EDIÇÃO 37 • ANO 4 • MENSAL • WWW.REVISTAMAR.COM
Maria&Jorge Ribeiro FEVEREIRO2019
Ficha Técnica Direção
Carmo Monteiro Manuel DaCosta
Edição Gráfica Carlos Monteiro
Marketing
Conteúdos 4
FEVEREIRO 2019
MDC Music Arrival Music Group
Carmo Monteiro MDC Media Group
4 artistas talentosos, boa disposição e uma noite de promessa na sede da MDC Music e da Arrival Music Group.
Fotografia
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Carmo Monteiro Carlos Monteiro
Fotografia - Capa Sarah Ribeiro
Colaboradores
André Marques Armando C. de Siqueira Neto Artur F. Guedes Carlos Cruchinho Cristina Fragata David Gonçalves Filipa Glória Helena Rodrigues Isabel Rebelo Maria João Rafael Paulo Mendes Pedro M. Salvador Raquel Couto Sara Cristina Pereira
Participação Especial
A comunidade portuguesa no Canadá perdeu um grande nome da rádio, televisão e imprensa escrita.
ACS Productions Sound & Lighting Arrival Music Group Associação Migrante de Barcelos de Toronto MDC Music Mar d’Estórias Portuguese Cultural centre of Mississauga
Contacto
www.revistamar.com info@revistamar.com www.facebook.com/revistamar
416.806.7616
30 OespíritodeBocage
$4.99
página 36
Armando Correa de Siqueira Neto faz uma viagem no tempo e fala-nos sobre o misterioso escritor português.
40
O outro lado de Nova Iorque
página 58
Sabia que há uma outra vida, animação e atividades para lá daquela que vemos nos roteiros de turismo?
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página 60
Maria & Jorge Ribeiro
No mês dos enamorados e da família fomos conhecer um casal que está prestes a celebrar 47 anos de casamento e que são um símbolo incontornável da comunidade.
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Odivórcioeosfilhos
página 66
página 68
O processo de divórcio pode ser um acontecimento desgastante e traumatizante para os filhos, em particular, para os mais novos.
Ao contrário do que pensamos, a confiança não é um traço de personalidade, mas sim, uma competência e, como tal, pode ser treinada e desenvolvida.
Custo estimado por exemplar
página 30
Quem era afinal este navegador histórico? Qual era a sua verdadeira nacionalidade?
62 Opoderdahesitação Revista Amar é uma marca registada e empresa subsidiária dos grupos MDC Media Group e Cyber Planet Inc.
página 10
26 Cristóvão Colombo
Cristina Santana Filipa Glória
Agradecimentos
Obrigado Alexandre Franco
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A comida de tacho Algarvia
Filipa Glória e o Mar d’Estórias leva-nos numa viagem de sabores até à comidade Algarvia.
página 70 Os artigos publicados na presente edição são da inteira responsabilidade dos seus autores, podendo não refletir as opiniões e posições da Revista Amar naquela matéria. Os conteúdos publicitários publicados na presente edição são da inteira responsabilidade e com autorização e aprovação prévia dos seus autores. A utilização do novo acordo ortográfico na matéria da presente edição ficou à inteira descrição dos seus autores.
Happy
Family Day O Executivo da CCWU Canadian Construction Workers Union deseja a todos os seus membros e comunidade portuguesa um Feliz Dia da Família
Canadian Construction Workers Union Proud representative of the hard working men and women in the Canadian Construction Industry. Presidente: Joel Filipe Financial Secretary: João Dias Vice-Presidente: Victor Ferreira Recording Secretary: Luis Torres Trustee: Ana Aguiar
1170 SHEPPARD AVENUE WEST, UNIT 42 - NORTH YORK, ONTARIO - M3K 2A3 TELEPHONE: 416-762-1010 • FAX: 416-762-1012
ria
tĂŠmi
MDCMusic& ArrivalMusicGroup Showcase
roberta b.
peter serrado
MDC MUSIC & ARRIVAL MUSIC GROUP
Fotografia © Carmo Monteiro
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MDC Music e a Arrival Music Group apresentaram a 29 de janeiro, no Sony Stage em Etobicoke, as suas mais recentes apostas no mundo da música - Peter Serrado, Ria, Témi e Roberta B. Os 4 artistas, diferentes quer a nível etário como em género musical, não deixaram os créditos em mãos alheias e brindaram os convidados com uma noite de talento musical que, certamente, irá perdurar na sua memória. O presidente da MDC Music, Manuel DaCosta, encontrava-se visivelmente satisfeito - “... os artistas estiveram muito bem. O nosso plano era apostar na diversidade e conseguimos. Eles monstraram quem são e o tipo de música que querem fazer. Claro que isto é um trabalho continuado. Cada um deles tem talentos que ainda têm de ser desenvolvidos. Por outro lado todos sabemos que a industria da música é exigente e por isso temos que continuar a trabalhar para se chegar ao sucesso.” Numa sala cheia de convidados, encontravam-se representantes de grandes companhias discográficas, como nos contou Manuel DaCosta “... do mundo da música, estão entre nós os representates mais fortes como a Sony, a Warner Brothers, etc. e seria fantástico se um deles reconhecesse o potencial destes artistas, que seria simultaneamente o reconhecimento do nosso trabalho.” De salientar o trabalho de produção realizado pela ACS Productions Sound & Lighting que, mais uma vez, prova estar na vanguarda da tecnologia necessária à realização deste género de eventos. A Revista Amar deseja felicidades ao grupo de artistas da MDC Music/Arrival Music Group, querendo, também, realçar a importância deste projeto na promoção de jovens artistas no Canadá.
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MDC MUSIC & ARRIVAL MUSIC GROUP
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José Alberto Reis &Nelz
na festa de despedida da direção do CCPM
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erminou mais uma mandato da direção do Centro Cultural Português de Mississauga e o artista português José Alberto Reis, o lusocanadiano Nelz e banda Unique Touch foram os convidados para a festa de despedida que se realizou a 26 de janeiro na sua sede. Em noite de casa cheia, como é aliás habitual neste pilar do associativismo português no Canadá, os presentes tiveram oportunidade de dançar, cantar e se divertir ao som de musicalidades distintas, apresentadas pelos três intervenientes no espetáculo, fazendo esquecer por completo as eleições que se realizaram, apenas, no dia seguinte e que reconduziram a direção de Tony de Sousa à frente dos destinos do CCPM. De destacar, ainda, o dueto de José Alberto dos Reis e Nelz que interpretaram “Toca guitarra do meu país”. A noite foi de festa no CCPM mas inicia-se agora mais uma ano de mandato da atual direção, sendo várias as atividades e eventos já agendados para 2019. A Revista Amar felicita a recondução da direção do CCPM, desejando as maiores felicidades para os desafios vindouros.
Fotografia © Carmo Monteiro 10 I Amar
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Obrigado
AlexandreFranco A
comunidade portuguesa no Canadá perdeu em janeiro uma figura incontornável da rádio, televisão e imprensa escrita. A 31 de dezembro, a comunidade reuniu-se no Oasis Convention Centre em Mississauga para celebrar a vida de Alexandre Franco. Por entre histórias, memórias e desabafos, honrou-se o homem, o pai e marido, a amizade e a carreira daquele que, durante várias décadas, dedicou grande parte da sua vida às comunidades lusófonas e à profissão que tanto amava - o jornalismo. Em 2012 Alexandre Franco “falou” com o portal informativo BigSlam, “palavras” essas que são este mês republicadas em sua homenagem. Para sempre gravado na nossa memória fica a sua voz grave e bem colocada, a paixão pelo desporto, o prazer pela escrita, o inegável profissionalismo e um legado jornalístico exemplar. Até sempre Alexandre Franco.
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CELE BRA ÇÃO D E VIDA NO OA SIS CON VENTION CENTRE
“Conheça Melhor”
Alexandre Franco Cortesia BigSlam.pt
“Alcunha” ou nome pelo qual és conhecido entre os amigos: Alexandre Data de nascimento: 22 de janeiro de 1945 Naturalidade: Beira – Moçambique Localização actual: Toronto, Canadá Estado civil: Casado Altura: 1,80m. Peso: O melhor é dizer o peso que tinha quando em Moçambique – 75 Kgs. Os cento e tais atuais, são uma vergonha. Profissão: Jornalista Ideologia política: No meio é que está a virtude. Crença religiosa: A minha religião é a minha profissão. Localização da tua residência em Moçambique Lourenço Marques – Ponta Vermelha – Rua João das Regras, quase vizinho do Mário Albuquerque. Percurso escolar Tudo começou no Colégio Barroso (na altura os rapazes podiam frequentar o Barroso até à terceira classe). Depois, a Correia da Silva, a Industria até ao segundo ano, o Comércio e na África do Sul o curso Liceal na Hertzog High School, que visitei recentemente para encontrar a escola tal como de lá tinha saído há 30 anos. Serviço Militar Foi coisa que não fiz, graças a um Capitão que na altura trabalhava comigo na SONAP (o meu primeiro emprego depois de ter terminado os estudos na África do Sul). Já era casado e já tinha duas filhas. A Alexandra nasceu tinha eu 18 anos, e a Talita, tinha eu 19… era um puto, não era? Pois bem. Meti uma cunha ao tal capitão. Fui à inspeção para ver malta com defeitos físicos a serem “apurados para todo o serviço militar”, enquanto eu fui mandado para um canto e depois de todos terem sido inspecionados, chamaram-me, pediram-me a caderneta militar, na qual colocaram um carimbo que dizia “Isento de todo o Serviço Militar”. Apanhei um susto dois anos depois quando voltaram a chamarme, pediram-me a Caderneta, desta vez carimbaram “Apto para todo o Serviço Militar”, mas nunca me chamaram. Uff!!!
Prémio de melhor jornalista da diáspora Créditos: Alexandre Franco/MS
Fui gerente desta estação de rádio até 1998, altura em que fui convidado para trabalhar na OMNI-TV, onde estive como apresentador das notícias desportivas (e não só) (ainda me lembro de ter feito o “relato”, ao vivo, do ataque ao World Centre – as torres gémeas – de Nova York). Entretanto, a 8 de novembro de 1990 comecei a publicar o meu jornal luso-canadiano, que na altura era apenas Stadium (hoje é Milénio Stadium), na altura apenas desportivo, hoje generalista, mas com o suplemento desportivo Stadium e que pode ser visto no www. mileniostadium.com. Deixei de trabalhar na OMNI TV em julho de 2003 por ter sido convidado a regressar à CIRV-FM 88.9, mas agora apenas com um programa desportivo diário, assim como dois programas na FPtv, onde estive até 2008, altura em que decidi dedicar-me apenas ao meu jornal e deixar-me de rádios e televisões. E hoje continuo a procurar fazer com que o Milénio Stadium seja o Melhor Jornal Luso-Canadiano, prémio que conseguiu (Melhor Jornal Luso-Canadiano) nos últimos seis anos, por votação popular, o que muito me honra. Não gosto de falar de mim, mas para que fique registado para a posteridade, em 2010 recebi o Prémio que mais prestigiou a minha carreira, uma distinção dada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros do Governo de Portugal, que entre inúmeras candidaturas me escolheu como o Melhor Jornalista da Diáspora Portuguesa, prémio que me foi entregue durante um programa que a RTP 1 transmitiu em direto, o que proporcionou uma série de contactos de amigos de quem eu até já nem me lembrava (e,
logicamente, de muitos outros bem mais chegados) que se sentiram muito felizes por verem um moçambicano a ser distinguido com prémio tão prestigioso. Percurso desportivo Uma história que dava para escrever um livro, mas vou tentar resumir em poucas palavras. Comecei a mexer numa bola de basquetebol no Ferroviário, nos tempos do Luis Pina, do Adão Ribeiro, etc. Isto porque morava na Consiglieri Pedroso, não muito longe do Ferroviário. Tinha os meus 8/9 anos de idade. Depois mudei de casa, para a 24 de Julho com a Rua das Flores, e passei a frequentar o Desportivo. Nessa altura com 12/13 anos, a aguardar ansiosamente pelos 14 anos para poder jogar basquetebol. Lembram-se que nessa altura só se podia jogar em juvenis a partir dos 14 anos? Fui falar com o treinador que era o Alberto Correia Mendes (reparem bem neste pormenor), que me disse para “dar uma curva”, pois tinha a sua equipa completa e não precisava de mais ninguém. Dei o salto para o clube do lado, sim, o Sporting, claro. Aí o treinador era o José Lopes que me deu as boas-vindas de braços abertos. Jogos de pré-temporada. A minha equipa contra a equipa do Nelson. Ao intervalo, o Octávio Bagueiro (quem não se lembra deste extraordinário senhor do basquetebol moçambicano), aproximou-se de mim e disse-me (nunca mais me esqueci): “Oh miúdo, se queres ganhar à equipa do Nelson, não passes a bola a ninguém e vai tu para o cesto!”, o que fiz e ganhámos, claro. Depois fui à inspeção médica, pela mão do Picão (lembram-se dele?). Detetaram uma porcaria qualquer e acharam que era melhor eu não jogar. Chorei que me fartei. Como jogador fiquei por ali. Nessa impossibilidade, optei por continuar ligado de algum modo ao basquetebol e passei a ajudar, primeiro como seccionista, até que mandámos vir o primeiro americano que foi o Steven DeLapp. Nessa altura passei a atuar como “tradutor” ou “intérprete”, como queiram (ao jeito do José Mourinho…ah,ah,ah). Ganhei-lhe o gosto e tirei o primeiro curso de treinador com um americano que então visitou Moçambique, o Bill Fitch. Mas, como era prata da casa, ninguém me ligava nada como eventual treinador, até que o Luis Branco e o Machado do Sport Lourenço Marques e Benfica, me convidaram para criar o departamento de basquetebol naquele clube, o que aceitei, pois achei que era um repto que estava ao meu alcance. Na primeira temporada apenas com Juvenis e Juniores. Na segunda, já com uma equipa de Seniores. Fomos buscar jogadores provenientes de outros clubes, como o Orlando Noronha, o Vítor Rocha, o Vítor Agostinho, o João Silva e outros, para além de termos mandado vir aquele que foi um dos melhores basquetebolistas americanos que passou por Moçambique, o Mahlon Sanders. Com ele derrotámos o Sporting que era treinado pelo Luis Pina, com Mário Albuquerque, Nelson Serra, Luis Almeida, Sérgio Carvalho, etc. naquele que terá sido o primeiro grande triunfo da minha ainda curta carreira de treinador.
L e i a e n t r e v i s t a n a í n t e g r a e m w w w. b i g s l a m . p t / d e s t a q u e s / e n t r e v i s t a - c o n h e c a - m e l h o r - a l e x a n d r e - f r a n c o
Percurso profissional Trabalhei na Sonap, na Boror Comercial, na Lohman, no Notícias e no Rádio Clube de Moçambique. A partir de 1974 assumi a propriedade do Instituo Inglês de Moçambique, que me foi “roubado” após a independência pelo Governo Comunista da Frelimo de então. De Moçambique para Portugal, onde comecei a trabalhar na Antena 1 (e a treinar o Queluz). De Portugal para o Canadá (e só vim para o Canadá porque na altura as minhas filhas tinham 9 e 10 anos, respetivamente Talita e Xandra, e em Portugal não conseguíamos encontrar escolas para elas) (formaram-se nas Universidades canadianas e decidiram regressar a Portugal, onde vivem hoje, deixando o velhote neste maravilhoso país que é o Canadá), primeiro para Montreal. Inicialmente com o Rui Ferreira (comprámos um Supermercado, só que aquilo não era vida para mim e foi uma passagem horrível da minha vida que nem quero recordar), depois montei uma agência de viagens, mas já trabalhava, em paralelo, na Rádio Portugal de Montreal. Foi então que o proprietário do Rádio Clube Português de Toronto me descobriu e convidava-me para vir até Toronto aos fins de semana, até que acabei por ser contratado a tempo inteiro e mudei a minha “trouxa” para Toronto. Ao fim de cinco meses estava a ser convidado para ser o Gerente da Rádio. Isto em 1983. Em 1986 conseguimos uma licença para uma rádio FM, que passou a ser a CIRV-FM 88.9.
Foi então que o Cató (Carlos Serra, irmão do Nelson e, na altura, Diretor do Departamento de Basquetebol do Sporting) me foi convidar para voltar ao Sporting assumindo a responsabilidade de treinar as equipas de Juvenis e de Juniores. Aceitei, na condição de não ganhar qualquer tipo de ordenado (os treinadores eram os únicos que eram pagos no basquetebol moçambicano), mas com o Sporting a enviar-me aos maiores centros de aprendizagem do mundo para eu aprender tanto quando possível. Foi então que frequentei vários cursos na “Meca” do basquetebol mundial, nas Universidades dos Estados Unidos da América, aplicando tudo quanto aprendi no ensino dos meus jogadores e de tal forma fomos bem sucedidos que tivemos uma famosa equipa de Juvenis que nessa temporada fez 42 jogos e somou 42 vitórias, para além de termos uma excelente equipa de Juniores. Créditos: DR
No fim dessa temporada fui convidado para selecionador-treinador da equipa de Juniores de Moçambique que foi a Angola disputar um Torneio, no qual inclui quatro jogadores da Académica, entre eles o Beto Correia Mendes. No regresso fui convidado para treinar a equipa principal, já sem o Mário Albuquerque (que já tinha partido para Portugal), mas ainda com o Nelson Serra, o Luis de Almeida, o Vítor Morgado, o Sérgio Carvalho, o Simango, e alguns jogadores que subiram dos Juniores, como o Tam Ling, o Artur Meirim, o Mário Martins, o Luís Dioniso, o Carlos e o José Jóia, o Hélder Silva, o Marques, o Rogério…e outros. Foi então que chegaram os Jogos da Independência, com o Alberto Correia Mendes como principal responsável. Sim, o mesmo Alberto Correia Mendes que me tinha rejeitado quando eu tinha 14 anos de idade. O Alberto Correia Mendes convidou-me para seu Adjunto. Ainda hoje estou convencido que isso aconteceu porque o filho, o Beto, lhe deve ter dito quem na realidade era o Alexandre Franco como treinador de basquetebol. Fui à Zâmbia ver a seleção daquele país que tinha sido convidada para nos defrontar nos Jogos da Independência. Foi então que trabalhei com o George Sing, o Araújo, o João Domingues… e o Samuel Carvalho, sim este mesmo Samuel Carvalho que agora me pede para escrever estas coisas para o bigslam.pt, o que faço com muito prazer.
Créditos: DR
Pouco tempo depois, a partida para Portugal, onde uma semana depois de lá ter chegado, fui convidado pelo então Presidente do Queluz (que jogava na primeira divisão e era treinado pelo ex-jogador do Benfica José Alberto), para assumir os comandos daquela equipa, onde já militavam dois excelentes jogadores, o Leonel (que tinha ido do Malhangalene) e o Pratas (que era um dos melhores basquetebolistas português da época). Levei alguns dos jogadores que vieram dos meus juniores de Moçambique, casos do Hélder Silva, do Marques, do Mário e outros e passei a treinar o Queluz, o que fiz apenas até ao termo daquela temporada, pois foi então que decidi vir para o Canadá. Aqui, no Canadá treinei uma equipa colegial durante cinco anos, em Montreal, mas depois, devido às propostas profissionais que tive para trabalhar na Rádio e na Televisão, vim para Toronto e nessa altura deixei de estar ligado ao Basquetebol. E assim se conta, em meia dúzia de palavras a história do Alexandre Franco naquilo que concerne o Basquetebol. Hoje em dia, vou vendo os meus Raptors de Toronto… e já não é nada mau. Ah, apenas duas passagens inesquecíveis. O campeonato nacional de Portugal, em Luanda, em 1970, onde perdemos no último segundo contra o Benfica de Lisboa… e o “Nacional” no Porto, o do Dover, em ambas as ocasiões com a presença do meu amigo John Hucks (lembram-se dele? O gigante de 2,10m que íamos buscar à África do Sul?).
Créditos: DR
Qual foi a tua principal modalidade (como praticante federado)? Essa de praticante federado deixa-me a pensar duas vezes, mas direi que foram o Futebol de Salão e o Basquetebol, porque em qualquer dos casos, como explico atrás, sem ser federado. Alguém (quem) te influenciou a escolher esta modalidade, o basquetebol? Três pessoas. Primeiro, no Ferroviário, o Luís Pina (de quem ainda hoje sou amigo); depois, no Desportivo, o Becas (que recentemente nos deixou), e depois, no Sporting, sem qualquer duvida, o Octávio Bagueiro. Ainda me lembro de quando ele apareceu para jogar contra o Desportivo depois de ter sido submetido a uma operação ao estômago. Só a presença dele em campo era impressionante. Qual foi o teu primeiro jogo ou prova oficial? Aquele jogo que fiz contra a equipa do Nelson e que ganhei, nunca mais esqueci. Com que numero na camisola jogavas? Julgo que as camisolas nessa altura nem tinham números. Outras modalidades que tenhas praticado? Como já disse, o Futebol de Salão. Quais os clubes que representaste (em Moçambique e fora de Moçambique)? Oficialmente só como treinador, o Benfica de Lourenço Marques, o Sporting Clube de Lourenço Marques, o Queluz e o Colégio Maisonneuve, em Montreal. Recorda alguns momentos e nomes de antigos colegas de equipa? Honesta e sinceramente da miudagem do meu tempo só me lembro do Nelson. Os teus ídolos na tua modalidade de eleição? Michael Jordan, depois de Larry Bird e de Wilt Chamberlain. Quais os atletas de sempre que eleges nesta modalidade (Moçambique/Portugal/Europa/Mundo)? Em Moçambique e Portugal, o Mário Albuquerque, na Europa, o Vassilis Goumas (que também foi jogador do Sporting e internacional pela Grécia, onde estive a fazer um estágio de treinador antes do Eurobasket 73); no mundo, Michael Jordan. Treinador que mais te marcou ao longo da tua carreira e porquê? Lou Carneseca, porque foi o treinador com que mais aprendi na Universidade de St. Johns em Nova York. Foi com ele que trouxe para as minhas equipas de Juvenis e de Juniores do Sporting o “Amoeba” que era um sistema defensivo simplesmente brilhante, da autoria desse maravilhoso treinador que foi Lou Carneseca.
A modalidade que mais aprecias na qualidade de tele/espectador? O Basquetebol, claro. Ainda hoje e pelo facto de ao longo da minha carreira me ter dedicado mais ao Futebol do que ao Basquetebol (em Moçambique, não… em Moçambique era só Basquetebol e muito pouco futebol, mas depois, as circunstância da vida obrigaram-me a que seja muito mais futebol do que basquetebol), as pessoas julgam que eu sou um especialista em Futebol, mas acredita que sou muito mais Basquetebol do que Futebol. O teu clube do coração (ou simpatia) Em Moçambique? Sporting Clube de Lourenço Marques. Em Portugal? Por afinidade, Sporting Clube de Portugal. No estrangeiro? Real Madrid. Descreve uma situação caricata que tenha ocorrido em campo ou numa prova Como treinador do Benfica, equipa sénior, a jogar contra a Académica, que tinha o Dave Adkins como treinador, e com o Mahlon Sanders a “abrir o livro”, no campo do Malhangalene, a meio do jogo, o Dave saiu do banco dele, veio até ao nosso banco, para me dar os parabéns e para realçar como os cestos do Mahlon nos Estados Unidos valiam quase todos 3 pontos. Foi giro, vindo de quem veio. Recorda alguns dos momentos mais marcantes e o mais frustrante na tua carreira desportiva (um jogo ou prova inesquecível) A derrota contra o Benfica em Luanda, no Nacional de 1970. Escolhe três modalidades diferentes da tua, e elege o melhor atleta de sempre (nacional e mundial) em cada uma delas Simples. Futebol: Fernando Lage e Edson Arantes do Nascimento (Pelé). Hóquei em Patins: Fernando Adrião e Fernando Adrião. Basquetebol: Mário Albuquerque e Michael Jordan. Eu bem sei que disseste “diferente da tua”, mas achei por bem incluir o basquetebol. Qual a infra-estrutura desportiva (pavilhão, campo, piscina, pista, etc.) que mais te impressionou ao vivo, no estrangeiro e em Portugal? Pavilhão: Em Portugal nunca nenhum me impressionou, a não ser na altura que Moçambique era Portugal… e então, sim… o Pavilhão do Sporting Clube de Lourenço Marques, minha segunda casa durante muitos anos. Ainda hoje não vejo nada em Portugal que lhe chegue aos calcanhares. Já agora aproveito para salientar que estive recentemente no mesmo Pavilhão, que agora é do Maxaquene e fui encontrá-lo exatamente na mesma, muito embora com as mudanças de cores do verde
para um azul e vermelho que nada ajudam, mas enfim… Campo, Estádio… Vários. O San Siro em Milão onde estive no Mundial de 1990. O Azteca, onde estive no Mundial de 1986; o da Luz, no Euro 2004; e mais recentemente, no mundial de 2010, na África do Sul, o Green Stadium, em Cape Town. Piscina e Pistas… as de Montreal, nos Jogos Olímpicos. E só me referi ao que conheço. Qual o teu hobby? Como não podia deixar de ser: Escrever! Destino de férias preferido? Até muito recentemente, Cuba… mas estive lá recentemente e roubaram-nos os passaportes, pelo que não penso voltar a Cuba tão depressa. Viagem de sonho que gostarias de realizar ou que já realizaste? Que já realizei, ao Hawai… e mais recentemente a Moçambique e à África do Sul. Foi simplesmente maravilhoso voltar a pisar as terras escaldantes de África. Uma cidade para viveres? Onde vivo. Toronto. Indubitavelmente a melhor cidade do mundo, inserida no melhor país do mundo. O teu canal de TV? Tenho acesso a centenas de canais, mas o que vejo mais: Sport TV e RTP Internacional, para além dos vários da Sportsnet, onde vejo os jogos em direto dos campeonatos da Inglaterra, Espanha, Itália, França e Alemanha, com maior incidência (por opção, claro) nos jogos da Inglaterra e de Espanha. Programas televisivos do teu agrado? De Portugal, tirando os desportivos… nada de nada. No Canadá, para além dos desportivos, outros como os musicais Dancing with the stars, America’s Idol, America’s Got Talent, The Voice. A tua estação de rádio? A CIRV-FM 88.9, da qual fui gerente durante muitos anos. Um dos teus filmes preferidos? The Greatest Show on Earth… O Maior Espetáculo do Mundo. Devo ter visto umas 15 vezes. Qual o teu actor/actriz predilecto? Morgan Freeman e Meryl Streep. O teu realizador de eleição? Francis Coppola. Qual o estilo de musica que aprecias? Crooning (Frank Sinatra, Michael Buble) Uma das tuas músicas favoritas de sempre? My Way. Amar I 17
O teu cançonetista ou banda favorita de sempre? Vários. Paul Anka, Frank Sinatra. Neil Diamond. Os Beatles.
Acontecimento pessoal que mais te marcou? Os nascimentos das minhas filhas quando ainda era um puto.
Um livro que tenhas lido e te recordes? O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway.
Acontecimento mundial que mais te marcou? A queda do Apartheid na África do Sul.
O teu prato predileto? Açorda de Camarão. Elege um animal de estimação. Cão. A tua cor preferida? Verde. Não podia deixar de ser.
Talita Franco (em criança e atualmente) Créditos: Alexandre Franco
As tuas qualidades? Sinceridade. Honestidade. Os teus defeitos? Guloso. Preguiçoso. Gosto de (indica os teus gostos preferenciais, nas mais diversas áreas) Mulheres de todos os tamanhos e feitios, desde que sejam lindas no seu interior. Desporto? Basquetebol e Futebol em particular. Carros? Os que tenho. Um KIA Amanti e um KIA Spectra 5. Gostava de os trocar por dois Lincolns, mas só se fosse rico. Homem rico nunca fui. Já fui um rico homem, mas agora já nem isso…
Alexandra Franco (em criança e atualmente) Créditos: Alexandre Franco
Não gosto de (dá vários exemplos daquilo que não gostas, nas mais diversas áreas)... De lidar com pessoas malcriadas. Ignorância ainda aceito, incompetência, não.
Um sonho ou desejo pessoal? Continuar a viajar por ese mundo fora. Citações favoritas? Adaptada à minha maneira de ser: “Faz o que puderes por ti próprio, não esperes que alguém o faça por ti!”. JF Kennedy terá dito para que os americanos o fizessem pelo seu país. Momento de humor (conta uma das tuas anedotas preferidas ou algo hilariante da vida real que tenhas assistido ou protagonizado)... O facto do Mário Albuquerque ser muito mais velho do que eu. Em jeito de conclusão (responde sem pensares muito): Se te saísse o totoloto o que não dispensavas ter? Uma mansão e dois Lincolns. Como imaginas Portugal num futuro próximo? Estás otimista? Bem melhor do que atualmente. O que dizem os teus olhos? Como é bom ter amigos… e amigas. Obrigado Alexandre Franco
Alexandra Franco na companhia da esposa Nicole Franco, Ana Bailão, Charels de Sousa, Zenaida Sousa e Peter Fonseca Créditos: Carmo Monteiro
Alexandre Franco na companhia da esposa Nicole Franco, Charles de Sousa, Ana Bailão, Zenaida Sousa e
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Trajes
Vitor Santos & Maria Helena Martins Fotografia: Carmo Monteiro
Traje Regional de Barcelos Baixo Minho O vosso traje voi criado para a vossa vida, Nasceu para realçar a vossa beleza, Para tornar cómodos os vossos movimentos, Para facilitar a vossa vida
Domingueiro ou de ir à Feira C
omo o seu traje próprio, embora possuindo características comuns à região minhota, Barcelos apresenta um leque bem rico de trajes. Após demorado estudo, consegui-se reunir o conjunto puramente característico da região barcelense, sem confusão possível com qualquer dos trajes da região de viana, que são os mais conhecidos. O traje apresentado é o traje regional de barcelos, cuja sua saia, como o avental, são fabricados em combinações de várias cores, sempre dentro da tonalidade suave.
“Veste o vosso traje ,que é só vosso, Só da vossa terra. Usando-o toda a gente, Só ver-vos, dirá quem sois”
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Mulher Barcelense Cachené: Há três tipos – de fundo verde, azul ou acastanhado, com rosas vermelhas e amarelas. Lenço: Em lã de merino, com frosques, dentro das cores dos cachenés. Sendo característica inconfundível, barcelense, a combinação do lenço castanho e do lenço azul, este quase exclusivamente de uso barcelense. Camisa: Branca de linho com gola larga bordada a crivo (s. Miguel da carreira) característica original pois nenhum traje vianense rigoroso tem a camisa de gola larga bordada como a bracelense com bordados a branco nos ombros e punhos, bordados de favos nos ombros e renda nos punhos. Colete: De rabos pretos bordados a cores também é inconfundivelmente barcelense Saia: A saia de serguilha em teia de lã de ovelha, fiada ás riscas, de cores (suaves), com barra preta (teia em tear artesanal). Avental: Da mesma teia da saia, mais claro, com barra e fitas pretas. Lenço de namorados: De linho branco com quadras bordadas à mão em ponto cruz. Saiotes (interiores): De linho branco com rendas, uma mais curta e outra do mesmo tamanho da saia. Culotes: em algodão branco com rendas nas perneiras. Meias: em algodão branco, rendadas e feitas à mão Chinelas: Pretas de biqueira arrebitada e com pespontos (discretos) em linhas de várias cores ou com um laço em tecido preto Jóias: É de díficil reprodução das jóias do traje barcelense. Não faz parte dos adornos a filigrama, sendo apenas usada, e não muito, a chamada estrela (espécie de cruz de malta). Características: as argolas e o coração de chapa, os cordões e a borboleta, assim como a cruz. “ As jóias do vosso traje são as mais lindas, Pois retratam as vossas almas De crentes e de portugueses, a fé E o amor a cruz e o coração “
Homem Barcelense Chapéu: Preto de copa baixa e de aba larga. Camisa: Branca de linho, com baixo cabeção de renda no pescoço, em vez de colarinho, renda que guarnece a abertura até à cinta. Mangas em canhão de renda. Bordados a branco no cabeção, abertura da frente e punhos. Bordado de favos nos ombros. Calças: De «serrubeco» acastanhado (ir à feira) ou preto (domingueiro) Faixa: Pretas de lã. Sapatos: De atanado acastanhado, de sola e bico largo, com pala sobre os atadores brancos (ir à feira) ou pretos sem pala (domingueiros). Chinela: Quase sapato aberto atrás, de atanado branco. 22 I Amar
Lenços de Namorados O lenço dos namorados é um lenço fabricado a partir de um pano de linho fino ou de lenço de algodão, bordado com motivos variados. É uma peça de artesanato e vestuário típico do minho, sendo usado por mulheres com idade de casar. Era hábito a rapariga apaixonada bordar o seu lenço e entregá-lo ao seu amado quando este se fosse ausentar. Nos lenços poderiam ter bordados versos, para além de vários desenhos, alguns padronizados, tendo simbologias próprias. Era usado como ritual de conquista. Depois de confeccionado, o lenço acabaria por chegar à posse do homem amado, que o passaria a usar em público como modo de mostrar que tinha dado início a uma relação. Se o namorado (também chamado de conversado) não usasse o lenço publicamente era sinal que tinha decidido não dar início a ligação amorosa. É provável que a origem dos “lenços de namorados”, também conhecidos por “lenços de pedidos” esteja intimamente ligada aos lenços senhoris dos séculos XVII - XVIII, que posteriormente foram adaptados pelas mulheres do povo, adquirindo os mesmos, consequentemente, um aspeto mais popular.
Brincos Rainha É quase unânime que os brincos rainha apareceram em Portugal durante o reinado da rainha D. Maria I (1734 - 1816). A origem do nome, essa, parece remontar ao reinado de D. Maria II (1819 - 1853), que usou um par destes brincos numa visita a Viana do Castelo em 1952. Depois desta visita, popularizaram-se como símbolo de riqueza e de status e ganharam o nome “brincos rainha”. Noutras zonas do minho, é ainda conhecido como “à moda da rainha”, “de mulher fidalga” ou “mulher rica”.
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Lenços de Cabeça Entre Douro e Minho O hábito da mulher cobrir a cabeça vem de tempos imemoriais. Nas catacumbas (conjunto de corredores e quartos subterrâneos debaixo da cidade de roma, onde os cristãos se escondiam na época da perseguição), existem muitos desenhos nas paredes feitos por esses mesmos cristãos, onde aparecem mulheres com a cabeça coberta por um véu. A própria bíblia diz-nos em coríntios: toda a mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta desonra a sua cabeça porque é a mesma coisa que estivesse rapada (nua). Talvez inspirados nos véus antigos terão nascido os lenços usados pelas mulheres durante séculos. A história dos lenços da cabeça é assim uma história antiga e cheia de curiosidades. Há quem afirme que os lenços, tal como os conhecemos hoje, remontam ao tempo de D. João VI. Quando o barco em que seguia a família real fugida para o Brasil sofreu uma praga de piolhos, a futura rainha, Carlota Joaquina, foi obrigada a rapar os cabelos. Como naquele tempo uma princesa careca era algo inconcebível, ela passou a usar lenços para cobrir a cabeça, causando até alguma estranheza nos súbditos ao desembarcar no Brasil, porém, logo o hábito pegou e as mulheres começaram a imitá-la. Certamente que poderá tratar-se de uma história, contudo, o lenço da cabeça foi uma peça extremamente importante e fundamental da indumentária da mulher. Sendo assim, sejam em que circunstâncias forem, as componentes de qualquer grupo ou rancho folclórico, jamais deverão abdicar do uso do lenço, seja nos trajes mais ricos, ou nos mais pobres e simples.
Avental Este elemento de vestuário é uma das peças mais ricas do traje minhoto e um adorno indispensável dos fatos regionais. Confecionado em tear nas mais variadas cores e desenhos está geralmente em harmonia com a cor do fato.
Bordados S. Miguel da Carreira Os bordados de crivo são característicos do concelho de barcelos. Estes nasceram na freguesia de Carreira e são uma forma de artesanato única no país. Começando por fazer o boleio, de seguida riscar, marcar, tecer e por fim bordar, estas são as fases pelas quais passam os bordados de crivo. Trata-se de uma tradição centenária de Carreira e de algumas freguesias circunvizinhas, exclusivamente praticada por mulheres. Em tempos passados, seria normal ver estas mulheres à porta de suas casas, pacientemente a bordar, o que trazia a esta aldeia um aspeto bastante pitoresco. Era considerado um sinal de riqueza e prestígio encomendar os bordados de crivo, não só para compor enxovais, mas também para dispor de lençóis, toalhas e outras peças de linho, assim tão ricamente bordadas, com a finalidade de utilização diária.Uma comercialização mais generalizada destes bordados começou a ser feita há cerca de 60 anos, na época em que D. Ana Gomes de Araújo começou a divulgar os seus trabalhos. A sua filha, Maria Ermelinda Rodrigues, seguindo os passos da sua mãe, tem prosseguido esta maravilhosa e minuciosa arte até hoje. Atualmente, o bordado de crivo conta já com uma projeção de nível internacional e engloba, nesta região, cerca de 150 mulheres. 24 I Amar
Trajes do Baixo Minho
Femenino Traje do Vale Do Cávado ou Romeira ou Traje de Capotilha Traje de Sequeira Traje de Valdeste Traje da Ribeira Traje de Encosta Traje de Romaria Traje de Noiva Traje de Lavradeira Traje de Mordoma ou Mulher Rica Traje de Ceifeira Traje de Olhar o Gado Masculino Traje de Romeiro Traje Domingueiro –Barcelos e Famalicão Traje de Noivo ou de Luxo Traje Lavrador Traje do Ceifeiro Traje de Olhar o Gado
Músicas do Baixo Minho “E tal como no alto minho a dança mãe foi sempre o vira, o qual se manifesta de várias maneiras, assim, na zona de barcelos, o malhão surge com múltiplos perfis. Malhão – teclado coreográfico de quatro notas apenas – os quatro passos que o barcelense genuíno emprega para se exprimir em bailados, diferentes uns dos outros quanto à floração, porém, parentes entre si, graças à raiz comum, de onde concluímos que, em folclore, a pala-vra «dança» merece maiúscula desde que a escrevamos no singular.” Pedro Homem de Mello (No Minho Até Os Malhões Sao Viras )
Malhões
Varreira Chula De Barqueiros Regadinho Valentim Lima De Góios Malhão Das Palmas Passarinho Que Canta – Gamelinhas De Palme Picadinho Senhora Da Saude
Viras
Saia Velhinha Batoque Chapeu Preto Vira Dos Namorados Vira Corrido Senhora Da Abadia –Abade Neiva
Vitor Santos
Fontes: Arquivos da Associação Migrante de Barcelos
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PREMIADA COM O GALARDÃO DO CANADA’S BAKING AND SWEET SHOW Amar I 25
EraportuguĂŞs? ProvĂĄvel retrato de Colombo por Sebastiano del Piombo, 1519
Cristóvão Colombo
Q Chegada de Colombo à América
uem era afinal este navegador histórico? Sabia que não há retratos autenticados de Colombo? Qual era a sua verdadeira nacionalidade? São cada vez mais as provas que apontam para a teoria de Colombo ter sido na realidade um espião português na Corte Espanhola. Cristóvão Colombo sempre foi alvo de muitas dúvidas e suspeitas. A sua história permanece envolvida em mistérios por desvendar e nem o seu local de nascimento é consensual entre os historiadores. Colombo era português? A origem de Cristóvão Colombo é considerada por alguns estudiosos como enigmática. O seu próprio filho, Fernando Colombo (baptizado Hernando Colón em Espanha), na sua Historia del almirante Don Cristóbal Colón obscureceu a pátria e origem de Colombo, afirmando que o seu progenitor não queria que fossem conhecidas tais informações. Por este motivo foram surgindo múltiplas teorias sobre o lugar de nascimento de Colombo. Destas destacam-se a hipótese portuguesa, a catalã e a galega. A teoria ou, com mais propriedade, as teorias da naturalidade portuguesa de Cristóvão Colombo baseiam-se na existência de supostos portuguesismos em seus escritos, na interpretação do anagrama da assinatura de Colombo e nos topónimos dados pelo navegador às terras que descobriu. São várias as evidências que apontam para o facto de Colombo ser português, natural de Cuba, no Alentejo:
• grande parte das localidades por ele descobertas na Amé-
rica possuem nomes de localidades alentejanas perto de Cuba; Colombo escreveria num castelhano com erros próprios de quem fala e escreve em português como língua natural, Colombo casou e viveu na Madeira, com uma importante fidalga daquele tempo, facto impossível de acontecer se Colombo fosse apenas um mero tecelão genovês; as bulas papais que falam do descobrimento da América referem-se a Colombo como Cristofão Colombo, usando o til, acento que apenas se usa na língua portuguesa; o anagrama da sua assinatura indica que era filho de portugueses e que, na realidade, seria um agente secreto ao serviço do Rei de Portugal que estaria em Espanha com o intuito de distrair os Reis espanhóis, conduzindo-os para ocidente, deixando assim livre para os portugueses a rota que levava às especiarias do Oriente.
• Túmulo do navegador na Catedral de Sevilha
• •
David Gonçalves
Fontes: Wikipedia Fotografia: Direitos Reservados
A peregrinação à Terra Santa
S ã o Te o t ó n i o - I I
28 I Amar
Natividade - Vasco Fernandes (Grão Vasco), c. 1506-11, Óleo sobre madeira (131 x 81 cm) Museu Grão Vasco, Viseu
A
leitura e a viagem são por vezes as duas faces da mesma moeda, capazes de uma cumplicidade única. A leitura do livro Terra Prometida, impressões de uma viagem de Jorge Oliveira Pinto e a minha mais recente viagem à ilha de Chipre no mediterrâneo oriental deram o mote para este breve apontamento escrito. Ao terminar o meu último artigo sobre S. Teotónio, comprometi-me a relatar sucintamente as duas peregrinações do primeiro santo português a Jerusalém, na Terra Santa. Citando o livro “Vida de S. Theotonio” escrito por um discípulo anónimo, “Crescia S. Teotónio cada vez mais no amor de Deus e na perfeição das virtudes. Sua memoria se ocupava nas cousas do Céu, sem esquecer a presença da Paixão do Salvador. Avivava muito a sua devoção a saudade e ancia de comtemplar os mysterios da vida e morte de Christo ‘ naqueles lugares, que foram sanctificados com os seus passos e sangue precioso.”
Calvário - Vasco Fernandes (Grão Vasco), c. 1530, Óleo sobre madeira de castanho (242.3 x 239.3 cm) Museu Grão Vasco, Viseu
Padroeiro de Viseu
Durante todo o milénio medieval e prolongando-se nos tempos modernos, persistia uma certa “fobia” marítima, como nos atestam numerosos ditos e provérbios: «Louvemos e cantemos o mar, mas fiquemos em terra!». «É mais seguro andar em terra em velha carroça, do que no mar em navio novo!». Por sua vez, no seu bom senso muito realista e pouco poético, Sancho Pança recomendava a quem o ouvia: «Se queres aprender a rezar, faz-te ao mar!» No entanto, S. Teotónio, mesmo sabendo que as viagens eram tudo menos seguras e isentas de perigos, ainda assim e segundo o seu discípulo, “Elle se esquece de sua casa, e parentes: não o detem a familiaridade dos amigos, o amor da pátria, o obsequio dos criados, o uso da fazenda, ou alguma outra cousa do seculo: de tudo se desembaraça, sahindo de Viseu e de Portugal com grande numero de romeiros, para a segunda vez começar a jornada de Jerusalem.” Ainda segundo relato feito na “Vida de S. Theotonio”, o santo faz a sua primeira paragem. “Passadas pois 10 semanas, chegou com feliz successo ao Porto de S.Nicolau, guiado por Deus: mas ali lhe faltou a prospera maré dos ventos, e foi obrigado a deter-se seis semanas continuas.” Eis que, “Chegou o tempo e vento favorável a prosseguir a navegação. Estendidas pelos marinheiros as velas aos ventos, todos começaram a perigar com a repentina tempestade dos mares. Navegando pois a embarcação juncto ao Promontorio de Malea, de repente se escureceu o Céu, e uma obscura nuvem, com violência de ventos e estrondo terrível, os deixou em Trévas.”
Segundo uma comunicação do Dr. Armando Martins (2011), O Mar em hagiografias medievais de tradição Portuguesa: ”Se os medos do mar, nunca foram totalmente exorcizados ao longo dos séculos, no entanto, em grande medida, foram enfrentados e superados, sem o que não teria havido nem viajantes e viagens, nem a gesta de navegadores e de povos do mar. Primeiro, os medos foram vencidos no mediterrâneo onde, desde a época das Cruzadas, se abriu a rota de Jerusalém, em direcção aos portos da Síria ou do Mar Negro e cuja frequência seria tal que, logo se estabeleceram carreiras regulares partindo de Veneza ou de Génova. Na primeira metade do século XII, segundo o autor anónimo da sua Vida, para aí navegou, por duas vezes, como peregrino, por entre perigos, o português D. Teotónio, clérigo da igreja de Viseu e futuro primeiro prior do mosteiro de S. Cruz de Coimbra. O mediterrâneo abria as portas para outros espaços orientais da «Ásia das maravilhas» entrevistos, particularmente a partir do século XIII, por italianos como Marco Pólo (1254-1324), cujos relatos, progressivamente, aguçaram curiosidades e despertaram desejos.” Após a tempestade vem a bonança e depois da provação vem o júbilo da chegada a bom porto. S. Teotónio visita os lugares santos. Segundo o capítulo XII, do livro “Vida de S. Theotonio”, o peregrino, “Livre pois do golfo de Malea, com todos os que estavam com elle na náu, passadas trez semanas, desde que partira do porto de Bari ou S. Nicoláu, andou os mares, até chegar ao porto de Jope. D`ahi por rodeios mui dilatados de caminho deu volta pela sepultura de S. Jorge Martyr, até que chegou a Nazareth que nutriu e foi pátria de nosso Senhor Salvador. Logo caminhou pelo caminho que leva ao monte Tabor, em que o senhor se transfigurou. Subiu á eminencia d’este monte, e via com muito cuidado muitos lugares, que o Senhor sanctificou em sua peregrinação. E adorando em cada um dos lugares ao Redemptor do mundo, subiu com alegria ao mui celebre oiteiro ou montezinho, donde se vê a Cidade de Jerusalem, que tanto desejava: os naturaes e os que concorrem lhe chamam o monte do Jubilo, pelo inefável prazer e gosto que os peregrinos ahi concebem de ver a Cidade Sancta. Aqui pois, dobrados os joelhos, manifestaram as lagrimas misturas com gosto, quanta fosse a sua alegria, quantas as graças que a Deus dava.“ Nestes tempos de incerteza, onde a desconfiança em relação aos estrangeiros desconhecidos, ergue muros e encerra fronteiras, nada melhor do que peregrinar pelo mundo para alimentar a fraternidade e o diálogo intercultural entre os povos. Umas boas leituras farão o resto.
Carlos Cruchinho
Licenciado no ensino da História e Ciências Sociais
Amar I 29
o espírito de bocage
Cercado de mistérios, mitos e inverdades, subiu aos céus do infinito, da glória e das saudades, pois seus versos bem rimados, os sonetos variados, fazem dele a audaz figura de poeta tão amante quão ousado, que, em público, aos tantos, cora, e, na intimidade, a alma livre aflora. Quem foi, afinal, Manuel Maria Barbosa du Bocage?
O
bviamente não pretendo responder a tal questão, ao menos não na magnitude que ela representa e exige, haja vista os seus biógrafos não se entenderem bem, chegando ao extremo de as pesquisas divergirem acerca do próprio local de nascimento, em Setúbal, Portugal, em 1765. De um lado, a Rua Edmond Bartissol, número 12 (antiga Rua de São Domingos), de outro, o Largo de Santa Maria com a antiga Rua das Canas, atual António Joaquim Granjo. Bem, dúvidas históricas, interesses turísticos e comerciais à parte, nem sobre o seu fim, em 1805, foi possível atestar a concretude dos ossos, estes, podem estar enterrados em Lisboa, na Igreja de Nossa Senhora das Mercês, quem sabe na Igreja da Memória, ou na cova de número 36 do Cemitério das Mercês, e, ainda, desafortunadamente, talvez em uma vala comum no Cemitério do Alto de São João. O facto é um só, do começo ao fim, o poeta, que viveu até aos quarenta anos (faleceu de um aneurisma na carótida, no Bairro Alto, sob os cuidados da irmã Maria Francisca), deixou a herança de muitos fantasmas, que hoje acenam aqui, amanhã, acolá. Não lhe foi o suficiente o estardalhaço com que se fez anunciar por onde passou, a propósito, um homem do mundo, e até nas terras brasileiras levantou poeira através dos versos satíricos que compôs, além de outros, de elogios e bajulações - não era do seu feitio -, dirigidos ao vice-rei Luís de Vasconcelos e Souza (o 4º conde de Figueiró), tinham o objetivo de conquistá-lo ao ponto de permitir a sua estada por ali, do muito que gostou, tendo se hospedado na Rua das Violas [atual Teófilo Ottoni], no Rio de Janeiro, mas o plano falhou, e teve de embarcar na nau Nossa Senhora da Vida, chegando a Moçambique, e, em seguida, ao Estado ultramarino português de Goa, na Índia, como guarda-marinha (nomeado pela rainha D. Maria I), em outubro de 1786, atrás da glória épica, qual o admirado Camões, e fugir dos asfixiantes tribunais da inquisição, assim, os novos ares da aventura sopraram à promessa de ir ao encontro do sol da mais elevada importância própria. Deixou a colónia e a alta sociedade fluminense sob as ternas saudades descritas no verso assinado com seu pseudónimo Elmano Sadino [Gertrúria]:
Pus, finalmente, os pés, onde murmura O plácido Janeiro, em cuja areia Jazia entre delícias a ternura
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Amar I 33
Lá ficou o seu rastro de noitadas em luxúria, mas nem é preciso se deter a respeito da vida amorosa que o colocou no hall da fama pelas escandalosas e incontáveis conquistas ao longo dos anos de dedicada libertinagem. Todavia note-se que até neste quesito, não se pode atribuir veracidade aos nomes de todas as amantes que desfilaram na passarela íntima de Bocage, ficando, pois, ao encargo da pesquisa séria (e da sorte) se esta ou aquela, de facto, conheceram tão diletos poemas diretamente da fonte, sussurrados ao pé do ouvido... Bocage, portanto, é quase um título de respeito que chega ao entendimento mais pelo pecado do que pela santidade, fazendo-se autoevidente quanto à reputação já difundida. Talvez resida aí uma rara certeza. Ah! O respeito, que tão caro lhe custou, e, notoriamente, a passagem pela cadeia do Limoeiro, por comportamentos inadequados e desrespeitosos a serem corrigidos, assim determinado pelo intendente-geral da Polícia Pina Manique (1733-1805), foi a punição mais dolorosa contra a sua liberdade, especialmente a liberdade de expressão, com a qual lutou incansavelmente através da voz e da escrita, com afiada raiva, humor penetrante e gostosa inteligência, ressalve-se devidamente. As suas obras endossam os valores nele contidos. Rebelde e arbitrário ao conformismo e à mediocridade, criticou duramente muitas pessoas, notadamente religiosos e outros poetas, desentendendo-se com os membros da Nova Arcádia, a academia literária de prestígio da qual rompeu sociedade e se afastou rapidamente.
Casa onde faleceu Bocage, o Bairro Alto em Lisboa Créditos: Armando Neto
Casa onde nasceu Bocage, em Setúbal Créditos: Armando Neto 34 I Amar
Bocage, “magro, de olhos azuis, carão moreno, bem servido de pés, meão na altura, triste de facha, o mesmo de figura, nariz alto no meio, e não pequeno...” em seu autorretrato, a descrição poética do homem que até aos dias de hoje impressiona e é pouco conhecido, relegado às pobres interpretações nascidas no mito e no medo. E, não obstante às dificuldades materiais relacionadas ao homem, escondidas ainda sob o chão da história, eleva-se o seu espírito de poeta aos altos montes da riqueza literária, da criatividade, da ousadia e da liberdade.
Armando Correa de Siqueira Neto
Psicólog e Mestre em Liderança
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André Marques Autor Português
André Filipe Nunes Marques nasceu a vinte e sete de fevereiro de mil novecentos e oitenta e seis, na modesta cidade de Santiago do Cacém, situada em absoluto litoral alentejano. Entre dois mil e dez e dois mil e onze colaborou para o jornal digital Diário do Distrito, produziu artigos para o quinzenal Alcaxete, e ainda passou pelo Jornal do Barreiro, Diário da Região e Minas de Ideias, Brasil. Considera-se um caçador de sonhos. Formado em Comunicação, Marketing, Publicidade e Relações Públicas, em Dois Mil e Doze fez parte da estação de rádio PopularFM, situada em Pinhal Novo. Ao longo de três meses de estágio proporcionou entrevistas, guiões para eventos e contactos publicitários.
Fotografia © André Marques
Por exigência da determinação que o une à poesia, os seus poemas encontram-se expostos em várias antologias, designadamente na Antologia Poesia e Prosa com o carimbo Lua de Marfim Editora, e na Primeira Antologia Amantes da Poesia e Universus da
Poesia, ambas com a marca Universus Editora. Atualmente reside na localidade de Pinhal Novo, concelho de Palmela, local que o mantém, mesmo longe, ligado ao quente Alentejo que o viu despoletar para o mundo.
Obra Literária
“NEM TODOS OS AMORES CRESCEM” Há histórias de amor que não acabam bem. Beatriz e Rafael Medeiros estão casados há mais de uma vida. Entrelaçados desde sempre, desfilam o ódio e o interesse que os une. Em cativeiro numa mansão constituída de todas as infidelidades insinuantes e ensurdecedoras, caracterizam a aplaudida dignidade. Viver é dividir paredes com os outros. André Marques e Bruno formam um casal unido pelo afeto, ou por algo do género. Uma relação cedida pela ausência num tempo em que tudo cheirava a amor e princípios. Um amor que esconde uma decisão precipitada, que vale por uma vida, ou duas.
Uma morte próxima da verdade. Um amor que tinha tudo para desabrochar e quebrar todas as desigualdades sociais. Um casamento comercial, repreendido pela sorte, transformado em luxo aparente. Uma mulher suplantada pelo passado, criada pecadora, culpada de tudo e quase nada. O dinheiro, associado ao prazer, conduz à inevitável loucura, ao desespero, e a uma luta desenfreada pela sobrevivência. Vidas bêbedas, desalinhadas, que se assemelham a um mar enfurecido. Lisboa, Sintra, Palmela, Porto e Itália criam a ponte para histórias de vida actuais que pintam sem dó nem falsos reflexos uma tela de sentimentos imaculados, ou quase.
Nota de autor
O livro dos afetos. Frases, pensamentos controversos, destinos únicos, sentimentos palpáveis, reais. Uma obra com pessoas dentro, várias. Uma obra que conta a vida tal como ela é; sem falsos inconscientes, a realidade nua e crua. Porque nem todos os amores crescem; os que ficam pelo caminho, os que se ajustam, e os que simplesmente parecem subsistir.
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A poucos metros do Mar d’Estórias, na Avenida dos Descobrimentos, a sabedoria do mar e da história da nossa cidade está patente em fontes vivas – na imensidão de vivências de 40 pescadores Lacobrigenses. Lagos, terra de descobrimentos, de homens do mar, de enseadas douradas e águas cristalinas, conta com estes pescadores para partilhar as histórias de autenticidade vividas a bordo dos seus pequenos barcos tradicionais.
Créditos: DR
Os 40 pescadores que mais ensinam sobre a história de Lagos N
a década de 60, para complementar a vida difícil da faina, alguns destes homens do mar limpavam cuidadosamente os seus barcos de madeira e começaram a dar a conhecer a costa d’oiro de Lagos, através de passeios às grutas. Muitos ainda mantêm a mesma rotina, com ligeiras alterações: “de madrugada lançávamos as artes; limpávamos o barco e vínhamos para a Praia da Dona Ana esperar que alguém quisesse ir às grutas, enquanto o sol estivesse alto. À noite ou na madrugada seguinte íamos recolher o pescado”, fala José Jorge; ao que Nuno Amantes acrescenta que “ainda esta manhã fui largar alguns alcatruzes para apanhar polvo”. “O barco de madeira foi chão que já deu uva” menciona Isidro, mais conhecido por Cravinho: “fiz biscates com um barquinho de madeira do meu irmão, em 1976, na Praia da Dona Ana”. Os antigos barcos de madeira, baseados nas antigas caravelas dos descobrimentos, tiveram de ser gradualmente substituídos pelos tradicionais barcos de fibra: “fomos obrigados a deixá-los porque não tinham condições de encalhe, precisavam de muita manutenção e podiam romper se batessem numa pedra,” menciona Vítor Santos. Conta-se pelos dedos de uma mão os barcos de madeira que continuam no activo, como é o exemplo do Rio Alacem, com mais de 60 anos, que era uma “das enviadas de Alvor para carregar sardinha para as fábricas conserveiras”, assim como o que “carregava o andor da Nossa Sra. nas festas religiosas,” diz Isidro.
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Fotografias gentilmente cedidas por Mar d’Estórias
Os pequenos barcos tradicionais, agora em fibra, destinam-se apenas a fazer passeios marítimo-turísticos, com segurança e todos os elementos precisos para os manobrar: “com um barco largo as redes e depois pego no outro, que está limpinho, para os passeios.” Cravinho menciona que a “malta começou a juntar dinheiro [nos inícios dos anos 80], para comprar um barco de fibra” do qual não podem faltar as medidas de segurança e uma longa vara: “como trabalhamos na praia, onde o ponto de maré é muito baixo, temos de manobrar o barco entre a areia e as rochas, onde não nos é possível colocar a hélice do barco a trabalhar. Daí o uso deste pau para manobrar o barco para o sítio certo.” Neste grupo de 40, Lucindo, de 86 anos, continua a mostrar e a ensinar os recantos da costa a quem queira inteirar-se da sua história! São perto de 50 anos de atividade nas grutas e mais de 70 como pescador. Este e os restantes elementos foram construindo as rotas pelo intrincado rendilhado de falésias, grutas esculpidas e pequenos areais, onde confessam que não foi por acaso a escolha dos nomes dos sítios que dão a conhecer: “Temos uma gruta que lhe chamamos a cozinha, porque quando vinham ventos fortes era o abrigo onde comíamos antes
de nos fazermos à faina,” fala Vítor Santos. Este complemento às pescas começou na Praia da Dona Ana, com os turistas do Hotel Golfinho, mas foi-se espalhando pela cidade em quatro pontos estratégicos: Avenida dos Descobrimentos, Cais da Solaria, Praia da Dona Ana e Ponta da Piedade: “em parceria com a Junta Autónoma dos Portos do Barlavento e o Capitão do Porto, por volta de 1986, foram organizados 4 postos de trabalho, pelo grupo dos 40, em modo rotativo”, fala Isidro. A essência de Lagos foi e continua a ser criada por estes homens, pela sabedoria partilhada em cada passeio, mas não só! A sua condição humilde transmite o que há de mais autêntico, natural e genuíno, uma lição à imaginação de um tempo em que os pescadores por não saberem escrever contavam os passeios dando nós numa corda: “cada nó era uma viagem; dois nós seguidos representavam uma viagem com quatro pessoas,” refere José Jorge. São chefes de família que conseguiram, por este meio, proporcionar aos seus filhos um futuro melhor. São os mesmos que têm em si um enraizado sentimento de pertença e orgulho em fazer parte deste grupo e de ter feito vida em Lagos: “A cultura? Estamos a vivê-la todos os dias!” Filipa Glória Mar d’Estórias
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Turismo
Ooutroladode
NovaIorque Paulo Mendes Fontes: Wikipedia, Geocities, TripAdvisor, Oyester, Idealo e Sapo Fotografia: Direitos Reservados
E
m fevereiro rumamos um pouco a sul. Com cerca de 8 milhões e meio de habitantes e 60 milhões de visitantes anuais, Nova Iorque tem um outro mundo que importa descobrir e Brooklyn assume-se como centro da inovação. É verdade que visitar a grande metrópole norte-americana inclui paragens obrigatórias em locais lendários. Mas variedade e tendências novas são marcas de Nova Iorque. E além das atrações habituais, existem outras opções que permitem mergulhar na vida extraordinária da cidade. E confirmar que ela é mesmo especial.
V i s i t e w w w. r e v i s t a m a r. c o m p a r a m a i s d e s t i n o s t u r í s t i c o s
FOTOGRAFIA © ANDREW THOMAS
Fotografia © Anne Strickland Fine Art Photography
Ao ar livre
Em espaços verdes, o Central Park costuma concentrar todas as atenções. Mas vale a pena sair de Manhattan e procurar as surpresas dos outros distritos. Nos últimos anos, tem sido sobretudo Brooklyn a valorizar-se com novas ofertas em lazer e cultura. Mas também há cenários antigos. Muito antigos. Atravessando a ponte Brooklyn para o distrito com o mesmo nome, encontramos uma preciosidade da cidade que é também monumento nacional: o cemitério de Green-Wood, fundado em 1838. Sugestão lúgubre? Não! Os 478 hectares de colinas, vales e caminhos são uma espécie de oásis de paz e sossego no meio da grande confusão. E há, sobretudo, a curiosidade de encontrar, entre mais de 500 mil “residentes”, mausoléus e estátuas, os muitos nomes ilustres da história americana que conferem a Green-Wood uma fama semelhante à do cemitério de Père-Lachaise em Paris. A entrada é grátis e há visitas guiadas para ver os túmulos de Leonard Bernstein, Jean-Michel Basquiat ou Henry Steinway, entre outras lendas da política, desporto e guerra civil. Histórias de escândalos, rivalidades e segredos fazem parte deste roteiro invulgar. De volta a Manhattan, vamos em direção ao Fort Tryon Park que se destaca na ponta norte da ilha. Oferecido como presente por John D. Rockefeller à cidade de Nova Iorque, mantém-se como um dos seus lugares de maior encanto natural. Tem olmos com mais de cem anos, quatro jardins diferentes e exemplos de arquitetura clássica bem preservados. E como este é um dos pontos mais elevados da cidade, uma tarde bem passada aqui incluirá sempre a vista privilegiada sobre o rio Hudson e as outras margens. Mas não só...
Fort Tryon Park Túnel de Billings Créditos: DR
Cemitério de Green-Wood Túnel de Billings Créditos: TAP
A Arte
Perto do Fort Tryon Park, damos de caras com algo que contrasta imediatamente com a modernidade de Nova Iorque. O The Cloisters é um museu que pertence ao Metropolitan Museum of Art (Met) e se dedica à arte e arquitetura da Idade Média. A construção contém elementos inspirados em vários claustros europeus e a coleção inclui mais de duas mil obras de arte datadas entre os séculos XII e XV. Novamente em Brooklyn, regressamos abruptamente aos dias de hoje. Agora num bairro in que é um fenómeno tipicamente novaiorquino. Em Williamsburg, nas ruas de prédios industriais concentram-se jovens criativos, lojas e restaurantes identificados com uma cultura independente.
The Cloisters
Créditos: TAP
E além das galerias de arte, há ainda a feira gastronómica Smogasburg, o Flea Market e o mini-bairro de DUMBO (“Down Under the Manhattan Bridge”) a fazer desta uma das zonas mais apetecíveis de Nova Iorque. DUMBO
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O requinte da boa cozinha portuguesa aqui bem perto de si em Toronto
O Moliceiro deseja aos seus clientes, familiares e amigos uma Feliz Dia da Família Amar I 43
Compras
Se o objetivo for descobrir grandes pechinchas, lembranças únicas, passar uma noite relaxada e evitar os preços altos das avenidas concorridas de Manhattan, o melhor mesmo é continuar na outra margem do rio. Na atmosfera plural do Brooklyn Night Bazaar há de tudo às sextas e sábados: galerias de arte, artesanato, decoração, boa comida e música ao vivo. O BNB por vezes muda a localização, por isso fique atento!
Brooklyn Night BazarBillings Créditos: DR
Brooklyn Night BazarBillings Numa vertente multicultural, a Chinatown de Manhattan assume-se como primeira opção óbvia. Mas também Flushing, no distrito de Queens, merece referência. Fica a norte de Brooklyn e é uma extensa área urbana onde predominam comunidades imigrantes, sobretudo de origem asiática. Nada como ir até Flushing para uma autêntica imersão gastronómica — e a experiência vai das bancas de rua aos restaurantes mais conceituados. E há centenas de lojas de todos os tipos, literalmente. Quem procurar roupas e brinquedos coreanos ou ervas terapêuticas chinesas, tem em Flushing o sítio certo!
Chinatwon Manhattan - Créditos: DR
Créditos: DR
Noite
As opções de entretenimento em Nova Iorque são infinitas e não se limitam às grandes salas da Broadway, em Manhattan. Por perto, fica o mítico bairro de Hell’s Kitchen, que aproveita alguma da sua antiga aura de rebeldia para reafirmar o charme do presente. Aqui há uma série de teatros alternativos e espaços de tom mais intimista com espetáculos de novos autores. Tal como em Bushwick, a norte de Williamsburg no distrito de Brooklyn. As ruas industriais deste bairro de antiga fama difícil (tal como Hell’s Kitchen) têm sido habitadas crescentemente por artistas e jovens em busca de rendas mais acessíveis. Os clubes, galerias e salas alternativas cresceram como cogumelos. Uma coisa é certa. Em Nova Iorque ficar em casa não é uma opção. Se for com tempo, não se esqueça de reservar um ou dois dias para ver a cidade de uma outra perspetiva.
Bar velo, Bushwick, Brooklyn Créditos: DR
Graffiti em Bushwick, Brooklyn Créditos: DR
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Maria&Jorge Ribeiro O Jorge e eu casámos por amor. Nós até podemos olhar para trás e dizer “sabíamos nós lá o que estávamos a fazer”, mas na altura era assim que as coisas aconteciam e tínhamos muita maturidade com apenas 21 anos.
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o mês dos enamorados e da família, fomos conhecer um casal que está prestes a celebrar 47 anos de casamento. Simpáticos, alegres , sociáveis e com uma forte ligação ao voluntariado e à comunidade portuguesa no Canadá, Jorge e Maria Ribeiro são os convidados da edição de fevereiro da Revista Amar. Quisemos saber como se conheceram, os desafios de outros tempos, os valores e os laços que os mantêm unidos até hoje, o seu trabalho à frente de organizações como a ACAPO e quais as suas opiniões sobre o futuro desta comunidade que ajudaram a crescer.
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Revista Amar: Jorge e Maria Ribeiro, nomes incontornáveis da nossa comunidade, aqui em Toronto, pelo empreendorismo e muito voluntariado na comunidade portuguesa. Vamos regressar ao passado e conhecer o Jorge e a Maria. Onde tudo começou? Jorge Ribeiro: Eu nasci no dia 23 de fevereiro de 1950 em Salir de Matos, a 5 km das Caldas da Rainha e sou filho único. Eu vivi até aproximadamente aos meus 12 anos nas Caldas da Rainha. Com 12 anos fomos para Lisboa até que o meu pai, que era marinheiro da Marinha de Guerra, foi mobilizado para Moçambique e com 15 anos estava de regresso às Caldas por mais dois anos. Completei o liceu em 1969. Com 18 anos volto para Lisboa e comecei a trabalhar na Lisnave, uma empresa de construção Naval em Cacilhas. Por causa do meu emprego mudámos-nos para a Cova da Piedade, em Almada. Maria Ribeiro: Eu também nasci em 1950, a 27 de agosto numa aldeia chamada Cruzes, a 6 km das Caldas das Rainha. O meu pai emigrou para aqui quando eu tinha oito anos e fiquei com a minha mãe em Portugal. Eu também sou filha única. Ainda estudei no liceu nas Caldas da Rainha até que o meu pai, três anos depois, nos diz que já tinhas o papeis para nos ir buscar. Eu saí do liceu, mas ainda estivemos um ano à espera do meu pai que queria nos ir buscar na altura que tivesse férias. Durante esse ano de espera tive explicações privadas de inglês. Cheguei ao Canadá com 12 anos, no dia 23 de dezembro de 1962 e lembro-me perfeitamente da tristeza que senti, porque não gostei das casas... não gostei de nada e ainda por cima fomos viver para um apartamento que só tinha um quarto e eu dormia numa cama dobrável na cozinha. Depois de passarmos dois anos por um outro apartamento, já com um quarto só para mim, os meus pais compraram esta casa onde vivemos hoje. Quando cheguei fui para o 5.º ano, mas no ano seguinte saltei para o 7.º sem fazer o 6.º ano, e acabei o High School. R.A.: Se o Jorge estava em Portugal e a Maria aqui, onde é que se conheceram? M.R.: Foi em Portugal, no verão de 1968. Nós emigrámos para cá em 1962 e desde então ainda não tínhamos ido lá. Nessa altura a minha mãe quis ir de férias. Só fomos as duas em junho e eu fazia 18 anos em agosto. Nós fomos diretas para Salir de Matos, onde íamos ficar na casa da madrinha da minha mãe, e não para a minha terra, Cruzes, porque a nossa casa estava muito velha. A casa onde ficámos, era do outro lado da rua da casa do Jorge. Estou a sair do Táxi, a chegar do aeroporto, e aparece este senhor à minha frente e diz “Então, estás cá?”, e eu olho para ele e não o reconheci. R.A.: Então já se conheciam... M.R.: Sim, nós conhecemo-nos no liceu na aula de Português e apanhávamos o mesmo autocarro para ir para escola nas Caldas da Rainha. Contudo, já tinha ouvido falar dele porque a minha mãe nasceu em Salir de Matos e era vizinha dos pais dele, porém nessa altura não houve qualquer ligação. 48 I Amar
Estou a sair do Táxi, a chegar do aeroporto, e aparece este senhor à minha frente e diz “Então, estás cá?
R.A.: E porquê? M.R.: Porque o Jorge era daqueles tipos que eu não gostava, nem de longe (risos)... Ele era daqueles meninos que se tinham que exibir nas aulas e que tinham a mania que eram bonitos e engraçados, e eu detestava! Também era muito popular entre as meninas. R.A.: E o Jorge reconheceu-a? M.R.: Sim, ele sabia quem eu era, porque nas aldeias as pessoas falam e toda a gente já sabia que nós, a minha mãe e eu, íamos de férias. R.A.: O que aconteceu depois do “Então, estás cá?” M.R.: Perguntou-me se eu ia ao arrial, a festa na minha terra, mas a falar comigo como se tivesse falado comigo “no dia anterior”. Comigo estava a minha amiga, hoje minha comadre, e pela minha reação perguntou-me “Tu não sabes quem é?” e a minha resposta foi “Eu sei lá quem é!”. Depois ela explicou-me quem era o Jorge, e que ele tinha andado comigo no liceu. Ora, claro que eu queria ir à festa (risos)... então fui mais a minha mãe à festa e quando lá cheguei o Jorge já lá estava com os amigos. R.A.: E o Jorge convidou-a a dançar? M.R.: Sim, mas antes ainda houve uma situação. Estava vestida um pouco diferente das outras raparigas, um estilo mais canadiano e que deu nas vistas, tanto que um membro do conjunto disse que vinha lá uma menina que parecia uma espanhola e dedicou-me uma canção. Acontece que ninguém me convida para dançar e eu começo a ficar muito embaraçada a olhar para o Jorge, a única pessoa que eu conhecia, na esperança que ele me convidasse para dançar, ele olhava para mim, mas nada. Eu tinha toda a gente a olhar para mim, e eu só olhava para o Jorge a pensar “faz alguma coisa!”, mas ele nem se mexeu. Acaba a música e o conjunto continua a tocar e só aí é que ele me convida para dançar e eu aceitei. Para resumir, a partir daquele momento e durante os 2 meses que estive de férias, só dancei com o Jorge. No dia a seguir apareceu-me à porta pela manhã com um grande cacho de uvas, branquinhas e muito boas... não sei onde ele as foi buscar, pois ainda não era a época delas. R.A.: Jorge, como soube que a Maria estava para chegar e como é que a reconheceu? J.R.: Uns dias antes, a minha madrinha perguntou-me se eu já sabia quem estava para chegar, mas como eu vivia em Lisboa e só estava a passar férias, obviamente que não sabia. Contou-me então que era a Maria e acrescentou que ouvira dizer que a Maria vinha para arranjar namorado... (risos)... língua do povo... (risos)... ora, eu lem-
brava-me dela do tempo da escola, mas se eu não soubesse que ela estava para chegar, provavelmente não a teria reconhecido porque estava diferente. R.A.: Jorge, conte-nos lá porque não “socorreu” a Maria naquela dança? J.R.: Vou dar uma explicação e não uma justificação. Sabes, naquela altura havia uma certa rivalidade entre os rapazes. Os rapazes não íam à aldeia alheia tentar “roubar” as raparigas. Na minha terra, se isso acontecesse, levavam uma “corrida”... (risos). Naquela situação eu respeitei a primeira dança, mas como os rapazes da terra não se chegaram à frente, na segunda dança fiz o convite. Sabes, apesar de estarmos na terra da Maria - Cruzes -, ela já estava fora há 6 anos. Os rapazes olhavam para ela como se fosse uma “taça” que estava ali e que ninguém lhe podia tocar. Mas foi assim que tudo começou e passámos a noite a dançar. M.R.: E eu nem sabia que gostava de dançar (risos)... na primeira dança eu não acertáva o passo com ele, tanto que ao meio eu queria parar e disse ao Jorge que me ia embora, mas ele agarrou-me com força e disse “ficas aqui e segue-me”, e só a partir daí é que acertámos. Ou seja, aprendi a dançar com ele. Aqui, em Toronto e até aos 16 anos, eu não tinha contacto com nada que fosse português. As únicas festas a que ia eram as da escola, das 16:30h às 20:00h, porque o meu pai não me deixava sair com ninguém e por isso não havia contacto com a comunidade e não íamos aos bailaricos, mas eu gostava de música portuguesa. R.A.: Acabam as férias e a Maria regressa ao Canadá. Regressa com casamento marcado? M.R.: Não, só de namoro. R.A.: E o Jorge veio com ela? J.R.: Não. Só tínhamos 18 anos e naquele tempo não era assim. Eu na altura trabalhava em Lisboa e a Maria ainda tinha que acabar o “High School”. R.A.: Na época não havia internet. Como comunicavam? M.R.: Como não havia internet e telefonar ficava muito caro, comunicávamos por cartas e cassetes. Eu escrevia todos os dias, às vezes não a completava naquele dia, mas todos dias fazia um “resumozinho” e enviava duas vezes por semana. Só em ocasiões especiais é que telefonava, como no Natal. R.A.: As cartas, suponho que devem ser muitas, ainda existem? J.R.: Existem pois. Estão guardadas. Eu sou um colecionador de tudo. (risos) Amar I 49
R.A.: Hoje em dia apesar da comunicação estar mais facilitada para quem vive uma relação a longa distância, através das ferramentas que se foram criando com a chegada da internet, os namoros e alguns casamentos não resistem ao ciúme e desconfiança. O Jorge e a Maria passaram por esse dilema? M.R.: Eu sentia-me muito segura porque era ingénua (risos), mas descobri mais tarde que o Jorge é que não estava seguro. Eu acreditava em tudo no que ele me escrevia nas cartas, também não tinha razões para não acreditar pois não via nada. Ele lá juntava-se e estava com os amigos nos fins de semana. Entretanto, mais ou menos dois anos depois, juntei-me aqui ao grupo Juventude Franciscana com o padre Alexandre na Igreja St.ª Inês e assim também estava ocupada com atividades aos fins de semana. Eu contava tudo ao Jorge. Se ia a uma festinha e o que tinha feito. Cheguei a fazer duas ou três vezes rádio com um amigo, o Joe da Costa da Addison, que a comunidade conhece muito bem. Ora eu contava tudo, mas um dia recebo uma carta do Jorge onde dizia que estava muito feliz por mim por eu me ter juntado ao grupo, que fazia bem ter muitos amigos, sair e que, como ele provavelmente ia ser mobilizado para o Ultramar, achava que só nos deveríamos comunicar de vez em quando e que quando voltasse logo se via como ficavam as coisas. Estava, portanto, a acabar comigo e eu sem perceber o porquê. Chamei aquela que na altura era a minha melhor amiga e fartei-me de chorar. Utilizei o telefone pela primeira vez para falar com ele. Tive então uma conversa com ele e a resposta «à la Jorge Ribeiro» foi que não sabia do que eu estava a falar, que não se passava nada, que não havia nenhum problema e que estava tudo bem. Facto é que ele me mandou aquela cartinha só para ver a minha reação e assim fiquei a saber que ele tinha ciúmes. Depois deste episódio continuei no grupo até ir a Portugal, no verão de 1970. Nessa altura ia com uma intenção... ou o namoro continuava ou acabava. O Jorge estava à minha espera no aeroporto. Assim que o vi já não pensei em mais nada... e o namoro ficou mais sério, porque revermo-nos ao fim de dois anos renovou os sentimentos e fez toda a diferença. Nesse mesmo verão ficámos noivos. R.A.: Nessa altura fica em Portugal ou o Jorge vem com a Maria? M.R.: Não, eu volto sozinha para o Canadá. J.R.: Eu fiquei porque tinha que ir para a tropa. Para resumir, depois de ter tirado a especialidade de atirador, como Furriel, dei formação no Quartel de Vendas Novas. No fim do ano de 1971 formei Batalhão em Évora e lá fiquei a saber que tinha sido mobilizado para o Ultramar, em concreto para Moçambique. Pronto, começámos logo a falar que queriamo-nos ver antes de eu ir. 50 I Amar
Falámos em casamento e casámos por procuração. Era muito comum naquela época. A Maria chegou uns dias depois da minha mãe ter casado comigo em nome dela, por civil, a 25 de fevereiro. (risos) A Maria foi comigo para Évora, onde ficámos até abril, e quando aconteceu a minha ida para Moçambique, a Maria voltou para aqui. O casamento pela igreja foi realizado mais tarde. M.R.: O que foi muito difícil. J.R.: Estivemos assim durante um ano e só nos voltámos a ver quando a Maria foi ter comigo a Lisboa, quando tive direito a um mês de férias. Findas as férias voltámos ao mesmo. Eu em Moçambique e a Maria no Canadá. M.R.: Assim que cheguei aqui comecei a pensar que não podíamos continuar assim. Ainda por cima, durante aquele tempo que estive em Évora, fiquei a saber por outras esposas de militares graduados, que estavam mais ao menos na mesma situação como a nossa, que o local para onde o Jorge ia, sendo Furriel, tinha direito a levar a esposa se quisesse. Ora o primeiro ano deixei passar, mas depois eu disse-lhe que, ou ele me mandava ir ter com ele a Mecula, que ficava na província de Niassa, ou eu aparecia-lhe lá. Primeiro ele não queria, mas lá pensou melhor e organizou a minha ida e cheguei em janeiro de 1974 a Lourenço Marques onde o Jorge me foi buscar. Antes de irmos para Mecula passámos um mês formidável a viajar por Moçambique. Posso dizer que foi o melhor tempo na minha vida. Uma experiência fenomenal que jamais esquecerei. Depois desta lua-de-mel fomos de avioneta para Mecula. A nossa casa, que ficava no mato à beira do quartel, era por fora uma “palhota”, mas por dentro tinha paredes em cimento. Entretanto engravido e começo a passar muito mal e vomitava muito. Os enfermeiros do quartel bem que me davam injeções e comprimidos mas nada ajudava e tive que ir embora para Lisboa. Saí de Lourenço Marques no dia 14 de abril e no dia seguinte fui internada na Clínica S. Miguel. O Jorge só foi ter comigo 3 meses depois, quando acabou o serviço militar. R.A.: Passados 45 anos, voltava a Moçambique? J.R.: Eu gostava de lá voltar e se possível com companhia, mas nós temos tantos planos e a partir de uma certa idade temos um problema, a falta de tempo. M.R.: Voltava, mas com um certo receio. De Moçambique só tenho memórias boas e não as quero estragar. R.A.: O Jorge conseguiu trabalho quando regressou a Portugal? J.R.: Sim, na Lisnave que pagava muito bem e tinhamos benefícios.
Eu interrompi esses planos em 1970 quando fui a Portugal ter com ele nas férias (risos). Pode-me agradecer, pois a vida dele tinha sido muito diferente da que tem aqui. Ele está aqui e está muito bem. Temos dois filhos e quatro netos.
R.A.: Contudo não ficaram em Portugal. J.R.: Quando nasceu a Patrícia demos conta das limitações. Foi o período pós 25 de Abril. Não havia leite. Eram filas intermináveis para se comprar certas coisas. Nós não estávamos preocupados com a nossa situação económica, o que nos afligiu foi a instabilidade pela qual o país estava a passar e as repercussões que isso ia ter no futuro. Nós víamos a tensão a aumentar dia após dia na rua e no trabalho. Politicamente havia uma tendência de esquerda a aumentar e provocava muitas discussões e desentendimentos entre colegas e eu comecei a ficar farto daquilo. Então começámos a falar em emigrar. M.R.: Nós éramos filhos únicos. Os meus pais estavam emigrados no Canadá e os meus sogros emigrados nos E.U.A.. Não fazia sentido estarmos sozinhos, num país instável. O meu pai escrevia-me para nós virmos e que podíamos viver na parte de cima da casa - desta casa - sem termos que pagar renda e que não fazia sentido estarmos em Portugal. Apesar de amar Lisboa e aliás quando casámos a minha ideia era “emigrar” para Portugal, mas a situação do país, pelos anos que tinha passado aqui antes de casar, o nascimento da menina e eu sem ajudas de ninguém... isso tudo puxava-me para voltar. Nós estávamos casados já há alguns anos, mas eu ainda estava a aprender a ser esposa quando fui mãe. O pouco tempo que tínhamos estado juntos eram luas-de-mel. (risos) R.A. E vieram para o Canadá. Porque não ir para os E.U.A.? J.R.: Porque aqui iríamos ter melhores condições. Os meus pais viviam num apartamento. M.R.: Para os E.U.A eu não ia. Aqui ia ter casa de graça. A minha mãe ia tomar conta da menina, ou seja, ia ser a “babysitter”. J.R.: Quando cá cheguei fui para escola durante nove meses e depois comecei a trabalhar. Lembro-me bem que na altura já se ganhava bem, mas não se poupava mais por isso. Na altura comprámos um carro novo que ficou pago em cinco meses. Onde é que poderia fazer isso? Nós aqui tínhamos as condições para isso. R.A.: O Jorge chegou a viver nos E.U.A.? J.R.: Não. M.R.: Eu interrompi esses planos em 1970 quando fui a Portugal ter com ele nas férias (risos). Pode-me agradecer, pois a vida dele tinha sido muito diferente da que tem aqui. Ele está aqui e está muito bem. Temos dois filhos e quatro netos.
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R.A.: Falem-nos um pouco dos seus filhos. M.R.: A Patrícia tem 44 anos e nasceu em Lisboa. Tem muito orgulho em ser “alfacinha”. Tirou o curso de Broadcasting na Ryerson University e sempre trabalhou em televisão. Aliás, já em pequenina fazia rádio e televisão. Fez muita rádio na nossa comunidade para aprender. Quando saiu da universidade teve um programa de crianças. Ela gosta de visitar Portugal e se pudesse ia todos os anos. O Andrew tem 34 anos e já nasceu cá. Tem muito orgulho de ser português, mas se o conhecessem não diriam, pois é muito canadiano nas paixões dele. Como por exemplo, ir à pesca e ir para o campo. Inclusive a esposa dele foi escolhida “a dedo”, ou seja, ela tinha que gostar das mesmas coisas senão não ia dar certo. Em relação a Portugal, agora tem vindo a mudar de ideias, porque gosta de jardinagem e através das pesquisas na internet tem encontrado plantas que se dão lá. Por outro lado nós temos lá terrenos e por isso ele até que gostava de trabalhar lá, mas por questões pessoais não é possível. Os nossos filhos são muito diferentes e apesar da diferença de idades dão-se muito bem, são muito amigos.
R.A.: Consideram viver em Portugal? J.R.: Para já não, mas não está fora da equação. Para já faria mais sentido passar mais tempo lá do que cá. Agora vamos a Portugal quatro vezes por ano, o que já é muito bom. Vamos porque tenho lá a minha mãe. Não me importava de lá estar dois meses seguidos ou até três meses, dependendo da altura do ano. Não está fora de questão, mas quando se tem filhos e netos é mais difícil. R.A.: Em Portugal trabalhou na Lisnave. Como foi o seu percurso profissional desde que chegou ao Canadá? J.R.: Quando cheguei fui trabalhar para uma fábrica. Uns anos depois passei pela jardingem até que tive um problema de saúde que me deixou de cama durante uma semana. Semana essa em que não recebi como ainda, tal qual como hoje. Isto levou-me a pensar que já não queria continuar assim e soube que a Douglas Aircraft estava a precisar de pessoal. Fui lá preencher uma aplicação e consegui entrar nos quadros da empresa. Nessa altura já vendia enciclopédias como “part-time”. Quando saí da Douglas Aircraft, aproximadamente três anos depois, juntei-me a duas outras pessoas que também andam nas vendas e formámos uma companhia de publicidade, a Multi Advertising. 52 I Amar
R.A.: É aí que começa o seu envolvimento profissional na comunidade? J.R.: Sim. Através dos serviços que começámos a prestar, como por exemplo, os calendários de secretária. Em Portugal havia um cartão de discontos, Top Card, que nós copiámos, mas nas ligações para Portugal por causa do cartão ficámos a saber que o mesmo grupo fazia uma lista telefónica para os Açores, as Páginas Azuis, porque eles não tinham as Páginas Amarelas. Apesar da Guia Comercial já existir, nós criámos as Blue Pages com outro conceito. Há mais ou menos cinco anos houve a união da Blue Pages e da Guia Comercial, hoje conhecida por todos como Blue Guia. R.A.: A Maria sempre trabalhou na Multi Advertising? J.R.: Não, só começou em 2000. R.A.: Como é trabalhar com a Maria? J.R.: (risos) ... Uma pergunta muito interessante... tem coisas boas e coisas menos boas. A parte boa é que sinto que há a responsabilidade para que as coisas sejam bem feitas. A parte menos boa é que, como somos pessoas diferentes, vimos e fazemos as coisas de maneira diferente e , por vezes, corre-se o risco de exigir mais do que se deve, porque pensamos que a outra pessoa tem que pensar ou fazer da mesma maneira, o que às vezes não acontece. Nestas alturas dão-se, ocasionalmente, os “choques” e esse é que é o problema. Mas penso que isto deve acontecer com quase todos os casais que trabalham juntos porque, por muito que se procure evitar o confronto, acaba sempre por acontecer. O trabalho vem mais vezes para casa do que deveria. O trabalho está sempre presente. Torna-se um dilema, contudo tem mais vantagens do que desvantagens. R.A.: E como é trabalhar com o Jorge? M.R.: É difícil, porque o Jorge é muito exigente. Se calhar, por ser esposa, espera muito mais de mim e não desculpa facilmente erros de distração. Comecei a trabalhar com o Jorge depois de me reformar aos 51 anos. Não pensei que alguém me desse emprego noutra área e pensei que poderia ser útil e ajudá-lo. Na altura fiquei feliz por isso, mas rapidamente vi que os problemas profissionais estávam a interferir com a vida pessoal. Eu não aconselho a casais trabalharem juntos. R.A.: E o Jorge... aconselha casais a trabalharem juntos? J.R.: Acho que quem poder evitar, para o casamento é melhor, mas nada é perfeito neste mundo e não se pode ter tudo. R.A.: Como surge a ligação à comunidade, ou seja às associações, clubes, etc... e o voluntariado? J.R.: Começou logo quando cá chegámos e quissemos encontrar um lugar onde podíamos conviver e dançar. Falaram-nos que na Casa do Benfica. Havia uns bailes e um bom ambiente familiar. Fomos então até lá, que na altura era na Queen St... Increvemo-nos para aproveitar o preço de sócio para a festa da Passagem de Ano. A partir daí começámos a ir todos fins de semana. Uns dois anos depois já
fazia parte da ireção na qualidade de relações públicas. A minha ligação à Casa do Benfica durou 14 anos onde tive diferentes cargos, inclusivamente fui presidente durante um ano. R.A.: É nessa altura que é criada a A.C.A.P.O. e a Semana de Portugal? J.R.: Num dos anos em que era novamente relações públicas, pediram-me para ir a uma primeira reunião onde se ia falar em fazer uma organização que realizasse a Semana de Portugal. O grupo de pessoas que marcou a reunião era liderado pelo Martinho Silva, que teve a ideia. Depois de várias reuniões e sem haver direção conseguimos realizar a primeira Semana de Portugal em 1988. Como correu bem, decidimos então dar um nome, uma direção, uma estrutura e estatutos à organização. Assim foi criada a Aliança de Clubes e Associações Portuguesa de Ontário, e eu fui o primeiro Presidente. No ano a seguir fui Presidente do Concelho dos Presidentes. Aliás esta prática foi uma norma. Hoje é que não há normas, mas é isso que dizem os estatutos. Para resumir, nos primeiros anos a A.C.A.P.O. funcionou exatamente e lindamente como tínhamos pensado. As contas batiam certinhas e ninguém fazia nada sem haver uma reunião, onde tudo era discutido. R.A.: Pois bem, hoje temos A.C.A.P.O. e a Parada, mas não temos Semana de Portugal. J.R.: Pois não. Muita coisa mudou forçosamente. Já no meu tempo tínhamos problemas de respostas dos presidentes membros, tanto que, quando havia uma reunião do Concelho marcada, já tínhamos começado a fazer “lobbying” antes da reunião para que no dia tivessemos o apoio dos clubes. Isto é a pura realidade. Na altura não havia tantos clubes como há hoje. Até chegar o José Maria Eustáquio houve muitos presidentes. Começou por mim, depois tivemos o Domingos Marques, o Brito Fialho, o Victor Sousa, o Manuel Carvalho e o Álvaro Ruivo. M.R.: Eu fiz parte da direção do José Eustáquio durante dois anos e saí por questões pessoais que eram incompatíveis com o meu voluntariado na Aliança. R.A.: Acha que a A.C.A.P.O. tem futuro? J.R.: Neste momento não acho. Depois do José Eustáquio não vejo ninguém que possa ocupar o lugar dele e fazer o que ele fez e por muitas razões. O José teve a possibilidade de trabalhar no seu emprego e simultaneamente a disponibilidade para se dedicar à Aliança. Isto não é para ofender ninguém, mas pessoalmente a Semana de Portugal de 2018 não teve nada a ver com o que a comunidade estava habituada. Sei que criticar é fácil e todos criticamos. Resolver os problemas é mais difícil e o José sabe muito bem as dificuldades que tinha em organizar, portanto ninguém vai querer ocupar o lugar dele. Porém se houver alguém disposto, vai ter que começar da estaca zero, como se estes anos não tivessem existido. Provavelmente até é isso que vai acontecer porque a Aliança nunca esteve tão mal. Está a perder a credibilidade. Os clubes que estão ligados à Aliança também não mudaram de atitude durante estes anos todos. Se na altura não havia a boa vontade de ajudar a Aliança, hoje mantem-se tudo na mesma. Dos clubes ouve-se muita coisa, mas ninguém quer assumir nada, não querem ter responsabilidades. Amar I 53
R.A.: E a sua passagem pela FPCBP (Federação de Empresário e Profissionais Luso-Canadianos) foi quando? J.R.: Foi antes da A.C.A.P.O. através de amizades que fui fazendo e os contactos dos meus clientes da Blue Pages. O Armindo Silva, fundador da Federação, o Luis Arruda e o José Amorim é que “me levaram” para lá, onde fui secretário. R.A.: Na sua opinião a FPCBP ainda faz sentido? J.R.: A Federação é uma instituição importante mas nunca foi aproveitada ao seu expoente máximo, relativamente a trazer vantagens à comunidade, por falta de interesse dos comerciantes que nunca se quiseram unir à Federação. Felizmente, a Federação continua a dar as bolsas de estudos na sua Gala Anual. Na altura era a única instituição a fazê-lo. R.A.: Qual é a sua opinião sobre o que se passa na nossa comunidade? J.R.: A minha opinião é baseada no que tenho vindo a observar diariamente e que é que, a nossa comunidade está em transição de tal maneira que daqui a 10 anos vamos perguntar “o que é que aconteceu à nossa comunidade?”, porque vai estar totalmente diferente do que conhecemos hoje. Basta comparar como a comunidade era há 10 anos e como ela é hoje, as mudanças foram muitas, mas daqui a 10 anos vão ser muito mais. Antigamente havia concentrações de portugueses e essas áreas estão a desaparecer... Começou pela Augusta Ave., depois foi a Dundas St. e a College St.. Neste momento ainda temos a St. Clair Ave e a Rogers Rd., mas é uma questão de tempo até desaparecerem. Os jovens vão comprar casa fora de Toronto porque são mais baratas e assim a comunidade vai ficar mais dispersa. Da mesma maneira que a Blue Guia, as revistas, os jornais e as rádios vão mudar da forma que conhecemos dentro de poucos anos. Nós temos que nos adaptar às mudanças que estão a chegar, senão ficamos para trás. Eu já vejo o jornal Milénio e a Revista Amar online, mas muitos da minha faixa etária não entendem que as mudanças são uma realidade. Depois temos os jovens comerciantes, que apesar de terem já uma mentalidade virada para o futuro acham, no geral e na minha opinião erradamente, que não precisam dos portugueses.
te. Gosto muito de ir a uma festa de vez em quando, gosto de ir a uma noite de fados quer nos clubes de Toronto ou ao Club de Mississauga. Foi nos clubes que frequentávamos que fizemos grandes amizades com alguns casais com quem hoje prefiro jantar, em casa ou fora. A nossa vida social mudou, mas para mim é muito mais saudável. O meu envolvimento comunitário foi para estar perto do meu marido ou então ficava em casa, tive o privilégio de ter a minha mãe a viver comigo, que me ajudou imenso ao tomar conta das crianças para que eu pudesse acompanhar o Jorge. Nós agora fazemos só o que nos agrada com a nossa família e amigos mais chegados. Tenho grandes memórias da minha vida social nos clubes e da Aliança, mas os tempos são outros. Tudo tem o seu tempo e agora é a vez dos jovens. J.R.: O problema é que os jovens não se querem envolver. R.A.: Celebram brevemente o vosso 47º Aniversário. Qual é o segredo de um casamento duradouro? M.R.: Ah!!! Muita paciência, respeitando o espaço um do outro, respeitar as opiniões e chegar a acordo, tem que haver confiança... O amor é muito importante, mas sem confiança o amor não resiste. E há que aceitar e amar a outra pessoa pelo que ela é. Hoje em dia não é tão fácil. As gerações mais novas já não têm o mesmo sentido de responsabilidade. R.A.: Se pudessem recuar no tempo, fariam tudo de novo? J.R.: Sim. Eu sou feliz com a vida que tenho, com o meu casamento, temos grandes e boas recordações, momentos inesquecíveis, dois filhos e 4 netos, o balanço é positivo. M.R.: Sim. O Jorge e eu casámos por amor. Nós até podemos olhar para trás e dizer “sabíamos nós lá o que estávamos a fazer”, mas na altura era assim que as coisas aconteciam e tínhamos muita maturidade com apenas 21 anos. Contudo, costumo dizer que nós crescemos juntos. Nós temos muitas coisas em comum... somos filhos únicos e não temos uma família muito grande e por isso fomos sempre o “centro” das nossas famílias. Gostamos de nos divertir, viajar, passear e socializar.
R.A.: Pode-se dizer que são um casal com vida social ativa na nossa comunidade?
R.A.: Gostaria de vos convidar a deixar uma mensagem ao leitores da Revista Amar.
M.R.: Sim e posso dizer que tenho hoje uma vida social melhor do que tinha antigamente. Nós começámos a nossa vida social nos clubes com ambiente familiar onde pudessemos levar a nossa filha e mais tarde o nosso filho para dar descanso à minha mãe no fim de semana. Facto é que foram mais de 10 anos a frequentar a Casa do Benfica, por volta de 10 anos envolvidos de uma maneira ou outra na Aliança e quatro anos na direção da Abrigo, o que cansa. Já dei o meu contributo à comunidade e agora é a vez de outros, apesar de atualmente ainda estar envolvida no Portugal Wine Club, porque agora eu escolho onde quero fazer voluntariado, porque acho que devo contribuir, mas sem aquelas responsabilidades que já tive. Sempre acompanhámos de perto a Semana de Portugal e fomos aos jantares da Aliança independente de quem era o presiden-
J.R.: A mensagem é a seguinte, desejo que todos os lusófonos que tenham a possibilidade de ler a Revista Amar deem o seu contributo, direto ou indiretamente, porque sem dúvida nenhuma é uma revista que orgulha quem a pode ler, orgulha a nossa comunidade e orgulha os patrocinadores que veem o seu anúncio ser publicado numa revista com muita qualidade e requinte. Acarinhem o que temos de melhor na nossa comunidade, porque se não acarinharmos trabalhos como estes vão ser perdidos, e quem fica a perder somos todos nós.
54 I Amar
M.R.: Eu faço minhas as palavras do Jorge, porque de facto é uma revista digna de se ter, com uma qualidade excecional de impressão, de gráfica e de conteúdos. É um prazer ler a revista e um orgulho por a termos na nossa comunidade.
Fotografias gentilmente cedidas por Jorge Ribeiro
Amar I 55
FamĂlia
O divĂłrcio e os filhos O process de divĂłrcio pode ser um acontecimento desgastante e traumatizante para os filhos, em particular, para os mais novos.
U
ma família para a sociedade ou um inferno dentro de casa? Encare-se como se quiser, um facto é provado: o número de divórcios tem vindo a aumentar no nosso pais. Em qualquer família são sempre os filhos que mais sentem o amor dos pais e que mais sofrem com as zangas e separação destes. Poucas pessoas no mundo se podem orgulhar de dizer nunca ter assistido a uma discussão dos pais. Mas esta também não é a medida para julgar os casamentos em que reina o silêncio por medo ou por questões sociais, mas onde o ódio e o desalento são reis, apenas escondidos por uma fachada de felicidade. Inúmeros casais permanecem juntos, mesmo depois de se ter apagado qualquer chama de paixão ou até de respeito e dignidade. Seja por falta de recursos económicos, seja por imperativos sociais e educação religiosa, os pais, julgando estar a preservar os filhos de um processo de divórcio, podem estar apenas a arrasar com a vida psicológica destes que tentam proteger. É do senso comum que os casais que chegaram a um ponto de não retorno, no que respeita à relação, se devem separar? Não, segundo recentes estudos da Universidade da Califórnia. Durante vinte e cinco anos foram ouvidos pais divorciados e respectivos filhos, experiência que foi relatada em livro sob o título A herança inesperada do divórcio.
Sara Cristina Pereira
A terapeuta que conduziu o estudo, Judith Wallerstein afirma que os filhos de casais divorciados tendem a ter uma maior dificuldade em encontrar o parceiro certo e em construir as suas relações. E este estudo vem relançar a polémica: devem os pais ficar juntos para não destruírem a futura personalidade da criança? As opiniões dividem-se. Mesmo com a certeza de que não existem divórcios felizes para nenhuma das partes, várias vozes já se ergueram contra o principio que o livro enuncia, afirmando que os casais não se devem manter juntos apenas pelos filhos, porque estes são precisamente os mais afectados por este tipo de situações, vivendo num permanente estado de ansiedade e pressão, para além de que os pais não conseguem dar todo o apoio e atenção às crianças quando se sentem infelizes.
O importante, em todos os casos, é que as crianças mantenham um relacionamento saudável com ambas as partes do casal após o divórcio, o que nem sempre é possível. A separação deve ser comunicada aos filhos de forma natural, sem dramas e acima de tudo sem julgamentos de valor acerca de qualquer um dos parceiros, a menos que as próprias crianças tenham deparado com situações de violência ou abusos por parte de um dos pais. O diálogo deve sempre ser positivo, centrando-se no futuro e usando a verdade. Acima de tudo é necessário fazer perceber à criança ou ao jovem que não lhe cabem quaisquer culpas na separação e excluí-la sempre das questões pessoais. Nesta fase as crianças e os pais vão estar mais vulneráveis, por isso a paciência e o respeito mútuo são conceitos que os pais não podem perder de vista. É preciso também ter em atenção as reações das crianças face a esta nova situação, à qual reagem de formas diferentes que podem ir da tristeza à culpabilidade, medos infundados ou não, regressões na idade, agressividade, dificuldades de aprendizagem ou sintomas ainda mais graves, de doença. E depois seguem-se as relações que mantêm com os progenitores, que podem passar por total abandono por parte destes a uma relação de hipocrisia em que se dá tudo o que a criança ou adolescente pede ou exige apenas para tentar superar uma falta. Outro aspeto do divórcio que afeta profundamente as crianças e jovens é quando este toma proporções judiciais, especialmente quando as crianças têm menos de seis anos, em que se veem arrastadas de tribunal para tribunal, a ouvirem em público os pecadinhos dos pais ou a esperarem que uma pessoa totalmente estranha decida sobre a sua custódia. Decidir partir ou não para um divórcio tendo em conta os filhos é um erro muito comum dos pais, porque em vez de os protegerem de influências negativas estão apenas a proporcionar-lhes uma visão errada da vida em comum.
Depressão Infantil Cristina Santana
Psicóloga da Universidade de São Francisco Especialista em dependência quimíca e distúrbios psicosociais
A
depressão é uma doença séria e muito discutida nos dias atuais, mas sabia que também pode afetar crianças e adolescentes? A depressão na infância muitas vezes não é percebida ou tratada e estende-se pela adolescência e/ou vida adulta, gerando sofrimento e levando, muitas vezes, ao suicídio. É incomum imaginar uma criança com algum transtorno mental ou doença emocional. Isso faz-se evidente diante da dificuldade e diagnóstico tardio de vários deles. Associar a imagem de uma criança a algum aspeto negativo é estranho e pouco comum, pois sempre é mais fácil projetar uma imagem que envolva alegria, energia, sorrisos, curiosidade e bagunça. Mas, infelizmente isso não significa que elas estejam “protegidas” de desenvolver algum distúrbio. É importante estar atento a alguns sinais que podem evidenciar que uma criança está passando por alguma dificuldade emocional, tais como: perda do interesse ou prazer por brincar; deixar de explorar todo o universo ao seu redor; cansaço, fadiga, alterações no sono, medo de dormir ou choro antes de dormir com medo de pesadelos frequentes; enurese e ecoprese (urinar ou defecar na roupa ou na cama); ansiedade; alguns atrasos no desenvolvimento; auto depreciação, sentimentos de rejeição, problemas para socializar-se com outras crianças, comportamento agressivo e antissocial.
Também é comum ocorrerem dores e sintomas físicos sem causas específicas, como por exemplo: dores de cabeça, dor lombar, nas pernas, náuseas, vómitos, cólicas intestinais, tonturas, etc. Essas dores podem ser consideradas como os primeiros sinais de que a criança se encontra com problemas emocionais, já que o pensamento da criança parte primeiro do concreto para o abstrato, uma dor física é real e mais fácil para que se expressem, uma vez que ainda estão no processo de desenvolvimento e não tem condições de elaborar um significado para uma dor que não sabem expressar. Pais que têm depressão devem redobrar a atenção uma vez que seus filhos têm grande probabilidade de também apresentar a doença. A depressão infantil pode surgir diante da hereditariedade, ou ser desencadeada por outros fatores como “bullying”, luto, separação dos pais, dificuldades de adaptação diante de novas situações, mudanças de escola, de casa, de cidade, entre outras situações que geram desgaste na criança. Ser criança não é sinónimo de imunidade às doenças orgânicas e/ou psicológicas e, mais do que os adultos que conseguem dizer o que estão sentindo, as crianças podem acabar entendendo que o incómodo faz parte de quem elas são,
e não vão conseguir comunicar se algo estiver errado. Torna-se mais difícil perceber já que na infância, a criança ainda está tomando conhecimento de todos os sentimentos e emoções e, por vezes, não sabem como nomeá-los ou distingui-los, cabendo aos adultos ajudarem-nas a dar um sentido para esses sentimentos e emoções. Vale ressalvar que é normal que as crianças se sintam tristes e angustiadas em algum momento da sua vida. Crescer é uma das experiências humanas mais dolorosas. Sentir tristeza faz parte do processo por um tempo, porém, o excesso de tristeza, de apatia, de isolamento, desânimo e de desvalorização podem não ser só “birra” ou a aproximação da “aborrecida” fase da adolescência e talvez o problema tenha crescido com a criança/adolescente sem que ninguém percebesse. Portanto, é preciso estar atento às mudanças no comportamento da criança. Saber que em cada fase de seu crescimento novas mudanças e novos comportamentos irão surgir. Assim como novos significados para cada emoção e sentimento. Muita atenção quando ouvir ou disser: “meu filho é muito bonzinho, não me dá trabalho nenhum!” ou “Eu não posso com a vida do meu filho, faz muitas
birra!”. Ser bonzinho não significa exatamente estar saudável! Se o seu filho não lhe dá trabalho nenhum ou dá muito trabalho, o importante é criar um ambiente para que ele se possa abrir e falar dos seus sentimentos de forma saudável. O comum é que toda criança é curiosa, gosta de explorar e descobrir, se interessa por algo, e tem sempre um “porquê?” na ponta da língua! Ser criança é trabalhoso e educar uma criança é mais trabalhoso ainda, por isso cuidado com essa história de que é melhor a criança que não dá trabalho. Existem diferenças entre uma criança que é realmente tranquila, mas brinca e interage com o mundo, e outra que está emitindo sinais de alerta, de que precisa de ajuda. As criança muito “boazinhas” que são introspetivas ao extremo, que não têm vontade de brincar ou prazer em brincadeiras, não têm curiosidade de conhecer o mundo, sentem-se extremamente inseguras e ansiosas longe dos pais ou pessoas que tomam conta delas, é uma criança que precisa de uma atenção maior. Lembramos que a depressão é uma doença tratável, geralmente, quando diagnosticada precocemente. A psicoterapia infantil e a orientação familiar melhoram significativamente o quadro clínico. Procure o seu profissional de saúde para obter mais informações.
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CANAD FAVOU A’S RITE
ROTISSER IE C H IC K EN
EST . 1 95 4
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Créditos © PixPoetry
A aposentadoria faz mal!
A
idéia sobre aposentadoria, de considerável parcela da população, é a de ganhar sem fazer nada. Tal pensamento é parte da cultura, observada e aprendida, inclusive, pelas crianças. O negócio está em somar os anos trabalhados no passado para subtrair qualquer trabalho dos anos futuros. É uma matemática arriscada em relação ao tipo de qualidade de vida que se deseja. Destaque-se, contudo, que não se trata aqui, de discutir sobre o dinheiro a que faz jus o aposentado. Não. Esse é sagrado. Assim, o que está em jogo, é a mentalidade destrutiva da acomodação. A ilusão de que boa vida significa ganhar, sem mover uma palha, já fez inúmeras vítimas (e já encaminha as próximas). A falta de atividade leva o ser humano a estados comprovadamente negativos. É a jornada do mal-estar, que piora de forma crescente. Doenças cardiovasculares e obesidade, por exemplo, fazem parte de tais malefícios. Mais: percebe-se, até, a intensificação do estado doentio sob condições acomodadas: “A dor é maior, o remédio já não faz tanto efeito”. E quando o organismo se encontra em condições favoráveis, a pessoa procura doença: “Parece que sinto uma dorzinha aqui, outra acolá...”. A falta de ocupação trata de se ocupar desfavoravelmente. A cabeça não ajuda. Frustração,
tristeza, depressão, ansiedade, distanciamento social de parentes e amigos (eles também se afastam) diagnosticam a sinistra situação. O passo seguinte é a invenção das desculpas, para si e os demais, que justificam as razões de se viver tão mal.
Pijama ou camisola assume o padrão diurno que outrora servia apenas como vestuário para o descanso noturno. Louça simples, como um copo usado, mantém-se sobre a pia da cozinha por horas. Quintais, que antes serviam de cartão postal para a vizinhança, hoje, não passam de deprimente cenário que retrata o amontoado de folhas. O outono e inverno da idade; belos e importantes no ciclo vital, se deformam através da impiedosa passividade. O sol já não brilha como outrora. O que restou, então? Para quem deseja mudar (ou agir preventivamente), a primeira sugestão é compreender que a mentalidade precisa colaborar, ao perceber que o próprio aposentado se encaminha à sua condição, e é justamente, por meio dele, que se pode melhorar. Está em si mesmo, boa parte da solução. Paralelamente, estabelecer rotinas saudáveis, como caminhar diariamente. O exercício físico proporciona resultados essenciais: melhora do controle de doenças como a hipertensão, diabetes etc. Alimentação adequada. Busca da auto-realização através do estudo da arte, mecânica, artesanato, filosofia, informática, política, história, instrumento musical, entre outras coisas prazerosas. Participação constante em atividades sociais, gratuitamente que seja, pois não há preço que pague o bem-estar e a perspectiva de dias mais esperançosos e cheios de vigor. Mas, vale lembrar: mexa-se, não se acomode, senão a aposentadoria faz mal!
Armando Correa de Siqueira Neto Psicólogo e Mestre em Liderança
Amar I 61
Opoder dahesitação
Créditos © Kendal James
V i s i t e w w w. i s a b e l r e b e l o . p t p a r a m a i s n f o r m a ç õ e s s o b r e p s i c o l o g i a , h i p n o t e r a p i a e l i f e c o a c h i n g
A
o contrário do que nós imaginamos a confiança não é um traço de personalidade, mas sim uma competência e como tal, pode ser treinada e desenvolvida. Podemos olhar para a confiança como sendo a habilidade de transformar pensamentos em ações. Sabe aquele momento em que você decide iniciar algo, mas logo de seguida salta aquela parte de si que diz “espera, se calhar agora não é a melhor altura para começar”. Já lhe aconteceu? E quando falamos em colocar em prática uma decisão, aplica-se a qualquer área da sua vida, mas hoje focamos-mos no emagrecimento. Tanto no campo profissional como no pessoal, cada momento vivido é produto das nossas decisões. Se reparar, a vida em si é uma sequência de decisões. A etimologia do verbo “decidir” vem do latim “decidere”, que significa cortar fora. O ato de decidir consiste então em optar por uma coisa e excluir outra ou outras. Por isso o medo de tomar a decisão errada, muitas vezes leva-nos a hesitar e a deixar para outros ou ainda encarregar ao destino essa responsabilidade. Sabia que para começar a altura é sempre a certa? A partir do momento em que você se questiona se este é o momento para se comprometer com o seu emagrecimento é porque esta mudança começa a ocupar espaço na sua mente e os pensamentos emergem de forma recorrente. A cada minuto do seu dia, o seu corpo reage fisicamente e muda literalmente consoante os pensamentos que passam pela sua mente. Para termos uma pequena noção da força da nossa mente, está comprovado que um pensamento é um evento electroquímico que ocorre nas células nervosas produtoras de um “turbilhão” de mudanças fisiológicas. E você pode até tentar ignorar esses pensamentos intrusivos durante algum tempo, mas o conflito que se vai gerando entre o ilusório e o real começa a tornar-se insuportável e a comprometer o seu bem-estar. Sigo casos reais de pessoas que me confessam que estão há anos para tomar a decisão de mudar o peso físico e por consequência o peso mental. Isto significa que passaram anos a hesitar e a deixarem-se ir colocando-se bem lá atrás na fila das suas prioridades. Relato aqui um dos pensamentos de uma cliente “todos os dias pensava que tinha que emagrecer e fazer algo por mim. Aplicar em mim o que eu dizia aos outros, mas depois deixava para amanhã esta eterna vontade de mudança”. Ou seja, o pensamento estava lá, mas repetia-se diariamente bloqueado pela dança de forças opostas que em desequilíbrio ficavam na hesitação. A Marta diz que tomou a decisão no dia em que não suportava mais a dor e a própria descrença. E quando começou o processo não entende porque demorou tanto tempo até este momento acontecer porque afinal não é tão difícil como via nos seus cenários mentais. A altura é sempre certa quando a decisão é tomada internamente. A minha experiência nesta área diz-me que a ideia base da decisão já vive há algum tempo na mente daquele indivíduo e quando amadurece está pronta para emergir na ação. Então o que importa é tomar a decisão na sua mente e depois seguir em frente! Lembre-se que investir em si, na sua imagem, na sua saúde, na sua auto estima é sempre o melhor caminho! E quando investimos em nós também estamos a melhorar o mundo à nossa volta. É como se fosse uma onda de boa energia que vai tomando forma há medida que você muda e muitas vezes, expande-se aos que estão ao seu lado. Há mesmo casos em que a mudança foi extensiva a toda a família. Lembro-me de um senhor que dizia “a minha filha já emagreceu 4 quilos, mas não entendo como, pois eu e a mãe é que estamos neste processo de emagrecimento. Ela come da nossa comida, mas é só isso.” O facto de darmos o exemplo, de falarmos através dos nossos comportamentos, leva a uma modelagem natural e eficaz dos que vivem a nosso lado. Amar I 63
Madre Tereza de Calcutá já dizia “Sozinha não posso mudar o mundo, mas posso lançar uma pedra sobre as águas e fazer ondulações “. Por outro lado, quando praticamos a hesitação o nosso cérebro reage! Imagine que combinou ir almoçar com um amigo para lhe falar sobre uma ideia genial que você teve e gostava de partilhar com ele. Durante o almoço você tem a ideia na sua mente pronta a fluir, mas quando pensa em comunicá-la para e hesita. Ora o cérebro fica confuso e pensa, “mas porque é que ela está a hesitar se quando foi para comprar os bilhetes para aquele concerto, quando comeu aquelas panquecas maravilhosas, quando vestiu aquela t-shirt mais sexy, quando foi passear o cão, não hesitou! E agora está a hesitar em falar? Alguma coisa deve estar a acontecer”. Acontece que quando hesitamos, exactamente nesse momento, essa pequena hesitação gera a emissão de um sinal de stress para o cérebro, acordando-o e pondo-o num estado de alerta e sobrevivência que requer adaptação.
Créditos © Provokr
Segundo Lynne McTaggart, autora do livro “the power of eight” e de vários best sellers nesta área da consciência humana, a investigação mostra-nos que só pelo facto de pensarmos faz com que o cérebro liberte neurotransmissores, que são mensageiros químicos que permitem comunicar com partes de si mesmo e com o seu sistema nervoso. Os neurotransmissores controlam praticamente todas as funções do seu corpo. Portanto a cada vez que você hesita há produção neuro química de stress. Cada pensamento que você tem gera mudanças neuro químicas, umas temporárias e outras duradouras. A partir do momento que o cérebro entra no registo de alerta, o nosso subconsciente entra em ação para garantir o estado de sobrevivência. Quando eu me digo que vou calar a minha ideia genial, o meu subconsciente absorve essa informação e toma as diligências necessárias para que este meu diálogo interno seja coerente com a ação e com a minha intenção de sobrevivência e de “bem-estar”. 64 I Amar
O cérebro tem formas interessantes de atuar, nomeadamente ele gosta de atuar naquilo que lhe é familiar. O que significa que ao abraçarmos o registo da hesitação este torna-se familiar e repetitivo e nós tornamo-nos reféns deste registo. Quando somos indecisos e hesitamos perante uma situação de dúvida, é como se estivéssemos simultaneamente em vários lugares e, ao mesmo tempo em nenhum lugar. A indecisão é um conflito entre as partes discordantes de nós mesmos que convergem numa divisão de nosso ego.
Segundo António Damásio apelidado por alguns como o “neurocientista das emoções”, decidir exige esforço e o processo de escolha está longe de ser uma análise racional, pois implica experiências passadas com um peso emocional na pessoa, evocando emoções e sentimentos que influenciam a tomada de decisão. Lembre-se, tomar decisões é um processo de amadurecimento que se aprende fazendo. Decidir desenvolve e fortalece a nossa liberdade pessoal, independente do medo das opiniões, julgamentos e expectativas dos outros. Resumindo, podemos deixar que as circunstâncias e variáveis da vida moldem a nossa existência ou podemos assumir a responsabilidade das nossas escolhas, ignorar os “MAS” que surgem como reforço das nossas crenças limitantes e as histórias antigas que tentam, a cada vez justificar o adiar daquele objectivo URGENTE para o seu desenvolvimento, felicidade e bem-estar.
Créditos: DR
Nenhum projeto, sonho ou objetivo se realiza sozinho, mas sim por meio de uma decisão que promove uma ação, um movimento em direção ao resultado. Portanto a partir do momento em que você pensa em mudar, aproveite, tome o controlo da sua vida e mude com o poder da sua mente! Acredite, o seu poder para influenciar suas realidades física e mental é muito maior do que você possa imaginar! Comece agora!
Esta divisão interna enfraquece-nos, suga-nos as energias e deixa-nos num estado de hesitação, paralisando-nos. Compreende-se então que a indecisão demasiada pode reverter-se num conflito emocional, deixando a pessoa estagnada e paralisada pela dúvida.
Isabel Rebelo
Psicóloga e Hipnoterapeuta
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Alergias
Acupunctura
Comopodea MedicinaChinesa ajudar
A
s alergias ocorrem quando o nosso sistema imunitário identifica erradamente uma substância nor-
malmente inofensiva como uma ameaça
Helena Rodrigues
ao corpo. Os alérgenos mais comuns são os alimentos, o pólen, a descamação da pele animal, os fungos, o veneno de insetos, os medicamentos e os ácaros.
Causas das Alergias na Medicina Chinesa
Segundo a Medicina Tradicional Chinesa, as alergias estão quase sempre ligadas ao vento, isto é, desaparecem tão rápido como aparecem. O nosso corpo está repleto de meridianos, verdadeiros rios de energia. E é o desequilíbrio desses meridianos que afeta os nossos órgãos. O que as agulhas da acupuntura fazem é desbloquear esses rios de energia, refazendo o caminho original dos meridianos e restabelecendo a saúde.
66 I Amar
Especialista de Oncologia em Medicina Chinesa
Tratamento
Através de uma avaliação, o terapeuta de medicina chinesa, descobrirá os meridianos afetados no paciente. Uma das vantagens da Medicina Chinesa, além do sucesso no tratamento, é a ausência de efeitos colaterais. Alguns medicamentos dão sono, outros fazem inchar, retêm líquidos e nem sempre são eficazes. Os planos de tratamento para as alergias passam por resultados sintomáticos, que apenas aliviam temporariamente os sintomas, até à redução completa dos mesmos. O que poucos sabem é que a acupuntura pode melhorar, e muito, o quadro alérgico de qualquer pessoa. A acupuntura tem sido muito utilizada por quem deseja uma melhoria efetiva das alergias, pois os seus efeitos são duradouros e muito mais seguros que os trazidos pelos medicamentos que, muitas vezes, deixam de ter efeito com o passar do tempo. Normalmente, com a acupuntura, o alívio dos sintomas relativos à alergia é imediato. A manipulação dos pontos ao redor do nariz, alivia a congestão nasal e os espirros logo que as agulhas são inseridas.
Sinusite
Trata-se, de uma inflamação dos seios paranasais, de carácter agudo ou crónico consoante a sua duração. A sinusite aguda pode ser de origem viral, fúngica ou bacteriana enquanto que a sinusite crónica pode envolver vários fatores como alergias, alterações estruturais, poluentes atmosféricos, agentes tóxicos ou disfunção mucociliar.
Na medicina chinesa, a rinite alérgica é classificada em rinite sazonal e perene. A rinite alérgica sazonal possui características de crises e remissões em determinadas estações do ano. A rinite alérgica perene pode ocorrer em qualquer período do ano, sendo geralmente desencadeada por fatores químicos, poeira e variações súbitas de temperatura. A rinite é uma condição muito comum no outono devido ao frio e à baixa humidade do ar. Os principais sintomas da rinite são: coriza aquosa, irritação da mucosa nasal, irritação nos olhos e lacrimejamento. A medicina chinesa considera que a pele, é governada principalmente pelos pulmões, pelo que, as afeções na pele possuem uma correspondência com esse órgão. Quando existe uma condição de deficiência energética nos pulmões o indivíduo sofrerá obstrução nasal por longos períodos e possivelmente revelará uma postura cifótica com a cabeça anteriorizada, esse fator altera o posicionamento craniomandibular favorecendo a respiração pela boca. Esse quadro revela um padrão de agravamento passando de uma disfunção bioenergética, para uma disfunção funcional e estrutural do organismo fixando os mecanismos patológicos. Na esfera psíquica, a deficiência dos pulmões torna a pessoa mais tímida, nostálgica, com dificuldade de desprender-se do passado e com tendência a abrigar sentimentos de tristeza. Na medicina chinesa o fígado é considerado como o “general” da nossa imunidade. Este órgão pode estar sobrecarregado e hiper-reativo, causando processos exacerbados no local onde uma invasão patogénica está a ocorrer, aumentando, a resposta do organismo ao patógeno externo. Dessa forma, se o patógeno ataca a via aérea superior, será nesse local que a manifestação ocorrerá. Nesse caso, o tratamento terá o seu foco no fígado e nas vias aéreas sendo realizada apenas uma abordagem sintomática. Pessoas sensíveis ao frio devem preservar a temperatura corporal, proteger as extremidades e não se expor(em) ao frio com os cabelos húmidos ou molhados. A alimentação deve acompanhar o ritmo da estação. Uma boa sugestão são os temperos que podem acentuar essa qualidade como(:) o gengibre seco e a pimenta-branca. (Para acompanhar as refeições uma boa opção é o chá.) As refeições devem ser acompanhadas de bebidas quentes para que não se anule o efeito desejado, sendo uma boa opção o chá. Deve evitar-se, reduzir ou eliminar a ingestão de alimentos que produzem expectoração como lacticínios, ovos, açúcar, farinha branca, iogurte, sorvete, alimentos gordurosos e álcool. Também é imprescindível a prática de exercícios de forma regular, evitar ambientes poluídos e a adoção de uma dieta equilibrada, pois estes são fatores que contribuem para o fortalecimento do sistema de defesa do organismo. A rinite pode ser tratada eficazmente com acupuntura, moxabustão e fitoterapia.
V i s i t e w w w. h e l e n m e d . p t p a r a m a i s n f o r m a ç õ e s s o b r e t r a d i c i o n a l m e d i c i n a c h i n e s a
Rinite Alérgica
Segundo a Medicina Chinesa existem 5 elementos (Madeira, Fogo, Terra, Metal e Água) com características e funções específicas, que interagem entre si garantindo o bom funcionamento do organismo. Se algum destes elementos sofrer um desequilíbrio surgirá a doença. Na sinusite, são 3 os elementos que podem estar afetados: METAL: relaciona-se com o Pulmão. O Pulmão é um órgão particularmente susceptível às mudanças climáticas. O Frio ou o Calor excessivos penetram no organismo e secam os líquidos, tornando difícil a humidificação dos seios paranasais. Para além disso, perturbam a circulação da energia do pulmão, relacionada com a respiração e com o nariz, agravando a sinusite. O desequilíbrio desta energia está sempre presente em qualquer um dos tipos de sinusite. MADEIRA: relaciona-se com o Fígado. O Fígado permite o livre fluxo de energia e, consequentemente, assegura todas as funções do organismo. A emoção associada ao Fígado é a irritabilidade. Pessoas irritadas tendem a ter os sintomas de sinusite mais exacerbados. Para além disso, a sinusite é, por si, uma situação desgastante, o que também contribui para um aumento da irritabilidade. A estação associada à Madeira é a Primavera, período em que há mais pólen no ar. O vento, também associado a este elemento, funciona como meio de transporte do pólen e de outros agentes tóxicos para o interior do organismo. Estes agentes, quando excessivos, perturbam a livre circulação de energia do Fígado, criando bloqueios e desencadeando crises de sinusite. TERRA: relaciona-se com o Baço/Estômago. Uma das funções do Baço/Estômago é a produção de energia a partir dos alimentos durante a digestão e a metabolização de acumulações, ou seja, evita que os líquidos percam a sua fluidez e se tornem espessos, com propensão à estagnação. Alimentos quentes e gordurosos abrandam a função do Baço/Estômago, contribuindo para o espessamento dos líquidos, neste caso do muco nasal, agravando a congestão. Por isso, álcool, doces, leite, manteiga e fritos devem ser evitados. Nestes casos, para além dos sintomas habituais da sinusite é frequente sintomatologia gástrica, edemas, congestão à volta dos olhos e sensação de peso na cabeça.
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A Medicina Chinesa atua em três frentes de forma a minimizar as probabilidades de reincidências: prevenção através do reforço do sistema imunitário, alívio sintomático durante a crise e tratamento da causa do problema. Medidas preventivas para aliviar a sintomatologia: Em casa deve manter o ambiente arejado. Evite contacto com pós, poluentes, fumos e substâncias alergénicas como pelos de animais ou pólen. Beba muita água – a água contribui para a hidratação dos seios paranasais, mantendo a fluidez do muco e facilitando a sua drenagem. Aplique calor-húmido nas zonas de desconforto – a aplicação de uma toalha quente molhada nas zonas de maior congestão facilita a desobstrução dos seios e favorece a sua hidratação. Inale vapores quentes – um duche quente ou uma sessão de banho turco favorecem a inalação de vapor de água que humidifica os seios e alivia a congestão. Utilize óleos essenciais – pode colocá-los num difusor, adicioná-los num banho de imersão ou misturá-los com óleo de massagem e massajar as zonas críticas. Menta, lavanda ou eucalipto são algumas opções. Dietética - O alho, o nabo, o rabanete, a cebola e o agrião são alguns alimentos com efeitos benéficos no alívio dos sintomas da sinusite pois facilitam a drenagem dos seios, eliminam toxinas e hidratam.
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Não se esqueçam… sorriam com saúde!!! Amar I 67
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Estreia Canadá e EUA - 25 de fevereiro Portugal - 14 de fevereiro
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Filmagens A filmagens principais do filme ocorreram entre 25 de setembro e 8 de dezembro de 2017, em Kern River e Santa Clarita na Califórnia (EUA).
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Box Office O orçamento inicial andou na ordem dos $US 60 milhões de dólares, tendo arrecadado até ao momento cerca de $US 52 milhões de dólares. A crítica dividiu-se relativamente ao filme sobre o vice-presidente mais famoso da história. Veremos como se comporta nas primeiras semanas após a estreia.
Sala de Cinema Na juventude, Dick Cheney (Christian Bale) aproximou-se do Partido Republicano ao ver na política uma grande oportunidade para ascender na vida. Para tanto, aproxima-se de Donald Rumsfeld (Steve Carell) e logo se torna no seu assessor direto. Com a renúncia do ex-presidente Richard Nixon, os poucos republicanos que não estavam associados ao governo ganham imediata importância e, com isso, tanto Cheney quanto Rumsfeld retornam à esfera de poder do partido. Décadas depois, com a decisão de George W. Bush (Sam Rockwell) em se lançar candidato à presidência, Cheney é convencido a assumir o posto de vice-presidente. Aceita, mas com uma condição: que tenha amplos poderes dentro do governo, caso a equipa formada seja eleita. Ficha Técnica Filme com realização e argumento de Adam Mckay e produção de Brad Pitt, Will Ferrell, Dede Gardner, Jeremy Kleiner, Adam McKay, Kevin Messick. O elenco conta com a participação de Christian Bale, Amy Adams, Steve Carell, Sam Rockwell, Jesse Plemons, Alison Pill, Lily Rabe, Tyler Perry, Justin Kirk, LisaGay Hamilton, Shea Whigham, Eddie Marsan, Bill Pullman, Kirk Bovill, Don McManus, Stefania LaVie Owen, Adam Bartley, Fay Masterson, Brandon Sklenar, Vanessa Cloke entre outros. Duração: 132 minutos Género: Drama, Histórico e Comédia Origem: Estados Unidos da América
Fontes: IMDB e FilmSpot - Imagens: Direitos Reservados
Pedro M. Salvador
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Styling
Na Desportiva
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início do ano marca o regresso ao ginásio para uma grande maioria. Mas as boas notícias é que uma das tendências que se repete este ano, largamente divulgada pela Versace, por exemplo, é o estilo desportivo na vida citadina. Gigi e Bella Hadid, Sara Sampaio, Rhianna, entre outras, são grandes adeptas deste forma de estar. É cada vez mais comum a adesão ao uso de leggings, joggers, calças, blusões e camisolas de caracter desportivo na vida das mulheres norte-americanas. Deixo-vos alguns exemplos de como usar e abusar deste estilo informal, seja qual for o vosso gosto pessoal, e de como organizar ao detalhe conjuntos para o dia a dia, sem qualquer esforço, à mão de qualquer uma. Ou melhor dizendo; na desportiva!
Maria João Rafael Consultora de Imagem
Blusão - Yoox.com $289.00 Sutiã - Stoic $24.90 Sweatshirt - H&M $8.00 Mala - Karl Lagarfeld $275.00 Leggings - Nordstrom $50.00 Tenis Pink - Nike Edition Air Max 180 $260.00 Óculos de sol - Versace $245.00 Cachecol em seda - Isabelle Marant $78.00 Relógio - Superdry Sprint $80.00
Desportiva Pura & Dura
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Chic na Desportiva
Sobretudo - River Island $80.00 Blusão - Mango $60.00 Leggings - Penguin $30.00 Gorro - Diesel $33.00 Bolsa - MK $108.00 Brincos - Fossil $28.00 Pulseira - Le Gramme $125.00 Ténis - MK $197.00
Prática & Desportiva
Camisola Rangers - Macy’s $110.00 Saia - TopShop $75.00 Mala - Dooney & Bourke $119.00 Botas - Orchard Mile $988.00 Brincos - Forever 21 $4.50 CrÊditos: Google Images; Urstyle; Vogue; Pintrest; Yoox; Zappos; Farfetch, Therealreal; Zulily; Netaporter; Harrods, Italist; Jet.com; Ssense
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Acomida detacho Algarvia
Culinária
Filipa Glória Mar d’Estórias
O
s sabores frescos do peixe e tomate presentes na gastronomia algarvia, no Verão, acompanham também os pratos típicos nos dias de Inverno. Estes ingredientes juntam-se com outros da época para se transformarem em refeições de conforto – “comidas de tacho”, como se diz, que nos aquecem a alma e o paladar nos dias mais curtos e nos aconchegam nas noites mais longas da actual estação do ano. De inúmeros guisados, cozidos, estufados que caracterizam a cozinha algarvia no Inverno, o Mar d’Estórias hoje menciona apenas dois, pela utilização de produtos típicos do litoral algarvio, em combinação com os ingredientes da época – a Caldeirada à Algarvia e a Cataplana de Polvo com Batata Doce. No Algarve, há diversas formas de confecionar caldeirada, mas todas encerram o mesmo segredo – o tempo de cozedura. A verdade é que uma caldeirada à Algarvia não deve ser feita à pressa para que os ingredientes cozam homogeneamente e o molho apure. A maneira comum de preparar um bom tacho de caldeirada é dispor os ingredientes em camadas, pois tudo é cozido ao mesmo tempo. A diferença na duração que cada produto leva a cozinhar é compensada pela distribuição em camadas, assim como, a fusão de sabores que se cria ao manter sempre o tacho tapado. Já a escolha do peixe fica ao critério de cada um, mas são muitos os que consideram imprescindível pata-roxa na sua confecção: “uma caldeirada sem pata-roxa não é caldeirada!”, menciona a ti’ Amélia, do Rogil. Assim, vai-se montando a caldeirada com o peixe previamente salgado, as rodelas de cebola e batata, tomate, pimento, azeite, salsa e louro para aromatizar. A ti’ Rosinha de Barão de São João, adiciona ainda orégãos verdes que tem na horta, depois de juntar um pouco de água e vinho branco à cozedura. Já a ti’ Amélia não dispensa as 3 ou 4 sardinhas que acrescenta no topo do tacho para “dar um gostinho especial a mar”. São preciosismos adoptados por cada família que tornam ainda mais especial e local este reconfortante prato que, por vezes, é saboreado com fatias de pão torrado por baixo.
76 I Amar
O princípio da caldeirada em preservar o sabor dos ingredientes cozinhando-os num ambiente fechado é utilizado também na cataplana. A cataplana de polvo com batata doce é isso mesmo – o intenso, mas equilibrado sabor do polvo salgado e a doçura da batata doce nova recentemente apanhada. A ti’ Amélia, do Rogil ensina que com um bom fio de azeite, cebola, alho picado, louro, tomate e pimento se coze os raios do polvo na cataplana. Depois é só juntar a famosa batata doce lira ao preparado com um pouco de água e “ter paciência para esperar que tudo cozinhe”. O resultado destes dois pratos é como um cobertor quentinho num inverno rigoroso; caldos de sabor a mar que aconchegam o estômago e enaltecem os aromas característicos da cozinha Algarvia.
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AQUÁRIO
Fevereiro Horóscopo
Está a passar por um período de introspeção sentindo tendência para se isolar, procurando o seu auto-conhecimento. Os seus sentimentos, sensações e intuições estarão também mais aguçados, sendo capaz de rapidamente se aperceber daquilo que normalmente levaria algum tempo a racionalizar e compreender.
CAPRICÓRNIO
Poderá neste período sentir maior necessidade de olhar para si próprio de modo a descobrir aquilo de que realmente necessita para evoluir como pessoa. É uma altura propícia para começar algo de novo ou esclarecer situações que tem vindo a adiar. Poderá, através dos seus esforços, vir a ajudar um amigo íntimo.
SAGITÁRIO
C
omeçámos 2019 com uma previsão geral para janeiro. No dia 01, Marte deixa o último signo do círculo zodiacal, Peixes e começa sua caminhada através de Áries seu domicílio. Marte exaltado em Áries deixa-nos mais assertivos e agressivos, mais voltados para o cumprimento de metas e objetivos. Todos devemos tomar cuidados redobrados com provocações, que podem transformar-se com facilidade em brigas e discussões. Também no primeiro dia do mês e do ano, podemos contar com a deliciosa energia da união da Lua e Vênus em Escorpião, recebendo um ótimo aspeto de Marte, já nos primeiros graus de Áries, indicando um dia de romantismo e acolhimento, onde todos estaremos mais abertos para o amor e o afeto, além de estarmos mais ligados à sensualidade. Em contrapartida, o Sol une-se a Saturno e Plutão em Capricórnio, exigindo de todos nós maior seriedade e senso de responsabilidade em cada passo que dermos daqui para a frente. Estaremos todos mais fechados e comprometidos, tanto em questões que envolvem a vida pessoal quanto a profissional. No dia 05, a Lua começa um novo ciclo, entra na fase Nova no signo de Capricórnio, unida a Saturno e Plutão e em ótimo aspecto com Netuno, marcando o início de um período de aumento de responsabilidade, comprometimento e necessidade de seriedade em tudo o que nos propusermos, seja em um relacionamento pessoal, em uma sociedade, um novo emprego ou negócio. A vida vai cobrar maturidade. Este pode ser um período de criação de novas bases e estruturas na vida de todos nós. No mesmo dia 05, Mercúrio deixa Sagitário e começa a sua caminhada através de Capricórnio, aumentando ainda mais essa tendência. Estaremos mais fechados e introspetivos, mais voltados para o lado sério da vida. Os prazeres são deixados de lado por algumas semanas. No dia 07, Vênus deixa Escorpião e começa sua caminhada através de Sagitário, caminha na direção de Júpiter prometendo expansão e prazer nos relacionamentos. Todos estaremos mais abertos, receptivos e voltados para os divertimentos e amigos. Vênus em Sagitário deixa-nos mais expansivos e otimistas e renova a nossa fé na vida e nas pessoas. Sagitarianos e geminianos podem contar com novos relacionamentos, especialmente afetivos. Essa gostosa energia atravessa o mês e pode trazer muita alegria e satisfação nos relacionamentos em geral. No dia 10, Urano retoma o movimento direto em Áries e caminha na direção de Touro, onde vai permanecer durante aproximadamente 7 anos, trazendo mudanças importantes em investimentos e formas de ganharmos nosso dinheiro. No dia 20, o Sol deixa Capricórnio e começa sua caminhada através de Aquário e no dia 21, a Lua começa o novo ciclo em Aquário marcando o início de uma nova e gostosa fase de alegrias, mente aberta e progressiva, além da necessidade do novo em nossas vidas. O período, que dura aproximadamente três semanas, pode envolver novas ideias e negócios, novas amizades e necessidade de conhecimento. No dia 24, Mercúrio deixa Capricórnio e começa a caminhar através de Aquário, aumentando ainda mais nossa capacidade de avançarmos na direção de coisas novas nas nossas vidas. O conhecimento ganha força, assim como os estudos avançados na ciência e na tecnologia. Novas descobertas podem ser anunciadas nesse período que dura algumas semanas.
Poderá ter nesta altura boas ideias para melhorar a sua vida no campo material e financeiro. O aplauso dos outros relativamente ao que faz vai trazer-lhe segurança e estabilidade interior. Não deve querer possuir bens só para alimentar a sua vaidade. Aproveite esta situação favorável para presentear aqueles que ama.
ESCORPIÃO
Os amigos, os vizinhos, as suas relações mais próximas poderão estar este mês mais no centro das suas atenções. Sentirá uma maior clareza de ideias e poderá ver agora esclarecidas algumas dúvidas. É natural que sinta um maior desejo de expor os seus pontos de vista e comunicar mais abertamente.
BALANÇA
Durante este período sentirá a necessidade do conforto do lar e do apoio da família para recuperar das energias gastas no relacionamento com o mundo exterior. Será também uma boa altura para fazer um pouco de introspeção refletindo sobre as suas atitudes, sentimentos e emoções em relação aos outros.
VIRGEM
É possível que neste período se sinta bem no centro das atenções. O seu brilho, simpatia e boa disposição estão no auge, pelo que o relacionamento com os outros é-lhe especialmente favorável. Um relacionamento amoroso poderá surgir nesta altura. Não tenha receio de ser espontâneo na demonstração dos seus afetos.
LEÃO
Durante este período, em relação à sua vida pessoal, os seus pontos de vista podem estar distorcidos em relação á realidade. Se tiver problemas de saúde, sentimentais, psíquicos ou mesmo de negócios não hesite em consultar um especialista pois uma opinião de quem está de fora é normalmente mais isenta e abrangente.
CARANGUEJO
É uma fase em que vai prestar mais atenção ao efeito que tem sobre os outros. Poderá mesmo ter de recorrer à opinião deles para ultrapassar alguma contrariedade. Lembre-se de que duas cabeças sempre pensam melhor do que uma! Alguns problemas administrativos ou relacionados com a lei poderão surgir nesta altura.
GÉMEOS
Período propício ao recolhimento e introspeção. A compreensão lógica e racional das coisas não lhe basta, existe uma necessidade de sentir a vida com todas as suas emoções e a um nível mais profundo. Época de preocupações financeiras. Sociedades e negócios conjuntos poderão ocorrer tentando obter dos outros apoio monetário.
TOURO
Nesta fase procurará alargar os seus horizontes e fugir da rotina. A leitura e o estudo são uma boa opção. Se optar por fazer uma viagem escolha um destino que dê largas ao seu desejo de aventura. Bom período para desenvolver contactos com amigos, uma vez que a comunicação está facilitada nesta fase.
CARNEIRO
Nesta altura a sua carreira terá uma maior ênfase, aumentando ao mesmo tempo a sua notoriedade. As grandes decisões que tiver de tomar servirão para testar as suas capacidades no mundo do trabalho e dos negócios. Os seus contactos profissionais poderão permitir-lhe desenvolver relacionamentos de ordem afetiva.
PEIXES
No decorrer desta fase chegará à conclusão de que é mais proveitoso e útil obter a participação de terceiros nas decisões que tiver de tomar. Ouça com atenção os seus argumentos e depois, sem arrogância, contraponha ideias e formule opiniões. Da discussão surgirá a luz e acabará por dar uma nova dinâmica ao grupo.
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Jack Oliveira Luigi Carrozzi Joseph S. Mancinelli Carmen Principato Jack Jack Oliveira Oliveira Luigi Luigi Carrozzi Carrozzi Joseph Joseph S. Mancinelli S. Mancinelli Carmen Carmen Principato Principato Jack Oliveira Luigi Carrozzi Joseph S. Mancinelli Carmen Principato Business Manager Secretary-Treasurer President Vice President Business Business Manager Manager Secretary-Treasurer Secretary-Treasurer President President Vice Vice President President Jack Jack Oliveira Jack Oliveira Oliveira Luigi Luigi Carrozzi Luigi Carrozzi Carrozzi Joseph Joseph Joseph S. Mancinelli S. Mancinelli S. Mancinelli Carmen Carmen Carmen Principato Principato Business Manager Secretary-Treasurer President VicePrincipato President Business Business Business Manager Manager Manager Secretary-Treasurer Secretary-Treasurer Secretary-Treasurer President President President ViceVice President Vice President President Robert Petroni Jim MacKinnon Mike Maitland Robert Robert Petroni Petroni JimJim MacKinnon MacKinnon Mike Mike Maitland Maitland Robert Petroni Jim MacKinnon Mike Maitland Recording Secretary Executive Board Member Executive Board Member Recording Recording Secretary Secretary Executive Executive Board Board Member Member Executive Executive Board Board Member Member Robert Robert Robert Petroni Petroni Petroni Jim Jim MacKinnon Jim MacKinnon MacKinnon Mike Mike Maitland Mike Maitland Maitland Recording Secretary Executive Board Member Executive Board Member Recording Recording Recording Secretary Secretary Secretary Executive Executive Executive Board Board Board Member Member Member Executive Executive Executive Board Board Board Member Member Member LiUNA LiUNA LiUNA Ontario Ontario Ontario Provincial Provincial Provincial District District District Council Council Council LiUNA Ontario District 1315 1315 North 1315 North Service North Service Service Road Road E., Road Suite E.,Provincial E., Suite 701 Suite 701 Oakville, 701 Oakville, Oakville, ONCouncil ON L6H ON L6H 1A7 L6H 1A71A7 LiUNA LiUNA LiUNA Ontario Ontario Ontario Provincial Provincial Provincial District District District Council Council Council 1315Tel: North Service Road E., Suite 701 Oakville, ON L6H 1A7 Tel: (289) Tel: (289) 291-3678 (289) 291-3678 291-3678 Fax: Fax: (289) Fax: (289) 291-1120 (289) 291-1120 291-1120 1315 1315 North 1315 North Service North Service Service Road Road E., Road Suite E., E., Suite 701 Suite 701 Oakville, 701 Oakville, Oakville, ON ON L6H ON L6H 1A7 L6H 1A71A7 Tel: www.liunaopdc.ca (289) 291-3678 Fax: (289) 291-1120 www.liunaopdc.ca www.liunaopdc.ca Tel:Tel: (289) Tel: (289) 291-3678 (289) 291-3678 291-3678 Fax: Fax: (289) Fax: (289) 291-1120 (289) 291-1120 291-1120 www.liunaopdc.ca www.liunaopdc.ca www.liunaopdc.ca www.liunaopdc.ca Local Local 183 Local 183 Toronto 183 Toronto Toronto Local 183Ave., Toronto 1263 1263 Wilson 1263 Wilson Wilson Ave., Ste. 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Sault Ste. Marie, Ste. Marie, ON Marie, ON P6C ON P6C 4H5 P6C 4H54H5 395 395 Korah 395 Korah Road Korah Road Road Sault Ste. Marie, ON P6C 4H5 Tel: Tel: (705) Tel: (705) 942-1036 (705) 942-1036 942-1036 Fax:Fax: (705) Fax: (705) 942-1015 (705) 942-1015 942-1015 Sault Sault Ste. Sault Ste. Marie, Ste. Marie, ON Marie, ON P6C ON P6C 4H5 P6C 4H5 4H5 Tel: (705) 942-1036 Fax: (705) 942-1015 Business Business Business Manager: Manager: Manager: Wayne Wayne Wayne Scott Scott Scott Tel: Tel: (705) Tel: (705) 942-1036 (705) 942-1036 942-1036 Fax:Fax: (705) Fax: (705) 942-1015 (705) 942-1015 942-1015 Business Manager: Wayne Scott Business Business Business Manager: Manager: Manager: Wayne Wayne Wayne Scott Scott Scott
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