EDIÇÃO 64 • ANO 5 • MENSAL • WWW.REVISTAMAR.COM
Philip Reis JULHO 2021
Wishing our members and their families a Happy Canada Day! CARMEN PRINCIPATO TONY DO VALE LUIS PIMENTEL
SAVERIO REPOLE
ISABELLA COSTANZO
ROLY BERNARDINI PETER GLAZE
JACK EUSTAQUIO REGIONAL ORGANIZING CO-ORDINATOR ELIO TOPPAN
HARDY JALLOH
RENATO TAGLIONE
MIKE BETTENCOURT MAMADOU BAH JOE INACIO FABRIZZIO MASSARI JOE FURTADO JOHN WALKER MILTON MEDEIROS MARCO MELO
PATRICIA LUM MONIQUE SERINO NATALIY KRASKOVSKY MISHEL BIRFIR NICOLE PIETRANGELO ADRIANNA DO VALE
O Executivo da CCWU Canadian Construction Workers Union deseja a todos os seus membros e Comunidade Portuguesa um Feliz Dia do Canadá!
Canadian Construction Workers Union Proud representative of the hard working men and women in the Canadian Construction Industry Presidente: Joel Filipe Financial Secretary: João Dias Vice-Presidente: Victor Ferreira Recording Secretary: Luis Torres Trustee: Ana Aguiar
1170 SHEPPARD AVENUE WEST, UNIT 42 - NORTH YORK, ONTARIO - M3K 2A3 TELEPHONE: 416-762-1010 • FAX: 416-762-1012
Ficha Técnica Direção
Carmo Monteiro Manuel DaCosta
Edição Gráfica Carlos Monteiro
Marketing
Carmo Monteiro MDC Media Group
Fotografia Carmo Monteiro
Colaboradores André Marques Carlos Cruchinho Manuela Marujo Maria João Rafael Sara Isabel Vieira Telma Pinguelo
Participação Especial Inês Schrek Jack Prazeres
Agradecimentos
Jornal de Notícias Luso Canadian Charitable Society MDC Media Group Notícias Magazine
Conteúdos 7
Julho 2021
Dia do Canadá
O resgate das Primeiras Nações Telma Pinguelo fala-nos sobre as celebrações do Dia do Canadá e reflete sobre o passado e as recentes notícias sobre os acontecimentos que envolveram as Primeiras Nações.
página 6
12 2021 Luso Virtual Volta
A Luso Canadian Charitable Society (LCCS) está a realizar, desde do dia 10 de junho até ao dia 18 de julho, mais uma Luso Virtual Volta. Para saber mais sobre esta angariação de fundos estivemos à conversa com o presidente da direção da LCCS, Jack Prazeres.
18
página 8
Na sombra dos aranha-céus
Manuela Marujo faz leva-nos numa viagem pela baixa de Toronto, onde as esculturas e a arte se misturam com as estruturas de betão.
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página 22
Nuno André Ferreira
Carlos Cruchinho traz-nos mais um capítulo de "A fotografia como Arte" e desta feita entrevista o fotógrafo português que venceu o Prémio World Press Photo 2021.
página 32
40 Nem todo o artista é louco,
página 38
nem toda a loucura é arte
Contacto www.revistamar.com info@revistamar.com www.facebook.com/revistamar
416.806.7616
A linha que separa a arte e a perturbação mental pode parecer ténue. E há muito que se estuda a sua possível ligação. Esquizofrenia, bipolaridade, depressão. Os grandes nomes saltam à vista. De Van Gogh a Florbela Espanca, de Mário de Sá Carneiro a Kurt Cobain. Mas será que a doença mental e a criatividade estão mesmo ligadas?
46
Philip Reis
página 64
página 78
Conheça o jovem guarda-redes luso-canadiano que a 18 de junho de 2021, rumou a Barcelos, onde vai integrar os júniores do Gil Vicente.
60 Fernando Santos Revista Amar é uma marca registada e empresa subsidiária dos grupos Cyber Planet Inc. e MDC Media Group.
Custo estimado por exemplar
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Nascido e criado num bairro de Lisboa, foi um miúdo reguila. Queria ser guarda-redes ou oficial da Marinha. Venceu o futebol. Distingue entre jogar bonito e jogar bem. Chegou a campeão da Europa. Agora tem de defender o título.
72 O impacto da pandemia no QI das crianças
Estudo revela que os níveis de inteligência dos alunos foram afetados na crise de 2008 e investigadores admitem que isso se pode repetir com a pandemia.
página 89 Os artigos publicados na presente edição são da inteira responsabilidade dos seus autores, podendo não refletir as opiniões e posições da Revista Amar naquela matéria. A utilização do novo acordo ortográfico, na matéria da presente edição, ficou à inteira descrição dos seus autores. Os conteúdos publicitários publicados na presente edição são da inteira responsabilidade, com autorização e aprovação prévia dos seus autores.
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happy birthday canada
O resgate das Primeiras Nações
N
ormalmente o Dia do Canadá é tempo de festa e de celebrar o caminho que o país percorreu até ao presente. Tempo de refletir sobre o passado e olhar para o nosso futuro. Paira no ar a felicidade de somar mais um ano à ainda tenra idade da nação. Desta vez, no entanto, o Canadá sopra as velas sob o olhar de uma população descontente e revoltada. Frequentemente conhecido como “uma América que deu certo” - assim dizem as pessoas comparando-nos aos vizinhos Estados Unidos - chega recentemente aos títulos da imprensa internacional a prova de que o Canadá afinal tem, literalmente, esqueletos no armário. Mais de duzentos, e isto só numa antiga escola residencial em British Columbia, fora os que ainda estão por descobrir noutros lugares. Este capítulo do passado tenebroso do Canadá levou a uma onda de revolta da população que fez a hashtag “Cancel Canada Day” chegar ao topo dos assuntos mais partilhados nas redes sociais. Por ocasião deste Dia do Canadá lanço a proposta de refletirmos sobre a nossa posição como cidadãos ativos na sociedade e política atual, apelando sobretudo a todos os lusófonos. Nós, imigrantes que abraçamos e fomos abraçados por este país. Nós que vivemos no Canadá, terra que escolhemos para trabalhar, educar os nossos filhos, em que muitos de nós temos também nas mãos o poder de votar para eleger os governantes a nível federal, provincial, municipal. 6 I Amar
Créditos © Chris Pawluk
Nós que adotamos este país como sendo nosso, não adotamos apenas o seu presente e o seu futuro, porque com ele vem a sua bagagem indissociável. Devemos por isso evitar o facilitismo de nos isentarmos da responsabilidade civil de tocar no assunto em nossas casas, socialmente e junto dos nossos políticos. O primeiro passo para a mudança é reconhecer e assumir o problema. As Primeiras Naçōes do Canadá têm um passado traumático marcado por abuso, genocídio, assimilação forçada de uma identidade que nunca foi a deles e muitos outros atentados à sua integridade física, mental, cultural e, diga-se mesmo, dos direitos humanos. Esta é uma ferida que carece de cuidados urgentes. O governo anunciou recentemente que os cidadãos destas comunidades poderão agora resgatar os seus nomes verdadeiros em documentos de identificação oficiais e ainda que vão passar a estar incluídos no juramento da cerimónia de obtenção de cidadania assim como nos manuais informativos para os recém-chegados ao país. No entanto, o caminho é longo e existem ainda inúmeras questōes a ser abordadas junto destas comunidades que continuam a ficar de fora ou a ver as suas preocupaçōes despre-
zadas pelos planos de desenvolvimento do país. Neste Dia do Canadá celebremos as Primeiras Naçōes, dos anciãos aos seus descendentes. Reflitamos sobre o seu presente, passado e futuro. Sobretudo, reflitamos sobre como podemos contribuir para a preservação das suas culturas, protocolos, espiritualidade, tradições e línguas. Que o caminho se faça rumo a uma realidade em que estes povos são respeitados e as suas preocupaçōes sejam nossas também. Com um sentimento de esperança desejo-vos um feliz Dia do Canadá!
Telma Pinguelo MDC Media Group
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Créditos © Caio Silva 8 I Amar
Um país de oportunidade, mas com muito para retificar
S
im, o Canadá é um país de oportunidades. Mas, infelizmente, não são oportunidades para qualquer um, e assim não há igualdades para todos da mesma forma ou maneira. Não estou a dizer isto como crítica, mas para realçar que este ano tem sido um ano complicado para a nossa História, e deveríamos de refletir sobre a realidade do Canadá. Temos muita sorte porque nascemos, crescemos, ou migrámos para um país seguro, diverso e estável. Com o trabalho árduo dos nosso pais, avós ou de nós próprios, muitos de nós estam em melhores situações. Isso é bom! Devemos ter orgulho dos nossos esforços! Mas, não foi assim para todos nesta terra. As culturas, línguas e diversas Histórias das comunidades Indígenas do Canadá foram, durante séculos, sistematicamente agredidas. Isto tem impactos até hoje, principlamente depois das descobertas, deste ano, de sepulturas não marcadas nas escolas residências em Kamloops, British Columbia e em Manitoba. E ainda estamos para preceber a realidade existente e as ramificações e consequências que possam daí resultar. Neste Dia do Canadá, imploro que os leitores da Revista Amar revisitem as origens de onde vivem. Este país que se chama Canadá era, antes de tanta immigração - que modificou e urbanizou este terreno -, uma terra de centenas de línguas, culturas e comunidades diversas de populações Inidígenas. No Dia do Canadá vistem www.native-land. ca, para aprenderem quais culturas e línguas Indígenas canadianas viviam exatamente onde hoje está a vossa casa . Onde vives? Saber onde vivemos é importante, para podermos respeitar, valorizar e honrar as terras que hoje não estam vazias, porque foram partilhadas e roubadas às gentes que já cá estavam há milhares de anos. Já o hino do Canadá o diz “our home on native land”! Damos graças às oportunidades, ao nosso trabalho árduo, mas também devemos dar valor e respeitar as centenas de comunidades Indígenas espalhadas no Canadá, as gentes originárias desta terra.
Sara Isabel Vieira, PhD
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O futuro O futuro da rádio da rádio Sou o Luís Vaz de Camões. Você deve lembrar-se do meu trabalho épico, Os Lusíadas, uma portuguesas de descoberta durante os Sou ofantástica Luís Vaz deinterpretação Camões. Vocêdas deveviagens lembrar-se do meu trabalho épico, Os Lusíadas, séculos 15 e 16. Uma obra-prima, se viagens o posso afirmar, provavelmente por isso algumas uma fantástica interpretação das portuguesas de descoberta durante os pessoas se referem ao português como “a língua de Camões”. séculos 15 e 16. Uma obra-prima, se o posso afirmar, provavelmente por isso algumas pessoas se referem ao português língua de Camões”. Parece que nos últimos 440 anos,como vocês“a estão a inventar algumas coisas realmente divertidas a rádio440 e a anos, internet. Parece quecomo nos últimos vocês estão a inventar algumas coisas realmente
divertidas como a rádio e a dessas internet. Na minha opinião, a maior conquistas foi terem dado o meu nome a uma estação deopinião, rádio. CamõesRadio.com é rádio nafoi internet, o queosignifica queapode Na minha a maior dessas conquistas terem dado meu nome uma descarregar a aplicação no seu telefone e ouvir a programação no “meu idioma” estação de rádio. CamõesRadio.com é rádio na internet, o que significa que pode no carro, enquanto conduz o trabalho, enquanto janta em casa ou enquanto descarregar a aplicação no para seu telefone e ouvir a programação no “meu idioma” faz as suas compras. Genial... como eu. no carro, enquanto conduz para o trabalho, enquanto janta em casa ou enquanto faz as suas compras. Genial... como eu.para o Google Play - é grátis! Descarregue a aplicação da App Store Descarregue a aplicação da App Store para o Google Play - é grátis!
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2021 Luso Virtual Volta no bom caminho para alcançar a meta 12 I Amar
Volta Luso 2019 Créditos © Carmo Monteiro
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oderiam ser imagens deste ano, mas devido à pandemia a Volta está novamente a realizar-se virtualmente em função das medidas restritivas impostas pelo governo provincial, havendo ainda, contudo, a possibilidade de se poder fazer presencialmente. A Luso Canadian Charitable Society (LCCS) está a realizar, desde do dia 10 de junho até ao dia 18 de julho, mais uma Luso Virtual Volta. Para saber mais sobre esta angariação de fundos estivemos à conversa com o presidente da direção da LCCS, Jack Prazeres.
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Revista Amar: Este ano a Luso Volta é mais uma vez virtual. Com o desconfinamento, não ponderaram fazer presencialmente, como era habitual antes da pandemia ou concluíram que ainda era muito cedo e arriscado? Jack Prazeres: Na altura que a Volta foi organizada, há 6 meses, ainda não tínhamos a certeza do que ia acontecer, do que se podia ou não fazer. Pelo seguro decidimo-nos pelo virtual, mas se eventualmente, em julho, desconfinarmos ainda mais e se houver a hipótese de fazer uma Volta de mota, de bicicleta ou até a pé podemos tentar organizar uma Volta mais pequena, contudo não faria sentido pararmos agora com a Luso Virtual Volta quando já estamos no bom caminho de atingirmos a nossa meta dos $450,000.00. RA: No ano passado depois de fechar as inscrições qual foi o valor oficial? JP: Salvo erro, foi por volta dos $415,000.00. O que acontece é que há muitas pessoas que fazem uma oferta, mas o dinheiro só nos chega uns dias ou até semanas depois. Ora no dia que acaba a Luso Virtual Volta temos um valor, mas durante os dias das semanas seguintes, o valor vai aumentando consoante o dinheiro vai chegando. Portanto, é muito difícil fecharmos as contas no último dia, porque ainda há muito dinheiro para receber, seja em promessas ou cheques de empresas que temos que ir buscar. E como sabes, há muitas pessoas que ainda preferem passar um cheque e receber logo o recibo, em vez de usar a internet e não é fácil para os nossos voluntários ir buscar todos esses cheques e leva tempo. Este ano não deverá ser muito diferente, quando chegar ao dia 18 de julho vamos poder anunciar o valor que entrou até à data, mas só deveremos ter o valor exato da angariação nos fins de julho. RA: E para além dos cheques, como é que as pessoas podem fazer os seus donativos? JP: Podem fazer um donativo com o cartão de crédito ou para saberem mais sobre a angariação podem ir a www.lusoccs.org/events/volta-luso-charities e para fazer donativos com cheques podem telefonar para qualquer um dos nossos três centros e combinar como será feita a entrega do cheque e do recibo. Para as respetivas zonas podem ligar para 416-761-9761 (Toronto), para 905-858-8197 (Peel) e para 905-5224612 (Hamilton).
Conferência de Imprensa da Volta Luso 2018 Créditos © Carmo Monteiro
RA: E qual é o valor mínimo? JP: Não há... desde que haja boa vontade, nós vamos a casa das pessoas, nem que seja por $1.00. Eu costumo dizer muitas vezes que somos 600.000 portugueses e se cada um doa-se $1.00 teríamos $600,000.00 e com esse valor tapávamos o buraco deste ano de pandemia em que não cortámos serviços! RA: A partir de que valor doado é que se tem direito a um recibo para as Income Tax? JP: É a partir de $20.00 para cima. O recibo é muito importante para as pessoas e para as empresas. RA: Quantas famílias estão atualmente agregadas aos centros da LCCS? JP: Servimos 200 famílias todos os dias! Infelizmente, no princípio do ano tivemos que dar o apoio virtualmente, mas já voltámos a abrir as nossas portas e uma boa parte dos nossos utentes já regressaram e todos os dias regressam mais. Temos alguns utentes que não voltaram porque ainda não foram vacinados e os pais têm medo. RA: E como está essa fase da vacinação na LCCS? JP: Em Toronto já vacinámos quase todos os utentes e os seus pais porque organizámos um dia de vacinação no centro. RA: Como é que foi o regresso dos utentes aos centros? JP: Não há nenhum que não quisesse voltar!!! Todos choram de felicidade por voltar aos centros e choram ao fim do dia, porque não querem ir para casa. Eles tinham tantas tantas saudades dos seus amigos... é uma coisa quase impossível de explicar. 14 I Amar
Volta Luso 2018 Créditos © Carmo Monteiro
RA: E como reagiram os pais? JP: Há muitas pessoas que não entendem… mas é um alivio poderem ter um pouco de descanso durante umas horas, sem terem aquela responsabilidade de 24 horas por dia e 7 dias por semana… é incrível. As pessoas por vezes quando veem certos casais pensam “coitadinho do filho ou da filha… está numa cadeira de rodas” e esquecem-se dos pais. Estes filhos sempre estiveram na cadeira de rodas e não conhecem outra vida porque muitos já nasceram com as incapacidades, mas os pais não! Os pais tiveram que se adaptar a uma nova realidade e agora muitos deles têm 60 e 70 anos, ou seja, passaram uma vida, 24 horas por dia, só a tomar conta do(a) filho(a) ou dos(as) filhos(as). Portanto, nós podemos dar um pouco de descanso aos pais ao poderem ir descansados para casa, ir às compras, tomar um banho ou uma refeição, visitar um amigo ou familiares. Nós próprios na Luso damos muita atenção aos filhos, mas acho que temos prestado pouca atenção aos pais e vamos mudar isso. RA: E o que é que se pode fazer pelos pais? JP: O nosso novo projeto é mesmo nessa direção. Já temos uma conta no banco com $500,000.00 e andamos a procurar um sítio onde possamos fazer 30 apartamentos para os pais que já não podem tomar conta dos filhos e temos vários casos na nossa comunidade e que é de conhecimento público. Alguns destes pais já têm 60, 70 e 80 anos e continuam a tomar conta dos filhos. Temos que começar por ajudar estas famílias porque a lista de espera no Ontário para pôr os filhos numa casa própria é de 5 a 15 anos. Quando um destes pais falece, a maioria dos filhos são postos de “emergência” numa casa qualquer… o primeiro “buraco” que encontrarem é para lá que os mandam… é triste! RA: Mas $500,000.00 é um valor aquém para um projeto desta envergadura? JP: É verdade… $500,000.00 não é nada, mas é um princípio e uma responsabilidade que já nos obriga a trabalhar arduamente e se Deus quiser se conseguirmos mais alguns donativos que pensamos que vamos ter, o montante vai crescer mais um pouco ainda este ano. Também está na altura de começarmos a trabalhar com os governos e com os municípios para encontrar um sítio… talvez não seja só uma casa, quem sabe sejam 3 casas pequenas. Isso vai depender das oportunidades que nos aparecerem, mas a meta é começarmos o mais rapidamente possível, porque temos muitas famílias a sofrer drasticamente e que ninguém sabe ou compreende. Temos tido várias reuniões e posso-te dizer que numa das reuniões sai a chorar, porque todos os pais saíram de lá a chorar. Eles não sabiam o que ia acontecer aos filhos a partir do dia que eles já não pudessem mais tomar conta deles e saíram de lá com esperança e alívio. Estas reuniões são muito muito difíceis, porque naquele momento estamos a ouvir os pais e conseguimos nos “ver” no lugar deles e é só nesses momentos que conseguimos perceber e visualizar um pouquinho o que tem sido a vida deles… e é muito muito difícil! Por vezes quando vou a conduzir para casa ponho-me a pensar na vida que tenho e a imaginar como seria se estivesse no lugar deles. RA: Não poderia ter a vida que tem hoje… JP: … sem dúvida alguma! Eles não têm tempo para nada! Não podem ir ao cinema, a um restaurante, etc. e mesmo que tenham família e amigos, nem toda a gente está disponível ou de mãos abertas para os ajudar e tomar conta de uma pessoa desabilitada. RA: Como tem sido trabalhar durante a pandemia? JP: A nossa equipa tem trabalhado arduamente e estamos muito orgulhosos deles. Tanto diretores como todos os trabalhadores nos centros têm tido uma responsabilidade tão grande e por vezes nós não apreciamos o trabalho que eles estão a fazer… mas o trabalho que eles têm feito durante esta pandemia, é excelente!!! O trabalho e o esforço da equipa é fora deste mundo! Conseguimos aguentar três centros em um ano e meio de pandemia, praticamente sem dinheiro a entrar e temos tudo em dia e as nossas contas positivas, eu acho que há um mérito muito grande da equipa de diretores e todos mereciam uma medalha do céu. RA: E vão com certeza ter. Quem semeia o bem, colhe o bem… JP: Não há medalhas no mundo que conseguem representar o trabalho dos diretores e de toda a equipa da LCCS. Amar I 15
RA: 2021 marca a perda de dois voluntários importantes, quer para a comunidade portuguesa como para a Luso Canadian Charitable Society (LCCS)… refiro-me a Frank (Francisco) Melo, diretor e presidente honorário da LCCS e a Tony de Sousa, presidente do PCC de Mississauga que abria as portas do clube para os vossos eventos como, por exemplo, a Volta. Como está o ambiente na LCCS e como estão a lidar com estas lamentáveis perdas precoces? JP: O ambiente é de tristeza… em ambos os casos, foram um choque muito grande e inesperado. Vou começar pelo Frank Melo que era um diretor… um diretor envolvido! Era daqueles diretores que trabalhava. Há duas classes de diretores. A dos que vão e estão lá para votar (sim ou não) e a dos que se envolvem e trabalham. O Frank além de estar há muitos anos connosco, também era um bom amigo de todos nós e a partida dele deixou-nos chocados e muito tristes. Ele era um membro da equipa que fazia parte da família. No caso do Tony de Sousa, para te dizer a verdade a realidade ainda não me entrou… acho que nós, ou pelo menos eu ainda vou passar pelo clube para falar com o Tony. O meu cérebro ainda não processou e nem entende o que aconteceu... porque aos anos que trabalhámos juntos e a bondade da pessoa, desde do primeiro dia em que nos conhecemos até à última vez que falei com ele, durante estes anos de amizade nunca tivemos um único problema… bastava olharmos um para o outro que já sabíamos o que queríamos dizer e compreendíamo-nos, quando eu precisava de ajuda compreendíamo-nos e quando ele precisava de ajuda compreendíamo-nos, mas talvez eu deveria ter estado lá mais para ele, porque ele esteve sempre lá para mim, sem dúvida alguma! O Tony foi uma pessoa excelente e que vai fazer muita falta para todos nós na comunidade portuguesa… principalmente em Mississauga e no PCCM. Costuma dizer-se “que não há ninguém insubstituível”, mas neste caso esse ditado não se aplica. Tony era o elo que unia todas as pessoas, o Tony era o tipo de pessoa que falava com toda a gente, o Tony não tinha inimigos e uma pessoa muito aberta para quem tudo estava sempre bem… o Tony recebia toda a gente com um sorriso e sempre com o mesmo sorriso, bastava ver-nos entrar pelas portas do clube e vinha logo ter connosco. Não quero dizer com isto que não haja outra pessoa como ele, mas melhor será difícil, muito difícil! E como disse, ainda não consigo entender e não há um dia que não pense no Tony, não só pelo clube como também pela amizade pessoal. RA: Um assunto atual e incontornável, é a vacinação da Covid-19. Qual é a sua posição sobre esta temática? JP: Eu acredito nos estudos e na ciência que nós todos devemos ser vacinados. Eu que nem era crente na vacina da gripe , mas desde que comecei a levá-la deixei de ter gripes 2 a 3 vezes por ano… e deixei de ter a gripe por completo. Em relação à vacina da Covid-19, já tomei as duas doses - a segunda até foi recentemente – e posso dizer que sou crente! Há pessoas que não o são e até te16 I Amar
nho pessoas na minha família que também não o são, mas acho que vai ser essencial nem que seja só para pessoas que gostam de viajar, porque quem não for vacinado vai ser quase impossível viajar. Contudo, baseado em todos os estudos que se têm feito acho que com a vacinação podemos ficar mais descansados. RA: Quais são os planos para o torneio de golf e da gala? JP: O torneio de golf está marcado para o dia 10 de setembro e se já estivermos completamente desconfinados vão concretizá-lo presencialmente, até porque já temos muitas inscrições, contudo duvido que haja o habitual jantar derivado aos ajuntamentos em recintos fechados… mas, vamos esperar para depois tomarmos essa decisão. Quanto à gala que também tem data, mas está em dúvida pois já é mais complicado fazer presencialmente porque, como sabes, nós temos sempre por volta de 600 a 700 pessoas e acho que as pessoas ainda não vão estar preparadas para estarem juntas num espaço fechado mesmo que já não haja as medidas restritivas. Vamos fazer o tudo por tudo, porém se agora conseguirmos alcançar o nosso objetivo na Luso Virtual Volta o nosso coração já fica mais descansado e podemos trabalhar e tomar as decisões com calma, porque este montante já vai dar para manter o sistema sem cortar serviços a ninguém, se não conseguirmos temos que trabalhar arduamente e em compasso acelerado para que o torneio de golf possa trazer o que faltar para que possamos cobrir todos os programas que temos disponíveis na LCCS. RA: Para finalizar, convidou a deixar uma mensagem aos nossos leitores? JP: A mensagem é simples.. a todos que possam ajudar ou fazer um donativo sem sacrificar as próprias vidas, por favor doam! Se poderem dar $50.00 ou $100.00 seria fantástico, mas se só poderem dar $1.00 nós também aceitamos! Tudo ajuda. Pois como disse anteriormente, se 600 pessoas dessem $1.00 seriam $600,000.00. Às muitas empresas que estão bem, por favor ajudem e suportem também! E fica aqui um desafio, quando acabarem as medidas restritivas, por favor visitem os centros e vejam com os vossos olhos o trabalho que fazemos, a felicidade dos utentes, falem com os pais para poderem perceber um pouquinho do que é o dia a dia deles e perguntem-lhes a diferença que a LCCS faz na vida deles… e vão chegar à conclusão que é impossível olhar para o lado e não ajudar esta causa. Aos que nos têm apoiado durante estes anos todos… Obrigado.
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Na sombra dos arranha-céus 18 I Amar
Edifícios Toronto Dominion Centre Créditos © Manuela Marujo Amar I 19
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ivendo o dia a dia na Baixa de Toronto, reparo frequentemente em aspetos que podem passar despercebidos ao transeunte apressado.
Nos últimos dez anos, a cidade transformou-se radicalmente devido ao aparecimento de edifícios de arquitetura arrojada, e tudo indica que assim continue. Provam-no os braços dos enormes guindastes a anunciar a elevação de novos arranha-céus. Na minha frente, vejo crescer, entre outros, o polémico complexo Pinnacle, no número 1 da Yonge Street, um conjunto de seis arranha-céus em que a Sky Tower se anuncia como a torre residencial mais alta do país, com 95 andares. Não posso deixar de lembrar os testemunhos que ouvi de luso-canadianos orgulhosos que, nos anos 1960, ajudaram a construir o imponente Toronto Dominion Centre, no “Financial District” – três edifícios com cerca de 50 andares - nas ruas King e Bay, que, em muito, viriam a influenciar o design futuro da área financeira da cidade. No meio dos grandes edifícios dessa área da cidade, muitas vezes me surpreendo, agradavelmente, ao encontrar parques verdejantes, pracinhas, pátios e becos, entre as torres, onde um escultor, pintor ou outro artista faz um aproveitamento bem planificado para embelezar e humanizar essas construções.
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Guindastes e Pinnacle ao fundo Créditos © Manuela Marujo Amar I 21
Esta arte urbana existe graças ao programa municipal “Percent for Public” que impõe às companhias construtoras a cedência de espaços para projetos artísticos, assim como o financiamento de obras que venham a beneficiar todos os que se passeiam ou circulem por eles, depois de aprovados pela Toronto’s Public Art Comission. No coração da cidade, onde estão localizados as mais importantes instituições financeiras e centros comerciais, podemos encontrar, no Commerce Court, a escultura “Tembo” de Derrick Stephan Hudson - uma mãe elefante gigantesca de bronze e os seus dois filhotes. No Toronto Dominion Center, a “Pastagem” do escultor Joe Fasard com vacas preguiçosas deitadas no relvado e, muito próxima, a instalação “Dreaming” de Jaume Plensa, na Richmond street.
"Dreaming" de Jaume Plensa Créditos © Manuela Marujo 22 I Amar
Pastagem de Joe Fasard Créditos © Manuela Marujo
Tembo e filhotes de Derrick Stephan Hudson Créditos © Manuela Marujo Amar I 23
Brookfield Place Créditos © Manuela Marujo 24 I Amar
Esculturas rodeadas por arranha-céus Créditos © Manuela Marujo Amar I 25
"City People" de Catherine Widgery Créditos © Manuela Marujo
Escadaria interior de Joshua Kalfa Créditos © Manuela Marujo 26 I Amar
Obra de Banksy Créditos © Manuela Marujo
Uma das peças de escultura mais impressionantes, que me faz parar extasiada, encontra-se no conjunto de edifícios intitulado Brookfield Place, nas ruas Bay e Wellinton, e ocupa todo um quarteirão. É a monumental obra do conhecido arquiteto espanhol Santiago Calatrava, que, com aço e vidro, recriou uma rua campestre ladeada de áceres canadianos. De forma harmoniosa, integra as fachadas de alguns edifícios históricos de interesse público e a galeria de arte Allen Lambert que oferece exposições de qualidade ao alcance do público que por ali circula livremente. Passear nas ruas do “Financial District” de olhos atentos e com tempo para entrar nos corredores subterrâneos - que nos rigorosos invernos nos acolhem com boutiques, restaurantes, serviços variados -, pode oferecer-nos, igualmente, experiências estéticas que nos alimentam o espírito. Num dos corredores, no número 1 da York Street, podemos admirar uma obra do misterioso e controverso grafiteiro Banksy que, ao passar por Toronto, aqui deixou a sua marca distinta, preservada graças a alguém com visão e conhecimento de arte. As pinturas, esculturas e instalações quebram a frieza dos arranha-céus que se erguem esmagadores, minimizando a presença dos poucos vestígios históricos da antiga Toronto. É essa arte urbana que legamos ao futuro cidadão.
Manuela Marujo
Esculturas na Scotia Arena Créditos © Manuela Marujo
Professora Emérita da Universidade de Toronto
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Créditos © Ricadro Graça 30 I Amar
A fotografia como Arte - II
Nuno André Ferreira N
ascido em 1979, em Leiria, Portugal, Nuno André Ferreira estudou Ciências da Informação em Coimbra no ISMT - Instituto Superior Miguel Torga.
Começou como fotógrafo na Sala de Imprensa do Município de Leiria e em 2006 passou a colaborar em várias publicações do grupo Cofina em Viseu - Correio da Manhã, Sábado, Record, Jornal de Negócios e CMtv. Nuno André Ferreira, também trabalhou no Jornal do Centro entre 2006 e 2012 e em 2009 começou a colaborar com a Lusa - Agência Portuguesa de Notícias / EPA - Agência Europeia Pressphoto.
Prémios e distinções 2010 “Incêndios” venceu o Prémio Estação Imagem Mora 2010 na categoria Meio Ambiente;
2014 “Incêndio no Caramulo” venceu o Prémio AMAN Photo of the Year 2014 - Alliance of Mediterranean News Agencies;
2018 “Nosso Presidente” ganhou o Prémio Rei da Espanha de Jornalismo Internacional 2018;
2021 O fotógrafo vencedor do Prémio World Press Photo 2021 Photo Contest.
2021 Vencedor da BOLSA Estação Imagem 2021 Coimbra Amar I 31
Créditos © Nuno André Ferreira
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Créditos © Nuno André Ferreira
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Créditos © Nuno André Ferreira
Créditos © Nuno André Ferreira
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Revista Amar: Recorda-se como começou a sua paixão pela fotografia? Nuno André Ferreira: A paixão pela fotografia começa de forma normal como outra coisa qualquer. Tirava fotos nas férias com os amigos e volta e meia ia a alguns sítios de propósito para fotografar algo. RA: O percurso na fotografia teve início como autodidata, ou à medida que o tempo foi passando, obter “aquelas” fotografias exigiu um estudo aprofundado da técnica. NAF: Nunca fiz nenhum curso de fotografia. Aprendi e fui aprendendo sozinho. A técnica desenvolveu-se naturalmente. Aliás, ainda não tenho muita. Não sou propriamente um fotógrafo, sou fotojornalista. Ambas estão ligadas, mas existem muitas diferenças. Na fotografia é realmente exigida muita técnica. No fotojornalismo a exigência é na informação que a imagem possui. RA: O seu olhar sobre a realidade fica diferente através de uma objetiva? E esse olhar mudou com o decorrer do tempo.
RA: Uma boa fotografia interpela? NAF: Claro que sim. Sempre que uma fotografia nos alerta para algo significa que nos chamou a atenção. RA: A fotografia tem género? Podemos falar de igualdade de género quando fotografamos a realidade quotidiana. Ou há algo transformador no olhar do fotógrafo quando atrás da objetiva está uma mulher ou um homem? NAF: Nada de géneros. Há sensibilidades diferentes e essas não têm qualquer correspondência. RA: A fotografia faz sonhar… É um instante irrepetível? NAF: Sim... todas as fotografias são diferentes. Nenhum instante se repete. O incrível é mesmo isso. RA: Ao percorrer as ruas para fotografar a vida quotidiana em espaços públicos, na chamada fotografia de rua, em que medida essa fotografia é uma invasão da privacidade das pessoas anónimas.
NAF: Não. Não acho. Muitas das vezes vejo é uma realidade diferente depois de tirar as fotografias.
NAF: Como profissional se estiver em trabalho não considero invasão. As pessoas fazem parte do espaço que fotográfo. Elas são parte da minha imagem.
RA: Como acontece com o impulso de escrever, pintar, desenhar ou esculpir… Fotografar passa a ser uma necessidade, ou surge como um meio de auto expressão pessoal e social?
RA: A fotografia é uma espécie de solidão. Ou pelo contrário a fotografia pretende evidenciar o desconhecido aos olhos dos cidadãos comuns.
NAF: Fotografar passa a ser uma necessidade. Não consigo observar algo que possa ser retratado e não o fazer. As nossas memórias estão mais seguras em fotografia…
NAF: Pode ser solidão no momento em que estamos a fotografar. Até pode ser por opção, mas depois sim, temos a vantagem de poder mostrar ao mundo a nossa visão. Podemos partilhar momentos, sensações…etc…
RA: É difícil captar/obter uma boa fotografia? NAF: Tirar uma boa fotografia não é difícil. Ser boa ou má também é muito relativo. Até porque a sua representação pode ter leitura diferentes de pessoa para pessoa.
Carlos Cruchinho
Licenciado no ensino da História e Ciências Sociais
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Escrivaninha de Livros
Iris Bravo
Valério Romão Cair para Dentro 38 I Amar
Valério Romão – até quando a memória assombra, o francês de 1974. O francês instigado pelos sentidos e sentires, com casas simples e janelas escancaradas olhos adentro, com gentes várias dentro do peito. Os bons pertencem ao lado floral da vida. Um autor maduro, encantador de histórias, tão verdade que se torna impossível não ser amor.
Sinopse Eugénia, a filha, não foi educada para ser um adulto independente e, embora seja professora universitária, a mãe controla o seu dinheiro, o seu tempo, proibindo-a até de ter telemóvel. Quando Virgínia começa a desenvolver sintomas de demência, Eugénia vê-se obrigada, deixando aquela infância artificial construída pela sua mãe, a crescer e a cuidar de todos os aspectos práticos da vida de ambas. Até descobrir que, no estado em que a mãe se encontra, a vingança é uma possibilidade.
Com mãos “A mãe levou uns bons quinze dias a aceitar que ele se tinha ido embora. Quando o fez, naufragou no sofá de pele e chorou um dia inteiro, vindo à superfície apenas para poisar os olhos na acne da parede, filigrana de areia e geografia de bolor onde eu sabia que ela o divisava, em jeito de projeção unipessoal caseira, contentinha na pobreza de interromper a realidade com as coisas que os olhos põem nas coisas que os olhos querem ver.” – Valério Romão, in “Cair para Dentro”. Depois do estado cru lírico da obra “Da Família”, lançada pela Abysmo em 2014, um dos mais enobrecidos autores da atualidade, regressa à labuta literária com “Cair para Dentro”, pelos abraços e corpo inteiro da mesma editora. É fulcral inventar de novo as páginas em branco, semear a criatividade, descer ao fundo do poço material. O azul do céu aplaude e inclina-se para a genialidade. A queda extraordinária ao interior perverso de um registo absoluto, infalível em qualquer estante. “Eugénia, porque não está a dormir, e que faz aqui o avô consigo na sala, e o televisor, porque está ligado, responda-me Eugénia, responda-me, e a menina, trôpega nas palavras, que o avô tinha entrado em casa há bocado, que lhe abrira a porta da dispensa, e ela, acordando com a luz, ali o tinha, árvore torta florescendo em sorriso, e estava com medo mamã, ele não respondia, então peguei-lhe a mão e viemos até aqui à sala, ver a neve a cair no aparelho, mas não a queríamos acordar, desculpe, desculpe.” – Valério Romão, in “Cair para Dentro”. A escrita sumptuosa de Valério Romão, transporta-nos para uma realidade que não esta – o adorável fluir de um grande fazedor de vidas, ou além disso. O género sublime, por vezes animalesco, fora do gosto comum, trabalha comparável a carros excitados em hora de ponta, sempre em revista de um lugar peculiar; a não corporificação e comprimento dos estacionamentos enfaixados. Não há limites para a capacidade de criar, ou para o que está certo ou errado. Conceitos que caminham para lá da tradicionalidade familiar. Mentes que saltam muros e dilemas. A rutura é a libertação viva e nunca o rompimento ferido. Há impulsionadores que se fazem à caneta e perpetuam o sonho da terra. Valério Romão é um desses impulsionadores.
André Marques
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Nem todo o artista é louco,
nem toda a loucura é arte A
linha que separa a arte e a perturbação mental pode parecer ténue. E há muito que se estuda a sua possível ligação. Esquizofrenia, bipolaridade, depressão. Os grandes nomes saltam à vista. De Van Gogh a Florbela Espanca, de Mário de Sá Carneiro a Kurt Cobain. Mas será que a doença mental e a criatividade estão mesmo ligadas? É bem capaz de ser um dos momentos mais marcantes da História da Arte e que deu origem ao famoso autorretrato. Corria o ano de 1888 quando Vincent Van Gogh cortou a própria orelha, naquilo que terá sido um surto psicótico. O museu erguido em Amesterdão, na Holanda, resume bem em salas recheadas de obras – algumas pintadas num hospital psiquiátrico – uma vida à margem de guiões, mergulhada na criatividade e na insanidade. Esquizofrenia, perturbação bipolar, as teorias sobre a doença mental de Van Gogh são várias. Já dizia Aristóteles que não há grandes génios sem uma mistura de loucura. E os exemplos multiplicam-se, em Portugal e lá fora, da pintura à música, da escrita à representação. Florbela Espanca matou-se no dia em que fazia 36 anos, na agonia da neurose e da depressão. Kurt Cobain deixou uma geração de fãs de Nirvana órfã com o suicídio. Virginia Woolf, Mário de Sá Carneiro, Ernest Hemingway, Sylvia Plath, Robin Williams, Pedro Lima mais recentemente. É uma lista sem-fim. E são cada vez mais os artistas a assumir a luta contra perturbações mentais. Mariah Carey, Kanye West, Demi Lovato, Mel Gibson. Mas será que a doença mental e a criatividade estão mesmo ligadas?
Créditos © NM Amar I 41
“Há uma crença que não está provada de que as pessoas com veia artística mais desenvolvida têm uma incidência de perturbações mentais, nomeadamente depressivas, maior do que a população em geral.” Ana Matos Pires, psiquiatra, nem diz sim nem não. Mas consegue perceber a relação. “Não é uma mentira absoluta. Pode associar-se a quem tem mais capacidades criativas uma maior vulnerabilidade. Porque são pessoas mais sensíveis ao que as rodeia, que absorvem tudo. Não conheço nenhum criativo que não tenha uma sensibilidade muito própria. Ela é precisa para criar, para transformar a visão do Mundo em música, teatro, pintura. E talvez por aí o risco de adoecer seja maior.” Ainda assim, assegura: o gene da criatividade não é também o gene da doença mental. E não há uma doença típica dos artistas. “A esquizofrenia, por exemplo, é uma doença do cérebro, não é resultado do meio externo. Pode é manifestar-se quando há mais vulnerabilidade. Já na depressão, as contingências externas podem ser determinantes.” Se há muitos estudos a provar a falta de ligação, também os há a corroborá-la. Uma investigação sobre a genética dos islandeses, publicada na revista “Nature Neuroscience”, sugere a ligação entre a criatividade – presente em pintores, escritores, atores, bailarinos – e variações genéticas que aumentam o risco de desenvolver doenças como a bipolaridade e a esquizofrenia. Outro estudo, publicado no “British Journal of Psychiatry”, que analisou os registos de saúde de todos os suecos, concluiu que os estudantes de artes no Ensino Superior são mais propensos a serem hospitalizados na idade adulta por esquizofrenia, perturbação bipolar ou depressão do que a fatia menos criativa da população. Com tantas vozes dissonantes, José Eduardo Silva, investigador no Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho, aguçou a curiosidade. É formado em Estudos Teatrais e doutorado em Psicologia. O seu estudo “Teatro e desenvolvimento psicológico” foi publicado na revista científica norte-americana “Creativity Research Journal”. Concluiu que as artes, como o teatro, têm grande potencial de promover o desenvolvimento a vários níveis do funcionamento psicológico. E no que toca à doença mental? “Os dados científicos são contraditórios, porque não há efetivamente uma relação causal.” Isso não quer dizer que pessoas “com alguma perturbação não encontrem na música ou na pintura uma forma de se poderem exprimir, de construírem um mundo alternativo face a uma sociedade que está construída de maneira muito rígida e onde quem não se consegue adaptar é atirado para a margem”. Até por isso há um grande historial de artistas com perturbação mental que produziram arte bruta, “alguns até fingiram doença para terem condições para criar livremente”. Mas o investigador, que está agora a arrancar com um projeto que junta atores profissionais e pessoas com perturbações mentais no teatro, também olha para a relação inversa. Muitos artistas caem em depressão não por uma melancolia intrínseca, mas devido a uma vida de incertezas. “O facto de não terem trabalho durante muito tempo, de não conseguirem vender, a pobreza. Esses fatores são muito mais determinantes para desencadear sentimentos depressivos, ansiosos ou outros distúrbios.”
Manicómio: um lugar para criar
O Manicómio abriu as portas há dois anos, em Lisboa. É um espaço de trabalho, um lugar para portadores de doença mental poderem criar. Sem horários fixos. Tem 15 artistas. A ideia é combater a marginalização, tornarem-se financeiramente autónomos. Sandro Resende, cofundador do espaço, trabalha há mais de 20 anos com doentes mentais no Júlio de Matos. “Funciona como qualquer espaço cultural. Os artistas recebem uma percentagem das peças vendidas. Nós só fazemos a ponte com museus, galerias, empresas.” Abrem caminho, mas as vendas só fazem sentido “se as peças acrescentarem valor estético”. Não é um projeto feito de pena ou caridade. “Não é pela patologia que trabalham aqui, são selecionados pelo seu portefólio, pela qualidade. Acima de tudo, é para trabalharem na profissão que escolheram que, neste caso, é artes.” Ali, já se criaram ténis que estão a ser vendidos nos Estados Unidos, objetos de cerâmica, rótulos, joalharia, para grandes marcas. Contudo, a história de que “todo o artista é louco e todo o louco é artista” não faz sentido para Sandro Resende. “Talvez 4 a 5% dos doentes com quem trabalho tenham talento e vontade.” Para alguém formado em Belas-Artes e que já trabalhou com grandes artistas, qual é, então, a motivação para trabalhar com profissionais com psicopatologias? “Porque consigo encontrar uma pureza, autenticidade, ingenuidade que já não consigo ver na arte contemporânea dita normal. Estes artistas têm a capacidade de criar sem pensar se vai vender, se vai para as galerias, para o museu. E isso, sim, vem a reboque da doença, de nunca terem tido oportunidade de trabalhar no meio antes.” 42 I Amar
A escrita e a perturbação bipolar
Entre as investigações na psicologia da arte, escasseiam conclusões, falta unanimidade. Um estudo de 2019 revelou que os níveis de psicopatologia não são significativamente superiores nos artistas comparando com o resto da população. “É essa a imagem geral, a de que não há uma ligação particularmente significativa”, diz António Duarte, professor na Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, que admite, porém, essa associação em grupos e perturbações particulares. “Há estudos, como o de Kay Redfield Jamison, em 1993, que concluem que o transtorno bipolar de humor é dez vezes mais prevalente nos escritores de ficção e 40 vezes mais nos poetas.” Três anos depois, uma outra pesquisa demonstrou que a incidência de depressão e psicose é mais elevada nos escritores do que no resto da população. “Os escritores parecem ter tendência para a ruminação obsessiva, pensar em acontecimentos passados negativos, isso é material de escrita. E escrever envolve muita revisão, voltar atrás, tentar escrever melhor.” Os manuscritos de Camilo Castelo Branco, o escritor que sofreria de perturbação bipolar e viria a suicidar-se em 1890, revelam precisamente isso: uma revisão exaustiva, o reescrever sistemático. Numa vida de crónicas, romances, poesia, o amor à escrita foi mesmo de perdição. Para António Duarte, há, de facto, na criatividade um nível semelhante ao da loucura. As artes partilham qualquer coisa com a perturbação psicológica. “Há pensamento divergente, desestruturado, originalidade, mas o trabalho do artista é organizar esses rasgos de criatividade. O processo criativo exige muita disciplina e uma consciência muito clara, que não é compatível com um padrão desorganizado.” Da música à dança, é obrigatório muito treino. É o mesmo em que acredita Marta Tagarro, que estuda a criatividade. A psicóloga defende que ela se liga mais à saúde do que à doença mental. Um dos resultados da sua tese de doutoramento é que a criatividade está ligada à autoestima. “Quanto mais a pessoa gostar de si própria, maior a possibilidade de ser criativa.” Mas como é que há grandes criativos que têm patologias? “Podem encontrar na criatividade uma resposta de simbolizar o mundo interno, de elaborar coisas desorganizadas, danificadas.” Mas estes artistas, alerta, não criam em picos severos da doença, antes em fases com mais energia.
A ideia romântica a cair por terra
Quando se começou a estudar a ligação entre a criatividade e a loucura, no início do século XX, esbarrou-se em dificuldades. É Miguel Bragança, diretor do serviço de Psiquiatria do Hospital de São João (Porto), quem explica num piscar de olhos porque não há consenso. “Há vários problemas para estudar isto a sério. Primeiro, faltam modelos de investigação. Por isso é que há estudos cheios de disparates. Outro problema é o conceito de criatividade. O que é que distingue o que é criativo e o que não é?”, questiona. Por fim, há dificuldade em encontrar amostras. “Onde é que vamos buscar artistas? Mesmo que haja uma amostra, quando entrevistamos um criador, ele vai querer impressionar, é um indivíduo que quer ser diferente, que vai inflacionar o que pensa, enfatizar o que sente, que veste farda de artista. E isto mina a investigação.” Estima-se que haja 450 milhões de pessoas com patologia mental no Mundo. E o também professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto é curto e grosso: “Não há 450 milhões de artistas. Subestimamos a probabilidade de um génio ser saudável e sobrestimamos a de um doente mental ser criativo. Porque a ideia de uns tipos malucos é um mito romântico.” Solta exemplos. “Da Vinci era equilibrado. Botticelli também. Mas a necessidade de acreditar na conexão entre criatividade e loucura é tão forte que já se aceita tacitamente isto. Acreditamos que quanto mais tolos forem os artistas, mais pintura ou arquitetura diferente teremos.” O psicólogo António Duarte soma-lhe outra explicação. Os exemplos de génios criativos com doenças têm tanta notoriedade que leva a que se tenha desenvolvido esta representação social. “Se há casos famosos, temos tendência à generalização.” É um erro, diz Miguel Bragança. Uma falha que se junta à classificação do manual de diagnóstico DSM-5, da Associação Americana de Psiquiatria, das doenças mentais. “O diagnóstico de doença bipolar está sobreavaliado nos novos critérios”, aponta. Só que a ideia da loucura é sedutora. “Muitos artistas até usam essa estratégia, a excentricidade, como bengala que lhes retira obrigações sociais. Mas 99% dos doentes mentais não são os tais génios criativos.”
Inês Schrek
NM
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Philip Reis Não sabes o teu futuro, mas ele está nas tuas mãos. Persegue o sonho enquanto fizer sentido e tu quiseres…
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hilip Reis nasceu em Toronto a 18 de maio de 2004. O luso-canadiano é o irmão do meio de Tiago e Andrew. Seus pais, George e Diane Reis, também já nasceram no Canadá. Os avós paternos são do continente - o avô é de Fátima e a avó de Santo Tirso - e os avós materno são da Graciosa, Açores. Desde de terna idade que Philip sonhava em jogar futebol e aos 7 anos inicia a sua formação como guarda-redes, posição que nunca quis trocar desde do dia em que “pedi ao meu pai para chutar-me a bola e eu defendi e gostei”. O jogador da Academia Gil Vicente FC de Toronto, cedo deu nas vistas pelo seu caráter, atitude e talento. Foi baseado nestes e outros atributos que José Carlos da Silva, cofundador e presidente da primeira academia gilista fora de Portugal, remeteu um relatório sobre Philip à direção do Gil Vicente FC Portugal proporcionando um convite ao jovem de 1 metro e 83 centímetros a fazer um estágio em Portugal no passado maio. Philip encantou e assinou contrato. Philip, apesar dos seus tenros 17 anos, revelasse um adolescente muito maduro para a sua idade e com os pés bem assentes no chão. Simpático, tímido, modesto e humilde são apenas algumas virtudes deste jovem carismático. Encontra em Claúdio Ramos, Iker Casillas e Cristiano Ronaldo exemplos a seguir pela ética de trabalho. No dia 18 de junho de 2021, rumou a Barcelos, onde vai integrar o Gil Vicente FC – júniores. A Revista Amar deseja muito sucesso a Philip Reis nesta nova etapa da sua vida desportiva.
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Créditos © Carmo Monteiro Amar I 47
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Revista Amar: És o mais recente jovem luso-canadiano, de malas feitas para o Gil Vicente FC. Quem é o promissor guarda-redes? Philip Reis: Tenho 17 anos e sou o filho do meio de três, tenho um irmão mais velho, Tiago, e um irmão mais novo, Andrew, dos meus pais. Os meus pais, George e Diane já nasceram cá [Canadá]. O meu pai é polícia e a minha mãe é professora. projeção Do lado paterno, os meus avós são do continente - o meu avô é de Fátima e a minha avó de Santo Tirso - e do lado materno, os meus avós são da Graciosa, Açores e tenho um cão, Skip e vivo para o futebol. RA: O Skip vai para Portugal contigo, para te fazer companhia nesta fase de adaptação? PR: Infelizmente, não. RA: Era sonho de menino tornar-se um jojador de futebol? PR: Sim, foi sempre o que quis fazer e perseguir sem nunca desistir e conseguir. Ainda não estou onde quero chegar e tenho um longo caminho a percorrer, mas acho que estou num bom caminho e começo. RA: E na tua família, tinhas alguma referência? Tipo, o teu pai jogou futebol? PR: O meu pai não, mas o meu avô paterno jogou no Fátima e na tropa e também foi guarda-redes (riso). Fora ele, mais ninguém tem ligação ao futebol. O meu irmão mais velho ainda jogou, mas não seguiu. RA: Com que idade é que te apercebeste que querias ser guarda-redes? Ou ainda passaste por outra posição? PR: Foi logo desde do início… RA:… e como é que percebeste? PR: Um dia pedi ao meu pai para chutar-me a bola e eu defendi e gostei… e desde desse dia nunca pensei em mudar de posição. RA: Nem para tentar? PR: Nem para tentar. RA: Com que idade iniciaste numa academia de futebol? PR: Tinha por volta de 7 anos.
RA: O que é que encontraste na Academia Gil Vicente desde que chegaste? PR: Encontrei boas pessoas que querem o melhor para mim sem esperarem qualquer retorno financeiro, encontrei melhores oportunidades e com treinos mais intensivos. RA: Numa entrevista que tu e o José Carlos Da Silva (presidente da Academia Gil Vicente FC de Toronto) deram à Camões TV, no programa Here´s The Thing, o José disse que basicamente tu só “dorme, come, estudava e treina” no teu dia a dia. Foste sempre assim focado e disciplinado ou és porque, com o tempo, aprendeste que só com estes princípios é que consegues alcançar os teus objetivos, como jogar em Portugal? PR: Eu acho que sempre fui assim disciplinado porque eu sempre quis ser guarda-redes. Seja aqui ou em Portugal. Eu deste muito pequenino tive esta rotina (riso). RA: E vais concluir os teus estudos em Portugal? PR: Sim, vou concluir o grau 12 virtualmente de Portugal e depois logo se vê. RA: E se não fosse o futebol… que outra profissão gostarias de ter no futuro? PR: Provavelmente, trabalharia na construção. RA: E um curso universitário? PR: Não é para mim. RA: De todos os guarda-redes em Portugal, quem é que vês como um mentor? E porquê? PR: O Claúdio Ramos, porque é alguém mais alcançável, foi formado nas camadas jovens portuguesas, é um bom guarda-redes, nós temos a mesma altura (1,83m)… e ele começou de baixo e teve que trabalhar para chegar onde está agora (FC Porto). RA: E um guarda-redes fora de Portugal? PR: O Iker Casillas, porque fez toda a sua carreira num clube (Real Madrid CF), apesar de ele ter ganho o Campeonato da Europa, do Mundo, Champions Leagues, etc., mas não me identifico com ele como me identifico com o Claúdio, que é português e ficarei feliz se um dia chegar ao nível dele. O Iker é um dos melhores do mundo e vejo-o mais como um ídolo.
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RA: Agora uma pergunta “matreira”… (riso) Se no mesmo dia, à mesma hora tanto a seleção portuguesa e canadiana te convocassem, qual escolherias? PR: (riso) Escolheria Portugal, porque seria uma oportunidade que não se podia perder, certo? Imagina, por exemplo, escolher entre jogar no Campeonato da Europa ou na CONCACAF Nations League? Qualquer jogador, acho eu, escolheria o Campeonato da Europa instantaneamente, contudo acho que poder jogar pelo Canadá será um objetivo ou uma oportunidade mais realista. Mas claro, numa situação em que eu pudesse escolher… escolheria Portugal… 100%! RA: Da tua geração, conheces algum jogador luso-canadiano que tenha ido para Portugal e que esteja a conseguir fazer carreira? PR: Sim… conheço dois. O Lucas Dias, atualmente joga no Sporting CP – sub-23 e já jogou pelo Canadá e por Portugal. O Lucas é muito boa pessoa, bom jogador e já me disse que se eu precisar de ajuda para contar com ele. O outro é o Matthew Nogueira, ele também é guarda-redes que também saiu da Academia do Gil Vivente e agora joga no CS Marítimo – sub-23… são duas pessoas que vejo como uma referência. RA: No fundo, o que queres dizer é que se eles conseguiram dar o salto, tu também o podes conseguir? É como se tivessem aberto as portas… PR: … exatamente. RA: Chegas sábado (19 de junho) a Portugal. Já sabes quem vai ser o teu treinador? PR: Sim, o Rafael Silva é o treinador de guarda-redes e o treinador principal é o Nuno Santos e o Rui Pereira é o treinador adjunto. RA: E que tipo de pessoa é o treinador? PR: É muito simpático com toda a equipa, mas também duro e exigente… e quer que trabalhemos arduamente porque quer o melhor para nós e a sermos os melhores na nossa liga. Ele é apaixonado pelo desporto e está ali porque gosta. É uma boa pessoa e acho que vamos longe com ele.
RA: Que diferenças viste no ambiente de treino entre Portugal e o Canadá? PR: A paixão, a intensidade do jogo… lá é mais como um emprego. Do género, é o que fazemos e temos que ganhar todos os jogos. É um jogo, mas levado muito a sério. RA: E estavas preparado psicologicamente para essa realidade ou foi um pouco assustador? PR: Eu estava preparado, porque é assim que já via o futebol aqui. Lá, encontrei isso mas, com mais intensidade o que é motivador a fazer mais e melhor. RA: De todos os jogadores de futebol no mundo, independentemente da posição, qual é o que te inspira mais e porquê? PR: O Cristiano Ronaldo (riso)… acho que deve ser a resposta de todos. Por tudo que ele conquistou e se eu conseguisse conquistar uma fração seria um sortudo e muito feliz. RA: Mas, o que é que admiras no Cristiano Ronaldo? PR: A ética de trabalho que ele tem, mesmo agora ele continua a trabalhar. Ele saiu da Madeira com 11 anos e desde então nunca parou de trabalhar para chegar onde está hoje… não teve nada a ver com sorte, foi trabalho árduo. RA: O Cristiano Ronaldo é admirado por muitos e odiado por outros tantos… neste caso, requer-se uma mentalidade forte para se poder lidar com as críticas. Achas que, no dia em que chegares a um patamar mais alto também vais conseguir lidar com as críticas? Já estás a trabalhar nesse sentido? PR: Se o criticam é porque está a fazer alguma coisa certa. Se me acontecer, espero que seja de pessoas que não me digam nada ou que não conheça. Os críticos falam porque não conseguem fazer melhor e querem-te deitar abaixo. Contudo, mesmo numa crítica negativa pudesse encontrar algo positivo… mas, para já ainda não estou a pensar nisso.
RA: Em maio, sentiste-te bem-vindo no Gil Vicente FC? PR: Muito. Foram todos muito simpáticos, prestáveis, disponíveis e sei que querem o melhor para mim. Amar I 53
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RA: Como jogador de futebol deves estar a seguir o Europeu. O que achaste da atitude do Cristiano Ronaldo ao retirar as garrafas de refrigerante da frente dele, antes da conferência de imprensa? PR: Primeiro não achei nada de mais e muito menos que ia ter as proporções a que chegou. Porém, entendo porque ele é uma pessoa que faz uma dieta saudável e não quere estar ligado a uma bebida que, como todos sabem, faz mal. Ele é verdadeiro e leal aos seus princípios e acho que foi essa a mensagem que ele quis passar. RA: Há algum clube que gostes mais de ver a jogar? PR: Eu gosto de futebol e de ver futebol, independentemente do clube. RA: Barcelos é uma cidade linda e acolhedora. Do que tiveste oportunidade de ver, do que gostaste mais? PR: Gostei do facto de ser pequena, mas não muito pequena, comparada com Toronto… tem o tamanho ideal e apesar de ter muitas pessoas não é “sobrelotada”. Gostei da estrutura à volta do centro da cidade… é uma cidade bonita. RA: Vais sentir dos teu pais e dos teus irmãos? PR: Um pouco (riso)… principalmente da comida (riso). Vou ter saudades, mas vou poder vê-los através de videochamada e talvez em dezembro estaremos juntos. RA: Apesar de não teres sido criado com a língua portuguesa em casa, falas um pouco e entendes português. Foram os teus pais e avós que te ensinaram? PR: Sim e também estudei, mas isso não ajudou muito (riso)… e aprendi mais alguma coisa nas 3 semanas que estive em maio em Portugal. RA: Agora que estás de malas feitas para Portugal, achas que deverias ter aprendido a língua desde pequenino? PR: Sim e não, porque como agora vou para lá vou aprender o português correto. RA: E os teus pais? Sempre te apoiaram, principalmente agora que vais mudar para tão longe? PR: Sempre me apoiaram desde de pequenino e agora também. Claro que os meus pais queriam que estudasse, mas quando era a hora de ir para os treinos nunca faltava.
RA: O que gostas de fazer, quando estás fora dos relvados? PR: Gosto de ir para a praia e fazer surf, gosto de estar com os meus amigos, gosto de ver futebol americano, etc.. RA: E qual é a tua comida preferida? PR: Chicken wings. RA: E como estamos numa fase em que a vacinação é o tema mais falado… já foste vacinado? PR: Ainda não, mas vou ser assim que chegar a Portugal. RA: E o que pensas sobre as vacinas? PR: Acho que com a vacinação podemos chegar mais rapidamente a uma certa normalidade. Há pessoas que podem discordar, mas acho que se os melhores médicos e especialistas estão a trabalhar nesta área, devemos confiar neles e levar as vacinas. RA: Quando a pandemia chegou, como é que te sentiste? PR: No início foi duro, como foi para toda a gente e acho que ninguém gostou de ter que ficar em casa. Como eu queria ir para Portugal, no fundo, estava com um pouco com medo que a pandemia me impedisse de ir, o que tornou as coisas ainda mais difíceis. Como eu, outros jovens que tinham planos também devem ter tido os mesmos receios e penso que isso afetou-nos um pouco mais. Mas agora já me habituei a esta realidade. RA: E o que aprendeste durante a pandemia? PR: Que certas pessoas na minha vida, são mais importantes do que eu pensava. RA: Dás agora mais valor ao que tens? PR: Definitivamente! Agora vejo e aprecio tudo de outra forma. RA: Tens alguma mensagem para os jovens luso-canadianos? PR: Sim… não deixes que te digam que não consegues conquistar os teus sonhos, tu consegues. Se tu não tentares, alguém vai, seja aqui, em Portugal ou outra parte do mundo. Tu não sabes o teu futuro, mas ele está nas tuas mãos. Persegue o sonho enquanto fizer sentido e tu quiseres… e não importa a idade! Se lutares, eventualmente, as coisas vão acontecer.
RA: Ouvindo-te a falar , o futebol não é só o teu sonho, também é paixão? PR: Sim... é as duas coisas. Amar I 57
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Fernando Manuel Fernandes da Costa Santos Cargo: selecionador de futebol de Portugal Nascimento: 10/10/1954 (66 anos) Nacionalidade: Portuguesa (Lisboa)
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ascido e criado num bairro de Lisboa, foi um miúdo reguila. Queria ser guarda-redes ou oficial da Marinha. Venceu o futebol. Distingue entre jogar bonito e jogar bem. Chegou a campeão da Europa. Agora tem de defender o título.
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Madrugada, desce ao rio para ganhar cinco ou seis horas que lhe valem anos de vida. Ali, no meio do Alentejo, casa escolhida para retiro, um dia feliz deste lisboeta de origem beirã abre com pescaria. A pensar em nada. Nunca tal imaginara. “A calma não está no meu ADN.” O mesmo respondia a cada convite do pai, pescador amador, contou-me em 2014. “Quando partiu, dei o material de pesca aos amigos dele”, disse. “E agora, lá estou eu no rio, a pescar.”
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Créditos: Direitos Reservados 62 I Amar
Aos 50 anos decidiu que aos 60 aceitaria a reforma. Nas vésperas, reconsiderou. A seleção de Portugal, depois de duas tentativas falhadas, acabava de lhe cair nas mãos. E dela faria campeã da Europa. Agora, tal como em 2016, leva para o Euro 2020 mala para um mês, confiante de que fica até ao fim. Nunca teve agente, não gosta sequer do nome. O percurso foi correndo de forma natural. Sem apoderado chegou ao F. C. Porto e a campeão nacional. Ao Benfica e ao Sporting. A melhor treinador do campeonato grego, país que também lhe confiou a equipa nacional. A cara fechada engana. “Apesar de muita gente achar que sou um bicho do mato, tenho com os jogadores uma relação de grande proximidade”, confidencia. Quando se ri parece mais jovem. “Sempre tive um rosto pesado, tenho ar de velho desde miúdo, mas parece que com o tempo vou ficando mais jovem.” Na seleção está menos tenso. “O treinador de um clube de alto nível é um bicho muito solitário, com as defesas alerta. Treinar o Benfica, o F. C. Porto ou o Sporting significa ter muita gente contra nós. E isso pesa. Mas com amigos e jogadores não é assim. Esses conhecem bem o meu feitio”, dizia em 2014. Não é um feitio fácil. Sobretudo de manhã. “Há ali uma primeira hora em que na realidade é muito difícil lidar comigo.” Mas para os jogadores, a porta está sempre aberta. “Têm deste lado um amigo e um disciplinador.” Quando os jogadores gregos lhe disseram que seria difícil chegar a horas aos treinos das oito por causa do trânsito, respondeu-lhes que então começariam às sete. No regresso a Portugal, confessou que se sentiu parte daquela gente, o esforço para entender a cultura e o povo e a decisão de nunca cantar o hino grego em Portugal e o português na Grécia.
Em autorretrato, sobressaiu a lealdade. Mas, admite: “Sou muito autoritário, fervo em pouca água”. Se fazem dele parvo, irrita-se. E, quando se irrita, fala alto e gesticula muito, natureza que lhe custou, já, alguns castigos no futebol. Foi jogador, é engenheiro e treinador. Filho de um guarda-redes amador, em criança queria ser Costa Pereira, o lendário keeper do Benfica. Ou oficial da Marinha, por causa de um rapaz da Penha de França, seu vizinho, que via passar, da janela de casa, tinha uns seis anos. Um alfacinha típico, miúdo de bairro, reguila, capaz de saltar redes para ir à fruta ou ver os aviões, de ir para o Parque Eduardo VII nadar com os patos. “Um miúdo de bairro, mas com um pai rijo. E com alguma razão. Vários dos meus amigos da altura foram por caminhos piores e alguns faleceram”, contou. “Levei tantas. A maior delas, tinha uns 12 ou 13 anos. Em vez de ir para casa, fui jogar matraquilhos com um amigo. O pessoal apostava uns trocos, eu e ele fazíamos bluff, dizíamos que não jogávamos nada e no final ainda comíamos uns bolos. Perdi a noção do tempo. Estive vários minutos a servir de saco de boxe. Não me fez mal.” Tinha ambição. Com 11 anos, já fumador, entrou na Escola Afonso Domingos, onde tirou o curso de montador eletricista. Chegaria a engenheiro. Pai de dois filhos, é padrinho de 50 afilhados, alguns deles herdados do pai, outros em razão da “fé”. Fé, fundação inabalável de Fernando Santos. De volta ao Alentejo, ao fim da tarde, na casa refúgio, reúne os amigos. Um dia feliz do selecionador fecha à volta de uma mesa de jogo, seja bridge ou sueca. Tem uma aptidão natural para as cartas e detesta perder. Por isso, é pragmático. Por isso, distingue entre jogar bonito e jogar bem. Por isso, ganhamos.
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O impacto da pandemia
no QI das crianças
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studo revela que os níveis de inteligência dos alunos foram afetados na crise de 2008 e investigadores admitem que isso se pode repetir com a pandemia. Impacto no bem-estar emocional e psicológico dos mais novos reflete-se na forma como aprendem e no rendimento escolar.
Créditos © MG/NM Amar I 73
A crise de 2008 e a pandemia 2020 chocalharam a economia, mexeram com o desemprego e as rotinas das famílias. Até que ponto as crises e os seus efeitos no ambiente familiar afetam o desenvolvimento das crianças? E a covid-19 que impacto terá? Psicólogos, professores e investigadores estão preocupados. Os efeitos nas aprendizagens ainda estão a ser apurados e preparam-se programas de recuperação para as escolas. Mas, sabe-se agora, que os estilhaços desta “bomba” que abalou o Mundo podem ser bem mais profundos, atingindo até os níveis de inteligência dos mais pequenos. Um estudo, publicado recentemente na revista “Intelligence”, mostra que a tendência de crescimento do Quociente de Inteligência (QI) das crianças portuguesas em idade escolar foi afetada negativamente pela crise económica que o país viveu entre 2008 e 2016. Embora tenha sempre aumentado, houve um travão no crescimento do QI depois de 2008. Com base nestes resultados, Irene Carvalho, investigadora da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e do Cintesis – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde e uma das autoras do estudo, arrisca fazer a ponte para 2020/2021. “Com a atual situação de pandemia, é possível que se venha a assistir a nova redução no crescimento do QI, em média, nas crianças.” Podemos mesmo “vir a ter uma geração que, em média, tem um QI mais baixo do que a anterior” e isso será um marco na História. Irene Carvalho faz questão de frisar que o estudo assenta em médias, o que significa que continuará a haver sempre crianças muito inteligentes e outras com dificuldades intelectuais. A média é que pode baixar. A investigação é anterior à pandemia e mostra a presença do efeito Flynn, um fenómeno observado em vários países ao longo de décadas e que se traduz por um aumento constante do QI, medido por testes padronizados, por razões associadas a fatores biológicos, históricos e sociais, como a educação, os cuidados médicos e a alimentação. Foi descoberto por James Flynn, investigador neozelandês que morreu em dezembro passado, mas não sem antes se debruçar sobre o estudo da FMUP/Cintesis realizado em coautoria com investigadores do Requimte/LAQV, da Universidade Nova de Lisboa, do CESPU e do Centro Hospitalar Universitário de S. João. “Quando enviámos o trabalho para publicação, um dos revisores foi o próprio Flynn”, orgulha-se Irene Carvalho.
Prosperidade e crescimento, crise e regressão
Também em Portugal está provado o efeito Flynn, ou seja, a tendência crescente das capacidades cognitivas das crianças. A aferição dos níveis de QI foi feita em 1991, em 2008 e em 2016, o que “por sorte” coincidiu com “momentos-chave no país”: o período de crescimento económico no pós-adesão à CEE – Comunidade Económica Europeia (antecessora da União Europeia) e a crise financeira que levou o país à bancarrota e obrigou à intervenção externa. Os resultados dos testes de QI (matrizes progressivas coloridas de Raven) então feitos a crianças, com idades entre os seis e os dez anos, revelaram “um crescimento grande que acompanhou o período de prosperidade e depois uma regressão do crescimento”, sublinha a investigadora. Entre 1991 e 2008, assistiu-se a um aumento do QI de 2,6 pontos por década, sendo que as crianças de níveis socioculturais mais baixos foram as que mais contribuíram para este salto. No entanto, entre 2008 e 2016, a tendência de crescimento abrandou para 1,7 pontos por década. Para perceber a razão do abrandamento, os autores estudaram as principais mudanças registadas em Portugal naquela época, mas não encontraram diferenças significativas nas áreas da Saúde e da Educação. Sabe-se que os níveis de escolaridade dos pais influenciam o desenvolvimento das capacidades cognitivas das crianças, mas, nesse ponto, nada de significativo se alterou. Então, o que poderia ter influenciado negativamente? “Foi descrito após os anos 30, nos Estados Unidos, que situações de stress prolongado, de sofrimento e preocupação afetam o desenvolvimento do QI das crianças”, destaca a investigadora, considerando que este é o fator mais plausível para o que aconteceu em Portugal no período de crise. A elevada taxa de desemprego, o aumento dos custos de vida e o empobrecimento das famílias então registados alteraram o “ambiente e as dinâmicas familiares”, 74 I Amar
o que terá tido reflexos na estimulação da inteligência dos mais pequenos. “Os resultados vão ao encontro da hipótese de que a depressão económica afetou negativamente o desenvolvimento cognitivo das crianças através da desmoralização dos pais, com consequente diminuição da qualidade do ambiente familiar proporcionado para esse desenvolvimento”, referem os autores do estudo. Os investigadores realçam a importância da formação escolar dos pais no desenvolvimento cognitivo das crianças – níveis de escolaridade mais elevados podem ter um efeito positivo no QI dos filhos -, mas “em períodos de recessão, mais formação não é suficiente para contrabalançar esse efeito negativo”. Transpondo para 2020/2021, anos profundamente abalados pela pandemia, com alterações significativas nos comportamentos e estilos de vida, é expectável um novo efeito negativo no crescimento do QI das crianças. “Com os pais em casa assoberbados de trabalho, os filhos em ensino à distância, isolados dos amigos, não é surpreendente que este crescimento do QI venha a cair ainda mais”, constata Irene Carvalho, admitindo que pode ficar em zero ou descer mesmo para valores negativos.
Impacto é como uma “ressaca”, vem à posteriori
Helena Correia, psicóloga de um agrupamento de escolas de Lisboa, não simpatiza com a medida QI, considera-a “redutora” porque “somos sempre mais inteligentes do que conseguimos expressar”, mas reconhece que “há uma correlação entre os períodos de crise, que têm repercussões nas dinâmicas familiares, e o padrão de eficiência global das crianças que pode ser medido, por exemplo, através do rendimento académico”. Os testes de QI usados no estudo da FMUP/Cintesis – as matrizes progressivas coloridas de Raven – avaliam o raciocínio lógico das crianças, apresentam um conjunto de figuras e perguntam qual é a que está em falta. As respostas são quase intuitivas e não têm qualquer relação com a aprendizagem de conteúdos escolares. “Só em casos extremos, com privações muito graves, é que esta inteligência é afetada. Durante a pandemia, os miúdos não estiveram totalmente desprovidos de estímulos, houve respostas para tentar suprir as lacunas, podem não ter sido as melhores, mas houve”, defende a psicóloga.
Ainda assim, Helena Correia está plenamente convencida de que estes períodos em casa tiveram efeitos nas crianças e jovens, mas a nível emocional e psicológico, que interferem no rendimento dos alunos e na eficiência intelectual. Com 20 anos de experiência em escolas, e também pelo que ouve de colegas, a psicóloga tem a clara perceção de que “aumentaram significativamente” os pedidos de ajuda e de que as novas “solicitações são essencialmente para mitigar os impactos da pandemia, da privação social”. São, sobretudo, mais casos de ansiedade, muitas vezes provocada pela pressão acrescida de recuperação de aprendizagens. “Há muitas crianças que sentem que o regime não presencial favoreceu o seu desempenho e que agora têm receio de não conseguir corresponder”, relata. Há também “mais alunos mais tristes e desmotivados” e com algum “embotamento” afetivo, uma certa incapacidade de sentir satisfação nas coisas que antes lhes davam prazer, sintetiza a psicóloga. Por outro lado, há famílias que não estão a ajustar as suas expectativas ao contexto atual e “esperam que os filhos continuem a ter o mesmo desempenho ou até melhor e que, do ponto de vista emocional e afetivo, consigam rapidamente reorganizar-se”. E isto não funciona assim. O impacto é a posteriori, uma espécie de “ressaca”, tal como acontece nos dias seguintes a um acidente. Sem dúvidas sobre os efeitos nas aprendizagens e no bem-estar emocional e psicológico, que ainda não se sabe como vão evoluir, Helena Correia tem, no entanto, reservas sobre os impactos da pandemia no QI dos mais pequenos. “O desenvolvimento cognitivo das crianças é universal e acontece até nas condições mais adversas. Duvido que daqui a alguns anos se observem grandes impactos”, sustenta.
Milhares de testes para ver lacunas na Matemática
É precisamente para medir o pulso às aprendizagens que a Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) está a fazer testes a cerca de 20 mil alunos dos 4.º, 6.º, 9.º, 10.º, 11.º e 12.º anos de mais de cem escolas públicas e privadas de norte a sul do país, num projeto com o apoio da Fundação Gulbenkian. “É crucial fazer estes exames e este ano mais do que nunca. É preciso ver o que está a acontecer, ver onde está cada aluno e levá-lo para onde devia estar. É esta a obrigação do sistema de educação”, explica João Araújo, presidente da SPM.
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Tendo em conta que foram suspensos os exames do 9.º ano e anuladas as provas dos 4.º e 6.º anos, os testes da SPM “serão o único instrumento para verificar objetivamente os efeitos da pandemia em cada aluno em concreto” e para servir de termo de comparação para o futuro, realça o responsável, para quem os exames, em vez de anulados, deviam ter sido promovidos em todos os anos para ajudar as escolas a identificarem onde têm de atuar. Por ora ainda não há resultados, mas a convicção generalizada é de que as perdas provocadas pela pandemia na aprendizagem da Matemática sejam grandes, prevê João Araújo. E os primeiros resultados apurados pelo Ministério da Educação já mostram grandes fragilidades a todos os níveis. O diagnóstico feito em janeiro pelo Instituto de Avaliação Educativa para aferir o impacto do primeiro confinamento revelou que mais de 50% dos alunos dos 6.º e 9.º anos não conseguiram atingir os níveis esperados em três áreas fundamentais: literacia matemática, literacia científica e literacia de leitura e informação. O estudo, que envolveu 23 340 mil alunos dos 3.º, 6.º e 9.º anos, num total de 1 338 turmas e 313 escolas, serviu de base ao grupo de trabalho criado pelo Governo para encontrar soluções para a recuperação das aprendizagens. As medidas foram apresentadas esta semana pelo ministro da Educação, envoltas num pacote de 900 milhões de euros destinado ao reforço de recursos humanos nas escolas, à formação dos professores, ao aumento dos recursos digitais e à modernização dos equipamentos e das escolas. Recorde-se que os resultados da análise, divulgados no final de março, e que deixa de fora o que aconteceu entre janeiro e abril de 2021, o segundo período de confinamento, mostraram que os estudantes do 6.º ano são os mais afetados pelo ensino à distância, enquanto os do 3.º ano tiveram mais facilidades em continuar a aprender em casa. Por outro lado, acentuam que a Matemática continua a ser a grande dor de cabeça. Para o presidente da SPM, um dos grandes problemas do confinamento foi o sistema ter adotado um “ensino remoto de emergência” para tapar buracos e não um verdadeiro “Ensino À Distância” (E@D), que assenta num modelo pedagógico diferente, com características muito peculiares, resultados comprovados e “nada de aulas por Zoom”. “Com o mesmo nível de esforço, podia-se ter feito mais e melhor”, assegura João Araújo, sem deixar, contudo, de elogiar o enorme trabalho dos professores. Na Matemática, e sobretudo em anos mais avançados, o formato de aulas Zoom (um dos serviços de videoconferência usados pelas escolas para dar aulas à distância) é “especialmente pernicioso”. Não funciona para explicar conceitos intricados e muito longos, o que se traduz em perdas para os alunos, refere João Araújo. A situação é especialmente crítica porque o sistema de educação está assente em camadas de conhecimentos, que são construídas do fim para o princípio, ou seja, são os conhecimentos que os alunos devem ter no final do Secundário que determinam os conteúdos dos anos anteriores. “Se um engenheiro chega à faculdade sem saber a tabuada, não é possível ensinar-lhe a tabuada e tudo o resto que precisa para fazer as contas”, enfatiza o professor catedrático da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, traduzindo em miúdos as consequências que a maioria da sociedade ainda não interiorizou. E avisa: ou se recupera o que se perdeu ou não vai ser possível cumprir os objetivos no final dos estudos, e isso poderá significar que vamos ter “engenheiros que não sabem fazer cálculos para termos uma ponte segura ou ter médicos que aprenderam menos do que o necessário”. O matemático considera que “seria terrível” que se lançasse sobre esta geração o anátema que recaiu sobre a geração do pós-25 de Abril, com as passagens administrativas. “Tem de haver uma mobilização total do sistema de ensino para impedir que estes alunos fiquem mais tarde conhecidos como alunos que sabiam menos. Isso seria terrível”, frisa, concluindo que “Portugal não tem o direito de fazer isso a estes miúdos”. 76 I Amar
Regressão na leitura e na escrita
Também as aprendizagens da leitura e da escrita foram impactadas pela pandemia, mais concretamente pelo confinamento e aulas à distância. Um estudo feito no âmbito do Programa Integrado de Promoção da Literacia, em três escolas da Área Metropolitana do Porto, que comparou dados de fevereiro de 2019 e de junho de 2020, conclui que as crianças de cinco e seis anos tiveram uma regressão entre os 25% e os 30% na aquisição da leitura e da escrita. Miguel Borges, coordenador do estudo e investigador do Centro de Investigação e Estudos da Criança da Universidade do Minho, não tem dúvidas de que os resultados podem ser atribuídos à pandemia e ao isolamento.
ro passo “é definir as competências-chave a recuperar”, ir aos currículos ver o que realmente importa. No início deste ano letivo, muitas escolas optaram por andar para trás para ir buscar os conteúdos do meio do ano anterior, mas o investigador entende que não há tempo para isso. “Se vamos tentar fazer o mesmo, mas com menos tempo, então vamos piorar ainda mais o insucesso escolar”, avisa.
“Transpor aulas que são dadas em sala de aula para plataformas digitais não funciona, especialmente com crianças destas idades”, vinca, adiantando que até na linguagem oral as crianças regrediram. No segundo confinamento, diz o investigador, as escolas estavam prontas a responder rapidamente, os professores e as crianças estavam mais habituados às plataformas e a duração foi mais curta, mas “não houve mudança de estratégia, continuou a fazer-se o mesmo do que em sala de aula”. E os mais prejudicados são sempre os mesmos, os alunos de contextos sociais mais desfavorecidos, com menos suporte familiar. “A pandemia veio acentuar ainda mais as diferenças que já existiam”, observa. E o impacto nas aprendizagens é recuperável? Embora discorde do tema recuperação porque “não se recupera algo que não foi dado”, Miguel Borges acredita que sim, mas, para isso, as escolas terão de inovar, de fazer diferente. O primei-
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Beleza Indomável Uma das grandes tendências deste verão, que veio para ficar para o inverno, é o estilo boémio-chique; também conhecido por “hippie chique”. Este estilo não é apenas uma tendência; é uma atitude de estar na vida. A marca nacional Lanidor, por exemplo, anda desde 1966 a vestir as portuguesas mais boémias do país. O estilo boémio tem mudado através das décadas, sem contudo mudar a essência que o caracteriza – o espírito livre das mulheres que o vestem! Em tempos, este estilo também foi conhecido por “gipsy”, já que as mulheres que se identificam com ele, seguem a ventania, e não receiam a vida nómada. São mulheres que geralmente viajam por prazer, são criativas, adoram colecionar acessórios, são adeptas da vida ao ar livre, sem exigirem grande conforto, são destemidas e sedentas de aventura.
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Os vestidos outrora mais volumosos, deram lugar a linhas mais direitas, mas largas. No caso das blusas descaídas nos ombros, também perderam os franzidos. Celebridades tais como; Jane Birken, Janis Joplin, Stevie Nicks, Kate Moss, Sienna Miller e Kate Hudson, são apenas uma pequena amostra de adeptas a este estilo.
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Até mesmo a canadiana Joni Mitchel, nas suas primeiras experiências no ambiente boémio de Yorkville, em 60s.
Elas foram e são exímias em combinar roupas e acessórios românticos, numa liberdade inspirada nos anos 60 e 70s; durante o auge desta forma de expressão que foi seguida por artistas, criativos, músicos e escritores. Na realidade, a palavra Boémia foi atribuida aos ciganos franceses, que se pensava erroneamente, que fossem originais da Boémia. O movimento Boémio teve o seu início no final do século XIX, em França, no meio de jovens intelectuais, que pretendiam-se afirmar nas artes, vivendo uma
vida desregrada, à margem do conforto da burguesia. Nesta altura, Henri Murger, escreve “Cenas da Vida de Boémia”, e Puccini escreve a ópera “La Bohème”. As mulheres boémias de hoje continuam a apostar nos vestidos longos e fluidos, sem ostentar os folhos de outrora. Esteticamente, mantêm os cabelos soltos, naturais, e geralmente longos.
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A coleção da Etro para este verão, é uma contante de cor e movimento contido. Já a de Emilio Pucci, de 2015, apostava nos padrões geométricos - um clássico deste estilo, com a vertente étnica que o caracteriza. Estes dois criadores são reconhecidos por estar na vanguarda do estilo Boémio Chique, na alta costura. No retalho, podemos encontrar facilmente este estilo, em nomes como Anthropology, Free People, Urban Outfitters, Lucky Brand.
Emilio Pucci S/S 2015 O estilo Boémio Chique tem a facilidade de se adaptar às necessidades de qualquer pessoa, independentemente da sua forma corporal. A liberdade do maxi-vestido aliada ao “oversized”, garante-lhe a liberdade de movimentos. Se se identifica com este estilo, saiba o que não pode faltar no seu guarda-roupa e como tirar o melhor partido dele.
Etro S/S 2021 82 I Amar
Características Cor
Escolha cores que se encontrem ao redor, na natureza. Os tons terra, ferrugem, os verdes, o mostarda e a cor de vinho.
Já o branco, é uma cor de verdadeiro clássico, para as seguidoras deste estilo. Os bordados do sul da Europa, a rebuscar a moda dos verões nas praias, nos anos 70s.
Se o seu espírito estiver mais ligado à água, inspire-se nos azuis e turquesas dos oceanos e nos tons da areia.
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Tecidos e padrões
O que é natural, sempre. O algodão, o linho, a lã, a pele e fibras naturais como o cânhamo. Tudo o que facilite a ventilação através da roupa e a mantenha confortável. Em relação aos padrões os desenhos com peso significativo como os tribais, as geometrias dos tapetes “Kilim”, motivos de penas “tie-dyed” e padrões com trelicías. O “patchwork”, a arte aplicada também são possibilidades. As aplicações de franjas e missangas são sempre muito bem sucedidas.
Os padrões florais são um “must” do Boho-Chic.
Calças
Querem-se fluidas e, tal como os vestidos, com os mesmos padrões. Há agora a tendência das calças de ganga de cintura alta, direitas e largas. Calças à boca de sino continuam a ser apreciadas.
A ganga é uma escolha segura de durabilidade, também em calções e blusões, sempre adornados.
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Kimonos
Em 1910, chega o Orientalismo à Europa; que teve grande impacto na moda e na obra artística. Camille Monet chega mesmo a pousar para o marido, vestida num Kimono para a obra “A Japonesa”. A tendência continua na atualiadade, mais do que nunca.
Aplicações em crochê
A criatividade é recorrente no estilo boémio. Os trabalhos de mãos de cariz personalizado atribui detalhe às peças e originalidade.
Dolce & Gabbana S/S 2020 Acessórios
O sucesso de todo o “look”, está nos detalhes dos acessórios. Pedras naturais, moedas, berloques, colares e fios sobrepostos, pulseiras de muitas cores e diferentes em aglomerado, pulseiras em pele com medalhas que tenham mensagens positivas, missangas, búzios e conchas. Cintos em macramé e fibras naturais ou em couro, são as únicas possibilidades para uma Boho Chic. Os lenços amarrados às malas, sobre os ombros ou nos cabelos como badanas são uma das imagens de marca deste estilo.
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Brincos étnicos. O segredo está na mensagem tribal, que está em conexão com a natureza e os seus elementos. Tudo na Boémia é místico!
Malas, chapéus e calçado Exclusivamente de fibras naturais e pele, coerente com a filosofia de vida que este estilo de vida professa. As aplicações que se utilizam ao pescoço ou nos braços, juntamente com cores chamativas, revolucionam o estilo de uma mala ou sapatos normais.
Os chapéus de palha tipo “Fedora” e os óculos clássicos à aviador, são geralmente os mais usados.
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A Boémia não é definitivamente adepta de saltos altos, embora se comece a ver algumas mais audazes no ambiente citadino. Geralmente, opta por sandálias e botas baixas, ou mesmo botas de “Cowboy” rasteiras.
É oficial, o estilo Boémio Chique atingiu o auge este verão! Termino como comecei... isto não é um estilo, é um espírito continuamente em missão: encontrar a paz e o equilibrio com o Cosmos e alinhar os Chakras. Peace and Love, for you all!
Maria João Rafael
Consultora de Imagem
Créditos: Vogue, Ray-Ban, Glowsly, Luxotica, Persol, Wikipedia
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AQUÁRIO
Julho Horóscopo
As tecnologias ainda estão a avançar e entre todas as aplicações e outras conveniências esqueceu-se do romance. Fique confortável à luz das velas, por exemplo na banheira. Só você ou a dois, é indiferente, apenas relaxe. As relações interpessoais podem abrandar um pouco. Não seja teimoso, e quando não vir outra forma de escapar a um argumento, é melhor voltar atrás do que fazer com que as coisas sejam ainda piores.
CAPRICÓRNIO
Será bem-sucedido quando se tratar de trabalho ou da vida pessoal. Pode ansiar por uma agradável noite de amor. Não tenha medo de ter a iniciativa e dizer o que quer. Não tem mais catorze anos. Não espere que a sua paixão lhe ligue, trate da situação com as suas próprias mãos. Finalmente conhecerá alguém que o inspirou muito. Aproveite a sua oportunidade e seja criativo!
SAGITÁRIO
O
horóscopo para julho 2021 trará energia positiva para as pessoas. Os dias neste mês são os mais longos do ano, aos quais podemos fazer um bom uso. Alguns podem gostar de poder passar mais tempo a trabalhar, outros pelo contrário, pensam em longas noites românticas.
Este mês, Vénus trará charme ilimitado para virginianos e leoninos. Todo nativo de Leão será o centro das atenções nas festas e Virgem atrairá fortemente o sexo oposto. A capacidade de sentir empatia e comunicar-se com os outros trará sucesso em todos os aspetos das suas vidas. O verão também é uma época em que há risco de mais lesões físicas, por isso procure não fazer nada arriscado, especialmente por volta da metade do mês de julho, quando a Lua está cheia. Tente adotar alguns hábitos saudáveis e equilibrar o consumo de alimentos não saudáveis, como os churrascos e festas de verão trazem como tentação. De qualquer forma, de acordo com as estrelas, é evidente que em julho de pessoas geralmente não fazem cara feia. Você também pode desfrutar de uma excelente condição física, normalmente está na melhor forma este mês. Definitivamente não vai perder a motivação.
Planetas em julho de 2021 O Sol em Caranguejo
Pode acontecer que esteja mais emotivo do que o habitual. Vai parecer muito gentil, altruísta e empático aos olhos dos outros. No entanto, o seu comportamento pode parecer hipersensível ou exagerado. Se se sentir inseguro vai ficar muito nervoso. Vai sentir-se seguro cercado por amor, pessoas das suas relações ou família. Vai também sentir-se mais autorrealizado. A fantasia é também significativa neste período.
Vénus em Leão
Durante este período, as pessoas tendem a agir mais teatralmente do que o habitual, especialmente quando se trata de amor e relacionamentos. Irá apreciar a atenção do sexo oposto porque estimula o seu ego. O seu amor pode ser muito honesto e romântico, durante este período, especialmente se se apaixonar por alguém que admira. Por outro lado, nesta altura uma ruptura pode ser uma experiência difícil.
Mercúrio em Gémeos
Neste período, você será verbalmente competente e consequentemente um grande orador. Não lhe vai faltar vocabulário nem autoconfiança. Além disso, graças à sua atitude de não exortação será capaz de atrair a atenção de muitas pessoas e terá capacidade de influenciá-las. Os seus interesses serão diversos. Vai estar interessado em tudo o que vai alargar os seus horizontes e satisfazer o seu desejo de educação.
Marte em Leão
Este período fornece uma abundante energia física, e também uma forte saúde mental. Irá conseguir lidar com os problemas do dia a dia com facilidade. No entanto, juntamente com as suas capacidades existe a necessidade de ser admirado - neste caso, tem que estar atento porque pode ocorrer um conflito. A sua confiança é conveniente, mas infelizmente, pode revelar-se egoísmo.
Finalmente irá compreender a verdadeira natureza da coexistência humana. Anteriormente foi capaz de fazer tudo por si, não precisava que ninguém o apoiasse. Mas com o tempo envelhece e os seus valores estão a mudar. Não há nada de errado com isso. A sua cara metade talvez não seja tão sonhadora. Mas isto definitivamente não tem de ser um problema se estiver disposta a fazer compromissos.
ESCORPIÃO
Porque a sorte favorece os preparados, dedique algum do seu tempo livre a preparar-se para o trabalho da escola. Todos irão certamente apreciar a sua iniciativa e conhecimento. Os elogios irão certamente melhorar a sua disposição e sentir-se-á melhor. Eduque-se, vá a uma apresentação ou veja um filme educativo. Obtenha conselhos de um esteticista experiente, se tem medo de experiências.
BALANÇA
Por vezes uma mentira branca é realmente uma medida inevitável. Se o fizer pelo motivo correto pode apropriadamente justificar as suas ações, então está tudo bem. Mas tenha cuidado, está sobre gelo fino. As estrelas estão inclinadas para os solteiros, é por isso que deve sair para a sociedade ou conhecer alguém online. Tem tantas obrigações que pode facilmente esquecer-se de algo importante. Escreva tudo num papel. Está cheio de piadas e espalha uma energia positive à sua volta.
VIRGEM
Será bem sucedido em convencer as pessoas para praticamente tudo. Os seus argumentos serão fortes e irrefutáveis, o que pode ser útil, quer no trabalho para ganhar um interessante contrato para uma empresa ou até na vida pessoal. Não consegue falar com os seus amigos sobre nada mais para além do amor. Pense por um instante... isso não um pouco irritante?
LEÃO
Pode pensar que manter um diário é divertido ou infantil. Mas, não é. Se recordar eventos diários e também ideias, a sua personalidade pode desenvolver-se muito mais do que aquilo que pensa. Por acréscimo terá uma visão geral sobre o que aconteceu. As estrelas estão estáveis, por isso agora compensa investir em projetos a longo prazo.
CARANGUEJO
Não irá ficar em casa durante muito tempo e a visão de estar sozinho entre quatro paredes não lhe atrai nem um pouco. Chame o seu parceiro ou amigos e dirija-se para a natureza ou encontro na cidade para uma bebida. Na sociedade irá ter outros pensamentos. Nos seus pensamentos não existe mais ninguém para além da sua cara metade. Mas não fique cego ou atue de forma demasiado intrometediça.
GÉMEOS
Provavelmente não estará na disposição de lidar com pessoas desagradáveis. Recorde-se que não é uma boa ideia ser provocado. Fique antes com os seus pensamentos e supere a situação em silêncio. Esta é a única forma de evitar inconveniências. Entre si e os seus colegas de trabalho pode haver atrito. Tente descobrir onde está o problema e fale sobre ele.
TOURO
Não estrague relações interpessoais, somente porque está demasiado sensível ultimamente. Amanhã verá tudo a partir de uma nova perspetiva. Não faça nenhuma cena, irá arrepender-se mais tarde. Por agora tem de morder a bala e superar a situação em silêncio. Trate melhor o seu amor. Trate das suas tarefas domésticas por si.
CARNEIRO
O mês de julho é uma época perfeita para aproximar-se de seus conhecidos, principalmente graças a Vênus que está em Leão, o que lhes dará uma enorme confiança. Não tenha medo de entrar em contato com alguém que tenha acabado de conhecer. Afinal, poderá ser o seu futuro parceiro. Mesmo que ele ou ela não se transforme no amor da sua vida, terá pelo menos uma experiência emocional.
PEIXES
As estrelas estão na constelação errada. Evite situações complexas quer no trabalho ou em casa, assim como na sua vida amorosa. Confrontações desnecessárias irão colocá-lo em sarilhos. Na sua família podem aparecer problemas. Não seja indiferente e ajude aqueles que necessitam. Quando se sentir em baixo, eles irão definitivamente pagar-lhe.
Paella
Mista
A
paella mista é uma receita tipicamente espanhola feita com arroz, marisco, carne e legumes que cozinham num caldo rico de vegetais e açafrão. O resultado é um prato colorido e uma mistura perfeita de sabores. SERVE 6 PESSOAS TEMPO DE PREPARAÇÃO: 70 MINUTOS DIFICULDADE: MÉDIA INGREDIENTES CALDO • • • • • • • • •
1 cebola 1 talo de aipo (50 g) 1 cenoura (100 g) 1 folha de louro pimenta em grão qb 1 dl de vinho branco 1,5 dl de água 1 c. de sopa de sal 500 g de mexilhão em dupla concha
ARROZ • 1 pimento encarnado (200 g)azeite • 3 c. de sopa de azeite • 300 g de peito de frango • 300 g de lombo de porco • 300 g de lulas • 300 g de miolo de mexilhão • 500 g de camarão cozido 30/50 • 4 dentes de de alho • 800 g de tomate com rama • 300 g de ervilhas congeladas • 300 g de arroz agulha • 1 c. de sobremesa de açafrão-das-índias • salsa qb
Culinária
PREPARAÇÃO 1. Coloque uma panela ao lume com a cebola em gomos, o aipo em pedaços, a cenoura em rodelas, o louro, a pimenta, o vinho e a água. Quando levantar fervura junte o sal, mergulhe a embalagem dos mexilhões, tape e baixe o lume. 2. Corte metade do pimento em argolas e a outra metade em cubos pequenos, limpando-as de películas brancas e sementes. 3. Leve ao lume um tacho para paella (ou uma frigideira larga que possa ir ao forno), coloque o azeite e as argolas de pimento. Salteie 3 a 4 minutos, retire e reserve. 4. Corte a carne de frango e a carne de porco em cubos e coloque-as na frigideira. Vá mexendo até que fiquem douradas. 5. Junte as lulas limpas cortadas em argolas. Descasque os camarões (reserve alguns inteiros) e junte-os ao cozinhado. 6. Adicione os dentes de alho, o tomate em cubos e sem sementes, os cubos de pimento reservados e as ervilhas descongeladas. 7. Retire a embalagem dos mexilhões do caldo, abra-a, coe o líquido e junte-o ao caldo, polvilhando com o açafrão. Pré-aqueça o forno a 180º C. 8. Adicione o arroz, o açafrão e alguns mexilhões sem casca ao cozinhado, mexa e deixe fritar um pouco. 9. Regue com 6 dl do caldo e cozinhe em 10 minutos, sem mexer. Adicione mais um pouco de caldo e leve a frigideira ao forno, deixando cozinhar mais 10 minutos. 10. Decore com as argolas de pimentos, os mexilhões com concha e os camarões reservados. Polvilhe com salsa picada e sirva de imediato.
Ontario Provincial District Council
FELIZ DIA DO CANADÁ
"Mão de obra altamente qualificada, bem treinada. Simplesmente o melhor, desde 1903" Quando uma comunidade se constrói do chão para cima, não existe mão de obra no planeta que seja mais qualificada para completar o trabalho eficazmente à primeira. Os membros da LiUNA e aposentados fizeram um compromisso com as suas carreiras, o que significa um compromisso com a comunidade. Um compromisso para construir as MELHORES escolas, aeroportos, hospitais, escritórios, túneis, usinas de energia, estradas, pontes, edifícios baixos e edifícios altos do país. Quando o trabalho está completo, os membros da LiUNA e aposentados continuam a viver, a jogar e a crescer nas suas comunidades, com a garantia de que a pensão é também... simplesmente a MELHOR!
Jack Oliveira
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