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Revista Amar - Março 2019

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EDIÇÃO 38 • ANO 4 • MENSAL • WWW.REVISTAMAR.COM

Madalena Balça MARÇO2019


Ficha Técnica Direção

Carmo Monteiro Manuel DaCosta

Edição Gráfica Carlos Monteiro

Marketing

Carmo Monteiro MDC Media Group

Fotografia Carmo Monteiro Carlos Monteiro

Colaboradores

André Marques Armando C. de Siqueira Neto Artur F. Guedes Carlos Cruchinho Cristina Fragata David Gonçalves Helena Rodrigues Isabel Rebelo Maria João Rafael Paulo Mendes Pedro M. Salvador Raquel Couto Sara Cristina Pereira

Participação Especial Madalena Balça

Agradecimentos

Associação Migrante de Barcelos de Toronto Casa do Alentejo de Toronto Lenine Cunha Portuguese Cultural Centre of Mississauga Zonta

Conteúdos 6

MARÇO 2019

S. Valentim A. M . Barcelos

A comunidade lusocanadiana também celebrou o S. Valentim com a atuação de Nelz e José Alberto Reis.

8 Grande Gala do fado

A Casa do Alentejo de Toronto realizou a XXXV Semana Cultural e estivemos presentes na noite dedicada ao fado.

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Dia Internacional da Mulher

página 4

Fique a conhecer um pouco da história e algumas curiosidades por trás desta dataimportante.

18 MadalenaBalça

página 12

Em março estivemos à conversa com a voz da rádio e cara conhecida do pequen ecrã que, recentemente, abraçou o projeto MDC Media Group.

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Os tesouros escondidos de Marrocos

página 14

página 16

Este mês rumamos a paragens mais quentes e levamo-lo a conhecer as jóias escondidas de Marrocos.

Contacto

www.revistamar.com info@revistamar.com www.facebook.com/revistamar

416.806.7616

34

Rio de Janeiro

Sabia que a cidade brasileira foi a capital do império português no século XIX?

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página 36

página 44

Snu

Na sala de cinema deste mês trazemos-lhe o filme que relata a história de amor de Snu Abecassis e Sá Carneiro.

50 Revista Amar é uma marca registada e empresa subsidiária dos grupos MDC Media Group e Cyber Planet Inc. Custo estimado por exemplar

$4.49

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Emoções sem fronteiras

Isabel Rebelo fala-nos sobre o mundo das emoções, na crónica mensal de psicologia.

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Menopausa

Helena Rodrigues fala-nos sobre a abordagem da medicina tradicinal chinesa a este período fisiológico.

página 56 Os artigos publicados na presente edição são da inteira responsabilidade dos seus autores, podendo não refletir as opiniões e posições da Revista Amar naquela matéria. Os conteúdos publicitários publicados na presente edição são da inteira responsabilidade e com autorização e aprovação prévia dos seus autores. A utilização do novo acordo ortográfico na matéria da presente edição ficou à inteira descrição dos seus autores.


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O amor andou no ar no

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o dia 16 de fevereiro o Clube Cultural Português de Mississauga voltou a celebrar o Dia dos Namorados, num ambiente de sublime romantismo.

todos que decidiram estar presentes, agradecendo, também, aos órgãos da comunicação social que divulgaram e estavam presentes no evento.

Sala decorada a rigor, ementa leve e requintada e música ao som da Banda Sagres, foram suficientes para uma noite esgotada e inesquecível.

Durante a noite ainda houve tempo para um sorteio de uma viagem a Portugal, patrocínio da Airtransat, numa festa que decorreu pela madrugada dentro e que vai, com certeza, permanecer na memória de todos os que escolheram este clube para a celebração do “Valentine’s”.

O presidente Tony de Sousa, que primeiramente endereçou os seus cumprimentos a

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FOTOGRAFIA © CARMO MONTEIRO

Centro Cultural Português de Mississauga


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Associação Migrante de Barcelos

A

Associação Migrante de Barcelos celebrou o São Valentim em grande clima de romantismo, no dia 9 de fevereiro - no salão da LiUNA Local 183, naquele que foi o seu terceiro evento dedicado ao Dia dos Namorados, atraindo aproximadamnete 800 pessoas. O presidente Vítor Santos, estava convicto de que esta seria a festa “... mais romântica da comunidade” justificando a afirmação com as atuações dos artistas convidados, o luso-canadiano Nelson “Nelz” Medeiros e o cabeça de cartaz, o cantor José Alberto Reis, vindo de Portugal. Nada ficou ao acaso numa noite que celebra o amor e o serão correu bem e muito animado como anunciando, havendo espaço para algumas surpresas. O que parecia ser o anúncio da surpresa pelo MC, o radialista António César, chamando ao palco Vítor Santos, que atravessou a sala à frente de um cortejo de bombos e Zés Pereiras da Associação Migrante de Barcelos, eis que surge outra surpresa, um grupo mega divertido de matrafonas da Academia dos Amigos Alegres, de Torres Vedras que fez as delícias de aldultos e das dezenas de crianças. 6 I Amar

As matrafonas, que são homens mascarados de mulher de forma exuberante e extravagante, são uma tradição centenária do Carnaval de Torres Vedras, que por acaso é a terra natal de Vítor Santos. A presença das matrafonas foi explicada por Vitor Santos “... o Carnaval de Torres Vedras é o Carnaval mais português de Portugal, é dos mais antigos, tem mais de 100 anos, tem uma história riquíssima e tem um símbolo que são as matrafonas. Em Torres Vedras, homem que se digne veste-se de mulher no Carnaval, porque senão não é torriense. Vamos trazer até nós pela primeira vez, um Carnaval à moda de Torres Vedras, com matrafonas e tudo, e fazer disso outra tradição da Associação Migrante de Barcelos”. Em tom de brincadeira para assinalar e oficializar a data, a assessora da vereadora Ana Bailão, Marlene Araújo subiu ao palco e entregou a “chave” da cidade de Toronto às matrafonas da Academia dos Amigos Alegres. A última supresa, e para espanto dos presentes, foi o dueto de José Alberto Reis e Vitor Santos que interpretaram o tema “Toca guitarra do meu país”. A Revista Amar felicita a Associação Migrante de Barcelos por mais um evento cheio de animação.

FOTOGRAFIA © CARMO MONTEIRO

S. Valentim na


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XXXV Semana Cultural da Casa do Alentejo de Toronto

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35.ª edição da Semana Cultural Alentejana organizada pela Casa do Alentejo de Toronto terminou no dia 23 de fevereiro com a habitual Gala de Fados, depois de uma semana repleta de actividades - exposições e palestras-, espectáculos, gastronomia diversificada e que bem representou a região e ainda incluíu a comemoração do 36.º aniversário desta casa cultural. As honras de abrir a noite de Fado coube à fadista luso-descentente Clara Santos , acompanhada pelos músicos Hernâni Raposo, Pedro Joel e Sérgio Santos, e de Portugal veio o fadista Duarte acompanhado pelos guitarristas Pedro Amendoeira e João Filipe. A Revista Amar não podia deixar de homenagear este prestigiado pilar da cultura portuguesa no Canadá e felicitar a direção pelo excelente programa apresentado durante 7 dias recheados de tradições e cultura alentejana.

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XXXV Semana Cultural da Casa do Alentejo de Toronto

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ZONTA

Dia Internacional da Mulher

N

o dia 5 de março o Clube Zonta de Oakville, a comemorar 100 anos, celebrou mais um Dia Internacional da Mulher com mais de 600 mulheres no Burlington Convention Centre. Este clube visiona um mundo onde os direitos da mulher sejam reconhecidos como os direitos humanos e onde a mulher possa atingir o máximo do seu potencial. Tendo em conta que o Clube Zonta de Oakville também reconhece a importância da saúde e bem-estar da mulher, o apoio deste ano foi para o Hospital de Oakville.

A convidade de honra e oradora desta edição Catriona Le May Doan, bicampeã olímpica dos Jogos Olímpicos de Inverno, deu um discurso extraordinariamente motivador e recheado de acontecimentos reais durante o seu percurso como atleta profissional, destacando a derrota nos Jogos Olímpicos de Lillehammer, Noruega´94, e como se reergeu alcançando ouro em Nagano, Japão´98 e Salt Lake City, E.U.A.´02. Depois de ter sido comentadora televisiva de 5 jogos olímpicos, atualmente 12 I Amar

desenpenha o papel de mentora, voluntariamente, da delegação da equipa do Canadá. Para Catriona Le May Doan “é muito gratificante poder partilhar tudo que aprendi e as minhas experiências nos jogos com a nova geração de atletas”. Sobre a importância do Dia Internacional da Mulher diz que “... é importante celebrar o dia e devemos celebrar o facto de sermos um exemplo para as jovens, mostrar que podemos ser independentes, fazer voluntariado, praticar desportos, trabalhar, etc.”. Catriona realça que “... quero ser um exemplo para a minha flha, como a minha mãe foi para mim. Que podemos fazer muitas coisas e isso não significa que temos que sacrificar ou abdicar de outras, que podemos ajudar quem precisa e mesmo assim atingir os nosso objetivos”. Entre os leilões e doações foram arrecadados cerca de $40,000.00.

A Revista Amar deixa aqui um agradecimento a Ema Dantas da Fundação Peaks for Change, pelo convite a estar presente neste evento que celebra as Mulheres do mundo.


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FOTOGRAFIA © CARMO MONTEIRO


8 de março

DiaInternacionaldaMulher

História & Curiosidades

O

Raquel Couto

dia 8 de março é o resultado de uma série de lutas, acontecimentos e reivindicações das mulheres (principalmente nos E.U.A. e Europa) por condições melhores de trabalho e direitos sociais e políticos, que tiveram início na segunda metade do século XIX e se estenderam até às primeiras décadas do século XX. No dia 8 de março de 1857, os trabalhadores de uma indústria têxtil de Nova Iorque fizerem greve por melhores condições de trabalho e igualdades de direitos laborais para as mulheres. O movimento foi reprimido com violência pela polícia. Em 1903, profissionais liberais norte-americanas criaram a Women’s Trade Union League. Esta associação tinha como principal objetivo ajudar todas as trabalhadoras a exigirem melhores condições de trabalho. Em 1908, mais de 14 mil mulheres marcharam nas ruas de Nova Iorque reivindicaram o mesmo que as operárias no ano de 1857, bem como o direito de voto. Caminhavam com o slogan “Pão e Rosas”, em que o pão simbolizava a estabilidade económica e as rosas uma melhor qualidade de vida. Mais tarde, o Partido Socialista norte-americano decretou o último domingo de fevereiro o Dia Internacional da Mulher. Foi comemorado pela primeira vez em 1909 quando as trabalhadoras do comércio de agulhas de Nova Iorque, fizeram uma manifestação para lembrar o movimento de 1857 e exigir o voto feminino e o fim do trabalho infantil, movimento que também foi reprimido pela polícia. Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, a revolucionária alemã Clara Zetkin propôs e ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o “Dia Internacional da Mulher”, em homenagem ao movimento pelos direitos das mulheres e como forma de obter apoio internacional na luta ao direito de voto para as mulheres (sufrágio universal). No dia 25 de março de 1911, cerca de 140 trabalhadores (maioria mulheres) morreram queimados num incêndio numa fábrica de tecidos em Nova Iorque. As mortes ocorreram em função das condições precárias de segurança no local. Como reação ao acidente trágico, houve a necessidade de fazer várias mudanças nas leis laborais e de segurança de trabalho, gerando melhores condições para os trabalhadores norte-americanos. Somente no ano de 1975, durante o Ano Internacional da Mulher, é que a ONU (Organização das Nações Unidas) passou a celebrar o Dia Internacional da Mulher a 8 de março.

14 I Amar

Clara Zetkin - Créditos: DR

Objetivo da Data

Com a criação desta data, não se pretendia apenas comemorar. Na maioria dos países, realizam-se conferências, debates e reuniões cujo objetivo é discutir o papel da mulher na sociedade atual. O esforço é para tentar diminuir e, quem sabe um dia terminar, com o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todos os avanços, elas ainda sofrem, em muitos locais, com salários baixos, assédio sexual e desvantagens na carreira profissional. Muito foi conquistado, mas muito ainda há para ser modificado nesta história. De ano para ano, esta data passou a ser assinalada em todo o mundo dando estímulo à luta das mulheres pela igualdade de direitos.


Marcos das Conquistas das Mulheres na História

• 1788 - o político e filósofo francês Condorcet reivindica direitos de participação política, emprego e educação para as mulheres;

• 1840 - Lucrécia Mott luta pela igualdade de direitos para mulheres e negros dos EUA; • 1859 - surge na Rússia, na cidade de São Petersburgo, um movimento de luta pelos direitos das mulheres;

• 1862 - durante as eleições municipais, as mulheres poderam votar pela primeira vez na Suécia; • 1865 - na Alemanha, Louise Otto, cria a Associação Geral das Mulheres Alemãs; • 1866 - no Reino Unido, o economista John S. Mill escreve exigindo o direito de voto para as mulheres inglesas;

• 1869 - é criada nos Estados Unidos a Associação Nacional para o Sufrágio das Mulheres; • 1870 - na França, as mulheres passam a ter acesso aos cursos de Medicina; • 1874 - é criada no Japão a primeira escola para meninas; • 1878 - na Rússia é criada a primeira Universidade Feminina; • 1893 - a Nova Zelândia torna-se o primeiro país do mundo a conceder direito de voto às

Lucrécia Mott - Créditos: DR

mulheres. A conquista foi o resultado da luta de Kate Sheppard, líder do movimento pelo direito de voto das mulheres na Nova Zelândia;

• 1901 - o deputado francês René Viviani defende o direito de voto das mulheres; • 1910 - em Portugal, a luta pela implantação da República, que levou à queda do regime fascista, contou com a ajuda das mulheres;

• 1911 - na Áustria, Alemanha, Dinamarca e Suíça, milhares de mulheres marcharam a exigir o direito de voto, de trabalho e o fim da discriminação;

• também em 1911 a associação Women’s Trade Union League organizou uma manifesta-

ção, com mais de cem mil pessoas, que protestaram contra um incêndio, que vitimou 140 mulheres, por falta de condições de trabalho;

• na Rússia, a revolução bolchevique teve o seu inicio em 1917, com as reivindicações de mulheres que reclamavam por “pão e paz”;

• 1937 - na Espanha as mulheres revoltaram-se contra o regime franquista; • 1943 - na Itália um movimento feminino protestou contra Mussolini e exigiu o fim da II

Kate Sheppard - Créditos: DR

Guerra Mundial;

• 1951 - a OIT (Organização Internacional do Trabalho) estabelece princípios gerais, visando a igualdade de remuneração (salários) entre homens e mulheres para exercício de mesma função.

Sabia que... • Hattie McDaniel foi a primeira atriz negra a ganhar uma estatueta do Oscar. O prémio,

recebido em 1940, foi pelo reconhecimento de sua atuação como atriz segundária no filme “E tudo o vento levou”.

• Amelia Earhart foi pioneira na aviação dos Estados Unidos, autora e defensora dos direitos das mulheres. Earhart foi a primeira mulher a receber a “The Distinguished Flying Cross”, condecoração dada por ter sido a primeira mulher a voar sozinha sobre o Oceano Atlântico. Estabeleceu diversos outros recordes, escreveu livros sobre suas experiências de voo, e foi essencial na formação de organizações para mulheres que desejavam pilotar.

• Marie Curie foi uma cientista polaca que descobriu e isolou os elementos químicos, o polónio e o rádio, junto com Pierre Curie. Foi a primeira mulher a ganhar o Prémio Nobel de Física e a primeira mulher a lecionar na Sorbonne.

Hattie McDaniel - Créditos: DR

• Junko Tabei era alpinista e foi a primeira mulher a chegar ao cume do Monte Everest, em 1975. Antes, em 1969, já tinha fundado o Clube de Alpinismo Joshi-Tohan, exclusivo a mulheres.

• Nadia Comaneci é a ex-ginasta romena, que disputou na modalidade artística, foi a pri-

meira pessoa a receber uma pontuação perfeita de 10.0 nos Jogos Olímpicos. Ainda hoje é tida como um ídolo mundial desportivo.

• Janet Guthrie é a ex-automobilista que se turnou na primeira mulher a se classificar e

competir 500 milhas de Indianápolis e 500 milhas de Daytona. Seu melhor resultado foi o sexto lugar em Bristol em 1977, melhor resultado conseguido por uma mulher numa corrida da NASCAR de alto nível.

• Margaret Bourke-White foi a primeira reporter fotográfica da revista Fortune e a pri-

meira mulher a quem foi dada autorização para fotografar em território soviético, na década de 1930. Pelas mãos de Henry Luce, Margaret também foi a primeira fotógrafa da revista Life. Foi também a primeira correspondente de guerra e a primeira mulher autorizada a trabalhar na zona de combate durante a Segunda Guerra Mundial.

Janet Guthrie - Créditos: DR Amar I 15


Teolinda Gersão Autora Portuguesa

Teolinda Gersão nasceu em Coimbra, estudou Germanística, Romanística e Anglística nas Universidades de Coimbra, Tübingen e Berlim, foi Leitora de Português na Universidade Técnica de Berlim, assistente na Faculdade de Letras de Lisboa e depois de provas académicas, professora catedrática da Universidade Nova de Lisboa, onde ensinou Literatura Alemã e Literatura Comparada. Além da permanência de três anos na Alemanha viveu dois anos em São Paulo, Brasil, e conheceu Moçambique, onde decorre o romance de 1997 “A Árvore das Palavras”. Autora sobretudo de romances, publicou até agora duas novelas (Os Teclados e Os Anjos) e duas coletâneas de contos (Histórias de Ver e Andar e A Mulher que prendeu a Chuva).

Fontes: Wikipedia, teolindagesao.com, FNAC, Wook Fotografia: DR

Quatro dos seus livros foram adaptados ao teatro e encenados em Portugal, Alemanha e Roménia. Dois dos contos deram origem a curtas metragens e está a ser feita uma longa metragem a partir do romance Passagens.

Foi escritora-residente na Universidade de Berkeley em 2004. O seu livro mais recente é Prantos, Amores e Outros Desvarios (2016). Vive em Lisboa.


Obra Literária

“PRANTOS, AMORES E OUTROS DESVARIOS” A

morte de um homem amado; o pranto de uma mulher que falha uma promessa e se julga castigada; uma mãe, uma filha e o cheiro venenoso das acácias; uma mulher que se extravia dentro dos seus sonhos; aquele elevador com alguém preso lá dentro; o futebol, implacável jogo bravo; setenta e cinco rosas cor de salmão, seguras por um laço de seda e embrulhadas em papel de prata; solidariedade machista, conselhos

de um velho a um rapaz; uma água-marinha que traz uma mensagem; não cobiçar as coisas alheias; uma teia de enredos, e a Alice que caiu num buraco do qual dificilmente conseguirá sair. Catorze contos extraordinários, de uma das autoras mais consagradas e inquietantes da literatura actual, que nunca deixa de nos surpreender com a acutilância e profundidade da sua escrita.

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Madalena Balça Sinceramente, nunca senti que por ser mulher estava a ter mais dificuldade em construir a minha carreira.

N

asceu em Coimbra há 54 anos. Fez a instrução primária em Soure, onde viveu 6 anos – dos 3 aos 9 - com os seus pais e dois irmãos. A partir daí, fez todo o seu percurso escolar e vida em Coimbra. Apesar de os pais serem ambos licenciados em matemática, Madalena Balça na altura de fazer a sua escolha de vida profissional, não lhes seguiu os passos. Foi atrás do seu sonho e entrou no mundo da comunicação. Trabalhou durante 30 anos na RTP, tendo começado pela rádio (Antena 1), ainda em Coimbra. A vida levou-a para fora da sua cidade natal e com 22 anos foi viver e trabalhar para o Porto. Atualmente, e desde 1990, ano do seu casamento com o seu companheiro de 35 anos de vida, vive em Pardilhó, no concelho de Estarreja, numa casa com vista para a Ria de Aveiro. Determinada, sonhadora e trabalhadora incansável - estas são algumas das caraterísticas que marcam a sua personalidade e que a têm ajudado a construir uma carreira profissional de mais de 35 anos. Madalena arranja ainda tempo para se entregar aos outros - é presidente do Lar de Idosos da Associação da Quinta do Rezende, em Pardilhó, onde tem desenvolvido um trabalho voluntário de gestão, da instituição sem fins lucrativos, com excelentes resultados. Atualmente Madalena Balça, casada, mãe e muito em breve avó, é Diretora da Camões TV e do jornal Milénio Stadium, depois de ter aceitado o desafio do presidente do grupo MDC, Manuel DaCosta.


Revista Amar: Casou aos 26 anos depois de sete anos de namoro. Como descreve a sua relação, tendo em conta a profissão que desde sempre desenvolveu e que lhe tirou muito tempo pessoal? Madalena Balça: Na realidade, casei ainda com 25, a dois meses de fazer os 26 (risos). Bem… melhor do que tudo que eu possa dizer, os anos do nosso relacionamento falam por mim – entre namoro e casamento já somamos 35 anos juntos. E a conclusão óbvia é que foi uma escolha acertada, sem dúvida. A minha vida nunca foi propriamente “normal”, ou seja, exigiu sempre muitas ausências, muitas viagens, muita interação com todo o tipo de pessoas. Mais do que o tempo pessoal que sempre me tomou, a minha vida profissional teve sempre um lado de exposição pública com a qual o meu marido (e mesmo quando ainda namorado) aprendeu a conviver e a aceitar. Admiro-o muito por isso. Principalmente, nos anos em que eu era muito conhecida e até posso dizer assediada (no bom e no mau sentido), o Júlio sempre demonstrou ter uma confiança absoluta em mim e isso foi fundamental. Portanto, em grande medida o “sucesso” do nosso relacionamento deve-se a ele, embora eu também tenha a minha quota parte, claro (risos). RA: Foi fácil ser mãe e conciliar com a vida profissional? MB: Não. Sinceramente, não. E muitas vezes dou comigo a pensar que não fui a mãe que devia ter sido. Mais presente. Fiz sempre um esforço por me dedicar à minha filha e acompanhá-la em tudo o mais possível. Quando estava com ela tentava estar a 100%, mas na verdade eu não tinha uma vida “nine to five” (ainda hoje não tenho…), raramente conseguia ir buscá-la à escola, por exemplo, cheguei muitas vezes a casa e ela já estava a dormir… enfim essas coisas que hoje, olhando para trás, penso se agi corretamente. São momentos que nunca mais voltam e hoje tenho pena de não ter vivido, a infância e juventude dela, de uma forma ainda mais intensa. Mas alguma coisa devo ter feito bem, eu e o pai, porque a minha filha é um ser humano fantástico. RA: Tem uma única filha. Como descreve a vossa relação? MB: A minha filha é a minha vida. Temos uma relação muito próxima. Acho que, como acontece tantas vezes, por nos amarmos tanto… às vezes chocamos. Ela tem uma característica que aprecio muito, porque eu também sou assim, mas que às vezes “aleija” – ela é muito frontal. Diz tudo o que tem para dizer e, naturalmente, que a mim diz sem filtros. E, por vezes, amuamos uma com a outra por causa disso. Mas ela sabe que em mim tem a mãe que está 20 I Amar

sempre pronta para lhe dar a mão, empurrar o baloiço da vida, ou para a levantar quando por qualquer motivo cair. E eu sei que a minha filha é a pessoa que mais me ama, no mundo. Mesmo quando me responde torto (risos). RA: A Catarina é filha de uma jornalista e de um advogado. No entanto, escolheu o mundo da comunicação social. Acha que houve aqui dedo da mãe? MB: Em consciência nunca fiz nada por isso. Aliás, tentei sempre fazer-lhe ver as dificuldades desta vida, que não é tão cor-de-rosa como poderá parecer. No entanto, sempre entendi que ela devia acima de tudo escolher uma carreira profissional com a qual se identificasse. Não há nada pior do que não gostar do que se faz. Afinal, passamos a maior parte da nossa vida a trabalhar e deve ser horrível estar num estado de permanente infelicidade. Por outro lado, sempre lhe disse “escolhas o que escolheres para a tua vida profissional tenta ser uma boa profissional”, porque eu acho que isso é meio caminho andado para sermos felizes. E eu só quero ver a minha filha feliz. Agora, sinceramente, acho que ela escolheu bem. RA: A sua filha depois de terminar o curso sai de Portugal e decide tentar a sorte no Canadá. Como viu essa decisão? Acha que foi a mais acertada? MB: Ponto prévio… eu amo a minha filha. E por a amar tanto sempre quis e quero o melhor para ela. Ela terminou o curso numa altura muito difícil deste país (mais uma…). E Portugal, que é um país maravilhoso, é muito pequeno e, graças à gestão política desastrosa de anos e anos, continua a não acarinhar os jovens. Não lhes dá oportunidade para crescerem e se sentirem bem. Por outro lado, talvez por ter sempre vivido no mundo da comunicação, que como sabemos não tem fronteiras, eu sempre achei que os jovens precisam de mundo. E mais ainda os jovens comunicadores. Por isso eu apoiei a decisão dela. Logo, de imediato. Embora me tenha custado imenso. Muito mesmo. Ficou um vazio imenso. O Canadá foi uma decisão muito acertada. Claro que teria sido muito melhor para nós, pais, que ela tivesse escolhido um país europeu, mais próximo de Portugal, mas o Canadá é um país extraordinário. Por isso sim acho que foi uma boa escolha. RA: Como lida com as saudades? MB: Tem dias… uns melhores que outros. Hoje em dia as saudades vão-se esbatendo nas videochamadas, nos telefonemas constantes, mas falta o toque, o abraço, o cheiro... Não vou mentir. Não é fácil, mas aprende-se a viver com isso.


Madalena, com um ano em Coimbra

Madalena e filha Catarina

Na equipa de basquetebol de que fez parte

Catarina e Madalena

Madalena, Catarina e Júlio

O casamento de Madalena Balça e Júlio Matos

Júlio e Madalena em Paris - 2009 Amar I 21


RA: A Madalena tinha 17 anos na altura de fazer os exames para a universidade. Numa família ligada às matemáticas, o jornalismo foi a sua primeira opção? Porquê?

RA: Aos 18 anos decidiu ir bater à porta da RDP/Centro a pedir trabalho. Alguma vez imaginou que os 15 dias à experiência que conseguiu, se transformassem em mais de 30 anos na RTP?

MB: De facto, a matemática sempre fez parte da minha casa (risos). E eu até gostava bastante da área de ciências, mas quando pensava no que queria fazer na minha vida, não estava a ver nenhuma profissão que me agradasse mais, do que a que vim a escolher. Foi uma escolha muito pensada e desde cedo. Procurei informar-me qual seria a melhor via para ser jornalista e, em Portugal, na altura, não havia outra alternativa a não ser ir para Lisboa para o curso de comunicação social, que tinha acabado de abrir na Universidade Nova. E estava tudo pensado e decidido. Acontece que a vida acabou por me trocar as voltas. A separação dos meus pais, que aconteceu quando eu estava a terminar o 12º ano, acabou por me marcar o destino profissional. Estava em plena altura de exames e as coisas correram mal. Chumbei no exame de História, disciplina em que até era muito boa aluna. E não entrei para faculdade nenhuma. Por outro lado, mesmo que tivesse entrado, já tinha decidido que não iria deixar a minha mãe e os meus irmãos em Coimbra, onde vivíamos, para ir para Lisboa. Estive um ano à espera e no ano seguinte entrei para Direito, na Universidade de Coimbra. Achei que não havendo hipótese de seguir comunicação social, aquele seria o curso que me poderia ajudar a fazer carreira de jornalista. Havia muitos exemplos de jornalistas licenciados em Direito. Enganei-me completamente. Detestei o curso e não passei do primeiro ano. (risos).

MB: Depois da separação dos meus pais e depois de saber que não tinha entrado para a faculdade, comecei por ficar em casa, muito deprimida durante alguns meses, até que reagi e disse a mim própria que tinha que fazer alguma coisa para sair daquele buraco em que estava. Procurei trabalho e comecei a fazer sondagens de opinião, porta à porta, até que um dia cheguei à cozinha lá de casa e disse à minha mãe “vou à RDP/Centro falar com o Sansão Coelho e perguntar-lhe o que é preciso para ser locutora de rádio”. A minha mãe ficou em pânico “nem digas que és minha filha” (risos). O Sansão Coelho era, na altura, uma das maiores figuras da comunicação nacional e em Coimbra era e é uma pessoa muito respeitada. E a minha mãe achava que era uma vergonha eu ir falar com tal pessoa sem a conhecer de lado nenhum. Mas eu fui. Eu era uma ouvinte compulsiva de rádio. Ainda hoje adoro ouvir rádio. E sonhava já nessa altura ser profissional de rádio. Para resumir a história, quando fui cheia de coragem à RDP/Centro o Sansão não estava e a senhora que estava na portaria pediu-me o meu contacto telefónico. Eu não queria porque sabia que o Sansão não me conhecia de lado nenhum, mas ela insistiu imenso e eu acabei por lhe dar o número. Devo-lhe, em grande medida, a minha carreira, porque no dia seguinte o Sansão ligou-me. Falámos muito – o Sansão é um gentleman, um amor de pessoa – e no final ele perguntou se eu não queria ir fazer um teste de voz. Eu disse-lhe que sim, claro. Fui. Aquilo até nem me correu nada bem, pelo menos foi com essa sensação que fiquei, mas o Sansão disse “bem, nesta altura não temos vagas, mas se um dia houver oportunidade eu ligo-lhe”. Ligou três meses depois a perguntar se estava ainda interessada. Disse que sim. Fui 15 dias à experiência e saí 30 anos depois. Respondendo à sua pergunta – não fazia ideia nenhuma que aquela minha iniciativa resultasse no que resultou. Mas a vontade, o empenho e determinação são a chave. Foram para mim, como são para tanta e tanta gente nas mais variadas áreas profissionais.

RA: Nos tempos da universidade em Coimbra, quais são as melhores memórias? MB: Eu era uma estudante de Coimbra peculiar… só vivi a vida académica à noite (risos). Porque quando entrei na Faculdade de Direito já trabalhava na rádio. Só que resolvi inscrever-me no Orfeon Académico de Coimbra e entrei. Fui contralto. E adorei esse lado da vida estudantil. O facto de cantar, que gosto muito, os amigos que ganhei para a vida toda, as viagens que fiz. Adorei tudo! Para além do mais, foi no Orfeon que conheci o meu baixo preferido – o Júlio. (risos). Portanto, as minhas melhores memórias têm a ver com esse lado de boémia e convívio da vida de estudante. Estudante mesmo a sério só fui quando, já casada e com a minha filha, pedi o reingresso na Universidade de Coimbra para fazer Jornalismo. Era já Chefe de Serviço de Produção na RDP Norte, nessa altura. Só conseguia ir a algumas, poucas, aulas e ia fazer os exames. Mesmo assim adorei e aprendi imenso. Era já uma “cota” perto dos meus colegas, mas foi uma extraordinária e muito enriquecedora experiência. 22 I Amar

RA: Como foi conciliar estudos e trabalho? Sendo que estava em direto na rádio todas as manhãs? MB: Uma desgraça… (risos). Não correu nada bem. Eu passei a ter a rádio como o centro da minha vida e depois, detestava o curso, como já disse. Ora, estes dois fatores não podiam dar nada de bom. E não deram. Não fiz nada de jeito no curso de Direito.


RA: Quando é que descobriu que a rádio era uma paixão, muito mais que um emprego? MB: Quando percebi que só me faltava dormir na rádio. Eu não saía de lá. Quando não estava a trabalhar ficava a ver trabalhar os outros. Foi assim que aprendi muito. Foi a minha escola profissional. E que escola! Trabalhei com enormes profissionais. Que me ensinavam todos os dias. E me fizeram apaixonar, perdidamente, pela rádio. A paixão ainda dura…

Madalena na RDP no início da carreira

Rádio ao vivo no Porto

RA: Passados cinco anos é convidada do programa da manhã da RTP. Em algum momento se apercebeu que a entrevista era um teste? MB: Nessa altura, eu já estava a fazer o Programa da Manhã da Antena 1. Era já muito conhecida. Estamos a falar de um tempo em que existiam três grandes rádios em Portugal – a Renascença, a Comercial e a Antena 1. E eu trabalhava num dos programas mais ouvidos a nível nacional, todos os dias. Integrava uma equipa fabulosa liderada pelo Júlio Montenegro. E era uma das mais jovens vozes da rádio portuguesa. Por isso, quando me convidaram para ir ao programa da manhã da RTP 1 para falar da minha experiência na rádio, achei normal. Não desconfiei de nada. Fui na maior descontração e ainda bem, porque na verdade eu estava a ser testada. No 4º andar da RTP do Monte da Virgem estava o “estado-maior” da RTP Porto, da altura, a analisar como é que a jovem interagia com as câmaras e se tinha ou não telegenia. E decidiram que até me podia safar. Então passados dias chegou o convite para passar a ser a apresentadora do Às Dez, em dupla com o Sérgio Figueira. E eu agarrei a oportunidade. RA: Como descreve os anos à frente dos ecrãs de milhões de portugueses, todas as manhãs, no único canal nacional, no “Às Dez”?

Madalena a apresentar os Prémios Antena 1 no Casino do Estoril - 1987

Fernando Pessa e Domingos Gomes no programa “Às Dez”

MB: Foi um dos melhores tempos da minha vida. Trabalhei muito, mas foi uma época fantástica. Com desafios diários. Para mim era tudo novo, mas aos 23/24 anos ninguém deseja rotinas. E eu ainda hoje não gosto de rotina. Não vou dizer que não tinha os meus medos, claro que os tinha, até porque sempre tive consciência da enorme responsabilidade que tinha em cima de mim. Mas a equipa era muito boa e eu trabalhava mesmo muito – dormia muito pouco – para todas as manhãs estar preparada para os programas. E isso sai do corpo, mas tranquiliza. Muito cedo aprendi uma velha máxima da comunicação audiovisual – o melhor improviso é aquele que é preparado. E levei isso sempre muito à letra. Preparei-me sempre muito para o meu trabalho. Ainda hoje tenho essa (boa) mania. (risos). Amar I 23


RA: Ter privacidade na altura era algo muito complexo para si. Como lidou com essa exposição extrema? MB: Sim. Hoje posso dizer, sem falsas modéstias, que fui mesmo muito popular. Era reconhecida em todo o lado. A privacidade passou a ser uma miragem… mas nunca ninguém me tratou mal. Antes pelo contrário. Tive sempre muitas manifestações de carinho. Na altura, chegar a um programa de grande audiência na televisão não era fácil. Éramos muito poucos. E por isso o impacto que tínhamos nas pessoas. Agora qualquer um fica famoso num qualquer reality show, mas naquele tempo a realidade de Portugal era bem diferente – de manhã só havia mesmo o canal 1 da RTP. Mais nada. Rigorosamente mais nada. O canal 2 abria só às 6 da tarde. Por isso é fácil compreender que o nosso programa tivesse uma audiência média diária de 4 milhões de espectadores. Algo absolutamente impensável hoje. Acho que apesar de ser uma situação nova para mim consegui lidar com alguma normalidade com esse pico de popularidade na minha vida. Limitei-me a adaptar-me e habituar-me à ideia que se estava num restaurante tinha que parar de comer ou conversar, com os meus amigos ou namorado, para dar autógrafos e conversar com quem me abordava. Percebia que para os espectadores era quase um elemento da família que entrava nas suas casas todos os dias e lá ficava 3 horas todas as manhãs. Só tive o cuidado de nunca me deixar deslumbrar por isso. E continuar a ser igual ao que sempre fui. E acho que consegui. Tanto que quando voltei ao anonimato da rádio, passados uns bons anos, continuei feliz. Não entrei em depressão (risos). Porque a fama nunca foi um objetivo. Foi sim uma consequência natural do meu trabalho. RA: Rádio ou TV? Há uma preferência? MB: Eu sou uma mulher da rádio que também gosta muito de fazer televisão. A rádio é mais a minha casa, mas também gosto muito de enfrentar as câmaras. RA: Que funções assumiu na RTP? MB: Fiz a progressão normal de carreira e durante 5 anos fui Chefe de Serviço de Produção. Tinha à minha responsabilidade a programação, o desporto, a discoteca e arquivos sonoros e toda a área técnica. No total eram cerca de 50 pessoas que eu chefiava e substituía o Diretor do Centro de Produção Norte da RDP, nas suas ausências. Foram cinco anos de muito trabalho e mergulhada em muitos papéis. RA: Teve dois programas na Antena 1 que marcaram a estação, “1001 Escolhas” e “Heróis Como Nós”. Fale-nos desses projetos. MB: Esses foram, de facto, programas muito importantes na minha vida profissional. E penso que também é justo dizer que foram programas que marcaram a Antena 1. O 1001 Escolhas esteve “no ar” cinco anos. Era um programa de entrevista, por onde passaram figuras públicas de vários quadrantes - cantores, escritores, políticos, atores etc.. Eles respondiam a um questionário que era enviado por email, onde eu ficava a saber quais eram as suas escolhas - qual o filme preferido, o ator de eleição, o prato que fazia perder a cabeça… depois de chegarem as respostas eu selecionava 5 escolhas e a equipa que trabalhava comigo preparava peças sobre elas. Depois de tudo pronto eu fazia a entrevista. E o produto final era muito interessante - em 50 minutos de conversa tan

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... o grande reconhecimento de toda a minha vida profissional veio da Dª Elvira. Um dia recebi um telefonema na RTP de uma ouvinte que estava muito indignada por, supostamente, o 1001 Escolhas ter terminado. Na realidade tinha apenas mudado de horário. Quando consegui explicar o que tinha acontecido, a Sra., que vim a saber se chamava Elvira e vivia em Vizela, disse com um ar de grande alívio - “É que este programa não pode acabar. Eu sou cega de nascença e com este programa eu vejo.” Sentei-me porque fiquei sem força nas pernas. Tinha acabado de receber o maior prémio de carreira que qualquer profissional de rádio pode almejar.


Programa “1001 Escolhas” na RTP

to podíamos de falar de Shakespeare, como de Fellini, dos Queen, como de tripas à moda do Porto. E aquela personalidade acabava por se revelar muito mais profundamente do que faria se estivesse numa entrevista “convencional”. Comecei o 1001 Escolhas tinha, praticamente, 40 anos e eu costumo dizer que essa maturidade foi essencial para o sucesso do formato. Já o Heróis como Nós foi o programa mais solitário da minha carreira. Fi-lo completamente sozinha. E já com quase 45 anos. De novo o factor idade foi fundamental. Porque este programa tinha uma carga emocional que tenho a certeza não suportaria se o tivesse feito mais nova. Era um programa de reportagem, em formato de documentário. Com um cuidado extremo com o som e a articulação entre música, textos e ambientes sonoros. Mostrava pessoas ou instituições que marcavam (marcam…) a sociedade pela diferença. Foi um programa que adorei fazer, embora tivesse sido esgotante. Muito cansativo, mas muito recompensador. RA: Foi reconhecida por algum dos seus projetos? MB: O Heróis como Nós foi nomeado para melhor programa de rádio de 2010, pela Sociedade Portuguesa de Autores. Não ganhei o prémio que foi entregue ao meu colega Carlos Vaz Marques, da TSF, com o seu Pessoal e Transmissível. Mas para mim só a nomeação já foi uma grande vitória.

Júlio e Madalena na entrega de prémios da SPA

No entanto, o grande reconhecimento de toda a minha vida profissional veio da Dª Elvira. Um dia recebi um telefonema na RTP de uma ouvinte que estava muito indignada por, supostamente, o 1001 Escolhas ter terminado. Na realidade tinha apenas mudado de horário. Quando consegui explicar o que tinha acontecido, a Sra., que vim a saber se chamava Elvira e vivia em Vizela, disse com um ar de grande alívio - “É que este programa não pode acabar. Eu sou cega de nascença e com este programa eu vejo.” Sentei-me porque fiquei sem força nas pernas. Tinha acabado de receber o maior prémio de carreira que qualquer profissional de rádio pode almejar. Conseguir que um cego veja, apenas com o som. RA: Das muitas individualidades que entrevistou, qual é que a surpreendeu mais?

O prémio atribuído ao programa “Heróis como Nós”

MB: Entrevistei tanta gente na minha vida… é muito difícil dizer quem me surpreendeu mais. Posso dizer, isso sim, que há uma entrevista que ficou registada não apenas na minha memória, nem apenas na gravação em CD que tenho guardada comigo, mas também porque tenho no meu escritório uma gravura que nasceu no decorrer da conversa. E que, pelo menos para mim, não há dinheiro que pague. Está assinada por um dos maiores arquitetos do mundo - Álvaro Siza Vieira - e foi sendo desenhada à medida que a nossa conversa ia decorrendo. No final falei com ele sobre o desenho e isso está tudo gravado. Foi um momento único e inesquecível. Amar I 25


RA: E qual gostou mais de entrevistar? MB: De novo… são tantos. É muito difícil fazer uma escolha, mas por exemplo adorei conhecer melhor e conversar com o Sr. Rui Nabeiro (dos Cafés Delta) um Homem assim… com H grande, de uma generosidade imensa, ou o Bento Amaral (o chefe do serviço de enologia do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto) que ficou tetraplégico numa brincadeira no mar, os médicos diziam que dificilmente tornaria a levar um copo de água à boca e hoje todos os dias leva copos de vinho à boca, numa extraordinária lição de vida e de força ou o pastor da serra da Estrela que chorava a falar das suas ovelhas que tinham morrido de brucelose… a lista é quase interminável. RA: Quem falta entrevistar? MB: Tanta gente. E há outros que nunca me canso de voltar a entrevistar. Têm sempre coisas interessantes para dizer. Têm sempre tanto para me ensinar. RA: Foi fácil ser jornalista (mulher) nos anos 80? MB: Não me posso queixar. Sinceramente, nunca senti que por ser mulher estava a ter mais dificuldade em construir a minha carreira.

Depois de algumas conversas e depois de ter percebido que, com a minha experiência, de algum modo, o poderia ajudar a concretizar o seu sonho (de, com o seu grupo de comunicação, proporcionar informação e conteúdos de melhor qualidade à comunidade lusófona a residir no Canadá), aceitei o desafio. RA: Sair da RTP, após mais de 30 anos de casa, foi uma decisão difícil? MB: Foi uma decisão difícil, mas muito pensada. E foi uma decisão minha. O contexto em que decidi influenciou muito, claro. Havia muita incerteza quanto ao futuro da RTP no Porto e a administração da empresa abriu um plano de apoio às saídas voluntárias com muito boas condições. Eu tinha acabado de fazer 30 anos de casa e pensei que o melhor seria aproveitar o que estavam a oferecer e vir cá para fora continuar a minha vida. Estava muito desgastada com o que se passava, internamente, na mi26 I Amar

nha RTP. E tudo isso pesou. Devo dizer que a própria Administração tentou dissuadir-me. Mas também ninguém, na altura, me dava garantias relativamente à continuidade do meu posto de trabalho no Porto. Diziam que tinham lugar para mim em Lisboa e isso eu não queria. Por isso… saí. RA: Quando sai da RTP, havia alguma ideia do que o futuro tinha reservado para si? Ou foi um bocadinho às escuras? MB: Sabia que não me tinha saído o euromilhões (risos) e, por outro lado, que tinha apenas 48 anos e, portanto, tinha que continuar a trabalhar. Mas não tinha nada planeado. RA: Neste momento trabalha com uma empresa da comunicação social portuguesa no Canadá – MDC Media Group. Como surgiu essa oportunidade? O que é que a levou a aceitar o convite de Manuel DaCosta? MB: Eu já tinha conhecido o Manuel DaCosta há uns anos, mas na realidade o reencontro deu-se no ano passado. Depois de algumas conversas e depois de ter percebido que, com a minha experiência, de algum modo, o poderia ajudar a concretizar o seu sonho (de, com o seu grupo de comunicação, proporcionar informação e conteúdos de melhor qualidade à comunidade lusófona a residir no Canadá), aceitei o desafio. Para além de tudo mais, tenho um enorme respeito pelo Manuel, enquanto pessoa. É um ser humano extraordinário, muito inteligente e um exemplo de força e resiliência. Comecei por colaborar pontualmente e agora integro mesmo os quadros da MDC Media Group. RA: É diretora do jornal Milénio Stadium e da Camões TV. Como está a ser fazer parte desta equipa? MB: É mais um desafio na minha vida (risos). Tenho que gerir tudo à distância, porque continuo a viver em Portugal, mas hoje em dia isso nem é um problema assim tão grande. Há as videochamadas para as reuniões, os e-mails para troca de informação. Claro que, de tempos a tempos, vou ao Canadá, onde fico umas semanas, mas a maior parte do trabalho é feito em Portugal. Tenho, naturalmente, que contar com a colaboração de todos os colegas. Mas depois de alguns acertos normais, no arranque do meu desempenho enquanto diretora “à distância” (risos), acho que agora está tudo a correr dentro da normalidade. RA: O que é que mudou no jornal Milénio Stadium desde que a Madalena chegou? Há um ponto de viragem? MB: Não sou eu a pessoa ideal para julgar isso. Prefiro que sejam os leitores a fazer essa apreciação, mas acho que se nota a diferença, essencialmente, nos conteúdos e na forma como o jornal é pensado e estruturado. Trabalhamos muito em equipa e temos tentado abordar os temas de uma forma mais profunda, levantando questões para reflexão e chamando para o jornal gente que tem alguma coisa de interessante para dizer.


RA: A Camões TV adquiriu recentemente mais uma hora em canal aberto, oferecendo assim conteúdos das 10 ao meio dia, todos os domingos, Bell Fibe 1253 e outros. Que tipo de programa é que os telespectadores podem esperar?

Madalena e a equipa MDC Media Group em Portugal com Ruy de Carvalho

MB: Podem esperar o que já está “no ar” há uns meses e podem esperar que o formato seja ainda bastante melhorado. Temos tentado fazer um magazine com conteúdos de interesse para a comunidade portuguesa residente no Canadá. Podem contar com uma seleção dos conteúdos cada vez mais criteriosa e cuidada. Podem também contar com a continuidade do trabalho produzido pela nossa equipa de Portugal, que é uma mais valia do grupo MDC, relativamente aos outros colegas dos media comunitários. Agora estamos a transmitir na Camões TV aquela que é considerada por muitos a série mais bem escrita da televisão portuguesa. Bem-Vindos a Beirais na Camões TV é um orgulho. É excelente, tem um elenco de atores fantástico e diz-nos muito, porque é, acima de tudo, muito portuguesa. Revemo-nos em muitas cenas e em muitas personagens. Recomendo a todos que sigam esta série na Camões TV. RA: Sente-se que a Camões TV está a apostar numa programação mais variada, diferente do que a comunidade portuguesa estava habituada. Inclusive, aposta cada vez mais em plataformas online. É por aí o caminho? Acha que é esse o maior trunfo?

Selfie da equipa da MDC Portugal com James Arthur

Madalena na Portugal Week 2018

Madalena, Manuel DaCosta e as famílias Ribeiro, Bandeira e Nigro

MB: É, sem dúvida, por aí o caminho. Em breve vamos ter também um novo website da Camões TV, o novo site do Milénio Stadium já está online e queremos apostar muito nessa forma de chegar ao nosso público. Temos que cativar público mais jovem e a mudança de conteúdos terá que pensar sempre nesse objetivo essencial. Há três vetores fundamentais - qualidade do produto apresentado, diversidade de temas e apostar muito em gente nova para fazer os conteúdos. Precisamos de ideias novas e outras formas de fazer as coisas. Claro que cá estarei eu e outros com mais uns aninhos nas pernas, para equilibrar a balança, mas é fundamental apostar na frescura das ideias de quem é mais novo.Sinto também que temos que valorizar o que se faz bem na comunidade e não fazer tudo só porque é feito por portugueses. É que nem tudo é cultura portuguesa. Nem todos os bailes são motivo para deslocar uma equipa de televisão ou mesmo jornalistas a um clube ou associação. Com todo o respeito, mas é o que penso. O que notei quando cheguei é que quase que se sentia uma obrigação de fazer cobertura de tudo e mais alguma coisa. Sinceramente, acho que isso nem nos valoriza a nós, enquanto órgão de comunicação, nem valoriza os eventos que têm efetivamente interesse para a comunidade. Felizmente há total sintonia entre mim e o meu Presidente, que não só concorda como me incentiva a continuar neste caminho. Aliás, tudo o que tem vindo a ser implementado quer no jornal, quer na TV, tem, naturalmente, seguido as orientações que o Manuel DaCosta sempre me deu, quando me transmitiu o que está na sua mente para o projeto MDC. Amar I 27


RA: A Camões TV tem uma equipa em Portugal. Quem faz parte da equipa e que género de conteúdos produzem? MB: Não é bem a Camões TV é o grupo MDC que tem uma equipa a trabalhar em Portugal. Todos nós, à exceção do Guilherme Ferro que é câmara e editor (por sinal, muitíssimo bom), trabalhamos para as diversas plataformas do grupo. Fazemos rádio para a Camões Radio, escrevemos no Milénio Stadium e produzimos conteúdos para a Camões TV. Fazemos reportagens em diversos locais de interesse do nosso país, entrevistas com desportistas, músicos, cantores, atores. Temos levado para o grupo MDC o melhor de Portugal. Somos quatro elementos - eu, o Guilherme, a Inês Barbosa, que está sempre disponível, é muito proativa e faz bem tudo o que se pede e o Paulo Perdiz, que começou por trabalhar anos sozinho nesta empresa e agora tem sabido partilhar connosco a sua extraordinária capacidade de não desistir nunca de um objetivo. Cada qual com as suas mais valias, o que é certo é que nos complementamos muito bem. E depois somos já amigos. Divertimo-nos a trabalhar e não há melhor do que isso. O produto final reflete esse ambiente de cumplicidade e cooperação entre nós. RA: Então podemos dizer que trabalham de norte a sul do país. MB: Sim. Podem dizer isso. Nós estamos sediados na zona de Vagos e já fomos de propósito ao algarve e viemos no mesmo dia, para fazer reportagem com o nosso grande campeão Nelson Évora. E fomos e viemos felizes e contentes. Chegámos extenuados, mas trouxemos uma entrevista exclusiva com este homem ímpar do desporto mundial. RA: Na qualidade de profissional de jornalismo, com mais de 30 anos de experiência, que opinião tem da comunicação social portuguesa no Canadá, comparando com outros países onde há também um grande número de emigrantes portugueses? MB: Por aquilo que conheço acho que, como em todo lado, há bom, há mau, há muito bom e também há muito mau. A tendência natural é que acabem por sobreviver só os que conseguirem acompanhar a evolução dos tempos e a transformação da comunidade. RA: Apesar de fazer a maioria do trabalho a partir de Portugal, a Madalena tem que vir ao Canadá de vez em quando. Quais são as épocas que, por norma, se justifica que se desloque? MB: Quando comecei esta aventura tinha dito ao Manuel que, de vez em quando, iria ao Canadá para estar mais próximo dos meus colegas e também da própria comunidade luso-canadiana. No entanto, não há uma calendarização específica.

Irei sempre que se justificar, mas em princípio umas duas a três vezes, por ano, chegará. Claro que o mês de junho, por razões óbvias, exige mais a minha presença. Para além disso, acho importante marcar presença em alguns momentos relevantes para o grupo MDC e para a comunidade em geral. Mas a norma é não haver norma. Vou quando o Presidente entender que é conveniente ir. Ele sabe que estou sempre disponível. RA: Sabemos que a sua filha trabalha na MDC. Começou na empresa, aliás, primeiro que a Madalena. Essa relação de mãe e filha, apesar de poder parecer algo positivo, nem sempre assim é quando toca à vida profissional. Certo? MB: Certo. Muito certo mesmo. Não é fácil para mim, mas ainda é mais difícil para ela. Afinal, a mãe é também a diretora dela e é preciso saber separar as águas. E eu, que sou exigente, tenho tendência a, com a Catarina, ser ainda mais exigente. Não é justo eu sei, mas é algo que tenho tido dificuldade em controlar. Depois há um outro problema... eu nem reparo, mas ela muitas vezes, no meio de uma conversa de família ao domingo à tarde, por exemplo, diz - “não podemos falar sobre isso amanhã? Quando estivermos a trabalhar?” porque lá estou eu a falar de trabalho (risos). Não é fácil, mas nós cá nos entendemos (risos). RA: O que se pode esperar de projetos futuros relacionados com o jornal Milénio Stadium e Camões TV? MB: O que podem esperar para já é pela consolidação do trabalho que temos vindo a realizar. É claro que queremos fazer sempre mais e, principalmente, melhor, mas vamos passo a passo. Podem esperar que todos os que trabalham no grupo MDC estejam cada vez mais empenhados em fazer cumprir o sonho do Presidente Manuel DaCosta. RA: Gostaria de a convidar a deixar uma mensagem aos leitores da Revista Amar. MB: Antes de mais quero agradecer à Revista Amar a honra de ser vossa entrevistada. Aprecio muito o vosso trabalho, já o disse em várias circunstâncias e nem imaginava que ia alguma vez ser entrevistada por vós. A Amar é uma revista que tem muita qualidade e deve orgulhar todos os portugueses residentes na Grande Toronto. Quanto aos que resistiram e leram esta entrevista até ao fim, quero pedir-lhes desculpa por ocupar tanto do vosso precioso tempo (risos). Afinal, a minha história de vida é igual à de tantas outras mulheres e homens que trabalham naquilo que gostam e se sentem felizes por isso. Desejo que nos encontremos por aí um dia destes e que continuem a seguir e a gostar do nosso trabalho, tanto no Milénio Stadium, quanto na Camões TV e também na Camões Radio. Um grande abraço para todos.

As fotografias constantes deste artigo foram gentilmente cedidas por Madalena Balça


David Gonçalves Fontes: Wanderlust, Oyester, Idealo e Sapo

Fotografia © IsThisTheRealTrip

Ostesourosescondidos

deMarrocos 30 I Amar


Ruas de Fez

E

março rumámos a paragens mais quentes e que, até já foram alvo de um artigo de turismo na Revista Amar. Desta feita, levamo-lo a conhecer as jóias de Marrocos e que, geralmente não são mencionadas ou promovidas pelos agentes turísticos. Com traços de culturas Bérbere, Árabe, Africana e Europeia, Marrocos é um país de sensações. O exotismo, a par da sua proximidade de Portugal - fica a meras 14h de carro, ou 1h30 de avião - torna-o num destino apetecível para inúmeros portugueses e, porque não, para os luso-canadianos que gostam de destinos diferentes. A Capital Rabat, Casablanca e Marraquexe, com seus mercados exóticos, águas de rosas e asáfama diária carregada de cores de terra e mel, são uma visita obrigatória quando visita o país, mas fora dos guias turísticos tradicionais, xistem muitos são os tesouros escondidos que ficam por explorar. Nesta edição destacamos alguns deles.

Marraquexe

Fotografia © Pavliha

V i s i t e w w w. r e v i s t a m a r. c o m p a r a m a i s d e s t i n o s t u r í s t i c o s

Fotografia © Direitos Reservados


Vaguear pela cidade de Fez

É tida como a mais antiga das cidades imperiais de Marrocos e a mais bem preservada do mundo. Livre de carros, esta cidade vibrante tem inúmeras passagens, escadarias e pátios que levam a movimentadas ruas, marcadas pelo comércio de especiarias e artesanato locais. À noite, a praça ao lado da emblemática Bab Boujeloud é o local ideal para jantar e beber o típico chá de hortelã, um noss moss (café com leite) ou um qahwa hahla (café preto).

Conhecer as paisagens panorâmicas do Alto Atlas

Mais a sul, encontram-se as Montanhas do Médio e Alto Atlas. Toda a sua travessia é marcada por deslumbrantes vistas panorâmicas. Localizada no Alto Atlas, encontra-se a típica aldeia bérbere de Agoudal. Aqui pode conhecer-se um pouco melhor o estilo de vida único do povo das montanhas, que vive principalmente da agricultura e pecuária.

Acampar nas dunas do deserto Saara

Erg Chebbi é um dos dois grandes ergues (conjunto de dunas de areia) do Deserto Saara, em Marrocos. Constituído por areia e rocha, ergue-se no deserto atingindo uma altura de 150 metros. Este, é um dos locais mais apreciados para passear de camelo e ver um magnífico pôr-do-sol. Á noite, torna-se um bom local para acampar e dormir sob um céu estrelado.

Explorar a cidade Aït Ben Haddou

Localizada na margem esquerda do Wadi Mellah, num vale deslumbrante entre o Saara e Marrakech, esta cidade fortificada destaca-se pelos seus edifícios pitorescos construídos em argila. É constituída por um grupo de pequenas fortalezas, ou casbás como são conhecidos (kasbahs), que chegam até aos 10m de altura, conservadas até aos dias de hoje. Para além de uma exploração pelas ruas, pode-se aqui conhecer cenários de filmes emblemáticos como o Gladiador ou Game of Thrones e ter contacto com as 10 famílias que ainda habitam Aït Ben Haddou.

Subir ao pico mais alto do norte de África O Monte Toubkal

A subida do Mount Toubkal é o verdadeiro desafio para os amantes de trekking. Como uma altitude de 4167 metros, as paisagens que se apresentam ao longo do percurso de dificuldade elevada, fazem a viagem valer a pena, sendo o cenário de cortar a respiração. Chegar ao topo demora dois dias, um até ao refúgio de montanha (cerca de cinco horas a pé) e outro até ao cume (cerca de três horas). Ficam estes conselhos. prometemos regressar a Marrocos em breve e trazer-lhe mais tesouros escondidos deste país onde abunda o exotismo, cor e paisagens de cortar a respiração.


Fotografia: Direitos Reservados

AĂŻt Ben Haddou

V i s i t e w w w. r e v i s t a m a r. c o m p a r a m a i s d e s t i n o s t u r Ă­ s t i c o s

Medina de Fez

Fotografia: Direitos Reservados


rio de janeiro


SabiaquefoiacapitaldePortugal nosĂŠculoXIX? Pedro Mendes


D

urante o início do século XIX toda a Europa estava a ser alvo de guerras entre a França e Inglaterra, ambas com o objetivo de dominar politicamente o Velho Continente. Em 1806 Napoleão Bonaparte, enquanto imperador da França, bloqueia todas as trocas comerciais com Inglaterra deixando Portugal, que na altura era governado pelo príncipe regente D. João, num estado delicado, pois Portugal tinha uma longa relação comercial com Inglaterra mas também temia os exércitos de Napoleão. No entanto, Portugal aceita o bloqueio comercial mas continua a comercializar com Inglaterra, até ser descoberto pelo Imperador Francês. Foi na altura da descoberta que o príncipe regente e a sua corte não tiveram alternativa e num dos melhores golpes dados na história da Europa, fogem de Portugal para uma das suas Colónias, o Brasil, protegidos pela armada Inglesa, em troca da abertura dos portos brasileiros ao seu país.

desembarcam no porto de Salvador na Bahia a 22 de janeiro de 1808. No entanto, o principal destino da Corte Portuguesa seria chegar à Capital da Colónia, o Rio de Janeiro, onde desembarcaram em março do mesmo ano, instalando-se aí a então Capital de Portugal. Foi nesta época que o Rio de Janeiro sofreu as mais profundas alterações, e pela primeira vez na história, uma colónia torna-se a sede governamental de um Reino. Depois da vitória dos povos europeus sob Napoleão, em 1815, ficou decidido que os Reis deveriam voltar a ocupar os seus tronos, no entanto D. João, que não desejava voltar ao país que se encontrava agora empobrecido, nomeia o Brasil como Reino Unido de Portugal e dos Algarves, deixando o mesmo de ser uma colónia e adquirindo a sua autonomia administrativa. Entretanto, no ano de 1820 dá-se a Revolução Liberal no Porto seguida do absolu-

Créditos: Direitos Reservados

Assim sendo, a frota constituída pelo príncipe, sua mãe D. Maria I, a princesa Carlota Joaquina e as crianças, incluindo D. Pedro que viria a ser o futuro Imperador do Brasil, e mais cerca de 15 mil pessoas, assim como todos os bem que tinham conseguido carregar (móveis, objetos de arte, jóias, louças, livros, arquivos e todo o tesouro real imperial) 36 I Amar

tismo e iniciando a Monarquia Constitucional, deixando D. João de ser monarca absoluto e passando a seguir a Constituição do Reino, o que exigia o seu regresso a Portugal e exigia a anulação da autonomia administrativa do Brasil, fazendo que em 1821 D. João VI voltasse a Portugal deixando o seu filho D. Pedro como primeiro príncipe regente do Brasil.


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A chegada da Corte ao Rio de Janeiro Ao desembarcar no Rio de Janeiro, a 7 de março de 1808, D. João e a sua corte encontraram uma cidade pequena, com apenas 60 mil habitantes, completamente despreparada para receber tantos e tão ilustres moradores. Algo entre 10 mil e 15 mil portugueses, acostumados ao conforto da Europa, invadiram o Rio de repente. E o ineditismo da situação ia muito além do caos instaurado na cidade. Pela primeira vez na história, uma família real europeia punha os pés na América. Estava em curso uma transferência de poder sem precedentes: a mudança de toda a corte portuguesa, por tempo indeterminado, de Lisboa para a Baía de Guanabara.

A importância histórica dos acontecimentos não livrou D. João de enfrentar problemas aparentemente menores, mas bem difíceis de contornar. O primeiro e mais prático de todos: simplesmente não havia moradia para toda aquela gente nova no Rio de Janeiro. Por mais que estivessem num cenário deslumbrante, cercadas de mar, montanhas e muito verde, as casinhas daquela época eram humildes na sua maioria. A solução foi desalojar as famílias que ocupavam as melhores residências, para que em seu lugar fossem acomodados os integrantes da corte. Cada imóvel desapropriado tinha as iniciais “P.R.” – de Príncipe Regente – pintadas na porta. Não demorou até que o povo carioca, gaiato desde sempre, encontrasse outro significado para a sigla: “ponha-se na rua”.

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Estreia Portugal - 7 de março

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Contexto Helena Matos descreveu esta produção como “um filme arriscadíssimo” pelo contexto político que recupera, pela própria particularidade da relação entre a editora e o político, pela polémica em torno do acidente em que ambos morreram, e porque é ainda uma memória recente da História de Portugal.

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Box Office Este filme “Snu”, de Patricia Sequeira, conta com um orçamento de cerca de um milhão de euros e

Sala de Cinema “Snu” relata a história de amor de Ebba Merete Seidenfaden, a editora Dinamarquesa que ficou conhecida por todos como Snu Abecassis, com Francisco Sá Carneiro. Desde os tempos em que desafiava a PIDE, Snu não deixou ninguém indiferente ao seu carácter forte e lutador. Quando nos anos 60 se mudou para Lisboa com o então marido Vasco Abecassis, Snu dedicou-se de alma e coração à sua recém-criada editora, publicando livros polémicos aos olhos do Estado Novo. Contra todas as adversidades, Snu lutou pela cultura e pelos ideais em que acreditava. Nessa altura, estava longe de imaginar as mudanças que aconteceriam na sua vida a partir da altura em que acedeu almoçar com um dos entrevistados para a coleção de livros “Participar”. Ele era Francisco Sá Carneiro e viria a tornar-se no grande amor da sua vida. Ficha Técnica Filme com realização de Patrícia Sequeira, argumento de Cláudia Clemente. O elenco conta com a participação de Inês Castel-Branco, Pedro Almendra, Eric Da Silva, Patrícia Tavares, João Vicente, Afonso Lagarto, Paulo Calatré, Ana Nave, Inês Rosado, José Neto, Ivo Alexandre, Ana Vilela da Costa entre outros.

tem apoio do Instituto do Cinema

Duração: 94 minutos

e Audiovisual, NOS, RTP e da Câ-

Género: Drama e biografia

mara Municipal de Lisboa.

Origem: Portugal

Fontes: IMDB e FilmSpot - Imagens: Direitos Reservados

Pedro M. Salvador


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LenineCunha

F o t o g r a f i a

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EUROPEUS DE PISTA COBERTA da Federação Internacional para Atletas com Deficiência Intelectual As fotografias constantes deste artigo foram gentilmente cedidas por Lenine Cunha

Cristina Fragata

“O objetivo para esta competição é mesmo chegar às 200 medalhas internacionais, foi para isso que treinei nos últimos meses. É um sonho que persigo há um ano. Estou confiante e, como sempre, irei dar o meu melhor e trazer esta alegria para Portugal”

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atleta paralímpico Lenine Cunha conquistou no dia 10 de março mais uma medalha nos Europeus de pista coberta da Federação Internacional para Atletas com Deficiência Intelectual (INAS), na Turquia, desta feita uma medalha de prata na disciplina de salto em altura. Lenine conclui assim a prova com seis medalhas ganhas e o impressionante número de 203 em toda a sua carreira, reforçando o título de “o atleta mais medalhado no mundo”. Depois de no dia 8 de março ter ganho duas medalhas de prata (triplo salto e pentatlo), no dia 9 ultrapassou o número redondo (200) com uma de bronze nos 60 metros barreiras, mais uma de bronze no salto em comprimento e uma de prata na estafeta 4x200m. E no dia 10 foi prata no salto em altura. Nos Europeus de pista coberta da Federação Internacional para Atletas com Deficiência Intelectual (INAS), Portugal conquistou um total de 19 medalhas e sagrou-se campeão da Europa por equipas. A Revista Amar felicita toda a equipa de Portugal.

S o n h o real i za do Lenine só pensava em alcançar um objetivo há muito desejado, chegar às 200 medalhas. “O objetivo para esta competição é mesmo chegar às 200 medalhas internacionais, foi para isso que treinei nos últimos meses. É um sonho que persigo há um ano. Estou confiante e, como sempre, irei dar o meu melhor e trazer esta alegria para Portugal” disse Lenine antes de embarcar para a Turquia. Com as 6 subidas ao pódio cumpre-se o desejo do atleta. As 203 medalhas foram ganhas ao longo dos últimos anos em diversas provas nacionais e internacionais. Mas há algumas que, pela importância das competições, se destacam como é o caso da medalha de bronze nos Jogos Paralímpicos de Londres, em 2012 (salto em comprimento), medalha de ouro, prata e bronze nos Campeonatos Mundiais de Atletismo Paralímpicos e mais três (duas de bronzes e uma de prata) nos Campeonatos Europeus de Atletismo Paralímpico.


HomeSchooling


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o Reino Unido e nos Estados Unidos, os pais recorreram a esta figura quando o sistema de educação nacional entrou em quase colapso. Em Portugal, há alguns pais que, corajosamente, também estão a optar por esta via, perante o estado calamitoso das nossas escolas. Conscientes da degradação a que chegou o sistema de ensino no nosso país, onde impera uma falta de autoridade que tudo permite, os pais encaram o “bullying” como o perigo maior para os seus filhos. Os pais portugueses já se tinham conformado com a degradação física das escolas, com a falta de equipamentos, com a menor preparação dos professores (a ortografia só por si o evidencia), com as leis que humilham e desvalorizam os professores retirando exigência e autoridade aos docentes, com programas de nivelamento por baixo, próprios para atrasados mentais, até com cursos de aviário (em qualquer grau desde o básico ao doutoramento), mas não estavam preparados para o bullying, isto é , verem os seus filhos transformados em saco de boxe dentro e nos arredores do recinto escolar. É interdito a um professor ou a qualquer adulto que trabalhe na escola, tocar num cabelo dos alunos, pois logo vem um processo disciplinar, uma humilhação pública com pancadaria à vista de toda a escola ou na Net, e ainda um julgamento sumário na comunicação social. Mas se for um aluno de 12 a 15 anos a humilhar, esmagar, desfazer com pancada, um colega de 9 ou 10… o que acontece? Os que “zelam pelos superiores interesses” da criança (sejam eles quais forem o que importa é apregoá-los mesmo que em abstracto) não se atrevem a acusar crianças (coitadinhas) mesmo que tenham estropiado ou quase morto o colega (talvez porque não conseguem encontrar o culpado: a sociedade?, os pais?, o bairro carenciado?, etc. – pois isso já não pega!). Bem, se apanhou, é porque merecia, dizem para os seus botões e calam-se, cobardemente. A hipocrisia desta sociedade causa náuseas. Se um adulto na função de educador (polícia, professor e agora até juiz e valha-nos Deus, até os pais!) dão uma palmada corretiva ou mesmo preventiva (para isso há tantos estudos sobre o passado, mesmo que seja apenas a experiência de vida), brada-se contra, aniquila-se e aferroa-se-lhe o dístico de “mau tratador” de crianças! Se é uma criança a fazê-lo, tudo e todos se calam. Mesmo que o façam com requintes de malvadez e atrocidade! Mas a gravidade destes atos não é muito maior? Não se está a ensinar à criança que pode fazer

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impunemente aquilo que o nem o adulto pode executar sem ser punido? O chamado “exemplo” já foi decretado nulo? Se se proibia e penalizava o adulto por maltratar, não era para “não dar mau exemplo”, para , pelo contrário, mostrar às crianças que finalmente haveria paz e concórdia entre todos e as crianças cresceriam sem violência,no melhor dos mundos e seriam “felizes“, uns adultos cordatos, respeitadores, sorridentes e amistosos? Bem, a vida tem destas coisas interessantes – a de virar o feitiço contra o feiticeiro. Há dias, num centro médico ao conversar com uma funcionária de nível médio, esta queixou-se com mágoa, do filho, de 12 anos, “está tão rebelde, não consigo falar com ele, mudou muito desde que foi para o ciclo, desobediente, malcriado e ainda se vira para mim a dizer que não o posso castigar, senão faz queixa de mim” finaliza com lágrimas nos olhos. Pois é, lembrei-me mas não lhe relembrei, pois com certeza a insónia não a deixa esquecer, de a ouvir repetir alto e bom som desde que o filho entrara no infantário e depois na escola “Ai da professora que lhe toque! Filho, dizme se algum professor te bater!“. Será caso para se dizer: cá se fazem, cá se pagam! Neste momento, são já os próprios pais a sentir na pele, o que exigiam (erradamente muitas vezes) de figuras de autoridade que enriqueciam e orientavam a vida social dos seus filhos e que agora engolem a humilhação, ou encolhem os ombros “Os pais que os aturem!”. Mas e a sociedade, e essas crianças que serão a sociedade de amanhã, que trarão na cabeça para a comunidade? Olho por olho? Desconfiança e medo? Delação e bufaria? Agressão e fuga? Será que se poderia afirmar que isto também se aplica aos país? Horror de visão. Os pais, que sempre respeitaram os seus filhos e lhes incutiram o sentido de respeito pelos outros, pacíficos os adultos e pacíficos os menores (isto sem que uma vez ou outra num momento oportuno, uma pequena palmada “de amor” não tivesse acontecido) recusam-se agora a mandar para os circos romanos cheios de gladiadores e leões em que se transformaram as nossas escolas. Os alunos que mais sofrem nestes coliseus de pacotilha são precisamente os pacíficos (ninguém os maltratou e foram ensinados a não maltratarem ninguém). Curioso, são mesmo os próprios professores a recusarem-lhe ajuda “Não se sabem defender e têm de aprender! Batam também.”, dizem impensadamente convictos, enquanto mais tarde ou mais cedo os pais terão de emitir igual sentença dolorosamente atónitos.


Os alunos que, aliada à paz trazem a inteligência, são mesmo os chamados “bombos da festa”. Além do “prazer de ‘ensinar’ o puto que não se sabe defender”, há o ódio de estimação por serem melhores do que eles aquando da entrega dos testes. Será porque lá no íntimo, os invejam por poderem sair da escola mais rapidamente do que eles, que coleccionam matrículas? Inconscientemente talvez, pois a massa cinzenta com que nasceram nem deve chegar para tal dedução. Não admira, portanto, que os alunos mais dotados, não só abominem a escola, detestem os colegas, percam a cabeça pontualmente ou se anulem completamente, dentro duma escola que nem é digna desse nome, pois aí nada se aprende, antes desaprende. Os pais nos países já referidos, perante cenários idênticos ao que agora encontrámos nas nossas escolas, optaram, pelo “homeschooling”, a escola em casa.Felizmente em Portugal essa medida ainda (nem sei como) escapa à tutela amordacizante do ME e da sociedade doentiamente “inclusiva”. Para protegerem os seus filhos da barbárie e para lhes alimentar as capacidades como foi consignado, não sem luta, no final do séc XIV e na, pelo menos, primeira metade do séc XX,

os pais ora ficavam em casa, desde que habilitados para tal, e orientavam os estudos da criança em ambiente tranquilo e motivador, ora algumas famílias agrupavam-se e num local escolhido (habitação ou não), esse pequeno grupo formava uma mini escola, esta sim fazendo jus ao seu nome. Lembre-mo-nos apenas e só do caso de Thomas Edison, o inventor da lâmpada elétrica. Gozado, maltratado e ridicularizado na escola oficial, a mãe retirou-o e, em casa, educou-o e instruiu-o. Todos beneficiámos desta decisão, até aos nossos dias. Já começa a ser tempo das famílias portuguesas que realmente se interessam pelos filhos, os querem cultos, competentes, respeitadores e pacíficos, pensarem no “homeschooling“, isto é, em juntar interesses e criarem as “micro-escolas” . Nos Estados Unidos, os pais são reembolsados da percentagem dos impostos que pagam para a educação em geral. Aqui, onde o estado apenas cobra, os pais até prescindiriam dessa benesse assim os deixassem mostrar à sociedade e aos pseudo-teóricos duma pseudo-educação “inclusiva, lúdica, pública“, que há lugar para a diferença, que há o direito à diferença! E à liberdade de escolha.

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Emoções

semfronteiras 50 I Amar


V i s i t e w w w. i s a b e l r e b e l o . p t p a r a m a i s n f o r m a ç õ e s s o b r e p s i c o l o g i a , h i p n o t e r a p i a e l i f e c o a c h i n g

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aquela manhã Ana Cristina acordou mais cedo. Tinha dormido bem, mas havia um ruído na sua mente que lhe roubava tranquilidade. Quando se sentiu mais acordada lembrou-se “daqui a 5 dias vou fazer anos!”. O dia do seu aniversário gerava emoções ambíguas. Por um lado, gostava de fazer anos porque reunia família e amigos, convivia, e entre conversas e gargalhadas obrigava-se a celebrar a vida. Por outro, sentia algo de estranho sempre que esta data se aproximava. Um vazio que nunca procurou entender, mas que preenchia comendo de forma descontrolada, enquanto procurava ideias para celebrar esse dia. Amar I 51


O vazio manteve-se ignorado, mas estava lá e causava inquietação. Um “frenesim” mental ao ritmo do qual disparavam pensamentos: “Será que alguém vem à minha festa? Será que vai ser divertido? E se não se lembrarem?”. Lembra-se, ainda no ensino básico, no seu dia de anos, quando nenhum amigo apareceu na sua festa, estava apenas a família mais próxima. Nesse dia, comeu todos os pãezinhos de leite que encontrou na mesa. Ana Cristina era a mais nova de cinco irmãos e por isso começou muito cedo a querer fazer as suas coisas tal como os irmãos. Acontece que insistiu com a mãe em ser ela a entregar os convites da festa aos meninos da sua aula e como criança que era e no meio da confusão do dia, esqueceu-se completamente de o fazer. A partir desse dia, Ana Cristina aprendeu que o seu aniversário era motivo de inquietação e nervosismo, não sabia bem porquê, mas habituou-se assim. Para se sentir melhor e gerir o tal “vazio”, Ana Cristina comia todo o dia, garantia exaustivamente a presença dos convidados e esmerava-se na organização da sua festa”. Segundo Carl Gustav Jung, fundador da psicologia analítica, “A emoção é o momento em que o aço encontra a pedra e provoca uma faísca, pois a emoção é a principal fonte de qualquer tomada de consciência”. Alegria, medo, surpresa, raiva, tristeza, serenidade, ofensa, ansiedade, encantamento, nojo, desorientação, motivação, confusão, estas e muitas outras palavras pertencem à família das emoções. As emoções ocupam um lugar significativo nas nossas vidas, são guias fundamentais na nossa rotina. A palavra “emoção” provém do latim “exmovere” ou”emovere” que significa “movimento para fora ou colocar em movimento”. Entendemos então que a emoção é aquilo que nos coloca em movimento fora e dentro de nós mesmos. Pesquisas científicas demonstram que emoções mal orientadas podem exercer efeitos negativos sobre a saúde, tanto física como a mental. Falemos agora de um conceito bastante interessante, o piloto automático das emoções. Será que você já ouviu falar deste conceito? Sabemos que num avião a função do piloto automático garante o bom funcionamento de todos os mecanismos indispensáveis do voo sem a intervenção humana da tripulação. O piloto automático permite uma navegação mais precisa, económica e a rentabilização dos recursos. Na mente humana esta função existe quando processamos os nossos pensamentos e comportamentos de forma automatizada. 52 I Amar

O funcionamento no modo automático tem muitas vantagens. No seu livro mais recente, o escritor e neurocientista David Eagleman da Universidade de Stanford diz-nos que o nosso cérebro tem a capacidade de construir circuitos dedicados às atividades que praticamos, seja andar, fazer surf, comer, falar ao telefone, ver televisão, nadar, sem qualquer esforço consciente. Esta capacidade de gravar programas na estrutura do cérebro revela-se como um dos “super-poderes do cérebro”. Ao memorizar todos estes processos complexos, conseguimos empreender várias ações em simultâneo, como andar de bicicleta, comer, correr, vestir, com consumo baixo de energia, rapidez de execução e promovemos a nossa autonomia. Como em tudo na vida, também existem desvantagens no modo automático. Ainda segundo David Eagleman, as novas competências gravadas na estrutura do cérebro passam para um nível em que a consciência não tem acesso. Perdemos então o acesso aos programas que estão a ser executados nas profundezas do cérebro. Assim, repetimos velhos hábitos diariamente que nem sempre nos são úteis sem saber precisamente como fazemos o que estamos a fazer. Algumas pessoas reagem ao stress com agressividade, outros tendem a refugiar-se na comida pois houve um dia ou fase em que este comportamento funcionou e foi iniciado um padrão neuronal que pela repetição se tornou automático. Assim se perde a liberdade de optar conscientemente pela resposta mais adequada em determinada situação. De facto, não somos os nossos pensamentos. No mundo complexo de hoje, pensar ainda é uma função indispensável. O problema não reside nos nossos pensamentos, mas na relação que estabelecemos com eles. Quando não os pomos em causa, deixamos que eles dirijam a nossa vida e se tornem a realidade. Ora pensamentos automáticos favorecem emoções automáticas que influenciam os nossos comportamentos. Ocorre que nós não experienciamos o todo das nossas emoções. Não as sentimos, não as compreendemos de forma profunda e consciente, tanto as boas como as más emoções. Consequentemente, na nossa relação com a comida, sucede que a usamos frequentemente para regular o nosso metabolismo emocional ou como forma de gerir as nossas emoções. Desenvolve-se um ciclo: sentimo-nos mal e comemos, e sentimo-nos melhor. Estes comportamentos encadeados estabelecem sentido e ficam gravados na estrutura do cérebro.


As emoções relacionadas com a comida tornam-se simbolicamente mais importantes quando nós colocamos todo um sentimento, energia e emoção na nossa comida, convencidos de que nos faz bem. Na nossa cultura até temos a expressão “com a comida não se brinca” que demonstra bem a importância que esta tem na nossa sociedade.

ses sentimentos estabelecem com a forma como direcionamos a nossa vida. Quando enfrentamos as nossas emoções, quando as compreendemos e as utilizamos de forma útil, começamos a sentir-nos melhor connosco, com os outros à nossa volta e a desenvolver a nossa inteligência emocional! É aqui que a magia da vida acontece!

Ao aceitar que é humano, que é um ser imperfeito, você começa a sentir emoções e quando consegue aceitar tudo isto começa também a amar-se mais e a querer fazer alguma coisa por si. E nas alturas em que você come de forma emocional, perdoe-se. Perdoe-se e liberte-se porque isso vai fazer com que se queira sentir melhor e optar pelo caminho da saúde, do bem-estar e da sua aceitação.

A questão não é encontrar a dieta mais adequada, mas sim saber gerir as nossas emoções. Usar a comida para gerenciar as emoções é semelhante a utilizar óleo do carro para limpar os vidros do carro. Não funciona.

Na vida, quando começa a ouvir e a abraçar todas as suas emoções e não só aquelas que estão no seu prato e que são conduzidas pela comida, você começa a saber gerir melhor as suas relações, logo, a sua relação com a comida.

O corpo fala e dá sinais, as emoções falam. Oiça o que elas têm para lhe dizer!

No registo automático, a nossa primeira reação é a de lutar contra sentimentos difíceis. Esta tentativa de resolver emoções de forma rápida, faz-nos perder a oportunidade de desenvolver sabedoria acerca do que sentimos e como sentimos, bem como de observar a relação que es-

Se quer emagrecer, conheça-se melhor e permita-se desenvolver a sua inteligência emocional.

Isabel Rebelo

Psicóloga e Hipnoterapeuta

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Menopausa


A boardagem da medicina tradicional chinesa V i s i t e w w w. h e l e n m e d . p t p a r a m a i s i n f o r m a ç õ e s s o b r e m e d i c i n a t r a d i c i o n a l c h i n e s a

A

Menopausa é o período fisiológico após a última menstruação espontânea da mulher. O início da menopausa só pode ser considerado após um ano do último fluxo menstrual, uma vez que durante este intervalo a mulher ainda pode menstruar ocasionalmente. Para a medicina tradicional chinesa (MTC), a menopausa é a consequência natural da decadência da essência, onde o rim é o principal órgão afetado.

Padrões segundo a MTC

Deficiência de Yin do rim e do fígado com subida do Yang do fígado A energia do yin do rim é consumida pelo excesso de trabalho, pela atividade física, pela má alimentação e pela atividade sexual. Quando leva a uma ascendência do Yang do fígado, normalmente está associada a uma vida com muitos fatores stressantes e de longa data. Os sintomas mais comuns nestes casos são: tonturas, vertigens, zumbidos, enxaqueca, irritabilidade, gosto amargo na boca, sensação intensa de calor. Deficiência de Yang do rim Normalmente vem acompanhada de deficiência de yang do baço, após anos de excesso de atividade física e trabalho que exige muito esforço, associado a uma alimentação com excesso de alimentos frios, crus e húmidos. Os sintomas mais comuns deste padrão são: problemas digestivos, membros frios, tez pálida, dores lombares, perda de apetite, urina clara e abundante ou escassa e acompanhada por edema, distensão abdominal, tendência a fezes moles, obesidade, rubores, pés frios, depressão, cefaleia. Este tipo de menopausa não produz calores intensos, eventualmente os calores aparecem nas mãos. Contudo, os sintomas mais importantes são de frio. Deficiência de Yin e de Yang do rim Afeta a energia Yang do rim, gerando calor em cima e frio em baixo. Os sintomas mais comuns são: membros frios, olhos e garganta secos, dores de cabeça, vertigens, aversão ao frio, suores nas palmas das mãos, face ou peito, fraqueza na região lombar e joelhos fracos, perda de libido e fadiga. Os afrontamentos normalmente aparecem na região da cabeça, não havendo sensação de calor no resto do corpo. Os sintomas de frio também estão bem presentes. Deficiência de Yin e da Essência do rim Este é o tipo de menopausa que envolve o desgaste físico e mental da Mulher. Anos de vida desregrada levam ao desgaste da essência do rim, associado a uma deficiência do Qi Pré-celestial. O Qi Pré-Celestial depende da Essência dos pais no momento da conceção. Pais que têm vícios como o álcool, drogas, além de doenças crónicas pré-existentes, oferecem um Qi fraco à mulher e na fase da menopausa pode levar a um severo desgaste da essência, levando aos seguin-

tes sintomas: tonturas, vertigens, zumbido, surdez, dor lombar e nos joelhos, sudorese, rubor facial, boca seca, queda intensa de cabelo, insónia, urina concentrada e obstipação. Falta de comunicação entre o coração e o rim a origem deste padrão é deficiência do Yin do rim, mas desta vez a gerar falta de nutrição do Yin do coração com hiperatividade do Fogo do Coração. É o padrão das pessoas que passaram por anos de ansiedade extrema ou que passaram por vários choques emocionais ao longo da vida. Os principais sintomas deste padrão são: palpitações, insónia, sudorese, ansiedade, agitação, perda de memória, boca e garganta secas. A MTC enquanto tratamento natural apresenta significativas soluções para os desagradáveis sintomas da menopausa e com o uso da dietoterapia e da fitoterapia oferece excelentes resultados sem nenhum efeito secundário.

Dietoterapia

Em termos de dietoterapia, as mulheres podem usar alimentos como o tofú e o miso para ajudar a regular as hormonas femininas e assim ajudar a expulsar o calor. Para quem não é apreciador de tofu pode sempre fazer um patê. Coloca o patê no liquidificador com um pouco de azeite, azeitonas e pimenta preta, ou seja, tudo aquilo que coloca num paté normal. Depois de feito coloca o patê no frigorífico e na altura de consumir, pode até molhar em soyo, ou seja, no molho soja, o qual vai ajudar no paladar. Outra excelente alternativa, é o Kiwi. O Kiwi é ótimo para arrefecer o corpo e acabar com a transpiração. Pode comer um ou dois por dia. Outros alimentos alternativos são: acerola, limão, amora, os quais têm os mesmos efeitos sobre o corpo da mulher. Alimentos como as ostras, os ovos, o aipo, o nabo, os cogumelos e manjericão, que são antioxidantes, são também ótimas fontes nutricionais. Procure já um profissional credenciado e termine com os sintomas da menopausa! Não se esqueça… sorria com saúde!!!

Helena Rodrigues

Especialista de Oncologia em Medicina Chinesa

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Bacalhau fresco com alcaparras

Culinária

PREPARAÇÃO

1. Coza as batatas cortadas ao meio, em água temperada com uma colher de chá de sal até estarem macias. 2. Pré-aqueça o forno a 190° C. 3. Disponha uma folha de salva por cima de cada lombo de bacalhau e coloque-os num tabuleiro ou recipiente de forno. 4. Junte a couve-flor e o tomate com a rama e regue com o azeite. 5. Tempere com um pouco de pimenta e o restante sal e distribua por cima as alcaparras escorridas. 6. Polvilhe com a raspa de limão e leve ao forno cerca de 15 minutos. 7. Sirva com as batatas cozidas, as rodelas de limão e salva a gosto. Bom apetite!

E

m março trazemos uma receita de peixe, rápida e muito fácil de confecionar. Descubra a frescura dos lombos de bacalhau fresco, um peixe tenro e delicioso. Uma receita pronta em apenas 15 minutos, muito saborosa e aromática! SERVE 4 PESSOAS TEMPO MÉDIO DE PREPARAÇÃO: 15 MINUTOS DIFICULDADE: FÁCIL INGREDIENTES • • • • • • • • • •

500 g batata primor pequena 2 c. chá sal qb salva 4 lombos de bacalhau fresco 250 g couve-flor 250 g tomate mini com rama 4 c. sopa azeite qb pimenta moinho 1 frasco de alcaparras 2 limão


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AQUÁRIO

Março

Horóscopo

O

mês começou logo no primeiro dia com Vénus a caminhar através de Aquário, signo de ar, tornando-nos mais abertos, sociáveis, simpáticos e comunicativos. Vénus, a deusa do amor e dos relacionamentos, caminha com liberdade, sem nada que a possa oprimir ou reprimir. Estaremos mais leves e alegres, depois de algumas semanas de interiorização, resultado da passagem de Vénus por Capricórnio e sua visita a Saturno e Plutão no mesmo signo. No dia 05, a Lua começa um novo ciclo, entra na fase Nova em Peixes. Ela chega unida a Netuno e em ótimo aspeto com Marte em Touro e Saturno e Plutão em Capricórnio, marcando o início de um período de aceleração e concretização de projetos, pessoais e profissionais. Mesmo que exista uma ponta de necessidade de estarmos em contato mais profundo com nossa sensibilidade e espiritualidade, existe algo que nos traz à realidade, impedindo a entrega espiritual. No dia 06, na porta de entrada de Áries, aos 29 graus e 33 minutos de Peixes, Mercúrio começa seu movimento retrógrado e começam algumas confusões e mal entendidos junto com ele. Mercúrio em Peixes não transita muito bem pelos processos lógicos, típicos de Mercúrio. Em Peixes, ele pede subjetividade, maior contato com as emoções e romantismo, especialmente com as palavras. Mercúrio em Peixes não quer saber de intelecto, mas de processos mentais mais profundos. No mesmo dia, Urano retorna a Touro, onde esteve por alguns meses em 2018, movimentando a vida de taurinos e taurinas, escorpianos e escorpianas, leoninos e leoninas e aquarianos e aquarianas. Todos seremos influenciados por essa intensa mudança de energias, pois tudo o que diz respeito à vida material, económica e sensual, passa por um processo de mudanças rápidas, muitas vezes drásticas, que nos afetará até 2026. Os 4 signos que serão mais afetados por Urano, são todos signos fixos, que normalmente não gostam muito de mudanças, mas meu conselho é: sigam o fluxo, não resistam. Deixe a vida apontar para os novos caminhos. Por volta das 19 horas do dia 20, abrimos os braços para o início do novo ano astral, regido por Marte e Ogum, deuses conhecidos de guerra, afirmação e sensualidade. Com Urano em Touro e um ano regido por Marte, devemos sim cuidar mais de nossos pensamentos e emoções, cuidar de nosso planeta, pois infelizmente ele ainda se encontra nas mãos de pessoas pouco confiáveis e usurpadoras. Urano em Touro é um posicionamento astrológico perigoso para guerras, assim como um ano regido por Marte traz a energia da guerra em todos nós. Todo cuidado é pouco e, individualmente, cada um deve fazer sua parte para que grandes ou pequenas guerras não sejam deflagradas. No mesmo dia, a Lua continua seu ciclo, entra na fase Cheia em Libra, chega em tenso aspeto com Quíron e com alguma proximidade positiva de Saturno, Plutão e Marte, indicando dias de finalizações importantes e preparação para o novo ciclo astrológico, voltado para a consciência de si e os relacionamentos, dando-se o peso necessário a cada uma das áreas. É preciso equilíbrio. No dia 26, Vénus deixa Aquário e começa sua caminhada através de Peixes e o sentido de humanidade e caridade ficam mais aflorados em todos, a gentileza e o acolhimento ganham força e os corações de toda humanidade fica mais aberto. Vénus em Peixes é o símbolo da redenção, do auto sacrifício, da ajuda comunitária, do desejo de alegrias e bem para todos. A espiritualidade ganha força, assim como o espírito humanitário. No último dia do mês, Marte deixa Touro e começa sua caminhada através de Gémeos, um signo de ar. Deixamos para trás o peso da terra e começamos a nos movimentar com mais leveza, tanto física quanto intelectualmente. A agressividade diminui e aumenta a inteligência. Deixamos o modo prático de existência ou sobrevivência para um mais dinâmico e criativo.

58 I Amar

Será através dos seus recursos que você irá exprimir-se neste período, definindo-se a si e aos outros. Poupe exibicionismos desnecessários e use as suas capacidades materiais para proporcionar alegria e prazer àqueles que estão à sua volta. É uma boa altura para cuidar de aspetos financeiros. Tente ter uma noção mais correta daquilo que possui para o poder desenvolver no futuro.

CAPRICÓRNIO

Apetece-lhe algo diferente? Quebre a rotina e, sem receios, ponha em prática aquela ideia de mudar de ambiente por uns tempos. Uma pequena viagem ou a visita a uns parentes poderão ser-lhe bastante benéficas, num momento em que estão favorecidos os contactos com terceiros. Sair da sua própria concha será, esta semana, uma experiência gratificante. Verá que os outros estão mais abertos a ouvir e aceitar os seus pontos de vista.

SAGITÁRIO

É possível que, neste período, uma das suas características mais fortes seja servir de abrigo, de sustento, de âncora, de suporte e de refúgio para os outros. Poderá, também, a sua atenção estar mais voltada para os assuntos relacionados com a sua vida pessoal, íntima, e para as pessoas que a integram. A casa, o ambiente doméstico e a sua família serão fatores em evidência, pelo que se identificará mais com eles.

ESCORPIÃO

Este é um período em que se sentirá livre para expressar a sua realidade e mostrar-se como realmente é aos outros, traçando os seus objetivos e opondo-se vigorosamente a quem não lhe deixar seguir o rumo traçado. É uma época de maior espontaneidade e extroversão que o levará a viver a vida com maior prazer e alegria.

BALANÇA

O seu bem-estar físico, a sua saúde, e, em princípio, a manutenção de um bom estado geral, vão reclamar a sua atenção e preocupação. Talvez seja altura para uma decisão drástica, para cortar com tudo o que lhe é prejudicial fisicamente. Nesta altura você poderá também afinar novos métodos de trabalho e ganhar, assim, maior eficiência.

VIRGEM

É natural que surja, neste momento da sua vida, um conflito. Por muito que lhe pareça que isso não é agradável, tenha em mente que todas as experiências são enriquecedoras e que, se examinar bem a situação, sairá com um maior autoconhecimento. No futuro, tirará daí os seus frutos. Assuntos burocráticos ou legais poderão ter que ser resolvidos nesta fase. Debruce-se, com a possível imparcialidade, sobre eles.

LEÃO

Pode estar a chegar para si o fim de um período em que a rotina parecia dominar a sua vida. Isso far-se-á sentir mais intensamente a nível psicológico, o que lhe poderá provocar uma certa ansiedade. Como a sua segurança e estrutura interiores não serão afetadas, não terá motivos para recear alguma intranquilidade. Analise os fatores externos que lhe poderão ter causado essa transformação e poderá até tirar partido dela.

CARANGUEJO

Sentir-se-á com uma forte tendência para fugir à rotina diária e partir à conquista de algo diferente, de adquirir novas experiências e conhecimentos. O ideal será empreender uma viagem. Se neste momento isso não for possível, e a solução for mesmo ficar em casa, procure obter na leitura uma compensação, vibrando ou aprendendo com livros a seu gosto. Escreva a um amigo distante que não vê há muito.

GÉMEOS

Nesta altura pode ter um convite para liderar um projeto ou uma situação que lhe dará mais poder. Não se esqueça, porém, de que quanto maior é a nau, maior é a tormenta, e com o poder, vêm as responsabilidades. Antes de se meter em cavalarias altas, analise as suas reais capacidades. Se não está à altura, corre o risco de poder vir a comprometer o seu futuro. Não receie esperar por uma melhor oportunidade, ela poderá surgir.

TOURO

A sua relação com o grupo de amigos e com a sociedade em geral está amplamente beneficiada. Ajude ou peça ajuda aos amigos. Notará uma grande identificação com eles e descobrirá novas facetas do seu ego, quiçá escondidas no seu interior, e que agora poderá trazer à luz do dia para benefício de todos. Inicie novas amizades e dê atenção aos valores dos outros, verá que não são assim tão diferentes dos seus.

CARNEIRO

Está nesta altura mais sensível, o que favorece o aumento da sua criatividade e a sua intuição. Ajude as pessoas do seu meio que precisam de si. Este é um bom momento para desenvolver e aprofundar o seu mundo interior e espiritual. Pode sentir menos animo e menor força física devido ao facto de a sua energia estar baixa.

PEIXES

Esta é uma fase de grande saúde e vigor, em que se sentirá com imensa criatividade para começar projectos novos e tomar iniciativas, realizando-se individualmente. Conseguirá impressionar os outros com a sua energia e empenho pessoal. Excelente fase para se dedicar ao desporto e iniciar um novo regime alimentar.


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