jeans de Toritama em 2026 também ficou evidente pela forte presença institucional e política ao longo do evento. A abertura oficial reuniu a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, a vice-governadora Priscila Krause, o prefeito de Toritama, Sérgio Colin, além do ex-prefeito Edilson Tavares, um dos principais nomes ligados à expansão e profissionalização do festival nos últimos anos.

Mais do que prestigiar a programação, as lideranças reforçaram o papel estratégico que o Festival do Jeans passou a ocupar para o desenvolvimento econômico e criativo do Agreste pernambucano. Durante a abertura oficial, o prefeito Sérgio Colin definiu o festival como “a maior plataforma de visibilidade das marcas de Toritama”, destacando o impacto direto do evento na geração de emprego, renda, turismo e movimentação econômica da cidade.

Yasmin Brunet no desfile da Brytch

A governadora Raquel Lyra também reforçou a importância do evento para Pernambuco ao afirmar que o Festival do Jeans representa “a força empreendedora do Agreste e o talento de um povo que transforma trabalho em desenvolvimento”, evidenciando o papel do polo pernambucano dentro da economia criativa e da indústria da moda nacional.

Ao longo dos últimos anos, o festival deixou de ser apenas uma vitrine comercial para se consolidar como um projeto de fortalecimento da cadeia têxtil, da economia criativa e da projeção nacional do polo pernambucano. Em publicações feitas durante a edição 2026, Edilson Tavares relembrou a trajetória de crescimento do evento e definiu o momento como histórico para Toritama, refletindo a transformação do Festival do Jeans em um dos maiores símbolos da indústria da moda brasileira fora do eixo tradicional das capitais.

Daniela Marx em entrevista para o podcast da ACIT

Com o tema “Urban Culture”, o Festival do Jeans de Toritama 2026 ampliou o diálogo entre moda, comportamento e cultura urbana, trazendo para a passarela diferentes interpretações do denim e reforçando a diversidade criativa presente no evento. Entre os nomes que ganharam destaque na programação estiveram as atrizes Paloma Bernardi e Monique Alfradique, responsáveis pela apresentação oficial do festival, além de Isabeli Fontana, Yasmin Brunet, Jesus Luz e Eslovênia Marques, que ampliaram ainda mais a visibilidade nacional do evento e reforçaram a conexão entre moda, entretenimento e influência digital. Nas passarelas, marcas da região dividiram espaço com desfiles institucionais e projetos criativos ligados à cadeia têxtil nacional. Brytch levou para o festival as modelos Isabeli Fontana e Yasmin Brunet, apresentando coleções que reforçam a força do jeans produzido no

Agreste pernambucano, enquanto Zigurat contou com a participação de Jesus Luz, conectando moda, imagem e entretenimento em uma mesma narrativa de passarela.

A programação também destacou desfiles da Santana Textiles, patrocinadora do festival e uma das principais referências do denim nacional, além de iniciativas como Moda Autoral de Pernambuco (MAPE), NTCPE e Faculdade Senac, que estreou no evento com o desfile “O Baile do Interior”, apresentando 15 looks desenvolvidos por alunos do curso de Design de Moda. A presença da Jolitex Denim entre os patrocinadores reforçou ainda mais a conexão entre indústria, desenvolvimento têxtil, criatividade e fortalecimento da cadeia produtiva do jeans brasileiro.

Nos intervalos dos desfiles, a musicalidade de Kevin Ndjana ajudou a construir a atmosfera do evento, enquanto influenciadores, criadores de

Governadora Raquel Lyra, vice-governadora Priscila Krause, prefeito Sérgio Colin e ex-prefeito Edilson Tavares durante a abertura oficial do Festival do Jeans de Toritama 2026.
Paloma Bernardi e Monique Alfradique

DENIM

Desfile Bogs Jeans

conteúdo, empresários e profissionais da moda circularam entre passarelas, estandes e ativações, transformando o festival em um grande ponto de encontro entre criatividade, negócios e cultura contemporânea. Outro destaque importante da edição 2026 foi a valorização da inclusão, da formação criativa e do desenvolvimento de novos talentos ligados à moda e à indústria têxtil. O festival abriu espaço para estudantes e iniciativas sociais da região, incluindo ações com a APAE de Toritama, reforçando a moda como ferramenta de pertencimento, autoestima e transformação social.

Essa combinação entre indústria forte, criatividade local e entretenimento de massa também apareceu fora das passarelas. Os shows de artistas como Wesley Safadão, Xand Avião e Nattan reuniram públicos superiores a 30 mil pessoas por noite, transformando o festival em um grande motor de circulação econômica e cultural para a região.

O impacto digital da edição também revela um movimento importante da moda contemporânea: hoje, passarela e conteúdo caminham juntos. Os vídeos dos desfiles e os momentos mais marcantes das mar-

cas estiveram entre os conteúdos de maior engajamento do festival, ampliando o alcance das empresas participantes e posicionando Toritama como um dos eventos de moda mais relevantes do país também no ambiente online.

Ao final da edição 2026, o Festival do Jeans de Toritama reafirma algo importante para a indústria brasileira: produto não nasce do nada — nasce da leitura de comportamento, cultura e território. E quando essa leitura é bem feita, ela ativa criatividade, movimenta negócios, gera emprego e transforma moda em valor.

Créditos - imagens: divulgação

Jesus Luz no desfile da Zigurat

BRYTCHJEANS: EXCELÊNCIA

DO AGRESTE PERNAMBUCANO

Por Laura Yamane

Localizada em Toritama, a cerca de 300 km de Recife, a BRYTCHJEANS desponta como uma das melhores confecções do Agreste. Com mais de 10 anos de atuação, a empresa consolidou-se como referência no atacado de jeans, atendendo principalmente o varejo e o atacado da região Nordeste, com forte presença em Pernambuco, Paraíba e Bahia.

Se o Festival do Jeans de Toritama é a vitrine que projeta o polo para o Brasil e o mundo, são as confecções locais que sustentam essa reputação com qualidade, inovação e competitividade. Entre elas, destaca-se a Brytch jeans reconhecida como referência em design, acabamento e capacidade produtiva.

Em entrevista à Revista Têxtil, o diretor Kaio Diego destacou que o grande desafio para expandir ao Sul do país ainda é o custo do frete, mas reforçou que a marca segue firme em sua missão de oferecer produtos de qualidade e competitivos. Atualmente, a demanda cresce impulsionada pelas Festas Juninas, período em que o consumo de jeans ganha força.

DIFERENCIAIS DA BRYTCHJEANS

• Tradição e resistência: calças jeans de construção mais pesada, feitas em 100% algodão, que garantem conforto mesmo em clima quente.

• Atendimento regional: foco no varejo e atacado, com distribuição estratégica no Nordeste.

• Inovação em coleções: aposta em combinações ousadas de materiais e estilos, alinhadas às tendências internacionais.

DIFERENCIAIS DA CONFECÇÃO

• Inovação tecnológica: máquinas de última geração que garantem cortes precisos e lavagens modernas.

• Design autoral: coleções que acompanham tendências internacionais sem perder a identidade local.

• Capacidade produtiva: estrutura que permite atender grandes redes varejistas sem abrir mão da qualidade.

RECONHECIMENTO

A confecção já recebeu prêmios, além de ser constantemente citada como modelo de gestão eficiente e responsabilidade social. Sua participação no Festival do Jeans é sempre aguardada, pois apresenta desfiles que unem moda, cultura e inovação.

COLEÇÃO

APRESENTADA NO FESTIVAL DO JEANS DE TORITAMA

No desfile de 2026, a BRYTCHJEANS apresentou uma coleção que traduz a essência urbana e contemporânea da marca. A proposta une jeans blue black, rendas e couro, criando peças que equilibram resistência e sofisticação. A estética streetwear premium se destacou pela cartela de cores urbanas e shapes amplos, garantindo impacto visual e atitude.

Desfile tingimento Dirty

Desfile no Festival Calça xadrez tons de azuis

O contraste entre o denim estruturado e a delicadeza da renda, aliado a lavagens intensas, resultou em peças marcantes e desejáveis, com alto potencial comercial. A coleção reafirma o posicionamento da BRYTCHJEANS como uma marca que traduz o street em uma proposta fashion atual e coerente com sua identidade.

TORITAMA

INDÚSTRIA E ARTESANATO: UM DIÁLOGO

CRIATIVO

"ENTRE INDÚSTRIA E ARTESANATO, O AGRESTE TRANSFORMA DENIM EM CULTURA, RENDA E IDENTIDADE."

o lado da indústria, o artesanato mantém viva a tradição cultural do Agreste. Bordados, rendas e aplicações manuais dialogam com a robustez do jeans, trazendo delicadeza e identidade às peças. Essa integração entre moda e arte popular reforça a singularidade de Toritama, onde cada produto carrega não apenas estilo, mas também história e cultura.

ECONOMIA CRIATIVA E IDENTIDADE

Além de preservar saberes tradicionais, o artesanato gera renda e oportunidades, fortalecendo comunidades locais. Toritama se consolida como polo que não apenas produz em escala, mas também valoriza a identidade cultural do Agreste.

A Revista Têxtil entrevistou duas as-

sociações durante a Feira do Jeans em Toritama, revelando como a economia criativa transforma vidas.

ASSOCIAÇÃO FEITAS DE RETALHOS

Presidente: Socorro de FreitasA associação nasceu como resposta às vulnerabilidades sociais enfrentadas por mulheres em situaç ões de violência doméstica, depressão e exclusão.

Produção de peças com técnica de retalhos, principalmente jeans.

Empoderamento, capacitação profissional e reconstrução de vidas.

Arte como instrumento de mudança, autoestima e geração de renda.

Comercialização em feiras e redes sociais.

COLETIVO MULHERES DE ARGILA

Gestão Produtiva: Maria Marisete da SilvaFundado em 2011, com apoio

do Sebrae e do Centro Pernambucano de Design, o coletivo nasceu no Alto do Moura, Caruaru – berço do artesanato de barro de Mestre Vitalino.

Produção de tecido manual com resíduos de jeans (ourelas).

Parceria com fábricas da região, chamadas de Empresas Madrinhas. Coleções que homenageiam mulheres da comunidade.

Mais de 150 artesãs capacitadas, com rodízio de grupos conforme demanda. Comercialização em lojas colaborativas, feiras, internet e parcerias com marcas brasileiras. Em 2026, o grupo completou 15 anos de atuação, consolidando-se como referência em sustentabilidade e economia criativa.

ALTA TECNOLOGIA E MODA NO AGRESTE: A REVOLUÇÃO DA LAVANDERIA MAMUTE

No coração do Agrestre pernambucano, onde tradição e modernidade se encontram, a Lavanderia Mamute se ergue como um ícone da moda e da inovação tecnológica. Fundada nos anos 1980 em Toritama, a Capital do Jeans, a Mamute transformou o setor ao introduzir processos industriais pioneiros, inspirados em práticas europeias, e ao investir continuamente em tecnologia de ponta. Nesse cenário, as lavanderias desempenham um papel essencial. São elas que transformam o denim cru em peças modernas e desejáveis, aplicando lavagens, texturas e acabamentos que definem tendências e agregam valor. Mais do que tecnologia, as lavanderias de Toritama incorporam práticas sustentáveis, tornando-se referência nacional em inovação e responsabilidade ambiental.

Hoje, a empresa é referência nacional na beneficiadora de jeans, atendendo mais de uma centena de clientes com lavagens exclusivas, efeitos personalizados e acabamentos que traduzem estilo e identidade. Cada peça que passa pelo chão de fábrica da Mamute ganha vida nova: do toque macio ao visual vintage, dos rasgos e bigodes ao acabamento a laser, o jeans cru se transforma em moda pronta para conquistar vitrines em todo o Brasil.

Mas a força da Mamute não está apenas na estética. Em uma região marcada pela escassez hídrica, a empresa se tornou exemplo de sustentabilidade ao reutilizar cerca de

90% da água em seus processos, além de investir em energia solar e tecnologias limpas como ozônio e laser. O compromisso ambiental, que antecede tendências globais, posiciona a Mamute como parceira estratégica de grandes marcas que exigem responsabilidade em toda a cadeia produtiva.

Com quase quatro décadas de história, a Lavanderia Mamute é mais do que uma empresa: é um símbolo da capacidade empreendedora do Agreste pernambucano, que produz cerca de 60 milhões de peças por ano, representando 20% do jeans comercializado no Brasil. É a prova viva de que, mesmo distante dos grandes centros industriais, o Sertão pode ser palco de inovação, moda e consciência ambiental.

Da tradição familiar à tecnologia de ponta, da força regional à projeção nacional, a Mamute costura passado, presente e futuro em cada peça beneficiada. Uma história que inspira e reafirma: no Sertão de Pernambuco, moda e alta tecnologia caminham lado a lado, transformando o jeans brasileiro em referência mundial.

Edilson Tavares gestor da lavanderia destaca o objetivo da empresa. “O compromisso da Lavanderia Mamute é garantir a satisfação das necessidades dos clientes, através do desenvolvimento e aplicação de tecnologias, processos e serviços, buscando melhoria contínua dos recursos humanos e padrões de qualidade.”

Desenvolvimento de arquivos para o laser

Laboratório para desenvolvimento de novas tecnologias

Estação de tratamento de efluentes (ETE)

DENIM

JEANOLOGIA COMPROVA QUE É POSSÍVEL

PRODUZIR JEANS SEM POLUIR A ÁGUA

Graças às suas tecnologias, mais de 21,5 milhões de metros cúbicos de água contaminada e mais de 103 milhões de quilos de CO₂ foram evitados em 2025.

A empresa está quantificando uma transformação já em curso: remodelar a produção de denim ao eliminar processos poluentes e reduzir drasticamente o consumo de recursos.

Em Valência, na Espanha, no Dia Mundial da Água, 23 de março, data que destaca a crescente escassez desse recurso e a urgência de seu uso responsável, a Jeanologia apresenta sua Conta de Lucro e Perda Ambiental, um modelo pioneiro que mede o impacto positivo gerado pela implementação de suas tecnologias na indústria têxtil.

Em um contexto global no qual a água se tornou um dos maiores desafios do planeta, a empresa traz números concretos de uma transformação já em andamento: a redefinição da produção de denim por meio da eliminação de processos poluentes e da drástica redução no consumo de recursos.

Desde 2015, a Jeanologia audita e publica esse indicador, tornando-se a primeira empresa do setor a quantificar sistematicamente o impacto ambiental positivo de suas tecnologias. O modelo mede dois indicadores principais: o volume de água contaminada evitada e a redu-

ção das emissões de CO₂, transformando a sustentabilidade em um resultado tangível e verificável.

Graças à implementação global de suas soluções, mais de 21,5 milhões de metros cúbicos de água poluída deixaram de ser gerados em 2025 — volume equivalente ao consumo anual de uma cidade como Copenhague. Além disso, mais de 103 milhões de quilos de CO₂ deixaram de ser emitidos, comparáveis à absorção anual de carbono de uma floresta com mais de 20 mil hectares.

Esse impacto resulta da integração de tecnologias desenvolvidas pela empresa, como laser, ozônio G2, máquinas de lavagem de baixo consumo, tecnologia de nanobolhas e-Flow, sistemas de reciclagem de água H2 Zero e soluções sustentáveis de tingimento Colorbox. Essas inovações permitem eliminar processos tóxicos, reduzir drasticamente o uso de água e viabilizar modelos produtivos com descarga zero.

Atualmente, mais de 5.000 máquinas instaladas em mais de 70 países estão transformando os processos de produção de denim, reduzindo o uso intensivo de água e químicos, minimizando processos manuais ineficientes e atendendo algumas das principais marcas globais.

A Jeanologia também disponibiliza ao setor a plataforma EIM (Environmental Impact Measurement),

ferramenta que atua como um guia para medir, monitorar e melhorar o impacto ambiental dos processos produtivos, permitindo decisões baseadas em dados e impulsionando uma produção mais responsável.

Segundo Enrique Silla, CEO e fundador da empresa, “durante anos, a sustentabilidade foi entendida como um compromisso futuro. Hoje, é uma realidade mensurável já em andamento. A indústria possui tecnologia, conhecimento e responsabilidade para operar dentro dos limites do planeta”.

Com essa iniciativa, a Jeanologia reforça seu papel como agente de transformação na indústria têxtil, demonstrando que sustentabilidade e eficiência podem caminhar juntas quando há implementação em escala.

Por meio de sua estratégia “Mission Zero”, a empresa segue avançando rumo a uma indústria têxtil desidratada e desintoxicada, com consumo mínimo de água e impacto ambiental reduzido.

Em um momento em que o acesso à água é um dos maiores desafios globais, a Jeanologia convida toda a cadeia — marcas, fabricantes e consumidores — a acelerar a transição para modelos produtivos mais responsáveis. Afinal, o futuro da moda não é definido apenas pelo design, mas pela forma como ela é produzida.

SANTISTA APRESENTA COLEÇÃO E REFORÇA

O

DENIM COMO EXPERIÊNCIA SENSORIAL E

EXPRESSÃO DE PERTENCIMENTO

ASantista Jeanswear lança sua coleção Inverno 2027 a partir de uma reflexão contemporânea sobre o vestir: mais do que estética, a coleção propõe um olhar sensível sobre o denim — um tecido que se constrói no tempo, no uso e na relação com o corpo, revelando camadas de identidade, memória e movimento.

O conceito se materializa na exploração do intervalo entre o visível e o vivido. No denim, essa lógica é intrínseca: sua beleza não se entrega de imediato, mas se desenvolve a partir da fricção com a vida cotidiana. O índigo, protagonista da coleção, reforça essa narrativa ao se depositar em camadas sobre o fio, permitindo que cada peça evolua de forma única. Dos azuis mais puros à exclusiva tonalidade Galaxy, um blue black profundo e sofisticado, a cartela traduz essa construção contínua.

Entre os lançamentos, a Santista atualiza artigos já consagrados no mercado, como o Soft 11oz e o Solaris, agora apresentados na cor Galaxy, ampliando as possibilidades visuais e garantindo alta performance em lavanderia. A coleção também investe na reengenharia de best-sellers estratégicos, como Norah Plus, Norah Light Blue Plus e Joker Plus, que chegam com larguras ampliadas, proporcionando maior eficiência produtiva e otimização de processos para a indústria.

Outro destaque é o artigo VIBE, que combina algodão e elastano em

uma das maiores larguras do mercado. Com visual marcante em índigo intenso, o tecido traduz atitude, conforto e versatilidade, acompanhando propostas que transitam entre o contemporâneo e o urbano.

A sustentabilidade segue como eixo central. Todo o algodão utilizado é certificado pela Better Cotton Initiative (BCI), garantindo práticas agrícolas mais responsáveis e menor impacto ambiental. Nos processos, a Santista investe em soluções inovadoras como a biogoma — acabamento ecológico desenvolvido a partir de insumos naturais, como fécula de mandioca e resíduos da produção de batata chips — e a linha Eco Laundry, que reduz em até 70% o consumo de água, 30% de energia e 85% de produtos quími cos, sem comprometer o resultado estético.

Reforçando o denim como plataforma criativa, a coleção conta com colaborações de estilistas e marcas convida dos, que interpretam o Inverno 2027 a partir dos lançamen tos da Santista. Participam deste movimento nomes como Tom Martins, DISS Denim, Miguel Santos, Carlos Castro, Jorge Feitosa, Pedro Lacerda e Another Place, pre sentes nas imagens da revista digital e campanhas da marca.

A coleção se mantém conectada às demandas globais e às transformações do mercado, ao mesmo tempo em que reforça sua tradição e expertise. A marca se posiciona como parceira da cadeia jeanswear, oferecendo soluções que unem inovação, versatilidade e responsabilidade.

O Inverno 2027 entrega uma combinação de diferenciais: maior diversidade de cores e pesos, tecidos com alto desempenho em lavanderia, conforto e caimento aprimorados, além de soluções que ampliam as possibilidades criativas e

DENIM EXPERTISE 2026: A IMERSÃO

ESTRATÉGICA QUE CONECTA INDÚSTRIA, PRODUTO E DESENVOLVIMENTO DE COLEÇÕES

NO BRASIL

Realizado nos dias 9 e 10 de abril de 2026, no Denim City São Paulo, o Denim Expertise reuniu profissionais da indústria, marcas e especialistas em uma imersão voltada ao desenvolvimento de produto no universo do jeanswear.

Organizado pela Guia Jeanswear, o evento se consolida como uma das principais plataformas de conexão entre indústria têxtil, construção de coleção e estratégia de mercado, inserido na Semana de Lançamentos da Denim City SP, momento decisivo para o desenvolvimento e planejamento das próximas temporadas.

UM EVENTO DENTRO DO MOMENTO CERTO DA INDÚSTRIA

A edição de 2026 aconteceu durante a Semana de Lançamentos, período em que tecelagens, lavanderias e fornecedores apresentaram suas principais novidades.

Esse contexto amplia o papel do Denim Expertise: mais do que antecipar tendências, o evento estrutura decisões de produto em tempo real, com acesso direto a tecidos, aviamentos, beneficiamentos e construções que impactam diretamente as coleções futuras.

Dentro desse ambiente, o Fórum de Tendências Denim apresentou direcionamentos para as temporadas 2027/28, organizado de for -

ma a transformar informação em aplicação prática no desenvolvimento de coleções.

DO TECIDO AO

PRODUTO: O DENIM COMO SISTEMA

Um dos principais diferenciais do Denim Expertise está na forma como o denim é tratado, não como categoria isolada, mas como sistema.

O evento conecta desenvolvimento têxtil, leitura de comportamento, construção de coleção e aplicação comercial dentro de uma mesma lógica.

Na prática, tecidos, lavagens, fits e aviamentos deixam de ser apre-

sentados de forma fragmentada e passam a ser interpretados como parte do produto final, permitindo decisões mais assertivas na construção de coleção.

Esse modelo aproxima o Brasil de eventos internacionais como o Denim Première Vision, onde o denim é trabalhado como linguagem técnica, cultural e estratégica dentro da moda contemporânea.

PALESTRANTES E INTEGRAÇÃO DE CONHECIMENTO

A programação do Denim Expertise 2026 foi estruturada para conectar diferentes frentes do jeanswear, re-

unindo especialistas que atuam do desenvolvimento técnico à estratégia de marca.

Eduardo Cristian apresentou a relação entre criação e produção, explorando o encontro entre design e indústria dentro da confecção. Taís Isotton trouxe uma abordagem voltada ao desenvolvimento de coleção e mix de produtos, conectando tendências, escolha de materiais e aplicação prática no processo criativo.

Fabiana Ramos integrou a consultoria coletiva ao lado de Taís Isotton e Daniela Marx, propondo análises aplicadas a desafios reais de produto, posicionamento e estratégia comercial. Robertto

Dias contribuiu com uma leitura técnica sobre modelagem e caimento, reforçando a importância da construção do jeans na percepção final do produto.

BRANDING, PRODUTO E ESTRATÉGIA: O

PAPEL DO DENIM NA CONSTRUÇÃO DE MARCA

A participação de Daniela Marx trouxe ao Denim Expertise uma leitura estratégica sobre o papel do produto na construção de marca no mercado de moda.

Sua abordagem conecta branding, mix de produto e marketing (BPM) ao desenvolvimento de coleções, posicionando o denim não apenas como categoria comercial, mas como linguagem de marca e ferramenta de posicionamento.

Com mais de 20 anos de atuação no varejo global, incluindo Bershka (Grupo Inditex–ZARA) e GUESS Eu-

ropa, a análise conecta repertório internacional à realidade da indústria e do varejo brasileiro, destacando decisões que antecedem a comunicação: escolha de matéria-prima, construção de coleção, coerência de mix e leitura de comportamento.

Nesse contexto, o produto deixa de ser consequência e passa a ocupar o centro da estratégia, influenciando percepção, valor e crescimento de marcas no setor de moda.

O Denim Expertise 2026 evidencia uma mudança estrutural no mercado de moda, onde a integração entre indústria, produto e estratégia se torna determinante para a competitividade das marcas.

Ao conectar desenvolvimento têxtil, construção de coleção e posicionamento de marca, o evento reforça o denim como uma plataforma estratégica de inovação capaz de traduzir comportamento em produto e produto em valor de mercado.

DENIM CITY

SEMANA DE LANÇAMENTOS DCSP

Entre os dias 7 e 9 de abril, a Denim City SP foi palco das maiores inovações e novidades para o Inverno 2027, das principais tecelagens brasileiras, com foco no denim e sarjas. Confira a seguir, os destaques de cada empresa.

Canatiba: Destaque para o Novo Megaflex Maxskin, com peso de 10,5oz, 20% de power de conforto, tingimento intenso no blue e, que mistura fibras inéditas no Brasil, com 13% Viscose Lenzing™ Ecovero™ Refibra™, uma viscose com 20% de conteúdo reciclado proveniente de sobras de algodão pós consumo e 1% de elastano regenBio™ da CREORA, um elastano feito com 98% de base biológica de cana-de-açúcar e, que foi lançado em parceria com a Riachuelo na última coleção Pool Jeans. Já o Caxemira e Caxemira Dark, surgem com de peso de 8oz e largura de 1,75m, um jeans maquinetado com tingimento resinado no blue e no dark, no 100% algodão. Dentro da família Danúbio rígido surgem o Danúbio Blue Black, Danúbio Baby Blue, Danúbio Grey, Danúbio O.D. Black, peso de 10,5oz e largura de 1,71m. O Veludo Denim é um tecido com toque aveludado e visual azul acinzentado, peso de 9,5oz, super leve para o inverno brasileiro. Já o Cotelê Peletizado Collor, é o veludo com canaletas e, que vem nas cores oliva, marsala, marrom, preto, com peso de 8,50z, em algodão e elastano e largura de 1,81m.

Xampool: A empresa que produz desenhos matelassados para diferentes bases traz inspirações como estampa de peixes que lembra o japonismo, listras coloridas ou com brilhos, efeitos de pespontos ou zíperes, folhagens delicadas e costuras orgânicas que modificam completamente o denim.

Santista: São seis lançamentos, com ampliação de cor e de largura. A empresa vem investindo muito no parque industrial e estão colhendo os frutos com produtos que chegam a 1,80 de largura. O Soft Galaxy é um artigo que já tinha e agora vem no blue black, bem valorizado no mercado, com peso de 11oz, é super intenso, bastante versatilidade em lavanderia e o diferencial é o toque macio.

Solaris Galaxy é um tecido em algodão e elastano, que já tinham no puro índigo e agora vem em nova cor, com peso de 10oz e largura de 1,66m. O Vibe vem com 1,80 de largura, marcação de fio bem discreta, um puro índigo de alta intensidade, em algodão e elastano, peso de 10oz. Norah Plus é uma extensão do Nora, em algodão, poliéster e elastano, com nova largura, 1,75m e peso de 8,7oz e tingimento sky blue e o Nora Light Blue também com largura maior. E o Joker é uma sarja e vem mais ampla,com 1,74m, pode vir no PT, alvejado e tinto com cores bem comerciais.

Nicoletti: A inspiração da coleção foi "Cacau Denim" por causa dessa vinda dos marrons, que são os novos pretos da temporada, abrindo tonalidades nesse tom, incluindo as listras e o denim crú. Uma das apostas mais fortes da coleção são os listrados em diferentes cores e mix de listras finas e grossas, no 100% algodão, com peso de 10oz, e que surgem no Riviera Slim e Riviera Bold.

Paraguaçu: Foram lançados três artigos, dois com base no 100% algodão e um na base algodão, elastano e poliéster. O Intensity Force, vem no 100% algodão, com peso de 14oz, largura de 1,72m, bem marcado, base mais pesada, para peças estruturadas, confere fundos de lavanderia bem marcados.

Vicunha: Entre os lançamentos estão os artigos desenvolvidos para o mercado europeu, que traz o autêntico denim com tingimentos intensos, texturas e toque nobre. Aqui entram o Millennium que combina TENCEL™ Lyocell ao fio Vicunha Soft Serve, resultando em um denim que equilibra performance, sustentabilidade e maciez, o Shelton com uma textura sofisticada e que valoriza a leitura autêntica do denim, juntamente com o conforto do stretch, o Ephesus vem na construção densa e robusta. O Rafael é um brim especial com construção com diagonal bem marcada, em algodão e elastano com a tecnologia LYCRA® Renovável, com 70% do fio proveniente de ingrediente bio-derivado, o milho dentado, reduzindo a pegada de carbono em até 44% comparado a um elastano tradicional. Ao mesmo tempo em que é sustentável, o artigo possui visual estruturado e 100% da performance e recuperação do stretch, promovendo conforto e durabilidade. São cinco novos artigos com a fibra TENCEL™, da Lenzing: Jenna, denim composto de algodão penteado e lyocell, com alta respirabilidade, frescor e toque macio. Maitê, 100% lyocell, oferece maior fluidez e maciez. A coleção traz uma ampliação do portfólio de denim que mescla algodão e elastano. Com alto power e recuperação da forma, surge o Laure, que traz a tecnologia Lycra® Dual FX, e vem com flamê refinado no urdume, salientando uma textura autêntica.

Paranatex: A têxtil ampliou sua cartela de cores em tons vivos e uniformes como amarelo, laranja, rosa chiclete e vermelho, além dos terrosos, cinzas e o preto. O grande lançamento fica por conta do Apollo Ultra White, um branco que brilha com a luz ultravioleta.

Saltorelli Jeanswear: A têxtil apresenta uma variedade enorme de tecidos, com foco nos maquinetados e estampados com florais pincelados, desenhos de natureza, animal print, escamas de peixe, chevrons e listras nos mais variados tamanhos, além da textura wafer.

Serg Denim: São quatro lançamentos no 100% algodão, o Fortaleza no Black in Blue, peso de 11,3oz, mesma base do Fortaleza Blue, carro-chefe, agora com base black, Fortaleza Black in Black, com 11,3oz, 1,79 de largura, tom bem intenso.

DENIM CITY

Tear Têxtil: A Tear está sempre investindo em novidades como a máquina de tingimento de índigo que veio da Índia e que confere um tom mais uniforme, com menos nuance, possibilitando tanto o tingimento blue quanto o black, com maior otimização e qualidade. Estão ainda com novos teares e aumentando a estação de efluentes.No denim color surge o Athenas, que já tinham em coleção e, agora vem na versão Eco, com a casquinha de algodão aparente, utiliza menos produtos químicos para fazer acabamentos e menos água, com peso de 9oz, no 100% algodão e largura de 1,70m. Pode ser tinto ou pode utilizar somente amaciado. Quando tinge confere maior marcação de costura, desbotes

Capricórnio: Entre os novos artigos, estão o Brava, com peso de 10oz, construção 3x1, no 100% algodão, intense blue, o Glória, com peso de 8,8oz, largura de 1,80m em algodão e lyocel, super macio e com brilho e Preá, 100% algodão, peso de 10oz e largura de 1,75m. Já o Ondina Nat, é um maquinetado com listras aparentes em tom crú natural, no 100% algodão, peso de 8,9oz e 1,75m de largura e o Faro Preto, um maquinetado que lembra quadriculado, com peso de 8,8oz, fio tinto, no 100% algodão e com 1,77m de largura.

Covolan: A Covolan apresentou sua nova coleção com destaque para maquinetados e estampados. A coleção traz uma ampla variedade de maquinetados com diferentes desenhos, em sua maioria desenvolvidos em bases 100% algodão, além de larguras estratégicas de 1,70m, atendendo às demandas atuais da indústria.

Jolitex: A têxtil apresenta 13 lançamentos no denim, os grandes destaques ficam por conta dos artigos que vestem até 3 tamanhos: Up, no azul com trama black, Jump, tingimento black com a trama branca e o Breezy, um black black, todos com peso de 8,7oz e largura de 1,62m. Eles têm alto stretch, com power de 55% e potencial de até 65% de elasticidade e, vestem do 36 ao 44.

Santana Textiles: Com o tema "Natureza Urbana", a Santana provou que o o jeans pode ser o elo perfeito entre o ritmo acelerado das metrópoles e o respiro que todos buscamos em tecidos que unem tecnologia e tendências sem perder a performance que o mercado exige.Entre os lançamentos estão o Natural Denim 10 Dark, a união entre estilo e atitude em um tecido rígido, sem tingimento e com a inserção da trama preta de poliéster, pronto para tingimentos escuros.

Fonte: Vanessa de Castro Foto: Equipe Guia JeansWear

REPREVE ® NA DENIM CITY SP

REPREVE®, responsável por reciclar mais de 46 bilhões de garrafas plásticas transformando-as em fios sustentáveis desde o seu lançamento em 2007, marca presença pela terceira vez consecutiva na Denim City SP - hub de inovação, conexão, sustentabilidade e educação no denim, Nesta edição, REPREVE, em um espaço de ativação no qual apresentará uma coleção de peças nacionais e internacionais com tecnologia REPREVE de marcas líderes que vêm redefinindo o jeans ao incorporar escala, rastreabilidade e propósito, sem abrir mão do design e performance. Dentre os destaques, labels de prestígio mundial como Levi’s, Guess e Lee.

O look exclusivo assinado pelo estilista brasileiro Dario Mittman, que foi apresentado na edição SPFW N60, em outubro de 2025, em parceria com a Santista e fio REPREVE, também será exibido. A peça traz o denim bordado manual, e explora a interseção entre tecnologia, cultura pop e sustentabilidade, reafirmando que moda consciente também é luxo.

A marca REPREVE® possui sua própria impressão digital rastreável, tecnologia FiberPrint®, que permite verificar, homologar e auditar os produtos. A marca assume, portanto, a posição única para capacitar

marcas e consumidores para defender a sustentabilidade.

Algumas das peças de vestuário feitas com o fio REPREVE® são facilmente identificadas pela etiqueta da marca em forma de garrafa verde. Adicionalmente, a marca REPREVE® é capaz de mostrar quantas garrafas de plástico são utilizadas para criar um produto específico. Por exemplo, uma calça jeans feita com fio REPREVE® pode retirar até 12 garrafas recicladas, enquanto que um par de meias utiliza até duas garrafas recicladas.

A participação da marca REPREVE na Denim City SP tem como objetivo inspirar e ampliar o compromisso por uma produção mais limpa e responsável junto a grandes empresas e marcas de prestígio nacional e internacional. Fonte:MSG Comunicação

RIACHUELO LANÇA JEANS INÉDITO NO BRASIL COMPOSTO POR VISCOSE COM 20% DE ALGODÃO

RECICLADO E ELASTANO DE CANA DE AÇÚCAR

EM NOVA FASE DO DENIM QUE FOMENTA A CIRCULARIDADE, MARCA REFORÇA

INOVAÇÕES DA LINHA POOL LOOP, COM FIBRAS TÊXTEIS DE MENOR IMPACTO EM PARCERIA COM CANATIBA TEXTIL, CREORA E LENZING™ ECOVERO™

ARiachuelo, uma das maiores marcas de moda do varejo brasileiro, expande sua linha de jeans que fomenta a circularidade - a POOL LOOP - com o lançamento do primeiro jeans brasileiro feito com viscose contendo 20% de resíduos de algodão reciclados no pré e pós consumo e elastano de biomassa proveniente da cana-de-açúcar. O novo tecido é resultado de um trabalho conjunto da Riachuelo em parceria com o Grupo Lenzing, líder global na produção de fibras celulósicas mais sustentáveis, CREORA, referência global na produção de elastano e a Canatiba Textil, sinônimo de inovação no desenvolvimento de denim responsável no Brasil.

A coleção conta com cinco modelos diferentes, sendo duas calças feminina e duas masculinas, além de uma jaqueta, totalizando mais de 10 mil peças produzidas. A novidade estará disponível em 97 lojas com conceito high da Riachuelo em todo o país a partir do dia 30 de março e no e-commerce da marca.

A expansão da linha POOL LOOP materializa a iniciativa FIBER FORWARD™ da Riachuelo, voltada para a implementação de materiais inovadores que priorizam alternativas recicladas e de origem biológica para produção têxtil com o objetivo de reduzir o uso de recursos fós-

seis e o consumo de matérias-primas virgens. Ao investir em tecnologias que transformam sobras de tecido e cana-de-açúcar em moda com menor pegada de carbono, a Riachuelo não apenas entrega um produto de vanguarda ao consumidor, mas também consolida seu papel na transição para um modelo de negócio mais consciente.

As fibras LENZING™ ECOVERO™ com tecnologia REFIBRA™ representam um avanço significativo na evolução da viscose responsável. Produzidas a partir de madeira de origem certificada e controlada, essas fibras também incorporam resíduos de algodão pré e pós-con sumo, que são transformados em nova matéria-prima celulósica por meio da inovadora tecnologia RE FIBRA™. "Esse processo contribui para promover maior circularida de na indústria têxtil ao reintegrar materiais que, de outra forma, se riam descartados, reduzindo a de pendência de recursos virgens. Ao mesmo tempo, as fibras mantêm os reconhecidos atributos da vis cose LENZING™ ECOVERO™, como transparência e rastreabilidade na cadeia de valor, menor impacto ambiental e excelente performance têxtil, oferecendo toque macio, con forto e versatilidade para diferentes aplicações na moda", afirma Julia na Jabour, Head de Business Deve

lopment para a América do Sul do Grupo Lenzing.

Tradicionalmente reconhecido como uma fibra sintética derivada de fontes fósseis, o elastano ganha uma nova perspectiva com o lançamento do regen™ BIO Max, da CREORA. A inovação apresenta uma composição com até 98% de conteúdo derivado da cana-de-açúcar, trazendo uma alternativa de base renovável para uma fibra essencial na

água durante a produção do elastano regen™ BIO em comparação à versão convencional, um avanço significativo para soluções de menor impacto e um passo rumo à substituição gradual de materiais fósseis para alternativas renováveis na indústria têxtil.

“Esta colaboração representa exatamente o caminho que a indústria da moda precisa seguir: inovação construída de forma coletiva. Com o regen™ BIO Max da CREORA, mostramos que é possível reduzir a dependência de recursos fósseis sem abrir mão de performance, conforto e durabilidade — características essenciais do elastano. Participar de um projeto que conecta toda a cadeia, do fio ao consumidor final, reforça nosso compromisso em acelerar a transição para materiais mais responsáveis e preparados para o futuro da moda,” comenta Jessé Moura, Gerente de Marketing LATAM, Hyosung Brasil | CREORA.

“Acreditamos que o futuro da moda começa na fibra. Por isso estamos investindo alto em pesquisa e inovação por meio de parcerias estratégicas em todo o mundo, que nos ajudem a identificar materiais mais modernos e com tecnologia de ponta que possam substituir recursos virgens e fósseis por alternativas recicladas e de origem biológica para produção têxtil. É exatamente isso que a parceria com o Grupo Lenzing, CREORA e Canatiba Textil materializa”, completa Taciana Abreu, diretora de

sustentabilidade da Riachuelo.

A Canatiba Textil, por sua vez, transforma as fibras em fios e posteriormente no tecido POOL LOOP, com composição de algodão (86%), viscose (13%) e elastano (1%). Parceira de longa data da Riachuelo, a Canatiba Textil possui caldeira movida à biomassa como combustível, que reaproveita 40% da água neste mesmo processo, reduzindo as emissões de carbono da sua operação.

“Acreditamos que a inovação no denim deve caminhar lado a lado com a responsabilidade. Nesta parceria com a Riachuelo, aliamos nossa expertise em desenvolvimento e acabamento de tecidos à tecnologia das fibras LENZING™ ECOVERO™ com tec nologia REFIBRA™, que incorporam resíduos de algodão e

promovem maior circularidade, e ao CREORA™ regen BIO Max, um elastano de base renovável que reduz a dependência de recursos fósseis. O resultado é um denim que entrega performance, conforto e estética, ao mesmo tempo em que avança em direção a uma cadeia têxtil mais responsável e inovadora”, afirma Vanessa Covo, Diretora de Produto, Canatiba Textil.

Esta é mais uma coleção da Riachuelo que conta com a rastreabilidade dos processos produtivos nas peças, através de QR code feito em parceria com a Block Force. Por meio dela, os clientes podem compreender todo o processo de produção do jeans, desde a chegada das fibras à fiação até as lojas onde os produtos finais podem ser encontrados. Confira aqui:

Esse lançamento do novo tecido faz parte de uma estratégia ampla da Riachuelo, iniciada em 2025, com o lançamento de sua maior coleção circular de jeans produzida com 25% de algodão reciclado, que contará ainda com uma nova grade de produtos para este ano.

DENIM ALÉM DO DENIM: A NOVA INVERSÃO DE SUPERFÍCIES QUE REDEFINE O JEANSWEAR

Aúltima edição da Denim Première Vision Milan 2026, realizada em maio, evidenciou uma transformação profunda no jeanswear global. Mais do que apresentar novas bases, lavagens ou soluções sustentáveis, a feira mostrou que o denim deixou de ser apenas um tecido para se tornar uma linguagem estética, cultural e criativa.

O principal movimento observado foi a aproximação entre diferentes superfícies têxteis e o universo do jeans. Tecidos não-denim passaram a reproduzir com grande realismo os efeitos visuais do índigo tradicional por meio de impressão digital avançada, enquanto o próprio denim assumiu aparências inspiradas em materiais como couro, veludo, lã e nobuck, graças a revestimentos tecnológicos, flocagens e acabamentos sofisticados.

Essa evolução é impulsionada por avanços em fibras, tingimen -

tos, automação, sustentabilidade e tecnologias de superfície. O consumidor busca cada vez mais identidade, autenticidade e experiência visual, ampliando o conceito tradicional do denim. Assim, o mercado passa a explorar dois caminhos simultâneos: tecidos que adotam a estética jeanswear e denims que assumem novas identidades sensoriais.

Entre os destaques da feira, a Pioneer Denim apresentou bases premium com seda, superfícies ultramacias e efeitos coloridos, refletindo a busca por produtos de maior valor agregado. A portuguesa Pizarro reforçou a tendência dos brilhos, aplicações metalizadas e acabamentos sofisticados, enquanto a italiana Tonello chamou atenção com o conceito “Denim Illusion”, capaz de criar aparência jeans em materiais como nylon por meio de tecnologias de laser, ozônio e tingimento avançado.

ISKO
PIONNER_DENIM
Por Guia Jeanswear

A sustentabilidade também ganhou protagonismo. A Officina39 lançou um sistema de tingimento reativo de baixa temperatura que reduz o consumo energético. Já a turca ISKO foi um dos grandes destaques da feira ao apresentar soluções que ampliam os limites tradicionais do denim. Em parceria com Paolo Gnutti, a empresa desenvolveu tecidos flocados que reproduzem texturas como pelo, lã e veludo cotelê, além de explorar fibras recicladas, fios metálicos e construções híbridas. A coleção reforçou o posicionamento da marca em inovação, sustentabilidade e desenvolvimento de

superfícies premium para o denim contemporâneo.

Outros destaques foram a Realteks, com superfícies híbridas, impressão digital e tingimentos que eliminam etapas tradicionais de lavanderia, e a japonesa HOWA, que uniu inspiração vintage, artesanato e tecnologias avançadas de laser e ozônio.

A Next Print, do grupo ACM, apresentou uma das propostas mais alinhadas ao novo momento da indústria: reproduzir a estética denim em diferentes bases têxteis por meio de impressão avançada.

A tecnologia permite criar peças com aparência jeanswear em te-

cidos leves, reciclados e até técnicos para sportswear, reduzindo significativamente o consumo de água e o desperdício por meio da produção sob demanda.

A principal conclusão da DPV Milan 2026 é que o futuro do denim será híbrido. Tecnologia, sustentabilidade e inova ção continuarão avan çando, mas a criatividade humana se guirásendo o elemento capaz de gerar emo ção, iden tidade e valor.

O jeans wear não está de sapare cendo; está ex pandin do seus limites para além do denim tradicional.

Fonte: Ionlanda Wutzl Fotos: Equipe Guia JeansWear

ISKO
TIM
PIZARRO
PIZARRO
ISKO

FEBRATÊXTIL UNI INOVAÇÃO, IMPACTO SOCIAL E

NOVOS TALENTOS

Realizada entre os dias 5 e 7 de maio de 2026, no Expo Center Norte, em São Paulo, a FebraTêxtil encerrou sua edição reafirmando o protagonismo de São Paulo como centro estratégico da cadeia têxtil nacional. Reunindo empresas, especialistas, criadores, instituições de ensino e projetos sociais, o evento evidenciou uma indústria cada vez mais conectada à inovação, sustentabilidade, tecnologia e inclusão produtiva.

Promovida pelo Febratex Group, a feira apresentou crescimento em expositores, conteúdo técnico e conexões comerciais, além de ampliar o diálogo entre diferentes segmentos da cadeia produtiva. Paralelamente à FebraTêxtil, aconteceu também a ENT – Feira Internacional de Não-

cendo a integração entre moda, indústria e tecnologia aplicada.

Entre os destaques da edição estiveram as ações voltadas ao impacto social e à economia circular.

O Instituto SUSTEXMODA chamou atenção ao apresentar projetos de capacitação para refugiados e pessoas em situação de vulnerabilidade social por meio do reaproveitamento de resíduos têxteis. Criado a partir do núcleo de pesquisa NAPI – USP SUSTEXMODA, o instituto atua em parceria com a Receita Federal, a Universidade de São Paulo e o Instituto Bibliaspa.

Durante a feira, no estande da Andrade Máquinas, o público acompanhou demonstrações da técnica LINE FLOW, desenvolvida pela professora Margo Isaac. O método

para criar novas superfícies aplicáveis em vestuário, acessórios, calçados e design de interiores, reforçando o potencial do upcycling em escala industrial.

Na mesma linha de transformação social, a ONG Florescer apresentou iniciativas voltadas à capacitação e geração de renda para mulheres da comunidade de Paraisópolis, utilizando principalmente resíduos de denim para a criação de novos produtos. A participação reforçou como sustentabilidade e inclusão social passam a ocupar papel central dentro da indústria da moda.

A programação técnica também ganhou protagonismo nesta edição. Nos espaços Talks e no IV Seminário de Competitividade para a Indústria Têxtil e de Confecção,

tas debateram temas como inteligência artificial aplicada à moda, supply chain reativo, economia circular, impressão 3D têxtil, transformação verde da indústria e tendências para 2027.

Outro ponto alto da feira foi o concurso Brasil Fashion Designers – Cidade de São Paulo 2026, que revelou novos criadores da moda brasileira. O grande vencedor foi Mauricio Mazzon, com a coleção “Elos”, inspirada na conexão entre o rap e o funk como expressões culturais periféricas. Trabalhando o denim em construções urbanas sofisticadas, o estilista conquistou o direito de apresentar sua coleção na Expotextil Perú 2026, além de

premiações voltadas ao desenvolvimento profissional. Também se destacaram Thaisa Chaves, com a coleção “Vestir para Resistir”, inspirada na música “Negro Drama”, dos Racionais MC's, e Vitória Amaral, que apresentou a coleção “Entendeu o Que Nóis Sente?”, baseada na potência cultural das batalhas de rap das periferias brasileiras.

Os desfiles realizados durante a feira também mostraram a força da indústria nacional em inovação e desenvolvimento de materiais. Empresas como Capricórnio Têxtil, Saltorelli, CTM Fios, Macias Tecelagem e QueenCo apresentaram novas propostas em tecidos, fios e soluções produtivas

voltadas ao mercado de moda e tecnologia têxtil.

Ao final do evento, o Febratex Group anunciou uma importante mudança estratégica: a FebraTêxtil passará a ter formato bianual. Segundo Hélvio Pompeo, o novo modelo permitirá ampliar experiências, conteúdo e oportunidades de negócios, acompanhando o ritmo acelerado de transformação da indústria. Mais do que uma feira de negócios, a FebraTêxtil mostrou uma cadeia têxtil em plena evolução, onde inovação tecnológica, criatividade, sustentabilidade e impacto social caminham de forma integrada, apontando os rumos do futuro da indústria brasileira

FEBRATEX 2026 AMPLIA FRONTEIRAS E

ESTREIA NOVO SETOR DO PARQUE VILA

GERMÂNICA EM EDIÇÃO HISTÓRICA

Blumenau se prepara para receber a maior edição da história da Febratex. Entre os dias 18 e 21 de agosto de 2026, a 19ª edição da principal feira de tecnologias para a indústria têxtil das Américas ocupará aproximadamente 40 mil metros quadrados distribuídos em 10 pavilhões e marcará também a estreia operacional da mais nova expansão do Parque Vila Germânica.

O novo espaço, com 2,6 mil metros quadrados e localizado estrategicamente entre os setores 1 e 4 do complexo, entra em funcionamento com ocupação total durante a feira.

A entrega representa um acréscimo próximo de 15% na área do parque e reforça o movimento de modernização da principal estrutura de eventos de Blumenau.

A relação entre Febratex e Vila Germânica já se consolidou como parte da evolução da infraestrutura local. Em 2024, a feira participou da inauguração do Boulevard e, agora, volta a ser o evento responsável por abrir oficialmente uma nova etapa de expansão do complexo.

O desempenho comercial confirma o momento de confiança do setor. Todos os estandes foram comercializados ainda na fase preparatória do evento, refletindo o avanço dos investimentos em modernização industrial e a demanda crescente por novas tecnologias.

Madeira, presidente do Febratex Group, a ampliação responde diretamente às necessidades da cadeia produtiva. “Vivemos um momento de investimento intenso em tecnologia e precisávamos oferecer um ambiente capaz de acompanhar essa evolução. Essa expansão amplia a capacidade da feira e cria condições para que mais empresas apresentem inovação em escala compatível com o momento da indústria.”

Com a expansão física, a Febratex passa a contar com 10 setores de exposição e estruturas temporárias instaladas nas imediações do Ginásio Galegão, somando 4.765 metros quadrados adicionais em relação à edição anterior.

Além da ampliação, a edição de 2026 reforça seu posicionamento como plataforma de conteúdo e transformação industrial. Entre as novidades estão o Preview do Febratex Summit, voltado às discussões sobre o futuro da indústria da moda; o Radar Têxtil, experiência desenvolvida pela plataforma New & Now que conecta pesquisa internacional de tendências à apli-

cação em produto; o workshop da engenheira têxtil Priscila Faiad sobre qualidade e desenvolvimento de fornecedores; o Startup Corner, dedicado a soluções emergentes para a cadeia têxtil; e o Projeto Lixo Zero, iniciativa voltada à gestão sustentável dos resíduos gerados durante o evento.

Para Giordana Madeira, diretora-executiva do grupo, a evolução da feira demonstra uma mudança estrutural no papel dos eventos setoriais. “Hoje a Febratex vai além da exposição de máquinas e equipamentos. O evento se consolida como ambiente de conteúdo, inovação e transformação para toda a indústria da moda.”

A expectativa para agosto é reunir cerca de 670 expositores, representando aproximadamente 3,3 mil marcas de 65 países, e atrair 80 mil visitantes. Segundo estimativas da organização, aproximadamente 40% dos negócios do segmento têxtil brasileiro sofrem influência direta da feira, consolidando o evento como um dos principais motores de renovação tecnológica e geração de negócios para a indústria nacional.

AGRESTE TEX: EDIÇÃO HISTÓRICA NO POLO

TÊXTIL PERNAMBUCANO

Em abril a AGRESTE TEX em Caruaru-PE, se consolida como um marco para o setor têxtil do Norte e Nordeste, reunindo inovação, negócios e valorização da cadeia produtiva em um ambiente que reafirma a força do polo de confecções do Agreste pernambucano. Ao longo de quatro dias intensos, a feira reuniu quase 14500 visitantes e cerca de 400 marcas expositoras, promovendo conexões estratégicas e impulsionando resultados expressivos para empresas de diferentes segmentos.

Entre os destaques, o desfile “Toritama by Acit” reforçou a importância da ‘capital do jeans’, apresentando ao público uma prévia do Festival do Jeans de Toritama 2026. A passarela evidenciou criatividade, identidade regional e a força produtiva local, consolidando o evento como vitrine de tendências e talentos.

No campo dos negócios, os resultados refletem o sucesso da feira. Para Pedro Amâncio, diretor da SVC Laser Epson, a participação foi altamente positiva. “Atendemos muita gente de toda a região e de outros estados. Já ultrapassamos R$ 300 mil em negócios

durante a feira, além de um volume significativo de oportunidades futuras. Trouxemos novidades como a DTF industrial, que chega para transformar o mercado local em produtividade”, contou.

Maurício Soares, gestor de marketing da Silmaq, também destacou o impacto da edição 2026. “Foi extremamente positiva. Abrimos novos clientes, fechamos negócios em novas regiões e apresentamos inovações importantes, como a primeira máquina de costura com inteligência artificial integrada. A expectativa é de crescimento entre 10% e 20% em relação à última edição”, revelou.

Já Rener Agostini, gerente nacional de vendas da Audaces, ressaltou a relevância estratégica da feira. “O Agreste pernambucano é uma região que respira moda. Estimamos um faturamento entre R$ 5 e 6 milhões durante a feira, podendo chegar a R$ 7 milhões com os desdobramentos dela. É um mercado essencial, tanto pelo volume quanto pela qualidade e potencial criativo”, ressaltou. Outro momento de destaque foi o resultado do júri popular do Brasil Fashion Designers (BFD), que consagrou a estudante Camyle Noguei-

ra, de 22 anos, natural de Toritama e aluna do Senai Caruaru. Com 24% dos votos, ela venceu com a coleção “Brasilidades”, marcada por cores vibrantes e estampas expressivas em contraste com tons mais suaves. Como premiação, recebeu uma máquina de costura da Silmaq. Emocionada, Camyle celebrou a conquista: “Cresci vendo o jeans sustentar minha família. Sou mãe e aspirante a designer, e chegar aqui com uma coleção escolhida pelo público é extremamente gratificante”, comemorou.

Com resultados expressivos, forte adesão do público e alto nível de inovação, a oitava edição da Agreste Tex encerra reafirmando seu papel como uma das principais feiras do setor no Brasil e já projeta expectativas ainda maiores para a próxima edição, marcada para ocorrer de 4 a 7 de abril de 2028.

“Voltamos em 2028 para impulsionar, ainda mais, esse mercado tão importante para o Brasil. A nona edição vem com ainda mais grandiosidade, mais criativa e mais transformadora, ampliada e mais ousada”, finalizou Hélvio Pompeo Júnior, diretor de Operações do Febratex Group.

INDÚSTRIA DE VESTUÁRIO DE PERNAMBUCO

CRESCE E AMPLIA GERAÇÃO DE EMPREGOS ACIMA DA MÉDIA NACIONAL

LEVANTAMENTO DO IEMI MOSTRA AVANÇO DA PRODUÇÃO, AUMENTO EXPRESSIVO DA MÃO DE OBRA E CONSUMO ACIMA DE R$ 8,9 BILHÕES

Aindústria de vestuário de Pernambuco apresentou desempenho positivo entre 2024 e 2025, com crescimento consistente na produção, no consumo e, principalmente, na geração de empregos. É o que revela levantamento do IEMI - Inteligência de Mercado, referência nacional em estudos do setor. De acordo com os dados, o setor ampliou em 14,8% o número de trabalhadores diretos, ritmo significativamente superior ao crescimento de 2,4% no total de unidades produtoras, que chegaram a 1.011 estabelecimentos no período.

O avanço da mão de obra indica aumento da intensidade produtiva e reforça o papel do segmento como um dos principais motores de geração de renda no estado. O volume da produção em peças também cresceu 2,8%, enquanto o valor da produção (em Reais) registrou alta mais expressiva, de 7,4%, sinalizando ganho de valor agregado e possível diversificação para produtos de ticket médio maior.

No mercado interno de vestuário, os indicadores mostram um ambiente de aquecimento. O número de pontos de venda especializados avançou 4,8%, enquanto o potencial de consumo no estado cresceu 5,8%, ultrapassando R$ 8,9 bilhões. O desempenho reflete a melhora das condições de renda e emprego, além do fortalecimento do varejo local.

“Estamos observando um ciclo positivo impulsionado principalmente pelo mercado interno. O crescimento da mão de obra em ritmo superior ao das unidades produtivas indica aumento da capacidade instalada e maior intensidade de produção. Ao mesmo tempo, o avanço mais forte do valor da produção em relação ao volume de peças sugere ganho de eficiência e maior presença de produtos com valor agregado”, afirma Marcelo Prado, consultor e diretor do IEMI - Inteligência de Mercado.

Apesar do cenário positivo, o comércio exterior apresentou comportamento distinto. As exportações em volume de peças cresceram 8,7%, mas houve queda de 10,9% no valor exportado em dólares, o que pode estar relacionado à redução de preços médios ou a variações cambiais.

No contexto nacional, Pernambuco mantém uma posição relevante na cadeia produtiva do vestuário.

O estado concentra 4,9% das unidades produtoras do país e responde por 3,8% da mão de obra direta do setor. Em termos de produção, porém, a participação é de 2,5%, indicando que, embora tenha capilaridade industrial, ainda opera com escala média inferior à de polos mais consolidados.

Já no consumo, Pernambuco representa 3,3% dos pontos de venda especializados e 2,9% do potencial de consumo nacional, evidenciando

a força do mercado interno como principal eixo de sustentação do setor. Nas exportações, a participação ainda é limitada, com 0,3% em volume e 0,4% em valor, o que aponta espaço para crescimento na inserção internacional.

Segundo Prado, o cenário também reflete fatores estruturais. “A consolidação de arranjos produtivos regionais, a maior integração com o mercado nacional e estratégias comerciais voltadas ao consumo interno ajudam a explicar esse desempenho. Ao mesmo tempo, os dados mostram que existe uma oportunidade clara de ampliar a inserção internacional e agregar mais valor às exportações”, completa.

O levantamento do IEMI reforça o papel estratégico da indústria de vestuário para a economia pernambucana, especialmente na geração de empregos e na dinamização do consumo, ao mesmo tempo em que evidencia desafios e oportunidades para aumentar competitividade e presença no mercado externo.

Marcelo Prado, consultor e diretor do IEMI - Inteligência de Mercado

DIA

DAS

MÃES

DEVE

MOVIMENTAR R$ 29,1 BILHÕES NO VAREJO DE VESTUÁRIO EM MAIO, PROJETA IEMI

MESMO COM LEVE RETRAÇÃO NO VOLUME DE PEÇAS VENDIDAS, SETOR MANTÉM

CRESCIMENTO EM FATURAMENTO IMPULSIONADO POR TÍQUETE MÉDIO E VALORIZAÇÃO DOS PRODUTOS

Ovarejo de vestuário brasileiro deve movimentar R$ 29,1 bilhões em maio de 2026, impulsionado pelas vendas relacionadas ao Dia das Mães, a segunda data mais relevante para o comércio nacional, depois do Natal. A estimativa é do IEMI - Inteligência de Mercado, que projeta crescimento de 2,6% no faturamento do setor em relação ao mesmo período do ano passado. Por outro lado, o volume de peças comercializadas deve apresentar leve retração. A expectativa é de que sejam vendidas aproximadamente 570,3 milhões de peças em maio de 2026, frente às 578,1 milhões registradas em maio de 2025, o que representa queda de 1,3%.

Para Marcelo Prado, diretor do IEMI - Inteligência de Mercado, o comportamento do consumidor neste Dia das Mães indica maior racionalidade nas compras, sem perda de relevância da data para o varejo.

“O consumidor continua comprando, mas de forma mais seletiva. Há uma busca maior por produtos percebidos como mais duráveis, úteis ou com maior valor agregado, como jeans de alta qualidade que resistem ao uso, blazers atemporais que transitam entre ocasiões, vestidos e conjuntos versáteis que combinam elegância e praticidade, além de peças com tecnologia em

tecidos. Isso ajuda a explicar um mercado que cresce em faturamento mesmo com estabilidade ou leve retração no volume de peças comercializadas”, analisa.

A Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX), entidade que representa mais de 100 marcas da moda nacional, também avalia que a data deve manter forte relevância comercial para o setor, principalmente em categorias ligadas à moda feminina, acessórios e itens de uso pessoal. Para Edmundo Lima, diretor executivo da ABVTEX, o período reforça a importância das estratégias de integração entre canais físicos e digitais no varejo de moda.

“O Dia das Mães é uma data em que o consumidor pesquisa mais, compara preços, busca conveniência e valoriza experiência de compra. Isso exige do varejo uma operação cada vez mais integrada entre loja física, e-commerce, logística e relacionamento com o cliente. A jornada está mais híbrida e mais dinâmica”, afirma.

Os especialistas consideram que as

Edmundo Lima, diretor executivo da ABVTEX

datas comemorativas seguem desempenhando papel relevante para o desempenho do setor ao longo do ano. Além do impacto direto nas vendas, ajudam a movimentar estoques, impulsionar coleções sazonais e fortalecer o relacionamento das marcas com os consumidores.

O desempenho esperado para maio também reflete fatores econômicos que seguem impactando o consumo das famílias, como juros elevados, maior cautela nas compras e pressão sobre o orçamento doméstico. Ainda assim, o Dia das Mães permanece como um dos principais motores do calendário comercial do primeiro semestre.

POR UMA QUESTÃO DE ESCOLHA

RECICLAGEM DE FIBRAS TÊXTEIS PRÉ E PÓS-CONSUMO

O QUE TEMOS PARA HOJE

Até os anos 90, o consumo mundial de fibras naturais superava o de fibras químicas, mas a partir daí, esta lógica se inverteu. No ano de 2024 foram consumidas no mundo 85,5 mi ton de fibras químicas, (principal representante é o poliéster), contra 33,1 mi ton de fibras naturais, (principal representante é o algodão), (“Brasil Têxtil 2025 – Relatório Setorial da Indústria Têxtil Brasileira” – IEMI). E isso importa não apenas pela quantidade impressionante, mas também pelo tempo de degradação dos materiais. Um produto têxtil de poliéster não se degrada biologicamente na natureza, mas se fragmenta em microplásticos, num processo de 200 a 500 anos, contaminando água, solo, animais e até mesmo o corpo humano. Já o algodão puro leva de 1 a 5 meses

num solo rico em umidade e oxigênio. Tratado com químicos e misturado ao elastano, este período sobe para 5 anos, (“Material Impact Forum 2024” – Textile Exchange).

RECORTES DO CENÁRIO BRASIL

Em 2024 a cadeia têxtil gerou R$221 bi em valor de produção, sendo 96% artigos confeccionados, produzidos por 22.854 fábricas, (Brasil Têxtil 2025 – IEMI). Ainda segundo uma pesquisa do IEMI de 2025 por Marcelo V. Prado, com 280 empresas de confecção, a perda média com retalhos de tecidos é de 7,2% sobre o consumo total. Das 280 empresas, 46% afirmam ter programa de sustentabilidade A redução de resíduos têxteis e reaproveitamento, aparece nos objetivos de programas de sustentabilidade em 77% dos casos. Sobre

Por Carla Angeli

o uso de matérias primas recicladas, apenas 16% indicam o uso e 10% estão ampliando o consumo Quanto ao varejo de moda, pontuo alguns resultados Índice de Transparência da Moda 2023, pesquisa realizada pelo Fashion Revolution Brasil com os principais varejistas de moda do Brasil:

30% divulgam política sobre resíduos têxteis nas próprias operações.

35% divulgam as quantidade de tipos de fibras que usam anualmente

22% publicam metas para redução de produtos têxteis derivados do petróleo

32% divulgam como disponibilizam sistemas permanentes de devolução de peças nas lojas

O regulatório está apertando o cerco. A PNRS, Política Nacional de Resíduos Sólidos, (Lei 12.305/2010),

Abordagem de produção e consumo linear x abordagem circular pós-consumo

é o ponto de partida e é clara: evite gerar resíduos, reduza, reutilize, recicle e descarte só como último recurso, (nada de lixões a céu aberto). Isto obriga grandes produtores a ter um PGRS, (Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos), para gerenciar retalhos, além da logística reversa para roupas usadas.

O grande desafio está no pós-consumo onde concentram-se os resíduos em maior quantidade. São peças de roupas com misturas de diversas de fibras, com os mais variados tipos de aviamentos, sujidades e um design inadequado ao descarte, além da logística reversa e seus altos custos envolvidos. É possível entender porque uma peça feita a partir de material reciclado é mais cara que uma de produção linear. O PL 270/2022, Projeto de Lei que institui o Sistema Nacional de Gerenciamento de Resíduos Têxteis, (SINGERTEX) no Brasil, complementar à PNRS, (Lei 12.305/2010), foca na gestão de resíduos têxteis pré-

-consumo, (sobras industriais, como retalhos) e pós-consumo, (roupas usadas), com responsabilidade compartilhada entre fabricantes, importadores, distribuidores, varejistas e consumidores. Lembrando, o mercado de varejo de confecções no Brasil é dominado pelo formal organizado, mas o informal tem alta representatividade, especialmente em moda acessível e regional. Não há dados oficiais exatos (IBGE/IEMI focam formal), mas estimativas setoriais indicam:

Formal (grandes magazines): ~2535% das vendas (R$ 60-80 bi/ano em 2024).

Formal multimarcas, pequenas lojas: ~30-40%.

Informal: ~30-45%.

CAMINHOS

CONCRETOS PARA A CIRCULARIDADE

Caminhos começam a ser mapeados e apresentados. Uma iniciati-

va prática é o Guia de Reciclagem Têxtil (ABIT/ABVTEX, 2024). Lista 15+ empresas para desfibragem mecânica e também direciona com química para sintéticos, (pellets para serem utilizados em plásticos automotivos por exemplo). Fundamentais para que tudo isto seja viabilizado, são as plataformas digitais conectando oferta-demanda e os pontos de recolha de produtos, pensados para facilitar o descarte consciente pelo consumidor final. Com uma visão prática e realista, trago trechos de uma rica conversa, com o José Guilherme Teixeira da Cotton Move® (Plataforma Circular)

C.A.: Quais os maiores desafios para evoluirmos no gerenciamento de resíduos sólidos no têxtil?

J.G.T: "O pós-consumo é o grande gargalo da cadeia – logística reversa sem emissões extras ou custos exorbitantes, garantindo que as roupas prometidas voltem ao ciclo, sem greenwashing. Outros são a baixa escala e o design não

Aparas de jeans, (resíduo pré-consumo) e produto reciclado e reciclável

reciclável que leva a downcycling e impacta preço final. Mas existe um caminho para o payback que é em imagem e regulamentação.

C.A.: quais os benefícios a este processo?

J.G.T: Lançada em 2021, a plataforma iniciou com 100 pontos de coleta e hoje são mais de 900, nas 05 regiões do pais. Previsão é fecharmos 2026 ultrapassando os 1000 pontos. Temos ainda o aplicativo para geolocalizar devoluções, (varejo/consumidores), e possibilitamos transformar resíduos de algodão, com diversos percentuais de conteúdo reciclado e recicláveis. Nesta primeira fase, o foco é a fibra de algodão e algumas misturas. Numa segunda etapa vamos para o sintético.

C.A.: Quais os principais caminhos que viabilizam este projeto?

J.G.T: Precisamos regulamentar nossa cadeia e focar na ERP. Essa é a grande tendência pois temos

rais. Pequenas iniciativas ajudam, mas não resolvem. É necessário -

pacto, o desperdício. Fechar o ciclo, da fibra à fibra. Isto é jornada. Tecnologia ainda não está 100% resolvida. É longo prazo e requer muitos investimentos. A qualidade dos tecidos reciclados das fibras de algodão evoluiu muito nos últimos 5 anos. Continua a evoluir e aparecerão novas propostas de tecnologias com oportunidades de mercado. A própria Plataforma Circular é um exemplo deste processo. Começamos como uma empresa de P&D, desenvolvendo produtos e aplicando às empresas parceiras. Nascemos de uma demanda do varejo de moda, escalamos e nos tornamos uma plataforma de integração e soluções têxteis. E foi aí que os desafios começaram a aparecer. Nosso dia a dia é a reciclagem pré e

pós-consumo, com desafio para as outras fibras. O próximo foco são as sintéticas. Estamos no ponto de uma alternativa e em breve teremos prova de conceito com alguns players. Mas é uma coisa de cada vez. Não existe uma solução definitiva, uma fórmula certa.

C.A.: Interessante! Pode trazer para o leitor mais exemplos desta construção?

J.G.T: Nós mesmos, trabalhamos com o que temos e evoluímos. Estamos aprovados com nosso projeto dentro da Lei de Incentivo à Reciclagem. Além dos recursos de TI, equipamentos para micro e pequenas empresas, vamos qualificar e trazer para o eco sistema as cooperativas de catadores para que eles também participem. Acompanhamos o que acontece na Europa e Ásia, (hoje são os maiores recicladores), e com estas informações, adaptamos ao nosso mercado. Entendemos que a curto prazo vai existir uma regulamentação e temos que estar aptos a adequarmos à regulamentação da PNRS. Vamos também consolidar o sistema de rastreabilidade e certificação com um selo para produtos reciclados e recicláveis.

C.A.: Reciclado e Reciclável, o que difere?

J.G.T: Não podemos dizer que o produto reciclado é circular. Não significa que ele é reciclável em um novo ciclo de vida. Às vezes o reciclável pode custar muito e ainda causar o efeito rebote, mais dano ao meio ambiente. Melhor procurar uma destinação correta. Esta certificação/selo será o primeiro a tratar especificamente de temas de economia circular. Reciclados e Recicláveis Nacionais.

José Guilherme Teixeira Plataforma Circular - Cotton Move®

C.A.: Qual tecnologia irá garantir a rastreabilidade?

J.G.T: Registro em blockchain público, fazer o registro dos fluxos e transações, transparência. Banco de dados próprio. Sempre verificadas por um órgão acreditador. Novas versões e interação da Plataforma Circular vão ser lançadas.

C.A.: São muitas fábricas para reciclar estes materiais?

J.G.T: São 6 empresas de tecelagem plana e circular e 3 fiações. Conversamos com novas empresas para soluções dos sintéticos.

C.A.: Produtos reciclados são duráveis?

J.G.T: Se bem feitos, sim! Lembrem, em casa utilizamos químicos para limpeza das roupas, sabão em pó, amaciantes, etc, que agridem os tecidos. Desenvolvemos produtos para este ecossistema agressivo. Respeitamos os conceitos da monomaterialidade e da durabilidade. Com a premissa de que o produto possa retornar ao ciclo, (ser reciclável).

C.A.: Tecelagens podem participar?

J.G.T: Sim, devem!! Primeiro ponto é eles entenderem esta realidade e

depois fazer parte. O que diferencia as empresas de ponta é a Inovação. Estamos num momento de transição e quem se estruturar, irá se beneficiar, colher os frutos. O grandes Varejistas já trabalham com várias frentes há muitos anos e tem suas ações nos pilares da sustentabilidade. Fico feliz em fazer parte deste movimento.

C.A.: Muitas vezes o produto reciclado é mais caro que o não reciclado...

J.G.T: Sustentabilidade é argumento de venda e decisão de compra, mas tem que estar focado no pilar econômico. As etapas de logística e manufatura reversa também participam das etapas do ciclo produtivo convencional. A produção linear não soma ao produto os custos do impacto ambiental, então o que é caro? Depende do ponto de vista e responsabilidade.

C.A.: E o papel do consumidor?

J.G.T: Tem muita gente séria no Brasil, querendo fazer a coisa certa. A Plataforma Circular veio ajudar a transformar e realizar este movimento. Queremos mostrar para o consumidor é possível fazer as melhores escolhas. Já temos mais de 20.000 usuarios/consumidores

finais na Plataforma Circular Cotton Move®. Quem opta por descartar suas roupas, tem que saber que a peça poderá ser reciclada, doada para upcycling, ou servirá para gerar energia em locais devidamente homologados. Fazemos a destinação, oferecemos uma solução para o ciclo têxtil. Este é o grande movimento que grandes varejistas estão fazendo. Precisamos evidenciar esta empresas, passar a informação verdadeira para o consumidor com embasamento e acreditação. Para isto criamos um ecossistema com princípios de economia circular, onde rastreamos os processos e somos reconhecidos por órgão certificadores. A proposta também é educacional. Estamos levando a informação do que são atributos de sustentabilidade para que o consumidor faça a escolha certa. E, Por uma questão de escolha, optei por este caminho. José Guilherme Teixeira é fundador e líder da Cotton Move®, Plataforma Circular brasileira lançada em 2021, focada em reciclagem têxtil pré e pós-consumo. É especialista em economia circular, conectando varejo, consumidores e indústrias para fechar o ciclo de roupas usadas.

ÍNDIA 2030: O FUTURO DO VAREJO DE MODA

Aindústria da moda na Índia vive uma transformação que pode servir de referência para mercados têxteis em todo o mundo. Impulsionado pelo crescimento da renda, pela digitalização do consumo e por uma nova geração de consumidores mais exigentes, o varejo indiano caminha rapidamente para um modelo baseado em valor agregado, tecnologia e experiência, deixando para trás a lógica tradicional centrada apenas em preço.

Durante o Economic Times Global Indian Retail Summit (ETGIRS) 2026, especialistas e executivos apresentaram a visão do chamado “Guarda-Roupa Indiano 2030”, conceito que aponta para uma mudança significativa no comportamento de compra. O consumidor não busca apenas estética ou tendências de moda; ele exige produtos que ofereçam desempenho, conforto, funcionalidade e durabilidade.

Nesse cenário, ganha força a chamada “techno-fashion”, tendência que incorpora tecnologias têxteis ao vestuário cotidiano. Tecidos com gerenciamento de umidade, elasticidade multidirecional, acabamentos antimicrobianos e propriedades de conforto térmico já não são exclusividade das roupas esportivas. Camisas sociais, vestidos, peças casuais e até vestuário formal passam a

portantes para toda a cadeia têxtil. Ao enxergar a roupa como investimento e não apenas como consumo sazonal, o consumidor aceita pagar mais por produtos que entreguem benefícios concretos, favorecendo a expansão das categorias premium.

As projeções indicam que o segmento premium de vestuário deverá crescer cerca de 15% ao ano até 2030, impulsionado principalmente pelas cidades de médio porte. Mercados como Indore, Lucknow e Coimbatore já demonstram forte demanda por marcas diferenciadas e produtos de maior qualidade, reduzindo a distância entre os grandes centros urbanos e os chamados mercados emergentes internos.

Os números revelam uma mudança estrutural. Atualmente, os produtos de entrada representam aproximadamente 58% do mercado indiano de vestuário. Até 2030, essa participação deverá cair para 42%. Em contrapartida, o segmento médio-premium poderá atingir 38% do mercado, enquanto as categorias de luxo e luxo acessível avançarão para cerca de 20%.

Outra transformação ocorre na forma como os consumidores interagem com as marcas. A integração entre os canais físico e digital, conhecida como varejo “phygital”,

personalização de ofertas e sistemas RFID já começam a redefinir a experiência de compra no país.

Algumas empresas registram resultados expressivos. Uma grande marca indiana de moda masculina aumentou em 22% as vendas de sua linha formal após introduzir tecidos com elasticidade 4D. Em lojas equipadas com espelhos inteligentes e sistemas RFID, o valor médio das compras cresceu 18%, demonstrando que tecnologia e experiência podem gerar resultados superiores aos tradicionais programas de descontos.

Ao mesmo tempo, a sustentabilidade assume papel central. A crescente exigência por rastreabilidade, fibras recicladas, economia circular e práticas alinhadas aos critérios ESG leva fabricantes e varejistas a investir em cadeias produtivas mais transparentes e responsáveis.

Avaliado em cerca de US$ 800 bilhões, o mercado de varejo de moda da Índia se consolida como um dos mais dinâmicos do mundo. Para a indústria têxtil global, o país oferece um retrato do futuro: produtos mais tecnológicos, consumidores mais conscientes, experiências mais conectadas e uma crescente valorização da inovação como diferencial competitivo. Fonte: DFU Publications

SEMINÁRIO “CÂNHAMO TÊXTIL: CONSTRUINDO

O USO DA FIBRA NO CONTEXTO BRASILEIRO”

ESPECIALISTAS INTERNACIONAIS E NACIONAIS SE REUNIRAM EM SÃO PAULO PARA DISCUTIR POTENCIAL BILIONÁRIO DA FIBRA, ENQUANTO O PAÍS AINDA DEBATE REGULAMENTAÇÃO

Enquanto o mercado global do cânhamo têxtil se aproxima da marca de US$ 81,5 bilhões, o Brasil ainda caminha a passos lentos na regulamentação e estruturação de sua cadeia produtiva. Para conectar o país a essa vanguarda, o Instituto Fashion Revolution Brasil e a Fibershed Brasil promoveram o seminário “Cânhamo Têxtil: construindo o uso da fibra no contexto brasileiro”. O evento inédito, realizado no CIVI-CO, em São Paulo, reuniu especialistas nacionais e internacionais para debater ciência, inovação e os desafios da produção nacional. Com mediação de Eduarda Bastian, fundadora e diretora executiva da Fibershed Brasil, a programação trouxe perspectivas que vão desde a botânica e o cultivo até as tecnologias construtivas e o resgate de saberes tradicionais. A pesquisadora sueca Git Skoglund, mestre em história e tecnologia têxtil, apresentou um mergulho nas culturas de jardim

biocompósitos à base de cânhamo, mostrando o potencial da fibra para além do vestuário, em soluções construtivas de carbono negativo.

Pela perspectiva brasileira, o engenheiro agrônomo Sérgio Rocha, primeiro pesquisador autorizado a cultivar Cannabis no país e fundador da ADWA Cannabis, trouxe dados concretos sobre o zoneamento agroclimático e a caracterização agronômica da espécie em território nacional. Sua apresentação evidenciou que o Brasil reúne condições edafoclimáticas favoráveis, mas ainda carece de um marco regulatório claro para o cultivo industrial.

O debate reforçou que, atualmente, o Brasil depende quase exclusivamente da importação da fibra, majoritariamente da China, para abastecer marcas que já utilizam o cânhamo, arcando com custos logísticos elevados e perdendo a oportunidade de desenvolver uma cadeia produtiva local robusta. De acordo com

Para Fernanda Simon, diretora executiva do Instituto Fashion Revolution Brasil, o encontro marca um momento decisivo. “Enquanto o mercado global do cânhamo cresce em ritmo acelerado, o Brasil ainda enfrenta legislações atrasadas. Reconhecer o cânhamo como matéria-prima estratégica é fundamental para avançarmos na sustentabilidade do setor têxtil no país.”

O seminário foi realizado com apoio institucional do Instituto Ficus e do CIVI-CO, e integra a programação de Indústrias Criativas do Governo do Estado de São Paulo, por meio do programa SP Cult. A gravação do evento estará disponível em breve nos canais do Instituto Fashion Revolution Brasil e da Fibershed Brasil.

SOBRE OS ORGANIZADORES:

O Instituto Fashion Revolution Brasil é parte de um movimento global que

Fonte Fashion Revolution Brazil

DO IMPROVISO À ESTRUTURA: COMO A MOMO

AMBIENTAL EXPÕE O VAZIO DA RECICLAGEM

TÊXTIL

NO BRASIL

Ahistória da Momo Ambiental começa a partir de uma inquietação. Foi desse incômodo que Mayumi Ishikawa passou a questionar o destino dos resíduos gerados pela indústria têxtil, uma cadeia que historicamente se preocupou mais em produzir do que em lidar com o que sobra. Sem referências consolidadas no Brasil e sem um modelo de negócio definido, a operação começou de forma improvisada, com coleta em fábricas e triagem manual feita em casa pela família. O que existia naquele momento era menos uma empresa e mais uma tentativa prática de resolver um problema negligenciado.

Ao longo dos últimos oito anos, o crescimento da Momo acompanhou a escala desse problema. Com o aumento da produção e da velocidade do consumo, o volume de descarte também cresceu, pressionando marcas e indústrias a buscarem alternativas para seus resíduos. Hoje, a empresa recebe entre 60 e 150 toneladas de materiais por semana, vindos de diferentes regiões do país, consolidando-se como uma das poucas estruturas capazes de lidar com esse volume de forma organizada.

Mesmo assim, esse avanço acontece em um cenário marcado pela ausência de políticas públicas e pela fiscalização insuficiente. Grande parte dos resíduos têxteis ainda tem como destino final aterros sa-

nitários ou descartes inadequados, já que descartar incorretamente continua sendo mais simples e barato do que estruturar processos de reaproveitamento. Sem incentivos e regulamentações mais rígidas, iniciativas como a Momo acabam operando de forma quase isolada.

Dentro da operação, a triagem continua sendo uma etapa essencialmente manual. A separação dos tecidos acontece a partir da identificação de características físicas como textura, peso e temperatura, já que as tecnologias disponíveis ainda não conseguem lidar com a complexidade desses materiais em larga escala. É a partir desse processo que a Momo se posiciona não apenas como recicladora, mas como gestora de resíduos têxteis, criando fluxos capazes de dar destino adequado a diferentes materiais.

O modelo funciona a partir da lógica do aterro zero, em que todos os resíduos precisam ser reaproveitados. Tecidos naturais podem ser transformados em enchimentos ou encaminhados para desfibramento, enquanto materiais sintéticos passam por reciclagem mecânica e retornam para a cadeia produtiva. Quando a reciclagem direta não é possível, principalmente em tecidos de composição mista, os materiais são adaptados para outras aplicações, ampliando o ciclo de vida do resíduo.

Esse trabalho também se estende para o impacto social. A empresa mantém uma rede com artesãos,

imigrantes, refugiados e pessoas em situação de vulnerabilidade que participam dos processos de triagem e transformação dos resíduos. Os materiais que antes seriam descartados passam a ser utilizados na produção de tapetes, bolsas e outros itens, criando uma cadeia de geração de renda a partir do reaproveitamento.

Paralelamente, a Momo investe em pesquisa e desenvolvimento em parceria com instituições como a Universidade Federal do ABC, buscando ampliar as possibilidades de reciclagem de materiais hoje considerados inviáveis.

Ao longo de sua trajetória, a Momo se consolidou como uma resposta prática para um problema estrutural da indústria da moda. Ao mesmo tempo, sua existência também evidencia os limites de um modelo que ainda depende mais de esforço individual do que de um sistema consolidado. Como resume Mayumi Ishikawa, “já pensei em desistir, mas o propósito é maior”.

UNIFORMES DA COPA DO MUNDO

"MODA,

TECNOLOGIA E IDENTIDADE: OS UNIFORMES QUE RESPIRAM BRASIL"

Fotos: Nike divulgação

UNIFORME TITULAR

A nova camisa titular da Seleção Brasileira celebra as raízes do futebol nacional com uma releitura moderna da identidade do país. Inspirada na bandeira, a estampa gráfica em malha tecnológica transforma o símbolo em uma textura viva que veste e respira junto com os jogadores.

Os icônicos amarelo, verde e azul ganham movimento e intensidade, reforçando a identidade inconfundível do Brasil.

O modelo estreia a tecnologia Aero-FIT, que garante maior respirabilidade e resfriamento em partidas de alta intensidade. Produzido com 100% de resíduos têxteis, o tecido premium é leve e ventilado, mantendo os atletas secos e confortáveis.

“Quando você vê a Amarelinha, você sabe que é o Brasil”, afirma a designer brasileira Rachel Denti, que participou da criação.

UNIFORME

ALTERNATIVO

O uniforme alternativo traz ousadia e estilo, com cores vibrantes que evocam a força dos predadores mais rápidos da natureza brasileira. Inspirado em estampas marcantes e na icônica textura da Jordan

Brand, o design une duas culturas de excelência em uma expressão única dentro de campo.

Assim como um alerta visual da fauna tropical, o uniforme alternativo transmite intensidade e confiança. A tecnologia Nike Aero-FIT garante máxima ventilação e elasticidade, mantendo o corpo fresco mesmo sob temperaturas elevadas.

Mais do que um uniforme, é uma declaração de poder e identidade — o Brasil em sua forma mais vibrante e intimidadora.

ENTRE O FAZER MANUAL E A ESCALA

PRODUTIVA

COMO MARCAS CONTEMPORÂNEAS PODEM ENCONTRAR DIFERENTES CAMINHOS PARA AMPLIAR PROCESSOS ARTESANAIS EM ESCALA SEM ABRIR MÃO DE IDENTIDADE, TERRITÓRIO E NARRATIVA

Em meio à velocidade de reprodução das tendências e à crescente repetição estética presente na moda contemporânea, cresce também o desejo por produtos com identidade, história e percepção de exclusividade. Num cenário em que referências visuais circulam de forma cada vez mais

acelerada, a busca por diferenciação volta a ocupar um espaço central dentro do consumo de moda, retomando um dos princípios mais antigos desse mercado: o desejo de pertencimento, expressão individual e construção de identidade através do vestir. Nesse contexto, técnicas artesanais e processos manuais passam a ganhar ainda mais relevância como elementos de valor simbólico dentro do desenvolvimento de produto. Termos como handmade se tornam cada vez mais presentes para definir peças que carregam

na natureza de Itacaré

percepção de autoria, processo e construção narrativa. Crochês, bordados, rendas, pinturas e tingimentos manuais passam a ocupar um espaço de destaque justamente por carregarem marcas visíveis do fazer manual, trazendo singularidade a produtos inseridos em um mercado massificado.

O artesanal passa então, a comunicar repertório cultural, território, identidade e intenção criativa. Em muitos casos, o consumidor que busca conexão simbólica e emocional, não adquire apenas o produto final, mas também a narrativa construída ao redor dele: os processos, os saberes envolvidos, as referências culturais e a sensação de exclusividade atribuída a peças que carregam traços me -

Andressa Barbosa (Consultora no Instituto Senai de Tecnologia – SENAI Têxtil e Moda)
Marca Zoé Cores da Natureza – Foto extraída do instagram da marca (@zoecoresdanaturez) peça com tingimento natural inspirada
Marca Priscilla Silva – Foto extraída de revista Marie Claire FEV/ 2023Look feito a mão com técnicas de crochê e macramê pela marca Priscilla Silva

nos padronizados.

Essa valorização também pode ser percebida no crescimento de iniciativas voltadas ao fortalecimento de marcas autorais e pequenos criadores. Programas como o CRIE Moda Autoral, realizado em parceria entre Sebrae e Senai, surgem justamente com o objetivo de fomentar projetos que trabalham identidade criativa, processos manuais e construção de marca a partir de repertórios culturais e autorais.

Entre os participantes do projeto, destacam-se marcas que exploram diferentes abordagens do fazer artesanal, como o uso de rendas manuais aliado a práticas de zero

Marca Don Johrdam – Foto extraída do instagram da marca (@donjohrdam) peça em renda desfilada na DW! Semana de Design edição 2026

waste, na marca Don Johrdam; os tingimentos botânicos da Zoé Cores da Natureza; e os macramês, crochês e técnicas inspiradas em saberes indígenas e tradicionais desenvolvidos por Priscilla Silva.

O DESAFIO DA AMPLIAÇÃO PRODUTIVA

Embora o artesanal ocupe hoje um espaço cada vez mais valorizado dentro da moda contemporânea, existe também um desafio importante quando essas produções passam a dialogar com mercados mais amplos: a escala produtiva.

Grande parte das técnicas manuais

Marca FOZ – Foto extraída do site da marca (www.ateliefoz.com.br) –Peça Kaftan Rosana Estampa Cardume

envolve processos demorados, mão de obra especializada, limitações de repetição e uma capacidade produtiva naturalmente mais reduzida. Em muitos casos, é justamente esse tempo do fazer, associado à presença humana e ao processo, que atribui valor às peças.

À medida que marcas crescem, ampliam seus canais de venda e passam a atender demandas mais robustas, surgem desafios relacionados à viabilidade produtiva, prazos, padronização e capacidade de distribuição. Nesse contexto, diferentes estratégias surgem como forma de ampliar e reinterpretar linguagens artesanais através de

Marca PatBO – Foto extraída de revista Marie Claire – Peça desfilada em NYFW 2023 desenvolvida em parceria com Tasci Bordados

soluções produtivas, tecnológicas e organizacionais, criando modelos híbridos capazes de aproximar artesanal, tecnologia e escala sem necessariamente descaracterizar os processos criativos e simbólicos que lhes atribuem valor.

Um desses exemplos é a marca alagoana FOZ, do estilista Antonio Castro, conhecida pelo diálogo entre moda, território e valorização de saberes locais. Na estampa “Cardume”, trabalhada anteriormente em 2021 e agora reeditada em 2026, a marca partiu de uma pintura manual desenvolvida por artistas populares da região de Barra de Santo Antônio (AL), retratando espécies de peixes pre-

sentes entre águas doces e salgadas da região. Posteriormente, o elemento visual foi reinterpretado em parceria com a artista Juline Lobão e transformado em um rapport aplicada por meio de estamparia digital sobre algodão. Nesse caso, a escala acontece através da ampliação da linguagem visual do trabalho manual, preservando sua identidade artística e territorial.

Outro exemplo é a PatBO, marca fundada pela estilista Patricia Bonaldi e reconhecida há mais de duas décadas pelo forte trabalho com bordados e técnicas manuais aplicadas à moda festa e ao segmento de luxo. Ao longo de seu processo de expansão e internacionalização, a marca passou a dialogar com estruturas produtivas mais complexas e parcerias técnicas capazes de atender demandas maiores sem abrir mão de sua identidade artesanal. Colaborações com empresas especializadas em desenvolvimento de superfície e beneficiamentos têxteis, como a Tasci Bordados, evidenciam um modelo híbrido onde bases produzidas com suporte tecnológico convivem com aplicações e acabamentos manuais.

Já a marca cearense Catarina Mina apresenta uma lógica diferente de ampliação produtiva. Reconhecida pelo trabalho com comunidades artesãs e pela valorização da transparência produtiva — sendo uma das primeiras marcas brasileiras a trabalhar com custos abertos, a empresa desenvolveu um modelo baseado em descentralização e produção em rede. Em parceria com dezenas de comunidades distribuídas pelo Ceará, envolvendo centenas de mulheres em proces-

sos manuais ligados ao crochê, renda e outras técnicas tradicionais, a marca amplia sua capacidade produtiva mantendo o trabalho manual como elemento central do processo. Isso mostra que a escala também pode acontecer através de organização, rastreabilidade e valorização da autoria artesanal.

DIFERENTES

CAMINHOS

PARA AMPLIAR O ARTESANAL

Mais do que apontar uma única solução para ampliar produções artesanais, os diferentes exemplos evidenciam que não existe um modelo fixo quando o assunto é escala dentro da moda contemporânea. Enquanto algumas marcas encontram caminhos através da tecnologia e do desenvolvimento híbrido de superfícies, outras apostam em redes descentralizadas, valorização territorial e fortalecimento de comunidades artesãs. Em comum, está a tentativa de preservar os elementos simbólicos, culturais e identitários que atribuem valor ao fazer manual.

Nesse cenário, o artesanal deixa de funcionar apenas como técnica e passa a ocupar um espaço cada vez mais estratégico dentro do desenvolvimento de produto, atuando como linguagem visual, construção narrativa e diferencial competitivo. A tecnologia e os novos modelos produtivos passam a atuar como ferramentas de ampliação, continuidade e preservação dessas narrativas, mostrando que manual e industrial não precisam ocupar lados opostos, mas podem coexistir de maneiras diversas dentro da moda contemporânea.

Marca Catarina Mina – Foto extraída do site do SPFW desfilada na semana de moda de 2025

A MODA FEITA À MÃO

OArtesanal Fashion Day 2026 confirmou o crescimento da moda artesanal no Brasil ao reunir criatividade, diversidade e consumo consciente em uma experiência que conectou criadores, marcas e público. Realizado em 11 de abril, no MIS Experience, em São Paulo, o evento teve ingressos esgotados e recebeu cerca de 1.200 visitantes, entre profissionais da moda, artesãos, estilistas, influenciadores e entusiastas do universo handmade.

Um dos destaques foi o desfile que reuniu 94 criadores de diferentes regiões do país. As coleções apresentaram técnicas como crochê, macramê, bordado, pintura artística e trabalhos em papel, demonstrando como o fazer manual vem

ganhando novas interpretações dentro do design contemporâneo.

Além da diversidade criativa, a passarela trouxe representatividade ao incluir modelos plus size, 60+, e pessoas com deficiência (PCD), reforçando uma visão mais inclusiva e plural da moda.

O alcance nacional do projeto também chamou atenção. Para participar do evento, mais de 8 mil artesãos se inscreveram no processo seletivo, evidenciando o fortalecimento do movimento artesanal e o interesse crescente em ampliar espaço dentro do mercado de moda.

A programação contou ainda com uma área de ativação de marcas, aproximando empresas e público por meio de lançamentos, demons-

trações e experiências voltadas ao universo criativo.

Outro momento relevante foi o talk de Dudu Bertholini sobre slow fashion, abordando temas como consumo consciente, valorização do feito à mão e processos mais humanos de criação.

Com direção artística e apresentação de Peter Paiva, e organização da AssessoArte em parceria com Elvis Rodrigues, o evento consolidou sua proposta de fortalecer o artesanato como expressão criativa e oportunidade de negócios.

Após o sucesso desta edição, a organização já prepara o Artesanal Fashion Day 2027, ampliando o protagonismo da moda artesanal no cenário nacional.

EMPRESAS TÊXTEIS E DE VESTUÁRIO UTILIZAM

IA PARA GANHAR EFICIÊNCIA EM DESIGN, MANUFATURA E DISTRIBUIÇÃO

Empresas dos setores têxtil e de vestuário estão utilizando inteligência artificial (IA) para gerar ganhos de eficiência em design, manufatura e distribuição, de acordo com um relatório de 13 páginas intitulado “Artificial intelligence (AI) in the textile and apparel supply chain”, da empresa global de informação de negócios Textiles Intelligence. Como resultado, a cadeia de valor têxtil e de vestuário está sendo remodelada e se tornando cada vez mais orientada por dados, mais responsiva e mais disciplinada em relação ao desperdício.

No design, por exemplo, os ganhos de eficiência são ampliados ao conectar a IA a dados históricos de sell-through (vendas efetivas), permitindo decisões de desenvolvimento de produtos baseadas em evidências do que realmente tem desempenho no mercado. Na manufatura, a IA ajuda a melhorar a estabilidade dos processos, reduzir defeitos e antecipar problemas antes que resultem em paradas de produção. Na distribuição, a IA pode beneficiar o planejamento logístico por meio de roteirização, consolidação de cargas, gestão por exceção e monitoramento de riscos, além de recomendar rotas alternativas ou ajustes nas prioridades de produção.

No entanto, as maiores eficiências em todas essas três etapas da cadeia de valor só serão alcançadas quando a IA for tratada como uma

capacidade conectada, e não como um conjunto de ferramentas isoladas. Atualmente, isso ainda não é amplamente uma realidade.

Isso ocorre, em parte, porque a cadeia têxtil e de vestuário é altamente fragmentada, com diferentes incentivos econômicos em cada etapa. Por exemplo, uma fiação que otimiza a utilização de suas máquinas não se beneficia automaticamente de uma marca que busca reduzir o risco de remarcações, mesmo que ambas estejam comercialmente ligadas.

Há também uma dimensão cultural. A integração entre etapas em um único sistema exige um grau de transparência que algumas organizações consideram desconfortável. Por exemplo, equipes de design podem resistir a restrições baseadas em dados fabris, fabricantes podem hesitar em expor ineficiências, e equipes comerciais podem desconfiar de previsões que acreditam ser influenciadas por limitações de produção.

A verdadeira integração exige não apenas tecnologia, mas também uma mudança em direção a objetivos compartilhados e a disposição de aceitar compensações em nível sistêmico, em vez de otimizações locais. Apesar dessas limitações, a trajetória é clara, já que as organizações não podem mais arcar com as ineficiências da superprodução, do excesso crônico de oferta ou das constantes remarcações. Além

disso, um sistema único e integrado, conectando design, manufatura e distribuição de ponta a ponta, é estrategicamente atraente e tecnicamente viável.

O que existe hoje pode ser melhor descrito como uma série de ilhas conectadas, em vez de um único continente. No entanto, à medida que os incentivos se alinham e as bases de dados se fortalecem, essas ilhas tendem a se consolidar ao longo do tempo. Quando isso acontecer, a IA deixará de ser uma tecnologia em destaque para se tornar uma infraestrutura invisível, garantindo silenciosamente que decisões tomadas em uma extremidade da cadeia de valor — seja no mercado de têxteis para vestuário ou no de têxteis para o lar — estejam fundamentadas na realidade da outra extremidade.

O relatório “Artificial intelligence (AI) in the textile and apparel supply chain” está disponível para compra junto à Textiles Intelligence, visite: https://bit.ly/4bBEpsC.

Fonte: Textiles Inteligence UK

DELTA MÁQUINAS TÊXTEIS ENTREGA A

PRIMEIRA RAMA 100% PRODUZIDA NO BRASIL

TECNOLOGIA MARCA UM NOVO CAPÍTULO DA ENGENHARIA NACIONAL E REFORÇA AVANÇO DA INDÚSTRIA TÊXTIL EM DIREÇÃO À AUTOMAÇÃO E À INDÚSTRIA 4.0

Aindústria têxtil brasileira ganha um novo marco com o lançamento da primeira

RAMA desenvolvida e fabricada integralmente no país pela Delta Máquinas Têxteis, de Pomerode (SC). A máquina foi apresentada no dia 7 de maio, durante o Delta Innovation Day, especialmente organizado para marcar a entrega da RAMA para a Textilfio Malhas, de Jaraguá do Sul (SC).

Considerada um divisor de águas para o mercado nacional, a solução chega para atender as etapas de preparação e acabamento de malhas e tecidos planos. Com estrutura de grande porte, que pode ultrapassar 50 metros de comprimento e operar com tecidos de até 3,2 metros de largura, a RAMA integra várias etapas do processo têxtil em uma única linha contínua. Entre elas estão a impregnação química, o alinhamento da estrutura do tecido, a secagem e a termofixação — operações que passam a acontecer de forma sincronizada, com velocidade de produção que pode chegar a 60 metros por minuto.

Equipada com tecnologia aplicada ao processo e integração de dados, a solução foi desenvolvida para atuar como um sistema central dentro da planta industrial, aumentando a previsibilidade da produção. O projeto também envolve consultoria pré-vendas focada na realidade de cada cliente, além de assistência técnica local e disponibilidade de peças.

“A RAMA é resultado de um trabalho consistente de engenharia e de entendimento profundo do processo têxtil. Ao desenvolver uma solução desse porte no Brasil, conseguimos atender melhor as necessidades da indústria local, reduzir a dependência de tecnologia externa e dar mais agilidade às empresas. É um avanço que impacta diretamente a produtividade, a qualidade e a capacidade de competir em um mercado cada vez mais exigente”, afirma Fábio Kreutzfeld, CEO da Delta.

Entre os principais ganhos estão a melhoria na qualidade final dos tecidos, maior controle produtivo, redução de desperdícios de matéria-prima e economia de energia — aspectos cada vez mais relevantes em um cenário de pressão por custos e necessidade de ganho de escala com eficiência.

Além disso, a máquina incorpora conceitos da Indústria 4.0, com in-

tegração de dados e automação de processos, permitindo maior previsibilidade e controle da operação. O projeto também contempla requisitos de segurança e ergonomia, alinhados à norma brasileira NR 12, e foi desenvolvido com foco em baixo custo de manutenção e alta disponibilidade operacional.

Para a Textilfio Malhas, a aquisição da RAMA está alinhada ao movimento de modernização e fortalecimento da operação. A expectativa é elevar o padrão de qualidade dos produtos, aumentar a produtividade e garantir maior controle sobre os processos industriais. “A chegada da RAMA representa um avanço importante para a nossa produção. Estamos investindo em tecnologia para evoluir em eficiência e consistência, com mais segurança nos resultados e capacidade de atender um mercado cada vez mais exigente”, destaca. Valdir Conti, diretor da Textilfio Malhas.

FUTUREPRINT 2026

PRINCIPAL FEIRA DA AMÉRICA LATINA AMPLIA PRESENÇA DE LED, CRESCE EM IMPRESSÃO 3D E ACONTECE NO DISTRITO ANHEMBI

AFuturePrint 2026 chega para mais uma edição, consolidada como o principal ponto de encontro da indústria de comunicação visual, serigrafia, sublimação e impressão digital na América Latina. O evento acontece de 14 a 17 de julho, de terça a sexta-feira, das 13h às 20h, no Distrito Anhembi, em São Paulo. Uma mudança importante em relação aos anos anteriores, já que a feira costumava acontecer de quarta à sábado. A entrada é gratuita e o acesso é dedicado para profissionais e empreendedores do setor.

Para esta edição, a previsão é reunir mais de 600 marcas expositoras e mais de 45 mil visitantes, vindos de todas as regiões do Brasil e diversas partes do mundo. O evento mantém-se como um ambiente estratégico para a geração de negócios, lançamento de tecnologias, disseminação de conhecimento e fortalecimento das conexões entre profissionais e empresas do setor.

As atrações tradicionais, como o Serigrafia Em Ação, Sublimação Em Ação, Circuito De Impressão Digital Têxtil, Talks FutureTêxtil, Fachada Makers, Fórum FuturePrint e Sala de Crédito permanecem, preservando a base que fez da feira a grande referência do mercado atual, mas novas frentes alinhadas às transformações da indústria chamam a atenção para 2026. O principal destaque será o fortalecimento da área de LED e comunicação digital, que

ganha ainda mais relevância na programação, com área dedicada e conteúdo ao longo dos quatro dias, trazendo nomes influentes do mercado que apresentarão soluções e perspectivas que prometem mexer com a comunicação visual nos próximos anos.

“Estamos acompanhando uma mudança clara cada vez mais conectada ao digital e à experiência.

A ampliação da área de LED reflete esse movimento e posiciona a FuturePrint como um espaço essencial para quem busca inovação e atualização constante”, afirma Yeda Monteiro, gerente de negócios da FuturePrint.

Outra frente em expansão é a impressão 3D, que amplia sua presença com o aumento no número de expositores e maior visibilidade, reforçando seu papel como uma das principais tendências do setor.

Como novidade, o FAB LAB LIVRE SP, projeto da Prefeitura de São Paulo, também estará presente no evento e a iniciativa reforça o compromisso da FuturePrint com a inovação, a educação e a democratização do acesso à tecnologia.

“A FuturePrint tem um forte compromisso com o desenvolvimento responsável do mercado na sua essência, quando surgimos há mais de 35 anos. E tudo que fazemos e acrescentamos à feira ao longo tempo é sempre pensando nesse compromisso.” destaca Yeda.

Inscrições no site: www.feirafutureprint.com.br

Fonte: Tudo em Pauta

A INDÚSTRIA TÊXTIL MUDOU. O JEITO DE CONTRATAR TAMBÉM PRECISA MUDAR

EM UM SETOR PRESSIONADO POR PRODUTIVIDADE, QUALIDADE, PRAZOS E CUSTOS, O RECRUTAMENTO DEIXOU DE SER APENAS UMA ROTINA DE RH E PASSOU A INFLUENCIAR DIRETAMENTE A COMPETITIVIDADE DO NEGÓCIO.

Aindústria têxtil brasileira vive uma transformação importante. Fala-se muito sobre modernização de máquinas, automação, rastreabilidade, sustentabilidade e dados. Mas existe uma frente que ainda recebe menos atenção: a forma como as empresas atraem, selecionam e contratam profissionais.

Em uma indústria intensiva em mão de obra, conhecimento técnico, rotina operacional e capacidade de adaptação, contratar bem deixou de ser uma atividade administrativa. Tornou-se parte da engrenagem da competitividade. Uma vaga em aberto pode significar máquina subutilizada, equipe sobrecarregada, turno incompleto, prazo sob risco ou perda diária de produtividade.

Da mesma forma, uma contratação malfeita não afeta apenas o clima da equipe ou o indicador de turnover. Ela pode gerar retrabalho, queda de qualidade, absenteísmo, aumento de custos, perda de ritmo produtivo e necessidade de reabrir a vaga em pouco tempo. Por isso, se a indústria têxtil mudou, o jeito de contratar também precisa mudar.

A OPERAÇÃO EVOLUIU. O RECRUTAMENTO

PRECISA ACOMPANHAR

Empresas investiram em sistemas de gestão, equipamentos moder-

nos, controle de produção, indicadores, canais digitais de venda e novas formas de relacionamento com clientes e fornecedores. Ainda assim, em muitas organizações, o recrutamento continua baseado em práticas pouco estruturadas: divulgação manual de vagas, descrições genéricas, triagem apenas por currículo, ausência de critérios claros, comunicação fragmentada com candidatos e baixa visibilidade sobre gargalos.

Esse contraste é difícil de sustentar.

A operação avança, mas a contratação permanece lenta, pouco previsível e dependente de esforços individuais. Algumas funções exigem experiência específica, disciplina, disponibilidade, conhecimento técnico e aderência à cultura da empresa. Ao mesmo tempo, profissionais comparam oportunidades, benefícios,

ambiente, reputação e clareza das informações antes de se candidatar.

Contratar deixou de ser apenas “abrir uma vaga e esperar candidatos aparecerem”. A atração passou a exigir linguagem adequada, canais corretos, agilidade e capacidade de decisão.

O CANDIDATO TAMBÉM MUDOU

Durante muito tempo, a empresa ocupava uma posição quase absoluta de escolha. O candidato se adaptava ao processo, aguardava retorno e aceitava longos períodos sem comunicação. Hoje, essa dinâmica mudou.

Mesmo em posições operacionais, o candidato está mais conectado. Ele procura vagas pelo celular, recebe indicações, compara oportunidades e avalia distância, benefícios, Imagem:

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Por Vanessa San Jorge

estabilidade, ambiente e reputação. Muitas vezes, a decisão de participar ou não de um processo acontece em poucos segundos, a partir da forma como a vaga é apresentada.

A vaga é o primeiro contato concreto entre empresa e candidato. Ela transmite mais do que requisitos. Transmite cultura, organização, respeito, clareza e profissionalismo. Quando a comunicação é confusa, o processo começa com ruído. Quando é bem construída, aumenta a chance de atrair pessoas mais aderentes.

DIGITALIZAR É ESTRUTURAR MELHOR A CONTRATAÇÃO

Divulgar vagas em sites, redes sociais ou aplicativos é um passo importante, mas insuficiente. Digitalizar de fato significa criar um fluxo estruturado, conectando atração, triagem, comunicação, avaliação e tomada de decisão.

Na prática, isso envolve ampliar canais de atração, melhorar a triagem, padronizar critérios, automatizar comunicações, registrar pareceres e gerar dados para gestão. Sem indicadores, a empresa sabe que tem dificuldade para contratar, mas nem sempre entende onde está o problema. Falta candidato? A vaga está mal divulgada? O salário está desalinhado? O gestor demora? Os candidatos desistem no meio do processo?

Dados ajudam a transformar percepção em gestão, identificar gargalos, comparar canais, medir tempo de fechamento e ajustar processos com mais precisão. A inteligência artificial pode ser uma aliada nesse movimento. Não como substituta do olhar humano, mas como apoio para processos mais

organizados, ágeis e consistentes. A IA pode ajudar a analisar candidaturas, identificar aderência entre vaga e candidato, cruzar critérios técnicos e comportamentais e reduzir parte do trabalho operacional. Assim, RH e gestores dedicam mais energia ao que exige análise humana: entrevistas, contexto, motivação, potencial e decisão final.

UMA PAUTA DE NEGÓCIO, NÃO APENAS DE RH

O tempo para preencher uma vaga costuma ser acompanhado como indicador de RH. Mas, na prática, seu impacto é operacional. Quando uma posição fica aberta por muito tempo, alguém precisa compensar a ausência. A equipe assume tarefas extras, o gestor se envolve mais na execução, o ritmo pode cair, horas extras podem aumentar e a qualidade pode oscilar.

Contratar melhor, portanto, deixou de ser uma questão de preencher posições. É reduzir desperdícios, proteger a produtividade, melhorar a previsibilidade e sustentar a capacidade de crescimento.

Parte do turnover também começa antes da admissão. Quando o processo seletivo não avalia bem a aderência entre candidato, função, rotina, cultura e expectativas, a chance de desligamento precoce aumenta. Por isso, aquisição e retenção de profissionais precisam ser vistas de forma conectada. Uma contratação bem estruturada não garante permanência, mas aumenta a probabilidade de alinhamento.

Modernizar o recrutamento também não é responsabilidade ex-

clusiva do RH. Gestores têm papel decisivo na definição do perfil, validação dos critérios, análise dos candidatos e velocidade da decisão. Recrutamento não pode ser visto como uma demanda que o gestor terceiriza ao RH. Ele é uma decisão compartilhada que afeta diretamente a performance da área.

CONTRATAR MELHOR É COMPETIR MELHOR

A indústria têxtil não compete apenas por preço, qualidade, design, inovação ou capacidade produtiva. Ela também compete por pessoas. Sem profissionais adequados, máquinas modernas não atingem seu potencial. Sem equipes completas, a produção perde ritmo. Sem liderança preparada, a operação sofre. Sem contratação eficiente, o crescimento fica limitado.

Assim como a indústria revisa processos produtivos para eliminar desperdícios, também precisa revisar seus processos de contratação. Há desperdício quando bons candidatos são perdidos por demora, quando a vaga atrai pessoas desalinhadas por falta de clareza, quando o gestor entrevista sem critério definido ou quando uma contratação errada leva a um desligamento precoce.

A transformação digital da indústria não estará completa se não chegar também ao modo como as empresas contratam. A indústria têxtil não será mais competitiva apenas por produzir melhor, vender melhor ou comprar melhor. Ela também precisará contratar melhor. Porque, por trás de toda operação eficiente, existe uma decisão essencial: colocar as pessoas certas nos lugares certos, no tempo certo.

PAULA RAIA COLEÇÃO “TRANSE” E CÁPSULA

EM DENIM COM LENZING E CANATIBA

Aestilista Paula Raia apresentou sua coleção de inverno 2026, intitulada Transe, em desfile realizado na Galeria Pivô, no Edifício Copan, em São Paulo.

Na passarela, a construção da coleção, aparece em superfícies e padronagens que evocam interiores e memória, com xadrezes e texturas que remetem a revestimentos têxteis, tapeçarias e camadas visuais reinterpretadas sob uma linguagem sofisticada e contemporânea.

Ao longo da coleção, a convivên cia entre leveza e estrutura con duz a leitura das peças, combi nando materiais delicados com construções mais densas e crian do uma presença que equilibra fluidez e consistência.

MATÉRIA, CONSTRUÇÃO E DESENVOLVIMENTO TÊXTIL

A base da coleção está na cons trução a partir da matéria, com uma combinação de tecidos e su perfícies que estruturam o produto desde a origem. Seda e lã apare cem ao lado de tricôs e rendas, enquanto tecidos felpudos e o jeans introduzem densidade à composição, com aplicações pon tuais de couro ampliando a varia ção de textura.

O contraste entre leveza e peso se mantém como eixo da coleção,

as silhuetas seguem essa construção, com volumes amplos, calças largas, casacos com estrutura próxima a roupões e sobreposições que reforçam conforto e movimento. Vestidos transparentes e modelagens mais soltas ampliam a fluidez, mantendo a coerência entre forma e matéria.

A combinação de estampas e a integração de peças de naturezas distintas, incluindo elementos mais casuais, reforçam essa leitu -

Por Daniela Marx

para maior maciez, leveza e fluidez, ampliando o comportamento tra dicional do jeans e permitindo sua integração com rendas, tules e teci dos mais leves.

O denim se insere na proposta de contraste de texturas sem romper a continuidade estética, acompanhando a lógica de construção da coleção. A cápsula sinaliza um avanço no desenvolvimento do jeans, orientado por performance têxtil e adaptação a diferentes linguagens de produto dentro da moda contemporânea. A presença do denim desenvolvido com Canatiba e Lenzing reforça o papel do desenvolvimento têxtil como parte estrutural do produto, evidenciando a integração entre

SENAI CETIQT: TRADIÇÃO, INOVAÇÃO E FORMAÇÃO

PARA A INDÚSTRIA TÊXTIL DO FUTURO

Há mais de sete décadas, o SENAI CETIQT tem cons truído uma trajetória que acompanha de perto as transfor mações das indústrias têxtil, quími ca e de confecção no Brasil. Locali zada no Rio de Janeiro, a instituição atua como um dos principais polos de formação e desenvolvimento tecnológico voltados ao setor, co nectando educação, pesquisa apli cada e soluções industriais.

Ao longo dessa trajetória, a sua atuação reúne desde graduação e pós-graduação, além de cursos de extensão e soluções educacionais personalizadas para empresas, que dialogam diretamente com atuais demandas da cadeia têxtil. Essa abordagem contribui para a formação de profissionais capazes de atuar em um cenário cada vez mais dinâmico e tecnológico.

Paralelamente à formação profissional, o SENAI CETIQT atua

como um ecossistema para o desenvolvimento industrial do país. Por meio de serviços metrológicos, consultorias especializadas, estudos e pesquisas aplicadas, a instituição apoia empresas no desenvolvimento de novos produtos, na otimização de processos, incorporação de novas tecnologias e na implementação de projetos e programas voltados à gestão da sustentabilidade.

Essa atuação se estende também a áreas de alta complexidade tec-

nológica, como o setor de defesa, no qual o SENAI CETIQT, homologado como Empresa Estratégica de Defesa (EED), desenvolve, valida e aperfeiçoa soluções voltadas ao uso militar e de segurança, como uniformes, equipamentos e materiais de proteção para operações táticas, destinados principalmente às Forças Armadas.

O resultado é o apoio direto à indústria em temas centrais para a cadeia têxtil e de confecção, como o desenvolvimento e aprimoramento de materiais, sustentabilidade e economia circular, ganhos de eficiência produtiva, incorporação de tecnologias digitais e soluções associadas à Indústria 4.0.

Com tradição, o SENAI CETIQT mantém-se na vanguarda ao integrar educação, pesquisa aplicada e serviços tecnológicos, fortalecendo a indústria têxtil com inovação, eficiência produtiva e práticas mais sustentáveis. Dessa forma, contribui para a formação de profissionais qualificados e para uma indústria mais inovadora, conectada e preparada para os desafios do futuro.

RIO DE JANEIRO: O PALCO NATURAL DA MODA

BRASILEIRA

ORio de Janeiro nunca foi apenas uma coordenada geográfica, mas sim, um lugar reconhecido globalmente por sua estética de valor inestimável. Quando o mundo olha para o Brasil em busca de autenticidade, ele encontra nas calçadas de pedras portuguesas e no horizonte recortado entre o mar e a montanha uma linguagem visual que nenhuma outra metrópole no mundo consegue replicar.

Nesse contexto, sediar grandes movimentos de moda na "Cidade Maravilhosa" não é apenas uma escolha logística; é o reconhecimento de que o Rio é, e sempre foi, o epicentro de um soft power que dita o ritmo do desejo global.

Historicamente, o Rio ocupou o posto de capital não apenas política, mas de estilo e comportamento. Por décadas, a cidade funcionou como o laboratório de tendências do país, onde o rigor da alfaiataria do antigo Distrito Federal encontrou o frescor solar do lifestyle à beira-mar.

Essa herança de "local que dita tendências" evoluiu, mas nunca perdeu sua força. Hoje, o Brasil é visto pelo mercado externo como o lugar onde a "vibe" é genuína, onde o luxo se despe de formalidades e ganha uma pulsação urbana vibrante. Esse magnetismo é o que explica por que gigantes globais têm escolhido o Rio de Janeiro como cenário e alma de suas campanhas de produto. Marcas como Oakley e Jordan Brand mergulham na cultura urbana carioca para conectar

performance ao asfalto, enquanto a Cult Gaia e a Saint’s Studio utilizam a luz única da cidade para emoldu rar um design que exala sol.

Até mesmo nomes do alto luxo e da perfumaria de nicho, como Rabanne e Byredo, vieram ao Rio para captu rar essa modernidade sensorial. O que essas marcas buscam aqui é o "jeitinho carioca": aquela estética que parece espontânea, despreten siosa e irresistivelmente cool.

Mais do que o cenário, essas campa nhas importam a nossa sonoridade e atitude. O funk brasileiro, nascido nas comunidades cariocas, deixou de ser um gênero local para se tornar a trilha sonora do luxo internacional, conferindo um ar de rebeldia e van guarda às produções globais.

Ao unir a batida do funk à estética das fotos feitas no Rio, essas mar cas validam o poder de exportação da nossa cultura de rua, transfor mando o cotidiano carioca em um objeto de desejo aspiracional em Paris, Nova York ou Tóquio.

Para que esse potencial criativo e esse olhar estrangeiro se traduzam em uma indústria robusta, a cidade conta com um pilar fundamental: o SENAI CETIQT. Como a maior referência em cursos de moda e tecnologia, a instituição é o elo que une a inspiração orgânica das ruas ao rigor técnico necessário para o mercado de moda local e global.

as ferramentas para liderar esse diálogo com as marcas internacionais.

É o lugar onde a história do Rio de Janeiro como capital da moda se renova através da inovação, garantindo que o talento nacional tenha

Sediar eventos de moda de grande relevância é, portanto, a evolução natural para uma cidade que já é o estúdio criativo do mundo. O Rio de Janeiro continua a provar que sua maior riqueza não é apenas a paisagem, mas a capacidade de transformar sua cultura, seu som e seu jeito de ser na tendência mais relevante do agora.

O RETORNO DO RIO

Cheguei ao RioFW com a sensação estranha de quem deu a volta ao mundo (literalmente!) e retornou ao mesmo lugar. Quase dezesseis anos após meu último Fashion Rio, eis que retorno às semanas de moda mainstream com um olhar completamen

te diferente do passado. Lembrei da menina de vinte e poucos anos, ansiosa para aprender e participar de tudo, para quem não existiam nãos ou barreiras que não pudesse transpor para chegar onde queria. Ela ainda me habita, mas de um jeito diferente. Ela aprendeu a ob

servar onde o discurso e a prática se encontram e onde ainda existe alguma distância entre os dois.

E foi exatamente isso que o evento me devolveu. Não de forma perfeita ou completa. Mas com uma certa consistência de narrativa que, pela primeira vez em muito tempo, parece ter propósito além da passarela. O Rio Fashion Week nasceu com objetivos declarados: demonstrar que a moda brasileira gera impacto financeiro capaz de influenciar políticas públicas em prol da categoria, recolocar o Rio de Janeiro no calendário de moda nacional e abrir caminhos concretos para a internacionalização das marcas, com a presença de compradores internacionais. São ambições grandes para uma primeira edição. E, pelo que vi, o evento plantou sementes para sustentar esses diálogos.

Blue man
Lenny

Dentro da ótica de sustentabilidade e cultura, esses foram alguns dos principais pontos de convergência entre as marcas, o que nos informa sobre o que a moda brasileira prioriza no momento:

TRANSMISSÃO GERACIONAL

Isabela e Chica Capeto. Patricia e Andrea Viera. Osklen e os filhos de Oskar. Argalji e o avô alfaiate. Lenny e Bel Niemeyer. Lucas Leão e a família de alfaiate e costureira. É o padrão mais recorrente do evento inteiro. Num evento de estreia, as marcas sentiram necessidade de mostrar raízes antes de mostrar novidade. Mas talvez seja mais do que um simples gesto de legitimação. Num mundo onde tudo é possível e nada é garantido, buscar origem virou propósito. O bastão sendo passado de geração em geração não é nostalgia. É resposta.

A ESTÉTICA COMO VEÍCULO DA SUSTENTABILIDADE

Aluf, Normando, Helô Rocha e Angela Brito mostram que é possível ter uma proposta têxtil responsável sem abrir mão de uma linguagem visual forte. Tons terrosos, texturas densas, imperfeições preservadas e materiais com história aparecem como escolhas estéticas coerentes, não como concessão. Quando sustentabilidade e desejo coexistem na mesma peça, a conversa com o consumidor muda.

TERRITÓRIO E ARTESANATO

Normando traz o látex amazônico com contexto histórico do ciclo da

Dendezeiro

borracha. Blue Man percorre os 11 mil quilômetros de costa. MISCI usa a Sapucaí como argumento conceitual. Angela Brito traduz o Rio em paleta. Lucas Leão parte das casas de alfaiataria cariocas do século XX. Patricia Viera mapeia a cidade em mosaicos, Burle Marx e Mangueira.

O trabalho manual aparece em quase todas as coleções, mas as marcas que se destacam são as que localizam esse trabalho geograficamente. Handred cita o ateliê SSSopro no interior do Rio. Helô Rocha nomeia Timbaúba dos Batistas, no Rio Grande do Norte, a partir da co-

envolvidos na coleção. Patricia Vie ra quantifica as 300 horas de bordado executadas pela Vivaz em Minas Gerais. Quando o artesanato tem CEP, ele deixa de ser argumento de marketing e começa a ser dado concreto de cadeia produtiva.

LONGEVIDADE COMO POSTURA TÉCNICA

Helô Rocha é a proposta mais radical nesse ponto: tecidos de segunda mão com imperfeições preservadas, metais reciclados em acessórios. Aluf trabalha lon -

Helô Rocha

gevidade têxtil como critério de criação. Lenny Niemeyer revisita o próprio arquivo com peças renovadas. Normando e Angela Brito usam materiais carregados de histórias. São abordagens diferentes, mas convergem para uma ideia de que a roupa precisa ter relação com o tempo, seja através da durabilidade, da origem ou da memória do material.

A PERIFERIA E A CULTURA POPULAR

COMO NARRATIVA

CENTRAL

Dendezeiro, MISCI e Adidas Originals trouxeram cultura ballroom, carnaval das escolas de samba e estética periférica urbana como eixo criativo com colaboradores vindos dessas cenas. Não são referências filtradas para um consumidor de nicho. É uma mudança de

postura em relação ao calendário nacional de doze anos atrás, e o Rio Fashion Week parece ter dado espaço deliberado para isso.

MATERIAIS E SUSTENTABILIDADE

Látex, Karoline Vitto com a Kalimo, Angela Brito com o tingimento natural. Outras ficam no genérico "fibras naturais" sem aprofundar cadeia, origem ou impacto. O artesanato foi reconhecido pela identidade e valor histórico, o território foi, de certa forma, valorizado, mas o contexto econômico de quem produz não está totalmente claro na maioria das marcas. O evento ainda não tem um discurso unificado sobre o tema, o que não é exatamente esperado em um evento mainstream. Mas é a lacuna mais visível para quem lê moda pela ótica da sus tentabilidade.

Blue man Hisha
Apartamento 03
Osklen
Helô Rocha

Adidas Originals, a única marca internacional, entrou na passarela com o Megaride, tênis dos anos 2000 reposicionado como eixo narrativo do desfile. A direção criativa ficou com Rafaela Pinah, do Coolhunter Favela, escritório de pesquisa etnográfica com base na periferia brasileira. O styling partiu de referências do futebol de rua e da estética urbana periférica, com as camisas da Copa do Mundo 2026.

Aluf apresentou "Diálogos sobre o Tempo" priorizando algodão, lã e couro em substituição a sintéticos, com estreia do tricô rústico na coleção. A passarela contrapôs alfaiataria estruturada a vestidos fluidos em tons terrosos. A colaboração com a Otília trouxe acessórios em cerâmica e metais de formas orgânicas. A proposta se alinha ao slow fashion e à longevidade têxtil como critérios de criação, não apenas de comunicação.

Angela Brito apresentou a coleção "Entropia", que foi construída com colaboração direta de oito artesãos e incorpora materiais como madeira descartada, sementes naturais, crochê em palha com tingimento natural, trançados em couro e estruturas em arame. A paleta percorre cinzas, azuis, marrons e amarelo manteiga. Os tecidos vieram de tecelagens nacionais como Vicunha Jeans Identity e Santista Jeanswear, com novos apoiadores como Teray, Textilfio e Aradefe.

Na Apartamento 03, Luiz Cláudio Silva partiu da obra de Clarice Lispector, especificamente da personagem Macabéa, para construir uma coleção que traduz essa referência literária em escolhas materiais: rendas costuradas manualmente peça a peça, cestaria de plumagem, moulage, cetins e camisolas em camadas. Os fornecedores têxteis nacionais incluem Texprima, Kalimo e G.Vallone.

Argalji: Monique Argalji é costureira e modelista antes de ser diretora criativa, e esse percurso aparece nas escolhas da coleção: espuma e renda, materiais da confecção de lingerie, reaparecem em silhuetas escultóricas de volumes marcantes, fora do contexto original. A parceria com a Duloren, marca fundada pelo avô de Monique, um alfaiate libanês que iniciou produção têxtil na Rua da Alfândega no Rio de Janeiro, integra o desfile.

A Blue Man, fundada em 1972, apresentou "Rota 72", percurso afetivo pelos quase 11 mil quilômetros de costa brasileira, da região Norte ao Nordeste. O biquíni de lacinho divide espaço com bermudas, sungas, camisetes e shortinhos em estampas caleidoscópicas, fotográficas e geométricas, combinadas a bordados e denim.

A Dendezeiro, liderada por Hisan Silva e Pedro Batalha, apresentou "House of Dendezeiro" com curadoria de Lunna Montty, figura da cena ballroom de Salvador. A coleção incorpora couro e látex pela primeira vez nas criações da dupla, em silhuetas mais expostas do que nas edições anteriores. A alfaiataria permanece como base estrutural, em combinação com streetwear. Entre as colaborações, a designer Ligia Morris, o artista Saturno e a marca Bossa Brasil.

A Handred de André Namitala apresentou "Akáshica" com desfile ao vivo da Companhia de Ópera da Lapa, regida pelo maestro do Theatro Municipal. Os materiais da coleção incluem couro, tafetás, shantungs, lã, veludo e algodão, com bordados manuais e cerâmicas pintadas à mão. As aplicações cerâmicas foram desenvolvidas em parceria com o ateliê SSSopro.

Helô Rocha manteve a estética onírica pela qual a marca é conhecida, com vestidos de babado, corsets, longos fluidos e shapes sereia, mas a novidade da coleção está nos materiais. Os tecidos são de segunda mão, com manchas, rasgos e desgastes preservados, e receberam bordados desenvolvidos por artesãs de Timbaúba dos Batistas, no Rio Grande do Norte, em parceria com o Instituto Riachuelo. Sedas, organzas e tafetás dividem espaço com toalhas de mesa antigas e lençóis fora de uso. Os acessórios são feitos de metais reciclados, colheres, garfos e cristais reaproveitados em cintos, colares e um top.

HISHA estreou nas passarelas com "Doura", coleção assinada por Giovanna Resende que dá continuidade ao universo iniciado em "Barroca", apresentada no Carnaval. O desfile foi aberto por um vídeo documental com depoimentos das bordadeiras de São João del-Rei, cidade de origem da marca. A coleção mantém uma rede de artesãs mineiras para a execução dos bordados manuais e expande o repertório para calçados e acessórios, com parcerias com Gutê e Le Borô.

Isabela Capeto apresentou "Dracena", a primeira coleção assinada em co-direção criativa por Isabela Capeto e sua filha Chica Capeto. A paleta trabalha fúcsia, vermelho e amarelo cevada. Flores, folhagens e insetos aparecem como fragmentos de composições têxteis, enquanto xadrezes e blocos de cor articulam geometria e elementos orgânicos.

Karoline Vitto apresentou "Sunburn", a primeira apresentação da designer no Brasil, depois de construir a marca entre Londres e o país. A coleção reúne cinco anos de trabalho, com malhas desenvolvidas em parceria com a Kalimo que combinam toque amanteigado e modelagem form-fitting para corpos curvilíneos.

Lenny Niemeyer encerrou o Rio Fashion Week no átrio do Museu do Amanhã com um desfile que funcionou como retrospectiva de 35 anos de marca. As peças reuniram modelos do acervo revisitados, e quem acompanha a Lenny há tempo reconhecia a origem de cada maiô, os amarrados do jardim japonês, as capas do MAC em Niterói, as texturas do Palácio Gustavo Capanema. Isabeli Fontana, Raica Oliveira e Fernanda Tavares desfilaram.

Lucas Leão apresentou uma coleção de alfaiataria com referência nas casas de costura cariocas das primeiras décadas do século XX, trajetória natural para um estilista criado entre um pai alfaiate e uma mãe costureira. Blazers, calças e vestidos com ombros marcados, riscas de giz e comprimentos variados, em paleta de cinza, bege e roxo, compõem um guarda-roupa construído com precisão de modelagem e sem ornamentação excessiva. Plumagens aparecem pontualmente.

MISCI se tornou a primeira marca de moda a desfilar na Marquês de Sapucaí. A coleção "Escapismo Tropical" foi construída com participação da carnavalesca Annik Salmon e do figurinista e carnavalesco Bruno Oliveira no processo criativo. A bateria da Beija-Flor de Nilópolis, com 80 ritmistas, 2 mestres de bateria e 2 diretores, tocou ao vivo durante o desfile. A passarela foi azul, evocando o mar. Blazers e ternos reinterpretam a alfaiataria das escolas de samba com novas proporções e materiais.

A Normando apresentou "Natureza Morta" com 35 looks em lã, seda, algodão pima, liocel e látex amazônico. Os objetos indígenas amazônicos, como o matapi, o tambatajá, a cuia e as folhas do açaizeiro, aparecem como referências formais nas peças. O látex, especificamente, é tratado dentro do contexto histórico do ciclo da borracha na Amazônia. A marca tem origem na região e é dirigida por Marco Normando e Emídio Contente.

Osklen abriu o Rio Fashion Week no Palácio da Cidade com a coleção Primavera-Verão 26/27.

O desfile cruzou peças do arquivo da marca, de coleções entre 2007 e 2014, com peças novas, e incorpora pela primeira vez a co-criação dos filhos de Oskar Metsavaht ao processo. Em tecidos, fibras naturais como linho, seda, algodão, ráfia e juta aparecem ao lado de sintéticos como tule e neoprene. Os acessórios incluem bolsas em pirarucu e ráfia com flores artesanais e macramê.

Patricia Viera fez a coleção de inverno com o Rio de Janeiro como eixo visual: mosaicos, a Igreja da Penha, os traços de Roberto Burle Marx e as cores da Mangueira entram na cartela. A direção criativa é compartilhada com Andrea Viera Baptista, filha de Patricia, desde 2025. A renda bordada presente na coleção exigiu mais de 300 horas de trabalho artesanal, executada pela Vivaz, ateliê de Minas Gerais. A artista visual Klaucia Badaró pintou paisagens cariocas à mão sobre couro. O processo inclui bordado, crochê, renda e laser work.

Pool x PIET apresentou a primeira colaboração com a Riachuelo, tendo o futebol como referência cultural urbana. A coleção reúne camisetas de algodão agroecológico com inspiração vintage, conjuntos de nylon, polos e intervenções gráficas. Aplicações em relevo e textura aparecem como elemento de acabamento.

A Salinas apresentou coleção sob direção de Adriana Bozon, utilizando bases de seda, linho, tricot de couro e fibras naturais. A proposta integrou crochê das Artesãs do Caparaó e acessórios em palha de tucumã da associação Aarta. A edição também marcou o lançamento da linha fitness, desenvolvida em tecidos tecnológicos de alta performance com estampas de fauna nacional, em parceria com o Instituto Vida Livre.

COLOMBIAMODA MIAMI REFORÇA A FORÇA

DA MODA LATINA E AMPLIA OPORTUNIDADES

PARA MARCAS BRASILEIRAS

AColombiamoda Miami 2026 consolidou-se como uma das mais importantes plataformas de internacionalização da moda latino-americana nos Estados Unidos. Realizada em Wynwood, distrito criativo que se tornou símbolo da conexão entre arte, inovação e negócios em Miami, a iniciativa da Inexmoda reuniu marcas, compradores, investidores, influenciadores e profissionais do setor em uma programação que integrou desfiles, networking, conteúdo e experiências de lifestyle

Inserida no calendário da Miami Swim Week, a plataforma reforçou o protagonismo de categorias nas quais a América Latina se destaca mundialmente, como swimwear, resortwear, beachwear, acessórios e moda autoral. O evento refletiu uma tendência cada vez mais evidente no varejo internacional: a busca por marcas com identidade, autenticidade e conexão cultural. Em vez de seguir apenas referências tradicionais do luxo europeu, consumidores e compradores procuram produtos que carreguem história, origem e propósito.

A Colômbia aproveitou esse cenário para apresentar o melhor de sua criatividade. Um dos destaques foi o desfile da Entreaguas, desenvolvido em parceria com a Prefeitura de Medellín. Sob o conceito “The Art of Colombia”, a coleção trouxe referências a paisagens icônicas do país, como Cartagena,

Caño Cristales, Cabo de la Vela e o Vale de Cocora, combinando artesanato, macramê, flores produzidas manualmente e técnicas ancestrais reinterpretadas de forma contemporânea. Outro momento importante foi o Colombiamoda Selection x Hatsu, que apresentou uma nova geração de marcas colombianas focadas em design autoral e expansão internacional.

Segundo a Inexmoda, a edição de 2026 reuniu 35 marcas colombianas, reforçando o crescimento da plataforma e o interesse do mercado norte-americano pela moda latino-americana. Mais do que uma feira, a Colombiamoda Miami tornou-se uma ponte estratégica entre a criatividade da região e um dos maiores mercados consumidores do mundo.

O Brasil também marcou presença nesse movimento de internacionalização. Com apoio do Texbrasil, programa desenvolvido pela Abit em parceria com a ApexBrasil, dezenas de empresas brasileiras participaram das ações comerciais realizadas durante a Miami Swim Week.

Entre os destaques estiveram marcas como Água de Coco, PatBO, Vix Paula Hermanny, Rio de Sol, Rygy, Guria Beachwear, Lybethras, Silvia Schaefer, Falésia Carioca, Jungle Society, Sinesia Karol, Catarina Mina, Melissa, Serpui e Waiwai, demonstrando a diversidade e a competitividade do design nacional.

A presença brasileira reforça uma tendência observada em toda a América Latina: a valorização de produtos que unem criatividade, sustentabilidade, design e identidade cultural. Em segmentos como moda praia e resortwear, Brasil e Colômbia vêm conquistando espaço crescente nos Estados Unidos, transformando suas referências culturais em diferenciais competitivos de alcance global.

Ao unir negócios, moda, cultura e estilo de vida, a Colombiamoda Miami 2026 demonstra que o futuro da moda latino-americana passa pela internacionalização, pela inovação e pela capacidade de traduzir a riqueza cultural da região em produtos desejados por consumidores de todo o mundo.

Fonte: Inex moda

O PRODUTO VOLTA A CONSTRUIR VALOR

Durante anos, grande parte da indústria da moda foi orientada por uma lógica de crescimento baseada em expansão, distribuição e visibilidade, mais lojas, mais coleções, mais campanhas, mais alcance; mas o mercado mudou.

Em um cenário onde todos comunicam, anunciam, produzem conteúdo e disputam atenção ao mesmo tempo, visibilidade deixou de ser diferencial competitivo.

E talvez seja justamente por isso que algumas das marcas mais desejadas do mundo estejam voltando sua atenção para algo que durante muito tempo ficou em segundo plano: a construção de valor. Não apenas valor comercial. Valor percebido.

Durante muito tempo, a moda mediu sucesso principalmente por vendas, produção e distribuição e esses indicadores continuam fundamentais, mas existe uma camada cada vez mais relevante que vai além daquilo que uma empresa produz fisicamente. Confiança, reconhecimento, preferência, relevância cultural, comunidade e desejo. Todos esses elementos são ativos invisíveis. E são justamente eles que ajudam a explicar por que algumas marcas conseguem construir valor muito acima daquilo que fabricam.

No mercado financeiro, essa capacidade de gerar valor para além dos ativos físicos está diretamente ligada ao conceito de equity . É o equity que ajuda a explicar por que determinadas empresas valem muito mais do que suas fábri -

cas, seus estoques ou sua capacidade produtiva.

Talvez seja por isso que o mercado atual esteja cada vez mais atento à diferença entre empresas que apenas geram receita e empresas que constroem patrimônio.

É nesse ponto que branding deixa de ser comunicação e passa a ser estratégia de negócio.

Porque branding, quando bem executado, não aumenta apenas vendas, aumenta equity e é também nesse ponto que o produto volta a ganhar protagonismo.

O denim oferece um excelente exemplo dessa transformação. Depois de anos dominados pela estética clean, pelo quiet luxury e pela padronização visual das redes sociais, o jeans voltou a ocupar espaço central em coleções internacionais. Mas não como tendência passageira.

O que retorna não é apenas o denim, retorna tudo aquilo que ele representa: autenticidade, memória, textura, individualidade, imperfeição e conexão cultural e a matéria-prima volta a comunicar valor.

Essa mudança tem impacto direto sobre toda a cadeia têxtil.

Hoje, tecidos não respondem apenas a requisitos técnicos. Respondem a comportamento e identidade, conforto e performance. Não por acaso, plataformas como Denim City, Kingpins e os principais fóruns internacionais do setor têm ampliado as discussões sobre tecnologia, sustentabilidade, inovação e experiência do consumidor, maté-

ria-prima se torna parte da narrativa, assim o que é muito mais difícil de reproduzir é a percepção construída ao redor deles e talvez esteja justamente aí uma das discussões mais importantes para o futuro da moda.

Em uma indústria que durante décadas foi medida principalmente por aquilo que produzia, as marcas mais valiosas do mundo mostram que o verdadeiro diferencial está na capacidade de transformar matéria-prima, produto e criatividade em significado.

Porque é o significado que constrói desejo.

O desejo constrói preferência.

A preferência fortalece a marca.

E marcas fortes ampliam equity

Em um mercado cada vez mais competitivo, essa talvez seja a diferença entre empresas que apenas produzem e empresas que conseguem construir patrimônio.

“A

ORIGEM É ARTE, O RESTO É ECO”

LINO VILLAVENTURA: CRIAR É SER ETERNO,

COPIAR É SER SOMBRA”

Lino Villaventura une a geometria complexa da natureza ao DNA dramático e artesanal de seu repertório criativo. Lino explora a repetição de padrões que se desdobram infinitamente, traduzindo o caos organizado através de texturas táteis e formas escultóricas.

“GÊNESE

INFINITA E O CAOS EM REPETIÇÃO”

Na Coleção de Outono / Inverno 2027 cada detalhe da peça contém a essência do todo, onde, sob a ótica de Villaventura o fractal deixa de ser uma fórmula mate -

Por Laura Yamane, Fotos by @leonardoaraujx

mática para se tornar uma manifestação orgânica e visceral. Assim como na teoria dos fractais, a coleção apresenta padrões que se repetem em diferentes escalas, criando uma silhueta que parece estar em constante transformação. O foco onde pequenas nervuras manuais emulam as grandes estruturas dos vestidos, evocando um sentimento de teatralidade e mistério.

As icônicas nervuras de Lino não são apenas decorativas; elas se ramificam como nervuras de folhas ou cristais de gelo, criando volumes que desafiam a geome -

tria convencional e um Patchwork Multidimensional onde a sobreposição de tecidos como jacquards e sedas metálicas forma um mosaico onde as emendas são propositais, simulando a complexidade de um sistema fractal natural.

No aguardado desfile do dia no espaço Casa Conceito no Jardins em São Paulo, Lino Villaventura reafirma sua posição como criador absoluto — aquele que inventa, enquanto alguns apenas copiam. Sua obra transcende moda e se afirma como arte viva, marcada pela originalidade visceral que desafia padrões e inaugura caminhos.

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