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REVISTA AMAR - AGOSTO 2020

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EDIÇÃO 53 • ANO 4 • MENSAL WWW.REVISTAMAR.COM

Gilberto Fernandes AGOSTO2020


Ficha Técnica Direção

Carmo Monteiro Manuel DaCosta

Edição Gráfica Carlos Monteiro

Marketing

Carmo Monteiro José M. Eustáquio

Fotografia (capa) Nicole Glassman

Fotografia Carmo Monteiro

Colaboradores

Armando Correa de Siqueira Neto Carlos Cruchinho Isabel Rebelo José Carreira Helena Rodrigues Maria João Rafael Paulo Mendes Paulo Perdiz Raquel Couto Pedro M. Salvador

Participação Especial Miguel Ângelo

Agradecimentos Carlos Sousa Jornal de Notícias José Dias Luís Miguel Castro MDC Media Group Notícias Magazine Portal O Sapo Suzana Cunha

Conteúdos 4

Agosto 2020

Forget Me Not

Estivemos presentes no evento, que contou com a colaboração da Casa dos Açores do Ontário e Casa do Alentejo de Toronto, organizado por José Dias e Luis Miguel Castro.

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Resistamos aos ventos de loucura

José Carreira fala-nos sobre as mudanças em tempos de pandemia da Covid-19.

página 8

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Nós não somos os nossos pensamentos Pensar e ter pensamentos um atrás do outro não é o problema. A questão põe-se ao nível da forma como nos relacionamos com os nossos pensamentos.

22 Gilberto Fernandes

Estivemos à conversa com o professor visitante do

página 12 página 18

Departamento de História Global Labour Research Centre da UNiversidade de York.

32 Nas asas de um açor I

página 32

Carlos Cruchinho leva-nos numa viagem inesquecível aos Açores, mais concretamente à Ilha de S. Miguel.

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Miguel Ângelo

Paulo Perdiz esteve à conversa com o conhecido vo-

Contacto

calista dos Delfins, que agora continua a sua carreira a solo e que acaba de lançar um álbum novo.

página 40

lacitca56rp ton tub lufituaeb

www.revistamar.com info@revistamar.com www.facebook.com/revistamar

416.806.7616

página 48

Verão Tropical

Maria João Rafael, na sua crónica habitual de moda e styling, deixa-nos sugestões para um verão colorido.

evissergorp a si .dtL latemteehS & gnfiooR anaiV ynapmoc nChinesa oitarotser dna gnfioorpretaw ,gnfioor Fitoterapia fo s d n a s u o h t d et e l p m oc66yllufsseccus sah ohw página Helena Rodrigues fala-nos sobre a abordagem da secivchinesa res aorutratmento O .srdoacaney 43 tsap eht revo stcejorp medicina tradicional publicados na presente edição são da inteira cro, através,da fitoterapia. gn idis dna latemteehs Os ,gartigos nfio ordosfoseusse pytpodendo lla enãodrefletir ulcni Revista Amar é uma marca registada responsabilidade autores, e empresa subsidiária dos grupos opiniões e posições Revista naquela daoR ecnavdA 47 .erom dna gnasAfiutilização oorp retadaw ,kAmar row gnmatéria. ikluac Cyber Planet Inc. e MDC Media Group. do novo acordo ortográfico, na matéria da

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Forget Me A

Camões Square foi o palco, no dia 25 de julho, para a iniciativa “Forget Me Not” - Portuguese Children and the Pandemic. Este evento contou com o apoio da Casa dos Açores e da Casa do Alentejo, tendo contado com a presença dos respectivos presidentes - Suzana Cunha e Carlos Sousa.

Estas casas comunitárias - que fazem parte do grupo das casas mais antigas da comunidade portuguesa de Toronto - abraçaram este projeto que, de forma singela, desejava apenas minimizar por um dia os efeitos do isolamento social sobre as crianças, devido à pandemia. Diversão era a palavra de ordem e, para o efeito, foram distribuidos gelados, biscuitos e cupcakes pelas crianças que por ali passaram, que retribuiram com sorrisos de felicidade, que encheram o peito de alegria e com o sentimento de missão cumprida de todos os voluntários envolvidos. A “festa”, liderada por José Dias e Luis Miguel Castro, ainda teve uma componente artistíca e creativa, tendo as crianças sido convidadas a recrear, com desenhos e composições, como veem o “novo” mundo e a “nova” realidade em que vivem… e pelo desenhos, há esperança!!! O sucesso deste evento prova que, mesmo em tempos difíceis, a união faz a força!!! A Revista Amar congratula todos os voluntários e patrocinadores pela organização deste evento.

Carmo Monteiro 4 I Amar


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F O T O G R A F I A

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©

C A R M O

M O N T E I R O


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Trabalhos representativos dos tempos em que vivemos

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Este é o momento de nos unirmos. De ajudarmos quem mais precisa. A MDC Media Group está a promover a recolha de alimentos para entregar no Food Banks of Canada. A nossa tenda está localizada na Camões Square 722 College Street em Toronto.

Ajude-nos a ajudar!


Resistamos aos

ventos de loucura

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O

Togo é um país africano que faz fronteira com o Burkina Faso, o Benim, o Gana e é banhado, a sul, pelo oceano Atlântico. Uma portuguesa, a minha irmã, tem uma colega de trabalho togolesa, nas piscinas estatais de Stuttgart, capital da região de Baden-Wurtemberg, a cidade das conceituadas marcas de automóveis Mercedes-Benz e Porsche. Na semana passada, a minha irmã relatou-me o episódio de racismo de que foi vítima a amiga e colega de trabalho, devido à cor da sua pele. Um senhor, aquando do check-in, para a entrada nas piscinas, recusou-se a ser atendido por ela e vociferou não compreender como era possível ainda ali trabalhar, quando já tinha apresentado queixa contra ela, há mais de um ano, porque, segundo ele, não reunia as condições necessárias (eventualmente, ser caucasiana…). Gerou-se um conflito verbal, prontamente sanado pela intervenção da minha irmã. O senhor, após entrar, continuou a gritar insultos racistas, expressões que me recuso a transcrever. Outra utilizadora das piscinas, apresentou queixa contra a violência verbal utilizada, foi chamada a polícia, o senhor foi expulso das piscinas, proibida a sua entrada durante 12 meses e será instaurado um processo judicial contra o agressor. O vírus do racismo é difícil de combater e mais ainda de vencer. Os exemplos sucedem-se, nos quatro cantos do mundo, sendo o caso mais mediático, nos últimos tempos, a morte de George Floyd.

Mais de 150 escritores denunciaram, numa carta aberta publicada no Harpers Magazine1 e no Le Monde, a crescente intolerância. Personalidades como Chomsky, Gloria Steinem, Margaret Atwood e Martin Amis subscreveram num grito de alerta contra a intolerância e os delitos de opinião. Os subscritores aplaudem os protestos que reclamam justiça social e racial, maior igualdade e inclusão. Mas alertam para o que designam “cancel cultur” (cultura do cancelamento): “um novo conjunto de atitudes morais e compromissos políticos que tendem a debilitar as nossas normas de debate aberto e de tolerância favorecendo uma conformidade ideológica.” O filósofo Bernard – Henri Lévy, na sua mais recente obra “Este Vírus que nos Enlouquece” (Guerra & Paz, 2020), chama a nossa atenção, ironicamente, para uma “virtude” do coronavírus “poupar-nos às notícias insignificantes, fazer por nós a economia das informações sem interesse e aliviar-nos das peripécias de uma história que, com benevolência, tinha sido posta em hibernação.” Nos últimos meses estivemos anestesiados, as nossas vidas foram suspensas, deixámos de trabalhar, não visitámos as nossas famílias, não beijámos e abraçámos as pessoas que amamos. Tornámo-nos uma espécie de “cristalizados do confinamento”. Mas, como afirma Lévi, “era preciso resistir, custasse o que custasse, a esse vento de loucura que sopra sobre o mundo.” Não vivemos tempos normais. O mundo está a viver a primeira crise sanitária global do século XXI. Só na Europa, morreram, até à data, 140.000 cidadãs e cidadãos por causa do vírus. As consequências da pandemia, tanto económicas como sociais, afetam-nos a todos e a todas, sem exceção, ainda que de forma mais ou menos violenta, em função da capacidade de resposta de cada um. Os pobres estão, como indicam os estudos, mais expostos aos vírus. As crises financeiras e sociais são combustíveis para radicalismos e extremismos. Eles estão aí, para quem os quiser ver, com eles se queira importar e contra eles lutar. Voltando à Alemanha, passe a expressão, segundo os dados do relatório anual da Agência Federal para a Proteção da Constituição, foram atribuídos à extrema-direita mais de 22.300 delitos, incluindo dois assassinatos, cinco tentativas de assassinato e cerca de 800 agressões físicas, o que corresponde a um aumento de 10%. O Ministro do Interior, Horst Seehofer, considera que o extremismo de direita, o antissemitismo e o racismo são “a maior ameaça para a segurança na Alemanha. O número de delitos e o número de extremistas de direita, dispostos a usar a violência, continua a aumentar.” Também o número de militantes da extrema-esquerda continua a aumentar (33.500 em 2018), sendo-lhes atribuídos 6.400 delitos, em 2019, incluindo 355 agressões físicas e duas tentativas de assassinato. “A democracia liberal tem de saber defender-se dos ataques de que é alvo atualmente, que não vêm apenas dos movimentos nacionalistas e populistas da direita e da extrema-direita. Que podem vir também do radicalismo esquerdista, igualmente autoritária e discriminatória sob o manto diáfano das boas intenções.” (Teresa de Sousa, In Público, 12 de julho de 2020).

Fotografia © Ikaika

Resistamos, pois, aos “ventos de loucura”, lutemos contra todos os extremismos e não nos deixemos contagiar por populismos que parecem ganhar adeptos em todo o mundo.

José Carreira

Obras Sociais Viseu

Amar I 11


Afortunada

Rebeldia

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S

omos ávidos pela estima social e nos esforçamos por conquistá-la frequentemente. A sua dependência atinge graus exorbitantes na escala das posições sociais, pois a simpatia, sua filha, é um poderoso instrumento que abre as portas e dá acesso ao que tanto se anseia para benefício próprio. Contudo, se de um lado somos incontroláveis consumidores do apreço alheio que pode nos beneficiar convenientemente, de outro, não se pode tapear a própria origem animal da qual somos reféns desde a origem mais primitiva cuja informação genética – modificada e adaptada – faz resultar, ainda nos dias atuais, nos mais variados tipos de comportamento afeitos ao egoísmo e às indelicadezas tão facilmente identificáveis no cotidiano. É o confronto entre a natureza rústica e a roupagem civilizatória. O que não se enxerga, entretanto, é que paga-se um alto preço por cada cota de investimento que se faz socialmente à espera das “espontâneas” retribuições que se seguem peculiarmente através das relações de troca de favores. Tal custo se deve ao enquadramento a que nos submetemos a fim de atender ao que os outros esperam, sobretudo aqueles por quem temos especial interesse. Assim, se um dado benefício pessoal acena-se possível, ainda que vagamente, nos esmeramos em adequar-se à moldura daquilo que se espera de nós na contrapartida de recebermos o merecido prêmio. Para tanto, passamos da cara fechada ao sorriso amistoso e da crítica severa à desmedida bajulação com vistas ao rendimento de tal aplicação. Em incontáveis casos, chegamos mesmo a nos convencer de que assim o fazemos naturalmente e sem segundas intenções. É o aliviador autoengano ao afastar o mal-estar que tenta impor a verdade em vão ao se intrometer onde não foi convidado. O enquadre da submissão pessoal em troca da aceitação social exige do seu autor o bloqueio da autenticidade, razão pela qual leva a média de pensamentos a se aglutinar ao redor da aparência e a limitar o uso da inteligência criativa que, basicamente, é estimulada frente ao diferente e não ao comum. Porquanto ganha-se na convivência com o ajuste socializável – credite-se também o fato de ele ser um importante agente civilizatório - e perde-se, significativamente, com o bloqueio da criação e da inovação. Ora, se um dos requisitos mais essenciais do mundo contemporâneo, em destaque a área profissional, é justamente a criatividade, capaz de fazer enxergar além do vulgar e propor saídas alternativas para os problemas que se avolumam por sua natureza crescentemente complexa em decorrência da acirrada competitividade, então muitos andam, inequivocamente, a lentas passadas, retardando a progressão que poderia ocorrer mais estimulante e velozmente.

Fotografia: Direitos Reservados

É de convir, pois, que o enquadre imposto pela necessidade de estima social geralmente dá resultado naquilo que se propõe fazer. Todavia, ao fixar-se nesse modelo de convivência a pessoa tende a restringir tanto o exercício da criatividade e do autodesenvolvimento quanto o campo de atuação pelo simples motivo de ela se acomodar submissamente como forma de se satisfazer com o seu lugar ao sol. Mas não percebe, tristemente, que é atingida por uns poucos e fracos raios da luminosidade e quentura, em contraste à abundância que lhe aguarda ao preço de romper, dosadamente, com o enquadre social autoimposto. Afortunada é a rebeldia da autenticidade ante tal enquadre; ela é uma poderosa chave para mudar a crença aprisionadora e abrir porta bem maior do que se supõe existir, pois verdadeiro portal é aberto àquele que ultrapassa criativamente os limites da mesmice e resolve questões até então insolúveis a despeito da simpatia social, pois na hora do “vamos ver” o que conta é o resultado.

Armando Correa de Siqueira Neto

Psicólogo e Mestre em Liderança

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Nós não somos os nossos pensamentos Pensamos continuamente

Quantas vezes temos pensamentos indesejados, incoerentes e que nos provocam dissonância interna? O ser humano pensa continuamente e, na maior parte das vezes nem tem essa consciência. Comparamos, analisamos, julgamos, admiramos, explicamos ininterruptamente para poder decidir qual o melhor caminho. Este modo de funcionamento está associado ao sistema automático de alarme e proteção que temos incorporado desde os nossos ancestrais. Esta resposta automática, ajudou à sobrevivência do homem quando o ambiente exigia reações físicas rápidas em resposta a ameaças como as dos animais predadores. Afinal, sabemos que a cada minuto do dia, o nosso corpo reage fisicamente e muda literalmente consoante os pensamentos que passam pela nossa mente. Os acontecimentos do nosso dia fazem com que os pensamentos saltem e proliferem, passando para o campo da verbalização e/ou das imagens mentais. Para termos uma pequena noção da força da nossa mente, está comprovado que um pensamento é um evento eletroquímico que ocorre nas células nervosas produtoras de um “turbilhão” de mudanças fisiológicas. Sabemos que os pensamentos automáticos geram emoções “automáticas” que influenciam os nossos comportamentos, por isso estão diretamente relacionados com o nosso humor. Acontece que estes pensamentos são espontâneos, infiltram-se na nossa mente sem que tenhamos qualquer “filtro” ou avaliação crítica. Apenas aceitamo-los como verdades. Mas se os pensamentos estão dentro de mim, emergindo na minha cabeça, como é possível não os aceitar e não me identificar com eles? Pensar e ter pensamentos um atrás do outro não é o problema. A questão põe-se ao nível da forma como eu me relaciono com os meus pensamentos.

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Fotografia: Direitos Reservados


Tentar parar os pensamentos

tamos como verdade. A identificação com os pensamentos é o que mais nos faz sofrer.

Agora, tente não pensar em nada durante 2 minutos. Mande embora os pensamentos assim que eles aparecerem.

Observador objetivo dos seus pensamentos

De seguida, peço que se concentre mais uma vez e tente não pensar num elefante azul durante mais 2 minutos. Neste momento, provavelmente, já percebeu que não vale de nada tentar controlar os seus pensamentos. Lembre-se que a mente e o corpo comunicam entre si através de imagens, por isso, qualquer coisa que imagine, o seu corpo vai responder como se estivesse realmente a acontecer. O nosso sistema nervoso e o corpo respondem aos pensamentos que a mente produz. E pode até tentar ignorar esses pensamentos intrusivos durante algum tempo, mas o conflito que se vai gerando entre o ilusório e o real começa a tornar-se insuportável e a comprometer o seu bem-estar. Tentar impedir a mente de criar pensamentos é contra produtivo, pois quanto mais tentar parar a mente de pensar, mais insistente ela se torna. A solução não é tornar-me submisso aos meus pensamentos, nem fazer deles uns guias orientadores. A grande batalha de entender que não somos o que pensamos, é assumir a responsabilidade de questionar e interromper o curso destes pensamentos. É importante considerá-los como pensamentos e não como realidade.

As crenças e os automatismos cognitivos

Estes pensamentos surgem assim, automáticos, porque estão ligados às nossas crenças, aquilo que um dia alguém nos disse e que tomamos como verdade. As crenças são verdades absolutas, não questionáveis na maioria dos casos. À medida que crescemos, estas verdades vão, cada vez mais orientando a nossa história, moldando e fortalecendo os nossos pensamentos, comportamentos, atitudes, relacionamentos. Estão presentes também na forma como lidamos com as mais diversas situações que nos acontecem. É comum sabermos de pessoas que não correm para alcançar os seus objetivos ou sonhos, porque acreditam que nunca vão conseguir alcançar os resultados expectados. Para justificar pensamentos e comportamentos, muitas vezes, é preferível acreditar que as nossas crenças são as corretas. Por isso nos identificamos com o que pensamos e temos a sensação de que somos os nossos pensamentos. Mas não, nós não somos os nossos pensamentos. Nós somos muito mais do que nos disseram que somos ou do que nós próprios pensamos ser. O que pensamos ser provém de coisas que ouvimos e acei16 I Amar

Ao identificar um pensamento, é importante olhar para ele, deixar fluir através de si e não gerar mais pensamentos relacionados, não alimentar. Assim mesmo, aceitar que ele existe, mas que você não é esse pensamento.

O importante frente a uma emoção é saber que você não é a emoção, você sente a emoção. Então você diz “estou a sentir medo” e não “estou com medo” ou ”sou medrosa”. Mas repare, se você parar para pensar o que está a causar esse medo? Talvez comece a conseguir controlá-lo. O medo é causado pela interpretação do pensamento que a pessoa tem do evento. O medo depende do impulso que o cria. É pretendido que não se identifique com as suas emoções. Como observador, você identifica as suas emoções, olhando-as de fora. Não se identifique com a emoção, você não é a emoção, você cria a emoção e por isso sente a emoção. É muito mais eficaz tornar-se um observador objetivo da sua mente. Uma forma de nos “descolarmos” dos nossos pensamentos, é perceber e verbalizar que se trata apenas de pensamentos. É simplesmente um pensamento e você tem poder sobre ele e ele não tem podersobre si. Então, leve alguns momentos para, simplesmente observar o que a sua mente lhe está a dizer. Oiça o que ela lhe está a dizer. Não precisa de fazer nada, apenas oiça os pensamentos que atravessam a sua mente. E o que é que ela lhe diz? Frequentemente o que acontece quando sai da sua mente e se torna um observador objetivo dos seus pensamentos, a mente tende a ficar silenciosa e sossegada. Esta técnica gera a dissociação e é muito eficaz, mas não para todos. Mentes muito ativas ou obsessivas terão mais dificuldade em observar com calma o que a mente está a dizer. Nestes casos é muito mais eficaz entreter a mente com algo diferente de modo a distraí-la com outra tarefa e assim, desviar o foco. Uma das qualidades da mente consciente consiste no facto de que ela só pode fazer uma coisa de cada vez, ou seja, processa em média, somente 5 a 9 focos de uma vez, ao contrário da mente subconsciente que capta milhares de focos de uma só vez. Tirando partido deste facto, sabemos que a mente consciente não pode preocupar-se e estar calma e relaxada ao mesmo tempo. Isso seria um gasto de energia demasiado. Assim, tem de ser um ou outro, alternando entre a preocupação e a calma. Mesmo oscilando entre pensamentos diferentes e, por vezes opostos, é possível de alguma forma direcionar a mente de modo a que ela se focalize em pensamentos mais desejáveis, ativando uma resposta de calma e relaxamento.

Fotografia: Direitos Reservados

Sugiro que façamos um exercício. Tenha á mão um lápis/caneta e um papel onde possa escrever. Peço que pare 2 minutos, e anote todos os pensamentos presentes agora na sua mente, à medida que forem surgindo.


Você não é o seu cérebro

Jeffrey M. Schwartz, líder em neuroplasticidade e co-autor de vários livros inovadores tais como Brain Lock e The Mind and the Brain, foi pioneiro no primeiro programa de tratamento baseado em mindfulness para pessoas que sofrem de TOC (transtorno obsessivo compulsivo), ensinando os pacientes a gerir as suas compulsões, obtendo alívio a longo prazo. Schwartz e a psiquiatra Rebecca Gladding co-autores do livro “Você não é seu cérebro”, onde apresentam um programa de quatro etapas para mudar maus hábitos, acabar com o pensamento doentio e assumir o controle de sua vida. Schwartz e Gladding neste programa, mostram cuidadosamente aos seus leitores como identificar impulsos cerebrais negativos, canalizá-los através do poder da atenção concentrada e, finalmente, levar uma vida mais gratificante e empoderada. Assim como as compulsões dos pacientes com TOC, eles descobriram que maus hábitos, ansiedades sociais, pensamentos auto depreciativos e excesso de compulsão estão todos enraizados em circuitos cerebrais hiperativos. A chave para fazer as mudanças na vida que você deseja é pôr o seu cérebro funcionar em seu benefício. É optar por, conscientemente não reforçar esses circuitos de atenção concentrada, diminuindo assim sua influência e força.

Técnicas de “atenção“

Ao ativar um estado de atenção e consciência plena do momento presente, você traz o seu corpo para o aqui e agora. É um exercício de foco sobre a capacidade de se concentrar no próprio “eu” e as sensações que surgirem, sem qualquer tipo de julgamento. A auto hipnose, a meditação, o mindfullness, tornaram-se técnicas bastante populares por auxiliarem na redução do stress e ansiedade da rotina diária, na melhoria das capacidades de memória e concentração e, consequentemente, aumento da tranquilidade interna, autoconfiança, auto estima e da produtividade. Estas são ferramentas podem ser aplicadas em qualquer lugar e em poucos minutos promovem uma melhor gestão dos pensamentos, logo das emoções e dos comportamentos, gerando felicidade, alegria, bem estar. Enfim, ativando emoções boas.

Isabel Rebelo

Psicóloga e Hipnoterapeuta

Amar I 17


Língua Portuguesa

António

Bizarro Nasceu em 1978, na cidade de São Paulo, e cresceu no Barreiro. Em 2006 integrou o split-CD “Seek And Thistroy!”, da Thisco Records, que incluía o seu projeto de música eletrónica, City of Industry, e as bandas Devhour e Tatsumaki. Em 2010 editou o seu primeiro livro, Siamese Dream. Em 2015 lançou o seu primeiro álbum em nome próprio, Opus I: Dark Room, e o livro Fragmentos – Tony Dornbusch, através do seu blog Android:Apocalypse. 18 I Amar

Fontes: Wikipedia, FNAC, Wook Fotografia: DR

Em 2016 publicou o seu terceiro livro, O longo Caminho de Regresso, o primeiro através da editora Coolbooks, e disponibilizou no seu blog o livro Novos Fragmentos – Tony Dornbusch. No mesmo ano, lançou o seu segundo álbum, Opus II: Sacred Parts, bem como os Volumes I, II e III da compilação City of Industry. Em 2017 lançou os livros O Motor do Caos e da Destruição e O Desejo e outros Demónios, novamente sob a chancela da Coolbooks, e o quarto e o quinto volumes da compilação City of Industry.


Obra Literária

“O DESEJO E OUTROS DEMÓNIOS” Sinopse Um escritor oferece a derradeira prova de amor à sua amada. Um grupo de crianças reencena inconscientemente O Senhor das Moscas. Um marido traído propõe-se a reconquistar a esposa adúltera. Tony Dornbusch recorda uma visita guiada ao Instituto MacLaren na companhia de um velho amigo. Um homem começa a ver o mundo a desaparecer à sua volta. Uma aparição leva um escritor a percorrer as ruas de Saint Paul em busca do passado. Duas mulheres partilham o mesmo destino sem nunca se te-

rem conhecido, ficando ligadas para sempre na memória coletiva dos habitantes de Saint Paul. Numa cidade distópica e pós-apocalíptica, os criminosos são obrigados a confrontar as famílias das vítimas, num exercício extremo de justiça restaurativa. Um homem transforma-se no objeto de desejo do seu objeto de desejo. Excertos do diário de Tony Dornbusch revelam aspetos da sua relação estranha com uma enfermeira e a sua mãe. Em Saint Paul, o amor e o desejo andam à solta como animais ferozes em busca de suas presas.

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Fotografia Š Nicole Glassman


Gilberto Fernandes … eu sou o chamado “emigrante romântico”

Gilberto Fernandes é o filho mais novo de Amândio Manuel Fernandes de Oliveira e de Maria Elsa Lopes de Oliveira. Nasceu na zona de Alvalade, em Lisboa e viveu em Sacavém e em Santa Iria de Azoia, ambas localidades do concelho de Loures. Apesar de ter vivido sempre na cidade, considera que foi um rapaz do campo, da cidade e do mar. O 25 de Abril teve impacto na sua vida pessoal e familiar, considerando que a revolução de 1974 abriu portas e criou oportunidades antes inexistentes, como por exemplo, o acesso ao ensino público. Em 2003 casa com Nancy Oliveira, com quem tem 2 filhos, Simão e Vasco Oliveira, de 4 e 2 anos respetivamente. Licenciou-se em História Moderna e Contemporânea no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE) em 2004. Nesse mesmo ano emigra para o Canadá. Benfiquista de coração, trocou o futebol pelo basquetebol desde que chegou ao Canadá, sendo hoje fã dos Toronto Raptors. Em 2008 tirou o Master of Arts, History/ Ethnic, Migration, and Pluralism Studies, na Universidade de Toronto. Ainda em 2008, com Susana Miranda funda o Portuguese Canadian History Project. Um projeto que juntou 10 coleções de material histórico relacionado com portugueses na América do Norte, a segunda maior coleção de documentos sobre imigrantes portugueses e que se encontra na Clara Thomas Archives and Special Collections, da Universidade de York. Foi na Universidade de York que tirou o Ph.D. em História, em 2014 e em 2016, foi co-fundador do Toronto Workers History Project. Em 2018, lançou um documentário patrocinado pela Local183, intitulado City Builders: A History of Immigrant Construction Workers in Postwar Toronto e que será publicado em livro ainda em 2020. Entre 2018 e 2019 foi Curador e Investigador no Myseum of Toronto. O seu primeiro livro, que foi lançado no início de 2020 e tem como título: This Pilgrim Nation: The Making of the Portuguese Diaspora in Postwar North America , é uma adaptação da sua tese de doutoramento para uma leitura mais acessível. Atualmente, é Professor visitante do Departamento de História da Universidade, onde tirou o seu Ph.D e está associado ao Global Labour Research Centre, centro de investigação que faz parte da Universidade de York. Em 2019 deu aulas de História de Toronto na Universidade de York e no ano letivo que inícia no Outono vai dar aulas de História Pública/Aplicada. Em fase inicial, o novo projeto com o patrocínio da Local 793, intitulado Laborem Ex Machina – The History of the Operating Engineers and Heavy Machinery in Canada´s Construction Industry estará concluido em 2022. Amar I 23


Revista Amar: Quem é Gilberto Fernandes? Gilberto Fernandes: Sou filho de Amândio e de Maria Elsa. O meu pai é do Minho e a minha mãe da Beira Alta. Conheceram-se perto de Tondela, distrito de Viseu numa altura em que o meu pai, derivado ao trabalho, estava a trabalhar naquela zona. Nasci perto de Alvalade, Lisboa… mas sou benfiquista! Contudo, desde que cheguei ao Canadá troquei o futebol pelo basquete e sou mais fã dos Raptors do que do Benfica! Gosto muito de futebol e joguei futebol organizado nos infantis e nos juniores da minha localidade e hoje ainda gosto muito de jogar, mais do que de ver… mas agora o meu desporto preferido é basquete. Vivi 12 anos em Sacavém e depois mudámos para Santa Iria de Azoia, concelho de Loures, onde fiquei até aos meus 24 anos. Frequentei a Escola Segundaria de Alverca e fiz a minha licenciatura em História Moderna e Contemporânea no ISCTE (Instituto Universitário de Lisboa). O meu curso marcou-me profundamente não só intelectualmente como, tanto ou mais, na formação e experiências da vida, pelas pessoas que conheci (…) e aprendi imenso sobre tudo e mais alguma coisa. Foi durante este período da minha vida que fiz as principais ou a maior parte das amizades que mantenho até hoje, em Portugal. Também é durante o curso que comecei a namorar a Nancy, que viria a ser a minha esposa, que é luso-canadiana e no meu último ano fui ao Canadá, para me encontrar com ela e casámos no City Hall de Toronto, em 2003. Regressei a Portugal para terminar o curso e depois regressar ao Canadá em 2004… eu sou o chamado “emigrante romântico”. Fui a primeira pessoa da minha família que depois que saiu da Universidade seguiu com os estudos. Na minha experiência pessoal e familiar, houve… digamos que uma história de mobilidade geográfica e social acentuada, mas que não é única e que até é bastante comum entre as famílias portuguesas depois do 25 de Abril. Quando falo da mobilização social, refiro-me ao facto da minha mãe ter a quarta classe com um filho com o doutoramento e professor universitário. Ora essa mobilidade, tanto geográfica como social, está profundamente relacionada com a revolução de 1974 e com o que veio depois disso… e a minha vida também está muito marcada com isso, não diretamente, mas diretamente falo do meu pai, veterano da guerra colonial com 2 anos de Guiné, que por acaso estava no Largo do Carmo, que como outros estava pendurado numas das árvores, quando o Estado Novo caiu e o Caetano entrou para dentro da Chaimite. O 25 de Abril diretamente teve algum impacto na minha vida familiar, mas digo que indiretamente que o impacto que teve na minha vida e da minha família, talvez como na maioria das famílias, foi o aparecer de oportunidades que não existiam até então para mim, para os meus e pessoas que vinham do mesmo contexto social, cultural e geográfico, como, por exemplo, o acesso ao ensino público entre outras coisas.

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RA: No geral, o que destacaria da História de Portugal? GF: Para mim, o meu interesse pessoal e profissional é realmente a história da imigração, tanto que é a este tema que tenho dedicado a minha investigação desde do meu doutoramento. Destaco este, não só porque é o meu “niche” digamos assim, embora a ser um “niche” é um “niche” muito grande, mas porque realmente um fenómeno económico, social, cultural, político etc. da história portuguesa, que é praticamente uma constante desde do século XIX (…) por vários motivos. A corte portuguesa, inclusivamente, durante as invasões napoleónicas esteve imigrada no Rio de janeiro, no Brasil fazendo desta cidade a capital de Portugal durante esse período. A imigração é um fenómeno que atravessa toda sociedade portuguesa, desde das classes mais altas às mais baixas, claro que com mais incidência nas classes mais baixas. Este fenómeno é conhecido e cada vez mais estudado, mas que durante muito tempo na nossa história foi negligenciado, estigmatizado e estereotipado por estar associado aos problemas estruturais e económicos. Estes estereótipos do que é supostamente o imigrante portuguese estão bem patentes e referenciados na literatura portuguesa. 24 I Amar

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RA: Se tivesse que definir o imigrante português, como o descreveria? GF: Por norma, tento evitar dar uma resposta… porque tende a “essencialisar” grupos de pessoas. Aliás, uma das coisas que comecei a fazer quando iniciei a minha investigação sobre os portugueses no Canadá foi realmente mostrar que é uma comunidade étnica, como são todas, altamente heterogénea, ou seja, muito diversa e que vai contra uma tese multi-culturista que tende a ver as comunidades étnicas como blocos monolíticos que têm os seu respetivos líderes, normalmente líderes autoproclamados e também tendem a falar por um segmento específico da comunidade, então o ponto de vista multi-pluralista é clássico, tende a ter uma visão do topo para baixo, em que cada comunidade étnica é um azulejo, porém as comunidades étnicas são altamente diversas e fragmentadas e têm outras identidades e solidariedade que competem com a identidade étnica… por exemplo, uma pessoa é portuguesa, mas também é trabalhadora (…). Essas solidariedades por vezes potenciam-se uma a outra ou por vezes fragmentam-se, então os poucos estudos que tinham sido feitos nos anos 70 e que li quando comecei a estudar a comunidade portuguesa, tendiam a “essencialisar” a comunidade, tendiam a ver a comunidade nesse bloco muito monolítico e, portanto eu tenho alguma resistência em falar das características que definem os portugueses por causa disso. O que posso dizer é que há coisas comuns à identidade portuguesa, e claro que nessa identidade cabem muitas interpretações. Digamos que a perspetiva canadiana/anglófona que se tem dos portugueses é que são pessoas religiosas – pegando num exemplo: é verdade que muitos o são, mas ao mesmo tempo há na História de Portugal e até da comunidade portuguesa uma forte componente anticlericalismo, aliás na História de Portugal política contemporânea há uma luta entre os religiosos e os anticlericais - entre os republicanos e o Estado Novo e entre os comunistas e o Estado Novo. Ou seja, é verdade que os portugueses são muito religiosos, da mesma maneira que também é verdade que são muito anti religião - depende de que região de Portugal estamos a falar. Derivado ao contexto económico, social, político e religioso os Açores é muito diferente do Alentejo e mais semelhante com o Norte do continente, e mesmo assim existem diferenças bastante acentuadas. Normalmente o que acaba por unir os grupos étnicos digamos assim, são fatores externos… eu próprio, por exemplo, sou português, nasci e fui criado em Portugal, formei-me em Portugal, reconheço-me como português inclusive a minha autocrítica e as minhas noções que ofereci provêm da minha educação portuguesa e do meu cosmopolitismo, mas a minha portugalidade... ou seja, só me comecei a identificar mais como português no Canadá, porque até aí era um dado garantido e não era “interessante”. Fui-me tornando mais português no Canadá, como também sul-europeu. Em Portugal

nunca me vi como um sul-europeu, e penso que a maioria dos portugueses em Portugal se consideram europeus ocidentais, pela nossa História estar próxima com ao Reino Unido e à França e, claro, à Espanha nem sem fala do que está da Itália e da Grécia. No Canadá ou no mundo anglófono os portugueses, italianos e os gregos normalmente são postos no mesmo saco. (…) A minha identidade racial nunca foi posta em causa em Portugal, sempre me considerei branco – é daquelas coisas que nunca me autoidentifiquei, também porque era um dado garantido – mas, quando chego ao Canadá, em certos momentos identificaram-me como não branco, o que percebo perfeitamente porque as identidades raciais são contextuais que se alteram de contexto em contexto e querem dizer coisas diferentes em contextos e momentos diferentes. Resumindo, o ser “português” é uma coisa perfeitamente contextual, o português de Portugal é relativamente diferente do português do Canadá (…). RA: Ser português, hoje em dia, é motivo de orgulho? GF: O orgulho só deveria ser usado no contexto defensivo… o orgulho em si é um sentimento, que acho que deveria ser, defensivo. Uma pessoa orgulhosa ou o orgulho não é um bom sentimento, eu acho que uma pessoa deve estar aberta à autocrítica e outras perspetivas, etc. Mas tenho orgulho em dizer que sou português se alguém me tentar embaraçar por ser português – hoje em dia isso já nem acontece. Contudo, quem viveu ou nasceu no Canadá até aos anos 80, ter uma identidade portuguesa não era propriamente uma coisa que beneficiasse, que abrisse portas ou trouxesse vantagens, pelo contrário, havia muitos estereótipos muito negativos, então muitos portugueses, principalmente os jovens, escondiam a identidade… o que hoje não acontece!!! Hoje é ao contrário, pois temos o fenómeno Cristiano Ronaldo e Portugal está na moda… hoje ser português é uma mais valia. Eu sou português, porque eu sei que o sou e para mim não é uma questão controversa… sou português como sou canadiano, apesar que parte da minha identidade que provem do Canadá é obviamente diferente da parte da minha identidade que provem de Portugal. No Canadá, a minha identidade é mais cívica e profissional no quotidiano, mas os meus pontos de vista ditos culturais, políticos e ideológicos provêm da minha formação em Portugal e da História de Portugal. Acho importantíssimo que quem tenha a possibilidade e oportunidade de passar uma segunda linguagem e o acesso a outro universo cultural aos seus filhos, encorajo-o vivamente que o façam. É uma riqueza enormíssima que é quase criminoso não passar isso aos seus descendentes e um fechar portas a um universo inteiro. Saber português, significa ter acesso a um mundo de literatura, música, etc… é ter acesso ao mundo lusófono. Amar I 25


RA: Acha que se fazem coisas muito boas em Portugal, como, por exemplo, na cultura, ciência e tecnologia, que não têm o devido reconhecimento internacional? GF: Não é só pelo simples acaso de eu ser português, mas eu gosto muito da cultura portuguesa e do que se faz em Portugal a nível de literatura, música, cinema – o cinema português é excelente! Aliás, sempre que vou a Portugal vou-me informando. A música que se faz em Portugal, música moderna e não só… por exemplo, pegamos no Hip-Hop, um dos géneros mais populares do planeta, eu acho que o Hip-Hop português dá voltas de avanço ao Hip-Hop norte-americano. Em Portugal fazem-se coisas muito boas, a literatura então nem se fala. Portugal tornou-se quase um Silicon Valley da Europa, com muita gente criativa, aliás o que acaba por acontecer é o seguinte – isto vai ser quase uma auto-congratulação à minha geração (risos) – Portugal é um país que tem gerações que têm memória viva e recente de um país onde havia poucos recursos e as pessoas que se quisessem alguma coisa tinham que fazê-las por elas mesmas e é comum a muitos de nós, que vieram do meio rural, e é um país onde há também uma cultura de artesanato muito grande e o artesanato é, digamos, uma cultura de criatividade - e a criatividade e a arte não é uma coisa das elites… qualquer camponês ou pescador é quase um poeta hiponense. Isso nota-se muito no design do nosso artesanato, que é riquíssimo. As gerações, da idade produtiva, herdaram o que se diz em inglês “do it yourself” e juntaram a isso a educação formal, o treino moderno e qualificado da sociedade moderna do após 25 de Abril e do ensino público, sendo esta a geração mais qualificada de sempre da História de Portugal. (…) Então esta junção da educação popular, chamemos-lhe assim, com a educação formal acaba por criar uma geração altamente qualificada, mas com conhecimentos não demasiadamente formatados, porém com muita criatividade e com uma maneira de pensar como se diz “outside the box”. (…) Portugal tem muito para oferecer e faz tanta coisa boa que é frustrante que raramente entre no mundo anglófono. No mundo da música, temos músicos fenomenais e que se cantassem em inglês ou lançados no mercado anglófono seriam superestrelas. É frustrante, depois olhar para algumas coisas medíocres feitas no Canadá que acabam por ter imenso sucesso, quando nós temos tantos melhores! Lá está, não sou nacionalista, mas gosto muito do meu país, da minha cultura, etc..., mas a minha posição crítica, a minha própria relutância, os meus valores e consciencialização política vem da minha formação portuguesa e é daí que também vem o meu cosmopolitismo, que acho que também é uma coisa que faz parte da cultura e História portuguesa, embora uma História recente e muito negativa e que ainda é muito mal contada sobre as “supostas” descobertas, a escravidão etc. Na realidade está na nossa cultura o estar à vontade com o resto do mundo… de sair/partir, de ter um diálogo cultural sendo ou não baseado em mitos, parece-me que é um facto que os portugueses atualmente olham para tal como uma mais valia e reconhecem-se nessa representação da identidade portuguesa, mais global comparando com outras nações. Para mim, comparando o Canadá a Portugal, acho o Canadá um país altamente paroquial, muito fechado em si mesmo e com complexos de superioridade moral que, muitas vezes, me irritam para dizer a verdade. 26 I Amar

RA: Aprendeu a amar Portugal desde que imigrou? GF: Ah… isso também, claro! RA: E sobre os seus valores, costumes, tradições e cultura? GF: Quando falamos nisso no contexto da imigração, as imagens que tendem de nos aparecer à cabeça é o rancho folclórico, a matança do porco, as festas religiosas e outro tipo de atividades do género e não da cultura científica, literária ou académica, etc. A ideia que se tem, é que essas tradições tendem se a congelar, no contexto da imigração e há realmente uma tentativa de congelar as coisas no tempo como elas se faziam na altura quando os imigrantes partiram de Portugal e remontam a um passado muito mitificado e romanticista quem em muitos casos não existia, mas existe na memória e na reconstrução que se faz na memória das pessoas do país que se partiu. Por exemplo, o rancho é uma tradição “inventada”, porque faz parte da criação de uma propaganda do Estado Novo, que nos anos 30 “inventou” o rancho folclórico como uma prática existente em Portugal, do Norte ao Sul, que não é verdade! Para além que está relacionado com outras práticas propagandistas e nacionalistas como da Alemanha nazista e da Itália fascista, etc., da criação do espírito comunitário e nacionalista que remonta às origens simplista e rurais dos povos - o Salazar prezava muito isto, a ligação ao campo. Então, os trajes e as danças diferentes associadas às respetivas à zona do país foi inventado pela Sociedade Nacional de Informação, propaganda, etc. Nos anos 50, é que realmente se tornam mais populares porque começam a aparecer nos mass media - na televisão – e, tudo que é campanhas de turismo do Estado Novo aquando o Salazar começa a investir mais na propaganda turística, inclusivamente no Canadá e nos Estados Unidos, e os ranchos folclóricos começam a aparecer no mainstream internacional, que leva que a cultura portuguesa comece a ser associada a esse tipo de imagem – imagem rural e tradicional. Os ranchos folclóricos em Portugal não têm o mesmo significado que tem nas diásporas, são coisas diferentes. Em Portugal o rancho é visto como uma coisa arcaica que remonta ao passado rural e, dependendo das pessoas, até fascista, enquanto que na diáspora não, primeiro porque a história é desconhecida e porque o rancho está associado ao convívio social – pais que querem que os seus filhos convivam com outras crianças portuguesas, que aprendam a falar português e que até encontrem alguém para casar (risos). (…) Quando se fala em tradições, tende-se falar de práticas culturais que não se modificam e ditas autênticas, mas na realidade muitas vezes elas são inventadas para que sejam assim ou entendidas assim, mas acima de tudo, elas alteram-se durante o tempo… aliás a tentativa de cristalizar a cultura, apesar de falhar sempre, faz mais por matar a cultura e os costumes do que por mantê-la viva. RA: Como pai, o que tenta incutir aos seus filhos? O que acha mais relevante ensinar? GF: Limitando a questão à portugalidade, para mim e para a minha esposa, Portugal é importante para nós e queremos que eles aprendam a língua portuguesa e para tal, eu falo português em casa, fora algumas exceções quando todos estão a falar em inglês à minha volta (risos). Desde que o nosso filho mais velho nasceu, que tem agora 4 anos, temos ido a Portugal todos os anos e queremos manter isso tanto quanto nos for possível, existe sempre a possibilidade de voltarmos para Portugal – possibilidade não muito remota, que pode acontecer nos próximos anos.


Lt Governor of Ontario Award Créditos: Direitos Reservados

Lt Governor of Ontario Award

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Lançamento do livro "This PIlgrim Nation"

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Créditos: Direitos Reservados

Créditos © Gilberto Prioste

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RA: Em 2008 tirou o Master of Arts, History/ Ethnic, Migration, and Pluralism Studies, na Universidade de Toronto e em 2014, na Universidade de York tirou Ph.D. em História. Eram duas formações que ambicionava um dia conquistar, ou foram circunstâncias da vida que as proporcionaram? GF: Foi um bocado as duas coisas… eu sempre ambicionei continuar os meus estudos até onde pudesse ir, sendo o doutoramento o patamar mais alto e também porque surgiram essas oportunidades, de me candidatar a esses cursos. (…) RA: Hoje é Professor e está ligado ao Departamento de História da Universidade de York em Toronto. Como surgiu essa oportunidade? GF: Estou ligado à Universidade de York, porque desde do doutoramento tenho feito o chamado trabalho de História Pública com uma série de projetos cujo a ideia é levar a investigação histórica ao público em geral, o proverbial “descer a Torre de Marfim”, foi sempre o meu princípio… não ser aquele académico, que não sei dos corredores da Universidade. A minha atividade de investigação tem sido muito ligada ao público – faço uma série de atividades de História Pública, ou seja, exposições, caminhadas e passeios históricos, documentários, palestras públicas, etc… a ideia é levar conhecimento histórico ao público em geral, principalmente à comunidade que estou a estudar na altura e ao mesmo tempo dar-lhes acesso não só para consumir essa História como também dar acesso a ajudar a criar. (…) RA: Fale-nos do projeto “História Luso-Canadiana”? GF: Foi o primeiro projeto que fiz antes do doutoramento e já tem mais de 10 anos. O projeto foi fundado por mim e pela Susana Miranda, mas que contou também com o Rafael Costa e o Manuel da Silva. A ideia do projeto foi sempre de ir à procura de documentos históricos em mãos de indivíduos e organizações privadas na comunidade portuguesa, obviamente, (…) e facilitar a doação desses documentos para os arquivos da Universidade de York, porque para um historiador, e não só, os arquivos são o que o permite trabalhar e sem os documentos não podem alegar nada. Quando digo documentos, refiro-me a tudo e mais alguma coisa – fotografias, jornais, correspondência, panfletos, atas e minutas de reuniões… tudo que seja documentação produzida e agregada pelos indivíduos e várias organizações. Hoje temos 10 coleções de documentos de várias pessoas, como do Domingos Marques, da Ilda Januário, do João Santos, do Filipe Gomes, da Associação Democrática Portuguesa, só vou nomear algumas. Com o nosso trabalho, estas coleções de material histórico relacionado com portugueses na América do Norte já é a segunda maior coleção de material histórico sobre os portugueses e que está na Clara Thomas Archives and Special Collections, da Universidade de York. Esta era uma das vertentes do projeto e a outra vertente era com esses documentos e com o nosso trabalho de investigação criar as atividades de História Pública de que já falei. Este projeto teve e tem muito sucesso, tanto que outras comunidades já o emularam (…) e a Universidade de York reconheceu este trabalho e desde que eu acabei o meu doutoramento, a Universidade tem feito uma campanha de angariação de fundos que me permitem continuar a minha investigação e o meu trabalho de História Pública, aliás o meu primeiro patrocinador, durante 2 anos, foi o Manuel DaCosta, depois foi a Local183 e atualmente estou a trabalhar num projeto que comecei em janeiro, com o patrocínio da Local793 por 3 anos. RA: E este projeto com a Local 793, de que se trata? GF: Este projeto tem um nome em latim, Laborem Ex Machina – The History of the Operating Engineers and Heavy Machinery in Canada´s Construction Industry e trata sobre a História desta profissão e da maquinaria pesada e dos avanços tecnológicos e o impacto que isso teve e tem no mundo do trabalho a nível de emprego, e organização sindical e segurança no trabalho. É uma ocupação muito interessante, uma vez que numa grande parte dos casos a tecnologia e maquinaria acabam por substituir os trabalhadores. (…) Portante, neste caso o avanço tecnológico criou uma nova ocupação, que é o Operating Engineer. É uma indústria onde a inteligência artificial, a robótica e a construção em 3D já estão a ser aplicadas na construção e que tem impacto a nível de emprego, que por sua vez impacta o sindindicato dos trabalhadores. Para se perceber esse impacto e que já está a acontecer, é vantajoso olhar par o passado e ver outras situações em que o avanço tecnológico tiveram impactos semelhantes e como é que a sociedade e os sindicatos reagiram, como é que o sistema de aprendizagem evoluiu para ir ao encontro das habilitações necessárias para operar as máquinas, etc… é um tema que me está a interessar bastante e cada vez mais. Este projeto 28 I Amar


vai ser público, pois vou fazer um site, um podcast, etc.

Exibição do projeto "City Builders" no Columbus Centre Créditos © Vincenzo Pietropaolo

Também estou a iniciar outro projeto que está incerido neste, sobre a participação e a baixa representatividade de trabalhadores indígenas na indústria da construção do Ontário e que tentativas ou esforçosos que se tem feito, pela Local 793 e uma outra organização comunitária com quem também estou a trabalhar, para inverter isso e para se diversificar mais a mão de obra. Focamo-nos especialmente nos indígenas neste projeto, mas estamos interessados também nos fatores que impedem a mão de obra feminina na contrução ou mão de obra de outras comunidades não brancas, questões de descriminação, etc. Portanto este projeto, que estou a gerir - e do qual faço parte da investigação - permite-me gerir o orçamento para fazer várias coisas mais pequenas, mas com impacto e tudo isto providenciado pela doação do sindicato, mas também porque a Universidade tem apostado em mim. RA: O seu primeiro livro, que foi lançado em início 2020, tem como título: This Pilgrim Nation: The Making of the Portuguese Diaspora in Postwar, North America. De onde veio o interesse de pesquisar e escrever sobre a imigração portuguesa no Norte da América após segunda Guerra Mundial? GF: Este livro advem da adaptação da minha tese de doutoramento para o tornar mais acessível, mas continua a ser um livro académico, com mais conteúdo e algum conteúdo diferente da minha tese.

Exibição do projeto "City Builders" no Columbus Centre Créditos © Elijah Nicols

Exibição do projeto "City Builders" no Columbus Centre Créditos © Elijah Nicols

O livro é sobre a diáspora portuguesa no Canadá e nos Estados Unidos, as relações das comunidades portuguesas com o Estado Novo e com os seus oficiais, qual foi a influência da ditadura na formação das comunidades, fala sobre a história de como o Estado Novo influênciou a formação dos líderes comunitários, mas também a oposição a isso, ou seja, também havia uma grande oposição ao Estado Novo dentro da comunidade, especialmente em Toronto e Montreal e no final fala um pouco sobre o 25 de Abril, do PREC (Processo Revolucionário Em Curso) e dos anos imediatamente a seguir até aos finais dos anos 80, aquando da afirmação de uma política de diáspora, mais articulada e positiva , pelo governo democrata durante os governos do PS e do PSD. RA: Em 2018, lançou um documentário, intitulado City Builders: A History of Immigrant Construction Workers in Postwar. Em que consistiu? GF: Nesse projeto fiz um documentário de 4 parte, fiz uma série de vídeos de história oral, uma exposição intenerante de multi-

média e um site com horas e horas de conteúdo digital. Este projetos levou cerca de 2 anos que foi patrocinado pela Local 183 e feito na Universidade de York. RA: E o que ainda falta escrever sobre a imigração portuguesa no Norte América? GF: Ao nível do Canadá a maior parte dos estudos que têm vindo a ser feitos, inclusive os meus, focam os meios urbanos, como Toronto e Montreal, o que é justificável porque é nas cidades que se encontram grande parte dos imigrantes portugueses, porém há muitos portugueses no meio rural, a minha esposa, por exemplo, vem do meio rural cujas expêriencias são relativamente diferentes e que merecem mais estudos ou um estudo próprio (…). Nos Estados Unidos já existe comunidades portuguesas desde do ínicio da grande onda de emigração europeia para os Estados Unidos, desde dos anos 20, quando foram atrás do ouro na Califórnia até à costa leste, portante aqui há uma História muito mais antiga e comunidades muito mais numerosas e como tal a riqueza e a quantidade de histórias para contar são maiores. Portanto a História dos português no Canadá é muito mais recente, apesar de existir presença portuguesa na Terra Nova mais cedo, comunidade propriamente dita é de 1953. Os meus estudos tendem a ir até meados a finais dos anos 70 – os meados, porque é uma altura com uma identidade própria, que depois nos finais dos anos 70 se centra num novo período da História e muito atual, é mais difícil escrever História sobre um passado-recente, do que de um passado-passado. Mas, à medida que o tempo vai passando, ainda há histórias para contar dos anos 70 até atualmente e eu tenho aprendido muito mais essa história a trabalhar no projeto City Builders - a História dos imigrantes portugueses na construção, no seu sindicalismo e sua sindicalisação, a imigração indocumentada, ou seja, histórias muito interessantes… mas há outra áreas, algumas que já foram estudadas, mas que podem ter mais estudos e que têm que ser atualizados, portanto questões relacionados as dinâmicas interacionais e a comunidade portuguesa está a entrar no Canadá, na quarta geração, mas bastante jovem. Uma coisa que realmente que hoje é uma verdade à la palisse que há anos não era, é que tradicionalmente entendia-se que a identidade cultural da imigração era algo que depois de duas ou de três gerações íam esmorecendo e perdendo-se ao longo dos tempos e é sabido hoje, que isso não é bem assim que funciona, pode acontecer em alguns casos, mas não necessariamente. (…) Amar I 29


RA: E o porquê do interesse da imigração portuguesa? GF: Porque depois da queda do império, em 1975, Portugal, entre as elites políticas e intelectuais, entra numa crise de identidade nacional, ou seja, um país que sempre se autojustificou, auto-entendeu e que se posicionou no mundo como potência imperial mais de 500 anos, de repente vê-se sem império e passa a ser um retângulo pequenino na periferia da Europa. Um país que mentalmente era grande, ao nível do seu imaginário nacionalista, de repente ficou cingido e desfasado muito da auto perceção que os portugueses tinham de si próprios. Então a maneira que a classe política e intelectual encontrou para substituir o império foi criar a diáspora. A diáspora passou a ser esse povo global que justificava a ideia de que Portugal e que os portugueses têm de si mesmo, de ser uma nação global. Uma nação em que a cidadania não está presa a um espaço terrestre, mas sim ligado por questões culturais, linguísticas, etc., o que depois se traduz num grande impacto, como por exemplo, no facto dos imigrantes terem deputados que possam votar, de terem o Conselho das Comunidades Portuguesas, programas políticos de apoio ao imigrante e outras mais valias. Eu comecei a interessar-me por este tema durante a minha licenciatura, apesar que não era sobre a História de Portugal, mas uma grande parte era e lembra-me de ler um ou dois artigos sobre a imigração… e a imigração tem uma importância enorme na História Moderna e Contemporânea do nosso país, mas naquela altura a imigração não era visto como um tema muito relevante, talvez porque não tinham passados muitos anos depois do 25 de Abril. Hoje em dia a produção historiográfica e o número de investigadores é muito superior comparado quando eu fiz o doutoramento. (…) O meu interesse pelo tema da imigração intensificou-se depois de eu emigrar, quando cheguei ao Canadá tinha acabado a licenciatura recentemente e uns anos depois fiz o meu mestrado e quando acabei comecei a pensar a que área de investigação me poderia dedicar, que fosse o meu “niche” e como português com conhecimentos sobre a História de Portugal, da zona do país de onde saiu a primeira geração de imigrantes e até um conhecimento quase intuitivo e algumas referências comuns aos imigrantes que passariam ao lado de um investigador canadiano ou luso-canadiano como, por exemplo, detetar “silêncios”… ou seja, o facto de uma pessoa não falar sobre algo, às vezes, diz mais do que se falar mas para tal o investigador tem que perceber o contexto todo em que se está inserido e eu percebia esse contexto, pois era o mesmo que o meu. À medida que fui estudando e investigando sobre a imigração portuguesa, “apaixonei-me” por ele.

Exibição do projeto "City Builders" no Columbus Centre

Créditos © Vincenzo Pietropaolo

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Créditos © Vincenzo Pietropaolo

RA: A história dos imigrantes portugueses na diápora do Canadá é mesmo interessante… GF: É sem dúvida um tema interessatíssimo, especialmente a relação com a diáspora e os transnacionalismos (…) e apercebi-me que a História dos portugueses, no Canadá é realmente extremamente rica, com personagens, eventos e processos interessantes e acho que está na altura dos luso-canadianos saberem essa História. A comunidade em si já existe há mais de 60 anos e não precisa retratar a História de Portugal, mas obviamente que a História de Portugal teve muito peso sobre a História dos imigrantes no Canadá como noutros países, mas a presença que é bastante grande, antiga e interessante – interessante não só para Portugal e para a sociedade portuguesa porque a diáspora tem impacto na vida dos portugueses em Portugal, mas também, e talvez ainda mais, para a sociedade canadiana pois os portugueses não eram “espetadores” da história de onde eles estavam… eram, foram e são muito interventivos e participativos. Eu diria que a História dos portugueses no Canadá é a História do Canadá e é a História de Portugal. O interesse pela História dos portugueses no Canadá vai para além da própria comunidade, mas claro que a comunidade será a primeira interessada e acho que se os portugueses que se interessarem pela sua história, vão ver que o tempo que dedicaram será um tempo bem passado e bem investido, ficando a preceber muito melhor não só a história da sua comunidade como também de si mesmo como indivíduos e suas famílias, da sua cidade e do seu país, etc. RA: Na sua opinião, como é que é visto o imigrante? GF: Hoje em dia a visão que se tem do imigrante é muito diferente da que se tinha nos anos 70. Sendo que também está relacionado com o facto que nós imigrantes atualmente somos, talvez não na maioria mas uma grande parte, jovens muito bem qualificados para ir para o estrangeiro. Hoje em dia os jovens vêm de um Portugal moderno e de meios urbanos que mantêm ligações económicas, científicas, culturais, etc. com o país e acabam por ser um pouco os embaixadores no estrangeiro, os imigrantes sempre o foram, mas digamos que estes jovens mais qualificados tendem a mostrar um Portugal diferente… mais progressista e sofisticado que contribuiu para a transformação dos pontos de vista do que é a imigração. 30 I Amar

Exibição do projeto "City Builders" no Columbus Centre

Créditos © Vincenzo Pietropaolo


Exibição do projeto "City Builders" no Columbus Centre Créditos © Vincenzo Pietropaolo

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Nas asas de um açor I

A

s viagens são sempre um bom remédio para confirmar in loco as nossas expectativas em relação a um determinado lugar, vivenciar na primeira pessoa experiências únicas, os usos e costumes locais, a gastronomia cativante, o linguajar com sotaque, a hospitalidade dos naturais, o clima muito peculiar e as paisagens bucólicas, vendidas nos anúncios promocionais da televisão. Ao abordar os arquipélagos nas minhas aulas, habituei os alunos com os lugares comuns, relativamente aos Açores ou Azores, a enumeração das ilhas do grupo oriental, central e ocidental. A toponímia do nome dado às ilhas, a caracterização do clima, o seu relevo, as atividades económicas, a sua localização e a distância em relação a Portugal Continental. Um manancial de informações disponível em qualquer guia turístico bilingue comprado numa grande superfície ou loja da especialidade. Seguramente um retrato minimalista e românico.

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O seu descobrimento é uma das questões mais controversas da história da navegação portuguesa do século XV. O que se sabe concretamente é que Gonçalo Velho chegou à ilha de Santa Maria em 1431, decorrendo nos anos seguintes o (re)descobrimento - ou reconhecimento - das restantes ilhas do arquipélago dos Açores, no sentido de progressão de leste para oeste. Uma carta do Infante D. Henrique, datada de 2 de julho de 1439, ao seu irmão D. Pedro, é a primeira referência segura sobre a exploração do arquipélago. Só mais tarde Diogo de Teive terá chegado ao grupo ocidental, às ilhas das Flores e do Corvo. Essas ilhas encantadas incutem um fascínio irresistível nos seus potenciais visitantes, uma espécie de atração fatal incurável, alimentado por um desejo incontrolável de voltar a embebedar-se de natureza. O escritor Raul Brandão descreveu-as como ninguém na sua obra Ilhas Desconhecidas – notas e paisagens. Dizia ele numa nota introdutória da obra, em três linhas “Este livro é feito com notas de viagem, quase sem retoques. Apenas ampliei um ou outro quadro, procurando sempre não tirar a frescura às primeiras impressões. Tinha ouvido a um oficial de marinha que a paisagem do arquipélago valia a do Japão. E talvez valha... Não poder eu pintar com palavras alguns dos sítios mais pitorescos das ilhas, despertando nas leitores o desejo de os verem com os seus próprios olhos!...” Após duas horas e dez minutos de voo acabara de desembarcar no aeroporto João Paulo II. No rent car aguardava-nos um Fiat 500 companheiro de viagem durante os três dias de estadia. Uma apreensão apoderou-se dos meus pensamentos, como ser pragmático para rentabilizar o tempo, com intuito de visitar todos os pontos de interesse da ilha. Na breve lista previamente escrita sobravam lugares e escasseava horas, manhãs, tardes e dias para tamanha empreitada. Um enorme defeito dos turistas apressados, nos Açores apreendi que o tempo tem um evoluir próprio, inversamente proporcional aos batimentos cardíacos a quando fruição da natureza no seu estado mais puro e luxuriante. Portas da cidade Créditos © Carlos Cruchinho

Com este artigo pretendo que vejam pelos meus olhos a ilha de S. Miguel, entrando simbolicamente pelas portas da cidade de Ponta Delgada, percorrendo as ruas e vielas atapetadas a preto e branco, exibindo autênticas obras de arte em calçada portuguesa. Enxugar a roupa no corpo depois de uma borrasca momentânea, entrar a escorrer água no primeiro sítio para se acoitar do clima peculiar da ilha, no restaurante Camões degustar a primeira refeição em solo açoriano. Antes de fazer check-in no Neat Hotel Avenida, uma promenade pela marina de Ponta Delgada, uma doca disponível para barcos da marinha mercante, cruzeiros e fragatas da marinha portuguesa. O escritor Raul Brandão descrevia a sua chegada no S. Miguel a Ponta Delgada numa prosa poética inigualável a quando do deu périplo pelas ilhas açorianas. 34 I Amar


“À tarde, pelas sete horas, temos outra ilha à vista, sob grossas nuvens amontoadas, tudo da mesma cor, nuvens e ilha. Ao largo um pôr do Sol dramático enche o horizonte, doira os bordos dos cerros e irrompe pelos interstícios caindo em feixes sobre as águas. Mas o que me interessa é a luz que mudou, é o céu que mudou – a luz delicada dos Açores, o céu dos Açores carregado de humidade e forrado de nuvens que um pintor imitaria na tela com pequenos toques horizontais cor de chumbo, carregando-os e amontoando-os cada vez mais até à linha do horizonte. E é esta luz que me acompanha e nunca mais me larga, a mim que vivo de luz límpida, e que acordo todas as manhãs com o pensamento na luz... Ilumina S. Miguel (13 de junho), coada pelo céu pardo, e Ponta Delgada estendida à beira da doca, com um grande monte violeta ao lado.“ Repostas as energias despendidas na longa viagem da véspera, acordo para mais um dia no paraíso, estranho a hora no meu relógio, afinal ganhei mais uma hora, oito horas em Portugal Continental, menos uma hora nos Açores. A luz a refletir nas águas da baia de S. Pedro entra sem piedade pela vidraça do hotel, o tempo adormece, uma espécie de calma apodera-se dos meus sentidos. Acomodado o estômago com uma sandes mista em pão de sementes e uma meia de leite na Casa Cheia, próximo destino Lagoa do Canário na Serra da Devassa, localizada na formação vulcânica do maciço das Sete Cidades. Aos poucos vamos deixando o buliço de Ponta Delgada, como companhia o serpentear do betuminoso como uma fita métrica desenrolada numa imensidão de verde, as bermas engalanadas de hortênsias também conhecidas por “novelões”, a paleta de cores pode variar conforme a acidez do solo, hortênsias azuis, rosas, lilás, vermelhas e brancas. Ao chegar ao estacionamento em saibro, o nevoeiro espesso esconde a paisagem, avisto uma manada de vacas leiteiras no pasto. As primeiras fotos tiradas com o telemóvel. Vale encantado Créditos © Carlos Cruchinho

Desço à procura da lagoa, o silêncio sepulcral da caldeira rodeada de floresta autóctone deliciam o meu imaginário, a harmonia da natureza em estado puro, os peixes assomam nas margens sem medo aparente da presença humana. Entre as ramagens avisto um pássaro numa pastagem adjacente, filmo o seu passeio a saltitar entre uma bicada e um rodar de cabeça para vislumbrar alguma ameaça. (https://youtu.be/azDAtk6SlIw)

Lagoa do Canário Créditos © Carlos Cruchinho Amar I 35


A próxima paragem a Lagoa das Sete Cidades com a sua ponte a separar as águas azuis e esmeralda, o expoente máximo do bilhete postal dos Açores, um lugar deslumbrante com os seus miradouros únicos, permitindo a selfie perfeita para posterior post nas redes sociais. Lagoa das Sete Cidades Créditos © Carlos Cruchinho

Uma descida vertiginosa às margens da lagoa, cruzo com os lavradores de galochas tocando as vacas no meio da estrada, uma espécie de transumância entre pastagens. Aceno em modo cortesia, recebo de volta um levantar de braço, paro mais à frente para mais fotografias, o ritual repete-se até à Ponta da Ferraria. Antes da descida a pique, recolho alguns vestígios vulcânicos de recordação junto ao muro construído com basalto vulcânico, um património imortalizado por Pedro Laranjinha em documentário, uma coprodução Alice’s House e Museu Carlos Machado.

Ponta da Ferraria Créditos © Carlos Cruchinho 36 I Amar


Os acidentes rochosos fazem lembrar os tempos imemoriais em que torrentes de lava desaguavam nas águas frias do atlântico edificando uma linha de costa recortada, onde as reentrâncias formam uns minúsculos fiordes magmáticos. Após milénios de confronto com o oceano cristalino, as arribas tentaculares não recuaram um milímetro nessa refrega. No regresso avisto o farol (Ferraria) com as bandeiras desfraldadas ao vento, o açor esvoaça ao sabor da maresia salgada. Olhando o mar, uma refeição frugal, uns snacks e uma peça de fruta. Nada de desperdiçar o precioso tempo de visita sentados à mesa, a Ribeira Grande esperava uma visita, o posto de vigia Wales Watch num ponto estratégico da ilha, uma atração turística sustentável, um sucedâneo da arcaica pesca ao cachalote. Os cetáceos são avistados a partir de terra pelo vigia, que fornece a informação da sua localização através de rádio VHF para as embarcações, que de seguida se dirigem para o local do avistamento. Em pleno outono, um clima ameno convidava a roupas leves, o céu exibia um cinza policromático, sentia-me um pouco gaulês, a qualquer momento o céu poderia desabar sobre a minha cabeça. Estacionado o Fiat 500, decidido a visitar a fábrica de chá Porto Formoso, uma borrasca anuncia-se, apressadamente procuro abrigo no alpendre com vista para a plantação. Deleito-me com a paisagem, enquanto chove com intensidade durante 15 minutos. Sentado numa mesa feita com rodelas de madeira de troncos centenários, aguardo a bonança, contando os anos da árvore sacrificada. A visita guiada ao museu e a fábrica terminou numa degustação do Azores Home Blend, o primeiro chá do ano – contém todas as folhas do rebento da Camellia Sinensis. Chá no Porto Formoso Créditos © Carlos Cruchinho

As duas únicas plantações de chá da Europa para fins industriais tem como marcas reconhecidas pelos consumidores Gorreana desde 1883 e Porto Formoso desde os anos vinte do século passado. A tarde caia a poente, o mar agitado no porto de abrigo em Rabo de Peixe, as ruas fervilhavam de gente, entre miúdos e graúdos. Uma volta pela vila piscatória, os bairros apinhados de pescadores à espera do bom tempo para a faina, magro sustento para tantas bocas famintas. No porto de pesca observo uma família a cuidar da sua casca de nós, os petizes aprendem o ofício enfrentando o mar de frente, como diz o povo de pequenino se torce o pepino. Abraçar desde tenra idade um destino incontornável, a faina piscatória ao largo. Uma bebida fresca na roulotte Peter’s Bar em pleno coração de Rabo de Peixe, um lugar açoriano genuíno fora dos roteiros turísticos habituais.

Porto de Rabo de Peixe Créditos © Carlos Cruchinho Amar I 37


Com a hora de jantar aproximar-se, na Ribeira Grande ainda sem recomendação para o repasto, uma sugestão trazida do continente levou-nos ao Restaurante da Associação Agrícola de S. Miguel, uma agradável surpresa para o palato e restantes sentidos. A escolha recaiu num hambúrguer à “Associação”, 350g de carne de vitela açoreana flamejada em vinho branco, com alho e pimenta salgada, acompanhado de batatas fritas e dois ovos. Com uma garrafeira eclética, a escolha do vinho revelou-se uma excelente aposta, Indelével Vinho Tinto Vegan. Como sobremesa um pudim de chá acompanhado de café longo. Um fim de dia num lugar requintado rodeado de bom gosto, um serviço rápido e eficiente. O regresso ao hotel fez-se com alguma parcimónia, após a degustação, o corpo pedia um passeio à beira mar, a marina de Ponta Delgada o sítio adequado para essa finalidade. Sé de Ponta Delgada Créditos © Carlos Cruchinho

Carlos Cruchinho

Licenciado no ensino da História e Ciências Sociais

A caminho do hotel mais uma olhadela na igreja de São Sebastião, um dos ex-libris da cidade com os seus pórticos manuelinos e barrocos, a talha dourada que reveste as suas naves, capelas e altares. Em plena praça, vogando como uma sombra sou abordado por alguém de chapéu na mão, em surdina um pedido de algo para comer. 38 I Amar


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Turismo

10 paisagens naturais incríveis

para descobrir em Portugal N

estes tempos conturbados em que a deslocação é ainda limitada e desanconselhado, a Revista Amar mostra-lhe imagens de cortar a respiração de Portugal. Este mês trazemos-lhe 10 sugestões e vamos continuar a mostrar-lhe o nosso país nas próximas duas edições, com mais vinte paisagens naturais incríveis. Montanhas verdejantes e planícies até perder de vista, lagoas e praias de cortar a respiração, socalcos característicos e formações geológicas únicas... Portugal tem uma enorme variedade de paisagens naturais para descobrir. Apesar do território pouco extenso, Portugal tem uma enorme variedade a nível de paisagens, com montanhas, planícies, lagoas e praias de cortar a respiração. Alguns deste locais parecem saídos de uma pintura, enquanto outros parecem totalmente irreais e quase não dá para acreditar que ficam em Portugal. Se uma imagem vale mais do que mil palavras, deixe-se encantar pelas paisagens naturais de Portugal, que vão fazer com que se esqueça das paredes da sua casa.


Fontes: Wikipedia, Geocities, TripAdvisor, Oyester, Idealo e Sapo CrĂŠditos: Direitos Reservados

V i s i t e w w w. r e v i s t a m a r. c o m p a r a m a i s d e s t i n o s t u r Ă­ s t i c o s

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Estreia Estreia em Portugal - 13 de agosto Estreia no Canadá - 12 de agosto Estreia nos EUA - 28 de agosto

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Curiosidades Com um investimento de seis milhões de euros, o filme realizado pelo italiano Marco Pontecorvo foi gravado em Fátima, durante a missa do papa Francisco, e em Coimbra, em 2017, com passagens ainda por Sesimbra, Pinhel e Tomar. O projeto foi desenvolvido pela Origin Entertainment e o argumento foi escrito por Marco Pontecorvo e Valerio D’Annunzio, com base na história de Barbara Nicolosi. O filme terá estreia no Canadá, no Ontário Place, em Toronto, a 12 de agosto, um evento organizado pela FPCBP em parceria com a Elevation Pictures, a Embaixada de Portugal Em Toronto e o Turismo Portugal. A estreia do filme “Fátima”, em Portugal, prevista para 30 de abril, foi adiada devido à pandemia de Covid-19. A antestreia do filme aconteceu em Leiria, em março, perante algum clero - entre o qual o cardeal António Marto - e funcionários do Santuário de Fátima.

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Sala de Cinema Em 1917, Lúcia, uma pastora de apenas 10 anos, e os seus dois primos mais novos, Jacinta e Francisco, afirmam terem tido visões da Virgem Maria, que lhes terá surgido com uma mensagem de paz.

As alegadas revelações inspiraram dezenas de milhares de católicos que se deslocaram até Fátima, na esperança de testemunhar um milagre, mas não agradaram à Igreja nem ao governo republicano de Portugal, que tentaram forçá-los a recontar a sua história. Ficha Técnica Filme com realização de Marco Pontecorvo, produzido por Rose Ganguzza e Natasha Howes, que contou com a participação de Harvey Keitel, Sônia Braga, Goran Visnjic, Joaquim de Almeida, Lúcia Moniz, Joana Ribeiro, Stephanie Gil, Catarina Mira, Ana Moreira, Alba Baptista, João Arrais, Dinarte Freitas, Laura Frederico, Carla Chambel, Ivo Alexandre entre outros. Duração: 113 minutos Género: Drama Origem: Portugal e EUA

Fontes: IMDB e FilmSpot - Imagens: Direitos Reservados

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lém dos Resistência e do regresso dos Delfins, Miguel Ângelo abordou e foi abordado por vários nomes da nova pop nacional para gravar NOVA(pop), um trabalho resultante da interacção a nível da produção e composição com novos nomes da música portuguesa, refletindo até um pouco das 3 décadas de carreira.

MIGUEL ÂNGELO

O Delfim da NOVA(pop)

Fotografia © Miguel Ângelo


Revista Amar: Vamos aqui falar um pouco da tua vida, mais artística, claro. Dispensa qualquer apresentação, Miguel Ângelo. Antes de tudo, quero-te agradecer em nome da MDC, o teres gravado um vídeo para a menina Eva. Foi um momento um pouco mais pessoal da tua parte porque até a tua filha apareceu no vídeo, o que foi engraçado. Miguel Ângelo: É verdade. RA: Começo esta conversa por perguntar como está a correr a tua quarentena, como artista. MÂ: Bem, eu comecei cedo. Comecei em março, uma semana antes de ser obrigatório aqui em Portugal porque também a creche da minha filha mais nova acabou por fechar mais cedo e tivemos logo que ficar em casa. Foi uma época de muito trabalho curiosamente, eu acho que acabei por ter mais trabalho, não remunerado, aqui na quarentena do que se as coisas estivessem a correr normalmente. Isto porquê? Duas coisas muito específicas: uma delas tem a ver com, às vezes, as coisas mais trágicas fazem com que as pessoas se unam, então este meio dos músicos, dos agentes musicais em Portugal sempre esteve muito desligado, cada um a fazer o seu negócio e foram muitas semanas assim. A mulher também está no negócio, é agente e manager de artistas, especialmente ela esteve a tentar juntar as pessoas, a organizar pré-associações para depois poderem ir falar com os ministros, com os secretários de estado, poder exigir para toda esta gente como eu mas não só os artistas, pensamos nos técnicos também, de luz, de som, roadies. Toda a gente que em março ficou sem trabalho, ficou sem faturar nada. Portanto, foram semanas difíceis de tentar falar com pessoas, juntar e registar pessoas, ouvir histórias da boca de muitas pessoas a falar das suas situações, bancos alimentares que se organizaram e que estão no ativo neste momento, para ajudar algumas pessoas em situações mais desfavoráveis porque isto acontece numa altura em que aqui em Portugal a estação dos concertos ia começar. Todas aquelas poupanças que as pessoas fazem no verão, nos concertos, estava-se a acabar, estava a acabar o inverno ia-se começar finalmente a ir para a estrada fazer concertos e teatros ao ar livre... foi mesmo numa altura muito crítica. Também ligado ao meu ramo, eu desde há alguns anos estou ligado a uma escola de produção e criação musical e sou coordenador de um curso de três anos, duma licenciatura em produção e criação musical e tivemos que adaptar, em duas semanas, todo o curso, todas as cadeiras para on-line. Começámos logo no fim de março a dar aulas on-line. Digamos que houve muito trabalho, em casa, feito em casa, no confinamento mas, ao menos, é bom haver ocupação da cabeça, não é? Senão arriscamo-nos a ficar mais letárgicos e parados. E claro, que aproveitei também, sempre que tinha uma hipótese, para escrever canções e para gravar no meu home estúdio algumas coisas. RA: Essa era a próxima pergunta que te ia fazer, se a quarentena também serve como inspiração porque tens mais tempo para escrever. MÂ: Sim, mas acabei por não ter assim tanto tempo porque com uma criança de 4 anos em casa à solta, aliás, como disseste, que acabou por participar no vídeo da pequena Eva porque estava ali, e deixa-me dizer-te que foi um prazer enorme dar um pequeníssimo contributo para a causa da Eva. Eu acho que os artistas também estão aqui para isso e, neste momento em que estamos todos em casa, porquê não poder ajudar quem precisa mesmo remotamente desta maneira, não estando lá fisicamente mas em espírito? Portanto, foi um prazer enorme participar naquela maratona com tantos artistas. RA: Uma pergunta que chegou dos nossos telespectadores e ouvintes, porque também temos a Camões Rádio, uma pergunta que certamente já te fizeram algumas vezes: és arquiteto de música? Tu que deixaste a arquitetura... MÂ: (Risos) Eu deixei a arquitetura lá bem longe, em 1992 52 I Amar

talvez, quando estive a trabalhar uns anos na Câmara Municipal de Cascais, no Departamento de Projetos e Arquitetura e fui um pouco encostado à parede porque queriam que eu ficasse lá a tempo inteiro e eu estava um pouco em part-time e naquela altura já tinha a música porque os Delfins já estavam a crescer bastante. Eu lembro-me que fizemos a primeira parte do concerto da Tina Turner no Estádio de Alvalade para 65 mil pessoas e foi um êxito gigante. Lembro-me de ter chegado à câmara no dia seguinte e ter toda a gente a bater-me palmas. Portanto, já havia uma carreira em ascensão nos Delfins, havia a Resistência também a estrear-se. Eu precisei que me pedissem para ficar lá a tempo inteiro para abandonar completamente a arquitetura. Gosto muito de arquitetura e só assim foi possível terminar o curso já com tantas tours e gravações de discos, mas a música é o meu sonho de criança. Gosto muito de arquitetura, tenho amigos arquitetos e é uma paixão minha,mas profissionalmente não. Tive um convite meio secreto sobre o qual não posso revelar muito, da Netflix para um projeto que pode estar ligado à arquitetura devido às voltas que a vida dá mas, profissionalmente sou músico, compositor, autor, produtor e é onde eu gosto de estar. RA: E no entanto, no final dos anos 80 e na primeira metade dos anos 90, os Delfins foram a referência maior no panorama português. MÂ: Foi um percurso que demorou o seu tempo, hoje em dia vivemos muito na era dos concursos de TV de talentos onde as pessoas aparecem e querem logo ser famosas, e algumas são, mas infelizmente mais de metade delas passado um ano, já ninguém as conhece... vivem muito do imediato. RA: Talvez o programa “Chuva de Estrelas” foi aquele que funcionou melhor não? MÂ: Sim, mas isso já foi há muitos anos. Começou em 1993/1994 e, desde essa altura, todos os anos há concursos de talentos, temos o “The Voice” aqui em Portugal, “Got Talent Portugal”... sei lá, tantos modelos americanos e ingleses que se copiam. Na realidade há tanta gente todos os anos e, se reparares, há uma dúzia de artistas que estão no ativo que vieram desses concursos, apenas uma dúzia de centenas e milhares de miúdos(as) que vão a esses concursos. De qualquer modo, os Delfins só começaram a ver grandes resultados passados 10 anos, mesmo económicos. Demorou tempo, foi passo a passo, disco a disco, tour a tour. É muito importante os concertos já que é neles que se consegue ganhar fãs novos, pois boca a boca falam a outros. Se o concerto correr bem, quando se volta àquela terra temos o dobro das pessoas a assistir. É tudo feito passo a passo para ganharmos uma estrutura que nos permita aguentar o embate quer do sucesso, quer de algum fracasso também. RA: E essa estrutura que também é suportada pelas tuas participações nos Resistência, participações quer escrita quer a cantar nos Polo Norte, verdade? E até fundaste um movimento que fazia versões antigas da música portuguesa. MÂ: Sim , verdade! Com o Miguel Gameiro. Sim, eu não consigo estar quieto, como te disse há pouco, mesmo no confinamento havia coisas para fazer. Eu dentro desta área que tem a ver com a música diretamente, que vai também até à televisão, ao teatro, música para filmes são campos que eu gosto de experimentar, até para lançar desafios a mim próprio. Acho que se só ficamos sentados a fazer só aquilo que sabemos fazer bem é bom mas, podemos ficar um pouco para trás. Lembro-me quando me convidaram para fazer dobragens de animação, que era um território desconhecido para mim, fiz primeiro o John Smith no Pocahontas e depois fiz o Woody do Toy Story que me deu um grande sucesso e ainda hoje o é. Foi um desafio grande, uma aprendizagem, gosto deste tipo de desafios que me fazem ir mais longe, conhecer pessoas diferentes e sair um bocado da minha bolha para depois poder voltar à guitarra, ao piano e fazer canções novas.


RA: E também à escrita porque editaste a tua autobiografia. MÂ: É verdade, eu comecei nos anos 90 a escrever ficção, editei alguns romances. É um sítio onde eu também gosto muito de estar... o lugar da escrita. É um sitio solitário, mais que a música já que nela há o estúdio, os outros músicos da banda, as viagens onde estamos todos juntos, os jantares antes dos concertos, há sempre um ambiente de festa e a escrita é uma coisa mesmo solitária onde estamos frente ao computador, com o ecrã vazio a inventar histórias, algumas autobiográficas outras não, mas também quando se chega ao fim dos livros (e falaste na autobiografia foi uma coisa diferente, foi um bocadinho um olhar sobre os 25 anos de carreira dos Delfins) principalmente duma história ou ficção, é uma sensação incrível uma sensação de círculo que se fecha e que se calhar vale a pena aqueles oito meses, dez meses, ano e meio em que se está a tentar escrever o livro e a acabar a história. Mas são sítios diferentes para estar, eu confesso que nos últimos anos tenho tido menos tempo para isso devido às atividades que tenho. Tive também uma filha há quatro anos, já tenho filhos crescidos e ocupam muito espaço da minha vida familiar e não há aquele recolhimento que às vezes é preciso ter à noite para se estar ali um bocadinho à 1h ou 2h da manhã a escrever, cada vez é mais raro na minha vida e por isso a escrita tem ficado um bocadinho para trás neste momento. RA: A solo, editaste o teu primeiro trabalho “Timidez”, em 1998, depois de terminar a carreira nos Delfins, 25 anos, sentiste que o caminho a solo era o caminho a seguir? O que trouxeste dos Delfins para a tua carreira a solo? MÂ: Acho que são as canções. Eu sou apaixonado por canções, embora o arranjo possa ser diferente, possa ser mais acústico, mais elétrico, mais teclas, mais guitarras, mais calmo, mais rápido, o que une toda a minha carreira com mais de 35 anos são as canções, é escrever canções com que as pessoas se identifiquem, que as pessoas possam ouvir e possam dizer olha esta canção foi feita para mim e, se houver muita gente a pensar isso, acho que é a melhor recompensa que um autor pode ter. No fundo, o segredo é continuar a escrever coisas íntimas que depois possam ser adotadas pelo público. Portanto, eu quando começo a solo... digamos que eu já sabia que ao acabar dos Delfins iria fazer qualquer coisa a solo e aceitei o projeto de que falaste, o chamado “Movimento”, que eram versões de canções portuguesas dos fins dos anos 60, onde conheci pessoas como a Selma Uamusse, que hoje está com uma grande carreira em Portugal, a Marta Ren também... e era para também lavar um pouco a cabeça. Tive 25 anos de Delfins e queria fazer uma coisa diferente, com pessoas diferentes, mas depois já sabia que ia continuar a solo e voltar ao estúdio para gravar canções e voltar à estrada. Comecei duma forma mais acústica, o “Primeiro”, disco de 2012, onde saiu o single “Precioso”, que foi um grande êxito por aqui, era um single mais de guitarras acústicas, de violino que era um instrumento que nunca tinha usado muito na minha carreira, o violoncelo... queria sonoridades que se desmarcassem um bocadinho daquilo que os Delfins tinham feito. Mas depois o percurso continua e a guitarra eléctrica volta e acaba por ser o ADN do qual não se pode fugir, não é? RA: Queres partilhar connosco, o sentimento que tiveste no últi-

mo concerto dos Delfins? Aquele em que pisaste o palco sabendo que seria a última vez. MÂ: Foi uma mistura de emoções, passou tudo tão rápido. Nós tínhamos um tour bus atrás do palco na Baia de Cascais, tínhamos vindo de um outro concerto, de outro sítio, não parávamos na altura. Lembro-me que foi um grande stress porque o tempo começou a ficar muito mau, começou a vir uma tempestade enorme, chuva e nós tínhamos tudo preparado para fazer um DVD ao vivo, que foi feito e que foi editado, mas quando o tempo piora, estávamos no dia 31 de dezembro de 2009; quando as condições climatéricas começam a piorar e começa a por tudo em risco, não só o espectáculo em si porque já tinha dezenas de milhares de pessoas a assistir, mas a gravação de som profissional, a gravação de imagem, as multicâmaras tudo ficou em risco. Parecia quase uma profecia para não irmos embora. Nós tínhamos de estar conscientes que o público estava ali e que tínhamos de dar o melhor espectáculo e ainda por cima era o último, mas ao mesmo tempo não podíamos deixar de estar preocupados com problemas técnicos, aquilo foi abaixo por causa da chuva, depois a imagem iria ficar mal por causa de todo o temporal; foi assim muito estranho. Lembro-me que tocámos 2:30h e de ter tirado o telemóvel do bolso porque ia haver fogo-de-artifício às 24h e nós tínhamos feito tudo sincronizado para acabar perto dessa hora... a terminar a “Baia de Cascais” que era a última canção, tirei o telemóvel do bolso e vi que faltavam 10 segundos para as 24h e eu começo fazer o countdown com ao microfone e assim terminou o último espectáculo dos Delfins. RA: Este regresso é um ponto de viragem na história dos Delfins? MÂ: Isto surgiu tudo por acaso. Nós fomos convidados pela Câmara de Cascais, no ano passado, que já andavam atrás dos Delfins há alguns anos para fazer um espectáculo exclusivo e nós dizíamos sempre que não, que não havia razão para o fazer. Mas, no ano passado, fomos convidados para fazer uma coisa diferente que nunca tínhamos feito: tocar com uma orquestra sinfónica de quase 100 elementos em palco, onde eles fariam os arranjos para a orquestra dos temas emblemáticos do grupo. Nós achamos que era uma ideia diferente porque, em 25 anos de carreira, nunca o tínhamos feito. Assim, reunimos de propósito em agosto do ano passado para fazer nas Festas do Mar essa reunião do grupo com uma primeira parte onde convidamos cantores para cantarem canções dos Delfins juntamente com a orquestra e tivemos o Olavo, dos Santos e Pecadores, o Miguel Gameiro, o Tim, o João Pedro Pais, depois tivemos gente nova como o pessoal dos HMB, o Heber, a Joana Espadinha, a Ana Bacalhau... quisermos ter a nova geração a cantar canções dos Delfins e foi muito interessante. Aquilo correu tão bem que apareceram logo agências a querer fazer alguma coisa com os Delfins, houve uma proposta que foi aceite e é uma proposta que é finita no tempo, ou seja, não haverá um regresso dos Delfins à sua carreira porque acho que não faz sentido mas, há sim, um regresso para uma tournée onde se vai celebrar as canções dos Delfins, e daí o nome da tour ser Celebração.

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RA: Então quer dizer que, no futuro, não vai existir uma continuidade dos Delfins, do projeto? MÂ: Não. Há esta proposta duma tournée naquelas datas, ia ser este ano mas, devido à Covid-19, acabou por ser tudo anulado; terá uma data nova no Rock in Rio que também foi adiado para o próximo ano; mantém-se a Feira de São Mateus que também já estava confirmada... mantêm-se algumas datas e outras aparecerão. Mas é uma tour para celebrar as melhores canções, os singles de grande êxito dos Delfins com toda a banda; não vai haver um regresso dos Delfins a gravar coisas novas e nem novos discos. Eu sei que é difícil dizer que desta água não beberei porque, às vezes qualquer coisa muda e pode acontecer. RA: Pode acontecer, como aconteceu com os Resistência. MÂ: Pois, por exemplo. Mas os Resistência é um caso diferente porque na sua primeira vida tiveram apenas 3 anos de carreira mais ou menos, depois acabaram e agora já estamos juntos há 8 anos, desde que voltámos em 2012. As coisas correm muito bem, acho que até melhor que nunca e é um caso diferente. Os Delfins foram 25 anos, um quarto de século... é muito tempo, portanto é difícil. Como te disse, não se pode dizer que desta água não beberei mas, não estará previsto um regresso à atividade regular. Nós todos temos coisas a solo, todos estamos ocupados. Faz sentido sim, porque as pessoas pedem-nos, voltar a celebrar as canções que são conhecidas do grupo e que são essas que as pessoas querem ouvir. Isso acontece com toda a gente, os Rollings Stones e até U2, lançam um disco novo, fazem um concerto as pessoas vão, mas querem ouvir os grandes êxitos. Podem ouvir o single novo porque até gostam, mas estão ali para ouvir os grandes êxitos e é isso que pretendemos. Toda a gente está muito bem, não houveram grandes divergências, mesmo no fim do grupo toda a gente ficou bem. RA: Então a set list desses concertos está feita porque os sucessos são praticamente todos... MÂ: É para cantar do princípio ao fim, eu acho que vai ser bom. RA: Agora mais recente, lançaste no final de 2019 o álbum a solo “Nova Pop” escrito com uma nova geração de músicos portugueses. Como é que foi essa tua adaptação, a esta nova escrita destes novos talentos portugueses?

Créditos © Miguel Ângelo

MÂ: Lá está, há pouco falava-te em desafios, não é? Foi mais um desafio porque foi algo que eu nunca tinha feito. Nós estamos habituados a fazer colaborações tipo duetos, convidar aquele cantor, aquele grupo, mas isto é diferente porque implicou que desde o início da escrita da canção houvesse uma parceira. Portanto, eu trabalhei desde o zero com o Filipe Sambado, com os D’Alva, com a Surma, com os Chinaskee... artistas muito jovens. RA: E em cada concerto da tour tinhas um convidado, não era? MÂ: Sim e vou recuperar. A tournée foi interrompida por causa do Covid-19, mas vai ser recuperada a seguir ao verão já com algumas datas e a ideia é ter sempre um convidado diferente em cada concerto. Vou fazer agora uma coisa para a

RTP com todos os convidados, que só sairá a partir de setembro, mas a ideia é fazer espetáculos com a colaboração deles. Isto foi bom porquê? Porque foi bom chegar a uma nova geração da pop portuguesa, ver como trabalham, aceitar sempre as ideias deles. Eles eram também produtores em algumas canções, portanto eu tinha a minha opinião, mas a decisão final era sempre deles, pus-me um bocadinho nas mãos deles. Isso foi uma sensação boa ver que há uma nova geração que gosta daquilo que eu fiz e que se identifica comigo e que está em palco comigo. Curioso, um dos nomes que é o mais alternativo, Chinaskee, foi meu aluno há 5 anos, passou pelas minhas turmas da escola da ETIC e agora, passado um tempo, estive em estúdio e em palco com ele, acaba por ser uma sensação incrível. RA: Para terminar, que objetivos tens ainda por alcançar? MÂ: (risos) Gostava de ir á lua, vou pedir ao Elon Musk para me levar, mas eu às vezes também ando na lua por isso não é preciso o Espace X para isso. Escrever canções e fazer discos é sempre um desafio porque estamos sempre a querer gravar um melhor que o anterior e isso ás vezes não acontece, como é óbvio! Mas eu acho que pelo menos tentamos. Portanto, eu estou sempre a pensar no próximo disco, no próximo projeto, no próximo concerto; não tenho assim uma ambição gigante porque o meu sonho de criança é aquilo que eualcancei, que é ser músico, viver da música em Portugal que, se calhar, no princípio dos anos 80 era ainda um sonho distante e consegui fazer isso, já o faço há 35 anos, às vezes duma maneira, outras vezes de outra, mas sempre ligado à música. Esse foi o meu grande sonho, um sonho que eu realizei e que estou satisfeito. Tive a sorte de ter uma banda, que foi a mais famosa da pop portuguesa e que vendeu mais discos de sempre... o quê é que eu posso pedir mais? Não preciso de pedir mais nada. RA: Miguel agora eu é que te peço para deixares uma mensagem a quem está no Canadá. MÂ: O meu voto só pode ser um: que a gente se possa encontrar fisicamente num espectáculo, por aí, quando cá vierem porque todos sentimos falta desse cantinho. Está a haver muitos concertos on-line, eu sei, muitas atuações, mas aqui em Portugal já começou a arrancar aos poucos, os sítios já estão a encher com metade da lotação; o Campo Pequeno já reabriu para espectáculos; as pessoas têm cuidado, vão de máscara, estão afastadas 1,5 m de cada; os lugares que são vendidos têm sempre lugares espaçados. Eu acho que é um princípio para voltarmos a esta vida e para as pessoas deixarem de ter receio, temos de ser todos muito cuidadosos para isto não voltar para trás, mas acho que todos temos de trabalhar e estar perto uns dos outros. Portanto, o meu voto é que todos nós estejamos mais perto num futuro próximo. RA: Miguel Ângelo obrigada por esta grande conversa, obrigado por tudo aquilo que já fizeste e vais fazer pela música portuguesa. MÂ: Muito obrigado. Grande abraço.

Paulo Perdiz

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Styling

Verão Tropical E

m 2000, quando Jennifer Lopez deslumbrou nos Grammy Awards, num vaporoso e tropical vestido da Versace; criou-se um clássico. Vinte anos depois, Donatella Versace chamou Lopez para abrir o desfile Primavera-Verão 2020, em Milão, com o mesmo vestido actualizado; para mostrar às mulheres que a vida não acaba aos vinte; mas recomeça aos cinquenta. Resultado: uma Jennifer muito mais segura e exuberante!

Este, é o ano em que os padrões tropicais voltam a ser a grande tendência; a par com os caquis; o padrão zebra; assim como os florais. Os estampados de palmeiras de verde clorofila, a lembrar a Amazónia; misturam-se com frutas como ananases e citrinos, em amarelos ácidos, que podem ir num degradé ao neon. As ramagens a lembrar cenários idílicos e crioulos, adoçam-se no estilo de Carmen Miranda. As peças chave deste Verão, são os macacões; os vestidos maxi; calções; mini-saias. Os vestidos querem-se volumosos e transparentes. Para coordenar estas explosões da natureza, esta tropicalidade, a bijuteria em pedras coloridas e cristais são boa aposta; já os acessórios conjugam-se bem com os dourados e os padrões zebra.

Maria João Rafael Consultora de Imagem

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Sugestรฃo

1 Top: Farfetch - $370 Brincos: Oscar de La Renta (Moda Operandi) - $255 Sandรกlias: Dsquared 2 (Bluefly) - $1.391 Mala: Simon Miller (Farfetch) - $823 Saia: Alberta Ferretti (Ferfecth) - $1.295

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Sugestão

2

Casaco de malha: Dolce & Gabbana (Farfetch) - $1.295 Sapatos: Saks Fifth Avenue - $825 Clutch: Judith Leiber Couture (Moda Operandi) - $4.694 Pulseira: Emilio Pucci (Yoox) - $540 Saia: Enfold (Italist) - $659 Brincos: Zulily - $39

Sugestão

4 Pulseira zebra: Kenneth Jay (TheRealReal) - $75 Clutch: Judith Lieber Couture (Moda Operandi) - $3.595 Sandálias: Louboutin (Nordstrom) - $895 Pulseira flores tropicais: Betsey Johnson - $65 Camiseiro: Alice Olivia (Net-a-Porter) - $285 Calções: Piccione Piccione - $455

Créditos: Dolce & Gabbana; Versace; Harper Bazaar; Hola Fashion; Urstyle Maria João Rafael; The Sun; Biography, sites e marcas acima mencionados

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Sugestão

3

Brincos: Moda Operandi - $475 Óculos de sol: Michael Kors (Jet.com) - $82 Clutch Tucanos: Judith Leiber Couture (Moda Operandi) - $3.795 Top: Dundop (Italist) - $240 Sandálias: Ava Woven (Gilt) - $1.295 Calças de seda: F.R.S For Restless Sleepers (Farfetch) - $539

Sugestão

5 Vestido: Osklen (Farfecth) - $1.049 Pulseira: Oscar de La Renta (MyTheresa) - $401

Brincos: Oscar de la Renta (Farfetch) - $430 Anel: Chalcedony Bar (Zales) - $299 Clutch: Judith Leiber Couture (Bergdoff Goodman) - $1.495

Sandálias: Marco Di Vicenzo (Farfetch) - $974

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Saúde

Tratar o cancro

pela Fitoterapia Chinesa

G

eralmente, o cancro é uma situação de deficiência de Qi do corpo e excesso de patogenia, uma síndrome de deficiência e excesso, ao mesmo tempo. Tratamentos contra o cancro, como a radioterapia e a quimioterapia, podem produzir vários tipos de efeitos colaterais, pois para além de dispersarem a sua energia, não tonificam as suas deficiências. A Medicina Tradicional Chinesa concorda que a radioterapia ou a quimioterapia são indispensáveis ao tratamento do cancro, contudo insiste que o cancro deve ser tratado com dispersão e tonificação através da MTC.


Causas do Cancro

Quando o paciente perde o equilíbrio entre o Yin e o Yang, reduz o movimento de Qi e sangue e fica com deficiência de Qi. Assim, situações patogénicas como a fleuma, humidade, estagnação de Qi ou de sangue e toxinas tornam-se mais propícias a acontecer, podendo conduzir à produção de cancro. As causas do cancro mais frequentes, sob a visão da MTC, são as seguintes:

• Os seis fatores patogénicos penetram no corpo, produzindo a estagnação de Qi e de sangue: Os seis fatores patogénicos são: vento, frio, humidade, calor de Verão, secura e fogo. Perder o equilíbrio da alimentação: Excesso de alimentos picantes e gordurosos ou ingestão de bebidas alcoólicas podem produzir humidade. No caso da humidade se acumular, esta pode produzir calor. Outros mecanismos podem ser a perda e equilíbrio do baço e os maus hábitos alimentares. Ambos podem produzir a humidade, que acumulada se transforma em fleuma, influência o movimento do Qi e do sangue. A produção da fleuma em conjunto com a estagnação do sangue e de Qi formam a base para que o cancro surja. Constituição: Algumas pessoas já nascem com problemas de deficiência de Qi e de Sangue. Perder o equilíbrio emocional pode prejudicar os orgãos: Excesso de pensamento, depressão, raiva ou tristeza podem afetar o Baço, Fígado e Coração. O sistema de circulação do Qi não funciona convenientemente, logo o Qi não flui facto que produz a estagnação da fleuma. Consequentemente, o sangue também não pode fluir bem, o que provoca a estagnação de sangue. Sangue e fleuma estagnados e acumulados misturam-se podendo causar o cancro.

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Sintomas Gerais do cancro

Cada cancro tem caraterísticas próprias e sintomas típicos. Normalmente, o cancro pode acontecer em mais do que um órgão. Os sintomas gerais são os seguintes:

• Cancro do Pulmão: Sintomas como a tosse, dor no peito, falta de ar ou fleuma com sangue.

• Cancro do Intestino Grosso: dor no baixo-ventre, dor de barriga, fezes com sangue ou pus, mudança da forma das fezes.

• Cancro do Fígado: dor nas costelas, sensação rija na barriga, inchaço, apetite fraco, icterícia. • Cancro do Pâncreas: dor perto do umbigo, náusea, vómito, icterícia, febre baixa no corpo. • Cancro do Estômago: dor na parte superior do ventre, dor em distensão no abdómen, náusea, vómito ou fezes pretas.

Princípio de tratamento do cancro em Medicina Tradicional Chinesa

O princípio de tratamento é tonificar a deficiência e dispersar os fatores patogénicos. De início, o tratamento consiste em expelir os fatores patogénicos, expelir a humidade e transformar a fleuma, fazer circular o sangue e remover as estagnações. No final, o tratamento normalmente está centrado em tonificar tanto o Qi como o sangue, o Baço e os Rins, nutrir o Yin, aumentar o Yang e adicionar meios de expelir os fatores patogénicos e desintoxicar.


Fórmulas Fitoterápicas Chinesas

Apesar de depender dos sintomas, quase todas as fórmulas a seguir indicadas podem ser utilizadas para o combater do cancro. As mais utilizadas são as seguintes:

• a) Er Chen Tang: Seca a humidade e transforma a fleuma. Usado em vários casos de humidade e fleuma. A composição de ervas é: BanXia, ChenPi, Fuling, GanCao. • b) Tao Hong Si Wu Tang: Esta é uma combinação da fórmula Si Wu Tang e ervas como TaoRen, HongHua. Pela função de TaoRen e HongHua, fortalece a função de remover a estagnação de sangue. • c) Sha Shen Mai Dong Tang: Nutrir o Yin do Pulmão e resfriar o calor. Mais usado para os casos de Deficiência do Yin do Pulmão (tosse seca, suor de deficiência). • d) Sheng Mai San: Dang Shen pode tonificar o Qi; Mai Dong tonifica o Yin e produz líquidos; Wu Wei Zi

faz convergir o Qi do Pulmão. As três ervas em conjunto podem tonificar o Qi, nutrir o Yin e produzir líquidos. É mais usado para os vários casos de efeitos colaterais da radioterapia que inclui a Deficiência do Yin. e) Da Huang Zhe Chong Wan: Mais usado em casos graves (uma estagnação de tal ordem que o corpo fica paralisado) de estagnação de Qi e sangue. f ) Yin Chen Hao Tang: Usado nos casos de humidade e calor, em simultâneo. Em casos de calor forte, podem adicionar-se ervas que arrefecem o calor, tais como Shi Gao, Zhi Mu. g) Si Jun Zi Tang: Tonificar o Qi. h) Xiao Yao San: Usado para os bloqueios de Qi do Fígado, como tristeza, desânimo emocional. É mais usado para quando o Estômago e o Fígado estão em desequilíbrio. i) Yi Wei Tang: Tonifica o Yin do Estômago. j) Xian Fang Huo Ming Yin: usado para síndromes de calor e estagnação de toxinas. Pode desintoxicar e expelir o pus em simultâneo.

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Outras fórmulas podem ser usadas, dependendo da situação do paciente e do seu diagnóstico.

Os efeitos colaterais da radioterapia e da quimioterapia

A radioterapia e a quimioterapia são os caminhos efetivos para o tratamento do cancro, contudo devem ser observadas algumas condições para o uso desses tratamentos. Considerando a agressão do corpo que normalmente se observa com os tratamentos mencionados, a MTC insiste na necessidade de completar o tratamento utilizando a fitoterapia chinesa com o objetivo de reduzir os diversos efeitos colaterais, para além de potenciar o tratamento. A seguir apresentam-se alguns efeitos da radioterapia e da quimioterapia.

• Efeitos colaterais da radioterapia: Segundo a MTC, a radio é um tipo de toxina quente, o qual pode lesar

as células normais e órgãos. Geralmente, os pacientes podem ter problemas ou sintomas posteriormente a fazerem o tratamento. Os síndromes relacionados com os efeitos da radioterapia normalmente são Deficiência do Yin do Fígado e Rim ou Deficiência do Qi ou Sangue, dado que há perda de Qi, Yin e líquidos devido ao tratamento. As principais manifestações são: Dermatites locais, estomatites, faringites, esofagites, pneumonia, cansaço no corpo inteiro, dor e fraqueza nas pernas e braços, tontura e dor de cabeça, sonolência, insónia, falta de apetite, náusea, vómito, dor abdominal, diarreia, redução de leucócitos, redução de plaquetas, redução de glóbulos vermelhos, redução de hemoglobina, etc. Normalmente para tratar ou prevenir os efeitos colaterais da radioterapia, são utilizadas as seguintes fórmulas: Em caso de Deficiência de Qi ou sangue: Si Jun Zi Tang, Sheng Mai San. Em caso de Deficiência de Yin do Fígado e Rim: Liu Wei Di Huang Wan, Zhi Bai Di Huang Wan.

• Os efeitos colaterais da quimioterapia: Normalmente, a quimioterapia tem influência na medula óssea e

no trato intestinal. Os síndromes causados pelos efeitos da quimioterapia são geralmente acumulação de calor, ascensão de fogo pela deficiência do Yin, desequilíbrio entre o Fígado e o Baço. Os principais sintomas clínicos são: sentimento de cansaço, suor, sonolência, redução de leucócitos, redução de plaquetas, redução de glóbulos vermelhos, redução de hemoglobina, redução de apetite, náusea, vómitos, inchaço, dor abdominal, diarreia, febre, tintura, dor de cabeça, boca seca, inflamação na boca. Normalmente para tratar ou prevenir os efeitos da quimioterapia, são usadas as seguintes fórmulas: Nos casos de acumulação de calor: Xiao Chai Hu Tang. Nos casos de Ascensão de Fogo por deficiência de Yin: Qing Hao Bie Jia Tang, Sha Shen Mai Dong Tang, Zhi Bai Di Huang Wan. Nos casos de desarmonia entre o Fígado e o Baço: Xiao Yao San, Chao Hu Shu Gan San, Xiao Chai Hu Tang, Si Jun Zi tang.

Fontes: Medicina Chinesa Brasil Tratamento de efeitos colaterais da radioterapia e quimioterapia pela Medicina Chinesa e medicina ocidental, 2000 Oncologia clinica de Medicina Chinesa e medicina ocidental, 1996

Helena Rodrigues

Especialista Especialista de de Oncologia Oncologia em em Medicina Medicina Chinesa Chinesa


Culinária

Bolo

demelancia

Culinária

PREPARAÇÃO

1. Retire a casca às melancias e, com a ajuda de um recipiente oval, corte-as de forma a obter três círculos de tamanhos diferentes. 2. Sobreponha os círculos do maior para o mais pequeno, prendendo por dentro com a ajuda de palitos grandes. 3. Decore a gosto com as frutas, fixando-os com a ajuda de palitos pequenos se for necessário. Finalize com as folhas de hortelã. Bom apetite!

N

estes meses de verão impressione a sua família ou amigos com este maravilhoso bolo de melancia, composto apenas por fruta fresca. A sobremesa perfeita para dias de calor. SERVE 8 PESSOAS TEMPO MÉDIO DE PREPARAÇÃO: 60 MINUTOS DIFICULDADE: MÉDIA INGREDIENTES • • • • • • • •

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AQUÁRIO

Agosto

Horóscopo

A

gosto é um mês de verão muito importante. Dias longos e temperaturas altas, que são muito comuns neste período, afetam todas as pessoas quer elas queiram ou não. O trabalho não será provavelmente muito gratificante. O facto é que horóscopo para agosto de 2020 diz que vai ser muito difícil manter a atenção. Agosto nos tornará muito criativos. Muitas vezes, pode acordar com uma ideia, sem saber de onde veio. Toda vez que isso acontecer, anote. Estas podem ser as ideias que ajudariam o mundo inteiro. Verá o efeito que elas têm quando as perceber. Com a influência de Marte, o nosso comportamento será ágil e, portanto, recomendamos ater-se à regra – certifique-se de ter um bom plano antes de agir. A temeridade pode se voltar contra si. Os seus pensamentos vão vaguear por muitas direções. Vai querer desfrutar dos meses de férias sem se preocupar com os outros. Mas tem de se lembrar do seu lugar. As estrelas não estão numa posição estável, e até mesmo o menor erro pode ser contraproducente. Em agosto tenha cuidado.

Planetas em julho de 2020 O sol em Leão

Este período vai dar-lhe uma grande quantidade de poder creativo e capacidades de liderança. Não será um problema para si, ter de assumir mais responsabilidades, ser um líder ou dar ordens. Sentir-se-á muito bem nesta posição e os outros vão vê-lo da mesma forma. Também poderá sentir uma necessidade de riqueza, tanto material como espiritual. Em todo o caso, tudo isto vai conduzi-lo para a frente, de encontro aos seus sonhos.

Vénus em Gémeos

Nestes dias não vai ficar em apenas um lugar. Viajar, novas aventuras, vida social e flirtar atraem-lhe. Em casos extremos, outros podem achar seu comportamento limitado. Em questões de amor, ter um só parceiro não irá satisfazê-lo. Quando num relacionamento de longo prazo, o seu parceiro deve partilhar com consigo muitas ideias interessantes para fazê-lo feliz.

Mercúrio em Caranguejo

Neste período, não terá problemas nos relacionamentos. Sendo afetado por Mercúrio, você torna-se muito leal e não sentirá nenhuma necessidade de falar sobre alguém atrás das costas. Além disso, você será popular socialmente graças às suas capacidades oratórias e de entretenimento. Também será bem-sucedido no campo das finanças e negócios.

Marte em Virgem

Durante este período, não terá problemas por reagir impulsivamente. Você será um bom líder. O seu amor será persistente e com propósito. A sua energia pode dar-lhe tudo o que deseja. No entanto, preste atenção às situações estressantes, porque a sua tendência vai ser comportar-se de forma irrefletida e até mesmo arrogante.

Poderá vir a ter alguns conflitos nesta fase. Não será grave, pois, irá analisar a situação e tirar partido a seu favor. Haverá uma tendência para se conhecer melhor a si e aos outros com quem tem negócios. Neste momento também poderá ter de tratar de assuntos diretamente ligados com a lei. Será um bom momento para resolver assuntos burocráticos e para as questões legais.

CAPRICÓRNIO

Neste período poderá achar que chegou ao fim de uma fase da sua vida sentido necessidade de se preparar psicologicamente para uma nova etapa. Apesar da vida agitada que leva tente arranjar um tempo só para si aproveitando-o para autoanalisar-se e descobrir os seus pontos fortes, sentir-se-á melhor consigo e com o mundo. Poderão realizar-se sociedades e negócios conjuntos.

SAGITÁRIO

Sentir-se-á com vontade de fugir à rotina diária e partir à conquista de algo diferente, de adquirir novas experiências e conhecimentos. O ideal será empreender uma viagem. Se neste momento isso não for possível, e a solução for mesmo ficar em casa, procure obter na leitura uma compensação, vibrando ou aprendendo com livros a seu gosto. Escreva a um amigo distante que não vê há muito.

ESCORPIÃO

Este é um período em que não conseguirá manter secretos os seus problemas, estes virão a público e ficará exposto. Analise o seu passado de modo a poder com responsabilidade e inteligência, orientar o seu futuro, sem se arrepender. Época de expansão e sucesso profissional, obtendo o apoio e a aprovação dos que o rodeiam. A sua profissão poderá proporcionar-lhe um envolvimento afetivo.

BALANÇA

Durante este mês, tudo o que é relativo a atividades de grupo estará mais desenvolvido. É um momento favorável para perceber o tipo de influência que estabelece com as outras pessoas e se se apercebe das necessidades individuais delas. Pode inclusivamente vir a necessitar da ajuda delas para tomar alguma decisão.

VIRGEM

As suas capacidades de premonição, de adivinhar situações, estão a ser beneficiadas pelo Sol, pelo que poderá ter, ao longo deste mês, uma maior perceção extrassensorial. Também alguma ansiedade e tristeza aparentemente injustificadas poderão dominar a sua mente. Um bom livro, a prática da meditação ou uma música mais profunda dar-lhe-ão uma sensação de paz e de tranquilidade.

LEÃO

O seu comportamento está nesta altura mais enérgico e impulsivo. Deve ter cuidado para evitar discussões e para não desrespeitar os direitos dos outros. Esta é uma altura favorável para desenvolver com sucesso trabalhos criativos ou que necessitem de energia física. Dedique-se também mais à atividade física e verá que depois se sentirá muito melhor, com muito mais vigor.

CARANGUEJO

Será através dos seus recursos que irá exprimir-se neste período, definindo-se a si e aos outros. Poupe exibicionismos desnecessários e use as suas capacidades materiais para proporcionar alegria e prazer àqueles que estão à sua volta. É uma boa altura para cuidar de aspetos financeiros. Tente ter uma noção mais correta daquilo que possui para o poder desenvolver no futuro.

GÉMEOS

Sente-se transbordante de energia e atividade desejando experimentar coisas novas e diferentes. Decida-se, mude de ambiente e opte até pela viagem que tem vindo a adiar. Se pensa não conseguir abstrair do que julga ser uma obrigação permanente, leve consigo algum trabalho e execute-o em novos horizontes. Este momento é bom para ver tudo mais claro e esclarecer qualquer situação.

TOURO

Durante este mês sentirá a necessidade do conforto do lar e do apoio da família para recuperar das energias gastas no relacionamento com o mundo exterior. Será também uma boa altura para fazer um pouco de introspeção refletindo sobre as suas atitudes, sentimentos e emoções em relação aos outros. Depois desta análise vai ver que se vai sentir melhor e com força para enfrentar a vida.

CARNEIRO

Este é um período em que se sentirá livre para expressar a sua realidade e mostrar-se como realmente é aos outros, traçando os seus objetivos e opondo-se vigorosamente a quem tentar impedi-lo de seguir o rumo traçado. É uma época de maior espontaneidade e extroversão que o levará a viver a vida com maior prazer e alegria. Este poderá ser um momento criativo.

PEIXES

Nesta altura não terá, certamente, o mundo a seus pés. Pelo contrário, vai precisar de trabalhar para satisfazer necessidades e desejos dos outros. Esta pode ser uma boa maneira de amadurecer e aprender a controlar as suas reações. Além de resolver possíveis conflitos interiores, ganha experiência para o futuro. Aproveite para cuidar da sua dieta e os resultados não se farão esperar.


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