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Edição 156 – Março/2020

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Edição nº 156 A Revista do Gestor Escolar

ano 16 | Março 2020 www.direcionalescolas.com.br


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Editorial Bullying em evidência

O termo bullying (bully = “valentão”), de origem inglesa, foi adotado no Brasil em sua característica original por não existir uma palavra na língua portuguesa capaz de expressar corretamente sua abrangência. O bullying é um tema sensível, multidisciplinar e que carrega, em si, um olhar apurado de todos e todas que participam ativamente da comunidade escolar – gestões administrativa e pedagógica, educadores, estudantes e pais, mães e/ ou responsáveis. O assunto tem mobilizado, nos últimos anos, pesquisas científicas relevantes que apontam em números as formas de violência, suas causas e as possibilidades de ação/prevenção. No dia 03 de fevereiro deste ano, foi publicado o relatório “Violência, bullying e repercussões na saúde: resultados do Projeto São Paulo para o desenvolvimento social de crianças e adolescentes (SPPROSO)”, com dados de uma pesquisa realizada por um grupo da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) com apoio de diversas instituições, como FAPESP, CAPES, Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV/USP) e British Academy/Newton Foundation.

A pesquisa ouviu 2.702 alunos do 9º ano do Ensino Fundamental (com idades próximas a 14 anos) de 119 escolas públicas e privadas do município de São Paulo, explorando os precursores e fatores associados ao bullying e à violência nos níveis de indivíduo, família, escola e comunidade. No início do relatório, Alexander Butchart, Coordenador de Prevenção à Violência da Organização Mundial da Saúde (OMS), destaca: “No total, 29% dos adolescentes do sexo masculino e feminino relataram ter sido vítimas de bullying no último ano, 23% de terem sido vítimas de violência, 15% de terem cometido bullying e 19% de terem cometido violência. Em consonância com os achados de outros contextos, a vitimização e a perpetração foram associadas ao aumento do uso de drogas, níveis elevados de ansiedade e depressão e pior saúde autorreferida no último ano”. Esse mínimo recorte da pesquisa (que pode ser acessada em https://sites. usp.br/sp-proso/) mencionada acima destaca uma urgência: precisamos falar sobre bullying!

Rafael Pinheiro

Jornalista Responsável

Direcional Escolas - Março 2020

Diversidade, respeito e igualdade – esses três elementos alinhados com conceitos humanitários representam uma força ímpar. Aprender a respeitar, dialogar e interagir com as diferenças é uma tarefa árdua, sadia e que deve ser nutrida diariamente. Por outro lado, é notória a existência de atos intolerantes, que constrangem, inibem e embaraçam alunos e alunas em diversas camadas sociais e econômicas de diversas séries escolares. Para esses atos designamos a presença do bullying.


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Nesta Edição: 08 10

16 Coluna - Christian Coelho

Como criar o planejamento estratégico da sua instituição de ensino

20 Coluna - Leo Fraiman Quem planta humanidade colhe brilho nos olhos

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Coluna - Eduardo Shinyashiki O prazer de aprender: otimizando o potencial dos alunos

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BNCC: Como as escolas estão desenvolvendo a Base Nacional Comum Curricular na prática?

Fique de Olho Agenda digital

Dica: Filantropia Formação humanizada

Dica: Doença na Escola Cuidado e bem-estar

Coluna - Celso Antunes Qual a quantidade ideal de alunos em uma sala de aula construtivista?

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Conversa com o Gestor

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Dica: Ensino Técnico Formação técnica e profissional


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EXPEDIENTE Diretores Alex Santos & Paula De Pierro Público Diretores e Compradores

A Revista do Gestor Escolar

Periodicidade: Mensal exceto Junho / Julho e Dezembro / Janeiro

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Tiragem 20.000 exemplares Jornalista Responsável Rafael Pinheiro | MTB 0076782/SP

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COMO CRIAR O PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DA SUA INSTITUIÇÃO DE ENSINO

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lanejamento estratégico é o processo de documentar e estabelecer uma direção para a sua instituição de ensino, avaliando onde ela está e aonde ela quer chegar. O planejamento estratégico tem como base a missão, a visão, os valores da empresa, a proposta pedagógica, seu posicionamento em relação ao mercado e atuações baseadas em dados concretos. A Rabbit indica a realização das ações propostas no planejamento estratégico em cinco etapas diferentes da ordem comumente utilizada pelo mercado, devido o calendário escolar ser específico com prioridades comuns entre a maioria das escolas.

namento das relações da empresa e sua estrutura interna de trabalho. 3 - Mapeamento de perfil Tem o objetivo de auxiliar os líderes a verificar se o colaborador que ocupa determinado cargo possui os pré-requisitos para desempenhar suas funções com qualidade. É comum em empresas familiares os cargos e funções se adequarem às pessoas existentes e não o contrário, como dita as regras básicas de administração. Ao conhecer melhor o perfil de cada colaborador, podemos adequá-los aos cargos e funções apropriados, aprimorar suas qualidades e reduzir as suas deficiências. 4 - Descrição de funções

1 - Definir o dono do projeto Para que as ações sejam executadas e causem o menor impacto possível no modus operandi da escola, o projeto precisa de um dono, isto é, um responsável que acompanhe e verifique o cumprimento das tarefas nos prazos estabelecidos. O responsável pode realizar ou delegar as atividades desde que acompanhe a sua realização.

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2 - Montar o organograma funcional Premissa necessária de qualquer negócio que visa o crescimento sustentável. A organização ocorre quando os líderes possuem uma visão holística da empresa para identificar as áreas que funcionam a contento e as lacunas que precisam melhorar. Para que cada indivíduo cumpra suas tarefas, é importante construir um organograma funcional que propicie a visualização e a compreensão do funcio-

Durante uma semana, o colaborador registra suas funções no decorrer do dia, sem repeti-las. 5 - Gestão de tempo É um fator preponderante para gerir o seu negócio. Devido aos inúmeros afazeres, busca de inovações, resolução de problemas, reuniões e conversas com seus subordinados, os líderes têm muita dificuldade em manter suas rotinas. Diante desse cenário, com algumas atividades emergenciais, operacionais e relacionais não previstas, a tendência é perder o controle do tempo e deixar de lado as prioridades. Para minimizar essas ocorrências, seguem três passos que devem ser tomados para alcançar o alto desempenho. 1º Passo - Calendário de horários fixos: inicie o seu calendário com a montagem da sua agenda de atividades importantes e fixas.

2º Passo - Utilize uma agenda digital, como a disponível no Google ou no Outlook: é importante para a organização e o planejamento do seu dia. Existem vários tutoriais na Internet que ensinam como utilizá-las. 3º Passo - Imagem mental: imprima um resumo das suas atividades importantes e fixe em locais estratégicos, como a sala dos professores e no mural de funcionários. Esta ação tem o objetivo de deixar claro que em determinados horários o líder não deve ser interrompido, com exceção de alguma emergência. Presente para você! Os leitores da Direcional Escolas terão acesso a uma versão gratuita da RabbitPlay – plataforma streaming de conteúdo da consultoria educacional Rabbit Partnership. Com o RabbitPlay a sua escola pode baixar conteúdos relevantes e participar de cursos on-line para desenvolver suas habilidades e conhecimentos, em um ambiente virtual simples e dinâmico. O sistema permite acesso pelo smartphone, tablet e desktop. Os usuários têm acesso a conteúdos em vídeos, PPT, Excel e PowerPoint, segmentados e organizados de acordo com cada área de interesse. Faça sua inscrição pelo site: www.rabbitmkt.com.br

O Colunista CHRISTIAN ROCHA COELHO Formado em comunicação, especialista em andragogia e neuropsicologia. Diretor do Grupo Rabbit Educação. www.rabbitmkt.com.br

foto cedida pelo colunista

COLUNA / CHRISTIAN COELHO


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QUEM PLANTA HUMANIDADE COLHE BRILHO NOS OLHOS

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sta é uma reflexão em favor da humanização. Muitos pais se assustam com comportamentos e atitudes de seus filhos: “eles não têm limites”, “meu filho de dois anos já manda em casa”, “as crianças de hoje estão diferentes”.

Um filho precisa ter ao seu lado adultos conscientes, seguros e empoderados para aprender a manejar seus impulsos, vontades e experiências, para que aprendam a fazer o que tem que ser feito, mesmo sem querer, ou, a não fazer o que é cabido, mesmo querendo.

Medo, estresse e angústia assombram as famílias. Os distraídos se descabelam, se estressam e se endividam; os ressentidos delegam à escola, ao outro, o papel que lhes cabe: educar. “Não tenho tempo”, “não sei o que fazer”, “já entreguei a Deus”, nada disso funciona, pois, a única coisa que nos livra da angústia é a atitude.

Só tendo ao lado familiares e educadores que se respeitam, que se consideram e têm clareza de seus valores e propósitos de vida é que um filho sai do nível dos instintos para o degrau mais elevado, da humanização.

Se deixarmos de podar, cultivar e cuidar de um jardim, em poucas semanas, entregue a si mesmo, ele invade a casa e se impõe, pois, a natureza é o que é – sem limites. Ela cresce e se expande para onde e como pode. Acuado, um jacaré ataca; com fome, uma hiena caça. A natureza, no âmbito biológico, segue pela sobrevivência, regida pela fome, sede, sono e reprodução. Com uma criança, um adolescente, não é diferente. Os filhos, por si, não têm limites. Eles querem o que querem e, se deixarmos, seus desejos irrefreados se impõem – na sala de aula e na sala de casa.

Somos tão humanos quanto praticamos escolhas. Somos tão humanos quanto escolhemos praticar o bem. O bem comum. O bem viver. O bem. O maior bem que um filho pode receber de seus pais e dos educadores é a inspiração, a orientação e a motivação para se tornar a melhor versão de si mesmo. E você? O que pode fazer hoje, para que o mundo receba de sua família o bem que tanto precisamos em nossa vida? Em sua escola, quais são os momentos em que se abre para o debate, são realizadas pesquisas e conversas sobre o amor, a felicidade, a dor, a superação... enfim, sobre a humanidade? Sem que estes temas sejam cultivados,

é irreal querer colher bons frutos. E quem não cresce cultivando um projeto de vida facilmente se torna vítima de um projeto de morte. Nós, adultos, precisamos lapidar nossas prioridades e os valores oferecidos no contexto escolar para que as crianças e adolescentes também lapidem suas atitudes e se tornem pessoas sábias e capazes de gestos nobres perante a sociedade.

O Colunista LEO FRAIMAN É palestrante, psicoterapeuta e mestre em Psicologia Educacional e do Desenvolvimento Humano pela USP. É especialista em psicologia escolar e master em programação neurolinguística. Autor de diversas obras dentre as quais a Metodologia OPEE editada pela Editora FTD, A síndrome do Imperador pela Editora Autêntica e FTD, e Meu filho chegou à adolescência, e agora? pela Integrare Editora. Integrante do Conselho Mundial de Educação para a Autonomia em Paris e integrante do Simpósio Internacional Formando Lideranças para o Desenvolvimento Futuro na ONU. Contatos: www.leofraiman.com.br facebook. com/leo.fraiman Instagram: @leofraimanoficial comunicacao@leofraiman.com.br

foto cedida pelo colunista

COLUNA / LEO FRAIMAN


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COLUNA / EDUARDO SHINYASHIKI POTENCIAL DOS ALUNOS

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profissão de educador é muito delicada – todos nós sabemos. Com ela, o professor tem a missão de orientar o crescimento de crianças, adolescentes e jovens, para que eles desenvolvam suas potencialidades e competências cognitivas, sociais e emocionais, para que expandam sua mente e coração, os estimulando a construir um futuro de realização. É uma profissão de muita responsabilidade e importância, ainda que, muitas vezes, seja desvalorizada. Reconhecendo as dificuldades da missão de educador, podemos sempre refletir sobre como não deixar que as dificuldades nos desmotivem desse papel tão precioso e essencial na preparação de cidadãos felizes e realizados.

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Cada vez mais o ambiente escolar reúne professores, pais, cientistas e pesquisadores das neurociências e das ciências cognitivas, com um único norte: dar um novo estímulo à curiosidade, ao prazer e à alegria de aprender para as nossas crianças e jovens. Desse trabalho em conjunto, três pontos importantes de reflexão emergem: 1º – Não subestimar nossos alunos e suas potencialidades, assim ajudamos para que se sintam capazes e competentes. Encorajar seus esforços e compreender os seus erros, já que errar é a condição para o aprendizado. Desta forma, ajudamos o aluno a se sentir capaz e a construir sua autoestima. Ele necessita enxergar nos olhos dos seus

professores que eles acreditam no seu valor e na sua capacidade, sentindo que é valorizado e apoiado nas suas dificuldades. Se o aluno é humilhado e desvalorizado, perde a vontade de aprender, começa a acumular insucessos e a rejeitar a escola e o estudo. 2º – Ajudar o aluno a desenvolver a atenção. A atenção é a porta de entrada para o aprendizado. As informações não serão memorizadas se não foram anteriormente recebidas e fortalecidas pela atenção. Ela se torna concentração e autocontrole e se desenvolve na criança durante toda a infância e adolescência, por isso o professor pode ajudar – e muito – no desenvolvimento progressivo da atenção, para que o aluno aprenda a escolher estratégias apropriadas e a inibir estratégias inadequadas. 3º – Trabalhar com a intenção de que cada dia de aula seja um prazer para o aluno e não um momento de ansiedade, estresse e medo que bloqueiam o aprendizado. Há décadas que as neurociências e os estudos sobre as competências emocionais nos ensinam que é a nossa parte emocional que toma as decisões. Os conhecimentos se fixam no cérebro juntos com as emoções, ou seja, se aprendo com curiosidade, alegria e entusiasmo, a aula será gravada na memória com essas emoções. Se aprendo com medo, tensão e humilhação, essas emoções são gravadas e se ativa internamente um alarme, uma reação instintiva de “melhor fugir disso que não me faz sentir bem”. Se

cria no aluno um circuito negativo, é o pontapé inicial para que ele comece a rejeitar a escola e o estudo, gerando uma acumulação de insucessos. É importante tornar as horas de aulas momentos de prazer, apoiar os esforços, mesmo que seja com um sorriso ou um encorajamento. A sensação de ser reconhecido e de estar fazendo progressos é, em si, uma recompensa. Esses pontos de reflexão nos permitem ajudar o aluno a se sentir mais forte e amparado para enfrentar os desafios que se apresentam, com mais interesse, paixão e vontade de aprender, pois compreendeu que isso fará toda a diferença na sua vida, no seu sucesso e na sua realização. Quando o interesse e a vontade de aprender são estimulados, permitimos que o entusiasmo entre na vida dos alunos e se expanda em relação a contextos mais amplos, ao conhecimento de si mesmo, do mundo, de suas necessidades, interesses e objetivos, se apropriando do direito de escolher o próprio futuro e, consequentemente, sua autorrealização.

O Colunista EDUARDO SHINYASHIKI É palestrante, consultor, escritor, conferencista nacional e internacional e presidente do Instituto Eduardo Shinyashiki. É Mestre em Neuropsicologia e Liderança Educadora e referência em desenvolvimento das Competências de Liderança e da Performance Humana. Mais informações: www.edushin.com.br

foto cedida pelo colunista

O PRAZER DE APRENDER: OTIMIZANDO O


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COLUNA / CELSO ANTUNES ALUNOS EM UMA SALA DE AULA CONSTRUTIVISTA?

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circunstância de ser uma pergunta frequentemente formulada não implica que seja fácil a sua resposta. Assim, entre as inúmeras questões que sempre nos propõem, uma delas é a que indaga: qual o número “ideal” de alunos em uma sala, para que se possa ministrar a aula e garantir aprendizagem significativa a todos? A resposta a essa questão parece-nos complicada, mas nem por isso devemos fugir dela. A resposta é complicada porque a quantidade de alunos que se acredita “ideal” na Educação Infantil, por exemplo, não é a mesma que se propõe para as Séries Iniciais do Ensino Fundamental e, menos ainda, para as possíveis no Ensino Médio. Além disso, aulas de Ciências em Laboratórios, Informativa, Línguas e Educação Física, por exemplo, sugerem quantidade de alunos diferente que os que se agrupam em aulas teóricas – expositivas ou não.

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Assim, a questão chega ao seu objetivo essencial: Quantos alunos devem abrigar uma classe em que se deseja a efetiva construção da aprendizagem, a perspicácia no desenvolvimento de competências e a certeza de que bons instrumentos de avaliação podem aferir níveis efetivos de aprendizagem? Baseando-se em muitos anos de trabalho e aferição efetiva de aprendizagens, acreditamos que uma Educação Infantil que propõe plena exploração dos limites cognitivos e mnemônicos das crianças não pode contar com mais de oito a dez alunos por turma, e essa quantidade não deve ir além de 25 nas Séries Iniciais, para chegar a 30 no final do ciclo e admitir até 35 alunos no Ensino Médio.

Sendo impossível manter-se dentro desses parâmetros, não significa que não se possa fazer admirável trabalho educativo, ainda que com algumas restrições. Mais ainda, essa mesma quantidade de alunos pode ser ideal para os professores que sabem bem trabalhar com grupos e se mostra com eficiência, para todos quantos ignoram essas estratégias. Um professor, extremamente hábil para lidar com situações de aprendizagens de alunos organizados em equipes, consegue respostas excelentes e não raramente superiores a de seus colegas, que apenas admitem ações individualizadas. Além disso, quando o professor possui um ou mais “auxiliares”, que não se volta especificamente a questão da intermediação entre os saberes dos alunos e os desafios dos conhecimentos postos ao seu dispor, mas pode acompanhar esta ou aquela limitação pessoal ou cobrar uma ou outra habilidade específica, uma vez mais a quantidade de alunos pode crescer um pouco, com prejuízo pequeno. Os limites quantitativos acima, entretanto, podem permitir uma aprendizagem satisfatória, mas jamais proporcionar ao professor a condição plena para conhecer o aluno, identificando e trabalhando os seus estilos de percepção e sua singularidade enquanto pessoa, atributo essencial para ajudá-los quanto à efetiva leitura do mundo e a indispensável hierarquia em suas referências e quadro de valores. Há quem diga que esse não é o papel do professor. Se não o for, de quem será esse papel? Todo professor é mais que um agente indutor de processos de aprendizagens e da transformação de informações em

conhecimentos, e assim, necessita ajudar seu aluno na longa (e nem sempre lenta) caminhada rumo ao amanhã. Para que essa ação se concretize plenamente, é essencial que o mestre esteja plenamente preparado, mas também não é menos importante que os limites quantitativos expostos se reduzam, e dessa forma torna-se necessário extrair 25% ou mais em relação a quantidade acima destacada. Assim, a quantidade de alunos na sala importa muito, mas ainda mais importante é o conhecimento, estudo permanente, entusiasmo e dedicação do professor. Um breve “passeio” pelas manchetes do cotidiano aponta sempre que médicos geniais e abnegados conseguem milagres admiráveis mesmo tratando pacientes em situações precárias. Pelo menos por este ângulo, médicos e professores podem ser comparados: Se o número ideal de alunos é inviável, que ao menos caiba a eles um professor extremamente profissional e não menos dedicado.

O Colunista CELSO ANTUNES É um educador brasileiro, formado em Geografia pela Universidade de São Paulo (USP), Mestre em Ciências Humanas e Especialista em Inteligência e Cognição. Membro Fundador da Entidade “TODOS PELA EDUCAÇÃO” e Consultor Educacional do Canal Futura. Pró-reitor do Centro Universitário Sant’Anna (SP), palestrante e escritor. São mais de 180 livros sobre educação e cerca de 60 livros didáticos publicados. Possui obras traduzidas na Argentina, no México, no Peru, na Colômbia, na Espanha, em Portugal e em outros países.

foto cedida pelo colunista

QUAL A QUANTIDADE IDEAL DE


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CONVERSA COM O GESTOR BNCC: COMO AS ESCOLAS ESTÃO DESENVOLVENDO A BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR NA PRÁTICA? Por Rafael Pinheiro / Fotos Divulgação

“A BNCC tem como grande diferencial o olhar cuidadoso sobre as relações humanas. É importante sabermos quem somos e é importante sabermos quem somos no meio que vivemos, pois vivemos em comunidade. Afetamos e somos afetados pela comunidade na qual estamos inseridos e esta consciência nos fortalece enquanto indivíduos. Como bem nos ensina os pilares da educação da UNESCO, é preciso sabermos nos comunicar, criticar, criar e conviver”, ressalta a escritora e educadora Janine Rodrigues

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lterações significativas adentram o sistema educacional neste ano letivo de 2020. De forma geral, todas as instituições de ensino do país – públicas e privadas – começam a implementar conhecimentos, competências e habilidades que compõem a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) – projeto que direciona seu olhar para a formação humana integral e para a construção de uma sociedade democrática e inclusiva. De acordo com o Ministério da Educação (MEC), a Base é um documento de caráter normativo que define o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos e alunas devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica. Construída por meio de uma parceria entre o MEC, o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), e a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), a Base recebeu, desde 2018, o investimento de mais de R$ 200 milhões do MEC.

algumas competências com esses alunos para que daqui para frente possam ter o seu o projeto de vida, desenvolvam o seu empreendedorismo. Isso não faz de uma hora para outra”, explicou o secretário de Educação Básica do MEC, Jânio Macedo, por meio de nota da assessoria de comunicação do ministério. Sob a ótica pedagógica, Janine Rodrigues, escritora e educadora, acredita que os educadores estão no caminho para incluir as demandas da BNCC na rotina escolar. “O primeiro passo é conhecer, reconhecer a importância e ter interesse em sua aplicação. Em nosso trabalho percebo que ainda existe uma grande preocupação e cuidado com o aluno, mas no que se refere aos professores, ainda é preciso mais atenção”.

Janine Rodrigues se recebe, conhecimento se constrói”, o Colégio Vital Brazil, localizado na região oeste de São Paulo e fundado em 2011, possui, em suas propostas pedagógicas, certas competências que a Base Nacional Comum Curricular estabelece como direitos de aprendizagem do estudante, atrelado a projetos desenvolvidos pela instituição. “A Base fortalece a intencionalidade dos nossos projetos, saber onde estamos e aonde queremos chegar”, diz Vanessa Inagaki, coordenadora assistente do Fundamental I. Segundo ela, ainda que o colégio já trabalhasse as dez competências previstas pela BNCC, o documento fornece uma matriz que contribui para um planejamento pedagógico mais assertivo, com uma evolução dessas competências ao longo do Ensino Fundamental.

“De que adianta pensar nas habilidades socioemocionais dos alunos e não pensar nestas mesmas habilidades para os professores e coordenadores? Nos projetos que eu realizo nas escolas o pedido que mais recebo é: Você pode me dar exemplos? E eu adoro dar exemplos reais, pois eles nos aproximam do conceito. Eles ajudam o entendimento e, principalmente, a percepção de que é possível”, completa Janine.

Na prática, a BNCC pretende que o estudante transcenda os conhecimentos tradicionais em sala de aula, desenvolvendo, assim, competências éticas, humanas e técnicas com o intuito de preparar o jovem para os desafios que emergem COMPETÊNCIAS EM ARTICULAÇÃO na contemporaneidade. “Não é simplesmente aplicar o currículo, é desenvolver Com base na visão “conhecimento não

Colégio Vital Brazil (SP)


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Dois projetos trabalhados pelo colégio servem como ilustração: no projeto “Plantas ao Nosso Redor”, os alunos de 2º ano da professora Márcia Vieira dedicam-se a pesquisas sobre o mundo vegetal. Os alunos aprendem sobre algumas particularidades das plantas e, ao final da pesquisa, criam apresentações em PowerPoint sobre as partes das plantas: raiz, caule, folha, flor, fruto, semente.

lhadas em diversas características: a pesquisa científica, a cooperação em grupo, a comunicação, a utilização da ferramenta digital (via PowerPoint e podcasts) e, também, o desenvolvimento da argumentação entre os jovens. “Em trabalhos em grupo, nunca será tudo como eu quero. É preciso convencer os colegas”, ressalta Ana Paula.

As pesquisas são realizadas em formato de grupos durante as aulas de informática e, de acordo com a professora Márcia, todos os estudantes que compõem o grupo fazem as pesquisas na internet sobre o tema e são engajados para desenvolver entre si o espírito de cooperação. “Uma importante competência trabalhada aí é a da cooperação, que nessa fase ainda é um aprendizado. Eles já sabem usar o teclado e o mouse, sabem o que é a internet e o Google, sabem escrever; agora precisam aprender a unir todos esses conhecimentos para o propósito de adquirir conhecimento”.

A ampliação do conhecimento e do pensamento científico, a reflexão sobre a empatia e o estímulo da capacidade comunicativa, são algumas das características trabalhadas diariamente no Colégio Albert Sabin – fundado em 1993, em São Paulo, como uma instituição de ensino de qualidade.

Já nas turmas do 5º ano da professora Ana Paula Piola, os alunos são divididos em grupos e, cada grupo, é responsável por estudar a fisiologia humana e produzir um podcast sobre um dos sistemas do corpo humano. No desenvolvimento do projeto, conta a professora Ana Paula, um grupo de alunas notou um problema em suas pesquisas individuais: “Eram duas informações contraditórias que elas tinham tirado da internet. Tomaram uma decisão: ‘Professora, vamos à biblioteca?’ Elas demonstraram senso crítico – sabiam que um livro seria fonte provavelmente mais confiável – e autonomia para chegar a uma solução”, diz a professora.

MOSTRA CULTURAL

Para Dionéia Menin, coordenadora pedagógica da Educação Infantil e do Fundamental I, as competências gerais definidas pela BNCC sempre foram trabalhadas no cotidiano do Sabin, mesmo que os pais nem sempre percebam como elas estão relacionadas às aulas e atividades dos filhos. “Todo dia estamos falando de reciclagem com eles, ou da diversidade cultural de São Paulo e do país, ou estamos exercitando linguagens variadas…”, afirma a coordenadora. E, como uma forma de evidenciar essas competências trabalhadas, o colégio realizou no último ano uma Mostra Cultural.

A estrutura da mostra foi distribuída no ginásio do colégio e os estandes indicavam, em selos e banners, com quais competências propostas pela BNCC cada trabalho exposto mais se identificava. Assim, tendo como eixo da mostra o senso de responsabilidade com a preservação do planeta, um trabalho do Pré I trazia, em texturas, Na ilustração desses dois projetos, pode- os diferentes tipos de revestimento do cormos acompanhar as competências traba- po dos animais; do 2º ano, sobre animais

Colégio Eniac, localizado em Guarulhos (SP) em extinção; um do 1º ano sobre biomas brasileiros; e mais um, do 3º ano, sobre a vida em ambientes extremos, como desertos e geleiras. “A ideia foi mostrar para os pais o sentido do nosso projeto pedagógico, tendo como fios condutores as competências que os alunos vão desenvolvendo ao longo das séries”, diz Karla Ramos, assessora de Língua Portuguesa e orientadora educacional. A assessora Karla ressalta que a organização da mostra – e os trabalhos dos alunos expostos – não promoviam apenas uma das competências exigidas, mas que se articulava com outras competências ampliando as reflexões. Ela cita, como exemplo, o trabalho de uma turma de 2º ano que, embora tratasse explicitamente de descarte do lixo, estava marcado com o selo “Comunicação e argumentação” – como explica a assessora, remetia à competência de utilizar diversas linguagens para expressar e partilhar as informações. “Era um painel artístico, confeccionado com material reciclado, como copinhos, tampas, embalagens Tetra Pak, algumas frases de impacto e um convite para que o público interagisse com a instalação, em várias posições”, diz Karla. Para complementar essa ideia, a coordenadora do colégio, Dionéia Menin, destaca que a mostra “deixou claro como todas as nossas ações e projetos fazem parte de um todo, como temas diferentes podem levar a reflexões parecidas, promovendo as competências e habilidades necessárias para que o cidadão esteja preparado para lidar com o mundo”. ENSINO MÉDIO A etapa do Ensino Médio da BNCC foi homologada em 14 de dezembro de 2018 e está organizada por áreas do

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Colégio Albert Sabin (SP)


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Simone Vianna, assessora de inovação pedagógica do Colégio Eniac (SP) conhecimento – matemática e suas tecnologias; linguagens e suas tecnologias; ciências da natureza e suas tecnologias; e ciências humanas e sociais aplicadas. A carga total será de 3.000 horas: 1.800 para as competências e habilidades da Base e 1.200 para os itinerários formativos, de acordo com a escolha do aluno em sua formação técnico-profissional. A previsão é que as mudanças entrem em vigor neste ano letivo de 2020, formando as primeiras turmas em 2022. A BNCC do Ensino Médio, que esteve em densas discussões entre educadores, especialistas e pesquisadores, começa a aparecer de forma prática em algumas instituições de ensino pelo país, incor-

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o Eniac vem transformando seu modelo de Ensino Médio desde 2016, implementando mudanças significativas para o aprendizado. E, para essa transição, foi necessária uma preparação do corpo pedagógico, dos dirigentes e demais atores envolvidos no processo de ensino e aprendizagem. “Falo de novos e variados métodos, espaços que vão além da tradicional sala de aula, ferramentas e outros diferentes Simone Vianna, assessora de inovação elementos que, juntos, colaboram para o pedagógica do Colégio Eniac, destaca engajamento dos estudantes”, completa. que o colégio possui, dentre outras características, o protagonismo estudantil como método pedagógico, posicionanSAIBA MAIS do o aluno no centro do processo de aprendizagem. “No Eniac, ‘desenhamos’ COLÉGIO ALBERT SABIN e implementamos nosso próprio modelo, atendimento@albertsabin.com.br intitulado como modelo 50x30x20: 50% de aulas, 30% de aprendizagem baseada COLÉGIO VITAL BRAZIL em projetos e 20% de oficinas conectadas. atendimento@vitalbrazilsp.com.br Em linhas gerais, o modelo proporciona aprendizado flexível, dinâmico, contexJANINE RODRIGUES tualizado e pautado na experimentação janineelisrn@gmail.com prática, desde a Educação Infantil até o Ensino Médio e Profissionalizante”. SIMONE VIANNA eniac@agenciarace.com.br O processo de implantação e de adaptação à nova realidade educacional sob a Para ter acesso a outras matérias e luz da BNCC foi gradativa, ainda que em especiais sobre a BNCC, acesse nosso ritmo acelerado. De acordo com Vianna, site: www.direcionalescolas.com.br

porando em novos programas e metodologias. No Colégio Eniac, instituição referência em inovação e tecnologia do ensino básico ao superior, além de adotar uma metodologia de ensino baseada em projetos, com alta autonomia do aluno, a instituição, a partir deste ano, trabalha com a carga horária de 1.800, alinhada às diretrizes da BNCC.


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FIQUE DE OLHO AGENDA DIGITAL Por Rafael Pinheiro / Fotos Unsplash

A tecnologia, especialmente na atualidade, nos mostra que estamos – cada vez mais – reformulando hábitos e relações pessoais, sociais e profissionais. Nas dinâmicas contemporâneas, plataformas, aplicativos e ferramentas digitais oferecem soluções que aproximam o cotidiano escolar de pais, mães e/ ou responsáveis por meio de calendários, canais de atendimento, comunicados, monitoramentos, notificações e todas as demais formas de comunicação. CLASSAPP

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Fundada em 2014 com o objetivo de oferecer um aplicativo de comunicação para as escolas que pudesse conectar instituições de ensino com pais e alunos de forma simples e inteligente, a ClassApp consolida-se no mercado de edtechs (startups de tecnologia educacional) atendendo mais de 600 instituições de ensino em todo o país. O aplicativo “oferece às escolas seu próprio sistema de comunicação privado, seguro e completamente gerenciável, por meio de uma ferramenta multicanal capaz, inclusive, de medir a visibilidade da comunicação”, diz Carolina Ayvazian, Gestora de Marketing e Comercial da ClassApp. O diferencial da ferramenta, conta a gestora, é propor uma “jornada personalizada” com materiais exclusivos e dicas de bom uso, além de fornecer funções essenciais para uma comunicação de qualidade, de forma prática e intuitiva. “Nossa solução permite que a escola compartilhe fotos de passeios, eventos, e de todas as atividades escolares, como também quaisquer tipos de conteúdos em tempo real”, afirma Ayvazian. E, também, é possível enviar relatórios personalizados sobre o sono, o banho, a alimentação, a troca de fraldas e as atividades realizadas no cotidiano da escola. Toda a comunicação é direta e instantânea, garantindo eficiência e otimizando o tempo dos pais. “Além disso, a ClassApp conta com uma equipe especializada para realizar a implantação do sistema de maneira simples e apoiar as instituições durante sua jornada com um suporte rápido e eficiente”, finaliza.

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CLIPESCOLA

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“Somos uma plataforma completa de transformação digital”, enfatiza Marcos Matias, CEO da ClipEscola. A empresa, que surgiu no mercado educacional no primeiro semestre de 2016, tem crescido de forma intensa e, hoje, “a empresa está com 10 vezes mais colaboradores do que no início e os benefícios da solução já são desfrutados por quase 1,5 milhão de usuários”, afirma Matias. A ClipEscola oferece a “Plataforma de Transformação Digital M3I”, que atua nos segmentos de comunicação e marketing das escolas. A solução é personalizável de acordo com a necessidade de cada instituição, assim, produtos como “agenda digital escolar”, como outros módulos dos estágios “360º” e “Inteligência Artificial”, podem ser adquiridos gradualmente a partir da plataforma. “Pensando só na parte de agenda digital, a escola pode esperar de imediato: engajamento dos pais com a escola, aumento da produtividade dos colaboradores e redução de custos. Ao substituir a agenda de papel pelo aplicativo, os pais passam a acompanhar toda a vida escolar da criança diretamente pelo celular. Eles nunca esquecem de conferir, pois está na palma da mão deles”, ressalta o CEO da empresa. Dessa forma, o custo que a escola teria com agendas físicas, conta Matias, é reduzido em 99%. Além dessa redução sustentável, “é possível também alavancar o número de matrículas e retenções, reduzir a inadimplência, automatizar tarefas, reter talentos e muito mais”, finaliza.


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DICA: FILANTROPIA

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FORMAÇÃO HUMANIZADA

roveniente das expressões gregas “philos” e “anthropos” que traduzem-se livremente como “amor” e “ser humano”, a etimologia da palavra filantropia pode ser interpretada como “amor ao ser humano” – ou à humanidade. Dessa forma, a filantropia carrega, em si, características de auxílio ao outro ser humano, seja de forma individual ou coletiva.

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Para o contador Mário Candido, a filantropia pode ser entendida como um conjunto de ações destinadas a atender pessoas em situação de desemparo social e/ou emocional. “Nesse sentido, promover ações filantrópicas nas escolas é promover a formação humanística em sua integralidade, algo fundamental na construção de um ser humano mais completo e responsável com as suas necessidades e as de outras pessoas, incluindo o planeta em que vivemos”. No âmbito escolar, especialmente na formação integral dos estudantes, a inclusão de ações sociais no cotidiano da instituição de ensino propõe a reflexão sobre a coletividade, o respeito ao outro e a compreensão de realidades e culturas diferentes. De acordo com o Mário Candido, que possui mais de 20 anos de experiência na área de filantropia, as ações sociais podem ser inseridas desde o ensino fundamental e, posteriormente, expandir as atividades com o intuito de aproximar da realidade dos estudantes. “Com o amadurecimento das crianças, é possível inserir atividades que vão desde o cuidado de um jardim ou de uma horta, o recolhimento de pilhas e baterias, ações de limpeza e manutenção, até ações ou campanhas de arrecadação para alguma causa

próxima à realidade das crianças envolvidas”, ressalta Candido. Na prática, para os gestores que desejam agregar ações filantrópicas em suas instituições, Mário Candido destaca que a filantropia pode ser aplicada em diversas ações, e não apenas na concessão de bolsas de estudo: “O gestor é justamente a pessoa que, pela proximidade com a realidade de uma determinada escola, pode identificar ações sociais a serem desenvolvidas, que vão desde a necessidade de auxílio na alimentação de determinados alunos, até necessidades coletivas mais estruturadas”. Dessa forma, a escolha dos lugares que serão beneficiados por essas ações, pode privilegiar a própria escola e seu entorno, aproximando toda a comunidade escolar (estudantes, professores, famílias), além de permitir que o aluno vivencie a transformação e a melhoria da realidade em sua volta. “Com isso, não estou dizendo que outras ações devem ser descartadas. Uma campanha de arrecadação de alimentos, cobertores ou outras necessidades, o apoio concreto a uma causa ambiental ou outras demandas são tão importantes quanto as ações mais próximas”, reflete Candido. “A filantropia não é somente assistencialismo. Ações desse tipo são importantes pela consciência humana que trazem, além de atender demandas mais emergenciais. Entretanto, ações de longo prazo e mais estruturadas e transformadoras são mais do que necessárias”, finaliza. (RP)

SAIBA MAIS MÁRIO CANDIDO mariocandido.cont@gmail.com


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DICA: DOENÇA NA ESCOLA

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escola é o espaço físico onde crianças e adolescentes passam grande parte de suas vivências ao longo dos anos escolares. Nessa ideia, tendo a escola como um espaço que agrega múltiplas diferenças, alguns pontos sensíveis podem surgir, principalmente no que tange o cuidado dos estudantes com doenças graves.

REFLEXOS NO APRENDIZADO

Quando algum aluno possui uma doença grave ou está realizando algum tratamento de saúde específico, algumas ações podem ser adotadas em toda a instituição de ensino. Na sala de aula, conta Michelli Miguel de Freitas, psicopedagoga e analista do comportamento, é importante mostrar para as demais crianças quais são as características e as necessidades especiais dessa criança em uma linguagem apropriada, abordando o tema da doença com uma perspectiva lúdica e com leveza.

“A criança pode perder a capacidade de julgamento do que é certo ou errado, do que é ou não importante, do que ela deve ou não prestar atenção. Além disso, muitos dos medicamentos usados para o tratamento destas doenças podem causar sonolência, irritabilidade e fadiga, e estes podem reduzir a capacidade de atenção e aprendizado”, explica Gomes. De acordo com o neurocirurgião, os processos de ressignificação da doença e o bem-estar do aluno na escola, deve ser guiado pela aceitabilidade – tanto da criança quando dos pais. “Utilizar ferramentas que propiciem o desenvolvimento da consciência de que a criança necessita de métodos individualizados de aprendizado por conta de sua doença é essencial”, reforça.

“Para as crianças, faz mais sentido que a gente fale sobre o que significa esse diagnóstico, como isso vai afetar o dia a dia do amigo, como isso vai afetar a convivência dele com os amigos, o que vai ter de diferente de característica desse amigo, do que nomear um diagnóstico”, afirma Freitas.

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CUIDADO E BEM-ESTAR

A psicopedagoga também destaca a importância da presença de profissionais especializados nas escolas – não apenas de psicólogos e de psicopedagogos, mas também de fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e profissionais que trabalham com o desenvolvimento infantil. “Assim, juntos, podemos propiciar um ambiente de profissionais com uma maior compreensão sobre o desenvolvimento infantil”, ressalta.

Francinaldo Gomes, neurocirurgião, afirma que algumas doenças como epilepsia, tumores, hiperatividade, infecções do sistema nervoso central (meningites, encefalites), entre outras, podem interferir diretamente no processo de aprendizado, no raciocínio e na atenção das crianças.

“A participação e, principalmente, o apoio e a aceitação dos familiares são fundamentais para o sucesso da criança. Em termos de confiança, os pais são o alicerce e devem sempre transmitir segurança e tranquilidade para a criança”, conclui Gomes. (RP)

SAIBA MAIS

FRANCINALDO GOMES francinaldogomes2012@hotmail.com MICHELLI MIGUEL DE FREITAS michellimiguel@gmail.com


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DICA: ENSINO TÉCNICO

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FORMAÇÃO TÉCNICA E PROFISSIONAL

os últimos anos, o Ensino Médio brasileiro ganhou centralidade nas discussões políticas, sociais e educacionais, gerando dúvidas e polêmicas no que ficou conhecido como a “Reforma do Ensino Médio”. A mudança nessa etapa do ensino, obrigatória pela Lei nº 13.415/2017, prevê uma ampliação do tempo mínimo do estudante na escola, organização curricular que contemple a BNCC e a oferta de itinerários formativos com foco nas áreas de conhecimento e na formação técnica e profissional.

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Segundo o portal do Ministério da Educação (MEC), o Novo Ensino Médio permitirá que o jovem opte por uma formação profissional e técnica dentro da carga horária do Ensino Médio regular. Ao final dos três anos, os sistemas de ensino deverão certificá-lo no ensino médio e no curso técnico ou nos cursos profissionalizantes que ele escolheu. Assim, o Ensino Médio busca formar o estudante para as habilidades necessárias que emergem na contemporaneidade, além de disponibilizar uma capacitação técnica e profissional para os estudantes ingressarem no mercado de trabalho. Para Nivaldo Tadeu Marcusso, coordenador de pós-graduação em engenharia e tecnologia do Centro Universitário Salesiano de São Paulo, a educação profissional integrada ao Ensino Médio atende uma demanda crescente por técnicos especializados e, ao mesmo tempo, facilita a entrada dos jovens no mercado de trabalho. “Os benefícios são relevantes tanto para as empresas, com mão de obra qualificada; como para os jovens, em termos de empregabilidade. Outra possibilidade é a preparação para obtenção de certificações de mercado, como na área

de tecnologia, que irá proporcionar diferenciais de empregabilidade aos jovens”, afirma Marcusso. Os cursos que compõem a educação profissional técnica de nível médio foram definidos pelo Ministério da Educação por meio do Catálogo Nacional de Cursos Técnicos (CNCT). De acordo com o MEC, a 3ª edição do catálogo, de 2014, apresenta 227 cursos, agrupados em 13 eixos tecnológicos. Na Escola Técnica Salesiana (ETECSAL), localizada em Campinas (SP), conta Marcusso, os cursos oferecidos são: Técnico em Edificações, Técnico em Eletrotécnica, Técnico em Informática, Técnico em Logística, Técnico em Manutenção Automotiva, Técnico em Mecânica, Técnico em Mecatrônica e Técnico em Segurança do Trabalho. “Os alunos que escolhem os cursos técnicos tendem a valorizar as disciplinas técnicas, principalmente nos cursos onde as aulas práticas são frequentes e os projetos elaborados estão em sintonia com o mercado de trabalho”, explica o coordenador. A carga horária dos cursos técnicos varia entre 800, 1000 e 1200 horas e, dependendo da habilitação profissional técnica, a carga horária pode ser estruturada em diversos arranjos curriculares. O programa de estágio também faz parte formação dos estudantes, aproximando a escola das empresas. “Os alunos devem cumprir estágio de acordo com o curso escolhido e entregar um relatório que comprove a sua conclusão e acompanhamento por parte da empresa”, ressalta Marcusso. (RP)

SAIBA MAIS NIVALDO TADEU MARCUSSO nivaldo.marcusso@unisal.br


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ACESSร RIOS (BEBEDOUROS, LIXEIRAS, TAPETES, VENTIL ADORES), BRINDES


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CONTABILIDADE, ELEVADORES, LIVROS PERSONALIZADOS


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GRAMA SINTÉTICA, MÓVEIS, PRODUTOS DE LIMPEZA


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PL AYGROUNDS, SISTEMAS DE SEGURANร A


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PL AYGROUNDS

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PAPEL DE PAREDE, PERSIANAS, PINTURAS ESPECIAIS, PISOS, REFORMAS (MANUTENÇÃO PREDIAL), TOLDOS E COBERTURAS


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Edição 156 – Março/2020 by Revista Direcional Escolas - Issuu