Índice Dia do radioamador - Radioamadorismo, uma paixão sem interferência Pág 8 Dia do radioamador - O radioamadorismo de geração em geração Pág 10 Saúde - Câncer de Pele: Conheça os sintomas e aprenda a se prevenir Pág 12 Artesanato - Dando vida aos personagens de feltro Pág 16 Giropop na Escola - “Incluindo-se para incluir”, os desafios da Educação Inclusiva Pág 20 Dia da consciência negra - Consciência negra, orgulho e respeito Pág 24 Empreendedor do mês - Pizza, um produto que une praticidade e sabor Pág 26 Esporte - Casa do Surf: Esporte, educação e cidadania Pág 28
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EDITORIAL
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espeito e igualdade, essas são as palavras-chave para a edição 46 da Revista Giropop, do mês de novembro. Abraçando nossas diferenças, conhecemos um projeto de educação inclusiva de alunos portadores de necessidades especiais de uma escola, e debatemos sobre diferentes pontos de vista sobre o preconceito racial. Aos apaixonados por sol, no mês que antecede o verão, também trouxemos dicas de prevenção e relatos, e tiramos dúvidas acerca do câncer de pele. Já aos apaixonados pela comunicação, nos aprofundamos no universo do radioamadorismo na cidade de Joinville-SC. Em nossas próximas páginas, também há bonecas, surf e muito mais.
Venha com a gente e boa leitura!
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dia do radioamador - 5 de novembro
Radioamadorismo, uma paixão sem interferência Ana Beatriz
Apesar do avanço tecnológico, em plena era do celular e da internet, o radioamadorismo ainda atrai muitos seguidores em todo o mundo. Em Joinville-SC, associados ao Clube de Radioamadores de Joinville (CRAJE) ainda utilizam equipamentos que começaram a ser usados no início do século passado e que serviram de base para toda a comunicação moderna para ajudar, fazer amigos e entreter. Representando o clube de radioamadores, Arlindo Rossi, presidente do CRAJE, fala sobre essa paixão que ultrapassa milhares de quilômetros.
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ntes mesmo de se tornar um radioamador, Arlindo é um montanhista. No ano de 2005, suas aventuras em meio às trilhas lhe motivaram a ser um radioamador, para que pudesse se comunicar nas montanhas através do rádio. A paixão pelo radioamadorismo tomou grande proporção e, há cerca de dois anos, Arlindo, cujo indicativo (prefixo adquirido quando se é atestado radioamador e que identifica a pessoa) é PU5ARL, é presidente do CRAJE – indicativo de chamada de estação PP5CIT. As instalações da sede do CRAJE ficam na subida para o Mirante de Joinville. Arlindo conta que lá, todas as quartas-feiras, os associados se encontram para um jantar fraterno. Já aos finais de semana, são promovidas atividades culturais e de adestramento técnico e operacional, além de cursos gratuitos preparatórios para os Exames de Habilitação, realiza-
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Parte da equipe do CRAJE. Acima: Julio Gabriel (PU5EJG), Eduardo (PU5EED), Alex (PP5EAL) e Arlindo (PUTARL). Abaixo: Hezio (PU5HSO), Werner (PP5WH) e Henrique (PU5IKE).
dos pela LABRE/ANATEL. O clube possui, aproximadamente, sessenta associados, cada um deles com seu indicativo e motivado por interesses pessoais, uma vez que este ho-
bby possui diversas modalidades. “O radioamador é a pessoa que procura manter funcionando uma estação de radiocomunicação, seja para comunicados e conversas informais, as chama-
O cartão “QSL”, confirma o contato realizado entre duas estações. das ‘rodadas’, como para concursos e competições nacionais e internacionais”, explica Arlindo. Os concursos mais populares entre radioamadores são os contestes, e vence aquele que fizer o maior número de contatos em um menor espaço de tempo. Outra prática bastante difundida entre os radioamadores é a troca do cartão “QSL”, para confirmar o contato realizado entre duas estações. Cada cartão contém detalhes da estação em referência e seu operador, incluindo informações como indicativo de chamada de ambas as estações participantes no contato, a hora e a data em que ocorreu, a frequência de rádio e a banda utilizada, e o relatório de sinal em que foi realizado o contato. “Para os radioamadores, em cada contato, em cada troca de cartão ‘QSL’, um novo
Base de comunicação do Craje montada para apoio em resgate.
amigo é adquirido em qualquer parte do mundo, mesmo que, muitas vezes, não saibamos sua aparência”, conta Arlindo. No entanto, esta prática pode ir além de diversão e passatempo. Há décadas atrás, quando as cidades não estavam interligadas por linhas telefônicas, era comum o radioamador local servir de apoio em comunicações entre parentes distantes, na obtenção de medicamentos que não podiam ser encontrados no local. Ao longo da história, o radioamadorismo desenvolveu um papel muito importante em solidariedade a desastres, calamidades e emergências em todo o mundo. “Muitos radioamadores se utilizam deste conhecimento para contribuir para salvar vidas ou minimizar os efeitos adversos”, conta Arlindo. Partindo deste propósito, surgiu o Grupo
de Resgate em Montanha (GRM), também de Joinville. Para eles, mais que uma possibilidade, isto é um dever. O radioamadorismo também foi responsável pelo avanço de muitas tecnologias. Desde o início, os radioamadores desenvolveram a base da radiocomunicação. Se não fossem as técnicas desenvolvidas pelos radioamadores, a internet, por exemplo, não existiria, ou demoraria muito mais para ser desenvolvida. Outros grandes avanços que ocorreram grandes ao radioamadorismo foram na área da radiocomunicação, como a telefonia celular e o radar. Por conta dessas ações positivas, há um grande incentivo para o radioamadorismo dentro do movimento escoteiro, o chamado radioescotismo. “O radioescotismo tem sido uma grande
ferramenta da formação e na educação de nossos jovens, pois proporciona atividades e experiências únicas e atrativas”, explica o presidente do CRAJE. A partir dos dez anos de idade, a criança já se encontra apta para realizar o exame de habilitação e pode se tornar uma radioamadora. Apaixonado pelo radioamadorismo, Arlindo dá sua mensagem aos leitores interessados: “Incentivo a todos aqueles que gostem de se relacionar com outras pessoas, que gostem de eletrônica, que apreciem as comunicações, que queiram aperfeiçoar seus conhecimentos em outros idiomas e, finalmente, que queriam se dedicar a um hobby atrativo, que façam sua opção pelo radioamadorismo”. Como presidente do CRAJE, ele também convida os interessados a conhecerem o clube, para se aprimorarem tanto em conhecimentos tecnológicos, quanto nos conhecimentos de cultura em geral, e conheceram o espírito do radioamadorismo: Pautado na amizade, troca de conhecimento e comunicação com o mundo todo. Deseja conhecer um pouco mais sobre o Clube de Radioamadores de Joinville? Acesse www.craje. org.br ou entre em contato através do e-mail presidente@craje.org.br.
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dia do radioamador - 5 de novembro
O radioamadorismo de geração em geração Ana Beatriz
Antena, rádio e muitas histórias em família para contar: é assim a família dos irmãos Blaidior Ramos e Herblay Ramos, de Joinville-SC. Eles cresceram observando seu pai, Artidor Ramos, no radioamadorismo e foram por ele influenciados. Anos depois, Sofia Dressel Ramos, filha de Herblay e neta de Artidor, também adentrou o universo do radioamadorismo. Para eles, a prática por si só é uma família, onde compartilham conhecimentos e experiências relativas do hobby.
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Artidor Ramos, de Joinville, e o filho Blaidior Ramos, duas gerações de radioamadores.
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infância de Herblay e Blaidior foi marcada pelas atividades de Seu Artidor que, ao fi-
nal do dia, na hora do jantar, mantinha sempre o rádio ligado, transmitindo e recebendo notícias e comentários dos mais variados assuntos. “Morávamos
no interior do Paraná, onde não havia televisão, estação de rádio comercial ou telefone. Portanto, era graças ao PY5BAV (indicativo de Seu Artidor) que ficava ‘corujando’ estações de radioamadores de várias partes do mundo, que tínhamos conhecimento de certos acontecimentos ao redor do mundo”, recorda Blaidior. Naquele tempo, a maioria dos rádios transmissores era de fabricação caseira. O primeiro filho a seguir o exemplo do pai e fazer as provas pela ANATEL para se tornar um radioamador foi Herblay, cujo indicativo é PU5HRA. Logo em seguida, por insistência do irmão, Blaidior, de indicativo PU5BLA, também realizou as provas exigidas pela ANATEL e obteve o Certificado de Operador de Emissão de Rádio (COER). Quando começou a se interessar e estudar sobre o radioamadorismo, Herblay também incentivou a filha Sofia a praticar junto com ele. “Começamos
Sofia Dressel Ramos também se apaixonou pelo universo do radioamadorismo por influência do pai, Herblay Ramos
brincando com radinhos simples do tipo talkabout, quando íamos fazer trilhas na mata. Depois, meu pai me ajudou a estudar para as provas da Anatel e viramos radioamadores de verdade”, ela conta. Em um mundo onde os jovens possuem tantos recursos e informações de forma instantânea, Sofia, de 24 anos, enxerga o radioamadorismo como um estilo de vida. “Diferente dos outros meios de comunicação em que se espalham informações de qualquer forma, para ser radioamador você precisa saber como se comunicar. Quando se fala no
rádio, muitas pessoas podem estar te escutando. É preciso estudar conceitos básicos de comunicação, ser formal, ter ética e prezar pela boa convivência com os demais colegas radioamadores”, fala Sofia, que sente muito prazer em ser radioamadora e em poder carregar este diferencial também para as comunicações que faz na vida pessoal fora do rádio. Durante o período em que estão na ativa, cada radioamador tem a experiência que mais lhe marca. “Muitas situações marcam a gente, como o resgate de uma pessoa perdida
na montanha, perdida há vários dias ou em acidentes em regiões remotas de difícil acesso”, fala Blaidior. Já para seu irmão Herblay, estar nos Andes (AR), Terra do Fogo (AR) ou Patagônia Chilena e Argentina, manter contato com seus familiares, colegas da cidade e região, mais de seis mil quilômetros de distância, com um simples HT (hand talk ou rádio de mão) não tem preço. Àqueles que desejam conhecer o radioamadorismo, Sofia indica que conversem radioamadores, e participem dos encontros e das reuniões dos clubes. E o pai Herblay dá o recado: “O radioamadorismo é um mundo fascinante onde a comunicação impera. A troca pode ser com um colega próximo ou de qualquer parte do mundo que compartilha as mesmas ideias e vontades que você”. Porém, algumas dúvidas também rodeiam o mundo radioamador. Por isso, Blaidior esclarece que o radioamador é a pessoa habilitada a executar o Serviço de Radioamador, e não o equipamento (rádio, transceptor, receptor, transmissor, entre outros). “O Serviço de Radioamador é a modalidade de serviço de radiocomunicações, destinado ao treinamento próprio, à intercomunicação e a investigações técnicas, levadas ao efeito por amadores devidamente au-
torizados, interessados na radio técnica a título pessoal”, explica. Blaidior ainda ressalta que o radioamador não é um técnico em comunicação, mas um radiocomunicador. Portanto, é preciso se comunicar, ou seja, apenas falar de forma proveitosa – paixão adotada por Seu Artidor por volta de 1959, que influenciou os filhos Herlbay e Blaidior e, em seguida, a neta Sofia. Para eles, ter familiares compartilhando o radioamadorismo é muito legal. Sofia, por exemplo, quando tem alguma dúvida sempre recorre aos familiares. “Sou questionado se não é mais fácil pegar o telefone e simplesmente ligar, mas, para um radioamador fazer contato tem muito mais adrenalina. Achar a frequência que se encontra a pessoa, seguir uma ética para não falar passando a vez com outros colegas radioperadores, fazer um contato sabendo que muitas pessoas estão nos ouvindo, é tudo muito especial”, conta Herblay. Além do radioamadorismo, as três gerações da família Ramos, de Joinville, também compartilham outros interesses em comum, como montanhismo, resgastes, escotismo, entre outros. Em família, Blaidior, Herblay e Sofia acreditam no poder da comunicação para ajudar outras pessoas.
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SAÚDE
Com o verão cada vez mais próximo, a exposição ao sol se torna algo muito mais frequente, especialmente para aqueles que desejam desfrutar da praia. Apesar de a exposição solar ser necessária e até saudável, é preciso tomar uma série de cuidados, pois se expor ao sol de forma inadequada pode trazer inúmeros prejuízos, como o câncer de pele, o tipo de câncer mais frequente no Brasil, que corresponde a trinta por cento de todos os tumores malignos registrados no país. Com o objetivo de prevenir a todos, o médico generalista Douglas Antonio Urso, de Itapoá-SC, explica melhor sobre o câncer de pele e o porquê este merece tantos cuidados.
cÂNCER DE PELE
Conheça os sintomas e aprenda a se prevenir Ana Beatriz
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e acordo com o médico, o câncer de pele se trata do “crescimento desorganizado de células da pele que resultam em alterações da pele na forma de lesões”. Ele pode ser classificado em dois tipos principais: o melanoma, o mais grave, que mata muitos pacientes, inclusive jo-
vens, e o não-melanoma, tipo de câncer mais comum, constituindo setenta por cento dos casos, contudo, é o menos agressivo. Para reconhecer um câncer de pele, é preciso estar atento a alguns sinais: “Uma ferida que não cura, não cicatriza, uma mancha ou pinta que muda de comportamento, ou seja, crescimento rápido ou crescimento de forma irregular. Qualquer lesão da pele com aspecto de nódulo,
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tumor ou mancha, podendo haver sangramento ou não”, explica doutor Douglas. Vale ressaltar que o câncer de pele varia muito na aparência, por isso, como regra geral, qualquer novo sinal na pele ou mudança em uma pinta ou mancha que já existia deve servir de alerta para procurar um dermatologista. Sempre que notar uma nova lesão ou quando uma lesão antiga, é importante procurar um médico.
De acordo com o médico, os fatores de risco para o câncer de pele são: a) exposição solar: tempo de horas expostas ao sol por dia e tempo de exposição ao longo da vida sem proteção adequada. O médico ressalta que quanto mais queimaduras solares a pessoa sofreu durante a vida, maior é o risco do câncer de pele; b) idade: incide preferencialmente na idade adulta, a partir dos quarenta anos, pois quan-
to mais avançada a idade, maior é o tempo de exposição solar daquela pele. “Pessoas com mais de quarenta anos são mais propensas, mas pode acontecer em qualquer idade”, fala Douglas; c) sexo: atinge mais homens que mulheres; d) características de pele: atinge mais pessoas com pele, cabelos e olhos claros, bem como aquelas que têm albinismo ou sardas pelo corpo. “Uma pele que sempre se queima e nunca se bronzeia quando exposta ao sol também corre mais risco”, diz; e) histórico familiar: o câncer de pele é mais comum em pessoas que têm antecedentes familiares da doença; f) histórico pessoal: pessoas que já tiveram um câncer de pele ou uma lesão pré-cancerosa anteriormente têm mais chances de sofrer com o tumor; g) imunidade enfraquecida: de acordo com o médico, pessoas com o sistema imunológico enfraquecido têm um risco aumentado de câncer de pele. “Isso inclui pessoas que têm a leucemia ou linfoma, pacientes que tomam medicamentos que suprimem o sistema imunológico, ou então que foram submetidos a transplantes de órgãos”, ressalta. Segundo doutor Douglas, sempre que diagnosticado precocemente, o câncer de pele tem cura, “especialmente o melanoma, que pode ser letal se tardiamente diagnosticado”, diz. Ele ainda explica que o diagnóstico do câncer de pele é feito pela ava-
liação clínica e exame anátomo patológico (a biópsia) do tecido suspeito e o tratamento depende do estágio da lesão, podendo ser cirúrgico ou clinico. No entanto, normalmente o tratamento mais indicado para o câncer de pele é a cirurgia para retirada do tumor. Curtindo o sol sem medo De Criciúma-C, Maria Salete Raicik Dutra, 73 anos de idade, fala que foi uma “praieira de carteirinha”, pois se criou em cidades litorâneas. Desde 1965, frequenta as praias de Guaratuba-PR, Matinhos-PR e Itapoá-SC. “Quando jovem, gostava de ir à praia no horário em que o sol estava mais forte. Para me bronzear mais rápido, passava óleo, ao invés de protetor solar”, recorda. Naquele tempo, a principal diversão dos jovens, especialmente dos turistas, era aproveitar a praia. Em contrapartida, informações como a prevenção ao câncer de pele eram pouco disseminadas. De acordo com Maria Salete, foi há cerca de vinte anos que surgiu uma pequena ferida em seu nariz. “A ferida formou casca, e essa casca caiu. Mas, depois, a ferida passava a retornar, cada vez maior”, conta. Foi então que ela consultou um médico. Na primeira biópsia realizada, foi confirmado um tumor no nariz. Ela realizou a cirurgia para a retirada do mesmo, no entanto, a região continuou comprometida, o que resultou em três cirurgias
no mesmo lugar. Ainda assim, Maria Salete realizou vinte sessões de radioterapia, para ter a certeza de que o câncer de pele havia sido curado. Posterior a este ocorrido, Maria Salete teve outros casos de câncer de pele. Por conta de um tumor, realizou uma microcirurgia no rosto. “Passei a realizar um acompanhamento mensal com um dermatologista, o que fez com que eu interrompesse qualquer início de tumor com o auxílio de medicamentos”, explica. Em seu braço e sua perna surgiram também surgiram manchas rosadas e indolores que, em seguida, se tornaram feridas. Estes casos puderam ser curados com os remédios indicados pelo dermatologista, uma vez os tumores foram descobertos de imediato. As filhas de Maria Salete acompanharam de perto todo o seu histórico contra o câncer de pele e, baseado na experiência da mãe, tomam os devidos cuidados com a pele e o transmitem para suas filhas. “Atualmente, existem inúmeras campanhas alertando os perigos da exposição excessiva ao sol e, mesmo assim, muitas pessoas remediam esses cuidados”, diz Maria Salete, “precisamos parar com a ideia
de que coisas como o câncer de pele nunca acontecerão conosco, pois, cedo ou tarde, podem vir à tona, sim”, complementa. Atualmente, ela se consulta de três em três meses e, quando há suspeita de alguma mancha, a visita ao dermatologista se torna ainda mais frequente. O prontuário médico de Maria Salete contém muitas páginas, que registram todo o histórico sofrido em sua pele. No entanto, ela aprendeu a lição e, hoje, usa filtro solar fator 60, mesmo em dias nublados ou com chuva, e tem horário regrado para se expor ao sol. “Demorei certo tempo, mas hoje aprendi a curtir o sol sem medo”, afirma Maria Salete.
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A pele merece cuidados De Francisco Beltrão – PR, Claudio Kessler, 68 anos de idade, sempre gostou de praia e sol. Quando mais jovem, costumava frequentar as praias e andar sem camisa – tudo isso, sem os devidos cuidados com a pele. Somente há cerca de dez anos, surgiu uma mancha no lado esquerdo do seu peitoral. Com o passar do tempo, essa mancha sumia e voltava. “Pensei que não fosse grande coisa, que ela iria sarar, porque era bem pequena”, conta Claudio. Porém, a mancha ficou e começou a coçar. Além de possuir a pele clara, dois irmãos de Claudio já haviam tido câncer de pele, o que aumenta são grandes fatores de risco. Por orientação, cerca de seis meses após o surgimento da mancha, ele, que já tinha o costume de ir ao médico regularmente, decidiu procurar um dermatologista. “Foi confirmado que era um câncer de pele. Portanto, realizei uma cirurgia para a retirada do tumor”, explica Claudio. No entanto, ele passou a desconfiar de uma ferida que aparecia vez ou outra no lado direito do peito. Durante o tratamento, ele passou por diversos profissionais, e um dermatologista alegou que esta ferida não se tratava de um tumor. “Mas era exatamente como a experiência anterior: a ferida sumia e voltava. Aquilo me incomodou muito, até que procu-
rei outro dermatologista para checar do que se tratava”, fala Claudio. O outro profissional realizou exames e confirmou o tumor no lado direito do peito, levando a outra cirurgia. Porém, na biópsia, foi constatado que o tumor ainda não havia sido completamente retirado, levando a uma segunda cirurgia na mesma região. “Diferente da primeira, a segunda cirurgia foi doída”, fala Claudia. Como levou mais tempo para ser descoberto, a retirada deste tumor deixou uma cicatriz. Após essas experiências, Claudio ainda apresentou outro histórico de câncer de pele, na região da pálpebra. “Logo abaixo dos olhos, surgiu um pequeno corte, com coágulo de sangue. Utilizei uma pomada que curou por um determinado tempo, porém, o corte voltou a aparecer”, fala. Com a ajuda de profissionais, descobriu que
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se tratava de câncer de pele. No início deste ano, Claudio realizou a cirurgia para retirada do tumor. Para Claudio, essas foram experiências difíceis, mas soube levar de forma tranquila. “Conversei muito com meus irmãos a respeito do câncer de pele e recebi muito apoio de familiares e bons profissionais”, afirma. Há cerca de um ano, ele e sua esposa se consultam frequentemente com um dermatologista. “É importante estar sempre atento ao surgimento de novas manchas e feridas na pele. E quanto antes o tumor for descoberto, mais chances o paciente tem de ser curado, daí a importância das consultas com o profissional”, ressalta Claudio. Atualmente, o protetor solar se tornou item indispensável, além das vitaminas D. Ao sair de casa, ele procura usar peças longas e chapéu, pois aprendeu a lição: “A pele também merece cuidados”. Os veranistas Claudio e sua esposa Odila Kessler consultam com frequência além de médicos de outras especialidades, um dermatologista.
Saiba como se prevenir De acordo com doutor Douglas, alguns cuidados podem ser tomados para evitar o câncer de pele. Fique atento às dicas: - “O uso diário e durante o ano todo de protetor solar no rosto e nas outras áreas expostas ao sol previne vários tipos de mancha na pele, isso porque os raios solares têm efeito cumulativo e, mesmo que na hora não aconteça nada, em alguns anos as manchinhas podem surgir”, diz o médico; - Evitar sol nos horários entre as 10 e 16 horas, mesmo com proteção; - Evitar sol em excesso; - Evitar câmaras de bronzeamento artificial; - Usar protetor solar com Fator de Proteção Solar (FPS) no mínimo 15; - Reaplicar o protetor a cada duas horas, inclusive os que são “à prova d’água”; - Aplicar o protetor solar cerca de 30 minutos antes de se expor ao sol; - Além do protetor solar, utilizar bonés, chapéus, roupas compridas, óculos escuros e
procurar sempre lugares com sombra; - Fazer autoexame periodicamente; - Procurar o médico anualmente para avaliação de sua pele; - De acordo com o médico, pessoas que trabalham expostas ao sol precisam usar protetor solar diariamente, na forma de filtros e vestuários adequados, durante o ano todo; - “Devido ao efeito cumulativo do sol, o câncer de pele deve ser prevenido durante o ano todo, desde o nascimento, inclusive durante os banhos solares dos bebês”, orienta Douglas; - Por fim, o médico ressalta que estudos indicam que dois minutos diários de exposição ao sol são suficientes para que o organismo dos bebês sintetize a vitamina D. “Calcula-se que 70% das radiações que irão causar câncer de pele na vida são recebidas na infância”, fala.
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Artesanato
Dando vida aos personagens de feltro
Ana Beatriz
Feltros, linhas, botões, missangas, fitas e até mesmo tecido de algodão. Assim, nas mãos de Liciane Ceccatto, nasce um personagem infantil. Turmas de princesas, bichinhos, desenhos animados ou filmes: Tudo é possível para a artesã de Itapoá-SC, que confecciona peças de feltro. Com dois anos de experiência, ela conta sua evolução no artesanato e os planos futuros para suas peças, confeccionadas com amor nos mínimos detalhes.
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Em Itapoá-SC, Liliane Ceccatto é artesã e confecciona bonecas e bonecos de feltro.
iciane sempre se interessou por trabalhos manuais. No entanto, a inspiração para o trabalho surgiu em 2014, quando sua filha, a pequena Maressa, de sete anos,
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viu uma revista de moldes para bonecas e pediu para que a mãe lhe fizesse uma. Então, Liciane comprou feltros e, com os moldes, criou sua primeira boneca, inspirada na personagem Lalaloopsy. A partir de então, ela
passou a receber encomendas de familiares, colegas e professoras da escola de sua filha, etc. A cada boneca de feltro confeccionada, variavam também os personagens e as roupinhas. Além da parte prática, o tra-
A inspiração pode vir dos personagens de filmes, livros ou desenhos, e são uma ótima pedida para compor cenário de festas.
balho também fez com que Liciane conhecesse melhor os personagens e suas histórias, assistindo a filmes, desenhos, lendo livros e pesquisando na internet. Depois das bonecas, surgiram outras encomendas, como a Bruxa Má, da Branca de Neve, Frozen, entre outras. No ano de 2015, ela criou uma página no Facebook para divulgar seus trabalhos. Aos poucos, Liciane conquistou clientes que trabalham com decoração de festas e passou a confeccionar kits de personagens, como a turma de Harry Potter e a turma de O Pequeno Príncipe – essa última, um de seus maiores desafios. Dentro do universo de possibilidades dos bonecos de feltro, Liciane conta que a maioria dos pedidos é as princesas da Disney, uma vez que a maioria de seus clientes são
mães de meninas. No entanto, ela também já recebeu pedidos de adultos que se identificaram com seu trabalho, de pais de crianças e até mesmo de namorados na intenção de presentar suas amadas. Além dos tradicionais bonecos de feltro inspirados em personagens infantis, a artesã também confecciona bonecos inspirados na caricatura de casais, topos de bolo de casamento, lembrancinhas de aniversário, etc. “Cada confecção é um desafio, especialmente por se tratar de um trabalho manual”, fala Liciane. Todas as etapas, desde a compra dos materiais até a entrega, são pensadas com muito cuidado. Os materiais utilizados pela artesã são comprados ou encomendados em outras cidades. Os moldes, que no início eram feitos com a ajuda de revistas, hoje são feitos à mão livre. Com a peça quase pronta, Liciane envia fotos para que o cliente aprove. “Por se tratar de um boneco de feltro, é importante frisar que a peça não fica totalmente fiel ao personagem de inspiração. E, sendo confeccionada à mão, nenhuma peça sai igual à outra”, explica. O toque artesanal, exclusivo e infantil é o que caracteriza seus trabalhos. De acordo com Liciane, a confecção de uma boneca pode levar metade de um dia ou até
dois dias, dependendo da complexidade, como a quantidade de aviamentos e tamanho. Normalmente, as suas bonecas têm 35 centímetros, porém, a artesã também confecciona bonequinhas do tamanho de chaveiros, assim como bonecas em tamanho real. “O artesanato ainda é pouco valorizado, sendo reconhecido, normalmente, por pessoas conhecedoras das áreas de artes e decoração. Mas acredito que, aos poucos, essa situação venha melhorando”, fala. Atualmente, a agenda de pedidos de Liciane está agitada, com encomendas para diversos lugares, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Em breve, a artesã pretende confeccionar um novo modelo de bonecas de feltro, as chamadas “Bonecas Waldorf” – mais estilizadas, com mais detalhes e de estilo retrô. Os planos futuros de Liciane também incluem montar um ateliê, reunindo suas confecções e materiais para artesanato. Por fim, ela conta o segredo de seu trabalho: “Eu acho que é preciso persistência, cuidado nos mínimos detalhes e amor no que faz”. Deseja conhecer melhor o trabalho da artesã Liciane? Acesse sua página: www.facebook.com/feltrosdalilica
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Giropop na Escola
“Incluindo-se para incluir”, os desafios da Educação Inclusiva
Ana Beatriz
A inclusão é, hoje, um avanço na integração social, onde os alunos com necessidades especiais podem participar do processo educacional das escolas públicas regulares. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (INEP), alunos especiais são as crianças e jovens com deficiências físicas, mentais, intelectuais e aqueles que apresentam superdotação e altas habilidades. Para, então, receber esses alunos, a Escola Municipal Ayrton Senna, de Itapoá-SC, passou a rever suas concepções e paradigmas. Foi partindo dessa dificuldade que a orientadora Jovita Márcia da Silva e a professora Roseli Tureck aplicaramo projeto “Incluindo-se para incluir”, criando um ambiente adequado para a aprendizagem inclusiva na escola.
Parte da equipe da escola Ayrton Senna que faz o projeto acontecer. Acima: As mães Christiane e Laurenice, a orientadora Jovita, professora Nelma, supervisora Renata, professora do AEE Roseli, adinistradora Fernanda, orientador Felipe e a gestora Aparecida. Abaixo: as alunas Julia e Fabiane, a mãe Noeli com o filho Gustavo e a sua professora auxiliar Bruna.
O
projeto surgiu como tema de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Jovita e, em 2013, passou a ser aplicado na escola Ayrton Senna, com todos os pro-
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fissionais envolvidos. “Tudo começou a partir de uma avaliação diagnóstica que nos revelou a necessidade de, além de repensarmos as ações, criarmos ações complementares às já existentes, a fim de favorecer que todos
os alunos aprendam, apesar de suas peculiaridades, trabalhar a autoestima dos estudantes que são vítimas de muitos estigmas e preconceitos, contribuindo para exclusão, mesmo que de forma inconsciente”, explica Jovita,
que, inclusive, palestrou em outras escolas sobre seu projeto de educação inclusiva. A legislação é clara quanto à obrigatoriedade em acolher e matricular todos os alunos, independente de suas necessidades ou diferenças. Portanto, a equipe da Escola Ayrton Senna, através do projeto “Incluindo-se para incluir” buscou criar uma comunidade inclusiva a fim de dar amparo e segurança, além de motivar os profissionais envolvidos, com a finalidade de buscar conhecimento necessário para poder atender esses alunos, adaptando o conteúdo e respeitando a potencialidade de cada um. Dentro do projeto, primeiramente, é realizado o Programa de Desenvolvimento Individual (PDI), onde cada professor de 1º ao 9º ano faz um diagnóstico de seu aluno portador de necessidade especial e preenche um formulário registrando o que seu aluno já sabe, quais suas dificuldades e qual sua meta para o próximo bimestre. “Em seguida, com o planejamento em mãos, de acordo com as dificuldades levantadas de cada aluno e com ajuda da equipe, são realizadas adaptações em atividades para garantir a participação do aluno”, explica Roseli, professora no Atendimento Educacional Especializado (AEE). Na maioria das escolas do Município, é disponibilizado um espaço para o AEE, também co-
nhecido como sala de recursos ou sala multifuncional. Na escola Ayrton Senna, este atendimento acontece com a professora Roseli no contra turno, nas dependências da escola. Os pais se responsabilizam em levar os filhos duas vezes por semana e cada atendimento dura 45 minutos. “A função do AEE é realizar observações em sala para ajudar na adaptação do planejamento e outras intervenções necessárias”, explica Roseli. Atualmente, no Atendimento Educacional Especializado da escola Ayrton Senna são atendidos dezoito alunos portadores de necessidades especiais, como deficiências múltiplas, dislexia, TDAH, deficiência intelectual, altas habilidades, entre outras, ou até mesmo com dificuldades de aprendizagem. De acordo com a professora Roseli,a sala do AEE é um espaço de descobertas diárias. “Este trabalho é feito partindo da dificuldade do aluno, com o auxílio de jogos de sequência lógica, dinâmicas, brincadeiras lúdicas e conversas. É importante também frisar questões como higiene, autoestima, autonomia e oralidade, e trabalhar as habilidades e capacidades da criança”, ressalta Roseli. As dificuldades dos alunos são informadas à professora do AEE, para que a mesma possa trabalhar no seu atendimento individual. Neste processo, toda a equipe escolar adentra o mundo do aluno portador de necessida-
de especial para, então, ajuda-lo – daí o nome do projeto “Incluindo-se para incluir”. Outro ganho importante com a aplicação do projeto em questão foram os encaminhamentos para avaliação dos alunos que ainda não tinham laudo médico. Esses encaminhamentos foram feitos partindo do diagnóstico realizado pelos professores em sala de aula, professora do AEE, observações do cotidiano do aluno e entrevista com os pais. “A partir disso, é possível à orientação da escola elaborar relatórios para encaminhar ao respectivo especialista: Psicólogo, neurologista, fonoaudióloga ou psicopedagoga”, conta Jovita. No decorrer do projeto, a equipe conclui que a inclusão dos alunos portadores de necessidades especiais no ensino regular exige respeito, dedicação e conscientização de todos os envolvidos. “Revemos os conceitos da educação inclusiva, tomando cuidado para não deixar esses alunos em sala regular sem atender suas reais necessidades, caso contrário, nós estaríamos o excluindo”, diz Aparecida Grandini José, gestora da escola Ayrton Senna. Nas palavras de Jovita, a autora do projeto: “Nossa escola pode não estar totalmente preparada, mas com certeza, fortalecida e confiante com ações apoiadas pelos docentes, alunos, equipe gestora, familiares e pro-
fissionais da saúde, garantindo o trabalho com crianças com necessidades especiais”. Ela, Roseli, Aparecida e toda a equipe escolar acreditam que ainda é preciso avançar muito para garantir os direitos da qualidade de ensino a todos como rege a constituição, independente de serem deficientes ou não. Mas, com a prática do projeto, puderam aprimorar seus conhecimentos profissionais, refletir sobre suas ações pedagógicas e continuar buscando novas ações. “Acreditamos muito que, dentro da unidade escolar, um projeto só é bem-sucedido quando apoiado por todas as partes”, diz Jovita, “por isso, agradecemos a alguns amigos, parceiros, colaboradores e incentivadores, como a Psicóloga Liz Mari Henk, Secretaria de Educação, nossa gestora anterior Bernadete Sanches Soares, nossa gestora atual Aparecida, ao doutor Alberto Bauer Filho, Orientador Felipe Jefferson Custódio, a Secretaria de Saúde e do CRAS, além, é claro, de toda a equipe pedagógica da escola Ayrton Senna, que faz o projeto acontecer”, complementa. Dentro do trabalho realizado, os professores são peças-chave, uma vez que necessitam aprender a lidar com alunos com necessidades educacionais especiais em sala de aula do ensino regular, considerando as novas exigências impostas pela Educação Inclusiva.
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Eles fazem o projeto acontecer
Notando a necessidade da formação continuada e apoio aos professores, o projeto permitiu as seguintes ações: acompanhamento em sala, encontros para estudos, observação nas situações cotidianas, parceria com a professora do AEE, com pais e profissionais capacitados na área de Psicopedagogia, Psicologia, Fonoaudiologia e Neurologia para possibilitar a reflexão na mudança de postura. Assim sendo, os professores da escola se sentiram amparados e confiantes para desenvolver potencialidades e habilidades dos alunos portadores de necessidades especiais. Na escola Ayrton Senna, a professora MicherliLenziNeuber já chegou a lecionar para onze alunos de inclusão na mesma sala de aula. Ao fim do ano, ela conta que todos estavam alfabetizados, adaptados com o ambiente escolar e tendo boa socialização com os colegas. “Mesmo que não sejam portadores de necessidades especiais, cada aluno aprende de maneira diferente, e em um tempo diferente. Mas, mesmo com problemas ou dificuldades de aprendizagem, todos são capazes”, fala a professora. Ao receber um aluno com necessidades especiais, a professora Micherli orienta e pede a compreensão dos colegas. “Converso com a turma e falo para eles que vamos receber um presente, uma
joia, e precisamos cuidar muito bem dela”, diz. Para ela, é necessário trabalhar a autoestima com o aluno, para que ele se sinta capaz. Para isso, Micherli acredita que o professor deva ter persistência e amor no que faz. “A afetividade com o aluno é a porta para a aprendizagem”, diz. Dentro da sala de aula, Micherli, que neste ano possui dois alunos com deficiência intelectual e um aluno com dislexia, leciona junto da professora auxiliar Jéssica Martins Xavier. “Juntas, estudamos o conteúdo a ser transmitido e estudamos meios de adaptá-lo para que esses alunos o compreendam. Para esse trabalho diferenciado, nos utilizamos de avaliações orais, figuras, etc.”, fala Jéssica. Para essas professoras, ensinar é sinônimo de aprender, uma vez que lidar com alunos portadores de necessidades especiais é um universo de descobertas. O professor Carlos Eduardo Verri, de Educação Física, também explica algumas particularidades da sua disciplina sob olhar da inclusão: “A Educação Física inclusiva objetiva o desenvolvimento não só desses estudantes com necessidades especiais, mas de todo o restante da classe. O convívio é um fator fundamental para que esse objetivo seja atingido”, fala. Na escola Ayrton Senna, assim como Micherli, Jéssica e Carlos, todos os professores, tendo ou não alunos portadores
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de necessidades especiais, estudam, pesquisam e estão em constante evolução, criando estratégias para melhor atender a particularidade de cada aluno.
Além dos portões da escola
Para um trabalho de sucesso, a equipe escolar necessitou também do apoio dos maiores influenciadores e de quem melhor conhece a criança, os pais. Além das aulas de ensino regular e no AEE, foi observada a necessidade de encontros com os pais, pois, parte deles demonstrou falta de conhecimento sobre habilidades e competências. “Em nossa escola, realizamos um trabalho de humanização e socialização não somente com os professores ealunos, mas também com os pais, mostrando que a educação inclusiva se faz necessário”, fala a orientadora Jovita. Na escola Ayrton Senna, três mães de alunos portadores de necessidades especiais, ativas na vida escolar dos filhos, provam que o trabalho tende ao sucesso quando realizado em conjunto, dentro e fora da escola. Christiane Christine Campana Peres é mãe de Julia Christine Campana Peres, de onze anos, portadora de dificuldade intelectual moderada. Ela recorda as dificuldades sofridas pela filha ao longo da vida escolar: “Ela sempre teve dificuldade para aprender, não memorizava e não conseguia fazer as coisas. Sua
autoestima também era baixa e todas essas características a excluíam do círculo social na escola” relata Christiane. Apesar de pessoas julgarem as dificuldades de Julia na escola como falta de interesse, a mãe batalhou e pediu ajuda para obter o laudo médico da filha, tendo sucesso em 2008. Christiane trabalha na área da saúde e fala que já observou muitos casos de crianças que passam pelas mesmas dificuldades de Julia, mas não têm reconhecimento da deficiência por parte da família. “É comum que familiares justifiquem essas dificuldades como preguiça ou desinteresse, culpando a criança. A aceitação, para alguns, pode ser um processo difícil, mas é fundamental para o avanço e bem do seu filho”, diz. A chegada do laudo contendo a deficiência intelectual de Julia foi, para Christiane, como uma porta aberta. “Ao invés de sentir medo do diagnóstico de minha filha, para mim, o laudo serviu de orientação de qual caminho seguir”, fala. O mesmo aconteceu na escola, já que com a deficiência intelectual comprovada, os professores em sala de aula e a professora do AEE souberam ajuda-la, sempre respeitando suas características. Jaqueline da Silva é mãe do aluno Guilherme Henrique, de quinze anos, também portador de deficiência intelectual. Ela recorda que, desde cedo, seu filho apresentava problemas de socialização.
Na sala de Atendimento Educacional Especializado, a professora do AEE Roseli, a professora auxiliar Bruna, a mãe Noeli e seu filho Gustavo.
“Ele se isolava, não conversava e passou os quatro primeiros anos sem desenvolver vocabulário”, relata a mãe. Durante a vida escolar de seu filho, Jaqueline passou por muitas dificuldades, por conta da despreparação das escolas. Para melhor entender o caso de Guilherme, a mãe chegou até a cursar Pedagogia e realizou um TCC sobre Educação Inclusiva. Para obter o laudo de Guilherme, ela conta que teve de trabalhar muito. “Ele foi diagnosticado por diversos profissionais ao mesmo tempo e, enfim, em 2010 conseguimos o laudo médico queatestou que ele é portador de dificuldade intelectual”, conta. Desde então, a família e a equipe da escola Ayrton Senna, juntas, têm encontrado caminhos para que Guilherme se desenvolva cada vez mais. “Todas as descobertas e informações levantadas
foram pertinentes para que todos nós nos incluíssemos no mundo dele”, diz Jaqueline. Por fim, a história de Gustavo Henrique Riboski Silva, de oito anos, portador de deficiências múltiplas, também daria um livro de superação. Quando bebê, Gustavo passou por sérias lesões e complicações. “Não sabíamos se ele resistiria, se conseguiria falar e andar”, conta a avó e mãe “do coração” NoeliSouza da Silva. A partir de então, a criança frequentou diversos profissionais, como neurologista, ortopedista, fisioterapeuta, fonoaudiólogo,estimulador visual e psicólogo. “Cada dia passou a ter um motivo para comemorarmos”, fala a mãe. A cada palavra, passo ou conquista de Gustavo, a família se reunia para comemorar e aplaudi-lo. Segundo a mãe “do coração”, Gustavo evoluiu muito com o au-
xílio dos profissionais médicos, mas também dos educadores. “Vejo que na escola Ayrton Senna, todos os profissionais e, inclusive, alunos estão preparados e bem orientados para lidar com ele. É perceptível o quanto Gustavo gosta da escola e sente vontade de estudar aqui”, conta Noeli. Desde a chegada do laudo médico e o trabalho realizado entre profissionais da área da saúde, equipe escolar da escola Ayrton Senna, pais e alunos, essas crianças, assim como outras crianças portadoras de necessidades especiais, têm evoluído a cada dia. Eles contam que a aluna Julia, hoje, está alfabetizada, é carinhosa, tem boa relação com os colegas, sente vontade de ir para a escola e se envolve em diversas atividades, como capoeira e tênis de mesa. Contam que o aluno Guilherme também está alfabetizado, é afetivo, tem autonomia, é muito inteligente, tem boa socialização no espaço escolar e que ele sonha em ser advogado. Também falam que o aluno Gustavo desenvolveu sua fala, formando frases, relatando ocorridos, cantando, inclusive, em inglês, e ganhou autonomia, participa de atividades esportivas, como o futebol, e de todas as apresentações escolares. Visto que o município de Itapoá ainda não possui todos os profissionais especializados para trabalhar com crianças portadoras de necessidades especiais, muitas são encaminhadas para a
cidade de Joinville-SC, onde a lista de espera é grande e dificulta um diagnóstico rápido. Através do projeto “Incluindo-se para incluir”, de Jovita e Roseli, conseguiram parcerias com clínicas de valores acessíveis, facilitando aos pais a consulta e exames necessários. Todos os alunos que foram encaminhados pela escola adquiriram laudo médico. Desta maneira, foi possível direcionar as práticas pedagógicas e adaptações de acordo com a possibilidade de cada um. E, hoje, além de obterem o laudo médico, esses alunos estão alfabetizados. “Não temos fórmulas prontas, mas é possível modificar nossas práticas, reavaliar nossos métodos e conceitos sobre como ensinar e como aprender com esses alunos”, fala a orientadora Jovita. As transformações que a lei da inclusão exige são possíveis apenas quando o trabalho acontece com envolvimento de todos, acolhendo esses alunos portadores de necessidades especiais, sem preconceito, para que na interação com os professores e colegas, esse aluno construa seu conhecimento, participe ativamente das tarefas dentro de suas capacidades e diferenças e se desenvolva como cidadão. Dessa forma, a equipe gestora da escola Ayrton Senna confia: “O futuro dessas crianças, assim como o futuro da educação inclusiva, é repleto de desafios, mas promete muitas descobertas e conquistas”.
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Dia da Consciência Negra - 2o de novembro
Consciência negra, orgulho e respeito
Ana Beatriz
O Dia da Consciência Negra, data que reforça a luta contra a discriminação e o preconceito racial, é comemorado no Brasil no dia 20 de novembro. Para debater este tema, conversamos com duas pessoas negras, do município de Itapoá-SC. O primeiro, um haitiano que deixou seu país quando o mesmo foi devastado por um terremoto. A segunda, uma professora do município, e mãe de dois filhos. Eles contam suas diferentes histórias de vida e apresentam seus pontos de vista acerca do preconceito racial. Tudo isso para nos mostrar que, assim como na aparência, em essência, ninguém é igual a ninguém. E que conhecer, respeitar e aprender a conviver com as diferenças, seja de cor, gênero, opção sexual, credo ou classe, é primordial para que vivamos em um mundo com mais amor.
Um haitiano no Brasil
Nahum Pierre Louis, de 27 anos, nasceu no Haiti. Lá, ele e seus cinco irmãos receberam uma educação bastante rígida de seus pais, que sempre foram muito religiosos. Após concluir os estudos na escola, Nahum iniciou dois cursos superiores ao mesmo tempo, de Direito e de Engenharia Civil, tendo concluído o primeiro e deixado o curso de Engenharia um ano antes da formatura, pois ele viria a se tornar pai. Filho de pastor, Nahum deixou a casa de seus pais e teve de largar os estudos para se dedicar a família que estaria a construir. Desde então, ele recorda que passou a morar com a esposa e, em seguida, o nascimento da filha mudou a sua vida. “Estava feliz e realizado com minha família”, ele conta. No entanto, em 2010, o Haiti foi devastado por um terremoto, um marco na vida de Nahum, que perdeu sua esposa e a filha, de apenas oito meses, presas nas ferragens em meio à tragédia. “Perdi tudo o que tinha de mais precioso em minha vida, e acabei surtando”, conta Nahum. Após este episódio, ele recorda que passou a se envolver com drogas, sendo, inclusive, internado em um manicômio durante meses. Para Nahum, esses foram tempos difíceis, em que ele acreditava ter perdido as forças.
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Nahum Pierre Louis deixou seu país de origem, o Haiti, e hoje vive em Itapoá-SC, no Brasil.
Mas, felizmente, se recuperou e decidiu recomeçar sua vida. “Não desejei voltar para a casa da minha família, pois já havia experimentado a liberdade, e também não quis permanecer em meu país, para evitar reviver aquele trauma. Então, passei a procurar um lugar onde eu realmente me sentisse em casa”, conta Nahum. Ele, que fala cinco idiomas, deixou sua mãe e seus irmãos no Haiti, e passou a migrar de país em país, em busca
de uma nova oportunidade de vida. Nessa busca, Nahum morou na Espanha, depois na Itália, África do Sul, Argentina, voltou para o Haiti, até que chegou ao Brasil. Apesar de já ter aprendido a língua portuguesa de Portugal em sua escola, ele fala que, no início, teve dificuldade de se comunicar no Brasil, por conta das gírias e sotaques. No país, Nahum morou em São Paulo, em Itajaí, Joinville e, por fim, em
mem bom”, diz Nahum, que se considera uma pessoa calma e que evita confusões. Mesmo com toda a bagagem de vida, ele ainda faz planos para o futuro. “Quero estudar mais e aprender coisas novas”, fala. Nahum também tem o sonho de ir para a África do Sul e se engajar em um projeto social, a fim de ajudar outras pessoas. “Aprendi que minha vida depende inteiramente de mim. Minhas angústias mudaram minha visão para o mundo e minha relação com as pessoas”.
A importância da autoestima
A professora Luiza Montalvão de Oliveira acredita na importância da autoestima
Itapoá, onde reside há quatro anos. “Gostei de Itapoá porque tem praia, a cidade é pequena e, porque, aqui, consegui fazer algumas amizades”, diz. De acordo com Nahum, algumas diferenças foram sentidas de uma cultura para outra. De família evangélica, ele conta que viu em seu novo país uma cultura muito mais livre, pois, no Haiti, ele não tinha o costume de usar bermudas, por exemplo. Mas, para Nahum, isso ainda é algo estranho. Em oposição à liberdade adquirida, no Brasil, ele também passou por algumas dificuldades, decorrentes da cor de sua pele e origem. Na praia, no trabalho, em uma festa ou na faculdade: Em qualquer uma dessas ocasiões, Nahum sofreu preconceito racial. “Já fui ofendido, desmerecido e até perdi uma oportunidade de estudo por ser negro”, fala. Durante certo tempo, ele conta que, após o banho, ficava em frente ao espelho, observando a
sua cor: “Eu olhava e me perguntava: ‘Será que eu sou tão ‘preto’ assim como as pessoas dizem? O que eu tenho de errado?’”. Para lidar com essas adversidades, Nahum sempre relembra as palavras que sua mãe costuma lhe dizer antes de desligar o telefone: “Vai com paz, respeito e determinação”. Assim, todos estes episódios de discriminação, são excluídos de sua memória. Apesar das dificuldades enfrentadas no novo país, Nahum se sente feliz aqui. “Não vou deixar um lugar que aprendi a gostar por causa de uma minoria de pessoas. Ainda acredito que existem mais pessoas boas do que ruins”, afirma. Em Itapoá, ele trabalha como segurança de festas aos finais de semana, e canta na igreja esporadicamente. E, em cada um de seus atos, ele recorda dos ensinamentos de seu pai, hoje, já falecido. “Compreendo que todas as coisas que meu pai fez e falou foi para que eu me tornasse um ho-
Também de Itapoá, Luiza Montalvão de Oliveira é professora, filha de pai mineiro e mãe baiana. Apesar de ser negra, ela conta que seu tom de pele se parece mais com o tom de pele de seu pai, um pouco mais claro, e que já o seu irmão, teve o tom de pele de sua mãe, um pouco mais escuro. Ao longo da vida, Luiza recorda de alguns episódios em que seu irmão sofreu preconceito por conta da cor de sua pele. “Felizmente, recebemos uma boa educação e sempre entendemos o nosso valor, que não merecemos ser destratados por ninguém ou por qualquer motivo, especialmente por conta da cor da pele”, fala. Diferente do irmão, ela não recorda ter vivido grandes episódios de preconceito. “Já ouvi uma coisa ou outra, mas nunca deixei que aquilo fosse maior do que eu mesma”, diz Luiza. Esse mérito ela oferece à sua mãe, uma mulher muito vaidosa, que cuidava com muito carinho dos cabelos crespos e das vestimentas da filha. “Minha educação me fez uma pessoa bem-resolvida em vários aspectos, inclusive, aparente-
mente, com minha cor. Acredito que as pessoas enxerguem isso em mim e, talvez, por isso, nunca tenha sobrado espaço para ofensas ou algo do tipo”, conta. Luiza é mãe de dois meninos: Mateus, de nove anos de idade, e Lucas, de dezesseis anos. Exatamente como sua mãe fez com ela, Luiza ensina aos filhos. “Desde pequenos, trabalho sua autoestima. Digo a eles o quanto são bonitos e especiais, e que a nossa cor deve ser motivo de orgulho, não de vergonha”, fala. Lucas e Mateus adoram o cabelo e a cor que têm, e falam que, mesmo que tivessem a opção de trocar, nasceriam os mesmos. Hoje, o cabelo de Luiza é liso, por conta da praticidade, mas sua pele permanece negra. Da infância até a vida adulta, ela conta que só tem evoluído. “Se antes já me sentia em paz comigo mesma, hoje me sinto melhor ainda”, diz. Vaidosa e fã assumida de maquiagens, Luiza afirma que se redescobriu na fase adulta, onde é possível se sentir bonita e amada todos os dias. “Infelizmente, ainda existem pessoas más e racistas no mundo. Acredito que essa questão venha melhorando, uma vez que este assunto está em alta. O que nós, pais, adultos ou educadores podemos fazer, é mudar o olhar de nossos filhos e de nossas crianças para o preconceito. Nenhuma pessoa nasce menosprezando a outra pela cor de sua pele, isso lhes é ensinado, por isso acredito que as boas sementes devem ser plantadas logo na infância”, diz Luiza. Para ela, o ensinamento de autoestima e amor próprio passado pela mãe não lhe fizeram melhor ou pior que alguém, mas sim uma pessoa igual a todos, que oferece respeito e o deseja, também.
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Empreendedor do mês | pizzaria bom sol
Pizza, um produto que une praticidade e sabor
Ana Beatriz
A pizza é um produto que ganhou espaço na preferência do consumidor, sendo cada vez mais consumida no país. Esta preferência fez com que se expandissem os negócios de pizzaria por todo o Brasil. A Pizzaria Bom Sol, há dez anos no município de Itapoá-SC, se tornou referência em qualidade de produto e atendimento. Com vinte anos de experiência na área comercial, o casal Rita Sade e Edson Sade conta a trajetória de um negócio em família.
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O casal Rita e Edson Sade, com a ‘‘família’’ Bom Sol.
A
história começou em Curitiba-PR, onde, em 1996, Rita e Edson abriram um espaço para servir bufê. “Ao lado, tínhamos uma garagem desocupada. Para aproveitar o espaço, montamos também um disk pizza, o que era uma febre na cidade de Curitiba naquela época”, explica Edson. O casal manteve o bufê e o disk pizza durante um ano, até que decidiu se dedicar somente
ao disk pizza, devido ao sucesso do negócio. Em pouco tempo, a Pizzaria Bom Sol cresceu, conquistou inúmeros clientes e ganhou títulos, sendo eleita por três anos como uma das melhores pizzarias de Curitiba pela Revista Veja. O casal, que já era turista em Itapoá, se mudou para o município em 2006, encerrando a história da Pizzaria Bom Sol em Curitiba e iniciando um novo ciclo na cidade litorânea. “Abrir o
nosso negócio na praia foi uma oportunidade de tranquilidade e qualidade de vida”, fala Rita. Nos primeiros anos da pizzaria em Itapoá, o casal recorda que a pizza artesanal ainda era uma novidade muito recente no município, mas, aos poucos, conquistaram seu público. “Mesmo sendo novos na cidade, nossas pizzas ganharam reconhecimento através da indicação dos clientes”, recorda Edson. Para o casal, o marketing de “boca a boca” foi a melhor das propagandas. Segundo os proprietários, o principal diferencial da Pizzaria Bom Sol é a qualidade dos produtos utilizados nas pizzas. “Entendemos que utilizar o melhor produto – e não o mais acessível – é fundamental para resultar na melhor pizza”, explica Rita. Além da qualidade, eles destacam outros fatores que conquistaram clientes: o forno à lenha, o bom atendimento e o trabalho feito com amor, uma vez que toda a família está inserida no negócio. De acordo com a demanda e o crescimento do município de Itapoá, a Pizzaria Bom Sol passou por três diferentes pontos, para atender um número cada vez maior de clientes. “E pretendemos crescer cada vez mais, sempre atrelados ao desenvolvimento da cidade”, fala Edson. Atualmente, a pizzaria está ins-
talada na Avenida Ana Maria Rodrigues de Freitas, próxima à orla da praia. Os oitenta sabores de pizzas podem ser solicitados no próprio estabelecimento ou através do disk entrega. Para o futuro, Rita e Edson planejam abrir uma filial da pizzaria que funcione apenas na alta temporada, uma vez que esta é a época de maior movimento – tudo isso, é claro, mantendo a qualidade dos produtos e serviços. Eles também desejam transmitir todos os conhecimentos destes vinte anos de experiência com o comércio para os filhos Bianca Sade e Leonardo Sade, a fim de que eles assumam o negócio da família. “A rotina da vida comercial é exaustiva, mas nossos pais sempre foram batalhadores. Através de seus exemplos, acreditamos em um trabalho honesto e feito com amor”, diz Bianca. O sucesso da Pizzaria Bom Sol é notado pelos clientes assíduos, como moradores de Itapoá e turistas que acompanham o trabalho de Edson e Rita desde o início, em Curitiba. “Muitos clientes que nos viram começando em Curitiba, hoje, passam as férias em Itapoá e continuam saboreando nossas pizzas”, conta Rita. Para o casal, a pizza é um produto que é a cara da família, pois tem o poder de unir as pessoas e é ideal para quem busca praticidade e sabor.
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CASA DO SURF
Esporte, educação e cidadania
Ana Beatriz
“Um espaço de convivência e socialização, para compreender o surf como um meio educativo, de saúde e formação cidadã, cultivando valores como respeito, cuidado com as pessoas e o meio ambiente” – assim, os amigos e professores Israel Montesuma Oliveira e Jean Paolo Braga da Rocha descrevem a “Casa do Surf”, de Itapoá-SC. O projeto é voltado para a promoção da cultura do surf, por meio da prestação de serviços acessíveis a todos os interessados em tudo que envolve o mundo deste esporte.
D
esde muito cedo, os dois amigos tiveram experiências de vida marcadas pelo surf. No ano de 2014, Jean passou a dar aulas de surf para cerca de duzentas crianças na Ampliação de Jornada Escolar (AJE), um projeto gratuito para as crianças da
Os professores Israel Montesuma Oliveira e Jean Paolo Braga da Rocha, da “Casa do Surf”, de Itapoá-SC.
rede municipal, mantido pela Prefeitura Municipal de Itapoá. Contudo, o mesmo foi encerrado em novembro de 2015, para corte de gastos. No início de 2016, observando a grande adesão das crianças e o gosto da cidade pelo surf, Israel e Jean se uniram para projetar a “Casa do Surf Itapoá” e dar início ao empreendimento, uma vez que ambos atuam na área de Educação Física e já realizam inúmeros cursos neste ramo. Hoje, na Casa do Surf são prestados serviços de aulas em grupo e ou individuais, treinamento funcional para o surf,
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Jean e seus alunos em uma das aulas de surf.
eventos esportivos, eventos sociais, fotos, vídeos e surf trips (viagens de surf). Os serviços oferecidos são cobrados e se dividem da seguinte forma: Nas terças e quintas-feiras, pela manhã e pela tarde, acontecem as aulas para as turmas infantis; nas segundas, quartas e sextas-feiras acontecem as aulas individuais, em grupo e de treinamento funcional; e, aos finais de semana e feriados, são realizados eventos, participações em campeonatos, surf trips e aulas agendadas. De acordo com Jean e Israel, o projeto é voltado para todas as idades e gêneros. “Trabalhamos
com todos os públicos, cada um com suas especificidades e necessidades”, fala o professor Israel. Além das turmas com as crianças e adolescentes de ambos os gêneros, a dupla tem um projeto chamado “Surf Para Elas”, com foco no público feminino e, atualmente, também possuem alunos adultos e de meia idade. “O surf é para todos, pois compreendemos que existem muitos fatores que envolvem esse esporte, e diversas variações da modalidade como o body surf, bodyboard, stand up paddle, skinboard, entre outros, além de uma gama de outras atividades acerca do mundo
Uma das missões da Casa do Surf é compreender o esporte como formador de caráter.
do surf como natação, slackline, skate, musica, fotografia, entre outros”, explica o professor Jean. As aulas funcionam em primeiro momento com a visita à Casa do Surf e o preenchimento da ficha de matrícula e os termos complementares. Depois, os professores partem para a teoria, com orientações básicas sobre a geografia do local, como noções dos tipos de praias, ventos, marés, ondulações, entre outros. Eles também transmitem orientações básicas de segurança e a ambientação no meio aquático. Já as aulas práticas, eles contam que consistem em dinâmicas na areia e com a prática dentro da água, abordando diversos aspectos técnicos como remada, drop, respiração, noções de natação e segurança aquática, entre outros. Além das aulas de surf, Jean e Israel oferecem treinamento funcional realizado tanto na praia,
quanto nas instalações da Casa do Surf, com diversos exercícios que contribuem para o desenvolvimento e aprendizagem dos alunos. Para aprimoramento técnico dos mesmos, eles se utilizam de vídeos e fotos. Para os eventos organizados, os amigos realizam parcerias com diversas entidades para que possam dispor de melhor estrutura. “Em nosso trabalho, fator principal é a segurança, por isso, contamos com uma equipe que atua de acordo com a dinâmica das aulas e dos eventos, com instrutores, profissionais de educação física e guarda-vidas. Isso, dependendo sempre da atividade realizada”, explica Jean. Na Casa do Surf, os professores também ensinam aos alunos algumas noções básicas de natação, mobilidade aquática, salvamento e resgate. Segundo os professores, são inúmeros os motivos para começar a surfar, já que este esporte transforma os hábitos de vida de seus praticantes e seu olhar para a vida, a saúde e o meio ambiente. “O surf brasileiro, em especial, passa por um momento de maior aceitação e crescimento entre seus praticantes. Os títulos mundiais dos surfistas brasileiros Gabriel Medina e Adriano de Souza, o Mineirinho, fizeram com que o surf crescesse no país, e contribuíram para sua inserção como esporte olímpico. Contudo, a crise financeira e política do
país influenciam diretamente no avanço do esporte, pois, infelizmente, no Brasil, o primeiro alvo de corte é o esporte e a cultura”, falam os professores. Como exemplo, se tem o fim do projeto Ampliação de Jornada Escolar, que atendia, em média, cerca de 800 crianças e adolescentes – muitos deles, hoje, vulneráveis e sem atividade no período de contra turno escolar. No entanto, Jean e Israel acreditam em uma máxima que é “nas dificuldades que se encontram as oportunidades”, para que possam continuar prestando serviços a valores acessíveis e, até mesmo, conseguir parcerias e patrocínios para ampliar o atendimento da população e realizar o sonho de um projeto social. Neste esporte, os amigos dão a dica: “Quem treina e se dedica, sempre evolui, seja no viés esportivo e competitivo, ou como forma de lazer”. Entre os alunos que passaram pela casa, eles destacam Bruna Pedroso, sua primeira aluna neste projeto. “Ela começou com as aulas de natação e, hoje, sabe nadar os quatro estilos. Também surfa em diversos picos, conhece várias cidades e praias”, conta Jean. Outros surfistas que se engajaram através da Casa do Surf e hoje fazem história são Arissa Nemoto, representando o município de Itapoá a nível nacional, e Marcos Paulo, que vem se destacando
em campeonatos locais. Para os professores, a evolução dessas crianças é o que traz motivação para dar continuidade ao projeto. Atualmente, a Casa do Surf Itapoá está desenvolvendo uma metodologia específica, buscando parcerias e apoios de universidades, associações e instituições que compartilhem do mesmo objetivo. E, para estes professores, amigos e surfistas, os planos são muitos: “Promover ainda mais eventos relacionados ao surf; ampliar nossa estrutura física; firmar parcerias com outros grupos de esportistas do município, como skatistas e capoeiristas; firmar parcerias com cidades vizinhas, para que possamos desenvolver o turismo e ampliar as opções de lazer de nosso município; expandir o projeto para a terceira idade e o surf adaptado; e continuar atendendo com qualidade todos os nossos alunos”. Acreditando que cada aula e cada aluno lhes oferecem um aprendizado mútuo, Jean e Israel, da Casa do Surf Itapoá, convidam os apreciadores do surf a conhecerem seu espaço e compartilharem de toda a energia positiva proporcionada pelo esporte. Deseja conhecer um pouco mais sobre o trabalho de Jean e Israel, na Casa do Surf? Acesse a página “Casa do Surf Itapoá”, no Facebook.
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Viajando pelo Rio Reno -
Alemanha!
Às margens do Rio Reno
Quer conhecer uma infinidade de castelos das mais variadas épocas da história germânica, viaje pelo Rio Reno de barco, de trem ou de carro. O Reno apresenta seu trecho mais bonito entre a cidade de Rüdesheim e Koblenz, região além de bonita, romântica e muito nostálgica. Uma das primeiras cidades dessa Rota dos Castelos é Königswinter, encantadora parecendo surgir dos contos de fadas.Ruelas, casinhas enxaimel e um maravilhoso castelo no alto das montanhas Drachenfelds fazem
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parte do cenário dessa cidade,é o castelo de Drachenburg, castelo do dragão, como é chamado. Nessa cidade existem inúmeras pousadas muito aconchegantes parecendo mesmo que você está na Idade Média,clima envolvente e paisagens fantásticas.
Interessante é viajar de carro pelas cidades da Rota dos Castelos para visitar alguns castelos, participar de eventos nessas cidades como festa das flores, festa da cerveja, visitar igrejinhas, mosteiros e vinícolas da região. Procure nas informações turísticas
Tipo de embarcação ao longo o Rio Reno
das cidades sobre as festividades da época e participe das mais variadas atividades. Alugar um carro é bastante acertado pela flexibilidade com horários e pode-se parar onde se quer e assim conhecemos um maior número de cidades, todas muito próximas uma das outras.Mesmo optando pelo carro como meio de transporte principal, não deixe de fazer um passeio de barco, mesmo que seja de uma hora. Agora, o verdadeiro deslumbre está na viagem de barco pelo Rio Reno entre Koblenz e a confluência do Rio Mosel, você vai admirando os mais diversos castelos e suas cidadezinhas à beira do rio. O trecho mais bonito fica entre as cidades de St Goars - Hausen e Rüdesheim, parando em Bacharach para se ter uma real imersão na época medieval, casinhas históricas, burgos e ruas estreitas. Na cidade de St Goar, cidade de origem celta,famosa pelos relógios “cuco” visitei um magnífico castelo, o Castelo de Rheinfelds de onde se tem bela vista para o Rio Reno, lem-
Confluência dos rios Reno e Mosel
Cidade de St Goars
brando que quase todos os castelos viraram museus com excelente espaço para um lanche saboreando uma “bockwurst” ou “ bratwurst” ( famosas linguiças alemãs) acompanhado de cervela alemã e batata frita! Não deixe de visitar Loreley, um rochedo de 120 metros, entre as cidades de Oberwesel e St Goar. Fica localizada na parte mais
Castelo de Drachenburg
estreita do Rio Reno, se tornou famosa devido aos diversos acidentes de barco por causa da forte correnteza e por isso, existem muitas lendas em torno do rochedo e de uma sereia loira e sensual que ficava penteando os cabelos e entoando uma triste canção e que teria afogado os viajantes dessa região por muitos séculos. Loreley está presente em canções, poemas e histórias infantis. Essa lenda ficou tão famosa que até foi construída uma estátua sobre o rochedo. Portanto, o Rio Reno, na Alemanha encanta os viajantes ao longo do rio enquanto saboreiam uma taça de champanhe da região e apreciam castelos medievais às suas margens.Além de encantar pelas belezas é um rio de grande movimento comercial, centenas de barcos trafegam por ele levando mercadorias de todo tipo, atravessando vários países.A verdade é que qualquer trecho desse rio torna-se especial pela limpeza,pela ordem,re pelas cidades em si, que parecem ter saído de um conto de fadas.
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Itapoá e sua história (parte X)
História não é o que passou, mas o que ficou do que passou.
V
IVER a história é continuamente relembrá-la e assim pensando vamos consolidando-a. Para tanto a revista Giropop, como instrumento da cultura, tem implementado ações que trazem a tona, continuamente, fatos relevantes ligados ao Município de Itapoá e região. No firme propósito de dissecar por partes o livro “Memórias históricas de Itapoá e Garuva”, em edições passadas, focamos: os hospitaleiros índios carijós, integrantes da grande nação tupi-guarani. No longíncuo 1504 a bem sucedida expedição do francês Goneville, levando em seu retorno o indiozinho Iça-Mirim, ou Formiga Pequena, quiçá o primeiro turista brasileiro a viajar para a Europa, e lá permanecendo. A inusitada comitiva de Alvar Nunes Cabeza de Vaca no ano de 1542 integrada por 400 homens e os primeiros 26 cavalos trazidos para a América do Sul, com desembarque na margem da Baía da Babitonga e na sequência por via terrestre até Assunción, no Paraguai. Escravidão negra, triste marca de nossa história, suas contribuições e refúgios na área territorial de Itapoá. Revolucionária experiência socialista de 1841, que mereceu a atenção do mundo todo, levada a cabo nos espaços físicos de São Francisco do Sul, Garuva e Itapoá, tendo à frente o médico homeopata francês Benoit Jules Mure. Na sequência, ao atingir o ano de 1919, voltaram os franceses, agora com fins exploratórios e comerciais sob o comando do casal empreendedor Edmond Paix e madame Paix. Em todos os artigos publicados, embora a ocupação não tenha acontecido em definitivo, resta claro o invulgar interesse pelo potencial manancial de riquezas naturais existentes nessa atrativa região. Após tantos séculos bravamente resguardada pela natureza com tentativas de empreendimentos que não alteraram a fisionomia da região onde se encontrava inserida a rica Itapoá, pois não havia aces-
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sos terrestres que garantissem um trânsito normal de pessoas e produtos, novos fatos registrados a partir de 1955 a colocam novamente em evidência. Chega-se então a uma inevitável interrogação: Afinal, com tantas pessoas na vizinha Joinville, maior cidade de Santa Catarina, impulsionada por tantos e bem sucedidos empreendimentos, por que não houve nenhuma iniciativa concreta voltada para o desbravamento de Itapoá? Talvez a frase de José Américo de Almeida traga alguma luz, quando disse: Ver bem não é ver tudo, é ver o que os outros não vêem. Ou ainda, se nos apoiarmos no sobrenatural, podemos imaginar que o momento histórico reservou para a pessoa ou pessoas aquela tarefa. Então...Visão ou pre-destinação? A verdade itapoaense tem início num cidadão chamado Serafim Paese que ao ser instado pelo empresário Alzemiro Nogara para divulgar e transacionar áreas no estado do Mato Grosso, num primeiro momento hesitou, todavia seu filho Ernesto, observando a oportunidade que se abria incentivou-o à aceitar. Tropeiro, transportador de banha em carroções, comerciante de frutas, pela via férrea, desde a divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina até União da Vitória no Paraná, teve o seu novo negócio facilitado pela amizada forjada ao longo de anos. Além do fator conhecimento, o estado do Mato Grosso representava um novo Eldorado onde a perspectiva de enriquecimento se sobrepunha a tudo e a todos, principalmente porque o baixo preço das ricas terras onde predominavam madeiras de alta qualidade e larga aceitação no mercado ajudava ainda mais a alimentar o imaginário das pessoas hávidas por ganhos rápidos. O êxito de vendas e as contínuas notícias de sucesso dos proprietários que para lá se deslocaram despertou no primogênito Dório Paese o veio negocial no campo imo-
biliário. Ao residir em Concórdia observa que os empregados da gigante Sadia encontravam dificuldades para posicionarem-se na cidade pela falta de imóveis, Essa rela demanda reprimida o leva, em parceria com o Senhor Martin Behring, a lançar o loteamento Vista Alegre. Rapidamente os imóveis ofertados esgotam-se e o ânimo para novos investimentos no setor se multiplicaram. Decorria o ano de 1955 quando se iniciam as movimentações eleitorais para o governo do estado de Santa Catarina, bem como para deputado. Apresenta-se para o pleito, dentre os candidatos, Jorge Lacerda para governador e Geraldo Mariano Gunther para deputado, os quais viriam a se tornar figuras proeminentes no desbravamento de Itapoá. De pronto o candidato ao governo tendo a apoiá-lo o advogado Geraldo Gunther que tinha sua base eleitoral em Concórdia e região, conquista a simpatia do Senhor Serafim Paese e filhos. O embate entre os candidatos foi dos mais acolorados e de ambos os lados, sempre que alguém anunciava vitória prévia, imediatamente vinha a contra-argumentação mineira:”Eleição e mineração, só depois da apuração”. O resultado do acirrado pleito aponta o Dr. Jorge Lacerdo para o cargo maior e o Dr. Geraldo Mariano Gunther para deputado estadual. Voltamos no próximo número dando continuidade a epopéia itapoaense. Abrimos parenteses para ressaltar que a mudança histórica proporcionada pelo avanço da tecnologia em todo o mundo faz-se notar com intensidade, também em Itapoá onde grupos de Whats’App bem administrados, proporcionam um ótimo serviço de utilidade pública com reflexos em toda a comunidade. Obs.: O livro Memórias Históricas de Itapoá e garuva pode ser encontrado na livraria Oceano.