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PODCAST DIAS DIGITAIS - CAÇA AOS HACKERS

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UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL BACHARELADO EM RÁDIO, TV E INTERNET

THIAGO DE ALMEIDA BERTO

PODCAST DIAS DIGITAIS – CAÇA AOS HACKERS: UMA ANÁLISE DE CONTEÚDO DA NARRATIVA FANTÁSTICA

São Paulo 2021


THIAGO DE ALMEIDA BERTO PODCAST DIAS DIGITAIS – CAÇA AOS HACKERS: UMA ANÁLISE DE CONTEÚDO DA NARRATIVA FANTÁSTICA

Monografia apresentada a banca avaliadora do curso de Rádio, TV e Internet da Universidade Cruzeiro do Sul como requisito parcial à obtenção do certificado de conclusão de curso e título de Bacharel em Radialismo.

Orientadores: Prof. Dra. Maria Aparecida Ruiz Prof. Me. Alexandre Henrique

São Paulo 2021


FOLHA DE APROVAÇÃO

______________________________________ Avaliador 1:

______________________________________ Avaliador 2:

______________________________________ Profº Me Alexandre Henrique


As pessoas que desconstruíram e reconstruíram minha cabeça inúmeras vezes.


BERTO, THIAGO DE ALMEIDA. Podcast Dias Digitais – Caça aos Hackers: Uma análise de conteúdo da narrativa fantástica. (Bacharel em Rádio, TV e Internet) - Universidade Cruzeiro do Sul. São Paulo, 2021.

RESUMO A presente monografia tem como objetivo a análise de conteúdo da narrativa fantástica presente no podcast Dias Digitais – Caça aos Hackers, segundo a teoria do fantástico de Todorov, o ensaio neofantástico de Alazraki e os elementos narrativos de Gancho. O método empregado para o desenvolvimento desta pesquisa consiste na análise de conteúdo quantitativo com o auxílio de referências qualitativas, assim como o método dedutivo de investigação.

PALAVRAS-CHAVE: Gênero Fantástico; Áudio Drama; Podcast; Narrativa Sonora;

ABSTRACT

This monograph aims to analyze the content of the fantastic narrative present in the podcast Dias Digitais – Caça aos Hackers, according to Todorov's theory of the fantastic, Alazraki's neofantastic essay and the narrative elements of Gancho. The method used to develop this research consists of quantitative content analysis with the aid of qualitative references, as well as the deductive method of investigation.

KEY-WORDS: Fantastic Genre; Audio Drama; Podcast; Sound Narrative;


LISTA DE QUADROS

Quadro 1 - Elementos narrativos no Ep.01 T01 ........................................................ 26 Quadro 2 - Elementos narrativos no Ep.02 T01 ........................................................ 27 Quadro 3 - Elementos narrativos no Ep.03 T01 ........................................................ 28 Quadro 4 - Elementos narrativos no Ep.04 T01 ........................................................ 30 Quadro 5 - Elementos narrativos no Ep.05 T01 ........................................................ 31 Quadro 6 - Categorização do fantástico. ................................................................... 31 Quadro 7 - Elementos da linguagem radiofônica. ..................................................... 33


LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Categorização do fantástico no elemento narrativo enredo. .................... 33 Tabela 2 - Categorização do fantástico no elemento narrativo personagem. ........... 33 Tabela 3 - Categorização do fantástico no elemento narrativo tempo. ..................... 34 Tabela 4 - Categorização do fantástico no elemento narrativo espaço. .................... 34 Tabela 5 - Categorização do fantástico no elemento narrativo narrador. .................. 34 Tabela 6 - Categorização do fantástico no elemento narrativo enredo. .................... 35 Tabela 7 - Categorização do fantástico no personagem Torre.................................. 35 Tabela 8 - Categorização do fantástico no personagem Ferrugem. .......................... 36 Tabela 9 - Categorização do fantástico no personagem PC. .................................... 36 Tabela 10 - Categorização do fantástico no personagem Angra............................... 36 Tabela 11 - Categorização do fantástico no elemento narrativo tempo. ................... 37 Tabela 12 - Categorização do fantástico no espaço Apartamento. ........................... 37 Tabela 13 - Categorização do fantástico no espaço Ruas de Nova São Paulo. ....... 38 Tabela 14 - Categorização do fantástico no elemento narrativo narrador. ................ 38 Tabela 15 - Categorização do fantástico no elemento narrativo enredo. .................. 39 Tabela 16 - Categorização do fantástico no personagem Ferrugem. ........................ 39 Tabela 17 - Categorização do fantástico no personagem Torre................................ 40 Tabela 18 - Categorização do fantástico no personagem PC. .................................. 40 Tabela 19 - Categorização do fantástico no personagem Angra............................... 40 Tabela 20 - Categorização do fantástico no personagem Ceifador........................... 41 Tabela 21 - Categorização do fantástico no personagem Bot. .................................. 41 Tabela 22 - Categorização do fantástico no personagem Echo. ............................... 41 Tabela 23 - Categorização do fantástico no personagem Lúcio................................ 42 Tabela 24 - Categorização do fantástico no elemento narrativo tempo. ................... 42 Tabela 25 - Categorização do fantástico no espaço Laboratório de Informática. ...... 43 Tabela 26 - Categorização do fantástico no espaço Maya. ....................................... 43 Tabela 27 - Categorização do fantástico no espaço Estação da Sé. ........................ 44 Tabela 28 - Categorização do fantástico no espaço Central do Projeto Alma. ......... 44 Tabela 29 - Categorização do fantástico no elemento narrativo narrador. ................ 44


LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 - A incidência do fantástico na categoria Enredo no Ep.02 T01 ................ 45 Gráfico 2 - A incidência do fantástico na categoria Personagem no Ep.02 T01 ........ 45 Gráfico 3 - A incidência do fantástico na categoria Tempo no Ep.02 T01 ................. 46 Gráfico 4 - A incidência do fantástico na categoria Espaço no Ep.02 T01 ................ 46 Gráfico 5 - A incidência do fantástico na categoria Narrador no Ep.02 T01 .............. 47 Gráfico 6 - A incidência do fantástico nos elementos narrativos no Ep.02 T01 ......... 48 Gráfico 7 - A incidência do fantástico no Ep.02 T01 .................................................. 48 Gráfico 8 - A incidência do fantástico na categoria Enredo no Ep.05 T01 ................ 49 Gráfico 9 - A incidência do fantástico na categoria Personagem no Ep.05 T01 ........ 49 Gráfico 10 - A incidência do fantástico na categoria Tempo no Ep.05 T01 ............... 50 Gráfico 11 - A incidência do fantástico na categoria Espaço no Ep.05 T01 .............. 50 Gráfico 12 - A incidência do fantástico na categoria Narrador no Ep.05 T01 ............ 51 Gráfico 13 - A incidência do fantástico nos elementos narrativos no Ep.05 T01 ....... 52 Gráfico 14 - A incidência do fantástico no Ep.05 T01................................................ 52


SUMÁRIO INTRODUÇÃO ................................................................................................ 11 1. O GÊNERO, A NARRATIVA E O FORMATO ............................................. 14 1.1 A teoria do fantástico ............................................................................. 14 1.2 A teoria do neofantástico ....................................................................... 16 1.3 A narrativa e seus elementos ................................................................ 17 1.4 Uma breve história da rádio dramaturgia .............................................. 20 1.5 Os elementos da rádio dramaturgia ...................................................... 23 2. O PODCAST DIAS DIGITAIS – CAÇA AOS HACKERS (DDCaH) ............. 25 2.1 Dias Digitais Temporada 1 Episódio 1: Ceifador ................................... 26 2.2 Dias Digitais Temporada 1 Episódio 2: Torre ........................................ 27 2.3 Dias Digitais Temporada 1 Episódio 3: Echo......................................... 27 2.4 Dias Digitais Temporada 1 Episódio 4: O Código da Vida .................... 29 2.5 Dias Digitais Temporada 1 Episódio 5: Blackout ................................... 30 3. PROCESSO METODOLÓGICO: OS ELEMENTOS FANTÁSTICOS ......... 31 3.1 A exploração do material: os elementos fantásticos no Ep.2 da T01 .... 35 3.2 A exploração do material: os elementos fantásticos no Ep.5 da T01 .... 38 4. O TRATAMENTO DOS DADOS: A NARRATIVA FANTÁSTICA ................ 45 4.1 A presença expressiva do neofantástico ............................................... 53 4.2 As subcategorias narrativas de maior incidência do fantástico ............. 58 4.3 A expressão das demais categorias do fantástico na narrativa ............. 59 4.4 A ficção científica como gênero para a narrativa fantástica da obra ..... 60 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................ 61 REFERÊNCIAS .............................................................................................. 65 LEVANTAMENTO FONOGRÁFICO ............................................................... 67 ANEXOS ............................................................ Erro! Indicador não definido.


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INTRODUÇÃO O gênero fantástico atende a diversas expressões artísticas. Seus elementos contribuem com narrativas textuais, sonoras e visuais. Como referência no audiovisual, a cinematografia oferece obras de forte movimentação popular. Das 10 maiores bilheterias de todos os tempos segundo a Forbes, 8 são representantes do gênero fantástico. Dentre eles Frozen 2, Vingadores, O Rei Leão, Jurassic World, Vingadores: Guerra Infinita, Star Wars Episódio VII: O Despertar da Força, Vingadores: Ultimato e Avatar. Por usufruir do espaço imaginário, a abordagem de obras “fantásticas” trabalham com as mais diversas concepções da realidade. Conceitos metafísicos como a magia dos bruxos de Harry Potter, as raças de elfos, anões e orcs de O Senhor dos Anéis ou a fé Jedi nos preceitos da força de Guerra nas Estrelas, contribuem com funções específicas no desenrolar da trama, seja para enfatizar desigualdades sociais ou propor obstáculos aos personagens. Essas concepções da realidade, independente da referência artística que o autor venha a dispor, seja espada e feitiçaria, conto de fadas ou ficção científica, se originam do mesmo espaço teórico, ou seja, o conceito do fantástico. Tendo em vista a associação usual de obras do gênero fantástico com as salas de cinema, devido aos números expressivos de bilheteria. O “extraordinário” do mesmo modo, navega nos demais formatos do espectro audiovisual, como em séries de televisão e ou áudio dramas na internet a exemplo de programas como o americano Game of Thrones e o britânico Doctor Who. Como produto de menor popularidade, desde a atenuação do espaço previamente ocupado na rádio para a TV, o formato rádio dramático, trabalha por meio da sonoridade a composição dos acontecimentos apresentados na narrativa ao espectador.

A

exemplo

das

características

físicas

dos

personagens,

a

movimentação dos mesmos na cena e a ambientação do cenário imagético. Devido ao crescimento das plataformas de streaming no Brasil, em especial plataformas como o Spotify e o Itunes operadoras de um plano de negócios voltado a disposição exclusiva de produtos sonoros, a exposição de vitrines destinadas as obras do formato rádio dramático logo fora ocupado por iniciativas como a de Danilo Battistini no podcast Contador de Histórias com Dias Digitais – Caça aos Hackers, a marca Jovem Nerd com o especial Nerdcast RPG, 1986 de Guilherme Afonso na Estalo Podcasts, A Voz do Delirium de André Monsev, entre outros. Operando um


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resgate do expressivo sucesso comercial das rádio novelas de outrora no período da era de ouro da rádio, dessa vez proporcionado pela internet. Seguindo essa apresentação de interesse pelo gênero fantástico e a presença do produto áudio dramático na internet, o presente projeto de pesquisa se propõe a realizar uma analise de conteúdo sobre a alocação dos elementos fantásticos em prol da construção de mundo na narrativa, tomando como objeto de pesquisa a rádio dramaturgia produzida por Danilo Battistini no podcast Contador de Histórias, Dias Digitais – Caça aos Hackers. O intuito dessa proposta busca responder a seguinte problemática: A partir da teoria do fantástico de Todorov e do ensaio de Alazraki, como os elementos fantásticos são utilizados em conjunto dos elementos narrativos (enredo, personagens, tempo, espaço e narrador) no áudio drama Dias Digitais – Caça aos Hackers, para a construção do mundo? A escolha pela análise da áudio dramaturgia Dias Digitais – Caça aos Hackers se deve pela disposição de elementos da narrativa fantástica na sua construção, como a presença do insólito, a temática Cyberpunk, a jornada do herói e a especulação científica, ou, Sci-Fi, subgênero do fantástico mas que compartilha das características do mesmo. O estudo da narrativa como forma de contar histórias no audiovisual é tema de diversos pesquisadores da comunicação. A exemplo do campo da narratologia, a investigação dos componentes elementares ao processo narrativo (enredo, personagens, tempo, espaço e narrador) organizados em configurações distintas na elaboração de uma história, contribuem para a aderência do leitor/espectador com a história apresentada. Em diferentes vertentes seja o textual, sonoro ou visual, a narrativa incorpora os elementos únicos a seu formato. No texto, pela riqueza de detalhes e introspeção dos personagens, no sonoro pela produção imagética e atributo sensorial e no visual pela composição artística e transmissão direta das informações. Em especial a narrativa sonora, para este projeto de pesquisa, integra-se ao fomento da imaginação. Visto que o formato de ficção sonoro dramático desperta na mente do ouvinte a expressão das imagens da obra. O formato ficcional áudio dramático, possui desde os primórdios de sua atuação em peças radiofônicos e ou radionovelas da era de ouro da rádio no Brasil,


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a capacidade de explorar uma história através de elementos como a interpretação, a sonoplastia, os efeitos sonoros e a música. A presença desses elementos, vinculados através do veículo sonoro hertziano, abre o precedente histórico, fomentado pela rádio, na educação das classes sociais mais carentes. Por meio da inserção imagética de novas culturas, ambientes e carências na formação sociocultural da população brasileira. Segundo Bosi (1992, p. 315), “Fora da Universidade, os bens simbólicos são consumidos principalmente através dos meios de comunicação de massa. Trata-se de um processo corrente de difusão na sociedade de consumo”. Além de ambientes diversos e personagens de fácil identificação, os programas de rádio ou mais especificamente para esta monografia o rádio drama, desenvolveu a formação do hábito de consumo pelo público por obras de ficção. A

relevância

dessa

pesquisa

contribui

diretamente

com

o

cenário

dramatúrgico de crescente interesse do público consumidor de podcasts, tendo como escopo o estudo do formato áudio dramático e dos elementos fantásticos empregados a construção de mundo nas histórias. O método empregado para o desenvolvimento desta pesquisa consiste na análise de conteúdo quantitativo com o auxílio de referências qualitativas, designada devido a necessidade de quantificar as categorias do fantástico presentes na narrativa. Em conjunto com o método dedutivo de investigação que, como procedimento, possibilita o recorte da obra para a realização da análise. Será realizado o escopo de pesquisa pelo método dedutivo, através do sorteio de dois episódios, mediante uma ferramenta online1, a serem investigados. Para os episódios da série intitulados respectivamente, Episódio 1: Ceifador, Episódio 2: Torre, Episódio 3: Echo, Episódio 4: O Código de Vida e Episódio 5: Blackout, foram estipulados um número de 1 a 5 e configurados na ferramenta. O resultado adquirido fora, Episódio 2: Torre e Episódio 5: Blackout.

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sorteador.com.br


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1. O GÊNERO, A NARRATIVA E O FORMATO No seguinte capítulo será apresentado a teoria do fantástico, comportando a teoria tradicional de Tzvetan Todorov e o ensaio neofantástico de Jaime Alazraki seguido pela composição da narrativa, a histórias e os elementos da rádio dramaturgia para a análise do objeto de pesquisa.

1.1 A teoria do fantástico Desde a antiguidade, o ser humano convive com fenômenos que desafiam as leis da natureza como a conhecemos, as respostas derivadas desses eventos insólitos foram concebidas mais tarde na forma de mitos, fábulas, alegorias e lendas. Essas estórias, passadas de geração em geração, originaram a crença no sobrenatural que inspiraram a produção de diversos autores posteriormente, segundo Calasans (1988) porém, a definição do contexto histórico de origem da literatura fantástica, pela posição da comunidade de pesquisadores, se deu entre os séculos XVIII e XIX com o rompimento, protagonizado pelo movimento Iluminista da França, dos costumes e pensamento teológico da época pela racionalidade e a ciência. Em contrassenso, a proposta de racionalização da esfera social proveniente do Século das Luzes, ainda segundo Calasans, fora a catalisadora para a abordagem da temática fantástica na literatura. A partir do grande movimento de racionalização pode-se dizer que se procurou absorver os antigos terrores e dar uma explicação leiga para a história da humanidade (a Enciclopédia, que aparece entre 1751 e 1772, foi a grande divulgadora desse espírito novo). (CALASANS, 1988, p. 27).

Seguindo os elementos inquietantes e inexplicáveis, Tzvetan Todorov, linguista e crítico literário búlgaro radicado em Paris, atribui a definição ao fantástico, na sua tese em Introdução à literatura fantástica. De acordo com Todorov (1975), a delimitação do fantástico é observada como o tempo de incerteza entre a elucidação do fato em uma conclusão sobrenatural ou racional. Chegamos assim ao coração do fantástico. Em um mundo que é o nosso, que conhecemos, sem diabos, sílfides, nem vampiros se produz um acontecimento impossível de explicar pelas leis desse mesmo mundo familiar. [...] O fantástico ocupa o tempo desta incerteza. (TODOROV, 1980, p. 15).


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Diante dessa incerteza frente a um evento aparentemente extraordinário, o autor propõe as seguintes definições: O fantástico puro: é a característica inerente ao fantástico, a dúvida sobre o insólito. A definição do fantástico puro é um fim em si mesmo, ou seja, diante de um evento extraordinário proposto diante do espectador/leitor/personagem, a situação, se permanece longe da elucidação do evento causal, se dá como fantástico puro. Uma maneira de visualizar o fantástico puro em obras audiovisuais se dá através do encerramento da obra e não resolução do elemento fantástico, deixando o espectador na dúvida sobre o ocorrido, um exemplo palpável está nas obras destinadas ao público infantil. Usando o exemplo da cinematografia de Frosty O Boneco de Neve, em que um elemento fantástico se apresenta, uma cartola mágica que se colocada na cabeça de um boneco de neve na véspera de natal ganha sapiência, que conduz a narrativa mas que após a conclusão do conflito na história, alinhado a imaginação fértil das crianças introduz e permanece com a incerteza sobre os fatos terem acontecido na presença de Frosty ou somente na mente do personagem. A partir da elucidação do evento causal, duas hipóteses são levantadas por Todorov, o fantástico estranho e o fantástico maravilhoso. O fantástico estranho: denominado como a ilusão dos sentidos, comporta a racionalização do evento, ou seja, diante do evento extraordinário, a escolha consciente do leitor/personagem é justificar a situação com base nas leis naturais do mundo e desmistificar a possibilidade de uma ocorrência sobrenatural. Para visualizar essa categoria em obras audiovisuais é importante que após a apresentação do elemento fantástico, o personagem ou o leitor, chegue a conclusão de que existe uma explicação, dentro das leis naturais de mundo, para aquele acontecimento. Como é o exemplo de Dom Quixote, um fidalgo que se vê preso em ilusões apropriadas de romances de cavalaria, cavalgando sua égua possante que nada mais passa de um burro e enfrentando um grande dragão vermelho que na realidade se transfigura em um moinhos de vento. O fantástico maravilhoso: por sua vez, caracteriza o rompimento do mundo real para o mundo sobrenatural, a escolha do leitor/personagem pende sobre a percepção de que o evento causal “extraordinário” tem justificativa não pelas leis naturais do mundo mas sim por uma atuação transcendente. Uma forma de visualizar essa categoria se dá pela forma como o elemento fantástico se apresenta


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na narrativa, contrariando as leis da natureza sobre como algo deve existir ou agir e continuando a contrariá-lo a partir da aproximação do personagem ou leitor do evento como é o exemplo de Harry Potter um garoto órfão que mora com os tios em um bairro comum de Londres e que uma certa noite é visitado por um homem de proporções sobre humanas chamado Hagrid que o introduz a um mundo distante da lógica natural com a existência de magia, bruxos, elfos, dragões etc.

1.2 A teoria do neofantástico Com essa diferenciação, entre “fantástico puro”, “fantástico estranho” e “fantástico maravilhoso”, Todorov alicerça a reflexão teórica sobre o insólito manifestado nos séculos XVIII e XIX. Entretanto, segundo Jaime Alazraki, crítico literário argentino, a concepção do fantástico sofre uma transmutação temática no século XX. A partir de um contexto inaugurado pelos eventos da primeira guerra mundial, em conjunto aos movimentos de vanguarda, a psicanálise de Freud, o surrealismo, o existencialismo, entre outros, (ALAZRAKI, 1990, p. 12), surge uma nova ilustração da teoria fantástica em contraponto a proposta de Todorov, nomeado pelo autor de neofantástico. De acordo com Alazraki, a percepção envolvendo o insólito, proposta por Todorov, promovia a classificação “fantástica” de forma trivial. As obras dos autores dessa temática no séc XX como Kafka, Borges e Cortázar e contemporâneos, esboçam um cenário narrativo que difere a teoria tradicional do fantástico, ao invés de retratar o evento sobrenatural a partir de um mundo racional e verossimilhante, o novo modelo ambienta o leitor/espectador, desde o princípio da narrativa ao cenário de incerteza. “Desde las primeras frases del relato, el cuento neofantástico nos introduce, a boca de jarro, al elemento fantástico: sin progresión gradual, sin utilería, sin pathos” (Alazraki, 1990, p. 31). Em contraste a formula tradicional, o neofantástico estabelece um cenário em que os elementos de incerteza e dúvida fazem parte da rotina diária do personagem sendo indissociável as dinâmicas de mundo. Uma maneira de visualizar essa categoria em obras audiovisuais se dá com a inserção inicial do personagem ou leitor em um universo previamente regido por elementos fantásticos, como por exemplo em O Senhor dos Anéis, um mundo fantástico ambientado na Terra Média em que a magia caracteriza um elemento palpável em todas as esferas sociais, com a presença de criaturas sobre naturais além do ser humano como, elfos, anões,


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orcs, bruxos, dragões, gnomos etc, sendo a irrupção do fantástico, nesta categoria, um reforço da dúvida dentro de um ambiente de incertezas. A justificativa pela inclusão das duas teorias do fantástico nesta pesquisa se dá devido a origem do formato no séc XIX e consequente evolução conceitual no século XX, vertente essa, não comportada na teoria descrita por Todorov. Entreposto a teoria do fantástico partimos para os componentes estruturais da história propriamente dita, a narrativa.

1.3 A narrativa e seus elementos Contar histórias é uma prática comum da humanidade desde os seus primórdios. Nos povos indígenas a passagem da cultura reunida por uma comunidade de pessoas para as próximas gerações do povoado era uma prática reservada as histórias contadas através da oralidade, segundo Gontijo (2004, p. 28) “A maior parte dos povos originais era composta de grupos autônomos de parentes, que de tempos em tempos migravam e preservavam sua identidade transmitindo de uma geração para a outra sua história”. De forma a preservar a memória de um povo, as histórias estabelecem um papel prestigioso no desenvolvimento da cultura de uma civilização. Posteriormente, com o avanço das tecnologias de comunicação e a prosperidade da humanidade, a transmissão das histórias deixaram de ser exclusivas de pequenos grupos pertencentes a um povoado e passaram a atingir um grupo maior de indivíduos devido a iniciativas como os livros, a rádio, a televisão e o cinema. Adaptados às capacidades tecnológicas dos veículos, a condução dessas histórias impulsiona o desenvolvimento de um tópico de estudo responsável pela investigação dos componentes essenciais para o seu desdobramento, campo esse denominado de narratologia. A “narração” de acordo com o Dicionário de Comunicação (2002), tem como definição “Relato escrito, oral Ou visual de acontecimentos ou circunstâncias que envolvem a ação, o movimento e o transcorrer do tempo em urna narrativa. "Ordenação de fatos, de natureza diversa, externos ao relatar (mesmo quando o narrador é parte dos fatos, isto é, participa da ação que está sendo narrada)”. Segundo Gancho:


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Toda narrativa se estrutura sobre cinco elementos, sem os quais ela não existe. Sem os fatos não há história, e quem vive os fatos são os personagens, num determinado tempo e lugar. Mas para ser prosa de ficção é necessária a presença do narrador, pois é ele fundamentalmente que caracteriza a narrativa. (GANCHO, 2001, p. 7).

Portanto, diante da exposição de uma história, seja ela real ou ficcional, o modo como ela é articulada, ou seja, a posição dos acontecimentos dentro de uma estrutura - início, meio e fim – é o que caracteriza o processo narrativo. Por ser a estrutura por trás da exposição de uma história, pode ser representada a partir de diversas linguagens como a verbal, a visual, a teatral, etc. Gancho (2001) dispõe os elementos constituintes à narrativa da seguinte forma: enredo, personagens, tempo, espaço e narrador. A iniciar pelo enredo, Gancho atribui ao conflito seu elemento gerador e o define como: “é qualquer componente da história (personagens, fatos, ambiente, idéias, emoções) que se opõe a outro, criando uma tensão que organiza os fatos da história e prende a atenção do leitor.” (GANCHO, 2001, p. 8). O enredo é repartido na história de forma linear em: exposição, complicação, clímax e desfecho. Ainda existe a modalidade classificada pela autora em enredo psicológico, que se destina a manifestão interior dos personagens, ou seja das emoções/sensações, que não se caracterizam como uma ação efetiva. O conceito de personagem se destina a uma figura fictícia que corrobora com o desenvolvimento do enredo e realiza determinada ação: O personagem é um ser que pertence à história e que, portanto, só existe como tal se participa efetivamente do enredo, isto é, se age ou fala. Se um determinado ser é mencionado na história por outros personagens mas nada faz direta ou indiretamente, ou não interfere de modo algum no enredo, pode-se não o considerar personagem. (GANCHO, 2001, p. 10)

Segundo

a

autora

os

personagem

podem

ser

classificados

como

protagonista, antagonista e personagens secundários. Já segundo a caracterização, personagens planos, quando aparente um número pequeno de atributos identificáveis perante o leitor, e redondos, quando apresentam uma variedade maior de características sendo elas físicas, psicológicas, sociais, ideológicas e morais. O tempo de uma narrativa pode servir no desenvolvimento do enredo em diversos níveis, Gancho as enquadra da seguinte forma: “época em que se passa a história”, compreendida literalmente, se constitui como o pano de fundo do enredo, a


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época em que a história ocorre, antiguidade, idade média, contemporaneidade etc, “duração da história”, o período de tempo em que a história ocorre, seja no decorrer de uma semana ou na passagem de anos até a sua conclusão, “tempo cronológico” aquele que transcorre a partir de uma ordem natural dos fatos, do começo ao fim e o “tempo psicológico” que obedece a uma ordem determinada pelo desejo ou imaginação

do

narrador

ou

personagens

fora

da

estrutura

linear

dos

acontecimentos, a exemplo do recurso narrativo do flashback que convida um acontecimento passado a exercer influência no presente. Já o espaço cabe ao lugar em que os eventos de uma história são realizados, uma diferenciação importante levantada por Gancho se dá pelo termo ambiente: “O termo espaço, de um modo geral, só dá conta do lugar físico onde ocorrem os fatos da história; para designar um “lugar” psicológico, social, econômico etc., empregamos o termo ambiente.” (GANCHO, p. 17). O ambiente, ao mesmo tempo que carrega as características sociais do espaço, também serve a 4 funções segundo a autora: “situar os personagens no tempo, espaço e grupo social”, “ser a projeção dos conflitos vividos pelos personagens”, “estar em conflito com os personagens” e “fornecer índices para o andamento do enredo”. A finalizar pelo narrador, a autora realiza a diferenciação com base na função que ele ocupa na história, a posição de um narrador frente aos fatos narrados pode ser classificado em “narrador terceira pessoa”, quando o mesmo se encontra fora dos fatos narrados de uma posição de imparcialidade ou “narrador primeira pessoa” também conhecido como “narrador personagem” participando ativamente do desenvolvimento do enredo. Em complemento a posição do personagem e do narrador, a locução opera uma posição importante no discurso da narrativa. A pronúncia de uma determinada frase por um interlocutor em um determinado contexto, impacta diretamente a forma como a mensagem será recebida pelo receptor. Segundo Castim (2017, p. 87), John Austin, fundador da teoria dos atos de fala, aponta a fragmentação do discurso em três vias, os atos locutórios, ilocutórios e perlocutórios. Manhães (2011, p. 312-313) apresenta a estrutura teórica desses atos: Os atos locutórios representam o fragmento do discurso que permite as interações lógicas com as pessoas, constituindo uma intenção direta com a linguagem, afirmativas, interrogativas, exclamações etc.


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Os atos ilocutórios produzem os sentidos de contexto, de forma a introduzir no discurso elementos além da intenção direta do ato locutório como: tempo, espaço, ênfase, emoção e pessoalidade. Já os atos perlocutórios expressam a forma como o receptor recebe o discurso, de modo a influenciá-lo, persuadi-lo ou constrangê-lo. O argumento pelo qual se discute a teoria dos atos de fala junto as características da narrativa nesta pesquisa é devido a natureza do objeto de pesquisa. Por se tratar de uma obra sonora, o podcast utiliza da oralidade na sua construção. O emprego da oralidade traz a tona questões referentes aos elementos subjetivos que o discurso pode assumir segundo um determinado contexto. Como exemplo dessa empregabilidade está a frase “E como foi o seu dia?”, a depender da entonação atribuída a frase, a intenção pode ser facilmente destoada do sentido literal que ela estabelece, como indiferença, suspeita, irritação, entre outros. Pela inviabilidade da analise dos atos perlocutórios nesta monografia, que como condição demanda a composição de um grupo focal para o estudo comportamental da mensagem, se restringe portanto a apenas os atos locutórios e ilocutórios como itens possíveis de investigação. A seguir, para melhor elucidação do contexto histórico de formação do que hoje se comporta na internet como áudio dramaturgia, será realizado um levantamento do percurso do formato no veículo de comunicação hertziano.

1.4 Uma breve história da rádio dramaturgia O começo das produções dramatúrgicas no veículo radiofônico veio, no início, através do formato de esquetes humorísticas de teatro, que, unidas às técnicas de sonoplastia, traduziam a ambientação dos palcos para os aparelhos auditivos do público. Para Perdigão (2003): O primeiro momento da radiodramaturgia brasileira foi marcado pelo formato do esquete, original do teatro de variedades e identificado por sua curta duração e humor. Eram famosas as cortinas cômicas explorando o novo meio eletrônico ou ainda a produção de cenas de comédia utilizandose um mesmo humorista para diferentes personagens ou vozes. (PERDIGÃO apud BRANDÃO; FERNANDES, 2014, p. 123).

A partir da crescente em popularidade do formato, o radioteatro começou a ser produzido e irradiado por diversas radiodifusoras, e as obras de maior sucesso


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da época de 1930 a 1940 eram de responsabilidade da radiodramaturgia humorística. “O radioteatro foi bastante difundido nos anos 1930 e fazia sucesso em quase todas as emissoras brasileiras, até que a radionovela se instalou no país, em 1941.” (BRANDÃO; FERNANDES, 2013, p. 123). A radionovela, desde a sua primeira transmissão no Brasil, em 1941, a partir da obra Em busca da felicidade, exibido pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro, cativou o imaginário da audiência, entregando uma obra que ofertava em capítulos intercalados a experiência sonora infusa na imaginação do público. Com números expressivos de sintonizações, logo o formato se tornou de interesse popular, e seus horários de exibição lideraram os quadros nas pesquisas de audiência da época. De acordo com Calabre as “radionovelas obtinham altíssimos índices de audiência e estavam sempre entre as obras mais ouvidos das emissoras. A Rádio Nacional, em especial, liderava a audiência em praticamente todos os horários” (CALABRE, 2007, p. 14). A partir do sucesso da Rádio Nacional, as demais começaram a desenvolver, subsequentemente, as próprias obras de dramatização radiofônica novelesca, que também obtiveram enorme sucesso na época, como a Rádio Tupi e a Rádio Mayrink, as quais disputavam os números com a Nacional, de acordo com as pesquisas de Ibope de 1943. Porém, a partir de 1951, com o crescimento do que no século XXI viria a se tornar a mídia mais influente no território nacional, isto é, a televisão, a verba publicitária que sustentava a carga horária onerosa que a produção das radionovelas exigia, foi, cada vez mais, direcionada para o novo meio, o qual, por consequência, inviabilizou a continuidade do mesmo, como descreveu Calabre: Com o crescimento da televisão ocorreu um fenômeno de migração dos patrocinadores para o novo veículo. [...] A falta de recursos financeiros foi, em grande parte, responsável pelo abandono do gênero radionovela pelo rádio. Ao longo da década de 1960, algumas emissoras ainda mantinham alguns horários de radionovelas ou de programas de radioteatro. Mas na década de 1970 o gênero desapareceu, apesar de algumas tentativas isoladas de reativá-lo. (CALABRE, 2007, p.18).

A movimentação da verba publicitária para a nova mídia emergente da época, — a televisão —, minguou os recursos necessários para a produção do formato, que ocupava longas diárias de preparação e gravação subsequente. Dessa forma, a forte presença das radionovelas no meio radiofônico veio a cessar, porém contando


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com obras esporádicas de tempos em tempos por rádios que ainda acreditavam na sua força e na repercussão que desempenhou na época áurea do rádio. Uma segunda causa da quebra com esse formato pelas emissoras de rádio foi devido à estrutura na escala de produção dessas obras, pois eram necessários demasiados profissionais para a sua realização. De acordo com Calabre (2007), a estrutura para a irradiação de uma radionovela consistia nas figuras dos redatores, atores, sonoplastas e contrarregras, uma junção de profissionais que, por conta de uma nova falta de verba publicitária, foram se tornando de inviável contratação. Porém, a decrescente presença dele na rádio não foi o final do formato novelesco. Posteriormente sob uma nova roupagem, a televisão, ao adaptar a fórmula do sonoro em conjunto ao visual começou a produzir a continuidade do sucesso das novelas na nova mídia televisiva sob a alcunha de telenovelas. Esta demonstração de como um formato pode ser transportado de uma mídia para outra, anexando as demais características inerentes ao novo meio, como foi o caso da transposição da rádionovela para a telenovela, de uma mídia sonora para uma mídia sonora e visual, abre caminho para a exposição do que fora marcado pelo início do século XXI como um novo fenômeno midiático que oferta elementos da linguagem radiofônica por meio da internet, o podcasting. O podcasting é a junção das palavras “IPod” e “Broadcasting”, uma mídia sonora concebida através do resgate da linguagem radiofônica em meio à cibercultura, como complementa Primo (2005): “podcasting surge como um novo processo midiático na Internet, e que oferece formas particulares de interação” (PRIMO, 2005, p. 1). O podcasting serve como um termo guarda-chuva que abriga formatos diversos entre si, não sendo restrito à inclinação natural de consumo de um público maior. Produto da cibercultura, o processo de podcasting carrega na sua essência características atribuídas ao meio pelo qual é propagado, as quais, segundo Primo (2005) têm a capacidade de ampliar a experiência sensorial da obra, pois “[...] o podcasting vai além do áudio, incorporando imagens e navegação hipertextual. Ou seja, mais do que tratar da escuta, é preciso também discutir como o público usa suas mãos e olhos durante o processo” (PRIMO, 2005, p.20). Porém, mesmo a partir da incorporação do uso de imagens e navegação hipertextual, esse formato tem como principal substância caracterizadora a influência do som e da linguagem radiofônica na condução da narrativa e transmissão da informação.


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Os autores Kischinhevsky e Modesto (2014) agrupam os recursos acessíveis ao processo de podcasting sob o termo “parassonoros”, o que inclui: [...] fotos, vídeos, ícones, infográficos e outras ilustrações de sites de emissoras, toda a arquitetura de interação (botões de compartilhar, etiquetar, curtir, espaços para comentários), textos, hiperlinks, perfis de estações ou de comunicadores em serviços de microblogging e sites de relacionamento, aplicativos para web rádio ou podcasting, serviços de rádio social (KISCHINHEVSKY; MODESTO, 2014, p.19).

De forma a prender o interesse do internauta ao conteúdo, frente ao escapismo de “um clique” proporcionado pelo ambiente virtual, esses elementos são fruto da convergência com o meio, contribuindo para uma nova abordagem discursiva da narrativa radiofônica. Nesta monografia toma-se as nomenclaturas expressas por rádio drama, áudio drama e podcast como termos sinônimos, a justificativa para essa aproximação se dá pelo objeto de pesquisa a ser analisado se tratar de uma áudio dramaturgia veiculada por meio da internet no formato de podcast, tomando propriedades vindas da rádio, como os elementos da rádio dramaturgia, e vindas da internet, como o processo de podcasting. Para tal, visto que o podcasting tem a capacidade de assumir diversos formatos de programas em áudio, o capítulo seguinte se destina a apresentação dos elementos constituintes do formato pertinente a esta monografia, o formato áudio dramático.

1.5 Os elementos da rádio dramaturgia Ao se falar sobre o gênero drama no rádio, primeiro é necessário estabelecer que: é na mente do ouvinte que as palavras tomam forma, estabelecem sentido, elaboram cenários e criam ambientes. Por ser um veículo de exclusividade sonora, ele incentiva o espectador ao uso da imaginação, como complementa Bachelard: O rádio possui tudo o que é preciso para falar na solidão. Não necessita de rosto. O ouvinte encontra-se diante de um aparelho. Está numa solidão que não foi ainda constituída. O rádio vem constituí-la, ao redor de uma imagem que não é apenas para ele. que é para todos, imagem que é humana, que está em todos os psiquismos humanos. Nada de pitoresco, nenhum passatempo. Ela chega por trás dos sons. Sons bem feitos. (BACHELARD, 1994, p. 182).


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É através da linguagem radiofônica que a mensagem propagada atinge o ouvinte, estimulando o imaginário, dialogando de maneira individual e estabelecendo intimidade. Ela dispõe de diversos recursos para transpor essa esfera de “solidão”, como discorre Balsebre: [...] a linguagem radiofônica é o conjunto de formas sonoras e não sonoras representadas pelos sistemas expressivos da palavra, da música, dos efeitos sonoros e do silêncio, cuja significação vem determinada pelo conjunto de recursos técnicos/expressivos da reprodução sonora e o conjunto de fatores que caracterizam o processo de percepção sonora e imaginativo-visual dos ouvintes. (BALSEBRE, 1994, p. 329)

Por meio de elementos, como: a palavra, aquilo que é dito; a música, caracterizadora da atmosfera; dos efeitos sonoros, que atribuem dinamismo e o silêncio, que destaca o ritmo; a mensagem da obra é manifestada. Ferraretto (2014) utiliza da classificação de Balsebre (1994) sobre os elementos da linguagem radiofônica, porém traz a importância do equilíbrio entre os recursos e da consideração ao nível de apelo da mensagem: Cada um destes apresenta múltiplas aplicações, papéis e variantes. Podem ser utilizados, conforme o contexto, de diversos modos e em diferentes níveis de apelo ao ouvinte, direcionando-se ao seu intelecto, no que se expressa como algo mais concreto, e à sua sensibilidade, naquilo que pende mais para o abstrato. (FERRARETTO, 2014, p. 27).

Portanto, na ilustração da linguagem radiofônica, faz-se imprescindível o conhecimento dos recursos disponíveis, uma vez que, a depender da direção artística, alguns elementos podem amplificar ou sobrepujar o resultado final. Ao abordar o imaginário, favorecendo a concepção de imagens a partir de referências individuais, o rádio consegue se conectar à audiência e gerar vínculos próximos ao público. Segundo McLeish (1999), ao “contrário das artes visuais, em que o cenário nos é dado diretamente, o ouvinte de rádio é quem supre suas próprias imagens mentais em resposta às informações que lhe são passadas” (MCLEISH, 1999, p. 179). Neste sentido, também, Barbosa Filho caracteriza a sensorialidade: “Por tratar-se de um meio ‘cego’, a sua linguagem estimula a imaginação, envolve o ouvinte, convidando-o a participar da mensagem por meio de um ‘diálogo mental’” (BARBOSA FILHO, 2009, p. 45). O drama radiofônico, segundo Barbosa Filho (2009), é agrupado dentro do gênero entretenimento, que possui a maior capacidade de explorar com


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profundidade a riqueza da linguagem sonora entre os demais gêneros. Ainda de acordo com o autor, no “entretenimento podemos encontrar um pouco da magia que reveste a linguagem radiofônica formada por palavras, mas também por música, efeitos sonoros, ruídos e silêncio”. (FILHO, 2009, p. 86). Já de acordo com Vigil, o gênero dramático no rádio corresponde a um gênero de ficção: O drama é um gênero de ficção: muitas vezes inspirado em fatos reais, mas trabalha com que pode acontecer. Isso sim, embora estejamos no terreno da imaginação e da fantasia, a ação que está sendo representada deve ser verossímil, pode ter acontecido. É acreditável.” (VIGIL, 2014, p. 101).

A partir desses recortes, o entendimento nesta pesquisa sobre a radiodramaturgia e a sua linguagem se caracteriza como um formato que opera na imaginação, retirando do ouvinte, — por meio da “sensorialidade” —, as referências pessoais para a concepção de ambientações imagéticas provenientes dos estímulos da voz, música, dos efeitos sonoros e do silêncio. 2. O PODCAST DIAS DIGITAIS – CAÇA AOS HACKERS (DDCaH) A áudio dramaturgia Dias Digitais - Caça aos Hackers, é uma obra seriada de 5 episódios, criada, roteirizada, produzida e dirigida por Danilo Vieira Battistini, lançada em 2017. Battistini, 32 anos, nascido em 1989 em São Bernardo do Campo, São Paulo, Brasil. É graduado pela Universidade Anhembi Morumbi em Produção Musical e Rádio, TV. Idealizador do podcast Contador de Histórias, o autor conforme o Imdb, possui uma extensa bagagem de atuação em obras áudio dramáticas ao longo dos anos. Algumas produções de destaque são: O quarto de hotel (2016), O caso de Agatha Dias (2016) e Mortes ao som de jazz (2016), culminando em Dias Digitais – Caça aos Hackers (2017) e posteriormente em Sombras de Galway (2020). Na edição de 2017 da premiação Audio Verse Awards, evento este que celebra os melhores trabalhos de ficção sonora, Dias Digitais – Caça aos Hackers fora indicado ao prêmio de melhor roteiro/mixagem/nova série e na edição de 2018 chegou a finalista na categoria de drama/mixagem/série em andamento. A série conta a história de um futuro distante em que a tecnologia ocupa um lugar simbiótico nas relações sociais, em que a ética e a moral são ditadas pelas grandes corporações e a discrepância monetária acomete as tensões entre a classe


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proletária e o empresariado. Nesse contexto de incerteza e insegurança que é a trama é construída. Na cidade de Nova São Paulo no ano de 2622, centenas de hackers desapareceram repentinamente, consultadas as autoridades da Nova Ordem Mundial (NOM) o episódio é descredibilizado, visto com cinismo, um grupo de hackers se envolve com operações do governo para descobrir a verdade sobre o real motivo dos desaparecimentos. A primeira temporada da série é composta por 5 episódios e tem duração total de 1 hora e 3 minutos. O enredo gira em torno de um grupo de hackers a margem da lei em busca da motivo pelo desaparecimento generalizado de hackers em torno do mundo. O arco da temporada segue a apresentação dos personagens Ceifador, Torre, Ferrugem, Echo e Bot nos primeiros 3 episódios da série. Com o desenvolvimento acrescido nos episódios 3 e 4 para a conclusão, clímax e resolução culminarem no episódio 5. A seguir se encontra a sinopse e os elementos narrativos pertencentes a primeira temporada da série.

2.1 Dias Digitais Temporada 1 Episódio 1: Ceifador O primeiro episódio da primeira temporada possui duração de 4 min e 06 segundos. Intitulado “Ceifador”, apresenta o soldado veterano da guerra de 2600 codinome Ceifador. Contratado como assassino de aluguel, o personagem aguarda pacientemente atrás do escopo de uma sniper a chegada da vítima a ser executada. De um ponto eletrônico a personagem Torre atua como suporte técnico para eventuais desalinhamentos estratégicos. Acionado o rastreador de movimento, Torre informa a aproximação do alvo. Ceifador reposiciona o rifle, o zoom óptico se move e um disparo é inferido. Tiro certeiro. Nesse momento uma chamada telefônica é recebida e o episódio encerra.

Quadro 1 - Elementos narrativos no Ep.01 T01 Personagens

Ceifador; Torre.

Tempo

Cronológico.

Espaço

Cobertura de um prédio.

Narrador

Narrador observador


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2.2 Dias Digitais Temporada 1 Episódio 2: Torre O segundo episódio da primeira temporada possui duração de 7 minutos. Intitulado “Torre” apresenta a personagem codinome Torre, uma hacker residente de Nova São Paulo no ano de 2622. Após transcorrido seu serviço como suporte técnico de um assassino de aluguel chamado Ceifador, um email, enviado pelo cliente, com o pagamento pelo trabalho realizado cai na sua caixa de entrada. Após verificar a soma em dinheiro, a inteligência artificial intitulada “PC” faz o download de um anexo adicional em formato de vídeo no corpo do email. A mensagem alerta sobre um evento que vai acarretar no desaparecimento de centenas de pessoas a meia noite do mesmo dia, e fornece as coordenadas apontando a existência de uma casa segura, o final da reprodução, alarmes de segurança soam e “PC” anuncia que agentes do governo invadiram o prédio em que Torre está localizada, fazendo uma ligação para seu amigo “Ferrugem”, Torre pede ajuda para ser avacuada do apartamento. Ferrugem, sinalizando que logo mais chegaria para a retirada de Torre, encerra a ligação e apronta o mecha. Torre em uma tentativa de ganhar tempo, transfere sua localização IP para outro servidor dentro do prédio confundindo os agentes e os aguardando com um detonador. Ferrugem do lado de fora do prédio pilotando o mecha pede para Torre saltar pela janela e a apanha no ar logo antes dos detonadores explodirem. Ao explicar a situação para Ferrugem, Torre transfere as coordenadas da casa segura para o sistema de inteligência artificial do mecha intitulado “Angra” e o episódio encerra.

Quadro 2 - Elementos narrativos no Ep.02 T01 Personagens

Ceifador; Torre; PC; Ferrugem; Angra.

Tempo

Cronológico.

Espaço

Apartamento; Ruas de Nova São Paulo.

Narrador

Narrador observador

2.3 Dias Digitais Temporada 1 Episódio 3: Echo O terceiro episódio da primeira temporada possui duração de 8 min e 58 segundos. Intitulado “Echo” apresenta o personagem codinome Bot, auxiliando a personagem codinome Echo através de um ponto eletrônico a clonar os dados de um agente do governo durante uma audiência pública da Nova Ordem Mundial com o objetivo de encontrar uma resposta para o desaparecimento dos hackers. Echo


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participa da coletiva de imprensa e Lúcio, o porta voz da NOM, comenta sobre o não envolvimento do governo na matéria. Bot indica uma posição na segunda fileira do auditório propícia ao furto de dados e Echo inicia a gravação. Os jornalistas presentes pressionam Lúcio por um parecer sobre os desaparecimentos. Lúcio explica a hipótese formulada pelo governo sobre os desaparecimentos e acredita que deve ser uma preparação realizada pelos próprios hackers para um ataque cibernético em massa. Com a transmissão de dados ainda incompleta, Bot informa a Echo para enrolar Lúcio no palanque até a conclusão. Echo faz menção a teorias circulando a internet sobre um projeto secreto, promovido pelo governo, que se beneficia de seres humanos. Lúcio condescendente desmente os rumores. Nesse momento Bot anuncia a conclusão da transferência e informa, dentro dos arquivos, a presença de um projeto intitulado ALMA. Com o fim da réplica de Lúcio a coletiva de imprensa é encerrada e num ato desesperado por respostas Echo pergunta sobre o projeto ALMA. Os jornalistas ficam intrigados e Lúcio parece surpreso com o questionamento. No ponto eletrônico Bot avisa que agentes do governo o encontraram e estão derrubando a porta de entrada. O auditório em que Echo se encontra dispara um alarme e comunica, através de uma voz eletrônica, a invasão do sistema e inicia os protocolos de segurança. Lúcio da voz de prisão para Echo pelo conhecimento do projeto ALMA mas a hacker ligeiramente foge em meio a multidão aturdida. Bot lê uma mensagem enviada por Torre sobre as coordenadas de uma casa segura assegurando respostas sobre o desaparecimento dos hackers. A seguir a porta da frente é arrombada e Bot se despede de Echo ao som de dois tiros. Echo é imobilizada por um dos agentes do governo em sua fuga e dosada com tranquilizantes. Ao acordar se encontra amarrada a uma maca dentro do laboratório secreto de experimentos do projeto ALMA. Lúcio se encontra presente na sala e descreve a sigla, ALMA (Automatização de Link Mental Avançado). Após a explicação do conceito por trás do projeto ALMA, a fórmula de interpretação do inconsciente humano, o Código da Vida, Lúcio executa o comando de upload de Echo para a nuvem de dados e o episódio encerra.

Quadro 3 - Elementos narrativos no Ep.03 T01 Personagens

Bot; Echo; Lúcio.

Tempo

Cronológico.


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Espaço

Apartamento; Laboratório de experimentos.

Narrador

Narrador observador

2.4 Dias Digitais Temporada 1 Episódio 4: O Código da Vida O quarto episódio da primeira temporada possui duração de 16 min e 44 segundos. Intitulado “O Código da Vida” apresenta a sequência no momento em que Bot se despede de Echo ao som de disparos. Logo em seguida a voz de Ceifador chama por Bot e o garoto se vê salvo da morte eminente. Sem tempo para explicar, Ceifador convoca Bot com a justificatica de saber como ajudar Echo e se dirigem ao necrotério de São Paulo. Chegado ao necrotério Bot desativa os alarmes de segurança e Ceifador elimina os guardas de vigia, ao adentrarem mais a fundo em direção ao centro do necrotério Ceifador informa a Bot sobre a divisão Maya de serviços do governo, uma divisão formada por cientistas e militares com o objetivo de caça aos hackers. Após o diálogo Ceifador informa o que reside no necrotério, a primeira máquina de testes do Código da Vida. Bot performa um breve hackeamento para a abertura da porta e os dois entram. Dentro do laboratório Ceifador relata o tempo que dispôs como lider de um esquadão especial militar para a divisão Maya. Até o momento que Lúcio, um hacker do governo, colocou as mãos em uma programação avançada de um hacker eliminado pela esquadrão chamado o Código da Vida. Um flashback é exibido demonstrando o objetivo da missão entregue ao esquadrão especial militar, o rapto de 5 alvos de alta periculosidade para o governo. Porém o 5 alvo era uma armadilha arquitetada pelo próprio governo para terminação dos agentes da divisão Maya pelo acesso a informações sigilosas. Lúcio fora o responsável pelas ordens. Bot conectado a um terminal dentro do laboratório faz uma varredura dos aparelhos em busca de mais informações sobre o projeto ALMA e informa que se tiver acesso ao código fonte consegue localizar os demais dispositivos que se encontram em uso. Ao resultado da varredura detectar mais de 195 registros de uso do código o som de sirenes policiais rondam o ambiente. Bot informa a Ceifador que precisa de 5 minutos para copiar o Código da Vida e Ceifador pede para o encontrá-lo na entrada e sai do laboratório. Ceifador começa a eliminar um a um o contingente policiar do lado de fora do necrotério. Nesse meio tempo Bot corre para o lado de Ceifador e os dois partem em direção a casa segura informada pelas coordenas de Torre.


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Quadro 4 - Elementos narrativos no Ep.04 T01 Personagens

Bot; Ceifador; Lúcio

Tempo

Cronológico e Psicológico.

Espaço

Apartamento; Necrotério de São Paulo.

Narrador

Narrador observador

2.5 Dias Digitais Temporada 1 Episódio 5: Blackout O quinto episódio da primeira temporada possui duração de 26 min e 37 segundos. Intitulado “Blackout”, tem inicio apresentando os personagens Ferrugem, Torre e PC, adentrando o que parece ser uma laboratório de informática antigo desativado a 22 anos. Ao longe vozes surgem caminhando para dentro do laboratório, imediatamente Ferrugem ativa o protocolo de defesa de seu mecha e Torre se esconde por perto. Torre, ao identificar a voz de Ceifador na distância, impede que o mecha inicie o confronto se dirigindo na direção do mercenário. Torre à vista “Bot” ao lado dele e os dois se cumprimentam, após o reencontro, a inteligência artificial “PC” recebe uma transmissão desconhecida e a executa automaticamente, da chamada a desaparecida “Echo” aparece. Bot pede a localização da amiga, mas Echo não sabe exatamente aonde está a não ser por um pressentimento de que não se encontra mais no mundo físico e sim numa nuvem de dados chamada Maya. Torre, rastreando a localização de Echo, pede para PC realizar a triangulação das coordenadas no GPS. No meio tempo os agentes do governo interceptam a chamada de Echo e impedem que ela continue a arquitetar seus planos com o grupo forçando um encerramento abrupto da chamada. O grupo de forma rápida parte em direção as coordenadas obtidas por Torre sobre a localização de Echo, apontadas no subterrâneo do antigo marco zero da Praça da Sé. Chegando as linhas de metro abandonadas da estação da Sé, Ceifador à vista dois guardas e os elimina porém logo antes da execução um dos guardas consegue reportar a presença do assassino e as medidas de segurança são tomadas, 70 homens são enviados para liquidar os invasores. Superados numericamente, Ferrugem assume a liderança no combate se sacrificando pelo grupo ao ativar a sequência de auto destruição do mecha frente aos adversários, liberando caminho para os companheiros. Em meio a esse ataque na central do projeto Alma, Lúcio preocupado o progresso dos invasores aciona o sistema de defesa porém Ceifador já está próximo o suficiente para acertar uma bala no braço de Lúcio. Incapacitado,


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Torre, logo em seguida, pede pela localização dos hackers que desapareceram por obra do projeto Alma. Lúcio explica que nenhum deles irá voltar porque já fora feito o upload de seus corpos para a nuvem de dados Maya e está fora das capacidades do sistema trazê-los de volta. De repente o sistema de auto destruição do complexo de pesquisa é ativado e as portas se trancam abruptamente. Sem perspectiva de fuga e o perigo iminente em segundos, o grupo propõe atravessar a fronteira digital com destino a Maya. Ceifador, depois de eliminar Lúcio, uma morte cobiçada por 22 anos culpado pela morte de seu esquadrão, escolhe perecer junto a explosão enquanto Bot e Torre cruzam o limiar até Maya. Os três se despedem, os dois são enviados a Maya e solitário, Ceifador acende um último cigarro, logo antes da explosão o envolver e o episódio encerra.

Quadro 5 - Elementos narrativos no Ep.05 T01 Personagens

Ferrugem; Torre; PC; Angra; Ceifador; Bot; Echo e Lúcio.

Tempo Espaço Narrador

Cronológico. Laboratório de informática; Mya, Estação da Sé/ Central do projeto Alma. Narrador observador

3. PROCESSO METODOLÓGICO: OS ELEMENTOS FANTÁSTICOS Neste capítulo, seguindo a metodologia da análise de conteúdo, serão categorizados os elementos fantásticos com o propósito de quantificar a incidência dos mesmos nos elementos narrativos do podcast Dias Digitais – Caça aos Hackers. Para a categorização do elementos fantásticos entende-se a definição sustentada por Todorov através da tripartição da teoria em: Fantástico Puro, Fantástico Estranho e Fantástico Maravilhoso, unido ao ensaio de Alazraki sobre o Neofantástico como é apresentado no quadro a seguir.

Quadro 6 - Categorização do fantástico. Categorias

Definição

Código

Esta categoria compreende a definição de Fantástico puro

Todorov sobre o fantástico puro, ou seja, diante de um evento do mundo real, surge uma

FP


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irrupção do fantástico e ela não é elucidada. Esta categoria compreende a definição de Fantástico estranho

Todorov sobre o fantástico estranho, ou seja, diante de um evento do mundo real, surge uma

FE

irrupção do fantástico e ela é elucidada por meio de leis naturais. Esta categoria compreende a definição de

Fantástico maravilhoso

Todorov sobre o fantástico maravilhoso, ou seja, diante de uma situação do mundo real,

FM

surge uma irrupção do fantástico e ela é elucidada por meio de leis sobrenaturais. Esta categoria compreende a definição de

Neofantástico

Alarzaki sobre o neofantástico, ou seja, diante de um mundo fantástico, elementos fantásticos

NF

são inseridos em caráter de normalidade. Esta categoria compreende os elementos Normalidade

narrativos da obra que não caracterizam

N

nenhuma abordagem do fantástico.

Para a quantificação dessas categorias na obra, é necessário cruzá-los com os elementos narrativos, ou seja, as peças estruturantes da história. Por essa razão entende-se como elementos narrativos a proposta elaborada por Gancho, sendo eles: o enredo, os personagens, o tempo, o espaço e o narrador. Esses elementos narrativos, em vista das formas com que o fantástico pode vir a se manifestar, foram fracionados em subunidades, sendo a unidade “personagens” dividida em ação, vestimenta e forma física, a unidade “tempo” dividida em época, cronológico e psicológico, a unidade “espaço” dividida em espaço físico e ambiente e a unidade “narrador” dividida em observador e personagem. Na obra Dias Digitais – Caça aos Hackers, a trilha sonora é composta por camadas, ou seja, a junção, a equalização e a edição das camadas de áudios, independentemente, carrega sentido e uma percepção de contexto. O que para o espectador, em um exercício de escuta, pode vir ou não a perceber as categorias dispostas neste capítulo. Contudo, por se tratar de uma obra sonora, a maneira de percebê-los desprovidos do recurso visual, pode variar em detrimento dos elementos da rádio dramaturgia, sendo eles: voz, música, efeitos sonoros e o silêncio. Para


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melhor representação, esses elementos serão codificados respectivamente no quadro quantificador, quando percebidos, como é apresentado no quadro a seguir.

Quadro 7 - Elementos da linguagem radiofônica. Registro

Definição

Código

Esta categoria compreende o registro da voz, V Voz

representado na linguagem radiofônica pela fala ou diálogo. Esta categoria compreende o registro da M

Música

música, representado na linguagem radiofônica pela melodia. Esta categoria compreender o registro dos ES

Efeitos sonoros

efeitos sonoros, representados na linguagem radiofônica pelos sons dos objetos. Esta categoria compreende o registro do S

Silêncio

silêncio, representado na linguagem radiofônica pelas pausas.

Os quadros a seguir representam o modelo de cruzamento das categorias fantásticas aos elementos narrativos para a análise de conteúdo.

Tabela 1 - Categorização do fantástico no elemento narrativo enredo. Enredo Exposição

Complicação

Climax

Desfecho

FP

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

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S

V

M

ES

S

FE

V

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S

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FM

V

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M

ES

S

N

V

M

ES

S

V

M

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S

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ES

S

V

M

ES

S

Tabela 2 - Categorização do fantástico no elemento narrativo personagem. Personagem Ação

Vestimenta

Forma física

FP

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FE

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S


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FM

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

NF

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

N

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

Tabela 3 - Categorização do fantástico no elemento narrativo tempo. Tempo Epoca

Cronológico

Psicológico

FP

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FE

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NF

V

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ES

S

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M

ES

S

V

M

ES

S

N

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

Tabela 4 - Categorização do fantástico no elemento narrativo espaço. Espaço Espaço físico

Ambiente

FP

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FE

V

M

ES

S

V

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S

FM

V

M

ES

S

V

M

ES

S

NF

V

M

ES

S

V

M

ES

S

N

V

M

ES

S

V

M

ES

S

Tabela 5 - Categorização do fantástico no elemento narrativo narrador. Narrador Observador

Personagem

FP

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FE

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FM

V

M

ES

S

V

M

ES

S

NF

V

M

ES

S

V

M

ES

S

N

V

M

ES

S

V

M

ES

S

A partir destes quadros a análise de conteúdo, a metodologia, tem como objetivo observar a incidência dos elementos fantásticos na narrativa da obra. Para tal, será utilizado do método dedutivo, partindo de um recorte da obra para um suposição abrangente da mesma, a partir do sorteio de dois episódios dentre os


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cinco que constituem a primeira temporada. Como resultado do sorteio, fora selecionado o episódio 2 intitulado Echo e o episódio 5 intitulado Blackout. A seguir é apresentado a etapa de exploração do material, da análise de conteúdo, nos episódios sorteados.

3.1 A exploração do material: os elementos fantásticos no Ep.2 da T01 Seguindo o procedimento proposto, no segundo episódio da primeira temporada fora feito uma escuta, na duração do tempo de arte do episódio, direcionada aos elementos narrativos Enredo, Personagens, Tempo, Espaço e Narrador. O quadro 6 a seguir, representa a exploração dos elementos fantásticos na categoria Enredo do Ep.02 T01.

Tabela 6 - Categorização do fantástico no elemento narrativo enredo. Enredo Exposição

Complicação

Climax

Desfecho

FP

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FE

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FM

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

NF

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

N

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

TIMECODE NF: 3’32” V/ES N: 01’37” V/ES | 3’16” V | 3’46” V/ES

Os quadros 7,8,9 e 10 a seguir, representam a exploração dos elementos fantásticos na categoria Personagem do Ep.02 T01, sendo eles, respectivamente, Torre, Ferrugem, PC e Angra.

Tabela 7 - Categorização do fantástico no personagem Torre. Personagem | Torre Ação

Vestimenta

Forma física

FP

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FE

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S


36

FM

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

NF

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

N

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

TIMECODE NF: 1’04” V | 2’00” V N: 2’11” V | 2’27” V

Tabela 8 - Categorização do fantástico no personagem Ferrugem. Personagem | Ferrugem Ação

Vestimenta

Forma física

FP

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FE

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FM

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

NF

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

N

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

TIMECODE

Tabela 9 - Categorização do fantástico no personagem PC. Personagem | PC Ação

Vestimenta

Forma física

FP

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FE

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FM

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

NF

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

N

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

TIMECODE NF: 1’02” V/ES N: 1’08” V/ES | 1’11” V | 2’30” V | 3’16” V

Tabela 10 - Categorização do fantástico no personagem Angra. Personagem | Angra


37

Ação

Vestimenta

Forma física

FP

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FE

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FM

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

NF

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

N

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

TIMECODE NF: 2’00” V | 3’35” ES

O quadro 11 a seguir, representa a exploração dos elementos fantásticos na categoria Tempo do Ep02 T01.

Tabela 11 - Categorização do fantástico no elemento narrativo tempo. Tempo Epoca

Cronológico

Psicológico

FP

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FE

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FM

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

NF

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

N

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

TIMECODE

Os quadros 12 e 13 a seguir, representam a exploração dos elementos fantásticos na categoria Espaço do Ep02 T01, sendo eles, respectivamente, Apartamento e Ruas de Nova São Paulo.

Tabela 12 - Categorização do fantástico no espaço Apartamento. Espaço | Apartamento Espaço físico

Ambiente

FP

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FE

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FM

V

M

ES

S

V

M

ES

S


38

NF

V

M

ES

S

V

M

ES

S

N

V

M

ES

S

V

M

ES

S

TIMECODE N: 3’05”

Tabela 13 - Categorização do fantástico no espaço Ruas de Nova São Paulo. Espaço | Ruas de Nova São Paulo Espaço físico

Ambiente

FP

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FE

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FM

V

M

ES

S

V

M

ES

S

NF

V

M

ES

S

V

M

ES

S

N

V

M

ES

S

V

M

ES

S

TIMECODE N: 2’47”

O quadro 14 a seguir, representa a exploração dos elementos fantásticos na categoria Narrador do Ep02 T01.

Tabela 14 - Categorização do fantástico no elemento narrativo narrador. Narrador Observador

Personagem

FP

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FE

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FM

V

M

ES

S

V

M

ES

S

NF

V

M

ES

S

V

M

ES

S

N

V

M

ES

S

V

M

ES

S

TIMECODE N: 4’34”

3.2 A exploração do material: os elementos fantásticos no Ep.5 da T01


39

Seguindo o procedimento proposto, no quinto episódio da primeira temporada fora feito uma escuta, na duração do tempo de arte do episódio, direcionada aos elementos narrativos Personagens, Tempo, Espaço e Narrador. O episódio 5 apresenta 8 personagens, sendo eles Ferrugem, Torre, PC, Angra, Ceifador, Bot, Echo e Lúcio. O quadro 15 a seguir, representa a exploração dos elementos fantásticos na categoria Enredo do Ep.05 T01.

Tabela 15 - Categorização do fantástico no elemento narrativo enredo. Enredo Exposição

Complicação

Climax

Desfecho

FP

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FE

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FM

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

NF

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

N

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

TIMECODE FM: 03’12” V/ES NF: 02’00” V | 02’15” V | 06’12” V | 15’37” V | 18’13” V N: 07’15” V | 10’53” V/ES

Os quadros 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22 e 23 a seguir, representam a exploração dos elementos fantásticos na categoria Personagem do Ep05 T01, sendo eles, respectivamente, Ferrugem, Torre, PC, Angra, Ceifador, Bot, Echo e Lúcio.

Tabela 16 - Categorização do fantástico no personagem Ferrugem. Personagem | Ferrugem Ação

Vestimenta

Forma física

FP

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FE

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

R

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

NF

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

N

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S


40

TIMECODE NF: 2’17”

Tabela 17 - Categorização do fantástico no personagem Torre. Personagem | Torre Ação

Vestimenta

Forma física

FP

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FE

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FM

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

NF

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

N

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

TIMECODE N: 5’56” NF: 15’42” V | 18’30” V/ES

Tabela 18 - Categorização do fantástico no personagem PC. Personagem | PC Ação

Vestimenta

Forma física

FP

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FE

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FM

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

NF

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

N

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

TIMECODE NF: 2’26” V/ES | 8’32” V/ES N: 3’12”

Tabela 19 - Categorização do fantástico no personagem Angra. Personagem | Angra Ação

Vestimenta

Forma física

FP

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FE

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S


41

FM

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

NF

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

N

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

TIMECODE NF: 2’17” V/ES | 2’36” V/ES | 10’58” V/M/ES | 11’16” V/ES NF: 11’47” V/ES

Tabela 20 - Categorização do fantástico no personagem Ceifador. Personagem | Ceifador Ação

Vestimenta

Forma física

FP

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FE

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FM

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

NF

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

N

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

TIMECODE N: 10’25”

Tabela 21 - Categorização do fantástico no personagem Bot. Personagem | Bot Ação

Vestimenta

Forma física

FP

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FE

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FM

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

NF

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

N

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

TIMECODE NF: 17’45” | 18’30”

Tabela 22 - Categorização do fantástico no personagem Echo. Personagem | Echo


42

Ação

Vestimenta

Forma física

FP

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FE

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FM

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

NF

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

N

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

TIMECODE FM: 3’35” NF: 5’37”

Tabela 23 - Categorização do fantástico no personagem Lúcio. Personagem | Lúcio Ação

Vestimenta

Forma física

FP

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FE

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FM

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

NF

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

N

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

TIMECODE N: 12’42” FM: 13’23”

O quadro 24 a seguir, representa a exploração dos elementos fantásticos na categoria Tempo do Ep05 T01.

Tabela 24 - Categorização do fantástico no elemento narrativo tempo. Tempo Epoca

Cronológico

Psicológico

FP

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FE

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FM

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

NF

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S


43

N

V

M

ES

S

V

M

ES

S

V

M

ES

S

TIMECODE NF: 2’01”

Os quadros 25, 26, 27 e 28 a seguir, representa a exploração dos elementos fantásticos na categoria Espaço do Ep05 T01, sendo eles, respectivamente, Laboratório de Informática, Maya, Estação da Sé e Central do Projeto Alma.

Tabela 25 - Categorização do fantástico no espaço Laboratório de Informática. Espaço | Laboratório de Informática Espaço físico

Ambiente

FP

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FE

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FM

V

M

ES

S

V

M

ES

S

NF

V

M

ES

S

V

M

ES

S

N

V

M

ES

S

V

M

ES

S

TIMECODE N: 1’50” V/ES | N: 6’15” V/ES

Tabela 26 - Categorização do fantástico no espaço Maya. Espaço | Maya Espaço físico

Ambiente

FP

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FE

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FM

V

M

ES

S

V

M

ES

S

NF

V

M

ES

S

V

M

ES

S

N

V

M

ES

S

V

M

ES

S

TIMECODE FM: 4’25” NF: 6’15” V/ES | NF: 9’46” V


44

Tabela 27 - Categorização do fantástico no espaço Estação da Sé. Espaço | Estação da Sé Espaço físico

Ambiente

FP

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FE

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FM

V

M

ES

S

V

M

ES

S

NF

V

M

ES

S

V

M

ES

S

N

V

M

ES

S

V

M

ES

S

TIMECODE N: 7’22” | N: 8’22”

Tabela 28 - Categorização do fantástico no espaço Central do Projeto Alma. Espaço | Central do Projeto Alma Espaço físico

Ambiente

FP

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FE

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FM

V

M

ES

S

V

M

ES

S

NF

V

M

ES

S

V

M

ES

S

N

V

M

ES

S

V

M

ES

S

TIMECODE NF: 14’37”

O quadro 28 a seguir, representa a exploração dos elementos fantásticos na categoria Narrador do Ep05 T01.

Tabela 29 - Categorização do fantástico no elemento narrativo narrador. Narrador Observador

Personagem

FP

V

M

ES

S

V

M

ES

S

R

V

M

ES

S

V

M

ES

S

FM

V

M

ES

S

V

M

ES

S

NF

V

M

ES

S

V

M

ES

S


45

V

N

M

ES

S

V

M

ES

S

TIMECODE N: 8’12” | N: 12’30”

4. O TRATAMENTO DOS DADOS: A NARRATIVA FANTÁSTICA No quarto capítulo será realizada o tratamento dos dados coletadas no capítulo 3 de análise e através do resultados adquiridos, será realizada a conclusão do problema de pesquisa. Esclarecendo o modo pelo qual os elementos fantástico, auxiliados pelos elementos narrativos, atuaram para a construção de mundo. Com base no levantamento dos elementos fantásticos na categoria enredo no Ep.02, o gráfico a seguir dispõe os resultados.

Gráfico 1 - A incidência do fantástico na categoria Enredo no Ep.02 T01

DDCaH | Ep.02 T01 1,2 1 0,8

Exposição

0,6

Complicação

0,4

Clímax

0,2

Desfecho

0 FP

FE

FM

NF

N

O gráfico 1 apresenta na categoria FP: 0 referência do fantástico puro, na categoria FE: 0 referências do fantástico estranho, na categoria FM: 0 referências do fantástico maravilhoso, na categoria NF: 1 referência do neofantástico, na categoria N: 3 referências da normalidade sendo 1 em Complicação, 1 em Clímax e 1 em Desfecho. A seguir com base no levantamento dos elementos fantásticos na categoria personagens no Ep.02, o gráfico dispõe os resultados.

Gráfico 2 - A incidência do fantástico na categoria Personagem no Ep.02 T01


46

DDCaH | Ep.02 T01 7 6 5 4

Ação

3

Vestimenta

2

Forma física

1 0 FP

FE

FM

NF

N

O gráfico 2 apresenta na categoria FP: 0 referências do fantástico puro, na categoria FE: 0 referências do fantástico estranho, na categoria FM: 0 referências do fantástico maravilhoso, na categoria NF: 6 referencias do neofantástico sendo 4 em Ação e 2 em Forma física, e na categoria N: 6 referências da normalidade em Ação. A seguir com base no levantamento dos elementos fantásticos na categoria tempo no Ep.02, o gráfico dispõe os resultados.

Gráfico 3 - A incidência do fantástico na categoria Tempo no Ep.02 T01

DDCaH | Ep.02 T01 1,2 1 0,8

Época

0,6

Cronológico

0,4

Psicológico

0,2 0 FP

FE

FM

NF

N

O gráfico 3 não apresenta referências diretas do fantástico em nenhuma das categorias de análise. A seguir com base no levantamento dos elementos fantásticos na categoria espaço no Ep.02, o gráfico dispõe os resultados.

Gráfico 4 - A incidência do fantástico na categoria Espaço no Ep.02 T01


47

DDCaH | Ep.02 T01 2,5 2 1,5

Espaço físico

1

Ambiente

0,5 0 FP

FE

FM

NF

N

O gráfico 4 apresenta na categoria FP: 0 referências do fantástico puro, na categoria FE: 0 referências do fantástico estranho, na categoria FM: 0 referências do fantástico maravilhoso, na categoria NF: 0 referencias do neofantástico, e na categoria N: 2 referências da normalidade em Espaço físico. A seguir com base no levantamento dos elementos fantásticos na categoria narrador no Ep.02, o gráfico dispõe os resultados.

Gráfico 5 - A incidência do fantástico na categoria Narrador no Ep.02 T01

DDCaH | Ep.02 T01 1,2 1 0,8 0,6

Observador

0,4

Personagem

0,2 0 FP

FE

FM

NF

N

O gráfico 5 apresenta na categoria FP: 0 referências do fantástico puro, na categoria FE: 0 referências do fantástico estranho, na categoria FM: 0 referências do fantástico maravilhoso, na categoria NF: 0 referencias do neofantástico, e na categoria N: 1 referência da normalidade em Observador. A seguir é disposto em conjunto o total de referências diretas do fantástico nos elementos narrativos do Ep.02.


48

Gráfico 6 - A incidência do fantástico nos elementos narrativos no Ep.02 T01

DDCaH | Ep.02 T01 7 6 Enredo

5 4

Personagens

3

Tempo

2

Espaço

1

Narrador

0 FP

FE

FM

NF

N

O gráfico 6 apresenta na categoria FP: 0 referências do fantástico puro em Enredo, na categoria FE: 0 referências do fantástico estranho, na categoria FM: 0 referências do fantástico maravilhoso, na categoria NF: 7 referências do neofantástico sendo 6 em Personagens e 1 em Enredo, e na categoria N: 12 referências da normalidade sendo 6 em Personagens, 3 em Enredo, 2 em Espaço e 1 em Narrador. A seguir é disposto o total de referências diretas do fantástico no Ep.02.

Gráfico 7 - A incidência do fantástico no Ep.02 T01

DDCaH | Ep2 T01 14 12 10 8 DDCaH | Ep2 T01

6 4 2 0 FP

FE

FM

NF

N

O gráfico 7 apresenta na categoria FP: 0 referências do fantástico puro, na categoria FE: 0 referências do fantástico estranho, na categoria FM: 0 referências do


49

fantástico maravilhoso, na categoria NF: 7 referências do neofantástico e na categoria N: 12 referências da normalidade. A seguir com base no levantamento dos elementos fantásticos na categoria enredo no Ep.05, o gráfico dispõe os resultados.

Gráfico 8 - A incidência do fantástico na categoria Enredo no Ep.05 T01

DDCaH | Ep.05 T01 2,5 2 Exposição

1,5

Complicação

1

Clímax

0,5

Desfecho

0 FP

FE

FM

NF

N

O gráfico 8 apresenta na categoria FP: 0 referência do fantástico puro, na categoria FE: 0 referências do fantástico estranho, na categoria FM: 1 referência do fantástico maravilhoso em exposição, na categoria NF: 5 referências do neofantástico sendo 2 em Exposição, 1 em Complicação, 1 em Clímax e 1 em Desfecho, na categoria N: 2 referências da normalidade em Complicação. A seguir com base no levantamento dos elementos fantásticos na categoria personagens no Ep.05, o gráfico dispõe os resultados.

Gráfico 9 - A incidência do fantástico na categoria Personagem no Ep.05 T01

DDCaH | Ep.05 T01 12 10 8

Ação

6

Vestimenta

4

Forma física

2 0 FP

FE

FM

NF

N


50

O gráfico 9 apresenta na categoria FP: 0 referências do fantástico puro, na categoria FE: 0 referências do fantástico estranho, na categoria FM: 0 referências do fantástico maravilhoso, na categoria NF: 12 referências do neofantástico sendo 10 em Ação e 2 em Foma física e na categoria N: 4 referências da normalidade em Ação. A seguir com base no levantamento dos elementos fantásticos na categoria tempo no Ep.05, o gráfico dispõe os resultados.

Gráfico 10 - A incidência do fantástico na categoria Tempo no Ep.05 T01

DDCaH | Ep.05 T01 1,2 1 0,8

Época

0,6

Cronológico

0,4

Psicológico

0,2 0 FP

FE

FM

NF

N

O gráfico 10 apresenta na categoria FP: 0 referências do fantástico puro, na categoria FE: 0 referências do fantástico estranho, na categoria FM: 0 referências do fantástico maravilhoso, na categoria NF: 1 referência do neofantástico em Época, e na categoria N: 0 referências da normalidade. A seguir com base no levantamento dos elementos fantásticos na categoria espaço no Ep.05, o gráfico dispõe os resultados.

Gráfico 11 - A incidência do fantástico na categoria Espaço no Ep.05 T01


51

DDCaH | Ep.05 T01 5 4 3

Espaço físico

2

Ambiente

1 0 FP

FE

FM

NF

N

O gráfico 11 apresenta na categoria FP: 0 referências do fantástico puro, na categoria FE: 0 referências do fantástico estranho, na categoria FM: 1 referências do fantástico maravilhoso em Espaço físico, na categoria NF: 2 referências do neofantástico em Espaço físico, e na categoria N: 5 referências da normalidade sendo 4 em Espaço físico e 1 em Ambiente. A seguir com base no levantamento dos elementos fantásticos na categoria narrador no Ep.05, o gráfico dispõe os resultados.

Gráfico 12 - A incidência do fantástico na categoria Narrador no Ep.05 T01

DDCaH | Ep.05 T01 2,5 2 1,5

Observador

1

Personagem

0,5 0 FP

FE

FM

NF

N

O gráfico 12 apresenta na categoria FP: 0 referências do fantástico puro, na categoria FE: 0 referências do fantástico estranho, na categoria FM: 0 referências do fantástico maravilhoso, na categoria NF: 0 referencias do neofantástico, e na categoria N: 2 referências da normalidade em Observador.


52

A seguir é disposto em conjunto o total de referências diretas do fantástico nos elementos narrativos do Ep.05.

Gráfico 13 - A incidência do fantástico nos elementos narrativos no Ep.05 T01

DDCaH | Ep.05 T01 14 12 Enredo

10 8

Personagens

6

Tempo

4

Espaço

2

Narrador

0 FP

FE

FM

NF

N

O gráfico 13 apresenta na categoria FP: 0 referências do fantástico puro, na categoria FE: 0 referências do fantástico estranho, na categoria FM: 4 referências do fantástico maravilhoso sendo 2 em Personagens, 1 em Enredo e 1 em Espaço, na categoria NF: 20 referências do neofantástico sendo 13 em Personagens, 4 em Enredo, 2 em Espaço e 1 em Tempo, e na categoria N: 13 referências da normalidade sendo 5 em Espaço, 4 em Personagens, 2 em Enredo e 1 em Narrador. A seguir é disposto o total de referências diretas do fantástico no Ep.05.

Gráfico 14 - A incidência do fantástico no Ep.05 T01

DDCaH | Ep05 T01 25 20 15 DDCaH | Ep05 T01

10 5 0 FP

FE

FM

NF

N


53

O gráfico 14 apresenta na categoria FP: 0 referências do fantástico puro, na categoria FE: 0 referências do fantástico estranho, na categoria FM: 4 referências do fantástico maravilhoso, na categoria NF: 20 referências do neofantástico e na categoria N: 13 referências de normalidade. A seguir serão interpretados os resultados adquiridos através da coleta de dados da análise de conteúdo.

4.1 A presença expressiva do neofantástico A partir dos resultados apresentados no início do capítulo 4, a categoria do fantástico que demonstra uma maior expressividade dentre os episódios analisados se destina ao neofantástico. Na soma os gráficos 7 e 14, que categorizam o total de incidências das categorias fantásticas por episódio, o resultado obtido são 27 referências diretas com relação a categoria neofantástica, em oposição a 1 da categoria fantástico puro, 0 na categoria fantástico estranho e 4 na categoria fantástico maravilhoso. O neofantástico, resgatando a definição de Alazraki, não se destina a irrupção do fantástico dentro de um contexto cotidiano mas a inserção do leitor/personagem em um contexto primariamente fantástico, de modo a normalizar os elementos que fogem de um contexto verossimilhante. Mas porque esta categoria goza de mais incidências que as demais categorias do fantástico? Para ilustrar essa orientação, fora separado alguns trechos em que é perceptível a incidência direta do neofantástico. Primeiramente, o enredo de obra gira em torno do desaparecimento repentino de centenas da hackers no ano de 2600 vítimas da Nova Ordem Mundial que seguindo as pesquisas empreendidos a respeito do “código da vida”, uma linha de código que permite o usuário nas condições certas fazer o upload de seu corpo para uma realidade digital chamada Maya, sequestra e realiza experimentos em seus corpos. Esta ambientação fantástica do mundo estabelece para o espectador que não estamos lidando com um mundo verossimilhante ao nosso, pelo contrário, somos inseridos em um futuro distante, mais longe do que podemos especular, e através dessa menção o caráter neofantástico da obra é reforçado longe um contexto verossimilhante. Fração expressiva dos elementos fantásticos da obra são protagonizados pela categoria Personagens e dentro dela, encontram-se entre as subcategorias


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Ação e Forma física, a exemplo desse resultado faz-se necessário a apresentação dos personagens e seu enquadramento aos elementos fantásticos. Logo no início do segundo episódio nos é apresentado a personagem Torre. Torre, de primeira audição, aparenta uma mulher jovem entre 18-25 anos que mora em um apartamento na cidade de Nova São Paulo. Prestando atenção as subcategorias ”ação”, “vestimenta” e “forma física”, Torre, se apresenta longe das categorias fantásticas nas duas últimas. Suas vestimentas não apresentam elementos que fogem da realidade verossimilhante, muito menos a forma física sendo uma mulher aparentemente saudável. Porém ao se tratar da subcategoria “ação”, a presença do neofantástico se torna presente. No decorrer do episódio o personagem PC nos é apresentado como um assistente virtual a serviço de Torre. Ao informá-la sobre o recebimento de uma mensagem, pede permissão para o descarregamento do material enviado. Torre rebate o pedido, pronunciando que já devia ser um procedimento padrão a ser cumprido. Neste momento PC acata a descisão e responde a Torre não se responsabilizando pelo conteúdo, ou seja, a possibilidade de um vírus ou conteúdo explícito. Torre infere uma semelhança entre a fala de PC e a personalidade de sua mãe, no que PC ironiza, fazendo uso do ato ilocutório, fazendo uma associação entre a maternidade e o componente físico intitulado de placa mãe presente em seu hardware e Torre completa, assumindo o arrependimento por efetuar um upgrade no software de PC introduzindo as funcionalidades referentes a uma Inteligência Artificial (IA). Uma Inteligência Artificial é um conceito da ciência computacional que na ficção científica toma uma proporção diferente da definição convencional. Em termos de ficção, segundo Braulio Tavares (1986, p. 65) “[...] é como se fossem computadores capazes de falar e ouvir, e alojados em um corpo semelhante ao nosso. Mas a presença do computador na fc geralmente dispensa esse corpo”. O personagem PC, como previamente descrito, é representado na obra como um assistente virtual dotado de Inteligência Artificial. Como tal, as suas decisões passam pelo crivo de Torre mas não são limitadas por ela devido ao upgrade em sua programação e sua nova capacidade de discernimento atrelado a ela. A presença de uma máquina que abarca a complexidade da IA, segundo a ficção, sem causar anormalidade dentro do contexto da obra para os personagens, segue a marca da categoria neofantástica.


55

Já Angra, é apresentada através de um diálogo entre Torre e o personagem Ferrugem. Ferrugem, por meio do perfil vocal, aparenta ser um homem jovem entre 18-25 anos. Sua aparência imagética no episódio não apresenta características marcantes ou elementos fantásticos além do conhecimento substancial em programação e robótica, que fica evidente após o pedido de Torre durante uma chamada de voz, solicitando para “trazer o Mecha” numa manobra de fugir dos agentes da NOM. Um “Mecha” é parte do imaginário de ficção científica oriental que consiste em um robô gigante, controlado ou não por um piloto/controlador, de formato antropomórfico, ou seja, semelhante a um ser humano. A sua função é servir como uma máquina de guerra contra monstros maiores que as capacidades humanas de neutralização e outros mechas. Por apresentar o elemento fantástico de forma naturalizada com o contexto do mundo, a presença do Mecha, representa um elemento da categoria neofantástica. Seguindo a apresentação dos personagens e seu enquadramento nos elementos fantásticos agora no quinto episódio. No decorrer do episódio, Torre, PC, Ferrugem e Angra entram em uma laboratório de informática antigo, o que aparenta ser a casa segura mencionada pela mensagem recebida por Torre em seu apartamento, de onde deveria buscar respostas sobre o desaparecimento dos hackers. Em sua chegada Torre ouve ao longe passos se aproximando. Em um princípio de pânico, Ferrugem diz a Torre para se esconder atrás dos computadores, no que PC prontamente faz menção em se juntar, enquanto diz a Angra o Mecha para iniciar o modo de defesa sobre a sugestiva ameaça dos passantes. Nesta cena dois elementos neofantásticos se encontram presentes. A primeira se destina ao personagem PC que além de constatado no episódio 2 ser um assistente virtual dotado de um upgrade de inteligência artificial, a menção feito pelo mesmo em se juntar ao esconderijo de Torre, indica uma presença não somente virtual como em um smartphone ou apetrecho por exemplo, mas também corpórea através do indicativo de movimentação, ou seja, semelhante a presença de Angra o Mecha. A segunda se destina ao modo de defesa engrenado pela personagem Angra. Um Mecha, como colocado no episódio 2, é uma máquina de combate destinada a repressão de monstros maiores que as capacidades humanas de neutralização e outros mechas e como uma demonstração dessa função foi apresentado, nesse modo de defesa, a capacidade destrutiva do Mecha e de mesmo modo a normalização de uma situação fantástica pertencente portanto ao campo do


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neofantástico. Ao ouvir de longe a voz de um conhecido, Torre se esgueira para fora do esconderijo e grita por seu nome, neste momento nos é apresentado o personagem Ceifador no episódio. De primeira audição, Ceifador aparenta ter entre 30-50 anos de idade, assassino de aluguel, especialista em armas de fogo, carrega uma arma de franco-atirador consigo. Como elementos fantásticos, não atende as subcategorias “ação”, “vestimenta” ou “forma física”, suas ações obedecem as capacidades usuais de uma pessoa comum, sua vestimenta não demonstra funcionalidades surreais e sua forma física é a de um ser humano corriqueiro. Ao lado de Ceifador, no desenrolar da cena, se encontrava o personagem Bot na encolha. Ao avistar Torre, afastou-se de seu esconderijo e aproximou-se dos dois. Bot, como os personagens de carne e osso da série, não apresenta na sua construção como personagem elementos que fogem das noções de uma realidade verossimilhante. Nas subcategorias “vestimenta” e “forma física”, nada se sobressai como fantástico, porém na subcategoria “ação” uma das realizações do personagem foi introduzir o código da vida na máquina e fazer o upload tanto dele como Torre para a realidade digital de Maya, ganhando a classificação portando de neofantástico. Logo em seguida a reunião dos personagens uma chamada de vídeo forçado é executada por PC, em que a personagem Echo nos é apresentada. Echo, pelo perfil sonoro, aparenta a idade da porção jovem dos personagens da obra, entre 1825 anos, suas subcategorias fantásticas são reunidas em “ação” e “forma física”. Sua forma física existe dentro do mundo digital de Maya, ou seja, a sua composição corpório não passa de dados e linhas de código dentro dessa realidade. Sua ação fantástica corresponde a sua capacidade de ler linhas de código de sistemas de dentro de Maya como se as mesmas aparentassem estar bem a sua frente. É importante ressaltar que neste momento, uma encruzilhada entre o elemento fantástico maravilhoso e o neofantástico se vê presente. Ao mesmo tempo que a irrupção do fantástico ocorre uma vez que as leis “naturais” do novo mundo digital são desconhecidas para os personagens existe uma certa normalidade construída ao desenvolver do episódio que caracterizaria o mesmo como neofantástico. Pelo impasse estabelecido, o evento é classificado com as duas categorias do fantástico. Em outro momento o grupo formado por Bot, Ceifador, Torre, Ferrugem, PC e Angra, seguem as linhas de metro abandonadas da estação e refletem sobre a real existência do universo paralelo digital chamado Maya. Se deparam ao longe com o


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que parece ser uma laboratório de pesquisa fortificado rondado por guardas a espreita. Ceifador abate os guardas mais próximos com poucos tiros de sua sniper porém um guarda, antes da atingido, consegue convocar o restante da segurança local. Numa tentativa de resistência, Ceifador se voluntaria para segurar a turba de seguranças enquanto o restante do grupo se dirige para o laboratório. Porém Ferrugem e Angra o Mecha saem na frente dos seguranças performando um auto sacrifício para que o restante do grupo tenha sucesso em adentrar o local. Neste momento Ferrugem comanda Angra a iniciar o protocolo de auto destruição do núcleo interno do sistema. O ato de auto destruição não caracteriza por si só um elemento do fantástico. Por outro lado o personagem que o realiza, dentro do contexto da cena neste caso Angra o Mecha, caracteriza um elemento intrínseco pertencente ao neofantástico, a normalidade frente ao fantástico. Como a situação é encarada pelos personagens, frente a um elemento neofantástico, como se fosse uma função plausível o comando de auto destruição inferido sobre um Mecha traz a tona essa categoria. Em seguida, Ferrugem e Angra em um ato de sacrifício, explodem junto ao restante dos seguranças enquanto o grupo restante corre em direção a entrada do laboratório. Dentro do recinto Ceifador se depara com Lúcio, um agente de alto escalão da NOM em comando da pesquisa sobre o código da vida e a exploração no mundo virtual chamado Maya. Lúcio é um homem adulto, que pela voz passa a ideia de ter entre 30-40 anos de idade. Ele não possui características do fantástico em sua vestimenta ou forma física sendo um ser humano comum no entendimento imagético de sua aparência. O grupo dentro do laboratório, na presença de Lúcio, faz questionamentos sobre o paradeiro de Echo, os hackers desaparecidos e a existência do mundo virtual Maya. Ao confirmar sua relação com os três eventos, o sistema do laboratório aciona um protocolo de segurança interna, fecha todas as portas de acesso e inicia uma contagem regressiva de auto destruição do recinto. Presos, o grupo volta suas atenções para Lúcio em uma tentativa de retirar dele um meio de escapar da situação. Não obtendo uma resposta satisfatória, Torre propõe fazer um salto do mundo real para o mundo digital Maya através da pesquisa dirigida por Lúcio sobre o código da vida. Em tempo o indicativo neofantástico da narrativa se destina a conversa entre Torre e Ferrugem, assim que adentram o laboratório de informática antigo, sobre a guerra passada no ano de 2600 entre os hackers da resistência e as forças da Nova


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Ordem Mundial indicando que a história presente se passa após os eventos da guerra de 2600. E em espaço o indicativo neofantástico da narrativa se apresenta através do momento em que os agentes da NOM, numa tentativa de derrubar a chamada iniciada entre o personagem Echo e o grupo de hackers, tem sucesso, e por meio de um filtro de distorção na voz e dos efeitos sonoros a noção do que seria a realidade digitaliza de Maya se torna presente. No campo do fantástico maravilhoso a incidência no episódio se apresenta em 2 registros. O primeiro de destina a primeira aparação de Echo do mundo digital de Maya por meio da chamada de vídeo realizada através de PC para o grupo no mundo real. O que caracteriza uma irrupção do fantástico maravilhoso pela ausência do sentido de normalidade do neofantástico e póstuma elucidação do evento bom base em leis naturais como o fantástico estranho. Já a segunda se apresenta na menção do personagem Lúcio com relação ao desaparecimento dos hackers ao redor do mundo e a direta atuação da NOM na origem desse escândalo. Lúcio revela que os agentes da NOM estavam prendendo os hackers e fazendo o upload dos seus corpos para o mundo virtual de Maya assim aprisionando-os na realidade paralela. E por mais uma vez, como Maya caracteriza uma irrupção do fantástico em um contexto de ausência de normalidade ou póstuma elucidação, o registro fora classificado como fantástico maravilhoso.

4.2 As subcategorias narrativas de maior incidência do fantástico Conforme averiguado anteriormente, a categoria do fantástico que mais se destaca na obra é a categoria neofantástica. Com pequenas menções ao fantástico maravilhoso. Por outro lado, analisando os resultados obtidos através do gráficos 2 e 8, quanto a incidência dos elementos fantásticos inseridos nos elementos narrativos de

Gancho.

Constata-se

uma

maior

disposição

distributiva

na

categoria

Personagens. Com uma quantidade de registros, na categoria Personagens, equivalente a 19 incidências diretas do neofantástico, e 2 do fantástico maravilhoso, fica perceptível a versatilidade com que a categoria consegue representar diversas inserções do fantástico. Com subcategorias

base

nessa

pelas

quais

constatação, a

categoria

faz-se

necessário

Personagens

fora

descriminar avaliada.

as Com


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subcategorias de Personagens, os registros se destinaram a 1. Ação, 2. Vestimenta e 3. Forma física. Como tal, na subcategoria Ação se destina a maior mensuração de resultados sendo equivalente a 14 incidências diretas comparado a 0 de Vestimentas e 4 de Forma física. Esse dado demonstra que a presença do fantástico na categoria Personagens, atuou de maneira mais produtiva nas “ações” que os personagens desempenharam do que, em outra análise, apetrechos de vestimenta ou formato corpório. Contudo em segunda análise, após a coleta de dados. As ações dos personagens PC e Angra, ambos seres robóticos dotados de inteligência artificialmente acrescida, poderiam ser acrescidas do elemento fantástico por padrão. Pois sua aparência sendo parte de uma construção neofantástica, as ações que viriam a desempenhar na narrativa também poderiam vir a ser enquadrados como elemento neofantástico.

4.3 A expressão das demais categorias do fantástico na narrativa Conforme averiguado anteriormente, a presença das categorias fantástico puro e fantástico estranho, não foram representadas nesta obra. Uma razão para o ocorrido baseado na teoria de Todorov sobre o mesmo, se origina no contexto dos eventos. A depender do evento insólito que causa a irradiação do fantástico, o elemento assume uma nova classificação a medida que mais se conhece sobre o causo originário. Uma vez que não se conhece o evento fantástico e não existe uma perícia para averiguar a situação, a classificação se volta para o fantástico puro. E quando não se conhece o evento fantástico porém existe uma atitude quanto a solução do ocorrido e esse ocorrido é resolvido através da leis naturais de uma realidade verossimilhante a nossa. Então a classificação se voltar para o fantástico estranho. Com base nesse aspecto da classificação, fica melhor evidente a causa pelo qual essas duas categorias do fantástico não se mostram presentes na obra. Devido a construção do mundo estar circundada por volta do futuro distante de 2600 em razão de uma sociedade tecnológica extremamente avançada. O elemento que permitiria a irrupção dessas classes do fantástico não se encontra presente na falta de um contexto de normalidade verossimilhante que possa impressionar ou causar espanto para os personagens ou o leitor.


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4.4 A ficção científica como gênero para a narrativa fantástica da obra O mundo de Dias Digitais – Caça aos Hackers é situado em uma realidade obscura no futuro distante de 2600 após os eventos de uma grande guerra protagonizada pelos hackers contra a Nova Ordem Mundial, um conglomerado formado pela união dos orgãos governamentais dos maiores paises do mundo, em uma sociedade orientada pela evolução tecnológica simbiótica que comanda os diversos setores da vida humana. Logo de início nos é apresentado um mundo afastado da vivência cotidiana, em que as dinâmicas sociais, advindas do desenvolvimento tecnologico exacerbado representado através das máquinas, extrapolam o verossimilhante. Por meio da apresentação deste universo narrativo “fantástico”, de forma a normalizar o “extraordinário” como ordinário para os personagens, a narrativa traz a tona o aspecto neofantástico da obra. Com base na descrição do enquadramento de ficção científica por Tavares: Difícil de definir, mas fácil de reconhecer. As imagens típicas da fc são claras até mesmo para o não-aficionado: espaçonaves, mutantes, cidades submarinas, pistolas desintegradoras, impérios galácticos, viagens no tempo, supercomputadores... Uma lista assim pode ser prolongada indefinidamente; é através desses elementos que o leitor casual, numa livraria, consegue identificar com nitidez a estante de obras de fc; não é fácil encontrar o que há em comum com todas elas. (1986, p.7-8).

Pode-se observar um amálgama de estilos distintos para a mesma proposta artística. Sendo a direção definida pelo criador de obras de ficção científica sustentada por perspectivas que por muitas vezes podem se apropriar de diversos formatos. Continua Tavares: O autor de fc sente-se à vontade para imaginar os fenômenos mais extravagantes, “teorizar” sua existência com duas ou três frases, e estamos conversados. Grande parte da fc está mais voltada para magia do que a para a ciência. (1986, p.8).

Conforme a complexidade dos “fenômenos extravagantes”, como coloca Tavares, maior será a tendência da solução disposta se afastar da ciência em si e encontrar a justificativa na magia ignorando o caráter científico no processo. A razão pela qual é disposto esse entendimento, tem haver com o grau pelo qual a obra de


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Danilo Battistini se enquadra com o gênero. Sendo o mesmo, indissociável das categorias do fantástico. Da mesma forma como a ficção científica apresenta na sua origem os elementos fantásticos travestidados através da potencialidade da ciência. Dessa forma, como complemento a ideia Tavares conta “A fc se liga, mesmo por laços indiretos, a diversas formas de literatura fantástica; muitas de duas narrativas são transposições, para outro tempo ou outro espaço, de temas clássicos dessa literatura.” (1986, p. 12). Ou seja, por lidar com características de gêneros distintos, seja o realismo ou o fantasioso, a ficção científica compõe em sua essência a diversidade necessária para comportar histórias que sejam tanto científicas estritas ou científicas mágicas.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Este trabalho de monografia teve como objetivo a responder o problema de pesquisa: A partir da teoria do fantástico de Todorov e do ensaio de Alazraki, como os elementos fantásticos são utilizados em conjunto dos elementos narrativos (enredo, personagens, tempo, espaço e narrador) no áudio drama Dias Digitais – Caça aos Hackers, para a construção do mundo? A partir do levantamento proposto e dos resultados coletados, a resposta para o problema de pesquisa tem como indicativo a categoria neofantástica. Comportando a maior incidência das categorias do fantástico na narrativa da obra, o neofantástico de Alazraki por definição retrata o desenvolvimento do gênero fantástica durante a segunda metade do séc XX. Deste modo ao inserir o personagem/leitor em um mundo em que as leis naturais não seguem o princípio da normalidade verossimilhante, ou seja, parecido com a realidade, a intenção do autor é retratar uma realidade paralela orientada pelos elementos do fantástico, de modo a naturalizar suas características como parte do dia-a-dia. Com base nisso, conforme demonstrado através da coleta de dados, a distribuição dos elementos fantásticos em par aos elementos narrativos demonstra uma maior apreciação pela inserção do neofantástico no elemento narrativo Personagens e suas ações que compõem o fantástico no desenrolar da trama. Portando uma das maneiras como a construção de mundo se faz presente na obra, observando a presença das características do neofantástico, é através do desenvolvimento das capacidades dos personagens de transitarem entre os eventos extraordinários de maneira ordinária. De modo a reforçar um ambiente de


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normalidade e não perplexidade frente a por exemplo um Mecha, Inteligências Artificiais um mundo paralelo regido por leis não naturais, etc. É importante ressaltar que durante todo o processo de desenvolvimento da monografia, a condução da proposta fora elaborada para concluir decorrente do recorte da obra, através do método dedutivo, o resultado predominante do todo. O objeto de pesquisa analisado, sendo apresentado no formato sonoro, por vezes conferiu certa ineficácia quanto a ilustração exata da cena. O mesmo som, dependendo do contexto e da ambientação da cena, pode remeter a diferentes imagens acústicas sem a comprovação visual do objeto em destaque em uma áudio dramaturgia. Um exemplo dessa problemática pode ser exemplificado com base no som proveniente da batida de um punho na madeira. O som desse encontro em questão pode ser percebido como resultado de uma batida em uma mesa ou uma porta como ambas geralmente são fabricadas pelo menos material. Porém, devido a característica imagética da rádio dramaturgia, a interpretação de cena e a sua possível variação de sentido de pessoa para pessoa é justificada pelo próprio objetivo do formato, a criação de imagens mentais a partir da enunciação sonora. Vale mencionar que ao longo da coleta de dados um evento singular se fez presente, em que ambas as categorias, do fantástico maravilhoso e do neofantástico, poderam ser empregadas. A justificativa para tal comportamento advém do contexto da cena. Em determinado momento no quinto episódio da série, a personagem Echo faz contato do mundo digital para o mundo real através de uma chamada de vídeo. Analisando este contato de forma isolada, considerando a classificação desta ação como fantástica. Segundo a proposta de Alazraki sobre o neofantástico, sendo a inserção do personagem em um mundo fantástico onde os elementos fantásticos são naturalizados de forma a dispensar a perplexidade em sua presença como carros voadores, inteligências artificiais e robôs gigantes, a forma como Echo efetuou seu contato de uma realidade paralela para a realidade “real” para com os demais personagens pode ser considerado como neofantástico. Porém da mesma forma, segundo o fantástico maravillhoso de Todorov, partindo do princípio de que a irrupção fantástica que caracteriza a sua teoria ocorre em um contexto de normalidade causando angústia e medo frente ao “desconhecido”, esse desconhecido sendo o mundo digital no qual a personagem Echo está inserida e o contato “extraordinário” que ela protagoniza para com os demais personagens, a


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categoria do fantástico maravilhoso tende a se sustentar em equivalência neste contexto específico. Em pontos de consideração para melhor execução da pesquisa se faz necessário a apreciação da pergunta: “a metodologia aplicada a esta monografia pode ser replicada a obras semelhantes?”. Acredito que sim, pois as categorias fantásticas caracterizadas para a análise da narrativa fantástica nesta monografia abarcam desde a teoria fantástica clássica de Todorov do séc XIX até a nova dimensão do fantástico do séc XX exercida na contemporâneidade pelos autores de ficção do gênero. Em complemento a essa questão, vale ressaltar que cada gênero narrativo, a fantasia, a ficção científica e o horror partem de uma das definições do fantástico, ou seja, a própria escolha por um gênero narrativo específico te induz a comportar uma das manifestações do fantástico como é o exemplo do objeto de pesquisa desta monografia, o podcast Dias Digitais – Caça aos Hackers, que como fora definido durante o tratamento de dados, se enquadra dentro da categoria neofantástica. Desmistificando uma consideração particular de localizar na narrativa outras categorias do fantástico de forma a suscitar a dúvida “no processo de análise de demais obras do fantástico poderia existir uma maior proporcionalidade das categorias?” Por último, como procedimento, existia a intenção em princípio de analisar a obra como um todo, investigando os elementos fantásticos presentes nos 5 episódios da primeira temporada. Porém fora verificado posteriormente a necessidade de diminuir a quantidade de informação não haveria tempo hábil de coleta e tabulação de dados, pois para cada item da narrativa se fez necessário a escuta do podcast um número multiplo de vezes, ou seja, levando em consideração os 5 elementos narrativos de Gancho, nos dois episódios da série analisados, fora escutado um número x de vezes para cada item a ser coletado e após isso uma escuta adicional fora conduzida para averiguação dos resultados. O que na prática, considerando o tempo de arte do segundo e quinto episódio, respectivamente 4'15" e 19'00" minutos, para o episódio 2 fora realizado uma escuta de 4'15" no elemento narrativo "Personagens" para a coleta dos elementos fantásticos na personagem Torre, e depois a mesma escuta de 4'15" no elemento narrativo "Personagens" para a coleta dos elementos fantásticos no personagem PC, e assim por diante nos demais elementos narrativos dos dois episódios.


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O que implicaria, numa suposta soma do total de horas de escuta dos 5 episódios da série, assumindo o número de elementos narrativos do episódio 5: 8xPersonagens, 1xTempo, 4xEspaço, 1xNarrador, e o tempo de arte de 19'00" multiplicados pelo número de episódios da série, aproximadamente 22 horas de análise dispensando a inclusão da escuta adicional para verificação dos dados. Tornando impraticável assim, no tempo de planejamento desta monografia, a investigação de todos os 5 episódios da temporada. Portanto, para o contorno desta problemática, esta monografia optou por desempenhar o uso do método dedutivo, através do sorteio de dois episódios, numa representação da obra como um todo. Deste modo, tornando a sua execução práticável em vista do tempo disponível e do planejamento disposto. Dito isto, concluo os trabalhos de análise desta monografia com a espectativa de contribuição para com a área da áudio dramaturgia, que hoje apresenta na internet através do podcasting, a oferta de um dos formatos mais populares durante o período conhecido como a era de ouro da rádio. E com a área da literatura fantástica, ilustrando os componentes fundamentais que deram origem as obras de ficção extraordinárias que nutrem a imaginação de cenários e eventos surrealistas.


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PRIMO, A.F.T. Para além da emissão sonora: as interações no podcasting. In: Intexto. Porto Alegre, n. 13, 2005.


67

TODOROV, Tzvetan. Introdução à Literatura Fantástica. 3. ed. São Paulo: Perspectiva, 2008.

RODRIGUES, Selma Calasans. O fantástico. São Paulo: Editora Ática, 1988.

LEVANTAMENTO FONOGRÁFICO Dias Digitais - Caça aos Hackers. Eudes Carvalho, Fábio Lucindo, Júlia Ribas, Kate Kelly, Alex Minei, Renan Gonçalves, Wellington Lima. São Paulo. Contador de Histórias.

Disponível

em:

https://www.megafono.host/podcast/contador-de-

historias/diasdigitaiscacaaoshackerscompleto. Acesso em 30/03/2021.

APÊNDICE DIAS DIGITAIS – CAÇA AOS HACKERS TEMPORADA 1 – EPISÓDIO 2: TORRE TÉCNICA LOCUÇÃO INT. APARTAMENTO – NOITE CEIFADOR

-E o jogo começa.

TORRE

-Alô? Ceifador? Eu hein, desligo na minha cara de novo.

PC

-Torre, você tem um novo email.

TORRE

-Nossa o cliente foi rápido. É não é lá grande coisa, mas da pra pagar umas contas.

PC

-Depósito confirmado. Quer que baixe o anexo?

TORRE

-Já devia ter baixado PC.

PC

-Baixando anexo. Vou adicionar nos meus protocolos, baixar os anexos automaticamente. Não me responsabilizo pelo conteúdo.

TORRE

-Credo, você tá parecendo a minha mãe.

PC

-Deve ser minha placa mãe falando.

TORRE

-Ai, já me arrependi de ter feito seu upgrade de inteligência artificial.


68

PC

-Download concluído.

TORRE

-Vamos ver. Um vídeo? Tá legal, toca isso PC.

PC

-Abrindo reprodutor de mídia.

Voz misteriosa

-A meia noite de hoje, centenas de hackers vão desaparecer. Você corre perigo e não tem muito tempo. As coordenadas da casa segura que deve ir estão no código fonte desse vídeo. Se quiser saber o que está acontecendo sugiro que venha logo Torre.

TORRE

-Mas que merda.

PC

-Agentes do governo localizados no prédio B.

TORRE

-Esse cara estava falando sério? Ai droga, droga, droga, droga. Ai. Alô Ferrugem?

FERRUGEM

-Fala Torre.

TORRE

-Lembra daquela história de mudar de vida?

FERRUGEM

-Penso nela todo dia.

TORRE

-Então pega o Mecha e vem me buscar porque ela começa hoje.

FERRUGEM

-É sério? Finalmente! Já to chegando!

TORRE

-Vem depressa.

FERRUGEM

-Tá, tá eu já to indo.

TORRE

-PC, entrar na unidade UHA.

PC

-Dados transferidos para a unidade de rackeamento artificial.

TORRE

-Tá legal, vamos tentar ganhar algum tempo até o Ferrugem chegar. Ativar protocolos de segurança 3 beta 4.

PC

-Protocolos de segurança 3 beta 4 ativados. Não seria melhor pegar a arma?

TORRE

-Sabe que eu não me dou muito bem com essas coisas.

AGENTE #1

-Ela tá lá em cima! Depressa!


69

TORRE

-Isso vai ser divertido. Ei, Ferrugem! Falta muito?

FERRUGEM

-Hmm, um quarteirão. Se prepara.

TORRE

-Beleza, valeu.

AGENTE #2

-Vai, vai vai. VAI!

AGENTE #3

-Hacker, codinome Torre, você está presa por... um munitor?

TORRE

-Errou de prédio querido.

AGENTE #4

-Senhor, ela está no outro prédio.

AGENTE #3

-Era um IP fantatasma.

TORRE

-Tchauzinho.

AGENTE #3

-Ela tem um UHA.

AGENTE #4

-Filha da...

PC

-Hora da festa em 10,9...

AGENTE #3

-É uma bomba! Pra fora! Todo mundo, pra fora!

AGENTE #4

-Porcaria!

AGENTE #2

-Anda, anda, anda!

PC

7, 6...

TORRE

-Ferrugem, tô saindo.

FERRUGEM

-Pode pular.

TORRE

-Boa pegada.

FERRUGEM

-Ah valeu! Mas o crédito é todo da...

PC

-Detonação concluída.

ANGRA

-A gente viu.

FERRUGEM

-Torre, PC, essa aqui é a Angra.

TORRE

-Ai, finalmente deu um nome pro Mecha.

PC

-Angra, referência encontrada como deusa do fogo da antiga mitologia Tupi-Guarani.


70

FERRUGEM

-Tá legal. Valeu pela aula de história PC mas pra onde a gente vai?

TORRE

-Seguinte Ferrugem, aconteceu umas coisas estranhas e eu acho que vão ficar ainda mais estranhas. Eu espero que esteja preparado. PC transfere as coordenadas pra Angra.

PC

-Transferência de dados concluída.

FERRUGEM

-Mas que lugar é esse?

TORRE

-É o que a gente vai descobrir.

DIAS DIGITAIS – CAÇA AOS HACKERS TEMPORADA 1 – EPISÓDIO 5: BLACKOUT TÉCNICA LOCUÇAÕ INT. LABORATÓRIO DE INFORMÁTICA – NOITE TORRE

-Parece antigo.

um

laboratório

de

informática

FERRUGEM

-Hm, bota antigo nisso. A última vez que vi um desktop desses foi numa foto a uns 50 anos atrás.

TORRE

-O que você acha PC?

PC

-O local parece seguro. Os computadores estão desativados desde 2600.

FERRUGEM

-Foi no ano do último grande ataque contra o governo.

TORRE

-É... quem mandou a gente aqui?

FERRUGEM

-Torre, tem alguem vindo. Angra iniciar modo de defesa.

ANGRA

-Modo de defesa iniciado.

FERRUGEM

-Se esconde alí atrás Torre.

TORRE

-Tá legal Ferrugem.

PC

-Eu vou com você.

CEIFADOR

-Alvo na mira.


71

TORRE

-Ceifador?... Ferrugem!, abaixa!

FERRUGEM

-O que?

TORRE

-Ceifador não atira!

ANGRA

-Sinais vitais encontrados. Iniciar combate?

TORRE

-Não!

FERRUGEM

-Angra, espera!

ANGRA

-Aguardando.

BOT

-Ceifador! Espera! Eu acho que é a Torre.

CEIFADOR

-Torre...

TORRE

-Ceifador! Onde é que você tava? Os caras do governo tentaram me atacar mas ai... Bot?

BOT

-Eai Torre.

TORRE

-Faz tanto tempo que eu não te vejo. Cadê a Echo?

BOT

-Bom... ela...

CEIFADOR

-O governo pegou a garota.

BOT

-É... é isso.

TORRE

-Sério? Merda. Eu... eu sinto muito.

BOT

-É...

CEIFADOR

-Não temos tempo. A essa altura o Lúcio já deve estar atrás da gente.

PC

-Recebendo transmissão.

TORRE

-Transmissão de quem PC?

PC

-Iniciando transmissão.

ECHO

-Bot?

BOT

-É... é a Echo?

TORRE

-Echo?

ECHO

-Você tá vivo!?


72

BOT

-Echo! É você mesmo!

ECHO

-So eu.

BOT

-Onde é que você está Echo?

FERRUGEM

-Que loucura.

ECHO

-Eu... eu não sei. Eu achei que você tinha morrido. O Lúcio me falou depois que me colocou numa máquina e...

CEIFADOR

-O projeto Alma.

BOT

-Então, você está dizendo que...

ECHO

-Eu não tenho tempo pra explicar Bot, que bom que você tá vivo. Eu ouvi o tiro na gravação e eu achei que...

BOT

-Echo... eu tô bem mas aonde é que você está? A gente precisa te achar.

ECHO

-Bot, eu não sei onde eu tô. Eu não sei que lugar é esse. É tudo tão estranho.

BOT

-Como assim?

ECHO

-Eu acho que eu não tenho muito tempo.

BOT

-Torre pega o meu notebook e tenta rastrear a trasmissão.

TORRE

-Ah pode deixar.

BOT

-Calma Echo, a gente vai te achar.

ECHO

-Bot...

BOT

-Calma.

ECHO

-Eu tô com medo.

BOT

-Eu também mas... fica calma. Como é que você conseguiu achar a gente.

ECHO

-Eu... só achei. Eu enxergo toda essa rede


73

de dados... e eu acho que eu tô na Maya. BOT

-Que?

TORRE

-Isso é impossível.

CEIFADOR

-De novo esse nome.

FERRUGEM

-Ah o que é Maya?

TORRE

-É um conceito que os hackers usam pra explicar um tipo de mundo por trás da rede. Como se...

BOT

-Estivéssemos presos em uma realidade que não passa de um véu de ilusões. É um jeito de explicar que nós enxergamos as coisas como alguém quer que a gente enxergue.

FERRUGEM

-Como se nossas vidas fossem uma simulação computadorizada e Maya é de onde vem essa simulação.

FERRUGEM

-Isso parece confuso.

ECHO

-E é. Porque isso nunca foi comprovado fora da teoria. Esse era o motivo dos hackers pesquisarem o tal código da vida.

BOT

-É e parece que alguem decodificou ele.

TORRE

-Bot, tá bem complicado rastrear a Echo. Eu nunca vi nada assim.

BOT

-É verdade! Torre usa isso.

TORRE

-O que é isso?

BOT

-É o código original do projeto Alma.

ECHO

-Vocês encontraram uma das máquinas?

CEIFADOR

-Sim.

TORRE

-Vocês vão ter que me explicar isso direito depois. Vamos ver...

BOT

-Tá legal Echo, aguenta mais um pouco.

ECHO

-Bot, eu acho que descobriram que eu tô aqui.


74

BOT

-Relaxa, cê tá com a gente agora. Torre!

TORRE

-Falta pouco. Eu só preciso achar...

ECHO

-Tá na linha 257 Torre.

TORRE

-Você consegue enxergar a programação?

ECHO

-É... complicado.

BOT

-Isso vai ser bem útil pros próximos trabalhos Echo.

ECHO

-É... ia ser legal trabalhar com você de novo.

BOT

-E a gente vai Echo, para com isso.

TORRE

-Consegui! Eu tenho a localização da Echo. PC enviar pro GPS local.

PC

-Enviando coordenadas para o GPS.

ECHO

-Eles me acharam.

BOT

-Não, não, não. Não se preocupa Echo, eu vou... eu vou tentar levantar umas defesas aqui. Sei lá, talvez eu consiga te esconder no meio de um código, subir uns firewalls e...

ECHO

-Foi um prazer trabalhar com você Bot.

BOT

-Echo...

PC

-Transmissão encerrada.

BOT

-Echo! Echo! Echo responde! Echo! Ah droga! Que merda! Desgraçados! Eles vão pagar! Eles vão pagar!

FERRUGEM

-Bot...

TORRE

-Eu... sinto muito Bot.

CEIFADOR

-Ei garoto.

BOT

-Eu vou te vingar Echo. Tá tudo bem. A Echo conseguiu entregar a última peça do quebra cabeça pra acabar de vez com isso. A gente não pode perder tempo. Se eles


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encontraram ela, eles vão nos encontrar. Vamos. CEIFADOR

-Ei moleque... sei bem como se sente, nós vamos pegar os responsáveis por isso. Eles não vão fazer isso com mais ninguém.

BOT

-É, isso não vai ficar assim. Hm de onde veio o sinal Torre?

TORRE

-Hm, do marco zero da velha São Paulo.

FERRUGEM

-Na praça da Sé? Aquele abandonado faz tempo.

BOT

-O que torna o lugar perfeito pra isso.

TORRE

-A região ficou fechada por uns anos, mas até onde eu sei o lugar só serve pra encontro de mercado negro.

FERRUGEM

-Na parte de cima sim mas em baixo nem tanto.

CEIFADOR

-Como assim?

FERRUGEM

-Então eu trabalho numa... trabalhava numa fábrica de unidade de mecatrônica, e tinha um pessoal mais das antigas que falava de um trabalho subterrâneo na velha São Paulo.

BOT

-Então é provável que existe um acesso subterrâneo pra algum tipo de laboratório.

CEIFADOR

-Ainda podemos acessar a região pelos antigos túneis do metro.

TORRE

-Ninguem mais usa eles mesmo.

FERRUGEM

-Bom, tem um não muito longe daqui.

CEIFADOR

-Então vamos.

lugar

tá

INT. ESTAÇÃO SÉ – NOITE FERRUGEM

-Essas estações da velha São Paulo estão abandonadas a pelos uns 10 anos.

BOT

-E agora sabemos porque?

CEIFADOR

-Pra qual lado devemos ir? Torre?


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TORRE

-Hm, PC?

PC

-Segundo o sinal que rastreamos da mensagem da Echo, devemos ir para leste.

BOT

-Vamos.

FERRUGEM

-O Torre, qual era o lance do Bot com aquela Echo?

TORRE

-Eu não sei direito eles trabalhavam juntos a anos.

FERRUGEM

-É, parece ter sido uma barra pra ele hein.

TORRE

-Não é fácil perder alguém pro governo.

FERRUGEM

-E quem é o tiozão ai?

TORRE

-É o Ceifador, eu... não sei a história dele inteira mas só sei que ele perdeu muitos amigos para o governo.

FERRUGEM

-E eles não vão parar né.

TORRE

-Não, por isso que a gente tá aqui.

FERRUGEM

-É, deve ser legal ter um propósito na vida.

TORRE

-Não viaja Ferrugem, você tá aqui com a gente não tá? Boas companhias e a chance de mostrar pro governo quem manda.

FERRUGEM

-É, espero poder ajudar Torre.

TORRE

-Você já me salvou praticamente um herói.

FERRUGEM

-Super Ferrugem! Em... ação?

TORRE

-Só você pra me fazer rir numa hora dessas. Ei Bot!

BOT

-Que foi?

TORRE

-Aquele código... acha mesmo que a Echo falou sério que foi pra Maya.

BOT

-Eu já não dúvido de mais nada.

FERRUGEM

-Pelo que eu entendi essa tal de Maya é

uma

vez,

já

é


77

tipo... como se a gente tivesse num sonho? TORRE

-Tá mais pra pesadelo.

BOT

-É um conceito difícil de explicar mas basicamente se ela realmente foi pra Maya, ela tava por trás do sistema.

TORRE

-Por trás do que cria nossa realidade.

FERRUGEM

-Isso parece bem legal.

CEIFADOR

-Silêncio.

ANGRA

-Dois sinais de vida detectados.

FERRUGEM

-Será que a mensagem era uma armadilha?

TORRE

-Não, acho que devem entradas desse lugar.

SEGURANÇA #1

-Acha mesmo que alguém veio aqui?

SEGURANÇA #2

-Ninguém vem aqui a anos, sempre achei o trabalho mais tranquilo que já tive.

SEGURANÇA #1

-É porque você é um preguiçoso mesmo.

CEIFADOR

-Alvo na mira.

SEGURANÇA #1

-Espera, acho que ouvi alguma coisa.

SEGURANÇA #1

-Mas que merda! Atenção central, fomos atacados nos túneis.

ANGRA

-Alvo eliminado.

CEIFADOR

-Falta muito Torre?

TORRE

-Parece que não. PC tempo estimado para chegada.

PC

-Cerca de 5 minutos.

TORRE

-Parece que o sinal exato vem de baixo da antiga catedral.

CEIFADOR

-Parece que estão chegando.

FERRUGEM

-Angra quantos são?

monitorar

as


78

ANGRA

-70 sinais de vida detectados.

TORRE

-70?

BOT

-Ai que merda. É muita gente.

CEIFADOR

-Deixem eles comigo, vão na frente.

TORRE

-Ceifador, eu sei que você é bom mas isso é demais até pra você.

BOT

-Ceifador, vão acabar te matando.

CEIFADOR

-Eu não ligo, só me prometam que vão acabar com isso.

BOT

-Ceifador.

FERRUGEM

-Deixa comigo pessoal.

BOT

-Que?

ANGRA

-Sequencia de detonação pronta.

CEIFADOR

-Volta aqui moleque.

TORRE

-Ferrugem! O que você tá fazendo?

FERRUGEM

-Abrindo caminho pra vocês salvarem o mundo e coisa e tal.

TORRE

-Volta aqui!

FERRUGEM

-Eu tava te devendo essa.

TORRE

-Ferrugem!

FERRUGEM

-Ceifador! Tira ela daqui!

CEIFADOR

-Vamos Torre, ele já tomou uma decisão.

TORRE

-Mas...

CEIFADOR

-Quer que o sacrifício dele seja em vão?

TORRE

-Não mas...

CEIFADOR

-Então anda.

TORRE

-Ferrugem seu idiota.


79

FERRUGEM

-Tá legal Angra... ativar sequencia... de detonação do núcleo.

ANGRA

-Aguardando código de ativação.

FERRUGEM

-É isso ai... foi um prazer Angra.

SEGURANÇA #3

-É um mecha! Disparar!

FERRUGEM

-Adios otários!

ANGRA

-Sequencia iniciada.

FERRUGEM

-Se cuida Torre.

de

detonação

do

núcleo

INT. CENTRAL DO PROJETO ALMA – NOITE LÚCIO

-O que tá acontecendo?

AI #1

-Invasão no complexo.

TORRE

-Caramba Ceifador.

LÚCIO

-Não, não pode ser. Ativar sistema de defesa!

AI #1

-Impossível de executar a operação.

LÚCIO

-Eu mandei ativar o sistema!

LÚCIO

-Desgraçado!

CEIFADOR

-Eu esperei tanto tempo por isso.

BOT

-Ceifador, espera. Calma.

TORRE

-Fala onde estão os hackers Lúcio.

LÚCIO

-Vocês vieram aqui pra isso?

CEIFADOR

-Responda a pergunta desgraçado!

LÚCIO

-Minha perna!

BOT

-Responde!

LÚCIO

-Estão por toda parte.

BOT

-Como assim?

LÚCIO

-Esse servidor bem atrás de você, todos são


80

armazenados nele pra rede Maya. TORRE

-Isso é desumano.

BOT

-Você se livrou dos corpos?

LÚCIO

-Só os trazemos aqui por causa do servidor, assim que descarregarmos o código sua “ALMA” já estará longe.

CEIFADOR

-Então só precisamos destruir o servidor.

LÚCIO

-Não vai adiantar.

CEIFADOR

-Porque?

TORRE

-O servidor é só onde eles descarregam eles, depois disso eles estão na rede. Não estão presos nesse servidor.

BOT

-Ele só é usado pra monitamento.

LÚCIO

-Exato.

BOT

-E a Echo?

LÚCIO

-Ah então foi atrás de você que ela foi.

BOT

-Como assim?

LÚCIO

-Nós perdemos o rastro dela por uns minutos, devo admitir que ela se adaptou rápido a Maya.

TORRE

-Então Maya é real.

LÚCIO

-Foram anos de pesquisa mas finalmente conseguimos enviar pessoas pra lá. O problema é que ainda não conseguimos trazelas de volta.

BOT

-Quer dizer que todos os hackers estão lá?

LÚCIO

-Bom... quase todos. Não conseguimos trazelos de volta, mas conseguimos eliminalos dentro da Maya.

BOT

-Então você matou a Echo.

TORRE

-Bot...

CEIFADOR

-Já terminaram?


81

LÚCIO

-Não, Ceifador.

AI #1

-Sequencia de alto destruição do complexo iniciada.

BOT

-O que é isso?

TORRE

-O que você fez Lúcio?

CEIFADOR

-Desgraçado.

LÚCIO

-Não fui eu.

BOT

-Que merda! Estamos presos.

TORRE

-Quem fez isso Lúcio?

LÚCIO

-Vocês acham que estou por trás disso? Eu sou apenas um peão nesse jogo.

CEIFADOR

-Me de um nome.

LÚCIO

-Eu não vou.

CEIFADOR

-Um nome!

CEIFADOR

-Eu não vou errar o próximo.

LÚCIO

-Tá bom, tá bom. Não atira. Ela se chama Maat.

CEIFADOR

-Que tipo de nome é esse!?

TORRE

-Você tá falando sério?

BOT

-Então ela traiu a gente.

CEIFADOR

-Do que vocês estão falando?

TORRE

-Maat era uma das melhores hackers do fim da revolução. Ela é quase uma lenda entre a gente.

BOT

-Mas falaram que no final da primeira grande guerra contra o governo eles estavam negociando com ela. Oferecendo recursos pras suas pesquisas.

TORRE

-Ela foi uma das pioneiras do biohacking. Foi a primeira vez que eu ouvi alguém falando da existencia de Maya.


82

BOT

-Tá é mas e daí? Isso tudo vai morrer com a gente agora, não temos como sair.

TORRE

-E se a gente for pra Maya?

BOT

-Se tá falando sério?

TORRE

-Pelo que o Lúcio disse assim que descarregarmos o código fonte na máquina nossas “ALMAS” vão pro servidor.

BOT

-Se a gente conseguisse adaptar assim como a Echo, então a gente pode contar a verdade pros hackers.

TORRE

-E existe uma possibilidade de encontrarmos os que ainda estão por lá.

BOT

-E atacar os sistemas dele de dentro da Maya. Assim como o projeto original do governo.

LÚCIO

-Espera, espera. Vocês, vocês precisam me levar junto, por favor.

CEIFADOR

-Por favor?

TORRE

-Ceifador, espera.

CEIFADOR

-Não está pensando em...

TORRE

-Lúcio, você não tem utilidade pra gente.

LÚCIO

-Ah espera, por favor espera. Vocês... vocês não podem me matar. Eu estudo o código da vida a anos, se eu morrer todo esse conhecimento morre comigo.

TORRE

-Então que morra.

CEIFADOR

-Eu esperei 22 anos por esse momento.

LÚCIO

-Por favor Ceifador, por favor!

CEIFADOR

-Alvo eliminado.

AI #1

-60 segundos para detonação do complexo.

BOT

-Tá legal Torre não temos muito tempo.

TORRE

-Ceifador anda, a gente tem que ir pra Maya.


83

CEIFADOR

-Não.

TORRE

-Que?

BOT

-Ceifador, você vai morrer!

CEIFADOR

-Eu não ligo.

TORRE

-Ceifador por favor!

CEIFADOR

-Eu me recuso a fazer parte disso. Todo o meu esquadrão morreu por causa dessa merda. Minha luta chegou ao fim. Finalmente eu pósso descansar em paz.

TORRE

-Ceifador...

BOT

-Torre... a gente não tem muito tempo.

CEIFADOR

-Andem moleques, comecem uma nova guerra.

TORRE

-Foi um prazer trabalhar com você Ceifador.

CEIFADOR

-Digo o mesmo Torre. Agora chega de sentimentalismo, saiam daqui logo! Estão ficando sem tempo.

BOT

-Ceifador... muito obrigado por tudo.

CEIFADOR

-Não foi nada moleque.

BOT

-Mas vou precisar de um último favor seu tá? Eu vou ligar as duas máquinas, e programar pra carregar o código da vida e deixar pronto pra iniciar o sistema. Só que eu preciso que você ligue as máquinas.

CEIFADOR

-Só me diga o que fazer.

BOT

-Bom eu só vou carregar isso aqui... e pronto. Depois que eu e a Torre estivermos nas máquinas é só apertar enter.

CEIFADOR

-Hm, entendi. Anda logo moleque.

BOT

-Muito obrigado por tudo Ceifador. Tá pronta Torre?

TORRE

-Hm, não. E você?

BOT

-Nem um pouco.


84

TORRE

-Até mais PC.

PC

-Adeus Torre.

BOT

-Pode apertar Ceifador!

CEIFADOR

-Boa sorte.

TORRE

-Te vejo do outro lado Bot.

BOT

-Te vejo lá.

AI #2

-Transferência concluída.

AI #1

-Detonação do complexo em 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1...

CEIFADOR

-Finalmente.

EXT. HELICÓPTERO DO GOVERNO DA NOM – DIA AGENTE DO GOVERNO #1

-Senhora Maat, o complexo foi detonado. Operação Blackout concluída.

MAAT

-Eu vi, escaneie procurando sinais de vida.

AGENTE DO GOVERNO #2

-Nenhum sinal de vida encontrado senhora.

AGENTE DO GOVERNO #1

-Seja lá o que aqueles três tivessem descoberto, esse problema acaba hoje.

MAAT

-Não tire conclusões precipitadas.

AGENTE DO GOVERNO #3

-Estamos recebendo uma transmissão.

AGENTE DO GOVERNO #1

-Uma transmissão?

MAAT

-Era uma possibilidade. Toque nos alto falantes.

AGENTE DO GOVERNO #1

-Isso é código morse?

MAAT

-Sim.

AGENTE DO GOVERNO #2

-Hm, certo... a mensagem diz para verificar os emails.

MAAT

-Vamos ver. Então vocês conseguiram.

AGENTE DO GOVERNO #1

-O que aconteceu Maat?


85

MAAT

-Inicie protocolos de segurança M1-Alpha.

AGENTE DO GOVERNO #1

-M1-Alpha? Tem certeza?

MAAT

-Sim, é melhor previnir isso antes que seja um problema de verdade.

AGENTE DO GOVERNO #1

-Vou ligar para os governos.

LÍDER DO GOVERNO #1

-O que foi Maat?

LÍDER DO GOVERNO #2

-Porque essa chamada tão tarde da noite?

MAAT

-Atenção. Os hackers entraram em Maya.

LÍDER DO GOVERNO #1

-O que?

LÍDER DO GOVERNO #2

-Não pode ser?

MAAT

-Estou solicitando os segurança M1-Alpha.

LÍDER DO GOVERNO #2

-Mas isso quer dizer que...

MAAT

-Isso mesmo, estamos dando início a operação Inquisição Digital.

protocolos

de


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