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REVISTA AMAR - MARÇO 2021

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EDIÇÃO 60 • ANO 5 • MENSAL

WWW.REVISTAMAR.COM

Elizabeth

Mendes MARÇO 2021


Ficha Técnica Direção

Carmo Monteiro Manuel DaCosta

Conteúdos

Carlos Monteiro

4

Marketing

cidade de Toronto, que nos últimos anos, apesar de serem

Edição Gráfica Carmo Monteiro MDC Media Group

Fotografia - Capa Dana Castro

Colaboradores

Armando Correa de Siqueira Neto Carlos Cruchinho Helena Rodrigues José Carreira Isabel Rebelo Luísa Silva Geraldes Manuela Marujo Maria João Rafael Paulo Perdiz Pedro M. Salvador Raquel Couto Sara Cristina Pereira

Participação Especial Inês Schrek Sara Dias Oliveira Zé Manuel

Agradecimentos

Cassandra Almeida Photography MDC Media Group Notícias Magazine ThreeCrowns Studio

Março 2021

Arte das Grafiteiras

Manuela Marujo leva-nos a conhecer arte espalhada pela consideradas atos de vandalismo pelos mais conservadores, começaram a ser reconhecidas e valorizadas.

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Terras de Pão

página 4

Carlos Cruchinho fala-nos sobre o cultivo de cereais e a história desse alimento indispensável no nosso quotidiano... o pão.

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Almeirim

Luísa Silva Geraldes leva-nos a conhecer a lezíria ribatejana, mais concretamente Almeirim, e a deliciosa Sopa de Pedra.

30

página 24

Elizabeth Mendes

No mês dedicado à mulher estivemos à conversa com a luso-canadiana que é o novo rosto da "políti-

página 20

ca em português" na área de Mississauga-Lakeshore.

46 Zé Manel

Paulo Perdiz esteve à conversa com o ex-vocalista

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da banda Fingertips, que aos 30 anos edita o seu primeiro disco a solo em português.

Contacto www.revistamar.com info@revistamar.com www.facebook.com/revistamar

416.806.7616

50

Sex & The City

Na sua crónica habitual de moda e styling, Maria João Rafael fala-nos sobre a nova temporada desta icónica série televisiva, anunciada para este ano.

66 Teoria

página 45

página 60

dos 5 movimentos

Também conhecida como Teoria dos 5 Elementos, ou 5 fases, tem a sua origem nos primórdios da civilização chinesa. A cada um dos movimentos atribuíram características específicas, em diferentes áreas do Revista Amar é uma marca registada

organismo.

Cyber Planet Inc. e MDC Media Group.

76 Amêijoas na cataplana à Algarvia

Custo estimado por exemplar

Traga os sabores do Algarve à sua mesa com umas amêi-

e empresa subsidiária dos grupos

$5.49

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joas na cataplana. Um prato simples, mas que todos apreciam. Sirva com fatias de pão para acompanhar.

página 70 Os artigos publicados na presente edição são da inteira responsabilidade dos seus autores, podendo não refletir as opiniões e posições da Revista Amar naquela matéria. A utilização do novo acordo ortográfico, na matéria da presente edição, ficou à inteira descrição dos seus autores. Os conteúdos publicitários publicados na presente edição são da inteira responsabilidade, com autorização e aprovação prévia dos seus autores.


segunda a sexta das 05h00 às 09h00

domingo das 08h00 às 09h30

domingo das 09h30 às 10h30

sexta das 18h00 às 19h00

domingo das 11h00 às 12h00

domingo quinta das das19h00 09h30àsàs21h00 10h30

domingo das 12h00 às 13h00

domingo das 17h00 às 19h00

segunda a quarta e sexta das 17h00 às 21h00

segunda segunda aa sexta sexta das 21h00 21h00 às à 01h00 das 5h00

sábado das 19h00 às 20h00

sábado das 20h00 às 21h00

segunda a sexta das 09h00 às 13h00

terça das 17h00 às 18h00

segunda a sexta das 13h00 às 17h00

sábado e domingo das 13h00 às 17h00

A MELHOR MÚSICA, OS MELHORES CONTEÚDOS E A MELHOR COMPANHIA


College & Dufferin - Erika Gosich Rose/EGR Créditos © Manuela Marujo

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Arte das grafiteiras T

oronto é uma cidade que, nos últimos anos, prova ter ultrapassado o forte preconceito contra os artistas de grafíti. Consideradas atos de vandalismo pelos mais conservadores, as pinturas dos grafiteiros começaram a ser reconhecidas e valorizadas. Esta manifestação de arte urbana pode admirar-se nas paredes de edifícios, túneis, pontes e outros lugares públicos. Os grafitos (ou ”graffiti” - termo italiano usado com mais frequência), referem-se à arte de rua que, desse modo, democratiza o acesso a obras de arte, inacessível àqueles que não têm o hábito ou possibilidade de entrar em museus, centros culturais ou galerias. A tradição dos desenhos estilizados que caracterizam a arte “graffiti” remonta às inscrições encontradas nas cavernas habitadas pelos primeiros seres humanos. Na era contemporânea, foi devido ao movimento cultural “hip-hop” surgido nos Estados Unidos, nos anos setenta, que a arte dos grafiteiros se desenvolveu e veio revolucionar o espaço urbano. Em Nova Iorque, o bairro de Bronx é considerado o berço deste tipo de arte. Quem esteve na raiz do movimento foram artistas latinos, jamaicanos e afro-americanos. No início, mantinham o anonimato, pintando, durante a noite, a tinta “spray” uma mensagem de rebeldia. Nas últimas décadas, artistas de todo o mundo têm aderido e internacionalizado esta arte, criando obras como forma de protesto, de caráter político, social, humanitário e artístico. Tornou-se de tal modo importante, que há artistas, como é o caso do misterioso britânico Banksy, cujas obras estão a ser leiloadas por milhões de dólares, ao nível de pintores mundialmente reconhecidos. Quando percorro certas ruas da cidade de Toronto, encanto-me com as obras que vou descobrindo. Subsidiados pelo governo, por variadas organizações que apoiam artistas, ou ainda patrocinados por entidades particulares, podemos admirar os seus murais coloridos em paredes, portas de garagens, nas traseiras de ruas (“laneways”), becos, passagens subterrâneas, etc.

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O filme All She Wrote Anthology (2017), dirigido e produzido por uma luso-canadiana, Idalina Leandro, chamou-me particular atenção para a existência das grafiteiras. No filme, Idalina documenta o percurso de oito mulheres artistas, de origens diversas, que desenvolvem a sua arte em vários continentes. Paula Gonzalez é a artista canadiana escolhida para o filme. De origem chilena e usando o nome artístico “La Bomba”, Paula é considerada a pioneira desta expressão artística em Toronto, onde começou a pintar na década de oitenta. Presentemente Paula ensina e dirige grupos de jovens artistas em muitos projetos.

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La Bomba - Paula Gonzalez Créditos © Manuela Marujo

La Bomba - Paula Gonzalez Créditos © Manuela Marujo

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Equilibrium - Okuda e Bellefleur Créditos © Manuela Marujo 8 I Amar


Haus - Stephanie Bellefleur Créditos © Manuela Marujo Amar I 9


St. Clair Mural - Phlegm Créditos © Manuela Marujo 10 I Amar


Caitlin Taguibao Créditos © Manuela Marujo

Na cidade, são muitas as artistas que nos têm brindado com alguns murais impressionantes. Stephanie Bellefleur, de origem venezuelana, participou em dois que estão entre os meus favoritos: um a preto e branco, criado em 2016, pintado na parede lateral dum edifício de doze andares, no cruzamento da St. Clair Avenue e Yonge Street. Conhecido como o “St. Clair Mural”, representa uma figura humana em posição fetal que, depois de se observar mais atentamente, se percebe conter imagens de alguns edifícios ex-líbris da cidade, casas, parques e ravinas. O outro, intitulado “Equilibrium”, datado de 2018, cobre totalmente a parede dum edifício de vinte e três andares, no cruzamento da Jarvis Street e Carlton, e procura representar a diversidade multirracial da cidade unida sob um arco-íris. Nestas duas obras de proporções imponentes, Stephanie Bellefleur colaborou com dois artistas de renome internacional: no primeiro, o inglês Phlegm, no segundo, o espanhol Okuda San Miguel. Muitas outras artistas embelezam a cidade através dos seus grafitos. Com elevado sentido estético e técnicas muito diferentes, estas mulheres desafiam a “a ordem estabelecida”, expressando o seu posicionamento face a questões controversas e polémicas. Os movimentos “Me too” e “Black Lives Matters” são apenas dois dos mais recentes exemplos. As “laneways” (ruelas) da conhecida Queen Street West exibem algumas das melhores obras criadas pelas artistas da cidade: Nancy King/Chief Lady Bird, Erika Gosich Rose/EGR, Caitlin Taguibao, entre outras.

Nancy King - Chief Lady Bird Créditos © Manuela Marujo

A arte urbana pretende estimular o pensamento crítico, consciencializar para a justiça social e embelezar espaços degradados da cidade. Presto, neste mês de março, a minha homenagem a estas mulheres pela coragem, força e criatividade que dedicam à arte dos grafitos.

Manuela Marujo

Professora Emérita da Universidade de Toronto

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Terras de pão I O

cultivo de cereais é, para quase toda a humanidade, um meio de subsistência. As gramíneas apuradas e multiplicadas pelo homem durante séculos, tornaram estas sementes, grãos essenciais à nutrição humana. Como principais fontes de hidratos de carbono, temos o trigo, a cevada, a aveia, o centeio, o arroz, o milho e o sogro. Estes cereais fornecem-nos energia, mantendo-nos vivos e dinâmicos. Com experiências feitas desde tempos imemoriais, o homem foi descobrindo que, se enterrasse algumas sementes, em condições adequadas, o cereal cresceria onde se quisesse. Nascia, assim, a agricultura e, com ela a civilização, graças à capacidade do homem cultivar e conservar os alimentos que ele próprio tinha semeado, segundo técnicas seguras. A agricultura e a criação de gado permitiram ao Homem nómada, assentar arraiais, ou seja, tornar-se sedentário. Por sorte, as gramíneas estão bastante espalhadas pelo planeta: crescem em quase todas as latitudes e, por isso mesmo, o Homem conseguiu encontrar e adaptar determinadas gramíneas às caraterísticas de cada região.

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Créditos © Ana Fernanda

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A preservação da diversidade das sementes passa na atualidade pelos bancos de sementes; a diversidade genética fica a salvo de uma eventual catástrofe planetária ou das sementes geneticamente modificadas. Estas estruturas armazenam mais de um milhão de espécies e variedades de sementes. Na Noruega, mais propriamente nas Ilhas Svalbard, as sementes são mantidas a uma temperatura constante de -18 C e a 150 metros de profundidade. Portugal participa neste projeto de preservação da diversidade, contribuindo com 100 kg de milho, duma colheita de 1970, para a Arca de Noé das sementes. O nosso país é responsável pelas reservas mediterrânicas de milho. Este banco de sementes alberga mais de 900 mil amostras de sementes, com origem em todo o mundo. A partir deste banco norueguês foram reabastecidos os bancos de Marrocos e do Líbano, devido à destruição do banco central na Síria, em consequência da guerra civil. Quando as hostes romanas quiseram conquistar a Grã-Bretanha, esperavam pela época das colheitas, para que os soldados se pudessem espalhar pelos campos, roubassem o trigo indígena, o levassem de volta para o acampamento e fizessem pão dele.

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Créditos © Carlos Cruchinho


História do Pão

Um alimento indispensável O pão é um dos alimentos mais antigos e indispensáveis que acompanha a Humanidade. A cozedura de pão remonta a 6000 anos antes de Cristo. O homem começou a cozer pão no antigo Egito e os egípcios foram o primeiro povo a usar fornos de barro para cozer pão. Especialistas no cultivo de trigo faziam negócio com os gregos, vendendo-o aos helénicos, que, entretanto, se tornaram peritos no fabrico de pão. Os romanos, por sua vez, aprenderam com os gregos e apreciaram tanto o ofício que no ano 100 a.C., havia já 258 padeiros na cidade de Roma. A descoberta do fermento é igualmente atribuída aos egípcios, por uma obra do acaso. Um forneiro egípcio deixou um pouco de massa crua fora do fogo, quando regressou para retirar a fornada de pão, reparou que esta tinha fermentado.

Créditos © Carlos Cruchinho

Como alimento indispensável para o corpo e alma, de vida e de trabalho, o pão faz parte da cultura de muitos povos, tendo um simbolismo importante em muitas religiões.

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Como alimento de suporte de grande parte das dietas alimentares de diferentes civilizações, o pão simboliza tanto o alimento essencial da humanidade, como o elemento de comunicação com o divino; a sua função sagrada é importante no quotidiano das pessoas. Elemento decisivo como alimento do corpo e da espiritualidade das comunidades. Na religião cristã constitui o corpo de Cristo (Belém significa casa de pão e nela nasceu Jesus). Até ao final do século XX, o pão era normalmente produzido em casa, em fornos de lenha e em quantidade suficiente para uma semana. Para Amorim Girão (1958), “o regime alimentar dos portugueses apresentava vincado carácter mediterrânico, só o extremo noroeste se aproxima um pouco do tipo europeu setentrional, e o pão – de trigo, de milho e de centeio – constituía a base da alimentação em todo o Pais.”

Créditos © Carlos Cruchinho

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O pão em Portugal é feito com três cereais: o milho, o centeio e o trigo. No seu Atlas de Portugal, Amorim Girão (1958) informa-nos que o milho se adapta melhor a terras pluviosas, mas está também presente, se bem com produções mais reduzidas, no sul, ao longo da costa e no Algarve.


Do milho verde ao milho ao sol O mês de março apresenta-se como o ditado “março marçagão, manhã de inverno, tarde de verão”. A viagem para o trabalho serpenteia pelos campos lavrados de fresco. O lavrador semeia o milho pacientemente, rego após rego. No final do inverno e início da primavera, os camponeses amanham as terras para dar início às sementeiras de milho, quase sempre em parcelas de minifúndio que estiveram submetidas, durante um largo período, à ação dos agentes climáticos, nomeadamente da chuva. O cultivo do milho exige uma temperatura ideal do solo, bem como uma humidade constante, pois este é um cereal muito exigente no seu regadio. A sua verdura faz-me trautear a cantiga “O milho verde” imortalizada pelo cantautor José Afonso:

Créditos © Carlos Cruchinho

“Milho verde, milho verde Ai, milho verde, milho verde Ai, milho verde maçaroca. À sombra do milho verde Ai, à sombra do milho verde Ai, namorei uma cachopa”

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Antevejo o transporte dos cestos cheios de espigas de milho para uma desfolhada, numa eira repleta de pessoas. Júlio Dinis descreveu assim a desfolhada na sua obra, As pupilas do senhor reitor: “Um monte enorme de espigas ocupava o meio da eira. Abertas de par em par as portas do cabanal aguardavam as amplas canastras para onde se iam lançando as espigas esfolhadas. Sentados em círculo, à volta daquela alta pirâmide, trabalhavam azafamados, parentes, criados, vizinhos, amigos e conhecidos, que sempre afluem aos serões desta natureza, ainda que não convidados. Não havia lugares de distinção aí. Cada qual se sentava ao acaso, ou, quando muito, conforme as suas secretas preferências.” Durante o século XIX as desfolhadas eram ocasiões de convívio entre os rapazes e raparigas casadoiras. Ao serão, à luz mortiça dos lampiões, desembaraçavam-se as folhas amarelecidas das espigas de milho, enquanto se trocavam sussurradas, as primeiras confidências amorosas.

Créditos © Carlos Cruchinho

A viagem continua entre curvas e contracurvas ladeadas de campos de restolho dos milheirais ceifados por camponesas curvadas. Alcandorados como num pedestal, os espigueiros aguardam serenamente as maçarocas ainda húmidas, para uma derradeira secagem no interior das suas paredes ripadas. Como na obra de Júlio Dinis, As pupilas do senhor reitor, que passo a citar: “Ali por fins de agosto era um tal de entrar de carros de milho pelas portas do quinteiro dentro! S. Miguel mais farto poucos se gabavam de ter. Que abundância por aquela casa! Ninguém era pobre com ele; louvado Deus!” Um quinteiro abarrotar de canastras cheias de espigas prontas para serem estendidas ao sol inclemente, a camponesa de chapéu de palha alinha cada maçaroca nas mantas de farrapos multicores, aguardando que as espigas fiquem no ponto para a debulha. O pintor José Malhoa imortalizou a cena na sua obra “Milho ao Sol”.

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Depois da malha do milho, feita na eira por pares de homens, colocados frente a frente, ou lado a lado, munidos de manguais com os quais malhavam o grão até o libertarem do casulo, espalhava-se o milho a secar na eira, exposto ao sol, até poder ser erguido ao vento com a ajuda de crivos ou cestos, sacudidos para libertar do grão a moinha, que servia para encher as almofadas ou travesseiras. Num dos últimos artigos na Revista Amar fiz referência ao conto de natal de Miguel Torga, onde o protagonista Garrinchas ansiava chegar à manjedoira nativa, para como desamparado da sorte aquecer-se no forno comunitário e inalar o cheiro da última cozedura de pão. Longe vão os tempos da cozedura do pão no forno comunitário. Cada um à vez, aquecia o forno com a lenha recolhida pelos habitantes da aldeia. Fornada a fornada, as famílias enchiam os açafates de pão. As boroas de milho, as triga-milhas, as sêmeas seguiam para o arcaz destinado ao pão, alimento indispensável na dieta das famílias mais numerosas. Mas para chegar a esta etapa, outras antecedem esta derradeira confeção deste alimento universal.

Créditos © Carlos Cruchinho

Bibliografia consultada: • https://greensavers.sapo.pt/ja-ouviu-falar-do-banco-mundial-de-sementes-sao-900-mil-amostras-guardadas-no-artico-a-150-metros-de-profundidade/ • https://www.nacional.pt/sabedoria/historia-do-pao/ • https://eg.uc.pt/bitstream/10316/20054/1/Tradi%C3%A7%C3%B5es%20do%20P%C3%A3o.%20TGA%20Norberto%20Santos%20Ant%C3%B3nio%20Gama.pdf

Carlos Cruchinho

Licenciado no ensino da História e Ciências Sociais

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ALMEIRIM 20 I Amar


Terra de touros, campinos e da famosa Sopa da Pedra

Créditos: Direitos Reservados

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Os campinos na lezíria Créditos: Direitos Reservados

Frade da Sopa de Pedra Créditos: Direitos Reservados

St. Clair Mural à- Stephanie Bellefleur Sopa de Pedra mesa Créditos © Manuela Marujo Créditos: Direitos Reservados 22 I Amar


A

cerca de 100kms, de Lisboa, encontramos Almeirim, aos pés da altaneira cidade de Santarém, em plena lezíria ribatejana.

Ainda hoje podemos ver alguns campinos montados nos seus cavalos, com as suas roupas coloridas a percorrerem a lezíria guardando touros nas margens do rio Tejo. É um colorido diverso o das lezírias. Onde o verde floresce na planície e sobretudo onde o cultivo de arroz, tomate e melão, o famoso melão de Almeirim cresce, no inverno, na época da chuva, por vezes, o Rio Tejo galga as suas margens alagando toda a lezíria, e permitindo que a circulação se faça unicamente de barco. O verde dos campos transforma-se então em azul profundo. A água inunda os campos. Ainda que não aconteça com frequência, pontualmente vemos as imagens do Tejo com o seu grande caudal, navegável por cima das estradas, dos campos, que afinal também vai fertilizar. É um espetáculo que quando ocorre, muitas pessoas o vão ver do alto do miradouro das Portas do Sol, em Santarém. Para além desta particularidade, Almeirim é famosa também pelo seu melão. No entanto, quando falamos de Almeirim, é na famosa Sopa da Pedra que todos pensamos! A sua história provém de uma lenda muito antiga que se conta de boca em boca e que chegou até hoje, dando-lhe fama e levando centenas de pessoas a prová-la acorrendo a vários restaurantes que junto da Praça de Touros, desfilam numa rua única e por todos conhecida como a rua dos restaurantes! Chega a Almeirim gente de todo o país. Todos querem uma Sopa da Pedra! Eu própria, adoro e recomendo!! Aqui vai a sua lenda, já que não vos posso levar uma malga de Sopa da Pedra! Certo dia um frade chega a uma localidade, cansado e com a barriga a dar horas! Bate à porta de um de um lavrador abastado a quem mostra uma pedra que trazia consigo e dizendo que gostaria de fazer uma sopa com ela. Sem nunca terem ouvido tal, pareceu ao lavrador que o frade não sabia o que dizia! Desconfiado perguntou-lhe: - Com essa pedra?

O frade foi pedindo mais alimentos que coziam numa panela preta de ferro sobre as brasas. O lavrador e a mulher já sentiam um cheirinho bom a sair da panela. No entanto, o frade não ficou por ali. Foi pedindo um pouco de carne, chouriço, farinheira, toucinho, entrecosto, feijão, batata, coentros, e tudo o que o lavrador tivesse por casa que ali pudesse juntar a ferver. Em pouco tempo saía um aroma delicioso da panela. O farde convidou então o lavrador e a mulher a comerem com ele a tão deliciosa sopa que ali tinha sido feita mesmo debaixo dos seus olhos. Comeram, comeram, lambuzaram-se e esfregaram a barriga de satisfação! - Que sopa deliciosa! Mas subitamente o lavrador pergunta ao frade pela pedra! Ao que o frade, esperto e ardiloso, responde: - A pedra, está aqui no fundo da panela! Se me dão permissão, preciso de um pouco de água para a lavar e depois levo-a comigo para outra vez! Ora lá foi o frade feliz e de barriga cheia com a pedra lavada e embrulhada num pano, dentro do seu alforge, para na noite seguinte bater a outra porta e fazer mais uma Sopa da Pedra. Hoje vários são os restaurantes que fazem esta maravilhosa sopa. Eu vou várias vezes ao Restaurante, o Forno, que simpaticamente me serve uma sopa tão boa como a que o frade cozinhou naquela primeira noite! Sempre que lá vou, passeio pelo restaurante, a cozinha é visível por todos os clientes. Vejo enormes panelas, com enormes colheres que mexem a pedra e os restantes alimentos. Fico sempre deslumbrada pelo espetáculo que é fazer esta sopa, mas sobretudo quando na mesa, depois de comer tudo até ao fim, vejo a pedra, branquinha, que voltará para a cozinha para encantar outras pessoas. Ah!! Mais uma curiosidade desta terra!! Para além da sopa vem sempre para a mesa, um saboroso pão regional, a que dão o nome de caralhotas!! E esta hein?!!!!

Ao que o frade respondeu, que sim. O lavrador pede então para que o frade lhe mostre como fazer.

Vai uma sopa da pedra?

Ora isso era o que o Frade queria ouvir! Lavou a pedra muito bem e pediu uma panela com um pouco de água. - Só com esta pedra e mais nada? - Pergunta o lavrador - Não, para ficar melhor, deve levar um fiozinho de azeite e deixarem-me pô-la ali naquele brasido, para que a pedra coza com a água, e o azeite e o sal, que também fará o favor de me dar!

Luísa Silva Geraldes

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Ainda que os oceanos nos separem, une-nos a mesma lua.

Fotografia © Majid Gheidarlou 24 I Amar


C

om as guerras emerge o pior e o melhor do ser humano. Há quase um ano que enfrentamos um vírus poderoso que abala a humanidade, bloqueia as nossas vidas e afasta-nos dos nossos entes mais queridos. São muitos os exemplos, de generosidade; solidariedade; resiliência e amor ao próximo, que nos devem captar a atenção e servir de motivação para não atirarmos a toalha ao chão e, dia-após-dia, nos empoderarmos. Mas, não podemos deixar de constatar, apontar e criticar, construtivamente, os maus exemplos internacionais e nacionais, contribuindo para visibilizar os erros e trabalhar para que não se repitam. Sucedem-se os casos condenáveis na gestão e distribuição dos equipamentos de proteção individual. Os Estados Unidos desviaram máscaras compradas pela polícia alemã, retiveram ventiladores destinados ao Brasil e impediram a exportação de máscaras para o Canadá. A França apreendeu máscaras de Espanha e Itália. A Turquia capturou centenas de ventiladores comprados pela Espanha à China. A especulação pornográfica do valor das máscaras e do álcool ocorreu logo no início da pandemia (“Especulação online perto de 1000% no álcool etílico”, In Rádio Renascença, 28 de março de 2020). O definhar de uns alimenta a ganância e a soberba de outros. O enriquecimento de uma elite restrita contrasta com o exponencial aumento das desigualdades sociais e do fosse entre ricos e pobres, estes a braços com a pandemia, a crise económica e social, a perda de emprego e de rendimentos. Em novembro de 2020, em entrevista à revista Visão, António Damásio, reputado neurocientista que trabalha no estudo do cérebro e das emoções humanas, sobre a possibilidade de se vir a ter uma vacina eficaz no combate à covid-19, respondeu: “Estamos a falar de produzir e de distribuir, não milhões, mas milhares de milhões de vacinas. E também vão existir os problemas de decisão: quem é que vai ter a vacina? Tratar-se-á de uma vacina apenas para os ricos? Claro que não... Quem paga? Quem recebe? E, dentro daqueles que vão ser vacinados, quais serão os prioritários? As pessoas de maior risco – os idosos, os que têm outras doenças, doenças pulmonares, doenças de coração, imunodeficiências várias… – devem ser as primeiras a ser vacinadas.

Mas, depois, quase ao mesmo tempo e muito rapidamente, vai ser necessário vacinar o resto da população, começando de cima para baixo, consoante a idade e a gravidade de doenças associadas. Não tenho quaisquer dúvidas – temos muitas razões para estar otimistas: a Ciência vai trazer as soluções. O problema colocar-se-á ao nível político.” António Damásio acertou, a ciência trouxe as soluções, obtivemos uma vacina em tempo record e o problema tem vindo a colocar-se ao nível político. O plano de vacinação português já sofreu diversas alterações sinal da pouca consistência da estratégia nele plasmada e da errática definição dos grupos prioritários. [Leia o artigo “#IDADISMO: O PROCESSO DE VACINAÇÃO COVID-19” 1]

Sinto um misto de vergonha e de raiva sempre que surge um novo caso de chico-espertice que destrói a confiança dos cidadãos nas instituições. Autarcas e dirigentes de instituições sociais que são vacinados sem critério, funcionários de uma pastelaria que beneficiam das “sobras” do INEM, pela proximidade do local de vacinação (levou à demissão do responsável do INEM no Norte), vacinação de 126 funcionários do Centro Distrital da Segurança Social de Setúbal (a Diretora demitiu-se, após ordem da Ministra da tutela para abertura de inquérito) … Estou sempre na linha da frente na defesa do terceiro setor e de quem nele colabora, mas não me coibo de apontar o dedo quando tal se justifica. Um dirigente de uma instituição social que é vacinado ou manda vacinar sem critério é alguém que terá estado, a determinada altura, na hora certa, no lugar errado. Quem dirige tem que dar o exemplo, mais ainda num contexto adverso como o que atravessamos. Para baralhar ainda mais, está instalada a confusão quanto aos políticos que devem ou não ser considerados prioritários, há quem o seja e não queira a vacina e outros que, sem qualquer razão objetiva para serem listados, darão o braço à seringa sem qualquer hesitação. Não façamos da ansiada e imperativa vacina uma chicana política, por favor. Sejamos sensatos! Termino com um exemplo de insensatez política, que não gostaria de ver replicado em Portugal. Em maio de 2019, a Fundação de Amancio Orteg - “o multimilionário tímido que saiu da pobreza para criar a Zara” (NIT) – ofereceu 310 milhões de euros aos hospitais para a luta contra o cancro. Todavia, Pablo Iglesias, líder do partido Unido Podemos, advertiu: “Uma democracia digna não aceita esmolas de multimilionários para dotar o seu sistema de saúde, faz com que paguem os impostos que lhes correspondem e respeitem os direitos dos seus trabalhadores.” Poderia dar outros exemplos de mecenato do empresário. Tenho mais dificuldades em identificar, garanto-lhe, caro leitor, que pesquisei, as obras e benfeitorias do senhor Pablo Iglesias. Entretanto, no dia 20 de março de 2020, um avião da Inditex aterrou em Saragoça. O avião transportou máscaras e fatos de proteção, armazenados em paletes, nas quais, tanto em mandarim como em espanhol, poderia ler-se a seguinte frase: “Ainda que os oceanos nos separem, une-nos a mesma lua.”

José Carreira

Obras Sociais Viseu

Amar I 25


Língua Portuguesa

Ana Margarida de Carvalho Ana Margarida de Carvalho é jornalista e escritora. Filha do escritor Mário de Carvalho, é licenciada em Direito pela Faculdade de Direito de Lisboa. Jornalista, foi distinguida com 7 prémios de reportagem. Trabalhou durante 25 anos na revista Visão, onde foi editora e grande repórter. Colaborou com diversas publicações: Jornal de Letras, Revista Ler, Marie Claire, Egoísta, Colóquio Letras assim como com o canal televisivo SIC. Fez crítica cinematográfica no blog Final Cut (do qual foi fundadora) e na revista Visão. Integrou, em diversos anos, o painel de jurados do ICA (Instituto do Cinema e do Audiovisual) para atribuição de subsídios nos concursos de produção de longas-metragens, documentários e desenvolvimento de guião. Durante dois anos, assinou a crónica semanal «Conversas de Elevador», no site da revista Visão. O seu primeiro romance Que Importa a Fúria do Mar valeu-lhe o prémio APE 2013. O mesmo livro foi finalista nos mais prestigia26 I Amar

Fontes: Wikipedia, FNAC, Wook Fotografia: DR

dos prémios relativos à data de edição. Tem reportagens, contos e poemas espalhados por várias publicações e coletâneas e um livro infantil chamado A Arca do É, com o ilustrador Sérgio Marques. Não se Pode Morar nos Olhos de um Gato é o seu segundo romance e foi considerado livro do ano 2017, nomeado pela SPA, e vencedor do Prémio Manuel Boaventura. É autora do prefácio de Alexandra Alpha, de José Cardoso Pires, numa reedição da Relógio D’Água, em 2015. Em 2017, foi-lhe atribuída uma bolsa anual de criação literária pela Direcção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas (DGLAB). Realiza várias oficinas e workshops na área da literatura e da escrita criativa. Publica, em 2019, o seu terceiro romance, O Gesto que Fazemos para Proteger a Cabeça.


Obra Literária

O GESTO QUE FAZEMOS PARA PROTEGER A CABEÇA Sinopse Dois homens caminham. Um chega à terra para matar saudades do mar; outro supera um carreiro íngreme com uma carga de azeitonas. O primeiro vem vergado ao peso da vingança. O segundo ao da sobrevivência. Cruzam-se numa estrada, perdida, no Alentejo, junto à fronteira. De Espanha chegam os ecos dos fuzilamentos e os foragidos da Guerra Civil. Transaccionam-se mercadorias, homens, mulheres e até bebés. No espaço de um dia, que medeia dois entardeceres, muitas mulheres de cabelos ensarilhados pelo vento hão-de conspirar num velho depósito de água rachado; duas amigas separam-se e unem-se por causa de um homem que se dissolve na lama. Um rapaz alentejano voltado para as coi-

sas da existência é por todos traído, mas não tem vocação para desforras, e perde o falcão, a sua máquina alada de matar… Duas comunidades antagónicas, que se hostilizam, guerreiam e dependem uma da outra: uma à míngua, entre vendavais e pó; outra prospera, em traficâncias várias, cercada por pântanos, protegida por um tirano local e pela polícia política, abriga todos os rejeitados pela sociedade, malteses, republicanos espanhóis, fugitivos, cuspidores de fogo, ciganos, artistas de circo, evadidas de conventos, bêbados e arruaceiros. As velhas acusações transformam-se, a guerra tem renovados motivos, a raiva escolhe outros métodos. O grito do corpo continua o mesmo, tal como o gesto que fazemos para proteger a cabeça.

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Elizabeth

Mendes Enquanto não houver igualdades, há sempre uma razão para lutar. Por exemplo eu tenho uma filha e eu não quero que ela, quando for crescida ou da minha idade, não tenha o mesmo salário como o de um homem da mesma idade ou com a mesma experiência profissional.

Elizabeth Mendes nasceu dia no 19 de setembro de 1985 em Toronto. Filha de emigrantes portugueses, formou-se em Ciências Políticas pela Universidade de Toronto. É casada com Jeremy Arruda, sócio na E&Y, e mãe de Emma de 3 anos e meio. Cresceu no seio da comunidade portuguesa, estando muito envolvida nas atividades do PCCM e onde nasceu o seu interesse pela Política enquanto Miss do PCCM em 2002. Testemunhou, em primeira mão, as dificuldades que os pais enfrentaram durante a sua infância, factos que despertaram uma profunda preocupação com o futuro das gerações futuras. O desempenho de Elizabeth tem contribuído para o melhoramento de escolas e na proteção da margem na Mississauga-Lakeshore, garantiu com sucesso investimentos para expansão hospitalar local e tem sido uma campeã para melhorar o trânsito. Como empresária, também apoia as empresas locais através de consultoria.

A luso-canadiana, orgulhosa das suas raízes, sente-se honrada por ser a secretária corporativa da Magellan Community Charities, uma instituição de cuidados prolongados sem fins lucrativos e complexo habitacional acessível, para prestar serviços e cuidados seguros, dignos e compassivos aos idosos mais vulneráveis. Feminista, considera que “enquanto não houver igualdades, há sempre uma razão para lutar” e “gostaria de ver muitas mais mulheres em posições de liderança no Top 50 das melhores empresas” e tem como ícones políticos Margaret Campbell, Stacey Abrams e Barack Obama. Elizabeth candidatou-se pelo Partido Liberal a deputada provincial pelo bairro Mississauga-Lakeshore, que a viu a crescer. É com base na experiência profissional que adquiriu enquanto trabalhou no Ministério do Trabalho, no Ministério da Cidadania e Imigração e no Ministério das Finanças, onde desempenhou um papel fundamental como Diretora de Política, que pretende fazer o seu melhor pelo seu bairro e “espero ser uma deputada acessível, paciente e amável”.


Revista Amar: Para quem ainda não conhece a Elizabeth, conte-nos um pouco de si. Elizabeth Mendes: Eu nasci em Toronto, no dia 19 de setembro de 1985. Sou formada em Ciências Políticas pela Universidade de Toronto e candidata pelo Partido Liberal a deputada provincial pelo bairro Mississauga-Lakeshore. Sou filha de emigrantes portugueses. Os meus pais são da mesma aldeia, Urros, que fica no concelho de Torre de Moncorvo, distrito de Bragança em Trás-os-Montes. A minha mãe veio com 6 anos com os meus avós e o meu pai veio com 23 anos para casar com a minha mãe. Eles tinham-se conhecido em Portugal nas férias de verão e começaram a namorar por carta. Acabou por vir cá e também gostou do país e quando casaram decidiram ficar aqui. Tenho uma irmã 5 anos mais nova e que trabalha na Globe and Mail. RA: É casada e tem filhos? EM: Sim, casei em 2012. O meu marido, Jeremy Arruda é filho de um emigrante português e uma canadiana. Conhecemo-nos no meu primeiro ano na universidade quando ele fazia parte do Concelho de Estudantes. Hoje é contabilista e sócio na E&Y (Ernest & Young). E temos uma filha de 3 anos e meio, a Emma. RA: Então cresceu com as tradições transmontanas... EM: Sim, inclusive enquanto os meus pais viveram em Toronto fizeram parte do clube transmontano e adoravam. Eles iam aos bailes... a vida social deles era lá. Só nos mudámos para aqui, Mississauga, quando eu tinha 5 anos e foi quando o meu pai se começou a envolver mais na comunidade daqui e a frequentar o PCCM (Centro Cultural Português de Mississauga). Eu não sei se são tradições transmontanas, mas a minha avó ainda faz o folar e a bola da Páscoa, contudo eu quando ia a Portugal de férias eu dizia aos meus primos e às minhas primas que era mais portuguesa do que eles porque eu aqui dançava no rancho, ouvia música portuguesa e ia para os bailes enquanto que eles lá não faziam nada disso. (riso) RA: Quer dizer que a sua infância e adolescência passou pelo PCCM? EM: Passei e era quase todos os dias e adorava. Eu andava lá na escola portuguesa, 3 vezes por semana e havia outras atividades durante a semana, como o Karaté. Aos sábados ia aos bailes e nos domingos também ia com os meus pais porque havia a reunião dos diretores. Eu cresci no PCCM! As minhas amigas de infância são de lá, do rancho e do grupo da juventude. RA: E hoje mantem essa ligação ao PCCM e à comunidade? Ou houve um afastamento devido ao crescimento profissional? EM: Eu acho que é próprio da vida que haja um certo afastamento, porque ao longo dos anos 32 I Amar

vão acontecendo e aparecendo situações e oportunidades... por exemplo, comecei a trabalhar para o Charles Sousa ao fim do dia e aos fins de semana e assim comecei a minha carreira profissional e nessa ocasião não podia estar tão envolvida com o clube, mas eu nunca sai... tenho lá ido pelo menos 2 vezes por ano. A minha filha chegou a fazer de “menino Jesus” na Festa de Natal... 30 anos depois de eu ter sido! RA: E em 2002 foi coroada Miss PCCM. Concorreu com algum objetivo em concreto? EM: Não, mas eu sempre soube que ia concorrer um dia porque cresci a ver as minhas primas e amigas mais velhas a concorrer. Eu fazia parte do clube, claro que ia concorrer. Sabe, quando me perguntam quando é que comecei a interessar-me por política a resposta é que foi nesse ano, porque como Miss PCCM eu representava o clube nas festas dos outros clubes, por exemplo lia os votos de Parabéns, e comecei a reparar que nas festas apareciam políticos, mas que para além do Mário Silva mais nenhum era luso-canadiano, ou seja, havia um homem, mas não havia nenhuma mulher luso-canadiana na política naquela altura e não havia quem falasse em português. Os políticos iam aos nossos clubes e falavam connosco, mas em inglês e eu não percebia o porquê de não haver mais políticos luso-canadianos. E foi assim que me comecei a interessar pela Política e uns anos mais tarde quando o Charles Sousa se candidatou pela nossa área e como o meu pai era amigo dele e estava envolvido na campanha, eu acabei por me envolver também. RA: Quer então dizer que quando escolheu Ciências Políticas na Universidade de Toronto, já tinha em mente seguir uma carreira política? EM: Não sei se era essa a ideia, mas eu sabia que queria trabalhar no governo. Eu sabia que o governo precisava de mais mulheres e de mais pessoas das comunidades étnicas e, também sabia que eu queria saber como é que funciona o Governo e como que eu poderia fazer a diferença. Eu entrei em Ciências Políticas porque naquela altura não existiam outros cursos sobre o Governo como há agora... só havia Ciências Políticas. Quando entrei no curso cheguei a pensar em ir viver para o outro lado do mundo, tipo na Europa e trabalhar com a Comissão Europeia ou com a UN (Nações Unidas). (risos) RA: Quem é que deu aquele empurrãozinho para se candidatar para as próximas eleições? EM: Foi o meu marido (riso). O Charles Sousa decidiu não se candidatar e disse que eu deveria aproveitar a oportunidade uma vez que conhecia e sou do bairro e o meu marido concordou. Eu apresentei a minha candidatura pelo meu bairro ao partido e estava com toda a intenção de concorrer contra os outros candidatos liberais, mas não apareceu mais nenhuma candidatura.


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RA: O que é que para si ficou “claro” durante o tempo que trabalhou para o Charles Sousa?

RA: E já tem o seu programa eleitoral alinhavado ou, quem sabe, até pronto?

EM: Desde do início que ficou bem claro, para mim, que queria estar envolvida na comunidade! Eu vi a importância de eu estar envolvida na comunidade local. O primeiro assunto em que trabalhámos, quando comecei, foi a construção dos Power Plans a sul de Mississauga e vi a comunidade muito empenhada em parar aquela construção e percebi que a comunidade unida e com uma só voz pode mudar muita coisa. Depois também constatei que das outras comunidades étnicas a trabalhar no Governo, a portuguesa era a que tinha menos representatividade... quando cheguei ao Queens Park, eu era uma das 5 pessoas portuguesas que trabalhava lá nos partidos políticos, enquanto que as outras etnias, como a indiana e chinesa tinham associações com 20 a 30 pessoas e a nossa tinha 3, 4 às vezes 5 pessoas. Eu percebi que nós não éramos e nem tínhamos o “poder” político que poderíamos ter. Então quando deixei de trabalhar com o Charles, eu queria continuar a estar envolvida na comunidade, porque senão não podemos fazer mudanças.

EM: Acho que estamos todos ainda a trabalhar nos programas... estamos a viver tempos atípicos, o mundo está diferente e a pandemia mudou tudo e com isso os objetivos têm que se mudar e adaptar consoante o dia a dia.

RA: Como descreve o seu bairro? É muito diversificado? EM: É e a maioria dos residentes é canadiano. Já cá viveram muitos portugueses, em particular quando o Charles se candidatou pela primeira vez. É nesta zona que se encontra a primeira igreja portuguesa de Mississauga, Santíssimo Salvador do Mundo. A maioria dos moradores luso-canadianos que tinham casa à volta da igreja já não moram lá... ou porque foram viver com os filhos ou se mudaram para outra área, como mais para o norte de Mississauga. Mais ainda temos alguns luso-canadianos, em geral Mississauga tem muitos portugueses. RA: Já há data para as eleições de 2022? EM: Já. É no dia 2 de junho. RA: Quando é que começa a campanha? EM: Por causa do Covid-19 ainda não tenho uma data. Gostava de começar a bater às portas já no verão, mas talvez seja difícil. Contudo daqui a uma semana já vamos iniciar com os telefonemas ao eleitorado do meu bairro e se tudo correr bem vamos bater às portas em outubro ou novembro antes do frio chegar e depois retomamos na primavera. RA: O que é que ainda lhe falta para arrancar com a campanha? EM: Para já estou a criar a equipa eleitoral para depois começar e também assim que for possível e seguro - por causa da pandemia - vamos precisar de muitos voluntários para bater às portas, fazer telefonemas, pôr os cartazes na casa dos residentes e claro de qualquer apoio. A certa altura também vou precisar de donativos e vamos angariar fundos para a campanha. Isto tudo vai acontecer, mas como só fui nomeada há 3 semanas ainda está tudo no início.

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RA: Que tipo de deputada quer ser? EM: Quero ser eu... uma pessoa acessível. Não quero mudar! Gosto de falar com as pessoas e de ouvir o que me têm para dizer, as suas opiniões. Claro que não vamos concordar sempre ou partilhar as mesmas opiniões, mas isso não importa... se não concordam comigo, digam-me o que pensam e partilhem comigo o vosso ponto de vista. Espero ser uma deputada acessível, paciente e amável. RA: O que aprendeu com o Charles Sousa? EM: Eu aprendi que se tem que ouvir... mas ouvir com tempo; falar com as pessoas e aceitar as ideias e, claro, lutar pela comunidade. O Charles fez isso muito bem e eu sempre o respeitei por isso, que foi que enquanto esteve no governo ele estava sempre a lutar... ele sempre lutou pela comunidade dele, inclusive chegou a lutar contra o partido dele por causa da comunidade. Se o governo tinha um programa ou uma política que os residentes do nosso bairro não concordavam, ele lutava a favor da comunidade. Ele sempre defendeu e lutou pelas ideias da comunidade dele e eu quero ser assim, quero compreender o que a minha comunidade quer e ser a voz dela e lutar por ela. Também aprendi que devemos sempre responder às pessoas quando falam contigo ou fazem perguntas, seja por telefone ou por email, porque muitas pessoas ficam frustradas com os governantes quando não recebem uma resposta, devemos responder nem que seja para dizer que estamos a ver o que se pode fazer ou até que não se pode fazer nada por enquanto, ou seja, responder sempre sejam as respostas boas ou más. Eu tive a oportunidade de trabalhar em diferentes posições no Governo, comecei no Ministério do Trabalho, passei pelo Ministério do Cidadania e Imigração e depois no Ministério das Finanças e o que eu aprendi muito bem é como o Governo toma decisões, começa um programa e faz leis do princípio ao fim e é muito importante saber o que se está a passar, caso contrário não podemos falar e também devemos chegar à comunidade e dar-lhes conhecimento do que está acontecer, no Governo, como por exemplo sobre leis que estejam a ser feitos ou programas que estejam a ser aumentados ou até cancelados, porque é melhor eles saberem antes do que depois das coisas terem acontecido, quando já não há nada a fazer para mudar o que quer que seja. Na maioria das vezes enquanto o Governo começa a trabalhar em algum assunto, a maioria das pessoas não sabe e só dão conta quando é anunciado que houve mudanças. O que o Charles tentou fazer, e eu aprendi com ele, é que assim que se sabe de alguma coisa, informar a comunidade e perguntar a opinião dos residentes.


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RA: Se tivesse que escolher uma mulher e um homem como “exemplos a seguir”, quem seriam? EM: Hmm... essa é difícil... boa pergunta. Eu penso que vou começar pelo o homem e vou falar na política americana que está muito atual e escolho o Barack Obama porque ele entrou na política num país com uma situação muito difícil, ele teve a coragem de falar de uma América que muitos queriam ver e que se tornasse, enquanto esteve na presidência ele implementou coisas lá que nós aqui já tínhamos de graça entre muitas outras coisas e ele é um dos meus ícones políticos. Mulher... há muitas mulheres cujo nome me vem à cabeça, mas como estamos a falar na política... aqui no Ontário temos a Margaret Campbell, que foi a primeira mulher – deputada - da província do Ontário e na política americana e li o livro dela há pouco tempo, a Stacey Abrams e recomendo que todos os portugueses e luso-canadianos leiam o livro dela. Ao ler o livro dela vi tantas semelhanças entre as nossas comunidades... ela passou anos a lutar na comunidade dela para que votassem. Sempre que leio o livro eu faço notas do que ela fez para mudar a mentalidade dos residentes, como explicar o porquê de eles terem de votar e o que é o “poder” de votar. Uma das coisas que me deixa incomodada desde que estou na política é o facto dos luso-canadianos não votarem e de não o quererem fazer. No caso da América acontecia isso, muitas pessoas não se queriam registar para votar e nós aqui não precisamos nem de nos registar para votar, nós somos registados assim que somos canadianos. E muitos jovens, filhos de pais que não tiveram a oportunidade de votar, não vão votar e nem querem saber de política ou dos políticos o que é injusto para com a comunidade luso-canadiana. Há outras comunidades étnicas que já entenderam o “poder do voto” e já são uma “voz” quando exercem o voto. E havia muitas mais mulheres que poderia nomear. RA: No dia 8 de março celebrou-se o Dia Internacional da Mulher. E sei que defende os direitos das mulheres, com base no princípio da igualdade de direitos e de oportunidades entre os sexos. Considera-se feminista?

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EM: Sim e acho que nós, mulheres, deveríamos ser feministas. Enquanto não houver igualdades, há sempre uma razão para lutar. Por exemplo eu tenho uma filha e eu não quero que ela, quando for crescida ou da minha idade, não tenha o mesmo salário como o de um homem da mesma idade ou com a mesma experiência profissional. Enquanto estive no Queens Park tentei ver como haveríamos de puxar ainda mais pelos direitos das mulheres... acho que já fizemos muito, mas ainda há muito mais por fazer! E o que me está a dar mais estresse neste período de pandemia, é que conheço muitas mulheres, amigas minhas, que pararam o trabalho delas durante este tempo. Eu e o marido estivemos a trabalhar de casa e como tinha estado em licença de maternidade antes, a Emma só queria a mim e vinha ter comigo para tudo enquanto eu estava a trabalhar e por isso sei que não é fácil e muitas que estavam na minha situação tiveram que parar de trabalhar. Agora, aquelas mulheres que querem voltar a trabalhar têm que ter a confiança no sistema - nas creches, infantários ou escolas – que podem ter lá as crianças enquanto estão a trabalhar.

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RA: Depreendo que este então que este será um dos muitos objetivos do programa eleitoral? EM: Completamente! Há muitas coisas à volta da vida de uma mulher/mãe que não são reconhecidas e que não são prioridades e eu vi isso por mim e muitas concordam comigo. Os primeiros 4 a 5 meses de vida de um bebé são os mais difíceis para uma mulher que foi mãe e os bebés não trazem consigo um manual de instruções quando saímos da maternidade e muitos dos serviços de apoio à mãe têm que ser pagos. Eu, por exemplo, procurei uma consultora de aleitamento materno, uma doula e outros recursos que não são pagos, mas que ajudam e apoiam a mãe durante aquele período inicial e ajuda na saúde mental da mãe depois do nascimento e depois durante o seu crescimento. Nós precisamos de mais mulheres e até de mulheres jovens que falem das experiências que estão a viver atualmente, porque é a vida delas. RA: A nível partidário, que mudanças poderão ser feitas? Ou será difícil haver mudanças por causa dos homens? EM: Dentro do meu partido já se fala que nas próximas eleições querem que 50% das candidaturas sejam de mulheres. Mas não é só escolherem mulheres, vai ter que se analisar onde é que essas candidatas têm hipóteses de ganhar um acento, porque se a candidata estiver numa área onde os residentes tradicionalmente votam em homens, a representação não é justa. Acho que mudanças são sempre difíceis, qualquer seja ela e mesmo que haja alguém que diga que apoia o feminismo e querem lutar contra as desigualdades, as palavras têm que passar às ações... não é só falar. Têm que mostrar com ações que estão contra as desigualdades e espero que mais homens o façam e sei que há mulheres nas equipas deles que vão puxar por eles. RA: E o que é que esse dia representa para si? EM: Para mim é um dia em que podemos refletir sobre como o mundo já mudou em relação aos direitos das mulheres, o que já alcançámos e o que ainda falta alcançar. O que disse anteriormente

sobre a mulher na política aplica-se em todas as áreas profissionais, então temos que ver onde e como podemos fazer mais. É um dia de reflexão para vermos como vamos continuar a lutar por uma sociedade que tenha igualdade de oportunidades, salarial, crescimento profissional. Eu gostaria de ver muitas mais mulheres em posições de liderança no Top 50 das melhores empresas, posições como CEO, CFO ou executivas. Para já temos que fazer duas coisas: ver o que já alcançámos e o que ainda falta alcançar. RA: Também está ennvolvida na Magellan Community Charities. Pode revelar em que ponto está o centro ou se vai haver novidades... EM: Era para ter havido um grande comunicado no ano passado, mas a pandemia atrasou tudo... se tudo correr bem, talvez possamos dar novidades até maio. RA: Gostava de a convidar a deixar uma mensagem aos nossos leitores. EM: Queria agradecer esta oportunidade de poder falar para todos vós e gostava de vos conhecer em pessoa. Podem contactar-me através do meu website, www.elizabethmendes.ca e não importa se são do meu bairro ou não. Se têm algum assunto sobre o Governo ou outro qualquer que gostariam de falar comigo, por favor disponham. Quero aproveitar para vos pedir para se envolverem mais nas vossas comunidades e se já estão envolvidos com a comunidade portuguesa, então envolvam-se na canadiana também... e votem! Eu sei pelos meus pais que temos que aproveitar esta oportunidade e é um direito nosso e uma honra podermos exercer esse direito. Tenho vindo a dizer que se todos os portugueses e luso-canadianos da comunidade portuguesa incentivarem os seus filhos e netos a se envolverem na comunidade, tomar posições de liderança e para não terem medo, vão ver que há muitas coisas que podem ser feitas. Temos que tomar decisões, até as que às vezes parecem assustadoras, mas que têm que ser tomadas na mesma para mostrarmos que também conseguimos.

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Entre a nostalgia e a moda

o disco de vinil ressuscitou

A

paixão está a voltar em força. Apesar do confinamento mundial, 2020 foi um dos melhores anos de sempre para o velhinho LP.

Já não é simples nostalgia, voltou a ser moda. No ano passado, as vendas dos discos de vinil cresceram pelo 15.º ano consecutivo, atingiram quase 30 milhões de álbuns, quando o mercado da música física (CD, cassetes) afunda, pressionado pelo streaming, que representa 80% do negócio. Pela primeira vez em 34 anos, as vendas do vinil ultrapassaram as dos CD no primeiro semestre de 2020. Em contraciclo com o avanço tecnológico, há artistas da atualidade a gravar em vinil, a reeditar álbuns de sucesso para assinalar datas ou oferecer algo exclusivo. Ainda assim, são os incontornáveis “The Dark Side of The Moon” dos Pink Floyd, “Abbey Road” dos Beatles e “Thriller” de Michael Jackson que continuam a fazer furor, mantendo-se no top de vendas mundiais. As marcas dos produtos de som aproveitam a onda e apostam em gira-discos com aspeto “vintage”, mas de melhor qualidade. É preciso recuar mais de 70 anos para conhecer a história do disco de vinil. O primeiro LP (Long Play) foi lançado em 1948 pela mão da Columbia Records, com 33 e 1/3 rotações por minuto, 12 polegadas de diâmetro e 45 minutos de som, somando os lados A e B. Um ano depois a editora americana RCA Victor (depois RCA Records) introduziu o EP (Extended Play) com menos capacidade, mas que viria a ser o formato standard para o “single”. Nas décadas de 1980 e 1990, a chegada das cassetes e depois a explosão dos CD arruinaram o negócio. Mas quando muitos já davam o vinil como obsoleto, milhares de fãs por todo o Mundo mantiveram e alimentaram o sonho. Aquele que foi um símbolo de nostalgia dos amantes da música está de volta e com mais vitalidade do que os formatos que o destronaram.

Inês Schrek NM Amar I 45


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Da “expectativa” à “realidade” Zé Manel faz parte da cultura pop portuguesa. Era adolescente quando, com a banda Fingertips, conheceu o estrelato nacional. Músicas como “Melancholic Ballad” e “Picture Of My Own” fazem parte da cultura musical. Zé Manel iniciou a sua carreira em 2003, com apenas 14 anos de idade. Com um talento incomum para cantar e escrever canções, o seu timbre desde cedo deu que falar. Com os Fingertips e, mais tarde com Darko, percorreu os melhores palcos de Portugal e marcou durante muitas semanas presença nos tops de vendas, de airplay nas maiores rádios e nos melhores canais de televisão. Aos 30 anos de idade, edita o seu primeiro disco em português e em nome próprio. A composição e a escrita a seu cargo, Zé Manel apresenta um disco conceptual e claramente o seu disco mais pessoal. O primeiro single, foi “Janeiro” sendo o segundo a ser lançado “Agosto”, da autoria da Luísa Sobral. No final de outubro, quando o país estava prestes a voltar a fechar-se, o músico natural de Viseu lançou “Expectativa”, o seu nono álbum. A ideia inicial, antes da pandemia, era fazer dois EP's. Depois, veio a quarentena e Zé Manel começou a “compor desenfreadamente”. Resultado? Material para dois álbuns “Expectativa / Realidade”. De “Expectativa”, já foram editados os singles “Pessoas Reais” e “Pressa”. Os dois tão diferentes como iguais. Zé Manel, explica-nos que em Pessoas Reais o imperativo foi demonstrar que “as pessoas precisam de ser educadas, amadas, inspiradas que existem todas as ferramentas para sobreviver e fazer face ao que não se percebe, com amor, tolerância e respeito”. Em Pressa fica marcado como a primeira experiência com o angolano Beatoven. Zé Manel diz que se apaixonou e descobriu uma vertente musical que desconhecia e uma identidade nova. O artista limita-se a fazer aquilo que gosta e em que acredita, da melhor forma que sabe. Tenta fazer discos que ele próprio compraria e que o emociona de alguma forma. Assume-se seguro daquilo que quer para a sua vida e da sua missão, que vai além de simplesmente ‘dar música’.

Paulo Perdiz

MDC Media Group Créditos: Direitos Reservados Amar I 47


Pedro M. Salvador

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Estreia Estreia em Portugal a 25 de março.

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Curiosidades

Sala de Cinema

A película estava prevista para 2020, contudo, a pandemia de Covid-19 acabou por alterar o calendário de lançamento. A primavera do ano que agora começa abre assim uma nova janela de oportunidade para mais trama nacional chegar às salas de cinema. Pedro Teixeira veste a pele de Gabriel, o protagonista da história que se vê envolvido num fenómeno peculiar. A vida deste homem é virada do avesso depois de parar numa bomba de gasolina. No regresso ao carro, encontra no lugar da sua filha, Michelle, um rapaz que não conhece mas que afirma ser seu filho. Desesperado e sem saber do paradeiro de Michelle, o homem regressa a casa, mas nem aí as coisas estão normais. A sua esposa, Patrícia, é transportada por homens encapuçados e desaparece a bordo de uma carrinha. Dentro da habitação espera-o uma mulher, que ele nunca viu mas que jura a pés juntos que é a sua companheira. No meio de uma roda viva em que não se entende de que lado está a verdade, Irregular faz-nos mergulhar num puzzle que promete surpreender a plateia.

Gabriel é um homem feliz. No caminho para levar a filha a uma excursão, pára num posto de gasolina. Tudo muda quando vê a criança ser forçada a entrar numa van que arranca a alta velocidade. Ao chegar a casa, percebe que a mulher também foi sequestrada e que no seu lugar está agora outra mulher e uma criança que ele nunca viu... Ficha Técnica Filme com realização de Diogo Morgado, que contou com a participação de Pedro Teixeira, Margarida Serrano, Carla Chambel, Júlia Belard, Maria Botelho Moniz, entre outros, na versão dobrada em português. Duração: NA Género: Drama Origem: Portugal

Fontes: IMDB e FilmSpot - Imagens: Direitos Reservados

Irregular é um “thriller” de ação realizado por Diogo Morgado, segundo um argumento seu e do seu irmão Pedro, com quem também trabalhou em “Malapata” (2017) e “Solum” (2019).


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“And Just Like That…” — é o nome da nova temporada da série do Sexo e a Cidade, anunciada no início deste ano. A frase, bem conhecida pelo público, aparecia escrita no ecrã do computador de Carrie, e era repetida por ela mesma, em jeito de introdução no início de cada episódio, às aventuras destas quatro amigas cosmopolitas, na cidade de Nova Iorque. A notícia do regresso da série, que não precisa de apresentações, foi recebida pelos fãs com entusiasmo; ainda que com a ausência de Samantha Jones (a actriz canadiana Kim Catrall), que já tinha declinado anos antes a sua praticipação no terceiro filme com o mesmo nome, e que desta vez, se recusou voltar à série; segundo as más línguas, devido à relação conflituosa com SJP. Dez novos episódios, que começarão a ser rodados no final desta primavera, em Nova Iorque, vão levar os fãs de Carrie (Sarah Jessica Parker), Miranda (Cynthia Nixon) e Charlotte (Kristin Davis); que lhes acompanharam os amores, cumplicidades e desilusões desde 1998 até 2004, às suas vidas atuais... Como estão elas agora? A série, que está prevista estrear no final do ano, ou no início do próximo, promete desvendar as aventuras citadinas deste grupo de amigas, que vivem agora a penitude dos cinquenta anos, com o drama e o glamour das suas divertidas peripécias. Com esta fantástica notícia, que marcou o início do ano, e à indiscutível revolução na forma de vestir que a série trouxe à realidade das mulheres de Trinta, na altura, resolvi trazer o estilo de cada uma à lupa. Todas as mulheres, secretamente, se identificam com uma destas personagens, de acordo com as suas preferências no vestir, nos acessórios, cores e estilo pessoal. Descubra a sua!

Maria João Rafael Consultora de Imagem

Créditos: Elle, Glamour, Vogue, Harper´s Bazar, Marie Claire, Google Images - Ilustração: Armand Mehidni

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Carrie Bradshaw É a cronista que prefere comprar a revista Vogue do que o jantar. A mais baixa do elenco, que é proprietária de uma coleção de sapatos de salto alto avaliada para cima de $40.000. Carrie é normalmente, quem mantém os concensos e vive em total liberdade criativa. Tem o instinto natural de lançar tendências mais rapidamente do que a própria Vogue. A personagem mais eclética de todas, que adora encontrar uma bagatela e a sabe coordenar na perfeição, com um par de Manolo’s. Manolo Blahnik, ganhou mediatismo desde que Carrie exprimiu a sua obsessão pelos sapatos desta marca, na série. É sabido que SJP passava 18 horas por dia, de saltos altos, durante a rodagem dos episódios, e ninguém estranhou, quando abriu a sua própria loja de sapatos com o seu próprio nome.

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Caçadora nata de peças “cutting edge”, não passa um dia sem ir às compras. Tem como peças-chave, o fio com o seu nome; idealizado pela designer da série, Patricia Field; que o resgatou aos anos 80 e tem sido campeão de vendas, na loja online desta. O célebre tutu de tule branco, com que aparece no genérico à passagem do autocarro, foi também um achado de Patricia Field, numa loja em segunda-mão, por $5. Os acessórios são o fator surpresa nos seus coordenados.

Já não se pode dizer o mesmo de outras peças, que extrapolam o orçamento de qualquer “fashionista”. O vestido mais caro que usou foi “Mille Feuille” do Atelier Versace Couture, quando estava à espera do seu encontro com Alekxandr Petrovsky, no valor de $80.000. Já o mais polémico, foi o vestido de jornal desenhado por John Galliano, para a Christian Dior, que custou $1.500; e que foi inspirado nos sem-abrigo que populavam pelas ruas de Paris, em 1935. Este vestido foi repetido duas vezes em cena. Foi uma exceção; da mesma forma que o casaco de peles comprido; que foi usado recorrentemente em todas as séries.

Tudo o resto, Patricia Field, fez questão de ser apenas usado uma única vez. Curiosamente, pelo menos 70% do guarda-roupa de Carrie, ficou na posse de SJP.

O estilo pessoal de Carrie é colorido, divertido, e imprevisível. Muito feminina, adora florais e diverte-se quando usa uma flor na lapela de um conjunto mais banal. É fã de peles verdadeiras e abusa de brilhos, mesmo de dia, e de noite veste-se de “flappers”. Carrie é uma criativa, no que concerne o seu estilo pessoal. Quanto à beleza, tanto ondula, como estica o cabelo, sempre volumoso, ou o corta num “bob” intemporal de meter inveja. Coleciona vernizes e batons, como qualquer mulher a gostar dela própria. Amar I 53


Samantha Jones Samantha é essencialmente, uma mulher de negócios na área do entretenimento, num universo masculino. É naturalmente sedutora, irresistível, transgressora, libertina, um demónio insaciável, que tenta homens e mulheres. O seu estilo pessoal, é dramático. Gosta de ser o centro das atenções. Há sempre nela algo que choca e impressiona: um decote, ou um detalhe feminino e excêntrico, que chama imediatamente à atenção. O seu grau de sofisticação está elevado ao máximo, nem que seja para uma tarde às compras. Ela veste para impressionar e construír primeiras impressões irrepreensíveis. Dá preferência a cores chamativas e de grande contraste, como o vermelho e preto. Cores como ela própria; teatrais, fortes e decisivas. Cores arrojadas, padrões de leopardo, chapéus enormes e ombros exagerados. Escolhe tecidos com textura, armados, ou colantes. Abusa dos dourados e dos brilhos.

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Os acessórios são decisivos para a imagem que quer passar. Cintos largos, pulseiras grandes e colares extraordinários. Em relação aos atributos físicos, assume com vaidade a sua cabeleira loura, que mantém quase inalterável no corte. É particularmente discreta no uso de maquilhagem. Usa sem impor, não correndo o risco de se tornar banal; contudo certa dos seus predicados atrativos. Dramática, arrojada, auto-confiante, é a mais destemida de todas. É o tipo de mulher que nos faz acreditar que se pode usar o que quiser. Onde quer que vá, a sua presença deixa uma mensagem.

Apesar de Kim Catrall não entrar na nova série, Samantha é um pilar no grupo das quatro. A atriz, com cerca de mais de dez anos que as companheiras de elenco, quando foi contratada para a série, pensou que iria fazer de mãe de uma das companheiras; nunca julgando que fosse uma delas; por essa razão, terá recusado o papel duas vezes.

Quando estava em fimagens, insistia representar sempre em saltos altos; dizia que isso a ajudava a entrar na personagem. Trouxe uma dinâmica muito divertida ao grupo. Amar I 55


Miranda Hobbes Miranda é uma natural. Prática, como na vida, assim é no vestir. Não complica. É a que tem sofrido alterações mais suaves, na sua imagem. De espiríto independente, advogada, num patamar profissional exigente, cola-se a um estilo profissional necessário; e despreocupado, quando está com as amigas. Sem a preocupação imediata de passar a imagem de uma sedutora, ela centra-se em fatos e peças de boa qualidade, passando uma imagem profissional e competente.

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É coerente nas cores e não gosta de arriscar. Tende a fixar-se em cores sóbrias, suaves e escuras. Sendo ruiva para a série – já que a sua cor natural é o loiro; mantém-se fiel aos verdes, amarelos torrados, bordeux, cor de tijolo, magenta, castanhos e azuis ultramarinos.

É a única do grupo que casa de fato de veludo completo, em vez do tradicional vestido de noiva. Aposta em cortes de cabelo curtos e práticos, de aspeto irrepreensível. A maquilhagem é sempre leve. Para Miranda, definitivamente que “menos é mais”.

É a mais alta do grupo. Recusa-se a usar “piercings”; o que fez com que todos os brincos que usasse na série, tivessem de ser mandados alterar com molas. Amar I 57


Charlotte York De uma personalidade romântica, tradicionalista e clássica, Charlotte é a mais feminina de todas. É a mais cobiçada na net, e comparada a figuras da realeza, como Kate Middleton.

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Em termos de estilo, recorre constantemente, a pormenores extramamente femininos; como aos folhos, laços, bolinhas, previligiando as saias e vestidos em detrimento das calças. As malas são sempre de linhas clássicas ou retro; e até nas cores, tem especial predilecção por rosa.

Os seus costureiros de eleição, são Ralph Lauren, Oscar de La Renta e Prada. Finaliza os seus conjuntos, com um blaser de bom corte, e os seus acessórios eternos; um par de brincos de pérolas ou um colar, e os seus enormes óculos de sol pretos.

Quando se pensa no estilo de Charlotte, imediatamente se visualiza linhas sóbrias, silhuetas clássicas e sapatos de extrema elegância. O perfeito estilo de uma senhora intemporal, a lembrar Audrey Hephburn ou Grace Kelly. Sendo morena de tez clara, opta por cores frias, mas também pelos tons pastel. Usa sempre o cabelo comprido e penteado, sem mácula, e não se atreve a mudar a cor.

Tudo isto reforça a ideia de que Patricia Field, a designer da série, é um génio na indústria da moda do cinema. A sua visão levou com que uma geração de mulheres equacionasse de outra forma a moda. Apostando no sentido eclético das peças, na expressão criativa e o auto-conhecimento de cada mulher. É por isso que o Sexo e a Cidade se mantém atual há mais de vinte anos. E tão cedo, não há-de sair de moda. Ainda que lamentavelmente, sem Samantha Jones. Amar I 59


A psicologia como aliada de “guerra” A

inda não há muito tempo, reconhecer a necessidade de pedir ajuda psicológica, recorrer a um psicólogo, tomar medicação, era motivo de vergonha, de fraqueza, insanidade mental e preconceito.

Acontece que, o receio e a vergonha de expor vulnerabilidade, especialmente em relação aos que nos são mais próximos, são impedimentos comuns. No entanto, a coragem de assumirmos que precisamos de ajuda, é em si mesmo um verdadeiro ato de coragem! Assim, a terapia existe justamente para nos ajudar a encontrar soluções práticas e eficazes no desbloquear de impasses limitadores na nossa rotina, sejam grandes ou pequenos impasses. Hoje, sabemos que é possível e por vezes natural, procurar um psicólogo mesmo na ausência de transtornos mentais.

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Créditos © Joshua Rawson Harris Amar I 61


Nos dias que correm, e em contexto de pandemia, a psicologia adquiriu uma importância e uma necessidade única. Não é por acaso que se ouve muito falar em saúde mental e em recursos para a saúde.

Autocuidado

O autocuidado, por exemplo em início de carreira, muitas vezes está em último lugar nas nossas prioridades. Esquecemo-nos de nós, e com o tempo o corpo e a mente ressentem-se. Carl Rogers (1961), psicólogo Americano humanista, em algum momento admitiu “sempre fui melhor a cuidar dos outros do que a cuidar de mim mesmo”. Praticamos autocuidado quando identificamos, de forma continua as nossas necessidades físicas, mentais e emocionais, para assim estar mais atento e ativo na satisfação das mesmas. Por exemplo, quando a sobrecarga de trabalho é a única satisfação na vida, corremos o risco de negligenciar as outras necessidades. De facto, é como se o autocuidado fosse um termómetro da nossa qualidade de vida. Assim, esta atitude responsável não só é importante, como é crucial. De referir que anda de mãos dadas com a autoestima e autoconfiança. Se não cultivamos o amor próprio, difícil será dar amor aos outros. Aplicando-se a mesma lógica no autocuidado, se não cuidamos de nós mesmos, pouco vamos fazer pelos outros. Diferente do que muitos podem supor, cuidar de si mesmo não é egoísmo, mas uma prova de amor próprio. Assim, quando não nos priorizamos, poderemos enveredar por sentimentos de exaustão mental, falta de motivação e até depressão. Em resumo, quando nos ouvimos, cuidamo-nos.

Porquê fazer psicoterapia?

Num processo psicoterapêutico são criadas as condições para tomada de consciência e o desenvolvimento de mudança. A terapia deve contemplar a capacidade da pessoa de autorregulação das suas necessidades, onde o conceito central abarca duas variáveis psicológicas. Por um lado, uma sensação psicológica de bem-estar, ou seja, de saúde mental com ausência de sintomatologia, e por outro uma sensação psicológica de sentido de vida, de dar significado. Assim, quando as pessoas não têm as suas necessidades psicológicas reguladas, tendencialmente manifesta-se ausência de significado de vida. Neste sentido, pretende-se com a terapia aumentar a liberdade da pessoa no ser capaz de ver outras possibilidades, de ter novas perspetivas perante a sua existência, e situações de vida. Claro está, que existem inúmeras definições de terapia, no entanto, de forma simplista podemos dizer que o objetivo de um processo psicoterapêutico é levar a pessoa a encontrar a solução, com base numa co-construção das soluções, entre terapeuta e paciente/cliente.

Quando devo procurar ajuda profissional? Aprender a distinguir a linha que divide momentos emocionais com momentos emocionalmente difíceis, define um ponto de partida para reconhecer a necessidade de apoio profissional. Sabemos que todas as pessoas, sem exceção têm problemas, sejam eles intrapessoais, interpessoais, emocionais ou físicos. Num mundo cada vez mais exigente e fugaz, a nossa saúde mental é facilmente afetada por uma quantidade considerável de estímulos. Assim, torna-se um desafio, a gestão equilibrada de tantas variáveis que interferem na nossa vida, sem que nos 62 I Amar

esqueçamos de nós próprios pelo caminho. Podemos enumerar vários motivos para fazer psicoterapia, mas qual o melhor momento para procurar apoio profissional? Cada vez mais a psicoterapia adquire uma maior dimensão social, não se restringindo apenas a pessoas “doentes”. Qualquer pessoa pode recorrer á terapia por motivos vários. Desde o foro emocional, processos de ruturas, de luto, ao profissional, como mudança de carreira ou de performance, ou para autoconhecimento e desenvolvimento pessoal. De qualquer, modo enumeramos 7 dos principais sinais de alerta: 1. Emoções intensas: todo o ser humano passa por fases de vida de situações geradoras de tristeza, nervosismo, dores emocionais, ansiedade, euforia. Consoante a intensidade e frequência emocional, torna-se necessário estar atento para o caso do surgimento de qualquer desordem. 2. Variações de humor: estas variâncias, quando polarizadas, podem ser sinal de algum tipo de perturbação emocional, daí a importância de procurar apoio psicoterapêutico com alguém que tenha a capacidade de identificar qual a causa desta sintomatologia que gera desordem e sofrimento a todos os níveis na vida da pessoa. 3. Trauma: um acidente, uma perda, uma separação, desemprego, são eventos que marcam as nossas vidas a um nível muito profundo. Pode levar a pessoa a comportamentos de isolamento social, medos e fobias. O trauma paralisa a vida das pessoas e pode ser altamente prejudicial. Se esses pensamentos traumáticos persistirem por meses, torna-se claro a necessidade de apoio profissional. 4. Desmotivação: a falta de motivação acumulada gera uma sensação de descrença, tristeza, de desinteresse pelas pessoas, pelo trabalho e pelo que até então eram hobbies. A apatia pode ser um marcador de transtorno emocional, que quando não tratado, tenderá a desenvolver-se no tempo e no espaço mental. 5. Baixo rendimento nas atividades: a falta de concentração, a procrastinação, e a consequente baixa de produtividade deve ser tida em conta como motivo suficiente para ser abordado em psicoterapia. A depressão, por exemplo, pode se manifestar como profunda apatia e falta de vontade de fazer atividades que antes eram vividas com entusiasmo. 6. Comportamentos problemáticos: compulsões de origem variada podem gerar transtornos alimentares, obsessivos, manias e até fobias. Tais comportamentos são necessariamente motivo de apoio psicológico profissional, e, quando não bem acompanhados clinicamente podem ser exacerbados e gerar comorbidades várias. 7. Abuso de substâncias: o abuso continuado de substâncias, lícitas ou ilícitas, sob a forma de “automedicação” ou de alívio de dor física ou psicológica, é também motivo de procura urgente de psicoterapia. A falta de auto monitorização e consciência dos seus comportamentos, pode originar desordens psicológicas que, tendencialmente, afetam até mesmo as pessoas que vivem regularmente com o paciente. Atualmente os profissionais da saúde falam que a prevenção é a maior preocupação quando o assunto é bem-estar, autorregulação e qualidade de vida.


Benefícios da terapia

O tratamento psicoterapêutico traz diversos benefícios para a vida do paciente, além daqueles já reconhecidos, como o tratamento de transtornos mentais. Promove o autoconhecimento, ao longo do crescimento, ouvimos críticas e elogios vindos dos nossos cuidadores e de pessoas de referência. É comum internalizar a visão dos outros sobre nós sob a forma de verdades indiscutíveis, ou seja, crenças que poderão distorcer a sua visão de si próprio. O autoconhecimento liberta e leva a uma maior compreensão de nós mesmos.

Terapia presencial ou Terapia online? A modalidade presencial costumava ser a mais popular entre os pacientes, no entanto, com a diversidade e a globalização, o atendimento virtual tornou-se habitual, gerando conveniência, conforto, encurtando distâncias e mantendo a qualidade. Cada vez existem menos motivos para que não se recorra á psicoterapia. Comos últimos acontecimentos mundiais, a psicologia adquiriu uma dimensão e importância irreversíveis. Cuidar de nós, da nossa mente, do nosso corpo e das nossas emoções torna-se fundamental á nossa existência e bem-estar.

Ajuda a gerar motivação e a dar significado, a motivação impulsiona concretização e comprometimento no alcance de objetivos, conquistas e caminhos. Parte sempre de dentro da pessoa e, sem ela, conquistar um objetivo pessoal ou profissional torna-se numa tarefa hercúlea. A falta de motivação pode advir de uma depressão, como com outras problemas. O apoio profissional psicoterapêutico ajuda a encontrar a causa origem da falta de motivação iminente, e nesse ponto, ajudar o paciente a impulsionar os seus próprios motivos. Promove o desenvolvimento e a intensificação de recursos e fornece ferramentas que ajudam a aprender a gerir emoções e a identificar capacidades que não eram valorizadas, nem qualificadas pelo próprio. Desenvolve a inteligência emocional e melhoramento dos relacionamentos intrapessoais e interpessoais. A terapia é uma fonte infinita de conhecimento. Você pode recorrer á psicoterapia em diversas fases da sua história, experimentando insights e aprendendo a cada vez.

Isabel Rebelo

Psicóloga e Hipnoterapeuta

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Inquietude

Fundamental Créditos © tiplea84 64 I Amar


N

ão há evolução sem movimento. A natureza, em constante alterAÇÃO, é o símbolo maior da necessidade de ação - o verbo -, o vento que sopra, o rio que corre, o sol que faz amanhecer o dia e a beleza do poente dando lugar à escuridão e à formAÇÃO dos sonhos na incessante vida interior do universo psíquico. Faço, logo vivo. Vida em progresso é a dinâmica do vaivém, do sobe e desce, enfim, da força que faz e acontece e também transforma feito uma inquietude fundamental à própria existência, tanto na aparente percepção cotidiana quanto na expansão do cosmos e no estonteante e imperceptível interior atómico. Nada nunca pára? Ciclicamente, nós nos inquietamos com quase tudo, e pomos à prova a urgência do movimento, dando-lhe o devido crédito através das incontáveis contradições com as quais convivemos. Provocações? Valorizamos, por exemplo, a perfeição e a imperfeição, o risco e a segurança, conforme nos apetece ao longo de um dado período, trazendo à tona o jogo das oposições que não apenas cria o equilíbrio vez por outra, mas agita as partículas do estado de ser, como ondas crescentes ao redor da pedra atirada ao lago da vida. Seguimos tendências comportamentais com a velocidade da luz que acende o desejo de mudar, não apenas por influência psicológica da manhosa propaganda (ainda que se valha da discreta inconsciência), mas por essencial ânsia de atuAÇÃO. Tomamos os caminhos mais cômodos e menos trabalhosos, é claro, porém, quando espremidos pela emergência das questões, agimos na direção agudamente complexa, qual dedicar-se às exaustivas reflexões de caráter íntimo, ora mais robustamente, ora mais lenta e progressivamente. Mas e a “imóvel” depressão, onde entra nesta história? Se o descanso (mesmo ativo) é a recuperAÇÃO para mais movimento posterior, podemos ponderar acerca da depressão como um alerta evolutivo que se impõe em graus variados e, notadamente, um efeito que busca a modificAÇÃO de um estado para o outro: o aviso que cresce à medida que não se alcança a devida intervenção sobre algo que não está em conformidade, um tipo de pressão inteligente a luzir em prol de alterAÇÕES. Note-se, contudo, certas deficiências neurológicas relacionadas à produção de substâncias químicas importantes na regulAÇÃO do humor, mas, observe-se igualmente, que trata-se de um contingente pequeno (em números relativos) em relação à população mundial, como apontado pela Organização Mundial de Saúde. FrustrAÇÕES, tristezas e conflitos de toda ordem estão na base da maioria dos casos, assim assinalado desde os longínquos

estudos das ciências psicológica e psiquiátrica. Logo, percebe-se a considerável presença do movimento em suas muitas manifestAÇÕES. Não obstante, vale pensar cuidadosamente a respeito da frequência com que empregamos a movimentAÇÃO no dia a dia, talvez exageremos na carga, no tempo e na finalidade, quiçá dirigimos os nossos canhões do poderoso movimento às situAÇÕES desfocadas, mal percebidas e, consequentemente, mal planejadas e pobremente aplicadas, gastando excessiva energia. Quem sabe? Só a reflexão sabe a resposta... Então, apesar de vital a inquietude, não é necessária ainda mais inquietude a sobrepor-se. Requer ai uma boa investigAÇÃO cujas ponderAÇÕES façam assentar um bocado a poeira da agitAÇÃO, pois o seu assentamento completo é impossível, visto ser sinônimo de inAÇÃO, palavra formada pelo prefixo ‘in’ (negativo) + AÇÃO, do latim: actio, ato de colocar em movimento, de realizar. Ação é poder.

Armando Correa de Siqueira Neto

Psicólogo e Mestre em Liderança

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Saúde

Teoria dos 5 Movimentos


Madeira Metal Água Fogo Terra 68 I Amar


T

ambém conhecida como Teoria dos 5 Elementos, ou 5 fases, tem a sua origem nos primórdios da civilização chinesa. Os primeiros registos referentes a esta teoria datam do período que medeia os séculos 476-221 a.C. Nestes tempos, o homem procurava entender os fenómenos naturais, assim como os fatores de mudança que determinam as estações, o clima, entre outros. Compreendendo a influência que estes fatores tinham, os antigos filósofos chineses esboçaram a Teoria dos 5 Movimentos, como: Madeira, Fogo, Terra, Metal e Água. A cada um dos movimentos atribuíram características específicas, em diferentes áreas do organismo. Cada um dos elementos possui uma natureza especial cujas caraterísticas influenciam a dinâmica das nossas vidas. Cada ser humano tem uma afinidade com pelo menos um dos elementos. Esta teoria, é utilizada nos diagnósticos e terapias da Medicina Tradicional Chinesa (MTC), para a recuperação eficaz dos doentes, permitindo esclarecer como os elementos afetam a personalidade e dão como resultado preferências patológicas de cada um de nós através das cores, sabores, emoções, expressões do paciente, estruturas do corpo, doenças e métodos de tratamento. Deste modo, e dado que a Primavera corresponde ao elemento Madeira, vamos fazer uma breve abordagem sobre o mesmo: A estação do ano associada à Madeira é a Primavera. A Primavera é a estação da harmonia. Uma vez que os mais velhos sofrem de alguns tipos de doença crónica, o Qi (energia) ascendente da primavera pode levar essas pessoas a sentirem-se mais cansadas e fracas. Nos meses de inverno, as pessoas tendem a aconchegar-se nas lareiras e a alimentarem-se de comidas muito condimentadas e gordurosas, sendo que estas influências negativas acumulam-se progressivamente no corpo, manifestando-se na primavera. O órgão e víscera associados a este movimento é o fígado e a vesícula biliar. O estado psíquico correspondente é a raiva. A raiva não é um sentimento negativo. Sê-lo-á, se for associado à frustração, amargura, ódio, o que pode levar a uma subida do Qi (energia) do fígado e sendo o órgão e função sensorial deste os olhos e a visão, poderão existir distúrbios a este nível. Contudo, existe o aspeto positivo da raiva, quando iniciamos um esforço ou uma mudança. Por vezes, para conseguirmos alcançar o nosso objetivo, necessitamos de raiva e agressividade, mas sempre com uma cara risonha. Quando falamos de emoção, falamos do mental, do Hun. O Hun dá movimento à mente possibilitando a ligação pensamento e intuição e influenciando a nossa capacidade de relacionamento com o exterior. É ele que distingue o prazer do desprazer. A tipologia constitucional da Madeira, é Yang, são as pessoas do “Leste”, pessoas com capacidade intelectual bem desenvolvida, têm predisposição para as artes, forças armadas, ciências. São pessoas com temperamento difícil, sendo essa a sua batalha interna, controlar o “mau feitio”. São líderes por natureza, impacientes, necessitam de projetos de vida, são pessoas emotivas, apaixonadas por aquilo que fazem. Porém, têm de controlar a sua frustração de não conseguirem evoluir tão rapidamente como desejariam. Relativamente à vesícula biliar (VB), a sua influência nas nossas vidas, vai para além de uma função fisiológica física, mas também mental. Ao longo do seu trajeto meridional, uma influência ao funcionamento do organismo. A VB faz a ponte entre o interno e o externo, controla os músculos e os tendões, acua a nível d sistema nervoso (central, periférico e autónomo), e entre outras, ajuda a ter o discernimento e a coragem para podermos tomar decisões. Conhecendo o nosso corpo e as características de cada órgão, é mais fácil, estarmos atentos ás desarmonias do nosso corpo e assim podemos… sorrir com saúde!

Helena Rodrigues

Especialista Especialista de de Oncologia Oncologia em em Medicina Medicina Chinesa Chinesa

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Mais tempo em casa, mais tempo na cozinha.

Cuidado com a alimentação 70 I Amar


Créditos © lenetstan Amar I 71


O

s hábitos à mesa mudam em tempos de confinamento. Seja como for, é possível ter uma alimentação saudável em qualquer circunstância. Envolver os mais novos na confeção de refeições é fundamental para que percebam a ligação entre comida, saúde e bem-estar. Mais um confinamento, mais refeições em casa, mais tempo à volta do fogão, mais tempo de partilha em família. Vários cenários podem acontecer. Comportamentos mais sedentários, menos exercício físico, alteração do padrão nas compras e no consumo de produtos alimentares. “O consumo de alimentos densamente energéticos e pobres do ponto de vista nutricional, aliado a um maior sedentarismo, poderá ter implicações ao nível do ganho de peso e surgimento de doenças associadas no futuro”, avisa Alexandra Bento, bastonária da Ordem dos Nutricionistas. E os mais velhos têm de olhar pela alimentação dos mais novos. “É imprescindível que os pais ou encarregados de educação organizem bem as suas rotinas alimentares. Fazer um planeamento das refeições e comprar apenas os alimentos necessários poderá ser uma estratégia a adotar em contexto familiar. Mais tempo em casa não deverá significar maior presença de alimentos com quantidades elevadas de açúcar, gordura e sal. O ambiente alimentar em nossas casas deve ser salutogénico”, refere. O tempo deve ser aproveitado para explorar e colocar em prática, juntamente com os mais novos, os princípios de uma alimentação saudável e segura para garantir mais saúde e bem-estar.

Créditos © lenetstan 72 I Amar

Como utilizar este tempo para repensar a dieta familiar e implementar novos hábitos? “A evidência científica revela-nos que envolver as crianças no processo de produção e confeção dos alimentos constitui um fator determinante para a aquisição de conhecimentos, para a sensibilização sobre a importância de uma alimentação saudável e para a mudança de comportamentos alimentares”, responde Alexandra Bento. Estar mais tempo em casa é uma oportunidade para uma maior aposta em atividades de promoção de melhores hábitos alimentares.


Alexandra Bento destaca algumas plataformas online onde podem ser encontrados conteúdos fidedignos e várias atividades que contaram com a colaboração de nutricionistas. O canal Youtube da Ordem dos Nutricionistas tem vários vídeos alusivos à temática da alimentação saudável e sustentável e da dieta mediterrânica. O site do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da Direção-Geral da Saúde (DGS) e o blogue Nutrimento têm materiais e conteúdos para preparar refeições equilibradas e também sensibilizam para a importância da adoção de hábitos alimentares mais saudáveis. Este trabalho em torno da alimentação saudável dos mais novos é uma tarefa de todos. “Adicionalmente, as instituições de ensino e de educação podem desempenhar igualmente um papel importante neste contexto, mesmo em contexto de ensino não presencial, ao programarem e dinamizarem atividades síncronas e assíncronas para os seus alunos, que abordem a importância da prática de uma alimentação saudável.” “Se uma estratégia para a alimentação das crianças nas escolas sempre foi necessária, agora, em período pandémico, consideramos ser de necessidade imediata. Todos devemos assumir o papel de agentes promotores de uma alimentação saudável, especialmente neste contexto pandémico”, refere a bastonária da Ordem dos Nutricionistas.

modelos que as crianças tendem a imitar. “Os hábitos alimentares adquiridos durante a infância podem determinar os comportamentos alimentares na idade adulta. Quando os pais têm hábitos alimentares saudáveis, os filhos também os tendem a desenvolver”, salienta Alexandra Bento. A nutricionista lembra que o sistema de vigilância nutricional das crianças em idade escolar, dos seis aos oito anos, coordenado pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, em articulação com a DGS, mostra que a prevalência de excesso de peso e de obesidade infantil na última década tem vindo a diminuir em Portugal. “Entre 2008 e 2019, esta prevalência caiu de 37,9% para 29,6%, sendo que no caso da obesidade em crianças baixou de 15,3% para 12%.” Os indicadores são animadores, mas a realidade pode contrariar este cenário. “Apesar desta tendência decrescente, ainda são percentagens elevadas, e nesta crise pandémica poderá inverter-se esta tendência, pelo que deveremos manter um olhar especialmente atento aos hábitos alimentares das crianças, em particular, nesta altura em que passam mais tempo em casa”, sublinha a bastonária da Ordem dos Nutricionistas.

A alimentação é um dos mais importantes determinantes da saúde e, nos primeiros anos de vida, assume uma relevância ainda maior, uma vez que influencia o crescimento e desenvolvimento. É precisamente neste período que os gostos e preferências alimentares se formam. E, como se sabe, os pais são os

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AQUÁRIO

Quando o Sol transita pela Casa II é um bom período para cuidar de assuntos ou recursos financeiros. Poderá eventualmente ter de ser esforçar para os assegurar e usar de alguma cautela para não investir imprudentemente. Nesta fase poderá sentir que é através dos seus recursos que melhor se vai exprimir e definir.

Março

Horóscopo

U

m mês de avanços, entre inverno e primavera, quando estamos à espera de uma mudança positiva e quando podemos finalmente dizer adeus aos dias frios. Assim é o mês de março. Para alguns um desafio, mas para muitos, pelo contrário, um prenúncio de um amanhã melhor. Março terá um efeito positivo, especialmente nos signos de Peixes e Áries. Eles serão dominados pela autoconfiança, com a qual a posição do Sol os carrega. No entanto, pode afetar negativamente os signos de Fogo. Orgulho excessivo e até indiferença podem ser esperados e, portanto, conflitos podem surgir. Tente manter seu bem-estar interior. Vęnus terá uma posição forte, dando a muitos indivíduos mais harmonia e amor. Verá os relacionamentos de uma nova perspetiva. Graças ao sentimento de união, alcançará a satisfação, refletida em sua aparência. Portanto, muitas pessoas podem estar à procura da sua empresa. O horóscopo para março de 2021, diz que em termos de instabilidade este mês não será muito conveniente para as pessoas lidarem com sentimentos pessoais. Vai estar melhor se passar o seu tempo livre na companhia de pessoas que ama. Março não é uma boa altura para a meditação e para os pensamentos.

Planetas em março de 2021 O Sol em Peixes

Uma das principais particularidades deste período será a sua intuição. Será muito empático e observador, de modo a que vá parecer muito amigável, generoso e solidário com os outros. Se estiver sozinho, terá tendência para ser preguiçoso, deprimido ou pode até perder o controlo dos seus sentimentos. Vai sentir-se muito melhor rodeado pelas pessoas que ama e que confia. Assim que o sentimento de inferioridade desaparecer, poderá desenvolver-se e autorrealizar-se plenamente.

Vénus em Peixes

Durante este período, o apoio das pessoas à sua volta será muito agradável. A sua mente está aberta, por isso é muito fácil comunicar consigo. Por outro lado, não será capaz de tomar decisões objetivas e, portanto, pode ser facilmente influenciado. Em casos extremos, pode até mesmo confiar numa pessoa que vai traí-lo mais tarde.

Mercúrio em Aquário

Neste período, será bastante honesto. Não importa as circunstâncias - se é apropriado ou não. Sentirá uma necessidade de defender as suas opiniões e ideias muito firmemente. No entanto, pode ter problemas de comunicação devido a essa atitude. Além disso, não terá medo de falar sobre as coisas como elas são. As pessoas vão gostar de vir ter consigo para pedir um conselho.

Marte em Gémeos

Durante este período, vai gostar de se educar, por exemplo, através da leitura. Geralmente espera por nova informação que possa utilizar mais tarde. Os seus argumentos serão muito fortes, e com eles será capaz de se livrar de qualquer coisa. No entanto, a sua personalidade pode ficar um pouco desequilibrada e instável, como se houvesse um conflito pessoal dentro de si. Quando estiver estressado, usará o sarcasmo como um mecanismo de defesa.

CAPRICÓRNIO

Sente-se com uma energia invulgar e com um grande desejo de atividade. Aproveite este período para se dedicar a novos projetos desde a sua casa, de modo a aliviar esse “formigueiro”. Poderá sentir que tem maior discernimento e que as suas ideias estão mais claras, o que lhe pode ser útil para resolver alguma situação menos clara.

SAGITÁRIO

Neste mês a sua atenção estará voltada para o mundo relacionado com a sua vida pessoal e para as pessoas que a integram. Embora exista um natural apelo exterior, é provável que o lar e a família lhe ocupem mais a sua atenção e disponibilidade. Concentre-se no apoio que poderá dar à família e amigos.

ESCORPIÃO

É um bom período para ganhar consciência das suas fraquezas e dos seus pontos fortes, em suma, daquilo que realmente é, independentemente do que os outros esperam que seja. O relacionamento com crianças também poderá estar na ordem do dia. Se tiver filhos, aproveite para analisar a vossa forma de relacionamento.

BALANÇA

O seu bem-estar físico, a sua saúde, e, em princípio, a manutenção de um bom estado geral, vão reclamar a sua atenção e preocupação. Talvez seja altura para uma decisão drástica, para cortar com tudo o que lhe é prejudicial fisicamente. Nesta altura poderá também afinar novos métodos de trabalho e ganhar, assim, maior eficiência.

VIRGEM

Nesta altura está a desenvolver a sua capacidade de aprender mais acerca de si. Esta aprendizagem será realizada através das suas relações com os outros de uma forma geral e sobretudo na sua relação a dois. É um excelente momento para examinar o seu relacionamento afetivo, amoroso, e para descobrir aquilo de que ele necessita para evoluir.

LEÃO

Este é um período de transformação, sobretudo em termos psicológicos. Poderá sentir que a sua atenção está mais voltada para o seu mundo interior. Desejará explorar o seu psiquismo, as suas emoções e os seus sentimentos mais profundos. Este período poderá ainda trazer-lhe algumas preocupações financeiras.

CARANGUEJO

Esta é uma boa altura para fazer viagens através do pensamento. É o período ideal para estudar e aprofundar todo o tipo de conhecimentos. Precisa de se conhecer a si mesmo para que possa aproveitar as boas oportunidades que lhe vão surgir. Pode encontrar pessoas que o vão ajudar a ampliar os seus horizontes.

GÉMEOS

A sua vida profissional está na ordem do dia. É um bom período para fazer uma retrospetiva da sua vida e analisar as boas e más decisões que tomou. É através das experiências do passado que melhor podemos planear o futuro. Evite tomar decisões de forma precipitada e leviana, o que lhe pode trazer dissabores futuros.

TOURO

No decorrer desta fase, chegará à conclusão de que é mais proveitoso e útil consultar os seus amigos ou colaboradores, nas decisões que tiver de tomar. Caso não possa estar pessoalmente com eles, comunique através da internet ou outro meio de comunicação e ouça com atenção as suas ideias e os seus argumentos.

CARNEIRO

Este trânsito será um momento de incremento e expansão da sua vida interior de ver mais desenvolvidas as suas capacidades de premonição, de adivinhar situações. Dê mais atenção às suas intuições, pois elas neste momento podem trazer-lhe, num segundo, aquilo que normalmente leva muito tempo a descodificar.

PEIXES

Nesta altura irá verificar no seu comportamento uma maior energia e impulsividade. O seu corpo reclama mais atenção, pelo que deve aproveitar e fazer uma alimentação mais saudável ou um novo regime alimentar. Dedique-se também mais à atividade física e verá que depois se sentirá muito melhor, com muito mais vigor.


Amêijoas na cataplana à Algarvia

Culinária

PREPARAÇÃO 1. Coloque as amêijoas numa cataplana. Sobre elas disponha o chouriço cortado em rodelas, as tiras de bacon, a cebola e os dentes de alho descascados e cortados em rodelas, o tomate limpo de sementes e picado em cubos pequenos.

T

raga os sabores do Algarve à sua mesa com umas amêijoas na cataplana. Um prato simples, mas que todos apreciam. Sirva com fatias de pão para acompanhar. Delicie-se!

2. Polvilhe com o colorau, o sal e pimenta moída na altura. 3. Adicione o ramo de salsa atado com a folha de louro e regue com o azeite. 4. Feche a cataplana e leve a lume brando entre 20 e 25 minutos, agitando-a de vez em quando. Abra a cataplana na mesa e sirva com pão cortado em fatias finas.

SERVE 6 DOSES TEMPO MÉDIO DE PREPARAÇÃO: 40 MINUTOS DIFICULDADE: FÁCIL INGREDIENTES • • • • • • • • • • • • •

2 kg amêijoas brancas congeladas 100 g chouriço de carne 100 g bacon em tiras 200 g (2 unid.) cebola 3 dentes de alho 200 g (2 unid.) tomate maduro 1 c. de sobremesa colorau 1 c. de sobremesa sal qb pimenta de moinho 1 ramo de salsa 1 folha de louro 3 c. de sopa azeite 250 g pão da avó


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