Edição nº 158 A Revista do Gestor Escolar
ano 16 | Maio 2020 www.direcionalescolas.com.br
Direcional Escolas - Maio 2020
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Nesta Edição: 16 08 10
Conversa com o Gestor Ensino a distância em tempos de pandemia
Coluna - Christian Coelho
10 dicas para a escola se manter próxima às famílias durante o isolamento
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Coluna - Cristine Soares
Dica: Saúde Mental Efeitos do isolamento social
A educação pós-pandemia do coronavírus
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Dica: Currículo Escolar Cultura digital
Coluna - Solange Petrosino Personalização na educação
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Cuidado na era digital
Coluna - Miguel Thompson O corona como metáfora: a complexidade da pandemia como representação dos desafios da educação contemporânea
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Dica: Segurança
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Educação em Foco Lei Geral de Proteção de Dados
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Editorial Pandemia do coronavírus impulsiona ensino a distância
A modalidade EAD de ensino expandiu de maneira significativa nos últimos anos, especialmente nos cursos de ensino superior, como graduação e pós-graduação. “Um estudo realizado pela consultoria SRI International, destacou que alunos do sistema EAD apresentavam resultados mais relevantes do que os de estudantes de universidades presenciais”, esclarece Cristiane Marques, gerente de EAD do Instituto Pedagógico de Minas Gerais (Ipemig). Em 2019, o Censo da Educação Superior, realizado pelo Inep/MEC, apresentou que o EAD superou o número de matrículas do sistema de aulas presenciais no ensino superior. Os dados revelaram que os cursos a distância cresceram mais de 5% e chegaram a marca de 7,1 milhões de alunos. Enquanto as faculdades presenciais acumularam apenas 6,3 milhões de alunos. “Esse aumento no número de matrículas não é uma surpresa e acredito que o quadro deva expandir ainda mais. Fora isso, ainda são muitos benefícios financeiros, práticos e de otimização ofertados pelo EAD”, destaca Cristiane.
Dessa forma, o ensino a distância ganha (ainda mais) força, no momento de isolamento social, como uma alternativa aos estudantes de ensino regular. Algumas escolas, sobretudo de ensinos fundamental e médio, reformularam sua didática pedagógica, criando videoaulas, lives nas redes sociais, utilizando plataformas e ferramentas digitais, proporcionando, assim, formas de minimizar os impactos provocado pela pandemia. Nesse momento difícil que atravessamos percebemos que, cada vez mais, a educação é um processo em constante metamorfose, acompanhando os passos da contemporaneidade e adaptando-se às mudanças que surgem com o tempo. Parabenizamos, neste editorial, educadoras/es, assim como gestoras/es que permanecem, mesmo que de forma remota, trabalhando em prol do aprendizado dos estudantes. Em nome do nosso corpo editorial, parabenizamos todas/os vocês!
Rafael Pinheiro
Jornalista Responsável
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Vivemos um momento atípico e totalmente inesperado. Em algumas semanas, a pandemia da Covid-19 transformou todas as relações sociais, pessoais, educacionais e profissionais. Não imaginávamos, até então, que uma pandemia mundial pudesse afetar de maneira tão potente o nosso cotidiano. Na esteira das mudanças provocadas pelo coronavírus, a maioria dos trabalhos externos tornaram-se home office (ou teletrabalho) e, no âmbito educacional, as aulas começaram a ser ministradas a distância.
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EXPEDIENTE Diretores Alex Santos & Paula De Pierro Público Diretores e Compradores
A Revista do Gestor Escolar
Periodicidade: Mensal exceto Junho / Julho e Dezembro / Janeiro
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Tiragem 20.000 exemplares Jornalista Responsável Rafael Pinheiro | MTB 0076782/SP
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10 DICAS PARA A ESCOLA SE MANTER PRÓXIMA ÀS FAMÍLIAS DURANTE O ISOLAMENTO
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situação atual segmentou as escolas em dois grupos: as que possuem competência de lidar com situações adversas com calma, celeridade, responsabilidade e estratégias criativas; e as que simplesmente não conseguem se posicionar, agir ou se comunicar adequadamente. A seguir, algumas sugestões de comunicação:
das famílias e, principalmente, dos alunos. Por isso, cuidado com a propagação de fake news e conteúdos com tom apocalípticos. E, se possível, ter uma psicóloga e/ ou psicopedagoga à disposição das famílias, caso os pais percebam algum comportamento estranho no filho. Enviar dicas de como lidar com o confinamento e a situação atual também é uma boa pedida.
1 - Mostrar que a prestação dos serviços está sendo realizada. Manter uma comunicação ininterrupta com alunos e pais, mesmo que estejam de férias.
6 - Além do foco informativo e educacional, é preciso uma grande dose de afeto e comunicabilidade com canais diretos para escutar os pais. Em tempos de confinamento, o acolhimento e a atenção são condições sine qua non.
2 - Por que escolas que prestam o mesmo serviço de aulas remotas possuem diferentes níveis de satisfação dos pais? A diferença está na comunicação: enquanto algumas escolas são tarefeiras, que enviam as aulas gravadas, outras, além disso, mantêm o vínculo por meio de conversas e explicações por telefone ou vídeos ao vivo.
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3 - Manter uma periodicidade de contatos: criar um calendário para os professores se comunicarem com os alunos e bate-papos entre eles para matar a saudade, principalmente com os menores. 4 - Não se esquecer de manter e divulgar um canal de comunicação direta com a escola. Pode ser com a coordenação, direção ou representante da escola, além do administrativo e do financeiro. Mesmo de férias, alguém da escola deve continuar atendendo os pais e os responsáveis. 5 - Nesse momento, as escolas devem auxiliar na manutenção do equilíbrio emocional
• Promover ligações e vídeos com as famílias; • Gravar recados dos professores para os alunos; • Dar o exemplo: banco de fotos e vídeos nas redes sociais com os alunos estudando; 7 - Não será fácil para as famílias balancear atenção e estudos com seus filhos e o trabalho home office. Assim que a epidemia passar, as famílias retornarão rapidamente para as escolas. Nesse momento, poderá haver trocas para escolas mais próximas. Desta forma, todas as ações de comunicação propostas deverão ser replicadas para os ex-alunos, prospects e para o mercado entorno. 8 - As famílias tendem a escolher alguns meios principais para se relacionar com a escola. Por isso, utilize vá-
rias formas de comunicação: redes sociais, web/e-mail, WhatsApp, aplicativos, telefone e site – não se esqueça de tentar manter o site atualizado. 9 - É importante que os conteúdos sejam variados: • ACADÊMICO - boletim, dicas de livros, filmes, brincadeiras, curiosidade... (utilizar a fachada e o terraço dos prédios, mensagens de otimismo e datas comemorativas); • RECREATIVOS - campeonatos, concursos com votação pelas redes sociais, quizzes e brincadeiras (aplicativo da brincadeira STOP com a classe); • INTERESSE PÚBLICO - utilidade pública, dicas de saúde, campanhas solidárias e good news – envio de notícias boas para melhorar o inconsciente coletivo. Cuidado com as fake news, utilize fontes confiáveis como, por exemplo, o UNICEF para coletar dados. 10 - Ninguém está acostumado com aulas remotas – as famílias precisam de explicações de como funciona, qual o tempo de aula, a importância de manter as aulas, etc., preferencialmente, pelo telefone ou vídeo ao vivo.
O Colunista CHRISTIAN ROCHA COELHO Formado em comunicação, especialista em andragogia e neuropsicologia. Diretor do Grupo Rabbit Educação. www.rabbitmkt.com.br
foto cedida pelo colunista
COLUNA / CHRISTIAN COELHO
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A EDUCAÇÃO PÓS-PANDEMIA DO CORONAVÍRUS
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iver é um exercício de superação, resiliência, acertos e erros. Enquanto estivermos vivos, estaremos aprendendo… esse é o grande encanto da educação.
O segmento escolar está sendo um dos mais afetados pela pandemia do coronavírus, as instituições estão tendo de se reinventar e adequar sua forma de ensinar, avaliar e se comunicar com colaboradores, famílias e estudantes. A escola foi obrigada a sair de um ambiente, em sua maioria, exclusivamente analógico para o outro extremo, o 100% EAD (ensino a distância). Em poucos dias – ou semanas – as instituições começaram uma busca desesperada por soluções para não deixar a escola parar.
A educação não voltará a ser analógica, nem totalmente digital, mas híbrida. As ferramentas que foram implementadas vão continuar contribuindo para o processo de aquisição de conhecimentos, o que foi conquistado com tanta dificuldade não será desprezado quando os alunos voltarem às salas de aula físicas.
endendo o que veio para agregar e de qual forma, quais transformações a escola pode assumir e dar continuidade e o que precisa ser mudado em busca da formação humana integral. É preciso encontrar o ponto de equilíbrio para continuar caminhando. É impossível olhar para trás e fingir que nada aconteceu, que processos não devem ser revistos e que a escola finalmente vai voltar de onde parou.
O protagonismo, a participação e a produção dos estudantes que aprendem com metodologias ativas ultrapassa o espaço escolar e se reflete fora dele, pois trata-se de uma nova postura assumida por eles, compondo uma atitude proativa frente à vida, proporcionando flexibilidade, adaptabilidade e pensamento complexo, o que favorece a criatividade na busca por soluções aos mais variados problemas.
Aproveite os desafios enfrentados, as lições aprendidas e, assim que a poeira assentar, é chegada a hora de colocar cada coisa em seu lugar e evoluir. Não desperdice as noites em claro pensando nas soluções que encontrou, é possível começar a escrever um novo capítulo na história da educação. Amadureça, cresça, transcenda, encontre seu novo eixo... Afinal, o desconhecido agora já é de casa, e pode ficar! Vamos juntos?!
Há muitos anos eu defendo o uso das metodologias ativas na aprendizagem, abordagens que fomentam a autonomia do aluno e o desenvolvimento de habilidades imprescindíveis ao mundo pós-moderno. Dentre elas o ensino híbrido, e é exatamente neste ponto que ficará a escola quando toda essa crise passar.
Sempre podemos aprender com as experiências, mesmo com as mais traumáticas e difíceis. A escola percebeu o quanto estava despreparada, e rapidamente se organizou e mergulhou no mundo digital. Por amor e compromisso aos alunos, os professores deixaram a vergonha de lado e deram um show na frente das câmeras. Muitas escolas se renderam, esqueceram a concorrência, o ego, seus diferenciais e se uniram, compartilharam práticas, ideias e angústias – é o momento de todos darem as mãos. O país percebeu que muitos pais não valorizam a educação, outros, hoje, valorizam muito mais do que antes, pois tiveram de ser professores de seus filhos e descobriram a importância do mestre.
A escola nunca mais será a mesma, o professor saiu do casulo, os alunos mos-
Esse movimento dialético entre ação-reflexão-ação deve continuar compre-
Questionamentos inerentes a este processo surgem a cada instante: Exponho meu professor ou não exponho? Como organizar as aulas? Conteúdo remoto? Como fazer o controle de presença? Videoaulas ou videoconferências? Como faço com a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais)? Plataformas digitais, adaptativas, aplicativos... foi o momento de buscar todas as soluções disponíveis para minimizar os impactos da suspensão das aulas.
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traram que dominam a tecnologia muito bem, obrigado. Os pais gostaram da comunicação mais rápida e eficiente.
A Colunista Mestre em Educação (Currículo Inovador) pela PUC/SP, especializada em neuroaprendizagem e psicopedagogia pelo Instituto Saber. Graduada em Pedagogia pela PUC/ SP e CEO da VIVA Metodologia Ativa. Diretora Pedagógica há 16 anos em colégio inovador, reconhecido pelo MEC pela Inovação e Criatividade na Educação Básica, sendo referência no Brasil. Um projeto de sua autoria foi apresentado no congresso RIDEF - Suécia - julho/2018. Autora de material didático voltado para Metodologias Ativas, palestrante sobre Metodologias Ativas e Ensino Inovador, e formadora de profissionais da área da educação.
foto cedida pela colunista
COLUNA / CRISTINE SOARES
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COLUNA / MIGUEL THOMPSON DA PANDEMIA COMO REPRESENTAÇÃO DOS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO CONTEMPORÂNEA
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ma das primeiras representações de divisão do conhecimento que temos notícia foi a partir das reflexões de Pitágoras de Samos, que acreditava que deveríamos separar o entendimento do mundo partir de duas orientações: uma focada no âmbito humano e outra focada no âmbito natural. Esse modelo influenciou toda a filosofia clássica Grega. Na forma de “Artes liberais Clássicas”, retórica e gramática se organizavam em um campo, geometria e astronomia em outro. Na Idade Média, os currículos se dividiram no Trivium (lógica, gramática e retórica) e Quadrivium (aritmética, música, geometria e astronomia). A segmentação curricular se acentua no Iluminismo, movimento cultural iniciado na Europa no século XVII, que dá origem a muitas das especializações dos currículos escolares contemporâneos. As artes liberais se transformaram em Ciências Humanas, Ciências da Natureza, Linguagem e Matemática. A escola pública nasceu nesse processo de especialização e fragmentação do conhecimento. Esse arranjo curricular foi fundamental para o desenvolvimento dos paradigmas disciplinares e o aperfeiçoamento e aprofundamento do conhecimento acadêmico. Os meios de produção se beneficiaram dessa maneira de estruturar o mundo, aprofundando os processos de divisão e especialização do trabalho para o aumento de eficiência das linhas de montagem. Nessa longa historia, de construção de modelos de pensar, da Grécia antiga à revolução industrial, aconteceu um grande processo de desenvolvimento e aperfeiçoamento do conhecimento especializado, que muito beneficia nossa espécie. Gerações e gerações favoreceram-se dessa forma de organizar o mundo como conhecemos e devemos muito a esses modelos curriculares.
No entanto, se construir toda uma gama de protocolos e currículos escolares hiper estruturado foi ótima para um mundo mais estático, essa forma de organizar o conhecimento não é mais tão eficiente para um mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo (VUCA, no acrônimo em inglês) que vivemos. Todo século XX foi um grande ensaio para que uma forma de pensar mais integrada se estabelecesse. A grande mobilidade decorrente dos meios de transporte urbano e a imediata conexão global decorrente dos meios de comunicação trouxeram aos indivíduos e a sociedade uma intensa troca de conhecimento, subjetividades e valores culturais sem precedentes. O ciclo da natureza não era mais o único agente de previsibilidade e imprevisibilidade. Novos elementos desequilibrantes do cotidiano surgem mais rápidos que as estações do ano, mais contundentes que uma tempestade. Ideias como a Teoria do Caos, na Química, a Hipótese de Gaia, na Biologia, o Pensamento Complexo, na Filosofia e a Modernidade Líquida, na Sociologia, puseram em dúvida um modelo de pensamento baseado no paradigma da especialização. Muitos fenômenos complexos do século passado e do início dos anos 2000 exigem mais do que uma visão fragmentada para sua compreensão: a crise econômica de 1929, o lançamento da bomba atômica, o ataque terrorista das torres gêmeas ou a quebra econômica de 2008 são fenômenos complexos por excelência e demandam explicações ancoradas em diferentes pontos de vistas, conectados e integrados, para serem compreendidas. Agora, um dos maiores desafios que a humanidade enfrenta é o contágio planetário do coronavírus. A rápida mudança de comportamento social, psicológico, econômico
e comportamental que a pandemia nos infligiu evidencia dramaticamente que os paradigmas milenares de pensamento devem ser revistos e que todo o pensamento gestado sobre a complexidade deve ser utilizado para compreensão da nova realidade. A escola precisará decisivamente discutir o modelo com que forma as novas gerações, ainda predominantemente influenciada pelos paradigmas da linearidade, fragmentação de tempos e espaços e hierarquias de poder e de conhecimento. As reformas educacionais no mundo vêm apontando para a necessidade de um pensamento mais aberto, desenvolvido coletivamente e focado na complexidade e na integralidade do ser. Conceitos curriculares como o trabalho por projetos, orientações por temas transversais, resolução de problemas ou análise de casos são importantes elementos para reconfigurarmos modos de pensar, agir e sentir frente às emergências do mundo. As crises sistêmicas serão o novo normal, no campo sanitário, político, econômico, ambiental, nas relações urbanas ou em qualquer área do fazer humano.
O Colunista Miguel Thompson é diretor acadêmico da Fundação Santillana. Formado em biologia pelo Mackenzie, é mestre e doutor pelo Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), autor de livros didáticos e de difusão científica. Foi consultor do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e diretor-executivo do Instituto Singularidades, além de professor do Ensino Básico durante 25 anos.
foto cedida pelo colunista
O CORONA COMO METÁFORA: A COMPLEXIDADE
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COLUNA / SOLANGE PETROSINO EDUCAÇÃO
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desenvolvimento tecnológico que acontece de uma maneira rápida e constante no mundo, cria oportunidades e desafios para toda sociedade, e no caminho das oportunidades aparece a personalização. Empresas de publicidade e marketing fazem entregas de conteúdos cada vez mais direcionadas ao público-alvo, as de telecomunicações elaboram pacotes para diferentes perfis de clientes, no streaming recebemos sugestões de filmes e séries de acordo com nossas escolhas anteriores. Na educação, a personalização é, também, uma oportunidade que, se bem executada, maximiza o impacto da aprendizagem. Já se fala em distribuição de conteúdos de forma personalizada e adaptada.
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A busca de sentido fortemente associada ao ato de aprender ganha maior profundidade quando se considera o perfil do aprendiz. Uma abordagem mais personalizada considera o estilo de aprendizagem, as capacidades, interesses, deficiências e avanços ou retrocessos de cada aluno, com isso o progresso da aprendizagem tem seu ganho máximo para determinado estudante. A personalização coloca o aluno no centro do universo educacional, todas as atividades desenvolvidas com ele são pensadas a partir de suas potencialidades, escolhas, objetivos e no seu ritmo. A personalização não era a forma mais usual nos primórdios da educação, quando começaram as aulas grupais no formato que conhecemos essa característica vai perdendo força devido às próprias características da organização de classes e aulas. No passado, por volta de 1905, Helen Parkhurst cita o termo ao trabalhar com
várias turmas ao mesmo tempo, ela organizou em pequenos grupos com diferentes disciplinas e estratégias, que estudavam em diversos ritmos em colaboração com os colegas e eram avaliados com protocolos mais individualizados. Já em 1970 o termo “personalização” se popularizou por trabalhos do pedagogo espanhol Victor Garcia Hoz e ganhou força atualmente devido a entrada das TIC’s (Tecnologias da Informação e Comunicação) na educação e nas novas demandas do mundo. Cabe diferenciar a individualização da personalização. O primeiro conceito seria impossível em sistemas educacionais, pois demanda aulas particulares e maior dependência da tutoria do professor, que é o centro desse processo. O professor organiza abordagens únicas e essa individualização pode caber em situações muito específicas de alunos de inclusão com dificuldades de aprendizagem muito particulares. No caso da personalização, o aluno, centro do processo, pratica a meta-aprendizagem, segue uma rota didática mediada pelo professor, mas de acordo com suas escolhas e possibilidades. O papel do professor, nesse caso, é essencial para a indicação de ferramentas e conteúdos, para o desenvolvimento da autoconsciência, do aprender a aprender, para orientar o processo reflexivo dos alunos para que sejam mais assertivos em seus projetos de vida. Dentro dessa perspectiva, a formação do professor deve ser cuidada para desenvolver as novas competências para um ensinar dentro dessa proposta e, também, as competências digitais, já que a tecnologia é facilitadora e viabilizadora desse processo.
Os avanços tecnológicos enriqueceram as ações de personalização. O Big Data, por exemplo, ampliou o potencial de análises em diferentes dimensões. Ter dados sobre o nível de proficiência dos alunos, habilidades cognitivas e socioemocionais, comportamentos em ambientes digitais, a evolução da aprendizagem em gráficos e dados consolidados, facilitam o trabalho do professor. Isso permite que o mestre dê feedbacks durante as aulas e no acompanhamento no pós-aula, além de tornar mais eficaz suas intervenções e orientações para a gestão da aprendizagem. O uso de dados para a tomada de decisões exige a competência analista do professor, muito pouco explorada nos cursos iniciais de pedagogia ou licenciaturas, cabendo aos cursos de especialização ou de formação continuada cumprirem essa função. Outros recursos tecnológicos como as plataformas adaptativas, os dispositivos móveis, as ferramentas e os ambientes virtuais de aprendizagem, propulsionam ainda mais a personalização. Com o interesse dos alunos nessa proposta, a personalização deverá guiar mais transformações e direcionamentos na educação. Que bom, torço por isso.
A Colunista É diretora acadêmica da Editora Moderna. Graduada em Biologia e Pedagogia, licenciatura e bacharelado, com especialização em Saúde Pública com ênfase em educação (USP), extensão universitária em Formação de professores (ISEVEC) e pós-graduada pela Faculdade de Saúde Pública da USP.
foto cedida pela colunista
PERSONALIZAÇÃO NA
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CONVERSA COM O GESTOR ENSINO A DISTÂNCIA EM TEMPOS DE PANDEMIA
Por Rafael Pinheiro / Fotos Divulgação
“Diante da conjuntura que estamos vivendo, com a pandemia do novo coronavírus, a tecnologia se apresenta, sim, como grande aliada no processo de ensino e aprendizagem. Os recursos tecnológicos são ferramentas que estão nos apoiando muito neste momento de crise, nos aproximando dos nossos alunos e de suas famílias, permitindo, neste momento de exceção, prosseguirmos com os processos de ensino e aprendizagem, de forma excepcional”, afirma João Carlos Martins, diretor geral do Colégio Renascença e diretor da HUMUS Consultoria Educacional
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mundo como todos e todas nós conhecíamos mudou. Com a proliferação em escala mundial do novo coronavírus (Covid-19) todos os setores sociais passaram por remodelações urgentes para conter o avanço da pandemia. Seguindo orientações expressas da Organização Mundial da Saúde (OMS) para seguir protocolos de isolamento social, as aulas presenciais de instituições de ensino (escolas, universidades e ensino técnico) foram suspensas e, para minimizar o impacto no calendário letivo de 2020, escolas adotaram ferramentas e serviços digitais com o intuito de continuar a aprendizagem por meio da modalidade a distância.
João Carlos Martins
dizado do ensino superior como, também, mudanças nas estruturas pedagógicas de escolas regulares. Com isso, aliado aos anseios dos estudantes “nativos digitais” por outras experiências com o ensino, o denso sistema educacional tem atravessado novas interações com o ambiente virtual.
plesmente a transmissão de conteúdos. Todo o processo escolar envolve socialização, processos de interação, convívio social. Mais do que nunca, temos certeza da complexidade e da importância de nosso trabalho e da necessidade do espaço físico da escola”, reforça Martins.
De modo geral, para algumas instituições de ensino, a implantação de recursos on-line não é, de fato, nenhuma novidade. O que esse momento atípico de isolamento social emergiu foi a intensificação da utilização de ferramentas digitais. João Carlos Martins, diretor geral do Colégio Renascença (SP) e diretor da HUMUS Consultoria, ressalta que, no momento de quarentena, a tecnologia é uma forma de permitir que a escola chegue Na última década, em especial, o EAD (en- à casa do aluno, uma vez que ele está imsino a distância) galgou espaços significa- possibilitado de ir até à escola. tivos em diversas etapas educacionais. O aumento de aplicativos, ferramentas, ser- “Sabemos que as aulas on-line não substiviços digitais e equipamentos facilitadores tuem o ensino presencial completamente. ampliaram (não só) os métodos de apren- O dia a dia escolar é mais do que sim-
No Colégio Renascença, conta o diretor, o uso da tecnologia é constante e, assim que foi determinado o distanciamento social para conter a pandemia, o corpo docente e a gestão escolar preparou a transição das aulas presenciais para o ambiente virtual. “Oferecemos suporte técnico e treinamento à equipe docente para utilizar os canais de acordo com os segmentos”, diz. Utilizando dois aplicativos, um para aulas remotas e outro para a postagem de materiais, os estudantes e os professores mantêm contato e se comunicam, desenvolvendo as aulas e os conteúdos curriculares.
Alunos do ENIAC
“Para todos os professores de todos os seg-
Alunos do Sphere International School
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18 mentos, promovemos treinamento interno e intensivo antes do distanciamento social para que pudessem iniciar e prosseguir com aulas virtuais sem prejuízo pedagógico. Os gestores pedagógicos educacionais, por sua vez, acompanham diariamente o processo de ensino, mantendo contato com as famílias e procurando orientá-las sempre que necessário. Além disso, disponibilizamos um canal de apoio on-line para que os alunos tirem dúvidas”, completa o diretor. PLANEJAMENTO DO ENSINO REMOTO Nas dinâmicas educacionais alteradas pela pandemia, o Colégio Palmares ampliou os recursos digitais que já utilizavam (como a sala virtual Google) oferecendo aos estudantes e professores outras ferramentas, como por exemplo o Google Meet – serviço para reuniões do Google.
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“No caso da Educação Infantil e do Ensino Fundamental – anos iniciais –, a migração para criação desse ambiente virtual foi uma novidade, tanto para os alunos como para os pais, e, por isso, ainda estamos em fase de acomodação a essa nova realidade”, diz Valéria Valenza, professora de Filosofia da instituição.
das pelos professores, atividades propostas, leitura orientada, jogos que envolvem os conteúdos, etc.), elaborou formas de comunicação com alunos e pais, e monitora tanto as ações dos alunos quanto as dos professores, resolvendo necessidades do cotidiano. Os alunos e as famílias são orientados a manter uma rotina de estudo, com horários para assistir às aulas e fazer atividades, tarefas, pesquisas e etc.”, explica Valenza. Para a Educação Infantil e os anos iniciais do Ensino Fundamental, em especial, o colégio tem priorizado o contato dos alunos com as professoras por meio de pequenos vídeos ou lives. “Começaremos também os plantões de dúvidas para esse segmento também, chegando à plataforma Classroom em breve, sempre de maneira gradativa com os menores, respeitando as especificidades e as necessidades da faixa etária. Entendemos que o mais importante neste momento para os pequenos é não perder o vínculo, principalmente quando se trata dos professores alfabetizadores”, destaca a professora.
Localizado em Pinheiros (SP), o Colégio Palmares prioriza, em sua filosofia educacional, o envolvimento emocional e afetivo entre alunos, coordenadores e professores, estimulando um comportamento positivo em relação ao estudo. E, assim, a área pedagógica do colégio preocupou-se em manter a qualidade no espaço remoto, tanto no conteúdo como em sua abordagem.
Já na Rede Clarissas Franciscanas, as equipes pedagógicas foram orientadas a criarem aulas que proporcionem maior protagonismo do aluno, provocando sua criatividade, imaginação e interatividade com objetos de conhecimento. “Isso quer dizer que nossas aulas se iniciam com pequenos desafios que motivem os estudantes a buscar, no vasto mundo da informação da internet, possibilidades de soluções diversas aos problemas. Assim, estudantes não ficam restritos às informações conceituais e passam a aprender formas de aplicar estes conceitos em diversas situações de seus contextos cotidianos”, explica a equipe da rede.
“Em diálogo com a área pedagógica, o setor de orientação educacional estruturou as aulas virtuais com uma organização semelhante das aulas presenciais (e elas acontecem seja por lives, por videoaulas produzi-
Por meio dessa proposta, há o estímulo da interação familiar em um ambiente virtual monitorado e repleto de recursos, permitindo a customização do aprendizado. “Nessa condição, o engajamento dos alunos se tor-
Valéria Valenza
na mais intenso e prazeroso. Dessa forma, mantemos a mesma qualidade de ensino que já oferecemos aos nossos estudantes, em ambientes presenciais, apenas usando ferramentas diferentes”, completa a equipe. EDUCAÇÃO INFANTIL “Os meios digitais permitem não apenas mais agilidade de comunicação e acesso à informação, mas também possibilitam o uso de diferentes linguagens e múltiplos modos de significação”, afirma Susan Ann Rangel Clemesha, diretora acadêmica da Sphere International School, que complementa: “É importante ressaltar, no entanto, que a tecnologia não é o que direciona as ações, mas sim a intencionalidade pedagógica”. Dessa forma, estreitando o olhar para a Educação Infantil, a diretora conta que, com a suspensão de aulas presenciais, é interessante estimular o seu desenvolvimento físico, social e intelectual em casa. Na dinâmica remota, os professores podem gravar vídeos de até 10 minutos com as recomendações pedagógicas para brincadeiras e atividades que devem ser realizadas – que podem ser uma música, a leitura de uma história, uma atividade física ou artística, por exemplo. “Não é necessário que crianças pequenas tenham sessões síncronas, ao vivo, pois também não é prático para as famílias terem que se programar para acompanhar as ‘lives’ em horários fixos. No caso de crianças de 2 a 5 anos, deve-se respeitar um tempo máximo de tela, em frente aos dispositivos digitais, de até uma hora por dia”, salienta Clemesha. Segundo a diretora, é difícil para os estudantes pequenos da Educação Infantil compreenderem o motivo do isolamento social e, dessa forma, a ludicidade e as brincadeiras são as formas mais indicadas para o desenvolvimento dos objetivos de aprendizagem. “No caso da Educação Infantil, são os
Susan Ann Rangel Clemesha
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20 pais que precisam receber os objetivos, as orientações e os procedimentos necessários à realização das atividades. Quando a escola e os pais colaboram, não apenas para dividir responsabilidades, mas para ajustar processos e criar novas formas de ensinar e aprender, ou seja, quando há uma verdadeira colaboração, a vida fica mais simples e a criança certamente fica mais feliz”, destaca. ENSINO MÉDIO O ENIAC – Faculdade, Centro Universitário e Colégio – localizado em Guarulhos (SP), possui, em sua estrutura, uma cultura tecnológica, tendo, inclusive, um departamento de inovações tecnológicas. E, dessa forma, a transição das aulas presenciais para o ambiente totalmente digital não foi um empecilho para os estudantes.
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“Para os alunos do Ensino Médio, continuamos nossa proposta e inserimos, nas aulas on-line, nossas aulas da Trilha Pré-vestibular. São aulas especiais em que os temas que mais caem nas provas oficiais do país são aprofundados por professores especialistas, que não são os mesmos das aulas regulares. Além disso, mantivemos nossa aplicação de simulados e de avaliações semanais, que geram escopo para convocação para aulas
de reforço ou plantões de dúvidas”, afirma a equipe de coordenação do Eniac composta pelos diretores Ericka Scarlassare e Pedro Guerios; e pelos coordenadores pedagógicos Andressa Ruiz e Caio Fernando. As aulas on-line são síncronas e as avaliações serão realizadas no prazo estipulado do cronograma escolar, só que agora de forma on-line. “Para a aplicação, promovemos uma comunicação assertiva com a família para que participassem do processo avaliativo também como ‘fiscais de prova’. Para as aulas rotineiras, os alunos acessam nosso portal educacional e dão início à aula. As presenças nas aulas on-line são computadas pelo portal”, destacam. “Plantões, reforços e aulas de apoio continuam acontecendo também através da nossa plataforma. Assim, garantimos aos alunos alguma normalidade e aos pais e professores garantimos o cumprimento do planejamento pedagógico e do nosso sistema de avaliação”, completa a equipe. Já na Escola Luminova, com unidades em São Paulo e Sorocaba, os jovens do Ensino Médio continuam acessando os “conteúdos a todo o vapor”, diz Luizinho Magalhães, diretor acadêmico da Escola
Luminova. Além do plantão de dúvidas com os professores, os estudantes seguem estudando em casa, utilizando sites oficiais para pesquisas, realizando simulados de vestibulares e ENEM, aproveitando a quarentena para ampliar a leitura, assistindo documentários e pesquisando sobre conteúdos disciplinares no YouTube.
SAIBA MAIS COLÉGIO ENIAC caio.fernando@eniac.edu.br JOÃO CARLOS MARTINS joaocarlos.m@renascenca.br LUIZINHO MAGALHÃES luminova@escolaluminova.com.br REDE CLARISSAS FRANCISCANAS henrique.lisboa@redecf.com.br SUSAN ANN RANGEL CLEMESHA contato@sphereinternational.com.br VALÉRIA VALENZA comunicacao@colegiopalmares.com.br
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Imagem: Pexels
DICA: SAÚDE MENTAL
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EFEITOS DO ISOLAMENTO SOCIAL
iante da rápida ascensão e contaminação do coronavírus em escala mundial, a principal recomendação das autoridades de saúde, especialmente da Organização Mundial de Saúde (OMS), é a adesão do isolamento social para todos e todas como um dos critérios de combate e propagação da Covid-19. Assim, a alteração no cotidiano social foi pautada pelo isolamento, refletindo nas escalas pessoal, profissional e educacional.
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Se, por um lado, as ações preventivas da quarentena foram aplicadas para assegurar a saúde de todos e todas, por outro lado emerge um questionamento ligado diretamente a essas ações de cuidado: quais os efeitos na saúde mental que o isolamento social pode causar? O médico psiquiatra Cirilo Tissot nos conta que características individuais – como temperamento, idade, adaptação a situações desconhecidas, nível de segurança sobre a própria identidade, entre outras – podem diminuir ou aumentar a sensação de estresse no período de isolamento. Além das características individuais, ter o convívio familiar interrompido pelo isolamento pode gerar sofrimento e desenvolver sintomas psíquicos. “As situações vividas como estressantes podem ser traumáticas, seja por desconhecimento dos atributos da nova realidade, pela perda de uma rotina que poderia nem ser satisfatória, mas que era conhecida, ou pela indefinição de parâmetros que poderiam dar luz ao caminho a ser seguido na busca pela saída da reclusão. O contexto do adoecimento é aquele de-
terminado por uma reação de defesa do tipo luta ou fuga. Onde o incômodo e o clima de alerta constante reforçariam em nós mais de nós mesmos”, diz Tissot. Em um cenário atípico como esse trazido pela pandemia é, de certa forma natural, que a condição de isolamento – recomendada como uma medida preventiva – traga algum tipo de sofrimento mental “decorrente do medo e das perdas inerentes ao processo. A dica está em reconhecer e aceitar a normalidade de nos sentirmos angustiados nestas condições”, afirma o psiquiatra. Na prática, algumas ações podem ser trabalhar cotidianamente para tentar amenizar sentimentos negativos. Segundo a psicóloga Rita de Cássia Chagas, é interessante organizar melhor o dia estabelecendo uma rotina. “Mantenha um horário para acordar, um horário para as refeições e faça atividades físicas. A atividade física ajuda muito a manter tanto a saúde física como a saúde mental, e é possível fazê-la em casa. É importante manter um horário diário para se exercitar”, destaca. “Outra dica, é buscar pequenas atividades prazerosas no dia a dia: ouvir suas músicas preferidas, cozinhar, jogar. Procure identificar o que te dá prazer. Você tem um hobby? Gosta de trabalhos manuais? É hora de investir tempo nestas atividades. Cuide-se! Essa fase vai passar!”, finaliza a psicóloga. (RP)
SAIBA MAIS CIRILO TISSOT cirilo@greenwood.com.br RITA DE CÁSSIA CHAGAS ritadecassiachagas@yahoo.com.br
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DICA: SEGURANÇA
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CUIDADO NA ERA DIGITAL
os últimos meses, em especial, as ferramentas tecnológicas ganharam centralidade na rotina de todos e todas. Diante do aumento de casos do novo coronavírus (Covid-19) no país, a recomendação para conter a pandemia foi o isolamento social e, com isso, funcionários de diversos setores alteraram suas rotinas para o home office (ou teletrabalho). Já no âmbito educacional, as aulas presenciais foram suspensas, tendo o ambiente virtual como uma alternativa para minimizar o impacto no ano letivo dos estudantes.
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Dessa forma, compreendendo a internet como uma potente ferramenta que ganhou projeções necessárias com o isolamento social, é necessário observar e discutir (não só) a inclusão da tecnologia como um instrumento de aprendizagem, mas a influência que esse meio de comunicação implica no desenvolvimento estudantil, principalmente nos métodos de segurança. Para Cristina Sleiman, advogada, pedagoga, presidente da Comissão Especial de Educação Digital e Vice-Presidente da Comissão Especial de Direito Digital e Compliance da OAB SP, os cuidados necessários para garantir a segurança no ambiente virtual para os estudantes são: questões técnicas, governança em relação à documentos e questões comportamentais. “Tem sido comum o uso de salas de aulas on-line ao vivo, mas quais as regras e cuidados estabelecidos? Neste ponto entra a questão de adequação de documentos, portanto é necessário estabelecer um Política de Privacidade e Proteção de Dados Pessoais juntamente com um termo de responsabilidade. Quais são as
regras? Quais as responsabilidades dos alunos? Já temos ocorrências de alunos que divulgam o link de acesso da sala de aula e terceiros entram para atrapalhar e causar confusão”, afirma Sleiman. De acordo com a advogada, além do cuidado do uso da imagem dos estudantes durante as aulas on-line e as orientações sobre normas, regras e questões éticas para o ambiente virtual, é essencial para os/as educadores/as e gestores/as manter o controle do que é acessado pelos estudantes nas plataformas digitais de aprendizagem. “Trata-se de gerar evidências, tanto da participação dos alunos como também por blindagem jurídica, tendo em vista que podem ser questionados pela prestação de serviços ou ainda alegações de alunos ou responsáveis de que não tiveram acesso ao ambiente virtual”. “A escola deve manter o compliance à legislação brasileira, além da recente Lei de Proteção de Dados Pessoais sancionada em 2018 com prazo de adequação previsto para agosto de 2020 (podendo ser prorrogada para 2021 diante de alguns Projetos de Lei), há também o Marco Civil da Internet desde 2014, que estabelece um prazo de armazenamento obrigatório para dados de identificação. Lembremos, também, que se trata de uma relação consumerista e eventual demanda jurídica pode dar ensejo a obtenção de prova eletrônica”, complementa. (RP)
SAIBA MAIS CRISTINA SLEIMAN cristina@sleiman.com.br
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DICA: CURRÍCULO ESCOLAR
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vivência, no século XXI, é pautada por uma cultura digital. “A cultura de maneira digital, on-line ou a distância, permite o acesso a mais pessoas e a um alcance infinitamente maior”, diz Rita Ritz, especialista em Desenvolvimento Organizacional e professora do MBA na IBE Conveniada FGV. Ao olharmos para o público que adentra diariamente as instituições de ensino, notamos que os estudantes são “nativos digitais”, que possuem uma relação direta com as ferramentas e os utilitários tecnológicos e que, de certa forma, anseiam uma experiência de aprendizagem próxima de suas realidades.
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“A linguagem digital na cultura se aproxima muito mais da linguagem das pessoas mais jovens e mais ligadas aos recursos digitais. Até então, achávamos que isso valeria para os jovens que viviam em grandes centros, mas estamos verificando que mesmo em lugares distantes, quando existe os recursos tecnológicos suficientes, os jovens se envolvem no processo educacional de maneira mais intensa. Isso porque os recursos digitais permitem uma vivência para os participantes e não somente uma assistência”, destaca Ritz. Segundo a especialista, a integração de forma prática dos recursos da cultura digital à grade curricular, deve ocorrer de forma cuidadosa e assertiva. Dentre as recomendações, Rita Ritz destaca que é importante conhecer a necessidade do usuário, seu meio ambiente e suas carências, “para fazer com que o conteúdo converse diretamente com o seu interesse”.
CULTURA DIGITAL Nesse processo, o desenvolvimento educacional torna-se um centro de alterações e reformulações no que tange a relação entre ensino-aprendizagem, aluno-professor. Dessa forma, para implementar, de fato, mudanças na estrutura do currículo escolar, é preciso repensar as metodologias de ensino em sala de aula, além de preparar todo o corpo docente para trabalhar os recursos da cultura digital nas escolas. “A cultura digital já é uma realidade, o corpo docente precisa se conscientizar da importância desses recursos, o ensino e a prática tradicional devem ser discutidos nas escolas. As tecnologias já são uma realidade e o docente precisa ajudar o aluno a enfrentar esses novos desafios e ele só pode fazer isso estando imerso a cultura digital”, afirma Welington Junior Jorge, mestre em Educação e professor da Unicesumar. O professor reitera que a própria BNCC (Base Nacional Comum Curricular) ressalta, como uma de suas competências gerais, “compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais”, ou seja, “para que essa competência consiga atingir seu objetivo é necessário um corpo docente que compreenda a necessidade de trabalhar a cultura digital na sala de aula”, complementa Welington. (RP)
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RITA RITZ comunicacao@ibe.edu.br WELINGTON JUNIOR JORGE welington.jorge@unicesumar.edu.br
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EDUCAÇÃO EM FOCO LEI GERAL DE PROTEÇÃO DE DADOS Entrevista por Rafael Pinheiro / Foto Divulgação
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Aprovada em 2018 e com previsão para entrar em vigor em agosto de 2020, a Lei nº 13.709/2018 – Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) – estabelece algumas regras sobre o armazenamento, o tratamento, o compartilhamento e a utilização de dados pessoais por empresas privadas e entidades governamentais. Dessa forma, algumas mudanças deverão ser implementadas, sobretudo na gestão escolar, com o intuito de se adequar às novas diretrizes evidenciadas na lei. Para compreender os reflexos da LGPD no âmbito escolar, conversamos com Luis Felipe Silveira, advogado especialista em Direito Privado e Direito Contratual. Confira abaixo trechos da entrevista.
Luis Felipe Silveira
Direcional Escolas: De forma geral, o que é proteção e sigilo mais robustas desses dados a Lei Geral de Proteção de Dados? após satisfeita aquela finalidade. Outro ponto importante é que, de acordo com a LGPD, os Luis Felipe Silveira: A Lei Geral de Prote- titulares de dados possuem alguns direitos, cujo ção de Dados (LGPD) é o instrumento legisla- exercício (ou mesmo a simples perspectiva destivo criado para disciplinar, de forma ampla, se exercício) pode alterar radicalmente a fora utilização de dados pessoais por empresas ma como as atividades educacionais são dee entidades governamentais – conhecido como senvolvidas. Um exemplo que demonstra bem “tratamento de dados pessoais”. Esse é o ponto isso é a questão envolvendo o tratamento de central da lei – e a partir do qual ela avan- dados de crianças e adolescentes. Segundo a ça sobre outros aspectos que giram em torno LGPD, além de o tratamento dever ser realizadesse tema. Nessa linha, o diploma estabele- do no melhor interesse do menor, ele também ce quais são os direitos dos titulares de dados depende, em regra, de consentimento especípessoais, as consequências jurídicas de even- fico de um dos responsáveis. No entanto, esse tual violação a esses direitos, bem como cria consentimento pode, nos termos da legislação, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados ser revogado a qualquer tempo. (ANPD), órgão responsável pela orientação, fiscalização e aplicação de sanções adminis- Direcional Escolas: Como implantar as ditrativas em matéria de dados pessoais. retrizes dessa lei nas instituições de ensino?
pessoais para as finalidades identificadas e validadas na etapa inicial. Outras atividades, como treinamentos, podem ser necessárias, de modo a desenvolver, dentro da organização, a cultura de zeladoria de dados.
Direcional Escolas: Quais são os principais reflexos dessa lei no cotidiano escolar? Luis Felipe Silveira: A LGPD possui reflexos diretos no cotidiano escolar, desde informações triviais (como dias e horários em que o aluno esteve na escola, passando pelas ocorrências e incidentes naturais do aluno na instituição), até o próprio histórico escolar. Além disso, o cotidiano escolar envolve a obtenção daquilo que a lei qualifica como “dados pessoais sensíveis” – como dados relacionados à sexualidade, orientação religiosa, de saúde, entre outros. Direcional Escolas: O que muda, na gestão escolar, com a implantação dessa lei?
Direcional Escolas: Você acredita que é necessário contratar uma assessoria jurídica para auxiliar a escola na implementação da lei?
Luis Felipe Silveira: A LGPD impõe grandes desafios à atividade de gestão escolar, na medida em que todo o processo de utilização de dados pessoais de alunos passa, agora, a estar necessariamente alinhada a uma finalidade clara e específica – além, é claro, da obrigatoriedade de adoção de medidas de
Luis Felipe Silveira: O que se tem recomendado, nesses casos, é um projeto estruturado, que parte, de início, de uma análise profunda sobre que tipo de dados pessoais são utilizados pelas instituições, a finalidade para a qual são utilizados, bem como quais são os atores dentro da instituição que, de algum modo, se utilizam desses dados para a realização de suas atividades. Nessa fase, também é realizado um trabalho “imaginativo”, no sentido de entender em que fundamentos oferecidos pela LGPD se poderá fazer uso daqueles dados pessoais necessários para a atividade da instituição. Daí, então, se parte para uma segunda etapa, que é a construção de uma política interna de segurança e proteção de dados, cujo objetivo é instituir e formalizar o conjunto de regras que subordinarão toda a equipe interna e stakeholders da instituição. Paralelamente, os documentos utilizados pela instituição de ensino devem ser adequados, de modo a assegurar o tratamento dos dados
Direcional Escolas: Existe algum prazo para as escolas implementarem essa lei? Luis Felipe Silveira: Até esse momento, a LGPD está prevista para entrar em vigor em Agosto/2020. No entanto, um projeto de lei de iniciativa do Senado Federal (PL nº 1.179/2020), e já aprovado naquela casa, adia a entrada em vigor da LGPD para Janeiro/2021. O mesmo projeto também estabelece que a aplicação de sanções administrativas em decorrência de violação de dispositivos da LGPD só entraria em vigor em Agosto/2021.
Luis Felipe Silveira: Sim, o apoio de profissionais da área jurídica é realmente fundamental nesse processo, dado que a identificação do sentido e alcance de algumas disposições da LGPD devem ser obtidos não somente da leitura isolada dela, mas também a partir do diálogo e interação com outros instrumentos normativos, como o Código Civil, o Estatuto da Criança e do Adolescente, a Constituição Federal e, quando aplicável, o Código de Defesa do Consumidor e o Marco Civil da Internet.
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LUIS FELIPE SILVEIRA felipe.silveira@fius.com.br Acesse nosso site e confira a entrevista na íntegra: www.direcionalescolas.com.br
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ACESSÓRIOS (BEBEDOUROS, LIXEIRAS, TAPETES, VENTIL ADORES, PRODUTOS DE LIMPEZA ), BRINDES, CONTABILIDADE
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BRINDES, ELEVADORES, LIVROS PERSONALIZADOS, PINTURAS ESPECIAIS
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GRAMA SINTÉTICA, PISOS, PL AYGROUNDS
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GRAMA SINTÉTICA, PL AYGROUNDS
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MÓVEIS, PL AYGROUNDS, TOLDOS E COBERTURAS
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