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Sangue Rubro Negro - Carolina Miranda de Vasconcelos

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UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL CURSO DE JORNALISMO

CAROLINA MIRANDA DE VASCONCELOS

SANGUE RUBRO VERDE

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

SÃO PAULO - SP

2020


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CAROLINA MIRANDA DE VASCONCELOS

SANGUE RUBRO VERDE

Relatório de Fundamentação Teórica e Metodológica apresentada ao Curso de Jornalismo da Universidade Cruzeiro do Sul, como requisito para obtenção do título de bacharel em Jornalismo. Orientador (a): Prof. Me. Antônio Lucio R. Assiz

SÃO PAULO - SP 2020


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Ficha técnica Título: Sangue Rubro Verde Produto: Documentário Radiofônico Tempo: 20’09 Orientador: Prof. Me. Antônio Lucio R. Assiz

Projeto Experimental como Trabalho de Conclusão de Curso, do Curso de Jornalismo, da Universidade Cruzeiro do Sul. Dezembro/2020.


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Resumo O que esperar de uma torcida em que o clube da sua dedicação e amor está sem divisão na principal competição nacional? Essa é a pergunta que vamos responder. Como os torcedores Rubro Verdes encaram o momento extremo da Associação Portuguesa de Desportos. Onde o desespero da perda, a euforia da vitória, a lealdade de sua torcida e a esperança de retornar à primeira divisão do futebol brasileiro.

Palavras Portuguesa.

chaves:

lusa,

amor,

família,

rubro

verde,


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Sumário

Introdução............................................................................7 Objetivo..............................................................................10 Problema e/ou hipótese de pesquisa.................................11 Justificativa.........................................................................12 Plano estratégico Descrição do Produto.........................................................13 Referencial teórico.............................................................14 Referências........................................................................17 Cronograma.......................................................................20 Orçamento.........................................................................20 Apêndices – Entrevistas......................................................................21 - Roteiro do documentário Sangue Rubro Verde..............64 - Fotos................................................................................84 Diário de Campo................................................................90 Anexos...............................................................................92


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Introdução A música do jogo é ecoada pela multidão. Qualquer um que viva a menos de três quilômetros de um grande estádio ouve o som extraordinário de uma espécie de canto profundo e primitivo emanando de dezenas de milhares de vozes, subindo e descendo como um forte oceano avolumando-se. (CARROLL, JOHN, 2008, p. 59)

Em 14 de agosto de 1920, após a fusão de cinco clubes, todos de origem portuguesa, nasce a Associação Portuguesa de Desportos que inicialmente chama-se Associação Portuguesa de Esportes. Assim surgiu um dos clubes mais tradicionais da cidade de São Paulo. Com o passar dos anos consolidou-se no futebol nacional como uma das grandes forças do futebol paulista. No decorrer dos anos sofreu com altos e baixos, entretanto, uma simples troca de atletas, fez com que o clube ganhasse destaque nas páginas policiais. Oito de dezembro de 2013 aos 32 minutos do segundo tempo, em um jogo entre Portuguesa e Grêmio, na última partida do Campeonato Brasileiro de 2013, acontece uma troca de jogadores que define os rumos da história da Portuguesa; entra Héverton e sai Wanderson. O que seria uma simples modificação para ganhar tempo, fez com que fosse representado o maior escândalo do futebol, pois surgem suspeitas de manipulação de resultados, porque uma semana antes o jogador tinha sido punido com duas partidas de suspenção, o que o impediria de entrar em campo. A entrada do meia-atacante Héverton, fez com que o clube fosse punido com perdas de pontos, pontos preciosos para quem luta contra o rebaixamento, essa retirada de pontos alterou a tabela do Campeonato Brasileiro, a Portuguesa caíra, não pelo futebol, mas pelos bastidores, pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva, foi rebaixada pelo regulamento.


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O presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Caio César Rocha, deu sinais de que o “caso Héverton” pode demorar anos para terminar, já que infrações envolvendo manipulação têm uma prescrição de até 20 anos, de acordo com o Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). Em entrevista ao repórter Wellington Campos, da Bradesco Esportes FM Rio, o mandatário do STJD admitiu que o tribunal pode reabrir o inquérito do caso, requerido pelo subprocuradorgeral William de Figueiredo, que atualmente está suspenso para aguardar a conclusão do Ministério Público. Segundo o código, os clubes envolvidos no caso podem ser até eliminados, o que na prática significa rebaixamento. Desde esse rebaixamento, o clube não conseguiu se reerguer, ocorreram diversos descensos consecutivos de 2013 a 2016 no âmbito nacional, além das quedas nos campeonatos estaduais, A1, A2. Atualmente o clube está sem disputar competições nacionais (Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil), tendo que disputar a Copa Paulista, onde se encontram times semiamadores que buscam uma vaga na série D do campeonato nacional ou uma vaga na Copa do Brasil. Se dentro de campo as coisas estavam ruins, fora das quatro linhas estava pior, inúmeros presidentes em um curto período, com administrações ruins, além, do estádio do Canindé ser objeto de uma ação judicial para quitação de dívidas do clube. Este é o cenário que o torcedor lusitano vive atualmente, time em colapso, com dívidas exorbitantes e sem divisão. Motivos não faltam para que houvesse o abandono do time. Entretanto, o que vemos é uma união de torcedores em busca de reerguer a Portuguesa. Torcida que sempre teve um papel fundamental na vida do clube, tanto clube social, pois a Portuguesa até os anos de 1980 tinha o maior número de sócios dentre os clubes de São Paulo.


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Os sócios foram extremamente importantes para a construção do estádio do Canindé, pois houve doação de materiais de construção, venda de produtos para arrecadar dinheiro para erguer o estádio. Esses fatos, são a esperança dos filhos e netos dos que ajudaram a construir o estádio, para ajudar a construir uma nova fase da Portuguesa. Por ser um clube de colônia, é comum que os filhos torçam para o time dos pais, pois viveram a infância no clube social, brincando nas piscinas, quadras e assistindo aos jogos, vendo grandes times em campo. Sendo assim, torcer para a Portuguesa, acaba sendo extremamente familiar e de cultivo da memória de entes queridos. Famílias essas que veem alguns dos seus filhos, maridos, esposas, dedicarem o tempo delas para reconstruir o clube e preservar a memória de tempos felizes. Para esses aficionados esse tempo doado à Portuguesa é uma maneira de dividir o tormento, ainda mais em um ano especial como é 2020, pois o clube faz 100 anos de história, algo que para qualquer clube ou torcedor é motivo de orgulho.


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Objetivo Dar voz aos torcedores para que possam nos compartilhar seus pontos de vistas em relação a essa situação Retratar o momento da restauração estrutural do clube, iniciativa

que

está

sendo

conduzida

exclusivamente

torcedores. Divulgar a cultura dos imigrantes portugueses.

por


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Problema e/ou hipótese de pesquisa

Administrações ruins foram os maiores responsáveis pela crise financeira e esportiva atual do clube e por consequência o afastamento de torcedores que por questões familiares que sempre foram ligadas ao clube, tanto esportivo quanto social? No decorrer dos anos o clube passou por administrações desastrosas, amadoras, onde se realizou venda e compra de jogadores sem o planejamento financeiro adequado, sem pensar no fluxo de caixa que o clube possuía a sua disposição. Por consequência desta irresponsabilidade financeira o clube fez inúmeras dívidas, tanto trabalhista quanto de dirigentes que forneciam um aporte financeiro ao clube. Conforme os anos foram passando, as dívidas aumentaram de forma bruscas, as receitas diminuindo e os resultados positivos dentro de campo se esvaindo. Com isso o clube foi perdendo espaço na mídia esportiva paulista, a torcida se distanciou pois os resultados não vinham. Entretanto, o distanciamento da torcida, se deu de uma outra forma, o clube estava sendo administrado de forma irresponsável, onde dirigentes não pensavam no bem da equipe. E os sócios, conselheiros e torcedores que tinham uma relação mais próxima dentro Canindé foram afastados, por esses que ali estavam gerindo a Portuguesa, para que não houvesse interferência ou palpites que pudessem modificar a gestão do clube.


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Justificativa

Esse trabalho irá apresentar o drama de muitos torcedores, que cresceram dentro do clube, levados por seus familiares e com o passar dos anos se encantaram com a Portuguesa. Mas com o passar dos anos e com gestões desastrosas, levaram o clube a estar sem disputar uma competição de relevância nacional. É imprescindível dar voz a aqueles que sofrem, que possuem vozes que estão gritando, mas que o som está inaudível para os gestores do clube. Apresentar pessoas comuns, com histórias reais e que não desistem de crer em um time, que é mais que um time, é a vida.


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Descrição do Produto

O documentário radiofônico Sangue Rubro Verde é um podcast especialmente feito para as comemorações do centenário da Portuguesa que é comemorado agora em 2020. O documentário é um mergulho nas histórias de torcedores da Lusa, onde também faremos uma imersão na história do clube, a partir do ponto de vista desses torcedores. Para ilustrar essas histórias, vamos utilizar áudios de partidas, gols, momentos marcantes de vitórias e derrotas, todos os torcedores e os ouvintes serão transportados para essas glórias durante pouco mais de 20 minutos. Esse podcast é destinado a todos que gostem de futebol e principalmente de estórias de apaixonados torcedores.


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Referencial teórico

O futebol é considerado um negócio altamente lucrativo, pois é um mercado que vende paixão, “não há nada como a euforia coletiva que inflama uma torcida de futebol depois do sucesso nas finais, os olhos lagrimejantes, as memórias carregadas de efeitos titânicos” ... (CARROLL,1998). Quando os meios de comunicação abraçam o futebol, fecha-se um grande elo, uma engrenagem que gira a roda dos milhões: a televisão. Ela pode decidir e influenciar o que será transmitido e o que o público vai consumir, e, em outras palavras a televisão cria mitos, ou no caso do futebol, times e craques inesquecíveis. O avanço teórico considera a audiência nas perspectivas de recepção como uma parte da rotina diária do indivíduo, entendendo-se a exposição aos meios de comunicação como algo automático e secundário e considerando-se que o receptor, ativamente, atribui significado próprios aos conteúdos dos meios de acordo com a realidade sócio cultural em que vive. (LOPES, SANTOS, 2000, p. 165)

Esse processo cultural pode ser benéfico para os interesses televisivos, entretanto, quando se faz tudo pela audiência, acaba-se negligenciando outras necessidades, no caso do futebol, essa negligência afeta outras equipes esportivas como é o caso da Portuguesa de Desportos, que com valores menores tanto em recursos como em visibilidade, não conseguem conquistar o mesmo espaço televisivo e de conquistas esportivas. A Lusa acostumou-se a ficar longe das primeiras páginas dos jornais, das matérias do jornalismo esportivo televisivo e radiofônico, pois sem títulos, sem ter uma grande torcida, a mídia prefere não se arriscar colocando um produto (Portuguesa) que possa colocar em risco o seu lucro e audiência.

Há pouco espaço para a novidade na indústria cultural: qualquer coisa que coloque em risco o lucro é uma ameaça. O espaço para o experimentalismo é mínimo: não agradar ao


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público contraria a lógica da produção (MARTINO, LUÍS, 2014, p.53)

Essa ausência de espaço na mídia tradicional faz com que a Portuguesa seja refém de gestões ineficientes, pois sem esse espaço, esses dirigentes não se preocupem com o futuro financeira e esportiva do clube. A mídia quando decide que não é relevante alguns aspectos desse clube, faz com que a maioria dos aficionados pelo esporte futebol, desconheçam todos os aspectos que levaram a Portuguesa que possuía uma relevância nacional a ficar sem divisão em campeonatos nacionais e com dívidas astronômicas. Essa falta de cobertura midiática faz com que simpatizantes do clube se afastem, pois sem se ter notícias de onde joga, se ganha títulos, se o time possui grande jogadores, o interesse é direcionado para outros clubes. Na lógica da indústria, a arte é uma mercadoria de circulação rápida e o público não pode ter tempo de se cansar de uma personagem sem estar munido de outra personagem. (MARTINO, LUÍS, 2014, p.53)

O reflexo desta conduta pode ser visto no tamanho e relevância da torcida, pois não há maneiras de crescer sem títulos, craques ou disputando campeonatos.

É possível imaginar que, em relação ao poder dos meios de comunicação, as pessoas reagem, acreditando que a influência negativa acontece sobre os outros e não consigo mesmas. Mas, ao lado dessa pista sobre o comportamento da recepção diante do conteúdo da televisão, observa-se que o meio profissional também se dá conta de que a famosa passividade do receptor não se sustenta. Os meios de comunicação de massa já discutem, com frequência, os efeitos da comunicação sobre o receptor, reconhecendo naqueles uma característica ativa que chega até a incomodar diante da influência sobre o conteúdo da programação. (LOPES, SANTOS, 2000, p. 164)

Por este motivo, os torcedores lusitanos que estão ao lado do clube sofrendo por este momento complicado, devem serem admirados e respeitados, pois eles são o único motivo de um


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clube de futebol existir, sem torcida não há clube. Pois o que move o futebol brasileiro é a paixão e para um torcedor apaixonado não importa a divisão em que esteja o seu time do coração, pois ele irá acompanhar em qualquer momento, segundo DA MATTA apud SOUZA (1996) “[...] o futebol na maioria das vezes, a vivência da realidade subjetiva e os significados sociais da cultura não são conscientes para grande parte dos sujeitos sociais[...]”.


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Referências ATAQUE IÊ IÊ IÊ – O QUINTETO DA LUSA QUE RODOU O MUNDO. FUKUYAMA, Cristiano; NASCIMENTO, Luiz. Documentário. Produção Independente. Disponível em http://www.acervodalusa.com.br/ieieie/ Acesso 10 nov. 20. CANHEDO, Ana. Presidente da Portuguesa cita imbróglio judicial e vê indefinição sobre gestão do clube. GLOBO ESPORTE. 11 mai.2019. Online. Disponível em https://globoesporte.globo.com/futebol/times/portuguesa/noticia/pr esidente-da-portuguesa-cita-imbroglio-judicial-e-ve-indefinicaosobre-gestao-do-clube.ghtml. Acesso em 26 mai. 19. CARROLL, John. Ego e Alma – O Ocidente Moderno em Busca de Sentido. Curitiba. Editora Danúbio. 2020. DO 'CASO HÉVERTON' À AUSÊNCIA DE DIVISÃO: a derrocada da Lusa. Lance. 10 dez. 2018. Online. Disponível em https://www.lance.com.br/futebol-nacional/cinco-anos-casoheverton-iniciava-derrocada-portuguesa.html. Acesso em 26 mai. 19. DO CÉU AO INFERNO: Após seis anos da “Barcelusa”, Portuguesa vive drama na Copa Paulista. JOVEM PAN ONLINE, 8 nov. 2017. Online. Disponível em https://jovempan.uol.com.br/esportes/futebol/do-ceu-ao-infernoapos-seis-anos-da-barcelusa-portuguesa-vive-drama-na-copapaulista.html. Acesso em 26 mai. 19. FAUSTINI, Vinicius; CHICAROLLI, Vitor. Cinco anos após 'caso Héverton', Lusa patina em dívidas e tenta se reerguer. TERRA. 16 dez.2018. Online. Disponível em https://www.terra.com.br/esportes/lance/cinco-anos-apos-casoheverton-lusa-patina-em-dividas-e-tenta-sereerguer,e2d3e3911f2411a372621f485532bb56uty9ij5d.html. Acesso em 26 mai. 19. FERRAZ, Rafael Prieto. Futebol e comunicação, um processo de consumo chamado paixão*. 2011. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em Comunicação Social). Comunicação SocialHabilitação em Publicidade e Propaganda. Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, 2011. FILHO, Francisco de Assis Costa. Sport x Grande Imprensa: desde 1987. Joao Pessoa. ed. Costa Filho,2018.


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HELAL, Ronaldo; GORDON, Cesar. A crise no futebol brasileiro: perspectivas para o século XX. ECO-PÓS- v5, n 1, 2002 pp 37-55. JOSE, Lucia Carmen.; SERGL, Marcos Júlio. Voz e roteiros radiofônicos, São Paulo. Paulus Editora.2019. MARQUES, Luíz Américo Magalhães. Mídia e Futebol: A paixão se explica? Breve relato dos torcedores sem fronteiras. 2003. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em Jornalismo). Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo. Universidade Federal de Roraima, Boa Vista, RR, 2013. MAIA, Marta. Narrativas Radiofônicas: Memórias da comunidade radiouvinte paulistana (1930 – 1950). Belo Horizonte. Editora Catarse.2019. MARTINO, Luís Mauro Sá. Teoria da comunicação: ideias, conceitos e métodos. 5. ed. Petrópolis, RJ. Vozes. 2014. MATTELART, Armand.; MATTELART, Michèle. Histórias das teorias da comunicação, 16. ed. São Paulo. Edições Loyola.2014. NASCIMENTO, Luís. Caso Héverton: Quatro anos de omissão. Globo esporte, 2017. Online. Disponível em http://globoesporte.globo.com/sp/blogs/especial-blog/torcedor-daportuguesa/post/caso-heverton-quatro-anos.html. Acesso em 26 mai. 19. NASCIMENTO, Luís. Lance mínimo em leilão do Canindé cai para R$ 98 milhões após falta de interessados. Globo Esporte. 18 abr. 2019. Online. Disponível em https://globoesporte.globo.com/futebol/times/portuguesa/noticia/la nce-minimo-em-leilao-do-caninde-cai-para-r-98-milhoes-aposfalta-de-interessados.ghtml. Acesso em 26 mai. 19. O FADO DA BOLA. FUKUYAMA, Cristiano; NASCIMENTO, Luiz. Documentário. Produção Independente. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=Q_gupococwg. Acesso 26 mai. 19. PORTUGUESA, SIM SENHOR. PASSOS, Luiz Henrique. Documentário. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=TVplFrsvPm4. Acesso 26 mai. 19.


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SILVA, Marcella Antunes. Dificuldades financeiras e decisões na justiça: o caso associação portuguesa de desportos. 2017.Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em Ciências Econômicas). Ciências Econômicas. Insper, São Paulo, SP, 2017.


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Cronograma

Fases

Leitura e referencias Entrevista Decupagem/ edição Roteiro Produto

AGO

SET

OUT

NOV

x

x

x

x

x x

X x

X

x

Orçamento

Atividade

Investimento em R$

Transporte/

200,00

locomoção Telefone/ celular

35,00

Aquisição de livros

55,00

CD gravável

15,00

Materiais diversos

60,00

Total

365,00

X X

D E Z


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APÊNDICES - Entrevistas realizadas para o documentário Sangue Rubro Verde. O primeiro entrevistado foi Arthur Cabreira, aposentado, torcedor da Portuguesa e um dos responsáveis pela revitalização do estádio do Canindé.

Como surgiu a ideia para a revitalização do estádio do Canindé?

Ela surgiu através de um torcedor da Portuguesa e de um colega seu do jornalismo também né. O torcedor quando assistia os jogos pela Sport tv e ele via aqueles muros brancos, tudo sujo de sujeira, encardido do tempo, da sujeira e ele vinha falando comigo “ poxa vida Arthur, vamos pintar o Canindé, vamos pintar o Canindé” e eu falava assim ‘ oh o Canindé a gente tinha três escalas para fazer

a primeira era arrumar o Centro de

Treinamento da Portuguesa que fica na Airton Senna, ali pertinho do Corinthians né. Ali precisava ter prioridade, quer dizer tudo precisa ter prioridade, mas aquele começou por ali ne. Depois eu fui para Sede onde reformamos dois banheiros e fizemos o banheiro de acessibilidade, e aí eu cheguei... nós chegamos no Canindé de que maneira, já tinha o pedido desse meu amigo Carlos Alberto, torcedor da Portuguesa, pois ficava muito feio quando a televisão mostrava aqueles muros tudo sujo de sujeira preta. E um colega de vocês da internet que tem um site De Prima, ele fez uma reportagem em 2017 não 2018 na Copa São Paulo, era mês de Janeiro chovia muito, como sempre em São Paulo e ele começou a falar do Canindé “ Poxa estou aqui no Canindé um clube tradicional da zona norte, que eu gosto muito, famoso pelo bolinho de bacalhau e pelo futebol também, olha aqui pessoal o estado que está o Canindé, choveu aqui nas cabines, chove mais aqui dentro que lá fora, fez uma brincadeira mais


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sadia ne. Ele mostrou a sujeira das arquibancadas, fiação solta, sem lâmpadas e naquela hora toda a torcida da Portuguesa que é comum, viu o Carolina, fica brava quando fala mal do time do coração dele, ai os caras foram para a rede para achincalhar os ele “ pô esse cara é não sei o quê, não sei o que lá, falando palavrão.... e eu falei poxa vida ele me deu uma ideia...chegou a hora de revitalizar o Canindé. Ai eu fui ao contrario em uma escala de 1 até 100%, 99,9999 era para matar o cara ne e eu fui o contrário fui defender ele, que ele tinha razão e que ele despertou em mim é... já a chama de revitalizar o Canindé e eu já tinha um grupo de WhatsApp que a gente já tinha feito o a revitalização do CT e da Sede também e ai comecei, montei o grupo especifico SOS Estádio do Canindé, o Canindé pede socorro. E a primeira coisa que eu fiz foi pintar foram os paredões brancos se você está dentro do estádio ele é em volta do campo e em cima também nas arquibancadas e começamos a pintar, comecei a pintar eu precisava de 13 latas de tintas brancas, comecei fazer uma campanha para saber quem podia doar, no primeiro dia mesmo um torcedor já trouxe duas tintas ai eu contratei um pintor, esse pintor já trabalhou na Portuguesa há vinte anos atrás e já tinha pintado o Canindé também. Quando fui falar com ele... Lima você não quer pintar o Canindé? Ele disse assim eu pinto desde que seja sozinho, eu falei assim, se está brincando Lima, sozinho, são 17 mil lugares, você tem que colocar número por número, Arthur você confia em mim? Confio. Então deixa que eu pinto. Contratei

ele

pagava

por

semana,

todo

sábado

religiosamente, e ele começou a pintar os muros em volta do fosso, no fosso que tem, onde a agua fica represada quando chove muito, e os paredões lá em cima, com isso ai o pessoal foi vendo, foi saindo no Sport Tv, nas rádios, fomos chamando atenção, atenção e ai partiu para o maior desafio que era pintar todinha a arquibancada no Verde e o Vermelho que são as cores da Portuguesa e o amarelo que é obrigado pela polícia e o corpo


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de bombeiros, que é uma sinalização de emergência, para saber por onde sair em caso de emergência. E começamos a pintar sozinho e isso repercutiu a virou Sport Tv vir falar comigo, com o Lima também, SBT, Bandeirantes, Jovem Pan e muita gente veio conversar com a gente. Porque era a primeira vez que alguém estava pintando... uma torcida estava pintando o estádio, não se tem na história aqui do Brasil e no mundo uma torcida que se juntou para pintar o estádio, lembrando que lá atrás o estádio foi construído em 67/68/69/70 pela própria torcida também ai foram os nossos pais, nossos avos, que ajudaram a pintar, construir o Canindé. Então comecei a pintar o Canindé com ele, foi uma loucura eu precisava... começamos em fevereiro e eu precisava estar pronto em agosto quando começava a Copa São Paulo do ano de 2018, sabe e fomos conseguindo, o tempo ajudou também, mas já tínhamos um plano b em caso de chuva, que era pintar os vestiários, a sala de marketing que fica em baixo do estádio aonde entra torcida também e começamos a trabalhar, trabalhar eu e ele todo dia, pintar, pintar, lavar era um trabalho de formiguinha e o Lima tem toda essa paixão pela Portuguesa porque ele também torce para a Portuguesa, sabe e adora a Portuguesa eu também adoro também e a gente foi juntos, sabe e o pessoal foi ajudando ai formamos um grupo de 150 pessoas, todos de arquibancada, não tem cardial, não tem bacharel, não tem ninguém. Tipo tem um amigo meu que é engenheiro civil me calcular as tintas para pintura, ele calculou 90 latas de 18 litros a gente usou 92 então basicamente ele acertou em cima. E começamos a pintar, pintar e pintar e o tempo também ajudou e terminamos todinho a parte branca a parte do fosso, que é branco também em volta do gramado e também toda a arquibancada ai depois pintamos os vestiários, tanto o nosso quanto o do visitante, a sala de marketing, a secretaria, administração e fomos ai começamos a pintar também lá em cima as cabines aonde que o seu amigo jornalista e o nosso também ne ele tinha feito aquelas


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reportagens que todo mundo queria bater nele, matar ele ne coisa de torcida ne, e a torcida viu o nosso trabalho, aplaudiu, veio junto também fazia rifa, fazia doação, vendia camisa, rifamos também um notebook para arrecadar fundos e foi indo, saia um entrava dois, saia dois entrava três em nosso grupo que era uma rotatividade grande também ne porque o futebol também não ajudava, quando a Portuguesa perdia as contribuições baixavam, quando ela ganhava aumentava coisa de torcida ne e começamos a pintar as cabines deve ter umas 40 cabines, as saídas de emergências lá em cima, toda as escadarias, se você for lá em cima tem o elevador e as escadas, pintamos todas as escadas também e agora estamos um trabalho de revitalização da marquise e estamos trocando as telhas lá em cima do primeiro modulo, são 14 módulos.

Como a direção do clube ajuda neste projeto? Ela ajuda? Sobre a diretoria ajudar, ela não ajuda em nada, a Portuguesa não deu um tostão, em nada, nada, nada e eu como tenho um pouco de força no Canindé e a torcida também tem um pouco, a gente conseguiu fazer mesmo contra a vontade do presidente, sabe ele não se meteu também, mas não ajudou em nada. Até pelo contrário ele vivia me difamando nas redes aí, que eu queria aparecer, que eu era oposição, que eu era isso que eu era aquilo. Carolina você é jornalista, você já viu PT ajudar o PSDB ou senão o Bolsonaro? Não, e nem ao contrário. Se eu fosse oposição eu jamais ajudaria o candidato. Porque muita gente que eu fui pedir voto, pedi voto não, desculpa, muita gente que eu fui pedir apoio “aí quando estiver esse presidente eu não ajudo”. Eu pensei diferente, é eu vou ajudar a Portuguesa independente de nomes, e o que eu fazia, eu montei uma estratégia, quando eu dava entrevista eu conversava com o vicepresidente de comunicação para me autorizar, nunca fiz nada


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sem ordem de ninguém. Quando eu precisava pintar eu pedia para o vice-presidente de patrimônio que me autorizava. Sabe, e por aí eu ia fazendo as coisas. Há outro lembrete trocamos 19 lâmpadas das torres, cada lâmpada custou 550 reais, foram 19 lâmpadas você pode fazer a conta aí quando custou. Ah não desculpa foram 31 lâmpadas no total cada uma custando 550 reais, foi um dinheirinho bom que gastamos. Porque o Canindé parecia uma boate de noite, escuro, escuro e escuro.

Quais as principais dificuldades que você teve que enfrentar para seguir com a reforma do estádio?

Dificuldade mesmo, eu não tive dificuldade, a não ser com o pessoal, porque assim o pessoal quer vender o local do Canindé então não interessa se o Canindé está bonito, para eles quando mais o Canindé estiver caindo aos pedaços é melhor para eles. Eu falo da parte de cima, da estrutura pirâmide da Portuguesa, são os cardiais que falam que são os abnegados isso... ninguém me ajudou em nada, então eu fui tocando o meu barco eu e o meu guerreiro que é o Lima, todo sábado ele recebia, a gente nunca atrasou ele. Porque a Portuguesa deve para todo mundo, mas meu grupo não deve para ninguém, o SOS todo mundo me apoiando, muitas pessoas mandaram mensagens do Brasil inteiro eu recebi mensagens até de Portugal da França. Uma vez eu recebi, cinquenta euros, coloquei no grupo que recebi isso aí, vendi para uma pessoa do grupo que queria os cinquenta euros. Tudo transparente eu mostrava tudo o que gastava, as notas fiscais e faço relatórios semanalmente para todo mundo saber o quanto tem de gastos e os valores também, então todo mundo sabe, independente se a pessoa doou quinze reais ou duzentos ou quinhentos estava lá tudo marcado e todo mundo via, sabe, nada assim sem transparência, tudo transparente.


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Você acredita que o tombamento do estádio pode ser o início da salvação da Portuguesa? O maior sonho da minha vida era ter uma casa própria, porque quando você tem uma casa própria você tem o começo de um alicerce da sua vida, você não vai ficar toda hora trocando de casa é uma preocupação a menos para você e sua família. E o Canindé a gente tem o estádio, que foi construído pela torcida, é um estádio que está lá a quarenta e cinco anos maios ou menos isso, é um estádio foi feito pela torcida, não teve BNDS, não teve Bradesco, não teve nada de ajuda, foi a própria torcida que trazia cimento, areia, ferro, pregos para o Canindé. Então, a dificuldade era grande, a gente não tinha dinheiro, os próprios pregos que ficavam amassados, a gente tinha uma comissão de pessoas que pegavam esses pregos para endireitar eles novamente, então é uma coisa de amor, carinho, de pele, sabe e quando você tem o seu patrimônio reservado você tem a sua casa, é assim que eu vejo. Então o Canindé é o seu manto sagrado, como todos os estádios, e para nós é mais ainda, porque foi feito por nós. Imagina o seu pai ter feito uma casa do começo ao fim, é outra coisa. E o tombamento é o começo, pois tiramos os urubus fora de circulação, porque se perdemos o Canindé, nós vamos jogar onde? Na Javari, no campo do Nacional ou em Barueri? Não vamos ter o nosso estádio para jogar. É a nossa casa, por isso me esforcei o máximo que pude na minha vida, para revitalizar.

Conversei também com o jornalista da rádio CBN Luiz Nascimento que é torcedor da Portuguesa desde criança.

Como você virou torcedor da Portuguesa e como você, jornalista vem a atual situação do clube?


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Já me perguntaram algumas vezes como virei torcedor da Portuguesa, é eu sempre digo, nunca virei torcedor da Portuguesa, porque a minha família por parte de pai ela é toda portuguesa, meu vô e minha avó nasceram em Portugal e vieram para cá, ainda muito novos, muito jovens e eu quando era criança eu imaginava, pô minha família é portuguesa tem um clube que se chamado Portuguesa e eu frequento esse clube. Porque eu ia com a minha família, nas piscinas, frequentava muito as quadras e eu falava é natural que eu seja da Portuguesa, então não foi uma escolha, foi muito natural. Pô assim, minha família é portuguesa, eu estou crescendo aqui, vivo aqui, esse é o meu clube. E sempre foi meu clube, clube de coração, único clube, as vezes as pessoas me perguntam: Oh, mano não tem... obvio que não, é Portuguesa e ponto. Então isso foi muito natural para mim, então quando eu era pequeno eu lembro muito assim, era rotina, ia por clube, passava o domingo de manhã todo no clube, era jogando bola, era nas piscinas, ai almoçava nas churrasqueiras do clube, tal e a tarde sempre tinha jogo, entrava no estádio assistia ao jogo, então era um dia inteiro de clube. O clube naquela época, era muito ativo e a partir dali começou, mas de acompanhar mais de perto o futebol, foi mais ou menos com 10 ou 11 anos, que eu me interessei pelo futebol e comecei a resgatar a família por futebol. Porque aconteceu, está acontecendo um movimento esquisito, assim, a minha família estava se distanciando dos jogos ao menos tempo que ainda frequentava o clube, mas não ai em todos os jogos e ai eu meio que comecei a ficar doido por causa do futebol e queria ir em todo jogo, todo jogo, ai puxei meu pai, meu pai voltou a ir, puxei meu vó, meu vó voltou a ir, ai puxei meu tio, meu tio voltou a ir, ai a minha família voltou a frequentar.


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A

atual

situação

do

clube

social,

você

como

frequentador desde pequeno como enxerga o fechamento da área social? É uma tristeza, a gente não reconhece mais a Portuguesa, eu divido sempre em duas partes, uma parte o futebol ou parte o clube social e a Portuguesa, perdeu o tempo certo, ela perdeu o momento de virar a página e se atualizar nos dois momentos. No futebol foi na época da lei Pelé quando os clubes precisavam se profissionalizar e a Portuguesa simplesmente parou no tempo e ali começaram as dívidas trabalhistas, por quê continuaram com a mesma lógica de antes então você não paga benefícios trabalhistas, você não paga salários em dia, você não dá estrutura para o jogador. E aí é processo atrás de processo, naquela época os processos explodiram no clube. A portuguesa não era um clube

profissional

né,

nos

seus

departamentos,

todos,

departamento jurídico deixou os processos se acumularem e enfim ao logo do tempo, muitas das ações que hoje tem levado o Canindé a leilão são ações que a Portuguesa nem se defendeu, nem compareceu em audiência, para se defender. Então ai foi um caminho de derrocada total, juntando com a falta de transparência em negociações de jogador e tudo, e o futebol acabou se descolando a partir dali a Portuguesa começou a se descolar dos outros quatro de São Paulo, até então ela era considerada um dos grandes, disputava clássicos, qualquer jogo era chamado de clássico com a Portuguesa, a partir dali a coisa foi indo, foi início dos anos 2000. E ao mesmo tempo os clubes sociais, que aí é um problema de todos os clubes de São Paulo, que muito dificilmente você tem, a não ser os grandes clubes, os bem tradicionais que são focados na área social e que de alguma certa maneira investem em esportes amadores, os outros clubes eles foram perdendo sócios, por que você tem condôminos com piscina, condômino com quadra, é então os clubes tiveram que ir se


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adaptando, ou você tem um Pinheiro ou um Hebraica da vida que é para um classe AAA e que investem em esporte amador, ou você vai ter esses clubes todos que estão tendo que se readequar e o Juventus por exemplo, é um exemplo de um clube que conseguiu manter o lado social muito forte de uma forma bem interessante, só que eles abriram um pouco mão do futebol naquele período e focaram no clube. E a Portuguesa não fez isso, a Portuguesa ficou parada, a Portuguesa não fez nada com a área dela, não fez nada com o espaço dela, só viu o número de sócios cair. A Portuguesa que nos anos 80 tinha mais de 110 mil sócios, era o clube com mais sócios em São Paulo, hoje não tem nem 1000 que pagam em dia. Então nos últimos anos o clube foi largado. Só que a atual administração foi com certeza a pior, por clube social. Porque não bastasse tudo está largado, o atual presidente Alexandre Barros ele instalou uma lógica no clube, para conseguir receita que acabou sendo uma lógica um pouco... Ele passou a usar o clube pra aluguel pra eventos, então ele acabou com o arreião que por exemplo era o lugar que tradicionalmente se peneiras dos grandes craques da Portuguesa, e aquela parte que tem quadras atrás, pra aluguel, ele demoliu o complexo aquático totalmente pra fazer um grande terrenão pra aluguel, onde duas gestões antes dele já tinha arrendado o ginásio principal do clube para uma igreja evangélica. O estádio do Canindé passou a ser alugado, então assim, simplesmente acabou com o clube, hoje você vai para o clube não tem mais do campo de areia, não tem mais o complexo aquático, o ginásio não é mais do clube, você anda pelas alamedas do Canindé você não vê nem mais o gramado e arvore porque eles estão praticamente cimentando tudo para virar um grande terreno. É um clube para você arrendar para eventos. Só que o mais crítico dessa situação atual, é que o atual presidente demoliu o complexo aquático sem consultar os conselheiros e sem consultar os sócios e isso é muito complicado, você está falando de um clube, você não está falando


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de uma empresa em que o cara é dono da empresa e ele faz o que bem entende. E o complexo aquático estava com o pedido de andamento para tombamento, pedido ia ser apresentado para tombamento, porque o complexo aquático ele foi projetado por um dos principais arquitetos da história de São Paulo, que era o Vila Novas Artigas. E ele fez isso enfim, a prefeitura depois embragou, desembargou, mas o clube acabou, então é o que sempre digo, hoje você entra no estádio você vê o que tem em campo , você já não reconhece o seu time, porque é um time semiamador disputando um campeonato semiamador, que não está em divisão nacional. E reconhece mais nada que você via antes, você não vê mais piscina, campo você não vê o que você vê ali? Você vê só festa e rave rolando de fim de semana.

Nesta situação de derrocada, na sua visão por que os diretores da Portuguesa demoraram tanto para conseguir enxergar as mudanças no cenário do futebol brasileiro? Nós temos dois lados, um é o amadorismo, porque a Portuguesa é um clube de colônia e sempre foi muito fechado, nunca se abriu e nunca deixou que ninguém entrasse, então os mesmos sobrenomes que comandavam a política da Portuguesa na década de 70 são os sobrenomes de agora. Se você pega a relação de conselheiros da Portuguesa você vai ver filhos, netos, esposas, sobrinhos dos homens que eram os conselheiros lá atrás na década de 70. Então o clube ficou fechado, é briga política, vaidade, direto, você está dentro de uma colônia que cada família quer ser mais importante que a outra, cada sobrenome quer mandar mais que o outro, cada grupo político quer se sobrepor ao outro e isso criou um sistema na Portuguesa em que não houve renovação em momento algum. Então essas pessoas que faziam o futebol naquele jeitinho nos anos 70, que era um jeito amador, mas que para aquela época funcionava, é amador na ótica de hoje, mas época não era. Eles continuaram


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desse jeito por muito tempo até hoje, se você vê como a Portuguesa é tocado hoje em dia, não tem um boteco de esquina que é tocado assim. A reclamação da torcida, inclusive é uma dessas, se esses caras administrassem as padarias deles como eles administram a Portuguesa já estavam falidos, ai vamos para o segundo ponto da coisa que não é só o amadorismo, se o cara consegue ter uma empresa extremamente bem sucedida como a maioria ali tem, porque não conseguem fazer do clube, um clube profissional? Então a Portuguesa é um clube sem transparência a muito tempo, é só dizermos que o conselho deliberativo ficou um ano e meio sem funcionar, sem operar durante a gestão do presidente Alexandre Barros, os presidentes do Cof (Conselho de Orientação e Fiscalização) renunciaram no início de 2018 porque eles tinham risco de terem as contas pessoais bloqueadas e a falta de vontade política foi tão grande que foi-se fazer uma eleição, claro que tem diversas desculpas “ a porque não teve quórum em tão reunião’ ah porque ninguém se interessava em candidatar’”, desculpas não faltam, mas você ficar mais de uma ano quase um ano e meio sem convocar uma eleição para uma presidência de um conselho deliberativo.

O que é o conselho?

O conselho é quem aprova os balanços, é quem pede prestação de contas, é quem verifica se as coisas estão sendo bem feitas, ou seja, não é para você falar que não há transparência, porque você está acusando irregularidades. É você falar que não tem transparência, simplesmente poque não tem órgão de controle. Porque não existe prestação de contas, a partir do momento que não se presta conta, é porque não existe transparência. Então é uma matemática a gente sabe exatamente como as coisas funcionam.


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Aonde a Portuguesa vai chegar? Olha... É muito difícil saber, eu alterno momentos de otimismo com momentos de pessimismo, assim muito grandes. Às vezes eu acho que a gente ainda continua lutando e tentando fazer as coisas porque a gente está metido muito naquele meio e estamos tão contaminados por aquela realidade que achamos que existe chances, ainda existe vida, existe esperança, mas que na verdade se nós olharmos que fora, enxerga que não tem mais, sabe, eu tenho essa sensação porque você sai do mundo do Canindé, quem sabe onde a Portuguesa está? Quem sabe qual campeonato a Portuguesa está disputando? Quem sabe a situação? Qual time? Ninguém sabe de nada! A Portuguesa Desapareceu! Ela existe para nós, que vive aquilo ali, que vive aquela realidade, mas e para o resto? Então em muitos momentos eu penso, acabou e a gente não se deu conta. Hoje o time não tem divisão, o campeonato Paulista está disputando quase caindo para a terceira, você fica mais de meio ano sem jogar. Sem ter futebol, então, como você vai... sabe... você não está encostando no chão da piscina para você pisar e tomar um impulso e tirar a cabeça e respirar, você está afogado ali, não encontra o chão, não encontra nada, você está se afogando, afogando... então muitas vezes eu penso nisso, mas às vezes, por exemplo, essa semana que passou, eu estava assistindo um documentário sobre o Botafogo de Ribeirão Preto e inclusive conversei com o diretor deste documentário, torcedor do Botafogo e a história deles é tão parecida com a história atual da Portuguesa, guardadas as devidas proporções, obviamente, mais de não ter divisão, estar com o estádio caindo aos pedaços, indo a leilão e a torcida se juntar como aconteceu lá e conseguir reformar estádio, conseguir renovar a política do clube, conseguir trazer o clube para uma serie B do campeonato Brasileiro, que às vezes eu penso, se essas pessoas, se esse amadorismo, se


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esses grupos todos que tenham acabado com a Portuguesa, se de alguma forma a torcida conseguisse afastar esses grupos e conseguisse renovar essa política, talvez ao poucos, degrau por degrau, pudesse haver uma renovação.

Você acredita que a torcida tem um papel fundamental em uma renovação?

Eu acho é que a única solução, passa pela torcida, não existe outra solução que não passe pelo torcedor. Já de uns anos para cá, não é pouco, de muitos anos para cá, as únicas coisas boas da Portuguesa vêm da torcida. Então, se o estádio hoje está pintado, é porque a torcida está se juntando e fazendo vaquinha e pintando. Se o estádio hoje tem refletor, é porque a torcida fez vaquinha e trocou as lâmpadas do refletor. Se hoje aquela marquise está de pé, é porque a torcida ano passado levou um engenheiro para fazer uma vistoria, porque ia cair. Então tudo de bom que aconteceu na Portuguesa nos últimos anos partiu da torcida. E a gente já sabe que lá dentro, não tem solução, os mesmos nomes, nenhum, daqueles nomes ali vai resolver. E não sou eu que estou falando, não é uma opinião de Luiz Nascimento é só você constatar que a Portuguesa em seis anos teve seis presidentes. E seis presidentes de grupos políticos diferentes. Então está mais que provado, que nenhum grupo político dali vai dar jeito desses que estão lá. Ou a torcida toma a frente ou não vai mudar.

Existem vias legais para a torcida tomar a frente? Existe alguma possibilidade de a torcida conseguir se candidatar?


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Olha eu acho assim, obviamente precisa que torcedores se elejam para o conselho e tudo mais, o movimento que até começou a uns anos atrás timidamente, mas assim você começa a olhar a disputa política. Existe uma esperança, é muito frágil, mas existe uma certa esperança que tenha alguma mudança. Tem como a torcida interferir e ela está aprendendo a fazer isso, se vai demorar ou dar certo ou não, isso a gente não sabe. A solução é a torcida, mas que motivação a torcida vai ter, acompanhar a Copa Paulista é a coisa mais deprimente que existe, porque você vai para lá, já é um campeonato semiamador, seu time é praticamente amador, o futebol é horrível. Ainda mais você que em seis anos, no intervalo de cinco anos você saiu da serie A para ficar sem divisão, você já viu tudo né. E a coisa que você mais viu foi rebaixamento, então você viu cair da A para a B, da B para C, da C para a D, da D para nada, você já viu o time ser eliminado da Copa Paulista primeiro nas quartas de finais, agora na fase de grupos, então, você fala bom...o que me resta? Eu vou lá para assistir para cair para terceira do Paulista, então, como é que o torcedor tem motivação. Mas é incrível, porque mesmo assim, qualquer coisa que você faça com a Portuguesa, que não tenha relação com o futebol em si, você vê que a torcida ainda existe, a torcida ainda quer, a torcida ainda se interessa, a torcida ainda vai atrás, existe, tem como, só que desse jeito está perdendo oportunidade.

O

caso Héverton foi

o start da

derrocada

da

Portuguesa?

Olha... eu costumo dizer que o caso Héverton, ele não foi o começo de tudo, mas ele foi aquele ponto de virada, em que tudo começou a degringolar de vez.


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A Portuguesa já tinha uma gestão péssima, extremamente amadora, sem nenhum tipo de transparência, a Portuguesa já estava atolada em dívidas, já estava com o Canindé em risco de leilão. E naquele ano todo mundo que ai para a arquibancada e a gente estava lá na arquibancada e quando a Portuguesa empatou com a Ponte Preta em Campinas, naquele ano de 2013 e ali sacramentou que iria ficar na série A, todo mundo encarava aquilo ali como sobrevivência, porque sabia que se a Portuguesa caísse para a série B ela não teria dinheiro para sobreviver. O dinheiro que ia entrar dos direitos de transmissão, que ia ser de 20 a 24 milhões era assim... a tabua de salvação da Portuguesa. Então, não quer dizer que o caso Héverton foi absolutamente tudo, mas o caso Héverton, foi o que empurrou da ladeira, ela estava se equilibrando em cima do precipito, sabe-se lá como, e veio o caso Héverton e foi um caminhão que veio e empurrou ela lá para baixo da ribanceira. É certamente, a maior ferida aberta para qualquer torcedor, porque foi um absurdo tudo o que foi feito depois, o ministério público

entrou

na

parada,

mas

depois

não

resolveu

absolutamente nada e arquivou o caso. O STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) não dá para levar a sério né, se chegou no dia do julgamento e todo mundo já tinha os votos antes de ouvir as defesas e você tem um processo dentro do clube que demorou mais de um ano para terminar que foi um comité de ética do conselho deliberativo, que depois de um ano encontrou erros administrativos que expulsou dois ou três, incluindo o expresidente, mas logo recorreram na justiça e foram recolocados nas funções e a Portuguesa não recorreu, nem nada, ou seja, absolutamente nada aconteceu. Independentemente de ter sido corrupção, como muitos dizem ou ter sido um erro administrativo como muitos dizem, olha o que aconteceu com o clube. As pessoas tinham que terem sido responsabilizadas e até hoje não foram e ninguém tem certeza do


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que foi ou do que não foi nesse processo. Então, é um absurdo. Mas esse caso aí revela o que fez a Portuguesa chegar até aqui, a tônica da derrocada da Portuguesa é isso, é a falta de transparência, é o que acontece nos bastidores, são as coisas não reveladas e clube... Quando você fala que um clube caiu da A para B, da B para C, da C para D, D para nada, e agora no nada, na Copa Paulista está caindo na primeira fase, chega uma hora que não é incompetência, chega uma hora que não é amadorismo, chega uma hora que não é dificuldade financeira, cá entre nós, para você ter uma derrocada dessas, você precisa fazer muitas coisas, ou seja, você precisa fazer muita coisa errada, você precisa se esforçar para conseguir isso e olha eu falo... que para você ser eliminado na primeira fase da Copa Paulista você tem que se esforçar muito, muito, é um esforço, não é uma consequência é um esforço. E aí você vê que... meu não é que ai meu Deus é que tão difícil ou complicado, as coisas estão acontecendo porque o clube está assim, esta assado, não os rapazes estão se esforçando para isso acontecer. Não existe uma derrocada tão perfeita como a da Portuguesa, chega uma hora que você fala, espera aí gente, uma hora até a sorte ou o azar, qualquer coisa vai segurar aqui ou ali, mais não foi certinho, não tem como. Tem momentos que eu tenho esperança, sabe é o que eu te falei, momentos como esse quando eu vi o filme do BotafogoSP, eu falei, podia ser né, ou uma ação ou outra, quando você vê a torcida pintando o Canindé, reformando e você fala, meu... olha isso... ainda existe uma esperança, porque se essa galera está fazendo isso, é porque a galera ainda têm... há muito tempo que eu digo, que a única coisa que sobrou para o torcedor, foi o amor. É a única coisa, não é exagero nenhum dizer, nem esperança sobrou, o que sobra é o amor, porque nem esperança a torcida tem mais. É aquela velha coisa de você não ter esperança de


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mais nada, você sabe que já era, mas você senta no sofá da sua casa e você fala, tem uma coisa me incomodando aqui dentro, o que é isso que está me incomodando aqui dentro, é que eu amo esse clube, esse clube é minha vida, sem esse clube eu conheço meia dúzia que entra em depressão e morre, sem esse clube eu conheço meia dúzia que não tem o fazer da vida, não tem vida, que não existe, sabe. E é isso eu sempre falo tira a Portuguesa da minha vida, de tudo o que eu passei até hoje, nesses meus anos todos de vida até hoje, tira a Portuguesa eu não sei o que sobra. Porque tudo na minha vida foi relacionado com a Portuguesa, tudo, absolutamente tudo, relação com família, com amigos, com profissão, com tudo. É isso que sobra ainda, que é o amor que você tem pelo clube.

Para encerrar, me fale sobre o seu sentimento com essa situação da Portuguesa?

Há um bom tempo atrás, eu sempre falava que eu nunca chorei de tristeza pela Portuguesa, e era verdade, mesmo nas fases bem ruins de rebaixamento e tal lá atrás eu realmente nunca tinha chorado de tristeza, eu sempre chorei de alegria pela Portuguesa, os momentos que eram uma euforia, mas nos últimos tempos, assim, eu acho que quando caiu da série C para a série D e depois quando caiu e foi eliminada da serei D, não sei, me deu um... te dá um...é muito difícil dizer dá uma tristeza, uma melancolia e não só do que você viveu, você começa a ver pessoas que dedicaram a vida a isso, sabe...é como você deixa um clube desse acabar, como você deixa um clube desse morrer, como você deixa um clube desse chegar nesta situação? Eu fico pensando, tantas pessoas, o meu avô por exemplo, chegou no Brasil na década de 50 e logo virou sócio, doou saco de cimento para construir o Canindé, ajudou a construir o clube, tantos outros que fizeram a mesma coisa, que do nada ajudaram


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a construir o clube e você deixar a coisa se perder, quando você vai como eu muitas vezes entrevistar ex-jogadores. Você vê exjogador, poxa... era uma Portuguesa base da seleção Brasileira, não é exagero, não é coisa de torcedor, era mesmo, nos anos 50 foi a base da seleção, Portuguesa participou da renovação da seleção depois do Maracanaço. A Portuguesa tinha Djalma Santos, Julinho Botelho, Brandãozinho, sabe, a Portuguesa nos anos 70 era um fenômeno e você vê o que virou hoje, anos 90 o que eu cresci vendo uma geração de Dener, de Rodrigo Fabri, Leandro Amaral, Zé Roberto, de Zé Maria, de ver o Canindé lotado, às vezes, eu paro e lembro a primeira vez que eu entrei em um estádio de futebol, em 96 Portuguesa e Grêmio na final do campeonato Brasileiro, que meu pai me levou, eu não lembro nada do jogo, mas eu lembro de entrar Morumbi lotado, lembro das bexigas verde e vermelho, lembro caindo aquela chuva e tal. Estamos tão distantes disso, eu lembro, eu era criança, 98 a Portuguesa na semifinal do Campeonato Brasileiro, no Canindé abarrotado contra o Cruzeiro um negócio assim... a Portuguesa era o time do momento, e como é que pode. Parece que é outra realidade, é difícil de acreditar, então é uma tristeza muito grande, porque eu tenho certeza, eu falo isso, as maiores alegrias que eu tive na minha vida foi na arquibancada do Canindé. Os maiores momentos que eu tive com a minha família foi por causa da Portuguesa, as histórias com o meu pai, com o meu avô, até com a minha mãe, tudo tem a ver com a Portuguesa, então quando você vê isso acontecer, quando você olha para o clube... é o que eu falo, eu acho que muitas vezes a gente deixa um pouco os problemas de lado e mergulhamos nessa realidade e vivemos dessas coisinhas que a gente está vivendo agora, porque são coisinhas né. Porque a gente não quer enxergar essa realidade, porque é muito triste, não dá para você imaginar, é inaceitável, é uma questão de você não aceitar mesmo.


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Outro entrevistado bastante importante para a conclusão do trabalho de curso, foi a do comerciante, torcedor e colaborador do Museu da Portuguesa Alberto Miranda.

Fale um pouco sobre a sua relação com a Portuguesa? A minha relação é desde criança, eu vim para cá desde que eu nasci eu conheço a Portuguesa, por morar próximo, meu pai sempre teve comercio no Brás, então, nos anos 70 quando a Portuguesa inauguro o estádio em 72, houve uma campanha liderada pelo o Dr. Eduardo de Campos Rosmaninho e Dr. Osvaldo na ampliação dos sócios familiares, foi ai que meu pai encaixou a minha família para ser sócio da Portuguesa, então eu sou socio desde 71/72. Eu nasci em 68, a minha infância foi praticamente toda aqui, então foram as piscinas e parque infantil. A minha parte de infância foi toda no clube eu vi isso aqui crescer em termos de estrutura.

Sobre a sua infância, o que mais te marcou na Portuguesa?

As piscinas o parque infantil, porque nas piscinas encontrávamos os colegas, vizinhos, colega de colégio, a maioria naquela época... São Paulo era diferente naquela época, como posso dizer, São Paulo não tinha uma população tão grande, e não existia violência como ela é hoje e não existia formas de lazer, então, o clube era a forma de lazer e era onde as pessoas se encontravam, as crianças se encontravam os adultos se encontravam por causa das festas, esse era o meu ambiente, além dos parquinhos tinha o carnaval nas matines e à noite os bailes de carnavais para os adultos, era muito legal.


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E em relação ao time de futebol quando começou a acompanhar?

Eu chegava aqui as 7 da manhã e só saia as 18h00 então quando tinha jogo na parte da tarde, frequentávamos o parque, as piscinas na parte da manhã e ainda almoçava dentro do clube, e ia para o estádio dentro do clube, então eu me lembro perfeitamente de quantos jogos eu ia assistir com o meu pai. Além disso, eu tive a sorte de como eu era criança pequena, a gente ia em tudo quanto é lugar, então, quando construíram as cabines de rádio e televisão que eram do outro lado, depois que construíram o outro anel que era de concreto, mas antes era de madeira quantas vezes eu assisti jogos de lá das cabines... Porque a gente fazia amizade com o pessoal das rádios, televisões e como a gente era criança entrava e assistia aos jogos lá de cima.

Qual o grande time da Portuguesa que o senhor lembra?

Os times dos anos 70 eu lembro de quase todos, mesmo porque tinha os grandes jogadores, Eneias, Tata, deixa eu ver quem mais... Eneias que era o meu ídolo, ganhei até um abraço do Eneias, em um domingo de manhã que eu não esperava, meu pai falou ‘olha o Eneias lá!’ E eu começo a olhar e abro os braços e o Eneias vem me dar um abraço, isso ai é memorável, o dinheiro não paga, porque são emoções e especialmente naquela época, quando somos pequenos marca, porque é um ídolo que ficou muitos anos aqui, fez muitos gols, infelizmente, faleceu em um acidente de carro. Mas era um ídolo que eu tinha. Carrasco também nos anos 80 era um grande ídolo, cobrava falta como ninguém, teve outros... Xaxá que era um ídolo


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da juventude da época dos anos 70, teve até uma brincadeira que começou em um jornal “As tirinhas do Xaxá” e aí se tornou... a molecada adorava, queria ler, as tirinhas do Xaxá, que eram historinhas que se faziam nos jornais internos da Portuguesa. Se enumerar vai longe, é que eu não estou lembrando.

Voltando para hoje, o que levou a Portuguesa a está situação?

Eu acho que as más administrações, sem dúvida, as más administrações levaram o clube à essa situação, não só em termos de presidência e diretores, isso a gente tem que deixar bem claro, outra coisa o impacto da Lei Pelé, a Portuguesa como um clube formador de jogadores, ela teve um problema quando se deparou com a Lei Pelé ela não se modernizou. No sentido de ter a lei e cativar, ter o conhecimento e poder ajudar o clube a sair dos problemas jurídicos. Mas ela não conseguiu fazer isso, aí se afundou. Outra coisa, contratações de jogadores com valores muito altos, sem condição de pagar, jogadores já em final de carreira. Eu posso citar o Dodó como exemplo clássico, ele chegou aqui já com problemas físicos sem condição de jogar, porém a Portuguesa contratou-o com um salário alto, ele jogou a primeira vez foi mais ou menos, jogou a segunda a terceira, depois a Portuguesa deixou de pagar um mês o outro, até que ele saiu do clube e resolveu aciona-la judicialmente, e aí o que acontece o clube não soube se representar perante a justiça para fazer um acordo e as coisas foram-se jogadas à revelia e a coisa foi se transformando em uma bola de neve, aquilo que era um valor custou muito mais caro porque a Portuguesa não soube administrar isso.


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Qual o seu sentimento em relação a sua história aqui dentro desde pequeno, vendo o time sempre brigar na parte de cima da tabela e agora o clube estando nesta situação?

Olha é um sentimento de Perda! Porque você vê o clube crescer juntamente com você, como eu frequento deste criança, então você começa da fase infantil para juvenil e ai depois adulto, você está vendo o crescimento do clube, de repente o clube para trava tudo, começa a descer ladeira a baixo, sem ter condições de reação, as pessoas boas começam a sair do entrono do clube. Só ficam as pessoas ruins, aí as coisas vão tomando um caminho meio complicado, então você sente sem dúvidas. Eu fiquei muito sentido com a destruição das piscinas, porque a minha infância foi nas piscinas e quando você vê uma obra que custou muito para a Portuguesa e para os sócios porque houve um empréstimo em 1958 para a conclusão, o término do complexo de piscinas e você vê aquilo destruído em duas semanas e meia. Aquilo que demorou tanto para fazer, você destrói em duas semanas e meia por ganância de pessoas.

Existe uma fórmula para recuperar a Portuguesa?

É simples, é muito simples profissionalizando, você profissionalizar tudo, desde o futebol até o clube, tornar o clube futebol em empresa, eu acho que essa é a grande saída. Profissionalizar todas as áreas como está sendo feito agora, de modo muito devagar, porque tudo o que aconteceu nas administrações anteriores e ele está querendo profissionalizar tudo, e já está começando, mas é um processo lento. Mas está é a grande saída, além da profissionalização, investimento externo, investimento de algum grupo ou empresa que venha ajudar a Portuguesa a mudar novamente, porque aqui


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precisa de muito dinheiro, pois você precisa arrumar os equipamentos que já estão a muito tempo sem manutenção. A própria estrutura do estádio precisa arrumar.

Nos conte um pouco sobre o seu trabalho no Museu da Portuguesa, como você começou?

Faz mais ou menos 11 ou 12 anos recebi um convite do senhor Vital, mas na realidade tudo surgiu por causa do amor do meu pai ao clube, meu pai faleceu há uns 11 para 12 anos e foi justamente por causa do falecimento do meu pai que eu resolvi vir para cá de novo. Pois estávamos afastados do clube por mais de 20 anos. E aí um dia que ele estava na UTI a mais ou menos um mês, teve duas intubações ele tinha um problema cardíaco, sendo que na primeira... antes da primeira intubação no segundo dia que ele estava internado ele chega para mim no dia de visita e pergunta sobre o jogo da Portuguesa que tinha ocorrido a dois dias atrás, ele queria saber o resultado, e eu falei a Portuguesa ganhou de dois a um. E aquilo ficou. Depois desse fato eu não vi mais o meu pai direito, pois ele foi intubado, “desentubaram”, intubado de novo, e aquilo ficou. E em um belo dia eu resolvi fazer uma visita aqui e vim ao Museu, eu já sabia que tinha o Museu, mas não tinha ideia da dimensão, foi ai que a gente começou a conversar e o senhor Vital me chamou para trabalhar e estou até hoje aqui. De alguma forma a gente, pensou da seguinte maneira, como eu posso dizer... estamos colocando a memória do meu pai, estou mais próximo dele, pelo amor que ele tinha, apesar que nos últimos anos, justamente derivados a política do clube de futebol ele se desinteressou um pouco.


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A gente acompanhava, mas não de fazer aquilo que fazíamos antigamente de vir toda vez no jogo, como era feito, nós dois víamos direto, nas festas, isso a gente deixou de lado. Mesmo assim ele ainda tinha, ele era um cara que adorava, porque ele viu... ele chegou aqui no Brasil em 51 para 52 então o time que ele veio a torcer era a sensação da época, tinha Djalma Santos, Julinho Botelho, então a criança chegou em um pais estrangeiro ai vê a Portuguesa, da comunidade portuguesa, se adaptou. E veio morar e constituir família perto, porque o Canindé é perto do Brás. Nos anos 70 o Dr. Osvaldo (presidente da Portuguesa) lançou uma campanha, que era para ajudar a construção do segundo e terceiro anel, o terceiro anel acabou não saindo, só ficou no segundo anel. E tinham os comerciantes nos bairros que eram de origem portuguesa e também os sócios da Portuguesa, então houve uma ideia de vender produtos da Portuguesa, então meu pai vendia, chaveiro, flamula, camisa, boné, tinha um ‘estofadinho’ que era para colocar debaixo da arquibancada que era de concreto... como se fosse uma... uma almofada, essa é a palavra certa, com o logo da Portuguesa, meu pai vendia e ele comprava aquilo antecipado e esse dinheiro já vinha destinado para construção do segundo andar do estádio. O estádio foi construído pela torcida, desde a primeira etapa até agora, com a nossa revitalização que o senhor Arthur está fazendo, é a torcida quem está ajudando. Essa torcida que até o momento determinou a nossa existência. Se não fosse a torcida já tinha ido... com certeza.

Conversei com Antônio Quintal torcedor e que também tem a honra de apresentar o programa Paixão Lusa que é transmitido de segunda à sexta-feira na rádio Trianon. Paixão Lusa é o único programa totalmente dedicado a Portuguesa de Desportos.


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Primeiramente, fale um pouco sobre a sua relação com a Portuguesa, quando e como o senhor se tornou um torcedor do clube?

Sou filho de português com brasileira, meu pai português da Ilha da Madeira e minha mãe brasileira de Itajobi, interior de São Paulo. A família do meu pai todos de portugueses e todos torciam pela Portuguesa... Todos que eu digo, três, meu avô, meu tio e meu pai, meu pai tinha somente um irmão e os três torciam para a Portuguesa. E eles iam aos jogos, no Pacaembu, no Canindé antigo, depois no Canindé novo. E eu pequeno acompanhava e eles me levavam ao estádio. Sempre gostei muito de futebol, joguei um pouco como amador, um pouco não bastante, mas só como amador. E eu comecei a gostar da Portuguesa, meu primeiro jogo que meu pai me levou ao estádio foi na Vila Belmiro em um sábado à noite, em um amistoso Portuguesa e Jabaquara. Foi muito legal, me lembro bem... como se fosse agora, daquela noite, nunca tinha ido a um estádio ver futebol... era muito pequeno. Ali começou tudo e depois pela própria relação que a gente tinha de ir aos jogos, começou ali. Eu fiquei gostando da Portuguesa. No meu tempo de escola, principalmente no ginásio, já havia o bullying, mas naquele tempo o pessoal não falava nisso, mas o pessoal tirava o sarro, chamava a gente de Morruga*, portuga. E eu nunca fui português, sou brasileiro como minha mãe é e meu pai é muito mais brasileiro que português, porque chegou ao Rio de Janeiro com oito anos, depois é que veio para São Paulo onde constituiu família e tudo. Muito bem, então naquele tempo, a gente se escondia um pouco, porque o pessoal pegava muito no pé. Os meninos corintianos, palmeirenses, santistas quase não tinha mesmo, mais era corintiano e palmeirense, são paulinos tinham poucos. Então, eles... o morruga não sei o que...


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chacareiros essas coisas, então já tinha um bullying. E a gente torcedor da Portuguesa meio que ficava quieto né. E eu fui gostando, gostando da Portuguesa, assistindo jogos, prestando atenção na trajetória da Portuguesa. Vi muitos jogos no interior, sempre com aquele carinho, aquele gosto e tal, eu tinha 15 para 16 anos e fazia ginásio na época... acho que foi ginásio e ai o pessoal da escola resolveu fazer um teste, uma peneira na Portuguesa, naquele tempo a Portuguesa fazia peneira com os jogadores a candidatos a serem jogadores profissionais. Eles apareciam no clube, tinha o dia certo para isso, era toda semana sexta-feira e aí nós estamos de férias e alguém falou: vamos na portuguesa, não sei o que, nós fomos em uns cinco lá da escola e coincidentemente, o único que ficou fui eu, porque era assim, você treinava e tinha o Nena (ex-zagueiro da Portuguesa) do primeiro grande time da Lusa: Muca, Nena e Noronha... então o Nena era zagueiro daquele time primeiro grande time da Portuguesa no comecinho dos anos 50/51. Muito bem... então ele era um selecionador e outro era o Brandãozinho, que também era do mesmo time lá de 50. Que era Muca, Nena, Noronha, Djalma Santos, Brandãozinho e Ceci. Então, os dois em parceria eles pinçavam os meninos com qualidade, para ver se vingavam mesmo para ser jogador, da coisa toda. E eu fui com os outros, e acho que o mais franco era eu, no fim o único que ficou foi eu, terminado o treino o seu Nena falava o nome de quem tem que voltar na semana que vem, eu sabia que tinha ido bem no treino, a gente sente isso, com confiança e tudo. E ele me chamou e eu voltei na outra semana e ai voltei na outra e na outra, depois de três treinos ele trocou o meu dia e eu já estava treinando com os infantis e juvenis, foi onde eu conheci o Cardoso, o lateral direito, ele foi peneira junto comigo e foi campeão em 73, Cardoso e outros, aquilo ali, você imagina eu já gostava do clube eu já gostava do time e ainda tive essa alegria de ter passado na peneira e ter ficado lá uns bons meses. Então eu gostei muito de


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tudo isso, e isso me seduziu mais e eu passei a tratar a Portuguesa cada vez mais com muito amor, carinho, gostando e é isso basicamente é isso que me levou a gostar da Portuguesa. E meu tio, irmão do meu pai era dos dois o torcedor mais fanático que meu pai, ele gostava mais que meu pai e eu tinha uma afinidade com o meu tio muito grande, meu tio era um segundo pai para mim, então, meu tio conversava muito comigo e tal, e ele era muito brincalhão, ele teve uma parte muito importante nesse processo e ele não está mais entre nós infelizmente, mas eu tive muitas alegrias com ele, no futebol, às vezes, meu pai nem ia e ia eu e ele, fomos a Campinas-SP ver jogo, só eu e ele e minha tia, então assim, o meu amor pela Portuguesa, a minha Paixão, começou desse jeito. A origem é isso. E em 1973 eu dei a ideia para um grupo de amigos e fundamos a Associação Portuguesa de Santana, ela ficou com uns 15 anos em atividade, então eu me casei e tudo, fiquei sem tempo para isso, estudava à noite trabalhava de dia, mas nos fundamos a Portuguesa de Santana que jogava todo domingo, uma vez por semana, tivemos uma serie de conquistas, taças e foi um período muito legal, era uma cópia da Portuguesa, uniforme. Para você ter uma ideia em 1985 o presidente da Portuguesa era o Dr. Osvaldo Teixeira Duarte e eu o procurei, ele não me conhecia, e eu acabei acertando com ele um jogo preliminar, entre a Portuguesa daqui do bairro contra os veteranos da Portuguesa, e foi muito legal, nós fizemos um jogo preliminar do campeonato Paulista, o jogo de fundo era Portuguesa e Comercial de Ribeirão Preto, então foi muito legal e me marcou muito, tenho fotos até hoje. E depois mais para frente comecei a comentar jogos do clube, sempre mantendo o equilíbrio, tentando ser imparcial ao microfone, as colunas que eu escrevia, tudo isso me fez passar, ou melhor estreitar essa ligação, esse carinho com a Portuguesa.


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O senhor falou do primeiro grande time da Portuguesa na década de 50, qual o grande elenco da Portuguesa que o senhor viu, o mais memorável?

A portuguesa teve vários elencos memoráveis, começar pelo time dos anos 50, Muca, Nena, Noronha, Djalma Santos, Brandãozinho, Ceci, Julinho Botelho, Renato, Nininho, Pinga e Simão. Jogadores do mais algo nível, um ataque arrasador. A Portuguesa fez uma série de jogos fora do Brasil, não perdeu nenhum, tanto é que a Portuguesa foi agraciada com uma homenagem da Gazeta Esportiva com a chamada Fita Azul que era do time brasileiro que excursionava fora do pais e voltava sem perder, e a Portuguesa foi muito bem. Em 52 ganhou o primeiro título do Rio-São Paulo, em 55 o seu segundo título. O Rio – São Paulo na época era equivalente ao campeonato Brasileiro. Porque o futebol quem comandava o país era o eixo Rio- São Paulo, o futebol mineiro, gaúcho, baiano, paranaense estavam em um patamar bem inferior, então era dois títulos brasileiros, eram os melhores clubes do Rio de Janeiro e os 5 melhores de São Paulo, então esse time foi o primeiro grande time. Depois nós tivemos em 60 outro grande time que também foi muito bom, Félix, Nelson, Ditão e Jutz, Odorico e Vilela, Jair da Costa, Silvio, Servilio, Ocimar e Nilson, foi um grande time também, foi vice campeão paulista e fez um furor. Em 64 outro grande time, Félix e Orlando, tinha dois goleiros... eles tinham um nível tão bom que chegou uma época de jogar um jogo cada um, um revezamento, mas o Orlando no gol, Jair Marinho que foi campeão mundial com a Seleção Brasileira em 62 no Chile, reserva do Djalma Santos. Então tinha Orlando, Jair Marinho, Ditão, Wilson Silva e Edilson, Pampolini e Nair, Almir, Dida, Henrique e Ivair, esse foi um grande time da Portuguesa.


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Depois o tempo passou, aí teve um outro bom time também, um patamar um pouco inferior a esse que eu citei, com Orlando, Zé Maria, Marinho, Guaraci e Augusto, Lorico e Paes, Ratinho, Leivinha, Ivair e Rodrigues esse era um dos bons times da Portuguesa. Depois em 73 o time que ganhou a Taça São Paulo e com esse time foi campeão Paulista contra o Santos...

Neste momento a situação da Portuguesa é bem crítica, em sua opinião o que à levou para esta situação?

A situação da Portuguesa é bem crítica, muito crítica, a Portuguesa tem seríssimos problemas de ordem financeira, seríssimos

com

ações

judiciais, ações trabalhistas.

E

a

Portuguesa hoje é um clube praticamente sem receita. As receitas são

pequenas,

são

mínimas,

para

as

necessidades

da

Portuguesa, a maioria dos clubes né, todo mundo na mão porque ninguém tem dinheiro, no caso da Portuguesa a situação é mais complicada porque ela foi muito mal dirigida, quando você me faz essa pergunta, foram os desmandos administrativos, gestões equivocadas. Para você ter uma ideia no ano de 2000- 2002 por aí, há vinte anos a Portuguesa tinha gente ganhando lá R$ 120.000,00 por mês outros R$ 90.000,00, você entendeu... então, era muito dinheiro para um clube com a estrutura da Portuguesa. É muito difícil, você manter uma qualidade de clube, uma estrutura adequada, quando você se perde financeiramente o dinheiro é mal gasto. A

Portuguesa

arrecadou

bastante

com

vendas

de

jogadores, principalmente na segunda metade dos anos 90, mas esse dinheiro não foi bem aproveitado, o dinheiro sumiu, os craques foram embora e a Portuguesa ficou cheia de dívidas. Então foi muitos desmandos diretivos e a situação foi se agravando, piorando mês a mês, a uns 18 anos, entre uns 18 e 20


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anos, tem um conselheiro na Portuguesa de credibilidade indiscutível, de honestidade, transparência e ele me falava, sempre a gente conversava e ele falava: Essa gente tá louca, tão pagando X por Fulano X por Beltrano, nós não temos dinheiro para isso, nós estamos com um déficit de um milhão reais por mês. Você imagina isso há 18 ou 20 anos... A gente fala, fala, mas ninguém liga, então quando você gasta mais do que ganha, você sabe que não vai dar certo uma hora a bomba estoura e estourou na Portuguesa, então os culpados dessa situação são os dirigentes que passaram pelo clube e que pouco fizeram e foram extremamente infelizes nas suas decisões e gestões.

O que poderia ser feito para tirar a Portuguesa desta situação?

Olha

a

solução

para

Portuguesa

é

uma

solução,

teoricamente simples, mas praticamente difícil, muito difícil. A Portuguesa teria primeiro que ter uma estrutura financeira de receita, por exemplo: compro e vendo de parte associativa e outras receitas do clube, que juntas gerariam uma receita de um milhão de reais, ok. Esse é o primeiro passo. O segundo passo, eu vou ver todos os meus credores e vou propor amortecer as minhas dívidas com metade dessa arrecadação, ou seja, eu tenho um milhão eu vou pegar 500 para pagar dívidas e 500 para fazer a administração do clube, alimentar a vida do clube. Então deveria ser feito isso, agora, duas coisa que eu acho extremante complicadas, primeiro a captação de recursos para você ter uma receita de um milhão ao mês, que hoje pelo o que eu sei, a Portuguesa já tem no mínimo isso, para fazer uma proposta para os credores, então por exemplo, eu devo para o fulano de tal, quanto devo? Devo 5 milhões, não para pagar, vai dar um milhão em dez de cem, fazer esse tipo de acordo, é difícil


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porque a Portuguesa tem 270 ações trabalhistas, então é muita coisa, você coordenar tudo isso, ter um sincronismo, para você para isso, e um pode querer e o outro não aceitar.

Qual o futuro da Portuguesa?

É

preocupante,

porque

eu

não

vejo

nenhuma

movimentação coesa de revigorar o clube de restaurar, pois precisa de restauração e eu estou falando em termos estruturais. A uma situação de sistemática de oposição. O interessante que a oposição não é feita assim... nós não queremos esse candidato, não gostamos, ele não é adequando, isso não acontece. Então, os últimos que concorreram à presidência, os derrotados não se conformam de terem perdidos e aí eles partem para o campo das agressões morais, dos comentários que desabonam as pessoas, então, eu temo muito pelo futuro da Portuguesa por causa disso. Se você, vamos pegar um exemplo bem corriqueiro, uma família onde todos estão em uma pior e estão dentro de uma casa, e um arruma um emprego o outro arruma outro, então você tem que tratar esse emprego como uma parte integrante da sua proposta

do

seu

futuro

para

manter

uma

condição

de

recuperação, e, na Portuguesa sempre alguém contraria, discute planos, às vezes eles iniciam os planos e eles não tem continuidade. Isso é muito ruim, por isso eu temo pelo futuro, se às pessoas fossem unidas, humildes. “olha fulano está lá vamos ajudar para recuperar a Portuguesa, e não é assim que eles pensam, pois vai ter briga pela vaga, vaga de presidente. Se houver um plano exequível onde as pessoas possam trabalhar pelo clube, eu acho que a Portuguesa em oito, dez anos ela fica em uma posição muito melhor do que está, agora, se continuarem com essa vaidade, esse guerra interna, ela vai patinar e dificilmente ela vai conseguir dar o chamado pulo do gato.


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Por fim, o último entrevistado foi o assessor de impressa e torcedor Marcos

Teixeira,

que

trabalhou

um

período

na

Portuguesa.

Fale um pouco de como se tornou um torcedor lusitano?

A minha relação com a Portuguesa vem desde os 7 anos, quando eu comecei a acompanhar, quando eu comecei a torcer de fato pelo clube, tudo o que você pode imaginar do que aconteceu por lá nos últimos 40 anos, 40 não 35 anos eu me lembro muito bem. A Portuguesa tem essa característica de ser um clube familiar, como é um clube que acaba meio que restrito a colônia portuguesa, então essa coisa passa de pai para filho, no meu caso foi de tio para sobrinho, meu tio me levou para ver um jogo na Portuguesa em junho de 1985, Portuguesa e Marilia foi 2 a 0 para a Portuguesa, uma semana depois eu voltei com o meu tio também, era sábado foi um Portuguesa 5 São Bento 1. E naquele ano a Portuguesa foi vice campeã paulista contra o São Paulo. E comecei a acompanhar desde então. Eu fiz parte do grupo folclórico da Portuguesa, que existe até hoje existe desde 87 eu comecei dançando lá com 13 ou 14 anos até que eu voltei ao clube como assessor de impressa, depois eu saí de lá em 2015 aí eu dei uma afastada, mas agora eu voltei acompanhar mais de perto porque eu acredito muito no projeto e também eu conheço algumas pessoas que estão lá.

Houve uma mudança de gestão esse ano de 2020, me conta um pouco da sua experiência na Portuguesa?


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Você quer a parte boa ou ruim? Diferentemente de muita gente que está no jornalismo e isso não é uma crítica, é uma forma de como eu vejo, eu não entrei no jornalismo para trabalhar com esporte. Como eu tinha uma afinidade muito grande, na própria faculdade, tudo o que eu podia fazer para correr do tema eu corria. Porque era uma coisa que eu já tinha um conhecimento empírico muito grande. Abriu uma vaga na Portuguesa quando eu estava estagiando na Federação Paulista, então nunca foi, eu nunca quis trabalhar com esporte. Nunca foi um proposito, eu sempre gostei mais de jornalismo do que de futebol. Mas é uma coisa que me absorveu e por mais que eu tente sair do esporte eu acabo voltando para o esporte. E com a Portuguesa foi assim, por eu ter mantido esse distanciamento durante a formação, eu acredito que de chegar lá, sem essa coisa de nossa o cara que torce para a Portuguesa que trabalha lá, eu achava um barato, mas eu tinha... assim... para mim, era a mesma coisa de estar trabalhando, por exemplo, na revista de decoração onde eu estagiei. Isso me ajudou muito no começo, porque eu conseguia durante os jogos, tirar a camisa de torcedor, eu não comemorava gol, não fazia piada com o adversário, coisa que eu não gosto até hoje, quando o clube faz piada com o outro, a não ser que exista uma ação, em que os dois combinem para promover um jogo, alguma coisa assim, agora quando não isso não me agrada. E como eu disse isso me ajudou no começo a separar, e foi um começo bem tranquilo, eu não estava deslumbrado. Quando eu cheguei à Portuguesa estava na série A2 do campeonato Paulista, por causa de uma campanha desastrosa do ano anterior, em 2012 que ela caiu no Paulista, porque em 2011 ela fez aquela campanha sensacional na série B, a Barcelusa que é uma história interessante, que depois eu te conto.


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E em 2013 era um ano da reconstrução, já era um time que tinha se mantido serie A de 2012, então era um time para jogar a série A2 com jogadores da série A do Brasileiro. Então a Portuguesa ganhou o campeonato serie A2, tirando um ou outro percalço como aquele 7 a 0 contra o Comercial lá em Ribeirão, e, eu estava naquele jogo, foi o meu primeiro jogo como assessor sozinho com o time, a minha primeira viagem como assessor de impressa e tomamos de 7. Imagina o tamanho do..., mas era um grupo relativamente tranquilo de trabalhar e eu consegui colocar os mais experientes para falar com a impressa, porque quando você toma de 7, não pode falar o menino que está voltando de lesão. Então você vai conseguir falar com um Correia, um Sousa que eram jogadores com passagens por outros clubes, então, isso me ajudou bastante eles colaboram. No campeonato Brasileiro, aí começam os problemas, pois envolve uma série de decisões equivocadas da diretoria, a crise na Europa estourou e o Banco Banif que era o principal patrocinador, que era praticamente o mantenedor do elenco, resolveu começar a cobrar a dívida, que foi uma ordem de lá, para começar a cobrar as dívidas, porque o banco precisava de dinheiro, pois eles precisavam. Então, o banco parou de colocar dinheiro e a Portuguesa de uma hora para outra começou a atrasar salário. E aí começou uma série de problemas, o campeonato Brasileiro foram uma series de incêndios, você apagava um, nem terminava o rescaldo, já começava outro. E eu posso dizer, se o começo foi tranquilo, a partir dali metade de 2013, foi um período muito complicado. Porque eu pouco dormia, na época do caso Héverton eu passava mais tempo na sala do jurídico, discutindo nota, discutindo declaração do que propriamente na minha sala. E o ano de 2014 um desastre, eu chamo de um velório de 38 rodadas, porque era isso um time completamente desfigurado,


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foram 74 jogadores que entraram e permaneceram no elenco, cinco ou seis treinadores, então você imagina o que tinha de errado, é como se você tivesse um álbum de figurinhas e cada figurinha é uma desgraça, a Portuguesa completou esse álbum em 2014. Era o time que saiu do campo antes do jogo, quase foi suspensa do campeonato e ia para série C compulsoriamente, é jogador que foi pego no doping, eu vi jogador discutindo para ver quem levava três ou quatros pães com frios para casa, ganhou o que tinha filho. Aí você imagina como estava a situação ali. Em 2015, o time tem uma melhora, não no Paulista, pois o time cai, porque o elenco foi muito mal montado, mas no Brasileiro o time monta uma ação com padarias, cada jogador estampava o nome de uma padaria, o time quase subiu para a série B, o time não subiu e no outro foi aquela queda em espiral. Ai no meio de 2015 eu saí do clube, me afastei um pouco, e agora estou voltando aos poucos ao mundo Portuguesa.

Em 2014 como foi gerir a comunicação da Portuguesa com o Caso Héverton, aliás o que aconteceu naquele ano?

Ninguém sabe até hoje, mas eu sei que a comunicação entre os advogados não foi adequada, o clube não estava preparado para aquilo, tanto que quando estourou, eu estava na festa do troféu impressa da tv Gazeta, então quando eu fui dar por conta, cada diretor tinha falado uma coisa, ai tive que começar a ligar para todo mundo, até eu conseguir para o pessoal parar de dar entrevista já tinha todo mundo falado. A própria estratégia da Portuguesa foi muito confusa, resolveram aceitar o advogado indicado pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol), nada contra o profissional, mas se você


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acha que você tem um problema com a própria CBF que não quer te ajudar e aceita a indicação desse advogado. Ele no julgamento disse por que a Portuguesa ia tentar tirar vantagem com um jogador que não daria vantagem nenhuma, se pelo menos fosse um craque, mas era o Héverton. Isso virou um processo, pois o jogador entrou com um processo por danos morais. Eu me lembro que nos primeiros dias, eu estava em uma reunião no departamento jurídico e pediram para eu levar o contato de um jurista de Santa Catarina que gostava muito da Portuguesa, só que tinha um problema ele tinha morrido a uns cinco anos. Então eles não sabiam para onde correr, parecia que estavam correndo atrás do rabo. A portuguesa não soube, pelo menos blindar o nome dela, hoje por público ficou a imagem de a Portuguesa vendeu a vaga dela para o Fluminense, porque até hoje eu fico respondendo para torcedor, ou ela vendeu muito mal ou ela vendeu e não recebeu. Porque ela está em uma situação... A Portuguesa foi vítima de uma armação, eu não tenho dúvidas que o Guto Ferreira (treinador da época) e o Héverton não tem nada a ver com isso. No caso do julgamento ninguém do futebol ou da comunicação sabiam que ele tinha sido suspenso. Porque o rapaz que vai passar a escalação do time se baseia no BID (Boletim informativo diário) da CBF e na quintafeira e ele estava lá apto para o jogo. Tanto que o Gilberto, tinha sido julgado e pegou dois jogos suspensos, ele treinou até a sexta-feira que era a data do julgamento, e a Portuguesa soube que o Gilberto tinha pegado os dois jogos, mas o Héverton a gente não sabia. Pelo menos o que o Dr. Valdir Rocha que era advogado da Portuguesa ele lembra que passaram para ele que só o Gilberto não podia jogar, então ele passou para o futebol o Gilberto não


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podia jogar. Mas como foi essa comunicação, foi uma ligação? existe a prova que houve a ligação, então os advogados conversaram, mas e o conteúdo da ligação? Ninguém sabe. Eles podiam ter ligado para “acabou o campeonato vem aqui em casa para um churrasco, vem aqui para o Rio ou eu vou para São Paulo”, podia ser qualquer coisa, podia ser qualquer coisa. E ali bastava uma mensagem de texto para provar, um e-mail, qualquer coisa, mas não fizeram, e eu não vou discutir como era a comunicação dos advogados, isso funcionou durante nove anos. Nunca deu problema, então deu esse problema, quando não podia. Então é muita coisa nebulosa. Mas enfim, 2013 esse fim de 2013 foi lamentável e 2014 foi a segunda vez na história que a Portuguesa terminou na lanterna do campeonato, a primeira foi lá na década de 20 ainda na parceria com o Mackenzie, que é quando a Portuguesa começa a competir, porque quando a Portuguesa estreou não tinha vaga e o Mackenzie passava por dificuldades. Fizeram uma parceria, veio o nome Mack-Port, onde eram os jogadores da Portuguesa, a camisa da Portuguesa, mas a vaga era do Mackenzie. Ficou dois anos assim, a partir de 1923, eu acho, a Portuguesa passa a disputar só como Associação Portuguesa de Esportes, que era o nome dela na época, mas no naquela época, nessa transação que ela ficou em último lugar em um campeonato. E em 2014 ela termina em último lugar no campeonato Brasileiro, foram só 4 vitorias em 38 rodadas era uma tristeza, era uma tristeza, eu me lembro de um jogo, em foi o primeiro depois que o Roberto Bolaños morreu, que para desviar o foco da derrota eu publiquei no Twitter da Portuguesa

que a torcida estava

gritando ‘Olé, olé, olé, Chaves’ e na derrota da Portuguesa a torcida homenageia Chaves, ninguém fala da derrota só da homenagem ao Chaves, uma vez colava, mais nas outras não.


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E aquilo ia piorando, entrava técnico trazia cinco ou seis jogadores, aí tinha mais seis no elenco, saia técnico e trazia mais cinco ou seis, eu me lembro que o último treino antes do jogo tem um recreativo, onde o eles brincam, o goleiro vai para a linha, é um treino para soltar a musculatura, mas parecia um pátio de escola, com sessenta jogadores correndo no campo. O treino parecia uma carreata, não parava de chegar carro no CT (Centro de Treinamento) do clube, porque tinha mais cinquenta jogadores no elenco. Então você via que as coisas ali não estavam funcionando, porque a Portuguesa tem um problema hoje que é de credibilidade, por que não consegue trazer investidores para montar um time competitivo, mas não é trazendo um técnico, mandando um técnico embora, trazendo seis ou sete jogadores que você vai resolver. A Portuguesa entrou em parafuso, porque ela não soube lidar com isso, além de todas as dificuldades que na época, então qual a chance de dar certo, nenhuma. Tem uma música do Cartola chamada Meu mundo é um moinho, que ela fala assim, “De cada amor tu herdarás só o cinismo. Quando notares estás à beira do abismo. Abismo que cavaste com os teus pés.” Então a Portuguesa foi empurrada, mas ela fez questão de ficar lá.

Em 2011 a Portuguesa, ganhou destaque nacional, jogando a série B do campeonato Brasileiro, conseguiu encantar a todos jogando futebol, o time ficou conhecido como Barcelusa, nos conte como foi esse período para você?

Aí eu já sou torcedor, a gente acaba pegando uma parte crítica muito forte, eu acho que aquele time foi um aborto, tanto que se você pegar aqueles jogadores e vê no que deu, alguns


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tiveram uma boa carreira, Diogo, Luiz Carlos, o Guilherme... era um time muito bom, mas nem nos melhores sonhos ia calhar como calhou, terminar dezessete pontos acima do segundo colocado. Dar show como deu, chamar de Barcelusa. A Portuguesa foi jogar com o Goiás, sexta ou sétima rodada, em determinado momento o time tinha 78% de posse de bola lá no Serra Dourada (estádio do Goiás), e ai o Flavio Gomes comentou alguma coisa, levantou esse dado no Twitter “parece o Barcelona” ai eu comentei Barcelona não Barcelusa, brincando, não sei se alguém tinha falando antes, mas até que se prove ao contrário o Barcelusa surgiu assim. E era um time que o Luiz Ricardo que tinha jogado no Avaí, Ponte Preta e foi para a Portuguesa e jogava como meia atacante, camisa 7, camisa 10 às vezes, e o Marcos Pimentel saiu da Portuguesa e precisava de um lateral, aí eu não sei, mais foram ver no elenco quem podia ajudar, o Luiz Ricardo disse que podia ajudar e só precisava de algumas dicas de como marcar essas coisas, e o auxiliar técnico do Jorginho (treinador na época) era o Anderson e ele fez o Luiz Ricardo jogar como lateral, ele sobe como lateral, ganha prêmio como melhor lateral e vai para o São Paulo como lateral. O campeonato começa com o Jael e que logo depois sai, depois eles trazem o Edno. A torcida pega um tanto no pé do jogador no início, ele só cai nas graças da torcida depois de ele fazer um grande campeonato, então o planejamento não era, claro era subir, montou aquele time para subir, mas não daquele jeito. Como no campeonato de 96, se perguntarem vocês querem o sexto lugar, a melhor campanha de vocês é um sétimo lugar, vocês querem um sexto? Para nós estava perfeito e foi vice campeã, tanto que na última semana eles perceberam que a gente vai para a Libertadores e agora o que fazemos?


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Eu não sei, vamos ver, não tinha um planejamento, tanto que não teve um planejamento em 2011, pois o time desmontou. Mas se você fosse ver aquele time era formado por quem, eram jogadores desconhecidos. Eram jogadores que não tiveram tanto destaque, mais o time encaixou. Não lembro quem foi o técnico que disse em uma coletiva, vocês me elogiam quando eu acerto, mas eu acertar depende de a bola entrar, do passe que acerta, isso não é comigo, isso depende do jogador. Então se a minha substituição não acerta, eu que sou o cobrado. Mas ali a Portuguesa montou um time que não se fazia ideia do que daria, era para subir, mas não daquele jeito. E depois não tínhamos ideia de como segurar os jogadores, tanto que todos os meias saem, não é por acaso que o time cai em 2012, porque não era um trabalho em que era a continuação de 2011, era um remendo do que a gente faz. Os jogadores chamaram a atenção, e aí não sei. Tem uma frase que o Vanderlei Nogueira usou uma vez em 96, o cavalo passou selado, vamos ver se a Portuguesa sobe agora, em 96 até que subiu, até porque ela fez bons campeonatos até 2000, e depois teve uma série de infortúnios e não ganhou nada. Mas fora isso parecia que ia chegar, mas não ganhava nada. Então, esse time de 2011 era para fortalecer para jogar 2012, mas que terminou em décimo sexto lugar, como você pode pensar que terminar em décimo sexto lugar é uma campanha linda. É o que falo para os meus amigos, vocês comemoram tanto 2011, mas eu nem coloco a Barcelusa entre os melhores times da história do clube como todo, do século eu coloco porque o século XXI da Portuguesa é uma tragédia, mas você lembra que porque era um time bom, mas era uma segunda divisão. Eu prefiro muito mais os times de campanhas medianas dos anos 80 que era na primeira divisão, terminando em décimo,


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nono, mas o time não estava brigando para cair do que o time que jogou na série B, porque é série B. Se eles jogassem na primeira divisão eles iam apanhar de todo mundo, por melhor que fosse, porque estava um nível abaixo, a Portuguesa tinha que reforçar, mas perdeu jogadores e não reforçou a altura. Mas ver aquilo como torcedor, foi ótimo ver o Canindé lotado o time ganhando de quatro, cinco de tudo mundo, aparecendo na mídia positivamente, aquilo foi maravilhoso. Entretanto para a história do time aquilo foi segunda divisão. A história da Portuguesa não é essa, ela tem cem anos e desses cem anos foram oitenta foi brigando por títulos, a Portuguesa na década de 50 teve oito jogadores na seleção paulista, do time que foi titular da copa de 54 três eram da Portuguesa e só não tinha o quarto o Pinga foi para o Vasco no começo de 53, qual time hoje coloca três jogadores como titular na seleção Brasileira na copa do mundo? Nenhum. Ao longo dos anos ela sempre foi muito forte, só que a partir dos anos 2000 com a Lei Pelé que você não segura jogador, o Dener se a Lei Pelé fosse nos anos 90 o Dener não jogava dois anos na Portuguesa. Porque ia vir proposta e iam levar. O Eneias jogou dez anos na Portuguesa, ele não iria jogar, com o nível que ele tinha. Mais uma vez a Portuguesa não soube se adequar, tinha que ser a base, mas que base. Hoje está melhor, mas a Portuguesa para revelar o jogador ela precisa ser atrativa e segurar a revelação. É uma coisa que a diretoria quer mudar, e está mudando, mas é algo que leva tempo, tanto que o projeto deles é de que em nove anos a Portuguesa suba para a série A. Mas assim, são nove anos para voltar e ficar de vez.


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Você precisa de planejamento principalmente, porque sem dinheiro você ainda consegue se virar, se você tiver um planejamento bom, se você tiver dinheiro mais não ter um bom planejamento, você vai jogar dinheiro fora. No caso da Portuguesa ela não se pode dar o luxo de errar, se ela erra em um caso de R$ 500.000,00 é um prejuízo. É complicado, nossa margem de manobra é muito pequena.

Nas minhas pesquisas e conversando com outras pessoas, todos são enfáticos em dizer que o clube está dessa maneira, por má gestão, amadorismo, na sua opinião você concorda?

Sim, o próprio caso Héverton, como não estar com o jogador no próprio julgamento, economizar com isso? Não é com isso que se economiza. Não era o massagista que tem que fazer o check-in no aeroporto, e era o massagista que fazia. Então, era o faltava, você não podia colocar o filho do presidente como vice de comunicações, no lugar que é o cartão de visita do clube. Hoje pelo menos, até que se prove o contrário, o discurso e a prática estão andando juntos, o presidente se preparou, ele coloca pessoas que tem conhecimentos técnicos para isso. E no primeiro ano ele pega um time com as heranças da gestão anterior, que para mim é pior que é do Alexandre, não só para mim, mais para boa parte da torcida.

Para finalizar qual o balanço que você faz de todos esses anos e quedas do time?

Esperança, esperança, porque hoje tem um projeto, existe um discurso que caminha com as ações, não adianta falar vamos


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montar um time que joga bonito e com cinco ou seis resultados ruins, troca todo mundo. A Portuguesa não subiu no Paulista, mas você vê um trabalho que começou a ser feito, começou assim que o Castanheira (atual presidente da Portuguesa), entrou ele conseguiu colocar os diretores que ele queria, os jogadores, a Portuguesa saiu da lanterna e se classificou em terceiro e com muito pouco não se classificou para a final. Mas não é essa bola que não entrou, que você vai dizer que o trabalho é ruim, o trabalho é muito bom, porque é muito mais importante a Portuguesa ganhar a Copa Paulista do que ganhar a A2. Isso é um absurdo, não, porque se ela ganhar o Paulista ela tem que pensar em calendário nacional, a Portuguesa seguindo no Paulista, ela teria que pensar em fazer uma das três melhores campanhas, entre os times das séries A, B, C e D, para ter a série D no ano seguinte. Então aquele time que você monta já desmonta completamente. Se ganha a Copa Paulista, que termina agora, não sei, por causa do calendário, mas deve acabar até esse ano, mas você vai ter, ganhando a Copa Paulista e escolhendo a vaga da série D eu acredito que vai ser essa a escolha da Portuguesa, caso ganhe claro, você já começa o ano (2021) escolhendo jogadores para a série A2 do Paulista e com calendário para a série D do Brasileiro, que é uma coisa que atrai jogadores, não é uma coisa, mais eles são melhores do que os que vem para jogar a Copa Paulista que são os que sobraram. Interessa muito mais ganhar esse campeonato, pois você vislumbra um campeonato nacional e logo em seguida algo maior, e claro, se você pegar uma vaga na D, mas não sobe logo em seguida, tudo foi para o ralo, e o resultado é o que vai definir se um trabalho foi bem feito, não tem como fugir disso. Mas a palavra que me vem hoje é esperança, pois depois de muito tempo eu vi as coisas sendo feitas do jeito que eu


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acredito que devem serem feitas, pelo menos, não do jeito que eu acredite, mas pelo menos, existe pé e cabeça no projeto, não é um vamos jogar e ver o que acontece, porque desse jogar e ver de tragédia estamos cheios.


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APÊNDICES – Roteiro radiofônico Sangue Rubro Verde. TÉCNICA

TEXTO LOCUÇÃO

SOB SOM INICIAL

LOCUÇÃO DE JOGOS MEMORÁVEIS DA PORTUGUESA./.

O SIMPLES ATO DE TORCER PARA A PORTUGUESA, PODE SER LOC

CONSIDERADO UM ATO DE AMOR FAMILIAR, ALGO QUE É PASSADO PELO SANGUE, POIS É COMUM VER FAMILIAS INTEIRAS TORCENDO E SOFRENDO PELA LUSA.

LUIZ NASCIMENTO

EU AMO ESSE CLUBE, ESSE CLUBE É MINHA VIDA. COMO É QUE VOCÊ DEIXA UM CLUBE DESSE ACABAR? COMO VOCÊ DEIXA UM CLUBE DESSE MORRER? COMO VOCÊ DEIXA UM CLUBE DESSE CHEGAR NESSA SITUAÇÃO? ./.

LOC NÃO EXISTE VIDA SEM LUSA, COMO ESQUECER MOMENTOS MARCANTES QUE SÃO COMPARTILHADOS E PASSADOS DE GERAÇÃO PARA GERAÇÃO.ESTE É O CASO DE ANTÔNIO QUINTAL./.


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A FAMÍLIA DO MEU PAI TODOS DE PORTUGUESES E TODOS TORCIAM PELA PORTUGUESA... TODOS QUE ANTÔNIO QUINTAL

EU DIGO, TRÊS, MEU AVÔ, MEU TIO E MEU PAI, MEU PAI TINHA SOMENTE UM IRMÃO E OS TRÊS TORCIAM PARA A PORTUGUESA. E EU PEQUENO ACOMPANHAVA E ELES ME LEVAVAM AO ESTÁDIO. SEMPRE GOSTEI MUITO DE FUTEBOL, JOGUEI UM POUCO COMO AMADOR, UM POUCO NÃO BASTANTE, MAS SÓ COMO AMADOR. E EU COMECEI A GOSTAR DA

PORTUGUESA É MUITO MAIS QUE GOSTAR. É UM LOC

AMOR QUE COMEÇA NA INFÂNCIA. A MINHA RELAÇÃO É DESDE CRIANÇA, EU VIM PARA CÁ DESDE QUE EU NASCI EU CONHEÇO A PORTUGUESA, POR MORAR

PRÓXIMO. MEU PAI ENCAIXOU A ALBERTO MIRANDA

MINHA FAMÍLIA PARA SER SÓCIO DA PORTUGUESA, ENTÃO EU SOU SOCIO DESDE 71/72. EU NASCI EM 68, A MINHA INFÂNCIA FOI PRATICAMENTE TODA AQUI, ENTÃO FOI AS PISCINAS E PARQUE INFANTIL. A MINHA PARTE DE INFÂNCIA FOI TODA NO CLUBE EU VI ISSO AQUI CRESCER EM TERMOS DE ESTRUTURA.


66

LOC

LUIZ NASCIMENTO

ESTRUTURA QUE ERA UZADA POR CENTENAS DE FAMILIAS LUSO BRASILEIRAS, QUE LEVAVAM SEUS FILHOS PARA BRINCAR E SE DIVERTIR NOS BRAÇOS DA PORTUGUESA. BRAÇOS ACONCHEGANTES QUE CONQUISTAVAM NOVOS APAIXONADOS A CADA DIA. ESSE É O CASO DO JORNALISTA LUIZ NASCIMENTO./. JÁ ME PERGUNTARAM ALGUMAS VEZES COMO VIREI TORCEDOR DA PORTUGUESA, É EU SEMPRE DIGO, NUNCA VIREI TORCEDOR DA PORTUGUESA, PORQUE A MINHA FAMÍLIA POR PARTE DE PAI ELA É TODA PORTUGUESA, MEU VÔ E MINHA AVÔ NASCERAM EM PORTUGAL E VIERAM PARA CÁ, AINDA MUITO NOVOS, MUITO JOVENS E EU QUANDO ERA CRIANÇA EU IMAGINAVA, PÔ MINHA FAMÍLIA É PORTUGUESA TEM UM CLUBE QUE SE CHAMADO PORTUGUESA E EU FREQUENTO ESSE CLUBE. E EU FALAVA É NATURAL QUE EU SEJA DA PORTUGUESA, ENTÃO NÃO FOI UMA ESCOLHA, FOI MUITO NATURAL. ÚNICO TIME, ÚNICO CLUBE, UM CLUBE FAMILIAR, NÃO HÁ OUTRAS

LOC

PALAVRAS PARA DESCREVER O ENCATAMENTO DE UM MENINO DE 7 ANOS QUE FOI COM SEU TIO VER A LUSA JOGAR./. ESSE É O SENTIMENTO DO AGORA ASSERSOR DE IMPRESSA MARCOS TEIXEIRA./.


67 MINHA RELAÇÃO VEM DESDE OS 7 ANOS. A PORTUGUESA É UM CLUBE MARCOS TEIXIERA

FAMILIAR, QUE PASSA DE PAI PARA FILHO, NO MEU CASO FOI DE TIO PARA SOBRINHO. QUE ME LEVOU EM JUNHO DE OITENTA E SETE.

SOB SOM – VIBRAÇÃO DAS TORCIDA

CANTIGOS DA TORCIDA LUSITANA./.

AMAR EM TODAS AS SITUAÇÕES, LOC

TRISTES E ALEGRES, RECORDAR GRANDES CRAQUES QUE BRILHAVAM COM A CAMISA DA LUSA. DJALMA SANTOS, JULINHO BOTELHO, FÉLIX, LEIVINHA, MARINHO PERES, ENÉAS, ROBERTO DINAMITE, DENER E ZÉ ROBERTO./.

ANTÔNIO QUINTAL

A PORTUGUESA TEVE VÁRIOS ELENCOS MEMORÁVEIS, COMEÇAR PELO TIME DOS ANOS CINQUENTA.

SOB SOM

GRITO DA TORCIDA


68

ANTÔNIO QUINTAL

MUCA, NENA, NORONHA, DJALMA SANTOS, BRANDÃOZINHO, CECI, JULINHO BOTELHO, RENATO, NININHO, PINGA E SIMÃO. JOGADORES DO MAIS ALTO NÍVEL, UM ATAQUE ARRASADOR. EM 60 OUTRO GRANDE TIME QUE TAMBÉM FOI MUITO BOM, FÉLIX, NELSON, DITÃO E JUTZ, ODORICO E VILELA, JAIR DA COSTA, SILVIO, SERVILIO, OCIMAR E NILSON, FOI UM GRANDE TIME TAMBÉM, FOI VICE CAMPEÃO PAULISTA E FEZ UM FUROR. OS TIMES DOS ANOS 70 EU LEMBRO DE QUASE TODOS, MESMO PORQUE TINHA OS GRANDES JOGADORES, ENEIAS, TATA, DEIXA EU VER QUEM MAIS... ENEIAS QUE ERA O MEU ÍDOLO, GANHEI ATÉ UMA ABRAÇO

ALBERTO MIRANDA

DO ENEIAS, EM UM DOMINGO DE MANHÃ QUE EU NÃO ESPERAVA, MEU PAI FALOU ‘OLHA O ENEIAS LÁ!’ E EU COMEÇO A OLHAR E ABRO OS BRAÇOS E O ENEIAS VEM ME DAR UM ABRAÇO, ISSO AI É MEMORÁVEL. CARRASCO TAMBÉM NOS ANOS 80 ERA UM GRANDE ÍDOLO, COBRAVA FALTA COMO NINGUÉM, TEVE OUTROS... XAXÁ QUE ERA UM ÍDOLO DA JUVENTUDE DA ÉPOCA DOS ANOS 70.


69 SOB SOM

NARRAÇÃO DE UM JOGO DA LUSA.

MAS AS DECÁDAS GLORIOSAS DE LOC /BG (BEETHOVEN PIANO SONATA NO. 14 IN C-SHARP MINOR 'MOONLIGHT SONATA', OP. 27 NO. 2)

TITULOS E GRANDES CLASSICOS FICARAM PARA ATRÁS... NA VIRADO DO MILENIO TUDO MUDOU..../.

É UMA TRISTEZA, A GENTE NÃO RECONHECE MAIS A PORTUGUESA, EU DIVIDO SEMPRE EM DUAS PARTES, UMA PARTE O FUTEBOL E LUIZ NASCIMENTO

OUTRA PARTE O CLUBE SOCIAL, ELA PERDEU O MOMENTO DE VIRAR A PÁGINA E SE ATUALIZAR NOS DOIS MOMENTOS. NO FUTEBOL FOI NA ÉPOCA DA LEI PELÉ QUANDO OS CLUBES PRECISAVAM SE PROFISSIONALIZAR E A PORTUGUESA SIMPLESMENTE PAROU NO TEMPO E ALI COMEÇARAM AS DÍVIDAS TRABALHISTAS. A PORTUGUESA NÃO ERA UM CLUBE PROFISSIONAL ENTÃO AI FOI UM CAMINHO DE DERROCADA TOTAL, JUNTANDO COM A FALTA DE TRANSPARÊNCIA EM


70 NEGOCIAÇÕES DE JOGADOR E TUDO, E O FUTEBOL ACABOU SE DESCOLANDO A PARTIR DALI A PORTUGUESA COMEÇOU A SE DESCOLAR DOS OUTROS QUATRO DE SÃO PAULO, ATÉ ENTÃO ELA ERA CONSIDERADA UM DOS GRANDES, DISPUTAVA CLÁSSICOS, QUALQUER JOGO ERA CHAMADO DE CLÁSSICO COM A PORTUGUESA, A PARTIR DALI A COISA FOI INDO. ANTÔNIO QUINTAL

E A PORTUGUESA HOJE É UM CLUBE PRATICAMENTE SEM RECEITA. AS RECEITAS SÃO PEQUENAS, SÃO MÍNIMAS, É MUITO DIFÍCIL, VOCÊ MANTER UMA QUALIDADE DE CLUBE, UMA ESTRUTURA ADEQUADA, QUANDO VOCÊ SE PERDE FINANCEIRAMENTE O DINHEIRO É MAL GASTO. A PORTUGUESA ARRECADOU BASTANTE COM VENDAS DE JOGADORES, PRINCIPALMENTE NA SEGUNDA METADE DOS ANOS 90, MAS ESSE DINHEIRO NÃO FOI BEM APROVEITADO, O DINHEIRO SUMIU, OS CRAQUES FORAM EMBORA E A PORTUGUESA FICOU CHEIA DE DÍVIDAS.


71

ALBERTO MIRANDA

AS MÁS ADMINISTRAÇÕES, SEM DÚVIDA, AS MÁS ADMINISTRAÇÕES LEVARAM O CLUBE À ESSA SITUAÇÃO, NÃO SÓ EM TERMOS DE PRESIDÊNCIA E DIRETORES, ISSO A GENTE TEM QUE DEIXAR BEM CLARO, OUTRA COISA, O IMPACTO DA LEI PELÉ, A PORTUGUESA COMO UM CLUBE FORMADOR DE JOGADORES, ELA TEVE UM PROBLEMA QUANDO SE DEPAROU COM A LEI PELÉ E NÃO SE MODERNIZOU. ELA NÃO CONSEGUIU FAZER ISSO, AÍ SE AFUNDOU. A GENTE TEM DOIS LADOS, UM É O AMADORISMO, PORQUE A PORTUGUESA COMO UM CLUBE DE COLÔNIA E SEMPRE FOI MUITO

LUIZ NASCIMENTO

FECHADO, NUNCA SE ABRIU E NUNCA DEIXOU QUE NINGUÉM ENTRASSE, ENTÃO OS MESMOS SOBRENOMES QUE COMANDAVAM A POLÍTICA DA PORTUGUESA NA DÉCADA DE 70 SÃO OS SOBRENOMES DE AGORA.

LOC / BG (NARRAÇÃO DA QUEDA PARA A QUARTA DIVIÇÃO)

COM DÍVIDAS ASTRONOMICAS, O TIME LUTANDO PARA CONSEGUIR UMA VAGA NA QUARTA DIVISÃO DO CAMPEONATO BRASILEIRO.


72 LUIS NASCIMENTO

TRISTEZA, MELACOLIA./.

ALBERTO MIRANDA

SENTIMENTO DE PERDA./.

LOC

A PORTUGUESA TEM O SEU MAIOR BEM MAIS PRECIOSO INDO CONSTANTEMENTE À LEILÃO, O ESTÁDIO DO CANINDÉ. ESTADIO ESSE QUE ESTÁ GANHANDO UMA NOVA CARA POR ESFORÇO DE SUA TORCIDA./. SE O ESTÁDIO HOJE ESTÁ PINTADO, É PORQUE A TORCIDA ESTÁ SE

LUIZ NASCIMENTO

JUNTANDO E FAZENDO VAQUINHA E PINTANDO. SE O ESTÁDIO HOJE TEM REFLETOR, É PORQUE A TORCIDA FEZ VAQUINHA E TROCOU AS LÂMPADAS DO REFLETOR. SE HOJE AQUELA MARQUISE ESTÁ DE PÉ, É PORQUE A TORCIDA ANO PASSADO LEVOU UM ENGENHEIRO PARA FAZER UMA VISTORIA, PORQUE IA CAIR. ENTÃO TUDO DE BOM QUE ACONTECEU NA PORTUGUESA NOS ÚLTIMOS ANOS PARTIU DA TORCIDA.

B.G (SONS DE OBRA) ESSA REVITALIZAÇÃO TEM UM LOC

NOME ARTHUR CABREIRA, O HOMEM QUE ESTÁ A FRENTE DO SOS CANINDÉ./.


73 ... NÓS CHEGAMOS NO CANINDÉ DE QUE MANEIRA, JÁ TINHA O PEDIDO DESSE MEU AMIGO CARLOS ALBERTO, TORCEDOR DA PORTUGUESA, POIS FICAVA MUITO FEIO QUANDO A TELEVISÃO MOSTRAVA AQUELES MUROS TUDO SUJO DE SUJEIRA PRETA. E UM COLEGA DE VOCÊS DA INTERNET QUE TEM UM SITE DE PRIMA, ELE FEZ UMA REPORTAGEM EM 2017 NÃO 2018 NA COPA SÃO PAULO, ERA MÊS DE JANEIRO CHOVIA MUITO, ARTHUR CABREIRA

COMO SEMPRE EM SÃO PAULO E ELE COMEÇOU A FALAR DO CANINDÉ “ POXA ESTOU AQUI NO CANINDÉ UM CLUBE TRADICIONAL DA ZONA NORTE, QUE EU GOSTO MUITO, FAMOSO PELO BOLINHO DE BACALHAU E PELO FUTEBOL TAMBÉM, OLHA AQUI PESSOAL O ESTADO QUE ESTÁ O CANINDÉ, CHOVEU AQUI NAS CABINES, CHOVE MAIS AQUI DENTRO QUE LÁ FORA, FEZ UMA BRINCADEIRA MAIS SADIA NE. ELE MOSTROU A SUJEIRA DAS ARQUIBANCADAS, FIAÇÃO SOLTA, SEM LÂMPADAS. E EU FALEI POXA VIDA ELE ME DEU UMA IDEIA...CHEGOU A HORA DE REVITALIZAR O CANINDÉ.


74 E EU JÁ TINHA UM GRUPO DE WHATSAPP QUE A GENTE JÁ TINHA FEITO O A REVITALIZAÇÃO DO CT E DA SEDE TAMBÉM E AI COMECEI, MONTEI O GRUPO ESPECÍFICO SOS ESTÁDIO DO CANINDÉ.E A PRIMEIRA COISA QUE EU FIZ FOI PINTAR FOI OS PAREDÕES BRANCOS SE VOCÊ ESTÁ DENTRO DO ESTÁDIO ELE É EM VOLTA DO CAMPO E EM CIMA TAMBÉM NAS ARQUIBANCADAS E ARTHUR CABREIRA

COMEÇAMOS A PINTAR, COMECEI A PINTAR EU PRECISAVA DE 13 LATAS DE TINTAS BRANCAS, COMECEI FAZER UMA CAMPANHA PARA SABER QUEM PODIA DOAR, NO PRIMEIRO DIA MESMO UM TORCEDOR JÁ TROUXE DUAS TINTAS AI EU CONTRATEI UM PINTOR.QUANDO FUI FALAR COM ELE... LIMA VOCÊ NÃO QUER PINTAR O CANINDÉ? ELE DISSE ASSIM EU PINTO DESDE QUE SEJA SOZINHO, EU FALEI ASSIM, SE ESTÁ BRINCANDO LIMA, SOZINHO, SÃO 17 MIL LUGARES, VOCÊ TEM QUE COLOCAR NÚMERO POR NÚMERO, ARTHUR VOCÊ CONFIA EM MIM? CONFIO. ENTÃO DEIXA QUE EU PINTO.ELE COMEÇOU A PINTAR OS MUROS EM VOLTA DO FOSSO, NO FOSSO QUE TEM, ONDE A ÁGUA FICA REPRESADA QUANDO CHOVE MUITO, E OS PAREDÕES LÁ EM CIMA.


75 ERA UM TRABALHO DE FORMIGUINHA E O LIMA TEM TODA ESSA PAIXÃO PELA PORTUGUESA PORQUE ELE TAMBÉM TORCE PARA ARTHUR CABREIRA

A PORTUGUESA, SABE E ADORA A PORTUGUESA EU TAMBÉM ADORO TAMBÉM E A GENTE FOI JUNTOS, SABE E O PESSOAL FOI AJUDANDO AI FORMAMOS UM GRUPO DE 150 PESSOAS, TODOS DE ARQUIBANCADA, NÃO TEM CARDIAL, NÃO TEM BACHAREL. A RECUPERAÇÃO DA PORTUGUESA

LOC. / B.G (BEETHOVEN PIANO SONATA NO. 14 IN C-SHARP MINOR 'MOONLIGHT SONATA', OP. 27 NO. 2)

PASSA PELA TORCIDA E PRECISA QUE OS BONS TORCEDORES RETORNEM AO CLUBE. TORCEDORES ESSES QUE FORAM SE AFASTANDO DEVIDO A POLÍTICA INTERNA DO CLUBE. ESTE É O CASO DE ALBERTO MIRANDA QUE ESTEVE AFASTO DURANTE MUITOS ANOS, E SEU RETORNO TEM UM SIGNIFICADO MUITO ESPECIAL./.

ALBERTO MIRANDA – B.G (BEETHOVEN PIANO SONATA NO. 14 IN C-SHARP MINOR 'MOONLIGHT SONATA', OP. 27 NO. 2)

TUDO SURGIU POR CAUSA DO AMOR DO MEU PAI AO CLUBE, MEU PAI FALECEU HÁ UNS 11 PARA 12 ANOS.


76 E FOI JUSTAMENTE POR CAUSA DO FALECIMENTO DO MEU PAI QUE EU RESOLVI VIR PARA CÁ DE NOVO. POIS ESTÁVAMOS AFASTADOS DO CLUBE POR MAIS DE 20 ANOS. E AÍ UM DIA QUE ELE ESTAVA NA UTI A MAIS OU MENOS UM MÊS, TEVE DUAS INTUBAÇÕES ELE TINHA UM PROBLEMA CARDÍACO, SENDO QUE NA PRIMEIRA... ANTES DA PRIMEIRA INTUBAÇÃO NO SEGUNDO DIA QUE ALBERTO MIRANDA – B.G (BEETHOVEN PIANO SONATA NO. 14 IN C-SHARP MINOR 'MOONLIGHT SONATA', OP. 27 NO. 2)

ELE ESTAVA INTERNADO ELE CHEGA PARA MIM NO DIA DE VISITA E PERGUNTA SOBRE O JOGO DA PORTUGUESA QUE TINHA OCORRIDO A DOIS DIAS ATRÁS, ELE QUERIA SABER O RESULTADO, E EU FALEI A PORTUGUESA GANHOU DE DOIS A UM. E AQUILO FICOU. DEPOIS DESSE FATO EU NÃO VI MAIS O MEU PAI DIREITO, POIS ELE FOI INTUBADO, DESENTUBADO, INTUBADO DE NOVO, E AQUILO FICOU.E EM UM BELO DIA EU RESOLVI FAZER UMA VISITA AQUI E VIM AO MUSEU, EU JÁ SABIA QUE TINHA O MUSEU, MAS NÃO TINHA IDEIA DA DIMENSÃO, FOI AI QUE A GENTE COMEÇOU A CONVERSAR E O SENHOR VITAL ME CHAMOU PARA TRABALHAR E ESTOU AQUI ATÉ HOJE


77 DE ALGUMA FORMA A GENTE, PENSOU DA SEGUINTE MANEIRA, COMO EU POSSO DIZER... ESTAMOS COLOCANDO A MEMÓRIA DO MEU PAI, ESTOU MAIS PRÓXIMO DELE, PELO AMOR QUE ELE TINHA, APESAR QUE NOS ÚLTIMOS ANOS, JUSTAMENTE DERIVADOS A POLÍTICA DO CLUBE DE FUTEBOL ELE SE DESINTERESSOU UM POUCO. PODEMOS NOS AFASTAR, MAS NUNCA DEIXAMOS DE AMAR, E É LOC – BG (VIVALDI THE FOUR SEASONS, OP. 8)

ESSE AMOR NOS FAZ RETORNAR COM A ESPERANÇA QUE O CHORO DE AMANHÃ SERÁ UM CHORO DE ALEGRIA./. CANTO DA TORCIDA

SOB SOM ESPERANÇA DE DIAS MELHORES É O LOC /BG (BEETHOVEN PIANO SONATA NO. 14 IN C-SHARP MINOR 'MOONLIGHT SONATA', OP. 27 NO. 2)

QUE FEZ MARCOS TEIXEIRA VOLTAR A ACOMPANHAR A LUSA, APÓS ALGUNS ANOS DISTANTE./.

DOIS MIL E QUINZE EU DEI UMA AFASTADA, MAS AGORA EU VOLTEI À ACOMPANHAR MAIS DE PERTO, MARCOS TEIXEIRA

PORQUE EU ACREDITO MUITO NO PROJETO.


78 O PROJETO DELES É NOVE ANOS A PORTUGUESA VOLTAR PARA A SERIE A. NOVE ANOS DE ACORDO COM O QUE DISSE O PRESIDENTE, SOB SOM (VIVALDI THE FOUR SEASONS, OP. 8 VIOLIN CONCERTO IN F MINOR, RV 297 'WINTER')

SÃO NOVE ANOS, MAS É ASSIM, SÃO NOVE ANOS PARA VOLTAR E FICAR DE VEZ. PROJETO CAUTELOSO, AINDA MAIS SE LEVARMOS EM CONSIDERAÇÃO

LOC

QUE DOIS MIL E VINTE É O ANO DO

SOB SOM (VIVALDI THE FOUR SEASONS, OP. 8 VIOLIN CONCERTO IN F MINOR, RV 297 'WINTER')

SEU CENTENÁRIO./.

CENTENÁRIO ESSE, DE SENTIMENTOS CONFLITANTES ONDE A ALEGRIA ALTERNA COM A

LOC /BG (BEETHOVEN PIANO SONATA NO. 14 IN C-SHARP MINOR 'MOONLIGHT SONATA', OP. 27 NO. 2)

DESCONFIANÇA. DESCONFIANÇA DE UM TIME QUE EM APENAS 4 ANOS DESPENCOU DE TODAS AS DIVISÕES NACIONAIS, SERIE A, B, C E D ATÉ PERDER A CHANCE DE DISPUTAR UM JOGO DO CAMPEONATO NACIONAL./. É UM SENTIMENTO DE PERDA!

ALBERTO MIRANDA

PORQUE VOCÊ VÊ O CLUBE CRESCER JUNTAMENTE COM VOCÊ, COMO EU FREQUENTO DESTE CRIANÇA, ENTÃO VOCÊ COMEÇA DA FASE INFANTIL PARA JUVENIL E AI DEPOIS ADULTO, VOCÊ ESTÁ VENDO O CRESCIMENTO DO CLUBE,


79 DE REPENTE O CLUBE PARA TRAVA TUDO, COMEÇA A DESCER LADEIRA ABAIXO, SEM TER CONDIÇÕES DE REAÇÃO, AS PESSOAS BOAS COMEÇAM A SAIR DO ENTRONO DO CLUBE. SÓ FICAM AS PESSOAS RUINS, AÍ AS COISAS VÃO TOMANDO UM CAMINHO MEIO COMPLICADO, ENTÃO VOCÊ SENTE SEM DÚVIDAS. OS SENTIMENTOS DE ALBERTO LOC

MIRANDA REFLETEM OS MESMOS DE LUIS NASCIMENTO./.

LUIZ NASCIMENTO

OLHA É MUITO DIFICIL, SABER, EU ACHO QUE... EU ALTERNO SENTIMENTOS OTIMISMO COM PESSIMISMO MUITO GRANDES, ÀS VEZES EU ACHO QUE A GENTE CONTINUA LUTANDO E TENTANDO FAZER AS COISAS PORQUE A GENTE ESTÁ MUITO METIDO NAQUILE MEIO. E A GENTE ESTÁ TÃO CONTAMINADO DAQUELA REALIDADE DE QUE A GENTE ACHA QUE AINDA EXISTE CHANCES, AINDA EXISTE VIDA, AINDA EXISTE ESPERANÇA. MAS QUE NA VERDADE, SE OLHARMOS DE FORA NÃO EXISTE MAIS. SABE...EU TENHO ESSA SENSAÇÃO, PORQUE VOCÊ SAI DO MUNDO CANINDÉ, QUEM SABE ONDE A PORTUGUESA ESTÁ? QUEM SABE QUAL CAMPEONATO A PORTUGUESA ESTÁ DISPUTANDO?


80 QUEM SABE A SITUAÇÃO DA PORTUGUESA? QUEM SABE QUAL É O TIME? NINGUÉM SABE DE NADA. A PORTUGUESA DESAPARECEU. ELA EXISTE PARA GENTE QUE VIVE AQUILO ALI, QUE VIVE AQUELA REALIDADE E TAL, MAIS E POR RESTO? ALÉM DA FALTA DE VISIBILIDADE A INCERTESA DO DESTINO DA LUSA É LOC

O QUE PREOCUPA ANTÔNIO QUINTAL É PREOCUPANTE, PORQUE EU NÃO VEJO NENHUMA MOVIMENTAÇÃO

ANTÔNIO QUINTAL

COESA DE REVIGORAR O CLUBE DE RESTAURAR, POIS PRECISA DE RESTAURAÇÃO E EU ESTOU FALANDO EM TERMOS ESTRUTURAIS. A UMA SITUAÇÃO DE SISTEMÁTICA DE OPOSIÇÃO NA PORTUGUESA. ENTÃO EM MUITOS MOMENTOS EU

LUIZ NASCIMENTO

PENSO ACABOU E A GENTE NÃO SE DEU CONTA, VOCÊ FICA MAIS DE MEIO ANO SEM JOGAR, SEM TER FUTEBOL, ENTÃO COMO VOCÊ VAI SABE... VOCÊ NÃO ESTÁ ENCOSTANDO NO CHÃO DA PISCINA PARA VOCÊ PISAR E TOMAR UM IMPULSO E TIRAR A CABEÇA


81 E RESPIRAR, VOCÊ ESTÁ AFOGADO ALI, NÃO ENCONTRA O CHÃO, NÃO ENCONTRA NADA, VOCÊ ESTÁ SE AFOGANDO, AFOGANDO... ENTÃO MUITAS VEZES EU PENSO NISSO. TEM MOMENTOS EM QUE EU TENHO ESPERANÇA, SABE... É O QUE EU TE FALEI, MOMENTOS COMO ESSE, QUANDO EU VI O FILME DO BOTAFOGO EU FALEI... BEM QUE A GENTE PODIA... OU UMA AÇÃO OU LUIZ NASCIMENTO

OUTRA, ASSIM, QUANDO VOCÊ VÊ A TORCIDA PINTANDO O CANINDÉ, REFORMANDO, FAZENDO ALGUMA COISA. MEU, OLHA ISSO AINDA EXISTE UMA ESPERANÇA, PORQUE SE ESSA GALERA ESTÁ FAZENDO ISSO É PORQUE A GALERA AINTA TEM.... JÁ TEM UM TEMPO QUE EU DIGO, A ÚNICA COISA QUE SOBROU DO TORCEDOR É O AMOR, É A ÚNICA COISA. NEM ESPERANÇA SOBROU, O QUE SOBRA É O AMOR. PORQUE NEM ESPERANÇA A TORCIDA NÃO TEM MAIS. É AQUELA VELHA COISA DE VOCÊ NÃO TER MAIS ESPERANÇA DE NADA, VOCÊ SABE QUE JÁ ERA, MAS VOCÊ SENTA NO SOFÁ DA SUA CASA E VOCÊ FALA, TEM ALGUMA COISA ME INCOMODANDO AQUI DENTRO, O QUE É ISSO QUE ESTÁ ME INCOMODANDO


82 B.G HINO DA LUSA

AQUI DENTRO, É PORQUE EU AMO ESSE CLUBE, ESSE CLUBE É MINHA VIDA, SEM ESSE CLUBE.... SEM ESSE CLUBE EU CONHEÇO MEIA DÚZIA QUE ENTRA EM DEPRESSÃO E MORRE. SEM ESSE CLUBE EU CONHEÇO MEIA DÚZIA QUE NÃO TEM O QUE FAZER DA VIDA, QUE NÃO TEM VIDA, COMO É QUE VOCÊ DEIXA UM CLUBE DESSE ACABAR?

LUIZ NASCIMENTO

COMO VOCÊ DEIXA UM CLUBE DESSE MORRER? COMO VOCÊ DEIXA O CLUBE CHEGAR NESSA SITUAÇÃO? EU FICO PENSANDO, TANTAS PESSOAS, MEU AVÓ POR EXEMPLO, CHEGOU NO BRASIL NA DÉCADA DE CINQUENTA, LOGO VIROU SÓCIO, DOOU SACO DE CIMENTO PARA CONSTRUIR O CANINDÉ, AJUDOU A CONSTRUIR O CLUBE, TANTOS OUTROS QUE FIZERAM A MESMA COISA, QUE DOARAM E AJUDARAM A CONSTRUIR O CLUBE, E VOCÊ DEIXAR A COISA SE PERDER, QUANDO VOCÊ VAI... COMO EU MUITAS VEZES ENTREVISTAR EX JOGADOR, POXA, ERA UMA PORTUGUESA BASE DA SELEÇÃO BRASELEIRA, NÃO É EXAGERO, NÃO É COISA DE TORCEDOR, ERA MESMO. NOS ANOS CINQUENTA FOI


83 A BASE DA SELEÇÃO, PARTICIPOU DA RENOVAÇÃO DA SELEÇÃO DEPOIS DO MARACANAÇO. LUIZ NASCIMENTO

A PORTUGUESA TINHA, DJALMA SANTOS, JULINHO BOTELHO, BRANDÃOZINHO, SABE, A PORTUGUESA NOS ANOS SETENTA, ERA UM FENOMENO E VOCÊ VÊ O QUE VIROU HOJE. NOS ANOS NOVENTA O QUE EU CRESCI VENDO UMA GERAÇÃO DE DENER, DE RODRIGO FABRI, DE LEANDRO AMARAL, DE ZÉ ROBERTO, DE ZÉ MARIA, DE VER O CANINDÉ LOTADO.

MARCOS TEIXEIRA

EXISTE UMA ESPERANÇA, É MUITO FRÁGIL, MAS EXISTE UMA CERTA ESPERANÇA QUE TENHA ALGUMA MUDANÇA. O QUE ME VEM HOJE É ESPERANÇA, DEPOIS DE MUITO TEMPO EU VI AS COISAS SENDO FEITAS COMO EU ACREDITO QUE DEVEM SER FEITAS.

SOB SOM – HINO DA LUSA

OU PELOS MENOS, NÃO QUE EU ACREDITE, MAS PELO MENOS EXISTE PÉ E CABEÇA NO PROJETO, NÃO É SÓ UM VAMOS JOGAR E VER O QUE ACONTECE. PORQUE VER, ESSE O QUE ACONTECE DE TRAGÉDIA O CLUBE ESTÁ CHEIO.

CRÉDITOS


84

APÊNDICES – FOTOS

1ª Camisa 1920 – Museu da Portuguesa


85

Quadro em homenagem à uma excursão na Europa que a Portuguesa fez em 1951 e consequentemente a conquista da sua primeira Fita Azul. – Museu da Portuguesa


86

Taça do Campeonato Paulista de 1973 – Museu da Portuguesa


87

Severa mascote feminina da Portuguesa – Museu da Portuguesa


88

Troféus Boxes de atletas da Portuguesa.

]

Troféu de ciclismo da Portuguesa


89

Entrada do Museu Histórico da Portuguesa.


90

Diário de Campo A escolha do tema desse trabalho de conclusão de curso, foi algo muito mais difícil, pois mesmo eu tendo uma afinidade com o tema esportivo, um clube que eu conhecia e tinha uma simpatia, mas ainda partia do pressuposto que falar de esporte não era um tema relevante. Algo totalmente equivocado da minha parte, mas com o tempo essa ideia foi amadurecendo, e ficando mais claro que conseguiria falar do tema esportivo de uma maneira objetiva. Decidi falar de esporte, como sempre gostei de um time de futebol a Portuguesa de Desportos e por sempre ficar intrigada com toda a sua situação desde a retirada dos pontos pelo STJD no Campeonato Brasileiro de 2013 e consequentemente seu rebaixamento para a série B. Como esse caso sempre foi muito intrigante, inicialmente pensei em dar foco no episódio da queda de 2013 e em todos os seus desdobramentos, porém quando as pesquisas se iniciaram percebi que o time tinha uma história riquíssima e gloriosa, algo que não é comentado pela mídia, pois na grande impressa raramente se fazem matérias sobre as décadas gloriosas da Portuguesa, o que faz com que muitos apaixonados pelo esporte não tenham ciência de sua história de sucesso. Depois que decidi o tema, fiz as pesquisas iniciais, comecei a procurar pessoas que eu poderia entrevistar, entrei em contato com o jornalista Luiz Nascimento que escreve no Globo Esporte em um blog dedicado a Portuguesa e faz documentários para resgatar a memória do clube. Quando entrei em contato, ele prontamente quis me ajudar nessa empreitada, fizemos a entrevista na rádio CNB aqui em São Paulo, onde foi uma conversa muito reveladora e onde os sentimentos de um torcedor jornalista cada pergunta ficavam mais aflorados. Depois entrei em contato com o Museu da Portuguesa, onde conheci a história de Alberto Miranda e de sua família


91

apaixonada pela Lusa, além de ficar encantada com o Museu, os títulos, tanto no futebol, quanto no esporte amador. Alberto

Miranda,

me

colocou

em

contato

com

o

apresentador do programa de rádio Paixão Lusa, Antônio Quintal, como estávamos em época de pandemia Covid19 e o senhor Antônio é do grupo de risco fizemos a entrevista via Whatsapp, mas isso não prejudicou a nossa conversa. Via Whatsapp também foi a conversa com Arthur Cabreira, que me contou tudo sobre o seu trabalho para revitalizar o estádio do Canindé, o CT e além de sua paixão pelo time rubro verde. Por fim, consegui conversar com Marcos Teixeira em seu escritório, onde ele compartilhou a sua experiência como profissional e como um aficionado pelo time desde criança. Enfim, em todas as entrevistas foram muito proveitosas, não só para a realização deste Trabalho de Conclusão de Curso, mas para a minha vida, tanto profissional quanto pessoal. A finalização do trabalho nesse ano de 2020 pode ser considerado uma vitória, pois em um ano de restrições, distanciamento sociais, acredito que o rádio, podcast ou qualquer outro meio de comunicação tem a sua função ainda mais clara, que é aproximação de quem está longe. Um dos motivos de eu ter escolhido a mídia podcast foi o poder de aproximação e de apresentar tudo de uma forma quase mágica, pois é quando você não tem imagens para emocionar o seu ouvinte, ele consegue transmitir a emoção do entrevistado, do programa, através da oralidade e dos seus sons. Espero que tenha conseguindo transmitir toda a emoção das estórias da Portuguesa e de seus torcedores.


92

ANEXOS – Fotocopias, Imagens

Foto enviada por Arthur Cabreira, mostrando a reforma da Marquise do estádio do Canindé- a Parte em amarelo o que já foi realizado a reforma e as partes em cinzas são as partes que precisam serem reformadas.


93

Homenagem aos craques da Lusa de todos os tempos. Museu Histórico da Portuguesa de Desportos, 2015

Homenagem aos craques da Lusa de todos os tempos. Museu Histórico da Portuguesa de Desportos, 2015


94

Homenagem aos craques da Lusa de todos os tempos. Museu Histórico da Portuguesa de Desportos, 2015

Homenagem aos craques da Lusa de todos os tempos. Museu Histórico da Portuguesa de Desportos, 2015


95

Homenagem aos craques da Lusa de todos os tempos. Museu Histórico da Portuguesa de Desportos, 2018


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