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de 13 a 16. 1. 2026 FRANKFURT / MAIN
EDITORIAL
A REVISTA TEXTIL é uma publicação da R. da Silva Haydu & Cia. Ltda. Inscr. Eat.: 104.888.210.114 CNPJ/MF: 60.941.143/0001-20 MTB: 0065072/SP End. Rua Albuquerque Lins 635 - Cj 44, Santa Cecília, São Paulo, SP. Brasil CEP:01230-001
DU: 03.10.25
Brasilien
Diretor-Presidente: Ricardo Haydu Editor Chefe: Frederico Haydu Diretora de redação: Ursula Orlando (MTb 031433) Designer: André Luiz Vilela Gaiteiro Diagramação: Plataforma Editorial Comercial: Frederico Haydu Digital: Daniela Marx, Henrique Pereira e Ursula Orlando Capa e Quarta capa: Dudu Berthonili veste Dih Moraes. Foto: Tons. Arte: Carlos Vieira da Reachr TI: Sham Vinicus Colaboradores: Daniela Marx, Milena Abreu, Eric Vigiani, Sarah Caldas, Clarissa Magalhaes, Vanessa San Jorge, Bruno Leonard, Guia Jeanswear, Carla Angelini e Laura Yamane. Agradecimentos: Dani Marx, Dudu Bertholini, TexApex, Marta De Divitiis, Guia Jeanswear, Carlos Vieira e a Reachr, Henrique Pereira, Carlos Tartaglioni, Thiago Arruda, Bruno Leonard, Ricardo Gomes, Lea T e Dih Moraes. Representantes Comerciais comercial@revistatextil.com.br •
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Todo começo de ano carrega um gesto simbólico: o de virar a página. Mas 2026 não pede apenas continuidade, pede transformação. A indústria têxtil nunca foi apenas matéria, técnica ou mercado. Ela é linguagem, cultura, corpo em movimento. É onde o cotidiano encontra a invenção. Onde tradição e tecnologia se entrelaçam. Por isso, quando falamos em futuro, falamos inevitavelmente em revolução. E sim, a revolução é têxtil. Abrimos este novo ciclo com Dudu Bertholini na capa, não apenas como estilista, mas como símbolo de um pensamento que entende moda como expressão política, social e sensível. Um olhar que recusa a superfície rasa e aposta no processo, na identidade e na coragem de experimentar. Um convite claro à reinvenção. Esta edição também é, acima de tudo, um agradecimento. Aos colaboradores, parceiros, criadores, técnicos, pesquisadores e profissionais que fazem a Revista Têxtil existir. Cada pauta, cada imagem, cada linha impressa é resultado de um esforço coletivo, silencioso, constante e essencial. Nada aqui nasce sozinho. Que 2026 seja um ano de redescoberta. De revisitar fundamentos, questionar modelos esgotados e abrir espaço para novas narrativas. Um ano em que inovação caminhe junto com responsabilidade, e crescimento não signifique perda de sentido. Seguimos acreditando que o futuro se constrói fio a fio. Com consciência. Com criatividade. Com gente. Feliz ano novo. Que ele seja mais justo, mais inventivo e melhor para todos nós.
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CARTA DO EDITOR
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á quase um século, a Revista Têxtil acompanha, registra e interpreta os movimentos de uma das cadeias produtivas mais relevantes do Brasil e do mundo. Em um setor que se reinventa constantemente por meio da tecnologia, da inovação e da criatividade, seguimos firmes no propósito de conectar informação, visão estratégica e pessoas. Em 2025, mais do que falar de tantos assuntos, falamos de fundamentos. E poucos nomes traduzem tão bem esse momento quanto Dudu Bertholini. Sua trajetória na moda brasileira, até sua atuação como stylist, criador e pensador da moda, inspira não apenas o design, mas toda a cadeia têxtil. Dudu é a nossa capa e um presente para todos nós. Além de conhecermos sua trajetória, encontramos nele um ser de inspiração ímpar, que traz nesta edição pontos de vista fundamentais sobre acessibilidade e o livre trânsito dentro de toda a cadeia têxtil e de moda. Sua visão amplia diálogos, rompe barreiras e reforça valores inclusivos, sustentados por sua genialidade na comunicação e na criação e essa nossa gratidão pelo acolhimento generoso para essa felicíssima entrega, Reafirmamos nosso compromisso em falar sobre a indústria têxtil nacional, valorizando sua força produtiva, seus desafios e sua capacidade de reinvenção. Ao mesmo tempo, seguimos conectados às atualizações de todo o mercado, acompanhando de perto as inovações internacionais que impactam processos, tecnologias, sustentabilidade e novos modelos de negócio. Nesta edição: muita tendência para 2026, expectativas e orientações para um ano mais produtivo, coberturas dos principais eventos têxtil e de moda, inovação, arte e cultura têxtil, mercado e balanço de 2025. Neste ano, a Revista Têxtil estará presente nas maiores e mais tradicionais feiras têxteis, ampliando nossa cobertura internacional e fortalecendo conexões estratégicas. Levamos conosco o protagonismo brasileiro, que tem na sua cultura — da arte à indústria — a sua alma. Das expressões culturais às mais avançadas tecnologias, reconhecemos a cultura têxtil brasileira e mundial como base de bagagem e conhecimento para nos certificarmos ainda mais para o futuro, enaltecendo a ancestralidade, os saberes originários e a base primária da magia têxtil. Reafirmamos também nosso compromisso inegociável com a ética e o respeito a todos. Nossa maior riqueza é, sem dúvida, o time de colaboradores que constrói a Revista Têxtil diariamente, com profissionais que em
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Fred Haydu seus setores específicos, conhecimento e propriedade para abordar os mais diversos e atuais temas. Nossa missão de informar com a consciência da responsabilidade democrática que esse papel exige. Ser um meio didático e aliado das escolas e universidades e, sempre junto, enaltecendo nossas instituições têxteis e sindicados. Defendemos a inclusão, a geração de oportunidades, a inovação e a sustentabilidade como valores estruturais, que orientam nosso conteúdo, nossas escolhas editoriais e nossa atuação no mercado. É justamente nas relações humanas que estão as bases das oportunidades. Em um mundo que clama por mudanças, a moda e o setor têxtil assumem um papel cada vez mais urgente na construção de um futuro melhor. CoCriar, hoje, exige consciência, escuta e responsabilidade — com impacto social, ambiental e cultural. “A Revolução e têxtil”. Nada poderia ser mais inspirador para as tendências de 2026, que se desenham a partir de três pilares essenciais: responsabilidade, acessibilidade e criação. Responsabilidade no uso de recursos e na ética produtiva; acessibilidade como valor estrutural — no produto, na informação e no mercado; e criação como força transformadora, capaz de unir tecnologia, ancestralidade e inovação. A Revista Têxtil segue comprometida em dar visibilidade nessas conexões, ampliando o diálogo entre indústria, moda, tecnologia e cultura. Nosso papel é ser ponte — entre passado e futuro, entre tradição e reinvenção, a fim de evoluir. Por fim, deixamos um agradecimento mais que especial a todo o time da Revista Têxtil — colaboradores, parceiros, amigos e profissionais que acreditam e constroem essa jornada conosco. É graças a vocês que seguimos em movimento, com propósito, relevância e paixão pelo setor têxtil. Seguimos juntos. O futuro se tece agora. Desejamos um “Feliz Ano Todo” com muita saúde e paz, uma edição feita com muito carinho, uma ótima leitura para todos. Frederico Haydu
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SUMÁRIO ABIT
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ESTUDO DO IEMI PARA CONFECÇÃO
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LIGA DE DESCARBONIZAÇÃO
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C&A AVANÇA NA AGENDA CLIMÁTICA
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RIETER
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VAREJO DE MODA NA COP30
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REACHR POR VANESSA SAN JORGE
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AUDACES LANÇA SOFTWARE SOFIA
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MULHERES DE FIBRA – CAMILLA BORELLI POR SARAH CALDAS
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JENEOLOGIA 30 ANOS
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PREVIEW INTERTEXTILE SHANGHAI
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DENIM PREMIERE VISION MILÃO
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ITMA ASIA+CITME SINGAPURA
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KINGPINS AMSTERDAM
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VDMA NA ITMA ASIA+CITME SINGAPURA
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BALANÇO MINAS TRENDS
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KARL MAYER 35 ANOS
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RIO ETHICAL FASHION; POR CLARISSA MAGALHÃES
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CANTON FAIR, PANORAMA DA ÚLTIMA EDIÇÃO
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UPCYCLING
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GROZ-BECKERT: DIFERENÇA NO BORDADO INDUSTRIAL
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MODA INSPIRADA NO BIOMA AMAZÔNIA
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PARA 2026: INOVAÇÃO, AUTOMAÇÃO E DADOS
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ZIPER MAIS SUSTENTÁVEL
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COP30, UM BALANÇO PARA A INDÚSTRIA TEXTIL
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LUPO: LANÇAMENTO TÊNIS CASUAL
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TAPETES, A ARTE TÊXTIL; POR SARAH CALDAS
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INTERTEXTILE REVELA PARADOX
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CETIQT RIO: ALFAIATARIA URBANA
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PANTONE E O IMPACTO SIMBÓLICO DO BRANCO
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AMIR SLAMA E PARECERIA COM A EPSON
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A COR DO ANO
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SOFTWARE AVA PARA ESTAMPARIA
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CAPA: DUDU BERTHOLINI
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CONCURSO DE MODA FAAP
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QUALIDADE DO FIO DEFINE A VITRINE POR MILENA ABREU
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CASA DE CRIADORES
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HEMP/CÂNHAMO: PILAR PARA O FUTURO
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SPFW 30 ANOS
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GUY CARPENTER: O ARQUITETO DO HEMP
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CARMEN NA SPFW
LENZING LANÇA NOVA FIBRA
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HELO ROCHA BRAND PARA RIACHUELO
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JEANS E MALVA UNIDOS NA COP30
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BIENAL SP: ARTE TÊXTIL E SUAS RELAÇÕES
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BELO E BEM FATO: BRASIL E ITÁLIA JUNTOS
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DIH MORAES: MODA COM ANCESTRALIDADE E
MODA E INTELIGÊNCIA DE MERCADO: BOM RETIRO
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ERRATA, COM AFETO
UÓ: MARCELO SOMMER, LEANZING E TEXTIL
PERTENCIMENTO
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Por Walter Rodrigues Fred querido que loucura tudo isso! 100 páginas que trabalho hercúleo!! Quantas possibilidades, quanta gente bacana, impressionante o mix de assuntos, a Vivi onde estiver deve estar muito orgulhosa de ti! Muito obrigado pelo carinho. Eu sou privilegiado por ter esse tremendo espaço e reconhecimento! Muito obrigado! Fred tem uns detalhes que para a versão impressa se der deveriam ser corrigidos - tipo a Graça Cabral não é coordenadora do InspiraMais, a data que eu início o projeto do InspiraMais foi 2004 e não 2012 que foi o ano que encerrei a minha empresa de produtos de moda e fui me dedicar exclusivamente para o Inspiramais e projetos com o Sebrae - tem outro detalhe que é na parte das coleções que eu falo sobre os anos de 1930 - e o nome da estilista que sempre me inspirou é Vionnet - outro detalhe não é Marlys e sim Marles. No mais dá para ver sua paixão e sua entrega total em toda a revista e isso é muito especial! Muito obrigado de novo! Um super abraço querido!
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COLABORADORES Clarissa Magalhães
Diretora executiva da RegenMaterials, mestre em gestão ambiental e apres. do podcast Raízes do Propósito
Dani Marx
Palestrante e Mentora de Negócios de Moda e 20 anos de experiencia no mercado de moda e varejo
Milena Abreu e Eric Vigiani CEOs TexApex
Sarah Caldas
Agente AVA e Coordenadora do Núcleo São Paulo da ABTT
Bruno Leonard
Representante de moda e eventos para Revista Textil
Laura Yamane
Consultora de moda, tecelagem e estamparia , Dra. Em Moda e Cultura Popular
Carla Angelini Vanessa San Jorge Braga
Sócia Co-fundadora e COO Reachr
Engenheira têxtil e consultora em energia, com atuação em eficiência energética, geração distribuída fotovoltaica, armazenamento e transição energética no setor industrial
ABIT
INVESTIR PARA COMPETIR: O DESAFIO INADIÁVEL DA INDÚSTRIA BRASILEIRA
Por Fernando Valente Pimentel
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m estudo elaborado pelo Departamento de Economia da Fiesp, divulgado em setembro de 2023 e baseado em dados da PIA/IBGE, permanece extremamente atual para se compreender o momento crítico vivido pela indústria de transformação brasileira. Suas conclusões ajudam a iluminar uma realidade conhecida do setor produtivo: o País convive há anos com um nível de investimento insuficiente para renovar seu parque industrial, sustentar ganhos de produtividade e preservar competitividade no médio e longo prazo. Os investimentos industriais seguem próximos aos patamares observados em meados dos anos 2000 e mantêm comportamento fortemente pró-cíclico, sensível a choques macroeconômicos e a ambientes prolongados de incerteza. Além disso, houve mudança relevante em sua composição, com menor intensidade na aquisição de máquinas e equipamentos, justamente o componente que moderniza o parque produtivo, viabiliza saltos tecnológicos e sustenta ganhos estruturais de eficiência. O dado mais preocupante é a trajetória do estoque de capital industrial, indicador que traduz a capacidade produtiva efetiva do País. Após um crescimento moderado até meados da década passada, o Brasil passou a registrar, desde 2015, um processo contínuo de retração desse estoque. Na prática, isso significa um parque industrial que envelhece, se deprecia e perde densidade tecnológica, acumulando um passivo que compromete diretamente o futuro da produtividade. Ainda assim, é fundamental reconhecer um ponto muitas vezes ignorado no debate público: a indústria brasileira não deixou de investir. Mesmo operando com níveis de investimento inferiores aos necessários para uma renovação plena do capital, o setor segue alocando recursos, mantendo operações, modernizando processos de modo incremental e disputando mercados, dentro do nosso próprio país e no exterior, com vários concorrentes internacionais altamente subsidiados e tecnologicamente avançados. Essa disputa ocorre em condições assimétricas. Enquanto competidores globais operam com crédito abundan-
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Revista Têxtil #794
Fernando Valente Pimentel é o diretor-superintendente e presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).
te, juros baixos, políticas industriais agressivas e proteção estratégica de suas cadeias produtivas, a indústria brasileira enfrenta um dos mais altos custos de capital do mundo, elevada volatilidade cambial e um ambiente de negócios ainda marcado por incertezas. Em setores como o têxtil e de confecção, por exemplo, cerca de 80% dos investimentos em máquinas e equipamentos são de origem importada, o que amplia muito o risco cambial e encarece decisões de modernização. O próprio estudo da Fiesp evidencia que investimentos, produtividade e escala caminham juntos. Sem renovação de máquinas, digitalização de processos e incorporação de novas tecnologias, o setor manufatureiro perde competitividade de maneira quase inevitável. O hiato de produtividade é expressivo: embora o potencial da indústria brasileira permita alcançar cerca de 55% da produtividade da norte-americana (nível de 1970), o patamar efetivo permanece próximo de apenas 20%. É um reflexo direto de décadas de subinvestimento. Para recolocar o País em uma trajetória sustentável de crescimento, o levantamento aponta a necessidade de investimentos industriais da ordem de 4,6% do PIB ao ano por um período prolongado. Hoje, esse índice gira em torno de 2,6%, nível insuficiente até mesmo para repor a depreciação natural do capital. Essa distância entre o investimento necessário e o realizado reforça a urgência de uma resposta nacional estruturada. Fonte: Site ABIT
ABIT
ABIT IMPULSIONA AGENDA CLIMÁTICA COM LIGA DE DESCARBONIZAÇÃO PARA A INDÚSTRIA TÊXTIL
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presentada no Congresso Internacional Abit 2025, a Liga de Descarbonização é uma iniciativa estratégica que visa intensificar os avanços do setor têxtil brasileiro em sustentabilidade. Seu propósito central é engajar as empresas do país — detentor da maior cadeia têxtil completa do Ocidente — na gestão inteligente e redução dos gases de efeito estufa (GEE). Nascida do projeto Colabora Moda Sustentável e lançada em 2024, a Liga posiciona a descarbonização no centro dos debates da indústria da moda. A iniciativa incentiva as empresas a quantificar suas emissões e promover a competitividade por meio de ações inovadoras alinhadas à agenda climática global. Para iniciar essa jornada, a Liga propõe uma carta-compromisso que formaliza o empenho das signatárias em mensurar suas emissões de GEE, tendo como pilar a transparência: o grupo deve tornar público seu inventário até 2027. A iniciativa também prepara as empresas para o novo ambiente regulatório, contribuindo para que atendam às exigências legais do mercado regulado de carbono. “A liga oferece visibilidade para as empresas que se comprometem com as metas propostas pela agenda de mudanças climáticas”, explica Camila Zelezoglo, gerente de Sustentabilidade e Inovação da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). Em um cenário de metas globais, a adequação da comunicação corporativa é essencial para fortalecer boas práticas de negócios. O inventário de emissões torna-se, assim, um elemento-chave para aperfeiçoar a gestão e a eficiência, reduzindo custos operacionais e otimizando o uso de energia e insumos produtivos.
ca e prepara a organização para os riscos de um mercado cada vez mais regulado. “De maneira coletiva, empresas comprometidas tornam o setor mais forte e preparado”, conclui Camila Zelezoglo. A Liga reconhece que o setor têxtil tem um papel de agente de transformação cultural, mobilizando parceiros em práticas de baixo carbono. O Brasil conta com uma vantagem competitiva significativa: sua matriz energética é majoritariamente renovável. Segundo o Balanço Energético Nacional, aproximadamente 70% da energia utilizada pelo setor têxtil provém de fontes renováveis, como hidrelétrica, eólica e solar. Com a realização da COP30 no Brasil, a Liga de Descarbonização ganha relevância internacional ainda maior. É uma oportunidade única para posicionar as empresas brasileiras como protagonistas, alinhando práticas sustentáveis às metas internacionais e ganhando visibilidade global. Atualmente, o movimento já conta com mais de 30 empresas signatárias, abrangendo desde a indústria até o varejo, e conta com o apoio de mais de 10 entidades mobilizadoras. É um começo sólido que sinaliza uma jornada contínua de aperfeiçoamento e expansão para a indústria têxtil nacional. Fonte: Site Congresso ABIT
Para adesão ao movimento, empresas do setor têxtil e de moda devem assinar a carta-compromisso junto à Abit e cumprir requisitos técnicos, como a divulgação dos volumes totais dos Escopos 1 e 2, conforme as classificações do GHG Protocol até 2027. Estar à frente nessa agenda fortalece a reputação da mar-
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MAQUINÁRIO
RIETER AUTOCONER X6: AUTOMAÇÃO FLEXÍVEL, ANÁLISE INTELIGENTE DE DADOS E ERGONOMIA APRIMORADA
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bobinadeira automática Autoconer X6 Tipo V entrega desempenho em todos os aspectos. Equipada com o Cop Exchanger, que remove automaticamente os cops defeituosos, a qualidade do fio é preservada, a produção permanece contínua e a carga de trabalho do operador é reduzida. O novo design compacto combina conforto ergonômico com recursos de segurança aprimorados. Além disso, o módulo Ring-Winder-Connect direciona o operador diretamente aos fusos defeituosos. Ele melhora a qualidade, reduz o desperdício, diminui o consumo de energia e possibilita manutenção preventiva. Clientes com processos altamente automatizados escolhem a Autoconer X6 Tipo V graças à sua conexão direta com o filatório de anel. Com a integração do Cop Exchanger e do Ring-Winder-Connect, o processo se torna mais confiável e eficiente, além de simplificar a operação e a análise de dados.
MANUSEIO AUTOMATIZADO DE COPS O Cop Exchanger funciona com base nos resultados do sistema de identificação de fusos SPID. Este sistema detecta cops com fios defeituosos, bem como cops fora do padrão com qualidade de fio abaixo da média. Além disso, sensores nos módulos de automação monitoram o status de processamento dos cops e detectam, por exemplo, aqueles que não podem ser processados. Smarttrays, em conjunto com a tecnologia RFID, permitem um fluxo inteligente do material dos cops. Com base nos dados coletados, o Cop Exchanger remove os cops afetados das Smarttrays e os substitui por tubos vazios. Os cops são classificados em duas caixas: uma para os cops que não podem ser processados e outra para os cops com qualidade de fio inferior.
MÁXIMA CONFIABILIDADE NO PROCESSO O Cop Exchanger proporciona operação intuitiva e elevada flexibilidade. Conta com grande capacidade de armazenamento de tubos vazios e permite o processa-
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mento simultâneo de dois lotes (com tubos do mesmo comprimento). As caixas são de fácil substituição. O fluxo de material descentralizado e exclusivo permite uma combinação flexível com o removedor do tubo de fiação e com o Color Check, garantindo a atribuição correta dos tubos por meio do monitoramento da cor.
DESIGN COMPACTO E ERGONOMIA APRIMORADA O comprimento da máquina foi reduzido entre 350 e 818 mm, resultando em melhor aproveitamento de espaço — inclusive em máquinas com 96 fusos. Isso é especialmente vantajoso para a integração em instalações já existentes. O design compacto utiliza seções com seis ou dez unidades de bobinagem e uma nova unidade de energia, projetada para ocupar menos espaço. Os engenheiros da Rieter também aprimoraram a ergonomia da máquina: a altura de operação na unidade de bobinagem foi reduzida em 80 mm, o que melhora a segurança e o conforto para o operador. O novo esquema de cores alinha a Autoconer X6 com os sistemas de fiação compacta e de anel da Rieter.
ANÁLISE INTELIGENTE DE DADOS COM O MÓDULO RING-WINDERCONNECT A nova Autoconer X6, Tipo V, está preparada para análise e gestão avançada de dados com o módulo Ring-Winder-Connect. O módulo analisa os dados de qualidade do SPID na Autoconer X6, juntamente com os dados do sistema ISM de monitoramento individual de fusos no filatório de anel. Isso direciona o operador diretamente aos fusos defeituosos. O Ring-Winder-Connect melhora a qualidade, reduz o desperdício, diminui o consumo de energia e possibilita a manutenção preventiva.
Make the Difference
Autoconer X6 – desempenho, qualidade e eficiência no mais alto nível A bobinadeira Autoconer X6 estabelece novos padrões de eficiência e flexibilidade. O design compacto promove uma operação ergonômica e confortável para o operador. O inovador Cop Exchanger e o módulo Ring-Winder-Connect possibilitam automação inteligente, análise de dados avançada, maior produtividade e alta qualidade do fio.
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www.rieter.com
REACHR
DO ERP AO PRIMEIRO DIA: UMA CARTA AO SETOR TÊXTIL SOBRE PESSOAS, RITMO E COMPETITIVIDADE Por Vanessa San Jorge
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asci e cresci em Cerquilho, uma cidade que respira indústria têxtil e de confecção. Atuei por 15 anos dentro da indústria de confecção e, há mais de 8 anos, trabalho diretamente com recrutamento e seleção para empresas do setor têxtil e de confecção. É dessa vivência, do setor T&C e hoje na tecnologia aplicada a pessoas, que nasce a reflexão que compartilho aqui. Há um tipo de “parada de máquina” que nem sempre aparece no chão de fábrica, mas que todo gestor sente no resultado: a vaga em aberto. Quando falta gente na linha, a produtividade cai, o retrabalho aumenta, o clima pesa e, quase sempre, alguém precisa “compensar” no esforço. No setor têxtil e de confecções, que contrata em ondas e vive picos sazonais, esse efeito se multiplica. Foi convivendo de perto com essa realidade que amadureceu em mim uma convicção: recrutamento e seleção não podem ser tratados como um conjunto de tarefas desconectadas. No têxtil, contratar é parte do sistema produtivo. É fluxo. E, como todo fluxo, precisa de previsibilidade, padrão, comunicação e governança. É por isso que a Reachr existe. Eu a fundei ao lado do Marcelo Braga, headhunter com décadas de atuação no segmento e experiência em posições técnicas, liderança e alta gestão. Nosso ponto de partida foi simples: ajudar as empresas a atravessarem, com mais serenidade, o caminho que vai da requisição da vaga até o primeiro dia do colaborador — com velocidade, sim, mas sem abrir mão de critério e consistência. De forma prática, a Reachr organiza esse ciclo em etapas que se conversam. E eu queria compartilhar com você, quase como quem escreve uma carta para um colega de indústria, o que aprendi ao observar onde os processos costumam travar e como uma plataforma pode destravar sem “desumanizar” a contratação. 1. A requisição é onde o jogo começa (antes do RH). Em muitas empresas têxteis, a eficiência do recrutamento começa antes do RH: começa na requisição. Quando a solicitação chega incompleta, sem padroni-
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zação, o problema não fica restrito ao formulário. Ele aparece no descritivo frágil, na vaga pouco atrativa, na triagem confusa e, no fim, em decisões difíceis de comparar e justificar. A falta de rastreabilidade e de credibilidade dos dados vai se acumulando, etapa após etapa. Quando a requisição é estruturada dentro da plataforma, com possibilidade de fluxos de aprovação e (quando faz sentido) integração ao ERP, o RH ganha algo precioso: clareza. E clareza não é burocracia. É o que permite acelerar com segurança, porque todo mundo passa a falar a mesma língua sobre o que está sendo buscado. 2. “Mesmo nome, cargos diferentes”: o descritivo precisa parar de ser genérico. No têxtil, é comum um cargo ter o mesmo título em duas unidades e ser, na prática, dois trabalhos diferentes. Linha de produção, maquinário, turno, maturidade operacional: tudo muda. Quando o descritivo é genérico, o funil enche rápido… do jeito errado. A triagem vira ajuste contínuo, o tempo escapa, e a equipe de RH passa a “apagar incêndio” em vez de selecionar com calma. Por isso, damos apoio na construção de descrições e perfis mais claros e comparáveis, equilibrando requisitos técnicos (rotinas, ferramentas, experiência) e competências comportamentais (disciplina, colaboração, senso de qualidade, ritmo). Não é sobre “enfeitar” a vaga. É sobre reduzir ruído e criar um referencial comum para triagem, entrevista e decisão. 3. Atração omnichannel não é presença; é método. O setor contrata em ondas. Quando o volume sobe, a tentação é pulverizar divulgações e torcer para “vir gente”. Só que isso costuma trazer duplicidade, dispersão e um custo silencioso transferido para a triagem. Para mim, estratégia omnichannel só faz sentido
REACHR quando é coordenada e mensurável. Na Reachr, combinamos portais, redes sociais e canais próprios (como Trabalhe Conosco e parceiros), além de ações locais com QR Codes. O candidato mudou de hábito: ele começa no celular, pausa, volta depois. Reduzir fricção — web, mobile e WhatsApp — é respeitar esse comportamento e melhorar conversão sem aumentar o caos. 4. Centralizar é garantir isonomia (e proteger a qualidade). Um ponto sensível no têxtil é o atalho. Indicação é valiosa, mas quando vira exceção, o processo perde comparabilidade. O indicado avança com menos checagens, a governança enfraquece e o risco de desalinhamento cresce — e, com ele, o risco de desligamento e turnover por baixa aderência ao cargo e à cultura. Quando todas as candidaturas entram no mesmo ambiente, independentemente da porta de entrada (portal, rede social, WhatsApp, mobile, Trabalhe Conosco ou indicação), o critério volta a ser o centro. Isso não “engessa”. Isso dá justiça e consistência. 5. Seleção com inteligência: menos improviso, mais evidência.
É na seleção que volume e tempo pesam mais. Por isso, usamos agentes de IA para apoiar a triagem e mecanismos que orientam o processo por critérios e evidências: etapas customizadas, roteiros, avaliações, provas, ranking e, quando necessário, entrevistas e interações via WhatsApp. O princípio é simples: o canal de entrada não define o rigor. 6. O primeiro dia fecha o ciclo. Muita gente encara admissão como outro mundo, “do DP”. Mas, para a operação, é continuidade. Quando os dados migram com consistência e o onboarding começa bem, reduz-se retrabalho e aumenta-se a chance de retenção. A experiência do candidato vira experiência do colaborador. Se eu pudesse resumir tudo em uma linha, seria esta: no têxtil, recrutamento precisa combinar volume, velocidade e qualidade — ao mesmo tempo. Quando um desses pilares falha, a operação sente. Por isso, tratar o recrutamento como processo completo, do ERP ao onboarding, deixou de ser tendência e virou condição de competitividade. Com carinho e com os pés no chão da indústria, Vanessa San Jorge
Agende uma demonstração
Porque contratar bem é proteger produtividade, cultura e custo
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MULHERES DE FIBRA
MULHERES DA ABTT: ONDE O CONHECIMENTO ENCONTRA A SENSIBILIDADE
Por Sarah Caldas
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ão é a condição de ser homem ou mulher que deve definir o cargo, mas a soma de qualificação, competência técnica, visão e responsabilidade. E por isso hoje a ABTT Associação Brasileira de Tecnologia Têxtil, Confecção e Moda tem sua primeira presidente desde a sua fundação em 1962. Ainda com uma construção coletiva entre homens e mulheres de vários setores têxteis e representando diversas áreas do Brasil, mas, sob a coordenação de Camilla Borelli, seu pioneirismo reflete a evolução de uma associação que nasceu focada nos técnicos têxteis e que, com o tempo, expandiu sua atuação para abraçar engenheiros, designers, costureiros e todos os profissionais que compõem a cadeia produtiva. Camilla fez parte da diretoria justamente no período em que o nome da associação foi adaptado para refletir essa nova abrangência. Já tivemos colaboração de várias mulheres na ABTT como Eliana Rodrigues, Aura, Mitiko e outras, mas essa nova fase da ABTT é marcada por uma liderança feminina plural. Hoje, entretanto, queremos apresentar Camilla Borelli. Camilla atua como Professora Doutora na EACH-USP. Com sólida formação acadêmica, sendo graduada em Engenharia Têxtil pela FEI, com Mestrado em Engenharia Mecânica pela USP e Doutorado em Engenharia Química pela Unicamp, ela dedica sua carreira à pesquisa de processos sustentáveis, conforto têxtil e eletrônicos vestíveis. Ao longo de sua trajetória, ocupou cargos de liderança técnica e educacional, tendo atuado por 17 anos como docente e pesquisadora no Centro Universitário FEI, onde também coordenou o curso de Engenharia Têxtil por 8 anos. Sua experiência inclui a supervisão de tecnologia no Instituto SENAI SP e a atuação em instituições como a UNIFEBE, Faculdade Santa Marcelina e SENAI CETIQT. lecionou em cursos de Engenharia na Universidade São Judas, em programas de Pós-graduação em Moda e Criação e Fashion Law na Faculdade Santa Marcelina, e no MBA em Gestão na Cadeia Têxtil no Centro Universitário de Brusque.
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Camilla Borelli, presidente da ABTT
Suas pesquisas concentram-se em áreas como funcionalidade e conforto de artigos têxteis, têxteis eletrônicos e wearables, além de processos e produtos sustentáveis para a indústria têxtil. Sua atuação transita entre a academia e o mercado, sempre focada no desenvolvimento e na integração de profissionais e empresas do setor têxtil nacional. Camilla alia sólidas qualificações técnicas a uma atuação na ABTT marcada por generosidade, gentileza e equilíbrio. Sem dúvida é quem melhor nos representa na fusão que está em andamento entre a ABTT - Associação Brasileira de Tecnologia Têxtil, Confecção e Moda e ABQCT - Associação Brasileira de Químicos e Coloristas Têxteis REVISTA TÊXTIL: Quais são hoje os principais desafios técnicos e estruturais da Indústria têxtil no Brasil? Camilla Borelli: Considerando que a atuação da ABTT como uma associação que representa os profissionais do setor e cuja missão é promover o intercâmbio de ideias, o desenvolvimento de pesquisas e a disseminação de tecnologia têxtil, acreditamos que os desafios são principalmente a Atualização das
MULHERES DE FIBRA competências profissionais a necessidade de preparar os profissionais para operarem em um ambiente de alta convergência tecnológica, exigindo que deixem de ser especialistas isolados para se tornarem gestores de processos integrados. Estruturalmente, o profissional precisa lidar com a convivência entre tecnologias de ponta e equipamentos obsoletos, o que demanda uma capacidade analítica superior para manter a produtividade e a competitividade nacional. Existe um abismo entre o conhecimento gerado na academia e sua aplicação prática; por isso, a missão de disseminação tecnológica da ABTT é vital para converter o desenvolvimento de pesquisas em soluções que beneficiem diretamente a tecnologia têxtil nacional. Temos que promover o intercâmbio constante de ideias e experiências é essencial para superar a fragmentação da cadeia, permitindo que os profissionais respondam com agilidade às novas demandas de mercado e de gestão. RT: Que tecnologias você considera decisivas para a competitividade do setor têxtil nos próximos anos? Camilla Borelli - A integração de tecnologias habilitadoras da Indústria 4.0, como a digitalização e a automação, aliada a inovações focadas em sustentabilidade, como processos de baixo consumo de água e energia e a circularidade de resíduos. Para elevar o valor agregado e superar o mercado de commodities torna-se essencial focar no desenvolvimento de materiais avançados como têxteis técnicos e funcionais. RT: Onde o discurso sobre sustentabilidade já virou prática real na indústria têxtil? E onde ainda precisamos avançar? Camilla Borelli: A prática real já é consolidada em alguns segmentos, principalmente no mercado de exportação e nas grandes varejistas, que exigem certificações rigorosas e conformidade ESG para fecharem negócio. No entanto, ainda precisamos avançar na democratização desses produtos e processos em que o custo ainda é visto como uma barreira frente ao preço final do produto. A eficiência energética, diminuição da emissão de carbono, a economia circular e o gerenciamento de resíduos têxteis pós-consumo continuam sendo grandes fronteiras a serem conquistadas. RT: Como a ABTT atua para aproximar a indústria
têxtil da pesquisa acadêmica e do desenvolvimento tecnológico? Camilla Borelli: A ABTT atua como difusor de conhecimento por meio do CNTT (Congresso Nacional de Tecnologia Têxtil, Confecção e Moda), que há mais de 60 anos serve como a principal vitrine para a apresentação de tecnologias o CONTEXMOD, com a divulgação de trabalhos científicos e inovações acadêmicas aplicadas à indústria. A associação promove o intercâmbio entre técnicos, engenheiros, designers e pesquisadores de instituições acadêmicas e o setor produtivo, facilitando a transferência de conhecimento. RT: Como a ABTT pode contribuir para tornar o setor mais diverso, inclusivo e representativo? Camilla Borelli: A ABTT contribui ao dar visibilidade a profissionais de destaque, independentemente de gênero ou origem, através de seus núcleos regionais espalhados por todo o Brasil. Ao ser uma instituição aberta a profissionais de diversos níveis de formação (segundo grau a superior) e de diferentes elos da cadeia (design, tecnologia, gestão), a ABTT democratiza o acesso ao conhecimento, ao networking e à discussão das perspectivas em prol da diversidade e inclusão. RT: Quais barreiras ainda existem para mulheres em posições técnicas e de liderança no setor têxtil? Camila Borelli: Apesar de ser um setor majoritariamente feminino na base produtiva (confecção), as posições de alta gestão e as áreas técnicas de engenharia e manutenção ainda apresentam lacunas de representatividade. As barreiras passam pelo viés inconsciente em áreas tradicionalmente masculinas, embora esse cenário esteja mudando com lideranças femininas ocupando cargos de liderança em entidades setoriais. RT: Como a ABTT pode contribuir para tornar o setor mais diverso, inclusivo e representativo? Camilla Borelli: A ABTT contribui ao dar visibilidade a profissionais de destaque, independentemente de gênero ou origem, através de seus núcleos regionais espalhados por todo o Brasil. Ao ser uma instituição aberta a profissionais de diversos níveis de formação (segundo grau a superior) e de diferentes elos da cadeia (design, tecnologia, gestão), a ABTT democratiza o acesso ao conhecimento, ao networking e à discussão das perspectivas em prol da diversidade e inclusão.
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PREVIEW
INTERTEXTILE SHANGHAI & YARN EXPO SPRING 2026
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ntre 11 e 13 de março de 2026, Xangai sediará mais uma edição conjunta da Intertextile Shanghai Apparel Fabrics – Spring Edition e da Yarn Expo Spring 2026, eventos organizados pela Messe Frankfurt e considerados entre os mais relevantes do calendário internacional da indústria têxtil. Realizadas no National Exhibition and Convention Center (NECC), as feiras devem reunir dezenas de milhares de visitantes profissionais, com estimativa de mais de 90 mil compradores, executivos e especialistas provenientes de diversos mercados, além de milhares de expositores que representam toda a cadeia têxtil global. A Intertextile Shanghai Apparel Fabrics mantém seu foco em tecidos para vestuário, com ênfase em sustentabilidade, desempenho funcional, moda e soluções digitais aplicadas à produção têxtil. Áreas dedicadas a materiais responsáveis e tecnologias de baixo impacto ambiental refletem a evolução das demandas do mercado. O Trend Forum apresenta direções criativas e de mercado para a temporada Primavera/Verão 2027, oferecendo subsídios estratégicos para o desenvolvimento de coleções e o planejamento industrial. Em paralelo, a Yarn Expo Spring 2026 destaca a base da cadeia produtiva, com ampla oferta de fios e fibras naturais, artificiais e sintéticas, além de misturas especiais e soluções funcionais, sendo referência para empresas que atuam desde a matéria-prima.
A realização simultânea dos dois eventos juntos reforça a integração entre fios, tecidos e produto final, consolidando Xangai como um dos principais polos globais de inovação, tendências e negócios do setor têxtil. Para a Indústria brasileira e internacional, a edição de 2026 representa uma oportunidade estratégica de atualização, relacionamento e acesso direto aos principais players do mercado mundial. Estamparia, Maquinário, Tecnologia, Denim, Tecido-não-Tecido, Sintéticos e praticamente toda cadeia têxtil pode-se encontrar representantes nesta, talvez maior feira mundial do setor têxtil.
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Como parte de sua atuação institucional e de conexão com o mercado internacional, a Revista Têxtil estará organizando delegações de empresários do setor, oferecendo facilities completas, incluindo apoio em contatos estratégicos, hospedagem, traslados e acompanhamento local. As delegações contarão ainda com um welcome especial da feira, com suporte dedicado para orientar, direcionar e guiar a experiência dos viajantes empresários, ampliando o aproveitamento comercial e institucional durante o evento. Para mais informações sobre as delegações organizadas pela Revista Têxtil, entre em contato com nossa equipe pelo telefone +55(11) 995952104.
FEIRAS
ITMA ÁSIA + CITME SINGAPURA REFORÇA PROTAGONISMO TECNOLÓGICO DO SETOR TÊXTIL GLOBAL
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ITMA (International Textile Machinery Exhibition) é reconhecida como a mais importante feira mundial de tecnologia para a indústria têxtil e de Confecção e reúne os principais fabricantes globais de máquinas, sistemas, automação, componentes e soluções digitais para toda a cadeia produtiva. Organizada pela CEMATEX (European Committee of Textile Machinery Manufacturers), a ITMA dita os rumos tecnológicos do setor, sendo referência obrigatória para decisões estratégicas de investimento industrial. Na sua edição asiática, a ITMA Asia + CITME, o evento cumpre um papel fundamental ao conectar inovação tecnológica de ponta com os principais polos produtivos do mundo, especialmente a Ásia, responsável por grande parte da produção têxtil global.
SINGAPURA COMO *HUB* ESTRATÉGICO DA INDÚSTRIA GLOBAL A escolha de Singapura como sede da ITMA Asia + CITME reforça o posicionamento do país como hub internacional de negócios, tecnologia e inovação industrial. Com infraestrutura logística de excelência, ambiente regulatório estável e forte integração com os mercados asiáticos, europeus e americanos, Singapura se consolida como ponto de convergência entre fabricantes de tecnologia e grandes produtores têxteis. Segundo a diretoria da ITMA, a decisão reflete uma visão estratégica de longo prazo: “Singapura oferece uma combinação única de conectividade global, ambiente favorável à inovação e proximidade com os principais mercados têxteis da Ásia. É o local ideal para apresentar tecnologias que moldarão o futuro da indústria têxtil mundial”, destacou a organização do evento. A edição realizada em Singapura consolidou-se, assim, como uma vitrine global de eficiência produtiva, automação, sustentabilidade e transformação digital.
AUTOMAÇÃO, INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E FÁBRICAS CADA VEZ MAIS AUTÔNOMAS O evento apresentou um panorama claro do futuro do setor: menor dependência de mão de obra intensiva, maior digitalização dos processos e integração total entre máquinas, dados e gestão industrial. Entre os grandes destaques da ITMA Singapura esteve o avanço da automação inteligente, com soluções baseadas em inteligência artificial, sensores avançados, visão computacional e conectividade industrial, capazes de realizar ajustes automáticos, manutenção preditiva e controle de qualidade em tempo real. A busca po, redução de desperdícios e menor consumo energético foi um eixo comum entre praticamente todos os expositores.
DESTAQUES TECNOLÓGICOS DAS EMPRESAS EXPOSITORAS Soluções para fiação e preparação de fibraS A Rieter apresentou inovações em sistemas de fiação altamente automatizados, com integração digital completa, rastreabilidade do fio e controle inteligente do processo, reforçando ganhos de eficiência e estabilidade da qualidade.
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FEIRAS
A Trützschler destacou soluções para abertura, cardagem e preparação de fibras, além de tecnologias para não tecidos, com foco em eficiência energética, automação e qualidade consistente desde a matéria-prima. A Saurer também marcou presença com tecnologias avançadas para fiação, torção e bordado, enfatizando produtividade elevada, redução de consumo energético e conectividade digital.
TECELAGEM, MALHARIA E ESTRUTURAS TÊXTEIS A Picanol apresentou sua nova geração de teares de alta performance, integrando eletrônica avançada, sistemas de controle inteligente e conectividade, com foco em estabilidade operacional e eficiência energética. A Toyota Industries reforçou sua atuação em teares a jato de ar, destacando confiabilidade, automação e soluções para redução de consumo energético. A Itema levou à ITMA Singapura suas soluções em teares a pinça, projétil e jato de ar, com destaque para flexibilidade produtiva e aplicações em tecidos técnicos e especiais. No segmento de malharia circular, empresas como Suntex, Mayer & Cie. e Terrot apresentaram máquinas voltadas à alta produtividade, versatilidade de artigos e adaptação a diferentes tipos de fios e estruturas.
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FEIRAS A Karl Mayer manteve seu protagonismo em malharia por urdume e teares de fita, apresentando máquinas com maior velocidade, precisão e integração digital, atendendo desde moda até têxteis técnicos e industriais.
TECIDOS TÉCNICOS, *NARROW FABRICS* E APLICAÇÕES ESPECIAIS A Jacob Müller destacou avanços em teares para fitas, etiquetas e *narrow fabrics*, com foco em automação, precisão e personalização, atendendo a setores como automotivo, médico e industrial. A Stäubli apresentou soluções em jacquard, formação de desenhos e automação industrial, com maior velocidade, confiabilidade e integração digital, além de aplicações robóticas para processos têxteis A Bonas também apresentou sistemas jacquard de alta performance, voltados à produção de tecidos complexos e de alto valor agregado.
BENEFICIAMENTO, ACABAMENTO E SUSTENTABILIDADE A Benninger apresentou tecnologias avançadas para acabamento e beneficiamento têxtil, priorizando processos contínuos com menor consumo de água, energia e produtos químicos, reforçando a sustentabilidade como fator estratégico. A Monforts destacou soluções em ramas e acabamento térmico, com controle preciso de processos, eficiência energética e digitalização. A Brückner apresentou tecnologias para secagem, termo fixação e acabamento, com forte ênfase em eficiência energética e redução de emissões. A Weko mostrou soluções de aplicação precisa de produtos químicos, permitindo acabamentos funcionais com mínimo uso de insumos e alto controle de processo.
COMPONENTES, AUTOMAÇÃO E TECNOLOGIA DE PRECISÃO A Groz-Beckert apresentou avanços em agulhas, platinas e componentes de precisão, com maior durabilidade, desempenho em altas velocidades e redução de paradas de máquina. Empresas como Uster Technologies reforçaram a importância do controle de qualidade, testes e monitora-
mento, garantindo padronização e rastreabilidade ao longo da cadeia produtiva.
DIGITALIZAÇÃO E INTEGRAÇÃO DE DADOS Outro eixo central da feira foi a digitalização total da cadeia produtiva têxtil. Plataformas MES, monitoramento remoto e integração com sistemas ERP permitem acompanhamento em tempo real, manutenção preditiva e decisões baseadas em dados, consolidando a Indústria 4.0 como realidade prática. Para a indústria têxtil brasileira, a ITMA Singapura funciona como um mapa estratégico das tendências globais. A modernização do parque fabril, a adoção de automação inteligente e a integração digital são fundamentais para elevar produtividade, reduzir custos e atender às exigências de qualidade e sustentabilidade dos mercados internacionais.
O FUTURO DA INDÚSTRIA TÊXTIL: PROMESSAS DA ITMA 2027 EM HANNOVER, ALEMANHA Ao final da edição asiática, o setor já projeta suas atenções para a próxima ITMA, que acontecerá em Hannover, Alemanha, de 8 a 14 de junho de 2027. A expectativa é de um evento ainda mais robusto, com forte foco em sustentabilidade, economia circular, automação avançada e integração digital completa das fábricas. A ITMA 2027 deverá consolidar a transição para fábricas inteligentes e sustentáveis, com novas soluções em reciclagem têxtil, redução de consumo energético, inteligência artificial e novos materiais, reforçando seu papel como principal referência global para o futuro da indústria têxtil.
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MAQUINÁRIO
VDMA REFORÇA PRESENÇA ALEMÃ NA ITMA ASIA + CITME 2025, EM SINGAPURA
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ITMA ASIA + CITME 2025, realizada em Singapura, mais uma vez demonstrou a importância da engenharia alemã na indústria têxtil global. A VDMA (Associação Alemã de Fabricantes de Máquinas Têxteis) registra uma das maiores participações internacionais do evento, com a presença de 69 empresas na exposição. No total, 82 empresas alemãs ocupam cerca de 3.500 m² de área, superado apenas pela China e Itália. A entidade organizou um Pavilhão Alemão com dois estandes coletivos, focados nos segmentos de fiação (pavilhão 4) e acabamento (pavilhão 7), reunindo 30 expositores. Essa iniciativa alinha-se à estratégia da VDMA de expandir o diálogo tecnológico com os mercados asiáticos, especialmente em um período de profundas transformações na cadeia têxtil. Durante coletiva de imprensa na feira, o presidente da Associação de Máquinas Têxteis da VDMA, Dr. Janpeter Horn, ressaltou que a expressiva presença alemã ganha ainda mais significado em um cenário geopolítico e econômico desafiador. Ele destacou que a realização da ITMA ASIA + CITME em Singapura – pela primeira vez em duas décadas – não apenas amplia o alcance regional do evento, mas também abre novas oportunidades de conexão com os mercados da ASEAN e de toda a Ásia. O diretor-geral da associação, Dr. Harald Weber, complementou, afirmando que a expectativa é de um público mais diversificado em comparação às edições anteriores em Xangai. A feira em Singapura deve atrair visitantes do Sudeste Asiático, Índia, Paquistão, Bangladesh e países da Ásia Central, além da China, reforçando o caráter verdadeiramente internacional do evento.
TECNOLOGIA DE PONTA AO LONGO DE TODA A CADEIA TÊXTIL Os associados da VDMA presentes na ITMA ASIA + CITME 2025 cobrem praticamente todos os elos da cadeia de valor têxtil: desde fiação e fibras químicas até não tecidos, tecelagem, trançagem, malharia e ma-
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lharia por urdume, além de acabamento -e tingimento. Soluções voltadas à reciclagem têxtil e ao processamento de materiais reciclados também estão em destaque. Automação, sustentabilidade e economia circular são temas centrais nas apresentações das empresas alemãs. Soluções automatizadas para processos sensíveis, como o transporte de fitas na fiação, mostram como a tecnologia pode compensar a escassez de mão de obra em operações têxteis. Na reciclagem, sistemas que classificam automaticamente peças por composição e cor permitem transformar resíduos têxteis pós-consumo e pós-industriais em novas fibras para fiação, não tecidos e compósitos. Outro ponto alto são as tecnologias de tingimento sustentável. Elas reduzem o consumo de água, energia, produtos químicos e corantes, ao mesmo tempo em que garantem alta qualidade, flexibilidade e maior velocidade produtiva. Isso demonstra a união entre eficiência econômica e responsabilidade ambiental.
ÁSIA: O MERCADO PRINCIPAL, EM CENÁRIO DE CONTRASTES A Ásia permanece como o principal polo global de produção de têxteis e vestuário, sendo o mercado mais relevante para as empresas associadas à VDMA. Entre janeiro e agosto de 2025, as exportações alemãs de máquinas e acessórios têxteis totalizaram quase 1,2 bilhão de euros, uma queda de 9,5% em relação ao período anterior. Contudo, cerca de 50% desse volume teve como destino países asiáticos. Uma análise mais detalhada revela um panorama heterogêneo: embora tenha havido retração em alguns mercados, as exportações para a China cresceram 25%, para o Paquistão 32% e para o Uzbequistão 16%, indicando oportunidades específicas de expansão.
EXPECTATIVAS CAUTELOSAS E PERSPECTIVAS MELHORES PARA 2026 Pesquisa recente da VDMA indica que 50% das em-
MAQUINÁRIO
KARL MAYER: 35 ANOS DE INOVAÇÃO COM O ACIONAMENTO ELETRÔNICO EL
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m 2025, a KARL MAYER celebra 35 anos do revolucionário acionamento eletrônico de padronagem EL. Esta tecnologia transformou a malharia por urdume ao substituir sistemas mecânicos por motores e dados digitais, ampliando o potencial criativo e produtivo da indústria. A transição começou em 1980 com o sistema SU, que iniciou a troca de correntes mecânicas por dados. Contudo, o marco definitivo ocorreu em 30 de novembro de 1990, com a entrega da KS 4 EL, a primeira máquina equipada com controle eletrônico das barras-guia.
DA MECÂNICA À ELETRÔNICA Inicialmente aplicado às máquinas Raschel Multibar, o acionamento SU trouxe repetições ilimitadas e reduziu drasticamente os tempos de setup — o que levava horas passou a ser feito em minutos. Em 1985, a integração de dispositivos de sobreposição eliminou discos e correntes, preparando o terreno para o controle total. Para superar barreiras remanescentes, a KARL MAYER desenvolveu o controle EL baseado em motores elétricos. “Queríamos movimentar as barras com motores elétricos. Era um território novo”, recorda Georg Kraus, Sênior Expert em Desenvolvimento Tecnológico e parte da equipe desde o início do projeto. A KS 4 EL superou em 37% a velocidade da versão anterior, exigindo menos manutenção.
Georg_Kraus
EXPANSÃO E DESEMPENHO A eficiência do sistema EL expandiu-se para as linhas Raschel dupla, têxteis técnicos e rendas. Em 2002, o lançamento da TL 66 permitiu integrar mais barras e ampliar o deslocamento de padronagem, elevando o potencial criativo do setor a novos patamares.
INOVAÇÕES COMPLEMENTARES A tecnologia EL também impulsionou subprocessos como o Advanced Feeding Control (AFC), que garante desempenho máximo em padronagens complexas. Na ITMA 2023, a empresa apresentou a máquina tricot mais rápida do mercado, atingindo 2.900 rpm na produção de tecidos plissados. Outro destaque é a WEFTTRONIC® II G, com o sistema VARIO WEFT. A solução elimina intervenções mecânicas no enfiamento da trama e reduz desperdícios, sendo um avanço estratégico para o segmento técnico.
PERSPECTIVAS FUTURAS
EL Pattern Drive Double Raschel Maschine
Para Georg Kraus, o potencial do EL está longe de se esgotar. A expectativa é que a tecnologia substitua completamente o acionamento mecânico (N), consolidando o controle eletrônico como a base definitiva para as futuras gerações da malharia por urdume. Revista Têxtil #794
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FEIRAS
CANTON FAIR: PANORAMA DA ÁREA TÊXTIL NA ÚLTIMA EDIÇÃO
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mais recente edição da Canton Fair reafirmou seu papel como principal termômetro do comércio internacional chinês e um dos eventos mais relevantes do mundo para a indústria têxtil. O setor de têxteis, confecção e matérias-primas apresentou um cenário marcado por inovação tecnológica, sustentabilidade aplicada e reposicionamento estratégico das cadeias globais de fornecimento.
DESTAQUES GERAIS DO SETOR TÊXTIL O pavilhão têxtil registrou forte presença de fabricantes chineses e asiáticos com foco em valor agregado, evidenciando uma mudança clara do discurso de preço para soluções completas. Houve crescimento da oferta de: tecidos funcionais e técnicos; fibras sustentáveis e recicladas; produtos com rastreabilidade e certificações ambientais; e soluções integradas entre matéria-prima, acabamento e confecção. Compradores da Europa, América Latina, Oriente Médio e África mostraram maior seletividade, priorizando qualidade, confiabilidade logística e diferenciação tecnológica.
SUSTENTABILIDADE: DO DISCURSO À PRÁTICA A sustentabilidade deixou de ser apenas um conceito institucional e passou a ser apresentada de forma concreta. Entre os principais pontos observados, destacam-se: • Ampliação do uso de fibras recicladas, como poliéster pós-consumo e poliamida regenerada; • Crescente oferta de algodão rastreável, fibras celulósicas certificadas e misturas sustentáveis; • Processos de tingimento com redução significativa de água e energia; • Transparência em relação a métricas de ESG e conformidade regulatória internacional. Esses fatores refletem a adaptação dos fornecedores chineses às exigências de mercados mais regulados, especialmente Europa e América do Norte.
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AUTOMAÇÃO, DIGITALIZAÇÃO E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL Um dos eixos centrais desta edição foi a integração entre têxtil e tecnologia. Fabricantes apresentaram soluções voltadas à automação industrial e à digitalização da produção com destaque para: • Sistemas inteligentes de controle de qualidade por visão computacional; • Uso de inteligência artificial para otimização de consumo de matéria-prima e energia; • Plataformas digitais para desenvolvimento rápido de amostras e coleções; • Integração entre maquinário têxtil, dados em tempo real e gestão fabril. Essas soluções apontam para um movimento claro de aumento de produtividade e redução de desperdícios, atendendo à demanda global por eficiência.
MAQUINÁRIO TÊXTIL E INOVAÇÃO INDUSTRIAL Embora a Canton Fair não seja uma feira exclusivamente de máquinas, o espaço dedicado a equipamentos
FEIRAS têxteis cresceu em relevância. Foram apresentados: • Teares e equipamentos de acabamento com maior eficiência energética; • Máquinas compactas para produção flexível e lotes menores; • Tecnologias voltadas à automação de corte, costura e inspeção. Essas inovações reforçam a tendência de indústrias mais enxutas, conectadas e adaptáveis, alinhadas ao conceito de manufatura avançada.
TRADIÇÃO TÊXTIL CHINESA E VALORIZAÇÃO CULTURAL
• Aproximadamente 240 mil compradores internacionais, provenientes de mais de 200 países e regiões;
Além da tecnologia, a feira também destacou a herança têxtil chinesa. Bordados tradicionais, seda, fios de bambu e técnicas artesanais reinterpretadas com design contemporâneo chamaram a atenção de compradores internacionais. Essa combinação entre tradição e inovação tem sido utilizada como diferencial competitivo em mercados premium.
• Mais de 30 mil empresas expositoras distribuídas ao longo das três fases;
IMPACTOS PARA O MERCADO BRASILEIRO E LATINO-AMERICANO Para empresas brasileiras, a Canton Fair evidenciou oportunidades relevantes: • Parcerias com fornecedores mais estruturados e tecnologicamente avançado; • Acesso a matérias-primas sustentáveis em escala industrial; • Possibilidade de diversificação da cadeia de suprimentos. Ao mesmo tempo, a feira reforça a necessidade de posicionamento estratégico, seja por meio de design, marca, sustentabilidade ou nichos específicos de mercado.
NÚMEROS E DADOS DA ÚLTIMA EDIÇÃO A Canton Fair é realizada em três fases, segmentadas por categorias de produtos. A terceira fase, dedicada ao setor têxtil, confecção e moda, ocorreu entre 31 de outubro e 4 de novembro, concentrando tecidos, matérias-primas, vestuário, têxteis para o lar e acessórios. Na edição mais recente, a feira como um todo registrou:
• Forte presença de compradores profissionais da Europa, América Latina, Oriente Médio, África e Sudeste Asiático. A área têxtil manteve-se como um dos principais polos de interesse da terceira fase, especialmente pela diversidade de fornecedores e pelo avanço tecnológico apresentado.
PARTICIPAÇÃO BRASILEIRA A presença brasileira na Canton Fair voltou a ser significativa, com centenas de empresários integrando missões comerciais organizadas por entidades setoriais, associações empresariais e grupos privados. Os participantes brasileiros atuaram principalmente nos segmentos de confecção, moda, têxteis para o lar e sourcing de matérias-primas. Além da busca por novos fornecedores, as empresas brasileiras demonstraram interesse crescente em tecnologia, automação e soluções sustentáveis, reforçando a mudança de perfil do comprador nacional, hoje mais estratégico e orientado a valor agregado. A última edição da Canton Fair mostrou que o setor têxtil chinês vive uma fase de transição: menos foco em volume e mais em inovação, sustentabilidade e integração tecnológica. Para o mercado global, e especialmente para o Brasil, a feira segue como uma referência indispensável para leitura de tendências, avaliação de fornecedores e compreensão dos rumos da indústria têxtil internacional.
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MAQUINÁRIO
GROZ-BECKERT: ESTABILIDADE E PRECISÃO QUE FAZEM A DIFERENÇA NO BORDADO INDUSTRIAL
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Groz-Beckert, líder mundial em agulhas industriais, tem papel decisivo na evolução do bordado industrial, um segmento que exige cada vez mais precisão, velocidade e estabilidade de processo. Nesse cenário, a escolha da agulha deixa de ser um detalhe técnico para se tornar um fator estratégico de eficiência produtiva e qualidade final. É com essa visão que a empresa apresenta o sistema de agulhas DBxK5, desenvolvido para atender às demandas do bordado industrial moderno. Projetado para máquinas de bordado de uma e múltiplas cabeças, o sistema DBxK5 assegura formação estável do ponto mesmo em altas rotações. O olho ampliado facilita o deslizamento do fio, reduzindo quebras e falhas de ponto, inclusive com fios grossos ou de efeito. A geometria otimizada da agulha aumenta a resistência à deflexão, garantindo laçadas consistentes e maior confiabilidade do processo, enquanto a cava especialmente projetada reduz o contato com o gancho, protegendo os componentes da máquina e prolongando a vida útil da agulha.
VERSATILIDADE PARA DIFERENTES APLICAÇÕES A ampla variedade de versões do DBxK5 permite adaptação precisa a diferentes aplicações. A DBxK5 KK, com haste encurtada, é indicada para máquinas com placas elevadas ou dispositivos para paetês, evitando colisões e danos ao material. Já a DBxK5 SS,
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com haste ainda mais curta, é amplamente utilizada no bordado com paetês, protegendo apliques delicados durante a costura. Para aplicações mais sensíveis, como o uso de micro-paetês, a DBxK5 SAN™ 15 combina haste ultracurta e lâmina cilíndrica, garantindo aplicação precisa mesmo sobre bases mais espessas. Em materiais resistentes — como bonés, feltro e couro — a DBxK5 SAN™ 1 se destaca pela lâmina reforçada e pelo revestimento GEBEDUR™ (nitreto de titânio), que aumenta a resistência ao desgaste e permite o uso de fios mais grossos.
INOVAÇÃO NO BORDADO 3D No bordado 3D, o uso de espumas espessas exige maior esforço do fio durante a penetração da agulha. Para essa aplicação, a Groz-Beckert desenvolveu a DBxK5 LGR, equipada com um canal longo estendido até a haste, que protege o fio mesmo em penetrações profundas. O resultado é um processo mais estável e bordados 3D limpos, com efeito tridimensional bem definido.
QUALIDADE QUE GERA EFICIÊNCIA Disponível em numerações de Nm 60/8 a Nm 110/18 e com ampla variedade de pontas, o sistema DBxK5 reforça a importância da escolha correta da agulha como fator decisivo para reduzir paradas de máquina, minimizar quebras e elevar o padrão do acabamento têxtil. No bordado industrial, a qualidade começa no detalhe — e a Groz-Beckert faz a diferença.
MAQUINÁRIO
2026: INOVAÇÃO, AUTOMAÇÃO E DADOS DEVEM IMPULSIONAR COMPETITIVIDADE por Fábio Kreutzfeld
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om um cenário global marcado por volatilidade econômica, mudança acelerada nas preferências dos consumidores e pressões crescentes por sustentabilidade, a indústria têxtil deve ter pela frente um 2026 estratégico. Para a Delta Máquinas Têxteis, referência internacional em automação e soluções para beneficiamento, confecção e fiação, o próximo ciclo será decisivo para as empresas que adotarem tecnologia como base de operação. A expectativa passa por duas dinâmicas simultâneas: a busca por produtividade frente à concorrência internacional e a necessidade de adequar processos a padrões mais rigorosos de eficiência energética, rastreabilidade e redução de desperdícios. Tendências como automação de etapas críticas, digitalização do chão de fábrica e uso de dados para tomada de decisão devem ganhar força. “As empresas têxteis que assumirem a transformação digital como um projeto estratégico, e não apenas como um gasto pontual, terão ganhos substanciais em produtividade, previsibilidade e qualidade”, afirma Fábio Kreutzfeld, CEO da corporação. “A automação permite responder com rapidez às janelas de mercado, reduzir custos e escalar qualidade. Em um setor em que velocidade e sustentabilidade definem competitividade, quem modernizar suas linhas em 2026 estará alguns passos à frente”, destaca. A automação integrada, que conecta etapas antes isoladas da produção, ganha relevância. A demanda por máquinas capazes de operar com maior estabilidade, menor intervenção manual e consumo otimizado cresce à medida que as fábricas buscam elevar a eficiência global dos seus equipamentos (OEE) e reduzir retrabalhos. Equipamentos com sensores inteligentes e soluções alinhadas aos preceitos da Indústria 4.0, já presentes no portfólio da Delta, permitem que gestores acompanhem o desempenho das linhas em tempo real, estimem paradas e aprimorem a previsibilidade operacional. A digitalização também aparece como aliada: sistemas que centralizam dados de produção, energia e eficiência ajudam empresas a tomar decisões rápidas.
Os desafios esperados para 2026 incluem o custo inicial de modernização, a necessidade de capacitação técnica e a pressão por produzir com menor impacto ambiental. A integração de tecnologia também reduz a dependência de mão de obra em processos sensíveis, aumenta a precisão do beneficiamento e possibilita economia de recursos, especialmente água e energia, pontos críticos para o setor nos próximos anos. Para empresas que precisam iniciar sua jornada digital, soluções com inteligência embarcada auxiliam na transição sem exigir grandes saltos de complexidade operacional. No campo das oportunidades, 2026 deve abrir espaço para fábricas que investirem em modernização gradual e sustentada. Modelos de negócio que combinam máquina, monitoramento e suporte especializado tendem a se consolidar, oferecendo previsibilidade operacional e reduzindo o risco das paradas inesperadas. “Na nossa análise do mercado, percebemos que 2026 será marcado por decisões estratégicas: empresas que optarem por automação inteligente, digitalização progressiva e soluções focadas em eficiência estarão mais bem posicionadas para competir. O período exigirá coragem para modernizar, mas também vai oferecer espaço para quem investir de forma inteligente — e é exatamente esse movimento que estamos prontos para apoiar”, finaliza o executivo. Revista Têxtil #794
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ENERGIA
COP30: UM BALANÇO PARA A INDÚSTRIA TÊXTIL – ENTRE DECISÕES CLIMÁTICAS E A URGÊNCIA DA TRANSIÇÃO ENERGÉTICA
Por Carla Angelini
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COP30 em Belém, concluída em novembro de 2025, definiu um momento de confirmação nas discussões climáticas globais, especialmente para o Brasil. Este artigo tem como objetivo apresentar as principais decisões, compromissos firmados e os impactos em especial sobre a indústria têxtis.
AS PRINCIPAIS CONCLUSÕES DA COP30 SOBRE MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Isso abre portas para investimentos em tecnologias limpas e infraestrutura verde. 3) Proteção da Biodiversidade e Florestas: A Amazônia, como palco do evento, colocou em evidência a importância da proteção das florestas e da biodiversidade para o equilíbrio climático global. Iniciativas de bioeconomia e cadeias de valor sustentáveis ganharam destaque.
TRANSIÇÃO ENERGÉTICA: DECISÕES E IMPLICAÇÕES
A conferência reforçou a urgência de limitar o aquecimento global a 1.5°C, reiterando a necessidade de ações ambiciosas e imediatas. Entre as conclusões mais relevantes, destacam-se:
A energia elétrica foi, sem dúvida, um dos pilares das discussões em Belém. As principais decisões e direcionamentos incluem:
1) Aceleração da Descarbonização: Houve um consenso ainda maior sobre a necessidade de reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito estufa em todos os setores, com prazos mais apertados e metas mais concretas. A pressão por uma economia de baixo carbono é irreversível.
• Triplicação das Renováveis: A meta global de triplicar a capacidade de energia renovável até 2030 foi reafirmada e ganhou novos contornos de implementação. Isso significa um impulso sem precedentes para a energia solar, eólica, hidrelétrica e outras fontes limpas.
2) Financiamento Climático: A COP30 buscou fortalecer os mecanismos de financiamento para países em desenvolvimento, visando apoiar a adaptação às mudanças climáticas e a transição energética.
• Eficiência Energética: A duplicação da taxa de melhoria da eficiência energética também foi um ponto chave, incentivando a otimização do consumo em indústrias, edificações e transportes. • Redução Gradual de Combustíveis Fósseis: Embora não se tenha chegado a um acordo sobre o “fim” imediato dos combustíveis fósseis, a COP30 consolidou a trajetória de sua redução gradual e a eliminação de subsídios ineficientes, direcionando investimentos para alternativas mais limpas. • Hidrogênio Verde e Biocombustíveis: O Brasil, com seu potencial, defendeu e viu o reconhecimento da importância do
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ENERGIA hidrogênio verde e dos biocombustíveis avançados como vetores cruciais para a descarbonização de setores de difícil eletrificação.
O IMPACTO DIRETO NA INDÚSTRIA TÊXTIL Para a indústria têxtil, as conclusões da COP30 não são apenas diretrizes ambientais, mas um novo mapa para a competitividade e a relevância no mercado global. 1) Pressão por Energia Limpa: As fábricas têxteis, grandes consumidoras de energia, enfrentarão uma pressão crescente para migrar suas matrizes energéticas para fontes renováveis. Isso pode envolver a instalação de sistemas fotovoltaicos próprios, a compra de energia renovável certificada no mercado livre ou o investimento em outras soluções de energia limpa. A dependência de fontes fósseis será cada vez mais custosa e malvista. 2) Eficiência Energética como Imperativo: A otimização do consumo de energia em processos como tingimento, secagem e climatização se tornará um diferencial competitivo. Tecnologias de recuperação de calor, maquinário mais eficiente e automação serão essenciais para reduzir custos operacionais e a pegada de carbono. 3) Cadeia de Valor Sustentável: A COP30 reforça a demanda por rastreabilidade e transparência em toda a cadeia de suprimentos. Isso significa que a origem das fibras, os processos de produção dos fornecedores, as condições de trabalho e os impactos ambientais serão cada vez mais escrutinados. 4) Inovação em Materiais e Processos: A necessidade de descarbonização impulsionará a pesquisa e desenvolvimento de novos materiais têxteis com menor impacto ambiental e processos produtivos que minimizem o uso de água, energia e produtos químicos. A economia circular, com foco na durabilidade, reparabilidade e reciclabilidade dos produtos, continuará a ter enfoque. 5) Adaptação e Resiliência: A indústria também precisará se adaptar aos impactos das mudanças climáticas, como a escassez de água ou eventos climáticos extremos que afetam o cultivo de matérias-primas e eventuais quedas de energia. Investimentos em resiliência e gestão de riscos na cadeia
de suprimentos serão cruciais.
RESPONSABILIDADES INDIVIDUAIS: TECENDO O FUTURO JUNTOS A transição para uma indústria têxtil com verdadeiros atributos de sustentabilidade não pode depender apenas de políticas governamentais ou grandes corporações; é uma responsabilidade compartilhada que exige ação em todos os níveis. Para as Empresas: É imperativo que as lideranças assumam o compromisso com a sustentabilidade como um pilar estratégico, investindo em tecnologias limpas, promovendo a educação ambiental de seus colaboradores e buscando certificações reconhecidas. A transparência e a comunicação clara sobre os esforços sustentáveis são fundamentais. Para os Profissionais do Setor: Engenheiros, designers, gestores de produção e marketing têm o poder de influenciar a mudança. Desde a escolha de materiais e processos até a forma como os produtos são comunicados ao consumidor, cada decisão contribui para a pegada ambiental da indústria. Para os Consumidores: O poder de compra é uma ferramenta poderosa. Ao optar por marcas que demonstrem compromisso real com a sustentabilidade, questionar a origem e o processo de fabricação das peças, e priorizar a durabilidade e o consumo consciente, os consumidores impulsionam a transformação do mercado. A valorização e escolha por estas empresas é que irão trazer um novo cenário à indústria têxtil e do varejo. Para os Colunistas e Formadores de Opinião: Nosso papel é crucial na disseminação de informações, na desmistificação da sustentabilidade e na inspiração para a ação. Ao analisar criticamente as tendências e destacar as melhores práticas, contribuímos para a formação de uma consciência coletiva e mudanças de comportamento de consumo.
CONCLUSÃO A COP30 em Belém foi um chamado à ação. O caminho é claro: descarbonização, eficiência, circularidade e responsabilidade compartilhada. É hora de cada elo da cadeia, do produtor ao consumidor, tecer seu papel nesse novo paradigma, sob a égide de um compromisso global.
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TENDÊNCIA
INTERTEXTILE REVELA PARADOX E ANTECIPA AS DIREÇÕES DA MODA PRIMAVERA / VERÃO 2027
A
partir de Xangai, China, a Intertextile Shanghai Apparel Fabrics revelou as tendências de moda Primavera/Verão 2027 sob o conceito PARADOX. A proposta é apresentar um olhar otimista sobre o mundo, buscando renovar o desejo do consumidor e valorizar o bem-estar, a autenticidade e o equilíbrio emocional. A mensagem central convida a sair para a luz, estabelecendo uma nova dinâmica entre consumo, sensibilidade e propósito.
Este conceito se desdobra em quatro macrotendências – AFFECTION, BREATHE, BEWITCHING e HONOURATION. Elaboradas por renomados bureaux de tendências internacionais, essas direções serão aprofundadas durante a Intertextile Shanghai Apparel Fabrics – Edição Primavera, em seu Trend Forum (Pavilhão 5.1), oferecendo uma visão detalhada para o mercado.
TENDÊNCIAS GLOBAIS, LEITURA ESTRATÉGICA PARA A INDÚSTRIA A curadoria do Intertextile Directions Trend Forum ficou a cargo de Sachiko Inoue (Tóquio), em colaboração com o Directions Trend Committee, formado pela NellyRodi™ (Paris), DONEGER | TOBE (Nova York) e Elementi Moda (Milão). O espaço apresentará mais de 700 amostras de tecidos e acessórios, funcionando como uma vitrine estratégica para compradores, designers, desenvolvedores de produto e profissionais da indústria têxtil. O Trend Guide Primavera / Verão 2027 atua como um manual de direcionamento, reunindo informações sobre materiais, padronagens, estampas, cores e acabamentos, alinhados às demandas contemporâneas do mercado global.
ACEITAR A IMPERFEIÇÃO COMO VALOR Com foco em introspecção e menos em status, a moda da próxima estação valoriza a autoconfiança por meio da autenticidade, simplicidade e o imperfeito. O movimento PARADOX prioriza a individualidade, a durabilidade e uma elegância serena, distanciando-se do excesso e do espetáculo.
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TENDÊNCIA AFFECTION: CONFORTO, FUNCIONALIDADE E POESIA COTIDIANA O "citywear" se transforma em um "easywear" confortável, ideal para incentivar o movimento e a vida ao ar livre. A proposta funde códigos masculinos e femininos, artesanato tradicional e referências esportivas, criando peças híbridas, funcionais e elegantes. A cartela aposta em neutros suaves: brancos, off-whites, cinzas claros, verdes delicados e amarelos que remetem ao amanhecer. Os tecidos aliam tecnologia e lã nobre, com xadrezes leves, listras discretas e estampas inspiradas na poesia do cotidiano.
BREATHE: SOFISTICAÇÃO NÁUTICA E TECNOLOGIA SENSORIAL Códigos Náuticos são revisitados em uma estética urbana, combinando elegância e funcionalidade inteligente para as demandas climáticas. Listras que remetem a boias e cadeiras de praia conferem leveza e otimismo ao casual, enquanto elementos aquáticos surgem em sobreposições refinadas. A paleta, fresca e oxigenada, traz azuis aqua e tons marítimos. Os tecidos exploram tecnologias inovadoras com toque macio, como jacquards com burnout sutil, acabamentos acetinados e denim dévoré com efeito ondulado, traduzindo um estilo casual, ousado e sofisticado.
BEWITCHING: SENSUALIDADE CONTEMPORÂNEA E HERANÇA ARTESANAL Esta proposta celebra uma feminilidade intuitiva e envolvente, enaltecendo a sensualidade cotidiana e o artesanato ancestral. Drapeados fluidos e estampas orgânicas evocam florestas noturnas, rituais simbólicos e um imaginário místico urbano, influenciado por tarô e
amuletos da sorte. A cartela apresenta cores intensas e inusitadas, contrastando com fundos escuros e misteriosos. Os tecidos, como chiffons abstratos, organzas, sedas, tie-dye lavado tom sobre tom, listras monocromáticas e cetins brilhantes, constroem uma estética que transita entre o elegante, o sensorial e o ousado.
HONOURATION: EXCELÊNCIA ARTESANAL E SOFISTICAÇÃO SEM OSTENTAÇÃO HONOURATION valoriza o saber-fazer ancestral, destacando tradições artesanais de diversas culturas e elevando materiais naturais simples a um patamar de refinamento discreto e atemporal. A paleta equilibra tons neutros quentes, inspirados em matérias-primas brutas ou preciosas, com cores intensas e altamente pigmentadas. Os tecidos e padronagens, como ikats contemporâneos, geométricos abstratos, tramas "basketweave", listras desfocadas e flora neoclássica, reforçam a conexão entre tradição, inovação e valor percebido.
PLATAFORMA ESTRATÉGICA PARA O SETOR TÊXTIL Expositores interessados em submeter tecidos para avaliação e possível exibição no Trend Forum podem se inscrever até 6 de janeiro de 2026. A Intertextile Shanghai Apparel Fabrics – Edição Primavera é uma coorganização da Messe Frankfurt (HK) Ltd, do Sub-Conselho da Indústria Têxtil do CCPIT e do China Textile Information Centre, ocorrendo simultaneamente à Yarn Expo Spring, Intertextile Shanghai Home Textiles – Edição Primavera, CHIC e PH Value.
INFORMAÇÕES DO EVENTO: Data: 11 a 13 de março de 2026 Local: National Exhibition and Convention Center, Xangai
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A POLÊMICA ESCOLHA DA COR DO ANO 2026 PELA PANTONE: O IMPACTO SIMBÓLICO DO BRANCO NA MODA, NO COMPORTAMENTO E NA CADEIA PRODUTIVA Por Daniela Marx
Q
uando a Pantone anunciou Cloud Dancer como a Cor do Ano de 2026, o que se seguiu não foi encantamento automático, mas debate. Um branco suave, quase etéreo, eleito em um mundo atravessado por crises geopolíticas, tensões sociais, excesso de informação e fadiga visual. Para muitos profissionais da moda, do design e da indústria, a reação foi imediata: por que um branco agora? A polêmica não surgiu por acaso. Ela expôs questionamentos profundos sobre o papel da Pantone hoje, o significado da cor na história da moda, os impactos (ou não) para a indústria têxtil e a própria lógica das tendências em um sistema global e digitalizado. O incômodo não está no branco em si. Ele está no que essa escolha representa, provoca e questiona dentro de um sistema que passou, em poucos anos, por globalização acelerada, pandemia, digitalização extrema, excesso de estímulo e mudança no padrão de consumo.
POR QUE A PANTONE EXISTE E POR QUE A COR DO ANO FOI CRIADA? A Pantone nasce a partir de uma necessidade concreta da indústria. Até meados do século XX, não existia um sistema universal que garantisse que uma mesma cor fosse reproduzida de forma consistente entre criação, impressão e produção industrial. Cada gráfica, fábrica ou fornecedor interpretava a cor à sua maneira, gerando falhas, retrabalho e perda de eficiência. Esse cenário muda quando Lawrence Herbert, químico e empresário americano, adquire e reorganiza a Pantone nos anos 1963, criando um sistema padronizado de cores, o Pantone Matching System (PMS). A proposta não era estética, nem criativa: era técnica e industrial. A Pantone surge para resolver um problema de comunicação entre designers, gráficas e fabricantes, oferecendo uma linguagem cromática universal, replicável
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em qualquer lugar do mundo. Em 1999, a Pantone lança oficialmente o programa Pantone Color of the Year, em um contexto de profundas transformações no mercado global. A globalização acelerava cadeias produtivas, marcas passavam a operar em múltiplos países simultaneamente, o branding ganhava força como ativo estratégico e o mundo começava a se tornar cada vez mais visual, impulsionado pela internet e pelos meios digitais. Nesse novo cenário, a cor deixa de ser apenas especificação técnica e passa a ocupar um papel simbólico. Ela se torna identidade, narrativa e expressão cultural. A Cor do Ano surge, então, como um exercício de leitura do espírito do tempo: uma tentativa de traduzir, por meio da cor, os movimentos sociais, econômicos, políticos e emocionais do mundo. É importante destacar que a Cor do Ano não nasce como uma ordem de compra, nem como regra criativa para a indústria. Ela funciona como um sinal cultural, um ponto de partida para reflexão e diálogo entre
TENDÊNCIA moda, design, arquitetura, beleza e produção. Mais do que ditar tendências, seu objetivo sempre foi organizar a conversa sobre cor em um mundo cada vez mais complexo e globalizado.
ele simbolizava classe, tempo disponível e controle. Vestir branco exigia cuidado, manutenção e condições que nem todos tinham. Por isso, ao longo dos anos ele funcionou como marcador silencioso de status.
O FATO: UM BRANCO COMO SÍMBOLO DE 2026
Na moda contemporânea, esse código permanece ativo, ainda que mais sofisticado. O branco:
Quando a Pantone anuncia um branco como cor de 2026, ela rompe com uma expectativa criada ao longo dos últimos anos: a de que a cor do ano precise ser vibrante, energética, emocionalmente óbvia. O Cloud Dancer não entrega impacto imediato. Ele silencia.
• não esconde defeitos,
E silêncio, em um sistema acostumado a estímulo constante, incomoda. Nas redes sociais e nas conversas do mercado, surgiram reações recorrentes: “Isso não é cor.” “Isso é vazio.” “Isso não representa o mundo de agora.” Ao mesmo tempo, a defesa institucional aponta para serenidade, clareza e versatilidade, uma resposta ao excesso. Essa fricção é o centro do debate.
O BRANCO NUNCA FOI NEUTRO NA MODA Historicamente, o branco sempre carregou significados sociais fortes. Muito antes de simbolizar pureza,
• evidencia tecido, corte e acabamento, • expõe a qualidade do produto. Quando o branco ganha protagonismo, ele desloca o olhar da cor para a construção.
PÓS-PANDEMIA: A EXPLOSÃO DE COR JÁ ACONTECEU Um ponto importante dessa análise é reconhecer que o ciclo anterior já foi vivido. No pós-pandemia, a moda respondeu com intensidade: cor, brilho, contraste, exagero. Isso apareceu no produto, no styling e, principalmente, na comunicação digital. Essa explosão não foi aleatória. Em um mundo digital, a cor se tornou ferramenta de atenção. Quanto mais impacto visual, maior a chance de interromper o fluxo de imagens. Mas o excesso gera saturação. Hoje, o consumidor está mais seletivo, menos impulsivo e mais atento ao que permanece. O desejo começa a migrar do impacto imediato para a coerência, para o uso prolongado, para o valor percebido.
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TENDÊNCIA O branco entra nesse cenário como contraponto, e é exatamente por isso que divide opiniões.
GLOBALIZAÇÃO, DIGITALIZAÇÃO E O CANSAÇO DO ESTÍMULO A globalização ampliou mercados, mas também aumentou riscos. Cores universais sempre funcionaram como ferramenta de segurança para marcas que operam em diferentes culturas e climas. A digitalização, por sua vez, empurrou o mercado para o excesso visual. Agora, o sistema parece viver uma inflexão: depois de anos competindo por atenção, surge a pergunta: o que sustenta valor quando a cor deixa de ser protagonista? Essa pergunta não é estética. Ela é estrutural.
O OLHAR DE MERCADO: QUANDO A COR SILENCIA, O PRODUTO FALA
maior, menor taxa de descarte e uso mais prolongado. Para a indústria, isso significa eficiência produtiva; para o mercado, valor percebido; para o consumidor, peças que fazem sentido permanecer. Portanto, a discussão não é sobre quantidade, mas sobre qualidade percebida. Quando a linguagem visual se reduz, a matéria-prima e a construção assumem o protagonismo, e isso impacta diretamente como se produz, como se consome e como se descarta.
PANTONE, CONCORRÊNCIA E UM SISTEMA MAIS PLURAL Outro ponto importante é que o mercado de tendências não é mais centralizado. Hoje, a Pantone divide espaço com outros players globais, como WGSN e Coloro, que trabalham leitura de comportamento, dados e contexto cultural de forma complementar.
Do ponto de vista de quem trabalha com produto, desenvolvimento e indústria, a escolha de um branco não indica uma mudança imediata de volume ou faturamento. O impacto é indireto: quando a cor deixa de ser protagonista, o olhar se desloca para a matéria, o acabamento, a construção e a durabilidade.
Enquanto a Pantone segue como referência técnica na padronização da cor, o debate sobre quem define o ritmo emocional da moda está mais aberto do que nunca. Isso ajuda a explicar por que a escolha de 2026 não dividiu tantas opiniões, e por que ela gera mais perguntas do que respostas.
Quando a cor não distrai, é o próprio produto que precisa sustentar o desejo.
COMPORTAMENTO, CONSUMO E O VALOR ALÉM DA COR
Para a indústria têxtil, isso não significa produzir mais tecido branco, mas elevar o nível de exigência técnica, com maior atenção a:
A escolha do Cloud Dancer não entrega respostas fáceis, e talvez esse seja justamente o seu papel. Em vez de gerar adesão imediata, ela desloca a conversa para um campo mais profundo, onde entram comportamento, consumo e a forma como o valor vem sendo construído na moda.
• qualidade da fibra, • uniformidade entre lotes, • estabilidade do tecido, • resistência ao amarelamento, • toque e estrutura. No vestuário, o efeito é semelhante. Sem o apoio da cor: • a modelagem fica mais evidente, • a costura não se esconde, • o acabamento passa a ser um diferencial competitivo. Esse deslocamento também dialoga com uma agenda de sustentabilidade mais concreta e menos discursiva. Produtos que dependem menos de estímulo visual imediato e mais de construção tendem a ter vida útil
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O desconforto que essa cor provoca não é aleatório. Quando uma escolha estética deixa de agradar e passa a causar estranhamento, ela revela um momento de transição no olhar do mercado. Um período em que o excesso de estímulo começa a perder força e o desejo passa a buscar mais coerência, permanência e significado. Mais do que falar de cor, a discussão em torno da Cor do Ano 2026 convida a refletir sobre o que sustenta valor quando o impacto visual já não é suficiente. Para a moda, para a indústria têxtil e para quem trabalha com desenvolvimento de produto, essa reflexão não aponta para uma tendência específica, mas para uma mudança na forma de consumir, produzir e atribuir valor.
TENDÊNCIA
COR DO ANO 2026: TRANSFORMATIVE TEAL PREVISTA COM DOIS ANOS DE ANTECEDÊNCIA, NÃO É SURPRESA QUE TRANSFORMATIVE TEAL SEJA A COR DO ANO DE 2026 PARA COLORO/WGNS. Esse tom azul-esverdeado reflete o compromisso ambiental que os consumidores exigirão cada vez mais. Uma fusão fluida de azul e verde, representa a diversidade da natureza e uma mentalidade que coloca o planeta em primeiro lugar, priorizando resiliência diante das mudanças climáticas. Prepare-se para ver Transformative Teal dominar o cenário de consumo em 2026. Baixe a previsão oficial e descubra insights exclusivos sobre o futuro da cor. De análises de passarela e exposições de design em diversas cidades, a mudanças socioeconômicas e inovações científicas que moldam o mundo em que vivemos, somadas às ferramentas da Coloro, utilizamos dados qualitativos e quantitativos para prever o futuro da cor e além.
TRANSFORMATIVE TEAL Transformative Teal se alinha com a Responsabilização ecológica que os consumidores exigirão cada vez mais. É uma fusão fluida de azul e verde que reconhece a diversidade da natureza e uma mentalidade que prioriza a Terra, ajudando a criar resiliência frente às complexas mudanças climáticas. Ela reflete uma
Jil Sander nova perspectiva sobre a biologia, que pode ser orgânica ou sintética, natural ou pós-natural, dependendo do que é melhor para o planeta. Essa tonalidade azul-esverdeada é refrescante, calmante e restauradora, com um caráter transformador e regenerativo inspirado no redirecionamento de nossos esforços para encontrar soluções coletivas e inovadoras para o nosso planeta. Ela evoca o “efeito de visão geral”, cunhado pelo filósofo espacial Frank White, que expressa a experiência transformadora de ver nosso planeta natal do espaço.
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WGSN Original Image
TENDÊNCIA A ASCENSÃO DE AZUIS E VERDES O interesse em verde e azul aumentou, com um aumento nas pesquisas relacionadas a compras. As pesquisas por azul-petróleo aumentaram especificamente 9% em relação ao ano anterior no Google Trends. Dados WGSN de e-commerce mostram que os azuis tiveram um bom desempenho, especialmente os azuis escuros, que apresentaram crescimento nos mecanismos de busca e nas redes sociais. O azul teve uma das menores taxas de remarcação de novos itens da temporada, tanto no Reino Unido quanto nos EUA, com uma queda de -2ppt para 34,4% no Reino Unido e -1,5ppt para 30,8% nos EUA. Google Trends: as buscas on-line por itens azuis e verdes para compras têm aumentado. As buscas por azul aumentaram 2% e as por verde 3% em relação ao ano anterior em todo o mundo. • O azul-marinho é o tom de azul mais pesquisado nos últimos 12 meses em todo o mundo, seguido pelo azul-claro, em um tom semelhante à nossa cor-chave Blue Aura da P/V 26. • O interesse por roupas masculinas azuis superou o preto pela primeira vez nesta temporada, já que o interesse pelo azul aumentou 149% em relação ao ano anterior. • Dentre as cores da moda, os consumidores foram os que mais procuraram por roupas masculinas verdes. o “terno de linho verde” aumentou 130% em relação ao ano anterior em todo o mundo nos últimos 12 meses.
O ANO DO REDIRECIONAMENTO: 2026 2026 será um ano de redirecionamento, quando velhas ideias serão desafiadas à medida que as pessoas pedem por mudanças urgentes na forma como tratamos nossas sociedades, organizamos nossos setores e trabalhamos com nossos ambientes. As polarizações se tornarão mais arraigadas, mas também surgirão novas alianças e oportunidades, e novas tecnologias e formas de criatividade serão aproveitadas como agentes de progresso. No que se refere às cores, isso se refletirá em lançamentos de cores escuras, tons vibrantes urgentes,
Jordan William Hughes naturais terrosos e excêntricos e tons calmantes. Os tons escuros continuarão a ser importantes, pois os consumidores se voltam para cores com versatilidade, estabilidade e longevidade. Em particular, veremos o surgimento de tons escuros refrescantes inspirados em nosso tema STEPIC Ecologias fluidas, à medida que as pessoas encontram conforto em cores mais sombrias em meio aos extremos de um planeta em aquecimento. O Transformative Teal destaca a busca pela sustentabilidade, refletindo e reconhecendo as oportunidades que a diversidade da natureza trará para novas formas de vida. Isso inspirará produtos e serviços projetados com uma mentalidade que prioriza o planeta e não as pessoas, ajudando a criar resiliência diante dos complexos desafios climáticos. Composing Oceans é uma instalação do artista holandês Ellis Holman, na qual o oceano é recomposto como uma paisagem surrealista, com tensão, luz e gravidade. A instalação simboliza a complexa relação entre o passado e o futuro, flutuando entre dois extremos. O Projeto Ascensio, do artista conceitual e arquiteto britânico Jordan William Hughes, tem como objetivo explorar a perspectiva desafiadora e empolgante de combinar um elevador espacial sustentável baseado no oceano com uma estação espacial multiuso.
Fonte:WGSN
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CAPA
DUDU BERTHOLINI: FUNDAMENTO, A COSTURA ENTRE MODA, TÊXTIL, SOCIEDADE, ARTE E CULTURA
H
á pessoas que vestem roupas. Outras vestem ideias. Dudu Bertholini sempre vestiu histórias. Sua trajetória é marcada por um trânsito contínuo entre mundos que, à primeira vista, parecem opostos: moda e têxtil, glamour e simplicidade, criação e memória, cultura e contracultura. Mas, em Dudu, essas dualidades não se chocam; elas se entrelaçam, como fios de uma mesma trama. Mais do que estilista, pesquisador ou comunicador, Dudu Bertholini é um mediador cultural. Um tradutor sensível que transforma referências históricas, afetivas e sociais em linguagem contemporânea, acessível e profundamente humana.
DA CRIAÇÃO AO CONTEÚDO: A MODA COMO DISCURSO Desde o início de sua carreira, Dudu nunca se limitou à superfície da moda. Seu olhar sempre esteve atento ao que sustenta a roupa: o tecido, o processo, a mão que produz, o contexto social que envolve cada peça. “A moda é uma ferramenta de expressão coletiva, não apenas individual”, costuma dizer. Essa visão o levou a ocupar múltiplos papéis: criador, curador, pesquisador, apresentador e provocador, sempre com a mesma coerência ética e estética. Ao longo dos anos, seu trabalho ajudou a ampliar o entendimento da moda como um sistema cultural, profundamente conectado à indústria têxtil, à economia criativa e à identidade brasileira. Em suas falas e projetos, o tecido deixa de ser apenas matéria-prima e passa a ser arquivo vivo, carregado de memória, território e saber. Entre o luxo e a rua, o clássico e o psicodélico, Dudu Bertholini transita com naturalidade entre o sofisticado e o espontâneo. Pode falar de alta-costura com a mesma propriedade com que discute estética clubber, cultura pop, festas, corpos dissidentes e manifestações periféricas. Essa capacidade de diálogo vem de uma escuta genuína. Dudu observa, absorve e devolve, sem hierarquia. Para ele, o luxo pode estar em um bordado minucioso, mas também em uma camiseta carregada de atitude. A contracultura, longe de ser oposição, é combustível criativo.
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CAPA Foto: Tons
“Tudo o que é vivo se mistura”, afirma em entrevistas. E é justamente essa mistura que faz de seu trabalho algo tão contemporâneo.
ACESSÍVEL, PLURAL, ESSENCIALMENTE HUMANO Apesar de sua relevância no cenário criativo brasileiro, Dudu preserva uma característica rara: a acessibilidade. Não há distanciamento, nem pose. Seu discurso é generoso, didático e acolhedor, seja falando com estudantes, profissionais da indústria ou grandes nomes do mercado. E todos pousando em “Vogue” em fotos com este ícone. Essa simplicidade não diminui sua potência; ao contrário, amplia. Dudu entende que moda, cultura e têxtil só fazem sentido quando conectados às pessoas reais, aos corpos diversos, às histórias que não cabem apenas em uma vitrine. Em um mundo que busca rótulos, Dudu Bertholini é síntese de pluralidade. Ele personifica um novo tipo de criador: aquele que não separa passado e presente, indústria e afeto, técnica e sensibilidade. Sua trajetória prova que a moda pode - e deve - ser um espaço de reflexão, inclusão e memória. Que o têxtil é linguagem. Que a cultura não é fixa. E que a verdadeira elegância está na coerência entre o que se cria, o que se fala e o que se vive. Dudu Bertholini não apenas acompanha o seu tempo. Ele costura sentidos para que o tempo faça sentido.
NEON: UM MANIFESTO ESTAMPADO EM TECIDO Parte essencial dessa trajetória é a NEON, anos 2000, marca criada ao lado de Rita Comparato, que se tornou um dos projetos mais emblemáticos da moda brasileira contemporânea. Mais do que uma grife, a NEON foi um manifesto cultural, onde estampa, cor e narrativa ocupavam o centro da criação. As coleções da NEON dialogavam diretamente com o têxtil, com o desenvolvimento de superfícies, com a pesquisa de materiais e com a estamparia como linguagem autoral. O Brasil - popular, urbano, tropical, contraditório - sempre esteve presente, traduzido em grafismos vibrantes e construções cheias de identidade. A NEON mostrou que é possível unir autoridade cria-
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CAPA tiva, viabilidade comercial e discurso cultural, influenciando uma geração inteira de criadores e reafirmando o papel do design têxtil como protagonista.
AMOR & SEXO: FIGURINO COMO NARRATIVA CULTURAL O alcance do trabalho de Dudu extrapolou passarelas e editoriais e ganhou o imaginário popular por meio da televisão. No programa Amor & Sexo, apresentado por Fernanda Lima, suas criações ajudaram a construir uma estética que se tornou parte indissociável do conteúdo do programa. Entre os figurinos mais icônicos está o collant de onça em paetê, usado por Fernanda Lima, uma peça que sintetiza perfeitamente o universo de Dudu: ousada, glamourosa, divertida e política. Ali, o figurino não era apenas roupa, mas posicionamento, dialogando com temas como liberdade, corpo, desejo e diversidade. Para Dudu, vestir é comunicar. E, nesse contexto, o figurino tornou-se linguagem cultural de massa, sem perder sofisticação conceitual.
Vestido icônico tucano Neon
MENTORIAS, PALESTRAS E O DIÁLOGO COM O SETOR TÊXTIL Nos últimos anos, Dudu Bertholini consolidou também sua atuação como mentor e palestrante, com presença constante em feiras, eventos e encontros do setor têxtil e da indústria criativa. Seu discurso conecta criação, cadeia produtiva, inovação, sustentabilidade e comportamento de consumo. Em suas falas, o têxtil deixa de ser apenas base técnica e passa a ser origem do pensamento criativo. Dudu provoca o mercado a olhar para materiais, processos e tecnologias como parte fundamental da narrativa de marca, aproximando indústria, designers e consumidores.
Stylist Raica de Oliveira para Revista Bazzar
Seu papel é o de quem traduz complexidades tornando o conhecimento acessível sem simplificá-lo. Essa capacidade de articulação fez de Dudu um nome natural para conduzir debates contemporâneos. Como mestre de cerimônias do Iguatemi Talks, ele assume um papel que vai além da mediação formal: contextualiza, conecta temas, valoriza diferentes vozes e cria um ambiente de troca real. Moda, cultura, comportamento, mercado e indústria se encontram em sua condução fluida, inteligente e afetiva; reflexo direto de sua própria trajetória plural. Estampas Neon
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CAPA Dudu Bertholini é a personificação de uma moda que pensa, sente e dialoga. Um criador que entende o passado, atua no presente e projeta futuros possíveis. Glamouroso e simples. Erudito e popular. Criativo e didático. Em um tempo que exige profundidade, escuta e conexão, Dudu não apenas cria roupas, conteúdos ou discursos; ele costura relações. E é justamente aí que reside sua maior elegância. A TokStok acaba de lançar uma linha cama mesa e banho assina por Dudu onde suas estampas coloridas e tropicais ganham protagonismo na nova linha da megastore. Presente desde as primeiras edições da SPFW, Dudu ajudou a construir a identidade do maior evento de moda da América Latina. Seu trabalho sempre dialogou com o espírito do tempo, antecipando discussões sobre diversidade, gênero, sustentabilidade e processos criativos colaborativos, temas que hoje ocupam o centro do debate, mas que ele já abordava quando ainda eram considerados marginais no sistema de moda.
COLABORAÇÕES QUE FORTALECEM O ECOSSISTEMA CRIATIVO Ao longo de sua trajetória, Dudu Bertholini construiu colaborações fundamentais para o fortalecimento do ecossistema da moda nacional. Entre elas, destacam-se os diálogos criativos com Rita Comparato, em projetos que exploram o corpo, o movimento e a emoção como elementos centrais do vestir, e com Gustavo Silvestre, cuja pesquisa têxtil, artesanal e social encontra eco direto na visão inclusiva e contemporânea de Dudu. Essas parcerias evidenciam um ponto-chave de sua atuação: a moda como construção coletiva, onde o design se encontra com o fazer manual, a inovação social e a pesquisa de materiais, pilares essenciais para o desenvolvimento sustentável da cadeia têxtil brasileira. Dudu Bertholini é, acima de tudo, um construtor de caminhos. Da passarela ao backstage, do desenho à curadoria, sua trajetória comprova que a moda ganha força quando se abre ao diálogo, à diversidade e à experimentação. Para a moda brasileira, e para toda a cadeia têxtil de criação, Dudu segue sendo referência, inspiração e movimento.
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Coleção cama mesa e banho verao 2026 para Tok Stok by DB
CAPA ENTREVISTA COM DUDU BERTHOLINI Na entrevista com Dudu Bertholini, a Revista Têxtil abordou diversos temas com fluidez. Publicamos suas falas na íntegra, respeitando e valorizando a maneira espontânea, fina e verdadeira de sua comunicação.
O PRÓPRIO FUNDAMENTO E O FUNDAMENTO PRÓPRIO Oie! Primeiramente, eu queria dizer como eu tô feliz e honrade em poder estampar a capa da Revista Têxtil, cujos passos que eu tanto admiro vêm de tão longe e contam, junto com a sua história, a história da moda brasileira e do Têxtil no Brasil. E é muito simbólico, nesses últimos dias de 2025, a gente poder olhar pro ano que vem, entender de qual moda, pra qual mundo e com quais intenções a gente tá olhando pra esse ano que começa, pra esse novo ciclo. A moda reflete o espírito dos nossos tempos. A moda é um espelho do mundo e, através dela, a gente consegue entender o pensamento e os valores vigentes. Então, acho que a pergunta que fica, e que está por trás dessa nossa capa, é qual moda, pra qual mundo e com quais intenções a gente quer refletir o ano de 2026. E nesse sentido, eu acredito sim que a revolução é têxtil. O tecido é literalmente a base de tudo. A gente poderia dizer que o tecido é a tinta, o corpo é a tela. O corpo é o suporte, ele é o ponto de partida da moda. E algo que me interessa muito é pensar que, desde os primórdios da humanidade, o morar e o vestir foram criados por uma questão de necessidade e de funcionalidade. A gente aprendeu a se vestir pra nos proteger das intempéries climáticas, para nos proteger dos ataques de possíveis animais. A gente começa a morar para poder se proteger das divergências climáticas. Porém, logo no começo da história, o morar e o vestir já ganham um sentido identitário, cultural, e a gente passa a expressar quem nós somos através deles.
Dudu e Zezé Motta para Bazzar
A gente passa a expressar qual é a nossa maneira de ver o mundo através do que a gente veste e do que a gente mora, então, pra mim, a gente continua expressando e dizendo quem nós somos através dessas escolhas. E é isso que faz da moda interessante, ela impacta todo mundo. E ela reflete tudo que está acontecendo, indiRita Lee para Neon
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CAPA vidual e coletivamente. E ela faz parte da vida, inclusive de quem diz que não se importa com moda, mas a moda continua impactando a vida dessas pessoas da mesma forma, né? Então, eu acho que é h o r a da gente colocar essa intenção. O tecido que você tá usando, de onde ele veio? Pra onde ele vai? Que custo humano e ambien-
tal foram feitos os tecidos que você veste? Eu acho que essas são uma série de perguntas que a gente tem que se fazer em 2026 e que nos dão a pista do porquê essa revolução é têxtil. E refletir sobre a revolução Têxtil no Brasil, falando para a Revista Têxtil, que do alto dos seus 100 anos de história, mapeia e nos conta a história do têxtil e da moda nacional, é também pensar qual é a identidade da moda brasileira, em que momento ela se encontra. E perguntar qual é a identidade da moda brasileira é uma pergunta de milhões, feita e repetida há muito tempo, e por ser uma pergunta tão complexa, ela não poderia ter uma resposta simplista. Fato é que toda roupa, todo tecido, toda moda feita no Brasil é moda brasileira. Sim, basta listar aqui em território nacional para a gente poder dizer que ela é uma moda nacional. Porém, a meu ver, a moda que mais nos representa, nossa identidade, é aquela que responde às dores e vontades do país à sua volta, que respeita a sua cultura, e que valoriza os seus profissionais, independente da estética. E olha, m e s m o sendo e u u m a pessoa toda estampada, tropical, que amo estampas, que amo moda praia, misturada com caftans esvoaçantes, eu digo que quem disser que a identidade da moda nacional é sexy e estampada, cuidado, porque o Brasil é muito mais do que isso! Como eu sempre digo, olha para São Paulo, que é uma megalópole industrial, grafitada, que é onde a poluição visual dá o tom da cidade, e isso também é brasileiro, né. A moda nacional também é clubber, também é industrial, também é dark. Sempre uso esse exemplo que Liana Padilha dizia, meu tropicalismo é dark! Então, a meu ver, muito mais do que uma questão estética, é o propósito desse texto, desse tecido, dessa roupa, dessa moda; a conversa que ela tem com a sua cultura, com o seu entorno, o quanto ela incentiva e valoriza os profissionais das culturas locais, sem se
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CAPA apropriar indevidamente delas, reverenciando o que é brasileiro, o que é nacional, o que é nosso, mas expandindo os alcances desse território, sem estereotipar a nossa cultura. Pra mim, essa é a identidade da moda brasileira. E nesse caso, apesar da moda brasileira ser muito plural, é fato que nós temos uma conversa genuína com a estamparia e com a nossa maneira natural, exuberante, à vontade de lidar com o nosso corpo. Nós não podemos deixar que isso nos estereotipe, mas isso é parte da identidade do Brasil, né? A gente tem uma sabedoria cromática fantástica. Basta você andar por regiões do país onde as casas populares são pintadas das cores mais lindas. Olha as casas, principalmente um pouco mais antigas do Nordeste, pintadas em turquesa, em pink e amarelo. Olha a sabedoria das cores do carimbó, do carnaval, das nossas festas populares, do São João. Pensar que a chita, o chitão, apesar de ele ser um tecido que vem da Índia e que percorre o mundo inteiro até chegar aqui, ele ganha um contorno nacional todo nosso, com suas grandes flores, com as suas cores contrastantes, porque isso é genuíno do Brasil. A nossa habilidade de mimetizar a natureza, de se inspirar nela e transformar isso em identidade é fantástica. Então, não é à toa que realmente a gente tem uma conversa com a estampa, que a gente sabe usar cores e estampas como ninguém. E foi muito interessante esse processo de reconhecimento disso na minha história, na minha personalidade. Eu acho que, desde criança, eu sempre me interessei pela possibilidade de expressão radical que a moda nos oferece. Eu sempre me interessei mais por estilo do que por moda e pela possibilidade, de fato, de expressão que a moda sempre nos trouxe. Então, quando eu comecei a trabalhar com moda e entender o universo das estampas, que nós – eu e a Rita, a Neon, junto com a minha turma das Abravanadas dos anos 2000 –, quando a gente começou a flertar novamente com a estamparia assinada, com a estamparia exclusiva, isso foi uma descoberta muito grande, tanto das nossas identidades individuais quanto da história do nosso país. A nossa tropicália veio na forma dessas estampas exclusivas. E é muito interessante, porque a gente teve vários momentos em que as nossas estampas excluShow de calouros
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CAPA São Paulo e o mundo vinham de uns anos 90, muito minimalistas, muito industriais, muito dark, um mundo entrando em sintonia com as novas tecnologias emergentes. Então, a gente pôde trazer de novo a estamparia, psicodélica, colorida, exuberante, tropical, autoral, artística. Este sim se tornou um grande pilar da nossa identidade.
SOBRE NOSSA CAPA, DUDU VESTE DIH MORAES
Neon
sivas contaram muito sobre a nossa história. A gente tem momentos como da Rodhia, nos anos 60, em que eles chamavam grandes artistas para colaborar, para assinar estampas exclusivas, ainda que houvesse uma internacionalização eugenista no trabalho que a Rodhia fazia. Existe um valor muito grande naquelas estampas que foram criadas. As estampas afro-brasileiras, que têm uma conversa com as religiões afro-brasileiras, com o candomblé, com o terreiro, e com outros pilares culturais, também formam essa percepção. O chitão e outros tecidos populares presentes nas festas, nas casas, muitas vezes transformando o único tecido acessível em linguagem essencial para uma construção identitária única. Tudo isso ajudou a formar esses pilares do Brasil ser esse país genuinamente estampado. E quando a gente começou a Neon, no começo dos anos 2000,
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Essa capa tem um significado muito especial pra mim, porque eu acho que ela fala muito sobre a revolução têxtil, sobre a identidade da moda brasileira, e sobre tudo aquilo que a gente espera plantar e colher para o têxtil e pra moda nacional no ano que vem. Foi muito especial receber esse convite do Fred Haydu, editor da revista Têxtil, filho de Vivi Haydu, uma grande dama da moda nacional, né, que liderou a revista Têxtil e foi diretora da Fenit, palco do fundamento da moda nacional, por tantos anos... e o Fred agora dá continuidade a esse legado de uma forma sensível, incrível, louvável, olhando pra indústria, mas também pro propósito de onde a gente espera que a moda e o têxtil caminhem daqui pra frente. E foi o Fred que fez essa provocação de me unir com o Dih Moraes, um dos maiores estilistas da atualidade, da nossa moda nacional, um nome que tem crescido e se fortalecido, fazendo uma moda genuína e que entende, né, essa grande máxima de que o futuro é ancestral. O Dih é o primeiro estilista quilombola a desfilar no território africano e ele faz um trabalho de resgate e enaltecimento da sua cultura afro-brasileira, da sua relação com o candomblé e com a sua afro-religiosidade. Então, ele faz uma roupa cheia de significados, de simbologias, uma roupa que também fala de espiritualidade, tanto na sua estética, mas principalmente na sua maneira de fazer. Uma barca pequena, um trabalho de ateliê, customizado, manual, né, que conhece cada um dos seus fornecedores e de onde vem cada elemento que constitui esse desfile. E o Dih acabou de fazer um desfile maravilhoso agora no final do ano, que eu tô tendo a honra de usar, de vestir um desses looks. Na verdade, eu misturei looks de duas coleções do Dih (das duas últimas coleções) e fiz uma composição livre. Mas eu acho que a riqueza de texturas dessa capa, a mistura da palha com o
CAPA couro estampado, com o tecido natural, a estamparia exclusiva feita de cabaças, as mesmas cabaças que tridimensionalmente decoram o chapéu. Eu acho que ela traz aqui tantos elementos visuais, texturas, estéticos, que falam sobre essa revolução da procedência, o entendimento de que o luxo verdadeiro mora na procedência, na legitimidade. E isso é o que o Dih transborda, né? Chamei Tons também, fotógrafo e não binário, um expoente da fotografia em ascensão. Foi muito bonito poder reunir tantos talentos genuínos que, a meu ver, falam muito sobre a identidade da moda brasileira, a revolução têxtil que a gente espera.
FUNDAMENTO POPULAR “Se moda é cultura, se moda é uma tradução dos nossos tempos, é claro que a moda é plural, é diversa, que moda é diversidade, ela tem que ser, porque a moda tá presente em tudo, ela está presente em todas as classes sociais, em todos os corpos, raças, gêneros e estilos, e ter esse entendimento sempre fez com que eu quisesse falar com o máximo de pessoas possíveis.” Acessibilizar a moda e seu entendimento é um dos meus propósitos, é uma das coisas que mais me motiva e mais me interessa. Isso realmente sempre fez parte do meu propósito, então eu acho que naturalmente meu trabalho foi caminhando ao lado da moda, da construção de marca, da minha atuação no styling, produzindo catálogos, desfiles editoriais. O interesse também pela estética de alguma forma foi interessante nessa trajetória, perceber a importância da comunicação, não por acaso eu prestei moda e jornalismo, mas acabei migrando pra moda. Então mais uma vez o entendimento do quanto a comunicação anda de mãos dadas com meu trabalho é muito importante e, nesse sentido, estar na TV, na internet. Onde outros canais de comunicação têm sido cada vez mais um pilar fundamento e fundamental da minha história, a TV aberta tem sido muito importante nesse sentido. Eu diria que meu primeiro trabalho na TV foi o Brasil's Next Top Model que era na Sony Entertainment Television no começo lá dos anos 2000. E, de lá para cá, eu participei de vários programas, de vários realities, mas eu diria que foi muito marcante para mim os anos em que eu passei na Globo trabalhando no “Amor e Sexo”.
“Amor e Sexo” foi um dos produtos mais revolucionários que a gente já teve na história da TV brasileira, pensar que a gente conseguiu discutir gênero, moda, classe, raça, corpo de uma forma tão revolucionária. Além de estar na banca fixa de jurados do programa, eu também fui figurinista do programa nas últimas temporadas, vestindo não apenas Fernanda Lima, mas também todo balé, todas as pessoas, todo o elenco. Eu estou no SBT, apresentando o Esquadrão da Moda e participando do icônico Show de Calouros, ocupando uma cadeira que um dia já foi de Elke Maravilha!!! Onde outras pessoas como Arací de Almeida já estiveram e eu ocupo essa cadeira com muita honra, com muita humildade e evoco Mama Elke, que foi uma pessoa humanitária, transgressora, revolucionária que fez da empatia e do carisma uma ferramenta de transformação. A internet também tem sido um lugar importante para mim de criação de conteúdo autoral, onde eu consigo colocar uma reflexão crítica do mundo da moda, de como eu entendo de qual moda para qual mundo. Moda é antropologia, a moda é antropológica. Ela revela o pensamento
das pessoas num determinado lugar, espaço e tempo, então bora nos comprometer com que tipo de mensagem, com que tipo de revolução a gente espera causar a partir da moda que a gente cria.
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CAPA FUNDAMENTO: REFERÊNCIAS E INSPIRAÇÃO São muitas as referências e inspirações que me trazem até aqui, eu amo enaltecer, reverenciar as pessoas que eu admiro, minha grande mestra Christine Uffon que faleceu prestes a completar 101 anos de idade. Essa senhora chinesa que migrou pro Brasil nos anos 50 e foi a maior professora de etiqueta do Brasil por anos, mas na verdade foi uma grande mestra de vida, ensinando sobre humildade, criatividade, resiliência, insistência... E quando eu penso nas inspirações têxteis, para mim é impossível não falar de Alberto Pita, de Goya Lopes, pessoas, artistas, nordestinos, pretos; que fazem estamparia afro-brasileira ancestral e contemporânea e que desenham nossa identidade de moda cultural através dos seus traços, através das suas estampas.
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Quando eu penso no mundo como um todo e penso em Sonia Delaunay, em Marimekko, marcas e artistas, que elevaram a criação da estamparia, Zandra Rhodes, um dos maiores nomes da criação da estamparia mundial, são minhas grandes referências têxteis, minhas grandes referências de estamparia, me trazendo para o mundo mais próximo. A própria Neon, é meu próprio trabalho na Neon, é uma referência sempre para mim, mas também o trabalho de minha grande sócia, eterna sócia Rita Comparato que hoje capitaneia a marca IRRITA onde ela mesma cria as estampas autorais, trabalho de autora, um trabalho legítimo, um trabalho verdadeiro, artístico e
CAPA funcional, que veste todos os corpos com maestria, e que tem uma conversa lindíssima com o texto, Rita é e sempre será, inspiração para mim. Sim, moda é sonhar acordado, moda é um sonho vestível, moda é uma ferramenta de expressão potente, que nos aproxima de sermos a melhor versão de nós! E que a moda possa representar tudo isso. Então, quando eu penso em qual moda para qual mundo eu espero em 2026? Eu espero uma moda mais plural, mais diversa, genuína, autêntica, original e originária, que responde às dores do seu entorno, que valoriza a sua cultura, que prioriza a procedência. E aí, trazendo um pouco para reflexão, né, que você faz aqui nas perguntas, sobre o que que eu acredito que a gente pode melhorar, do fio à vitrine. Eu espero que a gente valorize e incentive a formação em moda nos seus mais diferentes segmentos. Só a indústria têxtil oferece tantas possibilidades de atuação pra novos profissionais. Então, poder associar moda à educação, à formação.
Somos uma das maiores indústrias do país em potenciais de geração de empregos, geração de renda, em fomentar a nossa economia. Então, a gente conseguir formar novos profissionais que entendem esse potencial de crescimento econômico, mas que estão aliades aos valores da sustentabilidade, da humanidade, a valores humanitários. Isso é o que eu acredito que a gente pode melhorar. Que a gente possa pensar numa integração maior de todos esses setores. Do fio à vitrine, né? Que a vitrine entenda o quanto ela depende do fio e vice-versa. Para que essa grande roda, esse grande ciclo de renovação constante que a moda é, também seja um círculo, um ciclo e um círculo de união, de apoio, dos diferentes setores, dos diferentes segmentos, do entendimento que estamos todos juntos numa mesma trama e urdume pra poder existir. Essa é a moda que eu espero pro presente e pro futuro. “A revolução é têxtil” Fotos: Acervo Dudu Bertholini
Dudu Bertholini veste Dih Moraes para capa Revista Textil Foto: Tons
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QUALIDADE
COMO A QUALIDADE DO FIO DEFINE O QUE CHEGA (OU NÃO) À VITRINE Por Milena Abreu
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vitrine é o “palco” onde a peça precisa convencer em segundos. Caimento, brilho, toque, cor, aparência de novo e sensação de valor — tudo isso é percebido antes mesmo do preço. E um dos fatores mais determinantes para esse resultado nasce muito antes do corte e costura: a qualidade da matéria-prima e consequentemente do fio utilizado. Quando falamos em fio, não estamos falando apenas de título e composição. Estamos falando de regularidade, resistência, pilosidade, nível de impurezas, alongamento, torção, uniformidade e comportamento em processos como tingimento, estamparia, costura, lavagem e passadoria. Um fio inconsistente é como construir uma coleção inteira sobre uma base instável: o problema pode não aparecer no primeiro dia de produção, mas surge na tecelagem/malharia, se agrava no beneficiamento e explode no acabamento — ou pior, na experiência do consumidor. Na prática, a qualidade do fio interfere diretamente em três pilares que definem performance de vitrine: 1. Aparência e “mão” do produto Fios com variação de massa geram listras, barramentos, mudança de densidade e aspecto irregular no tecido. A pilosidade excessiva aumenta a probabilidade de formação de pilling, altera o brilho e o toque — e a peça perde “cara de nova” rapidamente. Em malharia, pequenas instabilidades do fio podem amplificar defeitos visuais, especialmente em cores lisas e tecidos com tramas mais abertas, onde a vitrine não perdoa. 2. Processabilidade e estabilidade dimensional Um fio com baixa resistência ou com falhas eleva quebras, paradas e “remendos”, aumentando defeitos e custo. Já o comportamento do fio em torção e alongamento impacta encolhimento e deformação. Resultado: peça que entorta, costura que repuxa, barra que gira, camiseta que “torce” no corpo. Para o varejo, isso vira devolução, reclamação e queda de reputação — e para o fornecedor, reprovação em inspeções e perdas de margens.
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3. Cor, solidez e consistência de lote A uniformidade do fio influencia a absorção de corantes e auxiliares. Diferenças de matéria-prima, misturas de lotes, irregularidade do fio, sujidades e impurezas proveniente dos fios ou processos de tecimento, podem causar variações de tonalidade entre lotes e até dentro do mesmo rolo. Na vitrine, duas peças “iguais” com tons diferentes geram percepção imediata de baixa qualidade. E, no pós-venda, baixa solidez vira desbotamento e manchamento — exatamente o tipo de ocorrência que o consumidor lembra. Por isso, qualidade assegurada não começa na inspeção final: começa na escolha e homologação do fio, com critérios claros, testes bem definidos e rastreabilidade por lote. Empresas que tratam fio como item crítico (e não como commodity) reduzem retrabalho, estabilizam processo, melhoram performance de coleção e elevam o padrão entregue ao varejo. No fim, vitrine não é sorte — é consequência. E a consequência, muitas vezes, começa em um detalhe invisível aos olhos do consumidor: o fio certo, no padrão certo, controlado do início ao fim.
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FIAÇÃO
HEMP: O RESGATE ANCESTRAL DO CÂNHAMO COMO PILAR PARA O FUTURO DO SETOR TÊXTIL Por Fred Haydu
O
cânhamo é uma das fibras têxteis mais antigas utilizadas pela humanidade. A Cannabis sativa possui muitos nomes populares, como maconha, grass, weed, marijuana... Contudo, o cânhamo (ou Hemp) é, na verdade, a fibra extraída dos caules de variedades da Cannabis sativa, os machos, que se caracterizam por serem isentas ou por terem níveis mínimos da maioria das propriedades medicinais e psicoativas. Essa distinção é imprescindível, pois as propriedades medicinais da cannabis são, hoje, intensamente estudadas, amplamente utilizadas e têm seus benefícios cientificamente comprovados as plantas de Cannabis fêmeas.
UMA FIBRA ANCESTRAL Muito antes do surgimento das fibras sintéticas e mesmo da consolidação do algodão como principal matéria-prima têxtil global, o cânhamo já ocupava papel central na economia, na navegação, na agricultura, no vestuário e na indústria. Registros históricos indicam o uso do cânhamo há mais de 8 mil anos, com sua origem na China, onde era inicialmente empregado na confecção de tecidos rústicos, cordas e papel. A fibra se espalhou rapidamente pela Ásia e chegou ao Egito, onde foi encontrada como ataduras em sarcófagos. Na Etiópia, o cânhamo, ou Hemp, também se tornou base da religião Rastafari, que usa a cannabis em sua liturgia e suas vestimentas. Sua expansão continuou por toda a África, Europa e, posteriormente, pelas Américas – com destaque para o Caribe, Jamaica e México –, tornando-se essencial em diversas civilizações e culturas. Um fato notável é que a Declaração de Independência Americana foi assinada em papel de cânhamo. Durante séculos, o cânhamo foi estratégico para a expansão marítima; cordas, velas e cabos de navios eram tradicionalmente produzidos com cânhamo devido à sua elevada resistência mecânica, durabilidade e tolerância à umidade e à água salgada. Antes da introdução das fibras sintéticas no século XX, praticamente toda a indústria naval dependia dessa fibra natural.
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CÂNHAMO X ALGODÃO: DURABILIDADE E DESEMPENHO Embora o algodão tenha se consolidado como a principal fibra têxtil global a partir da Revolução Industrial, o cânhamo apresenta diferenças técnicas relevantes: sua durabilidade o cânhamo é significativamente mais resistente à tração do que o algodão, podendo durar até três vezes mais em condições similares de uso; maior resistência à umidade, já que apresenta maior resistência ao mofo e às bactérias; tecidos de cânhamo mantêm sua integridade estrutural por mais tempo, mesmo após múltiplas lavagens e; ainda que o algodão seja naturalmente mais macio, o cânhamo moderno, após beneficiamento tecnológico, pode alcançar níveis de toque comparáveis.
PROPRIEDADES TÉCNICAS E FUNCIONAIS O cânhamo se destaca por um conjunto amplo de propriedades: alta resistência mecânica; fibra longa e
FIAÇÃO estável; propriedades antibacterianas naturais; proteção contra raios UV; elevada respirabilidade; excelente capacidade de absorção e liberação de umidade e biodegradabilidade total. Essas características tornam o cânhamo adequado não apenas para vestuário, mas também para têxteis técnicos como lonas, tecidos industriais, geotêxteis, compósitos, não tecidos e aplicações automotivas. O cânhamo pode ser aplicado em diferentes segmentos: vestuário casual e premium, acessórios, malas e mochilas; denim e tecidos planos; na decoração, com móveis, tapetes e cortinas; nas áreas de cama, mesa e banho, malharias misturadas (cânhamo + algodão ou viscose); têxteis técnicos e industriais; cordoaria, tapes e telas; papel e embalagens sustentáveis. Nos últimos anos, o cânhamo vem sendo redescoberto por marcas interessadas em materiais de menor impacto ambiental e maior longevidade. O Hemp sustenta a bandeira da sustentabilidade e da economia circular gerando um potencial enorme na formação e no incentivo deste mercado; e o Hemp com seu desempenho excelente tem potencial econômico enorme.
EXTRAÇÃO DA FIBRA: DO CAMPO AO FIO O processo de obtenção da fibra de cânhamo é relativamente simples e eficiente: 1. Plantio: realizado em alta densidade para estimular o crescimento vertical do caule; 2. Crescimento: rápido, com ciclo médio entre 90 e 120 dias; 3. Colheita: ocorre antes da floração completa, quando a fibra apresenta melhor qualidade; 4. Maceração (retting): processo natural ou controlado que separa as fibras do caule; 5. Decorticação: separação mecânica da fibra longa do material lenhoso; 6. Beneficiamento: limpeza, paralelização e preparação para fiação. Avanços tecnológicos vêm permitindo a produção de fibras cada vez mais finas e uniformes, adequadas às exigências da indústria têxtil contemporânea. O uso de fibras mais curtas, de plantas ainda imaturas que não se desenvolveram muito, mostra uma
maciez maior na fibra final produzida. Do ponto de vista agrícola, o cânhamo apresenta vantagens relevantes: baixo consumo de água em comparação ao algodão; pouca ou nenhuma necessidade de defensivos agrícolas; crescimento rápido e alta produtividade por hectare; melhora da estrutura do solo e controle natural de plantas invasoras e a possibilidade de rotação de culturas. O manejo simples e o ciclo curto tornam o cânhamo uma alternativa economicamente atrativa para produtores rurais, especialmente em regiões que buscam diversificação agrícola e sustentabilidade. A possível regulamentação do cânhamo industrial no Brasil se conecta diretamente a uma agenda de política industrial e inovação têxtil. A fibra oferece oportunidades para reindustrialização sustentável, agregação de valor e fortalecimento da cadeia produtiva nacional, do campo à indústria de transformação. Do ponto de vista estratégico, o cânhamo dialoga com a substituição de matérias-primas importadas, estimulando a inovação em fibras naturais e têxteis técnicos; para o parque fabril brasileiro, o cânhamo pode impulsionar investimentos em tecnologias de beneficiamento, fiação diferenciada e acabamento funcional, ampliando a competitividade frente aos mercados internacionais.
MAQUINÁRIOS, PROCESSOS INDUSTRIAIS E O FIO A industrialização do cânhamo utiliza parte da infraestrutura têxtil já existente, combinada com equipamentos específicos: • Decorticação: máquinas responsáveis pela separação da fibra do núcleo lenhoso do caule; • Sistemas de maceração controlada (retting): processos enzimáticos ou mecânicos que garantem maior uniformidade; • Linhas de preparação e paralelização semelhantes às usadas no linho; • Fiação úmida e semiúmida, especialmente para fibras longas; • Equipamentos de acabamento têxtil voltados para amaciamento, redução de rigidez e melhoria do toque. Avanços recentes permitem o uso do cânhamo também em fiação a seco, ampliando sua compatibilidade
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FIAÇÃO com plantas industriais convencionais.
lidado em diversos países:
Uma das principais estratégias industriais para ampliar o uso do cânhamo é sua mistura com outras fibras, naturais ou químicas:
• China: maior produtor mundial, com cadeia integrada e forte atuação em têxteis e não tecidos, pioneiro na industrialização do cânhamo por milênios;
• Cânhamo + algodão: melhora a durabilidade e reduz o consumo hídrico do tecido; • Cânhamo + viscose ou modal: ganho de maciez e conforto; • Cânhamo + poliéster reciclado: aumento de resistência e estabilidade dimensional; • Cânhamo + linho: tecidos premium com estética natural, excelência em maciez, conforto e ao toque Essas misturas permitem equilibrar desempenho técnico, conforto e custo, facilitando a adoção pelo mercado de vestuário e têxteis técnicos. Fibras de abacaxi, bambu e outras fibras naturais também já estão sendo trabalhadas por muitas empresas pelo mundo. A Índia possui uma relação histórica e cultural profunda com o cânhamo, especialmente nas regiões do Himalaia. Tradicionalmente utilizado para tecidos rústicos, cordas e aplicações domésticas, o cânhamo indiano vem sendo reposicionado como fibra estratégica para a indústria têxtil sustentável. Atualmente, iniciativas locais combinam saberes tradicionais com inovação tecnológica, resultando em tecidos artesanais, denim, malharias e aplicações contemporâneas voltadas ao mercado global. O país se destaca pela integração entre pequenos produtores, cooperativas e indústria têxtil. No cenário global, o cânhamo industrial já está conso-
• Canadá: referência em regulamentação, mecanização agrícola e exportação de fibra; • França: destaque europeu em fibras longas e aplicações premium, presença forte no último Premiere Vision; • Países Baixos e Alemanha: inovação em têxteis técnicos e adaptação de maquinários para receber melhor a fibra de Hemp; • Japão: novas tecnologias no beneficiamento que adaptam o alongamento das fibras por períodos mais longos, gerando maior maciez na fibra final; • Índia: crescimento acelerado aliado à tradição cultural milenar, como no hinduísmo relacionado ao Deus Shiva; do plantio ao varejo, passando por toda a cadeia têxtil, o uso do cânhamo em roupas, mochilas, sandálias, cordas e todas as possibilidades de manufatura, demonstra que o país sempre foi protagonista do cânhamo e ainda avança com largos investimentos mesmo hoje com enorme competitividade; • Estados Unidos: expansão recente e latente, com foco em inovação e novos materiais. Oregon, Alabama, Califórnia e Colorado são grandes produtores e beneficiadores do Hemp, e a união da tecnologia e regulamentação faz dos EUA um grande produtor mundial visando à exportação com crescimento exponencial. Esses mercados demonstram o potencial do cânhamo como fibra estratégica em políticas industriais modernas para toda a cadeia têxtil brasileira existem fatores climáticos, geológicos e de recursos favoráveis. A consolidação do cânhamo como fibra têxtil contemporânea também é impulsionada por lançamentos tecnológicos e pela adoção por marcas globais, especialmente no contexto de inovação sustentável. A Lenzing, referência mundial em fibras celulósicas especiais, vem ampliando o uso de misturas de fibras à base de cânhamo em desenvolvimentos experimentais e colaborações com a indústria têxtil combinando cânhamo com viscose, modal e lyocell. O foco está em melhorar a maciez, a regularidade da fibra, performance ambiental e compatibilidade com processos industriais já consolidados, abrindo espaço para aplicações em vestuário casual, denim e tecidos planos de maior valor agregado.
Fibras, fios e cordas de cânhamo
FIAÇÃO Diversas empresas e marcas reconhecidas internacionalmente utilizam fibras de cânhamo em suas coleções, entre elas: Patagonia, pioneira no uso do cânhamo em vestuário outdoor e casual; Levi’s, com aplicações em denim e misturas com algodão; H&M e Nike, em linhas experimentais e cápsulas com foco em materiais sustentáveis; Stella McCartney, com abordagem premium e inovação em fibras naturais; Tentree e outras marcas de moda responsável. Satori Moviment traz há muita inspiração em vestuário premium, a marca californiana sediada em Arcata, na costa norte da California, Estados Unidos; confeccionam casacos impermeáveis e estes, ainda com linhas de costura, forrados e com enchimento tudo de hemp. A marca também tem streetwear em bonés, camisetas, bermudas e moletons com muita qualidade e acabamento impecável, que mostra a verdadeira face da qualidade do cânhamo quando bem utilizados e beneficiado, com o plus que agrega identidade artística, influência esportista do skate e a cultura canábica em suas estampas e modelagens. No segmento esportivo, um marco histórico foi o lançamento do primeiro tênis da Adidas produzido com cânhamo, nos anos 90, que trazia explicitamente a “tag” Hemp, sinalizando o uso da fibra como elemento central do produto. O modelo tornou-se símbolo da retomada do cânhamo pela indústria da moda e do esporte, décadas após a predominância das fibras sintéticas. Esses movimentos reforçam o cânhamo como uma fibra alinhada às estratégias de inovação, rastreabilidade e redução de impacto ambiental, deixando de ser nicho para ocupar espaço crescente nas cadeias globais de valor agregado.
DESENVOLVIMENTO NORTEAMERICANO E NOVOS PLAYERS
Boné Satori Movimet, 100% Hemp
lha na integração entre agricultores, processamento primário e indústria, buscando padronização, rastreabilidade e viabilidade econômica em escala. Outro nome relevante é a Bast Fibre Technologies (conhecida no mercado como BFT / Blasticore), especializada no desenvolvimento de tecnologias para fibras do tipo bast, como o cânhamo. A empresa investe em processos avançados de separação, refinamento e aplicação da fibra em têxteis, não tecidos e materiais técnicos, ampliando o leque de usos industriais e a competitividade do material frente a fibras tradicionais.
UM OLHAR PARA O FUTURO
Nos Estados Unidos, o cânhamo industrial ganhou tração significativa a partir da modernização do marco regulatório e do avanço de políticas de incentivo à bioeconomia. O país vem se consolidando como um polo de pesquisa aplicada, escalabilidade industrial e novos modelos de negócio envolvendo fibras naturais.
Com o avanço das tecnologias de beneficiamento, fiação e acabamento, o cânhamo deixa de ser associado apenas a tecidos rústicos e passa a integrar coleções contemporâneas, técnicas e de alto valor agregado. Para o setor têxtil, a fibra representa não apenas um retorno às origens, mas uma resposta estratégica às demandas atuais por durabilidade, performance e sustentabilidade.
Entre as empresas que vêm se destacando nesse movimento está a INCHemp, que atua no desenvolvimento da cadeia do cânhamo industrial com foco em fibras, aplicações têxteis e usos técnicos. A empresa traba-
O resgate do cânhamo sinaliza um movimento mais amplo da indústria: unir tradição, inovação e responsabilidade ambiental em uma única fibra e reafirmando que - “A revolução é Têxtil”.
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GUY CARPENTER: O ARQUITETO DO RENASCIMENTO DO CÂNHAMO TÊXTIL NOS EUA
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pós mais de oito décadas de proibição, o cânhamo industrial ressurge nos Estados Unidos como uma fibra estratégica, impulsionando a reindustrialização do setor têxtil. No epicentro dessa transformação está Guy Carpenter, presidente da Bear Fiber Inc., que, com sua vasta experiência e visão, tem sido fundamental para posicionar o cânhamo como uma alternativa sustentável e funcional ao algodão. Com décadas de experiência no setor de fibras e mais de 25 anos de atuação direta com o cânhamo, inicialmente na China e na Europa, Carpenter emergiu como um dos principais pioneiros do cânhamo têxtil nos EUA. Muito antes de o tema ganhar destaque após o Farm Bill de 2018, que legalizou a produção comercial, ele já defendia o potencial da fibra, desmistificando sua associação exclusiva ao Canabidiol (CBD).
DA FRUSTRAÇÃO À CRIAÇÃO DE UMA INDÚSTRIA A nomeação de Carpenter, em 2017, para a primeira comissão estadual de cânhamo industrial da Carolina do Norte, revelou um descompasso. Enquanto o mercado focava quase inteiramente no CBD, ele percebeu a necessidade de uma agenda clara voltada para a fibra, o têxtil e a indústria. “Eu já trabalhava com fibra de cânhamo havia mais de 25 anos. Ver todo o foco ir apenas para o CBD foi frustrante. O potencial industrial do cânhamo sempre esteve na fibra”, recorda Carpenter. Dessa convicção e de sua visão de longo prazo nasceu a Bear Fiber Inc., com o objetivo de promover o uso do cânhamo em têxteis e vestuário produzidos nos Estados Unidos. Carpenter liderou avanços técnicos cruciais, mesmo diante dos desafios iniciais, como a escassez de fibra com padrão têxtil, a falta de equipamentos de descorticação e os gargalos no processo de desgomagem. A Bear Fiber conseguiu desenvolver fibra fiável, misturando cânhamo com algodão americano. Essa inovação abriu caminho para um produto que alinha a rica tradição têxtil do país às novas exigências de susten-
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tabilidade e desempenho, com seu lema registrado: “Hemp Makes It Better”, em português “O Cânhamo Torna Tudo Melhor”.
CÂNHAMO E ALGODÃO: A NOVA ALIANÇA SUSTENTÁVEL Guy Carpenter é um defensor veemente da complementaridade entre cânhamo e algodão, um discurso particularmente relevante para a cadeia têxtil estabelecida. Longe de propor uma substituição, ele enxerga uma poderosa sinergia. “O algodão não é inimigo do cânhamo. Eu costumo dizer que o algodão é o melhor amigo do cânhamo — o Best Fiber Friend. Com pelo menos 30% de cânhamo em um blend com algodão, criamos um novo fio técnico natural, mais resistente, mais durável e com melhor desempenho ao longo do tempo”, explica Carpenter. Além da resistência mecânica, o cânhamo oferece propriedades antimicrobianas naturais, alta absorção, resistência aos raios UV e maior longevidade. Na prática, isso resulta em roupas que envelhecem melhor, tornando-se mais macias com o uso. “O cânhamo não se desgasta, ele se adapta ao uso”, resume. Essa visão é amplamente compartilhada por empresas e centros de pesquisa, que veem no blend algodão/cânhamo uma resposta concreta às demandas por durabilidade e menor impacto ambiental.
FIAÇÃO Apesar desses avanços, desafios persistem: a falta de fiações flexíveis para testar novas misturas sem grandes volumes e o alto custo de implantação de linhas industriais (entre US$ 5 milhões e US$ 10 milhões) ainda retardam a adoção mais ampla.
IMPACTO E PERSPECTIVAS FUTURAS CONSTRUINDO A CADEIA PRODUTIVA: DESAFIOS E PROGRESSO A produção de fibra têxtil de alta qualidade exige uma abordagem agrícola específica: sementes plantadas próximas forçam a planta a crescer alta e fina, essencial para fibras longas. O cultivo também se alinha à sustentabilidade pois o crescimento rápido do cânhamo atua como cobertura vegetal natural, reduzindo a necessidade de herbicidas. Após a colheita, etapas como retting natural, descorticação, refino e desgomagem são críticas e representam muitos dos gargalos da indústria americana. É nesse ponto que a Bear Fiber se destaca, acumulando profundo conhecimento técnico para preservar, limpar e preparar a fibra para fiação industrial. “Fibra com qualquer percentual de parte lenhosa misturada perde valor”, explica Carpenter. “Nosso papel é garantir que a fibra chegue limpa, refinada e pronta para a desgomagem.” A empresa utiliza um processo alcalino de desgomagem, inspirado em técnicas chinesas, pela eficiência e viabilidade. O objetivo é obter fibras de comprimento uniforme para mistura com algodão e outras fibras naturais dos EUA. O apoio de parceiros estratégicos, como a marca global Vans e a empresa IND HEMP, permitiu a Carpenter liderar a fiação dos primeiros lotes comerciais de fios de cânhamo totalmente cultivados e processados em solo norte-americano — um marco histórico. Paralelamente, empresas como a Panda Biotech investiram na infraestrutura em escala, construindo no Texas a primeira planta industrial de processamento de cânhamo do tipo “hemp gin” dos EUA, com capacidade de 10 toneladas métricas por hora, operando com desperdício zero e energia 100% renovável. Carpenter atuou como consultor nesse projeto, garantindo a adequação da fibra aos padrões têxteis.
Atualmente, a fibra de cânhamo americana é um produto de alto valor, comparável à fibra de alpaca, refletindo uma cadeia ainda em desenvolvimento. Embora o mercado seja incipiente, com as meias da Bear Fiber como um dos poucos produtos integralmente 'Made in USA', Carpenter mantém uma visão clara de longo prazo. “Ainda não produzimos volume suficiente para mudar um mercado inteiro, mas estamos construindo as bases certas”, afirma. A pesquisa em universidades, como a Texas A&M AgriLife Research, complementa esse esforço, desenvolvendo variedades adaptadas ao clima local. Carpenter prevê um futuro promissor: “Nos próximos cinco anos, veremos dezenas de milhares de metros de tecidos produzidos nos Estados Unidos e centenas de toneladas de fibra sendo exportadas. Haverá mais processadores preparados e mais oportunidades, tanto no mercado interno quanto no exterior.” À medida que países como China, França, Polônia, Canadá e Austrália também investem no cânhamo, a fibra está pronta para conquistar um espaço definitivo no vestuário, nos têxteis técnicos e em diversas aplicações industriais. Com sua trajetória sólida, visão industrial e foco têxtil, Guy Carpenter consolida-se como um dos principais arquitetos desse novo capítulo, transformando uma fibra historicamente marginalizada em protagonista da inovação sustentável na indústria têxtil global. Fonte: NC State University e Bear Fibre Fotos: Fred haydu
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FIAÇÃO
LENZING LANÇA NOVA FIBRA: TENCEL™ LIOCEL - HV100, UMA NOVA SOLUÇÃO QUE REFLETE AS IRREGULARIDADES DA NATUREZA
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Grupo Lenzing, líder global na produção de fibras celulósicas regeneradas para as indústrias têxtil e de não tecidos, lança oficialmente o TENCEL™ Liocel - HV100, uma nova fibra inovadora desenvolvida em resposta aos parceiros da cadeia de valor que buscam uma estética texturizada inspirada nas fibras naturais,. A inovação emprega a tecnologia Variocut para criar variações deliberadas no comprimento da fibra dentro do fardo, produzindo uma aparência texturizada no produto final, normalmente associada às fibras naturais.
CRIANDO IMPERFEIÇÕES NATURAIS O TENCEL™ Liocel - HV100 possui inerentemente os benefícios ambientais e a qualidade consistente das fibras celulósicas LENZING™. Através da variação controlada nos comprimentos das fibras, essas fibras criam irregularidades sutis no tecido que contribuem para as qualidades e aparência distintas das fibras naturais. Além da textura, o acabamento fosco da fibra também destaca uma aparência opaca, oferecendo aos fabricantes de tecido e marcas possibilidades criativas ampliadas para o desenvolvimento de tecidos com a estética das fibras naturais. As fibras proporcionam um toque ainda macio, mas menos líquido, para produtos jeans premium, alcançando uma suavidade natural sem complicações de tonalidade após a lavagem ou o caimento extremo que poderia parecer artificial. “O TENCEL™ Liocel - HV100 redefine o que as fibras celulósicas regeneradas podem alcançar”, afirmou Rohit Aggarwal, CEO do Lenzing Group. “Ele chega em um momento crucial, em que o setor enfrenta uma crescente disparidade entre a demanda e a oferta de fibras. À medida que a indústria têxtil se adapta para atender à crescente demanda por estética natural e soluções mais sustentáveis, esta fibra, oferece uma resposta única para ambas as necessidades. Ele representa um passo significativo em nosso compromisso de ajudar parceiros e clientes a continuar prosperando em um mercado em rápida evolução, ao mesmo tempo em que aborda prioridades ambientais
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importantes, como a eficiência de recurs.” TENCEL™ Liocel - HV100 apresenta bons resultados em aplicações de denim, onde a textura autêntica é fundamental. As fibras possibilitam novas possibilidades em fios de urdidura — tradicionalmente dominados pelo algodão —, mantendo a eficiência de processamento exigida pelos fabricantes. Além do jeans, testes em aplicações de vestuário e têxteis para o lar revelam um potencial mais amplo. Quando misturadas com fibras TENCEL™ Liocel padrão ou algodão, as fibras oferecem uma variedade de texturas e sensações ao toque. Essa versatilidade permite que os fabricantes ajustem a textura por meio de proporções de mistura flexíveis, possibilitando aplicações que vão desde calças chino estruturadas até tecidos macios para decoração, cada um mantendo as características de controle de umidade e biodegradabilidade3 inerentes às fibras TENCEL™. Fonte: Tastemakers Brasil
TECELAGEM
JEANS COM FIBRA AMAZÔNICA DE MALVA É DESTAQUE NA COP30 PARA UMA MODA SUSTENTÁVEL
CULTIVADA COM MANEJO RESPONSÁVEL POR COMUNIDADES DO PARÁ, A FIBRA DE MALVA SE DESTACA PELO BAIXO IMPACTO AMBIENTAL E FORTE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL
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Vicunha, líder em inovação têxtil, apresenta na COP30 o primeiro denim composto por algodão e malva amazônica, uma matéria-prima natural e sustentável. O tecido compôs um dos looks expostos na área do Governo do Pará, na Green Zone da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025.
diversidade e captura CO2 de forma intensa. “Esta inovação reafirma o compromisso da Vicunha com a sustentabilidade, somando-se a práticas como o uso de energia eólica, água de reúso e algodão regenerativo”, avalia Renata. Tais ações posicionam a empresa na liderança do setor, impulsionando uma cadeia mais consciente no Brasil e no mundo.
O vestido foi idealizado pela estilista Alcimara Braga e confeccionado pela Coostafe, cooperativa de mulheres privadas de liberdade do sistema prisional paraense. A criação contou com o conceito do artista visual Alan Soares, dialogando entre a tradição e a contemporaneidade afro-indígena. A exposição é fruto do projeto Amazônia e Resistência, movimento que revela a força da bioeconomia local. Para Alcimara Braga, o jeans de malva fortalece a mostra: “A proposta do projeto Amazônia e Resistência é justamente apresentar a Amazônia como uma potência da bioeconomia. Em um contexto em que a moda é uma das indústrias que mais poluem o meio ambiente, foi muito importante encontrar um tecido feito com uma fibra cultivada na Amazônia por mãos de amazônidas”, afirma. A Vicunha reforça o papel estratégico da bioeconomia no desenvolvimento da cadeia têxtil, valorizando o manejo responsável que gera impacto social positivo no Pará. “Estar na COP-30 com um tecido inovador a partir de fibra amazônica é contribuir para uma cadeia sustentável, unindo conservação ambiental e valorização social”, afirma Renata Guarniero, gerente de Marketing da Vicunha.
MALVA E O IMPACTO SOCIOAMBIENTAL Cultivada por comunidades ribeirinhas, a malva cresce em harmonia com os ciclos naturais, dispensando desmatamento, irrigação artificial ou agrotóxicos. Produzida pela Castanhal Têxtil, a fibra tem baixíssima pegada ambiental: não degrada o solo, mantém a bioFonte: Vicunha Revista Têxtil #794
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EVENTOS
BELLO E BEN FATTO: O PRODUTO COMO ATIVO ESTRATÉGICO NO NOVO MAPA DO LUXO INTERNACIONAL Por Daniela Marx
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o dia 18 de outubro de 2025, São Paulo sediou um dos debates mais consistentes do ano sobre comércio internacional, indústria e produtos de alto valor agregado. Realizado no Shopping Iguatemi, no contexto da imersão promovida pelo Consulado Italiano, pela ITA – Italian Trade Agency e pela Confindustria, o talk “Esportare la Dolce Vita – Bello e Ben Fatto: o potencial dos produtos de alta qualidade no panorama internacional” reuniu empresários, representantes institucionais, economistas, designers e lideranças industriais para discutir dados concretos, cenários globais e estratégias reais de exportação. A mediação ficou a cargo de Carlos Ferreirinha, uma das principais referências em gestão do mercado de luxo no Brasil e na América Latina, com trajetória à frente da operação da Louis Vuitton no Brasil e fundador da MCF Consultoria. Sua presença ajudou a conduzir o debate para além da estética e da narrativa aspiracional, conectando o conceito de luxo à gestão, estrutura produtiva e competitividade internacional.
LUXO COMO MODELO ECONÔMICO, NÃO COMO DISCURSO Ao longo do talk, ficou evidente que o mercado de luxo opera sob critérios objetivos. Diferente do consumo de massa, ele exige produto consistente, domínio técnico, cadeia produtiva estruturada, capacidade de
entrega e leitura de risco. O conceito italiano de Bello e Ben Fatto — belo e bem feito — apareceu como eixo central não por sua dimensão simbólica, mas por sua relevância econômica. Os painéis reforçaram que excelência produtiva, inovação aplicada, qualidade de materiais e processos industriais bem organizados são fatores determinantes para a permanência das marcas no mercado internacional de alto valor agregado.
OS DADOS POR TRÁS DO “BELLO E BEN FATTO” Os slides apresentados pela Confindustria e por entidades econômicas italianas trouxeram uma leitura clara do cenário global. A análise do potencial exportador dos produtos BBF indicou uma clara diferenciação entre mercados avançados e emergentes. Os mercados avançados concentram aproximadamente €136 bilhões em exportações de produtos de alta qualidade, enquanto os mercados emergentes já representam cerca de €33 bilhões, com espaço relevante de crescimento. Dentro desse grupo, o Brasil aparece como um mercado de alto potencial, porém com níveis mais elevados de risco, o que exige estratégia, adaptação de produto e leitura cuidadosa do ambiente regulatório. Estados Unidos, União Europeia, Oriente Médio e China seguem como mercados estratégicos, cada um com diferentes níveis de maturidade, exigência e competitividade. Os dados reforçam que o desafio não é apenas acessar novos mercados, mas entender em quais condições competir, especialmente em países como o Brasil, onde o potencial é alto, mas a estrutura ainda impõe barreiras relevantes.
AS 3F E O PAPEL DA MODA E DO TÊXTIL Dentro da lógica das 3F: Food, Fashion e Furniture,
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CineMark Shopping Iguatemi
EVENTOS moda e têxtil foram tratados como setores estratégicos, mas altamente competitivos. Os dados mostram que, nesses segmentos, a Itália disputa espaço com França, Alemanha, China e Estados Unidos. A vantagem competitiva italiana permanece quando há combinação de design autoral, qualidade de matéria-prima, acabamento e domínio do processo produtivo, elementos que sustentam valor no longo prazo e permitem diferenciação real no mercado de luxo.
O OLHAR BRASILEIRO: PRODUTO, ACABAMENTO E CONSISTÊNCIA O talk contou também com a participação do estilista brasileiro Airon Martin, fundador e diretor criativo da marca MISCI, sediada em São Paulo. A MISCI, criada em 2018, desenvolve roupas, acessórios e mobiliário que expressam brasilidade e identidade por meio de design autoral. Airon vem trabalhando a expansão da MISCI com foco internacional e se posiciona não apenas como criador, mas como empreendedor de moda com visão de negócios. Em entrevistas recentes ele declarou que a marca está “entrando com os dois pés no mercado internacional”, com negociações em andamento para parcerias com grandes distribuidores de luxo e presença em multimarcas fora do Brasil. No evento, ele trouxe uma leitura prática sobre as exigências dos mercados externos: “No mercado internacional, não basta a ideia. O cliente compra acabamento, consistência e confiança de que aquele produto entrega o que promete.”
BRASIL E ITÁLIA: SEMELHANÇAS PRODUTIVAS, DESAFIOS ESTRUTURAIS Um dos debates mais relevantes foi a comparação entre Brasil e Itália como países de forte vocação artesanal e industrial, organizados em distritos produtivos regionais. Enquanto a Itália conta com mais de 20 distritos industriais consolidados, o Brasil apresenta polos produtivos distribuídos por diferentes estados, cada um com especializações próprias. A diferença central não está na criatividade ou na matéria-prima, mas na organização da cadeia, política industrial, formação técnica e leitura estratégica de mercado internacional.
Daniela Marx e Airon Martin, Fundador da MISCI
BARREIRAS, RECIPROCIDADE E COOPERAÇÃO As altas tarifas alfandegárias e a complexidade regulatória foram apontadas como entraves relevantes ao comércio bilateral. Nesse contexto, o acordo entre Mercosul e União Europeia foi citado como um instrumento importante para facilitar trocas, desde que acompanhado de preparo industrial e reciprocidade real. Os painelistas reforçaram que negócios internacionais sustentáveis exigem ganhos equilibrados, visão de longo prazo e cooperação estruturada, não relações pontuais ou oportunistas.
ONDE O VALOR REALMENTE SE CONSTRÓI A partir dos dados apresentados, das falas dos participantes e da análise dos cenários discutidos, a leitura é clara: internacionalização não começa na comunicação, começa no produto. O conceito de Bello e Ben Fatto aparece, neste contexto, menos como um discurso aspiracional e mais como uma estratégia industrial concreta, sustentada por qualidade real, domínio do processo, inteligência de mercado e estrutura produtiva. Para a indústria brasileira, especialmente moda e têxtil, o encontro reforça um ponto central: há espaço no mercado internacional, inclusive no segmento de alto valor agregado, desde que o produto esteja à altura da ambição. No fim, competir fora exige mais do que criatividade. Exige saber onde competir, como competir e com qual nível de excelência produtiva.
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MERCADO
MODA E INTELIGÊNCIA DE MERCADO O FUTURO DO BOM RETIRO
O SEMINAR FASHION 2025, REALIZADO COM O TEMA “MODA E INTELIGÊNCIA DE MERCADO – O FUTURO DO BOM RETIRO”, MARCOU UM MOMENTO HISTÓRICO PARA A MODA BRASILEIRA AO APRESENTAR UM ESTUDO INÉDITO E APROFUNDADO SOBRE UM DOS POLOS DE CONFECÇÃO MAIS RELEVANTES DO PAÍS.
Por Daniela Marx
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romovido pela ABIV (Associação Brasileira da Indústria do Vestuário), em parceria com a KOCHAM, com apoio institucional de entidades e empresas do setor, o evento reuniu empresários, lojistas, imprensa, representantes do poder público e parceiros estratégicos para discutir dados, desafios e oportunidades do polo do Bom Retiro a partir de uma base concreta: inteligência de mercado. Mais do que números, o encontro deixou claro que entender o futuro do Bom Retiro é entender também o futuro da indústria do vestuário no Brasil.
UM POLO CONSTRUÍDO POR HISTÓRIA, TRABALHO E LEGADO O Bom Retiro não é apenas um polo de moda. É um território construído por histórias de imigração, trabalho incansável e empreendedorismo familiar que
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moldaram, ao longo de décadas, uma das bases mais relevantes da indústria do vestuário brasileiro. Para a comunidade coreana, hoje protagonista desse ecossistema, a moda nunca foi apenas estética ou tendência. Foi meio de sobrevivência, construção de dignidade e projeto de futuro. Pais e mães que chegaram ao Brasil nas décadas de 1960 e 1970 madrugaram por semanas seguidas, trabalharam sem descanso e encontraram na confecção uma forma concreta de sustentar suas famílias, educar seus filhos e criar raízes. Essa dimensão humana esteve presente em todas as falas do evento e foi traduzida com emoção por Bruno Kim, presidente da Associação Brasileira dos Coreanos: “A moda se confunde com a história da nossa comunidade. Foi através dela que nossos pais e avós trabalharam incansavelmente para sustentar suas famílias e
MERCADO nos dar a liberdade de escolher o nosso futuro.” Práticas hoje consolidadas no mercado nacional, como o pronta-entrega, nasceram dessa urgência cotidiana e ajudaram a transformar o Bom Retiro em referência nacional de agilidade, leitura de mercado e qualidade.
DO ACHISMO AO DADO: A VIRADA ESTRATÉGICA DO BOM RETIRO
e mensurável do Bom Retiro como polo produtivo, comercial e estratégico para a indústria do vestuário brasileira. A pesquisa identificou 804 pontos de venda ativos, concentrados em cerca de 10 quarteirões, dos quais 87% estão fortemente agrupados, o que reforça a característica do bairro como um verdadeiro marketplace físico de moda, com alta densidade produtiva e comercial.
A apresentação do estudo marcou um divisor de águas para o polo do Bom Retiro: pela primeira vez, decisões passam a ser guiadas por dados concretos, e não apenas por percepções individuais acumuladas ao longo dos anos. Na abertura do evento, Cinthia Kim, presidente da ABIV, foi enfática ao explicar a motivação da pesquisa: “A gente sentia muita demanda do mercado, principalmente da imprensa, e também internamente, para entender melhor quem são as empresas do Bom Retiro, o que produzem, quanto produzem e qual é a real dimensão desse polo. Até então, tudo era muito baseado em percepção. Precisávamos sair do achismo e ter dados reais para saber para onde vamos.” Ela reforçou que o estudo não nasce apenas como diagnóstico, mas como instrumento de ação: “A ideia é que esse estudo seja um ponto de partida. Acreditamos que informação e dados são fundamentais para que a gente possa crescer de forma mais estratégica, consistente e sustentável, e também para mostrar para o Brasil o valor real do polo do Bom Retiro.”
BOM RETIRO EM NÚMEROS: A DIMENSÃO REAL DE UM POLO ESTRATÉGICO PARA O BRASIL A condução técnica do estudo ficou a cargo do IEMI, instituto com mais de 40 anos de atuação e reconhecido como uma das principais referências em inteligência de mercado, economia e estatísticas da cadeia têxtil e de confecção no Brasil. Com ampla experiência em estudos estruturais da indústria, o IEMI foi responsável por transformar a realidade do Bom Retiro em números, análises e diagnósticos capazes de orientar decisões estratégicas para o setor. O estudo foi apresentado durante o Seminar Fashion 2025 e trouxe, pela primeira vez, uma leitura estruturada
Mapa do Bom Retiro
Outro dado relevante para a indústria têxtil é o perfil produtivo: 97% das empresas possuem produção própria, o que posiciona o Bom Retiro não apenas como um centro comercial, mas como um hub industrial urbano, responsável por aproximadamente 50 milhões de peças produzidas por ano.
Perfil do Negócio
Esse volume movimenta cerca de R$ 5,3 bilhões anuais, com um diferencial importante: o preço médio do mix de produtos é cerca de três vezes superior à média nacional da indústria do vestuário, reflexo do foco em moda feminina adulta, produtos externos (vestidos, blusas, casacos, alfaiataria) e maior valor agregado.
MODA FEMININA ADULTA: ESPECIALIZAÇÃO QUE GERA VALOR A pesquisa mostrou que 87% das empresas do Bom
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MERCADO Retiro atuam prioritariamente na moda feminina adulta, segmento que concentra alto consumo, recorrência e sensibilidade à criação, modelagem e tecido, um dado extremamente relevante para a cadeia têxtil. Segundo o levantamento, o polo responde por uma fatia significativa da produção nacional nesse segmento, sendo responsável por cerca de 46 milhões de peças/ano, dentro de um mercado brasileiro estimado em 1,4 bilhão de peças.
O que mudou foi a forma de relacionamento. O levantamento mostrou que 31% das vendas já envolvem o uso do WhatsApp, enquanto o e-commerce responde por cerca de 13% do volume total. Esses canais não substituíram a visita ao bairro, eles passaram a prolongar a relação comercial, permitindo recompra, reposição de estoque e contato contínuo ao longo do ano. Na prática, o digital ampliou a área de influência do Bom Retiro, levando seus produtos para regiões onde o fluxo físico é menor, sem enfraquecer o território. Pelo contrário: fortaleceu o polo como referência nacional de pronta-entrega, velocidade e leitura de mercado.
SUSTENTABILIDADE: UM DESAFIO TÉCNICO QUE ATRAVESSA TODA A CADEIA Quando o tema sustentabilidade entrou em pauta, ficou evidente que o desafio enfrentado pelo Bom Retiro não é isolado, ele reflete uma realidade estrutural da indústria têxtil global.
Participação Roupas Femininas
O estudo mostrou que apenas cerca de 25% da composição média dos tecidos utilizados hoje apresenta algum grau de reciclabilidade, principalmente devido à ampla utilização de misturas de fibras, desenvolvidas ao longo dos anos para garantir conforto, performance, durabilidade e estética.
Isso explica uma frase que se repetiu ao longo do evento, ainda que em diferentes palavras: o Bom Retiro não é “um lugar de compra”. É um motor de abastecimento da moda brasileira.
Ainda assim, o movimento já começou. Atualmente, 24% das empresas do polo utilizam matérias-primas sustentáveis em sua produção, com expectativa de crescimento desse percentual nos próximos anos.
O Bom Retiro é visto, nacionalmente, como referência em rapidez, leitura de tendência e pronta-entrega, funcionando muitas vezes como solução estratégica para varejistas e multimarcas, especialmente em períodos críticos de abastecimento.
ATACADO COMO ESSÊNCIA, DIGITAL COMO ALAVANCA Um dos pontos mais importantes confirmados pelo estudo foi a preservação do DNA atacadista do Bom Retiro, que segue sendo responsável por cerca de 45% das vendas do polo. O varejo próprio e o consumidor final aparecem como complemento, mas não alteram a lógica central do território: o Bom Retiro continua sendo um polo que abastece lojistas e multimarcas de todo o país.
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Previsão de uso de matérias primas sustentáveis
Durante sua apresentação, o diretor do IEMI, Marcelo Villin Prado, contextualizou o tema de forma direta: “O grande desafio não está apenas na reciclagem em
MERCADO
si, mas na forma como a tecnologia dos tecidos evoluiu, combinando fibras para gerar atributos. O próximo passo da indústria é conseguir manter esses atributos e, ao mesmo tempo, facilitar a destinação e o reaproveitamento.” O estudo também revelou que 75% das empresas ainda não possuem um plano estruturado de sustentabilidade, principalmente por falta de conhecimento técnico e suporte especializado. Esse dado não aponta para resistência, mas para uma oportunidade concreta de ação coletiva, envolvendo fornecedores têxteis, engenharia de processos e programas de capacita-
ção capazes de transformar eficiência ambiental em ganho produtivo.
UM OLHAR PARA FRENTE O que o Seminar Fashion 2025 deixa como legado é claro: o Bom Retiro não é um caso isolado, é um exemplo concreto do que acontece quando a moda brasileira decide se organizar, se medir e se enxergar como indústria. Os dados apresentados mostram um polo produtivo forte, especializado, gerador de empregos, valor agregado e impacto econômico real. E também algo maior: quando instituições, associações, indústria, comércio e conhecimento técnico caminham juntos, o resultado deixa de ser local e passa a ser estratégico para o país. Para 2026, o desafio não é crescer a qualquer custo, é crescer com inteligência, fortalecendo a cadeia têxtil nacional, preservando a produção local, ampliando competitividade e criando condições para que polos como o Bom Retiro continuem gerando renda, inovação e trabalho urbano qualificado. O estudo apresentado aponta caminhos possíveis, práticos e realizáveis. Agora, o avanço depende menos de diagnóstico e mais de coordenação, continuidade e decisão coletiva.
Daniela Marx e Cinthia Kim, Presidente da ABIV
Em um Brasil que precisa valorizar sua indústria de transformação, a moda mostra que tem dados, estrutura e maturidade para liderar essa construção.
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MERCADO
CONFECÇÕES BRASILEIRAS ACELERAM A TRANSIÇÃO SUSTENTÁVEL COM APOIO DA DIGITALIZAÇÃO, APONTA NOVO ESTUDO DO IEMI LEVANTAMENTO MOSTRA QUE QUASE METADE DAS INDÚSTRIAS JÁ ADOTA PROGRAMAS AMBIENTAIS E SETE EM CADA DEZ INVESTEM EM TECNOLOGIAS DIGITAIS PARA GANHAR EFICIÊNCIA E REDUZIR IMPACTOS
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indústria de confecção brasileira vive um novo ciclo de transformação, impulsionado pela inovação e pela Agenda ESG, em português, ASG, que envolve práticas e compromissos Ambientais, Sociais e de Governança. É o que revela o mais recente levantamento do IEMI - Inteligência de Mercado. O estudo, que entrevistou 280 indústrias estruturadas e certificadas em todo o país, mostra que 46% das empresas já possuem programas de sustentabilidade e 8% das demais planejam implementá-los até 2026. O dado reforça uma mudança estrutural na forma como o setor enxerga seu papel ambiental e social. “Essa transição reflete não apenas uma resposta às exigências do mercado e dos consumidores, mas uma nova consciência sobre o impacto da moda no planeta. As empresas estão investindo para se tornarem mais eficientes, responsáveis e competitivas”, destaca Marcelo Prado, consultor e diretor do IEMI. Além do avanço na agenda verde, o estudo revela um salto tecnológico expressivo: sete em cada dez confecções já utilizam ferramentas digitais em seus processos produtivos e de gestão, como sistemas ERP, CRM e soluções de conectividade industrial. O resultado direto é perceptível: 73% das empresas digitalizadas relatam aumento significativo de produtividade. Segundo Prado, “a digitalização tem papel estratégico na transição sustentável do setor. Ela permite reduzir desperdícios, otimizar o uso de recursos e melhorar o controle sobre a cadeia produtiva, o que se traduz em competitividade e responsabilidade ambiental.” O levantamento mostra ainda que as indústrias estão destinando em média 2,4% do faturamento para digitalização e 3,6% para ações de sustentabilidade, o que reforça o comprometimento com a modernização. Outro destaque é a forte parceria com o SENAI, presente em 44% das empresas pesquisadas, especialmente
Marcelo Prado, consultor e diretor do IEMI Foto: Divulgação
por meio de programas como Brasil Mais Produtivo e Transformação Digital. Entre os principais objetivos dos programas de sustentabilidade implementados estão a redução do consumo de água e energia (79%), o reaproveitamento de resíduos têxteis (77%), a garantia de condições de trabalho seguras e justas (50%) e o uso de fontes e materiais sustentáveis (43%). 16% das empresas já utilizam matérias-primas certificadas e recicladas, percentual que tende a crescer, já que 65% dessas empresas planejam ampliar o consumo de insumos sustentáveis. Para Prado, esses indicadores mostram que a moda brasileira “está se reposicionando para competir num mercado global que exige rastreabilidade, transparência e compromisso real com o meio ambiente. O futuro da indústria será verde, digital e humano e o Brasil tem condições de ser referência nesse processo.” O relatório apresenta um panorama detalhado sobre inclusão digital, capacitação técnica, parcerias com redes varejistas e práticas sustentáveis que estão moldando o futuro da indústria de confecção no país. Fonte: ADS Comunicação Coperativa e IEMI
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SUSTENTABILIDADE
C&A AVANÇA NA AGENDA CLIMÁTICA E ADERE AO MOVIMENTO CONEXÃO CIRCULAR DO PACTO GLOBAL DA ONU COMPANHIA É A PRIMEIRA VAREJISTA DE MODA DO PAÍS A FAZER PARTE DA INICIATIVA
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urante a COP30, em Belém, a C&A Brasil anuncia sua adesão ao Movimento Conexão Circular, iniciativa do Pacto Global da ONU - Rede Brasil que incentiva empresas a acelerar a transição para uma economia circular e de baixo carbono. A companhia é a primeira varejista de moda a integrar o movimento, reforçando sua posição de liderança em sustentabilidade no setor. A assinatura será realizada nesta terça-feira (11), em evento oficial do Pacto Global na capital paraense. A entrada da C&A no movimento representa o aprofundamento da agenda de circularidade, uma das principais da companhia. Com a adesão formal ao Movimento Conexão Circular, a C&A também se torna uma das embaixadoras do Movimento e reforça seu objetivo de integrar a circularidade ao modelo de negócios e inspirar o setor a repensar o ciclo de vida da moda, do design ao pós-consumo. “A circularidade é uma das metas da nossa estratégia. A assinatura deste compromisso simboliza a maturidade de uma agenda construída com consistência, que agora ganha ainda mais escala e articulação setorial. Queremos ser exemplos da transição da moda brasileira para um modelo de negócio regenerativo, que gera valor econômico e ambiental”, afirma Paulo Correa, CEO da C&A Brasil. Essas iniciativas se somam a metas já públicas da companhia como atingir 50% dos produtos com atributos de circularidade até 2030, meta que já alcança 34% de avanço, chegar a 80% de matérias-primas mais sustentáveis e reduzir em 42% as emissões absolutas de gases de efeito estufa no mesmo período, compromisso validado pela Science Based Targets initiative (SBTi). “Essa adesão demonstra a liderança e a seriedade necessárias em um segmento onde direitos humanos e condições de trabalho são, inegavelmente, pilares da atuação ESG. Este é um sinal potente para o mercado. Em um segmento como o da moda, a circularidade não é apenas questão ambiental, mas também vetor para cadeias de
valor mais éticas, transparentes e justas. No Pacto Global, por meio do nosso Grupo de Trabalho de Moda e Têxtil, buscamos de forma coletiva e colaborativa fortalecer as políticas e as boas práticas em toda a cadeia produtiva. Essa adesão é um passo essencial para a promoção e efetivação de todos esses direitos, construindo um futuro mais justo, regenerativo e sustentável para a indústria de moda brasileira”, explica Monica Gregori, Diretora de Impacto do Pacto Global da ONU - Rede Brasil.
O QUE SE EXPANDE NA PRÁTICA A partir do compromisso firmado, a C&A ampliará o uso de matérias-primas recicladas e regenerativas, fortalecerá a logística reversa e a remanufatura de produtos, e expandirá o design de peças com princípios de circularidade, priorizando durabilidade, reuso e reciclabilidade. O engajamento da rede de fornecedores será intensificado, com foco em inovação, rastreabilidade e escalabilidade. Os compromissos de circularidade da C&A são acompanhados por meio de um processo de mensuração transparente e auditado. Os avanços são publicados anualmente no Relatório Integrado da companhia, verificado por terceira parte independente e supervisionado trimestralmente pelo Conselho de Administração. Desde 2017, com o lançamento do Movimento ReCiclo, a empresa vem incorporando práticas de circularidade em sua operação, como o reaproveitamento de peças usadas e o desenvolvimento de produtos com design voltado para o reuso e a reciclagem. Em 2021, esse compromisso evoluiu com o Jeans Circular, criado a partir de algodão reciclado e matérias-primas certificadas, ampliando o uso de fibras mais sustentáveis e processos de baixo impacto.
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SUSTENTABILIDADE
VAREJO DE MODA CHEGA À COP30 COM COMPROMISSOS RENOVADOS ABVTEX DESTACA O PAPEL DO SETOR NA AGENDA CLIMÁTICA GLOBAL E REFORÇA COMPROMISSOS COM PRÁTICAS RESPONSÁVEIS, INOVAÇÃO E COLABORAÇÃO SETORIAL
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om a realização da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, a COP30, em Belém (PA), de 10 e 21 de novembro, os olhos do mundo estão voltados para o Brasil e suas estratégias de transição ecológica. Nesse contexto, o varejo de moda nacional se posiciona como um setor estratégico na busca por soluções que conciliem crescimento econômico, geração de empregos e redução de impactos socioambientais. A Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX), que reúne as principais marcas de moda do país, destaca o papel do setor na agenda de descarbonização e na construção de cadeias produtivas mais sustentáveis e transparentes. Segundo a ABVTEX, a cadeia têxtil e de confecção tem um potencial expressivo de transformação, tanto pela sua extensão, que envolve desde a produção de fibras até o pós-consumo, quanto pela sua capacidade de gerar impactos sociais positivos quando conduzida com responsabilidade. “A COP30 é um marco para o Brasil e uma oportunidade de mostrar ao mundo o compromisso do varejo de moda com a sustentabilidade e com práticas empresariais alinhadas à Agenda 2030”, afirma Edmundo Lima, diretor executivo da ABVTEX.
DESCARBONIZAÇÃO E ECONOMIA CIRCULAR Entre os principais temas de destaque no debate internacional, a ABVTEX aponta a descarbonização das cadeias produtivas, a priorização de matérias-primas mais sustentáveis, a gestão de resíduos e reciclagem de têxteis e a transparência nas relações de trabalho. A associação incentiva empresas do setor a adotarem metas de redução de emissões, revisarem processos logísticos e ampliarem o uso de materiais e fibras mais sustentáveis, como algodão certificado, fibras recicladas e tecidos de base biológica. “A descarbonização não depende apenas da indústria pesada. Cada elo da cadeia tem um papel a cumprir,
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do design ao descarte. O consumo e a produção responsáveis são essenciais para atingir as metas globais de clima”, observa Lima. A entidade disponibiliza gratuitamente o Guia de Uso da Matriz de Materiais e Fibras Preferenciais, uma ferramenta estratégica que oferece orientações técnicas e aplicáveis para a seleção de matérias-primas com menor impacto ambiental e social.
MODA COM PROPÓSITO E COLABORAÇÃO A ABVTEX também destaca que a COP30 representa um espaço de colaboração multissetorial, no qual empresas, governo e sociedade civil podem fortalecer compromissos de longo prazo. O avanço da devida diligência e dos mecanismos de monitoramento é um dos pilares para que o setor garanta transparência e promova condições dignas de trabalho. “Hoje, mais de 90% da produção nacional de moda passa por pequenas e médias empresas. Promover uma cadeia ética e sustentável significa também garantir oportunidades e inclusão social”, reforça o diretor da ABVTEX. A associação lembra que as práticas ASG (ambientais, sociais e de governança) já deixaram de ser diferenciais para se tornarem parte da competitividade das empresas. “O futuro do varejo de moda é verde, digital e transparente. A COP30 é uma oportunidade para reafirmar esse compromisso e mostrar que sustentabilidade é também estratégia de negócio”, reforça Lima. Com esse propósito, a ABVTEX participará da COP30, representada por Edmundo Lima e a convite da Fundação Ellen MacArthur, no dia 18 de novembro. O painel “Da natureza à ação climática: repensando os biomateriais em uma economia circular”, acontece no Pavilhão ABDI da Green Zone, às 16h. O debate contará também com a participação da Fundação e da Coalizão de Economia Circular da América Latina e do Caribe, que estão desenvolvendo um estudo sobre a temática. Fonte: ADS
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TECNOLOGIA
SOFIA: COM NOVAS FUNÇÕES, ASSISTENTE VIRTUAL ELEVA PRECISÃO NO DESENVOLVIMENTO DE COLEÇÕES DE MODA
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Audaces, multinacional ítalo-brasileira especializada em tecnologia para a indústria da moda, anunciou recentemente uma nova atualização da Sofia, sua assistente virtual de inteligência artificial (IA) generativa lançada em 2024. Voltada para apoiar o desenvolvimento de coleções desde as etapas iniciais, a Sofia evoluiu em qualidade visual, precisão construtiva e integração ao processo criativo, reforçando o compromisso da Audaces com a transformação digital e sustentável da moda. Segundo Natali Neis, líder do produto na Audaces, a adoção da assistente virtual tem sido expressiva entre os times de criação e desenvolvimento de produto que buscam mais agilidade e impacto visual ainda na fase conceitual das coleções. “Os clientes enxergam valor imediato na possibilidade de transformar croquis e desenhos técnicos em versões realistas de forma simples e rápida, quase como uma foto da peça piloto do futuro. Isso facilita tanto a validação interna quanto a apresentação para gestores, áreas comerciais e clientes antes mesmo da confecção de um protótipo”, afirma Neis. “A Sofia nasceu para potencializar as criações, e não para substituí-las. O ponto de partida é sempre o desenho feito pelo profissional, e a tecnologia atua como a ponte que o transforma em uma imagem realista e de alto impacto visual”, completa. Com a IA, basta que o profissional descreva o produto que deseja criar e o software gera modelos por meio de ilustrações originais, demonstrando com maior assertividade e agilidade qual será o resultado final de uma peça, incluindo blusas, vestidos, calças, bolsas e calçados. A ferramenta permite a criação de estampas inéditas com base em apenas um texto. A nova versão oferece dois modos principais de geração: um modo criativo, que permite maior liberdade interpretativa da IA, e um modo fiel, que traduz croquis e
desenhos técnicos em imagens realistas com máxima precisão em cores, formas e detalhes de modelagem e estamparia. Ao permitir a visualização realista logo nas etapas iniciais, a ferramenta acelera a aprovação de modelos, reduz retrabalhos e minimiza o consumo de matéria-prima, evitando protótipos desnecessários. IA especializada em moda, a Sofia foi desenvolvida exclusivamente para o setor de moda, com foco em resolver dores reais dos profissionais de criação. O sistema respeita proporções, volumes e design de estampas localizadas e rotativas, assegurando que o resultado seja visualmente fidedigno e tecnicamente viável para produção. Para Ricardo Ramos, CTO da Audaces, essa trajetória representa um avanço significativo para o ecossistema de moda digital. “A Sofia é o resultado de mais de três décadas de know-how da Audaces em tecnologia aplicada à moda. Ela simboliza a convergência entre engenharia de software e sensibilidade criativa, mostrando que é possível usar a IA para otimizar processos sem perder a essência artesanal do design”, destaca Ramos. Ele acrescenta que o desenvolvimento contínuo da ferramenta seguirá guiado por dados e feedbacks do mercado. “Nosso objetivo é que cada nova versão da Sofia amplie o poder de criação e decisão dos profissionais de moda, reforçando o papel da tecnologia como alicerce da neoindustrialização do setor”, conclui. Fonte: Audaces/Dialetto
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DENIM
JEANOLOGIA 30 ANOS
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Jeanologia celebra seu 30º aniversário reafirmando a missão com a qual nasceu em 1994: transformar a indústria têxtil em um setor mais sustentável, eficiente e centrado nas pessoas. Três décadas depois, essa visão tornou-se uma realidade global, com mais de 40% de todos os jeans produzidos no mundo utilizando tecnologias desenvolvidas pela empresa com sede em Valência. O que começou em um pequeno laboratório na Espanha, com uma equipe pioneira e uma ideia visionária, evoluiu para uma referência global em inovação sustentável. Desde o início, a Jeanologia acreditou na tecnologia como motor de mudança, introduzindo soluções que eliminaram práticas nocivas e abriram caminho para uma nova forma, mais limpa, de produzir vestuário. Ao longo desses 30 anos, a empresa liderou algumas das transformações mais significativas da indústria. Entre seus principais marcos estão a introdução da tecnologia a laser no acabamento do denim em 1999 (que revolucionou o setor), a aplicação industrial do ozônio G2, o desenvolvimento do eFlow para reduzir drasticamente o uso de produtos químicos e recursos, o sistema de reciclagem de água H2Zero, a plataforma digital eDesigner e o padrão EIM. Este último, hoje, impulsiona a transparência e a medição de impacto em toda a cadeia global de suprimentos. Graças a esses avanços, a Jeanologia já economizou milhões de litros de água e eliminou substâncias nocivas. Essa trajetória democratizou as tecnologias limpas e estabeleceu as bases para um modelo de produção mais responsável. A Jeanologia trabalha em estreita colaboração com grandes marcas e varejistas internacionais, entre eles Levi’s, VF Corporation, Uniqlo, Gap, Inditex, American Eagle, Abercrombie & Fitch e Mango, além de casas de luxo como Chanel, Prada e Balenciaga, que confiam na empresa para alcançar processos mais criativos, eficientes e de baixo impacto. Além da tecnologia, a empresa destaca que sua maior contribuição sempre foram as pessoas. Hoje, 200 profissionais formam uma equipe multicultural unida pela mesma missão e paixão: provar que é possível produzir de uma maneira diferente. Sua experiência, criatividade e propósito foram fundamentais para a construção de um ecossistema global baseado na colaboração.
Olhando para o futuro, a Jeanologia segue avançando em direção à sua visão MissionZero, com o objetivo de eliminar o impacto ambiental do acabamento de vestuário. A empresa se prepara agora para a próxima grande transformação, integrando inteligência artificial, robotização e automação avançada para desenvolver processos mais inteligentes, precisos e eficientes. Essas tecnologias aproximarão ainda mais a produção do designer, conectando criatividade e fábrica em tempo real e permitindo que as marcas respondam de forma mais precisa à demanda do consumidor, sem gerar superprodução. A Jeanologia também continuará liderando soluções que protegem um dos recursos mais valiosos do planeta: a água. Desde sistemas de reciclagem total até novos métodos de acabamento com consumo mínimo, a missão permanece inalterada: eliminar o impacto hídrico da produção têxtil e acelerar a transição para modelos verdadeiramente circulares, ajudando a "desidratar e desintoxicar" a indústria. “Não estamos apenas celebrando 30 anos; estamos celebrando três décadas de impacto real. Provamos que a tecnologia pode transformar a indústria e torná-la mais humana, sustentável e eficiente. E isso é apenas o começo. Nosso compromisso é continuar impulsionando um modelo de produção conectado aos designers, à criatividade e à demanda real do consumidor, aplicando IA, automação e soluções que protegem recursos essenciais como a água”, afirma Carmen Silla, diretora global de marketing da Jeanologia. Trinta anos depois, a Jeanologia segue movida pela mesma paixão com a qual começou, agora fortalecida pelo conhecimento, pela experiência e pela visão de um líder global. Seu propósito permanece inalterado: criar uma indústria têxtil limpa, criativa e preparada para o futuro. O melhor da Jeanologia ainda está por vir. Fonte: Jeneologia Revista Têxtil #794
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DENIM
DENIM BY PV APOSTA EM INOVAÇÕES SUSTENTÁVEIS E EFEITOS USEDS PARA O VERÃO 2028 Por Guia JeansWear
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Denim by Première Vision retornou nesse ano a Milão, com uma edição completa reafirmando seu papel como plataforma principal em inovações para beneficiamentos e maquinário no segmento jeanswear.
A feira, organizada pela GL Events Exhbitions reuniu mais de 65 expositores internacionais que ofereceram aos visitantes, muitas novidades e informações com foco na indústria têxtil. Especialistas e designers compartilharam visões e inovações voltadas para o futuro do denim em um espaço para reflexão e criatividade entre marcas, criadores e fabricantes. Dois principais temas permearam a estação Primavera-Verão 2027, aqui no Brasil, 2028. Inovação, através de processos diferenciados, materiais responsáveis e soluções tecnológicas que estão transformando as indústrias. Luxo responsável, apresentado por expositores premiums com iniciativas comprometidas que redefinem o denim sustentável. Tonello O evento contou ainda com o Fashion District em um espaço maior dedicado aos designers emergentes, o Denim Index redesenhado para facilitar o sourcing e o Denim Forum que ofereceu uma interpretação inspiradora das tendências da temporada. Mais uma vez, a DBPV reafirma seu status como ponto de encontro estratégico para marcas de denim, designers, fabricantes e criadores. O Guia Jeanswear cobriu a DBPV Milão, com exclusividade e, traz aqui as principais apostas para a temporada. Percebemos a volta dos múltiplos processos em lavanderia, sempre com foco na sustentabilidade e otimização de tempo e produtos químicos. O denim raw continua em alta e ganha aspecto, cada vez mais nobre e sofisticado, além da alfaiataria precisa e prática. Confira os lançamentos e tendências de algumas empresas que participaram da Feira. Pizarro: Os destaques são os detalhes flocados, tingimentos intensos, desgastes Officina 39 marcantes, efeito 3D e laser para design picotado. O denim ganha aspecto vintage em manchas amareladas e castanhos, além das texturasconquistadas através de puídos. O laser também trabalha estampas com desbotes ou coloridos abstratos. Os patches com mistura de lavagens são importantes em qualquer tonalidade onde entram rasgos ou ranhuras. Uma overdose de interferênciassão vistas em peças que ganham respingos de tinta, puídos localizados e efeito de sujinho. Metalizadossurgem com aspecto craquelado e manchado. O visual used ganha força com beneficiamentos que lembram óleo, terra, graxa. E não podemos esquecer dos sobretingimentos que continuam em alta e, aqui aparecem no verde e vermelho. “O denim vem muito trabalhado, com cores, flocados e efeitos de uso, tingidos com desgastes, peças mais naturais com efeitos em 3D e os novos lasers com desenhos todos picotados, conceitos localizados, além de malhas bem desgas-
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Howa
DENIM tadas. Nos próximos três anos a moda vai seguir esse caminho de muitos beneficiamentos o que é uma boa oportunidade de ter um produto mais caro na Europa para competir no mercado”, diz Ricardo Pizzaro. Isko: A tecelagem turca que colabora com várias marcas internacionais e está sempre atenta às tendências, traz duas linhas: We Raw em cores intensas, leveza e textura natural com visual crú e Multitouch que traz uma solução química que cria efeitos em 3D conferindo toques que vão do áspero ao suave. “Estamos destacando a linha We Raw, uma verdadeira coleção crua com muita integridade de cor, pronta para cortar e selar e, também a coleção Multitouch que é uma inovação para o mercado do denim: para que possamos gravar e pressionar o tecido, basicamente ‘cozinhamos’ com essa nova solução para um efeito em 3D com aspereza e suavidade ao mesmo tempo para um visual vintage e escultural”, afirma Onur, gerente de marketing da Isko Howa: A lavanderia japonesa apresenta o laser, respingos de tinta com pinceladas como obras de arte, estonados, rasgos, puídos, cerzidos e efeito dirty. Destaque ainda para o upcycling vintage com cara de used e manchas de sujinho como aparece na calça listrada. Na contramão do jeans clean, a empresa aposta em destroyers completamente remodelados como a superfície do black denim que parece que foi “arrancada” e onde entram “sobras” de tecidos com imperfeições, além do dip dye com riscos e dos espatulados com marcações de costuras, entre outros desenhos feitos através de rolinhos de tinta. Os calçados também recebem beneficiamentos como desgastes e manchas. As modelagens são amplas, com cintura marcada, ganham pregas e volumes. Officina 39: A empresa está lançando um ativador de laser, o Zero PP All In que elimina o uso de permanganato de potássio direto no tecido crú e aposta em tendências com brilho, dirty, pigmentos coloridos, laser e resina para efeitos gráficos. Os jeans colors chamam atenção pelo aspecto de sujinho em pontos localizados juntamente com resinados. Outro beneficiamento interessante é o aspecto craqueladocom manchas e desbotes e os espatulados. Tudo em visual vintage, moderno, mas também rústico e intenso. “Apostamos no ativador de laser Zero PP All In que tra-
balha no contraste de luz, produtividade, custo e uma seleção de diferentes processos de beneficiamento com efeitos de brilho, pigmentação através da nebulização, laser colorido e, resinas para efeitos gráficos”, comenta Juan Manoel Gomez, líder criativo da Officina 39. na Itália Tonello: Os sobretingimentos foram os destaques da Tonello, onde entram avermelhados, esverdeados com pontos de luz e reservas de cor. Os castanhos ganham puídos localizados. O laser confere efeitos de luz coloridos. “Estamos apresentando aqui na feira, um conceito de como recolorir as roupas utilizando novas tecnologias de tingimento, um específico com matérias-primas naturais como um chá colocado em infusão e injetado na máquina que cria um lindo efeito de tingimento (nesse caso, esverdeado). Podemos alcançar diferentes cores e intensidades como uma planta que transforma em um tom roxo profundo ou o rosa utilizando uma raiz. Todas as peças foram pré-lavadas através de nossas tecnologias sustentáveis como laser de ozônio, enzimas, uma combinação de diferentes tecnologias conferindo uma nova estética. Tingimos roupas reaproveitadas de nossas coleções dando uma nova vida com corantes naturais e depois utilizamos o laser 2.0, criamos um incrível efeito de veludo. Com a tecnologia Obleach, as peças foram branqueadas o que confere um tom contrastante especialmente nas costuras e depois é tingido mais uma vez, como, por exemplo, a casca da romã em um lindo tom de amarelo. Somos capazes também de em um único processo alcançar tom colorido a partir de um tecido raw, e sem descarregar a peça, então, respeitamos a fibra e conseguimos um contraste incrível”, contou Alberto, gerente de marketing e sustentabilidade da Tonello Inside Denim: Aqui o denim é valorizado pelo seu aspecto limpo, com leve brilho e tom uniforme onde costuras coloridas conferem um toque diferenciado aos tons de azuis. Victor Hart: O laser trabalha texturas e estampas contrastantesem uma alfaiataria moderna juntamente com espatulados no tom branco. Já o denim bruto vem somente amaciado e com estrutura de um 100% algodão. Fonte: Vanessa de Castro Fotos: Equipe Guia Jeanswear
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KINGPINS AMSTERDAM 2025: INOVAÇÃO, SUSTENTABILIDADE E IDENTIDADE CULTURAL MARCAM OS LANÇAMENTOS DAS EMPRESAS Por: Guia Jeanswear
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mais recente edição da Kingpins Amsterdam inaugurou oficialmente a temporada Primavera-Verão 2027 (2028 no Brasil), consolidando-se mais uma vez como o principal ponto de encontro da indústria global do denim. Na Denim City Amsterdam, House of Denim, o evento reuniu fabricantes, designers e marcas que apresentaram soluções tecnológicas, coleções inspiradoras e iniciativas que unem criatividade, sustentabilidade e eficiência — reafirmando o poder do jeans como símbolo de reinvenção cultural e ambiental. Entre os destaques, a Isko apresentou a nova fase da linha Isko Luxury by PG, uma colaboração que eleva o denim ao universo do luxo com tecidos de seda, lã, linho e cânhamo. A coleção destacou construções militares, tramas ecru e efeitos de flocagem interna, além da linha Dirty Whites, que recria tons envelhecidos e sobretingidos para um visual histórico. A Jeanologia, referência em tecnologia sustentável, participou do espaço “Made in España”, ao lado de parceiros como Recover, Santanderina, Royo e Pinter.A marca apresentou a instalação “Constantly Moving, Always Better” e a coleção “Mediterranean Soul”, inspirada nas paisagens do Mediterrâneo e criada com processos de baixo impacto, como Laser + G2 Ozone. No espaço Digital to Real, a empresa mostrou como transformar designs digitais em peças físicas, reduzindo até 80% das amostras.
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A Officina39 encantou com “Shades of Sunset”, uma coleção poética inspirada nos tons do entardecer. Unindo nostalgia Y2K e inovação, trouxe tecnologias como Marvel Metal Laser e ZeroPPiALL.IN, que combinam beleza, eficiência e sustentabilidade. Em parceria com a Rajby Industries, apresentou também o projeto Born in Nature. Reborn through Innovation, reforçando sua visão de circularidade e química consciente. A Soorty, em colaboração com o designer Miles Johnson, lançou “Heroes of the Past and Future”, uma homenagem ao workwear clássico com foco em durabilidade, conforto e inovação. A coleção ganhou uma dimensão digital com o uso de inteligência artificial, que transformou imagens de arquivo em animações vivas. A Lenzing apresentou a fibra TENCEL™ Lyocell HV100, desenvolvida com AGI Denim, Orta, Advance e Santanderina. A tecnologia cria irregularidades sutis que reproduzem o visual natural do algodão, resultando em tecidos autênticos e de toque suave — um avanço que já se expande para mais de 17 tecelagens globais. No campo das inovações técnicas, a Calik Denim introduziu o sistema REVO-SU, que elimina completamente o uso de água no tingimento e acabamento, economizando mais de 1,4 milhão de m³ de água. A Orta surpreendeu com o Atmos, um revestimento vegetal que imita a fotossíntese e purifica o ar, além de tecidos com secagem
DENIM CITY ma a visão da marca de que “a moda é transformação”. Mais do que um desfile de tendências, a Kingpins Amsterdam 2025 consolidou o denim como um território onde tecnologia, cultura e propósito se encontram. O jeans do futuro nasce da fusão entre o artesanal e o digital, o natural e o inovador — um tecido que continua contando histórias, agora com mais consciência, criatividade e alma.
rápida e proteção UV. A Advance Denim lançou o tecido leve Acore e o Reflux, que mantém aparência rígida e estabilidade dimensional. Já a Tejidos Royoapresentou denim feito com 100% de resíduos industriais de algodão, destacando o potencial da circularidade. A Tonello reforçou seu protagonismo em tecnologia de beneficiamento com a coleção R-TypE, criada com RAJBY TEXTILES e ENDRIME®, que revisita o jeans histórico com acabamentos sustentáveis. A marca também apresentou os processos Wake, de tingimento natural, e DyeMate, que permite tingir com índigo e enxofre em baixa temperatura, oferecendo soluções para reuso de estoques e redução de impacto ambiental. Outro destaque foi a collab da Tonello com a Officina39, que levou inovação e criatividade à passarela na House of Denim Foundation. A coleção surpreendeu com lavagens, beneficiamentos e modelagens que traduzem o futuro do jeans, unindo tecnologia, sustentabilidade e design de ponta. Entre as tendências, o destaque foi o avanço das impressões digitais no denim — um processo sem água que amplia a liberdade criativa. Marcas como Stella Blu, ArtMill e Copen United exploraram estampas de dupla face, jacquards e efeitos tridimensionais, enquanto a Isko apresentou o tecido Neo Vintage, com slubs verticais inspirados no estilo Y2K. Encerrando o evento, a Vicunha apresentou o projeto “Ancestral Future”, uma plataforma criativa que celebra a identidade latino-americana por meio de colaborações com designers do Brasil e da Colômbia.Unindo tradição, inovação e sustentabilidade, a coleção reafir-
Fonte: Ana Gimonski | Fotos: Divulgação
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EVENTOS
34º MINAS TREND TEVE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA DE R$ 33 MILHÕES COM 203 ESTANDES, 54% A MAIS QUE NA ÚLTIMA EDIÇÃO, EVENTO RECEBEU EM TRÊS DIAS, 5.300 PESSOAS CONSOLIDANDO A EXCELÊNCIA DE MINAS GERAIS COMO POLO PRODUTIVO DE MODA
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34ª edição do Minas Trend, realizada no BH Shopping, chega ao fim. O evento, considerado o maior salão de negócios de moda da América Latina, reuniu, em 3 dias de evento, 150 marcas, 203 estandes, 5.300 mil visitantes e R$33 milhões em geração de negócios, o equivalente a 10% a mais se comparado ao volume da última edição. Além disso, o público pode conferir as tendências da temporada outono/inverno 2026 em quatro desfiles kids, um desfile adulto, oito palestras e o Cine Concerto, com a Orquestra SESIMINAS. O saldo corrobora o bom momento do setor produtivo em Minas Gerais: o Minas Trend teve um aumento de 54% em relação ao número de estandes da edição passada, em abril. Com o slogan “A moda se move com você”, o evento responde pelo saldo positivo dos segmentos mineiros da indústria do vestuário e acessórios, moda, têxtil, couro e calçados e joalheria. Murilo de Paula Graciano, presidente do Sindijoias e da Ajomig, considerou o Minas Trend muito positivo. “Atendeu às expectativas, com um fluxo de vendas e de captação de novos clientes, o que deixa nosso segmento otimista com os pedidos e as movimentações nas bases”, avaliou. Na opinião de Rogério Vasconcelos, presidente da Câmara da Indústria de Insumos e Transformação do Vestuário, Calçados e Acessórios da FIEMG, essa edição teve como destaques o aumento da participação de estandes, bem como o Trend Now. Tudo isso, segundo ele, reitera a dimensão do Minas Trend: “representa a força do coletivo, com todas as marcas fazendo pelo mercado. É o coletivo que faz tudo isso ficar mais atrativo.” Vendas – Do segmento de Joias e Semijoias, como a Zarpellon e a Nino Brant; do vestuário kids, como a Gabriela Aquarela; de bolsas, como a Follis; de vestidos de festa, como a Neusa Faria; do vestuário, com a Plural, enfim, a maioria dos lojistas ficou satisfeita com o desempenho nas vendas.
Neusa Faria, de Uberlândia (MG), uma das marcas veteranas no Minas Trend desde a época do ExpoMinas, comemorou o sucesso nos negócios. Para o proprietário, Fábio Faria, essa edição superou às expectativas. “Estimamos um aumento no volume de vendas da ordem de 15 a 20%”, ressaltou. Da SP Showroom, os representantes exclusivos da Follis, Joaquim Esteves e Marcello Manzini, comentaram que estão presentes em três novas praças nessa edição: em BH, Rio Grande do Sul e Bauru (SP). “Para nós, esse foi o melhor de todos os Minas Trends. Atingimos a meta de 80% no primeiro dia, superando as vendas de três dias em feiras anteriores”, informou Manzini. A Nino Brant, que está em sua 4ª edição no Minas Trend, também registrou boas vendas. “A cada edição vem crescendo”, comemorou ele, que atingiu 80% das vendas. O Minas Trend foi uma realização da FIEMG, por iniciativa de sua Câmara da Indústria de Insumos e Transformação do Vestuário, Calçados e Acessórios, e suas entidades SESI e SENAI, com patrocínio da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), apoio máster do Sebrae Minas. Fonte: Federação das Indústrias de Minas Gerais
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RIO ETHICAL FASHION 2025: BIOECONOMIA E INOVAÇÃO NO CONTEXTO DA COP30
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Por Clarissa Magalhães
Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas aconteceu pela primeira vez na Amazônia brasileira, trazendo à indústria da moda nacional um questionamento: qual será seu papel neste momento? Mais do que uma participação simbólica, foi uma oportunidade para reposicionar o setor como agente de transformação sistêmica. Com esse objetivo, o Rio Ethical Fashion, cuja edição em outubro de 2025 teve a COP como tema central, reuniu no Museu do Amanhã profissionais de diferentes regiões do Brasil e do mundo em painéis e palestras que anteciparam discussões sobre soluções para o setor. O encontro teve como propósito a formulação de um manifesto, posteriormente apresentado durante a COP. Estive lá como moderadora de dois desses painéis e compartilho a seguir alguns dos principais pontos discutidos.
A INTERCONEXÃO ENTRE ECOSSISTEMAS: OCEANOS E FLORESTA Embora o foco da COP30 fosse a Amazônia, o equilíbrio da floresta também está relacionado aos oceanos - que fornecem a umidade que se transforma em chuva e regulam, por meio da circulação do Atlântico (AMOC), o transporte de calor e os padrões de precipitação. Mudanças na temperatura das águas ou o enfraquecimento dessa corrente podem causar secas ou cheias extremas, afetando o clima sul-americano e o equilíbrio global. Mas como a moda se insere nesse contexto? Muito além das passarelas, a indústria têxtil é uma das grandes responsáveis pela poluição dos mares e rios. Desde o uso intensivo de combustíveis fósseis, que aumentam as emissões de CO₂, até o despejo de microplásticos e corantes químicos, a moda alimenta essa crise. Um exemplo clássico disso é o poliéster, tecido sintético derivado do petróleo e o mais produzido globalmente, que se decompõe em partículas microscópicas que invadem os rios, atingem os oceanos, contaminam a vida marinha e acabam retornando à nossa própria cadeia alimentar.
Walter Rodrigues fala sobre bioeconomia no painel moderado pela nossa colaboradora, Clarissa Magalhães.
Em setembro de 2025, o planeta ultrapassou o limite seguro de acidificação dos oceanos, um dos nove sinais vitais que sustentam a estabilidade da Terra, segundo o Stockholm Resilience Centre. Com sete desses indicadores já ultrapassados, a interconexão entre ecossistemas naturais e um sistema de produção, ainda excessivamente linear, impõe a urgência de repensar modelos produtivos através de estratégias que respeitem os ciclos naturais planetários.
INOVAÇÃO E COMPROMETIMENTO: MATERIAIS INOVADORES E IMPACTO NOS OCEANOS O painel "Moda, Ciência e Inovação para Proteção de Ecossistemas Naturais" reuniu três perspectivas fundamentais para compreender soluções através da transição material. Antônia Mascarenhas, da Parley for the Oceans - organização que conecta inovadores, marcas, comunidades criativas e governos na proteção oceânica - falou sobre a evolução estratégica da instituição, que vem migrando do foco na reciclagem do plástico retirado dos oceanos para o apoio ao desenvolvimento de biomateriais inovadores. A estratégia da organização é trabalhar em colaboração com grandes marcas, criando referências: "Isso coloca pressão sobre os concorrentes e começa a mudar a cultura dentro da moda. Então não
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EVENTOS se trata de apontar o problema, mas de criar um case de sucesso que se torne um exemplo para que outras organizações e empresas também o repliquem", explicou Mascarenhas. Andreia Monteiro, do Instituto E - referência brasileira consolidada em materiais sustentáveis e proteção de ecossistemas - trouxe uma perspectiva crítica sobre o comprometimento das marcas na transição material: "Vale a pena lançar outra novidade? Teremos que abandonar um projeto no qual já estamos trabalhando? Investimos, cada vez mais, em melhorar e manter esses projetos de forma consistente", questionou, apontando para a armadilha do "turismo de inovação" que caracteriza boa parte das iniciativas do setor. Orr Yarkoni, da Colorifix - empresa que desenvolve corantes biotecnológicos para prevenir a poluição química em rios e mares - reconheceu a necessidade de experimentação e validação de novas soluções, mas enfatizou que o desafio central reside no comprometimento das marcas em escalar essas inovações para viabilidade comercial. O debate revelou perspectivas complementares sobre um mesmo desafio: o comprometimento das grandes marcas com a transição material, além do tempo e investimento necessários para que essas soluções se tornem viáveis em larga escala. A prevenção é mais eficaz e economicamente viável do que lidar com o impacto ambiental, mas exige educação tanto do con-
As organizadoras do evento: Carolina Perlingiere, Yamê Reis, Nina Braga e Lilly Clark
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Antônia Mascarenhas (Parley for the Oceans), Andreia Monteiro (Instituto E), Orr Yarkoni (Colorifix), no painel sobre moda, ciência e inovação para proteção dos oceanos moderado por Clarissa Magalhães.
sumidor quanto das próprias marcas para promover mudanças de hábito estruturais e consistentes.
BIOECONOMIA REGENERATIVA: TERRITÓRIO E IMPACTO SOCIAL O segundo painel, "Bioeconomia e Moda Regenerativa na Prática", deslocou a discussão para uma oportunidade específica do Brasil: conciliar o desenvolvimento regional e a preservação da nossa abundância em biodiversidade através da bioeconomia. Essa conversa contou com Walter Rodrigues, coordenador do Núcleo de Pesquisa e Design do Inspiramais; Elijane Nogueira, fundadora da marca manauara Yanciã; Renato Imbroisi, designer especializado em materiais locais; e Rodrigo Tremembé, diretor criativo da marca de vestuários indígenas Tremembé. A bioeconomia não se reduz ao uso sustentável de recursos naturais como matéria-prima e energia. Trata-se, fundamentalmente, de relações: quem produz, como produz e de que forma isso devolve vida ao território. Walter Rodrigues, ao apresentar seu projeto desenvolvido para o Sebrae Nacional no oeste do Pará, aprofundou o conceito de sustentabilidade a partir do local: "Quando você fala em desenvolvimento sustentável, parece que ainda falta alguma coisa. No Pará, a diversidade é tão grande que, na verdade, nada falta. Por isso, achei incrível quando a Júlia Webber trouxe
EVENTOS artesanato baseado em materiais locais, começando com o capim dourado no Jalapão e expandindo para outras regiões como os Pampas no Rio Grande do Sul e diferentes regiões da Amazônia. Ele explicou como cada projeto foi desenvolvido conectando matéria-prima local, incluindo trabalhos com lã, buriti, tururi e couro de peixe, com técnicas tradicionais. Renato também abordou como o capim dourado se tornou um símbolo do Tocantins e foi amplamente utilizado, mas expressou preocupações sobre o crescimento excessivo da produção, o atual impacto do turismo na região e o crescimento da produção de soja e milho. Painel de Bioeconomia e Moda Regenerativa na Prática
o termo envolvimento sustentável. Isso me inspirou profundamente. Através do projeto, começamos a conectar pessoas que antes não se conheciam e, através dos produtos, estamos gerando não apenas novas possibilidades de criação, mas também de ideias, de trocas e de vendas mais conscientes." Elijane Nogueira enfatizou a importância da escuta genuína e do respeito aos ciclos locais de produção. Para ela, compreender o tempo da colheita e do beneficiamento dos materiais é parte essencial do processo de se reconhecer também como amazônida e de traduzir essa vivência para o mercado. Essa relação próxima com os territórios e comunidades contrasta com os modelos convencionais de sourcing, que ignoram os tempos locais e priorizam preço e escala, muitas vezes à custa do impacto socioambiental e da transparência nas cadeias produtivas. Rodrigo Tremembé trouxe à discussão a dimensão do conhecimento tradicional, destacando o respeito, cuidado e reciprocidade como fundamentos para qualquer intercâmbio cultural:
Ao final do debate, ficou evidente que, embora bioeconomia e moda regenerativa sejam conceitos relativamente novos e acadêmicos, suas práticas já existem há muito tempo em diversas comunidades indígenas e tradicionais do país. O próximo passo é valorizar o que já temos, reconhecer nossas diversidades estéticas e potencializar esses saberes para que se tornem referência de inovação e sustentabilidade.
POSICIONAMENTO ESTRATÉGICO NA COP30 Essas histórias, que conectam matéria-prima, inovação e tradição ao centro da discussão climática, mostram como a moda e a indústria têxtil podem ter um papel crucial na reconexão com a forma como fazemos as coisas. Mas isso exige comprometimento corporativo com inovação escalável, respeito territorial e uma visão que entenda que proteger nossos biomas e oceanos é proteger o futuro do próprio setor. A carta-manifesto apresentada na COP30 reúne 10 diretrizes para o setor, construídas a partir das discussões do Rio Ethical Fashion. Acesse o conteúdo completo pelo QR code.
“A questão da apropriação cultural é muito sensível e passa por esse cuidado com o que a gente vê e aprende. O cuidado com o outro tem um significado. Muito do que produzimos vem de um conhecimento que não é só nosso, mas que foi passado de geração em geração, nas pinturas, nos grafismos do nosso povo, nas formas de ver a espiritualidade.” afirmou. Renato discutiu seu trabalho com desenvolvimento de
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EVENTOS
UPCYCLING
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Por Bruno Leonard
upcycling tem se consolidado como uma das principais estratégias da moda brasileira para repensar processos, materiais e relações de trabalho. Mais do que reaproveitar resíduos, iniciativas como Trama Afetiva e Ciclou mostram que transformar o que seria descartado pode gerar impacto social, valor simbólico e novas narrativas para o vestir. A Trama Afetiva atua como marca e plataforma de design social e regenerativo, partindo do entendimento de que sustentabilidade também é social. Para o projeto, não basta utilizar materiais reaproveitados se, por trás do processo, existem trabalhadores em situação de vulnerabilidade. Por isso, a marca desenvolve suas coleções a partir de relações mais justas com costureiras, crocheteiras e artesãs, em sua maioria mulheres da periferia. O principal material utilizado pela Trama Afetiva é o tecido de guarda-chuva, proveniente de cooperativas de catadores. Os objetos descartados passam por processos de separação, desmontagem e higienização, criando renda para diferentes etapas da cadeia produtiva. As coleções são desenvolvidas de acordo com a quantidade de material disponível e seguem uma lógica de desperdício zero, em que sobras são reaproveitadas em novas peças ou detalhes de design. Com direção criativa de Thais Losso, a marca aposta em uma estética colorida e pop, mostrando que moda sustentável não precisa ser neutra ou limitada a tons
naturais. A modelagem se adapta ao tamanho de cada guarda-chuva, transformando resíduos em peças únicas e cheias de identidade. Já a Ciclou, criada por Amanda Martins, atua a partir do reaproveitamento de materiais descartados, transformando-os em produtos com maior valor agregado. Durante a Feira na Rosenbaum, realizada entre os dias 8 e 13 de dezembro, na Casa Dexco, a empresa apresentou uma coleção desenvolvida a partir de guarda-sóis descartados das praias de Ipanema, no Rio de Janeiro. Na Ciclou, os guarda-sóis ganham um novo ciclo de vida. A lona é transformada em peças impermeáveis, resistentes e duráveis, que carregam a história do material e evidenciam sua função anterior. Para a marca, upcycling é uma forma de consumo consciente, que passa pelo entendimento da origem da matéria-prima e pela ampliação de sua vida útil antes do descarte final. A produção é realizada no Rio de Janeiro, com costureiras da região, valorizando o trabalho local e a conexão com o território. O guarda-sol se tornou foco da empresa por ser um material abundante no Brasil, fácil de lavar, maleável e marcado por cores intensas, além de representar a relação do país com o litoral e a vida ao ar livre. Além dos guarda-sóis, a Ciclou também trabalha com lonas de banner, materiais de cenografia, uniformes corporativos e madeira reaproveitada, desenvolvendo coleções específicas para cada tipo de resíduo, sempre em parceria com quem domina os processos de transformação. Embora atuem de formas distintas, Trama Afetiva e Ciclou se encontram na prática do upcycling como ferramenta de criação, responsabilidade e impacto. Ambas ampliam o debate sobre sustentabilidade na moda ao mostrar que resíduos podem se tornar matéria-prima, que o design pode gerar renda e que o vestir também carrega histórias, territórios e relações humanas.
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SUSTENTABILIDADE
PEÇAS INSPIRADAS NO BIOMA AMAZÔNICO SÃO DESTAQUE NO SPFW
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m sinergia com os ventos de sustentabilidade que trazem a COP 30 para o Brasil, o São Paulo Fashion Week (SPFW) trouxe a Amazônia para seus palcos por meio do desfile do estilista Leandro Castro. No dia 16 de outubro, ele desfilou suas peças desenvolvidas com inspirações no bioma amazônico, por meio do projeto Iconografia Local Bioma Amazônico, realizado pela Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal), em parceria com o Sebrae Nacional e do Pará. Para desenvolver as peças, o estilista fez uma imersão na Amazônia a convite do projeto. Quem faz a coordenação criativa do Iconografia Local Bioma Amazônico é o consagrado estilista Walter Rodrigues, que hoje está à frente do Núcleo de Pesquisa e Design da Assintecal. “Nosso objetivo com os empreendedores locais é, por meio do design, sustentabilidade e da pesquisa iconográfica, capacitá-los e fortalecê-los para novas oportunidades, como a COP 30, com foco na valorização da cultura local como di-
ferencial competitivo”, explica o estilista, que no projeto ainda tem a parceria da estrategista em sustentabilidade Júlia Webber. A investigação, que contempla elementos como bioma, história, arquitetura, culinária, crenças, saberes artesanais, festas populares e uma cartela de cores representativa da região.
SOBRE O PROJETO O Iconografia Local Bioma Amazônico nasceu com o objetivo de valorizar a identidade cultural e produtiva da Amazônia, instigando o uso sustentável da floresta. Pela iniciativa, 19 microempreendedores locais, grupos e artesãos, estão sendo auxiliados na criação de biomateriais para a indústria de moda, com o objetivo de valorizar a identidade terrirorial da Amazônia. Os empreendimentos do projeto, que fizeram parceria com o estilista Leandro Castro, foram: Coomflona – Cooperativa Mista da Flona Tapajós, Cuias Aíra – Associação das Artesãs Ribeirinhas de Santarém (Asarisan), Nunghara Biojoias e Trançados do Arapiuns.
Fonte: DCR Assessoria de Imprensa Revista Têxtil #794
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SUSTENTABILIDADE
YOUCOM ADOTA ZÍPER MAIS SUSTENTÁVEL EM JEANSWEAR PARCERIA SUPERA A BARREIRA DE CUSTO E ABRE CAMINHO PARA IMPLEMENTAÇÃO EM LARGA ESCALA PELO VAREJO DE MODA
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Youcom, marca de moda jovem com estilo de vida urbano, acaba de incorporar em suas peças jeans um zíper mais sustentável, produzido no Brasil. Desenvolvido em parceria com a YKK, maior fabricante de zíperes do mundo, o produto une responsabilidade social, alto desempenho técnico e supera a barreira de custo que até então limitava sua implementação em larga escala.
O Silver Fosco NATULON® é livre de substâncias restritas e utiliza cadarço reciclado proveniente de garrafas PET. Essa composição promove a reutilização de resíduos plásticos, reduz a demanda por matérias-primas virgens e contribui para a diminuição do descarte no meio ambiente. A solução oferece durabilidade, qualidade e funcionalidade, eliminando um dos metais mais nocivos da cadeia da moda. Após três anos dedicados à pesquisa e desenvolvimento, o zíper mais sustentável já está presente em calças, saias e shorts jeans da Youcom. A iniciativa está alinhada ao compromisso da marca com a sustentabilidade, refletido em projetos como o Jeans for Change, criado em 2014 com o propósito de ressignificar peças jeans usadas, transformando-as em novos produtos.
INICIATIVA DA LOJAS RENNER S.A O zíper mais sustentável Silver Fosco NATULON® foi desenvolvido pela YKK a pedido da Lojas Renner S.A., em resposta ao compromisso da companhia de eliminar todas as substâncias restritas de seus produtos até 2030. Como marca líder em inovações de sustentabilidade no ecossistema, a Youcom reafirma seu papel como laboratório para testar novas soluções. “A sustentabilidade é um dos pilares estratégicos companhia, e iniciativas como essa refletem nosso empenho em transformar a cadeia da moda por meio da inovação responsável. A adoção deste tipo de zíper pela Youcom representa um avanço importante na substituição de insumos por alternativas com menor impacto ambiental” destaca Eduardo Ferlauto, diretor de sustentabilidade da Lojas Renner S.A.
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CALÇADOS
LUPO ANUNCIA O LANÇAMENTO DE SEU PRIMEIRO TÊNIS CASUAL “ORIGEM”
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epois de marcar gerações como referência em meias, cuecas e moda íntima, a Lupo inova ao lançar seu primeiro modelo de tênis casual. Denominado "Origem", o novo item chegará ao público a partir da primeira quinzena de dezembro. O lançamento é a concretização de um projeto iniciado no fim de 2024, quando a empresa desenvolveu protótipos testados por funcionários e lojistas. Os feedbacks coletados ajudaram a reformular totalmente o design e os materiais, garantindo um produto final fiel à qualidade e ao DNA de inovação da marca. “Chamamos esse primeiro modelo de Origem justamente para reforçar a conexão com nossas raízes”, explica Rogério Guimarães, Diretor de Franquias da Lupo. “O cabedal é produzido em knit, tecnologia que remete à forma de construção das meias, categoria que tornou a Lupo reconhecida no Brasil inteiro. É como se estivéssemos costurando nossa história ao mesmo tempo em que damos um passo novo”.
Para a Diretora Presidente da Lupo, Liliana Aufiero, o lançamento reforça a estratégia de diversificação do portfólio e crescimento no varejo. “O Origem nasce para iniciar a Lupo em um novo segmento, ampliando nossas oportunidades de negócio e fortalecendo a marca junto ao consumidor. Esse é apenas o primeiro passo de um projeto de longo prazo, que será conduzido com a mesma disciplina, inovação e foco em qualidade que sempre marcaram a nossa trajetória”, destaca ela.
LANÇAMENTO ESTRATÉGICO POR FASES Num primeiro momento, o Origem será disponibilizado em 100 lojas selecionadas em todos os estados do Brasil. Essa fase inicial será fundamental para avaliar a aceitação do consumidor em diferentes regiões, treinar equipes de venda e testar a exposição do produto no varejo. “Ao distribuir estrategicamente em todas as regiões, teremos uma leitura ampla do comportamento do consumidor diante do novo produto. Esses insights vão
guiar os próximos passos de comunicação, vendas e expansão”, completa o Diretor. O tênis é exclusivamente para o uso casual, pensado num design fashion para compor as produções do dia a dia. O modelo chega em quatro cores (Grafite, Cinza, Havana e Preto), com numeração do 35 ao 43, unindo versatilidade, conforto e estilo para o dia a dia. O valor será divulgado próximo à data de lançamento. Fonte:JB Press House
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TAPEÇARIA
TAPETE, A ARTE TÊXTIL
Por Sarah Caldas
Não, eu não estou escrevendo na revista errada. Tapete é, sim, um artigo têxtil. Ele nasce do fio, passa por processos industriais ou artesanais típicos do setor têxtil e carrega decisões de design, tecnologia e matéria-prima tão complexas quanto as de qualquer tecido. O que muda é o uso, a escala e a forma como se relaciona com o espaço. Neste artigo, convido você a olhar para o tapete não só como coadjuvante da decoração, mas como objeto de design, conhecendo a nova coleção da Punto e Filo, com apoio do Instituto Virgínia e Vilanova Artigas.
PUNTO E FILO: DOS FIOS AO DESIGN Toda empresa familiar carrega histórias que vão além dos números e dos produtos. No caso da Punto e Filo, o início foi em 1934, pelo avô materno João Dos, e segue agora sob os cuidados e a administração dos netos. Essa é uma história que começa nos fios, no conhecimento técnico, no trabalho diário e na transmissão de saberes entre gerações. Ao longo do tempo, a Punto e Filo evoluiu, e o processo de produção ganhou camadas de sensibilidade, aproximando técnica e criação, produção e design. Foi resultado de escolhas consistentes, investimentos em qualidade e de uma visão que entende o design como consequência natural de um bom fio, de um bom processo e de uma relação responsável com materiais e pessoas. O olhar atento aos detalhes e o respeito à ori-
gem continuam sendo marcas da empresa. Refazer a tapeçaria de Tomie Ohtake, destruída no incêndio do anfiteatro do Memorial da América Latina, em 2013, tornou-se um dos maiores desafios da Punto e Filo. Quatro anos depois, a empresa assumiu a missão: cinquenta artesãos produziram uma peça única, em grande parte feita à mão — algo raro nessa escala, com 840 m². Agora, em 2025, outro desafio foi transformar geometrias de obras do arquiteto Vilanova Artigas em tapetes e as xilogravuras de sua esposa, Virgínia, em tapeçarias. Com o apoio do Instituto Virgínia e Vilanova Artigas, o lançamento foi na Casa Martirani, no Alto de Pinheiros, projetada em 1968, onde tapetes e tapeçarias foram pensados como parte da arquitetura, sendo primorosamente distribuídos e compondo os espaços com muita elegância. O lançamento da coleção — e, por que não dizer, exposição — teve a curadoria de Marco Artigas, Ana Sawaia e André Scarpa. Tivemos o privilégio de ouvir o neto e a filha de Virgínia e Vilanova Artigas. Marco Artigas, presidente do IVVA, falou sobre a parceria com a Punto e Filo. Rosa Camargo Artigas, historiadora formada pela USP, curadora e organizadora de livros sobre a obra do pai e de outros arquitetos brasileiros, falou da personalidade de sua mãe — para mim, admirável — e dos cuidados com a manutenção e a gestão do acervo feitas pelo Instituto Virgínia e Vilanova Artigas, em parceria com a FAU-USP, buscando a conservação e a disponibilização pública desse patrimônio cultural. Entre as obras escolhidas para reproduzir em tapetes estão o desenho da piscina da Casa Berquó, projeto de Vilanova Artigas, em São Paulo, de 1967; o desenho
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TAPEÇARIA do piso da Estação Rodoviária de Jaú, projeto de 1973; e a fachada da sede do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Fiação e Tecelagem de São Paulo, projeto de 1959. Os tapetes Punto e Filo unem alta tecnologia, sustentabilidade ambiental e impacto social positivo por meio do uso do fio ECONYL®. Desenvolvido pela italiana Aquafil, o material é produzido a partir de resíduos de nylon descartados em oceanos e aterros, como redes de pesca e tapetes antigos, regenerados até seu estado original de pureza, sem perda de qualidade. Esse processo permite o reaproveitamento infinito do fio e reduz significativamente o consumo de petróleo e a emissão de CO₂, transformando resíduos em produtos duráveis, sofisticados e ambientalmente responsáveis. A cada 10 mil toneladas de fio ECONYL® produzidas, evitam-se o consumo de 70 mil barris de petróleo e a emissão de 57 mil toneladas de gás carbônico, que seriam gastas na produção tradicional de nylon.
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CETIQT RIO
A NOVA ALFAIATARIA URBANA E A FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS PARA UM MERCADO EM TRANSFORMAÇÃO
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alfaiataria, por muito tempo associada a ambientes de trabalho e eventos formais, está passando por uma revolução que já pode ser vista nas ruas. Peças com cortes precisos e tecidos nobres, que antes eram sinônimo de seriedade, agora ganham uma roupagem mais casual e descontraída. O street tailoring, tendência que une a elegância da alfaiataria com a atitude urbana do streetwear, agora transforma o que antes era um uniforme de escritório em uma forma de expressão da identidade individual. O resultado é a demonstração que é possível conectar sofisticação e conforto no dia a dia. Para estar dentro dessa tendência é simples: basta combinar peças como blazers oversized, calças de corte reto e coletes com elementos mais casuais como tênis, bonés, camisetas com estampa e moletons.
A MODA SE TRANSFORMA E A INDÚSTRIA TAMBÉM Essa mudança de comportamento do consumidor exige uma requalificação profissional e uma adaptação da indústria da moda. Tanto marcas independentes quanto grandes grifes estão correndo para atualizarem seus estoques e atender à nova demanda por peças que fogem do convencional. A produção agora precisa ser mais ágil e criativa, permitindo a experimentação com novos designs e tecidos sem perder a qualidade artesanal que é a essência da alfaiataria. Esse movimento não apenas democratiza a alfaiataria, mas também impulsiona a inovação
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e revitaliza o setor, mostrando que a tradição e o novo podem coexistir em harmonia.
A ESPECIALIZAÇÃO É A GRANDE APOSTA A Pós-Graduação em Gestão e Planejamento em Modelagem: Alfaiataria Industrial da Faculdade SENAI CETIQT está alinhada com a tendência do street tailoring. A conexão é direta e estratégica, pois o curso prepara profissionais para atuar em um mercado que busca essa conexão entre o clássico e o casual. Em vez de focar apenas na alfaiataria artesanal e sob medida, a pós-graduação aborda a alfaiataria industrial, ou seja, a produção em escala. O curso propõe um olhar crítico e inovador no desenvolvimento da modelagem, permitindo o uso da criatividade e assertividade na produção de moldes para a alfaiataria. Isso permite que os profissionais desenvolvam e gerenciem a produção de peças que dialogam com o streetwear. O curso oferece o uso de softwares de ponta na modelagem, como o Audaces, fundamentais para atender a agilidade do mercado de moda e responder a um público cada vez mais atento às tendências. Além de ampliar as competências técnicas, a especialização permite que o profissional esteja alinhado às principais ferramentas técnicas necessárias para atuar desde a criação da peça, planejamento da produção, até a gestão da equipe, garantindo o preparo para lidar com as transformações do mercado.
IMPRESSÃO
AMIR SLAMA ANUNCIA PARCERIA COM EPSON NA SPFW PARA LANÇAMENTO DA CAMPANHA GLOBAL "FASHION FOR FOREST" CAMPANHA CONTA COM PEÇAS SUSTENTÁVEIS PRODUZIDAS COM TECNOLOGIA EPSON E CONECTA MODA COM LIDERANÇAS INDÍGENAS PARA REFLORESTAR A AMAZÔNIA
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estilista brasileiro Amir Slama escolheu a Epson, líder global em tecnologia de impressão, como parceira para a nova campanha global "Fashion For Forest", um movimento que utiliza a moda como ferramenta para ação climática, liderança indígena e conscientização ambiental. O lançamento da campanha marcou a abertura do desfile da coleção Verão/25 do estilista, na São Paulo Fashion Week (SPFW), no dia 19 de outubro. Como ponto central da colaboração e do desfile está a campanha "TREE-SHIRT" , uma iniciativa de moda com apelo ambiental, cujo objetivo é aumentar a conscientização global sobre a preservação da Amazônia e o auxílio ao reflorestamento. A parceria visa reforçar o pilar de sustentabilidade da Epson no universo têxtil, unindo-se a parceiros que têm o mesmo propósito, como Amir Slama e o movimento Fashion For Forest. A colaboração tem como ponto principal a produção de peças de alta qualidade, com estampas impressas pela Epson em algodão sustentável.
AÇÃO FASHION FOR FOREST: TECNOLOGIA, PROPÓSITO E O MEIO AMBIENTE Amir Slama retorna à SPFW em outubro com a coleção Verão/26 que traz referências aos povos originários da região amazônica, tendo a ativista indígena Txai Suruí como mentora, e entrelaça moda, ancestralidade e propósito. Tecnologia Epson a serviço da Sustentabilidade: A tecnologia de impressão direta em tecido (Direct-to-Garment - DTG) da Epson foi fundamental para a primeira tiragem da campanha "Fashion For Forest". O processo utilizou a impressora industrial SureColor F3070, que se destaca pela eficiência e pelo baixo impacto ambiental na produção têxtil. A tecnologia DTG da Epson permite a produção sob demanda, minimizando o desperdício
de insumos, água e energia, além de utilizar tintas com certificações de segurança e sustentabilidade. Compromisso Ambiental: Para cada camiseta vendida, uma árvore será plantada no território Paiter Suruí, através do programa Pamine Reforestation, liderado pela comunidade da ativista Txai Suruí, que já plantou 1 milhão de árvores. "A parceria com Amir Slama e com a campanha ‘Fashion For Forest’ reforçam o compromisso da Epson com a sustentabilidade e a inovação. Estamos entusiasmados em contribuir com a nossa tecnologia, que traz eficiência e menor impacto ambiental na produção têxtil, para um projeto que une design, ancestralidade e um propósito tão vital para o nosso planeta", afirma Evelin Wanke, Diretora Executiva da Epson. “Ver a riqueza da nossa Natureza me inspira muito. Estas viagens me permitem vivenciar estes espaços, paisagem, arquitetura, animais silvestres e toda a força que só é possível sentir vivendo. Tudo isso me preenche e de alguma forma se reflete de forma genuína nas minhas criações”, conta Amir.
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ESTAMPARIA DETALHES DA COLEÇÃO E COLABORAÇÃO ACADÊMICA A coleção de Slama também conta com a participação de alunos da Belas Artes — uma das mais prestigiadas instituições de design do Brasil, que comemora 100 anos em 2025 — que exploraram a Amazônia e a cultura indígena para o processo de design, sendo premiados com estágios.
SOBRE AMIR SLAMA É um dos nomes mais inovadores e influentes da moda brasileira, reconhecido por sua habilidade em unir ele-
gância e casualidade em suas peças de beachwear. Com formação em História, ele infunde suas criações com uma sensibilidade cultural única, refletindo sua visão de moda como uma narrativa onde cada peça carrega uma inspiração e conta uma história. Desde o início de sua trajetória, Amir se destacou por sua capacidade de transcender a funcionalidade típica do beachwear, transformando-o em um verdadeiro estilo de vida. Seu trabalho não se limita a trajes de banho, mas se expande para criar looks que são igualmente apropriados para a praia e o cotidiano urbano. Ele explora uma paleta de cores vibrantes e texturas diversas, resultando em coleções que são tanto atraentes quanto práticas. Fonte: CDI/Epson do Brasil
A INTELIGÊNCIA POR TRÁS DA ESTAMPA PERFEITA
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elocidade e eficiência são essenciais para transformar ideias criativas e as últimas tendências da moda em tecidos e roupas, muitas vezes dentro de uma cadeia produtiva que atravessa continentes.
Os principais players internacionais da indústria da moda já entenderam isso. Ao adotar o software e o suporte da AVA, eles otimizaram significativamente seus fluxos de trabalho, conectando design e produção têxtil com muito mais precisão, controle e agilidade — tanto para tecidos impressos quanto para processos híbridos, digitais e analógicos. Hoje, as empresas líderes em impressão têxtil são formadas por equipes bem treinadas, tecnicamente qualificadas e apoiadas por tecnologia de ponta. O resultado? Mais qualidade, menos tempo, menor custo e decisões mais inteligentes.
POR QUE ESCOLHER A AVA? • Redução expressiva de prazos de entrega e de estoque • Menor impacto ambiental por meio da redução de resíduos • Integração simples e direta com arquivos Adobe • Gerenciamento preciso de cores até a produção digital e/ou analógica • Provas remotas com fidelidade cromática confiável
IMPRIMIR A COR CERTA NÃO É SORTE. É MÉTODO. Em um mundo cada vez mais atento às questões am-
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bientais, a indústria têxtil enfrenta desafios importantes. Métodos tradicionais de correspondência de cores, baseados em tentativa e erro, elevam custos, alongam prazos e geram desperdício e poluição desnecessários.
A AVA substitui esse modelo por controle, previsibilidade e eficiência, colocando a gestão de cor no centro do processo produtivo.
MUITO ALÉM DO SOFTWARE: CONHECIMENTO E PARCERIA. A AVA construiu relações sólidas com instituições educacionais em todo o mundo, oferecendo software, treinamento especializado e suporte contínuo. Uma equipe dedicada atua diretamente na formação técnica, ajudando a aproximar indústria e educação, apoiar professores e preparar profissionais para os desafios reais da produção têxtil contemporânea.
MODA
CONCURSO FAAP MODA COMEMORA 20 ANOS O Concurso FAAP Moda celebrou, ontem, em 18 de novembro, na FAAP a sua 20a edição, reafirmando seu papel como um dos principais eventos da moda brasileira. Criado no ambiente criativo da Faculdade Armando Alvares Penteado (FAAP), o evento nasceu com o propósito de dar visibilidade a jovens estilistas e profissionais em formação, promovendo a conexão entre a academia e o mercado de moda. Ao longo de duas décadas, o FAAP Moda consolidou-se como uma vitrine única de criatividade, técnica e inovação, reunindo desfiles que marcaram gerações e revelando nomes que hoje integram o cenário fashion nacional e internacional. Mais do que um concurso, tornou-se um ponto de encontro entre tradição e vanguarda, estimulando a experimentação e fortalecendo o futuro da moda brasileira.
JURADOS PESO A noite contou com a presença de jurados que representam a excelência do setor. Entre os grandes nomes que já integraram a comissão avaliadora estão: Alexandre Herchcovitch, Eduardo Toldi, Gloria Coelho, Gloria Kalil, Nathalie Klein, Oskar Metsavaht, Paula Raia, Paulo Borges, Rafaela Caniello, Reinaldo Lourenço, entre outros.
Apresentadoras FAAP Moda 2025: Carol Ribeiro e Lilian Pacce
VENCEDORES As apresentadoras do FAAP Moda 2025, Lilian Pacce e Carol Ribeiro, anunciaram a grande vencedora do júri deste ano, a estudante Sofia Duarte com a colecão "Topomorpho" ; em 2o. lugar, Duda Alves com " De Tanto Pensar Senti" e em 3o. lugar, Daniel Haddad e Gabriel Pascolato com " The Old Lie". A vencedora do júri popular foi Alana Segatto com a coleção " Dos Rabiscos às Garatujas"
Sofia Duarte - grande vencedora júri coleção "Topomorpho"
Alana Segatto - vencedora júri popular: “Dos Rabiscos às Garatujas”
Fonte: MSG Comunicação
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CASA DE CRIADORES
CASA DE CRIADORES ENCERRA 2025 REUNINDO MAIS DE 8 MIL PESSOAS NA EDIÇÃO Nº57 EVENTO DA MAIOR PLATAFORMA PARA CRIADORES AUTORAIS DO BRASIL LEVOU PÚBLICO DIVERSO PARA DESFILES E EXPOSIÇÃO ENTRE 3 E 10 DE DEZEMBRO, NO CENTRO CULTURAL SÃO PAULO (CCSP)
A
iniciativa foi patrocinada pela Agência Brasileira de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), pelo Governo do Brasil, e mais: Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Ministério do Empreendedorismo da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Sou de Algodão, Kenner, Santista Jeanswear, Senac São Paulo e Singer; e apoio do Sebrae São Paulo, do Centro Cultural São Paulo e da Prefeitura de São Paulo. Para além de um evento de moda autoral, a Casa de Criadores (CdC) é uma plataforma que impulsiona a economia criativa, os grupos humanos e produtivos que a articulam, incorporando os atravessamentos culturais e sociais que passam por esse contexto. Não à toa, a cada edição, a CdC vai além dos desfiles, agregando exposições e outras iniciativas culturais. Nesta edição N57, o número de participantes atingiu um total histórico de 58 marcas, com 39 desfiles e 15 nomes que se apresentaram de forma expositiva, com obras e instalações reunidas na exposição “Qual Moda, para Qual Mundo?”, com curadoria da artista plástica Karlla Girotto. Essas iniciativas aconteceram entre os dias 3 e 10 de dezembro, em diversos espaços do Centro Cultural São Paulo (CCSP), na capital paulista. Os desfiles aconteciam em duas sessões por dia, vistos por cerca de 1.200 pessoas, das quais 200 tiveram acesso através de entradas gratuitas retiradas via internet, em link divulgado nas mídias sociais da CdC – chegando a quase 8.400 o público total dos desfiles. A CdC, em seus 28 anos, sempre manteve em perspectiva expandir suas ações para além das fronteiras de São Paulo e obteve destaque nacional. Os canais de Instagram, YouTube e Facebook da CdC concentraram a divulgação institucional da edição N57 com posts, vídeos sobre os participantes e a programação, além da transmissão ao vivo dos desfiles (Instagram e YouTube).
No canal da CdC no YouTube, o outro meio detentor de maior destaque na comunicação da plataforma. As visualizações atingiram cerca de 25 mil, o tempo de exibição do canal foi contabilizado em 1,9 mil horas, conteúdos diversos da CdC N57 alcançaram o total de 4 milhões de visualizações. Democratização, oportunidade e visibilidade foram além das expectativas colocando a Casa de Criadores a maior mostra de moda autoral e descentralizada do pais; acessando a extensão total de nosso território, trazendo e levando moda brasileira autêntica para todos de forma consciente, criativa e verdadeira, respeitando e exaltando a diversidade e mostrando responsabilidade, maturidade e originalidade com toda cadeia têxtil e sociedade. Bravo! A abertura contou com um espetáculo da Cisne Negro Cia. de Dança, em parceria com o estilista Leandro Benites, que transformou a passarela em um espaço de performance e movimento. Na sequência, o desfile dos Talentos Senac apresentou os trabalhos de conclusão de curso dos alunos do Bacharelado em Design de Moda do Centro Universitário Senac – Santo Amaro. Ao todo, 14 estudantes participaram da apresentação, desenvolvendo 28 looks ao longo de meses de pesquisa, técnica e sensibilidade. A coleção Nude Total trouxe para a passarela a plu-
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CASA DE CRIADORES ralidade das peles brasileiras, explorando tons, texturas e histórias que, juntas, revelam um Brasil múltiplo, potente e profundamente belo. As criações abordaram temas ligados à identidade, diversidade e corpo, propondo diferentes narrativas e olhares sobre o vestir. As peças contaram com a consultoria criativa do estilista João Pimenta, que há anos acompanha, apoia e inspira os estudantes do Centro Universitário Senac, contribuindo para a formação de novos profissionais da moda brasileira. Outro destaque da programação foi o desfile do projeto Moda Inclusiva, que chegou à sua terceira edição em parceria com a Casa de Criadores. A iniciativa propõe soluções que facilitam o dia a dia da pessoa com deficiência, pensando o vestir para além da funcionalidade. O projeto reforça a moda como ferramenta de inclusão, autonomia e expressão, ampliando o debate sobre acessibilidade e pertencimento nas passarelas brasileiras. A sustentabilidade atravessou diferentes momentos da programação, com destaque para práticas de reaproveitamento de materiais e processos criativos que partem do que seria descartado, refletindo a realidade e os desafios da moda independente no Brasil. A edição também contou com a oficina “Crie Moda Autoral Trans Forma”, realizada em parceria com o Sebrae, voltada à formação de pessoas trans, travestis e não binárias em técnicas de criação e modelagem. A Casa de Criadores segue como um espaço de encontro, reflexão e experimentação, reunindo diferentes vozes e olhares sobre a moda contemporânea no Brasil Fonte: Ag Lema e Bruno Leonard
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30 ANOS DE SPFW
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Por Laura Yamane
ão Paulo Fashion Week comemorou 30 anos e a 60ª edição, realizada a partir de 13 de novembro de 2025, transformou a capital paulista em uma verdadeira passarela a céu aberto, ocupando espaços emblemáticos que dialogam com a cultura e a memória da cidade. O Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque Ibirapuera, foi o epicentro da programação, mas os desfiles se espalharam por locais icônicos. João Pimenta apresentou sua coleção na Biblioteca Mário de Andrade, enquanto Gloria Coelho levou sua moda autoral para a Estação Júlio Prestes. No Parque Trianon, Flavia Aranha reforçou sua estética sustentável, e Ronaldo Fraga emocionou ao homenagear Milton Nascimento no Museu da Língua Portuguesa. A ousadia também marcou presença: a marca Forca transformou seu desfile em um salto de paraquedas no Campo de Marte, unindo moda e performance. Alexandre Herchcovitch ocupou a Praça das Artes com sua nova coleção, e Ângela Brito levou sua visão criativa ao Centro Cultural São Paulo. Já Gustavo Silvestre desfilou no MAC do Ibirapuera, reafirmando a moda como expressão artística e social, ele tem parceria com o Projeto Ponto Firme que enaltece o crochê, e hoje seus looks de crochês com materiais reciclados são ícones e transitam pela Alta Costura na Europa. No recém-inaugurado Teatro Iguatemi, Patrícia Viera, Lilly Sarti e À La Garçonne apresentaram suas propostas em clima de sofisticação. O encerramento ficou por conta de Lino Villaventura, que retornou ao Pacubra com um espetáculo de moda e emoção, selando uma edição histórica, com seus jogos de tecidos sobrepostos, bordados que podem ser considerados Alta Costura e pura emoção enaltecendo a beleza. Elogios às marcas que destacam e incorporaram a cultura brasileira em suas coleções. Saber traduzir com sensibilidade e criatividade as tradições artesanais e a riqueza cultural do Brasil, elevando o artesanato para ser expressão contemporânea de estilo e inovação. O respeito profundo pelas raízes locais, aliado a uma visão moderna e global, conferiu às peças uma autenticidade única, que celebra a diversidade e a identidade nacional com elegância e sofisticação.
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Lilly Sarti - Dividido em 3 atos: “Circuito” peças intercambiáveis como proposta de contemporaneidade. “Tabuleiro” fala de opostos complementares e da maneira urbana que ela brinca com contrastes, como sexy versus alfaiataria, justos versus largos… “Escada” tem como aspecto principal a volumetria japonista. As peças de jeans impecáveis sustentável, sem lavagem da Capricórnio Textil Dario Mittmann - apresentou a coleção “Monopoly”, o jogo “Banco Imobiliário”, com tecidos Santista Textil e Repreve® explorando o denim em outras formas de criação, levou tecidos coloridos; misturando streetwear com luxo, e pantufas estilizadas. Uma história lúdica, tecnológica, provocativa, oversize e muito criativa. Patrícia Vieira - Como a marca registrada é o couro natural, não apenas as roupas, como os vestidos com florais estampados ou bordados, ou o trabalho com recortes para um efeito de escamas, mas também os detalhes (do xadrez construído com tiras de reaproveitamento costuradas sobre tule.
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SPFW A La Garçonne - com uma série de camisas brancas e com o underwear à mostra, ora sem calças mesmo ora aparecendo por recortes estratégicos no cós. O recurso dos recortes também aparece nos Trench Coats, onde o diretor-criativo Fábio Souza aplica pedaços de tecidos metalizados (estes aparecem de novo por inteiro em seguida, em saias e vestidos longos). João Pimenta - em “Tropicalizando”, a alfaiataria brasileira, embora calcada em códigos históricos de sofisticação, sempre foi um campo fértil para a reinvenção. A nova coleção chega olhando para a essência do homem brasileiro sexy, esportivo, casual, traduzindo conforto, atitude e versatilidade. A inovação no design fica nas calças clochard e das calças sem cós. Amir Slama - Nas vésperas do COP 30 Almir Slama lança o "Fashion for Forests" no SPFW 60 em parceria com a ativista indígena Txai Suruí e a designer Catarina Bellino, apresenta as Tree-Shirts: camisetas que plantam uma árvore a cada venda, ajudando a reflorestar a Amazônia. A coleção apoia o Projeto Cerzindo, capacitando refugiados e imigrantes na costura e no reaproveitamento de tecidos. Com materiais reciclados e de reuso, Slama prova que estilo e responsabilidade ambiental podem caminhar juntos. Chic. Led - O linho, em sua essência, carrega o tempo. Tempo de cultivo, de tramas, de histórias. É um tecido que traduz nobreza natural e um toque de verdade, o mesmo olhar que a Tecelagem Lady traz em cada fio que produz, sob a direção criativa de Célio Dias, transformar matéria-prima em emoção, e tecido em narrativa. Glória Coelho - Gloria Coelho, comemora cinco décadas de trajetória com um desfile no primeiro dia da SPFW. A estilista fez um retrospecto de sua carreira apresentando a nova coleção na Estação Júlio Prestes, dentro do metrô um dos ícones arquitetônicos de São Paulo. O desfile passeia por diferentes períodos históricos, da era medieval aos anos 1960. Ronaldo Fraga - A presença de Ronaldo Fraga no calendário oficial da moda brasileira é um dos pontos altos da festa. Com várias apresentações memoráveis em sua trajetória, o estilista mineiro apresentou no Museu da Língua Portuguesa a coleção “Minas-Nascimento”, em homenagem ao gigante Milton Nascimento. Seu desfile-procissão começou com crianças com asas de anjo e sorriso no rosto. Ronaldo Fraga
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tem uma silhueta característica, curta e ampla, que ele constrói em grande variedade de materiais, do jeans ao tafetá. Um foco especial nas mangas volumosas e modelagem ampla. Alexandre Herchcovitch - Sem muito esforço, ele transforma a mais básica das roupas em um item desejável de moda, característica que o mantém como um dos maiores destaques da moda brasileira 30 anos. Criação espontânea, explora sempre novos materiais e propostas que reluz seu super talento de estilista. Dendezeiro - marca de moda de Salvador, Bahia. Recentemente, eles estrearam sua nova coleção impressionante, BRASILIANO, que mergulha profundamente na rica cultura das terras do Brasil, desvendando histórias poderosas de resiliência e transformação e o uso de tecidos Nicoletti Textil. Santa Resistencia - “Águas de si: Quando a mulher veste mar”. A mulher-oceano da Santa Resistencia com looks feitos de escama de peixe; três estampas centrais e a paleta de cores, que alterna tons de pêssego, azul, verde e dourado. Bordados manuais com crochê e algumas peças com aplicações de escamas de pescada amarela, camurupim e piracema. As artesãs da Associação Farol de Cabedelo, na Paraíba, conhecidas pela arte em escamas, assinam dois looks centrais: um vestido feito com linha de pesca e escamas e um look masculino do mesmo material. Já a artesã capixaba Marina Maia assina um vestido com a pala bordada em escamas e corais. Escolha de tecidos sustentáveis como algodão, modal, Liocel e viscose EcoVero, além de seda e seda de algodão Marina Bitu - A coleção parte de obras de Djanira como “Tecelã”, “Costureira”, “Bordadeira”, “Tecendo Rede”, “Charuteira” e “Escolhedoras de Café”. Franjas de palha, plissados, organzas e volumes esculturais retomam códigos já familiares da marca, mas, a estilista ousa ao trabalhar com couro de salmão e as escamas de peixe cumurupim, que são aplicadas como se fossem paetês. As referências à artista também surgem de modo literal em vestidos fluidos estampados. Foz - O desfile “Povoado Poesia”, da marca Foz, fala de um vilarejo fictício criado a partir de retalhos do inconsciente coletivo do que é interior do Brasil. É desse lugar imaginário que o estilista Antônio Castro tira as referências de arquitetura, paisagens, comércio e fol-
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SPFW clore para as ilustrações bordadas ponto-cruz sobre as roupas da coleção. É difícil atravessar cidades do Nordeste, sobretudo as sertanejas, sem cruzar com a imagem de Padre Cícero. Conhecido pelos devotos como padroeiro da região, ele é onipresente: está nas estátuas das praças, nas capelas, nos adesivos colados em carros e caminhões, e nos quadros pendurados nas paredes das casas. Catarina Mina - A estilista Catarina Mina apresenta a coleção Carnaúba, palmeira símbolo do nordeste e fonte tanto da palha usada no artesanato como bordados de Caicó. Bordado livre a mão, renda de bilro e bolsas de palha que a marca trabalha há 5 anos. Mistura esse toque artesanal sobre base de tecidos finos de seda, linho, cambraia de rami e algodão em
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silhueta alongada próxima do corpo, mas com movimento e transparências SAU - Marca reafirma suas raízes artesanais e apresenta inovações que unem ancestralidade e contemporaneidade. Imersa na energia do sagrado feminino. A coleção foi estruturada em três atos: Corpo, com tons terrosos, tramas e a presença da palha artesanal. Mente com peças mais conceituais, com transparências, recortes e vazados. E, Alma, com o brilho do paetê e do latão. A ancestralidade nordestina também ganha protagonismo com a participação de Dona Boba, artesã da comunidade Cabreiro (em Aracati, interior do Ceará), seu trabalho transmitido ao longo de décadas, em peças feitas à mão, dá o tom singular da coleção.
Gustavo Silvestre
Flávia Aranha
MODA
UÓ POR MARCELO SOMMER UNE ARTE E SUSTENTABILIDADE EM COLLAB COM LENZING™ ECOVERO™ E TEXTIL CARMEM PEÇAS GARIMPADAS EM BRECHÓS PELO MUNDO GANHAM NOVA VIDA COM TECIDOS SUSTENTÁVEIS DE VISCOSE
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moda é um espelho do tempo — reflete comportamentos, traduz sentimentos e se reinventa constantemente. Em meio às transformações que marcam o setor, cresce o desejo por uma moda com propósito, capaz de unir estética, consciência e inovação. É nesse cenário que nasce a nova coleção UÓ por Marcelo Sommer, uma collab que entrelaça arte e sustentabilidade, criada em parceria com LENZING™ ECOVERO™ e Textil Carmem. Composta por peças únicas, entre saias, jaquetas, blusas e sapatos, a coleção foi desenvolvida a partir do upcycling, processo criativo que transforma peças já existentes em novas criações de maior valor e significado. Garimpadas em brechós nacionais e internacionais, as roupas foram reinterpretadas e combinadas com tecidos de estoque da G. Vallone Têxtil produzidos com as fibras de viscose sustentáveis LENZING™ ECOVERO™, fiadas pela Textil Carmem, resultando em uma moda que questiona, provoca e inspira. A paleta vibrante, com tons esportivos de azul, vermelho, verde e amarelo, evoca looks icônicos e traduz a irreverência característica do universo criativo de Sommer. “A ideia é justamente mostrar que a moda pode ser divertida e responsável ao mesmo tempo. O upcycling
é um gesto de liberdade criativa, e com o toque e o caimento impecável da fibra de viscose LENZING™ ECOVERO™, conseguimos um resultado sofisticado e consciente”, afirma Marcelo Sommer, diretor criativo da marca UÓ. “Mais do que criar produtos, buscamos contar histórias que inspirem uma nova forma de consumir moda. A Lenzing foi pioneira na definição de metas científicas para redução das emissões de gases de efeito estufa, e parcerias como esta mostram como sustentabilidade e desejo podem caminhar juntas”, explica Juliana Jabour, Gerente de Desenvolvimento de Negócios Têxteis do Grupo Lenzing na América do Sul. “Participar deste projeto é reafirmar nosso compromisso com a moda consciente e com a excelência técnica. Cada fio produzido carrega a energia de um futuro mais responsável”, comenta Maria Eduarda Martins, Marketing da Textil Carmem. Apresentada em primeira mão no São Paulo Fashion Week, em outubro, a collab UÓ | LENZING™ ECOVERO™ | Textil Carmem estará disponível a partir de 23 de outubro na loja Pinga, no Jardim Paulista, celebrando uma moda que combina arte, sustentabilidade e emoção. Fonte. Tastemakers Brasil Revista Têxtil #794
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MODA E CONFECÇÃO
COLEÇÃO ASSINADA POR HELO ROCHA PARA A RIACHUELO UNE LEVEZA, SENSUALIDADE E O SABER DAS RENDEIRAS BRASILEIRAS Por Fred Haydu
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coleção assinada por Helo Rocha para a Riachuelo, com Camila Pedroza no desenvolvimento criativo, traduz um encontro potente entre moda autoral, varejo e cultura brasileira. Composta por 140 looks, a proposta valoriza a leveza, a sensualidade e a brasilidade nordestina, tendo como base o trabalho de rendeiras tradicionais, cujo saber manual atravessa gerações e carrega identidade, memória e pertencimento.
Lançada em em 2 de dezembro, com desfile apresentado na Casa Oscar Niemeyer em São Paulo, a coleção foi pensada estrategicamente para o verão brasileiro, conectando-se ao calendário de festas, especialmente o Réveillon, período em que rendas, transparências e tecidos leves assumem protagonismo no guarda-roupa feminino.
ASSINATURA HELO ROCHA BRAND E DIREÇÃO CRIATIVA À frente da Helo Rocha Brand, a estilista imprime sua assinatura reconhecida pela valorização do fazer manual, da feminilidade contemporânea e da estética brasileira. Nesta colaboração, Helo Rocha conduz o conceito e a narrativa da coleção, enquanto Camila Pedroza atua no criativo, contribuindo para o desen-
RIACHUELO: PROTAGONISMO NO VAREJO E FORÇA DE MERCADO Uma das maiores varejistas de moda do país, a Riachuelo ocupa posição de destaque no mercado brasileiro, com faturamento anual na casa de dezenas de bilhões de reais, ampla capilaridade nacional e uma estratégia cada vez mais focada em coleções com identidade, propósito e conexão cultural. Nos últimos anos, a marca tem investido fortemente em colaborações que unem design autoral, valorização da cadeia produtiva e apelo comercial, reforçando seu protagonismo no varejo de moda. A aproximação com criadores brasileiros e projetos que evidenciam o fazer manual integra uma estratégia que busca diferenciar produto, gerar desejo e ampliar relevância junto ao consumidor. Inserida no contexto do verão e das festas de fim de ano, a coleção assinada por Helo Rocha chega em um momento-chave para o varejo. A temática que envolve Réveillon, clima tropical e brasilidade nordestina reforça a expectativa de desempenho positivo nas vendas do último trimestre, período tradicionalmente aquecido e estratégico para o setor.
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Colaboração com artesãs de Timbaúba dos Batista, Seridó, sertão do RN
MODA E CONFECÇÃO volvimento de silhuetas atuais, fluídas e alinhadas às demandas do varejo nacional. “A Helo Rocha Brand nasce do desejo de contar histórias brasileiras por meio da moda, valorizando técnicas artesanais e traduzindo esse saber para um contexto contemporâneo, acessível e conectado ao tempo presente”, afirma Helo Rocha.
Riachuelo demonstra que é possível unir autoria, escala e propósito, criando produtos que carregam história, identidade e relevância comercial.
LEVEZA, SENSUALIDADE E VERSATILIDADE A coleção é composta por saias, vestidos, batas e calças, com modelagens que privilegiam movimento, conforto e elegância natural. As rendas aparecem como elemento central, criando jogos de transparência que reforçam uma sensualidade sutil, nunca óbvia, profundamente ligada à identidade do Nordeste. Um dos diferenciais do projeto é o forro vendido separadamente, ampliando as possibilidades de uso das peças e permitindo diferentes leituras de styling, do mais sensual ao mais comportado, aumentando a versatilidade e a vida útil do produto.
DO ARTESANAL À ESCALA DO VAREJO Transformar técnicas artesanais em uma coleção de grande alcance exigiu um trabalho cuidadoso de adaptação do feito à mão à produção em escala. O desenvolvimento envolveu estilistas, rendeiras e equipes técnicas da Riachuelo, criando um fluxo produtivo que preserva a essência do trabalho manual sem perder eficiência industrial. Esse diálogo entre tradição e inovação reforça a importância de integrar o artesanato à cadeia têxtil de forma ética, estruturada e sustentável.
MODA, CULTURA E IMPACTO SOCIAL Mais do que uma coleção, o projeto representa um movimento de valorização social e cultural ao colocar o trabalho das rendeiras no centro de uma narrativa de moda acessível e contemporânea. Ampliar a visibilidade dessas técnicas tradicionais, propicia à parceria a geração de impacto econômico e a contribuição para a preservação de saberes ancestrais. A colaboração entre Helo Rocha, Camila Pedroza e
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36º BIENAL SP ARTE X MODA X TEXTIL X SUSTENTABILIDADE Por Laura Yamane
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moda se alimenta de inspiração e pode caminhar pelos campos da arte, surge do desejo de se tornar semelhante ao próximo e da consequência de criar uma identidade diferente, construiu sua história a partir dos desejos da sociedade e do indivíduo. Por sua vez, a arte é fruto das produções humanas que possuem ou não utilidades, sendo esta construtora cultural das civilizações, ou seja, apresenta por meio de objetos a história do homem e de sua sociedade independente da época em que se encontra. O propósito deste trabalho é destacar alguns momentos da história da moda em que a arte se mostrou influente ou inspiradora. Por meio de pesquisas bibliográficas e eletrônicas, apresentam conceitos sobre Moda e sobre Arte, além de localizar os momentos em que essas áreas se combinam. Sendo assim, conclui-se que a moda é uma forma de manifestação artística, e ambas são fenômenos sociais e possuem características em comum, sendo e, de acordo com a história, podem caminhar juntas. É o que vamos analisar, comparar e analisar as obras expostas na 36º BIENAL SP e o que está sendo criados as coleções com este mesmo tema e inspiração A proposta central dessa Bienal é repensar a humanidade como verbo, uma prática viva, em um mundo que exige reimaginar as relações, as assimetrias e a escuta como bases de convivência a partir de três fragmentos/eixos curatoriais. A metáfora do estuário – local onde diferentes correntes de água se encontram e criam um espaço de coexistência – guia o projeto curatorial, inspirado nas filosofias, paisagens e mitologias brasileiras. Tal conceito reflete a multiplicidade de encontros que marcaram a história do Brasil e propõe que a humanidade se una e se transforme por meio de uma escuta atenta e da negociação entre seres e mundos distintos Na moda a Casa de Criadores realizada em novembro o tema principal foi a sustentabilidade atravessou diferentes momentos da programação, com destaque para práticas de reaproveitamento de materiais e processos criativos que partem do que seria descartado, refletindo a realidade e os desafios da moda independente no Brasil. Conclusão- Arte x Moda x Condições climáticas, caminham paralelamente.
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Na Casa de Criadores, Lucas Caslu usou tampas de garrafa pet misturados com tecidos descartáveis multicoloridos.
Bienal SP – “What Do You See” (2025) Na instalação What Do You See (2025), apresentada no Pavilhão da Bienal de São Paulo, tiras de folhas de palmeira trançadas cobrem a fachada modernista do edifício. A intervenção cria uma camada orgânica que funciona ao mesmo tempo como proteção simbólica e como limite temporário, estabelecendo um diálogo entre arquitetura, natureza e coletividade. As cores terrosas reforçam a dimensão ecológica da obra, que propõe uma leitura ampliada da relação entre arte e meio ambiente.
Bienal SP - Moffat Takadiwa. O artista tece vínculos estreitos entre a crítica ao consumismo e à desigualdade, por meio da coleta e da organização de resíduos pós-industriais e das tradições culturais africanas, particularmente do Zimbábue, seu país de origem. A partir de fragmentos de produtos descartados de uso cotidiano, embalagens e fios de materiais diversos, Takadiwa cria objetos multicoloridos.
SPFW – Apresentada no SPFW a bolsa da marca SAU é produzida com tiras de palmeira, confeccionadas manualmente por artesãs locais. O acessório evidencia a valorização do trabalho artesanal e dos saberes tradicionais, incorporando práticas ancestrais ao design contemporâneo e fortalecendo a conexão entre moda, território e identidade cultural.
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Juliana dos Santos cria com a cor azul efêmera da Clitoria ternatea, um universo de impermanência e sensibilidade sobre corpos negros.
Bienal SP - Nádia Taquary (Salvador, 1967). Vive em Salvador e investiga tradições e práticas do sagrado afro-brasileiro, a presença do protagonismo feminino negro e seu legado ancestral. Na instalação Ìrókó: A árvore cósmica (2025), a artista aprofunda sua relação com os materiais e com a forja do bronze. Utilizando fibra de vidro, esculturas em bronze representando as Ìyámis (entidades femininas ancestrais) e fios de contas nas cores da divindade Ìrókó, a obra evoca o conhecimento ancestral por meio do ciclo da vida. Ìrókó, orixá senhor do tempo e da ancestralidade, passou a ser cultuado no Brasil por meio da gameleira – árvore presente nos terreiros de religiões de matriz africana, sinalizada por uma bandeira branca. Ìrókó é o antídoto para os males, a calma após a tempestade, a inevitabilidade da vida. Foi a primeira árvore plantada e, segundo a tradição, foi por ela que os orixás desceram à Terra, e sobre ela pousaram as feiticeiras Ìyámis.
SPFW - SAU é uma marca de moda praia de Yasmin Nobre que vem do Rio. Apresentou uma coleção em homenagem ao sagrado feminino, feita em colaboração com a estilista Simone Nunes. O desfile fala do corpo e a conexão com a terra, com tons terrosos e tramas artesanais de palha e couro, o segundo bloco fala da mente, onde aparecem os recortes vazados.
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BIENAL Bienal SP - Lidia Lisboa. “Tetas que deram de mamar o mundo” é uma série de Lidia Lisboa desenvolvida ao longo de mais de dez anos, artista apresenta uma instalação formada por cinco obras da série. Feitas com tiras de crochê, as peças pendem do teto em formas que remetem a seios ou úteros, celebrando a criação da beleza e defendendo, com radicalidade, a transformação da matéria da realidade, ao mesmo tempo em que apontam para as assimetrias sociais na distribuição das responsabilidades do cuidado
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João Acaso. O visitante mais importante da feira. Porque é nos encontros inesperados que surgem as melhores ideias. Algas podem deixar coletes de proteção mais seguros? Uma lagarta pode revolucionar a alta-costura? Inovações assim – surpreendentes, improváveis, inspiradoras – merecem ser descobertas de perto.
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BIENAL Bienal SP - Joar Nango é um artista e arquiteto do povo Sami indígenas que habitam o território hoje dividido entre Noruega, Suécia, Finlândia e Rússia. Nango apresenta um desdobramento do projeto Girjegumpi, desenvolvido há quase dez anos. Trata-se de uma biblioteca de arquitetura Sami, um espaço nômade de convívio e colaboração que reúne publicações sobre arte, arquitetura, design, ativismo, teorias descoloniais e saberes Sami. Incorporando elementos do contexto local, a obra agrega conhecimentos, bibliografia e técnicas construtivas de povos indígenas, quilombolas e do manguebeat, além de materiais coletados nos arredores do Pavilhão Ciccillo Matarazzo. O espaço, de caráter permeável, tátil e voltado à convivialidade, é composto de estantes que abrigam livros sobre direitos territoriais, tempo animal e saberes ancestrais, construídas com materiais em diálogo direto com os conteúdos que sustentam.
Vicunha Têxtil, o diálogo entre tradição e indústria aparece nos tecidos desenvolvidos pela Vicunha Têxtil, com tingimento em índigo e lavagem acid wash. O efeito marmorizado remete à ação do tempo sobre a matéria e aproxima processos industriais de referências artesanais, revelando novas possibilidades narrativas para o denim contemporâneo.
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Flor Brasil. A artesã vive em Manaus Cria bolsas com palhas amazônica e cultua a Economia Criativa com mão de obra dos povos indígenas. Suas obras fazem sucesso em todos os países onde são comercializadas. Têm uma linha de decoração.
Bienal SP - O trabalho de Ruth Ige se destaca pelo uso de materiais com forte carga simbólica, como pó de baobá, índigo, folhas secas nigerianas, argilas brasileiras e espirulina azul. Esses elementos funcionam como suportes de memória e conhecimento, estabelecendo conexões entre culturas africanas e experiências da diáspora em diferentes partes do mundo, incluindo o Brasil.
BIENAL Da Casa de Criadores - Meninos Rei, reconhecida por seu trabalho com estampas africanas, a marca Meninos Rei levou à Casa de Criadores uma coleção inspirada nas referências culturais do Recôncavo Baiano. O desfile apresentou uma releitura contemporânea de elementos do folclore, das danças, das musicalidades e das religiosidades locais, reafirmando a moda como espaço de expressão cultural e identidade.
Bienal SP - Myriam Omar Awadi utiliza o bordado como elemento central de sua pesquisa artística. Mais do que ornamentação, a técnica funciona como registro visual e cultural. Cada shiromani apresentado pela artista opera como objeto ritual e documento simbólico, reunindo histórias, afetos e saberes transmitidos ao longo do tempo.
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A designer imagina. A engenharia torna real. Na moda, as ideias nascem sem parar – e cada vez mais rápido. Na Texprocess, você encontra as mentes que transformam criatividade em produção eficiente. Engenheiros e soluções que elevam o potencial dos materiais, garantindo precisão, qualidade e resultados impressionantes em cada etapa, até os mínimos acabamentos.
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DIH MORAIS: DO QUILOMBO AO TERREIRO, MODA COMO ANCESTRALIDADE E PERTENCIMENTO
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ascido e criado no Quilombo Barro Preto, no sertão da Bahia, Dih Morais está à frente da marca que leva seu nome desde 2016. Designer quilombola e candomblecista, constrói uma trajetória que atravessa moda, artes aplicadas e design, criando roupas, bolsas, calçados e objetos que carregam narrativas profundas de identidade, memória e resistência.
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Desde 2022, Dih desenvolve uma pesquisa autoral com cabaças, material ancestral de forte herança africana. Incorporadas a peças totalmente feitas à mão, as cabaças aparecem em bolsas, roupas e objetos decorativos produzidos pelo próprio designer ou por mulheres
MODA pretas — em grande parte do quilombo onde cresceu — em uma estratégia de fomento econômico, empoderamento e valorização de saberes tradicionais.
em barro que transitam entre moda e arte, transformando memórias do chão de terra em expressão estética.
Cada criação carrega uma narrativa cultural e histórica que reflete não apenas as vivências dos artistas envolvidos, mas também a memória de seus ancestrais. Essa visão se estende às palestras que Dih realiza pelo Brasil, onde defende a moda como espaço de vivências, trocas e consciência social. Com práticas sustentáveis e de upcycling, sua moda propõe um fazer mais humano e conectado à origem dos materiais.
“Minha moda é sobre minhas histórias e vivências”, afirma Dih Morais. Vestidos com franjas que evocam rios, crochês que remetem a balaios de pesca e referências à infância no sertão constroem uma narrativa afetiva e política.
A trajetória do estilista — do sertão baiano ao ateliê no centro histórico de São Paulo — é marcada por resiliência e potência criativa. Antes dos 40 anos, participou de eventos como Afro Fashion Day, Casa dos Criadores, São Paulo Fashion Week e realizou um desfile autoral no Brasil Eco Fashion Week. Sua coleção Quilombo Barro Preto materializa em roupas e acessórios a ideia de pertencimento conquistado. A cabaça, pioneiramente levada às passarelas pelo designer em 2022, dialoga com o algodão em crochê e franjas, a palha da costa — símbolo das religiões de matriz africana — e o linho, tecido historicamente associado à afirmação social de pessoas negras libertas. A paleta privilegia tons naturais, terrosos e crus, com pontuais contrastes em vermelho e preto. A coleção traz ainda as icônicas bolsas de cabaça e peças
A coleção marca também um feito histórico: em 2025, Dih tornou-se o primeiro estilista quilombola a desfilar em África, ampliando seu aquilombamento criativo ao reunir artistas e artesãos de diferentes regiões do Brasil. No encerramento da narrativa, Do Quilombo ao Terreiro apresenta os Orixás vivos que acompanham o designer em sua caminhada. Exu abre o desfile e os caminhos, trazendo luz e movimento; Ogum, divindade do ferro e dos grandes percursos, forja o caminho do estilista; Omolu, Orixá da riqueza e da regeneração, simboliza cura e abundância; e Iemanjá, mãe e senhora de todas as cabeças, encerra a coleção com acolhimento e ancestralidade. Os desenhos exclusivos dos Orixás foram criados pelo artista baiano Jefferson Mendonça e ganharam forma em bordados manuais realizados pela artista Leila Cheuiche, além do trabalho das crocheteiras Irlanda Maria e Luana Freitas. A construção das peças contou ainda com a participação direta da família do designer — sua mãe Sinha e sua irmã Gabriele — e
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MODA com a costura compartilhada com Sofia Lins. A inspiração afetiva vem da avó Mainha, ancestral viva e matriarca da família, figura central na memória e na obra de Dih. Vestidos com franjas que evocam rios e crochês tramados como balaios remetem às lembranças da infância no sertão, quando Mainha saía para pescar nas épocas de cheia como forma de garantir alimento para a família. Essas memórias transformam roupas em narrativa viva, espiritualidade e pertencimento. Do Quilombo ao Terreiro é moda feita sem pressa, com materiais naturais e profundo respeito à ancestralidade, à espiritualidade e à sustentabilidade. Um retorno às origens que reafirma: “O futuro da moda é textil e ancestral”.
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Fotos desfile de África: @raelsilver_rs Foto fundo azul: Jo Paiva
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