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(TFG I) SANTUÁRIO ANIMAL: Proposta de um santuário para animais de fazenda na cidade de Erechim-RS

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SANTUÁRIO ANIMAL Proposta de um santuário para animais de fazenda na cidade de Erechim-RS. Rennan Victor Schnorr

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UNIVERSIDADE FEDERAL DA FRONTEIRA SUL ARQUITETURA E URBANISMO INTRODUÇÃO AO TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO DISCENTE: RENNAN VICTOR SCHNORR ORIENTADORA: NAUÍRA ZANARDO ZANIN ERECHIM-RS, MAIO DE 2021.

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Introdução

Apresentação e justificativa do tema p. 07 Objetivos p. 08 Metodologia p. 09

Referencial teórico

Os animais não humanos no contexto antropocêntrico p. 11 Contrapartida: o veganismo p. 16 As dinâmicas de um Santuário Animal p. 17 Animal-centered Design p. 19

Estudos de casos

/su má rio

Woodstock Farm Sanctuary p. 21 Piedmont Farm Animal Refuge p. 22 Levantamentos de casos correlatos brasileiros p. 24

Diagnósticos

A cidade: Erechim p. 27 Escolha do terreno p. 28 Análises do terreno p. 32 Estudos dos residentes não humanos p. 36

Proposta

Diretrizes projetuais p. 45 Programa de necessidades p. 45 Zoneamento p. 47

Referências

Referencial bibliográfico p. 49

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/intro du ção 04

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SENCIENTE sen.ci.en.te

(latim sentiens, -entis particípio do presente de sentio, -ire, sentir) adjetivo de dois gêneros 1. Que sente. = SENSÍVEL 2. Que tem sensações ou impressões (ex.: um animal é um ser senciente). Fonte: Dicionário Priberam da Língua Portuguesa.

ESPECISMO es.pe.cis.mo

(espécie + -ismo) substantivo masculino 1. Teoria que defende a superioridade de uma espécie, notadamente a espécie humana, sobre outra ou outras. Fonte: Dicionário Priberam da Língua Portuguesa.

VIVISSECÇÃO vi.vis.sec.ção substantivo feminino 1. Dissecação anatômica ou qualquer operação congênere feita em pessoa ou animal vivo para estudo de algum fenômeno fisiológico. Fonte: Dicionário Priberam da Língua Portuguesa.

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APRESENTAÇÃO E JUSTIFICATIVA DO TEMA

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o contexto capitalista, os seres vivos humanos, não humanos e os não vivos, frequentemente são entendidos como meios para um fim, ou em outras palavras, meios para o lucro. A lógica da exploração transpassa espécies, e tem um potencial gigantesco, aparentemente irrefreável, de acometer a todos os indivíduos terráqueos, a fim de transformá-los em máquinas geradoras de riquezas. Talvez os indivíduos animais não humanos, se tratando de dados quantitativos, sejam os seres que mais sofreram e continuam a sofrer sob o domínio de produção capitalista. Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), só durante o ano de 2019 a atividade pecuária no Brasil foi responsável por 5.995.275.697, quase 6 bilhões, de mortes de animais não humanos para consumo. Nesse número estão incluídos indivíduos de diversas espécies: bovinos, galinhas, porcos, patos, cabras, ovelhas, cavalos, perus e coelhos, sem contar com os peixes e outros animais de vida aquática.

Para além da pecuária, os animais não humanos também são usados e explorados em diversas e incontáveis atividades. No campo da ciência, a vivissecção, já vista inclusive como uma técnica ultrapassada por muitos, talvez seja uma das práticas mais polêmicas, a qual usa de corpos vivos para se fazer experimentações e testes de cosméticos, remédios, alimentos, etc., mesmo que já existam maneiras alternativas e eficazes de substituir os animais nesses experimentos. O entretenimento que faz uso de animais também se apresenta como uma grande problemática. O aprisionamento de variadas espécies em zoológicos e aquários, acontece quase que exclusivamente visando lucros para os donos desses empreendimentos. Assim como acontece com os grandes parques temáticos de vida marinha, onde animais são treinados para se apresentar de maneiras totalmente antinaturais, com o objetivo de entreter os visitantes.

Além da criação com intenção de matar, no ramo da indústria pecuária os animais também são criados em confinamento de larga escala durante toda a sua vida para tirar proveito de seu leite, ovos, pele, penas, etc.

quantos animais são mortos por hora no Brasil, para servir de alimento?

Em um ano: 32.445.850 Em um mês: 2.703.821 Em um dia: 90.127

Em uma hora: 3.755 Em um minuto: 62 Em um segundo: 1

Nesse contexto, o veganismo surge como um movimento de luta pelos direitos animais, na contramão da cultura massiva de exploração animal. Dentro do movimento, o ativismo e a militância acontecem de maneiras diversas, fazendo uso de várias ferramentas, dentre essas, os Santuários Animais, que podem ser entendidos como frutos da causa vegana. Um santuário animal, é um espaço criado com o objetivo de acolher animais não humanos de diversas espécies, sejam eles de vida selvagem, animais domésticos ou animais resgatados da agropecuária, que estejam em situação de vulnerabilidade e necessitam de um lugar seguro e preparado para suprir suas necessidades básicas, capaz de promover conforto pelo tempo que for preciso. Os chamados “santuários de animais de fazenda”, são aqueles cujos residentes não humanos estavam sob o domínio da indústria pecuária, e eram explorados pela mesma. Esses santuários frequentemente estão associados ao veganismo por que lidam com indivíduos animais que, em sua maioria, tiveram sua existência atrelada à pecuária, à práticas de testagem e vivissecção ou a indústria do entretenimento. Dessa forma, os próprios santuários surgem como resultado das lutas pelos animais, e também simbolizam esse movimento de contrapartida em um contexto antropocêntrico e especista.

Em um ano: 46.356.359 Em um mês: 3.863.030 Em um dia: 128.767

Em um ano: 5.805.315.000 Em um mês: 483.776.250 Em um dia: 16.125.875

Em uma hora: 5.365

Em uma hora: 671.911

Em um minuto: 89 Em um segundo: 1,5

Em um minuto: 11.198 Em um segundo: 186

Fonte: Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), 2019.

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OBJETIVO GERAL O objetivo geral deste Trabalho Final de Graduação é desenvolver uma proposta de anteprojeto arquitetônico e paisagístico de um Santuário Animal, para atender animais de fazenda de Erechim - RS e localidades próximas.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS - Compreender os direitos dos animais; - Compreender sobre bem estar animal e as necessidades básicas das principais espécies a serem acolhidas, em materiais da área de conhecimento veterinário; - Identificar e estudar santuários animais no mundo, para entender os diferentes funcionamentos e possibilidades desses espaços; - Investigar o que acontece com os animais que sofrem maus-tratos, são abandonados ou que estejam em situação de vulnerabilidade em Erechim; - Identificar local adequado para o desenvolvimento da proposta de um santuário na região de Erechim e realizar análises das condicionantes; - Elaborar programa de necessidades com base nos estudos realizados, e a partir disso, propor diretrizes espaciais no terreno escolhido.

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METODOLOGIA Pesquisa bibliográfica e documental

Foram realizadas leituras de livros, artigos e dissertações, nacionais e internacionais, referentes à temática do bem-estar, direitos e necessidades básicas dos animais não humanos. O principal autor consultado para embasamento desta pesquisa foi Gary Francione (2000), além do projeto de divulgação de informações sobre santuários animais The Open Sanctuary Project. Também foram feitas pesquisas em documentos oficiais da legislação brasileira sobre os animais, assim como legislação municipal da cidade de implantação do projeto, Erechim - RS.

Estudos de casos

Foram selecionados dois estudos de casos correlatos internacionais de santuários para animais de fazenda, o Piedmont Farm Animal Refuge e o Woodstock Farm Sanctuary, ambos nos Estados Unidos. Também foi feito um levantamento de informações de santuários brasileiros, para servir como base para as propostas e escolhas realizadas durante este trabalho, assim como para a sequência do mesmo.

Análises e diagnósticos

Com o objetivo de escolher um terreno de implantação adequado para o Santuário Animal, foram realizados estudos macros das regiões rurais de Erechim, por meio de análises de imagens de satélite com o apoio de ferramentas georreferenciadas. Posteriormente a escolha da região de implantação, foram feitos percursos in loco por vias previamente selecionadas para elencar recortes e analisá-los e definir o terreno precisamente. Após a definição do terreno, foram feitas análises de suas condicionantes e do entorno imediato, por meio de imagens de satélites, assim como estudos da paisagem por meio de fotografias utilizando métodos de Períes et al (2013). Também foram consultados manuais internacionais referentes à cuidados com os animais em santuários, em relação às características dos recintos abertos e fechados adequados para as diferentes espécies a serem acolhidas.

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/refe rencial teó rico 10

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OS ANIMAIS NÃO HUMANOS NO CONTEXTO ANTROPOCÊNTRICO

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o seu livro “Introdução aos Direitos Animais”, o filósofo e professor de Direito Gary Francione (2000, p. 49), usa do diagnóstico “esquizofrenia moral” para se referir às atitudes morais por diversas vezes contraditórias que os seres humanos possuem em relação aos animais não humanos. Até o século XIX, a cultura ocidental dominante não reconhecia nenhum tipo de obrigação moral para com os animais, tampouco que esses fossem detentores de qualquer direito. No século XVII, René Descartes, considerado o fundador da filosofia moderna, comparava os animais à “máquinas ambulantes” feitas por Deus, desprovidas de consciência, por não possuírem linguagem verbal ou de sinais. Antes do século XIX, não havia nenhuma lei que protegesse ou falasse de obrigações legais para com os animais. “Na medida em que as leis lhe ofereciam alguma proteção, essa proteção era expressa somente em termos de interesses humanos, principalmente interesses de propriedade.” (FRANCIONE, 2000, p. 57). Uma vez que os animais eram considerados propriedades de uma pessoa, um ato que prejudicasse um animal de alguém, seria julgado como um ataque ao interesse desse dono, sem levar em consideração qualquer tipo de interesse do animal. Quando a lei condenava um ato

de crueldade contra algum animal não humano, essa condenação tinha em vista uma preocupação de que esse ato pudesse se traduzir com uma crueldade contra humanos, ou ameaçar regras de conduta moral das pessoas umas com as outras, por exemplo. Na virada do século XVII para XVIII, o filósofo inglês Jeremy Bentham, vai dar um passo importante no que diz respeito ao pensamento moral sobre os animais, ao levantar uma importante semelhança entre os humanos e os animais: a capacidade de sofrer. Para Bentham, essa característica presente nos animais já seria mais do que suficiente para que estes passassem a fazer parte do círculo de importância moral e para que os humanos tivessem obrigações morais para com eles. Em outras palavras, o que Bentham queria dizer é que os animais são providos de “senciência”. Da mesma forma que os humanos, os animais são sencientes uma vez que comprovadamente são capazes de “sentir, de entender ou de perceber algo por meio dos sentidos” (Dicio, 2021).

Protection of Animals Act (1911) da Grã-Bretanha, a American Animal Welfare Act (1966) e a British Cruelty to Animals Act (1876), que foram leis instituídas para a proteção animal de atos de crueldade e inflição de dor e sofrimento desnecessários. A ideia do tratamento humanitário ainda está largamente presente no imaginário popular quando se fala de bem-estar animal, e ainda serve como base para as legislações que tratam de animais não humanos de diversos países. Contudo, para essas leis baseadas no princípio do “tratamento humanitário” é subentendido que se equilibrem os interesses dos animais com os interesses humanos para alguns propósitos particulares. “Se nossos interesses em infligir sofrimento pesarem mais do que os interesses dos animais, então nossos interesses prevalecem e o sofrimento animal é considerado necessário.” (FRANCIONE, 2000, p. 57). Grande parte disso se deve ao entendimento de que os animais podem ser considerados propriedade, passíveis de sofrer sob as ações de interesse unicamente humano, ignorando os interesses animais.

A partir do final do século XIX e início do século XX, começam a aparecer leis acerca do bem estar animal, mas especificamente leis que partem do princípio do “tratamento humanitário”, como são os casos das

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Figura 01 - God Alone Knows (Somente Deus Sabe, tradução livre) 2007 Vidro, aço inoxidável pintado, silicone, espelho, aço inoxidável, abraçadeiras de plástico, ovelha, formaldeído e mármore carrara. Imagem: Fotografado por Prudence Cuming Associates © Damien Hirst and Science Ltd. All rights reserved, DACS 2012

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os animais e seu sta- o princípio do tratamento humanitário e o princípio da igual consideração tus de propriedade

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condição (ou status) dos animais como propriedade não é nova; tem estado conosco por milhares de anos. De fato, a evidência histórica indica que a domesticação e a posse de animais estão intimamente relacionadas com o desenvolvimento das próprias ideias de propriedade e dinheiro. (FRANCIONE, 2000, p. 117).

Em sua obra, Francione vai usar da visão de John Locke acerca dos animais e da propriedade, para elucidar como essa ideia ainda faz parte do imaginário e das legislações das sociedades ocidentais atualmente. Locke, adepto da crença judaico-cristã, acreditava na criação do universo e na supremacia humana estabelecida por Deus. Ele argumentava que a propriedade de qualquer coisa poderia ser adquirida unindo o trabalho humano a um objeto da natureza. Dessa forma, segundo Locke (1689, p. 290, apud FRANCIONE, 2000, p. 119), os animais também poderiam se tornar um objeto de posse uma vez que fossem “removidos” de seu estado de Natureza e tidos então como Propriedade. Atualmente no Brasil, segundo o Código Civil de 2002, os animais são considerados como “coisas” e são passíveis da apropriação humana. O artigo 82 dispõe que “são móveis os bens suscetíveis de movimento próprio, ou de remoção por força alheia, sem alteração da substância ou da destinação econômico-social” (BRASIL, 2002). Entende-se, dessa forma, que segundo a jurisdição brasileira, os animais não são reconhecidos como sujeitos de direitos e são tidos como bens que podem sofrer sob a ação humana (ALMEIDA, 2013).

Figura 02 - Fonte: João Marcos Rosa/Ed. Globo.

Se referindo ao Direito atual britânico, mas que pode também ser aplicada para o caso brasileiro, Francione (2000, p. 121) discorre sobre como o proprietário de um animal possui direito à posse física exclusiva de um corpo animal não humano, assim como “ao uso do animal para ganho econômico ou outros ganhos, e o direito de fazer contratos com relação ao animal ou para usar o animal como garantia para um empréstimo.”

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onforme exposto anteriormente, historicamente, como demonstrou Francione (2000), os animais foram amplamente entendidos como propriedade, e continuam a ser vistos dessa forma, como é possível perceber pela declaração do Código Civil brasileiro. Para Francione, o status de propriedade que é dado aos animais é a principal razão que nos possibilita tratá-los como seres sem interesses moralmente significativos, mesmo que existam as leis anti-crueldade e de bem estar animal. Para o autor, em todas as questões onde há um conflito de interesses entre humanos e animais, o interesse humano sempre vai sobressair pois a escolha que realmente estamos fazendo, [...] é entre o dono da propriedade e o interesse de um item de propriedade.” e “o resultado desse ‘conflito de interesses’ está predeterminado.” (FRANCIONE, 2000, p. 123). Dessa forma, Francione vai introduzir o princípio da igual consideração — que é uma ferramenta utilizada em outras teorias morais — no debate do tratamento humanitário para com os animais. Resumidamente, o princípio da igual consideração diz que devem ser tratados casos semelhantes semelhantemente. No caso dos humanos e dos animais, apesar de muitas diferenças, Francione (2000, p. 160) destaca que há “uma semelhança muito importante que todos nós já reconhecemos: a capacidade de sofrer que todos compartilhamos.” Outro autor relevante no debate dos direitos animais, o filósofo e professor australiano Peter Singer, em seu livro “Libertação Animal” (1975), apoiado nas ideias de Jeremy Bentham, também vai defender o princípio da igualdade, no que tange os animais humanos e os não humanos. Se um ser sofre, não pode haver justificativa moral para deixar de levar em conta esse sofrimento. Não importa a natureza do ser; o princípio da igualdade requer que seu sofrimento seja considerado da mesma maneira como o são os sofrimentos semelhantes — na medida em que comparações aproximadas possam ser feitas — de qualquer outro ser. (SINGER, 1975, p. 14).

Sendo assim, ambos os autores se escoram na premissa da senciência como a base para que estendamos a esfera da consideração moral para os animais não humanos também. O princípio do tratamento humanitário, segundo Francione (2000, p.178) tinha por objetivo justamente acabar com a ideia de que os animais eram coisas e promover o reconhecimento de que esses seres possuem um interesse moralmente significativo de não sofrer. No entanto, o status de propriedade dos animais não humanos que existe até hoje, impede que esse objetivo seja alcançado, uma vez que “existem forças econômicas que militam contra um tratamento melhor”, justamente em função desse status de propriedade (FRANCIONE, 2000, p. 180). Como proposta, Francione (2000, p. 182) defende que a condição de coisa — ou propriedade — que são atribuídas aos animais seja deixada de lado, e que só assim o status moral desses indivíduos serão levados em consideração. Para o autor, entre a atual situação em que os animais são vistos e tratados como objetos — apesar das leis de proteção animal —, e a sua proposta de solução em que essa visão e tratamento sejam extintos, não há espaço para a possibilidade de um avanço em “meio termo”, ou uma terceira opção. Pequenas melhorias nas condições de vida dos animais de produção, ou leis que promovam pequenos avanços em benefício destes, não são suficientes para que de fato os interesses animais sejam levados em consideração, e eles sejam poupados do especismo e de condições de exploração em benefício humano. Somente o princípio da igual consideração, onde se entende que animais humanos e não humanos possuem interesses semelhantes — em particular o de não sofrer —, e que portanto devem ser tratados de maneira semelhante, é capaz de oferecer uma resposta que impeça que justifiquemos “nossa exploração institucionalizada de animais para comida, experimentos biomédicos, entretenimento ou vestuário. Todos esses usos tomam por certo que os animais são recursos e não têm status moral.” (FRANCIONE, 2000, p. 182).

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S T A T U S D E PROPRIEDADE

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TRATAMENTO HUMANITÁRIO

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CONTRAPARTIDA: O VEGANISMO a história do movimento

o veganismo hoje

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or mais que apenas recentemente estejamos vivenciando um crescimento enorme na popularidade do movimento vegano, os ideais em prol dos direitos animais, assim como as ações mais diretas pela causa, datam de muitos séculos atrás. Pitágoras e Buda, por volta de 500 anos antes de Cristo, talvez sejam as personalidades conhecidas que primeiro falaram sobre a abstenção de animais na alimentação levando em consideração razões éticas (ARIOCH, 2016).

Algumas décadas depois, em 1885 na Inglaterra, um dos pioneiros do movimento dos direitos animais, o escritor e reformador social Henry Salt, deu um dos primeiros passos em direção ao veganismo na sociedade ocidental, ao publicar o ensaio “A Plea For Vegetarianism”, onde expôs suas ideias contrárias a Sociedade Vegetariana inglesa, defendendo também a abstenção dos derivados de animais, como laticínios, ovos e mel, como práticas mais éticas.

Segundo David Arioch (2016), mais tarde, no século I, o filósofo Plutarco escreveu o texto “Sobre Comer Carne”, onde argumenta sobre a natureza dos seres vivos, no âmbito da relação entre homem e animal. O filósofo e humanista francês Michel de Montaigne, em 1580 em seu livro “Ensaios”, levantou debates sobre a violência humana sobre outras espécies, e defendeu que os seres humanos, como racionais, teriam dever moral em relação aos animais, que possuem vida e sentimento.

Em 1944, o marceneiro e secretário da Sociedade Vegetariana de Leicester, Donald Watson, juntamente com outros 5 vegetarianos insatisfeitos com algumas questões éticas do vegetarianismo, se reuniram para discutir a criação do que viria a ser o veganismo, um movimento que daria um passo além em benefício dos animais não humanos, ao expandir o boicote à outras áreas de consumo. O termo “vegan” (em português, vegana ou vegano) foi criado a partir de uma parte do início e uma do fim da palavra “vegetarian” (vegetariana ou vegetariano), e a Sociedade Vegana foi fundada.

Além desses, personalidades como o filósofo Jean-Jacques Rousseou (1712-1778), o poeta Percy Bysshe Shelley (1792-1822) e sua esposa Mary Shelley (17971851), autora de Frankenstein, obra na qual inclusive fez menção ao vegetarianismo, também foram defensores da dieta sem carnes, pelos animais. Jeremy Bentham (1748-1832), filósofo britânico, também foi um importante nome na luta pelos direitos animais, e advogou pelos mesmo até falecer, em 1832. Em 1847, na Inglaterra, surgiu a primeira Sociedade Vegetariana, vinculada a Bible Christian Church. Três anos depois, 1850, foi fundada nos Estados Unidos a Sociedade Vegetariana Americana (SUDDATH, 2008).

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A definição do veganismo ditada pela Sociedade Vegana foi se alterando com os anos, mas em 1988 a definição foi posta em uso, e é usada até hoje:

esde seu surgimento, o veganismo, para além de questões dietéticas e boicote a indústria alimentícia — como o foi à época de sua fundação —, o veganismo expandiu seu campo de debate para diversos outros setores da sociedade moderna. São colocados em pauta desde itens de vestuário com elementos de origem animal, atendimento a espetáculos e exibições que usam animais como entretenimento, as práticas de vivissecção, até o comércio de “animais de estimação”, entre outros. O movimento vegano também passou a somar forças com outros movimentos sociais, em especial com o movimento ambientalista, se posicionando contrários à pecuária, em especial a de produção extensiva, como aponta Ferrigno (2000, p. 70), uma vez que essa indústria além de afetar diretamente incontáveis vidas animais, também apresenta consequências ambientais devastadoras. Além desse, o veganismo hoje, principalmente a corrente abolicionista-interseccional, também adentra movimentos como o feminismo (com o ecofeminismo por exemplo), a luta antirracista (com o afroveganismo) e a luta anticapitalista (a exemplo do veganismo popular).

Veganismo é uma filosofia e estilo de vida que busca excluir, na medida do possível e praticável, todas as formas de exploração e crueldade contra animais na alimentação, vestuário e qualquer outra finalidade e, por extensão, promover o desenvolvimento e uso de alternativas livres de origem animal para benefício de humanos, animais e meio ambiente. (THE VEGAN SOCIETY, 1988, tradução livre).

Figura 03 - Marcha Paulista pelo Veganismo em 2017, na Av. Paulista. Fonte: Kevin David/ A7 Press/Eestadão Cconteúdo

Por outro lado, no entanto, o movimento vegano também sofre uma pressão muito forte do sistema de produção capitalista e da própria indústria agropecuária, que tentam esvaziar a luta vegana de seus propósitos e objetivos, ao tentar introduzir no imaginário das pessoas, a ideia de que o veganismo se resume a um nicho de produtos, prática conhecida como “vegan-washing”. O veganismo hoje, se encontra como um movimento bastante diverso e plural, que se apoia em várias formas de ativismo, desde o próprio boicote a alimentos de origem animal e marcas que apoiam a exploração animal, passando pela militância argumentativa nas redes sociais online ou no próprio boca a boca, até ações mais diretas, que de alguma forma buscam por mudanças mais palpáveis e visíveis, como é o caso dos santuários animais, os quais, ainda que não tratam de sanar as raízes problemáticas das dinâmicas de exploração, buscam acolher e prover santuário para vítimas desse sistema.


AS DINÂMICAS DE UM SANTUÁRIO ANIMAL

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e acordo com a Global Federation of Animal Sanctuaries, uma organização sem fins lucrativos fundada em 2007 nos Estados Unidos, que fornece certificação para santuários e outros centros de resgate e cuidado animal por meio de credenciamentos, declara em seu website que um santuário animal é:

Os SAFs geralmente acolhem animais resgatados da indústria da carne, do leite e do ovo, mas também podem incluir pets, como gatos e cachorros, assim como cavalos, asnos e coelhos. Enquanto instituições de resgate de pets geralmente buscam por lares adotivos, os SAFs têm por objetivo prover santuário “para sempre” para seus residentes não humanos (DONALDSON e KYMLICKA, 2015, p. 51). Por mais que possa parecer raro, e por não haver dados oficiais ou divulgação sobre os números e casos de animais que precisam de refúgio, as superlotações dos santuários brasileiros servem como prova de que existe uma demanda por instituições com os SAFs.

“[...] qualquer instalação que fornece ref úgio seguro, temporário ou permanente, para animais necessitados, ao mesmo tempo em que atende aos princípios de verdadeiros santuários: fornecer atendimento excelente e humano para seus animais, em um ambiente de não exploração com polí- A existência de um santuário de animais de fazenda ticas éticas em vigor [...]” (GFAS, tradução nossa). por si só, e o conhecimento da comunidade local soSegundo Donaldson e Kymlicka (2015, p. 50), o movimento de santuários inclui diversas configurações, desde centros de reabilitação de animais de vida selvagem, refúgios de animais exóticos, centros de resgates de animais de companhia ou pets, e santuários de animais de fazenda (indústria pecuária). Dentre esses, nem todos necessariamente se encaixam dentro do movimento vegano, e advogam pelos direitos e libertação animal, como frequentemente é o caso dos Santuários de Animais de Fazenda (ou SAF, para abreviação).

Figura 04 - Fonte: Liz Chollet.

Dentro do contexto de luta pela libertação animal, os SAFs surgem como uma opção viável e adequada, para lidar com uma problemática criada pelos animais humanos: a domesticação. “Por ‘não terem um ambiente natural’, os animais domésticos, não fossem acolhidos, seriam considerados ‘seres sem lugar’” (FERRIGNO, 2012, p. 209). Mesmo em um santuário, os animais não estão livres. Uma vez domesticados, esses indivíduos tiveram arrancados de si muito da capacidade de sobreviverem por conta própria sem o auxílio humano.

bre esse espaço e seus objetivos, já servem para mudar algumas dinâmicas que envolvem os animais da região de implantação do SAF. Os casos de animais “de produção” doentes, machucados ou idosos, que comumente seriam sacrificados, como acontece geralmente no contexto da indústria pecuária, podem então serem encaminhados para o SAF. Assim como as denúncias informais de maus-tratos contra animais, que são feitas diretamente para os santuários, também podem passar a serem levadas mais a sério, uma vez que o apoio do santuário para lidar com o caso possui um peso maior como entidade pelo bem estar animal, o mesmo também já oferece um local adequado para uma possível realocação dessas vítimas animais. Os santuários de animais de fazenda costumam ser locados em contexto rural, onde geralmente estão também as fazendas tradicionais ligadas à indústria pecuária. “Parte disso se deve ao fato de que nesses lugares é onde está a infraestrutura necessária em termos de habitação adequada, espaço, pastagem, proximidade de fontes de alimento, expertise veterinária, e assim por diante” (DONALDSON e KYMLICKA, 2015, p. 51, tradução nossa).

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O termo “santuário” não existe na legislação brasileira, assim como também não existe nas normativas de diversos países do mundo. Dessa forma, os SAFs recentemente começaram a se organizar e se regular por conta própria. Alguns santuários maiores credenciados, já contam com a liderança da Global Federation of Animal Sanctuaries, e outros santuários menores participam de redes informais de cooperação e compartilhamento de conhecimento (DONALDSON e KYMLICKA, 2015, p. 51, tradução nossa). Donaldson e Kymlicka, fazem um resumo dos compromissos chaves geralmente explicitados pelos SAFs, que podem ser observados nos próprios websites ou outros meios de divulgação dessas instituições:

“i. Dever de cuidar. Fornecer um ambiente seguro e curativo para animais que foram abusados por ​​ humanos e pela indústria agropecuária. Colocar as necessidades e a segurança dos residentes animais em primeiro lugar. ii. Apoio para cada espécie prosperar. Fornecer um ambiente que permite que os residentes animais se envolvam em uma variedade de comportamentos e atividades consideradas naturais para os membros de suas espécies. iii. Reconhecimento da individualidade. Apreciar os animais como personalidades únicas, com suas próprias necessidades, desejos e relacionamentos. iv. Não explorativo. Desafiar as idéias convencionais de que animais domesticados existem para servir às necessidades humanas. Evitar o uso, venda ou outra atividade comercial envolvendo animais. v. Não perpetuação. Impedir que os animais se reproduzam na tentativa de subverter o f uturo da pecuária. Dedicar recursos para resgatar animais que já existem. vi. Conscientização e ativismo. Educar o público sobre a sensibilidade animal e as crueldades da criação de animais. Promover um envolvimento respeitoso com os residentes do santuário como “embaixadores” dos bilhões de animais que sofrem no sistema da agropecuária industrial.” (DONALDSON e KYMLICKA, 2015, p. 51, tradução nossa). Dessa forma, as autores (2015, p. 52) argumentam que os SAFs (no caso deles, os norte-americanos, mas que também se aplica para os casos brasileiros), geralmente cumprem com um modelo padrão de “refúgio + ativismo”, uma vez que a maioria dessas instituições prestam, além do papel de santuário, programas educacionais e de voluntariado, e que, assim como os resgates e acolhimentos de animais, também possuem importância central na dinâmica dos SAFs. A porcentagem de animais resgatados, em comparação com os bilhões mortos anualmente, é ínfima, no entanto, um dos objetivos dos SAFs é, a partir dos resgates, aumentar a conscientização pública e promover os objetivos de defesa dos movimentos de direitos animais.

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Os SAFs, como instituições sem fins lucrativos, dependem quase que exclusivamente do apoio financeiro externo para manter suas atividades, assim, através dos programas de visitação, pelos quais podem ser cobrados bilhetes de entrada, os santuários conseguem levantar uma parte da demanda monetária. Para além das visitações, é possível constatar, que as redes sociais e os websites dos santuários desempenham um papel importantíssimo para a divulgação dos trabalhos realizados por essas instituições e um consequente engajamento com seus seguidores e apoiadores da causa, que se mostra essencial para levantar fundos. Algumas das maneiras para arrecadar dinheiro empregadas pelos SAFs brasileiros, que pode ser observado através de seus meios de divulgação virtual, contam com: - Doações voluntárias individuais ou coletivas organizadas por grupos de amigos, empresas, etc.; - Doações de alimentos, medicamentos ou ferramentas que o santuário necessite; - Programa de apadrinhamento de residentes, onde é possível escolher um animal para apadrinhar e custear os gastos mensais do mesmo; - Programa de apoiador oficial, em que se faz uma assinatura de um valor fixo, com renovação mensal. Concluindo, é possível dizer que os santuários também funcionam como ferramenta de militância, na medida em que demonstram objetivamente que existe uma alternativa à finalidade dos “animais de produção”, diferente da imposição criada pelo animal humano, de um suposto propósito inerente que os não humanos possuem de nos servir, propagado culturalmente nas sociedades ocidentais. E os SAFs buscam chamar atenção para os propósitos dos animais não humanos, entre eles o de não sofrer e não morrer, com o objetivo de engajar mais pessoas na luta do movimento vegano pela libertação animal.


Figura 06 - Fonte: The Pig Preserve.

Figura 07 - Fonte: Michael Hoerger, Piedmont Farm Animal Refuge.

Figura 08 - Fonte: Triangle Chicken Advocates.

“ANIMAL-CENTERED DESIGN” OU O PROJETO PENSADO PARA ANIMAIS

O

chamado “animal-centered design”, ou em tradução livre, o “projeto pensado para animais”, é uma estratégia do ato de projetar, onde busca-se colocar as necessidades dos animais não humanos em primeiro plano, para a partir de então avançar nas tomadas de decisões projetuais, levando em consideração a bagagem de conhecimento acerca dos usuários animais em questão.

mal Refuge, se utilizaram de algumas ferramentas de estudo, como a de observação comportamental das rotinas desses indivíduos não humanos, seja isolados, ou interagindo com outros membros de sua espécie, idealmente em diferentes ambientes e estações do ano. Além disso, também se debruçaram em publicações e revistas científicas, sobre os fundamentos de quem são e seus estilos de vida.

O termo animal-centered design é usado por alguns santuários da comunidade internacional, como é o caso do Piedmont Farm Animal Refuge, The Pig Preserve e o Triangle Chicken Advocates. No entanto, por mais que nem todos os santuários façam o uso declarado desse termo especificamente, é seguro dizer que a ideia geral do projeto pensado para animais é prezado pela grande maioria dos santuários e refúgios animais.

“Algumas das perguntas que fazemos durante o processo de projetar pensando nos animais incluem: - Quem são os ancestrais desses animais domésticos de fazenda? Em que tipo de habitat esses ancestrais selvagens vivem? - Quais são as necessidades, desejos e vontades dos animais? O que os faz felizes e o que os faz sentir seguros? (Da melhor maneira que pudermos entender). - Como os animais gostam de passar o dia? Em quais atividades eles se envolvem e como interagem com o ambiente? - Quando os membros de sua espécie se tornam selvagens, para onde vão e o que fazem?” (Piedmont Farm Animal Ref uge, 2020, tradução nossa).

O projeto pensado para animais tem por objetivo ir além do que é conhecido e divulgado como o mínimo ideal para os animais, em especial para aqueles explorados pela pecuária. É sabido que na indústria de produção animal, em termos de conforto e qualidade de vida, é oferecido o mínimo para que os indivíduos não humanos sejam capazes de alcançar os níveis de produção esperados, ao mesmo tempo em que sobrevivam pelo maior tempo possível, para continuar produzindo. Para além de pensar extrapolações dos requisitos mínimos dos abrigos e habitats, o animal-centered design também se desafia a pensar que tipo de espaços os animais projetariam para si próprios se pudessem. Para isso, os autores dos manuais do projeto pensado para animais, como o pessoal do Piedmont Farm Ani-

Dessa forma, é possível dizer que não existe um tipo certo de projeto para os animais, mas sim diversas maneiras de entender quais são as condições necessárias, e o que é preciso oferecer, para que esses indivíduos prosperem, em contrapartida à apenas sobreviver.

19


/estu dos de casos 20

3


COBERTURA TRELIÇADA PARA VENCER GRANDE VÃO E CLARABOIAS PARA ILUMINAÇÃO DIFUSA

MOBILIÁRIO PARA ALIMENTAÇÃO ESPECÍFICO PARA RUMINANTES MÉDIO PORTE

WOODSTOCK FARM SANCTUARY o santuário

A

CONSTRUÇÃO DO RECINTO DO PORCOS, COBERTURA TRELIÇADA PARA PROMOVER ESPAÇO AMPLO

IMAGEM DE SATÉLITE

Woodstock Farm Sanctuary, é uma instituição 100% bancada por doações, que além de resgatar animais de fazenda, também defende o veganismo e os direitos animais em aliança com outros movimentos de justiça social. Foi fundada em 2004, na cidade de Woodstock, Nova York nos EUA, e se mudaram para High Falls, NY em 2015 onde estão até hoje.

RECORTE OCUPAÇÃO 280.000m²

Figura 11

Figura 13

Atualmente mais de 400 animais vivem no Santuário Piedmont, de espécies que variam de pequeno a grande porte: galinhas, patos, perus, coelhos, cabras, ovelhas, porcos, bovinos, gato e uma lhama.

Figuras 11-13 Fonte: Woodstock Farm Sanctuary. Figura 14 - Fonte: One Green Planet.

o projeto

A

fazenda Santuário Woodstock conta com uma área de 607.000m². Uma estrada principal que comporta veículos cruza todo o terreno do santuário, por onde estão distribuídos os recintos fechados e os espaços abertos e pastagens das diversas espécies, e outras vias peatonais.

0

200 m

Figura 12

Figura 14

Figura 09 - Fonte: Google Earth. Elaborado pelo autor, 2021

RECINTO DAS OVELHAS COM GRANDES PORTAS ABERTAS EM CONTATO COM A PASTAGEM EXTERNA

MAPA ESQUEMÁTICO DO COMPLEXO

Além das edificações e espaços reservados para os residentes não humanos, o santuário também conta com um centro para recepção dos visitantes e um espaço para eventos privados, além de uma área de estacionamento para visitantes. Também conta com residências onde alguns colaboradores do santuário vivem, um hospital veterinário e o Grey Barn, um chalé disponível para hospedagem pelo público visitante, que auxilia na arrecadação de fundos para o santuário. LEGENDA 01 Quiosque de check in visitantes 02 Estacionamento funcionários 03 Hospital animal 04 Estacionamento visitantes 05 Espaço privado de eventos 06 Centro do visitante 07 Espaço de isolamento 08 Mata e riacho não abertos ao público Vias internas de circulação Vegetação Água

NÃO HÁ LAJE OU PISO, RESIDENTES FICAM EM CONTATO COM A TERRA

100 m

MOBILIÁRIO PARA ALIMENTAÇÃO ESPECÍFICO PARA A ESPÉCIE

APOIO COBERTO COM ESTAÇÃO DE ALIMENTAÇÃO PARA BOVINOS

análise fraquezas

- Poderia tirar proveito da paisagem do riacho que corta o terreno; - Centro de eventos privado é bem próximo de vários dos recintos animais, o que pode acabar irritando os residentes; - Os animais não parecem ter contato com áreas vegetadas, ficando restritos à campos de pastagem e seus recintos isolados apenas.

03 04

07

02 01

08

05

potenciais

06

- Terreno amplo e espaçoso para abrigar os animais confortavelmente; - Boa distribuição dos recintos e edificações ao longo da via principal de acesso; - Recintos construídos levando em consideração as particularidades de cada espécie.

21 Figura 10 - Fonte: Woodstock Farm Sanctuary. Elaborado pelo autor, 2021.


GRANDES PORTAS QUE VIRAM COBERTURAS DURANTE O DIA

PIEDMONT FARM ANIMAL REFUGE o santuário

O

Refúgio Piedmont é uma organização sem fins lucrativos, e funciona como um santuário que abriga animais domésticos de fazendas. Foi fundado em 2012, e está localizado em uma área rural de Pittsboro, na Carolina do Norte, EUA. Além de oferecer cuidados vitalícios para animais resgatados e abandonados, o santuário também busca educar as pessoas sobre a realidade da indústria pecuária e promover os ideais do veganismo, por meio de visitas e tours pelo refúgio. Atualmente, Piedmont é lar para mais de 120 indivíduos não humanos, de pequeno e médio porte, entre eles, galinhas, patos, gansos, perus, ovelhas e cabras, e pretendem futuramente acolher porcos e bovinos conforme o santuário crescer. O Refúgio possui um conselho formado por: presidente, vice-presidente, tesoureira, secretário e voluntários. A equipe possui uma diretora de cuidados com os animais, uma cuidadora principal dos animais, um diretor de design, uma diretora administrativa, e sete guias de tour.

76.000m² 01

LEGENDA 01 Patos e gansos 02 Galinhas e perus 03 Ovelhas 04 Cabras 05 Rodovia 06 Acesso com via para veículos 07 Administração 08 Recepção provisória 09 Sala atendimento veterinário Área de ocupação atual Área de ampliação futura

09

04

03 05

Figura 15 - Fonte: Google Earth. Elaborado pelo autor, 2021.

02 08

07

0

MAPA ESQUEMÁTICO DO PLANO DE AMPLIAÇÃO

o local

A

tualmente, o santuário conta com um terreno com cerca de 76.000m² de área ocupada. Conforme análises de fotografias e mapas virtuais é possível perceber que o mesmo é majoritariamente plano. Composto principalmente por áreas de pasto/gramíneas, e algumas áreas de mata com espécies arbóreas.

Figura 16 - Fonte: Piedmont Farm Animal Sanctuary. Elaborado pelo autor, 2021.

100 m

100 m

04

05

06

ABERTURAS AMPLAS PARA FACILITAR A CIRCULAÇÃO DAS AVES

SOL DE INVERNO CONSEGUE PENETRAR PELA GRANDE JANELA. LAGO REFLETE LUZ DO SOL PARA A JANELA

CERCAS SEPARANDO ESPÉCIES E MACHOS DE FÊMEAS

GRANDE BEIRAL DA COBERTURA ANGULADA IMPEDE QUE O SOL DE VERÃO PENETRE PELA JANELA

01

02 03

Pittsboro, na Carolina do Norte, possui estações do ano bem marcadas, com verão que alcança a média de máxima acima de 27ºC, e inverno com média mínima de 0ºC, com precipitação de neve entre os meses de dezembro e fevereiro. Dessa forma, os recintos são preparados para se adequar a essas condições climáticas, com as grandes aberturas para a ventilação durante os meses mais quentes, e materiais capazes de manter uma temperatura agradável interna durante o inverno, além de coberturas adaptadas para o acúmulo de neve.

22

IMAGEM DE SATÉLITE DA CONFIGURAÇÃO ATUAL

102.000m²

06

Figura 17 - Recinto dos galináceos. Fonte: Jayne Walther.

07

LEGENDA 01 Pavilhão Educacional 02 Jardim Memorial 03 Check in + loja 04 Armazenamento feno 05 Cuidados veterinários bovinos 06 Espaço quarentena 07 Clínica porcos

Estradas Cercamento Água Trajeto de tour

LAGO NATURAL PERMITE QUE PLANTAS E ANIMAIS APAREÇAM

Figura 18 - Recintos das aves aquáticas. Fonte: Piedmont Farm Animal Refuge. ABERTURA COM ALTURA PROPORCIONAL AOS RESIDENTES, PARA PLATAFORMA EM BALANÇO QUE FACILITA A ENTRADA NO LAGO


“PAREDE SOLAR” DE CONCRETO E TERRA ABSORVE CALOR DO SOL DURANTE O DIA E LIBERA A NOITE NO INVERNO

o projeto

U

m dos grandes diferenciais do Refúgio Piedmont são os recintos dos animais, que foram projetados e construídos seguindo preceitos do chamado Animal-Centered Design (algo como “Projeto Pensado para Animais”, em português), cujo principal objetivo é pensar espaços capazes de oferecer abrigos específicos para cada espécie animal e suas respectivas necessidades. Para todos os recintos foi empregada a madeira como estrutura, tanto para a edificação em si quanto para as coberturas. Alguns fechamentos também foram construídos em madeira, como geralmente são feitos as construções desse tipo no contexto rural de fazenda, e também foram empregadas telhas metálicas para as coberturas, assim como chapas metálicas em alguns fechamentos verticais.

PLATAFORMAS ELEVADAS PROMOVEM SENSAÇÃO DE SEGURANÇA PARA AS CABRAS DESCANSAREM

ABERTURAS EM AMBOS OS LADOS COBERTURA PROMOVEM ENTRADA DE LUZ QUE EVITA CONTRASTES ENTRE INTERIOR E EXTERIOR, QUE CAUSA DESCONFORTO NAS OVELHAS

O programa do Refúgio Piedmont conta espaços separados por espécies, fechados com cercamentos, todos locados próximos às áreas arborizadas com: - Espaço das ovelhas, composto pelo recinto fechado, que fica entre a área de pastagem cercada e a área de mata cercada; - Espaço das cabras, com o recinto fechado dividido em três segmentos, separados entre si por cercas, correspondente à três grupos de convívio de cabras, cada um com suas áreas de pastagem e mata cercadas; - Espaço das galinhas, dividido com os perus, composto pelo recinto fechado, cercado por áreas abertas cercadas, onde as aves podem procurar comida; - Espaço dos patos e gansos, composto por três recintos fechados, separados entre si cada um conectado a um lago artificial, e área aberta cercada.

o público

O

Refúgio Piedmont oferece tours auto-guiados com datas estabelecidas pelos responsáveis pelo Refúgio Piedmont para visitantes que queiram conhecer os animais do santuário, com monitores ao longo dos espaços para contar um pouco sobre os residentes animais do refúgio, promover educação animal e ambiental, além de levantar debates sobre o veganismo. RECINTOS DOS PATOS E GANSOS

RECINTO DOS PERUS E GALINHAS

Para os tours, são cobrados valores de entradas por pessoa, e essa contribuição é responsável por uma parcela da arrecadação financeira do santuário. Além dessa, também são recebidas doações livres, arrecadação por meio de filiação, apadrinhamento de residentes, compras na lojinha de presentes e realizações de eventos no Refúgio. RECINTOS DAS OVELHAS E CABRAS

MATA CIRCUNDANTE AOS RECINTOS

Figura 20 - Recinto das cabras. Fonte: Piedmont Farm Animal Refuge.

COMPARTIMENTOS PARA COLOCAR O FENO QUE SERVE DE ALIMENTO

RECINTO ALOCADO ENTRE AS ÁREAS DE PASTAGEM E DE MATA NATIVA PARA PROMOVER ACESSO FACILITADO À AMBOS

ABERTURAS NA COBERTURA PROMOVEM ENTRADA DE LUZ DIFUSA

RECINTO ALOCADO ENTRE AS ÁREAS DE PASTAGEM E DE MATA NATIVA PARA PROMOVER ACESSO FACILITADO À AMBOS

Figura 22 - Recinto das ovelhas. Fonte: Piedmont Farm Animal Refuge.

PAREDE QUE CONSISTES EM GRANDES ABERTURAS QUE PERMITE FLUXO E VISÃO LIVRE ENTRE INTERIOR E EXTERIOR PARA AS OVELHAS

análise fraquezas

- Proximidade das áreas de pastagem das ovelhas com a rodovia, o que pode ser estressante para esses indivíduos; - Ainda não possui um espaço adequado para recepção de visitantes;

potenciais

Figura 19 - Visão do complexo. Fonte: Google Street View, 2021. ESTRADA DE ACESSO AO REFÚGIO

PASTO DAS OVELHAS

FORMA EM CURVA DA COBERTURA DESVIA O VENTO PREDOMINANTE NORTE PARA CIMA E SOBRE A EDIFICAÇÃO

CERCAS DIVIDEM AS CABRAS EM GRUPOS SOCIAIS DE CONVIVÊNCIA Figura 21 - Recintos das cabras e ovelhas. Fonte: Piedmont Farm Animal Refuge.

- Excelentes recintos construídos com base em estudos e análises sobre cada espécie animal a ser abrigada, a partir do animal-centered design; - Espaços internos e externos, com áreas adequadas para as respectivas espécies, com enriquecimento ambiental promovido pela equipe do santuário regularmente;

23


LEVANTAMENTOS DE CASOS CORRELATOS BRASILEIROS

C

om o intuito de conhecer melhor as dinâmicas dos santuários animais em território nacional, foram realizados levantamentos de casos correlatos brasileiros, para servir de embasamento para as posteriores escolhas e propostas do Santuário Animal do presente trabalho, levando em consideração a realidade e particularidades nacionais no que tange o resgate e acolhimento de animais de fazenda.

Para os levantamentos dos casos correlatos de santuários animais no Brasil, foram feitas pesquisas e consultas nos websites/portais online e redes sociais dessas entidades, assim como entrevistas informais para a obtenção dos dados considerados relevantes para referência e estudos. Dentre esses, buscou-se conhecer a localização no território nacional, bem como o local de implantação do santuário em relação à cidade.

SANTUÁRIO ASSEAMA

01 localização

área total

animais acolhidos

quantidade atual

equipe

programa

arrecadação

Atibaia - SP, zona rural.

38.000m²

Bovinos, porcos, chinchilas, pássaros, gatos, coelhos, macaco, porquinhos-da-Índia.

Cerca de 180 animais.

“O santuário conta com 3 tratadoras que dedicam-se em manter os cuidados de alimentação e limpeza, e um corpo de veterinários voluntários de diversas especialidades responsáveis pelo bem-estar físico e emocional dos animais.” (ASSEAMA, 2021).

“O santuário possui 3 blocos de construção onde abrigam 36 recintos divididos, com gatis, canis, galinheiros, coelhários.” [...] “Cozinha exclusiva para o preparo dos alimentos dos animais, um centro veterinário, um ambiente para internação e quarentena, seis poços caipiras, um galpão de 2.000 metros, uma casa para o caseiro, uma casa para os funcionários e a uma casa da administração, um pomar com diversos pés de frutas e uma mata nativa por onde passa um pequeno rio.” (ASSEAMA, 2021).

A manutenção do Santuário vem exclusivamente da renda das atividades de arrecadação realizadas pelo Grupo ASSEAMA e doações.

SANTUÁRIO VOZ ANIMAL

02 localização

área total

animais acolhidos

quantidade atual

Eldorado do Sul - RS. Área rural de propriedade privada.

20.000m²

Cavalos, galinhas, cachorros, porcos, bovinos, ovelha, gatos, jumentos, patos.

Mais de 300 animais.

equipe

programa

arrecadação

2 gestores, 3 funcionários res3 galinheiros fechados e 2 abertos; área de pastagem dos equinos Apadrinhamento, doações, ponsáveis pelos cuidados com os com uma estrutura coberta; área de pastagem dos bovinos com es- programa de apoiador oficial. animais, 15 voluntários fixos com trutura coberta que fica fechada a noite; gatil; galpão de mantimendiferentes funções, 5 voluntários tos e rações; 3 grandes canis com espaços fechados e pátio aberto e de eventos, 1 veterinária voluntá- 14 canis menores; 3 estações de banho; 3 estruturas para abrigar os ria fixa. 5 porcos; a maioria das estruturas do santuário são em madeira.

SANTUÁRIO FILHOS DA LUZ

03

24

Também foi pesquisado acerca das espécies que são acolhidas, o número de animais residentes nos santuários, a equipe responsável pelos cuidados para com os mesmo, o programa e estrutura física da entidade, assim como os meios utilizados pelos santuários para arrecadação de fundos.

localização

área total

animais acolhidos

quantidade atual

equipe

programa

arrecadação

Tramandaí RS, zona rural.

15.000m²

Galinhas, cabras, bodes, ovelhas, gatos, ratos, patos, porcos, porquinhos-da-Índia, coelhos, equinos, cachorros, perus, pavão, pássaros domésticos, tartarugas, ratos twister, gerbis.

Mais de 290 animais.

Durante a semana o casal de fundadores cuidam do santuário, enquanto nos finais de semana mais duas pessoas da família os auxiliam.

Cada espécie possui um espaço separado, coberto e com área de pastagem. Os animais não castrados ficam separados entre si até que sejam castrados.

Devido à pandemia, os fundadores não estão podendo realizar suas ocupações, que auxiliava financeiramente o santuário. Atualmente vendem rifas, arte digital, e principalmente recebendo doações.


SANTUÁRIO VALE DA RAINHA

04 localização

área total

animais acolhidos

quantidade atual

equipe

programa

arrecadação

Camanducaia - MG, zona rural

84.700m²

Bovinos, porcos, chinchilas, pássaros, gatos, coelhos, macaco, porquinhos-da-Índia.

Mais de 105 animais.

3 pessoas fixas ajudam com os animais; apoio na alimentação 2 vezes por dia; manutenção e organização geral; todos os dias as baias onde dormem devem ser limpas, assim como os cochos de águas.

6 áreas de pastos, 4 alojamentos, ala de UTI com 6 baias para casos mais graves, alojamento com 8 “quartos”, alojamento dos 13 cavalos.

Doações espontâneas de pessoas que acreditam e apoiam o trabalho, arrecadações em resgates, aulas de Yoga.

SANTUÁRIO ANIMAL SENTE

05 localização

área total

animais acolhidos

quantidade atual

equipe

programa

arrecadação

Cotia - SP, área rural.

145.000m²

Todas as espécies brasileiras são acolhidas, embora evitam predadores. Porcos, cavalos, bovinos, cabras, ovelhas, patos, galinhas, jabutis, coelhos, cachorros, gatos.

Mais de 200 animais.

A fundadora juntamente com seus filho tomam conta do santuário, e eventualmente mais uma pessoa auxilia.

Recintos separados para cada espécie de animal, para facilitar os cuidados com alimentação, higiene, hábitos e população controlada por castração. Cavalos têm seu piquete, bovinos têm outro, assim como as ovelhas, os porcos, pássaros domésticos, galinhas, patos, cães, gatos, primatas. Todos possuem suas respectivas acomodações e proteção.

Trabalho da fundadora como artista plástica, escritora e cozinheira vegana. Poucas e esporádicas doações.

SANTUÁRIO TERRA DOS BICHOS

06 localização

área total

São Roque SP, zona rural.

80.000m²

animais acolhidos

quantidade atual

equipe

16 espécies diferentes, en- Quase 400 animais. Além da gestora do santuário, tre porcos, pássaros, bodes, existem 3 funcionários: uma delas cachorros, peru, tartarugas. é responsável pela residência, seu entorno e pelos cães, e os outros dois funcionários se dividem para cuidar dos outros animais, e dos recintos do santuário.

programa

arrecadação

Áreas abertas para os cavalos e os bois, e todas as outras espécies possuem seus respectivos recintos compostos por áreas abertas e edificações fechadas.

Visitas monitoradas com contribuição monetária, doações, apadrinhamento, programada de apoiador fixo, venda de alimentos veganos, eventos beneficentes.

análises dos casos brasileiros Para além dos 6 casos apresentados, também foram identificados mais 8 santuários que acolhem animais de fazenda no Brasil, totalizando 14, mas dos quais não foi possível coletar todos os dados necessários para montar a tabela. Desses 14, 8 estão localizados no estado de São Paulo, 3 no Rio Grande do Sul, 2 em Minas Gerais e 1 no Rio de Janeiro.

Localização e área total

Todos os santuários apresentados estão localizados

em zonas rurais, e as áreas variaram de 15.000 m² até 145.000 m², resultando em uma área média de cerca de 64.000 m².

Animais acolhidos

Das espécies acolhidas, as que mais apareceram nos levantamentos foram: bovinos, equinos, porcos, galinhas, caprinos, ovelhas, patos, perus, cães, gatos e coelhos. A média de animais acolhidos por santuário é de aproximadamente 245 indivíduos.

Relacionando o número médio de animais acolhidos com a área total média dos santuários, é possível chegar ao dado de que é disponibilizado cerca de 262 m² de área para cada animal. Esses dados auxiliaram na montagem do programa de necessidades, assim como na listagem dos animais a serem acolhidos e diretrizes gerais da proposta do Santuário Animal do presente trabalho.

25


/di agnós ti cos 26

4


4

A CIDADE: ERECHIM

das temperaturas

GRÁFICO ROSA DOS VENTOS

NO

20% 10%

rio grande do sul

erechim

Gráfico Rosa dos Ventos

20

Gráfico das temperaturas

30%

N

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Temperatura (°C)

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Gráfico Rosa dos Ventos 20%

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NO

Jan

Fev Mar Abr Mai Jun Jul Meses

Ago Set

Zona de conforto (°C) Temp. bulbo seco méd. mensal (°C) úmido méd. mensal Jan Fev Mar Abr Mai JunTemp. Jul bulbo Ago Set Out Nov Dez (°C)

10%

NE

20%O 10% 0%

O

10+ m/s 8-10 m/s 6-8 m/s 4-6 m/s 2-4 m/s 0-2 m/s

0%

SO

SO

NO

S

SE

20%

nsal (°C) mensal (°C)

mensal (°C) . mensal (°C)

NE

erechim e suas condições climáticas O Nov Dez 10%

Out

E

SE

S

Ago Set

10+ m/s 8-10 m/s 6-8 m/s 4-6 m/s 2-4 m/s 0-2 m/s

E

Meses

Zona de conforto (°C) Temp. bulbo seco méd. mensal (°C) Temp. bulbo úmido méd. mensal (°C)

Out Nov Dez

NE

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go Set

Out Nov Dez

N

frequencia (%)

20

5

NO

15

O

0%

E

Erechim pertence a zona climática designada pela letra SO Cfa, segundo a classificação SE C, com o tipo climático de Köppen, e esse tipo climático se caracteriza por ser um S clima subtropical úmido (PREFEITURA DE SO ERECHIM, 2021). “Ao longo do ano, em geral a temperatura varia de 10 °C a 28 °C e raramente é inferior a 4 °C ou superior a 31 °C” (WEATHER SPARK, 2021).

30 25

N

10%

Figura 24 - Fonte: Base de dados da Projeteee.

S E

erechim e os animais da pecuária

o município de Erechim, existem dois órgãos da 10+ m/s que trabalham com questões animais, Prefeitura 8-10 m/s mais especificamente de cães e gatos, que são o Centro 6-8 m/s de Acolhimento e Proteção aos Cães e a Unidade de 4-6 m/s Referência Animal (URA). Além dessas, também são 2-4 m/s 0-2 m/s encontradas quatro organizações não governamentais com cadastros oficiais e que trabalham com questões animais, no caso, cães e gatos: Associação Mania Cães, Associação Protetora de Animais - Bicho Vadio, SOS Animais Erechim e a Associação de Proteção ao Cão de Erechim - Pró-Cão.

Órgãos municipais:

Centro de Acolhimento e Proteção aos Cães Segundo dados da prefeitura de Erechim, o Centro foi criado em agosto do ano de 2018, com o objetivo de albergar cães sem dono que estão em situação de risco (doentes ou atropelados). O Centro está vinculado à Secretaria de Meio Ambiente e atualmente está localizado na Rua Virgílio Biolo, nº 394, Bairro Estevão Carraro, no Município de Erechim-RS.

Unidade de Referência Animal (URA) SE O setor agropecuário tem uma participação de cerca A Unidade de Referência Animal de Erechim-RS, é de 2% no total de arrecadação do município, enquanto um órgão criado com o objetivo de auxiliar no trabao setor Sindustrial tem 31% e o de serviços 67% (IBGE, lho de proteção aos animais, através de castração e chi2018). A cidade conta com 1.082 propriedades rurais pagem de cães e gatos resgatados, ou para pessoas que não possuem condições financeiras de arcar com os registradas. custos da castração. O processo é feito em parceria com De acordo com o IBGE, os principais rebanhos do as ONGs da cidade, que são responsáveis pela triagem município de Erechim são os de bovinos, ovinos, ca- dos animais para posteriormente serem encaminhados a URA. A equipe de trabalho da URA é composGráfico Ventos Gráfico Rosa edos Ventos Rosa dospara prinos, equinos, suínos, galináceos codornas. ta por um médico veterinário, um estagiário estudante N de Clínica Veterinária e um coordenador. N NO

11.661 568

10

13.645 Out Nov Dez

10+ m/s

SE 8-10 m/s 6-8 m/s 4-6 m/s 2-4 m/s 0-2 m/s

0%

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NE

20% SO 10+ m/s 8-10 m/s 6-8 m/s 4-6 m/s 2-4 m/s 0-2 m/s

E

30% 20% 10%

NO

106

NEm/s 10+ 8-10 m/s 6-8 m/s 4-6 m/s 2-4 m/s 0-2 m/s

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O

30%

frequencia (%)

20

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frequencia (%)

Temperatura (°C)

Gráfico das temperaturas Gráfico das DAS temperaturas GRÁFICO TEMPERATURAS

0% O Gráfico Rosa dos Ventos

frequencia (%)

Noroeste do estado do Rio Grande do Sul, na região de conforto (°C) sul do Brasil. Segundo dados do IBGE (2020), conta p. bulbo seco méd. mensal (°C) Gráfico dos Ventos área(°C) territorial de 429,164 km²Rosa e uma população p. bulbo úmido méd.com mensal estimada em 106.633 pessoas, e sua densidade NOdemoN 30% gráfica era de 223,11 hab/km² em 2010.

10

N

NE

Gráfico das temperaturas

brasil

30

r Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Meses A cidade de Erechim está localizada na mesorregião do

25

N frequencia (%)

30%

as

30

erechim e os órgãos de proteção animal

Gráfico Rosa dos Ventos

10+ m/s 8-10 m/s 6-8 m/s 4-6 m/s 2-4 m/s 0-2 m/s

E

E

Organizações Não Governamentais (ONGs):

- Associação Mania Cães - Associação Protetora de Animais - Bicho Vadio - SOS Animais Erechim - Associação de Proteção ao Cão de Erechim - Pró-Cão.

Todas as quatro ONGs de proteção animal encontradas em Erechim, trabalham somente com pets, no caso cães e gatos, e prestam serviços de resgate, cuidados emergenciais veterinários, encaminhamento para cuidadores temporários ou na própria sede, com objetivo final de doação desses animais. Também fazem trabalhos e campanhas de conscientização sobre a importância do bem-estar dos pets, dos benefícios da castração e contra os maus-tratos. Dependem de doações voluntárias. Dessa forma, julga-se importante que exista um órgão capaz de acolher e cuidar de outras espécies animais para além dos pets — como é o caso dos santuários de animais de fazenda —, sendo esta, portanto, mais uma justificativa para embasar a implantação da proposta do Santuário Animal em Erechim.

Figura 25 - Imagem da campanha da prefeitura de Erechim, contra maus tratos aos animais onde foram usadas imagens de pets para ilustrar. Fonte: Site da Prefeitura Municipal de Erechim.

27

Figura 23 - Fonte: Zona de conforto (°C)Zona de conforto (°C) Base de dados da Temp. bulbo Temp. bulbo seco méd. mensal (°C)seco méd. mensal (°C) Projeteee. Temp. bulbo(°C) úmido méd. mensal (°C) Temp. bulbo úmido méd. mensal

SO

SO

SE

SE


diretrizes para escolha do terreno de implantação do Santuário Animal: 1. Inserção em contexto rural, afastado de assentamentos urbanos e dos possíveis desconfortos que esses podem vir a causar nos residentes não humanos;

ESCOLHA DO TERRENO

C

om base nos estudos de casos correlatos, e levantamentos de dados de santuários animais brasileiros, foi possível entender melhor quais são as necessidades e características para se prestar atenção na hora de escolher um terreno de implantação para um santuário animal. Os santuários animais são comumente locados em áreas rurais por diversos motivos, entre eles o fato de que os residentes não humanos geralmente já estão melhor acostumados ao contexto rural e de fazendas, e nesses casos a adaptação ao santuário é facilitada. Além disso, os residentes não humanos possuem necessidades espaciais específicas, como os ruminantes que precisam de grandes áreas de pastagem, as aves aquáticas que necessitam de um lago e os caprinos e ovinos que gostam de explorar áreas de vegetação arbórea. Com isso, terrenos rurais possuem áreas maiores em comparação aos terrenos da malha urbana, e possuem espaço, elementos e configuração natural necessários para suprir essas necessidades. Para as análises da região rural de Erechim, foram feitos estudos utilizando imagens de satélite, em conjunto com softwares de análises de dados georreferenciados, para observar algumas condicionantes consideradas

28

relevantes para a implantação do Santuário Animal, e são elas: - Relevo; - Cobertura do solo; - Hidrografia; - Sistema viário; - Delimitação do perímetro urbano; - Preexistências. Durante essas estudos, foi possível dividir a zona rural de Erechim em 4 áreas de análises — norte, leste, oeste e sul —, com características marcantes que unificaram cada uma delas, com o objetivo de facilitar o entendimento das condicionantes dessas áreas específicas e possibilitar a elencagem de uma delas para aprofundar ainda mais as análises, para posteriormente determinar o terreno de implantação do Santuário. Para a etapa subsequente às análises das regiões rurais, como resultado dos estudos de casos e referencial teórico estudados e apresentados anteriormente, foram elencadas diretrizes contendo as características e configurações para se levar em consideração na hora definir o terreno para implantação do Santuário Animal do presente trabalho.

2. Afastamento em relação à áreas de plantios, devido às dinâmicas com potencial prejudicial para os animais, como a pulverização de herbicidas e pesticidas e a poluição sonora de maquinário pesado; 3. Presença de área de mata no terreno para que algumas espécies dos residentes tenham acesso. Além disso, a vegetação alta também serve com alguns benefícios de conforto ambiental; 4. Áreas livres com tamanho adequado para servir de pastagem e exploração caminhável para bovinos, equinos, caprinos e ovinos; 5. Áreas propícias para implantação de lagos para as aves aquáticas; 6. Vias de acesso ao terreno facilitadas para os veículos que farão transporte dos residentes, assim como para os visitantes, idas cotidianas para o centro da cidade por parte dos f uncionários, visitas dos médicos veterinários, etc.


áreas de análise Região Sul

A região geograficamente ao sul do perímetro urbano de Erechim, é caracterizada por baixíssima taxa de área de vegetação nativa. O relevo dessa região não possui variações muito bruscas de altitude, em comparação com a região norte. O ocupação do solo nessa região é majoritariamente de produção agrícola, com grandes áreas reservadas ao plantio e colheita de soja e milho, principalmente.

IMAGEM DE SATÉLITE

COBERTURA DO SOLO

RELEVO, HIDROGRAFIA E SISTEMA VIÁRIO

Região Leste

A região voltada a leste da área urbana, possui uma taxa menor de ocupação pela produção agrícola, e maior em relação a área de solo exposto, possivelmente dedicada a pastagem de animais. O relevo se assemelha com a região sul, com variações moderadas de altitude, assim como também apresenta baixa área de vegetação nativa.

Região Norte

A região no sentido Norte possui um relevo acidentado com bastante variação de altitude, em comparação com o restante do perímetro de Erechim. Consequentemente, nessa região também são encontrados áreas de produção agrícola em menor quantidade. São mais marcantes aqui áreas de vegetação nativa e áreas de solo exposto, assim como alguns pontos de silvicultura.

Região Oeste

A região rural oeste possui uma distribuição relativamente equilibrada de ocupação do solo, e o relevo é uma transição das variações bruscas do norte, para as variações moderadas ao sul. Nessa área foram mapeados matadouro/frigoríficos e um clube de caça e pesca, e por isso foi considerada inadequada para locação do santuário, uma vez que os ventos predominantes sopram do leste, e poderiam levar o cheiro desagradável em direção ao santuário.

0

Figura 26 - Fonte: Google Earth. Elaborado pelo autor, 2021. LEGENDA região de análise perímetro urbano matadouro/frigorífico clube de caça e pesca

10 km

0

Figura 27 - Fonte: Base de dados Prefeitura de Erechim. Elaborado pelo autor, 2021. LEGENDA vegetação nativa vegetação implantada solo exposto agricultura lâminas d’água área urbanizada região de análise perímetro urbano

10 km

0

10 km

Figura 28 - Fonte: Base de dados Prefeitura de Erechim. Elaborado pelo autor, 2021. LEGENDA curvas de nível sistema viário hidrografia região de análise perímetro urbano

29


RS-420

escolha pela região rural Norte

_RECORTE 02

A

través dos estudos por meio das imagens de satélite e dados quantitativos e qualitativos cartográficos, chegou-se à conclusão de que a região ao norte da ocupação urbana de Erechim é a mais adequada para a implantação do Santuário Animal. O relevo acidentado pode servir positivamente ao Santuário, uma vez que pode funcionar como empecilho para a implantação de novas áreas, ou alargamento/ crescimento das áreas existentes de plantio e produção agrícola nas proximidades do santuário.

BR-153 via rural não pavimentada

via rural não pavimentada

Para a escolha dos recortes com potencial para implantação do Santuário Animal, foram analisadas imagens de satélite, se atentando para as diretrizes elencadas anteriormente. As vias rurais existentes na região norte foram levadas em consideração — tendo em mente o objetivo de existir um acesso facilitado —, para então elencar quais delas estariam atravessando áreas com potencial para implantação do projeto.

via rural não pavimentada

_RECORTE 03 RS-420

_RECORTE 01 perímetro urbano

Após elencar as vias e áreas com potencial, foram realizadas visitas de campo à essas localidades, para buscar visualizar e entender suas condicionantes e atual situação, questões essas, que poderiam ser melhor acessadas através da averiguação física dos locais.

av. julio anzanello via rural não pavimentada

rua quintino bocaiúva perímetro urbano

APROXIMAÇÃO DA REGIÃO RURAL NORTE

LEGENDA vias exploradas principais vias de acesso à Erechim perímetro urbano

30

BR-480

av. maurício cardoso

BR-153

Figura 29 - Fonte: Google Earth. Elaborado pelo autor, 2021.

BR-480

0

1 km


_RECORTE 01

_RECORTE 02

_RECORTE 03

fraquezas - Dentro do perímetro urbano de Erechim, muito próximo das áreas já urbanizadas;

fraquezas - Áreas de plantio próxima ao terreno;

fraquezas - Relevo íngreme sem áreas majoritariamente planas; - Áreas apropriadas pela agricultura muito próximas, a leste.

potenciais - Grandes áreas com relevo majoritariamente plano; - Córrego que cruza o terreno, e açude já implantado; - Regiões de pastagem já implantadas; - Áreas com vegetação nativa; - Cercado por todos os lados de vegetação arbórea que serve como barreira sonoro e contra as pulverizações de inseticidas.

perímetro urbano

potenciais - Grandes áreas com relevo majoritariamente plano; - Córrego que cruza o terreno, e açudes já implantados; - Regiões de pastagem já implantadas; - Relevo alto ao leste funciona como barreira física para os ventos predominantes de leste no inverno; - Áreas com vegetação nativa;

potenciais - Possibilidade de grandes áreas de terreno para apropriação; - Córrego que cruza o terreno, e açude já implantado; - Áreas com vegetação nativa; - Relevo alto ao sul cria barreira física contra as pulverizações de inseticidas; - Relevo fica mais baixo em direção ao norte, bom aproveitamento solar.

plantação agricultura

córrego rio dourado

córrego rio dourado 175.000m²

110.000m²

140.000m² plantação agricultura

plantação agricultura

açude açude

160.000m²

140.000m²

açude via rural não pavimentada

córrego rio dourado

Figura 30 - Fonte: Google Earth. Elaborado pelo autor, 2021.

Figura 31

Figuras 31 - 42 - Fonte: Acervo pessoal do autor, 2021.

290.000m² 340.000m²

via rural não pavimentada

Figura 32

Figura 43 - Fonte: Google Earth. Elaborado pelo autor, 2021.

Figura 35

via rural não pavimentada

Figura 36

Figura 44 - Fonte: Google Earth. Elaborado pelo autor, 2021.

Figura 39

plantação agricultura

Figura 40

31 Figura 33

Figura 34

Figura 37

Figura 38

Figura 41

Figura 42


ANÁLISES DO TERRENO

escolha pela _RECORTE 02

A

pós as análises dos recortes elencados, optou-se pelo RECORTE 02, por conta, principalmente, das suas características naturais e morfológicas, que apresentam uma paisagem dinâmica, com diferentes ambiências ao longo recorte, desde amplas áreas com relevo não muito acidentado, assim como uma topografia mais acidentada ao leste que pode ser interessante para algumas espécies animais acolhidas, além de áreas com vegetação nativa, um córrego que atravessa o terreno, dois açudes já implantados que podem ser apropriados para os recintos de algumas espécies, assim como uma mata densa à leste, ao sul, e uma porção à oeste, que funcionam como uma barreira protegendo das atividades agrícolas do entorno. Dentro do RECORTE 02, foi delimitado o terreno de implantação do Santuário Animal, que abrange duas propriedades rurais, segundo dados georreferenciados do Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural - SICAR, totalizando uma área de 600.000 m². Foi consultado, e apresentado a seguir, trechos de legislações que tratam sobre o uso do solo rural, assim como os estabelecimentos rurais e os animais na cidade de Erechim. No terreno proposto, encontram-se algumas edificações preexistentes, como residências unifamiliares de até dois pavimentos, abrigos para animais de fazenda — alguns sem utilização atualmente —, além de uma parcela de terra apropriada para atividades agrícolas de plantação de grãos.

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legislação vigente acerca do uso do solo e estabelecimentos rurais na cidade de Erechim CAPÍTULO VI DOS ESTABELECIMENTOS RURAIS

CAPÍTULO VII DO REGIME URBANÍSTICO

Art. 51. As cocheiras e os estábulos deverão obrigatoriamente localizar-se nas áreas rurais ou não urbanizadas do Município.

Seção III Do Uso do Solo Rural

Art. 52. As cocheiras e estábulos existentes nas vilas e povoações do Município deverão, além da observância de outras disposições que lhes forem aplicáveis, obedecer ao seguinte: I – Possuir cercas divisórias, com no mínimo de 3,00m (três metros) de altura, separando-os dos terrenos limítrofes; II – Conservar distância mínima de 2,50m (dois metros e cinquenta centímetros) entre a construção e a divisa do lote; III – Possuir sarjetas de revestimento impermeável para águas residuais e sarjetas de contorno para as águas das chuvas; IV – Possuir depósito para estrume, à prova de insetos e com capacidade para receber a produção de 24h (vinte e quatro horas), devendo ser diariamente removido para a zona rural; V – Possuir depósito para forragens, isolado da parte destinada aos animais, devidamente vedado aos ratos; VI – Manter completa separação entre os possíveis compartimentos; VII – A instalação de estrumeira ou depósito de estrume animal não beneficiado será permitida à distância de, no mínimo, 800 (oitocentos) metros das vias e logradouros; VIII – Obedecer ao afastamento de pelo menos 20,00m (vinte metros) do alinhamento do logradouro.

Art. 92. Para atividades residenciais em área rural, o projeto deverá atender aos seguintes condicionantes: I – Taxa de Ocupação máxima de 10% (dez por cento); II – Altura Máxima de 3 (três) pavimentos; III – Recuo mínimo de qualquer divisa e/ou acesso de 5 (cinco) metros; IV – Ter acesso, energia elétrica, água potável e tratamento de efluentes domésticos; V – Deverão ser respeitados os condicionantes ambientais, históricos e culturais pertinentes.

CAPÍTULO VIII DAS MEDIDAS REFERENTES AOS ANIMAIS Art. 128. É proibida, nas áreas urbanizadas do Município, a criação de animais em cocheiras, estábulos, pocilgas e galinheiros. Parágrafo único. Nas vilas e povoados do Município, será permitida a manutenção de estábulos e cocheiras, mediante licença e fiscalização da Prefeitura. Art. 134. Na zona rural, os proprietários são obrigados a cercar suas propriedades com a finalidade de evitar danos à propriedade vizinha. Art. 135. A ninguém é facultado possuir animais soltos próximos a lavouras, ficando seus proprietários responsáveis pelo dano que os mesmos causarem nas plantações de seus vizinhos. Parágrafo único. Ficam compreendidos os animais vacuns, cavalares e muares, visto que a obrigação de cercar a propriedade para deter animais que exigem tapumes especiais como aves domésticas, cabritos, carneiros e suínos, correrá por conta exclusiva do respectivo proprietário, além da indenização do dano causado, sejam quais forem as condições de tapumes da lavoura prejudicada.

(Erechim (RS), 2016).


topografia: ponto baixo

topografia: ponto alto

topografia: ponto baixo vai para a RS-420

MAPA COM ANÁLISES DE CONDICIONANTES

LEGENDA limite lotes recorte livre de mata nativa vias rurais não-pavimentadas água edificações existentes vegetação nativa silvicultura plantação grãos/ agricultura ruídos pulverização de agrotóxicos ventos predominantes

_LOTE 01 A=390.000m²

RECORTE A=280.000m²

A

A topografia: ponto alto

topografia: ponto alto

_LOTE 02 A=210.000m²

Figura 45 - Fonte: Google Earth. Elaborado pelo autor, 2021.

33 vai para o perím. urbano

0

200m


CORTE ESQUEMÁTICO AA 688m

altitude

627m

566m vegetação nativa

silvicultura

açude córrego via rural nãopavimentada vegetação residência vegetação esporádica preexistente esporádica

análises da visita in loco ao terreno Foi realizada uma visita in loco ao terreno escolhido para a proposta do Santuário Animal, onde foi percorrida grande parte do limite caminhável do LOTE 02, assim como a via que dá acesso. Foram realizados levantamentos fotográficos com o objetivo de registrar os principais aspectos espaciais e ambientais do terreno e do entorno imediato, para análises posteriores. MAPA LOCALIZAÇÃO FOTOGRAFIAS

vegetação nativa densa

ponto mais alto do terreno

silvicultura Figura 46 - Fonte: Google Earth. Elaborado pelo autor, 2021.

COMPONENTES DA PAISAGEM 01 Figura 47

Para as análises das fotografias, foi utilizado alguns dos métodos propostos por Períes et al (2013), utilizando-se da “captura de varredura panorâmica (BP)”, com posterior “análise de cor ambiental (CA)” através da pixelização da imagem para melhor entender a composição da paisagem através das variações lumínicas e atmosféricas, e o “reconhecimento e classificação de componentes paisagísticos (CP)” onde foram marcados os componentes da paisagem. Nos ícones, a cor verde representa elementos naturais, e a cor magenta representa elementos antrópicos.

ANÁLISE DE COR AMBIENTAL COMPONENTES DA PAISAGEM 02

LEGENDA arbórea

relevo topográfico

arbustiva

som dinâmico

palmas

odor dinâmico

flora longe

edificação longe

fauna longe

viária

topografia longe

energia

Figura 48

recursos hídricos

34

01 02

Figuras 47 - 48 - Fonte: Acervo pessoal do autor, 2021.

ANÁLISE DE COR AMBIENTAL


COMPONENTES DA PAISAGEM 03

COMPONENTES DA PAISAGEM 04

Figura 49

Figura 50

ANÁLISE DE COR AMBIENTAL

ANÁLISE DE COR AMBIENTAL COMPONENTES DA PAISAGEM 05 Figura 51

MAPA LOCALIZAÇÃO FOTOGRAFIAS LEGENDA arbórea arbustiva palmas flora longe fauna longe topografia longe recursos hídricos

ANÁLISE DE COR AMBIENTAL

relevo topográfico som dinâmico odor dinâmico

COMPONENTES DA PAISAGEM 06 Figura 52

edificação longe viária 03

06

energia

05 04

Figura 53 - Fonte: Google Earth. Elaborado pelo autor, 2021.

Figuras 49 - 52 - Fonte: Acervo pessoal do autor, 2021.

ANÁLISE DE COR AMBIENTAL

35


ESTUDOS DOS RESIDENTES NÃO HUMANOS

P

ara a proposta deste trabalho, foi considerado importante que se entendessem e estudassem algumas questões principais acerca dos residentes não humanos a serem acolhidos no Santuário. Para tanto, foram feitos levantamentos gerais acerca da fisiologia, anatomia, ergonomia e características comportamentais dos animais em questão, para que se pudesse entender com maior profundidade seus corpos e suas necessidades espaciais para avançar no desenvolvimento do trabalho tendo essas questões esclarecidas, tanto na etapa atual, quanto para a seguinte parte do Trabalho Final de Graduação. Após realização dos levantamentos de casos correlatos brasileiros, onde foram localizados três santuários de animais de fazenda no estado do Rio Grande do Sul, assim como os dados coletados do IBGE acerca dos principais animais de criação de Erechim, foi possível listar as espécies de animais não humanos a serem acolhidas na proposta do Santuário Animal do presente trabalho: - Bovinos; - Equinos; - Porcos; - Cabras; - Ovelhas; - Galináceos (galinhas, perus); - Aves aquáticas (patos, gansos, marrecos). Infelizmente, existe uma carência de livros, artigos e publicações oficiais sobre arquitetura e criação de espaços com relação aos animais, sem que estes sejam postos em situações de exploração, seja através dos recintos pensados para produção pela indústria pecuária, ou então pelos recintos para exposição dos zoológicos, aquários e semelhantes. Portanto, foi decidido que os levantamentos seriam feitos a partir de materiais produzidos e divulgados por entidades declaradamente

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comprometidas principal e primeiramente com o bem estar animal, assim como com o movimento vegano e a temática de santuários e refúgios para animais. Dessa forma, como referencial para as análises e levantamento de dados sobre os animais a serem acolhidos no Santuário Animal do presente trabalho , foram utilizados os guias e manuais das organizações sem fins lucrativos The Open Sanctuary Project e a Global Federation of Animal Sanctuaries. A primeira, possui o objetivo de fornecer materiais e informações que auxiliem santuários animais a prosperar nas mais diversas áreas de atuação, desde as necessidades e os cuidados que cada espécie animal necessita, até gestão financeira. Já a segunda, é um órgão global responsável por credenciar santuários pelo mundo todo, assim como oferecer suporte e orientação para essas organizações. Como base oficializada, e como forma de comparação, também foi consultado o capítulo “Instalações rurais: fazendas” do livro Arte de Projetar em Arquitetura, de Ernst Neufert. Para os desenhos e medidas apresentados dos animais, foram considerados valores médios de cada espécie, sem considerar as variantes de raças, por razões didáticas, a fim de facilitar o entendimento. As recomendações gerais para cada espécie devem ser levadas em consideração como ponto de partida para projetar seus respectivos recintos, tanto internos quanto externos, assim como para pensar nas ferramentas de enriquecimento ambiental para os residentes. No entanto, é importante se certificar de que os ambientes sejam flexíveis para suportar eventuais mudanças e adaptações espaciais que os animais do santuário demonstrarem necessárias, seja por incompatibilidade ou conflitos entre os membros de sua espécie ou de outra espécie, cuidados especiais por problemas de saúde, clima do local, idade dos indivíduos, etc.

Recomendações gerais para os recintos de todas as espécies animais: - Todos os recintos devem assegurar os residentes de potenciais predadores e do acesso de pessoas não autorizadas; - Os recintos, tanto fechados quanto abertos, devem propiciar oportunidade dos residentes manifestarem seus comportamentos naturais e específicos de cada espécie, assim como interagir com seus semelhantes; - É essencial um espaço reservado para a chegada de novos residentes no santuário, separado e adaptado para cada espécie, onde esses passarão um momento de quarentena, para cuidados veterinários gerais e aclimatação no novo ambiente; - Os manuais consultados salientam que idealmente exista um espaço reservado para que residentes doentes ou machucados possam se recuperar afastados dos outros membros de seus espécie por questões de segurança para todos os residentes; - Os espaços fechados devem ser pensados e construídos para possibilitar uma drenagem e limpeza propícia, levando em consideração a segurança dos residentes e da equipe responsável. Além disso, também se faz necessário prever como será feito o tratamento de resíduos; - Nos espaços abertos, é essencial que se forneça espaços e elementos que criem áreas sombreadas, proteção dos ventos, chuva, etc.


Gado-bovino-doméstico (Gênero taxonômico Bos) 1,45m

1,70m

2,45m

0,70m

Figura 54 - Fonte: Dimensions.com. Elaborado pelo autor.

Características gerais

Expectativa de vida: 18 a 22 anos Peso adultos: 720 kg - 1100 kg Temperatura corporal: 38 ºC a 39 ºC 1,40m - 1,80m

Espaços internos

O Farm Sanctuary (2012) recomenda uma área mínima de 3,25 m² a 3,70 m² por animal para os recintos fechados, enquanto que o Catskill Animal Sanctuary (2017) recomenda pelo menos 7,50 m². A Global Federation of Animal Sanctuary - GFAS (2019, p. 3) em seu manual para santuários de ruminantes recomenda que o recinto para o gado-bovino seja capaz de comportar pelo menos mais um membro de sua espécie, com espaço suficiente para ambos se moverem e deitarem. 2,80m

Todos os manuais consultados chamam atenção para que os recintos fechados sejam bem ventilados — tanto no verão quanto no inverno —, a prova de água e protegidos dos ventos nos meses mais frios. Para lugares com inverno rigoroso é recomendado celeiros fechados, amplos que permitam que os residentes possam manifestar seus comportamentos específicos, como correr, pular, brincar, etc. (GFAS, 2017, p. 3), e também salientam que idealmente também exista um

Figura 55 - O boi Carlton. Fonte: Farm Sanctuary.

espaço reservado para residentes doentes ou machucados. Para climas mais quentes, um abrigo protegido em três faces é suficiente, desde que a abertura seja voltada para longe dos ventos predominantes (FARM SANCTUARY, 2012). Pisos de madeira não devem ser utilizados, e devem ser evitados pisos de concreto exposto, idealmente se utiliza concreto não liso, que pode ser coberto por uma 2,00m camada de palha seca, que é ideal para os recintos dos bovinos, que a utilizam para se deitar (GFAS, 2017, p. 7-8).

Espaços externos

Para as áreas de pastagem, o Farm Sanctuary (2012) recomenda no máximo dois bovinos para cada 4.000 m² no caso de o pasto disponível ser0,65m de ótima qualidade, assim com o santuário Catskill (2017) que recomenda no mínimo 2.000 m² por animal, sendo que 4.000 m² por gado é preferível. A Global Federation of Animal Sanctuary - GFAS (2019, p. 4) recomenda uma área mínima de 32,50 m² de espaço livre, sem contar área necessária para pastagem, por gado, mas caso possível é preferível que seja oferecido mais espaço para que os residentes possam se movimentar, pastar e brincar com mais conforto.

Os espaços abertos onde as vacas e bois possam passar o dia e pastar são muito importantes, e devem ser cercados com material e de maneira com que esses animais não consigam derrubar facilmente. Não é recomendado utilizar arame farpado (GFAS, 2017, p. 5) pois podem machucar os residentes, assim como cercamento com vãos onde os animais curiosos podem prender a cabeça. Podem ser utilizadas telas de arame trançado, com no mínimo 1,2 m de altura, presas em postes bem firmados no chão, distantes 2,40 m - 3,00 m entre si (FARM SANCTUARY, 2012). Importante se certificar de que as espécies de plantas venenosas para os gados sejam removidas do terreno onde os mesmos terão acesso.

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2,45m

0,70m

Equinos (Gênero taxonômico Equus) 1,40m - 1,80m

2,00m

2,80m

0,65m

Figura 56 - Fonte: Dimensions.com. Elaborado pelo autor.

Características gerais

Expectativa de vida: Cavalos geralmente vivem mais de 30 anos, podendo chegar a 40 anos de idade. Asnos variam de 25 a 30 anos. Peso adultos: Cavalos variam de 380 kg - 1.000 kg dependendo da raça. Asnos variam de 100 kg - 480 kg. Temperatura corporal: 37,5 ºC a 38,5 ºC

Espaços internos

Para os recintos fechados, a organização The Open Sanctuary Project (2020) recomenda que haja espaço suficiente para os cavalos ficarem em pé, se virarem, deitarem, e se afastarem de outros residentes caso dividam o mesmo ambiente. Em seu manual para cuidados com equinos, a Catskill Animal Sanctuary (2019) recomenda estábulos com no mínimo 3,00 m X 3,00 m por animal. É importante também considerar a capacidade dos equinos de se erguerem sobre as patas traseiras na colocação de infraestrutura aérea, assim como proporcionar contato visual entre os residentes que precisarem ficar isolados (GFAS, 2020, p. 6). Recintos internos no formato de celeiros, com ventilação adequada e fechamento em todo seu perímetro, são recomendados (THE OPEN SANCTUARY PROJECT, 2020). Portões e passagens devem ter no

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mínimo 1,20 m de largura para que os equinos os atravessem confortavelmente (GFAS, 2020, p. 7). Recomendado que as áreas de circulação sejam antiderrapantes, de preferência coberta por terra, ou tapetes de borracha especiais. É importante fornecer um substrato onde os equinos podem se deitar, sendo que esse preferencialmente deve ser palha seca, ou então areia ou serragem, que proporcionem absorção e amortecimento (GFAS, 2020, p. 7). Não é recomendado utilizar pisos de madeira ou concreto exposto.

recomendado utilizar arame farpado. (GFAS, 2020, p. 6). É interessante que se use uma proteção superior em tábuas de madeira com cerca de 15 cm de largura, para evitar que os equinos pisem sobre o cercamento para atravessar para o lado de fora (CATSKILL, 2019).

Espaços externos

Os equinos necessitam de espaços de pastagem cercados onde podem se exercitar, correr e se alimentar durante o dia, com no mínimo 4.000 m² de área por animal, ou 2.000 m² para pôneis (CATSKILL, 2019), sendo que 8.000 m² é fortemente recomendado, considerando a pastagem para alimentação (THE OPEN SANCTUARY PROJECT, 2020). Os cercamentos devem ser seguros, fortes e visíveis para os residentes, e altos suficientes para evitar que os equinos pulem por cima. É recomendado utilizar telas de arame trançado, com no mínimo 1,20 m de altura, e 1,80 m para equinos não domésticos. Não é

Figura 57 - O burro MJ. Fonte: Farm Sanctuary.


Porco-doméstico (Gênero taxonômico Sus)

0,74m

1,35m

0,40m

Figura 59 - Fonte: Dimensions.com. Elaborado pelo autor.

Características gerais

Expectativa de vida: 15 a 20 anos Peso adultos: 250 kg - 400 kg Temperatura corporal: 38,0 ºC a 40,0 ºC

Espaços internos

A Global Federation of Animal Sanctuaries (2019, p. 4) recomenda que os espaços internos sejam divididos em seções menores que sejam capazes de acomodar até 0,76m 3 porcos. Os cômodos devem ter no mínimo 5,95 m² por animal adulto, e 7,60 m² para porca com ninhada. Os chiqueiros devem ter no mínimo 93 m² para cada animal adulto, com 1,20 m no mínimo de altura. É recomendado que se utilizem divisórias e fechamentos0,61m verticais em blocos de concreto, uma vez que os porcos podem destruir estruturas em madeiras que não sejam suficientemente reforçadas (FARM SANCTUARY, 2012). Divisórias metálicas podem ser perigosas, pois os residentes suínos podem danificar essas estruturas e acabar criando pontas 1,00m cortantes e acabar se ferindo (THE OPEN SANCTUARY PROJECT, 2020). É essencial que os recintos fechados tenham ventilação constante, principalmente no verão, pois esses animais não produzem suor e podem sofrer muito no calor, uma boa opção são ventiladores umidificado-

Figura 58 - A porca Mamma Mia. Fonte: Farm Sanctuary.

res, desde que as áreas onde eles dormem seja mantida seca (FARM SANCTUARY, 2012). Piso de concreto exposto não é recomendado, por ser desconfortável para caminhar e se deitar, mas pode ser coberto com uma camada de terra de 12 cm - 15 cm ou tapetes de borracha (FARM SANCTUARY, 2012). Também é essencial que seja oferecida palha seca suficiente para que os porcos construam seus “ninhos” onde dormem.

Espaços externos

de pastagem (FARM SANCTUARY, 2012). Porcos adoram água, e como não suam, é recomendado que se tenha um lago e uma área de lamaçal, uma vez que a lama funciona muito bem como um protetor solar natural. Para o cercamento, pode-se utilizar telas aramadas, com altura mínima de 1,20 m, com postes bem firmes, para que os porcos não derrubem com seu peso. É importante que o encontro da cerca com o chão seja bem assegurada, para impedir que os residentes cavem por baixo das mesmas (GFAS, 2019, p. 6).

Quanto à área externa, tanto a Global Federation of Animal Sanctuaries (2019, p. 5) quanto a Farm Sanctuary (2012), recomendam um mínimo de 4.000 m² para cada dupla de porcos compatíveis. É importante que se tenha grama para os porcos nos espaços abertos, preferencialmente duas áreas gramadas para fazer rotação quando o solo de uma dessas áreas estiver revirado depois dos residentes terem a 0,32m pisoteado. Boa drenagem é essencial. Para climas mais quentes é essencial que boa parte da área externa seja sombreada, uma vez que os porcos-domésticos podem facilmente se queimar no sol. Idealmente, metade do espaço externo seria arborizada e a outra metade seria

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Ovelha (Gênero taxonômico Ovis) 1,17m

0,91m

1,27m

0,40m

Figura 60 - Fonte: Dimensions.com. Elaborado pelo autor.

Características gerais

Expectativa de vida: 10 a 12 anos Peso adultos: 45 kg - 160 kg Temperatura corporal: 39,0 ºC a 40,5 ºC

Espaços internos

Para espaços internos, o Farm Sanctuary (2012) e o Catskill Animal Sanctuary (2019), recomendam um mínimo de 2,30 m² para cada ovelha, com boa ventilação e protegido dos ventos frios diretos. A GFAS (2019, p. 4) recomenda que as ovelhas tenham pelo menos mais um membro de sua espécie nos recintos fechados, e que o mesmo proporcione espaço suficiente para os residentes se moverem e se deitarem. 0,60m

Um celeiro de madeira capaz de se fechar por completo é o ideal, pois protege das intempéries, e de possíveis predadores à noite. Além0,56m disso, é recomendado um piso de terra, ou uma base de concreto com uma camada grossa de terra por cima. Não é recomendado usar madeira ou concreto exposto, e é essencial que seja oferecido um substrato de palha seca suficiente para todos os residentes se deitarem por cima (FARM SANCTUARY, 2012). Segundo o Piedmont Farm Animal Refuge em seus

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manual sobre o Animal-centered Design, as ovelhas podem se assustar com contrastes de luz e clarões, por isso é recomendado clarabóias e janelas que proporcionem uma iluminação difusa e uniforme. Uma planta aberta e simples do celeiro oferece um ambiente calmo para as ovelhas, e portas amplas que podem ficar abertas durante o dia permitem contato visual entre as ovelhas que estão pastando e as que estão no celeiro.

Espaços externos

Farm Sanctuary (2012) recomenda um mínimo de 4.000 m² para cada 3 a 6 ovelhas, dependendo da quantidade de pasto, enquanto a Catskill Animal Sanctuary (2019) recomenda 2.000 m² para cada dupla de ovelhas. Já a GFAS (2019, p. 4) recomenda um mínimo de 14 m² de espaço aberto por residente ovino, sem contar a área de pastagem necessária para suprir as ne0,25m cessidades nutricionais.

área grande o suficiente, ou duas áreas separadas para fazer rotação, e proporcionar pastagem adequada para esses residentes. É muito importante que existam áreas sombreadas no ambiente externo, pois ovelhas podem facilmente ficar muito quentes no verão, e preferencialmente uma área florestada onde as ovelhas podem explorar e se alimentar de algumas folhagens (PIEDMONT FARM ANIMAL REFUGE). Também é importante que sejam disponibilizadas grandes pedras para as ovelhas se coçarem e brincarem (GFAS, 2019, p. 10), assim como é ideal uma topografia com variações, para engajar na exploração dos residentes.

As ovelhas precisam de áreas onde podem passar o dia e pastar caso queiram. O cercamento deve ter no mínimo 1,20 m de altura, preferencialmente de telas aramadas com espaçamento que não permita que as ovelhas com chifres se prendam (FARM SANCTUARY, 2012). As ovelhas podem facilmente deixar as áreas de pastagem lamacentas, por isso é importante ter uma

Figura 61 - O carneiro Adriano. Fonte: Farm Sanctuary.


Cabra-doméstica (Gênero taxonômico Capra) 0,76m

0,61m

0,32m

1,00m

Características gerais

Expectativa de vida: 12 a 14 anos Peso adultos: 20 kg - 140 kg Temperatura corporal: 39,0 ºC a 40,5 ºC

Espaços internos

O Farm Sanctuary (2012) e o Catskill Animal Sanctuary (2019) recomendam um espaço interno mínimo de 2,35 m² por cabra, mas é importante ter mais espaço caso os residentes sejam agressivos entre si, além de boa ventilação e proteção contra ventos frios diretos. A GFAS (2019, p. 4) recomenda que seja disponibilizado um espaço mínimo para as cabras se moverem e se deitarem, além de no mínimo mais um membro de sua espécie para fazer companhia. É recomendado que as cabras tenham acesso a um celeiro que se feche completamente, pois assim ficarão melhor protegidas das intempéries. Também é importante que o piso seja de terra, não é recomendado concreto ou madeira exposta. Palha suficiente para cobrir a maior parte do chão do celeiro também é essencial (FARM SANCTUARY, 2012). Como as cabras e os bodes naturalmente gostam de escalar, o Piedmont Farm Animal Refuge sugere que

Figura 62 - A cabra Erika. Fonte: Farm Sanctuary.

se providencie prateleiras em diferentes níveis nos celeiros, onde os residentes poderão subir para explorar e também dormir à noite.

Espaços externos

O Farm Sanctuary (2012) recomenda um mínimo de 4.000 m² de área de pastagem para cada duas cabras, enquanto o Catskill Animal Sanctuary (2019) recomenda um metade dessa área para cada dupla de cabras ou bodes. A GFAS (2019, p. 4) recomenda um mínimo de 14 m² de área livre para cada caprino, mas não conta com área necessária de pastagem para suprir as necessidades nutricionais.

Figura 63 - Fonte: Dimensions.com. Elaborado pelo autor.

As cabras gostam de explorar áreas florestadas, por isso é interessante que o celeiro das mesmas fique próximo às áreas de pastagem e áreas arborizadas. Além disso, é essencial que seja oferecido um ambiente externo complexo, com oportunidades para escaladas e explorações eventuais, que podem ser naturais ou construídas, em forma de montes de terra ou plataformas de madeira, além de áreas sombreadas na pastagem (THE OPEN SANCTUARY PROJECT, 2020).

Para o cercamento, como as cabras são escaladoras naturais, recomenda-se cercas de telas aramadas, com altura mínima entre 1,20 m - 1,50 m. Também é importante se atentar para que não existam vãos onde as cabras podem prender suas cabeças e chifres (THE OPEN SANCTUARY PROJECT, 2020). As cabras também são conhecidas por serem brutas com os cercamentos, por isso é importante se assegurar de que os postes estejam bem firmados no chão, além disso talvez seja necessário adicionar tábuas de madeira às cercas teladas para sustentar os impactos que os residentes dão com suas cabeças, e não abrirem buracos nas mesmas.

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Galinha-doméstica e outros galináceos (Gênero taxonômico Gallus)

0,55m

0,60m

0,22m

Figura 64 - Fonte: Dimensions.com. Elaborado pelo autor.

Características gerais

Expectativa de vida: 10 a 15 anos Peso adultos: 0,6 kg - 5,4 kg Temperatura corporal: 41,5 ºC a 42,5 ºC

Espaços internos

Segundo manual da Chicken Run Rescue (2015, p. 6), é recomendada uma área mínima de 0,37 m² por animal para ambientes interiores. A Farm Sanctuary (2012) recomenda um espaço de 3,00 m por 3,65 m, com altura suficiente para um humano caminhar, para comportar até 25 galinhas, o que equivale a 0,44 m² por galinha. A United Poultry Concerns (2018), recomenda recintos mais espaçosos, com uma área mínima que pode variar de 0,74 m² até 0,93 m² por residente. É essencial que existam poleiros para que os residentes possam dormir à noite. Poleiros de seção redonda são mais confortáveis, 3,80 cm de diâmetro é suficiente, e quanto mais longos eles forem, melhor, para evitar competições (CHICKEN RUN RESCUE, 2015, p. 6). Também é essencial fornecer ninhos para que galinhas poedeiras se sintam seguras para botar seus ovos, um ninho para cada 3 galinhas é suficiente. Preferencialmente as caixas dos ninhos ficam mais próximas do chão possível, cobertas com cerca de 5 cm a 10 cm de

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palha seca, folhas secas ou grama, e geralmente as galinhas preferem se aninhar na parte nordeste do recinto se possível.

outros objetos para os residentes subirem ou se esconderem, e outras vegetações naturais comestíveis (CHICKEN RUN RESCUE, 2015, p. 8).

Uma base em concreto para o piso é o mais indicado pelo Chicken Run Rescue, uma vez que é a prova de escavações de predadores e roedores externos, mas é essencial que se cubra com um substrato, serragem é o mais indicado, desde que sejam sem pó, mas também pode ser utilizado palha seca.

As galinhas são descendentes de aves que viviam em florestas, por isso, é interessante oferecer espécies de vegetação arbórea para os residentes explorarem (THE OPEN SANCTUARY PROJECT, 2020). Um cercamento externo ideal para as galinhas inclui também proteção superior contra possíveis aves predatórias. É importante que a cerca seja enterrada cerca de 30 cm no chão, para evitar que predadores tentem atravessá-la cavando por baixo da mesma (GFAS, p. 5). Uma recomendação é usar redes de nylon ou algum material mais macio, para evitar que os residentes machuquem as asas batendo do cercamento acidentalmente.

Espaços externos

A Chicken Run Rescue (2015, p. 7) recomenda cerca de 1 m² por animal de área externa, enquanto a GFAS (2019, p. 4) recomenda 1,48 m² para cada galinha, assim como sugerem que o solo do recinto externo preferencialmente seja composto de material orgânico, podendo ser grama, serragem, palha seca, terra, areia, folhas secas. É essencial que seja oferecida pelo menos uma área de solo exposto para que os residentes tomem banho de terra. Essa área deve ter um solo solto, e não muito argiloso, a areia pode ser adicionada para aumentar a efetividade. Também é essencial que o espaço externo possua diversidade de ambiências para os residentes, seja com galhos e poleiros, plataformas e troncos para as galinhas subirem, arbustos caixas e

Figura 65 - A galinha Phoenix. Fonte: Farm Sanctuary.


Aves aquáticas (Família taxonômica Anatidae)

0,60m

0,56m

0,25m Figura 67 - Fonte: Dimensions.com. Elaborado pelo autor.

Características gerais

Expectativa de vida: Patos domésticos vivem de 10 a 15 anos, enquanto os gansos variam de 15 a 20 anos. Peso adultos: Patos variam de 0,7 kg a 1,6 kg. Gansos variam de 3,2 kg a 6,5 kg. Temperatura corporal: 41 ºC a 42 ºC.

Espaços internos

Segundo a Catskill Animal Sanctuary (2019), é recomendado que o recinto para as aves aquáticas passarem a noite seja tenha medidas mínimas de 2,45 m x 3,05 m, e oferecer uma área mínima de 0,55 m² por animal, um valor aproximado do sugerido pela RSPCA (2019), de 0,50 m² para cada ave. A GFAS (2019, p. 4) sugere que seja oferecida uma área mínima de espaço no piso livre de 0,37 m² por ave, além de garantir que os residentes possam se moverem confortavelmente, empoleirar e se deitarem no chão. É interessante utilizar uma base de concreto para o recinto fechado, para evitar que predadores cavem por debaixo das paredes, mas também é importante utilizar uma camada de terra por cima do concreto para que os residentes não tenham contato direto e excessivo com o piso rígido (THE OPEN SANCTUARY PROJECT, 2020). Figura 66 - O pato Matisse. Fonte: Farm Sanctuary.

É importante oferecer bastante palha seca de fibras curtas, ou serragem sem pó, para que as aves possam dormir confortavelmente no chão, onde geralmente preferem, assim como fardos de feno fechados, galhos, poleiros ou prateleiras também servem como ótimas opções onde eles podem explorar e descansar (FARM SANCTUARY, 2012), mas é importante não deixar esses elementos tão elevados para que as aves não precisem abrir as asas e voar ao subir ou descer. Caixas cobertas com substrato vegetal onde as fêmeas possam usar para colocar seus ovos também é essencial.

Espaços externos

Para os recintos abertos externos, a RSPCA recomenda uma área mínima de 1,50 m² por ave, pensando nos patos, e a GFAS (2019, p. 4) indica no mínimo uma área de 1,48 m² de solo livre, e uma altura mínima de 2,13 m. Os patos, marrecos e gansos gostam de nadar, ciscar, explorar em gramas altas, se deitar em poças de lama e se deitar ao sol, então é importante prever espaços que proporcionem essas atividades para os residentes (THE OPEN SANCTUARY PROJECT, 2020).

com um lago onde as aves podem se banhar e nadar, com algumas áreas alagadiças com vegetação alta e algumas espécies comestíveis, e um acesso facilitado para entrar e sair da água. Idealmente o recinto é todo cercado e possui inclusive proteção superior contra aves predatórias, com utilização de redes de nylon ou outra opção macia que não permite que os residentes prendam ou machuquem suas asas (GFAS, 2019, p. 6). Caso o espaço seja cercado somente com barreiras verticais, pode-se utilizar grades metálicas, e a altura mínima das mesmas deve ter de 1,52 m a 1,83 m para recintos de aves que voam, e 0,92 m a 1,20 m para aves que não voam (CATSKILL ANIMAL SANCTUARY, 2019), no entanto, caso predadores capazes de escalar sejam encontrados na área, uma altura mínima de 2,40 m é suficiente.

A organização The Open Sanctuary Project (2000) recomenda um espaço externo interessante e variado,

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/pro pos ta 44

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DIRETRIZES PROJETUAIS

PROGRAMA DE NECESSIDADES

P

ara as diretrizes projetuais, foram tomadas como base, os estudos de casos realizados, os referenciais teóricos consultados, assim como o levantamento e estudos das espécies animais a serem acolhidas. Para os animais, de acordo com as necessidades particulares de cada espécie ou grupo animal, elencadas no tópico “Estudos dos residentes não humanos” é proposto que sejam projetados recintos fechados, onde esses residentes poderão passar à noite e também se proteger das adversidades do clima, assim como os recintos abertos, onde os mesmos poderão passar a maior parte do dia, se alimentando, brincando, socializando, etc. Além dos recintos, também é proposto que exista uma edificação preparada para os atendimentos veterinários de rotina, assim como eventuais procedimentos necessários, uma vez que animais de grande porte como bovinos e equinos, geralmente são atendidos por médicos veterinários no local.

acolhimento animal

Para os residentes humanos, é proposto que a residência existente no terreno seja mantida, e apropriada para comportar os cuidadores e funcionários que residirem no Santuário. Para os voluntários, propõe-se que seja projetado um anexo para comportar aqueles que vierem para passar mais de um dia no Santuário. Ainda para os humanos, a proposta é de que o Santuário Animal receba visitantes periodicamente para conhecer os animais não humanos e o local. Nesses momentos, os visitantes poderão ter contato e interagir com os residentes que gostam de contato humano. Os visitantes serão recebidos em uma edificação projetada para esse propósito, poderão assistir a palestras, participar de conversas e oficinas acerca da temática do veganismo e da libertação animal, assim como também poderão participar de eventos na cozinha integrada com refeitório, ou no espaço externo coberto.

trocas interespécies

conexão com a natureza

ativismo vegano

conforto ambiental projeto pensado para animais

sustentabilidade

oportunidades educacionais

//usuários humanos

//usuários não humanos

- Gado-bovino-doméstico (20): - Recinto fechado; - Área de pastagem; - Equinos (15): - Recinto fechado; - Área de pastagem; - Porco-doméstico (20): - Recinto fechado; - Espaço externo com área alagável/lago e área florestada; - Ovelhas (20): - Recinto fechado; - Área de pastagem e área florestada; - Cabra-doméstica (20): - Recinto fechado; - Áreas de pastagem, florestada e declivosa; - Galinha-doméstica e outros galináceos (100): - Recinto fechado; - Espaço externo com área livre e florestada; - Aves aquáticas (60): - Recinto fechado; - Espaço externo com área livre e lago;

200m² 40.000m² 150m² 60.000m² 150m² 40.000m² 70m² 20.000m² 80m² 40.000m² 140m² 1.700m² 90m² 1.200m²

//cuidados veterinários

- Recintos temporários para quarentena: - Recintos temporários para mamíferos; - Recintos temporários para aves; - Salas para atendimento veterinário; - Farmácia; - Sanitários;

20m² 10m² 40m² 10m² 16m²

- Alojamentos para os cuidadores/ f uncionários residentes: - Residência existente para alojar os cuidadores/f uncionários; - Alojamento para voluntários: - Dormitórios; - Banheiros; - Cozinha e refeitório; - Sala de convívio; - Espaço para horta;

250m² 40m² 25m² 80m² 40m² 200m²

l l

//infraestrutura geral

- Espaço de recepção dos visitantes: - Estacionamento; - Recepção; - Sala de conferências e palestras e oficinas; - Espaço externo coberto para eventos; - Cozinha integrada com refeitório para eventos; - Sanitários; - Administração: - Escritórios; - Sala de reuniões; - Copa; - Sanitários; - Áreas de plantio de alimentos: - Depósito de ferramentas e maquinário de manutenção; - Depósito para armazenagem dos alimentos dos animais; - Compostagem de resíduos; - Sistema de coleta de água da chuva; - Sistema de tratamento de efluentes;

250m² 12m² 120m² 30m² 150m² 30m² 25m² 18m² 4m² 6m² 1.000m² 12m² 15m²

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partido conceitual Como partido conceitual da proposta do Santuário Animal, decidiu-se tomar proveito do córrego que cruza o terreno, e a partir dele, criar as divisões dos recintos dos animais. Dessa forma, todos os indivíduos das diferentes espécies têm acesso à água fresca que corre em direção à noroeste. Assim, o córrego f unciona como elemento conector da paisagem, ao mesmo tempo em que cria diferentes ambiências conforme passa pelas diferentes configurações da proposta.

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Figura 68 - Ilustração elaborada pelo autor, 2021.


ZONEAMENTO

TERRENO AMPLIADO COM PROPOSTA DE ZONEAMENTO

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Figura 69 - Fonte: Google Earth. Elaborado pelo autor, 2021. LEGENDA cercamentos dos recintos via rural não-pavimentada água proposta de percurso de visitação edificações existentes a serem mantidas edificações a serem removidas

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08

edificações propostas travessias vegetação proposta pontos com visuais atrativas proposta de barreiras físicas proposta de área para plantio e cultivo proposta de área de estacionamento

07

08

07 09

01 Centro de recepção dos visitantes, afastado dos recintos animais para que as atividades humanas não os incomodem. Proposta de tirar proveito da vista privilegiada para o complexo dos recintos animais, onde poderão ser feitas explanações para posterior tour pelos recintos. Também pretende-se locar as atividades da administração nessa área. 02 Espaço reservado para estacionamento dos visitantes e cuidadores/funcionários. 03 Remoção das edificações muito próximas a via, não haveria usos para elas, além de algumas delas estarem abandonadas em condições ruins de preservação. 04 Avaliar possibilidade de se apropriar da residência existente e adaptação para uso das salas de atendimento veterinário, assim como os atuais estábulos/celeiros, adaptar para possíveis recintos de quarentena. Localização centralizada em relação à todos os recintos facilita em caso de emergências, assim

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ZONEAMENTO COM DIRETRIZES AMBIENTAIS GERAIS

08

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LEGENDA via rural não-pavimentada água preservar vegetação ripária da beira do córrego e dos açudes implantar vegetação de pastagem e manter arbóreas esporádicas

03 07

utilizar da atual área de plantio de grãos para implantar vegetação de pastagem utilizar da atual área de plantio de grãos para implantar área de cultivo variado para os animais após colheita das áreas de silvicultura, implantar vegetação de espécies nativas com objetivo de regenerar a mata existente

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como para recebimento de novos residentes, também está próxima à via de acesso. 05 Proposta de alojamento para voluntários 06 Residência unifamiliar existente mantida e adaptada para comportar os cuidadores e funcionários do Santuário. 07 Proposta de passagens facilitadas e adaptadas para a travessia do córrego pelos animais. 08 Plantação de arbóreas para criar uma transição gradual da mata nativa densa para as áreas de pastagens abertas, para criar espaços de mata onde os residentes podem explorar. 09 Criação de pequenas elevações no terreno próximo à via, com plantação de uma massa de arbustivas e arbóreas, com o intuito de criar uma barreira contra os ruídos dos veículos que circulam por ali. 10 Criação de área alagável para os porcos. 11 Área de plantio para alimentação dos animais do Santuário. 12 Implantação de barreiras de vegetação nos limites do terreno, como maneira de proteção das futuras atividades vizinhas.

02

Figura 70 - Fonte: Google Earth. Elaborado pelo autor, 2021.

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09 12

12

0

100m


/refe rên cias 48

6


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