UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL CURSO DE JORNALISMO
GABRIELA DA SILVA
AS NOVAS RELAÇÕES AFETIVAS DA CIBERCULTURA: um estudo de caso a respeito da ferramenta Match da rede social Tinder
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
SÃO PAULO - SP 2019
GABRIELA DA SILVA
AS NOVAS RELAÇÕES AFETIVAS DA CIBERCULTURA: um estudo de caso a respeito da ferramenta Match da rede social Tinder
Monografia (Relatório de Fundamentação Teórica e Metodológica) apresentada ao curso de Jornalismo da Universidade Cruzeiro do Sul, como requisito para obtenção do titulo de bacharel em Jornalismo.
Orientadora: Profa. Dra. Mirian Meliani Nunes.
SÃO PAULO - SP 2019
Dedico este trabalho Ă minha famĂlia, especialmente meus pais, Ana e Dagoberto.
AGRADECIMENTOS
A Deus por ter me dado sabedoria, à minha mãe Ana e ao meu pai Dagoberto, pelo apoio financeiro e paciência para realizar este curso na Universidade Cruzeiro do Sul. Aos professores da Universidade Cruzeiro do Sul, especialmente à professora Mirian Meliane, por ter me orientado durante toda a monografia. Aos amigos Vanessa Batista e Augusto Cesar Vassilopoulos, muito obrigado pelo apoio e incentivo. E agradeço muito ao meu namorado Vitor Cirilo, por ter me ajudado e ser paciente nos momentos mais difíceis.
“O MEIO É A MENSAGEM”. Marshall Mcluhan (1911-1980) Educador, filósofo e teórico da comunicação canadense
RESUMO O propósito desta pesquisa é identificar, através de técnicas de estudo de caso, quais são as características que levam o usuário do aplicativo de relacionamento Tinder a selecionar pessoas através da imagem que aparece no perfil. Sua temática está direcionada à delimitação das novas relações afetivas da cibercultura vistas a partir dos usos da ferramenta Match. É importante indicar que aplicaremos nesta monografia o conceito de cibercultura, de Pierre Levy. Ele traça suas percepções sobre o crescimento do ciberespaço, que é um novo território de comunicação que surge da interconexão de computadores e o consequente surgimento das relações no âmbito cultural.
Palavras-chave: Tinder; novas relações afetivas; namoro virtual.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Crie uma conta...........................................................................................19 Figura 2: Crie um perfil..............................................................................................19 Figura 3: Deu match..................................................................................................22
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1: Você é? Referente ao sexo........................................................................32 Gráfico 2: Qual a sua idade?......................................................................................32 Gráfico 3: Você já usou o Tinder.................................................................................33 Gráfico 4: participações interrompidas........................................................................33 Gráfico 5: Por qual motivo você instalou o aplicativo Tinder?.....................................34 Gráfico 6: Você já se encontrou pessoalmente com outro usuário do Tinder?..........34 Gráfico 7: O encontro foi positivo?..............................................................................35 Gráfico 8: Normalmente você se encontra com a pessoa do Tinder depois de quanto tempo de conversa?...................................................................................................35 Gráfico 9: Voce considera que pode rolar um namoro e até casamento através do Tinder?.......................................................................................................................36 Grafico 10: Qual destes status voce tem ou já teve com um usuário do Tinder?......37 Gráfico 11: A maioria dos encontros atrés do Tinder foram.......................................37 Gráfico 12: Voce concorda com essa frase: “Porque vou perder tempo insistindo em alguém que foi só uma escolha errada, quando existem tantas outras que podem ser certa no Tinder?..........................................................................................................38 Gráfico 13: Quais são as características pessoais do perfil avaliado que levam você à seleção do Match no Tinder?......................................................................................38 Gráfico 14: que nota voce daria para o aplicativo Tinder?..........................................39
SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................... 10 2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA ...................................................................... 13 2.1 Relações Afetivas e a Chegada da Internet .............................................. 13 2.1.1 Comportamento Humano, Relações Afetivas e Amor Líquido..............16 2.1.2 Tinder e a Ferramenta Match................................................................17 3. ESTUDO DE CASO: COMO O APLICATIVO TINDER TEM AFETADO AS RELAÇÕES AFETIVAS............................................................................................ 23 3.1 Criando um perfil no Tinder ....................................................................... 23 3.2 Entrevistas ................................................................................................... 25 3.2.1 Entrevista com casais...........................................................................25 3.2.2 Entrevista com mulheres solteiras no Tinder ...................................... 26 3.2.3 Entrevista com homens solteiros no Tinder..........................................27 3.2.4 Análise da entrevista com os especialistas..........................................28 3.3. Questionário................................................................................................31 4. OS CRITÉRIOS DO MATCH E A CIBERCULTURA ....................................... ..39 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................... 44 6. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................. 45 Apêndice A ...............................................................................................................51 Apêndice B ...............................................................................................................57 Apêndice C ...............................................................................................................60 Apêndice D ...............................................................................................................63
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1. INTRODUÇÃO O presente trabalho tem como uma de suas principais justificativas o impacto que a ampliação das formas de se comunicar e de se relacionar por meio da tecnologia de aplicativos de relacionamento tem alcançado nos últimos anos. No meio acadêmico, estudar essas novas ferramentas permite que se compreendam os métodos de seleção que os algoritmos usam para orientar e direcionar os usuários que buscam conhecer novas pessoas. A tecnologia digital, no âmbito da cibercultura, acaba transformando até mesmo os modos de se relacionar afetivamente? Mais precisamente, esta pesquisa se detém sobre o aplicativo Tinder e sua ferramenta de escolha batizada como Match. A temática apresenta-se coerente ao campo da Comunicação, uma vez que procuramos entender relações que se dão por intermediação tecnológica e da cultura digital, tornando-se uma reflexão fundamental no contexto da midiatização. O objetivo geral deste trabalho é compreender através de um estudo de caso, como a cibercultura, em especial o aplicativo Tinder, tem afetado as relações afetivas. Tendo como objetivo especifico entender quais são os fatores que direcionam os critérios de seleção do Match pelos usuários do aplicativo Tinder. O problema da pesquisa procura entender quais são as características que levam à seleção do Match no Tinder; seria por meio da imagem? baseando-se nas hipóteses de que padrões midiatizados de beleza; ou pela descrição editada de forma conveniente nas características da biografia?; ou pela aparência do status social? onde há fotografias de viagens e lugares socialmente capazes de gerar distinção de classe social. Mas qual a verdadeira maneira de alavancar o sucesso afetivo nestes meios? A metodologia utilizada para a elaboração deste estudo de caso foi a de pesquisa exploratória e descritiva, com uma abordagem qualitativa e quantitativa. Para a realização do trabalho foram realizadas três etapas: entrevista com profissionais, entrevista com usuários Tinder e um questionário, desenvolvido na plataforma Google forms, aplicado em grupos relacionados ao aplicativo em redes socias como o Facebook e Whatsapp.
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Para o desenvolvimento teórico foi realizada uma pesquisa bibliográfica, utilizando as plataformas Google Acadêmico e Scielo com as palavras chave: Tinder, novas relações afetivas e namoro virtual. É importante ressaltar que o aplicativo de relacionamento analisado nesta pesquisa permite a escolha de pessoas para relacionamento afetivo e/ou sexo casual baseada na aparência exposta por fotos e nas descrições apresentadas pelo próprio sujeito na biografia, em um primeiro momento. Isso remete diretamente aos processos de consumo, pois os usuários exercem uma função de selecionadores, quando se pode escolher com quem quer se relacionar, baseado em critérios de comparação. O aplicativo Tinder estimula o desenvolvimento de outra forma de sociabilidade, baseada principalmente na velocidade, instantaneidade e fugacidade das relações. Basta observar algumas fotos e poucas palavras sobre um perfil para saber se aquela pessoa é a ideal para estabelecer ou não algum tipo de relacionamento. De acordo com essa percepção, há um movimento de escolha com quem se relacionar baseado na aparência e na descrição de si ao outro, isto é, os usuários decidem quem terá ou não a oportunidade de estabelecer um contato inicial. A partir disso, cada vez mais se torna difícil fazer escolhas, em meio a tantas opções. A nova geração fica perdida no centro de inúmeras escolhas digitais e quando é decidido, há sempre a dúvida se a escolha foi realmente acertada. O Tinder é a melhor prova de que o consumo também se aplica à vida sentimental e afetiva, como uma vitrine de pessoas, um cardápio interminável de perfis que se arrastam, dando Match ou não Match, da mesma forma como é selecionado um filme na plataforma de streaming Netflix. Como o hábito acaba se impondo, é possível perceber que muitos usuários criam uma dependência da ferramenta. Não adianta dar Match em apenas uma pessoa. Existe a vontade de passar para o próximo, porque, quem sabe, a próxima passada no Tinder não seja uma pessoa ainda mais interessante? Desse modo, sem perceber, pessoas são escolhidas como objetos de consumo. O suposto “paraíso infinito de possibilidades ao alcance dos dedos”, talvez faça as pessoas se sentirem mais descontente com os seus relacionamentos e cada vez mais desistirem das escolhas que já fizeram, das pessoas que conheceram dos amigos que fizeram, dos amores e de possíveis histórias terminadas, porque quiseram
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escolher um pouco mais do que tentar se adaptar. Como um grande cardápio ou vitrine de pessoas, o usuário escolhe e é escolhido, sem muita reflexão. De maneira geral, podemos observar que a ampliação das formas de se comunicar e de se relacionar com sujeitos por meio da tecnologia do aplicativo de relacionamento Tinder encurtou as distâncias, inundou o “mercado” de possibilidades e aproximou as pessoas. A ordem é conhecer sempre mais e mais pessoas até encontrar aquela que vai interessar. Segundo Thiago de Almeida, psicólogo e mestre pelo Instituto de Psicologia da USP (IP-USP), em artigo publicado no site da agência universitária de notícias da USP1, o Tinder é maior aplicativo de pareamento do mundo, exibe em seu site que mais de 10 bilhões de combinações já foram formadas, com mais de 26 milhões acontecendo diariamente. Por um lado, a inclusão desse aplicativo de pareamento reformou os padrões de relacionamento. Por outro, desencadeou questionamentos sobre a fluidez e profundidade dos laços construídos através deste mecanismo. Por fim, é importante indicar que aplicaremos nesta monografia o conceito de cibercultura, de Pierre Levy. Ele traça suas percepções sobre o crescimento do ciberespaço, que é um novo território de comunicação que surge da interconexão de computadores e o consequente surgimento das relações no âmbito cultural. Segundo Levy (1999), “a cibercultura expressa o surgimento de um novo universal, diferente das formas que vieram antes dele no sentido de que ele se constrói sobre a indeterminação de um sentido global qualquer”. Trata-se de um “novo dilúvio”, provocado pelos avanços tecnológicos das telecomunicações, em especial, o advento da internet. Os conceitos de cibercultura e ciberespaço são centrais na obra de Lévy e dele derivam todas as suas reflexões. Neste sentido, estaríamos passando por um processo de universalização da cibercultura, na medida em que estamos dia-a-dia mais imersos nas novas relações de comunicação e produção de conhecimento que ela nos oferece.
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Conteúdo disponível em http://www.usp.br/aunantigo/exibir?id=7853&ed=1392&f=23. Acesso realizado em 22/10/2019
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2. DESENVOLVIMENTO DO TEMA 2.1.
Relações Afetivas e a Chegada da Internet
Os relacionamentos humanos passaram por uma reinvenção a partir da popularização das tecnologias digitais e das relações políticas que surgiram a partir dessas transformações, passando pelas redes comunitárias, culturais e mesmo no relacionamento afetivo, todos foram influenciados de certa forma pelas novas ferramentas criadas dentro da internet. No âmbito desta monografia, iremos falar sobre os relacionamentos afetivos, mas é importante pensar que toda a gama de interações humanas hoje passa em grande parte pela mediação tecnológica. Segundo Pierre Lévy (1993, p.7), um dos autores pioneiros no estudo da cibercultura, “novas maneiras de pensar e de conviver estão sendo elaboradas no mundo das telecomunicações e da informática”. As constantes inovações nos dispositivos informacionais de todos os tipos modificam as relações entre o ser humano, o trabalho, a inteligência. De acordo com o autor, as relações não simplesmente migraram para as novas tecnologias, mas também se transformaram para se adaptar às novas tecnologias. Para o sociólogo Frederico Lima (2000), “o computador tirou o ser humano da janela que foi colocado pela televisão, onde ele via os fatos acontecerem, mas não podia intervir para um processo de participação e construção diária, em função de seus objetivos” (LIMA, 2000, p.27). Isso demonstra que a interatividade proporcionada pela tecnologia digital oferece um novo patamar para o desenvolvimento dos relacionamentos humanos. De acordo com o sociólogo Manuel Castells (1999), a internet é a espinha dorsal da comunicação global, mediada por computadores, “é a rede que liga a maior parte das redes” CASTELLS (1999, p.431). Assim, tanto o espaço quanto o tempo estão sendo transformados sob o efeito combinado do paradigma da tecnologia da informação e das formas e processos sociais, induzidos pelo processo atual de transformação histórica. As transformações verificadas no mundo contemporâneo, conforme o sociólogo Peter Pál Pelbart (2000, p. 11-14), afetaram e afetam o plano do próprio modo de subjetivação. Tais transformações impuseram, assim, uma série de
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redesenhos e reconfigurações, sobretudo nessa matéria-prima tão impalpável quanto incontornável a que chamamos subjetividade. Para o autor, no que se refere à subjetividade, estamos diante de um terreno aberto às forças que lhe forem dando sentido. Consequentemente, a subjetividade em suas elaborações é tratada enquanto fabricação social e histórica. Pelbart (2000), investe num conceito de subjetividade que, ao contrário de algo abstrato, trata da vida, mais precisamente das formas de vida, das maneiras de sentir, de amar, de perceber, de imaginar, de sonhar, de fazer, mas também de habitar, de vestir-se, de se embelezar, de fruir etc. Algo diretamente relacionado à análise que desenvolvemos nesta monografia e que deve nos acompanhar ao longo das reflexões sobre nosso objeto de estudo. Do ponto de vista dos sociólogos Vieira e Cohn (2008), as subjetividades e os namoros virtuais são os novos meios de expressão de si e buscam desvendar algumas particularidades que são típicas das relações amorosas virtuais. As autoras afirmam ainda que a internet se tornou um espaço onde se pode conhecer várias pessoas na mesma noite, sem sair de casa, ao mesmo tempo em que se mantêm ou se terminam relações já estabelecidas. Segundo a jornalista Adriana Dias Lopes (2004), em seu estudo, constata que a regra "nunca te vi, sempre te amei" não serve para “chatters” brasileiros: Em 72% encontram-se pessoalmente pelo menos uma vez e, destes, apenas 60% continuam o relacionamento. Em torno de 79% costumam acessar a rede de suas casas, 60% mantiveram a amizade fora da Internet, 63% acessam pelo menos uma vez ao dia, 75,1% são solteiros, 49% tinham entre 15 e 24 anos, 37,5% já namoraram virtualmente e 72,1% já conheceram pessoalmente amigos virtuais. Além disso, os bate-papos têm a presença de 71% de pessoas do sexo masculino. Ao que parece, eles são mais arrojados. O “internauta” se encontra em salas, faz parte de comunidades, é fiel aos amigos, mas não se revela inicialmente. (LOPES, 2004).
Conclui-se então que a internet não é uma substituta das relações presenciais, ao contrário, é mais uma esfera de interação com o outro: A distância assim como a ausência do corpo ajuda o sujeito a se expor em questões que, com o corpo presente, teria vergonha ou receio. Ou seja, a ausência da expressão corporal pode facilitar o contato com o outro. Os internautas, nesse sentido, pelo menos é o que parece demonstrar o estudo, puderam revelar-se ao outro sem temer demonstrar nervosismo no suar das mãos, no desviar do olhar, no tom da voz. Em outros momentos não somos interrompidos por expressões como o choro, por mais que a outra pessoa esteja
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chorando. (VIEIRA; COHN, 2008, p. 74-97).
Isso nos ajuda a refletir sobre o sucesso alcançado pelo aplicativo Tinder no Brasil, uma vez que ele permite a interação com diferentes sujeitos sem o risco da exposição física presencial. A exposição da imagem no perfil é perfeitamente manipulável, editável e protegida pelos recursos da midiatização da própria identidade digital. Conforme artigo publicado pela Universidade Federal de Santa Catarina, pelo comunicador José Luiz Guimarães (2002), questões relacionadas aos novos modos de produção e à absorção intensa do sujeito pelo trabalho também se inserem no debate. Abrem-se novas perspectivas de relacionamento, indispensáveis para as pessoas que trabalham em casa ou que têm uma vida atribulada a ponto de não sobrar energia para uma vida social mais intensa. Em uma pesquisa acerca de relacionamentos virtuais, pôde constatar que na sala #sexo do programa IRC, dentre os 25 entrevistados, 21 eram do sexo masculino (84%) e 4 do sexo feminino (16%), 100% eram solteiros, 92% afirmaram obter prazer através do sexo virtual, 88% dos entrevistados já tiveram ou gostariam de ter contato real com alguma pessoa com quem já praticaram sexo virtual, 44% praticantes de sexo virtual entrevistados já assumiram ou assumem o papel de sexo oposto nas relações sexuais virtuais, 52% dos entrevistados tinham entre 19 e 26 anos, 56% declararam que mudaram a opção sexual (heterossexual para homossexual, ou vice-versa) a partir do momento em que passaram a acessar as salas de sexo virtual, apesar de declararem não ter esta opção sexual na vida real. (GUIMARÃES apud. MORAIS DA ROSA, 2001).
A ilusão de proximidade, de conhecimento e intimidade a despeito das - às vezes, enormes - distâncias geográficas é um dos aspectos negativos da virtualidade. As possibilidades de comunicação mediadas pelo computador, bem como o número de usuários que usufruem deste tipo de comunicação, crescem em ritmo acelerado, tornando importantes as pesquisas com o objetivo de descrever os novos processos de interação social e as possíveis consequências, principalmente das salas de “bate-papo eletrônico” (NICOLACI DA COSTA, 1998). Em um grupo de pesquisa na New York University - NYU, McKenna, Green e Gleason (2002) sugeriram que as pessoas que podem revelar melhor o seu verdadeiro “eu” para outros na Internet do que no contato face a face, seriam mais propensas a formar relacionamentos virtuais íntimos e tenderiam a trazer os
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relacionamentos virtuais para suas vidas reais. Percebe-se que o namoro virtual precede as ferramentas digitais mais recentes e já se inicia como tendência logo com a chegada da internet e o acesso a chats de conversação. O Tinder, na verdade, vai facilitar a exposição de uma imagem construída a partir do domínio de técnicas básicas de compartilhamento de uma identidade digital midiatizada. 2.1.1.
Comportamento Humano, Relações Afetivas e Amor Líquido O conceito do psicólogo Burrhus Frederic Skinner (1984, p. 64), para
comportamento trata de um conjunto de funções que promovem a interação do organismo com o ambiente, envolvendo o agir, o pensar e o sentir. A diferença entre agir, pensar e sentir é o grau de acessibilidade que permite tanto ao observador externo quanto à própria pessoa que se comporta (SKINNER, 1982). Diferentemente dos ‘relacionamentos reais’, é fácil entrar e sair dos ‘relacionamentos virtuais’. Para o sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman, em comparação com a ‘coisa autêntica’, pesada, lenta e confusa, eles parecem inteligentes e limpos, fáceis de usar, compreender e manusear. “Sempre se pode apertar a tecla de deletar.” (BAUMAN, 2003/2004, p. 13) Com o advento da escrita, falante e ouvinte puderam se tornar separados temporal e espacialmente, permitindo a transmissão de instruções de geração para geração. Operante verbal e a consciência são considerados pelo Behaviorismo Radical como aspectos distinguidores do homem. Assim ambos seriam produtos da eleção pela consequência: o operante verbal, a nível do condicionamento operante; e a consciência, a nível da seleção de culturas (SKINNER, 1990). Os dois se juntam claramente quando consideramos que a própria palavra consciência (ciência e conhecimento) é uma alusão às contingências verbais necessárias para estar consciente (SKINNER, 1990). No relacionamento ‘camarada/camarada’, não são as mensagens em si, mas sua circulação que constitui a mensagem, além de não importar o conteúdo. Se você interromper a conversa, está fora. O silêncio equivale à exclusão (BAUMAN, 2004, p. 52). De acordo com a analogia de Bauman, relacionamentos virtuais são
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relacionamentos que têm vários atributos negativos se comparados aos relacionamentos “reais” de outrora. Servem de modelo para os relacionamentos “reais” dos dias de hoje e, por isso mesmo, tornam o mundo menos solidário, os relacionamentos mais superficiais, as pessoas mais solitárias e descartáveis. Aquilo que ele vai definir, junto com o conceito de modernidade fluida e inconstante, como “amor líquido”. Por outro lado, é possível observar a crescente presença das tecnologias móveis nos domicílios, quadro que indica uma tendência à mobilidade no Brasil, realidade já consolidada em muitos países. Isso pode ser verificado pelo aumento do acesso à Internet por banda larga móvel, pela crescente participação dos computadores portáteis e também pela alta penetração do celular na população brasileira (TIC Domicílios e Empresas, 2011, p. 153). O ciberespaço tem sido definido como o novo território para desenvolvimento da comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores. O termo é usado para especificar não somente o aspecto material da comunicação digital, referindo-se inclusive ao universo de informações que essa infraestrutura abriga, como também aos seres humanos que navegam e alimentam esse universo (LEVY, 1999, p.17). Desse termo deriva cibercultura, o qual vem designar o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço. (TRIVINHO, 2000, p. 180). Destaca-se ainda a visão dos comunicadores aqui pesquisados. Entretanto, a psicologia pode ser uma aliada para o comunicador que deseja se aprofundar no assunto. Nesse sentido, segundo o psicólogo Flademir Roberto Williges (2002, p. 69), a distinção entre um delírio e uma percepção é feita a posteriori, através da confirmação ou invalidação de uma experiência perceptiva anterior.
2.2.
Tinder e a Ferramenta Match
O Tinder foi criado no ano de 2012 na Califórnia (EUA), por um grupo de quatro alunos da Universidade do Sul da Califórnia, porém chegou no Brasil no ano de 2013.
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É um dos aplicativo de relacionamento mais usado do mundo, ultrapassa mais de 20 bilhões de Matches,1. O aplicativo produz mais de 26 milhões de Matches por dia, são cerca de 190 países que usam a ferramenta. A empresa Match Group, controladora da marca Tinder, publicou o balanço do último trimestre do ano de 2018, revelando um aumento de 1,2 milhões de usuários pagos, totalizando 4,3 milhões de usuários pagos. O aplicativo é de fácil acesso para qualquer pessoa e impressiona pela sua eficiência. “Deslize. Dê um Match. Converse. Encontre. É muito fácil e divertido usar o Tinder: Deslize para a direita se curtir alguém ou para a esquerda se não estiver interessado. Se alguém curtir você de volta, deu Match! Tinder criou um processo de dupla confirmação, por isso, o Match só acontece quando há interesse mútuo.” (TINDER, 212)
O aplicativo procura oferecer ao usuário a sensação de segurança e, para isso, cria uma série de parâmetros de avaliação mútua. Comportamentos considerados inadequados podem ser denunciados através do próprio aplicativo na opção denunciar desfazer o match, você conta o motivo e o Tinder investiga o perfil do usuário. Para analisar o Tinder, precisamos compreender a história desse tipo de aplicativo, o contexto social no qual está inserido e como sua tecnologia resulta em efeitos nas relações sociais. Ana Tannus (2018, p. 40) diz que “a autoestima é elevada a cada Match, sem muito se preocupar com os Likes não correspondidos, criando uma bolha que, para quem está dentro, responde aos estímulos nem sempre honestos do aplicativo”. Na Figura 1, vemos as informações de perfil e o esforço do aplicativo em oferecer recursos para que se tenha um perfil mais atrativo: A capa do Tinder é simples, acessível e facilita o interesse do usuário.
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Figura 1 – Crie uma conta.
Fonte: Tinder, 2019.
Ao criar um perfil, o usuário logo é convidado a assinar um serviço adicional para se destacar. Figura 2 – Crie um perfil.
Fonte: Tinder, 2019.
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A professora Hellen Taynam da Silva Cavalcanti (2017, p 18) ressalta que “as interações entre os atores nas redes sócio virtuais ocorrem por muitas vezes em um mesmo dia e rompem as barreiras temporais e espaciais que separam as pessoas”. Pode-se fazer um paralelo com a forma que os usuários atuam nas redes sociais, sejam elas relacionadas a qualquer área de sua vida. No contexto da midiatização através da tecnologia, a pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Luísa Friedrich (2017) realizou um estudo empírico sobre o Tinder, com o objetivo geral de descobrir as motivações que levam os sujeitos a fazerem uso desse aplicativo. “O fenômeno da midiatização é um dos conceitos chave para discutirmos acerca dos relacionamentos na contemporaneidade, pois este fenômeno acarreta no substrato do processo de midiatização” (FRIEDRICH,2017, p.16). Em uma sociedade marcada pela efemeridade e fluidez, os relacionamentos amorosos passaram a ser afetados por estes predicados. Na era do amor líquido (BAUMAN, 2000) e dos relacionamentos virtuais, os indivíduos passam a manter vínculos afrouxados a fim de desfazê-los rapidamente Os autores Acselrad e Barbosa (2017) escreveram um artigo de estudo de caso e afirmam que a “promessa de felicidade que ocorre na vida líquida moderna não se confirma, pois, o deslumbramento ocorre na objetivação de satisfação”. A busca pelo prazer é o que movimenta tanto os desejos de consumo quanto as relações interpessoais dos indivíduos modernos. Se antes o prazer era procurado em algo já conhecido, cujas possibilidades de contentamento já eram constatadas, o moderno configura-se como a busca de um prazer imaginário, ilusório. A jornalista da Revista UNISINOS, do centro de pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Ana Luiza Figueredo Souza concluiu que “apesar de ser um aplicativo para marcar encontros, a interação que os entrevistados têm com outros usuários do Tinder é similar à que teriam com as pessoas em um bar ou boate” (FIGUEREDO SOUZA, 2016, p.194) A comunicação é um processo ao mesmo tempo natural e estimulado. É o caminho pelo qual os indivíduos se unem, partilham experiências, vivências e emoções. Por meio da comunicação, os indivíduos estabelecem seus laços sociais, afetivos e amorosos, materializando, assim, a sociabilidade. E ainda com relação à comunicação, sabemos que os indivíduos buscam o diálogo; conhecer outras pessoas e conhecer outras vivências.
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Em artigo publicado pela PUC Goiás, a pesquisadora de relações públicas, comunicação social, Thalita Silva (2016) acredita que “diante da busca por conhecer os demais indivíduos, convém ressaltar que a internet promoveu diversas inovações em favor da sociabilidade” (SILVA, 2016, p. 99). A tecnologia digital gera uma densa teia de relações pelas quais reconstruímos a realidade sociocultural em que nos inserimos, transformando radicalmente as estruturas da realidade social a partir do momento em que modificamos os dois pilares da realidade cultural humana: a comunicação e a produção. A psicóloga Nádia de Lima (2016) conclui que: “Nesse mundo sem fronteiras definidas, em que as tradições perdem as suas bases e os sentidos se multiplicam na horizontalidade expandida pela rede acompanhamos as reconfigurações dos laços e dos valores compartilhados socialmente”. Os aspectos por meio da escolha de imagens no Tinder reforçam algumas hipóteses sobre o modo como operam as lógicas deste tipo de mídia na construção dos regimes de visibilidade para o consumo dos integrantes entre si, em suas possibilidades de promover processos de interação. Segundo Junior e Trindade (2015, p 176), “a própria dimensão da paisagem, portanto, se reconfigura a partir de uma lógica do consumo, como se pudesse ser tangibilizada”. A comunicação passou de uma troca de símbolos, como forma
de
compreensão e entendimento, a direcionar o caminho do ser humano, influenciando em seu comportamento, bem como em sua forma de pensar. Este processo evolutivo ganhou instrumentos que proporcionaram sua aplicabilidade, demandando uma busca cada vez maior de informações e a necessidade de interação do homem em relação ao mundo como um todo, ultrapassando barreiras para chegar ao seu objetivo. Segundo o comunicador Fabio Fracari (2015) o Tinder é “uma nova composição dos atos sociais propostos pelos indivíduos, que gera um ciclo frequente de desejos, anseio se necessidades por meio da sedução” (FRACARI, 2015, p. 36) É interessante lembrar que o Tinder foi desenvolvido para funcionar em parceria com o Facebook, prometendo: “o amor mora ao lado”. O Famoso “It’s a match!” (É uma combinação!) Garante que, a partir disso, os indivíduos passem a conversar entre si. Na Figura 3, vemos a tela da ferramenta Match do aplicativo:
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Figura 3 – Deu match.
Fonte: Tinder, 2019.
O Match só acontece quando os dois usuários escolhem um ao outro. Segundo a pesquisadora de audiovisual Fernanda Constantino (2015) “no Tinder, os que procuram o amor se colocam na vitrine ao mesmo tempo em que analisam os que estão na prateleira”. Isso leva a refletir como, a partir das novas áreas da tecnologia, são criadas as perspectivas para o lazer e o consumo relacionados ao espaço ocupado na sociedade. No consumo cultural, exercemos e exibimos nosso gosto e estilo. Segundos as autoras Arlete Granero e Tatiane Couto (2013), “trata-se de um estado de privação do indivíduo que inclui as necessidades físicas básicas para a sobrevivência, as sociais e as individuais, de conhecimento e de auto realização”. Conceitualmente, para os autores, a afetividade deve ser distinguida de suas manifestações, diferenciando-se do sentimento, da paixão, da emoção. A afetividade é um campo mais amplo, já que inclui esses últimos, bem como as primeiras manifestações de tonalidades afetivas basicamente orgânicas.
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3. Estudo de caso: como o aplicativo Tinder tem afetado as relações afetivas
Para o desenvolvimento deste estudo foram realizados dois tipos de pesquisa: qualitativa, com realização de entrevistas em profundidade e questionário público. Para uma melhor compreensão do funcionamento do aplicativo criamos um perfil do Tinder e através deste perfil realizamos entrevistas com alguns usuarios. As entrevistas foram realizadas com 6 homens e 6 mulheres, solteiros, convidados através do aplicativo. Foi realizada uma entrevista pessoal com 5 casais que se conheceram através do aplicativo Tinder. E foram entrevistados dois psicólogos para discutir as relações afetivas. O questionário público foi desenvolvido na plataforma Google Forms e aplicado em grupos relacionados ao aplicativo em redes socias como o Facebook e Whatsapp. As entrevistas tiveram a finalidade de compreender o tema proposto, foi realizada uma abordagem qualitativa e descritiva. Na abordagem pelo questionário público pela plataforma Google Forms, foi utilizado o método quantitativo, a fim de uma melhor análise dos resultados. 3.1 Criando um perfil no Tinder Durante o processo de produção deste estudo, nos detivemos inicialmente sobre os modos de organização e interação do aplicativo. A seguir, serão descritas detalhadamente as principais características apresentadas por essa plataforma logo a partir da criação de um perfil, etapa que utilizamos para desenvolver nosso estudo de caso. A primeira tela que aparece logo após instalar o aplicativo no smartphone é a mesma apresentada na Figura 1. O aplicativo oferece a opção para fazer o login criando uma conta, usando o número do telefone, um login pré-existente da conta do Facebook. Isso já cria uma conexão entre diferentes plataformas e compartilhamento dos dados do usuário pelas corporações envolvidas no processo. Ao entrar no aplicativo pelo número de celular, o Tinder envia um código para dar acesso ao aplicativo. Esse código pode ser enviado pelo WhatsApp ou por SMS.
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O aplicativo oferece a opção de ativar a localização do usuário e de receber notificação para mensagens quando um usuário dá um Match no seu perfil. Depois desses primeiros passos, cria-se o perfil dentro do Tinder. Há ferramentas para personalizar o perfil e escolher sexo de interesse do usuário. Há, ainda, a opção de editar as informações pessoais, nome, idade, sexo, sobre mim (descrição ou biografia do usuário), empresa que trabalha, cargo, universidade, estado onde mora, com opção de acrescentar atalhos para o Instagram, música do Spotify e artistas preferidos. Dentro do aplicativo também existem algumas configurações pagas e o diferencial vendido pelo grupo é que “fazendo um plano com o Tinder você consegue ter o controle total do aplicativo”. O que diferencia o Tinder das outras redes sociais é que a quantidade de fotos é limitada, nele o usuário só pode ter 9 fotos no perfil. O que já garante uma seleção das “melhores” imagens, num processo de edição inicial. Na configuração, o usuário pode escolher os planos pagos do Tinder que são: o tindergold, tinder + e o pacote para descolar Boosts (essa opção serve para detectar robôs que fazem perfis falsos dentro do aplicativo) e o pacote para Super Likes (essa opção serve para o usuário dar um like em outro indivíduo e imediatamente conseguir conversar com o mesmo, sem que o outro usuário precise corresponder com o seu Match). O usuário tem livre acesso para gerenciar o aplicativo conforme seus interesses. As opções de seleção são intuitivas e fáceis de usar. Para selecionar pessoas dentro do Tinder, o usuário terá acesso às fotos, informações pessoais e descrição da biografia de qualquer indivíduo que use o Tinder. Ao analisar um perfil, o usuário pode apertar o “X” para dizer que “não curtiu” ou apertar o “coração” para dizer que “curtiu”. Existe, ainda, a opção de arrastar para esquerda para “não curtir” e arrastar para direita para “curtir”. Quanto mais o usuário arrasta o dedo, mais opções ele recebe, até que seja correspondido e encontre o Match. As outras opções só estão disponíveis na versão paga do aplicativo. Quando as duas pessoas se curtem no perfil uma da outra e apertam o botão do “coração” dão o Match e abre uma tela de bate-papo entre os dois usuários. O significado do Match é um dos pontos importantes para esta análise. Ele
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acontece quando os dois indivíduos escolheram a opção “curtir” mutuamente, seja pela localização, seja pelas fotos ou pela descrição do perfil. Em seguida, é aberto o bate-papo, que é o ponto inicial para conversar, conhecer o outro e, talvez, marcar o primeiro encontro. O bate-papo do Tinder lembra bastante o modo de interação do WhatsApp. Os usuários conseguem mandar mensagens, gifs, músicas e emoticons. Contém também o Feed de notícias, que nada mais é do que o status dos usuários. Algumas outras opções como, por exemplo, receber confirmações de leitura de textos, só são possíveis se o indivíduo pagar a conta Gold. O que nem todos conhecem dentro do aplicativo é a opção de denunciar e de desfazer Match, caso o usuário não goste do comportamento da outra pessoa. O Tinder disponibiliza a opção “conte o motivo”, ou seja, é possível contar por qual razão não gostou da pessoa e especificar a causa. Com isso, a equipe do Tinder vai analisar o perfil do usuário e investigara motivação. Quando o comportamento é considerado inadequado, o usuário pode ter sua conta excluída ou bloqueada.
3.2. Entrevistas 3.2.1. Entrevista com casais Para esta análise foram convidados cinco casais que se conheceram pelo aplicativo Tinder, foram formuladas oito perguntas direcionadas ao assunto. 1. Por qual motivo instalou o aplicativo? O que você buscava (encontro
casual? namoro? Amizade?) 2. Teve experiências ruins antes do seu relacionamento atual? 3. Qual foi sua primeira impressão ao ver o perfil do seu parceiro (a) no Tinder?
4.Quais as características pessoais do seu parceiro que levaram você a dar um Match? 5. Qual o seu status atual com seu parceiro (a)? 6. Como foi o primeiro encontro? Depois de quanto
tempo? 7.Vocês indicariam o Tinder para outras pessoas? 8.Em sua opinião, é possível encontrar o amor no Tinder? Os casais responderam as perguntas separadamente, para não haver
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interferência nas respostas e fazendo uma análise das respostas obtidas chegamos as seguintes conclusões. Todos se conheceram em menos de um mês e confirmam que procuravam pessoas com uma bela característica física, corpo atraente, roupas na moda e uma boa descrição no perfil. O intuito principal para instalar o aplicativo foram encontros casuais para sair da solidão e conhecer pessoas novas para se relacionar. A maior parte admite que conheceu mais de uma pessoa pessoalmente e nem todos os encontros foram bons, pois o indivíduo era “diferente das fotos do perfil no aplicativo Tinder”. Todos confirmam ser possível encontrar um relacionamento no aplicativo Tinder. Em comum, todos os entrevistados possuem um relacionamento estável atualmente que foi gerado através do aplicativo. Dessa forma, todos indicariam o aplicativo de encontros para outras pessoas. As entrevistas na ìntegra se encontram nos Apêndices.
3.2.2.
Entrevista com mulheres solteiras no Tinder Para esta análise foram convidadas seis mulheres solteiras que foram
entrevistadas através do recurso de mensagem do Tinder. Possuem entre 19 anos e 32 anos e estão usando o aplicativo entre 1 semana a 2 anos. Foram formuladas oito perguntas direcionadas ao assunto. 1. Há quanto tempo está no Tinder? 2. Por qual motivo instalou o aplicativo? 3. Quais são as características pessoais que fazem você dar um Match em uma pessoa do Tinder? 4. Quantos encontros você já teve pelo Tinder? 5. Como foram os encontros? 6. Você recomendaria o Tinder para outras pessoas? 7. Em sua opinião é possível encontrar o amor no Tinder? 8. Você já sofreu assédio no Tinder? Analisando as respostas, percebemos que, entre os principais motivos para instalar o aplicativo está a curiosidade, a busca de encontros casuais, o desejo de encontrar pessoas novas e de arrumar um namorado. As características pessoais que elas mais procuram é beleza e um físico atlético. Apenas uma ainda não teve encontro com alguém do aplicativo, porém, as
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outras cinco tiveram mais de dois encontros, duas admitem que já perderam as contas de tantos encontros que já tiveram. Apenas duas disseram ter tido experiências ruins em seus encontros e outras três confirmaram que já tiveram sim bons encontros. Quando perguntado se recomendariam o Tinder, quatro mulheres recomendam para outras pessoas, já as outras duas não recomendam. Todas as entrevistadas confirmam que já sofreram algum tipo de assédio, seja por pedidos de fotos nuas em troca de dinheiro, prostituição ou palavras agressivas. Cinco mulheres afirmam que é possível encontrar o amor no Tinder e somente uma discorda. Pode-se concluir que é possível conhecer pessoas novas através do aplicativo, o Tinder é eficaz, porém, é um meio de comunicação onde alguns indivíduos que são usuários se aproveitam dessa ferramenta para conseguir algo fácil. A entrevista na integra se encontra nos apêndices.
3.2.3. Entrevista com homens solteiros no Tinder
Os homens entrevistados tem entre 19 anos e 35 anos de idade, num total de seis usuários ativos do aplicativo. Foram formuladas oito perguntas direcionadas ao assunto. 1. Há quanto tempo está no Tinder? 2. Por qual motivo instalou o aplicativo? 3. Quais são as características pessoais que fazem você dar um Match em uma pessoa do Tinder? 4. Quantos encontros você já teve pelo Tinder? 5. Como foram os encontros? 6. Você recomendaria o Tinder para outras pessoas? 7. Em sua opinião é possível encontrar o amor no Tinder? 8. Você já assédio mulheres no Tinder? Analisando as respostas, chegamos aos seguintes resultados. Referente ao tempo de uso do aplicativo, o mais novo está há duas semanas e o mais antigo há dois anos, porém todos já tiveram encontros. O que está há menos tempo já teve pelo menos um encontro e os outros variaram de três a mais de trinta encontros. A maioria
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relata ter tido bons encontros. Sobre o principal motivo para instalarem o aplicativo, dois deles instalaram o Tinder para arrumar uma namorada, outros dois para encontro casual, um para sexo e um para fazer amizades. A principal busca é por beleza, apenas acrescentam outros atributos como corpo escultural, estilo musical, gostar de viajar, gostar de animais e estar interessada em sexo casual. A respeito de encontrar o amor através do aplicativo, a maioria acredita que sim é possível, apenas um não acredita. Quando perguntado se já assediaram mulheres no Tinder, dois responderam que sim, já assediaram e quatro disseram que não, nunca assediaram. Todos os homens entrevistados no aplicativo indicam ou indicariam o aplicativo para outras pessoas.
3.2.4. Análise da entrevista com os especialistas
A fim de obter uma análise profissional, foram convidados dois psicólogos para discutir as relações afetivas através de aplicativos de encontro. Os dois profissionais aceitaram participar do estudo e autorizaram a publicação dos dados. O primeiro especialista é o Psicólogo Rafael Diniz de Lima, coautor do Livro: Relacionamentos amorosos: o antes o durante e depois volumes 1 e 2. Trabalhou na
produção
científica
de
artigos
que
tematizam
as
dificuldades
dos
relacionamentos amorosos com ênfase em temas como ciúme patológico, infidelidade, infidelidade virtual, poliamor, gamofobia, timidez, baixa autoestima e amor patológico. O psicólogo acredita que, a grande questão é que os aplicativos impõem uma multiplicidade de escolha, o que pode levar o indivíduo questionar a todo o momento a escolha que fez e a repensar se compensa ou não se manter na relação com determinada pessoa tendo várias outras à disposição. Não acredita que o tinder tenha reformulado padrões de relacionamento, mas que oferece a facilidade e eleva a autoestima. Como as pessoas costumam se encontrar logo, não há tantas diferenças no padrão de relacionamento, o Tinder funciona como um processo de paquera e facilitou o sexo casual. Em suas palavras:
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Podemos dizer que vivemos um paradoxo, vejo muitas pessoas desejando uma relação amorosa, mas com extremo receio de investir e se frustrar, então quase que em um movimento de defesa entram em relações menos comprometidas, não que realmente não desejam “entrar de cabeça”, mas o medo de perder a relação e se frutar faz com que haja dessa forma (DINIZ, 2019, Apendice D).
De acordo com Rafael Diniz (2019), as aproximações se tornam superficiais, pois este é o intuito do aplicativo, porém, quando as relações se estabelecem no mundo “real” é necessário ir além das superficialidades. No meio digital existe uma abertura maior para as pessoas se expressarem abertamente, enquanto no relacionamento presencial o processo de descoberta é bem mais lento. A respeito das influencias que levam a escolha do match, ele acredita que os homens são visualmente mais motivados e buscam por atratividade física, já as mulheres levam em consideração o status social, amizades, profissão, entre outros aspectos que não só o físico. Para Rafael Diniz (2019), muitos matches podem criar a falsa ilusão da facilidade em estabelecer relacionamentos amorosos e para os que possuem poucos matches a alto estima é afetada por não ser considerado atraente, afetando assim sua vida em todos os âmbitos. A exigência em suas escolhas é algo bom, porém, a busca pela pessoa perfeita talvez jamais aconteça, pois, esta pessoa não existe. E o fato de buscar a felicidade a todo momento pode causar a frustração nos momentos de dificuldade e ao invés de procurar a solução, trocam de parceiros por ser o caminho mais fácil. Para o psicólogo as redes sociais atrapalham os relacionamentos, pois possibilitam que casais comparem suas vidas ao tempo todo com a de outros casais, e o individuo pode idealizar essas outras relações que rede social transmite como real, criando a sensação de que todos os casais são felizes e apenas seu relacionamento é problemático, quando na verdade todos vivem este processo. A segunda entrevista é com a Psicóloga Marina da Costa Manso Vasconcellos, organizadora e coautora do livro: “Quando a Psicoterapia Trava”, Ed. Summus, SP, 2007. E autora do capitulo “Psicodrama e terapia de casal: como eu faço”, do livro “Psicodrama com casais” (org. Gisela Castanho – Ed. Ágora, 2016). Psicóloga voluntária no AMITI – Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. Atende jovens, adultos, casais e famílias em consultório particular.
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Para a psicóloga quando relações afetivas passam a ser mediadas por aplicativos tecnológicos, estão a disposição de qualquer um e na maioria das vezes as relações são escolhidas apenas pelo visual, aumentando o risco das pessoas serem incompatíveis, a maioria das vezes as informações disponibilizadas não correspondem com a realidade e a existência de perfis falsos levando a um aumento no risco de se conhecer alguém com más intenções que pode levar a situações delicadas ou perigosas. Sobre reformular padrões de relacionamento, a psicóloga diz que o Tinder facilitou a chance de conhecer alguém quando todos estão ali por um objetivo. As pessoas consideradas tímidas ou solitárias tem a chance de conhecer alguém e não ficar frustrado e sozinho, o aplicativo criou a possibilidade do encontro para qualquer pessoa independente de seu nível socio econômico ou jeito de ser. Para Mariana Vasconcellos (2019), as relações afetivas sofreram uma queda de qualidade e comprometimento em função da oferta de sexo fácil e casual. Para ela a maioria está no aplicativo atrás de uma noite de sexo e se satisfazem, e assim, não se configura uma relação mais profunda, já que a partir do momento que se escolhe um, é necessário abrir mão de todos os outros. Em suas palavras “É mais fácil não se comprometer e curtir o “agora”. A oferta é grande e a banalização do sexo está cada vez maior. Como vou ficar apenas com uma, se outras tantas estão me dando “like”? E se forem melhores?” Na realidade tudo vai depender do objetivo da pessoa, se quiser apenas sexo vai escolher pelo visual independente de todo o resto, porém, se quer um relacionamento sério o perfil faz toda a diferença. Para a psicóloga a diferença entre um relacionamento convencional e o desenvolvido através de aplicativos está apenas na forma como se conheceram, o sucesso da relação está na capacidade de lidar emocionalmente com as pessoas e na disposição de construção de um vínculo saudável e não na forma que iniciou este relacionamento. Sobre a possibilidade das pessoas se dedicarem menos aos relacionamentos consolidados a psicóloga garante que em muitos casos o Tinder é uma alternativa para a traição. É fácil conseguir uma pessoa que tope algo casual e sem compromisso e muitos perfis já são feitos com a proposta de que são casados, atraindo outros na mesma intenção.
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Quando perguntada sobre os efeitos que o Tinder pode causar em seus usuários, a psicóloga diz que pode gerar um tipo de vício na proposta de oferta fácil, onde a pessoa perde a oportunidade de crescer emocionalmente e de vivenciar vínculos saudáveis e duradouros. Aos que vendem a imagem falsa precisam enfrentar o problema de mostrar-se como realmente, afinal, um relacionamento não pode ser construído com base em mentiras. Aos que não conseguem muitos matches é afetado em sua autoestima, pois ao se comparar aos amigos que recebem muitos matches a pessoa passa a duvidar de suas qualidades, achando-se inferior e desencorajado. Para a psicóloga ansiedade e depressão podem ser agravados pela insistência no uso de tal tecnologia. Sobre o match perfeito a psicóloga é categórica ao dizer que não existe perfeição, ninguém terá tudo que busca, mas sim afinidades que satisfazem quem procura. É impossível um match perfeito, já que não se sabe nada a respeito do outro, isso só ocorre através do convívio, para ela isto é uma questão de sorte ou intuição. Em relação a eficácia do Tinder na busca ou descarte de parceiros, afirma que depende da intenção da pessoa ao direcionar sua busca. Se quer algo casual foca nas fotos que privilegie o corpo e na sensualidade, porém, se a intenção for uma relação estável as pessoas capricham mais no perfil e suas fotos são baseadas em seu jeito de ser e no que gosta. Confirma que possui conhecidos que estão juntos por causa do aplicativo e possuem uma relação saudável e estável, mas não nega que o descarte de parceiros é facilitado pela grande oferta de parceiros a qualquer hora. Ao perguntar como as redes sociais interferem nas relações afetivas, a psicóloga diz que facilita a conexão de pessoas que passariam despercebidos em outras ocasiões, assim como o ciúme e o controle também são alimentados de maneira destrutiva. Dependendo de como as pessoas se expõem nas redes, qualquer um pode dar uma de “detetive particular” para controlar a vida de quem quiser, e os parceiros são os mais atingidos. Nesse ponto as relações estão sendo expostas desnecessariamente, causando conflitos antes inexistentes. As entrevistas na integra estão no Apêndice deste trabalho.
3.3.
Questionário O questionário foi formulado pela plataforma Google forms, foram realizadas
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14 perguntas com o propósito de identificar, quais são os motivos que levam as pessoas instalarem o Tinder e o que elas estão buscando dentro do aplicativo. As pessoas foram abordadas através das redes sociais, especificamente no grupo do Facebook sobre o Tinder e na fanpage do Tinder Brasil no Facebook. No total 249 pessoas participaram da pesquisa. Foram obtidos os seguintes resultados. Gráfico 1 – Você é? Referente ao sexo.
Fonte: Autoria própria, 2019
Neste gráfico aponta que 66,4% dos que responderam a pesquisa são mulheres e 32,8% homens. Neste caso não foi contabilizada as outras opções. Gráfico 2 – Qual a sua idade?
Fonte: Autoria própria, 2019
No gráfico 2, mostra que a grande maioria dos usuários que responderam à pesquisa, possuem entre 21 e 26 anos, totalizando 49,2%, seguidos dos jovens de 18 a 20 anos com 35,5% e o menor número está na faixa etária de 31 a 36 anos.
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Gráfico 3 – Você já usou o Tinder
Fonte: Autoria própria, 2019
No gráfico 3, responde à pergunta se já utilizou o tinder, com o intuito de selecionar os candidatos que iriam participar da pesquisa. Se a resposta fosse negativa, o questionário deveria ser interrompido. No Gráfico 4 mostra que 8 pessoas interromperam o questionário. Gráfico 4 – participações interrompidas.
Fonte: Autoria própria, 2019.
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Gráfico 5 – Por qual motivo você instalou o aplicativo Tinder?
Fonte: Autoria própria, 2019.
Quando perguntado o motivo que levou a instalar o aplicativo, cerca de 29,9% admitem ser para encontros casuais, 24,8% para encontrar um namorado (a), 19,8% por curiosidade, 15,3% para acabar com a solidão e 7% para fazer amizade. Restando menos que 5% para os outros motivos. Gráfico 6 – Você já se encontrou pessoalmente com outro usuário do Tinder?
Fonte: Autoria própria, 2019
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Ao perguntar sobre encontros, 78,1% já tiveram encontros com outros usuários do aplicativo e 21,9% ainda não. Gráfico 7: O encontro foi positivo?
Fonte: Autoria própria, 2019
Ao perguntar se o encontro foi positivo, 76,1% responderam que sim e 14,6% que não, as outras opções de resposta foram bem diversificadas, não somando uma porcentagem acima de 1%. Gráfico 8 – Normalmente você se encontra com a pessoa do Tinder depois de quanto tempo de conversa?
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Fonte: Autoria própria, 2019.
O gráfico 8, aponta o tempo médio de conversa antes de um encontro e 44,9% diz que uma semana é o suficiente, 23,8% diz que um mês, 11,2% três meses ou mais e 7% dois meses. Gráfico 9 – Você considera que pode rolar um namoro e até casamento através do Tinder?
Fonte: Autoria própria, 2019.
Cerca de 87,5 % dos entrevistados acreditam que através do Tinder possa desenvolver um relacionamento serio e até mesmo casamento e 12,5% não acreditam nesta possibilidade.
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Grafico 10 – Qual destes status voce tem ou já teve com um usuário do Tinder?
Fonte: Autoria própria, 2019.
Em relação as experiencias que os usuário já tiveram com outras pessoas através do aplicativo, 56% garante que só ficaram na amizade, 39,4% apenas sexo casual, 31,1% passaram para um relacionamento sério, 19,1% não teve nenhum tipo de experiencia, 10,8% um relacionamento aberto e 2,5% se casaram com outro usuário. Gráfico 11 – A maioria dos encontros atrés do Tinder foram...
Fonte: Autoria própria, 2019.
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Quando perguntado referente a qualidade dos encontros, 68,8% relataram ser bons e 9,8% foram ruins, 6,8% relataram ter sido maravilhosos e 4.1% declararam não querer nunca mais outro encontro. Gráfico 12 – Voce concorda com essa frase: Porque vou perder tempo insistindo em alguém que foi só uma escolha errada, quando existem tantas outras que podem ser certa no Tinder?
Fonte: Autoria própria, 2019.
Sobre a pergunta se o usuario concorda com a frase “Porque vou perder tempo insistindo em alguém que foi só uma escolha errada, quando existem tantas outras que podem ser certa no Tinder?”, 66,1% concorda e 33,9 discorda. Gráfico 13 – Quais são as características pessoais do perfil avaliado que levam você à seleção do Match no Tinder?
Um rosto bonito, corpo magro ou atlético
1%3% 22%
Descrição de características do perfil na biografia
29%
7% 2%
Viagens e lugares que o usuário exibe nas fotos do seu perfil – Status social e financeiro do outro usuário 30% 6%
Interesse em sexo casual Afinidades culturais (interesses em comuns por cinema / música / TV e etc.) Questões religiosas
Fonte: Autoria própria, 2019.
Ao se perguntar quais são as caracteristicas pessoais do perfil avaliado que levam o usuário fazer a seleção do Match no Tinder, 30% das pessoas disseram ser a descrição do perfil na biografia, 29% se interessam pelas afinidades e interesses
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em comum, 22% se interessam pela beleza e 7% tem interesse pelo sexo casual. Gráfico 14 – Que nota voce daria para o aplicativo Tinder?
Fonte: Autoria própria, 2019.
E para finalizar a pesquisa foi perguntada qual a nota o usuário daria para o aplicativo, 25% deram a nota 7; 20% a nota 8; 19,2% a nota 6; 12,1% a nota 10 e 10% deram a nota 5.
4. OS CRITÉRIOS DO MATCH E A CIBERCULTURA A fim de entender como a cibercultura, em especial o aplicativo Tinder, tem afetado as relações afetivas e ainda entender quais são os fatores que direcionam os critérios de seleção do Match pelos usuários do aplicativo. Foi realizado um estudo de caso, com o intuito de compreender o processo comunicativo e a forma de se relacionar da sociedade, a partir de interações em ciberespaços. Para Pierre Lévy (1999, p.17) o ciberespaço é um novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial de computadores, termo que abrange além da comunicação digital, mas o universo de informações contidas e todos os sujeitos que navegam e se abastecem deste universo. Ainda de acordo com Lévy (2001), nas próximas décadas, mais de 80% dos seres humanos acessarão o ciberespaço cotidianamente e os diferentes processos de concepção, produção e comercialização estarão mergulhados no espaço virtual. A tecnologia prevê uma transferência no modo pelo qual os indivíduos passam a realizar seus diálogos sociais pelo ambiente eletrônico, desafiando a localização territorial e pleiteando a realidade virtual em seu cotidiano (OLIVEIRA et al., 2016).
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Nesta perspectiva, redes sociais são espaços de fala construídos pelos atores de forma a expressar elementos de sua personalidade ou individualidade. No entanto deve se observar a finitude e a profundidade dos vínculos construídos através de meios digitais, visto a efemeridade com que são construídos, se são consumidos ou destruídos. Para Bauman (2003, p.68) “tais laços não passam de vínculos sem consequências, que não se vinculam verdadeiramente”. Ao analisar este apontamento de Bauman sobre relações descartáveis, partimos para as análises do estudo de caso com os casais que se conheceram pelo aplicativo, analisando as respostas obtidas podemos constatar que o maior critério de seleção estava em encontrar beleza e corpo atraente, todos tiveram experiências com outros usuários antes de encontrar o parceiro atual, no entanto para alguns os encontros não foram considerados bons, pois a pessoa não correspondiam a foto do perfil e admitiram que o principal intuito ao instalar o aplicativo foram para encontros casuais. Porém, ao contrário do que diz Bauman, todos confirmam ser possível encontrar um relacionamento sério através do aplicativo, afinal todos estão em uma relação estável com durabilidade. De acordo com Bauman (2004), mesmo que a duração e forma de conquistar tenham mudado, o fato de se apaixonar ou desapaixonar intriga por sua agilidade e facilidade. Todos já ouviram histórias sobre pessoas que são propensas ou vulneráveis ao amor, o que ressalta a facilidade de começar e terminar uma relação. Entretanto, ao analisar as entrevistas feitas com as mulheres através do aplicativo, verificamos que os objetivos principais estão na busca de encontros casuais, arrumar um namorado e encontrar pessoas novas, as características que mais procuram estão na beleza, o mais intrigante é o fato de todas já terem sofrido algum tipo de assédio. Mesmo assim, a maioria diz ser possível encontrar o amor no Tinder. E as entrevistas feitas com os homens através do aplicativo, não apresentam tanta diferença das respostas das mulheres. O objetivo está em encontros casuais e arrumar uma namorada, a principal busca está pela beleza e corpo escultural. Ao perguntar sobre assédio, dois admitiram já ter assediado e a maioria acredita que é possível encontrar o amor através do aplicativo. Como podemos perceber a busca por encontros casuais é o objetivo principal de ambos os sexos, isso mostra a falta de compromisso e garantias, além da
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efemeridade das relações modernas. Bauman (2010, p.10) aponta que graças as transformações das relações modernas, as pessoas não necessitam mais se comprometerem para sentir prazer, contudo, esta pratica intermediada por plataformas digitais tornam-se arriscadas. É importante ressaltar que o aplicativo de relacionamento analisado nesta pesquisa permite a escolha de pessoas para relacionamento afetivo e/ou sexo casual baseada na aparência exposta por fotos e nas descrições apresentadas pelo próprio sujeito na biografia, em um primeiro momento. E um dos critérios colocados como primordial para a grande maioria dos entrevistados é a beleza. Isso remete diretamente aos processos de consumo, pois os usuários exercem uma função de selecionadores, quando se pode escolher com quem quer se relacionar, baseado em critérios de comparação. O Tinder estimula o desenvolvimento de outra forma de sociabilidade, baseada principalmente na velocidade, instantaneidade e fugacidade das relações. Basta observar algumas fotos e poucas palavras sobre um perfil para saber se aquela pessoa é a ideal para estabelecer ou não algum tipo de relacionamento. De acordo com essa percepção, há um movimento de escolha com quem se relacionar baseado na aparência e na descrição, isto é, os usuários decidem quem terá ou não a oportunidade de estabelecer um contato inicial. De acordo com a psicóloga entrevistada Vasconcellos (2019), as relações afetivas sofreram uma queda de qualidade e comprometimento em função da maior oferta de sexo fácil e casual. Muitos entram no aplicativo atrás de uma noite de sexo apenas, e se satisfazem. [...] E como a oferta de pessoas é grande, estando todos ali com a intenção de conhecer alguém, grande parte das pessoas acaba evitando a possibilidade de construção de uma relação mais profunda, já que a partir do momento que se escolhe um, é necessário abrir mão de todos os outros. Sobre a superficialidade o psicólogo entrevistado Lima (2019), afirma que as aproximações mediadas pelo Tinder, talvez sejam sim mais superficiais, pois é um aplicativo com esse intuito, mas não acredita que pode generalizar isso para todas as outras relações não mediadas pelo aplicativo, pois, para que as relações se estabeleçam no mundo “real” é necessário um certo grau de comprometimento e de entrega ao outro, precisando ir além de superficialidades.
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A fim de obter uma análise mais abrangente foi realizado um questionário e aplicado em rede social, cerca de 249 pessoas participaram e fazendo uma análise das principais respostas obtidas, chegamos aos seguintes resultados: A grande parte dos participantes são mulheres (66,4%), a idade média está entre 21 e 26 anos (49,2%), o principal motivo de terem instalado o aplicativo foram para encontros casuais (28,9%), cerca de 78,1% já tiveram encontros com outros usuários e a maioria afirmou ter sido positivo este encontro (76,1%), o prazo médio de encontro após início de conversa é de uma semana (44,9%), boa parte considera que pode rolar um namoro ou até casamento através de encontros pelo aplicativo Tinder (87,5%). Os principais status de relação com outros usuários é a amizade (56%) e para sexo casual (39,4%). As principais características que levam o usuário a seleção de match no Tinder é a característica do perfil (30%), as afinidades e interesses comuns (29%) e a beleza (22%). E a nota que dariam para o aplicativo seria 7 (25%). Percebe-se que os resultados obtidos nas entrevistas comparado ao questionário são semelhantes, isso mostra a que a forma de pensar está mudando e neste cenário o Tinder pode ser colocado como um catalogo virtual, onde estão todos os tipos de intenções, mas que traçam um novo tipo de relações afetivas, as relações sexo-afetivas e simultaneamente, efêmeras. A respeito da cibercultura, em especial o aplicativo Tinder, ter afetado as relações afetivas o Psicólogo Rafael Lima (2019) argumenta que pode sim interferir, a partir do momento que o aplicativo e oferece um processo de busca e múltiplas oportunidades. Nesta concepção: O Tinder talvez tenha facilitado sim o sexo casual, mas relacionamentos de longo prazo costumam ser escolhas mais pensadas por parte dos indivíduos. Com relação ao menor comprometimento acredita que isso se dá devido ao momento cultural em que vivemos. Pode se dizer que vivemos um paradoxo, há muitas pessoas desejando uma relação amorosa, mas com extremo receio de investir e se frustrar, então quase que em um movimento de defesa entram em relações menos comprometidas, não que realmente não desejam “entrar de cabeça”, mas o medo de perder a relação e se frutar faz com que haja dessa forma (LIMA, 2019).
A respeito dos fatores que direcionam os critérios de seleção do Match pelos usuários do aplicativo a Psicóloga Vasconcellos (2019), diz depender da intenção da pessoa ela pode direcionar para o que busca. Se quer apenas sexo casual em geral as fotos privilegiam o corpo à mostra, características sensuais, olhares sedutores e
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nem é preciso escrever nada no perfil. Já quando a intenção é uma relação estável as pessoas capricham nas informações sobre si, no que gostam ou não, naquilo que esperam do outro e acham importante para a relação acontecer, e as fotos procuram explorar cenas diversas que mostrem um pouco do jeito de ser da pessoa, de suas atividades cotidianas, e não algo sensual e provocativo. Como podemos observar quando a profissional ressalta: Conheço inúmeros casais que estão juntos por causa do aplicativo e mantém uma relação amorosa de qualidade e estável. Porém, não podemos negar que o descarte de parceiros foi bem facilitado pela oferta tão grande e fácil de parceiros a qualquer hora (VASCONCELLOS, 2019, Apêndice D).
Bauman (2003) acredita que os relacionmentos pós modernos estão no caminho da cultura consumista, onde os valores se modificam e se misturam entre a vida privada e pública. A cibercultura, pode potencializar nossas possibilidades cognitivas e viabilizar o acesso a uma nova cultura da aprendizagem. Pierry Lévy diz que aprender é abandonar preconceitos e penetrar em um conhecimento diferente , é aceitar se transformar. "Somos o que sabemos, o que experimentamos. Nós nos tornamos o que aprendemos”. (LÉVY, 2001)
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5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Acredita-se que foram cumpridos os objetivos da monografia aqui propostos a partir do problema de pesquisa, quais são as características que levam a seleção do perfil, confirma-se que as hipóteses de que o Match no Tinder ocorre por meio da imagem, pela própria estética da beleza, pela descrição das características do perfil na biografia e por interesse de afinidades culturais. A pesquisa bibliográfica foi de grande relevância nesse processo, onde os pesquisadores estudados não somente da área da Comunicação Social, com suas diferentes ênfases, sendo Jornalistas, profissionais de Relações Públicas, e Sociólogos, mas também Psicólogos estudando o comportamento humano na internet; bem como usuários que utilizam diariamente as redes foram entrevistados, os homens, as mulheres e os casais formados pelo aplicativo Tinder através da ferramenta Match aqui estudada, que se efetiva quando dois usuários clicam like para o perfil do outro, acontecendo assim o Match. Assim como descrito no estudo de caso, pode-se notar que é muito comum que a curiosidade leve ao acesso e uma afinidade aparente sentida através das percepções pessoais com relação ao perfil de relacionamento social de um parceiro pretendido possa se tornar algo ou alguém importante para aquele ou aquela usuária do aplicativo de relacionamento, tanto quanto acontecem a todo o tempo os relacionamentos sociais presenciais. O objetivo proposto foi atingido e entende-se que os fatores que direcionam os critérios de seleção do Match pelos usuários do aplicativo Tinder são o encontro casual, o padrão de beleza (rosto bonito, corpo magro e atlético), a descrição de características do perfil e o interesse em atividades culturais em comum. O Tinder é a prova de que o consumo se aplica na vida sentimental e afetiva. Ele é uma vitrine de pessoas e um cardápio interminável de perfis. Mas é legitimo afirmar que a partir deste aplicativo, relações afetivas podem se consolidar basta os usuários quebrarem os paradigmas deste meio de comunicação e deixaram de idealizar relacionamentos perfeitos. O trabalho não tem pretensão de esgotar a discussão, delimitou-se apenas no tema e tem a consciência que muitas questões importantes ficaram a margem de debate.
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6. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ACSELRAD, Marcio; BARBOSA, Rafaelly Rocha Lima. O amor nos tempos do Tinder: Uma análise dos relacionamentos amorosos na contemporaneidade a partir da compreensão de adultos e jovens adultos. Estudos e Pesquisas em Psicologia, v.17, n.1, p.161-180, 2017. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/4518/451855912010.pdf. Acesso em: 29 agosto 2019. ALMEIDA, Ana Rita Silva. O que é afetividade? Reflexões para um conceito. Anais da XXIV Reunião Anual da ANPEd, 2001. Disponível em: http://24reuniao. anped.org.br/T2004446634094.doc. Acesso em: 02 setembro 2019. AMARAL, Alexandre Bianquinido, BAPTISTA, Bianca Kirklewski Herculano, MEGA, Helena Carvalho, LOPES, Larissa e MATIOLI, Victor. Amor na era dos aplicativos, 2016. Disponível em: http://www.usp.br/aun/antigo/exibir?id=7853. Acesso em: 29 Set 2019. BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001. (Trabalho original publicado em 2000) Bauman, Zygmunt. Amor líquido: Sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004. (Trabalho original publicado em 2003) BAUMAN, Zygmunt. Comunidade: a busca por segurança no mundo atual. Rio de Janeiro: Zahar, 2003, p. 67-69 BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Trad. Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2004, p. 22. CATANIA, A.C. Rule-governedbBauman, Zygmunt. O mal-estar da pósmodernidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. 1998. (Trabalho original publicado em 1997) CASTELLS, Manuel. Redes de indignação e esperança: movimentos sociais na era da internet. Tradução Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2013. 271 p. CAVALCANTI, Hellen Taynam da Silva; et al. Deu match! As trocas nos relacionamentos virtuais e a Objetificação do sujeito no Tinder. 2017. Disponível em: https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/tede/9348. Acesso em: 4set. 2019. CONSTANTINO, Fernanda Ângelo. Tinder: a vitrine de pessoas. Monografia (Graduação em Jornalismo) –Universidade Federal Fluminense, 2015. Disponível em: http://www.comunicacao.uff.br/wp-content/uploads/2016/07/TCC-FernandaAngelo.pdf. Acesso em: 15 set. 2019. DE FIGUEIREDO SOUZA, Ana Luiza. Mas, afinal, o que é o Tinder? –Um estudo sobre a percepção que os usuários têm do aplicativo. Verso e Reverso, v. 30, n. 75, p. 186-195, 2016. Disponível em: http://www.revistas.unisinos.br/index.php/versoereverso/article/view/10626. Acesso em: 07 set. 2019.
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FRACARI, Fabio Marcel. A evolução dos instrumentos de comunicação, o consumo na sociedade pós-moderna e os relacionamentos: O tinder. Disponível em: http://www.academia.edu/download/43751706/Monografia_fabio _fracari.pdf. Acesso em: 20 ago. 2019. FRIEDRICH, Luísa de Carvalho. A mercantilização dos relacionamentos no contexto da midiatização: análise do aplicativo Tinder. 2017. Disponível em https://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/169493. Acesso em: 30 ago. 2019. GRANERO, Arlete Eni; COUTO, Tatiane Cione. Consumo no ciberespaço: a explosão de aplicativos de dispositivos móveis que ajudam a controlar a vida na palma da mão. Revista GEMInIS, v.4, n.2, p.89-105, 2013. Disponível em http://www.revistageminis.ufscar.br/index.php/geminis/article/view/147. Acesso em: 01setembro. 2019. JORGE, Ricardo. Olhar midiático. Revista de Comunicação e Informação da UFC, n1, 1998. JUNIOR, Silvio Nunes Augusto; TRINDADE, Eneus. Análise sobre a Mediação e a Midiatização do Aplicativo Tinder. Parágrafo, v.3, n.2, p.173-184, 2015. Disponível em:http://www.revistaseletronicas.fiamfaam.br/index.php/recicofi/article/view/280.Ace sso em: 19 setembro 2019. LÉVY, Pierre. As tecnologias da Inteligência. O futuro do pensamento na era da informática. 1. ed.Rio de Janeiro : Editora 34, 1993. LIMA, Frederico O. A sociedade digital: o impacto da tecnologia na sociedade, na cultura, na educação e nas organizações. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2000. 152 p. MCKENNA K. Y. A., Green A. S. &Gleason, M. E. J. (2002). Relationship formation on the Internet: What’s the big attraction? Journalof Social Issues, 58(1), 9-31. MORAIS DA ROSA, A. (2001). Existe amante virtual? A pergunta que não quer calar! Jornal Casa da Cultura Jurídica, 2(8), 6-10. Recuperado em 30 de novembro de 2004, de http://www.tj.sc.gov.br/cejur/eventos/amantevirtual.htm. NICOLACI DA COSTA, A. M.. Na malha da rede: os impactos íntimos da Internet. Rio de Janeiro: Campus, 1998. PELBART, Peter P. A Vertigem por um Fio: políticas da subjetividade contemporânea.São Paulo. Iluminuras, 2000. SKINNER, B.F. Can psychology be a science of mind? American Psychologist, v.45, n.11, p.1206-10, 1990. SKINNER, B.F. Questões recentes na análise comportamental. Trad. Anita L. Neri. Campinas, Papirus, 1991. SKINNER, B.F. Selection by consequences. The Behavioral and Brain Sciences, v.7, n.4, p.477-510, 1984.
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APÊNDICES
APÊNDICE A - LISTA DE CASAIS ENTREVISTADOS QUE SE CONHECERAM ATRAVÉS DO TINDER Dia 02/09 02/09 02/09 02/09 02/09
Nomes dos casais Vanessa e Fabio Gabriela e Vitor Aline e Fernando Franciele e Marcos Larissa e Lorenzo
Profissão Estudantes Estudante e Empresário Médica e Fotografo Empresários Estudantes
Lista das perguntas e respostas dos casais Casal (A): Vanessa e Fabio 1. Por qual motivo instalou o aplicativo? O que você buscava (encontro casual? Namoro? Amizade?) Vanessa: Quando baixei o aplicativo eu buscava conhecer gente nova, encontros casuais, mas nunca imaginava que sairia um namoro. Fabio: Buscava encontros casuais. Diversões momentâneas. 2. Teve experiências ruins antes do seu relacionamento atual? Vanessa: Sim. Fabio: A maioria foi boa. As ruins foram devido a incompatibilidade imagem e realidade. 3. Qual foi sua primeira impressão ao ver o perfil do seu parceiro (a) no Tinder? Vanessa: Gostei muito, olhei a legenda vi o Instagram, olhei onde fazia faculdade e olhei todas as fotos. Fabio: Aparência física agradável. 4. Quais as características pessoais do seu parceiro que levaram você a dar um Match? Vanessa: Ele tem cara de inteligente, educado e bonzinho e eu gosto de japoneses e falei: um japonês bonito. Fabio: Aparência física agradável.
5. Qual o seu status atual com seu parceiro (a)?
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Vanessa: Namorando. Fabio: Namorando a 2 anos. 6. Como foi o primeiro encontro? Depois de quanto tempo? Vanessa: Umas 3 semanas, a gente começou a se falar no final de setembro dia 29 e nos encontramos no dia 12 de outubro e ficamos até o dia 13 de madrugada juntos. Fabio: O primeiro encontro ocorreu mais ou menos 1 mês depois do match. Foi ótimo, superou as expectativas. As conversas fluíram naturalmente e espontaneamente, fator determinante para prosseguir com a relação. 7. Vocês indicariam o Tinder para outras pessoas? Vanessa: A gente indica o Tinder. Fabio: Indicaria dependendo do propósito e perfil da pessoa. 8. Em sua opinião, é possível encontrar o amor no Tinder? Vanessa: Com certeza sou a prova disso. Fabio: Sim.
Casal (B): Gabriela e Vitor 1. Por qual motivo instalou o aplicativo? O que você buscava (encontro casual? Namoro? Amizade?) Gabriela: Instalei para conhecer pessoas novas. Vitor: Queria encontrar uma namorada. 2. Teve experiências ruins antes do seu relacionamento atual? Gabriela: Sim, com pessoas chatas ou que só queriam sexo. Vitor: Em partes. 3. Qual foi sua primeira impressão ao ver o perfil do seu parceiro (a) no Tinder? Gabriela: Metido. Vitor: Fresca. 4. Quais as características pessoais do seu parceiro que levaram você a dar um Match? Gabriela: Bonito e personalidade forte. Vitor: Gostosa e cara de dondoca. 5. Qual o seu status atual com seu parceiro (a)?
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Gabriela: Namorando a 5 meses. Vitor: Namorando. 6. Como foi o primeiro encontro? Depois de quanto tempo? Gabriela: Depois de 2 semanas. Muito bom, conversamos muito. Vitor: Foi muito agradável e foi depois de 2 semanas. 7. Vocês indicariam o Tinder para outras pessoas? Gabriela: Sim com certeza. Vitor: Depende do que a pessoa procura. 8. Em sua opinião, é possível encontrar o amor no Tinder? Gabriela: Sim com certeza. Vitor: Sim com certeza.
Casal (C): Aline e Fernando 1. Por qual motivo instalou o aplicativo? O que você buscava (encontro casual? Namoro? Amizade?) Aline: Estava solteira e queria conhecer homens. Buscava encontro casual. Fernando: Para curtição. Buscava encontro só para sexo. 2. Teve experiências ruins antes do seu relacionamento atual? Aline: Não, minhas experiências no Tinder foram boas e objetivas. Fernando: Sim, a pessoa era diferente do que na foto do Tinder. 3. Qual foi sua primeira impressão ao ver o perfil do seu parceiro (a) no Tinder? Aline: Bonito fisicamente. Fernando: Corpo atraente. 4. Quais as características pessoais do seu parceiro que levaram você a dar um Match? Aline: Fotos lindas. Fernando: Corpo atraente. 5. Qual o seu status atual com seu parceiro (a)? Aline: Namorando a 1 ano. Fernando: Namorando a 1 ano.
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6. Como foi o primeiro encontro? Depois de quanto tempo? Aline: O encontro foi muito divertido. Depois de 1 mês. Fernando: Foi ótimo. Quase um mês. 7. Vocês indicariam o Tinder para outras pessoas? Aline: Sim claro. Fernando: com certeza. 8. Em sua opinião, é possível encontrar o amor no Tinder? Aline: É difícil mais é possível. Fernando: Sim é possível.
Casal (D): Franciele e Marcos 1. Por qual motivo instalou o aplicativo? O que você buscava (encontro casual? Namoro? Amizade?) Franciele: Sentia-me muito sozinha. Buscava amizade. Marcos: Por curiosidade. Buscava encontro casual. 2. Teve experiências ruins antes do seu relacionamento atual? Franciele: Nunca tinha conhecido ninguém do Tinder. Marcos: Não. 3. Qual foi sua primeira impressão ao ver o perfil do seu parceiro (a) no Tinder? Franciele: Que ele gostava de ir para a balada. Marcos: Estilosa. 4. Quais as características pessoais do seu parceiro que levaram você a dar um Match? Franciele: Sorriso atraente. Marcos: Estilosa e bonita. 5. Qual o seu status atual com seu parceiro (a)? Franciele: Casada a 4 anos. Marcos: Casado a 4 anos. 6. Como foi o primeiro encontro? Depois de quanto tempo?
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Franciele: Foi muito bom. Depois de 1 semana. Marcos: Foi legal. Depois de alguns dias. 7. Vocês indicariam o Tinder para outras pessoas? Franciele: Claro. Marcos: Sim. 8. Em sua opinião, é possível encontrar o amor no Tinder? Franciele: Sim claro, sou prova disso. Hoje tenho um filho. Marcos: Sim, com certeza.
Casal (E): Larissa e Lorenzo 1. Por qual motivo instalou o aplicativo? O que você buscava (encontro casual? Namoro? Amizade?) Larissa: Instalei por curiosidade. Buscava amizade. Lorenzo: Por curiosidade. Queria em encontro casual. 2. Teve experiências ruins antes do seu relacionamento atual? Larissa: Sim, pessoa era feia pessoalmente. Lorenzo: Sim, o encontro foi chato. 3. Qual foi sua primeira impressão ao ver o perfil do seu parceiro (a) no Tinder? Larissa: Bonito e charmoso. Lorenzo: Olhos claros e lindos.
4. Quais as características pessoais do seu parceiro que levaram você a dar um Match? Larissa: Estilo de música igual. Lorenzo: Beleza. 5. Qual o seu status atual com seu parceiro (a)? Larissa: Namorando a 3 anos. Lorenzo: Namorando. 6. Como foi o primeiro encontro? Depois de quanto tempo? Larissa: Muito bom e divertido. Depois de 5 dias. Lorenzo: Foi ótimo. Depois de alguns dias.
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7. Vocês indicariam o Tinder para outras pessoas? Larissa: Sim, claro. Lorenzo: Com certeza. 8. Em sua opinião, é possível encontrar o amor no Tinder? Larissa: Sim claro. Lorenzo: Sim.
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APÊNDICE B - MULHERES ENTREVISTADAS NO TINDER Dia
Nomes das mulheres
Idade
04/09
Bianca
19 anos
04/09
Carol
27 anos
04/09
Alice
23 anos
04/09
Joyce
30 anos
04/09
Beatriz
20 anos
04/09
Mariana
32 anos
Lista das perguntas e respostas das mulheres 1. Há quanto tempo está no Tinder?
Bianca:6 meses. Carol:1 ano. Alice:1 semana. Joyce:1 ano. Beatriz:2 meses. Mariana:2 anos.
2. Por qual motivo instalou o aplicativo?
Bianca: Por curiosidade. Carol: Para encontros casuais. Alice: Para conhecer pessoas novas. Joyce: Para encontros casuais. Beatriz: Para arrumar um namorado. Mariana: Para encontros casuais.
3. Quais são as características pessoais que fazem você dar um Match em uma pessoa do Tinder?
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Bianca: Ser bonito fisicamente e ter uma boa descrição. Carol: Ter o corpo em boa forma e descrição legal. Alice: Ser bonito e está fazendo faculdade. Joyce: Ser bonito, ter mais de 40 anos e ser estável financeiramente. Beatriz: Ser bonito, ter tatuagem e gostar de Rock. Mariana: Ser bonito, gostar de sertanejo e ter menos de 30 anos.
4. Quantos encontros você já teve pelo Tinder?
Bianca:5 encontros. Carol: Mais de 20. Alice: Nenhum. Joyce: Mais de 30 (perdeu as contas) Beatriz:2 encontros. Mariana: 50 encontros (perdeu as contas)
5. Como foram os encontros?
Bianca: Foram bem divertidos e valeu a experiência. Carol: A maioria foram péssimos. Alice: Nunca me encontrei com ninguém. Joyce: A maioria foram bons e só para sexo. Beatriz: Péssimos só queriam sexo. Mariana: A maioria foram bons.
6. Você recomendaria o Tinder para outras pessoas?
Bianca: Sim. Carol: Não. Alice: Sim. Joyce: Sim. Beatriz: Não. Mariana: Sim.
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7. Em sua opinião é possível encontrar o amor no Tinder?
Bianca: Sim, claro. Carol: Não é possível. Alice: Acho que sim. Joyce: Sim, mais é difícil. Beatriz: Acredito que não. Mariana: Sim é possível.
8. Você já sofreu assédio no Tinder?
Bianca: Sim, já me chamaram de gostosa no início da conversa. Carol: Sim, várias vezes. Alice: Sim, já. Joyce: Sim, claro. Já me confundiram com uma garota de programa. Beatriz: Sim, já me quiseram dar dinheiro em troca de nudes. Mariana: Sim, muitas vezes.
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APÊNDICE C - HOMENS ENTREVISTADOS NO TINDER
Dia 04/09 04/09 04/09 04/09 04/09 04/09
Nomes Homens Renato Felipe Lucas Marcos Henrique Pedro
dos Idade 35 anos 24 anos 23 anos 28 anos 19 anos 26 anos
Lista das perguntas e respostas dos homens 1. Há quanto tempo está no Tinder?
Renato: 2 anos. Felipe: 1 mês. Lucas: 3 meses. Marcos: 2 semanas. Henrique: 1 mês. Pedro: 1 ano.
2. Por qual motivo instalou o aplicativo?
Renato: Para sexo. Felipe: Para arrumar uma namorada. Lucas: Para encontro casual. Marcos: Para arrumar uma namorada. Henrique: Para fazer amizades. Pedro: Para encontro casual.
3. Quais são as características pessoais que fazem você dar um Match em uma pessoa do Tinder?
Renato: Corpo escultural, fotos de biquíni e ser bonita. Felipe: Ser bonita e gostar de sertanejo.
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Lucas: Ter um sorriso lindo, gostar de viajar e ser bonita. Marcos: Ser bonita e que goste de animais. Henrique: Ter uma descrição engraçada e atraente. Pedro: Ter o corpo bonito e está interessada em sexo casual.
4. Quantos encontros você já teve pelo Tinder?
Renato: Mais de 30. Felipe: 7 encontros. Lucas: 10 encontros. Marcos: 1 encontro. Henrique: 3 encontros. Pedro: Mais de 20.
5. Como foram os encontros?
Renato: A maioria foram bons. Felipe: Foram bons. Lucas: Foram divertidos. Marcos: Foi ótimo. Henrique: A maioria foram ruins. Pedro: Foram bons.
6. Você recomendaria o Tinder para outras pessoas?
Renato: Sim. Felipe: Sim, com certeza. Lucas: Sim, claro. Marcos: Sim. Henrique: Sim. Pedro: Sim.
7. Em sua opinião é possível encontrar o amor no Tinder?
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Renato: Não. Felipe: Acredito que sim. Lucas: É possível. Marcos: Sim. Henrique: É difícil, mas é possível. Pedro: Sim, se a pessoa estive a fim.
8. Você já assediou mulheres no Tinder?
Renato: Sim, já. Felipe: Não. Lucas: Não. Marcos: Não. Henrique: Não. Pedro: Sim, algumas vezes.
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APÊNDICE D – ENTREVISTA COM ESPECIALISTAS
DADOS DOS ESPECIALISTAS:
Nome: Rafael Diniz de Lima Celular: (16) 99273-2962 E-mail: rafaelldiniz11@hotmail.com Formação e especialização: é psicólogo registrado pelo CRP 06/129982, Mestrando em Psicologia pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, com atuação clínica na cidade de São Carlos e Ibaté. Participou como coautor do Livro: Relacionamentos amorosos: o antes o durante e depois volumes 1 e 2. Trabalhou na produção científica de artigos que tematizam as dificuldades dos relacionamentos amorosos com ênfase em temas como ciúme patológico, infidelidade, infidelidade virtual, poliamor, gamofobia, timidez, baixa autoestima, amor patológico.
Nome: Marina da Costa Manso Vasconcellos Celular: (11) 97416-1008 E-MAIL: marina.vasconcellos45@gmail.com Formação e especialização: Psicóloga pela PUC/SP, CRP: 06/35.300-0, especialista clínica pelo CRP/SP, psicodramatista pelo Instituto Sedes Sapientiae, terapeuta de casais e famílias pela UNIFESP. Organizadora e coautora do livro: “Quando a Psicoterapia Trava”, Ed. Summus, SP, 2007.Capítulo no livro: “Psicodrama com casais” (org. Gisela Castanho – Ed. Ágora, 2016): “Psicodrama e terapia de casal: como eu faço”. Psicóloga voluntária no AMITI – Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. Atende jovens, adultos, casais e famílias em consultório particular. Blog: http://marinavasconcellos.com.br
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LISTA DE PERGUNTAS E RESPOSTAS DOS ESPECIALISTAS
1.
Durante muito tempo as relações afetivas foram conduzidas por
diferentes rituais (promovidos pelas famílias, pelos grupos ou por empresas especializadas). O que muda nesse jogo quando elas passam a ser mediadas por aplicativos tecnológicos?
Psicólogo Rafael Diniz de Lima: Acredito que a grande questão que os aplicativos nos impõem é a multiplicidade de escolha, o que pode levar o indivíduo questionar a todo o momento a escolha que fez e a repensar se compensa ou não se manter na relação com determinada pessoa tendo várias outras a disposição.
Psicóloga Marina da Costa Manso Vasconcellos: Quando as pessoas se conheciam via famílias ou grupos de amigos, ao menos já chegavam com alguma referência da origem do pretendente. As empresas especializadas procuram encontrar pessoas com maior número de afinidades entre si, para que aumentem as chances do sucesso do encontro – porém é um serviço caro. Já os aplicativos estão à disposição de qualquer um, gratuitamente, e a escolha é feita na maioria das vezes apena pelo visual, o que aumenta o risco de serem pessoas que não têm nada a ver com o desejado. As informações ali colocadas podem não corresponder à realidade, existem muitos perfis falsos, o que levou a um aumento do risco de se conhecer pessoas com más intenções, que podem colocar outras em situações delicadas ou perigosas. Além disso, eles estão favorecendo as relações “descartáveis”, apenas para o sexo casual, banalizando esse encontro.
2.
O Tinder reformou os padrões de relacionamento?
Psicólogo Rafael Diniz de Lima: Reformular talvez seja pretencioso demais se pensarmos apenas no aplicativo, então creio que não. O que o Tinder oferece é um contato mais facilitado a outras pessoas e isso pode abrir campo para um maior número de vivências amorosas, mas a forma de se relacionar não é tão distinta do modelo “tradicional”. Na experiência clínica vejo muitas pessoas usando o Tinder
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como um recurso para elevar a autoestima, a partir dos likes que recebe função essa que talvez destoe muito da que foi pensada para o aplicativo. Sem contar que as pesquisas indicam que os contatos online costumam passar para o contato pessoal, logo não há tantas diferenças no padrão de relacionamento, as influências do Tinder ficam mais para o processo de paquera.
Psicóloga Marina da Costa Manso Vasconcellos: O Tinder reformou os padrões de relacionamento a partir do momento em que qualquer um passou a ter a chance de conhecer outras pessoas mais facilmente, estando num lugar onde outros têm o mesmo objetivo, não se sentindo sozinhas ou julgadas em sua busca. Aqueles tímidos que não saem por falta de coragem, ou por não terem companhia para se lançar em bares ou outros lugares públicos que facilitem a aproximação de pessoas, podem se “proteger” através da tela do celular e lançar-se à procura de alguém, permitindo-se essa iniciativa, ao invés de ficar em casa isolados e frustrados por não saber como chegar nas pessoas. Facilitou-se o acesso, a possibilidade do encontro para qualquer pessoa independente de seu nível sócio econômico ou jeito de ser.
3.
Em sua opinião, o Tinder deixou as relações afetivas mais fáceis? Isso
gera menor comprometimento?
Psicólogo Rafael Diniz de Lima: Talvez tenha facilitado sim o sexo casual, mas relacionamentos de longo prazo costumam ser escolhas mais pensadas por parte dos indivíduos. Com relação ao menor comprometimento acredito que isso se dá devido ao momento cultural em que vivemos. Podemos dizer que vivemos um paradoxo, vejo muitas pessoas desejando uma relação amorosa, mas com extremo receio de investir e se frustrar, então quase que em um movimento de defesa entram em relações menos comprometidas, não que realmente não desejam “entrar de cabeça”, mas o medo de perder a relação e se frutar faz com que haja dessa forma.
Psicóloga Marina da Costa Manso Vasconcellos: As relações afetivas sofreram uma queda de qualidade e comprometimento em função da maior oferta de sexo fácil e casual. Muitos entram no aplicativo atrás de uma noite de sexo apenas, e se satisfazem. Aqui não temos configurada uma relação afetiva, já que não se construiu um vínculo, mas sim desejo instintivo, carnal. E como a oferta de pessoas é grande,
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estando todos ali com a intenção de conhecer alguém, grande parte das pessoas acaba evitando a possibilidade de construção de uma relação mais profunda, já que a partir do momento que se escolhe um, é necessário abrir mão de todos os outros. Toda escolha implica em perda, e nem sempre as pessoas estão dispostas a perder o que é fácil e não lhe exige trabalho, em função do que pode ser muito bom, mas exigirá cuidado, investimento, tempo, energia, entrega. É mais fácil não se comprometer e curtir o “agora”. A oferta é grande e a banalização do sexo está cada vez maior. “Como vou ficar apenas com uma, se outras tantas estão me dando “like”? E se forem melhores? ”
4.
Por
causa das inúmeras
possibilidades
que
o
Tinder oferece a
aproximação entre as pessoas se tornou mais superficial? É possível explicar como isso acontece?
Psicólogo Rafael Diniz de Lima: As aproximações mediadas pelo Tinder talvez sejam sim mais superficiais, pois é um aplicativo com esse intuito, mas não acredito que podemos generalizar isso para todas as outras relações não mediadas pelo aplicativo, pois para que as relações se estabeleçam no mundo “real” é preciso um certo grau de comprometimento e de entrega ao outro, necessitando ir além de superficialidades.
Psicóloga Marina da Costa Manso Vasconcellos: Respondida na pergunta 3.
5.
As
informações
divulgadas pelos
usuários
em
seus
perfis no
aplicativo são os principais influenciadores da escolha do Match ou há fatores mais subjetivos envolvidos?
Psicólogo Rafael Diniz de Lima: Quando falamos de escolha amorosa a perspectiva evolucionista defende que homens são visualmente mais motivados, logo poderíamos dizer que para homens nesses aplicativos eles fazem suas buscas pautadas na atratividade física das mulheres. Já as mulheres vão um pouco além e também levaria em consideração o status social daquele homem, quem são seus amigos, o meio social que frequenta, qual sua profissão, portanto, as escolhas das mulheres levariam em consideração outros aspectos e não só o físico.
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Psicóloga Marina da Costa Manso Vasconcellos: Tudo vai depender do objetivo da pessoa: se quer apenas sexo, escolhe em geral pelo visual, independente do que aquela pessoa faz, gosta ou deixa de gostar. Agora, caso esteja em busca de um relacionamento sério, aí sim o perfil é um grande diferencial.
6.
Qual a diferença entre um relacionamento afetivo desenvolvido de forma
convencional e aquele desenvolvido através do aplicativo digital?
Psicólogo Rafael Diniz de Lima: Acredito que desenvolvido no meio digital tem uma abertura maior para as pessoas expressarem abertamente seus desejos e logo de cara já colocarem seus objetivos naquela relação, já que no contexto virtual apresentamos uma abertura maior a falar o que realmente pensamos, enquanto no relacionamento presencial talvez esse processo de descoberta do outro e conquista poderia ser um pouco mais lento. Mas como já disse o aplicativo altera de maneira significativa o processo da paquera, as relações quando estabelecidas costumam ter as mesmas características independentemente de onde essas pessoas se conheceram.
Psicóloga Marina da Costa Manso Vasconcellos: A diferença está apenas na forma como ele começou, pois, a partir do momento em que iniciam uma relação, o fato de terem se conhecido através de um aplicativo não importa mais. Assim como podemos conhecer o primo de um amigo numa festa íntima na casa de conhecidos e nos apaixonarmos, sofrendo horrores depois de um tempo por inúmeros motivos possíveis, podemos conhecer alguém no Tinder que nunca teríamos a chance de cruzar caso não estivéssemos ali, e sermos tremendamente felizes na escolha. Portanto, o sucesso de uma relação tem mais a ver com a nossa capacidade de lidarmos emocionalmente com as pessoas e disposição de construção de um vínculo saudável (assim como vários outros fatores) do que com a forma como ela começou.
7.
A possibilidade que o Tinder oferece, de encontrar novos parceiros, faz
com que as pessoas se dediquem menos aos relacionamentos já consolidados?
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Psicólogo Rafael Diniz de Lima: Sim, se a pessoa estiver insatisfeita com a relação, mas se a relação está consolidada e satisfatória a chance de isso acontecer é menor.
Psicóloga Marina da Costa Manso Vasconcellos: Em muitos casos, sim. Casamentos que estão passando por problemas ou já se encontram na fase do “automático”, onde as pessoas levam a relação por comodismo ou falta de coragem de sair dela, ou mesmo de encarar os problemas de frente e mudar o que não está bom, onde o sexo já está praticamente esquecido, são os grandes afetados pelas traições possibilitadas pelo aplicativo. É fácil conseguir uma pessoa que tope um sexo casual, sem compromisso, e não cobre nada em troca. Aliás, muitos são claros já na proposta colocando em seu perfil que são casados, atraindo outros com a mesma intenção. Assim, fica fácil satisfazer-se fora do casamento e não ir em busca de soluções possíveis para a própria relação que sofre, que degringola e precisa de ajuda. O não enfrentamento leva à busca por alternativas fáceis e rasas.
8.
Que efeito o Tinder pode causar nos seus usuários, em sua opinião?
Psicólogo Rafael Diniz de Lima: Para aqueles que tem muitos matches pode criar a falsa ilusão de que estabelecer um relacionamento amoroso é algo fácil. Para os que possuem poucos podem ter sua autoestima afetada por não serem vistas como alguém atraente e afetar sua vida em todos os âmbitos.
Psicóloga Marina da Costa Manso Vasconcellos: Bem, algumas pessoas podem se acomodar na oferta fácil de relacionamentos casuais e gostar da experiência, viciando-se nesse tipo de proposta. Isso acontece bem mais com os homens. Assim, eles perdem a oportunidade de crescer, emocionalmente falando, e de vivenciar vínculos saudáveis e duradouros. Há os que vendem uma imagem falsa, baseada no que gostariam que fosse ou no que acreditam que os outros gostariam que fosse, e ao encontrarem alguém que valha a pena investir já precisam enfrentar de cara o primeiro problema: mostrar-se como é realmente. Um encontro que acontece baseado em mentiras já está praticamente fadado ao fracasso, e boas oportunidades podem ser perdidas por isso. Outra possibilidade é da auto-estima ser afetada, no caso daqueles que não conseguem muitos Matchs. A comparação com
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amigos que recebem muitos pode levar a pessoa a duvidar de suas qualidades, achando-se inferior, desencorajando-a na busca por um parceiro. Ansiedade e depressão podem ser agravadas pela insistência no uso de tal tecnologia.
9.
Será que é mesmo necessário dar um Match perfeito em alguém que tem
tudo que buscamos? Psicólogo Rafael Diniz de Lima: Não existirá alguém que tem tudo que buscamos, talvez deveríamos partir desse princípio ao entrar numa relação e seriamos mais tolerantes a imperfeição do outro.
Psicóloga Marina da Costa Manso Vasconcellos: Perfeição NÃO EXISTE, e isso deve ficar muito claro para todos. Ninguém terá tudo o que buscamos, mas podem existir afinidades que nos satisfaçam e deixem as diferenças menos importantes. Aliás, inúmeros casais se conhecem atraídos justamente pelas diferenças, e podem se dar muito bem caso ambos aprendam com elas. Uma primeira impressão pode ser totalmente equivocada, tanto para o positivo quanto para o negativo. Portanto, é impossível dar um “Match perfeito”, já que não sabemos nada a respeito do outro, e isso apenas se dará através do convívio. É uma questão de “sorte”, de “intuição”...
10.
Os relacionamentos se tornaram mais superficiais? Há um certo
egocentrismo presente na troca constante de parceiros? Como isso se reflete nos aspectos psicológicos dos indivíduos?
Psicólogo Rafael Diniz de Lima: Acredito que as pessoas se tornaram mais exigentes em suas escolhas, isso por um lado é bom, mas por outro talvez se idealiza uma pessoa perfeita que como sabemos nunca existirá. Além de que temos que ser felizes o tempo todo e um relacionamento passará por momentos difíceis por mais satisfatório que seja, além de que as pessoas atualmente possuem uma dificuldade enorme de suportarem as frustrações, logo ao invés de consertar e tentar resolver os problemas, elas trocam, é o caminho mais cômodo. A constante troca talvez seja produto desse processo.
Psicóloga Marina da Costa Manso Vasconcellos: Respondida nas questões 3 e 7.
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11.
Em sua opinião, o Tinder é uma ferramenta eficaz para quem busca uma
relação estável ou privilegia o descarte de parceiros e/ou o sexo casual?
Psicólogo Rafael Diniz de Lima: É uma rede que privilegia sim o sexo casual, mas acredito que desse contato possa existir sim uma relação estável.
Psicóloga Marina da Costa Manso Vasconcellos: O Tinder pode ser eficaz para ambas as coisas, dependendo da intenção da pessoa ela pode direcionar para o que busca. Se quer apenas sexo casual em geral as fotos privilegiam o corpo à mostra, características sensuais, olhares sedutores e nem é preciso escrever nada no perfil. Já quando a intenção é uma relação estável as pessoas capricham nas informações sobre si, no que gostam ou não, naquilo que esperam do outro e acham importante para a relação acontecer, e as fotos procuram explorar cenas diversas que mostrem um pouco do jeito de ser da pessoa, de suas atividades cotidianas, e não algo sensual e provocativo. Conheço inúmeros casais que estão juntos por causa do aplicativo e mantém uma relação amorosa de qualidade e estável. Porém, não podemos negar que o descarte de parceiros foi bem facilitado pela oferta tão grande e fácil de parceiros a qualquer hora...
12. Como as redes sociais podem interferir nas relações afetivas?
Psicólogo Rafael Diniz de Lima: Pode interferir no processo de busca já que oferece múltiplas oportunidades, mas algo que eu quero destacar é que muitas vezes as redes sociais faz com que casais fiquem comparando suas vidas o tempo todo com a de outros casais e como nas redes sociais todos publicamos o nosso melhor o indivíduo pode idealizar essas outras relações e achar que essa “ aparência” que a rede social transmite é real, criando aquela sensação de que todos os casais são felizes só o meu relacionamento é problemático, quando na verdade todos vivem esse processo.
Psicóloga Marina da Costa Manso Vasconcellos: As redes sociais facilitaram conexões entre pessoas que, não fossem as redes, nem teria se conhecido. Através do perfil de amigos podemos abordar outros “amigos” deles e começar uma conversa, uma discussão de qualquer assunto pode ser a entrada para alguém que nos passaria
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despercebido. Portanto, as redes conectam pessoas das mais diversas origens e possibilitam o acesso entre elas, aumentando as chances de desejos se manifestarem mesmo entre pessoas comprometidas. Alguém que esteja num momento vulnerável em sua relação amorosa pode encontrar aí a porta para outro envolvimento, em detrimento do seu. Ficou mais fácil sair de uma relação tendo a facilidade de em breve conhecer outra pessoa, ou mesmo manter relacionamentos paralelos ao mesmo tempo. O ciúme e o controle também encontram nas redes seu alimento tão destrutivo: controlar as curtidas em fotos, aonde a pessoa se encontra, com quem está saindo e até o que está comendo virou lugar comum. Dependendo de como as pessoas se expõem nas redes, qualquer um pode dar uma de “detetive particular” para controlar a vida de quem quiser, e os parceiros são os mais atingidos. Situações que passariam despercebidas são jogadas na internet para o mundo todo compartilhar, só que junto com isso vem o julgamento, a inveja, a comparação, o ciúme. Nesse ponto as relações estão sendo expostas desnecessariamente, causando conflitos antes inexistentes.