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EDITORIAL DIRETORES Sônia Inakake Almir C. Almeida
Caro leitor,
EDITORA Rosali Figueiredo PÚBLICO LEITOR DIRIGIDO Diretores e Compradores
O Ministério da Educação divulgou, no final de maio, as resoluções da CONAE (Conferência Nacional da Educação) e as bases de um novo Plano Nacional da Educação
PERIODICIDADE MENSAL exceto Junho / Julho Dezembro / Janeiro cuja periodicidade é bimestral
(PNE) para o decênio 2011-2020. O documento deverá dar origem a um projeto de lei, a ser encaminhado o quanto antes para discussão e votação pelo Congresso Nacional,
TIRAGEM 20.000 exemplares
sob a imensa expectativa de que esteja sancionado em meados do próximo ano. Seis
JORNALISTA RESPONSÁVEL Rosali Figueiredo MTB 17722/SP jornalista@condominio.inf.br
diferentes segmentos educacionais ao longo de 2009: o papel do Estado; qualidade, gestão
CIRCULAÇÃO Estado de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais
de inclusão, diversidade e igualdade.
DIREÇÃO DE ARTE Jonas Coronado
Paulo no mês de maio, juntamente com a 17ª Feira Educar e o 17º Congresso Educador, a
ASSISTENTE DE ARTE Nathália Tadiello Sergio Willian
melhora substancial da qualidade do ensino. O pedagogo e consultor Casemiro Campos,
eixos compõem a proposta do novo PNE, fruto de uma ampla mobilização que envolveu democrática e avaliação; democratização do acesso, permanência e sucesso escolar; formação e valorização dos profissionais da educação; financiamento e controle social; além Para o especialista Luiz Araújo, presente no 6º Educador Management, realizado em São ideia é que o novo Plano estabeleça diretrizes e metas mensuráveis, de forma a garantir uma presente no mesmo evento, aposta neste avanço, destacando, inclusive, que ele deixará imensos desafios à rede privada.
ASSISTENTE DE VENDAS Emilly Tabuço
Segundo Casemiro, a política educacional já mudou muito nos últimos 15 anos, processo que continua e terá novos desdobramentos. Paralelamente houve alterações substanciais
CONTATOS PUBLICITÁRIOS Alexandre Lemos Denise Ferreira Silvana Tesser Sandra Sousa
também na relação ensino-aprendizagem. Conforme a educadora Helena Singer expôs em outro evento de qualidade ocorrido recentemente na Capital paulista (o0 VI Encontro de Educação e Cultura, do Instituto Superior Vera Cruz), as tecnologias da informação “mudaram
ATENDIMENTO AO CLIENTE João Marconi Juliana Jordão
a forma de nos relacionarmos com o conhecimento”. “O que vale não é mais o acúmulo, mas a atitude exploratória, da navegação.” As pesquisas em cognição, por sua vez, perceberam
IMPRESSÃO Gráfica Araguaia
que sem afetividade, participação etc. não se estabelece uma relação significativa na aprendizagem. Finalmente, a sociedade democrática requer mais transparência, divisão de responsabilidades, satisfação pessoal. “Tudo isso nos leva para a gestão participativa e a
Conheça também a Direcional Condomínios www.direcionalcondominios.com.br Filiada à
Tiragem auditada por
busca dos saberes comunitários”, segundo Helena. Assim, os verbos “inovar”, “capacitar” (educadores e gestores) e “reinventar” compõem um pano de fundo comum a toda essa mobilização que tem ocorrido em torno da Educação, seja em eventos ou amplas discussões institucionais, seja em iniciativas pioneiras que reúnem o poder público, a sociedade e segmentos privados. É o que mostram, por exemplo, a cobertura especial da Educar 2010 ou a reportagem sobre a E. E. Romeu de Moraes e a Associação Parceiros da Educação, temas que mereceram um tratamento editorial mais amplo nesta edição. No entanto, as demais pautas da Direcional Escolas também procuram
Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias, sujeitando os infratores às penalidades legais. As matérias assinadas são de inteira responsabilidade de seus autores e não expressam, necessariamente, a opinião da revista Direcional Escolas. A revista Direcional Escolas não se responsabiliza por serviços, produtos e imagens publicados pelos anunciantes. Rua Vergueiro, 2.556 - 7ª andar cj. 73 CEP 04102-000 - São Paulo-SP Tel.: (11) 5573-8110 - Fax: (11) 5084-3807 faleconosco@grupodirecional.com.br www.direcionalescolas.com.br
observar tendências, inovações e soluções que contribuam ao processo de sustentabilidade da gestão escolar, em áreas como o consumo de água e desempenho acústico das instalações físicas, ou ainda de infraestrutura do ensino (artigos esportivos) e de apoio (bebedouros e purificadores, toldos e coberturas). Uma boa leitura a todos. Rosali Figueiredo Editora
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Tiragem de 20.000 exemplares auditada pela Fundação Vanzolini, cujo atestado de tiragem está à disposição dos interessados.
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SUMÁRIO
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DICA
FIQUE DE OLHO
ESPECIAL
Toldos e Coberturas
Bebedouros e Purificadores
Educar 2010
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Artigos Esportivos
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DICA
GESTÃO
PERFIL DA ESCOLA
Acústica
Água Equipamentos Economizadores
E. E. Romeu de Moraes & Associação Parceiros da Educação
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ÍNDICE
Acessórios – 22, 23
Lousa – 28
Alambrados – 6, 7, 34
Material de Limpeza – 22, 23
Artigos Esportivos – 15
Microscópios – 27, 28
Assessoria Contábil – 24
Modelos Anatômicos – 27, 28
Auditório - 26
Móveis – 29, 4ª Capa
Bebedouros – 9, 22, 23
Pisos – 2ª Capa, 28, 29
Bolas – 15
Playgrounds – 1ª Capa, 30, 31
Brindes – 5, 23, 24
Produtos Antissépticos – 33
Brinquedos Educativos – 26
Produtos e Equipamentos para Limpeza – 22, 23
Coberturas - 34
Projetores – 28
Coleta Seletiva de Lixo – 22, 23
Quadras – 14, 31, 32
Estudo do Meio – 27
Quadros – 28
Filtro – 9, 22, 23
Radiocomunicação – 34
Gel Antisséptico – 33
Recreação Escolar – 3ª capa
Gestão Escolar – 26, 33
Redes de Proteção – 31
Grama Sintética – 31, 32
Revestimentos – 28, 29
Informática - 28
Sistema de Gestão – 26, 33
Jogos – 1ª Capa, 30, 31
Tapetes – 22, 23, 33
Laboratório – 27, 28
Terceirização - 33
Lavadoras de Alta Pressão – 22, 23
Toldos – 6, 7, 34
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DICA: TOLDOS E COBERTURAS
s objetivos são praticamente os mesmos: garantir sombreamento às portas ou janelas, proteger contra chuva, sol e vento, embelezar. Mas os materiais mudam bastante – lona, acrílico, policarbonato e vidro – e devem ser escolhidos conforme o projeto arquitetônico da construção, a finalidade do uso e o desempenho desejado pelo mantenedor, afirma a arquiteta e designer Simone Santos, que já atuou em muitas escolas, trabalhando com toldos e coberturas nos mais diferentes formatos, cores e matérias-primas. O objetivo básico é proporcionar conforto térmico às pessoas, mas a proteção ao patrimônio também deve ser considerada, afirma Simone. No caso dos automóveis, a cobertura é importante especialmente contra chuvas de granizo e também sombreamento. “A escolha do material precisa se adequar à arquitetura da edificação”, diz Simone, exemplificando com a solução dada pela Igreja Nossa Senhora do Brasil, uma construção barroca dos anos 40 localizada no Jardim América, em São Paulo, que montou uma cobertura de policarbonato no trajeto que as noivas costumam fazer dos automóveis à porta principal da edificação. “Quando, por praticidade, há necessidade de inserir um produto que em princípio não combina com o projeto, optamos por materiais mais leves e transparentes, que não interfiram sobre o layout da construção nem cause desconforto ou confusão visual”, observa a arquiteta. O policarbonato transparente funcionou bem neste caso, ficou discreto, sem comprometer a beleza da igreja. O produto funciona bem ainda na implantação de domus, aberturas no teto voltadas à iluminação ou ventilação,
ou intercalado a estruturas de concreto nas coberturas, sugere Simone. No entanto, a despeito de toda essa maleabilidade, de combinar bem com os mais diferentes tipos de desenho arquitetônico, o policarbonato possui vida útil um pouco menor se comparado à lona, ressalva a arquiteta. O produto risca e amarela com o tempo, cabendo, portanto, ao mantenedor observar qual material irá lhe proporcionar melhor custo benefício, em função das necessidades que a escola possui. Outra vantagem do policarbonato é impedir a circulação do ar, aponta. A lona, por sua vez, muito utilizada em coberturas de estacionamentos, portas, janelas e passagens, é um tipo de material que pode ser incorporado ao próprio projeto arquitetônico e permite trabalhar a comunicação visual. “Além do bom desempenho térmico, porque não retém calor nem a circulação do ar, ela possibilita a utilização de cores variadas e do logotipo da escola”, afirma Simone. Portanto, se a ideia é aproveitar o toldo ou a cobertura para compor com o visual da edificação, a lona surge como boa opção, ao contrário do policarbonato, que tem na discrição e leveza suas principais qualidades. No caso do Colégio Augusto Laranja, localizado no bairro de Moema, zona Sul de São Paulo, a escolha recaiu sobre o policarbonato, utilizado nas coberturas de suas duas unidades, afirma a gerente operacional Rosa Maria Chaves. “Os objetivos na época da instalação visavam à durabilidade, funcionalidade e proteção contra sol e chuva”, diz a administradora. Para a manutenção desses materiais, a arquiteta Simone Santos recomenda a lavagem periódica com o uso de sabão neutro e jateamento de água. (R.F.)
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CONFORTO TÉRMICO E PROTEÇÃO PaTRIMONIaL
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FIQUE DE OLHO - BEBEDOUROS E PURIFICADORES
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tema “água” certamente predominou nas homenagens ao Dia do Meio Ambiente e da Ecologia, comemorados em 5 de junho, principalmente nas escolas, que têm na preservação dos recursos ambientais uma parte importante do currículo obrigatório em educação ambiental. Mas as condições de seu consumo é também outra grande fonte de cuidados, o que faz com que os fabricantes de bebedouros e purificadores busquem cada vez mais atender às especificações de qualidade e segurança dos materiais utilizados nos equipamentos, às normas de acessibilidade e à higiene e saúde. “Nossos equipamentos são seguros e não oferecem riscos aos usuários, são submetidos a testes a cada seis meses e certificados pelo Inmetro, assim como os insumos que os compõem”, afirma Adriana Pablos, sócia e diretora da Bebedouros Cânovas, empresa com 26 anos de vida estabelecida em São José do Rio Preto, interior de São Paulo. Atendendo em todo o País, com vendas por telefone ou via internet, a Cânovas concluiu neste ano a certificação de todos os modelos. Outra novidade é o acabamento em polipropileno, em “cantos arredondados”. Com uma linha bastante diversificada, da industrial à residencial, a empresa comercializa bebedouros de água refrigerada, para galão e também aparelhos e filtros purificadores. Seu carro-chefe é a “central de água suspensa”, equipamento de cerca de 2 metros de altura, instalado junto à parede, com o posicionamento das torneiras ajustado conforme a idade do usuário. Fabricados em aço inox 304 (“que não possui carbono”) e com isolamento em poliuretano, os produtos Cânovas possuem grandes reservatórios, o que assegura “água gelada nos bebedouros o dia todo”, destaca Adriana. Ela ressalta ainda que os filtros utilizados são de carvão ativado com prata coloidal, “impedindo a proliferação de bactérias”. Já os bebedouros refrigerados para galões trazem um compressor hermético em vez da placa eletrônica, versão comum no mercado e sem o mesmo padrão de rendimento. Adriana Pablos enumera outros diferenciais da empresa, como o fato de ter sido a primeira a certificar bebedouros Industriais junto ao Inmetro e oferecer assistência técnica em todo País. Na Bebedouros Clean, empresa criada há quatro anos com o foco bem direcionado às escolas, um dos diferenciais é a adaptação de todos os seus modelos para os cadeirantes, “conforme prevê a NBR 9050/04”, destaca o empresário Odalírio Evangelista Dias. Mas a Clean abriu 2010 com novidades que a deixam com muitos outros atrativos diante dos clientes, como a introdução de jatos de pressão para lavatório com temporizador; de torneiras com alavanca abre-fecha de 1/4 de volta; de difusores de metal cromado no gabinete; e de evaporadores com serpentina de aço inox, os dois últimos propiciando “maior rendimento no sistema de refrigeração”. No portfólio geral da Clean, encontram-se bebedouros escolares, com ou sem lavatórios, equipados ou não com sistema de refrigeração, cujos gabinetes são confeccionados em fibra de vidro e grande variedade de cores, modelos e tamanhos. O modelo mais vendido é o Master II, revela Dias, constituído por módulos conjugados, para uso adulto e das crianças. O empresário destaca ainda o Kids, exclusiva-
mente infantil, decorado com ursinho ou leãozinho. A Clean também atende em todo o Brasil, por meio da internet e de mala direta, afirma Dias. Segundo ele, os produtos oferecem “boa qualidade técnica, preservando principalmente a segurança, saúde e praticidade, com beleza, qualidade e modernidade”. Também a Jacto Filter desenvolve um trabalho diferenciado junto às escolas, especialmente através das linhas Millenium e Aquarium, afirma Ueldom da Silveira, diretor e um dos sócios da empresa. Seu mix de produtos é amplo, envolve bebedouros coletivos, convencionais, purificadores, filtros e congêneres. “A linha Millenium possibilita a refrigeração e a colocação de pias adicionais, tornando-se uma opção interessante para áreas menores ou instalações mais distribuídas no ambiente.” A linha Aquarium, por sua vez, permite “uma aplicação mais coletiva e também pode ser refrigerada a partir do modelo AQ-02”. “Nossos produtos são perfeitamente adaptáveis às necessidades dos usuários, independente da faixa etária”, ressalta Silveira. A Jacto Filter é a marca desenvolvida pela América Filtros, empresa com 15 anos de atuação no mercado e “única deste segmento homologada com o selo compulsório do Inmetro”. Não à toa, seus novos modelos atendem às necessidades contemporâneas não apenas de segurança e qualidade dos materiais (observados pelo Inmetro), mas também acessibilidade e prevenção às doenças. Neste ano, por exemplo, lançou a linha Elegance, que a partir de um design moderno está adaptada às normas de acessibilidade e disponibiliza os botões de acionamento distantes dos bicos ejetores, de forma a evitar o contato das mãos com a água a ser consumida. Além disso, o formato dos bicos desestimula o usuário a tocá-lo com a boca, observa Silveira, destacando a colaboração da empresa para a prevenção da gripe A H1N1. “Pioneiros em bebedouros coletivos, desenvolvemos os produtos em parceria com os donos das escolas, por isso a preocupação constante com os usuários”, ressalta o empresário. Segundo ele, “saber ouvir o cliente e traduzir suas necessidades em produtos funcionais” representa um de seus grandes diferenciais. A Jacto/América Filtros atua em todo Brasil e também no Exterior.
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ESPECIAL: EDUCAR 2010
Estratégias para a sustentabilidade Inovar, criando uma identidade única, capacitar os professores e profissionalizar a gestão foram recomendações muito comuns às palestras e conversas dos quatro dias de realização do 17º Educador e da 17ª Educar, além do 6º Seminário de Management, no mês de maio em São Paulo. Sob cenários que mudaram muito nos últimos 15 anos, a Educação exige um novo perfil de gestor.
Por Rosali Figueiredo Fotos: João Elias
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Q uando começou a dar aulas, em 1982, Amália Ká-
tia Ferreira Mendes, atual diretora do Colégio Padre Eustáquio, de Belo Horizonte (MG), precisava ensinar cores primárias aos alunos da pré-escola, mas hoje “as crianças de dois anos já sabem fazer isso”. “As referências mudaram bastante nos últimos anos e está muito difícil fazer a transcendência para a nova realidade”, comentou Amália, logo após o final de mais uma palestra do 6º Educador Management, ciclo de conferências em gestão realizado em São Paulo simultaneamente à 17ª Feira e ao 17º Congresso Internacional de Educação, entre os dias 12 e 15 de maio. “Há muita coisa para ser feita”, comentou a gestora, que administra uma escola com 2.750 alunos e 235 funcionários.
Os verbos “inovar”, “reinventar”, “aprender”, “mudar” e “capacitar” foram talvez os mais conjugados durante as conferências e conversas de corredores nos quatro dias dos eventos, que reuniram quase três mil participantes. Os desafios têm sido impostos por três diferentes cenários. No primeiro, encontra-se um novo perfil de aluno, atraído pelas mídias digitais, tecnologia da informação e redes online de relações sociais, quadro que tornou bastante defasada a didática e os conteúdos tradicionais, não atendendo mais às suas inquietações e necessidades. No segundo residem mudanças das políticas educacionais processadas nos últimos 15 anos, como a introdução de critérios de avaliação da aprendizagem (entre eles o novo ENEM) e do monitoramento da qualidade da educação (o
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ESPECIAL: EDUCAR 2010
É POSSÍVEL SER ÚNICO? Outra palestrante, Alessandra Assad, jornalista e consultora em marketing e gestão de pessoas, defendeu em sua fala que não basta se posicionar no mercado em termos de diferenciais, mas é fundamental “ser único” e, para isso, “aprender a aprender”. Isso significa “mudar o olhar, reinventar-se o tempo todo, encontrar um ponto de equilíbrio entre a valorização do professor e a necessidade do cliente final”. Ou seja, de um lado, investir na gestão de pessoas e, de outro, conhecer melhor a clientela. Em relação ao primeiro aspecto, a diretora Amália Mendes, do Colégio Padre Eustáquio, observou que “o que ‘pega’ é a necessidade de direcionarmos o olhar para o humano”. “As palestras foram convergentes em relação à necessidade desse olhar para a equipe. Vamos ter que aprender e a dar um suporte muito grande ao professor.” Por outro lado, para conhecer a clientela é preciso “desarmar-se”, destacou outro conferencista do evento, o especialista em marketing de relacionamento Eloi Zanetti, ex-diretor da rede Boticário, entre outros. Quando atuou na recuperação da imagem de uma grande rede de ensino sediada em Curitiba (PR), Zanetti contou que chegou a andar nos ônibus escolares para identificar melhor as necessidades dos alunos. “Temos que aprender a escutar as pessoas, ouvi-las desarmados e a não temer expor nossas fragilidades”, observou. O consultor propõe às escolas desenvolver uma política de relacionamento que afine todos os atores (colaboradores internos e clientela) em uma linha de comunicação “pertinente, consistente e coerente”. De forma geral, é preciso “contar histórias que criem senso de pertencimento, de propósito, direção e significado dentro das instituições”.
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IDEB, por exemplo), além da reformulação nos mecanismos de financiamento do ensino público. Finalmente, no último configura-se uma acirrada concorrência do mercado privado, tanto no ensino superior quanto na educação básica. “Vamos ter que mudar toda uma cultura impregnada e enquanto gestores dar suporte à formação continuada dos professores”, comentou Amália. Entre os palestrantes que mais falaram em mudanças e reinvenção está o pedagogo e consultor Casemiro Campos, autor, entre outros, de “Saberes Docentes e Autonomia dos Professores” (Vozes, 2007), e um dos organizadores de “Gestão Escolar: saber fazer” (publicado pela Universidade Federal do Ceará). “O processo de reforma da Educação, ou seja, o conjunto de políticas públicas (LDB, Fundeb, PCN’s etc.) que orientaram os últimos governos formou um novo cenário”, observou Casemiro em entrevista à Revista Direcional Escolas. “Houve a democratização e a universalização do acesso da criança à escola, agora a sua missão é fazer qualidade, deixando um grande desafio à rede privada, que além da concorrência entre seus pares, competirá com a pública”, prevê o especialista. Se a educação privada já enfrentava dificuldades com a relação desigual entre oferta (acima) e demanda (abaixo), os novos parâmetros curriculares e de avaliação introduziram componentes ainda mais imbricados à equação. “Será preciso adotar a pedagogia da competência, investir em salário e formação do professor e reposicionar o negócio”, acrescentou Casemiro. Segundo ele, as escolas particulares ainda tentarão apostar na competição por preços, mas a estratégia terá fôlego curto, especialmente se os gestores não conseguirem reduzir os custos. A saída estaria então no “posicionamento”, outro vocábulo muito utilizado pelos conferencistas. “Por que não introduzir um diretor de turma que dê notas qualitativas por aquilo que o aluno é e desenvolve em sala de aula? Por que não criar núcleos de interesses, como astronomia, xadrez, jogos eletrônicos?”, sugeriu Casemiro.
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ESPECIAL: EDUCAR 2010 descobrir antes o posicionamento (valor, significado) que a escola estabeleceu ou deveria ter desenvolvido entre os seus clientes. Estabelecido ou recomposto este posicionamento, torna-se possível então agregar valor às mensalidades, sem necessidade de embarcar na competição arriscada dos preços.
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Assim, enquanto na Educação Infantil e Ensino Fundamental a estratégia recairia em atendimento e relacionamento, no Ensino Médio seria indispensável ater-se a uma linguagem mais contemporânea. Conforme exemplo citado pelo palestrante, uma escola chegou a contratar um designer de moda para desenvolver o uniforme dos estudantes do Ensino Médio. “O aluno está trazendo a modernidade para a sala de aula, com web, celulares, roupas e comportamento. Mas na hora do professor transformar-se em administrador da escola ele se torna conservador, em vez de estar aberto fecha-se para o mundo”, comentou Zanetti. Entretanto, há um imenso desafio que reside em estabelecer uma interlocução com o aluno de forma a que o professor e a relação ensino-aprendizagem restituam significado a esta profissão. “Ser único”, portanto, passa pela necessidade de se
O que aprender? “Na maioria das vezes o empresário entra na guerra de preços, mas todos perdem, pois os clientes passam a enxergálo como igual”, afirmou o publicitário e conferencista Claudio Gonçalves. “Às vezes é preciso até abrir mão de algum público para que se possa ter um posicionamento. Não existe um que seja pior ou melhor nos momentos de crise, o que faz a diferença é manter-se firme no foco e identidade”, ponderou. Segundo o publicitário, a comunicação e o marketing superaram há muito as fases em que a exposição da marca ou a persuasão em torno dela resolviam. “As escolas estão ainda na etapa da persuasão, mas temos a necessidade de sofisticar a linguagem, diferenciá-la, ser únicos.” De outro modo, acrescenta Claudio, quando a estratégia se resume a preço, também o consumidor perde qualidade. Esta acaba se configurando em uma saída mais imediatista, porque, conforme lembrou outro publicitário, Christian Rocha Coelho, também palestrante, a pressão é enorme: 2010 registrou, por exemplo, uma queda de 10% na procura e de 5% nas matrículas entre 800 escolas das principais capitais brasileiras do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, instituições monitoradas periodicamente pelo profissional. Para a gestora Mônica Ferreira, diretora geral da rede Pitágoras, sediada em Belo Horizonte (MG), “as escolas sentem hoje necessidade de melhoria e acompanhamento da gestão” para fazer frente a todos esses desafios. Não à toa, o Pitágoras irá iniciar, ainda neste ano, um MBA gratuito em gestão do ensino para os seus conveniados. “Ainda falta profissionalizar a administração escolar, muitos começam pequenos, com Educação Infantil, mas no contexto atual somente teremos sustentabilidade se utilizarmos ferramentas de gestão como controle orçamentário (contas a receber, a pagar, inadimplência etc.), planejamento estratégico e parcerias, entre outros.” Mônica estabeleceu, por exemplo, uma parceria piloto de três unidades do Pitágoras com a Metodologia Gustavo Borges, ex-atleta da natação, que conquistou quatro medalhas olímpicas para o Brasil. A proposta agora é ampliar a adesão das escolas da rede ao parceiro, adquirindo um material didático especializado, treinamento e consultoria pedagógica no ensino da natação.
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Novas estratégias de negócios
SAIBA MAIS Alessandra Assad alessandra@assimassad.com.br Casemiro de Medeiros Campos casemiroonline@casemiroonline.com.br Claudio Gonçalves claudio@manufacturaweb.com.br Christian Rocha Coelho christian@rabbitmkt.com.br Eloi Zanetti eloi@eloizanetti.com.br
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O
ex-nadador Gustavo Borges esteve na 17ª Educar divulgando sua metodologia de ensino, que atende hoje a cerca de 150 clientes, entre empresas, escolas, instituições (como a rede SESI e prefeituras) e clubes. Mas a ideia é ampliar a parceria com o segmento escolar, oferecendo aos gestores a oportunidade de profissionalizar o “ensino aquático”. Por meio de metodologia e material didático próprio, sua empresa realiza ainda treinamento dos professores, o que, “sozinho”, o mantenedor “teria dificuldades para fazer ou não conseguiria”, disse. No entanto, o ex-atleta não foi o único medalhista olímpico a circular entre os estandes, também o campeão de vôlei e técnico Bernardinho esteve na feira e no congresso propondo parcerias em sua modalidade. E assim como ambos, consultores especializados em outras áreas do ensino formaram uma das principais vertentes mercadológicas da Educar, a de suporte e parcerias. Segundo Casemiro Campos, é interessante que os parceiros façam parte do projeto pedagógico das instituições, desde “que capacitem os professores, atuem em sua formação”, recomendou. Na verdade, a necessidade de capacitação representa uma das principais demandas das escolas atualmente, afirmou, por sua vez, Kátia Stocco Smole, especialista no ensino da matemática. Doutora na área, Kátia dirige a Mathema, empresa que realiza capacitação docente na disciplina, da Educação Infantil ao Ensino Médio. Além da falta de profissionais habilitados, Kátia tem observado um “conhecimento deficitário entre os professores formados em Matemática. É surpreendente, mas há profissionais nas séries iniciais que desconhecem operações mínimas, como divisão e fração”, disse.
Desta forma, as mantenedoras têm buscado cada vez mais parcerias para investir em seu quadro docente. Duas são as razões principais para esta procura, observou Kátia. Uma delas é a formação insuficiente proporcionada por boa parte das instituições de ensino superior; outra decorre da “vida sobrecarregada dos profissionais”. Assim, “as escolas preferem desenvolver um projeto personalizado e levar o formador para dentro da instituição, formando ali um espaço de discussão entre os professores”. Outro tipo de parceria que sobressaiu entre os expositores da Educar foi o de novas possibilidades de negócios, como a introdução de cursos técnicos de nível médio. “O curso técnico é uma necessidade de mercado, ao passo que a tendência de demanda de mercado para a educação básica é a sua diminuição. Desta forma, os mantenedores poderiam encontrar uma nova fonte de renda com a introdução deste ensino no período noturno, aproveitando ainda a infraestrutura física ociosa”, afirmou Carlos Roberto Soares, diretor do Instituto Educacional Profissionalizante (IEP), sistema baseado em Campinas, mas vinculado a uma instituição que atua há 55 anos no município de Jales, interior de São Paulo. Sob o comando da Futuro Eventos, que assumiu a sua realização em 2009, a versão 2010 da Educar apresentou expositores ligados a segmentos diversos, como sistemas de ensino, tecnologia da informação, com destaque especial para as lousas digitais, softwares, produção editorial, mobiliário, suporte, brinquedos e equipamentos pedagógicos, além de serviços, como viagens e formaturas. “É uma feira técnica, que pretende fazer um approach com o mantenedor, e caminhar forte ao lado do Congresso de Educação e do Seminário de Gestão”, afirmou Marcos Melo, diretor da empresa. Com 2.700 inscritos nas conferências, a Educar foi realizada sob o tema “Encantamento, paixão e prazer – Limites e Horizontes na Inovação na Escola”.
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DICA: ARTIGOS ESPORTIVOS
DO TRaDICIONaL aO ÂMBITO MaIS aVENTuREIRO
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B
olas, bambolês, cones, redes, bóias, apoiadores para piscinas, entre outros, figuram como equipamentos esportivos comuns a grande parte da rede particular de ensino, mas paredes de escalada e a chamada falsa baiana aparecem como estruturas mais apropriadas aos clubes e hotéis de lazer do que às aulas de Educação Física. Ledo engano. O professor Luiz Henrique Fleck, do Colégio Santa Amália, utiliza ambas com os estudantes do Ensino Fundamental I da unidade do Tatuapé, na zona Leste da Capital, dentro do horário regular da disciplina. “Com as atividades de aventura consigo trabalhar os objetivos curriculares da mesma forma em que faço com o convencional, e ainda introduzo o desafio”, afirma Luiz Henrique. A parede e a falsa baiana faziam parte das atividades extracurriculares da escola, mas acabaram incorporadas em 2008 à didática da Educação Física. “É uma coisa muito nova”, observa o professor, destacando que elas permitem “um melhor enfrentamento de alguns medos, atingindo os mesmos objetivos pedagógicos”. “Cada agarra da parede proporciona uma pegada distinta e exige força, equilíbrio e posição diferenciados”, comenta Luiz Henrique, pós-graduando em esportes e atividades de aventura. Já com a falsa baiana, que envolve o deslocamento de um ponto a outro por meio de duas cordas, é possível propor circuitos radicais e mais desafiadores. Claro que o formato mais convencional não foi abandonado. Os novos equipamentos enriquecem a didática da Educação Física, que tem seus objetivos muito bem delineados. “Na Educação Infantil e no Fundamental I procuramos construir uma base motora para a criança”, afirma Luiz Henrique. Também no EFI se introduz
as modalidades esportivas, mas o trabalho principal ainda recai sobre a consolidação do desenvolvimento motor. O importante, destaca o professor, é que os alunos vivenciem a maior variedade possível de materiais, tamanhos, texturas e cores, para que se possa desenvolver “aspectos de musculação, equilíbrio, socialização e exploração corporal”. A empresária e professora da área, Louise Maria Matakas, que possui uma escola de esportes, afirma que os equipamentos variam conforme a fase de desenvolvimento do estudante. “Entre os pequeninos, trabalhamos habilidades locomotoras, não locomotoras e de manipulação, por meio de bolas de diferentes tamanhos, bambolês, cordas, colchonetes, petecas e raquetes pequenas”, enumera. Para o EFI, são acrescentados artigos mais relacionados às próprias modalidades esportivas (futebol, vôlei, basquete etc.). No entanto, ressalva, a abordagem dos esportes coletivos nesta fase escolar reside menos no aspecto competitivo e mais no condicionamento físico, na resistência e na socialização. Segundo Louise, a estrutura mínima necessária para um professor trabalhar bem com o EFI inclui bolas das diversas modalidades, apitos, coletes, cones, bambolês, bastão e cordas. Já em atividades extracurriculares, como a natação, são indispensáveis as pranchas, flutuadores, palmares, espaguetes e camas elásticas para a hidroginástica. Louise destaca, porém, que as escolas estão mesmo inovando na área como forma de motivar os alunos mais resistentes à Educação Física, especialmente os do Ensino Médio. “Já há instituições desenvolvendo modalidades típicas de academia no ensino regular, como a dança”, revela. (R.F.)
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DICA: ACÚSTICA
O
barulho que vem de fora incomoda, o ruído interno idem, mas a baixa reverberação do som também causa desconforto e afeta a inteligibilidade da fala de um professor. “Tanto a falta quanto o excesso são prejudiciais, interferindo sobre o interesse do aluno e gerando estresse”, avalia Marcelo Zurawski, músico e compositor, integrante do grupo de espetáculo musical Furunfunfum. Graduado em Musicoterapia, Marcelo é pesquisador em psicoacústica, área que estuda a interação entre o cérebro e os estímulos sonoros, em seus reflexos ambientais, cognitivo, mental e emocional. Também o arquiteto Nelson Carlos Lauson Dupré, conselheiro da ASBEA (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura) e responsável pela restauração da Estação Júlio Prestes e construção da Sala São Paulo, no centro da cidade, observa que a reverberação pode ser prejudicial ao desempenho em sala de aula. “Toda escola deveria ter uma preocupação em relação ao isolamento ou condicionamento acústico”, defende. Entre outros, é recomendado utilizar materiais absorventes para forrar o teto, já que pisos e paredes são mais rígidos, diz. O músico Marcelo Zurawski chama a atenção dos mantenedores para a diferença entre tratamento e isolamento acústico. Enquanto este é estrutural, impede o som de transpassar as barreiras físicas (paredes, portas e janelas), o tratamento envolve intervenções internas aos ambientes com o intuito de evitar a reverberação excessiva. Ou, em outro extremo, ausência de reflexões, o que também gera desconforto e problemas para o entendimento da fala do professor.
É preciso encontrar o equilíbrio, observa Marcelo. Na sala de aula, deve-se evitar mais o excesso, e para isso basta trabalhar apenas uma superfície (teto ou piso) com material absorvente. Já em uma biblioteca, é indicado aumentar o grau de atenuação, sem que se anule, por outro lado, a reverberação do som, o que também causa estranheza e desconforto. As barreiras formadas pelos livros dispostos nas prateleiras ajudam muito no processo, lembra o músico. “Às vezes não precisa de muita intervenção, caso contrário se cria um ambiente artificial.” Já nos auditórios, tratamento e isolamento tornam-se indispensáveis, mas “o primeiro tem que ser mais especializado e meticuloso, porque você lida com instrumentos musicais, com a amplificação do som”. E, conforme a localização das caixas, a presença de biombos e cortinas, o tipo de material das poltronas, a qualidade do microfone, entre outros, haverá diferenças na inteligibilidade do som. Segundo Marcelo, aparelhos de baixa qualidade potencializam os problemas acústicos e geram estresse no público. Na Escola Internacional de Alphaville, edificada no final dos anos 90 na região Oeste da Grande São Paulo, as 18 salas de aula foram construídas com blocos de cimento dotados de câmeras de ar, impedindo a passagem de som, afirma Roberto Chioccarello, mantenedor da instituição. Nas salas multimídia, por sua vez, as paredes são de gesso acantonado com lã de vidro entre as placas, método que também assegura o isolamento. Em setembro do ano passado, a escola inaugurou um teatro, com 200 assentos. Seu projeto conta com os mesmos blocos de cimento, revestimento interno especial (paredes e forro) para evitar a reverberação, além do piso em carpete. (R.F.)
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EXCESSO Ou FaLTa DE RuÍDO PREJuDICaM DESEMPENHO EM SaLa DE auLa
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GESTÃO: ÁGUA – EQUIPAMENTOS ECONOMIZADORES
Incorporada ao dia a dia da educação de jovens e crianças, a preocupação com o uso racional da água leva as escolas a investirem na modernização hidráulica e no desenvolvimento de projetos que envolvem até mesmo o seu reaproveitamento.
Por Rosali Figueiredo
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Os 1.260 alunos do Colégio Humboldt, situado em Interlagos,
na zona Sul de São Paulo, reiniciarão as aulas, em agosto, com uma grande novidade: a escola deverá inaugurar duas piscinas aquecidas e cobertas em seu complexo esportivo, uma semi-olímpica, outra infantil. Elas foram projetadas conforme “um dos conceitos mais modernos e respeitosos ao meio ambiente que existem”, afirma Ilse Sparovek, gerente de gestão patrimonial e de serviços da escola. A administradora refere-se a um sistema inovador de canaletas contíguas às piscinas, que irá reter a água do transbordamento ocorrido naturalmente pelo uso e a distribuirá para um processo de filtragem e aquecimento, devolvendo-a tratada ao tanque. Conforme destaca Ilse, o projeto coroa uma preocupação que o Colégio sempre teve em relação ao uso racional da água e energia. Com 94 anos de vida, mas há onze localizado na sede de Interlagos, em uma área de 61 mil metros quadrados, o Humboldt se transferiu para a nova casa instalando torneiras com temporizadores. O passo mais ousado, entretanto, ainda está em andamento, para que daqui a dois anos, no máximo, inicie a rega dos jardins e abasteça as descargas sanitárias do ginásio esportivo com água do reuso. “Já há toda uma tubulação preparada e separada para receber água da chuva”, comenta Ilse, complementando que a escola irá agora construir o sistema de captação e tratamento, o qual inclui processos de
decantação e filtragem. O investimento previsto é de R$ 122 mil, que se pagarão em dois anos e meio com a economia mensal na conta da Sabesp, estima a gerente. O uso de equipamentos e sistemas economizadores atinge hoje a pelo menos 1.139 escolas e prédios da Secretaria Municipal da Educação em São Paulo e a 34 vinculadas ao Executivo estadual. Um total de 1.349 edificações da rede municipal de ensino e 350 da rede estadual fazem parte do Programa de Uso Racional da Água (PURA), da Sabesp. Na área municipal, a implantação das medidas de controle do consumo resultaram em uma economia de 26 mil metros cúbicos por mês, suficientes para atender a demanda média de 1.850 famílias, revela o engenheiro civil e sanitarista Ricardo Chahin, gestor do PURA. A queda foi de 284 mil metros cúbicos mês para 258 mil. No Estado, onde o trabalho começou recentemente em 350 unidades localizadas na região metropolitana, verificou-se já uma queda de 12.333 metros cúbicos para 9.106. Segundo o engenheiro, o programa, que existe desde 1994, desenvolve-se em três etapas. Na primeira, é feito um diagnóstico das instalações hidráulicas e suas condições de uso, localizando-se, principalmente, pontos de vazamento. Com o quadro em mãos, realiza-se a segunda fase, quando são apresentadas “propostas de modernização hidráulica e redução do consumo”. Entre estas, o ponto
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CAMPANHA EDUCATIVA A terceira etapa de implantação do PURA recai justamente sobre a campanha educativa, orientando o usuário para a preservação dos aparelhos e também para o uso mais moderado das válvulas de descarga, entre outros. Na verdade, as atividades de conscientização já perpassam, em geral, as propostas pedagógicas das instituições, uma vez que a educação ambiental é parte integrante dos conteúdos disciplinares obrigatórios estabelecidos pela Deliberação 77/08, do Conselho Estadual de Educação (CEE). Outro eixo curricular determinado pelo CEE diz respeito ao conhecimento do mundo físico e natural. Assim, o tema água é recorrente nas atividades cotidianas das escolas, não somente enquanto efeméride – em 5 de junho, por exemplo, comemoram-se o Dia da Ecologia e o Dia do Meio Ambiente -, mas como compromisso incorporado à sua prática de ensino. Quando esteve com os alunos dos 7º anos no Núcleo Pedra Branca, localizado no Parque Estadual do Horto Florestal, zona Norte de São Paulo, o professor de geografia Geraldo Mangelo de Avelar, do Colégio Pio XII, acabou abordando com eles a problemática dos mananciais, da ocupação irregular de suas imediações e dos desafios ao abastecimento na região metropolitana. “Sempre que há uma oportunidade, trabalhamos o tema dentro do conteúdo que está sendo desenvolvido”, afirma o professor. Segundo ele, o Pio XII, colégio tradicional do bairro do Morumbi, zona Sul de São Paulo, realiza uma programação anual de abordagem das Ciências da Natureza, apoiada em estudos do meio. Os estudantes dispõem de uma apostila especialmente produzida para esse fim. Mas a intervenção mais aprofundada sobre o assunto acontece junto aos 6º anos, dentro do conteúdo de hidrografia. “Apresentamos informações impactantes, como a disponibilidade de apenas 3% da água do Planeta para consumo humano, a seca no Nordeste, a elevada demanda do Sudeste, entre outros, para que o aluno tome consciência do valor da água consumida em casa”, diz Geraldo. O ponto alto da programação é a visita a uma Estação de Tratamento (ETA) da SABESP, localizada em Cotia. “A estrutura é relativamente pequena se comparada ao sistema da Cantareira, mas para
os alunos ela se revela grande e impactante. Os estudantes podem observar ali todas as etapas do tratamento da água até a distribuição nas torneiras de sua casa”, comenta o professor. No retorno ao colégio, novas atividades são propostas em torno da visita, como a montagem de painéis fotográficos ou a produção de histórias em quadrinhos dentro da disciplina de Língua Portuguesa, diz. Não há como mensurar a influência do trabalho sobre a mudança de posturas dos alunos, mas Geraldo observa uma presença maior desta preocupação nas conversas ou nas redações. “Seria interessante que os pais observassem o comportamento dentro de casa”, sugere. PROCEDIMENTOS E REUSO Apostando na ideia de que “o exemplo vem de cima”, as escolas também recorrem a práticas ou procedimentos que valorizam o consumo racional. No próprio Pio XII as torneiras são dotadas de contemporizadores e há uma preocupação constante em se detectar eventuais vazamentos nas descargas e demais componentes do sistema hidráulico, revela o professor Geraldo. No Colégio Humboldt, a manutenção diária é realizada à base da varrição e quando a água se torna indispensável, a instituição recorre ao jateamento. É o caso da lavagem semanal de áreas internas, banheiros, terraços, corredores e escadarias, afirma a gerente Ilse Sparovek. Para o químico industrial Sérgio Belleza, especialista em tratamento de água, o ideal seria as escolas substituírem o jateamento pelo balde e, melhor ainda, aproveitando a água da chuva, assim como pretende o Humboldt. Mas a solução é ousada e requer cuidados, estudos e a consultoria de um profissional da área. Segundo ele, os interessados devem observar a viabilidade do reuso, através do levantamento do volume utilizado, das finalidades do uso e da qualidade da água – no caso, um especialista poderia averiguar a presença de contaminantes. O reuso é indicado para descargas sanitárias, irrigação de jardins e lavagem de pisos, diz. Outro ponto a ser analisado é a viabilidade da construção do sistema hidráulico, que deve captar a água através de calhas colocadas nos telhados e distribuí-la a um tanque de armazenamento. Sérgio comenta ainda da possibilidade de se reutilizar até mesmo a água dos lavatórios, desde que tratada para a remoção das impurezas.
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central é a troca dos equipamentos, escolhendo-se as chamadas versões economizadoras, em que as torneiras com temporizadores e arejadores são as mais conhecidas. Estes, por exemplo, misturam água e ar, diminuem a vazão, mas mantém a pressão e o conforto do usuário. Nas escolas públicas, outro procedimento comum é a substituição das antigas válvulas de descargas pelos modelos mais novos, regulados para uma vazão máxima de 6 litros. É claro que o ideal seria trocá-las por caixas acopladas, mas o vandalismo impede o uso desta solução, observa Ricardo Chahin.
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PERFIL DA ESCOLA: E. E. ROMEU DE MORAES
Parcerias dão novas perspectivas à educação pública A meta principal não traz segredos: é preciso fazer com que o aluno aprenda. Mas para além do domínio das letras e números, a E. E. Romeu de Moraes quer formar pessoas ativas, preparadas e autônomas. Para isso não abre mão de parcerias internas, com os próprios alunos, por exemplo, nem das externas, além do auxílio de consultores que a ensinem a ensinar.
Por Rosali Figueiredo Fotos: João Elias
A
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velha escola, setuagenária, está se adaptando aos novos tempos e realizando adaptações físicas para garantir a acessibilidade de parte de seus alunos, já que se firmou como uma das referências do Estado em inclusão. Entre os 1.049 estudantes, 30 são portadores de deficiência e assistem aulas integrados aos demais. Ela também passou por reformas recentes em parte das instalações, a partir de uma nova modalidade de parceria que está ganhando corpo e envolve a Associação Parceiros da Educação. Mas a Escola Estadual Romeu de Moraes, localizada na Rua Tonelero, Vila Ipojuca, zona Oeste de
São Paulo, quer mais, como a construção de um auditório que venha coroar o trabalho voluntário de teatro desenvolvido há cinco anos e meio pelo coordenador pedagógico do Ensino Médio, e também ator, Francisco dos Santos Cardoso. E não é só. Toda essa reestruturação física resulta de uma postura moderna de gestão do ensino que procura envolver professores, alunos, pais e comunidade no compromisso com a aprendizagem e a formação da cidadania, cobrando, e muito, as responsabilidades de cada um, principalmente dos educadores. Com sete décadas de vida, a Romeu de Moraes oferece do 6º ano do Ensino Fundamental II ao 3º ano do Ensino Médio e quer mesmo é aprender a ensinar os próprios educadores a atingirem as metas de ensino, melhorando e muito a sua participação no ENEM e no IDEB. No último Exame Nacional do Ensino Médio, por exemplo, atingiu 55,21, o 20º melhor desempenho entre as escolas estaduais da Capital, bem acima da média entre as públicas (48,71), mas um pouco inferior à média das particulares (61,81). No IBED 2007, registrou 4,8, sendo que a meta para 2011 é entrar no azul (5,1). “Vejo a escola como uma empresa, no sentido de que o nosso lucro é o sucesso do aluno, não somente quando está aqui, mas quando sai. Por isso exijo o cumprimento de horários e de metas de curto e médio prazo”, afirma a diretora Rosângela Valim, desde 2005 no comando da Romeu de Moraes. Rosângela admite que às vezes
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PERFIL DA ESCOLA: E. E. ROMEU DE MORAES
OPORTUNIDADES A Romeu de Moraes possui um grêmio estudantil atuante e está implantando o projeto “Não Perderemos Você”, em que um grupo de estudantes vai atuar voluntariamente, no horário invertido, com os colegas da inclusão. Organizando festas mensais aos sábados (na quadra), campeonatos esportivos anuais, feira cultural, apresentações de teatro, entre outros, os estudantes do Romeu dão vida e colorido aos espaços físicos em transformação. Mas há muitos outros parceiros, como o Centro de Estudar Acaia Sagarana (ONG que oferece cursos pré-vestibulares para alunos da rede pública), o curso de Química da Universidade Mackenzie (com os graduandos), o Instituto de Imunologia do INCOR, a Junior Achievement (ONG que desenvolve projetos em empreendedorismo), a Alumni (Inglês), a Comphaus (empresa de ensino de robótica) e a própria Associação Parceiros, com a qual firmou um convênio no final de 2008. Por meio desta última, a escola recebe apoio financeiro de uma empresa (no caso, o Itaú BBA) para contratar capacitação pedagógica dos educadores, capacitação dos gestores e melhorias na infraestrutura física. Tudo é acompanhado, ao menos 20 horas por semana, pela facilitadora Maria Alice Nogueira Souto, pedagoga e professora de História e Português, ex-coordenadora de ensino (Leia mais sobre a Associação Parceiros da Educação nas páginas 20 e 21). Em 2009, primeiro ano de trabalho com a Parceiros, a capacitação recaiu sobre três grandes áreas do conhecimento (Matemática, Ciências Humanas e Naturais); neste ano, a partir da sugestão dos coordenadores, a área de Humanas foi desmembrada em duas, para que Códigos e Linguagens figurasse como um módulo específico.
DESAFIOS DOS GESTORES A tarefa é espinhosa e muitas vezes pode até desanimar. Rosângela afirma que atua com um quadro amplamente desfavorável enquanto gestora, pois não tem autonomia para selecionar ou dispensar os educadores, enfim, não pode escolher a equipe com a qual irá trabalhar. Às vezes, após um trabalho de dez meses, o professor vai embora, complementa sua vice-diretora Denise. Mesmo contando com profissionais dedicados, Rosângela revela que há docentes que
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“sobrecarrega alguns profissionais” com tamanha exigência, mas não abre mão de fazer a escola efetivamente cumprir com o seu papel. Para isso, procura envolver no projeto todos aqueles que apresentam algum nível de comprometimento: além da vice-diretora Denise Ribeiro Rezende, os dois coordenadores (o outro é Arnaldo Aparecido Tiozzo), professores e alunos.
Realizada quinzenalmente por consultores externos, durante o HTPC (Horário de Trabalho Pedagógico Coletivo), mas abordada semanalmente entre os professores, a capacitação apresenta novas práticas pedagógicas, ensina a “trabalhar o conteúdo de forma diversificada”, explicam Rosângela e a facilitadora Maria Alice. Segundo a diretora, a Matemática é a área “mais delicada” da escola. Conforme observa o coordenador Francisco dos Santos, “há um mito, alimentado pelos próprios professores, de que a disciplina é difícil de aprender. Cria-se então entre os alunos uma resistência natural contra a matéria”, diz. Francisco observa, no entanto, que a capacitação mostra outras possibilidades, estimula o docente a desenvolver uma nova postura, como “não usar o erro para emperrar o desenvolvimento do aluno, mas desvendar o caminho que o levou a isso, considerar o erro como uma hipótese testada e que não deu certo”. Segundo o coordenador, ao se mudar a metodologia e “trabalhar mais concretamente, a relação com o aluno melhora”. “Quando o aluno é desafiado a construir, a fazer, não há tempo para conflito.” Na festa cultural Romeu Fest, realizada em 2009, os estudantes expuseram imensos móbiles de estruturas geométricas construídas a partir de projeto desenvolvido pelo professor de Matemática, após o processo da capacitação. A diretora Rosângela comenta que parte da equipe se envolve e abraça os desafios, mas que há muitas barreiras ao processo. “Para introduzir a capacitação, tivemos que criar a cultura do estudo, além de trabalhar a aceitação de uma equipe de fora. Houve uma resistência natural, o que é novo assusta, mas o processo foi tranquilo. Os coordenadores tiveram papel fundamental nisso”, relata. Na verdade, destaca a facilitadora Maria Alice, a parceria demanda adesão e firmeza dos gestores (direção e coordenação) para que dê resultados.
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PERFIL DA ESCOLA: E. E. ROMEU DE MORAES exacerbam alguns vícios do funcionalismo público - a escola registra em média 4 faltas diárias, o que a obriga a remanejar a equipe, colocar coordenador para dar aula, entre outras medidas tomadas no sentido de evitar que os estudantes fiquem sem aula. “Tenho um professor que simplesmente se recusa a vir dar aulas às sextas-feiras e não tenho autonomia alguma para mandá-lo embora”, desabafa Rosângela. “O Estado pouco investe no gestor”, acrescenta. A rotatividade anual atinge 50% da equipe. Nas atribuições de aula realizadas para 2010, a escola procurou trazer o maior número de sedes de frequência do professor, o que significa, na prática, fazer com que um número maior deles realize o HTPC no Romeu e assim seja beneficiado pela capacitação. Também solicitou ao seu parceiro a contratação de treinamento de coaching junto aos gestores, iniciativa pioneira entre as atividades apoiadas pela Associação Parceiros. O termo, literalmente, pode ser entendido como “aprendendo a ensinar”. “O Estado não dá muita base para a gestão de pessoas, para envolver,
mobilizar, motivar e estar motivado. Como muda sempre a equipe, a cada ano temos que começar tudo de novo”, diz Rosângela. “Pedimos, então, ao parceiro alguém para nos auxiliar nesta missão”, explica. A Romeu vem procurando ainda incorporar algumas ferramentas modernas de gestão, como a avaliação anual de desempenho. Os estudantes avaliam professores, gestores e funcionários, a partir de um questionário simples, indicando falhas na prática pedagógica, problemas de relacionamento com os docentes e funcionários, qualidade da merenda, entre outros. Os gestores e educadores se auto-avaliam em conversa aberta e muitas vezes difícil, analisando as informações obtidas entre os alunos. “É uma parte às vezes dolorida”, comenta Rosângela, ou que pede cuidados, ressalva o coordenador Arnaldo. “Avaliar a relação entre as pessoas exige observar questões ligadas à afetividade, ao histórico da vivência do aluno com um determinado tema, ou seja, ter clareza que vários fatores interferem no conteúdo da avaliação”, afirma Arnaldo. Aberta ao diálogo com os discentes, a escola encon-
Fotos: Felipe Busi/Associação Parceiros da Educação
ASSOcIAÇÃO PArceIrOS dA edUcAÇÃO BUScA NOvAS AdeSÕeS
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A aliança é temporária, de cerca de cinco anos, período
considerado suficiente para preparar gestores, educadores e a comunidade, mas visa a resultados permanentes: melhorar o rendimento escolar, procurando diminuir o fosso de “cem anos” que existe entre o desempenho da educação pública brasileira e os indicadores verificados nos países desenvolvidos. “A educação pública no País é um desastre, apresenta um dos piores índices do mundo e estamos, como sociedade, cometendo um crime, temos que resgatar esse déficit”, defende o empresário Jair Ribeiro, um dos idealizadores e coordenadores dos programas da Associação Parceiros da Educação. O projeto surgiu em 2006, a partir de um grupo de empresários que se uniu para apoiar escolas do Estado que apresen-
tassem disposição entre seus gestores e educadores para melhorar a aprendizagem dos alunos, a despeito de todas as carências ou deficiências que enfrentavam. Hoje beneficia 80 unidades, “adotadas” por 52 empresas ou empresários. Estes realizam um aporte financeiro anual em torno de R$ 120 mil, destinado a obras e equipamentos de infraestrutura, além de projetos de capacitação pedagógica e em gestão, por meio dos quais a Associação Parceiros pretende “transformar o trabalho dos professores num processo produtivo”. Segundo Jair Ribeiro, “a nossa missão é o aproveitamento escolar do aluno em uma meta mais agressiva que a do Estado”. Mas o grande diferencial da iniciativa é que existe um trabalho de base, em que cada empresário ou parceiro se envolve diretamente com o processo de transformação da escola, alguns chegam a visitá-la periodicamente ou até mesmo a dar aulas. Sua relação com a instituição é intermediada pela figura do “facilitador”, profissional da educação contratado pela Associação Parceiros, com o propósito de ajudar a mapear as carências e a apontar as soluções. Todo o processo é oficializado junto à Divisão Regional de Ensino à qual a escola se encontra vinculada. No momento, destaca Jair, 100 unidades estão preparadas para atuar com os Parceiros, esperando que a adesão de novas empresas ou empresários faça a fila andar. A meta é dobrar, ainda em 2010, o número de escolas beneficiadas pelo programa e nos próximos três anos atender a 500 delas e mais de 500 mil crianças. O empresário Jair Ribeiro iniciou a experiência em 2004, junto
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PERFIL DA ESCOLA: E. E. ROMEU DE MORAES não só a ler, escrever, somar e dividir, mas a agir como cidadão consciente. O conteúdo nunca deixará de existir, mas a escola tem uma responsabilidade muito grande diante da sociedade”, acredita Rosângela.
à Escola Estadual Luís Gonzaga Travassos da Rosa, localizada no bairro do Morumbi. Foi inspirado pela experiência bem sucedida realizada havia um bom tempo pelo empresário Jayme Garfinkel com a Escola Estadual Etelvina de Góes Marcucci, situada em Paraisópolis, encravada na região do Morumbi, zona Sul de São Paulo. “Quando você chega à escola pública, sente uma organização sem dono, alma, direção, paixão, sem comprometimento de professores e alunos”, observa Jair. O empresário ressalta, é claro, que “existem exceções, que devem ser muito respeitadas, de escolas que desenvolvem, com o mesmo padrão de infraestrutura que as demais, um trabalho maravilhoso, movidos pela paixão dos diretores e coordenadores por aquilo que fazem”. Na Luís Gonzaga Travassos, Jair Ribeiro relata que encontrou uma instituição com elevado índice de rotatividade entre os professores e uma estrutura física e pedagógica “precária”. Houve a necessidade de se investir inicialmente na recuperação da infraestrutura, até mesmo como “meio de chegar ao pedagógico, ganhar a confiança da equipe e melhorar a qualidade de vida no trabalho”. Mas o foco era a capacitação pedagógica, “parte central da parceria”. Em seis anos de trabalho, houve melhora significativa na aprendizagem dos alunos, destaca Ribeiro, que acompanha diretamente o processo na escola. A avaliação periódica dos alunos, aplicada pela Fundação Cesgranrio, representa um dos cinco
pontos básicos do programa, comenta Lúcia Fávero, diretora executiva da Associação Parceiros. Os demais são formação continuada de professores e coordenadores, alfabetização, sala de leitura e de informática. Mas a cada ano os processos são reavaliados e aperfeiçoados, conforme as respostas e as necessidades apresentadas. “Estamos na versão 5.0 do projeto, com um leque bem definido das intervenções que funcionam e não”, observa Jair Ribeiro, destacando que neste ano a Associação pretende avançar sobre as técnicas ou didáticas aplicadas em sala de aula. Para os Parceiros, é inadmissível que um aluno que frequente as aulas não aprenda, que um professor não ensine, que uma escola abra mão de seu papel e que a sociedade feche os olhos para um problema crônico. Em busca de adesões, a Associação avisa, no entanto, que quer empresários que “participem e tenham comprometimento e disponibilidade para a causa”, afirma a diretora Lúcia Fávero. E mais: nenhum dos parceiros recebe qualquer benefício fiscal pelos dispêndios.
SAIBA MAIS ASSOCIAçÃO PARCEIROS DA EDUCAçÃO lucia.favero@parceirosdaeducacao.org.br ROSÂNGELA VALIM rosangela_valim@yahoo.com.br
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tra alguma dificuldade para que os professores entendam o processo, observa a vice-diretora Denise, “pois muitas vezes ele espera que a conversa resulte em punição dos alunos”. Mas a sua missão está posta e exige o enfrentamento desses desafios. “Uma escola exerce realmente seu papel quando o aluno aprende
aPOIO EM INFRaESTRuTuRa Um dos braços de apoio da Associação Parceiros está na liberação de recursos financeiros para a reforma dos espaços ou implantação dos equipamentos. Por conta desta parceria, a Romeu de Moraes já ganhou um laboratório de Ciências Naturais, uma sala multiuso para atividades de dança, teatro etc., novos banheiros para os alunos e os funcionários, copa, bancos e mesas na área de convivência dos estudantes. O refeitório foi ampliado e a quadra reformada. Já as obras de adaptação à acessibilidade contam com os recursos da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE). E em uma próxima etapa espera contar com o apoio de muitos desses parceiros para a construção do auditório.
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ACESSÓRIOS, BEBEDOUROS, BRINDES
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ASSESSORIA CONTテ。IL, BRINDES
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AUDITÓRIO, BRINQUEDOS EDUCATIVOS, GESTÃO ESCOLAR
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INFORMÁTICA, LABORATÓRIOS, LOUSAS, PISOS
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Mテ天EIS, PISOS
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PLAYGROUNDS
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PLAYGROUNDS, QUADRAS
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PRODUTOS ANTISSÉPTICOS, SISTEMA DE GESTÃO, SISTEMAS DE SEGURANÇA, TAPETES, TERCEIRIZAÇÃO
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RADIOCOMUNICAÇÃO, TOLDOS
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