2
Direcional Escolas, maio/05
EDITORIAL
Editores Sônia Inakake Almir C. Almeida Jornalista Responsável Luiza C. Oliva MTB 16.935 Diretora de Arte Thais Moro Coordenador de Arte Leonardo Piva
Caro leitor,
Sônia Inakake
Assistentes de Arte Adriano Vespa Samantha Audi Bernardo Contatos Publicitarios Claudiney Fernandes Evander Alves Valéria Alves
Informação atualizada e de qualidade. Sabemos que professores, coordenadores
e diretores de escolas precisam ter esse material de trabalho sempre à mão, para
Atendimento ao Cliente Juliana Jordão João Marconi
suscitar e orientar discussões entre pais, alunos e os próprios profissionais da
Divulgação João Henrique Gonçalves
e confiável fonte de informação, com matérias e entrevistas de interesse do
Revisora Daniela Lima
Impressão Oceano
cada vez mais utilizada para estimular a leitura entre crianças e adolescentes.
Público Leitor: Diretores, professores, coordenadores e compradores
reuniões de pais e a inclusão de alunos com deficiências. Não deixamos de lado
instituição. Direcional Escolas se propõe, justamente, a servir como uma nova educador. Nesta edição, preparamos uma matéria de capa sobre a evolução das escolas
de Educação Infantil. Falamos também sobre os contadores de histórias, ferramenta Nas duas entrevistas, falamos de assuntos que tratam do dia-a-dia escolar: as temas relacionados à manutenção e ao perfeito funcionamento dos equipamentos
Circulação Nacional
escolares. Nossos focos este mês são as quadras esportivas, a coleta seletiva de
Assinatura Bienal: R$ 180,00
lixo, os equipamentos de limpeza e a montagem de laboratórios. Para que essa informação chegue na hora certa em suas mãos, Direcional
Escolas possui um departamento de assinaturas. Para estar ainda mais perto de nossos leitores, participaremos dos principais eventos dirigidos à educação. Estaremos, entre outros, na Pedagógica Brasil 2005, em Olinda (PE), na Saber, em São Paulo (SP), na Bienal do Livro, em Salvador (BA), e na Feira Panamazônica do Livro, em Belém (PA). Esperamos fazer uma revista que corresponda às suas necessidades e expectativas. Venha nos encontrar em um desses eventos! Tiragem de 10.000 exemplares auditada pela Fundação Vanzolini, cujo atestado de tiragem está à disposição dos interessados
Rua Joaquim Távora, 679 CEP 04015-001 - São Paulo-SP Tel.: (11) 5573-8110 - Fax.: (11) 5084-3807 atendimento@condominio.inf.br www.direcionalescolas.com.br
Boa leitura e até breve, Os editores Direcional Escolas, maio/05
Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias, sujeitando os infratores às penalidades legais. As matérias assinadas são de inteira respon sabilidade de seus autores e não expressam, necessariamente, a opinião da revista Direcional Escolas. A revista Direcional Escolas não se res ponsabiliza por serviços e produtos oferecidos pelos anun ciantes.
3
SUMÁRIO
07
10
17
ENTREVISTA 1
CAPA
ENTREVISTA 2
Apsicólogaeducacional Carmen Galluzzi avalia as reuniões de pais.
Educação Infantil: rumo à profissionalização.
Rejane Maia avalia erros e acertos na implementação da educação inclusiva.
14
22
PERFIL DA ESCOLA
SALA DE AULA
Com seis unidades próprias e mais 150 associadas, o Pueri Domusestimulaalunos críticos e criativos.
Contadores de histórias: um estímulo a mais para a leitura.
04ÍndicedeProdutos,06Agenda,20FiquedeOlho/Quadras,25Dicas/ColetaSeletivadeLixo,26Dicas/Limpeza,27Dicas/Laboratórios,28Curtas
ÍNDICE DE PRODUTOS & SERVIÇOS Acampamento 30
Equipamentos para Jardinagem 28
Móveis 31, 4ª capa
Acessórios 2ª capa, 25, 28, 29
Escola de Idiomas 9
PCMSO 30
Alarmes 5, 34
Espelho 29
Piso 32
Alambrados 19, 29
Exames Médicos 30
Playground 32, 33
Assessoria 30
Feira 3ª capa
PPRA 30
Brigada de Incêndio 30
Ferramentas 28
Portão(Automatização,Manutenção,Instalação)34
Câmaras 5, 34
Fita Antiderrapante 2ª capa, 28, 29
Prevenção de Incêndio 30
Caixa D´água ( Limpeza ) 30
Ginástica (Equipamentos) 30
Produtos de Limpeza 2ª capa, 25, 28, 29
Carrinho 2ª capa, 28, 29
Gráfica 31
Projetor 24, 33
Cerca Elétrica 5, 34
Iluminação de Emergência 32
Cesta de Alimentos 30
Impermeabilização 30, 31
Quadra Poliesportiva (Projeto, Manutenção e Reforma) 19, 29
CIPA 30
Interfone 34
Circuito Fechado de TV 5, 34
Informática 31
Coletor para Reciclagem 2ª capa, 25, 28, 29
Laboratório 26, 32
ControledePragas(Dedetização,Descupinização, Desinsetização,Desentupidora,Desratização)30
Lâmpada 32
Controle de Acesso 5, 34
Direcional Escolas, maio/05
Curso 30
4
Elevadores (ManutençãoeEmbelezamento)31 Engenharia do Trabalho 30
LTCAT 30 Lavadora de Alta Pressão 2ª capa, 28, 29 Lixeiras 2ª capa, 25, 28, 29 Material Elétrico 32 Mops 2ª capa, 25, 28, 29
Radiocomunicação 33 Redes de Proteção 19, 29 Reforma 31 Ronda 34 Segurança do Trabalho 30 Sistema de Segurança 5, 34 Sensor de Presença 32 Tapete 2ª capa, 28, 29 Terceirização de Serviços 6, 27, 33 Tratamento de Piso 34
5
Direcional Escolas, maio/05
AGENDA VII Jornada de Educação do Norte–Nordeste Data: 2 a 4 de junho de 2005 Local: Centro de Convenções do Ceará – Fortaleza – CE Realização: Futuro Congressos e Eventos Contato: (41) 3668-6949 www.futuroeventos.com.br
Pedagógica Brasil 2005 Feira e Congresso de Educação e Feira de Produtos e Serviços Sociais Data: 2 a 5 de junho de 2005 Local: Centro de Convenções de Pernambuco – Recife – PE Contato: (81) 3413-4611 www.pedagogicabrasil.com
PEDAGÓGICAGO Congresso Internacional de Educação – Exposição de Produtos e Serviços Educacionais Data: 3 a 5 de junho de 2005 Local: Centro de Convenções de Goiânia – Goiânia – GO Realização: Conexa Eventos Contato: (31) 3225-7678 www.conexaeventos.com.br
Bienal Nacional do Livro de Natal Data: 3 a 12 de junho de 2005 Local: Midway Mall – Natal – RN Contato: www.bienaldenatal.com.br
Jornada Internacional de Educação do Iguaçu Data: 9 a 11 de junho de 2005 Local: Centro de Convenções do Hotel Internacional Foz – Foz do Iguaçu – PR Realização: Futuro Congressos e Eventos Contato: (41) 3668-6949 www.futuroeventos.com.br
II Seminário de Educação de São Paulo Data: 10 e 11 de junho de 2005 Local: Teatro Eva Vilma – São Paulo – SP Realização: Aprender a Fazer Produções Educacionais Contato: (41) 312-4090 www.aprenderafazer.com.br
Direcional Escolas, maio/05
VII Encontro de Pesquisa em Educação da Região Sudeste
6
Data: 12 a 15 de junho de 2005 Local: PUC-Minas – Belo Horizonte – MG Contato: (31) 3499-5310/5488
Se você quer divulgar algum curso, palestra ou seminário dirigido a educadores, encaminhe seu material para joaohenrique@condominio.inf.br
ENTREVISTA 1
CarmenSilviaPenhaGalluzzi
Como tornar a
reunião de pais
um sucesso
Atenta à necessidade de tornar produtivas as reuniões de pais, a psicóloga educacional dedicou um livro ao assunto.
Aquelas reuniões de pais intermináveis, com hora para começar mas sem hora para acabar, cansativas e pouco produtivas podem dar lugar a encontros agradáveis. Em busca desse objetivo, a psicóloga educacional Carmen Silvia Penha Galluzzi escreveu o livro Propostas para Reunião de Pais – Estratégias e relatos de casos (Editora Edicon), rumo à terceira edição. O livro nasceu da experiência de Carmen Silvia como palestrante do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (SIEEESP), ministrando o curso Reunião de Pais – como organizá-las. Já foram 60 cursos, totalizando 2.500 educadores atentos ao assunto. Carmen percebeu, então, o quanto professores, coordenadores e diretores estão interessados em organizar melhor suas reuniões de pais e sistematizou as informações de que dispunha no livro. Para a profissional, a escola deste milênio está aberta aos pais, mas é preciso que ambos – escola e pais – aprendam a utilizar esse espaço. Psicóloga educacional da Organização Educacional Margarida Maria (OEMAR), em São Paulo, Carmen parte do princípio de que as reuniões de pais servem para abordar assuntos relativos ao grupo de alunos e nunca pode ser ameaçadora. Nesta entrevista à Direcional Escolas, ela fala sobre a importância do objetivo da reunião, dos temas abordados, da forma como é feito o convite, entre outras dicas e detalhes que podem fazer a diferença.
Direcional Escolas, maio/05
Fotos:Divulgação
PorLuizaOliva
7
ENTREVISTA
Pensar no tema, em como abordá-lo, ter a pauta em mãos, conhecer o perfil de pais, marcar horário de início e término. Todos esses aspectos trazem segurança ao encontro.
DIRECIONAL ESCOLAS – Por onde o educador deve começar ao organizar a reunião de pais de sua escola? CARMENSILVIAPENHAGALLUZZI–Oimportanteéterbemclaroqualoobjetivodareunião.Eu sugiroumareuniãoanterioraoiníciodoanoletivoparaqueospaisconheçamosprofessoresantes dosprópriosfilhos.Aadaptaçãodizrespeitoatodososenvolvidosnoprocessoescolar,nãosóa criançaseadolescentes.Essareuniãotemcomoobjetivopassarassuntosgerais.Funcionacomo umacolhimentodasfamílias,explicandoquaissãoosobjetivosdaescola,comocadasérietrabalha ecomoospaispodemajudarseusfilhos.Écomoumcontrato.Indicoreceberospaiscomuma dinâmicaoucomumtexto.Aacolhida,quantomaispreparadaesincera,serámelhorparaque ospaispercebamoambienteondeseusfilhosvãoestudar.Jáumareuniãodeprimeirobimestre ouprimeirotrimestreémaisvoltadaparaquestõespedagógicas,porqueosfilhosjátiveramuma caminhadanaescolaeospaisanseiamporesseretornodecomoelesestãopedagogicamente.Seé umareuniãodosegundotrimestre,quandojánãoexisteumaexpectativatãograndeemrelaçãoàs notas,porqueissofoitratadonaprimeirareunião,pode-sefazerumencontrovoltadoparaalgum tema específico. A escola pode decidir ou pedir que as famílias decidam o tema.
Direcional Escolas, maio/05
Dê alguns exemplos de como esses temas podem ser desenvolvidos. Sãoreuniõestemáticasdesvinculadasdasreuniõespedagógicas.Essapropostadeveseradaptada àfilosofiadaescola.Algunstemasquepodemserabordadossão:limites,auto-estima,orientação sexual,orientaçãovocacional,estresseinfantil,atétemasdaatualidade,comodengueouviolência. Temasespecíficosparacadafaixaetáriasãomuitobemrecebidos.Porexemplo,noprimeiro trimestre,paraoEnsinoFundamentalI,pode-setratardeorientaçãodeestudos.Umaidéiaéfazer uminventáriodeinteressescomacriançanasaladeaula.Quandoospaischegaremàreunião responderãoaalgumasquestõesedepoisvãoconfrontarcomoqueoseufilhorespondeu.Isso éumamotivaçãoinicialparaospais,queperceberãooquantoestãoacompanhandoseufilho,o quanto conhecem a proposta pedagógica da escola.
8
Os pais têm receio de serem expostos no grupo? Éclaro.Orendimentodoseufilhonãointeressaparaoutrafamília.Porissoéprecisofazerum atendimento individual antes e convidar esses pais para uma reunião geral. Todos os casos quepossamapresentaralgumtipodedificuldadenareuniãogeral,porexemplo,seacriança apresentaalgumaqueixaemrelaçãoàaprendizagemouderelacionamentocomoscolegas, devemsertratadosindividualmentecomospais.Nossoobjetivoéchegaraoaluno.Quando falamos da reunião de pais, é porque eu quero ter essa família próxima da escola. Se família e escolaestiveremjuntasduranteoprocessoosresultadosserãomaissatisfatóriosemrelaçãoao aluno.Aescoladeixadeserameaçadoraparaessafamília.CitoocasodaOEMAR:naprimeira reuniãodoano,paraEnsinoFundamentalI,tivemosemmédia77%depresençadospais,em reuniões durante a semana, de manhã e à tarde. O fato de marcar antecipadamente reuniões individuais pode acarretar um efeito inverso e fazer com que os pais não compareçam à reunião de grupo? Não é o que eu tenho observado. A escola chama os pais individualmente desde fevereiro,
enquanto a reunião de grupo é em maio, por exemplo.Aliás,paraoatendimentoindividual os pais recebem uma convocação, enquanto para a reunião é um convite, o que é bem diferente.Noconvitedareuniãogeraldeveser deixado claro que serão tratados assuntos do grupo, diretamente com a professora. Os pais têm muita curiosidade em saber como o filho é em relação ao grupo e como o grupo é em relaçãoaofilho.Éimportantesaberqueoutros pais têm as mesmas preocupações e vivem as mesmas ansiedades, da mesma faixa etária. A realidadetemmemostradoqueofatodetratar individualmentequestõesdacriançadeixaos pais mais seguros e tranqüilos para estar na reunião geral. O pai sabe que lá isso não será abordadoeareuniãodeixadeserameaçadora. Qual a freqüência ideal para as reuniões? Atualmente, três reuniões gerais durante o ano são suficientes, deixando espaço aberto para atendimentos individuais e reuniões temáticas,desvinculadasdopedagógico.Oideal é que as reuniões sejam agendadas no início do ano e façam parte do calendário escolar. Ointeressante,sempre,ésurpreenderospais, quebrando os paradigmas. Deve haver bom sensonousodetecnologias.Pode-seaproveitar osrecursosvisuaisqueaescolapossua.E,senão tiver,podeserpreparadoummural,umcartaz. Fazerumalistadepresençaéimportantepara perceber qual a reunião de maior freqüência, enfim, qual a expectativa dos pais. A escola também deve preparar reuniões para os pais do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio? Sim.Afreqüênciadospaisdiminuieareuniãotem umperfildiferente,atéporquenessafaixaetária oobjetivodospaisédesenvolveraautonomia dofilho.Omesmotemapodeserabordadono EnsinoFundamentalI,FundamentalIIeMédio.
Masoprincipalédefiniroobjetivodaescolacomareuniãoeconhecerbemogrupodepaisque seráatendido.Numareuniãodequintaaoitavaséries,porexemplo,émuitodesagradávelexpor ospaisaumalongaesperaparaserematendidosindividualmenteporcadaprofessor.Sugiroem meulivroalgumasestratégias,comoadistribuiçãodesenhas,queagilizamesseprocesso,evitando aquelasconversasparalelasentreospaisnafila.Aescolapodeatéseanteciparàansiedadedos pais,marcandoreuniõespreventivas,noanoanterioràssériesconsideradascomodetransição, como primeira, quinta e sétima, do Fundamental II, e primeiro ano do Ensino Médio. Em seu livro, a senhora sugere desvincular a reunião da entrega de notas. Como se dá esse processo? Maisumavezeudigoqueéprecisoamadureceressadecisãocomaequipedaescola.Nãoadianta só tirar a nota da reunião e não saber o que colocar no lugar. Se o pai vai para a escola só para recebernota,qualquerumpodeestarnolugardele.Elevaiparaumareuniãodepaisparareceber muitomaisdoquenota.Oboletimpodeircomantecedênciaparacasa.Elecompareceàreunião cientedasnotas,esabendocomquaisprofessoreselequerconversar,nocasodoFundamentalII. Agora,éprecisoadaptarissoacadaescola,avaliarseafreqüênciavaicair.Algumasescolasficam preocupadasse,desvinculandoanotadareunião,diminuiráapresençadospais.Nãoéoqueas estatísticasquetenhotêmmemostrado.Umareuniãosócomentregadenotaséquetembaixa freqüênciadepais,porqueaescolapensanospaisquenãovãoefazumareuniãotrivial,enãoum encontro para superar expectativas. Como definir o perfil dos pais atendidos? Deve-sepensaremabsolutamentetudoemrelaçãoaogrupodepais:setrabalhamfora,emque horáriotrabalham,idadedospaisedosfilhos,formação,religião,expectativadelesemrelação à escola. Com essas características a escola monta um perfil. É possível ter uma classe onde a maioriadascriançassãofilhosúnicos.Essacaracterísticageraumadiferençanoperfildaclasse.É importantedefiniroperfildospaisparacompreendê-los,eatéparaabordarumtemaadequado. Sepretendofazerareuniãodemanhã,masseiqueoshoráriosdetrabalhodessegruponãosão flexíveis, há o risco de eles não comparecerem.
A escola deve se organizar para receber as crianças no dia da reunião, caso os pais não tenham com quem deixá-las? Eunãorecomendo.Porque,seaescolaseorganizaparareceberascrianças,ospaisvãocontinuar levando-asparaaspróximasreuniões.Asprofessorastêmcomofoco,nessedia,receberospais, enãoascrianças,oquedificultatodoocontroledessasituação.Seareuniãoacontecenumdia letivo,éindicadocomunicarnoconvitequeessediaédestinadoareceberospais.Issodeveser trabalhado com os alunos em sala de aula. A escola parou o seu dia com os alunos por ser tão importante receber os pais. Se a escola deixá-los jogar bola, passar um filme ou colocar uma auxiliaràdisposiçãonodiadareunião,cria-seaculturadequenãoéparalevaracriança,masse levartemalguémparacuidar.Aprópriacriançavaiperceberquenãoédivertidoirparaaescola nesse dia. Contatos com Carmen Silvia Penha Galluzzi: c.galluzzi@uol.com.br
Direcional Escolas, maio/05
O tema da reunião deve estar de acordo com a proposta da escola? Antesatédotemaescolhido,aescoladeveencontraraformadereuniãoemqueelaacredita.Se aescolanãoestiverpreparadaparatiraraentregadenotasdareunião,entãonãodevesesentir obrigadaatirar.Eudevoamadurecerprimeiroissocomaequipe.Adaptarareuniãoaojeitode serdainstituição.Dicasdeaspectosgerais,porém,sãoimportantesparaospaiseindependemda propostadaescola.Pensarnotema,emcomoabordá-lo,terapautaemmãos,conheceroperfil de pais, marcar horário de início e término. Isso tudo vai trazer muita segurança ao encontro. Administrarotempoéfundamental.Duashorasdeduraçãoe,dependendodareunião,umahora, jáésuficiente.Éinviávelirparaumareuniãosemsaberaquehoraselavaiterminar.Pormelhor que ela seja, se torna cansativa.
9
CAPA
Fotos:Divulgação
Escolasde de Escolas Educação Educação Infantil Infantil
Muito distantes da
“escolinha”
PorLuizaOliva
Direcional Escolas, maio/05
A
10
sescolasdeEducaçãoInfantilcompoucaounenhumaestruturafísicaepedagógicaestão, definitivamente,fadadasaofracasso.Escolascomprofessoressemformaçãoadequada,trabalhando nainformalidade,cominstalaçõesprecáriaseondeoúnicocritérioadotadoétomarcontadecrianças esperamganharespaçonomercadoacenandocompreçosbaixos.Porém,nummercadocadavez mais exigente, a sobrevivência desse tipo de instituição torna-se a cada dia mais frágil, até porque muitasnãosãoregulamentadas.EscolasapenasdeEducaçãoInfantildevemsedirigiràsPrefeiturasde suascidadesparaobterautorizaçãodefuncionamento.ParaRobertoPrado,diretordoSindicatodos EstabelecimentosdeEnsinonoEstadodeSãoPaulo(SIEEESP),aescoladeEducaçãoInfantilprecisadizer aqueveio.“Aescolaquenãotiverqualidadeeumdiferencialvaideixardeexistir”,diz,completando queasescolasparticularespodempassarasofrerconcorrênciainclusivedaspúblicas,jáqueoSenado aprovouporunanimidade,nofimdeabril,propostadeemendaconstitucionaldasenadoraHeloísa HelenaqueestabeleceaobrigatoriedadedaEducaçãoInfantilpelasprefeiturasparacriançascomaté seis anos de idade. A emenda terá que ser apreciada ainda na Câmara dos Deputados.
Os caminhos da Educação Infantil vão longe da “escolinha”, com uma visão apenas cuidadora de crianças. A tendência é investir no treinamento de seus profissionais.
Para as diretoras da Nova Escola Pezinho de Feijão hoje é um diferencial se dedicar apenas à Educação Infantil.
A LIP atende crianças de dois a seis anos num sítio de 3,5 alqueires.
Para um grupo de educadoras de 50 escolas de Educação Infantil de São Paulo, treinamento e especialização são realidade. Durante um sábado por mês, elas têm encontro marcado com o Projeto Aliança,noColégioAugustoLaranja.Oprojetosurgiuem2000,quandooAugustoLaranjaconvidou17 instituiçõesdeEducaçãoInfantilparaumatrocadeexperiências,envolvendotantooaspectodagestão escolar como da capacitação do educador. A repercussão foi grande. “Descobriu-se que a Educação Infantil é importante. Há uma demanda enorme por cursos. Hoje, a Educação Infantil não se sente mais sozinha”, comenta a psicóloga educacional Márcia Rosiello Zenker, parceira do projeto. Para as escolas participantes não há custos nem obrigatoriedade de indicar alunos para o colégio (que oferece cursos de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio). O planejamento é feito por Márcia de acordo com as necessidades apontadas pelas próprias participantes. Este ano, embalada pelo Ano InternacionaldaFísica,Márciamontouumaprogramaçãobaseadanoensinodeciênciasnapré-escola. “A escola de Educação Infantil deve ter um currículo. É necessário discutir os conteúdos. Queremos mostrarqueépossíveltrabalharciênciascomospequenos,preparandooprofessorparausarométodo científico”, explica.
Direcional Escolas, maio/05
Trabalho em grupo
Naverdade,asescolasdeEducaçãoInfantilpassaramaserconsideradasaprimeiraetapa do ciclo básico com a Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em 1996. Em seu título VI, artigo 62, a Lei dispõe que:“A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á emnívelsuperior,emcursodelicenciatura,degraduaçãoplena,emuniversidadeseinstitutos superiores deeducação, admitida, comoformaçãomínimaparaoexercíciodomagistériona educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade Normal”. A Educação Infantil deixa de ter uma conotação apenas de cuidadora de crianças, passando pelo crivo de escola. NaopiniãodaprofessoraMariaAngelaBarbatoCarneiro,titulardaFaculdadedeEducaçãoda PUC/SP,apartirde1996atendênciaéquecuidadoeeducaçãocaminhemjuntosnapré-escola.“Ao mesmotempoemqueaescolasepreocupaemtrocar,limparealimentaracriança,fazumtrabalho educativo.Otoquetemumsignificadoafetivo,afalaestimulaodesenvolvimentodalinguagem”, exemplifica.Paraaeducadora,obrincarpassaateroutrasfunções:acriançasesociabiliza,desenvolve suapersonalidade,aprenderegras.“Existeobrincarpelobrincar,comoprazer,eobrincarusadode forma didático-metodológica”, complementa. Alémdoimpulsoquerecebeudopoderpúblico,avalorizaçãodaEducaçãoInfantiltambém foi influenciada por uma nova sociedade, onde a mulher que trabalha fora passou a dividir os cuidados e a educação das crianças com a creche e a pré-escola. Segundo Márcia Rosiello Zenker, psicólogaeconsultoraeducacional,especialistaemEducaçãoInfantil,aescolaéoprimeiroespaço institucionalizadofreqüentadopelacriança.“Devemestarbemdefinidasasfunçõesdafamíliaeda escola. A criança precisa do mínimo de contato com o pai e a mãe. A escola deve deixar bem claro queéescola,enãocasa”,avalia,completandoqueénaidadepré-escolar(doszeroaosseisanos)que acriançarecebeabaseparaaformaçãodasuapersonalidade.AprofessoraMariaAngelacompleta:
11
CAPA
Duas histórias de sucesso
Uma é um espaço urbano, que atende principalmente pais que trabalham fora e delegam à pré-escola os cuidados com seu filho, com opçõesdeaulasemmeioperíodo,períodointermediárioeintegral.Aoutraestálocalizadaemumsítiode3,5alqueires,ocupandoumaáreade aproximadamenteoitomilmetrosquadradosdeáreaverde,com100alunosdistribuídosemdoisperíodosdeaulas.AprimeiraéaNovaEscola PezinhodeFeijão,emSãoPaulo,easegundaéoNúcleoInfantilLIP,emJundiaí.Apesardasdiversidadesfísicas,asduasinstituiçõesilustrammuito bem a profissionalização que atinge as pré-escolas. Oinvestimentonaformaçãodosprofissionaistalvezsejaaprincipalcaracterísticadessasinstituições.AsprofissionaisdoberçáriodaNovaEscola (queatendebebêsdequatromesesadoisanos)sãoformadascomoberçaristasescolarespelaCruzVermelhaepossuemcursosdeespecialização realizadosnoSIEEESP.Umapedagogaéresponsávelpelogrupodetrêsberçaristas.“Háalgumtempo,paratrabalharemberçárioprocurávamos enfermeiras,quecuidavamapenasdobem-estarfísicodosbebês.Hoje,começamaaparecercursosparaprofessores,comonoçõesderecreação, higieneecuidados”,consideraVirgíniaS.R.Fioravanti,diretorapedagógicadaNovaEscola.Apesardoinvestimento,muitosprofissionaisvêemo trabalhonoberçáriocomoummomentodepassagem.“Aindahápreconceito.Algumasprofessorasacreditamquesóserãoprofessorasquando trabalharemnumaclassedealfabetização.Noentanto,noberçáriovocêlidacomoquehádemaisessencialnoserhumano,avida”,completa. GalyanaB.FerreiraHentz,diretoradoNúcleoInfantilLIP,queatendecriançasdedoisaseisanos,destacaaimportânciadetodososprofissionais envolvidosestaremcomprometidoscomaeducação.“Aformaçãonaáreaeducacionaldeveserumprocessocontínuo.Nãobastaapenasestar formado.Esseprocessoéumcaminhosemfimenessesentidooferecemos,permanentemente,oportunidadesdeaperfeiçoamento,atualização, cursos,palestras.Tambéméimportantesentirqueoprofissionalnãosejaapenasprofissional,masque tenhaafinidade,ouseja,quegostedoquefazecomquemfaz”,conclui.Tambémháapreocupação comrelaçãoàformaçãodosauxiliares.OcolégiotemconvêniocomoCIEE(CentrodeIntegração EmpresaEscola)paradisponibilizarestágiosupervisionadoparaestudantes.Abuscaconstante deaperfeiçoamentoseestendeaindaàdireçãodaescola,comprofissionaispós-graduadosem Educação Infantil, com cursos e estágios no exterior.
Direcional Escolas, maio/05
Instalações
12
Daformaçãodamão-de-obrapassamosaoscuidadoscomasinstalações,quenumapré-escola jamaispodemserdeixadosdelado.ALIP,porestarinstaladaemumsítio,temumagrandeáreaexterna (parquesinfantis,bosque,campogramadoparaatividadesrecreativas,horta,minizôo).Assim,háumapreocupaçãoconstantecomalimpezaeo serviçodejardinagem.Comrelaçãoàsegurança,aescolainvesteemportariacomcancelaevigilância,rondaperiódicadeveículodevigilânciae sistema de alarmes com monitoramento. Já a estrutura da Nova Escola Pezinho de Feijão conta com piscina aquecida, cozinha com nutricionista para preparo de refeições, refeitório, brinquedoteca,teatro,saladeartesesaladeinformática.Aescolaexistehá16anoseháoitoocupaumprédioespecialmenteconstruídoparaabrigar os260alunos.Pequenosdetalhesfazemadiferença:dametadeparabaixo,asparedessãopintadascomtintaaóleo,parafacilitaralimpeza.“Buscamos a qualidade em todos os sentidos. Tanto que obtivemos a certificação Iso 9001/2000”, conta Lúcia Savicius R. Duarte, diretora administrativa. Tantoscuidadosedetalhestêmcomofocoprincipalodesenvolvimentoinfantil.Galyana,daLIP,comentaqueoestímulodaimaginaçãotemlugar dedestaquenoprojetopedagógicodaescola.“Obrincartemumimportantepapelnodesenvolvimentomotorque,porsuavez,favoreceoraciocínio eoaprendizado.Emtodasasatividadesosalunossãoestimuladosaveromundocomolhosatentos,descobrindoquetodoconhecimentohumano estáinter-relacionado,tudoissonumclimagostosoedivertido.Assim,brincandoacriança aprende a gostar de estudar”, diz. Aomesmotempoemquecuidadodesenvolvimentodeseusalunos,aescolade EducaçãoInfantiltemqueenfrentaraexpectativadospaisdiantedaevoluçãodosfilhos. “A Educação Infantil é o primeiro referencial de escola dos pais. Eles não têm com o que comparar.Háumaexpectativaqueaescolafaçaomesmotrabalhoqueafamília,oquenão éverdade.Ospaistêmqueentenderquecertasintercorrênciasfazempartedodia-a-dia escolar,queéumambientecoletivo.Umempurrãoouumamordidadeumamiguinhopor vezesadquireumcarátermuitoforteparaospaisepodeatésurgirumadesconfiançaem relação ao trabalho da escola”, aponta Virgínia, da Nova Escola.
Nova Escola Pezinho de Feijão: investimento na formação dos professores e prédio construído especialmente para a Educação Infantil.
“Tudoseconstróiapartirdacriançapequena.Seelanãotiverumbomeducador,dificilmentevai avançarnosoutrosníveisescolares.Atéháalgumtempo,jogava-seessaresponsabilidadeapenas para o professor alfabetizador.” Queapré-escolaadquiriuumamaiorimportâncianosúltimosanoséindiscutível.Porém muitasaindanãosabemcomotrataraquestãodoconteúdoqueseráaplicadoaessascrianças.“Há escolasqueaindasepautamapenasnasdatascomemorativas.Sãotransmitidosparaascrianças diversosconceitospré-concebidos,comooíndiodecocardepenas,semdaraelasachancedeum conhecimentodarealidade.Paraessetipodeescola,passarmuitoconteúdoémostrarserviçopara ospais”,sustentaMárcia.MariaAngelaconcorda,completandoqueaEducaçãoInfantildeveria ter um caráter mais lúdico, avaliando o processo e não o produto educativo.“Não existe nota, conceito. É preciso avaliar a criança em relação a ela mesma. O objetivo da Educação Infantil é odesenvolvimentodessacriançaenãooensinodeconteúdos.Háumaexigênciadospaisem relaçãoàalfabetização.Muitosqueremqueofilhocomcincoeseisanosestejaalfabetizado.Mas asescolasseesquecemqueospaissãoleigosenãoconhecemoprocessodedesenvolvimentoda criança”, aponta. A escola que decidir não ceder às pressões pela precocidade dos conteúdos tem outros caminhosaseguir.Épossíveltrabalharcomciências,matemática,música,porexemplo,dando lugaraoutrasáreasdoconhecimentonasclassesdepré-escola.Paraisso,porém,aescolaprecisa investir em sua mão-de-obra. “As escolas de Educação Infantil estão acordando para uma competêncianecessária.Tudodependedavisãoqueogestortenhadaescolae,especificamente, daEducaçãoInfantil.Dependedeleofatodeessaescolairalémdesimplesmentelimparecuidar de seus alunos”, acredita Márcia.
PARA MAIS INFORMAÇÕES – Colégio Augusto Laranja/Projeto Aliança www.augustolaranja.com.br/alianca
– Nova Escola Pezinho de Feijão diretoria@novaescola-eduque.com.br / www.novaescola-eduque.com.br
– Maria Angela Barbato Carneiro mabc@osite.com.br
– Núcleo Infantil LIP nilip@terra.com.br / www.nilip.com.br
– Márcia Rosiello Zenker mzenker@ter ra.com.br
– Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (SIEEESP) www.sieeesp.org.br
Direcional Escolas, maio/05
No Núcleo Infantil LIP a grande área externa exige constante manutenção dos jardins e cuidados com limpeza e segurança.
13
PERFIL DA ESCOLA
Uma escola em
transformação
O Pueri Domus enfatiza a formação dos alunos, valorizando a sua participação crítica e criativa. É a cultura do conhecimento contra a cultura da nota.
PorLuizaOliva
14
opróximoano,oColégioPueriDomuscompletaquarenta anosdehistória.Ocolégiosurgiunamesmaépocadediversasoutras instituiçõesdeensino,quebuscavamumaeducaçãomovidapornovos princípios,diferentesdasescolastradicionais:passou-seaacreditar queosalunoschegamàescolacomconhecimentosprévios.Delá paracá,oPueriDomuscresceu:sãomaisde3.500alunosdistribuídos emseisunidadesemSãoPaulo(VerboDivino,Itaim,Paineiras,Aldeia daSerra/Barueri,AraraquaraeAruã/MogidasCruzes).Ainstituição oferece, da Educação Infantil ao Ensino Médio, a opção de dois currículos:obrasileiroeoamericano.HátambémoprogramaEscola Ampliada,umapropostadiferenciadadeperíodointegral,quevisa desenvolveraautonomiaeaindependênciadacriançadentrodeum contexto bilíngüe. Naverdade,oPueriDomusnasceucomumalinhapedagógica montessoriana.Atéhoje,aescolaconservaalgunsresquíciosdesse método de ensino, por considerá-los importantes. Segundo Luis AntonioLaurelli,diretordeensinodaescola,umdesseselementoséa rodanassalasdeEducaçãoInfantil.“Acriançacomeçaodiafalandodas suasexperiências,oquemotivaoprofessorapuxarganchosparaoseu objetivododia.Quandoacriançatrazalgumainformação,éporque aquiloésignificativoparaela.E,seoprofessorpartedessainformação, eletemmaiorprobabilidadedeobtersucesso”,avalia.Laurellicompleta quedevehavercompetênciadoprofessoremvincularacontribuição doalunocomseusobjetivos.“Senão,podeacontecerumaeducação sem orientação, sem propósitos e objetivos claros”, diz. Tambémcomosalunosmaioresháapreocupaçãoemutilizar osconhecimentospréviosdoaluno.“Oprofessornãopartedoponto zero,masdopontoinicialemqueumdeterminadogrupoestá.Cito oexemplodeumprofessorqueiriafalardegenéticaeencontrouna classeumaalunaqueeraumaexpertnoassunto.Oavôdamenina
Fotos:Divulgação
Direcional Escolas, maio/05
N
Em quase 40 anos de história, oPueriDomussetransformou, motivado pelas exigências do mercado e das famílias.
de avaliação, que vale 1/3 da nota. O outro é um momento individual de avaliação do aluno, que não é prova e podem ser trabalhos, lições, produçõesindividuais.Mais1/3danotavemdeproduçõescoletivas,a grandepartefeitadentrodaprópriaescola.Hojeéimportantetudoqueo aluno faz dentro da escola”, explica. Com a mudança, alunos que não ficavam de recuperação agora ficam, já que foi valorizado o trabalho constante do aluno, e não apenas seu bom desempenho na prova. A situação inversa também está ocorrendo: alunos que tinham notas baixas conseguem, com o novométododeavaliação,melhordesempenho.Opesodostrimestres também mudou: todos passaram a ter pesos iguais.“Essas mudanças implicamumaquebradeparadigma,inclusivecomasfamílias.Queremos queaculturadanotapasseaseraculturadoaprendizado,valorizandoo conhecimento.Quantomaioroaluno,maisdifícilessamudança,porque eletemmaistempoacumuladodeculturadanota.Acreditamosquea médioprazoteremosalunosseformandocomumaoutraqualidade,com outrarelaçãocomoconhecimento,comaspessoas”,diz.Atransformação tem motivado também os professores a estudar mais: com aulas de 90 minutos, eles precisam repensar a sua prática e pensar em novas estratégiasedinâmicas.“Mudamosarelaçãodetempoeespaçonaescola e criamos outros espaços de aprendizagem”, resume.
Evolução AtividadescomoasdesenvolvidaspeloPueriDomusdiferembastante do ritmo de escolas com um sistema de ensino tradicional.“Durante muitos anos a escola esteve preocupada com a matemática e alíngua portuguesa.Masascriançasnãotêmapenasessasduasinteligências. Algumas são mais desenvolvidas em um aluno do que em outro. Não podemosconsiderarumalunomuitobomemarte,porexemplo,num segundo plano. Ele tem que estar no mesmo plano que um com bom desenvolvimentoemportuguês,emmatemáticaouemeducaçãofísica”, constata o diretor. Aescoladeveperceberqualopotencialdoaluno,paraqueelese aprimorenadisciplinaemquetemumahabilidadeeumacompetência maiores,etambémparaquepossadesenvolveroutrospotenciaiseabrir novasperspectivas.“Assim,oeducadorconsegueressaltaraqualidade desse aluno, o assunto que ele domina, e o grupo passa a olhá-lo com admiração,apercebê-lodeoutraforma.Seaescolasóprivilegiaalíngua portuguesaouamatemáticaeleficaabsolutamenteinibido.Eleacredita queoseuconhecimentonãotemimportância,esuaauto-estimacai”, complementa. SeoPueriDomustrabalhahojesobumaperspectivaconstrutivista
Direcional Escolas, maio/05
tinhaumafazendaondeerarealizadainseminaçãoartificialemvacas. Uma experiência como essa pode trazer à aula uma outra qualidade. Aquele aluno se transforma em professor”, aponta Laurelli. NasclassesdeEnsinoFundamental,apartirdasegundasérie,outro momentodasaulasondeascriançaspodemexporseusconhecimentos éaTribunaLivre.Aatividadecomeçoupelaquartasérie,ondeacontece semanalmente.Durantetodooano,osalunosfalamsobreumassuntoque dominem,ousobreoqualbusqueminformações.“Oalunoquermostrar seuconhecimento.Elesepreparacomosefossefazerumaconferência. Naverdade,eleéoconferencistanaquelemomento.Nessaatividade,a escolaestátrabalhandoodesenvolvimentodaoralidade,acapacidadede síntese,aargumentação,itensessenciaisparaqueosalunostenhamuma formaçãomaisampla”,define.Odiretorressaltaaimportânciadeessa atividadeacontecerdemaneiravoluntária.“Emgeral,temosumafilade criançasparaseapresentar.Algunsatéseapresentammaisdeumavez durante o ano”, completa. Mas,háoutrasiniciativasdocolégioinstituídasesteanoemtodas asunidadesequetêmmovimentadotodaacomunidadeescolar.Uma delassãoasaulasemblocosde90minutos,apartirdaquintasérie.Outra novidadesãoasseçõesdetutoria.Édefinidoumprofessortutorporturma, dequintasérieaosegundoanodoEnsinoMédio:otutoréumprofessor da turma que, além das suas aulas normais, tem mais quatro aulas de 45minutosporsemanacomaclasse.Porterumacargahoráriagrande comosalunos,deveserumprofessorcomumbomrelacionamentocom aturma.“Percebemosque,namaioriadoscolégios,ascoisasvãomuito bematéaquartasérie.Porqueosproblemascomeçamapartirdaquinta série?Nessafase,alémdaadolescência,surgeadivisãopordisciplinas. Cada professor começa a olhar mais para o seu próprio umbigo e não para o conjunto das áreas. A disciplina passa a ser mais importante do que propriamente a formação do aluno, e somos uma instituição que privilegia a formação”, aponta. As seções de tutoria são focadas na aprendizagem. Elas têm 90 minutoseestãoaserviçodoconjuntodasdisciplinas.Nesseespaço,um grupodealunoscomdificuldadeemalgumamatériapodeestudarcom oapoiodealunosquetenhambomdesempenhonaqueladisciplina. “Quandoestamosfocadosnoensino,pensamosindependentemente decomoooutroaprende.Quandocolocamosofoconaaprendizagem, temosquepensaremensinarparaooutroaprender.Colocamosoaluno comoprotagonistaenãocomoumagentepassivodoprocesso”,esclarece Laurelli. Esse novo esquema de aulas fez com que a escola repensasse inclusive seu modelo de avaliação, tirando a força da prova.“A prova estáabsolutamenterelativizada.Elaéapenasumdostrêsinstrumentos
15
Direcional Escolas, maio/05
Atividades como a tutoria e as aulas em blocos de 90 minutos enfatizam a cultura do aprendizado.
16
foi,conformeLaurelli,umaevoluçãomotivadapelasprópriasexigências domercado,dasfamíliaseporumaprofundamentoteóricodospróprios educadores.“Trabalharcomummétodofechadopodecolocaraescola numa espécie de camisa-de-força. As próprias crianças e as famílias nostrazemoutrasquestões.OPueriDomuspassouporfasesdiferentes tambémemfunçãodasdiscussõesqueaconteciamdentrodaescola”, conta Laurelli. Hoje,aescoladesenvolveelementosdediversosteóricosdaeducação paraconstruirumaidentidadeprópria,queatendajustamentepaisque procuramumoutrotipodeensino.OdiretordoPueriDomuscitaolivroA terceiraonda,deAlvinToffler,parailustraromomentopeloqualpassamas escolas:aprimeiraondafoiadascivilizaçõesagrárias;asegundafoimarcada pelaRevoluçãoIndustrial,comummodelodeeducaçãobaseadonarepetição, justamenteparaformarmão-de-obra;aterceiraonda,quevivemosagora,é adainformação.ParaLaurelli,aindaháespaçoparaasegundaonda,istoé,a dasescolastradicionais.“Éumaperspectivadeescolaquefuncionoueainda funcionamasque,ameuver,estácomosdiascontados.Hoje,asempresas precisam de um indivíduo que seja não apenas mão-de-obra mas um cérebrodeobra.Paraseremcompetitivasasempresasnecessitamdenovos profissionais, que sejam solidários entre si”, avalia. Aescoladeveformaralunosflexíveis,quesaibamtrabalharemequipe. “Muitomaisdoqueosconhecimentosquesãoadquiridosduranteavida, sãoimportantesasposturas:sersocialmenteresponsável,perceberquese estáaserviçodocoletivo.Oalunodevesairdaescolacomaperspectivade serumagentedetransformaçõessociais”,afirma.Essastambémtemsido exigênciasdospais.Conformeodiretor,ocolégiopercebecomclareza atendênciademuitasfamíliasbuscandooutrotipodeeducaçãopara os filhos.“Antes, os pais queriam seu filho o mais competitivo possível, massacradonaescolaparacriarhábitos.Hoje,aescolanãoeducamais sozinha. A mídia virou escola e os pais têm um papel importante na educação,apesardeàsvezestransferiressaresponsabilidadetodaparaa escola.Temosquetrazerafamílianovamenteparaointeriordaescola,o que não é fácil”, constata. Laurelli avalia que este é, justamente, o aspecto mais complexo daescolaatualmente:trabalharcomquestõesinterdisciplinaresenão somentecomconhecimentosestanques,compartimentalizados.Umadas iniciativasdoPueriDomusincluiestimularosalunosaparticiparemde projetossociais.AtravésdoNúcleodeAçãoSocial,osalunostrazemidéias quesãolevadasparadiscussõesemassembléias.NaunidadedoItaim,a escolaabriuespaçoparapessoasdacomunidadequesãoalfabetizadas pelosprópriosalunos.JáosadolescentesdaunidadeVerboDivinoatuam como contadores de histórias em hospitais.
ESCOLAS PARCEIRAS
PERFIL DA ESCOLA
O trabalho realizado no Pueri Domus extrapolou as fronteiras de suas unidades próprias. Mais de 150 escolas, localizadas em 20 Estados do Brasil, utilizamométododaescola.AtravésdoPueriDomus EscolasAssociadas,asinstituiçõesparceirasutilizam publicaçõespedagógicasespecialmenteelaboradas para adoção das escolas associadas, atendendo aos segmentosdeEducaçãoInfantil,EnsinoFundamental e Ensino Médio. Além da utilização dos livros, os associados participam de encontros de formação contínua e recebem assessoria nas escolas, desenvolvendo a trocadeexperiênciaseareflexãosobresuaspráticas. Sãoorganizados,ainda,encontroscompaisealunos associados, com o objetivo de aproximá-los e de criar espaços para discussão de suas necessidades. O Pueri Domus acaba de lançar um novo veículo de comunicação entre as Escolas Associadas, a revista Super Escola, que pretende levar aos gestores e educadores parceiros, e indiretamente aos pais dos alunos, reportagens, entrevistas e artigos sobre o segmento educacional.
RAIO X DA ESCOLA • Seis unidades: Verbo Divino, Itaim e Paineiras, em São Paulo, Aldeia da Serra (Barueri-SP), Araraquara (SP) e Aruã (Mogi das Cruzes-SP) • 3.500 alunos • Aproximadamente 465 funcionários • Cursos oferecidos: *Currículo brasileiro: Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio *Currículo Americano - Global Education (Unidade Verbo Divino e Aldeia da Serra): formação em duas culturas e duas línguas: a brasileira e a americana. Programa criado em parceria com a Câmara Americana de Comércio de São Paulo (AMCHAM), que habilita uma escola brasileira a emitir diploma americano, atendendo não só a alunos brasileiros como alunos de outras nacionalidades, a partir dos quatro anos de idade • Atividades extracurriculares (de acordo com a disponibilidade de cada unidade): natação, judô, balé, ginástica olímpica • Internet: www.pueridomus.br
Fotos:Divulgação
ENTREVISTA 2
REJANEMAIA
Por uma escola boa para todos Quando a inclusão ainda não era lei, Rejane Maria Dantas Maia, diretora pedagógica do Colégio Apoio, de Recife, já propunha em sua escola a implementação de um programa de educação inclusiva. Pedagoga com habilitação em supervisão educacional e administração escolar, pós-graduada em construtivismo e educação, Rejane foi uma das palestrantes do Congresso Educador 2005, com o tema “Inclusão: uma escola, de fato, para todos”. Rejane procura desmistificar o fato de que, para receber alunos com deficiências, a escola precisa ser especialista no assunto. “O fato de não ser especialista não justifica uma escola não receber essas crianças. Para aceitá-las é preciso ser educador. Senão, quem vai educá-las?”, questiona. Para Rejane, o princípio da inclusão pressupõe uma escola boa para todos, inclusive para aqueles que não têm uma deficiência física ou mental mas que atravessam uma fase da vida em que demandam um cuidado real. “Alunos com dislexia ou distúrbios de conduta, por exemplo, sempre existiram e não eram tratados como especiais. Hoje, eles são olhados como alunos com necessidades especiais circunstanciais, o que é diferente de uma deficiência. São crianças que circunstancialmente, ou por questões de saúde ou porque vivem um episódio difícil na família, podem precisar de um cuidado diferenciado”, argumenta. Acostumada a dar palestras sobre o assunto, Rejane comenta que hoje há muito mais fontes de informações para as escolas interessadas em se adequar à legislação e adotar a inclusão. Há 20 anos, quando ela iniciou o trabalho em sua escola, a preocupação com o assunto praticamente era inexistente. “A inclusão se dá quando todos estão contemplados. O olhar da escola deve ser para atender bem a diversidade de maneira geral, não só os deficientes”, resume. Leia, a seguir, a entrevista que a especialista concedeu à Direcional Escolas.
Direcional Escolas, maio/05
Para a especialista em inclusão, somente a formação continuada da equipe e o preparo de toda a comunidade escolar garante a adaptação de alunos com deficiências em salas regulares.
17
ENTREVISTA 2 DIRECIONAL ESCOLAS - Qual a maior dificuldade encontrada por uma escola ao tentar implantar a inclusão: o treinamento de seus professores e funcionários, a questão da acessibilidade do espaço físico ou a aceitação por parte da comunidade escolar (pais e outros alunos)? REJANEMAIA–Agrandedificuldadeestánapostura,naatitudedaspessoasdiantedainclusão,quedeveserconstruídana escolacomumclimadenaturalidade.Noinício,nossocolégionãoeraadaptadoadeficientes.Nãotinharampasnembanheiros adaptados,mastínhamosumdesejograndedeatenderessascrianças.Ainclusãosemprefoiaminhapaixão.Douassessoria inclusiveparaaredepúblicadeensino,paranãoparecerquesomosoúnicocolégioarealizarainclusão.Somosumgrupocom compromissoeresponsabilidadesocial,nãocompenadascriançascomdeficiências.Maséclaroqueéprecisodeumaequipe competentepararealizá-laenãoapenasvontade.Tentodesmistificaromedoquemuitosprofessorestêmdeensinaralunos comdeficiência.Quemtemqueensinaressascriançaséoeducador,oprofessor.Nãoéprecisoserumespecialista.Éclaroque, quantomaispreparadoestiver,melhorseráoresultado.Hoje,háinúmeroseventosquetêmdadoespaçoparaadiscussãoda inclusão.Mas,seadisposiçãoafetivadoprofessornãomudar,denadaadiantaestudaresepreparar.NoColégioApoiofazemos umtrabalhocomosprofessores.Hápessoasmaisfrágeis,maissensibilizadas,àsvezesporalgumcasonaprópriafamília.Temos umespaçodeescutadoprofessor,ondeelepodefalardosseusanseiosemedos.Cuidamosdanossaequipe.Eventualmente convidamosumespecialistaemalgumaáreaparaenriquecerogrupo.Mas,nodia-a-dia,éaforçadaequipequenosmovee nos faz superar as dificuldades. A deficiência apresentada pelo aluno e seu grau de comprometimento interferem na possibilidade ou não de esse aluno se adaptar a uma escola comum? Empouquíssimoscasos,sim.Issoocorrequandopercebemosainviabilidadedeumaconvivênciacoletivasegura,devidoasérios transtornosdeconduta.Porém,namaioriadoscasos,ainclusãoépossívele,paranós,desejável.NoColégioApoiotemos70crianças inclusas.Apenasdezcriançasfreqüentamoquechamamosdeclassesintegradas.Umaclasseéparaosalfabetizadoseoutraparaos não-alfabetizados.Essasdezcrianças,pordiversosfatores,nãotêmcondiçõesderealizartarefasdentrodeumaclassecomum.Elas participam de todas as atividades que a escola oferece, mas na hora da aprendizagem ficam num espaço separado. Em que circunstâncias a escola pode recusar um aluno com deficiência? Alimitaçãoquepodefazercomqueumaescolainclusivanãorecebadeterminadoalunoéonúmerodevagasdestinado (enecessáriodeserrespeitado)emcadaturmaparaalunoscomnecessidadeseducacionaisespeciais.Defendemosqueesse númeronãodeveriaextrapolar10%dosalunosdaturma,afimdequesepossaoferecerumensinoadaptadoàsdiferentes demandasindividuais.Reforço,porém,quecadacasoéúnicoedeveseranalisadocriteriosamentenassuasespecificidades.
Direcional Escolas, maio/05
Há uma diferença entre integração e inclusão. Na integração, há alunos com deficiência segregados em classes especiais e escolas especiais. A senhora vê muitas escolas adotando a integração, em vez da inclusão? Perceboqueoqueaindaháéumbomnúmerodeescolasquenemincluinemintegraalunoscomnecessidadeseducacionais especiais,comalegaçõesasmaisdiversasparanãofazê-lo,apesardaobrigatoriedadedesefazerainclusãoou,nomínimo,a integraçãonosdiasdehoje.Acreditoqueonúmerodeescolasquerealizamexclusivamenteaintegração,mantendoclasses especiais,decresceacadadia,emfunçãodaprópriapressãodospais,queestãomaisconscientesemaisbeminformadossobre os direitos dos seus filhos e sobre os benefícios da inclusão para o seu desenvolvimento integral.
18
Há preconceito contra a inclusão, por parte dos pais e dos próprios alunos? Apesardeanossasociedade,comoumtodo,seraindabastanteexcludente,constatamosquenasescolas,seopreconceitoainda existe,écadavezmenosexpressoecreioque,também,menossentido.Noiníciodenossaescola,precisávamosjustificarparaos paisapresençadascriançascomdeficiênciasnocolégio.Hoje,ospaisnovosjáchegamaténósconhecendoaculturadaescola. Há,atualmente,umaconsciênciamaisampliadaparaasquestõesdosdireitoshumanosesociais.Asnovasleiseducacionais eaprópriamídiatêmcontribuídoparaisso.Demodogeral,existemdúvidasquantoaospossíveisprejuízospedagógicosque criançaseadolescentesquenãoapresentamnecessidadeseducacionaisespeciaispodemviraterquandonasuaclassehá colegascomtaisnecessidades.Algunspaisnosquestionam,porexemplo,sobrecriançasqueimitamaquelesalunosquefalam errado,pelasuadeficiência.Explicamosque,porbrincadeira,elespodematécopiaroquefalaerrado,masqueissonãocausará nenhumdanoaele.Aescolaprecisaprestaresclarecimentosparaafamília.Chegamosatéaconversarnaclasseparaquea turmaentendaalimitaçãodooutro.Nocasodecriançaspequenas,deatécincoanos,issonãoénecessário,porqueelasvêema diferençacomoumatributo,umacaracterísticadaquelacriança.Jáosmaioresquestionamporqueooutroédiferente.Nanossa longaexperiênciademaisdevinteanostrabalhandocominclusão,concluímosquequandoaescoladárespostassatisfatórias nessesentido,comesclarecimentostranqüilizadoresebemfundamentados,aaceitaçãoeoreconhecimentodaimportânciada inclusão para todos os alunos é o que prevalece.
Como são tratados a fixação de conteúdos e a aprendizagem para os alunos com deficiência? Pelofatodepriorizarmosaaprendizagemdetodososalunos,respeitandoaspossibilidades eoslimitesindividuais,organizamosatividadesdiferenciadas,tantoparaaintroduçãocomo paraasistematizaçãoefixaçãodosdiferentesconteúdos,quesejamconceituais,quesejam procedimentais,quesejamatitudinais,procurandoelaborá-lasapartirdosmesmostemasque estãosendotrabalhadoscomaclassecomoumtodo.Ampliamosotempoparaqueelesrealizem astarefas;reduzimosaquantidadedepropostas,prestamosasajudasadaptadasnecessárias, lançando mão de profissionais de apoio, quando necessário; dialogamos freqüentemente com as famílias e os especialistas que também atuam junto ao aluno, na busca de uma ação conjunta;investimosnaconstruçãodeconsensosquantoàsintervençõesimportantesaserem adotadastantonaescolaquantonafamília,e,principalmente,realizamosumprocessoavaliativo diferenciadoquecontemplemaisaspossibilidadesqueasdificuldadesdosalunos,quesão,na maioria, bem acentuadas.
O fato de uma escola propor-se inclusiva aumenta seus custos? Há necessidade de treinamentos ou maior número de funcionários que podem tornar o processo inviável financeiramente? Defato,ainclusãodemandainvestimentosdiferenciadosqueimplicamcustosadicionais.Por exemplo,acontrataçãodeprofissionaisdeapoioparadeterminadosalunos,comoéocaso deauxiliaresdeclasseparticulares,devidoàslimitaçõesfísicasdosquenãoselocomovem emcadeirasderodas,edeumprofessoracompanhantepedagógicoespecíficoparaumaou duascriançasdaturma,commaioresdemandasnumplanocomportamental.Esseprofessor acompanhantedáumsuporteparaqueaquelacriançanãofiqueapenasnumericamentenasala. Háaindanecessidadedeoutrosprofissionais,comoprofessoresitinerantes,psicopedagogose outros, que atuem com o serviço de orientação psicopedagógica do colégio. Toda escola que faça a opção democrática e humanamente acertada em prol da inclusão precisafortalecerumaparceriaconstrutivacomasfamíliasdosalunosincluídos,quedeverão colaborar de forma diferenciada para a viabilização desses custos extras e indispensáveis. No Apoio, os pais só pagam uma porcentagem além dos outros quando seu filho tem a necessidadedeumfuncionáriosóparaele.Nãoaceitoqueasfamíliasmandemasbabásde casa.Contratoumfuncionáriodaescola,específicoparaaquelacriança,eaescolapagatodos os custos, trabalhistas inclusive. A família apenas contribui com um porcentual do salário. Temos na escola oito crianças que necessitam desse tipo de auxiliar particular. Énecessárionãosócontratarmaisfuncionáriosmas,acimadetudo,investirnumprojetode formaçãocontinuadadetodaaequipe.Oscustosdessaqualificaçãoprofissional,nonosso entender,devemsercontempladosnoplanejamentofinanceirodainstituiçãoeassumidos por toda a comunidade de pais. Contatos com Rejane Maia: apoio@colegioapoio.g12.br e www.colegioapoio.g12.br
Direcional Escolas, maio/05
Na sua opinião, como caminha a inclusão nas escolas particulares brasileiras? As maiores dificuldades são encontradas no trabalho com qual faixa etária de alunos? Perceboumacrescentebuscadosprofissionaisdessasinstituiçõesporestudosecursossobre necessidadeseducacionaisespeciais,porestabelecertrocascomoutrosprofissionaiscommaior experiênciaeminclusão.Somoscadavezmaisprocuradosparaisso.Constato,também,comalegria, grandes avanços e uma maior abertura para a aceitação das diferenças e para o atendimento delasnasescolas,nãoapenasdeformaassistencialista,movidaporsentimentosdecompaixãoe solidariedade,masdeformaprofissionalmentecompetente,comprometida,porreconhecerque a escola de qualidade, na atualidade, precisa, de fato, ser inclusiva. Percebo que há uma maior dificuldadedeserealizarcomêxitoainclusãoemturmasde5ªa8ªséries,deadolescentes–no nossocasoparticular,estamosavançandomuitonotrabalhocomessafaixaetária–,enasturmas doEnsinoMédio.Nasturmasdosadolescentesasdificuldadessãomaiores.Algumasvezes,uma criança bem incluída na escola quando entra na adolescência enfrenta problemas.
19
FIQUE DE OLHO/QUADRAS
Força para o É preciso que as escolas ofereçam quadras e equipamentosadequados, para que a prática esportiva aconteça com segurança e conforto para os alunos.
Direcional Escolas, maio/05
A
20
prática de esportes vem ganhando cada vez mais espaço nas escolas, seja em atividades extraclasse, seja dentro da grade curricular. Para tanto, as quadras poliesportivas devem estar com a manutenção em dia. O ideal é entregar a reforma ou construção de uma nova quadra para empresas especializadas. A Greenlandplay Pisos Esportivos atua no mercado há 12 anos. É fabricante de grama sintética e de acessórios tubulares, como postes e suportes para redes. Além dos acessórios, a empresa também fornece alambrados. Segundo Jefferson Ferreira de Oliveira, proprietário da empresa, está em evidência a colocação de grama sintética em quadras de futebol. Jefferson recomenda que a escola exija que a empresa responsável pela obra possua registro no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA). Para quadras poliesportivas, os pisos de concreto e o asfáltico são os mais utilizados. “O asfáltico é cerca de 10% mais caro que o de concreto”, diz. O proprietário da Greenlandplay indica que se faça uma manutenção da quadra no máximo a cada três anos. “Deve
Fotos:Divulgação
esporte
ser feito um lixamento, para a retirada de imperfeições, como buracos, trincas e rachaduras, aplicação de resina e finalmente a pintura”, explica. No caso de quadras asfálticas, também é necessária pintura, que só deve ser realizada por empresas especializadas nesse tipo de material. As quadras de base asfáltica são compostas de pedra brita graduada, em vários tamanhos, emulsionadas com asfalto frio e compactadas com rolo compactador mecânico. Depois dessa base preparada, o piso recebe duas demãos de lama asfáltica especial, uma camada de resina regularizadora e duas demãos de pintura acrílico-vinílica nas cores combinadas. Aílton Ferreira, proprietário da Cercativa, especializada na manutenção e construção de quadras esportivas, afirma que quadras com piso de cimento são mais indicadas para escolas que usam o espaço para outras atividades, além do esporte. Isso porque o piso asfáltico não permite o tráfego de patins, skate, bicicleta ou sapatos com salto. Se a quadra for descoberta, deve ser pintada com tinta acrílica própria para piso esportivo. “Se for coberta, indico a tinta poliuretana ou epóxi, que dá um
Segurança com piso flexível
melhor acabamento à quadra, mais brilhante”, afirma Aílton. A empresa trabalha também com piso emborrachado flexível, quadras de saibro e de grama sintética. A Cercativa também monta alambrados, outro item importante para completar a quadra. A estrutura do alambrado é construída com tubo galvanizado. Para maior durabilidade, Aílton indica pintura a cada dois anos, com fundo galvanizado e esmalte sintético. Fazer um travamento inferior com tubos e colocar cabos de aço entre a malha, especialmente atrás dos gols, pode evitar o surgimento das“barrigas”que dão um aspecto feio ao alambrado. Nos alambrados, é utilizado arame com fio 12 ou 14, revestido de PVC, em malhas de 2x2 polegadas (para tênis) ou 3x3 polegadas (demais modalidades). Para evitar bolas indesejadas pela escola, recomenda-se que o alambrado tenha pelo menos cinco metros de altura e que a parte superior seja coberta por tela de nylon. A Sousa Redes de Proteção instala redes na parte superior de quadras e também nos fundos e nas laterais, se necessário. As redes são tecidas artesanalmente com fios de nylon. A empresa também fabrica redes para futebol, vôlei e para cesta de basquete. Para proteção superior, as malhas mais utilizadas são as com vãos de 5 a 15 centímetros (indicadas para vôlei, society e futebol de campo). Já a grossura dos fios vai de 2,5 a 6 centímetros. “Quanto mais grosso, mais resistente e durável o fio. Em cima, porém, usamos normalmente o fio de 2,5, para não pesar muito, já que fixamos a rede na estrutura do alambrado”, comenta Paulo César Pereira de Sousa, proprietário da empresa. As redes estão disponíveis nas cores branca, verde, amarela, azul e preta, e podem acompanhar as cores da escola. O material possui tratamento contra raios UV e a empresa dá garantia de dois anos para as redes superiores.
A Publiquadras oferece a colégios e universidades quadras com padrão internacional de qualidade, construídas com piso flexível. Diferentemente dos pisos duros, os flexíveis evitam lesões musculares, principalmente no joelho e na coluna. “Os pisos de madeira permitem maior flexibilidade da ação muscular. As escolas devem investir na segurança de seus alunos”, apontam Fábio de Barros Gomes e Waldir Pagan Peres, sócios da Publiquadras. Ospisosflexíveissãoconstruídoscombasesdeneoprene com 10 milímetros de espessura. Sobre elas, barrotes de peroba de 5 por 5 centímetros recebem placas de compensado de 10 ou 15 milímetros. Por último, são colocadas as réguas de assoalho de madeira. O assoalho fica 9 centímetros distante do contrapiso. “O meio da quadra fica livre para que haja uma ventilação adequada de todo o sistema”, explica Fábio. A madeira é instalada em sua forma bruta. Depois, é lixada, recebe uma camada de seladora, que a prepara para receber a tinta de poliuretano usada nas demarcações, e o verniz de poliuretano, que garante a abrasão necessária para que o tênis deslize, sem escorregar.“A junção das réguas também dá segurança no deslize”, completa Fábio. Esse tipo de piso só pode ser colocado em ginásios cobertos, já que a madeira não pode ficar exposta ao tempo. Fábio e Waldir falam do assunto com a segurança de quem vive há 40 anos no meio esportivo. Fábio foi dirigente de entidades do basquetebol e chefe da equipe de basquetebol brasileira na Olimpíada de Barcelona, em 1992. Waldir foi técnico da seleção feminina de basquetebol campeã mundial na Austrália em 1994 e vice-campeão na Olimpíada de Atlanta, em 1996, como supervisor da equipe. Os
SERVIÇO
dois conviveram com atletas de alto nível, conhecem ginásios do mundo todo e sabem da importância
Cercativa (11) 6694 4434 www.cercativa.com.br
do piso adequado para evitar lesões. Fábio e Waldir
Greenlandplay Pisos Esportivos (11) 3832 3630 www.greenlandplay.com.br
arquibancadas retráteis e constrói pistas de atletismo
Publiquadras (11) 5183 9222 www.publiquadras.com.br
já atendidas pela empresa, estão o Complexo Maria
Sousa Redes de Proteção (11) 3944 1640
o Instituto Municipal de Ensino Superior (IMES), de
também atuaram como professores de educação física, em colégios e universidades. Além do piso, a Publiquadras fornece tabelas, placar, redes, bancos, e de cooper. Na opinião dos especialistas, felizmente algumas escolas estão melhorando a qualidade de seus equipamentos. Entre as instituições de ensino
Práticas Esportivas da USP, a Uniban e a Uninove, todas em São Paulo, o Colégio Arbos, em Santo André, São Caetano, e a Unisanta, de Santos.
Direcional Escolas, maio/05
Imaculada, a Faculdade Ítalo-Brasileira, o Centro de
21
SALA DE AULA
Em sintonia com a leitura Atividades com contadores de histórias têm sido usadas pelas escolas como forma de incentivo à leitura.
Fotos:Divulgação
PorLuizaOliva
Direcional Escolas, maio/05
O 22
ideal dos educadores em despertar em crianças e adolescentes o prazer pela leitura tem esbarrado em alguns obstáculos: a rapidez da internet, as conversas em linguagem cifrada pelos computadores, a emoção virtual dos jogos de videogame exercem uma concorrência acirrada com os livros. Encontrar caminhos que estimulem a leitura tem sido pauta de discussões em muitas escolas. 2005 reúne algumas características que tornam a abordagem desse assunto ainda mais adequada: este é o Ano Íbero-Americano da Leitura e também do bicentenário de nascimento do escritor Hans Christian Andersen, o mestre dos contos de fadas.
Uma das ferramentas utilizadas em atividades de incentivo à leitura tem sido os contadores de histórias.“Há uma cobrança dos pais, que percebem que a criança não tem interesse pela leitura, para que a escola exerça esse papel. Na era tecnológica em que vivemos, a leitura pode acabar tornandose algo obsoleto”, admite Giuliano Tierno, contador de histórias e ator, que trabalha na formação continuada de educadores em arte-educação e contadores de histórias. Giuliano percebe nas escolas um movimento forte para a utilização das bibliotecas como espaço para contar histórias.“O bibliotecário da escola não é mais apenas aquele profissional técnico”, diz. É o que acontece no Colégio Anna Tavares, em São Paulo. “Desde a fundação da escola, há 17 anos, valorizamos muito o mundo da fantasia. Por isso nossa biblioteca, do maternal à quarta série, funciona como um local para contar histórias, e não como ambiente de pesquisa”, conta Roselei de Fátima Monteiro Hubeda, diretora da escola. As histórias contadas sempre estão relacionadas a algum tema desenvolvido em sala de aula. O resultado dessa prática é tão satisfatório que tem rendido frutos: as mães relatam a Roselei que as crianças, habituadas a ouvir histórias, se reúnem no horário oposto à aula, em suas casas, para ler e contar histórias. “No dia seguinte, elas vão para a escola ansiosas por contar suas novas histórias para a professora e a turma”, explica a diretora. Conforme Giuliano Tierno, a origem dos contadores de histórias remete apenas à transmissão oral, sem o uso do livro. “O contador retém uma experiência, contada por alguém ou lida por ele. Ele transforma aquela experiência e a passa para a frente, oralmente”, constata. O valor da oralidade da atividade, segundo Tierno, está em valorizar o exercício do imaginário no ouvinte.“Quando ouve uma história, a criança não recebe a imagem, como quando assiste a um desenho animado. Ela deixa seu imaginário ativo”, avalia.
Giuliano já treinou inúmeros educadores na arte de contar histórias através de cursos do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (SIEEESP). Ele também ministra workshops com duração de quatro horas e cursos mais completos, com dez encontros anuais e a participação de outros profissionais que analisam diversos aspectos do trabalho, como a sensibilização musical e a psicanálise dos contos de fada. Segundo o profissional, os treinamentos procuram aproximar os participantes do universo da narrativa e suas matizes técnicas, como a importância das memórias auditiva e visual, a es pontaneidade, a expressão corporal e a modulação de voz, por exemplo.“Seria prepotente dizer que ensino a contar histórias. Ensino técnicas para que o contador transmita através do corpo os símbolos presentes nos contos de fada ou nas histórias da mitologia”, explica. As características individuais do futuro contador de histórias também
Direcional Escolas, maio/05
Múltiplas atividades
23
SALA DE AULA
influenciam na sua eficiência. Um bom contador de histórias, acredita Giuliano, é aquele que gosta de contar e tem um bom ouvido. “É um ouvido que pensa, que direciona o que é escutado para ser contado depois”, complementa. Uma polêmica que cerca o trabalho dos contadores de histórias é se a atividade deve ou não ser realizada com o apoio do livro. Giuliano defende que o estímulo exercido no imaginário infantil, mesmo através das histórias contados oralmente, cria na criança o gosto pela leitura. “O que ocorre é que há uma falta de formação dos professores para essa atividade, e eles acabam se apoiando nos livros”, explica. Ele comenta que, pedagogicamente, é importante que as crianças pequenas visualizem o livro e saibam que as palavras saem dali. Para Ninfa Parreiras, especialista em literatura infantil e juvenil da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, contar histórias sempre estimula o imaginário das crianças, levando-as a imaginar como é o personagem, o cenário, levando-as a viver sentimentos diferentes. “Ouvir histórias traz a distração, o entretenimento, a aprendizagem. Portanto, quando a atividade acontece com o livro nas mãos do contador, isto é, uma leitura da história, a criança vê o livro e aprende a valorizá-lo. E aprende a acreditar na importância da leitura. Fica curiosa pela leitura e se interessa pelos livros e pela história. Claro que ouvir uma história contada sem ser lida é um espetáculo interessante, que vai trazer distração, mas contribui pouco para se aprender a manusear o livro, a ler a história do livro”, adverte. Na opinião da especialista, o livro deve ser apresentado à criança ainda em casa, na família, como um objeto lúdico, cheio de curiosidades, assim como se apresentam os brinquedos e os bichos de pelúcia, mesmo que a criança ainda não saiba decifrar o código escrito da língua.“Posteriormente, a escola torna-se responsável pela relação entre as crianças e os livros”, avalia. Na escola, esclarece Ninfa, quanto mais atividades forem desenvolvidas com o livro – como leitura de histórias, empréstimos de livros, feira de livros, participação de contadores de histórias –, com a exploração de diferentes linguagens (ilustrações, teatro, música), melhor será para as crianças. O professor não deve se sentir inibido se não tiver habilidades teatrais para contar histórias.“Ele é um educador e não um ator. Nada melhor que ouvir uma boa história lida, atividade que um professor pode fazer, sem ser necessário fazer curso de teatro”, aponta. Se é preocupação da escola trabalhar a leitura e os livros, a biblioteca deve ser o espaço desse encontro entre crianças e livros.“A biblioteca é o local de circulação da informação e do conhecimento. O hábito de freqüentar uma biblioteca deve ser criado entre as crianças nas escolas. É na biblioteca que ficam livros e objetos afins para leitura, consulta, pesquisa e empréstimos de livros, além de outras atividades culturais que também podem acontecer. E, quando um professor ou um bibliotecário lê um livro com gosto para a criança, certamente ela vai apreciar, querer mais e vai querer ler também”, finaliza Ninfa.
PARA MAIS INFORMAÇÕES
Direcional Escolas, maio/05
Colégio Anna Tavares annatav@dtlink.com.br http://planeta.terra.com.br/educacao/annatavares
24
Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) fnlij@fnlij.org.br www.fnlij.org.br
Giuliano Tierno giulianotierno@yahoo.com.br www.giulianotierno.kit.net
DICAS / COLETA SELETIVA DE LIXO
As escolas não podem fechar os olhosparaanecessidadedereciclarolixo. Além de contribuir para a diminuição da produçãoderesíduosquelotamosaterros sanitários, a coleta seletiva movimenta umacadeiadecatadores,cooperativase empresasrecicladoras,gerandotrabalho e renda para muitas pessoas. Implantar um programa de coleta seletiva de lixo requer seriedade e persistência. Na opinião de Ana Maria Domingues Luz, presidente do Instituto GEA, uma ONG especializada em coleta seletiva,reciclagemeeducaçãoambiental, muitas escolas, no anseio de ensinar os alunos a reciclar, esquecem de orientálos a não desperdiçar e só consumir o necessário.AnaMariaquestionaprojetos quesimplesmenteestimulamascrianças a juntar latinhas de alumínio, que são vendidas gerando receita para a escola. “Implantar a coleta seletiva não significa simplesmente colocar os alunos para recolher latinhas. As escolas devem se dedicar à reciclagem, mas sem esquecer deensinarosconceitosdereduzirolixo– porexemplo,sócomprandorefrigerantes de latinha se necessário –, e a reutilizar, incentivando a troca de livros e gibis e a utilização dos versos das folhas”, afirma.
Para realizar um trabalho com bases ambientais sérias, Ana Maria recomenda oenvolvimentodosalunos,inclusivecom a formação de uma comissão interclasses gerenciando o programa. Atividades nas aulas de matemática ou ciências (como experiências práticas de compostagem) podem levar o assunto para dentro da sala de aula.“É possível realizar atividades para várias faixas etárias, como contar ou pesar o lixo arrecadado no dia, fazer brinquedoscomsucataouproduzirpapel reciclado.Sãoatividadeseducacionaisde responsabilidade cidadã”, avalia. Ofatodecolocarlatõescoloridospela escolanãosignificaosucessodoprograma. SegundoAnaMaria,nãofazsentidocolocar umlatãodepapelrecicladonopátio,onde os alunos tomam lanche. Nesse local, será gerado papel sujo (como guardanapos, papel de bala, embalagens sujas de alimentos), impróprio para reciclagem. O papel para reciclagem é gerado em salas de aula e salas dos professores. O Instituto GEA atende gratuitamente em sua sede, em São Paulo, escolas interessadas em implantarumprogramadecoletaseletiva. Instituições de outras regiões podem se comunicar pelo telefone (11) 3058-1088 ou pelo site www.institutogea.org.br.
Na próxima edição, leia mais dicas sobre Coleta Seletiva de Lixo
Direcional Escolas, maio/05
Fotos:Divulgação
O lixo, ajudando a formar cidadãos
25
DICAS / LIMPEZA – EQUIPAMENTOS
Direcional Escolas, maio/05
Fotos:Divulgação
Máquinas e acessórios: invista no certo
26
Se o objetivo é realizar na escola uma limpezadenívelprofissional,sãonecessários máquinas,equipamentoseacessóriospara a realização dos procedimentos. É o caso de enceradeiras,lavadorasautomáticasdepisos, varredeiras e aspiradores de pó e líquidos, informa OsmarViviani, consultor na área de higiene e limpeza profissional. As enceradeiras são essenciais para limpezadepisosfrios,poislavamedãobrilho, explica Osmar. Há diversos tipos de discos adaptáveis às enceradeiras. O de remoção pesada(marrom)éindicadopararemoverceras depolímerossintéticos.Oremovedor(preto)é um disco para retirar ceras e sujeiras do diaa-dia. O disco limpador (verde) serve para limpezaemanutençãoperiódicas,eliminando riscos superficiais sem retirar totalmente os tratamentos já existentes nos pisos. O vermelho(redbuffer)fazumalimpezaainda mais leve e o amarelo é o polidor, nivelando a cera e polindo numa única operação. Por último,háosdiscosrestaurador(champanhe), para polimento com brilho, e lustrador (branco), para polimento com alto brilho. Já as lavadoras de pisos utilizam escovas e são normalmenteindicadasparapisosrústicos, onde a porosidade é grande e os discos de
limpeza“agarram”demasiadamente.Existem escovasdenylonparalimpezanormal,mistas deaçoenylonparalimpezapesadaedepêlo, que são lustradoras. Outrosequipamentossãoessenciaispara garantirbonsresultadosefacilidadesparao funcionário.Éocasodosistemamop.Omop pó é confeccionado em fibras de algodão e removepartículassoltasdepositadassobreo piso. O mop água é composto de cabeleira dealgodãoedeveserutilizadocomobaldeespremedor,acabandocomoproblemade lavagemdepanosdechãoedetorcê-loscom as mãos. O balde costuma ser acoplado ao carro funcional, que possui bandejas para o transportedeprodutosdelimpezaeacessórios. “Os carrinhos são ideais para a organização das tarefas e para que o material necessário esteja sempre à mão do pessoal da limpeza. Acabam de vez com o problema de ficar indoevindoatrásdesteoudaqueleproduto que ficou no almoxarifado”, justificaViviani. Outrosacessóriosrecomendadossãoosmops aplicadoresdecera,diluidoresedosadoresde produtoseasplacassinalizadorasdeplástico injetado, para garantir a segurança dos ocupantesdolocalenquantoalimpezaestá sendo executada.
Na próxima edição, leia mais dicas sobre Limpeza - Procedimentos
DICAS/LABORATÓRIOS
Os laboratórios de química, biologia e física devem contar com móveis apropriados para o espaço e que recebam, confortavelmente, o número de alunos previsto pela escola. Normalmente, as bancadas são confeccionadas de granito com três milímetros de espessura, para que o material tenha maior resistência. Outra opção é o laminado melamínico com cantos arredondados. Sob as bancadas, os móveis devem ser construídos de compensado naval, mais resistente ao contato com a água. Para evitar que o móvel receba umidade do piso, é indicada a colocação de um rodapé de granito. Para armazenar pequenos aces sórios, pode-se projetar nos módulos gavetas com corrediças metálicas, que correm com suavidade. Nos armários altos, portas com vidros são recomendadas, para que professor
e alunos encontrem os materiais (especialmente vidrarias) com maior facilidade. Nas bancadas, os metais devem ser de latão cromado e as cubas, de aço inoxidável, para evitar corrosão no contato com produtos químicos. As cores dos revestimentos escolhidos (piso, laminados dos móveis e granitos) costuma acompanhar as cores da escola. Normalmente, empresas especializadas em mont a gem de laboratórios fazem um projeto sob medida para cada escola, com a distribuição de bancadas e móveis no espaço disponível. Algumas cuidam tanto da parte civil da obra – como instalações das redes hidráulica, elétrica e gás, colocação de pisos e pintura – como do acabamento (instalação de móveis e equipamentos específicos, como capela, chuveiro de emergência e lava-olhos).
Na próxima edição, leia dicas sobre Elevador - Manutenção
Direcional Escolas, maio/05
Fotos:Divulgação
O toque final
27
CURTAS
Pela terceira vez, chega ao Brasil o projeto de intercâmbio cultural ImagiNations, uma iniciativa da Fundação SMARTer Kids. O programa tem como personagens 28 ursos de pelúcia que percorrem o mundo visitando escolas, oferecendo a oportunidade de os alunos entrarem em contato com outras culturas, através dos diários de bordo que acompanham os ursinhos viajantes. Em abril, três mascotes passaram pelos colégios Augusto Laranja, Porto Seguro e Santo Américo, em São Paulo. As atividades são desenvolvidas com crianças do Ensino Fundamental I e II em inglês, estimulando a escrita e promovendo um ambiente de aprendizado motivador. O ImagiNations está aberto a escolas particulares e públicas. Para mais informações, acesse o site www.scheiner.com.br/programas_imaginations.
è
è O professor Abel Ardigó, coordenador de esportes do Colégio Magno, em São Paulo, desenvolveu uma pesquisa intitulada “Considerações sobre a aptidão física relacionada à saúde do pré-vestibulando”, que virou tese de mestrado. Ardigó analisou durante um ano dados como composição corporal, consumo de oxigênio e condição de estresse dos vestibulandos e detectou que nessa fase os alunos passam a estudar dois períodos, diminuindo as atividades físicas e a jornada de sono e alterando hábitos alimentares. A conclusão da pesquisa é que essas alterações provocam o estresse e dificultam o bom desempenho nos vestibulares. “Na maratona do vestibular, as condições físicas dos alunos também devem ser levadas em conta”, afirma o professor.
Direcional Escolas, maio/05
Foto: Luiz Haru
é è Metrô também é lugar de cultura. Na estã ção Paraíso do metrô de São Paulo, funciona há oito me ses a biblioteca Embarque na Leitura, com acervo de cerca de quatro mil volumes, entre literatura brasileira e estrangeira, filosofia, religião, sociologia, artes, história e geografia. Para se cadastrar, os interessados devem apresentar documento de identidade, comprovante de residência e uma foto 3x4. Os livros retirados têm prazo para devolução de dez dias e podem ser entregues em qualquer horário, em uma caixa receptora instalada no local. Apenas um livro deixou de ser devolvido desde a inauguração da biblioteca. A biblioteca oferece também um acervo em braile composto de cinco títulos. Além do empréstimo gratuito de livros à população, a biblioteca promove eventos periódicos, como tarde de autógrafos, conversa com escritores e contadores de história.
28
Direcional Escolas, maio/05
ACESSÓRIOS, ALAMBRADO
29
Direcional Escolas, maio/05
ACAMPAMENTO, ASSESSORIA, CESTA DE ALIMENTOS, CONSTRUTORA, ELEVADORES, GINÁSTICA
30
Direcional Escolas, maio/05
CONTROLE DE PRAGAS, IMPERMEABILIZAÇÃO, INFORMÁTICA , MÓVEIS
31
Direcional Escolas, maio/05
LABORATÓRIO, MATERIAL ELÉTRICO, PISO, PLAYGROUND
32
Direcional Escolas, maio/05
PLAYGROUND, PROJETORES, RADIOCOMUNICAÇÃO, TERCEIRIZAÇÃO
33
Direcional Escolas, maio/05
SISTEMAS DE SEGURANÇA, TRATAMENTO DE PISO
34
35
Direcional Escolas, maio/05
36
Direcional Escolas, maio/05
37
Direcional Escolas, maio/05