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Edição 015 - Revista Efe

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joão branco

Carlos alberto Júlio

Se o cliente é prioridade, mostre a sua agenda

Saudades de quando o cliente era prioridade

Fernando Barra

HUGO RODRIGUES

Humanidade Artificial: quando a inteligência vira commodity, o caráter se torna o diferencial

NEGÓCIOS | NETWORK | IDEIAS | TENDÊNCIAS

O custo invisível da pressa nas empresas

Monique Evelle Revista efe. | 2026 | ed.15

Na lista da Forbes Brasil entre as mulheres mais poderosas, a empreendedora, investidora e Shark, Monique fala sobre dinheiro, negócios, ambição e liberdade

Consumo

Perfumaria de nicho aposta em identidade e criação autoral

marketplace

Redes Sociais e varejo físico compartilham jornada com clientes

especial

Alphaville

Bairro celebra 53 anos


SUMÁRIO

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Matéria de capA

MONIQUE EVELLE DE SALVADOR AOS ESPAÇOS DE DECISÃO, MONIQUE CONTA COMO CONSTRUIU SUA CARREIRA ENTRE EMPREENDEDORISMO, COMUNICAÇÃO, INVESTIMENTO E LIDERANÇA

Foto: Guido Ferreira

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Foto: Felipe Barros

5 CEO Cesar Foffá PUBLISHER Marcelo Foffá DIRETORA ADMINISTRATIVA Lourdes Foffá EDITORA DE JORNALISMO Gláucia Arboleya JORNALISMO Aliz Lambiazzi Beatriz Bononi

EDITOR DE ARTE E PROJETO GRÁFICO Mazega Comunicação e Fábio Tateno

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação/ Grupo Kadri

42. ALPHAVILLE FAZ 53 ANOS Bairro reinventa sua própria identidade

EDITORES ESPECIAIS AUTOMÓVEIS E TURISMO Ben-Geder Johnny Mazzilli

COLUNISTAS Carlos Alberto Júlio Fernando Barra Hugo Rodrigues João Branco Monique Evelle Ricardo Amorim COMERCIAL Isabele Velloso Alison Santos MÍDIAS SOCIAIS Gabrielle Caetano

20. CONSUMO Perfumaria de nicho aposta em 28. MAXIPARK Ana Paula Altman aposta identidade, criação autoral e ousadia

em pessoas e relações para liderar

CIRCULAÇÃO Joselito Santos FINANCEIRO Thiago Castillo

Foto: Johnny Mazzilli

TECNOLOGIA Guilherme dos Reis Silva IMPRESSÃO Margraf JORNALISMO jornalismo@revistaefe.com.br (11) 95595.3433 | 3811.2820 PUBLICIDADE Marcelo Foffá marcelo@revistaefe.com.br (11) 98890.6308 ASSINATURAS assinaturas@revistaefe.com.br (11) 95595.3433

Foto: Divulgação

Foto: Felipe Menezes

56. TURISMO No meio do Oceano Ártico, um remoto conjunto de ilhas, o Arquipélago de Svalbard

efe. | A Revista da Folha de Alphaville Avenida Cauaxi, 293 | Ed. Alpha Green Alphaville Barueri/SP | 06454-020 (11) 4208-1600

70. ANDAR COM FÉ Musical atravessa

diferentes tempos da vida e da obra de Gilberto Gil

74. ARTE MASP recebe exposição de Van Gogh em 2027

*Os artigos assinados não refletem, necessariamente, a opinião da revista.


6 EDITORIAL

COLUNISTAS

12. Ricardo Amorim Ricardo Amorim é economista, empreendedor, comentarista, palestrante e influenciador digital brasileiro. Graduado em Economia pela Universidade de São Paulo (USP) e com pós-graduação em Administração e Finanças Internacionais pela ESSEC Business School, em Paris. Foi apresentador do programa Manhattan Connection, na GloboNews, e eleito pela revista Forbes como um dos “100 mais influentes brasileiros”.

A

53 ANOS DE ALPHAVILLE: UMA HISTÓRIA EM MOVIMENTO

lphaville chega aos 53 anos reafirmando uma de suas principais características: a capacidade de se transformar. O bairro que nasceu como um projeto urbano tornou-se referência em moradia, negócios, serviços e qualidade de vida, acompanhando as mudanças de comportamento de uma sociedade cada vez mais conectada. É esse movimento que procuramos retratar nesta edição. No universo do consumo, marketplaces, redes sociais e lojas físicas deixaram de ser canais isolados e passaram a fazer parte de uma mesma experiência. Nos perfumes de nicho, encontramos outra tendência: a busca por exclusividade, identidade e experiências mais personalizadas. No mundo empresarial, abordamos também o crescimento das recuperações judiciais e os desafios enfrentados pelas empresas em um cenário econômico que exige adaptação constante. Esta edição ganha ainda uma nova voz com a chegada de Monique Evelle, nossa nova colunista, ampliando o debate sobre negócios, comportamento e sociedade. Para viajar, seguimos até Svalbard, nos limites do Ártico, em uma experiência marcada por paisagens extremas e pela força da natureza. Em São Paulo, celebramos a reabertura do MAM e uma exposição dedicada a Vincent van Gogh, dois momentos importantes para a cultura e as artes. Em comum, todos esses temas têm a transformação. É sobre ela que esta edição fala — nas empresas, no consumo, na cultura, nas viagens e, principalmente, em Alphaville, que completa 53 anos sem deixar de olhar para o futuro. Boa leitura.

Marcelo Foffá Publisher

@ricamorim

14. Hugo Rodrigues Um dos maiores publicitários do país, Hugo é sócio da WMcCann e Empreendedor, Ex-CEO McCann Worldgroup e Publicis, Conselhos: SBT, LUPO, UNICEF, USP, 21 Leões em Cannes, três prêmios Caboré , LinkedIn Top Voice, Palestrante e Estrategista de Marcas e Consumo. @hugorodriguess

16. Monique Evelle Monique Evelle é empreendedora, investidora e estrategista. Em 2026, entrou para a lista da Forbes Brasil das mulheres mais poderosas e influentes do país. Fundadora da Inventivos, atua na interseção entre comunicação, inovação e negócios. Foi repórter do Profissão Repórter e é Shark do Shark Tank Brasil: Versão Creators. @moniqueevelle

18. Carlos Alberto Júlio Carlos Alberto Júlio é um executivo experiente, professor, autor e palestrante de destaque no cenário corporativo brasileiro. Tem sólida formação internacional e extensa experiência como CEO e conselheiro. @profcarlosjulio

30. João Branco João Branco é professor e autor do Desmarquetize-se. Ex-VP Marketing McDonald’s, eleito o profissional de Marketing mais admirado do Brasil e top 10 melhores CMOs pela Forbes. @falajoaobranco

34. Fernando Barra Fernando Barra é especialista em tecnologia e inovação, professor palestrante, fundador da Skillplace.com.br e autor do livro Meu Emprego Sumiu. @ofernando.barra


BRIEFING

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O resumo de notícias que conecta você ao mercado

BREITLING LANÇA RELÓGIO LIMITADO EM HOMENAGEM A MILES DAVIS >> Par a marc ar o centenári o d e M il e s D avis , a Breitl i ng c ri o u u ma e d i ç ã o e sp e cial d o N avitim er, m o d el o qu e o m ú si co u s av a n o s an o s 1 9 6 0 . Lim it a d a a 5 0 0 u n i d a d e s , a p e ç a mantém a c ai x a d e 4 1 m m d o rel ó gi o o riginal e tr a z m ovi m ento m e c âni co d e co rd a man ual. O lan ç am ento é o fere ci d o co m p uls ei r a d e co uro o u m et al e in co rp o r a re ferên cia s à tr aj etó ria d o tro m p etist a , co m a ins c ri ç ã o “ M il e s D avis Centen nial ” na p ar te tr a s ei r a .

Novo Apple Watch Hermès • primeiro café da Lacoste na América Latina • nova colunista na efe.

Foto: Divulgação

E mais...


BRIEFING | PRODUTOS

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COCA-COLA ZERO AÇÚCAR E ZERO CAFEÍNA CHEGA AO BRASIL

>> A Coca-Cola lançou uma nova versão da Coca-Cola Zero: sem açúcar e sem cafeína. A novidade amplia o portfólio da marca e busca atender consumidores que querem evitar cafeína, principalmente no período da noite. A bebida será comercializada inicialmente em latas de 310 ml e 350 ml. As embalagens maiores estão previstas para 2027. O preço deverá seguir a faixa praticada atualmente pela Coca-Cola Zero tradicional.

APPLE WATCH HERMÈS GANHA NOVAS VERSÕES INSPIRADAS NO UNIVERSO EQUESTRE

Foto: Divulgação

integrantes: o Apple Watch Hermès Series 12 e o Ultra 4. Os modelos combinam os recursos tecnológicos dos relógios da Apple com elementos tradicionais da maison francesa, especialmente referências ao universo equestre. Entre as novidades estão pulseiras de couro, titânio e tecido, além de versões com fivelas inspiradas nos acessórios usados em selaria.

Foto: Divulgação

>> A parceria entre Apple e Hermès, que completa uma década, ganhou dois novos

EMPRESAS LACOSTE INAUGURA PRIMEIRO CAFÉ NA AMÉRICA LATINA

TIME OUT MARKET PREPARA CHEGADA AO BRASIL COM UNIDADE EM SÃO PAULO

>> A marca internacional de gastronomia e cultura Time Out Market prepara sua estreia no Brasil com uma unidade no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista. Previsto para o primeiro trimestre de 2027, o espaço será o primeiro da marca na América Latina e terá 17 cozinhas, além de áreas para eventos e produção de conteúdo. A operação chega ao país com Nomad como marca.

Foto: Divulgação

Foto: Levisky Arquitetura

>> A Lacoste, marca francesa de roupas e acessórios de luxo, inaugurou seu primeiro café na América Latina, no Shopping Cidade Jardim. O espaço combina a identidade da grife francesa com clássicos como croissants, pain au chocolat e sanduíches, além dos Polo Cakes, inspirados na tradicional camisa polo da marca. A unidade, que conta ainda com um blend exclusivo de cafés brasileiros, é a terceira do Café Lacoste no mundo, depois de Paris e Mônaco.


GASTRONOMIA

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NOVIDADES NO TASTE LAB

O Taste Lab, no Shopping Tamboré, amplia seu roteiro gastronômico com novas operações e diferentes propostas à mesa. Entre gelatos artesanais, carnes e sabores da gastronomia japonesa, as novidades chegam para diversificar ainda mais o mix do espaço e criar novas opções para diferentes momentos de consumo.

BAOBÁ TRAZ GELATOS PRODUZIDOS ARTESANALMENTE

CHURRASCADA INAUGURA NOVO FORMATO

>> A Baobá Sorvetes

>> A Churrascada amplia sua operação com o Pátio Churrascada, formato criado para food halls premium. A unidade reúne alguns dos principais sucessos gastronômicos da marca em uma proposta mais ágil e versátil, que atende diferentes momentos de consumo, do almoço ao happy hour e às refeições em família.

Foto: Divulgação

Artesanais inaugurou, em agosto, uma nova unidade no Taste Lab. Criada em 2020, nos Jardins, em São Paulo, o cardápio reúne gelatos produzidos artesanalmente com ingredientes frescos e naturais, sem conservantes ou aromatizantes, em receitas que priorizam equilíbrio e sabores marcantes.

>> Ainda sem data de inauguração divulgada, o Saikō Katsu Sando Shop prepara a abertura de sua operação. Especializada no tradicional katsu sando, a marca serve sanduíches japoneses feitos com pão macio, empanados crocantes e molhos especiais. O conceito segue o estilo take & go, com inspiração na gastronomia japonesa contemporânea.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

SAIKŌ TRARÁ TRADICIONAL SANDUÍCHE JAPONÊS A ALPHAVILLE


GENTE

10 MONIQUE EVELLE É A NOVA COLUNISTA DA EFE. >> A efe. tem um novo reforço no

Foto: Divulgação

seu time de colunistas: Monique Evelle. Fundadora da Inventivos e especialista em comunicação, empreendedorismo e estratégia de negócios, ela foi incluída, em 2026, na lista da Forbes Brasil de mulheres mais poderosas e influentes do país. Monique atualmente integra o Shark Tank Brasil: Versão Creators e atua como mentora de empreendedores.

ST. NICHOLAS SCHOOL ALPHAVILLE TEM NOVA LIDERANÇA >> Rachel Johnston é a nova

Foto: Divulgação

head da St. Nicholas School Alphaville. Com quase 30 anos de experiência em educação internacional, Rachel já trabalhou em 14 países e tem trajetória ligada aos três programas do International Baccalaureate (IB).

SHOPPING TAMBORÉ TEM NOVA COORDENADORA DE MARKETING Foto: Divulgação

>> Isabela Porfírio Garcia é a nova

coordenadora de Marketing do Shopping Tamboré. Formada pela ESPM, a profissional tem sete anos de experiência nos setores de shopping centers e varejo e está há quatro anos na ALLOS. Na nova função, Isabela será responsável pelo planejamento e execução de campanhas, ativações e iniciativas de relacionamento do empreendimento com clientes, parceiros e a comunidade da região.

VANESSA ALMEIDA ASSUME COMO HEAD DE MARKETING DA MPD ENGENHARIA

Foto: Thiago Henrique

>> Vanessa Almeida agora está

à frente das estratégias de marketing dos produtos da companhia. Com trajetória no mercado imobiliário e na MPD desde 2021, ela será responsável pelo posicionamento dos empreendimentos, do lançamento à entrega, conectando marketing e negócios.


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ECONOMIA MARKETING

Ricardo Amorim

LIDERANÇA

ECONOMISTA MAIS INFLUENTE DO BRASIL, SEGUNDO A FORBES, E INFLUENCIADOR Nº 1 NO LINKEDIN

TECNOLOGIA

Programas sociais brasileiros

mantêm pessoas na pobreza. Educação e oportunidades de emprego tiram

O

s dados do Atlas da Mobilidade Social mostraram uma realidade aterradora: quanto mais beneficiários do Bolsa Família e outros programas sociais um estado tem, maior a chance de quem nasceu pobre continuar pobre ao longo de toda a sua vida. Em quase todos os estados do Norte e Nordeste, ao menos um em cada 3 moradores é beneficiário do Bolsa Família. Em alguns, mais da metade da população recebe Bolsa Família. Em todos eles, quem nasce entre os 25% mais pobres do estado tem mais de 50% de chance de continuar entre os 25% mais pobres até morrer. A mobilidade social é baixíssima. Já nos estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, o número de beneficiários do Bolsa Família é bem menor, menos de 1 a cada 5 habitantes. Em Santa Catarina, é de menos de 1 a cada 14 habitantes. Nestes estados, ao menos 2 de cada 3 habitantes nascidos entre os 25% mais pobres do estado saem do grupo dos mais pobres e ascendem socialmente para camadas sociais mais ricas. Em Santa Catarina, apenas uma pessoa a cada 10 nascida entre os 25% mais pobres não ascende socialmente nos 20 anos seguintes. As outras 9 atingem estratos sociais mais elevados. A correlação entre Bolsa Família e persistência na pobreza é de impressionantes 94%, quase completa. Isso significa que a chance de alguém que recebe Bolsa Família deixar de continuar entre os mais pobres do Brasil é baixa. Mas alguns conseguem? Além de esforço e dedicação próprios, o que ajuda mais pessoas a ascenderem socialmente? Outra forma de fazer a mesma pergunta: se o Bolsa Família e demais programas sociais acabam mantendo os pobres, o que os tira da pobreza? A resposta: Educação e emprego. Dados do Atlas da Mobilidade Social mostram que quanto maior a nota

no Ideb (o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), de uma determinada cidade, maior a porcentagem de ascensão social nessa cidade. Com relação ao emprego, quanto mais baixa a taxa de desemprego em um estado, mais gente consegue ascender socialmente e deixar a pobreza para trás. Nos estados do Nordeste, onde a persistência da pobreza é alta, as taxas de desemprego são próximas ou, com frequência, superiores a 10%. Já no Sul e Centro-Oeste, onde ela se mantém consistentemente abaixo de 5%, muita gente que nasce pobre ascende socialmente ao longo da vida. Em Santa Catarina, a campeã nacional de ascensão social, a taxa de desemprego tem sido de menos de 3%. A correlação entre taxa de desemprego e persistência na pobreza é de mais de 82%. Faz sentido que em lugares de forte criação de emprego e baixa taxa de desemprego, haja mais ascensão social. Baixa taxa de desemprego e alta criação de novas vagas tornam mais fácil para quem quer trabalhar encontrar um emprego e ainda forçam as empresas a competirem pelos trabalhadores, pagando melhores salários.

Gráfico 1

DADOS IMPRESSIONANTES Eles deveriam ser o centro das discussões e propostas para as próximas eleições, mas, pelo menos até agora, isso não aconteceu. Quem, de fato, quer que os pobres possam deixar de ser pobres tem de ter propostas concretas para melhorar a educação, principalmente a educação básica, e aumentar a geração e a qualidade dos empregos, através de uma boa reforma trabalhista e da redução da dívida pública, impostos e juros. Não se engane. Propostas fora disso são só discursos jogados ao vento ou desperdício do dinheiro que trabalhadores e empresários trabalharam duro para ganhar. Ao longo do tempo, elas apenas mantêm os pobres na pobreza, sem lhes dar chance real de ascenderem socialmente e realmente mudarem de vida.

Gráfico 2

Gráfico 3

Gráfico 4

Gráfico 5


BREVE LANÇAMENTO

A essência de viver em Alphaville.

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Perspectiva ilustrada do DTQ | Alameda

Casas de 230 m2 e 280 m2 3 e 4 suítes

Townhouses de 113 m2 a 355 m2 2 a 4 suítes

Saiba mais:

Conheça nosso empreendimento

arqos.inc/alameda Realização:

Intermediação:

Siga-nos nas redes sociais:

@arqos.inc

(11) 4118-1455

Breve lançamento. Incorporadora responsável: Alameda Empreendimento Imobiliário Ltda., inscrita no CNPJ sob o n. 46.294.199/0001-09. O empreendimento encontra-se em fase de aprovação na prefeitura de Santana de Parnaíba e somente será comercializado após o registro do memorial de incorporação no cartório de registro de imóveis competente. As imagens e perspectivas aqui contidas são meramente ilustrativas, podendo sofrer alteração sem aviso prévio.


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ECONOMIA

Hugo Rodrigues

MARKETING

P U B L I C I TÁ R I O, S Ó C I O D A W M CC A N N

LIDERANÇA

E EMPREENDEDOR

TECNOLOGIA

O custo invisível da pressa nas empresas

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é consequência de ansiedade. A velocidade elimina desperdícios porque todos sabem onde querem chegar. A pressa cria desperdícios invisíveis porque todos começam a correr antes mesmo de entender qual é o destino. Parece um detalhe, mas é exatamente aí que muitas organizações começam a perder dinheiro sem perceber. Vivemos um paradoxo curioso. Nunca tivemos tantas ferramentas para acelerar decisões, tantos dados disponíveis e tanta tecnologia para encurtar processos. Mesmo assim, cresce a sensação de que as empresas vivem apagando incêndios. Talvez porque estejamos confundindo movimento com progresso. Agenda cheia virou sinônimo de produtividade. Responder mensagens em segundos passou a ser demonstração de comprometimento. Criamos uma cultura em que estar ocupado vale quase tanto quanto entregar resultados. Ao longo da minha carreira, percebi que as melhores empresas não eram necessariamente as que decidiam primeiro. Eram as que entendiam melhor o problema antes de escolher a solução. Pensar nunca foi desperdício. Desperdício é pensar depois que o erro já acon-

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O

utro dia me perguntaram por que tantas empresas trabalham cada vez mais e, ainda assim, parecem avançar cada vez menos. A resposta que me veio foi simples: talvez porque estejamos medindo quase tudo, menos aquilo que realmente importa. As empresas evoluíram muito na capacidade de medir resultados financeiros. Sabem calcular margem, EBITDA, fluxo de caixa e dezenas de outros indicadores. O desafio continua sendo entender, com a mesma precisão, quais fatores realmente produzem esses resultados. Afinal, lucro, crescimento e valor não nascem em uma planilha. Eles são consequência de decisões, comportamentos, cultura e da forma como uma organização trabalha todos os dias. É justamente nesse espaço que moram os custos invisíveis. Custos que não aparecem no balanço, mas corroem resultados silenciosamente. E talvez nenhum deles seja tão caro quanto a pressa. Quase toda decisão tomada com pressa nasce da intenção de economizar tempo. Só que essa conta quase nunca desaparece; ela apenas chega mais tarde. Ela aparece no retrabalho, na campanha refeita, no produto lançado antes da hora, na contratação equivocada, na reunião criada para corrigir a anterior, no cliente que deixa de confiar, na equipe que perde energia e na inovação interrompida porque “não havia tempo”. A pressa quase nunca economiza tempo. Ela apenas muda o momento em que a empresa paga por ele. Existe uma diferença importante entre velocidade e pressa. Velocidade é consequência de clareza. Pressa

teceu. Quando uma organização acelera sem clareza, a pressa se torna contagiosa. As prioridades mudam toda semana, os projetos nascem antes que os anteriores terminem, as pessoas passam a trabalhar reagindo às urgências e deixam de construir aquilo que realmente importa. A empresa continua em movimento, mas deixa de evoluir. A boa notícia é que esse custo invisível pode ser reduzido, não desacelerando a organização, mas melhorando a qualidade das decisões. Na minha experiência, três mudanças fazem uma enorme diferença. A primeira é começar qualquer projeto pela linha de chegada. Antes de discutir tarefas, vale definir com absoluta clareza qual resultado precisa ser alcançado. A segunda é separar urgência de prioridade. Nem tudo precisa acontecer na mesma velocidade, e liderar também é decidir onde vale a pena acelerar. A terceira é criar espaço para pensar. Parece contraditório, mas alguns minutos de reflexão costumam economizar semanas de retrabalho. Vivemos uma época em que acelerar virou demonstração de competência. Talvez esteja na hora de rever essa ideia. Empresas não quebram apenas por falta de estratégia; muitas acabam pagando um preço alto por uma sucessão de pequenas decisões tomadas com pressa. No fim das contas, a pergunta que toda liderança deveria fazer não é: “Como fazemos isso mais rápido?”, mas: “Quanto está nos custando a pressa que fingimos economizar?”


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ECONOMIA MARKETING

Monique Evelle

LIDERANÇA

UMA DAS MULHERES MAIS INFLUENTES DO BRASIL (REVISTA FORBES), EMPREENDEDORA, INVESTIDORA E SHARK

NEGÓCIOS

O impacto da inteligência artificial nos pequenos negócios A pergunta sobre IA mudou

H

á pouco tempo, pequenos empreendedores ainda se perguntavam se deveriam usar IA. Hoje, a discussão é outra: em que parte do negócio ela está entrando, quem está usando e, principalmente, quem continua responsável pelas decisões? A mudança é rápida. Uma pesquisa do Sebrae com 7.182 empreendedores, realizada em parceria com o Meta Instituto de Pesquisa, mostra que os pequenos negócios brasileiros estão adotando inteligência artificial em ritmo acelerado. A tecnologia aparece principalmente como uma forma de aprimorar atividades que já existem, e não necessariamente de substituir pessoas.

ISSO MUDA BASTANTE A CONVERSA Porque utilizar uma ferramenta para escrever um texto, responder um cliente, organizar informações ou criar uma imagem é uma coisa. Entregar para ela parte do pensamento estratégico do negócio é outra. Vejo muita gente falando sobre produtividade quando o assunto é IA. Fazer mais em menos tempo, automatizar tarefas, produzir conteúdo com poucos comandos. Tudo isso pode ser útil. Mas existe uma pergunta que costuma aparecer pouco: mais rápido para fazer o quê? Se a empresa não sabe quem é seu cliente, qual problema resolve ou por que alguém deveria escolher seu produto, a IA pode até acelerar a produção. Mas não resolve a falta de clareza.

Imagem feita por IA

O MESMO VALE PARA COMUNICAÇÃO Uma pequena empresa pode produzir dezenas de textos, imagens e campanhas em poucas horas. Mas quantidade não significa necessariamente conexão. Uma marca pode publicar todos os dias e ainda assim não conseguir construir confiança. Esse ponto ficou ainda mais importante porque o consumidor também está mudando a maneira de pesquisar e escolher produtos. Na Black Friday de 2026, por exemplo, uma pesquisa aponta que 86% dos consumidores pretendem utilizar IA durante a jornada de compra, inclusive para comparar preços, verificar promoções e avaliar a confiabilidade das marcas. Ou seja: não estamos falando apenas de empresas usando IA. Estamos falando de consumidores usando IA para decidir onde gastar dinheiro.

UMA RESPONSABILIDADE NOVA SOBRE OS NEGÓCIOS A empresa precisa ser encontrada, mas também precisa ser reconhecida. Precisa ter informação consistente, reputação e presença digital suficiente para que suas características apareçam quando alguém perguntar a uma ferramenta de IA sobre determinado produto ou serviço. Nesse cenário, talvez o diferencial não esteja em quem produz mais conteúdo com inteligência artificial, mas em quem possui algo relevante para dizer. É aí que entram conhecimento do cliente, repertório, identidade e experiência. IA pode ajudar uma pequena empresa a ganhar tempo. Pode ajudar a organizar processos, testar ideias, analisar informações e melhorar a comunicação. Pesquisas recentes do Sebrae mostram justamente esse movimento de incorporação da tecnologia à rotina dos pequenos negócios. Ao mesmo tempo, a falta de conhecimento sobre as possibilidades da ferramenta ainda aparece como um obstáculo para uma adoção mais avançada. A tecnologia pode escrever, resumir, comparar, organizar e sugerir. A decisão sobre o que faz sentido para aquele negócio continua sendo humana. E talvez essa seja a parte mais interessante da revolução da IA para os pequenos negócios: ela não elimina a necessidade de pensar. Pelo contrário. Quanto mais fácil fica produzir, mais importante se torna saber o que vale a pena produzir. No fim, a vantagem não será simplesmente usar inteligência artificial. Será saber onde não usá-la.


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Realização:

Gestão de Incorporação:

Vendas:

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Incorporadora responsável: Alpha1 Empreendimento Imobiliário SPE LTDA. Incorporação registrada em 28/12/2021, sob R.11/98.693 da matrícula nº 98.693, do Ofício de Registro de Imóveis de Barueri. O detalhamento dos serviços, equipamentos e acabamentos que farão parte deste empreendimento constam no Memorial Descritivo. As imagens são meramente ilustrativas, estão sujeitas a alterações e não representam fotografias exatas do empreendimento. Os móveis, utensílios e objetos de decoração retratados nas imagens são meramente ilustrativos e não integram o contrato, ressalvados exclusivamente os itens do memorial descritivo da casa mobiliada, produto opcional comercializado mediante contrato específico e sujeito a disponibilidade. Acabamentos serão entregues conforme Memorial Descritivo do empreendimento. As medidas da planta são de face a face das paredes, sujeitas à variação em decorrência da execução e dos acabamentos a serem utilizados. A vegetação que compõe o paisagismo retratado nas perspectivas é meramente ilustrativo e apresenta porte adulto de referência. Na entrega do empreendimento, essa vegetação poderá apresentar diferenças de tamanho e porte, mas estará de acordo com o projeto paisagístico do empreendimento. Planejamento e Vendas: COELHO DA FONSECA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA – Avenida Brasil, 1064 – São Paulo SP. www.coelhodafonseca.com.br - Telefone: 3888-3000 | Creci: J961. MPD Vendas e Negócios Imobiliários LTDA - 02.093.253/0001-82 - Alameda Mamoré, 687 - Complemento: Andar 18 Sala 1803-C - Alphaville Centro Industrial Empresarial/Alphaville - CEP: 06454-040 - Telefone : (11) 2149-0011 | Creci 023926J. *Casas mobiliadas com: Móveis planejados nos quartos, cozinha/área de serviço e banheiros; aparelhos de ar-condicionado; aquecedor de passagem; banheiros completos com box, espelho, acessórios em geral; pisos em geral; luminárias embutidas; entre outros itens conforme memorial descritivo da casa mobiliada. **Casa de 277 m² por R$ 2.950.000,00, com 10% de entrada e saldo de 90% financiado pelo Bradesco, a depender da documentação entregue pelo comprador, que comprove a renda necessária e liberação do crédito para efetivação da compra da unidade.


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ECONOMIA MARKETING

Carlos Alberto Júlio EXECUTIVO, PROFESSOR E PALESTRANTE BRASILEIRO

LIDERANÇA

Imagem feita por IA

TECNOLOGIA

Saudades de quando o cliente era prioridade

N

ão vou usar nossa coluna para reforçar ainda mais o momento singular que estamos vivendo na política brasileira, até porque nosso negócio aqui é gestão. Mas vocês, assim como eu, têm a impressão de que o nível dos serviços, na média das empresas — da indústria ao varejo —, despencou nos últimos anos? Alguns dizem que a pandemia foi uma interrupção desastrosa na evolução do trabalho. Outros culpam o home office, que teria provocado desengajamento nas empresas e enfraquecido culturas organizacionais que, de repente, precisaram sobreviver com as pessoas mais distantes umas das outras. Sim, acredito que esses argumentos possam explicar parte do que chamo de “involução dos serviços” — e até do marketing em geral. Mas acho que há algo além disso. Estão nos faltando gestores e gestoras verdadeiramente obcecados por servir. Líderes interessados em usar dados para entender, de verdade, a jornada de seus clientes e, a partir dela, desenhar atendimentos e experiências que nos encantem. Vejam, por exemplo, as companhias aéreas. Viajo, em média, duas vezes por semana pelo Brasil e entre cinco e oito vezes por ano ao exterior. Neste mês fui à Itália, como normalmente faço em viagens mais longas, em classe executiva — onde, convenha-

mos, seria razoável esperar um atendimento ainda mais diferenciado. Comprei minha passagem pela LATAM e viajei pela Iberia. Sim: compro uma e levo outra. Como minha passagem havia sido emitida pela LATAM, não consegui escolher os assentos com antecedência na Iberia. Mesmo tendo comprado as passagens dois meses antes e viajando com minha mulher, fui acomodado na fileira 8 e ela, na 3. Que sistema aleatório inteligente é esse? Na volta, a mesma coisa. Mas a experiência ainda poderia piorar. Em um dos trechos internos, minha mulher ficou quatro dias sem sua mala. Um terror. E, na volta ao Brasil, fomos nós dois que ficamos sem as duas malas. Problemas acontecem. Aviões atrasam, conexões falham, malas eventualmente se perdem. O que diferencia uma grande empresa não é a ausência de problemas. É a maneira como ela reage quando o problema aparece. E aí vem talvez a pior parte: não temos com quem falar. Processos confusos, canais que não se conversam, sistemas que não resolvem. Encontramos até pessoas genuinamente tentando ajudar, mas que, sem autonomia e sem processos claros, simplesmente não conseguem. As companhias aéreas nos mostram anúncios maravilhosos. Destinos paradi-

síacos, poltronas confortáveis, taças de vinho, sorrisos impecáveis. Investem fortunas para construir a promessa de uma experiência extraordinária. Mas experiência do cliente não é o anúncio. Experiência do cliente é o que acontece quando a mala não chega. É quando o casal que comprou junto consegue — ou não — sentar junto. É quando alguma coisa dá errado e aparece alguém capaz de dizer: “Eu resolvo.” Nunca tivemos tantos dados sobre nossos clientes. Nunca tivemos tanta tecnologia para conhecê-los. Nunca falamos tanto em experiência, jornada, CRM, NPS e, agora, Inteligência Artificial. Talvez nunca tenhamos tido tantas ferramentas para servir bem. Então por que, tantas vezes, estamos servindo tão mal? Tecnologia ajuda. Dados ajudam. Inteligência Artificial ajudará ainda mais. Mas nenhuma dessas ferramentas substitui uma liderança genuinamente interessada em servir. Porque experiência do cliente não é responsabilidade apenas do marketing ou do pessoal da linha de frente. É decisão de gestão. É cultura. É liderança. Muito chantilly para pouco bolo. Que frustração! Saudades! Não necessariamente do passado. Mas de quando servir bem parecia uma obsessão. De quando alguém, antes de tomar uma decisão, fazia uma pergunta simples: E o cliente? Talvez esteja na hora de voltarmos a fazê-la.


| ACADÊMICA

Excelência

O caminho para as melhores universidades

Na Escola Internacional de Alphaville, a excelência e a superação são uma jornada constante de crescimento. Turma IB Diploma 2025: uma conquista que reafirma nossa evolução constante. Ano após ano, em 2023, 2024 e 2025, nossos alunos superaram a média global do IB Diploma alcançada no ano anterior! Prepare seu filho para o futuro global vivendo o IB IB Continuum C i (PYP, (PYP, MYP MYP e DP DP). ).

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Kids a Kids a Juniors Juniors 5 5

Teens a Teens a High High School School 11

High School High School 2 2e e 3 3

O IB Diploma Programme (DP) é a credencial de alto nível aceita para ingresso direto em universidades no Brasil e em mais de 100 países. Celebramos o compromisso de nossa comunidade.

Matrículas 2027 abertas.


CONSUMO

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DA EXCLUSIVIDADE À ASSINATURA: os novos

caminhos da perfumaria de nicho Mercado conquista consumidores exigentes e abre espaço para criações autorais e ingredientes que carregam os aromas da ousadia Por Aliz Lambiazzi

improváveis em fragrâncias. O francês Olivier Cresp, um dos grandes nomes da perfumaria mundial, fundou a Akro, casa que já buscou inspiração em cheiros associados à maconha, à torta de limão e até à tinta de tatuagem.

CHEIRAR DIFERENTE TEM SEU PREÇO Não existe uma fronteira absolutamente rígida para definir o que é nicho. O termo nasceu ligado sobretudo a casas especializadas em fragrâncias, com produção mais seletiva, distribuição restrita e maior liberdade criativa, em contraste com perfumes desenvolvidos para atingir mercados amplos. E também não deve ser confundido simplesmente com alta perfumaria: grandes marcas podem produzir coleções sofisticadas e exclusivas sem, necessariamente, serem casas de nicho. Karen explica que há diferentes degraus nesse universo. “Existe a perfumaria normal, a perfumaria de design, tem a alta perfumaria dentro do design e, por fim, as perfumarias de nicho. As perfumarias de nicho são de baixa escala e que não são para agradar todos os narizes. Geralmente, são matérias-primas muito caras, muito escassas e, consequentemente, também perfumes mais difíceis de agradar a todo mundo”, esclarece. É nessa aproximação com o universo do nicho que grandes marcas brasileiras também vêm investindo em linhas exclusivas de alta perfumaria. Natura, O Boticário e Granado, por exemplo, exploram ingredientes diferenciados, composições menos convencionais e maior liberdade criativa. A Natura leva matérias-primas brasileiras como priprioca, copaíba e breu-branco

Foto: Reprodução site oficial Fueguia

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á perfumes feitos para agradar a muita gente. E há os perfumes de nicho, que parecem seguir na direção oposta: combinam ingredientes inesperados, exploram aromas pouco convencionais e dão ao perfumista uma liberdade quase artística. Antes restrito a aficionados, esse universo começa a conquistar um público cada vez maior no Brasil. Para quem entra nesse mundo, escolher um perfume deixa de ser apenas decidir entre um floral, um cítrico ou um amadeirado conhecido. Há fragrâncias que evocam couro, fumaça, terra molhada, incenso e tabaco, mas algumas criações vão muito além. Já se transformaram em perfume o concreto das cidades, um mundo pré-histórico de sangue, lama e vulcões e até o suor do corpo humano depois do sexo. A provocação não é gratuita. Na perfumaria de nicho, o objetivo nem sempre é criar um aroma imediatamente agradável ou capaz de conquistar o maior número possível de consumidores. A fragrância pode contar uma história, provocar uma lembrança ou simplesmente expressar a personalidade de quem a usa. “Qual é a finalidade da perfumaria de nicho? É você ser exclusivo, ter um cheiro diferente, um cheiro mais arriscado, e é um cheiro que te agrade e não que agrade todo mundo”, resume a perfumista Karen Filietaz, moradora de Alphaville. Depois de estudar perfumaria autoral no Chile, a empresária está prestes a lançar sua própria marca de nicho, prevista para o fim de 2026. Essa liberdade explica por que alguns perfumistas transformam referências


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para sua Alta Perfumaria; O Boticário chegou a fragrâncias inspiradas em vegetais como beterraba, tomate e ervilha na linha Privée; e a Granado, com a linha Vintage, aposta em criações ligadas à botânica, à cultura e à própria história brasileira. Para Karen, dois elementos ajudam a entender esse universo: escala e escassez. “Resumindo: perfumaria de nicho são perfumes de baixa escala, com fragrâncias ousadas, na qual o perfumista tem a liberdade de criar. É uma perfumaria muito mais livre, sem amarras de escala, de ter que vender loucamente, e para públicos bem específicos, que gostam de ser mais exclusivos, únicos e gostam de cheiros diferentes”, explica. A exclusividade aparece também no preço. No Brasil, há frascos que ultrapassam R$ 5 mil. E o consumidor disposto a pagar por eles está aumentando. No primeiro semestre de 2026, as vendas de fragrâncias de nicho cresceram 35% no país e passaram a representar 9% do mercado de fragrâncias de prestígio, segundo a Circana, empresa global de inteligência de mercado e comportamento do consumidor. O tíquete médio ficou próximo de R$ 1,5 mil. O movimento encontra terreno fértil por aqui. O Brasil é o segundo maior mercado de fragrâncias do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, segundo dados da Euromonitor divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC). Em 2025, a categoria cresceu 10% no país. Karen acompanhou de perto uma mudança no repertório olfativo do brasileiro. Durante muito tempo, lembra, perfumes importados eram pouco acessíveis e ficavam mais restritos a quem viajava para o

exterior. Depois vieram maior variedade de importados e, mais recentemente, a explosão das fragrâncias árabes. Embora perfume árabe não seja, necessariamente, perfume de nicho (há tanto fragrâncias de grande escala quanto casas e linhas árabes de nicho), Karen acredita que a popularização dessa perfumaria ajudou a apresentar ao consumidor brasileiro aromas diferentes daqueles aos quais estava habituado. Em 2025, as vendas de fragrâncias árabes no Brasil cresceram 286%, segundo a Euromonitor. No primeiro semestre deste ano, a Circana registrou nova alta, de 64%. Allan Costa, criador do Dossiê Olfativo e um dos fundadores da Brasco e da Moodie, também percebe uma mudança no gosto do brasileiro, hoje mais disposto a experimentar fragrâncias fora do repertório habitual. “Uma vez que alguém expanda seu universo olfativo, ele não mais voltará a se contentar com o que conhecia antes”, afirma. O passo seguinte, para uma parcela desse público, é procurar não apenas a inspiração, mas a criação original: começar a prestar atenção em quem formulou o perfume, nas matérias-primas, na história por trás dele e na possibilidade de encontrar algo menos comum.

O BRASIL DENTRO DO FRASCO É justamente nesse ponto que o Brasil começa a descobrir que não precisa apenas consumir a perfumaria criada lá fora. Pode ter matéria-prima e identidade para contar suas próprias histórias olfativas. Cumaru, breu-branco, priprioca, copaíba e pau-rosa já fazem parte desse repertório. Karen chama atenção ainda

Foto: Alan Ferreira Leite

“A FINALIDADE DA PERFUMARIA DE NICHO É VOCÊ SER EXCLUSIVO, TER UM CHEIRO DIFERENTE, UM CHEIRO MAIS ARRISCADO, E É UM CHEIRO QUE TE AGRADE E NÃO QUE AGRADE TODO MUNDO” Karen Filietaz

Karen irá lançar sua linha de perfumes de nicho no final deste ano com 5 fragrâncias para começar

para pesquisas com baunilhas cultivadas na Bahia e extratos de ingredientes como folha de pitanga e jabuticaba, em um movimento de valorização de matérias-primas brasileiras. Ela percebeu a força dessa identidade quando deixou uma carreira de 20 anos como executiva no mercado financeiro e de tecnologia, com passagens por PayPal, Meta e Visa, e se mudou com a família para o Chile. Viveu no país por quase três anos e foi lá que começou a estudar perfumaria. “A América Latina trata de uma forma muito diferente a perfumaria do que aqui no Brasil. Eles valorizam demais as matérias-primas locais”, conta. Para ela, o Brasil ainda está começando a desenvolver uma cena independente, embora novos projetos já estejam surgindo. Allan, por sua vez, considera que a produção nacional já atingiu um nível capaz de rivalizar com mercados de maior tradição. “Boa parte do que faze-


Foto: Larissa Dias

Allan Costa, criador do Dossiê Olfativo e do The Parfum Club, levou a paixão por fragrâncias também para a criação de marcas próprias

mos no Brasil não deve nada em qualidade, originalidade e criatividade ao que é produzido nos grandes centros da perfumaria”, garante o perfumista. Se a tradição francesa se tornou conhecida por flores como jasmim, lavanda e tuberosa, o repertório brasileiro pode nascer de madeiras, raízes, resinas, sementes e folhas. Ingredientes que durante muito tempo permaneceram nos bastidores começam, aos poucos, a ganhar protagonismo. Em um país que já ocupa o segundo lugar mundial no consumo de fragrâncias, talvez essa seja uma das mudanças mais interessantes em curso. Aos poucos, o Brasil começa também a construir sua própria trajetória na perfumaria de nicho, impulsionada por criadores que encontram na liberdade desse universo espaço para experimentar, ousar e desenvolver uma linguagem própria. Em Alphaville, os principais rótulos de nicho são encontrados principalmente na Neeche Haute Parfumerie, especializada no segmento e com a maior variedade de marcas nacionais e internacionais da região, localizada no Shopping Iguatemi Alphaville. No mesmo centro de compras, a Sephora reúne marcas e linhas que se aproximam do universo do nicho e da alta perfumaria, como Tom Ford e Jo Malone London. Já a Divynas Perfumaria trabalha com casas como Xerjoff, Creed, Parfums de Marly, Nishane e Initio, entre outras. Confira os endereços no box.

SAMUEL MORAES: O PRIMEIRO PERFUME BRASILEIRO NA FINAL DO ART AND OLFACTION AWARDS Há 30 anos, Samuel Moraes trabalha do lado de dentro da perfumaria: é ele quem formula fragrâncias, combina matérias-primas e transforma ideias em cheiros. Atual diretor criativo de perfumaria da Scentec, começou a carreira em 1996, como assistente de perfumista na Haarmann & Reimer, hoje parte da Symrise, e passou também pela IFF. Para ele, duas palavras ajudam a definir a perfumaria de nicho: liberdade e exclusividade. Diferentemente do mercado de massa, em que escala, aceitação e comportamento do consumidor pesam na criação, o segmento abre mais espaço para que conceito, matéria-prima e visão criativa conduzam o desenvolvimento. “Não significa necessariamente fazer algo difícil, estranho ou inacessível. Significa ter espaço para desenvolver uma ideia com personalidade, com

Foto: Reprodução site oficial Xerjoff

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Na Xerjoff, a exuberância italiana aparece tanto nas composições intensas quanto nos frascos

uma sofisticação ampliada”, explica. Essa liberdade começa já na inspiração. Uma fragrância pode nascer de uma matéria-prima, paisagem, viagem, pessoa, lembrança, textura, cor, comida ou simplesmente de uma sensação. A partir daí, Samuel transforma a ideia abstrata em uma estrutura olfativa, passando pelo conceito, pelos acordes, matérias-primas e proporções até chegar à assinatura. “O perfume precisa funcionar como uma composição musical e ter vida. Não basta ter ingredientes interessantes; eles precisam conversar entre si, e ter uma evolução”, afirma. Foi com essa liberdade que nasceu uma de suas criações mais reconhecidas, o Amyi VIII, primeiro perfume brasileiro a chegar à final do Art and Olfaction Awards, em 2020, na categoria Perfumaria Independente. Na composição, Samuel trabalhou a flouve com elementos como framboesa, tomilho vermelho, sal marinho, camurça, âmbar, sândalo e olíbano. O perfumista atribui o reconhecimento internacional à personalidade da fragrância e a uma construção pouco óbvia, marcada por contrastes. Mas chama atenção para outro aspecto da criação: “eu não estava tentando criar uma fragrância brasileira que parecesse internacional. Estava simplesmente tentando fazer uma criação em que eu acreditasse e que pudesse eternizar momento e criar memória. O

reconhecimento internacional foi consequência disso. Quando uma criação tem identidade, ela pode conversar com pessoas em qualquer lugar, e criar sensações e impressões incríveis”, conta. Para Samuel, essa discussão vai além de uma única fragrância e ajuda a entender o momento da perfumaria autoral no país. O Brasil, avalia, vem construindo uma identidade própria, ainda que naturalmente influenciada por referências internacionais. E ser brasileiro, nesse universo, não significa simplesmente colocar uma fruta nacional ou uma matéria-prima da Amazônia ou do Cerrado dentro de uma fórmula. Essa identidade, segundo ele, é muito mais ampla e pode aparecer na relação com a natureza, na diversidade cultural, nas cidades, na gastronomia, nas cores, nos contrastes e na maneira particular de interpretar o mundo. É justamente essa multiplicidade que Samuel considera uma força da produção nacional: em vez de buscar uma única grande referência, a perfumaria brasileira pode crescer a partir de muitas vozes e linguagens diferentes. Do outro lado do frasco, o consumidor também mudou. Hoje, pesquisa quem criou o perfume, procura saber quais matérias-primas estão na composição, lê avaliações, compara fragrâncias e se interessa pela história por trás de cada criação. “O perfume deixou de ser apenas um acessó-


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ALLAN COSTA: DO ENCANTAMENTO AO NEGÓCIO Depois de mais de 30 anos de carreira em tecnologia, inovação e negócios, Allan Costa transformou a paixão por perfumes em um novo território profissional. Criou o

Dossiê Olfativo e a comunidade The Parfum Club e, ao lado de Gustavo de Paiva, lançou a Brasco. No início de 2027, será a vez da Moodie, dedicada a uma perfumaria mais artística e experimental. A Brasco nasceu com a proposta do que Allan chama de “perfumaria de nicho possível”: criações autorais, mas pensadas para alcançar um público maior. A brasilidade aparece longe do caminho mais óbvio da flora tropical. Dueto traz um acorde de caipirinha com erva-mate; Nosso Wood recria o pau-brasil; e Brasa, seu favorito pessoal, reúne tabaco e cachaça. “A brasilidade é o que norteia toda a direção criativa e proposta da Brasco”, afirma. Para Allan, mais do que reproduzir imagens já conhecidas do país, interessa traduzir o estilo de vida, o bom humor e a descontração do brasileiro. A Moodie seguirá na direção oposta à preocupação com agradabilidade. Ainda em desenvolvimento, a marca já experimenta notas de grama fresca, tinta de

caneta, carbono, concreto, látex, asfalto, gasolina e cera de vela. A ideia é criar perfumes associados aos diferentes estados de espírito vividos ao longo do dia. Colecionador de mais de 400 frascos de diversos países, Allan acompanha também a evolução da produção nacional e acredita que já existem criações brasileiras capazes de competir em qualidade, originalidade e criatividade com as produzidas nos grandes centros da perfumaria. O próximo passo, em sua visão, passa por tratar esse talento também como negócio. “A perfumaria de nicho brasileira muitas vezes é percebida como artística, e eu concordo. Mas a arte não é incompatível com uma visão empresarial de expansão, de exploração de novos mercados, de posicionamento internacional”, avalia. Para ele, é justamente desse encontro que pode surgir uma indústria brasileira mais forte. “Aliás, exatamente como toda boa fragrância: arte e ciência trabalhando juntas para criar coisas incríveis”, conclui.

Us min porpores vid molori quam quas explabo. Et dolorum conse pla que cone nis repedis dolorissi optation consequ ibustibusa et unt modi nis ad que niscil mot Fueguia 1833: paisagens e biodiversidade sul-americanas abastecem o laboratório olfativo criado pelo argentino Julián Bedel

“UMA VEZ QUE ALGUÉM EXPANDA SEU UNIVERSO OLFATIVO, ELE NÃO MAIS VOLTARÁ A SE CONTENTAR COM O QUE CONHECIA ANTES” Allan Costa

Foto: Reprodução site oficial Fueguia 1833

rio. Para muita gente, tornou-se uma forma de expressão pessoal. E existe uma busca cada vez maior por descoberta. O consumidor quer encontrar algo que tenha uma identidade diferente e que diga alguma coisa sobre ele”, observa. Depois do Amyi VIII, Samuel continuou trabalhando com projetos de perfis distintos, entre eles SŪZŪ, Parfum Lab, Avatim, Maracujá Brasil e Skelt. Essa diversidade reforça o que ele enxerga como potencial das casas nacionais: abrir espaço para que perfumistas brasileiros desenvolvam linguagens próprias, sem a necessidade de reproduzir modelos estrangeiros. Ou, como resume Samuel, criar perfumes brasileiros capazes de se tornar referências por si mesmos.


Foto: Reprodução site oficial Sorry Not Sorry

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AMYI Da fumaça ao sal marinho, a Amyi explora caminhos menos previsíveis para construir seus perfumes

ONDE ENCONTRAR PERFUMES DE NICHO EM ALPHAVILLE NEECHE HAUTE PARFUMERIE Especializada em perfumaria de nicho, é o endereço da região com a maior variedade de marcas nacionais e internacionais. Shopping Iguatemi Alphaville. DUBAI PERFUMES Especializada em perfumaria árabe, reúne marcas como Lattafa, Armaf e Al Wataniah, incluindo fragrâncias de nicho. Shopping Tamboré. NATURA A coleção Alta Perfumaria aposta em criações sofisticadas e matérias-primas brasileiras. Shopping Tamboré. GRANADO A Linha Vintage reúne perfumes de nicho inspirados na história da marca e na brasilidade. Shopping Tamboré.

L’ARTISAN PARFUMEUR Desde os anos 1970 ajudou a abrir caminho para o nicho moderno Foto: Reprodução site oficial Bynomads

BÉCQUER Chá matcha, cumaru, tabaco e bourbon revelam o gosto por encontros improváveis

Foto: Reprodução site oficial L’Artisan

Foto: Reprodução site oficial Bécquer

AMOUAGE Incensos, resinas e especiarias conectam a Amouage à tradição olfativa de Omã Foto: Reprodução site oficial Le Labo

FELISA Baunilha pode ser amarga e esfumaçada nas criações da Felisa, que prefere desconstruir o familiar

Foto: Reprodução Facebook Oficial Amyi

Foto: Reprodução Facebook Felisa Beauty

Foto: Reprodução site oficial Amouge

SORRY NOT SORRY Irreverência chega aos frascos da Sorry Not Sorry em misturas que não fogem de fumaça, piche, uísque ou até cenoura

DELLIAN PRESENTES E PERFUMARIA Tradicional multimarcas de Alphaville, oferece opções da Parfums de Marly, casa francesa de perfumaria de nicho. Alameda Rio Negro, 1.033, loja 38, Alphaville. DIVYNAS PERFUMARIA Trabalha com casas de nicho como Xerjoff, Creed, Parfums de Marly, Nishane, Maison Francis Kurkdjian e Initio, entre outras. A maioria das fragrâncias é vendida sob encomenda, com algumas opções à pronta entrega. Alameda Grajaú, 98, Alphaville.

LE LABO Estética nova-iorquina, produção artesanal e perfumes de personalidade seca e urbana são marcas da Le Labo

BYNOMADS Nos frascos da Bynomads, viagens viram perfume em composições que atravessam culturas


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A nova jornada de compra entre o on e o off-line Redes sociais avançam sobre o varejo, marketplaces investem em entretenimento e criadores ganham protagonismo em uma nova dinâmica de consumo, na qual o produto é que encontra o consumidor Por Aliz Lambiazzi


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Foto: Magnific

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ocê abre uma rede social e, alguns minutos depois, está comprando um produto que nem pretendia procurar. O caminho entre entretenimento e consumo ficou tão curto que, muitas vezes, já acontece dentro da mesma tela. É uma mudança importante na lógica que ajudou a construir o comércio eletrônico. Durante anos, comprar pela internet significava saber o que se queria, entrar em um site ou marketplace, pesquisar, comparar preços e fechar o pedido. Agora, conteúdo, algoritmos, criadores e transmissões ao vivo entram nessa equação e ajudam a transformar descoberta em venda. Pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, realizada em parceria com a Offerwise, aponta que 85% dos consumidores digitais residentes nas capitais compraram pela internet nos 12 meses anteriores ao levantamento, o equivalente a uma estimativa de 139 milhões de pessoas. Mais da metade (54%) comprou por meio das redes sociais e 49% realizou alguma compra diretamente dentro de uma plataforma social nos seis meses anteriores à pesquisa. TikTok, Instagram e YouTube aparecem entre essas plataformas, enquanto moda lidera entre os produtos adquiridos pelas redes sociais, seguida por cosméticos, perfumes e produtos para cabelo. Para Leandro Guissoni, professor da

FGV-SP, autor de estudos de caso publicados pela Harvard Business Publishing e do livro ‘Quem Quebra, Inova’, a transformação já é suficiente para falar em uma ruptura no modelo tradicional e transacional do comércio eletrônico. “No social commerce, a jornada de compra é diferente. Eu não necessariamente entro procurando um produto. Entro para me entreter e acabo descobrindo algo que nem estava procurando. Um creator apresenta, o algoritmo recomenda, outras pessoas validam e a plataforma aproxima descoberta e compra”, explica. Guissoni define essa mudança como uma passagem da intenção para a descoberta. “Antes, eu buscava o produto. Agora, cada vez mais, o produto também pode me encontrar por meio de conteúdos que não necessariamente são ‘pitch de vendas’ nas redes sociais”, afirma. As redes sociais já ocupam um espaço importante nessa jornada. O Instagram, especialmente forte na relação entre marcas, criadores e consumidores, transformou posts, Stories e Reels em vitrines nas quais produtos podem ser descobertos, apresentados e marcados para compra. Diferentemente do TikTok Shop, porém, a experiência brasileira nem sempre termina dentro da própria rede: o consumidor pode ser direcionado ao site, ao aplicativo ou a outros canais do varejista para concluir a transação.

Fotos: Divulgação ALLOS

Estúdios criados pela ALLOS oferecem estrutura para que lojistas produzam conteúdos e realizem transmissões de vendas ao vivo

Ana Paula Niemeyer é diretora de Marketing da ALLOS


Foto: Beatriz Cavalcanti / BCX

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Leandro Guissoni, professor da FGV-SP e autor do livro Quem Quebra, Inova, analisa as transformações na jornada de compra

“ESTAMOS VENDO VÁRIAS FRONTEIRAS FICAREM MENOS CLARAS AO MESMO TEMPO: REDE SOCIAL QUER SER LOJA, MARKETPLACE QUER GERAR ENTRETENIMENTO, CREATOR PODE VIRAR MARCA E MARCA PRECISA APRENDER CADA VEZ MAIS A PRODUZIR CONTEÚDO” Leandro Guissoni

Essa diferença ajuda a mostrar que o social commerce não segue um único modelo. “Algumas funcionam mais como orquestradoras, aproximando creators e consumidores de marcas, varejistas e marketplaces, como o Instagram Shop e YouTube Shopping facilitam a integração com programas de afiliados como Amazon, Mercado Livre e Magalu”, explica Leandro Guissoni.

DA ATENÇÃO À TRANSAÇÃO Um dos maiores símbolos dessa transformação é o TikTok Shop. Lançado no Brasil em maio de 2025, o serviço ganhou escala em apenas um ano ao aproximar entretenimento, descoberta e compra dentro da mesma plataforma, e ajuda a redesenhar uma jornada de consumo durante muito tempo baseada na busca por aquilo que o cliente já sabia que queria. O TikTok chama esse modelo de Compra por Descoberta. Segundo a empresa, a ideia parte de um comportamento que já existia na rede: usuários entram para consumir conteúdo e encontram tendências, marcas e produtos ao longo da navegação. Entre maio de 2025 e maio de 2026, o TikTok Shop registrou crescimento de 102 vezes no volume bruto médio diário de mercadorias comercializadas, o chamado GMV. No mesmo período, a quantidade diária de

Lojas físicas reforçam atributos como experimentação, atendimento e experiência para se integrar a uma jornada cada vez mais digital

transmissões ao vivo cresceu 20 vezes e o número de criadores afiliados ativos, 46 vezes, segundo dados da própria empresa. Uma pesquisa realizada pelo TikTok com 17 mil usuários reforça a convivência entre dois comportamentos. Enquanto 57,8% disseram ter comprado no TikTok Shop depois de descobrir um produto na plataforma, 49% dos compradores apontaram a busca ativa como principal fator de conversão. “A descoberta não elimina a intenção de compra. Os dois comportamentos coexistem”, afirma o TikTok Shop. Os grandes marketplaces continuam ocupando uma posição central no comércio eletrônico brasileiro, mas também incorporam ferramentas que aumentam o tempo de permanência e aproximam conteúdo e compra. Mercado Livre, Amazon, Shopee, Shein e Magalu disputam consumidores com enormes catálogos, logística e conveniência, enquanto redes sociais avançam sobre a transação. Ao mesmo tempo, YouTube, Instagram e outras plataformas criam conexões com varejistas e programas de afiliados. “Estamos vendo várias fronteiras ficarem menos claras ao mesmo tempo: rede social quer ser loja, marketplace quer gerar entretenimento, creator pode virar marca e marca precisa aprender cada vez mais a produzir conteúdo”, analisa Guissoni.

O MARKETPLACE QUE VIROU MÍDIA A Shopee é um dos exemplos mais evidentes do movimento no sentido contrário: nasceu como marketplace e incorporou progressivamente elementos típicos das redes sociais. Lançado no Brasil em 2022, o Shopee Live já acumula mais de 8 bilhões de visualizações e 40 bilhões de curtidas, segundo a empresa. Atualmente, são realizadas mais de 10 mil transmissões por dia. Na campanha de 6 de junho de 2026, foram 32 mil lives em apenas um dia. A plataforma afirma ainda que vendedores que utilizam o recurso podem registrar até dez vezes mais vendas em um dia com transmissão do que em um dia sem live. Em 2025, a companhia lançou também o Shopee Vídeo, área de vídeos curtos que já recebe mais de 700 mil novas publicações diariamente. A empresa passou até a produzir novelas verticais, incorporando produtos às histórias. A estratégia ilustra que as plataformas querem também conquistar algo que as redes sociais conhecem muito bem: o tempo do consumidor. Guissoni lembra que marketplaces nasceram especialmente fortes em transação, variedade, preço e conveniência. “Agora querem participar também da descoberta e aumentar o engajamento, com diferentes estratégias”, explica o professor. Isso não significa que todas as plataformas estejam se tornando iguais. O YouTube


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Shopping, por exemplo, permite que criadores indiquem produtos em vídeos, Shorts e transmissões ao vivo por meio de programas de afiliados ligados a marketplaces. “Quanto mais uma rede social funciona como ponte para marketplaces e varejistas, maior a complementaridade. Quanto mais passa a controlar sellers, catálogo e transação, maior tende a ser a competição com os marketplaces tradicionais”, avalia Guissoni.

O PROTAGONISMO DOS CRIADORES DE CONTEÚDO No social commerce, o criador de conteúdo deixa de ser apenas alguém que divulga uma marca. “Eles ajudam a contextualizar produtos, apresentar diferentes possibilidades de uso e transformar uma oferta em uma experiência de conteúdo que faça sentido para aquela audiência. Dessa forma, os criadores participam de diferentes etapas da jornada, da descoberta à consideração e, em muitos casos, à própria decisão de compra”, explica o TikTok Shop. No primeiro ano de operação do TikTok Shop no Brasil, o número de criadores afiliados ativos cresceu 46 vezes, segundo a empresa. “O valor está justamente nessa conexão entre criadores, marcas e consumidores: o criador conhece sua audiência e consegue apresentar um produto dentro de um contexto relevante para ela, tornando a experiência mais natural, próxima e

FALANDO EM LOJA FÍSICA... COMO ELA FICA NESSA DINÂMICA? Mesmo com o avanço das compras digitais, a loja física não desaparece da jornada. Enquanto o comércio eletrônico é eficiente em busca, comparação e conveniência, o físico encontra força em outros atributos. “Se a loja física se limitar à transação, portanto, passa a competir com ambientes que muitas vezes realizam essa atividade com menos fricção. Mas o físico pode continuar criando muito valor em experimentação, serviço, relacionamento, entretenimento, comunidade e experiência de marca”, avalia Guissoni. Para os shopping centers, isso também muda a maneira de pensar o negócio. “Costumo dizer que seu ativo não deve ser pensado apenas em metros quadrados de lojas, mas também na capacidade de conquistar tempo e atenção das pessoas”, afirma Guissoni. Comunidades que nascem no digital podem se encontrar presencialmente e transformar essa experiência novamente em conteúdo. “Fica cada vez mais difícil pensar on-line e off-line como jornadas separadas”, resume o especialista. SHOPPING VIRANDO ESTÚDIO É justamente na fronteira entre esses dois ambientes que a criatividade, aliada a uma visão de mercado atualizada, traz alternativas inteligentes. Um bom exemplo vem da ALLOS, que reúne 58 shopping centers em seu portfólio, inclusive o Shopping Tamboré, e passou a transformar parte desses empreendimentos também em estúdios de produção de conteúdo e vendas ao vivo. O projeto de live shopping estreou no Shopping da Bahia, em Salvador, e já chegou ao NorteShopping, no Rio de Janeiro. Desenvolvidos em parceria com a Play2Shop, do Grupo Dreamers, os estúdios são equipados para transmissões e podem ser utilizados gratuitamente pelos lojistas, mediante agendamento. As marcas também recebem capacitação para elaborar roteiros, desenvolver

estratégias de engajamento, operar as transmissões e administrar o estoque das vendas on-line. Em apenas dois meses, cerca de 300 lives foram realizadas. Segundo a ALLOS, a iniciativa já rendeu mais de 8 mil novos seguidores às marcas participantes e a venda de mais de 700 produtos. “Hoje, o consumidor descobre produtos nas redes sociais, interage com conteúdos em tempo real, pesquisa on-line e conclui suas compras onde a experiência fizer mais sentido”, contextualiza Ana Paula Niemeyer, diretora de Marketing da ALLOS. E completa: “não acreditamos em uma disputa entre o varejo físico e o digital. O futuro pertence às empresas capazes de integrar esses dois universos de forma natural”. Nesse modelo, o shopping amplia seu papel ao oferecer tecnologia, capacitação e estrutura para que os lojistas também alcancem consumidores no ambiente digital. E a experiência pode chegar a Alphaville. “A expectativa é, a partir dos aprendizados das iniciativas atuais, avaliarmos a expansão para demais shoppings e, nesse sentido, o Shopping Tamboré seria uma opção”, finaliza a diretora.

“A EXPECTATIVA É, A PARTIR DOS APRENDIZADOS DAS INICIATIVAS ATUAIS, AVALIARMOS A EXPANSÃO PARA DEMAIS SHOPPINGS E, NESSE SENTIDO, O SHOPPING TAMBORÉ SERIA UMA OPÇÃO” Foto: Magnific

Foto de Imprensa / Magnific

informativa”, afirma a empresa. As transmissões ao vivo levam esse modelo adiante. “A live permite aprofundar essa experiência por meio da demonstração e da interação em tempo real”, afirma o Tiktok, que compara essa dinâmica à proximidade encontrada na loja física. Segundo a empresa, as vendas médias diárias realizadas por meio de lives cresceram 161 vezes entre maio de 2025 e maio de 2026.

No social commerce, o criador de conteúdo ajuda a contextualizar produtos


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ECONOMIA MARKETING

João Branco PROFESSOR, AUTOR E EX-VP DE MARKETING DO MCDONALD’S

LIDERANÇA TECNOLOGIA

Se o cliente é prioridade, mostre a sua agenda

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bra a agenda da semana passada. Quantas horas você passou em reuniões internas, eventos, apresentações e relatórios? Depois de tudo isso, quanto tempo sobrou para estar com clientes? Não estou falando de uma reunião sobre uma pesquisa ou de uma conversa sobre a nova “persona”. Minha pergunta é literal: quantas horas você esteve perto de pessoas que compram, usam, recomendam, criticam ou abandonam aquilo que sua empresa vende? Nossa profissão é baseada na compreensão do consumidor, mas passamos semanas sem interagir com um. Conhecemos números de conversão, índices de satisfação, hábitos de mídia e jornadas de compra. Sabemos qual anúncio recebeu mais cliques e em que etapa do funil os usuários desistiram. Ao mesmo tempo, não sabemos explicar como alguém escolhe nosso produto na prateleira ou qual incômodo aprendeu a suportar sem reclamar. O cliente vira segmento, “ICP” ou uma fotografia acompanhada de nome, idade, renda e supostos desejos. Tudo parece humano, mas aquela pessoa não existe. Ele é apenas uma suposta “média”. Pesquisas, personas e relatórios são importantes. Mas cuidado para que a representação não ocupe o lugar da realidade. Ninguém conhece uma cidade apenas olhando o mapa. Ninguém conhece o sabor da comida apenas olhando o cardápio. Ninguém sente a emoção de assistir a um show ao vivo analisando a gravação. E ninguém entende de cliente olhando apenas relatórios de interações nas redes sociais. Pense em um médico. Ele precisa estudar exames, participar de congressos, conversar com fornecedores, treinar a equipe e administrar as finanças. Tudo isso pode

ajudá-lo a cuidar melhor dos pacientes. Mas, se essas atividades ocuparem tanto espaço que ele não consiga atender ninguém, o trabalho perdeu o sentido.

No marketing, aceitamos esse distanciamento com naturalidade. Somos especialistas em consumidores, mas temos uma agenda com pouca convivência com eles. Aproximar profissionais de marketing dos clientes não serve apenas para melhorar a comunicação. Serve para melhorar o negócio. Isso vai revelar produtos confusos, processos hostis e regras criadas longe da vida real. Muitas vezes, a melhor campanha que o marketing pode fazer começa eliminando uma irritação. Esse contato pode acontecer ao acompanhar uma compra, atender uma reclamação, visitar uma loja ou ver alguém usando o produto. O formato importa menos do que a frequência. Se conhecer o cliente faz parte do trabalho, esse encontro precisa ocupar espaço no calendário. Não se trata de escolher entre dados e contato humano. Os dados oferecem escala; a convivência oferece contexto. O relatório identifica o sintoma; a observação ajuda a enxergar a causa. Uma hora por semana com clientes não resolverá todos os problemas, mas pode evitar decisões tomadas em uma sala cheia de opiniões e vazia de clientes. A agenda é uma declaração de prioridades mais confiável do que qualquer apresentação institucional. Uma empresa pode escrever “o cliente no centro” na parede. Se quem toma decisões não reserva tempo para ouvi-lo, o cliente está no centro do discurso, não do negócio. Na próxima vez que alguém disser que o cliente é prioridade, não peça outra apresentação. Abra a agenda. Se ele não estiver lá, o problema não é falta de dados, ferramentas ou discurso. É falta de prioridade.


LIDERANÇA

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Para Ana Paula Altman, CEO da Maxipark, “liderar é fazer alianças” Com mais de 25 anos de carreira no Brasil e no exterior, executiva aposta em pessoas, diversidade e relações para conduzir uma nova fase da companhia

Foto: Ana Carolina da Costa

Por Aliz Lambiazzi

A CEO da Maxipark também é cofundadora do Grupo Mulheres em Facilities e Corporate Real Estate

“PRECISAMOS ESTAR COM AS PESSOAS CERTAS NO LUGAR CERTO. ISSO PARECE CLICHÊ, MAS QUANDO FALAMOS EM CRESCER E REESTRUTURAR, A EQUIPE REALMENTE PRECISA ENTENDER QUE É UM MOMENTO DE TRAÇÃO E ENTREGA”

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na Paula Ribas D’Ávila Altman construiu uma carreira que atravessa diferentes mercados, países e culturas, mas mantém um fio condutor: a crença de que negócios são, antes de tudo, feitos por pessoas. Em mais de 25 anos de trajetória, acumula experiências em empresas como Cyrela, Lindenberg, Estapar e Temon. Viveu ainda quatro anos na Europa, onde trabalhou na rede de hotéis Hilton, em Londres e Barcelona. Formada em Marketing pelo Mackenzie, estudou Comportamento do Consumidor em Londres e Liderança Feminina no Brasil e em Portugal. É também cofundadora do Grupo Mulheres em Facilities e Corporate Real Estate. Desde 2025 assumiu o cargo de CEO da Maxipark, empresa brasileira de gestão de estacionamentos fundada em 1988 que adotou um modelo de gestão profissionalizada, com executivos de mercado na condução dos negócios e a família fundadora no conselho. À Efe, Ana Paula fala sobre formação de líderes, cultura empresarial e os desafios de crescer sem perder de vista as pessoas.

efe. Você defende que é preciso estruturar lideranças antes de acelerar o crescimento. Na prática, o que significa preparar uma empresa para crescer a partir das pessoas? Ana Paula Precisamos estar com as pessoas certas no lugar certo. Isso parece clichê, mas quando falamos em crescer e reestruturar, a equipe realmente precisa vir junto, entender que é um momento de tração e entrega, e é nessa hora que entendemos quem está pronto para o novo momento, quem está disposto ao desenvolvimento e quem quer seguir do jeito que está. Focamos nos dois primeiros grupos, que já têm a cultura da empresa e a vontade de crescer. efe. Depois de passar por diferentes setores e ambientes, qual foi seu principal aprendizado sobre liderança? Ana Paula Que é preciso fazer alianças. No sentido mais amplo da palavra, desde um bom relacionamento com pares, concorrentes, fornecedores e outros profissionais que de alguma maneira permeiam seu setor ou seu trabalho, até — e principalmente — com os profissionais que estão perto de você todos os dias. Peça feedback e aconselhamento não só ao seu chefe, mas também aos outros líderes que estão por perto. Esse momento com os demais gestores faz toda a diferença na sua percepção de carreira. efe. Como a Maxipark identifica e prepara profissionais com potencial de liderança? O que pesa mais: resultado, comportamento ou capacidade de mobilizar pessoas?

Ana Paula Na Maxipark, essas três bases são essenciais para um líder. Buscamos entender a atitude de cada profissional e a disposição de aprender e assumir responsabilidades. Com essas características identificadas, desenhamos os próximos passos e desafios. No final, a entrega e o desenvolvimento dependem mais da pessoa, e de ela deixar claro o caminho que quer seguir. efe. Como cofundadora do Grupo Mulheres em Facilities e Corporate Real Estate, quais barreiras à liderança feminina você ainda enxerga? Ana Paula O machismo estrutural ainda é um problema e, muitas vezes, não é percebido nem mesmo pelas mulheres, que acabam caindo nessa “rotina” sem perceber. No grupo, reforçamos bastante a necessidade de as mulheres aprenderem a se posicionar e dizerem o que querem de seus empregadores e onde querem chegar. Desenhem seus planos de carreira e acreditem neles. efe. Depois de mais de 25 anos de carreira, o que você ainda busca desenvolver na sua forma de liderar? Ana Paula O aprendizado é contínuo, o mundo segue em transformação e adaptar-se a essas mudanças é ponto essencial para um líder que quer se manter ativo e produtivo. Procuro participar o quanto posso de rodas de conversa, de congressos, e sigo estudando todos os dias. Manter-se atualizado nos mantém vivos!


MPD marca um novo capítulo em Alphaville I N O VAÇ ÃO Q U E T R A N S F O R M A O C OT I D I A N O E VA LO R I Z A A EXPERIÊNCIA DE MORAR.

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A entrega do Florà redefine oficialmente a paisagem de Alphaville. Sempre antecipando as tendências que transformam a forma de viver, a MPD apresenta uma tecnologia exclusiva: um robô autônomo que leva encomendas da portaria até a porta do apartamento, oferecendo mais praticidade, conforto e liberdade aos moradores.

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ECONOMIA MARKETING

Fernando Barra

LIDERANÇA

ESPECIALISTA EM TECNOLOGIA, INOVAÇÃO E FUNDADOR DA SKILLPLACE

TECNOLOGIA

Humanidade Artificial:

Imagem feita por IA

quando a inteligência vira commodity, o caráter se torna o diferencial

T

alvez você já tenha percebido isso no dia a dia. Antes mesmo do café da manhã, o celular já concentra mensagens, reuniões, tarefas e notificações disputando atenção, enquanto, ao longo do dia, somos estimulados a responder mais rápido, produzir mais e transformar qualquer intervalo em oportunidade de eficiência. O curioso é que, ao mesmo tempo em que exigimos das pessoas um comportamento cada vez mais mecânico e produtivo, fazemos um enorme esforço para tornar as máquinas mais humanas. Queremos que a inteligência artificial converse de forma natural, reconheça emoções, demonstre empatia e compreenda contexto. Enquanto isso, transformamos profissionais em metas, rankings, taxas de conversão, horas faturáveis e tarefas concluídas. Humanizamos a tecnologia enquanto, pouco a pouco, robotizamos a humanidade. Esse paradoxo se torna ainda mais im-

portante porque estamos entrando em uma era em que a inteligência começa a se tornar uma commodity. Durante muito tempo, saber mais, escrever melhor, calcular mais rápido ou analisar grandes volumes de informação representava uma vantagem competitiva clara. Hoje, qualquer profissional pode ter ao seu lado uma inteligência capaz de pesquisar documentos, escrever textos, analisar dados, criar apresentações, programar, traduzir e apoiar decisões. Seu colega também pode, e claro, seu concorrente também! Quando todos tiverem acesso a uma inteligência extraordinária, o diferencial não estará apenas em saber usar a ferramenta, mas na qualidade humana de quem a utiliza. É nesse ponto que uma palavra antiga ganha nova importância: virtude. Prudência será necessária para saber quando usar a tecnologia e quando não usar. Justiça será essencial para perceber quem

pode ser beneficiado ou prejudicado por uma decisão apoiada por algoritmos. Coragem será importante para discordar de uma resposta aparentemente perfeita quando a consciência indicar que algo está errado. Humildade será indispensável para reconhecer que tanto humanos quanto máquinas podem errar. Temperança ajudará a não confundir velocidade com qualidade, produtividade com propósito e disponibilidade com presença. Empatia continuará sendo necessária para lembrar que, por trás de cada indicador, planilha ou decisão, existe uma pessoa. Integridade seguirá sendo o que nos faz escolher o correto, mesmo quando a tecnologia torna fácil escolher o conveniente. Por isso, acredito que um ser humano virtuoso tende a se tornar também um profissional virtuoso. Não deixamos nosso caráter do lado de fora quando entramos em uma reunião, lideramos uma equipe ou decidimos como usar inteligência artificial.

A tecnologia pode ampliar nossa capacidade de criar e decidir, mas também nossas virtudes e nossos defeitos. E talvez você esteja se perguntando, mas essas virtudes já são importantes antes mesmo da chegada da inteligência artificial. E eu concordo plenamente. Há milhares de anos exaltamos as virtudes, mas no mundo capitalista e produtivo, a inteligência se sobressaiu. Quando uma máquina amplia nossa inteligência, ela expõe as nossas virtudes ou a falta delas. Quando inteligência deixar de ser escassa, caráter poderá se tornar raro. Nesse cenário, sabedoria, coragem, empatia, integridade e responsabilidade deixarão de parecer conceitos antigos para se tornarem competências centrais do trabalho e da vida. No fim, o grande diferencial da era da inteligência artificial talvez não esteja em acompanhar a velocidade das máquinas, mas em preservar aquilo que nenhuma delas pode decidir por nós: quem escolhemos ser.


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Educação para um mundo sem fronteiras

E

scolher uma escola é, também, escolher uma visão de futuro. Para as famílias de Alphaville, Tamboré, Aldeia da Serra e capital que buscam uma educação internacional aliada a propósito e formação integral, a St. Nicholas School Alphaville oferece uma proposta baseada na compreensão de que cada criança possui talentos, necessidades e caminhos próprios. Como escola IB Continuum, a St. Nicholas conta com os programas PYP, MYP e DP, acompanhando diferentes etapas da trajetória acadêmica dos alunos. A metodologia valoriza não apenas o conhecimento, mas também competências como comunicação, colaboração, reflexão, pensamento crítico e criatividade — habilidades fundamentais para um mundo cada vez mais conectado.

APRENDER A PENSAR, CRIAR E AGIR Na St. Nicholas, a aprendizagem acontece por meio da investigação e da autonomia. Os alunos são estimulados a fazer perguntas, buscar respostas, desenvolver ideias e construir sua própria voz. A ideia é que aprender também significa compreender o impacto das próprias escolhas. Por isso, os alunos são incentivados a transformar conhecimento em ação e a participar de projetos com propósito. Av. Honório Álvares Penteado, 5463, Tamboré, Santana de Parnaíba. (11) 3465-9697 / (11) 96408-6838 @st.nicholasschool

UMA ESCOLA VERDADEIRAMENTE INTERNACIONAL Com uma comunidade formada por mais de 23 nacionalidades, a escola reú-

ne diferentes línguas, culturas, histórias e perspectivas em seu cotidiano. A St. Nicholas prepara seus alunos para diferentes possibilidades de futuro, seja para continuar sua trajetória no Brasil, seja para seguir estudos e projetos de vida em outros países.

CUIDADO COMO PARTE DA EDUCAÇÃO Excelência acadêmica e bem-estar caminham juntos. A instituição possui equipes especializadas em Aprendizagem Personalizada (Personalised Learning) e Bem-Estar (Wellbeing), que oferecem acompanhamento de acordo com as necessidades individuais de cada aluno. NATUREZA E APRENDIZAGEM O campus da St. Nicholas School Alphaville foi especialmente projetado para fins educacionais e está cercado pela natureza. Ao mesmo tempo, sua localização permite fácil conexão com São Paulo, a cerca de 35 minutos da capital. É nesse equilíbrio entre excelência acadêmica e cuidado, identidade individual e visão global que a St. Nicholas constrói sua proposta. Porque uma educação internacional com propósito não entrega um caminho pronto. Ela oferece ferramentas para que cada aluno possa descobrir sua própria voz, reconhecer seu potencial e construir, com autonomia, o seu próprio sucesso.

Fotos: Divulgação

St. Nicholas School Alphaville une currículo internacional, aprendizagem personalizada e formação integral para preparar alunos para os desafios de um mundo em constante transformação

Rachel Johnston assume liderança em Alphaville Rachel Johnston assume a liderança da St. Nicholas School Alphaville após quase três décadas dedicadas à educação internacional. Nascida na Zâmbia, já viveu em 14 países. Rachel chega ao Brasil depois de sete anos e meio como diretora-executiva da International Learning Group (ILG) School, no Kosovo — primeira e única escola do país certificada pelo International Baccalaureate (IB) a oferecer os programas PYP, MYP e Diploma Programme (DP). Sua trajetória contempla os três programas do IB. Desde 2005, também exerce diferentes funções ligadas à organização.


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ECONOMIA

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Recuperação judicial cresce e expõe pressão sobre empresas brasileiras Juros elevados, crédito restrito e endividamento acumulado estão entre os fatores que pressionam companhias de diferentes setores Por Beatriz Bononi

C

asas Bahia, Habib’s, Havanna. Empresas de diferentes segmentos e portes, mas com algo em comum: todas chegaram recentemente ao limite de suas estruturas financeiras e recorreram à recuperação judicial para tentar reorganizar as dívidas e preservar suas operações. Os casos chamam atenção não apenas pelos valores envolvidos, mas por atingirem marcas conhecidas e empresas que, durante anos, fizeram parte do cotidiano dos brasileiros. Em agosto, o Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial para renegociar uma dívida de aproximadamente R$ 17,3 bilhões. Poucos dias depois, foi a vez do Grupo Gennius, controlador das redes Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill, que declarou R$ 265,2 milhões em dívidas. Nos dois casos, as companhias apontaram, entre os fatores de pressão, as dificuldades de liquidez. Outro caso conhecido é da Azul Linhas Aéreas, que fez um pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos em 2025 e anunciou a saída do processo em fevereiro deste ano.

Os episódios estão longe de ser casos isolados. Dados da Serasa Experian mostram que 2.466 CNPJs estiveram envolvidos em recuperações judiciais no Brasil em 2025, alta de 13% em relação ao ano anterior e recorde da série histórica. Para Marcos Pelozato, advogado especialista na área de recuperação judicial e reestruturação de empresas, o cenário é resultado de uma combinação de fatores que vem pressionando o caixa das companhias. “O que estamos vendo não é um problema isolado de algumas empresas. É consequência de uma combinação muito difícil para quem empreende no Brasil: juros elevados por um período prolongado, crédito mais restrito, aumento do custo financeiro, desaceleração da atividade econômica, margens comprimidas e endividamento acumulado nos últimos anos”.

QUANDO VENDER NÃO É SUFICIENTE O ambiente de crédito mais caro pesa especialmente sobre empresas que acumularam dívidas durante períodos de maior oferta de financiamento. O problema, explica Pelozato, nem sempre está na falta de vendas, mas na incapacidade de o caixa acompanhar o custo da dívida. “Na prática, muitas empresas cresceram utilizando crédito barato ou relativamente acessível e hoje precisam carregar essa mesma dívida em um ambiente financeiro completamente diferente. O problema não é necessariamente a empresa deixar de vender. Muitas continuam faturando. O problema é que o caixa deixou de suportar o serviço da dívida”. A pressão é disseminada entre diferentes setores. Em 2025, agropecuária e serviços concentraram, respectivamente,

30,1% e 30% dos CNPJs envolvidos em recuperações judiciais, seguidos por comércio (21,7%) e indústria (18,2%), segundo a Serasa. No varejo, juros altos atingem tanto o custo financeiro das empresas quanto a capacidade de consumo dos clientes.

RECUPERAÇÃO NÃO É SINÔNIMO DE FALÊNCIA Apesar de muitas vezes ser interpretada como o fim de uma empresa, a recuperação judicial tem justamente o objetivo de preservar negócios que ainda são economicamente viáveis. O mecanismo permite reorganizar dívidas enquanto a companhia continua operando. “Falência significa liquidação. Recuperação judicial significa tentativa de preservação. O que determina sustentabilidade é margem, geração de caixa, estrutura de capital, nível de endividamento e capacidade de honrar esse endividamento”, resume Pelozato. A Lei 11.101/2005 estabelece como objetivos a superação da crise, a preservação da fonte produtora e dos empregos e a proteção dos interesses dos credores.

DADOS DA SERASA EXPERIAN MOSTRAM QUE 2.466 CNPJS ESTIVERAM ENVOLVIDOS EM RECUPERAÇÕES JUDICIAIS NO BRASIL EM 2025


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Fotos: Divulgação

COM A CHEGADA DA PRIMAVERA, AREA reforça cuidados com os jardins

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om a chegada da primavera, Alphaville se transforma. As temperaturas mais elevadas, a maior intensidade de luz e o florescimento de diferentes espécies fazem com que praças, canteiros e jardins ganhem novas cores e aromas. Para acompanhar esse espetáculo da natureza, a AREA Alphaville intensifica os cuidados com as áreas verdes do Centro Empresarial. Nesta época do ano, a jardinagem e o paisagismo exigem atenção especial. O clima mais quente e, em determinados períodos, a baixa umidade do ar tornam essenciais ações como irrigação adequada, adubação, poda e controle de pragas. Por isso, as equipes responsáveis pela manutenção trabalham de forma contínua para preservar a saúde das plantas e garantir

um paisagismo bonito e equilibrado. O resultado já pode ser percebido pelas ruas e espaços de convivência de Alphaville. Espécies ornamentais como lírios, agapantos, hemerocallis, primavera, bulbine e ruellia começam a ganhar destaque, criando pontos de cor e trazendo ainda mais vida ao ambiente urbano. As árvores também protagonizam esse espetáculo. Ipês, sibipirunas, tipuanas, patas-de-vaca, quaresmeiras, flamboyants, tulipeiras e bombax estão entre as espécies que, em diferentes períodos da estação, contribuem para transformar a paisagem. Neste setembro, a primavera floresce em Alphaville — e o cuidado da AREA ajuda a transformar cada jardim, canteiro e árvore em parte desse cenário especial.

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Foto: Felipe Barros

Alphaville 53 ANOS

Com os anos, Alphaville deixou de ser apenas um endereço residencial planejado e passou a funcionar como uma centralidade urbana e econômica

Alphaville, 53 anos de uma história que continua em movimento O projeto de Takaoka e Albuquerque, a chegada da HP e a proximidade com a Castello Branco ajudaram a transformar uma área pouco ocupada em uma das principais centralidades de negócios, moradia e serviços da região Por Beatriz Bononi

Há 53 anos, Alphaville era uma aposta. Uma grande área de terras, ainda distante da dinâmica da capital, começava a ganhar um novo desenho pelas mãos dos engenheiros Yojiro Takaoka e Renato Albuquerque. A proposta era ousada para a época: criar uma nova centralidade, planejada, com espaços para empresas e, posteriormente, para moradia, em uma região que ainda estava em processo de urbanização. A localização foi fundamental. A proximidade com a Rodovia Castello Branco, inaugurada poucos anos antes, colocava o empreendimento em uma posição estratégica entre São Paulo e o interior. A nova estrada reduzia distâncias e criava uma conexão que seria decisiva para o desenvolvimento de Alphaville. O projeto começou com uma vocação empresarial. Mas foi justamente a chegada de uma empresa que ajudaria a mudar esse destino. HP: A EMPRESA QUE AJUDOU A REDESENHAR ALPHAVILLE A Hewlett-Packard (HP) foi uma das primeiras — e é apontada em registros históri-

cos como a primeira — empresa a se instalar em Alphaville. A chegada da multinacional teve um efeito que ultrapassou a simples ocupação de um espaço corporativo. A empresa precisava estar próxima de São Paulo, mas também buscava uma estrutura adequada para seus executivos e funcionários. A demanda por moradia próxima ao trabalho ajudou a impulsionar uma mudança importante na concepção do empreendimento. Alphaville passou, então, a reunir duas vocações: a empresarial e a residencial. Em 1975, surgiu o Alphaville Residencial 1, dando início a uma expansão que transformaria definitivamente a região. O conceito de morar próximo ao trabalho, associado à infraestrutura planejada e ao acesso facilitado pela Castello Branco, tornou-se uma das marcas do projeto. A partir daí, novas empresas chegaram, novas famílias ocuparam os residenciais e uma estrutura de comércio e serviços começou a se formar. Alphaville deixava de ser apenas um empreendimento para se transformar em uma comunidade.

QUEM VIU ALPHAVILLE NASCER Entre as pessoas que acompanharam essa transformação está Aparecida Rivetti, a Cidinha, educadora e pioneira em Alphaville. Ela chegou ao bairro em 1979, quando os Residenciais 1 e 2 ainda começavam a ser ocupados. Naquele período, a paisagem era muito diferente. Havia poucas famílias, pouco movimento e praticamente nenhuma das estruturas que hoje fazem parte da rotina da região. “Eu tenho muita história porque estou aqui desde 79. O bairro estava começando. Quando eu vim para cá, naquele momento, era a realização de um sonho de ter um espaço para os meus filhos. Como eu cresci no interior, eu tinha quintal, eu queria um quintal também para os meus filhos, com árvore, com tudo isso. E o entorno todo também ofereceu todas as possibilidades para eles”, lembra Cidinha. Foi nessa época que ela conheceu pessoalmente Yojiro Takaoka, um dos idealizadores de Alphaville. No estande de vendas, Takaoka ainda acompanhava de perto a comercialização dos terrenos. Foi ele quem


Foto: Reprodução/Alphaville Urbanismo

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Em 1973, Yojiro Takaoka e Renato Albuquerque deram início ao projeto de ocupação da área próxima à Rodovia Castello Branco

apresentou o empreendimento a Cidinha e ao marido e vendeu a área onde o casal construiu a casa em que ela vive até hoje. A memória de Cidinha ajuda a dimensionar a transformação ocorrida desde então. Quando chegou, Alphaville ainda era um projeto em formação. As distâncias pareciam maiores, a infraestrutura era limitada e a ocupação acontecia aos poucos. Hoje, a região reúne milhares de moradores, empresas, lojas, escolas, restaurantes e serviços. Para quem viveu os primeiros anos, a mudança não está apenas nos prédios e nas ruas, mas na própria dinâmica do bairro.

44 prédios comerciais e de escritórios, com 1.517.792,59m2 de área construída. São 6.683 salas de escritório e 630 lojas. No segmento residencial, são 57 prédios, que somam 1.200.409,67m2 de área construída e abrigam 7.295 apartamentos. São 2.602 unidades de um dormitório, 885 de dois, 2.558 de três, 1.123 de quatro e 127 de cinco dormitórios. Apenas nos apartamentos, vivem cerca de 17 mil pessoas. Mas o movimento de Alphaville vai muito além de seus moradores. Estimativas apontam uma população fixa superior a 65 mil habitantes, enquanto o público flutuante chega a aproximadamente 180

DE GRANDES EMPRESAS A NOVOS NEGÓCIOS A vocação empresarial que marcou os primeiros anos também se transformou. O perfil corporativo tornou-se mais diversificado e passou a reunir tecnologia, serviços financeiros, varejo, alimentação, logística e infraestrutura digital.

Foto: Felipe Barros

DE UMA ESTRADA A UMA NOVA CENTRALIDADE A Castello Branco permaneceu como um dos principais eixos dessa expansão. A rodovia facilitou o acesso à capital e ao interior e ajudou a transformar a localização de Alphaville em uma vantagem estratégica para empresas e moradores. Com o passar dos anos, o bairro ultrapassou os limites de seu projeto original e passou a exercer influência sobre uma área muito maior, especialmente em Barueri e Santana de Parnaíba. Hoje, a dimensão dessa transformação pode ser medida pelos números. O TAMANHO DOS NEGÓCIOS Segundo dados mais recentes da AREA Alphaville, o Centro Empresarial reúne

SEGUNDO A AREA, NO SEGMENTO RESIDENCIAL, SÃO 57 PRÉDIOS COM 1.200.409,67 METROS QUADRADOS DE ÁREA CONSTRUÍDA

mil pessoas por dia, entre trabalhadores, visitantes e consumidores. É uma população que chega, circula, trabalha, consome e retorna diariamente, reforçando o papel de Alphaville como uma centralidade regional.

Para especialistas, a principal força de Alphaville está na capacidade de se reinventar sem perder os atributos que construíram sua identidade


44 especial Alphaville 53 ANOS

O SEGREDO ESTÁ NA CAPACIDADE DE SE REINVENTAR Para Milton Meyer, presidente da MPD Engenharia, a evolução de Alphaville acompanhou a transformação de seu próprio mercado. “A região de Alphaville passou por uma grande transformação em suas mais de cinco décadas. Nesses nossos mais de 40 anos de atuação, acompanhamos de perto as mudanças do bairro, que nasceu com uma vocação predominantemente residencial horizontal e empresarial, e que se consolidou como uma centralidade urbana completa, autossuficiente e de alto padrão”, afirma. Felipe Chukr, CEO da Arqos, vê na capacidade de adaptação uma das principais características que mantêm a região relevante. “A principal força de Alphaville está na capacidade de se reinventar sem perder os atributos que construíram sua identidade. A região conseguiu

Aparecida Rivetti, empresária e educadora em Alphaville.

Foto: Felipe Barros

ESTIMATIVAS APONTAM QUE A POPULAÇÃO FIXA DA REGIÃO ULTRAPASSE 65 MIL HABITANTES, ENQUANTO O PÚBLICO FLUTUANTE CHEGA A APROXIMADAMENTE 180 MIL PESSOAS

O MERCADO IMOBILIÁRIO ACOMPANHA A TRANSFORMAÇÃO A força econômica também se reflete no mercado imobiliário. Mesmo depois de cinco décadas de desenvolvimento, Alphaville continua atraindo incorporadoras, novos projetos e investimentos. A combinação entre condomínios de alto padrão, infraestrutura, serviços, proximidade com São Paulo e qualidade de vida ajudou a colocar Barueri e Santana de Parnaíba entre os mercados imobiliários mais valorizados do país. Em Barueri, dados do Índice FipeZAP apontaram aluguel residencial médio de R$ 72 por metro quadrado em julho de

2026. No mercado de venda, o valor médio chegou a R$ 12.138 por metro quadrado em junho, acima dos R$ 12.055 registrados em São Paulo no mesmo período. O custo dos condomínios também acompanha esse perfil. Segundo levantamento da Loft, Santana de Parnaíba registrou valor médio de R$ 986 mensais em 2026, enquanto Barueri chegou a R$ 791, alta de 29,8% em relação ao ano anterior.

Foto: Arquivo pessoal

De acordo com a Prefeitura de Barueri, Alphaville e Tamboré concentram grandes empresas como Azul, Cielo, Livelo, C&A, Alelo e Scala Data Centers. Ao mesmo tempo, novas marcas continuam escolhendo a região para instalar operações ou ampliar sua presença. Entre elas estão Olive Garden, Flakes, Jangada e Lexus, além de muitas outras, que não param de chegar. Essa diversidade mostra que Alphaville não ficou preso ao modelo empresarial que marcou sua origem. A região passou a abrigar diferentes perfis de negócios e a oferecer uma estrutura cada vez mais completa para quem vive e trabalha ali.

Entre as empresas alocadas em Alphaville e Tamboré hoje está a Azul Linhas Aéreas

desenvolver uma infraestrutura própria, reunir moradia, empresas, comércio, serviços, educação, lazer e áreas verdes e, ao mesmo tempo, manter uma percepção de qualidade de vida.” Essa capacidade de transformação talvez seja a melhor maneira de explicar os 53 anos de Alphaville. O projeto imaginado por Takaoka e Albuquerque ganhou impulso com uma estrada que aproximou a região de São Paulo e encontrou na chegada da HP um dos primeiros sinais de que ali poderia nascer algo maior do que um centro empresarial. Vieram os residenciais, as empresas, as escolas, o comércio, os restaurantes, os serviços e uma comunidade inteira. E vieram também pessoas como Cidinha, que chegaram quando quase tudo ainda estava por acontecer e hoje carregam na memória a imagem de um Alphaville muito diferente daquele que existe atualmente. Aos 53 anos, Alphaville é resultado dessa soma: um projeto pioneiro, uma localização estratégica, empresas que ajudaram a impulsionar seu crescimento e gerações de moradores que transformaram o lugar em uma comunidade. Mais de cinco décadas depois, a história continua em movimento. Acompanhe o assunto na próxima edição. Vamos trazer mais histórias e pessoas sobre Alphaville, além de mostrar ainda o crescimento da marca em todo o Brasil!


ALPHAVILLE que só quem mora conhece Os códigos, lugares e hábitos que fazem parte da vida de quem escolheu Alphaville para morar

H

á um Alphaville que não aparece nos números do mercado imobiliário, nos edifícios corporativos ou nas estatísticas de população. É o Alphaville percebido por quem vive a região todos os dias e reconhece seus sinais, seus caminhos e suas pequenas particularidades. São referências que atravessaram diferentes fases do bairro e, aos poucos, ganharam significado próprio e ajudam a explicar a identidade de um território que, em 53 anos, deixou de ser apenas um projeto urbanístico para se tornar uma comunidade. UM SÍMBOLO NA ENTRADA O Letreiro Alphaville, na Alameda Rio Negro, é provavelmente uma das imagens mais associadas à chegada à região. Mais do que uma identificação, tornou-se um marco visual de Alphaville e aparece em registros desde os primeiros anos de implantação do bairro.

Para quem vive ali há décadas, porém, seu significado ultrapassa a função de ponto de referência. O letreiro funciona como uma espécie de fronteira simbólica: depois dele, começa o território conhecido, a rotina, os encontros e a sensação de retorno. UMA GEOGRAFIA PARTICULAR Quem circula por Alphaville encontra uma curiosa geografia no próprio endereço. Rio Negro, Araguaia, Tocantins, Madeira, Mamoré, Amazonas e Purus estão entre os nomes que batizam as alamedas e vias da região. A escolha criou, desde os primeiros anos do empreendimento, uma identidade particular para o sistema viário. A Alameda Rio Negro e a Alameda Araguaia, por exemplo, estavam entre as principais vias da implantação original, “as espinhas dorsais” e ajudaram a estruturar a ocupação inicial de Alphaville. O paisagismo também contribuiu para diferenciar os caminhos. Segundo o paisa-

Foto: Shutterstock

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gista Oscar Bressane, responsável por projetos na região, espécies de árvores foram utilizadas para caracterizar determinadas vias: a Rio Negro, por exemplo, pelas sibipirunas; a Madeira, pelas paineiras; e a Mamoré, pelas palmeiras seafortias. O resultado é quase uma pequena cartografia brasileira dentro de Alphaville. O ESPORTE COMO PARTE DA VIDA LOCAL A relação de Alphaville com o esporte também atravessa gerações. Clubes, academias, pistas e espaços abertos fazem parte de uma cultura de convivência que se consolidou paralelamente ao crescimento urbano. Fundado em 1976, o Alphaville Tênis Clube é um dos exemplos mais antigos dessa história. Ao longo de décadas, tornou-se não apenas um espaço esportivo, mas também um ponto de encontro e convivência social.


46 especial Alphaville 53 ANOS

Fora dos clubes, a prática esportiva ocupa outros espaços da região. A pista de cooper da Alameda Mamoré, os espaços do 18 do Forte e a Via Parque, fechada aos domingos até as 13h, integram uma rede de alternativas para caminhadas, corridas e atividades ao ar livre. O VERDE QUE PERMANECEU A imagem de Alphaville costuma estar associada aos condomínios, escritórios e edifícios que definem sua paisagem urbana. Mas existe outra dimensão menos evidente — e igualmente importante — na formação da região: o verde. O Parque Ecológico – Ilha do Tamboré, na Avenida Dib Sauaia Neto, ocupa cerca de 1 milhão de metros quadrados e preserva uma área significativa em meio à urbanização. O espaço reúne áreas para caminhada, corrida e pedalada e mantém trechos de vegetação e ambientes naturais. Dentro do parque está a Área do Russo, onde permanecem três lagos remanescentes da antiga retificação do rio Tietê. A área abriga diferentes espécies de árvores e animais e funciona como uma espécie

de memória ambiental de uma região que passou por profundas transformações.

vas, mas faz parte da experiência cotidiana de viver em Alphaville.

O INESPERADO PERSONAGEM DA PAISAGEM Há ainda um personagem que dificilmente aparece nas fotografias institucionais de Alphaville, mas que faz parte do cotidiano de quem vive por aqui: o saruê. Também conhecido como gambá, o marsupial é uma espécie nativa e encontra nas áreas verdes, jardins e quintais da região condições para circular e se alimentar. De hábitos predominantemente noturnos, adapta-se ao ambiente urbano e contribui para o equilíbrio do ecossistema. Sua alimentação inclui frutas e pequenos animais, entre eles ratos, escorpiões e pequenas serpentes. Por isso, o encontro com um saruê pode causar surpresa, mas sua presença também revela algo importante sobre a relação entre a urbanização e as áreas naturais que permanecem no território. Para os moradores, o animal acabou ganhando status de personagem local. Não aparece em folders de empreendimentos nem em apresentações corporati-

A IDENTIDADE QUE NÃO ESTÁ NOS NÚMEROS Em 53 anos, Alphaville mudou de escala, de perfil e de vocação. Vieram empresas, edifícios, restaurantes, escolas, novos empreendimentos e milhares de moradores e trabalhadores. Mas a identidade de um lugar não é construída apenas por aquilo que cresce. Ela também está naquilo que permanece. No letreiro pelo qual gerações passaram ao chegar em casa. Nos nomes das alamedas que já fazem parte do vocabulário de quem vive na região. No clube onde famílias se encontram há décadas. Nas áreas verdes que resistiram à urbanização. E até no saruê que atravessa um jardim durante a noite. São referências aparentemente pequenas, mas que, somadas, ajudam a transformar um território em lugar. E talvez seja justamente aí que esteja um dos aspectos mais particulares de Alphaville: há um Alphaville que os números ajudam a dimensionar — e outro que só quem vive aqui consegue reconhecer.

Foto: Diculgação

ENTRE SARUÊS, PARQUE, LETREIRO E HÁBITOS QUE ATRAVESSAM GERAÇÕES, HÁ PEQUENOS DETALHES QUE TRANSFORMAM O BAIRRO EM LUGAR ÚNICO

O Alphaville Tênis Clube foi inaugurado em 1976 e tornou-se um ponto de encontro e convivência social


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MONIQUE EVELLE “A liberdade de escolher é uma das maiores formas de poder”


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MONIQUE INTEGRA O SHARK TANK BRASIL: VERSÃO CREATORS, ATUA COMO MENTORA NO PROGRAMA ELAS COMANDAM, DA REDE BAHIA, E ESTÁ À FRENTE DA INVENTIVOS, PLATAFORMA QUE CONECTA EDUCAÇÃO, TECNOLOGIA E INVESTIMENTO

Por Gláucia Arboleya Fotos Guido Ferreira

H

á trajetórias que podem ser contadas a partir dos cargos, dos prêmios e das posições conquistadas. A de Monique Evelle, porém, teve início muito antes deles. Começa em Salvador, em uma infância marcada pelo contraste entre mundos, pela percepção de que nem todos partem do mesmo lugar e pela insistência dos pais em ampliar o horizonte da filha por meio da educação, da cultura e do acesso à cidade. Monique cresceu aprendendo a circular. Estudou em escola particular até o 9º ano, foi bolsista de inglês e frequentou diferentes espaços da cidade. Ao mesmo tempo, transitava por bairros de Salvador cujas realidades econômicas eram muito diferentes daquela em que cresceu. Era uma experiência aparentemente cotidiana, mas que ajudou a construir uma compreensão que mais tarde estaria no centro de sua atuação profissional: acesso também determina possibilidades “Essas vivências em lugares muito diferentes me fizeram perceber desde cedo que existiam outras realidades e que as pessoas não começavam do mesmo lugar.” A percepção, que veio antes da teoria, se transformaria em estratégia profissional. Monique já havia experimentado, na prática, a diferença entre nascer em determinado lugar e ter acesso a outros territórios, referências e oportunidades. “Antes mesmo de estudar desigualdade ou transformar esses temas em parte do meu trabalho, eu já entendia, pela experiência, que acesso à educação, à cultura e à cidade também determina as possibilidades que uma pessoa pode ter.” UMA TRAJETÓRIA ENTRE COMUNICAÇÃO, NEGÓCIOS E ESTRATÉGIA Em 2026, Monique Evelle entrou para a lista da Forbes Brasil que reúne as mulheres mais poderosas e influentes do país, reconhecimento que consolida sua posição como uma das principais vozes da nova economia e da estratégia de negócios. Monique construiu uma trajetória marcada pela articulação entre comunicação,

empreendedorismo e desenvolvimento de lideranças. É reconhecida por sua atuação estratégica no posicionamento de executivos, figuras públicas e empreendedores, combinando visão analítica, leitura de cenário e construção de autoridade. Fundadora da Inventivos, plataforma que integra educação, tecnologia e investimento, lidera mentorias e programas voltados à criação de estratégias e novos modelos de negócio alinhados a marcas pessoais e institucionais. Seu trabalho conecta inovação, mercado e impacto econômico. A experiência na comunicação também foi determinante para consolidar seu perfil público. Monique foi repórter do Profissão Repórter, da TV Globo, e participou como jurada e mentora do reality Self Made Brasil. Aos 28 anos, tornou-se a Shark mais jovem da história do Shark Tank América Latina. Atualmente, integra o Shark Tank Brasil: Versão Creators e atua como mentora no programa Elas Comandam, da Rede Bahia, apoiando negócios liderados por mulheres. Sua atuação é sustentada por uma formação acadêmica voltada à estratégia e à inova-

ção. Possui MBA em Gestão e Inovação Estratégica pela Universidade Federal de São Carlos, formação executiva em Marketing pela Ohio University, nos Estados Unidos, e cursa mestrado em Branding na Elisava Barcelona School of Design and Engineering, na Espanha. Monique acumula reconhecimentos nacionais e internacionais. Foi eleita uma das 100 empreendedoras do ano pela Bloomberg Línea e figurou por dois anos consecutivos entre as 500 lideranças mais influentes da América Latina. Integra ainda o grupo global de líderes reconhecidos pela Most Influential People of African Descent (MIPAD), iniciativa ligada à ONU, na categoria Negócios e Empreendedorismo. Também foi destacada entre as profissionais mais criativas do país por publicações como Wired e Women to Watch. Autora do livro Empreendedorismo Feminino: Olhar estratégico sem romantismo, Monique defende uma abordagem pragmática sobre liderança, crescimento e sustentabilidade nos negócios. Mas, por trás dos títulos, existe uma trajetória construída também a partir da disposição para aprender, circular e se colocar em ambien-

Foto: Divulgação

DA INFÂNCIA NA BAHIA AOS ESPAÇOS DE DECISÃO, A EMPREENDEDORA, INVESTIDORA E INTEGRANTE DO SHARK TANK BRASIL CONSTRUIU UMA TRAJETÓRIA MARCADA POR ESTRATÉGIA, REPERTÓRIO E CORAGEM PARA OCUPAR LUGARES QUE ANTES PARECIAM DISTANTES

A empresária também particpa de programas de TV e palestras


Foto: Divulgação

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Durante gravação do Self- Made Brasil

“UMA COISA QUE EU SEMPRE CONSIDERO IMPORTANTE: NÃO CONSTRUA APENAS PARA PARECER GRANDE. CONSTRUA ALGO QUE FUNCIONE. PORQUE, NO FIM, É ISSO QUE SUSTENTA UM NEGÓCIO QUANDO A NOVIDADE PASSA”

tes que nem sempre pareciam destinados a ela. Desde 2016, Monique passou a fazer residências e imersões em diferentes lugares. Atualmente, na Ásia. “Independentemente do resultado financeiro imediato, eu tomei a decisão de continuar aprendendo, circulando e me colocando em contato com outras realidades para continuar sendo relevante, primeiro para mim mesma.” O investimento em repertório acabaria se convertendo também em capital profissional. Monique percebeu que muitas das pessoas responsáveis por decisões sobre o futuro do Brasil não conheciam a realidade de uma parcela enorme da população. A constatação provocou uma mudança importante em sua maneira de enxergar influência. Não bastava ter boas ideias. Não bastava criar projetos. Era necessário estar onde as decisões aconteciam. “Acho que essa foi uma grande virada para mim: entender que influência não é só ser ouvida. É ter capacidade de participar das decisões, direcionar recursos, apoiar pessoas e ajudar a definir o que ganha espaço.” NEGÓCIOS QUE VÃO ALÉM DA NARRATIVA A experiência acumulada em comunicação e estratégia também influencia a maneira como Monique analisa empresas e empreendedores. No momento de investir,

não se deixa levar apenas por apresentações sofisticadas ou pela capacidade de um fundador de construir uma boa narrativa. “Eu olho muito para a combinação entre problema, mercado e pessoa.” Para ela, é preciso entender profundamente o problema que está sendo enfrentado, saber se existe um mercado disposto a pagar pela solução e reconhecer a capacidade de quem está à frente do negócio. “O que me faz perder o interesse rapidamente é quando percebo que existe mais preocupação em parecer uma grande empresa do que em construir uma empresa de verdade. Negócio não se sustenta só em apresentação bonita, buzz ou narrativa.” No Shark Tank, essa visão ganhou outra dimensão. Investir significa decidir onde colocar dinheiro — mas, para Monique, dinheiro nunca representa apenas dinheiro. “Dinheiro nunca é apenas dinheiro. Ele representa tempo, acesso, possibilidade de crescimento e, muitas vezes, a oportunidade de uma pessoa testar uma ideia que poderia nunca sair do papel. Também fiquei ainda mais consciente de que risco não é igual para todo mundo.” MULHERES, AMBIÇÃO E PODER A discussão sobre empreendedorismo inevitavelmente leva Monique ao papel das mulheres no mercado. Ela rejeita a ideia de

que negócios liderados por mulheres devam ser tratados como um nicho. Para Monique, estamos falando de uma parcela expressiva da economia, do consumo e da criação de novos negócios. Mas existe uma questão ainda mais profunda: a forma como a ambição feminina é recebida. “Também existe uma subestimação muito grande da ambição das mulheres.” Falar de crescimento, dinheiro e poder ainda produz reações diferentes quando a voz é feminina. E, para Monique, a mudança dessa lógica não é apenas uma questão de diversidade. “Acho que o mercado ainda está aprendendo que apoiar mulheres empreendedoras não é caridade ou pauta de diversidade. É inteligência de negócio.” Quando a conversa avança para mulheres negras nos ambientes de poder, a resposta é direta. “Sim. Acho que seria ingenuidade dizer que não.” Monique reconhece uma cobrança maior e uma tolerância menor ao erro. Muitas vezes, uma mulher negra não é avaliada apenas pelo que faz, mas também pelo que representa para quem a observa. É justamente por isso que ela questiona a exigência de excelência permanente. “Mulheres negras não deveriam precisar ser extraordinárias o tempo inteiro para serem consideradas competentes. Competência deveria ser suficiente.” A própria trajetória exigiu que ela desaprendesse algumas regras. Entre elas, a ideia de que era preciso estar completamente pronta antes de ocupar determinado espaço. “Precisei desaprender a ideia de que precisava estar completamente pronta antes de ocupar qualquer espaço.” A experiência mostrou que ninguém está pronto o tempo inteiro e que parte do aprendizado acontece justamente depois que se entra pela porta. Também foi necessário aprender a não carregar sozinha o peso das próprias decisões. Monique criou um conselho consultivo pessoal, formado por pessoas em quem confia. A próxima fronteira: escala Se já conquistou reconhecimento e espaço, o que ainda desafia Monique profissionalmente? A resposta vem em duas palavras: “Escala. Sempre.” Fazer uma ideia funcionar em pequena proporção é diferente de criar uma estrutura capaz de crescer, gerar impacto e continuar funcionando sem depender exclusivamente de uma pessoa. A mulher por trás da executiva Apesar da agenda e da exposição, existe uma Monique que não está pensando em negócios o tempo inteiro. Ela gosta de via-


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DURANTE MUITO TEMPO, ESPECIALMENTE SENDO UMA MULHER NEGRA E JOVEM, EXISTE UMA SENSAÇÃO DE QUE VOCÊ PRECISA CHEGAR COM TUDO IMPECÁVEL, PORQUE QUALQUER ERRO PODE SER USADO PARA QUESTIONAR SE VOCÊ DEVERIA ESTAR ALI


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O LUXO DE TER PAZ A maturidade profissional parece ter produzido uma mudança importante na maneira como Monique enxerga sucesso. Se dinheiro e reconhecimento deixassem de ser métricas, a resposta seria liberdade. “Liberdade para escolher onde estar, com quem trabalhar, no que acreditar e como usar o próprio tempo. “Para mim, sucesso também tem muito a ver com olhar para a vida que você construiu e reconhecer que ela faz sentido para você, e não apenas que parece bem-sucedida para quem está olhando de fora.” Talvez por isso, hoje, conquistar novos espaços já não seja necessariamente a principal ambição. “Hoje, me interessa muito mais poder escolher.” Escolher não significa abandonar a disputa por espaços de poder. Pelo contrário. Monique entende que ainda existem lugares em que determinadas presenças são necessárias para mudar decisões e estruturas. Mas ocupar um espaço apenas porque ele parece importante deixou de ser suficiente. “Tenho me perguntado cada vez mais: esse lugar conversa com o que eu quero construir? Eu posso fazer alguma diferença aqui? E esse espaço também faz sentido para a vida que eu quero ter?” E então vem a frase que talvez melhor resuma a fase atual de sua trajetória: “A liberdade de escolher é uma das maiores formas de poder.” O QUE PERMANECE Monique também preserva aquilo que existe fora dos cargos e dos projetos. Suas relações. A capacidade de mudar de ideia. A curio-

sidade. “Eu faço questão de continuar perto de pessoas que me conhecem fora dos cargos, dos projetos e da imagem pública.Tentando lembrar que excelência não é perfeição.” MAIS POSSIBILIDADES DO QUE ENCONTROU Quando fala sobre legado, ela não começa pelas empresas, pelos cargos ou pelos prêmios. Começa pelas pessoas.“Eu gostaria de deixar mais possibilidades do que encontrei.” É talvez a frase que melhor fecha o arco de sua história. “Se, através do meu trabalho, mais pessoas puderem acessar espaços, informações, recursos e oportunidades que antes pareciam distantes, acho que já estarei muito feliz.” É uma ideia de legado que não depende do futuro distante. Ele acontece agora, nas pessoas que Monique ajuda a colocar em movimento. Para quem está começando no mundo dos negócios, o conselho segue a mesma lógica de pragmatismo que atravessa sua carreira: “Comece antes de se sentir completamente pronto.” Mas começar não significa romantizar a exaustão ou fingir que todas as respostas já existem. Significa observar, testar, ouvir, errar e ajustar.

“ACHO QUE O MERCADO AINDA ESTÁ APRENDENDO QUE APOIAR MULHERES EMPREENDEDORAS NÃO É CARIDADE OU PAUTA DE DIVERSIDADE. É INTELIGÊNCIA DE NEGÓCIO”

Foto: Arquivo pessoal

jar, conhecer lugares, conversar, observar e estar perto das pessoas que ama. Valoriza momentos em que não precisa transformar tudo em produtividade. “Eu gosto muito de ter momentos em que não preciso transformar tudo em produtividade.” O mesmo vale para um dia sem decisões profissionais. Dormir mais tarde, comer devagar, conversar, caminhar e assistir a alguma coisa sem olhar o celular o tempo inteiro. Para alguém acostumada a decidir, parar também pode ser uma forma de exercício.

Monique durante palestra South Summit, em Porto Alegre


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TURISMO

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SVALBARD

Nos limites do Ártico No extremo norte do planeta, a meio caminho entre o fim do continente europeu e o Polo Norte, no meio do Oceano Ártico, encontra-se um remoto grupo de ilhas que parece pertencer a um outro mundo, o Arquipélago de Svalbard. Por Johnny Mazzilli para revista efe.


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stive em Svalbard a primeira vez em 2009. A pequena capital Longyearbyen, situada em Spitsbergen, a maior ilha do arquipélago tinha, à época, apenas 900 habitantes, a maioria ligada a mineração de carvão, a principal atividade econômica naqueles tempos. Hoje, cerca de 2.700 pessoas vivem naquela localidade remota, a apenas 1.300 km do Polo Norte. A mineração, hoje em baixa, segue em declínio. Atualmente, a maioria das pessoas trabalha em pesquisas científicas e no turismo. As pesquisas são centradas principalmente na fauna do Ártico, como ursos polares, baleias, morsas e aves marinhas, na geologia e no inexorável recuo das geleiras, causado pelo aquecimento global. Svalbard é um arquipélago sob soberania da Noruega, mas a Rússia mantém presença na região. Por muitos anos, as ilhas foram tratadas como terra nullius – terra de ninguém. Ainda hoje, centenas de cidadãos russos vivem em Barentsburg, uma vila sombria e decadente. A geologia ajuda a explicar a dramática aparência do arquipélago, situado entre as latitudes 74° e 81° Norte. As ilhas são um livro da história geológica do planeta, com paisagens moldadas por antigos processos tectônicos e intensa erosão glacial. Algumas formações remontam há 1 bilhão de anos. Svalbard foi palco de gigantescas movimentações da crosta terrestre, com um relevo marcado por acidentes geográficos extremos como montanhas, fiordes, canais e geleiras enormes, distribuídos em

Enseada de Faksevågen, no lado ocidental do Lomfjord, Estreito de Hinlopen, ilha de Spitsbergen

nove ilhas principais e milhares de ilhotas em uma área de 62 mil km2. Ainda hoje, aproximadamente 60% de seu território é coberto por gelo, um testemunho da transição entre o fim da Era do Gelo e um ambiente ártico atual. Em outras eras Svalbard não era um território congelado. Registros fósseis mostram períodos de vegetação abundante, quando dinossauros habitaram as terras e as águas do arquipélago. Camadas sedimentares e fósseis tornaram Svalbard especialmente importante para geólogos e paleontólogos. Glaciações remodelaram o território, escavaram vales, desgastaram montanhas, deixaram enormes depósitos sedimentares e transformaram Svalbard em uma região economicamente disputada, com enormes jazidas de carvão. A mineração ganhou força no início do século 20 e provocou uma corrida por sua exploração. Antes disso, o arquipélago já havia atraído caçadores, pescadores, comerciantes e exploradores. O primeiro registro do nome Svalbard aparece em uma fonte islandesa de 1194, embora não seja possível afirmar com certeza que corresponda ao arquipélago atual. Sua primeira descrição comprovada foi feita pelo navegador holandês Willem Barents, que avistou Svalbard em 1596. Nossa rotina a bordo intercalava períodos de navegação com desembarques para observação da costa. Como estávamos no verão, não havia noite. O clima alternava longos períodos de céu encoberto com curtos momentos de céu limpo.

Virgohamna, baía histórica na ilha Danskøya, famosa pelos vestígios de caça à baleia do século 17 e base de famosas tentativas de voo ao Polo Norte


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UM DOS ASPECTOS MAIS MARCANTES DE SVALBARD É A SUA IMPRESSIONANTE VASTIDÃO. AQUI, NO ESTREITO DE HINLOPEN (HINLOPENSTRETET), EM UM RARO MOMENTO DE TEMPO PARCIALMENTE ABERTO, QUANDO A PAISAGEM ADQUIRE BRILHO E SE TORNA MENOS DESOLADORA.


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TURISMO

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Foto: Divulgação

Os voos com drone são totalmente proibidos em Svalbard, a não ser com propósito científico. Aqui, o navio se encontrava em águas internacionais, onde foi possível fazer um voo sobre uma placa de gelo onde havíamos desembarcado.

Urso Polar (Ursus maritimus), o maior mamífero carnívoro, o maior dos ursos e o maior predador, no topo da cadeia alimentar

As regras de visitação são muito rigorosas. Na maioria dos lugares não é permitido o desembarque em terra, para proteger a fauna. Nestes casos, deixávamos o navio em botes Zodiac e percorríamos trajetos próximos à costa, mantendo distância segura de gigantescas geleiras que terminam verticalmente no mar, formando grande paredões. Às vezes, enormes nacos de gelo se desprendiam, caindo estrondosamente no mar e erguendo perigosas vagas. Mesmo à distância segura, a qualquer desprendimento nos afastávamos imediatamente para não sermos colhidos pelas vagas. Onde era permitido desembarcar, fazíamos caminhadas de 3 ou 4 km de extensão, acompanhados por guias armados. Antes de nós, outros guias desembarcavam e se posicionavam nas colinas, vasculhando a paisagem em busca de ursos polares. Se um urso é avistado, mesmo a enorme distância, a regra é abortar a atividade, retornar imediatamente para os botes e regressar ao navio. Smeerenburg foi um antigo assentamento em Amsterdamøya, ou Ilha de Amsterdam, ocupada por holandeses e dinamarqueses que lá instalaram, no início do século 17 uma estação baleeira. Nos séculos seguintes, o interesse econômico prevaleceu. A caça às baleias foi

uma das principais atividades no século 17, movida pela abundância de cetáceos nas águas do Ártico. Estas expedições também mapearam o arquipélago, produzindo conhecimento posteriormente utilizado por cientistas e navegadores. Smeerenburg é um famoso ponto de reunião de morsas, que chegam a atingir cerca de 1,7 mil kg. Pudemos nos aproximar a 30 metros de um grande bando. O urso-polar é o símbolo de Svalbard e depende do ambiente marinho congelado para caçar, especialmente focas. Raposas-do-Ártico e renas de Svalbard também fazem parte da fauna terrestre. No mar, focas, morsas e diversas espécies de baleias. Milhões de aves vivem nas falésias e áreas costeiras. As belas falésias rochosas de Alkefjellet são a morada de centenas de milhares de Guillemots, pequenas aves marinhas que nidificam nos penedos diante de um mar de azul incomum. Em Bråsvellbreen, na ilha de Nordaustlandet, um extenso paredão de gelo azulado com cerca de 17 km de extensão exibe uma insólita cachoeira que despenca no mar. Ao redor, pequenos icebergs em muitos tons de azul e cinza desfilam ao sabor das correntes. A história de Svalbard está intimamente ligada à exploração polar. Durante


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o século 19, o arquipélago recebeu expedições científicas da Noruega, Suécia, Rússia, França, Alemanha, Áustria e Reino Unido. Geólogos, cartógrafos, biólogos, oceanógrafos e glaciologistas percorriam as ilhas para estudar um território quase desconhecido. No século 20, a região serviu de ponto de apoio para expedições aéreas e marítimas que tentavam alcançar o Polo Norte. Em Ny-Ålesund foram mantidas bases para exploradores do calibre de Roald Amundsen. O sonho de conquistar o extremo norte transformou o pequeno arquipélago em um laboratório de técnicas de exploração polar e trampolim para o sonhado Polo Norte. A fragilidade ambiental tornou o arquipélago um importante foco de conservação. Grande parte de Svalbard está protegida por parques nacionais e reservas. A presença humana é cada vez mais submetida a regras para evitar impactos ambientais. O acelerado aquecimento do Ártico modifica as geleiras e transforma os ecossistemas. Para os cientistas, as mudanças nas ilhas são como um sinal antecipado do que pode acontecer em outras regiões do planeta. A mesma paisagem que durante séculos atraiu caçadores, mineradores e exploradores, agora atrai pesquisadores preocupados em compreender o futuro do clima. Sua rica história reúne eras geológicas, migrações humanas, caça às baleias, mineração, exploração científica, disputas de soberania e confrontos geopolíticos. No extremo norte, perto de onde o mapa do mundo termina, Svalbard permanece como uma fronteira. Assim foi para navegadores, caçadores e exploradores do passado e, hoje, segue como uma fronteira científica, onde a humanidade observa, em escala acelerada, a transformação de um mundo moldado durante milhões de anos pelo gelo, pela geologia e pelo clima.

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FALÉSIAS DE ALKEFJELLET, ONDE VIVEM E PROCRIAM CENTENAS DE MILHARES DE GUILLEMOTS, AVES ÁRTICAS DE TAMANHO UM POUCO MAIOR QUE UM POMBO. AS ÁGUAS AO REDOR APRESENTAM UM TONALIDADE DE VERDE INTENSO, POUCO COMUM NO ARQUIPÉLAGO.


LIFESTYLE

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O café que virou destino Em uma caverna vulcânica suspensa nas montanhas da China, arquitetura, natureza e gastronomia se unem para criar uma experiência exclusiva

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magine tomar um espresso dentro de uma caverna formada há mais de 100 milhões de anos, cercado por rochas, desfiladeiros e uma vista vertiginosa. É essa a proposta do Yandangshan Cliff Café, instalado nas Montanhas Yandang, em Wenzhou, na China. Mais do que uma cafeteria, o endereço foi concebido como uma experiência. O percurso até as mesas passa por corredores escavados na rocha e por uma passarela suspensa sobre o desfiladeiro. O cenário natural, portanto, não é apenas pano de fundo: é parte fundamental do produto. Inaugurado em julho de 2024, o espaço ocupa cavernas vulcânicas naturais posteriormente moldadas pela erosão. O projeto arquitetônico, assinado pelo estúdio Slow Coral Design, de Hangzhou, adotou uma abordagem de intervenção mínima, preservando a formação rochosa e utilizando materiais como metal escuro, concreto, madeira e vidro.

Espaço tem poltronas voltadas para a abertura da caverna, moldura natural para a paisagem Fotos: Pan Jie

DISTRIBUÍDO EM DOIS MÓDULOS, O PROJETO CONTA COM PLATAFORMAS DE OBSERVAÇÃO, ÁREAS DE CONVIVÊNCIA E TRECHOS SUSPENSOS COM GUARDA-CORPOS DE VIDRO. O VISITANTE PAGA PELO PRIVILÉGIO DE VIVER UMA EXPERIÊNCIA EM UM CENÁRIO GEOLÓGICO ÚNICO

O percurso até as mesas passa por corredores escavados na rocha e por uma passarela suspensa

EXPERIÊNCIA COMO PRODUTO O diferencial não está necessariamente em oferecer mais produtos, mas em criar um contexto que dificilmente possa ser reproduzido em outro lugar. No Yandangshan Cliff Café, essa estratégia é levada ao extremo. Um espresso custa cerca de 47 euros, valor que chama atenção quando comparado ao preço convencional de um café. Mas a proposta não é vender apenas café. O visitante paga pelo privilégio de viver uma experiência em um cenário geológico único. A circulação entre os ambientes faz com que o visitante descubra a paisagem aos poucos. A experiência também incorpora elementos da gastronomia de Wenzhou, com chás, infusões, lanches e petiscos que valorizam ingredientes sazonais e referências da cozinha local. Localizada em uma área reconhecida pela Unesco como Geoparque Global, Yandangshan já era um destino turístico. O projeto foi encomendado pelo Comitê de Gestão da Área Cênica de Yandangshan, órgão público responsável pela preservação e pelo desenvolvimento turístico.


AUTOS

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A nova Era sobre rodas As marcas, tecnologias e tendências que estão mudando o mundo automotivo Por Ben-Geder Trindade

NOVOS PROTAGONISTAS, UMA NOVA COMPETIÇÃO Durante décadas, marcas tradicionais ocidentais determinaram os rumos do setor e construíram histórias que atravessaram gerações. Agora, empresas como BYD, Tesla, Geely, GWM e Xiaomi aceleram essa transformação. Algumas nasceram na tecnologia. Outras cresceram dominando baterias, conectividade e eletrificação. Chegaram para questionar processos, encurtar ciclos de inovação e elevar as expectativas do consumidor. Em minha passagem pela China, percebi que sua maior força não está somente na velocidade de fabricação. Está na inquietude, na coragem de eliminar atritos e na capacidade de transformar tecnologia em uma experiência simples, útil e desejável. Essa competição não significa o fim das marcas tradicionais, mas uma corrida ainda mais apaixonante, na qual história e reputação precisarão caminhar ao lado da velocidade, da inovação e da coragem para mudar. ELETRIFICAÇÃO É APENAS O COMEÇO Quando pensamos no futuro do automóvel, imaginamos os veículos elétricos. Eles ocupam posição central nessa revolução, ao lado dos híbridos. Mas a mudan-

ça vai além da motorização. Inteligência artificial (I.A.), conectividade, condução assistida, atualizações remotas, integração com celulares e sistemas de segurança estão criando uma nova experiência. O automóvel não será escolhido apenas pela potência, autonomia ou beleza. Será desejado pela capacidade de proteger, compreender, conectar e emocionar. Quanto mais tecnológico for o produto, mais humana deverá ser a experiência. Tecnologia sem clareza gera insegurança. Inovação sem demonstração gera dúvida. Um carro extraordinário, apresentado de maneira fria, pode parecer complicado em vez de apaixonante.

volante. É quando o test-drive deixa de ser um passeio e se transforma em desejo. É quando o vendedor deixa de transmitir informações e passa a conduzir sonhos. Como defendo em meu livro A Experiência Encantadora de Vendas, o cliente não quer apenas atendimento. Ele quer relacionamento real. Por isso, a transformação precisa chegar às lideranças, aos processos, às equipes e a cada detalhe da jornada de compra. Não adianta vender um carro conectado por meio de uma experiência desconectada. Não adianta apresentar inteligência artificial com um atendimento incapaz de interpretar sentimentos humanos. Não adianta oferecer o automóvel do futuro com os comportamentos do passado.

O FUTURO PRECISA CHEGAR ÀS CONCESSIONÁRIAS Se o cliente já conhece pelo celular o preço, a autonomia e os equipamentos do carro, por que ainda precisa entrar em uma concessionária? Porque informação não substitui emoção. E tecnologia não substitui confiança. Mesmo informado, o cliente deseja ser reconhecido, ouvido e compreendido. Quer tocar, sentir, experimentar e imaginar sua vida ao

OS SONHOS CONTINUAM HUMANOS Talvez os carros dirijam sozinhos, reconheçam emoções e se comuniquem com cidades inteiras. Talvez surjam novas formas de mobilidade. Mas nenhum algoritmo será capaz de substituir uma conexão humana verdadeira. As grandes marcas do futuro não serão apenas as que produzirem veículos mais inteligentes, rápidos ou conectados. Serão as

Ben-Geder é palestrante, escritor e especialista em vendas e experiência do cliente

que usarem essa tecnologia para tocar pessoas e melhorar suas vidas. Estamos entrando em uma nova era sobre rodas: elétrica, híbrida, conectada, inteligente e surpreendente. Uma era que exigirá mais inovação, preparo e, principalmente, humanidade. Os automóveis podem mudar. As tecnologias podem evoluir. As marcas podem se reinventar. Mas os sonhos continuam sendo humanos. E enquanto existirem sonhos, haverá estradas esperando para ser percorridas e histórias extraordinárias prontas para começar. Foto: Shutterstock

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urante mais de um século, o automóvel foi símbolo de liberdade, conquista e emoção. Aproximou pessoas, encurtou distâncias e transformou sonhos em movimento. Mas vivemos algo maior do que a chegada de novos modelos: uma revolução na identidade do automóvel. O carro deixou de ser apenas uma máquina. Tornou-se tecnologia conectada e uma extensão da vida de quem o conduz. A indústria que nasceu do aço, do motor e da engenharia mecânica agora também é movida por dados, inteligência artificial, baterias, sensores e software. Os veículos recebem atualizações remotamente, reconhecem comandos, auxiliam o motorista e incorporam novas funções. Entramos definitivamente na era do veículo definido por software.

O cliente precisa chegar aos processos comerciais, à preparação das equipes e a cada detalhe da jornada de compra


ARQUITETURA

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Depois de pouco mais de dois anos longe de sua sede, museu retorna ao Parque Ibirapuera com arquitetura e infraestrutura modernizadas e novas formas de receber a arte e o público Por Aliz Lambiazzi

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uem conhecia o Museu de Arte Moderna de São Paulo antes de agosto de 2024 provavelmente o reconhecerá ao voltar ao Parque Ibirapuera. E essa familiaridade é intencional. A reforma que marcou o retorno do MAM à sua sede, em 12 de setembro, foi conduzida com uma premissa clara: atualizar profundamente o edifício sem apagar sua identidade. O projeto ficou a cargo do Metrópole_ arq, escritório paulistano com mais de 20 anos de atuação e experiência ligada à preservação do patrimônio cultural, museus e expografia. Entre seus trabalhos estão o os projetos expográfico do Museu do Ipiranga e de conservação do MASP (Museu de Arte de São Paulo). No MAM, os arquitetos Anna Helena Villela e Silvio Oksman encontraram justamente o desafio de conciliar preservação e atualização. A intervenção aproveitou o período em que o museu precisou deixar o edifício, em razão das obras na Marquise do Ibirapuera, para rever circulação, acessibilidade, infraestrutura e espaços expositivos. “Partimos do existente e de uma proposta de menor intervenção possível. Essa

decisão levou à manutenção das principais características arquitetônicas do Museu, mas com atualização de toda a infraestrutura”, explicam os arquitetos. A aparente simplicidade dessa escolha escondia um projeto complexo. Entre os principais problemas identificados estavam os fluxos de público e de serviço. Segundo o escritório, organizar esses sistemas e garantir ao museu as condições necessárias para receber exposições foi um dos maiores desafios da obra. Uma das principais mudanças está no auditório, cuja reformulação ajudou também a transformar a área de acolhimento. “O redesenho do auditório permitiu remover um desnível que ficava na área do acolhimento e comprometia demais esse espaço. Para acessibilidade do auditório, invertemos o acesso – agora feito pela cota inferior – que permitiu a remoção da escadaria. Além de atender à acessibilidade universal, o acolhimento ficou com uma área mais adequada”, detalham Anna Helena e Silvio. A orientação pelos espaços também mudou. O novo sistema de sinalização, criado pelo Estúdio CLDT, de Celso Longo

Fotos: Divuklgação

UM MAM AINDA MAIS INTEGRADO ao verde do Ibirapuera e Daniel Trench, reorganiza a comunicação interna e busca tornar mais fácil a circulação dos visitantes. O QUE APARECE E O QUE NÃO APARECE Nem todas as mudanças, porém, foram feitas para serem vistas. Boa parte do investimento está escondida atrás de paredes, forros e sistemas técnicos. “A reforma priorizou a adequação de infraestruturas essenciais para salvaguardar o acervo e atender a padrões internacionais de conservação. A climatização de todos os espaços com um novo ar-condicionado foi algo importante. Troca de sistemas e maior controle de umidade/temperatura para preservação das obras. Além disso, houve a modernização dos sistemas elétricos, redes de detecção, sprinklers e novo projeto de acessibilidade universal”, explica Cauê Alves, curador-chefe do MAM São Paulo. Para ele, essa atualização era fundamental. “A grande reforma do Museu requalifica a instituição como um espaço de convivência integrado ao Parque Ibirapuera, modernizando infraestruturas críticas


Foto: Ding Musa

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Reforma modernizou a infraestrutura sem apagar características do projeto adaptado por Lina Bo Bardi

UM MUSEU VOLTADO PARA FORA Talvez a transformação mais simbólica esteja justamente na relação do MAM com aquilo que o cerca. O edifício integra o conjunto arquitetônico original do Parque Ibirapuera, concebido por Oscar Niemeyer, e abriga o MAM

desde 1969. Em 1982, foi adaptado por Lina Bo Bardi. Na reforma atual, transparência e fluidez foram tratadas como elementos a preservar, mantendo a relação visual com a Marquise e a vegetação do parque. As intervenções estruturais passaram pela aprovação do Condephaat, Conpresp e Iphan. A preservação dessa identidade também era uma preocupação do museu. “A reforma preservou rigorosamente a transparência e a fluidez. As paredes de vidro e divisórias móveis mantêm a visibilidade para a marquise e a vegetação do parque, princípio central do projeto de Lina”, afirma Cauê. Uma das decisões do Metrópole_arq ajuda a materializar essa aproximação: a bilheteria foi levada para fora do edifício. “Dessa forma, o visitante passa pela bilheteria pela marquise. Também fizemos um esforço de limpar a fachada sul, que abre para o estacionamento”, explica Silvio. A mudança vai além da circulação. Loja, restaurante e áreas de convivência foram reorganizados para receber não apenas quem comprou ingresso para uma exposição, mas também quem está simplesmente atravessando o parque. O

“PARTIMOS DO EXISTENTE E DE UMA PROPOSTA DE MENOR INTERVENÇÃO POSSÍVEL. ESSA DECISÃO LEVOU A MANUTENÇÃO DAS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS ARQUITETÔNICAS DO MUSEU”

Foto: Divulgação

sem perder a essência do prédio”, afirma. Nas salas expositivas, uma das intervenções mais importantes também tende a passar despercebida pelo visitante. Um novo forro técnico com trilhos flexíveis amplia as possibilidades dos projetos expográficos, dando às exposições maior liberdade de montagem. Para os arquitetos, essa infraestrutura invisível resume boa parte da complexidade da reforma. “A grande questão desse projeto foi a instalação de infraestrutura. Que de fato não aparece, mas sem a qual o museu não é viável”, afirmam. Orçada em cerca de R$ 20 milhões, a requalificação do MAM foi financiada com recursos públicos e privados. A Prefeitura de São Paulo repassou R$ 10 milhões, enquanto o restante foi captado pelo museu junto à iniciativa privada e à sociedade civil.

ARQUITETOS ANA HELENA E SILVIO Os arquitetos Anna Helena Villela e Silvio Oksman, do Metropole_arq, escritório responsável pela reforma


ARQUITETURA

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“A GRANDE REFORMA DO MUSEU REQUALIFICA A INSTITUIÇÃO COMO UM ESPAÇO DE CONVIVÊNCIA INTEGRADO AO PARQUE IBIRAPUERA, MODERNIZANDO INFRAESTRUTURAS CRÍTICAS SEM PERDER A ESSÊNCIA DO PRÉDIO” Cauê Alves, Curador-chefe do MAM São Paulo Fotos: Ding Musa

Mais aberto para o parque, o novo MAM busca aproximar o museu de quem circula pela Marquise e pelo Ibirapuera

Cauê Alves, curador-chefe do Museu de Arte Moderna de São Paulo

MAM Educativo ganhou uma estrutura mais versátil para oficinas, ateliês e atividades de mediação, enquanto a biblioteca foi totalmente reformulada e passou a contar com uma área maior para exposições. A intenção é borrar, na medida do possível, a fronteira entre estar no Ibirapuera e entrar em um museu. O Educativo também amplia essa aproximação, com atividades ao ar livre, experiências digitais, performances e ações na Marquise e no Jardim de Esculturas voltadas a novos públicos, incluindo os próprios usuários do parque.

A GRANDE MOSTRA DESSE RETORNO Se a reforma preparou o edifício para uma nova etapa, coube ao “39º Panorama da Arte Brasileira: Depois que tudo foi dito” inaugurar as salas renovadas. Com curadoria de Diane Lima, a exposição reúne 33 artistas de 11 Estados brasileiros e permanece em cartaz até 24 de janeiro de 2027. A mostra propõe refletir sobre aquilo que permanece, se transforma ou começa a surgir quando determinados acontecimentos parecem já ter chegado ao fim. Criado como uma forma de acompanhar a produção artística realizada no país, o Panorama é uma das iniciativas mais tradicionais do MAM e assume peso especial nesse retorno: ao mesmo tempo em que reabre fisicamente o museu, coloca novamente a produção contemporânea brasileira no centro de sua programação. Mas o novo capítulo não se limita à exposição inaugural. Segundo Cauê Alves, a ex-

periência do período em que o MAM esteve fora da sede também deverá permanecer. “O MAM aprendeu a fazer parcerias com diversas instituições, o que chamamos de MAM em Movimento, e isso vai continuar. Haverá mostras do acervo próprio, além de diálogos entre o moderno e o contemporâneo, com mostras que enfatizam a arte brasileira, mas em relação ao que se faz em outras partes do mundo, utilizando expografias mais flexíveis e com um novo projeto luminotécnico”, diz. A reabertura ainda trouxe uma nova etapa do MAM Educativo, agora organizado em quatro programas permanentes: Programa de Visitação, MAM Escolas, MAM na Marquise e Ateliê Aberto, além de atividades como oficinas, cursos, contações de histórias e ações voltadas à inclusão. Entre as novidades está o Ateliê Aberto: Práticas Inclusivas em Arte Contemporânea, realizado em colaboração com a University of Leeds e destinado a pessoas com deficiência intelectual e autismo. O Clube de Colecionadores, que completa 40 anos em 2026, também ganhou uma nova edição, com obras de León Ferrari, Mayara Ferrão e Rodrigo Cass, além de um trabalho inédito de Carmela Gross criado para celebrar o aniversário do programa. Até a gastronomia entrou na renovação. O restaurante Petí, comandado pelo chef Victor Dimitrow e pela restauratrice Bárbara Camargo, passou a ocupar o museu com cardápio sazonal. O restaurante tem o selo Bib Gourmand, do Guia Michelin, concedido a estabelecimentos que oferecem boa gastronomia com ótima relação custo-benefício.

Depois de pouco mais de dois anos longe de casa, o MAM voltou sem a intenção de parecer outro museu. Preservou-se aquilo que fazia parte de sua identidade arquitetônica enquanto se redesenhavam os caminhos, a infraestrutura e as formas de ocupação. O resultado é um museu que continua reconhecível, mas procura estar mais preparado para a arte que ainda virá. E mais aberto a quem passa por suas portas, ou simplesmente pela Marquise.

MAM: quase oito décadas de arte Fundado em 1948 por iniciativa do empresário e mecenas Ciccillo Matarazzo, o Museu de Arte Moderna de São Paulo foi uma das primeiras instituições do país dedicadas à arte moderna. Em 1969, passou a ocupar sua atual sede sob a Marquise do Parque Ibirapuera. No mesmo ano, o museu criou o Panorama da Arte Brasileira, mostra que se tornaria uma de suas principais iniciativas voltadas à produção contemporânea. Em 1982, a sede passou por uma importante adaptação de Lina Bo Bardi, que reforçou a integração do espaço com a Marquise e o parque. Ao longo das décadas, o MAM ampliou sua atuação para educação, pesquisa e formação, com iniciativas como o MAM Educativo e o Clube de Colecionadores. Hoje, mantém um acervo de mais de 5 mil obras, em sua maioria de artistas brasileiros.


MATTEO BOCELLI FALLING IN LOVE WORLD TOUR

24 DE OUTUBRO

27 DE OUTUBRO

SÃO PAULO

CURITIBA

TOKIO MARINE HALL

TEATRO POSITIVO

29 DE OUTUBRO

31 DE OUTUBRO

RIO DE JANEIRO

BELO HORIZONTE

VIVO RIO

PALÁCIO DAS ARTES

MATTEOBOCELLIBRASIL.COM.BR


Foto: Robert-Schwenck

CULTURA

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Gilberto Gil ao lado de Gui Ventura, que dá vida à sua história no palco

Andar com Fé

canta a trajetória de Gilberto Gil no teatro Primeira biografia musical dedicada ao artista atravessa infância, Tropicália, exílio e consagração; Gui Ventura conta à Efe como foi o mergulho para viver Gil no palco Por Aliz Lambiazzi

S

ó dizia verdades.” Foi assim que Gilberto Gil resumiu Gil – Andar com Fé, primeira biografia musical dedicada à sua vida e obra, em cartaz no Teatro Santander, em São Paulo. Aos 84 anos e com mais de seis décadas de carreira, o artista agora vê sua própria história transformada em teatro. Gil assistiu à montagem na apresentação para convidados, em 24 de agosto. Ao fim, subiu ao palco para celebrar com o elenco. “Vai ficar registrado na história esse momento, esse trabalho de vocês. Gostei muito”, disse, dirigindo-se aos envolvidos na produção. Com texto de Newton Moreno e direção de Miguel Falabella, o espetáculo estreou em 20 de agosto e segue até 29 de novembro. Em vez de simplesmente organizar os acontecimentos em ordem cronológica, a dramaturgia parte do exílio

em Londres para percorrer lembranças e diferentes tempos da vida de Gil. É nesse movimento que surgem a infância no sertão de Ituaçu, na Bahia, a efervescência cultural de Salvador, a Tropicália, a prisão durante a ditadura militar, o show Barra 69, que antecedeu a partida forçada do país, o retorno ao Brasil e a consagração. A escolha permite também contar uma história que ultrapassa o próprio homenageado. “Esse espetáculo foi pensado como uma homenagem geracional, porque eu acho que essa geração na qual Gil, Caetano e outros personagens da peça estão inseridos é uma geração que efetivamente deixou um legado muito forte”, declarou Falabella. Quem conduz esse percurso é Tempo-Rei, personagem maduro e quase mítico interpretado por Guga Barbosa. Ele fun-

ciona como uma espécie de guia e consciência, aproximando o Gil jovem daquele que ainda virá e costurando os diferentes momentos da narrativa. Ao redor dele aparecem personagens que atravessaram a vida pessoal e artística de Gil. Caetano Veloso, Gal Costa, Maria Bethânia, Luiz Gonzaga, João Gilberto, Chico Buarque, Rita Lee, Os Mutantes, Sandra Gadelha e Flora Gil estão entre os nomes representados em cena. A família também ganha espaço, da infância à relação com filhos, netos e bisneta. A música, naturalmente, não funciona apenas como trilha sonora. Canções como “Eu Vim da Bahia”, “Andar com Fé”, “Aquele Abraço” e tantas outras ajudam a mover a história e a transformar em cena episódios de descoberta, resistência, saudade, amor e exílio.

COMO VESTIR-SE DE GIL No centro dessa travessia está Gui Ventura, escolhido entre mais de 800 candidatos para interpretar Gilberto Gil. Mineiro de Santa Luzia, o ator, cantor, compositor e violonista já tinha uma relação profunda com a obra do artista muito antes de surgir a possibilidade de vivê-lo no teatro. Gil foi uma influência especialmente importante em seu primeiro álbum, Dois Lados, de 2017, e Gui já havia lido sua biografia e acompanhado inúmeras entrevistas.A familiaridade, entretanto, trouxe um desafio: como interpretar uma figura cuja voz, gestos, maneira de falar e presença são tão reconhecíveis? “O meu primeiro cuidado foi esse: como me vestir de Gilberto Gil sem fazer algo caricato. Esse foi o primeiro receio que me ocorreu”, conta Gui à Efe. “Fui muito para o ritmo, por exemplo.


Foto: Felipe Menezes

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“O LUXO PARA UM ARTISTA É QUANDO PASSA A ESCOLHER PELO GOSTO E NÃO PELA NECESSIDADE. É MUITO BOM PODER FAZER UM TRABALHO EM QUE ACREDITO, E QUE CONTA A HISTÓRIA DE UM ARTISTA POR QUEM TENHO GRANDE ADMIRAÇÃO” GUI VENTURA


Foto: Caio Gallucci

CULTURA

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Foto: Divulgação / Teatro Santander

A música ajuda a mover a história e a transformar em cena episódios da trajetória de Gil

Bibiana Berg, Head Sênior de Cultura, Experiências e Impacto Social do Santander

“ESSE ESPETÁCULO FOI PENSADO COMO UMA HOMENAGEM GERACIONAL, PORQUE ESSA É UMA GERAÇÃO QUE EFETIVAMENTE DEIXOU UM LEGADO MUITO FORTE” Miguel Falabella

Esse foi o primeiro ponto de partida: a musicalidade. Porque Gilberto Gil é musical na obra, mas também é musical na vida”, explica o ator, que buscou entender “o ritmo da fala, a musicalidade da fala, a melodia, os tempos de raciocínio” para chegar à construção lógica e sensível do personagem. Gui chegou até a um registro de 1962, anterior à projeção nacional de Gil, e procurou materiais produzidos durante o período em Londres. A preparação continuou nos ensaios, com a preparadora de elenco Érica Montanheiro e sob os olhares de Falabella e da diretora associada Bárbara Guerra. “A gente tem muito acesso ao Gilberto Gil equilibrado, sereno, intelectual. E eu precisava tentar compreender esse Gilberto Gil mais anárquico, mais abraçado à ideia de liberdade, mais propositivo a romper aquilo que já estava estabelecido. Há pouco material desse Gilberto Gil no dia a dia para além da obra disponível”, afirma Gui.

Para preencher essas lacunas, o ator juntou fragmentos de fotografias e documentos ao trabalho de imaginação permitido pelo teatro. O resultado da pesquisa também produziu uma descoberta menos visível: quanto mais se aproximava do ídolo, mais encontrava o homem. “Acredito também que houve a humanização dessa divindade. A gente coloca o ídolo como uma divindade, mas muitas vezes isso acaba desumanizando. Foi bom entender essa construção, essa condução de vida, em que a ideia de luz e sombra está muito presente”, reflete. Mas uma fala de Gui, em particular, mostrou o tamanho de sua gratidão por esse papel: “o luxo para um artista é quando ele passa a poder escolher pelo gosto e não pela necessidade. Para mim, é muito bom hoje poder fazer um trabalho em que acredito, que tenho orgulho de fazer e que conta a história de um artista por quem, de fato, tenho grande admiração”.

GIL POR MUITAS VOZES Gui é o centro de um elenco de 34 artistas que se desdobra em dezenas de personagens ao longo das décadas. Além dele e de Guga Barbosa, Henrique Zamith interpreta Caetano Veloso e Bel Lima vive Flora Gil, enquanto outros integrantes assumem diferentes figuras da história. É uma estrutura pensada para fazer épocas, lugares e memórias se encontrarem no mesmo palco. Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo e Londres aparecem não como capítulos isolados, mas como partes de uma trajetória em que vida pessoal, música e transformações do país frequentemente se confundem. O próprio encontro entre Gil e quem o

interpreta também carrega algo dessa passagem de tempo. Gui só conheceu o músico depois de já ter sido escolhido nas audições. Quando se encontraram, antes do início dos ensaios, o ator já carregava a dimensão da responsabilidade que teria pela frente. Meses depois, na sessão para convidados, foi diferente. Com o trabalho construído, Gui conta que a ansiedade havia dado lugar à tranquilidade de quem deu seu melhor. “Eu estava muito com uma energia de celebração. Não estava ansioso no sentido de querer agradar ou não, porque já tinha a sensação de que tínhamos feito tudo o que podíamos até então, com muita seriedade, muito amor e muita dedicação”, lembra. O espetáculo integra ainda a programação comemorativa do Teatro Santander. “Na programação que celebra os 10 anos do Teatro Santander, o espetáculo GIL – Andar com Fé ocupa um lugar especial ao homenagear a trajetória e a obra de Gilberto Gil, reafirmando nosso compromisso com grandes histórias, artistas e produções que constroem a cultura brasileira”, afirma Bibiana Berg, Head Sênior de Cultura, Experiências e Impacto Social do Santander.A temporada segue até 29 de novembro, com sessões às quintas e sextas, às 20h; aos sábados, às 16h e 20h; e aos domingos, às 15h e 19h. Ao assistir à própria trajetória transformada em música, personagens e memória, Gil terminou fazendo um convite que amplia o sentido da homenagem para além de sua biografia. “Estão todos convidados. Venham ver o musical e venham se ver também nesse musical, porque as canções todas foram feitas pra vocês e a minha vida tem sido vivida pra vocês todos também”, expressou o artista em vídeo publicado no perfil oficial de Andar com Fé.


ARTE

Foto: Shutterstock

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SUAS PINCELADAS INTENSAS, CORES VIBRANTES E PAISAGENS CARREGADAS DE MOVIMENTO AJUDARAM A TRANSFORMAR A PINTURA DO FINAL DO SÉCULO XIX E INFLUENCIARAM GERAÇÕES DE ARTISTAS

Auto retrato do artista

Um novo olhar sobre VAN GOGH Em 2027, o MASP coloca o artista holandês no centro de uma exposição que revisita sua produção e questiona a tradicional associação entre genialidade e loucura

S

ão Paulo terá, em 2027, um encontro especial com Vincent Van Gogh. O MASP (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand) prepara uma exposição dedicada ao artista holandês como parte de sua programação e de um amplo eixo curatorial voltado às relações entre arte, cultura e saúde mental. As datas exatas de abertura e o calendário de vendas de ingressos ainda não foram divulgados. A mostra será uma oportunidade para aproximar o público de um dos nomes mais celebrados da história da arte. Van Gogh (1853–1890) produziu uma obra singular em pouco mais de uma década de atividade artística. Suas pinceladas intensas, cores vibrantes e paisagens carregadas de movimento ajudaram a transformar a pintura do final do século XIX e influenciaram gerações de artistas. A relação entre a produção artística de Van Gogh e sua saúde mental será

um dos pontos de interesse da programação do MASP. Ao longo do tempo, sua trajetória foi frequentemente resumida à figura do “gênio louco”, uma interpretação que acabou associando criatividade e sofrimento psíquico de maneira quase indissociável.

UM ACERVO RARO A relação do MASP com Van Gogh ganha ainda mais relevância porque o museu possui quatro pinturas do artista em sua coleção, realizadas nos últimos anos de sua vida: Passeio ao crepúsculo (1889–90), Banco de pedra no asilo de Saint-Rémy (1889), A arlesiana (1890) e O escolar (O filho do carteiro – Gamin au Képi) (1888). Três dessas obras foram realizadas durante o período em que Van Gogh esteve internado no asilo de Saint-Rémy, na França. A quarta foi pintada em Arles, antes da internação.


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