Orgânicos transformam Café: vai continuar com os vidas no sertão nordestino preços atuais mesmo em e nas montanhas capixabas ano de safra maior?
EDIÇÃO 23 Valor: R$ 11,90 Abr/Mai/Jun Circulação Nacional
Pimenta produzida Bioparque das Aves se no Norte do Espírito transforma em novo atrativo Santo é exportada turístico capixaba
Agricultores brasileiros Pandemia transforma o se unem em projeto mercado de orgânicos e a de plantio de árvores expectativa é de crescimento
Sabores
Artesanais Edição 22 Valor: R$ 11,90 Jan/Fev/Mar • 2022 Circulação Nacional
Selo Arte transforma tradições familiares em iguarias
Como a tecnologia revolucionou a produção de ovos no Espírito Santo
EDITORIAL
ÍNDICE
AGRONEGÓCIO INOVA, AVANÇA E MELHORA A VIDA DE AGRICULTORES
14 CAPA
Nesta edição da Revista Negócio Rural, trazemos algumas matérias que comprovam o quanto o agronegócio está evoluindo, se inovando e tem melhorado a vida de agricultores em diversas regiões brasileiras. Na nossa matéria de capa, o assunto é a transformação das formas de comercialização de produtos tradicionais das famílias. Por meio do Selo Arte, os produtos locais e típicos estão podendo ser comercializados em todo o Brasil. Dessa forma, cresce a renda de inúmeras famílias, que estão aumentando a produção para atender a mais mercados. No Norte do Espírito Santo, é a pimenta-da-jamaica que tem se tornado a mais nova cultura agrícola promissora do Estado. O produto, que tem inúmeras utilidades na culinária, já está sendo exportada por meio de uma cooperativa. O clima e as características da região favorecem ao cultivo. Também trazemos uma matéria especial, que conta como a produção orgânica, aliada à preservação ambiental, mudou a vida e trouxe mais renda a famílias de agricultores no sertão de Pernambuco e nas montanhas do Espírito Santo. No Nordeste brasileiro, algumas regiões foram transformadas em oásis no sertão, pois o plantio de árvores e de frutas levou mais verde à paisagem. E falando em meio ambiente, associações e cooperativas de diversos municípios brasileiros estão unidos na campanha “Tree Challenge: semeando para o Futuro”. Trata-se de uma campanha que envolve países da América-Latina, Caribe e Europa, que fazem parte do sistema do Comércio Justo. A intenção é plantar o maior número de árvores até o mês de outubro, quando os resultados serão apresentados na COP 27, no Egito. Julio Huber Bruno Faustino
Revisão: Sidney Dalvi Editores de jornalismo: Bruno Faustino - JP - 1375/ES Julio Huber - JP - 2038/ES Reportagem: Bruno Faustino Julio Huber Fotografia: Bruno Faustino, Julio Huber Divulgação
Diagramação: HM Comunicação (27) 3361-4163 (27) 99276-9848
Selo Arte transforma produtos artesanais em iguarias nacionais
04 COMÉRCIO JUSTO
Projeto une produtores do Comércio Justo para o plantio de árvores
10 COOPERATIVISMO
A produção orgânica cresce e melhora a vida de agricultores de Pernambuco e do Espírito Santo
08 GIRO RURAL
Ações conjuntas pretende impulsionar os serviços oferecidos por sindicatos rurais
21 EVENTOS
Maior feira de avicultura e de suinocultura do Espírito Santo acontece em junho
Endereço e assinaturas: Avenida Presidente Vargas, nº 590, Sala 305 B Centro - Domingos Martins ES - Cep: 29.260-000 (27) 99988-7860 (27) 99996-1288 revistanegociorural@gmail.com
Periodicidade: Trimestral Abril a junho Com reportagens apuradas até 15/05/2022
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Circulação Nacional A Revista Negócio Rural é uma publicação da empresa Nova Comunicação. É proibida a reprodução total ou parcial de textos, fotos e ilustrações, por qualquer meio, sem a prévia autorização dos editores.
Impressão: Grafiisana
Foto de capa: Envato
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TEXTO: JULIO HUBER – ESPÍRITO SANTO E MINAS GERAIS / FOTO: BRFAIR E JULIO HUBER
Movimento nacional lança o desafio de plantar árvores em propriedades rurais brasileiras Em Poço Fundo (MG), crianças participaram de ações que deram início ao plantio de árvores na cidade
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m dos pilares do movimento do Comércio Justo é o respeito ao meio ambiente. E este princípio estará ainda mais em evidência durante a campanha do Mês do Comércio Justo - comemorado pelas Organizações de Comércio Justo em todo o mundo, durante todo o mês de maio. O Desafio Plante Uma Árvore (Tree Challenge, em inglês) foi lançado durante o mês de comemoração do Comércio Justo, mas segue até outubro, quando os resultados dessa campanha serão divulgados na 27ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP 27), que será realizada no Egito, no mês de novembro. No Brasil, o Tree Challenge, que tem como lema “Semeando para o Futuro”, é organizado pela Coordenadora Latino-americana e do Caribe de Pequenos Produtores e Trabalhadores do Comércio Justo (CLAC) e pela Coordenadora Nacional de Comércio Justo (BRFAIR). O desafio é que as organizações e pessoas relacionadas ao movimento do Comércio Justo plantem o maior número de árvores.
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Para o secretário executivo da BRFAIR, Bruno Aguiar, esse mês de maio marca o início de uma grande campanha que promete contribuir com o reflorestamento de propriedades agrícolas brasileiras, das famílias que fazem parte das organizações de pequenos produtores
certificadas Fairtrade. “Desde 2001 comemoramos o Dia Internacional do Comércio Justo no segundo sábado de maio. Nesse dia, e durante todo o mês, realizamos atividades para celebrar que existe o comércio alternativo, o qual coloca os seres humanos e a sustentabilidade como prioridade. Nesse mês fortalecemos essa cultura, em que lembramos que no momento da compra desses produtos certificados Fairtrade, o consumidor contribui para a sustentabilidade de pequenas famílias, que produzem respeitando as práticas sociais e ambientais”, contou Bruno Aguiar. O presidente da BRFAIR, Carlos Renato Alvarenga Theodoro, que também é membro do conselho de diretores da CLAC, destacou que as ações acontecem também em outros países latino-americanos que trabalham com o Comércio Justo e também em cidades da Europa, América do Norte e Ásia. “Esse movimento envolve a América Latina e o Caribe e vamos desenvolver atividades em escolas e com outros parceiros que estimulem o plantio de árvores. Tudo será contabilizado para calcularmos quanto será o sequestro de carbono com essas árvores que serão plantadas até outubro”, explicou.
Em Muqui, no Sul do Espírito Santo, cooperados e dirigentes da Cafesul já iniciaram o plantio de árvores
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Projeto Cidades e Universidades pelo Comércio Justo é ampliado no Brasil E o Comércio Justo no Brasil ganhou mais um importante reforço. É que desde o último mês de março, outras duas cidades brasileiras conquistaram o título de Cidades Latino-americana pelo Comércio Justo. Agora, além de Boa Esperança (MG) - que já integrava o projeto desde 2015 -, Poço Fundo (MG) e Muqui (ES) também são detentoras do título, que entre outros objetivos, serve para promover a comercialização de produtos do Comércio Justo nestas cidades. O programa “Cidades e Povos pelo Comércio Justo – América Latina e Caribe” nasceu em 2015, por iniciativa CLAC e da World Fair Trade Organization (WFTO), que traduzindo ao português significa Organização Mundial do Comércio Justo. A WFTO é uma associação global que envolve mais de 400 organizações comprometidas em melhorar os meios de subsistência de pequenos produtores(as) e possui membros em 76 países. Para conquistar o titulo de Cidade pelo Comércio Justo, o município precisa unir ações de organizações certificadas FAIRTRADE, do poder público e de empresários locais, como os comerciantes, que se comprometem a integrarem os princípios e as práticas do Comércio Justo. No Brasil, a BRFAIR é a responsável por dar o suporte às organizações certificadas. Com a venda de seus produtos de Comércio Justo,
Crianças também participam do projeto na cidade de Boa Esperança (MG)
os(as) produtores(as) possuem uma renda digna, que cobre os custos de produção e, além disso, um provento adicional que permite o financiamento de projetos sociais em suas comunidades. UNIVERSIDADES – Além dos três municípios brasileiros que integram o projeto Cidades e Povos pelo Comércio Justo, a Universidade Federal de Lavras (UFLA) e a Universidade Federal de Viçosa (UFV), ambas em Minas Gerais, são reconhecidas como Universidade pelo Comércio Justo. Ao todo, 16 universidades da América Latina e do Caribe fazem parte desta campanha. Além da cultura do Comércio Justo, o projeto que inte-
Boa Esperança foi o primeiro município brasileiro a conquistar o título Cidades e Povos Latino-Americanos pelo Comércio Justo
gra as universidades busca estreitar as relações entre produtores e a comunidade acadêmica, criando espaços de diálogo, pesquisa e extensão. O ingresso de Poço Fundo e Muqui e também da UFV ao programa foi celebrado em um evento on-line, no mês de março, quando os prefeitos das cidades receberam o reconhecimento como “Cidade Latino-americana pelo Comércio Justo”. O comitê de Boa Esperança, primeira cidade pelo Comércio Justo no Brasil, acompanhou os dois municípios no cumprimento dos critérios da campanha, esforço que contou também com a participação ativa da Cooperativa dos Cafeicultores do Sul do Estado do Espírito Santo (Cafesul) e da Cooperativa dos Agricultores Familiares de Poço Fundo e Região (Coopfam). O presidente da Cafesul e da BRFAIR, Carlos Renato Theodoro, falou da sua satisfação pelos títulos concedidos. “Eu fico muito feliz de ver isso acontecendo porque dentro da BRFAIR, desde quando assumi como presidente, essa era uma de nossas metas. Fico muito feliz porque é mais uma conquista dentro desse trabalho que a gente faz desde o início, junto com a CLAC”, enfatizou. NEGÓCIO RURAL | 5
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TEXTO: BRUNO FAUSTINO - SÃO MATEUS - FOTOS: ENVATO / CASULO MÉDIA
Aroma da Jamaica “made in ES”
Pimenta-da-jamaica é produzida no norte do Estado e exportada por cooperativa capixaba
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llspice. Você conhece essa especiaria? Comumente conhecida como pimenta-da-jamaica ou pimenta-de-coroa, esta é uma espécie de árvore da família das mirtáceas, que chega a medir 10 metros de altura. Nativa da América Central e Caribe, seus frutos secos são utilizados como condimento, combinando facilmente com outras especiarias e conferindo um odor semelhante a um misto de canela, pimenta negra e noz moscada.
A produção de pimenta-da-jamaica no Brasil se dá basicamente nos Estados da Bahia e Espírito Santo. A colheita ocorre entre os meses de dezembro a fevereiro, mais especificamente de três a quatro meses após a floração. A fazenda Lagoa Seca, em São Mateus, no norte capixaba, concentra a maior produção da especiaria no Espírito Santo. “A pimenta-da-jamaica entrou na minha família através de uma
muda errada que a minha avó recebeu. Ela pensou que fosse cravo-da-índia. Quando plantou, viu que era pimenta-da-jamaica. Nossa fazenda foi a primeira a plantar pimenta-do-reino em grande escala na região, já que meu avô gostava muito de especiarias. Foi daí essa vontade de plantar também a pimenta-da-jamaica aqui”, explica a produtora rural Ana Paula Martins, proprietária da Fazenda Lagoa Seca.
“A pimenta-da-jamaica representa principalmente para o norte capixaba, o desenvolvimento e reconhecimento de São Mateus como a capital estadual das especiarias” Erasmo Negris - Diretor-administrativo da Cooperativa dos Produtores Agropecuários da Bacia do Cricaré (COOPBAC)
A proprietária Ana Paula Martins observa os pés de pimenta-dajamaica na propriedade
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“A pimenta-da-jamaica entrou na minha família através de uma muda errada que a minha avó recebeu” Ana Paula Martins - Proprietária da Fazenda Lagoa Seca
MULHERES NO CULTIVO - São 4.500 pés de pimenta-da-jamaica plantados na propriedade. Juntos produzem 11 toneladas/ano. A planta exige alguns cuidados, entre eles, limpeza, adubação e a poda. O manejo e a colheita tem um toque feminino, pois todo o trabalho é realizado por mulheres. “É de suma importância a participação da mulher, principalmente, no cultivo das especiarias. Ela tem a delicadeza de fazer o processamento e beneficiamento dessas pequenas delícias”, explica Ana Paula. INOVAÇÃO - Existem três processos de colheita da pimenta-da-jamaica: a manual - onde são retirados galho por galho - e a química - onde é aplicado um produto na planta e os frutos caem. Mas, na propriedade, é utilizada outra forma de colheita. “Nós fazemos aqui na fazenda algo diferenciado, que é uma novidade:
A Fazenda Lagoa Seca, em São Mateus, é pioneira no cultivo da pimenta-da-jamaica no norte capixaba.
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a colheita semiautomática. Com a utilização da máquina colhedora de café, nós fazemos a colheita mais rapidamente e o custo reduz praticamente em 60%”, revela a produtora. O processamento da especiaria só está completo quando os grãos de pimenta-da-jamaica são secos com fogo indireto, onde permanecem por 14 horas secando a 100 graus. Cooperativa exporta pimenta-da-jamaica capixaba Oitenta por cento da pimenta-da-jamaica produzida na Fazenda Lagoa Seca, no norte capixaba, vai para o exterior. O restante fica no mercado interno. Mas por que essa variedade se adaptou tão bem a esta região do Espírito Santo? “São Mateus é privilegiada em solo, clima, e posicionamento geográfico perante os trópicos. A região está na mesma linha do sul da Áfri-
ca, quanto do centro-sul da Índia e Vietnã. Esses são locais com grande produtividade e qualidade no cultivo de especiarias. A pimenta-da-jamaica representa, principalmente para o norte capixaba, o desenvolvimento e reconhecimento de São Mateus como a capital estadual das especiarias”, ressalta Erasmo Negris, diretor-administrativo da Cooperativa dos Produtores Agropecuários da Bacia do Cricaré (COOPBAC). A maior parte da pimenta-da-jamaica produzida em terras capixabas ganha o mundo por meio da cooperativa da COOPBAC. “Nós comercializamos a pimenta-da-jamaica principalmente para o Mercosul e estamos buscando ampliar esse mercado para a União Europeia, onde há muita demanda. O mercado de especiarias é pujante e o Brasil tem oportunidade de ampliar o seu portfólio de ofertas”, informou.
Ciência "especiarizada" Pesquisadores estão de olho nas propriedades da pimenta-da-jamaica e em novos usos para um melhor aproveitamento da especiaria. “Alguns estudos vem mostrando a importância dos componentes dessa pimenta, que, na verdade, é muito cheirosa, tem um aroma semelhante ao cravo e ao zimbro. Em função dessa composição, o óleo da pimenta-da-jamaica vem sendo pesquisado como antibactericida, antifúngico, como estimulante e apresenta diversos benefícios à saúde humana. Ele também ajuda na odorização, ou seja, melhora os odores desagradáveis em ambientes”, salienta a pesquisadora Fabiana Ruas, coordenadora de Recursos Naturais do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper). O Incaper colabora na cadeia produtiva da especiaria com assistência técnica e manejo adequado aos produtores rurais, incentivando, inclusive, o aumento da área plantada no Estado. Tudo isso está sendo usado na pesquisa da pimenta-da-jamaica. “A gente colhe o fruto, transforma em óleo e leva amostras com todo cuidado e rastreabilidade que são exigidas dentro da legislação para serem analisados nos laboratórios da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). E lá nós analisamos as diferentes composições que estão dentro desse óleo. Outros testes estão sendo realizados com as folhas frescas da planta e com as folhas secas. Ah, com os frutos também”, completa a pesquisadora.
CULINÁRIA - A pimenta-da-jamaica também é muito utilizada em pratos salgados e doces. Ela pode ser encontrada em duas cores nesses preparos: a branca, indicada para carnes brancas, maioneses e molhos brancos, e a preta, que combina perfeitamente com carnes
vermelhas - como a de porco e de vitela. Quando moída, ela pode ser usada na aromatização de bolos, biscoitos, cremes e pudins. É recomendada ainda para perfumar sopas, molhos de tomates, mariscos e camarões, além de patês de presunto e de fígado.
Ficou com vontade de experimentar o sabor da pimenta-da-jamaica? Nós separamos uma receita especial com a especiaria na página 22 desta edição da Revista Negócio Rural. NEGÓCIO RURAL | 9
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TEXTO: JULIO HUBER – ESPÍRITO SANTO E PERNAMBUCO | FOTOS: DIVULGAÇÃO
Orgânicos transformam vidas no sertão pernambucano e nas montanhas capixabas
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o sertão de Pernambuco, nas mesmas terras que um dia foram pisadas por Virgulino Ferreira da Silva, o temido Lampião, eternizado como o rei do cangaço, hoje brota a esperança de um futuro melhor. Talvez fosse esse também um dos motivos das investidas de Lampião pelo sertão nordestino, mas os que lá hoje moram e trabalham, não usam espingardas, revólveres ou facas como Lampião e seu bando, mas enxadas, foices e facões. Amado por uns e odiado por outros, Lampião percorria o sertão nordestino, ao lado de sua esposa Maria Bonita e da sua turma de cangaceiros, praticando saques e disputando terras. A cerca de 30 quilômetros de Serra Talhada, cidade onde o rei do cangaço nasceu, bem no sertão de Pernambuco, ficam os municípios de Triunfo e Santa Cruz de Baixa Verde. E nessa região, onde Lampião guerreou nas décadas de 1920 e 1930, e que um dia foi palco de tanta morte, hoje vivem os reis e rainhas, não do cangaço, mas da agricultura, que são os pequenos agricultores proprietários de minifúndios (propriedades
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rurais de pequeno porte), dedicados à produção de frutas orgânicas. Há 26 anos, começou a ser escrita uma nova história na região, deixando para trás as disputas dos cangaceiros. Unidos como a tropa de Lampião, mas com objetivos diferentes, 19 jovens agricultores iniciaram outra batalha, não por disputas de terras, mas sim a favor da recuperação do solo tão maltratado até então. Eles perceberam que podiam fazer mais por suas terras, ao invés de serem derrotados pela fome, já que a terra não produzia o suficiente para as famílias tirarem dele seu sustento. Foi quando esses guerreiros iniciaram um projeto de agroecologia, o que naquela época, era coisa de gente doida. Um desses soldados do meio ambiente, que hoje produz alimentos orgânicos em sua propriedade, principalmente frutas, foi José Edimilson Soares, 56 anos, do Sítio Brejinho, em Triunfo. E foi a partir desse trabalho que hoje a região pode ser considerada um oásis do sertão, e referência na produção orgânica. “Se não tivéssemos iniciado o projeto de agroecologia, com certe-
za hoje eu e muitas outras famílias não estaríamos mais aqui. Eu teria ido para o Sul procurar outras oportunidades, ou estaria trabalhando em plantações de cana. O agricultor precisa ter um retorno da terra, e conseguimos isso com esse projeto agroflorestal. Naquela época nos chamaram de doidos, mas hoje todos já se conscientizaram da importância de preservar a terra”, relatou o agricultor. PRESERVAÇÃO – O início do sistema agroflorestal começou com o plantio de espécies frutíferas e plantas nativas no mesmo terreno, como a palma forrageira, acerola, seriguela, manga, goiaba, cajá, entre outros. Além de fazer a adubação natural da terra com galhos, folhas e as frutas que caem, essa é uma forma de preservação ambiental, assim como das nascentes. Entre as ações promovidas pelos pequenos agricultores estão a não queima da palha da cana após a colheita, o não uso de adubos químicos nas lavouras, e o preparo da terra sem queimadas. “Na minha propriedade era só plantio de cana. Quando iniciamos o
projeto de agroecologia, começamos a plantar árvores e sementes para recuperar o solo. Temos uma diversidade de plantas frutíferas, medicinais e nativas, e hoje vemos muitos animais que não existiam, os pássaros voltaram, e a água corre nos riachos”, descreve com entusiasmo o agricultor, que cultiva principalmente acerola, manga, goiaba, cajá, abacate, banana e mamão. Em pouco tempo os resultados começaram a ser colhidos, com uma produção de alimentos que era suficiente para o sustento da família, e um excedente, que começou a ser comercializado. Foi quando 12 dos 19 jovens que buscaram alternativas agroecológicas de cultivo deram mais um importante passo: eles criaram a
A cidade de Triunfo fica no sertão de Pernambuco, e a produção orgânica é um dos destaques da região
Associação de Desenvolvimento Sustentável Rural da Serra da Baixa Verde, no ano de 1996. Com o tempo, mais produtores começaram a aderir ao sistema e parti-
O projeto agroflorestal foi iniciado há 26 anos em Pernambuco e hoje José Edimilson Soares se orgulha de ver sua produção de frutas
ciparem da associação, que passou a comercializar a produção excedente para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) dos municípios locais. Uma conquista importante, e que impulsionou a associação, foi a construção de uma unidade de processamento das frutas, por meio de um convênio com uma entidade da Alemanha. Consequentemente, foi iniciada a produção de derivados da cana-de-açúcar, como o açúcar mascavo, que não era tão popular na época. A partir daí, mais pessoas começaram a participar, pois perceberam que a união dos pequenos agricultores estava dando muito certo. Foi por meio de uma consultora alemã, que na época atuava no Sindicato Rural do município, que a unidade processamento das frutas virou realidade.
Cooperativa faz produtos chegarem à rede de supermercado de São Paulo e do Rio de Janeiro Vislumbrando atingir outros mercados, os associados precisaram buscar alternativas para realizar as vendas, já que isso não era possível enquanto associação. Foi aí que eles pensaram em criar uma cooperativa, em 2009. Após estudos e com o apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) de Pernambuco, em 2011 foi criada oficialmente a Cooperativa de Produção e Comercialização da Agricultura Familiar Orgânica Agroecológica (Coopcafa), que atualmente conta com 38 cooperados. Um deles é o entusiasta e visionário José Edimilson Soares. Segundo
ele, após o surgimento da cooperativa, a comercialização foi ampliada e hoje os produtos estão em mais de 20 municípios pernambucanos e até em outros Estados, como em São Paulo e no Rio de Janeiro, nas gôndolas da rede Pão de Açúcar. O agricultor também destacou a importância da criação da Coopcafa. “A cooperativa foi um avanço, pois já estávamos sentido dificuldade enquanto associação. Havia algumas políticas públicas que não podíamos acessar de forma organizada. A associação não tinha natureza jurídica e de venda, e isso limitava muito. A produção estava
A rapadura é um dos principais produtos da Coopcafa e é comercializada em 20 municípios pernambucanos, no Rio de Janeiro e em São Paulo N E G Ó C I O R U R A L | 11
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aumentando, e precisávamos escoar”, relatou. Presidente da cooperativa desde a fundação, em 2011, Nadjanecia Santos, conta que em 2012 a cooperativa participou com o primeiro projeto no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) nos municípios de Triunfo, Santa Cruz da Baixa Verde, Serra Talhada e Custódia. Em 2014, os produtos passaram a serem vendidos também para comércios locais, com os itens agroecológicos, entre eles, as polpas das frutas, livre de qualquer tipo de conservante. Ela reforça que tudo isso se deve àquela semente plantada pelos 19 jovens que iniciaram a produção agroecológica. “Estamos no sertão de Pernambuco, e aqui é uma região muito quente, mas quando chegamos às propriedades
dos cooperados, sabemos diferenciar muito bem das demais, porque é tudo verde e preservado. Muitas árvores conseguem segurar a água no solo, e com isso, preservamos as matas ciliares. Dessa forma, vemos as águas por mais tempo nos riachos e a produção é outra”, destacou Nadjanecia. APOIO DA OCB/PE – Nadjanecia relatou que a Coopcafa ganhou um impulso com o apoio da OCB/PE, que a partir de 2016 passou a auxiliar em todos os processos burocráticos, fornecer capacitações e abrir novos horizontes. “Hoje, se somos o que somos, com essa nossa referência, devemos muito à OCB”, afirmou Nadjanecia. Entre os benefícios apontados pela presidente da cooperativa, destaca-se o apoio na divulgação, o que impulsionou a ampliação das vendas. “E hoje somos exemplo para outras
cooperativas. A OCB de Pernambuco e também da Paraíba já trouxeram representantes de outras instituições para conhecerem como realizamos o projeto agroflorestal”, disse. Em seu terceiro mandato como presidente da cooperativa, sendo que assumiu o comando da Coopcafa aos 19 anos, Nadjanecia, que também é agricultora e produz frutas e cana-de-açúcar, poderia ser considerada a nova Maria Bonita do sertão, se comparada a sua garra e determinação por uma causa, nesse caso, ao cooperativismo. Ela disse que hoje sente muito orgulho da Coopcafa. “Nesses 11 anos tivemos muitos desafios, e hoje ter esse reconhecimento que temos, é muito gratificante, principalmente poder ver as famílias felizes, entregando seus produtos para a comercialização”, afirmou.
Orgânicos das montanhas capixabas para o mundo O casal Adriano Orlando Wruck e Joselia produzem cafés orgânicos com os dois filhos
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Em Pernambuco, provavelmente grande parte da população nunca ouviu falar na cidade capixaba de Domingos Martins, que fica nas montanhas do Espírito Santo. Mas, o Estado nordestino tem uma importante ligação com o município capixaba: Domingos José Martins, que deu nome à cidade montanhosa, foi mártir e líder da Revolução Pernambucana, que eclodiu no ano de 1817. Esse movimento, de caráter separatista e republicano, manifestou a insatisfação local com o controle de Portugal sobre a região e com as desigualdades sociais existentes. Está aí outra semelhança, pois mesmo distantes e em regiões brasileiras diferentes, Pernambuco e Domingos Martins possuem a produção orgânica e o cooperativismo como ferramentas para reduzir as desigualdades no campo, levando mais qualidade de vida aos pequenos agricultores. Um exemplo é a família Wruck, que trabalha com produção orgânica há 23 anos, e diferente de Pernambuco, onde as frutas são as estrelas, nas terras capixabas a produção principal é a do café arábica e de verduras. As lavouras da família Wruck são comandadas
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pelo casal Adriano Orlando Wruck e Joselia, juntamente com os filhos Juliano e Joelson. Além do café - o principal produto -, eles também cultivam banana, milho, feijão e verduras, na maioria, para o consumo da família. “Nosso principal foco é no café, pois investimos em equipamentos de processamento para comercializar o grão torrado e moído. Algumas verduras e o feijão, quando produzimos além do nosso consumo, enviamos para uma feira orgânica. Minha mãe também produz geleias de frutas que colhemos na propriedade”, contou Joelson Wruck. O jovem também conta que a partir do momento em que a família criou a marca do própria do café, a demanda cresceu e eles passaram a dedicar mais tempo ao produto. Esse, inclusive, foi um dos motivos que fez com que os dois filhos permanecessem na propriedade, atuando junto com os pais. E um dos motivos que impulsionou a família a beneficiar o café foi justamente agregar valor ao produto. “Começamos a torrar o café, que é especial e orgânico, para ampliar as vendas. Hoje nós vendemos toda a produção beneficiada com a nossa marca”, informou. PARCERIAS – Após o início da operação da agroindústria, a família Wruck passou a receber uma de-
manda além do que eles tinham capacidade para atender com a produção própria. Dessa forma, eles começaram a comprar café orgânico, com certificado, de produtores da região, como uma família do município vizinho de Santa Maria de Jetibá. “Hoje estamos beneficiando cafés de cinco produtores. Compramos o café in natura, fazemos o processamento na nossa agroindústria, e pagamos um valor justo e que agrade aos produtores. Inclusive abrimos a possibilidade para que outros cafeicultores usem da nossa estrutura. Hoje beneficiamos cafés orgânicos para outras quatro marcas de café”, revelou Joelson. Voltando a Pernambuco, a Coopcafa também tem uma história parecida de parceria, e inclusive serviu de incentivo para a criação de outra cooperativa, que hoje absorve principalmente a produção de pinha. “Muitos dos nossos cooperados têm uma produção dessa fruta, e não conseguíamos produzir polpas em nossa unidade. Agora, por meio de parceria, essa outra cooperativa passou a comprar essa fruta para venda in natura”, contou a presidente da Coopcafa, Nadjanecia Santos. LOJA NA PROPRIEDADE – Sempre pensando em expandir a comercialização dos produtos e poder
mostrar como tudo é feito por eles, a família Wruck abriu uma loja na propriedade, onde eles vendem direto ao consumidor. O espaço foi construído ao lado da unidade de processamento dos grãos. “Percebemos essa necessidade de receber o cliente, para conhecer de perto como produzimos. Durante a pandemia tivemos uma queda no movimento, inclusive de escolas, que traziam os alunos para conhecer todo o nosso processo de orgânicos. Atualmente já voltamos a receber os visitantes”, informou Joelson. Agora, com essa retomada de visitas, a família acredita que haverá procura pelos demais produtos, como pães, biscoitos, geleia, queijos e outros itens. “A lojinha foi importante porque muitas vezes o cliente conhecia apenas o nosso café, mas na visita, acaba levando outros produtos e passa a consumi-los”, disse. Ele destaca que a maior parte do café produzido hoje pela família é comercializada em feiras orgânicas no Estado, por feirantes parceiros. Além disso, consumidores de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina encomendam o café semanalmente. Os grãos orgânicos também já chegaram na Argentina, Alemanha, Canadá e Estados Unidos, levados por viajantes que estiveram no Brasil.
Futuro promissor para a produção orgânica Hoje, o exército que luta na produção de orgânicos é muito maior que a tropa de Lampião. Além disso, esse movimento não irá acabar como o cangaço, pois as lutas são em prol da qualidade de vida da população, e o consumo de produtos orgânicos tem crescido nos últimos anos, principalmente desde o início da pandemia da Covid-19. A afirmação é do diretor executivo da Associação de Promoção dos Orgânicos (Organis), Cobi Cruz, que foi o entrevistado da última edição da Revista Negócio Rural. De acordo com o representante da Organis, em 2020 o setor teve um salto de 30%, e a expectativa é de que a demanda se mantenha firme.
“Esse setor movimenta cerca de 120 bilhões de dólares em todo o mundo, e o Brasil representa apenas 1% desse movimento financeiro. Não se trata de um ‘agronegocinho’, como dizem”, destaca. Segundo ele, o consumo de produtos orgânicos tem crescido em todo o mundo. “E essa pressão por saúde já acontecia antes da pandemia no mundo inteiro. E isso não tem volta. O Brasil é o celeiro do mundo e tem toda uma história agroecológica desde os anos 70, e tínhamos que estar muito mais avançados”, afirma. Cobi Cruz contou que cerca de 70% da produção orgânica brasileira é de pequenos produtores. O diretor da Organis afirmou que mudar a pro-
dução convencional para o orgânico requer dedicação, e mudança de conceitos. “Se quisermos ver um Brasil cada vez mais orgânico, temos que contar com os convencionais de hoje, que vão fazer a sua transição para os orgânicos. Temos que trabalhar melhor o tema com o produtor”, sugere. E essa sugestão de Cobi Cruz já está integrada no dia a dia de famílias de agricultores em diversas regiões brasileiras, como os exemplos de Pernambuco e do Espírito Santo. Com todo esse exército de produtores rurais lutando pela produção orgânica, o futuro promete ser próspero, com mais qualidade de vida para as famílias e com as terras cada vez mais preservadas. N E G Ó C I O R U R A L | 13
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T E X TO : B R U N O FA U ST I N O - V E N DA N OVA D O I M I G R A N T E / FOTO S : D I V U LG AÇ ÃO
Sabor & Tradição Selo Arte abre mercado para produtos artesanais brasileiros de origem animal
O socol da agroindústria capixaba Tio Vé foi o primeiro produto a receber o Selo Arte no Brasil
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or trás de cada produto artesanal existe uma história. Geralmente, são produtos que possuem ligação afetiva e que trazem recordações familiares. Quem não se lembra do gostinho da linguiça caseira feita pela vovó? Ou aquele queijo que só o vovô sabe produzir de maneira única? Aposto que você tem uma lembrança como esta, não é mesmo? “Meus avós vieram morar aqui em Alto Bananeiras, em Venda Nova do Imigrante, nas montanhas capixabas, depois de receberem essas terras do meu bisavô. Minha avó teve 16 filhos: os homens ficaram na roça e as mulheres foram estudar. Meu pai herdou esse terreno, onde fica nossa propriedade, e, para sustentar a família, ele comprava o porco e pegava o lombo - que é a parte mais nobre - e fazia o socol (embutido de porco parecido com um presunto cru) para vender. Com o dinheiro, ele comprava outro porco para produzir mais socol, porque naquela época, era muito difícil conseguir emprego na cidade e o trabalho na roça não tinha tanto valor. Assim, ele garantia a nossa renda. Foi desse jeito que começou a história do socol na nossa família”, conta a produtora rural Thaís Zambão Falqueto.
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Por definição, produto arte- para alavancar as agroindústrias sanal é aquele feito em peque- capixabas e fazer com que elas na escala, à mão ou com o apoio atingissem todo o país e, com apenas de ferramentas manuais isso, a possibilidade de produtos para a sua produção. Em Ven- artesanais serem vendidos em da Nova do Imigrante, o socolAroni outras regiões brasileiras”, de Freitas, Bruno Faustino, diz o é produzido como antigamente secretário de Estado da AgriculAntônio Dutra e Julio Huber foram pelos descendentes dos nonos. tura, Abastecimento, Aquicultura premiados no PJC “A gente usa o lombo de porco, e Pesca, Mário Louzada. sal, pimenta do reino e alho fresAtualmente, o Selo Arte está co. Não usamos nenhum tipo de presente em pelo menos 12 Estaconservante. Em seguida, a peça dos brasileiros. No Espírito Sané envolvida na pele da barriga do to, 15 agroindústrias possuem a porco (peritônio), depois é colo- certificação, totalizando 47 procada numa rede elástica para só dutos certificados. O Instituto de depois ficar maturando de três Defesa Agropecuária e Florestal a quatro meses em temperatura do Espírito Santo (Idaf) é o órgão ambiente”, explica Thaís. responsável pela concessão do Antigamente, a iguaria “made Selo Arte em território capixaba. in Venda Nova” era feita somente “O Espírito Santo tem um granpara conservar carne, mas, hoje, de potencial para o agroturismo e virou um petisco fino. Por esses para o turismo gastronômico, pois motivos, o socol cumpriu todas as temos aqui produtos artesanais exigências e se tornou o primeiro sofisticados. Essa é uma caracteproduto do Brasil a receber o Selo rística adquirida com nossos anteArte - uma certificação conferida passados. Por isso, é fácil identifia produtos alimentícios de origem car um produto para o Selo Arte. animal elaborados de forma arte- Nosso Estado tem um potencial sanal, com receita e processo que muito grande para que outros apresentam características tradi- produtos também conquistem a cionais, regionais ou culturais. certificação”, conta Fabiano Fiuza, “Quando surgiu o Selo Arte, médico-veterinário e responsável nós vimos a possibilidade de pela gerência de agroindústria de executar uma política pública pequeno porte do Idaf.
Tipos de Produtos / Selo Arte
Lácteos
Cárneos
Abelhas
Pescados
9% 4,7% 85% Total de produtos brasileiros certificados
1,3%
FONTE: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento / MAPA
“Quando surgiu o Selo Arte, nós vimos a possibilidade de executar uma política pública para alavancar as agroindústrias capixabas e fazer com que elas atingissem todo o país” Mário Louzada - Secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca NÚMERO 1 - A agroindústria Tio Vé, de Venda Nova do Imigrante, foi a primeira do Brasil a conquistar o Selo Arte para o socol produzido pela família. “A gente ficou muito feliz com essa conquista. Manter esse processo artesanal é manter a nossa história sem perder as características da nossa tradição”, revela a produtora rural Thaís Zambão Falqueto. Quando começou a produção, há 32 anos, a família conseguia fazer de quatro a seis peças de socol a cada dois ou três meses. Hoje, produz 300 kg/semana. Esse crescimento se deve a investimentos realizados na propriedade por meio da cooperativa de crédito da região (Sicoob Sul-Serrano). “Pegamos um dinhei-
ro na cooperativa e, com ele, investimos na nossa agroindústria: ampliamos a sala de maturação do socol e conseguimos mais espaço no nosso ambiente de trabalho”, disse. Além do socol, a agroindústria também já conquistou o Selo Arte para dois outros produtos: a linguiça artesanal e a banha de porco. “Saber que a gente começou o Selo Arte no Brasil com o nosso socol e agora conseguir expandir essa certificação para outros produtos é muito bom. Isso é um incentivo para que outras pessoas também façam o mesmo e conquistem o Selo Arte para seus produtos artesanais”, completa Thaís. A coordenadora-geral de Produção Animal da Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Sustentável e Irrigação (SDI/Mapa), Marcella Teixeira, afirma que a expansão da concessão é uma forma de fomentar
e formalizar atividades de crescimento econômico. “Com a expansão da concessão, criamos a possibilidade de produtos típicos serem degustados em todo o Brasil. Além disso, existe uma importância social e econômica que fica ainda mais evidente no momento de retomada econômica decorrente da pandemia da Covid-19”, destaca.
“Manter esse processo artesanal é manter a nossa história sem perder as características da nossa tradição” Thaís Zambão Falqueto Produtora rural N E G Ó C I O R U R A L | 15
AG R OT U R I S M O
Do socol ao culatello
O Culatello da agroindústria capixaba Lorenção tem inspiração italiana
O Culatello Di Zibello é conhecido como “Sua Majestade” na Itália, por ser um produto curado produzido com a parte mais nobre do pernil suíno. Apenas 12 salumerias do mundo são credenciadas para a produção desta iguaria de sabor adocicado e com muita maciez. E não é que essa “belezura” veio criar raiz em terras capixabas? “Eu conheci o culatello durante uma viagem para a Itália. Comi, gostei e logo pensei em trazê-lo pro Brasil. Mas eu não sabia como desenvolver, porque eu não tinha ideia do corte para pedir no abatedouro. Aí nós fizemos uns testes durante três anos, mas não ficou legal. A gente persistiu e, um ano depois, deu certo. Ficou do jeito que eu queria. Pronto, agora poderia iniciar o processo no Idaf para poder comercializar o produto”, 16 | N E G Ó C I O R U R A L
conta o produtor rural Edines José Lorenção. Todo o processo de fabricação do culatello é artesanal e feito pela tradicional família Lorenção, que fabrica e vende antepastos, geleias, molhos e, é claro, socol, em Venda Nova do Imigrante. “O culatello, apesar de ser um produto recente, já virou uma tradição. Aqui na nossa agroindústria trabalham minha filha, meu filho, eu, minha esposa e mais uma funcionária. São cinco, apenas”, explica Lorenção. Assim como o socol e o culatello, muitos produtos tradicionais, hoje restritos às regiões onde são produzidos, poderão ser encontrados em lojas e mercados Brasil afora com o Selo Arte. “São iguarias com muita carga histórica, com uma forma de produção muito peculiar. E tudo isso ficava
restrito aos capixabas e aos turistas que vinham aqui nos visitar. Graças ao Selo Arte, hoje a gente consegue mandar isso para todo o Brasil”, completa o secretário de Estado da Agricultura, Mário Louzada. COMO CONQUISTAR A CERTIFICAÇÃO - Para que um produto receba o Selo Arte, o primeiro passo é o estabelecimento, obrigatoriamente estar registrado em algum Serviço de Inspeção Oficial, seja ele municipal (SIM), estadual (SIE OU SIAPP) ou federal (SIF). “Também é necessário que o produto seja elaborado artesanalmente, a partir de técnicas predominantemente manuais. As matérias-primas utilizadas devem ser de produção própria ou de origem determinada. Já a fabricação, deve ser individualizada e genuína, mantendo a singularidade e as características tradicionais, culturais ou regionais. Isso é muito importante”, explica o médico-veterinário Fabiano Fiuza, responsável pela gerência de agroindústria de pequeno porte do Idaf. No ano passado, o Idaf publicou a Instrução Normativa nº 17, de 22 de outubro de 2021, que regulamentou a concessão do Selo Arte nas cinco categorias de produtos de origem animal: produtos cárneos, produtos lácteos, pescados, ovos e produtos de abelhas e derivados. Antes da instrução, apenas o produto socol poderia receber o Selo Arte. Entre os 47 produtos que possuem certificação no Estado, estão: socol, linguiça do tipo pernil recheada e defumada, culattelo, lonzino, bresaola, strolghino, presunto cru, copa, speck, pernil de cordeiro, pastrami defumado, lombo defumado, lonza, mel, extrato de própolis e banha suína. Os Selos Arte mais recentes foram entregues no Espírito Santo, no início de abril, para as agroindústrias Apiário Fiorin, em Domingos Martins, e Caprinova, em Venda Nova do Imigrante. Com isso, o Espírito Santo se tornou o segundo Estado com mais produtos certificados, ficando apenas atrás de Minas Gerais. “Em menos de seis meses, o Espírito Santo se tornou o segundo Estado com a maior quantidade de
AG R OT U R I S M O
produtos com Selos Artes no país, o que garante aos proprietários dos estabelecimentos o aumento da produtividade e renda. Tudo isso também impacta positivamente no desenvolvimento rural e no turismo capixaba, além do fomento à economia”, afirma o diretor-presidente do Idaf, Leonardo Cunha Monteiro.
E será que as novidades param por aí? “Não, não! Novas certificações estão vindo por aí! Estamos trabalhando para levar o Selo Arte para a carne de sol de Montanha. A nossa proposta é fomentar o desenvolvimento de produtos típicos, algo que já é feito muito bem em outros países. Na Europa, por exemplo, há certificação para
milhares de produtos. Na França, existe certificação para queijos finos e embutidos com características de determinados climas. No Espírito Santo e no Brasil, nós temos isso, devido a nossa cultura diversificada. Temos região serrana, litoral, então, o nosso trabalho em busca de novos produtos não para”, finaliza Fiuza.
Características dos produtos alimentícios identificados com o selo ARTE Segundo o Decreto nº 9.918/2019: I - As matérias-primas de origem animal beneficiadas na propriedade onde se localiza a unidade de processamento ou com origem determinada por meio do registro de inspeção oficial; II - A adoção de técnicas e utensílios predominantemente manuais em qualquer fase do processo produtivo, que tenha influência ou determine a qualidade e a natureza do produto final; III - A adoção de boas práticas de fabricação com o propósito de garantir a produção de alimento seguro ao consumidor; IV - A adoção de boas práticas agropecuárias na unidade de produção da matéria-prima ou nas unidades de origem determinada, que contemplem sistemas de produção sustentáveis; V - O produto final é de fabrico individualizado e genuíno, podendo existir variabilidade sensorial entre os lotes; VI - O uso de ingredientes industrializados é restrito ao mínimo necessário, não sendo permitida a adoção de corantes, aromatizantes e demais aditivos considerados cosméticos; VII - Processamento feito, prioritariamente, a partir de receita tradicional, que envolve técnicas e conhecimentos de domínio dos manipuladores.
Referência na produção de: Pimentado-Reino
Pimenta Jamaica
PimentaRosa
Macadâmia
Pioneirismo e inovação. (27) 99824-9442
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Integramos as Cooperativas:
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GIRO RURAL
COOPERATIVISMO CONECTA O CAMPO À CIDADE E PRODUÇÃO É EXPORTADA Apontado por muitos especialistas como o principal sustentáculo da economia brasileira durante o período pandêmico, o setor agro vem demonstrando a cada ano o seu importante papel para promover o desenvolvimento do país. E quando todo esse potencial é somado a um modelo de negócio justo que pensa no coletivo, como o cooperativismo, os resultados alcançados são ainda maiores. De forma geral, o setor é responsável por conectar o campo e a cidade por meio da sua produção. Das pequenas propriedades da agricultura familiar, de onde sai boa parte do alimento que chega à mesa do capixaba, até as grandes propriedades com foco na exportação, que levam os produtos da terra para diferentes países e culturas, ele gera um impacto que atinge toda a sociedade. De acordo com dados do Anuário do Cooperativismo Capixaba 2021, lançado pelo Sistema OCB/ES, o Ramo Agropecuário foi responsável em 2020 por 35,9% de toda a movi-
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mentação econômica das cooperativas atuantes no Espírito Santo. Dos R$ 6,6 bilhões movimentados no ano, R$ 2,4 bilhões são provenientes do cooperativismo agro, que no Espírito Santo engloba 26 cooperativas. Além disso, o movimento coop – que conta com outros seis ramos além do agropecuário – recolheu R$ 137,7 milhões em impostos e taxas, ou seja, recursos que retornaram em benefícios para a sociedade capixaba, de Norte a Sul. De acordo com o presidente do Sistema OCB/ES, Pedro Scarpi Melhorim, o cooperativismo agro vem demostrando um crescimento visível, com potencial de aumentar ainda mais a sua participação econômica. “Hoje somos mais de 35,1 mil cooperados em todo o Espírito Santo, além de 2,3 mil postos de trabalhos que são gerados pelas cooperativas. Por ser um modelo do futuro e por estar pautado em valores humanos, o cooperativismo vislumbra uma possibilidade de ascensão dos seus indica-
dores. Isso porque, muito mais do que entregar produtos e serviços, ele também promove uma distribuição mais justa de renda, gera oportunidades e ajuda a transformar a realidade das comunidades onde as cooperativas estão”, comenta. EXPORTAÇÃO - Parte dos itens produzidos pelas cooperativas capixabas ganham os mercados exteriores. Um dos principais produtos em ordem de faturamento do cooperativismo agro é o café, que chegou a registrar R$ 36,4 milhões em exportações para países como Itália, Portugal, Estados Unidos, Colômbia, Cuba e Austrália. Quando se fala em especiarias, ganha destaque a produção de pimenta. A pimenta-do-reino proveniente das cooperativas capixabas chegou a 29 países em 2020, vinda de quatro continentes: África, América do Sul, Ásia e Europa. O cravo-da-índia também obteve números positivos, com R$ 600 mil em exportação.
GIRO RURAL
COOCAFÉ DIGITAL: ICOOP APROXIMA TODOS OS PÚBLICOS DA COOPERATIVA Em 2021, a Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Lajinha (Coocafé) colocou como um dos pilares de seu planejamento estratégico a inovação. Várias frentes de trabalho foram criadas, gerando avanços e benefícios para os públicos interno e externo. Durante a reunião geral de colaboradores, em agosto de 2022, a conclusão da primeira etapa de um importante projeto foi apresentada para a equipe interna e cooperados. Trata-se do iCoop Coocafé, uma plataforma digital disponível para todos os públicos. Seguindo a teoria de Steve Jobs, o nome - iCoop - traz a ideia de algo que foi feito para o indivíduo, para instruir, informar e inspirar. Mas, quando se trata também de uma cooperativa, a Coocafé tem como foco manter relacionamento com todas as partes interessadas: cooperado, colaborador, parceiros e comunidade. E esse novo aplicativo traz tudo isso para a palma
da mão de qualquer pessoa que queira estar por dentro de todas as novidades da cooperativa. A conectividade começa dentro da cooperativa. Trabalhando interligados, a repaginação foi feita em parceira entre os setores de tecnologia da informação, marketing e técnico-comercial, levando informações que são geradas pelos departamentos de finanças, fiscal, comercialização e armazenamento de café. Assim como os cooperados recebem atendimentos para preparar o grão até chegar à xícara, agora o associado tem ainda mais suporte e está cada vez mais conectado com a Coocafé. As funcionalidades do app do cooperado (informações da propriedade, extratos financeiros, informes de rendimentos, gestão Coocafé, informações das unidades da cooperativa, solicitação de busca de café e capacitações técnicas) foram migradas para o
iCoop, com ainda mais facilidade e agilidade. Assim, novas funcionalidades foram acrescentadas, atendendo solicitações identificadas em pesquisas. O iCoop já possibilita que o associado assine contratos no conforto de suas casas. E para o público externo, o aplicativo apresenta conteúdos semelhantes aos do site da cooperativa: notícias, cotações, banners próprios e de parceiros e, além disso, pode ser baixado e acessado por qualquer pessoa, seja em smartphone android ou ios. O iCoop Coocafé está totalmente alinhado ao propósito da cooperativa, que é garantir a sustentabilidade da Coocafé, do cooperado e da comunidade. Portanto, inovação e sustentabilidade se complementam, e por isso, muitas novidades estão por vir. Quem quiser conhecer e aproveitar o iCoop, basta fazer o download em seu celular.
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GIRO RURAL
Acordo de cooperação quer aumentar os serviços oferecidos pelos sindicatos rurais Uma oportunidade inédita de capacitação e remuneração está disponível aos sindicatos rurais capixabas, fruto de uma parceria entre o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-ES), a Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo (FAES) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Espírito Santo (Senar-ES), que visa a realização de ações conjuntas em apoio ao agronegócio capixaba. Nacionalmente foi assinado, no dia 30 de março, entre o Sebrae e o Sistema CNA/Senar, um Acordo de Cooperação Técnica (ACT), em Brasília, e por meio dele será fomentado o desenvolvimento de empreendedores, de micro e pequenas empresas e a melhoria do ambiente de negócios do setor e da imagem do agronegócio brasileiro junto à sociedade. No Espírito Santo, a novidade foi anunciada durante o encontro de dirigentes sindicais, lideranças e produtores rurais, que a FAES realiza mensalmente. Para participar, o sindicato rural interessado deve se credenciar no edital nº 01/2021. O projeto visa ampliar as ações de atendimento aos pequenos negócios, com a utilização de soluções do Sebrae nos 78 municípios do Estado. CAPACITAÇÃO - Os planos de trabalho iniciais terão cinco temas principais: programa Negócio Certo Rural; cadeias produtivas estratégicas; ampliação do Empretec Rural; implantação do bolsista ALI Rural integrado a ATEG e alimentos brasileiros diferenciados - artesanais, tradicionais, típicos e com Indicação Geográfica - IG e Selo ARTE. Ao se credenciar, o sindicato rural tem as vantagens de aumentar o portfólio de serviços oferecidos aos produtores associados, capacitar os profissionais de atendimento da entidade, planejar atividades, além de ser remunerado ao ofertar os produtos do Sebrae. Também será oferecida às entidades que aderirem ao edital uma consultoria de “Alinhamento Es20 | N E G Ó C I O R U R A L
Letícia Simões afirmou que a parceria irá ampliar o atendimento aos produtores e famílias rurais
tratégico e Performance de Mercado”, que vai melhorar a percepção e proposta de valor da entidade junto aos associados, além de otimizar os canais de comunicação e relacionamento para atrair novos associados. De acordo com o superintendente do Sebrae-ES, Pedro Rigo, “é fundamental somar esforços destas duas instituições com objetivo de ampliar a capacidade de atender o produtor rural capixaba, além de aumentar as ofertas de serviços disponíveis hoje. Outra ação importante que iremos juntos realizar é o fortalecimento da representação dos sindicatos rurais junto aos associados. Precisamos de sindicatos fortes para melhor representar os anseios do setor”, afirma. O apoio à gestão dos pequenos negócios rurais é um ponto impor-
tante entre as ações previstas no acordo. “Isso possibilitará a ampliação do atendimento aos produtores e famílias rurais com soluções importantes em tecnologia, inovação, assistência técnica e gerencial, meio ambiente visando a sustentabilidade dos negócios rurais”, disse a superintendente do Senar-ES, Letícia Simões. Para o presidente da FAES, Júlio Rocha, o Acordo de Cooperação é um marco importante que a Federação sempre buscou. “O fortalecimento da base do Sistema está nos sindicatos rurais presentes nos municípios, e essa parceria vai desenvolver um trabalho para tornar os sindicatos mais atrativos e profissionalizados, com o objetivo de atender nossos produtores rurais”, ressaltou.
Quaisquer esclarecimentos ou dúvidas em relação ao novo edital de credenciamento devem ser encaminhadas para o e-mail: credenciadosebrae@es.sebrae.com.br.
E V E N TO S
Favesu terá programação intensa para avicultores e suinocultores
A Favesu é o maior evento da avicultura e da suinocultura do Espírito Santo Com as inscrições antecipadas já abertas, a 6ª Feira de Avicultura e Suinocultura Capixaba (Favesu), que será realizada nos dias 08 e 09 de junho, no Centro de Eventos Padre Cleto Caliman (Polentão), na cidade de Venda Nova do Imigrante, na Região Serrana do Espírito Santo, contará com mais de 15 horas de encontros técnicos e palestras. A feira destacará uma série de temáticas importantes para os setores avícola e suinícola, por meio de debates e apresentações. Durante os dois dias, haverá a reunião conjuntural da avicultura e da suinocultura, palestra magna, exposição de empresas ligadas aos dois setores, espaço gourmet e aulas show de gastronomia. A abertura oficial será no dia 8, às 16h, e neste mesmo dia, a programação terá início às 9h15, com as apresentações dos trabalhos vencedores do Espaço Científico nas categorias Postura Comercial e Suinocultura. Em seguida, será dado início ao ciclo de palestras do “Qualificaves Frango de Corte e Postura Comercial”, que contará com a parceria do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf/ES), da Superintendência Federal de Agricultura Pecuária e Abastecimento (SFA/ES-Mapa) e da Cooperativa Agropecuária Centro Serrana (Coopeavi). Às 09h30, o coordenador do Pro-
grama Nacional de Sanidade Avícola (PNSA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Bruno Rebelo Pessamilio, destacará a temática “Notificação obrigatória de doenças aviárias: entendendo o processo e sua importância para a Avicultura”. No mesmo horário, em outro auditório, abrindo as atividades do Qualificases, a diretora técnica da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Charli Ludtke, e a pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves, Jalusa Deon Kich, apresentarão o tema “Antibioticoterapia na suinocultura: cuidados para um uso eficaz e racional”. NOVIDADE – A edição deste ano terá novidades, entre elas o conteúdo empresarial que fechará o seu primeiro dia de eventos técnicos, que contará com a realização da Audax Consultoria Tributária. A palestra tem início programado para as 11 horas. Com um tópico muito presente na rotina dos produtores e empresas da avicultura e suinocultura, o diretor da Audax Consultoria Tributária, Arnibo Braatz Júnior, explanará sobre: “Os benefícios fiscais e restituição de créditos tributários para avicultura, suinocultura e frigoríficos. Como restituir esses créditos em conta corrente para minha empresa?”. SEGUNDO DIA - Abrindo os eventos técnicos no dia 09 de junho, a partir das 9h30, haverá a apresen-
tação do trabalho vencedor do Espaço Científico na categoria Frango de Corte. No mesmo local, às 09h45, o “Espaço produção e indústria de carnes – Frango de Corte” contará com a professora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Liris Kindlein, que destacará as principais causas de condenações (da granja ao abatedouro) e formas de prevenção. Em seguida, às 10h50, o especialista de Frango de Corte e Ambiência da Cobb na América do Sul, José Luís Januário, falará sobre a tema “Ambiência: fatores limitantes para um melhor desempenho”. No auditório 2, a programação também terá início às 9h30, com o “Qualificaves Postura Comercial”, que contará com a parceria da Coopeavi e apresentará a palestra “Programas de autocontrole: princípios básicos para a confecção e implementação para o setor de ovos”. O momento será ministrado pelo consultor da Criare Consultoria e Engenharia de Alimentos, Paulo Barretto. Fechando o ciclo de palestras do segundo dia, a partir das 11 horas, o “Espaço produção e indústria de carnes – Suínos” receberá o fiscal estadual Agropecuário do Idaf/ ES, Agostinho Sergio Scofano, com a palestra: “Principais causas de condenações (da granja ao abatedouro) e formas de prevenção”. A feira é realizada pela Associação dos Avicultores do Estado do Espírito Santo (Aves) e pela Associação de Suinocultores do Espírito Santo (Ases). Serviço 6ª Feira de Avicultura e Suinocultura Capixaba (Favesu) Data: 8 a 9 de junho Onde: Centro de Eventos Padre Cleto Caliman (Polentão), Venda Nova do Imigrante, Região Serrana do Espírito Santo Horários: dia 08 (8h45 às 20h) e dia 9 (9h às 20h) Inscrições gratuitas e programação completa: www.favesu.com.br N E G Ó C I O R U R A L | 21
R E C E I TA & C A L E N DÁ R I O R U R A L
Bolo de maçã
e especiarias
Ingredientes: Três copos de farinha de trigo integral Um copo e meio de açúcar mascavo Dois ovos inteiros Meio copo de óleo de milho Cinco maçãs descascadas e picadas em cubos Um copo de passas Um copo de castanha-do-pará picada Três colheres (sopa) de conhaque Suco de um limão Canela, noz moscada, pimenta-da-jamaica e sal a gosto Açúcar de confeiteiro para polvilhar no final
Calendário
Rural
Veja os alimentos que estão na safra
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MAIO
Frutas: banana, mamão formosa, caqui e graviola Legumes: cenoura, chicória, jiló e rabanete Verduras: alho, alhoporó, mostarda e salsa
JUNHO
Preparo: 1 - Numa vasilha, misture o trigo, o açúcar, os ovos e o óleo de milho. Junte as maçãs, as passas, as nozes, o conhaque, o suco de limão, a canela, a noz moscada, a pimenta-da-jamaica e o sal. 2 - Asse em forno médio por mais ou menos 40 minutos em forma untada de 25 centímetros de diâmetro, por 8 centímetros de altura. Deixe esfriar e polvilhe o açúcar de confeiteiro.
Frutas: laranja lima, mexerica, kiwi e abacate Legumes: abóbora , batata doce, berinjela e chuchu Verduras: milho verde, agrião, espinafre e repolho
JULHO
Frutas: maracujá, morango, cupuaçu e limão Legumes: mandioca, inhame, palmito e pepino Verduras: coentro, couve, brócolis e escarola
a n o s
Cooperar é conectar histórias
O cooperativismo capixaba une milhares de pessoas em torno de um mesmo objetivo: transformar o mundo em um lugar mais justo, feliz, equilibrado e com melhores oportunidades para todos
Quer saber mais sobre esse modelo de negócio? Aponte a câmera do seu celular para o QR Code N E G Ó C I O R U R A L | 23
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