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SEMANÁRIO

Director Nuno Pitti Ferreira | 24 de Fevereiro de 2011 | ed. 143 | 0.50€

Luis Pardal | Registo

ÉVORA Agentes culturais protestam A plataforma que reúne 9 associações culturais organizou ontem uma manifestação frente aos Paços do Concelho. Em causa o não pagamento de subsídios camarários relativos a 2010 e os 200 mil euros em dívida desde o segundo semestre de 2009. Luis Pardal | Registo

03 D.R.

06/07 Maria Filomena Mendes em ENTREVISTA

Alentejo promove-se na BTL

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NOVO HOSPITAL DE ÉVORA AVANÇA ATÉ FINAL DO ANO

Presidente do conselho de administração do HESE diz que projecto “não tem derrapagens” e quer ver o arranque das obras ainda em 2011.

Turismo do Alentejo, autarquias e operadores turísticos aproveitam a Bolsa de Turismo de Lisboa para promover as potencialidades da região. Alentejo fechou 2010 com crescimento de 6,7%.

Bloco acusa Câmara de Évora de “navegar à vista”

Montemor contra cortes no transporte de doentes

ESPECIAL

Pág.05 Miguel Sampaio, dirigente do Bloco de Es-

Pág.09 Um abaixo-assinado contra o corte nas credenciais de transporte de doentes não urgentes já recolheu cerca de 4 mil assinaturas em Montemor-o-Novo. O objectivo é pressionar o Ministério da Saúde a “recuar” numa decisão criticada por populações, autarcas e bombeiros que, desde o início do ano, registam uma redução superior a 30% nas requisições de transporte de doentes, em comparação com 2010.

Pág.18 Foi recentemente editada a filmografia com-

querda, acusa o Executivo socialista na Câmara de Évora de “estar a navegar à vista” e defende a necessidade de uma “clarificação” quanto ao rumo da autarquia: “Não é apenas a política cultural da Câmara que se tem vindo a esfumar. Neste momento, o Executivo camarário está a navegar à vista e isso reflecte-se das opções meramente conjunturais que são tomadas”.

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Michel Giacometti pleta do etnólogo Michel Giacometti, que integra a série “Povo que Canta”, produzida pela RTP entre 1970 e 1974. No Convento dos Remédios, em Évora, pode ser vista até 26 de Fevereiro uma exposição que reúne 80 fotografias da colecção de Giacometti que desenvolveu um trabalho de investigação, recolha e estudo da música tradicional em Portugal.


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A Abrir “O dominó revolucionário chega à Líbia” Pedro Henriques | Cartoonista www.egoisthedonism.wordpress.com

Mouhaydine Tlemçani

Professor na Universidade de Évora

Ventos de Mudança Os manuais de história, espelho da memória dos povos, estão no mundo árabe cheios de exemplos de levantamentos e revoluções. Os ventos revolucionários que sopram nestes últimos tempos da margem sul do mediterrâneo não estão alheios a um passado revolucionário e a um presente em constante mudança. Individualmente ou colectivamente, os povos árabes têm um longo historial de lutas, levantamentos e revoluções cuja dialéctica obedece aos mesmos determinismos e constrangimentos das restantes sociedades humanas. Estes povos têm também aspirações a ideias universais tais como a liberdade, a justiça e o progresso. Estes ideais estiveram sempre presentes no léxico ideológico e cultural dos povos árabes. As suas formulações linguísticas e as suas simbologias mitológicas ou históricas integram símbolos sociopolíticos idiossincrásicos com matrizes objectivas idênticas aos restantes povos da bacia do mediterrâneo. É natural que assim seja, o mare nostrum, mesmo antes de conhecer esta denominação já era um espaço informativo de intensas trocas à imagem das redes sociais de hoje. As reivindicações populares nestes países são de natureza política ou económica? O Egipto é a segunda economia de África a seguir a África de sul, não tem grandes reservas de petróleo nem ouro nem diamantes. Mas tem conhecido um crescimento económico de 5 a 7 por cento por ano na última década. A Tunísia tem um Produto interno bruto por habitante de catorze mil dólares por ano. Um valor superior ao de países da união europeia como a Roménia, por exemplo. O Produto interno bruto por habitante no Bahrein, que ao contrário do que se pode pensar não tem petróleo, é de vinte e cinco mil dólares e é igual ao da França. São estes os países onde se deram início os levantamentos populares. São também países com maiores índices de discrepância na distribuição da riqueza produzida. Curiosamente ou

não, pois percebe-se a razão, são países que conheceram reestruturações económicas ditadas pelo Fundo Monetário Internacional que consistem em privatizações generalizadas e cortes selvagens nos investimentos públicos, outrora amortecedores de oscilações económicas e financeiras. Estas políticas tiveram consequências directas no mercado de emprego, especialmente nas populações jovens. Assiste-se a uma precarização e consequente sobre-exploração de uma larga faixa destas populações. A título de exemplo, oitenta por cento da população egípcia tem menos de 30 anos. Isso explica, em grande parte, a característica demográfica destas revoltas. O seu traço espontâneo, enérgico e irresistível é típico de uma juventude em efervescência. Na sua essência, as suas preocupações não são diferentes das preocupações da juventude grega ou islandesa, que também, num vento de protesto, derrubaram não há muito tempo os seus governos. Os sistemas políticos como os seres vivos aprendem, fruto de um processo de Selecção Darwiniana. Aprenderam a sobreviver com uma grande capacidade de resistência, mais ou menos flexível, às mudanças. É essa a razão porque é difícil e raro transformar as revoltas em revoluções. Os processos revolucionários são fenómenos complexos e não lineares como os sismos, os furacões e os crashs das bolsas. O que torna a mudança mais provável e exactamente a sua espontaneidade e imprevisibilidade. Ao escrever estas linhas não deixo de pensar nas palavras de Mouncef Marzouki, um dos rostos da revolta tunisina: Os tempos geológicos não são os tempos das civilizações e os tempos das civilizações não são os tempos dos regimes e por fim o tempo dos regimes não é o tempo dos Homens. Uma revolução é como semear no deserto: parece em vão! Mas, quando chove, não há palavras para descrever aquilo que brota do deserto. Uma coisa é certa, as sementes estavam lá...E também estão cá e em todo o lado!

Protagonistas P11

Ceia da Silva O presidente da Turismo do Alentejo aposta na BTL, depois de um ano “em grande” para o turismo regional, com um crescimento de 6,7% nas dormidas.

P23

Filipa Lobo da Silveira O Solar dos Lobos (grupo Lobo da Silveira) afirma-se como um projecto empresarial de sucesso com vinhos premiados a nível nacional e internacional.

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Turismo do Alentejo, ERT Pç. Da República, 12-1º | Apartado 335 7800-427 Beja | Portugal (Tel) 284 313 540 | (Fax) 284 313 550 (E-mail): geral@turismodoalentejo-ert.pt

Ficha Técnica

SEMANÁRIO

Director Nuno Pitti Ferreira (nuno.pitti@registo.com.pt) Editor Luís Maneta Propriedade Nothing Else-.meios&comunicação; Contribuinte 508 561 086 Sede Travessa Ana da Silva, n.º6 -7000.674 Évora - Tel: 266 751 179 fax 266 730847 Administração Silvino Alhinho; Joaquim Simões; Nuno Pitti Ferreira; Departamento Comercial Teresa Mira (teresa.registo@gmail.com) Paginação Arte&Design Luis Franjoso Cartoonista Pedro Henriques (pedro.henriques@registo.com.pt); Fotografia Luís Pardal (editor) Colaboradores Pedro Galego; Pedro Gama; Carlos Moura; Capoulas Santos; Sónia Ramos Ferro; Carlos Sezões; Margarida Pedrosa; António Costa da Silva; Marcelo Nuno Pereira; Eduardo Luciano; José Filipe Rodrigues; Luís Martins Impressão Funchalense – Empresa Gráfica S.A. | www.funchalense.pt | Rua da Capela da Nossa Senhora da Conceição, nº 50 - Morelena | 2715-029 Pêro Pinheiro – Portugal | Telfs. +351 219 677 450 | Fax +351 219 677 459 ERC.ICS 125430 Tiragem 10.000 ex Distribuição Nacional Periodicidade Semanal/Quinta-Feira Nº.Depósito Legal 291523/09 Distribuição Miranda Faustino, Lda


3 Política Manifestação

Agentes culturais protestam contra ”esvaziamento cultural“ da cidade Nuno Veiga | Lusa

Redacção | Registo Dezenas de pessoas manifestaram-se ontem frente à Câmara de Évora para protestar contra o atraso no pagamento de subsídios aos agentes culturais e contra o “esvaziamento cultural” da cidade. Em causa está o atraso no pagamento de 200 mil euros de subsídios relativos ao segundo semestre de 2009 e o não pagamento de subsídios municipais em 2010. “Isto é grave, porque põe em causa a vida cultural da cidade. É preciso inverter este processo. Estamos a falar de muito pouco dinheiro e a cidade não merece que aconteça isto à Cultura”, disse José Russo, do Centro Dramático de Évora, uma das 9 associações que integra a Plataforma pela Cultura em Évora, que convocou a manifestação. “Já há situações de redução de actividade, situações de salários em atraso, pessoas que foram dispensadas porque as associações não têm hipótese de as aguentar. Isto pode ganhar outras proporções”. “Achamos que devem ser assumidos compromissos que estão para trás. A situação é insustentável e não somos só nós que nos queixamos. Temos uma população inteira a queixar-se do esvaziamento da vida cultural de Évora”, garantia Diana Mira, da associação Pédexumbo, enquanto distribuía maçãs com uma etiqueta elucidativa: “A Cultura dá frutos”.

O protesto foi convocado pela Plataforma pela Cultura em Évora, que reúne nove agentes culturais da cidade. “É muito importante que se dê a conhecer o quão grave é a situação da cultura em Évora”, acrescentou Helena Zuber, do Eborae Musica, presente na manifestação a título pessoal.

Um dos motivos do protesto prende-se com a decisão do Executivo autárquico de não conceder a atribuição de novos subsídios antes da aprovação de um regulamento municipal de

apoio à actividade cultural, processo que se arrasta há mais de um ano. “A vereadora [da Cultura] quer deixar-nos dependentes de um regulamento que não se sabe

Vereadora diz já que já pagou 531 mil euros Luis Pardal | Arquivo

Redacção | Registo A vereadora da Cultura na Câmara de Évora, Cláudia Sousa Pereira, diz que em 2010 a autarquia atribuiu um total de 531 mil euros aos 9 agentes culturais que ontem promoveram uma manifestação frente aos Paços do Concelho contra a não atribuição de subsídios relativos ao ano passado. “Durante o ano de 2010 foram atribuídos apoios pontuais e foram contratualizadas diversas actividades constituindo, de facto, verbas comprometidas e que serão pagas com a maior brevidade possível”. Sem apontar uma data concreta para regularizar os compromissos assumidos perante os agentes culturais da cidade – em dívida estão igualmente cerca de 200 mil euros relativos aos subsídios do segundo semestre de 2009 – a vereadora refere que os 571 mil euros “avaliados e apro-

Cláudia Sousa Pereira, vereadora da Cultura na Câmara de Évora vados” nas reuniões públicas de câmara incluem 137 mil euros correspondentes à cedência de espaços e 95 mil euros de despesas de funcionamento do Teatro Municipal Garcia de Resende. Cláudia Sousa Pereira reafirma o que disse em reunião de câ-

mara – e repetiu em entrevista ao Registo no dia 3 de Fevereiro – de que não serão “atribuídos subsídios sem a actualização de todos os protocolos existentes entre a Câmara Municipal e os agentes”. Ou seja, sem que o novo regulamento esteja apro-

vado. “O Tribunal de Contas impõe que a CME passa a exigir, como condição prévia da concessão de apoios, documentação previsional da aplicação dos financiamentos, com o propósito de permitir que o Município faça um juízo sobre o modo como os potenciais beneficiários planeiam investir as verbas que venham a ser concedidas, assegurando a compatibilidade desse investimento público com as disposições legais vigentes”, assinala a vereadora da Cultura. Segundo Cláudia Sousa Pereira, “apenas a implementação de um novo regulamento” de apoio às actividades culturais “permite ao Executivo municipal a definição de objectivos a serem prosseguidos pela atribuição de dinheiros públicos, bem como salvaguardar a transparência do modo como esses dinheiros são aplicados, avaliando os resultados a que conduzem”.

quando vai ser aprovado. Nós dizemos que estamos num estado de direito e regemo-nos pelas leis que existem até haver outras. Há uma lei que até aqui financiou os agentes da Cultura. E enquanto não houver um novo regulamento, não pode haver anos zero”, contrapõe José Russo, recordando que a associações “continuam a funcionar” e a ter de suportar encargos fixos. “Tudo isto é muito penalizador”. “Nunca nos foi comunicado, antes pelo contrário, que não havia dinheiro. Só agora em Janeiro é que a vereadora o disse na entrevista que deu [ao Registo]”, acrescentou o actor e encenador do Cendrev, manifestando a “inquietação” dos agentes culturais face à postura da autarquia: “São muitas associações que estão em causa, profissionais e colectividades e associações de bairro”. “Numa cidade Património da Humanidade, como é possível após os cortes que houve por parte do Ministério da Cultura somarem-se agora estes cortes por parte da Câmara?”, interroga. José Russo diz que da parte da Plataforma existe “disponibilidade total para o diálogo”. Mas lamenta que “pedidos de reunião” tenham ficado “sem resposta” do município: “Não há disponibilidade para um diálogo constante e produtivo que dê indicações de como resolver o problema”.


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Política

Notícias tristes numa

sociedade empobrecida antónio costa da silva Economista

Foi muito badalada na semana passada uma notícia sobre a descoberta do corpo de uma senhora octogenária que se encontrava desaparecida há nove anos que residia na Rinchoa, Sintra. A idosa foi encontrada depois de o apartamento ter sido vendido num leilão das Finanças e a nova proprietária ter entrado pela primeira vez na casa. Na mesma semana, coincidência ou não, foram encontradas mais duas pessoas mortas nas suas residências. Estas notícias são extremamente preocupantes. Na realidade, a existência destas situações demonstram claramente o mau caminho que a nossa sociedade segue. É verdade que em períodos de crise estas situações são mais susceptíveis de acontecer, mas não há nada que o desculpe. Procurar desculpar todos os males com o Estado parece-me que é um erro grave. È inadmissível estas situações acontecerem. Demonstram a indiferença com que os seres humanos se relacionam e se tratam, porque ninguém quer saber do outro. O materialismo absoluto apoderou-se totalmente dos seres humanos, é essa a nossa triste realidade. As famílias são altamente responsáveis pelo abandono dos seus idosos. Os velhos passaram a ser

empecilhos nesta sociedade apressada e ansiosa de consumo. Os velhos são tratados como se não existissem. O ensinamento dos mais velhos (mayores, como dizem os espanhóis) já pouco interessa nesta sociedade do conhecimento e da tecnologia. A família na sua plenitude já pouco importa. Importa sim, oferecer tudo aos filhos, custe o que custar. Interessa sim, ter tudo o que nos apetecer, dê por onde der. Vivemos numa sociedade em crise, onde os valores rareiam cada vez mais. Custa-me compreender como é que sociedades com baixos níveis de riqueza conseguem ter um respeito maior pelos mais velhos do que as sociedades mais ricas. Talvez seja por isso mesmo, as sociedades mais abastadas estão a valorizar apenas o que não é essencial. È claro que a violência destas notícias são o despertar duma realidade que todos conhecem perfeitamente, nessa mesma sociedade onde se convive diariamente com a maior das indiferenças. Notícias destas abundam permanentemente nos noticiários, cruzando com o silêncio e sentença das pessoas. Passam em horários nobres, ao mesmo tempo que se levantam os olhares indiferentes da ração diária. É triste mas é mesmo assim. Quem sabe se esta crise financeira serve de despertar para as ques-

tões fundamentais da vida. Será que a nossa sociedade tem vontade de mudar? Se não for assim, também teremos o destino marcado: Encontrados pelas Finanças.

mentou. Mais faltava que este “cocktail” de PEC’s e a austeridade do Orçamento para 2011 não surtisse um efeito anestesiante. Como afirmou Passos Coelho, e bem, não há milagres. Se a receita subiu em função do aumento de impostos e a despesa desceu em função do corte de salários na função pública, pergunta o comum dos mortais, onde está o mérito deste Governo? O mérito é de todos aqueles que suportaram no seu rendimento, directamente, a redução do deficit, ou seja, o mérito é dos portugueses! Fica por provar (o que seria interessante) se tal redução se deveu também à custa de uma melhor gestão do erário público. Sócrates poderia apresentar os números referentes ao valor da poupança efectuada até agora com as entidades públicas que extinguiu aquando da aprovação do Orçamento de Estado para 2011 (ao que se sabe, apesar de extintas, continuam a existir, naturalmente) e com a redução efectiva da despesa corrente na Administração Pública (à excepção dos salários), mas essa aumen-

tou 0.9%, se compararmos com o mês homólogo de 2010. E porque o optimismo de Sócrates não convence, os mercados e a União Europeia continuam a mandar recados. Jean-Claude Trichet foi muito claro quanto à necessidade de aplicação rigorosa do plano de austeridade, afirmando que “cabe aos países serem convincentes” face à desconfiança dos mercados internacionais. E se os números são tão bons, porque é que ninguém acredita em Sócrates? Porque todos sabem que a economia está estrangulada, a recessão é real, a subida da receita não é, por isso, sustentável e a diminuição do deficit não foi feita do lado da despesa e não é uma ligeira subida das exportações que vai catapultar Portugal. (ajuda mas não é tudo) Sócrates está irritado porque ninguém partilha da sua visão deslumbrante sobre o futuro: nem empresários, nem os mercados, nem a União Europeia, sequer o Governador do Banco de Portugal. São todos “malcriados” porque dinheiro não significa “berço”. E é bem verdade.

Custa-me compreender como é que sociedades com baixos níveis de riqueza conseguem ter um respeito maior pelos mais velhos do que as sociedades mais ricas.

A ciência dos números Sónia ramos ferro Jurista

Os recentes acontecimentos sobre a impossibilidade de milhares de eleitores exercerem o seu direito de voto, aquando da eleição presidencial, gerou nos actores políticos grande insatisfação, ao ponto de alguns pedirem a demissão do Ministro da Administração Interna. Recusando o Governo e o visado, tirar as necessárias consequências políticas, demite-se o Director-geral da Administração Eleitoral, cuja demissão foi aceite sem reservas. Para acalmar as hostes, em vez de se estudar séria e ponderadamente a questão aceitando, por exemplo, a proposta do PSD de criação de uma comissão para avaliar as questões do recenseamento eleitoral, o Governo resolve deliberar a extinção do cartão de eleitor e substituí-lo pelo número de identificação civil, com efeitos a partir de Janeiro de 2013. Assim, é seguramente mais fácil e mais rápido resolver esta questão e tentar abafar as críticas que lhe têm sido dirigidas nesta matéria. Se não pode demitir o Ministro, demite o cartão. Mas fica a dúvida: e se houver eleições antecipadas?

Os juros da divida pública portuguesa continuam acima dos 7% nas obrigações do tesouro a 5 anos, e continuam a subir, e acima dos 7,4% nas obrigações a 10 anos. Há meses que os juros ultrapassaram a “barreira” que o Ministro das Finanças estabeleceu para uma tomada de posição relativamente à intervenção do FMI, mas continuam a afirmar que Portugal não precisa de ajuda externa. Não admira que alguns empresários bem sucedidos deste país, venham a público dizer que o Governo continua a mentir sobre a situação do país e que o mínimo que seria exigido é que os governantes falassem verdade. Nada mais acertado. Acertadas, também, as declarações do governador do Banco de Portugal relativamente à situação de recessão, pois com menos rendimentos disponível, as pessoas gastarão menos e portanto tal comportamento repercutir-se-á na economia. Sócrates veio a público confirmar os números avançados pelos órgãos de comunicação social, re-

lativamente à execução orçamental de Janeiro do corrente ano. Com toda a pompa, anuncia um corte de 58,6% no deficit da Administração Pública Central, que em Janeiro se fixou em 281,1 milhões de euros. Tal redução foi feita à custa do corte de salários na função pública em consequência disso, a despesa com salários baixou. Por outro lado, o Governo aumentou impostos directos e indirectos, que em Janeiro deram os seus frutos, razão pela qual a receita au-

“Se a receita subiu em função do aumento de impostos e a despesa desceu em função do corte de salários na função pública, onde está o mérito do Governo?”


5 Política Autarquia

Bloco acusa Câmara de Évora de estar a “navegar à vista” Luís Maneta | Registo Miguel Sampaio, dirigente do Bloco de Esquerda, acusa o Executivo socialista na Câmara de Évora de “estar a navegar à vista” e defende a necessidade de uma “clarificação” quanto ao rumo da autarquia: “Não é apenas a política cultural da Câmara que se tem vindo a esfumar. Neste momento, o Executivo camarário está a navegar à vista e isso reflecte-se das opções meramente conjunturais que são tomadas”. Além de apoiar a manifestação de agentes culturais ontem realizada frente aos Paços do Concelho – “[foi] uma manifestação daqueles que como o João sem Medo, não querem ter uma abóbora no lugar da cabeça” – Miguel Sampaio diz mesmo que o protesto constitui o “início da oportunidade” para uma “clarificação” da situação política em Évora. “Nada tenho nada contra a organização de espectáculos na Arena ou contra o Festival do Alentejo mas existem prioridades e compromissos assumidos, com os agentes culturais e não só, que não estão a ser respeitados. Isso é matar a Cultura na cidade, apostar em investimentos que não são estruturantes”.

Como exemplo dessa “navegação à vista”, o dirigente bloquista refere igualmente o caso do Centro de Artes Tradicionais (Museu do Artesanato), encerrado para dar lugar ao Museu do Artesanato e do Design de Évora, albergando uma colecção de design industrial. “O Centro de Artes Tradicionais foi encerrado com a justificação da falta de verbas. Mas a Câmara vai acabar por gastar muito mais dinheiro num projecto que ainda se desconhece em absoluto do que aquilo que seria necessário para rentabilizar o Centro de Artes Tradicionais”. “Não existe um investimento pensado para a Cultura na cidade. Responde-se a estímulos, organizam-se eventos que funcionam como show off mas o que subjaz à ideia de cultura, que é o investimento e a integração das populações na vida da cidade, não acontece. Cultura não é só espectáculo”, acrescenta Miguel Sampaio. Para o Bloco de Esquerda, a maioria socialista na autarquia eborense está a viver numa espécie de “encarniçamento terapêutico”, “prolongando artificialmente a vida do Executivo camarário”. O ex-candidato do BE à Câmara de Évora desafia ainda o PS a apresentar uma

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Regulamento

PSD justifica aprovação de novas taxas Redacção | Registo O vereador do PSD na Câmara de Évora, António Dieb, justificou em comunicado a aprovação do Regulamento e Tabela de Taxas do município assegurando que os valores encontrados vêm “introduzir mais justiça e equidade na distribuição do esforço pedido aos munícipes no pagamento das taxas administrativas previstas na lei para garantir o funcion a me nto d a s

moção de confiança à Assembleia Municipal: “É necessária mais transparência. Por uma questão de cidadania, as pessoas têm de saber o que se passa na vida da cidade. E, a partir dessa clarificação, porque não eleições antecipadas?”, interroga. Miguel Sampaio diz que o

autarquias locais”. “Sem cálculos eleitorais e com a preocupação centrada apenas no imperativo institucional de equilibrar a necessidade de responder às graves carências financeiras da Câmara com a justa repartição dos encargos por todos os munícipes, demonstrámos uma vez mais o nosso empenhamento na procura de soluções consensuais em torno dos problemas do concelho”, acrescenta António Dieb. Segundo o autarca, o PSD “exigiu o compromisso de que nenhuma taxa teria agravamentos superiores a 50%, contrariamente ao projecto inicialmente apresentado, de forma a não agravar os custos das famílias e das empresas num momento de crise económica” “Em matéria de benefícios fiscais ficou acordado no novo texto que as empresas que vierem a beneficiar de isenções ou reduções de taxas municipais estão obrigadas a manter a sua actividade no concelho de Évora por um período mínimo de três anos, procurando dessa forma garantir-se a manutenção da actividade económica e o emprego quando estimulados por apoios públicos”, acrescenta o vereador social-democrata. No comunicado, António Dieb destaca ainda ter sido possível reunir o “consenso necessário” para introduzir no regulamento um mecanismo de cobrança de água escalonado de acordo com os consumos: “Esta medida, que já começou a ser sentida por muitos consumidores, permite uma efectiva redução da factura mensal de água para todos os consumidores”.

Executivo municipal “já não tem condições para gerir a cidade”. E defende a “criação de uma ruptura que permita sair do marasmo”. “Não creio, honestamente, que o suporte eleitoral do PS seja o mesmo das últimas eleições autárquicas. Não creio que se deva forçar a nota mas o sentir dos munícipes tem de ser levado em conta”, resume.


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Entrevista

Maria Filomena Mendes, presidente do conselho de administração do Hospital do Espírito Santo de Évora

”Temos de ter uma estratégia de re do défice sem deteriorar a qualidad Luís Maneta | Registo A redução do défice público obriga os hospitais a cortarem 15% nos custos operacionais. Vai ser possível o Hospital de Évora efectuar cortes neste montante? Obviamente que teremos de cumprir as indicações da tutela para redução do défice. Num hospital como o nosso, que é um hospital central destinado a uma vasta região e que tem tido uma gestão muito rigorosa, é muito difícil dizermos que há muito por onde cortar.

Não sendo fácil, será possível? Tem de ser possível, nós temos de reduzir custos. Temos de reduzir 5% nos vencimentos, são as indicações que temos. Isso é mais fácil pois o corte nos salários é automático. Não, não é automático. Temos uma tabela de redução para aplicar em função do salário das pessoas. E temos no hospital muitas pessoas com salários que não são muito altos, aos quais vamos retirar uma percentagem mais baixa. Os 5% correspondem a

um valor global na redução dos vencimentos e teremos de fazer um esforço de muita contenção neste capítulo. E além do pessoal? Estamos neste momento a fazer uma revisão de todos os contratos de manutenção o que, como deve calcular, também não é uma tarefa fácil. Os nossos contratos de outsourcing são contratos públicos e amarramnos a um determinado montante. Estamos a renegociar e a ver em que medida, em áreas como manutenção de equipamentos e

fornecimento de serviços externos, poderemos conseguir alguma redução de valores. Quanto aos medicamentos? Também tem de haver contenção nos gastos com medicamentos mas tivemos algum apoio por parte da tutela pois existem despachos que garantem a redução no preço de alguns medicamentos. Isso para nós significa que baixam os custos. Ou seja, vai cumprir os 15% de redução de custos? Estamos a fazer todos os possí-

veis para cumprir as determinações do Ministério da Saúde para que possamos reduzir o défice e colaborar neste esforço conjunto do País. A questão é também saber em que medida os cortes nos orçamentos dos hospitais podem comprometer a qualidade do serviço prestado aos cidadãos? É um risco que se corre? Essa é uma questão de honra, um risco que não podemos correr. Temos de ter uma estratégia de redução do défice sem dete-


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Luis Pardal | Registo

“Tivemos nos últimos anos uma gestão em termos operacionais muito rigorosa que permitiu uma redução do défice do hospital, aproximando-nos da sustentabilidade”.

região Alentejo. Esses custos vão agravar o nosso défice. Outro exemplo: a hemodinâmica. Sabemos que uma das principais causas de morte na região é o enfarte agudo do miocárdio e nós temos capacidade para garantir uma urgência diária em termos de hemodinâmica e não o estamos a fazer por uma questão de custos. São desafios que temos de garantir para dar cada vez melhor atendimento à população do Alentejo, onde os níveis de acessibilidade à saúde são inferiores à média nacional. Há aqui um equilíbrio que é complicado de alcançar? Muito, muito complicado. Mas não podemos perder esta noção da qualidade do serviço. Qual é o passivo do Hospital de Évora? É sempre difícil apontar um valor. Tivemos nos últimos anos uma gestão em termos operacionais muito rigorosa que permitiu uma redução do défice do hospital, aproximando-nos da sustentabilidade. Continuamos a tentar que os valores [do passivo] sejam cada vez mais reduzidos.

edução de“ riorar a qualidade assistencial. No nosso caso temos algumas dificuldades principalmente porque sendo um hospital central queremos dar uma resposta a toda a região. Dou-lhe como exemplo a radioterapia. Quando falamos na redução do défice estamos a comparar com 2009 e nós, nesse ano, tivemos o serviço de radioterapia a funcionar apenas no final do ano. É um custo que o hospital tem, relacionado com a assistência aos doentes da região mais próxima, 150 a 180 mil habitantes, mas depois temos os 500 mil habitantes da

Lembro-me de anos anteriores em que o hospital entrou em situações de ruptura financeira, com empresas a admitirem cortes nos fornecimentos por causa do acumular de dívidas. São situações do passado que desconheço mas que eventualmente estarão relacionadas com prazos de pagamento. O orçamento do hospital tem de ser gerido com muita disciplina, tentando sempre privilegiar as áreas clínicas para dar um atendimento de qualidade à população. É um facto que, às vezes, os prazos de pagamento podem deslizar. Por vezes acabamos por não conseguir cumprir os prazos, mas para isso era precisávamos de ter um orçamento diferente.

Ouviram-se críticas ao facto de o Hospital de Évora ter feito incidir os cortes salariais de 2011 nas horas extraordinárias feitas em 2010. É uma situação que já está pacificada? O que fizemos foi cumprir as determinações dos Ministérios da Saúde e das Finanças. Fizemo-lo nós e fizeram todos os hospitais.

“Estamos todos demasiado comprometidos com o novo hospital central de Évora. É um projecto de tal maneira importante para a região que não podemos voltar atrás”.

Foi uma decisão que gerou contestação. Gerou. E com base nisso, o conselho de administração pediu esclarecimentos à Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) para saber quais os fundamentos dessa orientação. Fizemos cumprir a lei, não tínhamos outra alternativa. Se existir outra leitura estaremos disponíveis para reconsiderar mas terá de ser sempre a tutela a decidir. A propósito de gestão de recursos, o hospital inaugurou a radioterapia mas ainda há doentes da região a serem encaminhados para Lisboa. Em que medida pode ser ultrapassada esta situação? Estamos a fazer todo o possível para a divulgação por todos os doentes e por todos os médicos da região da unidade de radioterapia, da sua forma de funcionamento e do grau de satisfação dos utentes. Como em tudo, é preciso um período de habituação e as coisas estão a encaminhar-se no sentido de as pessoas que precisam de fazer tratamentos de radioterapia a possam fazer no Hospital de Évora onde têm recursos humanos e equipamentos tecnologicamente muito desenvolvidos. Não há justificação para os doentes não serem encaminhados para Évora? Nenhuma. Nós poupamos muito dinheiro ao Serviço Nacional de Saúde e ganhamos em qualidade de vida para os utentes pois as pessoas podem fazer o tratamento de radioterapia próximo do seu local de residência. Foi um bom projecto para o hospital, para os privados que connosco colaboram e para os utentes, tanto que foi premiado pelo Hospital de Futuro.

Tem algum número do passivo relativo a 2010? Não lhe posso adiantar nenhum número, estamos a encerrar as contas de 2010. Passou a existir no discurso político uma preocupação muito grande com os números da Saúde e, às vezes, nem tanto com os doentes. Partilha esta opinião? Sem dúvida absolutamente nenhuma que o Serviço Nacional de Saúde é o maior bem que os portugueses têm neste momento, mas também temos de nos preocupar com a sustentabilidade. Ou seja, temos de dar atenção aos números porque podemos correr o risco de, querendo dar todo o atendimento em todas as circunstâncias, não poder dar o essencial para manter a qualidade de vida e a saúde

das pessoas. Temos de tentar ser sustentáveis o que é muito difícil pois temos uma população muito envelhecida, com muitas carências, e quanto mais envelhecida é a população mais necessita dos cuidados de saúde.

NÚmero

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<A construção do novo hospital de Évora custará 67 milhões de euros, sem contar com o investimento em equipamento. O projecto de arquitectura foi ganho por uma equipa liderada por Souto Moura.>

Haverá novas respostas clínicas? Queremos também avançar para a Medicina Nuclear e talvez adoptemos o mesmo modelo de parceria público-privada a que recorremos para a radioterapia. É um projecto ainda para este edifício pois o prazo de construção do novo hospital é dilatado no tempo e os doentes não podem ficar à espera, têm de ser tratados. Mas temos de ponderar pois não podemos pensar que tudo se faz independentemente dos custos envolvidos.

Hospital mantém prazos Nesta conjuntura de dificuldade económica e cortes nos investimentos públicos, mantém-se de pé a construção do novo hospital de Évora? Sem dúvida. Ainda não recebeu nenhuma indicação de abandono do projecto? Não recebemos nenhuma indicação nesse sentido nem queremos receber. É o único projecto de construção de novos hospitais a nível nacional que está entregue nas mãos do conselho de administração, não é uma parceria público-privada. Somos nós que temos a responsabilidade de levar para a frente a construção do novo hospital, obviamente com o apoio da tutela, do Governo. O novo hospital central de Évora é de tal maneira importante para a população do Alentejo que não pode deixar de ser construído. Temos de ser muito rigorosos nos cortes que temos de fazer e na gestão dos dinheiros públicos para garantir que com o mínimo de investimento possamos obter os melhores resultados possíveis. E esta é uma prioridade absoluta? Tem de ser uma prioridade do Alentejo, não só da Saúde mas da população, de todos os partidos políticos. Tem sentido alguma ausência de solidariedade? Não, não. Mas todos temos de nos sentir parte de um projecto comum pois o novo hospital central de Évora é um projecto para uma geração. É um projecto de futuro, para os nossos filhos e para os nossos netos, que terão aqui um hospital que garanta melhores condições de atendimento e o alargamento da resposta já existente. Será aberto este ano o concurso de construção? Está tudo a correr sem derrapagens. Em meados do ano estará terminado o projecto de arquitectura e técnico, de construção. A partir daí, tendo luz verde por parte do Governo, lançamos o concurso para a construção e para o equipamento. Se tudo correr bem, no final do ano poderemos ter a primeira pedra. A partir não haverá possibilidade de retrocesso. Estamos todos demasiado comprometidos com o novo hospital central de Èvora. É um projecto de tal maneira importante para a região que não podemos voltar atrás.


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Regional Évora

Veterinária contabiliza 28 cães cedidos como cobaias Luis Pardal | Registo

Redacção | Registo O canil municipal de Évora cedeu 28 cães ao hospital veterinário da universidade. O número é avançado por fonte da DirecçãoGeral de Veterinária (DGV) que intimou a Câmara de Évora a interromper esta prática no âmbito de um processo de averiguações relativamente às denúncias efectuadas por associações de defesa dos animais. Em causa está um acordo entre a autarquia e a Universidade de Évora que incluia a cedência de cães recolhidos no canil municipal para servirem como cobaias. “Pedimos que nos sejam enviados alguns animais vivos cuja eutanásia esteja eminente, comprometendo-nos a usar os animais cumprindo as mais rigorosas regras de ética”, confirmou na altura o director do hospital veterinário, José Tirapicos Nunes. “Se houver lugar a uma intervenção cirúrgica é sempre praticada sob anestesia profunda, da qual [os animais] não acordam”. “É uma prática ilegal uma vez PUB

Câmara de Évora abriu inquerito ao funcionamento do canil que os animais só podem ser cedidos a particulares que tenham condições para os adoptar ou a associações zoófilas”, disse, por sua vez, Alexandra Moreira,

uma das vozes que denunciou o caso. Segundo apurou o Registo junto de fonte do Ministério da Agricultura, a 18 de Novembro

do ano passado e depois de receber várias denúncias sobre os procedimentos adoptados no centro de recolha de animais de Évora, a DGV realizou uma visi-

ta de “controlo” às instalações do canil com verificação dos registos e audição dos visados. “Dos factos apurados foi possível identificar a cedência à Universidade de Évora de 28 animais (cães) recolhidos por aquele centro”, refere a fonte. A DGV, entidade cujas competências incluem a emissão de autorizações para a utilização de animais para fins experimentais ou científicos, garante que vai reforçar as “medidas de controlo e divulgação” dando “especial atenção aos registos da origem dos animais utilizados para fins experimentais, aquando das visitas de controlo realizadas a unidades de ensino”. Serão igualmente “reforçados os controlos dos centros de recolha oficiais, nomeadamente no que se refere ao destino dado aos animais aí recolhidos”. A cedência de animais vivos ao Hospital Veterinário da Universidade para “servirem de cobaias em aulas práticas do curso de medicina veterinária” foi denunciada no decurso de uma manifestação realizada em Évora contra o “abate indiscriminado” de animais no canil ordenado pelo veterinário municipal, Flor Ferreira. O presidente da autarquia ordenou na altura a abertura de um inquérito para apurar as condições de funcionamento do canil, cujas conclusões ainda não são conhecidas.


9 Regional Saúde

Montemor recolhe milhares de assinaturas contra cortes no transporte de doentes Pedro Gama | Registo

Pedro Gama | Registo Um abaixo-assinado contra o corte nas credenciais de transporte de doentes não urgentes já recolheu cerca de 4 mil assinaturas, só em Montemor-o-Novo. O objectivo é levar novamente o assunto à Assembleia da República. E evitar a concretização da medida anunciada pelo Ministério da Saúde. Para além dos utentes do Serviço Nacional de Saúde, a medida é também criticada por autarcas e bombeiros, segundo os quais alguns utentes, “sem recursos económicos, irão deixar de ir às consultas e tratamentos”. O problema agrava-se pelo facto de ser através destes transportes pagos pelo Estado que advêm muitos dos rendimentos de cada associação de bombeiros. Em causa está um despacho do secretário de Estado da Saúde que instituiu a obrigatoriedade de os doentes não urgentes que necessitem de transporte comprovarem a sua situação económica para ter direito a este serviço de forma gratuita. À Comissão de Utentes dos Serviços Públicos de Montemor-oNovo (CUSPMN) chegam, a cada dia que passa, novos relatos de histórias de doentes que se vêem privados do transporte para tratamentos de saúde em Lisboa, Setúbal ou Évora. “É uma decisão que está a atingir a população mais idosa, mas não só e também aqueles que têm fracos rendimentos. São idosos que têm as reformas mínimas, que têm, por exemplo, uma consulta em Lisboa, com um transporte que custa, em média, à volta de 120 euros. Como é que poderão pagar isso com reforma na ordem dos 300 euros? As pessoas não estão sequer a ir ao médico. Simplesmente não vão ao médico nem aos tratamentos”, diz Sandra Matias, representante do CUSPMN. Com mais uma acção de protesto marcada para o próximo dia 1 de Março junto à Administração Regional de Saúde do Alentejo, Sandra Matias diz esperar que estas iniciativas façam “recuar” o Governo, já que se assim não for, há “pessoas que vão morrer mais depressa”. Para o presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo, Carlos Pinto Sá, trata-se de uma situação “em que as orientações para poupar dinheiro se estão a traduzir em termos práticos, em piorar de forma drástica a saúde de um conjunto vasto de pessoas. É absolutamente inaceitável”. Segundo o autarca, apenas critérios “economicistas” podem explicar o corte nas credenciais para transporte de doentes: “Se um doente hemodialisado se vê

obrigado a ir no seu carro pessoal a Lisboa porque não lhe dão uma credencial, estamos a falar, simplesmente, de um critério economicista. Não há outra explicação”. “Este é um problema político e tem de ser resolvido do ponto de vista político”, realça o autarca. Na área da saúde esta não é a primeira luta da autarquia montemorense que já viu o governo recuar, há cerca de 4 anos, na decisão de “acabar” com serviço de apoio permanente (SAP) no Centro de Saúde local, tendo sido encerradas na altura cinco extensões rurais. Neste caso o autarca considera que “nem sequer se trata” de uma medida destinada a poupar dinheiro: “Há o exemplo de São Geraldo em que o médico passa à porta do posto médico, totalmente equipado, não pára porque não o deixam parar e segue para o Ciborro. A população vai atrás para ter consulta”.

Carlos Pinto de Sá e Sandra Matias criticam “economicismo” do despacho do secretário de Estado da Saúde que restringiu o apoio ao transporte de doentes.

Bombeiros apreensivos quanto ao futuro estudam alternativa Com 21 operacionais a tempo inteiro, 20 ambulâncias ao serviço e com obras a decorrer no valor 1,7 milhões de euros, os bombeiros de Montemor-oNovo dizem-se “apreensivos” quanto ao futuro, caso se mantenham os cortes no transporte de doentes. Como já aconteceu em diversas corporações, Carlos Bucha, presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Montemor-o-Novo, teme que tenha de vir a vender ambulâncias e despedir pessoal para conseguir suportar as despesas da associação. Antes de chegar a esse ponto, espera que o Governo recue na sua decisão. Carlos Bucha mostra-se contra medidas mais drásticas, como a realização de uma greve dos bombeiros em todo o país. Mas não deixa de concordar que, caso isso acontecesse, o País “iria sentir e bem” a falta deste tipo de resposta: “Os bombeiros são, acima de tudo, soldados da

Paz, da concórdia e do auxílio às populações e é isso que queremos fazer”. A situação dos bombeiros preocupa também a autarquia local. “É evidente que esse é um problema adicional que põe em causa o próprio equilíbrio emocional e económico dos bombeiros”, diz o presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo, Carlos Pinto de Sá, acrescentando que no concelho existem outras duas associações [Cabrela e Casa do Povo de Lavre] “que estão licenciadas, fizeram os investimentos necessários para assegurar o transporte de doentes e estão sem credenciais”. Despacho “irrevogável”

Já esta semana, durante uma reunião com o de Estado da Saúde, Óscar Gaspar, a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) concordou em elaborar e entregar ao Ministério da Saúde um regulamento com as especifici-

dades do seu serviço de transporte de doentes, que o diferencie dos demais operadores. No final do encontro, o presidente da LBP afirmou que o governante reconheceu as especificidades do serviço dos bombeiros no transporte de doentes e que, apesar de ter reiNÚmero

30

%

<Os bombeiros registaram uma redução superior a 30% nas requisições de transporte de doentes não urgentes no mês de Janeiro, em comparação com o ano anterior.>

terado o “carácter irrevogável do despacho”, admitiu a necessidade de tornar específica a missão dos bombeiros neste domínio. “Deste modo, manifestou disponibilidade para que apresentássemos um regulamento próprio específico do transporte de doentes realizado pelos bombeiros, diferenciado dos demais operadores”. Quanto ao conteúdo desse documento, Duarte Caldeira afirma que o mesmo vai ser trabalhado no congresso, que se realiza no sábado, para ser entregue ao Governo na segundafeira. Especificamente sobre o transporte de doentes e a necessidade de estarem preenchidos os requisitos de prescrição clínica e de insuficiência económica dos utentes, Duarte Caldeira sublinhou que os bombeiros não são entidade fiscalizadora, pelo que está posto de parte solicitarem qualquer comprovativo de rendimento.


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Regional Ambiente

12 Um olhar antropológico As sociedades e os seus estados José Rodrigues dos Santos* Antropólogo

As grandes filosofias políticas ocidentais preocuparam-se com a relação entre as sociedades contemporâneas e os seus estados, desde que a instituição “Estado” adquiriu, há dois séculos, a maior parte dos traços que caracterizam os “estadosnação” actuais: monopólio da força armada organizada, do direito de legislar, da justiça. Mas o crescimento da instituição “estado” foi muito além destas funções básicas. A invasão da vida social pelo estado, que se desenvolveu como um fenómeno imparável, torna difícil decidir se o “Estado” pertence à sociedade ou se é a sociedade que é pertença, “propriedade” do estado. Os nossos tempos assistem a um duplo movimento, aparentemente contraditório: por um lado, numerosas sociedades lutam pela construção de estados independentes, separando-se das sociedades de que antes dependiam. Onde as coisas correm bem, referendos permitem decidir: independência do sul do Sudão, sucesso no Kosovo. Noutros casos, é impossível organizar tais referendos (Córsega, País Basco, Catalunha). Por outro lado, as sociedades organizadas em estados independentes encontram cada vez mais dificuldades em controlar o monstro “Leviatã” em que os seus estados se tornaram, ao ver a sua capacidade de controlo sobre todos os aspectos da vida dos cidadãos levada a graus antes inimagináveis. Uma profunda contradição opõe hoje o “Estado” à “sociedade civil”, termo cujo crescente sucesso é só por si um indício. Aspirámos (e aspiramos) à democracia, ao direito de voto, à liberdade de expressão: mas estes direitos revelam ser insuficientes para garantir um verdadeiro controlo dos “estados” pelos cidadãos. Em inúmeros domínios, as opções dos governantes (eleitos) contradizem a vontade dos seus eleitores; o direito à plena informação esbarra com os “Segredos de Estado”; as opções desejadas pelos cidadãos, com a “razão de Estado”. Como é possível que, havendo eleições livres e democráticas, o “sistema”, como diria Habermas, se afaste a esse ponto da sociedade, mais, entre em contradição tantas vezes frontal com ela? Ao ser “colonizado” por interesses particulares, o Estado comporta-se como um sistema com interesses próprios e defende-se contra a intrusão do cidadão comum. Novo pensamento político, precisa-se. CIDEHUS - Universidade de Évora e Academia Militar jsantos@uevora.pt

Évora separa 1 713 toneladas de lixo A população do concelho de Évora, consciente da importância da reciclagem para a preservação do meio-ambiente, tem vindo a adoptar comportamentos cada vez mais consentâneos com este desígnio, e em 2010 separou 1 713 toneladas de lixo. Segundo os dados mais recentes da empresa Gesamb – Gestão Ambiental e de Resíduos, EM, disponibilizados no sítio da Internet, Évora, no ano passado, separou 607 toneladas de vidro, 791 toneladas de papel/cartão e 315 toneladas de plástico/metal. Com este comportamento, os munícipes eborenses contribuem decisivamente para a melhoria da qualidade de vida de todos, constituindo um excelente exemplo de cidadania e de respeito para com o espaço público. Para a obtenção destes resultados não é alheio o esforço da edilidade, nomeadamente ao nível das diversas campanhas que se promovem, junto da comunidade escolar e população em geral, sendo a mais

recente, “O Natal Limpo”, em que se recuperou 104 toneladas de papel/ cartão. Ainda segundo os dados da Gesamb, em termos globais (12 municípios -Alandroal, Arraiolos Borba, Estremoz, Évora, Montemor-o-Novo, Mora, Mourão, Redondo, Reguengos de Monsaraz, Vendas Novas e Vila Viçosa), desde a sua entrada em funcionamento, em Janeiro de 2004, tem-se verificado, ano após ano, um aumento na quantidade e qua l idade dos r e s í du o s recicláveis recol h idos nos ecopontos. N o ano de 2010, ob-

servou-se, pela primeira vez, um decréscimo de 6,5% na recolha selectiva de embalagem de vidro em relação a 2009, situação verificada em praticamente todo o território nacional, que poderá estar associada ao decréscimo de consumo. No que diz respeito a recolha selectiva de embalagens de plástico e metal e ao papel/cartão, não se verificaram alterações significativas de 2009, para 2010.

Meditação para Grávidas Isabel Leal Escritora

“Cada criança que nasce é a prova que Deus não desistiu dos seres humanos”, Rabindranath Tagore. Cada Ser tem nasce marcado de características que o tornam único no mundo. O planeta Terra é um Ser lindo que visto do espaço não é igual a mais nenhum deste sistema solar. É um planeta sagrado como tudo o que vem de Deus, tem vida e um plano a seguir. Todos nós amamos as crianças. O sorriso e a movimentação graciosa de uma criança sempre nos transportam para um reino mágico. Muita desta magia é perdida ao longo do crescimento. Decidir ter uma criança é uma enorme responsabilidade material mas também espiritual. Cada alma nasce numa família com um proposito. As crianças nascem puras, sem manias, sem bloqueios. Compete aos pais saber ouvir e perceber que a criança necessita de parâmetros e de ser escutada. Desde o momento que a mulher sabe que está grávida que começa uma relação que deve ser cuidada e estimada em todas as suas vertentes.

Diria até, desde o momento que o casal decide ter uma criança ou sabe que a gravidez é um facto que esta relação deve estar imediatamente presente. Sabendo que somos uma alma é mais fácil perceber que mesmo com o corpo físico em formação na barriga da mãe o Ser já está a registar, a ouvir tudo o que se passa a sua volta. A primeira infância é o período de mais intensa formação da alma da criança. As aulas de meditação a grávidas e seus maridos são dadas em países como os EUA há décadas. São ensinadas técnicas de postura, respiração e paz interior que colocam a futura mãe em contacto consigo, em união com o pai da criança e ambos em sintonia com a criança ainda em estado de alma. Famílias com este tipo de preparação sabem que o parto será um momento mais tranquilo e seguro. Os primeiros meses da vida da criança normalmente agitados porque o bebé é exigente, com poucas horas de sono e sobretudo pouco tempo para o casal e para cada um deles individualmente, são meses de grande

stress e zonas temporais onde ocorre muitas vezes descoordenação, desentendimentos e em alguns casos separações. Famílias que abraçam a técnica da meditação têm uma ligação energética mais forte e mais eficaz para ultrapassar todos os momentos de tenção. O bebé sente esta paz e harmonia que vem dos pais. A casa e o ambiente familiar, o mundo da criança não é assim muito diferente do ambiente vivido por 9 meses na barriga da mãe. A saúde, o sistema imunológico, o equilíbrio e tranquilidade são denominadores comuns para uma gestação saudável, um parto ameno e o desenvolvimento da criança sustentado, criativo e harmonioso. Livros recomendados: Meditação, alimento para a alma – Elizabeth Clare Prophet – Ed. Summit Cem promessas o meu bebé – Mallika Chopra – Ed. Pergaminho Como ser uma supermamã – Lorraine Thomas – Ed. Arte Plural www.criancasdeumnovomundo.com

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CLÍNICA DENTÁRIA

F. ALBERTO GUERRA, LDA. - CIRURGIA ORAL - ORTODONTIA ACORDOS / PROTOCOLOS: - Regime livre ADSE - Legado Caixeiro Alentejano - Rodoviária do Alentejo

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11 Actual Foto | Arquivo

Promoção

Turismo do Alentejo anuncia iniciativas

Redacção | Registo

Ceia da SIlva, presidente da Entidade Regional Turismo do Alentejo PUB

A Turismo do Alentejo vai desenvolver novas iniciativas estratégicas para a dinamização do turismo cultural e para o reforço da promoção no mercado interno. O objectivo é consolidar a tendência de crescimento registada nos últimos dois anos. Em 2010, o Alentejo conseguiu o melhor ano turístico de sempre, registando uma subida no número de dormidas de 6,7 por cento comparativamente com o ano anterior, apesar da crise económica e financeira. De acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o número de dormidas nas unidades hoteleiras do Alentejo ascendeu o ano passado a 1,17 milhões. Quanto aos proveitos, a região teve um crescimento de 5%. Estes resultados “são inéditos” porque “ter dois anos consecutivos como os melhores anos turísticos de sempre é muito

importante para o turismo da região e para a afirmação de um destino de qualidade e excelência”, diz Ceia da Silva, destacando que o bom desempenho demonstra que a estratégia da entidade regional de turismo “tem resultado”, nomeadamente através das acções promocionais “No Alentejo há mais” e “Alentejo, tem tempo para ser feliz”. “Não ficamos adormecidos com os resultados obtidos. Esta-

Arronches inaugura hotel O município de Arronches inaugurou um hotel rural com 29 quartos, num investimento de 2,5 milhões de euros. O Hotel Rural de Santo António criou 10 postos de trabalho e ocupa uma área superior a 3 mil metros quadrados, numa propriedade da autarquia.

mos conscientes que temos de lutar para conseguir manter os dados que conseguimos atingir nestes dois anos, o que é difícil”. Entra as acções previstas para este ano destacam-se o congresso internacional “Alentejo: Património do Tempo”, agendado para dias 15 e 16 de Abril em Portalegre, e o lançamento da campanha promocional “Turismo Sénior”. “O Alentejo, enquanto destino turístico de excelência, tem como desafio principal o reforço e a consolidação do seu desempenho turístico no panorama nacional. Mais do que acções de marketing e de promoção, temos vindo a preparar e a dotar a Região de alicerces que posicionam o Alentejo como um caso de sucesso no turismo em Portugal”, acrescenta Ceia da Silva. Para reforçar a promoção turística será ainda desenvolvida uma campanha dirigida aos “seniores”, assente na diversidade de oferta.


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24 Fevereiro ‘11

Actual

Parques de Natureza

Luís Maneta | Registo Crocodilos do Nilo, girafas, tigres, piranhas-vermelhas, rãs venenosas e até uma anaconda proveniente da bacia amazónica … no Alentejo “profundo” não faltam animais selvagens à espera de uma visita. Inaugurado há 11 anos numa área de 90 hectares em Vila Nova de Santo André, o Badoca Safari Park é visitado anualmente por cerca de 110 mil pessoas e conta hoje com 300 animais selvagens. Entre os mais recentes incluemse duas crias de girafa com cerca de um ano e meio de idade, chegadas em Junho de Zlin Zoo, um parque congénere da República Checa. Pela herdade já andava um macho, que agora passa a ter companhia. “O nosso objectivo é aumentar as colecções de animais e promover a diversidade genética, através da aposta em animais da mesma espécie mas de diferentes origens”, diz Margarida Brás, relações pública do Badoca. “Impulsionar a reprodução das espécies é outra das prioridades, sendo uma das vias através das quais concretizamos a nossa missão de conservação e preservação de espécies”.

Mais infeliz foi a história de Abril, a primeira cria de chimpanzé nascida no Alentejo. Rejeitada pela mãe e tratada com indiferença pelo pai – dois animais vítimas de tráfico e maustratos que foram apreendidos pela GNR no Norte do país e levados para o Badoca – a macaquinha foi encontrada por um tratador e recolhida pela equipa de veterinários mas, apesar de todos os esforços, acabaria por morrer. Para além do safari, o parque tem outros atractivos como o parque dos primatas ou um “rafting” africano a bordo de um barco pneumático que percorre 500 metros em águas turbulentas. Entre as novidades deste ano incluem-se duas crias de arara amarela e azul, as últimas que nasceram na herdade e apresentam um “excelente desenvolvimento” graças ao “bom acompanhamento dos progenitores, que alimentam e cuidam das crias com um forte sentido de protecção, dificultando mesmo a aproximação dos tratadores nos primeiros dias”. Quando chegaram ao Monte Selvagem – parque que abriu portas em Maio de 2004 num montado tipicamente alente-

jano de sobreiros e azinheiras próximo de Lavre, Montemor-o-Novo – em pleno inverno de 2010, os cinco Crocodilos do Nilo, com mais de cinco metros de comprimento, mal se mexiam. “Durante o Inverno estão em semi-hibernação pois como são répteis precisam de temperaturas quentes”, diz Diogo Pinto Gouveia, director técnico do Monte Selvagem. A chegada do calor, pôs os crocodilos em movimento, transformando-os nas “novas estrelas” do parque. À espera dos visitantes, em cerca de 20 hectares, estão 450 animais de 80 espécies, entre as quais se inclui outra novidade: duas suricatas originárias do deserto do Kalahari e que escolhem os troncos mais altos para ter uma visão segura sobre o terreno que as rodeia. Também os macacos-rabo-de-porco, uma espécie que a caça ilegal colocou à beira da extinção, dificilmente escapam ao olhar atento dos visitantes. “Queremos contribuir para a preservação da biodiversidade e nos momentos de lazer que as crianças das escolas e as famílias aqui passam tentamos que sintam a maravilha que é a na-

tureza para terem vontade de a proteger”, refere Ana Paula Santos, directora-geral do parque, cujos animais são provenientes de outros zoos ou encaminhados pelos serviços de protecção da natureza. Ali bem próximo fica o Fluviário de Mora, considerado o melhor museu de 2008 pela Associação Portuguesa de Museologia e que este ano assinala o seu terceiro aniversário. Um casal de lontras asiáticas (o macho apelidado de Ronaldo e a fêmea de Mariza) faz as delícias da criançada, mas por entre os 500 peixes de 55 espécies diferentes, algumas delas em risco de extinção, há muito mais para ver. Por exemplo: piranhas e anacondas oriundas do Bra-

sil, uma enguiadinossauro dos grandes lagos africanos, ou o esturjão, uma espécie já desaparecida dos rios portugueses. No primeiro grande aquário de água doce da Europa, os visitantes são ainda convidados a desvendar a fauna e flora de um rio entre a nascente e a foz. No Fluviário, férias e fins-de-semana São aproveitados para actividades como visitas nocturnas (“Lusco-Fusco no Fluviário), sessões de histórias para “estimular a imaginação” das crianças e visitas aos bastidores, o “mundo secreto” por detrás dos aquários.


13 Actual

Fluviário

Monte Selvagem

Badoca Parque

Situado no Parque Ecológico do Gameiro, o Fluviário é “habitado” por mais de 500 peixes de 55 espécies diferentes, tendo resultado de um investimento superior a 6 milhões de euros e de uma parceria entre o município de Mora, proprietário do equipamento, e o Oceanário de Lisboa. Restaurante, galeria multimédia, sala de exposições temporárias, biblioteca e laboratório são outras das valências do equipamento. Animais: Lontras, esturjões, saramugos, pirapitingas, piranhas, anaconda, enguia-dinossauro, peixes-gato, entre outros.

No Monte Selvagem, situado em Lavre, Montemor-o-Novo, existem cerca de 300 animais distribuídos por entre 70 espécies selvagens e domésticas que encontram refúgio num montado típico alentejano. Um destino onde crianças e adultos podem observar vários animais em semi-liberdade, aprendendo mais sobre o ambiente. Bares e esplanadas, parque de merendas e áreas para festas são outras valências. Animais: Crocodilos do Nilo, jibóias, camelos, macacos, cangurus, guaxinis, iaques, tartarugas, zebras, watussis, são alguns dos animais a visitar.

Criado em 1999, o Badoca Safari Park é um parque natural com uma área de 90 hectares localizado entre Santiago do Cacém e Sines, que assumiu como objectivo “a conservação e preservação das espécies” e a sensibilização ambiental. O safari proporciona a crianças e adultos uma oportunidade única de observar de perto animais selvagens. Outras valências são a ilha dos primatas, o “rafting” africano, restaurantes e parque de merendas. Animais: Zebras, girafas, orixes, gnus, lémures, flamingos, tucanos, chimpanzés, babuínos, papagaios, turacos, cacatuas, entre outros.

Girafas no litoral A temporada de 2011 promete mais diversão e novidades pelo litoral alentejano, onde poderá conhecer os mais recentes habitantes do Badoca: uma família de três girafas (Giraffa camelopardalis rothschildi) que veio juntar-se ao antigo residente da espécie, o BadoKas. A nova família chegou do Zlin Zoo, na República Checa, e é composta por duas fêmeas e um macho, todas as crias entre dois anos e dois anos e meio. Começando pelo Safari, os visitantes terão a oportunidade de conhecer num só dia cerca de 500 animais selvagens de 45 espécies. A Ilha dos Primatas, onde é recriado o habitat natural destes mamíferos, é também um ponto de visita obrigatório. Para quem não resistir mesmo a brincar com os animais, poderá participar na alimentação dos Lémures, interagindo com estes simpáticos primatas em vias de extinção, que no estado selvagem apenas existem em Madagáscar.

Farmville selvagem em Mora Após três meses de “hibernação”, para manutenção das suas estruturas e protecção de algumas espécies, o Monte Selvagem promete para 2011 novos actividades pedagógicas, novos divertimentos, novos animais acolhidos por questões de bem-estar, uma nova sala de tratamentos veterinários, uma nova cozinha de preparação de alimentos para animais, mais joguetes e nova sinalética didáctica. Mais de 4 mil crianças de dezenas de escolas já marcaram este ano visitas ao espaço, cujas estrelas continuam a ser os crocodilos do Nilo entre mais de 400 animais de 75 espécies diferentes que aguardam os visitantes nos 20 hectares do parque. Além dos animais, do trampolim gigante familiar, das casas nas árvores, dos escorregas, dos baloiços e dos passeios de tractor pela herdade, há programas pedagógicos preparados a cada ano. Independentemente da sua imagem de lazer, o parque tem como objectivo principal a recolha e aloja-

mento de animais selvagens e a educação ambiental, através do contacto directo com a Natureza. Desde que abriu, em Maio de 2004, o Monte Selvagem já recebeu mais de 400 mil visitantes, a maioria crianças em grupos escolares e famílias. Sedeado em Montemor-o-Novo, freguesia do Lavre, o parque é um dos destinos turísticos mais procurados na região, detendo uma média anual de mais de 60 mil visitantes, durante os nove meses em que está aberto ao ano. Entre as diferentes espécies recolhidas neste espaço contam-se uma família de Macacos de Tarrafe e uma família de Macacos-rabo-de-porco – resgatada na Holanda pelo AAP (Santuário Europeu de Animais Exóticos). O Monte Selvagem aloja também cangurus, zebras, iaques, iguanas, crocodilos, lémures, jibóias, macacos, entre muitos outros, além de uma quinta de qnimais domésticos onde todos podem entrar e contactar directamente com os

“residentes”. Uma verdadeira farmville ao vivo! Integrado num montado de sobreiros e azinheiras, o espaço inclui uma área com 5 ha de visita pedestre com equipamentos de entretenimento para adultos e crianças e uma zona ampla de 12 ha para um passeio de tractor onde o visitante é guiado até junto de algumas espécies de mamíferos e de aves corredoras que vivem em liberdade. O Monte Selvagem possui um projecto educacional que estimula o gosto pela aprendizagem e o respeito pelo ambiente, pelos animais e pela flora circundante. Neste sentido, destacam-se no campo da educação, exemplos como a manutenção dos animais e das plantas em condições de bem-estar, o apoio a estágios e a trabalhos universitários, registos actualizados, gestão racional de recursos e redução de desperdícios, incentivo á separação do lixo e participação em projectos de conservação da vida selvagem.


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Economia & Negócios

BTL

Municípios promovem turismo Redacção | Registo Diversos municípios alentejanos aproveitam a Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), a decorrer até 27 de Fevereiro, para promover as suas potencialidades turísticas. Reguengos de Monsaraz, Montemor-o-Novo e Avis, por exemplo, não deixam escapar a oportunidade de se mostrar naquele que é considerado o maior certame do sector turístico no nosso País. Presente pelo quinto ano consecutivo na BTL, Reguengos de Monsaraz tem a sua promoção integrada no stand da Turismo do Alentejo, que dispõe de um balcão para o pólo de turismo “Terras do Grande Lago”. Assim, na sexta-feira, dia 25 de Fevereiro, a Olaria Bulhão fará demonstrações de pintura de peças de artesanato do Centro Oleiro de São Pedro do Corval, considerado o maior do país, enquanto no sábado a mostra estará a cargo da Olaria Carrilho Lopes. Durante a tarde de sexta-feira haverá também uma prova de vinhos da CARMIM. “É muito importante apostar na promoção turística do conce-

lho, pelo que nos últimos anos temos estado presentes nos principais certames do sector na Península Ibérica, como a BTL e a Feira Internacional de Turismo de Madrid, entre outras, pois são espaços de eleição para os profissionais ligados à área do turismo e são visitados por centenas de milhar de pessoas”, reconhece José Calixto, presidente da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz. O autarca diz ser “essencial identificar e captar novos turistas, mantendo contacto com aqueles que já conhecem o destino Reguengos de Monsaraz e a quem podemos apresentar novas propostas, identificando hábitos, comportamentos e necessidades deste target consumidor”. Montemor oferece “vouchers”

Para Montemor-o-Novo será já a sétima participação na BTL para “divulgar turisticamente o município, promover os produtos, os recursos e as entidades turísticas do concelho e desenvolver o relacionamento com outras

entidades nacionais e internacionais” presentes no evento. “Por experiência dos anos anteriores sabemos que os visitantes que passaram por esta feira de carácter internacional, demonstraram interesse pela oferta turística do concelho e por novas oportunidades que o Alentejo, em particular Montemor, tem para oferecer dado

Empresas lançam ”escapadinha“ O Monte Selvagem, o Évora Hotel, o Fluviário de Mora e a Amieira Marina desenvolveram um pacote de fim-de-semana no Alentejo, apresentado na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL). Denominado “Então vá! Em busca do Alentejo!”, o produto destina-se a particulares e a grupos, sendo comercializado pela empresa Férias Alentejanas, e visa potenciar o número de visitantes naqueles espaços através de um programa integrado com oferta diferenciada no Alentejo.

as condições geográficas privilegiadas em que nos encontramos”, refere fonte da autarquia, recordando que a feira é visitada pelo público em geral e também pelos profissionais do turismo Montemor-o-Novo estará presente no Pavilhão 2 com um “espaço dinâmico, funcional e apelativo”. Para além de informação, os visitantes podem ganhar excelentes ofertas, concretizadas através de “vouchers” em alojamento, restauração e produtos. “Em Montemor o turismo pode ser o fio condutor de todo um processo de desenvolvimento sustentado, assente pela crescente aposta cultural, das tradições, das actividades económicas, do património histórico, cultural, natural, gastronómico e, sobretudo, pela hospitalidade, o que leva o turista a sentir-se integrado no concelho que visita”, refere a mesma fonte,. Natureza em Avis

Já o concelho de Avis volta a estar representado na BTL para promover o turismo de natureza.

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Évora Hotel – Mais um aniversário Dia 17 de Fevereiro festejámos mais um aniversário do Évora Hotel. Tem sido uma fonte de enorme satisfação poder contar com os amigos, famílias, parceiros de negócio e todos aqueles que nos apoiam nos projectos, ao longo destes anos. Encaramos este desafio com alegria. Todos os dias sorrimos, e só assim achamos que vale a pena continuar. A nossa missão é prestar o melhor serviço a quem nos visita, indo ao encontro das expectativas de quem nos escolhe. Um bem-haja!

Tal como sucedeu na Nauticampo, realizada no início de Fevereiro, o Parque de Campismo da Albufeira do Maranhão estará integrado no espaço do Roteiro Campista – Guia de Parques de Campismo, que reúne diversos empreendimentos congéneres para dar a conhecer aos adeptos do campismo e do caravanismo, a oferta nacional deste sector. “A BTL pode definir-se como um evento agregador de uma oferta turística à escala mundial que, num único espaço reúne os principais agentes para dar a conhecer a profissionais e ao público em geral as melhores oportunidades de negócio”, assinala a autarquia. Na BTL, o Parque de Campismo irá proceder ao sorteio de um fim-de-semana para duas pessoas num dos seus apartamentos entre os visitantes do stand. Os visitantes apenas têm que preencher um cupão para se habilitarem a este prémio que no início do mês conferiu a Paulina Simões, da Amadora, o direito a uma “escapadinha” de duas noites neste acolhedor empreendimento.


15 Economia & Negócios D.R.

Agricultura

Produtores de milho querem “ideias claras” para o Alqueva O presidente da Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sogro (ANPROMIS), Luís Vasconcellos e Souza, diz que 2011 poderá constituir um ano de oportunidades para o sector em virtude do regadio associado ao projecto de Alqueva. “Numa altura, em que vão surgindo em Portugal novas áreas de regadio, destacando-se de forma notória o perímetro de Alqueva, com solos de elevado potencial produtivo, importa criar condições para que o milho possa contribuir de forma significativa para o imprescindível aumento do nosso grau de auto-abastecimento em cereais e para o acréscimo do nosso Produto Agrícola Bruto”, defende o responsável. Perante a actual conjuntura económica, que acarreta uma subida no preço dos alimentos e uma dependência crescente do país face dos mercados externos, Luís Vasconcellos e Souza apelou a um maior apoio do Estado para que Portugal possa garanPUB

tir o seu auto-abastecimento e não produzir apenas um terço do milho que consome. “Numa altura em que o mercado mundial de cereais vive uma acentuada volatilidade de preços, importa cada país apoiar de forma decidida a sua agricultura mais competitiva. Em Portugal, a agricultura competitiva é, e será sempre, a de regadio”. Nos últimos 5 anos, semearam-se em média em Portugal

cerca de 190 mil hectares de milho, dos quais 135 mil hectares foram para grão e 55 mil para silagem, existindo cerca de 67 mil explorações. Luís Vasconcellos e Souza diz que o milho é, neste momento, uma cultura “muito interessante” para os produtores, já que os preços atingidos por este cereal constituem “uma oportunidade para ganhar dinheiro a sério”. A quebra acentuada dos pre-

Chuva afecta culturas A chuva intensa afectou o cultivo de cereais e impediu que se concretizasse a recuperação da área cerealífera que se esperava, face ao aumento dos preços nos mercados internacionais. As previsões agrícolas do Instituto Nacional de Estatística (INE), que se reportam a 31 de Janeiro, apontam para um decréscimo da superfície cerealífera, ao contrário do que se esperava, depois

de o ano passado ter havido uma das piores campanhas das últimas décadas. O INE salienta que o encharcamento dos terrenos impediu a realização das sementeiras e que as oscilações de temperatura afectaram negativamente as pastagens, levando a aumentar o consumo das forragens armazenadas, sobretudo para os bovinos.

ços na campanha de 2009/2010 125 euros a tonelada, cerca de 10 euros abaixo do “break even” (o custo da produção) – levou a que os produtores não semeassem, gerando uma quebra na produção que levou agora a uma subida “em flecha” dos preços, que estão na ordem dos 240 euros a tonelada. O presidente da ANPROMIS acrescenta que Portugal tem condições para fazer “milho competitivo”, apesar de estar a competir com países que pagam factores de produção (como electricidade e adubos) a preços mais baixos, que não têm que regar e com dimensão da propriedade muito superior. Sobre as potencialidades que se abrem com Alqueva, lamenta que a política se tenha “sobreposto” à questão técnica: “Alqueva é um projecto nacional que tem que ter ideias claras, sob pena de se ter investido dois mil milhões de euros e andar-se a discutir o que se faz com este investimento. Não faz sentido”.


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Economia & Negócios D.R.

Vinho

Holandeses investem na Vidigueira O Alentejo, mais precisamente no concelho da Vidigueira, foi a região escolhida pelo casal holandês, Inge e Cees de Bruin, para a criação de um projecto vitivinícola a que deram o nome Quinta do Quetzal. Desde a aquisição da propriedade, em 2002, o projecto tem vindo a evidenciar-se no mercado interno e externo com duas gamas de vinhos, Quinta do Quetzal e Guadalupe. Só em 2010 a quinta arrecadou 12 medalhas e menções honrosas, a maioria delas em concursos internacionais de renome. A última medalha de ouro chegou da Alemanha, atribuída ao vinho Quinta do Quetzal Reserva Tinto 2007. Considerado o maior concurso internacional em prova cega, homologado pela Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), o MUNDUSvini recebeu, para prova na edição de 2010, o incrível número de 5883 vinhos oriundos de 42 países. O júri internacional, composto por 285 especialistas em vinhos, de 49 nacionalidades diferentes, avaliou todos os néctares durante seis dias. “Os anfitriões são holandeses mas o projecto é bem português. Desde o início que temos o cuidado de transportar para os dias de hoje a história e a tradição dos vinhos alentejanos, aliando a estes uma equipa de trabalho multifacetada desde a viticultura à enologia que, com os investimentos dos proprietários, conseguem explorar o fantástico terroir da Quinta do Quetzal”, diz Rui Correia, responsável de marketing e vendas da Quinta do Quetzal. Na antiga propriedade outrora Herdade do Monte da Vargem, apenas foram deixados os talhões de vinha antiga com elevado potencial enológico. A restante vinha sofreu uma reconversão, onde optaram por plantar castas mais adequadas ao terroir da Quinta do Quetzal. Nos 40 hectares de vinha predominam hoje as castas Antão Vaz, Trincadeira, Alicante Bouschet, Aragonês, Roupeiro e Petit Syrah. Cabe aos enólogos José Portela e Rui Reguinga compor os famosos néctares Quinta do Quetzal que têm vindo a ser apreciados pelos mais importantes críticos internacionais. A par da paixão pela cultura e pelos vinhos portugueses de Inge e Cees de Bruin está também a paixão pela arte. O casal ergueu na Quinta do Quetzal uma moderna adega, cujo projecto arquitectónico foi inspirado na história da vizinha Vila Romana de S. Cucufate.

Troço entre Poceirão e Caia

Tribunal de Contas decide TGV em Março

Redacção | Registo O Tribunal de Contas (TC) já recebeu a nova versão do contrato de alta velocidade ferroviária respeitante à construção e exploração do troço entre Poceirão e Caia, tendo agora 30 dias úteis para apreciar os termos do contrato e conceder ou rejeitar o visto prévio. Sem visto do TC as obras não podem avançar. A versão reformulada do contrato assinado entre o Estado e o consórcio Elos (liderado pela Soares da Costa e pela Brisa) foi apresentada em meados de Fevereiro. O troço de Alta Velocidade entre o Poceirão e Caia terá custos de 2,1 mil milhões de euros até 2050, segundo uma portaria publicada em Diário da República. O diploma estabelece os pagamentos para cada ano a partir de 2010, sendo que “as importâncias referidas no número anterior foram calculadas tendo por base uma estimativa de inflação de 2%, devendo as mesmas ser actualizadas anualmente”. Estes encargos serão suportados pelo Orçamento do Estado pela disponibilidade da infra-estrutura. Segundo o diploma, 2022 e 2023 serão os aos em que o Estado irá pagar mais , com 96 e 94 milhões de euros respectivamente. A concessão começa a pagar IVA a partir de 2014. O troço é o primeiro em parceria público privada para a Alta Velocidade portuguesa e irá ligar

o Poceirão à fronteira espanhola em Caia, incluindo a construção da estação de Évora. Em Outubro, a Refer e a Rave decidiram retirar o pedido de visto prévio à concessão “na sequência de pedidos de esclarecimento formulados oportunamente pelo Tribunal de Contas em relação a aspectos particulares do contrato”. A deliberação acerca do visto prévio deve ser tomada em 30 dias, contados sem as interrupções para pedidos de esclarecimento. Os pedidos foram contínuos e, na véspera de terminar esse prazo, a Rave entendeu retirar o contrato antes de enfrentar uma recusa de visto. Na altura, nem o TC, nem a Rave adiantaram pormenores acerca das questões que estavam a levantar dúvidas aos peritos do TC.

Agora, algumas dessas dúvidas ficam mais claras.O Estado teve de retirar a garantia pessoal com que avalizou o pedido de empréstimo de 300 milhões de euros que a concessionária efectuou junto do Banco Europeu de Investimentos - garantia essa que foi despachada por Carlos Costa Pina a 7 de Maio, na véspera da assinatura do contrato de concessão. Essa garantia terá, agora, de ser suportada, segundo o fonte do Governo, por um sindicato bancário. Uma outra alteração que necessitou de ser introduzida foi a eliminação do “anexo referente ao acordo relativo aos efeitos da variação do indexante da taxa de juro”. Tal como os contratos das subconcessões rodoviárias da Estradas de Portugal, desde que foram apresentadas as pro-

CDS chama Oliveira Martins ao Parlamento O CDS-PP vai chamar ao Parlamento o presidente da comissão para reavaliar as parcerias público-privadas e o TGV, Guilherme d’Oliveira Martins (que preside igualmente ao Tribunal de Contas). “Há nesta matéria um fingimento. Oficialmente, diz-se que o TGV está em reavaliação e depois na prática, nas portarias, nos despachos e nos contratos, o TGV está a avançar a grande velocidade”, diz Paulo Portas.

O líder do CDS diz que as obras “nunca ficarão abaixo dos dez mil milhões de euros”, num país com uma dívida pública que ultrapassa “os 150 mil milhões de euros” e que tem “todas as luzes encarnadas acesas contra si” por causa da dívida. Portas lembrou que “quando negociaram o Orçamento” o PSD e o Governo acordaram em constituir uma comissão para reavaliar as parcerias públicoprivadas, incluindo o TGV.

postas iniciais e até que foram aceites as propostas finais, as condições financeiras do mercado agravaram-se muito. O mais recente avanço no projecto foi o lançamento, a 28 de Dezembro, do concurso para o projecto da estação internacional de Elvas/Badajoz. O concurso, com um preço-base de 7,5 milhões de euros, está a decorrer e a despertar o interesse das principais empresas ibéricas de consultoria de engenharia, que têm até dia 16 de Março para apresentar as respectivas propostas. Portugal recebe fundos Três projetos portugueses foram selecionados para receberem fundos comunitários ao abrigo da rede transeuropeia de transportes, um dos quais de desenvolvimento do projecto ferroviário de alta velocidade (TGV),. O executivo comunitário indicou esta semana que, no quadro das subvenções atribuídas para 2010 para a construção e modernização de importantes infraestruturas de transportes na União Europeia, foram seleccionados 51 projectos, com a participação de 24 Estados-membros, e que receberão no total 170 milhões de euros. Entre eles encontram-se dois de 974.500 euros para estudos relativos ao desenvolvimento do programa do projecto de implementação da rede ferroviária de alta velocidade em Portugal.


17 Cultura Inscrições até 28 de Fevereiro

Évora promove concurso de bandas de garagem Redacção | Registo A Câmara Municipal de Évora e a Associação Académica da Universidade de Évora promovem mais uma edição do concurso de bandas do Mês da Juventude. O concurso visa proporcionar oportunidades aos jovens com talento na área musical, oferecendo a possibilidade de lançá-los no meio, estimular a formação e o trabalho desenvolvido pelas bandas de garagem e oferecer um evento caracterizado por diferentes estilos musicais aos jovens e à comunidade em geral. Podem concorrer todos os projectos colectivos ou individuais a nível nacional, que ainda não tenham sido alvo de qualquer contrato discográfico, ou não tenham sido vencedores (primeiro prémio) da anterior edição deste concurso. Para participar os interessados devem apresentar três temas. O tempo de duração total não pode exceder os vinte minutos. Os trabalhos apresentados devem ser acompanhados das respectivas letras dactilografadas,

referindo o nome dos autores das letras e das músicas juntamente com a ficha de inscrição que existe para o efeito. O período de inscrição e entrega de maquetas termina a dia 28 de Fevereiro, devendo ser preenchida a ficha de inscrição disponível nas páginas electrónicas das entidades organizadoras, acompanhada respectivamente de um pequeno historial e uma fotografia da banda. As bandas concorrentes, efectivas e suplentes, serão contactadas directamente pela Associação Académica e informadas sobre datas, horas e locais de actuação, a partir do dia 7 de Março. Os resultados estarão também disponíveis online a partir dessa data. O concurso terá lugar no dia 12 de Março de 2011, no Monte Alentejano. O primeiro prémio consiste na gravação de três temas, ficando o vencedor obrigado a apresentar o trabalho de gravação numa actuação organizada pela Câmara de Évora. Os três primeiros classificados serão convidados a actuar na Queima das Fitas e na Feira de São João.

Évora

Colecção fotográfica D.R.

Vencedor será convidado a actuar na Queima das Fitas

Retábulo no roteiro das grandes obras O Retábulo da Catedral de Évora, considerado o maior e um dos mais importantes conjuntos de pintura flamenga existentes em Portugal, deve ser “colocado no roteiro das grandes obras internacionais” do género. “É importante colocar o Retábulo de Évora no roteiro das grandes obras internacionais de pintura flamenga, já que é uma obra importantíssima e tem tido pouca divulgação”, defendeu Joaquim Oliveira Caetano, do Museu Nacional de Arte Antiga, durante o Congresso In-

ternacional “O Retábulo de Évora e a Pintura Flamenga do Sul da Europa”, que decorreu em Évora. “Durante os séculos XV e XVI, foram feitas outras encomendas do mesmo género, de países do sul da Europa, como Portugal, Espanha e Itália, a grandes oficinas de pintura da Europa, nomeadamente flamenga”. “É fundamental procurar um avanço de conhecimento sobre as relações artísticas no renascimento entre o Norte e Sul da Europa”, diz Joaquim Caetano,

revelando que “já existem alguns projectos de investigação que cruzam os conhecimentos do Retábulo de Évora com outros casos em Itália e em Espanha”. Encomendado pouco depois de 1495 pelo bispo D. Afonso de Portugal, o Retábulo da Catedral de Évora tem “uma dimensão enorme”, composto por 19 pinturas. “O retábulo não é assinado. Provavelmente, terá sido mais do que uma oficina de Bruges (Bélgica) a trabalhar no retábulo e é isso que gera interesse, co-

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nhecimento e discussão sobre a peça”, acrescentou. Considerando o maior e um dos mais importantes conjuntos de pintura flamenga existentes em Portugal, o Retábulo da Catedral de Évora foi incorporado no património do Estado em 1911, pertencendo, atualmente, às coleções do Museu de Évora. As pinturas que compõem o retábulo foram restauradas e estudadas pelo atual Instituto dos Museus e da Conservação (IMC) entre 2005 e 2008.

Já foi lançado o catálogo da exposição “A Colecção Fotográfica da Sociedade Harmonia Eborense”, patente no Museu de Évora até 10 de Março. A exposição surgiu a partir de uma selecção de fotografias do acervo fotográfico da Sociedade Harmonia Eborense, que foi depositado pela associação no Arquivo Fotográfico municipal, em Janeiro de 2010, que no âmbito desse acordo inventariou a colecção e procedeu ao seu tratamento e acondicionamento. Composta por 339 espécies, esta colecção inclui 154 provas a preto e branco, 61 provas a cor e 124 provas de albumina coladas sobre cartão. Algumas das imagens estavam datadas, podendo balizar-se a colecção entre finais do séc. XIX (1898?) e os anos 80/90 do século XX. Das imagens existentes, a maioria refere-se a eventos da vida social da Sociedade Harmonia Eborense, tais bailes, festas e exposições e um grande número de retratos de sócios e de artistas de teatro.

Ovibeja divulga cartaz A 28ª edição da Ovibeja já tem confirmado o principal cartaz de espectáculos. Xutos & Pontapés é a grande aposta para a noite de 7 de Maio, num convite aos públicos de todo o país para uma visita à maior feira agrícola portuguesa. Com a animação da primeira noite da feira, 4 de Maio, a cargo da irreverência de Tunas Académicas, o programa cultural da Ovibeja “brinda” ainda os visitantes com Expensive Soul (dia 5) e Buraca Som Sistema (6).


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Cultura Etnografia

Michel Giacometti Uma vida dedicada a recolher e a divulgar a música tradicional portuguesa. António Gavela | Sociólogo Foi recentemente editada a Filmografia completa do etnólogo Michel Giacometti que integra a série Povo que Canta, produzida pela RTP, entre 1970 e 1974, e inclui também outros dois filmes por ele realizados. Este facto suscitou um grande interesse junto de quem já conhecia a sua obra e também junto de muitos que praticamente desconheciam esta personagem que marcou a cultura portuguesa no século XX. Michel Giacometti nasceu na Córsega, França, em 1929, e desde a infância que teve contacto com outros países e outras culturas, nomeadamente no Norte de África, onde viveu com o tio que era funcionário colonial. Em 1948, em Paris, estudou música e arte dramática e, na Sorbonne, frequentou o curso de Letras e Etnografia que interrompeu para participar na greve contra a discriminação dos árabes em relação à sua participação na vida pública em Argel. Em 1956, com o objectivo de investigar as tradições populares de todas as ilhas mediterrânicas, organizou a Mission Méditerranée 56, que teve que abandonar por razões de saúde. É nesta altura que conhece a obra do compositor e musicólogo Kurt Schindler, Folk Music and Poetry of Spain and Portugal, e fica entusiasmado pelo trabalho que poderá fazer para salvar um “património único” que corre o risco de se perder. Michel Giacometti não perde tempo e, em 1959, vem para Portugal onde inicia o seu trabalho de recolha com as canções de Trás-os-Montes. Foi na sequência deste trabalho que, em finais de 1960, Giacometti criou os Arquivos Sonoros Portugueses, tendo convidado o compositor Fernando Lopes-Graça para colaborar neste projecto. Pode afirmar-se que a partir deste momento Michel Giacometti desenvolve um trabalho sistemático e rigoroso que tem

como linhas mestras a recolha, estudo e divulgação da música tradicional portuguesa. O trabalho realizado ultrapassa o domínio da música e integra também a recolha da cultura de raiz tradicional. Um trabalho feito com total empenhamento mas com grandes carências económicas face às quais Giacometti conseguiu sobreviver. A edição da Filmografia completa agora vinda a lume integra um conjunto valioso de depoimentos de musicólogos e personalidades que tiveram um contacto directo com Giacometti. Percebe-se nesses depoimentos que Michel Giacometti tinha uma estratégia no seu trabalho que passava pela valorização das formas de cultura que faziam parte da identidade da população das várias regiões do país. Essa valorização tinha no inquérito, que integrava o registo áudio, fotográfico e cinematográfico, um método moderno que era fundamental para que essas formas culturais e musicais identitárias constituíssem formas eficazes de resistência e luta contra o fascismo. Apenas como exemplo importa referir que o título da série televisiva Povo que Canta era o início de uma canção de resistência da guerra civil espanhola - “Povo que canta não pode morrer”. Estamos perante um trabalho de permanente militância que, a par do que está disperso e perdido, entre 1960 e 1983, realiza a publicação de várias colecções discográficas, num total de 24 discos, sendo de destacar a colecção da Antologia de Música Regional Portuguesa. Em 1962, Michel Giacometti foi autor do filme O Alar da Rede realizado por Manuel Ruas, com produção da Rádio Televisão Portuguesa. Para a salvaguarda da literatura oral, iniciou em 1965 a sua recolha sistemática, a par e passo com a recolha musical. Em 1975, dirigiu o Plano de Trabalho e Cultura, Recuperar a cultura popular portuguesa, di-

rigido aos estudantes do Serviço Cívico. Em 1981, com Fernando Lopes-Graça editou o Cancioneiro Popular Português, obra importante que integra canções e músicas instrumentais e pretende mostrar a multiplicidade dos géneros e estruturas musicais, na diversidade das características regionais. No Alentejo, Michel Giacometti realizou importantes recolhas como A Festa da Santa Cruz na Aldeia da Venda, Bonecos de Santo Aleixo e muita Polifonia Popular. Podemos afirmar que Giacometti demonstrou ao longo da sua vida que a sua principal qualidade foi a de ter amor ao trabalho que fazia e um amor sincero ao povo com quem partilhou grande parte da sua vida. Michel Giacometti veio a falecer em Novembro de 1990, tendo sido enterrado em Peroguarda a seu pedido. Nota: A propósito de Michel Giacometti realiza-se no próximo dia 26 de Fevereiro, às 18h30, no Convento dos Remédios, em Évora, a sessão “Conversas com música em torno da Viola Campaniça”, integrada na Exposição “Michel Giacometti 80 Anos 80 Imagens” (ver artigo nestas páginas).

Michel Giacometti tinha uma estratégia no seu trabalho que passava pela valorização das formas de cultura que faziam parte da identidade da população das várias regiões do país.

80 anos A Câmara Municipal de Évora prolongou até 26 de Fevereiro a apresentação da exposição “Michel Giacometti, 80 anos, 80 imagens” no Convento dos Remédios e organizou neste período um programa de actividades todas as sextas-feiras, às 18:30, que têm procurado levar-nos a descobrir e aprofundar mais o trabalho de Giacometti. No dia 25 de Fevereiro a sessão intitula-se “Andem cá que já vos contamos” e terá como convidados Ana Paula Guimarães (Directora do IELT), Luís Carmelo (investigador e contador de contos), Domingos Morais (membro do IELT e Professor na Escola Superior de Teatro e Cinema), Oriana Alves (editora da BOCA e membro do IELT) e José Barbieri (fundador do Memoriamedia e membro do IELT).

A maioria dos convidados são investigadores do IELT (Instituto de Estudos de Literatura Tradicional), instituto que reconhece na literatura tradicional/oral/popular como parte intrínseca do património imaterial e universal da humanidade, por excelência veículo de afirmação da identidade e de aproximação entre os povos (UNESCO, 1989). Nesta sessão será também apresentado o áudio livro “Anda cá que eu já te conto”, da autoria de Luís Carmelo com o apoio do IELT. A última sessão tem lugar no dia de encerramento, dia 26 de Fevereiro, e intitula-se “Conversas com música em torno da Viola Campaniça” e contará com a presença dos músicos Pedro Mestre (tocador e construtor de viola campaniça) e Manuel Bento (tocador


19 Cultura D.R.

80 imagens de viola campaniça), que irão proporcionar aos visitantes um momento musical neste último dia de exposição interpretando as suas modas, intercalando com breves conversas sobre as suas histórias e contextualizam as suas vivências com esta prática musical. Recorde-se que esta exposição consiste em mais uma iniciativa integrada no projecto Oralidades e foi cedida pelo Museu da Música Portuguesa - Casa Verdades de Faria, da Câmara Municipal de Cascais, e assinala a efeméride dos oitenta anos do nascimento do etnomusicólogo Michel Giacometti. Nela é apresentada uma selecção de 80 imagens que fazem parte da colecção fotográfica de Giacometti, que desenvolveu um trabalho de investigação, recolha e estudo da música tradicional em Por-

tugal. A exposição conta ainda com uma mostra de vários instrumentos musicais da tradição alentejana e exemplares dos tradicionais Bonecos de Santo Aleixo, entre outros objectos, que foram cedidos por diversas entidades e que contribuíram para o enriquecimento da exposição, pois trata-se de objectos que foram documentados por Michel Giacometti no seu trabalho de recolha no Alentejo. Procurou-se acrescentar deste modo à exposição as tradições musicais que continuam a estar presentes nos nossos dias e o que é feito hoje por pessoas e instituições, que preservam e divulgam este património, assumindo um papel que é em muito semelhante ao que Giacometti teve no Alentejo e no nosso país.

Missões pelo país A investigação de Michel Giacometti, as suas várias missões de prospecção realizadas em todo o país, durante trinta anos, a recolha sistemática da música tradicional, da literatura popular, a observação da vida do povo e a fixação da sua cultura de tradição oral nos mais diversos suportes (fitas magnéticas, filmes, fotografias, fichas de recolha) geraram diferentes colecções documentais, além de uma colecção de objectos etnográficos e outra de instrumentos musicais. Quando chegou a Portugal, encontrou um país rico de tradições seculares que já não se encontravam numa Europa industrializada e, segundo ele, “o lugar de síntese da Civilização Mediter-

rânea”, pelo que era urgente fixar estes documentos vivos que não tardariam a desaparecer. Esta decisão teve uma importância enorme na salvaguarda da cultura popular portuguesa, se pensarmos que se está perante um património imaterial de grande fragilidade e que na década de sessenta e setenta do século XX. Em Agosto de 1990, numa campanha em Peroguarda, o trabalho do etnomusicólogo foi acompanhado pelo jornalista Adelino Gomes, que fez a última reportagem sobre o seu trabalho. Giacometti dizia que a “primeira qualidade que um etnomusicólogo precisa de ter é o amor ao trabalho e o amor sincero ao povo”.

Arquivos sonoros Michel Giacometti criou os Arquivos Sonoros Portugueses em Dezembro de 1960 que pretendia virem a ser a origem de um autêntico museu que reunisse um grande número de ecos sonoros a serem postos à disposição dos investigadores, numa diversidade de ruídos, vozes e música. Portugal era um dos raríssimos países da Europa a não possuir uma antologia da sua música tradicional e um arquivo sonoro, pelo que este projecto era, em seu entender, o caminho para a sua salvaguarda. No seguimento da recusa da Comissão de Etnomusicologia da Fundação Calouste Gulbenkian em apoiar a sua proposta de investigação em Trás-os-Montes, Giacometti deu forma a um novo plano, bem estruturado e inovador, que previa a recolha, o estudo e a divulgação da música tradicional portuguesa. Teve do seu lado, nesta grande empresa, o compositor Fernando Lopes-Graça, que o apoiou ao longo de trinta anos. Os Arquivos Sonoros Portugueses constituíram-se como um centro de investigação, onde se preparavam as prospecções no terreno, se acolhia e tratava a documentação levantada e se preparavam, por fim, as edições discográficas. Apesar das dificuldades em obter apoios financeiros, o trabalho avançou e, como resultado, ficámos perante um dos mais importantes arquivos do género na Europa, representando 85% das recolhas realizadas por meios mecânicos, desde 1932, em Portugal. Estes registos sonoros integram a gravação de músicas, canções, poesia, teatro popular e entrevistas. O trabalho de campo era organizado exclusivamente por Giacometti, quer do ponto de vista científico, quer na preparação da logística para a sua concretização, com a angariação de fundos junto de várias entidades como empresas, associações culturais e Juntas Distritais. A preparação das edições contava com o trabalho de LopesGraça na análise, estudo e selecção dos espécimes musicais e nos textos que acompanham os discos. Entre 1960 e 1983, os Arquivos Sonoros publicaram várias colecções discográficas num total de 24 discos. O material fonográfico foi seleccionado em exclusivo a partir das recolhas feitas em todo o país. A divulgação era realizada por meio de um catálogo e a distribuição feita com recurso a um sistema de subscrições. Algumas edições tiveram o apoio de entidades como a Folkway Record de NY, Philips, Le Chant du Monde, Torralta, Círculo de Leitores, Câmaras Municipais e as antigas Juntas Distritais.


20 24 Fevereiro ‘11 Roteiro

TEATRO

MÚSICA

Santiago do Cacém “Scenas do Lar” 26 de Fevereiro | 21h30 Local: Auditório Municipal Alda Guerreiro é homenageada, em Santiago do Cacém, no espectáculo “Scenas do Lar”

Évora Jazz Local: Espaço Celeiros,Rua Eborim ,18 – Évora Todas as Terças os alunos do curso de Jazz da Universidade de Évora encontram-se no Espaço Celeiros para uma Jam em torno do Jazz.

Beja “Doroteia”

26 de Fevereiro | 21h30 Local: Auditório Municipal A encenação de “Doroteia” pela Companhia de Teatro na Educação no Baixo Alentejo, em cena no Auditório municipal de Beja Redondo “SOnho de uma noite de verão” 26 de Fevereiro | 18h30 Local: Auditório Municipal O grupo de teatro SOIRR-JAA apresenta uma encenação de William Shakespeare no Auditório

Évora Noites do Pézinho Maroto Quintas Feiras | 22h00 Local: Sede da She Às quintas, és tu quem põe música! Évora Combo de Jazz

Segundas-Feiras | 21h30

Local: Estrada do Bairro de Almeirim,Armazém 4 Combo de Jazz do Imaginário. Encontro semanal de músicos de vários instrumentos, com Diogo Picão. Montemor Banda CO2 7 de Março | 22h00 Local: Sociedade Carlista Organização: Sociedade Carlista

EXPOSIÇÃO Évora Colecção fotográfica da sociedade harmonia eborense 6 de Janeiro a 9 de Março Local: Museu A Sociedade Harmonia Eborense expõe um espólio fotográfico datado a partir dos finais do século XIX Avis “Pontos de vista” Fotografias de ricardo do calhau

Évora Concurso de Bandas 12 de Março O concurso visa proporcionar oportunidades aos jovens com talento na área musical, oferecendo a possibilidade de lançá-los no meio, estimular a formação e o trabalho desenvolvido pelas bandas de garagem e oferecer um evento caracterizado por diferentes estilos musicais aos jovens e à comunidade em geral.

Évora Duchamp: A arte de negar a arte 18 de Fevereiro a 12 de Junho Local: Forum Eugénio de Almeida Marcel Duchamp é considerado um dos impulsionadores do Dadaísmo, movimento iniciado em 1916 que defende a ruptura com as formas de arte tradicionais, a liberdade desenfreada do indivíduo e a espontaneidade, dando lugar à antiarte.

GASTRONOMIA

1 de Fevereiro a 6 de Março Local: Auditório Municipal José Carlos Ary dos Santos A preto e branco, Ricardo Calhau revela cerca de 30 imagens diferenciadas

Marvão Marvão “ Bom gosto” Quinzena gastronómica “comidas de azeite 19 de Fevereiro a 8 de Março Local: Restaurantes aderentes Pratos confeccionados à base de azeite preenchem a ementa da Quinzena Gastronómica “Comidas de Azeite”

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Uma questão de saber

Alentejo

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21 Lazer Sugestão de leitura

Sugestão de filme

SUDOKU

O rapaz do pijama as riscas

A Prova de Fogo

Autores: John Boyne Sinópse:

Director: Alex Kendrick Sinópse:

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Ao regressar da escola um dia, Bruno constata que as suas coisas estão a ser empacotadas. O seu pai tinha sido promovido no trabalho e toda a família tem de deixar a luxuosa casa onde vivia e mudarse para outra cidade, onde Bruno não encontra ninguém com quem brincar nem nada para fazer. Pior do que isso, a nova casa é delimitada por uma vedação de arame que se estende a perder de vista e que o isola das pessoas que ele consegue ver, através da janela, do outro lado da vedação, as quais, curiosamente, usam todas um pijama

O casamento está em vias de extinção. A cada ano, aumenta o número de divórcios no mundo. E, mesmo entre aqueles que resistem à “solução” da separação, muitos apenas se suportam, vivendo infelizes debaixo do mesmo teto. O filme “A Prova de Fogo” toca nessa ferida, aponta os prováveis e mais comuns motivos desse problema e propõe a solução para ele. Caleb Holt é capitão do Corpo de Bombeiros de Albany, EUA, tido como herói em sua cidade. A metáfora é evidente: ele salva pessoas quase todos os dias, mas é incapaz de

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às riscas. Como Bruno adora fazer explorações, certo dia, desobedecendo às ordens expressas do pai, resolve investigar até onde vai a vedação. É então que encontra um rapazinho mais ou menos da sua idade, vestido com o pijama às riscas que ele já tinha observado, e que em breve se torna o seu melhor amigo…

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4 salvar o próprio casamento. Percebendo a situação, o pai dele propõe um desafio antes de o casal partir para a separação. Relutante, Caleb aceita. (Detalhe: o ator principal é Kirk Cameron, que estrelou na adolescência uma série de sucesso e decidiu, depois, dedicar-se a projetos que promovessem o bem.)

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Carneiro

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Balança Carta da Semana: A Rainha de Copas, que significa Amiga Sincera. Amor: Os seus familiares precisam de maior atenção da sua parte. Seja carinhoso. Que o amor esteja sempre no seu coração! Saúde: Cuidado com possíveis dores de cabeça. Dinheiro: Pode fazer aquele negócio que tanto deseja. Números da Sorte: 7, 19, 23, 42, 43, 48 Dia mais favorável: Domingo Horóscopo Diário Ligue já!

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Nota: O objectivo do jogo é completar os espaços em branco com algarismos de 1 a 9, de modo que cada número apareça apenas uma vez na linha, grade e coluna.

HORÓSCOPO SEMANAL Carta da Semana: 9 de Paus, que significa Força na Adversidade. Amor: O seu erotismo e criatividade vão fazer milagres na sua relação, o seu par gostará da surpresa. Saúde: Período sem problemas. Dinheiro: Nada o preocupará a este nível. Números da Sorte: 1, 18, 22, 40, 44, 49 Dia mais favorável: Segunda-Feira

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Telefone: 21 318 25 91 E-mail: mariahelena@mariahelena.tv

Touro Carta da Semana: A Imperatriz, que significa Realização. Amor: O ciúme não é um bom conselheiro, aprenda a saber ultrapassá-lo. Saúde: Poderá sofrer de algumas dores de cabeça fortes, que indicam que precisam de repousar mais. Dinheiro: Graças ao seu bom desempenho poderá ganhar algum dinheiro extra. Números da Sorte: 3, 11, 19, 25, 29, 30 Dia mais favorável: Quarta-Feira

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Escorpião Carta da Semana: 4 de Espadas, que significa Inquietação, Agitação. Amor: Não descarregue nas pessoas de quem mais gosta a má disposição. A felicidade é de tal forma importante que deve esforçar-se para a alcançar. Saúde: Procure fazer um regime alimentar, só terá a ganhar com isso. Dinheiro: Período pouco favorável para contrair empréstimos. Números da Sorte: 2, 4, 22, 36, 47, 48 Dia mais favorável: Quarta-Feira Horóscopo Diário Ligue já!

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Gémeos Carta da Semana: Cavaleiro de Ouros, que significa Pessoa Útil, Maturidade. Amor: Converse com o seu par, só ganhará com isso. Aprenda a aceitar-se na sua globalidade, afinal você não tem que ser um Super-Homem! Saúde: Descanse quando o seu corpo pedir. Dinheiro: Cuidado, seja mais amável no local de trabalho. Números da Sorte: 19, 26, 30, 32, 36, 39 Dia mais favorável: Sexta-Feira

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Sagitário Carta da Semana: O Papa, que significa Sabedoria. Amor: Os seus amigos poderão vir a estranhar a sua ausência, não se afaste deles. Que o Amor e a Amizade sejam uma constante na sua vida! Saúde: Procure não fazer muitos esforços físicos, respeite o seu corpo. Dinheiro: O seu poder económico terá um aumento significativo. Números da Sorte: 3, 24, 29, 33, 38, 40 Dia mais favorável: Sexta-Feira Horóscopo Diário Ligue já!

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Caranguejo Carta da Semana: 8 de Ouros, que significa Esforço Pessoal. Amor: Pense mais com o coração do que com a razão. Que a luz da sua alma ilumine todos os que você ama! Saúde: Cuide melhor da sua saúde espiritual procurando ter pensamentos mais positivos. Dinheiro: As suas economias poderão sofrer uma quebra inesperada. Números da Sorte: 5, 9, 17, 33, 42, 47 Dia mais favorável: Terça-Feira

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Capricórnio Carta da Semana: Valete de Ouros, que significa Reflexão, Novidades. Amor: Poderá ter de enfrentar uma forte discussão com um dos elementos da sua família. Seja verdadeiro, a verdade é eterna e a mentira dura apenas algum tempo. Saúde: O cansaço irá invadi-lo, tente relaxar. Dinheiro: A sua conta bancária anda um pouco em baixo, seja prudente nos gastos. Números da Sorte: 4, 11, 17, 19, 25, 29 Dia mais favorável: Domingo Horóscopo Diário Ligue já!

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Leão Carta da Semana: 6 de Espadas, que significa Viagem Inesperada. Amor: Procure encontrar mais tempo na sua vida para estar com as pessoas que realmente ama. Saúde: Não cometa excessos alimentares. Dinheiro: As suas finanças poderão sofrer uma quebra substancial. Não se deixe manipular pelos seus próprios pensamentos! Números da Sorte: 8, 9, 22, 31, 44, 49 Dia mais favorável: Domingo

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Aquário Carta da Semana: Valete de Copas, que significa Lealdade, Reflexão Amor: Não pense que as pessoas são todas iguais, não descarregue na pessoa que tem a seu lado o que outras lhe fizeram que o deixou magoado. Seja honesto consigo próprio, não tenha receio de reconhecer os seus erros e traçar novas rotas de vida. Saúde: Procure com maior frequência o seu médico de família. Dinheiro: Tudo correrá dentro da normalidade. Números da Sorte: 5, 17, 22, 33, 45, 49 Dia mais favorável: Segunda-Feira Horóscopo Diário Ligue já!

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Virgem Carta da Semana: Cavaleiro de Copas, que significa Proposta Vantajosa. Amor: Os momentos de confraternização familiar estão favorecidos. Não perca o contacto com as coisas mais simples da vida. Saúde: Procure fazer uma alimentação mais equilibrada. Dinheiro: Nada de marcante acontecerá, o que não significa que se pode deixar levar pelos impulsos consumistas. Números da Sorte: 2, 8, 11, 28, 40, 42 Dia mais favorável: Quarta-Feira Horóscopo Diário Ligue já!

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Peixes Carta da Semana: 5 de Espadas, que significa Avareza. Amor: A harmonia está neste momento presente no seu ambiente familiar. Tanto a tristeza como a alegria são hábitos que pode educar, cabe-lhe a si escolher qual deles prefere! Saúde: Cuidado com o sistema nervoso, pois está neste momento com tendência para as depressões. Dinheiro: Não terá problemas de maior nesta área da sua vida. Números da Sorte: 2, 8, 11, 25, 29, 33 Dia mais favorável: Sábado Horóscopo Diário Ligue já!

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23 Eventos Empresa

Solar dos Lobos aposta em vinhos com inovação e design Pedro Gama | Registo Um vinho Solar dos Lobos “tem estrutura, aromas sempre muito frutados e exuberantes. Aromas que se notam logo ao primeiro contacto que temos com o vinho, ao abrir a garrafa. E têm muita cor. Uma cor carregada e com tom de violáceas, como se costuma dizer na gíria”. É desta forma que o enólogo António Patrício descreve os vinhos produzidos na adega Solar dos Lobos, junto à Serra d’Ossa, em Redondo. Numa região demarcada – e sendo o Alentejo “paraíso” para muitos e bons vinhos – o projecto Solar dos Lobos tem vindo a demarcar-se em poucos anos. Pela qualidade, pela originalidade e pela imagem. António Patrício é primo de Filipa e de Miguel Lobo da Silveira, que, por sua vez, são irmãos. Os laços são importantes de mencionar já que este é um projecto, acima de tudo, familiar, que foi iniciado, há cerca de onze anos. Desde 2007 muito mudou com a entrada dos filhos no “negócio da família”, o que trouxe para a empresa a irreverência da juventude, a inovação dos conhecimentos e a aposta em novas ideias. “As primeiras vinhas foram plantadas em 2000”, conta Filipa Lobo da Silveira. “Em 2007, entrámos para a equipa, também com o auxílio da Susana Esteban, enóloga consultora, que acompanha os nossos vinhos e começámos a estruturar as coisas de ou-

tra forma. Mudámos o layout dos vinhos. Os rótulos foram modificados. Também houve algumas alterações a nível da vinha, da própria vinificação, e foi esse percurso que começámos a trilhar: ter um bom produto com uma boa imagem”. Mas nem só de imagem vive o vinho e a qualidade acompanhou o mesmo percurso. Os prémios e destaques na imprensa começaram a aparecer. ”Já todos [os vinhos] ganharam prémios e todos tiveram boas pontuações. Agora temos o Grande Escolha 2008 que foi considerado o melhor tinto do Alentejo”, conta Filipa Lobo da Silveira. Recentemente foi lançado a nova “referência” da empresa. Chama-se “Loup Noir” e vem trazer uma nova tendência no que ao “bag-in-box” diz respeito. Pela primeira vez um vinho de “caixa” é de colheita seleccionada, e o design da nova caixa, que suporta apenas dois litros, foi pensada para, também pela primeira vez, aparecer entre a zona de garrafas dos hipermercados Continente. “Apercebemo-nos que havia um nicho de mercado em Portugal, que estava por explorar, que era um bag-in-box com qualidade para beber todos os dias, em que não houvesse desperdício. É uma das nossas grandes apostas, que está a ter uma procura como nunca imaginámos e está a revolucionar um pouco o mercado do bag-in-box”, diz a responsável pela parte finan-

Luis Pardal | Registo

António Patricio , Miguel e Filipa Lobo da Silveira na adega do Solar dos Lobos

ceira da empresa, que também se movimenta no marketing e área comercial. Filipa Lobo da Silveira explica ainda que a caixa deste Loup Noir “foi estudada, no que diz respeito à dimensão, sendo mais alta, mais estreita e apenas com dois litros para poder estar numa prateleira junto a garrafas, como se tivesse uma garrafa dentro”. Com uma aposta em vinhos de gama média-alta e alta, o reconhecimento já chegou a nível nacional (Revista de Vi-

nhos) e do estrangeiro – em Bruxelas, no Concurso Internacional, o Reserva e o Grande Escolha foram vencedores de medalhas de ouro. Também em Londres, o International Wine Chalenge e a revista Dechantuary atribuíram medalhas de outro e prata a estes dois vinhos. Por fim a grande vitória aconteceu no ano passado, com o Grande Escolha que foi considerado em Cantão, China, o melhor vinho da Feira Internacional de Vinho, en-

frentando produtos de todo o mundo. Com as exportações a subirem de ano para ano, situando-se actualmente em 15%, 2011 poderá ser o ano da abertura de portas em mercados como Brasil e China e com perspectivas de chegar também à Suécia. O segredo: “muita dedicação, rigor, trabalho e organização. O facto de sermos uma empresa familiar leva-nos a dar muito mais pela nossa própria empresa”.

Solar dos Lobos Branco Reserva

Lupe Noir (Bag-in-Box)

Grande Escolha 2008

Lançado no Natal de 2010, é composto por duas castas portuguesas: Arinto e Antão Vaz. Com estágio de seis meses em Barrica de Carvalho Francês, é um vinho com alguma estrutura na boca, tem aromas a tropical, com algumas notas da Barrica como seja a baunilha.

É um vinnho de colheita seleccionada, estando acima de um vinho Regional. Com estadia de oito meses em Barrica de Carvalho Francês, é composto das castas Sirá, Aragonês e Touriga Nacional. Tem uma cor forte com boa estrutura e muito alegre no nariz.

Feito de Alicante Bouché e Touriga Nacional, estagiou 12 meses em barricas novas de Carvalho Francês. É um vinho muito estruturado, que se pode mastigar. É muito exuberante no nariz, porque tem notas muito florais, da Touriga Nacional. É um vinho mais fresco.


Foto | Arquivo

Sede Travessa Ana da Silva, n.º6 -7000.674 Tel. 266 751 179 Fax 266 730 847 Email geral@registo.com.pt SEMANÁRIO

Museu

Joalharia em Moura No próximo dia 26 será inaugurado em Moura o Centro de Joalharia Contemporânea Alberto Gordillo, situado no edifício do antigo quartel dos bombeiros, na Rua da Vista Alegre, junto à Praça Sacadura Cabral. O Centro terá um núcleo de 226 peças, das quais 50 estarão em exposição permanente e, além do espaço expositivo, estará vocacionado para o funcionamento de ateliês e áreas de trabalho e para a realização de oficinas e workshops de joalharia. A inauguração do Centro de Joalharia será acompanhada pelo lançamento do respectivo catálogo, da autoria do historiador de arte Rui Afonso Santos (Museu do Chiado). Alberto Gordillo, natural de Moura, revolucionou a arte da joalharia portuguesa criando peças vanguardistas como o ColarTeia, com 300gr de platina e 150 brilhantes, que esteve exposto na Bolsa de Diamantes de Londres. O Centro de Joalharia é uma das componentes do Projecto de Requalificação do Castelo de Moura e zona envolvente e a sua criação implicou um investimento na ordem dos 500 mil euros. PUB

Amieira Marina

Carta de marinheiro A Amieira Marina, empresa que gere os barcos-casa no Alqueva, disponibiliza este ano a emissão de Carta de Marinheiro e de Patrão Local. Apesar de não ser preciso carta para conduzir um barcocasa, a empresa antevê o aumento de embarcações no grande lago, possibilitando aos futuros marinheiros os documentos essenciais a uma boa navegação na barragem. A carta de marinheiro, acessível a maiores de 14 anos, permite a condução de embarcações de recreio até sete metros de comprimento (titulares com mais de 18 anos) ou até 5 metros de comprimento (titulares dos 14 aos 18 anos); motas de água e pranchas (jet-ski) sem limite de potência.

Crime

GNR detém grupo que passava notas falsas Redacção | Registo A GNR deteve um grupo de 6 indivíduos de nacionalidade portuguesa acusado de comprar viaturas usadas com recurso a notas falsas. A investigação foi desencadeada na sequência da passagem de moeda falsa em diversos estabelecimentos comerciais dos concelhos de Odemira e Santiago do Cacém. Segundo fonte da GNR, o grupo é igualmente suspeito da prática de “roubos violentos a pessoas idosas”. Entre os detidos – três homens e três mulheres com idades compreendidas entre os 39 e os 62 anos – encontra-se um indivíduo que se havia evadido do estabelecimento prisional de Vale de Judeus. Buscas domiciliárias efectuadas às residências dos detidos,

em São Luís (Odemira) e Alenquer, resultaram na apreensão de mais de 14 mil euros em notas falsas de 50 e de 20 euros, três armas brancas e quatro armas de fogo, além de dezenas de munições de diversos calibres. Foram ainda apreendidos 836 euros, 30 pepitas de ouro, diversos títulos de registo de propriedade e livretes de veículos, além de automóveis, cartões multibanco e material informático. “Estamos a falar de um grupo que negociava a compra de viaturas em stands de beira da estrada e as pagava utilizando notas falsas”, acrescenta a mesma fonte, referindo que o valor dos automóveis envolvidos “não era muito elevado”. A GNR está ainda a investigar a possível implicação destes seis indivíduos noutros casos de passagem de moeda falsa ocorridos

no Baixo Alentejo: “É natural que tendo disponibilidade de acesso a dinheiro contrafeito o tenham usado noutras ocasiões. Há registos de queixas apresentadas por comerciantes de diversos municípios”. Violador condenado O Tribunal de Mértola condenou um homem, de 44 anos, a uma pena de oito anos de prisão por sete crimes, entre os quais rapto e violação de uma mulher e posse de arma proibida. O homem atraiu a vítima através da troca de mensagens na Internet. Foi condenado por um crime de coação, um de rapto, um de ameaça agravada e dois de violação de uma mulher e dois crimes de detenção, um de arma proibida e outro de munições proibidas.


Registo ed143