1
Direcional Escolas, marรงo/05
2
Direcional Escolas, marรงo/05
3
Direcional Escolas, marรงo/05
SUMÁRIO
26
14
18
ENTREVISTA
CAPA
SEGURANÇA
Maria Helena Matarazzo:precursora daeducaçãosexualno Brasil
Fusão de escolas: como esse processo pode funcionar
Prevenção e treinamento na busca por um ambiente seguro
06
10
ACESSIBILIDADE
PERFIL DA ESCOLA
Os caminhos para a inclusão de alunos com deficiência
Prima Escola Montessori:aprender com prazer
04IndicedeProdutos,22FiquedeOlho/Terceirização,13Dicas/MateriaisArtísticos,21Dicas/Radiocomunicação,25Dicas/Laboratórios
ÍNDICE DE PRODUTOS & SERVIÇOS Acessórios 29, 4ª capa Alarmes 13, 33 Alambrados 30 Assessoria 29 Brigada de Incêndio 29 Câmaras 13, 33 Caixa D´água ( Limpeza ) 31 Carrinho 29, 4ª capa Cerca Elétrica 13,33 CIPA 29 Circuito Fechado de TV 13, 33 Coberturas ( Policarbonato e toldos ) 30 Coletor para Reciclagem 29, 4ª capa Controle de Pragas ( Dedetização, Descupinização, Desinsetização, Desentupidora, Desratização) 31 Controle de Acesso 13, 33 Curso 29 Elevadores ( Manutenção e Embelezamento ) 31 Engenharia do Trabalho 29 Equipamentos para jardinagem 4ª capa
Espelho 29 Exames Médicos 29 Feira 2ª capa, 3 Ferramentas 4ª capa Fita Anti derrapante 29, 4ª capa Ginástica ( Equipamentos ) 31 Grama Sintética 32 Guarita ( Blindagem e Manutenção ) 32 Iluminação de Emergência 32 Impermeabilização 30 Interfone 33 Laboratório 25, 4ª capa Lâmpada 32 LTCAT 29 Lavadora de Alta Pressão 29, 4ª capa Lixeiras 29 Material Elétrico 32 Mop´s 29, 4ª capa Móveis 31 PCMSO 29
Piso 3ª capa Playground 32 PPRA 29 Portão(Automatização,Manutenção,Instalação)33 Prevenção de Incêndio 29 Produtos de Limpeza 29 Projetor 32 Quadra Poliesportiva ( Projeto, Manutenção e Reforma ) 30 Quadros de Aviso 29 Radio Comunicação 33 Redes de Proteção 30 Reforma 30 Ronda 33 Segurança do Trabalho 29 Sistema de Segurança 13, 33 Sensor de Presença 32 Tapete 29 Terceirização de Serviços 21, 34 Tratamento de Piso 34
Direcional Escolas, março/05
ERRATA
4
DirecionalEscolaserrou,aoafirmar,namatériaPerfildaEscoladaediçãonº1,queoColégioAugustoLaranjavendeusuaunidadedoAeroporto para a Escola Nossa Senhora das Graças. Na verdade, a unidade foi vendida para uma nova mantenedora, a Associação Pela Família, uma das maisrespeitáveisONGsdopaíse,segundoMirzaLaranja,diretoradoColégio,“merecedoradeconfiançaespecialmentepelaafinidadecomsua filosofiaeprincípios”.Aindaconformeadiretora,“essadecisãofoifrutodeumareavaliaçãoemnossosistemadegestão.Optamosporampliar a capacidade de investimentos e focá-los num universo delimitado, na certeza de que este caminho perpetuará nossos propósitos: oferecer àcomunidadeensinodeponta,numambienteacolhedor,comconstanteaprimoramentonodesenvolvimentopedagógico.Isso,naprática, significa mais saúde para o Augusto Laranja”.
EDITORIAL
Editores Sônia Inakake Almir C. Almeida Jornalista Responsável Luiza C. Oliva MTB 16.935
Coordenador de Arte Leonardo Piva Assistentes de Arte Adriano Vespa Samantha Audi Bernardo Contatos Publicitários Claudiney Fernandes Evander Alves Valéria Alves Atendimento ao Cliente Juliana Jordão João Marconi Impressão Gráfica Referência Tiragem 10.000 exemplares Assinatura Anual: R$ 96,00 Público Leitor Diretores, coordenadores e compradores Circulação Nacional
Tiragem de 10.000 exemplares da edição 02 referente ao mês de março de 2005 auditada pela Fundação Vanzolini, cuja carta relatório está à disposição dos interessados. Não é permitida a reprodução total ou parcial da matérias, sujeitando os infratores às penalidades legais As matérias assinadas são de inteira respon sabilidade de seus autores e não expressam, necessariamente, a opinião da Revista Direcional Escolas. A Revista Direcional Escolas não se res ponsabiliza pelos serviços e produtos oferecidos pelos anun ciantes.
Rua Joaquim Távora, 679 CEP 04015-011 - São Paulo-SP Tel.: (11) 5573 8110 - Fax.: (11) 5084.3807 atendimento@condominio.inf.br www.direcionalescolas.com.br
Caro leitor,
Sônia Inakake
É necessário cada vez mais conhecimento para administrar uma escola particular. Não se trata mais de uma tarefa caseira, mas de um serviço destinado a profissionais do assunto. Conhecimentos de marketing, finanças, planejamento estratégico, além de um entendimento da situação de mercado, são essenciais para o sucesso empresarial das escolas. Dois importantes eventos, marcados para este primeiro semestre em São Paulo, vêm orientar os mantenedores nesse sentido. De 5 a 7 de abril acontece o III Congresso Brasileiro de Gestão Educacional - Soluções para Transformar a Gestão Educacional em Diferencial Competitivo, no Hotel Maksoud Plaza, uma realização da Humus Consultoria. Serão quatro blocos temáticos, abordando temas para elevar o desempenho das instituições de ensino, três workshops setoriais especialmente direcionados para os gestores educacionais, além da Jornada do Marketing Educacional, com soluções de 13 grandes especialistas e gestores que atuam diretamente no cotidiano das instituições educacionais, implementando ações para fortalecimento da marca, captação e fidelização dos alunos. No evento também será lançado o livro“Marketing Educacional em Ação - Estratégias e Ferramentas”, pela Editora Artmed. Já o EDUCADOR – Congresso Internacional de Educação – apresenta algumas novidades em sua 12ª. edição, que será realizada de 18 a 21 de maio de 2005, no Expo Center Norte, em São Paulo. Entre elas está a participação por palestra; o Educador Management (seção do evento destinada especialmente a mantenedores) e o Café Management (espaço informal para troca de idéias entre conferencistas e gestores educacionais). Com o tema“Do Aprender Passivo ao Saber queTransforma: A Educação na Era da Informação”, o Congresso, que contará com 56 palestras nacionais e internacionais, tem a proposta de apresentar ao educador, da educação infantil ao ensino superior, alternativas para a melhoria da qualidade de ensino. Simultaneamente ao EDUCADOR acontece a EDUCAR – Feira Internacional de Educação – onde as principais empresas do país apresentam produtos e serviços para as instituições de ensino. São sistemas de ensino, empresas de materiais e brinquedos pedagógicos, mobiliário, escolas de idiomas, material e produtos para laboratório, soluções em tecnologia, entre inúmeros outros. Direcional Escolas também estará na Educar. Marque na agenda e compareça. Nos encontraremos lá! Um abraço e boa leitura, Os editores
Direcional Escolas, março/05
Diretora de Arte Thais Moro
5
ACESSIBILIDADE
Um caminho para a inclusão
As escolas devem se preparar para receber alunos com deficiências, seja oferecendo espaços acessíveis como suprindo suas necessidades pedagógicas.
Direcional Escolas, março/05
“A
6
PorLuizaOliva
rt.24.Osestabelecimentosdeensinodequalquernível,etapaoumodalidade,públicosou privados,proporcionarãocondiçõesdeacessoeutilizaçãodetodososseusambientesoucompartimentos parapessoasportadorasdedeficiênciaoucommobilidadereduzida,inclusivesalasdeaula,bibliotecas, auditórios, ginásios e instalações desportivas, laboratórios, áreas de lazer e sanitários.” OtextoacimafazpartedoDecreton.5296,de02dedezembrode2004,queregulamentouasLeisn°s 10.048,de8denovembrode2000,e10.098,de19dedezembrode2000,queestabelecemnormasgerais ecritériosbásicosparaapromoçãodaacessibilidade.Emtodoopaís,portanto,asescolasdevemcumpriras regrasdeacessibilidadearquitetônica,urbanística,decomunicaçãoedeinformação,previstasnasnormas técnicasdaABNT(AssociaçãoBrasileiradeNormasTécnicas).ANBR9050daABNTestabelececritériose parâmetrostécnicosaseremobservadosemprojetos,construções,instalaçõeseadaptaçõesdeedificações. “Anormatécnicadeterminaoqueénecessárioparaatenderalei”,dizAnaMariaBarbosa,supervisorade comunicaçãodaRedeSaci,entidadeque,atravésdaInternetedeCentrosdeInformaçãoeConvivência,visa estimularainclusãosocial,amelhoriadaqualidadedevidaeoexercíciodacidadaniadaspessoasportadoras de deficiências. Entreosinúmerosexemplosdeerrospresentesnasedificaçõesqueimpedemaacessibilidadeestão rampasmuitoacentuadas,portasestreitas,degraus,hallsdeelevadorsemespaçosuficienteparamanobra dacadeiraderodas,entreoutros.AnaMariacitaalgunsitensquedevemfazerpartedeumprédioacessível
aalunoscomdeficiências:rampas,banheirosadaptados,elevadoresamploscombotoeirasembrailee,preferencialmente,com avisosonoroealarmesdeincêndiocomavisossonoroeluminoso.Segundoanormatécnica,oobjetivoé“proporcionaràmaior quantidadedepessoas,independentedeidade,estaturaoulimitaçãodemobilidadeoupercepção,a utilizaçãodemaneiraautônomaeseguradoambiente,edificações,mobiliário,equipamentos urbanos e elementos”. Mesmoedificaçõesmuitoantigastêmcondiçõesdeatenderàsexigências legais.SilvanaLeporace,coordenadoradeorientaçãoeducacionaldoColégio DanteAlighieri,afirmaqueocolégiotevequeseadaptarparareceberalunos comdeficiências.Oprimeiroprédiofoifundadoem1911,épocaemque oconceitodeinclusãoerainexistente.“Precisamosnosestruturar,com rampasdeacesso,elevadoresebanheirosadaptados,paraqueoaluno possaselocomovernaescola.Eleprecisavivereparticipardetodas assituações.Sãonecessáriostambémvigilantesebedéistreinados paraauxiliaressesalunosemqualquereventualidade”,conta. Dos 4800alunosdaescola,seistêmdeficiênciaspermanenteseutilizam cadeiras de rodas, andadores ou muletas. “Asescolas,assimcomoshoppingseoutrosprédios,precisam seadaptarporquesãoambientesdeconvíviosocial”,afirmaCarmen Silvia Penha Galluzzi, psicóloga com especialização em psicologia educacionalepsicopedagogia,epsicólogaeducacionalnaOrganização EducacionalMargaridaMaria(OEMAR).Leisenormas,portanto,nãofaltam paraqueasescolasseadequemfisicamente.Porém,Carmenfrisaquefalarem inclusãonãosignificaapenasinstalarrampasnaescola.“Ainclusãoescolaréum movimentomundialquebuscaproporcionaraeducaçãoparatodos.Éumconceito mais amplo, é aceitar aquele que está excluído”, aponta. ParaRomeuKazumiSassaki,queatuahá45anosnocampodasdeficiências,éconsultor daSecretariaMunicipaldeEducaçãodeGuarujá(SP),deempresasedeorganizaçõesnão-governamentais,comoaEscolade Gente-ComunicaçãoemInclusãoeoCentrodeVidaIndependenteAraciNallin,apráticadeprocedimentoseducacionais inclusivosjáéumarealidadenoBrasil,estandoconsolidadaemváriosestadosemunicípios.“Tenhoconstatadooprogressona implementaçãodosprogramasdeeducaçãoinclusivaemescolaspúblicaseparticulares.Mas,seconsiderarmosoconjuntode escolasparticularesexistentesnoPaís,aindafaltamuitoparaafirmarmosqueainclusãoaconteceemtodaselas.Omesmoé verdadeiroemrelaçãoàsescolaspúblicas.Porém,oprocessodetransformaçãodossistemasdeensinoavançaapassoscada vezmaisrápidoseéirreversível.Eleacompanhatendênciasmundiaisquenãotêmvolta”.Naopiniãodoespecialista,quandoas escolasparticularesestãodispostasasetornareminclusivas,sãomaiságeis,autônomasecriativasnoprocessodereestruturação do sistema educacional do que as escolas públicas, sujeitas a mudanças de governo e mais dependentes da burocracia. Apesardoprogresso,Sassakiavaliaque,quantoàacessibilidadearquitetônica,aindaháproblemasnasescolas.Entreas principaisdificuldadeseleenumera:unidadesescolaresconstruídasoureformadassemaconsultoriadeespecialistasemdesenho universal,desconhecimentodasnormasatualizadasdeacessibilidadedaAssociaçãoBrasileiradeNormasTécnicas,orçamentos quenãoprevêemrecursosparaadequartodososrecintosescolares,desconhecimentodalegislaçãofederalsobreacessibilidade, faltadeconscientizaçãoporpartedefamíliaseprofessoressobredireitosconcernentesàacessibilidadenosespaçosfísicosda escola, falta de decisão política para tornar a escola acessível para todos os tipos de alunos etc.
NaopiniãodapsicólogaCarmenSilvia,aescoladeveestarmuitobempreparadaparareceberumalunocomdeficiência – e não apenas do ponto de vista físico. “Não posso colocar uma criança diferente na escola e excluí-la do conjunto. Deve haverumprojetopolítico-pedagógicopararecebê-la”,explica.Aprofissionalrecomendaqueexistaumaequipemultidisciplinar –fonoaudiólogos,psicólogos-aquemrecorrerparaavaliarcadacasorecebido.“Deveser,então,mostradoparaafamíliaoquea criançaprecisaeseéadequadotê-lanaquelainstituição”,diz,completandoqueumaposturaradicalnãoéadequada:“Nenhum pai aceita quando a escola diz: ‘ seu filho não pode estudar aqui!”.
Direcional Escolas, março/05
Integração x inclusão
7
Direcional Escolas, março/05
Uma história de inclusão
ACESSIBILIDADE
8
A história de Ana Clara está intimamente ligada à Escola Cidade Jardim Play Pen. Começou a estudar lá aos quatro anos, já comocadeirante.AnaMariaSchindler,mãedamenina,lembraquevisitououtrocolégiomassedecepcionoulogonaentrevista. A escola as recebeu no andar de cima, cujo acesso era feito através de uma escada em caracol. Nada indicado para um aluno em cadeira de rodas. Ana Maria, que já conhecia Guida Machado, proprietária da Play Pen, recebeu então o convite para que Ana Clara estudasse lá. “A escola funcionava numa casa térrea, bem diferente do prédio atual. Para receber minha filha, Guida providenciou rampas onde existiam degraus”, lembra. Ana Maria aprovou a mudança do colégio para o novo edifício. “Guida sempre teve a idéia de construir uma escola nos moldes mais modernos de acessibilidade e inclusão. A Play Pen é um modelo. Não conheço nenhuma escola que tenha essa estrutura”,define.Hojecom12anos,AnaClara,apesardesemovimentarnumacadeiraderodasespecial,acompanhaoscolegas da 5ª série nos vários espaços da escola: almoça no refeitório (já que o horário das aulas é semi-integral, das 7:45 às 15:30 horas) e circula por todo o ambiente do colégio. A mãe, aliás, elogia as rampas, que, em sua opinião, estimulam muito mais a convivência de Ana Clara com as outras crianças do que um elevador. “As rampas são utilizadas por todas as crianças, juntas”, conta. Ao ser questionada sobre o que mais gosta na escola, Ana Clara é objetiva: “Conviver com mais pessoas.” A matéria de que mais gosta é Matemática e, quanto à escola, Ana só reclama de uma coisa: ter que acordar cedo. Para a mãe, a escola significa umapossibilidadeparasuafilha.“AnaClaraviaja,passeia,vaiashoppingscoma família.Encontramosmuitopoucascriançasemcadeirasderodas.Sabemosque Natureza Distraída elas existem, mas não têm a possibilidade, por exemplo, de estudar, aprender, Toquinho trocar, conviver”, constata. A mãe repara que, em relação a lições de casa, provas e trabalhos, Ana Clara é tão exigida pela Play Pen quanto qualquer Como as plantas somos seres vivos, outro aluno. Aliás, é no aspecto pedagógico da inclusão que Ana Maria vê outro Como as plantas temos que crescer. avanço da escola de sua filha. Ela acredita que professores e coordenadores Como elas, precisamos de muito carinho, foram preparados com muito cuidado para recebê-la. Também a auxiliar de De sol, de amor, de ar pra sobreviver. enfermagem que acompanha Ana todos os dias à escola foi incluída nesse processo: “Há o maior respeito por ela.” Quando a natureza distraída Fere a flor ou um embrião, Gabriela Argolo, assistente de direção pedagógica, lembra que há uma O ser humano, mais que as flores, reuniãocomosalunosquandoalgumacriançacomdeficiênciachegaráàescola. Precisa na vida “Procuramosfazeressapreparaçãodemaneiralúdica.ParaavindadeAnaClara De muito afeto e toda compreensão. na 4ª série usamos o poema Natureza distraída, de Toquinho”, lembra.
OEstatutodaCriançaedoAdolescente(ECA,1990)noart.54-IIIeaLeideDiretrizeseBasesdaEducaçãoNacional(LDBEN,1996),noart.4°-III, determinamqueédeverdoEstadoasseguraratendimentoeducacionalespecializadoaosalunoscomdeficiência“preferencialmente”narederegular deensino.RomeuSassakiinformaquejáaResoluçãon.2(2001),doConselhoNacionaldeEducação,émaisdetalhista.Eladizqueosalunoscom deficiênciapoderãoseratendidos,“emcaráterextraordinário”,emescolasespeciaispúblicasouprivadas.“Paratanto,nãosãoapenasosalunoscom deficiênciaquedevemseravaliadosparaesseatendimentosegregado.Asescolasdevemseravaliadastambém”,explica.Quandoasnecessidades educacionaisespeciaisdessesalunosexigirematençãoindividualizadanasatividadesdavidaautônomaesocial,recursos,ajudaseapoiosintensose contínuos,bemcomoadaptaçõescurricularestãosignificativasqueaescolacomumnãoconsigaprover,elespoderãoentãoserencaminhadospara escolasespeciais,segundoSassaki.Poroutrolado,oatendimentonasescolasespeciaisdeveráser“emcarátertransitório”, ouseja,apenasotemposuficienteparaestesalunosadquiriremcapacidadenasatividadesdavidaautônomae social e serem transferidos para escolas comuns em condições de recebê-los. Romeuesclarecequeparticipamdoprocessodeavaliaçãodoaluno:aequipepedagógicadaescola especial,afamília,osetorresponsávelpelaeducaçãoespecialdosistemadeensinoeasescolascomuns envolvidas.“Entretanto,ondehouverapráticadoatendimentoeducacionalsegregadoemescolas especiaiseclassesespeciais,estaremosfalandodojásuperadoparadigmadaintegração,quesegueo modelomédicodadeficiência.Somentequandotodososalunos,independentementedesuasdiferenças individuaisedesuaorigemnadiversidadehumana,estudaremjuntosemsalascomunsacolhedoras eacessíveis,estaremosfalandodoparadigmadainclusão,quesegueomodelosocialdadeficiência”, complementa.
Compromisso Conhecermelhoroalunoéumagarantiaderealizaroprocessodainclusãocomsucesso. “Ainclusãovisa, justamente,minimizarosdéficitsemaximizarodesenvolvimentoglobaldapessoa,istoé,trabalharcomoqueelatemde
Carmen Silvia Penha Galluzzi c.galluzzi@uol.com.br Colégio Dante Alighieri silvana.leporace@cda.colegiodante.com.br Escola Cidade Jardim Play Pen playpen@uol.com.br Rede Saci saci@saci.org.br Romeu Kazumi Sassaki romeukf@uol.com.br As fotos dessa reportagem foram realizadas na Escola Cidade Jardim Play Pen e mostram ambientes adaptados para alunos com deficiências.”
A acessibilidade não se restringe apenas ao aspecto arquitetônico. Existem barreiras de vários tipos. Conheça as formas de acessibilidade, que garantem a inclusão social: • Acessibilidade arquitetônica: ausência de barreiras ambientais físicas nas escolas, nas empresas, nas residências, nos edifícios públicos, nos centros de convenção, nos espaços urbanos, nos equipamentos urbanos, nos meios de transporte individual ou coletivo. • Acessibilidade comunicacional: sem barreiras na comunicação interpessoal (face-a-face, língua de sinais, linguagem corporal, linguagem gestual, etc.), na comunicação escrita (jornal, revista, livro, carta, apostila, etc., incluindo textos em braile, textos com letras ampliadas para quem tem baixa visão, notebook e outras tecnologias assistivas para comunicar) e na comunicação virtual (acessibilidade digital). • Acessibilidade metodológica: sem barreiras nos métodos e técnicas de estudo (adaptações curriculares, aulas baseadas nas inteligências múltiplas, uso de todos os estilos de aprendizagem, participação do todo de cada aluno, novo conceito de avaliação de aprendizagem, novo conceito de educação, novo conceito de logística didática etc.), de ação comunitária (metodologia social, cultural, artística etc. baseada em participação ativa) e de educação dos filhos (novos métodos e técnicas nas relações familiares etc.). • Acessibilidade instrumental: sem barreiras nos instrumentos e utensíliosdeestudo(lápis,caneta,régua,tecladodecomputador, materiais pedagógicos), de atividades da vida diária, de lazer, esporte e recreação. •Acessibilidadeprogramática:sembarreirasinvisíveisembutidas em políticas públicas, regulamentos e normas. • Acessibilidade atitudinal: sem preconceitos, estigmas, estereótipos e discriminações, como resultado de programas e práticas de sensibilização e de conscientização das pessoas e da convivência na diversidade humana. Pode-se dizer que uma escola inclusiva é aquela que está implementando gradativamente as medidas de acessibilidade nesses seis contextos. Fonte: Romeu Kazumi Sassaki, consultor de educação inclusiva
Direcional Escolas, março/05
PARA MAIS INFORMAÇÕES
As diferentes acessibilidades
bom.Conheceradeficiêncianãoéconhecerapessoa.Issoéummitoquedeve cair”,constataapsicólogaCarmenSilvia.GabrielaArgolo,assistentededireção pedagógicadaEscolaCidadeJardimPlayPen,concordacomCarmenquedeve haverumprojetodeinclusãoparacadaalunoespecial.“Oprincípioéaceitara criançacomocriança,independentedasuadeficiência.Nãoéapenasoacesso físicoquegaranteainclusãodessealuno.Quemvaifazeroacompanhamento terapêuticoéafamíliaeosprofissionaisdesaúde.Nósestamospreocupados com a aprendizagem”, garante. APlayPencompleta25anosdeatividadesem2005epodeserdefinida comoumexemplodeescolaondeainclusãoéumarealidade.Éumaescola bilíngüequerecebealunosdaeducaçãoinfantilà8ªsérie.Emjunhode2003, nomesmoterrenoondeaescolacomeçousuasatividades,foiinauguradoo novoprédio,projetadopelosarquitetosMárcioKoganeIsayWeinfeld.Guida Machado, proprietária da escola, fez um pedido especial aos profissionais: queaescolanãotivessedegrauserespeitasseoscritériosdeacessibilidade. O térreo e os dois andares da escola são interligados por rampas; as portas de todas as salas são largas, garantindo a passagem de cadeiras de rodas, e dotadasdevisoresdevidro,permitindoavisualizaçãodoambienteexterior; em cada andar, há banheiros masculino e feminino, ambos com espaços adaptadosparadeficientes.ParaGuida,alémdosalunos,aescoladeveestar preparadapararecebermães,paisefamiliarescommobilidadereduzidaou outras deficiências. Atualmente,entreos203alunosdaescola,umameninatemsíndromede Downeoutrautilizacadeiraderodas.Guidaconsideraqueaescolajápossui tradição em acolher alunos com deficiências. “Comecei a escola em 1981 e lembroquelogodepoistiveumacriançadaeducaçãoinfantilquenãoandava,só serastejava.Adiversidadefazadiferença.Sefizermosumaescolahomogênea, nãoestaremospreparandoosalunosparaomundoláfora”,conclui.Nãose tratadeterpena,nemdetratarodiferentecomocoitado,analisamGabrielae Guida. “A inclusão é um compromisso”, frisam. Asescolasnãodevemtemerperderalunosporapostaremnainclusãode alunoscomdeficiências.SegundooconsultorRomeuSassaki,nãoháperdade alunossemdeficiênciaquandosãofeitostrabalhosperiódicosdesensibilização e conscientização de toda a comunidade escolar, além de capacitações contínuasdetodososprofessores,técnicoseducacionaisefuncionários.“Enão hápreconceitoquantoàinclusãoescolar,porpartedealgunspaisquetenham filhos sem deficiência e de alguns pais que tenham filhos com deficiência, desdequetodosparticipemdacapacitaçãocontinuadaparaqueasfamílias sejam co-agentes construtores da escola inclusiva”, conclui.
9
PERFIL DA ESCOLA
Prima Escola Montessori de São Paulo:
Do sonho à realidade
Seguindo os preceitos do método Montessori, a Prima quer que seus alunos aprendam com prazer.
Por Luiza Oliva
Direcional Escolas, março/05
E
10
spaçosamplos,muitoverde,salasclarasearejadas.Oambiente chama a atenção de quem conhece a Prima Escola Montessori de São Paulo pela primeira vez. Reconhecida por adotar o método Montessorideensino,aPrimaexistehá24anoseésóciafundadora da Organização Montessori do Brasil (OMB) e filiada à American MontessoriSociety(AMS).Fazparte,também,doprogramadeescolas associadasàUnesco(OrganizaçãodasNaçõesUnidasparaEducação, a Ciência e a Cultura). Tudocomeçoucomosonhodecincoprofessorasquetrabalhavam naEscolaPacaembu.Paraconseguirocapitalnecessárioparamontara escola,ogrupopartiuparaavendademateriaisdidáticos,ministrando tambémcursosparaqueosprofessoressoubessemusá-los.Fortalecidas comoequipe,elasdecidiramentãopartirparaaconcretizaçãodosonho da própria escola e começaram a procurar um local adequado para montá-la.“Tínhamosumidealpedagógicoequeríamosumespaçoonde elepudesseacontecer,commuitaáreaverde”,lembraEdimaradeLima, diretorapedagógicadaPrima.Apósasaídadeduassócias,hojeaPrima
édirigidaporEdimara,VictoriaAyrozaSaracchi,diretoraadministrativafinanceira,eMariaAngelinaFranceschiniBrandão,diretorademarketing e atendimento. As três se divertem lembrando de como encontraram a casa apropriada para montar seu sonho. Já tinham visitado muitos endereços,nosmaisdiversosbairrosdeSãoPaulo,enenhumdelesas satisfazia.Atéqueumcorretorcontoudeumacasa,fechadahátrês anos,queoproprietárionãoalugavaparaninguém.“Mesmoassim, fizemos o corretor nos mostrar a casa. Adoramos, fomos conversar comoproprietário,explicamosonossoprojeto,eelerespondeu:‘Me agradamuitovercriançascorrendonessejardim’.Oresultadoéque estamos aqui até agora”, recorda Victoria. Foiumadecisãocorajosadasproprietárias:obairrodoJardim Prudência,nazonasuldacidade,naépocaerapoucohabitado,quase umaperiferia.“Viemosparaumbairroondenãoéramosconhecidas profissionalmente. Nossa opção foi mais emocional e pouco comercial”, comenta Edimara. Elas começaram com três alunos e,
Prazer em aprender Naopiniãodassócias,normalmente,ospaischegamatéaescola porindicaçãodealunosouporqueprocuramumaescolaquetrabalhe diferente.“Mas,ospaisconhecemmuitopoucodequalquermetodologia deensino.Oobjetivomaiordasmetodologiasépraticamenteomesmo. O que difere são os procedimentos, os caminhos escolhidos para se alcançar o mesmo objetivo”, conta Edimara. NaPrima,nãoháprovas,oque,aprincípio,causaansiedadenospais. Osalunossãoavaliadosconstantemente.“Muitosalunoschegamaqui
eachamquenuncamaisprecisarãoestudar,jáqueestudavamapenas parasatisfazeromomentodaprova.Depoispercebemqueprecisam estudarnodia-a-dia”,dizAngelina.Outrapreocupaçãodospaiséseo aluno,apósconcluirocursonaPrima,conseguiráacompanharoensino médioemoutrasescolas.Angelinalembraque,apósa8ªsérie,osalunos procuramdiversasopçõesdecolégiosparacursaroensinomédio,com ótimos resultados.“A escola Montessori dá a fundação para o aluno, privilegiandooautoconhecimentoeaquestãoorganizacional.Ofoco doSistemaMontessoriéaauto-educação,acreditarqueoindivíduo constrói seu próprio conhecimento”, afirma. O professor não tem o poder de controlar o aprendizado. O fundamental é o prazer em aprender. “O aluno é a pessoa mais importante em sala de aula. O professor está ali para servir”, comenta adiretora.Todasasprofessorasdaescolasãopedagogas,algumascom pós-graduaçãoempsicopedagogia.Recentemente,seteprofessoras terminaramumapós-graduaçãoemdificuldadesdeaprendizagem.Na visãodaPrima,oalunoprecisadeumprofessorquetevesuaautonomia desenvolvida, para que se forme uma cadeia de respeito entre eles. “Umadasgrandesdificuldadesdasescolaséjustamentepromovero investimento no professor”, avalia a diretora pedagógica Edimara. Alémdoaperfeiçoamentoconstantedosprofessores,chamaa atençãotambémnaescolaarelaçãoentreprofessoreseonúmerode alunos. No berçário, são três bebês para um adulto e no grupo de três a seis anos, 10 crianças para uma professora. Por sala, há entre 3 e 5% decriançascomdificuldadesespecíficas.Aestruturadassalasdeaula doEnsinoFundamentalIItambémédiferenciada.Hácomputadores ligadosàInternet,revistasedoisjornaisdiários.Abibliotecanãoéum ambientedistinto,formal,mastambémestádentrodassalasdeaula. UmaescoladiferenciadacomoaPrima,enfrenta,porém,problemas
A classe montessoriana é um lugar onde se vive, se trabalha, se brinca. Na Prima, o atendimento individualizado é garantido pelo grande número de profissionais disponíveis.
Direcional Escolas, março/05
parareforçaroorçamento,davamcursosdeeducaçãoMontessori para professores e escolas. Hoje, a Prima atende cerca de 200 alunos, do berçário à 8ª série. Para Edimara, o público que escolhe a Prima é formado por famílias queinvestemnaeducaçãodosfilhos,mesmoqueissorepresenteum pesograndenoorçamentodoméstico.“Aimensamaioriadospaistêm formaçãouniversitáriaeconfiamnométodo”,comenta.Trabalhando comumgrupopequenodeclientes,assóciasacreditamqueconseguem terumarelaçãobempróximacomeles.Elascomparamorelacionamento quetêmcomospaiscomodocomerciantedebairrodeantigamente, que conhecia seus clientes pelo nome. “Nunca quisemos ser uma escola grande. Focamos nosso trabalho no atendimento individual, esseéonossodiferencial.Aliás,omercadopedequeasescolasfirmem uma posição, e não que andem conforme a moda”, afirma Angelina. Principalmentenosanos70atémeadosdos80,eracomumescolasse dizeremmontessorianas–sem,contudo,adotaremrealmenteométodo. “PorissocolocamosMontessorinonome,paraquenossalinhaficasse bem definida”, conta.
11
PERFIL DA ESCOLA
Da esquerda para a direita, as sócias Victória, Angelina e Edimara.
Sistema Montessori: o professor não controla o aprendizado; o indivíduo constrói seu próprio conhecimento.
semelhantesàmaioriadasinstituiçõesdeensino.Ainadimplência, porexemplo,existeeéadministradacasoacaso.“Nuncaenviamos cartas através de advogados. Entendemos o problema financeiro que muitas famílias passam. Conversamos e oferecemos uma solução,quepodeserumabolsaouatrocadeserviçostemporária. Já chegamos a ter pais que acabaram de pagar o curso depois do filhoformado”,contaVictoria,lembrandoqueécomumasituação de pais que receberam bolsas procurarem a escola, depois de um tempo, contando que sua situação financeira melhorou e que a bolsa pode ser diminuída.
ParaasdiretorasdaPrima,arelaçãoentreaescolaeseusclientesé muitodiferentedocomérciocomseusdevedores.“Ocomérciopodetirar oprodutodoclienteporfaltadepagamento.Comoumaescolapode tiraroconhecimentodeseusalunos?”,indagaVictoria.ParaEdimara, apesardasescolasseremempresasquetêmresponsabilidades(como obrigaçõestrabalhistasepagamentodefornecedores),éfundamental queoadministradorescolartenhaconhecimentosdepsicologiaeaté de pedagogia – como é o caso de Victoria.“Nós lidamos com a vida humana,porissoéimportantequeoadministradortenhaessavisão mais global”, finaliza Edimara.
RAIO-X DA ESCOLA ü Uma unidade no bairro do Jardim Prudência, em São Paulo ü 200 alunos ü 40 funcionários (a limpeza é terceirizada) Berçário(comopçõesdehorários:meioperíodo,semiü Cursos: integral e integral) ao Ensino Fundamental (1ª e 2ª série: um dia em
Direcional Escolas, março/05
períodointegral;3ªà8ªsérie:doisdiasemperíodointegral).Filosofia da 1ª à 8ª séries. Inglês desde a Educação Infantil. A partir da 5ª série, 4 aulas semanais de Inglês.
12
ü E-mail: prima@primamontessori.com.br ü ParasabermaissobreométodoMontessori,consulteaOrganização Montessori do Brasil:
www.omb.org.br
DICAS/MATERIAIS ARTÍSTICOS
Inspiração nos
artistas plásticos
Buscarinspiraçãoemartistasplásticos é um bom caminho para deixar as aulas de artes ainda mais atraentes. Na Casinha Pequenina,porexemplo,escoladeeducação infantil do Colégio Friburgo, em São Paulo, é definido um artista por semestre. Em 2004, um deles foi o pintor Jurandi Assis.“O escolhemospelabrasilidadeepelocolorido de sua obra e também porque ele poderia visitar a escola. Cada faixa etária fez a leitura possívelparasuaidade”,lembraMariaBeatriz Telles, psicopedagoga e diretora da escola. Inspirados no quadro “Mulher Ren deira”, de Assis, alunos de cinco anos pin taramumfundodepapelutilizandoanilina diluída, colaram quadradinhos de papel criando uma moldura e desenharam a mulhercomnanquim,detalhandoafigura com pontilhismo. Por fim, a personagem recebeu um detalhe confeccionado pelos próprios alunos, em tear manual com lã. AindabaseadosnaobradeJurandiAssis,as criançastrabalharamcomummaterialmuito acessível: papel higiênico diluído em água e misturado com cola branca.“É um papier machêmaissimplificado.Misturamosvinagre, queagecomoconservanteparaamassanão estragar”,explicaaprofessoraepedagogada escolaCíntiaFerreiraNogueira,quetambém é especialista em arte-educação.
Emoutroepisódio,emcimadeobras de Tarsila do Amaral, como “Operários”, “Carnaval em Madureira” e “Touros”, cada turma confeccionou uma bandeira em lona, comparando a obra com cenas que fazem parte do seu cotidiano. Os operários de Tarsila se transformaram nos funcionários da escola. Na lona, as crianças realizaram colagem de pontas de lápis, sobras de tecidos, lãs, palitos coloridos, feltro. No Colégio Augusto Laranja, Lasar Segall foi a base do trabalho das crianças da primeira série do Ensino Fundamental em 2004. Baseados na tela “Menino com lagartixa”, eles fizeram uma colagem com folhas,recortadasempapelverdedediversos tons. Depois, pintaram um personagem com o animal de estimação que a criança escolhesse.ParaWandaPrado,coordenadora de artes de primeira à quarta série e professoradeeducaçãoartísticadaescola,é interessantetrabalharcomahistóriadaArte, porémcriandoassociaçõescomocotidiano da criança. “Houve um tempo em que os educadores propunham aos alunos uma releiturafieldaobra.Hoje,apropostaémais livre. Puxamos sempre para a realidade da criança,inclusivecomtécnicasdeartesanato”, compara.
Na próxima edição, leia mais dicas sobre materiais artísticos.
Direcional Escolas, março/05
Trabalhos das crianças da Casinha Pequenina: tear manual e papier machê simplificado.
13
CAPA
FUSÃO DE ESCOLAS: Quando a saída é somar A fusão é uma possibilidade de sobrevivência para as escolas. O processo precisa ser realizado com critério, por escolas com afinidades de público e pensamento.
Por Luiza Oliva
Direcional Escolas, março/05
D
14
as escolas de educação infantil até o ensino superior, a fusão de escolas é uma realidade. Desde que o perfil de alunos e o projeto pedagógico se assemelhem, é uma tendência que visa a sobrevivência das instituições de ensino, diante das dificuldadesdeummercadocadavezmais competitivo. Em São Paulo, são inúmeros osexemplosdefusãoocorridosnosúltimos anos: o Colégio Equipe se uniu à Escola Ibeji,oColégioOswalddeAndradeàEscola Caravelas, entre outros. O Sindicato dos Estabelecimentos de EnsinonoEstadodeSãoPaulo(SIEEESP)não tem números relativos a fusões de escolas. Mas, segundo o Censo escolar de 2004, o número de alunos nas escolas particulares
paulistasaumentou1%,enquantoonúmero deestabelecimentosdeensinosubiu4,6%. As6047escolasdeensinobásicoapontadas no Censo de 2003 passaram para 6324 em 2004.Fecharam359escolas,enquanto636 foramabertas.“Háumagrandeociosidade na maioria das escolas. Recentemente, as fusõestêmacontecidoemmenornúmero, mascontinuamsendoumapossibilidadede soluçãoparaessasituação”,apontaRoberto Prado, diretor executivo do SIEEESP. Na opinião de Eugênio Machado Cordaro,diretordaCorusConsultores,com experiência de mais de 20 anos no setor educacional, as escolas que se candidatam a uma fusão devem estar dispostas a rever sua forma de gestão, mudando alguns
as cores das escolas padronizadas. Até os antigosuniformesdasprecursorasdaunião aindacontinuamsendousadosporalguns alunos. “Pais e alunos continuaram tendo vínculoscomasescolasdeorigem”,avalia. Fisicamente, durante um ano e meio as escolas mantiveram as duas unidades. “Assim,garantimosqueoespaçodosalunos ficassepreservado.Aescolabancouinclusive umtransporteentreasduasunidadespara não causar transtorno aos pais”, explica. Mas, administrativamente a divisão entre os dois prédios era complicada. Assim, em meados de 2003 a escola investiu numa reforma da unidade de Pinheiros e fechou a do Jardim Europa. Hoje, os 350 alunos, da educação infantil ao ensino médio, ocupamomesmoendereço.“Tudofoifeito para que evitássemos perder alunos”, diz a diretora. Para as famílias que pagavam a mensalidade mais baixa, pois havia uma pequenadiferençadevaloresentreasduas escolas,aHorizontesUirapuruofereceuum desconto até o final do curso para que não se sentissem prejudicadas. Gabriela sustenta que após a fusão a perda de alunos ocorreu num patamar considerado normal. O saldo foi mais do que positivo, em sua opinião. Hoje, a Horizontes Uirapuru faz parte do Grupo A, formadotambémpelasescolasAprendendo a aprender, Liceu Santa Cruz, Colégio Pirajuçara e Colégio Concórdia. Gabriela sustenta que tanto no Santa Cruz como no Concórdiaotrabalhofoidiferentedafusão comoUirapuru.OSantaCruzfoicomprado pelo grupo em 2000 e enfrentava sérias dificuldadesfinanceiras.OGrupoAmanteve praticamente a mesma equipe, antiga no Liceu. A escola cresceu, profissionais antigos foram promovidos, outros foram contratados. “Foi uma equipe fácil de conquistar”, diz. Já para os funcionários do
Direcional Escolas, março/05
paradigmaseabrindomãodepartedopoder que tinham isoladamente. “Todos devem aceitar que após a fusão haverá uma nova escola,diferentedasanteriores,preservando o melhor de cada uma, sem os antigos víciosindesejadoseinovandonoqueforde interessedasescolasedaclientela”,orienta. A fusão dos Colégios Horizontes e Uirapuru aconteceu em 2002. Até um ano e meio após o processo, as diretoras das duas escolas continuaram comandando a nova instituição, o Colégio Horizontes Uirapuru. Depois desse período, a diretora doUirapurupartiuparaumaoutraempresa eGabrielaLianBrancoMartins,quevinhado Horizontes,assumiuadireçãodoHorizontes Uirapuru.“Foiimportantequenesseprocesso permanecessemasduascabeçasdadireção. Cuidamosdepequenasdiferençasnalinha de orientação das escolas, e tentamos ao máximoteratitudesiguais”,lembraGabriela. Umexemplodenecessidadedeunificação: no Uirapuru os alunos eram avaliados por conceitosenoHorizontes,atravésdenotas. Noregimentodanovaescola,foiadotadoo sistema de notas. Gabriela comenta que, quando inde pendentes, as escolas tinham um bom relacionamentoeafinidadesdepensamento. OHorizontes,inauguradoem1981,oferecia desde a educação infantil até o ensino médio. O Uirapuru, antes de ter o ensino médio, costumava indicar alunos para o Horizontes. As escolas ficavam em bairros vizinhos.OHorizontes,naruaGroenlândia, noJardimEuropa,eoUirapuru,naruaAlves Guimarães, em Pinheiros, em São Paulo. “Tínhamospopulaçõessemelhantes,ospais buscavampraticamenteomesmoobjetivo comasescolasetínhamosemmédiaomesmo númerodealunos”,comenta.Osnomesdas duasescolas,apesardetãodistintos,foram mantidos. Os logotipos foram unificados e
15
CAPA
Concórdia a mudança de direção foi uma surpresa.“Entramoscomumapropostade trabalhodiferenteetivemosqueconquistar pais e funcionários”, aponta.
Direcional Escolas, março/05
O melhor de cada um
16
Encaminharadequadamenteoprocesso de fusão junto aos pais de alunos é um dos pontos essenciais para que a iniciativa seja bem sucedida. “No geral, quando os principaispontosestãodefinidos,ospaise alunossãocomunicados.Esteésempreum momento tão difícil quanto fundamental para o sucesso da fusão. Geralmente, a clientela fica com muitos receios da novidade.Porém,quandooprocessoébem cuidado,comotempoamaioria,namedida emqueconsegueverasvantagens,adereà novaescola”,sustentaoconsultorEugênio Cordaro. Na fusão das escolas Bem-me-quer, Logos e Mater Dei, concretizada em São Paulo em 2003, houve tempo para que a comunicação ocorresse de maneira ade quada.Oprocessodenegociaçãocomeçou em 2001 e durou até o final de 2002. Isso permitiuqueasescolasenvolvidaspudessem cuidardacomunicaçãoedapreparaçãode seuscolaboradoresdeformapositiva.Nesse período,foramorganizadasaintegraçãoe as mudanças, até mesmo físicas. Em 2003, as aulas começaram no Colégio Cidade de São Paulo, nova escola surgida através da fusão.Segundoosdiretoresdainstituição, a reação da clientela foi muito boa, de maneira geral. Apenas quem residia mais longe de onde ficavam as sedes anteriores nãoacompanhouamudança.“Mas,sempre existemoscasosderesistênciaàmudança. Algumasfamíliasquesaírampor‘medo’da fusão ou por ‘fofocas’ criadas na época, e foram experimentar outras escolas, estão voltando,desdeoanopassado.Issomostra queoprocessodeucerto”,acreditaMarcello Cafaro, diretor do Cidade de São Paulo.
NocasodasescolasBem-me-quer,Logos e Mater Dei, a necessidade da fusão nasceu dofatodastrêssesituaremnamesmaregião (bairros paulistanos dos Jardins, Pinheiros, Moema e Itaim), e de disputarem a mesma clientela,comumapopulaçãocadavezmais velha (média entre 45 e 55 anos), que têm menos filhos em idade de cursar educação infantil e fundamental. “A fusão decorreu da soma de aspectos competitivos das três escolas, da mesma preocupação com o ensinodequalidadeedasemelhançaentre aspropostaspedagógicaseosvaloreséticos”, aponta Cafaro. “Com a fusão, otimizou-se a estrutura administrativa possibilitando à nova escola aumentar a capacidade de investimento,trazendobenefíciosatodos”, completa. Na área administrativa e financeira, foi grandeareduçãodecustos.Algunssetores tornaram-se comuns (antes, cada escola tinha o seu). Essa racionalização de custos possibilitouaonovocolégiomanterovalor das anuidades no primeiro ano. Em alguns cursosovalorfoiatéreduzido.Paraodiretor, todo mundo saiu ganhando com a fusão: “Contamoscomaquiloquedemelhorexistia emcadaescola:asmelhorescompetências, os melhores colaboradores, os melhores equipamentos, as melhores instalações. A vontadeeocomprometimentodetodosos envolvidosfeznascerumprojetorealmente de peso. O Colégio Cidade de São Paulo entrou em cena com um projeto cujos resultados, nos nossos alunos, serão para a vida toda, sem falsa modéstia.”
Quando fazer NaopiniãodoconsultorCordaro,umdos objetivos básicos de uma fusão é melhorar as condições econômico-financeiras da escola.“Mas,seelanãoforbemconduzida,a novaescolapodecontinuarcomosmesmos problemasanteriores,agregadosdeoutros, novos e indesejados. Isto é mais comum do
deadministração.Monteirosustentaqueum deleséafusão,queocorrequandoumadas duasinstituiçõesperdeaidentidade.Outro éaincorporação,quandopodemsemanter marcas diferentes, porém com uma nova maneira de direção. “Tanto uma quanto a outra solução devem ser trabalhadas com muita atenção. A absorção de uma cultura por outra não é tão fácil”, justifica. SegundoMonteiro,principalmentenos grandescentrosurbanos,comoSãoPaulo, RiodeJaneiro,Curitiba,FortalezaeVitória,as fusõeseincorporaçõesserãomaiscomuns. “Nessas regiões, a oferta de cursos e vagas, alémdeestarconcentradaemcursospadrão, émaiorqueademanda.Nãoexistemalunos paratodos”,diz.Algunsdadoscomprovam aconcentraçãoexcessivaemdeterminados cursos:DireitoeAdministraçãorepresentam quase25%dosalunosmatriculadosnoBrasil; 10 cursos representam 50% dos alunos matriculados no País. “Buscar diferenciais competitivos no projeto pedagógico e na qualidade do atendimento é condição de sobrevivênciaparaasinstituições.Épreciso criar um projeto novo, ter coragem de apresentar propostas inovadoras”, avalia. E, para quem busca parcerias, a saída é ter transparênciadedadoseserumaempresa bem administrada. “A escola que quiser trabalhar a idéia de fusão ou incorporação precisa apresentar dados que resistam a uma análise mais detalhada”, aponta.
PARA MAIS INFORMAÇÕES Colégio Horizontes Uirapuru colegiohorizontes@terra.com.br Colégio Cidade de São Paulo cidade@colsaopaulo.com.br Eugênio Machado Cordaro corus@corusconsultores.com.br Carlos Monteiro monteiro@cmconsultoria.com
Direcional Escolas, março/05
que se imagina, pelo fato da escola não ser uma empresa nos moldes tradicionais, ou seja,osclientesseencontramdiariamente, e mantêm contato por vários anos com os diretoresefuncionáriosdaescola”,sustenta. Cordaro complementa que uma fusão deve ser estudada quando a escola estiver enfrentandoperdadealunos, dificuldades econômico-financeiras, de crise societária ou em fase estratégica de crescimento ou ainda em absorção de novas tecnologias. Carlos Monteiro, presidente da CM Consultoria e especializado em gestão universitária,explicaquenoensinosuperior asfusõeseincorporaçõessãoumatendência natural. “Seja por problemas de gestão, pela concorrência ou por incompetência dasempresas,naturalmenteasinstituições vãoseagrupar.Teremosumenxugamento do sistema nacional de ensino superior”, garante. Conforme o Censo de 2003, há no País1650instituiçõesdeensinosuperior.Mil são catalogadas como micro ou pequenas empresas.“Essasescolasestãosetornando cada vez menos competitivas. Elas podem ser mais enxutas na administração, mas acabamcopiandoomodeloeoferecendoos mesmoscursosdeinstituiçõesmaisantigas”, argumenta. As altas taxas de ociosidade, ina dimplência e evasão escolar, que estão atingindo as escolas simultaneamente, resultamnanecessidadedeoutrosmodelos
17
SEGURANÇA-INCÊNDIO
Sua escola é segura? Palavras-chave quando se fala em segurança, as escolas devem investir em prevenção de incêndio e treinamento.
Direcional Escolas, março/05
T
18
odo pai acredita que dentro da escola seu filho está seguro, longe de acidentes e de qualquer perigo. Porém, além dos equipamentos e das instalações físicas da escola, só a prevenção, envolvendo o treinamento constante dos funcionários, garante um ambiente livre de riscos. A lei 6514 do Ministério do Trabalho obriga as empresas a terem funcionários treinados em brigada de incêndio, socorrismo e CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes). “A legislaçãofederalpreconizaquetodoestabelecimentodeveterpessoastreinadasemprevenção e combate a incêndio e em primeiros socorros. Além disso, empresas com até 49 funcionários precisam ter um representante designado para a CIPA, que deve ser treinado. Já acima de 50 funcionários, é exigida a formação da CIPA”, informa Milton Ferreira Filho, especialista em segurança do trabalho, e com mais de 25 anos de experiência em treinamento e consultoria para prevenção de acidentes de trabalho, combate a incêndios, segurança e engenharia do trabalho. A realização de um dos cursos por funcionários da escola não elimina os outros. “Os cursos de CIPA e de primeiros socorros têm obrigatoriedades diferentes. O de socorrismo evita que ocorram seqüelas graves num acidentado por falta de atendimento”, avalia Alexandre Ballerini Stampachio, administrador de empresas em saúde ocupacional, que também atua na área de treinamento em prevenção de acidentes. O treinamento deve ter como principal objetivo informar os funcionários quanto a prever e prevenir riscos. “Quanto vale um bom treinamento para um inspetor de alunos? Bem treinado, ele será capaz de prever uma situação de risco, retirando, por exemplo, um aluno de um acontecimento perigoso”, exemplifica Alexandre. “Nosso compromisso é levar conhecimento e efetivamente treinar. Não se trata apenas de obter um certificado, mas de pensar em ações de segurança dentro das escolas, mostrando os problemas e o que pode ser corrigido”, aponta. Milton Ferreira Filho comenta que no Estado de São Paulo não é permitido fazer o treinamento de brigada contra incêndio em áreas urbanas para não poluir o ambiente. Mesmo em cidades sem essa restrição, o ideal é que o treinamento da brigada seja feito em centro de formação de combate a incêndios, envolvendo situações reais. Por exemplo, cenários imitando almoxarifados, escritórios, cozinhas e painéis elétricos são incendiados
Direcional Escolas, março/05
e os alunos precisam efetivamente combaterofogo.Sãosituaçõesdeincêndios com combustíveis sólidos (madeira, papelão), gás GLP e líquidos inflamáveis (álcool) e em local confinado (conhecido como “casa da fumaça”, onde o aluno aprende que, em locais com muita fumaça, deve ficar abaixado para respirar melhor). “A função do brigadista é agir no princípio de incêndio. Todo fogo começa pequeno, salvo uma explosão. Se o brigadista souber prevenir e combater, vai evitar que o princípio se torne um incêndio”, explica. Milton comenta que muitas escolas imaginam que apenas recarregando seus extintores anualmente estarão seguras em caso de incêndio. “Os bombeiros não utilizam os extintores da edificação, e sim a rede hidráulica. Ao invés de apenas investir na recarga, as escolas devem treinar seu pessoal”, diz. Ele cita o caso de uma escola com 1600 alunos, que enviou 25 funcionários para treinamento de brigada de incêndio. Essas 25 pessoas atuam nos três turnos em que a escola funciona (manhã, tarde e noite) e estão distribuídos entre todas as áreas: são professores, pessoal da manutenção, da administração, da biblioteca, entre outros. Foi feito um mix de pessoas, que cobre todos os setores da escola, garantindo mais segurança em caso de um acidente. Milton recomenda que os cursos devem acontecer na época de recarregar os extintores da escola. “Assim, os funcionários utilizam os próprios equipamentos do colégio no treinamento, criando um vínculo maior de confiabilidade. Além disso, a única maneira de saber que os extintores foram efetivamente recarregados é descarregando-os antes de serem enviados para manutenção”, conta. O curso de brigadista pode ser oferecido inclusive para adolescentes do Ensino Médio. Milton recomenda a atividade para alunos do segundo ou terceiro ano, já que é preciso uma determinada força física para aprender a manusear as mangueiras e os próprios extintores. Já no espaço da escola, pode ser montado um simulado de abandono de área, um procedimento de segurança essencial em casos de incêndio. “Criamos uma rota de fuga. Depois da confirmação do alarme de incêndio, as professoras orientam os alunos a fechar as janelas das salas antes de sair, para evitar incêndios secundários, e a andarem em calma e em fila indiana. É um treinamento que crianças e jovens levarão para o resto da vida e que deve ser mostrado aos pais, até como um marketing de vendas”, acredita o técnico, completando que ao menos os professores devem ser treinados nesse procedimento. “Numa situação de risco, como o professor vai agir se não estiver preparado?”, comenta.
19
Direcional Escolas, março/05
Para a saúde dos funcionários
SEGURANÇA
20
As áreas de medicina e de engenharia devem estar intimamente ligadas na identificação de riscos em um ambiente de trabalho. Um plano de segurança deve começar com o PPRA – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais, criado pela Norma Regulamentadora 9 (NR-9) da Lei 6514 do Ministério do Trabalho. A partir de um empregado, o PPRA já é obrigatório. Empresas especializadas realizam uma inspeção no local. As avaliações são realizadas por profissionais habilitados e instrumentais calibrados e aferidos, identificando os riscos ambientais a que os funcionários estão expostos. Depois da realização de um laudo, é elaborado o PCMSO – Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional. Compete a qualquer empresaelaborareimplantaroPCMSO e custear, sem ônus para o empregado, todososseusprocedimentos.Asempresas com grau de risco de acidentes de trabalho 1 e 2 (do qual fazem parte os estabelecimentos de ensino), com até 25 empregados, não tem a obrigatoriedadedeterummédicocoordenador,responsávelpelo PCMSO, mas são obrigadas a realizar o programa. Alexandre Ballerini Stampachio explica que além da realização dos exames médicos exigidos por lei (admissional, periódico, de retorno ao trabalho, de mudança de função e demissional), é possível ainda elaborar um manual de procedimentos médicos de urgência para as escolas. “São projetos específicos, com treinamento para os funcionários em caso de emergências. São detalhados os principais procedimentos no caso de um aluno se acidentar na escola. Por exemplo, quem será responsável por resgatar o aluno, como esse procedimento será realizado e para onde ele será encaminhado”, aponta. A saúde ocupacional atua em duas frentes: protegendo a saúde do trabalhador e prevenindo futuras ações trabalhistas contra o empregador.“Evitamos,porexemplo,queumprofissional de educação física exerça suas atividades se não estiver apto fisicamente para exercer a profissão”, constata. A mesma norma que obriga a realização do PCMSO, a NR-7 do Ministério do Trabalho, determina que cada empresa possua uma caixa de primeiros socorros. Quando não há a obrigatoriedade do ambulatório (que deve atender a legislação do município), deve haver um local específico para atendimento médico. A caixa de primeiros socorros deve conter basicamente curativos prontos (band-aid), gaze, algodão, esparadrapo, pinça, termômetro, tesoura, água oxigenada, água boricada, soro fisiológico e, principalmente, luvas descartáveis.
PARA MAIS INFORMAÇÕES Milton Ferreira Filho milton@safetybrasil.com.br Alexandre Ballerini Stampachio alexandre@saoc.com.br
DICAS/RADIOCOMUNICAÇÃO
Eficiência e rapidez
na comunicação interna
Se a intenção é não fazer um grande investimento nos radiocomunicadores, há a opção de locação dos equipamentos. “Com a locação, a escola não terá custo de assistência técnica”, explica Willyans. Se for necessário trocar a bateria ou consertarachavedevolume,porexemplo, esse custo está incluído no contrato de locação. Além disso, os equipamentos são substituídos quando há o lançamento de um modelo mais moderno. Seja qual for a modalidadeescolhida,compraoulocação, éindicadoprocurarosserviçosdeempresas especializadas,quetrabalhemcommarcas conceituadas de rádios. É uma garantia para a escola de que, quando houver necessidadedeassistênciatécnica,aspeças sejam encontradas.
Na próxima edição, leia mais dicas sobre limpeza - produtos.
Direcional Escolas, março/05
END O:M FOT
Existe solução para agilizar a comu nicação entre os funcionários dentro da escola. São os radiocomunicadores, tam bém conhecidos como rádios HT, que se comunicam entre si em sistema de con ferência sem necessidade de discagem. Para o uso em escolas, são aconselhados os equipamentos profissionais, vendidos individualmenteealimentadoscombaterias recarregáveis. Já os rádios domésticos são vendidos em pares, alimentados a pilha e não resistem tão bem ao uso diário. A grande vantagem em optar pela radiocomunicação é o aumento da pro dutividade dos funcionários e o ganho de tempo obtido. Através do rádio, é possível encontrar a pessoa no ponto em que ela estiver,semnecessidadededeslocamento. Alémdisso,osequipamentossãoutilizados para o monitoramento da segurança do prédio.Valelembrarqueessetipodecomu nicação não gera nenhum pagamento de tarifa. Mesmoosequipamentosprofissionais mais simples permitem a comunicação em espaços abertos e fechados, num raio de até três quilômetros. Em média, eles funcionam bem em edifícios de até 20 andares. Mas, segundo Willyans Cordeiro Cavalcanti, gerente técnico de uma em presa de telecomunicações, eles podem atender prédios de até 40 andares. Fatores como a topografia local e a qualidade do equipamento interferem no raio de ação dos rádios.
21
FIQUE DE OLHO/TERCEIRIZAÇÃO
À procura da qualidade
Em busca da profissionalização da mão-deobra e da simplificação administrativa, muitas empresas vêm terceirizando serviços.
Direcional Escolas, março/05
E
22
m diversos setores da economia, a terceirização de serviços vem sendo utilizada como uma saída para garantir a qualidade damão-de-obra.Tambémnasescolasaterceirizaçãoéumasaída, especialmente nas áreas de limpeza, portaria e segurança. “A partir da terceirização, todas as responsabilidades com o funcionário, como vale-transporte, folha de pagamento e recolhimento de impostos, cobertura de férias e licençamaternidade, por exemplo, passam para a empresa. Os compromissos com o empregado são todos nossos”, garante Elisângela Barbosa da Silva, do departamento comercial da GB Serviços Profissionais, empresa que há seis anos terceiriza mãode-obra em geral, como funcionários para portaria, limpeza, recepção,copa,orientadoresdepúblico,controladoresdeacesso, seguranças e operadores de monitoramento. Elisângela frisa que toda a equipe da GB passa por um curso de capacitação profissional feito na própria sede da empresa, com um profissional da área e uma psicóloga que avalia o perfil psicológico do empregado. Depois de feito um levantamento técnico no cliente, a partir do qual a empresa conhece o público a ser atendido, a psicóloga faz a seleção dos funcionários mais
indicados para a função.“Temos plantonistas para cobrir faltas ou férias e dois supervisores que verificam os serviços três vezes por semana em cada cliente. O supervisor ainda é responsável pelo planodeimplantaçãodaterceirização,treinandoofuncionáriono local”, comenta. Para Vanderlei de Freitas, proprietário da STR Service, optando pela terceirização a escola passa a se preocupar apenas com o seu objetivo final, que é a educação.“As outras áreas ficam por conta de uma terceirizada, com a vantagem de que todos os funcionários são treinados para sua função. Eles passam por um período de experiência no cliente e, caso ele não se adeque ao local, é imediatamente substituído”, afirma.Vanderlei completa que, se for do interesse do cliente, a STR tem condições de absorver algum antigo funcionário que a escola pretenda manter. A terceirizadora pode, ainda, aumentar o efetivo de funcionários em situações onde a escola receba um grande público de fora, como eventos de final de ano e festas juninas. Conforme Maurício Nogueira, diretor presidente do Grupo ALG Terceirização de Serviços, é preciso que a escola se comprometa com a empresa, enviando frequentemente um
de determinadas máquinas, como as lavadoras de alta pressão. Elas permanecem no local o período necessário para a limpeza e depois são retiradas. A empresa também dispõe de máquinas de altarotação,indicadasparaotratamentoeimpermeabilizaçãode pisos. David completa que, todos os meses, o cliente recebe, junto com a nota fiscal dos serviços prestados, uma cópia autenticada do pagamento do INSS e do FGTS dos funcionários. Para os clientes que exigem, a MaClean envia também cópias do holerith, do cartão de ponto e do registro dos empregados.“É estipulado em contrato os documentos que o cliente quer verificar mês a mês”, explica.
Qualificação Também a Alpha Serviços de Terceirização garante oferecerumaestruturaadministrativaquetragatranqüilidadeao cliente.“Temos 180 funcionários e contamos com uma estrutura interna para dar apoio a esses funcionários e aos clientes, na área de recursos humanos, administrativo e operacional. Além disso,
Direcional Escolas, março/05
cronograma de eventos para que possa ser planejado o aumento de efetivo. “Dessa maneira, temos condições de calcular, de acordo com o número de convidados previsto, o número de funcionários necessários”, conta. Entre as vantagens de contratar uma terceirizada, Maurício cita que a escola pode contar com a estrutura de uma empresa especializada.“O Grupo ALG se molda à necessidade de cada cliente, seja em segurança, limpeza ou portaria. O processo começa na seleção do funcionário. Temos profissionais melhor qualificados, o funcionário é substituído em caso de faltas e há a quebra do vínculo empregatício para o cliente”, avalia. BuscarempresasespecializadasnoassuntoéadicaqueDavid Michie, proprietário da MaClean Serviços de Conservação e Limpeza, dá aos diretores que pretendam terceirizar serviços em seus colégios.“Estamos há 10 anos no mercado, especializados em portaria e limpeza, e quando ganhamos um cliente o objetivo é permanecer com ele por um longo tempo”, atesta. Os equipamentos de limpeza estão inclusos no contrato, sem adicionais. Itens usados diariamente são guardados no próprio cliente. É feito um planejamento mensal para o uso esporádico
23
Como escolher
FIQUE DE OLHO/TERCEIRIZAÇÃO
Para se certificar da idoneidade da terceirizadora, o cliente deve notar se ela anexou em sua proposta de
trabalho as certidões comprovando regularidade junto aos órgãos governamentais. Não acredite cegamente na relação de clientes apresentada: visite alguns pessoalmente, verificando a qualidade dos serviços prestados. Finalmente, solicite que a empresa forneça uma planilha de custos aberta, mostrando os salários dos funcionários, os tributos, a taxa de administração e a margem de lucro da empresa. Assim, é possível saber se os encargos sociais sobre os funcionários estão sendo corretamente calculados.
Também é importante conhecer as instalações da empresa e checar quem são os profissionais responsáveis
pelo recrutamento (o indicado é que essa função seja exercida por psicólogos com prática em recursos humanos). No recrutamento, é feita uma avaliação do candidato, entrevistas com psicólogo, exame médico e um levantamento completo dos antecedentes pessoais. Se necessária, a troca de funcionário acontece a pedido do cliente. Porém, ela não é interessante nem para a empresa e nem para a escola, pois acarreta perda na continuidade e na qualidade do serviço.
A agilidade no atendimento e a supervisão constante dos funcionários devem fazer parte da rotina de
uma boa empresa terceirizadora. Empresas de qualidade reconhecida oferecem supervisão treinada 24 horas. Em qualquer emergência (inclusive à noite e nos finais de semana), a empresa é acionada pela supervisão. O ideal é que os supervisores circulem de carro pelas diversas regiões da cidade e se comuniquem por rádio com a base operacional da empresa. A supervisão agiliza a cobertura de uma eventual falta de funcionário e
Direcional Escolas, março/05
também verifica a qualidade do serviço efetuado.
24
trabalhamos com um supervisor para cada setor da cidade de São Paulo”, comenta Marcos Henrique da Silva, sócio da empresa, que atua nas áreas de portaria, limpeza, zeladoria, jardinagem, recepção e ronda. Marcos aponta, ainda, que as escolas são clientes exigentes que procuram, em primeiro lugar, funcionários qualificados. Para Amarildo de Gaspari, sócio diretor daGSTerceirização, terceirizar significa modernizar, ganhando agilidade e gerando soluções para a empresa.“A terceirização é a única ferramenta disponívelquepermiteadequarossaláriosaosníveispraticados no mercado para atividades similares, resultando em economia expressiva e imediata”, acredita. Além disso, Gaspari informa que a terceirização elimina o investimento em equipamentos, acessórios, ferramentas e produtosdelimpeza,liberandoofluxodecaixadaempresa.Entre as vantagens da terceirização, ele cita a eliminação da folha de pagamento e seus encargos, o passivo trabalhista e a multa de 50% sobre saldos do FGTS. “As vantagens de se terceirizar os serviçossãoimensas.Entreelasestãomenorescustos,agilidade nassoluçõeseprofissionaisqualificados.Oclientequecontrataos serviçosterceirizadosganhamaioreficiência,reduzinvestimentos em infra-estrutura de pessoal e fica isento das obrigações de
recrutamento, seleção, treinamento, reposição de faltas, férias, estabilidadedegestantes,folhadepagamento,etc.”,complementa. Em seu processo seletivo, a GS aplica técnicas de avaliação psicológica,provasindividuais,emgrupo,situacionais,levantamento da vida social e criminal do candidato, visando proporcionar segurança preventiva e conservação do patrimônio dos clientes.
Serviços Alpha Serviços de Terceirização 0800-772-3963 - falecom@alphaprotecao.com.br GB Serviços Profissionais 11.6693.5290 - www.gbservicos.com.br GS Terceirização 11.5687.1422 - www.gsterceirizacao.com.br Grupo ALG Terceirização de Serviços 11.294.5411 - www.grupoalg.com.br MaClean 11.3726.2373 - www.maclean.com.br STR Service 11.6989.7877- www.strservice.com.br
DICAS/LABORATÓRIOS - PROJETOS
A importância Os investimentos em laboratórios de biologia, química e física são significativos para as escolas de ensino fundamental e médio. É indicado, portanto, dirigir esses investimentos de maneira que o resultado final satisfaça toda a comunidade escolar. FoioqueocorreunoColégioMagister, em São Paulo. Segundo o diretor geral do grupo, Alberto Paolos Martinho, os três laboratórios da escola (de física, química e biologia)foramcuidadosamenteplanejados e projetados, com auxílio de professores e coordenadores da área de ensino espe cífica. “Eu também fui pessoalmente em outras escolas ver como funcionava. Enfim, chegamos ao que há de melhor em aproveitamento de espaço e dinâmica de aulas”, afirma. Ainda, conforme o diretor, a estruturadoslaboratórios–mesas,tampos degranito,sistemahidráulico,marcenariae equipamentos-teveumcustoaproximado de 200 mil reais, cada um. “Conseguimos montartodaessaestruturaporquebuscamos o melhor preço. Esse valor pode dobrar no casodeserumalicitaçãopública”,compara. AprofessoradebiologiaHelenaMaria de Oliveira Souza, que leciona no ensino médio e no técnico noturno da escola há 19anos,participouativamentedosprojetos dessesespaços.Ostrêslaboratóriosficamna unidadeSabarádaescola,ondeestudamos alunosdoensinofundamentalIIedoensino médio.SegundoHelena,éindispensávelque oprofessorparticipedoplanejamento.“Éo professorquemirátrabalharnolocal.Muitas vezes, se o local já vem programado pode não refletir o que a equipe docente quer”, pondera. A professora considera essencial que o
númerodeequipamentossejaadequadoao tamanhodasturmas.“Éprecisodarcondições paraqueaturmatodaconsigarealizaraquele experimento.Temosoitobancadasnolaboratório debiologia,cadaumaparaumgrupodequatro alunos,com,nomínimoummicroscópiopor bancada”,afirma.Osalunospodemobservar, ainda, em dois monitores instalados no laboratório, as imagens da microscopia. Os laboratórios do Magister estão localizadosumemcadaandardaescola.Todos têm,aolado,umasaladevídeoemformato de auditório. Para Patrícia da Silva Michelini Muniz,coordenadoradoensinomédio,essa proximidadefacilitaotrabalhodoprofessor. “O professor pode dar o experimento no laboratório e levar os alunos para a sala de vídeo,ondeelesirãovisualizarotrabalho,ou vice-versa”,conta.Ocolégioconsideraainda essencialapresençadeummonitorauxiliando o professor nas aulas de laboratório. “Ele podedeixarasexperiênciaspreparadascom antecedência,checandosetodososmateriais necessários estão disponíveis. Deve haver uma relação dos materiais em estoque no laboratório, que o monitor precisa verificar frequentemente,dandobaixaquandoalgum materialéquebradoesolicitandoacompra”, avalia a professora Helena.
Na próxima edição, leia mais dicas sobre Laboratórios - Equipamentos.
Direcional Escolas, março/05
do projeto
25
PERFIL DO MÊS
Maria Helena Matarazzo QUANDO O ASSUNTO É SEXO Autora de best-sellers e pioneira no Brasil em sexualidade humana, a sexóloga acredita que o sexo está banalizado entre os jovens.
Direcional Escolas, março/05
Por Luiza Oliva
26
Maria Helena Matarazzo é precursora da educação sexual no Brasil. Em 1975, de volta ao Brasil depois de morar quatro anos nos Estados Unidos, onde estudou Sociologia, Psicologia e Sexologia, ela rompeu barreiras. Começou a falar de sexo na Rádio Globo. Eram cinco minutos por dia de educação sexual, na rádio de maior audiência em São Paulo na época. Maria Helena lembra que, ainda havia censura no País. “Contávamos nos dedos quem falava sobre educação sexual. Não havia cursos de especialização nem de pós-graduação em sexologia”, recorda. Sua coragem serviu de abertura para os sexólogos que a sucederam, especialmente Marta Suplicy, que, de 1980 até 1985, no programa TV Mulher, da Rede Globo, prestava um serviço de orientação sexual via televisão. “Marta atingia um número incrível de pessoas. O impacto da TV não se compara com o do rádio”, constata. Depois dessa fase, Maria Helena observa que o sexo ganhou espaço em debates na televisão, como nos programas para adolescentes do apresentador Serginho Groissman. “Porém, o que eu vejo hoje na TV, e que acho bastante preocupante, é um sexo pornoerótico, uma glamurização da sexualidade. Os jovens vêm nas novelas
um personagem pulando de uma cama para a outra, de um orgasmo para o outro, e acham normal. As novelas nunca mostram o dia seguinte, isto é, que tipo de resultados aquele comportamento gerou. Eu costumo dizer que nunca uma geração assistiu a tanto orgasmos ao vivo e a cores como a geração dos nossos filhos”, diz. Maria Helena é autora dos best sellers Amar é preciso, Nós dois, Encontros, desencontros & reencontros, Gangorras do amor e Namorantes, todos reeditados e revisados pela Editora Record em 2004. Juntos, somam mais de 500 mil exemplares vendidos. Amar é preciso, publicado originalmente em 1992, chegou à incrível marca de 55 edições e foi lançado também na Argentina e na Itália. Seu sexto e mais recente livro, Coragem para amar, é dedicado às fobias atuais quanto ao compromisso. “Há uma fobia do compromisso. Uma relação começa quando a coragem é maior que o medo”, explica a autora. Nessa entrevista a Direcional Escolas, Maria Helena Matarazzo fala da necessidade de uma orientação sexual de qualidade nas escolas e de como o “ficar” entre os jovens vem queimando etapas nos relacionamentos amorosos.
DIRECIONAL ESCOLAS- Qual a influência dos meios de comunicação e da vida moderna na sexualidade da criança e do jovem brasileiro? MARIA HELENA MATARAZZO- Houve um processo de erotização precoce nos últimos 20 anos. Isso me entristece, porque é como se você passasse por cima da infância. Os pais chegam em casa tarde, cansados, ligam a TV, que é uma forma de se desligar dos problemas do dia-a-dia. Os brasileiros vêm em média cinco horas de TV por dia, enquanto os americanos assistem quatro. As crianças estão acordadas naquele horário da novela, ficam junto com os pais e vêm e ouvem coisas que não tem nada a ver com o mundo delas. Isso vai atropelando o curso natural. Hoje em dia, o processo normal do amadurecimento sexual está comprometido. Os pais fazem o melhor, mas chega uma hora que eles cansam. Dão banho, dão comida e vão ver a novela. Antigamente as novelas eram fantasias, hoje são mais reality shows. Dá muito mais audiência do que se você colocar um pequeno auditório e convidar um especialista para falar sobre sexo. Há como diminuir ou prevenir essa influência? Precisamos ensinar as crianças e os jovens a respeitar seu próprio corpo e o outro. Imaginamos que o jovem bem informado consiga fazer uma escolha livre e consciente em relação à sua sexualidade. Infelizmente, não é o que acontece. A informação sozinha não basta. De cada cinco meninas que têm relações sexuais durante um ano, quatro engravidam. Temos mais de um milhão de casos de gravidez acidental por ano no Brasil. O corpo fala mais alto. Os jovens têm pensamentos mágicos e acham que uma gravidez não vai acontecer com eles. Sempre acreditam que quem vai engravidar é a sua amiga ou a sua vizinha, nunca ela.
Qual a importância de orientar adequadamente professores e func ionários? Antes de iniciar qualquer tipo de programa de orientação sexual, é preciso preparar os professores e funcionários para não haver reações descabidas. Uma creche me chamou para orientar seu pessoal porque uma inspetora viu um aluno de quatro anos se masturbando no banheiro. Ela era crente e ficou tão descontrolada com a situação que começou a gritar que aquilo era pecado. Nessa idade, as crianças estão na fase do troca-troca: eu te mostro o meu, você me mostra o teu. Eles estão tentando entender o corpo e, para isso, brincam. A maneira de lidar com a masturbação vai depender
Direcional Escolas, março/05
Quando começar um programa de educação sexual nas escolas? No Brasil, os projetos são iniciados em geral na 4ª ou 5ª série. Depois, desaparecem e voltam na 8ª. Existem locais que dão treinamento para professores, oferecem cursos de orientação sexual para educadores. Mas, atualmente, vejo as escolas convidando médicos, especialistas ou sexólogos, para dar uma palestra por semestre ou por ano. Isso já está provado pela Organização Panamericana de Saúde (OPS) que não é suficiente, é como um tiro n’água. É um movimento que cria ondas mas depois se perde. A escola até pode convidar alguém para esclarecer e mobilizar os pais, mas depois é preciso dar continuidade.
27
PERFIL DO MÊS
“Antes de iniciar qualquer tipo de orientação sexual na escola, é preciso preparar os professores e funcionários.”
da educação e da formação religiosa dos pais. Muitas vezes, a gente finge que não vê, noutras vezes distraímos a criança com uma brincadeira. Mas, pode-se aproveitar o gancho para orientar, dizendo que essa é uma parte do corpo muito sensível, que faz cócegas, e que muitas crianças e pessoas adultas até brincam com o próprio corpo. E explicar que só podemos fazer isso num local privado. Na casa da vovó, às três horas da tarde, assistindo TV ao lado dela não pode. Porque tem hora e local para tudo. Brincar com seu corpo é normal, mas o próprio corpo vai responder o quanto é normal. Há livros dirigidos para a criança com essas orientações. Agora, se a criança estiver tendo um comportamento obsessivo compulsivo é preciso procurar ajuda. Isso vale para qualquer circunstância: se a criança come sem parar, se chora à toa dia e noite, se tem medo de tudo, se dorme demais, alguma coisa está errada, ou na família ou na escola.
Direcional Escolas, março/05
E a participação dos pais no processo de orientação sexual na escola, como deve ocorrer? Depoisdeprepararseupessoal,numsegundomomentoaescoladevechamarospais e apresentar tudo o que será passado para as crianças, pedindo uma aprovação por escrito.Praticamentetodosospaisqueremqueaescoladêeducaçãosexual,porque eles também não receberam e ninguém dá aquilo que não recebe. Pode acontecer de um ou outro pai não querer que o filho receba essa orientação. Se os pais não autorizarem, essa criança deve ficar no recreio durante a aula de orientação sexual.
28
Existe para as escolas uma alternativa a um programa de educação sexual? É muito difícil para as escolas estruturarem um programa de educação sexual. O currículo obrigatório já é muito pesado. Por isso, algumas escolas optam por inserir a educação sexual no currículo de várias matérias. Por exemplo, um problema que surgiu na novela naqueles dias. Se um namorado bateu na namorada, eles vão discutir o problema - o que a mãe da garota deveria ter feito, como a menina agiu. Mas são situações que ficam dispersas. Na realidade, quem dá educação sexual mesmo é a família. É como a educação religiosa, que acontece desde que a criança é bem pequena, a partir dos dois a três anos.
A prática do “ficar”, comportamento di fundido entre os pré-adolescentes e adolescentes, deve ser proibido nas escolas? Eu costumo dizer que se os adolescentes namorarem na escola, aonde eles irão estudar? “Ficar” prejudica a vida emocional desses jovens? Na revolução sexual dos anos 70, todos os tabus e todos os limites se desfizerem. Isso teve um efeito colateral desastroso. Os jovens desaprenderam a namorar. Eles passaram a queimar as etapas. Encontra alguém numa festa, numa balada e “fica”. Anotam o número do celular um do outro num pedacinho de papel. Quando chegam da festa, encontram um monte de pedacinhos de papel no bolso e não têm mais idéia de quem são essas pessoas. Minha briga é para fazermos uma operação resgate. Eles podem “ficar”, porque estão numa fase de exploração, de descoberta de si mesmos, do próprio corpo e do outro. Só que depois do “ficar” vem o namorar. Você liga para o outro e vai atrás, o que não tem acontecido. Os laços dos relacionamentos estão absolutamente frouxos e soltos. Nós estabelecemos um vínculo mas ele está frouxo. Eles deletam o outro depois do ficar. Antigamente, se eu conheci o outro, conversei, senti atração, existia o dia seguinte. E isso precisa ser resgatado.
Contatos com Maria Helena Matarazzo: contatomhmatarazzo@superig.com.br
Direcional Escolas, marรงo/05
ACESSร RIOS, ASSESSORIA
29
Direcional Escolas, marรงo/05
ALAMBRADO, COBERTURA, CONSTRUTORA
30
Direcional Escolas, março/05
CONTROLE DE PRAGA, ELEVADORES, GINÁSTICA, MÓVEIS
31
Direcional Escolas, marรงo/05
GUARITA, MATERIAL ELร TRICO, PLAYGROUND, PROJETOR
32
Direcional Escolas, março/05
RADIOCOMUNICAÇÃO, SISTEMA DE SEGURANÇA
33
Direcional Escolas, março/05
TERCEIRIZAÇÃO, TRATAMENTO DE PISO
34
35
Direcional Escolas, marรงo/05
36
Direcional Escolas, marรงo/05