PRODUTORES PREOCUPADOS COM O PREÇO DO CAFÉ OS PLANOS DO NOVO SECRETÁRIO DE AGRICULTURA REVISTA NEGÓCIO RURAL FATURA PRÊMIO CAFÉ BRASIL DE JORNALISMO
Edição 17 Valor: R$ 11,90 Janeiro/Fevereiro • 2019 Circulação Nacional
O tomate é colhido antes da maturação total, como mostra o produtor Jorge Huber, de Marechal Floriano
Alta produtividade e
TECNOLOGIA Tomate capixaba se torna referência para o Brasil e para o Mundo
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EDITORIAL
ÍNDICE
CAMPO TECNOLÓGICO, SUSTENTÁVEL E PREMIADO
04 MEIO AMBIENTE
Por muitos anos, o tomate foi o vilão da agricultura. Sim, era assim, mas nos últimos anos as pesquisas e a tecnologia têm mostrado alternativas de produção, com sementes mais resistentes e técnicas menos agressivas que podem solucionar este “problema” do campo. É isso que estamos mostrando nesta edição da Revista Negócio Rural. Falando em tecnologia, em sustentabilidade, nós viajamos até o agreste pernambucano para mostrar uma experiência de produção ecológica. Conhecemos uma fazenda que apostou numa forma diferenciada de produzir: em vez da tradicional monocultura, lá a aposta é a policultura diversa. É a prova de que é possível cultivar respeitando a natureza. Ah, a gente não pode terminar sem falar da nossa premiação. A Revista Negócio Rural faturou o segundo lugar no Prêmio Café Brasil de Jornalismo 2019, na categoria Impresso, com uma reportagem publicada na edição 15, e que mostrou a importância do comércio justo para o desenvolvimento regional, escrita pelo nosso jornalista e editor, Julio Huber. Na mesma premiação, nosso também jornalista e editor, Bruno Faustino, foi premiado na categoria TV, com uma reportagem que mostrou a importância do café arábica na região do Caparaó Capixaba e nas Matas de Minas. Se estamos felizes com esta publicação? Felizes demais! Boa Leitura
Julio Huber e Bruno Faustino
Foto de capa: Julio Huber Editores de jornalismo: Bruno Faustino - JP - 1375/ES Julio Huber - JP - 2038/ES Reportagem: Bruno Faustino Julio Huber Juliano Rangel Fotografia: Bruno Faustino Julio Huber
Revisão: Evandro Albani Colaboradores: Anderson Percílios Juliano Rangel Diagramação: HM Propaganda (27) 3361-4163 (27) 99276-9848
Rejeitos de café viram adubo em Viana
10 CAPA
Espírito Santo se torna referência na produção de tomate de qualidade
16 CAFEICULTURA
Produtores capixabas e mineiros preocupados com o preço da saca de café
22 ENTREVISTA
Os planos do novo secretário de Estado da Agricultura
24 PRÊMIO
Revista Negócio Rural fatura Prêmio Café Brasil de Jornalismo
27 RECEITA
Aprenda a fazer um delicioso Tomate Recheado
Periodicidade: Bimestral Janeiro/Fevereiro/Março Com reportagens apuradas até 31/03/2019 Endereço e assinaturas: Avenida Presidente Vargas, nº 590, Sala 305 B Centro - Domingos Martins ES - Cep: 29.260-000 (27) 3268-3389 revistanegociorural@gmail.com
revistanegociorural
Impressão: Grafiisana Circulação Nacional A Revista Negócio Rural é uma publicação da empresa Nova Comunicação. É proibida a reprodução total ou parcial de textos, fotos e ilustrações, por qualquer meio, sem a prévia autorização dos editores.
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MEIO AMBIENTE |
TEXTO E FOTOS: JULIO HUBER – VIANA (ES)
Dejeto proveniente da produção de café solúvel vira adubo orgânico em Viana
A lama proveniente da Real Café é misturada a pó de serra e galhos triturados
Um problema que virou a solução e promete revolucionar a produção agrícola em Viana. Assim pode ser resumido um projeto que está usando um resíduo da produção de café solúvel, da empresa Real Café, e transformando-o em adubo orgânico, em parceria com a Prefeitura de Viana e com o Instituto Capixaba de Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper). Instalada na Fazenda Experimental do Incaper, em Formate, a Usina de Compostagem de Viana já está em atividade e tem uma capacidade de produzir sete tonela-
das de adubo orgânico por dia. O produto também está sendo usado em pesquisas do Instituto, que está testando a eficácia em plantios de milho e feijão. Segundo o coordenador de resíduos da empresa Real Café, José Azevedo de Carvalho Filho, a ideia surgiu como alternativa para a destinação do lodo do café e demais resíduos. “Para se fazer o café solúvel, utilizamos 50 mil litros de água por hora. Retiramos a água do Rio Formate e a purificamos em uma estação de tratamento da empresa. Após o processamento, esse
‘lodo’ vai para uma estação de tratamento de efluentes. Antes, pagávamos para uma empresa especializada dar o destino final a esse produto”, contou José Azevedo. Diariamente, a Real Café torra mil sacas de café para transformá-lo nos mais variados produtos. Além disso, toda a água usada na empresa também vai para essa estação de tratamento de efluentes. Após o tratamento dessa água e a devolução dela para o rio, sobra uma espécie de lodo, que é a base para a produção no novo composto orgânico.
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“Essa água é lançada no rio com melhor qualidade do que quando a captamos. E, agora, também vamos reaproveitar da melhor forma esse lodo. Além disso, também estamos reaproveitando as cinzas das caldeiras de torragem de café e outros produtos para a produção do pré-composto. Enviávamos cerca de 400 toneladas para um local apropriado para ser enterrado. Atualmente, após o reaproveitamento na usina, enviamos 35 toneladas”, relatou José Azevedo. O supervisor da Fazenda Experimental do Incaper, Afonso Carlos Valentim, contou que a Prefeitura e o Incaper toparam de imediato a ideia da instalação da usina. “Uma das exigências da Real Café foi que a instalação da usina fosse em uma área do governo estadual, não em uma área da Prefeitura, para evitar possível paralisação do projeto quando houver a troca da gestão municipal”, explicou. O custo da instalação da usina ficou em torno de R$ 500 mil, entre
a estrutura do galpão e a compra dos equipamentos, como uma máquina de triturar galhos e um misturador do produto. “O trabalho da usina é muito útil para o município e para o Estado. Provavelmente o município de Viana não vai absorver todo o produto futuramente, o que pode beneficiar produtores da região”, disse.
PRODUÇÃO
Para produzir o pré-composto orgânico, é misturado pó de serra e restos de galhos de árvores que são cortados pela EDP. Esse material serve para dar volume e retirar a umidade do lodo do café. Afonso Carlos Valentim explica como é feito o processo de produção do pré-composto. “A palha de café serve para dar o suporte de pré-secagem. Ela será o enchimento desse produto para que haja a redução de 70% de umidade para 30%. A cinza é outro subproduto muito importante que será usado para correção de
solo. Ao invés do calcário, vamos usar a cinza retirada das caldeiras de torragem de café, que tem um efeito mais eficiente de correção, pois possui um teor bem superior de calcário, cálcio e magnésio”, informou Afonso. O pesquisador do Incaper, Luiz Fernando Favarato, explicou que o produto final é um pré-composto, já que não é feito o processo mais longo, de cerca de 30 dias, para que fosse considerado um composto orgânico. No total, são cinco dias para que o produto esteja pronto para que o produtor possa utilizá-lo nas lavouras. Duas vezes por semana, um veículo cedido pela Prefeitura de Viana busca os dejetos na fábrica da empresa Real Café e transporta-os até a usina de compostagem. Chegando ao galpão, o produto é misturado e uma máquina realiza a mistura dos produtos. A máquina arrasta o pré-composto até o final do galpão, aonde ele já chega pronto para ser transportado para as lavouras.
O material fica em um depósito e pode ser transportado em caçambas da Prefeitura de Viana ou em caminhões dos produtores
Agricultores já estão utilizando o pré-composto em lavouras Inicialmente, segundo o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural de Viana, Wederson Brambati Maioli, o pré-composto começou a ser distribuído a agricultores de um assentamento localizado no município. Segundo ele, a seleção das famílias é feita pelo Incaper. “Esse projeto foi adicionado ao Programa Cidade Sustentável, promovido pela Prefeitura. Esse
pré-composto ajuda na sustentabilidade das famílias. O prefeito Gilson Daniel assinou um decreto que disciplina a distribuição desse produto. E, como a lei não permite que a prefeitura faça doações, o beneficiário do adubo orgânico paga uma taxa simbólica de cerca de R$ 10,00 por tonelada. Isso corresponde a 5% do valor do esterco de galinha, também muito usado na agricultu-
ra”, informou o secretário. O produtor interessado deve procurar o escritório do Incaper, que faz a triagem dos produtores. A Prefeitura, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e com o Incaper, também realizou cursos para os produtores que irão usar o pré-composto. “Cada participante desse curso recebeu cinco metros NEGÓCIO RURAL | 5
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cúbicos do pré-composto”, informou Wederson. Segundo ele, inicialmente estão sendo priorizados os agricultores familiares, os pequenos produtores, famílias de assentamentos e quilombolas. “Quem não tiver um transporte, a Prefeitura leva o pré-composto até a propriedade”, destacou o secretário. O limite para cada produtor é definido pelo Incaper, mas normalmente é o equivalente ao uso em dois hectares. O agente de extensão do escritório do Incaper de Viana, Ederaldo Panceri Flegler, destacou que um projeto de desenvolvimento
agrícola no assentamento Santa Clara, em Araçatiba, no município, integrou a utilização do pré-composto. “Os primeiros carregamentos foram para esse assentamento, onde as famílias já estão utilizando o produto nas lavouras“, contou.
EXPERIMENTOS EM CAMPO
Sobre os experimentos feitos nas propriedades, Ederaldo Panceri Flegler explicou que foram selecionados produtores, que terão suas lavouras acompanhadas por cerca de três anos. Inicialmente, estão sendo testadas três áreas de café, sendo duas de conilon e uma
de arábica, três de banana e três de cana-de-açúcar. “Escolhemos as propriedades, realizamos a análise do solo, em parceria com o Ifes de Itapina, em Colatina e, com base nessa análise, vamos fazer as recomendações da aplicação do produto. Os testes serão em parcelas de 150 metros quadrados, testando apenas o adubo químico, apenas o pré-composto e com a metade de cada item”, explicou. Após um ou dois anos, serão feitas mais análises para verificar os teores de material orgânico e demais nutrientes no solo.
Produto está sendo testado em plantios de feijão e milho Apesar de o produto já ter sido testado e analisado antes do início da produção em grande escala e da distribuição aos produtores, técnicos do Incaper estão fazendo pesquisas em culturas de feijão e milho na Fazenda Experimental de Viana. “Nosso objetivo é entregar ao produtor rural um produto com as indicações de quanto ele vai usar e em quais culturas usar, por isso estamos dominando as pesquisas para fazer as indicações”, disse supervisor da Fazenda do Incaper, Afonso Carlos Valentim. De acordo com Afonso, a ideia é chegar a uma quantidade ideal para que o agricultor saiba quanto usar do composto orgânico e quan-
to usar dos adubos químicos para uma boa produção. O pesquisador do Incaper Luiz Fernando Favarato explica como estão sendo conduzidas as pesquisas de campo. “O pesquisador João Araujo está orientando nossas pesquisas e indicando as quantidades de cada produto usado no pré-composto. Estamos definindo detalhes de quanto colocamos do lodo, quanto de pó de serra e de cinza. Inicialmente, estamos usando cerca de 70% de material palhoso, que dá o volume, e 30% do lodo do café”, contou Favarato. O pesquisador informou que são cinco experimentos com o produto. “Em lavouras de feijão e milho, estamos usando cinco formas de
aplicação. Em uma área, estamos usando apenas o pré-composto, em outra, apenas o adubo químico. Em outras duas áreas, usamos 75% do pré-composto e 25% do químico, e vice-versa. Também estamos usando metade de cada produto em uma quinta área experimental”, detalhou o pesquisador. De acordo com ele, as plantações em que o pré-composto estão sendo usadas, apresentam um melhor desempenho, se comparadas com as áreas em que está se usando apenas o adubo químico, ou a maior parte dele. Um profissional do Incaper de Cariacica fará uma dissertação de mestrado baseado nos testes feitos nessas lavouras.
O pesquisador Luiz Fernando Favarato afirma que os primeiros testes já mostram a eficácia do pré-composto
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BRUNO FAUSTINO - TAQUARITINGA DO NORTE / PE • FOTOS: DIVULGAÇÃO
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ecologicamente correto Fazenda no agreste pernambucano mostra que é possível produzir de acordo com a natureza Produzir respeitando a natureza,será que isso é possível? A resposta para esta pergunta vem do Agreste de Pernambuco, do município de Taquaritinga do Norte, distante 184 quilômetros de Recife. Lá fica uma fazenda bem diferente das tradicionais. “A gente só faz aqui o que o pessoal já faz há gerações, que é a policultura diversa. E aqui tem um pouco de tudo: fruteiras, árvores, café e muitas outras culturas. O nosso trabalho aqui é cultivar, preservar a natureza de forma orgânica, ecológica e viver disto”, diz a empresária Tatiana Peebles, 51, proprietária da fazenda. A Revista Negócio Rural viajou até o Nordeste Brasileiro para conhecer o Yaguara Ecológico. "Yaguara é mais que uma marca, é um estilo de vida. A gente vive isso na pele, é o nosso dia a dia. O nosso ritmo é o ritmo das árvores, da terra, do solo, e vivemos aqui na tranquilidade e na paz", completa a empresária.
PIONEIRISMO
A ideia de produção ecológica partiu do empresário norte-americano David Peebles, 79, em 1978, durante uma viagem pelo interior de Pernambuco. "Meu pai viu a Serra da Borborema, onde está localizada Taquaritinga do Norte, subiu aqui, se encantou com a Mata Atlântica e disse: 'é aqui que eu quero meu pedacinho de chão!' e comprou os primeiros quatro hectares. E não saiu mais daqui", conta Tatiana. Numa volta rápida pela propriedade, que conta, atualmente, com 150 hectares, encontramos com o pai da Tatiana, um ser humano inspirador e repleto de conhecimento. "Eu não acordei e de uma hora pra outra decidi produzir assim. Foram dias, anos tentando entender o que seria o melhor. Com isso, levou uns 20 anos para cair a ficha, e perceber que somos uma policultura ecológica, já que trabalhamos com uma biodiversidade. Aqui nós plantamos culturas consorciadas e fazemos um balanceamento entre elas, porque para você ser sustentável, você tem que ganhar dinheiro. Então, aqui temos cajá, manga, abacate, verduras, café, porcos... Nós temos aqui 26 tipos de frutas, e todas elas dão retorno para a propriedade", explica o idealizador David Peebles. Mas não foi fácil convencer os agricultores da região de que a ideia trazida pelo norte-americano para o agreste pernambucano daria certo. "Fui chamado de doido. Ninguém acreditava que era possível produzir respeitando o ciclo da natureza. Quando cheguei aqui, a primeira coisa que implantamos foi a criação de suínos. Mas eu não entendia de solo, do mercado de café, de nada. Então foi uma luta”, lembra o empresário. Segundo ele, grande parte do sucesso do agronegócio hoje está na capacitação de pessoas. “Se eu não sei, eu preciso aprender e gostaria de aprender mais. Você
A família da empresária Tatiana Peebles apostou em uma produção ecológica no agreste pernambucano tem que ter curiosidade, tem que ser aberto a novas ideias e aplicar, experimentar. Não adianta só ler livros, tem que testar, e foi o que fizemos aqui. Aprendemos, testamos até que chegamos ao resultado que temos hoje", destaca o empresário. O modo de agricultura aplicado na fazenda hoje é exemplo para muita gente de várias regiões do Brasil. "As pequenas famílias devem apostar na policultura diversa ou sistema agroflorestal. É fácil, funciona, é muito melhor que a monocultura, tanto que o nosso foco não é quantidade, mas sim qualidade”, frisa David Peebles.
"Fui chamado de doido. Ninguém acreditava que era possível produzir, respeitando o ciclo da natureza" David Peebles - Idealizador e empresário
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Primeira variedade de café brasileira resiste até hoje no interior de Pernambuco O café arábica, conhecido como Típica, Nacional ou Crioula, foi o primeiro a chegar ao Brasil, em 1727, vindo de arbustos da Guiana Francesa que, por sua vez, haviam sido plantados com sementes provenientes da Holanda. Hoje, considerada uma espécie rara, mas que resiste em fazendas do agreste pernambucano, como na Yaguara. “O arábica típica’ é uma variedade muito antiga aqui na região. Ela precisa de altitude e também de sombra. Isso é o que favorece a produção de grãos de qualidade. Nós estamos há mil metros de altura e temos este sombreamento natural da Mata Atlântica que protege dos raios solares. Um ambiente perfeito para ela”, explica a proprietária da fazenda, Tatiana Peebles.
ORGANISMO
O sistema produtivo da propriedade funciona como o corpo humano. Cada cultura está integrada à outra e, juntas, dão sustentação ao conceito de policultura diversa. “Se você vê a propriedade como
um organismo, com saúde, podemos dizer que temos uma produção orgânica, não no sentido econômico da palavra, mas no sentido funcional. O que as pessoas fazem hoje e chamam de orgânico é meramente um título dado por algumas instituições que seguem protocolos de produção, de não usar isso, ou não usar aquele produto. Aqui não. Aqui o sentido da palavra orgânico vai além de títulos e certificado, mas um sentido vital de produção. As culturas precisam ser saudáveis, as pessoas que trabalham nelas também, o ambiente também, e assim sucessivamente”, pontua o idealizador da fazenda, o norte-americano David Peebles. Para garantir a qualidade dos grãos do pé à xícara, um cuidado é fundamental: coleta seletiva (um a um). Só os grãos maduros vão para a secagem. E nem adianta perguntar quantos pés de café têm na propriedade e a expectativa de safra porque eles não sabem. “Contar pé de café aqui é igual a contar grão de areia na praia. Plantamos todos os
anos. Tem grão que cai no chão, brota e nasce. Ninguém aqui está preocupado com a quantidade, mas sim com a qualidade”, expõe Tatiana. O beneficiamento do café Yaguara também é diferenciado e acontece na propriedade. O sucesso rendeu algumas premiações nacionais. O segredo está no aroma extraídodos grãos, como de frutas vermelhas e chocolate.Para quem gosta de café, a torrefação artesanal é um verdadeiro paraíso. O cliente tem a opção de escolher se quer torra média ou escura e os pacotinhos de 250gramas são divididos em grãos ou em pó. “A pessoa toma um café e não tem ideia da cadeia e do tempo que existe por trás daquela xícara. Você planta um grão de café, são nove meses para a muda ir para o campo, três anos para o primeiro fruto, cinco anos para entrar realmente em produção, são dois meses de colheita, 135 dias de beneficiamento, 12 minutos para torrar e, enfim surge o café na xícara. Então, é um processo de muitos anos”, enfatiza a empresária.
Presunto do Agreste é disputado por restaurantes de todo o Brasil Quem aí nunca ouviu falar no famoso e tradicional presunto Pata Negra? É um tipo de presunto curado produzido, principalmente, na Espanha e em Portugal, baseado no porco preto ibérico, que também se designa como porco de pata negra ou porco de raça alentejana. As principais características que distinguem os presuntos ibéricos pela qualidade provêm da pureza da raça dos animais, da criação em regime extensivo de liberdade em
montados arborizados, onde os animais se movem livremente, e o processo de cura, que se estende dos 8 aos 36 meses, sendo tanto mais demorado quanto maior a peça e a quantidade de bolotas (um fruto produzido pelo carvalho e nomeadamente pela azinheira e pelo sobreiro que pertencem à família dos carvalhos) que o porco ingeriu. E não é que em pleno agreste pernambucano existe um presunto tão bom quanto? "Não gosto de compa-
rar, mas costumo dizer que esse presunto é o presunto da Serra Taquara. Cada presunto tem as suas próprias características. O Pata Negra é uma variedade de porco, já nós trabalhamos com outra variedade, mas ele come em vez da bolota, a castanha de caju. Nesse ponto os produtos se assemelham", revela Tatiana Peebles. A produção artesanal caiu na graça de renomados chefs brasileiros, entre eles André Mifano e Claude Troisgros, além de Jefferson Rue-
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da, da Casa do Porco, em São Paulo. Chefs pernambucanos como Claudemir Barros e até mesmo o chef Pablo Pavón, do Soeta, em Vitória (ES), recebem o presunto Yaguara.
SOMBRA, MÚSICA E ÁGUA FRESCA
O que garante a qualidade do pre-
sunto do agreste é o tratamento dado aos animais: frutas, banho, chamego, aconchego e música para relaxar. Caixas de som foram espalhadas próximas às baias dos animais. E todos eles têm horário para passear pela propriedade. "Fazemos um contrato com os animais: cuidamos bem deles para que eles nos deem no futuro uma car-
ne de qualidade. Queremos que eles tenham uma boa vida, em vida, literalmente", explica a empresária. E sobre as músicas, os estilos são os mais variados: vai de New Orleans ao repente nordestino. "A gente tinha uma porca que adorava Frank Sinatra. Era tocar no 'radinho', que ela ficava de pé para ouvir", lembra.
Preservação: uma preocupação para as próximas gerações O sonho de produzir respeitando a natureza virou realidade e o futuro tem nome: Fazenda Conceição - propriedade vizinha ao Yaguara Ecológico, que será transformada em Centro de Educação Ambiental e Gastronômico. "Este lugar já passou pelas mãos de muitas pessoas, mas, quando
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a compramos, tinha mato de seis metros de altura e começamos a trabalhar as árvores que existiam aqui e, agora está lindo. A gente quer que as pessoas venham para cá, conheçam e que se sintam bem aqui", expõe Tatiana Peebles. A ideia é construir um Instituto para fins educacionais para a po-
pulação. "Temos a pretensão de ensinar tudo o que sabemos: ensinar a cozinhar, a abater, e que venham cozinheiros, para que a gente possa mostrar o que tem de melhor aqui em Pernambuco", finaliza. É a filosofia Yaguara rompendo fronteiras, um projeto de vida fonte de inspiração pra muita gente.
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TEXTO E FOTOS: JULIO HUBER – MARECHAL FLORIANO E VENDA NOVA DO IMIGRANTE
Espírito Santo se destaca na alta qualidade e produtividade de tomate Produzir tomate de qualidade requer dedicação, tecnologia e altos investimentos. E o Espírito Santo é considerado um dos destaques nacionais. A alta produtividade e a qualidade dos frutos colocam o Estado entre os principais produtores do Brasil. A reportagem da Revista Negócio Rural foi conhecer um pouco mais desse segmento, que gera renda a milhares de famílias capixabas e incrementa a economia de muitos municípios. Com uma produção anual de 175.583 toneladas, colhidas em 2.629 hectares de área em 2018, segundo dados do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), o tomate do Espírito Santo tem ganhado fama nacional e mudado para melhor a realidade de muitas famílias. E, com o passar dos anos, muita coisa mudou nessa cultura. Em muitos casos, o gosto pelo plantio passa de geração em geração. Em Venda Nova do Imigrante, da Região Serrana do Espírito Santo, um dos municípios que mais produz a fruta no Estado, a história do jovem Julimar Cesconeto, 31 anos, e de seu pai Tarcísio, 66, ilustra essa paixão pelo plantio. Tarcísio conta que iniciou plantando tomate como meeiro em propriedades da região. Hoje, ele e o filho plantam mais de um milhão de pés de tomate por ano. “Eu comecei em 1978 cultivando cinco mil plantas por ano. Depois passei a plantar duas vezes por ano e fomos aumentando a quantidade. Na época, vendíamos na Ceasa de Cariacica”, relatou.
Julimar e o pai Tarcísio Cesconetto vendem a produção para diversos estados brasileiros
CRESCIMENTO
E de meeiro, Tarcísio, já com o apoio do filho, passou a plantar na sua propriedade e, logo depois, começaram a arrendar terras para dar conta da demanda. “Quando ouvia alguém falando de plantios de um milhão de pés em São Paulo, eu achava que era coisa de outro mundo. Hoje, depois de 13 anos que iniciamos nosso plantio próprio, já chegamos a plantar 1,5 milhão de pés por ano. E isso só foi possível graças à ajuda do meu filho”, lembra. Julimar conta que desde criança lembra-se de seu pai plantando tomate. “Eu cheguei a iniciar uma faculdade, mas desisti e voltei para a propriedade para ajudar meu pai. Em 2005, plantávamos menos de 20 mil plantas por ano, e em poucos anos conseguimos ampliar nossa produção”, contou. Além da propriedade em Venda Nova do Imigrante, pai e filho arrendam terrenos em Afonso Cláudio, Domingos Martins, Aracruz e até em Mutum, em Minas Gerais. Em cada município eles montam equipes e toda a produção é encaminhada à sede da empresa,
"Atualmente, colhemos uma média de 25 mil caixas por mês" Julimar Cescoteno - produtor em Venda Nova do Imigrante, onde é feita a classificação e o envio para os mercados do Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. “No inverno, enviamos também para o Sul do Brasil. Mais de 80% da nossa produção vai para outros estados. Atualmente, colhemos uma média de 25 mil caixas por mês. Uma das variedades com a qual estamos conseguindo boa produtividade e que tem boa resistência a doenças durante o verão é a Protheus. Entre funcionários de carteira assinada e parceiros, temos mais de 250 pessoas que atuam com a gente na plantação”, informou Julimar Cescoteno.
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Jorge Huber trabalha há 18 anos com tomate e tem se especializado com os tratos culturais
Dedicação à lavoura garante maior produção Nos últimos anos, produtores familiares têm mudado a forma de trabalho com o tomate. Se antes eles produziam e vendiam a produção, atualmente os pequenos agricultores têm dado mais atenção à lavoura, já que a venda da colheita passou a ser feita diretamente na propriedade, sem a necessidade do deslocamento até a Ceasa ou a outros centros de venda. Um dos exemplos é Jorge Huber, de Santa Maria, em Marechal Floriano, que produz tomate há 18 anos. Ele conta que, antigamente, cuidava da lavoura, colhia os frutos e, pelo menos duas vezes por semana, levava a sua produção para a comercialização. Nos últimos anos, ele tem entregado a colheita na sua propriedade, garantindo mais tempo para se dedicar à lavoura. “No início, eu plantava, colhia e
fazia a venda diretamente na Ceasa. A vantagem de vender a produção é que garantimos o preço de mercado. Mas, vender diretamente na propriedade me dá mais tempo para eu cuidar da lavoura e conseguir uma maior produção. Dois dias por semana que eu deixo de me dedicar ao plantio faz toda a diferença”, contou. E ele garante que não vai mudar a forma de comercialização de sua produção. “Essa parceria é muito importante. Mesmo recebendo um pouco abaixo do mercado, eu tenho a garantia de receber pela minha produção, não tenho o trabalho de fazer a seleção dos frutos e não preciso deixar a minha lavoura para vender”, destaca. Com a experiência adquirida com o passar dos anos, o produtor passou a orientar outros agricultores
que plantam tomate. “Muitas pessoas me ligam pedindo dicas. Nada melhor que os técnicos para acompanhar, mas a experiência da prática é muito importante. Podemos estar 30 anos plantando tomate, mas trocando experiências sempre aprendemos mais e ficamos cada vez mais especialistas”, afirma. Um fator importante apontado por Jorge é apostar em uma variedade que dê um bom resultado. Ele destacou que testa novas variedades, mas em uma pequena área como experimento. “Também é importante anotar todos os produtos usados na lavoura, para não repetir defensivo sem necessidade e também não deixar de usar aquele que é preciso. E o importante é sempre respeitar a carência de cada defensivo antes da colheita”, lembrou.
Famílias retomam o plantio com parcerias na venda A parceria de empresas com produtores familiares tem feito com que muitas pessoas retomassem o plantio de tomate, como é o caso do agricultor Deolindo Ferreira, 45 anos, de São Bento de Garrafão, Santa Maria de Jetibá. Ele conta que cultivava tomate antigamente, parou e retomou a produção há cerca de seis anos.
“Eu fiquei 18 anos sem produzir tomate. Eu parei porque havia dificuldade para comercializar. Hoje em dia eu planto e vendo direto na propriedade, o que facilita muito. Atualmente, também há variedades mais resistentes a pragas e doenças. E isso ajuda muito”, contou. Deolindo chegou a produzir 100
mil caixas por ano, com a ajuda da esposa, do genro e de parceiros. “Hoje o tomate é o carro chefe da propriedade. Plantamos durante o ano inteiro, paramos apenas no período de muito frio. A minha produção atende o mercado capixaba e de outros estados. Se não fosse a parceria de venda, não estaria produzindo tomate”, afirmou. N E G Ó C I O R U R A L | 11
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referência nacional e internacional O Espírito Santo é um dos principais produtores de tomate do Brasil. Em 2018, segundo dados do Incaper, o Estado produziu 175.583 toneladas, colhidas em 2.629 hectares de área plantada. Durante o verão, a cultura se concentra em municípios da região de montanhas, como Venda Nova do Imigrante, Afonso Cláudio, Domingos Martins, Marechal Floriano, Alfredo Chaves, Santa Teresa e outras cidades da região. Já no inverno, os produtores migram para regiões mais quentes, como Castelo, municípios do Norte do Estado e até de Minas Gerais. De acordo com o pesquisador e doutor em fitopatologista do Incaper, Hélcio Costa, o tomate é uma das principais culturas agrícolas do Estado, devido ao alto custo de produção e pelo volume financeiro movimentado. Além disso, milhares de famílias trabalham com a plantação, o que gera renda a várias regiões do Espírito Santo. “O custo de produção é muito alto. E isso movimenta o setor agrícola. Sem contar que em períodos de alta do preço, como estamos acompanhando nesses primeiros meses de 2019, é muito dinheiro que o setor movimenta. E quando o preço do tomate está alto, os valores das outras culturas também acompanham o aumento”, afirmou Hélcio, que é especialista no Estado em patologias to tomate.
TECNIFICAÇÃO
Hélcio, que acompanha a produção no Estado há muitos anos, conta que os produtores capixabas se destacam em empregarem altas tecnologias nas lavouras de tomate. Seja em equipamentos modernos de classificação dos frutos, seja na forma de produção, com sistemas de irrigação como o gotejamento, a produção do Espírito Santo tem sido exemplo para outros estados. “Uma comprovação desta tecnificação é que recebemos visitas de estudantes de doutorado e pós-doutorado da Universidade de Viçosa, em Minas Gerais, e estudantes de agronomia de diversas regiões brasileiras. Todos ficam impressionados com as máquinas e as tecnologias empregadas. Até os professores universitários ficam admirados com todo o trabalho feito pelos produtores”, afirmou Hélcio. Além de estudantes do Brasil, representantes de empresas multinacionais também consideram o Espírito Santo uma referência na produção do fruto. “As principais empresas do mundo no setor trazem os técnicos para conhecerem o que tem sido feito aqui. Sem contar que recebemos constantemente a visita de produtores de outros estados que vêm aprender com nossos agricultores.
Mudas enxertadas são as apostas para combater doenças do tomateiro De acordo com o pesquisador do Incaper Hélcio Costa, outro destaque nacional do Espírito Santo é com o cultivo de mudas de tomate enxertadas. Essa técnica proporciona plantas mais resistentes a doenças e que têm alcançado altas produções. O principal produtor é Geraldo Gobbi, que concentra sua produção em Afonso Cláudio. “Na planta de tomate enxertado são usadas duas variedades. A muda é mais cara, pois se usa duas plantas para se produzir uma. Nos últimos seis anos, desde quando foi iniciada
a enxertia do Espírito Santo, devem ter sido produzidos mais de 30 milhões de pés. O Estado está dando uma ‘surra’ nesse setor nos demais estados”, destacou Hélcio. Ele explicou que entre as vantagens está a resistência a doenças. “Temos muitos problemas com fungos de solo. Com a muda enxertada controlamos o fusarium, a nematóide e temos tolerância a outras doenças. Apesar da muda ser mais cara, há inúmeras vantagens”, reforçou Hélcio.
O pesquisador Hélcio Costa conta que produtores, acadêmicos e empresas multinacionais visitam plantios no Estado Isso é muito gratificante, pois eles querem saber o que é feito aqui para conseguirmos alta produtividade e qualidade”, revela o especialista.
Coopeavi é o braço direito do produtor Seja para pequenos, médios ou grandes produtores de tomate, a Cooperativa Agropecuária Centro Serrana (Coopeavi) tem sido um auxílio importante para cerca de 350 produtores, principalmente dos municípios de Venda Nova do Imigrante, Santa Teresa e Afonso Cláudio. Além de orientar na escolha da melhor semente, no preparado do solo, no controle de pragas e doenças e na recomendação da adubação, a Coopeavi fornece todo o acompanhamento de técnicos no campo a seus cooperados. De acordo com o engenheiro agrônomo Antônio Marcos da Silva, que é analista de desenvolvimento de produtos da cooperativa, há produtores assistidos pela Coopeavi que cultivam mil plantas por ano, até quem planta 3,5 milhões de pés. “A cultura do tomate oferece a vantagem de ter o ciclo mais curto, o que confere retorno mais rápido quando comparado às culturas perenes. Apesar de atualmente a cultura estar rentável, os produtores passaram por vários anos recebendo baixos preços pela mercadoria. Atualmente o tomate é uma das três culturas mais representativas para cooperativa”, informou.
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Assistência técnica especializada ao produtor garante colheita farta Seja para quem está iniciando o cultivo de tomate, ou para quem já tem experiência com a cultura, a assistência técnica especializada é a garantia de que o produtor não está desperdiçando recurso com insumos desnecessários, e também que os tratos culturais para cada tipo de variedade estão sendo realizados de acordo com as recomendações específicas. O resultado é uma colheita farta e menos custos de produção. E para os clientes da Terra Nova Agrícola, com a matriz em Alto Caxixe, Venda Nova do Imigrante, e filial em Alto Rio Possmoser, Santa Maria de Jetibá, 17 técnicos estão à disposição para fornecer as orientações necessárias. O sócio Reginaldo Sartori explicou a importância desse serviço de orientação diretamente na propriedade. “Cada variedade de tomate tem suas características e exigências específicas. Após indicarmos a semente, de acordo com a região e
necessidade do produtor, também oferecemos o acompanhamento de campo. É importante que o produtor tenha esse acompanhamento frequente”, informou Reginaldo. Segundo ele, o objetivo é que o produtor consiga obter o máximo de proveito da variedade plantada, pois não se atingirá uma produção máxima da planta, tendo os tratos iguais para diferentes variedades. E uma das variedades que têm agradado aos produtores e fornecido ótimos resultados é o Híbrido Protheus F1. De acordo com Reginaldo, agricultores estão obtendo um fruto grande e firme, uma boa coloração e um excelente resultado de pós-colheita. A procura tem crescido pela variedade nos últimos dois anos. “A cada ano a produção por hectare aumenta. E isso é resultado de variedades mais resistentes a novas pragas e doenças que surgem com frequência. Outro fator que agre-
gou é a irrigação localizada, que também passou a ser o mecanismo usado para a adubação, sem a necessidade de depender de fatores climáticos”, explicou. Reginaldo também garante que a utilização de produtos mais eficientes e menos tóxicos para os tratos culturais tem influenciado positivamente os resultados. “Os insumos são específicos para cada praga e doença que precisa ser tratada na lavoura. Há também os biológicos, sem nenhuma carência para a colheita”, destacou. Uma novidade da Terra Nova Agrícola é a inauguração, até o mês de junho de 2019, de uma ampla loja na sede de Venda Nova do imigrante. Além de trabalhar com tudo o que o produtor de tomate precisa, a empresa também oferece uma linha de insumos agrícolas para todas as culturas: adubos, defensivos, sementes em geral e uma linha completa de irrigação.
Sócios da Terra Nova Agrícola, Carlos Augusto Cardoso e Reginaldo Sartori garantem assistência técnica especializada aos clientes
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Coopeavi e Veneza se unem O ano de 2019 começou com novidades para os cooperados da Cooperativa Agropecuária do Norte do Espírito Santo (Veneza) e da Cooperativa Agropecuária Centro Serrana (Coopeavi). No dia 20 de fevereiro, as duas cooperativas foram incorporadas oficialmente, durante a Assembleia Geral Extraordinária e Conjunta, na sede do Lions Club de Nova Venécia, no Noroeste capixaba. Segundo a Organização das Cooperativas Brasileiras do Espírito Santo (OCB/ES), a incorporação de cooperativas é um procedimento usado para manter a perpetuidade dos negócios, promover o crescimento das organizações e melhorar a gestão empresarial. “Nasce uma nova cooperativa, mais forte, com maior musculatura, que com certeza trará bons resultados para os seus associados e para a sociedade. É uma ação que tem total apoio e participação efetiva da OCB na assessoria e nas orientações técnicas, jurídicas, fiscais e contábeis”, afirma o superintendente da OCB/ES, Carlos André de Oliveira. Com a união, o quadro social da Coopeavi salta para cerca de 15 mil cooperados, tornando-se a maior cooperativa agropecuária do Espírito Santo. A previsão de faturamento para 2019 é superior a R$ 500 milhões. Além de receber em seu qua-
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dro social os associados da Veneza, a Coopeavi vai alterar sua estrutura de gestão, absorvendo parte da diretoria e do conselho da Veneza. “A Coopeavi vai se tornar mais forte porque vai diversificar os seus negócios, o que é bom para o mercado. Vamos produzir mais ração e agregar mais valor ao produto lácteo. Isso é importante para diminuir o ciclo financeiro”, destaca o vice-presidente da Coopeavi, Denilson Potratz.
Aumento da competitividade
O principal motivo da união entre a Coopeavi e a Veneza é o fortalecimento das duas cooperativas num ambiente de negócios cada vez mais competitivo, tanto no cooperativismo quanto no empresarial. O presidente da Veneza, José Carnielli, ressalta a possibilidade de expandir o setor de laticínios. “A atividade vai mudar para melhor, com mais capacidade de investimentos, expansão e lançamento de produtos, tornando o setor mais competitivo. O leque ampliado de produtos e serviços da Coopeavi traz muito mais oportunidade para os nossos associados”, garantiu. Com a incorporação, a cooperativa pretende aumentar a com-
petitividade com injeção de recursos no seu capital de giro. Isso vai permitir ampliar sua atuação em outras regiões do país onde atualmente não opera e ainda melhorar a assistência ao cooperado no campo. A Veneza distribui seus produtos lácteos no Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e até no Pará, com a qualidade reconhecida em quase 66 anos de tradição. A partir da incorporação, além de cafés especiais, ovos, nutrição animal e varejo agropecuário, a Coopeavi agregará uma indústria de laticínios com marca muito forte no segmento. “É com muita alegria que recebemos os associados da Veneza. O produtor precisa se unir, pois juntos seremos mais fortes, ou melhor, gigantes”, enfatiza o diretor administrativo comercial da Coopeavi, Argêo Uliana. A marca Veneza será mantida nos produtos, assim como a permanência das atividades industriais em Nova Venécia e região, resguardando os benefícios econômicos na comunidade local. Vale lembrar que, em 2015, a Coopeavi fez o mesmo com a Pronova, em Venda Nova do Imigrante. Além de preservar a marca, a cooperativa a impulsionou e a promoveu como de altíssima qualidade no mundo dos cafés especiais.
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TEXTO: BRUNO FAUSTINO FOTO: DIVULGAÇÃO
Sicoob: 30 anos de história e resultados
Nailson Dalla Bernardina, Bento Venturim, Sandra Kwak e Arno Kerckhoff formam a diretoria do Sicoob/ES O ano: 1989. Um grupo de agricultores em busca de crédito rural se une e cria uma instituição financeira cooperativa no interior do Espírito Santo. Trinta anos depois, aquela pequena instituição se torna a principal cooperativa de crédito do Estado e uma das maiores do Brasil: o Sicoob. “Lembro muito bem como começamos. Precisávamos de dinheiro para tocar os negócios na roça e não tínhamos dinheiro. Foi na garra, na luta, e conseguimos. Hoje, o Sicoob é uma instituição forte e sólida”, lembra Arno Potratz, vice-presidente do Sicoob-ES. Para quem está à frente da instituição desde o início, a história da cooperativa é lembrada pela superação e também pelas conquistas. “Há 30 anos, era difícil obter crédito para a agricultura. Então, nós nos empenhamos para constituir o Sicoob e trazer esse produto para os associados. De-
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pois, fomos trabalhando para modificar a legislação, e isso propiciou bons resultados para os cooperados”, afirma o presidente do Sicoob-ES, Bento Venturim. Lá se vão três décadas de atuação no Espírito Santo. Hoje, o Sicoob-ES trabalha com todos os produtos tipicamente bancários, e é a maior instituição financeira privada em exercício no Estado. E tem muitos motivos e resultados para comemorar. A instituição vai distribuir, até abril, R$ 158,5 milhões entre os seus 283 mil cooperados. Esse montante é proveniente do resultado de R$ 306 milhões alcançados durante o ano passado, um crescimento 22,1% em relação ao exercício anterior. Parte do valor destinado diretamente aos associados (R$ 54 milhões) é referente ao pagamento dos juros sobre o capital social, que foi realizado em 31 de dezembro últi-
mo. O restante está sendo colocado à disposição dos associados durante os encontros de prestação de contas. Outros R$ 147,5 milhões serão incorporados a fundos estatutários, como a Reserva Legal, o Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (Fates) e o Fundo de Investimento Social (Fis). “O trabalho com foco em oferecer condições financeiras melhores do que as do mercado tradicional e no desenvolvimento dos cooperados é um fator importante para a conquista de bons números ano após ano”, enfatiza Nailson Dalla Bernadina, diretor executivo do Sicoob-ES.
CRÉDITO
O volume de crédito liberado em 2018 registrou uma variação positiva de 8%, com R$ 4,3 bilhões emprestados durante o período, dos quais R$ 642,5 milhões foram direcionados ao segmento rural. O custo reduzido das operações de crédito contribuiu para o crescimento no volume de liberações. A média da taxa de juros praticada pelo Sicoob é de 1,68% ao mês. No mercado tradicional, ficou em 3,25% ao mês. Entre as instituições financeiras privadas, o Sicoob-ES é o primeiro na participação de mercado em volume de depósitos e na liberação de crédito em todo o Estado, segundo dados do Banco Central. Considerando os municípios do interior, a instituição financeira cooperativa ainda se mantém na liderança, com destaque para a captação de depósitos, segmento em que se situa na frente dos bancos públicos.
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BRUNO FAUSTINO E JULIO HUBER - VITÓRIA/ES, SÃO GABRIEL DA PALHA/ES, MUQUI/ES E LAJINHA/MG
O preço do café paga a conta? Produtores de conilon e arábica estão preocupados com o baixo valor do café e com a queda na produção
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“O preço do café hoje mal paga as contas. Em algumas situações, o cafeicultor até perde dinheiro. Não está sendo fácil para quem produz café. É uma situação preocupante” Róger Lúcio Alves da Fonseca - cafeicultor
Previsão de uma boa safra, boas condições climáticas, oferta no mercado internacional, aumento no preço de insumos. Tudo isso tem feito o preço de uma das principais commodities agrícolas do Brasil despencar e preocupar cafeicultores brasileiros. No dia 21 de fevereiro de 2019, uma quinta-feira, a saca do café arábica tipo 7 fechou o dia cotada a R$ 342,00. Já o café conilon fechou cotado a R$ 296,00 a saca, segundo dados do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV). Há exatamente dois anos, as sacas dos cafés arábica e conilon eram comercializadas bem acima desses valores. Em 21 de fevereiro de 2017, a saca do arábica valia R$ 454,00 e a do conilon R$ 413,00. A reclamação entre os cafeicultores é geral, e tem motivos. “O preço do café hoje mal paga as contas. Em algumas situações, o cafeicultor até perde dinheiro. Não está sendo fácil para quem produz café. É uma situação preocupante”, desabafa Róger Lúcio Alves da Fonseca, 46 anos, cafeicultor em Lajinha, região da Matas de Minas Gerais. Em 2018, os 284 mil pés de café da propriedade produziram 3.700 sacas de café arábica. A safra com produção alta proporcionou ao cafeicultor uma renda extra. Mas, a expectativa para a produção
O produtor Róger Lúcio Alves da Fonseca não tem boas perspectivas para melhoria do preço do café
deste ano não são das melhores. “A previsão de safra aqui na nossa região para este ano não é boa e, com uma produção menor, não sabemos como vamos fazer. O dinheiro não vai arcar com os custos”, lamenta Róger. Quem produz café conilon também não está satisfeito com o preço pago pela saca. “Se a gente colocar na ponta do lápis, estamos no empate, nem ganhando e nem perdendo. É uma situação complicada para o cafeicultor”, relata Ednelson Caminote, 46, cafeicultor em São
Gabriel da Palha, Noroeste do Espírito Santo. A propriedade dele, no Córrego Alegre, em Vila Fartura, produziu 1.200 sacas de café conilon em 2018. Para este ano, a ordem é cortar custos. “Estamos mecanizando a lavoura, enxugando gastos e reduzindo insumos. O produtor faz o que pode para economizar. Mas o resultado a gente só vai saber quando começar a colheita, já que, até lá, dependemos das condições climáticas. Tudo pode acontecer”, relata Ednelson.
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ESPECIALISTA ACREDITA QUE O SOL IRÁ PREJUDICAR A PREVISÃO DE SAFRA PARA 2019 O ano de 2018 ficará marcado na cafeicultura capixaba e nacional como o ano recorde em produção de café. Com uma produção de 61,7 milhões de sacas beneficiadas - um crescimento de 37% em relação ao ano anterior - essa é a maior colheita registrada na série histórica do grão, superando em cerca de 10 milhões de sacas o melhor desempenho registrado até então, em 2016. O dado consta no 4º Levantamento da Safra 2018, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Segundo especialistas, o bom resultado deve-se às condições climáticas favoráveis, proporcionando boas floradas, à melhoria do pacote tecnológico, com o uso de variedades mais produtivas como as plantas clonais em Rondônia e Mato Grosso, além da bienalidade positiva, sobretudo em lavouras da espécie arábica. Para 2019, a safra de café brasileira deve ser menor e ficar entre 50,48 e 54,48 milhões de sacas, segundo a Conab, em sua primeira estimativa. A expectativa é de uma produção de 36,12 a 38,16 milhões de sacas de café arábica neste ano, queda de 23,9% a 19,6% na comparação com 2018, respectivamente. Já a safra de conilon (robusta), que não é afetada pela bienalidade negativa, deve crescer de 1,3% a 1,5%, para 14,36 e 16,33 milhões de sacas, respectivamente, segundo a Conab. O estado mais prejudicado pela bienalidade baixa é Minas Gerais, que produz principalmente a variedade arábica e é responsável por mais da metade do volume colhido no país. A produção deve ficar entre 26,4 e 27,7 milhões de sacas, contra 33,36 milhões da safra passada. O Espírito Santo, que responde pela maior produção de café conilon do país (cerca de 65%), deve colher entre 12,48 e 14,73 milhões de sacas, números próximos ao da safra anterior, de 13,74 milhões de sacas. Mas, a previsão de especialistas para 2019 contraria as estimativas apresentadas pela Conab até o início deste ano, principalmente
“Em 2018, o Espírito Santo colheu uma safra recorde, como há muitos anos não se via. Este ano, será uma safra desafiadora para as duas variedades” Marcus Magalhães, consultor de mercado cafeeiro
para o conilon. De acordo com o consultor de mercado cafeeiro do grupo MM, Marcus Magalhães, alguns fatores levarão a uma menor produção este ano. “Em 2018, o Espírito Santo colheu uma safra recorde, como há muitos anos não se via. Além da bienalidade da lavoura e da ausência de chuva em algumas regiões produtoras, sem contar na dificuldade de tratos culturais, devido à queda de preços no final de 2018, este ano a safra de arábica no Espírito Santo deve ser bem menor que a última”, adiantou o especialista. Segundo ele, sobre o conilon havia uma expectativa de boa safra em 2019 no Estado, mas as altas temperaturas nos municípios produtores do Norte capixaba e de algumas cidades do Sul da Bahia podem comprometer o rendimento do café. “Quando não há água suficiente, o grão de café não atinge o tamanho que poderia atingir. Dessa forma, a previsão é que o café renda menos que o esperado”, informou. Marcus Magalhães enfatizou que, apesar de algumas lavouras
serem irrigadas, apenas a chuva poderia amenizar a perda em algumas propriedades. “Se continuar sem chuva no período em que os grãos estão chegando ao período de maturação, será necessário mais sacos de café em coco para uma saca beneficiada. O produtor tem o café no pé, mas não rende muito. Será uma safra desafiadora para as duas variedades”, ponderou.
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PREÇO
O café é uma commodity (produto que funciona como matéria-prima, produzido em escala e que pode ser estocado sem perda de qualidade) e seu preço é determinado pelo mercado mundial como uma consequência da oferta e demanda. Como o Brasil teve uma safra recorde de café, em 2018, algo em torno de 60 milhões de sacas, consequentemente, o preço despencou. O ano começou com o preço da saca do café mais
baixo dos últimos cinco anos. Algumas variáveis influenciam no preço dos produtos básicos produzidos no Brasil. A princípio, são considerados o valor do prêmio de exportação e os custos, que incluem gastos com a logística, custos de produção e tarifas portuárias. Entretanto, a principal referência da bolsa para formulação dos preços é a bolsa de Chicago, nos Estados Unidos. Lá é aonde se concentra o mais alto grau de negociação de compra e venda de
produtos agrícolas dos outros países produtores e exportadores. Um relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) revelou que a exportação de commodities subiu de 5,6% para 6,5% do PIB entre 2012 e 2017. Isso mostra que a economia do Brasil é escrava dos preços praticados na comercialização das commodities no mundo afora. O consultor cafeeiro Marcus Magalhães acredita que, diante da menor produção do conilon e do arábica em 2019, os preços devem ser mais aquecidos que os registrados em 2018. “Em nível de Brasil, a produção de arábica será menor nas regiões produtoras. Com relação ao Conilon, apenas Rondônia deverá ter uma produção boa. Diante disso, a safra nacional será menor. Dessa forma, a bolsa de valores pode recuperar, e, consequentemente, os preços internos de café, no decorrer de 2019, podem atingir níveis mais interessantes que os atuais”, acredita.
COOPERATIVAS AJUDAM CAFEICULTORES A REDUZIR CUSTOS Diante do problema enfrentado pelos cafeicultores capixabas e mineiros, a Revista Negócio Rural ouviu representantes de entidades ligadas ao setor cafeeiro em busca de soluções para valorizar o preço do café. Todos são unânimes em dizer que uma das alternativas para agregar valor ao preço do café é reduzir custo e aumentar a qualidade dos grãos. Um bom exemplo vem da Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Lajinha, a Coocafé, de Lajinha, em Minas Gerais. Desenvolvido desde 2009, o Programa de Gestão tem como objetivo trabalhar junto ao cooperado com ferramentas de gestão da propriedade, que ajudam a detalhar suas despesas, o valor comercial de sua produção e o retorno financeiro. “A cada ano temos notado que os nossos cafeicultores têm se pre-
ocupado com as finanças da propriedade. E administrando bem, o cooperado consegue diminuir os custos da propriedade, aumentar a produtividade e a qualidade e, consequentemente, consegue um maior resultado”, diz o presidente da Coocafé, Fernando Cerqueira. Há 5 anos, o cafeicultor Róger Lúcio Alves da Fonseca participa do programa de gestão promovido pela cooperativa e diz que, de lá pra cá, conseguiu alcançar resultados interessantes na propriedade. “Antes, eu não sabia quanto custava produzir café. Hoje, eu sei e vejo que o conhecimento faz toda a diferença. Com a qualificação promovida pelo programa Gestão Coocafé, eu administro melhor os custos e, com isso, eu aumento os meus ganhos”, afirma o produtor. A cooperativa também oferece aos seus cooperados algumas faci-
lidades em suas lojas de insumos agrícolas. “Nos últimos 10 anos, os cafeicultores da Coocafé conseguem trocar os grãos produzidos por eles por mercadorias, como insumos e equipamentos que serão utilizados nas lavouras”, conta Fernando Cerqueira. Outra facilidade oferecida pela cooperativa é o travamento de preço de venda da saca do café. “Incentivamos nossos cooperados a venderem, no máximo, 20% do total produzido por um preço fixo no mercado futuro. Ou seja, independente do preço que o café terá no futuro, um pouco mais baixo ou um pouco mais alto, ele terá a garantia que receberá um preço médio pela saca que produzirá. Assim ele não corre risco de uma perda muito grande”, reafirma o presidente da Coocafé.
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ASSISTÊNCIA TÉCNICA CONTRIBUI PARA O AUMENTO DE PRODUTIVIDADE E DE QUALIDADE A Cooperativa Agrária de Cafeicultores de São Gabriel (Cooabriel), no noroeste do Espírito Santo, maior cooperativa de café conilon do Brasil, tem apostado na assistência técnica para melhorar a qualidade e a produtividade da lavoura dos seus cooperados e, com isso, aumentar o preço dos grãos produzidos por eles. “Temos um time técnico que presta assistência aos nossos cooperados. Estamos vivendo mudanças climáticas que estão interferindo na nossa produção e com a ajuda deles estamos 'tentando' driblar as adversidades da melhor
maneira possível”, revela o presidente da Cooabriel, Antônio Joaquim de Souza Neto. Segundo ele, os produtores de conilon no Espírito Santo e Sul da Bahia são verdadeiros “heróis”, uma vez que o preço da saca está muito próximo do custo de produção. “A cooperativa é uma segurança para os cafeicultores. Aqui ele sabe que vai ter alguém que vai manter o preço do café que garante a compra da produção dele. Sem a cooperativa, o cafeicultor fica a mercê de especuladores que pagam muito pouco pelos grãos produzidos”, diz Antônio.
Graças ao apoio técnico da Cooabriel, o cafeicultor Ednelson Caminote mantém a produtividade da lavoura com menos custo. “Reduzi em 60% o uso de adubo nas lavouras com as orientações dos técnicos da cooperativa”, revela o produtor. Ednelson Caminote espera ter um lucro maior na próxima safra de conilon com as medidas adotadas e também com o aumento no plantio. “Além dos 80 mil pés de café que tenho plantado, aumentei a área de plantio em 2.000 plantas e, assim, espero colher mais e garantir um ‘dinheirinho’ extra na safra 2019”.
“Reduzi em 60% o uso de adubo nas lavouras com as orientações dos técnicos da cooperativa” Ednelson Caminote - cafeicultor
MELHOR CAFÉ DO BRASIL
Cafeicultores desanimados, preços baixos e pouca produtividade. Assim era a realidade em Muqui e municípios vizinhos, no Sul do Espírito Santo, até o ano de 2002. A partir de então, esse panorama começou a mudar na região, após a fundação da Cooperativa dos Cafeicultores do Sul do Estado do Espírito Santo (Cafesul). Uma série de ações começou a ser implantada e os produtores vislumbraram novas perspectivas. Resultado disso é que o melhor café conilon produzido no Brasil em 2018 é de um cooperado da Cafesul. Luiz Cláudio Souza é um exemplo de que o incentivo da entidade valeu a pena. Quando a Cafesul foi criada, iniciou-se
um acompanhamento técnico e os produtores começaram a ser orientados sobre como produzir mais na mesma área cultivada. O presidente da cooperativa, Carlos Renato Theodoro, explica que uma das técnicas utilizadas logo no início foi a poda dos pés de café. “Quando os primeiros cooperados começaram a fazer as podas em suas lavouras, vizinhos os chamavam de loucos. Hoje, todos os agricultores, inclusive os que não são cooperados, podam suas lavouras anualmente. Essa e outras técnicas implantadas fizeram com que a produção na região passasse de 20 para uma média
de 40 sacas por hectare. Só isso já é um ganho para os cafeicultores”, conta Carlos Renato. O técnico agrícola Igor Machado de Oliveira, que atende a famílias cooperadas da Cafesul, explica a importância do trabalho de campo para o aumento da produtividade das lavouras. “Entre os cooperados, temos aqueles que se dedicam mais a produzir cafés com mais qualidade. Esses trabalham com maior cuidado no manejo das lavouras, na renovação dos plantios, com trabalho de podas e empregam técnicas mais modernas. Na verdade é um pacote tecnológico, que vai desde o preparo da terra para o plantio até a colheita e o beneficiamento dos grãos”, destaca Igor.
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PROGRAMA INTERNACIONAL DE COMERCIALIZAÇÃO GARANTE MAIS RENDA A CAFEICULTORES Com o passar dos anos, a Cafesul buscou outras alternativas para incrementar a renda de seus cooperados. Hoje, ela é a única cooperativa da América Latina que pratica o Comércio Justo para a venda de café conilon. E desde que a cooperativa começou a atuar em sete municípios da região Sul do Estado, não apenas as famílias dos cafeicultores passaram a ganhar mais e de forma justa, mas as cidades tiveram um incremento na arrecadação. Mas, o que é o Comércio Justo? Quem explica é a colombiana Sara Becerra, que já atuou na Coordenadora Latino-Americana e do Caribe de Pequenos Produtores e Trabalhadores do Comércio Justo (Clac), e que atualmente é embaixadora da entidade, que é uma das coproprietárias do sistema Fairtrade International. Ela conheceu associações e cooperativas que trabalham com essa forma de comercialização no Brasil, e esteve em Muqui, conhecendo a Cafesul.
“As organizações certificadas com o selo Fairtrade (como a Cafesul) recebem um preço mínimo internacional pela exportação. Essa é a maior certificação do Comércio Justo em todo o mundo. Para o café, por exemplo, a Fairtrade estabeleceu um preço mínimo acima do que é praticado pelos mercados internacionais das bolsas de valores”, explicou. Dessa forma, os cooperados com certificado Fairtrade recebem esse preço mínimo, acima do mercado convencional. Mas, se o preço de mercado for maior que o estabelecido pelo Fairtrade, eles podem negociar a produção. “Esse é um movimento social global que busca promover padrões de produção, de comercialização e de consumo responsáveis e sustentáveis. A ideia é assegurar um contato direto entre quem produz e quem consome os alimentos, com condições de trabalhos dignos aos produtores e promovendo o associativismo deles”, disse Sara.
O presidente da Cafesul, Carlos Renato Theodoro, contou porque os produtores que comercializam pelo Comércio Justo conseguem um valor acima do praticado pelo mercado tradicional. Segundo ele, é preciso atender regras sociais e ambientais para ser beneficiado pelo Comércio Justo. Luiz Cláudio Souza, produtor do melhor café conilon do Brasil em 2018, destaca as vantagens da Fairtrade. “Essa certificação proporciona uma produção mais sustentável, com os cuidados com o meio ambiente que são exigidos, e conseguimos um acréscimo no valor, já que esse café tem um reconhecimento no mercado exterior. Antes tínhamos que vender para o mercado convencional, mas a cooperativa garante o preço mínimo e melhores possibilidades de negócios. Esse é o futuro”, enfatizou.
CAFÉS ESPECIAIS AGREGAM VALOR E MELHORAM RENDA Além de gestão e alta produtividade nos processos de produção do café, outra opção apontada por especialistas para agregar valor aos grãos é apostar em cafés especiais. A produção de cafés especiais evoluiu, em média anual, 15% nos últimos anos no Brasil, saltando de 5,2 milhões de sacas, em 2015, para mais de 9 milhões de sacas em 2018. Esse avanço passou a ser dado ao longo dos últimos 15 anos, através da atuação e dos trabalhos de conscientização feitos pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) nas duas pontas: consumidor e produtor. “Não temos dúvidas que uma das maneiras de agregar valor ao café é produzi-lo com alto padrão de qualidade, com uma identidade própria, legítima, única e que desperte a atenção do consumidor. Quando o mercado convencional não está aquecido, uma saída é sim o café especial”, revela Carmem Lúcia Chaves
de Brito, presidente da BSCA.
CONSUMO
A projeção da Associação Brasileira de Cafés Especiais, com base em estudo contratado junto à Euromonitor, é que tenham sido consumidas 705 mil sacas de cafés especiais no Brasil em 2018, respondendo por mais de 3% do consumo total no país. Esse volume implica, ainda, uma taxa de crescimento de 19,1% na comparação com o consumo da bebida no ano anterior. Bento Venturim, integrante do Conselho Nacional do Café (CNC) e produtor de cafés especiais, não vê outra saída para agregar valor ao preço dos grãos a não ser investir em qualidade. “O cafeicultor precisa fazer conta, aprender a precificar seu produto e apostar na qualidade do café. Precisamos ser mais eficientes. Os cafés especiais agregam valor e valorizam o trabalho nas lavouras”, expõe o integrante do CNC.
Bento Venturim aposta em alta qualidade do conilon como alternativa
EXPORTAÇÃO
No que se refere às exportações, a BSCA estima que foram embarcadas aproximadamente 8,5 milhões de sacas de cafés especiais, superando as 7,7 milhões de sacas de 2017. Os principais destinos foram Estados Unidos, Europa e Japão. N E G Ó C I O R U R A L | 21
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TEXTO: JULIO HUBER – VIANA (ES) FOTO: SEAG
Paulo Foletto pretende intensificar serviços para o setor agrícola do Espírito Santo Perfil Paulo Foletto, 62 anos Nasceu em Colatina, Norte do Espírito Santo, onde foi responsável pela fundação do PSB. É médico cirurgião, formado pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Entre 1993 e 1996 exerceu o mandato de vereador e, em 2002, foi eleito deputado estadual e reeleito em 2006. Em 2011, Foletto assumiu seu primeiro mandato na Câmara dos Deputados e, atualmente, encontra-se licenciado de seu terceiro mandato na Casa para assumir a Secretaria de Estado de Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag).
Revista Negócio Rural – Quais as principais ações que o senhor pretende realizar enquanto responsável pela Seag? Paulo Foletto – A Seag teve, nos últimos anos, uma mudança de perfil e trabalhou muito a infraestrutura rural, com a construção de pontes, instalações de antenas de telefonia rural e criou programas voltados ao calçamento rural e à construção de barragens, devido às secas terríveis que enfrentamos. A reservação de água, que era muito importante, passou a ser fundamental. E todos esses programas demandam tempo e dinheiro, além de problemas com elaboração de projetos, execução e questões climá-
ticas. Entendemos perfeitamente tudo isso e vamos continuar. Mas, vamos resgatar o foco da agricultura familiar e o agronegócio, principalmente. A produção familiar é a responsável pelo grande avanço no equilíbrio social de muitas cidades do Estado.
E quanto às autarquias ligadas à Seag, como a Ceasa, o Incaper e o Idaf? Terão todo nosso apoio e atenção em termos de orçamento e pessoal, porque é uma reclamação de muitas pessoas que recebo, quanto à necessidade de ter mais profissionais nas instituições, para prestarmos um serviço com cada vez mais qualidade. E temos um problema no Brasil, pois aumentar o custeio
sempre é questionável, mas sabemos que precisamos reforçar esses órgãos importantes. Temos que resgatar a autoestima dos colaboradores, de todos os níveis de hierarquias. E uma coisa que precisamos reforçar é que o Idaf deve ser uma instituição de orientação, não de punição, como sempre foi visto. O produtor rural não pode ficar com medo do Idaf, deve ter ele como aliado. Já o Incaper, é um produtor de conhecimento em nível nacional. Temos pesquisas de destaque internacional, na área de café, por exemplo, mas há pesquisas em diversos segmentos, como a fruticultura e a pimenta-do-reino e temos que dar uma atenção à questão leiteira, já que estão sendo feitos grandes investimentos na pecuária no Estado.
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“O Idaf deve ser uma instituição de orientação, não de punição, como sempre foi visto” E programas como o Caminhos do Campo e a telefonia rural, serão ampliados? Sobre o Caminhos do Campo, é retomar a manutenção durante esse ano dos trechos em todo o Estado. Há três lotes abandonados pelas empresas, e o pedido do governador Renato Casagrande é retomar a manutenção em alguns trechos. Novas rodovias apenas a partir de 2020. Dependemos do orçamento do Estado para planejarmos novas obras. Sobre a telefonia rural, tivemos um problema com a Vivo, que é detentora de 80% do mercado capixaba. Após o leilão para a instalação de 50 torres, tivemos um problema de segurança jurídica no contrato e teve a intervenção do Ministério Público. Temos que resolver isso para que possamos retomar esse programa. Nossa meta é que todas as comunidades estejam conversando entre si com sinal de telefonia no final do atual mandato do governador Renato Casagrande.
E a agricultura é importante para o Espírito Santo... A agricultura capixaba é muito intensa, muito dinâmica e muito participativa na maioria dos municípios. Só em Vitória que não se trabalha com agricultura, mas nas demais cidades, mesmo na região metropolitana, há a presença forte da agricultura, e no interior, nem se fala. Em grandes cidades como Linhares, Aracruz, Guarapari e Cachoeiro de Itapemirim, por exemplo,
temos um pouco mais de indústrias e o comércio e a prestação de serviço são mais intensos. Fora isso, o Estado é agrícola. A nossa agricultura é equilibrada, de base familiar e temos que dar atenção e cuidar de tudo isso.
Nos últimos anos, a agroindústria teve um avanço, mas o setor ainda reclama da burocracia. O que o senhor acha sobre isso? Temos que avançar mais com relação às legislações do segmento, mas temos que tomar cuidados. Temos que flexibilizar, precisamos liberar para que as pessoas façam algumas coisas, também as instituições e municípios, mas sem esculhambar, pois a vigilância sanitária é fundamental. É preciso regras, mas dentro dos limites. Não podemos deixar que nada manche essa reputação da agroindústria, e por isso temos que ter serenidade nas decisões. Mas, a ideia é centralizar o máximo possível esse papel de fiscalização junto aos municípios.
Nos últimos anos, foram criadas várias feiras orgânicas no Estado e a produção tem aumentado. Há planos para essa área? A nossa turma que trabalha com agrologia e orgânicos já está orientada a tentar viabilizar pelo menos uma feira agroecológica a cada município com mais de 100 mil habitantes. Temos que cultivar essa ideia, que é uma tendência no mundo atual e há um público.
E a rastreabilidade da produção deve ser intensificada? Já temos um grupo de trabalho coordenando a ampliação desse trabalho. Estamos com um modelo de Santa Catarina e em conversas com a Associação Brasileira de Rastreabilidade de Alimentos (Abrarastro) para estudar modelos que dão certo. Quando falamos de agroecologia, principalmente, é importante termos o maior número de informações.
Em sua opinião, qual a importância do cooperativismo para a agricultura do Espírito Santo? Eu sou um defensor do cooperativismo. A minha vida pública iniciou de uma ideia de dentro de uma cooperativa. Eu sou médico e fui estimulado por uma cooperativa médica a entrar na vida pública. A lei de cooperativismo estadual foi uma ideia minha, quando eu era parlamentar. Em Brasília, sempre tivemos uma atuação junto à bancada do cooperativismo, e eu sempre defendi a união. O cooperativismo e o associativismo eu vejo como uma solução importante, pois temos visto, na agricultura familiar, um caminho sem volta para essa questão. A Cresol, que é uma cooperativa de crédito do agricultor familiar cresceu muito. O Sicoob também tem se ampliado. São exemplos de como o cooperativismo no Estado é um sucesso. A nossa participação junto à OCB será constante e de ajuda mútua.
A Secretaria tem recebido reclamações de produtores que estão com dificuldades em quitar empréstimos bancários devido às crises vividas nos últimos anos, como a hídrica, por exemplo? Ainda como deputado federal, participei de muitas reuniões dramáticas e intensas. A lei que perdoou dívidas não pegou o período crítico do Espírito Santo e tentamos lutar com relação a isso. As dívidas sobre o Funrural dos grandes produtores de milho, de soja, de carne, entre outros, foram atrelados aos nossos pequenos agricultores, e não conseguimos avanços. Muitas pessoas entraram na Justiça e conseguiram algumas vantagens. Mas, no geral,não tivemos vantagens. Eu já conversei com algumas instituições financeiras, e o Banco do Brasil, por exemplo, preparou uma renegociação aceitável. Não temos autoridade com relação a dívidas bancárias, mas podemos tentar articular. Temos que separar as dívidas do pequeno agricultor daquele que foi um mau gestor dos empréstimos. A nossa missão é levar essa discussão à Brasília, para o Banco Central, mas é um assunto complexo. N E G Ó C I O R U R A L | 23
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PRÊMIO |
Revista Negócio Rural é premiada em concurso nacional de jornalismo Uma reportagem da edição 15 da Revista Negócio Rural, escrita pelo jornalista Julio Huber, foi eleita a segunda melhor na categoria Impresso do 2º Prêmio Café Brasil de Jornalismo. A premiação ocorreu na sede da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), em Brasília (DF). Os campeões da competição foram revelados no dia 19 de março. O concurso é realizado pelo Conselho Nacional do Café (CNC) em parceria com a OCB, a Cooperativa dos Cafeicultores da Zona de Varginha (Minasul) e conta com o apoio da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT). Foram eleitas as três melhores reportagens nas categorias Impresso, Rádio, TV e Internet. As reportagens tiveram como foco a importância do cooperativismo para a sustentabilidade econômica do café. O objetivo do Prêmio é destacar “A Importância do Cooperativismo Cafeeiro na Economia Regional” através de reportagens que evidenciaram a relevância do suporte fornecido pelas cooperativas aos cafeicultores e, consequentemente, o impacto econômico-financeiro que esse apoio tem na economia dos municípios e regiões onde a atividade é desenvolvida. Julio Huber produziu a reportagem que fala sobre o Comércio Justo, também conhecido mundialmente como fairtrade, e que tem o objetivo de agregar valor ao café conilon colhido por famílias de cooperados da Cafesul, em Muqui e região. “Minha família produz café arábica
nas montanhas, e tenho uma ligação forte com a cafeicultura. É muito gratificante ser reconhecido nacionalmente em um prêmio que evidencia essa bebida, que é a segunda mais consumida no mundo. Como nossa revista circula em todo o Espírito Santo e em outros estados brasileiros, sempre estamos em busca de novidades para contar aos nossos leitores”, destacou Julio Huber. O campeão da categoria TV foi o jornalista Bruno Faustino, também repórter e editor da Revista Negócio Rural. Bruno ficou em primeiro lugar na categoria TV com a matéria “Arábica: café muito além do grão”. Faustino destacou o reconhecimento nacional do trabalho realizado pela equipe da Nova Comunicação, que é a editora da Revista Negócio Rural. “Não importa a plataforma, seja na TV ou no impresso, prêmios como estes comprovam o bom trabalho realizado por nós. Estamos preparados a novos desafios diários. Sempre estamos em busca de boas histórias e novidades, pois nosso compromisso é levar a boa informação ao nosso telespectador e ao nosso leitor”, disso Bruno. Para o presidente do CNC, Silas Brasileiro, o prêmio é uma excelente oportunidade para reconhecer o jor-
Bruno Faustino e Julio Huber são repórteres e editores da Revista Negócio Rural nalismo profissional e responsável do Brasil. “Foram recebidos excelentes conteúdos de aproximadamente 70 jornalistas e a definição dos vencedores se deu através das reportagens que mais se aproximaram do tema e cumpriram os requisitos de análise da banca. Mais do que celebrar o bom jornalismo, a competição comemora o destaque dado pelos jornalistas ao café e ao cooperativismo nacional”, comenta o presidente na CNC. Para o presidente da OCB, Márcio Lopes de Freitas, o trabalho dos profissionais da imprensa, sempre pautado na verdade, é fundamental para a construção de um país mais justo, equilibrado e com melhores oportunidades para todos. “Nós, do cooperativismo, temos a certeza que uma sociedade forte é aquela que valoriza a atuação dos jornalistas dedicados a contar as histórias de personagens inspiradores. E as cooperativas de café são cheias de pessoas que, todos os dias, fazem sua parte em prol de um Brasil melhor”, enaltece.
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Cara nova para o Sistema CNA, Faes, Senar e Sindicatos Rurais Uma nova marca, mas com o mesmo respeito e seriedade que o homem do campo já conhece. O Sistema CNA, Faes, Senar e Sindicatos Rurais ganhou uma nova logomarca. Mais moderna e simples, a nova marca segue o conceito “Modernizar sem sofisticar. Modernizar para simplificar”, como diria o jornalista Joelmir Beting. “Com muito trabalho e determinação é que fazemos o agronegócio crescer. Com a nossa assinatura, queremos sempre mostrar esse compromisso que temos, de trabalhar muito para desenvolver o campo”, explica o presidente da Faes, Julio da Silva Rocha Junior. No Espírito Santo, a logomarca do Sistema une a Faes, o Senar-
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-ES e os Sindicatos Rurais que fazem parte de um mesmo grupo que trabalha em prol do produtor, do trabalhador rural e de sua família. Os programas do Senar-ES também ganharam novo visual, para acompanhar a logomarca do Sistema. “Nossa nova comunicação indica que estamos sempre buscando o melhor para o produtor, trazendo novidades e inovações para todas as propriedades rurais capixabas”, defendeu a superintendente do Senar-ES, Letícia Toniato Simões. Para tornar o Senar-ES cada vez mais conhecido entre o público rural e a sociedade em geral, uma nova campanha de comunicação está sendo lançada pelo Senar-ES. Com um verde vibrante e imagens
que remetem aos principais produtos do agronegócio capixaba, a instituição mostra que está sempre em busca das melhores soluções para as famílias rurais. Uma das imagens utilizadas na nova campanha é de um homem manuseando um drone, tecnologia que está se disseminando entre produtores brasileiros e que já começa a chegar no Espírito Santo. O Senar-ES também vai mostrar casos de sucesso de produtores rurais que participaram dos seus treinamentos ou programas especiais, a fim de despertar o interesse em seu público-alvo para outras ações. O material será divulgado em rádios, jornais locais, TV, redes sociais, outdoor e outros veículos de publicidade.
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TEXTO: JULIO HUBER
FAVESU SERÁ EM JUNHO NO ESTADO Está chegando mais uma Feira de Avicultura e Suinocultura Capixaba (Favesu), que este ano chega à sua 5ª edição. A feira acontece nos dias 05 e 06 de junho de 2019, no Centro de Eventos Padre Cleto Caliman, em Venda Nova do Imigrante. Uma das atividades é a mostra de trabalhos científicos. O objetivo é estimular a aplicabilidade do conteúdo científico na prática, bem como aproximar o meio acadêmico de empresas dos setores e dos produtores rurais. Haverá também o 3º Concurso de Qualidade de Ovos Capixaba e o 5º Concurso de Qualidade de Ovos Coopeavi. As competições são estímulos para a constante melhora do processo de produção e também servem para mostrar ao consumidor a qualidade dos ovos capixabas. Durante a Feira acontecerá também o Qualificases (Programa Anual
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de Capacitação de Suinocultores) que será realizado no dia 05 de junho, na parte da manhã. O evento acontece em parceria com Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS). Além do Qualificases, terá o Qualificaves com palestras técnicas para o setor de Frango de Corte. A 5ª Favesu contará ainda com o Espaço Gourmet, objetivando a atualização e treinamento através de aulas show gastronômicas e palestras nutricionais que proporcionarão a um público ligado a restaurantes, supermercados, hotéis, pousadas, bares, e o próprio consumidor final, um melhor conhecimento da qualidade dos produtos da avicultura e suinocultura, bem como as formas práticas de preparação. A feira, que acontece a cada dois anos, é o principal ponto de encontro de produtores, gestores, empresários, técnicos, acadêmicos,
fornecedores e pessoas envolvidas diretamente com a produção de aves e suínos, além do público consumidor. Na edição passada, 80 empresas expositoras marcaram presença na Favesu, e mais de 1,1 mil pessoas participaram das palestras técnicas e workshops. Os números apontaram mais de R$ 40 milhões em negócios fechados durante o evento, que mostra o que existe de mais inovador nas cadeias de aves e suínos do país. A Favesu engloba, ainda, feira de negócios, palestras técnicas, Espaço Científico, Espaço Gourmet e Concurso de Qualaidade de Ovos. O evento é realizado pela Associação dos Avicultores do Estado do Espírito Santo (AVES) e pela Associação de Suinocultores do Espírito Santo (ASES), e já está consolidado como uma das feiras regionais mais importantes do país.
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Ingredientes: 1 Tomate grande 4 colheres de sopa cheias de ricota ou queijo cottage, salsinha, cebolinha, temperos a gosto Preparo: Lavar os tomates. Para abrir o tomate, cortar a tampa superior e retirar delicadamente as sementes. Em um recipiente, misturar o cottage com a ricota amassada. Temperar com a salsinha, cebolinha, sal e outras ervas. Misturar tudo e rechear cada tomate, de forma a ultrapassar um pouco a borda. Polvilhar um pouco de queijo ralado em cima dos tomates. Colocar no forno até dourar.
Tomate Recheado
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Obs: o recheio do tomate pode variar bastante. Assim como pode variar também o legume, por exemplo, barquinhas de abobrinha recheadas também é uma opção interessante. Fonte: www.rgnutri.com.br
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