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Inovação: homeopatia e heike são usados no café conilon capixaba

Produção de açaí ganha destaque em Alfredo Chaves

Espírito Santo vai sediar Congresso Nacional de Pecuária Bovina


SENAR –

SENAR


ÍNDICE

EDITORAL CAFé: A RIqUEZA DO AGRONEGÓCIO CAPIXAbA

10 AçAÍ

Produção de açaí ganha destaque em Alfredo Chaves e vira nova fonte de renda

Apesar das dificuldades hídricas enfrentadas pelos agricultores capixabas, que tem afetado a produção agrícola nos últimos anos, o Espírito Santo continua se destacando nacionalmente. E quando se fala em café, o Espírito Santo é o maior produtor brasileiro de conilon, com 78% da produção nacional do Robusta. Sobre o café arábica de montanhas, a alta qualidade dos grãos é referência mundial. E nesta edição da Revista Negócio Rural trazemos matérias dedicadas a esse segmento. Uma delas é a homeopatia usada em lavouras de conilon de São Gabriel da Palha, algo inédito até então. Outra matéria é a produção de café arábica orgânico produzido por famílias em Domingos Martins.

14 AGROINDÚSTRIA

Produtor rural produz mais de 20 tipos de geleias na região do Caparaó

24 EVENTO

Sucesso da feira Sabores da Terra incentiva uma nova edição em dezembro

25 EVENTO PECUáRIA

Espírito Santo vai sediar Congresso Nacional de Pecuária Bovina

Julio huber e bruno Faustino Para comemorar a 10ª edição da Revista Negócio Rural, presenteamos você, leitor, com duas capas, mas com o mesmo conteúdo e qualidade. Nesta edição trazemos matérias importantes sobre os cafés conilon e arábica. Por isso resolvemos valorizar as duas variedades de café na capa da nossa 10ª edição.

Foto de capa: Bruno Faustino & Julio Huber Editores de jornalismo: Bruno Faustino - JP - 1375/ES Julio Huber - JP - 2038/ES Reportagem: Bruno Faustino Julio Huber Juliano Rangel Fotografia: Bruno Faustino Julio Huber Secom/ES

Revisão: Evandro Albani Colaboradores: Anderson Percílios Juliano Rangel Diagramação: HM Propaganda (27) 3361-4163 (27) 3114-0433

Periodicidade: Bimestral - Com reportagens apuradas entre 30/07 a 30/09/2017 Endereço e assinaturas: Avenida Presidente Vargas, nº 590, Sala 305 B Centro - Domingos Martins ES - Cep: 29.260-000 (27) 3268-3389 revistanegociorural@gmail.com

Circulação Nacional A Revista Negócio Rural é uma publicação da empresa Nova Comunicação. É proibida a reprodução total ou parcial de textos, fotos e ilustrações, por qualquer meio, sem a prévia autorização dos editores.

revistanegociorural Impressão: Grafisana

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C o o p e r at i v i s m o |

Texto e fotos: Julio Huber - Domingos Martins

Café orgânico incrementa a renda de famílias cooperadas Cooperativa vende café orgânico de duas famílias de Domingos Martins para o Ministério do Desenvolvimento Agrário Mudanças de hábitos sempre são difíceis de serem aceitas e muitas vezes até de serem entendidas por quem não as pratica. Quando se fala em agricultura orgânica, a transição de uma produção convencional, com uso de adubos químicos, agrotóxicos e manejos, que muitas vezes afetam negativamente o meio ambiente, para uma produção natural, sem o uso de qualquer produto químico e com a produtividade normalmente inferior à tradicional, pode ser encarada de maneira distorcida pela maioria dos agricultores. Muitos produtores de orgânicos relatam que, no início, são vistos até como preguiçosos, já que as suas lavouras são conduzidas apenas com roçagem, pois não se usa venenos para eliminar os matos e nem se capina as roças. Mas, só quem sente na pele as consequências do uso de agrotóxicos sabe como é importante consumir e vender produtos livres de produtos químicos. Em Domingos Martins, na região de montanhas do Espírito Santo, duas famílias começaram a produção orgânica devido a histórias muito parecidas: problemas de saúde decorrentes do uso de agrotóxicos. Hoje, além de melhorarem a saúde de suas famílias e de quem compra os produtos naturais, Adriano Orlando Wruck e Dalmácio Barcellos estão colhendo outro benefício: o aumento da renda de suas famílias com a venda de cafés com valores bem acima do praticado no mercado.

Desde o início do ano, o café orgânico produzido por eles e suas famílias está sendo consumido por funcionários do Ministério do Desenvolvimento Agrário, em Brasília (DF). A venda só foi possível graças ao apoio da Cooperativa de Empreendedores Rurais de Domingos Martins (Coopram), que intermediou toda a comercialização. AGREGANDO VALOR - A venda da produção com valor acima do convencional é apenas a consequência de um trabalho que as famílias vêm realizando há vários anos. Para se ter uma ideia, enquanto o valor normal de uma saca de café arábica está em torno de R$ 430,00, a saca do café orgânico já beneficiada e transformada em pó está sendo vendida por R$ 1.222,00 pelas famílias dos dois agricultores, considerando o valor líquido do produto, para Brasília. “Sempre ficamos de olho nas chamadas públicas de comercialização de produtos, para podermos incluir a produção de nossos cooperados. E quando identificamos que o Ministério do Desenvolvimento Agrário queria comprar café orgânico, imediatamente montamos os documentos e enviamos as amostras dos cafés dos dois cooperados para serem avaliadas”, contou o presidente da Coopram, Darli José Schaefer. Cerca de 15 dias depois veio a boa notícia de Brasília: os cafés orgânicos foram classificados para a venda ao governo federal. “Foi muita correria e tivemos as

despesas com a papelada, mas tudo valeu a pena. Esse primeiro contrato foi de dois mil quilos de pó, o que equivale a cerca de 42 sacas de café. Tirando os impostos, são R$ 52 mil circulando na nossa região diretamente de Brasília só dessa venda”, informou Darli. O produtor Adriano, que tem sua propriedade em Rio Ponte, Domingos Martins, enfatizou a importância da cooperativa nesse processo. “Sem a Coopram não teríamos conseguido chegar tão longe. A equipe é muito boa e trabalhou com muita eficiência. Eu sozinho não conseguiria achar esse mercado. É um orgulho saber que nosso café está indo para Brasília”, afirmou. Para Dalmácio Pereira Barcellos, 64 anos, de Pedra Branca, Domingos Martins, esse novo mercado aberto pela Coopram vai incentivar outros cafeicultores a transformarem a produção de suas propriedades em orgânica. “Já estamos recebendo visita de vizinhos e conhecidos para saber como produzimos para poderem também iniciar a transição nas propriedades para agricultura orgânica. Fico feliz que já estamos sendo exemplo”, disse satisfeito. Ele ainda enfatiza a importância das parcerias. “Nós sozinhos não conseguimos chegar a lugar nenhum. E por meio da cooperativa, que descobriu esse novo mercado para nosso café, conseguimos vender a um preço melhor e para um cliente que nunca imaginávamos que poderíamos vender. Foi uma bênção. O preço é muito bom e vamos ampliar a produção”, revela.

“Nós sozinhos não conseguimos chegar a lugar nenhum. E por meio da cooperativa, que descobriu esse novo mercado para nosso café, conseguimos vender a um preço melhor.” Dalmácio Pereira Barcellos - Produtor rural 4 | negócio rural


Na família Barcellos são três gerações que trabalham unidas com a produção de alimentos orgânicos

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“Meu filho morreu por causa do agrotóxico” O início da produção orgânica por agricultores muitas vezes está ligado a casos de doenças ou até mortes de familiares devido ao uso de agrotóxico em lavouras. Infelizmente foi o aconteceu com o produtor rural Dalmácio Barcellos. “Eu perdi um filho devido ao uso de agrotóxico. Na época, eu não tinha a real noção do perigo que era usar produtos químicos nas lavouras. Hoje eu produzo alimentos saudáveis, não afeto a saúde da minha família e nem dos consumidores, mas eu sofri muito com isso”, lamenta Dalmácio. Isso foi no ano de 1983, quando os filhos de Dalmácio eram bem pequenos. “Na época nós trabalhávamos de meeiros e as crianças iam junto com a gente para a roça. Eles brincavam no meio das lavouras e com mudas de bananas cheias de produtos que aplicávamos antes do plantio. Nosso filho começou a passar mal, e um ano e três meses depois ele faleceu devido aos agrotóxicos”, conta entristecido o agricultor. Na época, ele trabalhava de meeiro, mas já possuía a atual propriedade, que é herança de família e onde atualmente ele cultiva suas plantações sem o uso de qualquer produto químico. Dalmácio é en-

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fático ao dizer que os agricultores não deveriam usar agrotóxicos. “É muito triste a gente falar que o veneno matou nosso filho. Hoje eu sei o mal que faz e não consumimos nada que sabemos que é cultivado com veneno”, afirma. PERSISTÊNCIA – Dalmácio conta que em 2007, quando ele participava de uma associação de produtores, havia sete agricultores com produção orgânica. Entretanto, por desestímulo, apenas ele continuou cultivando alimentos sem veneno em sua propriedade, que atualmente é 100% certificada como orgânica. “Os outros associados falavam que o orgânico não teria futuro e não compensava produzir. Mas, eu sabia que um dia iríamos colher os frutos por produzir alimentos saudáveis. Batalhei muito nesses anos, e agora estamos tendo o retorno desse nosso trabalho”, contou. FAMÍLIA UNIDA – Além de Dalmácio Barcellos e sua esposa, três filhos – sendo que um é técnico agrícola e ajuda na propriedade alguns dias da semana -, uma nora e duas netas estão envolvidas na produção de café, banana, laranja, chuchu, abacate e outras culturas. Além da venda do

café orgânico para Brasília, a família vende outros alimentos em feiras orgânicas no Estado. São três gerações unidas com um mesmo propósito. “Sei que esse nosso trabalho vai ter seguimento com meus filhos e minhas netas. Elas estudam em escolas agrícolas e sempre trazem boas ideias”, disse Dalmácio. Leomar Barcellos, filho de Dalmácio e pai de Bruna e Luna, sempre trabalhou com a produção orgânica. “Eu nunca usei nenhum produto químico, pois quando começamos a trabalhar na lavoura já era tudo orgânico. Sei que esse é o caminho e sempre vamos continuar nessa linha. Muitos dizem que não se consegue colher sem o uso de agrotóxicos, mas eu comprovo que nossa produção é boa e até igual à convencional para determinados alimentos”, afirma. As irmãs Bruna e Luna também têm essa mentalidade de produzir alimentos saudáveis. Um dos últimos experimentos de Bruna foi o plantio de chuchu orgânico, para um experimento de sua escola. “Já está comprovada a boa produção e estou vendendo uma caixa a quase R$ 60,00, enquanto que o valor atual do chuchu convencional não passa de R$ 5,00”, contou.


Cafeicultor teve que escolher entre o veneno e a vida de sua esposa Nem toda história de intoxicação tem um final feliz, mas com a família do agricultor Adriano Orlando Wruck essa história foi sim feliz, mas isso porque ele parou de usar produtos químicos em suas lavouras em tempo. “Minha esposa Joselia estava muito doente e não sabíamos o porquê. Fizemos vários exames, vendi até a produção de café que estava nos pés para descobrir o que ela tinha. Quando o médico diagnosticou que a causa de todos os problemas dela estava ligada ao uso de venenos nas lavouras, ele me perguntou se eu queria continuar com a minha esposa ou com os venenos. Eu cheguei em casa e eliminei totalmente os agrotóxicos de nossa propriedade”, relatou emocionado o agricultor. Com uma fala engasgada e com lágrimas nos olhos, Adriano lembra que o seu filho Juliano Wruck, que em 1994 estudava em uma escola agrícola, sempre tentava implantar novas técnicas em sua propriedade, mas ele não aceitava as ideias do filho. Uma delas era a produção orgânica e o manejo nas lavouras sem afetar o meio ambiente, eliminando o uso de capinas e de agrotóxicos. “Meu filho sempre falava que estávamos trabalhando errado e eu não aceitava. Eu até comentei

com minha esposa que nosso filho não ficaria na roça, pois ele estava muito desanimado. Em 26 de maio de 1996, eu tive uma primeira prova de que eu estava errado. Uma chuva forte causou muita erosão em uma lavoura de café que estávamos capinando. E foi aí que eu comecei a perceber que meu filho estava correto”, contou. As mudanças começaram a ocorrer na propriedade. A partir desse dia, as lavouras não foram mais capinadas, mas o veneno para eliminar os matos ainda continuava a ser usado. Foi apenas em 1999, quando ocorreu o diagnóstico da esposa de Adriano, que a família eliminou de vez os produtos químicos na propriedade. “Eu cheguei em casa e falei com meu filho que ele estava certo, e que não usaríamos mais nenhum veneno. Ele ficou muito feliz e me disse que não queria passar por tudo isso, pois eu só acreditei quando o médico me falou”, contou Adriano. A partir de então, Joselia parou de sentir as dores de cabeça, passou a se alimentar melhor e atualmente é uma pessoa sadia e não precisa tomar nenhum medicamento. “Além de agregar valor, preservar minha propriedade, entregar ao consumidor um produto

saudável, eu estou me divertindo e sinto prazer em produzir alimentos sadios, porque há 15 anos eu era um escravo”, completa. LOJINHA NA PROPRIEDADE – A partir do momento em que a família Wruck parou de trabalhar com agrotóxicos nas lavouras, a propriedade passou a ser preparada para a obtenção do certificado da Organização de Controle Social (OCS), conquistada em 2015. Com isso, além do café, eles começaram a comercializar fubá, bananas, feijão, aipim e outros produtos agrícolas, sempre com apoio da Coopram, que revende parte da produção da família para a merenda de escolas da região. Como a procura pelos produtos da família começou a crescer, Adriano, a esposa e os filhos estão construindo uma lojinha para a venda de seus produtos diretamente na propriedade, e também adquiriram equipamentos, financiados pela cooperativa, para o beneficiamento do café. “A cooperativa está nos ajudando muito. Sem esse apoio seria muito difícil conseguirmos montar a nossa estrutura de beneficiamento de café e conseguir agregar valor ao nosso produto”, garantiu Adriano.

Família está construindo agroindústria e lojinha ao lado da lavoura

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As irmãs Luna e Bruna estão estudando em escolas agrícolas para voltarem à propriedade

NOVA GERAçãO DE PRODUTORES NãO TEM CONTATO COM AGROTÓXICOS Após as famílias Wruck e Barcellos migrarem as produções para o orgânico, as novas gerações de agricultores nem estão mais tendo contato com qualquer tipo de agrotóxicos. É o caso do jovem Joelson Wruck, 19 anos. “A transição da nossa propriedade foi em 1997. Como eu nasci um ano depois, eu nunca trabalhei com qualquer tipo de produto químico nas lavouras. Agora estamos também vendendo parte de nossa produção em feiras agroecológicas que surgiram no Estado, e isso também nos incentiva a produzir sem agrotóxicos”, destacou o jovem. As netas do agricultor Dalmácio Barcellos, que chegou a perder um filho devido à intoxicação de venenos usados na lavoura, também nunca tiveram contato com agrotóxicos. Bruna, de 17 anos e Luna, de 13, estudam em escolas agrícolas e darão continuidade à produção orgânica. FEIRAS ORGâNICAS - Os produtores de alimentos orgânicos no Estado tiveram um apoio importante nos últimos anos, quando o governo estadual, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), estruturou feiras orgânicas em vários municípios da Grande Vitória e 8 | negócio rural

em outras cidades. “De 2015 para cá tivemos um grande apoio para a comercialização de nossos produtos em feiras orgânicas. Temos que agradecer muito por esse incentivo. Só não vamos em todas as feiras porque não temos condições”, informou o produtor Dalmácio Barcellos. De acordo com a Seag, atualmente, são 10 feiras já implementadas em shopping centers, praças e ruas da região metropolitana, além de uma em Guarapari e outra em Cachoeiro de Itapemirim. O próximo passo é levar para as demais regiões do Espírito Santo a iniciativa, garantir canais de comercialização e fortalecer a agricultura familiar. O secretário de Estado da Agricultura, Octaciano Neto, destaca que a produção orgânica e agroecológica possui grande potencial de crescimento no Estado. "O consumo de alimentos orgânicos tem crescido cerca de 20% ao ano no Brasil. Abrir feiras deste tipo na Grande Vitória mostra que temos uma política pública que está no caminho certo, ao incentivar cada vez mais a produção e o consumo de alimentos mais saudáveis no Espírito Santo", ressalta.

AGROECOLOGIA NO ESPÍRITO SANTO

300 PRODUTORES RURAIS JÁ POSSUEM A CERTIFICAçãO ORGâNICA NO ESTADO

1.300 NãO UTILIZAM PRODUTOS qUÍMICOS

300 ESTãO EM FASE DE TRANSIçãO (SAINDO DO CULTIVO TRADICIONAL E ADOTANDO AS PRÁTICAS DE AGROECOLOGIA).

12.800 TONELADAS/MÊS SÃO COLHIDAS

OCUPA 9.500 hECTARES PRESENTE EM 40 MUNICÍPIOS DO ESTADO


Cooperativa incentiva a produção orgânica Com o sucesso das vendas do café orgânico, a Coopram já está incentivando mais cooperados a aderirem à produção orgânica. “Temos que usar uma técnica de aumentar a produção dessas duas famílias e também incentivar novos agricultores. Esse valor agregado de venda incentiva novos cooperados a iniciarem a produção orgânica”, disse o presidente da Coopram, Darli José Schaefer. E demanda para a produção é o que não falta. O presidente da Coopram destacou que o Exército Brasileiro estava com chamada de compra de 750 quilos de café orgânico para o Estado, mas a cooperativa não possui produto o suficiente. “Esperamos que essas vendas que estamos realizando influenciem mais cafeicultores a transformarem suas propriedades em orgânicas”, destacou Darli. E com a montagem da agroindústria da família Wruck, abre-se mais uma oportunidade para que mais agricultores produzam cafés orgânicos. “A demanda está crescente, e eu sozinho não consigo atender a todos. Com nossa agroindústria, que montamos com a parceria da Coopram, queremos absorver a produção de mais famílias”, destacou Adriano Wruck. Leomar Pereira Barcellos, filho de Dalmácio Barcellos, comentou que firmou uma parceria com o produtor Adriano Wruck para o beneficiamento do café em sua

agroindústria. “Nossa família se uniu ao Adriano para entregarmos nosso café para Brasília por meio da Coopram. Beneficiamos nosso café na agroindústria de Adriano, o que facilita muito”, contou. O presidente do Sistema OCB/ES, Pedro Scarpi Melhorim, destacou que a demanda não só por café orgânico, mas também por outros produtos orgânicos tem crescido consideravelmente no Brasil e no mundo. Entretanto, ele informou que, se comparadas com a demanda por cafés de produção convencional, as Cooperativas ainda estão incipientes, mesmo com todo o apoio do Governo do Estadual. “Até o momento, temos o registro de apenas uma cooperativa capixaba que o produz, que é a Coopram. Temos ainda algumas cooperativas que possuem iniciativas pontuais voltadas para esse nicho, no qual alguns cooperados que produzem de maneira individual, processam, torram e embalam os cafés nas cooperativas para comercialização independente”, informou o presidente da OCB/ES. Pedro Scarpi Melhorim ainda enfatizou que a demanda tem crescido consideravelmente e as cooperativas, com apoio do Sistema OCB/ES e do governo do Estado, já estão voltando seus olhares para a produção sem a utilização de fertilizantes químicos altamente solúveis e de agrotóxicos.

Preservação do meio ambiente é uma das preocupações E não é só o incremento financeiro e a oferta de produtos saudáveis que são os benefícios visados pelos agricultores com a abertura de novos mercados de orgânicos. A preocupação também está na preservação ambiental. “Infelizmente, o que vemos são águas poluídas, nascentes secando e o solo cada vez mais contaminado. Com tanto veneno, nem insetos e animais existem mais”, garante Dalmácio. Para o agricultor Juliano Wruck, filho de Adriano, a produção orgânica deveria ser a principal forma de cultivo de alimentos. “Temos boa produtividade, estamos preservando o meio ambiente e a saúde de quem produz e de quem consome.”, afirmou. Mesmo quem não produz alimentos orgânicos também pode colocar em prática técnicas que contribuem para a preservação do solo. Entidades nacionais ligadas à cafeicultura

estão desenvolvendo programas que auxiliam os cafeicultores a produzir com qualidade e preservar o meio ambiente. A ideia é trazer reflexão sobre a utilização da terra, de forma a viabilizar sua manutenção com uma produção mais sustentável. Esses sistemas de produção sustentáveis têm, por fundamento, as Boas Práticas Agrícolas (BPA). De acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), as BPAs podem ser definidas como o conjunto de princípios, normas e recomendações técnicas aplicadas para a produção, processamento e transporte de alimentos, orientadas a cuidar da saúde humana, proteger o meio ambiente e melhorar as condições dos trabalhadores, produtores e suas famílias. Com esses objetivos, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) desenvolve treinamento para

cafeicultores em várias regiões do Brasil. O Programa Produtor Informado, criado pelo Cecafé em 2006, tem como objetivo levar inclusão digital para o meio rural e disseminar a sustentabilidade na cafeicultura. O curso contém 14 aulas, sendo seis aulas de informática aplicada e oito aulas de Boas Práticas Agrícolas, que tem como referência e material de apoio o Currículo de Sustentabilidade do Café. O currículo possui itens que tratam especialmente da questão do manejo e conservação dos solos. No Espírito Santo, o curso tem apoio do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e da Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel (Cooabriel). Desde 2016, foram formados mais de mil cooperados da Cooabriel. negócio rural | 9


AÇ A í |

Texto: juliano rangel | foto: PMAC

Açaí se torna atividade rentável em Alfredo Chaves O município de Alfredo Chaves vem ganhando notoriedade quando o assunto é um fruto típico da região Norte do país: o açaí. A produção de alimentos à base desta verdadeira sensação nacional vem crescendo na cidade, ganhando adeptos e se tornando fonte de renda para muitas famílias. É o caso do o produtor rural, morador do distrito de Sagrada Família, Marcos Tonon, que há pelo menos quatro anos já trabalha na produção de sorvete de açaí, e, recentemente, uniu-se ao seu sócio e cunhado, Cesar Bissoli, e resolveu criar seu próprio negócio a partir do beneficiamento da fruta, que leva o nome “Sabores de Sagrada Família”. Juntos, os dois montaram uma pequena fábrica perto de casa, e Marcos pôde se inscrever como Microempreendedor Individual (MEI), tendo direito à contratação de um funcionário, além de poder emitir

nota fiscal. “Pesquisamos bastante antes de abrir o negócio e sempre seguimos as orientações da Vigilância Sanitária. Foram também importantes para os esclarecimentos de dúvidas e incentivo as consultorias dadas pelos técnicos do Incaper do município”, disse Marcos. No município, segundo dados da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento de Alfredo Chaves, o programa Microempreendedor Individual já beneficiou mais de 400 alfredenses com a oportunidade de abrir legalmente o próprio negócio e contribuir para o desenvolvimento econômico do município. E os resultados são satisfatórios, como garante Marcos. Ele garante ter conquistado a clientela pelo gosto original da fruta, vendida em barra ou cremosa com opções de vários sabores. “Temos sorvete de açaí com maracujá, morango, cupuaçu e mesclado. Quem preferir

pode levar a versão em barra e criar suas próprias receitas, fica uma delícia”, informou o produtor. Sobre a rentabilidade da empresa, ele afirma que ela vem crescendo. “Fizemos investimentos em máquinas de fazer sorvetes, despoupadeiras, embaladeira e câmaras frias. Contudo, estamos otimistas com os resultados e sempre expomos em feiras e eventos voltados ao agroturismo”, informou Marcos. Já a produtividade, ele revela que a produção anual gira em torno de 80 toneladas, e que com a formação da nova lavoura, que está ainda em crescimento, a previsão é chegar a 100 toneladas nos próximos anos. REPRESENTATIVIDADE - No último mês de setembro, a empresa representou o município na 13ª edição da Feira de Agricultura Familiar e Reforma Agrária do Espírito Santo, que foi realizada em Vitória.

SE INTERESSOU? A fábrica fica no distrito de Sagrada Família, localizada a 11 quilômetros da sede do município e o percurso é todo sinalizado e asfaltado. Para obter o produto, o cliente pode contar com atendimento por encomenda e escolher entre o copo de 200 ml, litro e caixas com cinco ou dez litros, ou a versão em barra com peso de um quilo. O telefone para contato com o aplicativo Whatsapp é: (27) 99809-1377. 10 | n e g ó c i o r u r a l


TEXTO: Bruno Faustino & Julio Huber | foto: Julio Huber |

censo

Censo Agro traçará o perfil rural do Espírito Santo

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística visitará todas as propriedades capixabas Como é o Espírito Santo Rural? A resposta para esta pergunta será respondida com a conclusão do Censo Agropecuário 2017, que será realizado a partir do mês de outubro em todo o Estado e no restante do Brasil. Pesquisadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vão a campo para conhecer a produção agropecuária e o perfil dos agricultores. “O Censo vai abranger todas as propriedades rurais do Estado que produzem para comercializar ou para subsistência”, lembrou o secretário de Estado da Agricultura, Octaciano Neto. A coleta de dados do Censo Agropecuário será executada até fevereiro de 2018. A previsão é de que os resultados relacionados à propriedade, produção, área e pessoal ocupado sejam apresentados em meados do próximo ano. “Para que a pesquisa seja completa, retratando bem a realidade do homem do campo, é essencial que IBGE, Estado e municípios unam forças e façam uma divulgação desse processo. O prefeito e os secretários municipais estão mais próximos dos produtores e poderão apresentar os pesquisadores, levando mais segurança no momento da entrevista”, ressaltou o vice-governador César Colnago, durante o lan-

çamento do Censo Agro, no Palácio Anchieta, em Vitória. No Espírito Santo, para o Censo Agro, foram contratados 310 recenseadores para fazer a coleta em todo o Estado e 114 agentes censitários, que desenvolverão atividades administrativas, de informática e de supervisão da coleta. Além dos 424 contratados, uma equipe efetiva de coordenação de cerca de 16 pessoas também atua no trabalho, totalizando 440 pessoas. “São 21 municípios com postos de coleta e cerca de 114 mil estabelecimentos serão visitados em cinco meses de trabalho. Todos os municípios terão recenseadores”, destacou o superintendente estadual do IBGE, Max Athayde Fraga. As informações geradas possibilitarão a avaliação e a elaboração de políticas públicas específicas para cada realidade encontrada no Estado. O Censo Agro também permitirá estudos a respeito da expansão das fronteiras agrícolas, da dinamização produtiva ditada pelas inovações tecnológicas, e enriquecem a produção de indicadores ambientais. BRASIL – Em todo o Brasil, a expectativa é de que os mais de 18 mil recenseadores do IBGE visitem todos os estabelecimentos agropecuários do país, estimados em cerca de 5,3 milhões.

Como serão cinco meses de pesquisa, nem todas as áreas serão visitadas logo na primeira semana. A expectativa é que isso ocorra progressivamente conforme os recenseadores avancem nos seus setores censitários. IDENTIFICAÇÃO - Uma das novidades deste Censo Agropecuário é a possibilidade de confirmar a identidade do recenseador através do QR Code que cada um deles levará no crachá, localizado no lado esquerdo do peito do colete. O código pode ser lido pelo celular e redirecionará diretamente para o site do IBGE, que fará a checagem. No crachá também poderão ser encontrados outros dados, como o nome completo do recenseador, sua matrícula, identidade e validade das informações ali constantes, além da foto do agente de coleta. O último elemento de identificação do recenseador é o DMC (Dispositivo Móvel de Coleta) que cada um deles estará portando no momento da aplicação do questionário. O dispositivo é obrigatório, pois é justamente nele onde os agentes registrarão os dados de cada estabelecimento, assim como o georreferenciamento de cada propriedade. n e g ó c i o r u r a l | 11


Concurso |

Texto: Bruno Faustino & Julio Huber | foto: PMM

Concursos premiam melhores cafés de Marilândia e das montanhas

O concurso em Marilândia foi realizado pelo Incaper e pela prefeitura

Dois importantes concursos premiaram cafés de qualidade da região das montanhas e do município de Marilândia, no noroeste do Espírito Santo. O 1º Concurso de Qualidade do Café Conilon, em Marilândia, reuniu cerca de 500 pessoas e foi realizado pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (INCAPER) e pela Prefeitura. “A cafeicultura de Marilândia, com esse concurso, inicia uma nova trajetória na cultura do café conilon. Temos uma marca na história da cafeicultura do Espírito Santo, através da Fazenda Experimental do Incaper instalada em nossa cidade, com a tecnologia da clonagem e as pesquisas que geraram novas variedades de plantas. Precisamos conscientizar e trabalhar os produtores rurais para melhorarmos a qualidade do café produzido em nossas terras, pois a melhoria agrega um maior valor de mercado ao produto final”, afirmou o prefeito Geder Camata. Foram coletadas 62 amostras de produtores e enviadas ao escritório do Incaper, em Brejetuba, onde foram realizadas as avaliações por especialistas. O concurso foi di12 | n e g ó c i o r u r a l

vidido em duas categorias: cafés de secador e cafés de terreiro/estufa. Os três primeiros colocados por categoria foram premiados. O campeão recebeu um prêmio no valor de R$ 3 mil. O valor total da premiação foi R$ 12 mil. “Além de se premiar os melhores cafés, nosso objetivo foi proporcionar uma reflexão junto aos agricultores familiares de que é possível e principalmente rentável produzir um conilon de qualidade. Avaliamos que esse objetivo foi alcançado por meio da realização do concurso”, destacou Marcelo Agenciano, extensionista do Incaper. Durante o evento, a deputada estadual Raquel Lessa entregou ao prefeito Geder Camata, a Lei Estadual N° 10.736/2017 que declara o município de Marilândia “Capital Estadual de Pesquisa do Café Conilon”. “Com essa lei, conseguimos dar ao município de Marilândia um reconhecimento legal de um trabalho que vem sendo feito há muitos anos especialmente através da Fazenda Experimental do Incaper, reconhecida como primeiro Centro de Pesquisa de Café Conilon do país”, afirmou a deputada.

Confira os vencedores Categoria Café de Secador 1º Lugar Jozé Luiz Badiani 2º Lugar Clésio Boldrini 3º Lugar Emildo Marim

categoria Cafés de Terreiro/ Estufa 1º Lugar Luiz Carlos 2º Lugar Pedro Paulo Petri 3º Lugar Elias Calimam


Produtores vendem saca de café a R$ 1.8 mil O município de Itarana é só alegria quando o assunto é o café produzido no Estado. No último mês de agosto, três produtores do município foram os vencedores e entraram para o rol - em três categorias - dos melhores cafés especiais do Estado. Eles venceram o 2º Concurso de Microlotes de Café "Single Origin”, promovido pela Cooperativa Agropecuá-

ria Centro Serrana (Coopeavi). O anúncio foi feito no encerramento da 6ª Semana Tecnológica do Agronegócio (STA), no Parque de Exposições de Santa Teresa. Com notas superiores a 85 pontos, os primeiros colocados - todos de Itarana - foram: Sidney Grunewald (Categoria Arábica), sua esposa, Alessandra Sassemburg (Fe-

minino) e Giovanio Cesar Sering (Categoria Conilon). Cada produtor teve a saca de café arábica comprada pela cooperativa a R$ 1.8 mil e do café conilon por R$ 1 mil. Além disso, terão suas histórias contadas no rótulo da série especial de cafés torrados e moídos “Pronova”, lançada durante a STA.

classificação geral do Concurso Single Origin Premiação Arábica Masculino 1º- Sidney Grunewald (Itarana/Barra Encoberta) 2º- Jose Delpupo (Afonso Cláudio/ Vila Pontões) 3º- Silvanius Kutz (Itarana/Barra Encoberta)

Premiação Arábica Feminino 1ª - Alessandra Sassemburg Grunewald (Itarana/Barra Encoberta) 2ª - Geisilane Timm (Itarana/Alto Jatibocas) 3ª - Viviane Kinaak Antunes Delpupo (Afonso Cláudio/Pontões)

Premiação Conilon 1º - Giovanio Cesar Sering (Itarana/Alto Santa Joana) 2º - Jose Braz Ortelan (Santa Teresa/Alto Caldeirão) 3º - Mariceia Aparecida Bleidorn Pancini (Cachoeiro de Itapemirim/São Vicente)

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Ag r o i n d ú st r i a |

Texto e foto: bruno faustino

O Senhor dos Sabores em Guaçuí A região do Caparaó capixaba se destaca pela beleza e, mais recentemente, pela gastronomia. São inúmeros os empreendimentos que surgem trazendo os sabores dos imigrantes que colonizaram o sul do Espírito Santo. Pães, bolos, biscoitas e... geleias e licores. A Revista Negócio Rural pegou a estrada e seguiu até o município de Guaçuí, no sul do Estado, distante 224 Km da capital, para conhecer e saborear as delícias produzidas pelo produtor rural e empresário Cristiano Aguiar Lima, considerado o Senhor dos Sabores. HISTÓRIA - A história da família com a produção artesanal vem de longa data. Tudo começou com o avô de Cristiano, em 1933. “Começamos com bebidas artesanais. Meu avô trabalhava no alambique da Fazenda Cachoeirão do Espírito Santo, onde produzia cachaça. Meu pai deu prosseguimento e eu comecei na década de 90, produzindo licores”, conta Cristiano. O primeiro licor fabricado foi o de figo e, em seguida, o de jabuticaba. “O licor sempre foi uma bebida especial, sofisticada, com um perfume e sabor que atuam nos mais exigentes paladares”, explica o empresário. SABORES - Os amigos foram gostando, pedindo outros sabores e, hoje, são mais de 70 licores diferentes. Mas o tempo passou e Cristiano precisava expandir os

negócios, procurar algo novo. Daí surgiram as geleias. “A geleia já tomou o lugar dos licores. A fabricação de bebidas artesanais é muito pequena quando comparada com a de geleias”, revela Cristiano. Atualmente, o empresário possui 25 sabores de geleia, entre eles, cebola roxa e pimenta, os mais pedidos. Por mês, são produzidas entre 1.200 e 3.000 unidades. “O final do ano é a época de maior produção”, lembra o empresário. PRODUÇÃO - Toda a produção é caseira, feita na própria residência de Cristiano, na conhecida “Rua da Palha” de Guaçuí. Ele mesmo cuida do tacho. A esposa dele ajuda na rotulagem dos produtos e também na colheita das frutas no quintal. “Parece pouco o trabalho dela, mas é meus braços direito e esquerdo. Sozinho, não dou conta de fazer tudo. A Neide é minha grande parceira no sucesso das geleias”, explica. MERCADO - Hoje, as geleias produzidas pelo empresário já conquistaram o paladar dos capixabas e já ganharam o mundo. “Tenho pedidos da Itália, Inglaterra, Estados Unidos, Filipinas e até do Japão. Isso mostra que estamos no caminho certo. E me deixa sempre com uma pulga atrás da orelha para testar novas receitas. Acabamos de lançar a geleia de limão siciliano e, em breve, vêm novidades por aí. Aguardem!”, finaliza Cristiano.

O empresário Cristiano Aguiar Lima, do sul do estado, é responsável pela criação de 25 sabores de geleia e 70 de licores 14 | n e g ó c i o r u r a l


Texto: Juliano rangel | foto: divulgação |

equinos

Exame de mormo deixa de ser exigido para o transporte de equídeos

Os produtores rurais agora contam com uma novidade quando o assunto é o exame de mormo - doença que atinge, por exemplo, cavalos. Desde o último mês de agosto, o procedimento deixou de ser exigido para a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA) que garante o transporte de equídeos entre propriedades dentro do Espírito Santo. A portaria, que foi publicada pela Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), é resultado de um efetivo sistema de vigilância realizado pelo Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf) em consonância com as orientações previstas pelo código zoosanitário de animais terrestres. Entretanto, mesmo com a nova medida, ainda é exigido o exame de mormo e do atestado veterinário de ausência de sinais clínicos dessa doença para os animais que estejam sendo deslocados para eventos agropecuários dentro do Espírito Santo ou qualquer tipo de aglomeração de equídeos. Isso porque nesses casos há entrada de animais de outros estados e toda a aglomeração de animais traz o risco de disseminação de doenças.

Para o transporte de equídeos de um Estado para o outro prevalece a exigência de apresentação do atestado veterinário e do exame de mormo, que deve ser realizado em laboratórios credenciados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e são custeados pelos proprietários dos animais. Qualquer sinal indicativo de suspeita de enfermidade infectocontagiosa em eventos e propriedades deverá ser imediatamente comunicado ao Idaf. O secretário de Estado da Agricultura, Octaciano Neto falou sobre a importância desta nova medida. “A mudança deverá reduzir o custo dos produtores rurais para o trânsito dos animais dentro do Estado. Estamos há mais de dois anos sem novos casos de mormo no Espírito Santo e possuímos um sistema de vigilância epidemiológica implementado”, disse o secretário. Já o diretor-presidente do Idaf, Júnior Abreu, lembra que esse é um pedido antigo dos produtores. “Aguardávamos um período sem ocorrência da doença no Estado para que a medida fosse implementada sem riscos ao plantel. Como os focos de mormo registra-

dos no Espírito Santo foram saneados e os vínculos epidemiológicos investigados, foi possível revisar essa exigência, que vai ao encontro do anseio dos produtores sem deixar de lado as medidas sanitárias”, disse. MORMO É uma doença contagiosa que atinge principalmente os equídeos (cavalos, mulas e burros), causada por uma bactéria. Pode apresentar-se na forma respiratória, nasal ou cutânea. A transmissão acontece pelo contato entre animais, ingestão de água e alimentos contaminados, inalação ou contato com materiais contaminados, como freio, bebedouro, comedouro, entre outros. No caso de confirmação de mormo, os animais contaminados devem ser sacrificados, uma vez que a doença não tem cura e essa é a única forma de controle. O primeiro caso da doença no Espírito Santo foi registrado em 2013. n e g ó c i o r u r a l | 15


Leonardo Cuquetto mostra orgulhoso os grãos de café colhidos na propriedade 16 | n e g ó c i o r u r a l


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texto: bruno faustino | fotos: bruno faustino/arquivo cooabriel/DivulgaÇão

homeopatia e Reiki garantem qualidade do café conilon Família Cuquetto aposta em técnicas alternativas no cultivo de café em São Gabriel da Palha Quando se fala em café conilon no Espírito Santo, difícil não lembrar do município de São Gabriel da Palha, no noroeste capixaba. Para entender o porquê, precisamos voltar ao tempo até a década de 70. O ano: 1971. Na administração do prefeito Dário Martinelli foi montado um viveiro experimental de mudas de café conilon na cidade, sendo o primeiro do Estado. A aposta era vista como incerteza pelos cafeicultores, que tinham acabado de sofrer com a erradicação dos cafezais, incentivada pelo Governo Federal, pouco tempo antes. “No início, propagava-se milhares de defeito quanto ao conilon. Ninguém levava fé no café”, lembra Antônio Joaquim de Souza Neto, presidente da Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel (Cooabriel). O tempo passou... Muita coisa mudou e, ao longo dos anos, o conilon ganhou força e se transformou numa riqueza do Espírito Santo. Atualmente, o Estado é o maior produtor brasileiro de conilon, com 78% da produção nacional do Robusta. Noventa por cento da produção atende ao mercado interno. Se o Espírito Santo fosse um país, ele seria o segundo maior na produção de conilon/ robusta. Os dados são do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper). “Hoje, nós temos um café tipo 4 conilon, cereja descascado, bebida dura. Não foi fácil chegarmos a esse patamar. Foi um trabalho muito árduo. Para quem antes falava que o conilon era um café de péssima qualidade, provamos o contrário”, ressalta o presidente da Cooabriel. A conquista do “know-how” do conilon de qualidade só foi possível graças a muito trabalho e muito estudo dos especialistas do Incaper. “Nos últimos 30 anos, nossa atuação foi direcionada para pesquisas nas áreas de melhoramento genético, nutrição, adubação, manejo, irrigação, controle de pragas e doenças. Nós trabalhamos com o conilon em torno de projetos diferentes com mais de 150 experimentos em ambientes diversos”, explica Romário Gava Ferrão, pesquisador do Incaper.

“quase perdemos toda a lavoura. E depois de tudo que a gente passou, conseguimos obter o primeiro lugar no concurso de qualidade da Cooabriel. Leonardo Cuquetto, cafeicultor

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Município é referência em pesquisa do conilon A Revista Negócio Rural foi até São Gabriel da Palha para conhecer um pouco desta história e conhecer uma produção de café conilon diferenciada. Nela não há uso de agrotóxicos ou aditivos químicos. O controle de pragas, doenças e a adubação são feitos por meio de técnicas inusitadas: a homeopatia e o reiki. No Sítio Morro Alto, em Córrego Iracema, em uma área de um alqueire e meio estão plantados 26 mil pés de café. A propriedade pertence à família Cuquetto. “O café representa tudo pra nós aqui. É o alicerce da nossa casa e sempre foi, desde os meus avós e bisavós. Agora, dos filhos e netos”, conta o cafeicultor Gilmar Cuquetto.

hOMEOPATIA Homeopatia é um método terapêutico que consiste em prescrever a um doente, sob uma forma diluída e em pequeníssimas doses, uma substância que, em doses elevadas, é capaz de produzir num indivíduo sadio sinais e sintomas semelhantes aos da doença que se pretende combater [Este método foi criado, no fim do século XVIII, pelo médico alemão Samuel Hahnemann - 1755-1843].

REIKI Reiki é uma prática espiritual que se baseia na crença da existência da energia vital universal “Ki”, manipulável pela imposição de mãos. A palavra Reiki significa “atmosfera misteriosa” e é uma combinação de dois caracteres japoneses - REI que significa “divino” e KI que significa “energia vital”.

Apesar de toda essa tradição, a inovação tem sido a marca do cafezal dos Cuquetto. O trabalho é desenvolvido pela produtora Jocelina da Penha Araújo Cuquetto, uma apaixonada pela homeopatia e pelo reiki. “Isso é um sonho meu de lidar com a natureza sem agredi-la. Não aceito veneno e encontrei na homeopatia e nas técnicas naturais uma maneira de usar na lavoura e proteger a natureza”, explica Jocelina. As técnicas são usadas de duas maneiras na propriedade. “Usamos a homeopatia através de um litro, pingando gotinhas e também num mapa da lavoura, onde eu posso aplicar o tratamento por meio de gotas e através de spray. Através do mapa, eu faço toda a consulta do que a lavoura está

precisando. Eu tracei os pontos positivos e descobri que, no caso da minha lavoura, o ponto chacra cardíaco é o mais importante. Então, através deste ponto, eu vou descobrir qual homeopatia precisa ser usada: adubação, controle de pragas e doenças. Eu faço a pergunta para o pêndulo e ele me responde o que eu devo usar”, revela. Os resultados do trabalho são impressionantes: cafezal vistoso, bonito e grãos perfeitos. “A gente pode pegar uma planta e comê-la. Posso trazer meus netos e brincar na lavoura sem problema nenhum porque aqui tenho certeza que não serão intoxicados. Além disso, há um diferencial no sabor e na qualidade de cada um dos grãos de café”, diz a produtora Jocelina Cuquetto.

qUALIDADE DO CAFé DA FAMÍLIA CUqUETTO é COMPROVADA EM CONCURSO A família Cuquetto foi a grande vencedora do 13º Concurso de Qualidade de Café, promovido pela Cooabriel, em 2016, na categoria natural. O café produzido por eles conquistou as melhores notas e agradou em cheio aos jurados, mesmo num ano em que a região foi drasticamente afetada pela pior seca já registrada no Espírito Santo nos últimos 80 anos. “Pra nós foi muito emocionante devido à seca que nós enfrentamos. Quase perdemos toda a lavoura. E depois de tudo que a gente passou e conseguiu obter o primeiro lugar. Agora a gente vai entrar de novo no concurso para ver se conseguimos repetir esse feito”, conta o produtor Leonardo Cuquetto. O ano de 2017 está terminando e com boas notícias para o café da família Cuquetto. Dois lotes estão

entre os 20 finalistas da 14ª edição do Concurso Conilon de Excelência Cooabriel, que avalia os melhores cafés conilon produzidos na safra de 2017, na área de ação da Cooperativa. A lista completa está disponível no site (www.cooabriel.coop.br). O concurso, realizado pela cooperativa desde o ano de 2003, foi criado para incentivar os produtores na melhoria da qualidade do café conilon produzido na área de atuação da cooperativa. “Quando fizemos o primeiro concurso, há 14 anos, servimos de chacota para os outros. Ninguém acreditava. No início foi difícil, mas hoje é uma disputa acirrada. Ninguém entra para participar e sim para ganhar”, explica Antônio Joaquim de Souza Neto, presidente da Cooabriel.

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REVISTA NEGÓCIO RURAL

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Isso é um sonho meu de lidar com a natureza sem agredi-la” Jocelina Cuquetto, cafeicultora

Jocelina Cuquetto e a caixa da homeopatia usada na lavoura

CAFé CONILON NO ESPÍRITO SANTO O ES é O MAIOR PRODUTOR DE CAFé CONILON DO bRASIL

RESPONSáVEL POR ATé 78% DA PRODUçãO NACIONAL

20% DA PRODUçãO DO CAFé RObUSTA DO MUNDO Fonte: INCAPER

RESPONDE POR 35% DO PIb AGRÍCOLA | GERA 250 MIL EMPREGOS DIRETOS E INDIRETOS NO ES, EXISTEM 283 MIL hECTARES PLANTADOS | PRESENTE EM 80% DAS PROPRIEDADES RURAIS n e g ó c i o r u r a l | 19


pinus |

texto: Juliano rangel

Plantio de pinus é a atividade da vez em tempos de escassez de água A situação hídrica no país e no Estado sempre volta ao campo das discussões com a chegada do verão. A escassez de água potável é um ponto muito debatido - sendo reconhecida por muitas pessoas como uma situação de crise, e que causa preocupação de técnicos e da comunidade em geral para a sua conservação. Mas em meio a toda essa situação, várias iniciativas vêm sendo desenvolvidas e proporcionando o reflorestamento de várias áreas e o aumento da infiltração de água no solo. É o caso do plantio de pinus em áreas degradadas, que segundo técnicos, apresenta-se como uma prática viável e rentável para os produtores das regiões Sul e Serrana do Espírito Santo. A espécie utilizada para essa atividade é o Pinus elliottii var elliottii, que, segundo alguns especialistas, apresenta muitas vantagens econômicas, sobressaindo-se às espécies nativas pelo rápido crescimento e pela alta tolerância ao frio e a solos de baixa fertilidade ou degradados. Responsável pelo acompanhamento do plantio de pinus no Estado pelo Instituto Capixaba de Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), o engenheiro florestal Tiago de Oliveira Godinho fala dos benefícios que essa prática pode proporcionar. “Estes reflorestamentos trazem benefícios sociais e econômicos à sociedade, que necessita da madeira e da resina por eles gerados. O pinus é uma espécie altamente eficiente na utilização da água e nutrientes para a produção de bio-

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massa, comparativamente a outras espécies”, conta Tiago. Quem também trabalha no fomento do setor de pinus no Estado é o representante da empresa Resinas Brasil, Dario Antonio Fioresi Moreira, que explica outros pontos importantes deste trabalho. “Essa atividade é considerada de baixo impacto ambiental, por proteger o solo e evitar que remanescentes de florestas nativas e naturais continuem sendo devastadas. Por ser uma cultura de longo prazo, é considerada de pouca utilização de insumos químicos”, relata o representante da empresa Resinas Brasil. Outro ponto muito defendido pelos especialistas sobre essa forma plantio está na proteção às matas nativas. A maioria das florestas de pinus é plantada em áreas anteriormente degradadas, ajudando na regeneração das áreas, na aptidão agrícola e na cobertura do solo, além de evitar a erosão e aumentar a capacidade de retenção de água. Dario também explica a contribuição que o pinus apresenta no lado científico. “As plantações de pinus ainda contribuem para o ‘sequestro’ de carbono da atmosfera, e as árvores se adaptam muito bem a áreas degradadas, contribuindo para o enriquecimento em matéria orgânica destes solos e ajudando em sua recuperação a longo prazo”, ressalta ele. DADOS - Segundo um estudo realizado pelo Centro de Desenvolvimento do Agronegócio (Cedagro)

em 2012, a área total degradada no Espírito Santo era de quase 400 mil hectares. Só na Região Serrana eram quase 70 mil hectares. Na região do Caparaó eram cerca de 40 mil hectares degradados. INCENTIVO - Em 2016, o Governo do Estado, lançou o Programa Pró-Resina (Programa de Expansão do Plantio de Pinus), com o objetivo de expandir a área de cultivo com Pinus elliottii var elliottii no Espírito Santo. Com a iniciativa, são oferecidos incentivos aos produtores rurais para intensificar o plantio de pinus em áreas degradadas ou em consórcio com outras culturas, como o café e a pecuária. TEORIA - No último mês de janeiro, o Incaper lançou um folder sobre a importância do plantio de pinus como ferramenta nessa atividade de preservação. A obra considera que o Pinus elliottii var elliottii é uma árvore de múltiplo uso, pois produz madeira, resina e recupera áreas degradadas. Segundo especialistas, esse gênero já tem suas espécies escolhidas como componente arbóreo de muitos sistemas agroflorestais. Podem ser utilizadas como cercas-vivas e quebra-ventos em sistemas silviagrícolas ou como proteção animal no silvipastoril. Tiago acrescenta que o Pinus elliottii var elliottii pode ser consorciado à palmeira juçara, que é nativa da Mata Atlântica e possui diversos usos, como para a alimentação humana e para a fauna nativa.


texto: AVES |

e n t r e v i sta

Nutricionista explica os benefícios do ovo Todos os anos, na segunda sexta-feira do mês de outubro, comemora-se o Dia Mundial do Ovo. E a nutricionista Lucia Endriukaite, do Instituto Ovos Brasil, fala um pouco sobre esse completo alimento, que ainda gera algumas dúvidas aos consumidores. Segundo a nutricionista, o ovo possui cerca de 70 calorias e é considerado um alimento completo. A presença de proteínas, gorduras, vitaminas, minerais e carotenoides luteína e zeaxantina pode melhorar a qualidade da alimentação e incrementar a dieta. Revista Negócio Rural - Quais os benefícios do ovo? Lucia Endriukaite - O ovo é um alimento saboroso e acessível. Excelente fonte de proteína e uma combinação de nutrientes muito importantes para a saúde do organismo, tais como vitaminas, minerais e carotenoides que possuem ação antioxidante. O ovo é um dos poucos alimentos que contêm na composição vitamina D. É também rico em colina, um nutriente responsável pela condução de impulsos nervosos e formação do centro da memória. Possui também de forma expressiva selênio, um mineral antioxidante e ainda todo um composto antioxidante – vitamina A, E, Magnésio, Zinco. O ovo tem algum papel importante relacionado à saúde dos olhos? O ovo possui na gema os carotenoides luteína e zeaxantina, que são extremamente antioxidantes e protegem os olhos da luz. Estes carotenoides ficam depositados numa região da retina, chamada mácula. Esta área é responsável pela visão. Na ausência destes

pigmentos, pode ocorrer a degeneração macular relacionada à idade – uma doença que compromete a visão e pode provocar cegueira de forma irreversível. São estes carotenoides que proporcionam a cor amarelada à gema. O ovo aumenta o colesterol? Cerca de 70% do colesterol circulante é produzido no fígado e apenas o restante advém da ingestão alimentar. O fígado é o grande produtor de colesterol do corpo. Isso porque o colesterol é um tipo de gordura fundamental para o bom funcionamento do organismo. Ele é matéria-prima para a produção de hormônios sexuais, vitamina D, participa da estrutura de todas as células, principalmente cérebro e ainda é matéria-prima para a produção de secreção biliar, que vai atuar no intestino como se fosse um detergente, melhorando a digestão e a absorção de gorduras. O desequilíbrio do organismo, alimentação irregular, excesso de gorduras saturadas e deficiência de fibras são alguns fatores externos relacionados ao aumento do colesterol. A proteína do alimento está contida somente na clara? A proteína do ovo está distribuída na clara e na gema. O ovo possui em torno de 6 g de proteína, em torno de 3,6g na clara e 2,7g na gema. Por que o alimento é importante para a gestante e para o feto? A colina presente no ovo é fundamental na alimentação das gestantes, para que o bebê tenha um cérebro saudável. Ela atua no fechamento do tubo neural do feto e é também responsável pela formação da memória.

Existe diferença entre ovos comerciais e caipiras? A diferença entre os ovos comerciais e os ovos caipira está na forma de manejo da galinha poedeira. No entanto, não existe diferença na composição dos ovos. Existe diferença entre ovos brancos e vermelhos? A coloração da casca do ovo está relacionada à raça da galinha. Na prática, não existe diferença na composição nutricional entre os dois tipos de ovos. O consumo do ovo ajuda no processo de emagrecimento? Sim, alguns estudos foram realizados com o objetivo de avaliar o consumo do ovo no café da manhã e o poder de saciedade. O que se verificou é que a proteína do ovo proporciona saciedade e pode estar relacionada à liberação de hormônios da saciedade. Então, quando foi consumido no café da manhã, proporcionou saciedade evitando beliscos ao longo do dia. Há um limite de consumo diário? Um estudo publicado este ano mostrou que o consumo de 2 a 3 ovos/dia aumentou o colesterol bom e aumentou também a luteína plasmática, melhorando a saúde dos olhos. Diversos estudos mostram que o consumo de um ovo por dia não aumenta o risco de doenças cardiovasculares e nem acidente vascular cerebral, além de melhorar os índices nutricionais em geral. Além disso, estudo realizado pela American Academy of Pediatrics, no Equador, aponta que o consumo de ovos foi essencial para o crescimento de bebês em situações de risco.

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pinus |

Texto: Juliano rangel

Empreendedores de Anchieta visitam agroindústrias de Venda Nova do Imigrante

O tema agroturismo vem sendo muito abordado no município de Anchieta, com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre essa atividade. Profissionais das áreas de agricultura e saúde vêm participando de diversas ações que têm como foco principal a implementação do Serviço de Inspeção Municipal (SIM) no município. Treze pessoas que exercem funções ligadas a essas áreas, como técnicos e agricultores envolvidos com agroindústria ou comercialização de produtos de origem animal participaram, no último mês de setembro, de uma visita técnica a empreendimentos da agroindústria de Venda Nova do Imigrante. Durante a visita, os participantes puderam trocar experiências com a equipe do SIM e da Vigilância Sanitária de Venda Nova do Imigrante e foram convidados a conhecer alguns empreendimentos do município que trabalham com agricultura de processamento de derivados de carne e leite, onde puderam visualizar o nível de organização, além dos desafios

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enfrentados e o acesso ao mercado. Uma das responsáveis pela ação, Simone Battestin conta quais foram os locais visitados pelo grupo. “Foram visitadas duas agroindústrias: uma que trabalha com processamento de palmito e outra que envolve o trabalho de três gerações no processamento de derivados de leite e de carne suína, produzindo o famoso socol. Os agricultores puderam ver de perto as experiências vividas pelas famílias e as necessidades para a implantação de uma agroindústria”, conta Simone. Criação do Serviço de Inspeção Municipal Para implementação do Serviço de Inspeção Municipal (SIM) no município de Anchieta, é necessária a criação de uma legislação própria, que acompanhe as legislações estaduais e federais. No momento, a administração local informou que uma lei municipal já foi produzida e que está em fase de revisão para correções e adequação à realidade da cidade.

De acordo com o secretário de Agricultura, Geovane Bissa, também já foi criada a Comissão do Serviço de Inspeção Municipal, que irá colocar o serviço em prática. “Desta forma, após a revisão da legislação, iremos iniciar os trabalhos para emissão do SIM. Iremos criar um espaço próprio, que irá funcionar no prédio da Secretaria de Agricultura, a fim de dar atenção e orientar os proprietários de empreendimentos que processam produtos de origem animal. Em um segundo momento, o SIM passará a atuar em sua função fiscalizadora, aplicando as penalidades devidas aos empreendimentos que não respeitarem a legislação sanitária”, explica o secretário. Segundo a Secretaria de Agricultura do município, a implementação do SIM é necessária para que as agroindústrias que fornecem produtos de origem animal tenham sua produção inspecionada por um serviço de inspeção oficial (federal, estadual ou municipal), responsável pela inspeção e fiscalização higiênico-sanitária e tecnológica dos estabelecimentos, processos e produtos, incluindo quem faz abate de animais (bovinos, suínos e aves). Além disso, o secretário também lembra que os produtos de origem animal, tais como: carne, leite, ovos, mel, pescados e seus derivados, obrigatoriamente devem passar pelo serviço de inspeção do município, quando a comercialização da produção ocorrer só dentro do município, do Estado quando a comercialização acontecer em vários municípios do Estado - e em nível Federal, quando a comercialização for realizada fora do Estado.


texto: juliano rangel |

e n t r e v i sta

Ceasa incentiva o uso de caixas plásticas Os produtores rurais que frequentam a unidade das Centrais de Abastecimento do Espírito Santo (Ceasa/ ES), em Cariacica, devem ficar atentos a uma mudança que será implementada no primeiro semestre de 2018. Trata-se de um novo sistema com a utilização de caixas plásticas como embalagem padrão para o transporte dos produtos hortigranjeiros. A medida, que tem como objetivos garantir a segurança alimentar, diminuir a proliferação de pragas no campo e o acúmulo de resíduos sólidos no meio ambiente, além de evitar o desperdício de alimentos, deve ser realizada por meio de um processo licitatório de concessão remunerada de uso, no qual será firmado um contrato com uma empresa especializada em aluguel, vendas e higienização de caixas plásticas. Com isso, a Ceasa espera reduzir o uso de caixas de madeira, consideradas inadequadas tanto sob o aspecto da higiene, quanto do ponto de vista econômico. A diretoria também res-

salta que o uso de caixas e embalagens de madeira ou papelão não será proibido, desde que elas sejam usadas somente uma vez para não apresentarem riscos de contaminação. O processo está em fase de elaboração de termo de referência e a diretoria avalia o projeto como uma necessidade que foi diagnosticada e documentada durante o Planejamento Estratégico da Ceasa 2015/2020, onde foram traçados os principais desafios e metas a serem concluídos em um período de cinco anos. De acordo com o distribuidor Jonas Inácio Rodrigues - que já utiliza a caixa de plástico para comercializar goiaba - a economia é muito maior. “Eu consigo reutilizar a caixa plástica muitas vezes, diferente da feita de madeira, que precisa ser descartada após o primeiro uso. Com isso, a minha economia é muito grande”, garante Jonas. SEGURANÇA ALIMENTAR - Segundo uma Instrução Normativa da Anvisa e do Inmetro, a caixa de madeira

pode ser responsável por proliferar 19 doenças, como a hepatite, a cólera, o tétano, a tuberculose e a meningite. A própria Associação Brasileiras de Normas Técnicas (ABNT) já recomenda desde 2002 a substituição das caixas de madeira. Além de fornecer risco para a saúde do ser humano, a caixa de madeira infectada pode também apresentar ameaça para as lavouras, já que a proliferação de pragas pode acontecer com o contato da caixa com a produção no campo. O diretor técnico operacional da Ceasa/ES, Henrique Casamata, a caixa plástica é uma ferramenta essencial para promover a segurança alimentar, já que a mesma passa por processo de higienização. “Estamos priorizando a segurança alimentar das pessoas, por isso, é fundamental que a Ceasa adote medidas para incentivar o uso de caixas plásticas, pois, com o uso dessas caixas, irá acabar os casos de proliferação de pragas e doenças por produtos contaminados”, conta Casamata.

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E v e n to s |

Texto: Juliano Rangel | Foto: Julio Huber

Feira Sabores da Terra terá mais uma edição em dezembro A Revista Negócio Rural esteve presente com um estande na feira realizada no último mês de agosto

Um dos maiores eventos quando o assunto é agronegócio do Espírito Santo, a Feira Sabores da Terra terá mais uma edição neste ano. Chegando à sua 12ª edição, o evento acontecerá entre os dias 8 e 10 de dezembro, em um espaço que será montando no estacionamento do Shopping Vitória, em Vitória. Sendo a primeira vez em que a feira terá duas edições no mesmo ano, a organização resolveu atender a um pedido dos produtores rurais e do público que compareceu em peso na última edição, que foi realizada no mês de agosto deste ano. Quem relata isso é o organizador da feira, Ademir Dadalto, que também destaca o papel do Sebrae para a realização do Evento. “Esse evento estará acontecendo devido ao pedido dos produtores e principalmente dos consumidores. E te24 | n e g ó c i o r u r a l

mos também o Sebrae como nosso parceiro”, destaca o organizador. Ainda segundo Dadalto, a expectativa é de que cerca de mil e duzentas pessoas ligadas ao agronegócio participem como expositores do evento, que na última edição teve um público de 52 mil pessoas durante os três dias e foram comercializados mais de R$ 2,5 milhões. O perfil da feira também seguirá o mesmo apresentado na última edição, com o objetivo de aproximar ainda mais o público, como conta Ademir. “Será a mesma ideia da edição anterior, com os mesmos segmentos, além de darmos a oportunidade aos produtores de mostrarem seus produtos, principalmente com a proximidade do Natal”, lembra o organizador. Na última edição realizada durante o mês de agosto, a Revista

Negócio Rural esteve presente com um estande, apresentando ao público as edições da revista, além do jornal O Noticiário, produzido também pela empresa Nova Comunicação. De acordo com os diretores da revista, foi uma ótima oportunidade para levar a publicação a um grande público interessado pelo segmento. AUSÊNCIA DOS ANIMAIS Um ponto que Dadalto lamenta é não poder oferecer ao público durante a feira a participação de animais, já que existe uma lei municipal na cidade de Vitória que veta essa presença. “A prefeitura de Vitória é a única no Estado que não permite a exposição de animais de nenhuma espécie, mesmo sendo autorizado pelos órgãos responsáveis, como o Idaf”, ressalta Ademir.


informações e foto: ascom/pma |

e v e n to s

Congresso Brasileiro de Pecuária Bovina movimenta o Espírito Santo Evento é realizado pela Associação Capixaba dos Criadores de Nelore Vila Velha irá se transformar na capital nacional da pecuária entre os dias 8 e 11 de novembro, durante o 2º Congresso Brasileiro de Pecuária Bovina. O evento será realizado no Cine Teatro da UVV, no bairro Boa Vista, e contará com palestrantes, concurso de trabalhos científicos e distribuição de vagas de estágios para os estudantes de ciências agrárias. “O Congresso Brasileiro de Pecuária Bovina é um evento sem fins lucrativos com o intuito de fomentar a pecuária bovina capixaba, valorizar os pecuaristas, produtores, técnicos, professores e estudantes de ciências agrárias e colocar o Espírito Santo na rota dos grandes eventos agropecuários brasileiros”, ressalta Nabih Amin El Aoar, presidente da Associação Capixaba dos Criadores de Nelore (ACCN). MULTIEVENTOS - A programação do 2º Congresso Brasileiro de Pecuária Bovina contará com outros eventos simultâneos, entre eles, o 9º Congres-

so Capixaba de Pecuária Bovina, o 2º Fórum do Agronegócio e o 2º Encontro de Alunos e Ex-Alunos de Ciências Agrárias. O intuito é fortalecer o aprendizado, a troca de experiência, a geração de novos negócios e a valorização do setor agropecuário brasileiro. Os estudantes de Ciências Agrárias e de Medicina Veterinária poderão inscrever trabalhos científicos baseados em pesquisa de dados. Além da certificação, os vencedores receberão um total de R$ 3 mil (1º colocado: R$ 1.500,00; 2º colocado: R$ 900,00 e 3º colocado: R$ 600,00). Os melhores trabalhos também serão contemplados com duas visitas técnicas para a Expozebu 2018, em Uberaba, Minas Gerais, a maior exposição de gado zebu do mundo. KIDS - Pela primeira vez, o evento abrirá espaço para as crianças. O 1º Congresso Kids ES de Pecuária Bovina contará com teatro, fantoche e musical. A criançada irá interagir com os atores, atrizes e cantores das peças teatrais.

“Este será um evento nos moldes do que realizamos recentemente em Aracruz. É totalmente voltado para o público infantil e tem o objetivo de mostrar para as crianças um pouco do campo, um pouco do setor rural e a importância dos alimentos produzidos na roça e não na prateleira dos supermercados, e familiarizá-las com o setor da pecuária de corte e de leite”, lembra o presidente da ACCN. VACINAÇÃO - O 2º Congresso Brasileiro de Pecuária Bovina contará ainda com o lançamento da Campanha de Vacinação Contra a Febre Aftosa, no dia 08 de novembro, entre 8h e 12h. Participe 2º Congresso Brasileiro de Pecuária Bovina

Data: 8 e 11 de novembro de 2017 Local: Cine Teatro da UVV - Vila Velha Realização: Associação Capixaba dos Criadores de Nelore

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Calendário Rural

Cana-de-Açucar plantio: outubro

Café plantio: outubro a dezembro

Uva plantio e colheita: até dezembro

Limão plantio: até dezembro

Mandioca plantio: até dezembro

Fritada de Ovos com Vagem

Amendoim plantio: outubro

INGREDIENTES

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4 ovos 1 dente de alho 1 cebola 100g de bacon 4 xícaras de chá de vagem 200 ml de caldo de legume Salsa a gosto Colorau a gosto Pimenta-do-reino a gosto Sal a gosto

MODO DE PREPARO Frite o bacon, escorra e reserve. Na frigideira com a gordura do bacon, refogue a cebola, o alho, o colorau e a vagem. Acrescente caldo de legumes até cobrir a vagem. Cozinhe até a vagem ficar macia. Acrescente o bacon, a salsa e misture. bata os ovos, coloque por cima, cobrindo a frigideira até cozinhar os ovos. Sirva em seguida.


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Revista Negócio Rural - Edição 10 - Especial - Capa Café Orgânico  

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