EDIÇÃO 45 • ANO 4 • MENSAL • WWW.REVISTAMAR.COM
Puro-sangue lusitano
Francisco Grelo OUTUBRO2019
Ficha Técnica Direção
Carmo Monteiro Manuel DaCosta
Edição Gráfica Carlos Monteiro
Marketing
Carmo Monteiro MDC Media Group
Fotografia Carmo Monteiro Carlos Monteiro
Colaboradores
Armando Correa de Siqueira Neto Carlos Cruchinho David Gonçalves José Carreira Helena Rodrigues Maria João Rafael Paulo Mendes Paulo Perdiz Pedro M. Salvador Raquel Couto
Participação Especial Ana Sofia Reis Leila Do Couto Sónia Falcão da Fonseca
Agradecimentos
Casa das Beiras de Toronto First Portuguese Canadian Cultural Centre FPCBP Luso M Riders Notícias Magazine LiUNA MDC Media Group Rosanna Grelo Távora Foods Toronto Fashion Week
Contacto
www.revistamar.com info@revistamar.com www.facebook.com/revistamar
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Conteúdos 4
Labour day Parade
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Camões TV
Outubro 2019
Em setembro, Toronto recebeu mais uma edição da Parada Anual do Dia do Trabalhador. Fique a saber tudo.
A Camões TV apresentou nova programação 24 horas por dia, 7 dias por semana e a Revista Amar esteve presente neste marco importante da comunicação social de expressão lusófona no Canadá.
12 SemanaCulturalBeirã
página 16
A Casa das Beiras realizou mais uma edição da Semana Cultural e quisemos testemunhar as boas tradições gastronómias e culturais daquela região do país.
20 63º Aniversário First Portuguese
página 30
Este centro cultural celebrou o 63º aniversário e quisemos saber as novidades e desafios para o futuro.
26 Caminhos de Ferro
página 56
em Portugal
Carlos Cruchinho leva-nos numa viagem pela evolução dos caminhos de ferro em Portugal.
página 60
32 Miguel Bombarda Armando Correa de Siqueira Neto fala-nos sobre o médico nascido no Brasil e que presidiu a Academia Real das Ciências Médicas de Lisboa.
40
Francisco Grelo
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Genebra
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Insónia
Este mês ficamos a conhecer Francisco Grelo, um homem de convicções firmes e um dos maiores embaixadores do cavalo puro-sangue lusitano na América do Norte.
página 62
página 64
Em outubro rumamos a paragens conhecidas pelas estâncias de esqui, paisagens belas e pelo chocolate.
Revista Amar é uma marca registada e empresa subsidiária dos grupos Cyber Planet Inc. e MDC Media Group. Custo estimado por exemplar
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Helena Rodrigues fala-nos sobre esta doença do sono que afeta milhões de pessoas no mundo inteiro.
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Toronto Fashion Week
Maria João Rafael traz-nos os momentos altos e novidades da festa da moda, que se realiza, anualmente, em Toronto.
página 78 Os artigos publicados na presente edição são da inteira responsabilidade dos seus autores, podendo não refletir as opiniões e posições da Revista Amar naquela matéria. A utilização do novo acordo ortográfico, na matéria da presente edição, ficou à inteira descrição dos seus autores. Os conteúdos publicitários publicados na presente edição são da inteira responsabilidade, com autorização e aprovação prévia dos seus autores.
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AGENDACULTURAL 19 DE OUTUBRO 26 DE OUTUBRO 2 DE NOVEMBRO 9 DE NOVEMBRO 17 DE NOVEMBRO 23 DE NOVEMBRO
OUTUBRO/NOVEMBRO 2019
ANIVERSÁRIO DO RANCHO - ATUAÇÃO DO CONJUNTO MEXE-MEXE BAILE DE HALLOWEEN - ATUAÇÃO DO CONJUNTO TABU NOITE DO MARISCO - ATUAÇÃO DO CONJUNTO SAGRES BAILE DE SÃO MARTINHO - ATUAÇÃO DO CONJUNTO UNIQUE TOUCH PORTO DE HONRA - ATUAÇÃO DO RANCHO DO PCCM & DJ JANTAR DE GALA - ATUAÇÃO DO CONJUNTO TABU
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Labour Day Parade FOTOGRAFIA © CARMO MONTEIRO
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o Canadá, o Labour Day é celebrado na primeira segunda-feira de setembro. A Parada com 125 anos é já um marco da cidade de Toronto, e este ano teve como tema “A Força e a Solidariedade dos trabalhadores”, tendo, este ano, percorrido as ruas da cidade no dia 2 de setembro. Jack Oliveira, Business Manager da Local 183 fez questão de deixar palavras de apreço a todos os membros, em particular aos reformados. Quando questionado sobre a importância do Dia do Trabalhador, não hesitou em afirmar que “é um dia muito importante para o movimento sindical, que desde que começou em 1972 aqui no Canadá, é um dia para respeitar aqueles que um dia contribuiram para a construção deste país e que já partiram, respeitar aqueles que continuam a suportar ativamente e os nosso pensionistas. Ainda há muito trabalho pela frente, mas hoje é um dia onde todos os sindicatos se unem para enviar uma mensagem – que estamos cá e para ficar durante muitos anos – e também serve para lutarmos pela segurança dos trabalhadores nos trabalhos e a qualidade de vida. É bom que se entenda que se não fosse pelos sindicados e os seus trabalhadores a qualidade de vida existente da classe média, não existiria”. Ana Bailão, vice-presidente da câmara de Toronto, também marcou presença porque “a câmara de Toronto continua a apoiar a classe trabalhadora.” Por ser um dia importante para todos os trabalhadores lusófonos, a Revista Amar faz questão de registar aquela que é considerada a maior parada sindical do Canadá.
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CAMÕES TV 8 I Amar
FOTOGRAFIA © CARMO MONTEIRO
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oi na Peäch Gallery que, no dia 5 de setembro, se deu a apresentação da nova programação da Camões TV e onde se reuniu toda a equipa e personalidades da comunidade.
A estreia da transmissão 24 horas por dia, 7 dias por semana, foi no dia 9 de setembro, no canal 659 da Bell Fibe e no canal 672 da Rogers Cable. O empresário Manuel DaCosta, fundador do MDC Media Group, ambicionava há muito ter este formato e finalmente passou do sonho à realidade. “Eu penso que uma comunidade tem de estar sempre a evoluir. E eu acho que, neste momento, a nossa evolução está um pouco estagnada e precisamos de dar um passo em frente. E como é que o damos? Tomando certos riscos no que fazemos no nosso dia a dia, incluindo os media. Nós sempre dissemos que queríamos fazer as coisas de uma forma diferente na comunidade lusófona e este é mais um passo nesse sentido. Veremos se a comunidade passa a apreciar mais um pouco outras coisas para além daquilo que “está no prato”, principalmente os mais jovens. O nosso principal foco é tentar trazê-los mais um pouco para a casa comunitária e cultural.”, esclareceu Manuel DaCosta.
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Cabe à diretora da Camões TV, Madalena Balça, gerir a programação que diariamente vai para o ar no canal, onde vai poder por em prática a vasta experiência adquirinda ao longo da carreira na televisão e rádio em Portugal. Para Madalena Balça este “é um projeto que nasce muito de um sonho. Um sonho de um homem que tem feito muito por esta comunidade e que tem dedicado muito de si próprio. E não tinha necessidade nenhuma de o fazer! Manuel DaCosta não tinha, de facto, nenhuma necessidade de o fazer e fá-lo num espírito de grande generosidade e de entrega a uma comunidade, a um país e a uma cultura que ele quer que seja preservada no país que o acolheu há tantos anos, o Canadá. Nós todos, a equipa - eu faço parte da
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equipa - estamos aqui para o ajudar a concretizar esse sonho. A responsabilidade é muito grande, de facto. Nós temos que fazer com que ele não se desiluda, com que consigamos corresponder e fazer com que a nossa nova televisão, a Camões TV, venha a ser um canal de televisão diferente daqueles que existiram e existem até agora. Que tenha resposta para a comunidade atual - aquilo que é hoje a comunidade lusófona. Não estou a falar da comunidade portuguesa, estou a falar da comunidade que fala português!”. A Revista Amar felicita Manuel DaCosta pela realização de mais um projeto que enriquece a comunidade lusófona. Amar I 9
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Música, diversão e boa comida Semana Cultural da Casa das Beiras F O T O G R A F I A
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ntre o dia de 21 e o dia 28 de setembro, a Casa das Beiras de Toronto organizou mais uma magnífica Semana Cultural Beirã. No dia de abertura, os presentes assistiram ao içar da bandeira portuguesa e canadiana ao som dos respetivos hinos nacionais. Bernardino Nascimento, presidente da Casa das Beiras, orgulhosamente destacou a presença de João Câmara, embaixador de Portugal no Canadá; Rui Gomes, Cônsul-geral de Toronto; Ana Bailão, vereadora e vice-presidente da câmara de Toronto e Julie Dzerowics, deputada federal; e da comitiva vinda de Portugal Joaquim Carreira Mónico, presidente da Junta de Freguesia de Caranguejeira; Anabela Graça, vereadora e vice-presidente da Câmara Municipal de Leiria, o Rancho Folclórico dos Soutos de Caranguejeira, o cantor Dinis Brites e o Chefe Luis Almeida de Viseu.
tura, também esteve na Noite do Patrocinador, Festival das Sopas e na Noite do Fado.
Não faltaram os habituais eventos a que já nos acostumaram e a Revista Amar para além de ter marcado presença na aber-
A Revista Amar felicita a Casa das Beiras por celebrar e partilhar as tradições beirãs anualmente com os sócios e amigos.
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A sopa, do Chefe Luis, a representar a Casa das Beiras, foi a grande vencedora do 2º Festival. João Brito, organizou mais uma vez uma noite de Fados de excelência. A primeira atuação, como é da praxe, pertenceu ao próprio João Brito seguido por Jennifer Bettencourt, ambos acompanhados pelos músicos, da nossa comunidade, Manuel Moscatel na guitarra portuguesa, João Carlos Silva na viola-baixo e Januário Araújo na viola. Para fechar a noite, veio de Portugal a fadista Célia Leiria que se fez acompanhar pelos músicos Mário Pacheco à guitarra portuguesa e Bernardo Silva à viola.
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LUSO M RIDERS 16 I Amar
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s Luso M Riders realizaram o seu 1º Encontro, a 22 de setembro, na churrasqueira O Pátio, em Toronto. Sócios e amigos deste grupo de motards, fundado a 9 de maio deste ano, foram chegando para um almoço de confraternização. A boa-disposição generalizada entre os convivas foi uma patente durante a tarde, onde entre música e conversas houve rifas – com o objetivo de se dar inicio a uma angariação de fundos que serão no futuro doados a instituições da comunidade portuguesa na grande área de Toronto.
A direção é constituida por Filipe Francisco, presidente; Fernando Mendes, vice-presidente; Joaquim Soares, tesoureiro; Nélson Gaspar, relações públicas; Nuno Sousa e Mário Santos, direção da mesa da assembleia; Edmundo Pires e Nuno Pedrosa, diretores. Filipe Francisco contou-nos que ainda não têm uma sede, mas que “o Fernando, do Pátio, disponibilizou um escritório. Nós pretendemos ter uma sede no futuro, vamos ver como isto vai correr... temos a ajuda de todos os sócios e tenho que lhes agradecer, por estarem tão empenhados e a contribuir no que
é preciso. O sonho é ter a nossa própria casa, um clube onde podemos fazer pequenos eventos que servirão para ajudar a comunidade portuguesa onde podermos.” O Luso M Riders esteve representada na Concentração de Góis Moto Clube 2019 onde foram premiados com a placa aluciva ao 3º maior Grupo Internacional. Foi com prazer que a Revista Amar registou este momento, que, certamente, foi o primeiro de muitos encontros. Amar I 17
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LUSO M RIDERS
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63º Aniversário
First Portuguese Canadian Cultural Centre
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First Portuguese Canadian Cultural Centre festejou, no dia 28 de setembro, o 63º aniversário no Oasis Convention Centre em Mississauga. Entre os 200 convivas encontrava-se presente Rui Gomes, Cônsul-geral de Portugal em Toronto; Julie Dzerowics, deputada federal; profesores e antigos presidentes. Carina Paradela e Aureane Fadendeiro, presidente e vice-presidente respetivamente desta instituição, contaram-nos que a história do centro é grande, com altos e baixos, e que,atualmente, como é de conhecimento público, se encontra numa situação financeira menos boa. “Está difícil, muito difícil! Eu acho que todos os clubes passam por momentos difíceis e neste momento nós estamos a passar por um muito complicado financeiramente. Temos uma renda altíssima para pagar, o edifício não é nosso, nós pagamos renda e, portanto, essa é a maior contribuição para a situação financeira em que nos encontramos mas estamos a trabalhar para que fique melhor”, confessou Carina Paradela. Para tentar ultrapassar este momento a direção já tem alguns eventos programados na sua sede, como o Festival das Sopas agora em outubro, a Noite de fados no dia 16 de novembro, o Mercado de Natal também no final de novembo e as Iguarias da Nossa Terra no dia 24 de dezembro. Aureane Fadendeiro deixa o apelo à comunidade “juntem-se a nós, associem-se, façam parte das nossas festas, venham aos nossos eventos... Venham conhecer-nos, acima de tudo! Talvez seja honesto dizer que nós somos a direção mais nova e queremos juntar mais gente nova à comunidade e ao movimento associativo. Se quiserem começar por algum lado, comecem pelo First Portuguese! Venham ter connosco, façam voluntariado, cheguem-se a nós!”. A Revista Amar solidariza-se com a situação daquele que foi o pioneiro de todos os centros comunitários portugueses e acreditamos que, unidos, podemos ajudar o First Portuguese. 20 I Amar
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FPCBP Torneio Anual de Golfe A
Federação de Empresários e Profissionais Luso-Canadianos organizou, no dia 27 de setembro, o seu Torneio Anual de Golfe no Clube de Golfe de Richmond Hill. Este ano, os fundos arrecadados vão reverter para a SickKids Foundation. A presidente, Eduarda Lee Sousa-Lall, explicou que foi “em conjunto com os nossos novos diretores, um dos quais o Chair do Torneio, Michael Fonseca, que é um ávido
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jogador de golfe, analisámos diversas opções não só de clubes de golfe como também de angariação de fundos e todos concordaram em, este ano, direcionar os fundos para a SickKids – muitos de nós conhecemos pessoas com crianças que são doentes”. Apesar da baixa participação, os presentes encontravam-se bem dispostos e prontos a divertirem-se por uma causa nobre e que toca a todos.
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Memória da tração a vapor e automotora na Linha do Tua, sacrificada em nome de uma barragem supérflua - Créditos: DR 26 I Amar
Histórias do
Caminho de Ferro em Portugal - I
Pouca Terra... Pouca Terra
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ou início à escrita de mais um artigo para esta publicação, sobre a História do Caminho de Ferro em Portugal. Longe vão os tempos do debate apaixonado sobre a construção do TGV, a terceira travessia do Tejo e o novo Aeroporto de Lisboa, um conjunto de obras pública adiadas devido à crise das dívidas soberanas. Novos estudos vem apontar para um forte investimento na ferrovia e na atividade portuária a nível nacional e internacional, como forma a diminuir a pegada de carbono, bem como combater as alterações climáticas a nível global. Segundo os mesmos estudos, Portugal deverá dar prioridade a modernização da linha do Norte e à linha da Beira Alta, como corredores estratégicos para a nossa ligação à Europa. Amar I 27
História do Caminho de Ferro na Europa
Como o próprio nome indica, a expressão “ Caminho de Ferro, refere-se a uma via de comunicação que em todo o seu percurso é constituído por duas barras de ferro paralelas, os carris, sobre as quais circulam veículos especiais, carruagens e vagões que são puxados por máquinas a vapor, diesel ou elétricas, às quais se dá o nome de locomotivas. Foi Denis Papin (1647-1714), célebre cientista francês distinguido pela academia de Paris e pela Real Sociedade de Londres que, observando o poder mecânico do vapor comprimido, inventou a célebre “marmita de Papin”, abrindo assim as portas à investigação sobre a utilização da energia do vapor como substituto da força animal utilizada pelo homem. A primeira locomotiva a vapor utilizada sobre carris foi construída por um engenheiro inglês chamado Richard Trevithic (1771-1833) em 1804, no país de Gales. A experiência no entanto não teve grande sucesso pois a máquina utilizada era muito pesada para os carris que tinham sido concebidos para vagões puxados por cavalos e partiram-se sob o peso excessivo desta locomotiva. Passado um ano, o inglês George Stephenson construiu uma locomotiva mais eficaz para os carris das minas de hulha de Willington, em 25 de junho de 1814, a qual puxou oito vagões de 30 de toneladas à velocidade de 6,5 km por hora, um rendimento que triplicava a força produtiva do homem. O nivelamento dos carris e as melhorias do aproveitamento do vapor produzido pela caldeira aumentaram o rendimento das primeiras locomotivas utilizadas na linha que ligava Darlington e Stockton, em Inglaterra, construída já com os carris feitos de ferro forjado, onde foi inaugurado o primeiro comboio de passageiros, em 27 de setembro de 1825.
A história do ramal de Viseu – Linha do Dão
Desde cedo que, a cidade de Viseu, advogou uma ligação ferroviária com a rede nacional de caminhos de ferro, como um passo decisivo nas relações daquela urbe com o resto do país. Para satisfação dos interesses e reclamações daquela cidade e região foi decidido pedir ao governo, que consigna-se, em 1876, a construção e exploração de um ramal de caminho de ferro, de via estreita, que, partindo de um ponto da futura linha da Beira Alta, fosse terminar na cidade de Viseu. A solução era considerada como inadiável e indispensável ao progresso e desenvolvimento do distrito e da cidade. Perante a recetividade do monarca (D. Luís I) a este legítimo anseio dos viseenses, e tendo o governo a promessa do Chefe de Estado, a 9 de janeiro de 1883, foi pelos ministros da Fazenda e Obras Públicas submetida à discussão e aprovação da Câmara dos Deputados uma proposta de lei para a construção do ramal de Viseu, entre outras linhas de caminho de ferro (…) Para além de outras especificações de caráter técnico e financeiro, (…) do “ramal de Viseu”, determinava que a largura da via era de 1 metro e a sua construção devia iniciar-se no prazo de sessenta dias a contar da data da aprovação dos projetos do governo, devendo estar concluída em dois anos. O Governo garantia à empresa adjudicatária o complemento do rendimento líquido anual 5,5% em relação ao custo de cada km que se construísse, compreendendo o juro e a amortização do capital, estabelecendo a base de licitação em 23.000$00 reis e as despesas de exploração em 50% do produto bruto por quilómetro, com o mínimo 700$00 reis e o máximo de 1.200$00 reis. Os jogos políticos e o receio de perder influência, levara o Partido Progressista que, entretanto, subira ao poder, a não mostrar grande interesse em empenhar-se na construção de um ramal que nascera da iniciativa do Partido Regenerador. Assim, a questão do ramal tornou-se sintoma do jogo de interesses e compadrio que lavrava nas altas regiões do poder. Sem dúvida, o cerne da questão estava na ligação de Tondela a Viseu, onde a dirctriz inicial colocava a linha a passar por Parada de Gonta, terra de Tomaz Ribeiro (natural do concelho de Tondela), então Ministro das Obras Públicas e figura de grande prestígio do Partido Regenerador, enquanto os progressistas pretendiam que o seu desvio por S. Miguel de Outeiro, alegando que o primeiro traçado só serviria para a comodidade e regalo do ilustre ministro, porque lhe fazia passar a linha à porta (…). Todas estas vicissitudes processuais fizeram com que somente em 1888, fosse aprovado pela Junta Consultiva de Obras Públicas o traçado definitivo do ramal. O traçado seguia de Viseu-Figueiró-Torredeita-Farminhão-Parada-Tondela. Em todas estas terras havia uma estação, ficando a de Parada ao lado da estrada Real de Coimbra, distante 4 km da povoação daquele nome. 28 I Amar
A construção e os seus custos
Assim, se, em setembro de 1886, chegava a Santa Comba Dão a primeira remessa de carris e acessórios, destinadas à construção do ramal de Viseu, já em fevereiro de 1888 podia ler-se na imprensa regional que “os primeiros arrematadores passaram já a empresa a outra companhia e afirma-se que o fizeram com um lucro de 4 contos de reis em cada km. Ora, aumentando a linha mais de 7 km de que estava no primitivo projeto, importa o mesmo que meter na algibeira do primitivo empresário, que é o Sr. Marquês da Foz, nada mais, nada menos do que 28 contos de reis! Mas a questão não é os 28 contos, o pior são os 140 contos que o Estado tem de dar e o encargo que fica da responsabilidade dos 5,5% de garantia do capital empregado”. O principal obstáculo, no entanto, surgia por parte dos proprietários das terras por onde devia passar a linha (…) as expropriações para o ramal de caminho de ferro de Santa Comba Dão, continuavam a ser uma verdadeira campanha entre empreiteiros (…) e expropriados. No Jornal Viriato de 11 junho de 1889 afirmava-se em virtude haver “proprietários que pedem quantias fabulosas por dois palmos de charneca e a companhia, não podendo transigir com o absurdo, tem muitas vezes de recorrer à expropriação judicial, o que representa sempre um atraso para a conclusão da linha.” Na verdade, em março de 1889 era sabido que a “Companhia Nacional dos Caminhos de Ferro, encomendou já o material circulante para a linha férrea, às seguintes fábricas: as locomotivas à Machinenfabrik da Alemanha; as carruagens à Societé Internacional da Bélgica; e os wagons à La Metallurgiene também belga; as carruagens de 1ª classe e o salão são inteiramente forradas de pelúcia vermelha e que todo este material deverá achar-se na linha até ao final do ano corrente.” Mas não foram, somente, os problemas técnicos e a satisfação de interesses privados e de conveniências políticas que afetaram o normal andamento dos trabalhos. No dia 17 de junho, houve um grave conflito, levantado pelos operários no ramal de Viseu de que podiam resultar sérias consequências. Foi o caso que “naquele dia veio o pagador da Companhia a fim de trazer a féria aos trabalhadores. Esta, porém, como já lhe fosse
devida a dos meses de abril e maio, e como só lhes pagassem a de abril, não quiseram receber o dinheiro, revoltaram-se e protestaram, não voltando ao trabalho enquanto lhes não fosse pago o débito.” Segundo o relatório apresentado, em 20 de fevereiro de 1892, à Assembleia Geral da Companhia Nacional de Caminhos de Ferro, dá-se como despendida na execução dos ramais de Mirandela e Viseu a quantia de 3.766.330$266 reis, incluindo os juros do capital durante o período da construção e excluído o material circulante, pelo que, segundo aquela cifra, o preço médio por quilómetro ascende a 36.114$701 reis. Ora, confrontando este valor com o preço de 21.211$920 reis por quilómetro, pelo que os concessionários tinham arrematado a construção destes ramais, incluindo o seu material circulante, não pode deixar de ser considerado como extraordinariamente elevado e desproporcionado (…) Ficavam assim abertas perspetiva de inevitáveis prejuízos e de desastre financeiro, difíceis de conjugar e que deixavam longe as previsões lisonjeiras sobre o futuro do ramal de Viseu. No Jornal Comércio de Viseu de 19 de junho de 1890, lê-se o desabafo “Há três anos que principiaram os trabalhos e não sabemos quando chegarão ao seu terno, apesar das boas promessas.”
Carlos Cruchinho
Licenciado no ensino da História e Ciências Sociais
Fontes: SILVA, José Ribeiro da (2004) – “ Os comboios em Portugal: do vapor à electricidade”: [Vol. I] Queluz: Mensagem. MARTINHO, António Manuel Matoso e LUNET, Carlos Alberto Homem de Figueiredo (2012) - “O Ramal de Viseu – Linha do Dão”: Editada pela Comunidade Intermunicipal Dão Lafões.
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Língua Portuguesa
Bruno Vieira Amaral
Fontes: Wikipedia, FNAC, Wook Fotografia: João Fernandes
Formado em História Moderna e Contemporânea pelo ISCTE, Bruno Vieira Amaral é escritor, crítico literário, tradutor, e autor do blogue Circo da Lama.
do com o Prémio Tabula Rasa para melhor obra de ficção e que, em 2018, arrecadou o 2º lugar do prémio Oceanos (antigo prémio PT de Literatura).
Colaborou no DN Jovem, revista Atlântico, jornal i e Observador. Atualmente é editor-adjunto da Revista Ler, cronista do Expresso e da revista GQ.
Bruno Vieira Amaral publicou ainda o Guia Para 50 Personagens da Ficção Portuguesa (Guerra e Paz, 2013), Aleluia! (FFMS, 2015), um livro de não-ficção sobre minorias religiosas em Portugal, Manobras de Guerrilha (Quetzal, 2018), coletânea de textos dispersos, e Uma Viagem pelo Barreiro (CMB, 2018). Prepara atualmente uma biografia do escritor José Cardoso Pires, que deverá sair no final de 2019.
O seu primeiro romance, As Primeiras Coisas, publicado em 2013, foi considerado livro do ano pela Revista Time Out (ano em que o autor recebeu o Prémio Novos por se destacar na literatura), e foi distinguido com o Prémio PEN CLUBE Narrativa, Prémio Literário Fernando Namora e Prémio Literário José Saramago 2015. Em 2017, publicou o seu segundo romance, Hoje Estarás Comigo no Paraíso, que nesse mesmo ano foi distingui30 I Amar
Os direitos dos seus livros foram vendidos para Macedónia, Sérvia, Hungria, Egito, Israel e Brasil.
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Sinopse O que tem Maradona a ver com Susan Sontag e pugilismo com Chateaubriand? E sexo anal com transportes públicos ou com os suicídios de Werther ou Bovary? E David Bowie com Budapeste ou Woody Allen com Bartolomé de Las Casas? São vinte e
seis textos dispersos - publicados em jornais, blogues ou apresentados em conferências e encontros de escritores - que agora se reúnem em livro e que, na sua variedade, erudição e humor, bem ilustram a mestria literária e o extraordinário leque temático de Bruno Vieira Amaral.
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MIGUEL BOMBARDA
Havia uma carregada inquietação naquele 3 de outubro de 1910, período que precedeu a Proclamação da República em Portugal, os anos anteriores foram marcados pelos assassinatos do rei D. Carlos e de seu filho, o príncipe D. Luís Filipe de Bragança, no crescente movimento que desejava encerrar o capítulo monarquista da história portuguesa. A brutal expectativa era traduzida pela mudez abafada que aguardava, instante a instante, o ardoroso pronunciamento republicano. O silêncio foi tragicamente rompido por quatro disparos que atingiram o médico alienista Miguel Bombarda, saídos do revólver de um tenente de infantaria monárquico, Aparício Rebelo dos Santos (Braga, 1878-1943) - seu ex-paciente (acometido por persecutoriedade e comportamentos violentos) e antigo aluno dos colégios da Companhia de Jesus -, dentro do gabinete onde trabalhava como diretor do hospital Rilhafoles, o primeiro psiquiátrico do país: “não o maltratem, que é um doente”, foi o seu pedido, enquanto queimava alguns papéis revolucionários sigilosos e seguia amparado para o Hospital São José a fim de se submeter à cirurgia, sem efeito, pois entrou em coma, falecendo seis horas depois. “O Dr. Miguel Bombarda foi alvejado a tiros de revólver por um louco que hoje o procurou em Rilhafoles, tendo recolhido ao Hospital de S. José em estado grave. O povo de Lisboa está convencido de que o assassínio foi obra dos clericais”, ouviu-se na sucursal de O Século, no Rossio. Naquela mesma noite, o presidente brasileiro Hermes da Fonseca, oferecia um jantar ao rei D. Manuel, no Palácio de Belém, tendo que apressar o evento, pois já se sabia acerca da rebelião que rebentaria, na descrição de ‘Arquivo e Biblioteca da Fundação Mário Soares’. Nada mais seria como antes.
Armando Correa de Siqueira Neto
Psicólogo e Mestre em Liderança
O professor (de Fisiologia e Histologia), político e médico Miguel Augusto Bombarda (1851-1910), nasceu no Rio de Janeiro, e presidiu a Academia Real das Ciências Médicas de Lisboa, foi membro da Comissão de Resistência da Maçonaria e um dos principais dirigentes da revolução republicana, além de ter ocupado outros cargos de destaque. Impulsionou o hospital com modernas construções e ações de saúde. Em 1894 criou o Museu de Arte de Doentes, um dos primeiros na Europa, com 3500 obras, desde 1902, destacando-se a Arte Bruta (fruto do sentir profundo, espontânea e desligada de tendências dominantes), com pinturas catalogadas internacionalmente. O hospital, para 300 pessoas, desativado em 2008 e encerrado no ano de 2011, recebeu o seu novo nome em 1911, uma homenagem ao mártir de espírito inovador e de convicções políticas, sucedendo a designação Rilhafoles, desde 1848 (ano em que o Marechal Duque de Saldanha transformou-o em hospital - dados do Património Cultural, DGPC), cujas instalações pertenceram à Congregação da Missão dos Padres de São Vicente de Paulo, construídas na primeira metade do século XVIII, na Quinta de Rilhafoles. O futuro já encontrava-se naquele presente, pois o Pavilhão de Segurança foi construído em formato circular com múltiplas celas e uma torre de controle ao meio, sem falar no Balneário D. Maria II (de 1854, em delicado estado de conservação), utilizado para os banhos terapêuticos, ao invés dos antigos e obscuros encarceramentos e castigos físicos tão peculiares a este cenário. Até Amália Rodrigues lá esteve, entretendo os pacientes, em 1969, tendo recebido um buquê de flores da plateia, tudo registrado por mais de 1500 fotos que registraram os variados eventos locais, as muitas celebrações do calendário.
Miguel Bombarda antes da operação Créditos: DR
Amália Rodrigues com os pacientes Créditos: DR
Destaque-se devidamente o robusto acervo do museu: arquivo de centenas de livros manuscritos, o livro de registro de todos os doentes desde 1848 (nome, idade, diagnóstico, etc), material clínico e hospitalar, arquivo fotográfico com mais de 4500 fotos, sendo 1100 de doentes, usadas como elemento diagnóstico, além das imagens quotidianas hospitalares, conforme a Associação Portuguesa de Arte Outsider – arte crua. Não se trata, portanto, tão somente de mais uma antiga instituição de saúde, o Hospital Miguel Bombarda foi muito além, tornando-se um marco no tratamento de pacientes psiquiátricos, cuja modernidade das instalações assim o comprovam através dos prédios que lá ainda sobrevivem ao tempo (o registro de uma notável arquitetura), o vanguardista sistema de tratamento e (quase!) um panteão de notáveis profissionais cujo desafio foi confrontado pela ousadia de avançar e cuidar de uma população mormente esquecida dentro dos muros e portões que a cercam. Vale a pena perguntar: o que dirá o futuro se não houver a valorização imediata de rastros tão importantes? Preocupação já existente através do ‘Movimento de Apoio ao Hospital Miguel Bombarda’, que discute e luta pela preservação, utilizando as redes sociais como sua fundamental voz, para não calar definitivamente os ecos históricos do passado. 34 I Amar
Museu Neurociências
Créditos © Armando Neto
Pavilhão de Segurança
Créditos © Armando Neto
Fachada do Hospital
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Gabinete Dr. Miguel Bombarda Créditos © Armando Neto
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N ó s e a Le i
O contrato promessa em Portugal O contrato promessa está previsto no Código Civil Português e é um documento/acordo escrito entre quem promete vender e quem promete comprar. Este contrato é um contrato muito usual em Portugal mas não é obrigatório.
Quando se trata de um contrato promessa compra e venda de imóvel ou fração autónoma deve constar no contrato o reconhecimento presencial das assinaturas do(s) promitente(s) vendedor(es)/comprador(es) pela entidade que realiza aquele reconhecimento e a certificação, pela mesma entidade, da existência da respetiva licença de utilização ou construção, bem como a identificação do próprio imóvel e a identificação completa de ambas as partes, ou seja, é muito importante para que este documento tenha valor jurídico constar o reconhecimento presencial das assinaturas dos promitentes compradores e promitentes vendedores, caso contrário e em termos práticos, o contrato não produz efeitos, isto é, não é válido. A lei permite ainda que se atribuía eficácia acrescida ao contrato promessa de compra e venda, que em termos legais chamámos eficácia real, claro que temos de preencher determinados requisitos para o fazer, mas a verdade é que com a eficácia real temos mais força jurídica que abrange inclusive terceiros. Também é importante estar consagrado no contrato o preço da transação, forma de pagamento, valor do sinal e, se possível, o prazo máximo/data da realização da escritura pública do contrato definitivo de contrato de compra e venda. Antes de assinar qualquer documento deve o comprador verificar se o imóvel está devidamente registado na Conservatória de Registo Predial e que não haja ónus ou encargos sobre o imóvel que vão comprar, como por exemplo uma hipoteca ou uma penhora. O contrato promessa é um contrato preliminar que antecede ao contrato de compra e venda final e que assegura os direitos e deveres das partes e as condições estabelecidas para o negócio, no período que decorre entre a data do mesmo e do contrato definiti-
vo, através da realização da escritura pública de compra e venda, momento em que se deve apresentar o contrato promessa. Qualquer quantia entregue pelo promitente comprador ao promitente vendedor, mesmo que a título de antecipação ou princípio de pagamento do preço, a nossa lei portuguesa presume que tem caráter de sinal. O nosso Código civil também estipula que há consequências para ambas as partes em caso de haver incumprimento do contrato promessa compra e venda: • Se for o promitente vendedor a não cumprir, este terá que devolver à outra parte o valor do sinal em dobro; • Se for o promitente comprador a entrar em incumprimento, a outra parte pode ficar com o valor do sinal; • Quando são ambas as partes a cair em incumprimento do contrato, a solução deverá passar pela restituição do sinal em singelo. De salientar que não é necessária licença de utilização se as propriedades tiverem sido edificadas antes da entrada em vigor do DL n.º 38 382 de 7 de Agosto de 1951 que aprova o Regulamento geral das edificações urbanas
Sónia Falcão da Fonseca & Leila Do Couto,
Advogadas da Lei Portuguesa artigo oferecido por Luso Services & Consulting Inc.
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N
ascido em Moimenta da Beira, Viseu, em 1942, cedo se mudou para a zona das Caldas da Rainha com a sua família.
Imigrou para o Canadá, nos anos 70, depois do serviço militar na Guiné e de ter viajado pela Europa. Em Toronto, quis o destino que Francisco conhecesse Clarita, num baile na zona mais portuguesa desta cidade - na Augusta Ave. -, a sua esposa e mãe das duas filhas, Melissa e Rosanna. A sua paixão pelos cavalos nasceu quando ainda era uma criança. As influências foram muitas, começando pelo seu pai que foi veterinário, ferrado r e militar da Cavalaria; Faustino da Gama; o Mestre Zé Tanganho e Vitorino Frois. O amor pela arte de equitação teve a inpiração maior do lendário Mestre de equitação Nuno Oliveira, com quem teve o prazer de privar e aprender muitas das técnicas que ainda hoje usa na sua quinta. Em 1978 inaugura a Grelo Farms realizando um sonho - uma escola de formação da arte de equitação. Poucos anos mais tarde, realiza mais um sonho, importar aquele que considera o cavalo mais completo, o cavalo lusitano. Foram 10. Hoje a Grelo Farms conta com cerca de 30 cavalos e 20 são puro-sangue lusitano. Rapidamente reconheceu que o Canadá era um país de oportunidades. Homem de convicções firmes e sem arrependimentos, aos 77 anos continua a viver o sonho de sua vida. Em outubro estivemos à conversa com Francisco Grelo.
Francisco Grelo
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F o t o g r a f i a
g e n t i l m e n t e
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F r a n c i s c o
G r e l o
Revista Amar: Quem é o Francisco Grelo? FG: Quem é o Francisco... O Francisco é mais um português que emigrou de Portugal e que veio para esta terra há 40 e tantos anos e que por aqui ficou. É mais uma história de um português... que não sei se ficará gravada ou não, mas pelo menos uma passagem foi. (...) A história da cavalaria começou não de repente, mas 7 anos depois deu ter chegado ao Canadá. RA: É das Caldas da Rainha? FG: Não nasci nas Caldas da Rainha, mas fui criado Caldas da Rainha. A minha terra natal é Moimenta da Beira, que pertence ao distrito de Viseu. (...) Pouco me resta de lá, que conheça porque desde de míudo, dos 6 ou 7 anos, a minha gente... os meus pais viveram nas Caldas da Rainha e é essa que considero mais a minha terra, não desprezando a Moimenta, claro. RA: Depois do serviço militar, andou pela Europa. Para época foi uma grande aventura, não acha? FG: Foi, mesmo no serviço militar estive na guerra do ultramar, estive na Guiné durante 2 anos. Depois estive em Portugal cerca de 1 ano, entretanto como todos os outros que “voaram”, estive na França 4 anos, na Alsácia que fica na fronteira com a Alemanha e Suiça, e corri um pouco aquele canto da Europa. RA: O que é que procurava nessa viagem? FG: Nessa altura era “young and restlessness” e procurava viver... ver o que se “passava na casa dos outros” (riso). RA: Depois viajou para aqui. Qual foi o intuito de começar uma vida nova nesta terra? FG: A idade vai chegando, não é... e cheguei aqui com cerca de 30 anos, já tinha um pouco de calo na vida. Entre os 20 e os 30 com 4 anos de serviço militar... quando vai para o serviço militar ainda é menino, já pensa que é homenzinho, mas ainda é menino. Esses 4 anos amadureceram-me bastante... muitos depois do serviço militar casaram-se e ficaram, outros como eu pensaram que havia muito tempo para formar família e que quiseram ver o que havia para lá das fronteiras de Portugal. Pronto, fui para a França depois de 4 anos regressei a Portugal e fiquei cerca de 1 ano e depois vim para aqui. Vim como turista... vi e pensei “aqui há muito chão para batatas, isto é uma grande terra”. Entretanto, conheci um rapaz que era da zona das Caldas, o Firmino que tinha na altura uma das primeiras agências de viagens e eu perguntei-lhe “ó Firmino, se eu quiser ficar aqui, como é que isto se passa?”, ao qual respondeu “tu tens boas possibilidades, faz uma aplicação à imigração e depois vês o que se passa”... não sabia falar inglês, mas sabia francês. Fui à imigração, fizeram-me uma entrevista e passados 7 meses tinha a papeladinha toda como imigrante, sem ter problemas e aí começou a minha história no Canadá. RA: Sei que, um dia vai a um baile e conhece a sua esposa, a Clarita. FG: Eu vivia numa zona bem portuguesa, na Augusta Ave. e College St., e à noite ia-se por vezes a um restaurante, o famoso Dom Quixote, que tinha flamengo e outras danças, e a rapariga apareceu lá com 2 amigas, mas até fiquei a pensar que ela era chinesa (risos)... olhe, um bailarico, uma bebida, etc. e assim começou a nossa história. Foi engraçado, na noite em que a conheci perguntei-lhe de onde ela era, porque pensei que ela fosse chinesa, mas não... por meias palavras ela disse-me que era filipina. RA: A sua esposa, sendo filipina, isso trouxe alguma barreira a nível de comunicação ou cultural, ou no amor não há barreiras? FG: Não, o amor não tem barreiras. A barreira cultural para mim não existiu, mas eu conhecia, e conheço, pessoas da comunidade portuguesa que me perguntaram “vais casar com a chinesa?”... E eu respondia com uns “joguetes” à portuguesa “sabes que as chinesas têm os olhos rasgados, mas outras coisas também” (risos)... não casei com a chinesa, mas com a filipina. Amar I 43
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M o n t e i r o C a r m o & G r e l o F r a n c i s c o p o r c e d i d a g e n t i l e m e n t e F o t o g r a f i a s
RA: Casados há 46 anos, qual é o segredo de um casamento duradouro? FG: Aqui não há segredos... toda a gente tem altos e baixos, mas de qualquer forma quando queremos ter uma vida a dois duradoura tem que haver cedências dos dois lados, e quando às vezes as coisas não estão bem é porque falámos demais e dizemos coisas que não queríamos. É duradouro quando as pessoas se compreendem, há sempre altos e baixos porque não há formulas perfeitas... mas a verdade é que se passaram este anos todos, tivemos 2 filhas que também estão bem na vida graças ao apoio dos pais. RA: Falando em filhas, a Melissa e a Rosanna, que são muito talentosas e que apesar de terem crescido aqui e de terem ajudado nas tarefas da quinta, optaram por seguir carreiras muito diferentes. Foi-se preparando ao longo dos anos para esta possibilidades? FG: Fui, porque ao fim das contas cada um tem as suas ideias. Eu quando vivia em Portugal com a minha família também sempre tive as minhas ideias. O meu pai era ferrador e veterinário e ensinou-me as profissões dele, mas depois fui para a escola e aprendi outras coisas também. Contudo eu sempre tive as minha ideias, uma delas era de migrar... e a dos cavalos, esta tinha que ser! RA: O seu pai também foi oficial da Cavalaria. FG: Não foi oficial, mas sim militar da Cavalaria. RA: Foi dele que herdou esta paixão pelos cavalos e pela equitação? FG: De certo modo, sim...e também dos nossos clientes, que eram dos arredores das Caldas da Rainha, como Faustino da Gama, o Mestre Zé Tanganho e Vitorino Frois que foi uma pessoa de relevo nos arredores das Caldas, que foi toureiro nacional, etc. RA: Que influência teve o Nuno Oliveira, mestre da equitação, na sua vida? FG: Teve uma influência bastante grande, era o meu ídolo sem dúvida nenhuma. Eu sou conheci o Nuno Oliveira depois de ter imigrado para a França, onde trabalhei com cavalos e lá perguntaram-me se tinha sido aluno do Nuno Oliveira por ter muito jeito, e eu nem sabia quem ele era! (risos) Eu expliquei que o que sabia tinha aprendido com o meu pai e a ver os outros a lidar com os cavalos e o Capitão do Exército Suiço disse-me que eu tinha que o conhecer e deu-me a morada dele em Portugal, que era na Póvoa de Stº Adrião, à saída de Lisboa. Eu fui lá, apresentei-me e durante 3 anos sempre que podia ía lá visitá-lo. Aprendi muito, principalmente na filosofia do homem como montar... ele foi uma grande inspiração. RA: Quando fundou, em 1978, a Grelo Farms, qual era o sonho? FG: O sonho era fazer algo aqui, que nem em Portugal ainda existia. Em Portugal existe a Escola Portuguesa de Arte Equestre, mas que só começou 1 ano depois de mim. Eu conhecia a história da cavalaria e dos cavalos, oriundos da península ibérica, de Viena de Áustria. Era um sonho alto fazer algo como eles tínham, mas tinha chegado a altura de começar a fazer qualquer coisa à semelhança, nunca como eles porque eles tinham o apoio do governo.. e fiz o que pode, devagar, devagarinho mas sempre a andar. RA: Assim que teve oportunidade “importou” 10 cavalos lusitanos, com certeza uma decisão de custo elevado. Na época, não achou que seria um risco muito elevado? FG: Sim, mas riscos há sempre.. porém houve pessoas interessadas que acreditaram e que tiveram a sua cota. RA: O puro-sangue lusitano dá um certo prestígio à Grelo Farms, certo? FG: Dá prestígio não só à quinta. Até eu os trazer para aqui, não havia lusitanos no Canadá. Este país tem muitos cavalos e a raça mais conhecida é o quarter horse também conhecido pelo cavalo dos cowboys, mas o nosso cavalo é que é talhado para a equitação, que foi cavalo de guerra na Europa e que se encontrava nos estábulos Reais... demorou muito tempo a ser conhecido por aqui, e só não há maior divulgação porque há poucas pessoas que se envolvem. RA: Há muita procura do cavalo lusitano? FG: A procura tem que ser exposta. Fui a muitas esposições de cavalos tanto aqui como nos Estados Unidos. As pessoas conforme iam conhecendo foram comprando e os cavalos de criação que tinha aqui, acabei por os vender todos a clientes que vinham aqui ou dos Estados Unidos onde eu dava aulas de equitação. Um cavalo é um cavalo, mas cada raça tem uma particularidade e para os propósitos da arte equestre e certos desportos o cavalo lusitano prima sem dúvida nenhuma, sobre todos os outros. Amar I 45
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RA: Com os seus cavalos dançantes já participou em filmes, comercias televisivos e publicidades impressas. Como surgiram estas oportunidades? Foram boas experiências? FG: As oportunidades surgiram aos poucos, através dos conhecimentos que fui fazendo, aqui e ali e através dos meus clientes. As experiências foram sempre boas, principalmente porque houve ocasiões que ganhava mais num dia do que num mês (risos), o que ajudava de certo modo a pagar as contas. RA: Mas os cavalos são animais muitos sensíveis. Eles não ficam muito agitados quando rodeados de muito barrulho? FG: De certo modo ficam, mas claro que um cavalo treinado confia em nós e nós nele... é uma química que se cria entre os dois. O cavalo não é uma máquina que se possa programar. Treina-se com tempo, paciência e dignidade pelo animal e só assim os levavamos praticamente até onde queremos, mas a última “palavra” é sempre do cavalo... num momento crítico o cavalo pára ou dispara (risos). RA: Chegou a participar na Parada do Dia de Portugal. FG: Durante muitos anos consecutivos... e os primeiros a desfilar na parada foram daqui e chegámos a levar 15 cavalos, mas dava muito trabalho e, como tudo na vida, aos poucos deixei de ir. RA: Não gostava de voltar só mais uma vez? FG: Já voltei uma ou duas vezes, mas esporadicamente... a última vez foi talvez há uns 3 anos, mas com menos cavalos e não é uma questão de não gostar de participar... é a logistica, falta de tempo disponível e falta de pessoas para me ajudar. RA: Sei que a Grelo Farms tem uma Gala anual. Como surgiu a ideia e em que consiste? FG: A ideia da gala é mostrar a forma como se monta em Portugal como na Feira de Golegã e é uma festa para socializar com clientes e amigos. RA: Hoje, que serviços tem ao dispor aos apaixonados por cavalos? FG: Dou instrução de equitação, treino cavalos de clientes, também vou aos Estados Unidos e ao México dar instrução de equitação. RA: Quantos cavalos tem neste momento? FG: Tenho 30 e a maioria são lusitanos e que já são da 4ª geração. RA: O Canadá é um país de oportunidades, se tivesse que voltar no tempo, mudaria de profissão? FG: Sem dúvida que é... mas, não! Nunca! RA: E o amor pela Arte Equestre, mantem-se? FG: Com certeza... este amor já vem do berço.
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enebra é a maior cidade do lado francês da Suíça e a base perfeita para explorar esta parte do país ou para passar umas animadas férias na neve. Atividades e atrações não faltam e destinos populares como Chamonix, Lausanne e Montreux estão todos a uma curta distância de carro.
É muito comum ouvirmos dizer que “Genebra é uma cidade multicultural” e embora essa frase possa ser aplicada a muitas cidades do mundo, isso é especialmente verdadeiro em Genebra — um centro diplomático por excelência. É aqui que encontramos a sede das Nações Unidas, inúmeras missões internacionais e organizações não governamentais. Não é difícil, no espaço de 5 minutos, ouvir falar vários idiomas ou encontrar restaurantes que oferecem diferentes tipos de cozinha do mundo. É esta cultura tão internacionalizada que transforma Genebra num lugar verdadeiramente único para visitar.
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De 7 a 17 de março de 2019 decorreu o Salão Internacional do Automóvel de Genebra - uma das maiores exposições da indústria automóvel. Este Salão, que teve a sua primeira edição em 1905, é aguardado com elevada expectativa pelos entusiastas do mundo automóvel que aqui se dirigem todos os anos para conhecer as novidades das marcas, os novos modelos e os mais recentes desenvolvimentos do setor. Realiza-se anualmente no recinto da Palexpo, junto ao Aeroporto de Genebra. Opções de transporte para o Salão de Genebra são abundantes. O Palexpo Hall 7 fica a apenas 3 minutos a pé da estação de comboio do Aeroporto de Genebra. Os autocarros públicos (linhas 5, 28 e Y) também param diretamente no recinto.
Todos os fabricantes de automóveis expõem no Salão Automóvel assim como muitos especialistas e fabricantes de acessórios. O Salão é muito popular entre o público suíço e internacional e pode ficar bastante cheio, especialmente aos fins de semana. Para aproveitar a exposição com maior tranquilidade, o ideal é chegar bem cedo — logo no início da manhã — ou preferir o horário do final da tarde, que tem uma vantagem acrescida: os visitantes que entram depois das 16h pagam apenas metade da taxa de admissão, mas atenção que esses bilhetes só estão à venda no recinto do evento. É possível comprar entradas para o Salão de Genebra em qualquer estação ferroviária suíça ou online na Swiss Railways. Embora o Salão de Genebra seja um evento muito importante do setor, também é muito popular entre as famílias. As crianças adoram entrar nos carros e tocar em todos os botões, por isso existem muitas exposições e modelos interativos pensados para agradar especialmente a estes jovens visitantes. Instalações para crianças estão disponíveis na Sala L do centro de congressos, sendo a primeira hora de utilização gratuita e as restantes 6 francos suíços (cerca de 5,5 euros) por hora para crianças dos 3 meses aos 6 anos.
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Cern e as Ciências Genebra é um ótimo lugar para aqueles com interesse em ciência. O CERN — o maior laboratório de física de partículas do mundo — pode ser visitado aqui, assim como o Observatório de Genebra, líder mundial na busca de exoplanetas. Quase metade dos planetas que conhecemos hoje foram descobertos por cientistas que trabalham no departamento de astronomia da Universidade de Genebra!
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O requinte da boa cozinha portuguesa aqui bem perto de si em Toronto
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Passear pela Cidade Faça um passeio guiado para conhecer melhor a rica história de Genebra. Visite a famosa Capela dos Macabeus, o Museu da Reforma Internacional, a Catedral de St Pierre, a sede das Nações Unidas e outras belas atrações. Pare no Lago e tire fotografias em frente ao marco da cidade — o Jet de L’eau! Descubra o Quartier des Bains com as suas inúmeras galerias de arte, espaços de exposição e museus. É o lar do impressionante MAMCO, um museu único onde a arte não está restrita às paredes e encontra-se por todo o lado: escadas, elevadores e até no hall de entrada.
Passe por Carouge, o famoso bairro Italiano de Genebra. Carouge foi criado no século XVIII por um grupo de arquitetos de Turim para funcionar como uma cidade independente e hoje é uma joia escondida de Genebra.
Fondue
O que seria da Suíça sem o seu queijo? Genebra, especificamente, é conhecida pelo delicioso fondue composto por Gruyere e Vacherin Fribourgeois. Quem estiver interessado em saber a melhor maneira de o preparar pode fazer um curso intensivo no Hotel Edelweiss. O curso é seguido por uma generosa refeição de três pratos. 54 I Amar
Chocolate O chocolate suíço é famoso em todo o mundo pela sua qualidade, por isso uma viagem a Genebra não pode ficar completa sem uma paragem numa confiserie para provar este tesouro nacional. Entre as melhores confeitarias e lojas de chocolate, estão a Confiserie Arn, localizada na Place du Bourg-de-Four — uma bela praça onde pode desfrutar das especialidades da casa Arn com uma chávena de chá — e a loja de chocolates Favarger, que está na mesma família à sete gerações e que realiza artesanalmente todo o processo de produção de chocolate, selecionando os grãos de cacau, torrando, moendo, misturando e embalando o produto.
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20 anos de Soul, Funk e Hip Hop
Os Expensive Soul juntaram-se em 1999, em Leça da Palmeira, no concelho de Matosinhos. “B.I.”, “Alma Cara”, “Utopia” e “Sonhador” marcam já 20 anos de carreira que estão a ser celebrados com um novo álbum. Prometem fazer história a 23 de novembro, dia em que assinalam o seu 20.º aniversário com aquele
Fotografia: Kenton Tatcher
que vai ser o seu maior concerto em pleno Altice Arena.
Revista Amar: 20 anos de carreira que vão ser comemorados no Altice Arena. Expensive Soul: Sim, dia 23 de novembro. Estamos a preparar um concerto muito especial, ainda estamos naquela pré-epoca, a construir o espetáculo - vai ser um concerto de uma vida, de 20 anos, sem dúvida. RA: “A Arte das Musas” é o quinto trabalho do grupo. Um misto de novidades e celebração? ES: É, eu acho que sim. É o culminar dos 20 anos e é também o quinto disco de originais. Calhou ser assim, não foi pensado porque o disco já era para ter saído há uns anos e foi atrasando. Mas sim, estamos num ano de celebração, estamos num ano de muitas novidades também para nós: estamos a montar o espetáculo novo, esse espetáculo do Altice Arena e os do verão são completamente diferentes. Estamos muito felizes com este quinto disco. RA: E porquê esta escolha dos singles “Limbo” e “Amar é que é Preciso”? ES: Basicamente foram as que ficaram prontas primeiro. Acho que teve a ver com isso e também sabíamos que eram canções fortes. Mas vêm mais aí! RA: Neste trabalho podemos sentir tudo o que vocês já fizeram anteriormente? ES: Eu acho que é um trabalho diferente, acho que conseguimos reinventar e vai à semelhança da sonoridade Expensive Soul, mas acho que conseguimos ir a outros mundos. É um disco muito mais pensado ao vivo para esta megabanda que temos. Mas sim, é um quinto disco, é uma reinvenção. É um disco que nós sentimos que é o melhor que nós conseguimos dar até agora. RA: E porquê só nove temas neste novo trabalho? ES: Porque os outros discos eram todos muito grandes, tinham 16/17 músicas e é cada vez mais difícil conseguirmos tocá-las ao vivo, e então resolvemos fazer uma coisa mais curtinha, mais incisivo, com as músicas que realmente valiam a pena estar no disco. RA: E a capa deste trabalho? É uma super capa! ES: É uma super capa, de um super pintor português que é o João Paramés. Nós vimos as pinturas dele, ainda antes de ter a ideia que ele viria a trabalhar connosco, e ficámos apaixonados. Achámos que as cores dele tinham tudo a ver com a nossa música e na altura falámos, até foi numa viagem para um concerto, íamos de carro: “E se tentássemos o João?”. E foi, foi espetacular. É juntar a arte no pleno. Acho que tem tudo a ver, a cena da pintura com a música, reflete as cores das músicas. Tem tudo a ver. RA: Planos para esta tour deste novo trabalho? ES: Temos imensos concertos, estamos com uma agenda super preenchida até novembro, vamos estar por todo o lado basicamente, por Portugal inteiro. Portanto, estejam atentos. RA: E ir ao Canadá? ES: Estamos à espera do convite. Queremos muito ir, temos muita coisa para vos mostrar. A banda vale a pena, vale a pena comprarem este concerto malta! RA: Convido-vos agora a deixarem uma mensagem para os nossos leitores. ES: Que continuem a apoiar os Expensive Soul, nós estamos muito gratos, abençoados, sentimos que temos sido muito amados pelas pessoas. 20 anos a fazer música portuguesa, é uma celebração muito grande e queremos muito ir ao Canadá. Ouçam “A Arte das Musas” que é um disco que vale a pena mesmo (risos).
Paulo Perdiz
MDC Media Group 58 I Amar
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Fotografia: DR
VIRIATO Pedro M. Salvador
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Estreia Estreia em Portugal - 10 de outubro
Sala de Cinema O realizador Luís Albuquerque lançou
História “Há milhares de anos houve um português que lutou e deu a sua vida pelo território que, mais tarde, se tornou a Lusitânia. Contra os avanços do império romano, possuidor de uma garra imensa, escolheu dedicar a vida à proteção das suas gentes e das suas terras, contra tudo e contra todos. O seu nome era… Viriato.”
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Dados Com cerca de 250 pessoas (entre figurantes e elenco) “Viriato” é um filme de época que não recebeu apoio financeiro do ICA (Instituto do Cinema e do Audiovisual). Contou com o apoio da Viv´Arte (Laboratório Nacional de Recriação Histórica), da Federación de Tropas y Legiones de Cartagena, da Timelapse-Media, da Câmara Municipal de Seia e da Câmara de S. Pedro do Sul.
“Viriato”, sobre a vida do líder lusitano que combateu a ocupação dos romanos na Península Ibérica. O filme, que começou a ser idealizado em 2017 e cuja rodagem arrancou em fevereiro de 2018, retrata o percurso de Viriato desde que era pastor até à liderança na luta contra a ocupação romana e consequente morte.
Ficha Técnica Filme com realização de Luís Albuquerque, argumento de Ana Carolina Pascoal e que contou com a participação de Alexandre Oliveira, Margarida Sousa, Miguel Babo, Jaime Monsanto, Mario Da Costa, Mario Bertô entre outros. Duração: não determinado Género: Drama Origem: Portugal
Fontes: IMDB e FilmSpot - Imagens: Direitos Reservados
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este mês a longa-metragem de ficção
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Alzheimer antes dos 30 anos
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O
s casos de diagnóstico de Alzheimer antes dos 30 anos são extraordinariamente raros, mas existem. Quando há um diagnóstico de Alzheimer precoce, a progressão da neurodegeneração é ainda mais agressiva porque as proteínas se acumulam mais rapidamente no cérebro dos jovens diz-nos a especialista Sánchez Del Valle, em entrevista ao diário espanhol El Mundo. Na sua edição de 03 de setembro de 2019, a jornalista Laura Tardón conta-nos o caso de Ana que desde os 20 anos suspeitava que tinha Alzheimer genético. Os médicos não consideravam possível.... Infelizmente, o seu caso foi confirmado e publicado na revista científica Journal of Alzheimer´s Disease, provavelmente por ser o caso mais precoce detetado até à data. Aproximadamente 1% dos casos de pessoas com doença de Alzheimer apresentam sintomas antes dos 60 anos. Como explica Sánchez, quando há mutação de determinados genes, do pai ou da mãe, as possibilidades de desenvolver a doença são de praticamente 100%. Este caso, ainda que raro, relatado no mês mundial da doença de Alzheimer chama a atenção para a urgência da adoção de politicas que apostem na prevenção e promoção da saúde, no diagnóstico precoce e no reforço de tratamentos adequados. Não há cura para a doença de Alzheimer, mas podemos cuidar mais e melhor, melhorando os serviços de apoio social e de saúde e apoiando, como merecem e necessitam, os cuidadores informais. Continuamos sem respostas específicas que garantam os necessários recursos a estas famílias. A comunidade merece obter respostas a algumas questões: - Um ano após a aprovação da Estratégia Nacional da Saúde para a Demência (que aplaudimos) o que foi efetivado? - Quando serão implementados os projetos piloto (que aplaudimos) anunciados pela Segurança Social? - Quando serão executadas as medidas plasmadas no recentemente aprovado Estatuto do Cuidador Informal (que aplaudimos)?
Alguns dados relevantes • No mundo há um novo caso de demência a cada três segundos. • Há 50 milhões de pessoas no mundo que vivem com demência. • Estes números triplicarão até 2050 atingindo152 milhões de pessoas. • Custo estimado da demência em 2019- 1 bilião de dólares. • Custo estimado da demência em 2030 - 2 biliões de dólares. • Os cuidados informais corresponderão a 72 milhões de horas. • 71% das horas de cuidado informal são realizadas por mulheres. • Nos Estados Unidos a demência mata mais do que o cancro da próstata e da mama juntos. • A demência é a principal causa de morte em Inglaterra e no País de Gales. • Segundo a Public Health Agency of Canada, é esperado que no Canadá, em 2031, existam cerca de 16.6 milhões de pessoas, que vivam com alguma forma de demência. • A agência de estatísticas do Canadá - (StatsCan) - estima que existam cerca de 38.000 mortes por ano, direta ou indiretamente, ligadas a casos de demência.
José Carreira
Amar I 63
A mente hipnotizada da crianรงa
A
s nossas crianças são geradas e chegam ao mundo completamente inocentes e prontas para esta aventura que é a vida.
A programação destas mentes começa no ventre da mãe a partir do momento da sua gestação. Ao longo do seu desenvolvimento vão surgindo muitos acontecimentos que vão modulando a vida desta criança.
V i s i t e w w w. i s a b e l r e b e l o . p t p a r a m a i s n f o r m a ç õ e s s o b r e p s i c o l o g i a , h i p n o t e r a p i a e l i f e c o a c h i n g
A vida nem sempre é um conto de fadas para as pessoas mais jovens do mundo. Nas crianças e nos adolescentes, o seu crescimento também integra experiências de problemas e desafios variados. Segundo Robert Shacter da faculdade de medicina de Mount Sinai de Nova York, as crianças tendem a ser mais facilmente responsivos à sugestão hipnótica do que os adultos. Isto significa que, na maior parte das vezes, apresentam-se como melhores candidatos á abordagem da hipnose clínica. Sabia que como adultos, experimentamos estados de transe diariamente? Sabia que nas crianças este estado é contínuo? Pois é, a maior parte das crianças vive num estado constante de “transe”, repleto de fantasias e outras manifestações provenientes da sua poderosa imaginação criativa. A maioria das crianças experiência, naturalmente, estados hipnóticos através de processos inatos. Por exemplo, quando estão concentrados a jogar jogos eletrónicos, a ver bonecos animados, a ver um filme ou quando estão focados na história que está a ser contada, na cama, antes de adormecer. A hipnose clínica é a modalidade perfeita para utilizar neste estado e capacitar crianças a serem ajudadas e a se ajudarem a elas próprias. Elas adoram os rituais da hipnose clínica e, em consulta, tendem a responder de forma rápida e com muito entusiasmo. Não questionam para controlar. Questionam pela curiosidade e porque querem saber e descobrir mais do que lhes está a ser pedido. Gostam da novidade, da aventura, da experiência. Quando conquistada a sua confiança, conseguimos conhecer melhor a mente hipnotizada da criança e quais os benefícios deste estado na sua vida familiar, escolar, social. Os problemas da infância que a hipnose pode abordar incluem excesso de stresse, ansiedade, problemas de sono, enurese (perda involuntária de urina), roer unhas, chuchar no dedo, medos e fobias, maus hábitos alimentares e dificuldade de concentração. Melhorar as habilidades de estudo e realização de testes, melhorar a performance no desporto e as habilidades sociais também são resultados benéficos da hipnose. Pretende-se que desenvolvam ferramentas de modo a que possam crescer com autonomia. Temos como meta, capacitá-los a aprenderem a gerir emoções que vivenciam neste mundo onde se encontram. Isto significa que aprendem a identificar o que são emoções. Como, porquê e quando estão a senti-las. Sejam elas positivas ou negativas. Provenientes de contextos agradáveis ou adversos. Essencialmente, ajudar as crianças a saberem gerir melhor o que sentem física e emocionalmente. Acredite que hipnose clínica pode ajudar na recuperação e num potencializar recursos, capacidades e soluções. Como esta as crianças conseguem aprender capacidades inatas e direcioná-las no sentido da sua autoeficácia e autonomia. Tal como dizia Milton Erickson: “não existem pessoas sem recursos, mas estados mentais sem recursos”.
Isabel Rebelo
Psicóloga e Hipnoterapeuta
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O robô que ajuda
crianças autistas A
s crianças com autismo precisam de acompanhamento de vários especialistas, sejam eles médicos, fisioterapeutas ou psicólogos. O “QTrobot” foi criado para interagir com autistas através de movimentos corporais, conversas, expressões faciais (sendo a cara do robô um ecrã). Essa interação faz com que a criança fique mais confortável e consiga estar mais atenta, o que facilita o trabalho com o terapeuta.
A ansiedade e os comportamentos repetitivos, como bater as mãos, tendem a diminuir. “Os robôs têm a capacidade de simplificar tudo. Por exemplo, sempre que o robô diz algo ou realiza uma tarefa, a forma como o faz irá repetir-se futuramente e isso dá conforto a crianças com autismo”, conta Aida, acrescentando que, “imediatamente, a criança começa a interagir com o profissional para fazer perguntas sobre o robô ou dizer o que está a achar do seu comportamento”.
“Quando se está a interagir com uma pessoa, existem muitas características sociais, como expressões faciais, tom de voz e movimento do corpo, que são avassaladoras e que distraem crianças com autismo”, explicou Aida Nazarikhorram, uma das fundadoras da LuxAl, empresa que criou o robô, ao site “IEEE Spectrum”.
O “QTrobot” vem com vários programas educativos, incluindo jogos, histórias e atividades desportivas. Os fabricantes afirmam que, em termos tecnológicos, pode ser “facilmente programado”. Atualmente, está apenas disponível para profissionais das áreas da saúde e da educação, mas está a ser estudada uma versão para ser usada pelos pais em casa.
Ana Sofia Reis
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SaĂşde
InsĂłnia
Os efeitos da acupuntura no seu tratamento
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ormir não se limita à necessidade de descanso mental e físico. Durante o sono, ocorrem diversos processos metabólicos cujas alterações podem afetar o equilíbrio de todo o organismo. Estudos comprovam que, quem dorme menos do que o necessário tem menos vigor físico, envelhece mais precocemente e está mais propenso a infeções, à obesidade, a hipertensão e à diabetes. As principais características da insónia são: a dificuldade para iniciar ou manter o sono e a sensação de não ter tido um sono reparador durante um período superior a 1 mês. Nos casos mais graves, a pessoa não dorme a noite inteira. Quando a insónia ocorre por mais de 6 meses, é considerada crónica. Na insónia crónica de longa duração, observam-se mais sintomas cognitivos e alteração do humor, irritabilidade, redução do desempenho académico e profissional, redução da concentração e da memória. Para além da insónia e a fadiga aumentarem, também e consequentemente aumentam o risco de acidentes de trabalho, domésticos e de trânsito.
O que pode causar a insónia?
São vários os fatores que podem influenciar de forma negativa o sono: Fatores emocionais – Quando mantidos por certo período do tempo, a raiva, o stress, a ansiedade, a preocupação, a frustração e o ressentimento, podem levar à insónia. Segundo a MTC, estes sentimentos afetam a mente e o espírito, deixando a pessoa agitada. Alimentação inadequada – Fazer uma alimentação irregular, jantar tarde, abusar de alimentos gordurosos e/ou de natureza quente, pode resultar em insónia. Estes hábitos sobrecarregam a energia do estômago, a qual flui na direção errada, perturbando a mente. Hábitos de vida – Podem contribuir negativamente para a qualidade do sono: Variar os horários de deitar e de levantar; Envolver-se em atividades excitantes ou emocionalmente perturbadoras, ou atividades que exijam alto nível de concentração, próximo da hora de dormir; Ingerir álcool, cafeína ou fumar antes de deitar; Permanecer por longos períodos na cama, de forma habitual, a ler, estudar, comer, ver televisão, etc.; Quartos demasiado iluminados, abafados, quentes, frios ou que, de alguma forma, não convidam ao sono.
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Sugestões para melhorar a qualidade do sono Tendo consciência dos fatores que influenciam negativamente o sono, é por eles que deve começar: Pratique regularmente um desporto ou uma atividade que lhe “faça bem à alma”; Alimente-se com regularidade, fazendo pelo menos 3 refeições por dia, se possível intervalando com pequenos lanches. Evite alimentos gordurosos, pesados ou de natureza quente. À noite, faça refeições leves, no máximo 3 horas antes de se deitar. Mas não durma com fome. A alface, as endívias, a hortelã e o maracujá, de efeito calmante são indicados para a última refeição do dia. Certos chás têm efeito calmante, especialmente se adicionar mel: Alface, camomila, erva-doce, hortelã. Acupressão – É uma alternativa para a acupuntura. Trata-se de uma técnica de automassagem ou auto-manipulação de certos pontos de acupuntura com o objetivo de aliviar sintomas. Antes de começar, deve adotar uma posição confortável assegurando-se de que está a respirar de forma tranquila e regular. Os pontos devem ser pressionados com um dedo, de preferência o médio, por ser mais longo e forte. Posicione o dedo sobre o ponto num ângulo de 90º à superfície da pele. Aumente lentamente a pressão de modo a gerar uma sensação de “dor agradável”. A pressão forte e contínua deve demorar pelo menos 3 minutos. Para finalizar, reduza lentamente a pressão e permaneça com o dedo apoiado sobre a pele, aproximadamente 20 segundos. Se durante o tratamento a dor aumentar, deve reduzir a intensidade da pressão até ao nível da sensação de “dor agradável”. As sessões de acupressão devem ser diárias, preferencialmente antes de dormir. A estimulação dos pontos deve ser realizada dos ambos os lados do corpo.
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Eis dois pontos indicados para o tratamento da insónia:
6MC “Barreira Interna” – Para localizar o ponto, vire a palma da mão de modo a que a consiga ver. O ponto encontra-se no meio da face palmar do antebraço, entre os dois tendões que “saltam” ao flexionar o pulso, numa distância de 3 dedos médios a partir da prega do punho. Este ponto tem uma ação calmante sobre a mente e pode ser utilizado nos casos de ansiedade e irritabilidade, além de promover o sono. 7C “Porta do Espírito” – Este ponto está igualmente localizado na face palmar do antebraço. Diretamente sobre a prega de flexão do punho, no prolongamento do dedo mínimo, um pouco para dentro do primeiro tendão que pode ser palpado ao fletir o punho com maior intensidade do lado do dedo mínimo. Este ponto é indicado para acalmar a mente, tratar a ansiedade e a insónia e amenizar preocupações sob situações de stress. Na Medicina Tradicional Chinesa, as doenças são interpretadas como sendo causadas por fatores externos e internos. Estes fatores impedem o funcionamento adequado dos órgãos e vísceras (Zang fu) e a circulação do Qi e do Sangue pelo corpo. Segundo as teorias da MTC, o Coração é responsável e governante da mente, pelo que é o órgão mais envolvido nos casos dos pacientes portadores de insónia e o que deve ser tratado direta ou indiretamente. Assim, pontos que estimulam a mente devem sempre ser considerados nestes pacientes. A acupuntura e as suas variantes (acupuntura auricular e craniana, por exemplo), têm sido empregues com frequência para o tratamento da insónia. Diversos estudos recentes sugerem que a acupuntura pode controlar o sistema nervoso autónomo. Para o devido tratamento de qualquer distúrbio através da acupuntura, e no caso concreto da insónia, devemos sempre ter presente que a correta diferenciação de síndromes é fundamental para uma boa prática e obtenção dos resultados desejados. A etiologia dos diferentes síndromes mostra-nos uma grande relação da insónia com os respetivos órgãos: Coração, Rim, Baço e Fígado. Deste modo, podemos estar perante os seguintes padrões: Deficiência do coração e do baço; Hiperatividade do Fogo devido a deficiência do Yin; Ascensão do Fogo excessivo do fígado; Desordem do Qi do estômago; Deficiência do coração e da vesícula biliar; Fogo exuberante do coração.
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O seu especialista de Medicina Tradicional Chinesa, saberá ajudá-lo na identificação destes padrões, de modo a que…. Sorria com saúde!
Helena Rodrigues
Especialista de Oncologia em Medicina Chinesa
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Semana da Moda Primavera/Verão Toronto 2020 (TFW) durou três grandiosos dias, com diversidade de oferta de eventos ligados à moda, arte e música; assim como uma fantástica adesão dos restaurantes que criaram novos sabores a pensar no bem sucedido afluxo de pessoas interessadas no espectáculo em torno da moda. Os holofotes dos fotografos, editores de moda; tais como Anna Wintour, modelos, produtores, artistas ligados à Imagem, montaram o seu quartel general em Yorkville Village; no Hazelton Hotel e no Four Seasons, sendo esta a zona mais glamourosa da cidade. Os espectáculos de moda tiveram lugar no ROM e na Fashion House, onde desfilaram nomes de reconhecidos designers canadianos, como Christopher Bates, Anisha Kumar, Maison Elama, Tomé - que debutou na TFW, Trigére, Wuxly, Catherine Curtis, entre tantos outros. A experiência de poder trabalhar diretamente com “stylists”, “dressers” e modelos, deu-me oportunidade de observar e fazer parte de uma estrutura aberta a poucos. O elevado secretismo exigido, as reuniões de última hora; o “timing”, a quantidade e variedade de profissionais que trabalham juntos para que a música comece e os modelos desfilem sem mácula, é impressionante! O ambiente na retaguarda, enquanto se espera as primeiras batidas da “Lady Marmelade”, não é de tensão, é de euforia! E o show começa e avança com os modelos a deixarem roupa pelo chão, e essa grande equipa a recriar nos bastidores outras personagens que se querem a marcar o passo, até que o último boneco desfile e regresse, sem falhas. E lá dentro, modelos e “dressers” rejubilam! Pura magia! Na passerelle, viram-se inspirações de regresso aos anos 90; trajes de noite feitos à mão; fatos de excelente corte com o uso dos comfortáveis tennis; muitos brilhos, e tudo isto, com a diversidade tão canadiana, que incluíu modelos de todos os tamanhos e estilos; bem como um desfile especial de crianças do Hospital Sick Kids. Considerando o que foi apresentado na Semana da Moda de Toronto (TFW), estas serão as principais tendências que não vamos querer perder! Depois de incríveis dias de trabalho, poso para o fotógrafo, antes de entrar para o show da marca Trigére, no ROM.
Maria João Rafael Consultora de Imagem Fontes: TFW
Metálicos Em prata ou cobre, o metálico foi uma constante na passerelle. Nesta foto, o blusão prateado combinado com os tennis brancos, criação de Christopher Bates; o vestido exuberante da designer Lesley Hampton e os vestidos - combinação da apresentação da Narces. Créditos: Lesley Hampton, Christopher Bates, Narces
Sumptuosos Blusões De corte “avant-garde”, executados com materiais de última geração e de cores inesperadas, a Wuxly e a Adrian Arnieri recriaram o inevitável blusão que se tornou na peça especial desta colecção. Créditos: Adrian Arnieri, Wuxley
A Alegria do Rosa Os tons mais alegres do rosa, seja ele o rosa choque, ao “fushia”, ao talco ou rosa bébe – destacaram-se para a próxima Primavera, sendo praticamente considerada a cor da estação. Estilistas como Kim Newport, Farley Chatto, Maison Elama e até a colecção de jóias de Hania Kuzbari, se focaram na família dos rosas. Créditos: Farley Chatto, Kim Newport, Steven Lejambe
Ombros à Mostra Espetáculos como os de Lesley Hampton, Hilary MacMillan, Narces, Steven Lejambe e Tomé, deram grande relevo aos ombros descobertos, trazendo silhuetas dramáticas e elegantes. Créditos: Steven Lejambe, Tome
Folhos Os designers Anisha Kumar, Catherine Curtis, Trigère, Tomé, Narces e Lesley Hampton inseriram nas suas coleções femininas de Verão esta tendência que traz de volta o romantismo dos folhos, nomeadamente nos trajes de noite, que beneficia quase todas as mulheres. Créditos: Trigere, Catherine Curtis
Negro Preto é preto. Além disso, é indescutível a enorme tendência e preferência que os torontianos têm pelo negro. Embora nos possa parecer estranho que esta seja uma cor de eleição para o Verão, sendo nós um povo habituado ao sol e à cor; contra factos não há discussão. Seja para o dia ou para a noite, estas são as propostas de marcas como Kim Newport, Hilary MacMillan, The Feral e 90’s Kids. Da cabeça aos pés, o preto veio para ficar! Créditos: Kim Newport, 90’s Kids, Hilary MacMillan
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Culinรกria
FILEtes~ DE PERU COM LIMAO
PREPARAÇÃO 1. Comece por reunir todos os ingredientes para preparar o filé de peru com limão.
2. Doure os filés de peru em uma frigideira com um fiozinho de óleo. Tempere com sal e pimenta e reserve.
3. Na mesma frigideira, cozinhe a farinha e as raspas de limão (que deve ter ralado anteriormente ). Mexa durante 2 minutos.
4. Adicione a salsa picada, o suco de um limão, o vinho, um pou-
co de água e uma pitada de açúcar. Continue mexendo até os grumos desaparecerem e o molho de limão engrossar.
5. Incorpore os filés de peru no molho de limão e deixe tomar o sabor durante um minuto de cada lado.
6. Sirva os filetes de peru com limão acompanhados com puré de batata ou batatas assadas, a combinação é perfeita! Bom apetite!
E
m outubro trazemos-lhe uma receita de carne magra, muito recomendada para as dietas de emagrecimento, pelo seu baixo valor calórico e sua riqueza em ferro. Se não sabe como preparar esta carne, fazer filé de peru com limão é uma maneira rápida e gostosa de cozinhá-la. Bom apetite! SERVE 2 PESSOAS TEMPO MÉDIO DE PREPARAÇÃO: 30 MINUTOS DIFICULDADE: FÁCIL INGREDIENTES DISPONÍVEIS NOS ESTABELECIMENTOS TÁVORA • • • • • • • • • •
4 filetes de peru - Távora 1 limão - Távora azeite - Távora 1 colher de farinha - Branca de Neve 50 ml de vinho de cozinha - Goya sal q.b. - Beaesurisal salsa q.b. - Távora pimenta q.b. - Távora 30 ml de água açúcar q.b.
AQUÁRIO
Outubro
Horóscopo
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o dia 5, o mês começa influenciado pelas energias da Lua Nova no signo de Balança, que chega em tenso aspeto com Quíron marcando um período em que a possibilidade de cura nos relacionamentos se faz presente. Seremos quase pressionados a olhar mais profundamente para as relações, pessoais e profissionais. Chegou o momento de fazermos algumas escolhas, de olhar de frente para o que nos atrasa, nos aprisiona, nos magoa. É um ótimo momento para entendermos o que queremos dos relacionamentos. No dia 02, Mercúrio deixa Balança e começa sua caminhada através de Escorpião e todos nos tornamos mais reservados e reflexivos. Deixamos uma vibração mais social e priorizamos a intimidade. No entanto, recebe um tenso aspeto de Mercúrio, deixando a todos mais ansiosos e impulsivos. Estudar, ler e escrever, especialmente sobre temas não livremente discutidos em sociedade, pode ser uma boa utilização dessa energia. O período pode envolver acordos e negociações envolvendo dinheiro e parcerias financeiras.
No dia 03, Marte, que esteve em Virgem nos últimos meses, começa sua caminhada através de Balança, trazendo a possibilidade de conciliações e reconciliações. Marte, o deus da guerra, no passivo signo de Balança, nos torna mais tolerantes e aumenta nossa capacidade de mediação e negociações. Estaremos menos assertivos, menos agressivos, mais cordatos. Em torno do dia 05 e até aproximadamente o dia 15, o Sol em Balança começa a receber um tenso aspeto de Saturno em Capricórnio marcando um período de pressão e aumento de responsabilidades para todos. O período pode envolver a necessidade de comprometer-se com algo ou alguém. Tire alguns momentos do dia para descansar, pois a demanda será bastante exigente. No dia 08, Vênus também deixa Balança e começa a caminhar através de Escorpião, recebe um tenso aspeto de Urano, o que nos torna a todos mais dinâmicos, mas voltados para a intimidade, especialmente a intimidade sexual. Urano, que rege as glândulas sexuais, movimenta o desejo e empurra a todos na direção dos relacionamentos. Eros estará presente durante quase todo mês. No dia 13, a Lua continua seu ciclo, entra na fase Cheia em Aquário, recebe um tenso aspeto de Saturno e Plutão em Capricórnio marcando um período de pressão e necessidade de olharmos mais para nós mesmos. Este pode ser um período que percebemos o quanto temos permitido os abusos e que decidimos mudar nossa maneira de lidar com algumas pessoas e situações. É hora de crescer intimamente. No dia 23, o Sol começa sua caminhada anual através de Escorpião, recebe um tenso aspeto de Urano movimentando intensamente a todos. Escorpianos e escorpianas, especialmente os do primeiro decanato, vivem um momento de mudanças importantes e, muitas vezes, inesperadas. O sentido de liberdade das pessoas desse signo, de Touro, Leão e Aquário está passando por um intenso período de mudanças importantes e definitivas, na vida emocional, na personalidade e na vida prática. Urano traz o novo para tirar todos da acomodação e do marasmo. No dia 28, a Lua começa um novo ciclo, entra na fase Nova em Escorpião, recebe um tenso aspeto de Urano e um ótimo aspecto de Saturno movimentando intensamente nossas emoções. O período envolve fechamento e abertura de um ciclo de limpeza emocional e transformações importantes na vida de todos. O novo chega sem pedir licença e joga para longe, tudo o que nos oprime e constrange.
Precisa e quer modificar a sua vida. Precisa de fugir à rotina. Quer aprender e conhecer coisas novas. Caso possa, estas primeiras semanas, são uma boa altura para fazer uma viagem. Após esses dias poderá ter sucesso em empreendimentos. Invista na sua carreira profissional. Ponha em prática um plano que está a desenvolver há algum tempo.
CAPRICÓRNIO
Nas primeiras semanas o seu papel na sociedade e o desenrolar da sua carreira serão os alvos principais da sua atenção. Poderá colher os frutos do seu esforço e ver realizados alguns sonhos. Nas duas últimas serão os projetos e os amigos que poderão ter para si maior importância. A sua atenção estará focada nos seus ideais e nos do grupo.
SAGITÁRIO
Até meados de outubro é uma boa altura para fazer novas amizades ou fortalecer as que tem. Terão grande importância para si os amigos e as atividades de grupo. Poderá pedir a um amigo para trabalhar consigo num projeto. Na última quinzena poderá sentir-se muito sensível e inquieto, sem perceber porquê, e isso trazer-lhe variações de humor.
ESCORPIÃO
Na primeira quinzena a sua sensibilidade em relação ao seu meio ambiente e familiar estará aumentada. Haverá um acréscimo da sua imaginação, dos sonhos, da clarividência e da intuição. Nas semanas finais o Sol exercerá sobre si a sua benéfica energia, aumentando-lhe a criatividade que será aplicada nos trabalhos que execute.
BALANÇA
É altura de recarregar baterias, de se concentrar mais em si. Tome a iniciativa para fazer novos projetos, estabelecer contactos, fazer novas amizades. Na segunda quinzena será uma boa altura para cuidar de aspetos financeiros. Evite exibicionismos e use as suas capacidades materiais para proporcionar alegria e prazer a quem está à sua volta.
VIRGEM
Poderá ter, na primeira quinzena, boas ideias para melhorar a sua vida no campo material e financeiro. No entanto, não deve gastar dinheiro de forma leviana. Nas últimas semanas terá maior facilidade para contactos e negócios. Irá expressar-se de forma lógica e criativa. Verá tudo mais claro, pelo que será um bom momento para esclarecer qualquer situação.
LEÃO
Até a meio do mês, os amigos, os vizinhos, as suas relações mais próximas irão estar mais no centro das suas atenções. Sentirá um maior desejo de expor os seus pontos de vista e comunicar abertamente com os outros. Depois, embora exista um natural apelo exterior, é provável que o lar e a família lhe ocupem mais a sua atenção e disponibilidade.
CARANGUEJO
Sentirá necessidade de conforto, calor, de um ambiente intimista que lhe permita recuperar energias. Aproveite para fortalecer os laços de união com os membros mais chegados da família ou amigos. Depois de dia vinte será uma época de maior espontaneidade e extroversão que o levará a viver a vida com maior prazer e alegria.
GÉMEOS
A sua criatividade e generosidade, ultimamente mais abafadas pelos afazeres diários, estarão nas duas primeiras semanas em evidência. Dê largas à sua imaginação e divirta-se. Depois a sua atenção estará voltada para o lado prático da vida. Encontrará métodos mais eficazes de organização e resolução das suas tarefas.
TOURO
No início do mês possuirá capacidade para pensar de forma clara e decisiva. Aproveite para trabalhar ou discutir ideias com os amigos, o que poderá trazer-lhe resultados compensadores. Nos últimos dias será uma boa altura para procurar encontrar a melhor maneira de fazer com que a sua relação amorosa faça progressos.
CARNEIRO
Na primeira quinzena sentirá maior facilidade na expressão dos seus sentimentos, o que o beneficiará em termos afetivos. Dê maior atenção ao mundo dos afetos. Nas semanas seguintes poderá haver uma transformação da sua rotina quotidiana que vai modificar os seus objetivos de vida, tanto no aspeto material como no psicológico.
PEIXES
A primeira metade do mês poderá ser um período de transformação, sobretudo em termos psicológicos, e sentir que a sua atenção está mais voltada para o seu mundo interior. Poderá ter algumas preocupações financeiras. Nos últimos dias atravessará uma fase de otimismo e segurança, boa para se melhorar interiormente e alargar os horizontes.
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