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REVISTA AMAR - OUTUBRO 2020

Page 1

EDIÇÃO 55 • ANO 4 • MENSAL

WWW.REVISTAMAR.COM

OUTUBRO2020


Ficha Técnica Direção

Carmo Monteiro Manuel DaCosta

Edição Gráfica Carlos Monteiro

Conteúdos 4

Avós: Raízes e Nós

Marketing

A Casa do Alentejo de Toronto acolheu o lançamento do livro de vários autores dedicado aos avós e às suas marcas nas gerações seguintes.

Fotografia

12

Carmo Monteiro MDC Media Group Carmo Monteiro

Colaboradores

Amélie Bonsart Armando Correa de Siqueira Neto Carlos Cruchinho Helena Rodrigues Isabel Rebelo Joanne Amaral Manuela Marujo Maria João Rafael Paulo Perdiz Pedro M. Salvador

Participação Especial Alexandra Tavares-Teles Manuela Azevedo Pedro Emanuel Santos Sara Dias Oliveira

Agradecimentos

Bacalhôa Buddha Eden Clã Casa do Alentejo de Toronto Jornal de Notícias MDC Media Group Notícias Magazine

Outubro 2020

O jardim oriental Bacalhôa Buddha Eden

Amélie Bonsart leva-nos numa viagem ao maior jardim oriental da Europa, situado no Bombarral, em Portugal.

18 Caminho de Ferro

página 8

em Portugal

Viajamos no tempo com Carlos Cruchinho e vamos descobrir histórias do caminho de ferro em Portugal, mais concretamente, a Linha do Vouga.

28 Megan Boakye

& Luis de Castro

Fique a conhecer a história de dois empreendedores, ligados à industria do entretenimento, que juntaram esforços para proporcionar experiências únicas e diferenciadas aos seus clientes.

página 44 página 24

40 Clã

página 46

A conhecida banda portuense tem novo trabalho discográfico e Paulo Perdiz esteve à conversa com Manuela Azevedo sobre o álbum Véspera.

Contacto www.revistamar.com info@revistamar.com www.facebook.com/revistamar

416.806.7616

54

Coleção Outono-Inverno

Maria João Rafael traz-nos as últimas novidades do mundo da moda e styling.

66

Ousar dizer "não"

70

Fitoterapia - Alcaçuz

página 52

página 66

Na sua crónica habitual de psicologia, Isabel Rebelo aborda a temática da decisão e de como afeta o nosso comportamento.

Revista Amar é uma marca registada e empresa subsidiária dos grupos Cyber Planet Inc. e MDC Media Group.

Custo estimado por exemplar

$5.49

Helena Rodrigues fala-nos sobre os benefícios do Alcaçuz segunda a Medicina Tradicional Chinesa.

76

Comer Intuitivamente

Joanne Amaral fala-nos sobre o método que ensina a comer de forma natural e nos torna especialistas em ouvir a fome biológica.

página 78 Os artigos publicados na presente edição são da inteira responsabilidade dos seus autores, podendo não refletir as opiniões e posições da Revista Amar naquela matéria. A utilização do novo acordo ortográfico, na matéria da presente edição, ficou à inteira descrição dos seus autores. Os conteúdos publicitários publicados na presente edição são da inteira responsabilidade, com autorização e aprovação prévia dos seus autores.


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Casa do Alentejo de Toronto

acolhe lançamento de livro dedicado aos avós O livro “Avós: Raízes e Nós” foi apresentado no dia 13 de setembro, na Casa do Alentejo de Toronto, dia que coincidiu com o Dia dos Avós no Canadá. O livro reúne textos de cerca de 70 autores, que se disponibilizaram a partilhar testemunhos sobre uma avó ou avô, que de uma forma ou de outra, tenham marcado ou deixado um significado especial nas suas vidas. Os textos, que são muito diversos, são a prova que as memórias deixadas, numa neta ou num neto, estão bem vivas e cristalinas. 4 I Amar

Manuela Marujo, Ilda Januário e Aida Jordão apresentaram o livro na presença de cerca de 40 pessoas, que fizeram questão de dar apoio e ouvir alguns dos testemunhos dos autores dos textos, que trouxeram peças e fotografias que foram devidamente expostas, para complementar a decoração do evento. A matinée acabou com o chá da avó, como não poderia deixar de ser, acompanhado de biscoitos e bolinhos tradicionais.

Carmo Monteiro


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F O T O G R A F I A

6 I Amar

©

C A R M O

M O N T E I R O


HAPPY THANKSGIVING Amar I 7


Algonquin Park,

inspiração para os artistas 8 I Amar


Créditos © Manuela Marujo Amar I 9


Créditos © Manuela Marujo

Créditos © Manuela Marujo 10 I Amar


O

Canadá é internacionalmente conhecido pelas suas belezas naturais. Os parques florestais são uma das grandes atrações para os visitantes nacionais e estrangeiros, sendo mais falados os das Montanhas Rochosas, como Jasper, Peyto Lake e Mount Robson, em Alberta. No Ontário, o Algonquin Park, o primeiro grande parque provincial estabelecido em 1893, é um dos melhores exemplos de santuário natural ocupando mais de 7.500 km2, percorridos por rios, centenas de lagos, terrenos pantanosos e colinas elevadas. Aberto durante todo o ano, e a cerca de 300 km de Toronto e de Otava, atrai cerca de meio milhão de visitantes, que ali podem acampar, fazer canoagem, pescar, percorrer trilhas, observar fauna e flora únicas na natureza selvagem. Vivi muitos anos em Toronto sem nunca ter ido até Algonquin. Apenas o conhecia através das pinturas de Tom Thompson e dos artistas do “Grupo dos Sete” expostas em lugar de destaque na Galeria de Belas Artes do Ontario (AGO), em Toronto, na Coleção McMichael de Artistas Canadianos em Kleinburg e na Galeria Nacional na capital, Otava. Comprei e enviei muitas vezes postais com as pinturas famosas de Tom Thompson como “The Jack Pine”, “Smoke Lake”, “Autumn in Algonquin Park”. Porém, só depois de percorrer alguns dos lugares que inspiraram esse artista, compreendi o que o levou a passar tanto tempo no parque, e a influência que esse lugar exerceu no seu grupo de amigos artistas de Toronto. Sabia que o Algonquin Park é um destino favorito de muita gente na estação do outono, mas não me é fácil encontrar as palavras que retratem os tons de carmesim, ferrugem, dourados, amarelos, verdes e azuis das florestas, pântanos, montes, vales, lagos e rios. Parei em Canoe Lake, na área familiar a Tom Thompson, exímio canoísta, e comovi-me com a lembrança da morte misteriosa do artista aos 39 anos, no dia 8 junho de 1917. Apareceu afogado no lago, a canoa à deriva. Livros, filmes e reportagens inspirados na sua vida e trágico incidente continuam a despertar interesse e a colocar dúvidas sobre a explicação encontrada para a sua morte.

Créditos © Manuela Marujo

Neste ano de 2020, comemora-se o centenário da formação do “Grupo dos Sete”, os pintores que nas primeiras décadas do século XX revolucionaram a cena artística no Canadá, e que, apesar de críticas duras na época, tiveram um êxito extraordinário contribuindo para o fortalecimento de uma identidade e orgulho nacionais. Pintaram o Canadá na sua beleza selvagem, inspirando-se nas paisagens únicas do país, e com as suas obras deram-no a conhecer ao mundo. Usando cores fortes e técnicas pós-impressionistas e abstratas conquistaram os mercados internacionais de arte, a par de outros pintores de renome. As pinturas de Tom Thompson e do grupo dos sete amigos Franklin Carmichael, Lawren Harris, A.Y. Jackson, Frank Johnson, Arthur Lismer, J.E. H. MacDonald e Frank Varley imortalizaram a paisagem de Algonquin Park, e continuam a servir de inspiração a gerações de artistas. Para festejar o centenário da primeira exposição conjunta do Grupo dos Sete, realizada em Toronto, em março de 1920, estão a realizar-se várias iniciativas pelo país. Assinalo, aqui, uma que me parece bastante original. Em Hunstville, a cidade que fica mais próxima do parque, pinturas na parte exterior de sete canoas pelo artista Gerry Lantaigne, invocando as paisagens preferidas dos sete pintores, estão expostos ao público em locais privilegiados da cidade. Está programada uma exposição do conjunto das canoas, a incluir no festival Noite Branca, previsto para 25 de julho de 2021. Desde o início do ano cem murais na região de Muskoka foram criados por artistas locais homenageando o “Grupo dos Sete”, a que se associa a iniciativa das canoas pintadas. Esta será uma forma de dar a conhecer ao grande público os nomes desses grandes pintores canadianos e as belas paisagens naturais do Canadá.

Manuela Marujo

Professora Emérita da Universidade de Toronto Créditos © Manuela Marujo

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BacalhĂ´a Buddha Eden

O maior jardim oriental da Europa 12 I Amar


CrÊditos Š Surfergirlonthemove.com

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O

Bacalhôa Buddha Eden é atualmente o maior jardim oriental da Europa. Propriedade da Bacalhôa Vinhos de Portugal - uma das maiores empresas vinícolas nacionais - desenvolveu ao longo dos anos, uma vasta gama de vinhos, conferindo-lhe uma sólida reputação perante o consumidor nacional e internacional. A Bacalhôa Vinhos de Portugal encontra-se presente em 7 regiões vitícolas, com o total de 1200 hectares de vinhas, distribuídos em 40 quintas, 40 tipos de castas diferentes e 4 centros vínicos (adegas) de Norte a Sul de Portugal. Segundo a empresa, a produção própria atinge os 90%. Atualmente é a empresa com maior área de vinha plantada no país, produzindo cerca de 20 milhões de litros de vinho por ano, dos quais 50% são exportados para cerca de 60 países diferentes. Fundada em 1922, sob a designação João Pires & Filhos, a Bacalhôa Vinhos de Portugal realizou um longo percurso, afirmando-se como um dos mais inovadores produtores de vinhos nacional. Nos anos 60, a empresa João Pires & Filhos foi vendida à família Avillez, que apostou em toda a mecanização do processo. O crescimento da empresa, acompanhou-se também pelo início da produção de outros tipos de vinhos, como os: brancos, moscatel de setúbal e espumantes. Passando a designar-se como JP Vinhos em 1998, o Comendador José Berardo torna-se o principal acionista, consolidando a missão da empresa, investindo no plantio de novas vinhas, na modernização das adegas, mas também na aquisição de novas propriedades, nomeadamente a Quinta do Carmo, em Estremoz, Alentejo. No ano 2000, é adquirido o Palácio e Quinta da Bacalhôa - Monumento Nacional de Portugal - onde se produzem as uvas do famoso vinho tinto Quinta da Bacalhôa. É a partir deste ano, que surge o Palácio da Bacalhôa Tinto, produzido apenas em anos excecionais. Finalmente em 2007, a empresa passou a ser designada como Bacalhôa Vinhos de Portugal S.A., adquirindo as Caves Aliança S.A., um dos produtores mais prestigiados nas categorias de espumantes, aguardentes e vinhos. O contínuo crescimento, permitiu que o Bacalhôa Vinhos de Portugal, se tornasse num dos maiores grupos vitivinícolas por terras lusas. Por essa razão, este é o primeiro de vários artigos, que celebra o rico e eclético património do Bacalhôa Vinhos de Portugal, e centra-se naquele que é um dos mais mediáticos jardins da Europa – o Bacalhôa Buddha Eden. A sua fundação distingue-se fundamentalmente como protesto à destruição dos Budas Gigantes de Bamyan, no Afeganistão, em 2001 - considerado como um dos maiores atos de barbárie cultural. O parque, com cerca de 40 hectares, reserva-se a jardins com lagos, peixes, patos, tartarugas, plantas exóticas e espécies arbóreas. Mas também encontramos enormes estátuas e várias obras de arte, dos mais diversos tamanhos e materiais. No parque estão representados, entre outros, os artistas: Joana Vasconcelos, Alexander Calder ou Fernando Botero. E podemos apreciar as cerca de 200 esculturas, sob a sombra de palmeiras vigilantes. O Bacalhôa Buddha Eden, conhecido também como jardim da paz, transfere ao visitante, grande tranquilidade e beleza, quer pela dimensão natural, quer pela dimensão artística. Situado no Bombarral e a cerca de 70 quilómetros de Lisboa, lado a lado com vinhedos, a sua génese assenta na necessidade em transmitir e dar a conhecer as várias religiões, num princípio de igualdade e respeito. 14 I Amar


CrÊditos Š Surfergirlonthemove.com

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Créditos © Amélie Bonsart

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Créditos © Amélie Bonsart


Informações úteis sobre o Bacalhôa Buddha Eden

• No jardim não é permitido fazer piqueniques, mas existe um parque de merendas próximo, no Santuário do Bom Jesus do Carvalhal.

• Este ano, os ingressos continuam gratuitos para idades até aos 12 anos, e a partir dessa idade, o custo por bilhete são 5,00 euros. O bilhete para visitar o jardim de comboio é opcional, e são 4.00 euros por pessoa.

• O horário de visita é das 9.00h às 18.00h diariamente, mas os portões de entrada e restaurante encerram às 17.30h. Os dias de encerramento circunscrevem-se aos dias 25 de dezembro e 1 de janeiro. Para mais informações visitar o seu website www.bacalhoa.com

Este espaço maravilhoso, é em suma, uma galeria em espaço aberto, no qual as obras são frequentemente substituídas. Pelo jardim, encontramos os icónicos pagodes e os cerca de 700 soldados de terracota pintados à mão, atualmente na cor azul. Consta que alguns deles ainda se encontram enterrados, tal como acontecia há 2.200 anos. Este conjunto ambiental e artístico, convida a inúmeras paragens, quer para contemplação, quer para admiração do momento presente - pressuposto no qual se centra a meditação. Além das figuras budistas, deparamo-nos com um outro espaço onde podem admirar-se esculturas africanas realizadas pelo povo Shona, do Zimbabué, com mais de mil anos. Este povo acreditava, que cada pedra possuía um espírito de influência no tipo de escultura em que se transformaria determinada pedra. Para a construção do parque, estima-se terem sido utilizados cerca de 6 mil toneladas de pedra mármore e granito. Na imponente escadaria central, encontramos os vários e tão conhecidos Budas dourados, que parecem interagir com o visitante. O pormenor interessante, é que as estátuas são construídas em terracota ou em pedra portuguesa, apesar de esculpidas na China. Ao longo do passeio, é frequente encontrar jardineiros ou tratores em andamento, pois é prática comum a constante manutenção e monitorização. A grandiosidade do espaço, deve-se à sua constante descoberta. Quer pelos diversos percursos, plenos de cantos e recantos ou pela constante mudança, o passeio proporcionado, é sempre distinto. Será desejável reservar umas boas horas para o apreciar. Quanto a recursos, o parque tem um pequeno comboio (pago), que ladeia os principais percursos, um restaurante/cafetaria, e também uma loja, onde é possível fazer prova de vinhos com marcação prévia.

Amélie Bonsart

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Histรณrias do Caminho de Ferro em Portugal - II

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Fontes: Vidal, José Marques (2009) – “O amor em armas”. Lisboa: Oficina do Livro. Silva, José Ribeiro da (2004) – “Os comboios em Portugal: do vapor à electricidade”: [Vol. I] Queluz: Mensagem. Colaço, Branca de Gonta (2005). “Memórias da Marquesa de Rio Maior”. Lisboa: Parceria A. M. Pereira. Castro, Ferreira de (1990). “A Lã e a Neve“. 15ª ed.. Lisboa: Guimarães Editores. CastroO, Ferreira de (2001). “ Emigrantes ”. 25ª ed.. Lisboa: Guimarães Editores.

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O

troço da ecopista do Carvoeiro nos arredores de Sever do Vouga revela um vale do Vouga encaixado entre serranias e o minifúndio onde as gentes de Lafões complementam o seu sustento, cultivando uma diversidade de culturas desde o milho às árvores de fruto, às framboesas e o famoso mirtilo. No seu livro O amor em armas, o escritor José Marques Vidal refere-se ao vale do Vouga, “onde a suavidade verdejante dos montes alterna com pujança úbere das várzeas, terras de madeira e pão.”

História do Caminho de Ferro em Portugal Segundo José Ribeiro da Silva na sua obra intitulada Os comboios em Portugal – do Vapor à electricidade. “Entretanto é lançado o programa para a construção de uma linha férrea de Lisboa até à fronteira com Espanha, que por sua vez se ligaria a Madrid, passando por Santarém. Finalmente os trabalhos de construção tiveram o seu início oficial a 7 de Maio de 1853. O Governo determinou então que a linha partisse de um local conhecido na altura como Praia dos Algarves, num amplo terreno designado por cais dos soldados, onde existia um quartel de artilharia e onde ainda hoje se encontra a estação de Santa Apolónia. Só entre os anos de 1862 e 1865 é que seria concluída a – Estação Central de Lisboa – Cais dos Soldados, tendo mais tarde passado a designar-se por Lisboa – Santa Apolónia, nome pelo qual ainda hoje é conhecida.”

Estação de S. Apolónia em Lisboa - Créditos: Direitos Reservados Segundo o mesmo autor, “no dia 28 de Outubro de 1856 Lisboa viveu as horas solenes dos grandes acontecimentos nacionais, para os lados de Santa Apolónia, Xabregas e Poço do Bispo a festa foi rija abrilhantada por inúmeras bandas de música. O comboio que fez a viagem inaugural era composto por duas locomotivas (a Portugal e a Coimbra) e dezasseis carruagens que partiram da estação provisória do Cais dos Soldados até ao Carregado. Também em ambiente festivo se iniciou a viagem de regresso, recheada no entanto de algumas contrariedades que ensombrariam negativamente o entusiasmo da viagem, pois rebentaram os tubos da caldeira de uma das locomotivas. O percurso acabou por ser feito por uma única locomotiva e um número reduzido de carruagens, contando-se entre elas a do Rei D. Pedro V e da família real, tendo demorado duas horas a realizar a viagem de volta.” 20 I Amar


Como podemos constatar, esta inauguração não decorreu sem algumas peripécias. A Marquesa de Rio Maior, Bemposta e Subserra, relata nas suas memórias, os vários percalços que aconteceram. “Vou narrar o que me lembra do solene dia da inauguração, que enfim chegou […] Como estávamos de luto pelo falecimento da minha querida Avó, minha Mãe não quis ir ao banquete do Carregado. Mas foi comigo para um cerro fronteiro à estação da Alhandra, ver a passagem do comboio em que meu Pai devia tomar lugar. Momentos de quase dolorosa ansiedade. Murmurava-se insistentemente que a ponte de Sacavém não podia resistir ao peso; que não se encontrara fundo em termos para os alicerces; que todos os dias dava de si. Esse terror, conjugado com um atraso enorme, punha os nossos corações em sobressalto, no pavor de que se tivesse dado uma catástrofe. Finalmente, avistámos ao longe um fumosito branco, na frente de uma fita escura que lembrava uma serpente a avançar devagarinho. Era o comboio! Quando se aproximou, vimos que trazia menos carruagens do que supúnhamos. Vinha festivamente embandeirado o vagão em que viajava El-Rei D. Pedro V. O comboio parou um momento na estação, de onde se ergueram girândolas estrondosas de foguetes; vimos El- Rei debruçar-se um instante, e fazer-nos uma cortesia; meu Pai, alegremente, acenou-nos um adeus rápido…”. “Só no dia seguinte ouvimos meu Pai contar, com aquele verve que lhe era peculiar em certas ocasiões, as várias peripécias dessa jornada de inauguração.

Início das obras dos Caminho de Ferro de Lisboa - Créditos: Direitos Reservados A máquina, escusado será dizer, das mais primitivas, parecia um enorme garrafão, não tinha força para puxar todas as carruagens que lhe atrelaram, e fora-as largando pelo caminho. Algumas, de convidados, nos Olivais. O vagão do Cardeal Patriarca, e do cabido, ficou em Sacavém; mais um, recheado de dignitários, ficou ao desamparo na Póvoa. Creio que se o Carregado fosse mais longe, e a manter-se uma tal proporção, chegava lá a máquina sozinha, ou parte dela. Foi pelas alturas da Póvoa que meu Pai passou para a carruagem real na qual chegou ao Carregado, onde assistiu aos festejos, e onde pôde comer, lautamente, porque o banquete era farto e também porque… passaram muita fome os que ficaram pelo caminho. Esses desprotegidos da sorte, semeados pela linha ao acaso das debilidades da tracção acelerada, só chegaram alta noite a Lisboa, depois de variadíssimas aventuras que encheram durante meses os soalheiros oficiais. Até andou gente com archotes, pela linha, em procura dos náufragos do Progresso”. Amar I 21


Poço de Santiago

Créditos: Direitos Reservados

Dólmen de Antelas

Créditos: Direitos Reservados

Balneário Rainha D.ª Amélia nas Termas de S. Pedro do Sul Créditos: Direitos Reservados

Feira de S. Mateus em Viseu Créditos: Direitos Reservados 22 I Amar


A história da Linha do Vouga – “O Vouguinha” O Vouguinha continua a sua viagem turística pelo vale do Vouga evidenciando no seu périplo sobre carris as paisagens, as gentes e a sua história, a gastronomia e os monumentos edificados pelo trabalho árduo do homem. Já deixou para trás S. João da Madeira com as suas chaminés altaneiras e as claraboias das casas apalaçadas, habituadas a ver passar as fumaças das fornalhas e o silvo vaporoso das locomotivas da linha do Vouga. Os operários fabris mal distinguem os sons férreos do matraquear das máquinas, da inércia das carruagens nos carris à passagem do pouca terra. Perfila-se no horizonte Oliveira de Azeméis cercada de boas pastagens e de edifícios fabris encostados à linha, a qual viu nascer o ilustre escritor Ferreira de Castro. Uma obra marcada pela dureza da vida dos operários e dos seringadores, em A Lã e a Neve e Emigrantes. No caso dos primeiros, “A ludibriar o estômago e o tempo” e no caso dos segundos “Famintos de pão e de futuro”. Por isso, impõe-se uma visita à modesta Casa Museu dedicada ao escritor, na rua do Salgueiro – Ossela. O caminho de ferro contribuiu decisivamente para o desenvolvimento das terras por onde passava. Sever do Vouga não foge à regra, aliado às belas e verdejantes paisagens serpenteadas pelo rio Vouga, este é um dos recantos mais bucólicos da terra portuguesa. Mas nem só de paisagem vivem as localidades, nesta terra de empreendedores destaca-se a requalificação da Estação de Paradela, bem ao lado da fábrica de massas alimentícias Vouga. No auge da linha chegavam 10 a 12 comboios por dia, a descarregar farinha para a fábrica. Pela mesma linha se fez o transporte do sal para o interior do país, o comboio assumia o seu papel marcadamente económico puxando pelo tecido empresarial da região. O potencial turístico da antiga linha passa pelo património edificado, sobretudo as pontes de travessia do rio, da Sernada, Poço Santiago – uma das mais belas pontes da linha do caminho de ferro – uma obra de arte em alvenaria, a de Pinheiro de Lafões, Vouzela e de Negrelos em São Pedro do Sul. Eis que o Vouguinha chega a terras de Ulveira. Os vestígios foram-se apagando com o passar dos tempos; só alguém muito perspicaz descobre os poucos vestígios deixados pela antiga linha do Vouga. Em Oliveira Frades veio o abandono da linha e a extinção do caminho de ferro que era a entrada direta para as verdejantes terras de Lafões. Os próprios carris de ferro desapareceram, só mais tarde se dá a recuperação da estação de Ribeiradio, para albergar a Banda Marcial Ribeiradiense. Isto mostra que o Vouguinha ainda mora nos corações das suas gentes. E a requalificação das estações de Pinheiro de Lafões e Oliveira de Frades mostra o reconhecimento da memória do comboio nas populações. Em pleno centro histórico, podemos visitar a antiga estação em fase de requalificação, bem como o Museu das Técnicas Rurais – Museu Municipal de Oliveira de Frades.

As suas coleções são constituídas fundamentalmente por objetos etnográficos, seguindo-se depois o “Espaço Arqueológico”, onde estão expostos o espólio encontrado nas escavações do Dólmen de Antelas e da época castreja, mós e fragmentos de cerâmica, encontradas em vários castros e da época romana. Nesta viagem pelos trilhos da linha do Vouga não podíamos esquecer a gastronomia rica e farta, com especial destaque para a Vitela de Lafões, as queijadinhas e os incontornáveis pasteis de Vouzela. Seguimos viagem a bordo da carruagem das memórias e até Vouzela é um salto de pardal. Vila pitoresca encaixada entre serras, com as suas casas brasonadas, primorosamente conservadas, onde podemos encontrar um brasão picado a mando do Marquês de Pombal, na sua implacável perseguição aos Távoras. O comboio entra na vila por mais uma imponente ponte em curva, cavalgando sobre o casario vouzelense, obra grandiosa e de difícil conceção, pois estava vencida mais uma etapa para levar o comboio aos planaltos de Viseu. A paisagem do vale do Vouga serve de enquadramento à estância termal de S. Pedro do Sul, uma estância das mais antigas do território português. Por lá passaram muitas personalidades ao longo da história, devido às propriedades curativas e terapêuticas das suas águas termais. S. Pedro do Sul, “a Sintra da Beira” no dizer de Camilo Castelo Branco, terá uma das estações de caminho de ferro mais importantes de toda a linha. No dia 5 de fevereiro de 1914, o comboio chegou pela primeira vez à cidade de Viseu vindo de Espinho. O apito da máquina ainda ressoa pelas pedras morenas da Sé Catedral. Uma cidade virada para o comércio, atrai todos os anos milhares de forasteiros à Feira Franca de S. Mateus, sendo Viseu terra farta e de trabalho, onde podemos encontrar os famosos vinhos do Dão, enchidos e o cabrito assado que vão à mesa hospitaleira do viseense. Podemos encontrar a sua riquíssima alma de artista no seu artesanato local, patente na Casa da Ribeira requalificada recentemente, tornou-se um espaço incontornável de preservação e renascimento das artes populares beirãs. Cestas, flores de namorados, bordados de Tibaldinho e renda de bilros são algumas das amostras de artesanato local.

Carlos Cruchinho

Licenciado no ensino da História e Ciências Sociais

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Língua Portuguesa

Pedro

Vieira Fontes: Wikipedia, FNAC, Wook Fotografia © Marcos Borga

Pedro Vieira nasceu em Lisboa, em 1975, cidade onde reside. Licenciado em Publicidade e Marketing pela Escola Superior Comunicação Social, trabalha no Canal Q das Produções Fictícias como criativo, e é atualmente a cara do programa diário Inferno. Trabalhou como livreiro nos grupos Almedina e Bulhosa Livreiros e como designer no Centro Cultural Olga Cadaval. Fez formação adicional na área da Ilustração, que exerce em regime freelance, em cursos promovidos pela Ar.Co e pela Fundação Calouste Gulbenkian. É ilustrador residente da revista LER. Blogger indefectível, criou o irmaolucia e é co-autor do Arrastão. 24 I Amar

Publicou em 2011, com a Quetzal Editores Última Paragem, Massamá, o seu primeiro romance, distinguido com o Prémio Revelação do PEN Clube Português. Em 2012, reuniu as crónicas do irmaolucia no Canal Q, no volume Éramos Felizes e Não Sabíamos. 2015 foi o ano de lançamento do romance O Que Não Pode Ser Salvo e em 2019 lançou dois livros. O primeiro, o romance Maré Alta e no final do ano Sou Eu Que..., um compêndio inestimável com belíssimas ilustrações de algumas subespécies irritantíssimas de portugueses e respectiva catalogação.


Obra Literária

Sinopse Um triângulo amoroso que liga França, o Norte rural português, Lisboa e a margem sul. Uma jovem francesa, filha de emigrantes portugueses, que vem viver para a terra a que não pertence; um rapaz que luta para sair do meio devorador em que nasceu; um miúdo burguês, canhestro, com uma família de fachada; e um quarto

elemento que completa o elenco de uma tragédia contemporânea de ressonâncias clássicas: história de amor, racismo, ciúme, traição, vingança e inquietação, qual Otelo de Shakespeare e de fancaria na era do rap, do Facebook e do call center. O Que Não Pode Ser Salvo é também o retrato dos males sociais e culturais que afligem um país enfraquecido pela crise económica e a falência dos valores.

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B

orn on March 14, 1984 in Regina, Saskatchewan, Megan Boakye (née Wappel) is the middle child to an older sister and younger brother.

Megan has been married to Kwasi Boakye since November 2018, who, for professional reasons is currently residing in British Colombia. She has always been athletic, playing basketball until she left Regina. After high school, she took Business in college, but found the program wasn’t as hands-on as she had hoped, which prompted her to apply to Ryerson University. While she waited to be accepted, Megan took the opportunity to travel. At 21 she moved to Toronto to attend Ryerson, where she studied Fashion Communications, staying longer to complete her minor in Marketing—this gave her a foundation for the business side of the creative world. After graduating, Megan worked for HomeSense and Oxygen Magazine but the growth of her own company—Megan Wappel Design—forced her to quit her full-time job. During the Covid lockdown, Meghan added author to her resumé. Her first book, Once Upon a Celebration… with Audrey and Gordie, which features characters named after one of her nieces and her father, will be released this Winter. What’s the next step for Megan? “Hopefully kids soon!” Megan Boakye is a very talented and creative woman, and a reflection of optimism and sympathy.

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asceu no seio de uma família pequena do lado da mãe e grande do lado do pai, a 4 de dezembro de 1959 em Quatro Ribeiras, concelho da Praia Vitória, na Ilha Terceira, Açores. Tem um irmão, 3 anos mais velho. Considera que teve uma infância muito boa, com muito amor, respeito e educação, valores estes que o acompanham até hoje. Luis chegou a Toronto a 17 de junho de 1981, dois dias depois de ter concluído 1 ano e meio de serviço militar, aos 21 anos. Viveu os primeiros tempos na casa da avó materna, mas depressa procurou a sua independência, que muito preza. Homem de convicções e princípios, nunca teve medo de trabalhar e depois de ter passado por várias ocupações profissionais, encontrou na organização de eventos a sua realização profissional. Com a sua empresa, LM Event & Design, organizou eventos reconhecidos no Canadá, tais como: October Fest, o Brazilian Ball, o Christmas Market, a Oak Leaf Gala e a Gold Medal Plates. Aventureiro por natureza, Luis adora viajar, principalmente passar todos os anos pela “minha ilha”, como carinhosamente trata a Ilha Terceira, para matar saudades. Perto de comemorar 40 de Canadá, Luis de Castro é um homem feliz, grato, sem arrependimentos e acima de tudo realizado. Amar I 29


Revista Amar: I know your not from Toronto. Megan Boakye: No, I’m not… I’m from Regina, Saskatchewan. RA: Why did you decide to move to Toronto? MB: I moved to Toronto to attend Ryerson University. Ryerson was the only University that offered a degree in Fashion Communications. I stayed longer to complete my minor in Marketing, this would allow me to focus on the business end of the creative world. I didn’t necessarily concentrate on the fashion portion of it, I really focused on the graphic design and business end of the degree. RA: Was it a difficult decision to make or was it more like “one day I will conquer the world" kind of thing? MB: It’s never easy leaving family but I knew it was something I needed to do! Being from a smaller city where you sort of know everyone it was a big change of pace moving to Toronto. So, yes it was hard to leave but I’ve never thought it was the wrong decision to make. Both my parents were very encouraging, my mom actually took Fashion as well. In the design industry wanting to work for big corporate brands a big city is where I need to ground my company in order to get those opportunities. Before Covid-19 I was able to visit home all the time, so I got the best of both worlds. It’s also provided me the ability to take on design work there as well! Saskatchewan has actually grown a lot with regards to the creative community so it’s nice to still be able to be involved time and again! RA: Did you ever regret it? MB: No… I don’t regret it! There are days I wonder why (laughs) I do what I do, but I don’t regret it… and I don’t think there is anything else I would rather be doing. Also Toronto (Ryerson to be exact!) is where I met my husband, so that’s a big win right there (laughs). RA: How did you meet Luis? MB: I meet Luis when one of our industry friends, a very close friend of ours that does events as well introduced Luis and I and it just… stucked! He’s stucked with me now (laughs). Everyone who knows Luis, they just want to be around him… he’s wonderful!!! So, we meet at an event, he was draping a tent and then I got him to drape another event and the more I talk to him about my crazy ideas, the more I realized he is the only other person in the whole world that actually understood what I was saying (laugh)… and he always pulls through! I like to think a lot of the projects we take on we really strive to design “outside the box”, so when I come up with crazy ideas I do get a lot of vendors saying “No you cannot do that, it won’t work, I don’t even understand”. Because a lot of our stuff has not been done before I don’t have visuals to show vendors and suppliers, I have to draw it myself and Luis is the only person who gets it, he sits with me and engineers projects until we achieve the perfect product. RA: So, you are the perfect team? MB: Yes, we are!!! RA: Is it easy to work with him? MB: Definitely, yes! But you know what is not easy sometimes I find with Luis is that he is so willing to be there and help, that you have to stand back and realize that you gave him to much work to do (laughs)… because he does a such good job and loves to work but at the same time he is a human and he needs to relax (laughs). RA: You are the designer. Where do you get your inspiration? 30 I Amar

MB: Oh… everywhere. But you know, I really find myself gravitated towards restaurant design, I love it. Restaurant design around the world, tiles, bar fronts, counter tops, floors, lighting, all those elements really ground a project. I love texture, it provides so much depth. Anything from concrete to wood to plexi… I feel like I need to incorporate texture into everything that we do. People don’t realize but a lot our projects, we build the space from the ground up. With such big transformations I get so excited to bring in lighting and flooring, because these design elements are the details that bring everything together. Sometimes people just work on table top settings but it’s actually the lighting that really is one of the most important elements! I get my inspiration from the strangest places sometimes as well. I can see a pattern on a shirt that makes me want to do certain colours; travelling – which we can’t do much now – but photos of travelling are also a big inspiration to me. Fashion is also something that inspires because of the fabrics and colours, the creative ways fashion shows are now done. Taking inspiration from all of the above is guaranteed to provide an amazing design and experience for clients and guests that attend our events. RA: But you need to have some skills to visualize peoples wishes? MB: Yes, and it’s hard. Usually I draw it out for them so they can see it. When people tell me what they think they want, I’ll take that but then also give it a spin of my own because that is what they are hiring us for, right? They may or may not necessarily be as visual and sometimes they go for it, sometimes they don’t. Because a lot of our ideas are more original we don’t always have visuals to provide the client, I get items that are as close as possible and then sketch out the rest and try to explain in our concept meetings with storyboards, colour swatches, building materials, anything I can to help them visualize the potential of the design. For our design meetings it’s important for me to do it in person when we can. I realize because we have clients in other parts of the world this isn’t always an option, and with Covid as well it’s not always an option, but when I can meeting in person it is the best this allows me to sense body language with clients as well as better explain our ideas. RA: Is it hard to fulfill other people’s dreams? MB: It depends on what they want and their budget, because I don’t think a lot of times people realize the cost that goes into things custom… it adds up. Obviously, with any budget we have to be creative but when it comes to custom builds it is a lot of balancing expectations and finances. We are hired as professionals to help clients create a successful event or activation so we are here to help them delegate their budget into the best experience we can. I always like to provide them with different scenarios on how impactful we can be, the places to concentrate their budgets where I think they can achieve the best outcome and where I don’t think they need to go crazy! I always try to make sure that we fulfil people’s dreams in one way or another, I just have to go through different designs plans with them until me achieve what they want. RA: People like to have big productions with lots of details for important events. With the pandemic, has that changed? MB: With the pandemic there are still very detailed events, they just aren’t as large. It’s more intimate. I don’t think that is ever going away. People crave social interaction, even if it’s just with immediate family right now!


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We have to be positive and try to see the light at the end of the tunnel. The future is bright, but I think we all have to be responsible right now, do what we need to do, pivot where we can and hang on tight!!!

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Créditos © Angelina Aristodemo Photography

Créditos © Amsis Photography

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Créditos © Angelina Aristodemo Photography


RA: How are people’s expectations, during this time? And are they more demanding or understanding? MB: They understand. I mean, to an extent, I think, everybody is annoyed in one way or the other with a lot of event industry companies losing business and closing down entirely, people not able to see family… everyone is a little bit frustrated in that aspect, for sure. But everyone has been following the rules and we have to. I can’t do an event unless we follow the rules, because that’s on my business, I do not want to be part of the problem. For all our events we do the Covid-19 signing forms, we make custom masks for everybody, we have hand sanitizers handed out to everybody, all staff and catering have masks and gloves, tables 6 feet apart, and any other regulations that are implemented we have to follow. Our clients are understanding. As a small example of something you may not even think about.. most of our clients like to have charcuterie boards, fruit platters etc. but, they don’t realize that we can’t do that right now, because it’s too many hands on one platter. Now this is where we jump in, get creative by designing individual serving boards for each guest! So yes, they are quite understanding of everything when I get down to details and explain to them, but I think it comes down to people being frustrated from day to day what is going to be implemented by the government? Clients are hesitant to even put down deposits for small gatherings anymore because we don’t know if they will have to be cancelled, and most of these people have already lost deposits from the spring time planning! However, on the other hand, they know the seriousness of what could happen if someone gets sick. Our clients have been respectful of our team and also implementing all the rules and we have waivers that they have to sign before we show up anywhere. RA: Regarding events, what is your opinion about the measures taken by the government? MB: All clients who have hired a professional and responsible planner for their backyard events should of been able to have them, it is no different than having them at a venue, these events are all monitored and all precautions are being taken. Do I feel they need to be large events, no I don’t, but any of the intimate ones should have been able to continue. It’s mentioned that venues etc. weren’t having to closing down to help sustain the economy which I agree with, however all the responsible monitored backyard events were also companies being hired that have now lost all their business. From the caterer, to security that was hired, the planning companies, tent and decor companies all have now lost that business, again. It has lead many to completely close their doors after many years of business. Backyards were allowed, but now backyards aren’t allowed but venues are… so, it has been a lot of pivoting cutting guests, pivoting to restaurants, to venues, to who knows maybe next week back to backyards… so hard to predict! Unfortunately, It is the people that don’t give any regard that are having large parties on their property with no measures taken that have aided in the restrictions being placed on the families and companies that were actually being responsible. On a completely different note I do have to understand that it only takes one person to attend a gathering that has Covid to potentially spread it to so many others. I could go in circles about this. It’s just sad to see your fellow colleagues losing their businesses and it’s sad to see people sick. It’s such a fine line. RA: Did they miss something or are they to stricken? MB: It’s the first time (for most of us) that we have gone through a pandemic… I don’t think anyone knows what they

are doing (laughs)… let’s leave it at that. What I do feel is that people losing their livelihoods is also a crisis of its own. RA: Luis told me about a book that you wrote. Tell us all about it… MB: Well, this book was a bit of passion project of mine that I wanted to do, but we were just so busy all the time and I also didn’t want to stretch myself too thin. When Covid-19 actually first hit and most of our events got postponed I thought that was the best opportunity for me to tap into writing and creative directing the book. The book is called Once upon a Celebration - with Audrey and Gordie. The book ties back into our events and because we are known for being creative with kids’ events it’s fitting for Megan Wappel Designs. The characters names are Audrey and Gordie. Audrey is my niece’s name and Gord is my dad’s, I incorporated my whole family in the book. A little summary of the book: Audrey and Gordie get invited to 6 events in one day! Each event they go to is a learning experience for the child who is reading the book. For example Audrey and Gordie went to a Paint Party, so the kids are learning about colours and so on and so forth. And it’s “… with Audrey and Gordie” because I would love it to be a series where they possible travel around and experience different celebrations within different cultures, so kids can learn that people celebrate things in different ways.

www.audreyandgordiecelebrate.com RA: And where can people find it? MB: The book will be out in the Winter… fingers crossed, end of November. But again, with Covid-19 it’s hard to predict anything but, they can go to my website, and press the link to pre-order. Pre-Orders are open now!!! RA: How do you see the future? MB: I see the future being very promising once we get out of this, and like I said earlier on I know that people will want to party and celebrate again… there isn’t any “ifs” or “buts” about it to me, it may take a little while, but I see the future being very, very busy for us… hopefully for all of us in this industry, we just have to get through this. We have to be positive and try to see the light at the end of the tunnel. The future is bright, but I think we all have to be responsible right now, do what we need to do, pivot where we can and hang on tight!!! In the meantime try to celebrate all the family time we are getting, and embrace what you can to stay positive.

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Revista Amar: Nasceu na Ilha Terceira e comparado com Toronto é um meio pequeno. Como foi a sua infância na ilha? Luis de Castro: A minha infância foi muito boa, numa família pequena. Tenho um irmão, 3 anos mais velho, a minha mãe é filha única… então do lado da minha mãe a família é pequena, já do lado do meu pai é muito grande! Mas foi uma infância muito boa, muito cheia de amor, muita educação, muita alegria… não me faltou nada. RA: Com que idade chegou ao Canadá? LdC: Cheguei ao Canadá com 21 anos, no dia 17 de junho de 1981. RA: Que marcas da ilha ainda se encontram presentes na sua vida? LdC: São muitas… para começar gosto muito da minha ilha e vou lá todos os anos pelos meus pais e pela família que ainda está lá. Gosto muito da ilha, da minha casa, da casa dos meus pais, do local onde nasci à beira-mar. Tenho um pedacinho bem grande dentro de mim que me chama lá… RA: E porque imigrou? LdC: É uma pergunta que já me foi feita muitas vezes, principalmente por amigos canadianos que já foram a Portugal… eu vim cá pela primeira vez, com 17 anos, visitar a minha avó materna que morava aqui. Então vir de uma ilha pequena, duma freguesia muito pequeninha e chegar aqui foi como ter chegado a um outro mundo e fiquei apaixonado. Eu quis ficar, mas a minha avó não me autorizou e disse que depois de eu fazer a tropa, podia voltar se ainda quisesse. E eu saí da tropa num dia e noutro já estava a viajar (risos)… foi aquela vontade de conhecer e de ir atrás de novas experiências. RA: Como foi a adaptação? LdC: Eu considero que foi boa, porque sou uma pessoa que se adapta muito facilmente a tudo… sou o tipo de pessoa que se tiver que dormir no chão, durmo. A única que coisa que me afetou e ainda afeta hoje é o frio, não suporto o frio. Nesse aspeto foi difícil no início porque quando cá cheguei fui trabalhar para a construção e para fora de Toronto e só vinha de 15 em 15 dias a casa e se fosse preciso trabalhava sábados e domingos… essa época foi um bocado puxada até que cheguei a uma altura que decidi que aquele trabalho não era para mim e fui trabalhar para as limpezas e depois daí passei por tantos outros empregos que até lhe perdi a conta. RA: O que procurava encontrar no Canadá? LdC: Uma vida diferente, com pessoas com a mente mais aberta e que não criticassem o próximo, apesar de nunca ter sido o tipo de pessoa que se preocupa com aquilo que os outros dizem, porque ninguém paga as minhas contas… procurava um mundo “wow”, sabe como é quando somos jovens. Se fosse hoje ou até alguns anos atrás acho que não tinha vindo. Eu tinha lá oportunidades de ter uma vida boa também, mas acho que foi aquela ilusão de juventude… RA: … e encontrou o que procurava? LdC: Encontrei e estou bem. RA: Com que idade descobriu a sua identidade sexual? LdC: Eu sempre soube, não foi algo que aconteceu de repente… já nasci assim.

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RA: Mas, por vezes ouve-se que as pessoas passam por uma fase de “confusão” até se autodescobrirem… LdC: … eu penso que isso só acontece por causa do medo do preconceito, do que os outros vão pensar ou falar e acima de tudo da família. Eu nunca tive o apoio da minha família, mas eu sabia quem era. Também sempre respeitei para ser respeitado e nunca me faltou isso e fui sempre muito respeitado. Depois que vim para aqui, as pessoas iam perguntar por mim à minha mãe ao sair da missa e choravam com saudades minhas porque soube respeitá-las, mas também me dei ao respeito. Por exemplo a minha mãe queria que eu casasse eu pensava “para quê casar? Só para tapar os olhos ao mundo? Só para fazer a minha família feliz ou para as pessoas não falarem?” isso não me interessava e nem me interessa… e há muitos casos desses. Há que aceitar quem somos, apesar de não ser fácil. Eu sou daquelas pessoas que quem sabe, sabe e quem não sabe se me pergunta com delicadeza, eu respondo pois não tenho vergonha nenhuma de mim e nem me sinto inferior a ninguém e considero-me uma pessoa muito feliz com os meus princípios e os meus objetivos. Sei que há pessoas que me criticam e há os que não, mas enquanto houver respeito, ou seja, enquanto me respeitarem e eu respeitar os outros, a mim não me interessa o que as pessoas falam. Em casa, nós simplesmente não falávamos, mas os pais são sempre os primeiros a saber, por vezes não querem aceitar… no meu caso o meu pai aceitou melhor do que a minha mãe porque eramos muito chegados, contudo o meu pai não falava mas também nunca me criticou e a minha mãe teve uma altura que chorava porque não entendia e eu tenho que concordar que não era fácil para eles, principalmente porque vivíamos num meio pequeno. Já a minha avó materna, que era muito liberal e com uma mente muito aberta, dizia à minha mãe que “há filhos de médicos que são homossexuais, porque é que o teu filho não o pode ser?”. Apesar de não se falar do assunto, houve uma altura que me tive que pôr na linha da frente e fazer entender aos meus pais que era a minha vida e que ou aceitavam-me ou que me esquecessem. RA: E essa conversa foi antes ou depois de ter imigrado? LdC: Foi depois, porque antes nunca tinha havido problemas apesar de haver algumas pessoas que sabiam, eu mantive uma certa cautela e muito respeito. Aqui conheci um moço com quem tive uma relação de 10 anos. Chegámos a ir de férias à Terceira e os meus pais e a minha avó adoram-no e mesmo depois de nos termos separado, os meus pais já vieram cá e estiveram em casa dele… claro que quando fomos lá a primeira vez houve um choque, mas nunca me esquece que quando chegámos ao aeroporto o meu pai pôs uma mão em cima de ombro de cada um de nós e disse “façam a vossa vida” e foi a única conversa. O meu irmão e a família sempre me aceitaram e não há problema absolutamente nenhum. RA: Então quando chegou ao Canadá sentiu-se livre? LdC: Senti-me livre, mas sempre tive a minha cabeça bem colocada sobre os meus ombros. Nunca fui uma pessoa fácil ou de fazer loucuras, eu sempre gostei de tudo com muito respeito e educação. RA: Esteve ligado ao movimento Arco-íris, aqui em Toronto? LdC: Para dizer a verdade eu nunca estive muito ligado ou envolvido na direção, mas ajudei muito a fazer os carros alegóricos para a “Pride Parade” e dei materiais e muito do meu tempo.


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Todos dias agradeço por mais um dia de vida, sou feliz e sinto-me realizado.

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Créditos © Mango Studios Photography

Créditos © George Pimentel

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Créditos © Megan Boakye


RA: Porém esteve durante muitos anos envolvido no Brazilian Ball que era um evento anual e que chegou a ser considerado, na época, o mais esperado do ano. Está a ponderar a dar-lhe “vida”? LdC: Eu trabalhei 14 anos para o Brazilian Ball com a Ana Maria, que era como uma segunda mãe para mim. Ainda hoje, 13 anos após o seu falecimento, tenho aquele choque quando penso nela e custa-me a acreditar que ela já não se encontra entre nós. Eu adorava aquela mulher. Depois do seu falecimento, o baile perdeu um pouco do seu glamour e do seu espírito, porque de facto era ela que trazia esses fatores para o evento, mas mesmo assim ainda se fez durante 4 ou 5 anos. Esta festa foi considerada a maior do mundo dentro de um salão… vinham desfiles de Carnaval do Brasil, era uma coisa impressionante. Não havia e ainda não há nada igual! O Ivan de Sousa, viúvo da Ana Maria, deu-me os direitos do Brazilian Ball e por mais que eu queira trazer o baile de volta, que é o meu sonho, é preciso ter-se muita coragem pois é uma festa muito trabalhosa. Mas para resumir, os direitos do baile estão legalmente em meu nome e do meu sócio e esperamos conseguir trazer o Brazilian Ball em 2022. Obviamente que não estamos a pensar em começar com números muito elevados… a própria Ana Maria começou com 30 pessoas até chegar às 2.000 pessoas. Mas, de degrau em degrau, tenho muita fé que o baile venha acontecer num futuro próximo. RA: Angra do Heroísmo é património da humanidade, estatuto merecido pela sua história e beleza arquitetónica. Herdou esse seu sentido estético e a maneira como planeia da cidade? LdC: Já me perguntaram muitas vezes se andei na escola para aprender o que faço e a resposta é não, nunca andei, mas acho que puxei ao meu avô paterno, que era muito conhecido por fazer os altares das festas do Espírito Santo e colchas de retalhos. Sou muito criativo e habilidoso e penso muito como fazer as coisas. Como a Megan disse há pouco, ela quando vem com as ideias em teoria, eu arranjo sempre maneira de as concretizar na prática. Antes de ter imigrado, trabalhei numa carpintaria na ilha e fazia móveis e gostava, mas nunca pensei que fosse servir para o que faço hoje. E, quando conheci a Ana Maria ela pegava em revistas e mostrava-me fotografias do que gostava e pedia-me para fazer igual… eu dizia-lhe que não sabia se conseguia, mas ela repostava que eu conseguia. Facto é, a casa dela foi toda decorada por mim, inclusive forrei os quartos com tecido ao estilo francês e depois trabalhei para o Consulado Brasileiro. Acho que tenho um “dom” e nem tudo é aprendido na escola e acho que o que vem de dentro de nós e que sai naturalmente é muito mais valioso. RA: Teve a oportunidade de estudar na ilha? LdC: A situação antigamente era difícil, mas tive essa oportunidade graças à minha avó que nos pagou os estudos. Tirei o 4° ano, mas não aproveite. Eu andava na escola na Praia da Vitória à beira-mar e eu e as minhas colegas arranjávamos maneira do professor nos pôr na rua para irmos para a praia. Acabei por ter que repetir o 4° ano e eu não queria estudar mais, então o meu pai um dia arranjo-me um trabalho na carpintaria. Depois fui para a tropa. O meu sonho era ser hospedeiro de bordo e ainda me inscrevi, mas na altura quando cheguei aqui a opção era ir trabalhar ou estudar, mas como tinha que me sustentar tive que deixar. RA: Fale-nos da sua empresa de eventos e como surgiu a oportunidade de colaborar com a Megan?

LdC: Tenho a minha companhia LM Event & Design e tinha eventos e trabalhos grandes por ano, como o October Fest, o Brazilian Ball, o Christmas Market, a Oak Leaf Gala - uma gala italiana que faço há 17 anos - e a Gold Medal Plates. Num desses eventos através do Manuel DaCosta conhecia a Elvira, que também fazia eventos e que mais tarde me apresentou a Megan. Mas, com a pandemia os meus trabalhos grandes foram todos cancelados e quando conheci a Megan, que para mim é a melhor designer de Toronto e quiçá do Canadá – as ideias dela são maravilhosas -, juntámo-nos e estamos a fazer eventos. Ela tem me dado muito trabalho e temos estado ocupados… para o próximo ano vou ter um casamento grande e já a envolvi neste trabalho. Eu não tenho ideias como ela tem e ela não faz o que eu faço, então nós complementamo-nos! RA: A pandemia chegou e atropelou tudo e todos. Como tem sido para LM Events & Design? LdC: Foi e é horrível. Eu estive 6 meses sem trabalhar e depois tudo o que viesse à rede era peixe… Agora estou a pintar uma loja na Yorkville, mas se for preciso vou limpar ou que for… a vida continua e não podemos desprezar nenhum tipo de trabalho. RA: E como estão a superar ou conseguir ultrapassar esta fase, quando o Premier muda as leis de 2 em 2 semanas? LdC: Olhe, eu não ouço as notícias e nem estou bem a par do que se anda a passar… mas, acho que há um certo exagero em certas situações. O Premier pode falar e fazer as leis que quiser, mas está dependente das atitudes das pessoas, que se não respeitarem isto não vai melhorar. Acho, que ele também deveria ter em consideração os negócios e os empresários, porque isto está a ser um desastre e ter mais coerência… faz algum sentido que numa sala fechada só possa estar um número reduzido de pessoas, quando há manifestações com centenas, umas em cima das outras? E há outras mais que são difíceis de entender. RA: Se as condições não melhorarem num futuro próximo, já têm uma alternativa? LdC: Não tenho, porque este é o meu trabalho e já não tenho idade para andar a mudar de trabalhos daqui para ali… mas estou confiante que isto vai mudar para melhor. RA: Quase há 40 anos no Canadá, qual é o balanço que faz da sua vida? Alguma vez se arrependeu de ter saído de Portugal? LdC: O balanço é positivo. Gosto de me divertir e de ver as pessoas ao meu redor bem, gosto de ajudar quem precisa, fico feliz por ver a felicidades dos outros e o bem-estar dos outros não me incomoda, porque cada um tem pelo que lutou na vida. Viajo muito… adoro viajar, também trabalho muito para isso e não sou o tipo de pessoa que trabalha para guardar o dinheiro. Não estou arrependido e foi uma escolha minha. Este país deu-me muitas oportunidades e uma vida boa, que se calhar não tinha se tivesse ficado em Portugal, como viajar e ajudar quem precisa. Não estou arrependido, mas um pedacinho do meu coração está lá e quem sabe se um dia divida a minha vida entre cá e lá. RA: Como é que se define? LdC: Olhando para o meu percurso, sou uma pessoa lutadora e positiva que nunca pensa em desistir, sempre pensei assim, particularmente depois de ter tido problemas de saúde muito graves. Sou uma pessoa organizada e responsável com uma vida estável. Todos dias agradeço por mais um dia de vida, sou feliz e sinto-me realizado. Amar I 37


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VÉSPERA DOS CLÃ

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Fotografia © João Octávio Peixoto

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s Clã regressam com um disco muito bem feito, como habitualmente. O novo registo discográfico mostra a mestria e o bom gosto da banda, num trabalho para ser bem escutado. Longe vai o funk original ou os hinos pop de puxar por um palco ou por uma pista de dança, mas o seu registo nunca foi abaixo de bom. Agora, os portuenses regressam com o seu oitavo disco de originais, intitulado Véspera.

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Revista Amar: Manuela Azevedo obrigado por ter aceitado este convite para falarmos um bocadinho para a nossa comunidade. Já houve oportunidade de visitar o Canadá? Manuela Azevedo: Não e muito menos levarmos a música dos Clã ao Canadá. Mas estou muito contente por termos este contacto. RA: Indo ao início do teu percurso. Antes de ser quem és e uma artista profissional, podemos dizer que o responsável pelo click para a música foi o teu irmão? Num primeiro momento através do folclore não foi? MA: Exactamente. Eu tenho dois irmãos muito mais velhos do que eu. Eu já apareci assim um pouquinho fora de horas (risos). O irmão mais velho sempre se envolveu muito com as atividades da nossa freguesia e uma delas era justamente dançar no rancho folclórico. Quando nós levávamos umas ovelhas que tínhamos a pastar, ele aproveitava o tempo a ensinar-me os viras e as chulas… os malhões e coisas assim. De maneira que o meu primeiro contacto forte, mais físico com a música acabou por ser dançando e não necessariamente cantando. Esse meu irmão mais velho era baterista numa banda que tocava em bailes e arraiais e como eu era afinada desde miúda, convenceram-me a ir cantar com eles. De maneira que, com 5 ou 6 anos, já andava a cantar músicas da Tonicha, Roberto Carlos… do José Cid nas festas das aldeias. RA: E o gosto pelo piano. Como é que surgiu? MA: Surgiu também ainda nos primeiros anos. Os meus pais perceberam que eu tinha alguma facilidade com a música e gosto. Havia uma professora na nossa aldeia, a Esmeralda, que dava umas aulas de educação musical. Comecei a ter umas primeiras aulas com ela. Depois fui estudar com a dona Esperancinha de Vila do Conde. Eram umas aulas maravilhosas num harmónio naqueles teclados que tens que dar aos pedais para dar fole ao instrumento. As aulas eram numa pequena capela no centro de Vila do Conde sendo estas as minhas aulas mais sólidas em contacto com o instrumento. Na altura na minha aldeia só havia a escola primária. Para se continuar os estudos tínhamos que ir para Vila do Conde. Eu achei que ia ser uma mudança muito difícil e exigir a minha atenção total nos estudos. Resolvi dizer aos meus pais que era melhor não continuar com as aulas na dona Esperancinha para dar toda atenção à escola. Mas na escola, a minha professora de educação musical (risos), percebeu que eu já tinha muitas noções sobre música e achou que eu devia investir nisso. Ela convenceu os meus pais para que eu fizesse exame de admissão ao conservatório… eu fiz isso. Felizmente nessa altura abriu a academia de música em vila do Conde e eu ingressei nessa academia com 11 anos começando assim os estudos musicais mais sérios à volta do piano. RA: Ainda houve a hipótese de perdermos a Manuela artista para o Direito porque queria ser advogada, não é? MA: Quando comecei a ficar com ideias mais concretas daquilo que gostaria de fazer para lá da música, também percebia que nunca iria ser uma pianista exímia e pensei noutra hipótese de profissão e o Direito parecia-me uma disciplina de saberes e interessante. Essa coisa de podermos, ou melhor tentarmos, regular a vida das pessoas em todas as dimensões que esta vida tem, como se regula os conflitos, como se consegue chegar a uma ideia de justiça… tudo isso para mim era muito interessante. Por outro lado, embora seja uma ideia errada, aquela coisa romântica que eu nos tribunais ia ser Perry Mason a defender os meus clientes com grandes argumentações (risos). Depois, claro que percebi que na vida prática não é bem assim tão linda como nos filmes americanos. Felizmente o rock roubou-me ao Direito. Eu acho que não tinha muitas qualidades para ser advogada e acho que ia ser uma experiência muito deprimente e cínica do que é andar a fazer música. RA: Que recordações guardas do inicio dos Clã em 1992? O primeiro ano foi praticamente para apresentar a banda não foi? MA: Sim. Eu aprendi uma boa lição com os Clã logo no início. É que tudo se faz com muito trabalho. Juntámo-nos no final de 1992, sendo o ano de 93 só para trabalhar, ensaiar, construir as canções e a preparar um espectáculo. Só no início de 1994 é que nos atrevemos a subir ao palco e mostrar o que tínhamos nas mãos. Depois foi trabalho normal das bandas da altura, fazer alguns concertos, levar maquetes às rádios, bater às portas das editoras (levar com algumas portas na cara) (risos), até encontrar alguém que se atrevesse a arriscar numa banda nova. Foi isso que a banda encontrou na EMI. 42 I Amar


RA: No início houve uma espécie de crise. Quando sai o primeiro disco “LusoQUALQUERcoisa” passou muito bem na rádio mas, acabou por não vender muito e não render muitos concertos. Foram testes à resistência e determinação da banda? MA: Sim, foi logo assim à cabeça. Acho que com o primeiro disco tivemos logo muitos testes. O primeiro de todos foi ter o disco pronto em setembro de 1995 e como a editora não tinha espaço editorial para o lançar teve que ficar 6 meses à espera de espaço. E não podíamos tocar nem nada, sendo mesmo uma primeira prova. E depois a coisa de ter um disco que é bem recebido pela crítica e pela rádio… mas não se fez muita estrada. Para nós é muito importante sentir como as canções se fazem em palco. E o que aconteceu é que no final desses primeiros tempos do disco “LusoQUALQUERcoisa”, falámos todos para decidir o que íamos fazer. Acabar com a banda ou continuar? A decisão, felizmente, foi de insistir porque gostávamos muito daquilo que estávamos a fazer. Tínhamos consciência da qualidade do nosso trabalho e queríamos experimentar mais e fazer mais coisas. Felizmente, estávamos todos na mesma onda e continuamos. RA: O grande boom da banda foi no lançamento do disco “Kazoo”. Disco com temas muito importantes como “O Problema de Expressão” e “GTI (Gentle, Tall & Intelligent)”.

Créditos © João Octávio Peixoto

MA: Não direi que tenha sido um boom. Foi mais uma vez, um crescimento lento mas seguro. O disco quando saiu, passou um pouco despercebido e a reação da crítica não foi grande coisa aquando do seu lançamento. Mas depois começámos a tocar bastante e a trabalhar com uma agência do Porto, a Chave do Som, que trabalhou connosco durante muitos anos. Esse trabalho gradual e de fazermos concertos onde criávamos fama de fazermos bons espetáculos ao vivo, fazendo os programadores ficarem curiosos ao ponto de nos chamarem. Aos poucos fomos criando essa fama. Tivemos a sorte em 1998, como houve a Expo98, havia grandes palcos com grande visibilidade mediática. Todos esses concertos correram muito bem e com as canções a passar mais na rádio acabou por trazer à banda um reconhecimento muito grande. Até aqueles que não ligavam antes a nós e diziam que o disco não era nada de especial, agora já falavam das canções como grandes clássicos e por aí fora… (risos) RA: Agora mais recentemente lançaram um novo álbum de originais que embora tenha sido composto antes desta pandemia, parece contar o que vivemos actualmente. O que é que existe dentro deste trabalho “Véspera”? MA: Eu acho que a coincidência que acontece e que em alguns casos até é literal. Temas como o “Armário” que fala sobre uma pessoa estar fechada no seu armário, a asfixiar com falta de ar e a

querer sair, é quase um retracto exacto daquilo que as pessoas estão a sentir por todo o mundo confinadas ao seu pequeno espaço. Mas eu acho que a razão dessa coincidência é que… embora esta pandemia seja um sintoma mais concreto dos males dos dias de hoje, há muitos males que já se vêm acumulandos e vão-se sentindo nos últimos tempos. Muitas coisas estranhas, a nível político, a nível social, económico, crises de refugiados, ideias racistas que começam outra vez a surgir, movimentos de extrema-direita que todos pensavam que já estavam enterrados definitivamente com aquilo que a história nos ensinou, mas pelos vistos parece que há ideias que se mantém. Tudo isso, quando uma pessoa começa a ver as notícias, acaba por criar uma sensação da história estar andar para trás. Essa sensação de ameaça, de uma coisa má que sentes que está sempre presente nos teus dias, acaba por dar esta sensação de que alguma coisa vai acontecer. Ou uma revolução (risos)… ou um cataclismo ou até uma revelação milagrosa. É esta sensação de véspera de estares nesse dia antes ou nesse momento antes de alguma coisa iminente e importante que nós vínhamos sentindo e que acabou por alimentar a construção das canções, mas depois também contaminando quem escreveu as letras. Por isso este disco acabou por ficar assim com este tom de por um lado de se sentir essa ameaça mas por outro lado sentir que a vida tem que continuar e tu resistires a essas ameaças. RA: O disco tem muitas colaborações na escrita. Nomes com Sérgio Godinho, Samuel Úria, Capicua, Arnaldo Antunes, Carlos Tê, Regina Guimarães e Aurora Robalinho. Juntar estes nomes importantes foi importante para gravar este disco? MA: Claro que foi. Na verdade desde o primeiro disco que estamos habituados a trabalhar com outros letristas. No primeiro disco foi mais com o Carlos Tê e outros nomes… por exemplo no Kazoo as letras são todas do Tê, mas desde o disco Lustro começámos a colecionar mais parceiros. Existe alguns que já trabalham connosco mesmo há muito tempo, porque sentimos que têm na escrita algo que faz sentido naquilo que procuramos na construção musical. Existe uma afinidade real, por isso as coisas acontecem. Quando tens uma música e precisas das palavras certas é fácil perceber a quem a vamos entregar… muitas vezes elas têm a cara do Sérgio Godinho, outras do Tê… outras por vezes nem sabemos a quem devemos entregar o tema. É nessa altura que acontecem convites pela primeira vez, como aconteceu neste disco novo. A Capicua é um exemplo. Nós já admirávamos o trabalho dela, não só como MC mas também a sua escrita para outros artistas. O Samuel Úria é outro exemplo. Isto também passa pela admiração mútua pelo trabalho autoral destes grandes artistas.

Paulo Perdiz

MDC Media Group Amar I 43


Ana Rocha de Sousa:

a Veneziana Ana Rita Rocha de Sousa Cargo: realizadora e atriz Nascimento: 25/10/1978 (41 anos) Nacionalidade: Portuguesa (Lisboa)


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m 2014, algumas figuras do meio cinematográfico nacional negaram-lhe competência e estatuto para integrar o júri do Instituto Português de Cinema e Audiovisual (ICA). Reclamavam que lhe faltava perfil para decidir o que se filma e o que não se filma em Portugal. Que bastava olhar para o currículo de atriz light, iniciada em séries televisivas para adolescentes e telenovelas, para tirar conclusões. Omitiram o percurso académico e o de realizadora, já então com obra feita. A polémica alargou-se, levou a demissões na Associação de Realizadores Portugueses e Ana Rocha de Sousa acabou por desistir. Dela, dizem, só desiste do acessório. É na luta “pelo essencial” que combate o preconceito. No caminho que escolheu – o da realização e da interpretação – é Ana, a resiliente. Resiliência premiada agora em “Listen”. A primeira longa-metragem da realizadora, sobre uma família de imigrantes portugueses separada pelos serviços sociais britânicos, mereceu seis prémios no Festival de Veneza, dois deles particularmente importantes – o Leão do Futuro de primeira obra, que dedicou à filha Amália, e o especial do júri da secção competitiva Horizontes. “O reconhecimento chegou de uma forma tão digna e tão justa. As pessoas que atacaram a Ana vão certamente sentir alguma coisa”, diz Lúcia Moniz, amiga antiga e protagonista do filme. Porque, concluiu, “houve muito preconceito, e com más intenções”.

De Ana Rocha de Sousa guarda uma forte primeira impressão. “Vi uma pessoa de garra e determinação absolutas.” Não puderam estar juntos em Veneza, mas falaram longamente ao telefone. “Está excitadíssima, mas também cansadíssima.” Ambos sabem que Veneza “é o princípio de algo”, resultado de “muitas horas de trabalho e rigor”. Releva a calma da realizadora. O espaço que dá aos atores. E à criatividade. “A Ana é muito luminosa, o olhar transmite luz. Sorri com o olhar”, observa Lúcia Moniz. “Aparentemente extrovertida, tem um lado fechado que exige confiança e uma relação trabalhada”, acrescenta Paula Neves. “A Ana não é uma simpatia à primeira vista. Não gosta de qualquer pessoa e não está disponível para qualquer pessoa; questiona-se e questiona os outros.” Conclui: “A Ana tem de ser conquistada e tem de conquistar”. Assim foi em Veneza.

Alexandra Tavares-Teles NM

Por isso “esta descompressão, este libertar de lágrimas”, continua a atriz. “A Ana teve um percurso muito duro, e esteve muitas vezes sozinha. Houve momentos em que os amigos se sentiram impotentes.” Ana, a resiliente otimista. “Por muito duras que sejam as situações, encontra algo que a faz olhar em frente.” Lúcia recorda o telefonema em que a amiga a desafiou para integrar o elenco. E o dia em que recebeu o guião. “Lidas as primeiras 15 páginas, percebi que era um guião incrível. Decidi que queria fazer o filme. Nem precisava de ler mais. Estava impressionada e orgulhosa.”

Paula Neves corrobora. Ela e Ana conheceram-se em 1997 nos castings da série juvenil “Riscos”. Foram ambas escolhidas. “Já então pensava e questionava as cenas. Nunca estava satisfeita. Queria sempre fazer melhor, o que por vezes lhe provocava alguma angústia.” Angústia teve também quando foi decidido que a personagem que interpretava teria de cortar o cabelo. “Não foi pacífico. A Ana tem uma relação muito forte com o cabelo.” Ri. Sobre o que se passou em Veneza, refere que “a emoção é avassaladora”. Numa profissão “nada fácil, é preciso ter uma persistência do tamanho do Mundo”. Rodrigo Areias produziu “Listen”. Pressentiu o prémio: “Tendo em conta a insistência do festival para eu estar presente, sabíamos que ia acontecer alguma coisa, nem que fosse uma menção; mas nunca pensámos que fossem seis prémios, entre os quais dois prémios oficiais”.

Créditos: Direitos Reservados

Créditos © Carlos Ramos

No plateau a realizadora é “muito”: muito calma, muito concreta, muito assertiva. A pequena estatura contrasta com “a enorme presença”. É firme e rigorosa. “Não deixa passar um plano que não seja o que idealizou. Com ela, o ‘está bom’ não existe.”

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Pedro M. Salvador

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Estreia Estreia em Portugal - 22 de outubro

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Sala de Cinema

“Listen” é a primeira longa-metragem da realizadora e atriz Ana Rocha de Sousa, tendo vencido este mês quatro prémios no festival de Veneza. Filme chega aos cinemas a 22 de outubro. O filme de ficção é um drama de uma família portuguesa emigrada no Reino Unido, em dificuldades e com trabalhos precários, que tentar recuperar a guarda dos filhos, que lhe foram injustamente retirados pelos serviços sociais por suspeitas de maus-tratos. Com coprodução luso-britânica, o filme foi rodado nos arredores de Londres com elenco português e inglês, encabeçado por Lúcia Moniz, Ruben Garcia e Sophia Myles. Ana Rocha de Sousa, 41 anos, entrou no cinema pela porta da representação, sobretudo em televisão, tendo participado em séries de ficção como “Riscos”, “A raia dos medos”, “Morangos com açúcar” e “Jura”.

Nos arredores de Londres, Bela e Jota, um casal português com três filhos, luta para sobreviver. Quando surge um mal-entendido na escola envolvendo umas das crianças que é surda, os serviços sociais do Reino Unido intervêm e os dois pais vêem-se diante de uma batalha para manter a família unida. Ficha Técnica Filme com realização de Ana Rocha de Sousa, produção de Rodrigo Areias, Paula Vaccaro e Aaron Brookner, que contou com a participação de Lúcia Moniz, Sophia Myles, Ruben Garcia, Maisie Sly, Kiran Sonia Sawar, António Capelo, Jay Lycurgo, Kem Croft, Ângela Pinto, Susanna Cappellaro, Geoffrey Kirkness, Sian Abrahams entre outros. Duração: 73 minutos Género: Drama Origem: Portugal e Reino Unido

Fontes: IMDB e FilmSpot - Imagens: Direitos Reservados

Curiosidades


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Auriculares

sem fios

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Os perigos

O

s auriculares sem fios venceram a batalha e conquistaram o mercado. Por serem mais portáteis, por garantirem cada vez mais fiabilidade, por poderem ser transportados para todo o lado com a maior das facilidades. Até por serem mais baratos – ou sobretudo por isso. No entanto, nem tudo é música suave para os ouvidos no que diz respeito aos auriculares sem fios. Especialistas dizem que deixam a desejar no que à qualidade diz respeito, a classe médica aponta-lhes graves focos de problemas. Certo é que os fabricantes têm-se focado no desenvolvimento destes produtos, e a forte procura tem sustentado tal aposta. Um desígnio que a tecnologia parece estar a ter dificuldades em acompanhar. “É normal que os auriculares sejam considerados uma opção em crescendo. O conceito de ouvir música alterou-se, é possível ouvi-la em qualquer lado, sobretudo através de iPhone ou Android. Daí que os auriculares, nomeadamente os sem fios, tenham ganho um ascendente na escolha preferencial dos consumidores”, explica o especialista António Coutinho, da Digimagem, no Porto. Para segundo plano têm ficado os tradicionais auscultadores de haste, “mais indicados para quem gosta de escolher um ambiente tranquilo, em casa, para ouvir música”.

Créditos © Khoa Nguyen

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José Lopes Marques, da Absolut Sound & Vision, admite que possam existir vantagens claras na escolha de um auricular. “Acima de tudo o conforto e a comodidade”, indica. No entanto, diz que são bem mais os contras que os prós, carregando, tal como António Coutinho, na tecla da qualidade, discussão a que dificilmente se poderá fugir quando o assunto são os auriculares mais em voga do momento. “A plataforma de transmissão de um auricular nunca é exatamente igual às de outros meios. Pode até dar-se o caso de existir um bom amplificador, embora isso de pouco ou nada adiante. Claro que a versatilidade é importante e compreensível, claro que a comodidade é outro dos fatores a ter em conta pois permite enorme liberdade de movimentos. Mas essas vantagens não são tudo, a excelência do som jamais pode ser comparável”, descreve José Lopes Marques.

Micro-ondas no cérebro A explosão de utilizadores tem sido tal que a Apple decidiu, em 2016, apostar em exclusivo na comercialização de auriculares sem fios. Com ligação por bluetooth, os AirPods foram imediatamente contestados por investigadores da Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, os quais lhes descobriram malefícios consideráveis. “É como se estivéssemos a inserir micro-ondas dentro dos ouvidos, lançando-as para o cérebro”, alertaram. Apesar de a empresa fundada por Steve Jobs ter vindo a público minimizar o problema, a questão ficou no ar. O mercado também não ficou muito abalado, com os últimos números a apontarem para cerca de 30 milhões de aparelhos vendidos em todo o Mundo. O ano passado, novo estudo confirmou as más perspetivas. Duzentos e cinquenta especialistas elaboraram um documento, depois enviado às Nações Unidas e à Organização Mundial de Saúde (OMS), no qual apontaram os efeitos negativos do bluetooth, em especial os potenciais danos neurológicos. Embora por outras razões, os mais puristas também olham com suspeita para os auriculares sem fios. “A música pode transmitir a quem a ouve uma imagem virtual que os auriculares não conseguem. É impossível! A qualidade, por muito que tenha aumentado, continua a deixar bastante a desejar.” A garantia é de Jorge Alves, audiófilo e proprietário da loja lisboeta Audio Team. “Os sons pedem mais humanidade. Está estudado que os nossos ouvidos gostam de uma sucessão harmónica que apenas o analógico permite. Há cada vez mais análises feitas sobre o assunto, a chamada psicoacústica”, revela Jorge Alves. “Tal mestria só pode ser encontrada no vinil, o resto dos transmissores possuem ruídos que acabam por quase inconscientemente cansar o ouvinte.” 50 I Amar

Créditos © Khoa Nguyen


Surdez mais do que provável Para lá da questão harmoniosa, há o lado da saúde auditiva. “A exposição prolongada este tipo de dispositivos sobrecarrega as 20 mil células de cada ouvido, destruindo-as progressivamente e levando a danos irreversíveis a médio e longo prazo”, avisa o otorrinolaringologista Jorge Spratley. “Numa fase inicial, a perda de audição é quase impercetível. A partir sobretudo dos 50 anos as reservas celulares caem para números preocupantes e os problemas surgem inevitavelmente”, acrescenta o também presidente da Sociedade Portuguesa de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cabeça e Pescoço.

A perda de audição traz também consigo outros problemas indiretos associados, até a nível psicológico. “Pode conduzir a isolamento social e a depressão, além de que um corpo estranho permanentemente enfiado no ouvido é propício a lesões na pele, como eczemas, devido ao contacto frequente com materiais como o plástico”, atenta Jorge Spratley. Apesar dos alertas, os auriculares parecem firmes e sem concorrente à altura. “São cada vez mais vendidos”, confirma António Coutinho. O futuro dirá que consequências provocaram.

Em 2019, a OMS divulgou que em todo o Mundo mil milhões de jovens correm “sérios riscos” de surdez por ouvirem música demasiado alta. Os países mais desenvolvidos estão no centro das preocupações. E a geração que está a chegar aos 40 é das primeiras a sofrer as consequências, depois de anos exposta a “níveis inseguros de som”, diz a OMS, que nivela entre os 75 e os 100 decibéis a média de audição em suporte sem fios. “Um problema global de saúde pública”, define, lembrando que os 80 decibéis são a escala a partir da qual se pode considerar que o ouvido está em perigo e que o aparecimento de lesões pode facilmente suceder. “Quinze minutos de música a cem decibéis correspondem a uma exposição idêntica à de um trabalhador industrial exposto a 85 decibéis durante oito horas”, exemplifica a OMS, qual retrato assustador que não precisa de legendas para explicar o perigo que está em causa.

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Parafuso:

a peรงa que tudo une

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O

mnipresente. Quase não vê e está em todo o lado. Surgiu antes de Cristo em prensas de extração de azeite e na produção de vinho. E, entretanto, encaixou na linguagem em sentido figurado. É uma peça cilíndrica em espiral, que não verga, feita com materiais resistentes e de feitios variados. A cabeça pode ser esférica ou quadrada ou ter outros formatos. Seja como for, e por mais voltas que dê (e dá várias), tem uma só função: fixar duas ou mais superfícies. O encaixe tem de ser perfeito, portanto, num sistema combinado de rotação e pressão num orifício. Há muito que o seu destino foi traçado, mesmo antes de Cristo nascer. A origem do parafuso desagua numa história apresentada como a versão mais verosímil. Terá surgido 400 anos a.C. pelas mãos do inventor e matemático grego Arquitas de Tarento, que usava parafusos de madeira em prenwwwsas de extração de azeite e de vinho. Mais tarde, o inventor Arquimedes, também grego, desenvolveu o princípio da rosca para construir maquinaria destinada ao transporte de água. Antes disso, já os romanos conheciam o modo de funcionamento do parafuso através de utensílios que usavam em pivôs de portas e na extração de minérios do subsolo. Os parafusos, quase invisíveis, não poderiam passar despercebidos. Andavam em rudimentares instrumentos cirúrgicos, antes de Cristo, e séculos depois Gutenberg, o pai da imprensa, utilizava-os na sua impressora. Eram referidos em livros – Leonardo Da Vinci chegou a esboçar máquinas para fabricar parafusos -, mas foi o matemático francês Jacques Besson

que passou dos traços à prática e criou o tal equipamento no século XVI. Mais tarde, no final do século XVIII, o parafuso fenda era patenteado em Inglaterra. Agora está em todo o lado, inseparável da porca, funcionando como duas peças que nasceram uma para a outra, que se moldam perfeitamente uma na outra. Não poderia ser de outra forma. No entanto, a certa altura, o parafuso teve de ser metido na ordem. Cada inventor, seu parafuso. E não podia ser. A peça que roda em torno do seu próprio eixo foi então uniformizada. Tinha de ser. Criaram-se padrões e estabeleceram-se normas para facilitar o uso, independentemente das latitudes geográficas. A sua aplicação tornou-se universal. E, pelo seu destino, adaptou-se à linguagem em sentido figurado. Entrar em parafuso, um parafuso a mais ou um parafuso a menos. Será que não lhe falta um parafuso? Aquelas expressões que a rotina se encarregou de encaixar nos nossos dias. Em qualquer ocasião, para qualquer utilidade.

Sara Dias Oliveira

NM

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Styling

COLEÇÃO

OUTONO 54 I Amar


O regresso

ao passado A

s tendências da estação Outono/Inverno 2020-21, não podiam ser mais oportunas! Em plena segunda vaga da pandemia; numa situação em que a maioria se vê obrigada a reduzir as despesas, e muitos se mantêm a trabalhar a partir de casa; a moda atual faz-nos regressar ao passado. É visível o revivalismo dos anos 70; com os seus fatos completos de inspiração masculina; aos quadrados, xadrez, em espinha, e em traço de giz. Uma tendência que marca a atualidade, são as franjas; que ondulam nas saias, nos casacos, nas malas e nas botas. A moda nesta estação não requer mais do que uma apurada seleção ao roupeiro; para fazer circular os blazers, blusas, sais e calças que guarda há décadas; nem que tenha de fazer pequenas alterações; vai ver que vale a pena. Este é o momento do regresso ao passado!

Maria João Rafael

Consultora de Imagem

Créditos: Vogue; Marie Claire; Sacai; Fendi; Lanidor; Prada; Net-a-Porter; Louis Viutton; WhoWhatWhere; Harper Bazaar; Saint Laurent; Urstyle

INVERNO 2020/2021

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Dos 70, regressam também as blusas de laçada e aos folhos; as saias maxi plissadas, de padrão escocês, ou simplesmente “País de Gales”.

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As capas e os ponchos são a grande novidade, regressadas também desta época.

Miu Miu

Marc Jacobs

Celine by Hedi Slimane

Dos anos 90, volta o veludo; as rendas “hardcore”; os casacos pretos compridos; o “look” total “Matrix”. O gótico volta em grande estilo!

Da década de 80, volta novamente o látex; as licras metalizadas; as cores vibrantes; as correntes; as argolas maxi; os crucifixos e as pérolas, na bijuteria. A botas voltam até ao joelho, justas; onde dentro destas, se acomodam as calças de fazenda largas. Os blazers voltam com os ombros exagerados; e os sobretudos querem-se “oversize”. Saint Laurent Amar I 57


O blusão “biker”; as peles (falsas) coloridas com os intensos azuis; o vermelho alaranjado; os tons de terra densos e caramelo; o verde garrafas; o rosa arroxeado; o roxo; o verde militar; o amarelo ocre; bem como os tons de malva e o azul e o beje muito claros, ditam as cores tendência.

Ainda dos anos 70, o estilo boémio chic, readapta-se no tempo.

Etro 58 I Amar


Blusa de laçada: Mango - $60 Botas Lovestud: Valentino, na Farfetch - $1.745 Casaco: Miu Miu - $1.255 Calças: Topshop - $35 Mala: Karl Lagerfeld “Lady Shopper” - $365

Celine by Hedi Slimane

Saia plissada: Hugo Boss - $248 Casaco “Anglomania”: Viviane Westwood, na Matchfashion - $333 Cinto: B Low, na Italist - $202 Blusa: H&M - $25 Mala “Marcie”: da Chloé, na Vestiaire Collective - $1.445 Botas: Gold Dedicated, na Zulily - $49 Elisabeta Franchi Amar I 59


Saia maxi de ganga: Muse, na Intermix - $240 Blusa: Mango - $32 Blusão de pele: Burberry, no Harrods - $3.299,90 Botas Aquazzura: “Woodstock”, na The RealReal - $225 Mochila: Massimo Gloria, na Bluefly - $21 Lenço de seda: “Martini” Tori Burch, na Zappos - $68 Pulseira: “Leju London”, da Wolf & Badger - $86

Dries Van Noten

Mala: Sienna da Zulily - $90 Camisola: Liya, na Farfetch - $273 Cinto: Gucci, na TheRealReal - $95 Saia: N.21, no Harrods - $892,40 Bota “Lovestud”: Valentino, na Farfetch - $1.745 Casaco: Frame, na MyTheresa - $560 Pulseira em cristal: Orchard Mile - $200 Michael Kors 60 I Amar


Calças: River Island - $90 Mala: “Ostrich” da Dooney & Bourke, na eBay - $238 Blusão: “Clayton”, da Topshop - $995 Brincos: Rosantica, na Farfetch - $121 Botas: “Brera” da Aquazzura - $975 Camisola em cashemira: Ralph Lauren - $299 Blusa: Mango - $25 Alberta Ferreti

Botas: Shein - $27 Brincos: Zappos - $45 Vestido: Madewell - $120,44 Capa em alpaca: Cuyana - $215 Mala: Sole Society - $65 Lanidor Amar I 61


OUSAR DIZER

“NÃO”

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Q

uantas vezes já deu por si a dizer que sim a algo que realmente não aceita nem quer?

Quantas vezes prescindiu de dizer um não ao outro, negando-se a si próprio, para garantir “ser aceite”, mantendo-se no medo da rejeição ou no movimento de querer agradar? Acontece que pessoas que têm dificuldade de dizer esta palavra de apenas três letras, acabam por se colocar em situações com consequências desagradáveis, como por exemplo aceitar dois jantares numa mesma noite, marcar cinco reuniões numa manhã, abster-se de dar uma opinião pessoal que poderia mudar o rumo de um projeto. Vejamos, ao dizer um ”sim” ou um ”não”, idealmente, referimo-nos apenas ao objeto aprovado e não á pessoa em si. No entanto, tendemos a cair no erro de considerar estas palavras a um nível mais pessoal e acabamos por nutrir sentimentos de rejeição, desmerecimento das próprias necessidades, desrespeito próprio, falta de autoestima, insegurança, entre outros.

Créditos © Adrian Swancar Amar I 63


O sentimento de pertença Pertença, fazer parte, ter relação, é algo muito forte que nos rege desde que nascemos. Cada pessoa que nasce é vinculada a um sistema, logo necessita ser reconhecida como membro integrante e respeitada no seu lugar e papel dentro desse mesmo sistema, neste caso a família. Segundo Bert Hellinger, psicoterapeuta alemão, criador das Constelações sistémicas, o pertencimento é uma das ordens do amor e é na família que o pertencimento se mostra de maneira mais poderosa. Assim, pertencer é, antes de mais, um sentimento natural, uma necessidade de qualquer ser humano, independentemente do contexto. Imagine que está numa reunião familiar onde é preciso a sua opinião para chegaram a um consenso. Você tem uma opinião muito clara sobre o assunto, no entanto, hesita, e acaba encerrado numa divisão interna que o impele para o caminho mais “confortável” do politicamente correto, revalidando a aceitação do grupo.

Um “sim” doente Para algumas pessoas, lidar com situações de conflito é demasiado perturbador, pelo que, preferem dizer sim a tudo, evitando o confronto com determinadas situações que requerem auto afirmação, responsabilidade e maturidade. No entanto, gradualmente, vão desenvolvendo, um conflito emocional interno que se materializa, a cada vez, num estado desagradável de agitação interior. As perturbações depressivas ou ansiosas estão muitas vezes associadas a dificuldades de autodefinição. O facto de as pessoas persistirem durante longos períodos nesta preocupação em agradar a todos os que estão à sua volta, acabam, consequentemente por se anular a si próprias. De acordo com o DSM-V as perturbações de ansiedade incluem transtornos que compartilham características de medo e ansiedade excessivos, e perturbações comportamentais relacionadas. Medo é a resposta emocional, a ameaça iminente real ou percebida, enquanto ansiedade é a antecipação de ameaça futura. A sobrecarga de stress mantém-nos presos a estados prejudiciais da mente e do corpo, podendo impedir o bom funcionamento do sistema imunológico, respiratório, digestivo e outros. Os transtornos de ansiedade e/ou depressão, prejudicam a saúde física e mental. Perante um transtorno de ansiedade, tendemos a evitar determinadas situações, lugares, pessoas ou ambientes que podem exacerbar a resposta ansiosa e incapacitante. Isso pode dificultar a rotina e impedir realizar algo desejado. Stephen Gilligan, psicoterapeuta doutorado em Stanford, num dos seus livros “The Courage to Love”, chama-nos a atenção para aquilo que a pessoa faz ao tentar livrar-se dos seus sintomas e que o obriga a ficar na doença. O problema não é a pessoa dizer “sim”, mas quando a frequência do sim se torna inversamente proporciona

Assertividade ou auto afirmação A palavra assertividade deriva de “asserto”, que significa uma proposição decisiva. Assertividade é uma competência emocional que determina que um indivíduo consegue tomar uma posição clara, ou seja, não fica na indecisão, no nublado. Assertividade não significa que uma pessoa está certa ou errada, mas indica que a pessoa anuncia e defende as suas ideias com vigor e respeito pelo outro. Quando sou assertivo pratico a auto afirmação e imponho os meus limites. Sou eu mesmo, sem medo de magoar os outros. Acima de tudo, consigo ter em conta tanto as minhas necessidades, como as dos outros. De acordo com a psicologia comportamental, uma pessoa assertiva age de modo seguro e confiante, ou seja, trata-se de um indivíduo que está certo de suas ações, atitudes e comportamentos. 64 I Amar


Como atua a psicoterapia cognitivo-comportamental integrativa? Sabia que é possível encontrarmos uma forma no nosso dia a dia de nos sentirmos bem connosco, posicionando-nos ao mesmo tempo perante os outros, mesmo que isso signifique dizer não? Em primeiro lugar, é preciso que a pessoa queira intrinsecamente mudar esse comportamento. Após a mentalização, é ir passo a passo. Quanto mais o “não” for praticado em pequenas coisas, mais facilmente, através da repetição, a pessoa começa a experimentar um posicionamento mais alinhado consigo, perante as situações. A psicoterapia atua tanto na dimensão intrapessoal, como na interpessoal, através do treino de competências emocionais, de competências sociais e comportamentais. Destaca-se o treino de competências emocionais trabalha-se o desenvolvimento do auto conceito, de uma forma simples, como a perceção que o indivíduo tem de si próprio e o conceito que, devido a isso, forma de si.

Em resumo, ter objetivos comuns, trabalhar pensando coletivamente e pensar nas outras pessoas é importante. Porém, é muito importante priorizar as suas próprias necessidades e não se sacrificar por tarefas que, na realidade, não são suas. Segundo António Damásio apelidado por alguns como o “neurocientista das emoções”, decidir exige esforço e o processo de escolha está longe de ser uma análise racional, pois implica experiências passadas, com um caminho emocional na pessoa, evocando emoções e sentimentos que influenciam a tomada de decisão. Dizer não faz parte do amadurecimento de todo ser humano e demonstra amadurecimento emocional. Tomar decisões é um processo de amadurecimento que se aprende fazendo. Decidir desenvolve e fortalece a nossa liberdade pessoal, independente do medo das opiniões, julgamentos e expectativas dos outros.

O autoconceito desempenha, assim, um papel significativo em diversos contextos, particularmente na prática clínica. Encontra-se intimamente relacionado não só com outros conceitos psicológicos relevantes, como com numerosos fenómenos de natureza da psicopatologia. Conhecermo-nos a nós mesmos ajuda-nos a tomar decisões com maior clareza, a pensar de forma mais confiante e a saber o que devemos fazer em cada situação. A consciência da nossa identidade torna a nossa vida mais simples e facilita os nossos relacionamentos interpessoais e intergrupais.

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Crise de meia-idade:

inquietação inquietação, é só inquietação A

crise de meia-idade existe e pode ter contornos desesperantes. Um caldo perigoso de expectativas frustradas e receios sobre o futuro. É doença que domina sem se deixar dominar.

São sinais, pequenos sinais que se agigantam. Que atormentam. Que obrigam a olhar para trás e impedem que se olhe em frente. Que bloqueiam. É a culpa a moer e a desgastar. A culpa do que se fez, do que se poderia ter feito, do que se não foi a tempo de fazer, do que se quer fazer e parece impossível que se faça. É a mente a pagar o preço de uma vida de atribulações várias e que chegou a um ponto que parece de não retorno. É o corpo a sofrer os sinais da indefinição, do desgaste, da incerteza, da frustração. É o negro a cobrir de fúrias um futuro que não apetece. É a crise de meia-idade. Não é mito, existe mesmo, está enquadrada clinicamente e afeta homens e mulheres. Em casos extremos pode levar a situações graves, à vontade de não continuar um percurso do qual mais não se vislumbra senão pessimismo. 66 I Amar


“Acontece uma ou mais vezes ao longo do ciclo de vida, sensivelmente a partir dos 45 anos, sempre que um indivíduo questiona a sua vida, o seu propósito, o que fez e o que ainda quer fazer”, resume a psicóloga Lúcia Ferreira. Uma crise que não é contínua, que pode ter vários pontos de retorno, que coleciona armadilhas que a espoletam nos momentos em que menos se espera. “Por exemplo, quando uma pessoa conhecida ou amiga falece, quando há um diagnóstico de uma doença grave ou então quando um acidente coloca a vida em causa”, exemplifica a especialista. Um período de “autoavaliação existencial”, conforme define Catarina Mexia, especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e Psicoterapia e membro efetivo da Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar. Período esse que “ocorre na encruzilhada entre a juventude e a velhice” e que pode ter diferentes traduções. “Para alguns, cerca de 10% das pessoas, esse período é uma verdadeira crise, que as leva a comportarem-se de maneira diferente, seja por meio de pequenos ajustes na rotina ou mudanças drásticas na personalidade e crenças.” Não escolhe géneros, homens e mulheres podem tropeçar nela. “Tendencialmente as mulheres são mais penalizadas, pois a sociedade continua a impor-lhes a ditadura da beleza eternamente jovem, por oposição ao charme do homem em processo de envelhecimento”, sublinha. “Além de que quando os filhos crescem e saem de casa a mulher desenvolve a chamada Síndrome do Ninho Vazio, com as suas consequências inerentes”, lembra, por seu lado, Lúcia Ferreira.

poderia ter sido, e quando o futuro é mais feito de dúvidas do que de certezas. “Geralmente quando a carreira profissional está mais estável e se começa a antecipar a reforma, quando os filhos cresceram e saíram de casa ou vão sair, quando do ponto de vista da aparência física começam a observar-se mudanças associadas ao envelhecimento”, enuncia Rute Agulhas, psicóloga, psicoterapeuta e professora no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa. Surgem então, ou ressurgem, os dilemas de sempre, os tais dilemas que inquietam. A sensação de que a infinitude é utópica, contrariando o ideal de uma vida que se gostaria eterna e perfeita, seja lá o que for isso da perfeição. Que a juventude é mais passado distante do que presente palpável e que prolongá-la pode tornar-se agonizante. Que o tempo escasseia e, provavelmente, não será mais razoável realizar o que nunca antes se concretizou. E vêm os momentos que confundem melancolia com doença. “A depressão mostra ao indivíduo que tudo é finito. Que, apesar de tentarmos manter-nos jovens cada vez mais tempo, esse tempo pode começar a escassear”, explica Lúcia Ferreira. Aí, a ajuda médica torna-se essencial, sob pena de prolongar um estado de agonia que parece não ter limite à vista e se agudiza à medida que o calendário avança e o otimismo não regressa. Quadros clínicos de “difícil diagnóstico” que merecem atenção o mais rapidamente possível.

O surgimento deste conjunto complexo de dilemas ocorre numa fase em que tudo está dividido entre o que foi e o que

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“A vergonha associada ao fracasso percecionado é, na maioria das vezes, exacerbada; corresponde muito pouco à realidade”, complementa Lúcia Ferreira. Essa falsa sensação de vergonha leva, na maior parte dos casos, a que os pacientes demorem a aceitar que necessitam de ajuda. E regressa o remoinho, com o agravar dos sintomas, a queda num poço cada vez mais profundo. Quando chegam ao consultório, apresentam características que coincidem. “Quadros clínicos que podem passar pela ansiedade e mesmo ataques de pânico, quando existe a perceção, distorcida na maioria das vezes, de que o tempo está a passar e não se fez nada da vida e provavelmente já não se terá tempo de fazer”, detalha. A já falada depressão, o mais grave dos quadros, é também comum. Acontece quando é assumido que “já não vale a pena lutar pelos sonhos porque se acordou tarde demais para a vida”. A crise de meia-idade foi pela primeira vez identificada pelo médico canadiano Elliot Jaques (1917-2003), corria o ano de 1965. Com estudos avançados no campo da psicanálise, Jaques analisou milhares de casos de indivíduos na casa dos 40 anos e respetivos padrões comportamentais. Detetou coincidências que não o eram apenas por si só isso mesmo, antes linhas de orientação de vida que apontavam regras idênticas de conduta, independentemente do género e da proveniência dos indivíduos. Crises depressivas, sinais de exasperação, situações de indefinição pessoal traduzidas em desespero. Uma das mais surpreendentes descobertas foi perceber que as crises de meia-idade eram, então, já comuns não apenas em sociedades ocidentais, como nos Estados Unidos ou na Europa, mas também em países com modelos de vida distintos, exemplos do Japão ou da Índia. Especialistas que seguiram a linha de Elliot Jaques estabeleceram que estas crises são sentidas, em média, a partir dos 45 anos, e podem prolongar-se até aos 65. “Do ponto de vista fisiológico, a menopausa e a andropausa continuam a ser os marcos. Contudo, a pressão social em termos laborais (aos 40 anos é-se velho) e a ditadura da imagem (a publicidade valoriza o corpo jovem, bonito e sem rugas) contribuem para uma consciência muito presente da noção do envelhecimento”, menciona Catarina Mexia. “Manifesta-se cada vez mais tarde porque também cada vez mais tarde se envelhece e cada vez mais tarde somos confrontados com a finitude da vida”, defende Lúcia Ferreira. 68 I Amar


Sexo, tristeza e novidade Além de situações depressivas, as crises de meia-idade são motores potenciais de casos de alcoolismo, tendem a alterar o corpo através do aumento substancial de peso, da perda súbita de cabelo, do acentuar do surgimento de rugas. “Outros sinais típicos evidentes são a exaustão, o tédio, a tristeza, a irritabilidade, a diminuição ou aumento significativo do desejo sexual, a energia desmedida, a procura constante da novidade”, assinala Catarina Mexia. Grande parte destas evidências podem ser encontradas na personagem encarnada pelo ator Kevin Spacey no filme “American beauty” (“Beleza americana”), de 1999, que lhe valeu o Oscar de melhor ator. Com uma vida familiar instável e a passar por graves problemas no trabalho, Lester Burnham, o papel vivido por Spacey, é um homem que coloca em causa o seu passado e envereda por caminhos que fogem ao autocontrolo, designadamente quando passa a abusar do consumo de drogas e de álcool e se envolve com uma vizinha adolescente. Tudo isto enquanto relativiza o passado, o diminui e quase o achincalha. O tal período de autoavaliação existencial com potencial para conduzir a alterações significativas no processo vivencial, como defende Catarina Mexia. “Podem surgir comportamentos associados à procura de poder, de riqueza, de estatuto ou de popularidade, como a aquisição de determinados bens, a procura de relacionamentos amorosos, sexuais ou apenas de amizade com pessoas muito mais novas”, acrescenta, por sua vez, Rute Agulhas.

A religião, e a procura dela, essa, não é de certeza absoluta fonte de escape para quem sente este período agudo. O caminho espiritual acaba por ser substituído por outras fontes de compensação de perdas emocionais e físicas e é colocado de lado como solução para um percurso que só se vê de pedras. “A crença e a prática religiosa têm vindo a descer consideravelmente, sobretudo na Europa. E a idade também tem as suas implicações”, considera Joaquim Costa, investigador da Universidade do Minho com diversos trabalhos publicados na área da sociologia das religiões. “Não se pode dizer que as pessoas olham para a religião quando atravessam uma crise existencial, assim como também não se pode afirmar que se afastam dela quando tal situação pessoal se verifica”, adianta o professor. Uma espécie de teia contraditória, como tão contraditórias são as sensações inquietas da metade da vida transformada em pesadelo. De inquietação em inquietação, rumo a um destino desconhecido. Percurso intermédio de vida feito de dor emocional, sofrimento e descompensação. Porque o passado foi duro de deixar para trás e o futuro é pedra rija de encarar.

Pedro Emanuel Santos NM

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Saúde

Fitoterapia

Alcaçuz

O

alcaçuz, Glycyrrhiza glabra, pertence à família Leguminosae, sendo assim considerado um legume.

A parte mais utilizada do alcaçuz é a raiz. Este alimento ajuda a diminuir a tosse, por possuir uma ação expectorante. Além disso, a raiz de alcaçuz possui flavonóides que se destacam pelas ações antioxidante e anti-inflamatória. A planta também protege o fígado e por isso é boa para quem tem hepatite. O estômago também é beneficiado pelo consumo deste alimento. A raiz de alcaçuz é boa para quem está com dor na garganta, pois conta com uma substância que tem efeito sedativo.


Nutrientes da raíz de alcaçuz A raiz de alcaçuz possui saponósitos triterpenóides (glicirrizina). Esta substância atua no sistema respiratório diminuindo o efeito da tosse, dado que tem ação expectorante. Os saponósitos têm também ação anti-inflamatória e ajudam na formação de complexos insolúveis entre a saponina e o colesterol, o que irá ajudar a reduzir o colesterol do sangue. O alcaçuz possui ainda flavonóides, nutriente que se destaca pela forte atividade antioxidante e anti-inflamatória e que pode até prevenir o aparecimento do cancro. O alimento também possui polissacarídeos, que irão proporcionar energia. Os fitoesterois também estão presentes na raiz de alcaçuz e diversos estudos têm indicado a importância destas substâncias, no sentido de se diminuírem as taxas de colesterol no organismo.

Benefícios comprovados da raiz de alcaçuz

• Protege o fígado: Estudos apontam para o facto de

que as propriedades anti-inflamatórias da raiz de alcaçuz, como os saponósitos, ajudam o fígado a combater tóxinas produzidas pela difteria e pelo tétano, entre outras doenças. Por isso, o consumo do alimento é orientado para pessoas com hepatite.

• Protege o estômago: A raiz de alcaçuz é uma boa

alternativa para quem sofre com úlceras. Isto porque ao ser ingerido, o alimento irá revestir o estômago com um tipo de gel protetor, evitando lesões. Além disso, a raiz de alcaçuz irá diminuir a acidez estomacal e assim vai atenuar azia, gases e cólicas.

• Boa para a dor de garganta: A raiz de alcaçuz é boa para quem tem irritações na garganta, pois conta com glicirrizina que atua na mucosa da traqueia produzindo efeito sedativo. Além disso, essa mesma substância tem ação anti-inflamatória, o que favorece em casos de inflamação na região.

• Boa para o pulmão: Este alimento possui ação ex-

pectorante graças aos saponósitos triterpenóides. Então, a raiz de alcaçuz ajuda a soltar o muco e ainda relaxa os espasmos bronquiais.

• Melhora o trânsito intestinal: Este benefício ocorre

porque, a raiz de alcaçuz possui o efeito colagogo, que é o aumento da secreção da bílis no fígado, o que irá contribuir para uma melhoria no trânsito intestinal.

• Ação antioxidante: A raiz de alcaçuz age comba-

tendo os radicais livres e desta maneira previne uma série de doenças, entre elas o cancro. As substâncias que se destacam pela ação antioxidante são os flavonóides.

• Diminui o colesterol: A raiz de alcaçuz possui sa-

ponósitos que têm ação anti-inflamatória e ajudam na formação de complexos insolúveis entre saponina e colesterol, o que irá ajudar a reduzir o colesterol do sangue. Além disso, o alimento possui fitoesterois e diversos estudos têm indicado a importância destas substâncias para quem quer controlar as taxas de colesterol no organismo

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Quantidade recomendada de raiz de alcaçuz A orientação é consumir entre 1 e 3 gr. do extrato seco ou 1 a 10 gr. do pó ou 2 a 9 gr de raiz em decocção, fervida com a água.

Como consumir a raiz de alcaçuz A melhor maneira de consumir a raiz de alcaçuz é em chá. Uma boa maneira de preparar o chá é misturar duas colheres de sopa de raízes de alcaçuz para um litro e meio de água. Ferva essa água, desligue e acrescente a erva. Depois, tape por dez minutos, coe e beba. O alimento também pode ser ingerido como extrato seco encapsulado ou em pó que pode ser adicionado em sumos. Os suplementos de alcaçuz possuem os mesmos benefícios da planta, porém só podem ser consumidos após a orientação de um profissional da área da saúde. O doce feito com raiz de alcaçuz real e anis pode ser uma alternativa para aliviar os sintomas de gripes e constipações.

Combinações da raiz de alcaçuz

• Raiz de alcaçuz + mel: potencia os efeitos benéficos do alcaçuz

no sistema respiratório. Pesquisas mostraram que bactérias causadoras de algumas doenças são sensíveis à ação antibacteriana do mel. Entre esses micro-organismos estão a Haemophilus influenzae, responsável por infecções respiratórias e sinusites, e a Mycobacterium tuberculosis, que leva à Tuberculose. A combinação também pode ser utilizada em casos de dor de garganta. Isto porque a raiz de alcaçuz tem um efeito sedativo na região, enquanto o mel possui ação antimicrobiótica, capaz de impedir o crescimento ou destruir micro-organismos e assim aliviar a dor de garganta temporariamente. O mel pode ser adicionado no chá de raiz de alcaçuz.

• Raiz de alcaçuz + gengibre: Estes dois alimentos juntos são óti-

mos para a digestão. Enquanto a raiz de alcaçuz protege o estômago e melhora o trânsito intestinal, o gengibre irá melhorar o desempenho do sistema digestivo.

Contra-Indicações A raiz de alcaçuz não é indicada para pessoas com problemas cardiovasculares, problemas renais, grávidas e hipertensos. Isto porque o consumo de altas doses do alimento podem causar o aumento da pressão sanguínea.

Riscos do consumo em excesso de raiz de alcaçuz O consumo de altas quantidades de alcaçuz pode fazer com que a pessoa retenha sódio e elimine o potássio. Isto irá levar à retenção de líquidos, aumento da pressão sanguínea e dores de cabeça. Cuide de si, para que possa……Sorrir com saúde!

Helena Rodrigues

Especialista Especialista de de Oncologia Oncologia em em Medicina Medicina Chinesa Chinesa

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Como Comer Intuitivamente

a vai ajudar a viver sem dietas

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A

busca para sermos mais magras é cada vez mais comum. O ato de comer, especialmente se forem comidas com o rótulo de ‘asneira’, é punido pela sentença de culpa. A alimentação Intuitiva vai ajudar a eliminar a necessidade de viver em a mentalidade de dieta.

O que é Comer Intuitivamente? Comer Intuitivamente (ou Intuitive Eating) é um método que a ensina a comer de forma natural e a torna especialista em ouvir a sua fome biológica. Comer intuitivamente é o contrário daquilo que se espera da palavra dieta: não lhe coloca regras. Em vez disso, ensina-a a respeitar e honrar o seu apetite, dando noções do que é realmente a fome biológica a comer até se sentir saciada e fisicamente confortável.

O básico Comer quando tem fome e parar de comer quando está satisfeita deveria ser um processo intuitivo. Contudo, caso não se verifica com muitas pessoas. Seguir um plano alimentar impede-a de comer pela intuição e de se reconectar com o seu corpo e a sua fome. Cada dieta tentada e falhada, afasta-a cada vez mais da tua fome biológica e da sensação de verdadeira saciedade. Há muitas (re)aprendizagens que devem ser feitas para se comer de forma intuitiva.

De onde veio este conceito? Embora só agora se comece a falar sobre isto em Portugal, este conceito já existe desde os anos 70 e em 1995, Evelyn Tribole e Elyse Resch escreveram um livro – com o nome de Intuitive Eating, dando as bases para esta metodologia que nos ensina a lidar com a comida e o corpo, em que perder peso é uma consequência de uma vida mais equilibrada, e não o foco de toda a nossa existência!!

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Quais são os 10 princípios? Existem 10 princípios que devem ser seguidos durante a (re)aprendizagem para comer de forma intuitiva. São eles: 1.

Rejeite a mentalidade de dieta

2.

Honre o seu apetite

3.

Faça as pazes com a comida

4.

Desafie a sua Polícia da Comida

5.

Sinta a tua saciedade

6.

Descubra o factor da satisfação

7.

Lide com as suas emoções sem recurso à comida

8.

Respeite o seu corpo

9.

Mova-se - sinta a diferença

10. Honre a sua saúde com leve conhecimentos de nutrição. Ao seguir os 10 princípios de Comer Intuitivamente vai regularizar a sua relação com a comida e passar a ter uma alimentação intuitiva. Cada caso é um caso e os princípios, embora enumerados, não têm de ser seguidos por ordem. Todos nascemos com esta intuição perante a nossa fome, é algo biológico e uma necessidade básica, mas desde cedo começamos a deturpar todos os sinais e recetores da fome e saciedade. Comer Intuitivamente, é o inicio de uma revolução pessoal que vai acabar com as dramas com a alimentação e com a imagem corporal!

Joanne Amaral

Coach de Saúde e Alimentação Intuitiva e Personal Trainer para mulheres

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Culinária

BifeAngus com molho de escabeche

Culinária

PREPARAÇÃO 1. Aqueça muito bem uma frigideira para grelhados e introduza nela o bife e aloure bem de ambos os lados sobre lume forte. 2. Tempere com metade do sal e pimenta moída na altura, reduza o calor e deixe cozinhar até a carne estar no ponto que gosta. 3. Entretanto, lave as courgettes e com a ajuda de uma mandolina corte-as em fatias finas. Retire o bife da frigideira e grelhe as fatias de courgette. 4. Ao mesmo tempo, misture o cuscuz com o tomilho, o restante sal, alho em pó e a raspa da casca da laranja. 5. Corte a laranja em gomos, eliminando o que sobra da casca e toda a película branca que os envolve. Aproveite todo o sumo que conseguir, adicione-lhe água até perfazer 200ml e leve a ferver. Deite sobre o cuscuz, tape e deixe hidratar. Reserve os gomos. 6. Corte o bife em fatias e cubra-o com o molho de escabeche aquecido. 7. Solte o cuscuz com um garfo. 8. Sirva o bife acompanhado com o cuscuz, a curgete grelhada e os gomos de laranja. Bom apetite e um Feliz Dia de Açãop de Graças!

E

m apenas 30 minutos, prepare este bife Angus com molho de escabeche, acompanhado com courgette grelhada e cuscuz aromatizado com laranja. Delicioso! Delicie-se! SERVE 4 PESSOAS TEMPO MÉDIO DE PREPARAÇÃO: 30 MINUTOS DIFICULDADE: MÉDIA INGREDIENTES • • • • • • • • • •

400 g bife da vazia de novilho Angus 1 c. de chá sal qb pimenta-preta de moinho 600 g (3 unid.) courgette 200 g cuscuz 1 c. de sobremesa tomilho seco 1 c. de café alho em pó 150 g (1 unid.) laranja (raspa e sumo) 200 ml água ¼ receita molho de escabeche


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AQUÁRIO

Poderá sentir grande curiosidade por assuntos que tenham a ver com a lei. Poderá interessar-se por temas que de momento não lhe trazem qualquer vantagem, mas que lhe poderão ser úteis no futuro na implementação de um negócio ou atividade. Nesta fase procurará alargar os seus horizontes e fugir da rotina. Aproveite para fazer um contacto com um amigo distante.

Outubro Horóscopo

O

horóscopo para outubro de 2020 mostra que, de acordo com as estrelas, este período vai ser muito estável. Depois dos meses anteriores, que não foram fáceis, finalmente vai-se sentir aliviado novamente. Outubro será um momento mais sério - é como se o nosso senso de humor tivesse desaparecido completamente. Portanto, podemos parecer chatos e desinteressantes. Será melhor passar esses momentos sozinho, por exemplo, meditando ou se exercitando. No entanto, a nossa visão e a tomada de decisão serão de alta qualidade. Sentiremos como se soubéssemos exatamente o que queremos da vida, e na nossa cabeça esboçássemos um plano de como conseguir isso. Uma nova estabilidade chegará para as pessoas no mês de outubro, que pode ser usada especialmente no campo do desenvolvimento pessoal, mas também quando se lida com questões financeiras. Mais uma vez terá muito tempo para pensar em tudo em paz. Como ainda não admite que já é outono, você vai estar de bom humor. As relações interpessoais podem evoluir em paz. Isso pode ser usado tanto na carreira e como na vida pessoal.

Planetas em outubro de 2020 O sol em Balança

Este período será bastante sério. Você vai pensar muito, tanto nos seus atos como nos seus comportamentos, em alguns casos pode parecer indeciso ou muito lento. Irá definitivamente apreciar arte e qualquer tipo de experiência espiritual. Além disso, uma caminhada na natureza poderá enriquecê-lo. Se pretende auto conhecimento então deve estar sozinho. Pois é a única maneira de organizar seus pensamentos e sentir-se seguro e satisfeito.

Vénus em Virgem

Este período irá tornar os seus sentidos aguçados, especialmente quando se trata de tomada de decisão. A capacidade de saber o que é bonito e valioso e o que é impagável e medonho pode ser muito útil. Você será muito gentil e educado com o seu parceiro, por isso provavelmente não haverá problemas no seu relacionamento.

Mercúrio em Escorpião

Neste período pode ocorrer um grande influxo de energia mental. Será capaz de absorver informação até à noite, não sentindo cansaço. Se a sua mente está focada, tudo é possível. Nenhum obstáculo será demasiado grande para si. Além disso, estará interessado em temas originais, por exemplo sexo, ocultismo ou medicina.

Marte em Carneiro

Durante este período, não terá problemas por reagir impulsivamente e será um bom líder. O seu amor será persistente e com propósito. A sua energia pode dar-lhe tudo o que deseja. No entanto, preste atenção às situações estressantes, porque a sua tendência vai ser comportar-se de forma irrefletida e até mesmo arrogante.

CAPRICÓRNIO

Invista na sua vida profissional. É esta a altura ideal para concretizar um plano que tem vindo a amadurecer, com a certeza de ser bem-sucedido. Se tiver necessidade de projetar a sua imagem perante outros, este é o momento ideal para o fazer. Aproveite para fazer uma análise da sua vida e do seu percurso. Verá que tem maior capacidade para perceber se está a caminhar na direção certa.

SAGITÁRIO

A sua relação com o grupo, com o mundo dos amigos e na esfera social poderá ser amplamente desenvolvida. Envolva os outros nas ações e projetos que quer ver desenvolvidos e analise depois as pessoas com quem se relaciona e verificará que são um desdobramento de si. Pode envolver-agora com grupos de pessoas que têm uma visão mais aberta da existência.

ESCORPIÃO

Neste período poderá sentir uma maior nostalgia e inquietação, ou sofrer alterações inesperadas de comportamento e de humor. Haverá uma vontade acentuada de mergulhar com maior profundidade no subconsciente, procurando compreender de que forma o lado irracional tem influência na sua vida quotidiana. Adie a tomada de decisões.

BALANÇA

Irá verificar no seu comportamento uma maior energia e impulsividade nesta altura. O seu corpo reclama mais atenção, pelo que deve aproveitar e fazer uma alimentação mais saudável ou um novo regime alimentar. Dedique-se também mais à atividade física e verá que depois se sentirá muito melhor, com muito mais vigor.

VIRGEM

Nesta fase, é aconselhável agir com cautela no que toca a gastos. As finanças são agora o fator de maior preocupação, a requerer a sua atenção e até mesmo alguma cautela extra, no sentido de não gastar dinheiro de forma leviana. A nível afetivo sentir-se-á envolvido numa onda de romantismo, simpatia e intimidade.

LEÃO

Quebre a rotina e ponha em prática aquela ideia de mudar de ambiente por uns tempos. Uma visita a uns parentes poderá ser-lhe bastante benéfica, num momento em que estão favorecidos os contactos com terceiros. Sair da sua própria concha será, esta semana, uma experiência gratificante. Verá que os outros estão mais abertos a ouvir e aceitar os seus pontos de vista.

CARANGUEJO

Vai estar numa fase em que vai desejar ajudar todos aqueles que o rodeiam. Será o ombro amigo, confidente, e a pessoa que dá conselhos a todos os seus amigos. Vai estar numa altura em que vai dar especial importância aos seus familiares. Aproveite agora para fortalecer os laços de união com os membros mais chegados da família ou amigos.

GÉMEOS

O sector de vida que estará sublinhado é o que representa a consciência mais profunda de cada um de nós. Quanto melhor me conheço, melhor me posso entregar aos outros. Quanto mais adquirir consciência de si, mais criatividade e generosidade poderá experimentar. Desenvolver a sua consciência pessoal é, pois, o desafio que os astros lhe lançam para este período.

TOURO

Durante este mês poderá sentir que tem de trabalhar mais do que o usual de modo a satisfazer as necessidades de outras pessoas ou simplesmente para equilibrar as suas finanças. A subalternidade poder-lhe-á ser especialmente pesada nesta altura. Tente ver esta fase como uma oportunidade de aprendizagem e de amadurecimento.

CARNEIRO

Neste período vai, provavelmente, aperceber-se melhor dos efeitos que tem sobre os outros. Poderá integrar-se, com alguma facilidade, em grupos de trabalho, ou outros. Acredite que a união faz a força. Este é também um período em que as relações com o seu cônjuge ou sócio assentam em piso firme. Haverá uma maior abertura da sua parte à opinião de terceiros.

PEIXES

Neste período de transformação poderá estar a viver uma época que representa o fim de um ciclo e o início de outro. Isto poderá causar no seu íntimo algum abalo psicológico ou alguma insatisfação. As novas situações, por serem novas, poderão levar a que o seu interior se sinta algo desajustado. No plano financeiro poderá haver alguma preocupação, eventualmente com os bens do seu cônjuge.


COMERCIAL • INDUSTRIAL • RESIDENCIAL

Forming LIMITED

A AJF Forming LTD deseja a todos os seus clientes, familiares e amigos e à comunidade portuguesa um Feliz Dia de Ação de Graças!

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Ontario Provincial District Council

HAPPY THANKSGIVING!

"Well Trained. Highly Skilled Labour. Simply the Best, since 1903". When a community is built from the ground up, there is no labour force on the planet, better skilled to get the job done right the first time. LiUNA members and retirees made a commitment to their careers, which means a commitment to our communities. A commitment to build the BEST schools, airports, hospitals, office buildings, tunnels, power plants, roads, bridges, low rise and high rise housing in the country. When the work is done, LiUNA members and retirees continue to live, play and grow in their communities, with the guarantee of a pension that is also....simply the BEST!

Jack Oliveira

Joseph S. Mancinelli

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President

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