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Vestindo o Futuro - Produtora Novel

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UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL RÁDIO, TV E INTERNET

Ana Paula Nunes dos Santos Gabrielly Daltro Teixeira Gilmara Oliveira de Santana Juliana Germano Silva Leda Priscila Ramos dos Santos Luíza Kogati Higuchi

Vestindo o Futuro Documentário

SÃO PAULO 2020


Ana Paula Nunes dos Santos – 18335926 Gabrielly Daltro Teixeira – 17423481 Gilmara Oliveira de Santana – 17691036 Juliana Germano Silva – 17633150 Leda Priscila Ramos dos Santos – 18306411 Luíza Kogati Higuchi – 17838584

Vestindo o Futuro Documentário

Projeto Experimental apresentado ao curso de Rádio, TV e Internet como requisito parcial à obtenção do certificado de conclusão. Orientador: Prof. Ma. Elisa Moura Marconi Bicudo Pereira Coorientador: Prof. Dr. Bruno Rogério Tavares

SÃO PAULO 2020


FOLHA DE APROVAÇÃO

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DEDICATÓRIA

Dedicamos este trabalho a nossos queridos pais, familiares, amigos e orientadora que nos incentivaram em todos os momentos deste projeto.


AGRADECIMENTOS

Primeiramente, agradecemos a Deus por sempre estar olhando e zelando por nĂłs. Agradecemos aos nossos pais, pelo esforço, amor, apoio financeiro e emocional – sabemos que sem vocĂŞs nĂŁo terĂ­amos conseguido chegar atĂŠ aqui. Agradecemos aos nossos amigos e colegas por toda admiração, ajuda e carinho. Agradecemos aos nossos entrevistados, por aceitar fazer parte deste projeto. E claro, agradecemos tambĂŠm aos nossos professores que nos ensinaram muitas coisas atĂŠ aqui, nesta jornada universitĂĄria, em especial nossa orientadora, Elisa, que sempre estava disposta a auxiliar, nĂŁo sĂł com a parte teĂłrica e audiovisual, mas com o nosso emocional. Obrigada a todos que de alguma forma nos ajudaram com este projeto. A Novel serĂĄ eternamente grata! đ&#x;’š

Coco Chanel


Sou contra a moda que é passageira. Não consigo imaginar que se jogue roupa fora, só porque é primavera. Coco Chanel


DOS SANTOS, A. P. N; TEIXEIRA, G. D; SANTANA, G. O; SILVA, J. G; DOS SANTOS, L. P. R; HIGUCHI, L. K. VESTINDO O FUTURO. Projeto Experimental (Bacharel em Rádio, TV e Internet) – Universidade Cruzeiro do Sul, São Paulo, 2020. RESUMO A busca por um futuro mais ecológico tornou-se pauta em diversas áreas e em diversos países, incluindo o Brasil. Organizações, governos e empresas buscam soluções práticas para obter mudanças em seus negócios e consequentemente diminuírem os impactos ambientais que eles causam. Atualmente, a indústria têxtil é um dos maiores setores econômicos mundiais, entretanto é um dos que mais agride diretamente o meio ambiente, principalmente pelo descarte incorreto de peças e resíduos têxteis, além do uso excessivo de água em sua produção. Após a queda do prédio que servia de produção têxtil em Savar, Bangladesh, o setor percebeu a necessidade de mudanças, pois as pessoas não aceitariam mais desastres como aquele. Consequentemente, novas tendências e modelos de negócios tornaram-se populares – transparência, ética e políticas de sustentabilidade, pouco a pouco, estão tomando seus espaços, nas empresas e em seus produtos. Observando todo esse cenário sociopolítico-econômico, nós, da produtora Novel, decidimos criar um projeto, sendo esse dividido em três partes: a Bíblia de Produção, o documentário audiovisual e o perfil transmidiático do Vestindo o Futuro. Tendo como objeto de estudo a moda sustentável e o consumo responsável, neste projeto, visamos abordar a importância de criar novos modelos de confecção e comercialização de peças de vestuário para um futuro mais sustentável, além de debater a importância da transparência e da ética no setor da moda. Este projeto é a Bíblia de Produção do documentário Vestindo o Futuro, produzido e gravado no segundo semestre de 2020, na cidade de São Paulo. PALAVRAS-CHAVE: moda sustentável; consumo responsável; documentário; fast fashion; impacto ambiental; slow fashion;


SUMÁRIO INTRODUÇÃO 11 DESENVOLVIMENTO 13 1. NOVEL: Estúdio de Criação e Produtora Universitária Audiovisual 15 1.1. NOVEL – A Marca 1.1.1. Marca 1.1.2. História da Novel 1.1.3. Missão, Visão e Valores

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1.2. Profissionais 1.2.1. Currículos 1.2.2. Organograma

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1.3. Projetos 24 1.3.1. NOVEL 24 1.3.2. P10 25 1.3.3. Novo Norte 26 1.3.4. HUN Produções 26 2. Documentário, Moda e Sustentabilidade 2.1. Documentário: apresentado o gênero 2.1.1. Quando surgiu o gênero documentário? 2.1.2. Tipos de documentário

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2.2. Moda amigável: sustentabilidade e o consumo consciente 31 2.2.1. Uma breve história sobre a moda 32 2.2.2. Moda responsável, transparência e o consumo consciente 34 3. Bíblia de Criação e Produção

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3.1. Vestindo o Futuro: explicando o título

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3.2. Sinopse

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3.3. Objetivos

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3.4. Argumento 3.4.1. Visão Original 3.4.2. Proposta de Documentário

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3.4.3. Eleição e Descrição do(s) Objeto(s) 3.4.4. Eleição e Justificativa para as estratégias de abordagem 3.4.5. Sugestão de Estrutura 3.4.6. Desenho de produção

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3.5 Referências Estéticas

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3.6 Classificação do Projeto

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3.7. Público-alvo

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3.8. Distribuição

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3.9. Justificativa

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3.10. Cronograma de produção

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3.11. Orçamento Previsto x Real

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3.12. Projeto Transmídia

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3.13. Arte: Identidade Visual do Documentário e do Instagram

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CONSIDERAÇÕES FINAIS 73 RELATOS DA PRODUTORA 75 REFERÊNCIAS 81 ROTEIRO 84 ORDEM DO DIA 100 PAUTAS 105 MAKING OF 113 ANEXOS 121


11 INTRODUÇÃO Devido à Globalização, idealizamos um pensamento que nossas identidades são construídas a partir do consumo: nós nos tornamos aquilo que consumimos. A base desta ideia são as tendências e a obsolescência programada que estão presentes em todas (ou quase todas) as cadeias de produção. Entretanto, o problema não é a atitude do comprar, mas sim, o do quanto compramos e para onde vão esses produtos ao serem descartados. A moda, ou melhor, a indústria têxtil impulsiona esse desejo do consumir, consequentemente ela vem utilizando excessivamente os recursos naturais, principalmente por causa do fast fashion, causando um grande impacto ambiental como a poluição dos mares e da emissão de gases de efeito estufa. Além do problema ambiental, temos o social – desconhecemos as pessoas responsáveis pela produção dos nossos produtos. As roupas que estão nos cabides e manequins não surgiram do nada – nas etiquetas encontramos nomes de países e cidades, onde são produzidas cada peça. E, para saciar a indústria da moda e o consumo desenfreado existem milhares de trabalhadores ao longo da cadeia de produção. Pessoas que muitas vezes ganham 4$ (reais) para costurar um vestido que na vitrine será vendido por 120$; pessoas que fazem o molde, o corte e a costura de uma calça jeans e ganham em média 3$ por peça; ou até mesmo 0,05 por máscara anti-Covid, como foi no caso dos imigrantes bolivianos e paraguaios durante a pandemia; pessoas que precisam abrir os casulos do bicho-da-seda, procurar a ponta e fazer um único rolo de fio, para que depois esse mesmo rolo seja comercializado e vendido para o exterior para a produção de peças da Haute Couture. Por outro lado, imaginar um mundo sem roupas, calçados e acessórios parece algo impossível - existem culturas diferentes e as pessoas têm tamanhos e corpos diferentes. Como garantir roupa o suficiente para cada indivíduo ao longo de sua vida? Será que as roupas que já existem, hoje, no mundo, seria o suficiente para atender a necessidade de todos? Se houvesse a extinção do modelo fast fashion (moda rápida) como todos os envolvidos na cadeia de produção iriam sobreviver? A resposta, talvez, seja clara, se isso acontecesse, só iria agravar o desemprego e a desigualdade social, além de uma crise econômica mundial alarmante. Portanto, para que o mundo não entrasse em colapso, a indústria têxtil, as organizações e o governo começaram a buscar estratégias para que a cadeia de produção visse seus impactos socioambientais reduzidos e para que futuramente fossem quase nulos, surge então o slow fashion (moda lenta) – que é uma alternativa a moda rápida, ou seja, baseia-se nos princípios de um trabalho mais ético, responsável e de boa qualidade, e não a produção em massa. Porém, não bastava só as grandes marcas fazerem algo, os consumidores precisariam participar desta iniciativa. Daí, criou-se um termo, errôneo, conhecido como “Consumo Consciente”, que tem


12 como base a ideia de consumir apenas o necessário, mas, na verdade devemos substituí-lo por “Consumo Sustentável” ou “Consumo Responsável”, que é o ato de comprar produtos cuja produção não envolva a exploração de animais ou seres humanos e não provoque impactos ambientais, além claro de consumir apenas o necessário. A proposta deste projeto não é só pesquisar e analisar sobre os impactos ambientais provocados pela indústria têxtil, mas principalmente abordar e reflexionar as diferenças entre os processos de produção do slow fashion com o fast fashion, é conhecer quem são os responsáveis por produzir nosso vestuário, trazendo assim a importância da Economia Circular, da Responsabilidade Social e da Transparência, no setor. Também, buscamos analisar as estratégias das organizações, governos e indústria da moda para introduzir um modelo sustentável nas cadeias de produções. O presente documento é dividido em três partes: a primeira, é para todos aqueles que sentem curiosidade em conhecer as responsáveis por esse projeto; a segunda, são os textos que vão auxiliar para um entendimento mais profundo sobre o tema; e a terceira, é todo o processo de criação e produção. Para realizar este trabalho, usamos como metodologia de pesquisa: livros, artigos, teses e web sites, cursos e workshops relacionados ao tema. Assim como, entrevistas com profissionais da área.


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Estúdio de Criação e Produtora Universitária Audiovisual


15 1. NOVEL: Estúdio de Criação e Produtora Universitária Audiovisual 1.1. NOVEL – A Marca 1.1.1. Marca

1.1.2. História da Novel O Estúdio de Criação e Produtora Novel foi fundada em Fevereiro de 2018, com a fusão de duas equipes, na época a P10 Entertainment e a Open Produções - na época ela era composta por 10 membros, sendo cinco mulheres e cinco homens, por questões pessoais, antes mesmo de criar e produção o primeiro grande projeto, todos os homens desistiram e a Novel se consolidou uma equipe totalmente feminina. Em 2019, novas integrantes entraram para a equipe e foi à época de maior diversidade e conhecimento da produtora. Hoje, ainda seguimos sendo um grupo exclusivamente só de mulheres. 1.1.3. Missão, Visão e Valores Missão: Produzir, distribuir e oferecer conteúdos de alta qualidade para a sociedade, através do qual, o nosso público possa adquirir informação e entretenimento. Visão: Ser uma produtora reconhecida no mercado brasileiro, buscando sempre métodos de empreendedorismo e inovação. Valores: Responsabilidade e transparência com os clientes e público; competência e compromisso com os nossos clientes; solidez em nossos relacionamentos; ética e diversidade entre nossos colaboradores, serviços e produtos.


16 1.2. Profissionais 1.2.1. CurrĂ­culos


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22 1.2.2. Organograma


24 1.3. Projetos 1.3.1. NOVEL Dentre os projetos da NOVEL, podemos destacar:

Maravilhas da Culinária (2018) que foi uma revista eletrônica sendo o seu piloto o especial Ásia, mostrando o melhor da culinária asiática.

O documentário Viva O Seu Corpo (2019) que abordava a vida das pessoas, em especial das mulheres plus size. O audiobook do livro Realezas Urbanas; o programa de rádio Desordem (2019) que teve sua transmissão ao vivo; além de um artigo científico sobre televisão e a invisibilidade das mulheres negras nas novelas das nove.


25 1.3.2. P10 A P10 foi o primeiro estúdio de criação e produção que boa parte das integrantes (da Novel) fizeram parte e que inclusive foram fundadoras e cofundadora. Os projetos que foram produzidos foram o programa Muito + Humor (2017) e a radionovela Duas Gotas de Adoçante (2017), além de um site com entrevistas exclusivas e com outros materiais da produtora.


26 1.3.3. Novo Norte

Em parceria com a NN (Novo Norte), a produtora criou o Desenrola (2018) um programa de relacionamento para TV gravado em estúdio. 1.3.4. HUN Produções

Em parceria com as produtoras Uffa e Hórus, foi produzido o piloto de série para televisão, Improvável (2019), que contou com uma equipe de dezenove pessoas e levou três meses, entre pré-produção, produção e pós-produção para ficar tudo pronto.


28 2. Documentário, moda e sustentabilidade Neste capítulo será abordada a fundamentação teórica do trabalho. Explicando o gênero documentário — desde o seu contexto histórico até os modos de fazer documentários. E claro, a abordagem sobre Moda Sustentável e o Consumo Responsável. É importante ressaltar que toda a pesquisa realizada nos próximos tópicos, nos situou e auxiliou durante o processo de gravação do documentário, Vestindo o Futuro (2020), e no nosso comportamento pessoal. Além de abrir oportunidades para pensamentos e críticas. 2.1. Documentário: apresentando o gênero O documentário é um gênero cinematográfico que tem como objetivo representar a realidade da forma mais fiel possível. De acordo com Nichols (2005, p.48), “Documentário é o que poderíamos chamar de ‘conceito vago’. Nem todos os filmes classificados como documentário se parecem”. Os documentários não têm um conjunto único de características comuns. Isso ocorre porque na parte prática há uma variedade de abordagens para serem exploradas e nenhuma delas é copiada ou imitada completamente. Além disso, segundo Nichols (2005, p.73), os documentários têm como objetivo persuadir o espectador pela força do argumento, pelo ponto de vista, algo atrativo ou poder de voz. Nem tudo no documentário é verdade, pois a edição é feita refletindo a perspectiva pessoal do realizador, com a intenção de atrair a atenção do espectador. Eles não são uma representação da realidade, mas uma representação do mundo em que vivemos, mostrando valores e práticas sociais nas quais a sociedade se divide. Nele são utilizadas algumas estratégias para persuadir o espectador de acordo ponto de vista do documentarista. Lucena (2012; pág. 12) diz que: “o que faz de um documentário um documentário é o modo como nos vemos, e a história do documentário tem sido a sucessão de estratégias através das quais os cineastas têm tentado fazer os espectadores verem os filmes desse modo”. Os documentários giram em torno da especificidade dos movimentos da câmera e captação de áudio que permitam um grau maior de fidelidade entre a representação e ao que ela se refere, comparado aos outros gêneros. Um método de filmagem desenvolvido pelo documentarista brasileiro Eduardo Coutinho é se concentrar na conversa, aproximar-se o máximo possível da realidade de seus personagens.


29 2.1.1. Quando surgiu o gênero documentário? Antes de se falar em documentário, é importante comentar sobre Cinema. Ele surgiu com o documentário em 1896 com os irmãos Lumière, que começaram gravando a realidade, cenas do cotidiano, em uma câmera que capturava 24 cenas por segundo, e por ser pesada, impossibilitava a movimentação. Porém, segundo Lucena (2012, p.8), “o formato de documentário como conhecemos hoje surgiu com os filmes de Robert Flaherrty em 1920, quando ele criou o primeiro filme de não ficção, denominado documentário pelo escritor e documentarista John Grierson”. Até 1950, era difícil gravar os documentários, pois as câmeras eram muito pesadas para gravar na rua, além de barulhentas, dificultando a captação do áudio. No final deste ano houve o cinema direto e o cinema-verdade, correntes criadas por documentaristas em busca de equipamentos mais leves e sincrônicos. De acordo com Lucena (2012, p.20), “o cinema direto era feito com a maior naturalidade possível, sem interferir na vida dos personagens e sem que a equipe de produção aparecesse, ao contrário do cinema verdade, com o conceito de que quando a câmara é ligada a privacidade é violada, onde a equipe de gravação aparecia principalmente o diretor na parte das entrevistas.” Esses tipos de documentário juntos a corrente clássica, que constituía no uso do voice-over para narrar um fato histórico, tem fundamentado a maioria das produções de cinema de não ficção. 2.1.2. Tipos de documentários De acordo com Nichols, existem seis tipos de documentários, cada um com suas características específicas, mas que podem apresentar pontos em comum, misturados. São eles: participativo, reflexivo, observativo, poético, expositivo e performático. O modo Reflexivo, segundo Nichols (2005, p.51), “questionam o ato da representação de tudo”. Ele estimula o espectador a perceber sua relação com o documentário e o que ele representa, redefinindo as suposições e expectativas do público, sendo reflexivo tanto da perspectiva formal quanto política. Ainda de acordo com o Nichols (2005, p.169) “os documentários politicamente reflexivos reconhecem a maneira como as coisas são, mas também invocam a maneira como poderiam ser”. O documentário Estou Me guardando Para Quando O Carnaval Chegar (2019), do diretor Marcelo Gomes, por exemplo, mostra a história de moradores da cidade de Toritama que produzem jeans. Ele traz a reflexão sobre a forma como os moradores são vítimas do capitalismo, trabalhando exaustivamente em todas as épocas do ano, para chegar na época do carnaval venderem seus pertences para curtir a praia. A propósito, esse documentário será utilizado como referência estética para o Vestindo o Futuro. No modo Observativo, não tem a voz de Deus (voice-over), nem músicas e efeitos


30 complementares. Também não apresenta legendas, nem reconstituições históricas. Segundo Nichols (2005, p.147), neste tipo de documentário “olhamos para dentro da vida no momento em que ela é vivida. Os atores sociais interagem uns com os outros, ignorando os cineastas.” Esse tipo de documentário coloca o espectador numa posição menos confortável do que os filmes de ficção, pois segundo o autor, as cenas representam as experiências reais de alguém que não necessariamente concordou em ser observado por vontade própria e não desempenha um papel de ficção. Por exemplo, o documentário Justiça (2004) da diretora Maria Augusta Ramos, mostra o dia a dia de um tribunal de justiça no Brasil, sem interferir na vida das pessoas e sem interagir com os atores. O modo poético, segundo Nichols (2005, p.140) “retiram do mundo histórico sua matéria-prima, mas transformam-na de maneiras diferentes”, eles representam a realidade a partir da subjetividade, com fragmentos, atos incoerentes e associações vagas. Um exemplo é o filme Janela Da Alma (2001) dos diretores João Jardim e Walter Carvalho, que mostra uma reflexão profunda dos diferentes sentidos da visão, mostrando pessoas com problemas desde miopia até cegueira, de forma abstrata e única. O modo Expositivo, utiliza voice-over (voz de Deus) para se comunicar diretamente com o espectador. As imagens possuem um papel secundário e servem para enfatizar o que é dito. Segundo Nichols (2005, p.144) “As imagens sustentam as afirmações básicas de um argumento geral em vez de construir uma ideia nítida das particularidades de um determinado canto do mundo”. Um exemplo é o documentário The True Cost (2015) do diretor Andrew Morgan, que expõe o consumismo da indústria da moda e os impactos ambientais causados por ela. Este trabalho também será utilizado como referência estética em nosso documentário. O modo Participativo, também utiliza voice-over e tem a participação do cineasta, a fim de reduzir a necessidade de persuasão e dar a sensação de como é estar em determinada situação. Além disso, segundo Nichols (2005, p.156) “a voz do cineasta emerge do envolvimento direto, pessoal, nos acontecimentos, enquanto eles ocorrem”. Por exemplo, no filme Edifício Master (2002) do diretor Eduardo Coutinho, é mostrada a história de pessoas que moram no mesmo prédio, mas com a participação do diretor. O modo Performático, utiliza narrativas menos convencionais e representações subjetivas para representar o mundo histórico, misturando técnicas expressivas para dar densidade à história e tratar de questões sociais. Segundo Nichols (2005, p.171) “esses filmes nos envolvem menos com ordens ou imperativos retóricos do que com uma sensação relacionada com sua nítida sensibilidade. A sensibilidade do cineasta busca estimular a nossa”. Como por exemplo, o documentário Ilha Das Flores (1989) do diretor Jorge Furtado, que explora diferentes tipos de narrativas e tipos de documentários, chegando até a usar elementos de ficção em sua obra, para contar a história de um tomate.


31 No Vestindo o Futuro serão utilizados dois tipos de documentários: o reflexivo para criar a aproximação do espectador com o tema abordado, e o participativo, para ajudar a criar o fio condutor juntando as vozes dos entrevistados com o material pesquisado. 2.2. Moda amigável: sustentabilidade e o consumo responsável A tecnologia sem dúvidas mudou os processos industriais, inclusive o da moda. Quando falamos em Indústria da Moda estamos falando em um mercado amplo, que envolve a Haute Couture (peças sofisticadas e exclusivas feitas sob medida), Prêt-à-Porter (peças exclusivas, prontas para serem usadas, mas não feita sob medida), fast fashion, slow fashion, calçados, acessórios, maquiagens, estilistas e até mesmo brechós, fábricas, desfiles, etc. – é uma enorme cadeia de criação e produção. Nos últimos anos, a Sustentabilidade se tornou pauta nos diversos setores industriais, na moda, a terceira maior industria do mundo, ela chegou com o objetivo de mudar o modo de produção da cadeia têxtil, porém, ser uma marca sustentável não é só mudar as práticas que atinge o meio ambiente, mas as sociais também. Lylian (2012) afirma, “Sustentabilidade não está apenas relacionada a ações de filantropia, gestão de resíduos ou plantio de árvores, mas a uma reorganização da visão de mundo de cada cidadão”, ou seja, para sermos considerados pessoas com atitudes sustentáveis devemos repensar nossos valores e atitudes. Temos que pensar se as coisas que compramos, fazemos ou falamos, tem uma expressão positiva na sociedade. Quando falamos em moda, automáticamente, falamos em consumir. Sobre o consumo Lylian (2012) diz,

A posse ou o consumo de produtos, sejam eles materiais ou imateriais, representam para o sujeito moderno muito mais que do que simples aquisições. Os valores atribuídos aos produtos transcendem eles próprios e as motivações do consumo de moda vão além da clássica explicação da busca por status. O consumidor atual orienta-se também, e talvez mais do que se imagina, por valores individuais, emocionais e psicológicos. (BERLIM, Lilyan. Moda e Sustentabilidade: uma reflexão necessária, 2012. E-book; pág. 57)

A moda é uma indústria que acompanha a economia e as têndencias. O marketing, a internet e as mídias, em geral, colaboram para que o consumidor compre mais e não o oposto. Ser um responsável como indivíduo requer muito estudo, antes e além da prática – entender o mercado, se faz necessário, para obter mudanças. A moda é considerada como parte integrante da arte, por isso é difícil definir ao certo quando ela surgiu. Acredita-se que ela exista desde a pré-história, com vestes feitas com peles de animais, mas por questões de registros sugere-se que foi no Antigo Egito o seu início. Podemos, por assim dizer que a arte de se vestir começou no período pré-histórico, mas a moda como a conhecemos hoje, com todos os seus luxos e detalhes, teve seu início


32 no Antigo Egito. Lylian (2012) diz que, nossas vestimentas, assim como todos os textos que nos rodeiam em nossos lares, são parte significante dos produtos que consumimos durante a vida. A moda permeia todos esses itens, traduzindo em cores, formas e texturas os aspectos sociais e estéticos de cada época, de cada localização e de cada geração. (BERLIM, Lilyan. Moda e Sustentabilidade: uma reflexão necessária, 2012. E-book; pág.15)

Em 1937, o ex-curador do Victoria and Albert Museum e historiador de moda James Laver, criou um cronograma onde descreveu como o indivíduo se comporta diante das Eras da Moda e as tendências. Segundo Laves (1937): a moda é tida como “indecente” dez anos antes do seu tempo; cinco anos antes de seu tempo é considerada “desavergonhada”; porém, um ano antes de seu tempo é julgada “ousada”. A moda é julgada como “inteligente” quando surge ao seu tempo. Um ano depois está fora de moda; em dez anos é tida como “hedionda”; vinte anos depois é “ridícula”, após trinta anos é uma “piada”; encantadora setenta anos depois; cem anos depois é classificada como romântica; e bonita, cento e cinquenta anos depois. (LAVER, 1937, texto retirado da tabela de Taste And Fashion: From The French Revolution To The Present Day. Tradução nossa) Esse cronograma ficou conhecido como Lei de Laver. E, apesar de parecer uma ideia arcaica para as tendências da indumentária atual, percebem-se as referências, exemplo disso, é o resgate da moda das décadas de 80 e 90 para a atualidade ou a tendência em criar filmes e séries de épocas. Talvez, essa tabela não faça parte do Fast Fashion, na verdade, talvez, esse modelo de negócio modificou o olhar sob como as pessoas e a indústria veem a moda, portanto, esse cronograma não poderia fazer parte da moda rápida. Até mesmo porque, quando Laver divulgou essa ideia, a moda rápida nem sonhava em existir. Como criar um cronograma para uma moda que lança uma coleção a cada quinze dias e costumam modificar apenas pequenos detalhes? E o pior, que julgam ser novidades? Sabemos que nossa consciência não abrange apenas pesamentos positivos sobre as coisas, mesmo quando estamos pensando em algo coletivo, como é o caso do mercado da moda, sendo assim, antes de criar um senso de julgamento em relação ao atual cenário deste setor, devemos conhecer um pouco sobre a sua história. 2.2.1. Uma breve história sobre a moda Como já foi exposto anteriormente, não se sabe quando a história da moda começou exatamente, só que ela é mais antiga do que muitos imaginam. Na Antiguidade, a civilização egípcia, grega e romana – que além de terem deixado os legados na literatura, artes, música e conhecimentos em geral, desenvolveram a criatividade para as vestimentas.


33 No Antigo Egito (3.100 a.C – 30 a.C) a civilização costumava usar diferentes tipos de tecidos e estampa para distinguir suas posições sociais – “de fato, a maioria das classes mais baixas e dos escravos nos palácios comparecia quase ou totalmente nus. Comparecer vestido era uma espécie de distintivo, um privilégio de classe.” (Laver, 2003). Além disso, os mais ricos usavam peles que eram cortadas pelos costureiros, pedras preciosas como acessórios para dar mais elegância e desenhos bordados nos tecidos. No começo eles costumavam usar algodão, mas tarde foram mudando para o linho, que era considerado um tecido mais puro e as cores mais comuns eram o branco e o bege. Na Grécia Antiga, os helênicos usavam lã, linho e peles para elaborar suas roupas. A diferença entre eles e os egípcios era a quantidade de roupas que os gregos produziam, mas, em contrapartida, as variedades de vestes masculinas e femininas eram menores que na terra do Nilo. Os helênicos usavam muitas capas e saias curtas, as roupas usadas pelas mulheres, principalmente em Atenas, eram objetos de desejo e admiração – peças coloridas com diferentes desenhos, com muitos bordados e babados, além do acessório de cabeça e as joias. Com início em uma pequena aldeia na península Itálica, o Império Romano transformouse no mais famoso de toda história, existiu por quase oito séculos e deixou grandes legados que são usados até hoje como estradas, leis e artes. No universo da moda Roma foi sem sombra de dúvidas a mais detalhista e luxuosa. Os romanos tinham muitas roupas, podemos dizer que foi a época de grandeza dos costureiros, sapateiros, tintureiros e bordadores. Os mais ricos tinham entre seus escravos e empregados, alfaiates. O calçado mais famoso era a sandália e acessórios como braceletes, anéis, colares e tiaras eram comuns entre todos. Na Idade Média, apesar de ainda ser comandada pelos romanos, a tendência da época mudou, também por motivos de influência religiosa – o objetivo era cobrir mais o corpo. Nesta época foi adotado o uso de calças, meias de couro ou pano e de roupas íntimas maiores que se assemelhavam a calças. Também ficou popular o uso de cintos de tecidos e turbantes, além de seguirem usando as túnicas (que fizeram parte de todas as civilizações antigas, mas desta vez por cima das calças e das roupas íntimas). Foi neste período que as oficinas de moda se tornaram popular. Na Idade Moderna, que se inicia no final da Idade Média em 1453 d.C. e vai até 1789 d.C., foi caracterizada por grandes mudanças na moda do início ao fim – era uma moda luxuosa e romântica – chapéus com plumas, gibões, corpetes, saias e sapatos com a ponta arredondada era as peças que mais se destacavam. Na medida em que ia se acercando a Revolução Industrial as pessoas começavam a usar mais vestidos, chapéus maiores e perucas. ao longo de todo o século XVIII o foco de maior interesse da indumentária residia na ornamentação. Especialmente durante a década de 1770, a


34 engenhosidade transbordou e os marchands et mode se converteram em personagens importantes. Esses artesãos se encarregavam de produzir e vender artigos para enfeitar a pessoa da cabeça aos pés, incluindo cocares para os penteados. (FUKAI, AKIKO. Moda: Una Historia Desde el Siglo XVIII al Siglo XX, 2006; pág 111. Tradução nossa)

Na França, também era comum meias de seda e vestidos com dobras, mangas justas e caudas longas, além dos detalhes no pescoço, saias com cortes retos e sapatos de salto. A Idade Contemporânea, que constitui o século XX, foi marcada por uma moda muito diferente – cada década uma novidade marcante, que mudava conforme os valores políticos, sociais, religiosos e até mesmo econômicos da época. Alguns consideram que ela começou em 1900 com a chamada Silhueta S – um tipo de sutiã com aro que deixa os seios mais para cima ou também a nova cara dos espartilhos que surgiu por volta do século XVI, na Inglaterra. E, por incrível que pareça, a maioria dos desenhos de moda do século XX até a atualidade, começam com uma forma de S, pois acreditasse que ela dá movimento ao croqui. Em 2012, Arnold & Egan citam que quase todos os maravilhosos desenhos de moda começam com a curva S. Não, a curva S não é um código especial que os fashionistas usam. É uma ferramenta de desenho baseada na letra S (ou em alguma forma), e é fundamental quando você está desenhando o corpo de um modelo. (Arnold & Egan. Fashion Drawing For Dummies, 2012; pág. 67, tradução nossa.)

Os anos 20 foram marcados pelos decotes nas roupas femininas, principalmente nas festas. Na década de 30, se popularizaram as meias-calças e as jaquetas. E, nos anos 40, o estilista Christian Dior trouxe para o mundo da moda vestidos mais acinturados, que deixava os corpos femininos mais marcados – nesta época as curvas femininas viraram referências de beleza e atrizes como Marilyn Monroe, Ingrid Bergman e Audrey Hepburn ganharam muito mais destaque. Na década de 60, as calças boca-de-sino e blusas de algodão tomaram as ruas, já nos anos 70 foi à vez das estampas floridas e das botas. Nas décadas de 80 e 90, a moda seguiu uma linha de conforto e liberdade de expressão, trazendo novidades como: transparência e cores neon, camisas com mensagens, piercings e tatuagens ganharam espaço, assim com as pinturas capilares. A partir do século XXI, começam a difusão da moda, as variedades de tendências, o estudo do estilo e os modismos. Há uma mescla entre o atual e o resgate do antigo. Criase uma regra que já vinha sendo tendência nas últimas décadas do século XX, de: como, quando e onde usar cada peça. As roupas sociais são usadas em ambientes mais formais, os vestidos clássicos em eventos especiais, etc. Nasce uma tendência de customização de peças e da supervalorização da moda. Novos designs surgem, muitas pessoas começam a criar e a costurar suas próprias roupas e, a


35 indústria da moda começa a trabalhar em uma escala rápida e exagerada, a chamada Fast Fashion (moda rápida) – a indústria da moda não podia mais levar quatro meses para criar e vender peças. A cadeia de produção foi modifica, os modelos começaram a seremapresentados semanalmente, peças novas em até três semanas, no máximo quatro. O ciclo sazonal na moda é quase rompido – não é necessário pensar em uma coleção para cada estação, basta seguir as tendências que estão em alta e lançar o máximo de peças possíveis para atender a demanda do mercado e o gosto dos consumidores. 2.2.2. Moda Sustentável: um exemplo de negócio A indústria da moda cria tendências, e consequentemente, traçam perfis de consumo que em sua maioria são involuntárias, inconsequentes e desenfreados. Quando adquirimos um produto, somos responsáveis por ele até o final de sua vida útil, porém, isso não quita a responsabilidade que os fabricantes, importadores e todos os envolvidos na cadeia produtiva também têm sobre esse produto e seu descarte adequado. Segundo a Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS) este movimento chama-se Responsabilidade Compartilhada, na teoria, este pensamento é excelente mas, na prática, não é isso que acontece. Portanto, alguns questionamentos deveriam ser colocados como prioridades antes da aquisição desses produtos: quem fez as minhas roupas? Como são produzidas as minhas roupas? Quais tecidos e tipos de tingimentos são utilizados para a sua produção? Preciso mesmo deste produto? E como vou fazer para descartá-lo de forma correta depois de seu uso? São perguntas complicadas de serem respondidas, porém, necessárias. Lylian (2012, pág. 39) diz que, “a roupa está tão próxima ao nosso corpo que acabamos por não percebê-lá enquanto produto. O que vestimos é parte de nós, por isso é mais frequente usarmos do sentimento e da moda para entendermos uma roupa do que a racionalizarmos como produto.”, ela ainda completa dizendo que, “talvez seja por essa razão que, comparativamente à arquitetura e a produção de alimentos, a indústria têxtil e a área de moda tenham demorado tanto a despertar o interesse de pesquisadores e empresários quando se fala em sustentabilidade”. Em 2015, o maior evento sobre moda e sustentabilidade que existe no mundo, o Copenhagen Fashion Summit, divulgou um dado assustador a respeito da cadeia produtiva de vestuário: cerca de 92 milhões de toneladas de descarte têxtil foram produzidas em todo o mundo naquele ano. No Brasil, cerca de 175 mil toneladas de resíduos têxteis são produzidos por ano, sendo que somente aproximadamente 40% deste número são reciclados ou reutilizados, o restante vai para os aterros controlados e lixões – sendo descartados de forma incorreta, provocando grande impacto ambiental como as mudanças climáticas devido à emissão dos gases de efeito estufa


36 como o dióxido de carbono (CO2) e o metano (CH4), principalmente por causa da composição das peças, ou seja, qual ou quais materiais foram utilizados em sua produção. Lylian (2012) afirma que, a emissão de gases de efeito estufa ocorre primeiramente no setor da agricultura, no combustível para os maquinários utilizados, e posteriormente no aquecimento das caldeiras de lavagem e tingimentos, assim como na lavagem e passadoria de têxteis, na produção e manufatura de fibras artificias e sintéticas, na transformação das fibras em fios (fiação) e fios em tecidos (tecelagem) e no transporte de todos os elementos e insumos da cadeia - das matérias-primas à distribuição das peças para o consumidor final. (BERLIM, Lilyan. Moda e Sustentabilidade: uma reflexão necessária, 2012. E-book; pág. 42)

Quando falamos em resíduos têxteis, geralmente, só pensamos nas sobras de tecidos que foram usados nas confecções, mas na realidade, todo material ou peça que esteja parada já é considerado um lixo têxtil – os finais de rolos, retalhos, as peças que estão nas lojas e nos estoques das fábricas, que por algum motivo não foram vendidas nem quando estavam em liquidação e até mesmo, as peças que estão em nossos guarda-roupas, closet e sapateiras. Segundo, um dos maiores brechós do Brasil, Repassa, “não usamos 60% do que temos no guarda-roupa, somando mais de R$50 bilhões”, valor esse, que poderia ser destinado para outros fins. Porém, mesmo que um brasileiro, por exemplo, decida repassar a sua roupa, ou seja, vender como segunda mão, ainda existe, por grande parte da sociedade, um preconceito social. Lilyan (2012), escreveu que, alvo de preconceitos por grande parte da sociedade brasileira, a roupa de segunda mão e seus pontos de venda são tidos por muitos como algo negativo, “coisa de pobre”. [...] Em geral, os espaços onde as roupas usadas são vendidas são apontados como sujos e as peças ali comercializadas como impregnadas de “energia de gente morta” ou “energia de outra pessoa”, “de gente doente”, etc. Quanto menos poder aquisitivo e menor o padrão sociocultural, mais esse tipo de discurso se repete. (BERLIM, Lilyan. Moda e Sustentabilidade: uma reflexão necessária, 2012. E-book; pág. 178 e 179) Em contrapartida, devido ao aumento de compras pela internet, após o surgimento do e-commerce, da crise econômica, que impulsionou muitas pessoas a empreenderem e, da influencias da mídia, os brechós estão tomando espaços, em solo e sites brasileiros. Lilyan (2012) completa, a higienização das roupas e outras peças vendidas em brechós, o design interior das lojas, o atendimento e mesmo o clima vintage do espaço são fatos que chamam atenção para essa mudança de percepção. [...] Em geral, brechós são locais com uma atmosfera especial, onde todas as peças expostas têm uma história regressa. Nada entrou naquele espaço sem ter vivido antes em outros, com outras pessoas. (BERLIM, Lilyan. Moda e Sustentabilidade: uma reflexão necessária, 2012. E-book; pág. 178 e 179)


37 Compar em brechós já é uma realidade na Europa e nos Estados Unidos, acredita-se que em 2030, haverá mais estadunidenses comprando de segunda mão, do que em lojas. No Brasil, existem várias plataformas disponíveis para compras e vendas de roupas usadas, desde os sites de luxo, como a TROC e Etiqueta Única, como os mais acessíveis, Repassa e o Enjoei. Na TROC, por exemplo, é possível comprar um óculos da Chanel por 472$ (reais), já no Repassa, uma blusa da C&A, pode adquirido por 12$ (reais). Comprando algo que já foi usado, a pessoa está colaborando com o aumento do ciclo de vida da peça. No Brasil, para se produzir uma única peça jeans, é utilizado cerca de 5.196 mil litros de água, isso é, desde o plantio de algodão até o consumidor final. Esses dados, são do estudo Pegada Hídrica Vicunha, realizado em 2019, pela fabricante de denim, Vicunha Têxtil, em parceria com o Movimento Ecoera. No processo de tecelagem são gastos em média 127 litros, na confecção e lavanderia esse número sobe para 362 litros. Segue o infográfico, retirado do relatório:

Como se esses números não fossem o alarmante suficiente, segundo os cálculos da Organização das Nações Unidas, a quantidade total de água gasta em cada peça, é o equivalente ao consumo diário para atender as necessidades de 47 pessoas. E, mesmo quando as peças são produzidas com outras fibras, em média, são gastos 2,7 mil litros de água. Como as empresas


38 podem aderir à moda sustentável? Como ser um consumidor mais reponsavél ou como colaborar para uma moda mais ética e justa? A indústria têxtil tem sua produtividade baseada na Economia Linear, ou seja, modelo de produção baseado na extração, produção, uso e descarte de recursos e materiais - por isso, tantas consequências ambientais. Porém, este modelo está se tornando desatualizado, fazendo com que nos últimos anos, os empresários buscassem com urgência uma transição de novas estratégias econômicas. Primeiro, por causa da escassez dos recursos naturais; segundo, pelo alto custo e a disponibilidade desses recursos; e por último, o novo consumidor – aquele que não compra por impulso e está mais atento com os propósitos das marcas. Daí, surge a Economia Circular, que possui fluxos de materiais contínuos, sistema regenerativo e restaurador, com novos materiais e novas fontes de energia, tudo renovável e os resíduos são transformados em matéria-prima, ou seja, não existe lixo. Uma pesquisa realizada em 2019, por uma instituição apoiada pela ONU, à holandesa Circle Economy, mostra que o mundo é apenas 9% circular, o que significa que apenas 9% dos materiais que utilizamos na produção industrial são retornados ao processo produtivo ou ao meio ambiente. Entretanto, para introduzir esse modelo macroeconômico de negócio em sua cadeia produtiva, a empresa vai precisar de habilidades criativas e inovadoras, além de muita colaboração. No caso da moda, a indústria, precisará saber identificar os diferentes tipos de materiais, para que se criem ciclos. Devesse pensar também, em fontes de energia renováveis, como a solar fotovoltaica e redesenhar as peças para que elas tenham maior durabilidade e reaproveitamento. Essas práticas são mais caras, e talvez, não esteja na realidade das fast fashion, por causa dos prazos, mas as marcas devem repensar seus pilares. Um dos pioneiros para a mudança no setor é o Ecodesign, esse profissional concebe os produtos desde sua marca incial, ele cria os desenhos, escolhem as cores, tecidos e texturas, etc. Lylian (2012) diz, o ecodesign, ao invés de conceber o produto linearmente, parado na sua comercialização, o concebe de forma circular, considerando seu ciclo de vida, durabilidade e seu retorno à produção por meio da reciclagem ou reutilização. (BERLIM, Lilyan. Moda e Sustentabilidade: uma reflexão necessária, 2012. E-book; pág. 51)

A Economia Circular não se refere somente as práticas de reciclagem e ao uso de resíduos, e ao contrário do que muitos pensam, ela não surgiu para solucionar os problemas do modelo linear – ela busca prolongar a vida útil de produtos, com modularidade e efetividade. Os brechós e bazares fazem parte desse modelo, com a revenda e compartilhamento, as marcas que práticam o upcycyling também.


39 O upcycling nada mais é que o reaproveitamento e a ressignificação de peças, tecidos e retalhos. O objetivo desta prática é dar um significado maior do que aquele produto já tinha antes, por exemplo, existem marcas que usam os tecidos das sombrinhas e guardachuvas quebrados para fazer casacos, capas e bolsas. Produzir peças a partir do upcycling, é diminuir os impactos ambientes, com a redução do uso de água e energia, pois o material já existe. O resíduo têxteil, não volta para a natureza Por isso, esse produção está inserida na Economia Circular. Cabe a indústria, líderes e nós, consumidores, nos adaptar a essa economia.


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41 3. Bíblia de Criação e Produção 3.1. Vestindo o Futuro: explicando o título Vestindo o Futuro tem referência aos movimentos do slow fashion e eco-friendly – ambos tratam da moda sustentável. O “vestindo” faz alusão direta com o tema do nosso documentário, ou seja, moda, já “o futuro”, neste caso, significa mundaça. O objetivo é passar a ideia de renovação e duração, não só para o guarda-roupa, mas para o mundo. A sociedade está esgotando os bens mais preciosos que a natureza nos proporciona, portanto, devemos parar, pensar e mudar. 3.2. Sinopse Vestindo o Futuro é um documentário audiovisual, que mostra como a moda sustentável vem se desenvolvendo no Brasil, com depoimentos de estilistas, costureiros, pesquisadores e consumidores que procuram recursos naturais e estratégias ecológicas para as suas roupas, usando os diversos caminhos da moda, para gerar algo mais ético e responsável. 3.3. Objetivos A Novel produziu um documentário sobre moda sustentável, o hábito do consumo responsável e como funciona a reutilização dos resíduos têxteis nas marcas de sustentabilidade. Como objetivos específicos, buscamos: ❏ Refletir sobre a indústria têxtil. ❏ Mostrar as vantagens/benefícios da moda sustentável e o consumo responsável. ❏ Abordar que é possível migrar da moda comum para a moda sustentável. ❏ Mostrar como ser um colaborador mesmo não aderindo à moda sustentável, mas sim com atitudes responsáveis. 3.4. Argumento 3.4.1. Visão original O documentário Vestindo o Futuro fala sobre moda sustentável, apresentando para o público como a produção têxtil pode parar de ser um fator poluente, para se torna amigável ao meio ambiente, usando atitudes mais ecológicas em suas confecções – método esse que vem se destacando ao longo dos últimos anos, em vários países, inclusive no Brasil. O documentário também vai abordar as diferenças entre os modelos de produção (slow fashion x fast fashion) e como esses dois negócios encararam a pandemia do novo coronavírus, durante o ano de 2020. Abordarmos também sobre como as tendências da moda influenciam o consumo – fazendo as pessoas descartarem mais roupas e o porquê do modelo Fast Fashion deveria ser dispensado ou reestruturado e como a população pode aderir à moda sustentável.


42 Além disso, o Vestindo o Futuro traz a questão da arte na moda e a beleza das roupas. 3.4.2. Proposta do documentário A proposta inicial para o documentário Vestindo o Futuro, era trazer um conteúdo que em sua grande maioria fosse informativo, valorizando tanto a imagem, quanto a narrativa. Através de um árduo trabalho de pesquisa abordaríamos a realidade da indústria têxtil – como o fast fashion é extremante poluente, além de outros pontos do setor. A ideia era fazer uma denúncia, não tanto apelativa, mas que fosse certeirar em mostrar os principais pontos negativos da moda rápida, para que depois houvesse a valorização do slow fashion. Porém, depois que entramos em Isolamento Social e a cidade parou, ou melhor, o mundo parou, começamos a nos questionar outra realidade: se já existem documentários com denúncias socioambientais sobre a indústria da moda, e que já chamaram a atenção (mesmo que pouco) dos grandes empresários e líderes, como poderíamos fazer diferente e em tempos de cuidados redobrados? Partindo deste ponto, buscamos estudar sobre a situação da cadeia têxtil, durante a pandemia do novo coronavírus. Resulta que, não encontramos muitos dados e pesquisas, talvez, porque estava tudo muito recente, mas, por outro lado, encontramos diversas reportagens que mostravam a situação dos dois grandes polos de costura de São Paulo, Bom Retiro e Brás, em uma situação jamais vista nos últimos anos – ruas vazias e comércios fechados, porém, com diversos imigrantes (por vezes, ilegais) costurando máscaras de proteção contra a Covid-19 a 0,05 centavos, cada. Daí, criamos uma nova proposta: esquecer a denúncia do fast fashion e mostrar quem está por trás da moda sustentável, durante todo o documentário. A ideia é mostrar quem é que modela, corta e costura as roupas das pequenas marcas. Porque se mostrando de forma clara e objetiva a problemática da indústria não chamou a atenção o suficiente dos líderes mundiais, empresários e consumidores, deveríamos seguir uma linha diferente de raciocínio. Acreditamos que esse foi o nosso diferencial e seguimos essa ideia. No mundo da moda, costumam dizer que o documentário, The True Cost (O Verdadeiro Custo), lançado em 2015, foi o precursor para chamar a atenção da sociedade, em relação a cadeia produtiva. Realmente, o documentarista, Andrew Morgan, mostrou de forma escancarada a dura realidade da indústria da têxtil. Ele conseguiu, mas existem outros documentários com a mesma abordagem que não conseguiram esse feito, como por exemplo, o Unravel (2012), Traceable (2014) e Sweatshop (2015), curiosamente, todos eles foram lançados antes do O Verdadeiro Custo, mas o ponto aqui não é este, mas sim, o porquê da nossa mudança de proposta. Portanto, decidimos usar o mesmo objeto de estudo, ou seja, a moda, mas com uma estratégia diferente – Por que mostrar os trabalhadores do fast fashion em trabalho análogo à escravidão, se podemos chegar ao consumidor mostrando os trabalhadores do slow fashion? E, fazê-los se questionarem: o porquê dos demais trabalhadores, de outras cadeias produtivas, não terem as mesmas condições de trabalho? A proposta é atingir a grande indústria, sem apelar


43 para o emocional, mas para o racional, para a lógica. Nossa narrativa foi construída mediante as respostas obtidas através das entrevistas e depoimentos dos nossos personagens, aderindo ao modo reflexivo para fazer as pessoas pensarem sobre todo o assunto abordado e participativo para criar intimidade com o espectador. 3.4.3. Eleição e Descrição do(s) Objeto(s) Para realizar um projeto, no caso, um documentário, devemos pensar com cuidado na mensagem que queremos transmitir, portanto, a escolha dos personagens, locais e objetos é de extrema importância, tanto para o visual, quanto para a narrativa. A escolha errada, pode influenciar no feedback e na recepção do espectador. Vestindo o Futuro trouxe como personagens ativistas, estilistas, costureiros e donos de sua própria marca. Todos os nossos entrevistados não são formados em moda ou cursos relacionados, porém, quase todos tiveram suas primeiras experiências, ainda na infância ou adolescência com algum familiar. Antes do isolamento social, as gravações iriam ser realizadas dentro e fora da cidade de São Paulo, por exemplo, na cidade de Jundiaí, e caso tivéssemos a oportunidade e necessidade, assim como verba o suficiente, iriamos gravar nos municípios do Rio de Janeiro (RJ), Itajaí (SC), Criciúma (SC), Porto Alegre (RS) e Bagé (RS). Já no cenário da pandemia e com as mudanças na proposta, decidimos gravar somente na cidade de São Paulo ou pelo aplicativo Zoom. Buscamos durante semanas, os novos personagens e conseguimos atingir a meta desejada, são eles: ❏ Ana Rita Colorido Ana Rita Colorido tem 33 anos, é formada em Rádio e TV, porém seu amor é pela moda, profissão na qual já leva mais de 10 anos atuando. Criou O Patuá ainda quando pequena, trabalhou em diversos espaço, até chegar no aconchegante ateliê que tem hoje, no bairro do Tucuruvi, Zona Norte de São Paulo. Rita desenha, modela, corta e costura toda as roupas da marca a partir de tecidos sustentáveis e das práticas do Upcyling. Além do ateliê, Rita dá aulas de corte e costura e faz alguns freelas na área da moda.


44 ❏ Daniel Barranco e Hugo Mor: Daniel Barranco e Hugo Mor trabalham com o Upcycling, ou seja, a criação de peças a partir de resíduos têxteis (retalhos, tecidos, etc..). Juntos eles fundaram o Coletivo de Dois, que tem o seu ateliê no Centro da cidade de São Paulo. Todas as peças são desenhadas, moldadas, cortadas e costuradas pela dupla. Eles são gentimentel chamados de meninos do Coletivo. A dupla calcula o reaproveitamento de cerca de 150 Kilos de tecidos, que iriam para os aterros e lixões, todo ano.

❏ Lilian de Paula: Lilian de Paula tem 34 anos, é formada em Pscicologia, mas deixou de atuar na área para empreender com moda. Ela é a uma das fundadores da marca Ornamento, que trabalha em parceria de mulheres da comunidade do distrito do Campo Limpo. A marca produz bolsas, mochilas e pochetes veganas e trabalham com uma moda responsável, práticas que a Lilian optou em seguir.


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❏ Renata Tozzi: Renata Tozzi tem 37 anos, é economista, formada pela PUC-SP e pós-graduada em Administração de Empresas pelo Insper. Ela é mãe de um casal e seu objetivo de vida é deixar um futuro melhor para seus filhos. Fundou a Mumo ao lado da estilista Luana Goldstein e do seu marido, o publicitário Rodrigo Tozzi.

As imagens de segunda unidade foram captadas em brechós e bazares, assim como nas ruas e lojas do Bom Retiro. Os locais escolhidos pela produtora, foram os mais viáveis e seguros para se gravar, durante o isolamento, com exceção da entrevistada Lilian, que optou gravar via Zoom. Para as outras entrevistas, escolhemos gravar em: Local 1: Ateliê O Patuá Local 2: Apartamento e ateliê Coletivo de Dois Local 3: Loja da Mumo

3.4.4. Eleição e Justificativa para as estratégias de abordagem Para obter os depoimentos, usamos um pré-roteiro de perguntas com base nos personagens já definidos. Utilizamos uma câmera para gravar os nossos personagens e uma para captar o making-of. Para gravar os objetos, ruas e lojas, usamos apenas uma câmera profissional e dois celulares. A câmera fixa foi usada para manter a formalidade entre o entrevistado e a equipe. Já a câmera na mão buscou captar os detalhes dos ambientes e principalmente dos personagens – gestos, expressões e trabalho, como no caso, da entrevista Ana e, dos entrevistados Daniel e Hugo.


46 Os planos mais abertos foram usados para ambientar o público e os planos fechados para causar proximidade. Os áudios foram captados através da lapela, do gravador e pelo celular. Os efeitos sonoros, recursos gráficos e materiais de arquivos foram pesquisados, selecionados e utilizados de acordo com a necessidade da narrativa e construção visual do projeto. Nossa editora, Luíza, pensou nas paletas de cores e fontes, o objetivo é dar um ar de frescor, mas que também chamem a atenção. ❏ Roupa: É o elemento principalmente de todo o projeto. Ao longo de diversas cenas roupas aparecerem, sejam elas sustentáveis ou não. Já começam o documentário com esse objeto e um BG de máquina de costura, que é para situar o público. As imagens deste elemento foram captadas tanto com a câmera na mão, para mostrar os detalhes e as diferenças de texturas, materiais, tonalidades e qualidade de confecção, quanto com a câmera fixa (tripé), que serviu como cenário em algumas cenas. ❏ Personagens e locais: Com as pautas em mãos, realizamos as entrevistas com os nossos personagens reais. Algumas perguntas foram padrões, ou seja, feitas para todos os entrevistados, outras diferentes. Primeiro, porque queremos obter diversos pontos de vista sobre o mesmo assunto e segundo porque cada personagem teve um papel distinto na construção de nossa narrativa. Com os depoimentos da Ana Rita Colorida, conseguimos captar a visão de alguém que aposto em uma carreira, mas que não queria investir muito. Ela já sabia costurar e se arriscou sozinha em criar a sua própria marca. Ela é bem direta e clara nas respostas, suas últimas afirmações foram indispensáveis. O melhor, é que a entrevista dela, ligou perfeitamente coma da Lilian, essa foi nossa única entrevistada negra. Com ela, conseguimos um ponto de vista mais jovem, porem, também extremante social, já que a Lilian trabalha com um coletivo de mulheres da periferia, na confecção de se suas bolsas e mochilas. Com a Renata, captamos uma opinião interessante – ela não modela, corta ou costura, mas está afrente de sua marca e apesar de se interessar por moda apenas em 2017, ela entende e compartilha todas as problemáticas da indústria. Por ter uma sócia do meio, ela acabou relatando os efeitos trágicos da pandemia no setor, além de outro trecho a respeito da C&A, que fizemos um paralelo com o depoimento dos meninos. Com o Hugo e o Daniel, podemos dizer que tiramos a sorte grande. Apesar de a nossa produtora ser só de mulheres, não queríamos gravar só com personagens femininos. Os meninos do Coletivo de Dois, criaram uma visão diferenciada no nosso documentário, mesmo sendo sobre o mesmo assunto – os dois se conheceram, começaram a namorar e fundaram a marca,


47 mas nunca pararam para planejar que ia ser no modelo slow fashion, foi arriscando. Optamos por gravar com os dois juntos, porque desde o momento que conhecemos a dupla, sabíamos que um completava o outro, e isso trouxe leveza para o nosso projeto. Os locais são para complementar o assunto, portanto, se estamos falando de moda, não teríamos como mostrar algo diferente, por isso o projeto é marcado pela presença de ateliês, lojas, brechós e a própria rua. 3.4.5. Sugestão de estrutura e estrutura final A partir dos depoimentos de nossos personagens (e colaboradores), realizmos uma decupagem de todo material gravado a fim de criar a sequência documental, a nossa roteirista, Gabrielly, consegiu definir uma linha narrativa e estrutural para o projeto. Vestindo o Futuro, é um filme não-ficcional de média metragem, cujos principais objetivos são refletir sobre a poluição têxtil e do comportamento da sociedade diante dos produtos e tendências, mostrar os benefícios da moda sustentável e do consumo responsável para o planeta. Nossa estrutura foi dividida em três blocos, mas que são interligados. Abaixo a primeira sugestão de estrutura, definida no pré-projeto, antes da mudança da porposta: BLOCO 1 – “PENSO, LOGO COMPRO”: A MODA É AMIGÁVEL? Através das imagens captadas por nossa equipe, ou seja, de tomadas em direto (independente de serem registros de eventos autônomos ou integrados) como fachadas de lojas de slow fashion e fast fashion, do excesso de consumo e fabricação com imagens dos grandes centros comerciais e dos resíduos têxteis dos bairros do Bom Retiro e Brás, das imagens de costureiras e dos processos de criação da moda sustentável, do comportamento social diante das tendências impostas pela moda e através das imagens obtidas por material de arquivo como notícias e reportagens das emissoras de televisão Rede Record e da Rede Globo, sobre as empresas do setor da moda que fazem (ou faziam) o uso de trabalho escravo em sua produção, imagens do desabamento do edifício em Savar, em Bangladesh e das imagens das mídias digitais como o Portal do G1 e vídeos do Youtube como de desfiles de moda, comerciais sobre moda, trechos de filmes ficcionais e não-ficcionais, faremos uma pequena introdução ao tema. Neste primeiro momento dispersaremos o uso da voz over, mas faremos o uso de uma trilha musical. As imagens terão que valer por mais de mil palavras, pois, o foco é prender o telespectador, não com o objetivo de denunciar a indústria têxtil diretamente, mas de criar uma reflexão sobre o impacto que esse setor tem sob nós, os consumidores. Ainda neste bloco, vamos colocar o relato de alguns pesquisadores e organizadores. BLOCO 2 – MODA PARA O PLANETA: DO LIXO AO LUXO O bloco começa com o depoimento da costureira ou das costureiras, caso a equipe


48 consiga mais de um relato, sobre as diferenças de produção e trabalho na moda. Com algumas imagens de material de arquivo, vamos retomar o que foi apresentado no primeiro bloco a respeito do desabamento do prédio. Depois vamos apresentar que os brechós e bazares são novos modelos de negócio e que será uma realidade muito comum até 2030. Basicamente, neste bloco vamos falar sobre os prós e contras de cada modelo, de como a mídia pode ajudar a criar tendências de estilos de vida mais sustentáveis e como será o Planeta se organizações e governos mudarem as regras de produção da indústria têxtil. BLOCO 3 – MODA ECOLÓGICA O último bloco será recheado de pequenos clipes que mostrarão diferentes estilos, estampas, cores e texturas. Aqui a equipe quer mostrar que a moda sustentável ou ecológica pode tem peças belas. Vamos intercalar os clipes com os depoimentos dos estilistas, donos de lojas e quem sabe de pessoas que praticam a arte da customização. O objetivo é tentar atrair e convencer o espectador que a moda sustentável é a moda do futuro. FIM Para a estrutura final, definida depois da mudança da proposta, decidimos seguir com a divisão dos blocos, para auxiliar, mas apenas no papel, na arte, não colocamos titulos. Abaixo, nossa sugestão final: BLOCO 1 – “MINHA AMIGA MODA” O documentário vai começar com um barulho de máquina de costura. Através das imagens captadas por nossa equipe como fachadas de lojas de slow fashion, fast fashion, brechós, com imagens dos grandes centros comerciais e dos resíduos têxteis dos bairros do Bom Retiro e Brás, com imagens de costureiras e dos processos de criação da moda sustentável faremos uma pequena introdução ao tema. Vamos usar voice-over, com o objetivo de prender o público, enquanto as imagens passam, também faremos o uso de uma trilha musical. O objetivo não é denunciar a indústria têxtil diretamente, mas de situar e criar uma reflexão sobre o impacto que esse setor tem sob nós, os consumidores. Em seguida, começamos com os depoimentos dos nossos entrevistados. Primeiro com a apresentação, depois sobre a história da marca. BLOCO 2 – MODA PARA O PLANETA: DO LIXO AO LUXO O bloco começa com mais um pouco de narração. Em seguida, aparece os depoimentos dos personagens, a equipe espera conseguir mais de um relato, sobre o modelo produção e trabalho na moda, se alguém já trabalhou ou conhece alguém que trabalhou para as grandes marcas. Com algumas imagens de segunda unidade, vamos apresentar os brechós e bazares e porque são novos modelos de negócio e que será uma realidade muito comum até 2030. Basicamente, neste bloco vamos falar sobre os prós e contras de empreender com moda, de como a mídia pode ajudar a criar tendências de estilos de vida mais sustentáveis e como será o


49 Planeta se organizações e governos mudarem as regras de produção da indústria têxtil. BLOCO 3 – VESTINDO O FUTURO: MODA ECOLÓGICA É ESTILO O último bloco será recheado de pequenos clipes que mostrarão diferentes estilos, estampas, cores e texturas. Aqui a equipe quer mostrar que a moda sustentável ou ecológica tem peças belas e estilosas. Vamos intercalar os clipes com os depoimentos dos personagens. Também vamos deixar a visão deles de como eles imaginam o futuro da moda e quem vai ser os donos da mudança? O objetivo é tentar atrair e convencer o espectador que a moda sustentável é a moda do futuro e que o consumo responsável é a melhor opção. FIM 3.4.6. Desenho de Produção

Desenho de Produção Descrição

Etapa de Preparação I

1. Pesquisa e material de arquivo • NICHOLS, Bill. Introdução ao documentário. São Paulo: Papirus, 2005. • LUCENA, Luiz Carlos. Como fazer documentários. São Paulo: Summus Editorial, 2012. • Bibliotecas (físicas e virtuais) e sites • Redes sociais para pesquisa de público-alvo 2. Contratação • Diretor: colocará tudo em ordem, verificando se os entrevistados estão corretos. • Produtor de elenco: irá selecionar quem será entrevistado no documentário. • Produtor executivo: cuida da parte financeira e organiza o orçamento. • Roteirista: pesquisa sobre o assunto, pensa em uma narrativa e no que é importante para mostrar. Observação: Para o contrato dos personagens será necessário a Autorização de Imagem e Som Etapa de Filmagem I Desenho de Produção Abordagem I Descrição 1. Objetivo(s) da abordagem Será abordada a poluição têxtil, fast fashion, trabalho escravo e como lidar e aprender com a moda sustentável. 2. Detalhes da Abordagem


50 Iremos intercalar as gravações entre noturnas e diurnas, mas provavelmente focando mais no dia, isso vale tanto para externas quantos internas, já que pretendemos gravar dentro de ateliê de moda e também tentar fazer takes em lugares abertos. 3. Providências e Infraestrutura de Produção O transporte será o mais utilizado por já pretendemos ir a lugares longe da nossa zona, como não somos uma produtora com muito orçamento usaremos o transporte metropolitano, mas se for necessário pagarem algum particular, precisaremos de muita luz (ela sendo natural ou não) para pegar o máximo possível do ambiente onde estaremos. 4. Equipe de gravação • Diretor: Responsável pela concepção do trabalho. • Roteirista: Criar um roteiro para obra ou o criador da própria obra, também responsável por adaptar o texto já existente. • Produtor Executivo: Responsável pelo orçamento da obra e pelos prazos de entrega. • Assistente de direção: Trabalha ao lado da direção o ajudando a intelectual entre as outras áreas (produção, direção de arte, fotografia etc). • Assistente de produção: Com a mesma importante do de direção, o assistente de produção fica ao lado do Produtor executivo, o ajudando com o elenco, alimentação, hospedagem etc. • Direto de arte: Fica responsável por dar vida à obra ele cuida da concepção visual dos cenários e locações do filme, também trabalha ao lado do Diretor de Fotografia sobre as cores escolhidas para as cenas. • Diretos de fotografia: Responsável por além de escolher as câmeras que iram ser usadas nos dias das gravações, ele também cuida dos enquadramentos, iluminação, marcação de luz etc. • Técnico de som: Responsável pela captação do áudio. • Câmera: Responsável por capturar todas as imagens da obra. • Editor: Faz a edição ou a montagem das cenas de acordo com o roteiro. 5. Equipamentos de Vídeo Usaremos duas câmeras de filmagens, uma parada no tripé e a outra em mãos. 6. Equipamentos de Áudio Usaremos um microfone de lapela para captar o áudio de uma entrevista e o microfone boom para captar o áudio de um ambiente caso esteja sendo entrevistada naquele momento mais de uma pessoa. 7. Material sensível Basicamente todos nossos equipamentos são sensíveis, usaremos as luzes como o nosso material


51 mais sensível por querer capturar o máximo de emoção possível. 8. Dias de gravação Três vezes por semana por um mês para garantir que nada de errado. 9. Hora de gravação Quatro horas para ter certeza de que todos os equipamentos estão prontos para a gravação e que o depoimentos estajam o suficiente. * OBS: Devido a pandemia do novo coronavírus, nossas gravações tiveram alterações: Para as gravações presenciais a produtora foi reduzida, sendo somente permitida a entrada da Diretora, Produtora e Câmera. Também forão realizadas entrevistas pelo aplicativo Zoom. Não foi permitida a entrada em shoppings para captar imagens de lojas de Fast Fashion, assim como algumas lojas de rua no Brás e no Bom Retiro. Etapa de Edição 3 Desenho de Produção Descrição 1. Infraestrutura para Edição Ilha de edição da casa da Luiza 2. Montagem- Manipulação de Sons e Imagens X 3. Equipe Diretor, diretor de fotografia e arte, som e editor.

3.5. Referências Estéticas Referências estéticas nada mais é que um conjunto de informações sobre o que usamos como exemplo para nos inspirar a criar o nosso conteúdo, podendo nos ajudar a decidir o jeito que queremos gravar nosso projeto, a narrativa, etc. Então, como referência para criar o Vestindo o Futuro, foram escolhidas três obras documentais, sendo elas: Estou Me Guardando Para Quando o Carnaval Chegar (2019), The True Cost (O Verdadeiro Custo) (2015) e Desserviço ao Consumidor (2019). ❏ Estou Me Guardando Para Quando o Carnaval Chegar (2019):


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É uma obra dirigida e roteirizado por Marcelo Gomes. Foi lançado no dia 11 de julho de 2019. Tendo a seguinte sinopse: Na cidade de Toritama, considerada um centro ativo do capitalismo local, mais de 20 milhões de jeans são produzidas anualmente em fábricas caseiras. Orgulhosos de serem os próprios chefes, os proprietários destas fábricas trabalham sem parar em todas as épocas do ano, exceto o carnaval: quando chega a semana de folga eles vendem tudo que acumularam e descansam em praias paradisíacas. O documentário conta a realidade de uma cidade no interior de Pernambuco, onde a economia é toda e somente de calças jeans. Toritama é uma cidade desconhecida no agreste pernambucano e que é responsável por 20% da produção de calça jeans nacional. Como esse foi o primeiro filme documentário de Marcelo Gomes, percebemos um pouco da narrativa de seus outros filmes, mas mesmo assim não deixando o estilo documentário para trás – com a fotografia em cores bem claras e meio pastéis podemos perceber bem e sentir aquele ar de cidade do interior que vive em um ritmo mais lento. Porém, este não é o caso de Toritama que se intitula de “Grande São Paulo” já que quem vai para lá consegue um emprego rapidinho. O documentário começa com Marcelo narrando como era aquela cidade na época da sua infância com uma música melancólica ao fundo enquanto vários cartazes aparecem, no começo


53 a câmera está em movimento e balança por causa dos buracos da rua não asfaltada, mas não atrapalha em nada a narrativa. O áudio, capta muitos ruídos para mostrar como a cidade calma se transformou em uma fábrica, que às 07h00 já está a todo vapor, até mesmo nos finais de semana, todos estão trabalhando. Os barulhos eram tão intensos e maçantes que deixou o diretor ansioso por causa do que se lembrava na infância: a cidade silenciosa. Em um momento o diretor decide deixar com que os moradores que esperam tanto o Carnaval para passar o longo feriado na praia, gravar a estadia lá enquanto ele fica na calma e sozinha cidade que visitava junto com o seu pai, há quarenta anos. Neste documentário, usamos como referência o fato dele denunciar cuidadosamente e sutilmente o trabalho sem parar da maioria das pessoas na cidade, onde eles só descansam duas vezes no ano (Carnaval e final de ano: Natal e Ano Novo) e nos outros continuam batalhando para conseguir o mínimo para sair da cidade e viajar, queriamos denunciar também na mesma suavidade que o documentário fez. ❏ The True Cost (O Verdadeiro Custo) (2015):

Foi dirigido e roteirizado pelo francês Andrew Morgan e foi lançado em maio de 2015, na França. Sua sinopse é: Explore a ligação entre a pressão dos consumidores por alta-costura de baixo custo e a exploração de trabalhadores nas fábricas.


54 O documentário foi gravado em várias partes do mundo, mas o seu principal foco foi em Bangladesh, mais precisamente em Dhaka, onde houve um desabamento em 2013, que matou mais de trezentos trabalhadores, a maioria mulheres, e deixou milhares feridos. No início, o documentário começa tranquilo e colorido, cheio de relatos do cotidiano dos entrevistados, sobre como gostam de suas roupas, tudo sempre em um tom de paleta colorida e pastel. As câmeras na maioria das vezes no plano médio, com as pessoas sentadas e atrás delas um fundo claro – isso quando são pessoas de classes mais resolvidas, já as pessoas trabalhadoras ficam na frente de um fundo mais escuro, porém nem sempre eles repetem isso. A estética do documentário mesmo depois de ter atingido um assunto mais sério, no meio da narrativa, não mudou a paleta de cores, tem muitas passagens de tempo, que ajuda as pessoas a entender bem o que está se passando naquele momento, deixando até mesmo uma angústia no ar, com algumas imagens que não escondem em nada a dor e sofrimento dos trabalhadores da indústria da moda. The True Cost aborda alguns assuntos para a narrativa sendo eles: o fast fashion, a queda do prédio de seis andares do Rana Plaza, trabalho escravo, o impacto da moda na agricultura e como o uso de agrotóxicos no algodão prejudica a vida da população ao redor – fazendo com que elas tenham doenças incuráveis, além do acúmulo de lixo têxtil e a influência da publicidade. São muitos assuntos que poderiam atrapalhar a narrativa do documentário, mas que só deixou o assunto mais rico e completo, todos esses pontos tem um começo, meio, fim. Este documentário, é o que mais combina com o Vestindo o Futuro, não queríamos falar somente de um assunto, e como ele fala sobre vários temas correlacionados sem perder o foco decidimos assim ter ele como maior referência, porém somente na narrativa, porque no visual não foi possível, devido a pandemia do Covid-19. O Verdadeiro Custo, “é uma história sobre ganância, medo, poder e pobreza”, como diz o narrador nos primeiros minutos do documentário. E, é um pouco disso que trouxemos para o documentário. ❏ Desserviço ao Consumidor (2019):


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É uma série documental de quatro episódios, produzida por Chris Cechin-De La Rosa e Christopher Collins. Foi lançado pela plataforma streaming Netflix, no dia 13 de novembro de 2019. Sua sinopse é: esta série documental mostra que a propaganda enganosa e a negligência na produção de produtos populares podem ter consequências gravíssimas. A série documental mostra que a propaganda enganosa e a negligência na produção de produtos populares, que podem ter consequências gravíssimas na vida do consumidor. Ela fala a respeito dos produtos sintéticos e seu perigo a saúde, coisas que simulam certos materiais como maquiagem, móveis de fácil montagem e cigarros eletrônicos. A série relata casos de pessoas que sofreram com isso e conversa até mesmo com especialistas, ela é bem didática e interessante de se assistir, pois o seu ritmo é sempre entusiasmante. Diferente dos outros documentários usados como exemplo, este segue uma pegada mais intensa e frenética, tanto nas falas dos entrevistados como no ritmo das passagens de tempo e músicas de fundo. A paleta de cores também é mais escura mostrando a profundidade do problema, as entrevistas também são bem dinâmicas, fugindo um pouco do padrão de ficarem sentado os produtores vão para as ruas enfrentando problemas e pessoas. O áudio também é completamente limpo para manter o foco só nas vozes das pessoas e suas experiências, os enquadramentos são bem abertos em alguns momentos para mostrar a imensidão do problema de produtos sintéticos e sempre no final de cada episódio ela deixa uma pergunta no ar sobre o que deveríamos fazer sobre aquele assunto lembrando as séries clássicas de documentário. Desta obra audiovisual, nos inspiramos em como eles abordaram as pessoas e as fizeram ver


56 e falar o problema em produtos vindo de lugares sem precedentes, também deixando o alerta que a um trabalho escravo por trás, além disso usamos de referência à iluminação. Portanto, nossa intenção foi fazer um documentário reflexivo sobre a Moda Sustentável, no Brasil, falando sobre seus prós e contras, fazendo as pessoas pensarem sobre o que está acontecendo na atualidade e como podemos mundar para ter um futuro melhor. 3.6. Classificação do projeto A Classificação indicativa, no seu literal, indica o que não se devem recomendar as crianças e jovens com menos de dezoito anos, estes conteúdos sendo filmes, programas de TV, jogos de videogames e DVD’s, documentários, etc. Foi criada para filtrar, recomendar e adequar o que as crianças e adolescentes deveriam ver, diferente de muitos a classificação serve para alertar sobre o que tem naquele conteúdo e não censurar ou proibir. De acordo com o Ministério da Justiça: a atividade de Classificação Indicativa é exercida pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública com fundamento na Constituição Federal de 1988 e no Estatuto da Criança e do Adolescente, a Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Atualmente, a Portaria MJ nº 1.189 de 2018 reúne todas as instruções atuais sobre a Classificação Indicativa. Veja a seguir como entender melhor essa classificação:

(Fonte: Ministério da Justiça)


57 A classificação indicativa do documentário “Vestindo o Futuro” é „livre‟ para todas as idades e públicos, pois não é um documentário que aborda temas que prejudicam a saúde mental dos telespectadores, não a nudez explícita e nem simbólica, não a presença de armas insinuação de morte que trata de violência e a aparição de qualquer tipo de droga por ser algo contrário do que queremos mostrar no documentário. A classificação Livre não manifesta nenhuma opressão, julgamento, inconveniências e conteúdo que futuramente ofenda alguém já que visamos a nossa total atenção ao mercado da moda sustentável e como ela é importante para nós e as seguintes gerações. 3.7. Público-alvo Antes de definir um público-alvo é preciso entender o objeto de estudo. Quando falamos em indústria da moda, estamos abordando um mercado que tem 85% de sua cadeia de produção mundial formada por mulheres. Nas escolas de moda, cursos e faculdades, não é muito diferente, por exemplo, a Fashion Institute Technology, uma das melhores escolas de moda de New York, afirmou que 85% de seus alunos em 2014 eram do sexo feminino. E, sabemos que mesmo com o aumento de compras entre os homens, em shoppings, sites e aplicativos, as mulheres são as líderes em consumo. Portanto, para tentar identificar melhor nosso público-alvo, buscamos dados de perfis de consumo e fizemos uma análise na monografia de Madeleine Cavalheiro Muller (2016), onde ela realizou uma pesquisa com 108 mulheres, que usam e conhece moda sustentável. Em seu trabalho, Muller confirma que mulheres entre 22 a 35 anos são as quem mais usam roupas sustentáveis, sendo que 70,4%, ou seja, a maioria das mulheres entrevistadas, tem o Ensino Superior completo. Por outro lado, devemos pensar que, o poder de aquisição de jovens entre 22-25 anos é muito pequeno e o custo da moda responsável é grande. Partindo dessas informações, a Novel, decidou criar uma persona, com o propósito de ajudar a traçar o perfil do nosso público. Nossa persona é a Maria, ela tem 27 anos, é brasileira, solteira e formada em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Em 2019, se formou na Pós-Graduação de Direito Ambiental e Gestão Estratégica de Sustentabilidade na PUC (Pontifica Universidade Católica de São Paulo). Atualmente, Maria trabalha como Advogada Ambiental e está na defensa contra o desmatamento da Mata Amazônica. Ela gosta de moda sustentável e animais, fala três idiomas (Inglês, Espanhol e Francês), gosta de viajar e conhecer culturas diferentes, tem dois cachorros Golden. Ela mora sozinha e visita os pais nos fins de semana. Depois da persona pensada e das pesquisa, acreditamos que o público-alvo do documentário Vestindo o Futuro, são de mulheres, entre 27 a 45 anos, das classes B e C e com algum curso de graduação ou técnico.


58 3.8. Distribuição Decidir qual é a veiculação e distribuição do seu projeto não é fácil, antes de transmitir em qualquer canal televisivo ou de streaming, decidimos que o Vestindo o Futuro vai ser veiculado e distribuído através do Festival Internacional de Documentários: É Tudo Verdade, criado pelo crítico Amir Labaki e que teve sua primeira edição em 1996. Escolhemos este festival, por ser um evento tradicional do Audiovisual Brasileiro e uma das maiores fontes de exibição da América Latina, em produções não-ficcionais. Sabemos que público deste festival é diverso, mas acreditamos que ele é a melhor forma de divulgação do nosso documentário, por ser exibida não só em São Paulo, mas no Brasil, e também para que o mundo possa vê-lo e ter mais a conscientização e interesse na moda sustentável. 3.9. Justificativa Sabendo que o TCC seria o nosso último projeto na faculdade, a produtora começou a discutir qual seria o melhor gênero para se trabalhar. Iriamos dedicar um ano em um único projeto, então era necessário que fosse algo que todas gostassem. Depois de analisar todos os projetos interdisciplinares, os custos e tamanho da produtora, decidimos fazer um documentário. Com o tema fechado, fomos buscar temas interessantes. Como nossa produtora sempre gosta de trabalhar com assuntos diferentes, mas atuais, foi sugerido pela Luíza, que nosso projeto abordasse o tema: moda sustentável. Todas estavam de acordo, o tema seria Moda Sustentável e o Consumo Responsável. Escolhemos esse tema, pois, a moda já é um objeto de estudo amplo e interessante, e claro, que todas as meninas do grupo gostam de comprar e de ser vestir, mas quando pensando em sustentabilidade nesta indústria, estamos pensando nas mudanças sociais, ambientais e políticas. Daí, já nas primeiras pesquisas percebemos que o mercado da moda precisava evoluir – ter consciência de quem fez, como foi feito e para onde vão às roupas que circulam todos os dias, na nossa sociedade. Nossa curiosidade também era saber, o porquê das empresas sempre atacarem indiretamente os consumidores quando se trata de responsabilidade do produto. Durante muito tempo o consumidor foi visto com o único responsável pelo desgaste ambiental da cadeia de produção, a Responsabilidade Compartilhada não era pauta, logo a indústria colocava a culpa indiretamente em que comprava, a exemplo disso, temos a marca de denim, Levi’s, que divulgou uma tabela onde os consumidores eram os maiores responsáveis pelo uso e desperdício de água nas lavagens dos jeans, cerca de 1.575,2 litros, em dois anos. Veja na tabela a seguir:


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É no mínimo curioso essa obsessão que a indústria tem em quitar a sua responsabilidade. Certo que, o consumidor gaste em média tudo isso de água mas, em contrapartida, segundo a Vicunha Têxtil, produtora de jeans e o Movimento Ecoera, um dos precursores em integrar à sustentabilidade no Brasil, divulgaram em novembro de 2018, o projeto Pegada Hídrica Vicunha, que analisou a cadeia de produção uma calça jeans – desde o plantio do algodão até o seu consumidor final. Em maio de 2019, o relatório saiu, a partir da metodologia global Water Footprint Network, foi revelado: o consumo médio de 5.196 litros água por calça jeans produzida, no Brasil. Sendo que deste número o consumidor só é responsável por 460 litros, ao longo de cinco anos, se ele lava o jeans, em média, a cada 15 dias. Em 2019, a rede de moda feminina e lingerie, Marisa, lançou uma coleção de jeans sustentáveis, com o objetivo de reduzir o consumo de água na moda. Outras lojas de fast fashion e marcas de luxo, como a grife Stella McCartney já estão no mesmo caminho. Segundo uma reportagem publicada pelo jornal Valor Econômico, em março de 2019, a indústria da moda é responsável por cerca de 10% das emissões globais de gases-estufa, número maior do que a aviação e o transporte marítimo, produzem juntos. Isso tornaria a moda a segunda ou terceira indústria mais poluente do mundo, ao lado da agropecuária e no petróleo. Na semana Fashion Revolution Brasil, que aconteceu em abril de 2018, foi revelado um estudo de Empresas Brasileiras de Moda Sustentável, apresentando o crescimento e evolução desse setor, nos últimos 13 anos. O relatório mostra que, em 2017 teve um resultado inferior ao ano de 2016, porém, é visível o aumento de dessas empresas nos últimos anos. Foi apresentado também, um índice com a distribuição geográfica dessas empresas, colocando São Paulo na liderança, como a cidade com mais empresas no ramo. Segundo o Índice de Transparência na


60 Moda, também divulgado pelo Fashion Revolution Brasil, a C&A é a empresa mais sustentável do país, em 2019. Porém, a Renner foi a única varejista brasileira a integrar no ranking das empresas mais sustentáveis do mundo, o Índice Dow Jones de Sustentabilidade, no mesmo ano. Apesar dos dados, não houve muita evolução, no setor, dentre as 30 marcas analisadas, de acordo com o Índice de Transparência na Moda, “apenas 20% das marcas compartilham o resumo das descobertas das avaliações das instalações de fornecedores no nível 1 e além do nível 1, enquanto somente 1 marca (3%) divulga essas informações sobre seus fornecedores de matéria prima”. Em 2018, 20% das marcas divulgavam esses resultados no nível 1, 15% além do nível 1 e 5% no nível de matéria-prima. Se o objetivo é abordar a ética, transparência, valores sociais e sustentabilidade nas redes de varejo, podemos dizer que, esse setor no Brasil, precisa percorrer um longo caminho. De todos os tópicos avaliados, a C&A atingiu 64%, depois a Malwee com 55%, Renner com 52% e a maior varejista de calçado do país, Arezzo, ficou com 6%. Nenhuma marca atingiu 100%. Uma pesquisa feita pelo grupo, no site especializado em consumo online, Análise do Lyst, informa que as buscas sobre moda sustentável cresceram 66%, em 2018, no mundo. Isso mostra que a cada vez mais as pessoas que tem acesso à informação estão se interessando pelo tema, portanto, as empresas já deveriam colocar em práticas mais pilares que englobem atitudes responsáveis em seus processos de produção. Os dados são alarmantes, em um Planeta onde cerca de 1 bilhão de pessoas não têm acesso à água potável e 4 mil crianças morrem diariamente por causa da contaminação, como podemos permitir um gasto de 5 mil litros de água ou até 11 mil litros (dependendo do país) na produção de uma calça? Com a pandemia da Covid-19, como não se sentir incomodados com as diversas mulheres e crianças que ainda com isolamento, se virão obrigados a trabalharem em situações desumanas? Quando a Economia Circular vai ser vista como uma solução e não um problema? Quandos as pessoas vão parar de ter preconceito com as roupas de segunda mão? Com o propósito de obter respostas, decidimos estudar essa grande indústria da moda.


61 3.10. Cronograma de produção

Março 07/03 – Formação da Produtora 10/03 – Escolha do tema 11/03 – Entrega da ficha e pesquisa sobre o tema 12/03 – Reunião da Produtora 25/03 – Fundamentação Teórica 26/03 – Orientação

Abril 03/04 – Reunião da Produtora e divisão das funções 06/04 – Formação da bíblia de Produção 07/04 – Reunião da Produtora 08/04 – Orientação 14/04 – Estruturação do documentário 15/04 – Orientação 28/04 – Estruturação do documentário 30/04 – Orientação

Maio 07/05 – Aula 08//05 – Revisão da estrutura da Bíblia 14/05 – Aula 19/05 – Finalização da primeira parte da qualificação 22/05 – Entrega da primeira parte para a banca de qualificação 29/05 – Orientação

Junho 04/06 – Banca de qualificação 08/06 – Renião da Produtora 11/06 – Estruturação da Bíblia 15/06 – Renião da Produtora 20/06 e 21/06 – Estruturação da Bíblia 22/06 – Renião da Produtora

Julho 02/07 – Renião da Produtora 07/07 – Renião da Produtora 09/07 – Renião da Produtora 10/07 – Escrevendo a Bíblia 13/07 – Escrevendo a Bíblia


62 14/07 – Renião da Produtora 16/07 – Escrevendo a Bíblia 20/07 – Escrevendo a Bíblia 23/07 – Escrevendo a Bíblia

Agosto 04/08 – Reunião da Produtora 14/08 – Orientação 17/08 – Reunião da Produtora *– Procurando Entrevistados 21/08 – Orientação 28/08 – Orientação 31/08 – Procurando Entrevistados

Setembro 04/09 – Reunião da Produtora 07/09 – Preparação do conteúdo para o instagram 09/09 – Postagem no Instagram 10/09 – Postagem no Instagram 14/09 – Postagem no Instagram 16/09 – Escrevendo a Bíblia 18/09 – Reunião da Produtora 20/09 – Vídeo conceito (IG) 22/09* – Escrevendo a Bíblia 23/09 – Postagem no Instagram 29/09 – Video de como ser um consumidor consciente (IG)

Outubro 09/10 – Postagem no instagram/ Gravação Diadema 14hs 10/10 – Gravação Anhangabaú 10hs 12/10 – Gravação Tucuruvi 15hs \ Gravação online 13/10 – Postagem no instagram \ gravação Taboão da serra 14hs 14/10 – Gravação Brooklin 10hs 15/10 – Anúncio da live 16/10 – Reunião online da Produtora 18/10 – Live 23/10 – Orientação 25/10 – começo da edição 26/10 – Postagem no instagram/Revisão do material 28/10 – Entrevista

Novembro


63 03/11 – Postagem no Instagram 12/11 – Postagem no Instagram 14/11 – Revisão do material e finalização da edição 15/11 – Revisão do material e finalização da edição 16/11 – Revisão do material e finalização da edição 18/11 – Envio e pega do material 3.11. Orçamento: previsto x real ❏ Orçamento previsto: ❏ 1. Pré-Produção 1.1 Equipe Diretor Roteirista Produtor Executivo Produtor de Locação Produtor de Casting Pesquisador

Quantidade 1 1 1 1 1 1

Semanas 8 Roteiro 8 8 8 8

Valor Unitário R$ 4.249,41 R$ 34.885,41 R$ 3.768,45 R$ 1.565,14 R$ 1.299,06 R$ 2.570,49

Subtotal 2. Produção 2.1 Equipe Diretor Assistente de Direção Produtor Executivo Diretor de Fotografia Operador de Câmera Diretor de Arte Microfonista Técnico de Som

R$ 33.995,28 R$ 34.885,41 R$ 30.147,60 R$ 12.521,12 R$ 10.392,48 R$ 20.563,92 R$ 142.507,81

Quantidade 1 1 1 1 1 1 1 1

Semanas 2 2 2 2 2 2 2 2

Valor Unitário R$ 4.249,41 R$ 1.876,38 R$ 3.768,45 R$ 2.805,60 R$ 2.570,49 R$ 2.805,60 R$ 1.876,38 R$ 2.805,60

Subtotal

Valor Total R$ 8.498,82 R$ 3.752,76 R$ 7.536,90 R$ 5.611,20 R$ 5.140,98 R$ 5.611,20 R$ 3.752,76 R$ 5.611,20 R$45.520,32

2.2 Equipamentos

Quantidade

Câmera Gravador Microfone Tripé Cartão de Memória Iluminador Subtotal

2 1 1 2 2 1

2.3 Transporte

Valor Total

Quantidade

Diárias 6 6 6 6 6 6

Diárias

Valor Unitário R$ 150,00 R$ 30,00 R$ 140,00 R$ 50,00 R$ 20,00 R$ 60,00

Valor Unitário

Valor Total R$ 1.800,00 R$ 180,00 R$ 840,00 R$ 600,00 R$ 240,00 R$ 360,00 R$ 4.020,00 Valor Total


64 Ônibus Trem / Metrô Ônibus de Viagem Subtotal

4

3. Edição e Finalização 3.1 Equipe

2

Quantidade

Diretor Editor

Semanas

1 1

2 2

140,00

R$ 560 R$ 560

Valor Unitário

Valor Unitário

R$ 4.249,41 2.963,23

R$ 8.498,82 R$ 5.926,46

Subtotal

R$ 14.425,28

4. Administração 4.1 Impressão

Quantidade

Bíblia de produção Subtotal

2

Valor Valor Total Unitário R$100

R$200 R$200

*Valores dos profissionais calculados de acordo com a tabela da Sindicine¹. Os equipamentos e materiais para a produção foram cotados a partir de sites de locação.

❏ Prestação de contas: 1. Pré Produção 1.1 Itens Livro 1

Semanas -

Valor Unitário R$ 8,00

Subtotal 2. Produção 2.1 Itens Pilha Pallito Pilha Cartão Memória Uber

Valor Total R$ 8,00 R$ 8,00

1 1 1 2

Semanas -

Valor Unitário R$ 20,99 R$ 6,00 R$ 36,00 R$ 17,86

Subtotal 3. Pós Produção 3.1 Itens Semanas Gráfica 1 Reparo Câmera 1 Subtotal Resumo 1. Pré Produção 2. Produção 3. Pós Produção Total ¹ Disponível em: http://www.sindcine.com.br/

Valor Total R$ 20,99 R$ 6,00 R$ 36,00 R$ 37,86 R$ 100,85

Valor Unitário R$ 360,00 R$ 200,00

Valor Total R$ 360,00 R$ 200,00 R$560,00 R$ 8,00 R$ 100,85 R$ 560,00 R$668,85


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66 3.12. Projeto Transmídia Para trabalhar em paralelo com o documentário, a Novel, decidiu criar um perfil, no Instragram, com o objetivo de atrair mais pessoas, além do nosso público-alvo. Escolhemos essa rede social, porque de simples de usar e, porque quando se trata de tendências e moda, o Instagram é líder em divulgação. O perfil (@vestindoofuturo), trouxe (e continuará trazendo, mesmo depois da banca) blogueiros, pesquisadores, influenciadores e profissionais da área, tendo como abordagem a moda sustentável e seus caminhos. Nossa equipe de Social Media, está encarregada de trazer convidados especiais e conteúdos novos durantes todas as semanas, seja através do compartilhamento de outros perfis, lives, post ou vídeos. O gancho, será o anúncio da estréia documentário, com a intenção de chamar à atenção das pessoas, para que as mesmas se aprofundarem mais no assunto. Convidamos (e iremos convidar) especialistas em consumo responsável, influenciadores, estilistas e costureiras, vamos deixá-los à durante os bate-papos. A equipe, procurou saber os melhores horários e dias do Instagram para aumento o engajamento das publicações, na rede social. No dia banca, pensamos em realizar um Challenge, em forma de desfile, tudo de maneira virtual. Enquanto o Vestindo o Futuro é a parte mais séria deste projeto, o perfil no Instagram é completamente diferente, ele tem como objetivo trazer leveza e diversão, além da informação, é claro. Por isso, o design do perfil, mostra leveza e o Meio Ambiente – usando as cores: laranja, verde e azul.


67 Organizamos os conteúdos por tópicos, como mostra a tabela a seguir: 09/09 10/9 14/09 20/09 23/09 29/09 09/10 13/10 15/10 18/10 26/10 28/10 03/11 12/11 26/11 27/11 28/11

Post sobre a poluição causada pela área têxtil no mundo: vamos apresentar dados, estatísticas e relatos, sendo o IBGE -quarta-feira Post explicando sobre moda sustentável: vamos apresentar dados, estatísticas e relatos, sendo o IBGE Post sobre o consumo consciente Vídeo conceito sobre o documentário Post sobre a Pandemia e a moda sustentável Vídeo de como ser um consumido consciente A Hierarquia da necessidade Vídeo: Repetir roupa não faz mal Anúncio da Live com Luana Nascimento Live: Moda Sustentável com Luana Nascimento O que é Fast fashion? Entrevista com Ellen Celestino da Criazon O que é Slow Fashion? O que é Upcycling? Divulgação do documentário Challenge de roupa coringa Documentário


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69 3.13. Arte: Identidade visual do documentário e do Instagram ❏ Identidade visual: capa e perfil do Instagram A identidade visual do documentário, assim como da Bíblia de Produção e perfil no Instagram, tem como fonte de inspiração as capas das revistas de moda como, por exemplo, a Vogue. As fontes utilizadas para criar o logo foram a Officina Sans-Book, modificada sem a serifa na letra “i”, aumentando a sua sofisticação, e a Helvetica Neue, com um espaçamento maior entre as letras, proporcionando melhor facilidade para a leitura. Elas também foram alongadas e ficaram todas em maiúsculas, destacando-as. Pode se perceber, tanto na capa, como no perfil do Instagram, principalmente nas letras, o leve toque de natureza, criando assim, um frescor, o que remete ao tema do projeto – moda, sustentabilidade e o meio ambiente.


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71 ❏ Logo do Instagram Para o logo do Instagram, decidimos usar o fundo com um tom azul bem claro, para dar suavidade e contraste com as outras cores mais chamativas. As folhas verdes representam a natureza, a renovação e a sustentabilidade. O amarelo alaranjado é uma cor estimulante e representa simpatia, como também dá um toque mais alegre, além de chamar a atenção do público e o vinho escuro, faz referência ao glamour e a elegância da moda.


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73 Considerações Finais Respondendo ao objetivo do trabalho apresenta-se cinco personagens que apesar de não terem nenhum curso com formação em moda, todos são empreendedores do segmento de vestuário e/ou acessórios. Observa-se que todos tem menos de quarenta anos e a maioria são mulheres com formação superior (graduação ou pós), algumas com pouco tempo de experiência, outras com mais de dez anos, no ramo. O caso é, que todos tem um desejo em comum: buscar uma moda mais responsável. O projeto expõe características das gestões, comportamento e trabalho do empreender que escolheu aderir ao movimento do slow fashion. A partir dos dados apresentados durante todo este trabalho, assim como a obra documental, Vestindo o Futuro, concluímos que é necessária uma mudança no hábito do consumo, todos tem a obrigação de serem mais responsáveis, a indústria precisa rever os seus pilares e garantir que os trabalhadores tenham condições justas de trabalho, a política precisa criar leis que incentivem a responsabilidade, transparência e comprometimento com o meio ambiente. e como funciona a reutilização dos resíduos têxteis nas marcas de sustentabilidade. Não basta só analisar os benefícios da moda sustentável, tem que se colocar em prática. O presente trabalho também falou sobre as práticas de Upcyling e Economia Circular, recomendase que busquem outras pesquisas e estudo realizados para uma melhor compreensão. Ambos são tópicos muito interessante e devem ser explorados. Acredita-se que em um futuro, não muito distante, haverá profissionais que atuem exatamente nestes segmentos, dentro de empresas e mercados, a prova disso, são os diversos cursos já oferecidos sobre o tema.


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“Esse foi o projeto mais esperado e eu estava muito ansiosa por ele, escolhemos um tema de bastante impacto que tivemos a oportunidade de conhecer bastante. Tive algumas dificuldades com a adaptação devido à pandemia, estava super difícil de achar os entrevistados, eles nunca estavam disponíveis e tive toda a preocupação com a qualidade, iluminação e cenário de uma entrevista on-line que nem sempre era solucionada, tivemos que descartar a possibilidade de gravar em algum festival de moda e eu tive também uma grande dificuldade com as aulas/orientações on-line, no meu bairro não tem disponibilidade de internet maior de 2 megas o que resultou no pouco aproveitamento das orientações e reuniões de grupo, muitas vezes eu não estava presente e ficava super perdida depois.” – Ana Paula Nunes


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“Primeiramente, antes de falar sobre o TCC, eu gostaria de agradecer a todos que fizeram parte, mesmo que de uma forma muito pequena, nesta etapa da minha vida – a faculdade. Entrei neste curso com um único sonho, que é me tornar roteirista, mas estou saindo com vários outros. Se a pequena Gaby, olhasse para essa, com certeza ela iria sentir muito orgulho. Acredito que escolhi o curso certo, independente dos problemas da área. Não posso dizer que fiquei totalmente satisfeita com os meus projetos mas, posso afirmar que aprendi muito com cada um deles e conheci pessoas maravilhosas. E o melhor é que conseguir fazer parte do roteiro de todos eles, mas também experimentei ser apresentadora, diretora, roteirista, figurinista e produtora. Meus favoritos foram a série para TV e o primeiro documentário. Talvez, seja por isso que também criei na minha cabeça durante um ano, que meu projeto final deveria ser um TCC. Bem, para mim, o TCC foi tipo uma relação de amor e ódio – amor, porque eu simplesmente sou fascinada pelo mundo da moda, inclusive era a minha segunda opção de graduação desde 2010, e de ódio, porque por mais que você escreva e procure falar sobre algo que você goste, nenhum projeto é fácil: chorei, surtei, entrei em desespero, passei algumas noites em claro, mas tudo bem, aprendi muito e me apaixonei mais pelo mundo fashion. Pensei que o TCC nunca ia acabar ou nunca ia sair. Tivemos tantos problemas – dois casos de doença na produtora, meu notebook quebrou, perdi diversos arquivos, inclusive os melhores textos do capítulo de desenvolvimento, o Dropbox sumiu com vários vídeos das entrevistas, etc, mas no final, tudo deu certo. A nossa querida orientadora, Elisa, foi meu Acredito que depois de tudo que passei e aprendi vou me tornar uma consumidora mais responsável e vou passar tudo que sei para as pessoas que conheço. Expresso aqui todo o meu carinho para todos os professores que fizeram parte da minha história e da Novel, em especial aos professores Bruno e Grego, e as professoras Cida, Elisa e Patricia. Também quero deixar aqui, registrado, minha eterna gratidão as minhas companheiras de projeto: vocês são demais! Nunca, nunca mesmo, vou esquecer de vocês e de tudo que passamos durante esses quatro anos. Obrigada, meninas!” – Gabrielly Daltro


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“Durante esses 4 anos de faculdade, aprendi tanta coisa, com várias pessoas diferentes que fez de cada aprendizado ser único, agradeço aos professores pelo empenho e por ter nos ajudado tanto nesses últimos anos, que sou muito grata por tudo que cada professor fez pela gente! No TCC tive algumas dificuldade, e uma dessas foi nesse semestre, que tive um problema familiar que precisou muito da minha atenção, e hoje agradeço muito as meninas da Novel por serem compreensivas pelo ocorrido em minha família, sei que não nada fácil, pois tivemos muitas dificuldades no meio do caminho, todas se esforçaram ao máximo para que o documentário ficasse maravilhoso, e o resultado foi que ficou melhor do que pensamos que iria ficar com tantos problemas que tivemos, tentei me esforçar ao máximo pra praticar e ficar mais ativa no TCC, mesmo de longe estava acompanhando tudo, por mais que fiquei muito ausente, ainda consegui ir em uma entrevista, queria poder ter participado mais, porque um TCC de faculdade eu não vou ter outro, posso até ter em outro curso em outra faculdade, mas de Rádio, TV e Internet eu não vou ter mais, porque esse é o principal por ser o primeiro TCC em minha vida, e que não pude participar tanto, como eu gostaria de ter participado. Mas por um lado fico feliz, em saber que uma parte importante das nossas vidas está se encerrando, e eu agradeço muito a minha mãe por sempre ter me ajudado com a faculdade e principalmente com a mensalidade, que em plena a pandemia tivemos dificuldade financeiras em casa, mas ela nunca deixou de pagar a faculdade. Enfim, 4 anos se passou e estamos encerrando uma de muitas etapas das nossas vidas, e espero que todas nós tenhamos um futuro brilhante pela frente.” – Gilmara Oliveira


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“No começo do ano, eu já sabia que esse ano seria tenso por causa do TCC, mas só piorou quando a pandemia estouro no Brasil, quando veio as aulas online eu tinha muita dificuldade para prestar atenção por estar dentro de casa e por também a minha casa ser bem barulhenta, mas foi dando tudo certo, o que eu mais gostei foram as orientações online, a nossa professora sempre nos acalmava sobre os problemas que aconteciam no nosso trabalho e foram muitos, ainda mais sobre os entrevistados que queriam colaborar só quando quisessem, mas é algo normal para nós estudantes de Rádio, TV e Internet. Sobre o nosso tema, ele me fez ver muito além das coisas, eu já sabia o que era moda sustentável, mas era bem por cima mesmo, só sabia que era uma moda que não agredia o meio ambiente, mas conforme fui embarcando mais e aprendendo mais sobre o tema e com os entrevistados eu fiquei muito mais interessada em tudo, inclusive até comecei a consumir mais essa moda, agora com esse trabalho que estamos fazendo espero que façam as pessoas se interessarem também.” – Juliana Germano


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“Sempre souber que fazer TCC é difícil, mas os acontecimentos deste ano dificultou os planos, e tivemos que muda algumas coisas , aprendi muito com o tema apesar da correria e do estresses acabei tendo interesse sobre a moda sustentável e o que tem por trás dela, as orientações a distância não foi fácil, a internet não ajudava, no começo fiquei perdida por conta da pandemia, por que não sabia o que ia acontecer e o que fazer, mas quando comecei a trabalha na transmídia tudo foi se encaixando. Ainda falta um semestre para que eu possa terminar, e eu não tinha ideia que seria cheio de emoções, conheci pessoas maravilhas que quero leva pra vida e os professores que são os grandes mentores, e nestes últimos 3 anos posso dizer agora que foram os melhores entre risada e choro e desespero, o que mostra a intensidade de ser uma universitária, em todos o projetos tive experiencias diferentes que vou passar adiante porque conhecimentos e experiencias tem que ser transmitida. Os fazer todos os projetor em grupos fez com que aprendesse mais, a respeita opiniões das pessoas, e quem nem sempre vou trabalhar com quem eu gosto ou o que. Não posso esquecer da minha família que sempre esteve como comigo em momentos de choro dizendo que é assim mesmo, eu não estaria onde estou sem eles e Deus que me guiaram ate aqui. Agradeço por tudo e a todos, sei que o meu caminho vai ser logo tanto na vida profissional e pessoal, mas eu sei que chegar lá, com um sorriso no rosto. E obrigada a minhas colegas de produção eu tenho certeza de que vamos realizar tudo que queremos.” – Leda Priscila


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“Este ano, devido a pandemia, eu não pude participar de nenhuma das gravações, pois tenho a imunidade muito baixa. Sendo assim, contribuí na pré e na pós produção, tendo como parte principal toda a edição e o layout da bíblia. Por um lado, foi uma experiência boa. Eu pude me aprofundar e experimentar os diversos recursos da edição, com maior liberdade artística, pois as outras integrantes não estiveram presentes durante este processo. Por outro lado, foi muito solitário. Não tivemos as interações, intervenções e brincadeiras de sempre e praticamente nada do making of. Porém, algo que não muda nunca, mesmo na pandemia foram as tretas e os surtos.” – Luiza Higuchi


81 REFERÊNCIAS NICHOLS, Bill. Introdução ao documentário. São Paulo: Papirus, 2005. LUCENA, Luiz Carlos. Como fazer documentários. São Paulo: Summus Editorial, 2012. ACOSTA, Corinna. ¿ Qué es la moda?. Expok, México, 12/05/2014. Disponível em: <http:// www.expoknews.com/que-es-la-moda-rapida/>. Acesso: 30 de Março de 2020. SOUZA, Pétala. Redação. A História da Moda Sustentável. 10/03/2011. Disponível em: <http://modaecologica. blogspot.com/2011/03/historia-da-moda-sustentavel.html>; Acesso: 31 de Março de 2020. SEBA, Jade. Allown: A Importância Da Moda Sustentável. 30/09/2019. Disponível em: <https://www.jadeseba.com.br/allown-moda-sustentavel>;. Acesso 07 de Abril de 2020. DINO. Seguindo a tendência do consumo consciente e moda sustentável, empresa cria guarda-roupa pague. 16/08/2019. Disponível em: <http://patrocinados.estadao.com.br/ medialab/projeto-navas/release-geral-seguindo-a- tendencia-do-consumo-consciente-e-modasustentavel-empresa-cria-guarda-roupa-pague- pelo-uso>;. Acesso: 07 de Abril de 2020. ABREU, Nathalía. Conheça Iniciativas e Empresas que estão mostrando que é possível aliar Moda e Sustentabilidade. 15/12/2017. Disponível em <http://autossustentavel.com/2017/12/ iniciativas-empresas-moda-sustentabilidade.html>;. Acesso: 13 de Abril de 2020. MOREIRA, Andrea. Empresas brasileiras de moda sustentável: uma linha do tempo. 2018. Disponível em: <http://www.asustentavellevezadoser.com.br/portal/moda-sustentavel- linhado-tempo>. Acesso: 02 de Abril de 2020. CHIARETTI, Daniela. Indústria da moda polui mais que navios e aviões. 2019. Disponível em: <https://valor.globo.com/empresas/coluna/industria-da-moda-polui-mais-que-navios-eavioes-1.ghtml>;. Acesso: 18 de abril de 2020. LAVER, James. Taste And Fashion: From The French Revolution To The Present Day. eBook Kindle: Naismith Press, 2013/1937. FUKAI, AKIKO. Moda: Una Historia Desde el Siglo XVIII al Siglo XX. Alemanha: Taschen, 2006. FUKAI, AKIKO. Moda: Una Historia Desde el Siglo XVIII al Siglo XX. Alemanha: Taschen, 2006. BALDIOTI, Fernanda. Você sabe o quanto de água é gasto para fazer a sua calça jeans?. 2019. Disponível em: <https://br.fashionnetwork.com/news/Voce-sabe-o-quanto-de-agua-egasto-para-fazer-a-sua-calca-jeans-,1103435.html>. Acesso: 24 de Junho de 2020.


82 GONÇALVES, Jade. Renner é a única varejista brasileira no Índice Dow Jones de Sustentabilidade. 2019. Disponível em: <https://www.consumidormoderno.com. br/2019/09/20/renner-unica-varejista-brasileira-sustentabilidade/>. Acesso: 24 de Junho de 2020. BARBOSA, Aline. C&A é a marca mais sustentável do Brasil. 2019. Disponível em: <https://www.consumidormoderno.com.br/2019/12/10/indice-transparencia-moda-marcassustentaveis-brasil/> Acesso: 08 de Julho de 2020. Equipe eCycle. Indústria da moda e poluição ambiental. Disponível em: <https://www. ecycle.com.br/6169-industria-da-moda.html> Acesso: 04 de Novembro de 2020. COLERATO, Marina. A Desigualdade de Gênero Que Parece Passar Despercebida na Moda. 2016. Disponível em: <https://www.modefica.com.br/desigualdade-genero-moda/#. X7U2BmhKjIV>. Acesso: 16 de Setembro de 2020. COLERATO, Marina. 2017. O Equivalente a 1 Caminhão de Lixo Têxtil É Desperdiçado Por Segundo no Mundo. < https://www.modefica.com.br/o-equivalente-1-caminhao-de-lixotextil-e-desperdicado-por-minuto-no-mundo/#.X7SFrmhKjIV>. Acesso: 16 de Setembro de 2020. TALARICO, Isabela. Upcycling: o que é e como aderir à ideia. <https://www.ecycle.com. br/77-upcycling-upcycle>. Acesso: 10 de Setembro de 2020.


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ROTEIRO – VESTINDO O FUTURO

R o t e i r i s t a : Produto: Gabrielly Daltro DOC

TEC.- BG

NARRAÇÃO

HUGO E DANIEL

RENATA

Tempo: 24 Minutos

LOGO DA NOVEL VESTINDO O FUTURO

INICIO BG DE MÁQUINA DE COSTURA ROUPAS, SAPATOS, BOLSAS E ACESSÓRIOS... DEVIDO À GLOBALIZAÇÃO, IDEALIZAMOS UM PENSAMENTO QUE NOSSAS IDENTIDADES SÃO CONSTRUÍDAS A PARTIR DO CONSUMO: NÓS NOS TORNAMOS AQUILO QUE CONSUMIMOS. MAS... SE ESTA IDEIA É REAL, QUE TIPO DE IDENTIDADE ESTAMOS CONSTRUINDO? EU SOU O HUGO. E EU SOU O DANIEL. EU SOU NATURAL DE GOIANA E JÁ ESTOU MORANDO EM SÃO PAULO DESDE QUANDO FUNDAMOS O COLETIVO DE DOIS. E EU SOU DAQUI. EU JÁ TENHO CONTATO COM A MODA HÁ MUITO TEMPO, MAS EU VIM DE FATO TRABALHAR DEPOIS QUE A GENTE SE CONHECEU, ME MUDEI PARA SÃO PAULO. E, EU CONHECI COM O HUGO. ELE QUE ME ENSINOU A COSTURAR E A GENTE TEVE ESSA OPORTUNIDADE DE MONTAR UM NEGÓCIO. AI EU COMECEI A TRABALHAR COM ISSO. (4:45) MEU NOME É RENATA, SOU ECONOMISTA, TENHO 37 ANOS, SEMPRE TRABALHEI EM FINANÇAS. EM 2017, EU E MEU MARIDO DESCOBRIU SOBRE OS NEGÓCIOS DE IMPACTO SOCIAL E AÍ A GENTE COMEÇOU A PESQUISAR, QUE SÃO NEGÓCIOS QUE DEIXAM UM LEGADO POSITIVO TANTO PARA


85 O MEIO QUANDO PARA A SOCIEDADE.

LILIAN

ANA

RENATA

(0:15) EU SOU A LILIAN DE PAULA, EU TENHO 33 ANOS, EU SOU AQUI DE SÃO PAULO – CAPITAL, EU SOU BACHAREL EM PSICOLOGIA, MAS EMPREENDO COM MODA. ACHO QUE É ISSO QUE TEM DE INTERESSANTE PARA SABER SOBRE MIM. MEU NOME É ANA RITA COLORIDA, EU TENHO 34 ANOS, EU SOU FORMADA EM AUDIOVISUAL, MAS EU TRABALHO COM MODA JÁ FAZEM 10 ANOS. EU SOU PROPRIETÁRIA DA MARCA E ATELIER DE MODA O PATUÁ. E, DENTRO DA MODA EU JÁ TRABALHEI EM MUITAS ÁREAS DIFERENTES. HOJE EM DIA, EU SÓ TRABALHO DENTRO DA MINHA PRÓPRIA EMPRESA. (6:03) A MUMO, A GENTE FUNDO EM 2017. E COMO EU COMENTEI, ANTERIORMENTE, EU E O MEU MARIDO VÍAMOS EM BUSCAR DE FAZER UM NEGÓCIO DE IMPACTO SOCIAL, EU DE FINANÇAS E ELE DE MARKETING E VENDAS, NENHUM DOS DOIS ERA PRODUTO. FOI QUANDO O RODRIGO EM UM HAPPY HOUR, ENCONTROU A LUANA, A NOSSA SÓCIA. (10:13) UMA VEZ QUE A GENTE SE PROPÔS A FAZER UMA EMPRESA DE IMPACTO SOCIAL... UMA EMPRESA DE IMPACTO SOCIAL, DEIXA UM IMPACTO POSITIVO, OU PRO PLANETA, OU PARA A SOCIEDADE. EU ACHO QUE ESSE É O PRINCIPAL MOTIM. COMO QUE EU PODERIA FAZER UMA EMPRESA QUE TÁ GERADO UM... (UM) IMPACTO POSITIVO OU PRO PLANETA, OU PARA A SOCIEDADE, FAZENDO UMA MODA POLUENTE? NÃO TERIA, NÉ? ENTAO FOI MANDATÓRIO, DESDE O MOMENTO ZERO, A GENTE FALOU: “CARA, A GENTE TEM QUE TRAZER A SUSTENTABILIDADE.” (9:00) O


86 NOME MUMO NÃO TEM NENHUM ROMANTISMO, A GENTE REALMENTE NÃO ERA CRIATIVO, A GENTE TEVE QUE PAGAR ALGUÉM PARA FAZER, MAS SIGNIFICA MUNDO E MODA.

HUGO E DANIEL

ANA

O NOME A GENTE TEVE A IDEIA PORQUE SÃO DOIS ARTISTAS, NÉ? NÃO É UMA PESSOA DA ARTE E A OUTRA DA ECONOMIA. É PORQUE SÃO DOIS ARTISTAS. UM COLETIVO SÓ NOS DOIS. A GENTE COMEÇOU A NAMORAR POR ISSO A GENTE MONTOU A MARCA. AH, QUANDO A GENTE RESOLVEU TRABALHAR COM MODA SUSTENTÁVEL, NÃO FOI PLANEJADO, NÉ? A GENTE NUNCA PLANEJOU DO TIPO DE “VAMO TRABALHAR COM MODA SUSTENTÁVEL”, A GENTE... FOI TRABLHAR DA FORMA QUE A GENTE QUERIA, DO JEITO QUE A GENTE ACREDITAVA E DA FORMA QUE ERA ACESSÍVEL PARA A GENTE. E NESSA DE SER ACESSÍVEL, É... A ÚNICA FORMA QUE A GENTE TINHA PARA FAZER UMA PRODUÇÃO LEGAL, COM COISAS DIFERENTES... HMMM... ENFIM COM VARIAÇÃO NÉ, FOI COMPRANDO RETALHOS, NÉ? PORQUE ERA O MATERIAL QUE A GENTE TINHA ACESSO E ERA ONDE A GENTE CONSEGUIRIA A VARIEDADE DE TECIDOS, DE CORES, DE ESTAMPAS. EU ACHO QUE EU COMECEI A TER ESTE POSICIONAMENTO PORQUE EU FUI APRENDENDO SOCIALMENTE, A GENTE TÁ VENDO AÍ O MUNDO PRECISANDO DISSO. ENTÃO A GENTE COMEÇA À APLICAR ISSO NA SUA VIDA. PRIMEIRAMENTE, A GENTE COMEÇA A TER UM CONTROLE DO QUE VOCÊ CONSOME, COMO VOCÊ CONSOME, COMO VOCÊ DESCARTA, O QUE VOCÊ REUTILIZA, O QUE VOCÊ REUSA. ENTÃO VEIO DO MEU COMPORTAMENTO PESSOAL E ACABOU ENTRANDO NA MARCA TAMBÉM.


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LILIAN

NARRAÇÃO

(1:17) QUANDO É... TIVE... QUANDO EU ESTAVA PENSANDO EM TRABALHAR COM MODA, EM DESENVOLVER UM NEGÓCIO DE MODA, EU COMECEI A FAZER UMA PESQUISA E FOI AI QUE EU ENTREI EM CONTATO COM O CONCEITO DO SLOW FASHION E FUI VENDO O QUE AQUILO QUERIA DIZER, NÉ? E AI, NÉ... EU ACHO ASSIM, QUE DE ACORDO COM OS MEUS VALORES, NÃO TINHA MUITO UMA OUTRA PROPOSTA PRA TRABALHAR. PORQUE A MODA TRADICIONALMENTE É UMA INDÚSTRIA QUE EXPLORA AS PESSOAS DE UMA FORMA MUITO DESUMANA. (1:57) AS PESSOAS RECEBEREM, POR EXEMPLO, QUINZE CENTAVOS PARA COSTURAR UM VESTIDO É UMA COISA MUITO ABSURDA... (2:34) ENTÃO FOI ISSO, DESENVOLVENDO O NEGÓCIO, EU COMECEI A PESQUISAR E ESSA FORMA DE TRABALHAR ESTAVA MAIS ALINHADA COM OS MEUS VALORES E COM O QUE EU QUERO GERAR, ASSIM, COM A MINHA MARCA, NÉ? EU ACREDITO QUE DA... DE... DA ENERGIA DE GERAR ALGO POSITIVO PARA MIM E COMPARTILHAR ISSO COM AS PESSOAS. A INDÚSTRIA DA MODA É UMA DAS MAIS POLUENTES DO MUNDO, MAS É UM DOS MERCADOS QUE MAIS FATURA E EMPREGA. O BRASIL É A MAIOR CADEIA TÊXTIL COMPLETA DO OCIDENTE – DESDE AS FIBRAS ATÉ OS DESFILES DE MODA, SENDO NO PAÍS, O SEGUNDO MAIOR GERADOR DO PRIMEIRO EMPREGO. SÃO 1,5 MILHÃO DE TRABALHADORES DIRETOS E 8 MILHÕES INDIRETOS, DOS QUAIS 75% SÃO DE MÃO DE OBRA FEMININA. SE ESTE SETOR É TÃO GRANDE E IMPORTANTE, NÃO DEVERIAM TER TANTOS PROBLEMAS. QUAIS CAMINHOS ESSA INDÚSTRIA PODERIA SEGUIR?


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HUGO E DANIEL

RENATA

ANA

DENTRO DA MODA SUSTENTÁVEL EXISTEM VÁRIOS LEQUES DE OPORTUNIDADES, DE CAMINHOS... A GENTE ESTÁ DENTRO, INSERIDO EM MODA SUSTENTÁVEL ONDE A GENTE COMPRA TECIDOS QUE SÃO DESCARTADOS, ASSIM... ELES AINDA NÃO FORAM UTILIZADOS. ENTÃO A GENTE ESTÁ DANDO UM CICLO NOVO PARA ELES, ELES SÓ ESTÁ ALI DESCARTADO OU PORQUE TEM DEFEITO, OU PORQUE É UM FIM DE ROLO, GERALMENTE NÃO TEM QUANTIDADE, SÃO PEDAÇOS PEQUENOS, MAS O QUE A GENTE FAZ DENTRO DA MODA SUSTENTÁVEL É A UTILIZAÇÃO DAS SOBRAS E DOS DESCARTES DE RETALHOS E TECIDOS. (10:12) A GENTE PENSA QUE É SUPER SUSTENTÁVEL PORQUE PENSA SÓ, AQUELE TECIDO JÁ CONSUMIU A ÁGUA DO PLANETA, JÁ GEROU UM RESÍDUO QUÍMICO E ELE TÁ LÁ, É UM LIXO. ENTÃO, VOCÊ DÁ UM NOVO SENTIDO A UMA COISA QUE JÁ FOI PRODUZIDA. (10:49) É POR ISSO, QUE A GENTE CONSIDERA QUE O UPCYCLING É UMA DAS FORMAS MAIS SUSTENTÁVEIS DE SE FAZER MODA. NA NOSSA CLASSIFICAÇÃO É A NOSSA MATÉRIA-PRIMA MAIS SUSTENTÁVEL, TODA VEZ QUE A GENTE USA O UPCYCLING MESMO QUE SEJA DE POLIÉSTER, A GENTE CONSIDERA SUSTENTÁVEL, PORQUE A GENTE DEU UMA SEGUNDA CHANCE, UMA NOVA VIDA PARA AQUELA MATÉRIA-PRIMA. TEM LOJAS QUE EU JÁ CONFIO, NA LOJA MESMO, NO PROCEDIMENTO, NO TRATAMENTO COM OS FUNCIONÁRIOS, NA QUALIDADE DOS TECIDOS. TEM MUITO TECIDO QUE EU COMPRO DE RESÍDUO TÊXTIL, QUE SÃO... É


89 FINAL DE ROLO, É TECIDO QUE TEM ALGUMA FALHA NA ESTAMPA, TECIDO QUE ÀS VEZES A CONFECÇÃO NÃO ESTÁ MAIS USANDO PARA TRABALHAR.

RENATA

(4:10) A NOSSA MATÉRIA-PRIMA É MAIS CARA. POR EXEMPLO, UM ALGODÃO ORGÂNICO CUSTA EM MÉDIA TRÊS VEZES MAIS QUE UM ALGODÃO NORMAL. (5:04) ENTÃO, A GENTE TENTA FAZER UMA MODA QUE ÓBVIO QUE NÃO É PECHINCHA... NÃO É DA BANCA, MAS QUE SEJAM ACESSÍVEIS, ESSE É O NOSSO OBJETIVO. E PARA ISSO, A GENTE GANHA MUITO MENOS QUE A MÉDIA DO MERCADO, COM CERTEZA O NOSSO MARKUP É MUITO E MUITO MENOR QUE DAS GRANDES EMPRESAS POR AÍ, QUE A GENTE SABE QUE MARKUP É SETE VEZES MAIS DO MESMO PRODUTO. (6:10) AGORA, IMAGINE UMA GRANDE REDE, COMO A PRÓPRIA... VAMOS CITAR O NOME AQUI DA C&A, QUE TEM MUITAS LOJAS PELO BRASIL, JÁ TEM UMA EQUIPE ENORME, ELA JÁ TEM TODA UMA ESTRUTURA DE MARKETING DE VENDAS, DE FUNCIONÁRIOS, TODA UMA ESTRUTURA BASEADA PARA AQUELE MARKUP, DE REPENTE VOCÊ VEM COM UMA MATÉRIAPRIMA QUE CUSTA TRÊS VEZES MAIS, ELES NÃO CONSEGUEM FECHAR, ESSA É A CONTA.

HUGO E DANIEL

E AI, QUE CHEGA AQUELA HORA, QUE É A QUESTÃO DO PREÇO, POR DENTRO DA ROUPA, NÉ? NÃO É PORQUE A ROUPA É BARATA QUE QUER DIZER QUE ELA É TÁ SENDO LEGAL ÀS VEZES POR TRÁS DE UMA ROUPA BARATA TEM UMA CRIANÇA. NA ROUPA CARA TAMBÉM. TAMBÉM, LÓGICO. PORQUE VEM A OUTRA QUE QUESTÃO QUE É A SUPERFATURAÇÃO, O FATURAMENTO. VOCÊ PAGA ALI CINCO REAIS PARA A PESSOA COSTURAR UMA BLUSA E


90 VOCÊ VENDE ELA LÁ NO SHOPPING POR QUINHENTOS, MIL. É ASSIM QUE VOCÊ VÊ E É ASSIM QUE A MAIORIA DAS PESSOAS TRABALHAM. AI VOCÊ VÊ GRANDES INDÚSTRIAS FALANDO QUE AGORA FAZ MODA SUSTENTÁVEL, MAS NÃO BATE, SABE? COMO VOCÊ VAI FAZER MODA SUSTENTÁVEL, SENDO QUE VOCÊ GANHA NA QUANTIDADE DE PRODUÇÃO? ENTENDEU. A GENTE TEM UM ATELIEZIRNHO SÓ NO CENTRO E NÃO UMA LOJA EM TODOS OS SHOPPINGS DO BRASIL. COMO É QUE VOCÊ VAI ABASTECER DE MODA SUSTENTÁVEL TODAS AS SUAS LOJAS DO SHOPPING?

RENATA

LILIAN

ANA

ENTÃO, VAI TER QUE TER UMA PRESSÃO MUITO GRANDE DO MERCADO, NO SENTIDO DE NÃO VENDER MAIS, PRODUTOS QUE NÃO TIVEREM ESSAS ETIQUETAS NÃO SÃO VENDIDOS, AO PONTO DAS EMPRESAS VIVEREM E FALAR: “PUTS! ENTÃO É MELHOR EU TER, CONTINUAR VENDENDO COM UM LUCRO MENOR, MAS CONTINUAR VENDENDO”. ENTÃO VAI SER UMA MUDANÇA QUE EU VEJO DE UMA PRESSÃO VINDA DO CONSUMIDOR, DO TIPO AQUELA PEÇA QUE NÃO TEM UMA TAG DE SUSTENTABILIDADE OU DE ALGUM PILAR, ELA FICA LÁ E NÃO VENDE. (5:16) QUE AS PESSOAS POSSAM SE EXPRESSAR DE UMA FORMA MAIS AUTÊNTICA, QUE NÃO LEVEM EM CONSIDERAÇÃO SÓ A ESTÉTICA, MAS OS VALORES DELA TAMBÉM, QUE ELA COMPRE ALGO QUE A REPRESENTE ESTÉTICAMENTE, MAS QUE TAMBÉM REPRESENTE OS VALORES DELA TAMBÉM. SÃO NICHOS DIFERENTES O SLOW FASHION E O FAST FASHION, SABE? AS GRANDES MARCAS E AS PEQUENAS MARCAS, MAS EU ACHO QUE AS GRANDES MARCAS, ELAS PREJUDICAM


91 AS PEQUENAS NA MEDIDA DE QUE MUITAS VEZES ELAS SE INSPIRAM DESCARADAMENTE EM PESSOAS, EM PEQUENAS MARCAS E ELAS REPRODUZEM... ELAS REPRODUZEM UMA CÓPIA. ESSAS MARCAS DE LOJA DE DEPARTAMENTO, MUITAS VEZES ELAS FAZEM ISSO... VAI LÁ INVESTIGA AS MARCAS PEQUENININHAS, PEGA UM PRODUTO QUE É MARAVILHOSO, VAI LÁ E CÓPIA.

HUGO E DANIEL

A GENTE CONHECE HISTÓRIA DE GENTE QUE TRABALHAVA NA INDÚSTRIA QUE TINHA QUE DESENHAR VINTE CROQUIS POR DIA. VOCÊ SABE O QUE É DESENHAR VINTE ROUPAS POR DIA? PARA ÀS VEZES A PESSOA NÃO ESCOLHER NENHUMA. NÃO É NEM VOCÊ, SABE? VOCÊ AINDA TEM QUE MANDAR PARA UMA BANCA AVALIATÓRIA E ELES ESTÃO PREOCUPADOS SE VOCÊ VAI GASTAR MATERIAL, SE GASTA MUITA LINHA, SE VAI COMPENSAR, SE VAI SER BARATO PARA PRODUZIR... MEU IRMÃO, QUANDO JOVEM, TRABALHAVA EM LOJA DE SHOPPING, NA RICHARDS. ELE TINHA QUE VENDER CEM MIL EM DEZEMBRO, PARA ELE GANHAR TRÊS MIL E QUINHENTOS. A LOJA TINHA DEZ FUNCIONÁRIOS, OU SEJA, ELA FATURAVA UM MILHÃO EM DEZEMBRO.

RENATA

(1:20) O QUE MUDA DO VAREJISTA, EM RELAÇÃO, POR EXEMPLO, A NÓS... A GENTE, POR EXEMPLO... VEIO A PANDEMIA. CARA, A GENTE JÁ TINHA COISA NAPRODUÇÃO, MESMO A GENTE SENDO MUITO PEQUENO, A GENTE DEU UM JEITO, RECEBEU OS PRODUTOS E PAGOU. DAÍ O QUE A LUANA REPORTA ATÉ ATÉ MESMO PORQUE ELA AINDA TEM MUITAS AMIGAS NO MERCADO, É QUE... CARA, O GRANDE VAREJISTA NÃO TEM DÓ, ELE LIGOU


92 PARA TODOS OS FORNECEDORES DA CHINA, ELE LIGOU E FOI CANCELADO, FOI CANCELADO, OU CORTANDO PELA METADE. E ASSIM, APESAR DE VOCÊ FALAR QUE NÃO FOI UM IMPACTO AQUI NO BRASIL, MAS PENSA QUE LÁ HOUVE ESSE IMPACTO, PESSOAS OU EMPRESAS ESTAVAM PRODUZINDO, JÁ TINHAM E AÍ? PROVAVELMENTE VAI GERAR SOBRAS DE TECIDOS. (2:13) O VAREJISTA GRANDE ELE PENSA REALMENTE NO NEGÓCIO DELE, A GENTE TENTA PENSAR NO SOCIAL, NESSE TODO. (3:13) EU NÃO TÔ GENERALIZANDO, EU ACHO QUE É COMPLICADO A GENTE GENERALIZAR, MAS... (3:45) ELES TOMAM DECISÕES FRIAS ALI NO NEGÓCIO. SE QUEM TÁ ALI, NA FÁBRICA, VAI TER QUE DEMITIR METADE DOS FUNCIONÁRIOS, SE O TECIDO QUE JÁ FOI PRODUZINDO VAI VIRAR LIXO SEM TER SIDO USADO, ELES NÃO OLHAM ISSO, ENTENDEU?

ANA

DENTRO DA SUA RESPONSABILIDADE COMO MARCA SE VOCÊ NÃO VAI ATRÁS DA MATÉRIAPRIMA PRONTA OU A PARTIR DO MOMENTO QUE VOCÊ VAI ATRÁS DESSA MATÉRIA-PRIMA E NEM SEMPRE ESTÁ PRONTA, COMO EU FALEI DO TECIDO, E VOCÊ SE PREOCUPA PARA ONDE VAI, O SEU DESCARTE DE RETALHO MESMO, O SEU RESÍDUO, AÍ VOCÊ ESTÁ PARTICIPANDO JÁ DE UMA ECONOMIA CIRCULAR. ENTÃO, POR EXEMPLO, QUANDO EU COMPRO DESSAS LOJAS QUE VENDE TECIDOS DE RESÍDUO TÊXTIL, SÃO LOJAS DE UMA PESSOA, SÃO LOJAS PEQUENAS, ENTÃO EU TÔ CONTRIBUINDO PARA AQUELA PESSOA E QUANDO EU PEGO O MEU RESÍDUO E DOOU PARA AQUELA PESSOA QUE VAI FAZER BONECO, ENTÃO É CIRCULAR A COISA COMO UM TODO. MESMO QUE NÃO SEJA UMA BANDEIRA QUE VOCÊ LEVANTA,


93 NÃO TEM COMO VOCÊ FUGIR DISSO... SE VOCÊ ESTÁ PREOCUPADO DE ONDE VEM O SEU MATERIAL E PARA ONDE ELE VAI ENTÃO VOCÊ JÁ ESTÁ PARTICIPANDO DE UMA ECONOMIA CIRCULAR. LILIAN

NARRAÇÃO

RENATA

JÁ TEVE VEZES, POR EXEMPLO, AGORA ISSO ESTÁ ACONTECENDO MUITO MENOS, MAS NO COMEÇO DE.. DE UMA COMPRAR UMA MATERIAL QUE ACABOU NÃO DANDO CERTO PARA UMA PEÇA, NÉ... E ESSE MATERIAL NOSSO NUNCA É DESCARTADO ELE VAI TAMBÉM PARA QUE OUTRA PESSOA POSSA USAR. ENTÃO EU ACREDITO QUE SIM, NÉ? É UM DOS CORAÇÕES, UMA DAS PROPOSTAS DA MARCA, DE ENTENDER QUE O MELHOR TECIDO É AQUELE QUE JÁ EXISTE, NÉ? QUE VOCÊ NÃO GERA MAIS DEMANDA E TAMBÉM NÃO JOGA AQUILO QUE JÁ EXISTE NO LIXO. A SUSTENTABILIDADE CHEGOU NA INDÚSTRIA TÊXTIL, A PREOCUPAÇÃO NÃO É MAIS SÓ AMBIENTAL, MAS COM O PRODUTO OFERECIDO. NÃO SÃO SÓ PEÇAS — NÃO ESTAMOS SÓ COMPRANDO ROUPAS, ESTAMOS COMPRANDO HISTÓRIAS. HISTÓRIAS DE MILHARES DE PESSOAS QUE TRABALHAM TODOS OS DIAS, PARA NOS MANTEREM VESTIDOS. ESTUDOS RECENTES, REVELAM QUE OS BRECHÓS GANHARAM MAIS ESPAÇOS E TEREMOS MAIS COMPRADORES NESSES LUGARES, DO QUE EM LOJAS DE DEPARTAMENTOS, POR EXEMPLO. AS PESSOAS ASSOCIAVAM MUITO A SUSTENTABILIDADE A UMA COISA RUIM, A UM PRODUTO DE BAIXA QUALIDADE. ENTÃO... “AH, EU FAÇO MODA SUSTENTÁVEL”, AS PESSOAS JÁ VEICULAVAM AQUILO A UMA COISA DE BAIXA QUALIDADE, ENTENDEU? EU NÃO SEI PORQUÊ, TALVEZ, POR ESSE


94 CONSUMO DESENFREADO, TIPO ASSIM, SE É RECAUCHUTADO, NÃO PRESTA. ENTÃO, TIPO ASSIM “AH, EU FAÇO UPCYCLING!”, QUANTAS VEZES AS PESSOAS JÁ NÃO FALOU: “É... MAS É ROUPA VELHA?” – NÃO, NÃO, É UM TECIDO NOVO. TANTO É QUE TUDO LÁ A GENTE PÕE O DISPLAY: “UPCYCLING É UM TECIDO NOVO, QUE ESTAVA PARADO E SEM USO E AÍ A GENTE DÁ UM NOVO SENTIDO PRA ELE”, PORQUE AS PESSOAS FICAM... EU ACHO QUE O BRECHÓ TEM PASSADO MUITO POR ISSO, EU VEJO QUE SEI LÁ... HÁ 4 ANOS ATRÁS, REALMENTE BRECHÓ, VOCÊ VAI EM BRECHÓ, AS PESSOAS IAM E FICAVAM, TIPO ESCONDIAM. HOJE NÃO, TIPO: “MEU, EU ACHEI ESSA ROUPA NO BRECHÓ. OLHA QUE ORGULHO, COMO EU SOU DEMAIS, EU GARIMPEI ISSO.”. VIROU UM OBJETO DE ORGULHO, MAS EU VEJO QUE HÁ 4 ANOS ATRÁS NÃO ERA. ENTÃO, EU VEJO QUE ESSA TRANSFORMAÇÃO NO MERCADO ESTÁ ACONTECENDO, É AGORA, A PANDEMIA ACELEROU E ESPERO QUE DAQUI A QUATRO ANOS A GENTE VEJA AINDA MAIS A CONSOLIDAÇÃO DISSO.

ANA

LILIAN

(2:14) O CONSUMIDOR RESPONSÁVEL, ELE NÃO É RESPONSÁVEL SÓ NA ROUPA, ELE EVITA A EMBALAGEM, ELE EVITA JOGAR AS COISAS NO LIXO, ELE REUTILIZA O MÁXIMO QUE PODE, QUANDO ELE VAI COMPRAR UM PRODUTO, ELE PROCURA SABER DE ONDE É A FONTE DESSE PRODUTO, QUEM É QUE PRODUZ ISSO, QUE HISTÓRIA TEM POR TRÁS DISSO, SABE? EU ACHO QUE A RESPONSABILIDADE COMO CONSUMIDOR É ESSA, SABER A HISTÓRIA QUE VOCÊ ESTÁ COMPRANDO. (30:45) EU ACHO QUE É PRIMEIRO VOCÊ AVALIAR SUA REAL NECESSIDADE DAQUELA PEÇA. (31:05) EU ACHO QUE ESSA É


95 UMA... É UMA... É UM DOS PRIMEIROS PILARES DE VOCÊ CONSUMIR DE UMA FORMA RESPONSÁVEL E TUDO MAIS, É VOCÊ PENSAR NO SEU CONSUMO. SEGUNDO, EU ACHO QUE É PENSAR PARA ONDE TÁ INDO O SEU DINHEIRO, NÉ? QUAIS PRÁTICAS QUE VOCÊ ESTÁ INCENTIVANDO COM A SUA GRANA. PORQUE QUERENDO OU NÃO É ISSO... ISSO NÃO É SÓ PARA A MODA CONSCIENTE, COMO A GENTE TEM FALADO É UMA COISA BASTANTE ATUAL, TEM A VER COM AS MARCAS QUE FALAM DE REPRESENTATIVIDADE, SEJA ELA ÉTNICA OU COM RELAÇÃO À ESTÉTICA PLUS SIZE, OU DE GÊNERO. VOCÊ TÁ... É... PONDO DINHEIRO EM UMA EMPRESA QUE TÁ AMPLIANDO OS VALORES QUE VOCÊ ACREDITA OU NÃO? ENTÃO, EU ACHO QUE É UM OUTRO PILAR. E TAMBÉM COM RELAÇÃO NÃO SÓ A ISSO, MAS TAMBÉM COM FUNCIONÁRIOS E UMA SÉRIE DE COISAS. E ACHO QUE A TERCEIRA QUESTÃO SERIA O IMPACTO, NÉ? DE AMBIENTAL E SOCIAL TAMBÉM, NÉ?

ANA

(5:14) EU NÃO BOTO MUITA FÉ, NÉ. NESSE SONHO DE... O MERCADO GERALZÃO DA MODA MUDAR, NÃO. PORQUE ENVOLVE MUITO DINHEIRO E O MERCADO CAPITALISTA É UM SAPO, DIFICILMENTE ISSO VAI ACONTECER, MAS EU ACHO QUE.. O MERCADO ESTÁ MUDANDO SIM, A PORCENTAGEM DE PREOCUPAÇÃO ESTÁ AUMENTANDO, NÃO SÓ NO SETOR DE MODA. (V1) EU ACHO QUE NÃO É NEM UMA NECESSIDADE SOCIALMENTE POLÍTICA. ATÉ UM TEMPO ATRÁS, EU ACHO QUE AS MARCAS, MESMO QUE NÃO SÓ DE MODA, PODIAM PENSAR ASSIM SE LEVANTAVAM OU NÃO A BANDEIRA DO “EU ZOO MENOS O BARRACO”, ENTENDEU? ERA UMA OPÇÃO, HOJE EM DIA VOCÊ NÃO TEM MAIS ESSA OPÇÃO, SE VOCÊ TEM UMA


96 MARCA, SEJA DO QUE FOR, VOCÊ TEM QUE TER A PARTICIPAÇÃO DE ALGUMA MANEIRA NO BEM-ESTAR DO MUNDO, PORQUE O NEGÓCIO ESTÁ MALUCO. O MERCADO PEQUENO ESTÁ GANHANDO UMA VOZ MUITO GRANDE, A PONTO DE IMAPCTAR, A GENTE JÁ ESTÁ SENDO VISTO PELAS GRANDES MARCAS.

HUGO E DANIEL

RENATA

HOJE ESTÁ VIRANDO UM DISCURSO DE APROPRIAÇÃO DA GRANDE INDÚSTRIA PORQUE ELA ESTÁ PERDENDO MERCADO, AS PESSOAS ESTÃO TOMANDO CONSCIÊNCIA DO QUE ELAS ESTÃO CONSUMINDO, AS POUCOS ELAS ESTÃO INDO SABE. E COM ISSO, VOCÊ VAI FAZER A GRANDE INDÚSTRIA TREME AS BASES E FALAR: “NOSSA, EU PRECISO PEGAR DE VOLTA MEUS CLIENTES”. EU ACHO QUE VAI COMEÇAR A APARECER MAIS PEQUENAS MARCAS, PEQUENOS ATELIÊS E CLIENTES. EU ACHO QUE O FUTURO SERIA AS PESSOAS TEREM SEUS ATELIÊS, SABER COSTURAR, SABER MODELAR, OU AS PESSOAS POSSAM SE CAPACITAR MELHOR. (0:15) O MERCADO JÁ VEM MUDANDO BASTANTE, ENTÃO VOCÊ JÁ VÊ, GRANDES MARCAS SE POSICIONANDO NA SUSTENTABILIDADE. AÍ EU NÃO TÔ DISCUTINDO SE É GENUÍNO OU NÃO É GENUÍNO, MAS ESSE ASSUNTO, POR EXEMPLO, A C&A MESMO FEZ UMA CAMPANHA SUPER GRANDE, HÁ UNS DOIS ANOS QUE ELA LANÇOU AQUELA CAMISETA LÁ, CRADLE TO CRADLE E AÍ CHAMOU UM MONTE DE CELEBRIDADE. ISSO TUDO É MARKETING, QUE A GENTE NÃO TEM DINHEIRO PARA FAZER, QUE TRAZ A BANDEIRA E AJUDA INDIRETAMENTE A NOSSA MARCA. (29:56) DENTRO DOS RECURSOS QUE A MARCA TEM NO MOMENTO, A GENTE PROCURA


97 TRABALHAR DA FORMA MAIS SUSTENTÁVEL POSSÍVEL, NÉ... PRA GENTE NO MOMENTO.

LILIAN

HUGO E DANIEL

NARRAÇÃO

EU ACHO QUE TEM MARCAS COM PRÁTICAS SUSTENTÁVEIS, AGORA DIZER QUE UMA MARCA É TOTALMENTE SUSTENTÁVEL... É... EU ACHO QUE INCLUSIVE MARCAS GRANDES, COM UMA INFRAESTRUTURA MAIOR, ACHO QUE... SERIA DIZER QUE ALGO É PERFEITO E A PERFEIÇÃO NÃO EXISTE, NÉ. ENTÃO... É.. É... EU ACHO QUE É MUITO IMPORTANTE QUE AS MARCAS FAÇAM O POSSÍVEL. (30:36) QUE O CONSUMIDOR TAMBÉM FAÇA O POSSÍVEL. A LEI, ELA É IMPORTANTE. ELES PRECISAM MUDAR ALGUMA COISA NA LEI, PORQUE SE NÃO, SABE... AS EMPRESAS NÃO ESTÃO NEM AI, ELAS JOGAM NO LIXO, O QUE ELAS NÃO CONSEGUEM VENDER LÁ DE RETALHO E FICA TUDO POR ISSO MESMO. ENQUANTO A LEI NÃO MUDAR ALGUMA COISA... É DIFÍCIL. - É MUITO LOUCO, É MUITO POLÍTICO, MUITA INDÚSTRIA, A GENTE É FORMIGUINHA CONSTRUINDO UMA HISTÓRIA, QUE VAI SER REAL, ASSIM... MAS ASSIM, ENQUANTO NÃO MUDAREM AS LEIS EM CIMA DA INDÚSTRIA FAZ COM O RESÍDUO QUE ELA GERA, QUE É AI O GRANDE MAU, PORQUE PEQUENAS PRODUÇÕES CASEIRAS, O IMPACTO É MÍNIMO, SABE? E AI, FICA PARECENDO QUE QUEM ESTÁ ACABANDO COM O MUNDO SÃO AS PESSOAS, MAS QUEM TÁ ACABANO COM O MUNDO, NA FRENTE, SÃO AS PESSOAS DA GRANDE INDÚSTRIA, SÃO OS GRANDES EMPRESÁRIOS, SÃO ESSAS PESSOAS REALMENTE AI, QUE ESTÃO DESTRUINDO O NOSSO MEIO AMBIENTE. MUDANÇA. PRECISAMOS ENTENDER QUE O TEMPO ESTÁ SE ESGOTANDO, PRECISAMOS DE MENOS LIXOS E DE MAIS EMPRESÁRIOS,


98 POLÍTICOS E LÍDERES QUE CRIEM E DEFENDAM LEIS QUE COLABOREM PARA UMA CADEIA PRODUTIVA MAIS SUSTENTÁVEL, JUSTA, ÉTICA E TRANSPARENTE... MUDANÇA. O MUNDO NÃO PODE MAIS ESPERAR, PRECISAMOS DE MAIS CONSUMIDORES RESPONSÁVEIS. ANTES DE COMPRAR DEVEMOS NOS PERGUNTAR: QUEM FEZ AS MINHAS ROUPAS? COMO SÃO PRODUZIDAS? QUAIS TECIDOS E TIPOS DE TINGIMENTOS SÃO UTILIZADOS PARA A SUA PRODUÇÃO? PRECISO MESMO COMPRAR? E, COMO VOU FAZER QUANDO NÃO ME SERVIR MAIS? PRECISAMOS DE MUDANÇA. DEVEMOS PENSAR NO AGORA, PARA PODER VESTIR O FUTURO.

CRÉDITOS FINAIS *FIM* TEC.


99


100 ORDEM DO DIA – GRAVAÇÃO Dia: 09/10/2020 Horário de filmagem: 14h (Tarde) Almoço: Inicio: 14h20 Desprodução: 15h40

1º DIA

Documentário: Vestindo o Futuro Entrevistado: Chersller Local : Diadema – SP Função e Horário Direção Produção

Chegada: 14h Saída: 16h

Roteirista Nº

Horário

Tipo, cena e/ou ação

1

13h30

Todos se encontram 13:30 na estação Jabaquara

-

2

14h00

Montagem dos equipamentos

Chesller Loja

3

14h20

Entrevista

Chesller Loja

Desprodução

Locação


101

ORDEM DO DIA – GRAVAÇÃO Dia: 10/10/2020 Horário de filmagem: 10h (Manhã) Almoço: Inicio: 10:20 hs Desprodução: 11:20hs

2º DIA

Documentário: Vestindo o Futuro Entrevistados: Hugo e Daniel Local : Anhangabaú, São Paulo – SP Função e Horário Direção Produção

Chegada: 10h00 Saída: 11h40

Roteirista Nº

Horário

1

9h40

2 3

Tipo, cena e/ou ação

Locação

10h00

Todos se encontram 9:40 na estação São Bento Montagem dos equipamentos

Coletivos de Dois

10h20

Entrevista

Coletivo de Dois

Desprodução

-


102

ORDEM DO DIA – GRAVAÇÃO Dia: 12/10/10 Horário de filmagem: 15h (Tarde) Almoço: Inicio: 15h20 Desprodução: 16h40hs

3º DIA

Documentário: Vestindo o Futuro Entrevistada: Ana Rita Colorido Local : Tucuruvi, São Paulo – SP Função e Horário Direção Produção

Chegada: 15h Saída: 17h

Nº

Horário

1

14h40

2 3

Tipo, cena e/ou ação

Locação

15h00

Todos se encontram 14:40 na estação Tucuruvi Montagem dos equipamentos

Ateliê O Patuâ

15h20

Entrevista

Ateliê O Patuâ

Desprodução

-


103

ORDEM DO DIA – GRAVAÇÃO Dia: 14/10/10 Horário de filmagem: 10h (Manhã) Almoço: Inicio: 10h10 Desprodução: 11h50

4º DIA

Documentário: Vestindo o Futuro Entrevistada: Renata Tozzi Local : Brooklin, São Paulo – SP Função e Horário Direção Produção

Chegada: 10h Saída: 11h

Roteirista Nº

Horário

Tipo, cena e/ou ação

1

9h30

Todos se encontram 9:30 na estação Brooklin

-

2

10h00

Montagem dos equipamentos

Escritório MUMO

3

10h10

Entrevista

Escritório MUMO

Desprodução

Locação


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105 PAUTA | DOCUMENTÁRIO – VESTINDO O FUTURO Entrevistado(a): Chesller

Marca: Chesller

Data: 09/10/2020

MINI BIO – QUEM É O MEU PERSONAGEM? Chesller é o dono da loja, o designer e o costureiro. A marca leva o seu nome e produz peças exclusivas, customizadas com roupas antigas e/ou cridas com diversos retalhos, além das roupas oferecidas na loja, você também pode levar uma peça sua que você queria customizar e conhecer o curso de customização oferecido por ele. PERGUNTAS: 1. Apresentação (quem é você?) 2. Qual foi o seu primeiro contato com a moda (o trabalho de moda)? 3. O que levou você a escolher trabalhar com a moda sutentável? Foi uma questão política/ideológica? Como foi esse primeiro contato? 4. Você já trabalhou em confecção? Se sim, como era a situação de trabalhou? E quando você decidiu sair? 5. Conte um pouco sobre a marca (como ela começou?; a escolha do nome; etc.) 6. O que é o Upcycling para você? 7. Quais foram os primeiros obstáculos que você encontrou ao fundar a marca? 8. Teve algum tipo de rejeição no começo por parte do mercado? 9. Dá para viver só com isso ou você tem outro tipo de renda? 10. Qual é o estilo da marca? E como você criou contato com o mercado? 11. A marca tem concorrência? Se sim, o que você faz de diferente? 12. E o curso? Quem procura fazer? Depois que eles fazem o que acontece? Você perde clientes, depois dos cursos? Porque pela lógica eles já saem sabendo produzir suas próprias peças. 13. Agora você é exclusivamente consumidor do slow fashion? Seus amigos e familiares também são consumidores de uma moda mais responsável? 14. Como você imagina o futuro? Você acredita na evolução da indústria da moda? Que ela pode ser menos poluente, transparente, ética e responsável?


106 PAUTA | DOCUMENTÁRIO – VESTINDO O FUTURO Entrevistado(a): Hugo e Daniel

Marca: Coletivo de Dois

Data: 10/10/2020

MINI BIO – QUEM É O MEU PERSONAGEM? Hugo e Daniel trabalham com o Upcycling, ou seja, a criação de peças a partir de resíduos têxteis (retalhos, etc..). Todas as peças são desenhadas, moldadas, cortadas e costuradas pela dupla. Eles calculam o reaproveitamento de cerca de 150 Kilos de tecidos, que iriam para os aterros, todo ano. PERGUNTAS: 1. Apresentação (quem são vocês?) 2. Qual foi primeiro contato de vocês com a moda (o trabalho de moda)? 3. O que levou vocês a escolher trabalhar com a moda sutentável? Foi uma questão política/ideológica? Como foi esse primeiro contato? 4. Conte um pouco sobre a marca (quem deu a ideia?; como ela começou?; a escolha do nome; etc.) 5. O que é o Upcycling para vocês? 6. Quais foram os primeiros obstáculos que vocês encontram ao fundar o Coletivo de Dois? 7. Teve algum tipo de rejeição no começo por parte do mercado? 8. Dá para viver só com isso ou vocês tem outro tipo de renda? 9. A marca tem concorrência? 10. Vocês tem um estilo mais colorido, quer dizer que vocês tem um público específico? E como vocês criaram contato com o público (consumidores e não consumidores)? 11. Então agora, vocês são exclusivamente consumidores do slow fashion? Seus amigos e familiares também são consumidores de uma moda mais responsável? 12. Vocês acreditam na evolução da indústria da moda? Que ela pode ser menos poluente, transparente, ética e responsável? Como vocês imaginam o futuro?


107 PAUTA | DOCUMENTÁRIO – VESTINDO O FUTURO Entrevistado(a): Ellen

Marca: Criazon

Data: 12/10/2020

MINI BIO – QUEM É A MINHA PERSONAGEM? Ellen é a uma moça bahiana, que sempre gostou de moda. Ela estudou o mercado e percebeu que as peças velhas, em especial o jeans, poderia ser ressignificado. Daí, surgiu a ideia de transformar as peças antigas em novas, com um design atemporal, único e sustentável. [ENTREVISTA VIA ZOOM – PARA LIVE NO IG] PERGUNTAS: 1. Apresentação (quem é você?) 2. Qual foi o seu primeiro contato com a moda? 3. O que levou você a escolher trabalhar com a moda sutentável? Foi uma questão política/ideológica? Como foi esse primeiro contato? 4. Conte um pouco sobre a marca (como ela começou?; a escolha do nome; etc.) 5. O que é o Upcycling para você? 6. Você acredita que ajuda na Economia Circular? Fale um pouco sobre. 7. Como você consegue os tecidos e peças para trabalhar? 8. Quais foram os primeiros obstáculos que você encontrou ao fundar a Criazon? 9. Teve algum tipo de rejeição no começo por parte do mercado? 10. Dá para viver só com isso ou você tem outro tipo de renda ou ajuda? 11. Qual é o estilo da marca? E como você criou contato com o mercado? 12. A marca tem concorrência? Se sim, o que você faz de diferente? 13. Em seu ponto de vista o que é o Consumo Responsável? 14. Agora você é exclusivamente consumidor do slow fashion ou você ainda compra roupas, sapatos e acessórios das grandes marcas? Seus amigos e familiares também são consumidores de uma moda mais responsável? 15. Como você imagina o futuro? Você acredita na evolução da indústria da moda? Que ela possa ser menos poluente, transparente, ética e responsável?


108 PAUTA | DOCUMENTÁRIO – VESTINDO O FUTURO Entrevistado(a): Marca: Data: Ana Rita O Patuá 12/10/2020 MINI BIO – QUEM É A MINHA PERSONAGEM? Ana Rita é formada em Rádio e TV, porém seu amor é pela moda, criou O Patuá ainda quando pequena. Trabalhou em diversos espaço, até chegar no aconchegante ateliê que tem hoje, no bairro do Tucuruvi, Zona Norte de São Paulo. Rita desenha, modela, corta e costura toda as roupas da marca a partir de tecidos sustentáveis. Além do ateliê, Rita dá aulas de corte e costura e faz alguns freelas na área da moda. PERGUNTAS: 1. Apresentação (quem é você?) 2. O que levou você a mudar de área (RTVi para Moda)? 3. Qual foi o seu primeiro contato com a moda? 4. O que levou você a escolher trabalhar com a moda sutentável? Foi uma questão política/ideológica? Como foi esse primeiro contato? 5. Conte um pouco sobre a marca (como ela começou?; a escolha do nome; do símbolo/logo, etc.) 6. Como você consegue os tecidos para trabalhar? 7. Quem são os seus fornecedores? Custa caro? 8. Você recebe roupas de doação? Já trabalhou com o Upcycling? 9. Voce já trabalhou em confecção? Se sim, como era a situação de trabalho e pagamentos? Por que e quando você decidiu sair? 10. Você acredita que ajuda na Economia Circular? Fale um pouco sobre. 11. Quais foram os primeiros obstáculos que você encontrou ao fundar O Patuá? 12. Teve algum tipo de rejeição no começo por parte do mercado? 13. Dá para viver só com isso ou você tem outro tipo de renda? 14. Qual é o estilo da marca? E como você criou contato com o público? 15. A marca tem concorrência? Se sim, o que você faz de diferente? 16. Em seu ponto de vista o que é o Consumo Responsável? 17. Agora você é exclusivamente consumidor do slow fashion ou você ainda compra roupas, sapatos e acessórios das grandes marcas? Seus amigos e familiares também são consumidores de uma moda mais responsável? 18. Como você imagina o futuro? Você acredita na evolução da indústria da moda, ou seja que ela possa ser menos poluente, transparente, ética e responsável? 19. Você acredita em um consumidor mais responsável?


109 PAUTA | DOCUMENTÁRIO – VESTINDO O FUTURO Entrevistado(a): Marca: Data: Renata Stern Mumo 14/10/2020 MINI BIO – QUEM É A MINHA PERSONAGEM? Renata é economista, formada pela PUC-SP e pós-graduada em Administração de Empresas pelo Insper. Fundou a Mumo ao lado da estilista Luana Goldstein e do publicitário Rodrigo Tozzi. PERGUNTAS: 1. Apresentação (quem é você?) 2. Qual foi o seu primeiro contato com a moda? 3. Conte um pouco sobre a marca (como ela começou?; a escolha do nome; do símbolo/logo, como funciona?; o investimento; os lucros; etc.) 4. O que levou você a escolher trabalhar com a moda sutentável? Foi uma questão política/ideológica? Como foi esse primeiro contato? 5. Como a marca consegue os tecidos e os outros materiais para trabalhar? Quem são os seus fornecedores? Custa caro? 6. Vocês recebem roupas de doação? Já trabalhou com o Upcycling? 7. Você ou alguém da Mumo já trabalhou em confecção? Se sim, como era a situação de trabalho e pagamentos? 8. Você acredita que a marca ajuda na Economia Circular? 9. Quais foram os primeiros obstáculos que você encontrou ao fundar a marca? 10. Teve algum tipo de rejeição no começo por parte do mercado? 11. Dá para viver só com isso ou você tem outro tipo de renda? 12. Qual é o estilo da marca? E como vocês criaram contato com o público? 13. A marca tem concorrência? Se sim, o que vocês fazem de diferente? 14. Em seu ponto de vista o que é o Consumo Responsável? 15. Agora você é exclusivamente consumidora do slow fashion ou você ainda compra roupas, sapatos e acessórios das grandes marcas? E seus amigos e familiares também são consumidores? 16. Como você imagina o futuro? Você acredita na evolução da indústria da moda, ou seja que ela possa ser menos poluente, transparente, ética e responsável? 17. Você acredita em um consumidor mais responsável?


110 PAUTA PARA LIVE NO IG | DOCUMENTÁRIO – VESTINDO O FUTURO Entrevistado(a): Data: Luana Nascimento 18/10/2020 MINI BIO – QUEM É A MINHA ENTREVISTADA? Luana é antropóloga, pesquisadora de moda, sustentabilidade e consumo. [ENTREVISTA VIA ZOOM – PARA LIVE NO IG] PERGUNTAS: 1. Apresentação (quem é você?) 2. Como começou seu envolvimento com a moda sustentável? 3. Conte um pouco sobre o Coletivo de Salvador. O que você fazia lá? 4. Fale um pouco sobre o Fast Fashion e o Slow Fashion. 5. Por que devemos falar sobre Moda Sustentável? 6. Como é a situação do Brasil em relação a Moda Sustentável? 7. Os brechós e o Upcycling são potênciais de mudança? 8. Você acredita que a Economia Circular é o novo futuro? 9. Em seu ponto de vista o que é o Consumo Responsável? 10. Como podemos chamar atenção da sociedade para a Sustentabilidade e o Consumo Responsável? 11. Em seu trabalho, em especial, nas suas pesquisas, o que mais te surpreende? 12. O que uma marca precisa para ser sustentável e como o consumidor pode saber se ela é ou não sustentável? 13. Você é exclusivamente consumidora do slow fashion ou você ainda compra roupas, sapatos e acessórios das grandes marcas? E seus amigos e familiares também são consumidores? 14. Como você imagina o futuro? Você acredita na evolução da indústria da moda, ou seja, que ela possa ser menos poluente e mais transparente, ética e responsável?


111 PAUTA | DOCUMENTÁRIO – VESTINDO O FUTURO Entrevistado(a): Lilian

Marca: Meu Ornamento

Data: 02/11/2020

MINI BIO – QUEM É A MINHA PERSONAGEM? Lilian é uma das fundadores da marca Ornamento. As mulheres da marca produzem bolsas, mochilas e pochetes veganas e trabalham com uma moda responsável. [ENTREVISTA VIA ZOOM] PERGUNTAS: 1. Apresentação (quem é você?) 2. Qual foi o seu primeiro contato com a moda? 3. O que levou você a escolher trabalhar com a moda sutentável? Foi uma questão política/ideológica? Como foi esse primeiro contato? E por que uma marca vegana? 4. Conte um pouco sobre a marca (como ela começou?; a escolha do nome; pq trabalhar com bolsas, etc.) 5. A transparência é um dos principais pilares da Moda Sustentável, você acredita que esse seja o diferencial da marca? Conte um pouco sobre a equipe. 6. Como vocês conseguem os tecidos para trabalhar? 7. Quem são os seus fornecedores? Custa caro? 8. Vocês recebem roupas de doação? Já trabalharam com o Upcycling? 9. Você ou alguém da marca já trabalhou em confecção de fast fashion? Se sim, como era a situação de trabalho e pagamentos? Por que e quando decidiu sair? 10. Você acredita que a marca ajuda na Economia Circular? Fale um pouco sobre. 11. Quais foram os primeiros obstáculos que você encontrou ao fundar o Meu Ornamento? 12. Teve algum tipo de rejeição no começo por parte do mercado? 13. Dá para viver só com isso ou vocês tem algum outro tipo de renda? 14. Como foi trabalhar durante a pandemia (não só a sua situação como de toda a equipe)? O que mudou? 15. Qual é o estilo da marca? E como vocês criaram contato com o público? 16. Em seu ponto de vista o que é o Consumo Responsável e você acredita em um consumidor mais responsável? 17. Como você imagina o futuro? Você acredita na evolução da indústria da moda, ou seja que ela possa ser menos poluente, transparente, ética e responsável? Na sua opinião quem serão os responsáveis por fazer essa mudança? O consumidor, o empresário ou a política?


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