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Negócio Rural Edição 7

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Edição 07 Espírito Santo jan/fev Valor: R$ 9,90

Resina

“Agora é o momento de diversificar e plantar pinus” Pedro Burnier Agricultor e engenheiro agrônomo

A nova aposta capixaba Saiba como plantar e produzir. Floresta pode ser financiada pelo Bandes

Pera: novidade da fruticultura do estado

Pesquisa para aumentar produção de pimenta-rosa

Possível importação de café assombra produtores


Editores de jornalismo: Bruno Faustino - JP - 1375/ES Julio Huber - JP - 2038/ES Reportagem: Bruno Faustino Julio Huber Fotografia: Bruno Faustino Julio Huber Seag-ES Incaper

Foto de capa: Julio Huber

Periodicidade: Bimestral

Tiragem: 4 mil exemplares

Revisão: Evandro Albani

Endereço e assinaturas: Avenida Presidente Vargas, nº 590, Sala 305 B Centro - Domingos Martins Espírito Santo Cep: 29.260-000 (27) 3268-3389

A Revista Negócio Rural é uma publicação da empresa Nova Comunicação. É proibida a reprodução total ou parcial de textos, fotos e ilustrações, por qualquer meio,

Colaboradores: Anderson Percílios Juliano Rangel Diagramação: HM Propaganda (27) 3361-4163 (27) 3114-0433

revistanegociorural@gmail.com

revistanegociorural Impressão: Grafisana

sem a prévia autorização dos editores.


editoral

índice

As boas surpresas da agricultura capixaba

04 Pesquisa

A cada visita ao campo nos surpreendemos com o poder de inovação dos produtores rurais capixabas. Eles não se contentam em produzir apenas o que estão acostumados e buscam sempre novas culturas. Algumas dessas novidades vocês encontrarão nesta edição da Revista Negócio Rural. Viajamos até São Mateus, no norte capixaba, mais precisamente na comunidade de Nativo, próximo ao balneário de Guriri, para mostrar a pimenta-rosa. A região é uma das maiores produtoras do Espírito Santo. A planta, que gera renda para a comunidade, acaba de passar por um estudo inédito do Incaper e, a partir de agora, é promessa de aumento na produtividade. De lá, seguimos para Alfredo Chaves, na região serrana, para conhecer a produção de peras do inventivo produtor Jandir Gratieri, em São Bento de Urânia. Conhecido pela inovação no inhame, agora, parte para uma nova aposta. E não é que está dando certo! Podemos dizer que Jandir tem o “toque de Midas” - aquele que tem a capacidade de fazer algo prosperar. Próximo dali, encontramos o novo “ouro verde” capixaba: o pinus. A árvore, que produz uma goma resina, vem se destacando nas propriedades rurais das montanhas capixabas e também no Caparaó Capixaba. O pinus é uma alternativa ao eucalipto e está deixando empresários e produtores rurais com grandes expectativas de produção e geração de renda. Isso é apenas um pouco do que você vai encontrar ao ler esta primeira edição de 2017 da Revista Negócio Rural. E a gente não para. Quanto mais novidade, melhor. É o que buscamos sempre para você, nosso leitor! Isso é apenas um pouco do que você vai encontrar ao ler esta primeira edição de 2017 da Revista Negócio Rural. E a gente não para. Quanto mais novidade, melhor. É o que buscamos sempre para você, nosso leitor!

Incaper desenvolve estudo inédito sobre o plantio da aroeira para aumentar a produção de pimenta-rosa

06 Silvicultura

A extração de resina de pinus ganha cada vez mais espaço nas montanhas e tem sido a aposta de muitos agricultores

12 Incaper

Com 60 anos de fundação, o Incaper comemora resultados para o campo e planeja novas ações

14 Cafeicultura A possibilidade da importação de café conilon tem gerado apreensão e protesto entre produtores

18 entrevista

Criador do grupo Agricultura Forte relata os desafios enfrentados por produtores rurais do Estado

20 fruticultura

A boa produtividade de peras tem surpreendido agricultores das montanhas e surge como nova opção de cultivo

25 Notícias Agrícolas

Cacau produzido no Espírito Santo vai concorrer em concurso na Europa que elege os melhores do mundo


p e s q u i sa |

texto: Bruno Faustino - São Mateus | Foto: Divulgação/Incaper

Pimenta-Rosa: estudo para melhorar produção Estudo inédito realizado pelo Incaper revela manejo mais produtivo para a aroeira Comunidade de Nativo, município de São Mateus, Norte capixaba. Nessa região está concentrada a maior plantação de pimenta-rosa do Espírito Santo. Conhecida também como aroeira (Schinus terebinthifolius), é uma espécie muito presente no litoral do Sul e Sudeste do Brasil e tem sido bastante requisitada como condimento em mercados internacionais. "A aroeira é uma planta precoce. Ela começa a produzir num curto espaço de tempo e isso traz retorno rápido ao produtor", explica Fabiana Ruas, pesquisadora do Instituto Capixaba de Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper). Em uma área de 1,5 hectare, o produtor rural Valdecir Lino plantou 2.500 pés de aroeira e já realizou a primeira colheita: seis toneladas de pimenta-rosa. "Tudo que a gente colheu foi vendido para uma indústria que exporta o fruto para fora do país, principalmente para Europa e Estados Unidos", conta o produtor. E a expectativa para a segunda colheita, este ano, é a ainda melhor: sete toneladas. "Estou satisfeito. Aqui em casa, o plantio da aroeira começou com minha mãe, por acaso. Não era um negócio e sim um hobby", revela Valdecir. A colheita da aroeira, normalmente, vai da segunda quinzena de maio até o final de junho, e dura cerca de 35 a 40 dias. Um catador colhe aproximadamente 50 quilos por dia, mas, em algumas regiões, tem uma 'safrinha' no final do ano, entre novembro e dezembro. PESQUISA - Ainda existem muitas dúvidas quanto ao manejo da planta, o que levou o Incaper a desenvolver uma pesquisa inédita sobre o plantio da aroeira. 4 | negócio rural

"Como não havia muita informação, partimos para estudar a aroeira", Fabiana Ruas, pesquisadora do Incaper “Existia uma demanda dos próprios produtores. No Estado, há muitas comunidades que coletam a pimenta-rosa e essa coleta é feita de maneira extrativista - as pessoas entram nas propriedades com autorização dos donos e vão coletando. Na época principal da safra, meio do ano, temos comunidades inteiras que param para coletar a pimenta-rosa. Como não havia muita informação, partimos para estudar a aroeira”, conta a pesquisadora Fabiana Ruas. Manejo, espaçamento, adubação, poda. Tudo foi estudado e testado em campo. Os primeiros resultados já saíram. “A gente conseguiu descobrir, por exemplo, que a planta responde bem à adubação, principalmente, a NPK, que é a mais usada. Ela também responde em consorciamento com outras culturas, sobretudo, nos primeiros anos de cultivo. A aroeira é uma planta que não responde bem a uma poda drástica. Nosso nível de mortalidade foi maior onde isso aconteceu”, afirma Fabiana. As pesquisas continuam até 2019 e são realizadas em parceria com o Projeto Biomas/Mata Atlântica, da Embrapa, produtores rurais e indústria de beneficiamento.

GENÉTICA - O Incaper ainda está selecionando os melhores genes para a criação de um banco genético das melhores e mais resistentes plantas existentes no Espírito Santo. “Estamos buscando os melhores materiais genéticos dessa cultura no Estado para a formação de clones. Tudo irá para o nosso Banco Ativo de Germoplasma. Iremos verificar se as plantas clonadas apresentam os mesmos resultados que as plantas mães. Em breve, materiais propagativos selecionados, com boa produtividade, poderão ser disponibilizados para os agricultores”, explica a pesquisadora. MERCADO - Agregar valor à aroeira também é um dos objetivos das pesquisas. “Além do fruto, é possível explorar as folhas da aroeira, que geralmente são descartadas após a colheita dos frutos. Para isso, é preciso fazer uma análise fitoquímica dos componentes da planta. Como a aroeira é uma espécie selvagem, de grande variabilidade genética, é preciso buscar padrões que atendam às diversas necessidades da indústria, como nas áreas de perfumaria, óleos essenciais, fitofármacos e rações”, diz Fabiana Ruas. RENTABILIDADE - Segundo dados do Incaper, em 2012, no Espírito Santo, o quilo da pimenta custava R$ 3,00 e, em 2015, o produtor capixaba recebeu de R$ 4,50 a R$ 8,50 por quilo de fruto fresco da aroeira. Dependendo das técnicas de manejo aplicadas e do material genético, uma planta de 3 a 5 anos pode produzir de 3 a 8 quilos e, acima de 7 anos de idade, cultivada sob boas práticas, a produção pode chegar a 20 quilos por planta.


Nome Aroeira ou arrueira é o nome popular de várias espécies de árvores da família Anacardiaceae. É conhecida também como pimenta-rosa, aroeira-mansa, aroeira-do-brejo e fruto-da-raposa.

As pesquisas com a pimenta-rosa continuam até 2019

Tamanho A planta pode medir até 10 metros de altura Condimento Marcada pelo sabor doce e aromático, é bastante conhecida pelo uso culinário. Fitoterapia Além do uso condimentar, a aroeira é utilizada na indústria farmacêutica. Desde 2010, o Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer fitoterápicos produzidos à base das cascas da aroeira nos postos de saúde. Tratamento de doenças A árvore, que tem origem no Brasil, possui flores pequenas e frutos vermelhos. A espécie se destaca por apresentar diversas funções e utilidades. Pode ser consumida por meio de chá em gargarejos para o tratamento de infecção na garganta e até de feridas no colo do útero. Doenças de pele O saber popular na área da saúde, bastante disseminado pelas Pastorais Sociais, já recomendava o uso da aroeira para problemas de pele causados por fungos. Ela é bastante conhecida pela ação cicatrizante e fungicida. Cerveja A pimenta-rosa também é usada para a fabricação de uma cerveja leve e aromatizada da marca Bohemia. Desenvolvimento Nos Estados Unidos, a aroeira é considerada uma árvore invasora, isto porque se desenvolve com facilidade em qualquer solo, desde os secos e pedregosos às dunas e banhados. Madeira No campo, a aroeira fornece madeira para mourões, lenha e carvão. Na cidade, é utilizada na arborização de ruas e praças, devido à beleza das flores que variam do tom rosa ao vermelho. Aves Os frutos são consumidos por diversas espécies de aves, principalmente os sanhaços. negócio rural | 5


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texto e fotos: Julio Huber - venda nova do imigrante e domingos martins

Pinus: o novo ouro verde das propriedades rurais A extração de goma resina de plantios de pinus é a nova aposta do agronegócio no Espírito Santo

O produtor Pedro Burnier está empolgado com a produção de resinas

Diversificar a produção, aumentar a renda e ainda recuperar áreas degradas, com uma carga de trabalho bastante reduzida. Parece que essa atividade não existe, mas existe sim, e está em ampla ascensão, principalmente na região de montanhas e no Caparaó do Espírito Santo. Trata-se do cultivo de pinus. As árvores já são conhecidas por quem mora ou frequenta a região, mas até então servia apenas para a produção de madeira. Em vários municípios é comum ver propriedades com plantios das enormes árvores, com um cheiro bem característico. 6 | negócio rural

Os primeiros plantios feitos em terras capixabas tinham o objetivo de produção de madeira, mas nos últimos anos essas florestas passaram a ganhar uma nova finalidade: produção de goma resina. O uso desse produto é bastante diverso, como para fabricação de cosméticos, produtos farmacêuticos e gomas de mascar. A produção de resina pode durar mais de 10 anos, com coletas mensais, se for feito um cronograma de extração da resina, o que garante uma renda mensal ao proprietário rural.

Ao tomar conhecimento de grandes áreas plantadas de pinus no Estado, a empresa portuguesa Resinas Brasil, que já atua em outras regiões do país com o processamento de resina, resolveu montar um escritório em Conceição do Castelo, nas montanhas do Espírito Santo, há cerca de cinco anos. Atualmente a empresa possui aproximadamente 35.000 hectares de florestas próprias de pinus e outros 55.000 hectares de florestas arrendadas e de parceiros de negócios em todo o Brasil. As primeiras florestas que começaram a ser exploradas ficam em Conceição do Castelo e Venda Nova do Imigrante, nas propriedades do empresário Camilo Cola, precursor da produção de resinas no Estado. Entretanto, a intenção de diversas entidades, incluindo o governo estadual, é ampliar a área plantada de pinus no Estado para oito mil novos hectares nos próximos anos. Atualmente há pouco mais de dois mil hectares de pinus plantados, viabilizando assim, a instalação de uma planta industrial de processamento da resina no Estado. PIONEIROS - Na região de São José de Alto Viçosa, em Venda Nova do Imigrante, fica a floresta de pinus comandada pelo engenheiro agrônomo aposentado, Pedro Burnier, 85 anos. Ele foi um dos responsáveis pelo fomento de eucalipto no Estado, e agora está apostando no cultivo de outra árvore: o pinus. Burnier contou que iniciou a comercialização para a empresa Resinas Brasil há cerca de três anos, após o início da extração de resinas das florestas do empresário Camilo Cola, também em Venda Nova do Imigrante. Burnier informou que seu plantio tem 16 anos, mas há apenas


três anos foi iniciada a extração de resina. Na época em que foi plantada a floresta, a intenção era a produção de madeira. Então, a variedade das árvores não era a mais indicada para a extração e produção de resina. Atualmente, a variedade mais indicada para a resinagem é o Pinus elliottii var. elliottii, que tem potencial produtivo de 6 kg de goma resina por árvore por ano, contra a atual média, que é de 3 kg/árvore/ano. “Se minha floresta fosse da nova variedade que está sendo plantada atualmente, minha produção poderia dobrar. Se hoje a rentabilidade é boa, imagina se fosse com a variedade mais adequada? Além disso, a extração teria iniciado no oitavo ano”, comenta. No plantio do engenheiro agrônomo, em média são coletadas 18 toneladas de resina todos os meses, com a produção em 100 mil sacolas instaladas em cerca de 60 mil árvores. Cada quilo é vendido por aproximadamente R$ 2,49. “Pela experiência que estamos tendo aqui nesses últimos três anos, posso garantir que essa é uma ótima alternativa de renda para o os produtores rurais e para o governo do Estado, já que pagamos cerca de 12% de ICMS de nossa produção”, disse.

o território do Estado, o que representa uma fonte importantíssima de renda a muitos municípios capixabas. Acho que agora é o momento de diversificar e plantar mais pinus”, comentou Burnier. Segundo ele, na região de montanhas a maioria das propriedades possuem terrenos muito íngremes, ideal para a silvicultura. “Para o pequeno produtor, ter quatro ou cinco hectares é uma poupança verde. Ele pode ir enchendo o tambor de resina e deixar por até seis meses estocado, até a comercialização”, informou. Meta é instalar uma usina de processamento da resina no Estado Atualmente, toda a resina coletada em florestas do Espírito Santo é levada para a usina da empresa Resinas Brasil, em São Paulo. Entretanto, a meta é instalar no Estado uma indústria para beneficiar o produto. Para isso, será preciso aumentar de dois para oito mil hectares de pinus plantados no Espírito Santo. O responsável por acompanhar os plantios de pinus no Estado pelo

Instituto Capixaba de Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) é o engenheiro florestal e pesquisador Tiago de Oliveira Godinho. Ele destacou que os maiores mercados mundiais consumidores de resina são países da Europa e da Ásia. “A proximidade do porto de Vitória com a região produtora no Estado reduziria o custo da empresa e iria gerar receita para o Estado. Estamos acompanhando a implantação de florestas de pinus porque sabemos que essa é uma ótima alternativa de renda para os produtores e para o Estado”, destacou Tiago. O encarregado pelo fomento de pinus no Estado pela empresa Resinas Brasil, Dario Antonio Fioresi Moreira, contou que atualmente o material recolhido percorre mais de 1.300 quilômetros em rodovias até chegar à usina instalada em São Paulo. “Se tivéssemos aqui no Espírito Santo essa indústria, seria bom para todos. Mas para isso, precisamos atingir a nossa meta de oito mil hectares plantados. Atualmente o que mais nos onera é o transporte. Estamos trabalhando para incentivar novos plantios”, afirmou.

Plantios de eucalipto podem dar lugar ao pinus O Espírito Santo é um dos maiores produtores de eucalipto do Brasil. Além de ser muito utilizado para a fabricação de móveis e produtos para construções, o eucalipto é principalmente consumido para fabricar papel. O corte das árvores pode ocorrer a partir do sexto ano de plantio. Já o pinus também pode ser usado como madeira e celulose, mas produz a resina, o que garante um ganho mensal ao proprietário a partir do oitavo ano. Após 10 anos extraindo resina, a floresta pode ser cortada e a madeira comercializada. O engenheiro agrônomo Pedro Burnier, um dos precursores do fomento florestal de eucalipto, rendeu-se ao pinus. “Hoje o eucalipto já possui uma área importante plantada em todo

Dario Moreira, da empresa Resinas Brasil, mostra a umidade e matérias orgânicas do solo na floresta

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Coleta mensal e renda garantida para proprietários e parceiros

José Nilton e apenas mais uma pessoa cuidam de 24 mil pés de pinus

Engana-se quem pensa que cuidar de uma floresta de pinus e realizar a coleta mensal de resina é muito trabalhoso. Duas pessoas dão conta de pelo menos 24 mil árvores, o que rende um “salário” mensal de mais de R$ 1.600,00 para cada trabalhador. Eles recebem um percentual do valor de venda do produto coletado. Um exemplo é José Nilton Ferreira da Silva, 39 anos, que junto com mais uma pessoa coleta a resina e cuida de uma floresta do engenheiro agrônomo Pedro Burnier, em Venda Nova do Imigrante. “Trabalho há três anos aqui e estou muito satisfeito. Trabalhamos na sombra, mesmo em dias quentes, e temos uma boa renda garantida todos os meses”, contou. “São 30 mil sacolas que eu e mais um parceiro tomamos conta. Aqui nós mesmos fazemos nosso horário. Dificilmente teria uma renda igual a que ganho aqui se fosse trabalhar em outro tipo de plantio”, afirma José Nilton. 8 | negócio rural

Solução para recuperar áreas degradadas Conforme dados de 2012 do Centro de Desenvolvimento do Agronegócio (Cedagro), 16,65% das áreas agrícolas no Estado estão degradadas. Esse percentual corresponde a 393.351,55 hectares. De acordo com o engenheiro florestal e pesquisador do Incaper Tiago de Oliveira Godinho, pelas características da espécie recomendada de pinus, ela desponta como uma ótima opção para a recuperação dessas áreas degradadas, preferencialmente em consórcios com outras culturas. As árvores ajudam a manter o solo úmido, como explica o engenheiro agrônomo e produtor Pedro Burnier. “Respeitando os limites dos cursos de córregos e rios, podemos plantar o pinus em todas as áreas da propriedade. Essa é uma planta que ajuda a evitar erosão, um dos principais fatores de degradação das terras. Devido ao farto material orgânico, o solo também fica úmido por muito tempo”, afirmou.

DIVERSIFICAÇÃO – Um fator que favorece a implantação de pinus em áreas degradadas é a possibilidade de consorciar outras culturas. “O pinus proporciona condições para o produtor ter ganhos logo nos primeiros meses, com plantios de milho e feijão. A partir do segundo ano é possível criar carneiros ou bovinos e, com o fechamento das copas, pode-se introduzir a palmeira juçara, que é nativa da Mata Atlântica. Outra opção é o plantio em carreadores e/ou quebra-vento nos cafezais”, orienta o engenheiro florestal Tiago Godinho. Mudas certificadas garantem produtividade O êxito na formação de florestas de alta produtividade depende, em grande parte, do padrão de qualidade das mudas plantadas. No Espírito Santo, há apenas dois viveiros habilitados pela Secretaria de Estado de Agricultura (Seag) e pela empresa Resinas Brasil para o fornecimento de mudas de Pinus elliotti var. ellliottii, a mais indicada para o plantio no Estado. Todo o processo


de produção das mudas foi acompanhado por técnicos do Incaper e da empresa compradora de resina. Um dos habilitados é o Viveiro Eco Mudas, com sede em Santa Maria de Jetibá. O proprietário, Anderson Percilios, informou que participa do programa de incentivo ao plantio de pinus desde o início, por meio de cursos ofertados pelo Incaper e também de reuniões, a fim de produzir mudas de alta qualidade. Ele informou que as mudas devem estar bem desenvolvidas e com os caules firmes. “As mudas estão sendo ofertadas a um preço justo e acessível, uma vez que recebemos as sementes da empresa Resinas Brasil. O valor das mudas é menor do que o preço praticado no mercado. Em torno de R$ 400,00 o milheiro”, destacou. Percilios afirmou que está com boas expectativas em relação ao plantio do pinus. “Para nós que somos viveiristas é uma nova variedade que está sendo comercializada. Já produzimos mudas de café, mogno, eucalipto e agora é mais uma alternativa de renda. O produtor rural tem a garantia de comercialização da resina, e isto não existe em nenhuma outra atividade”, enfatiza o viveirista. O gerente geral de negócios florestais do Grupo Resinas Brasil, Denilson Ferreira, explica que um processo de melhoramento genético desenvolvido há vários anos pela empresa resultou na variedade mais produtiva. “Nós avaliamos e marcamos as melhores árvores no campo para cruzá-las e desenvolver novas plantas de melhor qualidade, a fim de produzi-las em escala comercial. Esse processo nos levou a muitos resultados, entre eles o aumento de volume na madeira das árvores e o aumento da produção de goma resina. Hoje há árvores que produzem por ano cerca de três a quatro quilos de goma resina, com potencial para seis quilos, número acima do que produz uma árvore que não é geneticamente melhorada”, contou Ferreira. Em cada hectare são plantadas mil árvores, com a expectativa de resinar aproximadamente 900. O custo para o plantio de um hectare de pinus gira em torno de R$ 3,5 mil.

Floresta de pinus em produção em Venda Nova do Imigrante

Dois viveiros de mudas estão credenciados no Espírito Santo

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Região apta ao plantio de pinus

O que é a resina? O óleo resina é uma substância transparente e pegajosa. Não é seiva, é um óleo porque não se dissolve em água, mas é solúvel em álcool, em óleos essenciais e em óleos gordos. Após o processamento na indústria são esperadas as seguintes proporções médias dos derivados decorrentes da transformação da resina: 70% de breu (parte sólida); 17% da espécie elliotti e de 4 a 9% nas espécies tropicais de terebintina (parte líquida) e 13% de resíduos (água e impurezas orgânicas). Para que serve a goma resina? Breu - É transformado em cola para a fabricação de papel; vernizes e tintas; adesivos; borrachas sintéticas; cosméticos e outros. Terebintina - Serve para a fabricação de cânfora; pomadas farmacêuticas; desodorantes; desinfetantes; inseticidas; germicidas; tintas e vernizes; corantes e vedantes, etc. OBS: também é feita a goma de mascar com o processamento da resina. 10 | n e g ó c i o r u r a l

Etapas da extração da resina > Inicia-se com a limpeza do tronco, geralmente atividade chamada de raspa de casca ou desencarrasque. > A próxima etapa é a confecção do risco (estria) para a instalação do saquinho. Em outras regiões chamado de bigode. > O saquinho é o recipiente onde a resina se acumula até a coleta. > Utilizando a ferramenta adequada (estriador), abre-se um corte que seja suficiente para atingir o lenho sem feri-lo, tendo como comprimento mínimo 15 cm e máximo 20 cm; e largura 1 a 2 cm. > Após ser feita a estria, é aplicada uma pasta estimulante de forma uniforme diretamente na parte superior da estria, entre a casca e o lenho para que os canais resiníferos não se fechem, permitindo que a resina escorra por um período mais longo, até que se faça nova estria. A pasta é composta por farelo de arroz e uma pequena concentração de ácido sulfúrico. > É comum realizar estrias a cada 15 dias para os Pinus elliottii e 12 dias para os pinus tropicais.

> Uma vez ao ano a sacola onde fica depositada a resina precisa ser fixada alguns centímetros mais para cima da árvore, para aproximá-la da última estria. Como é realizada a coleta? A coleta deve ser realizada manualmente, removendo a goma do saquinho e colocando nos baldes coletores, retirando, sempre que possível, o excesso de água e impurezas. A goma dos baldes coletores deverá ser transferida para tambores com capacidade para 200 Kg, revestidos internamente com sacos plásticos (sacões), que depois são devidamente fechados para o transporte. Durante as operações de resinagem, parte da resina escorre até o saquinho e parte fica grudada no painel (tronco da árvore), havendo a necessidade desta ser coletada com o auxílio da ferramenta denominada “raspador de goma”. Para a espécie de Pinus elliottii, a atividade é realizada uma vez ao ano. Em cada plantio, é possível programar a coleta mensal, considerando que em cada árvore é colhida a resina uma vez a cada três meses.


Governo do Estado cria programa para incentivar cultivo A importância dessa nova cultura florestal para o Espírito Santo fez com que o governo do Estado criasse um programa para incentivar o plantio. Lançado no ano passado, o Programa de Expansão do Plantio de Pinus para produção de goma resina e madeira no Espírito Santo, Pró-Resina, tem a finalidade de fomentar o cultivo de pinus, promover o reflorestamento e criar uma atividade de renda alternativa aos produtores rurais. Por meio da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), o governo estadual quer contribuir com a meta de oito mil novos hectares de pinus nas regiões Serrana e Caparaó capixabas, onde foi reconhecida a maior parte dos municípios considerados aptos à espécie. O governador Paulo Hartung defendeu a diversificação e inovação na produção agrícola do Estado. “Esse programa é importante para impulsionar o desenvolvimento da região com uma ferramenta de economia verde, moderna e criativa”, enfatizou o governador. Para o secretário de Estado da Agricultura, Octaciano Neto, o Pró-Resina tem grande chance de mudar para melhor a vida de agricultores familiares, uma vez que o plantio pode ser integrado a outras culturas. “Tempos atrás a política pública incentivava o desmatamento para a criação de fazendas no Estado, para fomentar a agricultura. Hoje nós incentivamos o reflorestamento em conjunto com as produções já existentes, e um sistema mais eficiente, que ajuda o produtor a garantir um futuro melhor para ele, para a produção dele e até mesmo para o planeta”, completou.

FOMENTO - Para os interessados aptos ao Pró-Resina, será firmado com o Grupo Resinas Brasil-GRB contrato de parceria de compra e venda de toda goma resina ao preço corrente do mercado, tendo como base a cotação mensal da Associação do Resinadores do Brasil (ARESB). Assim os fomentados terão maior segurança ao aderir a essa nova atividade florestal no estado do Espirito Santo. Financiamento com carência de oito anos para cultivar pinus Para fomentar o plantio de Pinus no Estado, o Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) dispõe de uma linha de crédito especial para produtores que desejarem aderir ao programa. O valor financiado pode chegar a R$ 5 milhões, com prazo de pagamento em até 12 anos, e com carência de até oito anos. A taxa de juros é de 2,5% até 8% ao ano. “O Pró-Resina é uma excelente alternativa econômica para os produtores rurais capixabas, principalmente das regiões Centro-Serrana e Caparaó, que se dedicam ao cultivo de cafezais e à pecuária em áreas de solo com declive acentuado e exposto à erosão. O Pró-Resina tem o principal objetivo de promover a difusão de tecnologia de plantio e a exploração do pinus em bases sustentáveis, de acordo com o planejamento estratégico do governo, que poderão ser financiados pelo Bandes”, destacou o diretor de crédito e fomento do Banco, Everaldo Colodetti.

De acordo com Colodetti, a contribuição do banco neste programa, que vai além do aporte financeiro, é apoiar as atividades produtivas de forma articulada, especialmente por meio de programas de fomento como o de pinus. “O programa também possibilita a formação de um corredor de vegetação, contribuindo para o aumento da biodiversidade, a conservação do solo e da água, criação de abrigo e alimentação da fauna”, informou o representante do Bandes. O que pode ser financiado? > Projetos técnicos e georreferenciamento das propriedades rurais, inclusive despesas relacionadas ao processo de regularização ambiental; > Realocação de estradas internas das propriedades rurais para adequação ambiental; > Aquisição de insumos e pagamento de serviços destinados à implantação e à manutenção dos projetos financiados, sementes e mudas para a formação de pastagens e de florestas; > Marcação e construção de terraços e implantação de práticas conservacionistas do solo; > Implantação de viveiros de mudas florestais; > Investimento em florestamento, reflorestamento e destoca. Linhas de crédito > Beneficiários: produtores rurais de todo o Espírito Santo > Valor financiado: até R$ 5 milhões > Taxas de Juros: a partir de 2,5% até 8% ao ano > Prazo: até 12 anos, com até 8 anos de carência

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incaper |

texto: Bruno Faustino – Marilândia, com informações do Incaper | foto:incaper

Incaper: 60 anos de história com o homem o campo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural contribuiu para o desenvolvimento da agricultura capixaba Durante a solenidade., foi apresentado o Plano Estratégico de Desenvolvimento da Agricultura Capixaba (Pedeag),

Dia 16 de novembro de 1956: uma data muito importante para a agricultura do Espírito Santo. Surgia a Associação de Crédito e Assistência Rural do Espírito Santo (Acares), instituição civil sem fins lucrativos, que anos depois se transformaria no Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), responsável por revolucionar a vida do homem do campo capixaba. “A Acares foi o início da história que chegou aos 60 anos. Na década de 70, a Acares foi transformada em Empresa Capixaba de Pesquisa Agropecuária (Emcapa), depois em Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater). Em 1999, virou a Empresa Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Emcaper) e, no ano seguinte, criou-se o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper)”, relembra Adilon Vargas, 12 | n e g ó c i o r u r a l

servidor aposentado, que acompanhou o surgimento do instituto. O Incaper atendeu, somente no ano de 2015, 68.321 agricultores, entre eles, Maximiliano Ângelo Suela, produtor de café de Marilândia, no Noroeste do Espírito Santo. “Sem o Incaper, a cafeicultura estaria bem atrasada”, exalta o agricultor. Aos 63 anos, viveu desde criança entre os cafezais plantados pela família na região. “Eu nasci aqui nesta propriedade comprada pelo meu pai, assim que chegou da Itália. Nós sempre plantávamos grãos, mudas de sementes, mas a produtividade sempre foi baixa por causa da falta de tecnologia”, conta. A produção de café na propriedade só aumentou quando foram implantadas as técnicas desenvolvidas pelo instituto. Desde então, o cafezal se transformou num grande laboratório a céu aberto. “Chegamos

a um ponto em que precisávamos mudar, foi quando chegou o Incaper. Eles fazem a pesquisa e a gente coloca em prática. Eles escolhem o que tem de melhor e nós, agricultores, plantamos e colhemos para trazer os resultados esperados”, diz Maximiliano. O Incaper é responsável pelos serviços de pesquisa aplicada, assistência técnica e extensão rural no âmbito do Estado. “O instituto é uma instituição com um capital humano muito qualificado em todas as áreas de atuação. Todos os profissionais do Incaper trabalham a fim de gerar inovação e desenvolvimento rural das famílias no campo, sob o prisma de uma gestão que atua, a fim de garantir a efetividade das ações que geram resultado para a sociedade”, ressaltou o diretor-presidente do Incaper, Marcelo Suzart de Almeida.


COMEMORAÇÕES – Uma solenidade reuniu, no Centro de Convenções de Vitória, empresários, servidores e autoridades, entre eles, o governador Paulo Hartung, para comemorar os 60 anos de fundação do instituto e o lançamento do Plano Estratégico de Desenvolvimento da Agricultura Capixaba (Pedeag), desenvolvido pela Seag. “O Pedeag é um instrumento de análise do cenário atual e futuro, que tem o objetivo de estabelecer estratégias e iniciativas que possam ser planejadas, geridas e implantadas, com foco na geração de melhores resultados para o agronegócio capixaba”, explicou o secretário de Estado de Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Octaciano Neto. DESAFIOS – Para o diretor técnico do Incaper, Mauro Rossoni Júnior, muitos desafios ainda estão por vir. O principal deles é o desenvolvimento de ações de gestão que possam manter a eficácia de um instituto que agrega pesquisa e extensão rural.

“Nosso dinamismo precisa ser gigante. Vejo um futuro promissor para o Incaper. Temos tudo para fazer com que o Incaper, nos próximos anos, confirme sua competência com novos resultados de pesquisas e amplie sua abrangência no atendimento ao agricultor familiar. Faremos isso por meio das reformas nas estruturas físicas dos centros de pesquisa, dando suporte aos trabalhos técnicos e firmando parcerias com outras instituições”, disse Rossoni. CAFÉ CONILON – Durante o evento foi lançada a segunda edição do livro “Café Conilon”. A publicação, de 784 páginas, é resultado do trabalho conjunto de 74 autores de 70 instituições ligadas à cafeicultura. No livro, os leitores têm acesso à trajetória de implantação da atividade no Estado, bem como às principais tecnologias recomendadas à cultura. “No livro são apresentadas mais de 50 tecnologias com mais de quatro mil conhecimentos científicos e consulta de mais de 1.200 literaturas. A maioria das tecnologias nele presen-

tes foram desenvolvidas pelas pesquisas realizadas no Espírito Santo e no Brasil”, conta o pesquisador do Incaper e coordenador estadual de Cafeicultura, Romário Gava Ferrão. “O Incaper prestou um dos melhores serviços que uma empresa pública pode prestar no Brasil ao longo desses 60 anos. Com uma enorme contribuição à assistência técnica e extensão rural e também ao desenvolvimento de pesquisas e novas tecnologias, que conseguiram melhorar a vida de milhares de produtores do Espírito Santo”, enfatizou o secretário de Agricultura, Octaciano Neto. Segundo ele, o sucesso do Estado na agricultura, sobretudo nos últimos 15 anos, deve-se em grande parte a esse Instituto. “O futuro é cheio de desafios como o de avançar produzindo ciência em conjunto com outras empresas públicas e privadas, além de estar sempre ligado à questão da sustentabilidade. A agenda ambiental é algo que deve estar presente em todas as propriedades rurais, para que não tenhamos que passar por uma crise hídrica como esta”, finalizou.

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texto: Juliano Rangel Foto: julio huber

Importação de café conilon gera debates e está longe do fim As indústrias alegam que falta café no mercado brasileiro, mas representantes do segmento afirmam que há produto suficiente

Cafeicultores capixabas paralisaram a BR-101 por mais de seis horas em protesto contra a importação de conilon

Segunda bebida mais consumida no país, o café vem sendo o centro de uma série de encontros entre indústrias, produtores, governos estaduais e governo federal. O motivo é a possibilidade de se liberar a importação do café conilon, um dos principais produtos da agricultura do país, e que tem como maior produtor o Espírito Santo. A discussão, que se arrasta desde o mês de novembro de 2016, parece não ter uma decisão firmada. De um lado, as indústrias e a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), que pressionam o Governo Federal para liberar a importação de café de países como o Vietnã. Do outro lado, estão representantes dos governos da Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais e Rondônia maiores produtores do grão no país, junto com lideranças agrícolas, do comércio cafeicultor, e dos trabalhadores rurais de cada um destes estados. Segundo o levantamento feito pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), no último mês de janeiro, o estoque do robusta (conilon) nos quatro estados era de 14 | n e g ó c i o r u r a l

2,2 milhões de sacas. Um dos rebatedores destes números, que esteve presente nas reuniões, foi o diretor-presidente do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Marcelo Suzart. Ele considera os dados diferentes da realidade e aponta os riscos que essa medida pode trazer. “Apesar de todo o esforço da Conab em fazer o levantamento, ele está aquém do estoque existente. Além disso, destaco a preocupação com o risco sanitário de contaminação com fungos e bactérias em caso de importação, o que coloca em risco a segurança alimentar. Se autorizada a importação, o prejuízo aos nossos produtores pode chegar a R$ 1,5 bilhão”, ressalta Suzart. Além do Incaper, o Estado vem sendo representado nos encontros pela Secretaria de Estado da Agricultura (Seag), Sistema OCB-ES, Centro do Comércio do Café de Vitória (CCCV), Federação da Agricultura do Espírito Santo (Faes), Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Espírito Santo (Fe-

taes), Centro de Desenvolvimento Tecnológico do Café (Cetcaf), além do senador Ricardo Ferraço e do deputado federal Evair de Melo. GARANTIAS - Em todas as reuniões, o governo do Estado mantém uma posição contrária à abertura do mercado brasileiro para importação do Conilon e garante que tem estoque suficiente. Quem garante isso é o diretor-presidente do Incaper, Marcelo Suzart, que fala sobre o planejamento do Estado para os próximos meses. “O Espírito Santo tem café para oferecer. Nos próximos meses, o produtor começa a colher a nova safra e precisa liberar o estoque. Contando as sacas vendidas em janeiro, temos, junto com os demais estados produtores, aproximadamente 4 milhões de sacas”, ressaltou o Suzart. Sobre a posição das indústrias que alegam ter dificuldades para comprar as sacas do grão, Marcelo relata que a situação não é bem dessa forma. “Representantes da indústria presente disseram que eles não estão comprando e que


tem estoque até maio, junho. E nós temos estoque nas cooperativas agrícolas. O mercado está ofertando e a indústria não está comprando”, destacou Suzart MANIFESTAÇÕES - O impasse sobre a decisão do governo federal de autorizar ou não a importação do café conilon para o país gerou várias manifestações de movimentos de cafeicultores que exigem uma resposta definitiva sobre o assunto. Os protestos ocorreram no mês de fevereiro na Bahia, em Rondônia e no Espírito Santo. Os movimentos convocaram os cafeicultores destes Estados, que bloquearam algumas rodovias e promoveram atos contra a abertura do mercado para a importação. No Espírito Santo, as manifestações aconteceram nos municípios de Rio Bananal, em frente à sede da prefeitura, e nas principais vias de Cachoeiro de Itapemirim, Aracruz e Jaguaré. A BR-101 foi um dos pontos principais dos cafeicultores para promover os protestos por cerca de seis horas. Os trechos entre os quilômetros 94 e 173, em Jaguaré, o quilômetro 174, no distrito de Jacupemba, em Aracruz, e o quilômetro 16, em Pedro Canário, foram bloqueados pelos manifestantes com tratores e outros veículos rurais. REVIRAVOLTA - O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) chegou até a publicar no Diário Oficial, no dia 20 de fevereiro, as regras para importação do café conilon para o Brasil. Mas, dois dias depois, o Presidente Michel Temer comunicou a suspensão provisória do processo. Antes do adiamento, a importação de café conilon de países como o Vietnã havia sido encaminhada pelo ministro da Agricultura, Blairo Maggi, e recebido parecer favorável do Comitê Executivo de Gestão (Gecex). A decisão aprovava a redução do imposto de importação de conilon de 10% para 2% para uma cota de até um milhão de sacas de 60 kg entre fevereiro e maio de 2017, mas foi suspensa após a determinação do presidente.

NOVAS MOVIMENTAÇÕES - No mês de março, o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) entrou nas discussões e convidou o presidente executivo do Conselho Nacional do Café (CNC), o deputado Silas Brasileiro, para uma audiência que debatia a temática da importação de café robusta para o Brasil. Após o evento, o Ministro da Indústria, Marcos Pereira, pediu ao representante da CNC mais informações sobre o atual cenário cafeeiro do país, para verificar as demandas e analisar a possibilidade de abertura do mercado brasileiro para a importação de café. “Estivemos com o ministro Pereira e informamos a ele que o estoque de café arábica no Brasil encontra-se em níveis baixos, porém em volume suficiente para atender às demandas do mercado interno e das exportações ao serem somados com a safra a ser colhida em 2017”, revela Brasileiro. O parlamentar considera como interessante reunir a base da produção, traçar o posicionamento do setor e obter um consenso sobre a matéria. “De maneira alguma aceitaremos prejuízos aos produtores, portanto a importação de café para o consumo no Brasil jamais será aceita e permitida por nós”, garantiu. MOBILIZAÇÃO CONTINUARÁ O deputado federal capixaba Evair de Melo, que também é secretário-geral da Frente Parlamentar Mista do Café e membro da Frente Parlamentar da Agropecuária, não concorda com a forma que o assunto vem sendo tratado, principalmente com os últimos acontecimentos. “Recebi no dia 15 março um edital da Conab, referente à aquisição de café conilon. Deixo claro e explícito que, apesar de inúmeras tentativas, não fomos contemplados nos pleitos sugeridos e que o resultado desse texto não é consensual. Tudo está registrado em documentos institucionais dos últimos dias. É um absurdo a forma com que foi construído. O mesmo não foi conduzido pela Conab, e que mais uma vez é usada de forma irresponsável, isso relatado por um dos seus diretores”, relata Evair.

Ele ainda diz que não concorda com a formação desse edital, que põe como objeto a compra pela indústria de 95 mil sacas de 60 quilos do robusta, dos estados produtores, e afirma que movimentações irão continuar. “Esse edital foi produzido de mão única por uma das partes. Não pactuo com mais essa tentativa irresponsável de mascarar os números e se tentar com falsas premissas justificar a necessidade de importar café. Não considerar a diversidade brasileira territorial e cultural mostra mais uma vez a face perversa das políticas do agronegócio brasileiro”, ressalta Evair. HORA DO LEILÃO - Além da publicação do edital sobre a aquisição de café conilon dos Estados, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), disponibilizou o Sistema Eletrônico de Comercialização (SEC) que será utilizado pela Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) e a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (ABICS) na modalidade Compra de Terceiros. Essa é uma tentativa do Ministério da Agricultura para adquirir 213,5 mil sacas de 60 quilos do café necessário para a produção de blend - a mistura de diversos grãos, que podem ser de diversas espécies ou regiões diferentes. A ideia é agilizar a operação, tanto que a Conab disponibilizará seus armazéns no Espírito Santo para depósito e fará o serviço de classificação do café que for vendido às indústrias. Os preços de abertura dos leilões serão estipulados pela indústria e divulgados na abertura de cada lote. Essa compra para terceiros será realizada por meio de leilões promovidos pela Conab, sem custo para as instituições participantes, e não terão relação com as políticas públicas executadas pela empresa. Os parâmetros de preços e regras serão definidos pelo solicitante do leilão e a Conab prestará apenas consultoria sobre o funcionamento do SEC, auxiliando a organização interessada a atingir seus objetivos. Atualmente, 14 Bolsas de Cereais e Mercadorias estão conectadas a esse sistema. n e g ó c i o r u r a l | 15


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texto: Juliano Rangel

Brasil apresenta queda nas exportações de café em 2016 Comparado a 2015, houve queda de 8,1% nas exportações do café brasileiro O número de exportações de café brasileiro para o exterior teve queda no ano de 2016. Cálculos apresentados pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) apontam que, ao longo do ano passado, foram exportadas um total de 34.005.893 de sacas, um decréscimo de 8,1% em comparação com o ano de 2015, que obteve um índice de 37.018.983 de sacas. Ainda segundo a pesquisa, a receita cambial fechada do ano passado foi de US$ 5,4 bilhões e o preço médio por saca de US$ 158,68, resultando em quedas de 12,3% e de 4,5% em comparação com 2015, respectivamente (ano que havia apresentado US$ 6,1 bilhões de receita cambial e US$ 166,24 de preço médio por saca). Por outro lado, a participação do café nas exportações do agronegócio brasileiro realizadas pelo país gerou um percentual de 6,4% no segmento. Já no nível geral de exportações, a representatividade do café foi de 2,9%, mantendo o bom desempenho do comércio exportador de café do país. O Brasil é o país que mais repassa o valor FOB aos produtores do setor cafeicultor, estimado em mais de 80% segundo o Índice de Participação na Exportação do Produtor (IPEP), auditado pelo Cecafé.

O presidente Cecafé, Nelson Carvalhaes, considera que o segundo trimestre de 2016 foi o mais desafiador para o segmento, devido ao período de entressafra e às reduções drásticas nos estoques. “O café conilon (robusta) foi o mais impactado em 2016 devido às condições climáticas adversas, voltando a patamares de 1997. Já o arábica, por sua vez, compensou esse cenário negativo, com recorde em toda a nossa série histórica de exportações”, conta o presidente. No total, os cafés verdes somaram 30.148.595 de sacas (29.568.282 sacas de arábica e 580.313 sacas de robusta). Já os cafés industrializados, tiveram aumento de 7,8% em comparação com o total exportado em 2015, com 3.857.298 de sacas embarcadas em 2016 (sendo 3.828.092 de sacas de café solúvel e 29.206 sacas de café torrado e moído). Principais destinos - Os Estados Unidos foi o principal destino do café exportado pelo Brasil, tendo um índice de 6.477.794 de sacas, sendo 19% dos embarques, seguido de perto pela Alemanha, com 6.220.107 de sacas e 18,3% das exportações. Destaque

também para a Itália com 8,5% (2.876.918 sacas), Japão com 7,5% (2.538.786 sacas) e Bélgica com 6,1% (2.089.747 sacas). Cafés diferenciados - As exportações de cafés diferenciados (aqueles que têm qualidade superior ou algum tipo de certificado de práticas sustentáveis) corresponderam a 5.929.888 de sacas, representando 17,4% do total de café embarcado em 2016. A receita cambial dessa modalidade foi de US$ 1,17 bilhão no acumulado do ano, correspondendo a 21,7% do total gerado com os valores de exportação. O preço médio dos cafés diferenciados em 2016 foi de US$ 197,69. Os 10 maiores países importadores de cafés diferenciados representam 81,4% dos embarques desse produto. Os Estados Unidos são o país que mais recebe cafés diferenciados do Brasil, com 1.222.943 de sacas exportadas, o que corresponde a 21% da modalidade. Japão fica em segundo lugar com 15% (913.126 sacas), seguido por Alemanha, com 12% (699.388 sacas), Itália, com 11% (628.225 sacas) e Bélgica, com 10% (602.604 sacas).

Os cafés especiais representam 17,4% do total do produto embarcado em 2016

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texto: Bruno Faustino - Afonso cláudio | Foto: Divulgação |

c o o p e r at i v i s m o

Sotaque mineiro com gostinho capixaba Família mineira produz queijos típicos em terras capixabas, sem deixar o meio ambiente de lado Sabe aquele queijo típico mineiro, com sabor marcante e cura perfeita? Só de pensar já dá água na boca, não é mesmo? Difícil resistir! Mas não é preciso atravessar a divisa do Espírito Santo para saborear o tradicional queijo minas. “Vim do meio rural, nasci numa fazenda. Minha mãe produzia queijo. Saí de casa muito cedo, mas sempre tive ligação com o meio rural, porque gostava muito. E não teve jeito. Voltei para o campo e estou muito feliz fazendo o que gosto”, conta o produtor rural Jerônimo Brum. É no Vale do Empoçado, no interior do município de Afonso Cláudio, na Região Serrana do Espírito Santo, que está localizada a queijaria Quinta dos Vale. “Decidi comprar uma propriedade e criar gado Jersey e, para agregar valor ao preço do leite, que tem um preço muito baixo, eu e minha esposa decidimos fazer cursos para aprimorar e produzir queijo a partir da nossa produção”, explica o produtor. Atualmente, a queijaria produz diversos tipos de queijos. “Nosso carro chefe é o Minas Tradicional, que já estava caindo no esquecimento da população. É aquele curado. Por aqui, a procura é maior pelo frescal. E começamos a introduzir no mercado o Minas curado, que agrega um sabor inigualável. Além dele, também produzimos o parmesão da Mantiqueira. Fomos até a Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais, buscar informações sobre fabricação desse tipo de queijo. É um especial, bem menor que os queijos que estamos acostumados a ver no mercado”, revela Jerônimo. E o casal não parou por aí. Começou a experimentar e criar receitas próprias. “Criamos uma marca per-

sonalizada como o queijo colônia, similar ao queijo prato, que é condimentado com ervas e pimenta calabresa. E assim, produzimos ainda um muçarela diferenciado no formato de muçarela de búfala e requeijão”, diz. PECUÁRIA - Afonso Cláudio produzia, em 2009, segundo dados do Instituto Capixaba da Pesquisa Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), 250 mil litros de leite. Em 2015, a produção de leite ultrapassou sete milhões de litro de leite. Isso só foi possível graças à mudança de pensamento dos produtores rurais da região. “Fizemos um trabalho arrojado com os pecuaristas. Eles quiseram inovar e buscar novas técnicas de produção e, com isso, quebramos alguns tabus. Hoje, os próprios produtores produzem alimento para o gado, introduzimos a técnica de piquete rotacionado e, quando falta pasto, complementamos a alimentação dos animais com cana-de-açúcar, principalmente na época da seca”, conta Anderson Moura, técnico do Incaper.

ços para o reflorestamento. Temos muitas áreas degradadas na nossa cidade e grandes áreas com poucos animais pastando. Precisamos pensar diferente. E esse é o nosso trabalho. Orientar o produtor rural para ele ver que pode ter mais animais em áreas menores e com uma produção muito superior”, diz o técnico Anderson Moura. E essa conscientização já faz parte do dia a dia dos pecuaristas do município. “No meu sítio, apesar de pequeno (cinco hectares), conseguimos iniciar um reflorestamento. Cedi dois hectares para fazer um corredor ecológico entre a minha propriedade e a mata existente no topo do morro”, explica o produtor Jerônimo Brum. “Não adianta ter muita terra. Se não tiver água, não tem como produzir. A água é fundamental na propriedade. Essa tem que ser a mentalidade do homem do campo do futuro”, finaliza o técnico do Incaper Anderson Moura.

MEIO AMBIENTE - A região do Vale do Empoçado, onde fica a queijaria, foi muito afetada pela seca prolongada que atingiu o Espírito Santo nos últimos três anos. As nascentes existentes no local praticamente sumiram. Por esse motivo, aos poucos, os produtores rurais da região começaram a recuperar os olhos d’água desprotegidos pelo desmatamento. Nas propriedades, muitas áreas estão sendo reflorestadas. “Quando condensamos animais em áreas menores, sobram espan e g ó c i o r u r a l | 17


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texto e foto:Julio Huber – Linhares

Grupo Agricultura Forte será associação de agricultores capixabas

Edivaldo Permanhane Idade: 54 anos Atividade: produtor rural e técnico agropecuário Quem é: nascido em Cachoeiro de Itapemirim, sempre foi envolvido com a agricultura. Mudou para Linhares no final da década de 1980, por causa da seca, depois de Linhares foi para São Mateus no final da década de 1990, também por uma seca. Atuação: Antes do Agricultura Forte, Edivaldo já havia liderado o Movimento Paz no Campo, que obteve êxito com a anulação de um decreto do governo federal que desapropriaria várias áreas do Norte do Estado e destinaria aos remanescentes de quilombo, sendo que para se ter direito a terra a pessoa apenas precisava se autointitular quilombola. No Estado o projeto não foi adiante devido à luta dos produtores.

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Criado em 2015 no Norte do Estado, com a intenção de reivindicar melhorias para o homem do campo, o grupo Agricultura Forte já conta com mais de 770 participantes e está se tornando uma associação capixaba de agricultores. O fundador do movimento, o agricultor Edivaldo Permanhane, conta quais foram as conquistas nesses dois anos e os planejamentos para o futuro. O movimento para barrar a importação de café conilon é um dos assuntos principais no momento, assim como a renegociação de dívidas agrícolas e ações para o combate à seca. Negócio Rural - O senhor criou o grupo Agricultura Forte, que nos últimos anos tem ganhado cada vez mais integrantes em todo o Estado. O que te levou a pensar em unir a força dos agricultores capixabas? Edivaldo Permanhane - A ideia do grupo surgiu a partir das dificuldades dos produtores rurais, como prorrogar dívidas, conseguir licenciamento e liberação para construir barragens, falta de uma política agrícola adequada, pesquisas, produtos registrados (defensivos), segurança no campo, entre outras. Com a crise econômica e hídrica de 2015, as necessidades só se acentuaram. Estando unidos, os produtores conseguem ser ouvidos e apresentar propostas que se adequem às necessidades do setor de forma geral, não atendendo apenas a um grupo específico. Acreditamos muito na união do produtor, juntos podemos vencer todas essas dificuldades.

Como é a atuação do grupo e como as articulações funcionam? Formamos um grupo no WhatsApp em setembro de 2015 com produtores amigos, e a partir dali um produtor foi indicando outro. Percebemos um grande interesse em participar, seja dando sugestões de pautas, participando dos encontros, das reuniões e convidando outros produtores a se juntarem. Além de produtores, temos membros de instituições e entidades representativas do setor, engenheiros, técnicos, comerciantes, entre outros. É um movimento em prol da agricultura capixaba. São muitas demandas em comum em todo o Estado. E uma necessidade do homem, de um modo geral, é que alguém tem que produzir alimento. Por isso, houve um grande interesse das autoridades em apoiar o movimento. Hoje somos 770 membros nos grupos, mais de 1.200 curtidas na página no Facebook e estamos registrando a Associação Agricultura Forte.

“Acreditamos muito na união do produtor. juntos podemos vencer as dificuldades” Entre nossos objetivos estão organizar o setor produtivo, tornando a atividade agropecuária (agronegócio) sustentável, unir mais os produtores, adequar as leis trabalhistas e ambientais, ter mais produtos registrados, reduzir os impostos da energia usada na irrigação, aumentar os investimentos em pesquisa, entre outros.


“Com a importação (de café) colocamos toda nossa produção nacional em risco” Atuamos por prioridades. No momento, as prioridades são renegociação das dívidas, construção de barragens e a não importação de café conilon. As articulações são feitas a partir de um estudo feito por especialistas do grupo que definem quais são as melhores estratégias. A partir da decisão, comunicamos aos demais membros e agimos juntos.

Ressaltamos que em todas as nossas lutas tivemos grandes parceiros ao nosso lado, a vitória é coletiva. A OCB, o CREA, a Comissão da Agricultura da Assembleia Legislativa, entre tantos outros representantes de instituições do agro. É lutando juntos que venceremos todas as outras dificuldades.

O senhor pode citar algumas conquistas para a agricultura capixaba que teve a participação do Agricultura Forte?

Desde o final do último ano de 2016, a possibilidade da importação de café conilon tem amedrontado os cafeicultores capixabas. Qual a atuação do grupo nesse assunto?

Conseguimos chamar a atenção dos produtores para a importância da união da classe produtiva, além de despertar maior interesse e dedicação das autoridades no apoio à agricultura, maior interesse dos representantes das entidades e dos órgãos responsáveis pela burocracia de licenciamento e construção de barragens, a fim de liberar sua construção se houver compensação da floresta retirada, e maior apoio da sociedade e autoridades diante da necessidade de prorrogar dívidas dos produtores. Durante o II Encontro Agricultura Forte, o governador assinou um decreto que considera empreendimentos de interesse social as barragens construídas e a construir, com fins agropecuários e/ou usos múltiplos, licenciadas pelo Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf). O decreto vai facilitar a implantação de barragens no Espírito Santo ao regulamentar a construção desses equipamentos em áreas que possuem trechos de vegetação em estágio médio de regeneração, mantendo-se todas as exigências da legislação ambiental. Além disso, tivemos as resoluções 4.519 e 4.522, que tratam da renegociação das dívidas dos produtores rurais. Porém continuamos buscando melhores condições de renegociação, devido aos grandes prejuízos causados pela seca dos últimos três anos.

Estamos fazendo reuniões com lideranças comerciais, representantes políticos, conscientizando a todos dos prejuízos que a sociedade terá com a importação. Além disso, estamos incentivando os produtores a ligarem e enviarem mensagens aos governantes para que eles não apoiem essa medida, assim como colaborando com o levantamento de estoque. Há estoque suficiente, não há necessidade de importar! Quais as ameaças que a importação de café trará aos produtores? Durante muitos anos, nossas instituições de pesquisa e os próprios produtores investiram no melhoramento genético e na qualidade do café brasileiro. Com a importação, colocamos toda nossa produção nacional em risco, ao expor nossas plantações aos riscos fitossanitários vindos de outras origens. Com o aumento da oferta no mercado, consequentemente teremos queda no preço, o que trará prejuízos para toda a economia nacional. É uma competição injusta, já que nosso custo de produção é bem mais alto do que o do Vietnã, onde a legislação trabalhista e ambiental são bem menos rigorosas. Quando foi autorizada a importação de cacau, o preço automaticamente caiu. Com a importação de leite, o produtor não consegue nem pagar os custos de produção. Não podemos permitir que aconteça o

mesmo com os cafeicultores. E quais os impactos para todo o Estado? Os prejuízos são inúmeros. Cerca de 80% dos municípios capixabas dependem do agronegócio, e a grande maioria deles depende do café. Reduzindo o valor da saca, menos renda é gerada para a economia local, mais desemprego, queda na exportação, menos divisas. A estimativa feita pelo governo estadual é que será um prejuízo de mais de 1,5 bilhão. Produtor quebrado, comércio fechado e o povo desempregado. Na opinião dos cafeicultores, quais os reais motivos de as indústrias quererem tanto que o governo federal libere a importação do café? Reduzir o valor da saca. E a participação da bancada federal? Os deputados e senadores estão apoiando a reivindicação dos produtores? Estão apoiando. Uns mais, outros pouco. Em situações como esta, precisamos de todos unidos, lutando juntos contra essa medida absurda. A atuação do governo estadual também está sendo satisfatória para a defesa dos cafeicultores? O governo atuou bem, mas poderia ter exigido mais do Presidente Michel Temer. Se a importação for autorizada, o que pretendem fazer? Os produtores rurais de café não aceitam a importação! Vamos fazer tudo que for possível para impedir que essa medida seja autorizada. Participe do Agricultura Forte

E-mail: agriculturaforte@gmail.com Telefones: Edivaldo Permanhane (27) 99903-1147 Fernanda Marin Permanhane (27) 99903-2086 n e g ó c i o r u r a l | 19


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texto e foto:Julio Huber – Alfredo Chaves

Produção de peras é a novidade na fruticultura capixaba Agricultores apostam na produção de peras para diversificar lavoura A diversificação da produção agrícola capixaba é um dos diferenciais dos agricultores que aliam a boa utilização das terras rurais com o objetivo de aumentar a renda da propriedade. A fruticultura é um dos setores do meio rural do Espírito Santo que está presente em todas as regiões do Estado. Nas montanhas capixabas, a pera está surgindo como uma nova alternativa para os produtores rurais que constantemente testam diferentes culturas agrícolas. O produtor Jandir Gratieri, de São Bento de Urânia, em Alfredo Chaves, conseguiu uma produção surpreendente no 8º ano após o plantio de 100 pés de peras da variedade asiática. “A pera está presente em nossa região desde a chegada dos primeiros imigrantes italianos. Toda família tinha um pé de pera no quintal, mas essa tradição vinha se perdendo com o tempo. Resolvemos resgatar e esperamos que em breve essa fruta seja uma nova opção para os agricultores”, contou Jandir. Na propriedade dele, o destaque fica por conta dos plantios de inhame e de uvas, além da produção de vinhos premiados na região. O turismo local também é bastante incentivado, e Jandir acredita que o visitante poderá também levar para casa as peras colhidas diretamente dos pés.

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“O interessante é que não usamos nada de agrotóxico. Plantamos e apenas roçamos a lavoura. Como é uma variedade rústica e que se adaptou bem nas montanhas, o manejo é muito simples”, relatou o produtor. MEIO AMBIENTE – Outro fator interessante no cultivo das peras asiáticas é que, por se tratar de uma árvore com porte alto, é possível plantar próximo a Áreas de Preservação Permanente (APP), já que apenas com roçagem é possível conduzir o plantio, e contribuir com a preservação ambiental da propriedade. “Esse modelo de fruticultura em áreas de APP é sustentável e economicamente viável. Sem contar que as frutas que caem no chão atraem animais e pássaros. Dessa forma, também estamos contribuindo com a preservação de diversas espécies de animais”, afirmou. A ideia do produtor é incentivar o plantio da espécie na região. Assim, além de ser uma nova fonte de renda, poderá contribuir com a preservação ambiental. “Tenho um tio que plantou 150 pés. A fruticultura está se difundindo e ganhando adesão”, contou. De acordo com a assessoria de imprensa do Instituto Capixaba de Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), o órgão não possui

registros de plantios de pera sendo acompanhados no Estado, já que essa é uma nova cultura agrícola. PRODUÇÃO – Como a pera produz por mais de 40 anos, Jandir afirma que é possível uma produção de até 400 quilos de frutas por árvore adulta e em plena produtividade. Entretanto, após o 7º ano, a produção já é surpreendente. Os galhos chegam a envergar e quase tocar o solo. “Estou colhendo pelo segundo ano, e a produção começa sempre entre o final de janeiro e fevereiro e pode ir até o mês de abril. Apenas roço uma vez por ano para controlar o mato. E como plantei em uma área adequada e com matéria orgânica abundante, nem é necessário adubação”, revelou. Outra vantagem da pera é a baixa incidência de pragas. “Por ter uma casca rígida, praticamente não há ataque de insetos. Colhida no ponto certo, a pera aguenta várias semanas. O interessante é que essa variedade é boa para comer in natura ou para o preparo de vários pratos culinários, já que é uma fruta resistente”, conclui Jandir. Como a produção ainda não é grande, tudo que é colhido é vendido nas próprias propriedades, mas Gratieri acredita na expansão da comercialização em mercados da região. Atualmente, o visitante colhe a fruta e paga R$ 5,00 o quilo.


A colheita superou as expectativas do produtor Jandir Gratieri

Veja uma receita de como fazer a pera bêbada na página 26 desta edição n e g ó c i o r u r a l | 21


i r r i g aç ão |

TEXTO E Foto: Julio Huber

Uso de águas subterrâneas pode ser uma saída para a seca Pesquisas apontam que o Espírito Santo possui grande quantidade de água subterrânea

A água subterrânea pode ser uma alternativa para irrigação de lavouras no Estado

Estudos realizados no Espírito Santo apontaram que o Estado é rico em água subterrânea, sendo essa uma boa perspectiva para seu uso na agricultura capixaba, desde que executada com cuidado e por profissionais habilitados. Os municípios que apresentam melhores potenciais são Linhares, São Mateus, Jaguaré, Sooretama, Anchieta, Itapemirim e Presidente Kennedy. Essa potencialidade e o uso da água subterrânea, as vantagens comparativas com relação ao custo, captação, tratamento e utilização em terras agrícolas foram temas de um seminário coordenado pelo Sistema Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo (FAES), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Espírito Santo (SENAR-ES) e Sindicatos Rurais. Os participantes discutiram sobre os avanços tecnológicos na área de irrigação e foram apresentadas orientações para o setor diante do atual 22 | n e g ó c i o r u r a l

cenário de seca que a agricultura capixaba enfrenta nos últimos anos. Participante do evento, o geólogo e professor da Universidade Federal de Itajubá–MG, José Augusto Costa Gonçalves, falou sobre a água subterrânea existente na zona saturada do solo, que possui uma temperatura e sais diferentes, além de exemplificar a capacidade maior do volume de águas superficiais. “As condições geológicas e hidrogeológicas mostram que é perfeitamente viável a utilização dos mananciais subterrâneos para um eficaz abastecimento público da população capixaba. Mas os produtores devem ficar atentos em relação aos locais que os poços tenham sido ou serão construídos para saber se atendem aos critérios e normas que regem este tipo de construção. Poços mal construídos podem desabar, os revestimentos serem rompidos e os filtros obstruídos”, contou o geólogo.

IRRIGAÇÃO - O engenheiro agrônomo e presidente da Sociedade Espíritossantense de Engenheiros Agrônomos (Seea), Geraldo Antônio Ferreguetti, apresentou dados do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), em relação à irrigação no Estado. Segundo o Incaper, o Espírito Santo apresenta um déficit hídrico em 2016, equivalente há um ano inteiro de chuvas. O estado é considerado o que mais irriga, portanto, a eficiência do setor agro passa por essa etapa do trabalho, tendo a produtividade baseada nessa ação. “Atualmente, a principal forma de reservar água é a construção de barragem, pois é o caminho mais curto e imediato para resolver esse problema, sem postergar o compromisso legal de proteção das nascentes e zonas de recarga da água”, afirmou Ferreguetti.


TEXTO E oto: Julio Huber |

PECUÁRI A

Governo lança programa para aumentar a produtividade da pecuária O programa surgiu por meio de sugestões apresentadas em oficinas do Pedeag 3 Pecuaristas do Espírito Santo passaram a contar com o Programa Capixaba de Bovinocultura Sustentável. O objetivo é facilitar o acesso dos pecuaristas às tecnologias de produção e de gestão, ampliando seus conhecimentos. Além disso, pretende-se estimular a diversificação das atividades econômicas do meio rural e a recuperação de áreas degradadas e, principalmente, proporcionar o aumento da renda dos produtores rurais e de suas famílias, além da geração de empregos no campo. O programa foi lançado pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Agricultura, Aquicultura, Abastecimento e Pesca (Seag) e do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper).

Segundo presidente do Incaper, Marcelo Suzart, o programa visa uma política pública permanente para o desenvolvimento do setor no Estado. “A ideia é fortalecer e desenvolver a cadeia produtiva da pecuária bovina com sustentabilidade, visando melhorar a qualidade dos produtos ofertados e aumentar a produtividade e a renda dos produtores rurais”, afirmou o Suzart. Para o secretário de Estado da Agricultura, Octaciano Neto, o programa é uma ação inovadora. “O Espírito Santo está saindo de ações pontuais na pecuária e apresentando um programa robusto para fortalecer a cadeia produtiva no Estado”. FUNCIONAMENTO - O programa surgiu após diálogos com produtores rurais, representantes de

cooperativas, sindicatos rurais, indústrias de laticínios, associações, frigoríficos e demais elos da cadeia produtiva da carne e do leite. As demandas foram apresentadas nas reuniões e oficinas de trabalho do Plano Estratégico de Desenvolvimento da Agricultura Capixaba (Pedeag 3), quando foram discutidas formas de como alavancar a pecuária bovina capixaba. Os produtores são atendidos peo Incaper e classificados em três grupos de trabalho, de acordo com as práticas de manejo adotadas nas suas propriedades: estruturação da propriedade, nutrição e alimentação dos animais; manejo intermediário – índices zootécnicos e gestão; e manejo avançado e comercialização de animais com aptidão produtiva.

Diversas ações serão implementadas para melhorar a qualidade da pecuária capixaba

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n ot í c i as ag r í c o l a s

Comitê de Sanidade Avícola tem nova diretoria A nova diretoria do Comitê Estadual de Sanidade Avícola do Espírito Santo (Coesa-ES) foi apresentada no Auditório do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf), no município de Vitória, após a eleição. Durante a solenidade, o novo presidente da entidade, Nélio Hand, foi empossado e falou sobre o desafio de assumir a função junto ao Comitê, que nos últimos anos era representado por autoridades do serviço oficial. Nélio, que também é diretor executivo da Associação dos Avicultores do Estado do Espírito Santo (Aves), ressalta a importância do desenvolvimento do trabalho que será feito na entidade. “A importância do trabalho de maneira conjunta passa pelo apoio de todos os membros, especialmente frente à nova formatação do organismo”, conta o novo presidente. Além da apresentação dos novos membros da Diretoria do Comitê, o evento também serviu para o alinhamento das Instruções normativas nº 17, 56, 10 e 20 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que tratam do registro de estabelecimentos avícolas, telamento, abate, monitorias e um panorama da situação atual do registro de estabelecimentos avícolas no Estado. O Comitê também estabeleceu um cronograma de ações, inclusive com a criação dos grupos que discutirão a responsabilidade técnica nas granjas e o modelo mais eficiente para notificação de mortalidade. Entre os objetivos do Coesa-ES está: propor medidas e ações direcionadas à proteção e ao aprimoramento das práticas de Defesa Sanitária Animal, zelando para que todas as medidas sejam tomadas com maior rigor técnico-científico, notadamente na área de sanidade avícola do Estado. 24 | n e g ó c i o r u r a l

O diretor da Aves, Nélio Hand, foi empossado como presidente da Coesa-ES

Mata da Praia agora tem Feira Agroecológica

A feira funciona no Shopping Vitória Mall

O bairro da Mata da Praia, em Vitória, agora conta com um espaço voltado para compra de alimentos e produtos orgânicos, sem agrotóxicos. No final do último ano, foi inaugurada a Feira Agroecológica do Shopping Vitória Mall, localizado na Rua Aristóbulo Barbosa Leão. No espaço, que funciona sempre às quartas-feiras, das 16 às 20 horas e conta com estacionamento, os consumidores encontram frutas, legumes, verduras, além de produtos da agroindústria, como pães,

bolos e biscoitos, produzidos e cultivados por agricultores familiares, sem o uso de agrotóxicos. Vitória agora passa a contar com cinco pontos onde se é possível comprar produtos orgânicos diretamente com os agricultores. Outras feiras semelhantes já acontecem no Shopping Vitória, na Praça do Papa, e nos bairros Barro Vermelho e Jardim Camburi. Ao todo, no Estado funcionam 12 feiras agroecológicas. As demais funcionam nos municípios de Serra, Vila Velha e Cariacica


Cacau de Linhares no Salão do Chocolate de Paris O Espírito Santo é o quarto maior produtor de cacau do Brasil. No Estado, a cacauicultura ocupa uma área aproximada de 23 mil hectares. Ano passado, a produção capixaba correspondeu a 5,5 mil toneladas da amêndoa. Linhares é o maior produtor estadual, com mais de 87% da área total. Para mostrar a força do fruto em terras capixabas, pela segunda vez, o Espírito Santo irá participar do Salão do Chocolate, em Paris. O evento é conhecido como a Copa do Mundo do Chocolate e vai premiar os 16 melhores cacaus de todos os países produtores. Apenas sete produtores brasileiros terão direito a expor seus produtos no Salão do Chocolate. Entre eles está o cacauicultor de Linhares, Emir de Macedo Gomes Filho. Em 2013, o cacau produzido por ele ficou entre os 50 melhores da competição. Mais de 200 competidores participarão da disputa esse ano. Para ter direito de ocupar uma das vagas no estande do Brasil no Salão do Chocolate é realizada uma seletiva nacional, que selecionou, além do cacau capixaba, amostras da Bahia e do Pará. Para isso, são enviados 40 quilos da amêndoa para avaliação de cor, sabor e aroma feita por especialistas. Já na competição em Paris, os frutos têm a identificação codificada para que não possam ser identificados na disputa. E com as amêndoas é preparado o chocolate para avaliação. Inicialmente, 50 passam para a fase final que selecionará os 16 que serão premiados. O evento acontecerá entre 28 de outubro e 1º de novembro de 2017, em Paris, na França.

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Prêmio |

Foto: Everton Nunes/Folha Vitória

Conquistas cooperativistas Mais uma vez, os editores de jornalismo da Revista Negócio Rural conquistaram o Prêmio de Jornalismo Cooperativista, realizado pelo Sistema OCB/ES. Este ano, a reportagem “Cooperativas unidas para transportar mais de 70 mil alunos por dia no Estado”, de Julio Huber, ficou em 3º lugar na categoria “Jornalismo Online”. A reportagem foi publicada no Portal Montanhas Capixabas, que pertence ao jornalista. Outros dois prêmios foram conquistados por Bruno Faustino, que na categoria “Radiojornalismo”, com a reportagem “O exemplo de cooperação de São Gabriel da Palha”, veiculada na Rádio Espírito Santo, conquistou o primeiro lugar. O jornalista também garantiu o segundo lugar na categoria “Telejornalismo” com a reportagem “Orgânicos – uma aposta pela vida”, veiculada pela TVE. Este é o quarto ano consecutivo que os jornalistas faturam o prêmio

Julio Huber e Buno Faustino comemoraram os prêmios com as esposas

realizado há dez anos pelo Sistema OCB/ES. A premiação reconhece as melhores reportagens e imagens que retratam os trabalhos e projetos das cooperativas do Estado. Individualmente, o jornalista Julio Huber possui sete troféus e está entre os cinco maiores ganhadores da premiação. “Ser considerado um dos jornalistas mais premiados do Estado com matérias sobre o cooperativismo é algo muito gratificante. Parabéns aos organizadores por

reconhecerem os melhores trabalhos jornalísticos do Estado. Espero que venham muitas outras edições”, destacou Julio. O jornalista Bruno Faustino já conquistou cinco troféus em quase todas as categorias do prêmio. “Minha primeira conquista foi na categoria ‘Jornalismo Online’. Também conquistei prêmios nas categorias ‘Telejornalismo’, ‘Fotografia’ e ‘Radiojornalismo’. Fico feliz com o reconhecimento”, finaliza.

C

om nove anos no mercado de insumos e tecnologia agrícola, a empresa Terra Nova expandiu e está com nova loja em Rio Possmoser, Santa Maria de Jetibá. Com instalações maiores e mais modernas, a empresa se consolidou como referencial em vendas de produtos para a lavoura, máquinas agrícolas e todas as tendências e novidades para que o homem do campo possa produzir com mais qualidade. No último dia 14 de dezembro, a nova loja recebeu clientes, parceiros e toda a equipe para uma confraternização em seu interior, agora mais amplo e acessível. “Sou cliente da loja desde que inaugurou há um ano e meio e estou muito satisfeito com a qualidade e o atendimento aqui. A Terra Nova tem

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vários tipos de produtos que não existem em outros locais. Com a expansão acho que vai ficar melhor ainda”, disse o produtor rural Valdir Kurth, de Rio Possmoser. Os parceiros também elogiaram bastante o espaço, que tem uma pintura enorme de uma lavoura com montanhas, igreja e casas na parede. O trabalho é do artista Alexandre Altoé de Venda Nova do Imigrante. A Terra Nova tem como parceiros DuPont, Arysta, Topseed, Dicase, Horti Agro, Compo, Bio Controle, Bluseeds, Rijk Zwaan, Ihara, Irritec e outros. “Acreditamos no potencial do mercado e no segmento de produção de alimentos. Vamos dar continuidade ao trabalho que já é feito em Venda Nova do Imigrante: de levar tecnologia de ponta

ao homem do campo para que ele tenha aumento na produtividade, oferecendo serviços técnicos especializados e soluções integradas”, explicou Carlos Augusto Cardoso, diretor comercial e sócio da empresa. A loja matriz fica em Caxixe, Venda Nova do Imigrante, e a expansão da filial de Rio Possmoser é um projeto piloto para que até 2018 sejam implementadas outras pelo Espírito Santo. Atualmente a loja de Santa Maria de Jetibá conta com seis funcionários, sendo que dois deles falam pomerano, para atender melhor aos agricultores descendentes. Acreditando no mercado, irão disponibilizar mais duas vagas para contratação. A Terra Nova em Rio Possmoser fica atrás do Posto Rios.

Informe Publicitário

Terra Nova Agrícola expande loja em Santa Maria de Jetibá

Sede: Estrada Alto Caxixe, s/nº - Alto Caxixe Venda Nova do Imigrante - ES Contatos: (28) 3546-5141 | 3546-5147 | 99941-8466 e-mail: terranova@terranovaagricola.com.br Filial: Rio Possmoser - Santa Maria de Jetibá - ES Contato: (27) 99581-1613

www.terranovaagricola.com.br


r e c e i ta

Pera Bêbada INGREDIENTES 6 peras firmes e maduras 1 garrafa de vinho tinto seco 300 g de açúcar 1 pau de canela 4 cravos-da-índia MODO DE PREPARO Descasque as peras, mantendo o cabinho. Coloque o vinho tinto em uma panela em que caiba a fruta e adicione o açúcar, canela e cravos. Leve ao fogo e adicione as peras, tomando o cuidado para que fiquem cobertas pelo vinho. Ferva até que as peras fiquem macias. Pode testar espetando um palito. Retire as peras da calda e coloque em uma tigela. Cozinhe a calda para que fique um pouco mais grossa. Regue as frutas com a calda e deixe esfriar. Se preferir, pode ser servido com uma bola de sorvete e um ganache de chocolate meio amargo.

Calendário Rural Cebola

Mandioca

Plantio: fevereiro/março

Colheita: março a julho

Batata

Milho

Plantio: abril

Feijão Colheita: janeiro a abril

Colheita: janeiro a julho

Café

Colheita: abril a setembro n e g ó c i o r u r a l | 27


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Negócio Rural Edição 7 by Revista Negócio Rural - Issuu