EDIÇÃO 51 • ANO 5 • MENSAL • WWW.REVISTAMAR.COM
José Dias JUlho 2020
COMERCIAL • INDUSTRIAL • RESIDENCIAL
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Ficha Técnica Direção
Carmo Monteiro Manuel DaCosta
Edição Gráfica Carlos Monteiro
Marketing
Carmo Monteiro José M. Eustáquio
Fotografia Carmo Monteiro
Colaboradores
Armando Correa de Siqueira Neto Carlos Cruchinho Carlos Monteiro Isabel Rebelo José Carreira Maria João Rafael Paulo Mendes Raquel Couto Pedro M. Salvador
Participação Especial João Antunes Filomena Abreu Pedro Emanuel Santos Sofia Teixeira
Agradecimentos ACAPO Jornal de Notícias Madalena Balça Manuel DaCosta MDC Media Group Notícias Magazine Óscar Sánchez Requena Portal O Sapo Telma Pinguelo
Conteúdos 14
O último poeta
16
Óscar Sánchez Requena
20
Vírus no ar,
Julho 2020
Maria João Rafael fala-nos sobre a vida e obra do poeta, tradutor, jornalista, ator e encenador português - Manuel Cintra.
Carlos Cruchinho esteve à conversa com o fotógrafo espanhol, agora a residir em Portugal.
aviões em terra, turismo a medo
página 6
A pandemia afetou o mundo. Filomena Abreu faz uma analise sobre as consequências da pandemia da Covid-19 no setor da aviação.
34 José Dias
Manuel DaCosta esteve à conversa com o assistente social lusocanadiano, que há mais de três décadas auxilia a comunidade canadiana.
48 Teletrabalho com filhos
página 12 página 26
Raquel Couto fala-nos sobre o impacto da Covid-19 no desempenho profissional e como estar em regime de teletrabalho com filhos em casa.
52
Parceria biológica e emocional
página 44
A psicóloga Isabel Rebelo fala-nos como aliar a parte biológica com a parte emocional do corpo humano em tempos de pandemia da Covid-19.
Contacto
www.revistamar.com info@revistamar.com www.facebook.com/revistamar
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56
Canadá Elegante
No mês em que se celebra o Dia do Canadá, Maria João Rafael fala-nos sobre como manter a elegância em várias situações do quotidiano, na sua crónica habitual de moda e styling.
Custo estimado por exemplar
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página 60
60
Zé Pedro Rock "N" Roll
O lendário guitarrista e fundador dos Xutos & Pontapés, já tem a sua vida retratada em documentário. Fique a saber tudo na edição deste mês.
Revista Amar é uma marca registada e empresa subsidiária dos grupos Cyber Planet Inc. e MDC Media Group.
página 50
84 Curta portuguesa na seleção de Cannes
A lista de títulos da competição do Festival de Cinema de Cannes já foi publicada e há uma curta metragem portuguesa entre os candidatos.
página 62 Os artigos publicados na presente edição são da inteira responsabilidade dos seus autores, podendo não refletir as opiniões e posições da Revista Amar naquela matéria. A utilização do novo acordo ortográfico, na matéria da presente edição, ficou à inteira descrição dos seus autores. Os conteúdos publicitários publicados na presente edição são da inteira responsabilidade, com autorização e aprovação prévia dos seus autores.
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A
pandemia da Covid-19 forçou a ACAPO a fazer alterações substanciais ao programa das celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, em Toronto. Dada a impossibilidade de cumprir a tradição de se juntarem milhares de portugueses nos diversos momentos que tradicionalmente fazem parte do programa comemorativo da portugalidade, a ACAPO assinalou o Dia de Portugal com a transmissão direta para as redes sociais de locais que são emblemáticos e com muito significado para todos os portugueses residentes em Toronto. O dia começou junto à City Hall, onde mais uma vez a bandeira portuguesa foi içada ao som do Hino Nacional e na presença do presidente da Câmara, John Tory e da vice-presidente, Ana Bailão. As medidas de distanciamento físico levaram à proibição de outras presenças para além de Kátia Caramujo, presi6 I Amar
dente da Comissão Ad-Hoc da ACAPO e dos representantes dos órgãos de comunicação social. Sublinhe-se também que este ano, mais uma vez, as cores nacionais portuguesas iluminaram durante 24 horas – das 9 a.m. do dia 10 até às 9 a.m. do dia 11 de junho - as letras de Toronto na Nathan Philips Square. A tarde ficou marcada pela presença de algumas individualidades junto de monumentos ou locais que muito dizem à comunidade portuguesa. Em reconhecimento a todo o esforço e trabalho de quem primeiro chegou a terras canadianas, a homenagem aos pioneiros aconteceu junto ao monumento que lhes é dedicado no High Park, com a presença de elementos da direção da ACAPO - Laurentino Esteves, José Maria Eustáquio e Kátia Caramujo – para além da deputada provincial Marit Stiles, 2 membros do Rancho Folclórico “Os Antigos” do Club Cultural Português de Vaughan – Valter e Milene Ferreira - e outros dois
Comemorações do Dia de Portugal em Toronto
Diferentes, mas iguais
do Rancho Folclórico da Nazaré – José e Isabel Mafra - (que estiveram presentes em todos os outros momentos da tarde). Seguiu-se a deslocação até ao coração do Little Portugal e a Igreja de Stª Helena serviu de cenário para AnaBela Taborda fazer a apresentação do novo nome e logo do BIA Little Portugal & Dundas e ouviram-se os Hinos Nacionais, português e canadiano, tocados por dois trompetistas, os irmãos gémeos Daniel e Justin Scida, da Banda do Sagrado Coração de Jesus. Seguiu-se a deslocação ao tão significativo monumento aos voluntários situado no Trinity Bellwoods Park, onde tradicionalmente termina a Parada de Portugal que este ano, como todos sabemos, foi cancelada. Foi aí que José Maria Eustáquio enalteceu todo o trabalho realizado ao longo dos anos por tantos e tantas que esquecendo-se muitas vezes de si próprios se dedicaram à divulgação e manutenção da cultura portuguesa em terras canadianas.
O dia terminou junto ao busto do nosso poeta maior – Camões – que simboliza, neste dia que também lhe é dedicado, a língua que nos une, esbatendo distâncias e fronteiras. Foi neste local que todos os políticos, que se foram juntando ao longo da tarde às celebrações – Julie Dzerowicz (MP-Davenport); Marit Stiles (MPP-Davenport); Chris Glover (MPP-Spadine & Fort York); e Ana Bailão (CC Ward9, Davenport) –, tiveram oportunidade de dirigir algumas palavras aos portugueses que todos reconhecem como povo fundamental na construção do que é hoje Toronto e toda a grande área envolvente da cidade. Ao som dos hinos nacionais as comemorações do Dia do Portugal em Toronto terminaram. Foram diferentes, sem dúvida, mas igualmente intensas e carregadas de simbolismo.
Carmo Monteiro Amar I 7
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Amar I 11
Língua Portuguesa Manuel Cintra
Fotografia: Facebook/Manuel Cintra - © Vitorino Coragem
O
poeta Manuel Cintra, a quem foi concedido por unanimidade o Voto de Pesar na Assembleia da República; era filho mais novo do linguista Luís Filipe Lindley Cintra e irmão do ator, encenador e fundador da Cornucópia, Luís Miguel Cintra, e do cantor Deniz Cintra; Manuel Cintra nasceu em Lisboa a 1 de março de 1956. 12 I Amar
Embora seja mais conhecido como poeta, uma vez que ele próprio afirmava ter nascido poeta, foi tradutor, jornalista, ator e encenador, sendo, no entanto, a poesia “a sua incontornável e apaixonada estrada”, sublinhou a poeta e dramaturga Maria Quintans. Manuel Cintra começou a publicar poesia em 1981, com o livro ‘Do Lado de Dentro’, na Editorial Presença, a que se seguiram mais de duas dezenas de obras, destacando-se ‘Tangerina’ (1990), ‘Borboleta’ (2006), ‘Alçapão’ (2009), ‘Marie’ (2009), ‘Receber a Poeira’ (2014), ‘Parto’ (2014) ou ‘Peixa’ (2016). A editora Guilhotina publicou ‘Manobra Incompleta’, em 2017, reunindo toda a poesia de Manuel Cintra. Participou em várias produções do Teatro da Cornucópia, em particular, mas também do coletivo Maizum e do antigo Serviço de Animação, Criação Artística e Educação pela Arte (Acarte), da Fundação Calouste Gulbenkian. Para o palco escreveu, por vezes em parceria, obras como ‘Conversa entre Um Contrabaixo e Uma Inquietação’, ‘O Homem da Lua’, ‘Rumor’, ‘The little devil who came out of hell’, ‘Conversa Surda’ e ‘Bolero’ (com José Carretas). Com Maria Velho da Costa, traduziu ‘Que é feito de Betty Lemon?’ e ‘Carta a uma filha’, duas peças de Arnold Wesker, representadas, respetivamente, por Glicínia Quartin, no Centro Cultural de Belém, e pelo elenco do Teatro Nacional D. Maria II. Entre outras obras, traduziu ainda ‘Casimiro e Carolina’, de Ödön von Horváth, com Maria Amélia da Silva Melo, para o Teatro da Cornucópia. Estreou-se nos palcos com o espectáculo ‘O diário de um louco’, de Nicolai Gogol, no qual assinou a cenografia. O Centro de Estudos de Teatro da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa lembra que Manuel Cintra fez também parte de elencos de peças como ‘Muito Barulho por Nada’ e ‘Ricardo III’, de Shakespeare, ‘O Túnel’, de Pär Lagerkvist, ‘Erros Meus, Má Fortuna, Amor Ardente’, de Natália Correia, ‘La prose du transsiberien et de la petite Jeanne de France’, de Blaise Cendrars, ‘O Público’, de Federico Garcia Lorca, ‘A Margem da Alegria’, a partir de Ruy Belo. Entrou em filmes e séries de televisão, como ‘Solo de Violino’, de Monique Rutler, ‘O Sapato de Cetim’, de Manoel de Oliveira, ‘Ruy Blas’, de Jacques Weber, ‘Lagardére’, de Henri Helman, ‘O Monólogo do Rei Vitorioso’, de Frederico Corado. Em 2013, levou ao Jardim de Inverno do Teatro São Luiz, em Lisboa, um espetáculo com as canções da francesa Barbara. “Foram talvez elas que primeiro me fizeram estremecer para as palavras, para a música, para o prazer da voz”, lê-se na folha de sala que acompanhou a atuação. Organizou espetáculos e sessões de divulgação da poesia de autores como Carlos Drummond de Andrade e Ruy Belo, além de se assumir como ‘dizedor’ dos seus próprios textos. Manuel Cintra fez ainda traduções para editoras como o D. Quixote, a Presença e a Estampa e trabalhou como jornalista nos principais jornais portugueses, designadamente, no Diário de Lisboa, no Expresso, no Diário de Notícias, no Semanário e no Sete.
Maria João Rafael Amar I 13
O Ăşltimo poeta
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D
eviam pôr a bandeira a meia haste sempre que morre um poeta; a melancolia dos que lhe beberam a seiva, chega a ser lume, quando um poeta morre.
Fotografia: Facebook/Manuel Cintra - © Vitorino Coragem
A madrugada passada, sucedeu percorrer-lhe os poemas todos que fui encontrando, e fui ficando presa aos limos dos dedos das suas palavras nesse apego, fui mergulhando em apneia no mar dos sentidos do Poeta e fui-me aguentado cada vez mais tempo debaixo de àgua, até sentir a raia da tontura que me levou à tona, e nisto, já era manhã e o meu apetite pelos seus poemas já se havia convertido em ganância. Tudo o que sei do Poeta, é que era generoso. O Poeta escreveu o seu último poema “Efeitos do Calor”, a 29 de maio. E já não terá entrado no junho. O seu nome era Manuel Cintra. Dizem que foi imensas coisas para quem teve o prazer de privar com ele. Os amigos dizem muita coisa do Poeta. E eu, que não percebo nada de pedra preciosas, acho que ele era topázio. Nobre, com conexão aos planos de luz; que se interligava com a sabedoria dos anjos; que em dias de trovoada o seu azul devia ser mais intenso. Mas isto sou eu a dizer, que nada sei. Com muita pena minha, nunca me cruzei na rua com um vendedor de poemas de maleta na mão; nem o ouvi cantar Brel em bares, nem o vi despir-se em saraus líricos. Eu, que devo ser a única mulher que conheço que não gosta de flores, adoraría ter sido surpreendida pelas suas rosas; que teria secado dentro de um livro seu. Tenho de me capacitar de que nunca lhe passarei os dedos pelos cabelos azuis; nem irei escutá-lo a horas inusitadas. Dizem que era uma inteligência séria; que era um bruto; ora um encanto; que vivia na liberdade crua reservada apenas aos poetas; que era em tudo excessivo; que vivia amores proibidos; que escrevia poesia à Filipa. A cadela. Que tinha uma maneira perigosa de estar na vida. Que amava cães e gatos a quem dava nomes de mulheres. Que gostava de ouvir e de partilhar Boris Vian, Dick Annegarn e Cohen. Um Poeta no rasto do cometa.
Fica a despedida à Manuel Cintra, o Poeta: “Deixem-se de merdas. Já se sabe há muito que a morte de um poeta é um dano irreparável. (...) Resta-me a loucura. esborrachada no que era para ser duna e se fez só deserto. Morreste. E sei-te longe, mas estás perto.” E estás-me cada vez mais perto, Poeta.
O Poeta que levou 36 anos a publicar o seu primeiro romance “Receber a Poeira”, após ter sido rejeitado por cinco editoras, por estar fora de moda – como se a poesia não fosse eterna! – e a quem a Ministra da Cultura, apelidou de “voluntariamente marginal”; dizem os amigos, que tudo sorveu com paixão. Na verdade, as vidas arrumadas com a monotonia da gaveta das meias, não oferecem erro de margem. E a vida ao limite, dá cabo do coração. Viver com ardor e cautela, com que diabos, não é compatível para um poeta! E de cada vez que lhe desato um poema, o Poeta, a quem vi chamarem o “último poeta”, volta a andar por aqui, fátuo como uma borboleta, atraído pela chama e a queimar as asas, outra vez; sempre que cai para voltar ainda mais exuberante, em metaforse. Para mim, que só o descobri no último mês de vida, era homem-pássaro. Porque do nada, lhe nasciam asas e embora parecesse que caminhava pelas ruas da cidade secreta, ele afinal voava.
Maria João Rafael
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A fotografia como Arte - II
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asceu em Barcelona em 1976, mas cresceu em Madrid, cidade onde passou a sua época de estudante e onde trabalhou principalmente na área da publicidade para revistas de editoras como, RBA e Hearst Magazines España. Em 2006 tomou a feliz decisão de vir para Portugal, país onde reside atualmente e continua a trabalhar na área de publicidade como independente.
ÓSCAR SÁNCHEZ REQUENA
Contacto: oscarsanchezrequena76@gmail.com Web: ossr.webcindario.com Flickr: 40262102@N04
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Créditos © OSR Amar I 17
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F o t o g r a f i a s
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Ó s c a r
S á n c h e z
R e q u e n a
Revista Amar: Recorda-se como começou a sua paixão pela fotografia? Óscar Sánchez Requena: No início achava a fotografia estática, uma seca descomunal, eu era aficionado pelo vídeo e costumava realizar curta-metragens com os amigos. Até que em finais de 98, surgiu a oportunidade de viajar até Nova Iorque e comprei uma máquina Réflex em segunda mão (uma Ricoh KR1M e um Rikenon 50mm f2). Esse primeiro desafio de capturar o movimento da cidade, num instante, despertou-me uma inquietude artística que perdura até aos dias de hoje. RA: O percurso na fotografia teve início como autodidata, ou à medida que o tempo foi passando, obter “aquelas” fotografias exigiu um estudo aprofundado da técnica. OSR: Foi de forma totalmente autodidata como quase tudo o que faço na minha vida. Errei muito, gastei muito dinheiro em rolos e tirei montes de fotos absurdas sem sentido aparente, sempre com o objetivo de controlar a máquina. A minha loja de fotografia ganhou muito dinheiro comigo… (risos)! Até que em 2006 comprei a primeira máquina digital. Esse momento foi um marco, pois o formato digital permitiu-me errar ainda mais e consequentemente evoluir mais… o resultado era imediato! Depois de controlar a máquina, passei a preocupar-me com o conceito da imagem…mas essa é outra história! RA: O seu olhar sobre a realidade fica diferente através de uma objectiva? E esse olhar mudou com o decorrer do tempo. OSR: A minha noção de realidade subverte-se quando observo através de uma lente. Admiro a realidade, mas gosto de a apresentar sob a minha perspetiva. Sobretudo procuro a luz… procuro dominar a luz! Inspiram-me os focos imaginários de Caravaggio ou os claros-escuros de Rembrandt. A fotografia é luz, controla a luz e controlarás a fotografia! RA: Como acontece com o impulso de escrever, pintar, desenhar ou esculpir…Fotografar passa a ser uma necessidade, ou surge como um meio de auto expressão pessoal e social? OSR: O primeiro impulso é o de expressar-me, a fotografia assim como, desenhar, esculpir ou pintar são meros meios para atingir esse fim. Sinto tanta necessidade de fazer fotografia pessoal como social. Sinto esses dois apelos… às vezes lutam um com outro! (risos).
RA: É difícil captar/obter uma boa fotografia? OSR: É um estimulante desafio cheio de frustrações e alegrias, em partes iguais, que irracionalmente me empurra a continuar. Acordamos cedo e passamos por mil calamidades para obter uma boa fotografia. Devemos esquecer as nossas limitações e focarmos apenas no resultado de aquilo que pretendemos conseguir. RA: Uma boa fotografia interpela? OSR: Uma fotografia tomada no local e no momento certo, pode tornar-se símbolo de uma geração! RA: A fotografia tem género? Podemos falar de igualdade de género quando fotografamos a realidade quotidiana. Ou há algo transformador no olhar do fotógrafo quando atrás da objetiva está uma mulher ou um homem? OSR: Curiosamente desde sempre vemos lindíssimas mulheres retratadas por homens. No entanto, esse paradigma tem vindo a mudar. Cada vez mais surgem excelentes fotógrafas, mas o tema continua a ser o mesmo… O universo do feminino... Pelo menos o meu! (risos). RA:- A fotografia faz sonhar… É um instante irrepetível? OSR:- À partida, todas as fotos são momentos irrepetíveis mesmo que tires milhares para obter uma! É um instante capturado num disparo que é único. RA: Ao percorrer as ruas para fotografar a vida quotidiana em espaços públicos, na chamada fotografia de rua, em que medida essa fotografia é uma invasão da privacidade das pessoas anónimas. OSR: Em termos legais, fotografar uma pessoa na via pública não está contemplado como uma invasão à privacidade pessoal. Há controvérsia neste ponto. Em última instância eu opto por respeitar sempre a dignidade das pessoas. RA: A fotografia é uma espécie de solidão… Ou pelo contrário a fotografia pretende evidenciar o desconhecido aos olhos dos cidadãos comuns. OSR: Bem, já tomava um whisky para responder adequadamente a esta pergunta... Na verdade gosto de falar sobre o tema mas prefiro deixar que a minha fotografia fale por mim…
RA: Em que medida a fotografia pode ser encarada como transgressão, como arte ou como mensagem subliminar de uma sociedade? OSR: Vivemos numa sociedade estupidamente superficial dominada por imagens emotivas que estão longe da realidade. Procuro a fotografia que conta histórias e acorda consciências, mas nem sempre é fácil de encontrar nesta terra pacata…! (risos) É nesses momentos que recorro ao cartoon social. Talvez por isso nos últimos tempos me tenha virado mais para a fotografia artística e sinto um fascínio crescente pelo retrato.
Carlos Cruchinho
Licenciado no ensino da História e Ciências Sociais
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VĂrus no ar, aviĂľes em terra, turismo a medo 20 I Amar
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pandemia parou o setor da aviação. Depois de meses, os voos comerciais começam agora a rasgar de novo os céus. Processo lento, praguejado de dificuldades das companhias e de receio por parte dos passageiros. E tudo isso espelha bem a realidade atual do turismo português. É uma espécie de pescadinha de rabo na boca.
Fotografia © USA/MÁRIO CRUZ
Por incrível que pareça, aconteceu há um ano. No dia 8 de junho de 2019, a notícia enchia o país de orgulho. Reforçava-nos a fama e sublinhava o potencial das nossas paisagens além-fronteiras. Portugal era eleito, pelo terceiro ano consecutivo, o melhor destino turístico europeu pelos World Travel Awards, os oscars do turismo. O reconhecimento vinha em crescendo, muito antes disso. Era notório. Maioritariamente pelos aviões que aterravam cheios. No Porto, em Lisboa e no Algarve. Não faltavam elogios. “Amazing”, “beautiful”, “oh my God”. Nunca o setor do turismo foi tão próspero. Abriam-se restaurantes, porta sim, porta sim. Os alojamentos locais proliferavam como pipocas. Os tuque-tuque como formigas. As praias eram enxames. O Alentejo fazia o pleno. O Interior cativava pela calma. O Minho pela sombra. As ilhas pela beleza. Os cruzeiros não tinham mãos a medir. Nem os tours de norte a sul. A dada altura, deu-se a questão de haver turistas a mais. E de repente, precisamente um ano depois, o panorama é, no mínimo, curioso. A época balnear já abriu, mas este não será um verão como os outros. Fruto de circunstâncias inéditas. Em todos os sentidos. Miguel Aguiar, piloto da TAP, inspira fundo antes de constatar a dura realidade. 53 anos de vida. 30 de aviação. “É a primeira vez que fico tanto tempo sem voar.” E embora assuma que estas não tenham sido semanas depressivas, ao fim de mais de dois meses sem entrar num cockpit há algo que o começa a inquietar. Não há outra forma de o dizer. “Sinto saudades de voar um avião e da azáfama das operações. Já sabia bem ir trabalhar.” A questão é que ainda não há perspetivas para isso acontecer. E enquanto a situação do lay-off se mantiver, continuará em Beja, onde se confinou com a família. Dedicado à bricolage, à jardinagem. Sem obrigações laborais, não deixa de estar atento ao que se passa. E assim, por “alta recriação”, junta a responsabilidade e a vontade de estar apto para quando for chamado e tem aproveitado para “refrescar o estudo de manuais e estar atento às alterações na aviação”, mesmo em termos de legislação europeia. “Por exemplo, se não aterrar no Funchal durante seis meses, tenho de voltar a fazer simuladores.” Em alguns casos, durante a pandemia, esses prazos foram alterados. Miguel não fecha os olhos. “Vou acompanhando para ver se não perdi qualificações.” Acaba por ser uma forma de preencher os dias e de manter estável a confiança. “Mais mês, menos mês, isto há de retomar e com essa atitude vamos enfrentando as coisas.” O piloto acredita que os passageiros “estão doidos por voltar a viajar”, mas admite que possam ter “medo de chegar aos destinos e de serem obrigados a fazer quarentena ou impedidos de entrar nos países”. Algo que se resolverá, “assim que ficar claro que as pessoas podem circular.” É quase como a ida às praias, as pessoas estão com receio, mas precisam sair e voltar rapidamente à vida normal.” O tal normal, já se sabe, é um manto de nevoeiro. Metaforicamente, essas são sempre condições atmosféricas difíceis para a aviação. No turismo a incerteza é grande. Quem o salvará? Melhor, de que forma pode ser salvo? A pandemia esvaziou os céus e arrastou as companhias aéreas, apontadas como engrenagem do setor, para uma crise séria, à escala mundial. O fantasma da falência está à espreita. No primeiro mês de confinamento, as companhias aéreas perderam mais de 227 mil milhões de euros. No segundo mês, a maioria das operações manteve-se reduzida a 10%, no melhor dos cenários. A Associação de Transporte Aéreo Internacional estima que o impacto da pandemia no volume de negócios em 2020 represente uma redução de 55% em relação a 2019. Amar I 21
E, entretanto, os dias passam e o desconfinamento faz-se lento, desconfiado. A retoma não será feita como um salto de trampolim. Vai arrastar-se. E com ela haverá companhias que podem não sobreviver. Aliás, muitas estão em sérias dificuldades, pendentes do apoio dos governos. É o caso da TAP. Uma intervenção que custará “umas centenas largas de milhões de euros”. “Ainda estamos a fazer a avaliação”, referiu o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos. Um sacrifício com justificação. “Não podemos deixar de ter em conta o que a TAP representa para a economia nacional em termos de emprego, receitas, turismo, exportações. E é este equilíbrio que temos que fazer”, admitiu, sem deixar de referir a “dívida brutal” da TAP, “de mil milhões de euros”, que chega “aos 3,3 mil milhões juntando os contratos de leasing de aviões”. A intervenção exigirá uma revisão do plano estratégico. Terá consequências “do ponto de vista de frota”, porque “a dimensão que a empresa hoje tem não é sustentável face ao momento que nós vivemos e que vamos viver nos próximos anos”, esclareceu o ministro. À polémica do dinheiro juntaram-se as rotas. A TAP esteve há pouco tempo “debaixo de fogo” por anunciar que ia centrar a maioria das operações de retoma em Lisboa e praticamente ignorar os restantes aeroportos nacionais, deixando o Porto com apenas dois voos internacionais (e outro para o Funchal, sendo a ponte aérea operada a partir da capital) e Ponta Delgada com apenas duas ligações, a Boston e a Toronto, a partir de julho. As reações não tardaram. A voz mais sonante foi a de Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto, que acusou a companhia aérea de segregar o Norte. “O Porto, Trás-os-Montes, o Douro e o Minho, e a parte norte da região centro, também fazem parte de Portugal.” O autarca foi mais longe. “Na senda daquilo que tem sido a sua história, a TAP nunca perdeu o vínculo de ser uma empresa de caráter colonial e a sua estrutura nunca pensou de outra maneira.” O debate incendiou com o Bloco de Esquerda e o PCP a considerarem que as opções tomadas pela companhia justificam a nacionalização, enquanto o PS convocou Miguel Frasquilho, presidente do conselho de administração da empresa, a dar explicações urgentes no Parlamento. A TAP acabou por recuar no plano anunciado: “O Conselho de Administração da TAP SGPS, SA afirma que a companhia está empenhada e vai de imediato colaborar com todos os agentes económicos, nomeadamente associações empresariais e entidades regionais de turismo, para viabilizar o maior número de oportunidades, adicionar e ajustar os planos de rota anunciados para este momento de retoma, por forma a procurar ter um serviço ainda melhor e mais próximo a partir de todos os aeroportos nacionais onde a TAP opera”. A Ryanair aproveitou e já veio anunciar, a partir de outubro, voos adicionais desde o Porto para Barcelona, Milão, Bruxelas (rotas suspensas pela TAP) e Madrid, bem como uma nova ligação para Varsóvia (Polónia). Durante a pandemia, em abril, a TAP viu a sua operação de mais de três mil voos semanais ser reduzida para cinco ligações semanais entre Lisboa e as regiões autónomas da Madeira e Açores. Manuel Santos, 46 anos, piloto da TAP, não participou em nenhuma. Voa há 18 e também ele nunca 22 I Amar
Em 18 anos como piloto, Manuel Santos nunca ficou tanto tempo em terra. Aponta o dia de regresso para breve e já imagina que será uma grande alegria Créditos: Direitos Reservados
ficou tanto tempo em terra. Mais de 100 dias. Dividido entre a cozinha, a jardinagem e a família, foi tendo conferências na plataforma Teams para se manter ligado à corrente. “Estamos em lay-off, mas a companhia teve esse cuidado. Claro que é de caráter voluntário, mas é bom para rever matérias e nos mantermos atentos.” O piloto também não encarou estes meses com stresse. “Tento pensar que é uma situação temporária, os anos de profissão ajudam-nos a controlar a ansiedade.” Mas não consegue evitar o sentimento de falta de produtividade e a tristeza de cada vez que, de longe a longe, vê um avião no ar. “O dia em que regressar à empresa vai ser uma festa, uma alegria.” A incógnita é quando. “Eu tenho um feeling que em julho, mesmo voando pouco, inicio alguma atividade. Ao certo não sabemos. Vai ser preciso haver aceitação por parte dos passageiros. Não adianta abrir 100 rotas se depois não há passageiros para isso. Terá de haver confiança. Segurança nos voos haverá.” Em 2020, o número de turistas no Mundo pode cair entre 60 e 80% por causa dos efeitos da pandemia, de acordo com as últimas previsões da Organização Mundial de Turismo, publicadas no início de maio. Devido a isso, estima-se que só na Europa sejam precisos 30 mil milhões para amparar as quedas vertiginosas das companhias aéreas. Os despedimentos estão na mira. Veja-se o processo da Lufthansa, a maior companhia aérea alemã que, combinada com as suas subsidiárias, é a segunda maior da Europa em termos de passageiros transportados. Há dias, depois do conselho de supervisão da empresa ter aprovado o plano de resgate do Governo alemão e da Comissão Europeia, no valor de nove mil milhões de euros, a Lufthansa anunciou que vai avançar com cortes. O regresso aos céus, nos próximos meses, obrigará a emagrecer frotas e a cortar nos trabalhadores. Para já, só no Velho Continente, o despedimento já afetou 140 mil trabalhadores. Na lista estão Ryanair, EasyJet, Aer Lingus, Norwegian, Finnair e Qatar Airways. O número vai certamente disparar quando a essas se juntarem a British Airways, a American Airlines,
a Delta, a United e a Southwest, que planeiam cortar milhares de postos de trabalho ou reduzir horas, mesmo com as ajudas estatais de muitos milhões. Inevitavelmente, a Emirates, a Aeroméxico e a Air Canada têm planos no mesmo sentido. Julyana Yokota, analista da S&P Global Ratings, explicou ao jornal espanhol “El Economista” que o tráfego aéreo deverá demorar pelo menos três anos a voltar ao que era antes de a covid-19 ter obrigado a aterrar todos os aviões de uma vez. “O tráfego de passageiros vai diminuir entre 50% e 55% em 2020. Antecipamos que o número de passageiros fique abaixo dos níveis pré-pandémicos até 2023.” A Boeing é ainda mais pessimista e diz mesmo que poderá atrasar esta recuperação até 2025. Desde que tornaram a levantar voo, as empresas de aviação têm feito os possíveis para se adaptar ao mercado, que será obrigatoriamente diferente nos próximos anos. Eva Aguiar tem 23 anos e é filha do primeiro piloto citado neste texto, Miguel Aguiar. A jovem que seguiu as pisadas do pai começou a trabalhar há um ano e meio na TAP. Confinada no Alentejo, desabafa que a atual situação não lhe ocorreria nem nos seus piores pesadelos. “Tudo isto foi bastante estranho e inesperado. A nossa área, apesar de passar por muitas crises, nunca se viu numa situação como esta.” Eva partilha do mesmo desejo de normalidade do pai. “As pessoas vão precisar de viajar, tanto a nível pessoal como profissional. E julgo que os procedimentos implementados serão suficientes para transmitir confiança tanto aos passageiros como aos trabalhadores, de que será possível voar em segurança. Uso de máscaras, diminuir bagagem de mão e evitar cruzamento de passageiros são algumas das regras de prevenção da covid-19
Eva e Miguel Aguiar, ambos pilotos da TAP, estão confinados em Beja, à espera de serem chamados para trabalhar Créditos: Direitos Reservados
que podem manter-se em vigor como mecanismos de segurança para evitar novas pandemias. Apesar disso, e mesmo que o ar na cabine dos aviões seja comprovadamente filtrado como nenhum outro, a confiança dos passageiros é que vai ditar o número de deslocações nacionais e internacionais. Outrora apinhados, os aeroportos seguem vazios. A Associação Internacional de Transporte Aéreo calcula que o impacto da pandemia na aviação se prolongue a médio prazo, sendo pior nas rotas de longo curso.” Segundo a Navegação Aérea de Portugal, em março os voos sobre os céus nacionais diminuíram 36% relativamente ao mesmo mês do ano passado – menos 24 300 voos, realizando-se 43 800. Em abril, a quebra foi de 94%, correspondendo a apenas quatro mil dos 69 mil registados em abril de 2019. Também foi nesse mês que praticamente todos os 105 aviões da TAP ficaram em terra, cerca de nove mil trabalhadores entraram em lay-off e mil tiveram redução de 20% no horário. A reposição de mais alguns voos começou devagar, a 8 de maio, e só se prevê que aumente ligeiramente em julho. Até agora, o tráfego nos aeroportos nacionais atingiu quebras superiores a 90%, ainda que algumas companhias já tenham recomeçado a voar. Com máscaras e sem limitações à lotação de passageiros. Em Faro, destino turístico português, e postal por excelência no estrangeiro, o ambiente é de confiança. Elidérico Viegas, presidente da AHETA – Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve – salienta, antes de tudo, que “a região é vista como segura” por “ter ficado praticamente de fora da pandemia, devido ao baixo número de infetados”. Um resultado que se traduz numa “valência competitiva muito importante com a concorrência mais direta que é Espanha”. O fenómeno parece calhar bem, já que a maioria dos portugueses está a evitar fazer planos ou marcações de férias a longo prazo, revelou a sondagem da Pitagórica para o JN. Dos 25% que tinham planeado viajar para fazer férias no estrangeiro, só 2% mantêm essa intenção. Metade vai passar o próximo verão em território nacional. Aliás, enquanto não houver vacina ou tratamento eficaz para a covid-19, 73% dos inquiridos consideram pouco provável viajar para fora do país. Elidérico Viegas confia que muitos em julho e agosto irão rumar ao Algarve. “Assim, no que diz respeito ao turismo interno, as nossas perspetivas são de retoma, no que diz respeito ao turismo externo existem muitos fatores de incerteza, tudo vai depender do comportamento do transporte aéreo e das restrições dos países que, esperamos, possam ser esbatidas.” Amar I 23
Falta a confiança
A Easyjet prevê eliminar 4 500 postos de trabalho. A retoma dos voos deverá começar em meados de junho Créditos © Fabrice Coffrini/AFP
As principais companhias de aviação a aterrar em Faro (Ryanair, EasyJet e Jet2), que asseguram 70% do tráfico aéreo da região, já anunciaram a retoma dos voos. O que aumenta a confiança dos empresários relativamente ao verão. “É significativo se pudermos contar com alguma receita que ajude a esbater os efeitos negativos da pandemia que nestes meses reduziu a faturação a zero.” A notícia de que o Reino Unido queria impor uma quarentena de 14 dias a todas as pessoas que chegassem ao país vindas do estrangeiro preocupou o Governo português. O mercado inglês representa cerca de uma em cada cinco dormidas na hotelaria, uma fatia considerável dos turistas que se deslocam todos os verões a Portugal. Por isso, o Governo encetou negociações para a criação de um corredor bilateral para o turismo, que permita assegurar essas deslocações. De acordo com Elidérico Viegas, a grande maioria dos hotéis e empreendimentos turísticos já decidiu reabrir na segunda quinzena de julho e na primeira semana de agosto. “Os hotéis têm nos seus manuais de boas práticas medidas que asseguram e induzem confiança aos hóspedes, mas não são desnecessariamente exigentes a ponto de desmotivar quem queira viajar.” O representante da AHETA dá como exemplo o acesso às praias. “Somos um exemplo, reconhecidos internacionalmente, o que na nossa perspetiva é uma vantagem competitiva importante.” O futuro alimenta-se dessas faíscas de esperança. Portanto, remata, “não vamos ter um ano turístico igual ao do ano passado, mas temos perspetivas positivas.” O presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal defende que esta fase de desconfinamento é a “grande oportunidade” para os quatro “subdestinos” da região mostrarem aquilo que têm de melhor aos turistas nacionais. “Se calhar, está na hora de os portugueses voltarem também a olhar para o país fantástico que têm e perceberem que conseguem fazer dentro do nosso território férias inesquecíveis”, disse Luís Pedro Martins, no fim de maio, enaltecendo “a segurança, a natureza, a tranquilidade, a privacidade e as experiências diversificadas” que existem no país. 24 I Amar
Pedro Coimbra tem 26 anos e também é piloto da TAP. Começou na Ryanair. Há cinco anos e meio que tem a profissão dos seus sonhos. Num ápice viu, como todos os colegas, a situação descontrolar-se. É uma questão de personalidade ver o copo meio cheio. Tem aproveitado o tempo em terra para fazer desporto, estar com os amigos e ter outra rotina. A paragem forçada coincidiu com a mudança de casa. “Até deu jeito”, brinca. A verdade é que não consegue desligar dos aviões. E mantém constante contacto com os colegas, “uma maneira de não perder o ritmo”. Por tudo isso, não tem sido difícil preencher os dias. Mas falta-lhe – são palavras suas – “o cheiro do avião, a conversa do cockpit”. A mão está estendida e quase toca o céu. Quase. “Está toda a gente expectante, as companhias estão dependentes dos passageiros, e se eles têm medo de voar, mesmo que se levantem as restrições, vai ser complicado.”
O lay-off da TAP coincidiu com a mudança de casa do piloto Pedro Coimbra, que, apesar de bastante ocupado, não se consegue desligar das notícias da aviação Créditos: Direitos Reservados
No ar, em vez de aviões, tem havido espírito de entre ajuda. “Se a companhia precisar que vá para outro sítio, vou. Quem trabalha nesta área fá-lo por paixão. É o meu caso. O espírito agora é de sacrifício, são e continuarão a ser tempos difíceis.” O jovem piloto olha para dentro de casa. “As pessoas da minha idade têm vontade de viajar. Já a geração dos meus pais está mais reticente no que toca a voltar ao normal, muitas delas estão a transferir os planos das viagens para locais mais próximos, onde possam ir de carro.”
A Comissão Europeia abdicou da regra de colocar assentos vazios para garantir distanciamento dentro dos aviões, reconhecendo que afetaria a viabilidade económica das operações. E já são muitas as companhias em risco. França e Holanda socorreram a Air France-KLM com um plano que vai de 9 a 11 mil milhões de euros. Itália optou por nacionalizar a Alitalia. A Easyjet obteve um empréstimo público de 600 milhões de libras (cerca de 675 milhões de euros) e a Suíça garantiu 1,2 mil milhões de euros em empréstimos à Swiss e à Edelweiss, filiais da Lufthansa. O Governo português vai prolongar até 15 de junho a interdição de voos de e para fora da União Europeia, com exceções às ligações para países extracomunitários com forte presença da comunidade portuguesa: Canadá, Estados Unidos, Venezuela e África do Sul. Também serão mantidos voos para todos os países de língua oficial portuguesa.
Nuno Duarte tem dividido o tempo entre a família, a cozinha e a telescola das filhas. E aguarda expectante a reação do público à abertura normal dos voos Créditos: Direitos Reservados
Nuno Duarte, 49 anos, radicado na base portuense da TAP, também não vê a hora de voltar a entrar num avião. “Tenho muitas saudades de voar, cresci no aeroporto, tenho outro irmão que é piloto, vive no Dubai, somos uma família de aviões.” Ultimamente, em vez da farda habitual, usa a de chefe de cozinha, professor e jardineiro. “Faço de tudo, estamos a aprender uma data de coisas para nos ocuparmos.” No ar, só mesmo a esperança. Falar com os colegas sobre a crise é inevitável. “Não vale a pena fazer muitos cenários porque, na realidade, nem as empresas sabem o que o Governo vai decidir, nem se conhece a reação do público.” E essa é que é a grande incógnita. “Já foram colocados vários voos à venda e há pouquíssimos passageiros, obrigando a cancelamentos. As pessoas ainda têm medo de voar.” João Lima Pereira, 34 anos, também piloto da mesma companhia aérea, só que na base de Lisboa, diz não haver outra maneira de se levar isto. “Está fora do nosso controlo, não podemos fazer nada. A nossa profissão é muito específica, só voamos aviões.” O piloto não encobre a realidade, apesar de manter o pensamento positivo. “Quando voltarmos a voar, a normalidade não será aquela a que estávamos habituados.” Ciente disso e do muito que está em jogo, sublinha esperar “que haja da parte de toda a gente vontade de fazer uma retoma com cabeça, para evitar que muita gente perca o emprego neste setor.” E esse setor, factualmente o meio de transporte por excelência dos turistas, encaixa no fenómeno de pescadinha de rabo na boca. Para o bem e para o mal.
Filomena Abreu NM
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Turismo
Imagens de um dos paĂses
mais belos do mundo
Com um inverno rigoroso, que pinta as paisagens de branco, lagos glaciares com águas de cores surreais, uma costa selvagem, natureza em estado puro e cidades dinâmicas, o Canadá apresenta muitas razões para entrar na sua e na nossa lista de sonho de próximas viagens. Venha connosco nesta viagem pelas paisagens de um dos maiores países do mundo. Feliz Dia do Canadá!
Paulo Mendes Fontes: Wikipedia, Geocities, TripAdvisor, Oyester, Idealo e Sapo Fotografia: Pixabay
V i s i t e w w w. r e v i s t a m a r. c o m p a r a m a i s d e s t i n o s t u r í s t i c o s
N
estes tempos conturbados em que a deslocação é ainda limitado e desanconselhado, a Revista Amar mostra-lhe imagens de cortar a respiração do Canadá, para que possa planear uma das viagens do seus sonhos no futuro.
Créditos: Pixabay
Monte Robson, Colúmbia Britânica Banff, Alberta
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Créditos: Pixabay
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Dia do Canadá Agora em duas localizações diferentes para o servir melhor Amar I 29
Paisagens bucólicas na província do Quebeque
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Península Gaspé, Quebeque
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Costa da Nova Escócia
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José Dias
There’s a lot more hidden poverty then we really know
José Dias was born in 1963 on the Portuguese island of Terceira (part of the Azores archipelago). His mother, Eufrosina, was from the island of São Jorge, Açores and his father, Manuel, from main land Portugal. Born sixth of eleven children, José is from a humble background. He lost his mother when he was only 10 years old which sent him and his younger sisters to live in an orphanage. An earthquake which struck the island on January 1, 1980 caused severe damage across Terceira, including the orphanages where José and his sisters were housed. In 1981 José moved to Canada and met his father in London, Ontario. After three months unsuccessfully looking for work, he moved to Toronto with only $50 in his pocket. José’s life experiences led him to dedicate himself to the most vulnerable groups in the GTA—for over three decades he has worked as a social worker and caregiver, supporting the young and the elderly. Recently, José crossed paths with his long-time friend Luis de Castro, and together they started a program with the support from MDC Media Group, that donates 25 hot meals every week to people who need help. Some of the meals, are delivered to José’s palliative clients and their grieving families and to people with disabilities. As Ontario moves to Phase 2 of the Covid-19 regulations, it is time to do some math. We look back and to our present process of recovery. Unquestionably, this pandemic affected the seniors the most, however the crisis ended up revealing a lot more than we could have expected, exposing health, social and governmental issues that demand urgent change. In a conversation for Here’s the Thing (airing on Camões TV), Manuel DaCosta welcomes José Dias to discuss these issues.
Entrevista conduzida por Manuel DaCosta
Transcrição: Carmo Monteiro e Telma Pinguelo
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Revista Amar: Tell us a little bit more about the type of work that you have done and do. José Dias: I am a social worker by background, so I have been working with communities for many decades, since I came to Canada, in 1981. My passion has been always to help people... Initially I got in nursing but then I found that social work is my passion and I focused mainly in seniors. Over the years I did lots of work with seniors with dementia as well with elder abuse and focused more on mental health. I loved the work with seniors with mental health and I did it for more or less 10 years. Then I shifted into palliative care, which is more or less my area of specialty now and has a big interest to me. In the Portuguese community, I have been very vocal throughout the decades and one person comes to mind: Doctor Mário Silva. Going back to the nineties, we started a movement to help a Portuguese individual that had a mental illness, schizophrenia, and he was about to be deported. So, through some of the work that I did and Doctor Silva, who was just starting his political career, we were able to bring the community together and we went to the streets of Toronto and mobilize the community but not just that, we were able to make the Portuguese government to address the issue of deportation, in particular people with mental illness, HIV and AIDS, because these individuals, back then, would be deported from Canada or USA and would be left in the streets of Portugal and become homeless. So, through our activities the government decided to collaborate and now they have many programs for deported positive individuals and there will be a crew at the airport in Portugal to receive and housing them. I also did a support group for Portuguese men who were HIV positive because, a few decades back, it was a quite a stigma to address the HIV and AIDS… they didn’t have any support, so I supported them… is one of the things that I really loved to do. Another passion is to work with people with disabilities. This is the kind of work that I´ve been doing. I have always been into community activism in the Portuguese community and also in the Canadian context. I’m focused on undocumented children with disabilities, for that I’m on to do a master’s degree and I was a board member at DCI, Defense for Children International, in a national and international level, and my focus was on refugees and undocumented children… here I worked with undocumented families with undocumented children. I do home care and I love it the most… it’s a privilege to be able to enter in someone’s home and I’ve learned a quite a bit from them and I’m a better man because of this experience... you actually see people for 36 I Amar
what they are. There is no facade! And then you try to make a difference, whether you try to help them with financial support, housing support or at the end of life. RA: Do you work for a government or a private organization? JD: It’s a private organization. Initially the Home Care sector was in the hands of the government but, going back a few decades, when Mike Harris was Primer of Ontario he changed and privatized the Home Care program as we know. I began in a Hospital, Bridgepoint , but then they decided not to engage in direct community care and now I’m with a private company. It has been a learning experience for me - to have been in the private sector and now in the public sector… the clientele and the intervention are the same. RA: What kind of individuals really have the ability to embrace this kind of career such as you have? JD: Well, being a caregiver has been a natural thing for me, based on my personal experience with my family dynamics. I was very close to my mom and she died when I was 10 years old. But before she died, I was actually the person in the family feeding her and brushing her hair, making sure that she was comfortable… I really didn’t know what was happening to her, but then I realized that that was the end… but I was always a person that likes to make sure that you are feed, clothed and housed with the family. It’s a natural thing to me. I think that we all have the capacity to help. Some of us may help by feeding and caring directly, and some people may be able to just open the door and facilitate the process of engagement in making life easier for someone else. RA: How hard is it to do this kind of work? JD: I don’t see it as a hard job… I see it as a human being, helping out a human being. We all have a responsibility to make life easier. What happens is that some people, for whatever reason, may not be able to ask for and access resources. It can be a person with a disability, intellectual, physical or mental condition, or combination, or someone like a senior. If there’s someone like me who has no issue coming to your door and the person says “listen I need these resources, do you have them available?”, then there are no conflicts. It’s not hard for me to do that at all and over the years I have enjoyed collaborating with different partners because it takes all kinds of individuals to make home care successful. (…) We all need to be engaged.
RA: We are in the midst of a pandemic and we have seen the number of deaths that have happened, especially in long-term care facilities. Why wasn’t this problem brought to the forefront before, so we could prevent such tragedies? JD: I think in some communities they are very engaged and assuring that the seniors are well taken care of… I could list the names, because I work with all of them. Some communities are a bit more passive, so they pass the responsibility on to the caregiver, the nurses, the doctors and so forth. The governments are in the business of regulating, but they’re not in the business of providing the day to day in care. So, what happens is that more resources were needed for healthcare, whether in institutions or home care. The previous government also acknowledge that, making changes to the Health Care System, so when the present government took over, they implemented some of these changes and some are on hold. I think that the society as a whole, we have acknowledged that this needed to happen. Then we were hit with the COVID-19. A lot of people didn’t expect this to happen and either did the seniors, but the governments should anticipate this kind of event, they should be prepared in the event something like this would happen and have the protective equipment for the health care providers. So, of course when they were hit with COVID-19 and those providers did not have the PPE, it affected them. (…) What we need to do? We need to have this kind of conversations and, in the right time, make these political individuals accountable and ensure that they plan. (…) RA: How does the government help people who don’t have quite sufficient amounts of money to have people, like yourself, come in and take care of them? JD: One thing that we know for a fact, the pensions aren’t capped… the person qualifies for CPP, which is a Canadian Pension Plan – the oldest security - and if the CPP is low, because they had a low paying job or they didn’t have enough contributions, then there is the supplement. The supplement will bring it up to a base line income for all seniors, but we do know that it’s not sufficient. So, I would say that probably 85% of the clientele that I have worked with, for more than 3 decades, in the Portuguese community, for example, cannot afford a retirement home. A retirement home in Toronto strikes at $2,400.00, and it’s not a high end, it’s just a very basic accommodation… because on a high end retirement home, we can go from $6,000.00 to $10,000.00 or more. So, we’re just talking about the average senior, they wouldn’t be able to afford a retirement home and that is a fact! The other thing the research indicates is that people preferred to stay at home as long as possible and, in fact, they would like to die at home, if it is an option for them. So, then what happens is if they don’t have the resources at home? The government provides a certain number of hours, but there is a cap in terms of how many hours of personal support, for workers to come in and give the person a shower, help with medications and offering very basic support to maintain the person’s independence at their home. Once the hours are exhausted at the end of the week, because there’s the cap, the person needs to pay privately. If the person is not able to pay privately, then it becomes a major problem and then the possibility of admission into a long-term care facility becomes the only alternative. The waiting list for a long-term care facility these days, is another issue, it can take up to five years in some of them.
RA: Do you find that families, because of societal pressure, work and everything else, are less and less engaged in the care of their senior parents? JD: Traditionally the role of the caregiver has been that of the women, that is the reason the parents loved to have a daughter or a grand daughter so they could take care of them later in life. (…) It is true the society is different nowadays, but we also see some social differences from Portugal… we have the younger generation of Portuguese-Canadian that don’t communicate well with their parents in Portuguese, they may understand some Portuguese, but their main language is English and the parents then disengage. On the other hand, once the families realize that the parents are in a care facility, there’s a detachment, like the parents are no longer their responsibility and I think that’s totally wrong! The families need to be engaged and strong advocates… that’s why these long-term facilities don’t have a strong person advocating for the seniors, because if they had that maybe we have had prevented what happen when the Covid-19 hit. RA: What about the senior abuse? And how high is it? JD: Personally, I have asked some members of the community to tackle senior abuse… we see in the Portuguese community financial and physical abuse and neglect. And it’s very high… I’m not going to detail, but the cases have even increased, it’s a major problem! Actually, I have address different people from different organizations to tackle this as a social issue, because we have an obligation to do them. Yes, the financial and physical abuse and neglect is tremendous and I think we can do a better job… RA: Is this an issue, like poverty, that is hidden from view so most people are not aware of it and they don’t realize what bigger problem it is? JD: Well, yes… there is the stigma, right? There is also the fact that the senior is very quiet and afraid… it is very, very difficult! I have been in situations, where I was in a family setting and I was aware what was going on with the senior and I couldn’t disclose the information that I had, because I have to keep the senior’s safety… there is a level of trust, the senior trust you and if you betray that trust everything else falls apart. RA: Does the youth in the Portuguese community still suffers from lack of education, by not completing higher grades? Is this still prevalent out there? JD: Yes, it is… and studies indicate 3 groups that are systematical at the same level and they are: the Vietnamese, Portuguese and black communities that have the lows levels of education and the highest drop out. There are some programs that have been implemented to help these young people to achieve the grades and complete High School. However, the issue that I have with some of these programs is that they become a closed system… it’s good to have a system, but it’s important to have an evaluation to see what works and what doesn’t work… and if it doesn’t work, then changes are needed to be introduced, because without changes the outcome is going to be always the same. Amar I 37
RA: The lack of the education, in a way, can’t be faulted for everything, but it has something to do with the possible increase in the lack of understanding the seniors and how to take care of them… I thought that by now we would see some improvement, but obviously we still have a long way to go… JD: Yes, we have… even recently, when we donated some food to seniors that are vulnerable, isolated and with disabilities like, for instant, at Casa dos Açores there are seniors with high level of dementia who are going to the center, that many of their families don’t have the skills to deal with dementia, and that’s why the aggressions, the neglect, the verbal, emotional and phycological abuse begins to happen, because they don’t really understand that there is a dysfunction in the brain that needs to be treated medically. RA: Because we are talking about the Portuguese community, how much poverty is there in our community? JD: Some… we do have really poor families in our community. RA: This pandemic has caused an increase of about 500% in usage of food banks. What does that say about our society? Is there more poverty hidden that we didn’t know? JD: Sure, there’s a lot more hidden poverty then we really know…that’s one of the facts! And another is, we need to make our politicians accountable and really engage. We vote for them every four years. I tell my clients to speak to them when they come to their doors. Make sure to say “I’m giving you a vote. What are you doing for me?” It is quite significant, the fact that the Rogers Center was turned in a storage for the food bank, is telling all Canadians that we have a major problem coming and I think it’s everyone’s responsibility to participate, to engage, by volunteering, by asking for help, to collect and to give. RA: When Luis de Castro, brought us, Cristina DaCosta and myself, the program of food distribution – cooking and giving away 25 meals a week - we immediately jump on board. I know it sounds a small number, but our attitude has always been “start with one and build from there” and I think this program is great and people seem to appreciate the food that has been deliver to them by volunteers. How do you identify the people that need this kind of help, for instance this 25? JD: First of all, we all have one thing in common… we all need to eat in order to survive. I think who has more, should share with someone who has less. Honestly, I don’t pay attention on numbers, the main factor here is, I ask for help because there is an identified need, so whether I get help for 1 or 100, I’m okay and I appreciate what I get. Usually, I identify these people through past connections and collaborations, that in turn knows other people, that’s the beauty of sharing, of the social work. These particular 25 individuals, that welcomed the meals, some are palliative clients and their grieving families and some have disabilities. The most important thing is that at the end of the day, we made a difference in their lives. And going back, I have known Luis de Cas38 I Amar
tro since we were teenagers. We met in Portugal before I came to Canada and he was my best friend here… we have gone through a lot together and it’s interesting because he went also in an area to making a contribution in social live and making a difference in a more “colorful” way… he is a very creative man. Now, that we have crossed paths again, we are collaborating together and this collaboration has taken a very positive turned. RA: We live in a city, in society and we are part of the world… I’ve been of the opinion that if we could feed the hungry, we could eliminate lots of wars and lots of heartache, because I thing that a lot of it it’s because of downtrodden that haven’t be able to pick themselves up and sometimes it’s a little act of kindness that lifts people and, sometime, changes their ways, obviously not with seniors… but a campaign like this, that if it can be expanded and controlled with more people helping, I think that’s what it is about. JD: Absolutely, and for the month of July I’m already planning an ice cream day for children. We already have identified the children and they will have ice cream, hot dogs and a task, but we need collaborators. We also identified a particular school from which the students could benefit from this day. That’s a positive thing. RA: What do you think something is missing in the Portuguese community? JD: I thing that the community needs to create a foundation, like many other communities have, where you actually raise and apply for funds and then these funds are distributed to different organizations that are really doing good work and don’t have a problem to be accountable. I have an issue with agencies that become closed systems where nobody knows where the money goes… that becomes a major issue for the society as a whole and for me as a service provider trying to access the resources. Comparing the level of help between some communities, I have to tell you that our community seems to be a little resistant to give. Things, that I have noticed when I go to some communities asking for food or resources is that normally, whatever you ask - sometimes even money that will be allocated for food these communities they give, with no questions asked… I know, because I have asked and they have it and they share. With our community the first question I get is “why do they need it?”. That’s an interesting approach. And the same happens in terms of religion, where in other religion it´s like a natural process and they give, and with us, Catholics, there are always questions. RA: I think it’s a cultural “thing”, but Thursday we are again cook and delivering another 25 meals and hopefully, who knows, maybe this can be expanded a little bit. I’m very excited to continue with it, even if it is only a small difference I think it’s worthwhile the effort. JD: Of course, it’s an excellent idea and if there are more collaborations from companies that can make donations, it’s not about numbers but the intention, it would make a difference. When we present a hot meal to a senior that has been isolated for 3 months without going out... it’s emotional.
José Dias e a tela do projeto Tree of Hope Créditos © Carmo Monteiro Amar I 39
RA: It must be rewarding and heartbreaking to see their reaction, they haven’t been outside and haven’t, probably, seen a really good cook meal for 3 months. JD: That and the fact that they didn’t have any human touch in 3 months as well, because when the pandemic hit, many of the services that they were receiving, like the personal care, where placed on hold and they didn’t have really the family contact as well. RA: How much physiological do you have to do in addition to everything else? JD: Well, I do it because I believe I make a difference and I believe that the more I give the more I get back. I have been very pleased with my work, with what I have done and received… but I also believe that before I’m finished, I need to tackle the senior abuse in the community, and we all need to tackle this… it’s a very uncomfortable topic! In Portugal it’s the same thing, it does happen and it’s a major problem. We need to seat at a table and have this uncomfortable conversation. We can’t forget that if we have done well - I did well! - it’s because of these seniors, that have paved the way for immigrants like me, like us. Why shouldn’t I do this for them now, when they don’t have anyone to speak for them? RA: We are quite privileged that we are in a position and to be able to help. This is not about just giving, but more about helping. However, on the other hand, our community is aging and we are trying, right now, to build our first seniors longterm care facility and assisted living and we are at the stage where we have the permits, the land and the non-profit designations… we have everything but the funds and now we have to test the fundraising capacity of the community that never built something of this magnitude… it will be interesting to see, how the community will react when we come asking for help… but do you thing we will succeed? JD: I thing we will succeed, although the Portuguese community doesn’t give as easily as other communities and without questioning, but still there is potential and I think there are enough resource in our community to make this happen and I also think they want a long-term facility and a retirement home. (…) I really think the Portuguese are ready for this.
A person is free to make decisions and take the risk by staying home, but the ability to make this decisions diminishes as the risks increases… that´s why the admission on a long-term care facility becomes an option, whether or not those options are exercised by the family or by the medical team that eventually will do. I can see the long-term care facility and assisted living in the community working together, because you can get all the partners involved if you make a facility as the focal point that interacts with the community where all the generations can come and socialize with the seniors and that is good for the seniors, good for Pre Schools, good for High Schools and so on. We know, through researches, that the Portuguese as they get older they feel more comfortable speaking in Portuguese and if they have dementia or Alzheimer they reverse back to the mother tongue, so I think if I would develop dementia in the future most likely I will speak only in Portuguese and, of course, I want to be taken cared by a Portuguese speaking person, that understands me and my culture. RA: I like to think we live in a prosperous country, although recent studies showed statistics pointing out that 33% of children of Toronto go to school without food and the percentage is higher in adults. Breakfast Clubs at schools, Food Banks, Shelters and so on, are trying to help but don’t seem to be able to keep up. Poverty affects people’s self-worth and then they feel shame and I think that’s one of the main barriers for them to ask for help. JD: It´s true. People are very humble for being poor and they don’t like to ask for help. (…) RA: Does the Portuguese community have enough resources to assist our seniors? JD: We do have a problem with the language, but there is also a lack of personal support workers in general, and as society we need more and I think the government is in conversations on recruiting more personal support workers. It´s a very hard job and we have acknowledged know, with the pandemic, that we haven’t paid them enough. We can’t expect that they look after our loved ones for minimum wage, without protections. Also, as a Portuguese society we should approach the politicians and talk about the needs we have in our community… we shouldn’t be embarrassed at all by sitting at the table with the politicians and tell them that we need nurses or personal support workers from Portugal… the other communities do that!!!
RA: Well, the feedback has been very positive, but the question is always, knowing our cultural “inclinations”, will our community build a project that everybody can be proud of and where we can incorporate our culture into the building to make of it a center for the Portuguese community? I think it’s time that we have something of this nature… we worked very hard to get it to this point and I’m very positive, but now we need the community to step up to the plate!
RA: I would like to congratulate you for the work that you have done and do. And also thank you for introducing your work and the new program, cooking and deliver food to the needier, that we certainly will continue. Cristina DaCosta, Rosa Bandeira, Madalena Balça and Carmo Monteiro already cooked and for this week we are already planning. Hopefully, we are going to start a movement and get more people involved.
JD: Absolutely… and there is a question of safety.
JD: I thank you for this opportunity.
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Carlos Lopes, Luís de Castro, José Dias e Saru Pal Créditos © Carmo Monteiro
José Dias e Saru Pal Créditos © Carmo Monteiro Amar I 41
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urante muito tempo foi considerado uma inevitabilidade e um tema pouco interessante de estudar. Agora, sabe-se que é uma sensação muito poderosa que nos pode levar longe, apesar de não ser certo em que direção pode ser o pai de toda a criatividade ou de todo o perigo. A 22 e 26 de outubro de 2016 houve dois incêndios florestais no condado de Macon, no estado americano do Illinois, na Carolina do Norte. Os fósforos encontrados no local fizeram os investigadores perceber que ali havia mão criminosa. Um habitante local não tardou a ser identificado como suspeito e foi interrogado por um agente florestal. Chamava-se Keith Mann e, apesar de começar por negar tudo, não tardou a admitir os crimes. Foi cândido quando questionado sobre os seus motivos. “Acho que estava entediado”, justificou o homem que arrasou mais de 16 hectares de floresta. Este é o poder do tédio. Habituámo-nos a olhar para ele como um mal menor. Um incómodo que acontece quando temos muito tempo entre mãos e poucas ideias sobre como o ocupar. Mas o que nos últimos anos muitos investigadores têm percebido é que, afinal, este estado de enfado tem um papel maior na nossa vida – para o bem e para o mal – do que se achava à primeira vista. Um dos investigadores que se tem dedicado a este assunto é Andreas Elpidorou, professor de Filosofia na Universidade de Louisville (EUA) e autor do recém-publicado “Propelled: How Boredom, Frustration, and Anticipation Lead Us to the Good Life” (“Impulsionado: como o tédio, a frustração e a antecipação nos conduzem à boa vida” – tradução livre, sem edição em português). Na obra, ele define o tédio como um estado desagradável em que nos sentimos frustrados, apáticos e insatisfeitos, que nos sinaliza que estamos numa situação insatisfatória e que, ao mesmo tempo, contém um forte desejo de fazer outra coisa. “Num estado de tédio, somos movidos a pensar em situações e objetivos alternativos que são mais interessantes e significativos para nós do que os atuais. Estamos ansiosos por deixar o tédio para trás. E se tudo correr como planeado, faremos exatamente isso”, considera o filósofo à “Notícias Magazine”. Esta é uma definição funcional de tédio: este estado psicológico desempenha um papel importante nas nossas vidas porque “é um alarme que nos informa que nos encontramos numa situação insatisfatória e sem sentido e, ao mesmo tempo, nos dá um impulso para fazer outra coisa”, defende. É esse poderoso impulso de querer sair do estado de tédio que explica que muita criatividade nasça do aborrecimento, ao mesmo tempo que explica comportamentos como o do incendiário do condado de Macon, no Illinois. Andreas Elpidorou salienta ser importante distinguir entre o tédio como uma emoção – isto é, como um estado psicológico temporário – e o tédio como um traço de personalidade – a chamada “propensão para o tédio”. “Como traço de personalidade parece muito perigoso e os indivíduos que se entediam com frequência enfrentam uma série de problemas psicológicos e podem causar danos a si ou aos outros”, conclui. Por outro lado, como emoção de curta duração, não é bom nem mau. O que pode ser bom ou mau é o que fazemos impelidos por essa experiência. “O tédio é um alerta. Diz-nos que não estamos a fazer aquilo que deveríamos – o que nos motiva a fazer outra coisa – mas nunca nos diz o que é essa ‘outra coisa’. É por isso que os resultados de uma experiência entediante são muito variados: pode resultar em ações pró-sociais e curiosidade, mas também pode levar alguém a comer demasiado chocolate, a consumir muito álcool ou a incendiar coisas.” Particularmente durante a adolescência é reconhecida a correlação entre o tédio e comportamentos de risco, como o consumo excessivo de álcool e drogas.
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Uma epidemia de tédio
O tédio da quarentena
Uma pesquisa feita no início de março, em Itália, a 3500 adultos em confinamento, destinada a avaliar a resposta de saúde pública e o comportamento dos cidadãos, chegou a uma conclusão surpreendente. O tédio é um dos efeitos colaterais negativos mais comuns das restrições. Foi a queixa mais frequente entre os inquiridos do que a solidão, a falta de ar puro, os conflitos familiares e a falta de atividades sociais. Por todo o lado, multiplicaram-se as listas com conselhos para ocupar o tempo e evitar o aborrecimento durante o confinamento e distanciamento social. Mas a solução é um pouco mais complicada do que isso. “Aconselhar uma pessoa entediada a ler um livro ou ver um filme é como dizer a uma pessoa que se está a afogar para nadar até a praia. Se ela pudesse, era isso que faria”, resume John Eastwood professor de Psicologia na Universidade de York, no Canadá, onde dirige o Boredom Lab (Laboratório do Tédio). O investigador, coautor do livro “Out of My Skull – The Psychology of Boredom” (Fora do meu crânio – A psicologia do tédio – tradução livre), que vai ser lançado daqui a uns meses, garante que as soluções têm de ser individuais, porque o tédio que cada um sente não cede a conselhos genéricos: ele só pode ser superado encontrando atividades que expressem as nossas paixões e propósitos.
Fotografia © Engin Akyurt
Muito modelos medem o tédio observando dois eixos: a nossa capacidade de encontrar significado numa tarefa e a nossa capacidade de lhe prestar atenção. Quanto menos formos capazes tanto de uma coisa como de outro, mais entediados nos sentiremos. Já Eastwood entende que os mecanismos psicológicos que verdadeiramente o causam são outros dois. Numa entrevista por email à NM, o autor expõe o seu ponto de vista: “O primeiro é aquilo a que Tolstoi chamou ‘o desejo de ter desejos’, ou seja, querer fazer alguma coisa que não é ‘fazível’ no momento; o segundo é uma mente desocupada ou aquilo a que alguns chamam ‘a dor dos poderes não utilizados’, porque a capacidade cognitiva da pessoa entediada está subutilizada”.
maioria de nós encontra maneiras de lidar com eficácia com essa alerta que é o tédio. Mas em isolamento é muito mais difícil. Isso desafia a sensação de que controlamos as nossas ações. Um dos riscos, agora, é também que fiquemos cada vez mais frustrados, o que pode levar a ‘pavio curto’ e hostilidade”, afirma. Mas há outro risco, ainda por apurar: o impacto que o tédio vai ter naqueles que já têm, mesmo sem pandemia e isolamento, uma propensão para se sentirem aborrecidos com facilidade. “Nessas pessoas que já sentem habitualmente uma série de consequências negativas do tédio, desde níveis mais altos de ansiedade e depressão até problemas com abuso de substâncias, só saberemos se esses problemas se vão agravar com o isolamento quando tudo acabar. Há já vários grupos de pesquisa, incluindo o nosso, a investigar isso neste momento”, revela o neurocientista. Ele frisa ainda que o “truque” para resistir, para aqueles que ainda se encontram em casa e privados da socialização normal, é encontrar pequenas coisas que possam dar sentido ao dia. E “pequenas coisas” pode ser a expressão-chave aqui. Consumir Netflix o dia todo vai resultar por pouco tempo, mas também é preciso ter cuidado com objetivos muito ambiciosos. “Uma sugestão que tenho visto frequentemente passa por aconselhar as pessoas a aproveitarem para aprender um novo idioma. Embora isso pareça ótimo, normalmente leva meses e provavelmente requer interação com um falante nativo do idioma. Embora tudo isso seja possível online, deixa-me uma preocupação: o estabelecimento de metas demasiado grandes durante o confinamento pode levar ao fracasso, fracasso esse que só levará a mais frustração”, alerta James Danckert. “O meu conselho seria definir metas pequenas e alcançáveis, mas ainda assim importantes.” Uma lição que fica para os possíveis futuros períodos de confinamento.
Este desejo de fazer coisas que não são possíveis de fazer pode explicar, em parte, as transgressões ao confinamento que têm acontecido por todo o Mundo. “Ainda não sabemos ao certo, mas pesquisas realizadas em Toronto, durante os bloqueios da SARS [em 2002], mostram que as pessoas relataram o tédio como sendo o motivo mais significativo para quebrar a quarentena”, esclarece o diretor do Boredom Lab. Também o outro coautor de “Out of My Skull – The Psychology of Boredom”, o neurocientista canadiano James Danckert, da Universidade de Waterloo, aponta o não cumprimento do confinamento domiciliário como o maior risco do tédio por todo o Mundo, neste momento. “Normalmente, a
Sofia Teixeira
NM
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Modelos de cuidado
Pós-Covid 19 Convertemo-nos numa propriedade coletiva, de uma coletividade que dilui qualquer responsabilidade, de maneira que erámos tão suas que nos tinham esquecidos nos lares, onde morremos sem fazer demasiado ruido e com um certo alívio também coletivo, porque ao fim e ao cabo já estamos amortizadas. Anna Freixas Farré, Gerontóloga, In El País
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o país vizinho, já foram iniciadas investigações sobre o sucedido nos lares de idosos. O Conselheiro Alberto Reyero denunciou o abandono a que foram votadas as pessoas idosas institucionalizadas. Um protocolo deu diretrizes para que os hospitais selecionassem quais os idosos dos lares que deveriam ser admitidos de modo a evitar o colapso dos serviços. O documento recomendava que se excluísse um dos grupos mais numeroso, os idosos com grau três de dependência, aqueles que precisam de apoio várias vezes ao dia ou de forma continuada. Recomendava também que se excluíssem as pessoas com deficiência, institucionalizadas nessas estruturas. Foram noticiados vários casos de cadáveres que não foram retirados das instituições e de ambulâncias que não se deslocavam às instituições para prestarem o devido socorro às pessoas doentes. A Ministra da Defesa, Margarita Robles, revelou que os militares “viram pessoas idosas absolutamente abandonadas, mortas nas suas camas”. Informação confirmada pelo general Fernando Lopez del Pozo: “Nas residências vimos de tudo. Pessoas que ainda não tinham sido retiradas pelos serviços funerários mais de 24 horas após o falecimento, uma proporção enorme de doentes, falta de pessoal, os profissionais também infetados. Momentos de extrema angústia.” Na Suécia, que optou por não generalizar o confinamento, a pandemia revelou a marginalização das pessoas idosas. A propagação do covid-19 nas residências para pessoas idosas já foi considerada um escândalo. O epidemiologista Anders Tegnel, arquiteto da estratégia contra o convid-19, rejeita críticas e considera que as numerosas mortes “não são consequência da estratégia adotada mas da forma como protegem os mais velhos”. “Venha o diabo e escolha!” O primeiro-ministro, Stefan Löfven, reconhece: “Devemos admitir que a parte que se ocupa dos cuidados aos idosos, em termos de propagação da infeção, não funcionou. É óbvio. Temos demasiadas pessoas idosas que faleceram.” No Canadá, Montreal foi o coração da hecatombe. A jornalista Hélène Jouan descreve a situação: “O modo como os idosos são tratados nestas estruturas... Lençóis sujos, pacientes esfomeados, com sede, deixados ao abandono… Irrompe o escândalo sobre as condições de vida em certos estabelecimentos que podem custar cerca de 12 000 dólares por mês aos residentes.”. Especialistas e analistas consideram que “Os lares para as pessoas idosas foram sem dúvida o angulo morto da estratégia de saúde pública.” Há mesmo quem fale de um “genocídio geriátrico”. Apesar das muitas dificuldades que sentimos, em Portugal, os profissionais das instituições sociais e sanitárias estão de parabéns pela resposta de excelência que deram aos múltiplos desafios colocados pelo coronavírus. Portugal é apontado, com justiça, como um modelo na resposta à pandemia. Devemos sentir-nos orgulhosos pela dedicação, profissionalismo e capacidade de adaptação dos nossos profissionais. A prova
viva da nossa capacidade de cooperação, sustentada em valores essenciais para a coesão da sociedade como são a generosidade, o sacrifício, a solidariedade e o esforço. José Tolentino Mendonça, na sua intervenção, no Dia de Portugal, marcadamente humanista considera que para “reabilitar o pacto comunitário implica robustecer, entre nós, o pacto intergeracional.” E também que “A tempestade provocada pelo Covid19 obriga-nos como comunidade, a refletir sobre a situação dos idosos em Portugal e nesta Europa da qual somos parte.” Uma das reflexões que considero prioritária centra-se nos modelos de cuidados que queremos para o futuro. Creio que fará sentido priorizar os cuidados no domicílio. Muitos países europeus já apostaram, há muitos anos, noutras respostas sociais e sanitárias. Continuamos a investir milhões de euros na criação de Estruturas Residenciais para Idosos, investimentos encorajados pelas políticas públicas das últimas décadas. Uma estratégia que deve ser reequacionada. Fará sentido investir em grandes equipamentos onde residem dezenas ou mesmo centenas de pessoas idosas? Fará sentido investir milhões no edificado e reduzir custos na qualidade dos cuidados, não apostar na qualificação especializada dos recursos humanos, manifestamente insuficientes, e mal remunerados? Em 1987, há mais de três décadas, a Dinamarca interditou a construção de novas residências para idosos. Uma escolha que resultou na diminuição considerável de pessoas institucionalizadas. Na atualidade, neste país, haverá, apenas, cerca de 4% de pessoas idosas, com mais de 84 anos, institucionalizadas em residências. O Estado apostou, forte e decisivamente, em levar ao domicílio todos os serviços de apoio de que poderão necessitar estas pessoas. Talvez possamos estudar outros modelos de prestação de cuidados no domicílio, devidamente adaptados ao nosso contexto social e económico, e reconstruir uma política da longevidade. Temos que assumir um compromisso nacional forte no investimento em novas políticas da longevidade e em serviços que criem as condições necessárias para que as pessoas permaneçam nos seus domicílios. Estes serviços deverão ser prestados por equipas multidisciplinares especializadas. Os profissionais do cuidado devem ser reconhecidos pelo enorme valor do seu trabalho, sendo remunerados adequadamente. Será também fundamental reforçar o apoio às iniciativas locais que já dinamizam serviços de proximidade, incentivar a melhoria contínua e a adoção de boas práticas, potenciadoras de uma resposta holística e promotoras da qualidade de vida e dignidade de todas as pessoas. O tempo pós-covid-19 deve ser o do reconhecimento da nossa vulnerabilidade; da dignidade para todos; da humanidade plural; do respeito pela diversidade e integridade; da empatia; da solidariedade universal e do advento da economia social e solidária.
José Carreira
Obras Sociais Viseu
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Teletrabalho com filhos 48 I Amar
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evido à atual situação de saúde causada pelo Covid-19 e ao consequente encerramento das escolas, muitos profissionais tiveram que conciliar as suas responsabilidades familiares com as laborais a um nível mais complexo através do teletrabalho com filhos.
Como trabalhar em teletrabalho com filhos
Esta combinação é difícil, especialmente se as crianças forem pequenas. No entanto, também pode ser uma oportunidade única para adquirir novas aprendizagens e para melhorar os nossos relacionamentos.
10 iniciativas para gerir esta situação com êxito:
1. Crie o seu próprio local de trabalho Assim como no escritório, é importante ter o seu próprio espaço para poder trabalhar à vontade. Se mora numa casa grande, converta um dos quartos num escritório temporário. Se mora numa casa menos espaçosa, pode criar o seu local de trabalho na sala, sala de jantar ou até mesmo num quarto, criando assim um espaço temporário onde pode evitar interrupções mais facilmente. Criar um local para este fim torná-lo-á menos propício a interrupções desnecessárias e mais propenso à concentração. O espaço deve estar o mais longe possível dos filhos, bem iluminado, arrumado e equipado com as ferramentas e tecnologias necessárias para realizar sua função profissional. 2. Seja madrugador Uma grande vantagem de trabalhar em casa é que não perde tempo em deslocações. Deixe que os seus filhos durmam até tarde – isto permite-lhe beneficiar de um tempo extra de tranquilidade pela manhã: sem trânsito, sem preparar os filhos para a escola, sem ter de guiar ou apanhar transportes… Use esse tempo de forma eficaz para conseguir começar logo a trabalhar. Assim, também terminará de trabalhar mais cedo e poderá passar mais tempo com os seus filhos. Se os seus filhos acordam muito cedo naturalmente, prepare-os como se fossem para a escola e deixe-os a brincar enquanto se dedica ao teletrabalho com filhos numa sala fechada. 3. Planeie atividades divertidas para os filhos… Para conseguir trabalhar sem interrupções, pode planear algumas atividades que ajudem a entreter os seus
filhos por períodos alargados. Há muita coisa que podem fazer sem ajuda dos pais, como desenhar, colorir, construções de lego, plasticinas, ver desenhos animados… Tal como na escola, pode dividir a sua sala maior em diversos cantos de jogos e diversão: um canto de desenho, um canto de leitura, um para brincar com legos, outro com bonecas, um de plasticinas, uma zona de filmes, etc. Precisa de fazer uma conferência telefónica ou reunião por Skype? Para garantir ausência de barulho das crianças, garanta que estão entretidas noutra zona da casa. Por exemplo, pode deixá-las a ver televisão, sejam desenhos animados ou um filme, deixá-los a ouvir um podcast com uma história, ou mesmo emprestar-lhes um tablet para que gravem um vídeo para os avós. É importante não lhes oferecer tudo ao mesmo tempo nem as mesmas atividades todos os dias – a variedade é a chave para que não se aborreçam. 4. Estabeleça objetivos claros Não ir à escola obviamente tem um impacto nas crianças, pelo que é aconselhável que não percam o ritmo de estudo (se já estiverem na primária), pois mais tarde será muito mais difícil retomá-lo. Da mesma forma, é importante que tenham horários fixos. Em algumas escolas os professores estão a trabalhar de casa, pelo que é possível estabelecer com eles uma rotina diária. Se não, pode criar tarefas diárias para os seus filhos, como exercícios ou leituras obrigatórias, e rever com eles ao final do dia. Assim, mantém os seus filhos ativos nos estudos e com uma rotina de aprendizagem. Aos filhos mais velhos também se pode dar algumas responsabilidades novas, como participar nas tarefas dentro de casa. Por exemplo, lavar o carro, cuidar do jardim, tirar e pôr a loiça na máquina, pôr a mesa, arrumar o quarto, fazer a cama, tratar dos animais de estimação, etc. 5. Evite sair de casa Todos devemos evitar sair o máximo possível, e fazê-lo apenas para o imprescindível, como ir ao supermercado ou à farmácia. Faça compras para vários dias para não ter de ir ao supermercado tantas vezes, cozinhe várias refeições antecipadamente durante o fim-de-semana, ou prepare as coisas para que depois só tenha de fazer o essencial (conceito de “meal prep”). Isto ajuda a depois ter mais tempo durante a semana para estar com os seus filhos.
6. Aproveite as sestas Os seus filhos ainda dormem a sesta à tarde? Aproveite este tempo extra ao máximo para realizar tarefas que necessitam de mais concentração. Se precisa de estar em contacto diário com os seus colegas ou com parceiros/clientes externos, assegure-se de programar essas reuniões virtuais em momentos mais tranquilos do dia. Se os seus filhos dormirem até mais tarde, uma boa altura para fazer reuniões seria de manhã cedo ou na hora da sesta, ou em horas a que estão entretidos a ver um filme e que não o irão interromper. Deve adaptar e flexibilizar o seu horário em função das necessidades e obrigações. Desta maneira, quando acordarem, poderá prestar-lhes mais atenção. 7. Alterne responsabilidades com o seu parceiro Se estão os dois pais a trabalhar de casa, a situação é mais desafiante porque ambos necessitam de tempo e espaço para o fazer. Pode ser benéfico que o tempo com as crianças seja alternado, para dar mais tempo a ambos para trabalhar. Enquanto um dos pais se concentra no trabalho, o outro pode estar com os filhos. Desta forma, os filhos não sentem falta de atenção e os pais podem trabalhar mais tempo sem interrupções. 8. Garanta uma boa conciliação da vida laboral e familiar Por último, é importante assegurar-se de que continua a existir um equilíbrio entre o trabalho e a vida privada. Uma vez terminado o trabalho, desligue o computador e desfrute do resto do dia. Planeie algo divertido, como uma noite de jogos em família, por exemplo. Não se esqueça de deixar também algum tempo para si, pessoalmente, como sempre fez. Isto ajuda a manter a sanidade mental e um sentimento de normalidade. Da mesma forma que vão alternando momentos de trabalho em casal para estar com os filhos, alternem também momentos para poderem estar a dedicar-se a algo que sempre fizeram, como uma rotina de exercícios diária ou a leitura de um livro.
Raquel Couto
Blogger
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I
mpulsionados tanto pela evolução tecnológica quanto pela agilidade nas comunicações e o volume de informações cujo crescimento é cada vez maior em intervalos de tempo cada vez menores, deparamo-nos com os seus inevitáveis efeitos à agitação dos neurônios e das emoções de formas nunca vistas anteriormente, ou seja, uma verdadeira tempestade de estímulos ininterruptos sequer dão chances de a cabeça se organizar. Não conseguimos, à equilibrada condição, assentar as ideias e assim definir o que nos interessa e o que pode ser desviado como exagero, acima da triagem que o próprio modelo de economia mental já o faz, portanto, restou-nos acumular rapidamente o excesso que ganha volume, obstrui e danifica. Atropelamos o lento, porém seguro, sistema psíquico de processar o conhecimento. Talvez pudéssemos encontrar uma solução para ajustar o descompasso, refletindo e trabalhando em sintonia com a natureza ao modular velocidade e disponibilidade, conciliando e cedendo para manter saudavelmente os ganhos conquistados até então e continuar a jornada evolutiva, que trará, certamente, novas questões a serem observadas. É uma sobrecarga que, além de comprometer o adequado processamento, emite os essenciais sintomas de alerta por meio da irritação, do medo e da ansiedade (transtorno em larga escala estudado pela OMS – Organização Mundial de Saúde. Mais: notícias regulares desumanas a respeito dos cenários de instabilidade econômica, de pobreza, de crimes e de guerra ao redor do globo, sem falar nos factos locais, imediatos), do isolamento, da distância próxima conectada à obsessiva atualização virtual do que acontece instante a instante, num frenesi de controle e poder sem precedentes, da tristeza (e doenças como a depressão, alcançando as crianças e os jovens como apontam pesquisas da Universidade San Diego, por Jean Twenge, relacionadas ao uso indiscriminado das redes sociais). São defesas automáticas e naturais advindas da permanente explosão adrenérgica estressante (um brutal terrorismo psicológico direcionado às já impressionadas cabeças que respondem vigorosamente) que se sobrepõe ao estado de repouso necessário ao balanço dos altos e baixos típicos do cotidiano. Imagens e conceitos são desenhados e pintados com os tons acinzentados das situações de profunda inquietude e desarmonia. O resultado... Ainda, presos a tal circuito, limitamo-nos a cuidar quase que somente dos seus danos, “perdendo de vista” outros assuntos que também dificultam o fluxo ideal diário da gestão pessoal e de convívio, tais como a reflexão acerca do modelo de vida que levamos e sua correspondente qualidade: alimentação, desportos, cultura, espiritualidade, trabalho/excessos/desemprego, cidades/aglomerações, originalidade e metas pessoais em contraposição às fantasias de viver o modelo alheio/sociedade do espetáculo, envolvendo questões de autoconceito e autoestima consequente, a fragilidade da personalidade contemporânea. A participação mais ativa e intervencionista nos projetos políticos (incluída a vigilância ao abuso de poder e à corrupção, para além dos órgãos típicos) e sociais aos quais nos submetemos por decisão representativa de pequenos grupos. O envolvimento em ações concretas ecológicas de hábitos fundamentais que alterem o danificado panorama que nos cerca perigosamente, por exemplo. Poder-se-ia dizer, pois, que se trata de uma autoagressão em relação à colheita a que nos submetemos pelo tipo de plantio que praticamos. Afinal, o que queremos? E o que não queremos? 50 I Amar
Conturbações
atuais
Sim, nós nos colocamos nesta situação (por um lado, conscientemente, por outro, consideravelmente, à espessa inconsciência), mas podemos transpô-la, em parte que seja, pois representaria muito! Assim o fizemos, pouco a pouco, por passividade despercebida, talvez, como quem espera que outrem faça aquilo que somente cada um pode fazer por si mesmo, ou boa parte ao menos - e pelo comunitário. Por si e por todos. O egoísmo tem o seu papel na sobrevivência e é tão enraizado evolutivamente quão exclusivo às transformações íntimas e intransferíveis, mas o altruísmo dá-lhe a mão em ambicioso projeto de unir para fortificar e vencer estrategicamente melhor à passagem vital da espécie sobre o incomparável planeta azul, aperfeiçoando, sutil e vagarosamente, tudo o que seja possível ser transmitido às descendências via informação genética. Pequena nota: embora as conturbações de hoje possam nos assombrar e projetar impressões pessimistas quanto ao futuro, é bom lembrar que a violência (de acordo com os muitos dados da OMS), por exemplo, já foi estudada séria e metodicamente na Universidade Harvard, por Steven Pinker, através de números que se mostraram estatisticamente maiores no passado (na pré-história e em outros períodos) cujo descontrole ainda sonhava desejosamente algum conjunto de medidas atualmente possíveis, melhor aplicado nuns sítios do que noutros, sem, contudo, perder a sua atual primazia e os resultados que eventualmente venham a se superar favoravelmente. Em suma, o inatingível paraíso custa caríssimo aos que não consideram os factos que a história nos conta com a nobreza de um dedicado professor a impor mais realismo e menos fantasia aos estudantes. Então, se a nossa modelável mentalidade se ajustou aos novos e importantes passos dados desde o ontem, de agora em diante, se o quisermos, podemos adaptá-la em maior porção favorável ao equilíbrio do uso e dos efeitos decorrentes, ao preço, todavia, de o fazermos com maior consciência (menos mecanicamente), direcionando o barco em harmonia aos ventos e ao controle das cordas que se sujeitam às velas, além do leme, é claro. Mas é crucial que se disponha de tempo para as ponderações e a sua oportuna aplicação. Agir, mais do que reagir. Não há mágica ou truques, a não ser o exercício das ideias, sobretudo as criativas, que só nascem sob o pesado arado psicológico das perguntas adequadas e à aceitação das respostas que, vez por outra, não são as mais simpáticas ou atraentes. Mas bem vale o amargor do remédio, já o sabemos. Tudo tem um preço. Por fim, não é simples a transformação e o direcionamento pretendidos nestas linhas, nem se pretende aqui insinuar tamanha insensatez, mas é certo que está em nós muitas das soluções às quais se pode recorrer à mesma natureza que nos permite seguir por muitos caminhos, destacadamente as vias para evoluir e ultrapassar-se.
Armando Correa de Siqueira Neto
Psicólogo e Mestre em Liderança
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Parceria
biológica e emocional A
palavra “vírus”, que, desde há uns meses, infetou as nossas notícias, as nossas mentes, os nossos hospitais, as nossas cidades e a economia, vem do latim, e significa “veneno” ou “toxina”. Passando por várias “mutações” ao longo da história, acabando por adquirir o significado de “pequenos agentes infeciosos”. De acordo com o desenvolvimento da ciência, sabemos hoje, que estes pequenos agentes infeciosos são capazes de infetar seres vivos de todos os domínios. Assim, está comprovado que os vírus representam a maior diversidade biológica do planeta, sendo mais diversos que bactérias, plantas, fungos e animais juntos. Provavelmente, antes desta situação de atual mundial, não tinha consciência de que, enquanto nós estamos na nossa rotina, em simultâneo, existem profissionais notáveis que se dedicam á investigação virológica, no combate de novos vírus e ao constante desenvolvimento da prevenção de pandemias. São especialistas que viajam pelo mundo, procurando estar um passo à frente de, quando e onde poderá aparecer uma nova variação, uma nova mutação, um novo vírus, salvaguardando o mundo destes agentes infeciosos.
Créditos © Robert Collins
Por outro lado, a preparação psicológica, é também uma área que se deve manter em auto desenvolvimento para combater o contágio dos vírus emocionais na adversidade.
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As emoções negativas
Bruce H. Lipton, uma autoridade internacional, reconhecido por fazer a ponte entre a ciência e espiritualidade e um representante proeminente da nova biologia, alerta-nos para o facto de o maior agente infecioso ser a propagação do medo. Sabemos que a emoção é um mecanismo desenvolvido pelo sistema nervoso no sentido de se capacitar a gerar resposta imediata a estímulos do ambiente. Quase que poderíamos dizer que as emoções têm “vida própria”. Como assim? Em boa verdade, não controlamos as emoções, mas ao trabalhar os nossos recursos internos, conseguimos desenvolver um sistema imunitário emocional mais forte e alcançar uma melhor autorregulação. Por exemplo, o medo, quando em excesso, torna-se numa emoção negativa, sem benefícios, gera stress e ansiedade. Ao vivermos em constante estado de alerta, ativamos uma parte do nosso sistema nervoso autónomo, o sistema nervoso simpático que inunda o corpo de “hormonas do stress”. O resultado consiste nas manifestações clássicas do medo. Aumento da vigilância, batimentos cardíacos acelarados, pressão arterial elevada, as palmas das mãos suadas e o aumento de energia. Em suma, preparam-nos para lidar com o problema. O estado de alerta quando se torna permanente, pode constituir sérias consequências para sua saúde. A sobrecarga de stress mantém-nos presos a estados prejudiciais da mente e do corpo, debilitando o bom funcionamento do sistema imunológico.
As emoções positivas
Por outro lado, a autoconfiança, gera bem-estar, fortalece a autoestima e ativa uma outra parte do sistema nervoso autónomo, o parassimpático, que é um aliado do nosso sistema imunológico, pois gera resposta de relaxamento e desacelera o corpo. Os nossos comportamentos revelam emoções. Somos seres emocionais e isso é bom, desde que as emoções negativas não se sobreponham às emoções positivas de forma confusa e desorganizada.
Kit antivírus emocional
Esta é uma ferramenta que o desafia a viver estas atitudes, encontrando comportamentos adequados ao seu contexto. Tem como utilidade primária uma melhor gestão das emoções, o fortalecimento da autoestima e a preservação do sistema imunológico.
pessoas positivas para a sua vida, que o contagiem positivamente. • Escolha consigo. Comparar-se com o outro gera auto negação. Viva a cada dia a sua melhor versão. • Compare-se estratégias para identificar as suas emoções antes de agir. • Aprenda de si, da sua imagem, postura física e energia. • Cuide o seu maior concorrente. Desafie-se. • Seja no aqui e agora. Viva no presente. • Foque-se coisas novas. Expanda a sua mente e desenvolva neuro plasticidade. • Aprenda em prioridade; faça por si e para si. Não dependa da validação dos outros para começar a agir. • Coloque-se responsável pelos seus comportamentos e pela sua mudança. • Seja as suas limitações. • Aceite o hábito de praticar o auto elogio diário, e valorize-se. • Crie decisões. • Tome uma lista dos seus pontos fortes. • Faça uma lista das suas realizações. • Faça quando precisa de ajuda • Reconheça Use os seus recursos internos. • Aprenda estratégias para dizer não a nível interpessoal e intrapessoal. • Tenha uma rede de apoio (amigos/ família). • Defina objetivos. • Tome consciência do que gosta de fazer. • Faça mais do que gosta. •
Ter em mente uma série de medidas que combatam o contágio emocional negativo, torna-se imperativo. Ao conseguirmos uma maior auto regulação, sentimo-nos melhor connosco e mais aptos para acolher e estar para os outros. A criação de um kit antivírus surge como uma ferramenta de prevenção, que nos suporta no nosso dia a dia para que, perante a dificuldade ou o desconhecido, estejamos mais fortalecidos e mais hábeis na resposta.
Isabel Rebelo
Psicóloga e Hipnoterapeuta
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Happy Canada Day!
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Styling
Canadá Elegante O
Dia do Canadá, no primeiro dia de julho, é um dia que junta famílias e amigos em casa uns dos outros; nas “cottages” à beira do lago; nas praias; na cidade para almoços ou jantares mais demorados. Infelizmente, a comemoração do dia nacional, este ano, prevê-se virtual, devido ao Covid. Contudo, com as distâncias devidas, é possível estar na praia a passar o dia; estar com o núcleo familiar na cottage a fazer canoagem ou ao lume a tostar “marshmallows”; ou poder finalmente, ir jantar fora. O momento exige um “dress code” especial, por isso, há que estar no seu melhor, esteja em ambiente formal ou informal. Aqui ficam as dicas, em que as cores guias são naturalmente, o branco e vermelho.
Maria João Rafael Consultora de Imagem
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Dia do Canadá
à beira do lago
Bikini: Hudson Bay Company (preço sob consulta) Sandálias com âncora: Captain Sandal (loja online Zulily) $30 Calções com correntes dos lados: Michael Kors (loja online Italist) $141 Chapéu pintado à mão: Marca canadiana Abaco Beach Company $89 Óculos: Ralph Lauren $126,70 Saco de praia: Hudson Bay Company $16 (saldo)
Dia do Canadá
na Cottage
T-shirt: Maple Leaf (Dollarama) $4 Ténis: Champion “Keds” (loja online Bluefly) $26,40 Óculos: Izipizi Sun Glacier $80 Pulseira anzol: loja online Zulily $40 Calções: Red Valentino $260 Casaco de lã: Hudson Bay Company $400
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Jantarcom informal amigas
Anel NACH em porcelana: loja online Yoox $116 Sweat-shirt: Maison Labiche (loja online Farfetch) $95 Sapato em pele: Repetto (loja online Bluefly) $337 Óculos: Ray Ban Ja-Jo $165 Batom: Sephora “I Love Canada” $10 Chapéu: Miu Miu (loja online Farfetch) $450 Brincos: Dolce Gabbana (loja online Italist) $462 Mala Maple Leaf: Luisa ViaRoma $515 Lenço: Simona Barbieri (loja online Yoox) $89
Jantar em
companhia especial Sapatos: Francesco Russo (loja online Italist) $517 Brincos em resina e ouro: Kym Ellery (loja online Pret-a-Porter) $495 Vestido: Gianluca Capannolo (loja online Farfetch) $1.131 Broche “Maple Leaf” em ouro: Tiffany Co. (loja online TheRealReal) $595 Pochette: Jean Red (loja onlive Editorialist) $895 Blazer: Balmain (loja online Runway Catalog) $2.306,90
Créditos: Google Images; Hudson Bay Company; Urstyle; sites e marcas acima mencionados
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happy
CaNaDa DaY Joe & Andrew Amorim Toronto - 590 Keele Street (Keele & St. Clair) 416.760.7893 Vaughan - 3737 Rutherford Road (Rutherford & Weston) 905.264.4017
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ZÉ PEDRO ROCK ‘N’ ROLL Pedro M. Salvador
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Estreia Estreia em Portugal a 30 de julho
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Curiosidades Um filme para dar uma resposta a uma pergunta que muitos fazem: qual a razão para todos gostam de Zé Pedro, o guitarrista dos Xutos & Pontapés? Mas de política não fala Zé Pedro Rock n’ Roll, 110 de minutos de tributo a Zé Pedro, belo amontoar de histórias em torno de uma figura fundamental no crescimento do rock português, um homem que viveu segundo os princípios da mais cordial conduta punk: a liberdade. Da infância à sua morte, este documentário examina o segredo de um ícone que nunca acreditou ser “cota” e para quem “o amor era a coisa mais importante”. O guitarrista dos Xutos & Pontapés morreu no final de 2017, aos 61 anos. No final na década de 1970, Zé Pedro, com Zé Leonel e Paulo Borges, criou a banda Delirium Tremens, que mais tarde passou a chamar-se Xutos & Pontapés, com a entrada de Kalú e de Tim, para o lugar de Paulo Borges.
Sala de Cinema Zé Pedro, figura maior do rock português, foi também o seu grande impulsionador, não só enquanto guitarrista dos Xutos e Pontapés, mas também através na divulgação do género como crítico de música, radialista e dono do Johnny Guitar, mítico clube lisboeta e sala de concertos, onde muitas bandas deram os primeiros passos.
Ficha Técnica Documetário realizado a partir de uma série de depoimentos de colegas e amigos, Zé Pedro Rock n’ Roll traça o perfil de uma espécie de santo da música, alguém que acreditava que podia ser amigo de todos e cujo sonho era partilhar o seu amor pela música. Pela proximidade com Zé Pedro, Diogo Varela Silva, cineasta que se estava a especializar em filmes sobre a arte do fado, consegue uma certa intimidade com o tema. Às tantas, o espetador é convidado a participar na tertúlia e em todo um jogo de afetos. Como algo muito “lá de casa”, onde a informalidade dos depoimentos pode ter contornos de intimidade e efeitos emocionais genuínos. Duração: 110 minutos Género: Documentário Origem: Portugal
Fontes:IMDBeFilmSpot - Imagens: DireitosReservados
Pedro M. Salvador
Curta portuguesa na seleção de Cannes João Antunes JN
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epois do anúncio, há duas semanas, dos 56 filmes de longa-metragem contemplados com o carimbo Cannes 2020, o festival anunciou hoje a lista de 11 títulos da competição de curtas-metragens. Além da particularidade de seis dos filmes serem dirigidos por mulheres, há um filme português na lista, "O Cordeiro de Deus", de David Pinheiro Vicente.
Créditos: Direitos Reservados
Apesar de ter apenas 23 anos, este açoriano que cursou na Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa junta assim Cannes à competição de Berlim para que fora selecionado o seu filme de fim de curso "Onde o Verão Vai (Episódios da Juventude)". Não admira pois que David Pinheiro Vicente tenha sido apontado como um dos 10 "próximos realizadores" pela European Film Academy e um dos Dez Novos Realizadores a Seguir pela European Film Promotion.
Créditos: Direitos Reservados
"O Cordeiro de Deus", uma coprodução entre a portuguesa Artificial Humors, de Gabriel Abrantes, e a francesa La Belle Affaire Productions, parte do imaginário do realizador sobre uma vila no interior de Portugal e cruza as tradicionais festas de verão com violência e sexualidade. Numa quinta do interior de Portugal, um rapaz testemunha uma situação violenta e sexual. Nessa noite, é confrontado com o problema da sua mãe, ter de matar o cordeiro que criam no pátio para as festas da aldeia. O irmão mais novo não se quer despedir do animal, mas ninguém lhe explica o que vai realmente acontecer. As consequências parecem inevitáveis...
O filme de quinze minutos, interpretado por Miguel Amorim, Carla Galvão e Gabriel Salvado, não tem ainda data prevista de estreia em Portugal, mas já foi adquirido para exibição em televisão e online pelo canal Arte France. Como é sabido, o Festival de Cannes não se realiza este ano. E se os 56 filmes indicados anteriormente não corresponderiam exatamente à seleção caso tivesse havido festival, porque houve muitos realizadores que não aceitaram o selo Cannes 2020, o mesmo não acontece nas curtas, onde estes 11 filmes deveriam ser mesmo os que passariam na Croisette.
Sobre o seu filme, David Pinheiro Vicente adiantou: "Neste retrato de uma família pobre do interior de Portugal, pareceu-me fundamental que as personagens tivessem direito à sua própria natureza contraditória, numa abordagem que não fizesse delas vítimas, mas sim pessoas complexas que, como todas as outras, estão presas nos sintomas dos seus problemas." Amar I 61
Culinária
Sushi
debanana
Culinária
PREPARAÇÃO
A
1. Descasque as bananas e regue-as com o sumo de limão. 2. Derreta o chocolate no microondas. 3. Cubra duas das bananas com o chocolate derretido. Polvilhe uma delas com os morangos, previamente triturados, e a outra com o coco ralado. 4. Barre a terceira banana com a manteiga de amendoim e polvilhe com a granola. 5. Leve ao frio até servir. 6. Antes de servir, corte as bananas em fatias para obter a forma de sushi.
diversão dos mais novos é garantida com este sushi de banana! Uma sobremesa rápida e vegetariana, para comer sushi doce e colorido. Delicie-se!
Bom apetite e Feliz Dia do Canadá!
INGREDIENTES
SERVE 4 PESSOAS TEMPO MÉDIO DE PREPARAÇÃO: 15 MINUTOS DIFICULDADE: FÁCIL
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3 bananas 1 limão (sumo) 1 chocolate preto com cacau 3 morangos desidratados 1 c. de sopa coco ralado 1 c. de sopa manteiga de amendoim 2 c. de sopa granola
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416) 762-4279
AQUÁRIO
Julho
Horóscopo
O
horóscopo para julho 2020 trará energia positiva para as pessoas. Os dias neste mês são os mais longos do ano, aos quais podemos fazer um bom uso. Alguns podem gostar de poder passar mais tempo a trabalhar, outros pelo contrário, pensam em longas noites românticas. Em julho, seremos fortemente influenciados pelo planeta Vénus. Por causa disso, podemos não querer-nos limitar a um parceiro apenas, e em vez disso, vamos experimentar tudo o que for possível, quando se trata de sexo e romance. No entanto, temos que perceber que somos mais do que os nossos instintos - graças a isso, podemos evitar a potencial infidelidade. Além disso, cuidado ao levar os insultos dos outros para o lado pessoal. Lembre-se de que o que os outros pensam de nós não é da nossa conta. É importante como nós nos vemos. De qualquer forma, de acordo com as estrelas, é evidente que em julho as pessoas geralmente não fazem cara feia. Também pode desfrutar de uma excelente condição física. Normalmente está na melhor forma neste mês de verão. Definitivamente não vai perder a motivação.
Planetas em julho de 2020 O sol em Caranguejo
Pode acontecer que esteja mais emotivo do que o habitual. Vai parecer muito gentil, altruísta e empático aos olhos dos outros. No entanto, o seu comportamento pode parecer hipersensível ou exagerado. Se se sentir inseguro vai ficar muito nervoso. Vai sentir-se seguro cercado por amor, pessoas das suas relações ou família. Vai também sentir-se mais autorrealizado. A fantasia é também significativa neste período.
Vénus em Gémeos
Neste período, as emoções do aquariano serão mais intensas - tanto que podem até ofuscar seu pensamento analítico. Nas suas experiências, podem se sentir perdidos, o que pode levar à depressão. Será melhor se apenas relaxar e sair para umas boas férias com sua família, por exemplo. Irá perceber o quanto as pessoas próximas são capazes de ajudar e que nem sempre tem que assumir o papel do psicólogo. Julho será um período que abrirá os seus olhos - as relações familiares serão agora mais importantes do que nunca.
CAPRICÓRNIO
Com a chegada de julho, sentirá o desejo de sair de férias. Não resista a isso - assumimos que há um país dos seus sonhos que adoraria visitar. Por que não realizar esse sonho este ano? O capricorniano deve descansar e ter outros pensamentos. Julho será então um mês cheio de alegria e novas experiências. Nesse contexto, descobrir novas culturas é uma atividade absolutamente ideal.
SAGITÁRIO
Tem pensado em mudar de emprego? O horóscopo insinua que julho é o momento ideal para começar a procurar um cargo melhor. Se você não está feliz no seu trabalho atual, não faz sentido ficar lá, não importa o quanto ganha. O sagitariano entenderá que nem tudo se resume a segurança material, mas principalmente a paz de espírito. Um ambiente excessivamente stressante é muito cansativo para o corpo, e antes de encontrar algo novo, tente pelo menos desacelerar no trabalho atual.
ESCORPIÃO
Julho irá forçá-lo a dar uma pausa no trabalho e sair para umas férias interessantes. Tem trabalhado muito duro, mas tenha em mente que isso não é a coisa mais importante. Relaxar no mar ou nas montanhas tem um efeito calmante na nossa mente. Além disso, você reunirá a inspiração necessária para os próximos passos da sua carreira no ambiente natural. Que tal pensar no projeto que lhe vem passando pela sua cabeça há já algum tempo? O escorpiano deve saber que com vontade suficiente, tudo é possível.
BALANÇA
Julho vai torná-lo propenso a estados mentais ruins, talvez até mesmo depressão, que poderia vir de repente sem uma causa evidente. Não entre em pânico nesses momentos; não há nada de errado consigo. Essa energia irá despertar a cura emocional dentro de si - para que as velhas feridas finalmente deixem o seu sistema, tem que senti-las primeiro. No final, o libriano se sentirá limpo e livre. Se precisar, peça ajuda a um amigo próximo. O tipo certo de socialização pode fazer milagres.
VIRGEM
Julho será um dos meses mais positivos deste ano para o ariano. Tudo que se propuser a fazer dará certo, seja oportunidades de trabalho ou relacionamentos. A energia de julho também será boa para a atividade física. Portanto, é o momento ideal para começar a praticar algum tipo de desporto ou hobby envolvendo movimento. Tente fazer atividades como correr ou nadar. O ariano terá tantas reservas de energia que será difícil esgotá-las.
LEÃO
Durante este período, cuidado com os gastos excessivos. Recomendamos que crie uma reserva financeira, pois potenciais altos custos podem até custar o teto sobre sua cabeça. Entretanto, o leonino não deve entrar em pânico, pois se comportará de maneira responsável com as suas finanças e tudo ficará bem. Julho representará o despertar do desejo por prazeres materiais, entretanto considere sempre se é realmente necessário comprar aquela coisa específica. Comprar uma televisão nova ou algo do género pode ser deixado para depois.
CARANGUEJO
De um modo geral, o canceriano não pertence aos signos com habilidades naturais de liderança, mas julho vai convencê-los de que mesmo eles são perfeitamente capazes de gerenciar uma equipa de pessoas com o mesmo objetivo. Vai-se destacar no trabalho; os outros sentirão grande energia autoritária vinda de si e a sua mente estará transbordando de ideias. Anote ou mantenha um registro dos seus pensamentos; pode ser útil mais tarde. No entanto, não se esqueça de também cuidar da sua saúde, pois neste período sentirá que o seu sistema imunológico foi enfraquecido. Se incorporar mais alimentos frescos na sua dieta, o seu corpo definitivamente irá lhe agradecer.
Nestes dias não ficar em apenas num lugar. Viajar, novas aventura e vida social atraem-no. Em casos extremos, os outros podem achar o seu comportamento limitado. Em questões de amor, ter um só parceiro não irá satisfazê-lo. Quando num relacionamento de longo prazo, o seu parceiro deve partilhar consigo muitas ideias interessantes para fazê-lo feliz.
GÉMEOS
Mercúrio em Caranguejo
Com a influência de Marte, julho será um mês que levará ao pensamento e à capacidade de se concentrar efetivamente. O taurino será capaz de alcançar os seus objetivos e ambições, e eles também vão transferir a confiança para a área amorosa. É como se tivesse descoberto um encanto que nunca revelou antes. Você também se beneficiará da atividade física, dedicar o seu tempo aos desportos de resistência agora é uma boa escolha. Eles irão bombear o sangue nas suas veias, tornando-o absolutamente imbatível.
Nestes dias, o seu discernimento pode ser influenciado pelas suas emoções. Tanto automaticamente como subconscientemente. Ser demasiado sensível pode ser uma desvantagem. Tente concentrar-se em factos. A vantagem será que será muito empático como companheiro, parceiro ou ouvinte. As pessoas sentir-se-ão bem na sua companhia.
Marte em Virgem
Durante este período, não terá problemas por reagir impulsivamente. Será um bom líder. O seu amor será persistente e com propósito. A sua energia pode dar-lhe tudo o que deseja. No entanto, prsete atenção às situações stressantes, porque a sua tendência vai ser comportar-se de forma irrefletida e até mesmo arrogante.
Julho pode ser um mês muito emocional para si. Todos os sentimentos que guardou dentro de si querem vir à tona. Se estiver sentindo tristeza, raiva ou decepção, deixe isso florescer. Os geminianos não devem socializar muito durante esse período, porque podem parecer hipersensíveis. O isolamento ocasional não é ruim, pois a pessoa é capaz de organizar seus pensamentos e de se energizar para a próxima parte da jornada de vida.
TOURO
CARNEIRO
A comunicação terá agora uma relevância especial na sua vida. Haverá muito diálogo, muita correspondência escrita e uma constante partilha de ideias. Nesta fase verá aumentada a sua capacidade de concentração. Na última semana estará mais sensível. Situações não resolvidas da sua vida passada podem surgir agora para serem analisadas e solucionadas.
PEIXES
Julho irá intensificar as suas emoções, resultando em sentir-se absolutamente sobrecarregado. Cuidado com a depressão e ansiedade. Se precisar de acalmar, recomendamos chás de ervas - por exemplo, St. John wort, capim-limão ou lavanda - e também exercícios de meditação ou respiração yogi. Os piscianos serão forçados a fazer tudo para estabilizar o máximo possível a sua condição mental.
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*Offer available from June 2 to June 30, 2020 at participating dealers on eligible new retail 2020 models: Chevrolet: Spark (excl. LS), Camaro (excl. ZL1), Bolt EV,Trax, Equinox (excl. LS), Blazer (excl. 2.5L),Traverse,Tahoe, Suburban, Colorado (excl. 2SA), Silverado LD, 3000 Woodchester Drive, Mississauga | 905-828-2221 | applewoodauto.com Silverado HD; Buick: Regal, Encore, Encore GX, Envision, Enclave; GMC:Terrain,Acadia,Yukon,Yukon XL, Canyon (excl. 2SA), Sierra LD, Sierra HD; Cadillac: XT4 (excl. Lux), XT5, XT6, Escalade, Escalade ESV. Employee Pricing is vehicle pricing ordinarily available to GM Canada employees. Eligible vehicles must be delivered by June 30, 2020. Cannot be combined with certain other offers. Dealer may sell or lease for less. ** Limited finance offer on approved credit. Interest accrues after 150 days, based on monthly payment frequency. *Offerpayment availableor from Junedeposit 2 to June 30,be2020 at participating on eligible new retail 2020 models: Spark (excl.Chevrolet: LS), Camaro (excl. Bolt EV, Trax, Equinox (excl. LS), 2.5L), Traverse, Tahoe, Suburban, (excl. 2SA), Silverado LD, Down security may required. Available ondealers new retail 2020 vehicles delivered by JuneChevrolet: 30,2020,excluding: Spark LS,ZL1), Corvette, Camaro ZL1, Colorado 2SA;Blazer GMC:(excl. Canyon 2SA. Contracts will be extendedColorado accordingly. See dealer for details. *Offer available fromRegal, June 2Encore, to JuneEncore 30, 2020 participating dealers onTerrain, eligibleAcadia, new retail 2020 models: Chevrolet: Spark (excl. LS),LD, Camaro ZL1), Bolt EV,(excl. Trax,Lux), Equinox Blazer Escalade (excl. 2.5L), Traverse, Tahoe, Suburban, Colorado (excl. 2SA), Silverado LD, Silverado HD; Buick: GX,atEnvision, Enclave; GMC: Yukon, Yukon XL, Canyon (excl. 2SA), Sierra Sierra(excl. HD; Cadillac: XT4 XT5,(excl. XT6,LS), Escalade, ESV. Employee Pricing is vehicle pricing ordinarily available to GM *Offer available from June 2 to June 30, 2020 at participating dealers on eligible new retail 2020 models: Chevrolet: Spark (excl. LS), Camaro (excl. ZL1), Bolt EV, Trax, Equinox (excl. LS), Blazer (excl. 2.5L), Traverse, Tahoe, Suburban, Colorado (excl. 2SA), Silverado LD, Silverado HD; Buick:Eligible Regal, Encore, GX, Envision,byEnclave; Terrain, Acadia, Yukon,Yukon XL, Canyon (excl. 2SA), Sierra HD; XT4 (excl. Lux),offer XT5,on XT6, Escalade, Escalade ESV. Employee is vehicle ordinarily available to GM Canada employees. vehiclesEncore must be delivered June 30,GMC: 2020. Cannot be combined with certain other offers. Dealer mayLD, sellSierra or lease forCadillac: less. ** Limited finance approved credit. Interest accrues afterPricing 150 days, basedpricing on monthly payment frequency. Silverado HD; Buick: Regal, Encore, Encore GX, Envision, Enclave; GMC: Terrain, Acadia, Yukon, Yukon XL, Canyon (excl. 2SA), Sierra LD, Sierra HD; Cadillac: XT4 (excl. Lux), XT5, XT6, Escalade, Escalade ESV. Employee Pricing is vehicle pricing ordinarily available to GM Canada employees. Eligible vehicles must be delivered by June Cannot be combined with other offers. Dealer may sell orSpark lease for ** Limited finance on approved credit. Interest accrues afterwill 150 based on monthlySee payment Down payment or security deposit may be required. Available on30, new2020. retail 2020 vehicles delivered bycertain June 30, 2020, excluding: Chevrolet: LS,less. Corvette, Camaro ZL1,offer Colorado 2SA; GMC: Canyon 2SA. Contracts bedays, extended accordingly. dealerfrequency. for details. Canada employees. Eligible vehicles must be delivered by June Cannot be combined with other offers. Dealer may sell orSpark lease for ** Limited finance on approved credit. Interest accrues afterwill 150 based on monthlySee payment Down payment or security deposit may be required. Available on30, new2020. retail 2020 vehicles delivered bycertain June 30, 2020, excluding: Chevrolet: LS,less. Corvette, Camaro ZL1,offer Colorado 2SA; GMC: Canyon 2SA. Contracts bedays, extended accordingly. dealerfrequency. for details.
Happy Happy Happy Happy Happy Canada Day Canada Canada Canada Canada Day Day Day Day to all of our members, their families, to tofriends all all to of all of toour our all of to our members, all of members, our members, of our members, their members, their their families, families, their families, their families, families, and the portuguese community
friends friends friends friends and and friends and the theand portuguese the portuguese and the portuguese the portuguese portuguese community community community community community Jack Oliveira Business Manager Jack JackOliveira Oliveira Jack Oliveira Jack Oliveira Jack Oliveira Business Business Business Manager Manager Business Manager Business Manager Manager Luigi Carrozzi Luigi LuigiCarrozzi Carrozzi Luigi Carrozzi Luigi Carrozzi Luigi Carrozzi Secretary-Treasurer
Joseph S. Mancinelli
Joseph Joseph Joseph S.S.Mancinelli Mancinelli Joseph S. Mancinelli Joseph S. Mancinelli S. Mancinelli President President President President President President
Secretary-Treasurer Secretary-Treasurer Secretary-Treasurer Secretary-Treasurer Secretary-Treasurer
Carmen Principato Carmen Carmen Carmen Principato Principato Carmen Principato Carmen Principato Principato Vice President Vice Vice President President Vice President Vice President Vice President
Robert Petroni Robert RobertPetroni Robert Petroni Robert Petroni Robert Petroni Petroni Recording Secretary Recording Recording Recording Secretary Secretary Recording Secretary Recording Secretary Secretary
Mike Mike Maitland Maitland Mike Maitland Mike Maitland Mike Maitland Mike Maitland Executive Executive Executive Board Board Executive Member Board Member Executive Member Board Member Board Member
Brandon Brandon Brandon MacKinnon MacKinnon Brandon MacKinnon Brandon MacKinnon MacKinnon Brandon MacKinnon Executive Executive Executive Board Board Executive Member Board Member Executive Member Board Member Board Member
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LiUNA LiUNAOntario LiUNA Ontario LiUNA Ontario Provincial Provincial LiUNA Ontario Provincial District District Ontario Provincial District Council Council Provincial District Council District Council Council 1315 1315North North 1315 Service Service North 1315 Road Service North Road 1315 E., Service E., North Road Suite Suite Service E., 701 Road 701 Suite Oakville, Oakville, E., Road 701 Suite Oakville, E., ON 701 ON Suite L6H L6H Oakville, ON 701 1A7 1A7 L6H Oakville, ON 1A7 L6H ON 1A7 L6H 1A7 LiUNA Ontario Provincial District Council Tel: Tel: (289) (289) Tel: 291-3678 291-3678 (289) Tel: 291-3678 (289) Fax: Fax: Tel: 291-3678 (289) (289) (289) Fax: 291-1120 291-3678 291-1120 (289) Fax: 291-1120 (289) Fax: 291-1120 (289) 291-1120 1315 North Service Road E., Suite 701 Oakville, ON L6H 1A7 www.liunaopdc.ca www.liunaopdc.ca www.liunaopdc.ca www.liunaopdc.ca www.liunaopdc.ca
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