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Roteiro Turístico Página 36

# 45 JAN/2O12 Ano 3

www.documentoreservado.com.br

R$ 1O,OO

Papel da imprensa

A cada dia a imprensa vem ampliandio seu papel na defesa do interesse público, denunciando desvios de conduta dos políticos.

Que droga é essa!

Sinal Sinal vermelho. vermelho. O O aumento aumento do do tráfico tráfico ee consumo consumo de de drogas drogas no no país, país, com com aa consequente consequente onda onda de de violência, violência, vem vem tirando tirando oo sono sono dos dos brasileiros. brasileiros.

Valdir Rossoni, que no ano passado incomodou muita gente, promete ações ainda mais radicais em 2012, na tentativa de moralizar o legislativo. Para isso mexerá em um perigoso vespeiro.

Um abelhudo no vespeiro

oo d i ç ã itiba e a Cur nest f i r a tico de n o C rís o tu r i e t ro


editorial EXPEDIENTE Jornalista responsável e editor-chefe Pedro Ribeiro Redação Norma Corrêa, Pedro Ribeiro e Lucian Haro Revisão Nilza Batista Ferreira Comercial Junior Ribas comercial@documentoreservado.com.br Fotos Foto da Capa: Nani Gois/Alep Shutterstock Ilustrações Davidson Projeto Gráfico e Diagramação Graf Digital Impressão Idealiza Gráfica e Editora Tiragem 10.000 exemplares Impresso em papel couché fosco LD 150 g, com verniz UV (capa) e couché fosco LD 90 g (miolo) Endereço Rua João Negrão, n0. 731 Cond. New York Building - 120. andar sl. 1205 - CEP 80010-200 - Curitiba - PR Telefones (41) 3322-5531 / 3203-5531 E-mail editor@documentoreservado.com.br

REVISTA DOCUMENTO RESERVADO Nº 45 - JANEIRO/2012

D

Devassa no legislativo

epois de um ano marcado por uma administração linha dura, o presidente da Assembleia Legislativa do Estado, deputado Valdir Rossoni (PSDB), promete dar continuidade às ações de moralidade no legislativo paranaense. Já meteu a mão no vespeiro, foi picado e sobreviveu. Agora pretende mexer nas gratificações dos comissionados, o que certamente provocará reações. Segundo Rossoni, esse talvez seja o último ato administrativo a ser tomado pela atual Mesa Executiva. “Está sendo feito um estudo e, tão logo tenha o parecer da Procuradoria, nós vamos baixar um ato regulamentando isso”, disse. Da forma que está, o decreto dá margem à uma interpretação de que podem ser dadas gratificações de até 500% aos servidores, o que é injustificável na opinião do presidente. Ele quer limitar o aumento nos salários para, no máximo, 75% da remuneração de um deputado (o equivalente a R$ 17 mil), mesmo que a gratificação possibilite um pagamento maior. No final deste ano, termina o mandato de Rossoni a frente da Casa e ele não esconde a vontade de ser reeleito. A imprensa voltou a ter papel decisivo nas investigações das falcatruas nos governos federal, estadual e municipal do País. Jornais, televisões, rádios e revistas vêm se ocupando, já há algum tempo, com denúncias de corrupção, levantando indícios de esquemas de desvio de recursos e dilapidação do patrimônio, que corroi os cofres públicos. Escândalos se sucedem nas páginas das revistas semanais, nos “jornalões” de circulação nacional, que são repercutidos nas televisões e rádios, quando não são estes veículos que trazem denúncias e mais denúncias. Foram as matérias jornalísticas as responsáveis pela queda de seis ministros no Governo Dilma; foi a Folha de S. Paulo quem levantou o assunto do contrato das obras de um trecho da Linha 5 do Metrô paulista, provando que os vencedores da concorrência já eram conhecidos seis meses antes; entre outros temas que tomaram conta do noticiário, nas três esferas do Poder Público, nacional, estadual e municipal. No Paraná, os escândalos na Assembleia Legislativa, onde os desvios de recursos levaram alguns diretores da Casa à prisão, e as irregularidades apontadas nos contratos de publicidade na Câmara de Curitiba, sacudiram o cenário político. Boa leitura!

Pedro Ribeiro Circulação Fevereiro/2012

4 Documento Reservado / Janeiro 2012


índice

06 SINTONIA FINA 40 COLUNA DA GABI 42 AGENDA CULTURAL 44 CRÔNICA

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DROGAS O governo federal vem manifestando preocupaçăo com o aumento do consumo e do tráfico de drogas no País. A presidenta Dilma Rousseff disse que investirá R$ 4 bilhőes até 2014 para colocar um freio nisso.

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ENCRENCA Ele retorna com a corda toda. Valdir Rossoni, presidente da Assembléia Legislativa, começa o ano metendo a măo no vespeiro e promete acabar com a “farra” dos comissionados.

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BEM, OBRIGADO O agronegócio brasileiro vai bem. A previsăo, para este ano, é de exportar mais de US$ 100 milhőes. O que falta no país é infraestrutura para colocar a produçăo nos mercados.

Foto: Sandro Nascimento/Alep

O velho general e a dama de ouros

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PLENO EMPREGO Na economia, o pleno emprego é considerado quando a taxa de desemprego é inferior a 4%. Essa taxa no ano passado em Curitiba ficou na média de 3,2% e hoje está na casa dos 2,5%.

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CIDADES Já foram iniciadas as obras de um novo Bosque Municipal, localizado no jardim Bordignon, bairro Alto Tarumă, em Pinhais.

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ROTEIRO TURÍSTICO Nesta ediçăo, o leitor conhecerá os principais roteiros do turismo em Curitiba. Começando pelo Jardim Botânico e terminando no Ópera de Arame. Vale a pena conferir.

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PODEROSA Nossa reportagem fez uma avaliaçăo, dos últimos anos, sobre o comportamento da imprensa em relaçăo ŕ política no Brasil e chegou ŕ conclusăo que os veículos de comunicaçăo vem fazendo o papel da oposiçăo.

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NO TRABALHO O prefeito de Curitiba, Luciano Ducci, que vem sendo alvo de provocaçőes por parte da oposiçăo, responde com sutileza. “Estou focado no trabalho. Política só após a liberaçăo por parte do Tribunal Eleitoral”.

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SANGUE NOVO Batemos um papo especial com o roteirista e cineasta curitibano Igor Bonatto. Com apenas 20 anos, mostrou a que veio e falou como “gente grande” sobre indústria cinematográfica, democratizaçăo da cultura e carreira. Seu mais recente trabalho é o curta “Des”.

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sintonia fina

Ghignone deixa Sanepar Fernando Ghignone deixará a presidęncia da Sanepar para assumir a coordenaçăo geral da campanha do prefeito Luciano Ducci ŕ reeleiçăo. Ghignone, que já coordenou a primeira campanha de Beto Richa ŕ Prefeitura de Curitiba, retorna agora para reeleger Ducci. Ninguém sabe se o governador Beto Richa colocará alguém em seu lugar na Sanepar ou se o cargo ficará vago até seu retorno.

Memória externa A ferramenta de busca do Google está destruindo nossa memória. “Estamos nos tornando simbióticos com as ferramentas de computador, crescendo dentro de sistemas interconectados que fazem com que nos lembremos menos da informaçăo em si, e mais de onde podemos achá-la”, resume uma pesquisa realizada por professores de psicologia da Universidade da Columbia, Universidade de Wisconsin-Madison e da Universidade de Harvard. A grosso modo, ao invés de nos lembrarmos o nome de cada presidente do Brasil, por exemplo, nós nos lembramos onde podemos encontrar a lista com esses nomes no Google. Essa memória é a chamada “memória externa”, e é a que está prevalecendo sobre a interna.

Boiadeira Os ministros Paulo Bernardo (Comunicaçőes) e Paulo Passos (Transporte) e o deputado federal Zeca Dirceu entregaram, em Cruzeiro do Oeste, a ordem de serviço da retomada das obras da Estrada Boiadeira, a BR-487. A ordem de serviço abrange o trecho de 18,3 km entre Cruzeiro do Oeste e Tuneiras do Oeste e alcança o montante de R$ 45 milhőes. Segundo Zeca Dirceu, o Ministério do Transporte e o DNIT assinaram na ocasiăo, um termo de compromisso para executar os outros trechos da rodovia até a divisa com o Mato Grosso do Sul.

Na mira do MP Fora do baralho O Deputado Valdir Rossoni (PSDB), retorna de férias com a corda toda. Em entrevista ŕ Documento Reservado, o presidente do Legislativo disse considerar o vereador Joăo Cláudio Derosso uma carta fora do baralho, tanto que “o diretório de Curitiba já foi renovado sem a presença dele”. Aliás, o que fazer com Derosso é uma questăo que tem tirado o sono dos principais comandantes da campanha de Ducci. Um forte sinal de que chumbo grosso pode vir do próprio ninho tucano, alertou. 6 Documento Reservado / Janeiro 2012

Derosso, que preparou seu retorno ŕ presidęncia da Câmara de Curitiba, encontrou resistęncia no Ministério Público. Os vereadores até podem dar posse ao vereador, mas o MP vai cair de pau em cima, avisou uma fonte, afirmando que a Comissăo Parlamentar de Inquérito que o livrou da puniçăo serve apenas para o legislativo e năo ao Ministério Público e Tribunal de Contas.


PEDRO RIBEIRO

Roubando cargas Sergio Malucelli, diretor-executivo da Fetranspar, manifesta nova preocupaçăo no setor de transporte de cargas rodoviárias. Como os veículos rastreados inibiram os roubos, a estratégia dos pilantras agora é roubar cargas de menor valor, ou seja, entre R$ 40 a R$ 60 mil. Acontece que estes transportadores năo possuem rastreadores, o que facilita o roubo. A orientaçăo da Fetranspar é para atacar o receptador. Este sim, é o grande vilăo.

Alvoroço na mídia O deputado federal, Doutor Rosinha e o deputado estadual, Tadeu Veneri, ambos do núcleo duro do PT, estăo reunindo farto material de publicidade do governo do Estado para infernizar a vida do governador Beto Richa. Segundo o PT, a Secretaria da Fazenda vem patrocinando uma revista com material de economia, mas a Secretaria de Comunicaçăo Social do Governo nega.

Impulso na mídia Por falar em mídia, uma pesquisa realizada por encomenda de um órgăo da administraçăo municipal de Curitiba, revela que houve um crescimento de 17% na mídia impressa na capital. A entrada do jornal Metro, distribuído gratuitamente, pode ter alavancado o setor. Dois novos veículos de comunicaçăo estăo para ser lançados no Paraná: um portuguęs, que também será distribuído gratuitamente e um do interior que está migrando para a capital.

Retorno do Jota Se alguem apostou que o megaempresário Joel Malucelli iria pendurar as chuteiras depois de uma cirurgia no quadril, perdeu. O homem, craque do Malutrom, já mandou um recado que, dentro de seis meses, retorna aos gramados nem que seja com andador. O futebol é um a das maiores paixőes de Joel Malucelli e năo será uma pequena cirurgia que vai tirá-lo dos gramados.

Caveira dourada Jornalistas de Curitiba estăo marcando ponto no bar Gold Skull – caveira dourada – localizado na rua Augusto Stelfeld esquina com a rua Cabral, no centro. Para ser mais exato, no antigo e famoso bar alternativo Nilo. Quem está na linha de frente desse novo boteco é o nosso amigo, jornalista Edmundo (Japonęs) que, por alguns momentos, deixou a pena de lado para pegar na caneta e na comanda. Ao lado do Japonęs está a professora de inglęs Marina, do núcleo duro do estabelecimento comercial. Dia 10 estreia música ao vivo.

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Foto: Nani Gois/Alep

polĂ­tica

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LUCIAN HARO

Depois de transpor um dos anos mais tensos da história do legislativo estadual, Rossoni promete mexer em novos vespeiros em 2012. Corte de gratificações e modernização administrativa fazem parte das mudanças idealizadas por ele

Mão no

vespeiro

O

s deputados estaduais do Paraná voltaram ao trabalho na semana passada, sem saber ao certo o que os espera em 2012. Ainda no final do ano passado, o presidente da Assembleia Legislativa (AL), deputado Valdir Rossoni (PSDB), anunciou um novo pacote de medidas austeras, alegando dar sequência ao processo de moralização da Casa. Entre os “vespeiros” que ele pretende mexer neste ano, estão o fim das gratificações excessivas aos comissionados e o processo de modernização administrativa do Legislativo. As mudanças puderam ser percebidas, de cara, na parte física da Assembleia. No período de recesso parlamentar foram realizadas obras para transferir o departamento médico e o restaurante de lugar, além da chamada “reforma agrária”, que redividiu os gabinetes dos deputados em espaços iguais, acabando com os antigos latifúndios de alguns figurões.

Cutucada De acordo com o presidente, a primeira e talvez a maior cutucada do ano - será a regulamentação das gratificações pagas aos funcionários comissionados. Segundo ele, esse talvez seja o último ato administrativo a ser tomado pela atual Mesa Executiva. “Está sendo feito um estudo e, tão logo tenha o parecer da Procuradoria, nós vamos baixar um ato regulamentando isso”, disse. Da forma que está, o decreto dá margem à uma interpretação de que podem ser dadas gratificações de até 500% aos servidores, o que é injustificável na opinião do presidente. “A ideia é limitar o aumento nos salários para, no máximo, 75% da remuneração de um deputado (o equivalente a R$ 17 mil), mesmo que a gratificação possibilite um pagamento maior”, explicou Rossoni. Será adotado, também, um sistema de transparência pública si-

milar ao utilizado pelo Ministério Público, Tribunal de Contas e Tribunal de Justiça do Estado, onde, pela Internet, será possível acessar o cargo e o valor da gratificação que cada funcionário do Legislativo recebe. Quanto à modernização administrativa da Casa, ele afirmou que será implantado um sistema integrado de peticionamento eletrônico e digitalização de documentos. Essas informações, disponíveis em uma espécie de intranet dos deputados, poderão ser acessadas por qualquer parlamentar, de onde quer que ele esteja. Parte do dinheiro que será usado nessa readequação tecnológica virá dos R$ 90 milhões em recursos públicos economizados em 2011. “Este ano vamos cuidar muito dos deputados, porque até agora só fizemos a parte de saneamento. Foi a parte mais dolorida, muito difícil, houve muito desgaste. Agora

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política

vamos investir, com toda essa economia que está sendo feita, na infraestrutura da Casa”, garantiu o tucano. Reeleição No final deste ano, termina o mandato de Rossoni a frente da Casa e ele não esconde a vontade de ser reeleito. “Falar hoje que eu pretendo ou não (ser reeleito) é muito difícil. É lógico que eu gostaria de ter o tempo suficiente para concluir todo esse trabalho. Agora, também, eu vou sentir o clima dentro da Casa, porque ninguém foi presidente aqui em um momento de tamanho transtorno quanto eu. É natural que haja desgaste, mas não valeria ser presidente se não fosse para isso”, afiançou. Quanto à aproximação das eleições municipais e a acirradíssima disputa que será formada por Curitiba, Rossoni garante que a campanha só vai tomar rumo decisivo quando os principais cabos eleitorais do PSDB (o governador Beto Richa e a secretária do Estado da Família Fernanda Richa) forem às ruas pela reeleição de Luciano Ducci. “A hora que os aliados do PSDB saírem às ruas, o jogo vai ficar diferente”, disse ele. Segundo Rossoni, o principal artifício de campanha que será usado, além da popularidade de Beto e Fernanda Richa, é a tranquilidade com que Ducci assumiu os trabalhos iniciados por Beto Richa. “Ducci soube tão bem dar sequência ao mandato de Richa, que se hoje você perguntar nas ruas, vai ter muita gente dizendo que o Beto ainda é prefeito”, argumentou.

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Derosso

Em entrevista à Documento Reservado, o presidente do Legislativo também falou do polêmico caso do presidente afastado da Câmara Municipal de Curitiba, João Cláudio Derosso, que pertence ao partido dele. Rossoni disse considerar o vereador uma carta fora do baralho, tanto que “o diretório de Curitiba já foi renovado sem a presença dele”. Aliás, o que fazer com Derosso é uma questão que tem tirado o sono dos principais comandantes da campanha de Ducci. Um forte sinal de que chumbo grosso pode vir do próprio ninho tucano, e não da minguada oposição da Câmara Municipal, foi a exoneração da mulher do vereador afastado, a jornalista Cláudia Guedes, da TV Educativa, assinada pelo governador Beto Richa. O presidente da AL ainda “descascou” o pré-candidato do PDT à prefeitura de Curitiba, Gustavo Fruet, dizendo que se ele tivesse confirmado presença no PSDB, teria sua candidatura lançada pelo partido. “Não poderíamos confirmar a candidatura de alguém que não sabia se queria ficar no partido”, defendeu. Ainda segundo Rossoni, Fruet teria ficado encantado pelo canto da sereia do PT e, por isso, pulou de galho em galho até cair no PDT.

Reféns do sistema

Ainda de acordo com Rossoni, ele teria sido refém, junto com outros deputados, de um esquema comandado pelo ex-diretor da Assembleia Legislativa, Abib Miguel, o “Bibinho”. A fraude incluía a assinatura de documentos “no escuro” por parte de integrantes da Mesa Executiva da Casa. O atual presidente do Legislativo paranaense afirma que quando foi segundo-secretário, entre 2009 e 2010, se negou diversas vezes a assinar papéis levados a ele por Bibinho, pois o ex-diretor não permitia que ele visse o conteúdo dos documentos. “Ele chegava com o papel dobrado para assinar. Não queria mostrar o conteúdo. Eu não assinei”, disse. Ele afirma ter comunicado os outros parlamentares da Mesa Executiva sobre o esquema, mas que os deputados evitavam falar sobre isso. “Eu comuniquei o então presidente da Casa, deputado Nelson Justus (DEM) que não assinaria os atos, mas ele nunca questionou a minha decisão. Não culpo o presidente, o primeirosecretário ou a Mesa Diretora. Era o sistema e todos eram prisioneiros dele. Aqui cada diretor tinha seu feudo, seus parentes, seus aliados. Era uma ‘chacrinha’ “, disse Rossoni.


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política

O Quarto Poder A IMPRENSA TEM OCUPADO O ESPAÇO DA OPOSIÇÃO, QUE MINGUOU DIANTE DA FAMIGERADA “GOVERNABILIDADE” DEIXANDO A LACUNA DA FALTA DE FISCALIZAÇÃO. E AS DENÚNCIAS PUBLICADAS TRAZEM À TONA ESCÂNDALOS DE CORRUPÇÃO QUE DESÁGUAM NO MINISTÉRIO PÚBLICO, POLÍCIA FEDERAL, TRIBUNAL DE CONTAS E NO JUDICIÁRIO

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ornais, televisões, rádios e revistas vêm se ocupando, já há algum tempo, com denúncias de corrupção, levantando indícios de esquemas de desvio de recursos e dilapidação do patrimônio, que corroi os cofres públicos. Escândalos se sucedem nas páginas das revistas semanais, nos “jorna-

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lões” de circulação nacional, que são repercutidos nas televisões e rádios, quando não são estes veículos que trazem denúncias e mais denúncias. Foram as matérias jornalísticas as responsáveis pela queda de seis ministros no Governo Dilma; foi a Folha de S. Paulo quem levantou o assunto do contrato das obras de

um trecho da Linha 5 do Metrô paulista, provando que os vencedores da concorrência já eram conhecidos seis meses antes; entre outros temas que tomaram conta do noticiário, nas três esferas do Poder Público, nacional, estadual e municipal. No Paraná, os escândalos na Assembleia Legis-


NORMA CORRÊA

lativa, onde os desvios de recursos levaram alguns diretores da Casa à prisão, e as irregularidades apontadas nos contratos de publicidade na Câmara de Curitiba, sacudiram o cenário político. No entanto, a reação à desordem – que a presidente Dilma Rousseff prefere apelidar de malfeito – tem recebido igual atenção, com apresentação de leis, emendas constitucionais. Tem-se buscado, cada dia mais, a transparência do Poder Público, por meio de projetos e leis que prometem mais rigor no trato da coisa pública. E os números estão aí para comprovar. Segundo o líder do PPS na Câmara Federal, deputado Rubens Bueno, somente no ano passado, o partido protocolou 596 ações, entre projetos de lei, emendas constitucionais e requerimentos com pedidos de informações, na Casa e na Procuradoria-Geral da República (PGR). “A imprensa está cumprindo com o seu papel fiscalizador. O jornalismo investigativo tem sido fundamental para a corrupção vir à tona. E, nós, políticos, temos consciência de que podemos complementar esse trabalho iniciado pela imprensa, porque temos o partido político e a bancada que podem tomar posições e agir para frear a corrupção”, disse. Para o senador Álvaro Dias (PSDB), o jornalismo investigativo presta “extraordinário” serviço ao País, no combate à corrupção. “As revistas semanais, os jornais, convocam a responsabilidade da autoridade judiciária, especialmente agora com a oposição limitada. Há nove anos o Governo Federal vem cooptando a maioria dos políticos, em nome da famigerada governabilidade. E, assim, criou-se o Estado Policial que pune quem denuncia. Entre a cooptação de políticos para seguir apoiando o Governo cegamente, e a punição a quem denuncia, gerando o medo, cria-se um desequilíbrio na democracia. E é nesse vácuo que a imprensa tem agido, cumprindo o seu papel”, assegura.

Já, o deputado estadual Stephanes Júnior (PMDB), é mais radical quando o assunto é corrupção. Ele diz que considera os Ministérios do Governo Dilma como o mais “medíocre” da história do País. “As pessoas usam o Governo para pegar dinheiro público para financiamento de suas campanhas eleitorais. Hoje, os partidos deixaram de existir, porque o partido é aquele que está no Poder e que coopta os demais partidos em nome da governabilidade”, atira, ao sugerir que, para ocupar um órgão público ou Ministério, o candidato deveria, antes, ser escolhido, primeiro, pela avaliação do seu currículo e, depois, por sua experiência profissional. “A imprensa tem cumprido o seu papel, mostrando o erro. Por exemplo: O PT foi o criador do mensalão, que está sendo julgado no Supremo Tribunal Federal (STF). Foi comprovado, pelas denúncias, que o Governo comprava o político por R$ 1 milhão em luvas e outros R$ 50 mil mensais, para manter a ‘fidelidade’ do político. Isso é inaceitável”, avalia. Oposição desarticulada O professor Ricardo Oliveira, cientista político, diz que essa situação se criou em

razão de a oposição, muitas vezes, não ter cumprido com o seu papel de fiscalizar. “A oposição no Brasil não está bem articulada e não tem informações. Muitas vezes, o corporativismo de parlamentares impede maiores ações para frear a corrupção. E, é aí que a imprensa se coloca”, pondera, ao avaliar que, embora necessária, em alguns casos, setores da imprensa denunciam aquilo que têm interesse. “[a imprensa] seleciona o que quer investigar e dá atenção àquilo que tem interesse, criando uma agenda política. Publica-se, dizem, o que pode provar. Porém, acredito que se for atrás, encontra. Basta querer investigar mais afundo. Mas, é importante destacar que, onde há Poder, há interesses, dinheiro e jogo. Porém, o lado positivo impera e a imprensa, com certeza, contribui para o processo democrático, trazendo à tona o que poderia estar escondido”, completa. Por sua vez, o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), o gaúcho Celso Schröder, diz que a mídia assumiu, no momento, o papel de mostrar os erros da administração pública, trabalho que caberia à oposição que se mostra ineficiente. “A mídia cumpre papel importante denunciando a cor-

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Escândalos nos Ministérios marcaram o primeiro ano de Governo da presidente Dilma Rousseff

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política

veículos de comunicação, que expõem as mazelas de figuras públicas. A avaliação é de que o País ainda tem muito que avançar quando o assunto é ética e responsabilidade com a coisa pública. No entanto, o saldo político até aqui pode ser considerado positivo, se comparado a anos anteriores. A indignação ganhou as ruas, com a população demonstrando a intolerância com a corrupção nas dezenas de passeatas que se repetiram País afora.

Senador Álvaro Dias afirma que o jornalismo investigativo presta extraordinário serviço ao País

rupção e que tem resultados concretos é relevantes No entanto, isso se torna perigoso quando as denúncias começam a assumir posições sistematizadas de crítica pela crítica. Defendemos o jornalismo investigativo, que traz consequências positivas. Mas, somos terminantemente contra o jornalismo de dossiê, aquele que é publicado de acordo com a vontade de alguns e não pelo interesse público”, conta Schröder, ao acrescentar que o jornalismo não pode se resumir a um simples reprodutor de dossiês. “Quando isso acontece, é muito comum a ‘barrigada’ – jargão jornalístico que quer dizer notícia errada, publicada com o estardalhaço de uma grande novidade. Isso é negativo para a imprensa, que tem que se retratar. Para que isso não aconteça é preciso que o jornalista esteja despojado de posições partidárias, para trazer à tona todas as denúncias com isenção e com o necessário contraponto, e não pode abrir mão disso, para não colocar em risco a credibilidade”, ensina, ao afirmar que a atividade jornalística se pauta pelos princípios éticos, pela verdade e pelo compromisso com a preservação da fonte. Por fim, os escândalos de corrupção não passaram em branco, e tiveram efeitos práticos, na maior parte dos casos, mesmo que fosse para aplacar as publicações diárias nos 14 Documento Reservado / Janeiro 2012

Assumir responsabilidade O afastamento de seis ministros foram os casos mais emblemáticos e que mostram a reação positiva às denúncias, embora haja tentativa de desvencilhar os escândalos de corrupção nos Ministérios da imagem presidencial. O Governo faz questão de afirmar que as denúncias de fraudes, desvios de verba e esquemas de superfaturamento em alguns Ministérios e também no DNIT foram motivados por investigações da Polícia Federal. Na verdade, quase todas as denúncias foram frutos do trabalho da imprensa. As quedas de ministros começaram na Casa Civil, com o ministro Antônio Palocci, denunciado por ter seu patrimônio aumentado consideravelmente nos últimos quatro anos. Depois, foi no Ministério dos Transportes e também no DNIT, com a saída do ministro Alfredo Nascimento. De acordo com a revista Veja, o esquema montado nos Transportes era baseado na cobrança de propinas de 4% das empreiteiras e de 5% das empresas de consultoria que elaboram os projetos de obras em rodovias e ferrovias. Em troca do pagamento da propina, os fornecedores teriam garantia de sucesso nas licitações, seriam beneficiados com superfaturamento de preços e teriam liberdade para fazer aditivos, o que também elevava o valor das obras. Depois, as denúncias se sucederam, todas as semanas, atingindo um Ministério. O último escândalo foi no Ministério da Integração Nacional, onde o ministro Fernando Bezerra é alvo de denúncias de favorecimento à sua base

eleitoral, Pernambuco, com verbas de prevenção a enchentes. Segundo dados da ONG Contas Abertas e divulgados pelo jornal O Estado de S. Paulo, um dos programas do Ministério teve 95,5% dos pedidos de verba sob a gestão Bezerra em favor de seu estado, e que 90% dos recursos pagos no ano foram canalizados para Pernambuco. Ao todo, até agora, as denúncias de corrupção contra ministros do Governo Dilma Rousseff (PT) acabaram na queda de seis integrantes do primeiro escalão: Antonio Palocci (Casa Civil); Alfredo Nascimento (Transportes); Wagner Rossi (Agricultura); Pedro Novais (Turismo); Orlando Silva (Esporte); e Carlos Lupi (Trabalho). Formação de quadrilha Na Assembleia Legislativa do Paraná, as denúncias de desvios de mais de R$ 26 milhões fez com que o Ministério Público do Estado denunciasse 13 pessoas por desvio de dinheiro público, e crimes de formação de quadrilha, peculato, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Segundo o Ministério Público, as pessoas denunciadas foram Abib Miguel, José Ary Nassiff, Cláudio Marques da Silva, Daor Afonso Marins de Oliveira, Marlon

Deputado federal e líder do PPS na Câmara dos Deputados, Rubens Bueno diz que o partido protocolou 596 ações, entre projetos de lei, emendas constitucionais e requerimentos com pedidos de informações


Christian Luccas de Oliveira (filho de Daor), Maureen Louise de Oliveira (filha de Daor), Roseli do Rocio Luccas de Oliveira (esposa de Daor), Clori Maria de Oliveira, Luiz Alonso Luccas de Oliveira, Eduardo José Gbur, Pierre José Gbur, Alessandro Gbur e Glaucilene de Souza Gbur. Desses, Abib Miguel (ex-diretorgeral), José Ary Nassiff (ex-diretor de Administração) e Cláudio Marques da Silva (ex-diretor de Pessoal) já tinham sido denunciados pelo MP por desvio de dinheiro público, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Na primeira denúncia do MP-PR, Abib Miguel e João Leal de Mattos foram denunciados por cometerem 1.182 vezes o crime de peculato (desvio de dinheiro público). O Ministério Público e o Tribunal de Contas do Estado se ocupam, também, de denúncias contra o presidente da Câmara de Curitiba, vereador João Cláudio Derosso (PSDB), por supostamente ter cometido irregularidades em contratos de publicidade. Conforme as denúncias publicadas pela imprensa, uma licitação da Câmara de Curitiba, entre 2006 e 2011, para contratar duas agências de publicidade, custou R$ 31,9 milhões apresentou indícios de irregularidades. A empresa da jornalista Cláudia Queiroz Guedes, mulher do então presidente da Casa, João Cláudio Derosso foi uma das contratadas, embora uma CPI instalada na Casa não tenha apontado culpados e que a Comissão de Ética da Câmara também não tenha encontrado responsáveis. Há ainda a suspeita de que o informativo “Câmara em Ação” não tenha sido publicado ou o valor pago teria excedido o praticado pelo mercado e a nomeação de parentes para cargos públicos. Diante da repercussão das denúncias, Derosso pediu afastamento de 90 dias do cargo de presidente da mesa executiva da Câmara e do PSDB. O resultado de tantas denúncias diárias foi mais de transparência na Assembleia Legislativa e o empenho do Ministério Público e Tribunal de Contas em desvendar o que aconteceu com os contratos publicitários da Câmara de Curitiba.

Antonio Palocci

saiu no dia 7 de junho.O todo poderoso do Governo de Dilma, não resistiu à pressão das denúncias.

Alfredo Nascimento, saiu no dia 6 de junho. Deixou o Ministério dos Transportes sob suspeita de desvios em obras públicas para engordar o caixa do Partido da República (PR)

Wagner Rossi saiu no dia 17 de agosto. O “Correio Braziliense” mostrou que Rossi pegou carono no jatinho da empresa Ourofino Agronegócios, que obteve do ministério licença apra fabricar vacina contra a febre aftosa.

Pedro Novais, saiu em 14 de setembro. Denúncios envolvemm contratos milionários e passagens aéreas bancadas por ONGs.

Orlando Silva saiu no dia 26 de outubro. A CGU está cobrando a devolução de R$ 49 milhões repassados em convênios assinados com o ministério.

Nelson Jobim, saiu no dia 5 de agosto. Caiu porque falou demais.

Carlos Lupi

saiu no dia 4 de dezembro. O ministro deixou o Ministério do Trabalho depois das denúncias de irregularidades em convênios firmados pela Pasta com ONGs.

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saúde e segurança

Drogas, drogas e

Dilma reconhece problema do crack e que tudo será resolvido a partir de 2014

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DA REDAÇÃO

drogas

E

m pleno embate entre o governo paulista e os usuários de crack, da chamada “cracolândia”, no centro de São Paulo, a presidenta Dilma Rousseff reconhece que o consumo de crack no Brasil é um problema complexo e grave. No entanto, afirma que o país condições de enfrentar a ameaça representada pelas drogas. Ela lembra que governo federal lançou, em dezembro, o plano Crack, onde sustenta que é possível vencer esse mal para aumentar as alternativas de tratamento para usuários, as ações de prevenção e o enfrentamento do tráfico, com investimentos de R$ 4 bilhões. Dilma Rousseff explicou que estados e municípios terão verbas para instalar 2.462 leitos em enfermarias especializadas dos hospitais do SUS. Disse ainda que serão criados 308 Consultórios de Rua próximos dos locais de maior concentração de usuários de crack e 175 Centros de Atenção Psicossocial para Álcool e Drogas vão funcionar 24 horas por dia com capacidade para o tratamento de 400 pessoas por dia, cada um. O plano prevê ainda a capacitação de 210 mil educadores e 3,3 mil policiais militares para a prevenção do uso de drogas em 42 mil escolas públicas. “Tudo isso será feito até 2014. Temos consciência de que o consumo de crack e outras drogas é um problema complexo e grave. Mas um país que consegue crescer reduzindo a desigualdade social, que levou mais de 40 milhões de pessoas para a classe média e está se tornando exemplo para outras nações, tem todas as condições de reduzir ao mínimo possível a ameaça representada pelas drogas.” As ações policiais de repressão ao tráfico de drogas serão realizadas nas fronteiras e nas áreas de uso de drogas. Serão intensificadas as ações de inteligência e de investigação para identificar e prender os traficantes, bem como desarticular organizações criminosas que atuam no tráfico.

O contingente das Polícias Federal e Rodoviária Federal será reforçado com contratação de mais de dois mil novos policiais. Está prevista também a implementação de policiamento ostensivo e de proximidade nas áreas de concentração de uso de drogas, onde serão instaladas câmeras de videomonitoramento fixo. A expectativa é que a utilização de câmeras contribua para inibir a prática de crimes, principalmente o tráfico de drogas. O governo federal também encaminhará ao Congresso Nacional projeto de lei que altera o Código de Processo Penal e a Lei de Drogas para acelerar a destruição de entorpecentes apreendidos pela polícia e agilizar o leilão de bens utilizados para o tráfico. Também será enviada proposta que institui o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, Prisionais e sobre Drogas. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, explicou que o governo federal não dispõe de informações precisas sobre a violência no país. Os dados mais recentes sobre criminalidade, segundo ele, são de 2008.”Não posso traçar políticas consistentes com três anos de atraso. É chegada a hora de termos um sistema nacional que tenha essas informações, que faça essas estatísticas. Não é simples fazer isso, porque os dados são coletados pelos estados com padrões metodológicos diversos. Essa lei pretende unificar essas informações.” Dentro do Eixo Autoridade, também foi anunciado o apoio aos projetos de lei, em tramitação na Câmara dos Deputados, que tipifica o crime de participação em organização criminosa e que agiliza o processo de extradição. O governo também formalizou o apoio ao projeto de lei já aprovado pela Câmara e em tramitação no Senado, que acaba com a lista de específica de crimes antecedentes para se caracterizar a prática de lavagem de dinheiro. 17 Documento Reservado / Janeiro 2012


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entrevista

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pesar das especulações, o prefeito de Curitiba, Luciano Ducci (PSB) não quer saber das eleições de 7 de outubro. Para ele, falta ainda muito tempo e seu foco está no conjunto de obras que a prefeitura está fazendo e que pretende licitar ainda este ano. “Só do Metrô são R$ 2,25 bilhões. Outros R$ 277 milhões são das obras da PAC da Copa. Não há como parar, tenho que me concentrar nas obras”, disse Ducci em entrevista exclusiva ao Documento Reservado. “Este assunto de eleição não faz parte da minha agenda. É muito cedo. Teremos um ano de muitas coisas acontecendo na cidade, muitas obras grandes. No primeiro trimestre, entregamos todas as obras viárias. E vamos iniciar as obras do PAC da Copa. É um grande trabalho, são obras muito importantes, que mexem com a cidade, com a vida do cidadão, então é preciso um foco nelas para que a coisa ande bem”, completa. Leia a seguir os principais trechos da entrevista.

Documento Reservado - Como o senhor avalia 2011, o primeiro ano inteiro no comando da prefeitura? Foi melhor, pior ou como o esperado? Luciano Ducci - Foi um ano muito bom, acho que dá pra dizer que foi melhor do que o esperado, e não digo isso da boca pra fora. Acho que 2011 é um ano histórico para a cidade porque conseguimos a garantia financeira para começar o metrô, um sonho antigo meu e de todos os curitibanos. Será o maior investimento da cidade num único projeto. São R$ 2,25 bilhões de investimento neste projeto do metrô. E o R$ 1 bilhão que conseguimos do governo federal, a fundo perdido, é uma grande conquista. Nunca houve um repasse desse porte para Curitiba.

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DA REDAÇÃO

“Este assunto de eleição não faz parte da minha agenda. É muito cedo”, diz Ducci a respeito das eleições de outubro

Meu foco é trabalho, diz Ducci Essa conquista é porque temos um bom projeto, consistente, bem elaborado. A própria presidente Dilma elogiou muito o projeto do Metrô Curitibano. Se 2011 não tivesse mais nada, só essa garantia do metrô já seria motivo para dizer que foi um ótimo ano. Mas fizemos muito mais. São mais de 1.500 obras neste ano. Nessas 1.500 obras, temos dez grandes obras viárias acontecendo em várias regiões da cidade, para melhorar o trânsito, porque é uma medida importante para os curitibanos. A cidade ganha 1.150 carros novos por semana, é muito carro. Fazer o quê: é um direito das pessoas de ter seu carro. Temos que tentar conscientizar as pessoas para um uso racional do carro e buscar soluções para melhorar o trânsito, e estamos focando nisso. Acho que foi um ano realmente bom, tanto que Curitiba ganhou prêmios importantes, como o Prefeito Inovador 2011, do Movimento Brasil Competitivo, e o Sebrae Prefeito Empreendedor.

DR - Como ficou a arrecadação no período? Teve crescimento real? De quanto? O que motivou? Ducci - Tivemos crescimento na arrecadação. A receita corrente aumentou 13%, o que dá um crescimento real de 6,5%, descontada a inflação. A receita tributária também subiu no mesmo período, com crescimento real de 10%. O crescimento tem muitos fatores, mas acho que se deve uma a boa gestão na área de arrecadação. Tivemos uma novidade importante neste ano, o Cadastro de Prestadores de Serviço de Outros Municípios. Este cadastro regularizou a atividade de prestação de serviços no município, aumentando a arrecadação. Também tivemos impactos importantes de ações como a Nota Fiscal Eletrônica, o Refic, nosso Programa de Recuperação Fiscal de Curitiba, e o Sistema de Inconsistências do ISS Curitiba, uma ação fiscal que faz com que o contribuinte recolha o imposto devido no valor e

época corretos. O aquecimento do mercado imobiliário também ajudou no crescimento da arrecadação.

DR - Como está a previsão orçamentária para 2012? A crise assusta? Ela foi prevista nos números? Ducci - Estamos projetando um aumento em torno de 8% na receita corrente. Normalmente já trabalhamos com uma previsão orçamentária conservadora, é uma característica nossa, da gestão da cidade. A possibilidade de crise assusta, mas o Município adota uma posição de prudência no seu planejamento financeiro. Curitiba teve a quarta maior participação no PIB nacional em 2009, acabou de divulgar o IBGE. E o Brasil inteiro trabalha com a expectativa recente de desenvolvimento, com o entusiasmo com Copa do Mundo, com as Olimpíadas. Então vem esse alerta de crise, que assusta todo mundo. Nossa postura de prudência será mantida. Veja, poderíamos

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entrevista

até ter aceitado financiamento para o metrô no PAC da Copa, lá trás. Mas preferimos esperar um pouco e concorrer ao recurso a fundo perdido do PAC 2. Veja o resultado, em vez de um empréstimo de R$ 700 milhões, conseguimos R$ 1 bilhão a fundo perdido. Dá pra dizer que foi um excelente negócio.

DR - Como ficou o planejamento para a Copa em 2011 e como será em 2012?

DR - Quanto será investido para preparar a cidade para a Copa? Ducci - Somente em obras, são cerca de R$ 420 milhões de investimento da Prefeitura. E aí eu falo das obras que estavam já planejadas para a cidade e também do PAC da Copa, financiado pelo governo federal. Mas existe ainda muito investimento para ser mensurado, além do investimento da Prefeitura. Tem o PAC da Copa do Governo do Estado, que será de cerca de R$ 240 milhões. O governo federal está investindo mais de R$ 70 milhões no aeroporto. Tem o investimento do clube no estádio. No Parque Barigui, fizemos

Ducci - São dois grandes pacotes de obras, aquele mais local, que inclui as 10 grandes obras viárias. E mais o PAC da Copa. É um volume alto de recursos, por isso o Município buscou e busca fontes de financiamentos através de operações de crédito e convênios com o Estado e a União. Curitiba tem boa credibilidade e já trabalha com agentes financeiros externos. Estamos aumentando os contratos com esses agentes, como a Agência Francesa de Desenvolvimento e o BID. Os investimentos exigem adequações orçamentárias e a reprogramação do plano de obras para o exercício de 2012 e 2013.

Ducci - Está tudo em dia, aliás, está até adiantado, porque não temos só o PAC da Copa, temos nossas obras, que também preparam a cidade. Das 10 granDR - Foram des obras viárifeitos financia“Este assunto de eleição não faz parte da minha agenda ainda. as em andamentos com propóFalo sério, é muito cedo para isso, teremos um ano de muitas coisas mento, sete têm sito específico para acontecendo na cidade, muitas obras grandes. relação com a a Copa? No primeiro trimestre, entregamos todas as obras viárias. Copa. A localiDucci - O PAC E então iniciamos as obras do PAC da Copa. zação do estáda Copa. O valor É um grande trabalho, são obras muito importantes, dio da Copa deste programa é que mexem com a cidade, com a vida do cidadão, ajuda, então de R$ 277 milhões, então é preciso um foco nelas para que a coisa ande bem.” muitas obras financiados pelo planejadas para governo federal, a cidade em gecom a Caixa Ecoral têm impacto na Copa. Veja a Rua 24 uma concessão onerosa que está dando ao nômica como agente. São 7 obras de mobiHoras, foi reformada e reaberta. Ela tem parque um novo Centro de Eventos, que está lidade. Uma é a requalificação da Avenida um perfil que pode atrair muita gente nos sendo construído pelo consórcio que venceu das Torres, que vai ganhar uma trincheira e dias da Copa. O Anel Viário era um projeto o edital. É um espaço para 5 mil lugares senta- o Viaduto Estaiado, uma grande obra, de antigo para a cidade, para aliviar o trânsito dos. E o consórcio também tem que fazer R$ 95 milhões. Vamos revitalizar o Termino Centro, passa pelo Estádio da Copa, além melhorias no parque, na pista de corrida, e nal Santa Cândida, a Avenida Marechal Flode passar pelos estádios do Coritiba e do uma galeria para pedestres ali na Avenida Cân- riano, a Rodoviária e a Avenida Cândido Paraná Clube. Então, nós tivemos um paco- dido Hartmann, quando você entra no par- de Abreu. Vamos fazer uma pequena amte de obras grandes em 2011, que tivemos que pelo Bigorrilho. Tem investimento priva- pliação na Linha Verde Sul e vamos imaté que segurar um pouco o PAC da Copa, do nos setores de turismo, comércio, servi- plantar um Sistema Integrado de Monitorapara não causar um transtorno para a popu- ços, hotelaria. É um valor que deve passar de mento, para melhorar a gestão do trânsito lação com tantas obras grandes. Mas esta- R$ 2 bilhões em investimento para a Copa, e do transporte. mos licitando as obras do PAC da Copa e entre recurso público e recurso privado. iniciaremos neste ano todas essas obras do DR - O que for feito para a Copa vai benePAC. Teremos até um viaduto estaiado, na DR - O que precisou ser adaptado no orça- ficiar a cidade após os jogos? Ou tem algo que avenida das Torres, dentro do PAC da Copa. mento para preparar a cidade? seja específico para o período de competição? 22 Documento Reservado / Janeiro 2012


Ducci - Posso dizer que Curitiba é privilegiada neste sentido. Todas as obras da Copa têm importância para a cidade. Veja a avenida das Torres, que liga o aeroporto ao Centro, passando pela Rodoviária. As obras nesta avenida são um grande benefício para os moradores, para os visitantes, para o futuro da cidade. Vamos construir na avenida das Torres o Viaduto Estaiado, moderno, que será também uma solução de trânsito local, com impacto direto na vida dos moradores da região. Curitiba já tem uma boa infraestrutura.

de financiamento para as cidades-sedes. Então fizemos uma programação para o PAC de obras que servem a Copa mas são também importantes para o dia-a-dia da população. O legado de obras da Copa ficará 100% para a população.

DR - Há algo atrasado na preparação para a Copa? Ducci - Estamos com as obras em dia. E nossos prazos, até mesmo os prazos das obras do PAC da Copa, são confortáveis, temos tempo suficiente para acabar todas as obras do

nhor pretende fazer, se licenciar para disputar a reeleição? Ducci - Este assunto de eleição não faz parte da minha agenda ainda. Falo sério, é muito cedo para isso, teremos um ano de muitas coisas acontecendo na cidade, muitas obras grandes. No primeiro trimestre, entregamos todas as obras viárias. E então iniciamos as obras do PAC da Copa. É um grande trabalho, são obras muito importantes, que mexem com a cidade, com a vida do cidadão, então é preciso um foco nelas para que a coisa ande bem. Temos o Hospi-

“São mais de 1.500 obras. Temos dez grandes obras viárias acontecendo em várias regiões da cidade, para melhorar o trânsito. Das 10 grandes obras viárias em andamento, sete têm relação com a Copa.” Luciano Ducci

Os próprios fiscais da Fifa que vieram à cidade disseram isso. Ficaram impressionados com as áreas verdes de Curitiba. No sobrevôo de helicóptero, o técnico da Fifa disse: “Green city, nice”. Por coincidência, pouco tempo depois ficamos em primeiro lugar no ranking Green Cities Latin America, feito pela The Economist para a Siemens. Voltando às obras, como o estádio está numa localização que já é importante para a cidade, nosso programa de obras não precisou de grandes adaptações. As obras que estavam planejadas melhoram a cidade como um todo e servem como preparação para a Copa. Mas é claro que não iríamos desperdiçar o PAC da Copa, um programa

PAC da Copa em cerca de um ano, até um ano e meio antes da Copa. E o programa local de obras também estará pronto já no ano que vem. Eu diria que para o curitibano o legado da Copa será adiantado. Bem antes da Copa, o cidadão que usa a Marechal Floriano, o motorista que passa todo dia pela avenida das Torres, quem pega ônibus na Rodoviária, quem precisa cruzar a BR do Bacacheri ao Bairro Alto, para todas essas pessoas, o legado virá antes. Os benefícios das obras da Copa já serão realidade para os curitibanos bem antes de 2014.

DR - Em 2012, o senhor vai buscar a reeleição? Como estão as discussões e o que se-

tal do Idoso para terminar de equipar e inaugurar, um hospital que será um marco nacional no atendimento ao idoso. Temos que fazer a licitação do metrô, para iniciar a obra ainda em 2012. Será um ano intenso, de muitas obras, de muito trabalho, não há tempo para antecipar, questões eleitorais que só devem ser discutidas a partir de julho. Não estou dizendo que não se discute política, mas digo que a prioridade tem que ser a administração da cidade, que passa por um grande momento. Até porque eu não tenho que deixar a Prefeitura, posso ser candidato e ficar no cargo durante as eleições, então não tem também essa discussão de deixar a Prefeitura. 23 Documento Reservado / Janeiro 2012


agronegócio

Agronegócio exportará

US$ 100 bilhões O

agronegócio brasileiro deve exportar, em 2012, mais de US$ 100 bilhões em produtos. A previsão é do ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho. “Para chegar a US$ 100 bilhões precisamos apenas de um crescimento de 5,7% das exportações, que é um número que temos como alcançar”, disse o ministro ao se referir aos US$ 94,6 bilhões vendidos para outros países no ano passado. O resultado de 2011 é o melhor desde 1997 – quando iniciou o registro da série histórica – e supera em 24% o alcançado em 2010, quando foram vendidos US$ 76,4 bilhões em produtos agropecuários. Os complexos soja, sucroalcooleiro e carnes fizeram as maiores contribuições para o crescimento das vendas. Os principais destinos foram a União Europeia, China, os Estados Unidos, a Rússia e o Japão. O agronegócio brasileiro exportou US$ 94,59 bilhões em 2011. O resultado é o melhor desde 1997 – quando iniciou o registro da série histórica – e supera em 24% o alcançado em 2010, quando foram vendidos US$ 76,4 bilhões em produtos agropecuários. Os complexos soja, sucroalcooleiro e carnes fizeram as maiores contribuições para o crescimento das vendas. Os principais destinos foram a União Europeia, China, os Estados Unidos, a Rússia e o Japão. As importações de produtos do setor atingiram US$ 17,08 bilhões, crescimento de 28% em relação a 2010. Assim, o superávit da balança comercial do setor em 2011 ficou em US$ 77,51 bilhões, quase três vezes maior que o resultado

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global da balança comercial brasileira, que foi US$ 29,8 bilhões. Os produtores brasileiros devem produzir 158,43 milhões de toneladas de grãos na safra 2011/2012. A estiagem que castiga a Região Sul foi um dos principais fatores que levaram à redução na estimativa do quarto levantamento da safra divulgado hoje (10) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em relação à última pesquisa, foi registrado 0,4% de queda ou 646 mil toneladas. O número é ainda 2,8% menor que o colhido na safra 2010/2011 (162,95 milhões de toneladas). Milho e soja, tradicionalmente as maiores lavouras, representam 83% da safra, com 130,96 milhões de toneladas. Apesar da previsão de queda na produção, a área total cultivada deve crescer 1,1%, ou 528,2 mil hectares, ocupando cerca de 50,44 milhões de hectares. De acordo com a Conab, o aumento está relacionado ao aumento de 9,1% na área do milho primeira safra e de 1,9% na da soja. O arroz, no entanto, que ocupou 2,82 milhões de hectares no ciclo anterior, teve redução de 267,3 mil hectares ou 9,4%. Quase metade dessa diminuição ocorreu apenas no Rio Grande do Sul. O feijão primeira safra também registrou queda de 10,4% em área (147,9 mil hectares), passando para 1,27 milhão de hectares. Mais da metade dessa redução se deu no Paraná. A Conab fez a pesquisa entre os dias 15 e 19 de dezembro com 60 técnicos que ouviram órgãos públicos e privados ligados à produção agrícola nos estados produtores.


DA REDAÇÃO

Os produtores brasileiros devem produzir 158,43 milhões de toneladas de grãos na safra 2011/2012.

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economia

Curitiba vive ciclo do

"pleno

Na economia, o pleno emprego é considerado quando a taxa de desemprego é inferior a 4%. Essa taxa no ano passado em Curitiba ficou na média de 3,2% e hoje está na casa dos 2,5%

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ntes de embarcar para Europa, o prefeito Luciano Ducci comemerou o “pleno emprego” alcançado por Curitiba – única capital com o status. “A taxa de desemprego está na casa dos de 3% na grande Curitiba. A média de 2011 ficou em 3,7%. Historicamente, Curitiba tem a taxa 0,5% menor do que região metropolitana. Há um ano, então, vivemos um momento de pleno emprego”, disse Ducci após transmitir o cargo de prefeito ao vereador Sabino Picolo. Na economia, o pleno emprego é considerado quando a taxa de desemprego é inferior a 4%. Essa taxa no ano passado em Curitiba ficou na média de 3,2% e hoje está na casa dos 2,5%. “Curitiba é uma cidade de referência, de vanguarda em vários setores, e que tem um olhar muito especial à população mais pobre e mais carente”, disse Ducci. O prefeito se refere ao estudo da Fundação Getúlio Vargas que aponta que Curitiba reduziu em 65% a pobreza entre 2003 e 2009, enquanto a média nacional no período ficou em 45%. “Curitiba reduziu a pobreza em mais de 60% no período de seis anos. A cidade fez mais de 25 anos em cinco”, disse. O mesmo estudo da FGV, com base na Pnad/IBGE, aponta que 650 mil curitibanos subiram de classe social entre 2003 e 2009. “A redução da desigualdade e o célere caminho na erradicação da pobreza em Curitiba são resultados da consolidação de dois pilares de uma sociedade sustentável: o crescimento 28 28 Documento Documento Reservado Reservado // Janeiro Janeiro 2012 2012


DA REDAÇÃO

emprego", diz Ducci

econômico aliado ao forte investimento na base da pirâmide social”, disse Ducci. Renda Dois outros dados reforçam a tese de Ducci. Curitiba fechou 2011 com 721.499 trabalhadores com carteira assinada e 34.259 novos empregos gerados. Os dados do Ministério do Trabalho foram divulgados nesta terça-feira, 24. Em 2011, Curitiba teve um aumento do estoque de empregos de 4,5% comparado a 2010, enquanto que no Paraná foram criadas 123.916 vagas (5,2% de aumento) e na região

metropolitana, foram criadas 50.714 vagas (5,1% de aumento). Ainda em 2011, a Jucepar (Junta Comercial do Paraná) aponta a abertura de 17.446 novas empresas em Curitiba. Em relação a 2010, o crescimento foi de 8%. No Paraná, foram criadas 56.325 novas empresas em 2011, o que inclui também a abertura de novas filiais. O crescimento do Paraná, em relação a 2010, ficou em 3,98%. A capital conta atualmente com 190 mil empresas. Outro destaque, apontado pelo prefeito, é a média salarial de Curitiba, uma das maiores do país e a maior do Estado. Conforme dados do

Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos), o salário médio do trabalhador curitibano pulou de R$ 2.143,38 em 2010 para R$ 2.287,02 em 2011. Ducci adianta que Curitiba vai continuar avançando na geração de emprego. Neste ano, as ações da prefeitura na área se voltarão à qualificação dos trabalhadores, especialmente dos jovens e das mulheres, e no apoio e fomento aos pequenos empreendedores. “Vamos continuar trabalhando para que Curitiba mantenha o pleno emprego e aumente a renda dos trabalhadores”, disse o prefeito.

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cidades

Começa a construção de um novo Bosque Municipal em Pinhais

Atualmente Pinhais tem um Bosque Municipal, inaugurado em setembro de 2010

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DA REDAÇÃO

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á foram iniciadas as obras de um novo Bosque Municipal, localizado no jardim Bordignon, bairro Alto Tarumã, em Pinhais. A implantação desde novo espaço de lazer no município faz parte do amplo programa de Qualidade de Vida colocado em prática pela Prefeitura Municipal e que vem transformando a cidade. Para a realização da obra serão investidos R$581.238,68. Deste montante, R$438.750,00 são provenientes de emenda par-

lamentar apresentadas pelo deputado federal, André Vargas. Os outros R$142.438,68 são recursos do município. O projeto do novo bosque contempla pista de caminhada com estares (bancos), ponte, lago, circulação central, estacionamento, equipamentos de alongamento, parque infantil, academias ao ar livre, mesas de jogos e demais detalhes estruturais. Além disso, a vasta área verde já presente no local será mantida. “A idéia é valorizar a natureza que o local oferece, criando novos equipamentos pertinentes à prática esportiva e também ao lazer”, comentou o arquiteto Rafael Mulinari, do Departamento de Projetos e Parcerias. Além de oferecer este novo equipamento público à comunidade nesta área total de 12.407,34 metros quadrados, as obras da Prefeitura melhorarão a integração da malha viária. Com a abertura de uma rua em um dos lados do Bosque, haverá a ligação entre as ruas Arapongas e Rolândia. A Prefeitura planeja ainda a extensão do ligamento da Rua Rolândia com a Rua Pérola, onde será instalado

um novo loteamento (Jerivá Pac Pinhais). A previsão é que a obra do Bosque esteja pronta já no primeiro semestre de 2012. A concretização deste projeto somará ao Bosque Municipal de Pinhais, localizado na área central do município e que foi inaugurado em setembro de 2010. Hoje, o Bosque Municipal é um dos principais cartões postais da cidade e utilizado por toda a população de Pinhais, pois oferece uma ampla área de lazer. “Nossa intenção é fazer do Bosque no Bordignon uma grande referência para que as famílias da região possam passear, praticar exercícios, cuidar da saúde e também valorizar cada vez mais a natureza do nosso município”, concluiu o prefeito Luizão Goulart.

Projeto do novo Bosque

Início das obras do Bosque Bordignon

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cultura

Por detrás das câmeras

Igor Bonatto: “Um bom filme só acontece com uma boa ideia”

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LUCIAN HARO

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O curta “Des”, cujas gravações estão a todo vapor em São Paulo, revela uma visão bem intimista da rotina de um grupo de modelos, e apresenta em seu elenco grandes nomes do cinema

inguem contesta que, quase todos os anos saem dos palcos paranaenses grandes atores de destaque no cinema nacional. Estão aí nomes como Ary Fontoura, Letícia Sabatella, Simone Spoladore e Maria Fernanda Cândido, que não nos deixam mentir. Mas é o desconhecido “por detrás das câmeras” que tem garantido, ultimamente, espaço aos nossos artistas no circuito das grandes produções. Um dos exemplos desse sucesso é o curitibano Igor Bonatto, de 20 anos. Jovem e com um futuro muito promissor, ele é diretor e roteirista do curta-metragem “Des”, que deve estrear, em maio, no Festival de Cannes. O filme, cujas gravações estão a todo vapor em São Paulo, revela uma visão bem intimista da rotina de um grupo de modelos, e apresenta em seu elenco grandes nomes do cinema e da moda brasileiros, como o ator Bruno Gagliasso e o estilista Alexandre Herchcovitch. O curta conta, ainda, com o apoio da também paranaense Marker Produções – produtora de vídeos. Além disso, fazem parte da produção de “Des” um time de peso. A sonoridade é de Antonio Pinto (vencedor do prêmio ASCAP e indicado ao Globo de Ouro pelo longa “Amor nos Tempos do Cólera”); a produção de Hank Levine (indicado ao Oscar por “Cidade de Deus” e premiado em influentes festivais de cinema como o Berlinale e Sundance pelo documentário “Lixo Extraordinário”, ao qual também rendeu indicação ao Oscar); e edição de Daniel Rezende (indicado ao Oscar por Cidade de Deus e com uma vasta lista de filmes editados como Diários de Motocicleta, Água Negra, Tropa de Elite 1 e 2). Esquadro Igor BonattoIgor nasceu em Curitiba, mas aos 7 anos de idade foi morar com a família em Paris - onde se apaixonou por literatura, artes finas e cinema. Aos 16, ingressou no Ensino Superior. Morou em Toronto e Vancouver (Canadá) por três anos, onde formou-se em Artes pela Ontario College of Art and Design e cinema pela Vancouver Film School. Com 20 anos de idade, Igor já fez 6 curta-metragens, com foco em direção e roteirização. Seu documentário The Paladin (2009) foi indicado ao Impact Awards. Sua dedicação e

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cultura

criatividade lhe renderam um diploma com grandes honras. Ele também já escreveu mais de 15 curta-metragens (sendo alguns produzidos) e cinco longas em inglês e português.

Confira nosso bate-papo com Igor DR: Como surgiu seu interesse pelo cinema? Igor: Passei alguns anos de minha infância em Paris. Lá, cultura é um desejo superior ao querer um carro do ano, um imóvel novo ou uma bolsa importada. Éramos muito incentivados a ir a museus, bibliotecas e ver tudo como uma forma de arte. Passei a enxergar histórias interessantes no cotidiano das pessoas e me surgiu uma crescente vontade de retratá-las de alguma maneira. Em um primeiro momento, era por meio do desenho animado. Até que um dia me conformei com minha incrível incapacidade de desenhar bem (risos). Mantive a vontade de contar histórias, mas migrei para o cinema.

DR - Quais as inspirações para o seu trabalho? Quais seus ídolos? Igor: Minha principal fonte de inspiração é a vida em si. Todos os dias vemos cenas cinematográficas, conhecemos pessoas com histórias incríveis e ouvimos notícias inacreditáveis. Mais do que isso, a própria vivência gera o melhor conteúdo que podemos imaginar para tornar histórias em filmes. Estou sempre disposto a viver intensamente. É isso que torna minhas histórias possíveis e intrigantes. Admiro muito o diretor norte-americano Terrence Malick justamente por retratar a vida com muita sensibilidade. Mas posso dizer que os mestres Fellini e Stanley Kubrick também estão na minha lista de admiração. 34 Documento Reservado / Janeiro 2012


LUCIAN HARO

DR: Seu trabalho se assemelha ao de algum outro cineasta brasileiro ou estrangeiro? Igor: Um cineasta está sempre num processo de autoconhecimento Vamos tateando cada projeto para ver o que melhor nos expressa. Cada um dos meus filmes foram feitos com estilos muito diferentes. Tanto em história, quanto em conceito. Acredito que o “Des” representa uma maturidade que cresceu muito rapidamente em mim no último ano.

DR: O fato de ter pouca idade te prejudica profissionalmente? Já sofreu algum tipo de “discriminação”?

çar pelo ingresso. Precisamos urgentemente democratizar o cinema. Numa capital, uma família gasta tranquilamente R$100 para assistir uma sessão. Isso só cabe no bolso das classes mais altas. A tão falada classe C ainda não tem acesso ao cinema. A partir do momento em que mais pessoas puderem ir ao cinema, mais a indústria vai crescer. E isto não está acontecendo. Outro aspecto a ser mudado é o financiamento de projetos. Dinheiro este país tem. Agora é questão de usá-lo com prudência para tornar algo considerado artístico em um negócio altamente rentável. As leis de incentivo e editais estão fragilizando demais nossa “quase-indústria”. Se alguém resolver mudar esse método de captação, ainda não tem dinheiro privado que garanta a consistência e cresci-

Des Igor Bonat to

Igor: Ter pouca idade mais me ajudou do que prejudicou. O grande desafio de ter 20 Igor: “Des” foi criado com o intuito de anos em uma indústria tão ácida é passar pelo retratar de maneira inédita uma indústria momento inicial com sucesso. Ninguém acregigante e muito estereotipada. Tem muita dita ou confia em você a menos que você juscoisa errada na indústria da moda e espero tifique seu merecimento. Eu provei para alcontribuir com o surgimento de debates e guns dos maimudanças. A ores nomes do proposta só Um cineasta está sempre num processo de autoconhecimento cinema e da irá se fortaleVamos tateando cada projeto para ver o que melhor nos expressa. moda que sou cer quando se Cada um dos meus filmes foram feitos com estilos muito diferentes. capaz de fazer tornar um lono que um direga ou uma séTanto em história, quanto em conceito. Acredito que o tor de 50 anos rie de tv. Am“Des” representa uma maturidade que cresceu muito faz. Talvez até bas as ideias já rapidamente em mim no último ano. melhor. Estou estão em decom muita senvolvimento sede de sucesso e venho me dedicando para mento da indústria. E por último, os ideali- e a realização com sucesso do curta vai torocupar, em breve, um posto alto nesta indús- zadores de projetos, sejam eles diretores, pro- ná-las mais possíveis. tria. Por outro lado, sou muito mimado por dutores ou roteiristas, devem criar os projeaqueles que já confiam em mim (risos). tos que quiserem e, depois, torna-los viáveis. DR: Falemos de expectativa. Cannes sigO que vem acontecendo é a criação de proje- nifica exatamente o quê para você? DR: Você que já estudou e morou fora do tos já imaginando um cenário com poucos Igor: Cannes significa atingir o sonho da País, quais as principais diferenças encontra- recursos. Essa imobilização só tende a con- grande maioria dos cineastas com apenas 20 das no mercado cinematográfico brasileiro em tribuir para a realização de projetos peque- anos. Estou muito preocupado com esta exnos ou ruins. comparação com os de outros países? pectativa que gerei. O projeto tem tudo para Igor: O cinema brasileiro está no camiestrear lá. Mas nosso prazo está muito curto e nho certo, mas logo estará estagnado se alDR: Como surgiu o roteiro do “Des.”? O que já estou prevendo um filme mais longo que o guns detalhes não forem mudados. A come- pretende conseguir com ele? permitido no festival. Veremos. 35 Documento Reservado / Janeiro 2012


turismo

Destino: Curitiba Só neste ano são esperados quatro milhões de visitantes na capital paranaense

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Portal Santa Fe

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licidade


LORENA MALUCELLI PELANDA

Parque Ta

nguá

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nquanto muitos curitibanos aproveitam as férias em outras cidades, e até mesmo nas praias, muita gente curte os dias de folga na capital paranaense. A cidade é conhecida pelos belos atrativos e também é ótima para quem quer ter contato com a natureza e dias de descanso. Os números comprovam que cada vez mais a cidade está se tornando uma opção para passar as férias. Só em janeiro, 90% dos leitos foram ocupados por turistas. De acordo com o presidente do Sindicato de bares, restaurantes e similares de Curitiba, Marco Antonio Fatuch, a melhora das condições de vida das famílias de baixa renda é o principal motivo para o crescimento no número de visitantes. “Tem pessoas que nunca pensaram em viajar de avião e hoje estão voando. As passagens aéreas estão mais baratas e o governo federal deu crédito para que a classe C pudesse se desenvolver”, esclarece Fatuch.

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turismo

Para o presidente do Sindhotel, Marco Fatuch, o desenvolvimento da classe “C” impulsiona o turismo

Negócios O turismo de negócio ainda é o mais procurado por pelo menos 80% dos visitantes, que ficam na cidade por até cinco dias. “Só neste ano teremos mais de cem congressos já confirmados para serem realizados em Curitiba”, garante o presidente do Sindhotel. Para 2012 a expectativa é positiva e estimase que cerca de quatro milhões de pessoas visitem a cidade. Número que deve ser mais alto que 2011, em que três milhões e setecentos mil turistas vieram à capital paranaense. Os principais visitantes são do interior do Paraná, São Paulo e Rio Grande do Sul.

Memorial Árabe

Memorial Uc

raniano - Pa

Preferência O roteiro preferido dos turistas que escolhem Curitiba é o Jardim Botânico. A atração recebe anualmente milhares de pessoas que além da beleza da estrutura podem conferir o Jardim das Sensações. O visitante percorre de olhos vendados uma trilha de 200 metros de extensão e conhece flo-

res e plantas através dos sentidos. Em seguida vem a Ópera de Arame, que também recebe número expressivo de visitantes. As duas opções estão garantidas para quem quer conhecer a cidade com o ônibus Linha Turismo. O veículo circula a cada meia hora nos principais pontos turísticos de Curitiba, como os parques e praças. O percurso de 44 quilômetros dura em média duas horas e meia. O roteiro completo começa com a saída da Praça Tiradentes. A coordenadora da Linha Turismo, Ângela Porcoti, afirma que a linha é um passeio completo. “Independente do tempo, já que Curitiba é imprevisível, o movimento de turista sempre é bom. Temos pontos turísticos que também ajudam na procura pelo passeio”, comenta Porcoti. O passeio é procurado não só pelos turistas, mas pelos próprios moradores da cidade que querem conhecer do alto região onde moram. Só no ano passado mais de meio milhão de pessoas andaram na Linha Turismo. O passeio custa R$ 25 e dá direito de quatro reembarques.

rque Tingui

Ópera de Arame

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social

Foto: Divulgaçăo

Foto: Gerson Lima

COLEÇÃO VIDA TODESCHINI A loja Todeschini Augusto Stresser traz em seu showroom a última coleçăo da marca, intitulada Vida. Os seis amplos ambientes projetados na nova unidade – duas cozinhas, quarto do casal com closet, quarto kids, biblioteca e área de trabalho – mostram o conceito da coleçăo, inspirada no design escandinavo, que vem com a proposta de materializar o bem viver, permitindo a composiçăo de espaços sofisticados e ao mesmo tempo acolhedores e despojados. A ideia é a humanizaçăo do design, baseado no bem-estar e nas sensaçőes provocadas nos ambientes.

PARCERIA SOLIDÁRIA O Grupo Servopa apoia novamente o Hospital Evangélico com a doaçăo de um carro para o projeto Banco de Pele, destinado a crianças e adultos da ala de queimados do Evangélico. O carro será usado para transportar o material que ajudará na recuperaçăo destes pacientes. Desde 2009, o Grupo Servopa disponibilizou um carro para a coleta de leite humano. Para se ter uma ideia, em 2010, foram realizadas 3.466 visitas domiciliares, com acompanhamento de um profissional de enfermagem, que coletaram 2.000,60 litros de leite humano, destinado ao atendimento de 1.086 bebęs internados na UTI Neo Natal.

Foto: Diogo Alexandre

o Diretor Superintendente da Servopa, Darli Antonio Borin, e o Diretor Geral do Hospital Evangélico, Pastor Odair Braun

ELEMENTOS-FOGO l, totalmenda loja do Shopping Crysta Para celebrar a inauguraçăo entos – çou a Coleçăo 2012 “Elem te revitalizada, a Geara lan as apareres fortes e ousadas, as peç Fogo”. Inspirada em mulhe labaredas e o e pelas linhas sinuosas de cem pontuadas pelo colorid is. tos de brincos, colares e ané pássaros de fogo, em conjun

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Os diretores da Ademilar Consórcio de Imóveis, Raul Schuchovsky Neto e Tatiana Schuchovsky Reichmann, com o gerente comercial da empresa, Claudir Santos, em jantar do grupo no restaurante Madalosso.


por GABI GATTI

Foto: Gerson Lima

gabigatti@documentoreservado.com.br

NOVO BOSSA O Bossa Nova, um dos bares mais cariocas do Brasil, vai ganhar novo layout. Com reabertura no dia 12 de janeiro a casa abre as portas e apresenta o Lounge Ipanema, novo palco, mais moderno e bem posicionado, com sistemas de áudio e iluminaçăo mais atuais. E as novidades năo param por aí. O ponto de encontro da boemia carioca e brasilidade passa a abrir também ŕs quintas-feiras, com muito mais samba rock, samba soul e samba funk para animar as noites. Vale a pena conhecer o novo espaço que traz um pedacinho do Rio de Janeiro e todo o seu astral único para Curitiba.

Elizabeth Bianco, da Ideally Iluminaçăo, com a arquiteta Daniela Barranco que também foi premiada na comemoraçăo encerrou a Campanha de Fidelizaçăo de 2011.

Foto: Divulgaçăo

AU-AU NA PRAIA As duas lojas do Au-Au no litoral do Paraná – em Caiobá e Guaratuba – já est ăo funcionando. Até o final da temporada de verăo, elas atendem ao público de segunda a segunda, a partir das 11h até a madrugada, com os cardáp ios completos.

CÃES NO SHOPPING Permitir a entrada de ani mais de estimaçăo em lugares privados é, sem dúv ida, uma tendęncia mundial. O Shopping Crysta l aderiu a esta proposta e liberou a circulaçăo de căes nos corredores e em lojas. A liberaçăo é par a cachorros com coleira e guia, sempre acompanh ados de seus donos. Os căes que pesam mais de 20 kg também devem estar com focinheira – conforme determinaçăo da lei municipal.

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agenda

Exposições Sem Limites

A SIM Galeria abriga até 14 de fevereiro a exposiçăo “Sem Limites”, que reúne obras dos artistas Alexandre Mazza, Cleverson Oliveira, Eliane Prolik, Gustavo Speridiăo, Juliana Stein, Paulo Almeida, Pjota, Rafael Alonso, Romy Pocztaruk e Tony Camargo. Entre os trabalhos estăo fotografias, vídeos, pinturas e esculturas, entre outras. Informaçőes: (41) 3322-1818.

Séries Autobiográficas – Louise Bourgeois

Até 19 de fevereiro, o Centro Cultural Solar do Barăo abriga a exposiçăo “Séries Autobiográficas – Louise Bourgeois”, composta por obras da artista que fazem parte do acervo municipal da capital paranaense. Informaçőes: (41) 3321-3240.

Histórias de Nanquim

Até 19 de fevereiro, a Gibiteca do Centro Cultural Solar do Barăo abriga a exposiçăo “Histórias de Nanquim”. A mostra reúne os trabalhos do desenhista André Caliman – que mistura linguagem de quadrinhos com pinturas em nanquim. As imagens da exposiçăo săo páginas originais da H.Q. “E.L.F”, publicada nos Estados Unidos. Informaçőes: (41) 3321-3240.

[Arquivo / Operaçăo.IMPERMANĘNCIA]

Até 19 de fevereiro, o Centro Cultural Solar do Barăo abriga a exposiçăo “[Arquivo / Operaçăo.IMPERMANĘNCIA]”. A mostra reúne trabalhos de Arthur do Carmo, Luana Navarro e Patrícia Lion. Os artistas exploram os arquivos e como eles săo colocados para o sujeito contemporâneo. Informaçőes: (41) 3321-3240.

Práticas de Aproximaçăo

O Centro Cultural Solar do Barăo abriga até 19 de fevereiro a exposiçăo “Práticas de Aproximaçăo”, que reúne resultados de pesquisas realizadas por artistas nos atelięs do Museu da Gravura entre agosto e novembro de 2011. As xilografias trazem diálogos com obras de Oswaldo Goeldi e a produçăo de arte atual de Curitiba. Informaçőes: (41) 3321-3240.

Série Entrevistas

O Museu Oscar Niemayer (MON) abriga até 26 de fevereiro a exposiçăo “Série Entrevistas – Pequenas e Grandes Histórias de Quem Tem o Que Dizer”, que traz aos quatro pisos da Torre de Fotografia do Museu Oscar Niemeyer 23 fotos de personalidades paranaenses. A mostra acontece após a publicaçăo da Série Entrevistas, que ocorreu no segundo semestre de 2011, nas páginas dominicais do jornal Gazeta do Povo. Com imagens de Alexandre Mazzo, editor de fotografia da publicaçăo, acompanhadas de textos do jornalista José Carlos Fernandes. Informaçőes: (41) 3350-4400.

Translúcido – Imagens e Movimentos

Até 26 de fevereiro, o Museu Oscar Niemayer (MON) abriga a exposiçăo “Translúcido – Imagens e Movimentos”, que reúne obras de videoarte e videoinstalaçăo dos artistas Arthur Tuoto e Joăo Krefer. A atraçăo é promovida pelo Museu da Imagem e do Som do Paraná e tem curadoria do cineasta Fernando Severo e do crítico de arte Fernando Bini. Informaçőes: (41) 3350-4400

Carlos Oswald – O Resgate de um Mestre

Até 26 de fevereiro, a Galeria da CAIXA abriga a exposiçăo “Carlos Oswald – O Resgate de um Mestre”, que reúne cerca de 70 obras do italiano Carlos Oswald (1882-1971), responsável por trazer ao Brasil a técnica da gravura em metal. Oswald veio ao Brasil pela segunda vez em 1913, e com a eclosăo da Primeira Guerra Mundial acabou ficando preso no país, onde se casou, criou sete filhos e abriu a primeira escola de gravura no Rio de Janeiro. Carlos Oswald foi o responsável por assinar o desenho definitivo do Cristo Redentor e foi professor do artista paranaense Poty Lazzarotto. Informaçőes: (41) 2118-5114

Interiores

O Memorial de Curitiba abriga até 26 de fevereiro a exposiçăo “Interiores”, da artista plástica Annette Kesselring. Em suas obras, a desenhista utiliza giz pastel sobre papel, dando ęnfase nos aspectos da natureza – representando elementos como folhas, flores, frutos e pequenos animais. Informaçőes: (41) 3321-3313.

Técnicas da Imaginaçăo

A Sala do Artista Popular abriga até 2 de março a exposiçăo “Técnicas da Imaginaçăo”. A mostra reúne esculturas de diversos artistas paranaenses, que săo caracterizadas por reaproveitarem materiais recicláveis, como massa corrida, madeira de demoliçăo, raiz de árvores derrubadas e cerâmica. Informaçőes: (41) 3321-4743

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Espetáculos Acusticozinho

Até 28 de março, Diogo Portugal e Rogério Cordoni se apresentam toda quarta-feira no Santa Marta. A dupla traz música e textos de humor e se apresenta com violăo e contrabaixo e, em alguns momentos, guitarra e percussăo feita com cajon. No repertório estăo cançőes de todos os ritmos. Informaçőes: (41) 3343-2803

Mágico Hugo Moraes & Convidados

Até 16 de fevereiro, o mágico Hugo Moraes apresenta no Teatro Rodrigo D”Oliveira números de mágica, ilusionismo, ventriloquia, esculturas de balőes e show de humor. A cada semana o artista conta com um convidado diferente, de diversos estados brasileiros. Informaçőes: (41) 3223-2205

TPM – Terapia Para Mulheres

O espetáculo “TPM – Terapia Para Mulheres” fica em cartaz no Teatro Paulo Autran até 18 de fevereiro. A peça fala do universo feminino contemporâneo: as neuroses, as dúvidas, os hormônios, os relacionamentos em pleno século 21, onde tudo parece estar a um passo do próximo colapso. Informaçőes: (41) 32244986

Joăo e Maria

O espetáculo “Joăo e Maria” fica em cartaz no Teatro Joăo Luiz Fiani até 19 de fevereiro. A peça é baseada no clássico da literatura infantil, que conta a história das duas crianças que se perdem na floresta e encontram uma casa feita de doces e guloseimas, onde vive a Bruxa Riselda. Informaçőes: (41) 32224484

Santo Improviso

De 11 a 26 de fevereiro, o Teatro Regina Vogue recebe o “Santo Improviso”, onde os humoristas Marco Zeni e Vitor Hugo recebem convidados em jogos de improvisaçăo. Informaçőes: (41) 2101-8292.

Stand Up Comedy – Aos Democratas Pub

Até 29 de março, os humoristas Jefferson Todor e Ângelo Constantino se apresentam toda quinta-feira no Aos Democratas Pub. No show, săo abordadas questőes do cotidiano de forma divertida e a cada semana há um convidado especial. Informaçőes: (41) 3024-4496

Shows Fernandinho

Também no dia 11, o cantor de rock gospel Fernandinho se apresenta no Marumby Expo Center. Informaçőes: (41) 3333-1221

Psycho Carnival 2012

Entre os dias 16 e 21 de fevereiro, acontece em Curitiba a 13Ş ediçăo do Psycho Carnival, alternativa durante a época de carnaval para o público que gosta de rock. O evento contará com participaçőes de sete bandas internacionais, entre outras nacionais, e ocorrerá em diversos lugares da cidade. Programaçăo completa e mais informaçőes pelo site www.psychocarnival.com.br.

Agnaldo Rayol

O Teatro Positivo recebe no dia 2 de março o cantor Agnaldo Rayol. O show faz parte do lançamento do Cruzeiro “Agnaldo Rayol e amigos”, agendado para abril deste ano. Informaçőes: (41) 3315-0808.

CPM 22 e Rancore

As bandas de hardcore CPM 22 e Rancore se apresentam no Espaço Cult, no dia 3 de março. Atualmente, o CPM 22 promove o disco “Depois de Um Longo Inverno”, lançado no ano passado, e a Rancore, o disco “Seiva”, também lançado em 2011. Informaçőes: (41) 3222-2010

Carmen Monarcha

LITORAL Joăo Neto e Frederico

No dia 18, a dupla sertaneja Joăo Neto e Frederico se apresenta no Hyddra Lounge Bar, em Caiobá. Informaçőes: (41) 3315-0808.

Country Day

Também no dia 18, acontece no Café Curaçao o Country Day, com shows das duplas Thaeme & Thiago, Jean & Julio e Marcus & Bellutti. Informaçőes: (41) 3315-0808.

Paralamas do Sucesso A cantora Carmen Monarcha realiza única apresentaçăo no Teatro Positivo, no dia 8 de março. A soprano apresenta o show “Essas Mulheres” e é dirigida por Miguel Briamonte. Informaçőes: (41) 3315-0808.

No dia 19 de fevereiro, a banda Paralamas do Sucesso se apresenta no Café Curaçao, em Guaratuba. Informaçőes: (41) 3315-0808.

Exaltasamba

O grupo de pagode Exaltasamba se apresenta dia 20, no Café Curaçao, em Guaratuba. Informaçőes: (41) 3315-0808.

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crônica

O velho general e O velho general E

ra pontual. próprio dos que sentem que cumpriram o dever Certa noite, quando parte da cidade já Toda quinta-feira, na hora do almoço, ele e não deixariam esta vida em brancas nuvens. dormia, ouvimos o ronco de um jipe 51 vindo chegava, com seu ar simpático, um sorriso no da região de Nova Esperança. Foi uma surprerosto já entrado nos anos, os cabelos encaneFlashback sa quando o ronco do velho transporte parou cidos, com entradas longas. Era pequeno, não Início dos anos 60. O chamado norte no- à nossa porta, colocando meu pai em alerta, mais que 1,65m. Seus ternos eram bem corta- víssimo do Paraná era desbravado. Minha mãe, já com a Winchester em suas mãos. dos, elegantes e próprios para um homem que professora, mulher combativa, patriota, getu– Ó de casa! Pode abrir que sou de paz! obtivera bastante sucesso em sua carreira tan- lista, era o oposto de meu pai, coletor estadu– Quem é? – perguntou o meu velho. to militar quanto política. al, um udenista de quatro costados. Mas vivi– Sou eu, o cartório de Nova Esperança, e Após breve e animada conversa para pôr am em paz. Mesmo assim, por expressarem nosso candidato a governador. Podemos enem dia a semana, eu, na qualidade de diretor suas opiniões, éramos jogados de uma cidade trar e conversar um pouco? da instituição financeira, já estava acostuma- pra outra, pelo governo pessimista de Lupion. Estávamos, meu irmão e eu, enrodilhado a receber o velho e, apesar da diferença de Morávamos em uma pequena cidade, onde mos na saia de nossa mãe, assustados, quando idade, ficava fascinado com suas estórias e a luz acabava às 20 horas, na fronteira com o os dois homens adentraram a nossa casa. Com escondia dele a história que vivi por força das Estado de São Paulo, na beira do Rio Iapó. guarda-pó e chapéu na mão esquerda, o candiversas decisões que ele tomou ao longo de Terra de muita areia, de ladrões como Diabo didato estendeu a mão direita, cumprimensua vida. Loiro, Carne Seca, Sete Dedos, Carniceiro e tou-nos um a um, pediu licença e sentou no Após um cafezinho e um elogio à secretá- tantos outros. Lugar onde se dormia ouvindo velho sofá alegando uma dor nos rins, por ria, ele se punha de pé e, um pouco trôpego, o miado das onças nas matas dos arredores e causa das costelas de vaca que fazia o jipe segurava meus braços e juntos deixávamos o o chiado do velho fogão tocado a pó de serra. andar aos solavancos pela estrada. gabinete, meu local de trabalho. Íamos em Meu velho dormia com a Winchester 44 de Um jantar foi preparado rapidamente à direção ao restaurante onde os empregados 12 tiros ao lado da cama, pronto para os de- luz de velas, um vinho foi servido. Comeram faziam suas refeições, no velho sistema de fender dos malfeitores. Minha mãe nos tirou com muita vontade e, após um cafezinho, cobuffet, via bandejas. da escola no 2° ano primário, ao ouvir uma meçaram a conversar: Era uma distância razoável e a cobríamos professora gritar “É favor ponhar os livros em – Então, amigo Tuta, o que faz perdido em cerca de 20 minutos, andando devagar, riba da carteira”. Na próxima mudança faría- nesta cidade, neste fim de mundo de Deus, respirando o ar que vinha da Mata Atlântica mos apenas exames em um colégio adminis- tão longe dos seus? que rodeia a região noroeste da capital para- trado por freiras e, assim, meus irmãos e eu – É a velha politicagem, major. Para calar naense. O caminho era um jardim bem cuida- passamos a temporada brincando e estudan- minha mulher, nos mandam pra bem longe do, o que nos levava a fazer breves paradas do em casa. de tudo e de todos. para observar flores, borbo– E o que posso fazer para Certa noite, quando parte da cidade já dormia, ouvimos letas, libélulas e árvores fronajudá-lo? o ronco de um jipe 51 vindo da região de Nova Esperança. dosas. – Bem, major, gostaria de Foi uma surpresa quando o ronco do velho transporte Era tempo de ouvir suas vê-lo eleito. É uma nova décaparou à nossa porta, colocando meu pai em alerta, memórias, escutar seu riso, da e muito tem que ser feito. já com a Winchester em suas mãos. desfrutar de se bom humor, Entretanto, creio que não ve44 44 Documento Reservado Reservado // Janeiro Janeiro 2012 2012 Documento


a dama de ouros e a dama de ouros rei tudo acontecer. Portanto, se possível, gos- quero passá-lo ao jovem amigo. E outra: taria de voltar para a Coletoria de Jacarezinho, – Como quiser, o senhor manda e não Senhor, afasta de mim este cálice no norte velho, onde estarei junto de meus pede – brinquei. De vinho tinto de sangue. familiares e terei melhores oportunidades. – Pois bem, quando eu ligar e lhe pedir De muito gorda, a porca já não anda... – Pois considere este seu pedido uma or- algo para alguém, não precisa atender. Mas se dem. Assim que eu ganhar a eleição, vá para eu escrever uma nota e assinar em vermelho, E assim ia a vida nas trevas de pós-64 e na Curitiba e eu o enviarei para Jacarezinho. ligue-me. Se o portador lhe estender um pedi- década de 70. dias e noites de medo e de sufoMeu velho não foi, mas minha mãe sim. do meu assinado em azul, por gentileza atenda. co político. Mas o velho general, pertencente Quando o novo governador a viu, de imediaEu ri muito e disse: ao establishment, virou de novo governador, to mandou chamá-la e cumpriu sua promes– É um bom sistema, vou ficar atento à senador e ministro. Era um democrata calado sa. Nomeando meu vepelas obrigações da farda. Dizem lho para onde ele queas lendas que no dia do golpe ele Final da década de 70. A ditadura corria solta pelo país. ria, à revelia dos apazihavia preparado duas declarações, Nos porões, intelectuais, jornalistas, estudantes, homens e guados que viviam e trauma em apoio ao Jango, outra em mulheres tinham suas vidas ceifadas, simplesmente porque balhavam em Curitiba, apoio aos milicos. Era o político pensavam, ou porque lutavam pela liberdade, pela democrasobreviventes do goverque florescia e se sobrepunha à cia e, alguns, pelo socialismo democrático. no anterior. farda. À sua maneira, era humaFoi meu primeiro contato, quando ainda sua recomendação. nista e desenvolvimentista. Ainda assim, no menino. Vi um homem em busca de seus soE assim prosseguimos para o nosso feijão Paraná muitos sofreram. nhos. Pelo rádio ouvi seu nome como eleito. com arroz via bandejão. Lembranças dos biCreio que estávamos vivenciando seu terE estávamos de volta, ao colégio e à cidade vaques, segundo o velho general. ceiro governo quando já se avizinhavam forque queríamos. Final da década de 70. A ditadura corria tes sinais da redemocratização do país. Ainda Em nossa lenta caminhada em direção ao solta pelo país. Nos porões, intelectuais, jor- assim a luta era necessária, e lá vinha minha refeitório, paramos para apreciar uma cerejeira nalistas, estudantes, homens e mulheres tinham mãe de novo, voluntariosa, defendendo preem flor. Após breve comentário sobre as boni- suas vidas ceifadas, simplesmente porque pen- sos políticos, visitando prisões. Presidente do tas festas promovidas pelos imigrantes japone- savam, ou porque lutavam pela liberdade, pela Movimento Feminino pela Anistia no Paraná, ses na época da florada das cerejeiras no norte democracia e, alguns, pelo socialismo demo- com ela vinha Terezinha Zerbini. Em minha do Paraná, lembrei ao velho general dos cafe- crático. Não era possível pensar, não era per- casa passavam noites em claro em discussões zais em flor, também no norte paranaense. Foi mitido falar. Para driblar a censura, jornais políticas, pessoas como Jards Macalé e a Pientão que ele apertou levemente meu braço: traziam receitas de bolo no lugar das notícias mentinha, a talentosa Elis Regina. Quem saía – Meu amigo, posso lhe fazer um pedido? censuradas. A música buscava de maneira su- do presídio ia direto para lá, em busca de – Claro. O que o senhor quiser, se estiver bliminar , levantar o povão: informações, não raro de roupas e até mesmo ao meu alcance. de trabalho. Na luta pela melhoria da qualida– Como você bem sabe, eu recebo muitas Cai o rei de ouros de de vida e de ganhos dos professores, lá solicitações. Às vezes procuro atender, às veCai o rei de espada estava ela, à frente, de braços dados, seguranzes é impossível. Desenvolvi um sistema e Cai, não fica nada. do faixas, gritando palavras de ordem.

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45 45 Documento Reservado Reservado // Janeiro Janeiro 2012 2012 Documento


crônica

Todas as manhãs olhávamos com atenção para o velho fusca que amanhecia com bilhetes do CCC (Comando de Caça aos Comunistas), dirigido por delegados do DOPS, e não raro tínhamos que apertar parafusos das rodas, que estavam todos soltos. Tentaram, mas não a intimidaram! Em certa greve, com movimentação de professores em direção ao Palácio do Governo, a cavalaria atacou, espalhando os grevistas, na maioria mulheres. Gritos, choros, desmaios. Apontando para minha mãe, o major-comandante das operações gritava em alto e bom som: – É aquela lá! – Pega ela, desce a borracha! – A ordem é prendê-la , vão pra cima! Mas os soldados não cumpriram a ordem. Já a conheciam, sabiam de sua luta e o que tinha feito pela corporação. Era desumano, era covarde, e assim deixaram que todos corressem para longe da fúria do major louco de babar, que via, talvez, naquela operação, um degrau para chegar a tenente-coronel. Dele, ninguém se lembra mais! Epílogo – Uma sobremesa, ministro? Era como eu o chamava, o último cargo que havia ocupado, já que não ficava bem chamá-lo de presidente da maior empresa de energia do país. Logo ele, que tinha também criado uma companhia cuja energia alavancou o progresso e mudou o perfil sócio-econômico da região. – Como qualquer coisa, os anos de política forjaram em mim um estômago de ferro – redargüiu o velho. – Creio que sim – disse-lhe – Em política aprende-se a comer cobras e lagartos, a sobrepujar o nojo que sentimos dos acordos espúrios que alguns consideram válidos na luta pela sobrevivência política. – Você é jovem, ainda, muito jovem. Não se desencante tão cedo. – Embora jovem, ministro, minha alma já é anciã face ao que vi e vivi, e um dia , com tempo, vou lhe contar. Mas não houve tempo. O velho general, 46 Documento Reservado / Janeiro 2012

ex-governador, ex-ministro, ex-presidente da maior empresa de energia do país, foi abatido pela força inexorável do tempo, morreu após curta enfermidade. Dele ficaram lembranças e algumas idéias de como fazer política.Entre elas: – Tal como na guerra, não deixe os companheiros feridos em combates largados no campo de batalha. Resgate-os. – Assuma todos os cargos que lhe oferecem. A máquina anda sozinha. De vez em quando faça “cara de bravo”, mas dedique-se a conhecê-la e melhorá-la . Busque as boas idéias e saiba compartilhar a administração. – Seja leal, sempre. Ainda que sua lealdade venha a ser reconhecida depois, seja honesto. Tanto vale um botão como um milhão, será sempre corrupção se não for ganho de forma legal. – Dinheiro não é tudo, o poder é que vale. Se você detiver o poder, dinheiro não lhe faltará. Não engane ninguém, mas isso não significa que não tenha que ser mais esperto e exercer sua inteligência com competência. – Não hesite em lutar contra seus inimigos, mas traga-os para o seu campo de batalha e vença-os pelas suas regras. Não se deixe intimidar. Os que o atacam sempre estão, no fundo, mais temerosos. – Seja um bom homem. Entre o pensamento cartesiano e humanista, fique com o segundo. Esqueça os números, pense com o coração. Respondi que levará a vida respeitando a filosofia das quatro palavras que se iniciam com a letra “H”. Ou seja, honra, honestidade, humildade e humor. – É uma postura de caráter bastante resumida, não é? Você tem espírito prático e isso é bom – dizia o velho. Ele se foi, mas a senhora permanece, combativa, lutando contra a ignorância, manifestando suas posições em crônicas que dão no cravo e na ferradura, principalmente nas usadas pelas cavalgaduras do PT que estão no poder, sem ter plano de governo e capacidade

de decidir. Gente chinfrim, sem estofo, sem cultura política, apenas a velha cultura sindical atrelada a chefetes. Lutou contra a ditadura e os governos militares foi às ruas em defesa da classe como professora, foi às prisões e aos porões da ditadura em defesa da anistia, foi conselheira da Polícia Civil no Paraná, mudou o perfil de avaliação dos delgados e lá deixou uma oração aos policiais, que até hoje é lida em momentos especiais. Não tolera a incompetência petista, como tampouco tolerava a imbecilidade e a violência dos milicos. Bate na direita e bate na esquerda. Na realidade, bate duro em quem quiser violentar ainda mais este país. Luta contra a corrupção e, por mais que tenha direito a receber indenização pelo que passou, não aceita, pois quem luta pela pátria dela nada pode pedir. Claro que minha mãe é minha heroína, não por ser quem me gerou, mas por ser quem lutou e continua lutando quixotescamente, combatendo moinhos na defesa da democracia, da igualdade e da educação, como a única forma de tirar o país deste marasmo. A senhora continua e o velho general já passou, mas ambos têm algo em comum. Lutaram, aliaram-se. Foram antagonistas, foram parte da forja que vai fazer deste país um lugar diferente um dia. Ele nos holofotes, ela nas ruas, com a pena e seus textos nos jornais. Ele no comando, ela na liderança, ambos inteligentes, ambos trazendo à sua maneira o amor pelo Brasil. É, não se fazem mais políticos como antigamente.

Jayme de Azevedo


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