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Edição 157 – Abril/2020

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Edição nº 157 A Revista do Gestor Escolar

ano 16 | Abril 2020 www.direcionalescolas.com.br


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Editorial Interação social em tempos de quarentena

Nas instituições de ensino as aulas foram suspensas; o comércio foi fechado; os restaurantes e padarias começaram a atender por delivery; eventos de todos os seguimentos foram adiados, inclusive os Jogos Olímpicos de Tóquio – que deveriam começar em julho deste ano – foram adiados por um ano, até 2021; congressos, e encontros importantes no âmbito educacional – como GEduc, Bett Brasil Educar e Educo Brasil – que estavam, em um primeiro momento, agendados para o primeiro semestre deste ano, foram adiados. Todas essas medidas foram adotadas para priorizar a quarentena e evitar o contato social, já que o contágio do vírus acontece no contato entre as pessoas. Diante da pandemia, com a suspensão de atividades presenciais, a questão que aparece é: como as escolas vão trabalhar seus planejamentos pedagógicos de forma virtual? Na Escola da Vila (SP), instituição pioneira no ensino socioconstrutivista no Brasil, os/as estudantes estão realizando as atividades por meio da plataforma digital AVA (Ambiente Virtual de Aprendizagem). Segundo a coordenadora de tecnologias educacionais da escola, Helena Mendonça, mesmo no campo virtual, é

possível trabalhar a interação, a cooperação e o trabalho em grupo. “Tem coisas que aprendemos melhor na interação, e a Escola da Vila está conseguindo garantir essa troca de qualidade, sabendo das diferenças e das vantagens e desvantagens entre presencial e virtual. É um fator muito importante para os alunos e alunas, não só para a socialização, mas também para o aprendizado”, explica. No Ensino Médio, antes dos/as estudantes entrarem em quarentena, a escola pediu para eles se organizarem em pequenos grupos de trabalho de 5 a 6 integrantes. E esse grupo fixo tem como objetivo se ajudar na realização de tarefas e dividir informações. Entre as atividades propostas pelos professores, Helena destaca os debates e fóruns criados na plataforma. “É um exercício constante dos professores e da coordenação pedagógica em pensar qual a potencialidade da aprendizagem presencial e qual a potencialidade da aprendizagem virtual. Isso nos dá maior segurança para enfrentar todas as atividades no espaço virtual”, ressalta a coordenadora. Nesse momento difícil que estamos atravessando, precisamos, cada vez mais, desenvolver a empatia e o cuidado ao próximo. Juntos podemos combater essa pandemia. Fiquem bem!

Rafael Pinheiro

Jornalista Responsável

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O mês de março de 2020 atingiu todos e todas com uma avalanche de sensações, preocupações, precauções e mudanças drásticas em toda a estrutura social. Os brasileiros e as brasileiras acompanharam, ao longo do último mês, decisões, medidas provisórias, plano de emergência, pronunciamento de autoridades competentes e recomendações oriundas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde. O motivo da atenção de toda população estava concentrado no aumento de casos do novo coronavírus (Covid-19) no país.


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Nesta Edição: 08 10

16 Coluna - Christian Coelho

Estratégias de contingência para escolas

18 Coluna - Cassiano Zeferino

Educação em Foco Administração: as competências e habilidades exigidas do gestor escolar na atualidade

Conversa com o Gestor Coronavírus: os impactos da pandemia na educação brasileira

Educação digital 4.0

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24 Coluna - Miguel Thompson Programar uma aula como quem conta um conto

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Dica: Playground Planejamento adequado

Dica: Dislexia Compreensão das diferenças

Coluna - Jane Patricia Haddad Revendo nossa travessia

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Dica: Segurança e Primeiros Socorros

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Lei Lucas


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EXPEDIENTE Diretores Alex Santos & Paula De Pierro Público Diretores e Compradores

A Revista do Gestor Escolar

Periodicidade: Mensal exceto Junho / Julho e Dezembro / Janeiro

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Tiragem 20.000 exemplares Jornalista Responsável Rafael Pinheiro | MTB 0076782/SP

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ESTRATÉGIAS DE CONTINGÊNCIA PARA AS ESCOLAS

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odas as empresas sentirão os efeitos da situação atual. No caso das instituições de ensino, os efeitos poderão ser atenuados, pois a prestação de serviços poderá ser realizada a distância, mesmo para os alunos da Educação Infantil. A situação atual segmentou as empresas, especialmente as escolas, em dois grupos: as que possuem a competência de lidar com situações adversas com calma, celeridade, responsabilidade e estratégias criativas; e as que simplesmente não conseguem se posicionar, agir ou se comunicar adequadamente. O impacto negativo da imagem das que ficarem “em cima do muro” será imenso. A falta de confiança na instituição que não sabe se posicionar em um momento de crise pode não ter volta. É importante que a escola mantenha a prestação dos serviços e a proximidade com as famílias. Para isso, sugiro algumas ações: – Usar a plataforma dos seus sistemas didáticos;

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– Efetuar aulas por meio das plataformas de comunicação disponíveis no mercado, como Hangouts, WebEx, Zoom... (a sua GR pode auxiliar na implantação); – Educação Infantil: Enviar atividades pedagógicas diariamente (caso a sua editora não possua uma plataforma a distância, utilize como base o seu material didático ou apostila); – Criar um calendário para os professores se comunicarem com os alunos menores; – Evitar ao máximo fechar totalmente a escola;

– Linha Direta: Divulgar um canal de comunicação com a coordenação, direção e/ou representante da escola;

Dicas de gestão home office

– Plantão para tirar dúvidas.

– Iniciar e terminar o dia com reuniões gerais utilizando plataformas como Hangouts, WebEx, Zoom, etc.

A escola também tem como função auxiliar na manutenção do equilíbrio emocional das famílias e, principalmente, dos alunos. Além do foco informativo e educacional, é preciso uma grande dose de afeto e comunicabilidade com canais direto para escutar os pais. Por isso, cuidado com a propagação de fake news e conteúdos com tom apocalíptico. Deixe a psicóloga e/ou psicopedagoga da escola à disposição das famílias, caso os pais percebam algum comportamento diferente do filho. Dicas para minimizar os sintomas do confinamento

– Assim como ocorre em aulas presenciais, criar uma rotina e uma frequência. Estamos em isolamento e não em férias. Este sentimento precisa estar claro. – Os líderes deverão acompanhar e ficar à disposição full time. – Manter as reuniões com horários fixos. – Se possível, utilizar ponto eletrônico. – Pense simples: não adianta inventar projetos mirabolantes, integrações e segmentações. – Proporcionar conteúdo reduzido.

Gravar recados dos professores para os alunos. Videoconferências entre as classes para matar a saudade. Banco de fotos e vídeos nas redes sociais com os alunos estudando. Não será fácil para as famílias balancear a atenção, os estudos com seus filhos e o trabalho home office. Assim que a epidemia passar, as famílias retornarão rapidamente para as escolas. Neste momento poderão ocorrer transferências de alunos para as escolas que estiverem mais próximas. Dessa forma, todas as ações de comunicação possíveis deverão ser replicadas para os prospects e para o mercado entorno, por meio do envio da comunicação para o cadastro dos prospects, permutar mailing com outras empresas da região e divulgação nos grupos de Facebook e WhatsApp.

– Manter as reuniões de pais – webinar. – Utilizar os recursos das plataformas ou montar a sua. Para isso, o professor precisa de um celular e uma plataforma de comunicação. O professor aponta o celular para o livro e os pais e/ou alunos acompanham a explicação em casa. – Plantão de dúvidas. – Registro de atividades: é fundamental que todas as atividades, independente da plataforma, sejam registradas, gravadas e organizadas.

O Colunista CHRISTIAN ROCHA COELHO Formado em comunicação, especialista em andragogia e neuropsicologia. Diretor do Grupo Rabbit Educação. www.rabbitmkt.com.br

foto cedida pelo colunista

COLUNA / CHRISTIAN COELHO


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COLUNA / CASSIANO ZEFERINO foto cedida pelo colunista

EDUCAÇÃO DIGITAL 4.0

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o longo de todo o decurso da evolução de nossa espécie, desafios foram os motores de propulsão para o nosso desenvolvimento humano e, entenda-se aí, a capacidade de mobilizar competências que criam valores, habilidades e conhecimento teórico, além de sermos capazes de compartilhar informações por diferentes formas de comunicação. Isso tudo se resume em um termo: conhecimento. Neste momento não é diferente. Temos consciência de que se trata de um desafio intenso cujo impacto em todas as esferas da sociedade será sentido. No entanto, o tamanho da oportunidade é diretamente proporcional ao tamanho do problema! De fato, não existe um problema ‘a priori’, e sim como cada um de nós interpreta uma situação e lhe dá os contornos de um problema.

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A palavra problema tem origem no grego, com o prefixo pró, que significa ‘diante, à frente’, seguido do sufixo ‘bállein’ que quer dizer ‘pôr, colocar, lançar’. Daí o sentido de algo que precisa ser transposto e, ao resolvermos um problema, construímos novos conhecimentos. Afirmo que a educação enquanto campo de aplicação de conhecimentos e as escolas não serão mais as mesmas depois da superação da crise gerada pelo novo coronavírus, e os gestores e educadores também não. Diante da impossibilidade de atividades educacionais ocorrerem presencialmente em milhares de escolas brasileiras, inúmeras competências estão sendo desenvolvidas pelos docentes, tanto os que já têm domínio sobre gestão remota digital de ensino-aprendizagem, quanto para todos aqueles que em um período curtíssimo de

tempo estão aprendendo novas formas de serem autores tecnológicas, mediadores remotos e auto-pesquisadores, já que o aprimoramento em cada passo se faz indispensável. A isso se pode chamar de uma revolução por inovação disruptiva, que alcançará praticamente todas as escolas da Educação Básica (para não tratar aqui da Educação Superior presencial, que também não ficará fora disso). Nesses tempos é preciso recorrer a bases científicas de conhecimento derivado de pesquisas e aplicações estudadas, e é neste contexto que a Educação Digital se fará definitivamente presente em nosso cotidiano, trazendo uma nova e grandiosa oportunidade para os profissionais da educação aprimorarem seus conhecimentos teóricos e práticos e para as escolas finalmente se posicionarem no ‘presente do futuro’ (esta conjugação de verbo é de minha autoria e me responsabilizo por isso). Se a escola, o gestor, o especialista e o educador não despertarem para este novo tempo, serão deixados para trás, e não vai ser culpa de ninguém, coisa dos tempos. Se é duro ouvir isso, mais difícil ainda será usar de franqueza onde com certa facilidade se pode ser criticado. No entanto, corre-se este risco aqui, afinal se houver engano, ao menos um alerta bem-intencionado não representa um mal em si, mas gesto de cuidado sincero. Foi-se há muito o tempo em que a escola se sustentava unicamente em sua credibilidade e singularidade como templo do saber. O saber não está mais somente na escola, mas no mundo, e este novo mundo adentra a escola todos os dias, pelos pezinhos de nos-

sas crianças. A escola precisa urgentemente se reinventar, sem máscaras, sem fachadas, sem arrogância. A transparência é coisa desses tempos e sem um projeto honesto, voltado no presente para o futuro, uma escola não se sustentará por muito tempo. Se isso é assustador é também a oportunidade que a conjuntura atual, duradoura em sua constante inovação, apresenta à renovação institucional e de cada profissional sério que se dedica à educação. O texto acima foi escrito em maio de 2012. Algo profético ou apenas uma visão de fronteira que se descortinava há oito anos? Independentemente da resposta estamos diante de uma nova e grandiosa oportunidade para rever o papel e o posicionamento de cada escola brasileira, pois daqui para a frente os séculos XIX, XX e XXI finalmente se encontrarão na Educação Digital 4.0.

O Colunista É autor do modelo teórico da Educação 4.0, fundador da Laborciencia editora (1989 – atual), do Instituto para a Formação Continuada em Educação (IFCE, 1999 – atual) e do Instituto Galileo Galilei para a Educação (IGGE, 1997 – atual presidente) e também fundador e Curador da inovae4. Realiza palestras, cursos e dirige programas de inovação em escolas. Cassiano Zeferino de Carvalho Neto é pós-doutorado em inovação na educação pelo ITA e pela UFSC. Contato: ifceduca@gmail.com


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COLUNA / MIGUEL THOMPSON QUEM CONTA UM CONTO

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cultura é um dos elementos distintivos de nossa espécie. Transmitir informação de uma geração à outra, transformá-la em conhecimento para dar significado ao mundo que nos cerca e desenvolver tecnologia para a resolução dos problemas emergentes, compõe nosso patrimônio cultural. Inicialmente, a aquisição desse conhecimento se deu pela transmissão oral, e associada às narrativas dramáticas, aventurescas, fantásticas ou mesmo de cunho prático, para prevenir os perigos da vida. A tradição oral ocidental foi compilada em diversas culturas, tendo como um dos grandes exemplos a Ilíada e a Odisseia (Homero), e a Teogonia (Hesíodo), nas quais se perpetuaram as aventuras de heróis e deuses gregos. A partir da narrativa se aprende e se imagina outras possibilidades para as histórias, se fantasia e se cria. No entanto, na Modernidade, a ideia de narrativa como elemento central de aprendizagem foi dando espaço para uma transmissão de conhecimento baseada em listas de conteúdos. O Iluminismo, corrente filosófica iniciada no século XVII, aprofunda uma reflexão que coloca razão e ciência como elementos estruturantes da cultura. Seu ramo editorial, o Enciclopedismo, foi um movimento que se propôs a organizar o conhecimento em especialidades, listas, tópicos e esquemas. A escola pública começa a se estruturar influenciada por esse movimento. Podemos afirmar que as disciplinas escolares são filhas dessas enciclopédias. Esse modelo de transmissão e de produção foi fundamental para a verticalização e desenvolvimento das

especialidades do conhecimento. O século XIX foi pródigo no estabelecimento de ciências como a Física, a Biologia, a Geologia e a Sociologia. No mesmo período, a Revolução Industrial amplia a demanda de trabalhadores para as fábricas e serviços exigidos por um rápido processo de Urbanização e Globalização. A educação em escala ganha especial atenção, com o objetivo de formar mão de obra qualificada. Desta forma, é estabelecida a escola como conhecemos hoje: uma cultura fabril, amplificada pelo Fordismo do início do século XX, estruturada a partir do Iluminismo e do Enciclopedismo, nos afastando paulatinamente da narrativa e da fabulação que durante milênios nos serviu como elemento de compreensão do mundo. Se durante boa parte do século XX esse modelo se mostrou satisfatório, já a partir do final da Segunda Guerra o cenário se modifica. A complexidade decorrente da ampliação de mobilidade das pessoas, e os meios de comunicação com abrangência global desafiam a escola a buscar novas possibilidades educacionais. A sociedade pós-industrial exige cada vez mais a capacidade de transpor conhecimentos específicos para situações emergentes. De fato, as novas gerações vêm construindo um embrionário processo de aprendizagem a partir das narrativas oferecidas pela cultura pop: youtubers carismáticos, seriados e documentários da Netflix, aventuras dos games e softwares educacionais gamificados, ou os memes distribuídos em seus celulares. Os meios de produção cada vez mais se conectam às narrativas para

construir suas marcas (branding), formar seus executivos (cases), vender seus produtos (storytelling) ou mesmo conseguir financiamentos para suas startups (pitches). Dessa forma, construir os currículos como narrativa pode ser um dos grandes achados para trazermos significado para o processo de ensino-aprendizagem. Programar uma aula como quem conta um conto nos reconecta com uma tradição humana abandonada pelo modelo Enciclopedista e Fordista. O objetivo não é negar esses importantes modelos, que nos fez avançar muito enquanto civilização, mas temperar nossas didáticas com essas inquietações humanas que nos fazem avançar em busca de um ser humano integral e da Utopia. A BNCC traz muitas pistas para a construção de narrativas, nas propostas de trabalhos por temas, o desenvolvimento de projetos ou a resolução de problemas. A história de Ulisses, ou mesmo os desafios de Hércules, não seriam tão saborosas se não fossem os muitos problemas desenhados pelos deuses para que os heróis pudessem se formar integralmente. Chegou o tempo de preparar nossos estudantes para enfrentar a complexidade e os desafios homéricos do mundo contemporâneo e, como vimos, de todos os tempos.

O Colunista Miguel Thompson é diretor acadêmico da Fundação Santillana. Formado em biologia pelo Mackenzie, é mestre e doutor pelo Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), autor de livros didáticos e de difusão científica. Foi consultor do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e diretor-executivo do Instituto Singularidades, além de professor do Ensino Básico durante 25 anos.

foto cedida pelo colunista

PROGRAMAR UMA AULA COMO


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COLUNA / JANE PATRICIA HADDAD “A incerteza foi sempre o chão familiar da escolha”. Zygmunt Bauman

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o longo dos últimos dias começamos a navegar por um mar desconhecido, com ondas de notícias, fake news e mortes sobre o nosso inimigo invisível – coronavírus – que chegou para nos lembrar da brevidade da vida. E como não lembrar do filósofo Sêneca e sua obra sensível: A Brevidade da Vida, onde ele reflete sobre o tempo, a passagem da vida e de como ela pode ser breve ou longa, desperdiçada ou proveitosa, dependendo de como ela é encarada. “A vida, se bem empregada, é suficientemente longa e nos foi dada com muita generosidade para a realização de importantes tarefas”. (SÊNECA1, p. 26, 2006). Ele fala que viver e existir são coisas bem diferentes. Existir, acredito eu, é o que a maioria de nós, seres humanos, vínhamos fazendo: ‘viver por viver’, apenas existindo em seu dia a dia, como se fôssemos dono do tempo.

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Neste momento, algo está mudando em nós, continuamos em isolamento social, o que nos leva a refletir e a reavaliar nossas certezas, além de ressignificarmos nosso lugar no mundo atual. O momento é de profunda reflexão e recolhimento. Desde a semana passada, estou imersa em meu escritório em casa e neste momento olho para uma pilha de livros que contém um lembrete meu: Livros para serem lidos. Tomei tamanho susto com o tamanho da pilha, e a pergunta que surgiu é quando eu estava pensando em ler? Será que achei que eu dominava o Tempo? Equívoco ingênuo, me esqueci da brevidade da vida! E neste encontro comigo, tive vontade de escrever uma carta aos meus colegas professores:

Queridos/as Professores e Professoras, Venho através desta tentar diminuir o sofrimento que cada um de vocês está sentindo neste momento, pois a única certeza que temos, até o momento, são as incertezas e o desamparo. Teremos que nos reinventar! Não sei se vocês perceberam, mas ao longo destes meses algo diferente pairava nas pessoas, elas estavam navegando em seus barcos sozinhas, entrando em marés raivosas e esqueceram de levar suas boias – a pressa não permitiu. Em alguns momentos até arriscávamos navegar nas encostas do amor, mas rapidamente os discursos de ódio e de intolerância nos arrebatavam novamente. Refletindo ainda sob essa perspectiva, nos descuidamos em algum momento e nos soltamos ladeira abaixo, sem condução, sem esperança, e na contramão do que o momento atual pedia: PACIÊNCIA HISTÓRICA, onde podíamos, através da nossa sensibilidade, perceber que cada coisa tem o seu momento e o seu tempo. Freire nos alertava sobre isso: “Se você não fizer hoje o que hoje pode ser feito, e tentar fazer hoje o que hoje não pode ser feito, dificilmente fará amanhã o que hoje deixou de fazer, porque as condições se alteram”. Meus amigos e minhas amigas, estava tudo ali, as tempestades eram anunciadas diariamente, só esquecemos de olhar os ventos e observar por onde eles nos levavam, o farol já estava apagado e mesmo assim seguimos na encosta da pressa ignorando as imagens que assis-

tíamos entre outras nações e seus sinais, como: o conflito anunciado entre Estados Unidos e Irã; os incêndios que se alastravam em diversos lugares; e as enchentes que afundaram nossos sonhos e esperanças. Aos poucos, fomos nos “acostumando” com tudo, e sem percebermos acabamos naufragando no descaso, na normose2, fechamos nosso canal de intuição e nos perdemos na pressa, na correria de não sentirmos com o coração, e mais uma vez esquecemos do essencial: A HUMANIDADE, nossa família. O momento agora é de tomarmos nossos lugares e ressignificarmos nossa viagem que, até o momento, não temos o seu real tempo de duração, nem o seu destino certo, mas a navegação deve continuar. Os momentos são de tormentas, mas atentos ao nosso Timoneiro, deem o nome a ELE, do que quiserem: Deus, energia, intuição, amor... mas o escutem, de alguma forma ele nos fala. Não fiquem parados, não tenham pressa de chegar em algum lugar que nem mais sabemos onde é. Agora, não importa em que lugar chegaremos, o que importa é a travessia.

A Colunista Mestre em Educação pela Universidade Tuiuti do Paraná (2010-2013). Docência do Ensino Superior pelo Centro Universitário Newton Paiva (2004), Teoria Psicanalítica pela UFMG (2001) e Psicopedagogia pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (1999). Graduada em Pedagogia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (1998).

E-mail: janepati@terra.com.br

1. SÊNECA, Sobre a Brevidade da Vida. Editora: L&PM Pocket, 2006. 2. Para Weil, normose pode ser definida como um conjunto de normas, conceitos, valores, estereótipos, hábitos de pensar ou de agir, que são aprovados por consenso ou por maioria em uma determinada sociedade e que provocam sofrimento, doença e morte.

foto cedida pela colunista

REVENDO NOSSA TRAVESSIA


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EDUCAÇÃO EM FOCO ADMINISTRAÇÃO: AS COMPETÊNCIAS E HABILIDADES EXIGIDAS DO GESTOR ESCOLAR NA ATUALIDADE Entrevista por Rafael Pinheiro / Foto Divulgação

Educação é sinônimo de movimento e, na contemporaneidade, todas as áreas que compõem uma instituição de ensino precisam repensar estratégias e mecanismos para se adequar a realidade de novos e novas estudantes que entram no sistema de ensino. Dessa forma, para compreender as necessidades atuais que emergem na administração escolar, conversamos com Adriano Guimarães, especialista em educação. Confira abaixo a entrevista na íntegra. Direcional Escolas: Quais as principais competências e habilidades que o gestor escolar deve ter na atualidade? Adriano Guimarães: O gestor deve buscar competências e habilidades que muitas vezes não estavam dentro da sua característica principal como gestor escolar. Normalmente, os gestores nascem como professores da instituição de ensino, com um perfil focado na questão acadêmica, pedagógica e de ser o gerador de conteúdo e de aprendizagem.

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Esse gestor-professor, atualmente, tem que ser mais do que um gerador de conteúdo. Ele deve ser um moderador e colocar a escola dele nessa nova educação, a chamada Educação 4.0, providenciando habilidades e competências também para os professores e todos aqueles que atuam na escola e na gestão de aprendizagem, por meio de estudos dessas novas tecnologias e metodologias de ensino para manter a convivência com esse novo aluno. Com isso, consegue manter o estudante engajado na escola. Além de estender sua aprendizagem para os indicadores de gerenciamento administrativos e financeiros de uma escola. Direcional Escolas: A adoção de tecnologia deve estar no foco da gestão na atualidade? Adriano Guimarães: O gestor precisa estar antenado e isso significa implantar cada vez mais tecnologias na sua instituição, para tornar as aulas atrativas. O aluno tem acesso instantâneo a qualquer tipo de informação e ele não sabe mais conviver com um ambiente analógico. Portanto, a adoção de tecnologias tem que ser prioritária do ponto de

vista da sobrevivência de uma escola. Nós estamos no século XXI, mas o modelo de aula permanece o mesmo há três séculos. Os alunos entram e sentam em uma cadeira, enquanto o professor fala sobre algum conteúdo. Esse modelo está ultrapassado para um aluno que precisa ter contato com o mundo e com a informação cada vez mais rápida. A aula também tem que ser assim. Direcional Escolas: Como é possível mensurar o desempenho da instituição de ensino? Adriano Guimarães: A partir do momento que o governo brasileiro passou a medir os estudantes para acesso ao ensino superior, estão cada vez mais frequentes as avaliações de desempenho na escola, para verificar como o estudante está perante ao conteúdo que precisa saber para entrar na faculdade. Além disso, o desempenho é medido pelo Prova Brasil, que tem o objetivo de avaliar a qualidade do ensino oferecido pelo sistema educacional brasileiro, para saber como está o desempenho dos alunos diante da alfabetização e também o desempenho das instituições com o Enade. Mensurar o desempenho de uma instituição de ensino é uma questão de sobrevivência e não pode ser relegada para segundo plano. Direcional Escolas: Esse profissional deve ser um agente transformador da realidade escolar? Adriano Guimarães: Com as mudanças e os avanços tecnológicos no mun-

Adriano Guimarães do, automaticamente a educação e os alunos também mudaram e tudo o que diz respeito a uma boa aprendizagem teve que se transformar para essa realidade. O gestor escolar tem que ser o líder que estuda, aprende e verifica tudo que está acontecendo no mundo para aplicar na vida do professor e da escola, trazendo conhecimento, recursos e cursos para que possam aperfeiçoar o gestor nesta nova realidade de educação das escolas. E a maior transformação que um gestor escolar pode ter é ser esse elo de ligação com o professor diante dessa nova realidade digital. Direcional Escolas: De que forma ele deve ser estratégico? Adriano Guimarães: O gestor escolar deve ser a figura mais estratégica para a qualidade do ensino e perenidade da escola. Nessa realidade digital, o gestor precisa ser a base da escola, buscando recursos, conhecimento e inovação, para manter a instituição nivelada com a nova era e poder proporcionar ensino qualificado para seus alunos. O principal ponto de atenção que um gestor escolar tem que ter é o de mudar o tempo inteiro. Podemos perceber que o mundo vem mudando, mas a educação em alguns aspectos ainda não mudaram.

SAIBA MAIS ADRIANO GUIMARÃES falecomadrianorosa@gmail.com


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CONVERSA COM O GESTOR CORONAVÍRUS: OS IMPACTOS DA PANDEMIA NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA Por Rafael Pinheiro / Fotos André F. Nakahara e Divulgação

O último mês de março foi, no mínimo, atípico para todos os brasileiros. Em uma sucinta retrospectiva, no dia 13 de março, a OMS decretou estado de “pandemia do novo coronavírus” – pandemia é definida quando uma doença infecciosa atinge um patamar elevado e afeta um grande número de pessoas espalhadas pelo mundo. Com o passar dos dias e com o aumento dos casos infectados no país, alguns estados declararam “situação de calamidade pública”, instituindo, assim, medidas sociais para conter a evolução da curva do coronavírus.

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iante das medidas adotadas com enfoque para o isolamento social, eventos foram adiados, aulas foram suspensas, o comércio fechado e uma série de ações preventivas foram aplicadas para assegurar a saúde de todos e todas. Dessa forma, surgem alguns questionamentos no que tange os reflexos dessa suspensão das atividades escolares, tanto para o corpo administrativo como para a área docente das instituições.

ções mais importantes, mas de acalmar os ânimos”, afirma.

cuidando parados a fazer reposições presenciais oportunamente”, destaca a diretora.

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Sobre a questão financeira, internamente, o colégio decidiu honrar todos os compromissos com os prestadores de serviços. “Continuaremos pagando todos eles mesmo que os serviços não estejam sendo prestados”, diz Lutiano. E, com relação aos pagamentos das mensalidades, a escola acatará os responsáveis que decidirem (durante esse período) suspender o paAndressa Lutiano, sócia-fundadora e direto- gamento de alguns serviços, como aulas ra da Wish School (SP), nos conta que os extras e alimentação, por exemplo. impactos na gestão da Wish aconteceram em fases: a compreensão das decisões de “Quanto ao pagamento da mensalidade ordem prática para o fechamento tempo- pelas famílias, penso que não teremos prorário da escola e a comunicação com as blemas. Primeiramente porque esse valor famílias e os colaboradores da instituição. corresponde a um montante anual dividido “A comunicação, aliás, foi o mais impor- por 12 meses. E, em segundo lugar, portante desta etapa inicial de rearranjos. que já iniciamos as reposições por meio Nós nos preocupamos em comunicar a de ensino a distância (EAD), de acordo todos da maneira mais tranquila pos- com as orientações dos órgãos competensível, a fim de passarmos as informa- tes. Além disso, se preciso, estamos pre-

Andressa Lutiano

Já no Colégio Santa Maria (SP), os contratos terceirizados de prestação de serviços estão sendo cumpridos, tanto com o indivíduo quanto com grupos de funcionários. No regime de quarentena, os colaboradores estão sendo dispensados gradativamente, “primeiro os idosos acima de 60 anos, depois as pessoas que estão com férias vencidas, e as que podem fazer o trabalho em home office. Os outros funcionários, ou estão trabalhando aqui dentro (Tesouraria e Departamento Pessoal, por exemplo) ou fazendo banco de horas”, diz Diane Clay Cundiff, diretora geral do colégio. Segundo a diretora, a área administrativa realiza reuniões diárias para estabelecer novas e possíveis decisões necessárias. E, com relação ao planejamento pedagógico após a pandemia do coronavírus, a diretora garante que será planejado “conforme as

Diane Clay Cundiff


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necessidades dos alunos, e as dúvidas que eles tiverem. O que fazer quando retornarmos vai depender do tempo que ficarmos sem aulas presenciais”, finaliza. TRABALHO INTERDISCIPLINAR Assim como o novo coronavírus reformulou toda a estrutura administrativa educacional, os reflexos provocados pela pandemia também alteraram densos cronogramas pedagógicos desenhados para o início do ano de 2020. No Colégio Positivo, presente em algumas cidades do Paraná, temas como coronavírus e dengue foram incluídos por professores e assessores pedagógicos para serem trabalhados na grade curricular deste ano – planejamento este realizado antes da disseminação do vírus no país. A ideia de abordar esses temas de forma interdisciplinar na grade curricular promove uma reflexão sobre vários aspectos do conhecimento humano. Para Eduardo Emmerick, professor e assessor pedagógico de Filosofia e Sociologia do Ensino Médio, um dos responsáveis pela NLI (Nota Livre Integrada) de Humanas, essa iniciativa “faz com que os alunos tenham um contato na visão de Humanas, por exemplo, não só sobre a doença, a origem e como se cuidar, como também de questões que envolvem xenofobia, racismo, negacionismo científico, que são temas importantes no contexto”. Com a suspensão das aulas presenciais, os alunos se reúnem virtualmente em pequenos grupos para discutir e refletir sobre as questões propostas nos trabalhos. São duas avaliações bimestrais desse tipo, uma para a NLI das Ciências Humanas (Filosofia, Sociologia, História e Geografia) e outra para a NLI das Ciências da Natureza (Biologia, Química, Física, Biologia e Matemática).

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Na área das Ciências da Natureza, o tema central em torno do coronavírus e a Dengue

promove diversos tipos de conteúdos. “Na Biologia, serão abordadas questões sobre problemas como epidemia: o que é epidemia, o que é pandemia, o que é endemia, quais são os sintomas, quais os métodos da profilaxia, como afetará a população, e que não existe necessidade de entrar em pânico”, descreve o professor e assessor pedagógico de Biologia, um dos responsáveis pela NLI de Ciências da Natureza e Matemática, Guilherme Rodrigo Teitge.

mações sobre a evolução do coronavírus e, muitas vezes, acabam acreditando em mentiras ou meias verdades que são compartilhadas na internet”, comenta. CONTEÚDO EM DIVERSOS FORMATOS

O ensino on-line é, sem dúvida, o melhor aliado de estudantes e educadores nesse momento de isolamento social. Na atualidade, permeada por ferramentas, aplicatiSegundo o professor, a Matemática vai vos e facilidades digitais, as formas remotas calcular a propagação viral. Já a Química de aprendizado emergem entre estudantes avaliará os efeitos do álcool em gel, a im- e educadores em diversos formatos. portância do uso para o combate do vírus, assim como o sabão, e como interferem na No Colégio Marista Asa Sul (Brasília), a biologia do vírus. Física fará perguntas a equipe docente desenvolveu materiais, víderespeito de transformação de temperatu- os, exercícios e atividades que focam tanto ras, de graus Celsius para Fahrenheit, com- nos conteúdos como nos aspectos lúdicos. parando a febre em pacientes em diversos “O material é disponibilizado aos estudanlocais do globo. Cálculos da velocidade tes por meio de plataforma virtual. A ideia média para mensurar o tempo de deslo- é manter o hábito e a rotina de estudos e o camento de pacientes infectados também vínculo com o colégio, mesmo que à distânestão entre os conteúdos ensinados. cia. Os professores, inclusive, estão enviando pequenos vídeos de estímulo aos alunos”, Dessa forma, o desenvolvimento educacional conta Rony Ahlfeldt, diretor do colégio. reforça o seu objetivo em formar cidadãos conscientes, propiciando o pensamento crí- Para o diretor, a transição das aulas presentico especialmente pela interdisciplinaridade ciais para o ambiente virtual não terá efeito como uma construção instigante de conheci- negativo para os alunos, já que essa geração mentos. Outro ponto de atenção do colégio domina as tecnologias, desenvolvendo, para é o combate às fake news. “Incentivamos os muitas áreas, a capacidade de aprender à alunos a perceberem a importância das es- distância – inclusive por meio de tutoriais e colhas lexicais em um texto, a perceberem dicas. “Assim funciona com games, uso de a linguagem tendenciosa, etc. Tudo é opor- alguns aplicativos que fazem parte do dia a tunidade para o aprendizado. O trabalho dia dos jovens e até mesmo no aprendizado é diário e incessante contra as fake news”, de idiomas. Além disso, a escola está prepaafirma a professora e assessora pedagógica rando atividades em diversos meios – videode Redação, Candice de Almeida. aulas, chats, lista de exercícios, indicação de sites e vídeos, e dinâmicas”, completa. Para o aluno Enrico Marques, de 14 anos, o momento de isolamento social acaba Sobre o impacto dessas mudanças no cotigerando ansiedade na população na bus- diano escolar, o diretor comenta que certaca por informações. “O tráfego nas redes mente o cronograma letivo de 2020 sofrerá sociais aumentou significativamente nos alterações e que, nesse primeiro momento, últimos dias. As pessoas buscam infor- é difícil prever o que será realizado quan-

Colégio Positivo (PR)

Rony Ahlfeldt


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22 do os estudantes regressarem às aulas presenciais, já que não há uma data exata para o fim da quarentena. “Por enquanto, nosso papel é manter nossos alunos ativos, focados em atividades que os ajudem em alguns momentos a passar o tempo e também para que não se desliguem totalmente dos estudos. É certo que o cronograma do restante do ano será diferente. Aulas aos sábados serão necessárias para reposição, por exemplo”, ressalta Ahlfeldt.

utilizar recursos como vídeos, livros, textos e filmes para a criação de uma rotina de estudos. Em casa, o aluno estuda a apostila, faz os exercícios e pode tirar dúvidas através de uma plataforma, inclusive por meio de um plantão on-line com os professores.

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Para os alunos da Educação Infantil, o roteiro é o mesmo, mas é essencial a participação dos pais. Lia Mara dos Santos, coordenadora, explica que é importante os pais acompanharem a rotina das crianças no momento de estudo e com reguPROTAGONISMO DOS ESTUDANTES laridade. A Educação Infantil pressupõe interação e “manter a regularidade é im“Agora os alunos serão os protagonistas, portante para que no momento de volta de fato, de seus estudos! Se quiserem doràs aulas não haja um retrocesso”, diz. mir ou ver TV o dia inteiro, a responsabilidade é deles e o interesse será o granEssa nova situação que todos e todas das de desafio. Para os professores também, comunidades escolares atravessam é singuaprendendo a criar materiais e conteúdo lar – tanto para os alunos e responsáveis de forma virtual. É um aprendizado”, afircomo para os educadores. E, diante de tanma Rodrigo Oliveira, coordenador do Ensino tas mudanças, a compreensão das rotinas Médio do Colégio Divino Salvador. é delicada e requer doses de paciência e criatividade. De acordo com Maria Isabel No momento de isolamento social para Gut, psicóloga e orientadora educacional conter a disseminação da pandemia, as do Colégio Divino Salvador, muito tempo em dinâmicas pedagógicas sofreram algumas isolamento requer paciência, pois existe um alterações. No Colégio Divino Salvador, inslimite de tolerância. “Jogos de tabuleiros, fatituição de mais de 65 anos e com unidazer massinha em casa, aprender uma receita de em Jundiaí (SP), os professores fizeram em casa. Não sabemos quanto tempo vai roteiros de estudos com indicações para

durar, é um momento de incerteza, por isso precisaremos nos reinventar principalmente quanto às propostas aos filhos”. Para ela, essa situação rara vai resgatar o ensino de valores, que compactua tanto com o que o colégio trabalha no seu núcleo de formação humana. “São valores de solidariedade, colaboração, do cuidado com o próximo. Várias lições podem ser tiradas de tudo isso, sem mágica ou receita pronta. Estamos aprendendo e seremos referência para as próximas gerações. É um momento de olharmos uns para o outros”, finaliza.

SAIBA MAIS COLÉGIO DIVINO SALVADOR divino@divinojundiai.com.br COLÉGIO MARISTA ASA SUL centralmaristinha@colegiosmaristas.com.br COLÉGIO POSITIVO colegiopositivo@colegiopositivo.com.br COLÉGIO SANTA MARIA santamaria@colsantamaria.com.br WISH SCHOOL andressa@wishanaliafranco.com.br


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Imagem: Pexels

DICA: PLAYGROUND

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PLANEJAMENTO ADEQUADO

iariamente, como em um fluxo contínuo, estudantes de todas as etapas de ensino adentram as instituições para cumprirem uma extensa agenda de compromissos. Para os anos iniciais, especialmente, o aspecto lúdico ganha forma na transmissão do conhecimento e, assim, por meio da brincadeira, as crianças aprendem sobre seus corpos, suas possibilidades, sobre si e sua interação com o outro.

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Dessa forma, observamos alguns equipamentos que permitem e instigam a relação da criança com a brincadeira: os playgrounds (internos ou externos), por exemplo. Além do bem-estar e de todo aspecto positivo e gratificante que os brinquedos instalados nas escolas podem proporcionar, é preciso ressaltar a importância de alguns requisitos para os momentos de lazer. Os modelos variam de acordo com faixa etária, tamanho e cores. Os modelos encontrados no mercado podem variar em modulados, escorregadores, casinhas, gangorras, balanço, trapézios e uma lista gigantesca de brinquedos projetados para playgrounds com o intuito de promover o entretenimento saudável e seguro. Os playgrounds podem ser confeccionados em ferro, madeira ou plástico. “Um bom projeto, com uma boa execução, bem como a escolha certa de equipamentos e brinquedos, e com uma manutenção preventiva, garante o sucesso do seu playground”, afirma a arquiteta Maria Cláudia Puga. De acordo com a arquiteta, que considera o playground uma das áreas mais importantes das instituições de ensino – principalmente por serem considerados cartões

de visita de uma boa escola – alguns itens devem ser observados antes de implementar os brinquedos nas escolas. Para a arquiteta, um bom projeto arquitetônico compreende: a setorização correta e dimensionamento das áreas e equipamentos adequados, aproveitando a melhor posição solar para usufruto das crianças e/ou adolescentes, com espaços criativos e pedagógicos, iluminação correta, pontos de hidráulica, e especificação de cada brinquedo. “Na execução, priorize profissionais especializados em cada área, tanto nas instalações dos brinquedos, como nos pisos, drenagem, iluminação, etc.”, ressalta Puga. Outras recomendações também merecem atenção para os/as gestores/as que desejam incluir playgrounds nas instituições de ensino, como se atentar às normas técnicas da ABNT dos brinquedos, adquirir equipamentos com materiais atóxicos, separar os playgrounds por faixa etária, utilizar pisos corretos para cada área, observar o posicionamento do sol para um bom desempenho das atividades dos alunos, e se atentar para a acessibilidade. Sobre a manutenção e o cuidado, a arquiteta ressalta: “O playground deve ter inspeção diária, semanal e mensal, com livro de inspeção, segundo as normas da ABNT 16071. Verificar se há parafusos soltos, ferrugem, tinta solta e farpas. Tudo isso produz mais segurança e ajuda na durabilidade dos brinquedos. A falta de manutenção pode causar graves acidentes – podendo ser até fatais”. (RP)

SAIBA MAIS MARIA CLÁUDIA PUGA escolaseconceitos@gmail.com


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Imagem: Pexels

DICA: DISLEXIA

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COMPREENSÃO DAS DIFERENÇAS

onsiderada um transtorno específico de aprendizagem de origem neurobiológica, a dislexia possui, dentre as suas características, a dificuldade na leitura e na escrita, no reconhecimento de letras e palavras, na decodificação das palavras e na soletração. Essas dificuldades comprometem, sobretudo, o componente fonológico da linguagem, além de, muitas vezes, a dislexia surgir acompanhada de diversos déficits cognitivos, como atenção, memória e função executiva.

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Segundo a Associação Brasileira de Dislexia (ABD), em um estudo estatístico realizado entre os anos de 2013 e 2018, 40% do total de pacientes avaliados no período eram disléxicos; 89% dos disléxicos estudavam em escolas privadas; e 67% eram do sexo masculino. O levantamento, realizado entre a ABD e o Centro Especializado em Distúrbios de Aprendizagem (CEDA), também apontou que 81% dos disléxicos apresentavam antecedentes familiares/hereditariedade do transtorno. É interessante destacar que existem diferentes tipos de dislexia, já que o transtorno não se manifesta do mesmo modo em todos os casos. “É preciso diferenciar a dislexia a partir das manifestações e dos déficits no desenvolvimento cognitivo, considerando três condições principais: dificuldade na fluência de leitura, dificuldade na expressão da escrita e a comorbidade com a Discalculia”, destaca a professora do curso de Psicologia do Centro Universitário Newton Paiva, Riviane Bravo. Tendo a compreensão da diferença como pano de fundo para uma excelência no

ensino, um dos primeiros passos para o educador lidar com esse tipo de transtorno em sala de aula é identificar um aluno disléxico. De acordo com a professora Riviane, quanto mais cedo a intervenção e a adaptação escolar, melhor será o desenvolvimento pedagógico do aluno. “É importante lembrar que o diagnóstico e a intervenção contribuem para o bem-estar psicológico e emocional, pois essas crianças sofrem com a dificuldade ao perceber que não conseguem aprender determinada habilidade e, também, ao se compararem com a aprendizagem dos colegas”. Dessa forma, a instituição de ensino pode adotar algumas estratégias para ajudar os estudantes que possuem esse transtorno. Um dos pontos fundamentais para as escolas, conta Riviane, é garantir capacitações e atualizações sobre os diversos tipos de diagnósticos dos Transtornos de Aprendizagem, assim como outras condições que envolvem o neurodesenvolvimento e a saúde mental de um modo geral. “Temos uma legislação que sustenta a inclusão escolar e que permite a diversidade do trabalho, o que vai além da sala de aula. Com ajuda do plano individualizado e da adaptação escolar é possível garantir a qualidade do processo de aprendizagem dos alunos com Dislexia. Quando isso é bem feito, os alunos crescem compreendendo como podem adequar suas necessidades aos estudos, chegando a ter uma vida produtiva e adequada”, destaca a professora.(RP)

SAIBA MAIS RIVIANE BRAVO riviane.bravo@newtonpaiva.br


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Imagem: Pexels

DICA: SEGURANÇA E PRIMEIROS SOCORROS

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s ideias de segurança, cuidado e bem-estar – e seus possíveis desdobramentos – ganham dimensões significativas nos espaços sociais, especialmente no âmbito educacional e sua dinâmica cotidiana. Observando e compreendendo a instituição escolar como um território que recebe, diariamente, toda a sua comunidade (estudantes, docentes, funcionários e corpo administrativo), propiciar segurança e prevenções assertivas resultam em vivências saudáveis.

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Desse modo, as características que indicam a sensação de uma escola segura, de forma plena e irrestrita, se transformaram na atualidade, sobretudo no último ano. Em setembro de 2017, um estudante de 10 anos morreu em Campinas (SP) ao se engasgar com um lanche durante um passeio escolar. A partir dessa fatalidade, reacendeu o debate no que tange a segurança e falta de capacitação em primeiros socorros nas escolas. Assim, em outubro de 2018, foi sancionada e publicada no Diário Oficial da União a Lei 13.722/18, determinando que professores e funcionários de escolas (públicas e privadas) de ensino infantil e básico devem ser capacitados em primeiros socorros. A Lei, conhecida como “Lei Lucas” (em homenagem ao estudante Lucas Begalli Zamora, que sofreu a fatalidade), define que os cursos de primeiros socorros sejam ofertados anualmente, tanto para a capacitação com para a reciclagem do aprendizado. Segundo o portal da Agência do Senado Federal, “o objetivo do treinamento é possibilitar que os professores consigam agir em situações emergenciais enquanto a assistência médica especializada não for proporcionada”.

LEI LUCAS Neste mês de abril de 2020, a Lei completa um ano que foi implantada nas escolas e “muitos ainda a desconhecem, acreditando que é uma Lei unicamente para punir as instituições em caso de não conformidade”, diz Eric Amorim, empresário e especialista em segurança escolar. De acordo com Amorim, o cumprimento das condutas que compõem a Lei permitirá uma gestão tranquila, minimizando drasticamente os riscos de acidentes na escola. “Dentre os benefícios em cumprir a Lei, destaco: redução dos acidentes; equipe capacitada para agir, o que reduz possíveis erros e consequências jurídicas; padronização dos processos de prevenção de acidentes; segurança para os pais; além de poder utilizar como estratégia em sua campanha de rematrícula e de novas matrículas”, defende Amorim. Além dos benefícios, o especialista em segurança escolar destaca a importância dos conteúdos das capacitações, bem como a contratação de empresas para ministrar esses treinamentos aos funcionários. Segundo Amorim, o conteúdo é amplo, abordando teoria e prática com recursos e experiências realísticas. “Busque uma empresa séria, que irá contribuir tanto para a instituição como para a equipe. A capacitação da equipe escolar para cuidar integralmente dos alunos não pode ser vista como imposição, ônus ou peso. Creio que seja mais uma oportunidade de demonstrar, aos pais e a sociedade, o comprometimento e a responsabilidade que tem com cada vida dentro da escola”, finaliza. (RP)

SAIBA MAIS ERIC AMORIM amorim.impacto@gmail.com


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ACESSÓRIOS (BEBEDOUROS, LIXEIRAS, TAPETES, VENTIL ADORES, ), BRINDES


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ALIMENTAÇÃO, FACHADAS, GRAMA SINTÉTICA


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ELEVADORES, LIVROS PERSONALIZADOS, MÓVEIS


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CONTABILIDADE, PRODUTOS DE LIMPEZA, PL AYGROUNDS


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PERSIANAS, PISOS, PL AYGROUNDS


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PINTURAS ESPECIAIS, PISOS, REFORMAS (MANUTENÇÃO PREDIAL), SISTEMAS DE SEGURANÇA, TOLDOS E COBERTURAS


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