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Revista Direcional Escolas Edição 6 – Julho/2005

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Direcional Escolas, julho/05


EDITORIAL Editores Sônia Inakake Almir C. Almeida Público Leitor Diretores, professores, coordenadores e compradores Circulação Nacional Periodicidade Mensal

Caroleitor,

Jornalista Responsável Luiza C. Oliva MTB 16.935 Diretora de Arte Thais Moro

Sônia Inakake

Segundo dados do consultor educacional Ryon Braga, estima-se que o ensino

Coordenador de Arte Leonardo Piva

superior privado movimente este ano R$ 15 bilhões. No setor, a participação das

Assistentes de Arte Adriano Vespa Rodrigo Trevizan

estão matriculados em instituições privadas. E é nesse cenário que surge a discussão

universidades particulares é marcante: mais de 70% dos alunos de cursos superiores da reforma universitária, proposta pelo governo. Essa não é a primeira reforma que

Gerente Comercial Valéria Alves

tem como foco a educação brasileira. Em 1931, o governo provisório de GetúlioVargas promoveu ampla reforma educacional, que ficou conhecida como Reforma Francisco

Contato Publicitário Claudiney Fernandes

Campos (primeiro Ministro da Educação do país), autorizando e regulamentando o

Atendimento ao Cliente Juliana Jordão João Marconi

funcionamento das universidades, inclusive a cobrança de anuidade, uma vez que o

Divulgação João Henrique Gonçalves

Assinaturas Ismael Robles Junior

além de permitir o funcionamento de instituições isoladas. Em 1961, foi a vez da Lei de

ensino público não era gratuito. do movimento da década de 1920 por não dar exclusividade pública ao ensino superior, Diretrizes e Bases da Educação, considerada uma vitória dos defensores da iniciativa

Colaboraram nesta edição Lino de Macedo Celso Antunes Maria Taís de Melo

privada, acenando a bandeira da liberdade do ensino. A reforma universitária instituída pela Lei 5540, de 28/11/1968, tem como principal modificação a organização estrutural da universidade, substituindo a cátedra vitalícia pelo departamento universitário.

Impressão Oceano

Atualmente, o sistema educacional é regido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação

Assinatura Bienal: R$ 180,00 Filiada à

Embora a reforma representasse um avanço, ela não atendia a principal bandeira

Tiragem auditada por

Nacional, a LDB de 1996.

O ensino superior brasileiro está perto de completar 200 anos de vida – nasceu em

1808, com a chegada da família real portuguesa ao Brasil e a abertura das primeiras escolas de ensino superior. Hoje, o ensino superior privado oferece 10 mil cursos nas diferentes áreas do conhecimento, em 1.652 instituições. Infelizmente, apenas 9% dos jovens brasileiros entre 18 e 24 anos cursa uma universidade. Outro dado preocupante:

Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias, sujeitando os infratores às penalidades legais. As matérias assinadas são de inteira respon­ sabilidade de seus autores e não expressam, necessariamente, a opinião da revista Direcional Escolas. A revista Direcional Escolas não se res­ ponsabiliza por serviços e produtos oferecidos pelos anun­ciantes.

Rua Joaquim Távora, 679 CEP 04015-001 - São Paulo-SP Tel.: (11) 5573-8110 - Fax: (11) 5084-3807 atendimento@condominio.inf.br www.direcionalescolas.com.br

só 30% dos estudantes chega ao Ensino Médio (em alguns estados do Nordeste, esse número é de apenas 5%). Que o debate em torno da reforma da universidade leve a educação brasileira a alçar vôos mais altos.

Boa leitura e até a próxima edição! A editora

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Tiragem de 10.000 exemplares auditada pela Fundação Vanzolini, cujo atestado de tiragem está à disposição dos interessados.

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SUMÁRIO

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ENTREVISTA

CURSO

CAPA

Lino de Macedo Pela aprendizagem dos que ensinam

Formaçãocontinuada para educadores

Vale a pena apostar na educação ambiental

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PERFIL DA ESCOLA

REFORMA UNIVERSITÁRIA

Escola Vera Cruz: Um projeto inovador

Para onde caminha a universidade

04 Índice de Produtos, 05 Agenda, 23 Dicas/Elevador, 24 Fique de Olho/Salas Multimídia, 26 Dicas/Pisos, 27 Dicas/Elétrica, 34 Crônica

ÍNDICE DE PRODUTOS & SERVIÇOS Acampamento 29 Acessórios 4ª capa, 28, 29 Alarmes 3º capa, 27, 33 Alambrados 29 Arquibancadas 18 Aspiradores 4 º capa, 29 Bebedouros 30 Cadeira de rodas 29 Câmaras 3º capa, 27, 33 Caixa D´água ( Limpeza ) 29 Carrinhos 4ª capa, 28 Cerca Elétrica 3º capa, 33 Circuito Fechado de TV 3º capa, , 27,33 Coletores para Reciclagem 28

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Computadores 22,32,33

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Controle de Pragas ( Dedetização, Descupinização, Desinsetização, Desentupidora, Desratização ) 29 DVD Player 22 Controle de Acesso 27,33

Elevadores ( Manutenção, Conservação e Embelezamento ) 23, 30 Equipamentos Didáticos 30 Equipamentos para jardinagem 4º capa Espelho 28 Ferramentas 4º capa

Móveis 30 Pisos 18, 33 Playgrounds 32 Produtos de Limpeza 28 Projetores 22, 32

Filmadoras 22,32

Quadra Poliesportiva ( Projeto, Manutenção e Reforma ) 18, 29

Fitas Anti derrapante 4ª capa, 28

Radiocomunicação 31

Ginástica ( Equipamentos ) 31

Redes de Proteção 29

Grama Sintética 29, 32

Reformas 30

Impermeabilização 30

Relógio de Ponto 32

Internet 30

Ronda 33

Laboratório 2º capa, 4º capa, 31

Sistemas de Segurança 3º capa, 27, 33

Lavadoras de Alta Pressão 4ª capa, 28, 29

Softwares 26

Lousas Interativas 22, 26, 32

Som 32

Lixeiras 28

Tapetes 4ª capa, 28

Microfones 32

Telas 22, 32

Materiais Elétricos 32

Terceirização de Serviços 33

Mop´s 4ª capa, 28

Uniformes 33


AGENDA

Data: 05 e 06 de Agosto de 2005 Local: Hotel Sumatra – Londrina – PR Realização: Aprender a Fazer Produções Educacionais Contato: (41) 3312-4090 www.aprenderafazer.com.br

XIV Encontro Internacional Educação e o Mercosul/Conesul Desafio Político Pedagógico Data: 20 a 22 de Agosto de 2005 Local: Buenos Aires – Argentina Realização: Assers Contato: (51) 3228-3498 www.assers.org.br

II Feira do Livro Infantil Juvenil e Quadrinhos

XI Jornada Nacional de Literatura

Data: 06 a 14 de Agosto de 2005 Local: Ibirapuera – São Paulo – SP Realização: RPS Feiras Contato: (11) 3333-7878 www.flijq.com.br

Data: 22 a 26 de Agosto de 2005 Local: UPF – Passo Fundo – RS Realização: UPF Contato: (54) 316-8368 jornada@upf.br

III Encontro Paranaense de Orientação Vocacional e Profissional

Congresso Internacional sobre Competências na Educação

Data: 12 e 13 de Agosto de 2005 Local: Tracsson Eventos – Maringá – PR Realização: ABOP Contato: (44) 3031-1340 / 3223-3712 www.abopbrasil.org.br

Data: 25 a 27 de Agosto de 2005 Local: Diamond Convention Center – Manaus – AM Realização: Futuro Congressos e Eventos Contato: (41) 3668-6949 www.futuroeventos.com.br

I EducaSul

XXIV Feira do Livro de Brasília

Data: 18 a 20 de Agosto de 2005 Local: UFSC – Florianópolis – SC Realização: Projecta Eventos e Multifair Contato: (48) 222-4030 www.educasul.com.br

Data: 26 de Agosto a 07 de Setembro de 2005 Local: Pátio Brasil Shopping – Brasília – DF Realização: Câmara do Livro DF Contato: camaralivro-df@ig.com.br

VIII Congresso da APROFEM

I Feira do Livro de São Carlos

Data: 18 e 19 de Agosto de 2005 Tema:“Educação publica de qualidade: uma conquista de toda a sociedade” Local: São Paulo – SP Realização: Aprofem Contato: (11) 3292-5500 www.aprofem.com.br

Data: 27 de Agosto a 04 de Setembro de 2005 Local: Expo Show Centro de Eventos – São Carlos – SP Realização: RPS Feiras Contato: (11) 3333-7878 www.rpsfeiras.com.br

Escolar Paper Brasil

Tec Education – II Congresso Brasileiro de Tecnologia Educacional

Data: 29 de Agosto a 01 de Setembro de 2005 Local: Anhembi – São Paulo – SP Realização: Francal Feiras e Empreendimentos Contato: (11) 4689-3100 www.francal.com.br

Data: 31 de Agosto a 02 de Setembro de 2005 Local: Frei Caneca Shopping e Convention Center – São Paulo – SP Realização: Humus Consultoria Contato: (11) 5535-1397 www.humus.com.br

Se você quer divulgar algum curso, palestra ou seminário dirigido a educadores, encaminhe seu material para joaohenrique@condominio.inf.br

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I Seminário de Educação do Interior do Paraná “Educar mais e aprender mais na era do conhecimento”

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ENTREVISTA

Lino de Macedo

Pela aprendizagem

DOS QUE ENSINAM

O educador Lino de Macedo discute a questão da capacitação contínua dos professores.

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Por Luiza Oliva Fotos: Divulgação Congresso Educador

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Alunos desmotivados, professores estressados, sobrecarregados. Como tornar possível a aprendizagem para professores dentro de uma proposta de escola inclusiva, para todos? Lino de Macedo, professor titular de Psicologia do Desenvolvimento do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, acredita que, de tanto ensinar, o professor esqueceu de aprender. No Laboratório de Psicopedagogia do Instituto de Psicologia, há oficinas de jogos para professores e crianças. “Nossa ênfase é, recorrendo aos jogos, desenvolver habilidades, como raciocínio, argumentação, capacidade de leitura, por exemplo, que são fundamentais no contexto da aprendizagem. Há oficinas só para professores, para trabalhar o próprio processo de aprendizagem dos educadores”, conta. Nas inúmeras palestras que faz pelo Brasil, Macedo percebe que os professores querem soluções para seus problemas, para questões da gestão de sala de aula. Os temas de suas palestras, inclusive, já se transformaram em livro. Ensaios pedagógicos – Como construir uma escola para todos? (Editora Artmed) traz 11 temas trabalhados em palestras durante cinco anos. Mas, na opinião do especialista, de nada adianta o professor passar por uma formação obrigatória. “Ele vai a uma palestra, por exemplo, e não aproveita”, diz. Leia, a seguir, a entrevista que Lino de Macedo concedeu a Direcional Escolas.


“Ser competente é ter capacidade de tomar decisões num contexto de incerteza e de agir na urgência.”

Quais as ferramentas existentes para efetivar a formação continuada? Há dois sistemas possíveis de formação continuada: um é o proposto,eatéimposto,pelainstituiçãoondeoprofessortrabalha. Nasescolaspúblicaseletemohoráriodehora-atividadequepode ser usada para isso. São impostos cursos, palestras. É a solução institucional, um espaço de formação imposto pela escola. Nas particulares também se tem uma proposta de formação do professor. Há professores que, por interesse próprio, vão atrás de

cursos,pagamsupervisãoparticularougruposdeestudos.Livrose vídeostambémsãooutrasopçõeseatécursossemi-presenciaisou que utilizem a informática. Que discussão o conceito de escola para todos trouxe para a educação? A educação se tornou compulsória, no sentido de que todos os pais são obrigados a enviar seus filhos para a escola. Se o pai não mantém uma criança na escola ele pode ser denunciado para o conselho tutelar. A escola se tornou um direito das crianças, mas na prática se tornou compulsória. Da mesma forma, as crianças muitas vezes são indiferentes à escola compulsória. O grande problema hoje na escola é como motivar a criança para que elas saiam do compulsório e digam ‘Eu quero ficar na escola’. É o desejar aprender. O desejo de aprender do professor e da criança é fundamental. Por que nós não gostamos às vezes de certas comidas? Porque é compulsória, apesar de gostosa, mas parece que não tem aquele gostinho da livre escolha. Não discordo da maravilha que foi o fato de todos terem direito a escola, do Estado ser obrigado a sustentar a escolarização pelo menos por oito anos. Mas acontece esse problema: é como se o valor fosse externo. O grande desafio é tornar esse valor interno. Eu fico porque é um valor meu. Eu faço formação não porque é de graça, masporqueéimportante.Aspessoasacabaminconscientemente fazendo estratégias de sabotagem, já que elas fazem formação porque o outro quer. Fala-se muito em habilidades e competências do professor. Quais as diferenças entre os dois conceitos? Habilidade é sinônimo de competência, mas competência não é sinônimo de habilidade. Competência hoje é entendida como a qualificaçãodoprofessoremgerenciarquestõesqueaparecemna saladeaula:éagestãodeconteúdo,acapacidadedetomardecisões

Direcional Escolas, julho/05

DIRECIONAL ESCOLAS: Como deve se dar a formação conti­ nuada do professor na escola particular? LINO DE MACEDO: Esse é um tema interessante. A pergunta que se faz é: a quem cabe o financiamento da formação do professor? Se pensarmos na escola particular, ela pode investir nesse professor e ele ir embora em determinado momento. Não dá para fazer um investimento condicional. Os dois lados querem ter uma liberdade. Numa escola particular, a escola mantém o professor enquanto ela achar conveniente para ela, enquanto ele interessar do ponto de vista profissional, e vice-versa. As duas partes são livres para suspender o contrato. A escola investe na formaçãodoprofessorepodeperderesseinvestimento.Poroutro lado, a escola pode deixar o professor livre para decidir se é bom investir na sua própria formação. Mas, se a escola exige e não dá uma contrapartida é contraditório. O que se faz muitas vezes são acordos de diferentes tipos. A escola paga metade, estimula, ou dá contextos de formação. No serviço público eu já tive essa experiência: o professor que paga do bolso dele para me assistir vem com uma motivação. Por outro lado, se o professor vai porque foi obrigado pelo Secretário de Educação ou pelo diretor daescola,amesmapalestratemefeitosdiferentes.Tudodepende de onde partiu a adesão. Se a escola paga 100%, como é de graça, muitas vezes a pessoa não valoriza. É paradoxal.

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ENTREVISTA

“O desejo de aprender do professor e da criança é fundamental.”

numcontextodeincertezaedeagirnaurgência.Numaescolapara todos, o professor tem que superar conflitos, como indisciplina, dificuldadedeaprendizagem,inapetênciaparaaprender.Oprofessor competenteéaquelequegerenciaessesconflitos.Paraissoeletem que ter habilidade. Uma é a da comunicação, outra é a de leitura e escrita,porexemplo.Habilidadeéofazerbem,realizarcomsucesso. Competência é o decidir bem, tomar decisões.

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Qual sua opinião sobre a exigência de formação superior para professores de Educação Infantil? Essa questão também é paradoxal. Sou favorável à exigência de curso superior para professores. O diploma de ensino superior expressa o reconhecimento social de que aquela profissão tem uma complexidade da qual a educação básica não dá conta. É uma profissãoquetemumaespecificidadequenemamelhoreducação básicadomundodáconta.Ofatodesereconhecerqueoprofessor deve fazer uma faculdade de Pedagogia, fazer uma formação superior, é bom. Indica um reconhecimento de que o ensinar, a questão da criança, das disciplinas, que a escola, enfim, tem uma complexidade que uma educação básica não supre. Na prática, os professores vão em busca da certificação. Não adianta ter o diplomadocursosuperiorseessediplomanãoindicarumaefetiva formação.Mas,nãoéporcausadissoquedevemosvoltarparatrás, que o diploma não deve ser mais exigido. De novo vem a questão do estímulo, que deve ser interno e não externo. O externo é bom porque institucionaliza, mas deve haver o interno.

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Como o senhor avalia a questão da auto-estima do professor? Como o professor mantém sua auto-estima numa classe que não lhe respeita, onde falta disciplina? A auto-estima tem muito a ver com esse sentimento real dos professoressesentiremdesqualificadosparaacomplexidadedas tarefas. Hoje não é mais suficiente o professor ser bom na matéria.

E alguns professores nem bons na matéria são. Quando a escola se tornacompulsória,setornaparatodos,umasériedeproblemasvem juntocomessacompulsoriedade.Oprofessorsesentedesqualificado para gerir uma classe. Há várias gestões dentro de uma sala de aula: a gestão dos conteúdos, a gestão dos espaços e dos tempos pedagógicos, a gestão da disciplina. É necessária a arte de gerir na complexidade. Com a escola para todos, o professor recebe uma massa de problemas e não sabe como resolvê-los. O professor não pode mais recorrer à exclusão, ou a outras práticas, como colocar de castigo. O professor, então, se vê desqualificado. Às vezes ele tem que conviver com o problema, porque não há uma solução fácil ou imediata ou porque simplesmente não dá para resolvê-lo. Com baixa auto-estima, ele acha que é incapaz, que não dá conta, que não sabe o suficiente, e que com o salário que ele recebe, não é possível fazer formação. São desencadeadas uma série de recriminações,dequeixas.Háprofessoresquetrabalhamdemanhã, de tarde e de noite. A maior parte são mulheres, tem a casa e a famíliaparacuidar.Sãopessoassobrecarregadas,compoucotempo ecommuitaresponsabilidade.Tudoissomexenaauto-estima,com umsentimentodeinsuficiência,deprecariedade,deincapacidade de lidar com problemas maiores. Na escola particular há ainda outroproblema:acriançaachaqueoprofessoréempregadodela. Não é porque o pai paga a escola e porque a criança tem vários empregados em casa que o professor é mais um. O professor não éempregadodacriança.Muitascriançasricastropeçamem livros, computadores,emmilrecursos,esãototalmenteindiferentescoma escola.Oprofessorficadesesperadoemcomoconquistaraatenção de um aluno com muitos recursos, mas que, na prática, tem uma relação de consumo, ou de indiferença, o que é ainda pior, com o professor.Tudoqueoprofessorfaznãofunciona,eosrecursosque ele tem não são suficientes. Contatos com Lino de Macedo: lmacedo@usp.br


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CURSO

Curso livre de formação continuada a distância Filhote de Homem “Aspectos sociais, cognitivos e psicológicos” Com avaliação e certificado*

üCARGA HORÁRIA:

60 Horas – 10 Módulos

üCOORDENAÇÃO:

ento Lançam 5 /0 Agosto

Profª Drª Maria Taís de Melo

üCERTIFICAÇÃO:

IFCE – Instituto para a Formação Continuada em Educação

*Ocertificadoseráencaminhadosomentepara assinantesativosquetenhamenviadoaavaliação respondida até a data limite.

Conteúdo Temático

• Módulo 1 O processo de desenvolvimento do filhote de homem

• Módulo 6 O processo de alfabetização • Módulo 7 Educação inclusiva

• Módulo 2 A educação infantil hoje

• Módulo 8 Aprendizagem significativa

• Módulo 3 Período de adaptação na educação infantil • Módulo 4 Estimulação e a importância da brincadeira na educação infantil

• Módulo 9 Pedagogia vivencial

Participe: AssineaRevistaDirecional Escolas e receba os módulos anexados nas próximas edições

• Módulo 10 Um salto para o futuro

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• Módulo 5 Refletindo sobre o processo de avaliação da criança pequena

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ArevistadoEducador INFORMAÇÕES: (11) 5573-8110

www.direcionalescolas.com.br


A Professora Doutora Maria Taís de Melo é Mestre em Psicologia, doutora em Mídia e Conhecimento pelo PPGEP da UFSC, professora do curso de pedagogia da UNIVALI-SC e Coordenadora do Curso de Pósgraduação em Psicopedagogia institucional da UNIVALI- BiguaçuSC. Leia, a seguir, a entrevista com a Professora, autora do curso “Filhote de Homem: aspectos sociais, cognitivos e psicológicos”, que será anexado na Revista Direcional Escolas, a partir da edição de agosto de 2005.

DIRECIONAL ESCOLAS:Professora Taís, qual o objetivo do curso? Estaobratemcomoobjetivosituaroleitorsobrealgumasmudançasqueocorremnocomportamentodacriança, nodecorrerdotempo,econtribuirparaoentendimentododesenvolvimentohumanocomoumprocessonasua integralidade, não negligenciando as influências biológicas, emocionais, culturais e econômicas que o cerca. Este estudo pretende chamar a atenção para o fato de que cada sujeito acaba se constituindo em contextos sociais,afetivos,históricoseeconômicosdiferenciadosequeodescortinardestescenáriosédesumaimportância paraqueo educadorpossamediarprocessosdeconstruçãodeconhecimentosetambémodesenvolvimentode competências tendo desta forma uma atitude ética de respeito à diversidade humana e contribuindo para que a escola se consolide em um espaço de exercício da cidadania plena. Ou seja, que consigamos ter de fato diante de nós uma escola cidadã.

Professora, qual a importância da formação continuada? Nossa formação profissional é um processo complexo e dinâmico, o qual está sempre inacabado. Profissionais que lidam com o cotidiano escolar sabem que não podem ficar parados com um diploma na mão, pois a dinâmica das relações que circundam o universo da educação e das ciências humanas está em permanente movimento e desta forma precisamos estar atentos e dispostos a construir novos conhecimentos e aproveitar as oportunidades dos espaços de reflexão, como este oferecido pela Revista Direcional Escolas em parceria com o IFCE. Fala-se muito da necessidade da quebra de paradigmas nas escolas, nas instituições em geral, mas não podemos esquecer que as instituições são feitas de pessoas e as pessoas precisam estar dispostas à mudança, para que a quebra se concretize.

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Como o leitor da Direcional Escolas poderá acompanhar o curso? A partir da edição de agosto, durante 10 meses consecutivos, serão publicados na revista os módulos do curso. O leitor interessado deverá estudá-los e no final do curso realizar uma avaliação. Depois de cumpridas estas etapas ele receberá uma certificação de 60h , pelo IFCE - Instituto de Formação Continuada em Educação (este certificado será enviado via correio). Como o curso é oferecido em módulos, a qualquer momento o cursista poderá iniciar seus estudos, bastando adquirir junto a editora as edições anteriores. Também será disponibilizado um e-mail para que os cursistas possam entrar em contato comigo, caso sintam a necessidade de algum esclarecimento.

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CAPA

Vale a pena apostar na

educação ambiental PorLuizaOliva

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A

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postar na educação ambiental é uma tendência irreversível. Porém, o grande desafio está em propor para as escolasprojetosabrangentes,quenãotratemaquestãodapreservaçãodanaturezaapenasemmomentosesporádicos, como datas comemorativas - por exemplo, o dia da árvore ou do meio ambiente. São projetos que devem ir de encontro, inclusive,àspráticasrealizadaspelaprópriaescola.Comodizerparaascriançasqueaáguaéumbemfinitoequetodossão responsáveis pelo seu uso se os faxineiros da escola gastam água indiscriminadamente lavando o pátio da escola? A água, aliás, se transformou num símbolo importante quando falamos de ecologia, natureza, enfim, preservação da espécie. Mas, para a educadora Neide Noffs, o ideal é que um projeto na escola abranja a educação ambiental como um todo.“Um projeto de educação ambiental além de conhecimento deve envolver valores. É preciso cruzar conceitos e atitudes, e não ficar só no conhecimento. É um projeto que implica em mudança de atitudes”, define. Aprópriaformadoprojetodevedesencadearumasituação-problema,estimularacuriosidadeeapesquisadosalunos, envolvendo a escola toda e apenas tratando conteúdo e conceitos por classe, completa a educadora.“O título do projeto deve ser instigante, estimular o aluno a pensar numa saída. Se o projeto da escola se chama Economia de Água, ele já é uma resposta, o que dá muito menos resultado do que um projeto-pergunta. Fazer terrorismo, dizendo que se não economizarmoságua,elavaifaltar,nãoérecomendável.Oproblemaestámaisalém.Aeconomiadeáguatemavercoma preservação da espécie”, atesta. Dar motivos para que a criança cumpra determinados procedimentos, mostrando o equilíbrio necessário para a natureza. Esse deve ser o foco principal quando o assunto é educação ambiental nas escolas, na opinião do engenheiro civilesanitaristaCarlosEduardoPortoPalmadeSousa,pós-graduadoemsaúdepública,engenhariasanitáriaeengenharia ambiental pela USP. Na opinião do especialista, de nada adianta tratar da água se não se falar também do ar e dos alimentos. “São os três grandes pilares que sustentam nossa condição de seres vivos”, diz. Sousa, que também é diretor técnico da Universidade da Água (ONG que tem a missão de promover a proteção, preservaçãoerecuperaçãodaáguanoplaneta),acreditaqueaescolaprecisaabordaraeducaçãoambientaldeumamaneira mais completa, e não só estimulando a economia de água.“É claro que é importante ensinar a não poluir e a economizar


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Fotos: Colégio Morumbi Sul

água. Mas, o principal deve ser mostrar a noção do todo para a criança, ensinando a necessária participação de cada parte da natureza para que a água exista. Grandes estruturasvegetais,porexemplo,também fazem parte do ciclo da água. Cortar uma árvore atrapalha o ciclo da água, pois ela não tem mais por onde penetrar no solo. Nascidadesimpermeabilizadas,aágualava o solo, gerando erosão. Com essa visão de todoépossívelcriarnosalunosumapostura questionadora à respeito da preservação ambiental”, sustenta. Não restam dúvidas que a educação ambiental é um assunto rico, que precisa ser tratadodentroda escolaapartirdeuma visão interdisciplinar. Mas, para a educadora Maria Otília José Montessanti Mathias, professora de Biologia da Educação no curso de Pedagogia da PUC-SP, difícil é colocar em prática esse ideal. ”É muito difícil a incorporação de temas polêmicos nas escolas, que mexam com mudança de cultura, de atitudes, de valores. Não se trata apenas de instruir a criança, mas de resgatar nela valores humanistas. Uma pessoa que não respeita o meio ambiente não respeita a si mesma”, avalia. Para Otília, que trabalha justamente com a formação de professores, é preciso fundamentação teórica e metodológica para cuidar do assunto.“Tentamos fazer com que os professores modifiquem suas ações. Mas é muito difícil lidar com a riqueza de transversalidade da educação ambiental. As escolas acabam fazendo apenas comemorações pontuais”, lamenta. Otília frisa, porém, que há uma falta de conhecimento, por parte das escolas, da legislação da área de educação, que obriga o ensino da educação ambiental.“Nos anos 80, ecologia era uma disciplina dentro de Ciências. Nos anos 90, devido a todas as conferências nacionais e internacionais sobre o tema, a educação ambiental teve um avanço incrível. Os Parâmetros Curriculares Nacionais inclusive contemplam os temas transversais, como saúde, orientação sexual,drogaseeducaçãoambiental.Porém,háqueseformaroprofessornessasáreas,inclusivenaeducaçãoambiental, que não são contempladas pelos cursos de graduação”, acredita. NapráticacomseusalunosdocursodepedagogiadaPUC-SP,aprofessorapercebequeáreascomomeioambiente, saúde, drogas e orientação sexual raramente são discutidas no Ensino Médio.“Os alunos são ativos, curiosos. Basta que a escola dê o pontapé inicial, tome a iniciativa e instigue a troca de conhecimentos entre as disciplinas”, atesta. Háinúmerosexemplosdeprojetosquepodemserabordadosinterdisciplinarmente.Otíliacita,porexemplo,oestudo de doenças recorrentes, como tuberculose, pneumonia, diarréias, que existem por falta de hábitos de higiene, ausência de saneamento básico ou contaminação da água. Ou, antes mesmo de discutir o problema da água, tratar do lixo e da importância dos três Rs: reduzir, reutilizar, reciclar. “O melhor lixo é aquele que ainda não foi produzido”, comenta. Alcançarainterdisciplinaridadeéoprincipaldesafioparaodesenvolvimentodaeducaçãoambiental.“Certamente umaúnicadisciplinanãodarácontadacomplexidadedaquestãoambientalousócio-ambiental,comopreferemalguns autores”, salienta Marcos Sorrentino, um dos colaboradores do livro Educação Ambiental – Pesquisa e Desafios (Artmed Editora),organizadoporMichèleSato,bióloga,mestreemFilosofiaedoutoraemCiênciaspelaUniversidadeFederaldeSão Carlos, e por Isabel Cristina Moura Carvalho, psicóloga, doutora em Educação e professora da Universidade Luterana do Brasil(ULBRA).OlivrocontacomacolaboraçãodediversosautoresdoBrasil,México,Canadá,EspanhaeFrançaeprocura estimularoprogressodaárea,dizMichele.“Aultrapassagemdasfronteiras,reveladanestelivro,édegrandeimportânciaa todos aqueles que aceitam a educação ambiental como contribuição ímpar a sustentabilidade planetária”, salienta.

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Idéias que deram certo

CAPA

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Além das atividades em sala de aula, há escolas que colocam em prática iniciativas voltadas para a eco­ nomia de água no próprio prédio da instituição. A Escola Adventista de Embu das Artes, inaugurada no início deste ano, foi projetada para reaproveitar a água da chuva na irrigação e nascaixasdedescarga dos banheiros e também para ter sua própria estação de tratamentode esgoto. Segundo a diretora Marizane Antunes Pires, todo o projeto é ecológico. A escola tem animais de fazenda, como cavalos, pôneis, vacas e ovelhas, uma grande área verde e horta. Até sala de aula embaixo das árvores os alunos terão: em setembro as próprias crianças construirão bancadas utilizando material PET, reciclável. O engenheiro Adolfo dos Reis Filho, responsável pela obra, conta que o conceito de reutilização da água também foi utilizado em outra escola. No Colégio Adventista da Liberdade, a água vinda do lençol freático foi drenada e conduzida para uma cisterna subterrânea, e então bombeada para cima para ser utilizada principalmente em irrigação e limpeza. “É preciso fazer uma tubulação separada para essa água, evitando que ela entre em contato com a água potável de consumo”, afirma o engenheiro. Outra escola que reutiliza água da chuva para limpeza e descarga dos vasos sanitários é a Escola Viva. Na verdade, a escola foi além. No início de 2001, inaugurou um prédio, para receber alunos de 5ª a 8ª séries, totalmente ecológico. “A escola sempre teve preocupação com a educação ambiental. Quando construímos nosso prédio tínhamos que ir de encontro ao que praticamos em sala de aula. Pensamos num espaço que comportasse o aspecto estético e a preocupação ambiental”, explica Silvia Viegas, coordenadora geral do Ensino Fundamental II. A preservação da área verde do terreno foi aliada ao uso de materiais certificados. A estrutura é de eucalipto reflorestado nos pilares e pinus reflorestado e tratado nas vigas. Todas as tubulações são em cobre e ferro fundido, ao invés de PVC; os fios e cabos elétricos são de uma linha ecológica; as telhas são feitas a partir de embalagens tetrapak recicladas (assim como os móveis da cantina); o piso interno é de marmoleum, material de fibras naturais certificadas, e o pátio é revestido com bloquetes de cerâmica articulados, tornando o piso permeável e garantindo a retenção da água das chuvas. Também no acabamento inúmeros outros detalhes mostram a linha ecológica da escola: ao invés de cortiça (que é produzida a partir da casca de árvores), os quadros de avisos utilizam um material denominado selotex; as carteiras são produzidas com material proveniente de reflorestamento e até os cestos de lixo são de arame, ao invés de plástico.


Carlos Eduardo Porto Palma de Sousa cepalma@uol.com.br Colégio Morumbi Sul www.morumbisul.com.br humberto@morumbisul.com.br Escola Adventista de Embu das Artes www.eae.g12.br Escola Viva comunicacao@escolaviva.com.br www.escolaviva.com.br Maria Otília José Montessanti Mathias momathias@pucsp.br Neide de Aquino Noffs nnoffs@terra.com.br Stance Dual School www.stance.com.br deboram@stance.com.br

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Para mais informações

Segundo Silvia, desde a Educação Infantil é feito um trabalho forte em educação ambiental. A Escola Viva conta com uma consultoria no assunto, para orientar os trabalhos da Educação Infantil à 8ª série. “Temos eixos temáticos que direcionam o trabalho das disciplinas. Na 5ª série o eixo são as origens. A questão da água está diretamente relacionada à origem do planeta . Eles estudam também a organização das civilizações em torno dos rios. Já a 7ª série, por exemplo, trabalha com desenvolvimento e preservação, entendendo que preservar não é só manter intocado o ambiente, mas interagir com ele”, exemplifica. Ligar a educação ambiental à questão da cidadania. Essa foi a proposta do Colégio Morumbi Sul. Para acabar com as pichações de um muro numa praça próxima à escola, foi proposto aos alunos da Educação Infantil à quarta série que as próprias crianças pintassem o muro. A pintura terá como tema justamente“Água é vida”. Além de aprender a importância da preservação do meio ambiente, será trabalhada a necessidade de cuidar também dos seus espaços de convivência. A pintura acontecerá em agosto, a convite da Subprefeitura de Campo Limpo, bairro próximo à escola. “O tema da água é interdisciplinar e as professoras trabalham esse assunto o tempo todo com as crianças”, conta Dora Cecília Malta, professora de Ética da escola, para 1ª a 8ª séries. Algumas classes trabalharam com as contas de água de suas casas, observando e calculando a economia conquistada. Ciências, Ética e Cidadania, Artes e Matemática são algumas das disciplinas que abordam no colégio o tema nas diversas faixas etárias. Na escola bilíngüe Stance Dual School o trabalho de educação ambiental é amplo. Desde 2000, o colégio faz parte da Agenda 21, um trabalho que surgiu a partir da Eco 92 (Confederação Mundial do Meio Ambiente), com projetos de preservação do meio ambiente. Além de iniciativas já conhecidas, como a instalação de torneiras com temporizadores nos banheiros, a escola tem encontrado soluções criativas. Numa composteira são depositados restos de frutas, verduras e legumes (do próprio almoço dos alunos). O material é coberto com terra e se transforma em adubo para a horta do colégio. O adubo também é doado para a Creche Aconchego, localizada próxima à escola. Em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica, mensalmente um professor do colégio coleta água do Rio Pinheiros. No laboratório da escola, os alunos monitoram a qualidade da água. Participam da atividade os alunos eleitos pelas turmas como representantes da Agenda 21.“Cada classe tem um representante e um suplente, que têm a função de passar informações aos colegas e pedir a parceria de todos nas atividades”, informa Débora Moreira Colonezi, coordenadora do projeto na Stance Dual. As crianças participam ainda de uma oficina permanente de reciclagem, onde produzem brinquedos, doados para creches e hospitais. Para estimular a economia de papel, as toalhas de papel dos banheiros das crianças de 1ª a 4ª séries foram substituídas por modelos de pano. A escola escolheu um fornecedor que lava as toalhas com água reciclada. Uma das metas para este ano é envolver a comunidade do entorno da escola nas realizações. Com verba obtida num bazar de livros usados (doados e comprados pelos alunos), a escola comprou quatro big bags (sacos especiais para lixo reciclado, com capacidade para 1.000 litros), que serão instaladas numa praça próxima ao colégio. Débora conta que fechou parceria com a ONG Projeto Vira Lata, que recolherá o lixo depositado nessas big bags.“As escolas precisam conhecer as inúmeras possibilidades de aplicação de um projeto como esse”, diz Débora, completando que é importante a troca de idéias entre escolas, para verificar com quem já fez que é possível e viável acreditar na educação ambiental.

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PERFIL DA ESCOLA

Escola VERA CRUZ

Um projeto inovador Ao mesmo tempo em que é reconhecida pela excelência de sua educação, oVera Cruz oferece Ensino Superior com formação inicial e continuada para profissionais da educação. Por Luiza Oliva

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ommaisde40anosdehistória–foifundadaem1963comopré-escolaporYolanda Vidigal Meyer – a Escola Vera Cruz é reconhecida como uma instituição progressista. Sua fundação aconteceu justamente porqueYolanda procurava uma escola para seus filhos em São Paulo e não se satisfazia com o que encontrava. Ela queria uma escola leiga e mista e que tivesse algo de vanguarda em relação a parte pedagógica.“As escolas da época eram mistas emtermos,poisnahoradorecreiomeninosficavamdeumladoemeninasdeoutro.Yolanda buscavaaconvivênciaentremeninosemeninas”,contaCyniraStoccoFausto,diretorapresidente da Associação Universitária Interamericana, mantenedora da escola. Yolanda,então,resolveumontarsuaprópriaescola,emparceriacomaspedagogasEni LotufoeLílianMercadante,estudiosasdametodologiamontessoriana.Eraabuscadeumasaída pedagógicamaisabertaemrelaçãoaoensinotradicionaldaépoca.Aescolacomeçouacrescer epartiuembuscadeoutrosprofissionaiscomamesmavisãodeeducação.Asociedadecom Eni eLíliansedesfezeYolandafoibuscarassessorianaEscolaExperimentaldaLapa.“Erauma épocaemquetínhamosnacidadeváriospontosderenovação,comoaExperimental,aEscola deAplicaçãodaUSPeoscolégiosvocacionais.OVeraCruzacompanhavaessemovimentoque acontecia em São Paulo”, lembra Cynira. Nessa época chegaram à escola outras colaboradoras: as professoras Branca Mincareli AlbernazeMariaAméliaPereira,maisaassessoradematemáticaLuciliaBecharaSanchez.Cynira, quedavaaulasdeHistórianoColégioBandeirantes,enocursonormaldoColégioSion,ingressou noVeraCruzem1972,aconvitedeYolanda,justamenteparaplanejarocursode5ªa8ªséries.“A LeideDiretrizeseBasesde1972implantouo1ºgraudeoitoanos,emsubstituiçãoaosantigos primárioeginásio,eoEstadopassouaseresponsabilizarporoitoanosdeescolaridadeobrigatória. EutinhaosmeusfilhosnoVera,queprocuravapessoascomexperiênciade5ªa8ªparafazeresse planejamento.AtarefaeramuitograndeeconvideiaStellaGalliMercadanteparameauxiliar. Assim se formou um grupo que continua até hoje na escola”, recorda a diretora. CompletandoessegrupoinicialqueaindasemantémnadireçãoestãoSoniaBustamante eHeitorFecarota.Soniaéadiretorafinanceira,porémfezpedagogia.“Issoéimportantepara

queapartefinanceiraentendaalinguagemdas pedagogas.Nósfalamospedagogês!”,diverte-se Cynira.JáHeitordirigeapré-escola.Estarjuntos hátantotemponãosignificaqueaconvivência sejafácil.Oidealdetodos,porém,semprefoio mesmo.“Viemosdosanosdautopia.Queríamos uma escola que realizasse o que tínhamos aprendido na teoria”, diz. O crescimento do Vera Cruz significou a busca pela formação de seus profissionais. “Crescersignificadelegar.Equandodelegamos temos que formar. Para manter a qualidade é precisocontarcomespecialistasdediferentes áreas, para obter um conteúdo adequado. Criamosumcorpodeassessoresexternospara asdiversasáreas,matemática,português,artes, porexemplo.Esseassessorpensaoconteúdona linha vertical, para a pré-escola e para a 1ª a 8ª séries. Chamamos essa assessoria de vertical”, explica a diretora. Para Cynira, o grande diferencial do Vera Cruzestánaestruturapedagógicadaescolaeno acompanhamentosistemáticodoaluno.Além dosassessores,háapresençadosorientadores, queacompanhamhorizontalmenteacriança. Na opinião da diretora, ao lado da diversidade e amplitude das disciplinas, outra variável


Fotos: Divulgação

importanteéodesenvolvimentocognitivoeafetivodosalunos,cobertopelasorientadorasespecialistas nodesenvolvimentomentaldasdiversasfaixasetárias.“Atravésdessesdoiselementos,osassessores eosorientadores,alcançamosoconhecimentoquedevesertransmitidoeodesenvolvimentodo aprendiz.Essecorpotécnicodaescolafazacapacitaçãodosprofessoreseelaboraonossomaterial didático”, sustenta Cynira. Ocorpotécnicoacompanhaaindaocorpodocentenatestagemdomaterialemsaladeaula.“O materialérevistoconstantemente.NoVeraCruz,oprofessordevesercapazdeobservar,deadministrar adinâmicadaclasseedevolverparaocorpotécnicooqueelevivencioudentrodasala”,completa. EfoiporperceberanecessidadedeformaçãodosprofissionaisdeeducaçãoqueoVeraCruz iniciou, em 1982, o Centro de Estudos Educacionais Vera Cruz (CEVEC).“É necessário ampliar o horizontedoprofessor,oferecendoumprogramadeeducaçãocontinuada”,afirmaArleteScotto, consultoradadiretoriadoInstitutoSuperiordeEducaçãoVeraCruz(ISE).Cursosdeextensãocultural, palestraseseminárioscontinuamaindahojesendopromovidospeloCEVEC.Em1997,oCEVECcriou oCursoNormalpós-médio.Até2003,essecursoformouseisturmasdeprofessorescomhabilitação paraaEducaçãoInfantileassériesiniciaisdoEnsinoFundamental. Hoje, atravésdeumaparceria comaAssociaçãodeSantoAgostinho(ASA),profissionaisqueatuavamcomoatendentesnascreches mantidas pela ASA estão sendo habilitados para a Educação Infantil. Essaexperiência,somadaaformaçãoemserviçopraticadaportodasasunidadesdoVeraCruz, deu origem ao Instituto Superior de EducaçãoVera Cruz (ISE). De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases de 1996, os institutos superiores de educação surgem como alternativa para a formação deprofessoresegestores.“Antesnãohaviaalternativa.Professoresoudiretorestinhamquecursar pedagogia.Osinstitutosestãosurgindocomoumaalternativamodernapraformarquadrosparaa escola de hoje”, acredita Arlete.“Nos anos 80, oVera Cruz já fazia a educação continuada, quando essapráticanãoeracomum.Maisde20anosdessetrabalhoalicerçouapossibilidadedefazermos bem o instituto. Não é apenas uma escola que está abrindo um instituto superior de educação”, complementa.Apartirde2004,oCEVEC,agoraumórgãodoISEVeraCruz,passouadesenvolverseu Programa de Educação Continuada com certificação de nível superior.

O Curso Normal Superior do ISE VeraCruzofereceduasLicenciaturas:para professores de Educação Infantil (creche e pré-escola) e para as séries iniciais do Ensino Fundamental (1ª a 4ª séries). O ISE oferecetambémcursosdepós-gradução em alfabetização e em gestão escolar para professores licenciados. “A palavra gestão está desgastada. No ISE temos a preocupação em formar o profissional para entender melhor o momento atual da educação, se atualizar em termos de legislação,currículo,dagestãodepessoas e da gestão financeira”, sustenta Arlete, responsável pela formatação do curso. O título de especialista em gestão escolar permite ao professor ocupar posições de coordenação ou supervisão de ensino, completa.“Abreumapossibilidadeparao professor ocupar outros lugares”, diz. AlémdeofereceroscursosdoCEVEC e do ISE, a Escola Vera Cruz dispõe de um núcleodeassessoriapedagógica,quepresta serviçosparaescolaspúblicaseprivadas,de São Paulo e de outros estados. O trabalho é feito com base na realidade de cada instituição,paradefinirobjetivosealcançar

Direcional Escolas, julho/05

A praça que os alunos ajudaram a revitalizar, atividades em sala de aula e ensino superior do Vera Cruz: diferencial está na estrutura pedagógica e no acompanhamento sistemático do aluno.

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Direcional Escolas, julho/05

Raio X da escola

PERFIL DA ESCOLA

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• Funciona com três unidades na região oeste de São Paulo, uma para Educação Infantil e 1ª série do Ensino Fundamental, outra para 2ª à 8ª séries do Ensino Fundamental, e outra para o Ensino Médio. Numa quarta unidade funciona o Inglês Vera Cruz. • Cursos: Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino

Médio • Aproximadamente 1.740 alunos • 300 funcionários • Inglês Vera Cruz: a escola de inglês do Vera Cruz atende cerca de 671 alunos da própria escola e 82 da comunidade e do entorno. Do pré à 4ª série o Inglês é optativo, nas 5ª e 6ª séries faz parte do currículo, nas 7ª e 8ª é optativo e no Ensino Médio, obrigatório. •Site:www.veracruz.edu.br(escola)ewww.iseveracruz.edu.br (ISE). E-mails: nivel1@veracruz.edu.br (Ensino Infantil), nivel2@veracruz. edu.br (Ensino Fundamental), nivel3@veracruz.edu.br (Ensino Fundamental),ensinomedio@veracruz.edu.br,ingles@veracruz.edu.br, ise@veracruz.edu.br (Instituto Superior de Educação), cevec@veracruz. edu.br (Educação Continuada) e ilha@veracruz.edu.br (Projeto Social).

metas.OVeraCruzofereceassessoriaàequipedirigentevisandoorganizar aestruturapedagógico-administrativa,paraviabilizaravaliaçãocontínua; capacitar a equipe técnica, para garantir a continuidade da formação de profissionaiserevisarapropostacurricular,alémdeusarmaterialdidático Vera Cruz. Aoladodotrabalhodeformaçãodeeducadores,aescolanãoperde de vista seu ideal.“Pretendemos ser uma escola forte, não à moda antiga, brava,severa,carrancuda.Mascomoajuventudegosta,comdesafios,dança, atividadesesportivas,commuitaadrenalina.Mas,éprecisocompetência paraobteramedidacertadessasações”,defineapresidentedainstituição Cynira Stocco Fausto. Uma escola avançada, que responde às mudanças do tempo. Certamente o Vera Cruz pode ser assim definido. Alunos do EnsinoFundamental,porexemplo,freqüentamumapraçalocalizadaem frenteàescoladuranteorecreio.Oprojetodadiretoradaescola,StellaGalli Mercadante,reuniupaiseaPrefeitura.Ascriançasredecoraramapraçacom trabalhosdemosaico.Umacerimôniaecumênicamarcouainauguraçãodo espaço.SegundoCynira,funcionáriosdasegurançadaescolaacompanham osalunosnorecreio.“Quandotocaosinal,ninguémchegaatrasadonasala de aula. ‘A praça é nossa!’, dizem os alunos”, comemora a diretora. Se por um lado a escola dá liberdade aos alunos, por outro ela cobra a participação dos pais. Quando um novo aluno entra no Vera, é exigida a presença de pai e mãe na entrevista inicial.“Não importa se os pais são separados. Aqui não há separação”, justifica Cynira. A escola percebe que houve, nos últimos tempos, uma mudança nas famílias. E para melhor, acreditaadiretora.“Hojeospaisassumemmuitomaisoseupapel”,diz.Mais umavez,valeacompetênciadaescolaaoorganizaratividadesqueestimulem aparticipaçãodospaisnouniversodosfilhos.“Sóatraímosnossopúblico seformoscompetentes.Aqui,asrelaçõesescola-comunidadenãoestãosó nopapel.Elasestãoinseridasnoprojetopedagógicoesãovivenciadasna prática”, finaliza.


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Direcional Escolas, junho/05


REFORMA UNIVERSITÁRIA

Para onde caminha a

universidade

Direcional Escolas, julho/05

O insignificante número da população jovem brasileira na universidade suscitou o projeto da reforma universitária e intensos debates sobre suas propostas.

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aras vezes se viu tantas discussões em torno de um tema. O projeto de lei da reformauniversitáriatemsuscitadocontrovérsiasedebatesentresegmentosdasociedade civil, o governo e as instituições privadas de ensino superior. O projeto visa fortalecer a universidadepúblicaedemocratizaroacessoaoensinosuperior.Osnúmerosconfirmam anecessidadedemodernizaçãoemudançasnosistemadeensinosuperior.Hoje,apenas 9%dosjovensbrasileirosentre18e24anosestácursandooensinosuperior,númerobem abaixodaArgentina,quetem32%,dosEstadosUnidos,com50%,edoCanadá,com62%. Até na comparação com números de países pobres o Brasil perde. A Bolívia tem 20% da populaçãojovemnauniversidade,segundodadosdeCarlosMonteiro,presidentedaCM Consultoria e especializado em gestão universitária. Esehápoucosjovensnauniversidade,amaioriafreqüentainstituiçõesparticulares. Osistemaprivadodaeducaçãobrasileiraéresponsávelpor71%dasmatrículasnoensino superior, com mais de 2,7 milhões de alunos, mais de 170 mil professores e cerca de 140 mil funcionários administrativos. Conforme o MEC (Ministério da Educação e Cultura), o Brasil transformou-se no país com maior participação privada no ensino superior no mundo. O governo quer reverter este processo e ampliar a participação do setor público naeducaçãosuperior.Ametaécriarnovasuniversidadespúblicas,chegandoa2008com 40%dasvagasdoensinosuperiorrepresentadaspelasinstituiçõesestatais.Onúmerofoi divulgado pelo ministro da Educação,Tarso Genro, no 19º Fórum de Debates do Projeto Brasil.Oencontro,organizadopelaDinheiroVivoAgênciadeInformações,reuniu,alémdo ministro,representantesdoMECedasuniversidadespúblicaseparticularesparadiscutira reforma da universidade brasileira. Mas, o ministro frisou no encontro que a idéia é ter um sistema de ensino superior que incorpore tanto as universidades públicas quanto as privadas.“Não temos uma visão de que o sistema privado atrapalhe. Temos tido uma contribuição enorme do setor particular. Negociamos e vamos continuar negociando com esse segmento”,


Hoje, 45% dos alunos matriculados no ensino superior têm renda familiar de até cinco salários mínimos, informa o consultor Carlos Monteiro, especializado em gestão universitária.“O sonho de consumo da classe C é um diploma universitário para pelo menos um dos membros da família. O grande problema está no foco das instituições. A maioria das universidades faz projetos para atender o mesmo segmento, só que o crescimento das classes A e B é meramente vegetativo”, diz.“Quando pensamos numa mensalidade de R$ 350, quem pode pagar é o público da classe A e B. Obviamente isso gera uma taxa de inadimplência maior”, completa Monteiro. O segmento das instituições de ensino superior particulares tem uma inegável representatividade na educação brasileira mas sofre, ainda, de uma falta de conscientização coletiva. “Há diversas associações representativas e cada uma quer resolver o seu problema. Não há uma linha de conduta comum”, afirma o consultor. Em sua opinião, com relação à reforma universitária proposta pelo governo, foi a primeira vez em que todas as representações do ensino superior privado se uniram, através do Fórum Nacional da Livre Iniciativa na Educação. Para Monteiro, criou-se um estigma que o ensino superior particular é ruim, mas o problema está no ensino básico. “A mídia carimbou o ensino privado de um ensino ruim. O problema é que os alunos mais bem preparados, que estudam em colégios de ensino médio particulares, se direcionam para as melhores faculdades públicas. Existem ilhas de excelência entre as públicas, e os melhores alunos vão para elas. As faculdades particulares recebem muitos alunos com um nível de conhecimento sofrível, enquanto planejam receber alunos com ótimo nível”, justifica.

Direcional Escolas, julho/05

Para quem é feito o ensino superior privado?

considerou, completando que o governo rebate apenas a cultura oportunista infiltrada em algumas instituições do setor privado. Com o sistema de bolsas garantido pelo ProUni - Programa Universidade para Todos (que cria condições para facilitar o acesso de estudantes carentes ao ensino superior) e a capilarizaçãodasuniversidadespúblicaspeloPaís,ogovernopretende,emquatroanos,aportar mais 20% de alunos de baixa renda para o terceiro grau. O objetivo é que o Estado brasileiro promovapolíticasefetivasquegarantamoacessodejovensdebaixarendaaoensinosuperior, expandindoasInstituiçõesFederaisdeEnsinoSuperiorpararegiõesquecareçamdeescolas superiores,criandovagaspúblicasnasuniversidadesnãoestataiseprivadaseampliandoos cursos noturnos nas universidades públicas já instaladas. O desafio da inclusão social é um dos temas centrais da reforma.“Há um processo de universalização do ensino superior no Brasil.Oscampivãoparaasregiõesmaispobres,quenãotêmofertasdevagas,nempúblicas, nem privadas. E, se têm universidades privadas, as vagas não são preenchidas pelo baixo poderaquisitivoda população”, afirmou o ministro. Além deconduzir osalunoscarentesaté a universidade, é preciso garantir que eles concluam seus cursos. Conforme o ministro, há umagrandeevasãodealunosquechegamaoscursosmaistradicionaiseconcorridos(como Medicina, Odontologia e Engenharia) através do ProUni.“Ofereceremos quatro mil bolsas permanênciaporano,paraestimularapermanênciadessesjovensnauniversidade”,afirmou. Oprojetodeleipropõenovostiposdeinstituições:asconsorciadaseascomunitárias.O sistemadeconsórcioiráintegrarsistemasmunicipais,estaduaisefederais.Numauniversidade consorciada,afederaçãocontratafuncionáriosecorpodocente,oestadoentracomoprédio e a infra-estrutura interna e o município pode colaborar com a segurança.“É uma inovação quepermiteumaflexibilidadenaexpansãodoensinosuperiorprivado”,explicouoministro. Já as instituições comunitárias são pequenos centros de caráter regional, que surgiram para substituir a presença do estado, mas não são instituições privadas típicas. Para o consultor Carlos Monteiro, a participação do setor privado no ensino superior é inevitável.“OPlanoNacionaldeEducaçãoestabeleceumametapara10anos:aumentar o número de jovens na universidade de 9% para 30%. Mas, a universidade pública não temcomosuportartudo.Ainclusãodependetambémdeumsistemadefinanciamento que permita um acesso maior para as populações oriundas das classes C, D e E ao ensino

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REFORMA UNIVERSITÁRIA

superior privado”, avalia. Apesar da participação expressiva, o setor privado convive com críticas a sua expansão. “Expressões infelizes, como instituições caça-níqueis, devem ser deixadas de lado. Escolas com finalidade lucrativa estão previstas na lei. Quem aprova os cursos e estabelece os critérios para sua análise é o próprio ministério, o governo de um modo geral. Na verdade, é o particular que resolve o problema do público”, sustenta Monteiro.

Direcional Escolas, julho/05

Avanços

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OMECpropôsodebatedareformauniversitáriaemmarçode2004.“Começamosa discussãodareformacomumdocumentochamadoFundamentos.Elesuscitoumuitas hostilidades.Apósumagranderodadadediscussões,publicamosaprimeiraversãodo projeto,emdezembrode2004,aindarecebidademaneiratensa”,comentouoministro TarsoGenro.Naopiniãodoministro,asegundaversãododocumento,apresentadaem maiopassado,buscouumconsensoparaasquestõesmaispolêmicas.Depoisdeuma terceira versão,oMECredigiráentãooprojetofinalqueseráentreguenofinaldejulho ao Presidente da República, para então ser enviado ao Congresso.“Uma reforma sem adversários seria uma reforma neutra”, diz. Umdospontosmaisdiscutidostemsidoacriaçãodosconselhosdedesenvolvimento social,aprimoradosnanovaversãoparaconselhosconsultivosdasociedadecivil.Para o ministro, a criação do conselho é uma maneira de deixar transparentes relações que já ocorrem nas instituições de ensino, respeitando-se a autonomia da universidade, garantidaconstitucionalmente.“Oconselhoévinculadoaoreitor.Eleseráomediador com a sociedade civil”, afirma. Para o consultor Carlos Monteiro, o conselho é uma interferênciaindevida.“Emquesetordaeconomiaexisteisso?Umaempresaparticular, queinvestenoseunegócio,nãopodeestarsujeitaarelatóriosemitidosporumgrupo, cujo interesse é conflitante com o do dono”, finaliza.


DICAS / ELEVADORES

Beleza e economia com Um elevador antigo pode ter melhores condições de funcionamento se passar por uma modernização. Há duas etapas de modernização: a estética (reforma da cabina) e a técnica, com substituição dos comandos (que são o cérebro do elevador) por sistemas eletrônicos e outros itens da parte elétrica, como botoeiras, fiação, trincos e limites. A modernização estética garante maior conforto, além da valorização do patrimônio. O design das cabinas é atualizado, substituindo-se o reves­ timento antigo por materiais como aço inoxidável, folheado de madeira ou laminadomelamínico.Espelho,corrimão, rodapé, piso de granito, teto e iluminação complementam o novo visual, além de novas botoeiras de chamada, com indicadores digitais, proporcionando aos usuários viagens mais agradáveis e seguras. Segundo o SECIESP (Sindicato das Empresas de Conservação, Manutenção e Instalação de Elevadores do Estado de São Paulo), modernizar o elevador transforma-o num equipamento mais seguro e econômico. Se o usuário chamar doiselevadoresaomesmotempo,apenas o que estiver mais próximo chegará ao andar solicitado. A máquina pode ainda cancelar chamadas, quando forem

acionados vários botões ao mesmo tempo: o sistema anula as chamadas, pois identifica quando o elevador já parou em três andares e a porta não foi aberta. Os elevadores modernos podem ainda receber uma campainha, que toca quando a porta fica aberta por mais de 30 segundos. Um indicador mostra em qual andar o elevador ficou preso. Além do conforto, a modernização técnica economiza até 40% de energia elétrica, além da redução dos custos de manutenção e menor índice de falhas.

Na próxima edição, leia Dicas sobre Instrumentos Musicais

Direcional Escolas, julho/05

elevadoresmodernos

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FIQUE DE OLHO/SALAS MULTIMÍDIA

Um

espaço

para a

tecnologia Seja nas salas multimídia ou em outros espaços da escola, equipamentos como projetores, telões e sistemas de som são indispensáveis.

Direcional Escolas, julho/05

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ão há escola que não precise investir em equipamentos de som,vídeoeprojeção.Ofuturoapontaparaapresençadatecnologia comoaliadaindispensáveldaaprendizagem.Portanto,valepesquisar osmelhoresequipamentos,sejaparaaschamadassalasmultimídia(ou salasinteligentes,comoalgumasescolascostumamidentificaresses ambientes), seja para sonorização de pátios ou salas de aula. Na opinião de Renato Augusto Grassi, proprietário da Eduq’ Imagem, que trabalha com montagem de auditórios e salas de projeção e venda de equipamentos como projetores, telas, vídeos, DVDs, câmeras e filmadoras digitais, as escolas vivem uma fase de modernização.“Quemnãoinvestiremsalasmultimídiaficaráparatrás. Antigamente,osonhodasescolaseraterumvídeoeumaTVemcada classe. Hoje, o sonho é ter um projetor multimídia em todas as salas”, compara Renato, que entrega equipamentos em todo o Brasil. Os equipamentos, avaliados em dólar, têm caído de preço, o que torna esse sonho mais acessível, afirma o empresário.“O ideal é instalaroprojetornoteto,acoplando-oaoutrosequipamentos,como microcomputadoreDVD”,explica.NaopiniãodeRenato,osprojetores hoje são uma necessidade para tornar as aulas mais interessantes. Também são úteis em palestras ou reuniões para pais de alunos: basta que o palestrante conecte seu laptop no projetor multimídia para transferir sua apresentação para um telão.“Além disso, investir

em tecnologia é uma importante ferramenta de marketing para as escolas”, arremata. A Eletro Sates está há quase 30 anos no mercado. Revende projetores, telas elétricas e retráteis de até 300 polegadas, caixas amplificadas para sonorização de pátios, caixas para som ambiente e retroprojetores. Segundo o gerente Antonio Ferreira, são muito comercializadosconjuntosdeamplificador,caixadesomemicrofone semfioparausodoprofessoremsaladeaula.Eleressaltaumanovidade que tem feito bastante sucesso entre os professores: um sistema de sompequeno,queécolocadonacintura,comoumapochete,acoplado a um microfone auricular.“O professor fica com as mãos livres e não força a voz”, garante Ferreira. Também é útil a instalação de um microfonenaportariaeainstalaçãodecaixaspeloprédio,paraahora dasaídadosalunoseparaalocuçãodeavisos.AEletroSatesentrega em qualquer região do País sem custo adicional. Aoinvestiremequipamentosdeprojeção,aescoladeveatentar paraanecessidadedemanutenção.Antoniocomentaquealâmpada deumprojetorcustaemmédiaR$1.700.“Seoprojetorfordesligadoda tomadaenquantooleadestiverpiscando,indicandoquearefrigeração aindaestáacionadaealâmpadaquente,avidaútildalâmpadacaipela metade”, explica. Além dos cuidados com a lâmpada, um projetor multimídia


Tecnologia na ponta dos dedos

Seja em salas multimídia ou em salas de aula, um equipamento tem ganhado indiscutível espaço nas instituições

de ensino: as lousas eletrônicas ou interativas. No Brasil, as lousas canadenses da SMART Technologies são distribuídas pela Scheiner Solutions. A SMART é a pioneira e a líder global de mercado no segmento de quadros interativos e outros produtos tecnológicos para educação, inclusive softwares educativos para ensino presencial e à distância. No mundo todo, há mais de 250 mil lousas, instaladas em cerca de 150 países. No Brasil, mais de 400 profissionais já foram treinados para o uso da tecnologia das lousas com tela touch screen.

Para Claudia Scheiner, diretora da Scheiner Solutions, as instituições de ensino não têm mais dúvidas dos benefícios

gerados pelo uso da lousa.“O conceito de utilização de uma tela interativa é apoiar o professor, tanto no ensino presencial comoadistância,nageraçãoenapreservaçãodeconteúdotransmitidoemsaladeaula,assegurandoaoalunoapossibilidade de interagir com esse material sempre que necessário, pois tudo fica gravado devido ao software presente no equipamento”, explica. A lousa funciona conectada a um computador e a um projetor digital. O professor pode fazer apresentações usando texto, som, vídeo e links da Internet, exibir vídeos, DVDs, CD-roms ou imagens da televisão, e ainda fazer anotações ou destacar pontos em qualquer material exibido. As informações apresentadas na lousa podem ser impressas, salvas, enviadas por e-mail ou publicadas em um site.

Além de conhecer o produto, a escola deve avaliar o custo do que está adquirindo.“Ajudamos o dono da escola a avaliar

a compra do ponto de vista financeiro. Muitas vezes, ele compra um produto barato mas que não tem custos adicionais embutidos.Treinamento, garantia, por exemplo, devem ser somados para se chegar ao custo total de propriedade”, acredita. As lousas SMART vêm com um pacote de software com licença gratuita. A atualização dos softwares também é permanente e gratuita. A Scheiner dispõe também de um programa de reciclagem do professor, que pode ser concluído a distância.

A Scheiner está no mercado há sete anos e começou oferecendo consultoria na área de tecnologia na educação.“Até

hoje conciliamos a venda da lousa com a questão da educação. Auxiliamos a escola a avaliar a tecnologia de acordo com a sua linha pedagógica. De nada adianta a instituição adotar uma tecnologia simplesmente porque é uma tendência de mercado. Além do marketing, o diretor deve entender que benefícios o produto trará”, sustenta Cláudia, completando que as lousas estão cada vez mais próximas das escolas brasileiras. “No Brasil, já temos instituições de ensino superior com

Eduq’ Imagem (11) 3714-0585/3781-1137 www.imagemeduq.com.br imagemeduq@uol.com.br Eletro Sates (11) 3357-8577 www.eletrosates.com.br eletrosates@eletrosates.com.br Scheiner Technologies (11) 3771-2777 www.scheiner.com.br scheiner@scheiner.com.br SOS Megashow (11) 6942-8472 www.sosmegashow.com.br renato@sosmegashow.com.br

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exige também uma limpeza periódica.“Uma limpeza num projetor leva em média três horas para ser feita. É preciso limpar a poeira que podedanificaroscircuitosinternos.Sefordeixadapoeiraemcontato com as lentes durante muito tempo, a poeira pode se transformar emfungos,gerandomanchasnaprojeção”,apontaRenatoCardoso Ribeiro,proprietáriodaSOSMegashow,queháseisanoscomercializa projetoresmultimídia,notebook,projetordeslides,retroprojetor,telas deprojeção,quadrosbrancosedeavisoseflipchart,alémdeprojetos de sonorização. A SOS também aluga projetores, computadores, TVs, vídeos, DVDs, TVs de plasma, sonorização e faz trabalhos de filmagem e edição.ConformeRibeiro,paraescolasquenãofazemusoconstante de projetor multimídia ou telões, pode ser mais compensador locar osequipamentos.Aempresafazlocaçõesinclusiveforadoestadode São Paulo.“O cliente que loca quer um equipamento novo. Por isso, semprecompramoslançamentosparaestarmosatualizados.Asdatas de entrega e retirada são acordadas com a escola”, comenta. Tantoparavendacomoparalocação,Ribeirocomentaqueéimportante saberolocalondeoprojetormultimídiaseráinstaladopararecomendar amelhorconfiguração.Paraumasalafechada,oprojetornãoprecisa sertãopotente.Jáseoequipamentoseráusadonumpátio,duranteo dia,comgrandeluminosidade,érecomendadoumprojetorcommais brilho (medido em lumens), explica.

Serviço

lousas eletrônicas em todas as salas de aula”, comenta.

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DICAS / PISOS

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Manutenção e segurança

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Cuidar da manutenção dos pisos da escola valoriza os ambientes. Pedras, como granito, mármore, ardósia ou granilite, e até mesmo pisos de concreto, podemnecessitardepolimentoconforme o estado em que se encontram. Cloro e água sanitária tornam o piso poroso. Para evitar esse desgaste, devem ser utilizados produtos de limpeza com pH neutro. Pisos que já foram agredidos pelo uso constante de produtos químicos só são restaurados através de desbaste com discos diamantados - muitas empresas restauram o piso com um processo que não gera poeira, misturando água durante a raspagem. Depois do polimento, o piso de­ ve ser impermeabilizado. Quando se quer manter o aspecto rústico, origi­ nal da pedra, deve-se optar pela impermeabilização sem brilho. Já para a ardósia é mais comum o uso da resina com brilho. Periodicamente, as pedras devem receber tratamento apropriado,

com a limpeza e remoção dos produtos existentes, seguida de aplicação de selador e impermeabilizante. Nos ambientes internos da escola, pisos de cerâmica exigem pouca manutenção, apenas varrição diária e lavagem periódica. Para pisos vinílicos, a base de PVC, colocados em mantas ou placas e muito utilizados em salas de aula e bibliotecas, também é indicada a aplicação de cera para manutenção do brilho. Mas é nos playgrounds que deve ser dada a máxima atenção ao piso, por uma questão de segurança. Tatames de EVA são removíveis para limpeza e só indicados para áreas fechadas, não sujeitas a chuva (brinquedotecas, por exemplo). Já sob os brinquedos do playground é recomendável um piso que amorteça quedas. Uma opção é a grama sintética. Há ainda o piso de borracha reciclada, que resiste aos efeitos do tempo, é antiderrapante, disponível em diversas cores e absorve impactos.

Na próxima edição, leia Dicas sobre Copiadoras


DICAS / ELÉTRICA

Instalações

Quando o assunto é iluminação, dois objetivosdevemserprioridade:eficiência e economia. Nas salas de aula, lâmpadas fluorescentes são mais indicadas. Também conhecidas como lâmpadas frias, produzem mais luz emitindo pouco calor. Já em ambientes com sensores de presença, a vida útil da lâmpada e do reatorpodesercomprometida.Conforme Max Xavier Lins, diretor de clientes corporativos da Eletropaulo, pode custar mais cara a reposição dessas peças do que a economia de energia obtida. Em locais com passagem rápida de pessoas, como halls e escadarias, o mais indicado é optar por sensores com lâmpadas incandescentes. “Nesses casos, não faz sentido utilizar lâmpadas fluorescentes”, explica o diretor da Eletropaulo. Mas,quandooassuntoéeletricidade, segurança é fundamental. O correto é proceder a uma inspeção periódica nas instalações, no máximo a cada dois anos, por profissional capacitado. No site www.encontreseueletricista.com.br, é pos­­sível encontrar eletricistas treinados pelo Senai, dentro do Programa de Avaliação do Eletricista Predial de Baixa Tensão, num projeto em parceria com a Eletropaulo, Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção) e o Procobre, instituição

que promove a utilização correta e eficiente do cobre. Em geral, construções mais antigas não foram dimensionadas para as necessidades atuais de consumo de energia elétrica. As conseqüências são fusíveis e disjuntores que queimam ou desarmam frequentemente, inter­ ruptores e tomadas aquecidas e o uso indiscriminado de extensões e “benjamins”.“Nestes casos, a instalação elétrica deve ser revista o mais breve possível, sempre por um profissional qualificado e habilitado”, aconselha o engenheiro eletricista Edson Martinho, consultor do Procobre, Outros problemas comumente en­ contrados em instalações elétricas são quadros de luz instalados em locais inapropriados (com pouca ventilação ou próximos a botijões de gás), extensões soltas pelo piso (causa freqüente de acidentes) e ausência de dispositivos de proteção, como aterramento e DR – Diferencial Residual, obrigatório no Brasil desde dezembro de 1997 nos circuitos elétricos que atendam banheiros, cozinhas, lavanderias, áreas de serviço e áreas externas. Segundo dados do Procobre, a instalação elétrica representa de 8 a 10% do custo de uma edificação, enquanto que o pacote de aterramento representa apenas 1%.

Na próxima edição, leia Dicas sobre Gráficas

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elétricas em dia

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ACAMPAMENTOS, ACESSÓRIOS, ALAMBRADOS, CONTROLE DE PRAGAS

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BEBEDOURO, ELEVADOR, EQUIPAMENTOS DIDÁTICOS, IMPERMEABILIZAÇÃO, INTERNET, MÓVEIS

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GINÁSTICA, LABORATÓRIO, RADIOCOMUNICAÇÃO

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PLAYGROUNDS, PROJETORES, RELÓGIO DE PONTO

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PISO, SISTEMAS DE SEGURANÇA, TERCEIRIZAÇÃO, UNIFORME

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CRÔNICA

Meu caro amigo diretor... PorCelsoAntunes

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PrimeirofoiopaidoGuilhermequepediutransferênciaparaseufilho.Você,comodiretordaescolalamentou,mas...paciência. Transferênciaéumdireitodequalquerfamíliaeparaunsalunosperdidos,quemsabe,outrosvirão.Depoisfoiopaidosgêmeos, amãedoRodrigodasextaequandooquintocasonamesmasérieseanunciou,vocêentrouempânico.Desesperadopelarápida perdadealunos,buscoumotivosenãofoidifícilencontrá-los.Osalunostransferidosachavam-seperseguidosporalgunscolegas, sentiam-sevítimasdegozações,brincadeiras,anedotas,nomescominsinuaçõesperversasescritosnobanheiro,rasteirasincapazes deseremidentificadasetudomaisquantoobullyingadmite.Quemdiria,pensouvocê,logonaminhaescola?Quefizparamerecer o castigo desse hábito discriminador estudantil? Qual minha culpa? Vocênãoestásendojulgado.Ninguémocriticaabertamente;osalunostransferidosatéqueapreciamsuacamaradagem, massentindo-sevítimasdeumaencobertaviolência,exercemodireitodemudardeescola,deprocuraroutroninhoondepossam crescersemopavordesentirem-seperseguidos.Vocênãoestásendojulgado,massequisermesmosaberoquelevamseusalunos a essa fuga e a essa perda, interrogue-se: • Será que você estimulou sua equipe de professores a promover debates e pesquisas sobre o que é o bullying e quais os meios para contê-lo? • Será que você atuou de maneira absolutamente firme e coerente desde que o primeiro aluno veio reclamar das sevícias não claramente identificadas? Será que pesquisou que mal é esse e tornando-o público, pode expor a todos o direito à defesa e a consciência da responsabilidade pela prática? •Seráqueseusprofessoresforamdevidamenteorientadosaestabelecercomsuasclasses,demaneiraabertaedemocrática, um conjunto de regras de convivência? Será que mostraram a seus alunos os direitos de cada um e a vigilância severa sobre sua não observação? •Seráquevocêconvocouacomunidadeescola–doserventeaosegurança,dopessoaldamanutençãoaosfuncionáriosdacantina – a identificar cenas explícitas de bullying, a perceber potenciais vítimas e algozes? • Será que você entrou nas classes ou reuniu-as para, de maneira sincera e franca, criando opção para um diálogo aberto e construtivo,falarsobreoqueéobullyingeaformacomoessapráticanãopodeenãodeveseraceitaemlugaralgum?Discutiua força do repúdio e exaltou a anônima coragem da denúncia de quem se acreditava vítima? •Seráquevocêfoifranco,realista,imediatoeágilparainterferirsemprequandoessaprática–mesmoquedeformainicialmente tímida – foi constatada nesta ou naquela turma? • Será que você fez de seus professores uma verdadeira equipe no sentido de criar uma ação coletiva na identificação e sanção contra essa prática? •E,finalmente,seráqueseusfuncionáriosforamdevidamenteorientadosparaperceberquaisalunossemostravammaisretraídos, por que se mostravam, buscando integrá-los, ensinando-lhes práticas de relações interpessoais? Impossível saber a resposta que você dará a esses desafios. Nem é mesmo importante superá-lo, mas combater com energia a prática do bullying é bem mais que se evitar a perda de alunos, é respeitar em cada pessoa o direito em ser integralmente um indivíduo.

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Sobre o autor Celso Antunes é bacharel e licenciado em Geografia pela Universidade de São Paulo, mestre em Ciências Humanas e especialista em Inteligência e Cognição. Membro consultor da Associação Internacional pelos Direitos da Criança Brincar, reconhecida pela UNESCO, é autor de cerca de 180 livros.


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Revista Direcional Escolas Edição 6 – Julho/2005 by Revista Direcional Escolas - Issuu