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Revista Têxtil 798

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PREVIEW

CAPA

Revista Têxtil #798 I 01


PREVIEW

ANUNCIO

02 I Revista Têxtil #798


EDITORIAL 95 ANOS DE HISTÓRIA E NOVOS CAMINHOS PARA O TÊXTIL A REVISTA TÊXTIL é uma publicação da

R. da Silva Haydu & Cia. Ltda. Inscr. Est.: 104.888.210.114 CNPJ/MF: 60.941.143/0001-20 MTB: 0065072/SP

Editor Chefe: Frederico Haydu Diretor de redação: Ricardo Gomes Designer: Frederico Haydu Diagramação: Enzo Fortunato Comercial: Frederico Haydu Digital: Frederico Haydu, Daniela Marx, Henrique Pereira e Enzo Fortunato Capa e quarta capa: Fotografia: Graziella Fraccaroli Assistente de fotografia: Miguel Castaño Direção criativa: Rita Comparato e Dudu Bertholini Beleza: Paulo Schettini e Bruno Cardoso Cenografia: Kleber Matheus Arte: Carlos Viera Colaboradores: Daniela Marx, Sarah Caldas, Clarissa Magalhaes, Vanessa San Jorge, Bruno Leonard, Carla Angelini, SENAI-SP textil e moda, SENAI-CETIQT RJ e IEMI. Agradecimentos: Daniela Marx, Dudu Bertholini, Marta De Divitiis, Lucius Vilar, Antonio Monge, Paulo Rivelli, Danila Salvatore, Filipe Vopli Sarah Caldas, Guia Jeanswear, Carlos Vieira e a Reachr, Henrique Pereira, Carlos Tartaglioni, Carolina Mesquita, Bruno Leonard, Ricardo Gomes, Lea T, SINDITEC, ABIT, Denim City, ABTT e grupo FCEM. Representantes Comerciais comercial@revistatextil.com.br • America Latina: Carola Gonzalez Okuingthon +55 62 981509035 • Índia: Amarjeet Singh Gianni | Diljeet Singh Advertising Representatives as_gianni@yahoo.co.in/ +91 98390 35458 • Argentina: Ecodesul + (541) 49-2154 • Estados Unidos: Daniella Ambrogi +(1) 640-1840 Redação/Administração São Paulo/SP - Brasil Tel/Phone: +55 11 995952104 E-mail: revistatextil@revistatextil.com.br Site: www.revistatextil.com.br Instagram: @revistatextil Publicação bimestral com circulação dirigida às fiações, tecelagens, malharias, beneficiadoras, confecções nacionais e internacionais, universidades e escolas técnicas. Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem, necessariamente, a filosofia da revista. A reprodução total ou parcial dos artigos desta revista depende de prévia autorização da Editora. Redação Releases, comentários sobre o conteúdo editorial, sugestões e críticas a matérias. Pedidos de informação relacionados às matérias e à localização de reportagens: revistatextil@revistatextil.com.br Publicidade Anuncie na REVISTA TÊXTIL e fale diretamente com o público leitor mais qualificado do setor têxtil no Brasil e no mundo: revistatextil@revistatextil.com.br comercial@ revistatextil.com.br

Depois de mais de cinco décadas à frente da Revista Têxtil, Sr. Ricardo Haydu me deixa o lugar no editorial que recebo com alegria, saudades e dedicacao. Celebramos 95 anos informando a indústria têxtil,, assumo a missão de dar continuidade a esse legado com alegria, mas também consciente das provações e dos desafios de uma jornada custosa. Diante deles, digo: fico! Fazer uma revista hoje é um enorme desafio. Entretanto, reencontrar minhas raízes no emaranhado desse universo me tira do lugar de conforto e me revela mil possibilidades de criação, responsabilidade, relações e descobertas. É onde encontro a arte do têxtil, a força da indústria brasileira, nossa brasilidade e as conexões com o mundo. Seguimos buscando novas maneiras de comunicar o setor, valorizando a responsabilidade social e as relações humanas, que precisam evoluir junto às máquinas e aos processos produtivos. E, graças a Deus, a sustentabilidade ganha cada vez mais espaço, como necessidade urgente em um mundo que clama por dias melhores. Vamos juntos repensar a produção e encontrar caminhos de adaptação para uma revolução que também é têxtil. Nesta edição, encerramos outubro com o alerta para a prevenção do câncer de mama. Conscientização, cuidado e atenção são fundamentais. A trajetória inspiradora da estilista Rita Comparato, nossa capa, nos convida a refletir sobre a travessia, cura , textil, moda e prevencao. A globalização, o intercâmbio de tecnologias, a inovação e os novos modelos de produção também estão presentes, assim como as contribuições de instituições de excelência, como o SENAI Brás e o SENAI CETIQT, que, por meio de seus professores, enriquecem nossas páginas com conhecimento e reflexões relevantes para toda a cadeia. Dedico esta edição a Ricardo e Vivi Haydu, inspirações permanentes em cada página. Com eles aprendi a cultivar o amor e a credibilidade pelo têxtil, oferecendo oportunidades, novos pontos de vista e perspectivas de prosperidade para o nosso setor. Que estes 95 anos sejam não apenas motivo de celebração, mas também impulso para o futuro. Com memória, coragem e vontade de cocriar, seguimos juntos, tecendo novas possibilidades. Uma ótima leitura a todos! Frederico Haydu, Editor chefe da Revista Textil


SUMÁRIO ABIT - O BRASIL QUE PRODUZ E CONSOME

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SINDITEC

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MULHERES DE FIBRA: PROF. TITA

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CONGRESSO INTERNACIONAL DA ABIT

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RECICLAGEM E ESCALA COMERCIAL

16

VDMA

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MISSÃO EMPRESARIAL ITALIANA

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HEIMTEXTIL - PREVIEW

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ITMF: PESQUISA GLOBAL

30

FEBRATEX

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CAMINHADA ROSA DO BEM

44

CAPA: RITA COMPARATO

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ROMPENDO O SILÊNCIO DO CÂNCER DE MAMA

54

PREMIÈRE VISION PARIS

58

IMPRESSÃO DIGITAL TÊXTIL

64

SENAI - SP: FOTOTIPAGEM VIRTUAL

68

26

18

58

04 I Revista Têxtil #798

10

46 54

32 64


SUMÁRIO MATERIAS INOVADORES

72

NOSSAS ROUPAS NOSSAS ESCOLHAS

78

SENAI CETIQT RJ

82

TRANSIÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO

84

ROTA DA COSTURA: CAMPO BELO - MG

86

SANTISTA, REPREVE E GRANDE PARCERIA

88

DENIM CITY SL13

90

COUNTRY: LANÇAMENTOS CANATIBA

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DOD, TENCEL™ E CANATIBA

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SÃO PAULO FASHION WEEK

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SOU DE ALGODÃO CELEBRA 100 ANOS

102

96 102

COLABORADORES: Clarissa Magalhães

Carla Angelini

Daniela Marx

Sarah Caldas

Vanessa San Jorge Braga

Bruno Leonard

Jornalista e consultora, atua com estratégia, bioeconomia e inovação para a transformação do setor têxtil. Pág. 72

Palestrante e mentora de negócios de moda e 20 anos de experiência no mercado de moda e varejo. Pág. 54

Sócia, Co-fundadora e COO REACHER Pág. 84

Engenheira têxtil e consultora em energia, com atuação em eficiência energética, geração distribuída fotovoltaica, armazenamento e transição energética no setor industrial. Pág. 78 e 86

Agente AVA e coordenadora do núcleo São Paulo da ABTT. Pág. 10 e 84

Representante de moda e eventos para a Revista Textil. Pág. 96

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HISTÓRIA

RICARDO E VIVI HAYDU UMA VIDA DEDICADA À MODA E AO TÊXTIL Durante os 53 anos em que estiveram casados, Ricardo e Vivi Haydu compartilharam uma trajetória dedicada à indústria têxtil e à moda, conectando pessoas, negócios e criatividade. Desde 1970, Ricardo esteve à frente da Revista Têxtil, sucedendo seu pai, o Prof. José Haydu, e dando continuidade à missão de informar e aproximar a indústria brasileira do mercado internacional, conectando empresas por meio do conteúdo e da publicidade. Vivi Haydu também construiu uma história pioneira. Chacrete e profissional da TV Tupi, atuou como mode-

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lo em campanhas e desfiles de marcas como Yves Saint Laurent e Levi’s. Nos anos 1980, criou a primeira agência de manequins e a Rivisa, pioneira na produção de desfiles de moda no Brasil. Na década seguinte, esteve à frente, por mais de dez anos, da Fenit, o maior evento de moda e têxtil que já existiu na América Latina, palco de encontros que foram de Vivienne Westwood ao Bom Retiro Fashion.

Vivi também dedicou 20 anos à edição da Revista Têxtil. Seu sonho era celebrar o centenário da publicação. Hoje, aos 95 anos, a revista carrega a essência dessa história e a inspiração de quem uniu moda e indústria, tradição e inovação. Ricardo e Vivi são a base inspiradora de nosso trabalho e deixam um legado vivo para as próximas gerações. Bora pro cem!


ABIT

O BRASIL QUE PRODUZ E O BRASIL QUE CONSOME

A

o escolher um produto, o consumidor compara preço, qualidade, conveniência e prazo de entrega. É natural que procure fazer o melhor uso de seu dinheiro, sobretudo quando o orçamento está apertado. Cabe às empresas conquistar sua preferência. Cabe ao poder público assegurar que essa disputa ocorra em condições equilibradas e contribua para o desenvolvimento do País. Há, porém, uma conexão que precisa ocupar mais espaço no debate: o consumidor também é trabalhador, empreendedor e contribuinte. Seu poder de compra depende da renda gerada por uma economia capaz de produzir, investir e oferecer oportunidades. Por isso, as decisões que ampliam o acesso ao consumo precisam ser avaliadas também por seus efeitos sobre a sustentação dessa renda. Uma fábrica reúne muito mais que máquinas e instalações. Nela se encontram conhecimento acumulado, profissionais qualificados, fornecedores, tecnologia e relações comerciais construídas ao longo de anos. Ao seu redor, movimentam-se transportadores, prestadores de serviços, centros de pesquisa e estabelecimentos comerciais. Essa rede ajuda a sustentar a vida econômica de cidades e regiões. Construir essa capacidade exige tempo, capital e persistência. Quando ela se perde, sua recuperação pode ser longa e difícil. Uma fábrica não se reconstrói com a mesma ve-

locidade de um clique. Essa reflexão é especialmente importante para uma cadeia como a têxtil e de confecção, que conecta a produção de fibras ao varejo, passando por fiação, tecelagem, malharia, beneficiamento e confecção. Em cada etapa há trabalho, investimento e decisões empresariais. A força desse conjunto está também nas conexões entre seus elos. O comércio internacional faz parte do desenvolvimento dessa cadeia. Importar amplia alternativas, permite acesso a insumos e tecnologias e estimula a concorrência. Exportar abre mercados e exige aprimoramento permanente. Uma integração bem construída oferece oportunidades em ambas as direções. Para que seus benefícios sejam duradouros, precisamos de igualdade tributária e regulatória concorrencial. Quem atende ao mesmo consumidor deve estar sujeito a obrigações equivalentes, com fiscalização efetiva. Diferenças de eficiência, inovação e qualidade devem decidir a disputa. Assimetrias no cumprimento das regras precisam ser corrigidas. A responsabilidade ambiental integra essa discussão. O compromisso com a sustentabilidade deve acompanhar o produto até o pós-consumo. Coleta, reaproveitamento e destinação de resíduos exigem organização e recursos. É necessário definir como todos os que colocam produtos no mercado brasileiro participarão dessas soluções, inclusive nas vendas internacionais diretas

Por Fernando Valente Pimentel diretor-superintendente e presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT)

ao consumidor. As empresas brasileiras, por sua vez, têm uma tarefa permanente: elevar produtividade, desenvolver produtos, qualificar pessoas e melhorar a gestão. A defesa da produção ganha consistência quando vem acompanhada do compromisso de inovar e atender melhor à sociedade. Esse esforço precisa encontrar um ambiente que permita transformar investimento em resultado. As políticas de crédito, comércio exterior, tributação, trabalho e meio ambiente devem ser avaliadas em conjunto. Medidas adotadas em uma área podem fortalecer ou comprometer os objetivos de outra. O País precisa dar coerência a essas escolhas. O Brasil tem espaço para ampliar seu consumo e sua capacidade produtiva. Aproximar esses dois objetivos exige reconhecer que o preço de uma compra e as condições de geração de renda fazem parte da mesma realidade econômica. Queremos que nossas fábricas continuem produzindo, inovando e criando oportunidades. Queremos que os jovens encontrem caminhos de qualificação e trabalho e que os consumidores tenham acesso a produtos melhores. O futuro que desejamos depende das condições que construímos hoje para que essas aspirações avancem juntas.

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SINDITEC

SINDITEC IMPULSIONA INOVAÇÃO, ECONOMIA CIRCULAR E VALORIZAÇÃO DO POLO TÊXTIL À FRENTE DA CPL TÊXTIL E DE CONFECÇÃO DE AMERICANA E REGIÃO, ENTIDADE ARTICULA PROJETOS QUE CONECTAM SUSTENTABILIDADE, TECNOLOGIA E COMPETITIVIDADE INDUSTRIAL

O

Sinditec atua na representação e no fortalecimento da indústria têxtil de Americana e região desde 1989. Com uma trajetória marcada pela defesa dos interesses empresariais, a entidade amplia sua atuação por meio de projetos que promovem inovação, sustentabilidade, qualificação e desenvolvimento econômico. Sob a presidência de Edison Tadeu Botasso, no mandato de 2026 a 2028, o Sinditec tem como uma de suas principais frentes de trabalho a gestão da Cadeia Produtiva Local (CPL) Têxtil e de Confecção de Americana e Região, reconhecida pelo Governo do Estado de São Paulo por meio do programa SP Produz. A iniciativa reúne empresas, instituições de ensino, entidades e poder público em torno de um objetivo comum: fortalecer a competitividade e o desenvolvimento da cadeia produtiva regional. Entre os projetos estratégicos está o de transição da cadeia têxtil para economia circular, que busca estimular o aproveitamento de resíduos têxteis, a redução de desperdícios e o desenvolvimento de soluções que permitam reinserir materiais no ciclo produtivo. O projeto vem sendo

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Presidente do Sinditec Edison Tadeu Botasso


SINDITEC realizado com fomento de R$ 500 mil por meio de edital do Programa SP Produz da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico. A proposta conecta sustentabilidade e oportunidades de negócios, incentivando práticas que agreguem valor à produção e contribuam para uma indústria mais eficiente, podendo chegar a uma certificação das empresas que têm boas práticas em economia circular. Outra iniciativa de destaque é o Inovatex, programa desenvolvido em parceria com o Sebrae, Senai e outras entidades, que aproxima principalmente micro e pequenas empresas de tecnologias, conhecimentos e soluções práticas. Com foco na

modernização dos processos e no fortalecimento da gestão, o programa estimula a inovação e prepara os empresários para os desafios do mercado. A valorização da origem e da identidade produtiva também integra essa agenda. O projeto de Indicação Geográfica (IG) do Polo Têxtil de Americana e Região, em parceria com o Sebrae, busca reconhecer a tradição, o conhecimento e a excelência da indústria local, com foco no tecido plano e denim. Além desses projetos, o Sinditec atua na defesa de pautas estratégicas, como a manutenção do crédito outorgado de ICMS no Estado de São Paulo e as medidas antidumping

para o fio de poliéster, e promove capacitações, encontros empresariais e ações de qualificação profissional, incluindo iniciativas de inteligência artificial e empreendedorismo. Ao conectar tradição e transformação, o Sinditec reafirma seu papel como articulador do desenvolvimento industrial. Mais do que preservar a história de um dos principais polos têxteis brasileiros, a entidade trabalha para construir um futuro em que inovação, sustentabilidade e valorização da produção regional caminhem juntas.

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MULHERES DE FIBRA

A Trajetória e as Lições da Professora Tita para a Indústria Têxtil

Por Sarah Caldas

ou melhor uma breve aula sobre sus tentabilidade.

Q

uando o assunto é a transição da cadeia têxtil brasileira rumo à sustentabilidade, à economia circular e à eficiência produtiva, o nome da Professora Dra. Francisca Dantas Mendes, carinhosamente conhecida no meio acadêmico e industrial como Professora Tita, é incontestável. Docente e pesquisadora da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), fundadora do Instituto Sustexmoda e do Núcleo de Pesquisa e Inovação em Sustentabilidade em Têxtil e Moda (NAPI Sustexmoda), a Professora Tita reúne na sua vivência: a prática do chão de fábrica e do ateliê aliada à rigorosa investigação científica da Engenharia de Produção. Temos uma breve entrevista,

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Revista Textil: Tita, como começou sua história no têxtil? Conta um pouco da sua trajetória? TITA: Minha jornada no universo do vestuário começou nos anos 1980. Eu já era casada e mãe de três filhas quando iniciei uma sociedade com minha irmã caçula para confeccionar trajes de balé. A exigência técnica da indumentária artística me fez dominar a modelagem e a construção de figurinos complexos. Nosso empreendimento cresceu e deu origem à marca Fantástica, que se expandiu para a locação de trajes de gala infanto-juvenis quando percebemos a escassez desse tipo de produto no mercado. Minha trajetória na iniciativa privada e no meio acadêmico mostrou que a graduação em Moda não era suficiente. Percebi que os processos produtivos e os meus conhecimentos históricos e formais poderiam ser expandidos por meio de programas de pós-graduação stricto sensu em Engenharia de Produção, com foco na melhoria da qualidade dos vestuários e de seus processos de fabricação. Essa fusão me permitiu unir a sensibilidade do design ao rigor técnico da engenharia para analisar estratégias de manufatura e aperfeiçoar os processos produtivos. RT: Em que momento os resíduos têxteis passaram a ocupar um lugar central e qual foi o primeiro desafio?

TITA: A partir de 2014, à frente do Instituto Sustexmoda e do NAPI Sustexmoda, comecei a coordenar projetos socioambientais que utilizam resíduos têxteis e roupas pré e pós-consumo como matéria-prima. O primeiro grande desafio foi usar esses descartes para capacitar populações em situação de vulnerabilidade, como pessoas em situação de rua, população trans e refugiados, transformando retalhos em produtos de design apurado. Isso deu um resultado que superou muito as minhas expectativas; o empoderamento das pessoas capacitadas pelos nossos cursos, que passaram a se organizar, confeccionar suas próprias peças e comercializá-las na vizinhança. Por outro lado, o principal obstáculo que impede a ampliação dessas iniciativas em escala industrial é a ausência de infraestrutura pública adequada, como a falta de um espaço cedido pela Prefeitura para receber grandes volumes de resíduos e realizar a triagem por tipo de fibra e tamanho das aparas. RT: Como poderíamos garantir que essas iniciativas sejam economicamente viáveis e mantê-las ao longo do tempo? TITA: A viabilidade econômica depende de aliar estética, qualidade e consciência circular; garantindo que os produtos reaproveitados tenham alto valor agregado. Além disso, a manutenção da renda ao longo do tempo ocorre quando geramos autonomia para que as pessoas capa-


MULHERES DE FIBRA citadas produzam e vendam suas peças, somada a parcerias estratégicas com órgãos como a Receita Federal (ressignificando vestuário apreendido) e instituições sociais. RT: Em quais etapas do ciclo de vida estão os problemas ambientais mais críticos? TITA: Os gargalos ambientais da cadeia têxtil concentram-se principalmente em três frentes críticas: na etapa de corte, onde o estudo de encaixe ineficiente gera perdas de tecido e a mistura inadequada de fibras sintéticas e naturais no enfesto inviabiliza a reciclagem mecânica e química posterior; no descarte pré e pós-consumo, agravado pelo descarte desordenado de vestuário por parte dos consumidores; e na ausência de ferramentas da Engenharia de produção, evidenciada pela falta de métricas e indicadores rigorosos para mapear o uso de efluentes, sobras de aviamentos e aparas de linha ao longo dos elos de fiação, tecelagem e beneficiamento. RT: Quanto a indústria brasileira realmente conhece seus resíduos e quais dados básicos deveria medir? TITA: Uma das minhas principais críticas é que a própria indústria desconhece os volumes e a composição dos resíduos que gera. Toda empresa deveria começar a medir com rigor os volumes de aparas descartadas no corte, a composição exata das fibras, os efluentes do beneficiamento e as sobras de aviamentos e linhas em cada elo da produção. Outro ponto, por exemplo, com o corte, quando aplicamos o estudo de encaixe na etapa de modelagem e evitamos a mistura inadequada de

fibras no enfesto, evitamos o desperdício direto na fonte sem inflacionar custos. O planejamento eficiente de design reduz a perda de matéria-prima e facilita o reaproveitamento futuro, otimizando os custos industriais. RT: Qual elo da cadeia precisa mudar primeiro para destravar a economia circular? TITA: Para que a economia circular deixe de ser apenas recurso de marketing, precisamos de um engajamento forte das entidades de classe (como ABIT, ABVTEX, Sinditêxtil e SIETEX) para criar bases de dados transparentes e estruturadas. A partir daí, é necessário um compromisso compartilhado que envolve desde os produtores de fibras e tecidos até a confecção e o comércio. RT: O que diferencia a abordagem regenerativa da sustentabilidade tradicional? TITA: Enquanto a sustentabilidade tradicional muitas vezes busca apenas mitigar danos ou reduzir descartes, o design regenerativo dá uma aplicação prática e imediata à ressignificação dos materiais. Um exemplo é nossa parceria com a Receita Federal, onde transformamos vestuários apreendidos em novos produtos de alto valor agregado, reinserindo-os no ciclo com estética, qualidade e propósito social. RT: Quanto do discurso de sustentabilidade já se converteu em mudança efetiva? TITA: Na minha avaliação, grande parte do mercado ainda utiliza a sustentabilidade e a economia circular apenas como recurso de mar-

keting e posicionamento comercial. Para haver uma mudança efetiva, esse compromisso precisa sair do discurso e ser compartilhado de fato por toda a cadeia produtiva. O compromisso com a sustentabilidade deve ser compartilhado por todos: desde os produtores de fibras e fabricantes de fios e tecidos até as confecções, o comércio e, por fim, os consumidores. No entanto, o setor brasileiro ainda precisa evoluir na criação de bases de dados transparentes e infraestrutura para assumir essa responsabilidade de forma plenamente integrada. RT: É possível manter os atuais níveis de produção e consumo de moda? TITA: Não. Precisamos promover uma sociedade mais consciente de suas responsabilidades ambientais e comprometida com as próximas gerações, o que exige discutir não apenas como produzimos, mas também repensar o consumo impensado e o descarte desordenado. RT: Qual a mudança prioritária para os próximos anos? TITA: Investir massivamente na formação e capacitação consciente em todos os níveis do setor têxtil. Pela produção de dados concretos, transparentes e estruturados sobre os impactos da cadeia têxtil, medindo a redução de resíduos, a efluentes e o volume de materiais efetivamente reciclados. Para mim, a prioridade é inequívoca: o primeiro passo é a educação; o segundo, a educação; e o terceiro, novamente, a educação.

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EVENTOS

Congresso Internacional da ABIT: Brasil e o futuro da indústria têxtil global

Por Fred Haydu

E

m Fortaleza, 56 países estiveram representados em um encontro que reuniu mais de 500 inscrições e discutiu inovação, produtividade, inteligência artificial, circularidade e novas geografias de produção. A parceria entre ABIT, ITMF e IAF ampliou o diálogo internacional e colocou em pauta as oportunidades para o Brasil atrair investimentos e fortalecer sua presença nas cadeias globais. O futuro da indústria têxtil e de confecção esteve no centro das discussões da 11ª edição do Congresso Internacional da ABIT, realizada nos dias 14 e 15 de outubro, em Fortaleza (CE). Sob o tema Futuro em Movimento: Transformação, Inovação e Novas Realidades, o encontro reuniu representantes de diferentes países para discutir os desafios de uma indústria em transformação e identificar caminhos para ampliar a competitividade dos negócios. Realizado pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), em parceria com a International Textile Manufacturers Federation (ITMF) e a International Apparel Federation (IAF), o congresso ganhou dimensão internacional ao integrar a conferência da ITMF à 41ª World Fashion Convention, da IAF. A iniciativa aproximou fabricantes, entidades setoriais, lideranças empresariais e especialistas de diferentes mercados, ampliando a troca de experiências sobre os rumos da produção mundial. Na abertura, Fernando Pimentel, diretor da ABIT, destacou a Fotos: Divulgação

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importância de conectar mercados, compartilhar tendências e discutir soluções para um cenário internacional marcado por incertezas. A proposta, segundo ele, foi utilizar os dois dias de encontro para avançar além do diagnóstico dos problemas e construir encaminhamentos capazes de orientar as empresas nos próximos meses e anos.

ITMF Awards 2026 reconhecem inovação, sustentabilidade e colaboração na indústria têxtil A inovação e a sustentabilidade estiveram em evidência no Congresso Internacional Brasil 2026. O encontro sediou a apresentação dos vencedores do ITMF Awards 2026, premiação internacional que reconhece iniciativas capazes de transformar a indústria têxtil. Os projetos foram distribuídos em três categorias: Start-up Awards, Sustainability & Innovation Awards e International Collaboration Awards. As iniciativas

demonstram como novas tecnologias, materiais e parcerias podem contribuir para enfrentar desafios ambientais e produtivos da cadeia têxtil global. Na categoria ITMF Start-up Awards 2026, cinco empresas foram reconhecidas por seus modelos de negócio inovadores: Matereal (Suíça): desenvolvimento de polímeros de origem biológica e uso de inteligência artificial na fabricação têxtil. No. wasTee Soluções em Confecções Sustentáveis (Brasil): design com desperdício zero, voltado a uma indústria têxtil de baixa emissão de CO₂. Tellura Technologies (Brasil): desenvolvimento de fios 100% naturais, com aplicações que vão da moda aos biocompósitos para a indústria aeroespacial. Unspun (Estados Unidos): utilização de tecelagem tridimensional para automatizar a cadeia de produção de vestuário. Yuantian Biotechnology (China): reciclagem enzimática e industrialização de resíduos plásticos de PET.


EVENTOS A presença de duas startups brasileiras entre as cinco premiadas evidencia a participação nacional no desenvolvimento de soluções tecnológicas para o setor. Os projetos abordam questões como redução de resíduos, novos materiais e transformação dos processos produtivos.

Reciclagem química e novos materiais Na categoria ITMF Sustainability & Innovation Awards 2026, três projetos foram reconhecidos por suas contribuições à inovação industrial e à sustentabilidade. A britânica Epoch Biodesign foi premiada pelo desenvolvimento de um processo de despolimerização enzimática orientado por inteligência artificial, destinado a transformar resíduos têxteis em nylon 6,6 com qualidade adequada à produção de novas fibras. A sul-coreana Huvis apresentou uma tecnologia de reciclagem química de poliéster voltada a aplicações têxteis para a indústria automotiva. Já a Simabo Technology Co., Ltd., em parceria com a Wuhan Textile University, ambas da China, foi reconhecida pelo projeto Desert-Mulberry – Bioactive Silk Eco-Regenerative Cycle, que propõe um ciclo eco-regenerativo envolvendo seda bioativa. Os projetos refletem diferentes caminhos para enfrentar os desafios da indústria: recuperar materiais, desenvolver processos de reciclagem e explorar novas possibilidades de produção. Embora as tecnologias estejam em diferentes estágios de desenvolvimento, todas apontam para a importância de combinar inovação, viabilidade econômica e responsabilidade ambiental.

Colaboração internacional como motor de transformação A terceira categoria, ITMF International Collaboration Awards 2026, reconheceu duas iniciativas que destacam o papel da cooperação entre empresas no desenvolvimento de soluções para uma indústria mais sustentável. A parceria entre HeiQ e Archroma, com o projeto Alone we Innovate. Together we Scale, destaca a importância de unir competências para ampliar a aplicação e a escala de soluções industriais inovadoras. Já a colaboração entre Lenzing e ARMEDANGELS, intitulada The Power of Collaboration: Driving Innovation for a More Sustainable Textile Industry, enfatiza a cooperação entre diferentes agentes da cadeia para acelerar a transformação sustentável do setor. A categoria está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 das Nações Unidas, reforçando a relevância das parcerias internacionais para promover mudanças na indústria.

ampliar investimentos, desenvolver infraestrutura, estabelecer parcerias comerciais e tornar as soluções economicamente viáveis em escala.

Desafios semelhantes em Inovação precisa chegar à diferentes países escala industrial O reconhecimento dos projetos durante o congresso em Fortaleza reforçou a importância de aproximar startups, fabricantes, marcas e instituições de pesquisa. Além de dar visibilidade às soluções, a premiação cria oportunidades de contato entre empresas emergentes e organizações estabelecidas da cadeia têxtil. O desafio, entretanto, vai além do desenvolvimento tecnológico. Para que essas iniciativas produzam impactos amplos, será necessário

No balanço do encontro, Fernando Pimentel destacou que o congresso foi um sucesso, com a casa cheia até o último minuto. A participação internacional permitiu identificar preocupações comuns entre as indústrias de diferentes países. Entre os temas recorrentes estiveram as pressões regulatórias, os impactos da inteligência artificial, a necessidade de medidas efetivas de defesa comercial e o papel das políticas industriais no fortalecimento da competitividade.

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EVENTOS Embora cada mercado tenha suas particularidades, as discussões demonstraram que a indústria têxtil e de confecção enfrenta questões semelhantes em diferentes regiões do mundo. As empresas precisam acompanhar mudanças tecnológicas, responder às novas exigências ambientais e comerciais e encontrar formas de produzir com mais eficiência. A inteligência artificial e a automação, por exemplo, abrem possibilidades de transformação dos processos industriais, do desenvolvimento de produtos à gestão da produção. Ao mesmo tempo, exigem investimentos, qualificação profissional e adaptação das estruturas empresariais. A circularidade também ganha espaço nessa agenda, conectando o desenvolvimento de materiais, o aproveitamento de recursos, a redução de resíduos e a busca por modelos produtivos mais eficientes. O desafio é transformar essas possibilidades em práticas economicamente viáveis e incorporadas ao cotidiano das empresas.

Brasil: uma oportunidade para ampliar a presença internacional Durante os debates, palestrantes internacionais apontaram a oportunidade de o país ampliar seu papel como polo de produção e fornecimento para a América Latina e para mercados como Estados Unidos, México e Canadá. A possibilidade de ocupar esse espaço, porém, exige que a indústria brasileira amplie seu olhar para além das fronteiras nacionais. A integração regional, a cons-

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trução de parcerias comerciais e o desenvolvimento de produtos competitivos são elementos importantes para transformar o potencial produtivo em oportunidades concretas. A África também foi mencionada como uma região a ser considerada no planejamento de longo prazo. Suas perspectivas demográficas e seu potencial de consumo podem abrir novas possibilidades comerciais, reforçando a importância de diversificar mercados e acompanhar as mudanças na geografia econômica mundial compartilhou Rafael Cervone, presidente interino da Abit e membro do conselho da ITMF. A mensagem central é que o Brasil precisa se posicionar estrategicamente diante das transformações globais. Isso envolve fortalecer a indústria, estimular a inovação, investir em produtividade e criar condições para ampliar a participação brasileira nas cadeias internacionais de fornecimento.

Investir e produzir no Brasil O encerramento do congresso reforçou essa perspectiva. Segundo

Fernando Pimentel, foi apresentada uma análise das possibilidades de investimento e produção no país, com o objetivo de demonstrar o potencial brasileiro a empresas e lideranças internacionais. A iniciativa dialoga diretamente com os debates sobre a reorganização das cadeias produtivas mundiais. Mudanças nas relações comerciais, custos de produção, políticas industriais e estratégias de abastecimento levam empresas a reavaliar onde produzir e como estruturar suas operações. No encerramento da edição de Fortaleza, foi anunciada a próxima edição do Congresso Internacional da ABIT, prevista para outubro, em Curitiba, em cooperação com a CIEEP e os sindicatos do setor. Também foi anunciado que o próximo encontro da ITMF e da IAF ocorrerá em outubro, no Egito, dando continuidade ao diálogo internacional entre as entidades e os diferentes elos da indústria. Para a indústria brasileira, o congresso deixa uma mensagem importante: as oportunidades internacionais existem, mas exigem visão estratégica, articulação entre os diferentes elos da cadeia e capacidade de transformar conhecimento em ação.


EVENTOS Brasil precisa ser relevante, não apenas mais barato, para conquistar o mercado global Em palestra encerrando o Congresso Internacional da ABIT, Lauren Aucouturier, da Gherzi Textile Organization, provocou uma reflexão sobre o posicionamento brasileiro na indústria têxtil mundial: como competir com a China e transformar a capacidade produtiva nacional em valor, inovação e atração de investimentos? A palestra de Lauren Aucouturier, começou com uma pergunta direta: o Brasil pode oferecer algo além do que a China oferece? A resposta passa por reconhecer que competir exclusivamente por preço é uma estratégia difícil. A China consolidou sua posição internacional com escala, eficiência e uma cadeia produtiva estruturada. Para o Brasil, o caminho pode estar em outros diferenciais: rapidez de produção, energia limpa, conhecimento técnico e capacidade de atender aos mercados com maior agilidade. Essa mudança de posicionamento exige uma transformação da própria cadeia têxtil brasileira. Não basta produzir matérias-primas e exportá-las para que sejam transformadas em outros países. É necessário ampliar a capacidade de processamento e fabricação dentro do Brasil, agregando valor aos recursos nacionais e fortalecendo a integração entre os diferentes segmentos industriais. O país reúne condições importantes para avançar nessa direção. Além de uma produção expressiva de algodão e de uma base industrial diversificada, possui portos estratégicos em estados como Santa Catarina, São Paulo e Ceará, além de outras estruturas logísticas con-

solidadas. Sua localização também permite conexões com diferentes mercados internacionais. Entretanto, esses ativos precisam estar conectados por uma estratégia industrial. A proposta deve aproximar os diferentes elos produtivos, integrando segmentos como denim, têxteis para o lar, tecidos técnicos, malharia, tecidos planos. Uma cadeia mais articulada pode ampliar as opções de fornecimento, reduzir etapas logísticas e oferecer maior flexibilidade às empresas que buscam parceiros de produção. A energia limpa e o conhecimento técnico também aparecem como diferenciais potenciais. Em um mercado cada vez mais atento à sustentabilidade e à origem dos produtos, produzir com uma matriz energética mais limpa, associada à capacidade industrial e à inovação, pode contribuir para fortalecer a posição brasileira. O desafio é transformar essas vantagens em competitividade econômica, com investimentos em tecnologia, infraestrutura, produtividade e custos de fabricação adequados. Essa transformação também depende de uma visão logística integrada. Para atender aos mercados internacionais, não basta contar com portos e matérias-primas disponíveis: é preciso conectar fornecedores, fabricantes e canais de distribuição,

criando condições para entregas mais rápidas e operações economicamente viáveis. O interesse internacional pelo Brasil coloca uma responsabilidade adicional sobre o setor. A possibilidade de atrair investimentos depende da capacidade de consolidar uma cadeia produtiva capaz de oferecer escala, eficiência, diversidade e segurança de fornecimento. Isso exige articulação entre empresas, entidades, investidores e poder público, além de uma estratégia que considere o conjunto da indústria, e não apenas segmentos isolados. A reflexão apresentada por Lauren Aucouturier aponta para uma mudança importante na maneira como o Brasil deve se posicionar no comércio mundial. Em vez de buscar apenas custos menores, o país precisa construir uma proposta de valor que combine matérias-primas, transformação industrial, energia limpa, conhecimento e proximidade com os mercados. A mensagem que fica é clara: para conquistar espaço no mercado internacional, o Brasil precisa ser relevante, não necessariamente o mais barato. O caminho passa por fortalecer a cadeia têxtil dentro do próprio país, agregar valor à produção nacional e transformar suas capacidades industriais em um diferencial reconhecido mundialmente.

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PRODUÇÃO

A RECICLAGEM TÊXTIL E ESCALA COMERCIAL

A

reciclagem de têxtil para têxtil registrou avanços tecnológicos significativos, mas o setor ainda enfrenta grandes barreiras econômicas e de infraestrutura para alcançar escala comercial, segundo um relatório de 19 páginas intitulado “Textile-to-textile recycling: the business case” (Reciclagem têxtil para têxtil: o argumento comercial), publicado pela empresa global de informações de negócios Textiles Intelligence. A atenção da alta administração das empresas à sustentabilidade diminuiu à medida que as companhias passaram a se concentrar mais nas margens, nos orçamentos e no retorno dos investimentos. Ao mesmo tempo, as mudanças climáticas estão afetando as cadeias de suprimentos, os preços das matérias-primas continuam voláteis e as regulamentações relacionadas aos resíduos têxteis e à circularidade estão se tornando mais rigorosas. Consequentemente, a sustentabilidade vem sendo considerada cada vez mais uma questão financeira e estratégica, e não apenas ambiental. A reciclagem de têxtil para têxtil pode proporcionar três principais benefícios comerciais: criar novas oportunidades de receita por meio de produtos circulares; reduzir a exposição aos riscos das cadeias de suprimentos; e ajudar as empresas a cumprir as regulamentações emergentes. No entanto, a viabilidade econômica continua sendo um desafio, pois as fibras recicladas ge-

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ralmente são mais caras do que as alternativas virgens, enquanto a infraestrutura necessária para coletar, separar e processar resíduos têxteis ainda está em desenvolvimento. Menos de 1% da produção mundial de fibras é proveniente de têxteis reciclados pré-consumo e pós- consumo. A maior parte das fibras recicladas tem outras origens, especialmente garrafas plásticas. Além disso, estima-se que apenas cerca de 11% dos resíduos têxteis pós-consumo tenham sido coletados e separados em fluxos adequados para reciclagem no ano passado. Isso limita a disponibilidade de matéria-prima apropriada para a reciclagem de têxtil para têxtil. Apesar desses obstáculos, os avanços tecnológicos nesse segmento continuam. A reciclagem química oferece a possibilidade de produzir fibras com propriedades comparáveis às dos materiais virgens. Diversas empresas — incluindo Ambercycle, Circ, Circulose e Syre — estão desenvolvendo e ampliando tecnologias para a reciclagem de têxtil para têxtil. Entretanto, os elevados custos de investimento, a disponibilidade limitada de matéria-prima, as exigências de infraestrutura e o consumo de energia continuam sendo desafios significativos. Além disso, a diferença de custo entre fibras recicladas e virgens é substancial. Estima-se que o poliéster reciclado custe 2,6 vezes mais do que o poliéster virgem. Na Europa, seriam necessários entre € 8 bilhões e € 11 bilhões (US$ 9,2 bi-

lhões a US$ 12,7 bilhões) em investimentos de capital, além de € 5 bilhões a € 6,5 bilhões em despesas operacionais anuais, para alcançar uma taxa de reciclagem de têxtil para têxtil de 15% até 2035. Por isso, as políticas públicas terão um papel importante na viabilização comercial da reciclagem têxtil. O Regulamento de Ecodesign para Produtos Sustentáveis da União Europeia (ESPR) e os requisitos de responsabilidade estendida do produtor (EPR) devem aumentar a pressão sobre as empresas para que considerem os impactos de seus produtos no fim da vida útil. De acordo com o cronograma vigente, os sistemas nacionais de EPR para têxteis deverão estar operacionais até abril de 2028. Ao mesmo tempo, as empresas podem ajudar a reduzir os riscos dos investimentos ao oferecer maior previsibilidade em relação à demanda futura. Em particular, contratos de compra de longo prazo (offtake agreements) e acordos de aquisição colaborativa dariam às empresas de reciclagem maior segurança para investir em novas capacidades produtivas, ao mesmo tempo que ajudariam as marcas a garantir o fornecimento de fibras recicladas. Por essas razões, a viabilidade comercial da reciclagem de têxtil para têxtil está se tornando mais clara, mas alcançar escala comercial dependerá de muito mais do que avanços tecnológicos. Serão necessários maiores investimentos, fornecimento confiável de matéria-prima adequada, demanda mais consistente por fibras recicladas e políticas públicas favoráveis para reduzir a distância entre o potencial tecnológico e a realidade comercial. Fonte: Textiles Intelligence.


VDMA REELEGE PRESIDÊNCIA E PROJETA DESAFIOS PARA A INDÚSTRIA DE MÁQUINAS TÊXTEIS A Associação Alemã de Fabricantes de Máquinas Têxteis (VDMA Textile Machinery) reelegeu Dr. Janpeter Horn, diretor-geral da A. Herzog Maschinenfabrik, como presidente para o mandato de 2026 a 2030. Regina Brückner, da Brückner Trockentechnik, e Verena Thies, da Thies Textilmaschinen, também foram reconduzidas às vice-presidências. Realizada em Hannover, na Alemanha, a assembleia geral discutiu o tema “O mundo está avançando – para onde vai a Europa?”, refletindo os desafios enfrentados pelo setor. A crescente concorrência asiática, somada às dificuldades econômicas europeias, provocou quedas expressivas nas encomendas e no faturamento nos últimos anos. A previsão de receita para 2026 foi revisada para uma retração nominal de 14%, embora os pedidos apresentem sinais de estabilização. Horn destacou que o setor atravessa profundas transformações e precisa fortalecer sua capacidade de inovação, ampliar o uso da inteligência artificial e oferecer suporte aos clientes durante todo o ciclo de vida das máquinas e equipamentos. A ITMA 2027, que será realizada em Hannover, foi apontada como uma oportunidade estratégica para demonstrar a capacidade tecnológica da indústria europeia ao mercado mundial. O novo conselho reúne representantes de importantes fabricantes, como Lindauer DORNIER, Monforts, ANDRITZ, Groz-Beckert, Trützschler e Barmag. A diretoria terá a missão de impulsionar a competitividade e enfrentar os desafios de um mercado global em transformação.

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MAQUINÁRIO

MISSÃO ITALIANA FORTALECE LAÇOS COM A INDÚSTRIA TÊXTIL BRASILEIRA PROMOVIDA PELA ITA (ITALIAN TRADE AGENCY), AGENDA PASSOU POR BLUMENAU, SÃO PAULO E AMERICANA, REUNINDO EMPRESAS, ASSOCIAÇÕES E INSTITUIÇÕES PARA AMPLIAR NEGÓCIOS, INTERCÂMBIO TECNOLÓGICO E COOPERAÇÃO ENTRE AS CADEIAS PRODUTIVAS DOS DOIS PAÍSES.

A

aproximação entre as indústrias têxteis da Itália e do Brasil ganhou força em outubro do dia 18 ao dia 23, com uma missão empresarial italiana organizada pela ITA – Italian Trade Agency. A programação incluiu encontros B2B, visitas a empresas e reuniões com representantes de entidades setoriais, aproximando fabricantes italianos de máquinas, equipamentos e tecnologias de empresas brasileiras dos segmentos têxtil, de vestuário e de artigos para o lar. A missão empresarial contou com a colaboração da ACIMIT (Associação dos Fabricantes Italianos de Máquinas para a Indústria Têxtil), representada por seu presidente, Marco Salvade, e da Confindustria Moda, entidade italiana que representa os setores da moda e do têxtil. No Brasil, a iniciativa teve a parceria da ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), da CNI (Confederação Nacional da Indústria), do Sintex Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau- SC), sindicato representativo do setor têxtil de Blumenau, do Sinditec (Sindicato das Indústrias de Tecelagem, Fiação, Linhas, Tinturaria, Estamparia e Beneficiamento de Fios e Tecidos de Americana, Nova Odessa, Santa Bárbara d’Oeste

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e Sumaré- SP), e do Grupo Febratex. A articulação entre as entidades foi fundamental para aproximar fabricantes italianos de máquinas e tecnologias, empresas brasileiras, instituições de ensino e representantes da cadeia produtiva, promovendo encontros comerciais, intercâmbio de conhecimento e novas perspectivas de cooperação entre os dois países.

“Nosso ponto forte não é apenas a tradição, mas a capacidade de combinar qualidade, conhecimento industrial, pesquisa e inovação” destacou Federica, ao apresentar os diferenciais da indústria italiana.

Na apresentação da missão em São Paulo, realizada na sede ABIT, Federica Dottori, head Internacional Promotion da Confindustria Moda, destacou a importância da indústria têxtil e de moda para o Made in Italy e o potencial de aproximação com o Brasil. Segundo ela, a força da indústria italiana está na combinação entre tradição, qualidade, conhecimento industrial, pesquisa e inovação. Esses diferenciais são especialmente relevantes nos segmentos de fiação e tecelagem, nos quais a Itália construiu uma trajetória reconhecida internacionalmente. A experiência acumulada ao longo de gerações se une à capacidade de desenvolver soluções tecnológicas e responder às transformações do mercado.

Katia Lamarca, SENAI-SP; Milena Del Grosso, Diretora do ITA Brasil e Antonio Monge, Trade Analist ITA Brasil


MAQUINÁRIO A escolha do Brasil como destino da missão está relacionada à dimensão do mercado, à relevância de sua indústria e às oportunidades de colaboração entre empresas. Para a representante da Confindustria Moda, a relação entre os dois países pode ir além da comercialização de produtos e equipamentos, avançando para o intercâmbio de conhecimento, o desenvolvimento tecnológico e novas parcerias industriais. Nesse cenário, o acordo entre União Europeia e Mercosul representa uma perspectiva importante para ampliar as relações comerciais, os investimentos e a cooperação entre as cadeias produtivas. Federica também destacou a aproximação institucional iniciada pela Confindustria Moda com o Brasil, por meio de um acordo firmado com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), em abril. A iniciativa busca promover a formação profissional, a troca de conhecimento, a inovação e a sustentabilidade.

“Não estamos aqui apenas para apresentar a excelência da indústria italiana, mas também para conhecer melhor a realidade das empresas brasileiras, ouvir suas necessidades e identificar novas oportunidades de colaboração”, afirmou. Fernando Pimentel anfitrião da Abit complementou: “Estamos hoje em nossa casa, em um evento conjunto com a CNI, ITA, Confindustria Moda e ACIMIT, trazendo algo que temos que fazer cada vez mais: aproximar nossas indústrias e transformar esse relacionamento em negócios. O grande objetivo, além de nos co-

nhecermos melhor, é realizarmos negócios. Esperamos que, com essa rodada de negócios, tanto a indústria têxtil brasileira quanto a indústria têxtil italiana e a indústria de máquinas e equipamentos possam realizar contatos proveitosos. É necessário falar do momento que estamos vivendo mundialmente. O mundo está meio virado de ponta-cabeça, e os desafios para a indústria têxtil e de confecção são enormes, no Brasil, na Itália e no mundo de uma forma geral. Temos uma profunda necessidade de aumentar a competitividade e a produtividade. A Ásia se tornou o centro da produção mundial. Cerca de 60% dos produtos têxteis e confeccionados que o Brasil importado vêm dessa região. As máquinas e os equipamentos chineses também estão chegando em larga escala, especialmente no segmento de costura. Isso envolve matérias-primas, produtos intermediários e bens de capital. Portanto, o desafio para o Ocidente, onde estamos inseridos, é enorme.Acredito que, com as possibilidades que se abrem no acordo Mercosul–União Europeia e com o relacionamento

histórico entre Brasil e Itália, temos condições de ampliar essa aproximação e construir novas oportunidades para nossas indústrias. Afinal, o Brasil tem uma ligação muito forte com a Itália, inclusive pela expressiva presença de descendentes italianos em nosso território. Marco Salvadè, presidente da ACIMIT

Parceria ABTT, Sarah Caldas, Mauricio Campos e Camila Borelli Edna Brás, FCEM, Milena Del Grosso e Caroline Milan, ITA Brasil

Encontro empresarial B2B na sede da ABIT

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MAQUINÁRIO BLUMENAU: TRADIÇÃO TÊXTIL E OPORTUNIDADES DE NEGÓCIOS A primeira etapa da missão ocorreu em Blumenau (SC), importante polo têxtil brasileiro, com o apoio da Fiesc/SENAI - Blumenau. A programação incluiu reuniões B2B e visitas a empresas como Hering, Karsten/ Trussardi, Texneo e Teka. As companhias brasileiras receberam a delegação italiana e apresentaram suas estruturas, produtos e processos, criando oportunidades para o diálogo direto entre empresários e para a identificação de soluções tecnológicas adequadas às necessidades do mercado nacional.

Acima visita Karsten, ao lado Trussardi showroom e abaixo Fiesc, Blumenau.

SÃO PAULO: INTEGRAÇÃO ENTRE ENTIDADES E EMPRESAS Em 22 de outubro, a delegação participou de um encontro na sede da ABIT, em São Paulo, com representantes de associações, instituições de ensino e organizações ligadas à indústria têxtil e de moda. Entre os participantes estavam ABTT, Sinditec, SENAI Brás, Sinditêxtil, Grupo Febratex e empresários do setor. A reunião ampliou o contato entre os representantes italianos e brasileiros, favorecendo a troca de informações sobre as demandas industriais, as tecnologias disponíveis e as possibilidades de cooperação. No período da tarde, os encontros B2B deram continuidade às conversas comerciais e técnicas iniciadas durante a missão.

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Visita na Texneo, Blumenau SC Apresentação da empresas italianas na sede da ABIT, São Paulo


AMERICANA: TECNOLOGIA E EXCELÊNCIA NA ESTAMPARIA No dia 23 de outubro, a programação seguiu para Americana (SP), com encontro na sede do Sinditec, reunindo representantes do SENAI, da FIDAM e empresários da região, um dos importantes polos da indústria têxtil paulista. A agenda incluiu visitas às empresas Di Grecco e Brand Têxtil. Durante o percurso, os integrantes da delegação puderam conhecer de perto a qualidade da estamparia brasileira e observar máquinas e equipamentos italianos em operação, demonstrando a presença da tecnologia italiana na produção nacional e a possibilidade de aprofundar essa integração.

Ao lado apresentando estampas Di Grecco e Acima Federica Dottori, Head internacional da Confinindustria Moda Italia e Maria Fernanda Grecco Meneghel, CEO da Di Grecco

Abaixo Brand têxtil e ao lado área de criação Di Grecco

Maquinário em operação na Brand têxtil

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MAQUINÁRIO SENAI AMERICANA: TECNOLOGIA, FORMAÇÃO PROFISSIONAL E INCLUSÃO QUE TRANSFORMA VIDAS Uma das visitas mais marcantes da missão italiana aconteceu no SENAI de Americana (SP), onde a delegação conheceu uma estrutura de formação profissional que revela, na prática, o futuro da indústria têxtil brasileira. Com diversos equipamentos italianos em operação, a instituição demonstrou como tecnologia, conhecimento técnico e capacitação caminham juntos para preparar profissionais e fortalecer a competitividade do setor. A visita também proporcionou aos empresários uma oportunidade de enxergar de perto o potencial da formação industrial e a importância de investir nas novas gerações. Mas o grande destaque foi uma iniciativa de inclusão: uma turma de 15 alunos com deficiência está sendo preparada para ingressar no mercado de trabalho, em uma parceria com a Santista, cuja unidade fabril fica nas proximidades. A empresa deverá contratar os 15 estudantes para atuarem na produção têxtil, conectando educação, oportunidade e inclusão produtiva. Mais do que apresentar máquinas e processos, a experiência mostrou que o futuro da indústria depende também de sua capacidade de formar talentos, abrir portas e oferecer oportunidades reais para todos.

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SENAI SÃO PAULO: UM PERCURSO COMPLETO PELA CADEIA TÊXTIL A missão foi encerrada na capital paulista com uma visita guiada ao SENAI-SP ,conduzida por Kátia Pinheiro Lamarca, coordenadora do Ensino Superior do Centro Univ. SENAI-SP e o Prof. Paulo Henrique da Luz instrutor de formação profissional, que apresentaram o que foi descrito durante a visita como o maior centro didático têxtil do país. Distribuída por vários andares, a estrutura reúne maquinários, laboratórios e processos que permitem acompa-

Turma especial de alunos que serão contratados pela Santista em aula no SENAI Americana

nhar praticamente todas as etapas da cadeia produtiva: da fiação à tecelagem, passando por tinturaria, estamparia, lavagem, moda, modelagem e costura. A visita permitiu à delegação conhecer a dimensão da formação técnica oferecida no Brasil e a integração entre ensino, tecnologia e prática industrial. Para os empresários italianos, foi uma oportunidade de compreender melhor a infraestrutura brasileira de capacitação e o potencial de cooperação entre instituições, fabricantes de máquinas e empresas têxteis dos dois países. Visita guiada no SENAI SP pela coordenadora Katia Lamarca


MAQUINÁRIO COOPERAÇÃO PARA O FUTURO DA INDÚSTRIA A missão reforçou a importância do contato direto entre empresas, associações e instituições dos dois países. Além de apresentar tecnologias e soluções italianas, a agenda permitiu conhecer a estrutura produtiva brasileira, suas competências e suas necessidades. Milena Del Grosso, diretora da ITA – Italian Trade Agency no Brasil, anunciou com entusiasmo uma parceria de âmbito nacional com o SENAI para dar continuidade à aproximação entre as indústrias têxteis brasileira e italiana. A iniciativa pretende fortalecer a cooperação entre os dois países, promovendo o intercâmbio de conhecimento, a formação profissional e a conexão entre empresas, instituições de ensino e fabricantes de máquinas e tecnologias. A parceria representa um passo importante para transformar os contatos estabelecidos durante a missão empresarial em ações duradouras, ampliando as oportunidades de colaboração e contribuindo para o desenvolvimento tecnológico e a competitividade da cadeia têxtil. A aproximação entre Itália e Brasil abre espaço para novas parcerias comerciais e industriais, com potencial para fortalecer a competitividade, estimular a inovação e ampliar o intercâmbio de conhecimento em toda a cadeia têxtil. Como ressaltou Federica, o objetivo é construir uma relação baseada não apenas na excelência dos produtos, mas também na escuta, no aprendizado mútuo e na identificação de oportunidades concretas de colaboração.

EMPRESAS ITALIANAS PARTICIPANTES Biancalani S.r.l. desenvolve máquinas para acabamento têxtil, oferecendo tecnologias voltadas à melhoria da qualidade dos tecidos e à otimização dos processos industriais, com foco em eficiência, desempenho e inovação na cadeia produtiva. BTSR International desenvolve sensores e sistemas de controle de fios para a indústria têxtil, contribuindo para o monitoramento da alimentação dos fios, a precisão dos processos e a eficiência da produção industrial. Color Service, desenvolve sistemas de dosagem automática para a indústria têxtil, garantindo precisão na

preparação de cores e produto químicos, além de contribuir para a padronização dos processos, a redução de desperdícios e a eficiência produtiva Corino Macchine, é especializada em máquinas de acabamento têxtil, com soluções voltadas ao tratamento e à melhoria da qualidade dos tecidos. Seus equipamentos contribuem para a uniformidade dos materiais e a eficiência dos processos industriais. C.Tessile, é especializada na produção de tecidos para camisaria, oferecendo materiais que combinam qualidade, conforto e versatilidade para a confecção de camisas, atendendo às demandas da indústria da moda e do vestuário. Revista Têxtil #798 I 23


MAQUINÁRIO Cotonificio Albini é uma tradicional fabricante italiana de tecidos para camisaria, reconhecida pela qualidade e sofisticação de seus materiais. A empresa combina tradição têxtil, inovação e pesquisa para desenvolver tecidos que atendem às demandas do mercado internacional de vestuário. MS Printing Solutions, empresa do grupo Dover Industries Italy, desenvolve tecnologias de impressão têxtil digital. Suas soluções permitem reproduzir estampas com precisão, qualidade e versatilidade, atendendo às demandas de produtividade e inovação da indústria têxtil. A Durst Group desenvolve sistemas de impressão digital industrial, com tecnologias que oferecem alta precisão, qualidade de imagem e produtividade. Suas soluções atendem a diferentes aplicações, incluindo a impressão têxtil, impulsionando a inovação e a eficiência nos processos de estamparia. A Erhardt Piu Leimer, desenvolve sistemas de guiamento e inspeção de tecidos para a indústria têxtil. Suas tecnologias auxiliam no alinhamento dos materiais, na detecção de irregularidades e no controle de qualidade, contribuindo para maior precisão e eficiência nos processos produtivos. A M.C.S. Officina Meccanica desenvolve máquinas e tecnologias para a indústria têxtil, com soluções voltadas aos processos de tingimento e acabamento de tecidos. Suas tecnologias buscam otimizar a produção, melhorar a qualidade dos materiais e aumentar a eficiência industrial. A Mesdan desenvolve equipamentos para emenda de fios e controle de qualidade em laboratórios têx-

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teis. Suas soluções auxiliam na preparação de amostras, na análise de materiais e no controle dos processos produtivos, contribuindo para a precisão e a confiabilidade da produção têxtil. A Monti-Mac oferece soluções de automação para a indústria têxtil, com tecnologias voltadas à otimização das operações de costura. Seus sistemas contribuem para aumentar a produtividade, a precisão e a eficiência dos processos têxteis.

Maquinário Efi Reggiani em operação na Brand textil

A Pinter Caipo Italia é especializada em equipamentos e soluções tecnológicas para fiação têxtil, oferecendo sistemas para produção de fios diferenciados, automação e otimização dos processos industriais. A EFI Reggiani é referência em tecnologia de impressão têxtil digital, desenvolvendo máquinas de alta produtividade e precisão para estamparia de tecidos, com soluções que combinam qualidade, inovação e eficiência no uso de recursos.


MAQUINÁRIO A Itema desenvolve teares para a indústria têxtil, combinando tecnologia e engenharia para atender às demandas da tecelagem industrial. Seus equipamentos buscam oferecer precisão, desempenho e produtividade na fabricação de tecidos para diferentes aplicações. A Lawer desenvolve sistemas de dosagem automática de corantes para a indústria têxtil, oferecendo soluções que garantem precisão na preparação de receitas, repetibilidade das cores e controle dos processos. Suas tecnologias contribuem para reduzir desperdícios e aumentar a eficiência produtiva. A Ferraro, desenvolve máquinas para acabamento têxtil, com soluções voltadas ao tratamento e à valorização dos tecidos. Seus equipa-

mentos contribuem para aprimorar as características dos materiais e otimizar os processos produtivos da indústria têxtil. A I.M.A. oferece soluções de automação para o corte têxtil, contribuindo para aumentar a precisão, a produtividade e o aproveitamento dos materiais. Suas tecnologias auxiliam na otimização dos processos de confecção, reduzindo desperdícios e promovendo maior eficiência industrial. A Salvadè é uma empresa italiana especializada em máquinas para acabamento têxtil, desenvolvendo soluções tecnológicas para aprimorar a qualidade, o desempenho e a eficiência dos processos de beneficiamento de tecidos. A Savio Macchine Tessili é uma em-

Maquinário Savio no SENAI SP

Maquinário Salvade ultilizado na Di Grecco

presa italiana especializada em máquinas de bobinagem e soluções para fiação, desenvolvendo tecnologias que garantem precisão, qualidade dos fios e eficiência nos processos produtivos da indústria têxtil. A Suedwolle Group Italia integra um dos principais grupos internacionais especializados na produção de fios de lã e misturas com fibras naturais e sintéticas, atendendo aos mercados de moda, malharia e tecidos com qualidade e inovação. Fundada em 1663, a Vitale Barberis Canonico é uma tradicional tecelagem italiana especializada em tecidos de lã de alta qualidade para alfaiataria e moda masculina, combinando excelência artesanal, inovação e sustentabilidade.

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PREVIEW

HEIMTEXTIL 2027: FRANKFURT REÚNE O FUTURO DOS TÊXTEIS PARA INTERIORES

D

e 12 a 15 de janeiro de 2027, Frankfurt recebe mais uma edição da Heimtextil, uma das principais feiras internacionais dedicadas aos têxteis para interiores, decoração, arquitetura, hotelaria e projetos. Realizada no início do ano, a feira reúne fabricantes, marcas, compradores, arquitetos, designers, especificadores e profissionais de diferentes mercados em torno de novas coleções, materiais, tecnologias, tendências e oportunidades de negócios. Em 2026, a Heimtextil recebeu cerca de 48.000 visitantes de 133 países e reuniu aproximadamente 3.000 expositores, reforçando sua dimensão internacional e seu

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papel como plataforma de negócios para o setor. Uma feira que vai além dos têxteis para a casa, a Heimtextil apresenta uma ampla variedade de produtos e soluções, atendendo tanto ao mercado residencial quanto a projetos comerciais, corporativos e de hospitalidade. Entre os principais segmentos estão: Bed, Bath & Living Cama, banho, mesa, cozinha, mantas, almofadas, acessórios e outros produtos têxteis para o lar. Decorative & Furniture Fabrics Tecidos decorativos e para estofamento, cortinas, tecidos para móveis, aplicações outdoor e soluções para projetos de interiores e contract.


PREVIEW Decorative & Furniture Fabrics Tecidos decorativos e para estofamento, cortinas, tecidos para móveis, aplicações outdoor e soluções para projetos de interiores e contract. Carpets & Rugs Tapetes e carpetes de diferentes técnicas e escalas de produção, incluindo peças artesanais, produtos industriais e soluções para projetos residenciais, comerciais e de hospitality. Fibres & Yarns Fibras, fios, tecidos, linhas, acabamentos e outros materiais e soluções para a cadeia produtiva têxtil. Smart Bedding Colchões, travesseiros, edredons, sistemas de cama e soluções relacionadas ao sono, reunindo fabricantes, marcas e compradores especializados.

Interior Design Concepts: Window, Wall & Floor Soluções para janelas, paredes e pisos, incluindo papéis de parede, revestimentos, cortinas, proteção solar, carpetes e outros elementos que contribuem para a composição dos ambientes. Textile Design Um espaço dedicado à criação, inovação e design têxtil, reunindo estúdios, designers e novas propostas para o mercado internacional. Tendências e design em destaque Um dos destaques da edição 2027 será o Heimtextil Trends 27/28, desenvolvido pela plataforma de design Alcova Milano. Com o tema “Home-Maxxing – The Performance of Everyday Living”, a pesquisa de tendências parte das novas expectativas em relação aos espaços onde vivemos, trabalhamos e descansa-

mos, explorando a relação entre funcionalidade, bem-estar, tecnologia, materiais e experiência sensorial.

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PREVIEW funcionais voltados ao segmento de contract e hospitality. A feira também amplia as oportunidades de networking entre fabricantes e profissionais de varejo, hotelaria, arquitetura e projetos. Em 2027, a nova área Comfort & Connect reunirá fornecedores selecionados em um espaço dedicado a encontros e novos contatos comerciais.Carpetes e revestimentos ganham ainda mais espaço Para 2027, a Heimtextil também apresenta uma nova estrutura para o segmento Carpets & Rugs, aproximando fabricantes, varejistas, compradores de grandes volumes e profissionais de contract. Valentina Ciuffi Cofundadora da Alcova Milano

A proposta também mostra como os têxteis podem assumir funções cada vez mais amplas nos interiores — regulando a luz, contribuindo para o conforto acústico, filtrando o ar e oferecendo diferentes experiências táteis e sensoriais. O Trend Space contará ainda com a participação da arquiteta e designer Patricia Urquiola, que retorna à Heimtextil em 2027 com novos elementos desenvolvidos especialmente para a feira.

Arquitetura, interiores e hospitality

Uma das novidades é o Carpets & Rugs Excellence, segmento premium que reunirá fabricantes selecionados por um júri independente, com foco em qualidade, acabamento e capacidade de produção.

Uma oportunidade para o mercado brasileiro Para empresas brasileiras, designers, arquitetos e profissionais de interiores, a Heimtextil oferece a possibilidade de conhecer em um único evento uma grande variedade de materiais, fornecedores, coleções e referências internacionais. A part-

Para profissionais de arquitetura e design, a Heimtextil também apresenta uma programação voltada especificamente ao mercado de projetos. A plataforma Interior.Architecture.Hospitality reúne materiais e soluções para projetos de interiores, com conteúdos, palestras, visitas guiadas e uma seleção de tecidos

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Sofá feito com fibras recicladas da artista Patricia Orquiolo

tcipação pode ser especialmente relevante para quem busca: conhecer novos fornecedores e fabricantes internacionais; acompanhar tendências de materiais, cores, texturas e aplicações; pesquisar produtos para projetos residenciais, comerciais e de hospitality; encontrar parceiros para desenvolvimento e produção; ampliar contatos com compradores e empresas de diferentes mercados; identificar novas possibilidades de importação e negócios internacionais; acompanhar de perto a evolução do design e das soluções têxteis para interiores. Além da exposição comercial, a programação de tendências, design, arquitetura e conteúdo permite uma visão ampla sobre os caminhos que o mercado internacional de interiores está tomando. Para informações sobre a feira, expositores, produtos, programação ou participação como expositor, acesse o site oficial da Heimtextil. heimtextil.messefrankfurt.com Para informações sobre participação de empresas brasileiras, entre em contato com a representação no Brasil: info@brazil.messefrankfurt. com


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MERCADO

RESULTADOS DA 40ª PESQUISA GLOBAL DA ITMF SOBRE A INDÚSTRIA TÊXTIL LIGEIRA MELHORA, MAS A INDÚSTRIA TÊXTIL CONTINUA SOB PRESSÃO A Federação Internacional dos Fabricantes Têxteis (ITMF, na sigla em inglês) é uma organização internacional fundada em 1904 que reúne representantes da indústria têxtil de diferentes países. Por meio de pesquisas, estudos e publicações, acompanha a evolução do setor e os principais desafios enfrentados pela cadeia têxtil global. A 40ª Pesquisa Global da ITMF sobre a Indústria Têxtil (GTIS), realizada de 21 a 29 de setembro de 2026, mostra uma ligeira melhora na situação global dos negócios, que passou para -23 pontos percentuais (pp), resultado consideravelmente superior ao mínimo de -46 pp registrado em novembro de 2023. Ainda assim, as condições permanecem frágeis, em um cenário que se tornou um novo padrão de elevada incerteza. Apenas o Sul da Ásia (+13 pp) e a África (+9 pp) apresentam resultados positivos, enquanto Europa (-36 pp), América do Sul (-44 pp) e América do Norte e Central (-56 pp) registram as condições mais desfavoráveis. Ao longo da cadeia de valor, os dois extremos apresentam desempenho melhor do que os segmentos intermediários. Os produtores de fibras (+17 pp) são o único segmento com resultado positivo, enquanto as fiações (-33 pp) e as empresas de beneficiamento e acabamento (-42 pp) apresentam desempenho inferior. Os fabricantes de máquinas têxteis Fonte: ITMF

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(-35 pp) continuam enfrentando dificuldades devido à relutância das empresas em investir. As expectativas de negócios para os próximos seis meses melhoraram, chegando a +19 pp, em forte contraste com a situação atual. No entanto, 46% dos participantes não esperam mudanças, sinal de que o otimismo se baseia mais na esperança do que em indicadores concretos.

A África (+59 pp) é, de longe, a região mais otimista, enquanto o Leste Asiático (-20 pp) e o Sudeste Asiático (-6 pp) continuam pessimistas. Os produtores de fibras (+67 pp) são o segmento mais confiante.A entrada de pedidos apresentou uma ligeira melhora, chegando a -24 pp, mas continua fraca.


PREVIEW A América do Sul caiu para um recorde negativo de -69 pp. O aumento dos custos e a inflação tornam improvável uma recuperação significativa nos próximos meses. A carteira global de pedidos pendentes diminuiu ligeiramente, para 2,3 meses, mantendo-se dentro da faixa de dois a dois meses e meio observada desde meados de 2023, à medida que a maioria das empresas trabalha apenas com pedidos confirmados. A utilização da capacidade produtiva subiu para 71%, acima do mínimo histórico de 68% registrado em novembro de 2023, mas ainda muito abaixo dos níveis superiores a 80% observados antes do final de 2022. A demanda fraca continua sendo a principal preocupação, mencionada por 56% dos participantes. As preocupações relacionadas aos custos estão aumentando, lideradas pelos preços elevados das matérias-primas (42%) e da energia (41%), que voltaram a pressionar a inflação desde o início da guerra no Irã. A preocupação com a geopolítica diminuiu para 36%, ante 46% em julho. Em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos, as empresas estão principalmente diversificando seus mercados para além dos EUA (29%), investindo em automação e eficiência (23%) ou absorvendo os custos adicionais (23%). Os cancelamentos de pedidos permanecem baixos, em torno de 2% em média, embora tenham aumentado entre as empresas de beneficiamento e acabamento em três pesquisas consecutivas. Os estoques continuam reduzidos na maioria das regiões, com o Sudeste Asiático registrando o nível mais baixo de sua série histórica. As Américas são a exceção: nessa região, os estoques elevados, combinados com a fraca entrada de pedidos, apontam para um acúmulo de produtos sem venda.

A Groz-Beckert está consigo, todos os dias As nossas ferramentas de precisão estão ao serviço do mundo têxtil. Com a ajuda dos nossos cerca de 70 000 produtos e abrangentes serviços, apoiamos as indústrias de tricô e malha, tecelagem, feltragem, tufagem, cardagem e costura na criação de têxteis indispensáveis para o nosso quotidiano: desde vestuário e tapetes até têxteis técnicos para veículos ou para a área médica. Mais de 170 anos após a sua fundação, a Groz-Beckert continua a ter a sua sede nos Alpes Suábios, mas está presente em todo o mundo. Superar desafios para avançarmos juntos. www.groz-beckert.com

Customer Portal


DO CHÃO DE FÁBRICA AO COMPORTA-MENTO: O QUE A FEBRATEX 2026 REVELOU SOBRE A INDÚSTRIA TÊXTIL

Por Annally Fontes

MAIOR EDIÇÃO DA HISTÓRIA REUNIU PROFISSIONAIS DE 72 PAÍSES EM BLUMENAU E MOSTROU UM SETOR EMBUSCA DE PRODUTIVIDADE, SUSTENTABILIDADE E TECNOLOGIA, MAS, SOBRETUDO, DE SOLUÇÕES CAPAZES DE TRANSFORMAR INFORMAÇÃO EM RESULTADO

M

ais de mil quilômetros separam Goiânia, em Goiás, de Blumenau, em Santa Catarina. Em agosto, Juliana Magalhães percorreu essa distância para conhecer de perto a Febratex. Acostumada a trabalhar com capacitação e treinamento de donos de confecções, ela chegou à cidade catarinense a convite de empresas parceiras e interessada em ampliar o repertório sobre uma cadeia produtiva que acompanhatodos os dias pelo olhar de quem precisa transformar matéria-prima, tecnologia e informação em produto e negócio.

Entre elas, uma estação automatizada operada por robô e as novas gerações de máquinas de costura.“Conseguimos ver que existe muita tecnologia na confecção que há dez anos não existia. As tecnologias das máquinas de costura me surpreenderam bastante.” A experiência tam-

bém foi uma oportunidade de ampliar conexões e fortalecer relacionamentos já construídos. Juliana encontrou parceiros, conhecidos e pessoas que acompanhavam seu trabalho pelas redes sociais.Juliana estava longe de ser a única a percorrer muitos quilômetros para

Nos pavilhões, foram justamente as soluções para a confecção que mais chamaram sua atenção. Vila Germânica - Blumenau SC Fotos: Fred Haydu

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FEBRATEX

Juliana Magalhães e esposo

chegar a Blumenau. Entre 18 e 21 de agosto, profissionais de 3.380 empresas de 72 países passaram pela 19ª edição da Febratex. Foram 102 mil acessos e 87.560 credenciais durante os quatro dias. Em aproximadamente 40 mil metros quadrados, dez pavilhões abrigaram 678 espaços de exposição.

“Foi a maior Febratex já realizada.” Para Hélvio Roberto Pompeo Madeira, presidente do Febratex Group, a dimensão alcançada em 2026 representa uma etapa de maturidade na trajetória iniciada há 35 anos.

Corredores lotados na Febratex 2026

“A 19ª edição representou para nós a maturidade profissional da Febratex e o reconhecimento conquistado junto a expositores e visitantes. Mesmo diante dos desafios enfrentados pela indústria têxtil brasileira, vemos um setor resiliente, que continua investindo em tecnologia e buscando crescer. A cada Febratex, essa vontade se renova.” Os números ajudam a dimensionar a edição. Nos corredores, porém, outra medida ajudava a compreender o momento vivido pela indústria: o tipo de pergunta feita diante das máquinas, dos materiais e das novas tecnologias. Hélvio Pompeu Madeira, Presidente do grupo FCEM

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FEBRATEX O VISITANTE CHEGOU COM A CALCULADORA NA MÃO Gramatura, velocidade, rendimento, consumo de tinta, refugo, produtividade e custo por metro impresso.No estande da Sanjú Papéis, essas perguntas apareceram com frequência nas conversas com potenciais compradores. Para Francisco Barros, diretor-executivo da empresa, houve uma mudança perceptível na abordagem do público. “Diminuiu o visitante que passa para pegar catálogo e aumentou o que chega com pergunta técnica específica: gramatura, velocidade da máquina, liberação de tinta, custo por metro impresso. Esse tipo de conversa fecha negócio, porque a pessoa já sabe qual problema quer resolver.” Barros resume essa percepção em uma frase: “O cliente chegou com a calculadora na mão.” A conta, segundo ele, tornou-se mais sofisticada. Não considera apenas o preço de um insumo isoladamente, mas rendimento, desperdício, produ-

tividade e custo final do processo. A sustentabilidade também apareceu nas conversas. Papel reciclado, redução de gramatura e destinação de resíduos passaram a integrar as perguntas dos compradores, indicando, na percepção da empresa, maior presença dos critérios ambientais nas decisões de compra. A percepção de um visitante mais preparado também apareceu no estande da Unifi. Para Dani Azevedo, o público chegou mais organizado para percorrer a feira e interessado especialmente em lançamentos, inovação e matérias-primas relacionadas à sustentabilidade. “A audiência foi realmente surpreendente, tanto em volume quanto em qualidade. Recebemos visitantes altamente qualificados, com grande interesse em inovação e soluções para seus negócios.” As avaliações dos próprios expositores ajudam a colocar essas percepções em perspectiva. Na pesquisa

Perguntas sobre produtividade, rendimento e custo final dos processos ganharam espaço nas conversas entre visitantes e fornecedores durante a feira.

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realizada após a feira, a qualidade do público recebeu média de 7,6 em uma escala de zero a dez. A disposição para recomendar a Febratex a outra empresa do setor ficou em 8 pontos, enquanto a probabilidade declarada de voltar a expor em 2028 alcançou média de 7,7. São números que ajudam a explicar por que, apesar do volume de pessoas nos corredores, a discussão sobre a edição não ficou restrita à quantidade de visitantes. Para quem estava atrás do balcão; importava também quem chegava até ele e o tipo de conversa que começava ali.

QUANDO A TECNOLOGIA PRECISA RESOLVER UM PROBLEMA Essa busca encontrou uma feira em que automação, digitalização, inteligência artificial, rastreabilidade, eficiência produtiva, novos materiais e sustentabilidade apareceram em diferentes pontos dos pavilhões. Mas a discussão sobre tecnologia não ficou restrita às máquinas. A programação de conteúdo ampliou a conversa para temas que atravessam toda a cadeia, da produção ao comportamento do consumidor. Entre as iniciativas estiveram a Arena do Conhecimento, o Preview Febratex Summit e a segunda edição do Radar Têxtil, projeto desenvolvido para traduzir movimentos de comportamento e consumo em referências aplicáveis ao desenvolvimento de produtos. Para Symone Rech, responsável pelo Radar Têxtil e fundadora da Plataforma New&Now, a proximidade entre o que estava


FEBRATEX sendo discutido e aquilo que já podia ser encontrado nos pavilhões foi um dos aspectos que chamaram atenção nesta edição.“Falava-se em produtividade, inteligência artificial, rastreabilidade e circularidade, e já era possível ver aplicações dessas ideias em máquinas, materiais e processos.” A constatação leva a uma questão que ultrapassa a adoção de uma tecnologia simplesmente porque ela está disponível. “Uma tecnologia só produz resultado quando responde a um problema claro de desenvolvimento ou produção.” A distinção é importante em um momento no qual tecnologia adotar epassa a incluir por que adotá-la, em qual etapa e para resolver qual problema. No Radar Têxtil, essa lógica começa antes da fábrica: no consumidor. A pesquisa para o Verão 2028 foi organizada em três direções: Autoria,

No Radar Têxtil, as direções Autoria, Euforia e Sintonia traduziram movimentos de comportamento; para materiais e possibilidades de desenvolvimento para o Verão 2028.

Euforia e Sintonia. A primeira parte da busca por personalização e construção de uma identidade própria. Euforia acompanha o desejo por cor, prazer e expressão. Sintonia reúne movimentos relacionados ao conforto, à versatilidade e à vida útil dos produtos. Em vez de apresentar tendências apenas como referências estéticas, o projeto utilizou materiais dos próprios expositores para mostrar como mudanças de comportamento podem chegar a fios, tecidos, superfícies, acabamentos e, finalmente, produtos.

DO COMPORTAMENTO À MATÉRIA-PRIMA

Symone Rech

Vejo a personalização e a versatilidade avançando de forma bastante concreta. Na Febratex, encontramos materiais e tecnologias que permi-

tem variar superfícies, desenvolver produtos com mais agilidade e adequar a produção a demandas específicas.” Para Rech, uma tendência passa a ganhar força industrial quando conecta os diferentes agentes responsáveis por transformar uma ideia em produto. “A tendência ganha força quando entra na conversa entre quem pesquisa, quem fornece o material e quem decide a coleção.” Essa conexão ajuda a explicar uma transformação que pode ser percebida também no próprio conteúdo da Febratex. O desafio de produzir melhor continua no chão de fábrica, mas começa cada vez mais cedo, na capacidade de interpretar o mercado, escolher materiais e decidir o que produzir antes que a demanda chegue à linha de produção. Revista Têxtil #798 I 35


FEBRATEX SUSTENTABILIDADE ENTRA NA DECISÃO Essa mudança aparece também quando o assunto é sustentabilidade. Ao longo da Febratex, o tema esteve presente em matérias-primas, equipamentos e processos apresentados pelos expositores, associado a questões como circularidade, rastreabilidade, reaproveitamento de resíduos, redução do consumo de recursos e eficiência. Na percepção dos próprios expositores ouvidos para esta reportagem, o assunto também chegou às conversas comerciais. Na Sanjú, questões

O QUE FICA DEPOIS QUE OS PAVILHÕES FECHAM Uma feira com 102 mil acessos também produz uma quantidade considerável de informação. São contatos comerciais, negociações iniciadas, máquinas observadas, amostras levadas para casa, tecnologias comparadas, conversas de corredor e ideias que ainda precisarão passar pelo teste mais impor-

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relacionadas a papel reciclado, gramatura e destinação de resíduos apareceram entre as dúvidas dos compradores. Na Unifi, Dani Azevedo identificou a busca por matérias-primas voltadas à sustentabilidade entre os interesses do público. Mais do que uma discussão paralela à produtividade, sustentabilidade e eficiência começam a compartilhar algumas das mesmas perguntas: quanto recurso é utilizado, quanto é desperdiçado, qual é; a vida útil e como produzir melhor com menos impacto?

Rieter

tante: a aplicação dentro das empresas. A dimensão alcançada em 2026 trouxe também aprendizados importantes para o planejamento do próximo ciclo. Para Hélvio Roberto Pompeo Madeira, presidente do Febratex Group, crescer aumenta, na mesma proporção, a responsabilidade da organização. “Essa edição aumenta muito a nossa responsabilidade de buscar melhorias, desde a estrutu-

Dani Azevedo, da Unifi e Rachel Krieck , da Operacional

Barudan

Due e fio da Adatex

ra dos pavilhões até a chegada de ainda mais inovações tecnológicas. A Febratex cresceu e queremos que 2028 acompanhe essa evolução.” As avaliações recebidas de expositores e participantes passam agora a integrar a preparação da próxima edição, com o objetivo de aprimorar continuamente a experiência de quem visita, expõe e faz negócios na feira.


FEBRATEX FEBRATEX 2026 EM NÚMEROS -102 mil acessos -87.560 credenciais -3.380 empresas representadas -72 países -678 espaços de exposição -10 pavilhões -Aproximadamente 40 mil m² de área Para Symone Rech, uma das transformações que devem ganhar força nos próximos anos será justamente a capacidade de aproximar leitura de mercado e produção. “A indústria tem acesso a mais dados, ferramentas e possibilidades técnicas, mas precisa transformar essa informação em decisões melhores: o que desenvolver, com qual material, em que quantidade e para qual consumidor. Quem conseguir encurtar a distância entre perceber um sinal e colocar um produto relevante no mercado terá uma vanta-

gem importante.” É justamente essa distância que Juliana começou a encurtar quando voltou para Goiás. Entre as tecnologias observadas na feira, algumas já passaram do campo da descoberta para o planejamento. A intenção é levar soluções de automação e novas máquinas de costura para a realidade das profissionais com quem trabalha. “Conseguimos ver que podemos automatizar muita coisa e também melhorar a qualidade da nossa produção. É isso que pretendemos implementar.” Talvez seja essa uma das medidas mais interessantes do

impacto de uma feira como a Febratex. Não apenas os mais de mil quilômetros percorridos por Juliana entre Goiânia e Blumenau, nem oscorredores que separavam um pavilhão de outro, mas a distância entre perceber uma mudança e conseguir transformá-la em produto, processo e negócio. Multiplicado pelos milhares de profissionais que fizeram o caminho de volta para suas empresas, esse movimento ajuda a explicar por que o impacto da Febratex não termina quando as luzes dos pavilhões se apagam. Em muitos casos, é justamente ali que ele começa.

Vila Germânica

Welttec e Jack

Estampa Alexande Herchcovitch para Epson

Daniela Marx e Priscila Faiade


LANÇAMENTOS A REPREVE, em parceria com a Rato Roi, destacou na Febratex o potencial da economia circular ao transformar resíduos industriais em mobiliário, painéis, torres e elementos de design para a composição de seu estande. O projeto incorporou aproximadamente uma tonelada de resíduos plásticos provenientes de diferentes fontes, incluindo as indústrias alimentícia e de limpeza, materiais descartados pela própria empresa e resíduos têxteis de clientes.

Outro destaque foi a apresentação do fio REPREVE com hortelã-pimenta AMY, evidenciando novas possibilidades de inovação e diferenciação na cadeia têxtil. A também foi apresentada uma exposição de peças desenvolvidas em parceria com empresas e marcas como Santista,

A iniciativa demonstrou como materiais que seriam descartados podem ganhar novas aplicações e valor por meio do design e da inovação. A proposta vai além da reciclagem convencional ao ressignificar resíduos e transformá-los em peças funcionais e elementos estéticos. O projeto reforça como a colaboração entre empresas e designers pode contribuir para o desenvolvimento de novos materiais e ampliar as possibilidades de reaproveitamento na indústria.

AUDACES - A transformação digital da indústria da moda ganha um novo impulso com soluções que integram criatividade, desenvolvimento e produção, a Audaces apresentou uma inovação tecnológica voltada à cria

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ção e ao desenvolvimento de produtos, com o objetivo de tornar esses processos mais rápidos, dinâmicos e criativos. Segundo a apresentação realizada pelo professor de vendas da empresa, a ferramenta permite

Aramis, Neriage e Macias Têxtil, que expuseram produtos confeccionados com fio Repreve. A presença das peças demonstrou as possibilidades de aplicação dos fios em diferentes segmentos, aproximando o desenvolvimento de materiais da criação de produtos e das demandas do mercado. A iniciativa reforça a importância da colaboração entre fornecedores de matéria-prima, indústria têxtil e marcas de moda para impulsionar soluções inovadoras e ampliar as alternativas para uma cadeia produtiva mais sustentável.

criar imagens realistas de produtos, gerar vídeos, desenvolver conteúdo para e-commerce e produzir fichas técnicas automaticamente. As informações podem ser integradas a um sistema PLM (Product Lifecycle Management), que permite gerenciar o ciclo de vida do produto e dar continuidade às etapas de desenvolvimento e produção. Um dos principais diferenciais é a redução do tempo de desenvolvimento. De acordo com a empresa, há casos em que etapas que anteriormente levavam nove semanas passaram a ser realizadas em apenas algumas horas.


LANÇAMENTOS LECTRA - A empresa apresentou soluções para aumentar a produtividade e a eficiência na indústria de confecção. Entre os destaques está a máquina I80, capaz de cortar até 80 camadas de tecido, incluindo materiais mais rígidos, como o jeans, mantendo a velocidade de operação. O equipamento conta com o acessório Front Print, que automatiza a etiquetagem das peças durante o processo de corte, reduzindo operações manuais. Outra inovação é a tecnologia patenteada Eclipse, que permite realizar o corte enquanto a esteira permanece em movimento, otimizando o tempo e a capacidade produtiva. A empresa também apresentou o Empower Fashion, serviço voltado à disponibilidade e ao desempenho dos equipamentos e da sala de corte. A solução prevê até 98% de disponibilidade operacional das máquinas e, caso o índice acordado não seja atingido, contempla o reembolso ao cliente, conforme as condições contratuais. As novidades reforçam o papel da automação e da tecnologia na busca por maior eficiência e competitividade na indústria de confecção.

EPSON - A empresa apresentou a impressora têxtil digital Monna Lisa, tecnologia versátil que trabalha com diferentes tipos de tinta, incluindo pigmentada, reativa e ácida; o equipamento foi demonstrado com configuração para impressão com pigmentos, destacando seu potencial de reduzir em até 90% o consumo de água, segundo a empresa. A tecnologia reforça a busca por processos mais sustentáveis na indústria têxtil, com menor utilização de recursos naturais e maior eficiência na impressão digital. Também em uma ativação, impressora SureColor F3070, demonstrando a agilidade da impressão digital têxtil em camisetas. Em parceria com a plataforma Customizar, especializada em personalização de peças, a tecnologia permitiu transformar uma fotografia enviada em uma estampa impressa

Agulhas Groz-Beckert

Tecidos com tecnologia de impressão Epson

em aproximadamente 50 segundos. A demonstração evidenciou o potencial da impressão digital sob demanda, que combina personalização, rapidez e criatividade, abrindo novas possibilidades para marcas, confecções e empreendedores que buscam oferecer produtos exclusivos e atender à demanda por peças personalizadas. A TABATEX de Americana com um portfólio de tecnologias voltadas à produtividade, à automação e à eficiência dos processos industriais. Em seu estande, a empresa reuniu soluções de suas representadas internacionais para diferentes etapas da cadeia têxtil, da fiação ao acabamento. Na área de tecelagem, um dos destaques foi a ITEMA, com tecnologias voltadas à versatilidade, à qualidade dos tecidos e à otimização da produção. Em fiação, a suíça ROTOCRAFT apresentou o sistema GreenCompact, destinado à compactação mecânica de fios, com foco na redução da pilosidade, no aumento da resistência e na melhoria da produtividade. O portfólio também incluiu soluções da BTSR para monitoramento e controle da qualidade dos fios, tecnologias da BMSvision para gestão inteligente da produção e sistemas da TVE Escale para processos de acabamento úmido, com foco na redução do consumo de água, energia e vapor. Com mais de 40 anos de atuação no mercado, a Tabatex reforçou sua estratégia de aproximar a indústria brasileira de tecnologias internacionais, oferecendo equipamentos, componentes, peças de reposição e suporte técnico para diferentes necessidades de produção. Revista Têxtil #798 I 39


LANÇAMENTOS A BROTHER apresentou a impressora GTXpro, voltada à impressão digital direta em tecidos e à personalização de peças. O processo permite preparar imagens em PNG por meio de um software específico, que também calcula o consumo de tinta antes do envio do arquivo à impressora. Na impressão sobre tecidos escuros, o equipamento aplica primeiro uma base de tinta branca e, em seguida, as cores, garantindo maior visibilidade e definição da estampa. O equipamento conta com sistema de recirculação de tinta branca, que ajuda a reduzir problemas de entupimento e a necessidade de purgas frequentes. Com tecnologia integrada de hardware, cabeças de impressão, tintas e software da Brother, a solução amplia as possibilidades de personalização e produção sob demanda, oferecendo mais agilidade e flexibilidade para empresas de confecção e marcas de moda.

Imagem acima impressão com maquinário GTXpro da Brother Imagem a direita pigmentos naturais Fratelli Ricci

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A FRATELLI RICCI, empresa de origem italiana estabelecida em Americana (SP) há mais de 20 anos, apresentou na Febratex soluções químicas para tinturaria, estamparia, acabamento e lavanderia. Entre os destaques estão os corantes minerais, que chegam ao mercado com maior facilidade de aplicação, ampliando as possibilidades de uso industrial. Aplicados em peças como camisetas e calças, os corantes minerais proporcionam efeitos vintage e estonados. O processo utiliza o corante combinado a um cationizador, responsável por promover sua fixação na superfície do tecido. Segundo a empresa, os produtos apresentam boa resistência à luz e às lavagens, inclusive a seco, superando um dos principais receios relacionados aos corantes de origem natural: o desbotamento. A proposta é levar os corantes minerais e vegetais, utilizados desde a Antiguidade, para a produção em larga escala, tornando essas alternativas mais acessíveis ao consumidor. Para isso, as peças passam por testes de solidez, garantindo desempenho e resistência no uso cotidiano. A iniciativa busca unir

tradição e inovação, oferecendo à indústria têxtil alternativas para diversificar os processos de tingimento e desenvolver produtos com identidade visual diferenciada. O objetivo é ampliar o alcance dessas soluções e contribuir para uma produção com impacto positivo em maior escala.

Professora Tati Laschuk, head de marketing da Fratelli Ricci com camisetas tingidas com pigmentos naturais


LANÇAMENTOS A RHODIA apresentou tecnologias da linha Amni® que agregam funcionalidades aos fios de poliamida, ampliando suas possibilidades de aplicação nos segmentos de moda, lingerie, esportivo, calçados e acessórios. Entre os destaques estavam o Amni® Virus-Bac OFF, fio desenvolvido com agentes antivirais e antibacterianos incorporados à matriz polimérica, e o Amni® Biotech Eco, tecnologia voltada ao controle das bactérias responsáveis pela formação de odores, contribuindo para manter a sensação de frescor durante o uso, mesmo após sucessivas lavagens. As soluções foram desenvolvidas em parceria com a TNS Nano e incorporam a funcionalidade diretamente ao fio, permitindo que ela acompanhe o artigo têxtil ao longo de sua vida útil. A proposta é oferecer produtos que combinem conforto, durabilidade, facilidade de manutenção e desempenho. O Amni® Biotech Eco também reúne atributos relacionados à tecnologia Amni Soul Eco®, voltada à biodegradação em condições específicas. Com essas soluções, a Rhodia reforça sua aposta em inovação e no desenvolvimento de materiais que atendam às demandas de desempenho e sustentabilidade da indústria.

A PROFIL apresentou o PHOTOSENSEFIL®, um fio fotossensível que muda de cor quando exposto à luz ultravioleta (UV). A tecnologia amplia as possibilidades de criação de tecidos e produtos interativos, oferecendo novas aplicações para a moda, o esporte e o desenvolvimento de materiais inovadores. A empresa também apresentou outros lançamentos, como SUNFIL®, ICEFIL® e VELLUTO®, reforçando seu portfólio de fios especiais para a indústria têxtil.

A CREORA, marca de elastano da sul-coreana Hyosung, destacou na Febratex 2026 as possibilidades de aplicação do elastano em diferentes segmentos da moda, do esportivo ao casual e à alfaiataria. A apresentação evidenciou como a tecnologia têxtil contribui para o conforto, a elasticidade, o ajuste e a liberdade de movimento das peças. Um dos destaques foi uma apresentação artística de técnicas aéreas de circo, que demonstrou, na prática, a importância da elasticidade e do desempenho dos tecidos em movimentos que exigem flexibilidade e resistência. A performance contou com marcas que utilizam elastano em seus produtos, aproximando tecnologia, moda e expressão artística.

Acima Profil abaixo Rhodia

Apresentação circense com tecidos de elastano Creora

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LANÇAMENTOS A chinesa CTMTC apresentou sua atuação no setor de máquinas e tecnologia têxtil. Fundada em 1984 e integrante do grupo estatal chinês SINOMACH, a empresa atua no comércio internacional de equipamentos e soluções para diferentes etapas da cadeia produtiva, incluindo fiação, fibras químicas, tecelagem e não tecidos. Sua presença no evento reforça o interesse dos fornecedores chineses no mercado brasileiro e nas oportunidades de modernização tecnológica da indústria.

ETIQUETA CERTA - Com uma nova versão de sua plataforma de criação e gestão de etiquetas, capaz de atender às exigências legais de mais de 30 países. A principal novidade é a incorporação de inteligência artificial para orientar os usuários sobre normas de etiquetagem e requisitos regulatórios de diferentes mercados. A tecnologia auxilia marcas e confecções a verificar informações obrigatórias, idiomas e símbolos de conservação, contribuindo para reduzir erros, evitar problemas na comercialização e facilitar a exportação de produtos têxteis e de moda. SILMAQ - Com tecnologias que apontam novos caminhos para a automação da indústria de confecção. Um dos destaques foi o AITU AI Robot, sistema desenvolvido na China que utiliza inteligência artificial e visão computacional para manipular tecidos flexíveis e realizar operações de alimentação de máquinas de costura. A tecnologia identifica, separa, posiciona e alinha os tecidos, contribuindo para aumentar a produtividade e reduzir a dependência de operações manuais. A demonstração também chamou a atenção pelo conceito de robôs trabalhando em postos de costura, como costureiros sentados diante das máquinas. A proposta de automação avançada inclui a possibilidade de um operador utilizando óculos de realidade virtual para supervisionar e comandar múltiplos robôs simultaneamente, integrando inteligência artificial, robótica e interação humana ao ambiente produtivo. A iniciativa reforça a busca por soluções para enfrentar a escassez de mão de obra qualificada e tornar os processos de con-

fecção mais eficientes e integrados. DELTA Máquinas Têxteis - Com a RNS 2000, uma revisadeira de tecidos que combina inteligência artificial, automação e rastreabilidade de dados. O equipamento utiliza câmeras de alta precisão para identificar defeitos e registrar informações como largura, peso, gramatura e rendimento, contribuindo para aprimorar o controle de qualidade e a eficiência dos processos industriais. A máquina pode operar a velocidades de até 40 metros por minuto e conta com recursos de automação, incluindo a opção de troca automática de tubetes. A tecnologia busca reduzir intervenções manuais, padronizar a inspeção e fornecer dados que auxiliem a tomada de decisões na indústria têxtil. Com equipamentos que atendem diferentes etapas da produção, a Delta reforça sua aposta em tecnologias que reduzem intervenções manuais, melhoram o controle dos processos e aumentam a eficiência industrial.

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LANÇAMENTOS Saurer destacou a Autoairo, tecnologia de fiação a jato de ar desenvolvida para elevar a produtividade e a eficiência na fabricação de fios. O equipamento combina automação avançada e recursos digitais para otimizar o processo de fiação, oferecendo maior confiabilidade operacional e novas possibilidades para a produção têxtil. aA tecnologia permite produzir fios com rapidez e qualidade, contribuindo para a competitividade das fiações. A Autoairo integra o portfólio de soluções da fabricante alemã, que atende diferentes etapas da cadeia de produção de fios. A alemã TRUTZSCHLER apresentou a carda TC 30i, tecnologia de preparação de fibras para fiação que combina alta produtividade, qualidade do fio e eficiência no aproveitamento de matérias-primas. O equipamento conta com o sistema inteligente T-GO, que ajusta automaticamente a distância de cardagem, contribuindo para resultados consistentes independentemente da experiência do operador. A máquina possui 35% mais flats ativos e comprimento de cardagem 14% maior, características que favorecem o desempenho e a qualidade do processamento. Outro destaque é o sistema de aspiração e separação de resíduos, que permite reutilizar mais de 50% dos resíduos de cardagem com qualidade. A tecnologia pode processar diferentes matérias-primas, incluindo fibras recicladas, reforçando a busca por produtividade e sustentabilidade na indústria têxtil.

Saurer

A suíça RIETER destacou tecnologias voltadas ao aumento da produtividade, à automação e à eficiência energética na indústria têxtil. A participação ocorreu em um momento estratégico para o grupo, que concluiu, em fevereiro, a aquisição da Barmag, ampliando sua atuação para abranger também sistemas de produção de fibras químicas. A operação fortalece o portfólio da Rieter, que passa a reunir soluções para o processamento de fibras naturais e sintéticas, com oportunidades de avanço em automação e digitalização e ampliando sua capacidade de atender diferentes etapas da cadeia de produção de fibras e fios. Entre os equipamentos destacados pela Rieter estavam a máquina de fiação a rotor R 70 e a OMEGAlap E 40, destinada à preparação para penteagem. A R 70 oferece ganhos de produtividade que podem variar de 7% a 15%, dependendo da aplicação, sem comprometer a qualidade do fio. Já a OMEGAlap E 40 alcança uma produção de até 800 kg por hora, aumento de 33% em relação ao modelo anterior. O equipamento também proporciona redução de 30% no consumo de energia e de 63% no consumo de ar comprimido.

TRUTZSCHLER imagem ao lado, carda TC 30i Imagem central, Interior da TC 30i

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EVENTOS

AMERICANA REÚNE MAIS DE 10 MIL PESSOAS NA 16ª CAMINHADA DO ROSA DO BEM Foto: Fotop

MOBILIZAÇÃO PELA CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE O CÂNCER DE MAMA CELEBROU OS 15 ANOS DO INSTITUTO E LEVOU UMA MULTIDÃO VESTIDA DE ROSA À AVENIDA BRASIL

M

ais de 10 mil pessoas participaram, no dia 18 de outubro, da 16ª Caminhada Por Amor à Vida, promovida pelo Instituto Rosa do Bem, em Americana (SP). A Avenida Brasil foi tomada por um mar rosa-claro em uma mobilização que reuniu pessoas de todas as idades em prol da conscientização sobre o câncer de mama, da prevenção e da valorização da vida. A edição deste ano teve um significado especial ao integrar as comemorações dos 15 anos de atuação do instituto, que desenvolve ações voltadas à conscientização e ao incentivo ao cuidado com a saúde. Ao longo de sua trajetória, o Rosa do Bem consolidou a caminhada como um dos principais momentos de mobilização da comunidade em torno da causa. Para a presidente do instituto, Maria Fernanda Grecco Meneghel (CEO da Di Grecco), a participação do público representa o reconhecimento de um trabalho construído coletivamente. Ela destacou a emoção de ver milhares de pessoas unidas pelo amor à vida e agradeceu aos participantes, parceiros e apoiadores que contribuíram para a realização do evento. Um dos momentos mais emocionantes foi a apresentação do tenor brasileiro Cesar Camargo, que interpretou uma versão de “Aleluia” durante a soltura dos balões. A apre-

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sentação reforçou a mensagem de esperança, gratidão e união que caracteriza a iniciativa.

9 MIL CAMISETAS A adesão à campanha também se refletiu na procura pelas camisetas oficiais. Foram trocadas 9 mil unidades da edição 2026, e os vales-camiseta se esgotaram no sábado, véspera da caminhada. Mesmo sem os vales, muitos participantes compareceram com camisetas de edições anteriores, contribuindo para formar o grande mar rosa na avenida. A realização contou com o apoio de empresas e instituições, entre elas Di Grecco, Walfran, Supermercados São Vicente, House Jeans, Lojas Kacyumara, Fótica, Ameripan, FAM, Beppo e Veraninho Sorvetes (Time Us Migué). Nesta edição, também participaram Farmácias Pague Me

Maria Fernanda Grecco Meneghel CEO da Di Grecco e presidente do inst. Rosa do Bem

nos, CP Placas Eletrônicas, Hotel Florença, Senac e Meta Materiais Elétricos. A Vox 90 foi a rádio oficial, com apoio dos demais veículos de comunicação de Americana. Ao completar 15 anos, o Rosa do Bem reafirma a importância da mobilização coletiva para ampliar a conscientização sobre o câncer de mama e fortalecer a cultura de prevenção e cuidado com a saúde.


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Revista Têxtil #798 I 45


CAPA

IRRITA: ESTAMPAS QUE TRADUZEM A VIDA

Por Fred Haydu e entrevista por Dudu Bertholini

RITA COMPARATO TRANSFORMA EXPERIÊNCIAS PESSOAIS EM ESTAMPAS QUE EXPLORAM O CORPO, A MATURIDADE E A CAPACIDADE DE SE REINVENTAR.

N

a coleção da Irrita, Rita Comparato transforma vivências pessoais em linguagem visual. Em parceria com o artista Lucius Vilar, desenvolve estampas que vão além da estética e convidam a olhar para o corpo, o tempo e as experiências que nos modificam. Em “Fases e Farpas”, os desenhos conectam a criação à vida real, com liberdade, humor e ousadia. Em Fases, a inspiração vem da maturidade e da relação com o passar dos anos. A composição parte de desenhos de corpos femininos, explorados em diferentes escalas, em uma proposta que valoriza a passagem do tempo, as memórias e a liberdade de ser quem se é. A estampa celebra o amadurecimento e o respeito à própria trajetória. Já Farpas nasceu da união de dois desenhos de Lucius Vilar: as formas pontiagudas que dão nome à estampa e os quadrados que, na interpretação de Rita, remetem aos glóbulos, à quimioterapia e às reações do corpo. A criação aborda as experiências dolorosas como parte dos processos de transformação pessoal. A dor deixa marcas, mas também pode provocar mudanças, ampliar perspectivas e contribuir para a construção de novas formas de enxergar a vida. A inspiração também passa pela imagem da pérola, formada a partir do incômodo de um grão de areia.

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Fotografia: Graziella Fraccaroli Assistente de fotografia: Miguel Castaño Direção criativa: Rita Comparato e Dudu Bertholini Beleza: Paulo Schettini e Bruno Cardoso Cenografia: Kleber Matheus


Essa metáfora traduz a proposta de Farpas: reconhecer que experiências difíceis podem dar origem a novas descobertas. A estampa ganha diferentes versões, como Farpa Sangue, Farpa Raiz e Farpa Arame. Toda a coleção foi impressa na Di Grecco, em Americana (SP), empresa de Maria Fernanda Grecco Meneghel, ligada a iniciativas sociais de conscientização e prevenção ao câncer de mama, como as ações do Instituto Rosa do Bem, que incluem a Caminhada Por Amor à Vida e a arrecadação de alimentos para entidades assistenciais. Para esta edição, a Revista Têxtil convidou Dudu Bertholini para entrevistar Rita Comparato, nossa capa. Em uma conversa sobre estampas, modelagem, criação e a superação do câncer de mama enfrentado pela estilista, a entrevista amplia o olhar sobre a relação entre moda, corpo e experiências pessoais. Toda a equipe da Revista Têxtil se solidariza com a causa da prevenção ao câncer de mama. Acreditamos na importância de desmistificar a doença, compartilhar histórias de superação e reforçar a atenção aos cuidados preventivos. Informação, acolhimento e diagnóstico precoce são fundamentais nessa jornada.

Dudu Bertholini entrevista Rita Comparato Dudu Bertholini: O que você acha que as estampas representam para você? Por que você acha que as estampas são uma escolha constante na sua vida e na sua trajetória? Rita Comparato: Quem estampa seus males espanta.

“Quem estampa seus males espanta” - Rita Comparato


CAPA DUDU: Linda resposta! Elas ajudam a espantar os seus males e os de quem você veste? RITA: Elas ajudam. A cor, o uso e o ato de vestir as pessoas com estampas ajudam a espantar os males das pessoas e do mundo, eu acho que, assim, o meu trabalho é o jeito como eu penso. Então, o que eu crio, o que eu penso de uma forma, o que eu vejo nas cores, o quanto a natureza me inspira na proporção e na harmonia... Acho que o que me salva de dias sombrios é como posso transformar tudo isso em ideias, sejam elas estampas, modelagens ou cores juntas. DUDU: E na modelagem, né? RITA: Eu acho que a modelagem tem algo que me ensina muito sobre você. É uma lógica pragmática, de quem gosta de entender como as coisas funcionam. Tem uma sinceridade, uma clareza e uma simplicidade, mas está sempre associada à intuição. Não é apenas o preto no branco ou uma regra matemática. Pelo contrário, é preciso sensibilidade e intuição para interpretar a modelagem. Eu acho que a modelagem é uma coisa de mão na massa. Então, eu me irrito um pouco com essa coisa de ficar só falando, falando, falando e não fazer. Na modelagem, eu não falo: eu tenho que fazer. E ela fala por si só. As coisas vão acontecendo. Então, é a prática, é a ação. Não é a fala, é a ação. E, nessa mistura, a modelagem tem o pragmatismo e a lógica junto com a intuição e a sensibilidade. Sabe que quando fui internada e saí, estava sem trabalho. Não podia ver os amigos, não tinha mais meu trabalho. Então, o que me salvava era saber que eu podia criar

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mesmo assim, que podia olhar para uma flor, achá-la linda e pensar em alguma coisa. E isso me leva para esse lugar, entende? Tira-me dos abismos e dos pensamentos sombrios. DUDU: Então, é como se fosse um salva-vidas, né? RITA: Sim, eu sei que tenho esse lugar.

DUDU: Mas, ao mesmo tempo, você é uma pessoa intuitiva, criativa. De forma nenhuma quer deixar a vida ficar presa a uma regra matemática? RITA: Você quer sempre ter uma margem de erro, de intuição, de paradoxo em você.

Rita Comparato e suas estampas para a marca Irrita


CAPA DUDU: E do que você mais se orgulha no seu trabalho? RITA: Do meu filho, de quem tenho orgulho mas, eu diria que sinto prazer no que faço. DUDU: E você junta gente, porque não faz nada sozinha; é muito legal ir levando todas essas pessoas juntas, né? RITA: Sim. As pessoas que trabalham comigo, quem faz o tecido, quem faz a estampa, quem a monta comigo... Vai-se reunindo todo mundo. Acho que tem uma energia, e tem alma. Mas é uma alma que não precisa ser perfeita. Estou sempre tentando ter cada vez mais prazer nas coisas que faço, em vez de tentar ser perfeita. DUDU: E, no caso da estampa, só para retificar aqui na entrevista. “Lá na Neon, quando tínhamos a marca, chamávamos inúmeros artistas plásticos para criar as estampas”. Hoje, você desenha e assina com um gesto pessoal, com

a própria mão. É você quem ilustra a maioria das estampas e também participa de todo o processo. Então, o que há de mais incrível nisso? Conta. RITA: Com a maturidade, acho que venho percebendo algumas coisas. Antes, eu dividia modelagem e criação. Hoje, acho que a modelagem tem um estilo. Como faço a modelagem, percebo que ela tem a minha linguagem. Então, vou criando isso. E, na estampa, além da mágica das cores, que acho incrível quando você mistura uma cor com outra e ela vira uma terceira cor, acho lindo tudo isso que se transforma. O que me encanta muito na estampa é que, às vezes, as pessoas dizem: “Ai, quero fazer estampa”, e mandam uma proposta. Eu não gosto de estampa chata. E, quando digo chata, quero dizer aquela estampa que você já decodifica, sabe? Gosto de estampa que dança, que faz o olhar percorrer, que provoca. Que não é tudo igualzinho. Gosto disso nas pessoas, gosto disso na vida, porque não gosto dessa coisa de um mais um ser igual a dois, que é “nã, nã, nã, nã, nã”. DUDU: E, antes mesmo de falar sobre o seu trabalho, você falou do seu filho, do Tião. O que a maternidade transformou em você? RITA: Tem muitas coisas que não sei explicar, mas, basicamente, ele mudou tudo. A maternidade tem essa coisa... Acho que é o maior amor que já senti na vida, porque ele é realmente incondicional.

As três fotos são da coleção 2027 “Fases e Farpas”

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CAPA DUDU: Além de o Tião ter sido uma experiência absolutamente transformadora, você também passou por um episódio muito transformador e desafiador que, neste mês de outubro, ganha um sentido ainda mais especial. A superação de um câncer de mama, que você enfrentou no ano passado. Você passou por isso com muita coragem, com muita força, como é a sua marca de ser e de fazer as coisas. Você também nos inspirou de várias formas com a sua maneira de ser. O que representou para você e o que representa hoje ter enfrentado essa doença, que ainda carrega tanto estigma e medo? RITA: O que vou falar agora ninguém vai entender, mas, enfim... O que eu ia falar é que foi maravilhoso. Eu realmente expressei isso na coleção de estampas que fiz, Fases e Farpas. As farpas representam aquilo que dói, mas não se trata apenas da dor. Trata-se de como a dor é transformadora e de colocar a dor não no lugar de vítima e de sofrimento, mas no lugar da transformação. Viver o momento com calma, um dia por vez... Acho que essas experiências foram me treinando para o que poderia acontecer. Desde criança, sempre fui desafiada a construir as coisas sem seguir uma narrativa linear, dentro do padrão. Sempre fui desafiada, de alguma forma, a descobrir força, beleza e transformação. DUDU: E, mais uma vez, quando olhei Fases e Farpas e vi a maneira como você traduziu tudo isso nas mais belas estampas, cheias de sensibilidade, vi um romantismo que não é banal, nem óbvio, nem romântico no sentido convencional. É um romantismo esperançoso, otimista e verdaFotos: Acervo pessoal

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deiro, que não deslegitima as dores e as cicatrizes, mas as ressignifica. RITA: Você não é tão grande e não é tão importante. Digo isso no sentido de não achar que você é a pessoa mais sofrida do mundo e ficar se perguntando: “Por que isso está acontecendo comigo?”. Acho que, toda vez que a gente leva um baque, se pergunta: “Mas por que isso está acontecendo comigo?”. Ao mesmo tempo, é não dar importância demais àquilo que parece importante. É o “só por hoje”, em cada momento: na doença, no câncer, no enfrentamento, nas conquistas e nas dores. DUDU: E, quando você diz que foi uma experiência maravilhosa, isso jamais significa deslegitimar a dor de quem quer que esteja passando por isso. RITA: Jamais. É um entendimento para além disso: talvez compreender que os maiores desafios que nos são apresentados também são aqueles dos quais surgem os maiores aprendizados.

DUDU: Como diz minha sábia mãe: “A vida bate forte”. RITA: Como diz Regina Bertolini: “A vida bate forte”. E, quando veio o câncer, é lógico que pensei a mesma coisa que pensei todas as vezes em que passei por alguma dificuldade. Fiquei apavorada, o coração chorava. “Por que isso está acontecendo comigo? Por que eu? Tanta coisa que já passei, para quê?” Não sei o quê... Tomei antidepressivo e remédio para dormir, porque dormia uma hora por noite por causa do câncer, sabe? Meu pai morreu de câncer. Então, não vou dizer que foi suave. Houve angústia, medo, raiva, muita coisa misturada. Fiz muitas quimioterapias chorando, com as lágrimas caindo pesadas. Eu lutava com as forças que tinha, fragilizada, muito fragilizada, porque nem eu sabia o quê... Eu só pensava, muito dentro de mim, que aquilo não podia ser apenas uma doença, sabe? Eu não tinha certeza alguma, mas sentia que precisava tirar alguma lição daquilo.


CAPA É um tratamento muito psicológico, porque é um processo demorado, e cada quimioterapia vai abatendo você cada vez mais. Toda vez, eu precisava me lembrar de que era diferente, de que podia ser diferente dos outros. Quando fiquei doente, comecei a conversar com o Tião, meu filho. Ele ainda mamava, e fui explicando o que iria acontecer comigo, que eu ia ficar careca, mas que ele poderia pintar a minha cabeça. Aí ele falou: “Mamãe, posso chamar meus amigos para pintar a cabeça?”. Eu falei: “Lógico que pode”. E as coisas foram acontecendo. Depois, fomos para uma praia um dia, e eu falei: “Alguém leva guache? Porque a gente poderia pintar a cabeça”, não sei o quê... Lá na praia, uma menininha de dois anos tinha um kit de guache com 12 cores, e a mãe dela era fotógrafa. Foi a coisa mais linda: as crianças pintando a minha cabeça. Foi a cena mais linda que eu já sonhei em viver. Nunca sonhei com isso, porque também nunca pedi câncer. Eu olhava para as mães, que são minhas amigas, com os olhos lacrimejando, e via as fotos maravilhosas.

A vida é uma surpresa, uma caixinha de surpresas. Lembro também de quando fui internada. Eu tinha ido a uma astróloga, e ela falou: “Rita, deixa a mudança vir. Não fica lutando”. Acho que o câncer tem isso, né? Não tem como lutar contra você mesma. Você caiu na poça, agora tem que ir. E Deus é o seu melhor parceiro. Hoje, passado tudo isso, deu tudo certo, graças a Deus. Tenho uma longa vida pela frente. Durante o tratamento, comecei a pintar minha sobrancelha. Cada vez que ia ficando mais debilitada, ia me arrumando mais, escolhendo a roupa. A moda comunica, e nós sempre fizemos da roupa uma ferramenta de expressão, num sentido ainda mais radical do que isso significa. Usava os lenços mais lindos, aqueles que você sempre amou, os lenços étnicos. E eu realmente me achava linda. Isso é a coisa mais chique de tudo: usar um blazer listrado de marrom e verde, da Saint Laurent, uma peça icônica do meu armário. DUDU: Agora conta, Rita: qual era a música que te tocou? RITA: “Você é um sujeito de sorte. Ano passado eu morri, este ano eu não morro”.

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CAPA DUDU: A maneira como essa música permeia todos esses capítulos... Sujeito de Sorte foi a trilha sonora que você escolheu para esse momento de superação e ressignificação. Ela traduz esse olhar. Por amor à moda, por ter uma marca e por tudo o que vivemos, esses foram momentos da minha história com você que me mostraram muita coisa. Agora, quero falar sobre como toda essa beleza e essa força se traduzem, por exemplo, em Fases e Farpas, a coleção de alto verão, ilustrada aqui nesta entrevista com uma campanha belíssima que tivemos a chance de fazer. Conta para a gente como tudo isso transformou Fases e Farpas dentro do seu processo criativo. Além da inspiração, fala um pouco das matérias-primas. Você é uma mulher raiz na vida e na moda, que sempre usa tecidos naturais e escolhe o linho, a viscose e a seda na sua forma mais pura para traduzir as estampas. Como Fases e Farpas e Rita 2026/2027 traduzem esse momento? RITA: Tudo o que faço, tento criar com um pouco mais do meu mundo. Acho que não se trata de criar algo novo, mas, quando você fala de si, aquilo fica novo, porque você está falando com propriedade. Nas estampas, vou permeando as coisas da vida. Quando meu pai morreu, fiz a estampa Saudades, com todas as coisas que ele amava: o cachorro que ele comprou para eu aprender a andar, porque eu não andava; a praia a que ele sempre ia; a máquina de escrever, porque ele queria ser escritor. Fui juntando esses desenhos. Hoje, por exemplo, convivo muito mais com meu pai do que convivia antes, porque falo com ele o tempo

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inteiro. Agora, ele é um ser onipresente. Então, vou costurando tudo isso com a minha vida. Logicamente, eu iria costurar também tudo o que vivi. As “fases” têm um pouco dessa história que contei até agora. E as “farpas” têm a ver com esse processo da dor de que falei, com a ideia de reverenciar a dor mais como algo que nos transforma. Acho que é assim que elas nos transformam e nos tornam mais fortes. Outra coisa que aprendi com o câncer é que não se trata do que acontece com a gen-

te, mas de como reagimos às coisas que acontecem com a gente. DUDU: Uma bela lição que vai muito além da moda; para a vida. Rita, conta um pouquinho do seu trabalho, do seu processo criativo. RITA: A roupa da Rita permite que cada pessoa que a usa coloque ali a sua personalidade. No fundo, qualquer roupa pode fazer isso, mas a roupa da Rita tem muito disso e, ao mesmo tempo, traz muito de você.

Coleção 2027 da Irrita: “Fases e Farpas”


CAPA DUDU: Você usa basicamente as mesmas matérias-primas, com inovações. Introduz alguns materiais, mas mantém uma fidelidade aos tecidos naturais. Queria que você falasse sobre isso, sobre as modelagens, a forma da roupa, a sua visão de ser e criar. Na forma, na modelagem, no estudo dos corpos que você faz... Acho que a modelagem é um diferencial quando você é uma estilista que também modela, é a modelagem que dá vida ao desenho. RITA: Quando estou modelando, a peça vai se transformando. Aquilo

Dudu e Rita

que pensei vai encontrando outros caminhos enquanto modelo. E eles têm que ser inteligentes, práticos e tentar ser o mais sharp possível. A roupa da Rita tem muito disso. É uma roupa prática, que não aperta, que deixa você glamourosa, mas que também tem praticidade. É uma simplicidade sofisticada, mas continua tendo essa simplicidade, não tem?É uma simplicidade que parece fácil, mas não é fácil de alcançar. É uma simplicidade sofisticada. Uma boa modelagem cabe em vários corpos, então acho que esse é o princí

pio. E não pode haver nada falso ou que não tenha sido pensado. Se tem um bolso, ele tem que ser um bolso de verdade, no qual você consiga colocar coisas e de onde elas não caiam. Então, eu só modelo aquilo que... Não é só aquilo de que gosto, mas não modelo algo pensando: “Ah, porque isso é tendência, mas eu não gosto, só que vai vender”. Não! Todas as roupas que faço são roupas que eu usaria. DUDU: Qual é a importância do têxtil para você? Qual é a sua relação com o tecido, com o tecido como ponto de partida no seu trabalho e na Rita? RITA: Acho que os tecidos, assim como as cores, transformam qualquer coisa. Dependendo do tecido, aquilo vira outra coisa. São surpresas muito agradáveis. É muito legal porque, por mais que você conheça um tecido, às vezes nem tem controle sobre ele. Quer dizer, nem domina todas as propriedades de cada tecido. Cada um tem um caimento, e saber qual deles vai cair melhor para a modelagem que você fez faz parte de criar uma roupa. Então, acho que, para mim, a moda é muito “marcha dos pinguins”, sabe? Todas as etapas são muito importantes. Acho que é a junção de todas elas que faz dar certo. Agora, a gente está na Revista Têxtil, uma plataforma com quase cem anos de história. É preciso somar a minha vida, a sua e mais um tanto para que a gente exista. Amei. DUDU: Obrigado Rita, uma aula de superação e pura inspiração, e a importante mensagem de um outubro rosa, de prevenção, de amor, de têxtil, moda e de vida. Te amo. RITA: Te amo. Revista Têxtil #798 I 53


MERCADO

QUANDO A MODA ROMPEU O SILÊNCIO SOBRE O CÂNCER DE MAMA Por Daniela Marx

ENTREVISTA COM RICARDO BELLINO

H

á 31 anos, a campanha O Câncer de Mama no Alvo da Moda une indústria têxtil, grandes marcas e personalidades em torno da saúde das mulheres. Ricardo Bellino, um dos protagonistas de sua chegada ao Brasil, relembra os bastidores de um movimento que atravessou gerações.

A moda sempre soube vestir o corpo da mulher. Em 1995, ela aprendeu também a cuidar dele. Na década de 1990, a moda vivia a era das supermodelos, das grandes campanhas publicitárias e de uma indústria que influenciava comportamentos e movimentava bilhões ao redor do mundo. No Brasil, o país atravessava um período de transformações econômicas e sociais, impulsionadas pelo Plano Real, enquanto o câncer de mama ainda era um assunto cercado de medo, preconceito e silêncio. Foi nesse cenário que o empresário Ricardo Bellino, conhecido por sua atuação ao lado de John Casablancas e pela implantação da Elite Models no Brasil, enxergou uma oportunidade de utilizar toda essa influência para uma causa que precisava ganhar visibilidade. Fotos: Divulgação

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A inspiração surgiu em 1994, diante de uma vitrine de Ralph Lauren, em Nova York. Sensibilizado pela luta de sua amiga Nina Hyde, jornalista de moda do The Washington Post, contra o câncer de mama, o estilista havia criado a campanha Fashion Targets Breast Cancer, reunindo grandes nomes da moda americana

em torno da conscientização sobre a doença. Bellino decidiu trazer a iniciativa ao Brasil. Em 1995, o país se tornou o primeiro fora dos Estados Unidos a receber a campanha O Câncer de Mama no Alvo da Moda, com o Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC) como instituição beneficiada.


MERCADO A mobilização reuniu nomes como Constanza Pascolato, Tufi Duek e Nelson Alvarenga, além de grandes marcas como Hering, Forum, Ellus e M.Officer. Artistas, modelos e personalidades também emprestaram sua imagem à causa, ajudando a levar a mensagem para as vitrines, as ruas e os meios de comunicação. Somente no primeiro ano, foram comercializadas cerca de 400 mil camisetas com o alvo azul. Ao longo de sua trajetória, a campanha ultrapassou a marca de 14 milhões de camisetas vendidas, segundo números divulgados sobre a iniciativa, consolidando-se como um dos movimentos de conscientização mais reconhecidos da moda brasileira. Mais do que arrecadar recursos, a campanha contribuiu para ampliar a discussão sobre o câncer de mama em uma época em que muitas mulheres ainda enfrentavam a doença sem informação suficiente ou espaço para falar abertamente sobre ela. A moda utilizou sua capacidade de influenciar comportamentos e conectar pessoas para dar visibilidade à importância da conscientização e do diagnóstico precoce. A moda movimenta uma cadeia enorme de empresas, profissionais e consumidores, influencia comportamentos e tem uma capacidade extraordinária de mobilização. Mas o que acontece quando toda essa força se une em torno de uma causa? E mais do que isso, quando um propósito social se transforma em um modelo de negócio capaz de gerar recursos, envolver empresas e sustentar uma iniciativa por décadas?

É sobre essa conexão entre moda, empreendedorismo e impacto social que converso com Ricardo Bellino, o empresário que ajudou a trazer ao Brasil uma campanha que, 31 anos depois, continua fazendo história. Revista Textil: Ricardo, em 1994 Ralph Lauren tinha acabado de acompanhar a luta de uma amiga, a jornalista Nina Hyde, contra o câncer de mama, e criou o alvo azul em Nova York. Pouco tempo depois, foi você, um empresário que vinha do universo da Elite Models, quem trouxe essa causa para cá, e o Brasil se tornou o segundo país do mundo a realizar a campanha. O que te fez olhar para aquela iniciativa e decidir que ela precisava existir aqui? Ricardo Bellino: Houve uma pessoa fundamental nessa história: Constanza Pascolato. Ela já era uma grande referência da moda brasileira e havia sido uma verdadeira madrinha na minha trajetória com a Elite. Quando eu buscava uma instituição para completar a estrutura da campanha, recebi pelo correio uma carta do IBCC solicitando uma doação. Aquela correspondência, que poderia ter passado despercebida, abriu uma janela na minha mente. Entrei imediatamente em contato com Constanza. Ela havia enfrentado e superado um câncer de mama, com atendimento de Sampaio Góes, ligado ao próprio IBCC. Portanto, conhecia a importância daquele trabalho de uma forma que ia muito além de qualquer apresentação que eu pudesse fazer. Constanza se empenhou pessoalmente em me conectar

Ricardo Bellino

aos grandes nomes da moda brasileira. Entre eles estavam Tufi Duek, da Fórum; Nelson Alvarenga, da Ellus; Valdemar Iódice, da Iódice; e Carlinhos, da M. Officer. Essas marcas vestiram a causa e ajudaram a mobilizar o setor. A adesão tinha uma coerência muito forte: uma indústria tão ligada à imagem e ao corpo feminino podia também assumir um compromisso com a saúde das mulheres. Minha rede abriu portas, mas a experiência e a credibilidade de Constanza deram à mobilização uma força especial. Ela ajudou a transformar uma proposta em um compromisso compartilhado. RT: A primeira edição brasileira vendeu 418 mil camisetas e entrou para o Guinness. Mais de 400 artistas emprestaram a imagem de forma voluntária, incluindo Gisele Bündchen antes de se tornar a Gisele que

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PREVIEW miseta mais cara do mundo naquele momento. Era uma demonstração impressionante de como um objeto simples podia adquirir valor quando reunia uma personalidade querida e uma causa relevante. Ao longo dessa trajetória, ultrapassamos 14 milhões de camisetas vendidas e US$ 50 milhões arrecadados e destinados à pesquisa e ao tratamento do câncer. Esses resultados pertencem a uma construção coletiva. Meu papel foi conectar as pessoas e ajudar a organizar a operação. A força veio de milhares de parceiros e consumidores que fizeram o símbolo circular e o compromisso continuar. RT: Por trás de cada camiseta com o alvo azul existe uma mulher. Uma que fez o autoexame pela primeira vez, outra que marcou a mamografia que vinha adiando, outra que descobriu a doença a tempo. Quando diagnosticado cedo, o câncer de mama tem até 95% de chance de cura. Em trinta anos de campanha, que histórias chegaram até você? Teve alguma que você nunca esqueceu? o mundo conhece. Mais de 80 milhões de reais foram para o IBCC, e tudo isso sem verba de marketing. Olhando para trás, a que você atribui essa força? Ricardo Belinno: À combinação de simplicidade, confiança e capacidade de execução. O alvo azul era reconhecível, a camiseta era acessível e participar era fácil. Mas, por trás dessa simplicidade, havia uma operação que reunia indústria, varejo, comunicação, artistas e uma instituição de saúde. A Hering deu viabilidade fabril e logística. O IBCC

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deu sentido e destino aos recursos. As marcas brasileiras ampliaram a adesão. Artistas, modelos e veículos de comunicação levaram a mensagem ao público. Cada participante contribuía com aquilo que sabia fazer melhor. Os leilões de 1995 traduzem bem essa energia. Com o apoio do Grupo Renasce, realizamos dois eventos, no BarraShopping e no MorumbiShopping, que, juntos, superaram US$ 300 mil em arrecadação. A camiseta autografada por Xuxa foi arrematada por mais de 80 mil e entrou para o Guinness como a ca-

Ricardo Bellino: Uma história que nunca esqueço é a de Constanza. Ela está no começo de tudo e representa, para mim, a dimensão humana dessa campanha. Eu a conhecia como uma mulher de enorme influência na moda e como alguém que havia me apoiado na minha trajetória. Ao procurá-la para falar do IBCC, encontrei também alguém que conhecia pessoalmente o medo da doença, o tratamento e a importância de receber cuidado. Ela colocou essa experiência e seus relacionamentos a serviço de outras mulheres. Isso me marcou profundamente:


MERCADO alguém que havia enfrentado um momento tão difícil escolheu ajudar a abrir caminhos para que outras pessoas também encontrassem apoio. Essa lembrança impede que a campanha se resuma a números. A arrecadação é essencial, mas seusignificado está no que ela permite realizar: pesquisa, atendimento e tratamento. Por trás de cada camiseta existe a possibilidade de uma conversa começar, de uma mulher procurar orientação e de uma instituição ter mais recursos para cuidar. Não cabe a mim atribuir à campanha o resultado clínico de uma paciente. Mas me emociona saber que contribuímos para sustentar o trabalho dos profissionais que dedicam a vida a isso. Esse é um dos legados mais importantes da minha trajetória. RT: Você sempre tratou o alvo azul também como um negócio, com licenciamento, marcas parceiras e produtos que geram receita. Hoje se fala muito em propósito, mas pouca gente na indústria da moda sabe transformar uma causa em algo que se sustenta e também dá resultado. Como você estruturou isso para que funcionasse para o IBCC, para as marcas e para você? E o que diria a uma marca ou indústria que quer abraçar uma causa maior de verdade? Ricardo Bellino: Eu entendi desde o início que a causa precisava de uma estrutura capaz de sustentá- la. Era necessário fabricar com qualidade, distribuir, comunicar, administrar e definir a contribuição destinada à instituição. A Hering foi decisiva porque trouxe capacidade produti-

va e logística. O IBCC, fundado pelo professor João Sampaio Góes Júnior, era uma instituição de prestígio, com um trabalho concreto ao qual direcionar os recursos. As marcas, os artistas e os veículos ampliaram o alcance. Minha contribuição foi articular essas competências e ajudar a transformar a intenção em operação. A camiseta foi o primeiro grande veículo. O licenciamento e os produtos parceiros ampliaram as possibilidades de participação e de geração de receita para a causa. Para o IBCC, havia recursos e visibilidade. Para as marcas, uma oportunidade de envolver sua operação e seus consumidores em um compromisso relevante. Para mim, havia uma realização empreendedora que mudou a maneira como eu compreendia o valor dos meus próprios relacionamentos.

continuem vestindo a causa. A história de O Câncer de Mama no Alvo da Moda nos mostra que propósito e negócios podem caminhar juntos, gerando resultados que ultrapassam os interesses comerciais. Ricardo Bellino soube conectar marcas, pessoas e instituições em torno de uma causa que atravessa gerações. E essa trajetória deixa uma reflexão para toda a indústria: se a moda tem tanto poder para despertar o desejo de consumir, por que não utilizar essa mesma força para despertar consciência, solidariedade e transformação social?

Hoje falo muito em capital de relacionamento. Essa campanha foi uma das experiências que me ensinaram, na prática, o que isso significa: transformar confiança e conexões em algo útil para outras pessoas. A uma empresa que deseja abraçar uma causa, eu diria: procure uma instituição séria, estabeleça uma contribuição clara e coloque sua competência a serviço dela. Quem fabrica pode contribuir com produção; quem distribui, com alcance; quem comunica, com informação. Defina responsabilidades, acompanhe os resultados e preste contas. E assuma um compromisso que continue depois da campanha publicitária. Uma boa ideia pode nascer em um instante, diante de uma vitrine. Para atravessar três décadas, ela precisa de parceiros que Revista Têxtil #798 I 57


PREMIÈRE VISION

Cartela de cores outono inverno 27-28

PREMIÈRE VISION PARIS

P

articipar da Première Vision Paris é uma oportunidade de observar a indústria da moda de perto: conhecer os processos que antecedem uma coleção, descobrir materiais e linguagens visuais, acompanhar novas tecnologias e compreender como diferentes profissionais, empresas e culturas constroem o setor de materiais. Para quem trabalha com design têxtil, estamparia e desenvolvimento de superfícies, a feira também representa um espaço de reconhecimento profissional, troca e construção de relações comerciais internacionais. A última edição de que participei aconteceu de 1º a 3 de setembro de 2026, no centro de exposições Paris Nord Villepinte, na França. Com mais de 900 expositores, o evento reuniu empresas de diferentes segmentos da cadeia produtiva, dos fios e tecidos aos acessórios, ao couro, à manufatura, ao design e às tecnologias aplicadas ao desenvolvimento de produtos. Mais do que uma vitrine de lançamentos, a Première Vision é um ambiente de discussão sobre os caminhos da indústria e de conexão

Fotos: Acervo Lucius Vilar

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entre criação, conhecimento técnico e mercado.

UMA DAS FEIRAS MAIS IMPORTANTES DO SETOR Criada em 1973 por profissionais da indústria têxtil de Lyon, na França, a Première Vision nasceu para aproximar fornecedores e compradores, valorizar a qualidade dos materiais e criar um ambiente especializado em negócios. Ao longo de sua trajetória, incorporou novos segmentos e consolidou um trabalho de pesquisa e apresentação de tendências que influenciam o desenvolvimento de coleções em diferentes mercados. Hoje, a feira acontece duas vezes por ano, em fevereiro e setembro, acompanhando o calendário internacional de desenvolvimento de produtos. Suas edições apresentam materiais e direções criativas que ajudam marcas, designers e fabricantes a planejar as próximas temporadas. Na moda industrial, pesquisa, desenvolvimento, produção e chegada ao consumidor são etapas que exigem antecipação e planejamento.

Por Lucius Vilar Um tecido não é escolhido apenas pela aparência: é preciso avaliar composição, comportamento, disponibilidade, custos, possibilidades de beneficiamento e adequação ao produto final. A feira funciona como uma plataforma de negócios e conhecimento. Uma marca pode encontrar um tecido para sua coleção; um fornecedor pode apresentar uma nova tecnologia de acabamento; um designer pode descobrir um estúdio de estampas; e uma indústria pode estabelecer parcerias para desenvolver materiais exclusivos. Essa proximidade entre especialidades é uma das características mais relevantes do evento. A Première Vision também permite ler o presente. As tendências não se limitam a cores e formas: dialogam com transformações culturais, comportamentais, econômicas e tecnológicas. Compreender esses movimentos ajuda a desenvolver produtos coerentes com seu tempo, sem perder de vista a identidade de cada marca e as necessidades de seu público.


PREMIÈRE VISION DA INDIGO AO RECONHECIMENTO DO UNIVERSO DE ESTAMPAS Uma das áreas que acompanho com especial interesse e da qual meu estúdio também participa é a de design de estampas e superfícies. Historicamente, esse segmento ganhou visibilidade internacional por meio da Indigo, feira especializada em design têxtil e de superfícies que integrou o ecossistema de eventos associado à Première Vision. Durante anos, a Indigo foi uma referência para estúdios independentes, ilustradores e designers que apresentavam desenhos para marcas de moda, decoração e outros segmentos. Uma plataforma específica ajudou a dar visibilidade a uma etapa criativa que muitas vezes permanece distante do consumidor. Por trás de uma estampa aplicada ao tecido há pesquisa iconográfica, repertório cultural, desenho, composição, cartela de cores, construção de rapport, adequação técnica e conhecimento dos processos de impressão. O designer de estampas precisa compreender tanto a linguagem visual quanto as condições materiais de realização do trabalho. Um desenho pode nascer de pintura, colagem, fotografia ou técnicas híbridas e depois ser digitalizado e preparado para impressão. É necessário considerar escala do motivo, encaixe da repetição, resolução do arquivo, tipo de tecido, técnica de impressão e comportamento das cores em cada suporte. A estamparia, portanto, não é apenas decorativa. Ela participa da iden-

tidade de uma marca, influencia a percepção de valor e pode ser determinante para o reconhecimento de um produto. Uma estampa autoral constrói narrativas, expressa referências culturais, diferencia comercialmente e amplia as possibilidades de uso de um material. A trajetória da Indigo também evidencia as mudanças no mercado de design têxtil. Com a reorganização dos eventos internacionais, os profissionais e estúdios de estampas passaram a integrar o universo mais amplo da Première Vision. Na edição de setembro de 2026, o segmento Designs reuniu estúdios de diferentes países e aproximou a criação gráfica das necessidades da indústria. Essa integração reforça que o desenho não precisa ser uma etapa isolada, posterior à escolha do tecido: superfície, matéria, cor, textura e construção do produto podem ser pensadas desde a pesquisa inicial da coleção. Quanto mais cedo esses profissionais participam do desenvolvimento, maiores são as possibilidades de criar soluções consistentes, originais e tecnicamente viáveis.

MARCAS BRASILEIRAS NO CENÁRIO INTERNACIONAL Na edição de setembro de 2026, o Brasil esteve representado por dez empresas e estúdios apoiados pelo Texbrasil, o Programa de Internacionalização da Indústria Têxtil e de Moda Brasileira. A delegação reuniu Atelier Lucius Vilar, Balz Studio, Estúdio Icertain, Moltec, Natural Cotton Color, Nomad Studio, Nova Kaeru, Savyon, Stampa Studio e Studio Noir.

Exposição de tecidos

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PREMIÈRE VISION Essa presença evidencia a diversidade de competências brasileiras, do design de estampas à pesquisa de materiais, passando por soluções têxteis, superfícies e processos de desenvolvimento. São negócios com especialidades distintas, mas que compartilham o desafio de apresentar seu trabalho em um mercado internacional competitivo.

O PAPEL DA ABIT, DO TEXBRASIL E DA APEXBRASIL A participação brasileira na Première Vision também evidencia a importância da articulação institucional para a internacionalização da indústria. O Texbrasil é desenvolvido pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). O programa apoia a inserção internacional de empresas brasileiras dos setores têxtil e de moda, contribuindo para ampliar sua presença em mercados estrangeiros. A Abit representa um setor industrial amplo e heterogêneo, articula interesses, promove a competitividade e fortalece a indústria brasileira. A ApexBrasil trabalha na promoção das exportações e na atração de investimentos, conectando empresas nacionais a oportunidades internacionais. Essa atuação conjunta é relevante porque a internacionalização apresenta desafios diferentes para cada negócio. Para uma grande indústria, podem estar relacionados à capacidade produtiva, escala, logística e contratos de fornecimento. Para um

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estúdio independente, podem envolver o investimento para participar de uma feira, a construção de uma carteira internacional de clientes e a compreensão das práticas comerciais de outros países. Ao viabilizar a participação de empresas e estúdios brasileiros em plataformas internacionais, essas instituições ampliam a visibilidade do setor e favorecem relações comerciais. O apoio também mostra que a moda brasileira não se limita ao vestuário acabado: inclui conhecimento, criatividade, tecnologia, materiais e serviços especializados. A presença em feiras deve fazer parte de uma estratégia de desenvolvimento de mercado, com acompanhamento de resultados, fortalecimento das empresas e construção de relacionamentos de longo prazo. A internacionalização exige tempo e condições para transformar contatos em negócios sustentáveis.

SETEMBRO DE 2026: INOVAÇÃO E TECNOLOGIA COMO EIXO CENTRAL A edição de setembro teve como tema central Innovation & Technology. A proposta foi aproximar a inovação de soluções concretas para a indústria, destacando tecnologias aplicadas ao desenvolvimento de produtos, à criação, à produção e à transformação dos processos industriais. A inovação não se resume ao lançamento de um novo material ou à apresentação de uma tecnologia experimental. Também precisa res

Estampa desenvolvida para a marca Irrita, coleção “Fases e Farpas”

ponder a problemas reais: reduzir desperdícios, melhorar o desempenho dos materiais, ampliar a rastreabilidade, otimizar processos, abrir possibilidades de design e tornar a produção mais eficiente. A feira apresentou soluções relacionadas à inteligência artificial, à digitalização dos processos criativos, a novas técnicas industriais, à reciclagem e ao desenvolvimento de materiais. Esses assuntos também interferem na rotina de designers, estúdios e pequenas empresas, que precisam avaliar quais ferramentas podem melhorar seus processos sem comprometer a autoria e a qualidade dos projetos. A inteligência artificial pode contribuir para a pesquisa visual, a exploração de alternativas e a organização do desenvolvimento. Ferramentas digitais facilitam a visualização de estampas em produtos, a simulação de materiais e a comunicação entre


PREMIÈRE VISION equipes. Ainda assim, a tecnologia não substitui o conhecimento sobre composição, escala, cor, construção têxtil e processos produtivos. O resultado depende da capacidade de formular problemas, interpretar referências e tomar decisões fundamentadas. A inovação mais relevante, a meu ver, conecta conhecimento técnico e pensamento criativo. Não basta adotar uma ferramenta por ser recente: é preciso compreender o que ela permite fazer, quais problemas pode resolver e como amplia as possibilidades de desenvolvimento de um produto. Outro aspecto interessante foi a apresentação de experiências concretas, que aproxima-

ram os visitantes de materiais, processos e soluções normalmente escondidos atrás do produto acabado. Entre os destaques esteve o sistema de reciclagem enzimática BioCulus, da REO ECO. A proposta demonstrava o percurso dos resíduos têxteis pós-consumo até a obtenção de materiais reciclados, com amostras de diferentes etapas do processo e informações sobre rastreabilidade. A iniciativa ajudava a compreender uma questão técnica fundamental: como transformar resíduos em matéria-prima para novos produtos. Esse tipo de apresentação mostra por que a sustentabilidade não

pode ser compreendida apenas por discursos ou imagens de materiais considerados ecológicos. É necessário conhecer os processos, a origem dos insumos, os recursos utilizados, as possibilidades de recuperação e as condições reais de reaproveitamento. Quando a inovação é apresentada de forma acessível, os profissionais podem comparar alternativas e compreender melhor as implicações de suas escolhas. Para designers e marcas, isso pode significar encontrar parceiros para desenvolver materiais específicos, rever etapas produtivas ou construir projetos com critérios ambientais mais consistentes. A exposição também evidencia a colaboração entre pesquisa, indústria e criação. Um novo material só ganha relevância comercial quando responde a requisitos de desempenho, viabilidade produtiva e demanda. Da mesma forma, uma solução tecnológica precisa ser compreendida por quem desenvolve o produto para ser incorporada de maneira efetiva.

SUSTENTABILIDADE: DO DISCURSO À PRÁTICA

Parceria com o Branco Casa para o desenvolvimento de estampas com um olhar voltado para a botânica

Pesquisa botânica aplicada a criação de estampas por meio da cianotipia

A sustentabilidade é um dos grandes desafios da indústria da moda. O setor precisa repensar o consumo de recursos, a geração de resíduos, a composição dos materiais e os processos produtivos. Mais do que desenvolver alternativas, é necessário compreender seus impactos e comprovar seus benefícios. O desafio é transformar o discurso em prática, conciliando inovação, desempenho

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PREMIÈRE VISION A Première Vision é um espaço importante para conhecer soluções e acompanhar como fornecedores, designers e marcas incorporam questões ambientais ao desenvolvimento de produtos. Na edição de setembro de 2026, observei temas como materiais de menor impacto ambiental, reciclagem e circularidade têxtil, redução das emissões de carbono, rastreabilidade e tecnologias para processos de fabricação, tingimento e acabamento mais responsáveis. O desafio é transformar o discurso em prática, conciliando inovação, desempenho técnico e viabilidade econômica. Para o designer, isso significa ir além da escolha estética e investigar a origem, a materialidade e o ciclo de vida dos produtos.

EMBALAGENS: UMA NOVA DIMENSÃO DO DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS Outro destaque da edição de setembro de 2026 foi a estreia de uma área dedicada ao universo das embalagens, ampliando o olhar da Première Vision sobre o produto de moda. Caixas, sacolas, capas de vestuário e etiquetas participam da proteção, da logística, da comunicação da marca e da experiência do consumidor. A área reuniu especialistas da França e da Itália, com propostas como sacolas e estojos têxteis, embalagens personalizadas, cabides, capas para roupas e etiquetas inteligentes. Sob o foco Next-Gen Packaging Solutions, foram apresentadas alternativas aos plásticos convencionais, incluindo materiais reciclados, reci-

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cláveis, biodegradáveis e compostáveis, biomateriais e soluções desenvolvidas a partir de resíduos têxteis. Entre os exemplos estavam papéis produzidos com resíduos da indústria têxtil, estruturas rígidas feitas de fibras têxteis recicladas e embalagens protetoras de madeira, compostáveis e sem adição de produtos químicos.

O DESIGN COMO FERRAMENTA ESTRATÉGICA PARA A INDÚSTRIA E PARA A INTERNACIONALIZAÇÃO Première Vision evidencia que o design ocupa uma posição estratégica na cadeia produtiva. Não se trata apenas de definir a aparência de um produto, mas de participar das decisões que determinam sua identidade, seu desempenho e sua relação com o mercado. Para o Brasil, há uma oportunidade de fortalecer a relação entre design e indústria. Temos uma cadeia produtiva diversificada, profissionais com repertórios distintos e uma produção cultural capaz de alimentar novas linguagens. Ao mesmo tempo, persistem desafios relacionados a investimento, escala, acesso a mercados e continuidade das estratégias de internacionalização. A presença de estúdios e empresas brasileiras na Première Vision demonstra que a internacionalização pode assumir diferentes formas. Não depende exclusivamente de grandes volumes de produção ou da capacidade de fornecer coleções completas. Um negócio especializado pode encontrar seu espaço por meio de uma lin-

guagem autoral, de um material inovador, de uma técnica específica ou de um serviço que responda a uma necessidade concreta do mercado. Para consolidar essa presença, é fundamental investir na preparação comercial, na comunicação, na qualidade dos materiais apresentados e na compreensão dos mercados de destino. Os resultados nem sempre são imediatos: o relacionamento com um comprador pode começar em uma edição da feira e se transformar em projeto meses depois, acompanhando o calendário de desenvolvimento das coleções.

Primeira exposição de embalagens


PREMIÈRE VISION Por isso, o apoio institucional da Abit, do Texbrasil e da ApexBrasil vai além da participação em um evento. Ele ajuda a criar condições de acesso, fortalecer a imagem do setor e ampliar as oportunidades de conexão com o mercado internacional.

ATELIER LUCIUS VILAR: DESIGN DE SUPERFÍCIES, IDENTIDADE E INTERNACIONALIZAÇÃO Fundado em 2012, o Atelier Lucius Vilar constrói sua trajetória na interseção entre pesquisa, imagem, moda e materialidades. Sob a minha direção criativa, o estúdio desenvolve estampas autorais, design de superfícies, materialidades e projetos que conectam repertório cultural, experimentação gráfica, manualidades, materialidades e conhecimento técnico. Ao longo de sua trajetória, o atelier realizou trabalhos para diversas marcas brasileiras, desenvolvendo linguagens visuais que transitam entre a moda, os materiais e os produtos. Desde 2015, a internacionalização passou a ocupar um lugar cada vez mais importante em sua estratégia, com investimentos em feiras e showrooms internacionais: Colômbia, Índia, Peru, Argentina, Alemanha e França. Hoje, o foco está em ampliar essa presença, levando a pesquisa e a criação autoral do estúdio a clientes e parceiros de diferentes países. A pesquisa criativa do Atelier Lucius Vilar tem na botânica, na ancestralidade e nas culturas da América do Sul importantes pontos de partida. A diversidade da flora e da fauna, as

paisagens, os saberes tradicionais e as expressões visuais dos povos originários e das culturas afro-diaspóricas alimentam um repertório que busca reconhecer a riqueza cultural e material do território sul-americano. Essa investigação se traduz em estampas que combinam desenho manual, experimentação gráfica, pesquisa iconográfica e processos digitais, criando narrativas visuais que conectam natureza, memória e contemporaneidade. Mais do que reproduzir referências, o atelier procura reinterpretá-las e construir uma linguagem autoral capaz de dialogar com diferentes materiais, produtos e mercados. Essa expansão internacional acontece em paralelo à continuidade de projetos relevantes no Brasil. Um dos lançamentos mais recentes foi a parceria com a Branco Casa, na coleção Águas, que reúne diferentes olhares sobre as paisagens, as memórias e os imaginários relacionados às águas brasileiras. No projeto, Lucius desenvolveu painéis e papéisde parede, explorando as possibili

Área de design do Lucius Vilar

dades da imagem na relação entre superfície, arquitetura e espaço doméstico. Outro trabalho importante é o desenvolvimento de estampas para a Irrita, em colaboração com a estilista Rita Comparato. A parceria aproxima o universo gráfico do atelier da linguagem autoral da marca, marcada por cores intensas, contrastes e composições expressivas. O processo envolve pesquisa visual, criação e desenvolvimento de estampas em diálogo com as peças e a identidade da Irrita, da estilista Rita Comparato que está na capa desta edição da revista Têxtil. Entre o mercado brasileiro e as oportunidades internacionais, o Atelier Lucius Vilar segue investindo em um design que combina autoria, pesquisa e versatilidade. Mais do que criar estampas, o estúdio busca desenvolver superfícies capazes de construir narrativas, fortalecer identidades e gerar novas possibilidades de aplicação em diferentes materiais e segmentos. Revista Têxtil #798 I 63


IMPRESSÃO Por Sarah Caldas

IMPRESSÃO DIGITAL TÊXTIL

A

estamparia têxtil ainda passa por transformações. A era das grandes produções padronizadas e dos grandes estoques cedeu espaço a um modelo dinâmico, guiado pela demanda real e pela personalização. Se antes o desenvolvimento de uma estampa dependia de parâmetros rígidos de rapport, limitação do número de cores e viabilidade apenas em grandes metragens, a tecnologia digital rompe essas barreiras.

Richard Quinn Outono/Inverno 2018 Crédito: Yannis Vlamos

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Hoje o mais importante é estruturar um verdadeiro fluxo de trabalho na estamparia digital. Esse sistema otimizado garante produzir pequenas tiragens com rapidez, eliminar o risco de peças que não foram vendidas e atender à crescente exigência por sustentabilidade, com redução drástica no consumo de água e no descarte de efluentes em relação aos processos convencionais. Cada fibra possui uma afinidade química específica com seus respectivos agentes colorantes. Aplicar a tecnologia correta no fluxo operacional garante alta solidez à lavagem, toque adequado e duração (ver tabela)


IMPRESSÃO A viabilidade de imprimir pequenas tiragens na estamparia digital varia diretamente com a tecnologia e a química exigida por cada tipo de fibra. Em processos como a sublimação em poliéster e a impressão com pigmento a produção de peça única ou de pouquíssimos metros é extremamente ágil e rentável: a fixação ocorre por calor seco (termofixação ou prensa) sem gerar efluentes líquidos, dispensando etapas complexas de pré e pós-processamento. Por outro lado, nos processos que utilizam corantes reativos para algodão, linho e cânhamo, ou corantes ácidos para seda, lã e poliamida, a impressão de metragens muito curtas como apenas 1 ou 2 metros torna-se operacio nalmente inviável ou proibitiva finan ceiramente. Isso acontece porque essas tecnologias exigem um fluxo

produtivo industrial rígido: o tecido precisa passar obrigatoriamente por uma etapa prévia de impregnação química, vaporização para fixação molecular do corante na fibra e, por fim, lavagens consecutivas para remoção do excesso de tinta não fixada e amaciamento. Montar essa estrutura contínua de rama, vaporizador e lavadora demanda um volume mínimo de calda, água e energia que inviabiliza o custo de tiragens unitárias, justificando sua aplicação a partir de pequenos ou médios lotes industriais. Um dos gargalos na consolidação de um fluxo de trabalho digital eficiente é a previsibilidade da cor. O indicado é trabalhar com softwares especializados que apontam ao designer se a cor escolhida pertence ao conjunto total de tons e cores que uma im-

Iris Van Harpen - Alta costura e escultura biomórfica Crédito: Molly S J Lowe

pressora consegue reproduzir fisicamente ao misturar suas tintas. O software AVA Suite faz isso durante a criação evitando o empirismo. Outro ponto é o controle de qualidade e tolerância (ΔE): a padronização entre diferentes lotes de fabricação é mantida por leituras espectrofotométricas continuadas durante a produção. Através do cálculo do desvio de cor (ΔE), estabelecem-se limites numéricos objetivos para aprovação ou rejeição de peças, evitando divergências tonais entre partes de um mesmo conjunto ou repetições de coleção.

IMPRESSÃO COM PIGMENTO O crescimento da impressão com pigmento deve-se à sustentabilidade, ao processo seco e à versatilidade multimaterial. Por dispensar vaporização e lavagens, utilizando apenas fixação por calor seco (calandra ou polimerizadeira), o método elimina efluentes líquidos contaminados, simplifica o licenciamento ambiental, reduz custos operacionais e economiza energia com um ciclo produtivo mais curto. Além disso, como o pigmento se fixa por um ligante superficial e não por afinidade química específica (como o reativo ou o disperso), ele é a solução mais eficiente para misturas complexas de fibras (como Algodão /Poliéster, Viscose/Elastano e sintéticos) sem exigir tintas ou processos distintos. Vale notar, contudo, que a possibilidade de imprimir em diversas fibras não garante resultados idênticos aos da aplicação mais indicada.

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IMPRESSÃO

Mary Katrantzou - Revolução da Estamparia Realista Crédito: Yannis Vlamos

A história da moda conta com desfiles emblemáticos e designers marcados pela impressão digital têxtil. Alexander McQueen marcou a estamparia digital na alta- costura em 2010 ao mapear estampas anatômicas de répteis na coleção Plato’s Atlantis. Em 2012, Dries Van Noten fundiu arte e tecnologia ao imprimir obras de museus em seda e veludo, preservando a profundidade de quadros centenários. Mary Katrantzou, a "Rainha do Print", revolucionou o setor com ilusões tridimensionais e imagens hiper-realistas de alta resolução. Já Iris van Herpen uniu impressão digital, corte a laser e 3D para simular movimentos orgânicos no corpo, enquanto Richard Quinn (2018) usou a tecnologia para aplicar florais vibrantes com a mesma saturação em tecidos diversos, da seda ao látex.

A PROPOSTA DA 4TEX NA IMPRESSÃO DIGITAL TÊXTIL

Alexander Mcqueen - Plato’s Atlantis (Primavera/Verão 2010) Crédito: Marcio Madeira

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Conversando com Richard Fuldauer, diretor comercial da 4TEX, entendemos como a empresa contribui para a competitividade da impressão digital têxtil no Brasil ao combinar tecnologia, orientação técnica e presença regional. Essa abordagem converge com o que colocamos no início da matéria sobre a importância do controle do fluxo da operação, integrando etapas e recursos para garantir maior previsibilidade, eficiência e qualidade ao longo de todo o processo produtivo.


IMPRESSÃO Desde sua concepção, em 2017, a 4TEX tem o propósito de ajudar as empresas a vencer desafios, superar concorrentes e produzir com qualidade, estabilidade e custo-benefício. Essa visão orienta a escolha de máquinas e insumos de acordo com as necessidades de cada operação. Na impressão digital têxtil, o resultado econômico vai além do preço de compra. Consumo de tinta e papel, desperdício, retrabalho e tempo de máquina parada interferem diretamente no custo por metro produzido. Por isso, a recomendação técnica considera o conjunto formado por equipamento, insumos, perfil de cor e aplicação. O portfólio de tintas reúne marcas italianas de posicionamento premium, como KIIAN e J-TECK, além

de SUBLIFY e LUON, que atendem a diferentes necessidades de custo e desempenho. Na área de equipamentos, fornecedores como MS e Gongzheng ampliam as possibilidades tecnológicas. A escolha considera aplicação, volume de produção, investimento e condições de assistência. A presença em São Paulo, Blumenau, Fortaleza e Caruaru aproxima estoque e atendimento de importantes polos têxteis. A disponibilidade de suprimentos e o suporte técnico em campo contribuem para reduzir interrupções e manter a regularidade da produção. A atuação também envolve diagnóstico, ajustes de processo, orientação sobre perfis de cor e manutenção. Essa proximidade permite compreender melhor cada operação e

identificar oportunidades de melhoria. Para a 4TEX, custo-benefício não se resume ao preço de aquisição: envolve consumo, produtividade, qualidade e riscos operacionais. A empresa também pretende ampliar a troca de conhecimento entre clientes, técnicos e parceiros, incentivando o compartilhamento de práticas e experiências. Ao integrar equipamentos, insumos, conhecimento técnico e atendimento regional, a 4TEX amplia os critérios de decisão na impressão digital têxtil. Mais do que fornecer produtos, busca oferecer condições para que seus clientes produzam com consistência, cumpram prazos e preservem suas margens.

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SENAI SP

PROTOTIPAGEM VIRTUAL NA MODA:

Por Joice Fabiana da Silva Parra

O QUE PRECISAMOS VALIDAR ANTES DE PRODUZIR?

C

omparar o protótipo digital com a peça física exige critérios que conectem material, modelagem, corpo e construção. Uma roupa virtual pode apresentar textura, volume e caimento visualmente convincentes. Para quem desenvolve produtos de moda, porém, a aprovação exige responder a uma pergunta adicional: quais características dessa representação oferecem informações confiáveis para a produção? A prototipagem virtual permite examinar propostas e discutir alterações antes da confecção de determinadas amostras. Seu uso técnico depende de compreender o que está sendo representado, quais dados alimentam a simulação e quais aspectos ainda precisam ser verificados fisicamente. Este artigo propõe critérios de comparação para orientar essa avaliação, sem pressupor equivalência automática entre a representação digital e o produto confeccionado.

A CORRESPONDÊNCIA ENTRE MATERIAL FÍSICO E DIGITAL O primeiro ponto de validação é a relação entre o tecido físico e o material utilizado. A semelhança de cor ou textura não estabelece, por si só, equivalência de comportamento.

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Ficha técnica do tecido

A equipe precisa registrar a origem do material virtual, a identificação do tecido previsto para a produção e a forma como suas propriedades foram obtidas. A documentação de alguns softwares descreve parâmetros como resistência à flexão, comportamento ao alongamento, gramatura e atrito, utilizados na representação física dos tecidos. Esses parâmetros mostram por que a escolha de um material digital deve ir além da aparência da superfície. Um tecido selecionado em uma biblioteca pode apoiar a exploração inicial de uma proposta. Sua adequação à aprovação técnica, entretanto, precisa ser examinada em relação ao material efetivamente utilizado. Recomenda-se documentar medições, condições de obtenção dos dados e ajustes realizados, mantendo rastreabilidade entre o tecido e seu arquivo digital.

Adequação de medidas digitais no “Editor do Avatar”

AS REFERÊNCIAS DE CORPO E MODELAGEM A avaliação do ajuste depende do corpo utilizado na simulação. Medidas, proporções e postura do avatar precisam corresponder à referência adotada no desenvolvimento, como por exemplo, as medidas do corpo humano que será provado a peça.


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Aprovar uma peça sobre um avatar sem verificar essa correspondência introduz uma incerteza que deve ser considerada na decisão. A modelagem também precisa estar sob controle. Dimensões, orientação dos moldes, linhas de costura e posicionamento das partes devem corresponder à versão encaminhada à confecção. Comparar uma simulação atualizada com uma amostra produzida a partir de outra versão impede atribuir as diferenças apenas ao comportamento da simulação. A aprovação de um tamanho não encerra a análise da grade. Conforme a complexidade do produto e o público, a equipe deve selecionar tamanhos e configurações corporais adicionais para avaliação. Esse planejamento precisa explicitar o alcance da aprovação obtida.

A INTERPRETAÇÃO DOS MAPAS DE AJUSTE O CLO disponibiliza mapas de tensão, pressão e elasticidade. Cada recurso apresenta uma leitura específica: a deformação informa o alongamento simulado, enquanto a

Desenvolvimento da peça em 3D

Prova em corpo humano

pressão se refere à interação simulada entre a roupa e o avatar, conforme as definições do fabricante (CLO Virtual Fashion, 2026). Essas leituras ajudam a localizar regiões que merecem investigação, mas não constituem, isoladamente, um relato de conforto de quem veste a peça. A interpretação deve considerar o material, o corpo, a postura e as configurações utilizadas. Para avaliar mobilidade, contato com a pele e experiência de uso, recomenda-se definir verificações físicas compatíveis com a finalidade do produto. Costuras, entretelas, elásticos, forros e aviamentos também precisam entrar na análise, de acordo com sua influência no comportamento da roupa e com as possibilidades de representação disponíveis. Elementos simplificados ou ausentes devem ser identificados no registro de aprovação.

Medidas em pontos determinados, posição de recortes, distribuição de volumes e comportamento em poses selecionadas podem compor um protocolo. Os critérios de aceitação devem ser definidos conforme o produto e a capacidade de medição, evitando tolerâncias genéricas sem justificativa.

UM PROTOCOLO PARA COMPARAR E DECIDIR Uma comparação útil começa pela definição do que será observado.

O protótipo digital e a amostra física precisam ser avaliados em condições comparáveis. Isso inclui identificar o tecido, controlar a versão da modelagem e registrar a referência corporal. Fotografias com enquadramento e postura definidos podem apoiar a avaliação visual, acompanhadas das medições pertinentes. As divergências devem ser registradas antes das correções. Ajustar parâmetros apenas para aproximar a simulação de uma fotografia pode esconder problemas nos dados de entrada. Investigar a diferença ajuda a compreender se sua origem está no material, no avatar, na modelagem, na construção ou nas condições de avaliação. Recomenda-se iniciar com uma categoria de produto e reunir registros de comparações Revista Têxtil #798 I 69


SENAI SP

Mapa de pressão

sucessivas. Esse histórico permite definir quais decisões podem ser antecipadas digitalmente e quais verificações físicas continuam necessárias. A confiabilidade se constrói dentro de um contexto conhecido de aplicação. A prototipagem virtual ganha valor técnico quando integra um processo de validação explícito, especialmente em contextos de recursos limitados ou no uso de materiais como o couro, nos quais as perfurações da costura são permanentes e restringem as possibilidades de desmanche e retrabalho. Ao antecipar ajustes e apoiar decisões antes da execução física, essa abordagem contribui para reduzir intervenções irreversíveis e chegar à produção com escolhas fundamentadas e incertezas identificadas. O objetivo é chegar à produção com decisões fundamentadas e com as incertezas do desenvolvimento identificadas.

COMO AVALIAR OS RESULTADOS? Reduções de amostras, materiais e retrabalho precisam ser documentadas para que a contribuição ambiental da tecnologia possa ser demonstrada. A possibilidade de

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desenvolver e revisar roupas em ambientes digitais abre uma questão relevante para a indústria da moda: quais etapas físicas podem ser evitadas ou reorganizadas com a prototipagem 3D? Quando uma alteração é resolvida virtualmente antes do corte e da costura, existe uma oportunidade de evitar recursos associados àquela amostra. Avaliar o resultado exige verificar se a etapa física foi efetivamente substituída e quais atividades foram acrescentadas ao processo. O CLO 3D e Style3D podem integrar diferentes fluxos de desenvolvimento. A adoção de uma ferramenta, isoladamente, não demonstra redução de impacto ambiental. Este artigo propõe um caminho de acompanhamento baseado em comparação, registros e delimitação do alcance das conclusões. Essa abordagem se insere em uma agenda mais ampla. O roteiro do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente para a cadeia têxtil articula mudanças nos padrões de consumo, melhoria das práticas e investimento em infraestrutura (United Nations Environment Programme, 2023). A digitalização pode ser examinada dentro desse conjunto, observando seus resultados concretos no processo em que é aplicada. O primeiro passo é descrever a situação de referência. Quantas amostras físicas eram produzidas até a aprovação? Quanto material era utilizado? Quantos envios ocorriam entre fornecedores e equipes? Que tipos de correção exigiam uma nova peça? Essas informações permitem documentar o processo anterior e identificar as mudanças introduzidas. A comparação deve

envolver produtos de complexidade semelhante e critérios equivalentes de aprovação. Categoria, material, construção e experiência da equipe podem influenciar os resultados. Comparações entre coleções precisam registrar essas diferenças para evitar atribuir à tecnologia efeitos decorrentes de outras mudanças. Uma unidade prática de acompanhamento é o modelo aprovado para produção. A partir dela, recomenda-se registrar os recursos e as atividades necessários para alcançar o mesmo resultado técnico nos dois fluxos. Essa unidade de acompanhamento operacional, por si só, não substitui a definição de uma unidade funcional quando for realizado um estudo de avaliação do ciclo de vida.

OS MATERIAIS E AS AMOSTRAS FÍSICAS No desenvolvimento, o retrabalho pode envolver alterações de molde, novos cortes, desmontagem, recostura e repetição de provas. A prototipagem virtual pode deslocar parte dessas atividades para o ambiente digital. Para avaliar a mudança, recomenda-se acompanhar revisões virtuais e físicas, identificando o motivo de cada ocorrência. Quando houver diversidade de larguras e gramaturas, acompanhar a massa dos materiais pode complementar o registro em metros. É necessário explicitar se a medição representa o material separado para o desenvolvimento, ou efetivamente consumido ou incorporado às peças, evitando comparar grandezas diferentes. O destino das amostras também deve ser registrado. Peças utilizadas posteriormente em testes ou apre-


SENAI SP sentações têm trajetórias diferentes das descartadas após uma avaliação. O aproveitamento posterior não deve ser presumido: precisa ser documentado dentro dos limites definidos para a análise.

O RETRABALHO E AS ATIVIDADES DIGITAIS No desenvolvimento de vestuário, a prototipagem virtual pode aumentar a assertividade das decisões ao permitir a avaliação da modelagem, das proporções e do caimento antes da execução física. Quando a simulação utiliza dados compatíveis com os materiais e o corpo de referência, a equipe pode identificar inadequações e testar ajustes sem consumir tecido a cada revisão. Na peça física, uma alteração pode exigir desmanche, recostura, substituição de componentes ou até um novo corte. Essas intervenções acrescentam custos de matéria-prima, aviamentos, mão de obra e uso de máquinas, além de poderem prolongar o prazo de aprovação. Considerando a confecção de duas amostras físicas de cada modelo para aprovação, o desenvolvimento da jaqueta e da calça leging envolve duas peças. Com base nos tempos estimados na planilha, incluindo o acréscimo de 15%, cada jaqueta demanda aproximadamente 65 minutos de trabalho, enquanto cada calça demanda 39,3 minutos. A execução das duas rodadas completas corresponde, portanto, a cerca de 208 minutos, ou 3 horas e 48 minutos, sem incluir modelagem, desenvolvimento digital, esperas ou intervenções adicionais. A prototipagem virtual pode au-

mentar a assertividade entre essas duas rodadas. Após a avaliação da primeira amostra física, os ajustes identificados podem ser testados no ambiente digital antes da confecção da segunda. Na jaqueta, essa revisão pode orientar correções nas mangas e nas proporções; na calça, pode apoiar o reposicionamento dos recortes em tela. Esse procedimento pode reduzir a necessidade de desmanchar componentes, repetir costuras ou produzir uma terceira amostra. Caso seja necessária uma rodada adicional completa, com uma nova jaqueta e uma nova calça legging, a estimativa da planilha indica aproximadamente 104 minutos, equivalentes a 1 horas e 45 minutos. Considerando os totais de insumos apresentados R$ 23,33 para a jaqueta e R$ 9,23 para a calça , essa rodada acrescentaria R$ 32,56 em materiais e aviamentos. Esse valor não inclui o custo do operador por hora. Dependendo da taxa de mão de obra aplicada e das operações repetidas, o custo total da rodada pode atingir três vezes o valor dos insumos, possibilidade que precisa ser confirmada com os custos efetivos de produção. Ao permitir testar ajustes antes de uma nova execução física, a prototipagem virtual pode evitar tanto o consumo adicional de materiais quanto as horas de trabalho associadas. Correções localizadas, por sua vez, devem ser calculadas conforme os componentes substituídos e as operações refeitas. O número de remessas, massa transportada, distância e modalidade de transporte são informações úteis para examinar a logística das amostras. Do lado digital, a análise Montagem de look com diferentes tecidos

deve considerar os recursos pertinentes ao escopo, como uso de computadores, processamento local ou remoto e armazenamento. Ausência de dados deve ser tratada como limitação, não como consumo igual a zero.

LEITURA E RESULTADO Considere um exemplo hipotético: para um conjunto comparável de modelos, o processo anterior utilizava quatro amostras físicas por modelo aprovado e o novo fluxo utiliza duas. A redução observada no número de amostras seria de 50%. Esse cálculo ilustra um indicador operacional e não representa resultado de pesquisa ou redução equivalente no impacto ambiental. Também convém acompanhar o volume total de desenvolvimento. Uma redução de recursos por modelo pode coexistir com aumento do consumo total se a empresa passar a desenvolver uma quantidade maior de produtos. Os indicadores por modelo e os totais do período respondem a perguntas complementares. A avaliação pode começar com um projeto piloto, poucos indicadores e registros consistentes. O essencial é manter comparabilidade, documentar as mudanças e comunicar apenas o que os dados sustentam. A contribuição da prototipagem 3D à sustentabilidade se torna demonstrável quando se identificam as atividades evitadas, os recursos envolvidos e os limites das conclusões.


SUSTENTABILIDADE

MATERIAIS INOVADORES E O FUTURO SEM COURO BOVINO? Por Clarissa Magalhães

N

o início de agosto deste ano, recebi um convite e um desafio de Yamê Reis: moderar um painel no Rio Ethical Fashion com o mesmo título desta matéria. Este foi o segundo ano consecutivo em que participei do evento, que sempre traz temas atuais para a moda sustentável. E, como a palavra ética está no nome, a polêmica e a diversidade de perspectivas fazem parte do formato. O propósito é claro: educar e enriquecer o vocabulário de sustentabilidade dos participantes, contribuindo para o avanço dessa agenda no país e ampliando o repertório da audiência, formada por muitos estudantes, jornalistas e profissionais que já atuam na área.

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O título desta vez, confesso, me deu um certo receio. Eu não queria que o painel se tornasse necessariamente ativista, apesar de não consumir carne bovina desde os 13 anos. Sempre encarei isso como uma escolha pessoal e nunca tentei “converter” ninguém. Mas eu também tenho acessórios de couro no meu guarda-roupa. E uma bolsa em particular me vem à cabeça quando penso nesse assunto. Lembro de um evento ambiental no Museu do Amanhã, o primeiro de que participei após a pandemia. Na ocasião, estava usando uma bolsa linda, parecida com a que Andy usa no primeiro filme de O Diabo Veste Prada (2006). Minha mãe me deu de presente de aniver-

sário algum tempo depois do lançamento. Em determinado momento no evento, vi uma oportunidade de conversar com uma das painelistas. Ela me olhou de cima a baixo, parou na minha bolsa de couro e disse: “Na lojinha do museu tem umas ecobags da minha marca”. Confesso que fiquei chocada. Depois de ouvir seu belo discurso, me aproximei com vontade de trocar ideias e esperava encontrar a mesma abertura do outro lado. Mas a conversa tomou outro rumo. Segurei o carão, falei o que queria dizer e fui embora.

Eduardo Filgueiras e Taciana Abreu mostram a Beleaf para o público do REF


SUSTENTABILIDADE

Clarissa Magalhães, Taciana Abreu e Eduardo Filgueiras no Rio Ethical Fashion 2026

Hoje, conto essa história em tom de piada. Mas ainda havia outra questão pessoal nessa discussão. Durante meu mestrado, pesquisei as causas sistêmicas globais do desmatamento na Amazônia brasileira, e a expansão da pecuária é um dos fatores bastante relevantes por trás da perda de floresta. Ou seja, tenho a consciência de que o couro que eu continuo usando me conecta a uma cadeia produtiva cujos impactos ambientais eu dediquei parte da minha formação acadêmica a combater. Essa questão tornou o tema ainda mais complexo para mim. Se, por um lado, não acredito que descartar uma bolsa de couro já existente há mais de 10 anos ajudaria a resolver o problema, por outro, não podia ignorar os impactos associados à produção de gado. Por esse motivo, meu objetivo naquele painel, que contou com a participação de Taciana Abreu, diretora de sustentabilidade da Riachuelo, uma das grandes varejistas de moda do país, e Eduardo Filgueiras, da Nova Kaeru, empresa brasileira de

biotecnologia que desenvolve materiais a partir de matérias-primas animais e vegetais, era colocar diferentes perspectivas em diálogo. A oportunidade era a de contrastar a realidade de uma gigante do varejo de moda, que precisa considerar os desafios de incorporar novos materiais em uma operação de grande escala, com a experiência de uma empresa que trabalha diretamente no desenvolvimento de alternativas. O objetivo era compreender como cada um enxergava o uso do couro bovino e as possibilidades reais de substituição do couro bovino na indústria. Muita gente me pergunta se um produto é mais sustentável do que outro. E eu respondo que não consigo afirmar isso sem antes pesquisar como ele foi produzido. Um material pode; apresentar vantagens ambientais em pequena escala, mas enfrentar diversas limitações quando a produção aumenta, incluindo o impacto no uso da terra. Da mesma forma, uma; alternativa imperfeita pode gerar menos impacto ambiental total

do que outra considerada sustentável, dependendo de como cada uma é produzida e descartada. Portanto, o processo e a origem são, muitas vezes, mais importantes do que o item isolado. É justamente esse olhar contextual e sistêmico que também me leva a reconhecer minhas próprias contradições, que levo ao trabalho de consultoria da Biomattera. Busco compreender as relações entre as características dos materiais, as cadeias produtivas, o mercado e as condições reais de implementação, considerando também como comunicar os benefícios e as limitações de cada solução com transparência, sem cair no greenwashing. Mas então, o que essa conversa nos revelou sobre o futuro do couro na moda? A partir do que foi discutido no painel e das minhas próprias reflexões e pesquisas posteriores, reuni aqui algumas perspectivas que vão além do tempo e do espaço que tivemos para aprofundar o tema durante o evento.

Revista Têxtil #798 I 73


SUSTENTABILIDADE O COURO É APENAS UM SUBPRODUTO? Uma ideia bastante difundida no ativismo pela moda sustentável é que a indústria têxtil impulsiona diretamente a pecuária e, consequentemente, o desmatamento de biomas como a Amazônia. A relação existe, mas a dinâmica econômica dessa cadeia é mais complexa do que parece. Durante o painel, Taciana trouxe uma contribuição importante ao colocar essa discussão em; perspectiva econômica e traduzir a dimensão da cadeia em números. Em 2025, o Brasil registrou o abate recorde de 42,94 milhões de bovinos, segundo o IBGE. Enquanto a carne é o principal produto comercial dessa indústria, o couro cru costuma ser vendido pelos

frigoríficos como um subproduto, por valores que podem variar entre R$ 20 e R$ 50 por pele. A partir dessa discussão, fui investigar melhor o peso econômico do couro. Estudos do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram que a comercialização de subprodutos do abate, incluindo as peles, gera receita adicional e ajuda a cobrir os custos de processamento dos animais. Em um setor de margens apertadas, esse dinheiro extra não é irrelevante. Segundo a Macrotrends, a JBS encerrou 2025 com margem líquida de 2,35%. Para dar uma ideia do valor envolvido, basta um cálculo ilustrativo: 40 milhões de peles comercializadas a uma média de R$ 40 cada representariam R$ 1,6 bilhão em receita bruta. Esse valor não corresponde a lucro líquido nem comprova que a receita do couro financie o desmatamento. Ajuda, porém, a dimensionar o peso econômico que a comercialização das peles pode ter para a cadeia pecuária. Como discutem Mammadova e colaboradores (2022), os riscos de desmatamento associados ao couro bovino brasileiro precisam ser compreendidos a partir das relações entre diferentes setores e atores econômicos, e não apenas na etapa de produção do material.

Clarissa Magalhães colunista de Sustentabilidade e Cultura moderando o painel do REF

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Por outro lado, dizer que a solução está em substituir o couro bovino por materiais alternativos é simplista demais. Enquanto houver consumo de carne bovina, as peles continuarão sendo produzidas. Deixar de utilizá-las não elimina os impactos

da pecuária, assim como aproveitálas não torna essa cadeia sustentável por definição. Então, chegamos ao ponto em que precisamos olhar para sua origem e para as condições em que a matéria-prima foi produzida.

RASTREAR A ORIGEM DO COURO BOVINO NÃO É O MESMO QUE CONTROLAR A CADEIA Já existem tecnologias capazes de acompanhar a origem dos animais e as propriedades pelas quais passaram. Imagens de satélite, monitoramento geoespacial, identificação individual através do focinho, que funciona como uma “impressão digital”, e plataformas digitais permitem cruzar informações e identificar riscos socioambientais. O desafio, portanto, é implementar essas ferramentas para funcionarem em uma cadeia extensa, fragmentada e com milhares de produtores independentes. É justamente nos fornecedores indiretos que está uma das maiores lacunas. Antes de chegar ao frigorífico, um boi pode passar por diferentes propriedades, desde a fazenda onde nasceu até aquela em que foi engordado. Se o monitoramento considera apenas a última propriedade, o histórico anterior do animal pode ficar de fora. Na prática, uma fazenda em conformidade não garante, por si só, que todo o percurso do gado também esteja livre de desmatamento. Os dados mostram que esse problema está longe de ser resolvido. Em 2025, uma avaliação do Radar Verde (Imazon) sobre 151 frigoríficos que


SUSTENTABILIDADE operam na Amazônia Legal apontou que 88% apresentavam um nível muito baixo de compromisso com o combate ao desmatamento. Os dados mostram que esse problema está longe de ser resolvido. Em 2025, uma avaliação do Radar Verde (Imazon) sobre 151 frigoríficos que operam na Amazônia Legal apontou que 88% apresentavam um nível muito baixo de compromisso com o combate ao desmatamento. Nenhuma das empresas avaliadas demonstrou controle satisfatório sobre os fornecedores indiretos por meio de auditorias independentes. O resultado evidencia a distância entre assumircompromissos e comprovar que eles são cumpridos em toda a cadeia. O caso da JBS ajuda a entender como a definição de metas climáticas pode mudar a maneira de avaliar o desempenho ambiental de uma empresa. Em julho de 2026, a CNN Brasil noticiou que a companhia abandonou o compromisso de alcançar emissões líquidas zero até 2040 em toda a sua cadeia de valor, alegando dificuldades para mensurar e reduzir as emissões associadas a centenas de milhares de produtores independentes. A mudança ocorreu após a empresa ser alvo de uma ação judicial nos Estados Unidos relacionada às suas alegações climáticas. A companhia manteve a meta de reduzir em 30% a intensidade das emissões dos Escopos 1 e 2 até 2030, em relação a 2019, e estabeleceu um novo objetivo de redução de 70% dessas emissões nas unidades de processamento até 2050. Segundo a CNN Brasil, os Escopos

1 e 2 representavam menos de 4% das emissões totais da companhia em 2025. Outro ponto a ser observado: há uma diferença importante entre reduzir a intensidade das emissões e reduzir as emissões totais. A intensidade mede quanto se emite por unidade produzida. Uma empresa pode reduzir em 30% as emissões por tonelada de carne produzida e, ainda assim, aumentar suas emissões totais ao aumentar a produção. Ou seja, produzir de forma mais eficiente não significa necessariamente poluir menos. Ao retirar a meta absoluta para toda a cadeia e manter objetivos de eficiência nas operações diretas, a JBS muda o parâmetro pelo qual seu progresso climático será avaliado. Ou seja, o compromisso maior é com a garantia de crescimento da empresa, sem considerar barreiras ecológicas. A pergunta que fica para quem acompanha o debate sobre ESG é: estamos reduzindo o impacto ambiental ou apenas produzindo mais com uma pegada proporcionalmente menor? Se a resposta for a segunda, voltamos ao ponto de partida desta discussão: a ilusão de que podemos avaliar um produto isoladamente, sem considerar o sistema do qual ele faz parte Olhar apenas para os ganhos de eficiência pode ser conveniente para as empresas, sobretudo quando a origem dos materiais e os impactos ao longo da cadeia de fornecedores permanecem fragmentados e desconectados da realidade do consumidor. Mas o planeta não responde apenas a “indicadores de eficiência”. Precisamos da dimensão total dos impactos. Além de

regulamentações e subsídios para a implementação de tecnologias realmente eficazes.

A INOVAÇÃO E OS DESAFIOS DO MERCADO Durante um bom tempo, uma das principais alternativas ao couro animal na moda foi apelidado de couro vegano, geralmente feito de poliuretano (PU), um material sintético de origem predominantemente fóssil. No Brasil a denominação é proibida por lei, que impede que materiais que não tem origem animal sejam chamados de “couro”. A proposta era evitar o uso de matéria-prima animal. Mas substituir a origem de um material não significa necessariamente resolver seus problemas ambientais.

Eduardo Filgueiras, criador da Beleaf e fundador da Nova Kaeru

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SUSTENTABILIDADE a inovação, por menor que ela seja,

Além de depender de matérias-primas fósseis, o PU pode sofrer degradação por umidade e calor, provocando rachaduras e descascamento. Vale lembrar que esses resíduos plásticos podem entrar em contato com o solo e rios, afetando justamente os animais que gostaríamos de preservar. Em cidades de clima tropical, como o Rio de Janeiro, isso pode comprometer sua durabilidade. Já perdi praticamente todas as peças que tinha desse material, que haviam durado muito mais quando eu vivia em climas mais frios. É nesse contexto que novos biomateriais despertam interesse. Mas sair do laboratório e chegar às prateleiras do varejo é um desafio muito maior do que desenvolver um protótipo visualmente atraente. Como explicou Eduardo Filgueiras durante o painel, as marcas compram confiança. Segundo ele, para que um material seja adotado comercialmente, precisa cumprir quatro requisitos principais: ter apelo estético e tátil, passar por testes rigorosos de desempenho e durabilidade, demonstrar resistência em produtos submetidos ao uso cotidiano e alcançar escala industrial com qualidade e capacidade de fornecimento consistentes. O desenvolvimento do Beleaf, material criado pela Nova Kaeru a partir da folha conhecida como orelha-de-elefante, ilustra esse processo. Segundo Eduardo, foram dois anos e meio de trabalho em laboratório para solucionar somente as questões relacionadas à sensibilidade e à umidade. O fato de o material funcio nar em condições controladas não é

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Taciana Abreu, diretora de sustentabilidade da Riachuelo

suficiente: ele precisa manter suas propriedades diante de diferentes climas e condições de uso. “A gente não tem intenção nenhuma de tirar o espaço do couro bovino ou do material sintético “PU”. A gente cria novos materiais para dar novas alternativas às indústrias da moda. É muito difícil a gente bater de frente com o sistema. Encontrar alternativas é mais importante”, explicou Eduardo. Há ainda o desafio da escala. Uma marca pode se interessar por um material inovador, mas precisa saber se conseguirá comprá-lo nas quantidades necessárias, com qualidade uniforme e dentro dos prazos de produção. Por isso, pequenas coleções-piloto podem funcionar como uma etapa intermediária, permitindo testar o material e a resposta do mercado antes de assumir compromissos maiores.“Mesmo que seja pequeno, vamos fazer porque a gente precisa mostrar pro mercado que é possível. O papel da grande marca é fomentar

para ir criando volume e puxando o mercado”, afirmou Taciana. O caminho para uma moda com menor impacto ambiental, portanto, depende de desenvolver e adotar materiais que sejam sustentáveis em toda a sua trajetória: da origem da matéria-prima ao processo de fabricação, da durabilidade ao fim de vida, passando pela viabilidade econômica e pelas condições reais de produção. Para que a inovação atravesse o chamado “vale da morte” entre o protótipo e a adoção comercial, é preciso fôlego financeiro, disposição das marcas para investir em soluções alternativas e políticas públicas que favoreçam o desenvolvimento da bioeconomia. O Brasil tem recursos naturais, conhecimento e potencial para liderar esse movimento. Transformar esse potencial em uma indústria competitiva, porém, exige condições para que soluções realmente sustentáveis se desenvolvam e ganhem escala.


PREVIEW

ANUNCIO GOIAS

22 a 24 JUN '27 goiastechfashion.com.br

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SUSTENTABILIDADE

NOSSAS ROUPAS E NOSSAS ESCOLHAS

P

ara entender nossa relação com a moda e com o descarte, eu poderia trazer relatórios internacionais, projeções de emissões ou metas de sustentabilidade. Mas escolhi outro formato. Ouvir o consumidor. Uma pesquisa com 468 respostas, conduzida com apoio da minha rede e divulgada nas redes sociais, trouxe um retrato que confirma alguns comportamentos esperados e que também quebra alguns paradigmas. É importante deixar claro o alcance deste levantamento. Esta pesquisa não tem validade estatística para o Brasil e não tem a pretensão de representá-lo. Ela foi realizada para trazer insights a partir de um recorte regionalizado e contribuir com a discussão do setor. O perfil da amostra traz majoritariamente mulheres, 62%, e 75% vivem no Sudeste, com o Sul somando mais 15%. Foram pesquisadas quatro faixas etárias: 16 a 24 anos, (14%); 25 a 34 anos, (20%); 45 a 59 anos, (42%); e 60 anos ou mais, com 24%. É um público maduro, com dois terços acima dos 45 anos. A escolaridade é alta, somando 76% com formação superior completa. É um recorte de consumidores com bom nível de informação, e mesmo assim, 89% não sabem onde fica um ponto de coleta têxtil. Mas vamos ao que mais encontrei.

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Por Carla Angelini

O QUÊ DE FATO PESA NA DECISÃO NA HORA DA COMPRA Existe um hábito que quase todo mundo tem, mas poucos admitem. Olhar primeiro a etiqueta de preço, provar a peça, girar na frente do espelho e só então decidir. Em todas as faixas etárias, o motivo mais citado para comprar foi a necessidade real, como repor uma peça que já não serve ou se desgastou. Está no topo do ranking, à frente de conforto, qualidade e preço. O consumidor mostrou comprar porque precisa, não porque foi convencido, o que sugere um consumo mais enxuto e mais pensado do que o senso comum aponta.

O TRIO QUE GANHA A DECISÃO A necessidade de substituir uma peça não anda sozinha. Logo na sequencia vem caimento/conforto, qualidade/durabilidade e preço. Estes fatores combinados formam o que se pode chamar de compra calculada. A peça precisa servir bem, durar e caber no bolso. A moda e status parecem pesar pouco em comparação com a função da peça em si. Caixa para roupas usadas - Reserva

Caixa para roupas usadas - Lojas Renner


SUSTENTABILIDADE O QUÊ MUDA CONFORME A IDADE Entre 16 e 24 anos, o preço domina. Ele foi citado por 79% dos respondentes desse grupo, seguido de perto por conforto e necessidade. É a geração que ainda está construindo renda e isso aparece na resposta. Entre 25 e 34 necessidade real e preço disputam o primeiro lugar. Já entre 45 e 59, o peso se desloca para qualidade e durabilidade. No grupo de 60 anos ou mais, necessidade e qualidade vencem com folga e o preço cai para o quarto posto. Em resumo: quanto mais jovem, mais o preço manda. Quanto mais maduro, mais a peça precisa cumprir sua função por mais tempo.

IMPULSO: MINORIA, MAS COM CARA JOVEM Cerca de 70% disseram nunca ou raramente agir por impulso. O grupo de 25 a 34 anos mostra-se o mais impulsivo, seguido pelo de 16 a 24. Entre os de 60 anos ou mais, o índice cai, ou seja, impulso existe, mas é jovem e minoritário. Os números indicam que promoção e vitrine criam desejo, porém o gatilho que fecha a venda continua sendo funcional.

ter um hábito de compra mais racional, conserva muito e parece não entrar na lógica do descarte acelerado.

O DESTINO FINAL Quando a roupa sai do guarda-roupa, a doação é o destino quase universal. A maioria esmagadora menciona doar para familiares, amigos ou instituições. Mas há um contraste geracional interessante aqui. Os mais jovens circulam mais a roupa: 28% vendem em brechós ou plataformas de segunda mão e 30% reformam. O público de 60 anos ou mais concentra quase tudo na doação para instituições, os que vendem são apenas 5,3%. São duas lógicas diferentes de encerrar o ciclo da peça. Uma trata a roupa como ativo que ainda vale, a outra como bem de solidariedade. Ainda que a doação seja massiva, é preciso perguntar o que acontece com a peça que ninguém quer. Quase metade dos respondentes admite que roupas sem condições de uso vão para o lixo comum, sendo que 89% não sabem onde fica um ponto de coleta têxtil. Sete em cada dez nunca ouviram falar e apenas 6,2%

A DURABILIDADE Sete em cada dez respondentes afirmam usar uma mesma peça por mais de três anos. Apenas 3,2% descartam roupas em menos de um ano. O padrão se repete em todas as faixas etárias, inclusive entre os mais jovens, que mantêm 67% das peças por mais de três anos. Ou seja, o consumidor desta amostra parece

já utilizaram um. Talvez não por falta de consciência, mas sim falta de informação e de infraestrutura visível. O consumidor doa porque doar mostra ser a alternativa que ele conhece, sendo portanto a mais fácil de realizar.

E A SUSTENTABILIDADE, ONDE FICA? O atributo de sustentabilidade apareceu apenas 22 vezes entre as cerca de 1.250 menções sobre o que influencia a compra. A etiqueta “verde” não substitui a etiqueta de preço, o caimento perfeito ou a promessa de durabilidade. O consumidor escuta o discurso, mas na hora de pagar decide pelo que a peça entrega no dia a dia. Fica a minha pergunta. Será efeito do greenwashing, ou o tema sustentabilidade simplesmente não entrou na pauta do consumidor?

O RECADO PARA AS MARCAS DE MODA O caminho não é abandonar a comunicação socioambiental, e sim vincular em evidências concretas. Se o consumidor já presta atenção em durabilidade e qualidade, é exatamente aí que a sustentabilidade deve entrar, comprovando que a peça dura mais, que exige menos lavagens, que pode ser reparada. Transformar a responsabilidade em atributo tangível e não em momento de campanha. Campanha Puket - Meias do Bem

Caixa para roupas usadas - H&M

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SUSTENTABILIDADE O QUE ENCONTRAMOS NO MERCADO A oferta de destinos para a roupa ao final do ciclo de vida existe e cresce. As grandes redes de varejo de moda vem estruturando programas de logística reversa em loja, com urnas e coletores onde o consumidor entrega peças de qualquer marca, em qualquer estado de conservação. Fui ver de perto. Em uma tarde, percorri pontos de coleta em lojas de perfis diferentes e o que encontrei confirma o que a pesquisa já sinalizava. A infraestrutura existe, está dentro da loja onde o consumidor compra, mas fala uma comunicação que ainda não chega até ele. Na Riachuelo, um coletor com identidade visual renovada, localizado numa das paredes laterais da loja e numa área central, recebe roupas em desuso com mensagem direta “Veste, Vai e Volta”. Iluminado, de fácil acesso e

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com identidade visual que chama a atenção de quem passa. Gostei! Na Renner encontrei facilmente a caixa de coleta em corredor de circulação, com identidade visual apresentando o Programa SomosRE Moda Responsável com o slogan “Tendência é pensar no future”. Apresenta identidade visual cuidadosa, em corredor de circulação de pessoas e é de fácil identificação. Merece destaque. Na H&M, o coletor metálico localizado num canto e próximo aos caixas, aceita peças de todas as marcas, tecidos e em qualquer condição. Tímido. Na Puket, a campanha Meias do Bem recolhe meias de qualquer marca e as transforma em cobertores para pessoas em situação de rua. A loja visitada não tem coletor por ser pequena, mas a vendedora soube explicar o Programa, informou que a loja recebe estes produtos e os segrega internamente para a logística reversa. Na Reserva,

o totem de madeira do Reserva Circular convida:

“Deixe aqui as suas roupas e calçados que não usa mais”. O local informa ainda que menos de 1% das roupas produzidas no mundo são recicladas e que a peça em fim de ciclo pode virar matéria prima para novos produtos ou cobertores para pessoas em situação de rua ou ter uma destinação ambientalmente correta. A loja é consideravelmente menor que a de um grande magazine, portanto a iniciativa torna-se proporcionalmente mais relevante perante outras iniciativas importantes num PDV. O que todas essas iniciativas têm em comum? Estão dentro da loja onde o consumidor já compra. O que falta não é o ponto de coleta e sim mais consumidores saberem que estes locais existem.


SUSTENTABILIDADE O CAMINHO A PERCORRER Os números do setor ajudam a dimensionar o desafio. O Brasil produz mais de 8 bilhões de peças de vestuário por ano, segundo o relatório Índice de Transparência da Moda Brasil 2024, do Fashion Revolution. Só a cidade de São Paulo coleta cerca de 20 toneladas diárias de roupas pós-consumo. O mesmo relatório mostra avanços: a divulgação de políticas de resíduos pelas marcas cresceu de 33% para 60% entre 2018 e 2023, e os sistemas de coleta em loja passaram de 20% para 32% das marcas analisadas. Ainda assim, apenas 8% divulgam como dese-

nham produtos para a circularidade, e 57% das 60 maiores marcas não publicam nenhuma informação sobre seus fornecedores. Transparência ainda falta. O tamanho do setor ajuda a entender a problemática. Só o varejo de vestuário, cama, mesa, banho e calçados movimentou R$ 427,1 bilhões em 2025, segundo dados da ABVTEX e da IEMI, com cerca de 191 mil lojas e mais de 900 mil empregos. A própria associação do varejo reconhece o desafio: a logística reversa têxtil está em discussão com governos estaduais e federal, e o setor participa dos fóruns que buscam escalar a reciclagem de roupas no país. A in-

tenção existe, a estrutura está sendo construída e o consumidor é timidamente convidado a participar dela. Para concluir, minha visão, na prática o que mais vale à pena mesmo é comprar bem, (priorizar qualidade à quantidade), usar muito e ao final, direcionar corretamente, seja doação, que já acontece em larga escala, venda em brechó ou descarte correto, quando não há mais possibilidade de doar a peça de roupa. Sempre digo, não tem nada mais caro do que uma roupa muito barata. No próximo artigo trago mais informações sobre a escolha de matérias-primas para ajudar na hora da compra.

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SENAI CETIQT RJ

TENDÊNCIA COM SOTAQUE BRASILEIRO: O PAPEL DO ENAT NA CONSOLIDAÇÃO DA MODA NACIONAL

A

moda é uma das indústrias mais globalizadas do planeta, e o seu calendário de tendências foi, por décadas, escrito quase exclusivamente por centros como Paris, Milão, Nova York e Londres. Já o Brasil, que detém a quinta maior indústria têxtil do mundo e a quarta em vestuário, com uma cadeia produtiva completa (da fiação à confecção, passando por tecelagens, aviamentos e cerca de 1,3 milhão de empregos formais diretos), historicamente ocupou o papel de consumidor desse conteúdo. As tendências chegavam aqui em segunda mão, já filtradas por outra realidade climática, outro corpo, outra cultura e outro calendário comercial. O problema dessa dinâmica vai muito além do idioma. Quando um conteúdo de tendências é apenas traduzido do inglês para o português, ele chega com atraso, com distorções de contexto e sem qualquer conexão com a realidade produtiva nacional. A chamada “tradução linguística de tendências” é, na prática, um problema de soberania criativa e de competitividade: quem lê o mundo em segunda mão chega atrasado à própria coleção, compra insumos que já saíram de linha e disputa mercado com coleções que nasceram prontas lá fora. É exatamente nesse cenário que o ENAT (Encontro Nacional de Tece-

82 I Revista Têxtil #798

Por Michelle Souza,

assessora da Diretoria Executiva do SENAI CETIQT e líder técnica do ENAT.

lagem e Confecção), realizado pelo SENAI CETIQT, ganha relevância estratégica. O evento anual reúne, em um único espaço, players da indústria da moda brasileira, matérias-primas nacionais e palestras de conteúdo, criando um ponto de encontro que a cadeia produtiva não encontra em nenhum outro lugar do calendário. Mais do que uma feira, o ENAT funciona como um fórum de inteligência de mercado pensado para a realidade brasileira. Entre os seus objetivos está a disseminação de informação atualizada sobre tendências de fibras, fios, tecidos, cores e formas com até 18 meses de antecedência. O prazo não é arbitrário: é o tempo de que tecelagens, confecções e marcas precisam para planejar coleções, negociar insumos, programar a produção e chegar à estação certa, na prateleira certa, com a margem certa. Quando esse horizonte de antecipação fica acessível, ele deixa de ser privilégio de grandes grupos internacionais e passa a ser uma ferramenta

de gestão para empresas de todos os portes, inclusive para as pequenas e médias, que formam o coração da confecção nacional. O evento também cumpre um papel que nenhuma plataforma digital substitui: integrar a cadeia têxtil nacional e fomentar encontros e oportunidades de negócios. Em um setor pulverizado, em que pequenas e médias confecções muitas vezes desconhecem o que é produzido a poucos quilômetros de suas fábricas, colocar compradores, tecelagens e fornecedores de aviamentos e embalagens no mesmo ambiente encurta distâncias, reduz custos e devolve competitividade ao produto nacional. Apoiar o desenvolvimento de novas coleções por meio do acesso a insumos brasileiros é, no fundo, um exercício de política industrial construída em rede. A inovação forma o terceiro eixo. Ao estimular parcerias entre a indústria têxtil e de confecção e os institutos do SENAI, o ENAT aproxima o chão de fábrica da pesquisa aplicada em materiais, processos e tecnologia

Evento reúne tendências, inovação e conhecimento para a indústria têxtil e de confecção.


SENAI CETIQT RJ E apresenta ao mercado uma vitrine de novos talentos, essencial para renovar o olhar de um setor que precisa se reinventar a cada estação. O diferencial mais importante, porém, é outro: a lente brasileira. Entender tendência não como tradução, mas como leitura crítica do que acontece no mundo a partir daqui. O Brasil não é apenas consumidor de estética, mas também produtor dela. A riqueza dos saberes tradicionais do Norte e do Nordeste, a bioeconomia da floresta, o artesanato que atravessa gerações, a tecnologia têxtil desenvolvida em solo nacional e o jeito brasileiro de vestir o corpo e de viver o clima compõem um repertório que nenhum serviço internacional de forecasting captura. Na prática, uma lente brasileira sobre as tendências significa traduzir uma cartela de cores global à luz das

paisagens e das festas do país; olhar para fibras e matérias-primas da nossa biodiversidade; desenvolver formas que respondam ao clima tropical e à diversidade de corpos; e reconhecer, nos movimentos culturais que nascem nas ruas, nas periferias e nas comunidades tradicionais, o mesmo poder de influência que as capitais da moda atribuem a si mesmas. O repertório existe e é abundante: da renda nordestina às fibras da floresta amazônica, da malharia catarinense ao artesanato do cerrado, há autoria brasileira suficiente para abastecer coleções inteiras. Respeitar a cultura nacional e regional não é um gesto de isolamento, e sim uma estratégia de valorização. Coleções com identidade própria se diferenciam no varejo, geram narrativa para a marca, conectam-se com consumidores cada vez mais

atentos à origem do que vestem e abrem espaço para que a moda brasileira dialogue com o mundo em pé de igualdade, exportando autoria em vez de importar referência. Em um momento em que a indústria global discute resiliência de cadeias de suprimento, rastreabilidade e produção mais próxima do consumidor, eventos como o ENAT antecipam o futuro que já bate à porta: o fortalecimento do ecossistema produtivo local como vantagem competitiva, e não apenas como alternativa. A moda brasileira tem cadeia, tem indústria, tem talento e tem cultura. O que o ENAT faz é reunir essas peças no mesmo lugar, na mesma semana, sob o mesmo olhar, e provar que tendência também se produz em português.

ANUNCIO ENAT MEIA PAGINA

11 e 12 de novembro de 2026, das 9h às 19h Edifício Touring – Praça Mauá, Rio de Janeiro / RJ

Revista Têxtil #798 I 83


MERCADO

A TRANSIÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO NA INDÚSTRIA TÊXTIL: Por Vanessa San Jorge

A

Emenda Constitucional nº 141 muda a organização do trabalho: a jornada máxima cai de 44 para 42 horas semanais dois meses após a publicação e, um ano depois, para 40 horas, com dois dias de repouso remunerado e sem redução salarial.

Para a indústria têxtil e de confecção, a mudança exige rever produção, custos e gestão de pessoas. O setor reúne diferentes realidades. Tecelagens e fiações operam em fluxo contínuo; tinturarias dependem de processos físico-químicos; corte, costura e expedição exigem muita mão de obra. Uma solução uniforme pode reduzir a produtividade e ampliar riscos.

Segurança jurídica começa no diagnóstico O primeiro passo é confrontar jornadas contratuais e efetivamente praticadas. Trocas informais de turno, compensações sem registro e horas extras recorrentes precisam ser revistas. Também será necessário examinar instrumentos coletivos, bancos de horas, escalas e controles de ponto. A EC nº 141 prevê que cláusulas coletivas incompatíveis percam efeito dois meses após sua publicação. Negociação coletiva e registros confiáveis ajudam a reduzir passivos

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Produtividade antes da ampliação do quadro A redução de 44 para 40 horas representa cerca de 9% menos horas semanais por profissional. Não significa, porém, que a resposta seja automaticamente contratar mais. É preciso mapear gargalos: preparação de máquinas, paradas não programadas, retrabalho, distribuição de tarefas e polivalência funcional. Ganhos de eficiência podem absorver parte da mudança. Quando não bastarem, será preciso dimensionar equipes por etapa produtiva.

Rotatividade: um custo invisível na escala A pressão sobre as margens aumenta quando a indústria precisa contratar para cobrir a nova jornada e repor profissionais desligados. A rotatividade deixa de ser um indicador de RH e passa a afetar a produção. Na confecção, substituir costureiros, operadores e técnicos custa mais que verbas rescisórias. Há perda de conhecimento, tempo de aprendizagem, sobrecarga de supervisores, retrabalho e desperdício de matéria-prima. Cada desligamento pode afetar o ritmo fabril com menos horas disponíveis. Reduzir o turnover torna-se uma forma de preservar a margem. Essa estratégia começa na qualidade das contratações.

Inteligência de dados na seleção Processos seletivos lentos ou baseados apenas em critérios subjetivos ampliam o custo das posições abertas. Sistemas de recrutamento e seleção (ATS) ajudam a estruturar etapas, avaliar competências técnicas e comportamentais e acompanhar indicadores. A Reachr utiliza inteligência artificial para apoiar a triagem de grandes volumes de candidaturas e identificar perfis compatíveis com as exigências de cada função. Com informações organizadas, RH e gestores industriais podem decidir com mais agilidade e monitorar resultados, inclusive a permanência dos contratados.

Uma decisão de gestão, não apenas de prazo A adaptação exige indicadores como custo por hora produzida, horas extras, produtividade, contratações e rotatividade. Esses dados orientam decisões e investimentos. Para a indústria têxtil brasileira, o desafio é conciliar segurança jurídica, eficiência e contratações estratégicas, preservando a qualidade e a competitividade. Vanessa San Jorge é cofundadora e COO da Reachr, plataforma de inteligência artificial voltada ao recrutamento e seleção.


PREVIEW

Revista Têxtil #798 I 85


EVENTOS

CAMPO BELO – MG, A FORÇA DE UM POLO DE JEANSWEAR QUE SE ORGANIZA PARA CRESCER

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lançamento da AMOCB, Associação da Moda de Campo Belo e Região que aconteceu em 22 de setembro de 2026, marca uma nova etapa para um dos polos de costura de jeanswear mais expressivos e ainda pouco reconhecidos do país. A entidade nasce com o propósito de articular empresas, qualificar a produção e ampliar a visibilidade de uma cadeia que já possui escala e conhecimento técnico. Segundo dados apresentados pela associação, a região que abrange 16 municípios, reúne mais de 500 facções especializadas na costura de jeans e sarja, com produção estimada em 5 milhões de peças por mês e mais de 15 mil trabalhadores. A entidade atribui ao polo participação de aproximadamente 20% na costura e nas exportações brasileiras de jeanswear, indicadores que revelam a dimensão deste projeto regional.

favoreceu o desenvolvimento de oficinas de costura e a especialização regional no jeanswear. A Revista Têxtil acompanhou o lançamento da AMOCB e visitou quatro operações da cadeia produtiva: Beka Confecções, Stylus Jeans, Prime Confecções e Lavanderia Milenium. A experiência permitiu observar de perto tanto a capacidade produtiva local quanto os desafios de uma atividade intensiva em trabalho e dependente de coordenação entre empresas. Nas conversas com empresários, a dificuldade de contratar e reter profissionais apareceu como uma preocupação central. A resposta exige mais do que ampliar vagas. Passa por remuneração competitiva, boas

A história de Campo Belo, no centro-oeste de Minas Gerais, remonta ao antigo povoado de Ribeirão São João, elevado à condição de cidade em 1884. Sua vocação para a confecção foi construída gradualmente. A chegada da ferrovia, o comércio de tecidos e a atuação de comerciantes imigrantes, especialmente libaneses, a partir do fim do século XIX, fortaleceram as conexões comerciais com São Paulo e o Brás. Ao longo das gerações, essa base comercial Profissionais têxteis na “Rota da Costura”

86 I Revista Têxtil #798

Por Carla Angelini

condições de trabalho, atualização de equipamentos, formação profissional e modelos de gestão capazes de atrair novas gerações. Para isso, serão fundamentais a articulação entre iniciativa privada, poder público e instituições de ensino. Outro desafio é completar os elos da cadeia. Embora a costura tenha alcançado escala, atividades como corte, beneficiamento, lavanderia, logística e operações comerciais próprias ainda oferecem oportunidades de integração. A presença mais próxima e integradas destas etapas pode reduzir deslocamentos, encurtar prazos, melhorar a comunicação e tornar o polo mais competitivo. Outro desafio é completar os elos da cadeia. Embora a costura tenha alcançado escala, atividades como


EVENTOS corte, beneficiamento, lavanderia, logística e operações comerciais próprias ainda oferecem oportunidades de integração. A presença mais próxima e integradas destas etapas pode reduzir deslocamentos, encurtar prazos, melhorar a comunicação e tornar o polo mais competitivo. Hoje, parte importante da produção, atende principalmente a pequenas e médias marcas, inclusive do Brás, em São Paulo. Com organização, rastreabilidade e processos mais consistentes, a região poderá ampliar sua participação no fornecimento a grandes redes de varejo, cujas exigências incluem qualidade, custos, cumprimento de prazos e protocolos sociais, ambientais e de governança. Não se trata apenas de produzir mais ou de reduzir o custo do transporte. Em um país de dimensões continentais, aproximar as etapas da cadeia significa também diminuir o tempo total de produção, evitar retrabalho, utilizar recursos com maior inteligência e criar condições para rela-

ções comerciais mais duradouras. A sustentabilidade, nesse contexto, precisa ser entendida como parte da eficiência industrial e da valorização das pessoas. A iniciativa é liderada por Ricardo Vilela, Andrey Cardoso, Juliana Medina e Thaisa Peralta. O evento reuniu empresas e entidades do setor, entre elas Brand Têxtil, Quimijeans, Hitechlab, Crystaltex, SIFTMG, SocioTec, Sempre Empresas, Sicoob Copermec e Fashion das Gerais, além de profissionais e consultorias do mercado têxtil. Ver um movimento genuíno de transformação é especialmente estimulante para quem acompanha a indústria têxtil brasileira. Campo Belo já tem produção, experiência e capacidade empreendedora. O passo decisivo agora é converter essa força dispersa em um polo estruturado, qualificado e reconhecido nacionalmente com produtividade, responsabilidade e visão de longo prazo.

Ricardo Vilela, Juliana Medina, Thaisa Peralta (AMOCB), Carla Angelini, (Revista Têxtil) e Andrey Cardoso

Visita em confecções

Revista Têxtil #798 I 87


SUSTENTABILIDADE

SANTISTA JEANSWEAR AMPLIA AGENDA DE INOVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE COM PARCERIA COM A REPREVE® EM COLABORAÇÃO COM A UNIFI, A SANTISTA APRESENTA O RE POWER DENIM PLUS, ARTIGO QUE INCORPORA FIO REPREVE® PRODUZIDO A PARTIR DE GARRAFAS PET PÓS-CONSUMO E TRANSFORMA RESÍDUOS EM NOVAS POSSIBILIDADES PARA O DENIM

A

busca por soluções mais responsáveis para a indústria da moda vem impulsionando novas formas de pensar, produzir e consumir o denim. Atenta a esse movimento, a Santista Jeanswear amplia sua agenda de inovação e sustentabilidade por meio da parceria com a REPREVE®, marca da UNIFI reconhecida pela transformação de garrafas plásticas pós-consumo em fibras recicladas. A colaboração dá origem ao Re Power Denim Plus, denim que incorpora o fio REPREVE® em sua composição, unindo tecnologia, conforto e responsabilidade ambiental. A parceria representa mais um passo da Santista na construção de alternativas para uma indústria do denim mais consciente. A partir da utilização do fio REPREVE®, garrafas PET que poderiam ser descartadas são transformadas em matéria-prima para novos tecidos. Até o momento, a colaboração entre as marcas já possibilitou a retirada de mais de 5 milhões de garrafas PET pós-consumo do meio ambiente, dando um novo destino a esses materiais e incorporando-os ao ciclo produtivo da moda. A aplicação desse fio no Re Power Denim Plus conecta a expertise tec-

88 I Revista Têxtil #798

nológica da UNIFI ao conhecimento da Santista na criação de tecidos para o mercado de jeanswear, criando uma solução que alia desempenho, estética e inovação. Mais do que desenvolver um novo artigo, a parceria propõe uma mudança de perspectiva sobre o próprio processo criativo. O Re Power Denim Plus nasce como uma plataforma para mostrar que sustentabilidade também pode ser matéria-prima para a criação, abrindo espaço para que marcas e estilistas explorem novas interpretações do denim. É nesse contexto que a Santista e a REPREVE® apresentam uma mostra especial durante a Semana de Lançamentos da Denim City SP, que acontece de 15 a 17 de setembro, na Rua Casemiro de Abreu, 604, no Brás, em São Paulo. Para a exposição, marcas e criadores foram convidados a reinterpretar o Re Power Denim Plus em looks autorais, revelando diferentes estéticas, linguagens e possibilidades para o tecido. Participam do projeto Aramis, Dario Mittman, Another Place, Martins, Equivoco, Bold Strap, Flor de Lis, Carlos Castro, Brytch, Damyller, Angela Brito, Patoge e Suzilla Adorno. A iniciativa ressalta o posicionamen-

to da Santista Jeanswear de investir em inovação como ferramenta para transformar o futuro do denim, aproximando tecnologia, criatividade e sustentabilidade. Ao lado da REPREVE®, a marca mostra, na prática, como a colaboração entre indústria e criatividade pode gerar novos caminhos para a moda — começando por uma escolha: reinventar, recriar e repensar o denim.


PREVIEW

10ª EDIÇÃO 2026

SEMANA DE MODA E SUSTENTABILIDADE BRASILEIRA

ECONOMIA CRIATIVA E CIRCULAR

12 - 14 NOV 2026 12H - 22H OCA PARQUE DO IBIRAPUERA SÃO PAULO - SP

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DENIM CITY

SL13: CONHECIMENTO, CONEXÕES E NOVOS CAMINHOS PARA O FUTURO DO DENIM Por Mieko Cabral

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ntre os dias 15 e 17 de setembro, a Denim City SP realizou a 13ª edição da Semana de Lançamentos (SL13), reunindo profissionais, empresas e parceiros da cadeia têxtil em uma programação dedicada à troca de conhecimentos, à inovação e à construção de novos caminhos para o setor.

Para quem não acompanhou presencialmente ou deseja rever os conteúdos, as palestras estão disponíveis no canal da Denim City SP no YouTube (@denimcitysp1559). Uma oportunidade de retomar as discussões, aprofundar conhecimentos e compartilhar essas reflexões com equipes e parceiros.

Ao longo dos três dias, o evento promoveu encontros que reforçaram a importância da colaboração entre indústria, design, pesquisa e mercado. Um dos destaques desta edição foi a presença de Adriana Galijasevic, designer, pesquisadora e fundadora da Cocircular Lab, que trouxe ao Brasil reflexões sobre circularidade, inovação e o futuro responsável do denim. Sua participação ampliou o diálogo sobre as transformações necessárias para uma indústria da moda mais sustentável e integrada.

Outro momento especial da SL13 foi o workshop “Faça sua Própria Bolsa”, uma experiência prática que aproximou os participantes do fazer manual e das possibilidades criativas do denim. A atividade valorizou o contato direto com o material, o desenvolvimento de habilidades e a experimentação como caminhos para ampliar o olhar sobre as aplicações do jeans.

A programação também contou com diversas palestras sobre comportamento e tendências, convidando os participantes a olhar para as mudanças culturais, sociais e de consumo que influenciam o desenvolvimento de produtos e os rumos do mercado. Os encontros reforçaram o papel da informação e da pesquisa como ferramentas fundamentais para antecipar movimentos e transformar ideias em oportunidades para o setor.

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estilista, coordenadora acadêmica da Denim City SP e mestre em ciências pela USP

acompanhar as novidades do setor e construir, juntos, novas perspectivas para o denim brasileiro. Esperamos vocês!

Mais do que apresentar novidades, a Semana de Lançamentos reafirma a importância de criar espaços de encontro, aprendizado e conexão para toda a cadeia do denim. É nesse ambiente de colaboração que surgem novas ideias, parcerias e possibilidades para o futuro da indústria. E o próximo encontro já tem data marcada! A SL14 acontece nos dias 9, 10 e 11 de março de 2027, na Denim City SP. Fica aqui o nosso convite para participar de mais uma edição da Semana de Lançamentos,

Denim City - SP


DENIM CITY DESIGN COM INTENÇÃO: ADRIANA GALIJASEVIC DESTACA A CIRCULARIDADE COMO CAMINHO PARA O FUTURO DO DENIM Em palestra na Denim City SP, especialista internacional em design e sustentabilidade compartilhou experiências da indústria global e mostrou como a inovação, a colaboração e o planejamento podem transformar a cadeia têxtil. Como projetar produtos que tenham valor não apenas pela estética, mas também pelo impacto que geram ao longo de todo o seu ciclo de vida? Essa foi uma das principais reflexões da palestra, Design com Intenção: Circularidade, conduzida por Adriana Galijasevic, especialista em design e circularidade, na Denim City SP. Com experiência internacional e passagem pela G-Star, Adriana apresentou iniciativas que demonstram como a sustentabilidade pode deixar de ser um projeto isolado e passar a orientar decisões de design, desenvolvimento de materiais e estratégias de produção.

DO BERÇO AO BERÇO: REPENSAR O CONCEITO DE DESCARTE A apresentação partiu de uma mudança fundamental de perspectiva: em vez de buscar apenas maneiras de reduzir o lixo, é necessário repensar a forma como os produtos são concebidos para que seus materiais possam continuar circulando após o uso. Inspirada pela filosofia Crad-

le to Cradle (Berço a Berço), Adriana explicou que a natureza oferece um modelo em que os resíduos de um processo se tornam recursos para outro. Aplicada à indústria têxtil, essa abordagem exige que o destino dos materiais seja considerado desde as primeiras etapas do desenvolvimento.

“O LIXO É UM ERRO DE DESIGN.” A frase sintetiza a proposta apresentada pela especialista: a circularidade começa antes da fabricação, na escolha dos materiais, na composição química, na construção do produto e no planejamento de seus próximos usos. Adriana também destacou que essa visão precisa considerar diferentes dimensões da sustentabilidade, incluindo a saúde dos materiais, a gestão responsável da água, a proteção do clima e do ar, a circularidade dos produtos e a equidade social.

DA EXPERIMENTAÇÃO À ESCALA INDUSTRIAL Ao compartilhar sua experiência na G-Star, Adriana mostrou como projetos experimentais podem gerar mudanças significativas quando seus aprendizados são incorporados às coleções principais. Entre os exemplos apresentados estavam o uso de fibras alternativas provenientes de plantas, a incorporação de jeans descartados na produção de novos materiais, o desenvolvimento de tecidos com fibras recicladas e a criação de cores a partir de resíduos agrícolas. Um dos aprendizados

Adriana Galijasevic

mais relevantes veio da estratégia de transformar iniciativas sustentáveis em práticas de maior alcance. Segundo Adriana, uma coleção-cápsula experimental gerou impacto limitado quando permaneceu isolada. Ao levar os resultados para os produtos de maior volume de vendas, a empresa ampliou consideravelmente o alcance das mudanças. A experiência reforça que a inovação não deve ficar restrita a projetos especiais: seu potencial se concretiza quando é integrada ao desenvolvimento cotidiano dos produtos. Revista Têxtil #798 I 91


DENIM CITY Outro destaque foi o desenvolvimento de tecidos de denim seguindo os princípios da certificação Cradle to Cradle. O trabalho envolveu a avaliação dos componentes químicos, dos processos de tingimento e acabamento, do consumo de água e das possibilidades de reciclagem. Adriana ressaltou a importância de considerar a composição do material desde o início, evitando substâncias que possam comprometer a segurança ou dificultar sua reutilização. No desenvolvimento de denim, isso significa avaliar não apenas o algodão e os fios, mas também o índigo, os produtos químicos empregados no processo, os aviamentos e os acabamentos. A especialista também apresentou alternativas de processamento e estratégias para reduzir o consumo de água, além de destacar a importância de orientar os consumidores sobre os cuidados com as roupas e o descarte responsável. A proposta é ampliar a vida útil dos produtos e criar condições para que os materiais retornem à cadeia produtiva.

COLABORAÇÃO COMO MOTOR DA TRANSFORMAÇÃO: Ao olhar para o Brasil, Adriana destacou o potencial da indústria nacional, considerando sua dimensão, a disponibilidade de energia renovável, a estrutura agrícola e a capacidade técnica dos profissionais e das empresas. Para ela, a colaboração entre os diferentes elos da cadeia é essencial para acelerar a adoção de soluções circulares. Compartilhar conhecimento, desenvolver tecnolo-

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gias em conjunto e ampliar a escala de iniciativas bem-sucedidas são caminhos para tornar a inovação mais acessível e viável.

abertura ao aprendizado e disposição para questionar práticas estabelecidas.

“A SUSTENTABILIDADE “PRECISAMOS COLABORAR, E A CIRCULARIDADE SÃO O PONTO DE EDUCAR E ALINHAR.” PARTIDA PARA A A especialista também abordou as INOVAÇÃO.” mudanças regulatórias relacionadas à sustentabilidade têxtil na Europa, incluindo iniciativas voltadas à rastreabilidade, à responsabilidade dos produtores e ao acompanhamento do ciclo de vida dos produtos. Essas transformações reforçam a necessidade de que as empresas se preparem desde já para novas exigências e oportunidades de mercado.

INOVAR: RESPONSABILIDADE E INTENÇÃO No encerramento, Adriana convidou os participantes a repensarem hábitos, processos e modelos de negócio, destacando que a transformação depende de curiosidade,

Mais do que apresentar soluções prontas, a palestra trouxe uma reflexão sobre a responsabilidade de quem projeta e produz. O desafio está em desenvolver produtos que conciliem estética, desempenho, segurança e viabilidade, sem perder de vista seu impacto ambiental e social. Para a cadeia do denim, a mensagem é clara: o futuro da indústria depende de decisões tomadas desde o início do processo criativo, de maior transparência na cadeia de suprimentos e da capacidade de transformar experimentação em mudanças concretas. Assista à palestra completa no youtube da Denim City SP.


DENIM

COUNTRY: A FORÇA DO WESTERN NA MODA DENIM BRASILEIRA Entre a estética dos rodeios, a herança do jeans e novas interpretações de estilo, o country reafirma sua presença na moda brasileira. O Canatiba Trends aprofunda esse movimento em três novos reports de tendências. O country faz parte da moda brasileira há décadas. Inspirado na estética dos rodeios e na cultura western, o estilo tem no denim um de seus principais protagonistas, conectando tradição, autenticidade e identidade. Agora, esse repertório ganha novas leituras e continua inspirando criações que transitam entre o universo rural, o streetwear e a moda contemporânea. Mais do que uma referência estética, o country oferece um repertório rico para o desenvolvimento de produtos. O jeans aparece em diferentes lavagens, modelagens e construções, acompanhado de elementos característicos do universo western, como franjas, bordados, fivelas, camisas, jaquetas e acessórios de inspiração country. São referências que podem ser reinterpretadas de maneira clássica ou incorporadas a propostas mais urbanas, ampliando as possibilidades de criação.

O UNIVERSO COUNTRY Para quem deseja transformar essa influência em inspiração para novas coleções, o Canatiba Trends disponibiliza três novos reports dedicados à tendência. A proposta é oferecer referências e direcionamentos de moda que auxiliem os profissionais criativos a investigar o universo western e suas possibilidades para o denim. FEMININO - ÍNDIGO RAIZ: O universo dos rodeios, o estilo de vida das boiadeiras e a cultura do denim se conectam em uma pesquisa que explora as raízes do western. No report, reunimos direcionamentos para o jeanswear feminino adulto, com destaque para fits, tonalidades de lavanderias importantes, aposta de tecidos e detalhes

que reforçam a autenticidade do jeans country. MASCULINO - LEGADO RURAL: celebra a força do country brasileiro, conectando raízes, cultura, agronegócio, feiras regionais, rodeios e estilo. Do campo às cidades, o denim ganha novas interpretações e lavagens cheias de personalidade, renovando o visual sertanejo. INFANTIL - GERAÇÃO BOIADEIRA: Impulsionado pela música sertaneja, pelo universo agro e pelos grandes rodeios, o novo report explora a força da estética western na moda infantil. Lavagens vintage, modelagens clássicas, bordados e aplicações renovam o denim, trazendo uma leitura mais fashion e cheia de atitude para as pequenas cowgirls. Artigo publicitário

Essa versatilidade ajuda a explicar a permanência do country na moda brasileira. Sua força está justamente na capacidade de preservar elementos reconhecíveis enquanto se transforma a cada nova temporada, dialogando com diferentes públicos, ocasiões e estilos de vida. Revista Têxtil #798 I 93


DENIM

DOD, TENCEL™ E CANATIBA UNEM ALFAIATARIA E STREETWEAR EM NOVA COLEÇÃO

Quarta colaboração explora o denim com referências dos anos 80, tons delavê e fibras que contribuem para uma moda mais responsável.

A

marca paulistana DOD Alfaiataria apresenta sua quarta colaboração com as fibras TENCEL™, do Grupo Lenzing, e a Canatiba Têxtil. A coleção combina alfaiataria e streetwear, resgatando referências dos anos 80 e a estética delavê em uma proposta que conecta moda, arte e cultura. Com cinco peças — quatro bottoms e um top —, a cápsula explora o jeans em versões despojadas, com modelagens e acabamentos que dialogam com o verão brasileiro. O processo de lavanderia tem papel importante na construção do azul-claro característico da linha, que combina referências urbanas, versatilidade e atenção à escolha dos materiais. “Essa quarta colaboração com a TENCEL™ e a Canatiba Têxtil representa a continuidade de um trabalho que vem sendo construído com propósito e consistência. Para a DOD, sustentabilidade está di-

Fotos: Divulgação

94 I Revista Têxtil #798

retamente ligada à forma como pensamos e desenvolvemos cada peça, buscando unir estética, inovação e escolhas mais responsáveis”, afirma Jubba Sam, diretor criativo da DOD Alfaiataria. As fibras TENCEL™, principal marca do Grupo Lenzing, aliam funcionalidade e versatilidade ao desenvolvimento de produtos têxteis. Segundo a empresa, as fibras de liocel TENCEL™ são produzidas com pelo menos 50% menos emissões de carbono e consumo de água em comparação com fibras genéricas de liocel.Para Juliana Jabour, gerente de Desenvolvimento e Novos Negócios na América do Sul do Grupo Lenzing, a continuidade da parceria demonstra como a inovação em materiais e a sustentabilidade podem integrar produtos com identidade, qualidade e propósito. Fundada em 1969, a Canatiba Têxtil contribui com sua experiência no

desenvolvimento de tecidos, combinando tecnologia e inovação em uma trajetória de destaque na indústria têxtil brasileira e internacional. “Parcerias são fundamentais para a Canatiba, pois nos permitem trazer novos olhares para os nossos produtos, ampliar possibilidades e fortalecer ainda mais aquilo que entregamos ao mercado. Ao longo desses dois anos de parceria, a DOD se consolidou como uma parceira de confiança, com quem compartilhamos o compromisso com a qualidade e a excelência em cada entrega. Essa colaboração valoriza ainda mais nossos produtos e reforça um princípio essencial para a Canatiba: a busca constante pela qualidade, que está na nossa essência e presente em tudo o que fazemos”, afirma Felipe Covolan, diretor comercial e de marketing da Canatiba Têxtil. A coleção combina caimento, acabamento, durabilidade e versatilidade, propondo novas interpretações para shapes clássicos. As peças estão disponíveis desde 8 de outubro no comércio eletrônico e na loja física da DOD, em São Paulo.


Tendências que inspiram o agora e o amanhã.

DENIM / SPECIAL FABRICS MASCULINO / FEMININO / INFANTIL

PREVIEW

O Canatiba Trends é a curadoria de pesquisa de moda da Canatiba, com insights globais traduzidos para a realidade brasileira. Trazendo as principais tendências em Denim e Denim Color para quem cria o futuro da moda.

INSPIRE-SE. CRIE. BOA PESQUISA!

Revista Têxtil #798 I 95

@CANATIBATEXTIL CANATIBA.COM.BR/TRENDS


SPFW

SPFW N61: SUSTENTABILIDADE, PESQUISA TÊXTIL E MEMÓRIA NA PASSARELA

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ntre os dias 13 e 18 de outubro, a São Paulo Fashion Week N61 reuniu 25 estilistas e marcas em desfiles internos e externos, com propostas que exploraram materiais, técnicas artesanais, sustentabilidade e memória. Abrindo, Alexandre Herchcovitch trouxe rendas, transparências, pelúcia e couro. Em parceria com a Repreve, assinou três looks com tecidos feitos a partir do fio

Takeback, produzido com resíduos têxteis pré e pós-consumo reciclados. A Foz, de Antônio Castro, apresentou “Expresso Maravilha”, inspirada em uma viagem de carro de São Paulo ao Ceará. Mosquiteiros, roupas de cama, almofadas e o redendê alagoano traduziram memórias e referências do interior brasileiro. a Forca apresentou “Forca X”, coleção punk em parceria com a Bridgestone Pneus, com jaquetas de ombros marcados, couro e uma peça que incorpora material reaproveitado de pneus.

Por Bruno Leonard e Fred Haydu

Na À La Garçonne, a sustentabilidade é ponto de partida. Segundo Fábio Souza, diretor criativo, 95% dos materiais da coleção são sustentáveis, com algodão, seda, tecnologias renováveis de Lycra e tecidos biológicos da Vicunha e poliamida Macias Textil. Já a Artemisi, de Mayari Jubini, apresentou peças com mais de 20 mil horas de trabalho manual e 700 mil cristais e pedrarias, além de criações em impressão 3D. A Hisha apresentou “Alforje”, destacando a excelência do bordado mineiro.

Alexandre Herchcovitch

Fotos: Agencia Fotosite

96 I Revista Têxtil #798

Amir Slama, um dos principais nomes do beachwear brasileiro, revisitou sua trajetória com referências à estreia da Rosa Chá na semana de moda de Nova York, em 2000, em parceria inédita com a Inovare. João Pimenta teve o jazz como ponto de partida, explorando misturas têxteis para afrontar e enaltecer a alfaiataria.

Amir Slama

A Normando, de Marco Normando e Emídio Contente, buscou inspiração no pintor paraense Ismael Nery e explorou matérias-primas naturais, como lã, algodão Pima e egípcio, seda e couro.


SPFW A Santa Resistência, de Mônica Sampaio, levou “Otelo Brasileiro”, inspirado no musical Otelo da Mangueira, com verde e rosa, bordados, crochê e jacquard desenvolvido com a RenauxView. Já o Cria Costura apresentou uma coleção inspirada no paisagista Roberto Burle Marx, com criações de 30 participantes orientados por Simone Nunes. Entre volumes geométricos, franjas, camadas e jacquards, os looks exploraram referências aos jardins, azulejos e pinturas do artista. em parceria com a Paranatex. Dário Mittmann uniu a estética punk ao universo da Turma da Mônica dos anos 1960, em parceria com a Santista e a REPREVE. A Dendezeiro trouxe a inspiração do Hip-Hop e Rap feminino na colocao “Oracao de Barbearia”. Aluf, com “Sorte de Pescador” explorou referências marítimas, redes de pesca, crochê, tricô e tecidos como crepe, tricoline e algodão reciclado. Catarina Mina, com “Bonito para Chover”, celebrou o sertão e a chegada da chuva, com crochê, renda de bilro, palha e bordados manuais. Marina Bitu, com “Abissa”, mergulhou nas memórias do oceano, explorando seda, organza, jacquard, bordados e fibras naturais. O Apartamento 03, com “Atempo”, trabalhou memória e passagem do tempo com retalhos, rendas, tule, malhas e reaproveitamento de materiais. Martins revisitou referências da história da moda com maximalismo, patchwork, sobreposições e tecidos reaproveitados. Ammi, com “Forma Viva”, trouxe referências da natureza em crochês, tramas, bordados, franjas e formas orgânicas.

Handred, com “Vapor em Curso”, apresentou referências da cultura japonesa em peças de seda, organza, linho e algodão, explorando bordados, texturas e silhuetas amplas.

Apartamento 03

Artemisi

Marina Bitu

Revista Têxtil #798 I 97


SPFW A UÓ Upcycling de Marcelo Sommer e Luis Monteiro explorou o resignifigado do moda, tecido da Carmem Textil feito Liocell da Lenzing™ com pecas garimpadas brecho vintage e pecas de descartes de arquivo morto da Riachuelo e Dod Alfaiataria. Em comemoração aos dez anos da Sou de Algodão, iniciativa da ABRAPA, Ronaldo Fraga apresentou “Cartas de Algodão, Poesias para o Futuro”, com bordados, cartas e histórias por trás das peças, tecidos de algodão da Cataguazes em destaque. As coleções destacaram a pesquisa têxtil, o trabalho manual e o reaproveitamento de materiais, convidando a refletir sobre os processos por trás das peças e como a origem dos materiais transforma a criação de moda.

Amir Slama

No dia 20 de outubro, o JK Iguatemi recebeu a pré-estreia de Muito Além da Moda, série documental de Paulo Borges, fundador da SPFW. Dividida em três episódios de 46 minutos, a produção percorre sua trajetória e os bastidores do evento, reunindo nomes como Regina Guerreiro, Gisele Bündchen e outras tantas personalidades da moda brasileira.

FragaTêxtil para Sou de Algodão 98Ronaldo I Revista #798

Ammi

Uó Upcycling

Cria Costura


SPFW

Santa resistência

Ronaldo Fraga, Sou de Algodão

Handred

Santa Resistência

Foz

Artemisi


SPFW

Catarina Mina

Dendezeiro

100 I Revista Têxtil #798

Aluf

Lilly

Herchcovitch

À La Garçonne

João Pimenta

À La Garçonne


SPFW

Normando

Foz

Catarina Mina

Hisha

Dário Mittmann

Dendezeiro

Martins


FIAÇÃO

SOU DE ALGODÃO CELEBRA 10 ANOS CONECTANDO TODA A CADEIA TÊXTIL COM QUASE 2 MIL MARCAS PARCEIRAS, 20 INSTITUIÇÕES DE ENSINO E CINCO DESFILES PRÓPRIOS NA SPFW, INICIATIVA DA ABRAPA FORTALECE OS ELOS ENTRE CAMPO, INDÚSTRIA, MODA E CONSUMIDOR.

O

Sou de Algodão, iniciativa da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (ABRAPA), completa dez anos conectando os diferentes elos da cadeia produtiva, da lavoura ao consumidor final. Criado em 2016, o movimento promove o algodão brasileiro na moda, aproxima produtores, indústria têxtil, estilistas e marcas e incentiva escolhas de consumo mais responsáveis. Para a produtora de algodão e porta-voz da iniciativa, Alessandra Zanotto , a força do programa está na integração entre os profissionais que fazem a cadeia acontecer. “Quem planta algodão sabe que a nossa história não termina na lavoura.

Ela segue na fiação, na tecelagem, na passarela e no guarda-roupa de cada pessoa. Nestes dez anos, o Sou de Algodão se dedicou a criar pontes entre todos esses elos e mostrou que, quando a cadeia se conhece, a moda brasileira fica mais forte e o consumo, mais responsável”, afirma. A campanha comemorativa “Conectando quem faz tudo acontecer”, a iniciativa já reúne 1.982 marcas parceiras e 20 instituições de ensino, além de contar com 18 apoios institucionais e nove apoios financeiros. Na indústria, o movimento promove experiências que aproximam os participantes da origem da matéria-prima e dos processos de transformação da fibra em fios, tecidos e produtos. A conexão com o varejo ocorre por meio de parcerias, vitrines e coleções colaborativas, ampliando a presença do algodão brasileiro nas lojas e no cotidiano dos consumidores. A moda também ocupa espaço central nessa trajetória. O Sou de Algodão realizou cinco desfiles próprios na São Paulo Fashion Week (SPFW). O mais recente, em 15 de outubro, teve assinatura do estilista Ronaldo Fraga e apresentou a coleção “Cartas de Algodão”, que celebra a delicadeza, a memória e a permanência por meio da fibra. Já o Desafio Sou

Foto: Agencia Fotosite Fonte: Comuniquese

de Algodão + Casa de Criadores somam quatro edições, 29 finalistas e novos talentos revelados. A final da quarta edição, com cinco representantes das diferentes regiões brasileiras, está prevista para o fim de novembro, em São Paulo. Para Renata Caixeta, gerente de desenvolvimento de negócios da ABRAPA, o próximo ciclo será de fortalecimento dessas conexões. “Dez anos é o tempo de tecer uma trama, e agora o desafio é fortalecê-la fio a fio. Vamos seguir aproximando quem planta de quem transforma, de quem cria e de quem veste, ampliando as experiências em campo, formando novos talentos da moda e levando o algodão brasileiro a mais marcas e a mais consumidores”, destaca. O Brasil, terceiro maior produtor e maior exportador mundial de algodão, tem na fibra um importante ativo econômico e industrial. A iniciativa também divulga o programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que adota critérios ambientais, sociais e econômicos e certifica 79% da produção nacional, segundo os dados divulgados pela Abrapa. Ao completar uma década, o Sou de Algodão reforça a importância da colaboração entre os elos da cadeia para valorizar a matéria-prima nacional, estimular a criatividade e ampliar a conscientização sobre a origem dos produtos que chegam ao consumidor.


PREVIEW

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LIFESTYLE INTEIRO

Organizada pelo Grupo Eletrolar All Connected e assinada pela Ambiente, a Interior Lifestyle South America conecta marcas de design, utilidades domésticas, decoração e lifestyle a um público B2B altamente qualificado.

Ser um expositor na feira significa encontrar novas oportunidades estratégicas no mercado sul-americano e posicionar sua marca como referência em um segmento em plena expansão.

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Revista Têxtil #798 I 103


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CAPA FINAL

104 I Revista Têxtil #798


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