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Revista Negócio Rural Edição 19

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EDITORIAL

É PRECISO ACOMPANHAR AS INOVAÇÕES DO AGRONEGÓCIO

Conciliar a preservação ambiental com a produção agrícola é possível e necessário. No Espírito Santo e em Minas Gerais, como mostra nossa reportagem de capa desta edição, projetos estão sendo desenvolvidos por produtores, cooperativas e demais instituições ligadas ao setor. Sem essa consciência ambiental, futuramente a produção agrícola poderá se tornar inviável. Nesta edição também estreamos a coluna “Inovação no Agronegócio”, assinada por Wellington Luiz Pompermayer, que é presidente da COOPTTEC e da AGROCOOP, e também é conselheiro de Administração da OCB-ES. A intenção é trazer sempre notícias que possam servir de incentivo a quem vive no meio agrícola. E, pensando sempre em apresentar as principais notícias do agronegócio, a revista Negócio Rural participou do Fórum Mundial dos Produtores de Café, que ocorreu em Minas Gerais. No evento, foram discutidos os principais entraves mundiais para quem atua no setor. E para mostrar toda a força do agroturismo, será realizada, entre 20 e 24 de novembro, em Venda Nova do Imigrante, na região de montanhas do Espírito Santo, a Rural Tur, que é a maior feira de turismo rural do Brasil. Diversos estados brasileiros já confirmaram suas presenças e o evento tem o intuito de promover qualificação, intercâmbio e exposição de produtos do agroturismo nacional.

ÍNDICE 04 CAPA

Produtores rurais engajados na preservação ambiental

09 OPINIÃO

Wellington Pompermayer lança coluna sobre inovação no agronegócio

10 CAFEICULTURA

Fórum Mundial dos Produtores de Café debate desafios do setor

15 PESQUISA

Papel Kraft pode ser usado contra plantas daninhas em plantações de alface

16 TECNOLOGIA

Coopeavi lança aplicativo para consultoria técnica on-line

21 EVENTOS

Maior feira nacional de turismo rural será em Venda Nova do Imigrante

Julio Huber e Bruno Faustino Foto de capa: Julio Huber Editores de jornalismo: Bruno Faustino - JP - 1375/ES Julio Huber - JP - 2038/ES Reportagem: Bruno Faustino Julio Huber Fotografia: Bruno Faustino Julio Huber

Revisão: Sidiney Dalvi Colaboradores: Anderson Percílios

Diagramação: HM Propaganda (27) 3361-4163 (27) 99276-9848

Periodicidade: Bimestral Agosto/Setembro Com reportagens apuradas até 30/09/2019 Endereço e assinaturas: Avenida Presidente Vargas, nº 590, Sala 305 B Centro - Domingos Martins ES - Cep: 29.260-000 (27) 3268-3389 revistanegociorural@gmail.com

revistanegociorural

Impressão: Grafiisana Circulação Nacional A Revista Negócio Rural é uma publicação da empresa Nova Comunicação. É proibida a reprodução total ou parcial de textos, fotos e ilustrações, por qualquer meio, sem a prévia autorização dos editores.

NEGÓCIO RURAL | 3


C O O P E R AT I V I S M O |

TEXTO: BRUNO FAUSTINO - BAIXO GUANDU, MUQUI, BREJETUBA E SÃO MATEUS (ES) | FOTOS: DIVULGAÇÃO

Iniciativas mostram produtores rurais capixabas engajados na preservação do meio ambiente O Brasil possui cerca de 12% da disponibilidade de água doce do planeta. Mas, a distribuição natural desse recurso não é equilibrada. A região Norte, por exemplo, concentra, aproximadamente, 80% da quantidade de água disponível, mas representa apenas 5% da população brasileira. Já as regiões próximas ao Oceano Atlântico possuem mais de 45% da população, porém, menos de 3% dos recursos hídricos do País, segundo a Agência Nacional das Águas (ANA). Nas últimas décadas, o desmatamento das encostas, matas ciliares e o uso inadequado do solo contribuíram para a diminuição dos volumes e da qualidade da água, um bem insubstituível. Por isso, a preservação das nascentes é tão importante. "A única forma de você tentar reter água seria através da preservação das áreas de carga, ou seja, as nascentes", afirma o professor do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES), João Batista Kefler Pinotti. A água que chega às cidades depende, e muito, das ações de preservação realizadas no campo. Quando isso não acontece, os 4 | NEGÓCIO RURAL

efeitos são sentidos na pele. No Espírito Santo, os municípios de Colatina, Itarana, Itaguaçu, Afonso Cláudio, São Roque do Canaã, Santa Teresa, Santa Maria de Jetibá e Mantenópolis voltaram a enfrentar o racionamento de água, situação vivida pelos moradores há pouco mais de quatro anos, quando o Estado enfrentou a pior seca dos últimos 80 anos. De acordo com a Companhia Espírito-santense de Saneamento (Cesan), as condições dos rios que cortam os municípios estão bem abaixo do ideal para captação, tratamento e distribuição. Por este motivo, foi adotado o sistema de rodízio no fornecimento de água nessas localidades. PRESERVAÇÃO - Boa parte das cidades afetadas pela seca está no Noroeste do Estado. Elas fazem parte da Bacia Hidrográfica do Rio Doce, que durante anos foi degradada. A cobertura florestal na região é muito pequena. E, se não existe mata, não há água também. Esta condição é a mais propícia para o desaparecimento das nascentes. O produtor que, durante anos,

desmatou para aumentar a produção é, agora, um aliado para que esse quadro possa ser revertido. E vem, justamente desta região que está sofrendo com a falta d'água, um dos melhores exemplos de recuperação e conservação dos recursos hídricos: o "Olhos d'Água", desenvolvido pelo Instituto Terra, em Aimorés, na divisa de Minas Gerais com o Espírito Santo. O programa tem como meta proteger milhares das mais de 300 mil nascentes da Bacia Hidrográfica do Rio Doce. Trabalho para várias décadas, que começou em 2010. Ao todo, 1.977 nascentes estão em processo de recuperação e 1.044 produtores rurais são atendidos pelo programa em 29 municípios no Vale do Rio Doce, sendo 21 em Minas Gerais e o restante no Espírito Santo. Tudo começou quando o casal Lélia Wanick e o consagrado fotógrafo Sebastião Salgado decidiram transformar a antiga fazenda de gado da família, a Fazenda Bulcão, em um centro de recuperação da Mata Atlântica. "Eles começaram plantando árvore por árvore e o Instituto se transformou


num exemplo para a humanidade. Quando você olha isso aqui, não imagina que tem mais de dois milhões de árvores aqui dentro", conta Isabella Salton, diretora executiva do Instituto. Pelos resultados e modelo de execução, o programa foi escolhido pela ONU-Água como uma das 70 melhores práticas para a recuperação e conservação dos recursos hídricos do planeta, e também recebeu o Prêmio ANA 2014 na categoria ONG – um reconhecimento da Agência Nacional de Águas do Brasil pela iniciativa considerada de excelência para garantir a oferta futura de água em quantidade e qualidade. Joel Norato, 53, é um dos produtores envolvidos no programa. Ele tem um sítio no Córrego Lage, em Baixo Guandu, no Noroeste capixaba. Produz café conilon e banana. A nascente da propriedade fica no alto do morro. A água abastece a casa da família e também é utilizada na irrigação. "Se não tiver água, como vamos trabalhar, como vamos viver?", questiona o produtor.Apesar da atual falta de chuva, ele garante que a nascente nunca secou. "Aqui não falta água. Sempre tivemos muita água na propriedade", ressalta Joel. Isso se deve à preservação do 'olho d'água'. A nascente foi uma das primeiras a ser protegidas do pisoteio de animais. Foi cercada e identificada pelos extensionistas do Instituto Terra. "A gente chega na propriedade, visita o olho d'água e, a partir daí, desenvolvemos um projeto para proteger a nascente", explica Tiago da Silva de Jesus, técnico ambiental do Instituto Terra. PARCERIA - A essência do programa Olhos D’Água passa pelo viés da educação ambiental, mobilizando as comunidades rurais e envolvendo o poder público e o Comitê de Bacia nos municípios atendidos. O programa tem o pequeno produtor rural como grande parceiro. É preciso cadastrar as nascentes das propriedades e assinar um termo de compromisso, tornando-se parceiro do projeto. A partir daí, são feitos mutirões para cercar os olhos d’água, com os insumos sendo fornecidos pelo

programa, que também doa as mudas de espécies de Mata Atlântica produzidas no Instituto Terra, para permitir o reflorestamento das áreas de entorno das nascentes. A proteção dos olhos d’água favorece a regeneração das matas, oferecendo ao solo condições suficientes para reter a água das chuvas e, consequentemente, aumentando a produção de água nas propriedades rurais. “As nascentes são as fontes de alimento dos rios, no nosso caso, o Rio Doce. Elas vão criando fluxos de água que chegarão aos afluentes e depois aos mananciais. Quando a gente cuida da nascente, produz uma quantidade maior de água, o futuro das nossas bacias hidrográficas se torna mais luminoso”, ressalta a diretora executiva do Instituto Terra, Isabella Salton. Outro produtor pioneiro na proteção de nascentes no noroeste capixaba é Romeu Binda, 74. “Eles (os extensionistas do Instituto Terra) chegaram lá em casa perguntando quem queria proteger as nascentes, lá em 2011. Eles olharam tudo e disseram que a nascente da minha propriedade era ideal. O Instituto Terra forneceu a madeira, o arame e as mudas para reflorestar ao redor do olho d’água. De lá pra cá, não mexemos mais. Nem os animais têm acesso a esta água. Hoje, eu estou muito satisfeito com o resultado”, afirmou Romeu. O projeto contempla ainda a realização de diagnósticos da situação ambiental das propriedades rurais com o intuito de conhecer o atual uso e ocupação do solo e, ao mesmo tempo, indicando as necessidades de adequação ambiental para conservar a nascente. Nos últimos anos, o programa Olhos d’Água se aperfeiçoou. Passou a adotar, a partir de 2017, tecnologia das estações de tratamento de esgoto (MiniETE) no lugar das fossas biodigestoras nas propriedade envolvidas no projeto. Para melhorar a infiltração de água no solo e agilizar a restauração das nascen-

Como preservar uma nascente? De acordo com o novo Código Florestal (Lei Federal 12.651/2012), deve-se preservar uma borda de 30 metros no entorno da nascente e contar com técnicas de recomposição, como regeneração natural da vegetação nativa e plantios de árvores nativas. O primeiro passo para a revitalização de uma nascente é o seu isolamento com uma cerca que tenha, pelo menos, o último arame (na parte de baixo) liso e colocado acerca de 70 centímetros do chão, para permitir o trânsito de animais silvestres. Por se desenvolverem bem em solos úmidos, espécies arbóreas nativas utilizadas para a recomposição de matas ciliares, como os ingás, são recomendadas para a proteção de nascentes. Outra prática com bons resultados nos plantios de árvores nativas é o condicionamento das covas em que as mudas serão introduzidas, especialmente em áreas em estágio avançado de degradação.Como os processos de recuperação e conservação são complexos, aconselha-se a assessoria de técnicos especializados.

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tes, também estão sendo instaladas Barraginhas - pequenas bacias escavadas no solo em forma de círculo ou meia-lua - para armazenar mais água no solo e, consequentemente, abastecer o lençol freático. Outra novidade é a instalação de painéis solares. O produtor atendido pelo programa ganha um sistema de

energia solar com quatro painéis solares e são capazes de produzir 200 quilowatts/hora. Mais uma maneira de ajudar o meio ambiente. “O papel do produtor é fundamental para o sucesso desse programa. Só ele sabe onde estão as nascentes. Então, quando nós conseguimos mostrar a importância deste

trabalho para o produtor rural, ele se torna um defensor ferrenho do meio ambiente porque ele sabe que, se não tiver água, ele não vai ter nada, ele não vai ter futuro, ele não tem esperança, nem ele nem nós. O produtor rural precisa ser muito valorizado. Porque sem ele a gente não faz nada”, finaliza Isabella.

Um dos sete princípios do cooperativismo é o Interesse pela Comunidade, que se refere à responsabilidade socioambiental, instruindo as cooperativas a respeitar as peculiaridades sociais e a vocação econômica do local onde estão instaladas, assim como, a desenvolver soluções de negócios e apoiar ações humanitárias e socioambientalmente sustentáveis. Ou seja, as instituições têm como princípio uma atuação que favoreça a comunidade e o meio ambiente, o que implica, entre outras coisas, em

ter uma atitude ecologicamente responsável, adotando práticas de preservação e de melhoria ambiental. No Espírito Santo, as cooperativas adotam ações de preservação de nascentes, descarte consciente, bem como programas de conscientização com os cooperados. Uma iniciativa apoiada pela Cooperativa dos Produtores Agropecuários da Bacia do Cricaré (Coopbac) e desenvolvida pela Associação Empresarial do Litoral Norte do ES (Assenor), em São Mateus, norte capixaba, ajuda produtores rurais a proteger nascentes na região. "Envolver os cooperados nestas ações é muito importante. Sem água, não conseguimos produzir nada. Eles receberam a iniciativa muito bem", lembra Erasmo Carlos Negris, presidente da Coopbac. Até o momento, 16 nascentes já foram protegidas e 2.288 mudas de espécies da Mata Atlântica plantas ao redor dos olhos d'agua. "Temos que despertar a conscientização ambiental em toda a comunidade. Temos parceiros importantes neste trabalho: a cooperativa, o Incaper, o Ceunes, o Sindicato Rural, Fibria, e outros. Estamos muito satisfeitos com os resultados alcançados, já que

há muitos voluntários envolvidos", ressalta Welington Secundino, engenheiro agrônomo do Incaper. Outra ação importante de preservação de nascente é desenvolvida no Sul do Espírito Santo pela Cooperativa dos Cafeicultores do Sul do Estado do Espírito Santo (Cafesul), em Muqui. O trabalho desenvolvido, há quatro anos, é semelhante ao Programa Olhos d'Água, do Instituto Terra. Com recursos concedidos pela Fundação Banco do Brasil, a cooperativa forneceu estaca e arame para que os produtores cercassem as nascentes das propriedades rurais. A aceitação dos cooperados foi imediata. "Cercamos 40 nascentes. Demos o material e o produtor entrou com a mão de obra. Esses dias, passei numa propriedade em que realizamos o trabalho e não acreditei no que vi. O que antes era um pasto aberto, se transformou numa floresta", conta Renato Theodoro, presidente da Cafesul. O resultado foi acima do esperado. Além da proteção das nascentes e recuperação das áreas de preservação das propriedades, os cooperados construíram 420 caixas secas - reservatórios construídos às margens das estradas para captar as águas de chuva. "Não houve desperdício algum. Toda a terra retirada da escavação das caixas secas fora utilizada para ajudar na restauração de estradas rurais do município.", ressalta o presidente.

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Joel Norato, 53, é um dos produtores envolvidos no programa. Ele tem um sítio no Córrego Lage

EXPERIÊNCIA EXITOSA - A Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Lajinha (Coocafé), em Minas Gerais, que atende também cafeicultores do sul capixaba, realiza ações de preservação ambiental junto aos seus cooperados. Um dos trabalhos é o recolhimento de embalagens de defensivos agrícolas usadas nas lavouras de café. "A Coocafé, dentro do seu plano socioambiental, visita os cooperados e orienta para que eles cumpram com a legislação e façam o recolhimento deste material. Com isso, eles protegem a natureza e cuidam da própria saúde", explica Flávio Gomes, consultor técnico da cooperativa. A legislação brasileira, através da Lei 12.305/2010 trata do descarte de embalagens vazias de defensivos. A Política Nacional de Resíduos Sólidos estabeleceu como instrumento de desenvolvimento econômico e social a implantação de sistemas de logística reversa. O sistema consiste em um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor em-

presarial, para aproveitamento em seu ciclo produtivo, ou para destinação final ambientalmente adequada, conforme a lei. Quem participou de uma das ações de recolhimento de embalagens organizado pela cooperativa foi o produtor Antônio Miguel da Silva, de Brejetuba. "Isso é bom pra gente e para a natureza. Ajudar o meio ambiente é mais um ponto positivo que a cooperativa nos incentiva", diz. Mas esta não é a única ação de sustentabilidade desenvolvida pela Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Lajinha. Desde 2016, o Programa "Água", tem conscientizado e ajudado cooperados a transformarem a região em que vivem em um ambiente mais sustentável. Centenas de caixas de contenção e fossas sépticas já foram entregues. Além de nascentes preservadas. O Sicoob Credicaf, a Nestlé e a Sucafina são parceiros da iniciativa. "Esse projeto é importante, pois não abrange só cooperados da Coocafé, mas também a comunidade. O objetivo é realmente incentivar o cooperado a ter uma propriedade mais susten-

tável com essas três linhas de pensamento, que é ter fossa séptica para ter mais qualidade de vida, ter as caixas de contenção para reter água para os lençóis freáticos, tendo assim uma produção na lavoura mais eficiente e também a preservação e a conservação das nascentes, para cuidar da parte do meio ambiente e o uso devido da água”, revela Ailton Ribeiro, analista de desenvolvimento cooperativista. A proteção ao meio ambiente é um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que devem ser implementados por todos os países do mundo até 2030. Por isso, o tema é muito importante. "Os cuidados com o meio ambiente deve ser papel de todos: órgãos públicos, privados, ongs e demais instituições. É por isso que nós tentamos envolver as famílias nas ações de sustentabilidade da Coocafé. São ações simples, fáceis, de baixo custo, mas que vão trazer um resultado coletivo. Com a colaboração de todos teremos mais sucesso. Quem ganha com isso não é somente o meio ambiente, mas sim todos nós", finaliza Pedro Araújo, diretor de produção da Coocafé.

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PECUÁRIA

Tecnologia simples e acessível para avaliação de carcaça bovina

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Brasil é o segundo maior produtor e o maior exportador mundial de carne bovina. Entretanto, estima-se que apenas 15% dos animais enviados para abate apresentam carcaças que atingem o padrão de qualidade na indústria frigorífica. Pensando nisso, a Embrapa desenvolveu um dispositivo prático e de fácil acesso, em que o próprio produtor pode avaliar, de forma rápida e precisa, o acabamento dessa estrutura bovina destinada ao abate, que tem a espessura de sua gordura como uma das principais características relacionadas à qualidade da carne bovina. A nova tecnologia é chamada de SagaBov (Sistema de Avaliação do Grau de Acabamento Bovino) e consiste em duas hastes articuladas que, ao serem encostadas da garupa formam um ângulo que indica se o animal está magro, com gordura adequada para o abate ou com excesso de gordura. Esse dispositivo foi baseado em outra régua desenvolvida também pela Embrapa para avaliar a condição corporal do rebanho, chamada Vetscore. Não há no mercado nenhum instrumento similar para esse tipo de avaliação. Para o envio de animais para o abate, o produtor costuma fazer uma avaliação visual. Entretanto, ela é sub8 | NEGÓCIO RURAL

jetiva e gera conflitos com os resultados recebidos do romaneio (documento emitido pelo frigorífico indicando o peso e valorização da carcaça, por exemplo). Outra opção é a ultrassonografia, a qual pouquíssimos produtores têm acesso, pois o custo é relativamente alto (cerca de R$ 15,00 por animal). De acordo com o inventor do SagaBov, o pesquisador Luiz Pfeifer, a simplicidade e a eficiência da tecnologia fazem dela uma aliada tanto do pecuarista quanto da indústria frigorífica. “O uso dessa ferramenta pode beneficiar todos os elos da cadeia da carne. Com a avaliação e a seleção de animais adequados para o abate, a indústria terá aumento do rendimento de carcaça fria, o produtor, acesso aos programas de bonificação e o consumidor e maior qualidade de carne disponível no varejo”, explica. Trata-se de um dispositivo útil para produtores de gado de corte que atuam em fase final de produção, ou seja, terminação de animais, assim como compradores de gado, confinadores e frigoríficos. A tecnologia está validada para ser utilizada em animais – machos castrados e fêmeas zebuínos, que representam 80% do rebanho nacional. Segundo o pesquisador, está em andamento a validação para machos inteiros e para animais da raça Angus.

COMO FAZER A AVALIAÇÃO DO ANIMAL Para avaliar a carcaça, o bovino deve ser contido e o dispositivo deve ser posicionado sobre a garupa, entre a última vértebra lombar e a primeira vértebra sacral, e ser lentamente fechado até que suas réguas estejam em maior contato possível com a pele do animal. Após esses procedimentos, a leitura do grau de acabamento é indicada por cores no visor: vermelha, que significa grau de acabamento inadequado e corresponde a carcaças com gordura ausente e escassa; verde, que sinaliza carcaças com grau adequado de acabamento (gordura mediana e uniforme); e amarela, que indica um grau de acabamento excessivo, ou seja, carcaças com excesso de gordura. A utilização da escala por cores facilita a avaliação imediata, o que dá praticidade e rapidez ao processo, principalmente, quando há muitos animais no rebanho. Aqueles classificados com grau de acabamento adequado darão tanto um maior rendimento de carcaça, quanto de qualidade e podem garantir ao produtor melhor bonificação pela maior qualidade de carcaça entregue à indústria frigorífica.


O P I N I ÃO

Inovação no Agronegócio AFIE SEU MACHADO O agronegócio tem alavancado a economia brasileira e cada vez mais ampliará sua contribuição. Estamos entre os principais players mundiais no setor e a tendência é que a nossa participação seja ainda mais relevante nas próximas décadas, possibilitando a segurança alimentar ao planeta. No entanto, temos que ter mais atenção com alguns pilares essenciais para que possamos gerar resultados consistentes nesse mercado. É preciso produzir em quantidade, com qualidade e protegendo o meio ambiente. Para isso, temos que ter custos competitivos, logística eficaz e inovação. Porém, iremos dar enfoque na inovação, palavra que está na moda e que, de maneira geral, ainda é um bicho papão para a maioria dos produtores, principalmente para os pequenos. Em conversas com os mesmos é comum ouvimos que inovar é para quem tem dinheiro, coisa para gente grande. E é aí que erramos, pois é possível inovar de várias formas e muitas vezes sem qualquer recurso financeiro.

Alguns exemplos dessa capacidade inovadora vão desde técnicas de produção mais modernas, utilização de aplicativos de celular (alguns com versões gratuitas), produção diferenciada e até a agregação de valor na própria propriedade. E como começar isso? Participando de eventos diversos, cursos e palestras (muitos são oferecidos gratuitamente no interior com temas importantíssimos e infelizmente ainda temos turmas com baixa participação), vídeos e textos diversos na internet, (muitos feitos por outros produtores que mudaram alguma coisa em sua propriedade e já conseguiram um resultado positivo). Enfim, apenas “gastando” o seu tempo com essas dicas simples, você já pode promover uma verdadeira inovação na sua propriedade e, consequentemente, colher os resultados. Não seja como o aprendiz de lenhador, que na conhecida fábula ficou louco quando viu que seu mestre ficou a maior parte do tempo sentado,

Wellington Luiz Pompermayer Presidente da COOPTTEC e da AGROCOOP Conselheiro de Administração da OCB-ES

enquanto ele cortava as árvores desesperadamente. Ao final, o mestre havia cortado muito mais árvores que ele. Ao indagá-lo, o mestre respondeu que enquanto ele estava gastando sua energia cortando loucamente as árvores, ele estava afiando o seu machado. E você? Está afiando o seu machado? Está buscando informações que vão melhorar sua atividade? Você já deve ter notado que o mercado está mudando, que seu tempo é limitado e que você pode perder o bonde da história, então, comece a agir logo.

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E N T R E V I STA |

TEXTO E FOTO: JULIO HUBER – DOMINGOS MARTINS (ES)

Sindicato rural oferece programa gerencial aos agricultores de dois municípios em parceria com o Senar-ES

Flávio Wruck, presidente do Sindicato Rural, explica como é ofertado o curso de dois anos aos associados

“O objetivo é capacitar nosso produtor e dar a ele todas as informações necessárias para o entendimento de que a propriedade é uma empresa”

O

Sindicato Rural de Domingos Martins e Marechal Floriano tem promovido diversos cursos e treinamentos aos produtores rurais associados. O presidente do Sindicato, Flávio Wruck, destacou que, entre os diversos cursos oferecidos, o Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), tem como objetivo mostrar aos produtores que a propriedade deve ser tratada como uma empresa. Esse programa diferenciado é realizado em parceria com o Serviço

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Nacional de Aprendizagem Rural do Espírito Santo (Senar-ES). Os produtores participantes do programa, cujas inscrições estão abertas, receberão visitas mensais de profissionais com conhecimento técnico na atividade assistida, assim como em gestão e sustentabilidade. Durante dois anos e quatro meses, o produtor receberá o serviço. Ao longo do programa, é feito o diagnóstico da propriedade com foco na sustentabilidade, um planejamento estratégico, as adequações tecnológicas necessárias,

treinamentos de capacitação com produtores envolvidos e a avaliação dos resultados obtidos. As turmas estão abertas para os produtores de café, banana, uva, hortaliças, psicultura e agricultura orgânica e as inscrições podem ser feitas diretamente no sindicato, ou pelos telefones: (27) 3268-1396 e 99642-2888. O presidente do sindicato concedeu uma entrevista a Revista Negócio Rural, para explicar mais sobre o programa ATeG e falou sobre outras atividades realizadas pela entidade.


Qual a importância do programa ATeG para a qualificação do produtor rural? Flávio Wruck – Esse é um programa de gestão gerencial da propriedade, muito além de uma assistência técnica. O objetivo é capacitar nosso produtor e dar a ele todas as informações necessárias para o entendimento de que a propriedade é uma empresa. E essa empresa precisa gerar lucro, como qualquer outra atividade comercial. A assistência técnica é mais acessível ao produtor, mas ele não tem um apoio da gestão. Com essa capacitação, feita em parceria com o Senar, e que dura mais de dois anos, o produtor consegue gerenciar com precisão o seu negócio.

E como é feito esse treinamento? Primeiro é feito um diagnóstico na propriedade. Após essa análise minuciosa, será desenvolvido um plano que apontará a viabilidade da atividade. Quando essa análise aponta que alguma atividade não é viável, identifica-se o motivo e o produtor é orientado. Muitas vezes o produtor tem uma produção diversificada, e uma atividade que, às vezes, uma paga a outra. Isso não pode ocorrer. O principal objetivo é identificar essas informações, analisando o contexto geral, tanto para melhorar a produtividade, quanto à parte gerencial. Não adianta apenas saber produzir bem e dominar as tecnologias, se não dominar a parte de gestão. As duas coisas precisam caminhar juntas. Estamos vivendo um momento delicado no país e precisamos fortalecer o agronegócio. Muitos produtores estão desanimados. Precisamos usar essas ferramentas para buscar soluções e fazer com que o produtor tenha mais renda e continue com a sua atividade. Em outras regiões do Estado onde esse programa já foi implantado, há dados excelentes de aumento da produtividade, em alguns casos, de até 50%.

“Precisamos usar essas ferramentas para buscar soluções e fazer com que o produtor tenha mais renda e continue com a sua atividade” Existem outros programas de destaque desenvolvidos pelo sindicato? Outro programa importantíssimo é um que é voltado ao saneamento básico. Em parceria com uma empresa que fabrica biodigestores - equipamento que faz o tratamento de resíduos domésticos das residências -, estamos oferecendo essa possibilidade de os agricultores deixarem de usar a antiga fossa negra, que consiste em um grande buraco para o depósito de dejetos. Pensando na questão ambiental, realizamos um convênio com essa empresa e estamos conseguindo, a preço de custo, a compra desses biodigestores. Criamos esse programa de saneamento básico para auxiliar os agricultores. O sindicato compra esses biodigestores e os repassa a preço de custo aos produtores, seja ele associado ou não. Basta comprovar que o interessado seja um produtor rural.

Então, a questão ambiental é um tema importante para o sindicato? Sem dúvida. Temos outra ação importante que é a de informar aos produtores quanto às legislações ambientais, que mudam constantemente. Devido a essas modificações, o produtor não consegue estar por

dentro de tudo. Por isso, o auxiliamos por meio da nossa engenheira ambiental, Gleicione Thomas, que dá a assistência aos produtores, em quaisquer necessidades. Nossos associados também recebem todo apoio quanto ao Cadastro Ambiental Rural (CAR). Nós os ajudamos a resolver todos os detalhes, como a identificação dos pontos geográficos da propriedade e demais informações necessárias.

O sindicato oferece assistência a outras áreas aos produtores? Sim, a assistência jurídica por exemplo. Temos um advogado que está disponível, uma vez por semana, para orientar aos produtores. Seja na elaboração de contratos, arrendamentos de terrenos e outras necessidades jurídicas da propriedade, o advogado pode auxiliá-lo. Isso é importante para prevenir possíveis danos que o agricultor possa vir a sofrer, por falta de orientação. O sindicato mantém uma série de treinamentos durante todo o ano. Explique um pouco sobre esse serviço. Realizamos treinamentos voltados à formação profissional rural. A nossa grade de treinamentos é extensa. São dezenas de cursos em diversas áreas, como: operação de equipamentos agrícolas, aplicação de defensivos, cursos voltados ao artesanato, culturas agrícolas, agroindústria, pecuária, piscicultura, silvicultura, alimentação e nutrição, entre tantos outros.

“O sindicato compra esses biodigestores e os repassa a preço de custo aos produtores, seja ele associado ou não” N E G Ó C I O R U R A L | 11


C A F E I C U LT U R A |

TEXTO: BRUNO FAUSTINO | FOTO: DIVULGAÇÃO – CAMPINAS (SP)

As lições do Fórum Mundial dos Produtores de Café A Revista Negócio Rural acompanhou as discussões sobre o futuro da cafeicultura mundial

O professor Jeffrey D. Sachs destacou os efeitos negativos das mudanças climáticas

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omo melhorar a renda dos cafeicultores mundo afora? Foi em torno desta discussão que produtores de café de vários países se reuniram em Campinas, São Paulo, durante o 2º Fórum Mundial dos Produtores de Café, realizado pela primeira vez no Brasil, em julho. A resposta para esta pergunta não é fácil, muito menos simples e imediata. Mas, a reflexão sobre o tema é importante, uma vez que cafeicultores de vários países estão recebendo menos do que o custo de produção pelo café. No dia do fechamento desta edição, a saca do café arábica tipo 6 custava R$ 398,00. O arábica tipo 7, R$ 307,000, e o conilon, R$ 290,00, segundo dados do Centro do Comércio de Café de Vitória. Mas, esta não é uma realidade ca12 | N E G Ó C I O R U R A L

pixaba apenas. Devido aos baixos preços, muitos agricultores estão optando por outras culturas, migrando para áreas urbanas ou, no caso da América Central, caminhando em direção à fronteira do México com os Estados Unidos. O preço baixo pago pela saca tem deixado produtores com menos recursos para cuidar dos cafezais, para a educação de seus filhos e até para alimentação, disse Juan Esteban Orduz, presidente da Colombian Coffee Federation, subsidiária norte-americana da Federação de Produtores de Café da Colômbia, que luta para elevar os preços dos grãos. A situação brasileira não chega a ser considerada crítica, se comparada com a de países da América Central, já que o país é o maior produtor e exportador de café do mundo. A

Revista Negócio Rural foi convidada para acompanhar o evento e participar das discussões junto a lideranças mundiais do setor. E, é claro, ouvir a percepção da comitiva capixaba formada por integrantes de cooperativas ligadas ao setor. RISCOS PARA A CAFEICULTURA O momento mais aguardado do evento foi a apresentação do economista e professor da Universidade de Columbia (EUA), Jeffrey D. Sachs. Ele divulgou um estudo sobre o panorama mundial do setor e ressaltou o risco de extinção de áreas de plantio devido ao aumento das temperaturas. O relatório apontou o Brasil e o Vietnã como responsáveis por aproximadamente 50% da produção mundial de café, enquanto outros países produtores sofrem


Silas Brasileiro enfatizou a importância da cafeicultura brasileira

com a falta de pesquisas, estrutura e políticas sociais. E para "salvar" esses países, Jeffrey D. Sachs propôs a criação de um fundo de US$ 10 bilhões para reduzir a pobreza na cafeicultura - uma iniciativa liderada pela indústria. "O setor vai passar por um efeito negativo diante das mudanças climáticas globais. Países precisam ter voz para protestar contra quem não está fazendo a sua parte", completou Sachs.

Uma das grandes preocupações das entidades ligadas ao setor foi quanto ao gerenciamento dos recursos. O presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), Silas Brasileiro, recomendou cuidado para esses potenciais recursos não estimularem novos plantios e que o foco deve ser o ordenamento da oferta. Como exemplo, citou o Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) no Brasil, que é gerido pelo Conselho Deliberativo da Po-

lítica do Café (CDPC), um case de sucesso de parceria público-privada na organização setorial. "É mais que notório que os cafeicultores precisam receber preços condizentes com as responsabilidades que cumprem. O resultado do Fórum servirá de orientação para as futuras ações da atividade, as quais visem, como resultado, o aumento da renda para as 25 milhões de famílias cafeeiras em todo o mundo", destacou.

Representantes de cooperativas capixabas acompanharam os debates O Espírito Santo é o 2º maior produtor brasileiro de café, com expressiva produção de arábica e conilon. É responsável por 22% da produção nacional. Atualmente, existem 435 mil hectares produzindo café em terras capixabas. A atividade cafeeira é responsável por 35% do Produto Interno Bruto (PIB) Agrícola capixaba. A cafeicultura está em todas as regiões do Estado de maneira bastante diversificada. A diversidade começa nas espécies cultivadas no Estado: Coffea arábica (arábica) e Coffea canephora (conilon). Além disso, a cafeicultura capixaba é praticada em diferentes altitudes, o nível tecnológico dos produtores é varia-

do, o tamanho das propriedades é diverso (os pequenos produtores são maioria, mas há grandes empresas rurais), e a qualidade do café produzido no Espírito Santo também é vasta. O arábica é mais cultivado em regiões de temperaturas mais baixas e altitudes acima de 500 metros do nível do mar. Já o conilon é de regiões mais quentes, normalmente plantado abaixo de 500 metros. São anos de estudos que proporcionaram um "Know-how" ao Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper). E o compartilhamento desse conhecimento pode sim ajudar a melhorar a produtividade em outros países.

“As pesquisas desenvolvidas aqui estão de acordo com a nossa realidade. É claro que o conhecimento pode ser compartilhado, desde que adaptado às regiões onde será aplicado” Nilson Araujo Barbosa Diretor técnico do Incaper N E G Ó C I O R U R A L | 13


"As pesquisas desenvolvidas aqui estão de acordo com a nossa realidade. É claro que o conhecimento pode ser compartilhado, desde que adaptado às regiões onde será aplicado", explicou o diretor técnico do Incaper, Nilson Araujo Barbosa. Para o diretor-presidente da Coopeavi, Denilson Potratz, o Fórum Mundial dos Produtores de Café foi importante para conhecer a realidade de outros países produtores. "Essa troca de experiência é muito importante. Conhecemos cafeicultores da América Central, África, Ásia e também de vizinhos da América do Sul. Nós temos conhecimento, tecnologia e profissionalismo na atividade,

coisa que muitos produtores de outros países não têm", disse. A prática do comércio justo uma modalidade de comércio internacional que busca o estabelecimento de preços justos, bem como de padrões sociais e ambientais equilibrados nas cadeias produtivas - também foi levantada como hipótese para melhorar a renda dos pequenos cafeicultores. "O comércio justo é uma saída importante, já que é transparente e cumpre todos os requisitos exigidos pela indústria, além de garantir um preço mínimo para o café, que é o que os cafeicultores estão buscando", afirmou Merling Preza, vice-presidente

da Coordenadora Latino-americana e do Caribe de Pequenos Produtores e Trabalhadores do Comércio Justo (CLAC). Ideia apoiada pelo presidente da Cooperativa dos Cafeicultores do Sul do Estado do Espírito Santo, localizada em Muqui, no sul capixaba, Renato Theodoro. A Cafesul pratica o comércio justo em terras capixabas. "Surgiram várias propostas para a discussão de melhoria da renda dos cafeicultores mundiais. Nada de imediato e sim em longo prazo. O comércio justo é apontado como uma saída, principalmente porque garante um preço mínimo e ainda paga um prêmio ao cafeicultor", ressaltou.

Custos de produção foi um dos assuntos do Fórum Mundial José Marcos Rafael Magalhães, da Minasul, enalteceu o trabalho das cooperativas brasileiras

Conhecer o custo da produção foi outro fator debatido durante o Fórum. Muitos produtores não sabem ou não fazem questão de calcular. "O custo interfere no preço final. Se o produtor não sabe quanto custa produzir uma saca de café, como vai colocar um preço final e ainda ter lucro? Reduzir custo e melhorar a produtividade pode contribuir para o aumento do lucro para o cafeicultor", explicou o secretário da

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Cooperativa Agraria dos Cafeicultores de São Gabriel da Palha (Cooabriel), Onivaldo Lorenzoni. Além disso, a eficiência para uma melhor produtividade também foi levantada pelo presidente do Sicoob-ES, Bento Venturim, como ponto-chave da discussão do Fórum. "Preço é mercado. Preço é dinâmico e está fora do nosso alcance. Temos que focar na eficiência para termos preços competitivos e colocar nosso produto no mercado", afirmou.

Para o presidente da Cooperativa dos Cafeicultores da Zona de Varginha (Minasul), José Marcos Rafael Magalhães, o evento foi uma oportunidade ímpar para a cafeicultura. “A cafeicultura vive um excelente momento do ponto de vista da produção, oferta do produto ao mercado e da ótima aceitação do café por todos os segmentos da sociedade. Isso é muito positivo. E para continuar sendo assim, é fundamental que se tenha o equilíbrio entre os três pilares que sustentam essa atividade: o social, o ambiental e o econômico”, falou. Para que o café continue a existir com toda a sua exuberância, esses pilares precisam manter um ponto de equilíbrio. “Vemos que o cafeicultor e as cooperativas têm cumprido muito bem as responsabilidades que lhes dizem respeito. Entretanto, o mercado precisa enxergar isso e dar a sua contrapartida para a própria sobrevida do negócio café. Se o produtor não consegue bancar os seus custos, o produto café fica ameaçado no quesito quantidade de oferta e qualidade - o que não é nada bom para o mercado”, finalizou José Marcos.


P E S Q U I SA

A pesquisa foi realiza em Marechal Floriano

Nova técnica promete reduzir custos em plantações de alface

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ma pesquisa desenvolvida no município de Marechal Floriano, recomenda o papel Kraft como tipo de proteção contra as plantas daninhas que podem prejudicar as plantações de alface. Econômico e sustentável, o material é uma novidade, que tem como um dos principais objetivos a redução dos custos da produção da hortaliça. O projeto foi idealizado pelo engenheiro agrônomo, pesquisador e doutor em fitotecnia e manejo de olerícolas, Luiz Fernando Favarato, do Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Serrano do pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper). “O papel Kraft é uma alternativa rentável e ambientalmente correta para o uso em sistemas de produção de olerícolas, no intuito de proporcionar o controle satisfatório de plantas daninhas para a cultura da alface”, disse. Ele explica que a prática de cobertura do solo, mais conhecida como “mulching” é tradicionalmente recomendada no cultivo da alface, pois apresenta múltiplas funções como: evitar perdas excessivas de água, reter a umidade do solo, diminuir o impacto da chuva e a erosão, conter alterações bruscas da temperatura do solo e reduzir os gastos de mão-de-obra nas capinas.

“O uso do papel Kraft, como cobertura do solo, aplicado diretamente nos canteiros, pode ser visto como alternativa aos “mulchings”, atualmente utilizado na cultura da verdura, devido as suas qualidades de promover uma cobertura do solo de forma imediata, a um custo acessível para o produtor, sem prejuízos com a contaminação do meio ambiente”, observou. No entanto, o pesquisador lembra que o uso do mulching plástico pode representar algum problema ecológico, uma vez que a composição desse material apresenta-se resistente aos decompositores, acarretando um grande volume de lixo. Ainda de acordo com o pesquisador, o uso do mulching de palha para a cultura da alface representa de imediato, uma redução de receita para o produtor, devido ao tempo necessário para a formação de uma quantidade de palha adequada para cobertura do solo, que são no mínimo 40 dias - no caso da cultura da alface, este tempo significa praticamente um ciclo de cultivo. O projeto de pesquisa foi aprovado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação no Espírito Santo (Fapes) em 2016 e finalizado em 2018, com a publicação de dois trabalhos completos em eventos nacionais e a publicação em um livro especializado.

ESTUDANTES PARTICIPARAM DO TRABALHO CIENTÍFICO Os estudos foram realizados em parceria com a Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Victório Bravim, localizada na comunidade Araguaia, em Marechal Floriano, na qual dez alunos do curso técnico em Agropecuária foram selecionados como bolsistas de iniciação científica júnior e, juntamente com um monitor e um professor tutor, desenvolveram um trabalho cientifico. Eles compararam cinco métodos de controle de plantas daninhas (plástico preto, plástico dupla face branco, mulching de palha, papel Kraft e capina manual) na cultura da alface. Os alunos participaram de aulas teóricas, sob as orientações de pesquisadores do Incaper, Rogério Carvalho Guarçoni, Luiz Fernando Favarato e José Mauro de Sousa Balbino, além do professor tutor, Frederico Jacob Eutrópio. DESEMPENHO - De acordo com Favarato, os resultados com as coberturas de solo foram superiores ao cultivo convencional, ou seja, sem cobertura. “O uso do papel Kraft atingiu 94% de controle satisfatório das plantas daninhas, muito próximo ao observado nos plásticos preto e branco, com 99%, e sem afetar a produtividade da alface. O custo estimado é de R$ 0,59 por metro de canteiro, sem a necessidade de capina. N E G Ó C I O R U R A L | 15


T E C N O LO G I A |

TEXTO E FOTO: JULIO HUBER – SANTA TERESA (ES)

Coopeavi lança aplicativo para consultoria técnica on-line

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magine um aplicativo semelhante ao WhatsApp para os produtores tirarem suas dúvidas com mais agilidade e confiabilidade na hora cuidar da lavoura? Os associados à Coopeavi já podem baixar gratuitamente o “Mão na Roça”. A ferramenta de consultoria técnica está disponível inicialmente para smartphones Android (acima da versão 5.1) com atendimento personalizado. O lançamento da tecnologia ocorreu durante a Feira da Coopeavi (Semana Tecnológica), realizada em Santa Teresa, durante o mês de agosto. O aplicativo foi desenvolvido por meio de cooperação técnica com o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), campus Vitória, com objetivo de facilitar a vida do produtor de vegetais. Para utilizar o “Mão na Roça”, basta fazer login utilizando o CPF e o código enviado para o celular via SMS. É necessário que o número do celular utilizado esteja atualizado no banco de dados da cooperativa, para o pleno funcionamento do aplicativo. Ainda através da nova plataforma, o associado pode mandar mensagens de texto, áudios, fotos e arquivos em PDF, que serão analisados por profissionais capacitados de segunda à sexta-feira, das 7h30 às 17h30, e aos sábados, das 7h às 11 horas. A ideia é garantir o menor tempo-resposta possível para o produtor desempenhar a atividade a distância. 16 | N E G Ó C I O R U R A L

O gerente do Núcleo de Inteligência Comercial da Coopeavi, Ivanilson Geraldo Scalzer, fez uma demonstração do uso do “Mão na Roça” com a presença do público. Ele mostrou como as dúvidas dos associados são processadas no sistema e de que forma acontece o atendimento on-line. “Atualmente, dos 15 mil cooperados da Coopeavi, 4.000 já são atendidos pela consultoria técnica agronômica. O ‘Mão da Roça’ vem como um canal de acesso da orientação técnica para aqueles cooperados que não possuem um técnico exclusivo. Aqueles que já contam com assistência podem utilizar o aplicativo para solicitar uma visita emergencial”, disse. Segundo Scalzer, a ideia é a central evitar o deslocamento dos produtores até as lojas da Coopeavi, priorizando os produtos que os associados têm na propriedade e, assim, solucionar os problemas na lavoura. O professor e coordenador de extensão do Ifes Vitória, Christian Mariani, atesta a utilidade do aplicativo para os cooperados. “Esperamos que a cooperativa nos demande sempre para que a sociedade tenha acesso às novas tecnologias. Nós estamos aqui para transformar demandas reais em soluções”, afirmou. O presidente da Coopeavi, Denilson Potratz, agradeceu o apoio do Ifes e manifestou satisfação na parceria com o Instituto. “Vocês

não têm noção do que esta ferramenta vai fazer no campo. O ‘Mão na Roça’ otimiza tempo e distância. É muito acessível e fácil de operar para o produtor tirar suas dúvidas”, finalizou. Como usar - Baixe o app pelo telefone celular do sistema Android (modelos acima da versão 5.1), por meio do Google Play. Em seguida, faça o login incluindo o número do CPF. Você receberá um código via SMS que iniciará o aplicativo automaticamente. FEIRA ATRAI MAIS DE 3.500 PESSOAS A Feira da Coopeavi atraiu cerca de 3.500 pessoas nos três dias de programação, no Parque de Exposições de Santa Teresa. O espaço contou com palestras, exposição de produtos da cooperativa e de marcas parceiras, Espaço Kids, cafeteria Pronova, estande dos produtos Veneza, Circuito de Bovinocultura e mostra de animais da Fazenda Experimental Veneza (Faeve). Além disso, o evento abriu espaço para os alunos da Escola Cooperação, de Santa Maria de Jetibá, divulgarem a cooperativa mirim “Cooperjetibá”. Outro destaque foi o projeto de automação em irrigação e fertirrigação, com mostra na área externa do evento. Os produtores associados conheceram a tecnologia que economiza energia e garante os plantios adubados por meio de aplicativo.


GIRO RURAL

Estudo aponta aumento de 30% na compra de carne suína Um levantamento com foco nas tendências do comportamento do brasileiro e no consumo da carne suína no país, intitulado “Carne suína: atual visão do consumidor”, identificou um aumento no consumo da proteína nos últimos quatro anos. A pesquisa quantitativa com 1,3 mil entrevistados foi divulgada em setembro pela Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), em parceria com o Sebrae e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura (FNDS). “A proposta de um trabalho inovador junto aos frigoríficos, varejistas, formadores de opinião, profissionais da saúde, gastronomia e parceiros institucionais vem nos permitindo transformar a visão do consumidor brasileiro em relação à carne suína”, destaca o presidente da ABCS, Marcelo Lopes. “Deixamos

para trás os 13 quilos per capita e celebramos o alcance dos 15,9 quilos devido à oferta maior, qualidade, preços competitivos e cortes variados e mais adaptados ao cotidiano dos consumidores”, destaca. Na visão dos consumidores, o produto também entra como opção no cotidiano, já que 76% dos entrevistados consomem carne suína e 55% tem o hábito de comprar a carne porcina - aumento de 30% se comparado a 2015. Já a frequência de consumo nos lares também cresceu desde a última pesquisa realizada. Em 2019, a cada 7,5 dias o consumidor come carne suína, enquanto em 2004 consumia três vezes ao mês. Segundo o estudo, 77% dos entrevistados consomem a carne suína no almoço/jantar, uma opção que apresenta um bom custo-benefício para essas refeições.

Exportações do agronegócio capixaba crescem Depois de dois trimestres seguidos em queda, as exportações do agronegócio capixaba cresceram. Conforme dados do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), o Estado apresentou um crescimento de 42,1%, no segundo trimestre de 2019 em comparação ao trimestre anterior. O setor que mais contribuiu para o crescimento das exportações foi o de celulose, representando 37,2% das vendas externas do Espírito Santo. As exportações de grãos de café e café solúvel também influenciaram o crescimento. Dados da plataforma Comex Stat, do Governo Federal, apontam que, além da celulose, o café foi responsável pela exportação de 482 milhões de dólares e a pimenta-do-reino, 80 milhões, ficando respectivamente em 2º e 3º lugar no ranking de exportações do agronegócio capixaba em 2018.

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GIRO RURAL

Mulheres que atuam no agronegócio representam 30% do segmento

“Cooperativismo é a única saída para a humanidade” Em recente palestra realizada no Espírito Santo, o professor e filósofo Mario Sergio Cortella afirmou que, em uma sociedade marcada pelo individualismo e pela competitividade desenfreada, o cooperativismo aparece como um das formas sustentáveis para a manutenção de um relacionamento saudável entre as pessoas, na busca por objetivos em comum. Autor de vários títulos sobre comportamento humano e questões sociais na atualidade, Cortella afirmou que “o cooperativismo é a única saída para a humanidade”. O professor falou sobre a importância da responsabilidade social nas organizações para empresários de Venda Nova do Imigrante e região, a convite do Sicoob Sul-Serrano. Ele ainda destacou a importância da união como fator vital para a conquista de resultados duradouros e sustentáveis nos negócios e na vida em sociedade. “Eu acho que uma das coisas que a gente deve formar, especialmente nas crianças e depois nos adultos, é a percepção de que na

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vida a regra jamais deve ser cada um por si e Deus por todos. Tem quer ser um por todos e todos por um”, destacou. Ele comentou ainda, como o cooperativismo pode contribuir para a transformação da sociedade. “O cooperativismo é a única alternativa que nós temos para não desagregar o conjunto da humanidade. Há muitas sociedades que são cooperativas, porém não há janelas para o termo cooperativismo. Eu conheço muitas comunidades – especialmente em nações indígenas no Brasil ou mesmo em grupos na África, nas sociedades tribais – que têm uma vida cooperativada, sem que haja o conceito formal ou a necessidade de organização de uma estrutura”, disse. Segundo Cortella, o cooperativismo não é isento de questões, problemas e turbulências. “Mas, tal como disse Churchill, que a democracia é o pior dos modos de governo, exceto todos os outros, nós também podemos dizer que o cooperativismo é a pior forma de trabalho em conjunto, exceto todas as outras”.

Uma pesquisa realizada recentemente pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) apontou que as mulheres que atuam no agronegócio são responsáveis pela gestão de, no mínimo, 30% do segmento. Tendo em vista que o setor representa 25% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, as mulheres desse setor da economia são responsáveis pela condução de pelo menos 8% do PIB nacional, algo em torno de US$ 165 bilhões. Segundo um estudo realizado pelos pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA), da ESALQ/USP, nos últimos anos houve um aumento de 8,3% do número total de mulheres trabalhando no agronegócio. Diante desse cenário, a participação da mulher no mercado de trabalho nesse segmento, cresceu consistentemente entre 2004 e 2015, passando de 24,11% para 27,97%. Já o número de homens atuando no setor diminuiu 11,6%. É importante destacar que o aumento da participação feminina no agronegócio ocorreu na categoria de empregadas com carteira assinada, principalmente entre 2009 e 2013. Essa informação é de extrema relevância em função do perfil do setor, que é caracterizado por um nível de informalidade maior que a média da economia. A fundadora da rede AgroMulher, Vanessa Sabioni, que é engenheira agrônoma e Mestre em Fitopatologia, destacou que apesar da informalidade do setor, percebe-se que a cada dia as mulheres buscam melhorar sua qualificação profissional, através de cursos, palestras e troca de informações com outras colaboradoras do setor. “Em minhas palestras e consultorias pelo país, percebo uma preocupação muito maior pela busca de aprendizado e qualificação", declara.


GIRO RURAL

Melhores cafés das variedades arábica e conilon serão premiados pela Coopeavi

Veneza lança livro com 30 receitas A Veneza, marca de lácteos da Coopeavi, acaba de lançar o livro de receitas “Sabores Afetivos”, assinado pela chef Cirlei Benincá. A publicação, também disponível na internet, traz 30 receitas que incluem 48 produtos fabricados pelos laticínios Veneza, em Nova Venécia. A publicação é considerada histórica, pois registra o talento de uma chef da cidade sede da Veneza na arte de cozinhar com produtos de uma empresa local. A versão digital do livro está disponível gratuitamente no site www.venezalacteos.com.br. “Esperamos que os clientes e consumidores recebam esta publicação com muita alegria e que desenvolvam belos pratos. Nós queremos ver essa marca ir cada vez mais longe”, diz o diretor para Assuntos Lácteos da Coopeavi, Erik Pagung. A chef Cirlei Benincá não foi escolhida à toa. Com 32 anos na área (aprendeu a cozinhar aos dez), é responsável pelo Cidade Hotel e Restaurante Don Benin, em Nova Venécia. Ela ostenta o título de “Embaixadora da Gastronomia Capixaba” e faz questão de dizer que é grande divulgadora dos produtos Veneza. Ela destaca que dedicou dois meses à seleção e aos testes das receitas - nem todas autorais, algumas são releituras - que valorizam a cozinha afetiva e são fáceis de fazer. “São adaptações simples, que não alteram tanto o sabor do ingrediente original e inclui os produtos Veneza”, explica. Nesta edição da Revista Negócio Rural, está sendo publicada uma das receitas do livro, na página 22.

As inscrições para mais uma edição do Prêmio Pio CortelettiArábica e Conilon Especial estão abertas e seguem até 20 de novembro aos cafeicultores associados à Coopeavi. Os três primeiros colocados receberão prêmios em dinheiro e garantirão a venda dos lotes pela cooperativa. O prêmio tem como objetivo identificar, incentivar e premiar os melhores cafés das espécies arábica e conilon produzidos no Espírito Santo e Minas Gerais, como forma mais eficaz de conquista de novos mercados e atender à crescente demanda que busca um produto com qualidade superior. Na categoria Arábica, o vencedor vai levar R$ 5 mil; o segundo colocado, R$ 3 mil e o terceiro colocado, R$ 2 mil. Já na categoria Conilon, os prêmios são: R$ 1,5 mil (1º colocado), R$ 1 mil (2º colocado) e R$ 500,00 (3º colocado). REQUISITOS - As regras são praticamente as mesmas para as duas categorias. Estão aptos a participar do Prêmio, produtores do Espírito Santo e de Minas Gerais associados à Coopeavi, com grãos preparados por via úmida, ou seja, descascados em cereja (cereja descascado) e/ou despolpados, processo de secagem ao sol ou fornalha de fogo indireto. Não serão admitidos cafés brunidos, chuvados, com mau cheiro, enfumaçados e fermentados. As amostras inscritas deverão ser de lotes homogêneos produzidos na lavoura do produtor participante. Entre os produtores de arábica,

o requisito é que cada lote único inscrito possua no mínimo cinco sacas beneficiadas (300 quilos líquidos) e no máximo 30 sacas beneficiadas (1.800 quilos líquidos), bica corrida, devidamente acondicionadas em sacaria de estopa nova. Já para produtores de conilon, cada lote deve conter no mínimo cinco sacas beneficiadas (300 quilos líquidos) e no máximo 25 sacas beneficiadas (1.500 quilos líquidos), devidamente acondicionadas em sacaria de estopa de primeira ou segunda viagem. O regulamento completo está disponível no site: www.singleorigin. com.br/piocorteletti. Com o propósito de reconhecer a qualidade dos cafés, os organizadores do Concurso Pio Corteletti se propõem a comprar todos os lotes inscritos no concurso, pagando um ágio proporcional aos que atenderem os requisitos mínimos previstos no regulamento. VENCEDORES - A divulgação da lista de produtores aptos a participarem do concurso está prevista para o dia 22 de novembro. Já o período de comercialização acontecerá entre 25 de novembro e 6 de dezembro. O evento de encerramento com a divulgação dos vencedores, entrega de certificados e premiação dos primeiros colocados está prevista para 14 de dezembro, em Santa Maria de Jetibá, quando acontecerá também o sorteio da Ford Ranger, da campanha dos 55 anos.

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E V E N TO S |

T E X TO E FOTO : B R U N O FA U ST I N O – L A J I N H A ( M G )

Feira de Negócios da Coocafé recebe mais de 10 mil visitantes e fecha muitos negócios

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ma vitrine para os produtores rurais das Matas de Minas e do Caparaó capixaba. Assim é conhecida a Feira de Negócios da Coocafé, realizada em Lajinha, que há oito anos traz novidades e tecnologias do mercado agropecuário aos seus cooperados. “É o principal evento de negócios regional. A feira está consolidada e muita gente já se agenda para participar da programação, a fim de conhecer o que de melhor está disponível no mercado”, afirma o diretor presidente da Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Lajinha (Coocafé), Fernando Cerqueira. A edição de 2019 foi especial, afinal, a cooperativa está completando 40 anos de existência. Ampliado em mais de 30%, o espaço da Feira conseguiu atender a todos os participantes com duas estruturas de restaurante, um espaço destinado exclusivamente ao maquinário e outro ao atendimento ao cooperado, com mais de 80 atendentes durante os três dias de evento. Ao todo, passaram pela 8ª Feira de Negócios mais de 10 mil visitantes únicos. 20 | N E G Ó C I O R U R A L

OPORTUNIDADE DE NEGÓCIO Vários parceiros estiveram presentes com estandes apresentando aos cooperados produtos, negócios e facilidades para o dia a dia no campo, entre eles, o Sicoob Credicaf, Fertilizantes Heringer, Syngenta, Grupo Vittia, PaliniAlves, Fertipar Sudeste e Yara. Além de financiamentos, os visitantes cooperados da Coocafé puderam fechar negócios por meio de operações de Barter, cujo pagamento é feito pelo insumo através da entrega do grão de café na pós-colheita, sem a intermediação monetária; uma espécie de mecanismo de financiamento de safra muito utilizado pelas cooperativas brasileiras. A temática Sustentabilidade valorizou ainda mais a Feira de Negócios, que, já na entrada do evento, recepcionava os visitantes com um lindo jardim. A cafeteria dentro do Empório Coocafé chamou a atenção. Além disso, no espaço os cooperados tiveram a oportunidade de expor seus cafés. Os Núcleos de Mulheres tiveram destaque e as integrantes compar-

tilharam as experiências e os produtos produzidos por elas. Com olho no futuro, as escolas parceiras Coopcel e Manoel Felisberto Pereira Alvim levaram projetos e ações que estão sendo implantadas nas instituições. O produtor Josino de Oliveira, cooperado da Coocafé, ficou impressionado com as máquinas e os equipamentos apresentados. “É muito bom ver novidades que facilitam a vida do homem do campo. Todo ano eu venho aqui em busca de novidades”, conta. Para o gerente comercial da Heringer, Leonardo Souza, responsável pelos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, a feira é a oportunidade de aproximação com os clientes. “É a hora que o produtor vem até nós. Muitas vezes, fazemos o contrário, nós o procuramos. Aqui estamos de braços aberto para atendê-lo”, diz. BIOTECNOLOGIA De olho numa produção mais sustentável, o Grupo Vittia apresentou novidades em defensivos biológicos para o controle de praga. “A Biovalens, uma das empresas do nosso grupo, trouxe um produto para o controle da broca. Ela tem atacado o cafezal e deixado prejuízos ao produtor. E nós desenvolvemos uma solução para este problema e estamos apresentando aos cooperados da Coocafé aqui na feira”, ressaltou Daniel Arruda, gerente regional do Grupo Vittia. A criação de um espaço de inovação foi outra novidade da feira, que apresentou aos cooperados todas as tecnologias disponibilizadas pela Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Lajinha, e atraiu um grande público. Acompanhe a reportagem exclusiva da feira no canal do YouTube da Revista Negócio Rural


Venda Nova do Imigrante recebe feira nacional de turismo rural O Espírito Santo sediará a 15ª edição da Feira Nacional do Turismo Rural (Ruraltur), considerado o maior evento de agroturismo do Brasil. O evento será realizado de 20 a 24 de novembro, no Centro de Eventos Padre Cleto Caliman, o Polentão, em Venda Nova do Imigrante. A programação da feira inclui palestras, talk show, roteiros de experiência na região de montanhas, além da comercialização de produtos, vivências culturais e gastronômicas. Diversos Estados brasileiros estarão representados em cerca de 70 estandes montados no evento. Além disso, as regiões turísticas do Espírito Santo também irão apresentar as produções ligadas ao agroturismo. A Ruraltur está sendo organizado pela Secretaria de Estado de Turismo (Setur), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Montanhas Capixabas Convention & Visitors Bureau, Associação de Agroturismo do Espírito santo (Agrotures), Prefeitura de Venda Nova do Imigrante, Serviço Nacional de Aprendizagem

Venda Nova do Imigrante é conhecida como a Capital Nacional do Agroturismo

Comercial (Senac) e Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes). O município de Venda Nova do Imigrante é referência em todo o Brasil como o berço do Agroturismo, modalidade de turismo rural que associa a vivência do cotidiano agrícola ao lazer, à visitação e à valorização do meio ambiente. Reconhecido como a Capital Nacional do Agroturismo pela Associação Brasileira de Turismo Rural (Abratur), o município capixaba começou a desenvolver o setor em 1987, quando ainda não havia um nome para a atividade no Brasil. A denominação usada vem do italiano “agriturismo” e foi na Itália que os primeiros empreendedores buscaram informações para a prática. “Este é um momento importante para o Espírito Santo, quando todo o setor ligado ao agroturismo do país estará com os olhos voltados para esta exitosa história de transformação do modelo de produção agrícola familiar”, comentou o secretário de Estado de Turismo, Dorval Uliana, que destaca ainda o potencial turís-

tico do Estado para os roteiros denominados turismo de experiência. O prefeito Paulinho Mineti lembrou a vocação vendanovense para receber os visitantes. “Venda Nova do Imigrante é diferente. Há algo que nos faz diferentes. É o agroturismo, o voluntariado, são as pessoas que vivem aqui”, destacou. Entre os objetivos da feira, estão: geração de negócios, estímulo ao empreendedorismo, debate sobre a geração de políticas públicas e de conhecimento técnico, tendências e inovação e o fomento ao turismo de experiência nas propriedades rurais. O presidente do Convention das montanhas capixabas, Valdeir Nunes, destacou que o evento será uma vitrine do Espírito Santo para todo o Brasil. “Temos que mostrar o melhor que temos e estamos nos dedicando muito para fazer um evento perfeito”, afirmou. A participação nos seminários será gratuita. Para as visitas técnicas será cobrada uma taxa a partir de R$ 40,00. As inscrições podem ser feitas no site: www.ruraltur.com.br. COMERCIALIZAÇÃO DE ESTANDES E-mail: ruraltur@ montanhascapixabas.org.br Contato: (27) 3248-0035 (28) 98112-0200 (WhatsApp)

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SETEMBRO/OUTUBRO

2 colheres de sopa de manteiga Veneza 2 colheres de sopa de farinha de trigo 200 ml de leite Veneza Noz-moscada e pimenta do reino a gosto 3 ovos 1 xícara de queijo coalho Veneza Sal a gosto 6 folhas bem cortadas de ora-pro-nóbis

Separe as gemas das claras e deixe as claras descansarem. Derreta a manteiga em uma panela, adicione a farinha de trigo e cozinhe por dois minutos. Sempre mexendo bem, vá adicionando o leite aos poucos e deixe no fogo até ferver. Cozinhe em fogo baixo até engrossar. Junte o queijo, tire do fogo e mexa até que esteja completamente derretido. Deixe amornar e adicione as gemas uma de cada vez, batendo bem a cada adição. Tempere a gosto, tire a panela do fogo, tampe e deixe descansar. Bata as claras em neve com uma pitada de sal até estarem bem firmes. Misture as claras ao creme, mexendo de baixo para cima, sem bater, devagar, até a massa ficar homogênea. Descanse a mistura numa forma para suflê e leve ao forno pré-aquecido por 30 minutos Fonte: Sabores Afetivos Livro de Receitas da Veneza 22 | N E G Ó C I O R U R A L


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