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SESC guerreiro das alagoas

rodapé

Realização:

sábado | 28 de agosto de 2010 | Ano 3 | nº 02

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Entrevista com Carmen Omena | p. 2

Qual das linguagens artísticas é a mais desenvolvida em Alagoas? | p. 2 Fotos da abertura | p. 4

Os debatedores: Consuelo Maldonado (Equatoriana) , Henrique Fontes (Natal|RN) e Mérida Urquía (Cubana).

Processos criativos em questão Pelo segundo ano, a Aldeia SESC recebe a participação de três debatedores de fora de Alagoas, que irão pensar o fazer cênico durante todo o evento Texto: Fabrício Alex Barros | Fotos: Reprodução

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uando pensamos em criatividade, logo imaginamos infinitas possibilidades e concluímos que algo novo foi criado. E esse processo é resultante de pontos de vistas distintos que sofre influências como a relação individual – a interação do criador com seu objeto de trabalho; a relação com os parceiros de cena e a relação com o olhar externo. Desde o ano passado após as apresentações cênicas da Aldeia SESC Guerreiro das Alagoas o tradicional bate-papo entre os intérpretes e o público, conta com a presença de três profissionais que levantam reflexões sobre as obras em questão do ponto de vista externo. O artista busca identidade, referências, linhas que norteiam suas pesquisas e resultados que serão refletidos e questionados. Pensar o fazer cênico, apresentar opções livres de verdades únicas é a função de Consuelo Maldonado, Henrique Fontes e Mérida Urquía que vão acompanhar cada espetáculo da mostra, a fim de compartilhar e produzir opiniões em conjunto com o grande público. Os debatedores Maldonado nasceu no Equador e veio para o Brasil em 2002, desde então já desenvolveu atividades junto a USP, participou de trabalhos do grupo A Vertigem de Teatro/SP e quando morou em Maceió foi professora dos cursos de teatro da Ufal além de ministrar

treinamentos dentro do Grupo de Estudos Teatrais Orientados – GESTO do SESC/AL. Em edições anteriores das Aldeias esteve presente com seu trabalho solo Soledad del Monte e Recursos Humanos com a Cia. Ltda/AL. Esta em fase final de sua pesquisa de mestrado pela Universidade Federal da Bahia. Henrique Fontes é ator, diretor e dramaturgo de Natal-RN, integra o Coletivo Atores à Deriva e o Grupo Carmin de teatro, é Comunicador Social e Mestre em Ciências Sociais, mas seus trabalhos sempre tiveram o foco em Teatro. Tem 7 textos montados e dirigiu 12 espetáculos, sendo 8 de pesquisa continuada em dramaturgia original, 3 musicais e 1 de dança. Também já coordenou os estudos do GESTO com foco em dramaturgia, durante o ano passado. Há mais de duas décadas Mérida Urquía está na área de artes cênicas. Estudou em Cuba e passou por treinamentos com Jerzy Grotowski, Eugenio Barba, Antunes Filho, entre outros, por diversos países. Suas pesquisas são voltadas para as potências vocais e corporais no trabalho de ator. Dentro das apresentações deste ano trará o único espetáculo internacional da Aldeia, Madre Coraje, inspirado na obra Mãe Coragem de Bertold Brecht. Esse ano além de compor os bate-papos sobre os espetáculos apresentados, cada debatedor esta ministrando oficinas dentro de suas linhas de pesquisa. Confira na programação.


entrevista

Texto e Foto: Jacqueline Pinto

Carmen Omena C

armen Omena é assistente social e pesquisadora. Atualmente está presidindo a Comissão Alagoana de Folclore e é secretária da Associação dos Folguedos Populares de Alagoas (Asfopal).

Rodapé: Como se deu o contato com a Chegança Silvia Jardim de Coqueiro Seco?

R: Como foi a experiência da gravação de um CD para o grupo?

Carmen Omena: Eu conheci o pessoal há uns 15 anos, pelo Ranilson França, mas me aproximei há uns oito anos, quando comecei a fazer uma pesquisa sobre o pastoril, porque dona Luzia Simões também era mestra de pastoril. Na época eu tinha um projeto em parceria com o SESC que resultou na produção de um CD.

CO: É um momento singular porque é o único registro em CD do único grupo de chegança existente em Alagoas. Infelizmente percebe-

R: Como você observa a difusão da Chegança em nosso Estado? CO: Há alguns anos fiz um levantamento das únicas cheganças que existiam em Alagoas e tive contato com três, nos municípios de pão de açúcar, pilar e coqueiro seco. Hoje existe apenas o grupo de Coqueiro Seco, o Silva Jardim. Em 2008 o grupo de chegança de coqueiro seco ganhou o Prêmio Cultura Popular, promovido pelo Ministério da Cultura, no valor de R$ 10 mil, que foi empregado no melhoramento dos instrumentos e vestiários. Com o restante do dinheiro entramos em contato com o SESC, solicitando uma parceria para a gravação do CD.

Iniciativas como a que o SESC está promovendo agora são um grande estímulo para que continuemos valorizando nossa cultura Carmen Omena Presidente da Comissão Alagoana de Folclore

mos que não existem registros dos folguedos locais, os mestres autênticos estão morrendo e a lacuna fica, até porque nem as partituras são registradas. O CD é muito importante, pois

na boca de mateu

é um marco na vida dos integrantes do grupo. É a realização de um sonho. A dona Luzia estava numa felicidade tão grande que dizia que já podia partir em paz, pois já tinha deixado um registro do seu grupo. O CD ficou pronto no final de dezembro de 2009 e no dia 3 de fevereiro deste ano ela veio a falecer, aos 76 anos, mas ela descansou em paz com a tranqüilidade do dever cumprido. R: O que é preciso para estimular a manutenção e difusão dos folguedos? CO: Em sua maioria os grupos são formados por pessoas da periferia. Quando uma pessoa da elite participa, é criticada pela sociedade. Théo Brandão é um exemplo prático disso. Hoje, percebo que até existe a inserção dos folguedos em projetos culturais, mas é algo tão reduzido que acaba descaracterizando a trajetória da tradição. Os investimentos são feitos para as apresentações, mas não têm um acompanhamento com foco na manutenção da tradição nas comunidades. Iniciativas como as que o SESC está promovendo agora são um grande estímulo para que continuemos valorizando nossa cultura.

Mateu (ou Mateus) é o cara pintada que anuncia as boas novas no Guerreiro. Fotos: Joelle Malta

Qual das linguagens artísticas você considera a mais desenvolvida em Alagoas?

Idson Pitta

Coordenador comercial do Grupo Informal Identidade Alagoana

Digamos que o teatro e a música estão dividindo o mesmo palco. Apesar do apoio por parte do governo local e de empresas privadas ainda ser escasso, os grupos que formam esses dois segmentos artísticos não deixam a chama da arte se apagar. Dois bons exemplos são: a Cia. do Chapéu e o grupo de rock Coito Interrompido.

Gemma Galgany Atriz Música. Por ser mais acessível e freqüente em diversos ambientes. Tendo também projetos culturais mais voltados para essa linguagem.

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Edu Passos Professor, bailarino e coreógrafo afro Nos meus 25 anos de residência em Alagoas, sempre percebi que a linguagem artística mais desenvolvida, aqui no Estado, é a música. Porque existem vários estilos, várias bandas, cada um no seu ritmo, na sua performance.


seu jofre falou

fica a dica

Está aberta a Aldeia de todas as tribos! Texto: Jacqueline Pinto Foto: Barbara Esteves

Minha camisa de Força Cia. de Teatro e Dança Muro Imaginário O que é?

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irco, música, dança, cultura popular, degustação de comidas regionais... Tudo isso esteve presente na abertura da Aldeia SESC Guerreiro das Alagoas 2010. Uma programação bem diversificada que agradou a todos os gostos. O público ficou contagiado do início ao fim e a interação se deu de forma constante. Os artistas circenses recepcionaram o público e os envolveu durante as performances. As crianças brincaram com os instrumentos dos artistas em uma troca de vivência de forma lúdica e divertida. E neste embalo foi dado o grito de abertura da Aldeia, passando então a voz para o Coordenador Artístico Cultural do SESC/AL Guilherme Ramos que procedeu de forma solene o lançamento do CD do grupo de Chegança Silva Jardim de Coqueiro Seco. A emoção se fez presente durante o discurso de Lucimar Alveda, coordenadora do grupo, que em seu depoimento mostrou total felicidade com a realização deste sonho, ao mesmo tempo em que recordou as lembranças do trabalho da saudosa mestra Luzia Simões que faleceu em fevereiro deste ano, mas que conseguiu deixar este registro sonoro do folguedo. “Está sendo muito difícil tocar o grupo pra frente, mas a mestra deixou um exemplo de luta pra gente e não vamos parar” afirmou. Após este momento a Chegança se apresentou para o grande público que logo se embalou com a sonoridade das cantigas e o som dos pandeiros. Para finalizar a noite o público foi embalado com a apresentação musical de Chau do Pife e os regionais com muito forró. É apenas o começo! Prepare-se para esta grande maratona artística que só termina dia 04/09 com o Overdoze.

Noite de abertura contou com o som de Chau do Pife

O espetáculo mostra como a perda de pessoas essenciais para o desenvolvimento humano pode transformar a vida do indivíduo. Divide-se em quatro estágios (infância, juventude, maturidade e velhice), atormentados por esta projeção do inconsciente em que a ausência da mãe do protagonista torna-se uma presença fantasmagórica durante toda a peça. Por que assistir? Por ser um espetáculo de Teatro-dança muito envolvente e apresentar cenas densas, fortes. O trabalho de corpo dos atores requer uma atenção especial. A companhia Fundada em 2008, pelo diretor Anderson Serpa e os atores Jota Alencar e Sheyla Alencar, a Cia. Muro Imaginário tem como linha de pesquisa o contexto sóciopsicológico sugerindo a reflexão acerca do ser humano e suas ações. Quando e onde? Domingo | 29 de agosto | 20h Teatro SESC Jofre Soares Rua Barão de Alagoas, 229, Centro Entrada: R$ 2,00 + 1kg de alimento ou R$ 4,00.

Texto e Foto: Barbara Esteves

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sanfoneiro tocou, a zabumba respondeu e o triângulo acompanhou. Tudo pronto para a apresentação do instrumentista popular conhecido em todo Estado de Alagoas pela melodia doce do seu pífano. Chau do Pife contagiou os presentes com um forró arretado de bom e até mesmo quem não conhecia sua música começou a dançar e se entregar ao som dos instrumentos. A mostra foi aberta com chave de ouro e o público aprovou a noite. Para o fotógrafo e pesquisador Siloé Amorim a iniciativa do SESC em trazer nomes da cultura alagoa na é primordial em uma ação desse porte. “O Chau é uma das figuras alagoanas que deveria ter projeção internacional. Essa atitude do SESC é muito importante, pois incentiva sua produção e até mesmo apresenta aos que não conhecem sua arte”, contou.

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galeria

cruzadinha

Fotos: Barbara Esteves 1

Cenas da abertura da 5ª Aldeia SESC Guerreiro das Alagoas.

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Símbolo da luta contra a escravidão, em União dois Palmeres. Primeiro teatro de Alagoas. Personagem da história alagoana que inspirou o documentário de Werner Sales. Companhia teatral que montou o espetáculo Estrela Radiosa Bairro conhecido pela arte do filé. Cenográfo alagoano que dá nome ao maior teatro de Maceió. Primeiro presidente do Brasil.

Abaixo a solução da cruzadinha do primeiro número do Rodapé 2010: 1

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amanhã

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Os textos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião do SESC Alagoas.

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Confira a solução da cruzadinha desta edição amanhã, no terceiro número do Rodapé 2010.

Informativo produzido pelo Serviço Social do Comércio de Alagoas - SESC para o projeto Aldeia SESC Guerreiro das Alagoas 2010

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H O M

Coordenador Artístico-Cultural: Guilherme Ramos Técnico de Teatro: Thiago Sampaio Técnico Assistente: Fabrício Alex Barros Estagiário de Teatro: Gustavo Félix Planejamento Gráfico e Diagramação: Renato Medeiros Textos: Barbara Esteves | Fabrício Alex Barros | Gustavo Félix | Jacqueline Pinto | Joelle Malta | Morena Melo | Renato Medeiros | Thiago Sampaio

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Oficina Vivência Ateliê Aberto à Comunidade, por Lúcia Galvão e Rosivaldo Reis. De 28/08 a 03/09. Das 14h às 18h e das 12h, na Galeria do SESC Centro. Inscrições: 1kg de alimento, no SESC Centro. 10 vagas por dia. Espetáculo Nós Nus e Os Outros, da Cia. de Teatro Animus. Às 16h30, no Teatro SESC Jofre Soares, SESC Centro. Entrada: R$ 2,00 + 1kg de alimento ou R$ 4,00. Espetáculo Minha Camisa de Força, da Cia. de Teatro e Dança Muro Imaginário. Às 19h, no Teatro SESC Jofre Soares, SESC Centro. Entrada: R$ 2,00 + 1kg de alimento ou R$ 4,00.


Rodapé | 02 | 2010  

Segundo número do terceiro ano do jornal Rodapé, que tem como objetivo fazer a cobertura dos 9 dias do projeto Aldeia SESC Guerreiro das Ala...

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