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Revista Comunidades - Junho 2022

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ANO 3 . Nº 15 . JUNHO 2022 . REVISTA MENSAL . PREÇO: 5€

“Mais do que falar em emigração, devemos hoje falar de presença portuguesa no mundo” PAULO PISCO Deputado do PS eleito pelo Círculo da Europa, em entrevista exclusiva à revista Comunidades

NUNO PINTO DE MAGALHÃES

SANTOS POPULARES

DIA DE PORTUGAL

A Portugalidade da cerveja Sagres no mundo

Em Portugal e nas comunidades portuguesas

Presidente da República nas comemorações em Braga e Londres

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ONLINE

Acompanhe diariamente as notícias que interessam aos portugueses e lusodescendentes que vivem e trabalham no estrangeiro e, também, aos países da lusofonia. WWW.REVISTACOMUNIDADES.PT ANO 1

. Nº 3 . NOVEM

BRO 2020 . REVIST A MENSA

L . PREÇO :

5€

ANO 2

. Nº 10 . NOVEMBR

O 2021 . REVISTA

MENSAL

. PREÇO:

5€

MEDIA PARTNE R OFICIAL

A CPLP PRECIS SE APROXIA DE MAIS DOMAR CIDADÃOSS ENTREVIST A FRANCISCO A EMBAIXAD OR RIBEIRO SECRETÁR TELLE IO EXEC UTIVO DA S, CPLP

ENTREVISTA

“A COOPER AÇ ECONÓMI ÃO EMPRESARIA CA E MATÉRIA À L É UMA ESTADOS-M QUAL OS VINDO A ATREMBROS TÊM CRESCENTE IBUIR UMA DEVIDO À ATENÇÃO, DAS ECONODINÂMICA PAÍSES E DA MIAS DOS PR ORGANIZAÇ ÓPRIA ÃO


DESTAQUES

4 EDITORIAL 03. PRESIDENT DA REPÚBLICA

SU MÁ RI

COMUNIDADES 5. Mensagem de sua excelência o Presidente da República para os leitores da revista Comunidades 6. Presidente da República visita a comunidade portuguesa em Andorra 10. Andorra um pequeno país na europa onde cerca de 12% da população é portuguesa 19. Dia de Portugal comemorado em Braga e no Reino Unido

POLÍTICA 24. Funcionários no Brasil anunciam “greve geral”

47. EM JUNHO COM OS SANTOS POPULARES HÁ FESTA À PORTUGUESA

FICHA TÉCNICA

Nº 15 | ANO 3 | JUNHO 2022 OCS inscrito na ERC: 127492 www.revistacomunidades.pt

LUSOFONIA 36. Brasil: Eleições de outubro vão contar com mais de 100 observadores internacionais 37. Guterres celebrou os 20 anos da retomada da independência do Timor-Leste

ECONOMIA 39. Tmall Global: a plataforma e-commerce da China além-fronteiras

40. NUNO PINTO DE MAGALHÃES

26. ENTREVISTA PAULO PISCO, DEPUTADO DO PS ELEITO PELO CÍRCULO DA EUROPA

22. LUÍS VAZ DE CAMÕES

nos Consulados e Embaixada a partir de 6 Junho

40. Nuno Pinto de Magalhães o homem por detrás de um grande ícone nacional 44. IX Reunião Anual de Câmaras de Comércio Portuguesas reuniu representantes nacionais e internacionais

CULTURA 47. Em junho com os Santos populares há festa à portuguesa 50. Sardinha: A rainha da mesa portuguesa

Estatuto Editorial: https://comunidadeslusofonas.pt/estatuto-editorial / Propriedade e Edição: Cevid - Cedilha Evidente, Lda Registo empresa jornalística na ERC: 224051 / NIF 515951960 (gerente: Abílio Bebiano) / Sócios com mais de 5% do capital – Abílio Bebiano 100% / Sede de Editor e Redação: Rua João de Ruão, nº 12 – Esc 121 – 3000-229 Coimbra /geral@cevid.pt / www.revistacomunidades.pt Diretor: Abílio Bebiano (CPTE 1206) / Coordenação editorial: Maria João Costa / Design e Paginação: Navega Vale, Lda (info@navegavale.pt) / Tiragem: 18.000 exemplares / Impressão: Gráfica Ediliber, Lda – Parque Empresarial de Eiras, Lote3 – 3020-265 Coimbra / Depósito legal: 472172/20 / Distribuição nacional e internacional: CTT e Garland. / Estatuto Editorial: https://comunidadeslusofonas.pt/estatuto-editorial / A Cedilha Evidente Lda não se responsabiliza pelo que é publicado nos artigos de opinião ou notícias enviadas por entidades colaboradoras, nem garante a veracidade ou exatidão de qualquer informação publicada nos mesmos. Os colaboradores que enviam as mensagens ou informações são responsáveis pelo seu conteúdo. Siga-nos diariamente em www.revistacomunidades.pt e nas redes sociais

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EDI T RIAL

sempre bem em qualquer visita oficial e criam expetativas. Recorde-se que o “discurso” já é repetitivo e foi iniciado no ano 2007, em que António Braga (PS) fez estas promessas, seguido por José Cesário (PSD), José Luís Carneiro (PS), Berta Nunes (PS) e agora Paulo Cafôfo (PS).

AS PROMESSAS DE PAULO CAFÔFO, A TAP E O PSD COM NOVO LÍDER ABÍLIO BEBIANO

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DIRETOR

aulo Cafôfo, atual Secretário de Estado das Comunidades, definiu as seis grandes áreas de atuação do seu Gabinete 1. Rede Consular. 2. Conselho das Comunidades Portuguesas e Ensino de Português no Estrangeiro. 3. Apoio Social e Programa Regressar 4. Autarquias, Gabinetes de Apoio ao Emigrante, associativismo e dinamização cultural. 5. Investimento e empreendedorismo da diáspora. 6. Produção legislativa e processos eleitorais. No roteiro de visitas, iniciado no passado mês de abril às comunidades portuguesas e com o slogan “Portugal no Mundo: Caminhos para a Valorização das Comunidades Portuguesas”, parece prometer algo de novo na comunicação com os portugueses e lusodescendentes que vivem e trabalham no estrangeiro. Esperemos que o discurso não se fique apenas pelas palavras, que ficam

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Veremos se desta vez resulta e se, finalmente, os portugueses residentes no estrangeiro começam a andar mais tranquilos e protegidos, deixando de ter necessidade de marcações com 2/3/4/5 meses para tratar qualquer assunto e em qualquer consulado da europa e no resto do mundo. Paulo Cafôfo disse, em Luanda, que esteve reunido com a presidente-executiva da TAP, tendo manifestado “uma grande preocupação” no que diz respeito a servir os países que têm comunidades portuguesas, bem como aqueles com os quais Portugal mantém relações privilegiadas. “A questão é vermos, em termos de crescimento, aquilo que é possível fazer dentro do contexto em que a TAP está e há opções que são da própria administração, e não do Governo”, disse o Secretário de estado das Comunidades. Mas, sendo o Estado o acionista maioritário da TAP não tem uma palavra a dizer, ou apenas serve para fazer injeções de capital na companhia com o dinheiro dos contribuintes? Aqui está um assunto que poderemos abordar numa próxima edição, com sugestões para uma solução que permita realmente a TAP ser uma companhia de bandeira servindo os interesses dos portugueses.

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Luís Montenegro, que ganhou preponderância política com Pedro Passos Coelho, ao assumir a liderança do grupo parlamentar após as eleições legislativas de 2011, ganhas pelo PSD é o novo líder do PSD, tendo conseguido mais de 70% dos votos, numas eleições disputadas contra Jorge Moreira da Silva. Nas declarações prestadas após os resultados da votação, prometeu um PSD “mais coeso e mais unido”, afirmando que “vai conseguir reencontrar-se com os portugueses, conquistando a sua confiança ao longo dos próximos anos. Não podemos deixar de recordar que Luís Montenegro, que agora pretende um partido “coeso e unido”, em janeiro de 2020 e em plena preparação de campanha eleitoral, desafiou Rui Rio, num ato de pura destabilização, um líder sério e honesto que não está na política para enriquecer, mas sim para servir o país com uma visão de futuro. Memórias curtas, como nos filmes de curta-metragem. Este ano o país comemora o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas em Braga e Londres, junto da comunidade portuguesa no Reino Unido. Como sempre, damos importância a este dia, que é de todos os portugueses e, em especial, dos que vivem e trabalham no estrangeiro e que o Presidente da República nunca esquece. Para levar um pouco do nosso Portugal a estes conterrâneos a revista Comunidades acompanhará estes eventos com oferta de exemplares nos locais das celebrações.


O Presidente da República MENSAGEM DE SUA EXCELÊNCIA O PRESIDENTE DA REPÚBLICA DIA DE PORTUGAL PARA A REVISTA COMUNIDADES 10 DE JUNHO DE 2022 Caras e Caros compatriotas, O mês de junho celebra momentos felizes para os Portugueses que vivem e trabalham fora das fronteiras físicas do nosso País. O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas é um dia especial para todos nós, mas sobretudo para quem está mais longe, como é o caso dos compatriotas e luso-descendentes espalhados pelo mundo. É com imensa alegria que, este ano, voltamos a celebrar o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas em Portugal, na cidade de Braga, e também junto dos nossos compatriotas do Reino Unido e de Andorra, regressando ao convívio fraterno com que temos vindo a assinalar esta data com compatriotas e lusodescendentes que residem e trabalham fora das fronteiras físicas de Portugal. É por isso que começo por agradecer à Revista Comunidades a oportunidade de me dirigir a tantos outros de vós. E fazendo-o trago três palavras. A primeira de gratidão. Gratidão por mais um ano de resistência e superação da pandemia. Agradecimento pelos sacrifícios passados à distância. Agradecimento pela saudade, pela não vinda, como ainda aconteceu com tantos de Vós no último Verão, agradecimento pelo apoio que sempre deram a familiares e amigos, aos compatriotas residentes em Portugal. Nesta palavra de agradecimento cabe ainda uma referência à Vossa participação nos atos eleitorais que elegeram o novo Governo de Portugal. Participação que saúdo e que estimulo, reafirmando o meu empenhamento para que se ultrapassem dificuldades identificadas com que são confrontados os compatriotas votantes espalhados pelo mundo.

A segunda palavra é de confiança. Os meses que se avizinham não deixarão de trazer, para nós portugueses, novos e ambiciosos desafios. Desde logo na recuperação do pós-pandemia, uma recuperação económica e social que já começamos e queremos continuar com a ajuda e o empenho de todos, independentemente do local que escolheram para viver ou trabalhar. Uma lição dos meses que atravessamos é a de que não há ilhas no nosso mundo. E nós, Portugal, nós, compatriotas, somos tudo menos uma ilha. Fraternidade lusófona, integração europeia, relacionamento transatlântico, estreitamento euro-africano e iberoamericano, solidariedade multilateral são caminhos que devemos continuar a cultivar e a trilhar. É a nossa maneira de ser, mas é igualmente a nossa força, esta capacidade de estabelecer pontes entre culturas, civilizações, oceanos e continentes. Peço-vos que assim continuem, pensando no que significa essa dimensão global do Ser Português. Finalmente, uma palavra devida ao momento presente, e à necessidade de nos afirmarmos como construtores de paz. A paz para o Povo Ucraniano, que temos acolhido em Portugal e ajudado em todo o mundo. A paz pela compreensão dos sacrifícios vividos e pelo empenho na superação de desafios futuros. A paz como o exemplo que sempre demos, na nossa integração entre outros povos, culturas e sociedades. Conto convosco. Portugal conta convosco.

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Marcelo Rebelo de Sousa Lisboa, Palácio de Belém

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PRESIDENTE DA REPÚBLICA VISITA A COMUNIDADE PORTUGUESA EM ANDORRA Apesar do elevado grau de integração no seu país de acolhimento, a Comunidade portuguesa em Andorra vive e partilha com grande orgulho e emoção as suas origens, tradições e cultura e espera ansiosamente a visita de Marcelo

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COLABORAÇÃO DE ANA COELHO | CÔNSUL-GERAL DE PORTUGAL EM BARCELONA

Comunidade portuguesa em Andorra constitui um pilar basilar do relacionamento bilateral entre Portugal e o Principado, sendo para mim uma honra poder servir uma Comunidade tão talentosa, que muito dignamente promove o nosso país. Os portugueses representam a segunda maior comunidade estrangeira em Andorra, a seguir à espanhola, estimando-se em cerca de 11 000 o número de cidadãos nacionais e luso-descendentes ali residentes, ou seja, 14 % da população. Há várias décadas, mulheres, homens e jovens portugueses têm vindo a contribuir de forma relevante para o tecido económico e o bem-estar social do país onde residem. Um contributo muito valorizado pela sociedade e as autoridades andorranas, como tenho podido constatar pessoalmente. A Comunidade portuguesa está ativamente presente em todos os setores-chave da economia de Andorra, seja na construção civil, na hotelaria, no comércio ou nos serviços, haven-

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do um grande reconhecimento do dinamismo e do profissionalismo dos empresários portugueses e luso-descendentes no país. Outro motivo de orgulho nacional são os nossos luso-descendentes, muitos dos quais integram a administração pública, as forças de segurança e as autoridades municipais. Esta presença é reveladora da admirável integração da nossa Comunidade e do seu importante papel na sociedade e nas instituições públicas em Andorra. Nas eleições locais de 2019, foram eleitos quatro jovens luso-descendentes em três municípios (Andorra la Vella, Sant

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Jullà de Lòria e Escaldes-Engordany), um desenvolvimento da maior importância para a nossa Comunidade no Principado, mas também para o nosso país. Quanto mais forte for a participação cívica e política dos portugueses e dos luso-descendentes em Andorra, mais forte será a sua voz coletiva e mais forte será a presença portuguesa nas estruturas políticas e sociais. Logo, mais fortes serão também os laços de amizade entre Portugal e Andorra. Apesar do elevado grau de integração no seu país de acolhimento, a Comunidade portuguesa em Andorra vive e partilha com grande orgulho e emoção as suas origens, tradições e cultura, me-


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recendo particular menção o excelente trabalho desenvolvido pelas associações portuguesas ali atuantes e o empenho da nossa Comunidade na preservação e na difusão da língua portuguesa. É sempre muito gratificante testemunhar a dedicação com que mães e pais incutem nos seus filhos o gosto pela língua de Camões e os valores associados àquele sentimento tão definidor da alma lusitana - a saudade, sempre presente e reconfortante. É também por tudo isto que em cada deslocação a Andorra me sinto como se a casa regressasse. O ensino da língua portuguesa em Andorra é assegurado pela Rede de Ensino de Português no Estrangeiro (EPE), ministrado maioritariamente, em regime paralelo, exceto no Lycée Comte de Foix onde se leciona em regime integrado. No regime de ensino paralelo, a língua e cultura portuguesas são lecionadas em 10 escolas públicas. No presente ano letivo, incrementámos o número de docentes no Principado, passando a ter uma equipa local constituída por três professoras. No âmbito universitário, releva-se o Protocolo de Cooperação que o Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, I.P. assinou com a Universidade de Andorra em 2013 e que permitiu a criação de cursos livres de PLE. Em setembro de 2017, foi criada a Cátedra Camões. As principais linhas de investigação são: Multilinguismo e políticas linguísticas no Principado de Andorra; Estudos sobre Intercompreensão entre quatro línguas românicas: português, catalão, espanhol e francês; Didática da Língua Portuguesa e da sua Literatura; Estudos de Cultura Portuguesa e a relação com Andorra; As relações entre Portugal e Andorra no âmbito educativo, cultural,

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político e social; e Sociolinguística da língua portuguesa em Andorra. O envolvimento da nossa Comunidade também tem sido instrumental para a ação cultural promovida por Portugal com o apoio do Camões - Instituto da Cooperação e da Língua. Em 2021, Andorra passou a integrar o circuito do Festival Internacional de Fado. Inaugurado com a fadista Fábia Rebordão, este ano, o Festival regressará ao Principado no dia 16 de julho com a artista Cuca Roseta. No ano passado, também organizámos um ciclo de cinema dedicado à “Revolução dos Cravos” por ocasião das comemorações do 25 de Abril. Ambas as iniciativas contaram com a generosa colaboração do Comú de Andorra la Vella.

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No Plano de Ação Cultural desenvolvido pela Coordenação de Ensino realizam-se, anualmente, três eventos: «Vamos ao teatro em português», «Encontros com a literatura» e o «Concurso literário Sant Jordi». A ação «Vamos ao teatro em português» conta com a participação de companhias de teatro pedagógico que integram na sua programação obras literárias do Plano Nacional de Leitura. Nos «Encontros com a literatura» colaboram escritores portugueses, especializados em literatura infantojuvenil. Por sua vez, o «Concurso literário Sant Jordi» é uma iniciativa promovida pelo Instituto Maria Moliner e a Consejería de Educação da Embaixada de Espanha no Principa-


do, na qual a Coordenação de Ensino participa na organização do prémio literário em língua portuguesa. Após uma longa ausência, em 2021, sob impulso do Embaixador de Portugal em Espanha e Andorra, também se retomaram as comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, numa celebração organizada pela e para a Comunidade, que contou com o apoio de empresários da diáspora e das autoridades de Andorra la Vella. Devido à situação pandémica, apenas este ano será possível tornar realidade um sonho pensado conjuntamente com a Comunidade em 2020, com a realização de uma festa popular no Parque Central de Andorra nos dias 11 e 12 de junho. Estas festividades, organizadas pela comunidade, empresários e associações portuguesas com a colaboração das autoridades do Principado e da cidade de Andorra la Vella, estarão abertas ao público numa celebração que também pretende assinalar o sentimento de irmandade que une os dois países e a excelência do seu relacionamento bilateral. O próximo mês de dezembro marcará o 28.º aniversário do estabelecimento das Relações Diplomáticas entre Portugal e Andorra. Entre as diversas atividades previstas para aqueles dois dias estão: um desfile pelas ruas de Andorra la Vella da Tuna Académica «Rausstuna» acompanhada pelo Grupo de Bombos da Casa de Trás-os-Montes, um espetáculo musical com jovens talentos promovidos pela «Nova Elegance», uma Missa Campal cantada, a interpretação dos hinos nacionais de Portugal e Andorra pelos alunos de português, atuações dos Grupos de Folclore

da Casa Portuguesa e da Associação do Alto Minho e um arraial popular. Recorde-se que as Comunidades portuguesas foram associadas ao Dia de Portugal num reconhecimento do seu significado para o nosso país, do contributo que podem dar enquanto presença portuguesa no estrangeiro e do papel que desempenham na aproximação entre povos. Face ao acima exposto, penso que a Comunidade portuguesa em Andorra é uma expressão viva destas aspirações em toda a sua plenitude. Será, assim, motivo de grande regozijo a presença de Sua Excelência O Presidente da República nas comemorações que se avizinham do Dia de Portugal em Andorra. Tratar-se-á da

terceira visita do Senhor Presidente Marcelo Rebelo de Sousa ao Principado, em mais um testemunho da sua estima pela nossa diáspora e da profunda amizade existente entre Portugal e Andorra. Gostaria de aproveitar esta oportunidade para agradecer à nossa Comunidade em Andorra a forma calorosa com que sempre sou recebida e a sua infinita disponibilidade para colaborar com as iniciativas promovidas por Portugal através do Consulado Geral em Barcelona, do Consulado Honorário em Andorra e da Rede EPE. Agradecimento este que se estende ao Cônsul Honorário, aos funcionários do Consulado Honorário em Andorra e ao Conselheiro das Comunidades, pelo seu inestimável apoio à Comunidade.

ANA ISABEL TEIXEIRA COELHO Licenciada em Relações Internacionais pela Universidade Lusíada e titular de um Mestrado em Estudos de Desenvolvimento pela School of Oriental and African Studies (SOAS) da Universidade de Lon-

UE em Trípoli (2013-2016); como Chefe de Divisão dos Assuntos Relativos às Nações Unidas na Direção de Serviços das Organizações Políticas Internacionais (2016-2017); como Chefe de Divisão da América

dres e de uma pós-graduação em Estudos Europeus pela Faculdade de Direito de Lisboa. Ingressou na carreira diplomática portuguesa em junho de 2005, tendo, desde então, exercido funções na Direção de Serviços das Organizações Políticas Internacionais (2005-2008); no Escritório de Representação de Portugal em Ramallah (20082010); na Missão Permanente de Portugal junto da Organização das Nações Unidas, em Nova Iorque (2010-2013); no Serviço Europeu de Ação Externa, na Delegação da

do Norte, integrado na Direção de Serviços das Américas da Direção-Geral de Política Externa (20172019); e como Cônsul-Geral de Portugal em Barcelona desde 20 de janeiro de 2020.

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ANDORRA UM PEQUENO PAÍS NA EUROPA ONDE CERCA DE 12% DA POPULAÇÃO É PORTUGUESA O principado de Andorra é um pequeno país do sul da Europa com apenas 468 km2, localizado entre a França, que fica ao norte, e a Espanha, que fica ao sul e que compartilham o Poder Executivo do território andorrano, cujo sistema de governo é o coprincipado parlamentarista.

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relevo montanhoso é um dos principais determinantes do clima no país, caracterizado por temperaturas amenas. Andorra é considerado um país desenvolvido, e sua economia concentra-se no setor terciário, com destaque para as atividades financeiras e o turismo. O país é considerado um paraíso fiscal. Pouco menos de metade da população do país (48,8%) é composta por andorranos, estando a restante população repartida por cerca de 25% espanhóis, 12% portugueses, 4,4% franceses e 9,7% oriundos de outros países não citados. Assim, além da língua oficial, que é o catalão, os idiomas espanhol, português e francês são falados no país.

GOVERNO DA ANDORRA O sistema de governo de Andorra é o coprincipado parlamentarista. Isso significa que o Poder Executivo do país é composto por dois príncipes. Um deles é o presidente da França, e o outro é espanhol, o bispo de Urgel, cargo eclesiástico.

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INFRAESTRUTURA DA ANDORRA Os deslocamentos em Andorra são feitos principalmente por via terrestre. O país possui 320 km de estradas, de acordo com informações de 2019. As duas principais são aquelas que interligam o principado à Espanha e à França: respetivamente, a Carretera General 1 (CG-1), que parte da capital, e a CG-2, com origem na paróquia (ou distrito) de Encamp. A CG-3 liga a região central de Andorra, área de onde partem as estradas mencionadas anteriormente, à parte noroeste do território.

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OS CIDADÃOS PORTUGUESES REPRESENTAM CERCA DE 14% DA POPULAÇÃO DO PRINCIPADO, PERMANECENDO ASSIM COMO A SEGUNDA MAIOR COMUNIDADE ESTRANGEIRA RESIDENTE


A COMUNIDADE PORTUGUESA EM ANDORRA Estima-se que residam em Andorra cerca de 11.000 portugueses, sendo que as estatísticas oficiais locais referem o número de cidadãos nacionais residentes no principado como sendo, em 2021, de 8.952.

Não há aeroportos no país. O aeroporto de Andorra-La Seu d’Urgell, que fica na Espanha, é um dos mais próximos para o acesso ao país. Toda a população andorrana tem acesso aos serviços de saneamento básico e à eletricidade. Quanto à internet, os dados mais recentes da ONU mostram que esse serviço chega a 91,6% dos habitantes.

HISTÓRIA DE ANDORRA Há registos de ocupações humanas onde hoje se localiza o território andorrano desde a Pré-História. Com o passar do tempo, a área esteve sob a influência de diversos povos estrangeiros, como: romanos, visigodos, francos e muçulmanos. Andorra tornou-se um principado no ano de 1278 através de um acordo assinado pelo bispo de Urgell, na região da Catalunha, e o conde de Foix, da França. Durante um extenso período, que durou

até o século XX, o país foi governado exclusivamente por dois príncipes, que foi o estabelecido pelo acordo, sendo um representante da França, e o outro, o bispo de Urgell. Uma nova Constituição, elaborada no ano de 1993, deu lugar ao sistema de governo atual: o coprincipado parlamentarista. A partir de então, Andorra passou a ter um Parlamento ou Conselho Geral, responsável pelo Poder Legislativo do país.

DEMOGRAFIA DA ANDORRA Andorra é um dos países menos populosos da Europa, com 77 mil habitantes, que se concentram nos principais vales do território andorrano. A taxa de crescimento populacional do país tem sido negativa nos últimos anos (-0,2% em 2020 e -0,1% em 2021). Uma parcela de 87,9% da população vive nas cidades. A maior delas é a capital, Andorra-a-Velha, com 22.600 habitantes.

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Os cidadãos portugueses representam cerca de 12% da população do principado, verificando-se um ligeiro aumento em relação ao ano anterior, e permanecendo assim como a segunda maior comunidade estrangeira residente, logo a seguir à espanhola (31%), ocupando a França a 3.ª posição (5%). As principais áreas de residência estão localizadas em Andorra la Vella, Encamp, Escaldes-Engordany, Sant Juliá de Lòria, La Massana, Canillo e Ordino. A construção civil, comércio, hotelaria, serviços e restauração são as áreas profissionais dominantes na comunidade portuguesa. Cerca de 300 empresários terão origem portuguesa e alguns luso-descendentes desempenham cargos de relevo na administração pública, polícia e setor bancário. Acresce ainda que, atualmente, existem 4 vereadores luso-descendentes a desempenhar funções em 3 câmaras: Andorra la Vella, Sant Julià de Lòria, e Escaldes-Engordany. Existem nove muito ativas associações de portugueses.

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A idade média da população de Andorra é 46,2 anos. Por sua vez, a expectativa de vida ao nascer é uma das mais elevadas de todo o planeta: 83,23 anos, sendo cinco anos maior para mulheres (85 anos) do que para homens.

ECONOMIA DE ANDORRA O Produto Interno Bruto (PIB) de Andorra é de US$ 3,23 bilhões, enquanto o seu valor per capita ficou em US$ 42.051,6, bastante elevado e comparável aos números registados para países como a França e a Bélgica. A economia do país é concentrada no setor de serviços, que responde por 88,5% do PIB (ONU, 2020). O turismo e o comércio são as principais fontes de receita de Andorra. O país dispõe de atrativos turísticos que vão desde as famosas estações de esqui até museus e suas paisagens naturais. Andorra recebe, em média, 8 milhões de turistas por ano, a maioria vinda dos países vizinhos (França e Espanha). Além do comércio e turismo, destaca-se também os serviços financeiros. A indústria representa 11% da economia do país, voltada para a produção de móveis e tabaco. A agricultura responde por apenas 0,5% do PIB, uma vez que somente 5% das terras são consideradas aráveis. Alguns produtos do setor primário são trigo, aveia, centeio e cevada. Na pecuária, destaca-se a criação de caprinos e gado.

CULTURA DA ANDORRA A cultura do principado de Andorra é formada pelas influências oriundas da

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França e da Espanha, com maior presença de manifestações culturais de origem catalã. Além disso, o calendário festivo do país é marcado por celebrações religiosas predominantemente católicas. Um dos principais festejos é a Festa Nacional de Andorra, que ocorre em 8 de setembro, no santuário da Virgem de Merixtell, considerada a santa padroeira do país. O início do solstício de verão é comemorado com os festivais do fogo ou falles, considerados Património Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco. Entre os pratos típicos do país, está a escudella, de origem catalã, que é um cozido feito com carne suína e legumes.

TURISMO Andorra é considerada como um dos centros turísticos mais importantes da Europa. Recebe uma grande quantidade de visitantes que estão interessados em fazer compras, devido aos magníficos preços e produtos do país; assim como

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praticar desportos de inverno e de montanha, ou realizar excursões e rotas para descobrir Andorra por completo. As estações de esqui são grandes atrativos turísticos de Andorra.

CURIOSIDADES SOBRE ANDORRA A defesa de Andorra fica por conta das forças armadas da França e da Espanha. O país não possui um sistema nacional de defesa estruturado, e a segurança da população é feita por um pequeno corpo policial. Com exceção de situações de emergência, o exército de Andorra atua apenas fazendo as saudações em cerimónias oficiais. É o território com maior número de museus por quilômetro quadrado do mundo. As áreas declaradas como Património da Humanidade pela Unesco em Andorra somam 10% do território. Andorra é considerada um paraíso fiscal.


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ASSOCIAÇÃO MIGRANTE DE BARCELOS DE TORONTO GANHA HINO INSPIRADO NO FAMOSO GALO

BOLIEIRO QUER MOSTRAR AÇORES DO FUTURO ÀS NOVAS GERAÇÕES DE EMIGRANTES

A Associação Migrante de Barcelos de Toronto ganhou um novo hino inspirado no seu famoso galo. A música, da autoria do candidato Liberal a MPP de Davenport, Jerry Levitan, foi apresentada à comunidade na 1ª Bênção dos Capacetes da Moto Galos que se realizou no Centro Cultural Português de Bradford, em maio último. O novo hino da Associação chama-se “The Legend of the Rooster of Barcelos” e Levitan é um conhecido artista e produtor de Toronto.

SEMANA DE PORTUGAL REGRESSA, MAS CONCERTOS SÃO ADIADOS PARA 2023 A Aliança dos Clubes e Associações Portuguesas do Ontário (ACAPO), que organiza a Semana de Portugal em Toronto, adiou os concertos previstos para junho, “devido a incertezas num subsídio provincial”. A organização tinha previsto retomar este ano os concertos no parque Earlscourt, com a presença de Miguel Gameiro e Olavo Bilac, vindos de Portugal, e também do cantor luso-descendente Shawn Desman, previstos para os dias 10, 11 e 12 de junho, mas foram, entretanto, cancelados.

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presidente do Governo dos Açores desafiou os diretores de órgãos de comunicação social da diáspora dos Estados Unidos da América e do Canadá a “falar do futuro” dos Açores e do papel do arquipélago no mundo. “Deixei aqui também um desafio, para falarmos do futuro dos Açores na economia global. É, efetivamente, um piscar de olhos às novas gerações de emigrantes açorianos e seus descendentes, que podem ter menos familiaridade com a raiz e a origem, mas podem construir uma identidade de proximidade com o presente e o futuro dos Açores”, afirmou José Manuel Bolieiro, em declarações aos jornalistas após receber os representantes de comunicação social da diáspora, em visita oficial à região. No Palácio de Sant’Ana, sede da presidência do Governo Regional, Bolieiro falou à comunicação social do futuro do

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mar, do espaço ou da sustentabilidade dos Açores, fazendo depois uma visita guiada ao interior e à história do edifício, classificado como Monumento Regional. O chefe do Governo reconheceu que “uma parte do conhecimento” que os descendentes açorianos nos Estados Unidos e no Canadá têm “resulta do testemunho de vida dos avós, que relatam uma história que os levou a sair do arquipélago e que não corresponderá, hoje, ao estado da vivência” na região. “Esta geração deve ter um conhecimento atualizado do que somos e podemos ser”, observou. O diretor do semanário Portuguese Times, de New Bedford (Massachusetts), Francisco Resendes, considerou que a visita à região serve, “acima de tudo, para mostrar os Açores às suas comunidades”, além da “partilha de experiências e possibilidades de parcerias”. Por outro lado, disse, há que fazer um “debate e reflexão sobre o futuro da comunicação social de língua portuguesa”.


OPINIÃO

“DA MINHA LÍNGUA VÊ-SE O MAR.” Vergílio ferreira PAULO CAFÔFO

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Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas celebra, anualmente, os portugueses e a importância da sua presença, por todo o mundo. É um dia de homenagem e de valorização, tal como o sentido do roteiro “Portugal No Mundo: Caminhos Para Valorização Das Comunidades Portuguesas”, uma iniciativa que tenho promovido nas visitas que realizo aos países da nossa diáspora, colocando em evidência uma série de áreas que permitem reconhecer a importância dos portugueses na afirmação do nosso país no mundo. Os portugueses são verdadeiros embaixadores de Portugal, perpetuando a escolha portuguesa de diálogo e aproximação de povos e culturas, contribuindo para a divulgação da nossa língua e da nossa cultura, transportando nas suas vivências um legado que passa de geração em geração. São assim elementos fundamentais de afirmação e de modernidade num mundo global. O português, ao ser a 4.ª língua mais falada no mundo, tem um enorme potencial de facilitação de contactos e acesso a um mercado de mais de 260 milhões de falantes nas mais díspares latitudes. A Rede de Ensino do Português no Estrangeiro, quer pela sua contribuição para o ensino do português aos luso-descendentes, mas também como oferta de

SECRETÁRIO DE ESTADO DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS

língua estrangeira no sistema de ensino dos diferentes países, é uma prioridade política. É nossa função, reconhecendo o presente - nas suas potencialidades e desafios -, olhando para o futuro e homenageando e promovendo uma herança comum, proteger, apoiar e valorizar as comunidades portuguesas, nas dimensões de participação cívica e social, económica e empresarial, bem como de afirmação de identidade cultural e integração. O trabalho que desenvolvemos converge no sentido da preservação da herança portuguesa e dos valores da diáspora, no âmbito dos quais se identifica no associativismo um papel incontornável, seja na área da língua portuguesa, na cultura e, de forma expressiva, no reforço da portugalidade no mundo. Celebrar o 10 de junho é também comemorar a memória, a saudade e o português como instrumento veicular destes valores e fator de coesão das nossas comunidades. A valorização do potencial e da dimensão, enraizamento e vinculação a Portugal das comunidades portuguesas residentes no estrangeiro, é crucial na afirmação internacional de Portugal e no desenvolvimento do tecido económico e empresarial do país, bem como de promoção da coesão territorial, combate às desigualdades e valorização dos territórios, e dos produtos endóge-

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nos, permitindo atrair investimento e pessoas, e internacionalizar os produtos e serviços. Este impacto não se confina à mera dinamização empresarial e económica, assume-se como um veículo de aproximação e de criação de laços entre os portugueses espalhados por todo o mundo e o país, nomeadamente nas gerações mais novas. Estamos comprometidos em implementar programas e iniciativas, tal como o Contingente especial de acesso ao ensino superior para lusodescendentes e o Programa Nacional de Apoio ao Investimento da Diáspora, no sentido de reforçar as ligações das novas gerações ao país e de acolher, acarinhar e facilitar o empreendedorismo de todos os portugueses pelo mundo. É a força que temos na construção da “Marca Portugal” reconhecidamente de excelência em todos os campos, da ciência à cultura, passando pelo desporto e turismo. Trabalhamos, assim, todos os dias, para que as políticas públicas definidas para as comunidades portuguesas, possam ajudar os portugueses e lusodescendentes a realizarem o seu potencial como ativo estratégico do nosso país que são. A cada 10 de junho celebramos Portugal, Portugal no mundo e os portugueses que cruzaram terra e oceanos, e têm voz nos cinco continentes. A diáspora leva Portugal ao mundo e traz o mundo a Portugal.

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ENTREVISTA

OPINIÃO

FUNDAÇÃO ANTÓNIO AMARAL: UMA MISSÃO DE APOIO A ALUNOS LUSODESCENDENTES NA FLÓRIDA DANIEL BASTOS

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ntre as características mais distintas da diáspora, a enorme capacidade empreendedora e o seu forte espírito de solidariedade, são seguramente das que mais sobressaem no código genético das comunidades lusas espalhadas pelos quatro cantos do mundo. Ao longo das décadas têm sido inúmeras as campanhas solidárias, as iniciativas de apoio e os gestos de altruísmo protagonizados, a título individual ou coletivo, pelos portugueses no estrangeiro em prol de causas, valores e pessoas, muitas delas concidadãos que por vicissitudes da vida encontram na generosidade de muitos compatriotas uma bússola e um porto de abrigo. Um desses exemplos de espírito solidário é o que no decurso dos últimos anos vários empresários portugueses da diáspora têm protagonizado ao nível da atribuição de bolsas de estudo a alunos lusodescendentes. Trata-se de uma ação benemérita que tem tido um papel essencial não só na promoção da cultura e língua portuguesa no mundo, como também na capacitação e valorização das comunidades portuguesas, e na dinamização da participação de jovens lusodescendentes no pulsar do movimento associativo.

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HISTORIADOR

O EMPRESÁRIO LUSO-AMERICANO TONY AMARAL, NO DECURSO DE UMA CERIMÓNIA DE ENTREGA DE BOLSAS DE ESTUDO PELA FUNDAÇÃO ANTÓNIO AMARAL A JOVENS DE ORIGEM PORTUGUESA NA FLÓRIDA Um dos exemplos paradigmáticos da dimensão e importância do apoio dos empresários da diáspora a alunos lusodescendentes é o que tem sido dinamizado desde a primeira década do séc. XXI pela Fundação António Amaral, em Palm Coast, cidade localizada no estado da Flórida, nos Estados Unidos da América. Radicado há mais de meio século na América, o empresário no sector da construção e imobiliário Tony Amaral, benemérito e fundador da comunidade portuguesa de Palm Coast, instituiu em 2006 a Fundação António Amaral com a missão de atribuir bolsas de estudo a jovens de origem portuguesa na Flórida. Há 16 anos consecutivos que a Fundação António Amaral, através do espírito empreendedor e ação solidária do emigrante natural de Ovar, entrega bolsas de estudo a alunos lusodescendentes na Flórida, tendo até ao momento, distribuído 223 bol-

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COMUNIDADES

sas, no montante superior a 355 mil dólares. Este ano, as candidaturas às bolsas de estudo da Fundação António Amaral estiveram abertas até 20 de maio, sendo que as mesmas serão entregues aos respetivos contemplados durante uma cerimónia simbólica em Palm Coast no dia 6 de junho, no âmbito das celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Este exemplo paradigmático da dimensão e importância do apoio dos empresários da diáspora a alunos lusodescendentes, e outros que possam estar atualmente a ser dinamizados no seio das comunidades portuguesas, relembra-nos a frase lapidar do escritor Franz Kafka: “A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana”.


COMUNIDADES

PAULO PISCO PRESENTE NA GALA PORTUGUESES DE VALOR

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ais uma vez a Lusopress, publicação de língua portuguesa editada em França, vai realizar a Gala dos Portugueses de Valor, desta vez em Paris, consagrando mais 10 individualidades com o prémio Português de Valor. Para além da atribuição desse prémio também serão atribuídos prémios de Honra e Mérito. Paulo Pisco, Deputado eleito pelo círculo da Europa, vai marcar presença neste evento que tem lugar na Sala Vasco da Gama, em Valenton (Paris), para a qual estão nomeados 87 portugueses que desenvolvem a sua vida profissional em vários países. As duas primeiras edições de Portugueses de Valor tiveram lugar em França, na terceira edição decidimos que seria Portugal a acolher os Portugueses de Valor.

AÇORIANO FAZ COMÉDIA EM PORTUGUÊS NOS ESTADOS UNIDOS COM REFERÊNCIAS DA TERCEIRA

Desde então foram sete os municípios anfitriões que deram a conhecer o que de melhor cada região tem, Troia, Viana do Castelo, Açores, Leiria, Boticas, Figueira da Foz e Faro receberam dezenas de portugueses vindos de França, Inglaterra, Estados Unidos, Bélgica e também de Portugal, muitas destas regiões desconhecidas para alguns, segundo Lídia Sales, diretora da Lusopress.

Hugo Brito, que emigrou da ilha Terceira para os Estados Unidos quando tinha 11 anos, criou um espetáculo de comédia totalmente em português para a comunidade luso-americana com a personagem Vavó Brito, inspirada nas personagens que o pai e o padrinho faziam no Carnaval da Terceira. Acessível nas redes sociais como “The Brito Comedy”, o próximo espetáculo é em Stevinson, Califórnia, a 16 de junho, seguido de uma angariação de fundos no Massachusetts e um possível regresso ao Canadá.

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COMUNIDADES

PORTUGAL, UM REGALO GASTRONÓMICO NA GRANDE ÉPICERIE DE PARIS A iniciativa “Portugal, quel régal” na Grande Épicerie de Paris, um dos supermercados mais requintados da cidade, destaca até 7 de julho mais de 300 produtos portugueses de alta gama, desde o azeite, chocolate, às conservas e o piripiri. Foram selecionadas mais de 40 empresas nacionais, que apresentam produtos exclusivos e típicos, representativos da vasta gama de diversidade culinária e da gastronomia portuguesa. Objetivo passa por criar um novo espaço permanente de venda de produtos portugueses nestas lojas.

PORTUGALIDADE VOLTA A ANIMAR VILA DE PONTAULTCOMBAULT EM JUNHO Depois de dois anos “a meio gás”, a Associação Portuguesa Cultural e Social APCS de Pontault-Combaul realiza a 46ª edição da festa franco-portuguesa, a 4 e 5 de junho. Sobem ao palco artistas como Calema, Ruben Aguiar, Gypsies, Johnny Abreu, 100 Limit, Soul Power, Carlos Pires, Céline ou Jota Efe. Anualmente, 30 mil pessoas enchem o parque do Hôtel de Ville de Pontault-Combault para apreciar não só o talento luso, mas também degustar o melhor da gastronomia portuguesa nas habituais “barraquinhas” de comes e bebes e venda de produtos tradicionais e alimentares portugueses.


DIA DE PORTUGAL COMEMORADO EM BRAGA E REINO UNIDO. JORGE MIRANDA PRESIDE COMISSÃO As comemorações do Dia de Portugal decorrerão este ano em Braga e também junto das comunidades portuguesas no Reino Unido, foi divulgado num despacho do Presidente da República, que designa o constitucionalista Jorge Miranda presidente da comissão organizadora.

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despacho publicado em Diário da República estabelece que, “para a organização das comemorações é constituída uma Comissão presidida por Professor Doutor Jorge Miranda, professor catedrático jubilado da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa”. A comissão integra ainda o almirante António da Silva Ribeiro, Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, Fernando Frutuoso de Melo, chefe da Casa Civil do Presidente da República, o Vice-Almirante Luís de Sousa Pereira, chefe da Casa Militar do Presidente da República, Rita Magalhães Collaço, secretária do Conselho de Estado, o Tenente-General João Vaz Antunes, secretário do Conselho Superior de Defesa Nacional, Ana Cristina Baptista, secretária-Geral da Presidência da República, e a embaixadora Clara Nunes dos Santos, Chefe do Protocolo do Estado. O despacho do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, datado de 31 de janeiro, designa “a cidade de Braga como sede das comemorações, em 2022, do Dia de Portugal, de Camões e das

Comunidades Portuguesas, bem como junto das comunidades portuguesas no Reino Unido, e estabelece a constituição da Comissão Organizadora”, sem adiantar mais pormenores sobre as celebrações

COMEMORAÇÕES EM BRAGA “O Programa oficial das Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas tem início no dia 9 de manhã, em Braga, com a Cerimónia do Içar da Bandeira Nacional, presidida pelo Presidente da

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República, na Praça do Município, seguindo-se a visita inaugural à Exposição de Meios e Atividades Militares Complementares na Praça da República. No final do dia 9, decorre a habitual apresentação de cumprimentos pelo Corpo Diplomático acreditado em Portugal, seguindo-se, pelas 21h30, um concerto pela Banda Militar Conjunta no Theatro Circo aberto à população. No dia 10, pelas 11h00 na Avenida da Liberdade, terá lugar a Cerimónia Militar Comemorativa do Dia de Portugal,

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COMUNIDADES | DIA DE PORTUGAL, DE CAMÕES E DAS COMUNIDADES

de Camões e das Comunidades Portuguesas e que terá as intervenções do Presidente da Comissão Organizadora, Professor Doutor Jorge Miranda, e do Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas. Paralelamente ao Programa Oficial, de 6 a 12 de junho está patente, na Praça da República, uma Exposição de Meios e Atividades Militares Complementares, aberta a toda a população das 10h00 às 22h30, complementada com concertos nos dias 7, 8 e 10 de junho às 21h30, das Bandas da Força Aérea, Marinha e Exército, respetivamente.

COMEMORAÇÕES EM LONDRES Após as cerimónias do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas em Braga, o Presidente da República desloca-se para Londres, tendo agendada, ao final da tarde do dia 10 de junho, uma receção à comunidade portuguesa no Reino Unido no Ballroom do InterContinental Park Lane, gerido pela portuguesa Rita Martins Bengtsson. A revista Comunidades acompanha este evento e estará presente com oferta de exemplares aos portugueses residentes no Reino Unido, como forma de os aproximar mais da Língua Portuguesa e das suas origens. No dia 11 o Presidente da República continuará a sua estadia no Reino Unido e fará algumas visitas em Londres, nomeadamente à Anglo-Portuguese School of London, ao Royal Brompton & Harefield Hospital e ao Imperial College, partindo, o final da manhã do dia 12, para Andorra, onde se irá reunir com a comunidade portuguesa residente naquele país.

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A COMUNIDADE PORTUGUESA NO REINO UNIDO • Existem 301.956 inscrições consulares na área de jurisdição do Consulado-geral em Londres. • A comunidade encontra-se dispersa pelo Reino Unido. No entanto, existe uma maior presença na área metropolitana de Londres (bouroughs de Lambeth – vulgarmente conhecido por “Little Portugal”), Bromley, Hounslow, Ealing, Hillingdon e Croydon). A comunidade é recente, sendo o núcleo mais antigo e numericamente mais significativo de origem madeirense, estando concentrado na área metropolitana de Londres e nas Ilhas do Canal, em particular na ilha de Jersey. O município de Leicester (Midlands Orientais, Inglaterra) concentra a maior parte dos cidadãos da jurisdição do Consulado Geral em Manchester, seguida pela área metropolitana de Manchester, Leeds e Birmingham. Sobre esta comunidade, de Leicester. • A comunidade portuguesa pode

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ser encontrada em todas as áreas da vida económica do país. A maioria, proveniente das primeiras vagas de imigração, dedica-se a agricultura, construção civil e comércio, restauração, algumas empresas de construção civil e limpezas. Na mais recente vaga de imigração muitos dos nacionais são jovens muito qualificados e estão colocados tanto na área privada como pública, pelo que há médicos, enfermeiros, anestesistas, auxiliares de saúde nos hospitais britânicos, arquitetos, empresários ligados à indústria criativa, às artes, na área financeira, académicos, investigadores, desporto, estudantes e muitos outros. • É relevante a existência de 3 luso eleitos, Tiago Corais, Councilor em Oxford, Carla Barreto, Councilor em Thetford e Diogo Rodrigues, Mayor de Bridgewater. • Existem 38 associações portuguesas no Reino Unido.


As águas minerais do complexo termal de Almeida brotam nas escarpas dos montes que formam o vale por onde corre o Rio Côa a uma altitude de 560m. Envolvida por uma paisagem verde, é um ótimo destino para fugir ao stress do dia-a-dia, recarregando energias através do bem-estar que um programa termal pode oferecer no tratamento de ANO 3 . Nº 15 .doenças JUNHOdo 2022 . REVISTA MENSAL . PREÇO: 5€ aparelho respiratório, doenças reumáticas e músculo-esqueléticas.

“Mais do que falar em emigração, devemos hoje falar de presença portuguesa no mundo” PAULO PISCO Deputado do PS eleito pelo Círculo da Europa, em entrevista exclusiva à revista Comunidades

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6350-239 Almeida DIA DE PORTUGAL

A Portugalidade da cerveja Sagres no mundo

Em Portugal e nas comunidades portuguesas

Presidente da República nas comemorações em e reservas Informação Braga e Londres 271 571 123 / 938 607 662 termas@cm-almeida.pt

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ENTREVISTA

CAMÕES VIVEU EM CONSTÂNCIA Constância tem com Camões uma muito antiga e arraigada relação de afeto, fundada na plurissecular tradição de que o épico terá vivido na vila durante algum tempo, aqui tendo escrito parte da sua produção poética.

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obre as ruínas que o povo aponta como tendo sido as da casa que o acolheu, foi erguida a Casa-Memória de Camões que visa perpetuar a memória do poeta em Constância.

Em Constância evocam igualmente o nosso épico o Monumento a Camões do mestre Lagoa Henriques e o Jardim-Horto Camoniano, desenhado pelo arquiteto Gonçalo Ribeiro Telles, que apresenta a maior parte das plantas referidas por Camões na sua obra e é considerado um dos mais vivos e singulares monumentos erguidos no mundo a um poeta. Todos os anos pelo 10 de Junho, Dia de Camões, Constância celebra Camões e a sua relação com ele, realizando as Pomonas Camonianas, uma exposição-venda das flores e dos frutos referidos pelo poeta na sua obra (mercado quinhentista), evocando os tempos em que Camões aqui terá vivido. São protagonistas os alunos dos estabelecimentos de ensino do concelho, dos jardins-de-infância à escola secundária, que, com a colaboração dos seus professores, dos pais e encarregados de educação, das animadoras e do pessoal não docente, representam figuras da época, animam o mercado, declamam poesia e apresentam danças quinhentistas, numa manifestação festiva de apropriação coletiva da memória de Camões.

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MONUMENTO A CAMÕES E JARDIM-HORTO DE CAMÕES Virado ao Zêzere, como que olhando o correr das águas a caminho do Tejo, Camões parece ter aqui ficado, sempre jovem, desde os tempos em que terá vivido em Punhete (agora Constância). Quem o visita, muitas vezes faz-lhe carinhosamente um afago ou deixa-lhe f lores. O monumento, de mestre Lagoa Henriques, foi inaugurado pelo Presidente da República, General Ramalho Eanes, em 1981.

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O Jardim-Horto de Camões é um monumento vivo ao maior dos nossos poetas, através das plantas por ele mencionadas na sua obra – na lírica e n’Os Lusíadas – num total de mais de 50 espécies. A disposição geométrica dos canteiros está relacionada com os jardins palacianos do século XVI, o século em que o épico viveu, dividindo o espaço em jardim à inglesa e jardim à francesa. Foi desenhado pelo prestigiado arquiteto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles e inaugurado pelo Presidente da República, Dr. Mário Soares, em abril de 1990. Beneficiou de importantes melhoramentos a partir de 2019.


O JARDIM-HORTO DE CAMÕES É UM MONUMENTO VIVO AO MAIOR DOS NOSSOS POETAS, ATRAVÉS DAS PLANTAS POR ELE MENCIONADAS NA SUA OBRA – NA LÍRICA E N’OS LUSÍADAS – NUM TOTAL DE MAIS DE 50 ESPÉCIES CASA-MEMÓRIA DE CAMÕES Uma muito antiga tradição de Constância, passada de geração em geração, afirma que Camões aqui terá vivido durante algum tempo, em cumprimento de uma pena a que fora condenado, apontando umas ruínas à beira do Tejo como tendo sido a casa que acolheu o épico. Essa tradição ganhou expressão nacional graças ao empenho do Dr. Adriano Burguete, médico constanciense que, nos meados do século passado, se esforçou por demonstrar a veracidade da tradição popular, e ao trabalho e persistência de Manuela de Azevedo, jornalista, que dedicou a maior parte da sua vida a esta causa. As ruínas da casa quinhentista foram classificadas como imóvel de interesse público em 1983. Sobre elas, depois de consolidadas, foi erguida a Casa-Memória de Camões, segundo projeto da Faculdade de Arquitetura de Lisboa. Em 2019, a Casa-Memória de Camões em Constância, foi declarada de “interesse cultural” pelo Ministério da Cultura.

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POLÍTICA

FUNCIONÁRIOS NO BRASIL ANUNCIAM “GREVE GERAL” NOS CONSULADOS E EMBAIXADA A PARTIR DE 6 JUNHO Funcionários da Rede Diplomática no Brasil, dão ultimato ao MNE e ao Sindicato da categoria, por não apresentarem solução, nem proposta para a situação “dramática, vergonhosa e de calamidade salarial” pelo que passa a categoria que faz funcionar a maior rede consular portuguesa no mundo.

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s funcionários da Embaixada de Portugal em Brasília e dos Consulados espalhados pelo Brasil divulgaram um comunicado no passado dia 17 de maio, para a comunicação social, para a Chefe de Gabinete do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), também para o Sindicato dos Trabalhadores Consulares e das Missões Diplomáticas (STCDE), Gabinete da Presidência, Gabinete do Primeiro-Ministro, GSECP, para o Embaixador de Portugal em Brasília e para os Chefes dos Postos Consulares no Brasil. No comunicado assinado, segundo o documento, “pela grande maioria”, uma carta-intenção de greve geral a partir de 6 de junho, por tempo indeterminado, será confirmada caso não se resolva o impasse salarial. Em causa está uma decisão do executivo português, tomada em 2013, que, em plena crise econômica em Portugal, fixou que os vencimentos dos funcionários do quadro seriam pagos em reais, a uma taxa de câmbio fictício (fixo) de 2,63 euros, desfasando os salários ao longo dos anos (atualmente o valor do euro passa de R$ 5,00). “Tendo em vista a falta de uma resposta concreta e com data marcada,

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COLABORAÇÃO COM O JORNAL “MUNDO LUSÍADA” (BR)

para o fim dessas negociações entre o STCDE e o MNE, para resolver de uma vez por todas, colocando um ponto final nessa situação dramática, vergonhosa e de calamidade salarial, que nós trabalhadores da Embaixada e dos Consulados de Portugal no Brasil, estamos passando nos últimos nove anos, sendo que, lamentavelmente, nós somos os únicos funcionários de Embaixada e dos Consulados de Portugal no mundo, recebendo em moeda local (REAIS) e para piorar, ao câmbio do EURO a R$ 2,638, congelado desde maio de 2013, por causa do Decreto Lei 47/2013 de 05 de abril, que não foi observado e nem cumprido pelo MNE e muito menos exigido por parte desse STCDE, o cumprimento do artigo 12º, números 1 e 2, do mesmo Decreto Lei, onde deveria ter sido publicado um Decreto-Lei complementar, para regulamentar o índice de reajuste anual dos nossos salários, com base nos índices de inflação do Brasil ou dos índices de

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custo de vida das Nações Unidas”, diz o documento. Os funcionários da rede diplomática, no entanto, dizem que a intenção não é “chegar ao extremo”, mas se necessário for, afirmam: “chegaremos até as últimas consequências cabíveis de acordo com as Leis, para fazer cumprir nossas reivindicações”. A Redação da revista Comunidades contactou o MNE para nos dar a sua versão e ponto de situação, sem que tivéssemos obtido resposta sobre o assunto. Também, em novembro de 2021, o Mundo Lusíada, parceiro da revista Comunidades no Brasil, publicou uma carta assinada por funcionário Assistente Técnico do Consulado de Portugal no Rio de Janeiro, quando, naquela altura, ele falou da situação “desumana” que ele e vários colegas passam com os salários defasados.


OPINIÃO

O DIA DE PORTUGAL NÃO PODE SER O DIA DA HIPOCRISIA JOSÉ CESÁRIO

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ão me canso de citar Francisco Sá Carneiro relativamente ao imperativo de colocar as pessoas no centro de toda a atividade política e de os programas e os projetos só fazerem sentido se estiverem realmente ao serviço dos cidadãos e responderem aos reais interesses dos portugueses e às necessidades do País. Se os políticos e as autoridades em geral não forem capazes de concretizar as ideias que divulgam estarão a trair as expetativas dos que neles confiaram e a sua ação não passa de mera demagogia. Vem isto a propósito de sistematicamente ouvir discursos extraordinários a propósito das comemorações do Dia de Portugal, que também é o Dia das Comunidades Portuguesas, em que é feita a apologia dos nossos valores culturais e em que são exaltadas as virtudes dos portugueses residentes no estrangeiro, sem que na prática se faça o que quer que seja no sentido de melhorar realmente a sua relação com o País de origem. Quantas vezes ouvimos perfeitas profissões de fé no desenvolvimento de medidas concretas e ações que nunca passam do papel, com uma indiferença pelos problemas reais que cheira à mais pura das hipocrisias.

EX-SECRETÁRIO DE ESTADO DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS

Eu sei bem, por experiência própria, que governar é muito difícil e que muitas vezes não se consegue concretizar tudo o que nos vai na mente. Não quero por isso ser injusto em relação aos outros. Porém, não posso deixar de reagir quando verifico que, na generalidade das questões, estamos hoje bem pior do que alguma vez estivemos. Por exemplo, não me lembro de os serviços consulares funcionarem tão mal em tantos postos, em regra os maiores, como hoje, sendo praticamente impossível fazer um agendamento de um simples documento se não se tiver alguém conhecido dentro do respetivo consulado. E que dizer do total fracasso dos consulados virtuais, dos espaços do cidadão e de certos centros de atendimento à distância? Também me choca o modo como se ignoram os milhares de compatriotas nossos que vivem em situações de miséria crescente em países como a África do Sul, o Brasil, a Argentina, Moçambique, Angola e muitos outros, sem medidas de apoio que correspondam às atuais necessidades de um mundo em mudança acelerada e com novos problemas a que urge responder. Por outro lado, não compreendo igualmente a indiferença com que se tem olhado para o nosso movimento

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associativo no estrangeiro, tão fundamental no passado em tantos momentos de emergência e hoje arrasado pelas consequências da pandemia que ainda vivemos. E também não posso aceitar que o crescimento de várias das nossas comunidades não seja acompanhado de medidas de promoção da nossa cultura e do ensino da Língua Portuguesa, que mantenham bem viva a sua ligação cultural a Portugal. Por isso, apelo ao bom senso de todos no momento em que comemoramos mais um Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Sejamos rigorosos nos discursos e nas promessas e façamos um exercício de autocrítica relativamente áquilo que nos propomos realizar de facto. Compreendo falhas, omissões e erros, que também cometi, mas não aceito a hipocrisia da indiferença e da promessa demagógica. Todos nós, políticos, diplomatas, ativistas em geral, sejamos justos e sinceros, contribuindo assim para uma maior ligação das novas gerações de lusodescendentes ao País que tanto amam. Viva o Dia das Comunidades Portuguesas!

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ENTREVISTA

PAULO PISCO, DEPUTADO DO PS ELEITO PELO CÍRCULO DA EUROPA

“MAIS DO QUE FALAR EM EMIGRAÇÃO, DEVEMOS HOJE FALAR DE PRESENÇA PORTUGUESA NO MUNDO” ENTREVISTA CONDUZIDA POR MARIA JOÃO COSTA

Em entrevista exclusiva à Revista Comunidades, Paulo Pisco, o deputado do PS eleito pelo círculo da Europa, revela-nos o seu percurso político e define aquilo que é fundamental para uma relação de proximidade com as comunidades: estar presente, dar a conhecer, valorizar e defender os seus interesses, com “espírito de missão”.

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oi no período em que viveu em Bruxelas que Paulo Pisco começou a trilhar o caminho da política. Foi presidente da fundação do PS no Benelux, e foi nessa qualidade que foi eleito, pela primeira vez, para a Assembleia da República, estávamos em 1999. No período em que esteve em Bruxelas, e enquanto presidente da Federação do Partido Socialista no Benelux, teve um contacto “muito mais intenso com as comunidades portuguesas”, na Bélgica, na Holanda, e no Luxemburgo. Calcorreava todos esses países para se encontrar com a nossa comunidade, em termos políticos, mas foi também a partir daí que começou a conhecer melhor os portugueses aí residentes, a desenvolver a sua relação com estes e foi quando mergulhou “completamente” nesta causa que sempre encarou com espírito de missão: a das comunidades portuguesas. Revista Comunidades: Paulo Pisco, um deputado “oriundo” das comunidades. Como foi construído este ca-

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ENQUANTO DEPUTADO, PERCEBI A DIMENSÃO DAQUILO QUE ERA NECESSÁRIO FAZER PARA ESSE RECONHECIMENTO DAS NOSSAS COMUNIDADES. HÁ UMA DIMENSÃO AFETIVA MUITO IMPORTANTE NA RELAÇÃO QUE MANTEMOS, É PRECISO ESTAR PRESENTE, ESTAR COM ELAS, OUVIR OS PORTUGUESES QUE VIVEM FORA DO PAÍS minho que o levou a esta “causa” que encara com este espírito de missão? Paulo Pisco: Os primeiros passos nesse sentido deram-se nos tempos de faculdade. A minha paixão pelo jornalismo, levou-me, na altura em que era estudante, a colaborar simultaneamente com algumas publicações, na área da política e dos assuntos europeus. E foi essa paixão que me levou a Bruxelas, ao Parlamento Europeu, onde estive vários anos. Aí ganhei uma perspetiva diferente quer do jornalismo, quer da Europa, quer das comunidades portuguesas. Nesse período passei a assumir funções políticas, como a presidência da fundação do PS no Benelux e, nessa qualidade, tive a perceção da importância de dar a conhecer, valorizar e defender os interesses das nossas comunidades que, apesar de bastante ativas, de se sentirem presentes, têm um enorme sentimento

de abandono, de esquecimento, que se notou mais durante esse período em que estive em Bruxelas. Depois, enquanto deputado, percebi a dimensão daquilo que era necessário fazer para esse reconhecimento das nossas comunidades. Há uma dimensão afetiva muito importante na relação que mantemos, é preciso estar presente, estar com elas, ouvir os portugueses que vivem fora do país, saber como se sentem em relação àquilo de que precisam, às expetativas que têm em relação ao país, como gostariam que o país os tratasse, quais são as necessidades e tipos de interesse que têm em relação ao país. Tudo isso se tornou verdadeiramente presente na minha ação, no meu espírito, e na minha vontade de me empenhar na defesa das nossas comunidades.

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Fiz esse curto mandato enquanto deputado, no tempo em que era primeiro-ministro António Guterres, entre 1999 e 2002 e depois estive 7 anos fora do Parlamento. Eu sou realmente oriundo das comunidades, porque vivi esse período na Bélgica, onde fui eleito pela primeira vez. Fiz parte do Departamento Internacional e de Comunidades do PS e tinha essa responsabilidade, no tempo do engenheiro José Lelo, que era o secretário internacional do PS e alguém que de facto se interessou enormemente pelas nossas comunidades e que as procurou valorizar, tanto enquanto governante, como depois em termos partidários. Devo-lhe muito, em termos políticos e é algo que nunca reconhecerei suficientemente, toda a importância que teve para mim. Regressei, portanto, em 2009 e é desde então que sou deputado, o que me

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ENTREVISTA

permitiu- fazer todo este percurso de entrega, dedicação. Não há nenhum fim de semana em que não esteja junto das nossas comunidades, mesmo até durante o Verão, em que deveria estar de férias (risos). RC: É isto que deve caraterizar um político que se propõe defender efetivamente os interesses das nossas comunidades? PP: Ou encaramos isto com espírito de missão ou então não estaremos a fazer devidamente o nosso trabalho. E eu encaro isto com espírito de missão e sei da importância que tem a representação junto das nossas comunidades. O estar presente, muitas vezes, num evento, ou estar presente numa festa de aniversário ou em qualquer iniciativa que as nossas comunidades desenvolvam. É fundamental estar com elas, em lugares onde nunca ninguém foi e, enquanto deputado, já estive em vários lugares na Europa onde nunca nenhum deputado foi… RC: Como por exemplo? PP: Como exemplo, em Palma de Maiorca, onde existe uma comunidade importante e onde nunca nenhum deputado foi, ou na Noruega (estive em setembro de 2019), onde há também uma comunidade muito expressiva, onde existem lusofonias bastante bem organizadas, muito devido ao espírito de missão, também, de Castro Sistat, filho de pai norueguês e mãe alentejana e que desenvolveu todo esse trabalho em prol da organização das lusofonias em Bergen, em Oslo, em Stavanger. Aqui, a nossa comunidade existiu porque alguém se deu ao trabalho de as organizar. Portanto, nunca lá tinha ido nenhum deputado. E eu acho que isto é fundamental para

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É FUNDAMENTAL ESTAR COM ELAS [AS COMUNIDADES], EM LUGARES ONDE NUNCA NINGUÉM FOI E, ENQUANTO DEPUTADO, JÁ ESTIVE EM VÁRIOS LUGARES NA EUROPA ONDE NUNCA NENHUM DEPUTADO FOI… que as pessoas se sintam acompanhadas, que sintam que há alguém que olha por elas e as valorizam. RC: Só assim os podemos defender, estando no terreno… PP: Exatamente, porque depois embora haja um conjunto de questões que são comuns a todas as nossas comunidades há também aquelas específicas de cada um dos países, em função da própria forma de integração, do próprio enquadramento legal e administrativo, que são questões que diferenciam as comunidades umas das outras. Por isso sim, acho que é fundamental este perfil, esta dedicação. É isso que as nossas comunidades querem independentemente, obviamente, de todo o trabalho que depois é feito aqui (em Portugal) de defesa, através de iniciativas legislativas que também é necessário trabalhar. RC: Como encara o resultado que o PS teve na repetição das eleições na europa, o que significa para os emigrantes este reforço do partido, com 120 deputados eleitos?

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PP: Este foi, para mim, um resultado histórico. A última vez, na história do Partido Socialista e da nossa democracia, que tivemos dois deputados no círculo da Europa, foi há 23 anos, em 1999, precisamente com o José Lelo, que na altura era Secretário de Estado das Comunidades e a quem devo muito o facto de ter sido eleito na altura. E, em 2022, repetiu-se esse feito. É histórico porque das duas vezes em que houve a eleição de dois deputados pelo círculo da Europa pelo Partido Socialista eu fui um dos eleitos. Para mim isto tem um grande significado e deve-se, na minha opinião, essencialmente a dois fatores: em primeiro lugar, ao facto de as pessoas me conhecerem, de eu ter sempre uma relação de proximidade muito grande com as nossas comunidades, de procurar sempre atender às suas expetativas, às suas necessidades, muitas vezes de muitas coisas que até nem são visíveis porque não fazem parte da agenda que é pública; por outro lado, deve-se ao facto de estarmos perante uma situação particular, que tem a ver


com a anulação das eleições no círculo da Europa, o que também aconteceu, infelizmente, pela primeira vez na história da nossa democracia. Era fundamental que explicássemos a todos os portugueses eleitores na Europa que o Partido Socialista respeita o voto de todos, independentemente de terem ou não a cópia do cartão do cidadão quando votam, e que a sua vontade de participar é evidente e, portanto, era fundamental que essa vontade fosse respeitada. O PS não teve absolutamente nenhuma responsabilidade na anulação das eleições. Não fomos nós quem apresentou o protesto, quem apresentou queixa-crime contra os membros das mesas, foi o PSD. Foi

QUEM É PAULO PISCO? Antes de entrar na universidade, Paulo Alexandre de Carvalho Pisco exerceu jornalismo, não “de forma definitiva”, mas começou por escrever artigos de opinião para jornais regionais e depois para diários. Licenciou-se em Filosofia, na Universidade Nova de Lisboa e uma pós-graduação em Estudos Europeus na ULB (Université Libre de Bruxelles) e, enquanto estudante, a paixão pelo jornalismo foi aumentando, o que o levou a trabalhar e a estudar simultaneamente. Pisco colaborou, primeiro, numa revista do setor alimentar e, depois, no Correio da Manhã. E foi nessa qualidade de jornalista na área da política e dos assuntos europeus que acabou por ir parar a Bruxelas, ao Parlamento Europeu, onde esteve vários anos.

absolutamente fundamental explicar na medida em que o PSD quis descartar as responsabilidades de ter anulado 157 mil votos numa primeira fase, portanto 80% dos votos, no contexto em que houve uma enorme participação, a maior participação de sempre, dos portugueses no círculo da Europa e de fora da Europa também. Ter isto acontecido foi verdadeiramente dramático para as nossas comunidades e, para mim, era indispensável explicar que a única responsabilidade era do PSD, e os portugueses compreenderam isso e acabaram por nos dar esta vitória que foi esmagadora, e que associo sempre à vitória que conseguimos há 23 anos. Indissociavel-

mente ligo ao engenheiro José Lelo, que na altura, pela sua ação de proximidade também com as comunidades foi um dos principais responsáveis por essa vitória também. RC: Essa anulação dos votos nas legislativas de janeiro, levanta inevitavelmente uma questão que tem sido amplamente debatida: a alteração da lei eleitoral. Inclusivamente, em maio, o presidente do Parlamento, Augusto Santos Silva, referiu que havia todas as condições para que essa mudança pudesse acontecer ainda nesta legislatura, mas que para isso tem de haver um entendimento entre PS e PSD… qual a posição do PS relativamente a esta necessidade?

Do período em que viveu na Bélgica passou a assumir funções políticas: foi o presidente da fundação do PS no Benelux, e foi nessa qualidade que foi eleito pela primeira vez para a Assembleia da República. Aí, fez um curto mandato, entre 1999 e 2002, enquanto deputado do PS, afastando-se do parlamento nos 7 anos seguintes. Regressa em 2009 à AR onde é, atualmente, deputado do Partido Socialista eleito pelo círculo da Europa. Outros cargos que desempenha: Membro da Comissão Nacional do PS Presidente da Sub-Comissão das Diásporas da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa

Comissões Parlamentares a que pertence Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas [Coordenador GP]

Condecorações e Louvores

Comissão de Transparência e Estatuto dos Deputados [Suplente]

Ordem de Mérito atribuída pelo Grão-Ducado do Luxemburgo

Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto [Suplente]

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ENTREVISTA

PP: É uma evidência que tem de haver uma alteração da lei eleitoral para facilitar o voto dos portugueses residentes no estrangeiro, e também para aumentar a participação. Sempre foi essa a nossa posição, e a nossa vontade. Mas é preciso compreender que há um antes e um depois de 2018, ano em que foi implementado o recenseamento automático, e com ele o número de eleitores subiu de cerca de 320 mil para perto de 1,5 milhões. Falo num contexto em que, antes de 2018, nas últimas eleições para a AR, houve cerca de 30 mil votantes, um pouco mais pela Europa do que fora da europa, o que não tem nada a ver com o que aconteceu depois em 2019, em que o número de votantes foi já perto de 160 mil nos dois círculos eleitorais. E ainda tem menos a ver com aquilo que aconteceu em 2022, em que o número de votantes (estou a referir-me à primeira volta), no total dos dois círculos, foi de perto de 260 mil. Há aqui de facto uma revolução. Em 2019 este problema já tinha sido identificado porque, também a pedido do PSD, foram anulados cerca de 27 mil votos o equivalente a 24% dos votos do círculo eleitoral da Europa. Depois, é preciso lembrar que a aprovação do Orçamento foi em janeiro de 2020 e 3 meses depois tivemos a pandemia e, durante mais de um ano, o Parlamento funcionou verdadeiramente em mínimos, era impossível avançar com o que quer que fosse. Há uma coisa que a mim me parece evidente: não pode continuar a haver fotocópia do cartão do cidadão como elemento de identificação, sobretudo eleitoral. Tem de se arranjar uma alternativa que seja tão segura e tão fiável como a cópia do cartão do cidadão. Mesmo

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depois de todo este problema que houve com a anulação dos votos, verifica-se que entre 30 e 40% dos eleitores não coloca a cópia do cartão do cidadão. Seja porque têm uma ideia relativa às legislações nacionais que os proíbe de fazer fotocópias dos documentos de identificação, mesmo em situações excecionais como a de voto para a AR, seja por não quererem enviar dados pessoais com medo que estes sejam utilizados de forma indevida, ou podem pura e simplesmente não ter condições para fazer uma fotocópia. RC: E qual seria então a solução? PP: Tem de se arranjar uma solução. Acho que nesta altura não se deve antecipar nada, até porque como referiu, o Presidente da Assembleia da República disse que tem de haver um entendimento entre os partidos e, quando se trata de leis eleitorais é fundamental que haja um consenso, tão amplo quanto possível. Temos de trabalhar numa solução que seja do agrado de todos, e que mantenha o rigor. RC: Mas quando falamos de uma solução falamos por exemplo de uma, que tem sido bastante debatida, que é a instituição do voto eletrónico… PP: Eu acho que se fala do voto eletrónico de uma forma um pouco ligeira, de uma maneira geral. Eu sou favorável a que haja um voto eletrónico e a que haja a experiência do voto eletrónico tal como estava previsto no anterior Governo, para a eleição do Conselho das Comunidades. Ou seja, uma experiência piloto para fazer a eleição dos conselheiros das comunidades, escolhendo um país para aplicar o sistema que foi inclusivamente apresentado na Assembleia da República e eventualmente que se avançasse numa

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primeira fase para a eleição dos conselheiros das comunidades. Seria um teste para se ver se funciona ou não. RC: Esse teste vai para a frente, vai concretizar-se? PP: Está inscrito no nosso programa eleitoral e eu vou continuar a defender que assim seja. Não há nada que me leve a crer que não será feito. Continuarei a defender que isso é uma solução boa para a eleição, para já, dos conselheiros das comunidades e eventualmente para os deputados dos círculos da emigração. Mas isso seria numa fase posterior, é necessário passar todos os testes, é necessário que haja condições de segurança absolutamente blindadas de forma a evitar aquilo que sempre se teme neste tipo de circunstâncias que é a possibilidade de uma intromissão que possa levar a uma alteração dos resultados. Este é um dos problemas que pode existir. Obviamente que o voto eletrónico não será a panaceia para todos os males, nem para a resolução global do problema da participação política. RC: Houve um outro fenómeno nas legislativas de 2022, relacionado com o posicionamento expressivo de partidos que não tinham grande tradição nos círculos da emigração, nomeadamente o Chega, que teve um bom desempenho também no estrangeiro. Como explica este crescendo destes partidos? A ideia de alternativas políticas? PP: O facto de o Chega ter chegado também em terceiro lugar no círculo da Europa é o espelho daquilo que aconteceu também no nosso país: um voto de protesto. É relativamente fácil em relação a alguns países canalizar uma


É UMA EVIDÊNCIA QUE TEM DE HAVER UMA ALTERAÇÃO DA LEI ELEITORAL PARA FACILITAR O VOTO DOS PORTUGUESES RESIDENTES NO ESTRANGEIRO, E TAMBÉM PARA AUMENTAR A PARTICIPAÇÃO. SEMPRE FOI ESSA A NOSSA POSIÇÃO, E A NOSSA VONTADE certa insatisfação ou um certo sentimento de abandono, entre outras coisas, porque há uma sub-representação das nossas comunidades na Assembleia da República, porque os portugueses são muitos e estão muito dispersos e, portanto, é difícil chegar a todos. E por esse motivo, provavelmente não conseguimos avaliar devidamente todas as suas necessidades, porque se eles estão longe, não os vimos, não sabemos do que precisam e por isso pode potenciar esta insatisfação. E talvez por aí, as pessoas canalizem o seu voto para um partido que é essencialmente um protesto. Apesar de ser legítimo as pessoas sentirem a necessidade de gritar, de fazer esse protesto, não pode haver dúvidas de que o Chega é um partido que tem posições muito bizarras relativamente à emigração e às comunidades portuguesas. Percebemos bem da natureza do Chega quando na última discussão

do Orçamento do Estado, na área das comunidades e dos Negócios Estrangeiros manifestaram a sua aversão aos emigrantes. Um partido que manifesta a sua aversão aos emigrantes não pode vir aqui dizer que é o partido que vai resolver o problema dos emigrantes, porque na sua natureza intrínseca isso não é uma sua preocupação. O Chega nem sequer tem um programa para as comunidades. Tem duas coisas essencialmente: o fim dos consulados, para criarem “Lojas do Cidadão”, como se fosse colocar uma Loja do Cidadão em cada cidade que tem mais de 30 mil portugueses; e depois a criação do ministério das comunidades. Tem outra coisa curiosa no programa, a criação de núcleos e secções do partido Chega e querem depois que os portugueses vão tratar das coisas aos núcleos do partido, mas isso é bizarro.

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Há esta insatisfação que tem de ser objeto de uma análise por parte das forças políticas cá, de forma que se saiba as suas razões e que se tente ir ao encontro da resolução deste tipo de problemas. RC: Enquanto presidente da subcomissão da diáspora da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, referiu que Portugal é um exemplo para os demais membros do Conselho, no tratamento e na relação que mantém com a sua diáspora. No entanto continua a existir esta vontade de “gritar” na emigração. Temos uma estrutura governativa que valoriza a diáspora, mas há ainda muita coisa por fazer, nomeadamente ao nível consular, apoios ao associativismo na diáspora. PP: É verdade. Mas eu, com a elaboração do relatório, que foi aprovado em

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ENTREVISTA

junho de 2021, pude saber aquilo que os outros países do Conselho da Europa, que são 47, fazem na área das suas comunidades, das suas diásporas. Não há país que não tenha diásporas, mesmo os mais ricos, pensa-se que a emigração e as diásporas são uma coisa dos países pobres, mas não. A Alemanha, a Suíça, a Holanda, também têm as suas diásporas noutros países, se calhar mais ricos. Por exemplo, há uma grande emigração alemã na Suíça. E isso permitiu-me perceber que Portugal é verdadeiramente um país exemplar na sua relação com as diásporas e se existem todas essas queixas é por uma razão simples: porque têm voz e porque nós temos uma relação longa no tempo, refiro-me ao período da democracia, com quase meio século, em que os portugueses residentes no estrangeiro têm a sua representação no Parlamento e isso amplifica-lhes a voz. E nenhum dos outros países tem isto, quer dizer, há alguns países que têm a sua representação, como a França, que passou a ter desde 2012, a Croácia também tem, mas nos outros países não têm representantes das suas diásporas. Por isso, Portugal nesse aspeto é pioneiro, porque tem esta representação na AR dos interesses dos portugueses residentes no estrangeiro, porque inscreve na sua constituição os direitos que devem assistir aos portugueses da diáspora, porque mantém na estrutura do Governo, desde o início, uma secretaria de Estado que trata das políticas dirigidas às nossas comunidades, porque temos um órgão de consulta que é o Conselho das Comunidades Portuguesas. E isso dá visibilidade e dá voz às comunidades. E depois há a luta política, que é saudável porque desta divergência, deste confronto de ideias surge a necessidade de dar resposta aos problemas que as nossas comunidades têm. Portugal, e eu pude verificar isso, e

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inclui isso no relatório, tem uma relação privilegiada com as suas diásporas, dá-lhes uma atenção que grande parte dos outros países não dá. Se me pergunta: está tudo feito? Não. Continua sempre a haver muito por fazer até porque eu acho que se pode fazer sempre muito mais, pode ir-se muito mais longe na definição de estratégias mais abrangentes de envolver as nossas comunidades nos assuntos do seu país. RC: E o que é necessário fazer para haver essa maior participação dos portugueses a residir no estrangeiro nos assuntos de Portugal? PP: Há uma coisa que acho fundamental, e que é uma das propostas que faço no meu relatório, que é a criação de instrumentos para que possa ser feito o mapeamento das diásporas. Fazer o mapeamento das diásporas é fundamental para que se desenhem políticas adequadas às suas necessidades. RC: Como pretende fazer esse mapeamento em conjunto com os 47 estados-membros do Conselho? PP: O meu relatório “Por uma política europeia para as diásporas” foi aprovado no Conselho da Europa. Será apresentado ao Conselho de Ministros do Conselho da Europa, em representação de todos os países-membros, sendo é uma recomendação, não são obrigados a fazer o que é lá proposto. Eu gostava que pudesse ser algo que fizesse parte das orientações e das prioridades dos governos em cada uma destas áreas de relacionamento com as diásporas. É fundamental saber quantos são os portugueses, onde estão, quem são, o que fazem, quais são as suas expetativas em relação ao país de acolhimento e em relação ao país de origem e se

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tivermos esta informação de forma mais detalhada podemos desenhar políticas que vão muito mais ao encontro destas nossas comunidades. Nós temos de facto comunidades muito expressivas espalhadas por todo o mundo, mas na realidade conhecemos apenas uma parte, que é aquela que existe sobre a forma do associativismo. Mas há centenas de milhar de portugueses que não fazem parte de nenhuma associação, que têm um papel relevante dentro daquelas sociedades, que estão mais ou menos integrados, que têm um papel de relevância dentro das suas áreas de atividade, a nível cultural, a nível político, científico, desportivo, etc e se conhecermos melhor todas estas pessoas, se lhes dermos também voz como membros ativos da nossa comunidade podemos ir ao encontro dessas expetativas que os portugueses têm. Dar respostas mais eficazes e ligá-los a Portugal, porque apesar de não terem essa visibilidade, grande parte das vezes, eles querem estar mais ligados a Portugal. RC: É isso que sente, quando visita as comunidades portuguesas, que têm essa necessidade de manter uma ligação com Portugal? PP: Eu sei que isto é algo que existe, que aquela comunidade “invisível” existe. Já não se pode falar só de emigração, mas de várias gerações de portugueses. A emigração mudou muito, são várias gerações de portugueses. Muitos deles nem sequer são emigrantes, porque nasceram nesses países e têm nacionalidade desses países, mas mantêm as suas raízes lusitanas. RC: E isso não se vai diluindo nestas novas gerações? PP: Penso que não. Veja o exemplo de Cyril Pedrosa, que escreveu o livro “Por-


JÁ NÃO SE PODE FALAR SÓ DE EMIGRAÇÃO, MAS DE VÁRIAS GERAÇÕES DE PORTUGUESES. A EMIGRAÇÃO MUDOU MUITO, SÃO VÁRIAS GERAÇÕES DE PORTUGUESES. MUITOS DELES NEM SEQUER SÃO EMIGRANTES, PORQUE NASCERAM NESSES PAÍSES E TÊM NACIONALIDADE DESSES PAÍSES, MAS MANTÊM AS SUAS RAÍZES LUSITANAS. tugal em Banda Desenhada”, e também o de outros dois franco-portugueses, Olivier Afonso e Sandra Canivet da Cost, filhos de portugueses nascidos em França, que se exprimiram através da Banda Desenhada, e que sempre fizeram a sua vida como franceses e a partir de um determinado momento sentiram aquele apelo das origens e fazem as Bandas Desenhadas sobre Portugal. A partir de certa altura há este apelo das origens, neste caso no domínio das artes, e agora querem-se mostrar, querem ser conhecidos em Portugal, querem chamar a atenção. É um impulso que vem do fundo, este de mostrar este relacionamento com o nosso país, com as suas origens e o mesmo se passa nos outros domínios, quer com portugueses já de 2ª ou 3ª geração, quer com outros portugueses que foram há menos tempo e que não se inserem tanto naquela emigração por-

tuguesa mais tradicional, que tem uma grande visibilidade, que tem uma grande importância, e que tem também uma grande influência. São jovens empreendedores em muitos domínios e que estão desejosos também de ter algum tipo de conhecimento, de estabelecer algum tipo de ligação ao nosso país. E penso que devemos aproveitar esse potencial, porque é o que nos está na alma: termos esta presença em todo o mundo. Mais do que falar em emigração, nós hoje devemos falar da presença portuguesa no mundo. É uma presença que está de facto em todos os continentes, é uma presença que foi marcante ao longo de várias gerações, que deixou as suas influências em inúmeros domínios. Eu acho que um país como Portugal, que é universalista, cosmopolita, humanista, tem a obrigação de canalizar muito mais meios para recuperar e para dar

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visibilidade, importância e força a este património, e é essa a minha visão para as comunidades. RC: Uma visão que lhe permitiu ser reeleito coordenador dos deputados do PS na Comissão dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas e que permite um trabalho de cooperação aprofundado, também, com a CPLP… PP: Eu dou uma importância muito particular à CPLP, pela nossa relação histórica, mas também pela necessidade de haver uma valorização das diásporas da CPLP. Isto para mim é algo de verdadeiramente fundamental. Embora haja algum reconhecimento da importância que as diásporas da CPLP têm, não há ainda o reconhecimento que deveria haver sobre esta matéria.

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ENTREVISTA

RC: Reconhecimento em que sentido? PP: Reconhecimento no sentido em que a CPLP é uma organização multilateral fundada no poder da língua e da cultura, que tem evoluído, que se tem consolidado e que tem feito um caminho importante. Nós falamos da CPLP relativamente aos 9 países, mas há uma dimensão que são as suas diásporas que deveria ter consagração também até nos seus estatutos porque todos os países desta organização são países de diásporas e, não obstante a CPLP ter como uma das suas orientações potenciarias de universo, através das suas diplomacias onde há várias diásporas em cada um dos países não membros da CPLP, de realizar iniciativas conjuntas, e a realização dessas iniciativas ainda fica muito aquém. Eventualmente ficam-se pelo dia em que se comemora o Dia Mundial da Língua Portuguesa e não se faz muito mais do que isso. A meu ver, sendo aproveitado este potencial das nossas diásporas o poder de expansão da língua e da diversidade de culturas que existe nos países da CPLP, fica altamente multiplicado, ampliado. A partir do momento em que nos concertamos também para colocar as diásporas a cooperar entre si, o que pode ser muito bem feito através da diplomacia, das embaixadas, estamos a potenciar a projeção daquilo que nos interessa que é deste património universalista, cosmopolita e humanista. RC: E fundamental, depois, para essa ligação cultural, económica, científica com todo o mundo… PP: Exatamente. Para ganhar influência também. Da mesma maneira que se estivermos organizados, em qualquer país, na Suíça, na Alemanha, em França

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UM DOS PRINCÍPIOS ORIENTADORES DA MINHA AÇÃO É: DIVULGAR A FORÇA E O PODER DAS DIÁSPORAS PARA QUE POSSAM SER MAIS BEM APROVEITADAS etc, e fizermos valer a língua e as culturas, conseguiremos uma influência muito maior nesses países, estaremos a projetar-nos a todos e a concretizar aquilo que está no nosso espírito que é o humanismo, universalismo, cosmopolitismo. É também isto que procuro ter como um dos princípios orientadores da minha ação: divulgar a força e o poder das diásporas para que possam ser mais bem aproveitadas.

direitos, de portabilidade de direitos. Enquanto agentes políticos, devemos pugnar por atribuir mais direitos e não retirar direitos. Dar mais cidadania e não retirar cidadania, para que haja maior vivência, espaços de liberdade, direitos e felicidade de cada pessoa.

RC: Em maio último, na audição relativa ao Orçamento de Estado para a área dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, esta posição foi aliás bastante vincada pela bancada do PS.

Acho que é um passo muito importante, que tem os seus constrangimentos, porque se trata de trazer para o espaço Schengen, que é convencionado, da UE, de liberdade de circulação e cidadãos de outros espaços que não fazem parte da nossa área político-administrativa.

PP: Sem dúvida. O PS tem sido um dos principais promotores do acordo de mobilidade no âmbito da CPLP, e é um acordo bastante importante porque traz uma cidadania acrescida e que eu gostaria muito que fosse implementada, que é um espaço mais ou menos como aquele que existe na União europeia, de liberdade de circulação, de partilha de recursos e de objetivos, de partilha de

Evidentemente que isto exige algum tipo de cautelas, mas conseguiu-se avançar nesse sentido e o Governo português tem sido sempre um dos principais defensores dessa ideia e é sem dúvida um contributo muito importante até em termos das organizações internacionais porque pode servir de exemplo para outras organizações internacionais de âmbito regional.

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BRASIL: ELEIÇÕES DE OUTUBRO VÃO CONTAR COM MAIS DE 100 OBSERVADORES INTERNACIONAIS As eleições gerais brasileiras, que se realizam em outubro deste ano, vão contar com mais de 100 observadores internacionais.

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e acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) brasileiro, a presença desses observadores tem como objetivo garantir que o processo eleitoral decorra em clima de transparência, isenção e legalidade, assegurando a credibilidade dos resultados do processo. Durante a abertura de um evento académico, no passado mês de maio, sobre democracia e eleições na América Latina, o presidente do TSE, Edson Fachin, disse que diversos organismos internacionais foram convidados para observar as eleições de outubro no Brasil. Em parceria com o Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral, o TSE também formará uma rede de observação internacional com a participação de autoridades europeias e de outros continentes, destacou o ministro Fachin. O presidente do TSE ressaltou ainda que as experiências internacionais devem servir como exemplo para a cultura democrática do país e lembrou casos recentes de ataques a instituições democráticas, como a invasão ao Capitólio, nos Estados Unidos, e

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O dado de brasileiros aptos a votar no exterior, quando comparado com as eleições de 2014 e 2010, possui um crescimento ainda mais expressivo neste ano. Em 2010, eram 199.795 – apresentando crescimento de 202% em mais de 10 anos. Já em 2014 eram 353.821, com o acréscimo de 70,5%. O número é expressivo se comparado a alguns estados brasileiros. De acordo com o TSE, o total de eleitores brasileiros no exterior em 2022 supera a quantidade de eleitores de Roraima (348.839), Amapá (529.240) e Acre (560.016). as ameaças sofridas por autoridades eleitorais no México e no Peru. Número de brasileiros no exterior aptos a votar para presidente cresce 20%; 5,87% do eleitorado no exterior está em Boston

A cidade de Miami, na Flórida, é a que possui o maior número de brasileiros votantes fora do país: 35.722, o que corresponde a 5,92% do total. Em seguida, está Boston com 35.459 brasileiros – ou seja, 5,87% do eleitorado.

O número de brasileiros no exterior aptos a votar na eleição deste ano cresceu 20% em comparação a 2018, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Pelo menos 603 mil brasileiros vão às urnas para escolher o novo presidente da República. Nas últimas eleições presidenciais, o número era de 502.809.

Em terceiro, está Lisboa, em Portugal, com 34.552. Outras cidades com mais brasileiros são Nagóia, no Japão, – com 33.859; Londres, na Inglaterra (29.509); Tóquio, no Japão (28.030); Nova York (25.104); Porto, em Portugal (21.181), Milão, na Itália (18.629) e Paris, na França (18.628).

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GUTERRES CELEBROU OS 20 ANOS DA RETOMADA DA INDEPENDÊNCIA DO TIMOR-LESTE

PRESIDENTE ANGOLANO AUTORIZA CONTRATO DE 34,1 ME PARA CONSTRUÇÃO DE CENTRO DE FORMAÇÃO DE JORNALISTAS O Presidente angolano autorizou a celebração do contrato no valor global de 14,7 mil milhões de kwanzas (34,1 milhões de euros) para a construção do Centro de Formação de Profissional de Jornalistas (Cefojor) na província do Huambo. Segundo João Lourenço, o contrato de abertura da linha de crédito no referido valor deve ser celebrado entre o Ministério das Finanças angolano e o Banco de Fomento Angola (BFA).

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Secretário-geral da ONU, António Guterres, enviou uma mensagem ao governo e ao povo do Timor, relembrando o dia da independência e falou sobre a sua admiração ao povo timorense, cujo país se tornou o primeiro novo Estado soberano do século 21 após décadas de ocupação da Indonésia. “Como é sabido, sinto um especial apego por Timor-Leste e nutro uma grande admiração pelo povo timorense e pelo caminho que trilhou para ver realizadas as suas legítimas aspirações. Nunca esquecerei o imenso sentimento de alegria e júbilo que partilhamos há 20 anos, quando a bandeira timorense foi finalmente hasteada em Díli e o país reconquistou a sua independência e se tornou no primeiro novo Estado sobe-

rano do século 21. O vosso exemplo foi e segue uma inspiração para o mundo.” Guterres lembra que as Nações Unidas desempenharam um papel fundamental para que o povo timorense conseguisse conquistar seus direitos “à liberdade e à autodeterminação”. O chefe da ONU renova o apoio da organização para a consolidação da democracia no país, no mesmo dia em que toma posse o presidente eleito José Ramos-Horta. Guterres garante ao presidente que ele poderá contar sempre “com o apoio inequívoco de toda a família das Nações Unidas nos esforços para assegurar prosperidade, estabilidade e paz ao povo timorense.” José Ramos-Horta é o quinto presidente a tomar posse no Timor desde 2002, sendo que já havia presidido o país entre 2007 e 2012.

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MINISTRO DAS COMUNIDADES FEZ VIAGEM DE “RECONCILIAÇÃO” COM A SUA DIÁSPORA NOS EUA O ministro das Comunidades de Cabo Verde, Jorge Santos, disse que a sua viagem aos Estados Unidos da América (EUA) teve o propósito de dar “centralidade” e de “reconciliação” com a diáspora cabo-verdiana. Jorge Santos efetuou uma viagem de uma semana aos Estados Unidos, país que concentra “600 mil cabo-verdianos”, com paragens marcadas em regiões como Florida, Nova Inglaterra, Nova Iorque ou Nova Jérsia, onde se encontrou com membros de câmaras de comércio, com líderes estaduais e com a comunidade cabo-verdiana.

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CABO VERDE. PROMOVER EMPREGO DIGNO É UM DOS “MAIORES DESAFIOS”

JOSÉ RAMOS-HORTA INVESTIDO COMO QUINTO PRESIDENTE DA REPÚBLICA DE TIMOR-LESTE

O vice-primeiro-ministro de Cabo Verde, Olavo Correia, afirmou que a promoção do emprego digno é um dos “maiores desafios” do país, que terá o apoio de um plano nacional a desenvolver até 2026. “Em Cabo Verde o emprego digno é ainda um dos maiores desafios, aliás o emprego é o bem público mais importante que podemos oferecer aos nossos concidadãos, sobretudo aos jovens e as mulheres em Cabo Verde”, afirmou Olavo Correia, que é também ministro da Finanças e do Fomento Empresarial, na abertura do debate sobre a “Estratégia Nacional de Promoção do Emprego Digno”, promovido na Praia pela Direção Geral do Emprego.

GUINÉ-BISSAU. DESMANTELADA REDE DE FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTOS Uma rede de falsificação de documentos foi desmantelada pelo Departamento de Informação Policial e Investigação Criminal, do Ministério do Interior guineense, em colaboração com o Ministério Público, disse fonte judicial. Segundo a mesma fonte, foram já detidas sete pessoas, incluindo um guineense, cinco malianos e um mauritano, e requerida prisão preventiva para três funcionários do Ministério da Justiça, um agente da Direção-Geral de Migração e Fronteiras, e mais dois cidadãos da Guiné-Conacri e dos Camarões.

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osé Ramos-Horta tomou posse como o quinto Presidente da República de Timor-Leste desde a restauração da independência, que cumpre 20 anos, numa cerimónia solene nos arredores de Díli. Perante delegações de mais de 30 países e as principais individualidades do Estado timorense, Ramos-Horta prestou juramento numa sessão solene de investidura do Parlamento Nacional, que decorreu num recinto aberto em Tasi Tolu. O juramento marcou o fim do mandato de Francisco Guterres Lú-Olo que, simbolicamente, cedeu o cargo a Ramos-Horta, eleito para um mandato de cinco anos e que volta à presidência da República, do qual saiu há 10 anos.

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Depois da sua primeira intervenção enquanto chefe de Estado, e, como tradicionalmente, Ramos-Horta assinou o seu primeiro decreto, condecorando Lú-Olo com o Grande Colar da Ordem de Timor-Leste. Ramos-Horta presidiu, nos dias seguintes à tomada de posse às cerimónias oficiais do 20.º aniversário da independência, restaurada quase três anos depois do referendo em que os timorenses escolheram a independência. Desde a restauração da independência, Timor-Leste teve como chefes de Estado Xanana Gusmão (2002 a 2007), José Ramos-Horta (2007 a 2012), Taur Matan Ruak (2012 a 2017) e Francisco Guterres Lú-Olo (entre 2017 e hoje).


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ECONOMIA

TMALL GLOBAL: A PLATAFORMA E-COMMERCE DA CHINA ALÉM-FRONTEIRAS Lançado oficialmente pelo grupo Alibaba em 19 de fevereiro de 2014, a “Tmall Global” é uma plataforma chinesa de comércio online de business to consumer (B2C) orientado para a internacionalização e venda de marcas globais.

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“Tmall Global” tem como principal objetivo a oferta de produtos de marcas internacionais aos consumidores chineses, permitindo-lhes comprar produtos importados originários do exterior a preços mais baixos do que se fossem comprados localmente, além de dar aos compradores chineses, acesso direto aos retalhistas estrangeiros. O rápido desenvolvimento do comércio eletrónico, fortemente impulsionado pelas limitações físicas da Pandemia provocada pelo Covid 19, fez da plataforma uma excelente oportunidade de investimento. Marcas e empresas estrangeiras que desejam uma presença internacional, mas não têm recursos ou tempo para se estabelecer na China, podem utilizar a “Tmall Global”, que disponibiliza formas de entregar os produtos e serviços dessas empresas diretamente aos consumidores chineses sem a necessidade de uma loja física. A plataforma está direcionada para lojas de marca própria, lojas especializadas e lojas autorizadas nas categorias de cuidados com bebés, saúde, mobiliário doméstico, animais de estimação, cuidados pessoais, digital, alimentos, moda e beleza.

TEXTO: ISOLDA BRASIL & SOFIA LINHARES

da Tmall Global. Embora seja esta a política oficial da empresa, qualquer interessado pode entrar em contato diretamente com a plataforma, uma vez que a procura de novos fornecedores é constante. Todas as empresas da Tmall Global são entidades de fora da China continental que operam na área do retalho no estrangeiro. As mercadorias vendidas na plataforma são produzidas (inicialmente) ou vendidas no exterior e importadas legalmente. A forte aposta nas marcas internacionais, atenta a crescente procura de produtos estrangeiros e de qualidade por parte dos consumidores chineses, permite ultrapassar questões como os preços elevados dos produtos, que são sobretudo motivados pelos impostos e as despesas de transporte a que os mesmos são sujeitos. Todas as lojas da Tmall Global estão equipadas com serviço de consulta chinesa e serviços pós-venda. Os consumidores domésticos podem usar o Alipay ou outros métodos de pagamento que são usados na plataforma doméstica, Taobao, para comprar mercadorias no Tmall Global. Atualmente, a plataforma toma a iniciativa de atrair investimentos, convidando as marcas a entrar no mercado

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O processo de entrada na Tmall Global leva cerca de 30 dias, assumindo que todos os materiais necessários à abertura da loja foram devidamente preparados, e compreende 4 passos: pedido de adesão, revisão da aplicação, pré-lançamento da loja e abertura da loja online. Os custos do Tmall Global estão distribuídos principalmente por três categorias: Depósito; Taxa Anual de Tecnologia e Serviço; e Taxa de Transação em Tempo Real (Taxa de Comissão). O mercado chinês de produtos de comércio eletrónico transfronteiriço é um mercado em franca expansão. Como líder do B2C na China, a Tmall Global tem um grande potencial de desenvolvimento e inovação. A procura por produtos estrangeiros, de qualidade, é uma tendência na China, apresentando-se como uma oportunidade de ouro para as empresas que pretendem expandir para este mercado.

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ECONOMIA

NUNO PINTO DE MAGALHÃES O HOMEM POR DETRÁS DE UM GRANDE ÍCONE NACIONAL Num encontro informal com a revista Comunidades, Nuno Pinto de Magalhães conta-nos o seu percurso de 47 anos ao serviço da Sociedade Central de Cervejas e Bebidas (SCC) e diz-nos como a cerveja Sagres adquiriu e mantém o estatuto de Portugalidade da marca desde o seu lançamento em 1940.

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TEXTO: ABÍLIO BEBIANO

e há marca de cerveja portuguesa, é a Sagres. O nome, tal como “saudade”, não tem tradução em qualquer outra língua, tem origem na lendária escola náutica criada pelo Infante D. Henrique, na região algarvia de Sagres, de onde se diz que os audazes e aventureiros portugueses partiram, naquelas barcaças, a descobrir o mundo. “Sagres é a marca de cerveja dos portugueses, é a marca de cerveja que representa Portugal, em toda a sua história, quer passada, quer atual e certamente a futura, porque tem incorporado na sua comunicação, na sua proximidade os valores dos portugueses, aquilo que os portugueses encarnam: os simples prazeres da vida, a convivialidade, a história do seu lugar, a globalização”, diz Pinto de Magalhães, da Sociedade Central de Cervejas e Bebidas (SCC), a qual integrou em 1974 e sendo hoje o Presidente do Conselho de Administração da SCC, parte integrante do Grupo HEINEKEN. Pinto de Magalhães, falou também no seu percurso na Sociedade Central de Cervejas e Bebidas, com uma cultura pautada pelo “merge” (a junção) de diversas outras, “cultura dos 6 acionistas diferentes que teve, do 18 CEO´s, em que

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QUEM É NUNO PINTO DE MAGALHÃES Nuno Pinto de Magalhães entrou para a SCC em outubro de 1974, como contratado, para fazer um estágio, após ter terminado o 7º ano (12º ano) e ter que esperar um ano – Serviço Cívico, para poder entrar na Faculdade de Direito. O seu estágio seria como indiferenciado, na então sede na Almirante Reis, na Contabilidade como apoio na inventariação do património.

Lançou o Serviço de Apoio ao Cliente e, nos anos 90 a Pré-Venda no Porto, tendo para o efeito estagiado previamente, como pré-vendedor na Budweiser, em Los Angeles, nos EUA, e na Bavaria, em Medelin, Colombia. Chegou a ser o Diretor mais novo de idade e o mais antigo na Companhia. Durante estes 47 anos, trabalhou com 6 acionistas diferentes e com 18 Presidentes/CEOs, nacionais e estrangeiros.

todos deixaram a sua pegada”. Apesar de a empresa ter marcas internacionais no seu portfolio, as basilares são inquestionavelmente a Sagres e a Luso, os “dois amores” do atual chairman, não só por ser únicas, também, mas por tê-las trabalhado desde que iniciou funções na SCC.

Em janeiro de 1975 passou ao quadro, como Escriturário, da Central de Cervejas e, em 1976 ingressou a Faculdade a Direito, como trabalhador-estudante, tendo mais tarde tirado um PAGE na Universidade Católica.

Foi delegado sindical, pelo Sindicato dos Escritórios, e membro da Comissão de Trabalhadores da Sede, na década de 80, foi Presidente do Grupo Desportivo da SCC e Coordenador da Comissão Paritária da Qualificação de Funções da Companhia, que integrava representantes dos Sindicatos e da Empresa.

Foi, durante este período de 47 anos em que está na companhia, duas vezes diretor de exportação. Nessa altura, a SCC vendia para os portugueses e para os luso-descendentes com quem sempre manteve uma relação “extraordinária”, quer estivessem no Luxemburgo, em Andorra, em Inglaterra, em França, na Alemanha, como também para os países de expressão portuguesa, onde também a cultura portuguesa deixou marca durante anos.

Durante estes cerca 47 anos na SCC desempenhou diversas funções co-

Fora da SCC foi, entre outras, Grão Mestre da Confraria da Cerveja, que

mo, entre outras, Chefe dos Serviços de Pessoal da ex Fabrica do Catujal (Refrigerantes), do ex Entreposto do Prior Velho (Distribuição, Adjunto do Diretor dos Serviços de Pessoal, Diretor de Compras, Diretor de Organização e Métodos, Diretor Administrativo, Diretor da Logística, Diretor da Distribuição, Gestor Comercial Adjunto, com o Marketing e Vendas e Diretor de Exportação. É Diretor de Comunicação e das Relações Institucionais há mais de 20 anos.

engloba todo o sector Cervejeiro, Presidente da Associação das Aguas e Vice Presidente da Associação dos Anunciantes Portugueses.

“Foi talvez das áreas em que gostei mais de colaborar, foi com essas áreas que eu visitei os nossos representantes, os nossos importadores, e assisti à paixão que eles depositavam no seu trabalho

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É, entre outras, Presidente da Câmara de Comércio Portugal-Holanda, da Auto-Regulação Publicitária, como representante dos Anunciantes, da Fundação Luso e Administrador da Sociedade Ponto Verde. Em 2018 foi-lhe atribuído o Prémio Carreira pela revista Marketeer.

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ECONOMIA

diário, à alegria de poderem levar a casa desses portugueses que viviam afastados da sua pátria um bocadinho de Portugal”, confessa e, adianta que “podemos viver num país estrangeiro, ter uma configuração estrangeira, mas se tivermos acesso aos nossos ingredientes nacionais, à nossa gastronomia, faz-nos voltar atrás e vivenciar um flashback da nossa nacionalidade com uma cerveja, um bacalhau, o azeite, as sardinhas, aquilo que é português”. Define ainda as caraterísticas e a portugalidade da marca: “A cerveja Sagres é, na sua essência, um fator de convivialidade, à portuguesa, sem cerimónias, a rir, com música, com boa disposição, com petiscos, na praia, no futebol, nos festivais, nos Santos Populares, nos arraiais, está presente na nossa maneira de ser português”. Desde 1940 que o escudo nacional esteve sempre presente, tal como as cores da nossa bandeira, na abertura da fábrica, no lançamento de slogans icónicos, nas primeiras Mini. “Também de realçar a máxima inovação, que continua a ser um dos principais vetores de crescimento da marca, cuja forte aposta nesta área fica evidenciada pelos inúmeros lançamentos feitos nos últimos anos. Mais do que criar

produtos, o que a marca pretende é criar conceitos que permitam preencher lacunas de consumo, indo ao encontro das necessidades e exigências dos consumidores”, diz Pinto de Magalhães. No seu processo de internacionalização a cerveja Sagres começou por ser enviada de Portugal para tropas britânicas em Gibraltar, durante a segunda guerra mundial e, hoje, em dia, parte para todos os cantos do mundo onde há portugueses a residir no estrageiro e onde não há restaurante ou supermercado português em Paris, Toronto ou São Paulo que se preze, que inclua frigoríficos com garrafas da líder no mercado cervejeiro nacional. A própria marca já viajou para cidades estrangeiras com populosas legiões de portugueses, como Londres e Nova Iorque, para gravar anúncios publicitários que exaltam a presença desta forma de portugalidade por todo o mundo. “Fora de portas, muito antes de haver marcas locais, o que havia era Sagres, em Angola, em Moçambique, em São Tomé, em Cabo Verde, em Timor-Leste, em Macau. A paixão com que os importadores da marca sempre pautaram o seu trabalho diário permitiu levar a casa desses portugueses, que vivem afastados

da sua pátria, um bocadinho de Portugal mantendo-os ligados às suas raízes” diz o Chairman da SCC e acrescenta “a Sagres é vista como um símbolo vivo de Portugal, dos seus valores, e é nessa relação com as raízes do país e com a tradição que sempre baseou a sua presença no mercado, onde tem lugar marcado há mais de oito décadas. A portugalidade está, assim, no ADN da marca, acrescentando valor diferenciador para todos os seus consumidores, quer em Portugal, quer além-fronteiras”, afirma Pinto de Magalhães. No regresso ao país para mais umas férias, os portugueses sabem que a Cerveja Sagres está pronta a marcar presença nos momentos mais memoráveis deste verão. É assim há 82 anos, continuará assim durante muito tempo, sempre com a inovação e a portugalidade bem presentes.

SAGRES, A CERVEJA QUE CONVIDA A ESTARES À VONTADE, “À VONTADE COMO NÓS” A nova campanha da Cerveja Sagres, um convite a todos os portugueses para levarem a vida sem cerimónias e para “estares à vontade. À vontade como nós”, revela de forma genuína e informal o bom de viver de forma

EVOLUÇÃO DA GARRAFA SAGRES 1940

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descontraída, celebrando, em todos os momentos, o lado positivo da vida. Aproveitar a simplicidade nos momentos, o convívio e a partilha são alguns dos ingredientes para viver sem cerimónias, e que estão desde sempre presentes no ADN da Cerveja Sagres. Uma cerveja portuguesa de todos e para todos, sempre focada no melhor da vida.

82 ANOS A ACOMPANHAR OS VALORES NACIONAIS A Portugalidade da marca é evidente desde a primeira hora, no já referido símbolo, foi sempre muito valorizada. Um dos expoentes máximos é a parceria com a Federação Portuguesa de Futebol, que torna a Sagres patrocinadora da seleção nacional desde 1993, mantendo-se sempre com ela, nos momentos bons e nos menos bons, tal como está com todos os portugueses. Esteve sempre lá, quando Fernando Couto deu uma cambalhota após um golo que deu uma vitória frente à Turquia (EURO 96), quando Sérgio Conceição fez um hat-trick à Alemanha (EURO 2000), quando Cristiano Ronaldo marcou cada um dos cinco golos que acumula no apuramento para o EURO 2016, incentivando os portu-

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gueses, nos quatro cantos do mundo, a torcerem pela equipa de todos nós. A Cerveja Sagres é, pois, uma marca que partilha com todos nós a emoção e a vivência dos pequenos prazeres da vida. E o Futebol em Portugal é disso exemplo, um enorme conjunto de experiências e emoções, agregador do interesse da população portuguesa. Convivialidade, transversalidade social e fator agregador são qualidades apanágio do Futebol e da Cerveja Sagres.

UMA MINI, POR FAVOR! 20cl bastam, porque é a dimensão de uma imperial, nunca fica na garrafa, mantém-se fresca até à última gota. A Mini é um fenómeno de portugalidade única. Foi a partir de 1972 que os portugueses passaram a contar com esta novidade. No verão desse ano, a Sociedade Central de Cervejas lança a Sagres Pequena, “a mesma Sagres, apenas mais pequena”. “Pastéis, sandes, rissóis... Enfim, com comida pequena, Sagres Pequena”, como se ouvia nos anúncios de TV na altura, o que sugere que teria sido lançada a pensar na crescente moda que pautava os costumes gastronómicos na capital portuguesa, de comer refeições ligeiras ao balcão.

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Hoje sabe-se que a Sagres Pequena apontava aos portugueses mais a sul de Lisboa. Foi no Alentejo que a futura Mini, da Sagres, se espalhou rapidamente, por ser mais barata. No Alentejo pobre e quente, a Sagres Pequena tinha o tamanho ideal para caber no tarro — recipiente de cortiça onde o trabalhador agrícola carregava o farnel que levava para o campo —, mantendo-se fresca até à hora de comer, na interrupção no pino do calor. Chamavam-lhe ‘mine’, corruptela carinhosa que a empresa transformaria no nome oficial Mini pouco tempo depois e que representa na atualidade quase metade das vendas da Sociedade Central de Cervejas, comparando com outras cervejas do seu portefólio”.

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ECONOMIA

IX REUNIÃO ANUAL DE CÂMARAS DE COMÉRCIO PORTUGUESAS REUNIU REPRESENTANTES NACIONAIS E INTERNACIONAIS Um grande destaque no encontro foi a presença, cada vez mais assídua, das mulheres brasileiras e portuguesas. Em Fortaleza, a participação feminina contribui, não só para o sucesso e relevância do evento, como também para o fortalecimento das relações diplomáticas e de negócios entre Brasil e Portugal.

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conteceu em Fortaleza, no Ceará, entre os dias 22 e 24 de maio de 2022, a IX Reunião Anual das Câmaras de Comércio Portuguesas no Estrangeiro, organizada pela Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa (CCIP), juntamente com Câmara Brasil Portugal no Ceará – Comércio, Indústria e Turismo (CBP-CE), presidida por Eugênio Vieira Filho, que contou com o apoio da Federação das Câmaras Portuguesas de Comércio no Brasil, que tem como presidente Armando Abreu, além da Vice-Cônsul de Portugal em Fortaleza, Ana Cristina Pedroso, que foram os anfitriões das comitivas. O encontro aconteceu no modelo híbrido e contou com a presença de representantes das 18 câmaras de comércio existentes no Brasil e de câmaras portuguesas de 22 países, todos membros da Rede das Câmaras de Comércio Portuguesas (RCCP). A Rede das Câmaras é composta atualmente por 62 câmaras espalhadas pelo mundo e é uma entidade que promove e desenvolve relações comerciais e de negócios bilaterais, tendo como objetivo ser um contato preferencial no país onde estão sediadas as empresas portuguesas, além de ser o elo entre Portugal e empresas dessa mesma pátria interessadas em exportar ou investir no local. As reuniões

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anuais são realizadas para serem discutidas algumas ações de interesse de todas as câmaras, além de ser um momento oportuno para network e novos negócios. A IX Reunião, que estava agendada para acontecer em 2019, teve a data alterada por dois anos consecutivos devido a pandemia de Covid-19. Uma comitiva do Governo de Portugal composta pelo Secretário de Estado da Internacionalização, Professor Doutor Bernardo Ivo Cruz, e do Secretário de Estado da Economia, João Neves e também da maior autoridade diplomática do país no Brasil, o Embaixador de Portugal no Brasil, Luis Faro Ramos, estiveram presentes na Reunião. A governadora do Ceará, Izolda Cela, recebeu, na manhã do dia 23, os Secretários Bernardo Ivo Cruz e João Neves, além do embaixador Luís Faro Ramos. De acordo com a governado-

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ra, “o Ceará e Portugal têm relações históricas e podemos ampliá-las em diversas áreas”, afirmou. Também destacou as possibilidades para potencializar o comércio entre as partes por meio de acordos bilaterais, paralelamente ao Acordo entre União Europeia e Mercosul, que ainda aguarda ratificação. Além disso, ressaltou também o memorando de entendimento entre Portugal e o Governo do Ceará, assinado por ela e o Governo Português, em Lisboa, em outubro de 2021, visando a cooperação, qualificação de mão de obra e o aperfeiçoamento das técnicas de divulgação do Ceará como destino turístico internacional. Outro encontro que aconteceu foi com o Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) e da Associação Nordeste Forte, Ricardo Cavalcante, que recebeu a comitiva da IX Reunião, durante almoço na Casa da Indústria, juntamente com os presidentes dos sindicatos. “Para nós que fazemos a Federação do Ceará é motivo de muita honra rececionar toda a comitiva da IX Reunião Mundial das Câmaras Portuguesas. Reforço aqui o nosso desejo de estreitar, cada vez mais, as relações entre nossos países, promovendo mais negócios e desenvolvimento para todos”, declarou Ricardo Cavalcante.


Cada marca tem necessidades e exigências distintas.

FIGUEIRÓ DOS VINHOS VAI RECEBER EMPREENDIMENTO INTERNACIONAL DE LUXO

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uinta das Lameiras, o Village Nature & Arts, um novo projeto turístico de luxo, inserido numa área de 25ha, onde irão ser construídas 108 vilas, 1 Hotel de Luxo, e 1 Wellness Center dedicado à Saúde, num conceito de interação com a natureza. O Wellness Center, que será considerado como ponto de referência de alto nível Europeu, irá receber equipas de alta competição internacionais, para estágios, incluindo futebol e outras mo-

Por isso, temos uma equipa multidisciplinar para assegurar a comunicação da sua empresa na emigração portuguesa.

dalidades, em que se destacam o Yoga, Tai Chi e Judo, na sua vertente desportiva, com grande impacto competitivo mundial. Contará com uma equipa médica muito conceituada e com o recurso a técnicas e exames de ponta (câmara hiperbárica, ressonância magnética aberta), medicina estética não invasiva, Health Center, e fitness de última geração, tatami, etc., encarando a Saúde como um todo, na procura do equilíbrio certo, entre o físico e o mental.

comunicação

EDP VAI FORNECER ENERGIA SOLAR EM UNIDADES DA FAURECIA NA EUROPA, ÁSIA E ESTADOS UNIDOS

comunicacao@cevid.pt

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A EDP fechou um acordo para instalar até 100 megawatts-pico (MWp) de energia solar distribuída em unidades da Faurecia na Europa, Ásia e Estados Unidos, num total de mais de 60 projetos. Em 2023, a empresa pretende instalar mais de 60 parques solares de autoconsumo nas fábricas da empresa de componentes automóveis Faurecia em Portugal, Espanha, Itália, Estados Unidos, China, Coreia do Sul, Japão e Tailândia.

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ECONOMIA

MINISTRO DA ECONOMIA CONSIDERA QUE LIGAÇÃO ENERGÉTICA COM ALEMÃES PODE MARCAR “PARADIGMA DE VIRAGEM” O ministro da Economia, António Costa Silva, afirmou, na inauguração da Hannover Messe`22, que a ligação energética de Portugal com a Alemanha pode marcar um “paradigma de viragem para o futuro”, acrescentando que a produção de hidrogénio em Sines “pode ser fulcral”. “Nós vamos construir um grande polo de hidrogénio em Sines que pode ser fulcral e a ligação com os nossos parceiros alemães, que também estão à procura dessas soluções para a transição energética, pode marcar um paradigma de viragem para o futuro”, afirmou António Costa Silva em Hannover, na Alemanha, num encontro com empresários portugueses que vão participar na feira industrial desta cidade, da qual Portugal é país parceiro. Acompanhado pelo primeiro-ministro, António Costa, o ministro da Economia e do Mar considerou que a “oportunidade” que a feira de Hannover “oferece à indústria portuguesa pode ser transformadora”, defendendo que os empresários que vão marcar presença na feira são “aquilo que de melhor se faz em Portugal” e “uma faceta de excelência que o país transmite ao mundo”. Com o `slogan` “Portugal faz sentido”, a Hannover Messe`22 - considerada a maior feira de indústria do mundo - escolheu Portugal como país parceiro para a edição deste ano.

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LOJAS FÍSICAS SERÃO RESPONSÁVEIS POR 78% DAS COMPRAS FEITAS ATÉ 2024

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crescimento digital do setor do retalho ainda não é suficiente para ultrapassar a preferência dos consumidores pelas compras em loja física Os últimos dois anos marcam o salto digital das empresas que se adaptaram à pandemia e à nova realidade do consumidor. Segundo dados da multinacional EY, 36% das empresas estão a investir na digitalização da jornada do cliente. Contudo, apesar do foco nos canais digitais, o estudo realizado pelo Euromonitor International identificou que 78% de todas as compras realizadas no mundo serão feitas em lojas físicas até 2024. A necessidade de integração entre as experiências de compra física e digital é um dos grandes desafios enfrentados pelas empresas, chamado por especialistas como “Phygital Experience”. Segundo a senior account manager da E-goi Digital Solutions, Joana Reis, há algumas soluções tecnológicas que facilitam esta integração. “A partir do momento em que o cliente acede à rede Wi-fi da loja, o tracking em loja física permite, desde a entrada até a saída, saber todos os detalhes sobre o percurso efetuado”. Com base nos insights previamente recolhidos com a análise comportamental, o próximo passo são as recomendações de compra em tempo real. “Começam a surgir soluções com recomendações personalizadas, suportadas por Inteligência Artificial, e que tenham por

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base o perfil do cliente, o seu histórico de compras e outras informações disponíveis”, acrescenta. Para garantir uma experiência coerente, relevante e verdadeiramente unificada, Joana Reis destaca uma peça importante no desenho de uma estratégia Phygital: o atendimento em loja. “Quanto mais informações forem partilhadas com os vendedores, nomeadamente o perfil do cliente em loja, qual a possibilidade de churn e sugestões de produtos que podem ser oferecidos, maior será a chance de conversão”, acrescenta Joana Reis. Todos os dados recolhidos nas soluções podem ser integrados num Customer Data Platform (CDP), que permite obter uma visão 360º de cada cliente. “As informações recolhidas na loja física e online complementam-se, para oferecer ao consumidor uma experiência completa e personalizada, com base no seu comportamento e interesses”, explica Joana Reis. No setor do retalho, o uso do CDP aliado à automação de marketing pode gerar um aumento de 29% das vendas, segundo dados da consultoria Forrester.


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CULTURA

EM JUNHO COM OS SANTOS POPULARES HÁ FESTA À PORTUGUESA Junho é o mês dos Santos Populares em Portugal, com festas e arraiais por todo o país, e também nas comunidades. Sardinhas assadas, manjericos, fogo de artifício, caldo verde, música, martelinhos, fogueiras, balões, tudo isto faz parte do simbolismo das celebrações. Desde o Santo António ao São Pedro, sem esquecer o São João, de Lisboa ao Porto, passando por Nova Iorque, em junho não falta festa bem popular, bem portuguesa. TEXTO: MARIA JOÃO COSTA

SANTO ANTÓNIO Os concelhos de Aljustrel, Amares, Cascais, Ferreira do Zêzere, Lisboa, Proença-a-Nova, Reguengos de Monsaraz, Vale de Cambra, Vila Nova da Barquinha, Vila Nova de Famalicão, Vila Real e Vila Verde assinalam o seu feriado municipal no dia do seu santo padroeiro, o Santo António, a 13 de junho. As celebrações são várias, a maior parte com início na noite anterior. Para além das sardinhas e dos manjericos comuns a todas as festas dos Santos Populares, há muitos outros elementos que as caracterizam, com destaque para os vários acontecimentos que se tornaram icónicos na capital portuguesa. Os pontos altos das Festas de Lisboa englobam os Casamentos de Santo António, na Sé de Lisboa. Como manda a tradição, os Noivos trocam alianças a 12 de junho, numa cerimónia que conta igualmente com os Casais de Ouro, abençoados em 1972 pelo santo padroeiro da cidade. Depois dos casamentos, marchar pelo título de Alfama. É na Avenida da Liberdade que desfilam,

todos os anos, 20 marchas a concurso, representativas do trabalho ensaiado durante várias semanas em alguns dos principais bairros e freguesias lisboetas. Destaque também para os arraiais de rua nos bairros típicos da capital, como Alfama, Graça, Bica, Mouraria ou Madragoa.

SANTOS POPULARES REGRESSAM A LISBOA DEPOIS DE DOIS ANOS DE PARAGEM “FORÇADA”

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As Festas de Lisboa 2022 decorrem entre 28 de maio e 30 de junho. Este ano, as casas regionais da cidade também se juntam ao programa das festas, com ranchos folclóricos, tunas, bombos e fado na Quinta das Conchas, num encontro de dois dias, em 25 e 26 de junho. As Marchas Populares também estão de volta, com as primeiras exibições no Altice Arena, nos dias 3, 4 e 5 de junho, a partir das 21:00.

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CULTURA

Depois, na noite de Santo António, de 12 para 13 de junho, as marchas voltam a descer a Avenida da Liberdade, a partir das 21:45, num desfile que será encabeçado pela Marcha Popular de Vale do Açor, convidada desta edição, e com a participação, pela primeira vez, da Marcha Infantil das Escolas de Lisboa.

SÃO JOÃO Das três grandes festas populares portuguesas, o São João é a que origina maior número de feriados municipais. São mais de 30 os concelhos que lhe prestam devoção de forma oficial a 24 de junho, seja no Norte (Porto, Vila Nova de Gaia, Braga, Guimarães, Vila do Conde, Gondomar, Vizela, Castelo de Paiva ou Terras de Bouro), na região centro (Figueira da Foz, Tabuaço, Nelas, Aguiar da Beira, Lousã, Moimenta da Beira, Sertã ou Figueiró dos Vinhos), no sul (Alcácer do Sal, Mértola, Moura, Castro Marim ou Tavira), nos Açores (Angra do Heroísmo, Horta, Lajes das Flores ou Santa Cruz da Graciosa), na Madeira (Calheta e Porto Santo) e até na Grande Lisboa (Almada e Alcochete). No Norte é onde se assinala a data com mais intensidade, principalmente no Porto e em Braga. Na Cidade Invicta até lhe chamam “a noite mais longa do ano”, com ponto de comparação possível apenas com o réveillon. Quando a noite de 23 de junho dá lugar à madrugada de 24, à meia-noite, ocorre o ponto alto das festas no Porto, com o fogo de artifício lançado em iniciativa conjunta com os vizinhos de Gaia, e leva dezenas de milhares de pessoas a olh¬rem para o céu junto ao Douro, já que o fogo

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é lançado a partir da Ponte D. Luís I e de plataformas instaladas no rio. Este espetáculo de cor costuma durar cerca de um quarto de hora. Da tradição também faz parte o chiar dos milhares de martelinhos coloridos, com que se bate na cabeça dos outros transeuntes, sejam ou não rostos conhecidos. Há quem prefira utilizar o alho-porro, igualmente divertido, mas mais desagradável para os visados, tal o cheiro que deixa na pele e na roupa. Este ataque de martelinhos e alhos¬-porros estende-se da Ribeira até à Foz, onde se multiplicam as fogueiras, as cascatas de São João e a sardinha assada, sem esquecer os Aliados ou mesmo a Boavista.

SÃO PEDRO O dia 29 de junho, dia de São Pedro, é celebrado um pouco por todo o território

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nacional, de concelhos a norte como Macedo de Cavaleiros, Alfândega da Fé, Celorico de Basto e Felgueiras, a outros a sul, como Sintra, Montijo, Évora e Castro Verde. Por ser conhecido como santo dos pescadores, celebra-se também em municípios piscatórios, como o nortenho Póvoa de Varzim, o algarvio Lagos, o madeirense Ribeira Brava e o açoriano Lajes do Pisco. São estes últimos que lhe mostram mais devoção através de festividades. A Noitada de S. Pedro leva todos os anos milhares de pessoas à Póvoa de Varzim, localidade onde muitos emigrantes originários do norte de Portugal têm uma casa para passar férias. Para além das sardinhas, dos manjericos, da música popular e do fogo de artifício, que chega a prolongar-se por períodos próximos dos 20 minutos, destaca-se o fervor com que as rusgas são encaradas. O estádio do Varzim Sport Club serve de palco para as rusgas de bairros como Mariadeira, Regufe, Belém, Norte, Sul


e Matriz, desde as apresentações dos infantis aos participantes seniores. Os habitantes destes bairros poveiros torcem fervorosamente pelos seus, que nem as claques de futebol que visitavam este estádio aquando dos tempos áureos do clube local. Na manhã seguinte, aqueles que conseguirem tirar o pé fora da cama podem deslocar-se à tradicional Missa de São Pedro, na Igreja da Lapa. A tarde é ocu-pada por vários concertos de entrada gratuita, até que a Majestosa Procissão de S. Pedro saia da Igreja Matriz.

COMO AS COMUNIDADES FESTEJAM OS SANTOS POPULARES LUXEMBURGO As festas dos Santos Populares no Luxemburgo são do mais semelhante que se pode encontrar à realidade portuguesa. Festas ao ar livre, dezenas de portugueses e lusodescendentes a dançarem música popular, outros tantos agarrados a um bocado de pão coberto por uma sardinha ou uma fêvera. Aqui, quase todas as cerca de 60 associações de portugueses organizam uma ou mais festas, seja no Santo António, no São João ou no São Pedro, com a particularidade de existir a facilidade em encontrar os produtos adequados às festas populares, praticamente tudo ainda mais barato do que em Portugal.

FRANÇA Em muitos pontos da geografia francesa os Santos Populares são celebrados com o máximo possível de similaridade à realidade portuguesa. Exemplo disso acontece em Bordéus, onde a associação Alegria Portuguesa de Gironde orga-

niza uma grande festa perto da data do São Pedro, com o objetivo de celebrar também o Santo António e o São João. P¬ra além da comida típica, esta festa inclui atuações de grupos de folclore e de bandas que interpretam música popular portuguesa.

ALEMANHA Em Hamburgo, as várias associações portuguesas combinam entre si as festas que lhe cabem organizar a cada ano, para que umas não tirem pessoas às outras. A organização dos Santos Populares cabe a uma associação chamada Juventude do Minho, que todos os anos se esmera na realização das festas de São João, não fosse este o padroeiro de cidades como Braga e Guimarães. Este ano não vai fugir à regra, com o arraial a saber e a soar tal e qual como as celebrações por terras minhotas.

ESTADOS UNIDOS Em Nova Iorque há mais de uma dezena de festas relacionadas com os Santos Populares, organizadas pelas diversas associações, num estado onde residem 50 mil portugueses. Newark e Mineola são as zonas mais ativas neste aspeto, com festas marcadas em honra de Santo António, de São João e de São Pedro.

CANADÁ As sardinhas, a broa e os ingredientes para o caldo verde chegam com facilidade a diversas zonas canadianas, com destaque para o estado de Ontário. Para além de Santo António, São João e São Pedro, também há quem faça festa em honras do Espírito Santo, no final de maio. De origem portuguesa, foram implementadas por açorianos em várias regiões do Brasil e da costa leste dos Estados Unidos e do Canadá. A Casa dos Açores de Ontário, sediada em Toronto, é uma das várias associações que se encarregam da organização de festas do Divino Espírito Santo.

BRASIL Todos os municípios no Rio Grande do Sul, o estado brasileiro mais a sul, têm um santo como referência, como padroeiro do município. Na cidade de Bento Gonçalves, o padroeiro é o Santo António de Lisboa, pelo que o feriado municipal é a 13 de junho. O dia é assinalado por diversas comemorações, como missas, uma procissão e almoços festivos com bailaricos à portuguesa.

MACAU O Arraial de São João é um dos festivais tradicionais do povo português e da comunidade macaense de Macau, sendo realizado em junho. É no Bairro de São Lázaro, que os portugueses se juntam para a festa bem à portuguesa, onde não faltam as sardinhas, o caldo verde, o folclore e a boa disposição. Este ano, e pela terceira vez consecutiva, o arraial não se realizará, devido às restrições pandémicas atualmente em vigor no território e também a problemas financeiros das associações organizadoras.

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CULTURA

SARDINHA A RAINHA DA MESA PORTUGUESA A nossa sardinha goza de boa reputação dentro e fora de portas. O reconhecimento é antigo, como comprova o recenseamento de peixes do litoral do desembargador Duarte Nunes de Leão, no século XVI: “No mesmo mar de Setúbal e no de Sesimbra, sua vizinha, há a sardinha mais saborosa que se pode dar”. Consta que, em 1855, as sardinhas de Setúbal alcançaram menção honrosa na Exposição Internacional de Paris. Associada à alimentação popular, mas cada vez mais utilizada por grandes chefs, é iguaria indispensável nas festas populares de junho: Assada na brasa, sobre o pão e com pimentos assados, como manda a tradição. A abundância deste peixe na costa portuguesa e a grande tradição piscatória explicam a forte presença da sardinha à mesa dos portugueses. É o peixe que junta o melhor que Portugal tem, porque se come no Verão, e porque está ligada à nossa identidade.

associado à alimentação popular, onde, outrora, muitos comiam apenas uma sardinha por refeição, ou até a dividiam com os demais elementos da família. Os rapazes ficavam com a cauda, por ter mais carne e por terem eles trabalhos mais pesados.

se quer bem quente. O segredo é saber grelhá-la na perfeição. Tipicamente, são servidas com batata cozida e uma salada de pimentos com cebola ou simplesmente sobre uma fatia de pão, comida à mão.

De corpo alongado, sub-cilíndrico, azul ou verde prateado no dorso e prateado no ventre e sem raios espinhosos é a nossa sardinha. E quem não gosta da típica sardinha assada?

A Sardinha era um peixe que estava relacionado a classes mais desfavorecidas. Por ser um peixe abundante, que há por toda a costa, era mais barato e seguia para o interior também em conserva. Por isso é que se tornou um peixe popular, o que também explica que se associe às celebrações populares. Era costume esfregar a sardinha no pão para dar sabor, como se diz “fazer o peixe render”. Hoje, as sardinhas são uma iguaria, apreciada por todos.

E as festas dos Santos Populares não seriam as mesmas sem o cheirinho a sardinhas no ar. Como diz o ditado: “No São João, a sardinha pinga no pão”. A verdade é que pinga durante o verão inteiro. Embebe o pão com a gordura que liberta tornando um petisco inigualável. É nesta altura do ano que a sardinha aumenta a sua percentagem de gordura sendo que a melhor época é no final de julho, agosto e setembro.

Durante séculos, as sardinhas exerceram um papel importante nos hábitos alimentares dos portugueses. Um alimento

O único tempero que se quer é sal grosso e as sardinhas só devem ser salgadas pouco tempo antes de ir para a grelha, que

A sardinha é a rainha das mesas portuguesas, com certeza. É tradição. É momento de união.

Falar em Santos Populares é, pois, falar da nossa cultura, da nossa sardinha, de Portugalidade. E é nos bairros mais antigos que as ruas se enchem de animação, decoradas com manjericos, balões e diversos motivos feitos em papel colorido, remetendo-nos para um ambiente de alegria, música e cor, que se mistura com o fumo das fogueiras e das sardinhas assadas na brasa.

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