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Direcional Escolas, Abril 2013


EDiToriAL

Caro leitor,

DIRETORES Sônia Inakake Almir C. Almeida

Desde que a legislação impôs o ciclo de nove anos do Ensino Fundamental, as escolas se depararam com o desafio de iniciar a alfabetização em crianças com seis anos incompletos, perguntando-se como fazer a transição entre a abordagem mais lúdica da Educação Infantil e a formalização do currículo a partir do 1º ano. Não que a Educação Infantil seja um processo destituído de balizadores, pelo contrário, ela também deve estar amparada em diretrizes. No entanto, o 1º ano traz outro perfil e antecipá-lo permanece como algo que preocupa muitas instituições. É um assunto que sempre rende polêmica. Há poucos dias, por exemplo, um grupo de senadores tentou aprovar a alfabetização aos seis anos, tentando pegar carona na votação da Medida Provisória do Governo Federal que instituiu o Pnaic (Plano Nacional para a Alfabetização na Idade Certa). A iniciativa foi derrubada e prevaleceu a proposta original de se estabelecer a meta de alfabetização de todas as crianças brasileiras até a idade de oito anos, a ser alcançada em 2022. Até lá, muitos gargalos terão que ser superados. Não apenas o de se encontrar o modelo mais indicado a essa transição, processo em que as instituições gozam de autonomia. É preciso, sobretudo, assegurar, de um lado, que as crianças brasileiras tenham pleno acesso à Educação Infantil e, de outro, que a sequência da alfabetização alcance qualidade e eficiência. Segundo o relatório De Olho na Meta 2012, produzido e divulgado pelo movimento Todos Pela Educação, atualmente uma em cada cinco crianças de quatro e cinco anos não encontra vaga na pré-escola. De outra madeira, o percurso do aprendizado seguido pelas crianças e adolescentes das escolas públicas praticamente leva a lugar algum: entre elas, apenas 12% chegam ao 9º ano com desempenho adequado em Matemática, e 23% em Língua Portuguesa. O resultado é que no Ensino Médio uma parte acaba fora da escola (quase 20%). Entre as escolas privadas, diferentes iniciativas vêm sendo adotadas para que se alcance um processo efetivo de aprendizado, não somente em relação ao domínio pleno do conteúdo, com também no de formação de jovens com autonomia para desenhar e perseguir um projeto de futuro. É o caso da Escola Politeia, tema de nossa seção Conversa com o Gestor/Perfil da Escola. Segundo a diretora Carol Sumie, a alfabetização não tem como fugir muito de um aspecto mais instrumental em relação ao ensino do Português e da Matemática, mas sua abordagem pode se dar a partir das escutas em relação aos interesses dos estudantes e às suas referências de vida. Carol atua em projeto que ela define como ensino democrático, multietário, organizado sem salas nem séries convencionais. A mantenedora acredita que o Ensino Fundamental representa parte crucial ao sucesso da educação, pois vem desta base o preparo necessário do aluno para a pesquisa, a investigação, a produção de sentidos, a expressão em suas mais variadas linguagens e o desenvolvimento do interesse pelo próprio estudo. Ou seja, a resposta aos desafios do Ensino Médio estaria, isto sim, no processo do Fundamental, e este, por sua vez, dependeria de como o repertório das próprias crianças e adolescentes é ou não empregado como um eixo a alinhavar todas as experiências de aprendizagem no curso de nove anos. Um pouco da história da Escola Politeia está retratada nas páginas 10 a 12 desta edição, número que traz ainda outro conteúdo bastante atual e pertinente aos gestores: os processos de avaliação da aprendizagem. A edição é complementada pela coluna do colaborador Christian Rocha Coelho (avaliando o papel dos coordenadores pedagógicos); pelas Dicas sobre instalações e equipamentos das cozinhas, brinquedos dos playgrounds e terceirização da portaria; um Fique de Olho sobre laboratórios; além de uma nova seção contendo lançamentos de produtos e serviços - o Vitrine. Uma boa leitura a todos,

EDITORA Rosali Figueiredo PÚBLICO LEITOR DIRIGIDO Diretores e Compradores PERIODICIDADE MENSAL exceto Junho / Julho Dezembro / Janeiro cuja periodicidade é bimestral TIRAGEM 20.000 exemplares JORNALISTA RESPONSÁVEL Rosali Figueiredo MTB 17722/SP rosali.figueiredo@gmail.com REPORTAGEM Rafael Lima CIRCULAÇÃO Estado de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais DIREÇÃO DE ARTE Jonas Coronado ASSISTENTE DE ARTE Sergio Willian Cristiane Lima GERENTE COMERCIAL Alex Santos alex@grupodirecional.com.br DEPARTAMENTO COMERCIAL Alexandre Mendes Paula De Pierro Vicente Ortiz ATENDIMENTO AO CLIENTE Catia Gomes Claudiney Fernandes Emilly Tabuço João Marconi IMPRESSÃO Prol Gráfica

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SUMário

09 COLUNA: GESTÃO DE IMPACTO COORDENADORES: FUNÇÕES DE LIDERANÇA OU ORGÂNICAS? O consultor Christian Rocha Coelho aborda, no texto de sua coluna desta edição, as funções que cabem aos coordenadores pedagógicos. Segundo ele, as chamadas funções orgânicas, operacionais ou pontuais devem ser delegadas, para que este gestor possa ter mais tempo com vistas a desempenhar seu principal papel: o de definir estratégias de trabalho, colocá-las em movimento e liderar.

10 CONVERSA COM O GESTOR: CAROL SUMIE – ESCOLA POLITEIA E. F. DE 9 ANOS: ORGANIZAÇÃO CURRICULAR EM CICLOS MULTIETÁRIOS Uma instituição pequena, com poucos anos de vida e atendimento praticamente individualizado, a Politeia tem se destacado como possível modelo de escola do futuro. Já participou, inclusive, de um projeto financiado pela União Europeia, junto com outra instituição tradicional e de grande porte, o Colégio Bandeirantes. Na Politeia, o E. F. é organizado em três ciclos multietários e os projetos interdisciplinares são definidos em conjunto, entre alunos e professores.

14 AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM COMO INTRODUZIR NOVOS PARÂMETROS DE PROVAS E TRABALHOS Profissionais de destaque em uma das instituições privadas de Ensino Superior de ponta de São Paulo, o Insper, o professor Vinícius de Bragança Müller e Oliveira e a diretora acadêmica dos cursos de graduação, Carolina da Costa, apresentam aos leitores da Direcional Escolas dicas e reflexões sobre os novos processos de avaliação do desempenho dos alunos. Vinícius é também coordenador do 2º ano do Ensino Médio da Escola Lourenço Castanho.

CONFIRA AINDA

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DICAS: 18 PLAYGROUND – BRINQUEDOS 20 ALIMENTAÇÃO – COZINHA (INSTALAÇÕES & EQUIPAMENTOS) 25 TERCEIRIZAÇÃO - PORTARIA

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FIQUE DE OLHO: 22 LABORATÓRIOS EM PAUTA: 26 TENDÊNCIAS EM EDUCAÇÃO VITRINE: 13 PRODUTOS & SERVIÇOS - LANÇAMENTOS


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WWW.DIRECIONALESCOLAS.COM.BR

No site da Direcional Escolas, você encontra grande acervo de informações e serviços que o auxiliam na gestão administrativa, pedagógica e da sua equipe de colaboradores. Acesse e confira. GESTÃO DA AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM O FOCO SOBRE O DESEMPENHO DOS EDUCADORES E ALUNOS Conforme o Enem adquire preponderância enquanto porta de acesso às universidades públicas federais do País, aumenta a necessidade de se alterarem os modelos de avaliação dos estudantes da Educação Básica, especialmente do Ensino Médio. Em estudo de caso disponibilizado na íntegra pelo site da Direcional Escolas, a diretora acadêmica de graduação do Insper, Carolina da Costa, indica alguns caminhos para os gestores implantarem novos processos de avaliação. Confira no link da edição 87. E leia ainda a reportagem sobre “Como o Enem está mudando o cenário da avaliação nas escolas” (Acesse em http://migre.me/dNw9n). GESTÃO DA EQUIPE DE EDUCADORES

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LIDERANÇA DO PROFESSOR EM SALA DE AULA O artigo publicado nesta edição da Direcional Escolas é o terceiro do ano em que o consultor Christian Rocha Coelho orienta sobre como os gestores podem trabalhar a organização de sua equipe de educadores ao longo de 2013. Mas em outro texto, também disponível no site da revista, é possível repassar “as principais atitudes que os gestores devem mobilizar entre os professores, para que estes se transformem em líderes efetivos” em sala de aula. Confira em http://migre.me/dSIu0.

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COLUNISTAS Adriana Fóz, colunista da Direcional Escolas e autora de A Cura do Cérebro (Editora Novo Século, 2012)

Adriana Fóz, Jane Patrícia Haddad e Rodrigo Abrantes, entre outros, completam nossa equipe de colaboradores e disponibilizam no site da Direcional Escolas reflexões pertinentes aos gestores, em áreas como o desenvolvimento físico, emocional, intelectual e cognitivo das crianças e adolescentes; abordagens sobre transtornos da aprendizagem; e o emprego dos recursos da tecnologia digital no ensino. Confira no link www.direcionalescolas.com.br/colunistas. GUIA DE FORNECEDORES Com dezenas de itens de segmentos diversos, de acessibilidade a acessórios e viagens, passando por eventos, entretenimento, idiomas, manutenção, papelaria, pinturas, pisos, playgrounds etc., o site da Direcional Escolas apresenta ao internauta um valioso cadastro de fornecedores. Confira no link www.direcionalescolas. com.br/anunciantes/fornecedores


CoLUNA: GESTÃo DE iMPACTo

FUNÇÕES DOS COORDENADORES: DELEGAR E MELHORAR O RESULTADO Por Christian Rocha Coelho

As tarefas operacionais, denominadas funções orgânicas, são pontuais com começo, meio e fim, e podem mudar de responsável conforme a necessidade ou desempenho. Elas tendem a evoluir e, às vezes, mudar durante a sua aplicação. Os líderes das instituições devem utilizar esta estratégia para delegar de forma segura e organizada as funções operacionais, que são as atividades que dependem somente da própria pessoa e que necessitam mais do que uma hora diária para serem executadas. Em uma das minhas visitas às instituições de ensino parceiras da Rabbit, aprendi o sistema organizacional a seguir: - O gestor pedagógico (coordenador), na primeira reunião do bimestre ou trimestre, lista as atividades que necessitam ser realizadas durante o período e que podem ser delegadas. Em acordo com a equipe pedagógica, divide e delega as atividades de cada pessoa, de preferência de forma democrática; Importante: Não se esqueça de que, segundo os preceitos andragógicos, de orientação do trabalho do adulto, este se sente motivado quando participa da tomada de decisão e tem autonomia para agir em busca de seus objetivos. - Cada ação deve ter as atividades discriminadas em uma planilha, com o respectivo responsável pela sua realização;

- Reuniões de monitoramento servirão para avaliar se a tarefa foi realizada até a data combinada. Recomenda-se que a planilha reserve um espaço de observação para que se detalhe ou corrija a ação; - Por fim, na parte inferior da planilha, o coordenador, em conjunto com o corpo docente, define as estratégias de divulgação do trabalho. Este espaço servirá para deixar mais visíveis as estratégias que serão utilizadas, porém as mesmas deverão estar discriminadas nos espaços destinados ao checklist.

ETAPAS PARA DELEGAR AS FUNÇÕES ORGÂNICAS COM SEGURANÇA Delegar pode requerer uma atenção maior no começo, mas em médio prazo proporcionará mais tempo para que os líderes exerçam suas funções gerenciais. Para confiar uma tarefa importante e autorizar a sua execução, sem perder a visão holística do projeto, é importante seguir as etapas de planejamento inicial e monitoramento: 1ª Etapa – reunião de monitoramento

2ª Etapa – Demais reuniões de monitoramento

Christian Rocha Coelho é especialista em andragogia e diretor de planejamento da maior empresa de gestão, pesquisa e comunicação pedagógica do Brasil, a Rabbit Partnership. Mais informações: (11) 3862.2905 / www.rabbitmkt.com.br / rabbit@rabbitmkt.com.br

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ara que a Coordenação não se sobrecarregue é muito importante que a demanda de ações operacionais da escola fique a cargo do corpo docente e que suas atividades se restrinjam à liderança e gestão.

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CoNVErSA CoM o GESTor: CAroL SUMiE / ESCoLA PoLiTEiA

ENSINO FUNDAMENTAL DE 9 ANOS: UMA PROPOSTA MULTIETÁRIA A Politeia está apenas em seu quinto ano de vida, possui 19 alunos, mas já figurou na revista Super Interessante (edição de fevereiro de 2013) como um dos modelos possíveis de escola do futuro. Também integrou o Projeto Currículo Global para a Sustentabilidade, concebido e financiado pela União Europeia. Na entrevista a seguir, uma de suas mantenedoras fala sobre o desafio de se criar uma instituição de ensino inovadora e sustentável. Por Rosali Figueiredo

Carol Sumie:

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Se a escola almeja uma convivência com a diversidade, o trabalho com ciclos é efetivo. Ele proporciona ao estudante diferentes papéis, pois este é ajudado por alguém que está mais adiante, depois o aluno vira ajudante, e quando muda de ciclo, volta a ser mais novo novamente, depois cresce e adquire mais habilidades na relação com o grupo e o educador.

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o momento em que as escolas do País vinham se adaptando ao regime de nove anos do ciclo do Fundamental, principalmente aos desafios de acolher crianças com seis anos incompletos no processo de alfabetização, cinco educadores resolveram articular uma proposta radicalmente diferenciada de ensino. Eles arregaçaram as mangas e fundaram a Escola Politeia. E ao contrário da trajetória de grande parte das instituições privadas brasileiras, que surgem na Educação Infantil e expandem as séries ao longo do tempo, a Politeia seguiu outro percurso. Não começou pela alfabetização, mas pela acolhida de alunos que haviam frequentado

os primeiros anos do Fundamental já dentro de um método inovador, e que precisavam continuar com a mesma abordagem durante o Fundamental II. “Nossa história vai de trás para frente. A Politeia foi criada em uma parceria em 2009 com a Escola Teia Multicultural, na época de Ensino Fundamental I. Ali ficou dois anos. Depois, seguiu vida própria”, relata sua jovem gestora e uma das cinco mantenedoras, Carol Sumie. A diretora graduou-se em Pedagogia pela Universidade de São Paulo, em 2005. Desde então, atuou em projetos de educação democrática em escolas e entidades do terceiro setor (como a Cidade Escola Aprendiz). Na Politeia, não há salas de aula nem séries convencionais. Sua estratégia central

é trabalhar sob a perspectiva do protagonismo e do compartilhamento das decisões em questões que envolvem a convivência e o currículo. “Queremos a formação não só do conteúdo, mas da autonomia e do protagonismo frente ao próprio aprendizado. A LDB e as Diretrizes Curriculares de 2010 são muito favoráveis a esses projetos”, observa Carol. O desenvolvimento de projetos interdisciplinares funciona como uma espécie de eixo que articula as atividades dos estudantes, mediadas pelos professores. O objetivo da Politeia é implantar a Educação Infantil e chegar a 50 alunos em quatro anos. No momento, a “escola ainda está no zero” em termos de retorno financeiro, afirma a mantenedora. “Todos os sócios ainda


CONVERSA COM O GESTOR: CAROL SUMIE / ESCOLA POLITEIA investem em trabalho, mas eles não têm mais que colocar dinheiro”, comemora a jovem. Direcional Escolas – Como você descreve a proposta da Politeia? Carol Sumie – Ela é baseada principalmente na filosofia da educação democrática, que tem duas bases principais. A primeira é que a gestão do dia a dia da escola seja feita com os estudantes (crianças e adolescentes). No caso da Politeia, trabalhamos com assembleias semanais, em que a pauta levantada por todos é discutida e votada. As regras são definidas nessa organização. A assembleia trabalha com a gestão da convivência. Temos também o fórum de resolução de conflitos – trabalhando com a justiça restaurativa e o diálogo como ferramenta para as questões interpessoais – e o conselho escolar. Este reúne pais, para que aos poucos participem da gestão compartilhada. Outro ponto de sustentação é a gestão curricular, dentro da visão de aprendermos a partir dos nossos interesses. Na Politeia, organizamos o currículo em grupos multietários, são três ciclos de três anos ao longo do Fundamental. De 1º a 3º ano é o Ciclo 1, de 4º ao 6º é o Ciclo 2, e de 7º ao 9º é Ciclo 3. Quando eles chegam ao Ciclo 1, o trabalho do educador é mais voltado para escutar os interesses dos grupos e, a partir dessa escuta, proporcionar desafios às crianças e transformá-los em projetos. É um trabalho de investigação e de produção, porque o professor aqui não utiliza nenhum livro didático, ele é também produtor. É uma pedagogia baseada em projetos, sem um tempo determinado de começo, pois isso depende do ritmo e envolvimento do grupo.

Direcional Escolas – Como a Politeia formaliza esse processo junto à Diretoria de Ensino em termos de currículo e avaliação? Ou seja, como faz a passagem entre a proposta de escuta e autoria e a formalização legal? Carol Sumie – A formalização é uma das menores questões. Temos uma padronização do resultado final do que foi feito, mas não provas. Há seis mecanismos de avaliação, todos baseados nesse olhar do educador sobre o desenvolvimento da criança em relação ao projeto e à própria gestão da convivência, entre eles, participação nas assembleias, fóruns, pesquisas individuais, saídas de estudos etc. Esses parâmetros estão no Regimento Escolar, são avaliados e enviados juntamente com as áreas obrigatórias. Mas essa passagem precisa ser feita pela própria dinâmica da secretaria. Direcional Escolas – Um grande desafio que as escolas enfrentam é a alfabetização iniciada aos seis anos, dentro do novo ciclo do Fundamental. Como uma proposta não convencional pode auxiliar nesse processo? Carol Sumie – O primeiro Ciclo que trabalhamos é o da alfabetização, tanto da linguagem do Português quanto da Matemática. Ele é instrumentador nesse sentido, o que não o exime de ter uma organização como o restante da escola. Mas neste início há mais o trabalho de escuta do educador. Claro que a autonomia dos estudantes do Ciclo 3 é muito mais forte na gestão curricular, onde existe não só uma escuta do educador, como também uma fala do estudante em relação àquilo que ele quer aprender, às etapas que precisa seguir, quais as dificuldades e desafios.

Se a escola almeja uma convivência com a diversidade, o trabalho com ciclos é efetivo. Ele proporciona ao estudante diferentes papéis, pois este é ajudado por alguém que está mais adiante, depois o aluno vira ajudante, e quando muda de ciclo, volta a ser mais novo novamente, depois cresce e adquire mais habilidades na relação com o grupo e o educador. Direcional Escolas – Como se articulou essa proposta à perspectiva do Currículo Global? Carol Sumie – O Currículo Global foi trabalhado no Ciclo 3. Conseguimos juntar o protagonismo que queremos formar nos adolescentes junto com a interdisciplinaridade entre as áreas e os conceitos. Temos encontros semanais de gestão do currículo que reúnem estudantes e professores para construir os projetos. Cada estudante tem sua pesquisa individual dentro da temática que ele escolhe e o projeto interdisciplinar do semestre é construído a partir dos interesses levantados. Então se define um projeto de pano de fundo que se relaciona com todos os interesses individuais e o professor elabora o planejamento de sua área de acordo com isso. Buscamos questões contemporâneas e complexas para serem debatidas a partir de todas as áreas do conhecimento com a participação dos estudantes. Esse é o caminho que une o protagonismo com a interdisciplinaridade e aponta na direção do Currículo Global.

A equipe gestora do Currículo Global (Madza Ednir, à esq., e Priscila Scripnic, ao centro) em visita à Politeia (com Carol Sumie)

Neste mês de abril, o Cecip (Centro de Criação de Imagem Popular/ Comunicação e Educação para o Desenvolvimento Humano) deverá disponibilizar em seu site o Manual do Currículo Global, o qual reúne reflexões e sequências didáticas desenvolvidas por seis escolas brasileiras ao longo da implantação de um projeto piloto patrocinado pela União Europeia. A ideia do programa foi a de testar a introdução de oito conceitos-chaves (direitos humanos, diversidade, resolução de conflitos, justiça social, sustentabilidade, interdependência, cidadania global, valores e percepções) aos trabalhos em andamento nas instituições (três escolas públicas e três

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CURRÍCULO GLOBAL: PERSPECTIVA DA ESCOLA DO FUTURO

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O processo de formação e implantação dos conceitos do Currículo Global aconteceu em seis escolas brasileiras, dentro de projetos que muitas vezes já estavam em curso nas instituições. Houve uma conexão entre sustentabilidade local e global, o que desdobrou em novas organizações de aulas e sequências pedagógicas. Foram três anos de trabalho.

(Madza Ednir)

privadas: o Colégio Bandeirantes, a Teia Multicultural e a Politeia). Esses conceitos formatam o chamado Currículo Global, desenvolvido pelo Centro Global de Leeds (na Inglaterra). “O currículo global aponta para a perspectiva da escola do futuro, ele responde às necessidades que o mundo está apresentando, como a formação de cidadãos capazes de ter um pensamento autônomo, de adotar múltiplas perspectivas, de resolver problemas, de cooperar e trabalhar em grupo, de conviver com as diferenças. Isso é crucial. Ou aprendemos ou não haverá como sobreviver”, avalia a pedagoga Madza Ednir, ligada ao Cecip e uma das gestoras do projeto. Segundo ela, o “Currículo Global desenvolve essas competências e aponta para a ruptura da grade curricular”, em direção a “um conhecimento flexível, não enciclopédico”. Ou seja, desenvolve “a habilidade para acessar, interpretar, combinar e aplicar bem a informação”. E a maneira de a escola se inserir no processo é trabalhar sob essa nova perspectiva da formação

(“em termos de conhecimentos, habilidades e valores essenciais à sobrevivência da civilização”); em rede (que “a aprendizagem seja amigável ao funcionamento do cérebro, o qual funciona em conexões”); e enquanto “agência educativa” pertencente a uma “cidade educadora”. Os parâmetros foram levados aos professores identificados como líderes nas seis escolas, e trabalhados a partir de encontros virtuais e presenciais, fóruns de discussão e curso realizado em Leeds. A partir daí, os docentes os replicaram em novas dinâmicas e sequências didáticas junto aos seus programas disciplinares. O projeto ocorreu entre os anos de 2010 e 2012 e agora seus resultados serão apresentados às autoridades educacionais da área pública, para que avaliem a possibilidade de implantação do Currículo Global em maior escala. A especialista em liderança organizacional, Priscila Scripnic, entrevistou professores e alunos envolvidos com o piloto e obteve um feedback bastante positivo em torno da experiência.

PERFIL DA ESCOLA: POLITEIA

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Localização: Dona Germaine Burchard, 511. Bairro da Água Branca, zona Oeste, São Paulo Mantenedora: Microempresa criada por cinco sócios, educadores de formação Ciclos escolares: Ensino Fundamental I e II. A organização pedagógica foge ao modelo tradicional de séries segmentadas. Os alunos são agrupados em três grupos multietários Regime de aula: semi-integral (entre 11hs e 18hs) e vespertino (entre 13hs e 18hs) Nº de alunos: 19 Equipe: Os sócios exercem atividades na escola, em uma prática de gestão compartilhada. Carol Sumie responde pela direção pedagógica e administrativa e os demais ministram aulas. Há três funcionários (secretaria e serviços gerais) e quatro outros professores Mensalidades em 2013: R$ 1.200,00 (almoço pago à parte para a turma do semi-integral) Instalações: A escola está sediada em um casarão locado, de cerca de 400 metros quadrados, e disponibiliza sete salas para atividades diferenciadas com os estudantes. Os espaço são multiuso: por exemplo, computadores e livros estão presentes em um mesmo ambiente.

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SAIBA MAIS CArol SuMIe www.escolapoliteia.com.br secretaria@escolapoliteia.com.br casumie@gmail.com

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SERVIÇOS DE PERSONAL FUN

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GESTÃO: AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM

PLANEJAMENTO,

AULAS E PROVAS

SOB NOVA PERSPECTIVA Professor do Insper (nível superior) e coordenador do 2º ano do Ensino Médio da Escola Lourenço Castanho, localizada na Vila Olímpia, zona Sul de São Paulo, Vinícius de Bragança Müller e Oliveira avalia de que forma o conteúdo deve ser trabalhado pelos gestores e educadores em direção ao desenvolvimento das competências e habilidades dos alunos. E na página ao lado, Carolina da Costa, diretora acadêmica da graduação do Insper, apresenta um passo a passo de como introduzir essa abordagem nos processos de gestão das escolas.

Vinícius de Bragança Müller e Oliveira: Grosso modo, as provas continuam a cobrar conteúdo

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Por Vinícius de Bragança Müller e Oliveira

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empos atrás, se alguém perguntasse sobre os conteúdos de uma prova, a resposta era simples. No meu caso, professor de História, seria algo como: Revolução Francesa. E, logo após a divulgação do conteúdo, pais e professores particulares prontificavam-se a ‘tomar o ponto’ do aluno que passou o dia anterior repetindo que “o Rei guilhotinado durante a Revolução era Luiz XVI”. Tinham a certeza de que a memorização preparava para a prova do dia seguinte. E assim replicava-se o processo em todos os componentes curriculares: Ciências, Matemática, Língua Portuguesa etc. A correção e a atribuição da nota seguia o modelo: tirou 5,0 porque não lembrou o nome da rainha; tirou 7,5 porque lembrou o nome da Rainha, mas não a data em que morreu; tirou 10,0 porque lembrou todas as datas da Revolução e citou uma curiosidade do período. Já em outra, tirou 5,0 porque não

lembrou a fórmula da velocidade média; tirou 7,5 pois lembrou a fórmula, mas não indicou a velocidade do carro; tirou 10,0 pois apontou que dois carros se encontraram no km 29 da Rodovia D. Pedro. Contudo, há cerca de dez anos, esse modelo foi impiedosamente atacado. Novos parâmetros curriculares e exames, como o Enem, apresentaram abordagens vinculadas às competências, habilidades e interdisciplinaridade. Então, os planejamentos, as provas e as notas começaram a ser repensadas. Começamos a falar que o aluno deveria desenvolver a capacidade de identificar um problema exposto em linguagens múltiplas e propor uma intervenção que resolvesse tal problema. Mas as aulas continuaram a ser “Revolução Francesa” ou “Multiplicação de Matrizes”. Ou seja, explicitamos no planejamento o objetivo de aprendizado, mas não como determinado conteúdo poderia nos servir para desenvolver a capacidade de “identificar problemas apresentados em linguagens

diferentes”. Grosso modo, a prova continuou a ‘cobrar’ o conteúdo, assim como a correção a atribuir nota seguindo os mesmos critérios de antes. MUDANDO O FOCO SOBRE O CONTEÚDO É urgente que nossos planejamentos não mais sejam organizados de modo a apresentar o conteúdo, mas sim de forma que o conteúdo ajude a desenvolver uma competência; que nossas aulas apresentem os conteúdos de modo que o aluno possa, de fato, identificar um problema que apresentamos em linguagens diferentes; e que essas provas não permitam que o aluno que ‘decorou’ quem descobriu o Brasil seja bem avaliado; e, na última fronteira, que a atribuição de notas não seja mais justificada pela falta (ou inclusão) do nome da Rainha. O aluno não vai mal em Matemática, e sim na transformação de um problema apresentado em linguagem verbal para a linguagem Matemática; não vai mal em História, e sim na capacidade de montar coerentemente


GESTÃo: AVALiAÇÃo DA APrENDiZAGEM coerentes com a proposta daquela questão é, na verdade, justificar uma nota porque a questão só poderia ser respondida corretamente se o aluno, além de perceber qual problema foi exposto no enunciado, identificasse nas alternativas (sim, é possível fazer isso em uma prova objetiva) qual era a argumentação que melhor explicava a origem daquele problema. Por isso foi mal na prova, e não porque não sabe Português, ou Química, ou Sociologia. Por fim, espero que na próxima vez que

COMO REORGANIZAR O PROCESSO DE AVALIAÇÃO Em março de 2012, durante a realização do Fórum de Educadores do Insper, a diretora acadêmica de graduação do Instituto, Carolina da Costa, apresentou um estudo de caso sobre como se implantou no local um novo processo de avaliação da aprendizagem. Nesta edição, a Direcional Escolas reproduz, sob autorização da autora, alguns parâmetros extraídos de sua análise, que podem ser bem adaptados ao contexto da Educação Básica e foram sintetizados nas etapas abaixo: Etapa 1: Em primeiro lugar, os métodos de avaliação devem se basear no papel que a mantenedora quer projetar (Missão/Visão), nos Objetivos de Aprendizagem e em Métricas coerentes com essas finalidades. Etapa 2: Ao procurar responder, na sequência, às questões abaixo, o gestor poderá definir um roteiro de estratégias e ações tendo em vista a implantação de um sistema de avaliação da aprendizagem.

CONSTRUÇÃO DAS MÉTRICAS – 8 QUESTÕES A SEREM RESPONDIDAS 1) A definição dos objetivos de aprendizagem e respectivas habilidades e conhecimentos derivam da visão/missão da escola? 2) Os objetivos de aprendizagem são mensuráveis e possuem instrumentos adequados para serem capturados? 3) Foi definido um patamar de desempenho para esses objetivos de aprendizagem? Como? 4) O currículo foi mapeado para se identificar “onde” localizar as avaliações (onde há expectativa de aprendizado demonstrado)? 5) O processo de avaliação é sistemático, robusto e contínuo?

6) Como o processo de avaliação é aprimorado? 7) Quais as pessoas (e respectivos papéis) estão envolvidas no processo de avaliação? 8) Como o sistema de informação chega ao aluno? Etapa 3: O planejamento do gestor é feito sobre três fases distintas, bem demarcadas, como: desenho do sistema (com definição dos critérios de avaliação, do perfil necessário dos professores e posicionamento pedagógico); planejamento (revisão curricular e novo desenho das disciplinas); e processos e práticas (introdução desses novos recursos, com discussão entre os docentes e sua aplicação). Etapa 4: Na conclusão do processo, o gestor deve observar se foram ou não criadas oportunidades para os estudantes demonstrarem conhecimentos adquiridos e habilidades e competências desenvolvidas; se os educadores foram bem orientados dentro dessa perspectiva; e se houve coerência e integração entre os meios disponibilizados e as finalidades previamente estabelecidas. Com os resultados em mãos, torna-se importante responder a três questões de forma a colher mais subsídios para aprimoramento e eventual reorientação do processo: 1ª) Qual a leitura dos resultados? Que mudanças são demandadas? 2ª) Como essas mudanças se relacionam com a visão/missão da escola? (isso é fundamental para que se estabeleçam as prioridades); 3º) É possível converter demandas em objetivos, definindo pessoas (papéis) que irão se comprometer com os resultados? (Entram aqui o desdobramento das ações, comprometimento e orientação para resultados) Fonte: Carolina da Costa

me perguntarem por que um determinado aluno não apresentou resultado adequado em uma avaliação, a resposta não seja porque ele não sabe Matemática (ou qualquer outro componente) e, sim, porque ele não desenvolveu uma competência essencial à questão, por exemplo, a de usar o seu conhecimento de Matemática (ou qualquer outro componente) para propor uma possível intervenção na realidade. Os resultados certamente serão melhores. SAIBA MAIS CArolInA dA CoSTA Carolina.dacosta@insper.edu.br vInÍCIuS de BrAGAnÇA MÜller e olIveIrA viniciusbmo@insper.edu.br

Carolina da Costa é diretora Acadêmica da Graduação do Insper e coordenou o Núcleo de Desenvolvimento do Ensino e Aprendizagem (DEA) da instituição. Entre outros títulos acadêmicos, é Mestre em Gestão de Operações pela EAESP-FGV/University of Texas at Austin. Vinícius de Bragança Müller e Oliveira é doutorando em História Econômica pela USP, Mestre em Economia pela UNESP e bacharel em História pela PUC-SP. Docente de História Econômica do Insper, atua há 15 anos como coordenador e/ou professor na Educação Básica.

LEIA MAIS EM WWW.DIRECIONALESCOLAS.COM.BR, - A apresentação completa do estudo de caso do processo de avaliação do Insper; - Como o Enem está mudando o cenário da avaliação nas escolas. Acesse o link: http://migre.me/dNw9n.

Direcional Escolas, Abril 2013

trajetórias históricas; não vai mal em Química, mas em perceber simetrias entre momentos diferentes mediados por transformações nas condições naturais; não vai mal em Biologia, e sim na capacidade de identificar que características comuns podem nos ajudar a classificar grupos de seres vivos. Explicitar tais intenções quando planejamos, preparamos e executamos uma aula, montamos e corrigimos uma prova é essencial. Nesse último caso, estabelecer critérios de correção

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Direcional Escolas, Abril 2013


DICA: PLAYGROUND - BRINQUEDOS

BRINCAR, PRÁTICA ESSENCIAL

AO DESENVOLVIMENTO INFANTIL

Direcional Escolas, Abril 2013

Por Rafael Lima

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psicopedagoga e mestre em Psicologia da Educação e do Desenvolvimento Humano, Sirlândia Teixeira, afirma que a escola “vem se tornando responsável pelo desenvolvimento cognitivo, motor e cultural das crianças”. Segundo ela, o colégio tende a assumir funções que antes eram delegadas às famílias - como a possibilidade de a criança desfrutar de um espaço físico e emocional para explorar, experimentar e se interessar pelo mundo externo. Por isso, um espaço bem organizado no playground oferece muito mais que entretenimento. Segundo a especialista, introduzir objetos e ações lúdicas ao espaço pode ajudar a desenvolver diferentes habilidades e aprendizagens e a ampliar a rede de significados da criança. “Estudos mostram a relação entre o desenvolvimento e equilíbrio adquiridos nas atividades físicas proporcionadas pelo playground aos aspectos cognitivos, afetivos, sociais e principalmente motores”, diz. “Percebemos a importância de a criança frequentar esse ambiente não apenas para crescer de forma saudável e feliz”, acrescenta Sirlândia. A psicopedagoga indica que esses momentos devem acontecer de forma livre e a critério da criança, desde que, no entanto, o movimento seja acompanhado pelos adultos, a fim de garantir segurança. Sirlândia destaca ainda que é muito bom quando o adulto participa das atividades para de fato se divertir, e não apenas colocar ordem, medo

ou ensinar. “É uma grande oportunidade para conhecer melhor a criança e fazer parte de suas fantasias, além de transmitir valores e criar vínculos.”

ORGANIZANDO O ESPAÇO A matéria prima utilizada na fabricação do playground e dos brinquedos cumpre papel essencial na proteção, aponta Sirlândia Teixeira. Ela diz que para alunos de 0 a 5 anos, os brinquedos devem ser de plástico rotomoldado; até 10 anos de madeira; a partir dessa idade existe a opção de incluir ferro. “Já o piso para espaço fechado indico que, até os 10 anos, seja emborrachado. Depois podemos trabalhar com grama sintética”, orienta. Segundo ela, no espaço aberto a areia continua sendo a opção mais indicada. Conhecendo os benefícios que os momentos de brincadeira proporcionam, o Colégio Santo Américo, localizado na zona sul de São Paulo, investe na estrutura do playground. O espaço conta com bosques, brinquedos e áreas de parquinhos em diferentes locais. Para as crianças mais reservadas, há um local com jogos de percurso, fantoches e outras brincadeiras, que exigem menos fisicamente. “Temos mesa de pingue-pongue e pebolim. Acreditamos ser interessante realizar campeonatos, pois eles oferecem um senso de integração e organização do tempo e espaço muito válido para as crianças”, conta a coordenadora do Ensino Fundamental I, Elaine Marquezini. Ela revela que o espaço está em reforma para proporcionar mais opções de interação entre os alunos. “Teremos um parque de


DICA: PLAYGROUND - BRINQUEDOS aventura, onde os momentos de interação entre meninos e meninas poderão se desenvolver. Mas pensamos, principalmente, na qualidade do movimento motor. Por isso teremos escadas e outros brinquedos que procuram trabalhar o equilíbrio.” Além do parque, o Santo Américo vai instalar um barco no pátio, onde o foco não será aventura, mas movimentos motores, direcionados para crianças do 2° e 3° ano. Para os alunos que preferem jogar cartas ou fazer leituras nos períodos de recreio, será montado um trem, onde terão jogos e livros. As atividades no Santo Américo são acompanhadas por profissionais de recreação. Eles procuram organizar a brincadeira e, principalmente, auxiliar os pequenos que possuem dificuldade de integração. As ferramentas utilizadas incluem jogos de percurso, cordas, bambolês e petecas. Já no Colégio Franscarmo, locali-

zado na Vila Alpina, zona Leste de São Paulo, as atividades no playground são intercaladas com momentos de resgaste de brincadeiras tradicionais. Segundo a coordenadora da instituição, Ros Marie Closs, a criança precisa de espaço para construções internas. “O exercício de sair do egocentrismo e começar a perceber o outro é muito importante. Ela começa a entender o que é importante para o seu desenvolvimento”, diz. Também no Franscarmo as atividades são acompanhadas por uma equipe de recreação. Ros Marie observa que, quando há falta de orientação, as crianças podem gastar energia sem focalizar na criatividade ou no contato com os colegas. “Costumo dizer que se uma criança chegar da escola e disser que não brincou, os pais devem se preocupar. Vejo que o espaço de brincadeira é essencial”, arremata a coordenadora.

ITENS E MATERIAIS CERTOS PARA CADA IDADE

SAIBA MAIS Sirlândia Teixeira sireoli@yahoo.com.br

Ros Marie Closs marketing@franscarmo.com.br

Elaine Marquezini elaine@csasp.g12.br

Na Próxima Edição: Playground (Pisos)

Direcional Escolas, Abril 2013

Fonte: Sirlândia Teixeira

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ALIMENTAÇÃO - COZINHA (INSTALAÇÕES & EQUIPAMENTOS)

CUIDADOS PARA UM SERVIÇO DE

QUALIDADE

Direcional Escolas, Abril 2013

Por Rafael Lima

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s instalações e os equipamentos na cozinha exigem atenção dos gestores a questões como segurança, redução de custos e qualidade dos serviços. Segundo a nutricionista Mariana Imbelloni, uma estrutura física de qualidade deve contemplar um “fluxo higiênico adequado e ininterrupto”. Para isso, as escolas podem optar por diferentes formas de administração do espaço, podendo investir numa cozinha própria ou na contratação de serviços especializados. No caso de gestão própria de seu espaço, o planejamento físico de uma cozinha torna-se importante tanto na questão econômica quanto na funcionalidade, diz Mariana. “Deve-se evitar cruzamentos desnecessários de gêneros alimentícios e colaboradores; má utilização de equipamentos ou a falta dos mesmos, que limitam o cardápio; localização inadequada; e falta de ventilação”, enumera. Por isso, antes de definir a forma de gerir a alimentação, a nutricionista defende que o mantenedor observe, inicialmente, se a escola dispõe de espaço físico para um layout correto da cozinha e refeitório. Além disso, o gestor deve também fazer um levantamento do número de colaboradores disponíveis para o serviço, se há disponibilidade de utilizar alimentos regionais, e planejar um controle rígido contra desperdícios. Em relação aos equipamentos, Mariana recomenda que o gestor consulte uma nutricionista para que possa montar a estrutura de acordo com a

realidade da escola. “Normalmente, utiliza-se liquidificador, batedeira, fogão, forno, filtro para água, geladeira, freezer e micro-ondas, mas tudo depende do número de refeições servidas e do tipo de preparação”, pontua.

TERCEIRIZANDO REFEIÇÃO E CANTINA Já na contratação de serviços de terceiros, Mariana orienta o gestor a tomar um cuidado maior nas definições do contrato, pois a prestadora deverá cumprir criteriosamente com os termos acordados. Além disso, a nutricionista lembra que, para investir nesse tipo de gestão, a escola deve incluir gastos com transporte, estocagem e armazenamento dos alimentos; planejamento e estudos de logística; treinamentos contínuos; compra de equipamentos e utensílios necessários; e implantação de infraestrutura. “Na escolha do prestador de serviços, a análise jurídica e idoneidade da empresa contratada são pontos importantes no processo de terceirização”, afirma. “A escola deve estabelecer um contrato com o qual as cláusulas de preços e os reajustes sejam compatíveis com o praticado pelo mercado, e que contemplem o padrão definido pela empresa, em relação ao benefício oferecido pela alimentação.” Mariana orienta que o gestor pesquise ainda se a empresa faz investimentos em equipamentos, e se possui treinamentos e planos para diminuir a rotatividade e absenteísmo dos funcionários. Recentemente, o Colégio Vital Brazil, localizado na Zona Oeste de


ALiMENTAÇÃo - CoZiNHA (iNSTALAÇÕES & EQUiPAMENToS) São Paulo, implantou a Educação Infantil em período integral. “Durante o planejamento, o primeiro item que pensamos foi a alimentação. Essa preocupação faz parte não somente do colégio, mas também das famílias”, comenta a diretora Suely Corradini. Ao contratar uma empresa para cuidar da alimentação dos pequenos, o Vital Brazil prezou por um cardápio balanceado, com boa manipulação dos alimentos e proximidade com o fornecedor. Hoje, cerca de 20 alunos almoçam diariamente na instituição. A Escola Internacional de Alphaville também optou contratar serviços especializados para seu restaurante e refeitório. O diretor Roberto Chioccarello diz que a escolha “deu-se com o intuito de não desvirtuar a atividade principal do colégio, que é a educação, pela imensa demanda que requer o serviço de alimentação”. Diariamente, são preparadas e servidas no local 900 refeições em média, além de 1.400 lanches e os serviços de desjejum dos funcionários, café e coffee-break. A equipe terceirizada conta com 22 funcionários, monitorados pela nutricionista Regina Iervolino. Os equipamentos são industriais e eliminam o máximo de gordura possível. “Temos

o forno combinado, que preserva os nutrientes e propicia uma alimentação saudável”, conta. Esse produto usa o vapor para cozer os alimentos, por isso a quantidade de óleo utilizada é pequena. Além disso, o forno aproveita melhor o calor, o que proporciona economia de energia e tempo.

SEGURANÇA O presidente do Sindicado dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (Sieesp), Benjamin Silva, recomenda às mantenedoras que o uso de gás nas cozinhas seja o menor possível, e que o espaço receba, antes de iniciar seu funcionamento, um laudo de segurança das suas instalações elétricas, expedido por especialista. “Apesar da opção de ter outra empresa cuidando da cozinha, a escola continua responsável pelo que acontece no local”, alerta Benjamin. Por isso, é essencial o monitoramento frequente e constante diálogo entre prestadores e os gestores, diz. Benjamin é mantenedor dos colégios Albert Einstein e Morumbi Sul, onde a cantina e refeitório têm gestão própria, orientada por uma nutricionista. “Cuidamos para que o armazenamento seja seguro e a procedência confiável”, finaliza.

ATENÇÃO A ESSES ITENS

SAIBA MAIS BenJAMIn SIlvA sieeesp@sieeesp.com.br

roBerTo CHIoCCArello escola@escolainternacional.com.br

MArIAnA IMBellonI nutmariana.nutrir@gmail.com

SuelY CorrAdInI www.vitalbrazilsp.com.br

na Próxima edição: Alimentação - Fornecedores

Direcional Escolas, Abril 2013

• Tenha um espaço na cantina ou refeitório que contenha sabonete líquido e papel toalha • Utilize lixeiras tampadas e com abertura não manual • Coloque telas em portas e janelas • Organize o ambiente para ser ventilado. Se necessário, instale ventiladores.

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FIQUE DE OLHO: LABORATÓRIOS

APOIO ESSENCIAL AO TRABALHO

DO PROFESSOR

Os laboratórios costumam ser uma das principais vitrines que as escolas apresentam aos pais e familiares que estão em busca de um ensino de qualidade. Afinal, a experiência prática dos alunos, observando fenômenos físico-químicos e manuseando modelos anatômicos nos estudos de fisiologia, propiciam maior compreensão do conteúdo e melhor desempenho na produção dos trabalhos e nas provas. As empresas do segmento estão sempre investindo em novidades na área, inclusive com a adoção de recursos tecnológicos digitais. Confira neste Fique de Olho. Por Rosali Figueiredo

Fundada há quase 28 anos, a Analista disponibiliza aos mantenedores amplo portfólio de aparelhos e insumos necessários às atividades dos laboratórios. “Fornecemos toda linha de reagentes, vidrarias, equipamentos, modelos anatômicos, estufa, agitadores, chapas aquecedoras, capelas, balança etc.”, apresenta Vicente Catapano, sócio-gerente da empresa. Segundo ele, há variadas linhas de materiais para as mais diferentes etapas da vida escolar. A Analista destaca-se ainda pelo “atendimento customizado e profundo conhecimento técnico em sua área de atuação”, diz Vicente. “Procuramos atender o cliente em todas as suas necessidades.” Por exemplo, se a escola precisa de “algum produto que não esteja em nossa linha, procuramos atender o cliente, diversificando assim nosso ramo de atuação”, explica o sócio. A empresa mudou para uma nova sede, “com área útil três vezes maior”, o que lhe permite um gerenciamento mais eficaz dos estoques e, consequentemente, “melhoria nos custos e prazo de entrega”. Escolas de todo País podem equipar seus laboratórios com os produtos da Analista, já que as mercadorias são despachadas através de transportadoras indicadas pelos clientes. Mas para as instituições da Grande São Paulo, as entregas são feitas diretamente pela Analista.

Fale com a Analista: 11 4341 4155

Direcional Escolas, Abril 2013

www.analista.com.br analista@analista.com.br

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No mercado desde 1998, a Roster tem acompanhado a evolução tecnológica da área da educação e agora disponibiliza microscópicos para laboratórios escolares acoplados a sistema de vídeo. “A imagem que o professor consegue capturar no microscópio é passada para todos os alunos através de um monitor de computador (digital) ou usando data-show (analógico)”, explica Amanda Gerda, da área administrativa da empresa. “É um atrativo a parte para as aulas. Mas não se pode esquecer que o contato dos alunos com o microscópio é também muito importante”, ressalva a colaboradora. Segundo ela, torna-se interessante assim que o laboratório tenha aparelhos que possam ser manuseados pelos estudantes, experimentando obter visualizações similares às imagens obtidas pelo professor. Também os modelos anatômicos comercializados pela Roster são essenciais para trazer “a realidade às aulas”, ajudando no aprendizado e contribuindo “para tornar as aulas mais interessantes”, observa Amanda. Entre esses modelos, encontram-se “esqueletos, corpo humano com todos os órgãos removíveis (torso), células, moléculas, animais etc.”. Os “moldes são perfeitos”, descreve. Mas o portfólio da Roster é muito mais amplo, conforme pode ser conferido pelo gestor no novo site da empresa, que lançou o e-commerce em 2012. Ali podem ser encontrados, por exemplo, as chamadas “vidrarias”, como tamanhos variados de béquer, confeccionadas em polipropileno autoclavado, o qual “não corre o risco de quebrar nem de ferir alguém durante o manuseio”. O estoque é completado por agitadores, balanças, centrífugas e globos terrestres, entre muitos outros. Segundo Amanda Gerda, através do novo site as escolas poderão se cadastrar e receber atualizações periódicas sobre os produtos e as promoções.

Fale com a Roster: 11 4224 3824/4226 4957 www.lojaroster.com.br roster@roster.com.br roster@uol.com.br


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DICA: TERCEIRIZAÇÃO - PORTARIA

SEGURANÇA NOS CONTRATOS, CHAVE PARA UM BOM SERVIÇO Por Rafael Lima

Para a diretora do Sindeprestem, Jismália Alves, ao se contratar uma prestadora de serviços sindicalizada, “há a certeza que existe um pessoal treinado para selecionar a pessoa certa para o lugar certo e, além disso, que conta com funcionários capacitados para suprir ausências ocasionadas por férias, licenças médicas ou faltas”. Já quando a escola investe em equipe própria, os gestores podem encontrar dificuldades no treinamento dos profissionais, pondera. Mas o consultor de segurança Marcos Moreno alerta que o levantamento e acompanhamento dos serviços contratados deve ser minucioso e, segundo ele, o ideal é que todos os dias um funcionário da prestadora esteja na escola para averiguar a qualidade do trabalho. “As vistorias conseguem manter o padrão elevado nas responsabilidades trabalhistas”, diz. Na verdade, o consultor prefere funcionários diretos para cuidar desta área: “Muitas vezes, a rotatividade dos colaboradores [terceirizados] é maior, e isso não é bom. Quando as mesmas pessoas atuam nessa função por um longo período, a confiança pode ser maior.” Para Jismália Alves, uma forma de as mantenedoras assegurarem um bom serviço terceirizado é cercar-se de cuidados antes de sua contratação e evitar “valores abaixo do mercado”.

SAIBA MAIS César Marconi atendimento@colegiomaryward.com.br

Marcos Moreno moreno@consultoriadeseguranca.com

Jismália Alves diretoria.marketing@sindeprestem.com.br

Na Próxima Edição: Terceirização - Limpeza

Direcional Escolas, Abril 2013

terceirização de serviços no controle de acesso tem se tornado cada vez mais comum nas instituições de ensino paulistas. A 6° Pesquisa Setorial promovida no ano passado pelo Sindicato das Empresas do segmento – Sindeprestem - indica a existência de 12 mil empresas especializadas no serviço no Estado de São Paulo. É uma área em ascensão, mas cabe às escolas analisar as vantagens de sua contratação ou não. No Colégio Mary Ward, da zona Leste de São Paulo, optou-se, por exemplo, pela parceria com uma empresa externa para auxiliar no controle de acesso de 750 alunos, divididos entre os períodos da manhã e tarde. Segundo o coordenador da instituição, César Marconi, uma das grandes vantagens na contratação do serviço se deve à confiança que os pais depositam ao perceber que os funcionários foram treinados para atuar em escolas. “Eles vestem uniformes e possuem uma abordagem especial para lidar com crianças, responsáveis e adolescentes. Isso cria um senso de segurança muito maior”, diz. “Além disso, há mais conforto quanto ao que ocorre dentro da escola, pois quando o controle funciona corretamente, evitamos muitas complicações.”

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EM PAUTA: TENDÊNCIAS EM EDUCAÇÃO

Por Rosali Figueiredo

OS “GAPS” DA EDUCAÇÃO BÁSICA NO PAÍS O quinto relatório com análise dos dados da Educação Básica no Brasil – o De Olho na Meta 2012 – foi divulgado no princípio de março pelo movimento Todos Pela Educação. Com base nos indicadores da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2011, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Movimento identificou dois principais “gaps” no acesso à educação no País: entre os três milhões de crianças e adolescentes que ainda estão fora das redes de ensino, mais de um milhão não encontra vaga na pré-escola e quase 20% dos adolescentes saíram ou nem chegaram ao Ensino Médio. A Emenda Constitucional 59, de 2009, prevê que o número de matriculados nos ciclos regulares, na faixa etária entre 4 e 17 anos, atinja a 100% desta população até 2016, índice que se encontra hoje em 92% (média geral). Os especialistas ligados ao Todos Pela Educação preveem um cenário otimista para a Educação Infantil, cuja rede vive grande expansão, e acreditam que o desafio maior seja cumprir a meta nos chamados anos finais da Educação Básica. Isto porque, o Ensino Médio, que recentemente passou por revisão, ganhou novas Diretrizes Curriculares em 2012, e agora está novamente em discussão no Congresso Nacional, ainda padece de um modelo que mobilize os jovens brasileiros.

NOS PASSOS DA UNIVERSALIZAÇÃO DO ENSINO Os senadores brasileiros aprovaram, na última semana de março, Medida Provisória do Governo Federal que prevê a alfabetização das crianças no País até os 8 anos de idade. O objetivo está expresso no Pnaic (Plano Nacional para a Alfabetização na Idade Certa), através do qual o Ministério da Educação deverá lançar uma série de medidas para garantir que até 2022 todas as crianças do País se encontrem alfabetizadas com 8 anos. De outro lado, no entanto, o Plano Nacional de Educação (PLC 103/2012), que deveria estar vigorando desde 2010, continua em trâmite no Senado. Composto de 20 metas gerais para a educação no Brasil, o dispositivo travou na questão do percentual do PIB – estimados em 10% na proposta original - que deverá ser destinado ao segmento. É um patamar inédito e muito superior aos cerca de 5% investidos em 2012.

RECURSOS DE ACESSIBILIDADE E INCLUSÃO A 11ª edição da Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade (Reatech) acontecerá nos próximos dias 18 a 21 de abril no Centro de Exposições Imigrantes, zona Sul de São Paulo. Prevista pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB), a inclusão de crianças e adolescentes com necessidades especiais nos ciclos escolares regulares tem levado aos mantenedores a preocupação em prover suas instituições de recursos de acessibilidade. Além da feira de expositores com produtos diversificados, o evento proporcionará algumas palestras na área da inclusão, entre elas a da especialista Arimary Alencar Boccoli – “Integrar para incluir, incluir para integrar” -, agendada para o dia 18, entre 15hs e 16hs, na Sala 4. Mais informações em www.reatech.tmp.br.

Direcional Escolas, Março 2013

SEGURANÇA E EFICIÊNCIA ENERGÉTICA NAS ESCOLAS

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A Abracopel (Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade) abriu seu “2º Concurso Nacional de Redação e Desenho ABRACOPEL – Eletricidade com Segurança”. Voltado aos alunos regularmente matriculados nas escolas públicas brasileiras, entre os 6 e 15 anos de idade, o concurso visa a despertar a consciência das crianças e adolescentes para o uso correto dos equipamentos elétricos. As inscrições vão até o dia 16 de agosto de 2013. Mais informações no site da entidade (em www.abracopel.org/ concurso/regulamento-concurso) ou através do email concurso@abracopel.org.br. Entre os prêmios anunciados, estão tablets e livros.


Direcional Escolas, Mar莽o 2013

Acess贸rios (E.V.A), Brindes, Bebedouros

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Direcional Escolas, Marรงo 2013

Cenotecnia (Teatro), Fachadas Temรกticas, Informรกtica, Laboratรณrio, Lousas, Pinturas Especiais

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Direcional Escolas, Março 2013

Manutenção (Serralheria), Molas para Portas, Móveis, Sinalização Digital

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Direcional Escolas, Marรงo 2013


Direcional Escolas, Mar莽o 2013

M贸veis, pisos

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Direcional Escolas, Marรงo 2013

Pisos, Playgrounds

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Direcional Escolas, Marรงo 2013

Playgrounds

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Direcional Escolas, Março 2013

Playgrounds, Quadras, Terceirização, Toldos

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Direcional Escolas, Marรงo 2013


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Direcional Escolas, Marรงo 2013

Revista Direcional Escolas Edição 87 – Abril/2013  
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