• Fabricados com CP-V ARI resistente a sulfatos, cuidados dimensionais para facilitar o assentamento e laudos de conformidade
Pisos de Concreto — ABNT NBR 9781
• Modelos Unistein, Holandês e Duplo T
• 6 / 8 / 10 cm
• 35 ou 50 MPa
• Natural ou colorido
• Comum ou Drenante (ABNT NBR 16416)
• Opção Dupla Capa: melhor acabamento, maior resistência à abrasão e baixa absorção
Caixas Boca de Lobo
• Boca de lobo / Captação pluvial
• Modelos: 80×80×100 cm, 80×40×100 cm e trapezoidal (ideal para vias íngremes e otimização de custo)
• Entrega ágil em grande volume + periféricos (meio-fio vazado, grelhas e tampas) com padrão Construsinos.
Infraestrutura para municípios, com Qualidade Comprovada.
Desde 1987, a Construsinos Indústria e Artefatos de Concreto Armado LTDA oferece inovação e tecnologia no seu trabalho
Com alto porte e grande capacidade produtiva, entregamos soluções em saneamento com controle de qualidade rigoroso, frota própria e entrega programada Qualidade superior às exigidas nas normas técnicas de cada linha, com comprovação por laudos e rastreabilidade
Aduelas ABNT NBR 15396
• Dimensões a partir de 1,00×1,00m
• Espessuras de 15 a 50 cm
• Monolíticas ou bi-partidas
• Canais abertos/fechados
• Fornecimento de projeto estrutural e ART, encaixe preciso e execução orientada à condição específica da obra
PV ’s Pluviais (Poços de Visita)
• Poços de Visita Pluviais (modulares)
• Diversas seções internas, alturas variáveis, com ou sem fundo
• Fornecidos com furação conforme projeto, ajustes finos de altura e complementos (tampas/grelhas) com acabamento superior
Tampas e Grelhas
• Para calçadas e vias (alto/baixo tráfego), lisas ou com furações, com ou sem grelhas e com insertos (ferro fundido, inspeção etc.).
• Possibilidade de logotipos e inscrições em baixo-relevo (pluvial, esgoto, elétrica, comunicação )
O Concreto a Serviço do Saneamento
SUSI: a IA que zera faltas em consultas e redefine o cuidado na saúde do seu município.
No Brasil, 3 em cada 10 consultas médicas simplesmente não acontecem.
A SUSI nasceu para resolver esse problema e ir muito além das agendas, conectando pacientes, profissionais e gestores em um ecossistema de cuidado contínuo.
A SUSI é um agente de IA especialista em saúde, integrada ao sistema de gestão e WhatsApp, que:
Automatiza agendamentos
Essas faltas custam milhões em desperdício e colocam em risco diagnósticos e vidas.
envia lembretes automáticos de consultas e exames pelo WhatsApp. Lembra e confirma
dispara mensagens segmentadas sobre vacinação, prevenção e rastreamento, ampliando o alcance e a adesão. Ativa campanhas de saúde
Reduz faltas
Conecta pacientes e equipes em tempo real
Ela envia lembretes, confirmações, faz agendamentos e reagendamentos automáticos, sem precisar de aplicativo, além de entregar dados em um painel inteligente para gestores e clínicas.
Como a SUSI funciona?
se o paciente não puder comparecer, oferece novas datas, agenda e atualiza o sistema em tempo real. Reagenda sozinha
entrega relatórios sobre comparecimento, triagens e engajamento em campanhas. Gera dados inteligentes
entende texto, áudio e fotos clínicas, identificando possíveis riscos e priorizando atendimentos. Analisa mensagens e imagens
conecta-se a sistemas de clínicas, hospitais e prefeituras sem precisar mudar o que já funciona. Integra-se facilmente
Tudo isso sem aplicativos, sem fricção e sem perder pacientes.
Fontes: Fiocruz (2022); Conselho Federal de Medicina (2023); UFMG/Unifesp, Ciência & Saúde Coletiva (2021)
Qual é a importância da SUSI para a saúde?
Ela combate o absenteísmo, que representa milhões de reais em perdas anuais para hospitais e redes públicas.
Reduz as faltas drasticamente, automatizando lembretes, confirmações e reagendamentos.
Melhora o fluxo de atendimento e reduz o tempo ocioso das equipes.
Aumenta a adesão a exames, campanhas e programas de prevenção.
Gera dados estratégicos para decisões clínicas e operacionais mais precisas.
Eleva a experiência do paciente, tornando o contato mais ágil, humano e eficaz.
Mais comparecimentos
Mais diagnósticos
Mais vidas salvas
Resultados que escalam
+ Engajamento
lembretes automatizados e linguagem natural elevam a taxa de comparecimento.
– Custos
menos filas, menos ociosidade, mais eficiência operacional.
+ Inteligência
dados estruturados para decisões baseadas em evidências.
+ Prevenção
triagens automáticas de pele com precisão e velocidade.
Atualização na SUSI
Com sua nova atualização, a SUSI vai além: agora também realiza triagens automáticas de lesões de pele via imagem, permitindo diagnóstico precoce e encaminhamento imediato, tudo dentro do mesmo fluxo conversacional.
Grave Urgência
Triagem automática Agendamento
Leve
Pouco grave
INOVAÇÃO NÃO É OPCIONAL
Econômico
ANDREA SCHNEIDER PASCOAL
Secretária da Transparência, Desburocratização, Modernização e Desenvolvimento
e Secretária de Administração e Governo de Portão
Inovação não é mais diferencial competitivo na gestão pública. É requisito básico de governabilidade. Em um cenário de restrição orçamentária, aumento da cobrança social por transparência e necessidade de entregas mais rápidas, prefeitos que não investirem em formação digital estarão administrando com ferramentas do passado para resolver problemas do presente.
Ainda é comum associar inovação à aquisição de sistemas ou à criação de aplicativos. No entanto, digitalizar não significa transformar. Municípios podem investir em tecnologia e continuar operando com processos lentos, fragmentados e excessivamente burocráticos. O verdadeiro salto ocorre quando a liderança compreende que a inovação começa na cultura organizacional e na revisão profunda dos fluxos internos.
Formação digital, na prática, significa entender como dados orientam decisões, como a integração entre secretarias reduz retrabalho, como a automação qualifica o atendimento ao cidadão e como a Inteligência Artificial pode apoiar atividades técnicas sem substituir o papel humano. Trata-se de mudar a lógica da administração: sair do modelo reativo e avançar para uma gestão baseada em planejamento, evidências e eficiência operacional.
A Inteligência Artificial (IA) já está presente na rotina pública, ainda que muitas vezes de forma silenciosa. Pode ser utilizada na organização de grandes volumes de informação, na análise preliminar de documentos, na estruturação de relatórios, no apoio à elaboração de termos técnicos, na consolidação de indicadores e no aprimoramento da comunicação institucional. Quando utilizada com responsabilidade e critérios éticos, torna-se aliada estratégica do gestor.
A questão central não é se a administração municipal utilizará IA,
mas como fará isso. De forma improvisada, sem diretrizes e capacitação? Ou de maneira estruturada, alinhada às normas de governança digital e aos princípios da eficiência, legalidade e transparência? Ignorar a Inteligência Artificial hoje é optar conscientemente por menor eficiência amanhã.
A Lei nº 14.129/2021, que institui o Governo Digital no Brasil, reforça a diretriz de simplificação, integração de serviços e uso inteligente de tecnologias para ampliar a qualidade do atendimento ao cidadão. Isso exige preparo da liderança. Não basta delegar o tema à área de tecnologia da informação. O prefeito precisa compreender o impacto estratégico das decisões digitais, pois elas interferem diretamente na gestão de pessoas, na execução orçamentária, no controle interno e na relação com órgãos de fiscalização.
Municípios que avançam nessa agenda costumam iniciar por três movimentos estruturantes. Primeiro, mapeiam e redesenham processos antes de digitalizá-los, evitando automatizar ineficiências. Segundo, capacitam secretários e equipes para leitura e uso de dados na tomada de decisão. Terceiro, estabelecem cultura de melhoria contínua, na qual inovação deixa de ser evento pontual e passa a integrar o modelo permanente de gestão.
O maior erro de uma administração é adquirir tecnologia sem revisar a forma de trabalhar. O resultado costuma ser frustração, resistência interna e desperdício de recursos. Em contrapartida, quando a transformação é conduzida pela liderança, os efeitos são visíveis: redução de tempo de tramitação, maior integração entre áreas, ampliação da transparência ativa, melhoria na experiência do cidadão e uso mais racional do orçamento.
Prefeitos enfrentam demandas crescentes e recursos limitados. Nesse contexto, inovação não é luxo — é es-
tratégia de sustentabilidade administrativa. A população não deseja saber qual sistema foi contratado; deseja resolver seu problema com clareza, agilidade e previsibilidade.
“ A questão central não é se a administração
municipal utilizará IA, mas como fará isso. De forma improvisada, sem diretrizes e capacitação? Ou de maneira estruturada, alinhada às normas de governança digital e aos princípios da eficiência, legalidade e transparência? Ignorar a Inteligência Artificial hoje é optar conscientemente por menor eficiência amanhã
”Formação digital é investimento em capacidade de decisão. É preparar o gestor para compreender o potencial das ferramentas disponíveis e utilizá-las de forma ética, eficiente e orientada a resultados concretos.
Inovação não é opcional porque o cidadão já vive no digital. O setor privado já opera no digital. Os órgãos de controle já atuam no digital. A pergunta que resta é simples: a sua prefeitura também está preparada?
Liderar a transformação deixou de ser escolha estratégica. Tornou-se responsabilidade institucional.
Kiko Hoff
Prefeito de Portão
Prefeito Kiko, homenageado duas vezes com o Troféu Mérito Prefeitos
Em Evidência RS em 2024 e 2025. É o nome pela maior transformação
já ocorrida em sua cidade: se antes a cidade de Portão era considerada apenas um ponto de passagem, hoje é uma referência de comunidade desenvolvida, pujante e esperançosa, e a Revista
Em Evidência tem a honra de entrevistar.
13 CAPA
XIII Fórum Econômico Gaúcho
15 FLASH
Construindo caminhos para o desenvolvimento
39 CAPA
Paulo Sérgio Pinto entrevista: Eduardo Leite
45 CAPA
Paulo Sérgio Pinto entrevista: Luiz Carlos Bohn
51 CAPA
Paulo Sérgio Pinto entrevista: Sebastião Melo
57 CAPA
Paulo Sérgio Pinto entrevista: Fernando Lemos
Rua dos Andradas, 1234 - 2º andar
Centro Histórico, Porto Alegre/RS CEP 90020-008 revistaemevidencia.com.br
Anuncie: 51 98444-4616
63 CAPA
Paulo Sérgio Pinto entrevista: Leonardo Lamachia
70 EM EVIDÊNCIA NA TV
Lauren Momback MazzardoPresidente da JucisRS
78 OPINIÃO - Simone Stülp
Talentos no cerne da estratégia de desenvolvimento do RS
80 EM EVIDÊNCIA NA TV
Leonardo Carvalho - Prefeito de Glorinha
87 FEDERASUL
Todos juntos vencendo desafios do RS
90 OPINIÃO - Comandante Nádia
Segurança pública não pode ser compensação para as falhas do Estado
DIREÇÃO EXECUTIVA: Lucio Vaz
revistaemevidencia@gmail.com
SUPERVISÃO GERAL: Lucio Vaz
REDAÇÃO:
Patrícia Cruz
EDIÇÃO:
Patrícia Cruz e Lucio Vaz
92 OPINIÃO - Júlio Feiden
Habilitando futuros: como as tecnologias emergentes criam novas alternativas de negócio
94 OPINIÃO - Mateus Marques
Como o risco penal pode comprometer a estabilidade do mandato e a governabilidade
96 OPINIÃO - Ísis Varggas
A ilusão das enquetes digitais na política
98 OPINIÃO CAPA - Gilson Conzatti Parlamento se aprende
100 OPINIÃO - Alexandre Dionello
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DESIGN: Jonas Furlan
A função do Procurador Municipal
102 ÚLTIMA PALAVRA - Vera Armando Política não é opção: é responsabilidade
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XIII FÓRUM ECONÔMICO GAÚCHO
Promovido pela Rede Pampa, o evento integrou o Projeto RS Sustentável
Texto e foto: O Sul
Mais de 400 pessoas reuniram-se, entre lideranças políticas, empresariais e institucionais, para debater os principais desafios e oportunidades do crescimento econômico do Rio Grande do Sul.
A programação foi aberta pelo presidente da Rede Pampa, Alexandre Gadret, seguida do pronunciamento do governador Eduardo Leite, que destacou a importância do diálogo entre os setores público e privado para a construção de um ambiente mais competitivo, inovador e sustentável no Estado.
Além dos debates presenciais, o XIII Fórum Econômico Gaúcho contou com ampla cobertura multiplataforma, incluindo transmissão ao vivo na Rádio Liberdade e no YouTube da TV Pampa
Ao longo da tarde, o Fórum promoveu quatro painéis temáticos, organizados no formato de debate, sem apresentações formais, priorizando uma conversa direta, propositiva e orientada a soluções.
O primeiro painel, “Lideranças Empresariais e Sindicais – A importância da cadeia produtiva para o desenvolvi-
mento”, foi coordenado pelo deputado estadual Ernani Polo e contou com a participação de Claudio Bier, presidente do Sistema Fiergs; Luiz Carlos Bohn, presidente do Sistema Fecomércio-RS; e Delmar Albarello, presidente do SETCERGS. O debate destacou o papel das lideranças na consolidação das cadeias produtivas e no fortalecimento da competitividade regional.
Na sequência, o segundo painel abordou o tema “Financiando o Desenvolvimento – Visão dos financiadores e dos financiados”, sob coordenação do secretário de Comunicação do Estado, Caio Tomazeli. Participaram Fernando Lemos, presidente do Banrisul e Ranolfo Vieira Júnior, diretor de Operações do BRDE. Os painelistas discutiram mecanismos de crédito, investimentos e estratégias para impulsionar projetos produtivos e de inovação.
O terceiro painel, “Empreendedorismo na educação, cultura e bem-estar”, foi coordenado pelo secretário de Turismo do RS, Ronaldo Santini, e reuniu Carlos Melke, presidente da Ulbra; Dody Sirena, empresário; e César Saut, vice-presidente da Icatu Seguros e presidente da Rio Grande Seguros. O debate evidenciou como iniciativas nessas áreas podem estimular o empreendedorismo, a criatividade e o desenvolvimento social.
O quarto e último painel, “Mundo do Agronegócio – Cooperativismo, Associativismo e Logística”, foi coordenado por Fernando Postal, diretor de Desenvolvimento do Banrisul. Participaram Nei César Manica, presidente da Cotrijal e da Expodireto Cotrijal; Ricardo Santin, presidente da ABPA; e Rodrigo Sousa Costa, presidente da Federasul. Os debatedores ressaltaram o papel estratégico do agronegócio como vetor de desenvolvimento
sustentável, inovação tecnológica e integração com as cadeias produtivas.
Ao longo da tarde, o Fórum promoveu quatro painéis temáticos, organizados no formato de debate, sem apresentações formais, priorizando uma conversa direta, propositiva e orientada a soluções.
O encerramento foi conduzido pelo vice-governador Gabriel Souza, que reforçou a importância da união entre os diferentes setores para a construção de um Rio Grande do Sul mais resiliente e preparado para os desafios futuros.
Além dos debates presenciais, o XIII Fórum Econômico Gaúcho contou com ampla cobertura multiplataforma, incluindo transmissão ao vivo na Rádio Liberdade e no YouTube da TV Pampa e atualização em tempo real nas redes sociais da Rede Pampa.
Com apoio institucional do governo do Estado e patrocínio do Banrisul, BRDE, Sistema Fiergs, Corsan Aegea, Icatu Seguros e Rio Grande Seguros e Previdência, além do apoio do Grupo Asun, o evento reafirmou seu compromisso com a construção coletiva de soluções voltadas à geração de emprego, renda, inovação e competitividade, contribuindo para o futuro do desenvolvimento do Rio Grande do Sul. O evento ocorreu na primeira semana de fevereiro e foi realizado nos salões da SABA, em Xangri-Lá, no Litoral Norte gaúcho.
CONSTRUINDO CAMINHOS PARA O DESENVOLVIMENTO
Confira algumas imagens do evento promovido pela Rede Pampa de Comunicação, que reuniu mais de 400 pessoas nos salões da SABA, em Xangri-Lá
Lucio Vaz | Fotos: Chico Pinheyro
ALEXANDRE GADRET E DODY SIRENA
O presidente da Rede Pampa de Comunicação e o empresário, autor do livro “Os Bastidores do Show Business”
VOLMIR RODRIGUES
Prefeito reeleito de Sapucaia do Sul e presidente do Consórcio Pró‑Sinos possui altos índices de aprovação popular em sua cidade
LEONARDO LAMACHIA
O homem que colocou a advocacia gaúcha em evidência nacional, através do gigantesco evento Cidade da Advocacia, que cresce a cada ano e que atrai advogados do país inteiro. O nome do presidente da OAB/RS já tem sido cogitado para a disputa à Presidência da OAB Nacional
O secretário de Comunicação do RS, o homem que impulsiona a imagem do governo gaúcho para além dos pampas e, consequentemente, o nome de Eduardo Leite como um dos principais governadores do RS
CAIO TOMAZELI
PRESIDENTE POR ONDE PASSA
Mesmo oriundo de um município pequeno, o ex‑prefeito de Erval Grande já presidiu a AMAU, a Assembleia Legislativa do RS e agora, pela segunda vez, volta a presidir o Tribunal de Contas do RS. Muito querido e admirado entre os prefeitos, Iradir Pietroski é aquilo que costumamos chamar de “case de sucesso”
ANDERSON MANTEI
O prefeito de Santa Rosa, reeleito com 70 % dos votos na última eleição. Além de ser conhecido por sua liderança regional, Mantei é uma referência estadual na defesa do Agro gaúcho
AMIGOS DESDE SEMPRE
Germano Rigotto, pré ‑candidato ao Senado em 2026 pelo MDB, e o amigo Paulo Sérgio Pinto, vice ‑presidente da Rede Pampa de Comunicação
FLASH
SETCERGS E FIERGS
Delmar Albarello, presidente da SETCERGS, e o amigo, multi‑presidente da Fiergs e da Ciergs, Claudio Bier
SISTEMA FECOMÉRCIO E BRDE
Um encontro de gigantes: o presidente do sistema Fecomércio‑RS, Luiz Carlos Bohn, e o ex‑governador do Estado e atual diretor do BRDE, Ranolfo Vieira Júnior. Dois líderes que já foram capa da Revista Em Evidência
PREFEITOS UNIDOS
O prefeito de Xangri‑Lá, Celsinho Barbosa, anfitrião do evento, e o amigo Marcelo Arruda, ex‑presidente da Famurs
O HOMEM DO MOMENTO
Carlos Melke Filho, presidente da Ulbra: o nome responsável pela retomada do crescimento da universidade em Canoas
VICE‑PREFEITA DE PORTO ALEGRE
O nome de Betina Worm surge como uma possível candidata pelo PL nas próximas eleições
O prefeito de Garibaldi, um dos vencedores do II Troféu Mérito Prefeitos Em Evidência RS e presidente da poderosa Amesne
SÉRGIO CHESINI
CONHECEDORES DO PARLAMENTO
O atual presidente da Uvergs, Silomar Garcia, e o ex‑presidente da ALRS e Conselheiro do Tribunal de Contas do RS, Edson Brum
ANY ORTIZ
A deputada federal, com forte capital político, está muito perto de se filiar ao Progressistas. Any tem o poder de atrair milhares de eleitores e mudar de forma impactante o cenário das conjunturas eleitorais em 2026
FLASH XIII FÓRUM ECONÔMICO GAÚCHO
A ex‑presidente da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, Comandante Nádia, pré ‑candidata à ALRS pelo PL, é um dos expoentes do partido e grande aliada de Luciano Zucco rumo ao Piratini
SEMPRE BELA
KIKO HOFF
PORTÃO É SOBRE PESSOAS
UMA CONVERSA COM O PREFEITO
Edição, introdução e legendas: Lucio Vaz
Entrevista: Patrícia Cruz e Lucio Vaz
Revisão: Patrícia Cruz
Fotos: ChicoPinheyro/Revista Em Evidência
O case da administração pública de Portão é um daqueles que merece o rótulo “Um em Um milhão”, e o nome por trás desse fenômeno é, sem dúvida alguma, do empresário Kiko Hoff. Esse político “outsider” provou, de forma inequívoca, a força do liberalismo político na reorganização da máquina pública, na reestruturação de uma cidade e no desenvolvimento humano através da atração de investimentos, tudo isso sem perder o foco na base, nos programas sociais e na atenção primordial à saúde, educação e segurança.
Equilíbrio e justiça norteiam sua vida pública e privada: quando Kiko trouxe inúmeras empresas, ele não esqueceu daquelas que já estavam no município, flexibilizando a legislação e tornando menos burocrática a criação de novas empresas. Ao trabalhador garantiu o passe livre (o transporte coletivo municipal em Portão, funciona com Tarifa Zero para todos, sendo gratuito tanto na área urbana quanto no interior) e ofereceu um serviço público de primeira linha nos postos de saúde, (construção de nova UBS e aprimoramento expressivo dos serviços). Na rede escolar de Portão, o kit escolar é considerado um dos melhores do RS.
A cereja do bolo virá através do Programa Avança Portão, um projeto revolucionário que deverá ser lançado ainda no primeiro semestre deste ano e que promete impactar a cidade em todos os setores da comunidade.
Todo esse conjunto de ações transformou o dia a dia das pessoas de maneira espetacular. Se antes a cidade de Portão era considerada apenas um ponto de passagem, hoje é uma referência de comunidade desenvolvida, pujante e esperançosa. A Revista Em Evidência, com muito orgulho, entrevista o “bicampeão” do Troféu Mérito Prefeitos Em Evidência RS, Kiko Hoff, prefeito de Portão. Confira
Prefeito, o que move uma gestão pública séria?
Gestão pública não nasce na planilha; nasce no que a cidade vive. Nasce quando o gestor entende que administrar uma cidade é assumir responsabilidade pelo rumo do município e pelas consequências do que decide. O prefeito não governa apenas quatro anos; governa efeitos que ficam. Eu morei 14 anos em uma rua sem calçamento. No verão, era poeira. No inverno, barro e esgoto a céu aberto. Quando entregamos pavimentação, não estamos só executando uma obra: estamos corrigindo um atraso que marcou a vida de muita gente. A infraestrutura urbana muda a saúde, o deslocamento, a segurança, o valor dos imóveis e até a forma como o morador enxerga o próprio bairro. Pavimentar é dignidade. E é também justiça para bairros que ficaram para trás. Uma gestão pública séria nasce quando essa memória vira decisão consistente, repetida ao longo do tempo, até virar padrão.
O senhor fala muito em decisão. Por quê?
BI‑CAMPEÃO
Prefeito Kiko recebe o Troféu Mérito Prefeitos Em Evidência RS em 2024 e 2025. Ele é o nome pela maior transformação já ocorrida em sua cidade: se antes a cidade de Portão era considerada apenas um ponto de passagem, hoje é uma referência de comunidade desenvolvida, pujante e esperançosa
Porque governar é decidir sob pressão. E decidir no setor público pede equilíbrio entre o que a lei permite, o que o orçamento aguenta e o que a população precisa agora. Uma decisão não fica só no papel: ela repercute no orçamento, nas regras internas e na confiança da população. A Tarifa Zero nasceu dessa compreensão. Transporte público não é apenas
custo; é parte do funcionamento da cidade. Quando o trabalhador não consegue se deslocar, o comércio e a produção sentem. Quando consegue, a cidade anda. Mobilidade mexe com a economia e, por consequência, com o social. Governar exige escolher o que muda o dia a dia da cidade, não só o número do relatório.
Como equilibrar responsabilidade fiscal com políticas públicas ambiciosas?
Com método. Não existe resultado social que se sustente sem equilíbrio fiscal, mas responsabilidade fiscal também não pode virar desculpa para ficar parado. Esse equilíbrio se constrói com um plano de médio prazo que não mude a cada mês, controle rigoroso das despesas que crescem sozinhas, acompanhamento de indicadores, revisão constante do que está funcionando e prioridade definida por impacto real. Eficiência não é “gastar menos”; é gastar com critério, para resolver o que precisa ser resolvido. E responsabilidade fiscal protege a continuidade: o que começa bem não pode terminar por falta de organização.
Em saúde, o que significa inovar na prática?
Significa reorganizar o sistema para reduzir sofrimento. Nós construímos mais uma UBS e firmamos convênio de telemedicina com o Hospital Moinhos de Vento. Mas o centro do trabalho está no atendimento que a pessoa encontra quando chega. A atenção básica precisa resolver mais casos ali mesmo, a fila precisa diminuir, e o diagnóstico tem de caminhar com mais rapidez. Um sistema de saúde eficiente é aquele que resolve antes de complicar, evitando que um problema simples vire urgência. Inovação só vale quando encurta sofrimento humano e reduz espera de verdade.
A educação aparece como prioridade recorrente. O que a diferencia como política estruturante?
“ONE IN A MILLION”
O case da administração pública de Portão é um daqueles que merece o rótulo “Um em Um milhão”, e o nome por trás desse fenômeno é, sem dúvida alguma, do empresário Kiko Hoff. Esse político “outsider” provou, de forma inequívoca, a força do liberalismo político na reorganização da máquina pública, na reestruturação de uma cidade e no desenvolvimento humano através da atração de investimentos, tudo isso sem perder o foco na base, nos programas sociais e na atenção primordial à saúde, educação e segurança
A educação começa pelo básico bem feito. Kit escolar e uniforme não são programas assistenciais; são instrumentos para dar o mesmo ponto de partida para quem não teria como comprar. Só que educação consistente exige mais: gestão pedagógica forte, escola com estrutura, orçamento previsível, formação continuada e acompanhamento do que os alunos estão
CAPA
aprendendo. Educação não pode depender do calendário eleitoral; precisa ser compromisso entre gerações. Cidade que cuida da base cria autonomia para o futuro.
Transparência virou uma marca da gestão. O que ela representa para o senhor?
Representa respeito. Portão alcançou o 11º lugar no ranking estadual, mas ranking é consequência. O que importa é confiança pública. Quando a gestão organiza dados, facilita o acesso à informação e aceita fiscali-
zação, ela fortalece a democracia local. Podem discordar das nossas decisões — isso é parte da vida pública —, mas não poderão dizer que informação foi escondida. Gestão madura não trata controle como ameaça; trata como regra do jogo.
O que é o Portão 360 Digital?
É uma política de reorganização interna com entrega concreta para quem precisa do serviço. Durante anos, muitos municípios colocaram a burocracia no computador sem simplificar o caminho das coisas. Em Portão, a lógica foi organizar antes de colocar no sistema. Nós integramos secretarias, definimos um caminho único para cada processo, deixamos cada etapa registrada, criamos cultura de prazo, reduzimos papel físico e reunimos os canais oficiais em pontos claros de atendimento. O objetivo é reduzir retrabalho, dar previsibilidade, ampliar transparência e melhorar a resposta ao cidadão. Para nós, modernizar tem a ver com responsabilidade: fazer a administração funcionar com menos confusão e mais clareza.
Qual foi o impacto fiscal dessa modernização?
Processo desorganizado gera custo que quase ninguém enxerga. Retrabalho consome tempo e dinheiro. Falta de integração vira desperdício. Ausência de controle aumenta risco e erro. Quando a gente organiza o fluxo e digitaliza com critério, protege o orçamento e melhora a tomada de decisão, porque passa a existir registro, prazo e responsabilidade definida. Modernização, aqui, anda junto com responsabilidade fiscal.
Como o Portão 360 se conecta ao desenvolvimento econômico do município?
Desenvolvimento econômico começa na forma como o município funciona. Quem empreende precisa de agilidade, previsibilidade, resposta cla-
ra e segurança para investir. Quando a administração é lenta e confusa, o investimento não vem ou vai embora. Quando é organizada, a cidade fica mais atrativa para quem quer abrir, ampliar ou formalizar um negócio. Eficiência administrativa tem efeito direto na economia, porque reduz espera e incerteza.
E o que é o Avança Portão?
O Avança Portão nasce como uma política pública estruturada de desenvolvimento econômico, com participação contínua e metas claras. Ele será lançado oficialmente uma semana após a publicação desta revista, mas já nasce com desenho institucional e rotina definida. A ideia é firmar um modelo de trabalho com método e continuidade, para não depender de impulso ou de boa vontade momentânea.
O que diferencia o Avança Portão de iniciativas tradicionais?
A combinação de participação organizada com foco em resultado mensurável. Nós criamos um comitê reunindo entidades empresariais, instituições financeiras, instituições de ensino, Sistema S e representantes estratégicos. O município deixa de agir sozinho como “faz-tudo” e passa a coordenar uma mesa permanente, com responsabilidades divididas e tarefas claras. Desenvolvimento se constrói com participação e coordenação, e isso exige rotina, não evento.
Como garantir que uma política assim gere resultado real?
Com indicador e acompanhamento. Política pública madura mede antes de anunciar e acompanha depois. A gente olha para o tempo médio de abertura de empresa, número de novos CNPJs ativos, geração de emprego formal, acesso a crédito produtivo e crescimento da arrecadação própria. Sem meta, não existe direção. Sem monitoramento, não existe gestão — existe intenção.
Como integrar desenvolvimento econômico e política social sem perder o foco em quem mais precisa?
Reconhecendo que geração de emprego é uma das formas mais fortes de inclusão. Mobilidade, educação bem organizada, saúde que resolve e ambiente favorável ao empreendedor caminham juntos. Sem desenvolvimento, a arrecadação não cresce. Sem arrecadação, a política social não se sustenta. Uma cidade equilibrada protege quem precisa e, ao mesmo tempo, cria condições para produzir mais, com responsabilidade.
Depois de oito anos, o que precisa estar diferente para o senhor dizer que valeu a pena?
Precisa estar funcionando. Serviços organizados, finanças equilibradas, economia mais forte e uma cultura administrativa que não dependa de improviso. Eu não quero deixar discurso; quero deixar uma forma de funcionamento que continue mesmo depois da troca de gestão. Legado não é nome em placa; é serviço que segue entregando, com regra clara e padrão mantido.
Para encerrar: qual é a síntese que o senhor faria do que Portão busca construir?
Portão se traduz em gente: o trabalhador que precisa chegar ao emprego, o empreendedor que precisa investir com segurança, a criança que precisa começar em igualdade, o cidadão que merece informação clara e atendimento que não vire peregrinação. O Portão 360 organiza a administração para dar resposta melhor e mais previsível. O Avança Portão organiza o desenvolvimento para gerar trabalho, renda e base de arrecadação. Um melhora o funcionamento do serviço público; o outro dá rumo e método para a política de desenvolvimento. Gestão é compromisso — e compromisso aparece na vida real, onde as pessoas cobram, usam e sentem o resultado.
CAPA
EDUARDO LEITE
Nesta parceria com a Rede Pampa, a Revista Em Evidência publica mais uma das melhores entrevistas do Pampa Debates, comandado pelo vice-presidente da Rede Pampa de Comunicação
Entrevista: Paulo Sérgio Pinto
Edição: Lucio Vaz
Fotos: Chico Pinheyro/Revista Em Evidência e Produção: Pampa Debates
Governador Eduardo Leite, o senhor encara seu último ano à frente do Palácio Piratini, em um ciclo marcado pela inédita reeleição. Como o senhor avalia a trajetória do seu governo até aqui e o que projeta para o seu último ano de mandato?
Estamos completando o sétimo ano de um ciclo de governo de muitas transformações. É importante fazermos esse balanço do que se passou e projetarmos as ações para o futuro. O Estado teve muitos avanços estruturais e nos encaminhamos para o último ano desta gestão. Assumi em 2019 num contexto extremamente difícil, com uma crise fiscal violenta em que o Rio Grande do Sul chegou a levar 40 dias para concluir uma folha de pagamento de 1,5 bilhão de reais, além de acumular 1,2 bilhão em dívidas na área da saúde.
O Estado não pagava a dívida com a União e não conseguia honrar as contas básicas, mesmo com alíquotas de impostos majoradas. Implementamos um programa rigoroso de reformas administrativas, previdenciárias e de privatizações. Adotamos medidas difíceis, que historicamente eram consideradas um atestado de morte política para qualquer governador, mas a população reconheceu os resultados, o que nos levou à reeleição. Ao longo dessa jornada, enfrentamos uma pandemia, quatro estiagens severas e, recentemente, enchentes históricas. Apesar das dificuldades e contestações, mantivemos a coragem de tocar em pontos sensíveis, pois um governante que se omite por medo de críticas acaba não governando para ninguém.
Na sua avaliação, de que forma as finanças reequilibradas impactaram os serviços essenciais, como segurança pública e educação, na comparação com gestões anteriores?
O impacto é direto e visível. Com a máquina pública funcionando melhor e as contas ajustadas, o Estado retomou a capacidade de investi-
mento. Na segurança pública, historicamente, os governos entregavam o mandato com menos policiais do que recebiam por falta de recursos para concursos. Nós seremos o primeiro governo em décadas a terminar com um efetivo maior do que o recebido, com a chamada de mais 1.200 policiais militares e a maior renovação de frota e armamento já realizada.
Os resultados refletem esse esforço: alcançamos em 2025 o ano mais seguro da história do Rio Grande do Sul. Reduzimos os homicídios em 60% desde o início da nossa gestão. Se compararmos com 2017, são 2.000 vidas poupadas e 55.000 roubos a pedestres a menos. Na educação, saltamos de 19 para mais de 300 escolas de tempo integral, com a meta de ultrapassar 500 unidades no próximo ano. O orçamento anual para merenda escolar passou de 14 milhões para 170 milhões de reais. Além disso, fornecemos uniformes e criamos um auxílio financeiro para a compra de calçados para estudantes de baixa renda, garantindo dignidade às nossas crianças.
Além da infraestrutura de serviços, como o Estado tem equacionado o repasse de recursos para a saúde, especialmente com a criação do SUS Gaúcho, e a pavimentação de acessos a pequenos municípios?
42% e a de traumato-ortopedia de joelho em 27%.
Na infraestrutura rodoviária, quando assumi o governo, havia 62 municípios sem acesso asfáltico. Já concluímos 29 ligações, outras 20 estão em obras e as 13 restantes estão em processo de licitação para esse ano. Também estamos executando obras em ligações regionais estratégicas para o escoamento da produção, como a rodovia entre Tupanciretã e Santa Tecla, um investimento superior a 150 milhões de reais, além de importantes rotas nas regiões Norte, Sul e nas fronteiras.
Adotamos medidas difíceis, que historicamente eram consideradas um atestado de morte política para qualquer governador, mas a população reconheceu os resultados, o que nos levou à reeleição. Ao longo dessa jornada, enfrentamos uma pandemia, quatro estiagens severas e, recentemente, enchentes históricas. Apesar das dificuldades e contestações, mantivemos a coragem de tocar em pontos sensíveis, pois um governante que se omite por medo de críticas acaba não governando para ninguém
Na área da saúde, o SUS Gaúcho foi essencial. Se dependêssemos apenas da tabela nacional do SUS, os hospitais operariam com déficit nas consultas com especialistas. Por isso, estamos destinando 1 bilhão de reais adicionais para o custeio da saúde, em acordo com o Ministério Público, para remunerar melhor esses procedimentos e reduzir as principais filas. Em apenas 60 dias, diminuímos a fila de oftalmologia em
A implementação de novos pedágios e o modelo de concessões rodoviárias frequentemente geram resistências políticas. Como o senhor explica a necessidade dessas concessões, incluindo o uso da tecnologia free flow?
É compreensível que pedágios sejam antipáticos, mas o Estado não pode
CAPA
Os resultados refletem esse esforço: alcançamos em 2025 o ano mais seguro da história do Rio Grande do Sul. Reduzimos os homicídios em 60% desde o início da nossa gestão. Se compararmos com 2017, são 2.000 vidas poupadas e 55.000 roubos a pedestres a menos. Na educação, saltamos de 19 para mais de 300 escolas de tempo integral, com a meta de ultrapassar 500 unidades no próximo ano. O orçamento anual para merenda escolar passou de 14 milhões para 170 milhões de reais
ficar preso aos traumas do passado. Nos últimos 40 anos, o poder público duplicou apenas 50 quilômetros de rodovias. Com o nosso plano de concessões, projetamos duplicar 600 quilômetros em uma década. A ideia de que o Estado tem capacidade financeira para executar essas obras com recursos próprios é uma ilusão que refuto veementemente.
“
exigiram sacrifícios dos servidores. Quais fatores justificaram a adoção dessas medidas de forte impacto político?
Essas medidas foram amargas e antipáticas, mas absolutamente necessárias para viabilizar o Estado. O Rio Grande do Sul possui a maior desproporção entre servidores ativos e inativos do Brasil. Temos, por exemplo, 57 mil professores em sala de aula e mais de 100 mil aposentados e pensionistas. O déficit previdenciário gaúcho consome 10 bilhões de reais por ano da arrecadação de impostos, o que drena recursos que deveriam ir para infraestrutura e serviços básicos.
Na área da saúde, o SUS Gaúcho foi essencial. Se dependêssemos apenas da tabela nacional do SUS, os hospitais operariam com déficit nas consultas com especialistas. Por isso, estamos destinando 1 bilhão de reais adicionais para o custeio da saúde, em acordo com o Ministério Público, para remunerar melhor esses procedimentos e reduzir as principais filas. Em apenas 60 dias, diminuímos a fila de oftalmologia em 42% e a de traumato-ortopedia de joelho em 27%
”Adotamos o modelo free flow por ser a tecnologia mais moderna disponível, eliminando a necessidade de praças de pedágio físicas com cancelas, que causam lentidão e atraso. Governadores de outras correntes ideológicas, como Tarcísio de Freitas em São Paulo, estão adotando o mesmo sistema. Nosso governo sempre esteve aberto ao diálogo; as propostas passam por consultas e audiências públicas para aperfeiçoamento, mas não abriremos mão de uma solução que garantirá a infraestrutura necessária para o desenvolvimento gaúcho.
As reformas promovidas na previdência estadual e no IPE Saúde
Com as reformas, que incluíram a revisão de alíquotas e a contribuição de dependentes no IPE Saúde, conseguimos estancar a sangria. Hoje, o IPE Saúde contrata milhares de novos profissionais e paga em dia. Da mesma forma, os salários do funcionalismo estão rigorosamente em dia e o Estado voltou a ter capacidade de realizar concursos. Se o governante quiser ser simpático com todo mundo, ele não faz nada. É preciso dizer "não" a certos interesses para garantir os "sins" que realmente importam para o futuro do Estado.
Olhando para os desafios não superados, a revitalização do Cais Mauá segue como uma pendência histórica em Porto Alegre. O que pesou para o atraso desse projeto e como o governo pretende conciliar essa área com os sistemas de proteção contra cheias?
O nosso governo já entregou o Cais Embarcadero, realizado em parceria com a iniciativa privada, que transformou um espaço antes inexistente em um grande ativo da capital e um aperitivo do que o Cais Mauá pode se
tornar. Evidentemente, eu gostaria de já ter avançado com a revitalização completa de toda a área, mas as enchentes recentes mudaram o contexto, atrasando o cronograma e trazendo novas exigências.
Apesar disso, não desistimos. Até o último dia do mandato, trabalharemos para encaminhar a contratação da concessão como um todo. Quanto ao sistema de proteção contra cheias, ninguém defende deixar a cidade vulnerável. Se houver a substituição do atual Muro da Mauá, deverá ser por um sistema igualmente eficaz e integrado ao novo espaço, a exemplo do que ocorre em áreas portuárias revitalizadas no exterior. O foco deve ser viabilizar um grande projeto para a cidade, superando os entraves burocráticos e judiciais inerentes à máquina pública.
Durante os eventos climáticos extremos, debateu-se muito a questão da dragagem e do desassoreamento dos rios gaúchos. Quais são as evidências técnicas que baseiam a atuação do Estado nos grandes corpos hídricos?
Há muito mito em torno da dragagem. Nos baseamos na ciência e nas orientações de especialistas do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH). Em rios de menor porte, o desassoreamento é fundamental devido às curvas e gargalos, e o Estado está investindo 300 milhões de reais em parcerias com os municípios para essa finalidade.
No entanto, em grandes corpos hídricos como o Guaíba e a Lagoa dos Patos, a dinâmica é diferente. A movimentação de sedimentos ocorre naturalmente, sem alterar significativamente a capacidade da calha principal. As projeções de inundação recentes, que se mostraram muito precisas, ainda utilizam medições de batimetria da década de 70, comprovando que não houve alteração substancial no fundo ao ponto de causar as cheias. Mesmo assim, para garan-
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Temos, por exemplo, 57 mil professores em sala de aula e mais de 100 mil aposentados e pensionistas. O déficit previdenciário gaúcho consome 10 bilhões de reais por ano da arrecadação de impostos, o que drena recursos que deveriam ir para infraestrutura e serviços básicos
tir a navegação, repassamos cerca de 700 milhões de reais à Portos RS para manter os canais de acesso logístico plenamente operacionais, sempre com embasamento técnico.
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Governar em meio a crises fiscais, pandemia e enchentes é um aprendizado profundo sobre gestão pública. Entendo que, no final das contas, o líder é quem precisa tomar as decisões e arbitrar as divergências, inclusive dentro da própria equipe, para que o governo não perca o rumo
Diante da sua experiência lidando com sucessivas crises no governo, qual é a sua visão sobre o atual cenário político e os critérios que o eleitor tem utilizado para escolher seus representantes?
Governar em meio a crises fiscais, pandemia e enchentes é um aprendizado profundo sobre gestão pública. Entendo que, no final das contas, o líder é quem precisa tomar as decisões e arbitrar as divergências, inclusive dentro da própria equipe, para que o governo não perca o rumo. Sobre o cenário eleitoral, há muita sabedoria popular nas escolhas. A empatia e a capacidade de conectar-se com a população contam muito, e o poder de decisão pertence, legitimamente, ao povo. A democracia pode não ser o caminho mais fácil, mas é o único que podemos aceitar. Precisamos recuperar a capacidade da política de ser um instrumento de convivência civilizada entre as diferenças.
Considerando a polarização no cenário nacional e as eleições de 2026,
como o senhor projeta o seu futuro político? A prioridade é a disputa pela Presidência da República ou a liderança do processo de sucessão no Rio Grande do Sul?
Meu foco absoluto no momento é a gestão dos inúmeros projetos do nosso Plano Rio Grande. O Estado está em ritmo forte de entregas de habitações, infraestrutura e medidas de proteção. Sobre o cenário nacional, não me sinto representado pela atual polarização. Acredito na necessidade de um caminho alternativo, de conciliação e de centro, para evitar o extremismo que divide o País. Se houver espaço para liderar esse projeto como candidato à Presidência, eu me
disponho a assumir essa missão.
Dentro do nosso campo político, temos outros bons nomes, como os governadores Tarcísio de Freitas e Ratinho Júnior. A minha expectativa é que possamos construir uma candidatura forte e ponderada. Caso o projeto nacional não se viabilize para mim, estarei totalmente voltado para a minha sucessão no Rio Grande do Sul. O vice-governador Gabriel Souza é, naturalmente, um nome altamente qualificado e o primeiro da fila, mas temos excelentes quadros e grandes parceiros em partidos aliados. O objetivo maior é garantir que o Estado não retroceda em suas conquistas.
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LUIZ CARLOS BOHN
Nesta parceria com a Rede Pampa, a Revista Em Evidência publica mais uma das melhores entrevistas do Pampa Debates, comandado pelo vice-presidente da Rede Pampa de Comunicação
Entrevista: Paulo Sérgio Pinto
Edição: Lucio Vaz
Fotos: Chico Pinheyro/Revista Em Evidência e Produção: Pampa Debates
Presidente Luiz Carlos Bohn, o senhor dirige uma das mais importantes federações do estado, somada a dois pilares fundamentais, o Sesc e o Senac, o que confere grande pujança ao setor comercial. Quais foram as principais realizações da Fecomércio-RS no último ano? Paralelamente, quais questões externas ao sistema trouxeram maior preocupação?
Foi um ano positivo e com muitos motivos para comemorar. Atualmente, exerço o meu terceiro mandato, que se encerra em junho, e espero que o trabalho realizado seja confirmado. Uma das grandes marcas da nossa gestão tem sido o foco na educação por meio do Sesc no Rio Grande do Sul. Antes, nossa atuação era voltada à saúde, ao esporte e à cultura, mas não tínhamos escolas regulares. Essa área se consolidou recentemente. Um bom exemplo é o antigo Colégio São Judas, hoje Sesc São Judas, que atenderá mil alunos da educação infantil ao ensino superior, sendo este último em parceria com o Senac. Também lançamos a pedra fundamental da Escola José Roberto Tadros, no atual Sesc Protásio Alves, projetada para mais de mil estudantes. Os recursos administrados pelo sistema são oriundos do setor terciário, e temos a responsabilidade de aplicá-los bem, o que tem sido feito com excelência na educação e na melhoria contínua de unidades como as de Bento Gonçalves e Santa Maria.
Sobre as preocupações, nossa maior dificuldade é avançar no reconhecimento do trabalho de representação e defesa do empresariado. A federação atua intensamente com assessorias e câmaras de discussão para fundamentar nossos posicionamentos perante o governo, sempre visando ao melhor para a sociedade. O Estado brasileiro se agigantou, mas é preciso lembrar que toda receita pública deriva da iniciativa privada e do empreendedor.
A base da arrecadação é o setor produtivo. Diante disso, como o senhor
explica a constante dificuldade em consolidar a liberdade econômica e a segurança jurídica no país, a ponto de vivermos em um cenário onde "até o passado é incerto"?
Exatamente, o que existe é dinheiro privado administrado pelo poder público. A frase sobre o passado ser incerto é do ex-ministro Pedro Malan, e ela se confirma cada vez mais. O marco temporal das terras indígenas é um exemplo claro de insegurança. A Constituição estabelece uma regra, mas anos depois decide-se interpretá-la de forma completamente diferente, o que sugere que nada no Brasil é totalmente confiável.
Muitas vezes, ignora-se o espírito original do legislador. A maioria dos parlamentares que promulgaram a Constituição de 1988 ainda está viva; bastava consultá-los sobre o objetivo de determinadas pautas. No entanto, prefere-se interpretar a lei ao sabor do momento. Vale lembrar que a atual Carta Constitucional foi elaborada em meio ao colapso do Plano Funaro, que elegeu uma maioria esmagadora do MDB na época, resultando em um texto que hoje se assemelha a uma colcha de retalhos. Apesar de todos os problemas de condução política e institucional, o Brasil continua sendo um país com um potencial maravilhoso e um povo extraordinário.
As principais lideranças empresariais do Rio Grande do Sul costumam demonstrar forte alinhamento, a exemplo da união entre Fecomércio, Fiergs e Farsul. Na sua avaliação, de que forma essa proximidade entre as entidades fortalece o estado frente aos desafios econômicos e governamentais?
Os dirigentes da Farsul, da Fiergs e da Fecomércio cultivam uma amizade de longa data, baseada no respeito mútuo e em pautas conjuntas. O atual presidente da Fiergs, Claudio Bier, é meu amigo de liderança sindical desde antes de assumirmos as respectivas federações. Esse alinha-
mento é fundamental, pois não se faz nada sozinho ao negociar com os governos.
Naturalmente, certas decisões governamentais afetam mais um setor do que outro. O agronegócio, por exemplo, sofre muito com fatores climáticos e carece frequentemente de apoio estatal adequado, o que prejudica toda a cadeia. Embora o comércio e a indústria sejam menos dependentes do clima de forma direta, a essência da nossa economia é o agro. Quando o campo vai mal, a indústria e o comércio sentem o impacto. Hoje, o Brasil caminha a passos lentos, em grande parte, pela baixa renda da população. E isso não se resolve apenas com a vontade do empresário de pagar mais, pois o salário é ditado pelo mercado e corroído por uma pesada cunha fiscal, trabalhista e previdenciária, que reduz substancialmente o poder de compra das pessoas.
Os gargalos de infraestrutura impactam diretamente os custos do setor produtivo. Como o senhor avalia a importância do transporte rodoviário para o comércio nacional e quais são as consequências de obras que se arrastam por décadas, como a duplicação da BR-116?
A retirada dos batalhões de engenharia do Exército dessas frentes de trabalho é algo difícil de compreender, pois eles prestavam um serviço de excelência na construção de rodovias. O transporte rodoviário costuma ser criticado por ser teoricamente mais caro do que trens ou navios. No entanto, a logística rodoviária entrega o produto na ponta e com rapidez.
Há pouco tempo, discutíamos alternativas ferroviárias, como um ramal de bitola larga até Passo Fundo, mas a questão é: o que ele transportaria além de safra esporádica? E o porto teria demanda de desembarque compatível? Por outro lado, a eficiência das transportadoras rodoviárias impressiona. Em certa ocasião, um executivo me explicou que trazer um
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Hoje, o Brasil caminha a passos lentos, em grande parte, pela baixa renda da população. E isso não se resolve apenas com a vontade do empresário de pagar mais, pois o salário é ditado pelo mercado e corroído por uma pesada cunha fiscal, trabalhista e previdenciária, que reduz substancialmente o poder de compra das pessoas
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caminhão de água mineral de São Paulo para o Rio Grande do Sul custava, proporcionalmente, o preço da tampinha da garrafa. A malha ferroviária gaúcha, que já foi a maior do país, acabou sucateada após privatizações mal sucedidas, e a navegabilidade de nossos rios é subutilizada. Portanto, o modal rodoviário é a essência da nossa logística atual. Os governantes precisam valorizá-lo, sendo inadmissível que rodovias vitais como a BR-290 e a BR-116 ainda não estejam totalmente duplicadas.
Considerando a dependência do estado por essa malha, quais fatores representam os maiores entraves para a competitividade logística hoje? O modelo de concessões e pedágios é parte do problema ou da solução?
Hoje, não existe estrada de qualidade sem pedágio; é preciso haver retorno financeiro para garantir a manutenção. O modelo de concessão é a solução, mas o que o governo estadual precisa buscar — e há tentativas nesse sentido — é aportar mais recursos próprios nas concessões para baratear a tarifa para o usuário final. Se houvesse um aporte expressivo do Estado nos blocos a serem leiloados, o custo na cancela cairia substancialmente.
Muitos comparam nossos pedágios com os de São Paulo, que costumam ser mais baratos, mas é preciso entender que a economia paulista é muito mais forte e o fluxo contínuo de veículos lá maximiza a arrecadação, o que naturalmente reduz o preço da tarifa. Aqui, temos estradas com características diferentes e maior incerteza de tráfego. Ainda assim, é admirável o esforço das empresas de transporte e dos motoristas para manter a competitividade, atravessando o país de norte a sul com eficiência.
Retornando ao setor de comércio, bens, serviços e turismo, quais são as projeções para a economia no próximo ano? Com o alto nível de endivi-
damento da população e do Estado, além da forte influência do assistencialismo nas decisões eleitorais, o cenário nacional inspira crescimento ou recessão?
O setor de comércio, bens, serviços e turismo representa mais da metade do PIB do Rio Grande do Sul. A Federação do Comércio defende cerca de 500 mil empresas que geram 1,5 milhão de empregos com carteira assinada. O nosso prognóstico para o Brasil no próximo ano é de um crescimento modesto, na faixa de 1,7%. Há quem já fale em recessão, um cenário no qual prefiro não acreditar, mas crescer 1,7% é muito pouco para um país que sofre com um Estado que absorve 34% de todas as riquezas geradas.
Vivemos um problema crônico de endividamento. O país está endividado e cerca de 80% das famílias também estão. Historicamente, passamos de uma cultura que preconizava a poupança para uma expansão desenfreada do crédito, onde o negócio financeiro se tornou maior que o próprio varejo. Esse endividamento vai cobrar a conta, especialmente do governo, que precisará rolar dívidas com taxas de juros altíssimas.
Quanto à percepção da sociedade, há avanços estruturais que a população não enxerga, como a autonomia do Banco Central e o marco do saneamento básico. Em contrapartida, há uma certa anestesia diante de desmandos e problemas fiscais severos. Infelizmente, uma grande parcela do eleitorado ainda vota de maneira pragmática para garantir interesses imediatos, e não com base em projetos sólidos de país ou na competência do gestor.
Mesmo diante das falhas estruturais, da burocracia excessiva e das filas nas fronteiras comerciais, o senhor considera que os problemas não resolvidos do país e do Rio Grande do Sul podem ser vistos como janelas de oportunidade para os empreendedores?
LUIZ CARLOS BOHN NO PAMPA DEBATES
Presidente da Fecomércio‑RS ao lado do apresentador Paulo Sérgio Pinto: o Pampa Debates vai ao ar de segunda a sexta às 17h45. O programa também pode ser assistido no YouTube @pampadebates
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Sem dúvida. Há uma máxima que diz: "Em vez da crise, crie". O mercado automotivo do Mercosul, por exemplo, tem apresentado melhorias, embora o transporte de cargas ainda sofra com atrasos inaceitáveis nas fronteiras. No entanto, o que lamento profundamente é que o Brasil tenha tantas oportunidades e não consiga sair da armadilha da renda média. Ter milhões de brasileiros dependendo exclusivamente de programas de transferência de renda é um sinal de clientelismo, não de uma política de desenvolvimento nacional.
Para transformar oportunidades em riqueza, precisamos de mais liberdade econômica e de uma tributação justa. O Brasil tributa pesadamente o consumo. A atual reforma tributária foca em simplificar os impostos sobre bens e serviços, mas não entregará neutralidade. A simplificação é bem-vinda, mas o setor terciário acabará pagando mais, elevando a carga tributária global. Precisamos de um Estado regulador, mas enxuto. Tirar recursos em excesso da sociedade acaba por exauri-la, impedindo a geração real de oportunidades.
Ao observarmos o modelo de países vizinhos como o Paraguai, que adota uma tributação simplificada, e ao analisarmos medidas recentes no Brasil, como o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda compensado pela taxação de lucros, quais são os reais riscos fiscais e de evasão de capital para a nossa economia?
A aprovação da reforma trouxe um ganho importante ao unificar regras para todos os estados e municípios, acabando com as antigas disputas no Confaz. Porém, o sistema permanece complexo, com uma alíquota básica estimada em quase 28%, além das exceções para a cesta básica. Modelos como o do Paraguai são atrativos e representam um risco real de fuga de empregos e produção básica, dada a proximidade territorial, mas é inviável transplantar aquele sistema
para a realidade brasileira do dia para a noite.
Sobre a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até cinco mil reais, o lado positivo é a injeção de recursos na economia. Por outro lado, para compensar essa desoneração, o governo passará a tributar a distribuição de lucros e resultados. Isso tem provocado uma expressiva fuga de capitais, com grandes investidores transferindo recursos para o exterior antes do fim da isenção. Acredito que o governo superestimou a arrecadação compensatória e que, mais uma vez, a carga tributária geral acabará aumentando para cobrir os rombos fiscais.
Avaliando o cenário político que se desenha para o futuro próximo, como o senhor projeta as disputas eleitorais tanto no âmbito nacional, com o embate entre os blocos de centro-direita e o atual governo, quanto no cenário regional do Rio Grande do Sul?
A eleição presidencial está completamente aberta. Há um eleitor de centro, que representa a balança da disputa, e é nele que os candidatos precisarão focar. Vejo o governador Tarcísio de Freitas como o melhor nome para a direita, mas ele tem o comando do estado mais rico do país nas mãos e não entrará em uma disputa de alto risco sem garantias. O cenário que beneficia o atual governo hoje pode se desmanchar rapidamente, especialmente com as mudanças geopolíticas externas.
No Rio Grande do Sul, acredito que o estado está bem amparado. Temos bons nomes se posicionando. O vice-governador Gabriel Souza daria continuidade à atual gestão, que tem sido responsável, com ressalvas a eventuais aumentos de impostos e à necessidade de mais parcerias na educação. Também temos nomes fortes surgindo na direita e na centro-direita, o que é saudável. Independentemente dos acertos partidários, que muitas vezes são complexos, o importante é que temos opções e que
a nossa democracia nos permite escolher as lideranças que conduzirão o estado e ocuparão o Senado.
Modelos como o do Paraguai são atrativos e representam um risco real de fuga de empregos e produção básica, dada a proximidade territorial, mas é inviável transplantar aquele sistema para a realidade brasileira do dia para a noite
Presidente Luiz Carlos Bohn, as entidades empresariais carregam grande parte da história de desenvolvimento do estado. Para encerrarmos, qual mensagem o sistema Fecomércio deixa para a sociedade gaúcha diante dos desafios que se aproximam?
A mensagem principal é a de que devemos acreditar que as dificuldades não são eternas. Se não estamos satisfeitos com o cenário atual, temos o dever de trabalhar para mudá-lo. Ao viajar pelo interior do estado, ouço muitas lamentações, e a minha resposta é sempre a mesma: precisamos aprender a votar melhor.
Teremos eleições fundamentais pela frente e o voto deve ser consciente, baseado no projeto e na capacidade de gestão dos candidatos, e não em simpatias pessoais. O próximo ano exigirá cautela do comércio e dos trabalhadores, pois projeta-se um crescimento tímido para o Brasil, mas precisamos manter a esperança e a mobilização. Quanto à história da Fecomércio, temos orgulho do trabalho abnegado de lideranças que unificaram o setor há décadas, garantindo que o setor terciário gaúcho tivesse a força e a representatividade que tem hoje.
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SEBASTIÃO MELO
Nesta parceria com a Rede Pampa, a Revista Em Evidência publica mais uma das melhores entrevistas do Pampa Debates, comandado pelo vice-presidente da Rede Pampa de Comunicação
Entrevista: Paulo Sérgio Pinto
Edição: Lucio Vaz
Fotos: Chico Pinheyro/Revista Em Evidência e Produção: Pampa Debates
Prefeito Sebastião Melo, o senhor carrega o sobrenome “de Araújo”, herdado do seu pai, mas tornou-se conhecido publicamente apenas por “Sebastião Melo”. Essa foi uma escolha estratégica visando as eleições?
O sobrenome é do meu pai, mas a adoção do “Melo” não teve relação alguma com as eleições. Em Goiás, minha terra natal, eu era chamado pelo apelido de Tião ou Bastião. Quando cheguei ao Rio Grande do Sul, acabei ficando conhecido como Sebastião Melo e assim o nome se consolidou.
tros gestores tentaram resolver, mas não foi possível. Nós trouxemos esse tema para dentro do nosso compromisso de governo, e procuro sempre cumprir rigorosamente o que proponho.
O Centro Histórico é praticamente o nosso primeiro bairro, e estamos investindo muito nele. No Quadrilátero Central, foram aplicados 17 milhões de reais em nove obras. Também investimos R$ 12 milhões no segundo andar do Mercado Público, em parceria com a Multiplan, e estamos concluindo a reforma do Viaduto Otávio Rocha. Não fazia sentido qualificar o Mercado e o Chalé da Praça XV e manter aquela estrutura inacabada encravada na região.
Entramos em um acordo com a Trensurb para que a travessia de pedestres seja feita por dentro da estrutura da própria estação, saindo na rua Júlio de Castilhos. É uma solução mais viável financeiramente e que garante acessibilidade e segurança
O que traz alegria ao senhor no dia a dia?
Várias coisas. Como gestor, me traz muita alegria ver a cidade funcionando bem. Além disso, valorizo e me alegro muito com a boa convivência com as pessoas, com o ser humano.
O Centro Histórico tem passado por transformações visíveis, como a recente demolição do edifício conhecido como "Esqueletão". Como será o desfecho dessa área e quais são os planos para o terreno?
A construção do "Esqueletão" começou em 1957. Nasceu como um condomínio com vários proprietários, mas a construtora quebrou e a obra parou. Acompanhei esse problema desde quando fui vice-prefeito. Ou-
Sobre o terreno, determinei a desapropriação. Há uma dívida de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) de cerca de 4 milhões de reais, além dos custos da demolição, que também ultrapassam os 4 milhões. Os proprietários devem aproximadamente 8 milhões ao município. Faremos um acerto de contas no Judiciário, cobrando essas dívidas, e vamos transformar o local em um equipamento público icônico para a cidade.
A remoção da antiga passarela da Estação Rodoviária alterou consideravelmente a paisagem na saída do Túnel da Conceição, trazendo mais luminosidade. Como funcionará a nova travessia de pedestres e quais são as perspectivas para a manutenção do viaduto construído na época da Copa do Mundo?
A intenção inicial era construir uma passarela mais moderna. Chegaram a propor a instalação de elevadores, mas a nossa experiência na Terceira Perimetral mostra que os equipamentos acabam vandalizados ou ocupados por pessoas em situação de rua. Portanto, essa alternativa não
avançou. Entramos em um acordo com a Trensurb para que a travessia de pedestres seja feita por dentro da estrutura da própria estação, saindo na rua Júlio de Castilhos. É uma solução mais viável financeiramente e que garante acessibilidade e segurança.
A remoção da estrutura antiga realmente abriu a paisagem e eliminou o aspecto abafado da área. Com isso, o viaduto de acesso da Júlio de Castilhos para a avenida Castello Branco, construído para a Copa do Mundo, ficou mais exposto. Reconheço que não é uma estrutura esteticamente bonita, devido àquela mão francesa, mas foi a solução de engenharia possível à época. Para melhorar o aspecto visual, já determinei que, em breve, faremos uma grande revitalização com pintura na entrada da cidade, englobando a Castello Branco e os viadutos que ladeiam o Aeroporto Salgado Filho.
Outra estrutura remanescente na cidade são as pilastras do Aeromóvel em frente à Câmara de Vereadores. É viável concluir a linha até o Centro Administrativo ou a implosão é o caminho mais provável?
Com a franqueza que a população merece, concluir essa obra para levar a linha até o Centro Administrativo exigiria entre 300 e 400 milhões de reais. Neste momento, a prefeitura não dispõe desses recursos. Fazer a obra completa do Centro Histórico até lá não tem viabilidade financeira. A implosão, portanto, é uma decisão a ser tomada e que está no radar da nossa governança.
Sugestões não faltam; a engenharia tem solução para tudo com planejamento e dinheiro. Durante o meu mandato, tive coragem para realizar grandes mudanças estruturais. O que não pode acontecer é a área continuar daquele jeito. Todo aquele trecho em frente à Câmara, que inclui um terreno antes pertencente à CEEE, precisa ser transformado em
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O Centro Histórico é praticamente o nosso primeiro bairro, e estamos investindo muito nele. No Quadrilátero Central, foram aplicados 17 milhões de reais em nove obras. Também investimos R$ 12 milhões no segundo andar do Mercado Público, em parceria com a Multiplan, e estamos concluindo a reforma do Viaduto Otávio Rocha
um espaço público para as pessoas. É um corredor urbano espetacular que se conecta à praça do Gasômetro, e nós vamos qualificar essa região.
A reforma do Viaduto Otávio Rocha tem previsão de entrega iminente. Como será formatada a ocupação comercial das antigas lojas e qual a viabilidade de instalar um destacamento da Brigada Militar no local para reforçar a segurança?
“para a realização de eventos, valorizando ao máximo essa obra de arte monumental construída na década de 1920.
Para garantir a viabilidade, faremos uma PPP patrocinada que prevê a contratação de segurança privada. Quanto à Brigada Militar, avaliamos com o comando da corporação que as salas do viaduto são muito pequenas para abrigar um destacamento. Além disso, por mais competente que a Brigada seja, o efetivo geral é limitado. Pulverizar destacamentos fixos pela cidade acaba retirando o policiamento ostensivo das ruas, que é onde a presença policial se faz mais urgente.
A construção do "Esqueletão" começou em 1957. Nasceu como um condomínio com vários proprietários, mas a construtora quebrou e a obra parou. Acompanhei esse problema desde quando fui vice-prefeito. Outros gestores tentaram resolver, mas não foi possível. Nós trouxemos esse tema para dentro do nosso compromisso de governo, e procuro sempre cumprir rigorosamente o que proponho
”O modelo de ocupação do Viaduto Otávio Rocha seguirá uma lógica parecida com a da Usina do Gasômetro. Não há como manter a segurança, a iluminação e o embelezamento daquelas lojas dependendo exclusivamente de aportes contínuos de dinheiro público. A governança estabelecida prevê que uma entidade do Sistema S terá o Termo de Permissão de Uso (TPU) principal, e abaixo dela virão os demais permissionários.
A intenção é criar um mix comercial que atraia os cidadãos, permitindo a instalação de bares e o uso de parklets, o que amplia as áreas de convivência nas calçadas. Em dias específicos, poderemos fechar o trânsito
Considerando a mobilidade e as reformas no Centro Histórico, de que forma o Executivo avalia o futuro do fluxo de veículos na Rua da Praia?
Essa questão está sob análise minuciosa. A obra de revitalização está pronta, restando apenas a instalação de alguns mobiliários urbanos. É essencial equilibrar as demandas. O pedestre deve ter prioridade no Centro Histórico, mas não podemos estrangular a mobilidade logística.
Hoje, por exemplo, o Edifício Santa Cruz abriga moradores que precisam de acesso para táxis ou entrega de compras. O objetivo é evitar que a Rua da Praia volte a ser uma via convencional para carros, porém mantendo acessos essenciais. Estamos estudando um trajeto de tráfego controlado, e a decisão definitiva sobre como isso funcionará será divulgada em breve.
Na sua avaliação, as oscilações nos índices de segurança pública ao longo das décadas contribuíram para o desaparecimento de figuras folclóricas do Centro e a mudança no perfil
dos frequentadores das praças?
O Centro Histórico vive hoje um momento de forte reativação. O "happy hour" renasceu na Rua da Praia, e tenho incentivado os comerciantes a utilizarem o espaço externo de forma ordenada. Eventos recentes, como a Oktoberfest na Avenida Sete de Setembro e a Noite dos Museus, mostraram que há um público imenso disposto a ocupar as ruas com segurança, inclusive durante a madrugada.
É inegável, no entanto, que o fator segurança mudou o comportamento da sociedade ao longo dos anos. O hábito de sentar despreocupadamente em uma praça para ler o jornal tornou-se mais raro, e a extinção de personagens urbanos antigos, como engraxates e frequentadores de certos espaços boêmios, reflete a mudança de época. São figuras que marcam a nossa memória. É a dinâmica natural de Porto Alegre, que perde alguns encantos do passado, mas constrói novas histórias e formas de convívio no presente.
Novos empreendimentos têm surgido, a exemplo do último andar do hotel Blue Tree Towers, com vista privilegiada para o Guaíba. Espaços com essas características não seriam cenários perfeitos para a tradicional culinária de "boteco" da cidade?
Sem dúvida. Um espaço com uma vista magnífica para o Guaíba tem vocação natural para o convívio descontraído, que combina muito bem com a culinária de boteco. Um bom bolinho de batata recheado ou um prato simples bem executado são fantásticos. Pessoalmente, aprecio muito essa gastronomia, mas entendo que há investidores com outras propostas de mercado, apostando em menus diferenciados. O mais importante para o município é que esses locais sejam ativados, gerando emprego e oferecendo boas opções aos cidadãos.
Voltando o olhar para o 4º Distrito,
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Como gestor, me traz muita alegria ver a cidade funcionando bem. Além disso, valorizo e me alegro muito com a boa convivência com as pessoas, com o ser humano
as avenidas Voluntários da Pátria e Farrapos enfrentam severos problemas de abandono estrutural e social. Como a prefeitura planeja atrair a recuperação para a região, e qual é a viabilidade de desapropriar imóveis abandonados?
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atua como gestor imobiliário. Além disso, esbarramos em burocracias legais que impedem intervenções e demolições de certos prédios listados, travando a renovação.
A solução estrutural para essa área está atrelada ao novo Plano Diretor. No entanto, fomos surpreendidos por uma liminar do Tribunal de Contas que paralisou a tramitação do projeto na Câmara de Vereadores. Essa interferência paralisa o desenvolvimento sustentável da cidade, retirando do Legislativo municipal a sua prerrogativa constitucional de debater e decidir o regramento urbano.
Implementamos travas de proteção para evitar que os contribuintes sejam surpreendidos por aumentos exorbitantes de um ano para o outro, garantindo um teto máximo de reajuste
O 4º Distrito vivia uma excelente ascensão antes das enchentes, com a chegada de empresas de inovação, como o Instituto Caldeira. Após as inundações, entramos em processo de retomada. Felizmente, os empreendedores não desistiram, pois a região possui um grande potencial e uma localização estratégica.
Para que a área volte a se desenvolver de forma segura, o poder público atuará firmemente na proteção contra cheias e nas obras de drenagem por meio do programa POA Futura. Contudo, é vital compreender que a segurança de toda a bacia do Guaíba exige ação conjunta entre os governos Federal e Estadual. A prefeitura tem a responsabilidade sobre os projetos internos de Porto Alegre, e nós não desistiremos do 4º Distrito.
No que tange à Avenida Farrapos, sou contrário ao corredor de ônibus central e planejo a sua remoção. Mas isso, por si só, não resolve os prédios ociosos. A prefeitura já utilizou diversos incentivos fiscais e construtivos — como isenções de IPTU e ITBI — para atrair a iniciativa privada. Desapropriar prédios deteriorados não faz sentido prático nem financeiro, pois o Executivo não
Em relação à ocupação da orla na Zona Sul, especificamente na Vila dos Pescadores, o município pretende formalizar os títulos de propriedade aos moradores locais?
Na Vila dos Pescadores, há uma ação de reintegração de posse movida pelo Ministério Público e julgada pelo Judiciário, determinando a retirada daquelas famílias pelo poder público. Optei por não agir de forma intempestiva. Seria desproporcional aplicar máximo rigor contra moradias muito simples enquanto lidamos com construções irregulares de alto padrão nas margens do rio.
A medida que adotei foi contratar um estudo hidrológico aprofundado, conduzido por especialistas de renome nacional, para determinar com rigor técnico e científico quais áreas podem abrigar moradias com segurança, levando em conta as cotas de inundação.
As recentes enchentes demonstraram que a cidade carece de um sistema de proteção adequado desde a região do Veleiros do Sul até o Lami. Tudo se encontra no mesmo nível do rio, o que causou o alagamento de diversos bairros da zona sul. A partir dos estudos, precisaremos elaborar um projeto executivo para implementar um novo sistema de proteção nessa área,
o que exigirá recursos expressivos.
O Executivo enviou recentemente à Câmara um projeto de revisão da planta do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Quais fatores, na avaliação da prefeitura, justificam essa medida?
É importante esclarecer que não se trata de um aumento generalizado, mas da revisão da planta genérica de valores. Em função da Reforma Tributária federal, as Câmaras Municipais passam a definir apenas os critérios da cobrança, sendo responsabilidade das prefeituras a execução da planta. É um processo de adequação que diversas capitais do país estão realizando.
Porto Alegre conta com cerca de 900 mil imóveis, sendo 50 mil isentos. Pela proposta encaminhada, 173 mil imóveis terão redução de 20% no valor do imposto, e para cerca de 75% da base, o valor se manterá o mesmo. O reajuste visa corrigir distorções em apenas 46 mil imóveis que apresentam defasagem gritante entre o valor venal avaliado e o valor real de mercado.
Enviei o projeto por ser uma exigência de uma lei municipal de 2019, que obriga a revisão no primeiro ano de mandato. Implementamos travas de proteção para evitar que os contribuintes sejam surpreendidos por aumentos exorbitantes de um ano para o outro, garantindo um teto máximo de reajuste. Além disso, mantemos descontos que podem somar até 11% para quem não possui dívidas e solicita nota fiscal.
Se os vereadores decidirem rejeitar a proposta, respeitarei integralmente a autonomia legislativa. No entanto, o município tem responsabilidade fiscal. Caso a revisão não avance, precisarei equilibrar as contas cortando benefícios fiscais concedidos no passado a alguns setores e promovendo a cobrança de dívidas acumuladas por associações que possuem isenção de fachada, mas com imóveis penhorados.
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FERNANDO LEMOS
Nesta parceria com a Rede Pampa, a Revista Em Evidência publica mais uma das melhores entrevistas do Pampa Debates, comandado pelo vice-presidente da Rede Pampa de Comunicação
Entrevista: Paulo Sérgio Pinto
Edição: Lucio Vaz
Fotos: Chico Pinheyro/Revista Em Evidência e Produção: Pampa Debates
O Banrisul iniciou um novo conceito de agências no Centro de Porto Alegre, com atendimento em formato de “loja aberta”. O que muda na prática e quais serviços ficam disponíveis para quem não é correntista?
O acesso é aberto, no conceito de loja: não tem porta giratória para entrada, não tem nada disso. Ela é completamente ampla. Também porque mudou a lei, mas, além disso, não tem mais dinheiro nas agências.
Como nós mudamos todo o nosso sistema de ATM, nós podemos atender clientes de qualquer banco brasileiro. A pessoa pode fazer saque, depósito, pagamento de contas, transferências. Não precisa ser correntista do Banrisul. Nos demais bancos, normalmente só o correntista faz operações nos ATMs do próprio banco. Nós abrimos para todos os gaúchos, porque o nosso conceito é que todos são clientes do Banrisul: alguns são correntistas, outros não, mas todos são nossos clientes e nós prestamos serviço a todos.
Dá para fazer depósito sendo cliente de fintech ou banco digital; pode sacar, pagar boletos, fazer transferências, sacar por Pix, fazer as operações necessárias para retirar ou depositar dinheiro tranquilamente, ou fazer qualquer pagamento. E ficou muito mais moderno, mais aconchegante.
As agências têm Wi-Fi gratuito. A pessoa entra e tem Wi-Fi liberado para fazer as operações, porque hoje tudo é digital e, muitas vezes, se precisa de um documento e não consegue acessar. Além disso, tem a presença dos nossos operadores e gerentes de relacionamento para auxiliar em qualquer tipo de negócio. E nós vamos manter as agências físicas em lugares estratégicos, por decisão já tomada com a consciência do banco: queremos atender efetivamente toda a população.
Na evolução dos bancos, o senhor ouve com frequência a crítica de que
a tecnologia afastou o contato humano. Como o Banrisul organiza o atendimento digital sem abrir mão do “olho no olho”?
Nós temos certeza disso. As transações do dia a dia, 70% já são feitas nos aplicativos. Serviço de rotina — pagar conta, transferir — está no aplicativo, e praticamente quase todo mundo faz assim.
Mas quando a pessoa precisa fazer negócios, é diferente. Ela precisa ter confiança, alguém que possa orientar de forma adequada qual a melhor operação, qual a melhor aplicação. Isso sempre vai precisar da participação do olho no olho.
Nós robotizamos muitos dos nossos serviços internos do banco, praticamente todos, para ganho de produtividade. São serviços rotineiros: o “robô”, que não é um robô, é um sistema, faz automaticamente as operações. Isso dá ganho de produtividade e consistência, porque reduz erros em tarefas repetitivas. Mas o atendimento ao público a gente ainda quer cuidar muito com a participação dos funcionários, com presença física nas regiões e nas cidades.
E tem um diferencial importante: todo mundo sabe onde está o banco. Todo mundo sabe onde é o prédio central, ali na Praça da Alfândega, na Caldas Júnior, desde 1967. Sabe quem é o presidente, sabe quem são os diretores. Na cidade, sabe quem é o gerente e onde é a agência. O Banrisul não está só “na nuvem”; ele está presente na vida física das pessoas. E, claro, também opera na nuvem, para quem quiser operar assim, mas sempre existe uma referência: “cadê meu dinheiro?”. “Está ali no Banrisul”.
Treinamos cada vez mais os funcionários para atender melhor. Tecnologia só faz sentido se for para atender bem as pessoas. Quem dá propósito a uma instituição da dimensão do Banrisul são as pessoas. É para dar
“Treinamos cada vez mais os funcionários para atender melhor. Tecnologia só faz sentido se for para atender bem as pessoas. Quem dá propósito a uma instituição da dimensão do Banrisul são as pessoas. É para dar conforto, segurança nos negócios, ajudar empreendedores — sobretudo os pequenos — a começar suas vidas e seus sonhos. Esse é o papel do Banrisul como indutor do desenvolvimento do Rio Grande do Sul, e nós não abrimos mão disso
conforto, segurança nos negócios, ajudar empreendedores — sobretudo os pequenos — a começar suas vidas e seus sonhos. Esse é o papel do Banrisul como indutor do desenvolvimento do Rio Grande do Sul, e nós não abrimos mão disso.
A lógica de “promoções” mudou muito no setor financeiro. O que ainda faz sentido hoje, e o que não é recomendável, especialmente quando
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o assunto é crédito?
A poupança é um produto… hoje se usa muito em áreas de seguros. Nós, por exemplo, lançamos uma capivarinha de pelúcia, que foi um sucesso absoluto: em dois dias acabou o estoque.
A gente usa isso, mas em operações de crédito não é recomendável. Crédito tem que ser uma coisa mais
pensada. A gente tem preocupação com educação financeira. A população está bastante endividada, e cabe também às instituições financeiras ajudar a educar as pessoas a saber usar corretamente o crédito quando é necessário, para não se endividar demais. A dívida excessiva, sobretudo com a Selic nessa altura, atrapalha muito. É doloroso para nós do banco ver clientes nossos com muita dificuldade de manter adimplência.
Então, a gente faz campanha para captação de aplicações, em seguro, previdência, capitalização. Mas na área de crédito, não. Crédito tem que ser usado com muita consciência. O Brasil não está tão acostumado com o crédito: nós somos acostumados com o crediário, e não com o crédito, e é preciso diferenciar essas coisas. Não dá para entupir a pessoa de crédito, porque ela acaba gerando problema logo ali na frente.
E tem um fenômeno que também pesa nesse ambiente: grandes varejos passaram a concorrer com bancos, com a criação de financeiras, e muita gente acabou oferecendo crédito de todo lado. Além disso, houve a ruptura do sistema financeiro com bancos digitais e fintechs, o que eu acho positivo, porque aumenta a concorrência, mas também exige cuidado para não ser demais.
Nós cuidamos dos nossos clientes. Queremos que eles estejam adimplentes. O Banrisul é parceiro para investimentos e para empréstimos que realizem sonhos. O Banrisul não é parceiro para superendividamento.
O endividamento rural no Rio Grande do Sul ganhou dimensão pública, com impacto na indústria, no comércio e nos serviços. Quais fatores, na sua avaliação, construíram essa situação e o que precisa acontecer para reorganizar o setor?
O agronegócio brasileiro e gaúcho é um ativo muito importante para a economia do Brasil e do Rio Grande do Sul; se aproxima dos 50% do PIB gaúcho. Se não estiver bem, o Estado não vai estar bem: a economia não gira, não gira o comércio, não gira a indústria, não gira o serviço.
Nós tivemos três, quatro eventos muito importantes que levaram a essa situação. Não é só o agro gaúcho, é o agro brasileiro, embora aqui nós tenhamos o agravamento das estiagens, principalmente. Nós viemos de um período em que a inflação era baixa, a taxa de juros muito baixa e as commodities estavam num preço lá em cima. Isso durou um ano e meio, dois anos. Inclusive o arroz: chegou a um patamar que nunca foi visto antes.
No segundo momento houve uma disparada dos juros. Nesse período, houve muito investimento por parte dos produtores, porque o juro estava adequado e o preço das commodities era bastante elevado. Em seguida
“Nós temos certeza disso. As transações do dia a dia, 70% já são feitas nos aplicativos. Serviço de rotina — pagar conta, transferir — está no aplicativo, e praticamente quase todo mundo faz assim. Mas quando a pessoa precisa fazer negócios, é diferente. Ela precisa ter confiança, alguém que possa orientar de forma adequada qual a melhor operação, qual a melhor aplicação. Isso sempre vai precisar da participação do olho no olho
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veio uma Selic de 15% e, aqui, três estiagens, quatro estiagens, durante cinco anos. O produtor não conseguiu produzir o suficiente para manter a cadeia produtiva e os negócios em dia. Com a Selic lá em cima, o endividamento estourou.
É preciso reorganizar isso, e aí precisa efetivamente que o Governo Federal ajude, porque não foi por falta de previsão, não foi por incompetência; foram coisas adversas. De um ano para o outro saiu de 3%, 4% ao ano — compatível com o setor agrícola — e foi para 15%. Isso é incompatível. Para quem tem financiamento no
livre, chega a 20%, 22% ao ano. Não tem como sustentar.
E, no caso do Rio Grande do Sul, em cinco anos, quatro estiagens, que também não estão no controle dos produtores. Então não dá para atribuir ao produtor que ele é o culpado disso quando não é. Nós precisamos arrumar isso para o campo voltar a produzir. Felizmente, parece que este ano, até agora, por enquanto, o clima está correndo bem; a semana passada deu uma chuva bastante boa e as lavouras estão boas. A gente tem expectativa de que vá dar uma boa safra, e esse é um primeiro passo.
Mas é preciso arrumar a dívida dos produtores, e aí só o Governo Federal consegue fazer isso. Aqui, nas carteiras do banco, o governador Eduardo Leite nos ajudou muito alocando recursos para que a gente pudesse alongar a dívida, e nós alongamos muitas. Ainda é insuficiente, porque o volume de recursos que precisa hoje para o agronegócio é gigantesco.
E também mudou a exigência de capital: hoje a produção é uma indústria a céu aberto, exige um capital de giro gigantesco. Qualquer 100 hectares de lavoura são milhares e milhares de reais para produzir. Se frustra a safra, o problema fica na mão do produtor.
Eu sempre insisto: é uma obrigação do Governo Federal, porque o agronegócio é o maior ativo econômico que o Brasil tem. Ele faz a balança comercial brasileira, ele coloca o PIB brasileiro, ele coloca o Brasil como uma das maiores economias do mundo, porque é um dos principais produtores de alimentos, e o mundo sempre vai precisar de alimentos.
Além disso, os custos hoje estão em outro padrão, mais elevado. No Brasil começou-se a controlar a inflação agora; este ano ela vai mais ou menos ficar dentro da meta, ela deixou de subir, mas não baixou. Isso também aumenta custo de produção rural. Precisa atenção especial do Governo Federal.
O Banrisul opera como um conglomerado com diversas frentes — armazéns gerais, seguradoras, corretora, consórcio e adquirência Vero. A presidência abrange todo o conglomerado ou apenas o banco comercial?
Todo o conglomerado é presidido pelo presidente do Banrisul. As demais empresas têm seus dirigentes, mas a coordenação geral é do presidente, é ele que orienta todo o caminho da instituição. Ele acaba sendo presidente do conselho da maioria
delas e arbitra disputas, porque às vezes há disputa entre um produto e outro.
É muito trabalho, mas é possível, com objetividade e tranquilidade. Existe uma grande rede: a nossa governança tem mais de 200 pessoas, entre executivos e gente em comitês de crédito e de auditoria. Tudo isso é composto por uma grande rede lá dentro, coordenada pelo presidente. E o banco está muito bem; vamos fechar um grande ano.
No debate sobre infraestrutura, especialmente rodovias, quais caminhos o estado precisa considerar para superar gargalos logísticos?
Pagar pedágio a gente gosta? Provavelmente ninguém gosta, assim como pagar imposto também ninguém gosta. Mas o investimento privado precisa de retorno. Se a gente olhar, por exemplo, o trecho daqui a Caxias do Sul: são 120 quilômetros entre a capital e o principal polo econômico do estado, e ainda tem pista única na parte da serra, com extrema dificuldade, acidentes, engavetamento. Nós tínhamos que ter uma freeway nesse trecho.
E, sem um outro modelo, a gente fica preso à ideia de que “devia ser do estado”. Devia, mas o estado não tem condições e não vai ter, nos próximos 100 anos, condições de investir em rodovias como isso exige. E, mesmo que invista, tem manutenção, tem toda uma questão. Então é concessão: não tem muito o que fazer nessa área.
E, no caso do Rio Grande do Sul, em cinco anos, quatro estiagens, que também não estão no controle dos produtores. Então não dá para atribuir ao produtor que ele é o culpado disso quando não é. Nós precisamos arrumar isso para o campo voltar a produzir. Felizmente, parece que este ano, até agora, por enquanto, o clima está correndo bem; a semana passada deu uma chuva bastante boa e as lavouras estão boas
O banco estruturou um braço cultural, com investimentos após a enchente e criação de uma instituição dedicada ao tema. O que foi feito e como será a atuação a partir do próximo ano?
um acervo fantástico.
E culminamos com a criação do Instituto Banrisul Cultural, sem fins lucrativos. Ele usará as leis tributárias que o Banrisul tem para que a gente possa transferir para o instituto e o instituto aplicar 100% na área cultural do Rio Grande do Sul, para dar uma alavanca maior ainda. Coincidentemente, essa semana ficou pronto o CGC; agora ele está oficialmente e legalmente estabelecido.
A partir do ano que vem, a gente vai começar a atuação com a Beatriz Araujo, nossa diretora executiva, que fez grande sucesso como secretária de Cultura, conhece profundamente esse meio e está nos ajudando a montar tudo isso. Vamos começar devagar, claro, porque estamos nascendo, mas vai ser também uma grande instituição na área cultural do Rio Grande do Sul.
O Rio Grande do Sul precisa melhorar muito a sua infraestrutura. A infraestrutura básica de qualquer estado é rodovia, e nós temos rodovias muito acanhadas. Como o estado não tem condições — e nem o país, nem o governo federal, nem o estadual — de investir pesadamente, a solução que temos é parceria público-privada e concessões de serviços públicos para que a gente possa melhorar isso.
Nós acreditamos muito na cultura. Nesses últimos dois anos, investimos muito dinheiro na área cultural. Além dos tradicionais projetos culturais que nós já tínhamos, após a enchente nós avançamos para a recuperação de prédios culturais atingidos: Casa de Cultura Mario Quintana, o próprio Margs, a Ospa, o Museu Hipólito da Costa. Nós alocamos ali 25 milhões de reais para recuperar todos.
Este ano alocamos 10 milhões de reais para recuperar as principais bibliotecas do Rio Grande do Sul, sobretudo duas que são extremamente importantes e históricas: a de Pelotas e a de Rio Grande. A de Rio Grande é uma biblioteca espetacular, com
E a cultura é um grande setor econômico também: para um artista subir no palco, tem 50, 60 pessoas trabalhando ao entorno. E um povo que não tem cultura não tem alma. A cultura faz o amálgama de uma sociedade. Os gaúchos são do jeito que são por causa da sua cultura, e a alma do Banrisul é a alma dos gaúchos.
No debate sobre a natureza do banco, aparece a pergunta: o Banrisul é estatal? Como o senhor descreve a estrutura do controle e a origem do dinheiro que o banco movimenta?
É um banco de economia mista. 52% do patrimônio do banco não é mais do Estado do Rio Grande do Sul. O Estado do Rio Grande do Sul é o controlador do banco, porque tem as ações que controlam a instituição. Mas, distribuindo todo o capital do banco, quase 52% são da iniciativa privada.
E todo o dinheiro que está no Banrisul é privado. Não tem um centavo público sendo utilizado pelo Banrisul.
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LEONARDO LAMACHIA
Nesta parceria com a Rede Pampa, a Revista Em Evidência publica mais uma das melhores entrevistas do Pampa Debates, comandado pelo vice-presidente da Rede Pampa de Comunicação
Entrevista: Paulo Sérgio Pinto
Edição: Lucio Vaz
Fotos: Chico Pinheyro/Revista Em Evidência e Produção: Pampa Debates
Presidente Leonardo Lamachia, qual é a sua avaliação sobre o atual momento da OAB do Rio Grande do Sul?
Tivemos um ano de 2025 muito ativo e dinâmico. Foi um período intenso, especialmente se lembrarmos do balanço que fizemos no ano passado sobre 2024, um ano marcado pela dificuldade das enchentes, mas que conseguimos superar em conjunto.
No que se refere à atuação da entidade de classe e à defesa das prerrogativas profissionais, como o senhor avalia o atual relacionamento da Ordem com os seus associados?
O resultado das urnas fala por si sobre a avaliação do nosso primeiro mandato, de 2022 a 2024. Fomos reeleitos na maior eleição da história da entidade, com 77% dos votos e, de maneira inédita, com vitória em todas as 107 subseções do Estado. Esse recado das urnas nos deu legitimidade para trabalhar em 2025 e nos próximos dois anos, mas também impôs uma enorme responsabilidade. O cenário atual segue sendo desafiador para a advocacia, e só não está mais complexo devido à atuação firme da Ordem.
Entregamos conquistas históricas, como a aprovação da lei estadual que isenta os advogados do pagamento de custas na execução de honorários de sucumbência. Para esclarecer, nenhuma classe trabalhadora no país paga custas para reclamar a sua remuneração, e os honorários fazem parte da nossa. Além dessa vitória, articulamos cinco projetos de lei de interesse da categoria com o Tribunal de Justiça e a Assembleia Legislativa, alcançamos 39 elevações de entrância e criamos 15 novas unidades jurisdicionais. O discurso institucional é importante, mas de nada adianta se estiver descolado da ação concreta. Inauguramos sedes e coworkings, fortalecemos a advocacia dativa e realizamos a Cidade da Advocacia, evento que bateu recorde com 29 mil
inscritos em sua quarta edição.
A Cidade da Advocacia, além do aspecto de capacitação técnica, funcionou como uma estratégia de valorização e de projeção da categoria institucionalmente?
Sim, o evento resgatou um sentimento fundamental de pertencimento. O advogado que participa de uma iniciativa daquela grandiosidade no Cais Embarcadero, um evento já reconhecido como o South Summit do Direito, tem o seu coração tocado e o orgulho renovado. Tenho clareza das dificuldades atuais da profissão, como as restrições ao exercício diário e a morosidade do Poder Judiciário. No entanto, a OAB tem agido de forma incisiva para transpor essas barreiras, e sabemos que há muito a entregar.
Em relação à advocacia pública, abrangendo a Defensoria e a Procuradoria do Estado, qual é o posicionamento da OAB sobre o recebimento de honorários de sucumbência por parte desses procuradores?
Essa é uma pauta e uma luta histórica da OAB, que sempre se posicionou de forma favorável. Foi a Ordem que garantiu, no Código de Processo Civil de 2015, o direito de os advogados públicos receberem os honorários de sucumbência. Considero uma solução inteligente e justa, sobretudo porque esses honorários são pagos exclusivamente pela parte vencida no processo.
Essa prerrogativa não provoca um desequilíbrio em relação a outras categorias do funcionalismo público que não possuem o mesmo benefício, como os professores, gerando um descompasso de tratamento estatal?
Ocorre que as demais profissões não possuem esse direito previsto em legislação específica. O legislador optou por conceder essa prerrogativa à advocacia, configurando, inegavelmente, um tratamento diferenciado,
CAPA
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O Brasil convive com uma instabilidade perene entre as instituições. Vejo uma parte considerável de responsabilidade por esse cenário partindo da postura do Supremo Tribunal Federal. Minhas manifestações de ressalva, todas feitas sob a ótica estritamente jurídica, desvinculadas de viés político ou eleitoral, são direcionadas aos abusos procedimentais em curso
mas que tem origem na vontade legal e deve ser respeitada. Nada impede, porém, que o poder público amplie esse debate e avalie o avanço de formatos semelhantes de mérito para outras categorias.
“Para esclarecer, nenhuma classe trabalhadora no país paga custas para reclamar a sua remuneração, e os honorários fazem parte da nossa.
mente. Desde que assumimos a gestão, nossa posição tem sido clara: quem deve optar pelo formato da audiência, se virtual ou presencial, é o cidadão, a parte que ingressa com a ação. Atualmente, não há um regramento nacional unificado sobre o tema, visto que o Conselho Nacional de Justiça optou por não emitir uma regulamentação obrigatória.
Além dessa vitória, articulamos cinco projetos de lei de interesse da categoria com o Tribunal de Justiça e a Assembleia Legislativa, alcançamos 39 elevações de entrância e criamos 15 novas unidades jurisdicionais
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Como o senhor analisa a aplicação de modelos de meritocracia para os demais servidores, considerando o risco de as avaliações esbarrar em critérios políticos das gestões de turno?
Esse é o ponto central. É fundamental termos uma legislação no serviço público que garanta às demais carreiras a possibilidade de remuneração extra com base no mérito, a exemplo da classe dos professores. Atualmente, existem mecanismos sofisticados de gestão capazes de realizar essas avaliações com base em desempenho real. O caminho seria analisar as particularidades de cada carreira e criar filtros para afastar o elemento político, priorizando sempre critérios estritamente técnicos.
Em relação ao formato das audiências no Estado, sejam elas presenciais ou virtuais, como a OAB tem tratado a flexibilização e os impasses desse modelo após o período de pandemia?
O cenário melhorou significativa-
O que nos preocupava era uma migração total e compulsória para o ambiente virtual. A OAB sempre defendeu que o juiz, independentemente do formato da audiência, deve estar fisicamente presente no foro, pois ele é o representante institucional do Poder Judiciário na comarca. Hoje, amparados pelo bom senso dos envolvidos, alcançamos uma organização mais equilibrada, reconhecendo que o formato virtual oferece vantagens processuais essenciais, evitando deslocamentos desgastantes e custosos.
A proliferação do Ensino à Distância (EAD) alterou a formação acadêmica e o comportamento do mercado. Como o senhor projeta o impacto desse modelo na capacitação dos futuros profissionais nos próximos anos?
Criamos um grupo de trabalho no nosso conselho pleno com o objetivo específico de debater os cursos de Direito no Estado. O Brasil possui, hoje, um volume superior a 1.900 faculdades de Direito, um número maior do que a soma de todos os demais países do mundo. Apenas no Rio Grande do Sul, são 107 instituições. Nosso grupo está revisando cada um desses cursos e, caso seja identificada a falta de condições operacionais e pedagógicas adequadas, buscaremos judicialmente o fechamento das vagas operantes.
A partir de uma forte articulação de
todo o sistema da OAB Nacional e de suas seccionais, conseguimos barrar a expansão do EAD no Direito, que atualmente está suspensa. A Ordem é frontalmente contrária a essa modalidade para a formação jurídica, do mesmo modo que a sociedade considera inaceitável formar médicos ou odontologistas a distância. Preocupa-nos a postura histórica do Ministério da Educação, que tem atuado como um facilitador de aberturas de cursos desprovidos de requisitos mínimos. Esse tema pauta intensamente o Fórum dos Conselhos e Ordens das Profissões Regulamentadas do Rio Grande do Sul, presidido por mim e que congrega quase um milhão de profissionais.
Na advocacia privada, o modelo de trabalho remoto possui níveis de autodeterminação. Contudo, em relação aos órgãos e servidores públicos, qual é a sua posição sobre a adoção do home office em caráter definitivo?
Na iniciativa privada, é uma realidade imposta pelo mercado. Diversos escritórios enxugaram suas estruturas físicas e operam de forma híbrida ou remota. Pessoalmente, valorizo o trabalho presencial por favorecer a imersão na cultura organizacional e a troca de experiências, mas respeito as decisões gerenciais do setor privado.
Para os órgãos e servidores públicos, contudo, discordo do afastamento presencial sistemático. Pela natureza indelegável e essencial do atendimento à sociedade, os quadros do Estado precisam estar em loco, com exceção de nichos técnicos muito específicos onde o modelo remoto comprove redução de gastos públicos. A prestação jurisdicional exige presença. O juiz não é um mero elaborador de teses; ele é o rosto da Justiça para a comunidade, sendo determinação constitucional que resida no local onde atua.
Diante das crescentes ameaças do crime organizado contra magistrados e promotores, o senhor seria fa-
CAPA
BASTIDORES
Presidente da OAB/RS, Leonardo Lamachia, e a namorada Marcelle Ceolin, com o apresentador Paulo Sérgio Pinto, momentos antes da gravação
vorável à implementação da figura do "juiz sem rosto" para proteger julgadores de retaliações?
Somos radicalmente contrários à implementação dessa figura institucional. No nosso ordenamento jurídico e na modelagem constitucional, não há como admitir que uma sentença seja proferida sem a devida transparência de autoria. O conhecimento da identidade do juiz é a garantia primária para a verificação de eventuais suspeições ou impedimentos. Defendemos que o Estado oferte o máximo
de segurança armada e inteligência institucional aos que combatem o crime, mas a sociedade possui o direito absoluto de controle sobre os atos do Judiciário. O anonimato fragiliza a relação de confiança no devido processo legal.
Como a Ordem atua nas situações de ameaça direcionadas ao livre exercício da própria advocacia?
A escalada das ameaças aos advogados criminalistas nos preocupa severamente. Tivemos um caso gra-
víssimo recentemente em Soledade, envolvendo uma colega que atuava como assistente de acusação em um homicídio de grande repercussão. Após ser jurada de morte pelo comando de uma facção, realizamos um ato de desagravo contundente, contatamos a cúpula da segurança estadual e a Polícia Civil deflagrou uma operação que culminou em cinco prisões.
Enquanto membros do Ministério Público e do Judiciário acessam escoltas e aparatos estatais diante de intimi-
dações, a advocacia privada atua desprotegida. Para reverter isso, estamos estruturando um projeto junto à Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos para consolidar o primeiro programa de proteção institucional e escolta a profissionais comprovadamente ameaçados de morte.
“ ”Desde que assumimos a gestão, nossa posição tem sido clara: quem deve optar pelo formato da audiência, se virtual ou presencial, é o cidadão, a parte que ingressa com a ação. Atualmente, não há um regramento nacional unificado sobre o tema, visto que o Conselho Nacional de Justiça optou por não emitir uma regulamentação obrigatória
O Supremo extrapolou os freios e contrapesos ao conduzir e prolongar um inquérito de origem questionável. As evidências apontam falhas sistêmicas em relação ao devido processo legal, que é a pedra angular do direito de defesa. Ocorreram violações explícitas de prerrogativas dos advogados, que tiveram desde sustentação oral vetada até negativa de acesso aos autos integrais. E o mais grave é que o Poder Judiciário deveria atuar como o agente pacificador dos conflitos, postura que se mostra incompatível com o uso excessivo de liminares de urgência e a manifestação precipitada de opinião em processos sob escrutínio de outras instâncias.
As bases de tecnologia atuais em atividade oferecem margem de autonomia a ponto de julgar os méritos ou atuam rigidamente sob parâmetros emitidos pelo magistrado encarregado?
“Diante da polarização nacional e das fortes críticas aos excessos cometidos na Suprema Corte, especificamente no âmbito de inquéritos sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, como o senhor analisa a atuação do Supremo Tribunal Federal e a postura do Parlamento neste cenário de desarranjo institucional?
O Brasil convive com uma instabilidade perene entre as instituições. Vejo uma parte considerável de responsabilidade por esse cenário partindo da postura do Supremo Tribunal Federal. Minhas manifestações de ressalva, todas feitas sob a ótica estritamente jurídica, desvinculadas de viés político ou eleitoral, são direcionadas aos abusos procedimentais em curso. Paralelamente, enxergo erros graves do Parlamento, seja em atos que não observam os ritos da Constituição, seja pela omissão e pelo silêncio prolongado do Senado diante das crises constitucionais do país.
O monitoramento das entidades de certificação e segurança de tecnologia aponta que já dispomos de sistemas antifraude aptos a identificar as variações de percentuais entre uma peça escrita integralmente por robôs ou formulada sob matrizes mistas. No Judiciário, os núcleos programados operam de forma isolada do veredito e impedem a resolução mecânica do mérito; em outras palavras, quem insere o comando interpretativo de prolação de sentença ainda é, sem exceção, o juiz humano.
Meu receio maior não reside apenas no algoritmo do amanhã, mas no possível declínio analítico de parte das gerações que o manipulará. Se reduzirmos as capacidades fundamentais, como a bagagem cultural profunda, o ímpeto da leitura processual atenta e a estruturação lógica do vocabulário ,as gerações do futuro fracassarão sequer ao fornecer o comando, ou prompt, necessário para que a própria ferramenta entregue qualquer conteúdo juridicamente qualificado.
O Brasil convive com uma instabilidade perene entre as instituições. Vejo uma parte considerável de responsabilidade por esse cenário partindo da postura do Supremo Tribunal Federal. Minhas manifestações de ressalva, todas feitas sob a ótica estritamente jurídica, desvinculadas de viés político ou eleitoral, são direcionadas aos abusos procedimentais em curso. Paralelamente, enxergo erros graves do Parlamento, seja em atos que não observam os ritos da Constituição, seja pela omissão e pelo silêncio prolongado do Senado diante das crises constitucionais do país
Durante a sua gestão, o senhor tem intensificado as viagens, com milhares de quilômetros rodados pelo interior e vistorias ativas a presídios, fóruns e unidades de segurança. Qual é o diagnóstico retirado de forma direta nas subseções e bases?
CAPA
O corpo a corpo na advocacia não aceita representação remota. Somamos quase 300 mil quilômetros executados, o que viabiliza compreender em detalhes qual é o estado físico das comarcas de fronteira ou as falhas da Região Metropolitana. Esse movimento
rotineiro pelo sistema penitenciário é o que oxigena as propostas da Ordem, permitindo que a instituição transforme queixas de estrutura burocrática e inoperâncias técnicas nas delegacias de base em despachos efetivos e demandas formais encaminhadas para
o Executivo. Como presidente de uma entidade tão importante, acredito que esse contato constante, mesmo nos pontos mais longínquos, é uma forma clara de demonstrar meu comprometimento àqueles a quem fui eleito para servir e apoiar.
LAUREN MOMBACK MAZZARDO
PRESIDENTE DA JUCISRS
Edição: Lucio Vaz
Entrevista: Cláudio Andrade e Lucio Vaz
Revisão: Patrícia Cruz
Fotos: ChicoPinheyro/Revista Em Evidência
A Junta Comercial, Industrial e Serviços do Rio Grande do Sul (JucisRS) é uma das portas de entrada para quem decide empreender: é ali que muitos negócios passam a existir formalmente, com registro, atos empresariais e integração com outros órgãos. À frente desta estrutura desde 03/08/2020 — quando tomou posse como a primeira mulher a presidir a autarquia em mais de um século de história —, Lauren Momback Mazzardo tem conduzido uma agenda marcada pela ampliação de canais digitais, simplificação de etapas e busca por segurança jurídica para quem abre, altera ou encerra empresas. Reconduzida para a segunda gestão em 26/04/2023, ela também tem destacado iniciativas como a plataforma Tudo Fácil Empresas, voltada a casos de baixo risco, a interiorização de serviços e parcerias para levar atendimento a mais
municípios, além do Avança Mulher Empreendedora, programa de capacitação e inclusão produtiva com foco em mulheres em situação de vulnerabilidade. No Programa Em Evidência na TV (aos domingos na Masper TV, canal 520 da Claro NET, das 17h30 às 19h, e também no canal @revistaemevidencia no YouTube), Lauren fala sobre resultados, limites e próximos passos dessas frentes, e explica como o cidadão pode acompanhar mudanças, usar os serviços e buscar orientação com clareza e segurança. Confira a seguir alguns trechos desta entrevista com Lauren Momback Mazzardo ou acesse o QR Code e assista ao programa na íntegra
Presidente Lauren Mazzardo, a senhora é a primeira mulher a presidir a Junta Comercial, Industrial e Serviços do Rio Grande do Sul, em mais de um século de história, e foi reconduzida ao cargo recentemente. Como se deu a sua trajetória profissional até chegar à presidência da autarquia?
Sou mãe do Lucas, um bebê de cinco meses, advogada há 23 anos, servidora e gestora pública. Ao longo da minha carreira, atuei no município, no Ministério Público, e também tive minhas próprias empresas e escritório. Assumi a presidência da Junta Comercial em agosto de 2020, no auge da pandemia de Covid-19, um período crítico de fechamento de empresas, perdas irreparáveis e ainda sem a disponibilidade de vacinas.
Foi nesse cenário desafiador que passei a comandar essa autarquia estadual fundamental para o Rio Grande do Sul, responsável pela abertura de negócios, registro de atos, concessão de personalidade jurídica e acompanhamento de toda a vida empresarial. Nosso foco inicial, portanto, foi buscar maneiras efetivas de auxiliar os pequenos empreendedores a enfrentar a crise econômica.
Quais foram as primeiras medidas adotadas pela JUCISRS para conter o fechamento de negócios e apoiar esses pequenos empreendedores?
A primeira atitude foi isentar as pequenas empresas — na época, as Limitadas, Eireli e Cooperativas — da cobrança do preço público para a abertura de novos negócios. O Rio
Grande do Sul foi o único estado brasileiro a manter essa isenção por 11 meses, enquanto outras unidades da federação aplicaram a medida por apenas 30 ou 60 dias. Como resultado dessa política, implementada já no início da minha gestão, registramos um aumento de cerca de 40% na abertura de novas empresas entre agosto de 2020 e o final de 2021.
Além da isenção de taxas, quais outras inovações foram implementadas para facilitar o ambiente de negócios naquele período?
Em setembro de 2020, um mês após eu assumir, fomos a primeira das 27 juntas comerciais do Brasil a implementar o uso de assinaturas avançadas por meio da plataforma Gov. br. Naquele momento de severas restrições de mobilidade, adotar uma ferramenta que permitisse assinar documentos com segurança jurídica e sem custos estava perfeitamente alinhado às nossas políticas de desburocratização.
Essa inovação permitiu que os usuários assinassem documentos de qualquer lugar do mundo, dispensando o deslocamento até um cartório, seja utilizando o home banking ou o reconhecimento facial. Posteriormente, em 2021, lançamos o Tudo Fácil Empresas, um grande projeto desenvolvido em parceria com os municípios. O piloto ocorreu em Porto Alegre, onde conseguimos automatizar integralmente a abertura de empresas de baixo risco, de forma rápida e gratuita.
Para esclarecer o processo de forma-
lização aos empreendedores, como se dá a divisão de responsabilidades entre a JucisRS e os municípios na abertura de um negócio?
A Junta Comercial é uma autarquia estadual e atua como a porta de entrada por meio do seu portal de serviços, mas há diversos atores envolvidos nos bastidores. Todos os 497 municípios gaúchos integram a Redesim — cuja gestão é de responsabilidade das juntas comerciais, conforme a legislação de 2007. Na primeira etapa de abertura, a Junta Comercial analisa o nome empresarial, enquanto o município avalia, de forma obrigatória, a viabilidade do endereço escolhido para o funcionamento do negócio.
A agilidade na formalização é uma demanda constante. Como a digitalização tem impactado o tempo de espera, especialmente para as empresas que dependem de licenciamentos específicos?
Para compreender a complexidade do processo, é preciso dividi-lo em etapas. Primeiro, o município avalia a viabilidade do local. A segunda fase é o registro e a obtenção do CNPJ, que envolve a Junta Comercial e a Receita Federal. A última etapa abrange os licenciamentos, incluindo os órgãos estaduais — como Fepam, Corpo de Bombeiros e Vigilância Sanitária — e os órgãos municipais. Alguns municípios chegam a ter sete órgãos de licenciamento que, somados aos do Estado e às inscrições tributárias, envolvem pelo menos doze entes de três esferas públicas atuando sob um único protocolo gerado pela Junta Comercial.
Quando assumi a presidência, a JucisRS ocupava a 25ª posição no ranking nacional de tempo de abertura. Trabalhamos intensamente na desburocratização e na aplicação responsável da tecnologia, automatizando etapas para reduzir a intervenção humana desnecessária, sem abrir mão da segurança jurídica. Atualmente, somos a segunda junta mais rápida do Brasil e a quarta maior em volume de processos.
O que representa, na prática, esse volume operacional gerido pela JucisRS diariamente?
Esse volume engloba tanto a abertura quanto a alteração de empresas, sendo as alterações contratuais a maior demanda. Temos uma média de 1.500 processos diários no Rio Grande do Sul, sem contabilizar atendimentos, emissão de certidões, livros e outros serviços.
É uma operação expressiva conduzida por uma equipe enxuta de apenas dez analistas próprios. Contamos também com 24 escritórios regionais no interior, operados por servidores municipais cedidos via convênio, o que nos impõe o desafio de atuar em parceria, já que não podemos estabelecer metas diretas de produtividade para profissionais que não pertencem ao quadro da autarquia.
Do ponto de vista financeiro, quais são os custos atuais para a formalização de um negócio no estado?
Os custos variam de acordo com a natureza jurídica, mas a JucisRS possui hoje uma das tabelas mais acessíveis do país. Para abrir uma sociedade limitada pela via comum, o valor estadual fica entre R$ 200 e R$ 250. No entanto, se o empreendedor utilizar o Tudo Fácil Empresas para atividades de baixo risco, a abertura é totalmente gratuita e rápida. Essa plataforma já está presente em 76 municípios gaúchos, e não há qualquer custo de adesão para as prefeituras ou taxas para os empresários que a utilizam.
Reconduzida para a segunda gestão, Lauren, a primeira mulher a presidir a autarquia em mais de um século de história, também tem destacado iniciativas como a plataforma Tudo Fácil Empresas, voltada a casos de baixo risco, a interiorização de serviços e parcerias para levar atendimento a mais municípios, além do Avança Mulher Empreendedora, programa de capacitação e inclusão produtiva com foco em mulheres em situação de vulnerabilidade
EM EVIDÊNCIA NA TV
Quais são os critérios exigidos para que um empreendimento possa utilizar a plataforma Tudo Fácil Empresas?
O Tudo Fácil Empresas atende sociedades Limitadas ou Empresas Individuais — que representam mais de 70% dos novos negócios no estado —, desde que exerçam atividades classificadas como de baixo risco. É importante ressaltar que a dispensa de licenciamento prévio não significa ausência de fiscalização. A Lei da Liberdade Econômica, de 2019, consagrou o princípio da boa-fé, o qual adotamos fortemente na nossa gestão.
Facilitamos o início da operação para que o empreendedor possa gerar renda e empregos rapidamente. Contudo, assim que a empresa é aberta sem a necessidade de licenciamento prévio, os órgãos competentes são notificados do empreendimento e passam a atuar de forma proativa para verificar se a legislação está sendo cumprida adequadamente.
ção de cirurgias ou a venda de medicamentos. Se as respostas confirmarem o enquadramento em baixo risco, a dispensa de licenciamento é concedida instantaneamente — um processo que, no passado, chegava a levar meses.
Quando assumi a presidência, a JucisRS ocupava a 25a posição no ranking nacional de tempo de abertura. Trabalhamos intensamente na desburocratização e na aplicação responsável da tecnologia, automatizando etapas para reduzir a intervenção humana desnecessária, sem abrir mão da segurança jurídica
De que maneira a tecnologia atua para desburocratizar o trâmite desses licenciamentos?
A partir das premissas da Lei da Liberdade Econômica, entendemos que quem deve circular entre as repartições é a informação, e não o empreendedor. Antes do Tudo Fácil Empresas, o processo exigia deslocamentos físicos até os órgãos ambientais municipais e estaduais apenas para responder a questionários básicos. O trâmite interno gerava idas e vindas burocráticas que atrasavam demasiadamente a dispensa do licenciamento.
Hoje, parametrizamos todas essas exigências no portal de serviços da Jucergs. Ao preencher o cadastro, o sistema faz as perguntas necessárias. Usando o exemplo da pet shop, o sistema questiona sobre a realiza-
Há relatos de que, há alguns anos, certos municípios levavam quase um ano para concluir a abertura de uma empresa. Como a JucisRS tem atuado para nivelar a agilidade entre as prefeituras gaúchas?
Esse cenário era real. Há cerca de sete anos, existiam municípios que de fato levavam quase um ano para concluir a abertura de um negócio. Hoje, as prefeituras que apresentam maior agilidade são justamente as que adotaram o Tudo Fácil Empresas e otimizaram seus processos internos. Ao longo da minha presidência, percorri o estado repetidas vezes para auxiliar os gestores municipais nessa organização, pois a eficiência do sistema depende da integração de todos os atores.
Além disso, integramos novos serviços à Redesim. No final de 2023, firmamos uma parceria com a Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS). Agora, assim que o empresário conclui a abertura da empresa, ele já pode cadastrar suas vagas de emprego diretamente no nosso por-
tal, e a informação é enviada automaticamente para o Sine, dispensando a necessidade de buscar plataformas externas.
O uso da Inteligência Artificial (IA) tem se expandido rapidamente nos serviços públicos. A JucisRS já incorporou essa tecnologia em suas operações e análises documentais?
Sim, nos tornamos um case de sucesso nacional nesse aspecto. A Junta Comercial hoje é 100% digital, sem nenhuma tramitação de papel. O desafio seguinte foi resolver o gargalo do acúmulo diário de processos, causado pela assimetria entre o alto volume de demandas e a dificuldade estrutural de realizar concursos e contratar novos analistas. Para solucionar isso, iniciamos o projeto de
“
Atualmente,
somos a segunda junta mais rápida do Brasil e a quarta maior em volume de processos
implementação da Inteligência Artificial.
Passamos os anos de 2023 e 2024 treinando a IA com diversas equipes internas. É uma tecnologia extremamente segura, alimentada e calibrada com a análise prévia de mais de um milhão de atos processuais para garantir alta precisão e confiabilidade nos resultados.
Existe um senso comum de que encerrar as atividades de uma empresa no Brasil é mais complexo do que abri-la. O que há de verdade nisso?
Isso é um grande mito. Atualmente, a etapa de arquivamento padrão para o fechamento de uma empresa na Junta Comercial é resolvida no mesmo dia em que o protocolo é gerado, utilizan-
do a ficha disponibilizada pelo nosso sistema.
A dificuldade relatada por muitos empreendedores ocorre quando o CNPJ possui pendências tributárias junto à Receita Federal ou à Secretaria da Fazenda do Estado. Nessas situações, a resolução dos débitos deve ser feita diretamente com os órgãos competentes, pois a regularização fiscal foge à jurisdição da Junta Comercial.
Como primeira mulher a ocupar a presidência da instituição, quais projetos e políticas a senhora tem desenvolvido na JucisRS voltados especificamente para o empreendedorismo feminino?
Conheço bem as dificuldades desse cenário por ser a primeira mulher a
presidir a Junta, por ter sido empreendedora e agora como mãe. A mulher, na grande maioria das vezes, empreende por extrema necessidade. Enquanto o homem planeja geralmente o negócio, estrutura o local e consulta um contador antes de iniciar, a mulher começa frequentemente a produzir na informalidade, motivada pela urgência de complementar a renda e sustentar os filhos — uma realidade que ficou muito evidente durante a pandemia.
O gestor público precisa compreender a raiz social do problema para conseguir formular a solução adequada. Com base nessa necessidade, desenvolvi o projeto "Avança Mulher Empreendedora" dentro da Junta Comercial, em parceria com a secretária Lisiane Lemos.
Como o projeto "Avança Mulher Empreendedora" atua na prática para dar suporte e formalizar o negócio dessas gestoras?
O objetivo central é transformar a percepção que essas mulheres têm de si mesmas, ajudando-as a se reconhecerem como empreendedoras capazes e, progressivamente, conquistarem a independência em relação a benefícios assistenciais, que devem servir apenas para momentos de crise aguda. Nós oferecemos capacitação em gestão de negócios, foco em empoderamento e realizamos o acompanhamento estruturado da empresa por 90 dias.
Também organizamos feiras comerciais para que elas possam vender seus produtos e visualizar o potencial de expansão dos seus negócios. Já impactamos mais de mil mulheres, o que representa suporte direto a mais de mil famílias, visto que são elas as principais gestoras do lar. Paralelamente, criamos o projeto "Elas Transformam", em parceria com o Instituto Besouro, que oferece premiação financeira para mulheres com histórias inspiradoras e ideias que se converteram em grandes negócios.
TALENTOS NO CERNE DA ESTRATÉGIA DE DESENVOLVIMENTO DO RS
SIMONE STÜLP Secretária de Inovação, Ciência e Tecnologia
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Complementarmente, o Semicondutores RS fortalece uma indústria portadora de futuro. O programa já lançou dois editais, totalizando R$ 17 milhões, e formou 30 especialistas em encapsulamento de semicondutores e 20 projetistas de circuitos integrados por meio de cursos intensivos na Unisinos e Unipampa
Rio Grande do Sul vive um momento decisivo. Para reconstruir após os eventos climáticos extremos e enfrentar o desafio demográfico, é preciso investir não apenas em obras, mas também em pessoas qualificadas. É com esse olhar que desenhamos, na Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia, uma estratégia de atração e formação de talentos, ancorada em políticas públicas estruturantes.
O Brasil enfrenta um déficit estimado de 75 mil engenheiros, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Na educação básica, o desafio é igualmente urgente: estudo do Observatório Sesi da Educação estima que o RS terá um déficit superior a 10 mil professores em 2040, devido ao envelhecimento da força de trabalho e falta de novos profissionais.
Diante desse cenário, o governo do Estado investe em programas inovadores. O Professor do Amanhã, em sua terceira edição, oferta 500 bolsas de licenciatura em áreas prioritárias, com investimento de R$ 38,4 milhões. Somadas as três edições, serão 2 mil bolsas e R$ 153,6 milhões investidos, resultado de uma ação inédita no País.
Já o RS Talentos chega à terceira edição com 200 bolsas em engenharias, com investimento de R$ 14,4 milhões no último edital. No total, o programa alcançará 600 bolsas e R$ 36 milhões aplicados, conectando estudantes às universidades e ao setor produtivo.
Complementarmente, o Semicondutores RS fortalece uma indústria portadora de futuro. O programa já lançou dois editais, totalizando R$ 17 milhões, e formou 30 especialistas em encapsu-
lamento de semicondutores e 20 projetistas de circuitos integrados por meio de cursos intensivos na Unisinos e Unipampa. Em 2026, haverá nova formação em conexão com o setor produtivo –parte dela em universidade e parte em empresas do setor.
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Diante desse cenário, o governo do Estado investe em programas inovadores. O Professor do Amanhã, em sua terceira edição, oferta 500 bolsas de licenciatura em áreas prioritárias, com investimento de R$ 38,4 milhões. Somadas as três edições, serão 2 mil bolsas e R$ 153,6 milhões investidos, resultado de uma ação inédita no País
Ao investir em capital humano, criamos condições para que talentos permaneçam, retornem ou escolham o Rio Grande do Sul para construir seu futuro. É assim que transformamos desafios em oportunidades e preparamos o Estado para um novo ciclo de desenvolvimento.
LEONARDO CARVALHO
PREFEITO DE GLORINHA
Edição: Lucio Vaz
Entrevista: Cláudio Andrade e Lucio Vaz
Revisão: Patrícia Cruz
Fotos: ChicoPinheyro/Revista Em Evidência
O Programa Em Evidência na TV (aos domingos na Masper TV, canal 520 da Claro NET, das 17h30 às 19h, e também no canal @revistaemevidencia no YouTube) entrevistou mais um vencedor do II Troféu Mérito Prefeitos Em Evidência RS: Leonardo Carvalho foi eleito prefeito de Glorinha nas eleições de 2024, com 61,69% dos votos válidos, e tem se destacado por um modelo de gestão baseado na inovação e em decisões estritamente técnicas, respeitando, de modo exemplar, a postura do seu secretariado. Configurar a seguir os principais momentos desse bate-papo. Ou acesse o QR Code e confira o programa na íntegra
EM EVIDÊNCIA NA TV
Prefeito Leonardo Carvalho, o senhor foi o vencedor do Troféu Mérito Prefeitos Em Evidência RS. Como o senhor avalia a importância desse reconhecimento para o trabalho que vem sendo desenvolvido no município?
Esse reconhecimento é motivo de grande satisfação. A dedicação à vida pública exige muito trabalho, e essa iniciativa cumpre um papel fundamental ao valorizar as boas práticas na gestão municipal. É uma oportunidade importante para darmos visibilidade às ações que estamos implementando em Glorinha, aproveitando a nossa localização estratégica na região metropolitana, próxima a Porto Alegre.
Neste início de 2026, ano eleitoral, qual balanço o senhor faz das ações realizadas no último ano e como elas preparam o município para o futuro?
Como balanço do primeiro ano da nossa gestão, a palavra que resume o período é gratidão. Superamos essa etapa inicial conseguindo dar andamento a projetos e estabelecer um planejamento sólido. Costumamos dizer que o primeiro ano serve para "arrumar a casa". Nossa principal tarefa foi revisar e preparar novos contratos e licitações que darão suporte às execuções dos próximos três anos. Esse planejamento envolve a melhoria contínua dos serviços públicos, desde a coleta de lixo e limpeza urbana até a educação. Um exemplo prático foi a entrega de material e uniforme escolar para toda a rede de ensino. Iniciar o ano letivo, já no final de fevereiro, com esses itens nas mãos das crianças exigiu a antecipação de processos licitatórios ainda em 2025. Muitas das ações encaminhadas no ano passado serviram como base estrutural para que possamos concretizar as iniciativas estratégicas previstas no plano de governo para o desenvolvimento da cidade.
Para os leitores que ainda não estão familiarizados com a geografia e a economia local, como o senhor apresentaria Glorinha, considerando sua
localização entre a capital e o litoral norte gaúcho?
Glorinha está a cerca de 30 a 40 minutos de Porto Alegre, com acesso facilitado pela Freeway. Nosso território abrange 323 quilômetros quadrados com uma economia bastante diversificada. Temos uma área rural ampla e forte, com destaque para o cultivo de soja, arroz e hortifrutigranjeiros, além de um setor industrial consolidado, que inclui empresas de MDF e metalurgia. Estamos em tratativas para atrair novos investimentos, aproveitando o grande potencial do município. Devido à proximidade com a capital e ao adensamento de cidades vizinhas, como Gravataí, temos realizado levantamentos para receber condomínios habitacionais e impulsionar o mercado imobiliário. Além disso, no cenário pós-pandemia e pós-enchentes no Rio Grande do Sul, Glorinha se destaca por não ter sido fortemente impactada pelas cheias na zona urbana. Temos desafios pontuais com arroios no interior, que já estamos corrigindo com projetos de novas pontes, mas as áreas próximas à Freeway são seguras e nobres para investimentos. Estamos preparando o plano diretor e a legislação municipal para absorver essa expansão com qualidade de vida.
A Freeway, frequentemente avaliada como uma das melhores rodovias do país, cruza o município. Como essa via interage com a geografia da cidade, especialmente em relação a áreas de preservação ambiental, como as nascentes do Rio Gravataí?
A Freeway corta o território de Glorinha em uma extensão de 18 quilômetros. O acesso ao centro é rápido: entrando pela alça principal, em cerca de três quilômetros já se está na área urbana. A rodovia divide o município, e à direita de quem trafega temos a região do Capão Grande, que está inserida na Área de Proteção Ambiental (APA) do Banhado Grande. É justamente no Banhado Grande, entre Santo Antônio da Patrulha e Glorinha, que nasce o Rio Gravataí. Por se tratar de uma área de preservação estadual, tratamos todos
os projetos de investimento com extrema responsabilidade, buscando sempre garantir o equilíbrio rigoroso entre o desenvolvimento econômico e a conservação do meio ambiente.
A atração de novos negócios exige agilidade. Quais medidas de desburocratização foram implementadas pela gestão para facilitar a chegada de empresas e indústrias?
Adotamos um cuidado especial com essa pauta, criando um grupo técnico voltado exclusivamente para projetos especiais de investimento. Quando recebemos um protocolo de um novo empreendimento, esse grupo garante tramitação prioritária, evitando lentidão, pois sabemos que a iniciativa privada demanda velocidade. Outro avanço fundamental ocorreu em setembro do ano passado, quando aprovamos na Câmara de Vereadores a isenção de taxas para micro e pequenas empresas. Desde janeiro deste ano, empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões não pagam mais alvará de localização, renovação, nem taxas ambientais e sanitárias. Abrir mão dessas cobranças, que variavam de R$ 1.000 a R$ 1.500, é um incentivo direto do poder público para fomentar o empreendedorismo, gerar emprego e encorajar a ampliação de negócios locais. Também investimos em inovação, implementando o atendimento da prefeitura via WhatsApp. Essa ferramenta permite o contato direto da população para a solicitação de serviços. Ao longo do ano, vamos disponibilizar novos módulos no aplicativo, facilitando ainda mais a vida do cidadão e do empreendedor.
O município possui uma distribuição demográfica dividida entre os meios urbano e rural. Como a prefeitura atende às demandas específicas do interior, especialmente nas áreas de infraestrutura viária e educação?
Atualmente, nossa população está dividida de forma igualitária, com cerca de 50% na zona urbana e 50% na zona rural. Essa extensa área rural exige uma infraestrutura descentralizada. Para a
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Abrir mão dessas cobranças, que variavam de R$ 1.000 a R$ 1.500, é um incentivo direto do poder público para fomentar o empreendedorismo, gerar emprego e encorajar a ampliação de negócios locais
A retenção de talentos é uma preocupação constante em cidades fora dos grandes centros. Quais fatores a gestão considera prioritários para evitar o êxodo de jovens qualificados para a capital?
Esse é, sem dúvida, um dos maiores desafios da gestão pública. Muitas vezes, um jovem com enorme potencial acaba buscando oportunidades fora por não encontrar o ambiente adequado na sua cidade de origem. Nosso objetivo é reverter essa lógica, criando um ecossistema de inovação, empreendedorismo e qualificação profissional em Glorinha. Queremos que nossos jovens tenham a confiança de que podem se desenvolver economicamente e obter boas remunerações aqui mesmo. A melhora no comércio e nos serviços locais já têm gerado novas vagas. Além disso, firmamos parcerias estratégicas com o Senac, Senai e o Sistema S para oferecer qualificação profissional. Neste ano, receberemos unidades móveis de ensino que atenderão demandas específicas de formação. É uma forma ágil e eficiente de qualificar nossa mão de obra sem a necessidade de construir novas estruturas físicas de imediato.
saúde, por exemplo, levamos as equipes da Estratégia Saúde da Família às comunidades do interior semanalmente, aproximando o atendimento do morador. Na infraestrutura viária, mantemos um trabalho contínuo de manutenção das estradas. Sabemos que uma via de boa qualidade é essencial para que o cidadão possa trabalhar, estudar e para garantir o acesso rápido das ambulâncias. Na educação, estamos ampliando a Escola Municipal Darci Soa-
res com um novo módulo de educação infantil, que contará com oito salas de aula para a pré-escola. Essa obra já antecipa a exigência legal do turno integral, preparando a estrutura física para uma implementação gradual. Em toda a rede municipal, realizamos reformas e melhorias para elevar o padrão de qualidade. Acreditamos que a verdadeira transformação do futuro se dá através da educação, e os resultados desses investimentos aparecerão em breve.
O crescimento habitacional impulsiona demandas de mobilidade, muitas das quais dependem de esferas estaduais ou federais. Em que estágio se encontram as tratativas para a melhoria da alça de acesso da Freeway e de vias estratégicas?
A administração da alça de acesso é responsabilidade da concessionária CCR ViaSul, regulada pelo governo federal por meio do DNIT e da ANTT. Em dezembro, estive em Brasília participando de uma audiência pública no Ministério dos Transportes, pois estamos na janela de revisão quinquenal do contrato da Freeway. Apresentamos à ANTT a necessidade urgente de melhorias nesse acesso para comportar o aumento do fluxo de veículos, inclusive de carga, gerado pela chegada de novas empresas. Outro ponto crucial é a rodovia estadual que interliga a Freeway à ERS-030, a antiga Estrada Velha, que
EM EVIDÊNCIA NA TV
corta paralelamente o centro da cidade. Essa via estadual passou por manutenção recente, e agora estamos em fase de aprovação junto ao Governo do Estado para a duplicação de um trecho urbano da ERS-030. O projeto prevê a construção de canteiro central e calçadas, promovendo uma revitalização da avenida que fortalecerá o conceito de urbanização e atrairá ainda mais investidores para o município.
A consolidação do trabalho remoto transformou a dinâmica imobiliária de diversas regiões. Como a modalidade de home office impactou o perfil de moradia e a ocupação em Glorinha?
Ocorreu um fenômeno muito interessante: devido à proximidade com a capital, Glorinha possuía muitos sítios destinados exclusivamente ao lazer de fim de semana. No cenário pós-pandemia, essas propriedades rurais se transformaram na residência principal de diversas famílias. O home office viabilizou essa migração. Hoje, contamos com internet de fibra ótica em toda a zona rural e, recentemente, ampliamos o sinal de telefonia móvel em localidades mais afastadas. Isso permite que os profissionais residam no interior, mantendo seus trabalhos em Porto Alegre, usufruindo de fácil locomoção e de uma qualidade de vida superior.
Na área da saúde, municípios de pequeno porte frequentemente dependem de serviços de referência em cidades vizinhas. Como está estruturado o sistema de atendimento médico para suprir as necessidades da população local?
Como município de pequeno porte, nossa responsabilidade principal pelo SUS é a atenção primária. Focamos fortemente na Estratégia Saúde da Família e no programa Mais Médicos, com equipes bem definidas e um pronto atendimento para casos emergenciais. A saúde preventiva é a nossa prioridade. Para ampliar a capacidade e o conforto, estamos executando as obras de uma nova Unidade Básica de Saúde, com previsão de entrega ainda para este ano. Casos de maior complexidade
e especialidades são referenciados para a região, tendo o Hospital Dom João Becker, em Gravataí, como um de nossos principais parceiros. O encaminhamento é feito via sistemas integrados, como GERCON e GERINT, e a prefeitura fornece o transporte dos pacientes. Avalio que nosso atendimento apresenta bons índices. A velocidade de resposta nas emergências é rápida e o tempo de espera é curto. A vantagem de gerir uma cidade menor é justamente a proximidade: o prefeito consegue visitar as unidades, identificar eventuais gargalos de perto e aplicar as correções imediatamente junto às equipes.
A proximidade com os cidadãos faz com que o Executivo municipal seja cobrado por serviços de outras esferas, como água e energia, em um cenário de incertezas fiscais. Como a sua gestão equilibra essas pressões e mantém a responsabilidade financeira?
A política local exige proximidade. So-
mos abordados no mercado ou na padaria, e assumimos esse papel porque queremos fazer a diferença. Procuramos sempre acolher e ouvir a população. Quando o pleito é viável, executamos; quando não é, prefiro a transparência de um "não" justificado do que criar falsas expectativas. No caso de concessionárias de água e energia elétrica, atuamos como mediadores institucionais. Quando há falhas no fornecimento, a cobrança chega até nós, e imediatamente repassamos essa pressão às empresas, exigindo o cumprimento contratual em reuniões periódicas. No âmbito financeiro, a reforma tributária traz incertezas sobre o futuro das receitas municipais. Agimos com extrema cautela orçamentária, pois o comitê de gestão em Brasília ainda está sendo estruturado. Além disso, enfrentamos o desafio constante de receber novas obrigações legislativas aprovadas pelo Congresso sem a respectiva fonte de custeio. Para não ferir a Lei de Responsabilidade Fiscal, conto com o suporte
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Após meu período no Legislativo, entre 2013 e 2016, atuei na iniciativa privada e no governo do Estado. Isso me trouxe uma bagagem importante antes de decidir retornar, desta vez no Executivo, para contribuir com a minha cidade natal. Costumo dizer que 'Glorinha está perto de tudo e pronta para ti'. Estamos de portas abertas e plenamente preparados para receber novos investimentos . Empreendedores que buscam um município estrategicamente localizado na região metropolitana, com qualidade de vida e ambiente favorável a negócios, encontrarão na nossa prefeitura um parceiro dedicado a tratar projetos estratégicos com toda a atenção necessária
tal para despertar o sentimento de pertencimento nos cidadãos.
O senhor costuma utilizar o termo "pertencimento" ao falar sobre zeladoria urbana. De que forma esse conceito reflete no engajamento da população em questões sensíveis, como o descarte adequado de resíduos?
O pertencimento é uma premissa na nossa gestão, pois a cidade pertence a todos. O descarte irregular de lixo é um desafio histórico para as prefeituras da região. O poder público cumpre a sua parte, mas o auxílio da população é indispensável. Temos notado que o senso de pertencimento desperta a corresponsabilidade. Hoje, se alguém descarta resíduos em um terreno baldio, os próprios vizinhos questionam a atitude. Quando a prefeitura precisa desviar recursos para limpar um descarte irregular, é um dinheiro que deixa de ser investido em áreas essenciais. Por isso, insistimos na mensagem do pertencimento: cuidar de Glorinha é um ato de compromisso com o desenvolvimento da nossa terra.
de uma equipe técnica e de secretários altamente qualificados, que garantem a segurança nas tomadas de decisão.
Na sua avaliação, qual a importância da harmonia entre os poderes Executivo e Legislativo para a viabilização de projetos em uma cidade do porte de Glorinha?
Mantemos uma excelente relação com a Câmara Municipal, pautada pela harmonia institucional. Para ilustrar, no início do ano legislativo, já convoquei os vereadores para uma reunião de alinhamento e troca de ideias. Muitos dos desafios diários são solucionados por meio do diálogo. O Legislativo propõe excelentes iniciativas, e cabe a nós construirmos conjuntamente os caminhos para tirá-las do papel e buscar os recursos necessários. A política deve ser um espaço de união de esforços, não de polarização ou distanciamento. Em municípios menores, caminhar de mãos dadas é
ainda mais essencial. A nossa bandeira única deve ser o desenvolvimento de Glorinha.
Quais são os projetos prioritários e as principais metas estabelecidas para este segundo ano de gestão?
Criamos um banco de projetos de engenharia para agilizar a captação de recursos. Estamos em fase de cadastramento e esperamos firmar importantes convênios de infraestrutura com o Governo do Estado em breve, ações que anunciaremos conforme forem concretizadas. Esse planejamento abrange pavimentação, quadras esportivas e a revitalização de espaços públicos. Identificamos praças que necessitavam de zeladoria; já reformamos e entregamos uma delas à comunidade. Nossa meta até o final do mandato é entregar entre cinco e seis praças totalmente adequadas para o lazer das famílias. Esse cuidado com o espaço urbano é fundamen-
Como político jovem, aos 38 anos, e natural de Glorinha, o senhor tem a experiência prévia de ter sido vereador. Quais fatores o motivaram a retornar à gestão pública agora à frente do Executivo?
Após meu período no Legislativo, entre 2013 e 2016, atuei na iniciativa privada e no governo do Estado. Isso me trouxe uma bagagem importante antes de decidir retornar, desta vez no Executivo, para contribuir com a minha cidade natal. Costumo dizer que "Glorinha está perto de tudo e pronta para ti". Estamos de portas abertas e plenamente preparados para receber novos investimentos. Empreendedores que buscam um município estrategicamente localizado na região metropolitana, com qualidade de vida e ambiente favorável a negócios, encontrarão na nossa prefeitura um parceiro dedicado a tratar projetos estratégicos com toda a atenção necessária.
TODOS JUNTOS VENCENDO DESAFIOS DO RS
O Povo pelo Povo. Este é o mote da campanha que oito entidades empresariais lançaram com o Manifesto Empreendedor 2026
ASCOM/FEDERASUL Fotos de Sérgio Gonzalez
AFederasul e o Bloco Empresarial, formado por sete entidades – AGV, AGAS, SETCERGS, Federação Varejista, CDL, Sindilojas RS e Sindienergia-RS – aproveitam o clima eleitoral deste ano e lançaram o Manifesto Empreendedor 2026 ressignificando as ações do voluntariado que salvaram muitas vidas em maio de 24 e que inspirou a campanha O Povo pelo Povo, Todos juntos vencendo desafios do RS.
Com 96 páginas, o Manifesto traz diagnósticos e cenários com estratégias para o Rio Grande do Sul, diante de ameaças e oportunidades do contexto mundial e brasileiro. Insere um mapa de ações para construção de um ambiente favorável para trabalhar e produzir, enfrentando entraves históricos em busca de sustentabilidade e qualidade de vida para todos, numa visão de interdependência da sociedade.
O Manifesto Empreendedor 2026 ressignifica o cenário a partir do ressurgimento do movimento espontâneo O Povo pelo Povo, Todos juntos vencendo desafios do RS, relembrando a imagem viva de milhares de voluntários engajados no resgate dos salvamentos, com suporte da organização da Sociedade Civil numa integração com servidores públicos. “Pessoas que atenderam a um chamado íntimo de cidadania, reconhecendo que problemas de tal magnitude são desafios de todos, não apenas de governos”, explica o presidente da FEDERASUL, Rodrigo Sousa Costa.
O estado de espírito de superação, que contou com empresas e trabalhadores colocando sua estrutura produtiva, voluntariamente, à serviço do Estado, precisa ser resgatado nos enormes desafios de reerguimento do RS. O exercício da cidadania, com braços estendidos para ajudar governos, sem perder a capacidade de indignação, como uma voz forte exigindo bom senso e agilida-
de em temas urgentes. É urgente a necessidade de encontrar consensos rápidos porque não temos mais tempo para perder.
Um movimento orgânico que está ressurgindo com entidades da sociedade civil organizada que estiveram engajadas nas mobilizações de maio, justamente na gestão de esforços voluntários, direcionando recursos e esforços a partir de diagnósticos. Lançado num ano eleitoral, o Manifesto, atualizado pós-tragédia climática, visa qualificar o debate de entraves e oportunidades, com as consequências de avançar ou permanecer na inércia em cada pauta, definindo prioridades em questões hemorrágicas.
O MANIFESTO
Com 96 páginas e 10 divisões totalmente explicadas, o documento aponta as saídas para os problemas regionais, apurados em encontros com cada região quando a FEDERASUL realizou os fóruns para buscar as demandas e ajudar na busca de soluções.
Partindo da pergunta: ‘Qual Estado queremos celebrar em setembro de 2035, nos 200 anos da Revolução Farroupilha?” e, com preocupações e observações colhidas nas diferentes regiões, o Manifesto formou um diagnóstico e cenários para o Rio Grande do Sul apontando, além dos problemas, as possíveis soluções. “As estratégias de atuação da sociedade civil organizada, embasadas em valores e princípios, abordando políticas públicas nacionais e prioritárias ao reerguimento do Estado, estabeleceram ações para o resgate de setores em crise e um norte para a mobilização da opinião pública em prol de um ambiente sustentável, fértil em geração de riquezas, oportunidades, arrecadação e qualidade de vida para todos, imprescindível à revitalização de nossa terra”, diz o presidente da FEDERASUL, Rodrigo Sousa Costa.
O Manifesto Empreendedor 2026 é uma atualização necessária do primeiro Manifesto de 12 de julho de 2023, diante da realidade socioeconômica e ambiental pós-tragédia climática. Além de um breve histórico do momento gaúcho e do Brasil, apresenta um mapa de ações com 12 eixos, organizando as prioridades com foco na construção de um ambiente amistoso para empreender e progredir.
BLOCO EMPRESARIAL
O presidente da FEDERASUL abriu a reunião de lançamento dizendo que, com o lançamento do Manifesto Empreendedor 2026 e da campanha O Povo pelo Povo, todos juntos vencendo desafios do RS, queremos promover um debate que reconheça a interdependência entre todos e evitar que o ano eleitoral seja de debates e busca de soluções para o Rio Grande. “O RS precisa se reerguer. Nosso futuro não é promissor. O estado está sofrendo com a inversão da curva demográfica agravada pela tragédia climática de 2024, em que pessoas e empresas estão indo embora. O RS vem perdendo posições nos últimos 40 anos em relação aos demais estados. Não podemos deixar que mais um embate ideológico nos traga mais retrocesso social e econômico”.
SETCERGS
Para o vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística no Estado do Rio Grande do Sul (SETCERGS), Marcelo Dinon, o manifesto representa uma necessidade emergencial para que o Estado não perca o “timing” das transformações em curso. Ele ressaltou a urgência de reformas estruturais, que exigem ações decisivas e coordenadas, e afirmou acreditar que o documento terá papel fundamental ao longo do ano eleitoral. Dinon acrescentou ainda que o setor de transportes vem buscando debater questões estratégicas em conjunto com as demais entidades representativas.
LIDERANÇAS UNIDAS
Da esquerda: Carlos Klein, Lindonor Peruzzo Júnior, Rodrigo Sousa Costa, Vilson Noer, Daniela Cardeal e Marcelo Dinon
SINDIENERGIA‑RS
A presidente do Sindicato da Indústria de Energias Renováveis do Rio Grande do Sul (SINDIENERGIA-RS), Daniela Cardeal, chamou atenção para o fato de o Estado ser importador de energia, uma vez que não produz o volume necessário para atender à própria demanda. Segundo ela, a transição energética é o caminho para a consolidação de uma economia de baixo carbono, o que exige uma visão mais ampla e sistêmica da sustentabilidade ambiental e social.
Na avaliação da dirigente, o manifesto contribuirá de forma relevante para o aprofundamento desse debate.
FEDERAÇÃO AGV
O presidente da Associação Gaúcha para o Desenvolvimento do Varejo
(AGV), Vilson Noer, afirmou ser uma honra para a entidade integrar o movimento que se propõe a enfrentar desafios e buscar soluções para os entraves ao crescimento da economia gaúcha. Ele destacou que os varejistas estão apreensivos diante de diversos fatores que ameaçam a atividade, como a legislação vigente, os prejuízos no transporte de mercadorias e a insegurança jurídica.
AGAS
O presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (AGAS), Lindonor Peruzzo Junior, manifestou preocupação com os impactos dos problemas de infraestrutura do Estado sobre os custos dos produtos, o que acaba elevando os preços ao consumidor final. Segundo ele, além de compro-
meter o consumo, essas deficiências afetam diretamente as empresas, que enfrentam queda nas vendas. O dirigente também apontou a educação das próximas gerações — que já crescem em um ambiente marcado pela Inteligência Artificial — como uma preocupação estratégica do setor.
CDL POA
O presidente da CDL Porto Alegre (CDL POA), Carlos Klein, destacou a importância de haver consciência coletiva sobre a interdependência entre os setores que compõem a cadeia produtiva. Para ele, o governo almejado pela sociedade é aquele capaz de garantir saúde, emprego e renda à população. Klein acredita que a adoção dessas medidas resultará na redução dos problemas sociais.
SEGURANÇA PÚBLICA NÃO PODE SER COMPENSAÇÃO PARA AS FALHAS DO ESTADO
COMANDANTE NÁDIA
Vereadora de Porto Alegre
Num estado que costuma aparecer bem nos indicadores de segurança, é preciso reconhecer com franqueza o que sustenta esse resultado: o trabalho diário de quem veste a farda e segura a ordem quando os outros serviços não dão conta. Segurança não acontece sozinha, nem se resolve no discurso. Ela depende de presença, preparo, comando, equipamento, inteligência e de uma regra simples que o poder público precisa respeitar: cada área precisa fazer o que a lei manda, com responsabilidade clara e recursos à altura.
No dia a dia, a Brigada Militar é chamada para situações que não começam como caso de polícia. Brigas familiares, conflitos de vizinhança, episódios ligados ao álcool, crises emocionais, transtornos mentais, desentendimentos que poderiam ser contidos antes de virarem ocorrência. Quando a viatura é a primeira porta de socorro para problemas que começaram muito antes, o Estado já errou no caminho. A sociedade precisa de resposta imediata e por conta de serviços que não chegaram a tempo, não estavam disponíveis ou não funcionaram como deveriam, a força policial é chamada.
Essa distorção tem um custo alto. Ela consome efetivo, tempo e energia que precisam estar concentradas no patrulhamento, na prevenção, na abordagem, no combate ao crime... Quando se tenta usar a segurança como solução para tudo, por falta de gestão, sobrecarrega-se quem está na ponta e diminui-se a capacidade de manter presença constante nos locais onde o crime procura espaço. Não é questão de “aumentou a demanda”; é questão de foco. Segurança tem propósito definido!
Para corrigir isso, o Estado precisa parar de improvisar e organizar "a casa" com medidas simples, com cobrança diária. Primeiro, uma triagem que funcione de verdade no atendimento: cada chamado precisa cair
na porta certa. Protocolos claros com assistência social, saúde, educação e conselho tutelar, para que casos repetidos tenham encaminhamento e acompanhamento, em vez de virar ocorrência toda semana. Canais de mediação e fiscalização para conflitos de vizinhança e situações administrativas, antes que escalem e terminem em confronto. Registro padronizado e comunicação direta entre os serviços, para não recomeçar do zero a cada ligação e para que a informação circule com rapidez. Por fim, metas objetivas: tempo de resposta e presença preventiva, com cobrança regular, porque, sem rotina e sem cobrança, o sistema volta a jogar o peso nas costas de quem está no policiamento ostensivo, todos os dias na rua.
A segurança precisa voltar ao centro das prioridades do Rio Grande do Sul com uma estratégia que deixe responsabilidades em ordem. O que é atribuição da polícia deve ser tratado como tal, com orçamento, tecnologia e treinamento correspondentes. O que não é atribuição da polícia precisa ser assumido por quem tem dever legal e competência para resolver: assistência social, saúde, educação, políticas de prevenção e a rede de atendimento. Quando cada área faz a sua parte, a polícia deixa de ser o remendo do sistema e volta a ser o que precisa ser: força de proteção, presença e ordem.
A Assembleia Legislativa tem papel decisivo nesse caminho. É ali que se definem prioridades, se aperfeiçoam leis, se aprovam recursos e se cobra execução. Segurança não pode ser pauta de ocasião, lembrada só depois de uma crise. Precisa de continuidade, coordenação e cobrança permanente. A sociedade quer previsibilidade: quer saber que o Estado tem plano, tem comando e cumpre o que promete.
É assim, também, que se constrói confiança entre comunidade e forças de segurança: com presença regu-
lar, atendimento firme e respeitoso, resposta rápida e regras claras. Autoridade se exerce com legalidade e preparo, e se mantém quando o Estado dá condições de trabalho e cobra padrão. Segurança pública não é arena ideológica; é dever, é serviço e precisa entregar resultado.
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A Assembleia Legislativa tem papel decisivo nesse caminho. É ali que se definem prioridades, se aperfeiçoam leis, se aprovam recursos e se cobra execução. Segurança não pode ser pauta de
ocasião,
lembrada só depois de uma crise
Quem está na rua, atendendo ocorrência na vila, chegando no conflito doméstico, enfrentando um risco real que muitos só veem nas notícias, não pode trabalhar sem clareza de comando, sem estrutura e com responsabilidade jogada de um lado para outro. O preço aparece em atraso no atendimento, em desgaste humano e em perda de presença justamente onde a prevenção evita tragédias e salva vidas.
Defender a pauta da segurança é defender a ordem pública, a liberdade de ir e vir e o direito do cidadão de viver sem medo. É reconhecer que o Estado precisa funcionar com disciplina, foco e respeito às próprias regras. É assumir que segurança é serviço essencial, e serviço essencial se garante com planejamento, estrutura e cobrança. É assim que se protege o cidadão e se honra, com seriedade, quem está na linha de frente, mesmo com o risco de sua vida.
HABILITANDO FUTUROS: COMO AS TECNOLOGIAS EMERGENTES CRIAM NOVAS ALTERNATIVAS DE NEGÓCIO
JÚLIO FEIDEN CEO da SPO Tec
Por muito tempo, tecnologia foi sinônimo de infraestrutura. Era aquilo que sustentava o funcionamento das empresas, otimizava fluxos e tornava operações mais eficientes. Mas essa lógica já não é suficiente para lidar com um mundo em que a mudança se tornou permanente. A tecnologia, hoje, define o próprio negócio. É vetor de transformação, imaginação e construção de futuros possíveis.
“Quando a tecnologia migra e se dissemina, precisa ganhar espaço nas nossas construções”, diz Kim Trieweiler, pesquisador da Guilda e especialista em Futures Studies.
“Acredito que ela é uma amiga do lugar e, ao mesmo tempo, ainda não entra no centro da discussão estratégica fundamental ou de novos negócios. Então, é preciso trazê-la para o centro da conversa de uma forma mais intencional”, complementa Trieweiler.
“Está no cerne da ideia de digitalização”, explica Kim. “Porque digitalizamos processos, e ao fazê-lo, estamos transformando um processo que já existia em um processo 2.0. Entretanto, não entendemos que essa mudança transforma completamente o negócio.”
Ele cita o exemplo dos e-commerces, descrevendo o modelo digital de venda apresentado por muitos deles. Ao comparar com uma loja física, aponta as similaridades: E-commerce tem um carrinho de compras; Banner que lembra uma vitrine; números das peças.
“Ele parece muito uma loja física. Mas existem modelos de negócio que são plenamente digitais.” Esse tipo de pensamento amplia o escopo da inovação: deixa de ser apenas melhoria contínua e passa a ser criação de alternativas reais.
A ideia central dos Futures Studies, campo em que Kim atua, é justamente essa: enxergar a inovação como mecanismo de criação de alternativas. Cada nova tecnologia, seja IA, blockchain,
realidades imersivas ou biotecnologia, amplia o campo de possibilidades do presente e redefine o que entendemos por valor.
“As tecnologias não podem ser um acessório”, reforça Kim. “Elas têm que entrar no centro da discussão e no centro do negócio. Cada uma dessas tecnologias habilita negócios de forma diferente.”
Ele menciona a realidade aumentada como exemplo dessa diversidade de usos: “Se eu pensar isso dentro de uma indústria, por exemplo, já existe aplicação em que a pessoa que vai consertar uma máquina vê ali o que precisa fazer e é guiada no conserto através do óculos de realidade aumentada. Mas podemos pensar também na realidade aumentada no e-commerce de moda, em que a pessoa já experimenta a peça antes. São usos completamente distintos de uma tecnologia muito parecida.”
A conclusão é clara: tecnologia não é só para otimizar, é também para criar alternativas.
Futuros possíveis e a valorização da incerteza
Os Futures Studies propõem uma inversão na lógica empresarial: em vez de prever o amanhã, eles buscam projetar futuros possíveis. Essa abordagem combina análise e imaginação e pode transformar empresas reativas em organizações exploratórias, capazes de liderar o que vem a seguir.
Mas ele alerta que pensar o futuro exige algo mais difícil: apreciar a incerteza. “O Ayalon Milgram fala que normalmente tratamos a incerteza como algo negativo, mas é na incerteza que existem espaços de transformação importantes. Quando buscamos tendências, geralmente estamos buscando certeza e aí acabamos criando o ‘mais provável’.”
Nesse contexto, a ambidestria organizacional se torna essencial: melhorar o que já funciona bem, mas também explorar novas alternativas. “Esses cenários alternativos são futuros possíveis”,
resume.
Casos de empresas como Patagônia, Itaú e Natura mostram que é possível combinar propósito e tecnologia de forma autêntica. São organizações que experimentam novos modelos, prototipam futuros desejáveis e inspiram outras a seguir o mesmo caminho.
“Essas empresas criam um senso de possibilidade”, observa Kim. “Porque, muitas vezes, até alguém fazer pela primeira vez, achamos que é impossível, que ninguém compraria, ninguém faria. Quando vemos uma empresa fazendo, ganhamos um senso de permissão: ‘Se eles fizeram, eu também posso.’” Essa “permissão para imaginar” é um combustível potente para a inovação e também um lembrete de que a tecnologia deve habilitar futuros no plural, não apenas um único caminho.
“Passa por criar futuros que não eliminem outros futuros”, diz Kim. “Futuros que não impeçam outras pessoas de existir e atuar.”
Em um mundo guiado por tendências, talvez a pergunta mais relevante para líderes e empresas seja também a mais simples e a mais difícil: “Estou investindo nisso porque todos estão investindo, ou porque isso é importante para o meu negócio?”
Como lembra Kim, “os negócios, às vezes, se inflamam pelo hype e perdem o foco e, quando isso acontece, vem também o desencantamento.”
Pensar o futuro, portanto, é mais do que acompanhar movimentos tecnológicos: é dar direção a eles. É enxergar a tecnologia como mecanismo de imaginação estratégica, uma aliada na criação de alternativas que ampliam o campo do possível.
E talvez essa seja a pergunta que define a próxima década:
Sua empresa está usando tecnologia para melhorar o presente ou para projetar o futuro?
COMO O RISCO PENAL PODE
COMPROMETER
MATEUS MARQUES
Advogado Criminalista, Doutor em Direito e Professor de Processo Penal
Aconduzida. Procedimentos criminais exigem organização prévia, documentação adequada e delimitação objetiva de responsabilidades. A ausência dessa estrutura fragiliza a defesa; sua existência fortalece a governabilidade.
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rotina administrativa de prefeitos, vereadores e gestores públicos é marcada muitas vezes por decisões urgentes, pressões políticas e limitações orçamentárias. Mesmo em cenários de normalidade institucional, tais desafios exigem responsabilidade técnica e cautela jurídica. Em que se espera que o gestor tome decisões rápidas e precisas, entretanto, a margem para erro se reduz drasticamente — enquanto a exposição ao risco aumenta.
Falhas formais, interpretações normativas controvertidas, decisões tomadas sob pressão política ou orçamentária e até omissões administrativas podem dar ensejo a investigações criminais prolongadas e profundamente desgastantes
As catástrofes que atingiram o Rio Grande do Sul ilustram essa realidade. Municípios foram compelidos a agir com extrema rapidez: contratações emergenciais, dispensas de licitação, realocação de recursos e medidas excepcionais para assegurar atendimento imediato à população. Decisões tomadas sob o imperativo da urgência e da proteção da vida passaram, posteriormente, a ser objeto de questionamentos e apurações. O contexto dramático cede lugar a análises técnicas retrospectivas, nem sempre sensíveis às circunstâncias concretas enfrentadas pelos gestores.
É nesse momento que a gestão pode se transformar em investigação.
A simples instauração de procedimento investigativo — ainda que preliminar — produz efeitos imediatos: desgaste político, insegurança administrativa, retração de decisões estratégicas e abalo na credibilidade institucional. A crise deixa de ser apenas jurídica e passa a comprometer a própria governabilidade.
Um erro recorrente é tratar a investigação como mera disputa política ou exposição midiática. A experiência demonstra que a melhor resposta institucional não é improvisada, mas estruturada. É nesse ponto que o compliance criminal assume relevância concreta: a existência de protocolos internos claros, registros decisórios consistentes, fluxos administrativos bem definidos e orientação jurídica preventiva influencia diretamente a forma como eventual apuração será
Outro equívoco é confundir defesa institucional com defesa penal individualizada. A comunicação pública pode reduzir danos reputacionais momentâneos, mas apenas atuação jurídica especializada assegura o devido processo legal, controla eventuais excessos investigativos e contextualiza tecnicamente as decisões adotadas.
A responsabilização penal de agentes públicos nem sempre decorre de condutas dolosas. Interpretações divergentes da legislação, fragilidades procedimentais ou escolhas administrativas tomadas sob pressão podem, se mal fundamentadas ou insuficientemente registradas, gerar investigações prolongadas e desgastantes.
A proteção da governabilidade exige dois movimentos complementares: prevenção estruturada e reação qualificada. A prevenção envolve rotinas de controle interno, análise prévia de riscos penais e assessoramento jurídico estratégico, especialmente em situações excepcionais. A reação demanda leitura técnica rigorosa do procedimento investigativo, atuação firme na preservação das garantias constitucionais e capacidade de reconstruir, de forma objetiva, o contexto em que as decisões foram tomadas.
Quando a gestão se vê diante de uma investigação, não está em jogo apenas um processo — está em jogo a continuidade de políticas públicas, a estabilidade administrativa e a reputação de uma trajetória construída no serviço público. A experiência demonstra que a atuação técnica especializada, desde os primeiros movimentos investigativos, é determinante para preservar garantias, delimitar responsabilidades e proteger a governabilidade. Em um ambiente de elevada exposição penal, estratégia jurídica não é luxo: é elemento estrutural da administração responsável.
A ILUSÃO DAS ENQUETES DIGITAIS NA POLÍTICA
ÍSIS VARGGAS CEO da Iceberg Comunicação
Em todo ciclo eleitoral, a cena se repete. Um print de enquete no Instagram começa a circular em grupos de WhatsApp. O resultado aponta ampla vantagem para determinado nome. Rapidamente surge a narrativa: “está disparado”, “é o favorito”, “a rua já decidiu”.
tado das urnas.
Outro efeito perigoso é a construção artificial de narrativa. Prints de enquetes circulam como se fossem pesquisa oficial. Isso influencia percepção, cria sensação de crescimento ou de derrota antecipada e altera o ambiente político, mesmo sem base técnica.
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enquete feita em rede social não possui metodologia científica.
Não há definição de amostra, controle de perfil socioeconômico, critério regional, margem de erro ou validação estatística. Ela atinge apenas o público que já está naquela bolha digital, geralmente seguidores, simpatizantes ou pessoas engajadas
Mas há um problema. Enquete digital não é pesquisa eleitoral.
E confundir as duas coisas pode gerar decisões estratégicas equivocadas.
A enquete feita em rede social não possui metodologia científica. Não há definição de amostra, controle de perfil socioeconômico, critério regional, margem de erro ou validação estatística. Ela atinge apenas o público que já está naquela bolha digital, geralmente seguidores, simpatizantes ou pessoas engajadas.
Isso significa que o resultado reflete mobilização, não necessariamente preferência do eleitorado geral.
É comum que grupos organizados impulsionem participação em enquetes para criar sensação de força. Basta compartilhar o link em alguns grupos alinhados para alterar completamente o resultado. O número final pode parecer expressivo, mas ele não representa o universo eleitoral. Representa apenas quem decidiu clicar.
Isso significa que o resultado reflete mobilização, não necessariamente preferência do eleitorado geral
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Já a pesquisa eleitoral segue critérios técnicos rigorosos. Há metodologia definida, universo delimitado, estratificação por região, renda, escolaridade e sexo, além de margem de erro conhecida. O objetivo é estimar o comportamento do conjunto do eleitorado, não de um grupo específico.
A diferença é estrutural.
O problema é que muitos pré-candidatos passam a tomar decisões com base em enquetes digitais. Acreditam estar consolidados quando, na verdade, estão apenas fortes dentro da própria bolha. Isso gera acomodação, erro de estratégia e, muitas vezes, frustração no resul-
Há ainda um ponto psicológico importante. A sensação de liderança em enquetes digitais pode inflar expectativas internas, dificultar composições e até gerar conflitos dentro de partidos. Quando a realidade eleitoral aparece, o choque é maior.
Nada disso significa que o ambiente digital não seja relevante. Pelo contrário. Engajamento é indicador de mobilização e capacidade de ativação de base. Mas engajamento não é sinônimo de intenção de voto consolidada.
Política exige leitura fria de dados. Exige entender a diferença entre percepção e realidade estatística.
A urna não mede curtidas. Mede voto.
E eleição continua sendo decidida fora da bolha digital.
Quem não compreender essa diferença corre o risco de planejar campanha com base em ilusão.
E ilusão não elege ninguém.
PARLAMENTO SE APRENDE
GILSON CONZATTI Presidente da União dos Vereadores do Brasil (UVB)
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O Parlamento Municipal não é um balcão de reclamações nem um espaço para disputas vazias. Sua missão é legislar, fiscalizar, propor políticas públicas e atuar como ponte entre a sociedade e o poder público, sempre dentro das atribuições legais. Quando esse papel é mal compreendido, o Legislativo se fragiliza e a sociedade perde
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início de um novo ano legislativo impõe uma reflexão que vai além do calendário: exige responsabilidade, preparo e entendimento do verdadeiro papel do Parlamento Municipal. Passado mais de um ano das novas legislaturas, ainda se observa, em muitas câmaras, vereadores que desconhecem suas atribuições, não dominam o Regimento Interno, ignoram a Lei Orgânica do Município e, sobretudo, não buscam qualificação contínua.
Ser eleito é uma honra conferida pelo voto popular. Mas mandato não se improvisa. Representar bem o cidadão exige estudo, comprometimento e respeito à função pública. O vereador precisa compreender claramente onde começa e onde termina sua atuação. Quando isso não ocorre, surgem projetos inviáveis, discursos desconectados da realidade institucional e tentativas de transferir ao Poder Executivo responsabilidades que não são do Legislativo.
O Parlamento Municipal não é um balcão de reclamações nem um espaço para disputas vazias. Sua missão é legislar, fiscalizar, propor políticas públicas e atuar como ponte entre a sociedade e o poder público, sempre dentro das atribuições legais. Quando esse papel é mal compreendido, o Legislativo se fragiliza e a sociedade perde.
Nesse contexto, é fundamental destacar o real sentido das agendas institucionais, especialmente em Brasília. O que deve motivar a ida de vereadores à capital federal é a busca por conhecimento, a participação em atividades de capacitação, a troca de experiências com parlamentares de todo o país e o acesso a informações que qualifiquem o mandato. Aproveitar essas oportunidades para visitar gabinetes faz parte do processo, mas não pode ser o único objetivo. Não se justifica utilizar recursos públicos apenas para bater de porta em porta em gabinetes, quando deputados e senadores mantêm escritórios regionais nos estados.
É justamente nesse cenário que se destaca o papel protagonista da União dos
Vereadores do Brasil (UVB). Há mais de seis décadas, a entidade atua na defesa institucional dos parlamentos municipais e na qualificação permanente de vereadores e câmaras. A UVB é referência nacional em formação legislativa, fortalecimento democrático e valorização do mandato parlamentar.
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A UVB é referência nacional em formação legislativa, fortalecimento democrático e valorização do mandato parlamentar
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Por meio de encontros, capacitações, seminários, publicações e da tradicional Marcha dos Legislativos Municipais, a UVB promove conhecimento técnico, jurídico e político, estimulando a troca de experiências e a formação continuada. São quatro eventos em que a entidade promove ações em Brasília, anualmente nos meses de fevereiro, abril, agosto e novembro. Qualificar não é opção, é dever de quem ocupa uma cadeira no Parlamento.
Infelizmente, ainda existem parlamentares que se julgam autossuficientes e dispensam a qualificação. Essa postura empobrece o debate, enfraquece o Legislativo e compromete a qualidade das decisões. Câmaras municipais de pequeno e médio porte têm enorme potencial de transformação, mas isso só se concretiza com preparo, estudo e compromisso.
Quem perde com a falta de qualificação não é apenas o Parlamento, mas toda a sociedade. Um Legislativo consciente de seu papel fortalece a democracia, qualifica o debate público e entrega resultados reais ao cidadão. Parlamento não se improvisa. Parlamento se aprende.
A FUNÇÃO DO PROCURADOR MUNICIPAL
ALEXANDRE DIONELLO Presidente da APMPA
Aadministração pública transforma prioridades em serviços por meio de decisões formalizadas. Entre a orientação política e a entrega existe um percurso de planejamento, contratação e execução que precisa ser coerente e controlável. Quando esse percurso é frágil, a execução fica sujeita a suspensões, correções tardias e disputas que consomem tempo e recursos. A segurança jurídica dá estabilidade a esse caminho e contribui para que a política pública opere com continuidade sob fiscalização e controle.
A tese é direta. Uma política pública se converte em entrega quando reúne vontade política, viabilidade orçamentária e segurança jurídica. A vontade define a prioridade e orienta a escolha; o orçamento delimita o alcance e impõe limites de responsabilidade fiscal; a segurança jurídica organiza a forma, fixa o procedimento adequado e reduz margens de nulidade. O efeito prático é previsibilidade para a administração e proteção para o interesse público.
Esse encadeamento começa no planejamento. Programas, obras e serviços precisam dialogar com instrumentos como o Plano Plurianual, a Lei de Diretrizes Orçamentárias e a Lei Orçamentária Anual, além de decisões de priorização que definem etapas e cronogramas. Também se exige governança interna, definição de responsáveis, registro das decisões e critérios de acompanhamento. Uma contratação coerente nasce de um processo administrativo que demonstra finalidade, alternativa escolhida, viabilidade de execução e compatibilidade com a regra fiscal.
A segurança jurídica se consolida antes da licitação. Exige definição adequada do objeto, justificativa da necessidade, estimativa de custos compatível com o mercado e escolha do instrumento que melhor atende ao interesse público. Em compras e obras, o processo sustenta o desenho do edital, com critérios claros de julgamento, exigências proporcionais e regras objetivas de habilitação. Em serviços continuados, a atenção
recai sobre metas, níveis de serviço, condições de reajuste e mecanismos de fiscalização, para que o contrato seja executável e verificável.
Nesse percurso, a Procuradoria exerce função técnica estruturante. Atua na consultoria e no contencioso, com dever de orientar, revisar e enquadrar juridicamente as escolhas administrativas. Isso inclui revisão de minutas, avaliação de hipóteses de contratação direta quando cabível, tratamento jurídico de impugnações e apoio aos agentes públicos na interpretação de normas e entendimentos consolidados dos órgãos de controle. A representação judicial do ente público integra o mesmo objetivo ao sustentar decisões legítimas e proteger a continuidade do serviço.
A política pública contemporânea envolve instrumentos que ampliam as formas de execução. Municípios utilizam convênios e ajustes de cooperação, firmam parcerias com organizações da sociedade civil quando o modelo de fomento e colaboração se aplica e, em determinados setores, adotam concessões e parcerias público-privadas para viabilizar investimentos e manutenção de serviços. Consórcios públicos também são usados para gestão compartilhada, compras centralizadas e prestação regionalizada. Cada alternativa exige justificativa, governança, transparência e capacidade de fiscalização compatível com o risco assumido.
A fase de execução confirma se o desenho foi bem feito. O contrato precisa de fiscalização, registro, medição e resposta tempestiva a ocorrências. Alterações contratuais dependem de motivação, limite legal e compatibilidade com o objeto inicialmente contratado. Sanções exigem procedimento e contraditório. Pagamentos dependem de conformidade e liquidação. Quando essas rotinas falham, aumentam os riscos de glosa, responsabilização e judicialização, com impacto direto na entrega e na continuidade do serviço.
A distinção de competências também precisa ser preservada. Municípios exe-
cutam serviços essenciais e regulam o que está no seu âmbito de atribuições. Muitas políticas dependem de repasses e regras federais ou estaduais, com condições de uso, metas e mecanismos específicos de controle e prestação de contas. A segurança jurídica ajuda a compatibilizar a autonomia municipal com essas exigências, especialmente quando há cooperação entre entes, compartilhamento de recursos e execução descentralizada.
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Ao final, a função do Procurador pode ser descrita como a conversão da intenção do gestor em entrega concreta, sob regras claras e com controle possível
”Transparência e proteção de dados completam esse arranjo. Processos administrativos precisam ser organizados para permitir acesso à informação, controle social e rastreabilidade de decisões. Ao mesmo tempo, a gestão deve tratar dados pessoais com finalidade, necessidade e segurança, sobretudo em áreas sensíveis e em serviços que dependem de cadastros e atendimentos. O enquadramento jurídico dessas rotinas reduz litígios e preserva a confiança do cidadão.
Ao final, a função do Procurador pode ser descrita como a conversão da intenção do gestor em entrega concreta, sob regras claras e com controle possível. A cidade recebe obras, equipamentos e serviços quando o processo é consistente, do planejamento ao último pagamento. Segurança jurídica, nesse sentido, se traduz em estabilidade administrativa, proteção do erário e confiança social no funcionamento das instituições.
POLÍTICA NÃO É OPÇÃO: É RESPONSABILIDADE
VERA ARMANDO Vereadora de Porto Alegre
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Este ano será decisivo para o Brasil. Teremos eleições para deputado estadual, deputado federal e, principalmente, para governador e presidente da República. Essas escolhas não são abstratas. Elas moldam o futuro do país, dos Estados e das cidades, influenciando diretamente a vida das famílias, dos trabalhadores, dos jovens e dos mais vulneráveis
e preocupa ouvir frases como “eu não gosto de política” ou “eu não me envolvo em política”. Essas frases costumam nascer do cansaço e da frustração, sentimentos compreensíveis. O problema é que não existe a opção de não se envolver. Quem se afasta não deixa de ser impactado. Apenas abre mão de participar das decisões que interferem diretamente na própria vida.
Falar sobre política nunca foi tão necessário. Política não é uma abstração distante, nem um debate restrito a Brasília ou aos noticiários. Ela está presente nas escolhas que moldam a sociedade e nos rumos que um país decide seguir. A política não é opção: é responsabilidade de todos.
A política está nas decisões que afetam a rotina das pessoas. Está nas leis que protegem mulheres, crianças, pessoas com deficiência e que incentivam o empreendedorismo. Está também nas escolhas mais simples, como o investimento em calçamento, sinalização, segurança, poda de árvores, limpeza urbana e manutenção de praças e parques. Política é resolver problemas concretos e melhorar a vida cotidiana.
Cada lei criada e cada decisão tomada reforça que política não acontece em um lugar distante. Ela está na rua onde você mora, na escola do seu filho, no posto de saúde, no transporte público, na segurança do bairro e até no preço que você paga no supermercado. Mesmo quem tenta se afastar continua vivendo os efeitos dessas escolhas coletivas que refletem em nossas vidas.
Quem governa e quem legisla define
prioridades, destina recursos e estabelece regras que podem ampliar oportunidades ou aprofundar desigualdades. A política decide se haverá investimento em saúde, educação, segurança, assistência social e desenvolvimento. Decide se o Estado será eficiente ou omisso. Decide se haverá liberdade, responsabilidade e respeito com o dinheiro público.
Este ano será decisivo para o Brasil. Teremos eleições para deputado estadual, deputado federal e, principalmente, para governador e presidente da República. Essas escolhas não são abstratas. Elas moldam o futuro do país, dos Estados e das cidades, influenciando diretamente a vida das famílias, dos trabalhadores, dos jovens e dos mais vulneráveis.
“ A política está nas decisões que afetam a rotina das pessoas. Está nas leis que protegem mulheres, crianças, pessoas com deficiência e que incentivam o empreendedorismo
Política não é sobre gostar ou não gostar. É sobre participar, acompanhar, cobrar e escolher com responsabilidade. A democracia não funciona sozinha. Ela depende do envolvimento consciente de cada cidadão.
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• Para calçadas e vias (alto/baixo tráfego), lisas ou com furações, com ou sem grelhas e com insertos (ferro fundido, inspeção etc.).
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