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Ed. 177 - Abr 22

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Edição nº 177 A Revista do Gestor Escolar

ano 18 | Abril 2022 www.direcionalescolas.com.br


Direcional Escolas - Abril 2022

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Nesta Edição: 14 08 10

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Coluna - Cristine Soares O meu aluno tem déficit de aprendizagem, e agora?

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Como utilizar os recursos tecnológicos a favor do ensino nas escolas

Coluna - Christian Coelho

No mundo da tecnologia e da rápida evolução pós-pandemia, a escola não pode perder sua origem

Coluna - Marina Castellani

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Conversa com o Gestor Quais são os desafios e os processos de inclusão do estudante autista no ensino regular?

Dica: Primeiros Socorros Saúde, cuidado e prevenção

Coluna - Eduardo Shinyashiki Competências socioemocionais e sabedoria digital

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Dica: Bullying Qual o papel da escola?


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Editorial

Inclusão escolar

De modo geral, o período escolar, principalmente nas etapas dos ensinos infantil e fundamental, é (re) conhecido como uma importante passagem nas escalas funcional, sociocultural, coletiva e estrutural. E, assim, durante esse período, alguns transtornos em áreas do desenvolvimento podem ser observados em alguns estudantes, como, por exemplo, o TEA – Transtorno do Espectro Autista. Segundo Clay Brites, pediatra, neurologista infantil e doutor em Ciências Médicas pela Universidade

Estadual de Campinas (UNICAMP), autismo é um transtorno de neurodesenvolvimento que aparece nos primeiros anos de vida definido por algumas características, como: “dificuldades, incapacidade ou desinteresse de interação social; dificuldade, incapacidade ou desinteresse de iniciar e manter a comunicação social; e comportamentos atípicos com repetições e interesses restritos desconectados do contexto”. É interessante destacar que o autismo não se concentra como um único transtorno, mas sim como um espectro de transtornos, e que variam, especialmente em graus de intensidade, em cada indivíduo, tornando o diagnóstico do TEA multidisciplinar. “O diagnóstico se dá principalmente a partir da observação do comportamento da criança e suas reações ao contexto social. Isso pode ser feito por meio de relatos simples ou instrumentos de avaliação advindos de seus cuidadores, professores, profissionais de saúde e educação”, explica Brites, que complementa: “o TEA atinge cerca de 1 a 2% das crianças e leva a grande

impacto no desenvolvimento cognitivo, intelectual e na autonomia caso nada seja empreendido”. As problematizações que cercam a pessoa autista atravessam diversas camadas sociais, evidenciando preconceitos e uma dificuldade considerável no ingresso educacional regular e profissional. Tendo como ponto de partida as nuances e os desafios na inclusão escolar, trouxemos, nesta edição da Direcional Escolas, um especial sobre os processos de inclusão do estudante autista no sistema de ensino regular. A escolha da temática para esta edição de abril surge em consonância com o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, celebrado no dia 2 de abril.

Rafael Pinheiro

Jornalista Responsável

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A instituição escolar, vista como um dos pilares dos processos educacionais, acompanha – de forma direta e indireta – o crescimento de alunos e alunas em trajetórias individuais, coletivas, físicas e subjetivas, desde os primeiros anos de vida até os rituais de despedida do ensino regular para o ingresso no ensino superior. Podemos, assim, compreender a escola como um espaço que estimula vivências e experiências significativas que compõem e constroem todos e todas.


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EXPEDIENTE Diretor: Alex Santos Público: Diretores e Compradores

A Revista do Gestor Escolar

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Periodicidade: Mensal exceto Junho / Julho e Dezembro / Janeiro Jornalista Responsável: Rafael Pinheiro | MTB 0076782/SP Circulação: São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais Design Gráfico, Direção de Arte e Produção Gráfica: Polidori Estúdio Atendimento ao cliente: financeiro@direcionalescolas.com.br Impressão: Grass Indústria Gráfica

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NO MUNDO DA TECNOLOGIA E DA RÁPIDA EVOLUÇÃO PÓS-PANDEMIA, A ESCOLA NÃO PODE PERDER SUA ORIGEM

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ogo após o descobrimento do Brasil, os jesuítas começaram a catequização dos índios com o objetivo de ensinar os princípios católicos e da sociedade europeia da época. Aos poucos, imigrantes e indígenas fundaram pequenos vilarejos ao redor das igrejas e escolas. Apesar dos papéis da igreja e da escola se misturarem, na Terra de Vera Cruz tudo que se referia à educação partia da instituição de ensino: crianças, imigrantes e índios aprendiam a ler, a cultura colonizadora e eram catequizados. Logo após o início da monarquia, em meados de 1850, a educação mudou de rumo valorizando a rede doméstica de ensino (homeschool), organizada a partir de casas grandes para filhos dos senhorios. Nesse momento, nasceram as primeiras escolas particulares do país.

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Depois de passar por um período elitista, no início do século XIX, com a entrada do regime republicano, a educação no Brasil voltou-se para o ensino laico e público.

lhos de uma boa educação. Isso levou a um aumento na diferença da qualidade entre a escola pública e a particular.

• A família, principalmente a mãe, exige uma educação compensatória, pois fica pouco tempo com os seus rebentos.

Pela necessidade de trabalhar fora, os pais delegaram a educação plena para as escolas que, na maioria dos casos, não estavam preparadas para assumir esse papel, gerando sequelas sentidas até hoje.

Como a família vê a escola:

Não sei ao certo o quanto os problemas da educação no Brasil contribuíram para o estado da nossa sociedade, mesmo antes da pandemia. O radicalismo, o preconceito, a violência e a corrupção são, provavelmente, causa e efeito do sistema socioeducacional brasileiro. Diante deste cenário, ao invés da escola, a família e a comunidade unirem forças em prol da melhoria da educação, o que algumas vezes acontece é justamente o contrário. É comum escutar escolas atribuírem os problemas com alunos às famílias e vice-versa.

• Os pais não compreendem o processo de ensino-aprendizagem, os projetos pedagógicos e, no caso da educação infantil, a importância do brincar. • A escola mantém as suas atividades sem consultar os pais sobre temas de seu interesse e horários adequados. • Grande parte do que a escola lança de novidade tem cunho comercial. Neste fogo cruzado, as maiores prejudicadas são as gerações futuras, que continuarão com sequelas educacionais e formativas. Apesar de gerar algumas celeumas, precisamos parar, refletir e desenvolver um projeto de interação, reciprocidade e apoio mútuo em prol da educação de crianças e jovens.

Como a escola vê a família: Para isso, a escola precisa retornar as suas origens do período do descobrimento do Brasil e ser protagonista na formação de uma rede social que influencie e eduque, além dos alunos, seus familiares e o meio ao seu redor.

Nessa época, a escola passou a se concentrar unicamente na informação. A aquisição de conhecimento era de responsabilidade da escola e a formação de valores ficava a cargo das famílias, principalmente das mães e avós.

• Professores sentem-se incomodados quando os pais opinam nas áreas em que se julgam competentes. Isto se intensificou com as aulas on-line, quando as famílias passaram a se apropriar do que ocorre em sala de aula.

Na década de 1950, após a Segunda Grande Guerra, o início do ingresso das mulheres no mercado de trabalho, o aumento da longevidade e produtividade dos avós, além da queda da qualidade do ensino público, forçaram as famílias a desembolsarem dinheiro para prover seus fi-

• Professores responsabilizam as famílias pelas dificuldades apresentadas pelos alunos.

CHRISTIAN ROCHA COELHO

• Professores criticam os pais por não assumirem o protagonismo na educação dos seus filhos.

Formado em comunicação, especialista em andragogia e neuropsicologia. Diretor do Grupo Rabbit Educação. www.rabbitmkt.com.br

O Colunista

foto cedida pelo colunista

COLUNA / CHRISTIAN COELHO


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COLUNA / CRISTINE SOARES

APRENDIZAGEM, E AGORA?

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uando falamos de inclusão ou alunos com deficiência, logo nos perguntamos: mas qual o comprometimento desse estudante? Tem laudo? Faz acompanhamento? Na turma já temos algum aluno com deficiência? Perguntas comuns, já que acendemos uma série de alertas na nossa cabeça, especialmente se “daremos conta” de acolher todas as demandas da criança. Com deficiência ou não, cada aluno é único, tem suas habilidades e fragilidades, e este trabalho de identificar e ajudar o estudante a se superar deve ser uma constante na rotina do professor.

Quando aplicamos a Rotação por Estações, estamos desenvolvendo mais do que a autonomia do estudante, nessa abordagem ele se corresponsabiliza pelo resultado, aprende a fazer escolhas, pratica a gestão do seu tempo, colabora com o outro, e a aula se torna mais engajadora para todos.

Eu sou defensora das Metodologias Ativas de Aprendizagem, por um motivo muito simples… há 20 anos eu vejo, tenho evidências de que funciona - e muito bem - com TODOS!

É fato que o professor deve ter o amparo da gestão e liberdade para definir, junto com a turma, o seu percurso pedagógico. Mais importante ainda é o professor ter um material didático e recursos que possibilitem trilhar esse caminho de forma estruturada e flexível. Não dá para colocar um material super rígido e conteudista na mão do professor e querer que ele dê conta de desenvolver habilidades para além das cognitivas, com provas batendo na porta o tempo todo.

Aquele aluno com deficiência, com dificuldade de aprendizagem ou com algum transtorno, pode ser extremamente bem conduzido em dinâmicas ativas na sala de aula. Ok, ele não está alfabético, mas pode assistir a vídeos sobre o tema e contribuir com a discussão. Na hora da “mão na massa”, talvez sua concentração e hiperfoco em algum detalhe pode fazer toda a diferença no trabalho do grupo. Quando trabalhamos Aprendizagem por Projetos, por exemplo, é possível que cada estudante fique responsável por aquilo que faz de melhor, isso inclui os alunos limítrofes.

Nessa prática, talvez o aluno de inclusão precise de mais direcionamento, e tudo bem! Para isso temos o professor facilitador na sala, ajudando a construir sua jornada, definindo previamente os espaços e tempos a serem explorados.

É preciso ter coerência entre o discurso e a prática, clareza do que se quer atingir, do seu propósito educacional! A Sala de Aula Invertida é uma das abordagens mais utilizadas hoje, pelas escolas, e uma excelente ferramenta para o aluno de inclusão. Porque ele

pode ler, reler e reler mais uma vez, sem pressa, fazendo suas anotações. Ele não sabe ler? Indique vídeos sobre o tema, peça que ele desenhe o que achou de mais importante ou o que entendeu do assunto. No momento de retomar a temática em sala, ele poderá compartilhar suas impressões, contar como foi a sua experiência e fazer parte do coletivo, incluído efetivamente no processo de aprendizagem. Sim, trabalhar com inclusão é sempre um desafio, por isso a formação continuada dos professores é essencial para a construção de uma cultura escolar autônoma, inovadora, atual e condizente com as necessidades do estudante de hoje. Como sempre, deixo aqui o meu convite: Vamos juntos?!

A Colunista CRISTINE SOARES CEO do VIVA Metodologia Ativa, diretora do Colégio Guaiaúna, autora do livro Metodologia Ativas: uma nova experiência de aprendizagem, mestra em educação pela PUC/SP.

foto cedida pela colunista

O MEU ALUNO TEM DÉFICIT DE


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COMPETÊNCIAS SOCIOEMOCIONAIS E SABEDORIA DIGITAL

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oram grandes e importantes os progressos tecnológicos que aconteceram nos últimos 60 anos, sendo esse processo mais acelerado a partir dos anos 2000. Essas mudanças imprimiram um impacto profundo na maneira de viver, trabalhar, se relacionar, comunicar e aprender. Se, no passado, as crianças e os jovens aprendiam com os adultos, a situação agora está mudada, pois eles são capazes de fazer coisas no mundo da tecnologia digital que são desconhecidas por muitos pais e educadores, determinando uma mudança nas dinâmicas e nos equilíbrios.

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O mundo conectado, muitas vezes, nos absorve e nos dissocia da realidade e das pessoas ao nosso redor. A vida on-line proporciona uma gratificação imediata, que nos faz obter rapidamente o que queremos (busca por notícias, vídeos e imagens, etc.), de uma forma até então inimaginável. Se, no entanto, essa busca por prazer imediato se tornar excessiva, o desconforto e o mal-estar surgem, especialmente nas crianças e jovens que estão em uma fase de crescimento e formação. E é por esse motivo que elas são mais vulneráveis. As novas gerações são “Filhos do Digital” – Digital Natives. Esse termo foi criado em 2001, pelo educador americano Marc Prensky, autor do artigo “Digital natives, digital immigrants” (“Nativos digitais, imigrantes digitais”) e que, em 2010, introduziu o conceito de Sabedoria Digital. As nossas crianças e jovens são Digital Natives, isso não significa que sejam capazes de enfrentar, como por mágica, os desafios do mundo digital. Eles precisam da orientação e supervisão dos pais e professores no que diz respeito à Sabedoria Digital, que é a capacidade crítica e consciente de como usar as ferramentas digitais. A Sabedoria Digital pode, e deve, ser aprendida e ensinada, sem ser confundida

com a destreza e habilidade digital que as novas gerações têm. Saber usar uma determinada tecnologia, sem sabedoria, é como saber ler sem compreender o significado.

Competências produtivas: as habilidades de criatividade, proatividade, determinação, ação, poder de inovação e iniciativa.

“São os humanos, não as máquinas, que criam significado”. Essa frase, do filósofo e psicanalista Miguel Benasayag, nos faz refletir sobre a importância do equilíbrio entre o mundo da tecnologia e o mundo interior do ser humano. Por isso o desafio que os nossos jovens têm pela frente é não se perder no mundo digital, mas utilizá-lo de forma mais adequada para os resultados desejados, sem perder a própria sensibilidade, emoção e humanidade, equilibrando a capacidade de interação social e o uso das ferramentas digitais.

Competências éticas e os valores humanos fundamentais: honestidade, respeito, gratidão, igualdade, justiça social e confiabilidade.

A tecnologia não substituirá a capacidade humana de intuição, bom senso, emoções, resolução de problemas, tomada de decisão, valores humanos, éticos e morais. Por esse motivo, além das competências técnicas do mundo digital, é importante fortalecer nas crianças e nos jovens, competências essenciais para que eles consigam fazer esse processo de integração das vantagens do mundo digital na própria vida e chegar à sabedoria digital. É importante fortalecer as seguintes áreas de competência: Competências pessoais: autorreflexão, autogestão, autonomia organizacional, autodisciplina, perseverança, motivação e autoeficácia. Competências sociais: comunicação, colaboração, cooperação, capacidade de trabalhar em grupo e de se relacionar, responsabilidade social, empatia, gestão da diversidade. Competências cognitivas: habilidades de resolução de problemas, pensamento crítico e criatividade.

O que é interessante evidenciar como reflexão para os nossos jovens é a importância dessas competências pessoais, sociais, cognitivas, produtivas e éticas como princípios que norteiam nossos atos e nossas condutas, orientando cada um de nós a escolher e agir de uma determinada maneira. É a interação equilibrada entre sermos humanos e a tecnologia, que dá origem à Sabedoria Digital. A combinação das competências socioemocionais, com as possibilidades concedidas pela tecnologia, como o armazenamento e o processamento de grandes quantidades de dados, traz benefícios indiscutíveis ao nosso funcionamento cognitivo. Ensinar essas competências socioemocionais, desde a infância, equilibrada com as competências técnicas e digitais, permite aos jovens se tornarem adultos mais fortes nas suas emoções e confiantes nas próprias capacidades, além de líderes inspiradores e cooperativos, e seres humanos mais felizes.

O Colunista EDUARDO SHINYASHIKI Palestrante internacional, consultor, escritor e presidente do Instituto Eduardo Shinyashiki. Neuropsicólogo e Mestre em Liderança Educadora, é referência em desenvolvimento das Competências Socioemocionais, de Liderança e da Performance Humana. Para mais informações, acesse www.edushin.com.br

foto cedida pelo colunista

COLUNA / EDUARDO SHINYASHIKI


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COLUNA / MARINA CASTELLANI A FAVOR DO ENSINO NAS ESCOLAS

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integração da tecnologia aos processos de ensino e aprendizagem se tornou um diferencial e uma realidade para escolas e professores. Muitas discussões sobre os rumos da educação e como a inovação no ambiente escolar limitam-se à incorporação de recursos tecnológicos. Mas, o que representa inovação quanto à aprendizagem dos estudantes? A tecnologia é mesmo protagonista? Existem muitas maneiras de incorporar a tecnologia nas escolas, os recursos podem revolucionar a escola, a experiência dos educadores e ainda potencializar a aprendizagem. Porém, a substituição de processos analógicos por digitais não apresenta grande inovação nos métodos de ensino.

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Refletir se a finalidade dos recursos didático-pedagógicos ou operacionais está alinhada aos objetivos educacionais da escola, fará a diferença. Nada deve ser aleatório ou pautado por modismos. Além disso, questionar sobre a experiência a ser proporcionada, se as ferramentas permitem que estudantes e educadores ganhem autonomia e se é possível ganhar qualidade a partir do uso das ferramentas, são pontos importantes de avaliação. A Escola Mais usa a tecnologia na arquitetura pedagógica fazendo sua integração em muitos níveis para viabilizar objetivos de aprendizagem e negócio. Para o trabalho com as principais frentes com custo acessível (aulas, estudos individuais e atividades “mão na massa”), a tecnologia é uma importante aliada. Além de otimizar ferramentas de gestão e recursos humanos com tecnologia, para investir na formação dos profissionais. No contexto de ensino, usamos aplicativos voltados para práticas específicas, que contribuem nas habilidades como a

escrita, a linguagem, matemática, raciocínio lógico e o inglês, por exemplo. Cada aluno, a partir do Ensino Fundamental II, trabalha com um computador ao longo do ano e o utiliza como ferramenta em processos de aprendizagem, principalmente nos estudos individuais. Possibilitamos recursos tecnológicos robustos nas atividades “mão na massa”, inovadores por conciliarem o analógico manual ao digital. Com a cultura maker e ferramentas, estimulamos a inovação na busca de solução de problemas e em projetos com objetivos concretos. Os estudantes transpõem seus protótipos em papel e papelão para desenhos digitais que podem ser impressos em impressora 3D, por exemplo. Essa experiência é possível porque usamos a real potência de ferramentas tecnológicas. Incorporar a tecnologia ao estudo, pesquisa e produção na Escola Mais, é alcançar níveis de aprendizagem mais elevados e profundos. Nossa arquitetura pedagógica é inovadora na forma de operar a prática de ensino, cultivando a cultura de melhoria constante. Utilizamos a tecnologia sempre integrada à nossa visão sobre educação. Mesmo com um DNA tecnológico entendemos a importância dos processos manuais essenciais no desenvolvimento basal e na compreensão de aspectos tecnológicos. Trabalhamos atividades manuais nas práticas “mão na massa”, na conquista da letra cursiva, no uso de lápis, caneta e cadernos. Além disso, trabalhos de movimento corporal, rodas de conversa, leituras e todo o processo de socialização são valorizados e planejados cuidadosamente. O trabalho com o período integral permite que todas as frentes sejam contempladas. A ideia é agregar tecnologia quando potencializa e cria experiências únicas, não vivida analogicamente, transformando a realidade escolar.

Vale ressaltar que, durante a pandemia, com distanciamento social, as escolas tiveram que se adaptar e tomar decisões rápidas. A Escola Mais, estruturalmente tecnológica, teve muita agilidade para criar uma experiência on-line, podendo acompanhar minuciosamente o engajamento de seus estudantes, estreitando os vínculos com seus alunos e familiares. Os meios tecnológicos favorecem processos de educação integrados ao projeto e arquitetura pedagógica. Seu uso possibilita um maior alcance sobre a comunicação com as comunidades escolares, processamento e viabilização de experiências, na utilização dos espaços e dos recursos, na visibilidade de resultados e estratégias para otimizar a aprendizagem. Logo, a tecnologia é fundamental para agregar qualidade na área da educação. A maior inovação educacional é a mudança na conjuntura e não só de uma prática. Não há inovação tecnológica sem reconhecer que crianças e jovens são agentes de transformação e cultura. Essa inovação precisa ser pensada como elemento do contexto escolar, permitindo que os envolvidos no processo atuem ativamente no seu tempo e possam vislumbrar um futuro pautado na construção de ações conscientes.

MARINA NORDI CASTELLANI É fundadora e diretora pedagógica da Escola Mais. Formada em pedagogia pela PUC-SP, atua na área da educação há mais de 20 anos com crianças e jovens e como gestora. Passou pela rede municipal de São Paulo como professora e trabalhou durante 13 anos em uma das escolas mais inovadoras do mundo, sendo 6 como Diretora Pedagógica e Administrativa. Trabalhou também como assessora em escolas e produtora de conteúdo e curriculista para editoras. Em 2016, fundou a Escola Mais junto aos sócios, ficando responsável por desenvolver a metodologia de ensino da rede.

foto cedida pela colunista

COMO UTILIZAR OS RECURSOS TECNOLÓGICOS


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CONVERSA COM O GESTOR QUAIS SÃO OS DESAFIOS E OS PROCESSOS DE INCLUSÃO DO ESTUDANTE AUTISTA NO ENSINO REGULAR? Por Rafael Pinheiro / Fotos Divulgação

Os estudantes autistas atravessam adversidades em diversas camadas sociais, vivenciando o preconceito, a falta de informação e uma dificuldade considerável no reconhecimento de suas particularidades. Assim, é preciso um olhar cuidadoso para garantir a inclusão plena para todos os alunos

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TEA – Transtorno do Espectro Autista pode ser definido, em linhas gerais, como um transtorno de neurodesenvolvimento que reflete em interação e comunicação sociais e em comportamentos atípicos. O autismo não se concentra como um único transtorno, mas sim como um espectro de transtornos, e que variam, especialmente em graus de intensidade, em cada indivíduo, tornando o diagnóstico do TEA multidisciplinar.

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Tendo como ponto de partida as nuances e os desafios que os estudantes autistas encontram no ingresso – e na permanência – ao sistema educacional regular, e em consonância com o Dia Mundial da Conscientização do Autismo (celebrado no dia 2 de abril), este especial traz diferentes percepções sobre os desafios e os processos de inclusão do estudante autista no ensino regular. Confira abaixo: “O principal desafio é entender que cada estudante autista tem suas características e necessidades. Sendo assim, a experiência prévia da escola ou dos professores com outros estudantes com o mesmo diagnóstico, por si só, não garante o sucesso da inclusão. Conhecer aquele estudante especificamente, suas principais dificuldades, habilidades e preferências é o primeiro passo. Para isso, é necessário conversar muito com a família e com a equipe de intervenção que acompanha o aluno. Outro aspecto importante no processo de inclusão é ensinar aos demais alunos o que é o autismo e mostrar a todos que não se trata de um problema ou de uma doença, mas sim de uma condição. Além desses aspectos, é funda-

Dra. Lívia Aureliano – Psicóloga e diretora do TatuTEA Espaço de Intervenção Comportamental

Elaine Cristina Simões Brandão – Diretora da Associação Educacional Labor e palestrante da Bett Brasil 2022

mental que a escola trabalhe na adaptação do material didático. Muitas vezes, os estudantes não conseguem acompanhar os conteúdos propostos, não porque não são capazes, mas sim porque estes estão sendo apresentados de uma maneira que não faz sentido para aquele aluno. Mais uma vez é necessária a integração da escola com a equipe de intervenção do aluno, para que esta última oriente qual tipo de adaptação será necessária ser feita. Em algumas situações, será necessária a presença de um auxiliar que tenha conhecimento específico na área para acompanhar o aluno em sala de aula.”

des dos alunos com deficiência, os ambientes devem favorecer a aprendizagem e acolher suas necessidades, mas o que fará diferença é o respeito e afeto que guiarão nossa relação. O pensamento de educar não importa a quem, fundamentado na certeza de que todas as pessoas gostam e desejam aprender, pois isso é uma característica da natureza humana. Para incluir basta um olhar atento, uma alma humanizada e o desejo de contribuir para o crescimento do outro na certeza de que, é na relação harmoniosa com o outro, que aprimoro minhas condutas, fortaleço meus valores e evoluo como um ator social capaz de contribuir para um mundo de paz.”

“A inclusão de estudantes autistas no ensino regular, na minha opinião, é uma questão do olhar humanizado das pessoas que os acolhem. Da mesma forma que focamos nas dificuldades apresentadas no processo de aprendizagem dos ‘típicos’, devemos ter o mesmo cuidado para os processos de aprendizagem dos autistas e das demais pessoas com deficiência. É importante refletir sobre a educação inclusiva sem achar que, para ela acontecer, será necessário um grande aparato de bens materiais. Claro que, para atender as necessida-

Katia Esper – Fonoaudióloga, criadora do app Cuca, founder & CEO da Plataforma Digital Educativa Cuca 4.0 ® “O processo de ensino-aprendizagem de alunos com deficiência, especialmente com TEA, deve ter como prioridade a compreensão de


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20 suas características, bem como a identificação das dificuldades de experiências inclusivas na escola, para que as adaptações de ambientes e materiais sejam feitas a fim de facilitar o seu desenvolvimento. Há muitas estratégias para apoiar e estimular a aprendizagem de alunos com autismo. De maneira geral, a inclusão de estudantes com TEA e a implementação de estratégias inclusivas pode ser trabalhosa para a escola, pois os materiais e conteúdos são elaborados e desenvolvidos para atender aos alunos neurotípicos, e a adaptação desses materiais demanda a compreensão das necessidades elementares da criança com deficiência. Por isso, a adoção de práticas direcionadas a este público deve ser feita para que o ambiente da escola seja acolhedor e capaz de valorizar as diferenças. Uma vez adotadas condutas facilitadoras à aprendizagem do aluno com TEA, os educadores se apropriam dos recursos e a dinâmica das aulas flui sem dificuldades. Além disso, práticas de atividades que promovam agrupamentos de alunos neurotípicos ao aluno com TEA podem ser cultivados em sala de aula, oferecendo oportunidades colaborativas e resolução de problemas, e promovendo a interação social entre os pares. Se a escola conhece as necessidades, as dificuldades e as possibilidades de aprendizagem do aluno com TEA, e inclui estes saberes em seu trabalho, então a inclusão deixa de ser algo a mais, e torna-se plena e natural.”

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Dionéia Menin da Silva Oliveira – Coordenadora Pedagógica da Educação Infantil e do Fundamental I do Colégio Albert Sabin “Quando recebemos alunos atípicos no colégio, temos um passo a passo importante para essa adaptação. Iniciamos com uma conversa detalhada com os familiares, estabelecendo um canal de comunicação sempre aberto. Nesse encontro, procuramos entender a rotina e o funcionamento da criança no seu ambiente familiar, verificar os atendimentos terapêuticos, identificando os estímulos que ela recebe e incluir o papel da escola no seu desenvolvimento.

É importante entender o aluno como único e com suas funcionalidades específicas. Em nossa escola, construímos o Plano de Desenvolvimento Individual para cada aluno, o qual atualizamos por trimestre ou sempre que necessário. Este documento contém o histórico da criança, eventuais adaptações que estejam sendo implementadas e as orientações às famílias para a estimulação e o acompanhamento do desenvolvimento do aluno. Outro passo indispensável é trabalhar a formação dos professores e esclarecer sobre a condição do aluno para a comunidade escolar. É importante reiterar como esses estudantes possuem maneiras diferentes de aprender e de estabelecer relações afetivas.”

Amanda Ribeiro – Diretora da Incluir Treinamentos “A acessibilidade para o autismo é a informação. É muito importante ter em mente que os autistas têm o direito de estudar em escolas regulares. Para ser uma escola inclusiva é importante, em primeiro lugar, conhecer o aluno, através de uma entrevista com os pais, conhecer as habilidades que o aluno possui, as dificuldades de comportamento e principalmente as sensibilidades sensoriais. Após conhecer o aluno, suprir as suas necessidades através de um planejamento, criando um plano individualizado, adaptando o material, o conteúdo, a avalição, o ambiente de acordo com as sensibilidades sensoriais, além de fornecer um profissional de apoio caso seja necessário. A educação inclusiva tem como princípio que todas as pessoas devem aprender juntas. ‘A inclusão acontece quando se aprende com as diferenças e não com as igualdades’ (Paulo Freire)”. “Os alunos com autismo são alunos como todas as outras crianças, e devemos nos debruçar, cotidianamente, para trazermos as melhores intervenções e propostas. O transtorno do espectro autista é diverso e cada indivíduo terá diferentes características, mas algumas estratégias podem beneficiar a todos. As orientações das atividades precisam ser claras e a gestão do tempo precisa ser sinalizada com marcadores. Também é importante utilizar imagens e símbolos que possam ajudar este aluno a


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Silvia Adrião – Diretora Pedagógica da Escola AB Sabin

Thainara Morales – Pedagoga e diretora da Clínica Arte Pisco

Luciana Diniz – Pedagoga e consultora pedagógica do LIV

estar na escola e a participar como deve ser. A questão dos ruídos também pode ser um desafio para a aprendizagem da criança com autismo. Por isso, os educadores devem estar atentos a esses fatores. Outro recurso valoroso para promover a inclusão com qualidade é ter, em sala de aula, profissionais de apoio, quando necessário. Algumas crianças e jovens precisam deste suporte. O tema da inclusão é urgente e imprescindível, por isso é fundamental que a escola tenha momentos formativos especializados para sua equipe.”

manejar situações para ajudar a criança quando necessário, o que pode ser feito a partir de princípios baseados em evidências científicas comportamentais. Uma dica importante são as redes de apoio e o cuidado da saúde mental da família. Feito isso passamos a pensar na esfera educacional. O ensino inclusivo é um direito conquistado e é dever de toda sociedade aceitar e respeitar as diferenças. É preciso se mobilizar e oferecer informações de conteúdos para que se abandone a ideia de que os indivíduos com necessidades educativas especiais devem ficar à margem da sociedade, pois os mesmos possuem direitos e deveres como todo cidadão. É preciso proporcionar para a sociedade uma visão reflexiva sobre a inclusão e exemplo de cooperação uns com os outros em toda gama de interação social.”

“Um fator relevante para considerarmos é que não existe um aluno autista, não temos um padrão, uma unicidade. Existem vários alunos que apresentam níveis distintos de TEA, características diversas, possibilidades diferentes e que podem vivenciar a escola de forma única também. Os professores devem sim buscar informações sobre o TEA, mas entendendo cada aluno como sujeito único, buscar conhecer a história desse aluno, estar atento às demandas deles, para poder pensar em estratégias de inclusão. Mas esse é um ponto muito sensível e que precisa de atenção, pois conhecer as individualidades desse aluno não é para planejar atividades especialmente para ele realizar dentro da sala de aula, isso pode até ser necessário a depender do caso, mas inclusão em si não consiste apenas em buscar adaptações individuais para os alunos autistas, mas conhe-

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“A importância da relação da família com a escola é de suma importância ao contexto educacional. Para falarmos de inclusão é necessário começar dentro do núcleo familiar e ampliar para a escola e demais esferas. A família precisa compreender sobre o autismo e como


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24 cer a necessidade deles para propor algo para todo o grupo realizar no coletivo. A estrutura física da escola pode ser um dificultador, salas com grande quantidade de alunos, falta de mediadores ou falta de qualificação deles adequadas, mas vale lembrar que nem sempre isso pode ser uma questão.”

idealização para o convívio, a troca e a interação. Neles as diferenças serão algo esperado e desejado, pois somente com esse estímulo conseguiremos seguir na busca pelo desenvolvimento pleno de crianças e adolescentes. Com o intuito de superar os principais desafios atuais a ideia que nos norteia é valorizar cada vez mais a diversidade, diminuindo possíveis segregações e estimulando o contato e o afeto entre todos os estudantes.”

Marilia Golfieri Angella – Advogada de Família, Criança e Adolescente, fundadora do Marilia Golfieri Angella Advocacia Familiar

Contudo, embora a lei garanta de forma ampla o atendimento educacional especializado às pessoas com deficiência, incluindo aquelas que estejam dentro do espectro autista e, com absoluta prioridade, no tocante à educação de crianças e adolescentes, ainda se enfrentam diversos desafios na inclusão e na acessibilidade dos materiais e instalações das escolas, bem como para disponibilização de profissional habilitado para prestar o devido apoio escolar aos infantes com TEA a fim de que se garanta o amplo acesso à educação inclusiva de qualidade, nos termos da própria Constituição Federal. Assim, é possível acionar o Conselho Tutelar, a Secretaria de Educação do Município ou do Estado onde a criança reside, ou mesmo o Judiciário diretamente, através do Ministério Público, para fazer valer este direito. Isto porque, ignorar a robusta legislação protetiva que temos, é assumir verdadeira discriminação da pessoa em razão de sua deficiência, podendo até configurar crime em alguns casos mais severos, até mesmo de descaso, omissão e negligência.”

“Especificamente sobre crianças e adolescentes dentro do espectro autista, a Lei n. 12.764/2012 garante o acesso à educação e, inclusive, que a pessoa com TEA deve ser incluída nas classes comuns de ensino regular, com direito a um acompanhante especializado.

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Bruna Richter – Psicóloga

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“A proposta de inclusão é que a escola se aproprie cada vez mais de ferramentas que dialoguem com o conceito social de educação especial, minimizando assim os entraves que dificultam o sujeito a participar plenamente de suas atividades. Eliminar ou, ao menos, minimizar essas barreiras, auxilia na promoção de acessibilidade. E nesse sentido, a produção de materiais mais criativos e interativos pode ser muito benéfica, possibilitando uma aprendizagem sensorial mais prazerosa e estimulante, através da experimentação. Com isso, teremos ambientes projetados desde sua


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DICA: PRIMEIROS SOCORROS

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SAÚDE, CUIDADO E PREVENÇÃO

espaço físico escolar é um dos ambientes que milhares de estudantes – bem como colaboradores e funcionários – transitam durante um longo período de suas rotinas. E, de certa forma, esse tempo é ampliado em instituições que disponibilizam o ensino integral. Para além do plano pedagógico e das tarefas cotidianas, é de extrema importância, no decorrer da rotina escolar, estabelecer ações de prevenção que promovam o cuidado, a segurança e o bem-estar de todos e todas.

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Nesse sentido, além de adequar o colégio em normas e regulamentações, é preciso realizar capacitações técnicas, treinamentos, simulações e, também, a implementação de programas de ensino de primeiros socorros. “Existe uma teoria do tripé da segurança e isto se aplica totalmente ao ambiente escolar, e diz assim: invista 70% em educação de todos, desenvolva 30% em protocolos e terá 0% de acidentes”, afirma Eric Amorim, especialista em segurança escolar. “Sabemos que a educação é o pilar mais importante, mas realmente investimos nela quando falamos de educação em primeiros socorros? Nosso desafio é fazer com que a escola enxergue este conhecimento como fundamento para as suas ações dentro da escola, pois muitos conhecimentos transformam as pessoas, mas só este conhecimento salva alguém!”, continua o especialista. Em um plano comparativo, em países como Japão, Chile e Estados Unidos, por exemplo, o ensino dos primeiros socorros é incorporado logo nos primeiros anos escolares, conta Amorim. O conhecimento do que se deve fazer (ou

não) em situações de emergência deve ser incorporado em toda a comunidade escolar, inclusive como pedir ajuda ou telefonar para a emergência. “Saber o que não pode fazer é importante, mas saber como fazer para ajudar a si próprio ou um familiar também é. Saber os telefones de emergência e para que serve, por exemplo, já deveria ser ensinado logo nos primeiros anos. Mas como ensinar se em muitos casos nem os professores sabem? É isto que observamos em nossas capacitações”, reflete o especialista. Corroborando com essa ideia, Wellington Moreira Ribeiro, enfermeiro, pedagogo, especialista em urgência e emergência, e saúde coletiva e comunitária, indica que o ambiente escolar é o segundo lugar onde mais acontecem acidentes com crianças, “e o ensino em primeiros socorros traz conhecimento de um assunto que é realidade: todo mundo, em algum momento da vida, irá se machucar ou se deparar com uma emergência de saúde. Saber o que fazer e estar preparado pode fazer toda a diferença”. Dessa forma, informações básicas como, como saber os números de emergência em saúde, SAMU 192 e Bombeiros 193, é um dos pontos iniciais. “Saber reconhecer uma situação de emergência de forma precoce, buscar manter a calma e manter-se seguro são essenciais antes mesmo de prestar o socorro propriamente dito, e já auxiliam e muito no cuidado. Tais habilidades são adquiridas com a inclusão da abordagem periódica do tema, através de cursos e treinamentos, onde a pessoa passa a ter mais segurança, pois o assunto não é mais desconhecido. Uma escola que trabalha primeiros socorros zela pelo próximo, se prepara para o imprevisto e diante do imprevisto sabe agir da melhor


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forma possível”, garante o enfermeiro.

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ENSINO DE PRIMEIROS SOCORROS

capacitados em primeiros socorros. A Lei, conhecida como “Lei Lucas” (em homenagem ao estudante Lucas Begalli Zamora, que sofreu uma fatalidade durante um passeio escolar), define que os cursos de primeiros socorros sejam ofertados anualmente, tanto para a capacitação como para a reciclagem do aprendizado. Segundo o portal da Agência do Senado Federal, “o objetivo do treinamento é possibilitar que os professores consigam agir em situações emergenciais enquanto a assistência médica especializada não for proporcionada”.

Partindo do pressuposto de que o ensino de primeiros socorros deve ser transmitido para todos e todas, inclusive para os estudantes menores, é preciso se atentar às atividades didáticas que serão escolhidas para conduzir a transmissão desse conhecimento. De maneira geral, podemos afirmar que quanto mais cedo as crianças e os adolescentes forem treinados, melhor conseguirão agir em uma situação de emergência e, consequentemente, salvar-se ou salvar uma vida. Além do caráter obrigatório, conta Wellington, auxiliar de maneira efetiva De acordo com Eric Amorim, as ativida- e adequada diante de uma situação de des desenvolvidas com as crianças podem emergência, ressalta um caráter social e huser leves, divertidas e interativas. “Leve e manitário, sendo extremamente gratificante divertido porque o conteúdo assusta e de- poder aliviar a dor do próximo, prestando pendendo da didática do instrutor poderá os primeiros socorros até a chegada do gerar mais traumas do que ações positivas. atendimento especializado. A preparação é séria sim, mas temos que buscar auxílio na inteligência emocional e “Trabalhar primeiros socorros em ambiente na neurociência para facilitar o aprendi- escolar não tem em hipótese alguma a prezado de todos. Tem que ser interativo, pois tensão de excluir o atendimento especialitambém é divertido entender como fazer, zado de enfermeiros, médicos e bombeiros, sem a prática neste assunto o resultado tampouco capacitar o corpo docente para não será satisfatório”, explica. essas habilidades. Mas proporciona a forma adequada de agir até a chegada do serviço Em termos práticos, com as crianças, por especializado, através de manobras simples exemplo, as atividades podem ter um ca- que garantem a segurança do profissional ráter lúdico, ressaltando a solidariedade, a que está socorrendo e de sua equipe, da ajuda e a empatia. Para Wellington Morei- pessoa que está recebendo cuidados e de ra Ribeiro, é fundamental observar a faixa toda instituição de ensino”, ressalta. etária e o nível de desenvolvimento antes de abordar um novo conhecimento com os Para os/as gestores/as que pretendem busalunos – e com primeiros socorros não é car empresas para o treinamento em primeidiferente. “Vemos ótimos resultados na in- ros socorros, Wellington indica que o ideal clusão deste assunto a partir dos 5 anos, é a contratação de empresas que disponiutilizando uma abordagem lúdica, com bilizem um conteúdo específico para o cotiuso de ilustrações e brinquedos”. diano escolar em uma linguagem apropriada aos educadores, “além de utilizar boa “É possível ensinar as crianças a reconhe- quantidade de atividades práticas em bons cer situações de perigo, como se manter em simuladores e trabalhar com profissionais de segurança diante de uma emergência, co- saúde com nível superior”, finaliza. (RP) nhecer os números de emergência e saber aciona-los. A partir de crianças de 10 anos é possível ensinar técnicas de cuidado, como de curativos, manobra de desengasgo, reanimação cardiopulmonar, utilizando simuladores apropriados e gerando muita eficácia nos resultados”, indica o enfermeiro. LEI LUCAS Em outubro de 2018 foi sancionada a Lei 13.722/18, determinando que professores e funcionários de escolas (públicas e privadas) de ensinos infantil e básico devem ser

SAIBA MAIS ERIC AMORIM eric.amorim79@gmail.com WELLINGTON MOREIRA RIBEIRO wmr_wellington@hotmail.com


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DICA: BULLYING

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QUAL O PAPEL DA ESCOLA?

termo bullying (bully = “valentão”, “tirano”, “brigão”), de origem inglesa, é geralmente utilizado no Brasil em sua forma original, e pode ser compreendido como intimidação, humilhação, insultos, apelidos jocosos, ameaças e tantas outras práticas negativas – intencionais e repetidas – provocando consequências sérias às vítimas, tanto no aspecto físico como no psicológico.

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Sueli Conte, diretora geral e mantenedora do Colégio Renovação, conta que as práticas mais recorrentes de bullying “têm relação com a humilhação do outro por qualquer motivo, como a discriminação por raça, cor, sexo, peso, cabelo, sotaque, status social, roupas, etc. Apesar das agressões verbais serem as mais constantes, há casos de agressões físicas com chutes, empurrões e outras maneiras de machucar o outro, sempre disfarçadas de brincadeiras”. Para a mantenedora, que também é psicóloga, psicopedagoga e doutoranda em Neurociência, as práticas que envolvem essas agressões, violências e insultos, sobretudo sob o prisma de quem os pratica, estão intimamente ligadas a contextos culturais, sociais e emocionais. “Quem pratica o bullying, infelizmente, sente prazer no menosprezo e na vergonha que causa no outro. É claro que esta criança e/ou adolescente, falando sobre o âmbito escolar, não está saudável. Existe um buraco emocional que o impede de ser feliz de outra maneira, que não o deixa perceber como é difícil ser humilhado”, afirma. Para romper essa realidade de agressões e violências, que atingem inúmeros alunos em todo o país – tanto presencialmente como na internet, com o cyberbullying – é preciso compreender a instituição de ensino como uma forte

aliada na erradicação dessas práticas. Assim, certas medidas devem ser tomadas com o intuito de erradicar essas ações, promovendo a igualdade, o respeito às diferenças e o conhecimento do outro como fonte de descobertas e experimentações saudáveis. “Na escola, é importante trabalhar de maneira preventiva. Abordar o assunto em sala de aula, realizar atividades com os alunos de modo que eles consigam entender o tamanho dos danos que a prática do bullying pode provocar nos colegas, promover palestras com profissionais tanto para os pais quanto para os alunos, realizar dinâmicas com a apresentação de filmes, realização de rodas de discussão, fazer com que os alunos entendam e pratiquem a empatia, ou seja, não façam com o outro o que não querem para si”, indica a diretora. São intervenções importantes, complementa Conte, para que as crianças cresçam sabendo das consequências do bullying e, consequentemente, não queiram praticá-lo. “O dever da escola é trabalhar para que as crianças e adolescentes se tornem adultos saudáveis e consigam construir um mundo melhor para todos. Acredito que se trabalharmos em conjunto com as famílias e até mesmo com outras unidades educacionais, apoiados pelos meios de comunicação, em breve iremos banir está palavra ‘bullying’ da vida das nossas crianças e adolescentes!”, finaliza. (RP)

SAIBA MAIS SUELI CONTE sueli@renovacao.com.br Acesse o nosso site e confira a matéria completa – direcionalescolas.com.br


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ACESSÓRIOS (VENTIL ADORES E BEBEDOUROS), ALIMENTAÇÃO, GRAMA SINTÉTICA, PL AYGROUNDS


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PERSIANAS, PISOS, PRODUTOS DE LIMPEZA, PROTETOR DE COLUNA, TOLDOS E COBERTURAS


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