Skip to main content

REVISTA APM #10

Page 1

JUNHO/JULHO DE 2020

1


A

qui em Mogi e nas cidades vizinhas, o cenário diante dessa pandemia da Covid-19 com relação ao comportamento da população se assemelha aos demais municípios do Estado. Muitos se preocupam e respeitam os protocolos da Organização Mundial de Saúde, que prega o distanciamento social, o uso de máscaras, lavagem das mãos e álcool em gel. Mas também boa parte não cumpre, o que contribui para que a curva de pacientes suspeitos, diagnosticados e dos óbitos não esteja sendo achatada como deveria. Temos uma boa estrutura em Mogi, com hospital de campanha e hospital de referência para o coronavírus e, pelo que estou vendo, o Poder Executivo está fazendo tudo para conter a disseminação da doença, mas também cabe à população fazer a sua parte. No tocante aos profissionais da saúde, a APM-Mogi se mantém disponível para auxiliar no que for preciso e cobrar que se cumpra todos os meios para que esses profissionais estejam o mais seguros possível durante o atendimento na linha de frente, tendo ao seu alcance os equipamentos de proteção individual e também atendimento psicológico, quando houver necessidade.

ANO 02 N°10 JUNHO/JULHO DE 2020

A APM incentiva a telemedicina nesse momento, inclusive com cursos à disposição dos associados para esse atendimento virtual com os pacientes. Vamos passar uma fase de transição, um período de muita mudança, pós pandemia. Vamos fazer uma medicina mais preventiva e as plataformas de telemedicina vão ser muito utilizadas, mas deve ser de uma forma orientativa porque nada substitui o exame clínico e nem consulta presencial. Um abraço a todos e boa leitura!

Alex Sander José Miguel Presidente da APM Regional Mogi das Cruzes

Todo conteúdo opinativo da revista Plantão é de responsabilidade de seus autores, devidamente identificados nos artigos.

JUNHO/JULHO DE 2020

3


COVID-19: 84,5% DOS MÉDICOS COMPREENDEM Apuração realizada pela Associação Paulista de Medicina aponta ainda que 96,6% admitem a possibilidade de faltar profissionais para o atendimento e mostra que 58,5% (entre médicos e equipe multidisciplinar) já foram vítimas de violência relacionada à pandemia; 64% dos médicos não foram testados para Covid-19

A

Associação Paulista de Medicina realizou, entre 15 e 25 de maio, nova pesquisa sobre os problemas e carências dos médicos no enfrentamento à Covid-19 e eventuais reflexos na assistência aos pacientes infectados. A amostragem contou com a participação de 2.808 profissionais de todo o País, respondendo espontaneamente a questionário estruturado on -line, via plataforma Survey Monkey. Questões de relevância para a segurança do atendimento, para minimizar riscos aos médicos e aos pacientes, embasaram o levantamento. Por exemplo: indagados sobre a percepção que têm do isolamento social, a somatória de 75,3% respondeu bom e importante. Talvez por conhecerem a fundo a realidade do novo coronavírus, os profissionais de Medicina não demonstram otimismo quanto ao futuro imediato em São Paulo e no Brasil. Ao contrário: 84,5% consideram que ainda não atravessamos a pior onda da Covid-19. Apenas 3,4% afirmam ser improvável faltar médicos para cuidar dos infectados. Os outros 96,6% admitem a possibilidade isso ocorrer, em variados níveis. Aliás, 46% dos que estão na linha de frente apontam que já faltam médicos e profissionais da Saúde nas unidades em que trabalham.

64% dos médicos da linha de frente não foram testados para Covid-19. Quer dizer, são profissionais vulneráveis, assim como os pacientes que assistem.

Outros dados preocupantes dizem respeito à integridade dos médicos: 58,5% já presenciaram ou souberam de casos de violência contra médicos e outros profissionais da Saúde por conta da pandemia. O mais grave é que 17% desses episódios são de agressão física.

Aos profissionais de Medicina, foi indagado também se a rotina de atendimento a pacientes e a percepção deles condizem com os números oficiais de casos divulgados pelas autoridades de Saúde, tanto de infectados quanto de óbitos. Foram 63% os que disseram que não. Deficiências das mais

4

diversas receberam apontamentos dos entrevistados pela pesquisa APM. 33% dizem que faltam máscaras N95, PFF2 ou equivalente (N99, N100 ou PFF3) nos hospitais em que atendem. Há carência de leitos para pacientes que precisam de internação em UTI (18%) e de leitos para os pacientes que precisam de internação em unidades regulares (12,2%). Os médicos e profissionais da Saúde não estão trabalhando com es-


QUE O PIOR ESTÁ POR VIR, DIZ PESQUISA DA APM Ainda sobre capacitação, fica clara mais uma deficiência do setor público: atualmente, 38,5% dos médicos da linha de frente recebem atualização científica dos hospitais, 38% têm acesso a conhecimento científico via associações médicas e 61,5% pesquisam diretamente na literatura médica. Já o Ministério da Saúde e as secretarias estaduais e municipais ficam no fim da fila com índices de 31,5%, 17,5% e 18,5%, respectivamente. A propósito, a conceituação do Ministério da Saúde despencou após a saída de Luiz Henrique Mandetta. O ex-titular da cadeira tinha excelente aprovação na primeira edição da pesquisa da APM e parcos 5% de ruim e péssimo. Na pesquisa de agora, o MS teve 43,1% de ruim e péssimo – aumento de mais de 800% nas críticas. Os médicos da linha de frente seguem apreensivos, pessimistas, deprimidos, insatisfeitos e revoltados – em uma somatória de 79,3%. Apenas 20,7% dividem-se entre otimistas (5,3%) e tranquilos (15,4%). No período da pesquisa, 75,3% dos profissionais atendiam até cinco pacientes com suspeita e/ou confirmação diariamente. Outros 24,7% respondiam à desumana e arriscada carga de atender entre 6 até mais de 20 infectados por dia, em média.

trutura física/insumos adequados e segurança na opinião de 50,3% dos que responderam ao levantamento e estão atendendo pacientes com Covid-19 Somente 58,7% relatam que quando algum profissional da Saúde tem manifestações clínicas que possam ser atribuídas à COVID-19 ele é sistematicamente submetido ao teste para confirmação diagnóstica, em todos os lugares onde trabalham.

A população também sofre neste quesito: 39,4% dos médicos da linha de frente pontuam que só há testes para os pacientes com sintomas graves e 9,1% relatam não existir testes em seus locais de trabalho. Entre os médicos que estão atuando no combate à pandemia, 22,3% dizem estar plenamente capacitados para atender os enfermos em qualquer fase da doença, inclusive quando graves, sob tratamento intensivo.

Destes profissionais da linha de frente do combate à pandemia, 33,7% tiveram pacientes assistidos que vieram a falecer com suspeita e/ou confirmação da doença. Cerca de 7,3% já viram morrer entre seis até mais de 20 pessoas. A despeito de estarem trabalhando muito mais e de colocarem todos os dias suas vidas em risco para atender ao próximo, os profissionais de Medicina relatam que tiveram queda de renda em razão da pandemia (85,2%), sendo que 37,6% acusam queda acentuada na remuneração.

JUNHO/JULHO DE 2020

5


JUSTIÇA REFORÇA OBRIGATORIEDADE DO REVALIDA MESMO EM MEIO A PANDEMIA da Medicina, diz: “Os médicos só poderão exercer legalmente a Medicina, em qualquer de seus ramos ou especialidades, após o prévio registro de seus títulos, diplomas, certificados ou cartas no Ministério da Educação e Cultura e de sua inscrição no Conselho Regional de Medicina, sob cuja jurisdição se achar o local de sua atividade”.

N

o último dia 14 de maio, a Justiça Federal emitiu liminar que reforça a defesa do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicas (Revalida) como processo obrigatório para que os Conselhos de Medicina inscrevam diplomados em Medicina por instituições de ensino estrangeiras. O documento indica que a situação de pandemia não justifica “permitir a contratação de profissionais médicos que não atendam a requisitos legais”.

contrassenso. “Uma ação desse tipo se posiciona contrariamente à legislação e aos interesses da população. E favorece grupos que querem se aproveitar da situação de pandemia, um desastre sanitário, para fazerem valer pontos de vista que são absurdos”, argumenta.

A decisão deixa suspensa a ação civil pública movida pela Defensoria Pública União (DPU), que buscava impor ao Governo Federal, em caráter excepcional e temporário, que viabilizasse a contratação de brasileiros e estrangeiros habilitados para o exercício da Medicina no exterior sem a necessidade de revalidação de diplomas.

O magistrado, no entanto, argumentou que por meio do Revalida é possível reduzir o risco de expor pacientes a profissionais sem a devida qualificação. A decisão diz: “[...] a dispensa de revalidação dos diplomas estrangeiros para contratações emergenciais de médicos para enfrentamento da pandemia da Covid-19 se revela uma prática perigosa, com probabilidade de colocar em risco a segurança dos pacientes e usuários do SUS que vierem a ser atendidos por referidos profissionais”.

Para o presidente da Associação Paulista de Medicina, José Luiz Gomes do Amaral, a solicitação de médicos sem revalidação de diplomas é um

É importante ressaltar que o Brasil conta com leis que dispõem sobre a prática médica. A Lei 3.268/1957, por exemplo, que dispõe sobre o exercício

6

Amaral reitera que todo o esforço que se tem realizado pelos médicos nos últimos anos busca qualificar os cursos de Medicina no País e os profissionais brasileiros, como forma de oferecer mais segurança e efetividade nas ações de saúde. Isto é, explica, garantir a saúde do povo brasileiro. No entanto, também são observadas outras iniciativas em sentido contrário. “Proliferam cursos de Medicina insuficientes e há omissão quanto à avaliação de médicos formados aqui ou em qualquer lugar. Vê-se uma pressão grande de grupos de estudantes ‘diplomados em escolas médicas’ nos países limítrofes em busca de legitimar um exercício ilegal da Medicina no Brasil. Não precisamos disso, já temos problemas suficientes em Saúde no País, agravados pela pandemia, para acrescentar a eles recursos humanos não qualificados”, afirma. No entendimento do presidente da APM, as autoridades deveriam se preocupar primeiro em garantir a qualidade de formação dos médicos. “E, segundo, deveriam exigir que os gestores ofereçam postos adequados de trabalho e que valorizem os profissionais no sistema público de saúde.”


PROGRAMA DE EDUCAÇÃO EM TELEMEDICINA PARA MÉDICOS s novas regulamentações e A legislação para a telemedicina no Brasil trazem uma grande oportunidade do uso das tecnologias de informação e comunicação nos cuidados à saúde e às doenças das pessoas. As evidências da literatura científica e do mundo real mostram os benefícios que a telemedicina traz: aumento do acesso das pessoas aos serviços de saúde, melhora a resolutividade dos problemas de saúde, auxílio na organização dos sistemas de saúde e redução dos custos. Desta forma, tanto os pacientes como os médicos terão inúmeras vantagens na utilização da telemedicina, em todas as suas modalidades. Entretanto, torna-se necessário que os médicos aprendam usar a telemedicina de forma responsável. Isto significa saber, entre outros aspectos, limitações, segurança e privacidade, além de como estabelecer uma relação médico-paciente correta através de uma plataforma on-line. Para contribuir com os profissio-

nais médicos na adoção adequada das novas tecnologias digitais, a Associação Paulista de Medicina criou o Programa de Educação em Telemedicina para Médicos, com cursos de curta duração que irão abordar os mais diversos aspectos da aplicação e uso da telemedicina na prática médica, como um complemento aos cuidados presenciais dos pacientes.

Prof. Dr. Jefferson G. Fernandes

Coordenador do Programa de Educação em Telemedicina para Médicos MD, PhD, MBA Neurologista. Vice-Presidente da Associação Brasileira de Telemedicina e Telessaúde (ABTms). Presidente do Conselho Curador, Global Summit Telemedicina & Digital Health, Associação Paulista de Medicina (APM). Coordenador do Programa de Educação em Telemedicina, APM. CEO SPECIS a Health Consulting Firm.

JUNHO/JULHO DE 2020

7


ATIVIDADES FÍSICAS CONTRIBUEM PARA BOA SAÚDE MENTAL E IMUNOLÓGICA NO ISOLAMENTO SOCIAL Por Robert Siqueira (Jornal da USP) O professor ainda destaca que muitos profissionais de educação física estão disponibilizando aulas e treinos on-line para contribuir com quem quer realizar atividades físicas durante a pandemia. Mas alerta sobre alguns cuidados que se devem tomar.

Atividades físicas são essenciais para controle de ansiedade e estresse, mostra estudo da USP Ribeirão, feito em uma parceria internacional

U

m estudo da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP) da USP mostra que manter a prática de atividades físicas se tornou ainda mais importante neste período de isolamento social provocado pela pandemia do novo coronavírus. Além de fortalecer o sistema imunológico, exercícios físicos fortalecem a saúde mental. A pesquisa, realizada em parceria com professores e universidades de países da América Latina e Europa, mostra que pessoas com estilo de vida mais saudável, que já realizavam atividades físicas antes da pandemia ou que aderiram à prática neste período, conseguem suportar melhor a ansiedade e o estresse provocados neste momento. “Nós temos uma indicação de que as pessoas que, antes da pandemia, eram ativas fisicamente têm apresentado respostas psicológicas mais leves em relação à an-

8

siedade, estresse e estado de humor. E quem está realizando as atividades durante a pandemia também tem apresentado resultados melhores”, afirma o professor da EEFERP, Átila Alexandre Trapé, que participou do estudo. Mas os benefícios não estão só na parte imunológica e mental. Realizar atividades físicas durante este período pode evitar problemas de mobilidade no futuro, principalmente para aqueles que, agora, passam mais tempo sentados ou deitados. “A partir do momento que a pessoa está se movimentando menos, há um estímulo menor para o corpo, e isso pode acarretar uma perda de massa muscular e de massa óssea. Então, quem já tem algum tipo de problema, precisa ter ainda mais cuidado. E quem ainda não tem, é o momento de prevenir. As pessoas estão passando boa parte do dia deitadas ou sentadas, é importante fazer algum tipo de movimento”, explica.

“Tem muitos profissionais de educação física promovendo treinos ao vivo, gravando vídeos e divulgando e isso é muito bacana; tem sido muito importante para as pessoas se manterem ativas dentro de casa. Mas é importante ter cuidado, respeitar os seus próprios limites. Se a pessoa não treinava, tem que começar com muita cautela, respeitando suas limitações, o seu nível de condicionamento físico. É preciso ter uma consciência muito boa, avaliar aquilo que tem condições de fazer e tentar se adaptar”, destaca. Mas algumas pessoas têm dificuldades em manter o ânimo e a motivação para fazer os treinos em casa. Segundo o professor, o primeiro passo para se motivar é “reconhecer a importância que as atividades físicas vão proporcionar para a própria saúde da pessoa”. Trapé aponta ainda que “é importante buscar atividades que ofereçam algum tipo de motivação”. Apesar de a prática de atividades físicas ter vários benefícios, isso não significa imunidade à doença. “É importante ressaltar que a gente tem acompanhado casos de pessoas que não apresentam nenhum fator de risco, estão em bom estado de saúde, mas chegaram a ter complicações, ir para a UTI e ainda, em alguns casos, chegaram a óbito. Então, ninguém está resistente ao vírus. Todos estão suscetíveis a se contaminar”, conclui o professor.


DICAS DA ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS) SOBRE SEGURANÇA DURANTE A PANDEMIA DA COVID-19 COMO FAZER COMPRAS COM SEGURANÇA?

Ao fazer compras, mantenha pelo menos 1 metro de distância dos outros e evite tocar nos olhos, boca e nariz. Se possível, higienize as alças dos carrinhos de compras ou cestas antes. Lave bem as mãos após chegar e casa e depois de manusear e armazenar os produtos adquiridos. Atualmente, não há caso confirmado de COVID-19 transmitido por meio de alimentos ou embalagens de alimentos.

QUANTO TEMPO O VÍRUS SOBREVIVE NAS SUPERFÍCIES? O mais importante a se saber sobre a presença de coronavírus em superfícies é que elas podem ser facilmente limpas com desinfetantes domésticos comuns, que matam o vírus. Estudos demonstraram que o vírus da COVID-19 pode sobreviver por até 72 horas em plástico e aço inoxidável, menos de 4 horas em cobre e menos de 24 horas em papelão. Como sempre, limpe suas mãos com um higienizador à base de álcool ou lave-as com água e sabão. Evite tocar nos olhos, na boca ou no nariz.

FUMANTES E USUÁRIOS DE PRODUTOS DE TABACO CORREM MAIOR RISCO DE INFECÇÃO POR COVID-19?

A OMS RECOMENDA O USO DE LUVAS NA COMUNIDADE PARA IMPEDIR A TRANSMISSÃO DO COVID-19? Não, a OMS não recomenda o uso regular de luvas por pessoas no entorno comunitário. O uso de luvas pode aumentar os riscos de infecção em quem usa ou de transmissão para outras pessoas caso sejam tocadas superfícies contaminadas sem que depois as luvas sejam re-

tiradas e as mãos lavadas. Portanto, em locais públicos como supermercados, além do distanciamento físico, a OMS recomenda instalar na entrada e na saída pontos de higiene das mãos de uso público. Ao melhorar amplamente as práticas de higiene das mãos, os países podem ajudar a impedir a propagação do vírus causador da COVID-19.

É provável que os fumantes sejam mais vulneráveis à COVID-19, pois o ato de fumar significa que os dedos (e possivelmente os cigarros contaminados) estão em contato com os lábios, o que aumenta a possibilidade de transmissão do vírus da mão para a boca. Os fumantes também podem já ter doença pulmonar ou capacidade pulmonar reduzida, o que aumentaria muito o risco de doença grave. Condições que aumentem as necessidades de oxigênio ou reduzem a capacidade do corpo de usá-lo adequadamente colocam os pacientes em maior risco de doenças pulmonares graves, como pneumonia.

JUNHO/JULHO DE 2020

9


PANDEMIA FAZ METADE DOS PAÍSES INTERROMPER TRATAMENTOS DE HIPERTENSÃO E DIABETES Fonte: Estadão

A

pandemia do novo coronavírus está causando graves danos à prevenção e ao tratamento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs). A constatação é de uma pesquisa divulgada no último dia 1 de junho, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a partir de informações coletadas em 155 países, durante três semanas de maio. A entidade alertou que o impacto é global, mas os países de baixa renda são os mais afetados. Cerca de metade dos países investigados interromperam parcial ou integralmente o tratamento da hipertensão (53%) e da diabetes (49%). O índice registrado foi de 42% em relação ao câncer, e de 31% em emergências cardiovasculares. O choque foi ainda maior nos serviços de reabilitação, que registraram paralisação em 63% dos países.

10

A situação é de “significativa preocupação”, afirma a OMS, porque doentes crônicos estão no grupo de risco da covid-19, com maiores chances de complicações e de morte em caso de infecção.

óbitos ao redor do mundo. Uma das alternativas encontradas em meio à pandemia é a telemedicina, utilizada por 58% dos países para substituir as consultas tradicionais.

“Os resultados dessa pesquisa confirmam o que estamos ouvindo dos países há várias semanas. Muitas pessoas que precisam de tratamento para doenças como câncer e diabetes não têm recebido, desde o início da pandemia, os serviços de saúde e medicamentos necessários. É vital que esses países encontrem formas inovadoras de garantir a continuidade desses serviços essenciais, mesmo durante o combate à covid-19”, alertou o diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Os principais motivos para a queda brusca no tratamento das enfermidades não transmissíveis são o cancelamento de sessões planejadas, a diminuição do transporte público disponível e a falta de profissionais — 94% dos países remanejaram funcionários que atuam na área das DCNTs para ações de combate à covid-19.

As doenças crônicas são responsáveis por cerca de 41 milhões de mortes por ano, número equivalente a 71% dos

Entre os países que reportaram interrupções, um quinto (20%) estabeleceu a escassez de medicamentos, diagnósticos e outras tecnologias como uma das principais razões para a paralisação dos serviços.


CINE DEBATE DA APM TERÁ PRIMEIRA VERSÃO ON-LINE NO DIA 8 DE JUNHO

E

m 8 de junho, às 20h30, o Cine Debate on-line da Associação Paulista de Medicina (APM) abordará Dois Papas, filme de Fernando Meirelles indicado a três categorias do Oscar. “Quando a convergência é mais importante que as opiniões pessoais” é o tema de mais uma edição do evento, que tem como coordenador de suas mais de 200 edições o médico Wimer Bottura Júnior, também presidente do Comitê Multidisciplinar de Adolescência da APM. Dois Papas trata do encontro fictício entre o Papa Bento XVI (Anthony Hopkins) e o Papa Francisco (Jonathan Pryce) às vésperas da transição do pontificado. A diferença entre os dois é perceptível – um é bem rígido, enquanto o outro tem uma visão mais maleável da sociedade. Ao longo do filme, eles têm muitas conversas sobre

opiniões divergentes, mas buscam um objetivo comum: a convergência. “Neste momento que estamos vivendo, em que os conflitos e a polarização vigoram, podemos explorar a relação de diálogo entre Papa Bento XVI e Papa Francisco. Precisamos criar convergência para encontrar soluções”, explica Wimer. Os rumos da discussão dependerão dos debatedores: Alfredo Toscano, médico psiquiatra e psicoterapeuta, e Yuri de Oliveira, especialista em Audiovisual. O mote, porém, permanece. Como opiniões pré-estabelecidas, rigidez e necessidade de ter razão mantêm conflitos e distanciam de soluções? A obra não poderá ser exibida antes do debate, por isso, é muito impor-

tante que as pessoas interessadas assistam para inteirarem-se da discussão. Ao final, a conversa será aberta para perguntas dos participantes. “É uma oportunidade de percebermos as diferentes formas de ver e compreender um mesmo fenômeno e a importância de chegar em um ponto de consonância”, finaliza o coordenador do Cine Debate da APM. Data: 8 de junho de 2020 Horário: 20h30 Inscrições e acesso: https://zoom.us/webinar/ register/WN_C5NqFHq_ R3eLWOL_FEXojQ ID do Webinar: 993 8704 7999

JUNHO/JULHO DE 2020 11


POLI E HC DESENVOLVEM “ALMOFADAS” HOSPITALA Por Ivanir Ferreira (jornal da USP)

Ajustados ao posicionamento do corpo, os chamados coxins ajudam na recuperação da doença, na prevenção de lesões ortopédicas e ulceração da pele

A

ação conjunta e voluntária de médicos, engenheiros, pesquisadores e empresários tem levado a USP ao desenvolvimento de inúmeros projetos de aplicação médica para o combate ao novo coronavírus. O mais recente deles envolve a fabricação de dispositivos anatômicos (coxins) – uma espécie de “almofada” – para acomodar pacientes graves com covid-19 que permanecem por longos períodos internados nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Colocados embaixo do paciente em posição pronada (decúbito ventral, ou seja, com a barriga para baixo), os dispositivos funcionam como amortecedores das proeminências do corpo que ficam em contato com a cama. Além de ajudar na recuperação da doença, os coxins minimizam a evolução de processos inflamatórios pulmonares e evitam lesões or-

12

topédicas e ulcerações de pele, conta ao Jornal da USP a médica Kelly Cristina Stefani, do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), e uma das responsáveis pela interface da equipe do HC com a do professor Douglas Gouvêa, do Laboratório de Processos Cerâmicos da Escola Politécnica (Poli) da USP, que coordenou o projeto dos dispositivos médicos. A demanda pela fabricação dos produtos partiu de médicos do HC, que trabalham na linha de frente com infectados com o novo coronavírus. Segundo a médica, o estoque habitual de coxins para pronação era pequeno nos hospitais e reservado principalmente aos pacientes operados na posição ventral, como cirurgias de coluna, plástica e alguns tipos de neurocirurgias. No entanto, a posição pronada tem sido um recurso tera-

pêutico indicado também para tratamento de infectados pela covid-19, com insuficiência respiratória, e que evoluem para estágios mais graves da doença, necessitando de hospitalização, suporte de oxigênio, intubação traqueal e a ventilação mecânica com ajuda de aparelhos, relata Kelly. Segundo a professora Maria José Carmona, da FM e coordenadora de UTIs do HC, os coxins disponíveis nos hospitais foram suficientes para atendimento de poucos casos de covid-19 que necessitaram de pronação. Com o mercado desabastecido e poucos fabricantes nacionais preparados para produzir e entregar coxins na velocidade exigida, os médicos do HC recorreram às parcerias público-privadas da Poli, relata. Maria


RES PARA TRATAR PACIENTES GRAVES DE COVID-19 José coordena o Centro de Inovações Tecnológicas do Instituto Central (Citic-Inova HC) do Hospital das Clínicas, que estabeleceu parceria com a Poli. Os coxins disponíveis no mercado brasileiro, geralmente, são “confeccionados com géis poliméricos e visco elásticos. São feitos de materiais importados, caros e de pouca adequação à anatomia do corpo humano, principalmente aos contornos da face”, conta Gouvêa. Já os que estão sendo produzidos pela Poli/HC são mais apropriados para uso hospitalar e caminham em duas frentes: a primeira, em parceria com a FOM que tem uma linha de produtos de uso doméstico (travesseiros, almofadas, encostos de pescoço, pufs, etc), feitos em tecidos preenchidos com microesferas de poliestireno expandido.

A ideia foi “fazer adaptações nesses produtos e transformá-los em coxins que se acoplassem melhor à anatomia do corpo humano e que atendessem às exigências técnicas hospitalares”, diz o pesquisador. Os testes com esses modelos já foram realizados e o projeto de fabricação em escala já está em execução pela equipe da FOM. A segunda frente do projeto trabalha com espumas de poliuretano, cujos parceiros são a DOW , a Duoflex e a F.A. Colchões. Os protótipos iniciais dessa parceria já foram fabricados e estão sendo testados no HC desde o dia 20 de maio. Os novos produtos com microesferas de poliestireno expandido são genuinamente brasileiros, têm cus-

to mais baixo de fabricação (custam três vezes menos que o importado), são laváveis, possuem costuras impermeáveis e são de fácil higienização, diz o pesquisador. Inicialmente, os coxins fabricados serão doados ao HC pelas empresas parceiras, mas em um futuro próximo deverão ser comercializados para atender à rede privada de hospitais. A parceria da Poli, HC e empresas se deu pelo acordo entre o Cetic-HC e o Inova Poli, coordenado pelo professor Vanderley Moacyr John. O projeto que deu origem aos coxins hospitalares foi Coxins de Pronação de Pacientes de Covid-19 com Insuficiência Respiratória Grave.

JUNHO/JULHO DE 2020 13


CAMPANHA DE VACINAÇÃO CONTRA A GRIPE PROSSEGUE ATÉ DIA 30 DE JUNHO O Ministério da Saúde prorrogou a Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe até o dia 30 de junho. A campanha teve três fases, sendo que a terceira fase (dividida em duas etapas) iria até sexta-feira, dia 5 de junho. Porém, o baixo índice de vacinação de grupos prioritários motivou a prorrogação.

Fonte: PMMC

NOVA PESQUISA MOSTRA QUE 4,9% DOS MOGIANOS JÁ TIVERAM CONTATO COM COVID-19 Secretaria Municipal de Saúde A de Mogi das Cruzes concluiu a segunda etapa da Pesquisa Co-

vid-19 realizada entre os dias 7 e 21 de maio com mil moradores da cidade. O estudo é uma amostragem de testes rápidos do novo coronavírus nos bairros de Mogi das Cruzes com o objetivo de saber qual é a parcela da população que já teve contato com o vírus, ainda que não tenha desenvolvido sintomas da doença. A pesquisa mostrou que 4,9% já tiveram contato com o Covid-19, sendo que 1,1% dos testados estão na fase aguda da doença e 1,2% passando da fase aguda para a cura. “Na projeção do estudo em relação à população da cidade, podemos estimar que mais de 9 mil mogianos estão na fase aguda da doença, sem qualquer sintoma, andando por aí. Por isso a necessidade de mantermos todos os cuidados, principalmente o isolamento social”, explica o secretário municipal de Saúde, Henrique Naufel. De acordo com o estudo, 2,5% dos testados já passaram pela doença e produziram anticorpos. A grande maioria - 95,1% - não teve contato com o Covid-19 até o momento. Os dados fazem

14

parte da segunda fase de um estudo randomizado utilizado para as políticas públicas de atendimento e combate à doença no município. Os testes rápidos foram aplicados pelas equipes da Secretaria Municipal de Saúde em todas as regiões de Mogi das Cruzes, obedecendo a proporção populacional de cada região. De acordo com a pesquisa, a retestagem deveria ser feita com as mesmas mil pessoas participantes na primeira etapa, realizada em abril. Das mil pessoas testadas anteriormente, 880 foram novamente testadas, 101 não foram localizadas, 17 recusaram a testagem e duas encontravam-se hospitalizadas, uma delas em razão da Covid-19. Também foram realizados testes em 81 familiares de 27 pessoas que testaram positivo, complementando o monitoramento. O estudo mostrou que um familiar estava na fase aguda da doença, quatro passando da fase aguda para fase da cura e seis já haviam passado, com a produção de anticorpos para a defesa do organismo. Dos familiares pesquisados, 70 pessoas não tiveram contato com a Co-

Até o dia 29 de maio, Mogi das Cruzes aplicou 109.131 doses de vacina contra a gripe, mas somente dois grupos contemplados atingiram os índices de cobertura dentro do esperado: idosos e trabalhadores de saúde. Os demais ainda estão abaixo das metas. Diante disso, a Prefeitura de Mogi das Cruzes está convocando todos os grupos contemplados ainda não vacinados a comparecerem o mais breve possível aos postos de saúde. A vacina está disponível em todas as unidades de saúde, de segunda a sexta-feira, das 8 às 16h30. A gripe é uma doença que tem complicações graves, como pneumonia e broncopneumonia, principalmente nos grupos considerados prioritários. É também causa frequente de descompensação de doenças crônicas e porta de entrada para infecções mais graves em crianças e idosos. Grupos Prioritários: • Crianças de 6 meses a menores de 6 anos • Gestantes • Puérperas com até 45 dias após o parto • Pessoas de 55 a 59 anos de idade • Pessoas com deficiências (física, visual, auditiva, mental ou intelectual) • Professores das escolas públicas e privadas •Trabalhadores de transporte coletivo • Caminhoneiros e portuários • Profissionais das forças de segurança e salvamento • Pessoas com doenças crônicas • Idosos com 60 anos ou mais • Trabalhadores da saúde


JUNHO/JULHO DE 2020 15


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
REVISTA APM #10 by Revista Plantão - Issuu