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EDITORIAL DIRETORES Sônia Inakake Almir C. Almeida
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PÚBLICO LEITOR DIRIGIDO Diretores e Compradores PERIODICIDADE MENSAL exceto Junho / Julho Dezembro / Janeiro cuja periodicidade é bimestral TIRAGEM 20.000 exemplares JORNALISTA RESPONSÁVEL Rosali Figueiredo MTB 17722/SP jornalista@condominio.inf.br CIRCULAÇÃO Estado de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais DIREÇÃO DE ARTE Jonas Coronado ASSISTENTE DE ARTE Nathália Tadiello Sergio Willian ASSISTENTE DE VENDAS Emilly Tabuço CONTATOS PUBLICITÁRIOS Alexandre Mendes Rogério Guerra Silvana Tesser ATENDIMENTO AO CLIENTE João Marconi Juliana Jordão IMPRESSÃO Hawaii Gráfica
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São Paulo receberá neste mês um dos maiores eventos da área da educação no ano, o XIV Congresso e Feira de Educação Saber, entre os dias 16 e 18 de setembro, no Centro de Exposições Imigrantes. São esperados 13 mil participantes, para acompanharem 101 atividades e 114 palestrantes. A sustentabilidade pautará o Congresso, assunto que também dá o gancho para a reportagem especial desta edição da Direcional Escolas. “Há muito tempo o Saber tem tratado das questões da Educação Ambiental, neste ano resolvemos trazê-la como tema central, até porque as escolas o têm abordado com projetos especiais e pontuais, nas áreas de Ciências e Biologia. O tema é de suma importância e deveria permear toda a escola, não só no seu discurso acadêmico, mas e principalmente na vivência cotidiana e no exemplo construtor de posturas e hábitos”, defende a coordenadora pedagógica do Congresso, Edimara de Lima. Edimara é responsável pela programação das palestras, juntamente com a pedagoga Regina Di Stéfano, coordenadora dos cursos do SIEEESP. A reportagem da Direcional Escolas observou que as instituições têm procurado articular o ensino a experiências práticas de sustentabilidade, adotando-se a utilização de equipamentos economizadores de energia e água, processos de coleta seletiva, redução do consumo do papel, entre muitos outros. Mas destaca que o conceito deve ser expandido, inclusive, aos projetos de reforma ou reutilização dos espaços físicos, conforme orientam profissionais e pesquisadores ligados à área da construção. Para as organizadores do Saber, ainda há muito o que avançar nessas práticas. É preciso “dar uma ‘chacoalhada’, colocar holofotes nesta temática – tão falada e pouco vivida”, ressalta Edimara. A ampliação da jornada integral nas escolas é outro tema que figura entre as grandes tendências da educação e integra esta edição. O próprio MEC discute o assunto desde 2007 e pretende balizar o processo, oferecendo subsídios para uma nova organização pedagógica e arquitetônica às instituições que optarem pelo modelo. O Ministério considera como jornada integral uma carga mínima de sete horas diárias, mas a rede privada em São Paulo oferece outros formatos. O importante, segundo mantenedores e especialistas, é que a instituição disponibilize condições mínimas para que a experiência seja positiva aos estudantes e agregue benefícios à sociabilidade, formação e aprendizagem. Ainda dentro de “tendências”, as três Dicas publicadas nesta edição trazem novos olhares sobre os uniformes escolares; o emprego do material didático em Biologia; e um recurso que certamente começará a fazer o diferencial de muitas instituições: as salas de psicomotricidade. Completa a parte editorial da revista o Fique de Olho sobre manutenção predial, com destaque para as instalações elétricas. Finalmente, destacamos a Carta-Compromisso “Pela Garantia do Direito à Educação de Qualidade”, lançada no final de agosto por 18 organizações nacionais ligadas à educação. O grande propósito do documento é pleitear que a política educacional tenha um caráter de gestão de Estado e não de governo, ou seja, que esteja além das bandeiras partidárias e atenda às necessidades de toda a sociedade. Uma boa leitura a todos, Rosali Figueiredo Editora
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EDITORA Rosali Figueiredo
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SUMÁRIO
DICA
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Material Didático Biologia
Desde os anos 60 o ensino da Biologia saiu da memorização conceitual e incorporou o vínculo com a vida, com a experiência cotidiana. Transversal a toda educação básica, ele aparece nos PCN’s em quatro grandes eixos temáticos: Terra e Universo; Vida e Ambiente; Ser Humano e Saúde; Tecnologia e Sociedade. As novas tecnologias ou mesmo métodos alternativos de produção do material didático enriquecem as possibilidades da experimentação e da vivência do método científico.
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Sala de Psicomotricidade
Ainda são poucas as instituições que disponibilizam uma sala especialmente planejada para o trabalho motor orientado junto às crianças da Educação Infantil e princípios do Fundamental I. Mas a psicomotricidade amplia as possibilidades de aprendizagens futuras e conquista gradativamente a atenção dos pedagogos e das mantenedoras. Ela abre caminho ao desenvolvimento da atenção, observação, memória, percepção visual, auditiva e tátil, lateralidade, equilíbrio e localização espaço-temporal.
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Uniformes Escolares
Uma das peças mais utilizadas pelas crianças, jovens e adolescentes ao longo do ano, o uniforme escolar merece tratamento de grife, um layout moderno e atraente, mais qualidade e durabilidade. A ideia uniu confeccionistas e fabricantes de tecidos, que já conquistaram uma norma técnica na ABNT, baixaram uma cartela com padronização de cores e decidiram ir a campo para convencer os pais e as escolas a adotarem o novo conceito. Afinal, uniforme também é mídia.
FIQUE DE OLHO
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Manutenção Predial/Elétrica
Os sistemas elétricos figuram obrigatoriamente no checklist das manutenções periódicas, não apenas por uma questão de segurança, mas também de funcionalidade, já que muitos de seus itens demandam reposição imediata para o bom andamento dos trabalhos escolares. Nesta edição, a Direcional Escolas publica um perfil da JMC Comercial Elétrica, da Ligação igação Home Center e da MK Elétrica, empresas que disponibilizam milhares de materiais em seu portfólio e apresentam grande tradição de mercado.
GESTÃO
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Escola Integral e Bilíngue
ESPECIAL
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Escolas Verdes
Presente no currículo obrigatório, a Educação Ambiental saiu há muito das salas de aula e desdobrouse em ações de sustentabilidade nas escolas, entre as quais a coleta seletiva é uma das mais comuns hoje. Mas está na hora de ampliar o conceito, incorporando-o aos mais diferentes hábitos cotidianos, incluindo práticas administrativas e uma nova visão dos sistemas construtivos nas edificações, o que é viável mesmo nas reformas.
PERFIL DA ESCOLA
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Colégio Oshiman
A ampliação da jornada escolar vem ocorrendo em formatos diferenciados na rede privada, mas atinge também a algumas centenas de escolas públicas no País. O MEC defende uma nova organização às escolas que optarem pelo ensino integral, assegurando “quantidade e qualidade do tempo diário de escolarização”, “diversidade de atividades de aprendizagens”, além de “estudos pedagogicamente planejados e acompanhados”.
Escola de ensino multilinguístico, incluindo o japonês, valoriza a construção da autonomia e propõe-se a desenvolver no aluno o sentido da responsabilidade pela vida. O trabalho é feito com salas pequenas, mesmo que se registre uma procura suficiente para abrir uma nova turma por série. A sua prioridade é propagar a cultura da paz, filosofia herdada da trajetória de uma de suas fundadoras, Marico Kawamura, há 50 anos atuando com a educação.
Gestão Escolar – 33 Gráfica – 25, 26 Grama Sintética – 30, 31, 32 Incêndio - 25 Jogos – 22, 23, 30, 31, 32 Laboratório – 26, 3ª Capa Lâmpadas - 7, 22, 2ª Capa Lavadoras de Alta Pressão – 22, 23 Lousa – 30 Manutenção Predial – 7, 22, 2ª Capa Mapas - 29 Material de Limpeza – 22, 23 Microscópios – 26, 3ª Capa Modelos Anatômicos – 26, 3ª Capa Móveis – 26, 27, 1ª Capa Parque – 8
Pisos – 12, 17, 29, 30 Pinturas Especiais - 30 Playgrounds – 30, 31, 32 Produtos e Equipamentos para Limpeza – 22, 23 Projetores – 30 Quadras – 32 Quadros – 30 Radiocomunicação – 33 Redes de Proteção – 32 Revestimentos – 12, 17, 29, 30 Segurança - 33 Sistema de Gestão – 33 Softwares – 33 Tapetes – 22, 23 Terceirização - 33 Toldos – 34 Uniformes - 13
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ÍNDICE Acessórios – 22, 23 Alambrados – 32 Assessoria Contábil – 4ª Capa Auditório - 22 Bebedouros – 24, 25 Brindes – 5 Brinquedos Educativos – 9, 22, 23 Brinquedos Pedagógicos – 9, 22, 23 Casas de Madeira - 22 Câmeras – 33 Coberturas - 34 Coleta Seletiva de Lixo – 22, 23 Estudo do Meio – 26, 3ª Capa Excursões - 8 Feiras – 21 Filtro – 24, 25
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Ilustração: Nathália Tadiello
FIQUE DE OLHO: MANUTENÇÃO PREDIAL / ELÉTRICA
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ma boa notícia foi divulgada recentemente pelo setor de Segurança, Saúde e Qualidade de Vida da CPFL Energia: a redução dos acidentes fatais com eletricidade no Brasil em 2009. Foram registradas 288 ocorrências contra 331 em 2008, uma queda de quase 15%. Mas não se pode descuidar desta área, ressalva a CPFL, que recomenda, entre outros, cuidados com a manutenção predial, como certificar-se que as instalações estejam adequadas à carga elétrica bem como livres de “gambiarras”. Neste segmento, “em termos de segurança”, destacam-se hoje dois principais produtos, afirma Devair Bebiano, controller da JMC Comercial Elétrica: “os cabos flexíveis não halogenados, pois, em caso de incêndio, não emitem gases tóxicos; e os disjuntores DR (interruptores de fuga), que protegem o ser humano de choques elétricos”. Mas, “partindo do pressuposto que toda reforma e/ou avanço tecnológico sempre envolve energia elétrica, o mercado tende a se expandir neste setor, pois desde a adequação da iluminação à instalação de potentes servidores conectados à Internet irão utilizar fios, cabos, lâmpadas, tomadas etc.”, analisa o controller. Nas escolas, Devair recomenda atenção à adaptação das tomadas para o novo padrão brasileiro (de três pinos, sextavada e em formato de poço). A JMC possui 38 anos de mercado, duas lojas em São Paulo, Capital, mas atende em todo Brasil. Uma das mais tradicionais empresas do segmento, atua somente com produtos “de primeira linha e certificação do Inmetro, o que garante a qualidade e segurança para o usuário final”. Seus funcionários são treinados e oferecem atendimento diferenciado aos clientes, prontos para orientá-los sobre o que realmente procuram, “pois sabemos que nem todos os compradores de escolas são especialistas em manutenção e reformas”, comenta Devair. A empresa garante ainda entrega em até 24 horas nas compras realizadas na Grande São Paulo e mantém-se ligada às novidades do mercado, “que venham a somar diversidade ao nosso mix de produtos”. Na Ligação Home Center, o diretor comercial Luiz Fernando destaca como seu grande diferencial justamente um extenso e variado portfólio de produtos “na área de conservação e decoração predial”, o que oferece a comodidade ao cliente de encontrar, em um mesmo local, materiais adequados às suas diversas necessidades. “Trabalhamos somente com produtos de primeira qualidade, certificados e com garantia do fabricante”, acrescenta o diretor, lembrando que os compra diretamente das fábricas. Com nove anos de mercado, a Ligação comercializa produtos da área elétrica, hidráulica, pintura e construção, ou seja, “tudo que se refere à manutenção da escola”. Mas seu carro-chefe ainda está no segmento elétrico, com lâmpadas, fios e cabos, luminárias etc. A empresa atende em todo País, via telefone ou internet, e
despacha as mercadorias através de transportadoras ou correios. Outra empresa com grande tradição é a MK Elétrica, fundada por Mohamed Kassein Jarrah e seu pai, há 30 anos. Com uma carteira de 30 mil itens, a MK oferece desde lâmpadas, reatores, projetores, disjuntores, luminárias, fios e cabos a sistemas completos de CFTV. Segundo Mohamed Kassein, as escolas devem ter uma política de recomposição contínua desses componentes em seu almoxarifado, pois há equipamentos que exigem reposição imediata, como lâmpadas, sirenes e acessórios do CFTV. A própria MK Elétrica mantém seus estoques sempre completos, de forma a despachar o pedido dos clientes no mesmo dia. “Fazemos entrega imediata, sem custo de frete na Grande São Paulo, pois nossos estoques são elevados, com as melhores marcas do mercado e todos os produtos certificados pelo Inmetro.” Mohamed Kassein destaca ainda o serviço de pós-venda da empresa por uma equipe treinada para atender in loco ao cliente que eventualmente tenha dificuldade com o produto adquirido. Se houver necessidade, a MK providencia a troca e indica técnicos para instalações. Em 2005, a empresa tornou-se fabricante de condutores elétricos (fios e cabos) e projeta, para 2011, o lançamento de seu e-commerce, abrindo mais um canal de comercialização com as escolas de todo o País, hoje atendidas por telefone e email.
SERVIÇO JMC COMERCIAL ELÉTRICA 11 - 3358-8000/3358-1111 www.jmc.com.br jmc@jmc.com.br LIGAÇÃO HOME CENTER 11 - 3209 5000/3276 4000 www.ligacao.com.br vendas@ligacao.com.br MK ELÉTRICA 11 – 5643-7000 Nextel 86*30337 www.mkeletrica.com.br vendas@mkeletrica.com.br
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mk elĂŠtrica vai mandar pronto
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DICA: MATERIAL DIDÁTICO – BIOLOGIA
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Ilustração: Nathália Tadiello
Articulando teoria & prática, experimentação e método científico A professora doutora Suzana exercícios de observação e manipulação de Ursi, do Instituto de Biociências da materiais.”
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Universidade de São Paulo, visitará em breve o Ministério do Meio Ambiente e instituições de pesquisa em Brasília, com sua ex-aluna Ana Claudia Cassanti, do Colégio Dante Alighieri, como parte do prêmio “Cientistas do Amanhã”, concedido, entre outros, pela SBPC e UNESCO. Elas foram contempladas pelo projeto Microbiologia Democrática, realizado no Dante dentro de um programa de pré-iniciação científica. Suzana orientou o trabalho, que concebeu material didático de baixíssimo custo e sem necessidade do espaço formal do laboratório para o ensino de microbiologia a estudantes de 11 e 12 anos. Foram elaborados um manual impresso, um DVD e uma proposta de oficina para professores de Ciências. O projeto também teve a participação da aluna Ana Clara Cassanti e da professora Eliana Ermel de Araujo (falecida em 2008). Ele se baseia no pressuposto que é possível aos alunos produzirem seus próprios materiais, através da reciclagem de embalagens PET e uso de gel, afirma Suzana. Esta é mais uma alternativa para o ensino da Biologia na Educação Básica, propõe a docente, que inclui o laboratório, no entanto, como ferramenta ainda central para os estudos. Na verdade, todos os recursos se complementam, incluindo as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s). “Estas permitem simulações, mas não substituem o laboratório, pois é neste espaço que os alunos podem fazer
O ensino da Biologia passou por grande transformação em princípios da década de 60, quando a primeira Lei de Diretrizes e Bases (LDB) “descentralizou as decisões e permitiu aos gestores e professores contextualizar o conteúdo, colocando a experiência prática no currículo”, relata Suzana. A LDB de 1996 (Lei 9.394) reforçou “a conexão do factual com o cotidiano”, diz. Outro salto foi a introdução da perspectiva dos estudos dirigidos pela professora doutora em Educação da USP, Myriam Krasilchik. Autora de diversos livros na área e graduada em História Natural, Myriam forneceu um novo parâmetro ao ensino da Biologia, observa Suzana, o que “inspirou o desenvolvimento de bons materiais didáticos atuais”. De acordo com Suzana, a tendência é que a relação ensino-aprendizagem de todas as ciências adote como base o processo investigativo, de forma a que o aluno “vivencie o método científico”, com a problematização, elaboração e teste de hipóteses, sistematização dos dados, produção de texto e conclusão. O coordenador de projetos da rede Pueri Domus no Ensino Fundamental e Médio, André Bocchetti, graduado em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual do Ceará e doutor em Educação pela USP, defende um vínculo constante entre os conteúdos e a produção social. Outro quesito fundamental está na postura do professor, “que deve ser capaz de inquietar os alunos e de problematizar o conhecimento em sala de aula, utilizando-se dos materiais didáticos, dos laboratórios e das TIC’s”. E o formato desses recursos “precisa brincar com a inquietação do estudante”. No caso dos laboratórios, observa, é importante que contemplem áreas como botânica, anatomia, zoologia e microscopia. (R.F.)
Saiba mais – André Bocchetti - andre_bio@hotmail.com Materiais didáticos/Inst. Biociências USP -www.ib.usp.br (acesse o link materiais didáticos) Suzana Ursi - www.botanicaonline.com.br / suzanaursi@usp.br OBS.: ambos os sites acima oferecem material didático para download gratuito e estão vinculados aos professores e pesquisadores do Instituto de Biociências da USP.
Na próxima edição: Material Didático - Matemática
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DICA: SALA DE PSICOMOTRICIDADE
A coordenadora Alessandra Marineli comenta que os alunos mais dispersos e com dificuldade de aprendizagem, por exemplo, “já começaram a se organizar melhor em sala de aula” desde o início do projeto. “A psicomotricidade estimula as habilidades motoras, perceptuais, cognitivas e afetivas, além da atenção e concentração, necessárias ao sucesso das aprendizagens futuras”, diz. Mas a área é nova e ainda busca o reconhecimento tanto no Brasil quanto no exterior, pondera outra especialista, a professora de Pedagogia e Educação Física Vania Maria Cavallari. “As escolas de educação básica no País estão começando a perceber a importância de o pedagogo entender o que é psicomotricidade, para melhor compreender como as crianças neurologicamente aprendem.” Vânia assessora a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, oferecendo suporte na especialidade aos professores do 1º ano do EFI. Ministra cursos na área e é autora de um capítulo sobre o assunto no livro “A Criança de Seis Anos: Teoria e Prática” (SIEEESP, 2008). Segundo o professor de Educação Física Luiz Henrique Fleck, do Colégio Santa Amália, com unidades no Tatuapé e na Saúde, a psicomotricidade é um recurso pouco utilizado pelas instituições, mas nas unidades em que dá aula, nas turmas entre dois e cinco anos, utiliza-se de muitos objetos próprios da especialidade, como formas geométricas, cubos vazados, bambolês etc. “Eu os aproveito para montar circuitos, obstáculos e propor desafios, para trabalhar o equilíbrio, a manipulação de objetos e rolamentos, desenvolvendo, por exemplo, a memória visual básica.” Luiz destaca que o retorno proporcionado pelo material “é muito bom” e acredita que no futuro as escolas irão apostar mais neste recurso. (R.F.)
Saiba mais – Lídia Lacava - lidialacava@gmail.com Vania Maria Cavallari - vmcavallari@hotmail.com Na próxima edição: Controle de Pragas
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esde 2008, o Instituto de Educação e Cultura de Descalvado, ligado a uma cooperativa de Ensino (CEDESC) e situado no Interior paulista, desenvolve um trabalho semanal de psicomotricidade do mini-maternal ao 2º ano do Fundamental I. A escola destinou um espaço próprio para as atividades, equipado com túnel centopeia, linha movimento, dominós, caixa tátil, cubos de encaixe, kit espaço, cubo ativo, linhas vazadas, torre inteligente, alinhavo, bolas, cordas, quebra-cabeça, bambolês, baú, fantasias e adereços para faz-de-conta, bonecas e carrinhos, entre muitos outros. “O projeto surgiu da necessidade de darmos mais movimentação e ludicidade à Educação Infantil e anos iniciais do EFI, já que para os pequenos a melhor maneira de aprender é através de atividades lúdicas, desafiadoras e de muito movimento”, observa a coordenadora Alessandra Marineli. Para a psicopedagoga Lídia Lacava, especialista em arte educação e psicomotricidade, as escolas que oferecem salas e/ou programação na área dão “grande contribuição à alfabetização na pré-escola”. “O trabalho corporal é algo que se perdeu, tínhamos antes a amarelinha, brincadeiras de roda e de pular corda, e hoje vivemos o fenômeno do ‘analfabetismo motor’, de crianças que quase não se exercitam”, lamenta. E a aprendizagem, acrescenta Lídia, está intrinsecamente ligada à experiência corporal, que auxilia os pequenos a desenvolverem a atenção, observação, memória, percepção visual, auditiva e tátil, lateralidade, equilíbrio e localização espaço-temporal. “Essas são as primeiras experiências que situam o sujeito no mundo, em que ele se insere num tempo e espaço com o seu corpo e através dele localiza-se em relação ao outro e aos objetos”, explica.
Ilustração: Nathália Tadiello
Trabalho motor abre caminho à aprendizagem
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GESTÃO: ESCOLA INTEGRAL E BILÍNGUE
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VEIO PARA FICAR? A ampliação da jornada escolar tornou-se há quatro anos programa oficial do MEC, que pretende vê-la principalmente como instrumento de inclusão social no País. Na rede privada, por sua vez, ela atende às demandas das famílias, do mercado e de uma nova matriz educacional. Isso exige, no entanto, alterar o suporte pedagógico e físico das instituições, conforme determina o próprio Ministério.
Por Rosali Figueiredo
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O Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de
São Paulo (SIEEESP) e a Secretaria Estadual de Educação desconhecem quanto aumentou a oferta de escolas em tempo integral na rede privada, mas concordam que a ampliação da jornada atinge a um número cada vez maior de instituições. As razões são muitas, vão desde atender às necessidades dos pais ou responsáveis, que ficam o dia todo fora de casa, ao aumento da carga curricular, especialmente no Ensino Médio. Passam ainda pelo novo perfil de profissional que o mercado exige, como o domínio de idiomas estrangeiros. Na rede pública, a ampliação está em curso pelo menos desde 2007, a partir da instituição do Programa Mais Educação. Neste caso, porém, o foco recai também sobre a inclusão social. A pedagoga e coordenadora do Departamento Pedagógico do SIEEESP, Marlene Schneider, observa que há dois tipos predominantes de escolas com jornada integral na rede privada. De um lado figuram as bilíngues, vinculadas a um sistema de ensino estrangeiro e adaptadas ao currículo obrigatório brasileiro, principalmente nos idiomas inglês, espanhol e alemão; e, de outro, instituições que passaram a oferecer um turno direto maior, com aumento de carga horária em um segundo idioma (em sua maior parte, no inglês). De outro modo, é comum as escolas utilizarem pelo menos dois períodos semanais do contra-turno para complementaram a carga horária ou ainda oferecerem cursos complementares de idiomas ou esportes, através de parcerias com outras instituições. “Isso, de alguma forma, amplia o leque de atividades”, afirma o diretor-presidente do Colégio Padre Anchieta, em Osasco, José
Antonio Figueiredo Antiório. Responsável pela área jurídica do SIEEESP e presidente do Conselho Fiscal da Federação Nacional das Escolas Particulares (FENEP), Antiório observa que é preciso hoje distribuir algumas disciplinas do Ensino Médio no horário invertido para atender “a sua carga mais elevada”. Recente levantamento publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo aponta, por exemplo, que desde 2007 mudanças na Lei de Diretrizes e Bases (LDB) introduziram seis novos conteúdos obrigatórios: Filosofia, Sociologia, Artes, Música, Culturas e Etnias (Afro-Brasileira e Indígena) e Direitos das Crianças e Adolescentes. O Padre Anchieta dispõe de jornada integral na Educação Infantil; para os demais alunos, adapta a grade às necessidades de aprendizagem de cada fase escolar. ORGANIZAÇÃO DIFERENCIADA Conforme as novas Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica, publicadas em julho passado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), através da Resolução 4/2010, a definição da jornada deve levar em conta “a amplitude do papel socioeducativo atribuído ao conjunto orgânico da Educação Básica” (Artigo 12). Se integral, precisa disponibilizar sistema de turno e contra-turno ou turno único com jornada mínima de sete horas, “o que requer outra organização e gestão do trabalho pedagógico” (Artigo 12). Os parágrafos 1º e 2º do artigo determinam, respectivamente, que haja “quantidade e qualidade do tempo diário de escolarização”, “diversidade de atividades de aprendizagens”, bem como a “incorporação efetiva e orgânica, no currículo, de atividades e
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JORNADA AMPLIADA NA REDE PÚBLICA O artigo 34 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394/1996) defende a progressiva ampliação do período de permanência na escola. Já o Estatuto da Criança e do Adoles-
cente (Lei 8.069/1990) garante às crianças e aos adolescentes a proteção integral e todos “os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana” (oportunidade de desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social). Essas são duas das principais justificativas da Portaria Normativa Interministerial 17/2007, que lançou o Programa Mais Educação no âmbito do MEC. Vinculado à Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação (SECAD), o Mais Educação se propõe a fornecer subsídios para a ampliação da jornada e a articular os programas em nível federal, estadual e municipal. Conforme pesquisa realizada pelo MEC em 2008 junto a 2.112 municípios brasileiros, 500 (23,7%) vinham desenvolvendo alguma experiência do gênero no Ensino Fundamental, totalizando 800 escolas, a maior parte no Sudeste e Sul (respectivamente, 37% e 25%). Elas apresentavam “duas grandes categorias” de jornada ampliada: 55,5% com pelo menos sete horas de educação integral e as demais com ações complementares. Em ambas as categorias, a complementaridade do currículo obrigatório acontecia por meio de atividades esportivas (presentes em 65% delas), aulas de reforço (61,7%), música (57,1%), dança (54%), teatro (46,4%), informática (45,6%), oficinas temáticas (44,9%), artesanato (40,5%) e as tarefas de casa (40,2%). No Estado de São Paulo, 321 escolas da rede oferecem hoje ensino integral. Outras 32 são bilíngues (todas indígenas). Há também 97 Centros de Estudos de Línguas (CELs) que atendem aos alunos da rede. Segundo balanço da Coordenadoria de Ensino e Normas Pedagógicas (CENP), os alunos matriculados nessas escolas tiveram melhor desempenho no último SARESP (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar). Vale lembrar que a Lei Federal 11.494/2007, que regulamenta o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB), destina mais recursos às matrículas na educação básica em tempo integral com jornada mínima de sete horas.
SAIBA MAIS PROGRAMA MAIS EDUCAÇÃO http://portal.cnm.org.br/sites/5700/5788/port_17_2007_ mais_educacao.pdf SIEEESP pedagogico@sieeesp.com.br SITE DA DIRECIONAL ESCOLAS www.direcionalescolas.com.br (Confiram as leis e dispositivos que regulamentam a introdução do ensino integral na rede privada no Estado de São Paulo)
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estudos pedagogicamente planejados e acompanhados”. O próprio Ministério da Educação (MEC) vem levantando parâmetros sobre o que seria esta “outra organização”, procurando conceber um padrão arquitetônico e pedagógico diferenciado da escola tradicional e adaptado às especificidades do ensino integral. O tema foi discutido no 3º Encontro Nacional dos Coordenadores do Programa Mais Educação, em maio passado. O administrador Ricardo Chiocarello, um dos mantenedores da Escola Internacional de Alphaville, de ensino bilíngue e integral, defende que as instituições sejam especialmente planejadas para atuarem com esse tipo de jornada. Além da infraestrutura física, os cuidados devem envolver desde a postura do professor em sala de aula à organização do horário. “Recomendamos aos professores que não se apropriem de um único recurso didático por mais de 40 minutos, que variem a forma de utilização da sala ou busquem espaços diferenciados. Temos ainda a preocupação de oferecer ambientes climatizados, mobiliário confortável e sala de estudos com baias individualizadas e computadores acessados à internet”, enumera Ricardo. A escola oferece ainda espaços de recreação, além de uma mini-cidade na Educação Infantil, com cerca de dois mil metros quadrados, dos 14 mil metros totais de sua área. Quanto aos horários, os estudantes têm livres cerca de 30 minutos após o almoço para circularem pelos pátios, biblioteca e sala de estudos, entre outros. A Escola Internacional de Alphaville foi criada há onze anos e possui hoje cerca de 600 alunos entre a Educação Infantil e o High School. A jornada no Ensino Fundamental vai das 7h45 até 15h30. No High School somente dois dias da semana avançam no chamado contra-turno. Apesar de bilíngue, a escola segue apenas o currículo brasileiro, mas introduz o inglês, em regime de imersão total, com crianças entre dois e quatro anos. O Espanhol entra no final da Educação Infantil e a alfabetização em Português aos cinco anos. Segundo o mantenedor, 22% dos alunos são estrangeiros e representam 23 nacionalidades. O mantenedor comenta que durante um bom tempo as escolas de ensino integral foram vistas com preconceito pela sociedade. “Os pais ficavam receosos com o excesso de atividades e a falta de tempo para descanso. É claro que a instituição precisa suprir esta necessidade do aluno e também que possa fazer a tarefa de casa. Uma escola meramente adaptada poderá sim sobrecarregá-lo.” Mas uma instituição “bem estruturada dá tranquilidade ao pai e mãe que trabalham, propicia maior oportunidade de socialização dos alunos e amplia sua formação e bagagem”, avalia.
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tro confeccionistas entrarão em campo para convencer escolas, pais e alunos que o uniforme merece tratamento de grife, modelagem moderna, além de tecidos com qualidade e durabilidade. A partir de 2011, a mensagem deverá compor uma campanha publicitária em pontos de venda da Capital, defendendo um novo conceito para o uniforme escolar. “Queremos que ele seja uma experiência positiva e o aluno sinta conforto e prazer em vesti-lo”, afirma Roberto Yokomizo, dono de uma confecção e um dos articuladores do Projeto de Modernização do Vestuário Escolar (Promovesc), o qual reúne alguns dos integrantes do Grupo de Uniformes Escolares da ABRAVEST (Associação Brasileira do Vestuário). Afinal, a peça é a mais utilizada ao longo do ano pelas crianças, jovens e adolescentes em idade escolar, a mais lavada entre as demais roupas e, não raro, é a vestimenta com a qual acabam indo a médicos, restaurantes ou shoppings quando saem do colégio, justifica Roberto. O Promovesc já conquistou, em parceria com a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), a publicação da NBR 15.778 (Norma Técnica do Uniforme Escolar – Requisitos de Desempenho e Segurança), indicando parâmetros de qualidade para os fabricantes de tecidos em relação a encolhimento, solidez da cor e resistência ao estouro, entre outros. “A qualidade deve ser compatível com o uso diário e permanente”, ou seja, garantir um desempenho mínimo do material, defende Roberto. “Queremos agregar valor à peça, aumentar sua relação custo benefício e sair da filosofia de que ele deve ser mais barato que as demais confecções.”
lica Marangoni, que participa do Promovesc representando um dos fabricantes, o grupo quer assegurar o uso de fios e corantes de bons fornecedores na produção dos tecidos. “Realizamos testes para verificar a solidez das cores, de forma a que não migrem para as claras”, exemplifica. Outra conquista do Promovesc foi o lançamento de uma cartela de 28 cores padronizadas para os fabricantes, permitindo que uma mesma tonalidade seja encontrada em diferentes matrizes de tecidos, tanto nos planos (como o tactel) quanto na malharia, afirma Angélica. O uniforme escolar representa um importante veículo de marketing e divulgação para as instituições, avalia o publicitário Claudio Gonçalves, consultor de marketing na área. Nesse sentido, Claudio cita o exemplo de um mantenedor que elegeu o uniforme como o primeiro instrumento de veiculação da nova identidade de uma escola que acabara de adquirir. “Ele tinha um concorrente próximo, um colégio maior, mas inovou seu uniforme com um visual moderno e um acabamento melhor, para que os alunos tivessem orgulho de vesti-lo.” Claro que a instituição investiu na melhoria da infraestrutura geral, observa, mas utilizou a peça para “criar um sentimento de pertencimento ao ambiente”. “O investimento neste caso é quase zero, apenas no desenvolvimento do conceito”, lembra Claudio, que recomenda a adoção de layouts mais contemporâneos e adaptados aos materiais modernos. O publicitário chama atenção, porém, à eventual inadequação da logomarca às peças. O bordado torna mais difícil conferir um bom padrão de legibilidade à imagem, especialmente às linhas mais finas, e isso deve ser levado em conta na concepção da identidade visual da escola. (R.F.)
Saiba mais – Angélica Marangoni - angelicamarangoni@terra.com.br Claudio Gonçalves - claudio@manufacturaweb.com.br Promovesc - promovesc@centraldefontes.com.br Na próxima edição: Idiomas
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Por um novo conceito e qualidade Três fabricantes de tecidos e qua- Segundo a designer de moda Angé-
Ilustração: Nathália Tadiello
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Ilustração: Nathália Tadiello
ESPECIAL: ESCOLAS VERDES
A educação ambiental é tema obrigatório do currículo escolar e repercute cada vez mais em soluções práticas de economia de energia, água e insumos como embalagens e papel. A coleta seletiva, por exemplo, serve aos propósitos de ensinar e reaproveitar, mas há escolas avançando no conceito da sustentabilidade, adotando-o no sistema construtivo, conforme experiência da rede estadual de São Paulo.
Por Rosali Figueiredo
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Verbete comum na mídia, em palestras, documentos, congres-
sos, aulas e projetos interdisciplinares, a sustentabilidade vincula-se a múltiplos significados, os mais correntes dizem respeito à qualidade daquilo que se “protege”, “conserva”, “impede a ruína” e “anima”. Pois mais do que empunhar a bandeira da preservação, é preciso mobilizar novas posturas – de pais, alunos, professores e comunidade, entre outros – de forma a evitar o esgotamento ambiental. Isto trabalhando tanto sob a perspectiva do conteúdo curricular quanto da gestão dos recursos físicos e dos negócios no dia a dia escolar. A sustentabilidade vista sob esses três âmbitos – curricular, físico e administrativo – será, inclusive, abordada em um bom número de palestras do XIV Congresso e Feira de Educação Saber, entre os dias 16 e 18 de setembro em São Paulo. Neste ano o evento traz como tema geral “Cuidar do presente para garantir o futuro – O Saber agindo para um Mundo Sustentável”. Para a pedagoga Lúcia Legan, australiana radicada em Goiás, onde fundou o Ecocentro IPEC (Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado), a sustentabilidade ou a “escola verde” deve estar presente em todas as áreas, “na arquitetura, design, gestão da água, do papel, do pátio e salas de aula”, desde a concepção do espaço físico à manutenção. Lúcia é autora do livro “Criando Habitats na Escola Sustentável”, lançado neste ano pela Imprensa Oficial de São Paulo. O guia propõe a professores e alunos formarem habitat “silvestre”, da
“alimentação”, da “água”, da “energia & tecnologia” e da “cultura & economia verde” no espaço físico da escola. Segundo Lúcia, a intervenção concreta serve como estímulo às crianças, jovens e adolescentes, mostrando que eles “podem mudar o seu futuro”. Ao mesmo tempo, o habitat introduz o conceito de permacultura, que é o de se aproveitar os espaços e recursos disponíveis, tornando-os produtivos conforme as características e funções de cada elemento da natureza. Já o professor Manuel Carlos Reis Martins, coordenador executivo do Processo AQUA, da Fundação Vanzolini, observa que a sustentabilidade pressupõe “utilizar tudo de forma que você não esgote, nem contamine ou polua, de forma a que os recursos naturais possam ser utilizados pelas futuras gerações”. Do ponto de vista das edificações, a sustentabilidade vincula-se à racionalidade no consumo de energia e água, bem como ao controle da emissão de carbono, da produção de resíduos (lixo) e do uso de materiais extraídos do ambiente natural, como a areia, nos períodos de construção e uso (Leiam mais na página 16). TEORIA & PRÁTICA “A sustentabilidade que tentamos colocar para os alunos é que eles têm que aprender a se relacionar com o planeta de forma menos predatória”, exemplifica a professora de Ciências Maria Emília Cavalcanti, que durante dez anos coordenou o Programa de Edu-
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ESPECIAL: ESCOLAS VERDES destaca o Projeto Bota Pilha Nessa Ideia, iniciado em 2009 com a turma, em parceria com uma empresa de reciclagem e um banco. É responsabilidade dos estudantes do período instalar e cuidar dos pontos de coleta de pilhas e baterias distribuídas em vários setores da escola, além de trabalhar a conscientização com os demais colegas, por meio da realização de teatrinhos de fantoches entre os pequenos ou da produção de materiais de divulgação, como o Boletim Santa Coleta (de circulação mensal e produzido em esquema de revezamento entre as classes). O Bota Pilha é desdobrado no conteúdo curricular, como, por exemplo, nas aulas sobre eletricidade, o que levará os estudantes, agora em setembro, a construírem uma pilha, afirma Denise. O propósito da escola, porém, não é apenas fazer a coleta, e sim levá-los a refletirem sobre a redução do consumo, “incorporando isso como hábito desvinculado de notas ou premiações”. Entre os demais projetos desenvolvidos pela escola, relacionam-se a própria coleta seletiva, o aquecedor solar de baixo custo, a hidroponia (técnica de cultivo sem solo) e a arrecadação de verba para a construção de cisternas no Nordeste. O EXEMPLO “Para ensinar sustentabilidade, nossas escolas precisam ficar mais sustentáveis”, defende a pedagoga Lúcia Legan. “Precisamos experimentar a sustentabilidade e a escola é o lugar perfeito”, reitera a autora da obra “Criando Habitats”. Mas Lúcia deixa uma dica valiosa aos mantenedores: “comecem pequeno!” Ou seja, a escola pode dar os passos iniciais mudando algumas posturas administrativas, como, por exemplo, articulando-se com os fornecedores de sua região para adquirir os insumos e evitar grandes demandas por transporte. E isto deve ser levado para a área pedagógica conforme surjam os resultados, sugere Lúcia, como se fosse “medir a nossa pegada ecológica” e transformá-la em conteúdo para o ensino de Ciências ou Matemática, por exemplo. Na Escola Vera Cruz, há uma preocupação constante com a gestão do espaço físico e dos recursos “alinhada a uma perspectiva de responsabilidade ambiental”, exemplifica o gerente financeiro Marcelo Chulam. “Nossos prédios contam com medidas diretas de redução do consumo de água e energia elétrica e também de resíduos.” Marcelo destaca ainda o sistema de aproveitamento das águas da chuva para uso em jardins, a instalação de válvulas redutoras de fluxo de água em torneiras e de caixas de descarga com volume reduzido embutidas na parede, além de um menor uso de materiais químicos por meio da diluição dos produtos de limpeza. “Vale ressaltar também os esforços para a redução de consumo de papel, a partir de soluções tecnológicas como correio eletrônico na comunicação com os profissionais e os pais, e o portal na internet para a distribuição de material digitalizado para os estudantes”, enumera o gerente. Os profissionais são estimulados a reciclar e reutilizar papel, diz. Segundo a pedagoga e ambientalista Lúcia Legan, o grande desafio das escolas está em conscientizar e agir para “controlar nossos desejos de consumir”.
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cação Ambiental do Colégio Santo Américo, localizado no bairro do Morumbi, em São Paulo. “Seria utópico acharmos que não iremos utilizar mais os recursos naturais, mas é preciso então saber usá-los de forma a não inviabilizarmos a vida para as gerações futuras.” No Colégio Santo Américo, a educação ambiental se apresenta como tema transversal a todas as disciplinas em várias etapas escolares. A base conceitual vem do Agenda 21, documento produzido pela ECO 1992, encontro realizado no Rio de Janeiro e que passou a defender 21 ações globais indispensáveis à preservação. De forma geral, elas propõem “repensar”, “reduzir”, “reaproveitar” e “reciclar”. “Esta é uma última solução, antes devemos passar pelas fases anteriores”, defende Maria Emília. Uma das bases do trabalho na escola é a coleta seletiva, implantada há dez anos e que atua como gancho para as ações de conscientização e programas de redução do consumo, além da própria reciclagem. “A melhor forma de introduzir a educação ambiental no currículo é por meio de ações específicas, levando-as ao contexto de cada disciplina. Na matemática, por exemplo, podemos trabalhar os gráficos utilizando os indicadores de produção, redução e reciclagem do lixo.” Também na Escola Vera Cruz, com três unidades localizadas na zona Oeste de São Paulo, a coleta seletiva representa um dos principais elos entre o ensino e a prática. Segundo Teruco Hayashida, assessora de Ciências da escola, professora com 35 anos de experiência e graduada em Biologia pela Universidade de São Paulo, “ficar no discurso não resolve, propomos atividades e discutimos as consequências das ações humanas”. A Escola Vera Cruz introduziu a coleta ainda nos anos 80, mas há cerca de nove criou uma área para compostagem do lixo orgânico na unidade do Ensino Fundamental I e II. “Cada aluno exerce uma responsabilidade diante do projeto, de acordo com a série. Do 2º ao 5º ano trabalhamos conteúdos mais palpáveis, como o consumo de água, energia e alimentos e a produção do lixo.” Nesta fase eles ajudam na coleta dos materiais. Mas a partir do 2º semestre do 6º ano se envolvem diretamente na separação do lixo e em ações educativas junto aos menores. Trabalham na composteira, depositando no local os resíduos orgânicos. Analisam o material, levantam situações de desperdício e acompanham o processo de formação do adubo até o 2º semestre do 7º ano. Neste momento, começam a cuidar da embalagem, distribuição e venda do produto, em sacolas decoradas pelos próprios estudantes e com renda destinada a entidades. “A composteira dá o exemplo prático de que a reciclagem funciona na natureza e pode ser simulada pelo homem”, afirma a professora. No 8º ano os alunos do Vera realizam uma viagem de três dias à Ilha do Cardoso, no Litoral Sul de São Paulo, para observar in loco a interação entre os seres vivos e os diferentes tipos de ambientes, naturais e não naturais. Região de manguezal, o cenário mexe profundamente com os alunos, observa Teruco, pois o mangue é muito importante para o equilíbrio do ecossistema do Atlântico Sul. No Colégio Santa Maria, localizado no Jardim Marajoara, zona Sul de São Paulo, a professora do 5º ano Denise Maria Guain Teixeira
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REPENSANDO O SISTEMA CONSTRUTIVO Ilustração: Nathália Tadiello
A Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), órgão ligado à Secretaria de Estado da Educação em São Paulo, está promovendo a construção de duas escolas dentro do conceito de sustentabilidade, uma já está em obras, na zona Norte, e a outra, na área central de São Paulo, em fase final de projeto. O trabalho é acompanhado pelo engenheiro civil Luiz Henrique Ferreira, um dos responsáveis pela adaptação para o Brasil do referencial adotado pelo Processo AQUA, baseado em um sistema francês (o Démarche HQE). O AQUA concede certificação aos edifícios que atendam a 14 categorias de qualidade ambiental. Mas Luiz Henrique ressalva que o conceito atinge também as construções existentes. “Dar atenção somente às novas será insuficiente para evitar o esgotamento dos recursos naturais”, acredita. “A sustentabilidade no ambiente físico envolve o aproveitamento da luz natural e da ventilação, a acessibilidade, uso, manutenção, consumo de recursos materiais, bem como a sua relação com o entorno”, define o coordenador do AQUA, professor Manuel Carlos Reis Martins. “Estamos preocupados com o impacto da edificação durante toda a sua vida, não somente na construção, pois, na verdade, 80% dos custos relacionados a ela ocorrem após a conclusão das obras”, explica. Segundo o engenheiro Luiz Henrique, a sustentabilidade nos sistemas construtivos envolve dois tipos de tecnologia: a passiva e a ativa. A primeira vincula-se ao desenvolvimento do projeto, que “deve aproveitar de maneira correta a ventilação e a iluminação (tecnologia passiva bioclimática)”. As novas escolas da FDE, por exemplo, foram projetadas com brise soleil, uma espécie de quebra-sol, que proporciona
o sombreamento da fachada, evitando a incidência do sol diretamente sobre os alunos e promovendo conforto térmico e visual (evita o ofuscamento). Dispõem ainda de um sistema de captação de água da chuva para uso em descarga e de ventilação cruzada, em que o ar entra fresco pelas janelas e sai do lado oposto, já quente, através de aberturas deixadas na parte superior das paredes que fazem limites com os corredores internos. A tecnologia ativa, por sua vez, diz respeito aos equipamentos. Os dois projetos da FDE preveem o uso de painéis termo-solares para aquecimento da água dos chuveiros e das torneiras da cozinha, de sensores de presença e de torneiras com fechamento automático, entre outros. Para as edificações prontas, Luiz Henrique recomenda duas estratégias. A primeira recai sobre a gestão do consumo dos recursos naturais e dos materiais, “para evitar o desperdício, já que as escolas têm uma limitação de recursos muito grande”. Isso se traduz em uma verificação minuciosa de eventuais pontos de vazamento de água, trocar válvulas de descarga por caixas acopladas embutidas na parede e dotar as salas de aulas com circuitos elétricos independentes, iluminando somente a área ocupada. A segunda estratégia vincula-se a um diagnóstico de “como essa escola se relaciona com o meio ambiente”. O engenheiro sugere observar o impacto da instituição sobre a vizinhança em termos de sombreamento, conforto acústico, lixo, tráfego e outros. O importante, segundo ele, é assegurar o conforto térmico, acústico, visual, olfativo, além da saúde, qualidade do ar, da água e do ambiente físico para todos, usuários e vizinhos. (R.F.)
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Plantando a semente da autonomia e da responsabilidade pela vida Sem pressa de crescer, a escola criada em 1993 prefere atuar com pequenas salas, mesmo que tenha grande procura por vagas. Sua prioridade é a formação do aluno bem como a disseminação dos valores coletivos e do respeito à diversidade, filosofia que teve origem em uma antiga escola de ensino do japonês implantada há 50 anos pela sansei Marico Kawamura. Uma das fundadoras do Oshiman, Marico vivenciou no Japão as privações da 2º Grande Guerra Mundial e retornou ao Brasil determinada a propagar a cultura da paz, o que resolveu fazer por meio da educação.
Por Rosali Figueiredo Fotos Rita Barreto
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Quem observa o prédio moderno com cerâmicas coloridas
em azul e amarelo ouro, no alto de uma colina em pleno coração do bairro da Aclimação, em São Paulo, nem imagina que tamanha estrutura, de três mil metros quadrados, atenda a apenas 270 alunos da Educação Infantil ao Fundamental II, mesmo que a fila de espera por vagas vá até 2017 e seja suficiente para montar quase uma sala extra por série. Os planos de expansão do Colégio Oshiman, instituição com um pouco mais de 15 anos de vida e ensino integral multilinguístico, incluem somente a implantação do Ensino Médio por volta de 2014, período necessário para a compra de terrenos próximos e a construção de outra unidade. A estrutura e clientela atuais estão do tamanho que o Oshiman considera ideal para garantir a permanência de sua identidade, a de uma escola que trabalha a formação de cada aluno conforme as características individuais, preparando-o para viver com autonomia e responsabilidade pelo “que faz em relação a si e ao coletivo”. “Se abrir mais salas, corro o risco de perder esse perfil, ou seja, perco a possibilidade de lidar com cada criança dentro de sua individualidade, de conhecê-la e de ter essa proximidade”, afirma Mayumi Kawamura Madueño Silva, diretora e uma das quatro mantenedoras da instituição. “O Oshiman não é um negócio da educação, mas uma proposta de formação que se mantém pequeno em escala e grande em seus propósitos. É claro que precisa ser administrado como empresa”, pondera Mayumi. A demanda tem sido maior principalmente na Educação Infantil e 1º ano e poderia resultar em novas salas com 15 a 25 alunos. “Economicamente seria uma alegria, mas foge do ideal.” A missão do Oshiman, conforme reitera Mayumi, “é formar um cidadão para
o mundo, deixar pronta uma semente dentro da criança em prol da formação ética, da tomada de consciência de sua responsabilidade por esse mundo e de um intelectual pensado não apenas enquanto sinônimo de conhecimento ou desempenho em números, mas como atitude diante de si e da vida”. Mayumi acredita, inclusive, que este é o perfil de escola que os pais estão buscando cada vez mais diante da correria do dia a dia e da sobrecarga de tarefas. “Eles perderam a referência do educar, estão deixando de lado a verdadeira essência dos valores e de ensinar o beabá, como a higiene pessoal, bons hábitos e comportamentos.” Mas a intenção do Oshiman não é a de assumir o seu lugar e sim a de agregá-los e torná-los parceiros nesse processo de formação e crescimento do aluno. Assim, se a escola ensina a todos os seus estudantes, professores e funcionários a importância de se cumprimentarem, de falar um bom dia ou boa tarde a cada encontro ou despedida, também os pais são orientados a adquirir esse hábito. “Não há um pai que não fale bom dia hoje”, afirma. ORIGEM E PERFIL O Oshiman surgiu como escola de educação infantil e 1ª série em 1993, sobre as bases da antiga escola de língua japonesa Shohaku Gakuen, de princípios da década de 50. Sua precursora e mentora foi Marico Kawamura, uma incansável defensora da paz e que hoje, aos 82 anos, ainda dá expediente na instituição, nas aulas de japonês. Nascida em Botucatu, Interior de São Paulo, filha de pais japoneses, Marico acompanhou a mãe ao Japão quando tinha 12 anos e lá teve que ficar por longos anos, distante do pai, diante da eclosão da 2ª Guerra Mundial. Ao retornar ao Brasil,
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ACANTONAMENTO E VIAGENS – VALOR AO CONVÍVIO COLETIVO O acantonamento anual promovido pela escola entre os estudantes do 2º ao 9º ano dá bem a medida dessa intencionalidade. Nos meses de setembro, durante três dias, eles se hospedam em uma instituição parceira, em Arujá, Grande São Paulo, onde cozinham, limpam, organizam as atividades do dia, cuidam dos menores, “que fogem o tempo todo da limpeza”, e participam de muitos jogos. A responsabilidade pelos trabalhos fica a cargo dos alunos do 9º ano, que se dividem nas funções de coordenação geral, vice-coordenação, chefia da cozinha, da limpeza, do banho-relatório e dos jogos. Claro que são acompanhados e orientados o tempo todo pelos professores e a direção, mas ninguém toma as decisões por eles. “Tenho que ensi-
ná-los a trabalhar em grupo, fazemos com que sentem para discutir as divergências. Começa aí a preparação para o convívio coletivo”, defende Mayumi. Os alunos do 9º ano organizam previamente o cardápio para os três dias de acantonamento, relacionando os alimentos que deverão ser comprados, perecíveis e não perecíveis. Também organizam os jogos e atividades, mas os colegas podem questioná-los e dar sugestões. Cada aluno produz um relatório com os acontecimentos do dia e eventualmente o professor pode fazer comentários nesse diário. “Isso tudo é formação, é acreditar que sejam capazes de aprender, organizar e providenciar.” O ponto alto dessa aprendizagem são as viagens internacionais organizadas pelo Oshiman. A experiência foi herdada da antiga escola de japonês. Além de uma visita anual ao Japão, que cada aluno pode realizar no 9º período, dependendo das possibilidades financeiras da família, há outra para o Canadá (proposta para as turmas de 11 a 13 anos) e o Peru (iniciada neste ano). “O significado das viagens é promover a paz, o que vem da trajetória da Marico. É educar as crianças para aceitarem as diferenças culturais”, ressalta Mayumi. O Oshiman promove ainda um intercâmbio com escolas japonesas, que enviam seus alunos para cá. Em ambos os países eles são acolhidos por famílias. Entre o final de julho e princípios de agosto, por exemplo, um grupo de oito adolescentes japoneses esteve hospedado nas casas dos colegas brasileiros do Oshiman, acompanhado por dois professores. Em janeiro próximo, será a vez dos brasileiros cruzarem o mundo. Outro benefício do intercâmbio é o contato com o idioma estrangeiro. Segundo Mayumi, muitos familiares dos estudantes do Oshiman perderam o domínio sobre o idioma japonês, agora resgatado entre os filhos, netos e bisnetos. DAS RESPONSABILIDADES DA ESCOLA A diretora Mayumi adota o princípio de que a responsabilidade cobrada dos estudantes e da própria equipe deve ser demonstrada antes pelo corpo dirigente. Nesse sentido, a escola prepara o professor para dar aula no Oshiman, “que passa por um período de adaptação de dois anos para entender o que é isso tudo”. Somente assim pode cobrar deles que ensinar representa a responsabilidade
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criou a Shohaku Gakuen, como forma de promover a aproximação entre os dois povos e combater a intolerância. A filha Mayumi, por sua vez, cresceu na pequena escola da mãe, onde começou a dar aulas desde cedo. Depois, graduada em Educação Física, trabalhou com crianças e se animou a montar uma unidade de educação básica juntamente com Marico, aproveitando a estrutura da escola anterior. A ideia era juntar os vários aprendizados adquiridos até então e desenvolver um projeto de educação integral. “Trabalhar com a expressão corporal ajuda na formação, pois o emocional e o intelecto estão ligados ao corpo físico e com este bem formado você consegue tudo na vida”, acredita Mayumi. Ainda hoje, o Oshiman tem 75% de sua clientela formada por descendentes de japoneses. A escola segue o currículo padrão brasileiro, mas introduz o ensino complementar do japonês na Educação Infantil. O idioma inglês também recebe reforço extra e, no 6º ano, entra o espanhol. O período de aulas é extenso, entre 7h05 e 16h, mas com possibilidade de estender a permanência dos alunos com atividades extracurriculares até 18h30. Há salas específicas de informática, música e artes. Os estudantes têm seus próprios armários e são responsáveis pela limpeza e organização da sala ao término das aulas regulares. Pois trabalhar a auto-estima em paralelo com os limites e as responsabilidades constitui a base do ensino no Oshiman. “Nossa intenção é formar o indivíduo buscando a felicidade dele, pois assim ele vai semear a felicidade. E o que é a felicidade? É a auto-estima, mas também o limite bem trabalhados”, argumenta a diretora.
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maior da escola, qualquer que seja a situação do aluno. “Acho, por exemplo, a aula particular uma bengala. Se o aluno estiver precisando disso, estará mostrando que a escola não vem cumprindo com o seu papel. A partir do momento em que assumimos o aluno, é nossa a responsabilidade ensiná-lo. Temos professores muito preocupados com a formação e isso resulta em alunos também comprometidos com o estudo.” Tanto que a escola não utiliza advertência ou suspensão, optando pelo diálogo quando há necessidade de atuar sobre casos de indisciplina. De outro lado, os funcionários da cozinha, administrativos e da manutenção também são comprometidos com o trabalho da escola. “A base da sustentabilidade do negócio está no comprometimento da equipe, e isso é algo que se conquista através do comportamento dos próprios gestores, que são um espelho. Se você convoca a equipe para trabalhar num feriado prolongado, toda a direção estará aqui, junto com eles. Da mesma forma como exigimos que sejam flexíveis, multitarefa, também os gestores o são, a direção, por exemplo, coloca a mão na massa e faz a limpeza da escola quando há necessidade.” RECEITAS DE UMA GESTÃO ENXUTA Com o tamanho da clientela restrito a 270 alunos, uma equipe pedagógica de 50 pessoas, 15 funcionários próprios e três terceirizados, o Oshiman depende deste comprometimento para assegurar o equilíbrio nas contas. É uma gestão sustentável, observa Mayumi, mas bastante rigorosa. “A receita está baseada no comprometimento, dedicação e estar atento a tudo, conheço todos os gastos feitos, desde clipes até empenhos maiores”, diz. As mensalidades variam entre R$ 1.500,00 e R$ 1.700,00, mais os custos das três refeições diárias. Boa parte dos professores é contratada e apresenta títulos de pós-graduação, mas alguns atuam como hora-aulistas em atividades semanais bem específicas, como caligrafia em língua japonesa, teatro e dança. A equipe dirigente inclui a diretora, uma vice, um coordenador geral, três professores que acumulam função de coordenadores
e um professor que dá expediente na biblioteca no período da tarde. “Tudo aqui dentro é extremamente controlado, cada o pedido de compra é feito formalmente à secretaria e à direção e precisa ser bem justificado. Fazemos o reaproveitamento de folhas de papel e a sua reciclagem pelas crianças. Eliminamos o uso de copo descartável pelos estudantes – cada um traz o próprio de casa, como prática de combate ao desperdício. Há muito controle de gastos, não tem outro jeito”, afirma Mayumi, ressaltando que se vier a faltar dinheiro para o fechamento das contas no final do mês, “a direção fica sem receber”. “Mas dá para equilibrar, o que acontece é que os projetos futuros demoram mais para serem implantados, porque a sobra de caixa é pequena.” Mesmo assim, a escola conseguiu adquirir o primeiro dos três imóveis que pretende comprar para erguer a unidade do futuro Ensino Médio. E vem pagando um empréstimo de parte da verba utilizada na construção da sede atual, inaugurada há cerca de cinco anos. Na verdade, o bonito prédio concebido em linhas geométricas resulta de uma grande mobilização que os mantenedores e os pais empreenderam para proporcionar aos estudantes do Oshiman um espaço amplo, arejado, moderno e com os recursos apropriados às necessidades da aprendizagem. A partir da criação de uma associação sem fins lucrativos, eles angariaram verbas para aquisição do terreno e a construção, que vieram da realização de bingos, de doações e empréstimos de pais em longo prazo e sem juros. As doações somaram desde algumas dezenas de reais a grandes quantias provenientes de um casal de japoneses que queria doar parte de seu patrimônio a um projeto que considerasse merecedor das economias reunidas ao longo de toda uma vida; e também de uma entidade do Japão que patrocina projetos voltados à disseminação dos valores éticos no mundo. O Oshiman paga aluguel para a associação, proprietária do imóvel, e se prepara para ampliar um pouco mais o seu trabalho com os alunos, mas sem sobressaltos.
SAIBA MAIS Mayumi Kawamura Madueño Silva oshiman@terra.com.br
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MAPAS, PISOS
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Direcional Escolas, Setembro 10
LOUSAS, PINTURAS ESPECIAIS, PLAYGROUNDS
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Direcional Escolas, Setembro 10
PLAYGROUNDS
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Direcional Escolas, Setembro 10
PLAYGROUNDS, QUADRAS
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Direcional Escolas, Setembro 10
RADIOCOMUNICAÇÃO, SISTEMA DE GESTÃO, TERCEIRIZAÇÃO
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Direcional Escolas, Setembro 10
TOLDOS
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