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Edição 016 - Revista Efe

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Carlos Alberto Júlio

Hugo Rodrigues

Monique Evelle

Ricardo Amorim

O que é estratégia?

2026 já foi?

Quem disse que empreender sozinho é sinal de sucesso?

Consegue imaginar sua vida sem precisar de dinheiro?

NEGÓCIOS | NETWORK | IDEIAS | TENDÊNCIAS

Cesar

Filho

Revista efe. | 2026 | ed.16

Uma trajetória de sucesso no rádio e na televisão, construída com credibilidade, talento e visão de carreira, que consolida seu nome entre os grandes profissionais da comunicação brasileira

Revolução do Consumo Novos hábitos redefinem o mercado e desafiam marcas e indústrias

Negócios

CJ Fashion reúne marcas nacionais e internacionais no Cidade Jardim

ESPECIAL

mercado GASTRONOMIA imobiliÁrio

Nama Sky Lounge oferece experiência em rooftop

Gastronomia

Produção artesanal de queijos conquista prêmios e paladares internacionais

E Mais

Vale do Tejo, O Quebra-Nozes e exposição Keith Haring


Existe uma essência de viver que só Alphaville pode oferecer.

O DTQ | Alameda é um encontro entre arquitetura contemporânea e bem-estar, em uma localização privilegiada de Alphaville, ao lado da Reserva Ecológica.

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Perspectiva ilustrada do DTQ | Alameda

Alameda Una casas de 230 m2 e 280 m2

Alameda Oriz townhouses de 113 m2 e 165 m2 e coberturas

Clube com mais de 9.000 m2 + de 24 itens de lazer com quadra de tênis de saibro, spa e ateliê

Realização:

Intermediação:

Breve lançamento. Incorporadora responsável: Alameda Empreendimento Imobiliário Ltda., inscrita no CNPJ sob o n. 46.294.199/0001-09. O empreendimento encontra-se em fase de aprovação na prefeitura de Santana de Parnaíba e somente será comercializado após o registro do memorial de incorporação no cartório de registro de imóveis competente. As imagens e perspectivas aqui contidas são meramente ilustrativas, podendo sofrer alteração sem aviso prévio.

@agenciawmaise

Breve Lançamento


LANÇAMENTO

230 e 340m2

3 e 4 suítes

+Penthouses de 230m2

PERSPECTIVA ILUSTRADA DO TENNIS COURT

com piscina privativa

DOIS ESPORTES. DUAS QUADRAS. U M

NOVO

PADR ÃO N O A L PH AG RA N .


Quadra de tênis e de pickleball para transformar seu tempo livre em experiência.

V I S I T E

O

D E C O R A D O

Alameda Washington, 173 / Alphagran

R E A L I Z A Ç Ã O

I N T E R M E D I A Ç Ã O

94748.0220 / arboriumalphagran.com.br Este empreendimento imobiliário encontra-se em aprovação na prefeitura municipal de Barueri/SP. O Empreendimento só será comercializado após a emissão do Registro de Incorporação no cartório de registro de imóveis competente, nos moldes da lei 4.591/64. Todas as imagens e fotos apresentadas neste material de publicidade são meramente ilustrativas e sujeitas a alterações. Pilares e vigas são exibidos em transparência para melhor visualização das imagens. O empreendimento será entregue conforme Memorial Descritivo. Incorporadora responsável: JMF 11 Empreendimentos Imobiliários SPE LTDA, inscrita no CNPJ n° 59.269.129/0001-42, com sede na Alameda Rio Negro, 585, Bloco A, CJ 151, Alphaville Industrial, Barueri/SP. Futura intermediação: UP Grade Empreendimentos Imobiliários LTDA, inscrita no CNPJ n° 08.986.216/0001-80 CRECI 19.880-J, Endereço: Av. Copacabana, 112 - Sala 1801 - CEP 06472-001 - Empresarial 18 do Forte - Barueri/SP - Telefone 11 3500-3000. Impresso em outubro/2026.


SUMÁRIO

Matéria de capA

CESAR FILHO DA PAIXÃO PELO RÁDIO NA INFÂNCIA À PRESENÇA NO JORNALISMO TELEVISIVO, O APRESENTADOR CONSTRUIU UMA CARREIRA DE LONGEVIDADE RARA. UMA TRAJETÓRIA DE MAIS DE QUATRO DÉCADAS

50


7 CEO Cesar Foffá PUBLISHER Marcelo Foffá DIRETORA ADMINISTRATIVA Lourdes Foffá

Foto: Dilvulgação

EDITORA DE JORNALISMO Gláucia Arboleya

43. MERCADO IMOBILIÁRIO Design autoral e tecnologia redefinem projetos na região

JORNALISMO Aliz Lambiazzi Beatriz Bononi EDITOR ESPECIAL DE TURISMO Johnny Mazzilli EDITOR DE ARTE E PROJETO GRÁFICO Mazega Comunicação e Fábio Tateno COLUNISTAS Carlos Alberto Júlio Fernando Barra Hugo Rodrigues João Branco Monique Evelle Ricardo Amorim

.

68 O QUEBRA-NOZES Clássico natalino estará no Teatro Santander em dezembro

Foto: Lari Lopez

Foto: Reginaldo Azevedo

COMERCIAL Isabele Velloso Alison Santos

58. QUEIJOS Produção artesanal conquista

FOTOS Omar Paixão MÍDIAS SOCIAIS Gabrielle Caetano CIRCULAÇÃO Joselito Santos

paladares e reconhecimento internacional

FINANCEIRO Thiago Castillo TECNOLOGIA Guilherme dos Reis Silva IMPRESSÃO Elyon Indústria Gráfica

Foto: Johnny Mazzilli

JORNALISMO jornalismo@revistaefe.com.br (11) 95595.3433 | 3811.2820

62. VALE DO TEJO Uma viagem para uma das regiões mais emblemáticas de Portugal

PUBLICIDADE Marcelo Foffá marcelo@revistaefe.com.br (11) 98890.6308 ASSINATURAS assinaturas@revistaefe.com.br (11) 95595.3433

Carlos Alberto Júlio

Hugo Rodrigues

O que é estratégia?

2026 já foi?

Monique Evelle

Ricardo Amorim

Quem disse que empreender sozinho é sinal de sucesso?

Consegue imaginar sua vida sem precisar de dinheiro?

NEGÓCIOS | NETWORK | IDEIAS | TENDÊNCIAS

Cesar

Filho

Revista efe. | 2026 | ed.16

Uma trajetória de sucesso no rádio e na televisão, construída com credibilidade, talento e visão de carreira, que consolida seu nome entre os grandes profissionais da comunicação brasileira

Revolução do Consumo

Foto: Divulgação CJ Fashion

Novos hábitos redefinem o mercado e desafiam marcas e indústrias

34. NEGÓCIOS CJ Fashion reúne curadoria de marcas nacionais e internacionais no Cidade Jardim

Negócios

CJ Fashion reúne marcas nacionais e internacionais no Cidade Jardim

ESPECIAL

mercado GASTRONOMIA imobiliÁrio

Nama Sky Lounge oferece experiência em rooftop

Gastronomia

Produção artesanal de queijos conquista prêmios e paladares internacionais

E Mais

Vale do Tejo, O Quebra-Nozes e exposição Keith Haring

efe. | A Revista da Folha de Alphaville Avenida Cauaxi, 293 | Ed. Alpha Green Alphaville Barueri/SP | 06454-020 (11) 4208-1600 *Os artigos assinados não refletem, necessariamente, a opinião da revista.


8 EDITORIAL

COLUNISTAS

Foto: Thiago Henrique

14. Ricardo Amorim

C

HISTÓRIAS QUE INSPIRAM, TENDÊNCIAS QUE MOVIMENTAM

ada edição é uma oportunidade de olhar para a região sob diferentes perspectivas, reconhecer trajetórias que fazem a diferença e acompanhar as transformações que influenciam a maneira como vivemos, trabalhamos, consumimos e nos relacionamos. Reunimos histórias de sucesso, negócios, mercado imobiliário, cultura, gastronomia e comportamento, em um panorama que traduz a diversidade e o dinamismo de Alphaville e região. A capa da revista Efe traz Cesar Filho, um dos nomes marcantes da comunicação brasileira. Com uma trajetória de mais de quatro décadas no rádio e na televisão, em uma conversa que vai além dos bastidores da profissão, ele fala sobre fé, família, gratidão e a importância de continuar sonhando. Uma história de persistência e reinvenção que mostra como grandes trajetórias também são construídas nos momentos em que é preciso recomeçar. O mercado imobiliário ganha destaque em um especial dedicado às transformações, às tendências e às oportunidades que movimentam Alphaville e os municípios do entorno. Em uma região que continua atraindo moradores, investidores e empreendedores, entender as mudanças nos hábitos de moradia, nas expectativas dos compradores e nas dinâmicas de valorização tornou-se fundamental para acompanhar os novos rumos do setor. No universo dos negócios, apresentamos iniciativas que contribuem para movimentar o mercado regional, com destaque para a CJ Fashion, que reúne marcas de luxo, no Cidade Jardim. O empreendimento reflete a diversidade e a busca constante por inovação, posicionamento e conexão com um público cada vez mais atento às experiências e à qualidade dos serviços. A gastronomia também tem lugar especial nesta edição, com os queijos premiados que conquistam reconhecimento pela qualidade, pelo sabor e pela excelência de sua produção. Mais do que apresentar produtos de destaque, a pauta valoriza o conhecimento, a dedicação e a tradição por trás de cada criação, reforçando a importância da gastronomia como expressão cultural e experiência de descoberta. Para quem gosta de viajar, nosso roteiro pelo Tejo, em Portugal, convida a explorar uma região de paisagens encantadoras, patrimônio histórico, cultura e experiências gastronômicas. Na seção Revolution, o foco está nas mudanças de comportamento e consumo que vêm redefinindo as relações entre pessoas, marcas e experiências. Em um cenário de novas prioridades, escolhas mais conscientes e transformações aceleradas pela tecnologia, compreender o consumidor tornou-se essencial para identificar tendências e antecipar movimentos que impactam diferentes setores da economia. A cultura chega com a magia de O Quebra-Nozes, em sua temporada de 2026, um clássico que atravessa gerações e mantém vivo o encantamento dos grandes espetáculos. A edição também destaca a arte de Keith Haring em São Paulo, ampliando o olhar para diferentes manifestações artísticas e para a força criativa que mantém a cena cultural em constante movimento. É esse olhar plural que orienta o trabalho da Efe: acompanhar os movimentos da região, valorizar quem faz acontecer e levar aos leitores conteúdo relevante, informação e inspiração. Convidamos você a descobrir novas perspectivas, conhecer boas histórias e acompanhar de perto as ideias e tendências que movimentam Alphaville e região. Boa leitura!

Marcelo Foffá Publisher

Ricardo Amorim é economista, empreendedor, comentarista, palestrante e influenciador digital brasileiro. Graduado em Economia pela Universidade de São Paulo (USP) e com pós-graduação em Administração e Finanças Internacionais pela ESSEC Business School, em Paris. Foi apresentador do programa Manhattan Connection, na GloboNews, e eleito pela revista Forbes como um dos “100 mais influentes brasileiros”. @ricamorim

16. Hugo Rodrigues Um dos maiores publicitários do país, Hugo é sócio da WMcCann e Empreendedor, Ex-CEO McCann Worldgroup e Publicis, Conselhos: SBT, LUPO, UNICEF, USP, 21 Leões em Cannes, três prêmios Caboré , LinkedIn Top Voice, Palestrante e Estrategista de Marcas e Consumo. @hugorodriguess

18. Monique Evelle Monique Evelle é empreendedora, investidora e estrategista. Em 2026, entrou para a lista da Forbes Brasil das mulheres mais poderosas e influentes do país. Fundadora da Inventivos, atua na interseção entre comunicação, inovação e negócios. Foi repórter do Profissão Repórter e é Shark do Shark Tank Brasil: Versão Creators. @moniqueevelle

20. Carlos Alberto Júlio Carlos Alberto Júlio é um executivo experiente, professor, autor e palestrante de destaque no cenário corporativo brasileiro. Tem sólida formação internacional e extensa experiência como CEO e conselheiro. @profcarlosjulio

28. João Branco João Branco é professor e autor do Desmarquetize-se. Ex-VP Marketing McDonald’s, eleito o profissional de Marketing mais admirado do Brasil e top 10 melhores CMOs pela Forbes. @falajoaobranco

32. Fernando Barra Fernando Barra é especialista em tecnologia e inovação, professor palestrante, fundador da Skillplace.com.br e autor do livro Meu Emprego Sumiu. @ofernando.barra


BRIEFING

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O resumo de notícias que conecta você ao mercado

>>A Zara lança uma coleção inspirada no guarda-roupa de Ayrton Senna, levando referências do piloto brasileiro para a moda contemporânea. Desenvolvida em parceria com a marca Senna, a linha combina referências esportivas e estética dos anos 1990, com jaquetas de corrida com patches e logotipo do piloto, polos, macacões jeans de efeito desgastado, uma jaqueta preta de couro inspirada em um modelo de seu acervo pessoal, entre outros. A coleção já está disponível no site da Zara e em lojas selecionadas.

E mais...

Primeiro veículo elétrico da Jaguar | Dior SPA no Copacabana Palace | E outras novidades

Foto: Divulgação/Zara

ZARA RESGATA O ESTILO DE AYRTON SENNA EM NOVA COLEÇÃO MASCULINA


Foto: Divulgação

BRIEFING | EMPRESAS

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COPACABANA PALACE RECEBERÁ PRIMEIRO DIOR SPA DA AMÉRICA LATINA

>> O Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, será a sede do primeiro Dior Spa da América

Foto: Divulgação

Latina. O espaço ficará no Edifício Piscina, que passa por uma ampla reformulação e tem reabertura prevista para 3 de novembro. O projeto contará com seis salas de tratamento e um protocolo desenvolvido especialmente para o Brasil. A chegada da maison francesa amplia a presença do mercado de luxo no segmento de bem-estar e reforça a estratégia de hotéis icônicos de oferecer experiências exclusivas para hóspedes e clientes.

CIMED INVESTE R$ 80 MILHÕES EM MARCA DE SKINCARE INSPIRADA NA BELEZA COREANA

UNDER ARMOUR INAUGURA PRIMEIRA BRAND HOUSE NO BRASIL

>> A farmacêutica Cimed

Foto: Divulgação/Under Armour

>> A Under Armour inaugurou sua primeira Brand House brasileira no Shopping Villa-Lobos, em São Paulo. Com 180 m², a loja reúne produtos de corrida, treino, golfe e vestuário casual, além de lançamentos internacionais e modelos que destacam as tecnologias desenvolvidas pela marca. A unidade amplia a presença própria da companhia no país, até então concentrada em outlets, comércio eletrônico e revendedores multimarcas.

amplia sua atuação no mercado de beleza com a Mili, sua primeira marca de skincare desenvolvida em parceria com uma fabricante sul-coreana. A linha terá sete produtos formulados com tecnologias como exossomos e peptídeos, inspiradas na K-Beauty, tendência que ganhou projeção internacional. Com investimento de R$ 80 milhões, a chegada dos produtos ao mercado brasileiro está prevista para os próximos meses, com distribuição em farmácias e perfumarias.


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LABUTA COWORK CHEGA A ALPHAVILLE COM NOVA UNIDADE

>> A Labuta Cowork inaugurou,

Foto: Divulgação

recentemente, uma unidade em Alphaville, ampliando a atuação da rede de espaços de trabalho compartilhados, criada no interior do Rio de Janeiro. A chegada à região acompanha a procura por estruturas flexíveis entre profissionais autônomos, empreendedores e empresas. O modelo também atende equipes que adotam o trabalho híbrido e precisam de espaços para reuniões, atendimento a clientes e atividades corporativas. O empreendimento fica na Al. Madeira, 53.

FAST SHOP INAUGURA LOJA CONCEITO COM FOCO NA EXPERIÊNCIA SENSORIAL

Foto: Divulgação

>> A Fast Shop inaugurou uma flagship store de 550 metros quadrados no Shopping Iguatemi São Paulo, com uma proposta que combina tecnologia, design e experimentação. O projeto incorpora referências da arquitetura japonesa, galerias de arte, biofilia e neurociência para transformar a visita em uma experiência sensorial. O espaço reúne produtos de marcas como Samsung, TCL, Nespresso e KitchenAid, incluindo itens exclusivos.

NLS ABRE DECORADO DO RYO COPACABANA EM ALPHAVILLE >> A incorporadora NLS Incorp

Foto: Divulgação

abriu para visitação o apartamento decorado do RYO Copacabana, empreendimento residencial desenvolvido em parceria com a Rainha, no 18 do Forte. Em fase de pré-lançamento, o projeto prevê uma torre com 142 apartamentos, de 43 m² a 77 m², com arquitetura assinada pelo escritório Renata Marques Arquitetura & Gerenciamento. A proposta combina plantas compactas e ambientes integrados a uma estrutura de lazer no rooftop. O decorado fica na Al. Rio Negro, 1356.


BRIEFING | PRODUTOS

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Foto: Divulgação

JAGUAR INAUGURA NOVA ERA ELÉTRICA COM MODELO DE 1.030 CV

elétrica da marca britânica. Com proposta de grand tourer de quatro portas, o veículo entrega até 1.030 cv de potência, acelera de zero a 100 km/h em 3,2 segundos e promete autonomia de aproximadamente 640 quilômetros. A produção está prevista para começar em 2027, no Reino Unido, e os pedidos devem ser abertos no início do mesmo ano.

COCA-COLA E SPRITE APOSTAM EM BEBIDAS COM FIBRAS PREBIÓTICAS

Foto: Divulgação

>> A Coca-Cola e a Sprite entram na tendência

das bebidas funcionais com versões que incorporam fibras prebióticas. A proposta combina o consumo de refrigerantes com ingredientes associados à saúde intestinal, em um movimento que acompanha a busca por produtos capazes de oferecer benefícios adicionais à alimentação cotidiana. A previsão é que os produtos sejam lançados para testes regionais nos Estados Unidos em 2027.

Foto: Divulgação/Jaguar

>> A Jaguar apresentou o Type 01, primeiro modelo de produção da nova fase totalmente

NESPRESSO E SWAROVSKI LANÇAM CAFETEIRA COM CRISTAIS E CAFÉS ESPECIAIS

>> A Nespresso e a Swarovski se uniram para lançar a coleção Festive 2026, edição limitada que combina café, design e cristais para a temporada de festas. O destaque é a cafeteira CitiZ Platinum, decorada com cristais Swarovski. A linha inclui ainda os cafés aromatizados Hazelnut Brownie, com notas de chocolate e avelã, e Blueberry Cheesecake, inspirado na sobremesa de mirtilo, além de calendários do Advento, xícaras, caneca térmica e enfeites de cristal inspirados nas cápsulas da Nespresso.

>> A Apple apresentou o HomeView, dispositivo com tela Liquid Retina de sete polegadas que reúne entretenimento, comunicação e controle residencial em um único equipamento. Integrado à Siri com inteligência artificial, o aparelho permite fazer chamadas pelo FaceTime, ouvir música, acompanhar recursos de segurança e controlar automações domésticas. O reconhecimento facial personaliza a experiência para diferentes integrantes da família. O preço inicial anunciado é de US$ 299.

Foto: Divulgação

APPLE LANÇA CENTRAL INTELIGENTE PARA CASAS CONECTADAS


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NOVO BMW iX3 O primeiro de uma nova era.

Disponível na BMW Alphaville Al. Tocantins, 855

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Alameda Tocantins, 855 Alphaville - Barueri Tel.: 11 3799-9000


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ECONOMIA MARKETING

Ricardo Amorim

LIDERANÇA

ECONOMISTA MAIS INFLUENTE DO BRASIL, SEGUNDO A FORBES, E INFLUENCIADOR Nº 1 NO LINKEDIN

CONSEGUE IMAGINAR SUA VIDA SEM PRECISAR DE DINHEIRO? TALVEZ, EM 10 ANOS, NÃO PRECISEMOS

P

elo menos, é isso que Elon Musk acredita que acontecerá. Em geral, ele costuma achar que o avanço tecnológico e o futuro vão chegar mais depressa do que acaba acontecendo. Ainda assim, normalmente, ele acerta nas mudanças que prevê que acontecerão. Foi assim com os carros autônomos e com o carro voador. Por mais de 10 anos, ele previu que os carros autônomos estariam nas ruas, no ano seguinte. Até que, recentemente, tanto o carro autônomo quanto o carro voador realmente viraram realidade. A lógica do raciocínio de Musk em relação ao dinheiro faz bem mais sentido do que pode parecer a princípio. Em sua entrevista à The Economist, Musk afirmou que, até 2036, inteligência artificial e robôs vão produzir tantos bens e serviços que entraríamos numa era de abundância total.

TECNOLOGIA

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r I.A.

Aí, ele fez uma pergunta simples: para que serve o dinheiro? Para comprar comida, moradia, transporte, entretenimento, serviços. Se tudo isso se tornar abundante e extremamente acessível e barato, o dinheiro perde parte importante da sua função. Parece ficção científica? Talvez. Só que pense no que já aconteceu com relação à disseminação das informações. Há 50 anos, quando eu era criança, ter uma enciclopédia custava uma pequena fortuna. Hoje, carregamos no bolso acesso quase ilimitado a informação, mapas, música, vídeos e ferramentas que seriam inimagináveis há 20 anos. A IA e a robótica podem fazer algo parecido com uma parte muito maior da economia. Ainda assim, há um ponto em que eu discordo de Musk. Mesmo em um mundo de abundância, algumas coisas continuarão escassas: terrenos em lugares especiais, artigos de luxo, recursos naturais, atenção

humana, experiências únicas e isso sem nem falar na própria propriedade das máquinas e tecnologias que produzem toda a abundância a que Musk se refere. Traduzindo, não acredito que o dinheiro vai desaparecer. Ainda assim, concordo com ele que a importância que a maioria das pessoas dá a ele vai cair, ainda que isso talvez possa demorar um pouco mais do que ele prevê. De qualquer forma, Musk pode até estar errado quanto ao tempo e a extensão da transformação sobre o papel e a importância do dinheiro, mas provavelmente está certo quando prevê que haverá uma transformação significativa. Só isso já merece que pensemos muito mais a fundo sobre as consequências em nossas próprias vidas do futuro que Musk prevê. Só para começar, deixo uma pergunta: o que você mudaria na sua vida se dinheiro não importasse?


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SOMOS MODA SOMOS MODA

SOMOS O QUE VIVEMOS SOMOS O QUE VIVEMOS


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ECONOMIA

Hugo Rodrigues

MARKETING

P U B L I C I TÁ R I O, S Ó C I O D A W M CC A N N

LIDERANÇA

E EMPREENDEDOR

2026 já foi? Q

Imagem gera

d a p or

I.A.

uando esse artigo chegar em suas mãos já será novembro. O calendário diz que faltam mais “quase” dois meses para o fim do ano. Mas, para muita gente, 2026 já acabou. As empresas começaram a discutir o orçamento de 2027. As agendas começam a receber compromissos para o próximo ano. Algumas lojas já se preparam para o Natal. E, daqui a pouco, surgirão as inevitáveis perguntas sobre onde vamos passar o réveillon. O ano ainda não terminou, mas nossa cabeça parece ter ido embora antes de nós. É curioso. Passamos janeiro acreditando que tínhamos um ano inteiro pela frente. Chegamos a outubro com a sensação de que já não há mais tempo para nada. Como se dez meses tivessem passado devagar e os dois últimos fossem desaparecer de uma hora para outra. Talvez este seja um bom momento para fazer uma contagem regressiva diferente: não apenas para perguntar o que ainda precisamos entregar em 2026, mas para olhar com um pouco mais de atenção para aquilo que não deveria ser adiado até 2027. Começando pela saúde. Em janeiro, muita gente promete cuidar melhor do corpo. Fazer exercícios. Dormir mais. Comer melhor. Realizar os exames que vêm sendo adiados. Reduzir o estresse. Encontrar algum equilíbrio. Depois, a vida acontece: as reuniões se acumulam, as viagens aparecem, os pro-

blemas chegam e a saúde vai sendo empurrada para aquele lugar perigoso onde colocamos tudo o que é importante, mas nunca urgente. Até que se torna urgente: não é necessário esperar o próximo janeiro para caminhar um pouco mais, marcar uma consulta, cuidar da alimentação ou tentar dormir uma hora mais cedo. Dois meses não são suficientes para transformar completamente uma vida. Mas são tempo demais para continuar ignorando aquilo que sustenta todas as outras partes dela. Depois vem a família. Durante o ano, repetimos que estamos trabalhando tanto justamente por causa dela. Queremos dar segurança, conforto, oportunidades e um futuro melhor para as pessoas que amamos. É uma intenção legítima, mas existe uma contradição quando dedicamos tanto tempo a construir um futuro para a família que quase não conseguimos viver o presente com ela. O almoço que adiamos, a conversa que interrompemos, o telefonema que deixamos para amanhã, a visita que nunca cabe na agenda. Nenhuma dessas ausências parece grave quando acontece isoladamente. O problema é que a vida familiar também é construída por acúmulo. Não apenas pelos grandes acontecimentos, mas por pequenas presenças repetidas. Ainda há tempo, em 2026, para um almoço sem telefone sobre a mesa, para visitar alguém que não vemos há meses, para ouvir uma história que já

TECNOLOGIA

conhecemos, para perguntar como uma pessoa está e permanecer tempo suficiente para escutar a resposta verdadeira. Então chegamos ao trabalho. Esta é a época em que muitas empresas começam a planejar o próximo ano. Metas, investimentos, projetos, contratações, cortes, prioridades. Tudo precisa caber numa apresentação que explique como 2027 será maior, melhor e mais eficiente. Planejar é necessário, mas nenhum planejamento para o futuro deveria nos impedir de fazer uma pergunta sobre o presente: o trabalho que estamos realizando ainda faz sentido? Não pergunto apenas se ele produz resultados. Pergunto se estamos usando bem nosso tempo, nossa experiência e nossa energia. Se estamos resolvendo problemas relevantes ou apenas alimentando processos que ninguém mais teve coragem de questionar. Há pessoas exaustas por fazer coisas que talvez já não precisassem ser feitas, há empresas cheias de reuniões para discutir falta de produtividade, há profissionais ocupados o dia inteiro, mas incapazes de dizer, ao final dele, o que realmente construíram. Quem sabe o melhor planejamento para 2027 não comece acrescentando no-

vos projetos, comece escolhendo aquilo que não deveria continuar. E, finalmente, existe uma pergunta maior, que envolve a essência da vida. Saúde, família e trabalho ocupam espaços diferentes em nossas agendas, mas não existem separadamente. Quando uma dessas dimensões se desequilibra, as outras acabam pagando parte da conta. Trabalhamos sem saúde para garantir o futuro. Sacrificamos a família para atender ao trabalho. E, quando finalmente conquistamos algum tempo, descobrimos que talvez já não saibamos muito bem o que fazer com ele. A vida não acontece depois que terminamos tudo, até porque nunca terminamos tudo. Sempre haverá uma nova meta, uma mensagem esperando resposta, uma preocupação, uma conta, um projeto e alguma coisa que poderia ter sido feita melhor. É provável que amadurecer seja perceber que viver não é chegar a um ponto em que todos os problemas desapareceram. É aprender a escolher o que merece nossa atenção mesmo enquanto os problemas continuam existindo. 2026 ainda não acabou. Ainda há tempo para cuidar do corpo que nos trouxe até aqui, para estar perto de quem atravessou o ano conosco, para rever a maneira como trabalhamos. E para lembrar que produtividade, reconhecimento e sucesso têm valor, mas não respondem sozinhos à pergunta sobre o que faz uma vida valer a pena. Daqui a pouco, o ano se despede e faremos outra vez o mesmo ritual: metas, planos, promessas, como se a simples troca do calendário pudesse nos transformar. Diante de nós, 2027 parecerá limpo, intacto, cheio de dias que ainda não estragamos. Mas por que esperar? Ainda temos nas mãos os dias que restam de 2026. E não custa lembrar: uma vida diferente começa justamente quando paramos de aguardar o ano seguinte, o mês seguinte, o dia seguinte. Feliz 2026!

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ECONOMIA MARKETING

Monique Evelle

LIDERANÇA

UMA DAS MULHERES MAIS INFLUENTES DO BRASIL (REVISTA FORBES), EMPREENDEDORA, INVESTIDORA E SHARK

Imagem gerada por I.A.

TECNOLOGIA

Quem disse que empreender sozinho é sinal de sucesso?

P

or muito tempo, empreender foi vendido como uma questão de coragem. A ideia era simples: se você tivesse uma boa ideia, trabalhasse muito e não desistisse, em algum momento o negócio daria certo. Mas a realidade é bem mais complexa. Empreender exige coragem, claro. Só que coragem, sozinha, não paga conta, não substitui conhecimento e não resolve a falta de acesso a crédito, tecnologia, pessoas qualificadas e oportunidades. Existe uma romantização muito grande em torno da figura do empreendedor que faz tudo sozinho. Ele vende, administra, cria conteúdo, cuida do financeiro, resolve problemas, responde mensagens e ainda precisa encontrar tempo para pensar no futuro da empresa. Como se estar sempre sobrecarregado fosse uma prova de comprometimento. Não é. Um negócio saudável precisa de estru-

tura. E estrutura também significa saber pedir ajuda, construir uma rede e reconhecer que ninguém cresce sozinho. Isso é especialmente importante quando falamos de empreendedores negros, mulheres e pessoas que historicamente tiveram menos acesso aos espaços de decisão e aos recursos necessários para transformar uma ideia em um negócio sustentável. Durante muito tempo, essas pessoas foram ensinadas a começar com o que tinham. E começar com o que se tem pode ser uma potência. O problema é quando isso vira uma regra permanente. Não podemos continuar tratando a falta de acesso como se fosse uma característica positiva do empreendedorismo. Se uma pessoa precisa trabalhar em três lugares para conseguir manter o próprio negócio, isso não é necessariamente resiliência. Pode ser falta de estrutura. Se uma empreendedora não consegue con-

tratar alguém porque todo o dinheiro está comprometido com a sobrevivência da empresa, talvez o problema não seja falta de esforço. Talvez seja acesso. Essa diferença importa porque muda a forma como enxergamos o sucesso. Precisamos parar de perguntar apenas quem conseguiu chegar e começar a perguntar quais condições permitiram que determinadas pessoas chegassem mais rápido, com mais recursos e menos riscos. Também precisamos falar sobre rede. Conhecimento é importante, mas saber quem procurar, quem pode abrir uma porta, indicar um profissional, apresentar um investidor ou simplesmente compartilhar uma experiência pode mudar completamente o caminho de um negócio. É por isso que acredito tanto na construção de comunidades. Empreendedorismo não deveria ser uma corrida individual. Quanto mais pessoas conseguem trocar conhecimento, compartilhar oportunidades e criar negócios juntas, mais possibilidades surgem. E existe uma responsabilidade também para quem já conquistou determinados espaços. Não basta chegar. É preciso entender o que fazemos com o espaço que conquistamos. Podemos abrir portas, compartilhar contatos, contratar pessoas diferentes, indicar profissionais, investir em novos negócios e criar ambientes onde outras pessoas também possam crescer. No fim, talvez a pergunta mais importante não seja “como eu consigo vencer sozinho?”, mas “como a gente constrói condições para que mais pessoas consigam crescer?”. Eu não acredito em uma ideia de sucesso baseada no isolamento. Acredito em negócios que crescem, mas também em pessoas que conseguem crescer junto com eles. Acredito em resultado, mas também em sustentabilidade. E acredito que construir uma trajetória profissional não precisa significar passar por cima de todo mundo ou carregar o mundo inteiro nas costas. Empreender pode ser sobre criar algo novo. Mas também pode ser sobre criar novas possibilidades para quem vem depois. E, para mim, é aí que o empreendedorismo começa a ganhar um sentido maior.


2027 Inscreva-se


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ECONOMIA MARKETING

Carlos Alberto Júlio

LIDERANÇA

EXECUTIVO, PROFESSOR E PALESTRANTE BRASILEIRO

TECNOLOGIA

O que é estratégia?

Imagem gera

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I.A.

U

m erro grave que muitas empresas cometem é sair fazendo coisas sem antes definir, com clareza, o que fazer e por que fazer. Vivemos o tempo da agilidade. Tudo precisa ser rápido. Decidir rápido, lançar rápido, contratar rápido, responder rápido. Criou-se a ideia de que uma execução mais veloz fará a empresa andar mais depressa e chegar antes aos seus objetivos. Nada mais perigoso. Pressa não significa agilidade. E agilidade não significa simplesmente ser rápido. É claro que, para obter resultados, é preciso fazer. Estratégia sem execução vira apenas uma bela apresentação de PowerPoint. Empresas precisam vender, produzir, contratar, comunicar, atender clientes. Precisam executar. Mas existe uma pergunta que deveria vir antes do “vamos fazer”: O que devemos fazer? Parece óbvio. Mas quantas empresas começam o ano com dezenas de projetos, iniciativas e prioridades sem terem respondido adequadamente a essa pergunta?

É aí que entra a estratégia. Gosto de simplificar conceitos. Estratégia, para mim, é o caminho que escolhemos para chegar aonde queremos chegar. E repare na palavra: escolhemos. Estratégia é escolha. Se queremos crescer, precisamos escolher onde crescer. Em quais mercados? Com quais clientes? Com quais produtos? Com que proposta de valor? Depois vem o planejamento. Planejar é transformar essas escolhas em um como. Como vamos crescer? Como vamos precificar? Como nos comunicaremos? Como lançaremos produtos? Como organizaremos pessoas e recursos para atingir nossas metas? E então vem a execução. Escolher. Planejar. Executar. O problema é que muitas organizações inverteram essa sequência. Primeiro fazem. Depois tentam entender por que estão fazendo. Criam uma enorme quantidade de iniciativas e chamam isso de agilidade. Não é. Imagine alguém entrando em um carro, acelerando o máximo possível e, depois de alguns quilômetros, perguntando:

“A propósito, para onde estamos indo?” Velocidade na direção errada só faz você se afastar mais rapidamente do destino. Por isso, antes de cobrar velocidade, líderes precisam oferecer clareza. Clareza sobre onde queremos chegar, sobre nossas escolhas e sobre nossas prioridades. E aqui está talvez uma das partes mais difíceis da estratégia: tão importante quanto decidir o que fazer é decidir o que não fazer. Estratégia também é renúncia. É dizer não às oportunidades que parecem interessantes, mas nos desviam do caminho. Não aos projetos que consomem energia sem contribuir para nossas prioridades. Não às boas ideias que simplesmente não combinam com aquilo em que acreditamos e planejamos. Porque uma empresa que diz sim para tudo, no fundo, ainda não escolheu nada. Foco não é fazer mais. Foco é ter coragem de fazer menos — e fazer muito bem aquilo que decidimos fazer. Depois disso, sim: acelerem! Quando sabemos aonde queremos chegar, qual caminho seguir e quais caminhos não percorrer, a velocidade deixa de ser pressa. Vira vantagem competitiva.


CONSUMO

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A REVOLUÇÃO DO CONSUMO Das canetas emagrecedoras às bebidas sem álcool, dos alimentos ricos em proteína ao resgate da experiência no fast food, uma mudança de comportamento desafia marcas e indústrias. Mais do que comprar produtos, o consumidor passa a negociar com a própria rotina — sem necessariamente abrir mão do prazer Por Beatriz Bononi

Foto: Josep Suria-shutterstock

Entre o bem-estar, o prazer e as novas escolhas


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O EFEITO DAS CANETAS EMAGRECEDORAS Em 2025, as vendas de medicamentos à base de GLP-1 cresceram 42% em volume no Brasil, alcançando 8,7 milhões de unidades, segundo dados da IQVIA. A Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) estima que o mercado tenha movimentado cerca de R$ 10 bilhões no país naquele ano. A expansão desses medicamentos colocou sob observação setores como alimentação, bebidas, moda e estética. Entre consumidores que utilizam GLP-1, podem surgir novas demandas relacionadas ao tamanho das porções, à composição nutricional dos alimentos e à organização das refeições. Para as empresas, entender essas possíveis mudanças tornou-se parte de uma discussão mais ampla sobre o futuro do consumo. Mas atribuir toda essa transformação às canetas seria reduzir um fenômeno complexo a um único fator. A avaliação é de Alexandre Borba, coordenador acadêmico e professor de Marketing do curso de Comunicação e Publicidade da ESPM. “De forma genérica, podemos dizer que existe uma busca por ideais de estética e corpos perfeitos. Vemos o crescimento dos procedimentos estéticos, o aumento do consumo de esteroides anabolizantes e a busca por dietas e medicamentos para redução de peso”, afirma. O professor lembra que o mercado já atravessou diferentes ondas de emagrecimento, da popularização do Xenical às dietas restritivas, como a Atkins, passando pelo jejum intermitente e pelo crescimento das cirurgias bariátricas e de lipoaspiração. “A preocupação com emagrecimento não é algo novo. Por vezes mais ligada à saúde, por vezes ligada à estética, temos procurado formas fáceis e rápidas de perder peso. As canetas são novas formas de viabilizar esse desejo antigo, com seus riscos e limitações.” A novidade, portanto, não está apenas na tecnologia farmacológica, mas na escala que a discussão alcançou e nas perguntas que ela coloca para diferentes indústrias. Ainda assim, é necessário separar os efeitos efetivamente observados das expectativas do mercado. Nem todo usuário desses medicamentos terá os mesmos hábitos, assim como nem todo consumidor interessado em bem-estar recorrerá a eles. Para as mar-

SEGUNDO DADOS MAIS RECENTES DO GLOBAL WELLNESS INSTITUTE (GWI), A ECONOMIA MUNDIAL DE WELLNESS MOVIMENTOU US$ 6,8 TRILHÕES EM 2024. A PROJEÇÃO É QUE CHEGUE A US$ 9,8 TRILHÕES EM 2029 cas, a questão central é identificar mudanças reais sem transformar uma parcela do público em retrato de todo o mercado.

FOCO NA PROTEÍNA Uma das manifestações mais visíveis da transformação aparece nas gôndolas. A proteína, historicamente associada a suplementos esportivos e produtos voltados a praticantes de atividade física, passou a ocupar categorias de consumo cotidiano. A estratégia é aproximar o atributo nutricional de ocasiões que vão do café da manhã ao lanche entre compromissos. A Nestlé é um exemplo dessa movimentação. Em 2025, a companhia lançou o

Nescau Protein em pó e, em maio de 2026, ampliou a linha com uma versão pronta para beber, que oferece 15 gramas de proteína por porção, zero adição de açúcares e zero lactose. Segundo a empresa, o produto foi desenvolvido para adolescentes e jovens adultos com rotinas intensas, incluindo aqueles que conciliam atividade física e outras demandas do dia a dia. O lançamento ilustra uma mudança de posicionamento: em vez de restringir a oferta a consumidores que procuram produtos especializados, as marcas buscam incorporar novos atributos a itens já familiares. A conveniência continua importante, mas passa a ser acompa-

Foto: Divulgação/Patties

O

que vai para o prato, para o copo e para a rotina está mudando. A proteína avança sobre categorias antes pouco associadas a esse nutriente, as cervejas sem álcool conquistam novos espaços, as bebidas com menos calorias ampliam sua presença nas prateleiras e a praticidade passa a dividir espaço com atributos como composição, valor nutricional e qualidade dos ingredientes. Fora da mesa, a atividade física, o autocuidado e a busca por qualidade de vida também ganham protagonismo. Mais do que uma mudança no cardápio, trata-se de uma transformação nos critérios que orientam as escolhas. O consumidor não deixou necessariamente de gostar dos produtos tradicionais, mas passou a considerar outras variáveis na hora de decidir o que comprar, comer, beber e experimentar. Saúde, prazer, conveniência, preço e identificação com as marcas coexistem — nem sempre de maneira simples ou previsível. Os números ajudam a dimensionar a força desse movimento. Segundo o Global Wellness Institute (GWI), a economia mundial do bem-estar movimentou US$ 6,8 trilhões em 2024, alta de 7,9% em relação ao ano anterior. A projeção da entidade é que o mercado alcance US$ 9,8 trilhões em 2029. No Brasil, o setor alcançou US$ 125 bilhões em 2024, colocando o país na 11ª posição mundial e na liderança da América Latina e do Caribe. O valor equivale a cerca de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. O wellness, portanto, já ultrapassou os limites de academias, spas e produtos tradicionalmente associados à saúde. Tornou-se uma referência que atravessa a alimentação, as bebidas, a beleza, a hospitalidade e o entretenimento. Para as empresas, compreender essa mudança exige olhar para além dos atributos funcionais de um produto e entender como ele se encaixa na vida de quem o consome. Nesse contexto, as chamadas canetas emagrecedoras ganharam espaço no debate sobre hábitos, alimentação e imagem corporal. Embora não tenham inaugurado a preocupação com o peso, esses medicamentos deram nova dimensão a uma discussão antiga e começaram a levantar questões sobre seus possíveis efeitos em mercados que vão muito além do farmacêutico.

No Patties, a qualidade dos ingredientes não é uma resposta recente à popularização do wellness, mas um dos pilares do negócio


CONSUMO

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“POR CONTA DOS NOSSOS INGREDIENTES FRESCOS E TAMBÉM POR SER UM BURGER MENOR EM COMPARAÇÃO À CATEGORIA, NÓS JÁ TEMOS UMA FREQUÊNCIA DE CONSUMO BEM MAIOR” KADU MENDES, HEAD DE MARKETING DO PATTIES

MENOS ÁLCOOL, MAIS POSSIBILIDADES No mercado de bebidas, a mudança de comportamento aparece na expansão de alternativas que permitem variar a experiência de consumo. A cerveja sem álcool, por exemplo, deixou de ocupar uma posição periférica e passou a integrar a estratégia de grandes fabricantes, acompanhando

consumidores que procuram diversificar suas escolhas sem necessariamente abandonar o ritual de socialização. O Grupo Heineken identifica três movimentos relevantes para a indústria cervejeira brasileira: a valorização das cervejas puro malte e da premiumização, o crescimento das versões sem álcool e a expansão de opções associadas a escolhas consideradas equilibradas. “A cultura brasileira de socialização está cada vez mais aberta a diferentes formas de consumo, refletindo uma busca crescente por qualidade, bem-estar e equilíbrio”, afirma Jussara Calife, diretora de Trade Marketing do Grupo Heineken. Segundo a executiva, o portfólio de escolhas equilibradas da companhia, que inclui alternativas com menos calorias, zero álcool e/ou sem glúten, registrou crescimento de dois dígitos altos no primeiro semestre de 2026. Neste ano, a empresa criou a plataforma +Equilíbrio para reunir esses produtos e facilitar a identificação das opções pelo consumidor. A estratégia inclui marcas como Heineken 0.0 e Heineken Ultimate e busca ampliar as possibilidades de escolha,

Foto: Divulgação

nhada por argumentos relacionados à composição e à funcionalidade. Isso não significa que o consumidor tenha abandonado as versões tradicionais. Significa que diferentes propostas podem conviver na mesma categoria, atendendo a prioridades distintas. Para Alexandre Borba, o desafio está em reconhecer quais tendências fazem sentido para cada negócio, sem comprometer a identidade da marca. “As marcas devem estar conectadas com os comportamentos do consumidor e da sociedade de forma responsável. Marcas fortes precisam compreender sua essência e propósito, sabendo qual onda surfar e quais ondas deixar passar.” O especialista também alerta para

a diversidade do mercado. “Gestores de marketing e estrategistas de marca devem considerar que o crescimento da adoção das canetinhas tende a impactar os diferentes setores do mercado de maneiras distintas. Também devem reconhecer que uma parcela significativa dos consumidores não adotará a nova tecnologia, evitando o risco de tratar o mercado como um bloco homogêneo.” Embora o interesse por saúde e equilíbrio tenha ganhado visibilidade, ele não se manifesta de maneira uniforme. Há consumidores que priorizam a composição nutricional, outros que buscam conveniência, enquanto muitos alternam critérios conforme o orçamento, a ocasião e as necessidades do momento.

Portfólio de escolhas equilibradas do grupo Heineken registrou crescimento de duplo dígito alto no primeiro semestre de 2026


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QUANDO AS CATEGORIAS SE ENCONTRAM A disputa pela atenção do consumidor também leva as marcas a explorar ocasiões que antes pareciam pertencer a mercados separados. Em outubro de 2025, McDonald’s e Red Bull anunciaram uma parceria inédita no Brasil. O energético passou a integrar o cardápio de restaurantes selecionados e também poderia ser adicionado a algumas McOfertas. A colaboração foi apresentada pelas empresas como uma maneira de unir sabor, energia e conveniência em diferentes momentos do dia. Para Borba, entretanto, a iniciativa não deve ser interpretada automaticamente como consequência do avanço das canetas emagrecedoras. “Recentemente, vimos a Red Bull fazendo parcerias com McDonald’s e Domino’s. Não vejo correlação com a questão discutida sobre o aumento da adoção das canetinhas emagrecedoras.” Na análise do professor, o crescimento dos energéticos responde a uma dinâmica própria, relacionada à expansão da categoria, à distribuição no varejo e à busca por novas ocasiões de consumo.

A aproximação entre marcas de segmentos diferentes revela, assim, outra dimensão da transformação: não basta desenvolver produtos com novos atributos. As empresas também procuram identificar em quais momentos, lugares e situações suas ofertas podem fazer sentido. Essa lógica amplia o campo de concorrência.

FAST FOOD: QUALIDADE, IDENTIDADE E EXPERIÊNCIA A transformação também chega às redes de alimentação rápida, um segmento que precisa conciliar preço, velocidade, sabor e conveniência com expectativas cada vez mais diversas. De um lado, cresce a atenção à composição dos alimentos e à qualidade dos ingredientes. De outro, as marcas percebem que a fidelização depende de fatores que vão além do produto servido. Nos Estados Unidos, redes como McDonald’s e Burger King começaram a rever aspectos de suas estratégias após anos de investimentos em totens de autoatendimento e pedidos por aplicativos. Reportagem do The Wall Street Journal, repercutida pelo InvestNews em setembro de 2026, apontou uma retomada dos investimentos em treinamento de funcionários e hospitalidade nas lojas, diante da percepção de parte dos consumidores de que o atendimento havia se tornado impessoal. A proposta não é abandonar a tecnologia, mas encontrar um equilíbrio entre eficiência e contato humano. O McDonald’s também apresentou uma nova estratégia global, batizada de McDonald’s > NEXT, estruturada em quatro frentes: renovação dos restaurantes, aprimoramento de alimentos e bebidas, inovação orientada pelas preferências dos consumidores e melhoria do atendimento. Entre as iniciativas estão a atualização do cardápio, a busca por novas ocasiões de consumo e o fortalecimento da interação com o público, conforme noticiado pelo Times Brasil em junho de 2026. A movimentação evidencia que, mesmo em uma categoria associada à rapidez, a experiência continua sendo um fator importante para estimular novas visitas. O consumidor pode chegar por conveniência, mas a percepção de qualidade, o atendimento e a relação com a marca também influenciam sua decisão de voltar. Essa leitura faz parte da estratégia da Patties, rede especializada em hambúrgueres ultrassmash. Para Kadu Mendes, head de marketing da marca, a qualidade dos ingredientes não é uma resposta recente

Foto: 8th.creator-Shutterstock

em vez de estabelecer uma oposição direta às versões tradicionais. “O que vemos é uma tendência clara de busca por equilíbrio, mas ela não se traduz em um único comportamento de consumo. O mercado brasileiro é diverso e reúne consumidores com diferentes perfis, ocasiões e preferências”, explica Jussara. Os dados da categoria de bebidas não alcoólicas também apontam para essa diversificação. Uma análise da NielsenIQ sobre tendências de consumo para 2026 identificou uma queda de 2,1 pontos percentuais na intenção de consumo de bebidas alcoólicas entre o primeiro trimestre de 2026 e o mesmo período do ano anterior, enquanto as não alcoólicas avançaram 10,3 pontos percentuais. Dentro desse universo, os energéticos sem açúcar já representam 29,3% da categoria e crescem duas vezes mais rápido que as versões regulares. Os números, porém, não indicam que todas as escolhas estejam necessariamente orientadas à redução. Os energéticos, por exemplo, também se relacionam à busca por disposição, energia e desempenho. A mesma transformação que impulsiona produtos associados ao controle de calorias pode favorecer categorias que prometem acompanhar rotinas intensas.

Em nova estratégia, McDonald’s fará atualização do cardápio e fortalecimento da interação com o público

à popularização do wellness, mas um dos pilares do negócio desde sua criação. “No caso da Patties, qualidade é um dos nossos pilares desde o dia 1. Por isso, a gente brinca que somos o burger preferido da ‘nutri’, porque todos os nossos ingredientes são frescos e a grande maioria é feita no dia, inclusive o nosso queijo, que é feito literalmente todos os dias. Então, como somos uma indulgência de alta qualidade, essa sempre foi a nossa essência e sempre continuará sendo”, afirma. A fala sintetiza uma questão importante para o setor: a busca por equilíbrio não implica necessariamente abrir mão de alimentos indulgentes. Em muitos casos, trata-se de escolher com mais atenção, valorizar a procedência dos ingredientes ou buscar uma experiência que justifique a decisão de consumo. Kadu também observa o avanço da cultura wellness e a atenção crescente à composição dos produtos. “Existe, sim, esse movimento atualmente, porque a cultura wellness tomou conta totalmente das pessoas. Hoje em dia, nem a cerveja é só uma cerveja. Ninguém quer mais ‘desperdiçar’ calorias, então nós já entendemos que cada vez mais temos que nos preocupar com produtos com poucos conservantes e o mais natural possível”, diz.


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CONSUMO

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“AS MARCAS QUE SOUBEREM OUVIR E COMPREENDER DESEJOS E NECESSIDADES DAS PESSOAS, REVELAR INSIGHTS PODEROSOS E TRANSFORMÁ-LOS EM PROPOSTAS DE VALOR RELEVANTES PARA ESSAS PESSOAS, AS VERÃO SE TORNAR CONSUMIDORES” Alexandre Borba da ESPM

Como exemplo, ele cita o Pat Pop, refrigerante de jabuticaba com limão e sem açúcar. Segundo o executivo, o produto chegou à segunda posição em vendas na categoria dentro da rede, atrás apenas da Coca-Cola Zero, mesmo sem divulgação nas redes sociais. “Na minha visão, investir cada vez mais em menos ingredientes artificiais e mais em qualidade é a bússola para o seu produto do futuro”, destaca. A aposta, no entanto, não significa ampliar o cardápio para acompanhar toda tendência que surge. Para Kadu, a especialização também faz parte do posicionamento da marca. “No fim do dia, quem quer comer burger, quer comer burger. Então, a gente vai continuar fazendo o nosso trabalho, nos adequando cada vez mais aos ingredientes e buscando a maneira mais natural possível dentro do nosso produto. Mas, na nossa visão, abrir o leque do cardápio e investir em diferentes tipos de produtos não faz parte do que vai funcionar para a nossa rede”, explica.

A EXPERIÊNCIA COMO FERRAMENTA DE FIDELIZAÇÃO Se a qualidade é um atributo central do produto, o relacionamento com o consumidor aparece como outra frente de atuação. Em um mercado competitivo, a experiência não se limita ao momento da

compra: pode começar antes do pedido e continuar depois que ele chega ao cliente. Na Patties, esse trabalho é conduzido por uma equipe chamada “encantamento”, dedicada a desenvolver ações personalizadas e fortalecer o vínculo com o público. “Queremos estar nos momentos felizes da vida dos nossos clientes. Então, temos um time dentro da Patties que se chama ‘encantamento’, que basicamente tem como norte fidelizar e mostrar que queremos ser melhores amigos dos nossos clientes”, conta Kadu. Segundo ele, a equipe funciona como uma estrutura de marketing direcionada às necessidades individuais, com iniciativas que podem incluir desde o envio de um mimo até a resolução de uma demanda específica. “É como se fosse um time de marketing para uma pessoa só, disposto a fazer qualquer coisa para deixar esse cliente feliz, desde mandar um pedido de outro restaurante para ele, um mimo ou qualquer tipo de ação que o faça feliz. Por meio do time de encantamento, a gente tem desenvolvido um trabalho de formiguinha, superespecial, para atrair e fidelizar cada vez mais clientes”, enfatiza. A proposta dialoga com a revisão de estratégias observada nas grandes redes internacionais. Em um cenário no qual a


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UMA ANÁLISE DA NIELSENIQ SOBRE AS TENDÊNCIAS DE CONSUMO PARA 2026 IDENTIFICOU QUEDA DE 2,1 PONTOS PERCENTUAIS NA INTENÇÃO DE CONSUMO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS ENTRE O PRIMEIRO TRIMESTRE DE 2026 E O MESMO PERÍODO DO ANO ANTERIOR tecnologia facilita pedidos e pagamentos, o diferencial pode estar justamente na maneira como a marca faz o consumidor se sentir. Atendimento humano, personalização e proximidade passam a funcionar como instrumentos de preferência e recorrência. A transformação do fast food, portanto, não se resume à inclusão de opções menos calóricas ou à adaptação dos cardápios a novos hábitos alimentares. Ela envolve também a maneira como as empresas constroem sua identidade, compreendem as ocasiões de consumo e desenvolvem relações duradouras com seus clientes.

O PRAZER CONTINUA À MESA É nesse ponto que uma interpretação exclusivamente funcional do comportamento do consumidor pode levar a conclusões equivocadas. Uma pessoa pode se preocupar mais com a alimentação, praticar exercícios, reduzir o consumo de álcool ou utilizar um medicamento para emagrecimento e, ainda assim, continuar frequentando restaurantes, comemorando aniversários, saindo com amigos e escolhendo alimentos considerados indulgentes. O consumo não se resume à satisfação de necessidades fisiológicas. Comer e beber também são formas de socialização, expressão cultural, pertencimento e afeto. É

uma dimensão que ajuda a explicar por que a transformação dos hábitos não implica necessariamente o desaparecimento de categorias tradicionais, mas pode resultar em escolhas mais variadas conforme a ocasião. “A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”, destaca Borba. “A alimentação não é consumida somente por sua perspectiva funcional. Comemos para socializar, para nos divertirmos e trocarmos afetos. O comer em casa é também carinho. O comer fora de casa pode ser pertencimento e cumplicidade.” A observação ajuda a compreender a coexistência entre tendências aparentemente contraditórias. O mesmo consumidor que procura uma bebida sem álcool durante a semana pode escolher uma cerveja tradicional em uma celebração. Pode priorizar a composição dos alimentos no cotidiano e, em outra ocasião, escolher um hambúrguer pela experiência, pelo sabor ou pela memória afetiva. Não se trata necessariamente de incoerência, mas de uma relação mais contextual com o consumo. As decisões mudam de acordo com o momento, a companhia, a disponibilidade financeira e as prioridades individuais. Essa diversidade também aparece na estratégia do Grupo Heineken, que trabalha com diferentes opções para ampliar as possibilidades de

consumo. “O ponto de partida é entender que diferentes ocasiões pedem diferentes escolhas. Produtos como Heineken 0.0 e Heineken Ultimate não competem entre si nem com a Heineken Original; eles complementam o portfólio e ampliam a presença da marca em novos momentos de consumo”, afirma Jussara. Para a executiva, a tendência é que essa diversificação continue influenciando o setor. “A principal tendência é a diversificação das ocasiões de consumo. Os consumidores querem mais liberdade para escolher como socializar e celebrar, o que aumenta a demanda por produtos capazes de atender diferentes necessidades, momentos e estilos de vida.”

O DESAFIO DE ACOMPANHAR SEM PERDER A ESSÊNCIA A revolução do consumo não tem um único protagonista, nem pode ser explicada por uma única causa. O crescimento da economia do bem-estar, a popularização de medicamentos para emagrecimento, a valorização da proteína, a expansão de bebidas sem álcool e a busca por experiências mais personalizadas fazem parte de um cenário de mudanças que se cruzam, mas não necessariamente obedecem à mesma lógica. Para as marcas, o desafio é distinguir

tendências passageiras de transformações estruturais. Isso exige acompanhar dados, ouvir consumidores, testar produtos e compreender que o comportamento de compra não é determinado apenas por atributos nutricionais ou promessas funcionais. Preço, prazer, conveniência, confiança e identificação continuam influenciando as decisões. Também exige cautela para não transformar o wellness em uma fórmula universal. A busca por equilíbrio pode significar coisas diferentes para pessoas diferentes — e até para a mesma pessoa em momentos distintos. Há espaço para produtos funcionais e para indulgências, para tecnologia e atendimento humano, para conveniência e experiência. No fim, o consumidor não está necessariamente trocando o prazer pela saúde, nem a tradição pela novidade. Está ampliando os critérios com que avalia suas escolhas e combinando prioridades de acordo com a própria rotina. As empresas que compreenderem essa complexidade terão mais condições de inovar sem perder sua identidade. Afinal, em um mercado no qual cada vez mais produtos prometem atender a novas necessidades, a diferença não estará apenas em acompanhar a tendência da vez, mas em oferecer algo relevante para a vida real das pessoas.


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ECONOMIA MARKETING

João Branco PROFESSOR, AUTOR E EX-VP DE MARKETING DO MCDONALD’S

E

I.A. p or gera da Ima gem

O que o seu cliente vai precisar em 2027?

stamos naquela época de planejar os próximos 12 meses e escrevi esse artigo para te deixar uma dica muito importante sobre isso. Não preciso saber quem vai ganhar a eleição, nem prever exatamente onde estarão os juros, o dólar ou a inflação para dizer uma coisa: 2027 não vai ser 2026. Chegaremos ao próximo ano com as famílias muito endividadas, empresas pressionadas, uma sequência preocupante de recuperações judiciais e um ambiente institucional bastante incerto. Ao mesmo tempo, vivemos uma época de avanços tecnológicos históricos. Temos à disposição novas ferramentas para produzir, analisar, automatizar, personalizar e vender. Nunca tivemos tantas possibilidades de acertar. O problema é que, em um ambiente mais difícil, errar também pode custar muito mais caro. Por isso, acredito que 2027 será um ano de prudência. Mas prudência não significa ficar parado. Significa escolher muito melhor quais riscos vale a pena correr. A pressão por resultados de curto prazo deve aumentar muito. Veremos marcas ainda mais desesperadas por vendas, promoções e performance. Consigo ver o mercado migrando dos “cursos para construir um

LIDERANÇA TECNOLOGIA

lar amoroso” para os “métodos para salvar seu casamento em 7 dias”. Faça o paralelo disso com o seu negócio e prepare-se. I.A. para criar máquinas de vendas? TikTok Shop? Afiliados? Menos campanha institucional e mais promoção? Tudo que encurta a distância entre investimento e venda ganhará espaço. Do outro lado, o consumidor também estará fazendo contas. Quando os recursos ficam mais escassos, ele não deixa de desejar. Mas recalcula tudo. Começa a olhar para escolhas que pareciam automáticas e pergunta: “isso ainda vale a pena?”. Seu cliente pode ter que tomar a dura decisão de não consumir nada do que você ou os seus concorrentes oferecem. Em 2027, uma das principais missões do seu marketing será fazer muita gente chegar a uma nova conclusão: “AGORA VALE A PENA”. Só que isso não se faz apenas com ações do tipo “10% de desconto”, “agora com mais sabor” ou “conheça a nova tampinha”. Você precisa dar um “reset” na percepção de valor, mudando algo importante o suficiente para zerar a base de comparação e fazer o cliente calcular tudo novamente. Um restaurante que sempre vendeu por quilo e passa também a oferecer “coma à vontade por R$ 39,90” te obriga a repensar se “agora vale a pena”, percebe? O mesmo

acontece se uma academia dá a opção de pagar por “dias utilizados”, se uma faculdade oferece uma “garantia de emprego ao final do curso” ou se uma marca de celulares oferece trocar aparelhos usados por novos. São coisas que mudam a “conta” que o cliente faz. Aumentam sensivelmente a percepção de benefício ou diminuem sensivelmente a percepção de custo. Se não mudar a conta, dificilmente muda a decisão. Precisa ser algo capaz de gerar aquela sensação de “Aaaah… agora vale a pena”. Muita gente está tentando fazer isso apenas diminuindo embalagens ou piorando o produto. Cuidado para não exagerar. Chega uma hora em que o detergente fica tão aguado que o consumidor não pensa mais: “essa empresa é parceira”. Ele começa a pensar: “essa marca ficou uma porcaria”. Com menos recursos, o cliente não fica apenas mais sensível ao preço. Ele fica também mais sensível ao erro. Seu objetivo é mostrar que está do lado dele, criando uma solução para a sua nova realidade. Pode até ser oferecendo algo mais caro ou mais completo. Mas isso exige entender quanto dinheiro ele tem e, principalmente, o que ele precisa. Para seu plano de 2027 não se esqueça: seu cliente não quer um produto. Ele quer ajuda.


A experiência única da


MÍDIA

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Da apuração à gestão: os novos caminhos de

Michelle Trombelli Com trajetória construída no rádio e passagens pela Folha de Alphaville e pela Revista Efe., jornalista chega à nova fase e assume gerência de jornalismo da Rádio Eldorado

Foto: Divulgação

Por Beatriz Bononi

Na Rádio Eldorado, o trabalho de Michelle envolve manter as características editoriais da emissora e fortalecer a integração com a redação do Grupo Estado

A

trajetória de Michelle Trombelli é marcada pela reportagem, pela escuta atenta e pelo compromisso com a informação. Depois de construir uma carreira em diferentes emissoras de rádio e conquistar importantes reconhecimentos, como o Troféu Mulher Imprensa e o Prêmio Líbero Badaró de Jornalismo, a jornalista inicia um novo capítulo profissional na Rádio Eldorado, onde assume a gerência de jornalismo, além de apresentar o Jornal Eldorado. O desafio chega em um momento especial para a comunicação brasileira: o retorno de uma emissora tradicional, com o propósito de preservar sua identidade editorial e ampliar o diálogo com novos públicos. Antes de consolidar sua carreira no rádio, Michelle deu os primeiros passos na reportagem na região de Alphaville. A experiência na Folha de Alphaville teve papel importante em sua formação, espe-

cialmente no desenvolvimento do olhar jornalístico e no cuidado com a apuração. “Eu comecei a minha trajetória jornalística na Folha de Alphaville. Antes, tinha tido experiência em assessorias de imprensa das prefeituras de Santana de Parnaíba e Pirapora do Bom Jesus. Trabalhei em jornais de bairro, mas acho que a Folha de Alphaville foi a minha primeira grande experiência na reportagem. Foi uma grande base para a minha carreira profissional, e levo muito dessa experiência comigo: o cuidado com a apuração, com a edição, tentar sempre fazer o melhor e ouvir atentamente o máximo possível as pessoas envolvidas naquela reportagem, para retratar aquela realidade da melhor maneira”, destaca. O RETORNO DE UMA EMISSORA TRADICIONAL A volta da Rádio Eldorado representa, para Michelle, mais do que uma nova oportunidade profissional. É também a possibilidade de contribuir para a continuidade de um projeto reconhecido pela programação musical e pela identidade jornalística. “É uma alegria muito grande para qualquer pessoa que gosta de comunicação, que gosta de cultura e que preza por um veículo de comunicação como o rádio. Eu fiquei duplamente feliz pela perspectiva de estar presente, de fazer parte dessa história a partir de agora. Fazer parte dessa fase é uma honra absurda e também um entusiasmo de querer fazer com que tudo dê muito certo”, afirma. À frente da gerência de jornalismo, seu trabalho envolve manter as características editoriais da emissora e fortalecer a integração com a redação do Grupo Estado. A proposta é aproveitar a produção jornalística do Estadão, reconhecida pela tradição

e pela credibilidade, e ampliar sua presença na programação da rádio. “Além de apresentar o Jornal Eldorado, mantendo algumas das características que ele sempre teve, como um caráter analítico, sem muito barulho, tentando trazer diferentes visões a respeito dos assuntos, acho que meu principal papel é ter uma interlocução com a redação do Estadão, para que a gente possa aproveitar cada vez mais um conteúdo que já tem tanta tradição, qualidade e credibilidade”, explica. FUTURO Ao falar sobre o futuro, a jornalista estabelece um paralelo com sua participação nas primeiras edições da Revista Efe. Para ela, tanto uma revista impressa quanto uma emissora de rádio oferecem algo que vai além do conteúdo em si: a experiência de encontrar uma seleção editorial pensada por pessoas, com intenção e critério. “A revista trouxe não só uma questão de nostalgia, de você poder folhear uma publicação, mas também de um hábito de que as pessoas sentem falta. Teve alguém que sentou, escolheu algum conteúdo e trabalhou esse conteúdo da melhor maneira possível, e eu estou aqui usufruindo, sem ter que ficar buscando”, compara. Michelle vê nessa lógica uma alternativa à dependência de algoritmos e à necessidade de procurar continuamente o que consumir em meio à abundância de opções digitais. “Aqui, estamos falando de uma curadoria humana, de pessoas que estão pensando e trabalhando para levar o melhor conteúdo a quem está consumindo aquilo. Vejo até um paralelo entre a revista e o rádio: a pessoa quer poder ligar o rádio e se surpreender com o que vem agora, qual notícia foi escolhida, que análise vai ouvir, que música vai tocar”.


Aqui, seu filho é protagonista do conhecimento. Love to be

INTERNACIONAL. Proud to be

ALPHAVILLE. Matrículas 2027 abertas.

Escola Internacional é

IB CONTINUUM


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ECONOMIA MARKETING

Fernando Barra

LIDERANÇA

ESPECIALISTA EM TECNOLOGIA, INOVAÇÃO E FUNDADOR DA SKILLPLACE

TECNOLOGIA

Superinteligência para a máquina.

E para você, o quê?

resolve, a sabedoria compreende. A inteligência calcula, a sabedoria pondera. A inteligência pode ser artificial. Ou até super, pelo visto. Mas a sabedoria é e sempre será humana. Inteligência é aquilo que você pode programar. Sabedoria é aquilo que você conquista. Ela não chega numa atualização de sistema nem num curso de oito módulos. Vem dos tropeços, das perdas, das noites mal dormidas. A máquina aprende com dados. Nós aprendemos com a vida. Um amigo médico recebeu, certa vez, um laudo feito por IA indicando o tratamento mais eficaz para um paciente em estágio terminal. Tecnicamente, a máquina estava certa. Mas ele olhou nos olhos da esposa do paciente e entendeu que aquela família não precisava de uma cura impossível, e sim de dignidade no tempo que ainda tinham juntos. Desacelerou o protocolo para permitir uma última viagem em família. Inteligente? Talvez não. Sábio? Sem dúvida. Há uma ironia histórica nisso tudo. Quando Salomão teve a

chance de pedir qualquer coisa, não pediu poder, riqueza ou glória. Pediu sabedoria. E, ao escolher aquilo que não podia ser medido em números, tornou-se o rei mais próspero de seu tempo. Milhares de anos depois, fazemos o caminho contrário. Corremos atrás de mais velocidade, mais respostas, mais “super”. Só que inteligência sem sabedoria é como um carro veloz sem direção. Vai longe, mas pode não chegar a lugar nenhum. É por isso que a pergunta mais importante deste momento talvez não seja “o que eu sei?”, mas “o que guia o que eu sei?”. A tecnologia pode nos levar até os portões do futuro. Só a sabedoria pode garantir que esse futuro valha a pena ser vivido. Então, talvez a discussão não seja se a máquina merece o nome novo. A questão é outra, e bem mais desconfortável. Agora que a máquina virou superinteligente, quem vai assumir a responsabilidade de ser sábio?

Imagem gerada por I.A.

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abe quando alguém muda o nome de uma coisa e, de repente, ela parece outra? O cargo que vira “gerente de experiência”. A academia que vira “estúdio de bem-estar”. O preço continua o mesmo, mas a gente passa a olhar diferente. Foi exatamente isso que aconteceu no fim de setembro. No dia 29, a Casa Branca assinou um decreto determinando que as agências do governo americano deixem de usar o termo “inteligência artificial” em seus documentos oficiais. O novo nome é superinteligência. A justificativa, segundo o próprio texto, é que a expressão antiga não traduz mais o tamanho do que essas tecnologias já conseguem fazer. Não é só uma troca de etiqueta. Palavras moldam percepções. E, quando a máquina ganha um “super” na frente do nome, uma pergunta silenciosa começa a ecoar em muitas cabeças: se ela é super, eu sou o quê? Comum? Ultrapassado? Substituível? Esse medo é legítimo. Mas talvez ele esteja olhando para o lugar errado. Existe uma palavra que nenhum decreto conseguiu tocar: sabedoria. No último capítulo do meu livro Inteligência Artificial Ampliada, escrevo que a inteligência


NEGÓCIOS

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Com cerca de 150 marcas e 4 mil metros quadrados, a CJ Fashion combina curadoria, atendimento personalizado e gastronomia em uma estratégia para fortalecer a presença da JHSF no mercado de alta renda Por Gláucia Arboleya

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JHSF amplia sua atuação no mercado de luxo com a CJ Fashion (www.cjfashion.com), operação de aproximadamente 4 mil metros quadrados no Shopping Cidade Jardim, em São Paulo, que reúne cerca de 150 marcas nacionais e internacionais. Inspirado no conceito das grandes lojas de departamentos internacionais, o espaço integra moda, joalheria, beleza, acessórios, gastronomia e lifestyle em uma proposta que combina curadoria, conveniência e atendimento personalizado. Mais do que concentrar grifes em um único endereço, a iniciativa aposta na integração entre produtos e serviços para oferecer uma experiência de compra alinhada às expectativas do consumidor de alta renda. A estratégia considera fatores que vão além da exclusividade das marcas, como a qualidade do atendimento, a personalização e a facilidade de acesso a diferentes produtos. A CJ Fashion faz parte do ecossistema de negócios da JHSF, companhia com atuação em shopping centers, incorporação imobiliária, hospitalidade e gastronomia de alto padrão. Com a operação, o grupo reforça o posicionamento do Shopping Cidade Jardim como destino de compras de luxo e investe em um formato que amplia as possibilidades de consumo e relacionamento com seus clientes.

CJ FASHION consolida universo da moda premium


Fotos: Divulgação/JHSF

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O espaço, localizado no Shopping Cidade Jardim, integra moda, joalheria, beleza, acessórios, gastronomia e lifestyle

CURADORIA REÚNE MARCAS INTERNACIONAIS E BRASILEIRAS A seleção de marcas é um dos pilares da CJ Fashion. Entre os nomes presentes estão Balmain, Brunello Cucinelli, Isabel Marant, Paula Raia, Alexandre Birman, Aquazzura, Gianvito Rossi e Tom Ford Beauty. O portfólio inclui ainda a Assouline, editora francesa especializada em publicações de luxo sobre moda, arte, arquitetura, design e viagens. A diversidade de categorias permite reunir diferentes propostas em um mesmo ambiente, com uma seleção que vai além do vestuário e dos acessórios. Produtos de beleza, itens para casa, publicações e sugestões para presentear ampliam as possibilidades de compra e atendem a diferentes ocasiões de consumo. Para as marcas, a presença na CJ Fashion representa um canal adicional de contato com um público de alto poder aquisitivo, em um ambiente que associa exposição comercial, curadoria e serviços especializados. Para o consumidor, a proposta é facilitar o acesso a diferentes grifes e categorias sem abrir mão de uma experiência de compra personalizada. O modelo também reflete uma transformação no varejo de luxo: a experiência não se limita mais ao espaço físico, mas incorpora serviços que acompanham o cliente em diferentes etapas da jornada de compra, inclusive fora da loja.

PERSONAL SHOPPERS AMPLIAM O ALCANCE DA OPERAÇÃO Um dos diferenciais da CJ Fashion é o serviço de private shoppers, profissionais que oferecem atendimento individualizado e auxiliam os clientes na escolha de produtos. O trabalho começa com a identificação das preferências e necessidades de cada consumidor, a partir das quais são elaboradas sugestões personalizadas. O serviço vai além das marcas disponíveis na própria CJ Fashion. De acordo com o site oficial, as profissionais também podem localizar e adquirir produtos de lojas que não fazem parte do Shopping Cidade Jardim, ampliando o acesso a diferentes marcas e categorias. O atendimento é realizado pelo WhatsApp, por meio do qual o cliente pode solicitar produtos específicos ou receber sugestões alinhadas ao seu perfil. Fotos, vídeos e orientações ajudam na avaliação dos itens antes da conclusão da compra. O serviço também permite organizar presentes e encaminhá-los diretamente aos destinatários. Outro diferencial é a possibilidade de entrega em qualquer região do Brasil. Com isso, a operação amplia seu alcance para além dos consumidores que frequentam presencialmente o shopping e cria uma alternativa de atendimento para clientes de outras cidades.

INSPIRADA NO CONCEITO DAS GRANDES LOJAS DE DEPARTAMENTOS INTERNACIONAIS, A PROPOSTA COMBINA CURADORIA, CONVENIÊNCIA E ATENDIMENTO PERSONALIZADO

Escolha dos itens conta com assessoria exclusiva

Segundo as informações disponíveis no site oficial, o serviço de private shopper tem uma taxa de 12% sobre o valor dos produtos. A proposta transforma a curadoria em uma solução de conveniência: em vez de pesquisar individualmente em diferentes lojas, o consumidor pode contar com um atendimento centralizado para encontrar e adquirir o que procura. Sob a perspectiva dos negócios, o formato amplia os pontos de contato com o público e reduz a dependência exclusiva do fluxo


NEGÓCIOS

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presencial. O relacionamento passa a ser um componente importante da operação, com potencial para aproximar clientes e marcas e estimular novas compras.

UM DOS DIFERENCIAIS DA CJ FASHION É O SERVIÇO DE PRIVATE SHOPPERS, PROFISSIONAIS QUE OFERECEM ATENDIMENTO INDIVIDUALIZADO E AUXILIAM OS CLIENTES NA ESCOLHA DE PRODUTOS

GUIAS DE PRESENTES CRIAM NOVAS OPORTUNIDADES DE CONSUMO A curadoria também está presente nos gift guides, guias de presentes disponibilizados pela CJ Fashion. Organizado por temas e ocasiões, o conteúdo reúne sugestões de diferentes categorias e ajuda o consumidor a encontrar opções adequadas a variados estilos e perfis. A ferramenta pode ser especialmente relevante em datas comemorativas, celebrações e ocasiões pessoais, quando a escolha de um presente envolve não apenas o produto, mas também sua adequação aos gostos e à personalidade de quem irá recebê-lo. Ao organizar sugestões em um único ambiente, a CJ Fashion simplifica a busca e amplia as possibilidades de compra entre as marcas de seu portfólio. O recurso

também reforça a proposta de curadoria como um serviço que agrega valor à experiência, em vez de apenas apresentar uma variedade de produtos. No varejo de luxo, essa abordagem contribui para construir um relacionamento mais próximo com o consumidor. A conveniência está associada não somente à facilidade de encontrar um item, mas à possibilidade de receber orientação e sugestões que tornem a decisão de compra mais assertiva.

GASTRONOMIA INTEGRA A EXPERIÊNCIA DE COMPRA A gastronomia complementa a proposta da CJ Fashion e amplia as possibilidades de permanência no espaço. Entre as operações presentes estão Balsâmico CJ Fashion, Café Birman e Villa Piva Café, que acrescentam opções para encontros e pausas durante a visita. A integração entre compras e gastronomia acompanha uma tendência do varejo de alto padrão, no qual o

Seleção de marcas: entre os nomes presentes estão Balmain, Brunello Cucinelli, Isabel Marant, Paula Raia, Alexandre Birman, Aquazzura, Gianvito Rossi e Tom Ford Beauty


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A iniciativa aposta na integração entre produtos e serviços para oferecer uma experiência de compra alinhada às expectativas do consumidor de alta renda

ambiente e os serviços complementares assumem papel importante na diferenciação. Em um mercado em que muitas grifes já contam com canais próprios de venda, oferecer uma experiência abrangente pode ser decisivo para atrair e fidelizar clientes. A presença de diferentes operações também cria oportunidades para que o consumidor circule entre categorias e explore o espaço mesmo quando não tem uma compra específica em mente. A visita passa a reunir diferentes atividades, combinando consumo, convivência e conveniência. Nesse contexto, a gastronomia não funciona apenas como complemento, mas como parte da proposta de valor do empreendimento. Ao reunir marcas, serviços e espaços de convivência, a CJ Fashion busca oferecer uma experiência integrada, alinhada ao posicionamento do Shopping Cidade Jardim.

ESTRATÉGIA REFORÇA ATUAÇÃO DA JHSF NO MERCADO DE ALTA RENDA A CJ Fashion se conecta à estratégia da JHSF de desenvolver negócios voltados ao público de alta renda, combinando diferentes segmentos em um ecossistema que inclui varejo, imóveis, hospitalidade e gastronomia. A operação reúne marcas de perfis

A gastronomia complementa a proposta da CJ Fashion e amplia as possibilidades de permanência no espaço

variados em uma estrutura que associa curadoria, atendimento especializado e canais digitais. Essa integração amplia as formas de relacionamento com os clientes e permite explorar novas possibilidades de consumo, tanto no espaço físico quanto por meio de serviços remotos. A oferta de compras personalizadas e entrega nacional acrescenta uma dimensão comercial importante ao projeto. Ao atender consumidores que não necessariamente frequentam o shopping, a CJ Fashion amplia o alcance de sua proposta e transforma o serviço em um canal adicional de acesso às marcas. O desafio está em preservar a consistência da curadoria e a qualidade do atendimento diante da diversidade de produtos, categorias e fornecedores. A experiência precisa funcionar como elemento de conexão entre as diferentes operações, respeitando a identidade de cada grife e mantendo a coerência do posicionamento da loja. Ao combinar varejo, gastronomia, atendimento sob medida e ferramentas digitais, a JHSF aposta em um formato que procura responder às novas exigências do consumo de luxo. Nesse mercado, a exclusividade não depende apenas do acesso a produtos e marcas, mas também da conveniência, da personalização e da qualidade da experiência oferecida ao cliente.


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INF ORMAÇ ÕE S LEGAI S — Incorporações registradas no Oficial de Registro de Imóveis de Barueri/SP: BE YOND — R.12 da matrícula nº 1 98.903. Incorporadora: Beyond Empreendimentos SPE Ltda., CNPJ 58.439.371/0001-54, NIRE 35.265.701.740, com sede na Rua Rubem Braga, 58, 3º andar, sala 304, Melville Empresarial II, Barueri/SP. As metragens divulgadas somam a área privativa do apar tamento e, quando aplicável, do depósito privativo, disponível apenas em determinadas unidades e tipologias. SYMME TRY — R.05 da matrícula nº 228.409. Incorporadora: JDI1 Empreendimentos SPE Ltda., CNPJ 54.303.50 6/0001-07, NIRE 35.263.405.621, com sede na Rua Rubem Braga, 58, 12º andar, sala 1201, Smar t Offic e, Melville Empresarial II, Alphaville, Barueri/SP. Endereço constante da matrícula: Av. Mackenzie, 690, Alphaville; para localização em Waze e Google Maps, utiliza-se Av. Mackenzie, 1 900. As metragens divulgadas somam a área privativa do apar tamento e, quando aplicável, do depósito privativo, disponível apenas em determinadas unidades e tipologias. E TERNI T Y — R.07 da matrícula nº 1 36.390. Incorporadora: Eternity Barueri Empreendimentos SPE Ltda., CNPJ 58.1 37.141/0001-30, NIRE 35.265.4 84.251, com sede na Rua Rubem Braga, 58, sala 304, Melville Empresarial II, Barueri/SP. As metragens divulgadas somam a área privativa do apar tamento e, quando aplicável, do depósito privativo, disponível apenas em determinadas unidades e tipologias. LIV — Registro nº 09 da matrícula nº 1 98.900. Incorporadora: MAC K31 Empreendimentos SPE Ltda., com sede na Rua Rubem Braga, 58, sala 304, Melville Empresarial, Barueri/SP, C EP 0 64 85-365. Projeto aprovado pela Prefeitura de Barueri/SP, com construção na


Av. Mackenzie, 730, Alphaville, Barueri/SP. As áreas são aproximadas e podem variar conforme a unidade. Não há promessa ou garantia de rentabilidade ou retorno financeiro; projeções de terc eiros são estimativas sujeitas às variações de mercado e não constituem compromisso da incorporadora, recomendando-se avaliação independente. DUO — R.7 da matrícula nº 236.378, registrado em 09/09/2026. Incorporadora: Mack32 Empreendimentos SPE Ltda. Projeto aprovado pela Prefeitura de Barueri/SP. Prevalecem as áreas constantes dos documentos oficiais. Não há promessa ou garantia de rentabilidade, retorno financ eiro ou valorização; projeções de terc eiros são estimativas sujeitas às variações de mercado e não constituem compromisso da incorporadora, recomendando-se avaliação independente. DI SPO SIÇ ÕE S GERAI S — Intermediação: Signature Imobiliária, C REC I 051 834, situada na Av. S anto Antônio, 1453, sala 1202, Bela Vista, Osasco/SP. Material publicitário informativo. Fotos, imagens, perspectivas, ilustrações, mobiliário, equipamentos, decoração, paisagismo e representações tecnológicas são meramente ilustrativos. Áreas de lazer, acabamentos, configurações e demais especificações serão entregues conforme os documentos oficiais e memoriais de cada empreendimento; a vegetação terá por tes variados. C onsulte as plantas e os memoriais da unidade para conferir áreas e características. As condições de aquisição constarão dos respectivos contratos, preser vados os direitos legais e as obrigações decorrentes da ofer ta e da publicidade. Impresso em outubro.


EFE BEYOND

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RICHARD FLITER

Entre dunas e desafios, a caminho do Rally Dakar

Foto: Irina Petrichei

Empresário de Alphaville e piloto de rally-raid conquista a 44ª colocação no Rally Marrocos e reforça sua participação no Dakar 2027

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paixão pela velocidade ganha outra dimensão quando o caminho é marcado por dunas, pedras, areia e terrenos imprevisíveis. Para Richard Fliter, empresário e morador de Alphaville, o rally-raid representa muito mais do que uma competição: é um exercício constante de resistência, estratégia e superação. Em sua mais recente experiência internacional, o piloto enfrentou o Rally do Marrocos, uma das provas mais exigentes do calendário mundial da modalidade, e encerrou sua participação na 44ª colocação entre mais de 115 competidores, resultado que integra sua preparação para o retorno ao Rally Dakar, previsto para janeiro de 2027. Disputada entre Agadir e Zagora, no Marrocos, a competição reuniu pilotos de diferentes nacionalidades em um percurso de aproximadamente 2.637 quilômetros para as motos, dos quais 1.530 foram cronometrados. Ao longo de seis dias em outubro, incluindo o prólogo e cinco etapas, os participantes precisaram lidar com condições extremas, mudanças de terreno e a exigência de manter precisão na navegação mesmo diante do desgaste físico e mecânico. Fliter competiu na categoria Rally2, com uma KTM 450 Rally Replica, pela equipe BAS World KTM Team. A prova marroquina é uma etapa importante do Campeonato Mundial de Rally-Raid (W2RC) e funciona como um teste de alto nível para quem almeja disputar o Dakar, considerado um dos maiores desafios do esporte a motor. Mais do que a posição na classificação, a experiência oferece ao piloto a oportunidade de avaliar seu desempenho em

condições semelhantes às encontradas no deserto saudita, possível palco do próximo Dakar. Cada etapa contribui para aprimorar a leitura do terreno, a navegação, o gerenciamento do ritmo e a capacidade de tomar decisões sob pressão — habilidades fundamentais em provas de longa duração. TRAJETÓRIA CONSTRUÍDA NA POEIRA A relação de Richard Fliter com o universo off-road começou há mais de uma década. Ao longo da carreira, ele alternou participações em competições de motos e UTVs, acumulando expertise em diferentes formatos de rally e consolidando uma trajetória marcada pela versatilidade. Em 2014, conquistou o título brasileiro de Rally Cross Country nas motos. Três anos depois, chegou a um dos momentos mais importantes de sua carreira: a participação no Rally Dakar de 2017, realizado na América do Sul. Na ocasião, completou a prova na 59ª colocação geral entre as motos, sendo o único brasileiro da categoria a concluir aquela edição. A experiência no Dakar deixou uma referência importante para os desafios seguintes. Em uma prova na qual resistência física, preparo técnico e regularidade podem ser tão decisivos quanto velocidade, chegar ao fim representa uma conquista significativa. Nos anos posteriores, Fliter ampliou sua atuação para os UTVs. Em 2019, venceu a categoria UTV Pro no Rally de Inverno e terminou em terceiro lugar na classificação geral combinada. Em 2020, ficou na

oitava posição geral dos UTVs no Rally dos Sertões, ao lado do navegador André Munhoz. Também obteve resultados expressivos em provas como o Rally Poeira, o Rally Jalapão e o Rally Rota Sudeste. Em 2022, voltou a competir nas motos e terminou o Rally dos Sertões na quarta colocação da categoria Moto 1. Os resultados refletem uma carreira construída pela experiência em diferentes máquinas, terrenos e condições de disputa. O RETORNO AO CENÁRIO INTERNACIONAL Fora das pistas, Richard também atua como empresário e diretor da RSF Empreendimentos, no setor imobiliário. A conciliação entre a rotina profissional e a dedicação ao esporte exige organização e disciplina, características igualmente importantes tanto nos negócios quanto nas competições de longa distância. A 44ª colocação no Rally do Marrocos, entre mais de uma centena de participantes, marca mais um capítulo de uma jornada que combina experiência, persistência e ambição esportiva. Para quem já enfrentou o Dakar e conhece a dimensão do desafio, cada nova competição é também uma oportunidade de evoluir. Entre os negócios em Alphaville e os terrenos extremos das provas internacionais, Richard Fliter segue acelerando em direção a um objetivo que exige muito mais do que velocidade: a capacidade de superar limites e continuar avançando, quilômetro após quilômetro.

Foto: Matteo Gebbia

Por Aliz Lambiazzi e Gláucia Arboleya

“NO RALLY, CADA QUILÔMETRO EXIGE CONCENTRAÇÃO, RESISTÊNCIA E CAPACIDADE DE SUPERAR OS PRÓPRIOS LIMITES”. FORA DAS PISTAS, RICHARD TAMBÉM ATUA COMO EMPRESÁRIO E DIRETOR DA RSF EMPREENDIMENTOS, NO SETOR IMOBILIÁRIO


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POR TRÁS DAS CÂMERAS

Fotos: Divulgação

Como funciona a segurança da AREA Alphaville 24 horas por dia

E Telefone Segurança AREA: (11) 4191-2300 Praça Oiapoque, 333 – Alphaville, Barueri @areaalphaville

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nquanto Alphaville segue sua rotina, uma operação permanente trabalha nos bastidores para contribuir com a segurança da região. Durante 24 horas por dia, profissionais acompanham imagens, recebem chamados, realizam rondas e mantêm comunicação com as forças de segurança pública. A estrutura da AREA Alphaville reúne videomonitoramento, Central de Controle Operacional, equipes nas ruas e veículos utilizados no patrulhamento preventivo. Quando uma situação suspeita é identificada, a equipe avalia as informações e pode acionar profissionais em campo. Dependendo da ocorrência, os órgãos públicos responsáveis também são comunicados.

TECNOLOGIA E PRESENÇA NAS RUAS As câmeras ampliam a capacidade de monitoramento, mas o trabalho humano continua essencial. Profissionais acompanham as imagens, analisam situações e orientam os procedimentos necessários, enquanto as equipes realizam rondas pela região. Moradores, trabalhadores e comerciantes também podem contribuir ao

comunicar situações suspeitas e fornecer informações precisas às equipes. Atualmente, a estrutura operacional da AREA Alphaville conta com 20 veículos: 12 caracterizados para a segurança, sendo cinco híbridos BYD; três veículos descaracterizados utilizados pela supervisão, gerência e vigilância à paisana; dois veículos da equipe

técnica; um destinado à manutenção; além de duas motos descaracterizadas. O sistema de videomonitoramento reúne 155 câmeras, sendo 75 fixas e 80 móveis. Uma estrutura que combina tecnologia, presença nas ruas e acompanhamento permanente para reforçar o trabalho preventivo em Alphaville.


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MERCADO

IMOBILIÁRIO

Imagem feita por IA

O novo morar em foco: dados do mercado, fachadas autorais, design de luxo e tecnologia de ponta revelam as tendências que estão transformando os imóveis residenciais em Alphaville e região


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A NOVA ARQUITETURA DE MORAR Design, identidade e tecnologia em Alphaville Fachadas autorais, integração com a natureza, plantas flexíveis e soluções tecnológicas redefinem os projetos residenciais e refletem um novo olhar sobre conforto, funcionalidade e qualidade de vida

Foto: Divulgação

Por Beatriz Bononi

Oasis, da CNA Spitaletti, valoriza linhas orgânicas e a integração da vegetação à fachada


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“Hoje, existe uma busca maior por projetos que combinem privacidade, conforto, bem-estar e espaços que possam ser adaptados a diferentes momentos da vida. O consumidor busca encontrar no apartamento atributos que antes estavam muito associados às casas, como grandes áreas, liberdade para receber, integração com a natureza e ambientes que favoreçam a convivência, sem abrir mão da privacidade.” Essa nova perspectiva amplia o próprio conceito de moradia. O apartamento deixa de ser apenas um espaço de descanso e passa a reunir trabalho, convivência, atividade física e lazer.

maneira de morar está mudando — e a arquitetura acompanha essa transformação. Se, durante muito tempo, localização, metragem e infraestrutura de lazer concentraram boa parte da atenção na escolha de um imóvel, hoje esses atributos dividem espaço com novas prioridades. Design, identidade arquitetônica, integração com a natureza, flexibilidade dos ambientes e tecnologia assumem um papel estratégico na concepção dos empreendimentos residenciais. Em Alphaville e região, onde o mercado imobiliário reúne projetos de diferentes escalas e posicionamentos, essa mudança se revela em múltiplas dimensões. As fachadas ganham personalidade, os materiais e as soluções construtivas passam a dialogar com a paisagem, os espaços internos se adaptam a novas rotinas e os recursos tecnológicos ampliam as possibilidades de conforto, segurança e praticidade. Para Felipe Chuckr, CEO da Arqos, essa transformação reflete uma mudança na relação das pessoas com a casa. “O consumidor deixou de olhar apenas para metragem, número de ambientes ou quantidade de itens de lazer e passou a valorizar cada vez mais a experiência proporcionada pelo projeto como um todo.” A percepção é compartilhada por Débora Bertini, CEO da MPD Engenharia. Segundo ela, a concepção dos empreendimentos passou a considerar não apenas as características físicas do imóvel, mas também a maneira como os moradores desejam viver.

KA’A contará com elevador delivery

A paisagem também é um elemento central nos projetos da CNA Spitaletti. Alexandre Golovanevsky, da área comercial e de novos negócios da incorporadora, destaca o Oásis, localizado no Alphagran, como exemplo de uma arquitetura que explora linhas orgânicas, paisagismo e integração visual entre a edificação e o entorno. “No Oásis, por exemplo, valorizamos as linhas orgânicas e a integração da vegetação à fachada, criando uma continuidade visual

“O CONSUMIDOR DEIXOU DE OLHAR APENAS PARA METRAGEM, NÚMERO DE AMBIENTES OU QUANTIDADE DE ITENS DE LAZER E PASSOU A VALORIZAR CADA VEZ MAIS A EXPERIÊNCIA PROPORCIONADA PELO PROJETO COMO UM TODO.” Felipe Chuckr, CEO da Arqos com o paisagismo e o entorno”, explica. Já o KA’A, também no Alphagran, segue outra direção estética, com linhas retas e composição mais clean. A diferença entre os dois projetos evidencia uma característica da arquitetura contemporânea: a busca por linguagens próprias, capazes de traduzir o conceito de cada empreendimento em vez de reproduzir um padrão visual único. Essa busca por uma arquitetura com identidade própria e atemporal também

Foto: Divulgação

própria, capazes de estabelecer uma relação coerente entre arquitetura, paisagismo, espaços de convivência e contexto urbano. Na Arqos, essa tendência se amplia para além dos edifícios. Com mais de 600 mil m², o DISTRITQ propõe uma abordagem que articula arquitetura, natureza, mobilidade e convivência. “Em vez de pensar apenas no edifício ou no condomínio isoladamente, é preciso considerar o bairro e o entorno”, observa Chuckr.

Foto: Divulgação

ARQUITETURA QUE TRADUZ UM ESTILO DE VIDA A busca por ambientes versáteis influencia diretamente o desenho das plantas, a seleção dos materiais e a relação entre áreas internas e externas. Cozinhas integradas, iluminação natural, ventilação cruzada, paisagismo e espaços multifuncionais ganham relevância, enquanto a arquitetura se aproxima de uma linguagem mais autoral, capaz de aliar contemporaneidade e atemporalidade. Na avaliação de Bertini, essa mudança está associada à valorização do que ela define como “metro quadrado emocional”, conceito que reúne percepção de valor, funcionalidade e design assinado. “O cliente valoriza layouts flexíveis, cozinhas integradas, insolação planejada, ventilação cruzada, design biofílico e complexos

de lazer estilo resort que funcionem como uma extensão da própria casa”, afirma. Essa abordagem aparece em empreendimentos de diferentes perfis da MPD, como o Florà, com plantas de 420 m² a 835 m², e o Andrômeda by MPD, com unidades de 90 m² e 123 m². Embora tenham escalas e características distintas, os projetos refletem a busca por soluções arquitetônicas alinhadas às necessidades de seus públicos. Mais do que reproduzir tendências, o desafio está em criar projetos com identidade

Empreendimento Alti, da Arqos, estabelece uma relação entre a construção, as áreas verdes e a paisagem


IMÓVEIS

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VOLUMES, TEXTURAS, ELEMENTOS METÁLICOS, BRISES ARQUITETÔNICOS, MATERIAIS QUE REMETEM À NATUREZA E PALETAS DE CORES NEUTRAS E TERROSAS AMPLIAM AS POSSIBILIDADES DE COMPOSIÇÃO

Foto: Divulgação

orienta os projetos da Construtora JMF. Para Priscila Vieira, diretora de incorporação da empresa, o consumidor está cada vez mais atento à qualidade dos espaços e à experiência de morar. “Na JMF, não seguimos tendências passageiras, preferimos sempre trazer uma arquitetura que traduz o momento atual e não se perde ao longo dos anos, buscamos em nossos projetos identidade, a expressão arquitetônica é muito importante, e junto a isso trazemos funcionalidade com soluções bem pensadas e conforto.”

Fachada do KA’A, no Alphagran, traz linhas retas e composição mais clean

FACHADAS QUE EXPRESSAM IDENTIDADE Mais do que definir a aparência de um edifício, a fachada se tornou um dos principais elementos de sua identidade arquitetônica. Volumes, texturas, brises, elementos metálicos, materiais que remetem à natureza e paletas de tons neutros e terrosos compõem projetos que exploram profundidade, movimento e relação com a luz. A escolha dos materiais, porém, não responde apenas a critérios estéticos. Durabilidade, manutenção, desempenho térmico e eficiência construtiva também influenciam as decisões de projeto, aproximando o desenho arquitetônico das exigências de desempenho e longevidade. Para Carla Cozer, gerente de produto da Construtora Dubai, a valorização da estética está diretamente relacionada à busca por edifícios que conciliem sofisticação e funcionalidade. “Observamos a valorização de elementos que agregam movimento e profundidade à composição, criando edifícios visualmente mais elegantes e contemporâneos. Além da estética, essas escolhas atendem questões relacionadas à durabilidade, eficiência na manutenção e desempenho térmico da edificação. A preocupação vai além da aparência”, afirma. Nesse contexto, a arquitetura autoral ganha relevância. A participação de escritórios especializados contribui para desenvolver soluções específicas para cada projeto, desde a implantação do edifício até a composição das fachadas, os interiores e o paisagismo. O BLVD. Alti, da Arqos, exemplifica essa proposta. Com projeto arquitetônico assinado pelo aflalo/gasperini arquitetos e trabalhos especializados de interiores e paisagismo, o empreendimento busca estabelecer uma relação entre a construção, as áreas verdes e a paisagem. Na MPD, o Neo Alphaville também representa a valorização de uma linguagem arquitetônica própria. Assinado pelo escritório MCAA Arquitetos, o empreendimento recebeu menção honrosa no Architecture MasterPrize, reconhecimento internacional que também contemplou o Level Alphaville. Entre as soluções destacadas pela incorporadora está o Neo Balcony, conceito em que o elevador privativo se abre diretamente para o terraço, criando uma conexão diferenciada entre a circulação vertical, o espaço privativo e a paisagem.

TECNOLOGIA INTEGRADA À EXPERIÊNCIA DE MORAR Se a arquitetura transforma a percepção visual e espacial dos empreendimentos, a tecnologia atua de forma cada vez mais direta na rotina dos moradores. Controle de acesso, automação, segurança digital, gestão de encomendas e infraestrutura para mobilidade elétrica estão entre os recursos incorporados aos projetos residenciais. No Vista Alta, em Alphaville, a Arqos prevê controle de acesso por reconhecimento facial, fechaduras biométricas nas casas, segurança perimetral e espaço dedicado ao recebimento de encomendas e pedidos de delivery. O projeto também permite a instalação de sistemas de automação nas residências. Para Chuckr, a tecnologia deve ser pensada como parte de uma experiência mais ampla de moradia. “Mas acreditamos que ela precisa estar a serviço da experiência do morador, e não ser utilizada apenas como um elemento de novidade”, afirma. Na MPD, a inovação também alcança a logística cotidiana dos condomínios. Na entrega do Florà, a empresa introduziu um robô autônomo de delivery, em parceria com a SkyFood. Após a autorização do morador pelo aplicativo, o equipamento transporta a encomenda da portaria até a porta do apartamento, utilizando os elevadores e circulando pelos corredores. A CNA Spitaletti incorpora soluções semelhantes. No KA’A, o elevador delivery foi projetado para transportar encomendas até o andar do morador. Já o Oásis conta com soluções, como espaço delivery e infraestrutura prevista para recarga de veículos elétricos. A Construtora Dubai, por sua vez, destaca a preparação dos empreendimentos para integrar portarias inteligentes, controle de acesso digital, monitoramento remoto, automação residencial e aplicativos condominiais. Para a JMF, a tecnologia também tem papel importante na eficiência da gestão condominial. A incorporadora destaca a evolução dos sistemas de controle de acesso, segurança e comunicação digital, além das possibilidades de aplicação da inteligência artificial na análise de dados operacionais e na manutenção predial. Mais do que reunir dispositivos, a proposta é incorporar a tecnologia à infraestrutura do empreendimento de maneira funcional, conectando segurança, conveniência e eficiência operacional.


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BARUERI SUPERA SÃO PAULO e tem o sexto metro quadrado mais caro do Brasil Preço médio residencial chega a R$ 12,2 mil e acumula alta nominal de quase 82% desde 2018, segundo o FipeZAP Por Aliz Lambiazzii

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mercado imobiliário de Barueri consolidou sua posição entre os mais valorizados do Brasil. Em setembro de 2026, o município registrou preço médio de R$ 12.254 por metro quadrado residencial, o sexto maior entre as 56 cidades brasileiras monitoradas pelo Índice FipeZAP de Venda Residencial. O valor supera, inclusive, o da capital paulista, onde a média chegou a R$ 12.206 no mesmo período. A diferença de R$ 48 por metro quadrado coloca Barueri à frente de São Paulo. Em relação à média das cidades pesquisadas, de R$ 10.015, os imóveis anunciados no município custam aproximadamente 22% mais. Desde janeiro de 2018, quando o metro quadrado custava R$ 6.743, a valorização acumulada chega a 81,7%, equivalente a R$ 5.511. Trata-se de uma alta nominal, sem descontar a inflação. Desenvolvido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) e pelo Grupo OLX, o índice considera anúncios de apartamentos prontos.

VALORIZAÇÃO GANHOU FORÇA NOS ÚLTIMOS ANOS O crescimento dos preços em Barueri se intensificou a partir de 2021. Em dezembro daquele ano, o metro quadrado custa-

va R$ 8.324, passando para R$ 9.017 no fim de 2022 e R$ 9.840 em dezembro de 2023. Em dezembro de 2019, a média estava em R$ 7.120 e, um ano depois, em R$ 7.519. O indicador encerrou 2024 em R$ 10.858. A evolução mostra que o avanço não se restringiu a um único ano, embora o ritmo tenha se intensificado no período mais recente. A série revela essa transformação. A marca dos R$ 10 mil foi ultrapassada em fevereiro de 2024, quando o indicador alcançou R$ 10.014. Em dezembro de 2025, o preço médio já chegava a R$ 11.655, antes de atingir os R$ 12.254 de setembro deste ano.

ALTA EM 2026 SUPERA A MÉDIA NACIONAL Entre janeiro e setembro, os preços anunciados em Barueri avançaram 5,13%, acima da média nacional de 4,04% e da capital paulista, de 2,60%. Em 12 meses, a alta local foi de 5,21%, ante 3,64% em São Paulo, mas ficou abaixo da média nacional de 5,51%. Apenas em setembro, Barueri registrou avanço de 0,40%, contra 0,58% da média nacional e 0,52% da capital. No ranking do FipeZAP, Barueri fica atrás de Vitória (ES), com R$ 15.905 por

metro quadrado; Balneário Camboriú (SC), com R$ 15.369; Itapema (SC), com R$ 15.340; Florianópolis (SC), com R$ 13.607; e Itajaí (SC), com R$ 13.453. O município supera São Paulo (R$ 12.206), Curitiba (R$ 11.766), Rio de Janeiro (R$ 11.302) e Belo Horizonte (R$ 10.686). Na região oeste da Grande São Paulo, Osasco registrou preço médio de R$ 8.732 por metro quadrado em setembro, cerca de 29% inferior ao de Barueri. Em compensação, a cidade vizinha teve valorização maior nos últimos 12 meses: 7,30%, contra 5,21%. No acumulado de 2026, os resultados ficaram praticamente empatados: 5,12% e 5,13%, respectivamente.

ALUGUEL CHEGA A QUASE R$ 72 POR METRO QUADRADO Na locação residencial, Barueri também apresenta valores elevados. Em agosto de 2026, último dado disponível na série histórica consultada, o aluguel médio anunciado chegou a R$ 71,90 por metro quadrado, acima de São Paulo (R$ 65,40) e da média nacional (R$ 54,50). Em 12 meses, os aluguéis subiram 2,09% em Barueri. Já os preços de venda aumentaram 5,21% nos 12 meses encerrados em setembro.

Ranking nacional: preço médio por m² R$ 15.369 Balneário Camboriú (SC)

R$ 13.607 Florianópolis (SC) R$ 11.302 Rio de Janeiro (RJ)

Fonte: Índice Fipezap

R$ 12.254 Barueri (SP)

R$ 15.905 Vitória (ES)

R$ 15.340 Itapema (SC) R$ 12.206 São Paulo (SP) R$ 10.686 Belo Horizonte (MG)

R$ 11.766 Curitiba (PR)

R$ 13.453 Itajaí (SC)

Mercado Imobiliário de Barueri em números R$ 12.254/m² preço médio

residencial em setembro de 2026.

6º lugar ranking nacional entre 56 cidades.

R$ 48/m² diferença acima de São Paulo.

22% preço acima da média nacional de R$ 10.015/m². +81,7% valorização nominal entre janeiro de 2018 e setembro de 2026.

O retorno bruto estimado da locação, calculado pela relação entre preços anunciados de aluguel e venda, foi de 0,59% ao mês, ou 7,09% ao ano, em agosto. O percentual supera o de São Paulo (6,42%) e a média nacional (6,14%). A estimativa não desconta tributos, manutenção, administração ou períodos sem inquilinos.

PREÇOS SEGUEM EM ALTA NO BRASIL Em setembro, os preços residenciais aumentaram em 46 das 56 cidades monitoradas pelo FipeZAP. Em 12 meses, o índice nacional acumulou 5,51%, acima da inflação de referência do relatório, de 4,45%. De janeiro a setembro, a alta foi de 4,04%, ante inflação de referência de 3,83%. Os apartamentos de um dormitório lideraram a valorização nacional em 12 meses, com 7,48%, e registraram o metro quadrado mais caro, de R$ 12.260. Unidades de dois dormitórios tiveram o menor preço médio (R$ 8.989), enquanto as de três quartos apresentaram a menor alta (3,87%). A valorização acumulada e a rentabilidade estimada dos aluguéis ajudam a dimensionar a posição do município no mercado imobiliário brasileiro.


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Al. Washington, 824 Alphagran - Alphaville Memorial de incorporação registrado sob o número R.04 da matrícula nº 221.536 em 10 de maio de 2023 no Cartório de Registro de Imóveis de Barueri. Alameda Washington, nº 824 – Alphagran, Alphaville, Barueri/SP. Projeto aprovado nº 00068/2023 pela prefeitura de Barueri/SP, pendente de incorporação na matrícula nº 221.536 do CRI de Barueri/SP. Incorporação: CNA Spitaletti Construtora e Incorporadora Ltda. Av. Copacabana, nº 112, 19º andar, Alphaville, Barueri/SP. Intermediação: Upgrade Empreendimentos Imobiliários Ltda. Av. Copacabana, 112, 18º andar, conj. 1801, Alphaville, Barueri/SP – Creci 19.880-J. Acomissão de corretagem está incluída no preço total de venda e deverá ser paga pelo adquirente diretamente à empresa ou pessoas responsáveis pela intermediação. As imagens e os decorados do standde vendas são meramente ilustrativos ou sugestões de decoração e não fazem parte do contrato de venda e compra. Os layouts, mobiliários, cores, paginação de acabamentos e vegetação, apresentados nas imagens de vendas para as áreas comuns são ilustrativas. A INCORPORADORA, se reserva no direito de atualizar a estética da decoração e paisagismo desses ambientes. As posições de caixilho, pilares, pontos e quadros elétricos, representadas nos materiais de vendas, poderão sofrer alterações. O projeto de paisagismo ilustra a vegetação após o crescimento das plantas.

PERSPECTIVA ILUSTRADA DA FACHADA

IMAGEM ILUSTRATIVA DA VISTA


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CESAR FILHO

A VOZ DE UMA TRAJETÓRIA HÁ MAIS DE QUATRO DÉCADAS NO RÁDIO E NA TELEVISÃO, O APRESENTADOR DO SBT CONSTRUIU UMA CARREIRA MARCADA POR GRANDES ENCONTROS, REINVENÇÕES E UMA TRAVESSIA DE QUASE DEZ ANOS LONGE DA TV Por Gláucia Arboleya Fotos Omar Paixão


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“QUANDO EU ESTAVA FORA DO AR E DESACREDITADO, MUITO TRISTE, RECEBI AQUELE TELEFONEMA. O SILVIO ME LIGOU E FALOU: ‘SUA HORA CHEGOU’. ELE ME TROUXE DE VOLTA PARA A TELEVISÃO E, POR ISSO, TENHO ESSA ALIANÇA DE GRATIDÃO COM ELE”

à emissora, na Avenida Paulista. A distância entre o sonho e a realização era percorrida literalmente, viagem após viagem. Aos 16 anos, a paixão começou a se transformar em projeto profissional. Embora a experiência do pai, locutor de sucesso no Vale do Paraíba, também tenha influenciado sua escolha, César já havia encontrado no rádio seus próprios mestres e uma área em que desejava construir seu caminho. O que havia começado como encantamento infantil se transformaria em uma trajetória de longevidade rara no mercado brasileiro.

sido um locutor de sucesso no Vale do Paraíba, enquanto a mãe alimentava o imaginário do filho com histórias e conversas sobre o universo da comunicação. Mas foi ao descobrir Osmar Santos, na Rádio Jovem Pan, por volta dos 12 ou 13 anos, que encontrou uma nova paixão: o jornalismo esportivo. Fascinado pela narração e pela energia das transmissões, começou a gravar os programas para ouvir repetidamente e aprender com os profissionais que admirava. “Eu me apaixonei pelo Osmar, pela cobertura do Cândido Garcia e pelo Fausto Silva, que eram repórteres. Eu gravava as locuções do Osmar com o Cândido Garcia e o Fausto para aprender com eles. Foi isso que despertou em mim o desejo de seguir carreira no esporte”, conta. A influência daqueles ídolos logo se transformaria em um encontro decisivo. Anos depois, foi justamente Cândido Garcia, então diretor de esportes da Jovem

Cesar e Celso Portiolli, seu companheiro de rádio e do SBT

Ao lado de seu amigo Faustão, ex-apresentador do Domingão

Pan, quem lhe deu a primeira oportunidade profissional no rádio — e também o nome pelo qual se tornaria conhecido. César foi lançado por ele em sua primeira reportagem, na mesma emissora que costumava ouvir ainda criança. “Fui lançado pelas mãos do Cândido Garcia. A primeira vez que fui ao ar na vida, na Rádio Jovem Pan, foi por ele”, recorda. O destino ainda reservaria outro encontro especial: a amizade de mais de quatro décadas com Fausto Silva, o Faustão, e a proximidade mantida com Osmar Santos, dois dos profissionais que tanto admirava na juventude. Para Cesar, reencontrar na vida profissional aqueles que haviam servido de inspiração é uma das grandes generosidades de sua trajetória. A chegada à Jovem Pan também exigiu determinação. Na época, ele enfrentava os desafios de se deslocar pela cidade e chegou a pegar dois ou três ônibus para chegar

Fotos: Divulgação/arquivo pessoal

M

uito antes de se tornar uma das vozes conhecidas do rádio e um dos rostos marcantes do jornalismo televisivo brasileiro, Cesar Filho já era um menino fascinado pelas ondas sonoras que chegavam de longe. Nascido em Guaratinguetá e criado até os nove anos em Aparecida, cidade vizinha, ele encontrou no rádio a primeira grande paixão de sua vida. Quando se mudou com a família para São Paulo, essa relação ganhou ainda mais força. O aparelho que o acompanhava diariamente deixou de ser apenas uma fonte de entretenimento e se tornou uma janela para um universo que, anos depois, também seria o seu. A lembrança de um presente de Natal permanece viva. Aos dez anos, perguntado pelo pai, Luiz Gonzaga Cesar, sobre o que gostaria de ganhar, ele não hesitou: queria um rádio. Ganhou um National Panasonic, com rádio gravador e recepção em ondas médias, curtas e FM. O aparelho, guardado até hoje, representa muito mais do que uma recordação da infância. É um símbolo do começo de uma história que atravessaria gerações de ouvintes e telespectadores. “Minha primeira paixão chegando aqui com nove anos foi o rádio. É algo inexplicável. Eu adorava ouvir o programa do Hélio Ribeiro, o Poder da Mensagem, na Rádio Bandeirantes. A partir dali, fui desenvolvendo um amor cada vez maior. O rádio passou a ser meu grande companheiro”, recorda. Aos poucos, a sintonia se multiplicou. Cesar passou a acompanhar Ferreira Martins, Ney Costa e outros nomes que marcaram a programação radiofônica da época. Na adolescência, ampliou o alcance do aparelho e descobriu as emissoras do Rio de Janeiro, acompanhando locutores que se tornaram referências para sua formação. O rádio era companhia, descoberta e aprendizado. Em casa, a profissão também fazia parte de sua história: seu pai havia

QUARENTA E SEIS ANOS NO AR Em setembro de 1980, Cesar Filho estreou profissionalmente na Rádio Jovem Pan. No mês seguinte, chegou à TV Record. Em fevereiro de 1981, voltou a estrear na Jovem Pan, dando sequência a uma caminhada que se dividiria entre o rádio e a televisão. Desde então, atravessou emissoras, formatos e gerações, acompanhando de perto as transformações dos meios de comunicação. A história foi construída com oportunidades que exigiram coragem, mas também com testes, improvisos e momentos de nervosismo. Um dos episódios que guarda com carinho aconteceu quando realizou um teste de rádio com Cândido Garcia. A avaliação veio acompanhada de uma espécie de missão impossível, uma pegadinha que acabou se transformando em oportunidade: o teste foi colocado no ar. Outra lembrança marcante envolve a Rádio Manchete. Depois de fazer um teste em uma sexta-feira, foi aprovado por César Fofá, CEO da Revista Efe, produto da Folha de Alphaville, que também coordena, e estreou no domingo, cobrindo uma folga na programação da manhã. Em menos de um mês, assumiu definitivamente o horário das 6h às 10h. A audiência conquistada naquele período ajudou a abrir novas portas e contribuiu para sua chegada à Jovem Pan 2.


Fotos: Divulgação/arquivo pessoal

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Durante entrevista com a atriz Bruna Lombardi

nou-se parte importante de sua formação. “Você começa a carreira tendo muitas inspirações profissionais. É um pouco da bagagem que você traz, de tudo aquilo que assiste, de tudo aquilo que ouve e de todas as pessoas que admira”, afirma. O reconhecimento, no entanto, não apagou a consciência de que a carreira artística e jornalística é feita também de interrupções, mudanças inesperadas e períodos em que a experiência acumulada não parece suficiente para garantir uma nova oportunidade.

Cesar, Patricia Abravanel, filha de Silvio Santos, e sua esposa, Elaine Mickely

Na televisão, o início também foi cercado de surpresas. Cesar conta que acreditava que faria mais uma gravação antes de estrear em um telejornal, até ser avisado de que iria ao ar naquele mesmo dia. O nervosismo foi inevitável, mas a experiência representou mais um passo em uma carreira que avançava rapidamente. A passagem pela TV Globo foi outro divisor de águas. Depois de experiências em emissoras como Record, Bandeirantes e Gazeta, Cesar chegou à Globo, onde participou de atrações como TV Mulher, Fantástico e Globo de Ouro. Apresentar o Fantástico ao lado de Sérgio Chapelin, um dos profissionais que admirava, foi uma honra especial. A convivência com nomes que antes acompanhava à distância tor-

O DESERTO ANTES DA VOLTA Se os primeiros anos foram marcados pela velocidade das conquistas, um dos períodos mais difíceis da vida profissional de Cesar Filho começou depois de sua passagem pela TV Manchete. Com o encerramento das atividades da emissora, as portas da televisão se fecharam. Mesmo profissionais com quem já havia trabalhado deixaram de oferecer oportunidades. O afastamento durou quase dez anos. Para quem havia construído a identidade profissional diante dos microfones e das câmeras, o silêncio da televisão foi uma experiência dolorosa. O rádio continuava sendo um espaço de trabalho e acolhimento, mas a ausência da TV trouxe dúvidas e frustrações. “Na TV foi muito difícil. Cheguei a pensar em desistir. Foram nove anos, quase dez anos, que atravessei um deserto”, conta. A imagem do deserto voltaria muitas vezes em sua reflexão sobre a carreira e a vida. Durante esse período, Cesar precisou

encontrar alternativas, aprender novas atividades e rever suas perspectivas. Foi também quando começou a se aproximar de outras possibilidades profissionais, inclusive no setor imobiliário e na construção civil, área em que passou a atuar futuramente ao lado da mulher, Elaine Mickely e dos filhos, Luigi Cesar e Luma Cesar. A virada veio de uma ligação inesperada. Silvio Santos o procurou e o convidou a voltar à televisão para apresentar o SBT Repórter. “Quando eu estava fora do ar e desacreditado, muito triste, recebi aquele telefonema. O Silvio me ligou e falou: ‘Sua hora chegou’. Ele me trouxe de volta para a televisão e, por isso, tenho essa aliança de gratidão com ele”, diz. O retorno não foi apenas uma retomada profissional. Representou a confirmação de que uma trajetória pode ser interrompida sem que seu valor desapareça. A experiência também mudou sua maneira de enxergar o tempo, as oportunidades e as dificuldades que surgem ao longo do caminho. Hoje, ao olhar para trás, César considera que aquele intervalo teve um papel importante em sua formação. O afastamento o obrigou a desenvolver outras habilidades, ampliar horizontes e fortalecer a relação com a família. A FÉ COMO COMPANHIA A espiritualidade ocupa um lugar central nessa interpretação da própria história. Cesar afirma que a presença de Deus o acompanha desde a infância, quando vendia pastéis na porta de uma igreja em Aparecida. A fé também esteve presente nas dificuldades enfrentadas pela família quando sua mãe decidiu se mudar para São Paulo em busca de melhores oportunidades para os filhos. A mudança exigiu sacrifícios e adaptação. Mais tarde, já adulto, Cesar encontrou na esposa e na mãe duas fontes permanentes de apoio, especialmente durante o período em que esteve fora da televisão. Uma lembrança daquele período permanece especialmente significativa. Durante um culto, um pastor chamado Romário se aproximou e lhe transmitiu uma mensagem que César interpretou como um sinal de esperança: Deus não havia se esquecido dele, mas o estava preservando para o momento certo de voltar. A frase ganhou outro sentido quando a oportunidade no SBT finalmente chegou.“Tudo tem o seu tempo, tem o tempo de Deus. Quando você passa pelas dificuldades,


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depois entende o porquê. Talvez, se eu estivesse no ar naquele período, hoje não estivesse onde estou. Acho que Deus preparou um caminho para que eu pudesse caminhar de uma forma mais segura”, reflete. A fé também ganhou uma dimensão familiar mais profunda quando os filhos se converteram. Cesar conta que a rotina da casa mudou e que a oração passou a fazer parte do cotidiano do casal. Todas as noites, ele e a esposa reservam um momento para orar juntos. Para ele, a espiritualidade oferece uma tranquilidade que não depende das circunstâncias profissionais. “Você entrega nas mãos de Deus e sabe que Ele está cuidando de tudo. Isso traz uma paz interior que ninguém mais traz”, afirma. TRÊS PROGRAMAS E A MESMA PAIXÃO Aos 46 anos de carreira, Cesar Filho mantém uma rotina intensa no SBT. Está à frente do SBT Brasil, apresenta o SBT Repórter e participa do programa Aeroporto: Área Restrita. A diversidade dos formatos o mantém conectado a diferentes aspectos da comunicação, do noticiário diário às grandes reportagens e às histórias que revelam os bastidores da realidade. O trabalho, para ele, não se resume à experiência acumulada nem à posição conquistada. “Eu tenho paixão e amor pela apresentação, pela locução. Todas as vezes que chego ao SBT, me emociono. Tenho prazer em fazer isso. Acho que é isso que mantém meu entusiasmo pela trajetória ao longo de tantos anos”, afirma. A longevidade profissional é um dos motivos de maior orgulho. Cesar sabe que poucos conseguem permanecer tanto tempo no ar, atravessando mudanças de linguagem, tecnologia, audiência e comportamento. Mas não atribui essa permanência apenas à capacidade de adaptação. Para ele, a paixão pelo ofício continua sendo decisiva. A relação com o público também se transformou ao longo das décadas. O ouvinte que acompanhava as vozes pelo rádio passou a ser telespectador e, agora, pode encontrar o apresentador em diferentes pla-

“ACIMA DE TUDO, SOU UM SONHADOR. CONTINUO COLOCANDO SONHOS, ALIMENTANDO SONHOS E REALIZANDO SONHOS.”


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EU SEMPRE DIGO QUE NÃO SOU EXEMPLO PARA AS PESSOAS, NEM PROFISSIONALMENTE NEM PESSOALMENTE. MAS ACHO QUE TENHO UMA TRAJETÓRIA BACANA DE LUTA, DE BATALHA, DE NÃO DESISTIR.


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Tarde Brasil e Arquivo Pessoal, além de entrevistas e reportagens que recuperam momentos de sua trajetória. “A vantagem do digital é que é como se a televisão fosse sua. Você é o diretor artístico, a pessoa que sabe qual é o conteúdo que quer. Isso dá prazer de realizar”, explica. O projeto Show de Bola, por exemplo, recupera uma ligação antiga com o jornalismo esportivo. Cesar começou a carreira como repórter da área, mas não teve muitas oportunidades de voltar a esse formato ao longo dos anos. No canal, entrevista profissionais e personalidades de diferentes modalidades esportivas que têm a bola como elemento central. Também há espaço para recuperar reportagens que realizou e apresentar conteúdos que mostram uma faceta menos conhecida de sua atuação: a de repórter, que continua exercendo ocasionalmente. Mais do que uma vitrine de lembranças, o acervo digital funciona como um espaço de experimentação e uma possibilidade de ampliar sua presença profissional no futuro. O menino que girava o dial para encontrar emissoras distantes agora explora um ambiente em que o conteúdo pode alcançar públicos de diferentes lugares, a qualquer hora.

taformas. A essência, contudo, permanece: comunicar, informar e estabelecer uma conexão com quem está do outro lado.

Fotos: Divulgação/arquivo pessoal

UM ESTÚDIO, OUTRAS POSSIBILIDADES A experiência acumulada na televisão não impediu Cesar de explorar novas formas de produzir conteúdo. Nos últimos anos, ele passou a investir no ambiente digital e montou um pequeno estúdio em casa, de onde grava materiais para o YouTube. O canal @CesarFilho reúne projetos como Show de Bola, Boa Noite Brasil, Boa

INFORMAÇÃO EM TEMPOS DE TRANSFORMAÇÃO A passagem do rádio analógico para o universo digital permitiu que Cesar acompanhasse algumas das maiores transformações tecnológicas da comunicação. Ele se lembra de uma época em que conseguir uma ligação telefônica podia exigir paciência e em que o celular e a internet ainda

Uma das principais paixões de Cesar é viajar com sua esposa

O casal comemora a chegada recente dos netos, Luiza e Arthur

não faziam parte da rotina como hoje. A velocidade dos avanços é motivo de entusiasmo, mas também de preocupação. Para o apresentador, a inteligência artificial oferece recursos importantes, embora exija atenção quanto aos usos e aos possíveis efeitos negativos. A mesma cautela vale para as redes sociais, nas quais a disputa por cliques e audiência pode favorecer a circulação de conteúdos enganosos. Nesse cenário, Cesar acredita que a informação continuará sendo um dos pilares do rádio e da televisão. “É preciso sempre checar as informações. Hoje, as redes sociais muitas vezes querem apenas o clique, querem audiência, e nem sempre a informação está correta. É preciso tomar cuidado e saber realmente o que é sério e o que não é”, alerta. A credibilidade, em sua avaliação, depende de responsabilidade editorial e da disposição de verificar os fatos antes de divulgá-los. A tecnologia pode facilitar o acesso à informação, mas não substitui o discernimento de quem produz nem o senso crítico de quem consome. O VALOR DE UMA VIDA FORA DAS CÂMERAS Longe dos estúdios, Cesar Filho procura manter uma rotina mais tranquila. Gosta de caminhar pelo condomínio, passear, ir ao cinema e ao teatro, preparar um churrasco em casa e reunir familiares. Com os filhos adultos e a chegada recente dos netos, a convivência familiar ganhou novas dimensões. Viajar com a esposa está entre seus maiores prazeres. Se antes os roteiros eram organizados sobretudo em função das crianças, com destinos como Orlando e a Disney, hoje o casal busca conhecer lugares que antes pareciam distantes de sua realidade. Japão e Arábia Saudita estão entre as viagens recentes que ampliaram esse repertório. O apresentador resume essa fase com uma frase que revela a importância que atribui ao tempo livre e às experiências compartilhadas: “Eu trabalho para viajar”. A família também está ligada a uma frente profissional que se desenvolveu durante o período em que esteve afastado da televisão. Cesar passou a se envolver com negócios imobiliários e construção civil, especialmente na região de Alphaville/Tamboré, onde mora. Ele conta que escolheu a região principalmente para oferecer qualidade de vida aos filhos e pela proximidade com o SBT. A atividade imobiliária se tornou uma forma de colaboração entre gerações, em que a experiência acumulada ao


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“TUDO TEM O SEU TEMPO, TEM O TEMPO DE DEUS. QUANDO VOCÊ PASSA PELAS DIFICULDADES, DEPOIS ENTENDE O PORQUÊ. TALVEZ, SE EU ESTIVESSE NO AR NAQUELE PERÍODO, HOJE NÃO ESTIVESSE ONDE ESTOU. ACHO QUE DEUS PREPAROU UM CAMINHO PARA QUE EU PUDESSE CAMINHAR DE UMA FORMA MAIS SEGURA” longo da vida profissional também pode ser compartilhada em outro contexto. Outro projeto em desenvolvimento é um livro escrito em parceria com a esposa, Elaine. A proposta é reunir experiências da vida a dois e reflexões sobre uma união que atravessou diferentes fases, mudanças profissionais e desafios pessoais. O casal pretende compartilhar aprendizados que possam ajudar outras pessoas a pensar sobre relacionamento, companheirismo e construção de uma história em comum. PRINCÍPIOS QUE NÃO SE NEGOCIAM A maturidade também trouxe clareza sobre os limites que considera essenciais. Em uma carreira que exige exposição pública, mudanças constantes e convivência com diferentes interesses, Cesar afirma que preservar os próprios princípios é fundamental. O reconhecimento não pode vir à custa daquilo em que acredita. “Você tem seus princípios, seus valores. Quando não modifica isso, segue aquilo que acredita e a vontade de Deus para sua vida. A maturidade ajuda a fazer aquilo que realmente quer, e não apenas o que impõem ou oferecem”, diz. A trajetória ensinou que o sucesso pode ser passageiro, que as oportunidades nem sempre aparecem quando são esperadas e que a construção de uma carreira exige mais do que talento. É preciso resistir às mudanças de cenário sem perder a identidade. Cesar não gosta de se apresentar como exemplo para os outros, seja na vida profissional, seja na pessoal. Prefere falar de luta, persistência e capacidade de recomeçar. A história que conta não é a de uma carreira sem obstáculos, mas a de alguém que encontrou maneiras de seguir em frente quando as circunstâncias pareciam desfavoráveis. Cesar Filho segue diante do microfone e das câmeras, mas também olha para além deles. Porque, para quem aprendeu tão cedo a ouvir o mundo por meio do rádio, comunicar nunca foi apenas uma profissão. É uma paixão que atravessa o tempo — e que ainda tem muitos capítulos pela


GASTRONOMIA

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Produzidos com leite do próprio rebanho, os queijos da BelaFazenda expressam as particularidades do clima e das pastagens de Bofete (SP)

QUEIJOS BRASILEIROS

Feitos com técnicas ancestrais, muitos deles a partir de leite cru, queijos artesanais brasileiros resgatam tradições, colecionam prêmios internacionais e conquistam cada vez mais paladares dentro e fora do país Por Aliz Lambiazzi

H

á muito mais do que leite, coalho e sal por trás de um bom queijo. Há histórias de família, saberes transmitidos entre gerações, particularidades do clima e do território e, sobretudo, tempo. Tempo para transformar ingredientes simples em sabores complexos, desenvolver aromas, criar texturas e dar personalidade a cada peça. Durante séculos, essa alquimia fez parte da tradição alimentar brasileira, especialmente nas pequenas propriedades rurais. Agora, os queijos nascidos dessas receitas ancestrais — e também de criações que combinam tradição, ciência e inovação — atravessam fronteiras e conquistam espaço entre os melhores do mundo. Das montanhas de Minas Gerais aos vales de Santa Catarina, passando pelo

interior paulista e paranaense, produtores brasileiros vêm colecionando medalhas em algumas das mais prestigiadas competições internacionais do setor. São queijos que surpreendem jurados acostumados à tradição secular e à excelência queijeira de países como França, Itália e Suíça, ajudando a escrever um novo capítulo da gastronomia nacional.

SABOR QUE NASCE DA TRADIÇÃO De casca aveludada, massa cremosa ou interior marcado por veios azulados, os queijos apresentam uma diversidade que vai dos frescos aos de mofo branco, como Brie e Camembert; dos azuis, como Gorgonzola, aos de casca lavada e longa maturação, capazes de desenvolver sabores com notas de castanhas, manteiga e até

Foto: Lari Lopez

Da tradição à consagração internacional

caramelo. A essa variedade somam-se criações autorais com ingredientes regionais e técnicas próprias. Embora apresentem características distintas, a fabricação começa com a coagulação do leite, seguida pela separação do soro, moldagem e salga. Depois, cada receita segue seu caminho, com técnicas e tempos de maturação específicos. A personalidade de cada queijo também está relacionada ao terroir, expressão francesa que reúne influências do território, clima, alimentação dos animais e condições de produção, além de saberes tradicionais, como o uso do pingo, fermento natural obtido do soro da fabricação anterior. “Um bom queijo começa obrigatoriamente com um bom leite. A composição de gordura e proteína, a alimentação dos


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DA PAIXÃO À CONSAGRAÇÃO A trajetória dos irmãos Bruno e Juliano Mendes começou no universo das cervejas artesanais. Em 2002, fundaram a Eisenbahn, em Blumenau (SC), e descobriram nas harmonizações com queijos uma nova paixão.

Após venderem a cervejaria, em 2008, buscaram formação no Vermont Institute for Artisan Cheese, ligado à Universidade de Vermont, nos Estados Unidos. A experiência inspirou o nome da marca lançada em 2017, quatro anos depois da aquisição da Pomerode Alimentos, em Santa Catarina. Inicialmente dedicada a clássicos franceses, como Brie e Camembert, a Vermont passou a desenvolver criações autorais, entre elas o Morro Azul, lançado em 2019. De massa extremamente cremosa, casca de mofo branco e cinta de madeira, o queijo conquistou duas medalhas Super Ouro no World Cheese Awards, foi eleito o melhor da América Latina na competição de 2023 e venceu o Mundial do Queijo do Brasil em 2024. Em 2026, integrou a edição especial Best Cheeses: Best of the Best, da revista americana Culture. A empresa soma 120 premiações nacionais e internacionais desde 2019. Para Juliano, o segredo também está na ousadia. “Acredito que um queijo artesanal verdadeiramente especial não é simplesmente aquele produzido em pequena escala. É aquele que expressa uma identidade própria, resultado da matéria prima, do conhecimento e das escolhas de

“É PRECISO APRESENTAR ALGO NOVO, QUE PODE, OU NÃO, AGRADAR. MAS É ESSA A ESSÊNCIA DA PRODUÇÃO ARTESANAL” Juliano Mendes /Vermont/Queijos Pomerode

Foto: Divulgação / Queijos Pomerode

O “SABOR DO LUGAR” TAMBÉM ESTÁ EM ALPHAVILLE A paixão pelo bem-estar animal e pela microbiologia levou a médica veterinária Carolina Vilhena ao universo dos queijos. Após estudar e visitar queijarias na Europa e nas Américas, ela fundou, em 2017, a BelaFazenda, em Bofete (SP), onde produz mais de dez variedades autorais com leite do próprio rebanho, criado a pasto durante todo o ano. Com formação em maturação pela francesa Mons e título de Maître Fromager pela Guilde Internationale des Fromagers, Carolina também atua como jurada de competições internacionais. Desde 2019, a BelaFazenda acumula 63 medalhas, sendo 13 internacionais. Entre os destaques estão o Soberano Reserva, Super Ouro no World Cheese Awards de 2024 e incluído entre os 100 melhores queijos do mundo pelo TasteAtlas em 2026, e o Amazonito, eleito melhor queijo paulista no Prêmio Queijo Brasil de 2025. “Um queijo artesanal é a soma de tudo o que vem antes dele: a vaca, o pasto, o clima e as pessoas que cuidam de cada etapa. No nosso caso, tudo começa com vacas bem cuidadas, pastando capim tropical o ano todo. Esse leite tem um caráter que não existe em outro lugar. Para mim, um queijo especial tem identidade: você prova e reconhece de onde ele veio”, explica Carolina, que define

essa conexão como o “sabor do lugar”. E esse sabor ganhará um endereço especial em Alphaville, onde Carolina mora desde 1985. A BelaFazenda mantém há anos um escritório na região e, em meados de novembro, inaugurará sua primeira loja física no mesmo endereço, na Calçada dos Gerânios, 37, no Centro Comercial Alphaville. O espaço oferecerá degustações e permitirá conhecer de perto os queijos da fazenda. “O público está mais curioso, quer saber de onde vem o queijo, quem faz e como é feito. Os prêmios abrem portas, mas o que conquista é a prova: quando a pessoa experimenta, entende o valor. Vemos isso há anos com os nossos clientes on-line de Alphaville, um público exigente que conhece gastronomia e viaja muito. A loja nasce justamente para essa conversa ao vivo: provar, comparar e descobrir o queijo certo para cada momento”, conta a queijeira.

Irmãos Bruno e Juliano Mendes, à frente da Queijos Pomerode/Vermont

Foto: Divulgação / Queijos Pomerode

animais, a microbiologia e até as variações naturais ao longo do ano influenciam diretamente o resultado. Mas o leite é apenas o começo. O processo de fabricação, as culturas (microrganismos) utilizadas, a maneira como a massa é trabalhada, a salga e, principalmente, a maturação são determinantes para a identidade de cada queijo”, detalha Juliano Mendes, sócio-administrador e queijeiro da Vermont/Queijos Pomerode, de Santa Catarina. Entre os símbolos dessa herança estão os queijos da Canastra e do Serro, produzidos há gerações em Minas Gerais com leite cru e técnicas familiares. Em 2008, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu o modo artesanal de fazer queijo nas regiões do Serro, da Canastra e do Salitre como Patrimônio Cultural do Brasil. Em 2024, os Modos de Fazer o Queijo Minas Artesanal foram inscritos na lista do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da Unesco, valorizando os conhecimentos e territórios que preservam essa tradição.

Morro Azul, da Pomerode, dentre várias premiações integra a seleção internacional de melhores queijos da revista Culture em 2026


Foto: lari Lopez

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Na BelaFazenda, os queijos passam por um cuidadoso processo de maturação, etapa em que os microrganismos transformam aromas e texturas

“PARA MIM, UM QUEIJO ESPECIAL TEM IDENTIDADE: VOCÊ PROVA E RECONHECE DE ONDE ELE VEIO” - Carolina Vilhena / BelaFazenda quem o produz. Saber o que se quer e entender como chegar lá são requisitos fundamentais na produção de queijos com identidade e de qualidade. Importante também não deixar de lado a ousadia. A coragem de fazer algo novo, diferente, sem se preocupar com o ‘gosto’ já estabelecido do consumidor. É preciso apresentar algo novo, que pode, ou não, agradar. Mas é essa a essência da produção artesanal”, ressalta Juliano. Entre as outras criações estão o Vale do Testo, queijo semiduro de casca lavada, produzido com três, seis e 12 meses de maturação, e o Família Sudbrack, inspirado nos queijos alpinos, de sabor marcante e excelente capacidade de derretimento.

UM SONHO QUE ATRAVESSOU DÉCADAS No Oeste do Paraná, a paixão pelos queijos começou na década de 1980, quando Carmen e Luiz Donaduzzi conheceram

a tradição queijeira europeia durante uma temporada de estudos na França. O interesse se transformou, em 2019, no Projeto Queijos Finos do Biopark Educação, iniciativa sem fins lucrativos vinculada ao Biopark, parque científico e tecnológico sediado em Toledo (PR). O projeto valoriza a produção leiteira regional por meio de pesquisa, capacitação e transferência de tecnologia para pequenos e médios produtores. Em 2021, surgiu a Queijaria Flor da Terra, que aproxima dos consumidores os queijos desenvolvidos pelos pesquisadores. As tecnologias de fabricação são compartilhadas com produtores parceiros, que podem incorporar novas variedades sem abandonar suas receitas tradicionais. “Mais do que prêmios, essas conquistas representam o reconhecimento de um trabalho feito com dedicação, parceria e paixão, mostrando que, quando unimos conhecimento, tecnologia e pessoas comprometidas, conseguimos transformar realidades e criar novas oportunidades para o setor”, reforça Rosilei Schmidt, supervisora do Projeto Queijos Finos. Entre as criações premiadas está o Passionata, maturado com infusão de maracujá, que alcançou o nono lugar no World Cheese Awards de 2024, conquistou ouro no Mondial du Fromage de 2025 e ficou em terceiro na disputa Campeão dos Campeões do Mundial do Queijo do Brasil em 2026. Já o Abaporu, de massa mole, casca lavada e aromas de cumaru, conquistou ouro no Mondial du Fromage e prata no World Cheese Awards em 2025, além de Super Ouro no Mundial do Queijo do Brasil em 2026. “Vivemos um momento muito positivo para a queijaria brasileira. Os resultados em competições internacionais demonstram que temos conhecimento, matéria-prima e capacidade técnica para produzir queijos de excelência, capazes de competir com produtos de países que possuem séculos de tradição. Um aspecto especialmente interessante é que estamos deixando de apenas reproduzir estilos europeus e começando a construir uma identidade queijeira própria, valorizando ingredientes brasileiros, características regionais e criações autorais”, afirma Ana Donaduzzi, gerente da Flor da Terra. O projeto acumula mais de 90 premiações nacionais. Já o pesquisador e mestre queijeiro Kennidy de Bortoli conquistou, em 2024 e 2026, o título de melhor queijeiro do Brasil.

OS CONCURSOS QUE CONSAGRAM OS MELHORES Entre as competições mais prestigiadas está o World Cheese Awards, que reuniu 5.244 queijos de 46 países em 2025, na Suíça. Os jurados avaliam aparência, aroma, textura e sabor, concedendo medalhas de bronze, prata, ouro e Super Ouro. Já o Mondial du Fromage, realizado na França, avaliou quase 1.900 queijos por aproximadamente 320 especialistas em 2025. No Brasil, o Mundial do Queijo do Brasil, a ExpoQueijo Brasil e o Prêmio Queijo Brasil também dão visibilidade aos produtores nacionais. Este último recebeu 2.720 produtos de 583 produtores em 2026. Criada em 2008, a associação SerTãoBras contribui para a valorização dos queijos artesanais por meio de capacitação, intercâmbios e debates sobre regulamentação. A entidade organiza o Mundial do Queijo do Brasil e apoia a participação de produtores em competições internacionais. QUEIJOS BRASILEIROS PREMIADOS Seleção de queijos nacionais que se destacaram em competições nacionais e internacionais. Morro Azul e Vale do Testo: Vermont/Queijos Pomerode (SC) Soberano Reserva, Azul Britânnia, Benzinho e Amazonito: BelaFazenda (SP) Passionata e Abaporu: Biopark/Flor da Terra (PR) Mandala e Cuestazul: Pardinho Artesanal (SP) Lua Cheia e Tipo Reblochon: Serra das Antas (MG) Tulha: Fazenda Atalaia (SP) Reserva do Vale e Queijo da Nona: Queijos Possamai (SC) Gigante do Bosque Florido: Capril do Bosque (SP) Dom Silvania e Real Silvania: Estância Silvania (SP) Camponês Carrara: Rancho das Vertentes (MG) Ribeirão: Queijo com Sotaque (SC) Sol do Japi: Pé do Morro (SP) Maranata Ouro: Rancho Maranata (MG) Bacchus: Ateliê Lotschental (PR) Canastra Reserva do Ivair e Canastra Serjão Maturado 100 Dias: Ivair José de Oliveira e Sérgio de Paula Alves (MG), respectivamente Quilombo na Cachaça: Ivacy Pires dos Santos (MG)


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“ESTAMOS DEIXANDO DE APENAS REPRODUZIR ESTILOS EUROPEUS E COMEÇANDO A CONSTRUIR UMA IDENTIDADE QUEIJEIRA PRÓPRIA, VALORIZANDO INGREDIENTES BRASILEIROS, CARACTERÍSTICAS REGIONAIS E CRIAÇÕES AUTORAIS” Ana Donaduzzi / Queijaria Flor da Terra

QUER SABER MAIS? Confira a lista completa de premiações e descubra outras histórias e curiosidades sobre o universo dos queijos artesanais brasileiros em www.revistaefe.com.br.

Foto: Divulgação / Biopark

grandes clássicos europeus, os queijos brasileiros estão encontrando uma identidade própria. Uma conquista que ultrapassa as mesas dos concursos e alcança as famílias que vivem da produção, os pequenos negócios e as comunidades onde essa tradição se mantém viva. “Queijos transformam vidas, famílias, territórios, países! E o nosso Brasil tem muitos queijos e culturas incríveis”, resume Daniele Rosero, queijista e supervisora comercial da Flor da Terra, traduzindo em poucas palavras o significado de uma transformação que, de fatia em fatia, ainda tem muito mais a oferecer do que medalhas.

O Passionata, elaborado com infusão de maracujá, ficou entre os nove melhores queijos do mundo em 2024 e conquistou ouro na França em 2025

Foto: João Valério / Governo do Estado de SP

O PRESTÍGIO COMEÇA A GANHAR MAIS ESPAÇO NA MESA BRASILEIRA As medalhas internacionais estão mudando a percepção dos brasileiros sobre os queijos nacionais. Antes associadas principalmente aos importados, as variedades especiais produzidas no país ganham espaço em lojas e experiências gastronômicas. Mas ainda há desafios. Segundo Juliano Mendes, da Vermont, “o brasileiro ainda conhece relativamente pouco a diversidade de estilos de queijo e, muitas vezes, não compreende por que um queijo artesanal maturado custa mais do que um produto industrial convencional. Precisamos investir em informação, degustação e educação do consumidor”. Em Bauru (SP), o Empório Glehn, integrante do roteiro Rotas do Queijo, do Governo de São Paulo, promove degustações e harmonizações. A Flor da Terra também aposta nessas experiências. Carolina Vilhena, da BelaFazenda, compartilha dessa percepção. “Como jurada em concursos internacionais vejo de perto como o queijo brasileiro tem surpreendido os avaliadores. Já não somos uma curiosidade: competimos de igual para igual com países de longa tradição. O que ainda falta é o brasileiro descobrir o que tem perto de casa. Muita gente ainda associa queijo bom a queijo importado”, completa. Mais do que disputar espaço com os

O Empório Glehn integra o Rotas do Queijo, do Governo de São Paulo, e promove a cultura queijeira por meio de degustações e harmonizações


TURISMO

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Por Johnny Mazzilli

Vinhos do Tejo

A identidade moldada pelo rio Entre a tradição e a modernidade, o Tejo revela a diversidade de um território português onde a história da viticultura se une à riqueza dos solos, a influência do clima e a expressão de suas uvas nativas. Por Johnny Mazzilli

A

história das vinhas no Tejo acompanha a ocupação humana e o desenvolvimento agrícola das terras férteis ao longo do vale do Rio Tejo, o grande arquiteto do clima. Tejo ou Ribatejo? Um nome substituiu o outro? O nome “Tejo” não substituiu o nome “Ribatejo” como designação geográfica ou histórica da região, mas em abril de 2009 a antiga Indicação Geográfica Ribatejano (ou vinhos do Ribatejo) passou a chamar-se oficialmente Tejo (ou Vinho Regional Tejo), por decisão da Comissão Vitivinícola Regional e do Ministério da Agricultura. O termo Ribatejo (que significa “à margem do Tejo”) continua a existir e a identificar a província histórica, a cultura, as tradições e a identidade da região.

Tal mudança acompanhou uma nova fase de posicionamento, marcada pelo investimento tecnológico, pela qualificação da produção e pela busca de maior identidade nos vinhos. Anteriormente uma área que produzia grandes volumes de vinho, mais recentemente o Tejo se voltou à produção de menor volume e maior qualidade. Sem abandonar sua secular tradição agrícola, passou a dar mais visibilidade aos vinhos de origem controlada e à expressão particular de suas castas e terroirs. A cultura da videira no Ribatejo consolidou-se ao longo dos séculos, beneficiada pela proximidade do rio, pelas condições favoráveis e, de certa forma, favorecida pela enorme produção hortícola regional. As planícies aluvionais adjacentes ao rio


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Tejo, conhecidas como “Lezírias” ou “Campo”, têm solos muito férteis e fácil acesso a rega, o que fez da região um dos maiores celeiros do país, de onde saem quantidades industriais de tomate, batata, melão e arroz. Falando em arroz, o Tejo é responsável por produzir 55% de toda a produção nacional deste cereal, como o especial Arroz Carolino das Lezírias Ribatejanas, que possui Indicação Geográfica Protegida (IGP). Voltando aos vinhos, o Tejo é dividido em três principais territórios: o Campo, o Bairro e a Charneca. No Campo, planícies às margens do rio, com solos aluvionais muito férteis e sujeitos a inundações periódicas, onde são cultivadas principalmente uvas brancas, como a principal variedade da região, a

A bela Tomar, a capital do Tejo banhada pelo Rio Nabão

Piquenique na vinícola Casal das Freiras

Fernão Pires (chamada de Maria Gomes na Bairrada). No Bairro, à margem direita do rio, o relevo é mais ondulado e de maior altitude, com solos argilo-calcários e frações de xisto, onde são cultivadas majoritariamente castas tintas mais estruturadas e elegantes, como as uvas Castelão (a tinta emblemática do Tejo), Touriga Nacional e Tinta Roriz. E, na Charneca, à margem esquerda do rio, mais seca, quente e menos fértil, são boas as condições para vinhos de perfis variados, frescor e versatilidade gastronômica. Entre a tradição e a inovação, podemos dizer que em um país de forte apego à tradição, o Tejo exibe hoje uma notável Enseada de Faksevågen, no ladode granevolução, com vinhos expressivos ocidental do Lomfjord, Estreito de de tipicidadeHinlopen, e qualidade. ilha de Spitsbergen

A Efe. visitou o Tejo. Começamos pela belíssima Casa Cadaval, em Muge, uma propriedade com 400 anos e uma das vinícolas mais representativas do Ribatejo, as margens do rio. Lá, o enólogo Pedro Sereno comanda a produção de um set impecável de vinhos, como os notáveis Marquesa de Cadaval, um branco e um tinto ícones da vinícola. Dois vinhos de grande profundidade e expressão. Prosseguimos para a Quinta do Casal Branco, em Almeirim. Fundada em 1775 e com 119 hectares de vinhas, destaca-se na produção de vinhos, na criação de cavalos e na agricultura. Lá, no passado se realizaram grandiosas caçadas reais com falcões. Ainda hoje, o pombal histórico do século 16 guarda memórias desta


TURISMO

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COM 45 HECTARES, VINHAS DO CONVENTO É O VINHEDO “CARTÃO POSTAL” DA VINÍCOLA FALUA, PLANTADO EM UM SOLO ÚNICO, FORMADO POR UMA GROSSA CAMADA DE CALHAU (SEIXOS ROLADOS), COM QUASE CINCO METROS DE ESPESSURA, DEIXADOS PELO RIO TEJO HÁ 400.000 ANOS


TURISMO

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ENTRE AS TRADICIONAIS REGIÕES VITIVINÍCOLAS DE PORTUGAL, UM DOS 10 MAIORES PRODUTORES MUNDIAIS, O TEJO SURPREENDE PELA INOVAÇÃO, O EQUILÍBRIO E O ECLETISMO DE SEUS VINHOS O belo palacete (ou Solar Barroco) da Quinta do Casal Branco, em Almeirim

O melhor Chardonnay de Portugal, da produtora Joana Pinhão

tradição. Como homenagem, a linha de vinhos mais significativa da vinícola chama-se Falcoaria, quatro rótulos elaborados apenas em anos excepcionais a partir de vinhas centenárias. Na Falua, nosso próximo destino, iniciamos a visita pela insólita Vinha do Convento, com seu lindo solo natural de seixos polidos. Dentre seus vinhos mais importantes, o surpreendente Conde de Vimioso, produzido com as uvas Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Castelão e Aragonês, um tinto sedoso, polido e muito aromático. Seguimos para a Quinta da Atela, em Alpiarça, uma propriedade fundada no distante ano de 1346 e com 150 hectares de vinhedos. De aspecto mais moderno, seu vinho mais representativo é o Casa da Atela Fernão Pires Curtimenta Branco. A curtimenta é uma técnica que mantém as cascas das uvas por longos períodos em maceração junto ao suco, resultando em vinhos “laranjas”, ou seja, com grande extração de compostos presentes nas cascas. Na Quinta Casal das Freiras, a simpática Rita Vidal nos recebeu com um delicioso

piquenique no campo, onde degustamos variados vinhos de sua produção e experimentamos queijos e doces deliciosos produzidos também em sua propriedade. Na próxima visita, tivemos o privilégio de conhecer os vinhos incríveis de Pedro Sereno. Elaborados a partir de uvas oriundas de vinhas antigas, Pedro – que é também enólogo chefe da Casa Cadaval, tem seu projeto próprio e é hoje um dos mais respeitados enólogos do Tejo. Simpático e atencioso, nos explicou apaixonadamente muitos detalhes de seu trabalho. Seus vinhos são de um equilíbrio e delicadeza incomuns. No dia seguinte seguimos para Tramagal onde, na Casal da Coelheira, Margarida Falcão nos recebeu com seus vinhos robustos e muito equilibrados, com destaque para o excelente Casal da Coelheira Private Collection Blend, de grande exuberância aromática, produzido com Touriga Nacional, Alicante Bouschet e Touriga Franca. Seguimos para a incrível Quinta da Lagoalva, onde a bem humorada Filipa Araújo nos conduziu pela enorme propriedade, com estrebarias, capela histórica e um


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O enólogo Pedro Sereno

Adega da Falua, na pequena Almeirim

museu de charretes. Dentre muitos vinhos excelentes, destacou-se o apaixonante Quinta da Lagoalva Grande Reserva Alfrocheiro, um tinto de grande profundidade e notável complexidade. Prosseguimos para a Quinta da Alorna, onde Tomas Caiado nos recebeu com sua enorme simpatia. No terraço da propriedade histórica, degustamos o inesquecível Abafado, um vinho fortificado elaborado com a uva Fernão Pires e amadurecido por cinco anos em barris de carvalho. Um vinho complexo, com aromas de mel, figo e amêndoas. Manhã seguinte começamos pela Companhia das Lezírias, empresa pública e a maior exploração agro-pecuária e florestal em Portugal, com nada menos que 18 mil hectares. Experimentamos alguns vinhos como o Castelão Séries Singulares e o Companhia das Lezírias Grande Reserva, ambos de grande expressão. Em seguida, chegamos a belíssima Ode Winery, em Vila Chã de Ourique. Um empreendimento de surpreendente envergadura e sofisticação, voltado à produção de vinhos de mínima inter-

venção. Dentre vários vinhos de sua linha impecável de rótulos minimalistas, destacou-se o incrível Ode Phosphorus, produzido com a uva bordalesa Semillon e com passagem em barrica. Encerramos o intenso périplo pelo Tejo com uma visita ao Agro Batoréu, em Aveiras de Cima, onde o simpático proprietário José Silvestre nos recebeu com seus vinhos artesanais, como o excelente Terra Silvestre Grande Reserva, um tinto produzido com as variedades Alicante Bouschet, Syrah e Touriga Franca, selecionadas das melhores parcelas da propriedade, um tinto que surpreende e obtém excelentes pontuações em apresentações internacionais. Deixamos o Tejo com a sensação de que apenas começamos a desvendar as riquezas desse território maravilhoso, onde fomos recebidos de braços abertos por uma gente afetuosa e acolhedora que, com mãos mágicas e uma paixão singular, produz vinhos inesquecíveis. A Revista Efe. viajou a convite da Comissão Vitivinícola Regional do Tejo www.cvrtejo.pt


CULTURA

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O Quebra-Nozes

O clássico que anuncia o Natal Em sua 43ª temporada, clássico natalino da Cisne Negro Cia de Dança retorna ao Teatro Santander com grandes nomes da dança brasileira, novos elementos cênicos e a música inesquecível de Tchaikovsky Por Gláucia Arboleya


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No elenco artístico, retorna ainda o ator Felipe Carvalhido, que há 19 anos interpreta o misterioso Drosselmeyer, tio de Clara e personagem fundamental para conduzir o público ao universo fantástico da história.

UMA VIAGEM PELA MAGIA Dividido em dois atos, “O Quebra-Nozes” acompanha Clara, uma menina que recebe presentes na noite de Natal e se encanta especialmente com um boneco quebra-nozes dado por seu tio Drosselmeyer. Quando adormece, a personagem embarca em uma viagem por um mundo mágico no qual brinquedos ganham vida, travam batalhas e se transformam em personagens de uma aventura extraordinária. A jornada leva Clara ao Reino das Neves e, posteriormente, ao Reino dos Doces. Nesse universo encantado, ela e seu príncipe são recebidos com uma sequência de danças inspiradas em diferentes países. O espetáculo chega ao seu momento mais grandioso com o tradicional grand pas-de-deux da Fada Açucarada, uma das cenas mais conhecidas da obra de Tchaikovsky e um dos pontos altos da montagem. Para este ano, novos cenários e elementos cênicos foram incorporados à produção com o objetivo de ampliar a experiência visual e a imersão do público. A direção artística é de Dany Bittencourt, que preserva a essência do clássico ao mesmo tempo em que renova sua apresentação.

MAIS DE 500 MIL PESSOAS JÁ ASSISTIRAM À MONTAGEM, QUE SE TORNOU UMA DAS ATRAÇÕES MAIS TRADICIONAIS DO NATAL PAULISTANO AO UNIR A MAGIA DO BALÉ À MÚSICA DE TCHAIKOVSKY

Fotos: Reginaldo Azevedo

magia do Natal volta a tomar conta dos palcos de São Paulo em dezembro. A Cisne Negro Cia de Dança apresenta a 43ª temporada de “O Quebra-Nozes”, um dos mais tradicionais espetáculos natalinos da cidade. A montagem estará em cartaz de 12 a 23 de dezembro no Teatro Santander, no Complexo JK Iguatemi, com 25 apresentações. Apresentado ininterruptamente desde sua estreia, o espetáculo já foi visto por mais de 500 mil pessoas e se consolidou como um dos grandes clássicos do calendário cultural paulistano. A combinação entre a música de Piotr Ilitch Tchaikovsky, a dança e uma história repleta de fantasia transforma a produção em um programa tradicional para famílias e admiradores do balé. Para a temporada de 2026, a montagem reúne o elenco fixo da Cisne Negro Cia de Dança, bailarinos contratados especialmente para a produção e convidados de destaque da dança brasileira. Entre as participações especiais está Ana Botafogo, primeira bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e um dos grandes nomes da dança clássica no país. Ela interpretará a mãe de Clara a partir do dia 17 de dezembro, permanecendo no espetáculo até o encerramento da temporada. Também participam os primeiros bailarinos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro Márcia Jaqueline e Cícero Gomes.

Entre as participações especiais está Ana Botafogo, primeira bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, como mãe de Clara


CULTURA

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QUANDO ADORMECE, A PERSONAGEM EMBARCA EM UM MUNDO MÁGICO NO QUAL BRINQUEDOS SE TRANSFORMAM EM PERSONAGENS DE UMA AVENTURA EXTRAORDINÁRIA

lência técnica e diversidade de repertório. Além dos palcos brasileiros, a companhia já levou suas produções a diversos países, incluindo Alemanha, Estados Unidos, China, Canadá, Espanha, Inglaterra, África do Sul, Argentina, Chile, Colômbia, Cuba, Escócia, Moçambique, Paraguai, Romênia, Tailândia e Uruguai. A montagem anual de “O Quebra-Nozes” tornou-se uma das marcas da companhia e uma tradição cultural que atravessa gerações.

DEZ ANOS DO TEATRO SANTANDER A temporada de 2026 acontece em um ano especial para o Teatro Santander, que comemora dez anos de atividades. Localizado no Complexo JK Iguatemi, o espaço se consolidou como um dos principais palcos de São Paulo para grandes musicais, espetáculos de dança, concertos e eventos culturais. Ao longo da década, o teatro recebeu produções como “We Will Rock You”, “My Fair Lady”, “Cantando na Chuva”, “A Pequena Sereia”, “Chicago”, “Wicked”, “Uma Linda Mulher”, “Tina Turner – O Musical”, “Dreamgirls”, “Meninas Malvadas” e “Tarsila, a Brasileira”, entre outras. Com estrutura tecnológica e configuração versátil, o espaço também conta com recursos de acessibilidade e diferentes formatos para receber espetáculos de grande porte.

Os efeitos especiais ficam novamente a cargo do Circo Escola Picadeiro. Em algumas sessões, o clima natalino começa antes mesmo da abertura do espetáculo: uma hora antes das apresentações, o público será recebido no saguão do Teatro Santander por corais natalinos.

QUATRO DÉCADAS DE HISTÓRIA A trajetória de “O Quebra-Nozes” da Cisne Negro acompanha a própria consolidação da companhia como uma das principais referências da dança brasileira. Fundada em 1977 por Hulda Bittencourt, a Cisne Negro Cia de Dança completa quase cinco décadas de atividade e construiu uma trajetória marcada pela inovação, exce-

Ana e seu príncipe são recebidos com uma sequência de danças inspiradas em diferentes países

agenda 43ª Temporada de O QuebraNozes – Cisne Negro Cia de Dança Direção artística: Dany Bittencourt Local: Teatro Santander – Complexo JK Iguatemi Av. Presidente Juscelino Kubitschek, 2041 – Itaim Bibi, São Paulo Temporada: 12 a 23 de dezembro de 2026

Fotos: Reginaldo Azevedo

Ingressos: de R$ 25 a R$ 250

Para este ano, novos cenários e elementos cênicos foram incorporados à produção

Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria do Teatro Santander, sem taxa de conveniência, e pelo site da Sympla, com taxa de conveniência. A bilheteria funciona diariamente, das 12h às 18h, e, nos dias de espetáculo, permanece aberta até o início da apresentação. O teatro também disponibiliza um totem de autoatendimento 24 horas para compra de ingressos sem custo adicional.


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Foto: Divulgação

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Dra Sabrina Agamenon é a biomédica responsável pela clínica

CLÍNICA AGAMENON

Tratamentos para celulite nos glúteos unem ciência, tecnologia e naturalidade “O segredo está em tratar a causa da irregularidade, e não apenas sua aparência”, explica a especialista Sabrina Agamenon, biomédica da Clínica Agamenon

celulite está entre as queixas estéticas mais comuns entre as mulheres — inclusive entre aquelas que mantêm uma rotina de exercícios físicos e alimentação equilibrada. Na região dos glúteos, sua ocorrência está relacionada a fatores anatômicos, hormonais e estruturais que influenciam a maneira como a pele se conecta aos tecidos mais profundos. Por isso, eliminar a celulite não depende apenas de emagrecimento ou fortalecimento muscular. Em muitos casos, as depressões características são provocadas pela retração dos septos fibrosos, estruturas que conectam a pele aos tecidos subjacentes e podem tracioná-la para baixo. “É importante desmistificar a ideia de que a celulite está necessariamente relacionada ao excesso de gordura ou à falta de atividade física. Muitas pacientes treinam regularmente, têm boa musculatura e ainda apresentam essas irregularidades”, afirma Sabrina Agamenon, da Clínica Agamenon. O primeiro passo para definir o tratamento é diferenciar celulite, flacidez e gordura localizada. Enquanto a celulite se manifesta por ondulações e depressões, a flacidez está associada à perda de firmeza da pele, e a gordura localizada altera principalmente o volume e o contorno corporal. Essas condições podem coexistir e exigem estratégias específicas.

TÉCNICAS SOB MEDIDA Entre os tratamentos mais eficazes para as depressões causadas pela celulite, destaca-se o descolamento dos septos fibrosos, também conhecido como subcisão. A técnica atua diretamente nas estruturas que puxam a pele para baixo, formando os conhecidos “furinhos”. Ao liberar essas fibras, é possível suavizar as depressões e proporcionar uma aparência mais lisa e uniforme à região. “É importante entender que tratamentos como radiofrequência e ultrassom podem ajudar na firmeza e na qualidade da pele, mas não promovem o descolamento dos septos fibrosos. Por isso, quando falamos de celulites mais

“POR ISSO, QUANDO FALAMOS DE CELULITES MAIS PROFUNDAS, PRECISAMOS ATUAR DIRETAMENTE NESSAS ESTRUTURAS PARA CONSEGUIR UMA MELHORA MAIS SIGNIFICATIVA” profundas, precisamos atuar diretamente nessas estruturas para conseguir uma melhora mais significativa”, explica a biomédica Sabrina Agamenon. Os bioestimuladores de colágeno também têm um papel importante nesse processo. Eles estimulam a produção natural de colágeno pelo organismo, contribuindo para melhorar a firmeza, a sustentação e a qualidade da pele de maneira progressiva. “Uma das grandes vantagens do descolamento é que, em muitos casos, conseguimos tratar as depressões em uma única sessão. A melhora pode ser percebida já durante o procedimento, quando liberamos as fibras que tracionam a pele, deixando a região com um aspecto mais liso e uniforme. Depois, conforme os tecidos se recuperam e o colágeno é estimulado, os resultados podem continuar evoluindo”, destaca Sabrina.

Contato: (11) 92047-9988 Local: Alameda Mamoré, 503 Conjunto 63 - Alphaville Industrial, Barueri https://agamenonclinica.com.br


Foto: Lewis Creative-Shutterstock

ARTE

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Um mural de Keith Haring em Pisa, Itália

Quase quatro décadas depois de transformar o metrô de Nova York em galeria a céu aberto, Keith chega à Pinacoteca em 2027 com uma exposição que revisita a potência política, pop e universal de sua obra Por Gláucia Arboleya

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á artistas que ocupam museus. Keith Haring preferia ocupar a cidade. No início dos anos 1980, em Nova York, seus desenhos começaram a surgir nos painéis negros das estações de metrô. Com um pedaço de giz branco nas mãos, Haring traçava figuras que pareciam correr, dançar, se abraçar ou simplesmente vibrar diante dos passageiros. Eram imagens rápidas, econômicas e imediatamente reconhecíveis. O que parecia um gesto espontâneo escondia uma convicção profunda: a arte não precisava pedir licença para existir. Décadas depois, aquele vocabulário visual continua intacto no imaginário coletivo. O bebê radiante, o cachorro, os corpos entrelaçados, os contornos nervosos e a repetição quase musical das linhas se tornaram símbolos de uma época — mas também de uma atitude diante do mundo. É essa força que a Pinacoteca de São Paulo levará ao público em 2027, com uma exposição dedicada ao artista norte-americano. Com curadoria de Thierry Freitas, a exposição ocupará a Grande Galeria da

O POP NUNCA FOI APENAS POP A aparente simplicidade de Haring pode ser enganosa. Sob o caráter lúdico de suas figuras existe uma produção marcada por questões urgentes: racismo, desigualdade, violência, homofobia, consumo, drogas e, sobretudo nos últimos anos de sua vida, a epidemia de HIV/AIDS. O artista transformou seu próprio repertório visual em instrumento de ativismo. Cartazes, murais e campanhas públicas levaram suas imagens para além do circuito das artes. Em 1986, criou Crack is Wack, um mural em Nova York que se tornou uma de suas obras públicas mais conhecidas. O gesto era coerente com sua trajetória. Haring não via contradição entre arte e comunicação. Para ele, uma imagem poderia ser sofisticada e, ao mesmo tempo, acessível. Poderia ocupar uma galeria e uma rua. Poderia ser contemplada e também provocar uma conversa. Sua proximidade com a cultura pop ajudou a ampliar esse alcance. Haring colaborou com músicos, designers e marcas, estabelecendo uma relação com a indústria cultural que, para alguns artistas, poderia parecer incompatível com uma prática crítica. Em seu caso, porém, a circulação em massa fazia parte da própria estratégia: quanto mais pessoas tivessem contato com suas imagens, maior seria seu potencial de comunicação.

Foto: reprodução

Pinacoteca celebrará Keith Haring, o artista que fez da cidade sua tela

Pina Contemporânea a partir de 27 de novembro do próximo ano, reunindo mais de 100 trabalhos (https://pinacoteca.org. br). Será a primeira individual de Haring no Brasil desde 2010.

Exposição reunirá mais de 100 obras do artista

UMA OBRA BREVE, UMA PERMANÊNCIA LONGA Haring morreu em 1990, aos 31 anos, vítima de complicações relacionadas à AIDS. Sua carreira havia durado pouco mais de uma década. Ainda assim, poucas linguagens visuais produzidas naquele período alcançaram tamanha permanência. Parte dessa longevidade está na aparência imediata de seu trabalho. É possível reconhecer um Haring à distância. Mas sua permanência talvez esteja justamente na tensão entre simplicidade e complexidade.


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