Número 5 Noviembre 2020
Revista
México
LA SÍLABA Luiza Schubert José Luis Unzueta Sofia Missiato Víctor Manuel Loera Isabel P. Gutiérrez Francisco González Aideé Rivas Miriam Saucedo Alonso Montelongo Rafael Aragón
SYLLABUM O musical six e o silenciamento da HERstory Luiza Schubert Gaudie-Ley
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Lagomorfos José Luis Unzueta Verdin
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A propóstio del poeta Alonso Montelongo
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Comentario a El desarrollo: historia de una creencia occidental de Gilbert Rist Edgar Francisco González Romo
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O pensamento moldado Sofia Missiato
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Ana, la luna y el covid Víctor Manuel Loera
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Llamar amor al mar Isabel P. Gutiérrez
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Simbiosis Aideé A. Rivas
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Soledad Miriam Saucedo
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Alfajor de coco Rafael Aragón Dueñas
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LATÓNICA Cuando comenzamos este proyecto, comenzábamos a asimilar el contexto pandémico en nuestra cotidianidad e imaginábamos las implicaciones que tendrían en nuestros cuerpos y mentes. Este espacio lo pensamos como un intercambio de voces, ideas y sentires sobre esta realidad tan chocante y agobiadora. Percibimos que la normalización de las circunstancias nos rodea y que, acostumbradxs a la muerte, tampoco nos asombran los número inquietantes sobre decesos. En este número el relato de una niña pequeña nos recuerda que no vivimos las mejores circunstancias y que vale la pena seguir nominando la excepcionalidad de diversas formas, para jamás acostumbrarnos. Llegamos a este quinto número bajo diversas dificultades, que sabemos muchas personas comparten ahora mismo. Sin embargo, también nos sentimos sumamente contentxs por la respuesta que ha tenido la revista, tanto con lectorxs y claboradorxs de diversos lugares. Agradecemos infinitamente que nutran este proyecto y que pueda seguir creciendo o existiendo al menos, con personas interesadas en compartir sus creaciones y leer a lxs demás participantes. Tal vez experimentemos la saturación informativa y de imágenes, pero quizá sea momento de frenar el ritmo y escuchar, leer y observar a quienes están cerca o quienes nos interpelan con sus palabras e imágenes. En este número contamos nuevamente con textos de Brasil y México; pensamos que siempre es buen momento para romper las fronteras lingüísticas que nos separan de nuestrxs hermanxs brasileñxs, con quienes tenemos más en común de lo que somos capaces de descubrir. Creemos que este espacio nos permite tejer lazos con diversos lugares y personas. Pese a nuestros limitados recursos, hemos podido llegar a muchas partes de México, Latinoamérica y del mundo, lo cual nos satisface y nos hace sentir agradecidxs con amigxs que comparten la revista con sus círculo creativos y nos hacen llegar nuevas colaboraciones. Esperamos que este número pueda hablarles profundamente, les interpele y siga siendo una herramienta para pensarnos mutuamente y seguir creando. Desde la choza-Casa Editorial de la Sílaba El Gatito Espejo
O MUSICAL SIX E O SILENCIAMENTO da HERstory Luiza Schubert Gaudie-Ley Na história, muitas vezes, a representação das mulheres não passa de uma figura em segundo plano, de uma “outra” versão. Podemos afirmar que os que se encontram em posição de poder, geralmente homens, relatam suas narrativas de modo que os beneficiem, silenciando as minorias. Percebe-se atualmente que as novas gerações, com seu senso de justiça, possuem o interesse de ouvir os que foram menosprezados por tantos anos, descobrir novos pontos de vista e fazer com que sejam ouvidos, principalmente através de filmes, livros, músicas e, é claro, do teatro. 4
Visando essa problemática, em 2017, dois jovens britânicos no último ano da Universidade de Cambridge, Toby Marlowe e Lucy Moss, montaram um musical para recontar a História a partir do ponto de vista das mulheres. As seis esposas de Henrique VIII tornam-se as protagonistas e ele, apenas um figurante. Assim, transformam o palco do Lyric Theatre em West End, numa competição dentro do conjunto musical Six, formado pelas exesposas, entre quem teve a vida mais trágica e por tanto, deve ser a líder. Em cada música, uma rainha conta sobre sua vida antes e após o casamento com o rei e o público é apresentado a personalidades até então desconhecidas. O espetáculo transborda referências à cultura pop, humor ácido, figurinos e letras inspiradas Beyoncé, fofocas da corte inglesa, feminismo e um toque de rivalidade, por tais motivos fez tanto sucesso entre o público jovem britânico. No número de abertura temos uma breve apresentação das personagens: A Primeira esposa, a espanhola Catarina de Aragão, divorciada por ser julgada incapaz de conceber um herdeiro para o trono e mandada para um convento. Em sua canção ela expressa a indignação após atuar o temperamento difícil de seu marido e de seus diversos relacionamentos extraconjugais por quase de vinte e quatro anos e canta: “Então você lê um versículo da Bíblia que eu sou amaldiçoada porque eu era a esposa do seu irmão. Você diz que é uma pena, porque citando Levítico, vou acabar sem crianças a vida toda. Bem papai, você não estava lá? Quando eu dei à luz Mary? (Filhas são tão fáceis de esquecer) (...) Você deve pensar que eu sou louca Você quer me substituir. Se você pensou que seria engraçado enviar-me para um convento, querido, não tem como.” A seguir, Henrique já interessado pela dama de companhia de Catarina, Ana Bolena, consegue a anulação de seu primeiro casamento, se afasta da Igreja Católica e casa-se com Ana, que posteriormente é decapitada sob as acusações de traição, incesto e adultério por ser abertamente contra o comportamento libertinoso 5
do marido (e também por não ter gerado um filho, “apenas” sua filha Elizabeth I). “Tentamos casar escondido, mas o papa disse 'Não!' Nossa única esperança era Henry. Ele recebeu uma promoção, causou uma comoção. Criou a sua própria Igreja (...) Em breve excomungado. Todo mundo relaxa, é totalmente a vontade de Deus.” A próxima é Jane Seymour, que faleceu após dar à luz ao seu filho, que segundo ela, era a única razão para que o esposo a amasse. A seguir, Anna de Cleves, a quarta esposa, divorciada após seis meses de um casamento não consumado, uma vez que Henry a achou diferente da pintura a qual tinha sido apresentado. Apesar de ter sido rejeitada, confirma que não precisava dele: “(...) verifique meu acordo pré-nupcial e vá entender. Tenho correntes de ouro Simbólico da minha fé ao poder superior. Na pista rápida meus cavalos podem trotar até doze milhas por hora.Ninguém me diz que preciso de um homem rico,fazendo minhas coisas no meu palácio em Richmond.” Catarina Howard, casada com apenas 17 anos, após uma vida de abusos por homens mais velhos, foi executada por adultério e suas palavras finais foram “Morro como rainha mas preferiria morrer como esposa de Culpepper” (cortesão e amigo próximo do casal, com quem ela tinha um relacionamento). Finalmente, a sexta e última esposa, Catarina Parr, sobreviveu e acompanhou o rei em seu leito de morte. Na penúltima música, “I don't need your love”, liderada pela mesma, ela discorre sobre como se sente impotente, já que é obrigada a casar-se, apesar de estar apaixonada por outro homem. Em um trecho da canção ela relata: 6
“Eu não tenho escolha, com o rei eu fico viva, eu nunca tive escolha. Fui esposa duas vezes antes, apenas para sobreviver. (...) Se o Henry diz: é você, então é você. Não importa como eu me sinta, é o que eu tenho que fazer. Mas se, de alguma forma, eu tivesse essa escolha. eu não iria me segurar, eu levantaria minha voz.” Frustrada com a briga entre as rainhas, Parr conta sobre suas conquistas pessoais, reafirmando que as mulheres não existem apenas para servir à um propósito dos homens, que elas também são indivíduos e que está cansada de ser lembrada apenas pelo seu vínculo com Henrique VIII. E continua: “(...) casei com o Rei, me tornei aquela que sobreviveu. Eu contei a vocês sobre a minha vida, da última esposa, mas porque essa deve ser a história que eu tenho que cantar sobre? (...) Eu estou fora, essa não é a minha história. Existe muito mais que isso. Lembrem-se que eu fui uma escritora, escrevi livros,salmos e meditações,lutei pela educação feminina,para que todas as mulheres pudessem estudar escrituras, eu até pedi a uma mulher para me pintar. Por que eu não posso contar essa história? Porque na história eu sou colocada como uma das seis e sem ele eu desapareço. Todas nós desaparecemos.” As personagens percebem que não precisam da aprovação ou do amor do ex-marido, já que elas têm umas às outras e se juntam nos versos finais da canção: “Eles sempre disseram que nós precisamos do seu amor, mas é hora de nos colocarmos em primeiro lugar. Não é o que aconteceu na história, mas hoje à noite eu estou cantando isso por mim. Henry, sim, eu cansei (...) Estamos retomando o controle. Você precisa saber: Eu não preciso do seu amor, (...) Não podemos deixar que isso tire o melhor de nós, não, não” No encerramento, cantam sobre a idealização da vida de cada uma, um final feliz, caso não tivessem casado com o monarca. 7
Catarina de Aragão se junta ao convento e canta no coral da Igreja. Ana B. recusa os poemas de amor e os transforma em textos para William Shakespeare (uma pequena brincadeira, confirmando os rumores que na verdade, ela seria a responsável pelas obras do poeta). Jane forma uma banda com sua família. Ana de Cleves volta para casa e viaja pela Prússia. Catarina H. recusar as investidas de homens, voltando sua atenção para a música e Catarina P. encontra todas as cinco e as junta em uma banda. “Eu não preciso do seu amor, eu só preciso das seis. Nós somos únicas, sem categorias, muitos anos perdidos na história (dele), nós estamos livre para tomar nossa glória (...) Esse é o fim do show, do remix da história, nós mudamos o fluxo e mudamos o prefixo.” Ao longo dos anos, a questão do apagamento ou a falta do devido reconhecimento é presente e nos permite questionar e problematizar a razão pela qual isso ocorre. Como bem apontado pela escritora feminista nigeriana Chimamanda Adichie em sua palestra O perigo da história única “É impossível falar sobre única história sem falar sobre poder.”, pois torna-se evidente que a posição na hierarquia econômica, social e de gênero influencia diretamente na versão dos acontecimentos tomados como fatos .Certamente, muitos ainda não tiveram sua verdadeira história, contada para o mundo. “A história única cria estereótipos. E o problema com os estereótipos não é eles serem mentira,mas eles serem incompletos.Eles fazem uma história tornar-se a única história.” -Chimamanda Adichie Você pode encontrar a trilha sonora do musical Six em: https://open.spotify.com/album/ 5jTDaLFNQovRyjNcWe4cZh?si=H69tmdVuSY2xrJxIkDWKiw
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LAGOMORFOS José Luis Unzueta Verdin
Un tiempo en mis andanzas en la$ ventas y probando un negocio, inicié una venta de conejos o lagomorfos (Los lagomorfos son un orden perteneciente a los mamíferos placentarios. Hasta principios del siglo XX habían sido considerados como roedores, pero existen considerables diferencias para desligar ambos órdenes. Wikipedia), puse lo anterior sólo para aclarar que los conejos no son roedores. Traía ese pendiente. Bueno, continúo entonces. Sin ahondar mucho en el porqué surgió la idea de negocio, sólo les platico que a mi hermano menor cuando era niño le compraron una pareja de conejitos y se reprodujeron tal cual es la fama que tienen de hacerlo. Al no saber qué hacer con tanta cría, un buen día me 9
los llevé a donde trabajaba, en un puesto del tianguis donde era ayudante, ahí me proporcionó el Jefe un espacio para que me deshiciera de los apestados (sólo les llamé así porque nadie los quería en casa, no se ofendan). Y pues sorpresa, en el tianguis no eran nada malqueridos, todo lo contrario, los vendí todos y me encargaron más y conseguí más -muchos más-. Y aquí empiezan las historias, anécdotas y penurias. Sólo escribiré algunas, por la razón de que son demasiadas y hubo otras miles de las que no me enteré, ya que no me las contaron. -CONEJO Free spirit black: Un cliente frecuente era el señor de las aguas de coco, él era de un pueblo al sur de México, allá era muy común consumir carne de conejo y en una ocasión llegó con muchas ganas de platicarme acerca de que un conejo, ya de los viejos y grandes que era los que él me pedía para los banquetes familiares que hacía los fines de semana. Con dicho animal, batallaron mucho para sacrificarlo y de hecho no pudieron lograr su cometido. Él, decidido a cocinar ese ejemplar de pelaje negro azabache y gordo de buen peso, se dispuso a colocarlo en la mesa de sacrificio (un tablón en el patio), le asestó tremendo golpe con un madero que por ahí se encontró, siendo que un conejo normal con un buen zape tiene para perecer. Bueno, le dio y el conejo, en lugar de morir, como se supone, se atarantó, claro, pero le tiró una mordida como pudo y se le escapó de las manos. Todos en la reunión familiar se sorprendieron y comenzaron a cazarlo, recordando nuestros inicios en la conversión del nomadismo al sedentarismo y la recolección, la cacería, etc... Unos por aquí, otros por allá, pero las ganas de vivir de este super engendro fue más fuerte que la pericia de los cazadores y se les peló, por un agujero del patio salió a la libertad o a no sé dónde, pero ahí no se quedó. Y terminó la historia mi cliente con una 10
carcajada y diciéndome: “pero la pasamos muy bien”, háganme el favor-. -CONEJOTERAPIA: Otro día llega un hombre ya mayor, 75 años aproximadamente, y me dice “oiga, no me la acabo con el conejito que le compré, el muy canijo…” (ya se refería a él como mascota oficial) “el muy canijo se pone a rascar la jaula temprano para que le dé de comer ,y luego lo saco al patio, mientras riego las plantas y árboles y, oiga, me descuido y se come hasta las flores. Me lo llevo a la sala y ahí se está quieto en su jaula mientras vemos las noticias”. En ese punto de la plática no sabía yo si me estaba reclamando y me pediría reembolso, pero prosiguió diciéndome que él vivía solo ya de hace un par de años, por cosas de la vida ,y que su mascota le daba un aliviane anímico todos los días porque hasta limpiar su tiradero y demás era tenerlo ocupado y hasta divertido. Me dio gusto, todos conocemos los beneficios de la mascota clásica que es el perro y el gato, pero este hombre se identificó tal vez más con otra especie y, como era un Holland lop de orejas caídas, se lo di muy caro, pero esa es otra historia. -CONEJO DEL AMOR: Es típico en el día de los enamorados, 14 de febrero día de San Valentín, regalar un presente a la persona amada, también a los amigos, pero en esta historia no. Un joven me pidió el mejor conejo que tuviera, más bonito y presentable, ya que quería darle a su amada ese regalo y así fue, le "regalé" una jaula decorada junto con alimento y el susodicho, todo en un paquete de promoción especial (guiño). Se fue feliz a celebrar y todo lo que implica. Al pasar de unos meses, llegó el muchacho del que hablo a 11
comprarme alimento y otro conejo y le pregunté que si era para aquel conejo que le vendí. Le cuestioné porque supuse que ya estaba grande, por el tiempo que transcurrió, y llevaba alimento sólo para el conejito nuevo y me respondió amargamente que al otro conejo ya no lo veía, porque se lo quedó su EXnovia, y que este nuevo conejito lo llevaba a una chica que le gustaba mucho. Me dejó pensativo acerca de mi situación sentimental de ese momento - pensé a lo mejor la estoy regando y debería regalar conejos más seguido (Guiño, guiño) y, más que nada, me dejó pensando en que esa técnica era eficaz para ese chico, pero no para todos. * No terminaría de contar y de describir el proceso de compra venta, teje y maneje, y el porqué dejé la cunicultura y el mundo de las mascotas y carnicería del giro. Todos los negocios, todos, en cada producto que vendan, sea cual sea, lleva una historia, un porqué, una trama digna de hacer una película, libro u obra de teatro. Claro, unas más envolventes que otras y, otras, sólo entretenidas. Sólo por dato curioso, les cuento las historias de los demás, a la vez que cuento mi historia por un conejo. No pretendo llegar a ser escritor de telemisa y que me hagan mi programa, sólo contar cosas simples que nos sacan sonrisas y a veces lágrimas por qué no…
Agradezco a la revista *lasílaba*, al equipo y claro a usted estimado lector . To be continued... 12
A PROPÓSITO DEL POETA Alonso Montelongo
Para un buen amigo.
El camino de un héroe suele dejar muchos rastros que permiten elogiar su andar. Nunca está por demás recordar a los artistas como héroes, pues, si bien está su obra, lo más valioso y excitante es que nos permiten dar una mirada a sus mundos, vidas, aburrimientos, amores, iluminaciones y hasta su muerte. No es un trabajo sencillo el del artista, mucho menos el de aquel que fractura los atavismos pero a la vez los reconstruye. Los reconstruye con sus palabras y su muerte, pero los fragmenta con su vida y con su obra. A propósito del poeta, dijo un buen amigo, no hace mucho: “Tan misteriosa es la vida como la muerte, poeta”, ha pasado precisamente un año y me sigo 13
preguntando qué habrá querido decir. Y ni siquiera es que ahora que ya no está deban de tener algún sentido sus palabras, más bien, creo que quien entrega su vida en nombre de su obra merece ser llamado héroe. Dice Rafael Argullol que: “Todos los caminos románticos llevan al camino de la autodestrucción”. Precisamente ese es el camino del artista. La palabra poética por su parte nos brinda una fuerza entrañable que nos lleva al esplendor de una lucidez elucubrante y, frente a una cantidad innumerable de culturas fabricadas, siempre crecerá algo poderoso, conmovedor, duradero y tranquilizador. Palabras que nos permiten mirar el inconcebible universo; esas que, frente a la razón instrumental, son desbordantes, misteriosas, reveladoras, caóticas y fundadoras. Hay poetas que viajan, otros que enamoran, pero también los hay de esos que sueñan. De lo que no cabe duda, es que lo brillante del poeta no es lo que vende o lo que deja, su luz radica en que puede ser todos y uno a la vez, el poeta funda pero no impone, dice pero no ordena, vive y muere pero nunca desaparece. El hombre es uno y el poeta es otro, este sufre su obra, generalmente no la escribe con tinta, los versos se plasman con sangre y carne. Y con esto nace un romántico, nunca se sabe cuándo es el último o el primero, bastaría con dar nombres y seguramente la lista sería muy corta o larga, pero figurarían nombres como el de Hölderlin, Rimbaud, Verlaine, Baudelaire, Borges, Castellanos, y proseguiría la lista, no porque estos se den cada año o meses, sino porque el poeta siempre vive, aún después de la muerte. 14
La muerte, esa que nos vuelve nada, llega y se va, el poeta la afronta y la consume, dice Argullol que: “llega un momento en que la muerte aparece como horizonte fijo, pero solo como culminación de un proceso en el que morir es una operación lenta y no exenta de gozo”. Frente a la muerte el poeta no contempla su obra, este más bien la vive y sufre con ella, por ello transita por los distintos arquetipos del héroe romántico, para al final, después de la tan anhelada espera, afronta la autodestrucción y se vanagloria de su estado. El poeta es un héroe trágico y se vuelve suicida cuando abandona su obra, pero al final de sus días se reencuentra poeta y desaparece. Por ello el suicidio representa la reafirmación suprema de la identidad, en este punto todo queda consumado, finalizado y perfeccionado. Muy por encima de la belleza, el arte, la sensualidad, acaece la muerte como un centello súbito creador. Es justo decir que al final de los días el poeta se sabe poeta, no requiere nada, solo exclamar que ahora sabe que será siempre.
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Comentarios a El desarrollo: historia de una creencia occidental, de Gilbert Rist. Edgar Francisco González Romo El desarrollo, según Iván Illich y coincidiendo con el autor, fue una palabra que jamás se utilizó para referirse a los cambios sufridos en las estructuras políticas y económicas de las sociedades. Fue hasta el día 5 de junio de 1947, cuando más de la mitad de los ciudadanos del mundo despertaron siendo “subdesarrollados”. A partir de ese momento, las sociedades a nivel global tuvieron que acoplarse a las necesidades de crecimiento económico del nuevo Imperio Norteamericano y, sobre todo, a la urgencia nacida del sistema productivo de ese país, el cual debía colocar la inmensidad de mercancías creadas para tal efecto en el transcurso de la II Guerra Mundial. Es decir, nacía la necesidad de reactivar el sistema de producción capitalista, mermado por dos conflictos bélicos globales a principios del siglo XX. El desarrollo, según el mismo Ilich, puede definirse como la tendencia a consumir en lugar de producir, así como la tendencia a la mundialización de una serie 16 de estructuras que con el paso del
tiempo son consideradas como imprescindibles para vivir bien: escuelas, hospitales, carreteras o construcción pública de vivienda. Lo anterior junto a otra gran gama de servicios que restan a las poblaciones la capacidad de generar valores vernáculos y así crean una nueva vivencia de la pobreza: la incapacidad de producir por sí mismos satisfactores de necesidades, así como la imposibilidad de acceder a los servicios ofrecidos por las nuevas instituciones, debido a su coste monetario o a su exigencia de parámetros medibles, como nivel educativo o antigüedad en el empleo. Es decir, la nueva riqueza podrá ser dimensionada en la medida en que las personas tengan la capacidad de satisfacer sus necesidades lejos de los bienes y servicios producidos en masa por esas nuevas instituciones, por ejemplo, construir su propia casa o pagar educación o salud privadas. El punto IV de la declaración del presidente Truman, al cual se hizo referencia, incluía cuatro temas centrales para la reactivación del sistema productivo capitalista, ahora con miras a una globalización real: 1) la producción de alimentos; 2) la Transferencia de Técnicas y Tecnologías; 3) la mundialización de la democracia formal liberal; y 4) el aumento de la Producción y consumo de mercancías. Según el nuevo proyecto, estos elementos se transforman en indispensables para transformar una condición -el subdesarrollo- que, sin causa aparente, se enquista en las sociedades impidiéndoles una vida completa. Este programa se introduce bajo un velo ideológico, en torno a una sensibilidad moral y ética -la de ayudar a los pueblos del sur a ayudarse-, la necesidad de los países subdesarrollados de desarrollarse, legitimando esa introducción institucional ajena a los territorios intervenidos que reproduce las condiciones necesarias para la acumulación de capital. Este nuevo proyecto colonizador que se pretendió emancipador, dado que se entendió, como se ha mencionado, como una empresa global y colectiva éticamente correcta y necesaria en pro de la eliminación de la miseria, aún se presenta no sólo como la mejor opción para las sociedades del mundo, sino como la única viable y realista. Para lograr que de manera práctica se cuente con una medición en tiempo real de la implantación de este proyecto, se ideó 17
una suerte de mecanismo que refleja científicamente el desarrollo de los pueblos, el cual se denominó Producto Interno Bruto (PIB), mismo que en palabras de León Bendesky: “[…] es un concepto creado en la década de 1940 como elemento clave del desarrollo de la teoría y la gestión macroeconómicas. De manera ilustrativa, Diane Cole, en un libro sobre el tema, señala que es una abstracción que suma de todo: uñas postizas, cepillos de dientes, tractores, zapatos, cortes de pelo, servicios financieros, clases de yoga, láminas, libros y el resto de los millones de servicios y productos, y luego los ajusta de modo complicado, considera las fluctuaciones estacionales, toma en cuenta la inflación y lo estandariza todo de modo que las estadísticas sean consistentes y comparables entre países por medio de un valor hipotético de los tipos de cambio.” El PIB, según Bendesky, regularmente se encuentra sub o sobredimensionado, pero raramente refleja la calidad de vida de las sociedades, aunque refleja, efectivamente, la puesta en marcha de las fuerzas productivas dentro de las poblaciones. Pero, ¿cómo se elaboró y triunfó la era del desarrollo? Como menciona Rist, se trata de la capacidad de saber decir, de problematizar de manera distinta; encontrar la manera en que la propuesta surta la ilusión de un cambio positivo. Así, se presenta al desarrollo en su tono más cientificista, como un conjunto de “medidas técnicas”, que le dotan de una supuesta objetividad. Cuestión que, para el canon moderno, significa el progreso lineal natural de las sociedades, logrando así que se impida observar que con su implementación se acrecienta la concepción y beneficio de las sociedades del norte global, imponiendo sus políticas, sus pensamientos, sus niveles y patrones de consumo, así como sus comportamientos más legitimados a la totalidad de las sociedades, confundiéndolos en su seno con la creencia del alcance del crecimiento perpetuo.
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Los estados–nación, con el caudal de burocracia para el desarrollo -técnicos forestales, profesores, médicos, etc.-, son los entes mediante los cuales se asegura jurídica y militarmente el dominio de las condiciones objetivas para el desarrollo del capital, mencionados por Karl Polanyi (1989), a saber: naturaleza, trabajo de subsistencia y reproducción social y dinero no mercantilizados. Así, los dirigentes políticos se apoyan en las directrices de la ideología del desarrollo para legitimarse y para someter a nuevas áreas donde estas condiciones objetivas aún existen, a admitir la necesidad de desarrollarse y de adquirir el derecho abierto, inaplazable, a la riqueza; cooperando -de manera dolosa o no- al avance del crecimiento económico ya no basado en la extracción de plusvalor de la clase trabajadora, sino en el despojo. No se coincide, por otro lado, con la idea de que la globalización se encuentre en la actualidad desmantelando los mecanismos de poder estatales. Por lo menos en Latinoamérica, las fuerzas del mercado -como asegura Gustavo Esteva- se dieron cuenta de que éste, a su libre arbitrio, seguiría cometiendo errores tan garrafales que llegarían al grado de “matar a la gallina de los huevos de oro”. Por lo que resultó urgente reestructurar a las instituciones estatales en su conjunto, para dotarle de la fuerza y legitimidad social suficiente para controlar los desórdenes que se reflejan por doquier, causa de la implementación del liberalismo económico. Así, los gobiernos progresistas de la década pasada en Latinoamérica, y muy probablemente el actual gobierno de México, empujen quizá la última oleada contra los pueblos no desarrollados y la naturaleza. Vale la pena, entonces, cuestionar el mito del desarrollo y restarle solemnidad y legitimidad a esa nueva religión que, de la mano de una realidad virtual cada vez más vívida y vivida, desdibuja las certezas reales y materiales que le dieron forma a la detonación de la felicidad de los pueblos durante el desarrollo histórico de la humanidad: el amor, el trabajo productivo y la consciencia del ser. 19
O pensamento moldado Modulações Por: Sofia María
Esta proteção mental que nos acompanha Cima abaixo Categorizar ideias organizando em caixas A reflexão necessita estar situada em algum espaço de tempo para nos reconhecermos como eu Para então poder sentir com integridade verdadeira Onde estou, onde me encontro 20
Então a partir daí sinto Sensações postuladas em rótulos Só posso sentir o que conheço Gavetas separadas por sentimentos Cores separadas por comportamento A repetição dele A memória afetiva me protege Do que pode vir Envelheço com meu autocontrole Mas percebo que O se permitir não prescreve modulações Muito embora sejam gavetas verdadeiras Elas não detêm de todas as variações de cores Que proteção é essa que me limita? De onde posso ir Do que posso sentir 21
A teoria sobre uma experiencia é teorizada sobre um fato que foi e já não é O presente é desconhecido Não existe um padrão de comportamento em um ser vivo mutável Humano Procuro uma repetição dentro de mim Mas A superfície é lisa, tela em branco Não existem rancores ou mágoas As pinceladas requerem coragem São expressões vivas que representam nossa vida A todo instante Arte Abstrata Estranho é enxergar as bordas como limite E ter medo, da força que podemos chegar a desenhar 22
Ana, la luna y el Covid VĂctor Manuel Loera
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Parece que aquí siempre es de noche, sólo en ratos puedo ver el sol. Lo extraño es que no tengo frío, siempre estoy bien arropada y eso me sirve para seguir esperando que llegue el día en que vuelva a la tierra. En ciertas partes de la luna se alcanza a ver una criatura que se asoma y, cuando lo veo, se esconde, realmente no sé qué es, pero sería agradable tener más compañía conmigo. Parece una especie de conejo, lo llamaré conejo lunar. Cada vez que me acerco huye tan rápido como un relámpago, aunque siempre se siente bien estar donde él ha estado. Tengo una idea de cómo alcanzar al conejo lunar, tendré que ser ágil como nunca antes, —te tengo, le digo una vez que mi plan funcionó. —No te haré daño —dijo conejo lunar. —No pensaría eso de ti, conejo, qué haces aquí?. –Te cuido desde lejos para que no te pase nada -exclamó el conejo. Ha transcurrido tiempo desde de que el conejo lunar y yo nos conocimos, me ha ayudado sobre todo a entretenerme en este tiempo, me enseña a sumar y a restar, también hacemos experimentos y aprendo cosas nuevas, me da gusto tener a alguien con el que pueda sobrellevar este tiempo. Dar el salto y volver al mundo me 26
aterra, me llena de incertidumbre, ya que no sé qué esperar, no sé qué habrá distinto. Lo único que deseo es poder ayudar a mi familia sacando de su rostro esa sonrisa que me llena de vida y estoy segura que también a ellos. TODO ESTARÁ BIEN
LLAMAR AMOR AL MAR Isabel Gutiérrez P.
Rafa se fue con la incertidumbre de morir en tiempos turbios, donde la muerte se explica por enfermedad inexplicable. Octubre fue y en pueblo de brujas se veló su cuerpo. ¡Qué difícil explicar a tu hermano, que no puede abrazar a tus hijos! Que esta enfermedad nos replantea la vida en preguntas y yo, por ejemplo, me cuestionaba cómo es sentir el amor desde lo que nos enseñaron a llamar hogar. Tu muerte vino a darme las respuestas que estaban nubladas. Heme aquí, viendo cómo a papá se le derrama la tristeza y es abrazado por nosotros, sus hijos. En una casa que le cimbra el abismo y que, a pesar de cosechar ausencia, en el recuerdo quedó sembrada la nobleza y el amor.
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Y el muro que construyó mi madre, ese que no lleva abrazos ni besos, sí hace un mole para que a papá se le reavive el rostro, en sus palabras, para que se le alegre el corazón. Y en lo cotidiano, mientras la muerte nos abraza, papá respeta que a María todo le moleste y le guarda un silencio, como si bastase para que su amor a ella llegue. Desde mi ignorancia, veo que se quieren, pero es más bien un amor a la persona. Un cuidar que me enseña por qué yo le doy amor a mi manada. Hablar cuando es preciso. Abrazar cuando el alma se rompe. Estar cuando la muerte llega. Guardar silencio. Romper en llanto. El amor circunda a un hogar que yo creía apagado, pero aquí hay fuego. Hay hoguera y busca ser luz de vez en cuando en esta casa. Estoy en este sitio que me enseñó a incendiar mi propia llama, a formar mi hogar. Ahora entiendo porqué Timoteo y María decidieron su vida junto al mar, su amor necesitaba la calidez que una ciudad no da; la humedad que una cama no provee. Necesitaban de un amor que, a pesar de todos los dolores, sólo un mar picado en lluvia busca sanar.
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SIMBIOSIS Aideé a. Rivas
Lo conocí en una de esas aplicaciones de mala reputación, donde las personas solitarias vamos a parar cuando el flujo de la existencia se hace tan insoportable que debemos buscar una salida fácil. Por desgracia siempre pensamos que el amor es una de esas salidas, que el hecho de adherirnos a otro ser vivo nos dará la suficiente fuerza para salir adelante en este medio absurdo, lleno de humedad y olores fétidos emanados por las voraces bocas perfectas de las redes sociales. Pensamos que el corazón cálido de otro nos puede llegar a calentar sin necesidad de forzarnos a sentir vitalidad; que la estructura ósea de un segundo agente nos debe sostener, para luego dejar caer el peso de nuestra existencia en alguien más, porque deseamos sentirnos rescatados. Así, nos dejamos fluir sobre los hombros de cualquiera que muestre interés, porque sabemos que el amor es una cuestión de peso, como dice Kundera. Creo que nunca entendí lo que es el amor, siempre lo aprecié como una cuestión biológica en todos los sentidos y no sólo en el sexual, ya que amar es un acto simbiótico. Lo que pasó con el huésped fue lo siguiente: él vivía a unos cuatrocientos kilómetros de mi ciudad, se
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acababa de mudar del norte y buscaba la calidez del sur. Puedo decir que la conexión fue espontánea y fuerte, casi en cuanto nuestros dedos comenzaron a rozar las pantallas de los celulares para hablar, sin darnos cuenta, todo en nuestra vida estaba en una sincronía casi perfecta. Si lo pasamos al plano romántico podemos decir que nuestras almas se atraían y jalaban todo alrededor, de tal manera que coincidíamos en los espacios más intermitentes de la vida. En otras palabras, comenzamos a ser uno mismo a la distancia. Yo debo decir que lo quería más que a nadie en el mundo, porque en realidad no tenía a nadie más, lo mismo él. Yacíamos en un mar de rechazo extremo. Veinteañeros fracasados idealizando la vida que nunca podríamos tener mientras siguiéramos distantes. Luego de un par de meses separados físicamente decidimos irnos a vivir juntos. Como una bola de nieve nuestra dependencia rodaba y se ensanchaba con el sexo, las confesiones y las pequeñas historias de la infancia que iban reforzando la identidad y los miedos de lo que éramos ahora. Yo sabía que el huésped era como yo, que necesitábamos lo mismo y que podíamos ofrecer cosas similares: amor, protección, el sabernos vivos y parte de algo cuando el otro pronunciaba tu nombre. Entonces lo supe, mi existencia dependía de las veces que él pudiera pronunciarme importante o insignificante en su vida. Había un elemento dentro de la personalidad del huésped que me ancló de manera significativa a él. Lo que algunos conocen como culpa es un concepto ambiguo cuando hay una relación de por medio y él sentía culpa por todo. Bastaba con que algo dejara de gustarme, como es habitual en mi cambiante vida, o que me molestara la luz del sol ese día para que se sintiera responsable de mi infelicidad. Al notar ese gesto fue inevitable no adorar el tipo de atención que me daba para reparar el torcido mundo que nos rodeaba, así que nos hicimos dependientes de las situaciones desesperadas. Yo me enojaba con la vida por ser vida y él se sentía culpable, se disculpaba. Yo me cansaba y pedía más y más hasta desgastarnos y odiarnos una y otra vez, para luego recuperarnos
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en un aliento desesperado de amor. Cuando llegó el invierno, los árboles se marchitaron de a poco y con ello nuestras ganas y paciencia. Resulta que los organismos simbióticos no refieren exclusivamente a la estrecha relación de los seres vivos involucrados, también necesitan un grado necesario de reciprocidad. Tanto el huésped como el hospedante dan y reciben beneficios de la cercanía. En nuestro caso los resultados de la convivencia fueron más perjudiciales de lo que de por sí implica la compañía humana moderna, que en pocas palabras se encarga de fijar un contrato de solidaridad y alimento para el ego, cosa que en nuestra relación funcionó de alimento para el narcisismo. Él, una víctima de los constantes cambios de su novia. El típico chico maltratado en la escuela, con escasa atención por parte de sus padres y la inminente fragilidad de un niño que sólo quiere llorar en los brazos de su madre, cobarde por definición y roto de nacimiento. Ella, el chivo expiatorio de cualquier relación en la que estuviera, la morra cambiante según las palabras de su novio. La niña incompleta que jamás resultaba suficiente para nadie, la que se quedaba a medias, medicada por precaución e intermitente como nadie. A decir verdad, podemos afirmar que la relación ya pintaba a uno de esos encierros psiquiátricos que te dejan volando la cabeza más de lo que en apariencia ya vuela. Lo curioso aquí es que, cuando los organismos en simbiosis se separan es porque en cierta medida ya obtuvieron el beneficio que el otro les brindó o porque el ciclo de su vida llegó al final, de tal manera que deben buscar a un nuevo ser vivo que los acompañe. En teoría, los animales que tienen este lazo simbiótico no pueden terminar con el patrón como la gente termina con las relaciones, sino que por supervivencia dejan entrar a un nuevo ser cuando el otro ya terminó su etapa. Con los humanos todo se complica. Los últimos días de invierno fueron los más difíciles para el huésped y el hospedante, puesto que cada vez nos exigíamos más y
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estábamos dispuestos a dar menos, el «dar y quitar» se volvió un ritual sangrante donde él ya no quiso más y yo destruida por el «perder, perder» desgarré la unión. Los primeros días a mí me iluminaba una radiante luz de tristeza que agrandaba mis ojos con llanto, mientras él se marchitaba en el último viento helado de marzo. Decían que los cachetes se nos pegaban a los huesos del cráneo como el de los animales hambrientos, tan tristes y desgastados, deseantes de herida y atención. Intentamos regresar en repetidas ocasiones, pero el peso del amor es quizá menos significativo que el del instinto, fue entonces cuando hubo la necesidad de dejar en claro quién era cuál. Lo que hasta entonces conocíamos como una relación simbiótica en la que no había un papel definitivo de huésped y hospedante, es decir, que nos rolábamos los puestos en medida que el otro se dejaba dominar- por decirlo de alguna manera-; se convirtió en un tema fijo que debíamos pelear. Sabíamos la medida en la que el otro era capaz de lastimar, así que era necesario proclamar una jerarquía, luchar por ver quién es el más fuerte o grande para hacer que el otro dependa de ti. Así que en lo que los mensajes hirientes de confesiones y disculpas inundaban la bandeja de entrada, las partículas que dieron a luz alguna vez a un lila brillante de funcionalidad, ahora se separaba en tonalidades rojizas y azules, en medida que la simbiosis se transformaba en una relación de víctima y victimario. Cuando llegó la primavera no hubo flores ni paz o tranquilidad, no sacamos a orear las consecuencias de lo que quedó del invierno, sino que encapsulamos en falsas ilusiones la prosperidad. Entonces, comenzamos a herirnos con verdades jamás contadas, pero evidentes. De un día a otro yo pasé de ser el amor a ser un consuelo, a saberlo y quedarme inmóvil y resignada. Fue ahí cuando entendí que el juego de la simbiosis sólo era el de un depredador entreteniendo a su presa, el lastimar dulcemente uno a uno porque en apariencia damos y recibimos sin ser conscientes de que al final del ciclo uno termina siendo más que el otro dentro de la cadena alimenticia. Esas
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cosas siempre estuvieron presentes, pero tendemos a romantizar la naturalidad con la que hacemos daño. A final de cuentas, nuestras condiciones biológicas terminan siendo eso y repetimos patrones por instinto y no por gusto, como suelen llamar a las relaciones con patrones. En cierta medida, funcionamos por ciclos de vida, selección natural y no por conciencia o, al menos en algunos casos, el amor sigue pareciendo una función primitiva en la que salimos a cazar con el corazón roto.
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SOLEDAD Miriam Saucedo
Era una fría mañana decembrina cuando su larga ausencia noté. Me inquietó la espera y mis llamadas perdidas. Me consolé diciendo: “¡Ya regresará!, seguro no tarda. Se habrá extendido la junta con éstos y llamará para decir que después de la reunión fueron a pistear todos los compas y se la amanecieron. Sí... ¡Pero que no se la va a acabar el cabrón, cuando llegue!” Esas palabras optimistas me mantuvieron bien todo el día, sin interrumpir mis deberes más que para mirar el celular. La noche llegó y él no regresaba. “¿En dónde podrá estar?” “¿Por qué no regresa?” “¿Estará bien?” “¿Y si le pasó algo?”. Eran preguntas que en mi mente se repetían, una y otra y otra vez. Marqué… Colgué. Marqué… Colgué. Marqué… Colgué. -Buzón de voz, la llamada se cobrará al terminar los tonos siguientes... Era la respuesta. “Se le habrá descargado el celular… Pero… ¿Y si le pasó algo?... Ya fue mucho.” Llamé a los hospitales. Nada. La inquieta noche fue sustituida por un opaco y silencioso día en el que las grises nubes evitaban la luz solar. Cuando desperté, todo estaba como lo había dejado, pero había un vacío. Faltaba algo… Sus oscuros ojos mirándome por la mañana, su voz susurrándome los buenos días, su tacto en mi piel. Miré el oro en 35
mi dedo anular. Me aferré a su almohada. Su aroma seguía ahí. Derramé estruendosas lágrimas. En mi frenético llanto recordé lo tarde que llegaba. —Gajes del oficio Chaparra. Dijo Recordé la mirada triste y perdida que tuvo las últimas dos semanas, y, sobre todo, su distancia. -Estoy cansado, ya será mañana. No te enojes, Chaparra. Tú sabes que no hay otra para mí, sólo tú. Mañana te llevo al cine, o ¿qué? ¿Vas a seguir encabronada? Un terrible pensamiento invadió mi mente. Quise deshacerme de él. No pude. Llamé a todos los lugares y a todas las personas que frecuentaba para saber si estaba bien, pero no hubo una respuesta que me dijera algo sobre su paradero. Era como si hubiese desaparecido… como si la tierra se lo hubiese tragado. No volví a insistir. Desde su partida, la soledad fue mi única compañía. Los meses pasaron y él no regresó. Poco a poco fui acostumbrándome a su ausencia y a mi soledad. Mi vida estaba vacía y todo me recordaba a él: mi casa, mi troca, mis joyas, los compas y los lugares a los que íbamos. Varias veces creí verlo. No eran más que otros hombres. No podía seguir en aquel lugar triste. Empaqué y huí. Conduje hasta una ciudad lejana. Pasando la sierra, en otro estado, ahí me detuve a descansar. Luego de pasar una semana ahí, decidí quedarme. Renté un pequeño departamento en el corazón de la ciudad y me dediqué a lo que tanto me apasionaba y que por X o Y había dejado de practicar. Los meses pronto se convirtieron en años. A pesar de las huellas que él había dejado, mi vida cobró un sentido nuevo. Una alegre madrugada otoñal, cuando regresaba a casa después de una fiesta con mis nuevos amigos, vi, por uno de los espejos, a una pareja paseando por un parque cercano a mi departamento. Me quedé mirándoles, añorando los viejos tiempos. La pareja se percató de mi mirada, ambos se giraron para verme. Aunque iba dentro de la camioneta pude reconocerlo. ¡Era él! ¡Él, quien fue mi amante! ¡Él, a quien profundamente amé! 36
Las viejas heridas se abrieron y sangraron. Cuando llegué a mi departamento, no pude dejar de pensar en esa pareja, no pude evitar sentir una rabia y una tristeza inmensas. Esa noche no dormí. Cada minuto, hora y día que pasaba, mi mente enfermaba poco a poco. No podía dejar de pensar en sus ojos negros. Comencé a frecuentar el parque en el que había visto a esa odiosa pareja. Una lluviosa noche en la que pasaba por el parque los encontré. Lo miré de frente. Él bajó la mirada. Siguió su camino. Me giré y sólo alcancé a ver sus negros cabellos. No pude contenerme… Lo odiaba. Lo odiaba. Lo odiaba. -Mira Chaparra, esto es una Colt calibre 32, está chiquita, pero de una bronca sí te saca, úsala con cuidado porque es legal. Sí, ya sé que te gustan más las otras, pero, por mientras está bien. …Metí la mano dentro de mi abrigo, ahí estaba el frío metal. Lo tomé entre mis dedos. Lo saqué y casi sin mirar… Disparé. El tiro fue certero. Lo golpeó en el cráneo. Murió al instante. Corrí como quien se acerca a ayudar, alguien que no teme ni se avergüenza de nada. Ella lloraba frenética abrazada al cadáver, miraba a todos lados, buscando. La abracé y le dije: “-No llores, seguro que regresa.” La mujer me miró incrédula, con unos ojos color gargajo casi fuera de la órbita. Me fui tranquilamente antes de que llegaran las autoridades. En el camino, tiré el arma en una de esas hediondas alcantarillas que hay por todos lados. Al llegar a casa tomé un baño caliente y finalmente me metí en la cama. -No te preocupes, Chaparra, ya la he librado otras veces. A la muerte no hay que temerle, pero, si me lleva, qué se le va a hacer, pues. La vida es prestada. Mira, ya no hay que pensar en eso, es puro tiempo perdido. Mejor hay que aprovechar los años que nos quedan juntos. Y que si me muero pues ni modo. Me llevas con banda al panteón y me dejas mi botella de tequila, ya sabes que a mí no me gustan esas mamadas disque finas... Esa lluviosa noche invernal, fue la primera después de tres años, en la que pude dormir. FIN 37
ALFAJOR DE COCO Rafael Aragón Dueñas
El sol irradiaba sus poderosos rayos golpeando mi rostro y bañaba todo mi cuerpo semidesnudo transformándolo en piel morena. Recostado observé una palmera, me levanté y enfilé diez metros para llegar a mi objetivo. Zarandeé el fructífero con movimientos bruscos y un coco cayó golpeando mi cabeza. Aterricé de espaldas en la cálida arena, perdiendo el conocimiento. Después de un largo rato desperté del limbo en el que estaba con un dolor que taladraba mis sienes, como un cuchillo caliente cortando mantequilla, me froté en la parte adolorida. A lo lejos vi a unos costeños con machetes en mano en plena algarabía, cortando y partiendo. Con la vista borrosa y el dolor punzante retumbando mi cráneo, me acerqué poco a poco, letárgico, los oídos me zumbaban. 38
—Oigan, ¿qué están haciendo? —les pregunté. —Mire patrón, estamos haciendo alfajor de Coco —me respondió uno de ellos. La vista se aclaró y mis ojos empezaron a derramar lágrimas, un sonido quiso salir de mi boca, pero un nudo en la garganta lo impidió. Con un mondador rasgaban la piel de los brazos, como si pelaran una papa o una fruta, los machetes cortaron la carne del rostro y rasparon las articulaciones de las extremidades, con un ligero corte extrajeron jirones de masa muscular de veinte centímetros. La sangre había corroído en lo profundo de la arena tiñéndola carmesí. Cuatro horas antes estaba en un restaurante tropical, frente a mí veía turistas jugando volibol y a las personas en sus trajes de baño. Con mi hermana a mi lado comíamos alfajor de coco y bebíamos agua helada de vainilla. — ¿Cuál fue tu motivo al haber acudido a Mazatlán? — preguntó mi hermana. —Mmh… ¿Qué me decías? Lo siento, estaba distraído. —Como haya sido, responde mi pregunta, ¿por qué has venido aquí? Aparte de visitarme —dijo mientras devoró un pedazo de alfajor y lo humedeció con agua. —Cómo eres terca, ya te dije. Vine a visitarte y a asolearme en la playa. Además, estás muy distraída leyendo ese libro que traes en manos que ya manchaste de chilito y limón. —Está muy bello —ella vio la portada del libro, de inmediato extrajo del servilletero una toallita, limpió sus dedos y las páginas manchadas —, mira. 39
—Mmh… 20 poemas de amor y una canción desesperada de Pablo Neruda. —Exacto. Es de él, mi escritor favorito. Adoro sus poemas. — Ah, ¿sí? Entonces, ¿qué me puedes decir de ese autor? —le dije apuntándola con el índice y le arrebaté el libro de sus delicadas manos. — ¡No me lo quites! Me lo hubieras pedido amablemente. Escucha, Pablo Neruda, el Nobel de Literatura, fue un poeta chileno y es uno de los más influyentes del Siglo XX. No te daré una amplia descripción porque te aburrirías. Oye, ¿en qué meditas? —ella posó su mano en mi hombro. Dejé de divagar y le devolví el poemario. —Pensaba en cosas banales —le respondí agarrando el último pedazo de alfajor que tenía en el plato y lo liquidé de una sola mordida. — ¡Oye! ¡Eso era mío! ¡No es justo! Me largo —Enojada, salió por la puerta principal y yo me quedé leyendo el libro que olvidó. En estos momentos la sangre había corroído demasiado en la arena y los costeños con sus machetes en mano seguían extrayendo jirones de carne de todo el cuerpo; laceraban a mi hermana rebanándole los senos y el abdomen. Ellos colocaron las tiras en un vaso, esparcieron limón y chilito, me prepararon alfajor de Coco, me dieron el vaso, un líquido viscoso escurría de la superficie manchando la arena y los dedos de mis pies. Mi hermana se llamaba Socorro.
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LA SÍ LA BA 41
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Ilustraciones de Milton RodrĂguez
LA SÍLABA Revista
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REVISTALASILABA CORGIS REVISTALASILABA CORGIS México2020 Ediciones El gatito espejo Ciempiésencuadernación