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Revista Shalom

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NOVA EDIÇÃO

Ano 32 – n° 01 l Novembro – 2019 – R$15,00

TRABALHO DE CONCLUSÃO DO CURSO DE JORNALISMO sob orientação do Professor Dr. Nivaldo Ferraz

MANÁ

LIMITES NA EVANGELIZAÇÃO? MANÁ INDICA:

PRINCIPAL:

SHALOM PELO MUNDO:

ENTREVISTAMOS A BANDA SINAL D’PAZ

AtÉ ONDE O QUE OS MISSIONÁRIOS FALAM É AQUILO QUE ELES FAZEM?

SAIBA COMO FUNCIONA A MISSÃO DE CABO VERDE NA ÁFRICA, E SEUS DESAFIOS NA EVANGELIZAÇÃO


CRONICA


SHALOM

Fundador e Moderador geral da Comunidade

MANÁ

Católica Shalom

NESTA EDIÇÃO

Moysés Azevedo Coordenação Geral das Edições Shalom Queila Lazo Coordenação Editorial Queila Lazo Equipe de Redação Queila Lazo

5 MANÁ INDICA

Revisão Cleber Lazo Projeto Gráfico

9 FÉ & VERSOS 10 SHALOM PELO MUNDO

Queila Lazo Rafael Galiza Diagramação Rafael Galiza Gerente Comercial

17 PRINCIPAL 22 NOS BASTIDORES

Queila Lazo Assinaturas Queila Lazo

Serviço de Apoio ao Assinante Estrada de Aquiraz – Lagoa do Junco Aquiraz/CE CEP: 61.700-000

EX PE DI EN TE

Pra assinar ou renovar (11) 4636-3650 Para anunciar (11) 98436-1519 Para sugestões, dúvidas, reclamações e

NOVA EDIÇÃO

testemunhos Ano 32 – n° 01 l Novembro – 2019 – R$15,00

MANÁ

shalommana@comshalom.org assinaturas1edições@comshalom.org www.edicoesshalom.com.br www.comshalom.org Trabalho de conclusão de curso de graduação em Comunicação Social – Jornalismo Sob orientação do Professor Nivaldo Ferraz

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LIMITES NA EVANGELIZAÇÃO? MANÁ INDICA:

PRINCIPAL:

SHALOM PELO MUNDO

ENTREVISTAMOS A BANDA SINAL D’PAZ

AtÉ ONDE O QUE OS MISSIONÁRIOS FALAM É AQUILO QUE ELES FAZEM?

SAIBA COMO FUNCIONA A MISSÃO DE CABO VERDE NA ÁFRICA, E SEUS DESAFIOS NA EVANGELIZAÇÃO

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MANÁINDICA

QUE TAL UM SINAL D’PAZ? Por Queila Lazo

FOTO: BANDA SINAL D’PAZ

Rio de Janeiro. Um lugar conhecido pelo calor intenso, belas paisagens e por uma população acolhedora e de sotaque bem caracterís co. Outra expressão marcante é o gosto por um es lo musical bastante popular: o pagode. Com origem nos morros cariocas, este subgênero do samba surgiu na década de 1970, sempre associado a festas nos fundos de quintais, quadras e bares. Quase cinco décadas depois, o pagode está presente em todo do território nacional e segue no seu des no de superar fronteiras e quebrar paradigmas. Ele passou a ser um dos es los musicais mais ouvidos dentro da comunidade Shalom, que apenas no Rio de Janeiro conta com nove centros de evangelização, espalhados por todo Estado. Com a marca registrada desta galera em que tudo vira festa e alegria, o som do cavaquinho e do pandeiro tem sido uma importante ferramenta de formação cultural. E é tocando pagode de primeira que a banda Sinal d' Paz tem se destacado não apenas dentro da comunidade Shalom. De uma maneira diferente e ousada, os músicos estão conseguindo comprovar que existe qualidade dentro do cenário musical da Igreja Católica. Com este es lo musical derivado do samba e uma influência do pop e do funk carioca, o Sinal d' Paz se u liza de técnicas vocais e instrumentais diferenciadas para atrair a atenção do público não apenas para a sonoridade, mas para os assuntos abordados nas letras. O sucesso tem chegado rápido. Cada vez mais jovens, adultos e todos aqueles que desejam escutar uma boa música católica tem cur do o som do Sinal d' Paz.

mais e mais pessoas paravam para escutar. “Percebemos que este movimento dava muito certo e começamos a pensar em fazer algo mais sério com mais compromisso. Talvez criar um ministério. Uma banda. Mas não passávamos de uma ideia e um desejo”, contou Jefferson Lázaro, integrante da banda. Finalmente, em 2015, eles oficializaram a banda com a aprovação do Shalom. Assim surgiu o Sinal D'Paz. Era o pagode carioca chegando na comunidade para ficar. Formada por nove integrantes, sendo seis missionários da Comunidade de Aliança, o grupo leva alegria por onde passa. Além do pagode, o funk também aparece nos shows. O Sinal d' Paz mudou de forma radical o olhar da comunidade Shalom sobre o pagode. Agora, o pagode passou a ser mais uma via de evangelização. “O pagode dentro do Shalom é algo muito novo. A comunidade abraçou a nossa ideia e apostou no nosso projeto. Acredito que a comunidade, no que diz respeito a es los musicais, poderia ser flexível. Assim, os músicos se sen riam melhor e inves riam mais tempo nos projetos de evangelização por meio da música, usando os mais diferentes rimos”, avaliou Jefferson. O obje vo da banda é unicamente falar de Deus por meio música. E, a par r deste desejo, a comunidade precisa se comprometer em ajudá-los no que for necessário para, assim, tornar a comunidade Shalom ainda mais conhecida.

ORIGEM DA BANDA

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Em 2013, um grupo de amigos se reunia nos intervalos do re ro de Carnaval, chamado Reviver, organizado pela própria Comunidade, para fazer pagode com músicas católicas. O único obje vo era se entreter no tempo livre. Os amigos tocavam pagode e, com as melodias, quebrava os padrões dentro da musicalidade existente no Shalom. Anos se passaram e este passatempo, de tocar nos intervalos do Reviver, começou a se tornar constante e cada vez

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MANÁINDICA

MANÁINDICA

SE LIGA QUEM SÃO OS INTEGRANTES DA BANDA:

“HOJE, NOSSO OBJETIVO É TER AS CONDIÇÕES NECESSÁRIAS PARA OFERECER ÀS PESSOAS UMA OPÇÃO DIFERENTE. QUEREMOS QUE TODOS QUE IRÃO PARA O SHOW E PENSEM 'CARA, EU FUI PRO SHOW DE PAGODE DE UMA BANDA CATÓLICA E EU NÃO VI NADA DE DIFERENTE NA QUALIDADE MUSICAL DE UMA BANDA FAMOSA”

MARKINHOS JEFFERSON PERCUSSÃO

VOCAL

MORETH

SERGINHO

VOCAL

SURDO

MAURÍCIO PANDEIRO

MARCUS TAN TAN

JÚLIO

RUDNEI VOCAL

BRUNO PANDEIRO

CAVAQUINHO

JEFFERSON BANDA SINAL D’PAZ

EXPRESSÕES ARTÍSTICAS Juci Almeida, secretária das Artes do Shalom e responsável por cuidar das novas bandas e ar stas que surgem na comunidade, avalia que não existe um acompanhamento para estas novas expressões ar s cas. “Quando surge uma nova banda, dupla, ou ar sta que tem como obje vo usar o nome da comunidade, não existe um manual de orientação. O que dizemos a eles é para correr atrás e se planejar”, afirmou. Ao redor de todas as missões Shalom pelo mundo, existe mais de 100 novos ar stas, que por inspiração de Deus começaram uma carreira a par r do momento que conheceram a comunidade. Todo ar sta que surge é livre para planejar e fazer o trabalho crescer. Os custos e o valor do cachê são organizados e definidos pelos ar stas.

FOTO: BANDA SINAL D’PAZ

A banda Sinal d' Paz tem feito shows em todo Brasil. Par cipa de eventos organizados pela Comunidade, por paróquias e outros movimentos dentro da Igreja Católica, além de tocarem em casamentos e aniversários. Os locais das apresentações são variados, mas a banda nunca perde a essência do pagode e da missionariedade. FOTO: BANDA SINAL D’PAZ

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FÉ&VERSOS

Nada te perturbe

SHALOM PELO MUNDO

Nada te amedronte

CABO VERDE

Tudo passa

A paciência tudo alcança

Quem tem Deus nada falta

Só Deus basta!

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10 FOTO: FACEBOOK SHALOM CABO VERDE


SHALOMPELOMUNDO

SHALOMPELOMUNDO

ONDE EXISTIR POBREZA, LÁ ESTAREMOS NÓS! EM CABO VERDE NA ÁFRICA, A MISSÃO SHALOM EVANGELIZA OS POBRES QUE NÃO CONHECEM A DEUS.

“A IGREJA AQUI EM CABO VERDE É UMA IGREJA MAIS TRADICIONAL, E O CARISMA SHALOM É MUITO NOVO PARA ELES, NOSSA FORMA DE ANIMAÇÃO, NOSSA FORMA DE REZAR MUITAS VEZES OS ASSUSTA. E SE PERGNTAM 'COMO É QUE VOCÊS DANÇAM NO MOMENTO DE ORAÇÃO? E VOCÊS BATEM PALMA? ' ELES SE ASSUSTAM, MAS SE ATRAEM”, AFIRMA DIEGO.

Por Queila Lazo Há 3 anos atrás, em 6 de agosto de 2017 no país africano Cabo Verde, em uma cidade chamada, Da praia, cuja capital desse país, nasce um centro de evangelização Shalom. Por um convite do Cardeal da diocese local, Dom Arlindo Furtado, os missionários foram enviados para esse lugar com o obje vo de cuidar dos mais pobres e falar do nome de Deus para todos. Com uma população es mada 530 mil habitantes, o país Cabo Verde tem a colonização portuguesa, o que facilita o diálogo dos missionários com todos. Além da raiz católica tradicional presente na cultura e nas famílias cabo-verdianas, falar de Deus e da Igreja Católica se torna mais acessível. Enviados para esse local, os missionários usam da alegria, ousadia e evangelização para realizar eventos católicos e impulsionar a experiência com Deus para jovens, adultos e famílias. Tendo o grande desafio de, mesmo sendo um país católico, precisar levar a experiência de conversão de uma forma diferente, tornando Deus não só um Senhor, mas também um amigo. “O maior desafio que temos hoje é a secularização, onde pensam que a Igreja não é um lugar para eles. Existem diversas famílias desestruturadas, crianças sem pai, pais com mais de uma esposa, onde aquilo que é uma dificuldade torna-se uma oportunidade para evangelizar. Muitas vezes somos confundidos com missionários protestantes, por ser essa novidade na evangelização”, conta Diego Rodrigo, responsável pela missão de Cabo Verde.

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A evangelização na comunidade Shalom é feita de uma forma diferenciada dos outros movimentos da Igreja. Todo o membro da comunidade, seja de qualquer lugar do mundo, de qualquer idade ou tempo de presença na missão, todos são chamados a evangelizar no lugar onde estão inseridos, seja na faculdade, trabalho, família, etc. Nos Escritos da Comunidade Shalom, que é o livro onde o fundador conta sobre o início de toda a fundação, e das inspirações de Deus para implantar o carisma no mundo, que é narrado como deve acontecer essa evangelização. A primeira coisa que se deve ter é cria vidade e ousadia para conhecer a cultura que está inserida a missão Shalom, e nesse local iniciar os trabalhos de evangelização. Quando finalmente descobrir qual o método de chegar naquele povo, deve-se sempre aproximar-se de pessoa a pessoa com cordialidade e escutá-la, atenciosamente, e então no meio desse diálogo, deve-se anunciar o kerygma (Kerygma é uma palavra grega que significa “proclamação”, ou seja, falar sobre o amor de Deus). Por fim, com a permissão da pessoa oferecer um breve momento de oração, e então convide-a para um reencontro (em um Centro de Evangelização, uma missa, um evento), para que a pessoa não se esqueça do evangelizador e para que evangelizador não se esqueça da pessoa, é necessário pedir o contato dela. A missão de Cabo Verde mesmo com pouco tempo de fundação, já percebe que os cabo-verdianos se sentem atraídos a esse es lo de vida da missionariedade. A alegria do anúncio, a vida co diana cercada da presença de Deus, e a oferta radical de vida leva-os a se interessar por aquilo que é apresentado pelo carisma Shalom. “Pra mim a comunidade trouxe algo de muito novo para além de ter uma in midade com Deus, porque antes Deus era só uma pessoa que eu me relacionava aos domingos e eu aprendi com o Shalom a ter uma in midade com Ele no dia a dia mesmo, de poder conversar com Deus a todo o momento e saber que Ele está presente, e por causa disso, do meu reencontro com Deus eu me engajei em todos os eventos e serviços da comunidade, e foram essas coisas que me conquistaram no carisma”, conta Lory Brito, moradora da cidade da Praia e uma das jovens par cipantes da missão Shalom. Quando se pensa na África a primeira coisa que vem à mente é a pobreza, a baixa escolaridade, fome e uma vida totalmente cercada de baixos recursos para se viver com qualidade. Porém, em Cabo Verde, o foco da evangelização não é esse, e sim os jovens universitários. Lá, eles entendem que o grande pobre é aquele que não tem Deus, independentemente de sua condição de vida, os alvos da evangelização são ricos, pobres, jovens ou adultos, sem a dis nção de pessoas.

Dentro da Comunidade Shalom existe um serviço que cuida exclusivamente dos pobres, que é a promoção humana, onde são desenvolvidos projetos voltados às pessoas em situação de rua e abandono, que são contempladas por ações permanentes, tais como a vidades espirituais, de profissionalização, tratamentos terapêu cos em vista da reinserção social. Além disso, há também visitas a penitenciária, grupos para dependentes e exdependentes químicos, visitas em hospital e orfanatos e diversas outras a vidades. Em Cabo Verde ainda não existe esse serviço, mesmo sendo de total necessidade. Segundo o site da Central Inteligence Agency (CIA), a população Cabo-verdiana que está abaixo do nível de pobreza é de 30%. “No Cabo Verde o nosso foco não é a promoção humana, e isso não é um mérito e nem um demérito, mas queremos que esse serviço seja implantado logo! Precisamos cuidar desses filhos prediletos de Jesus”, afirma Diego. Mesmo com alguns limites para evangelização, com baixos recursos e número de pessoas para auxiliá-los, a missão de Cabo Verde é alvo para expedições missionárias e referência para toda a Comunidade Shalom, como um lugar que reconhece no outro a face de Deus.

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SHALOMPELOMUNDO

SHALOMPELOMUNDO

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“PORQUE ANTES DEUS ERA SÓ UMA PESSOA QUE EU ME RELACIONAVA AOS DOMINGOS E EU APRENDI COM O SHALOM A TER UMA INTIMIDADE COM ELE NO DIA A DIA”

MEMBROS DA COMUNIDADE DE VIDA

100

MEMBROS NA OBRA

1

ALIANÇA MISSIONÁRIA

4

(LORY BRITO, JOVEM DA OBRA)

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GRUPOS DE ORAÇÃO 4 JOVENS | 3 MISTOS | 1 ABERTO

MINISTÉRIOS EVANGELIZAÇÃO | PRIMEIRO ANUNCIO PASTOREIO | ARRECADAÇÃO

3 ANOS

FUNDAÇÃO

2019

PRIMEIRO VOCACIONAL

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O QUE OS JOVENS ACHAM DA COMUNIDADE... O QUE ELES MAIS GOSTAM:

O QUE ELES MUDARIAM:

70%

70%

50%

50% 40% 30%

40% 30% 20%

ARTES (DANÇA / MÚSICA / TEATRO)

CARISMA

RADICALIDADE

ALEGRIA

ULTIMAS ZELO LITÚRGICO OLHAR CRÍTICO ESTRUTURA NÃO MUDARIA MÚSICAS LANÇADAS DE UNS COM (CENTRO DE NADA OS OUTROS EVANGELIZAÇÃO / HORÁRIOS / FALTA DE FORMAÇÃO)

*pesquisa feita por formulário para jovens da Comunidade Shalom no Brasil.

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PRINCIPAL

PRINCIPAL

ATE ONDE OS ESTATUTOS DA COMUNIDADE SHALOM É SEGUIDO PELOS SEUS MEMBROS PARA AVANÇAR NA EVANGELIZAÇÃO?.

Por Queila Lazo

ENTÃO FAÇA O QUE FALA!

A Associação privada internacional de fiéis, também conhecida como Comunidade Católica Shalom existe há 36 anos, hoje está presente em 30 países, possui 166 missões e mais de 10 mil membros espalhados pelo mundo inteiro. Com essa grande proporção de pessoas envolvidas no trabalho de evangelização, a comunidade sofre com alguns desafios para realizar seu obje vo, que é anunciar a palavra de Deus para as nações. Desde a inauguração, Moyses Azevedo, o fundador da comunidade, deixa bem claro que as pessoas que livremente escolheram viver com o es lo de vida 'Shalom' devem entender que existe dificuldades que serão presentes a cada momento. O es lo 'Shalom' não é muito diferente de outros es los de vida que acontecem ao redor da sociedade, dentro dessa realidade a pessoa vive profundas dores e profundas alegrias, o problema é que essa vivência muitas vezes leva-os a sobreviver com incoerências aquilo que diante de Deus prometeram fazer. Ao ingressar na comunidade o membro recebe os Estatutos, que são as regras que irão conduzir todas suas escolhas, como escolher uma peça de roupa, até o que sen r em relação ao outro. Acredita-se, portanto, que vivendo segundo essas regras, o caminho terreno torna-se um caminho de e para a felicidade eterna. Alguns, ao invés de viver seguindo essas regras, decide viver aquilo que pensa e deseja, deixando a comunidade ser contagiada por esses pensamentos e desejos que não condizem com o Carisma Shalom. Conversamos com Isabella Siqueira que seguiu os ensinamentos da comunidade durante 4 anos e a par r disso percebeu que não conseguiria lidar com esse es lo de vida. “A par r do momento que você deu a sua vida a Comunidade Shalom você sabia qual eram as consequências que viveriam ali, você tem que aceitar uma vida pobre. E o que eu fui percebendo é que as pessoas ali não querem saber de pobreza, não querem saber de renunciar os bens, muito pelo contrário, elas supervalorizam muito, além de exis r a questão da famosidade, de querer status”, conta Isabella. Dentro da comunidade, quando chegam a um determinado tempo de formação, os membros escolhem realizar os votos dos conselhos evangélicos, que são aspectos da vida de Cristo pelos quais os religiosos vivem a restrita uniformização com Jesus, na tenta va de se tornarem "novos Cristos" para a Igreja. Através destes votos, os membros seguem as cons tuições da comunidade, vivendo os conselhos evangélicos segundo o carisma do grupo religioso. Os votos mais comuns são os de obediência, pobreza e cas dade.

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A vivência desse carisma com todas essas restrições pode muitas vezes ajudar o membro a uma ordem interior e exterior, mas também pode levá-lo a distorções psicológicas que o impedem de viver uma vida 'normal'. A Radicalidade evangélica dita nas missões é muitas vezes tachada de 'pode e não pode' como imposição de valor, baseado apenas em a tudes que o membro deve tomar, mesmo se essas a tudes não realizam o bem pessoal e comunitário.

“EU VEJO QUE O SHALOM É UM MUNDO TÃO FECHADO SÓ NELE, E ÀS VEZES ELES ACHAM QUE A COMUNIDADE É MAIOR QUE A PRÓPRIA IGREJA, ENTÃO FICA TÃO FECHADO NO MUNDO DELE QUE VAI ENTRANDO EM UMA FORMA, UM PADRÃO DE REZAR, UM PADRÃO DE PENSAR, UM PADRÃO DE SE VESTIR, UM PADRÃO DE RESPONDER A IGREJA DE ALGUMA FORMA, E ISSO PERDE A IDENTIDADE DA PESSOA, E ELA VAI PERDENDO QUEM ELA É, E A GENTE SABE QUE EXISTE UMA SANTIDADE PRÓPRIA PRA CADA PESSOA AINDA QUE ELA ESTEJA NO MESMO LUGAR QUE UMA MULTIDÃO” ISABELLA. 18


PRINCIPAL

PRINCIPAL

Não podemos abranger essa ideia para todas as casas de missões que existem pelo mundo, mas pelo menos 30% das pessoas de cada centro de evangelização tem essa ideia que a Comunidade Shalom é um lugar de 'pode e não pode'. Porém, para um segmentode Cristo é necessário ter auten cidade, reconhecer quem é Deus para assim conhecer a sua própria personalidade. Em algumas situações, a pessoa antes de conhecer o carisma Shalom, não conseguia iden ficar quais seus gostos e seus costumes vivendo apenas por influências midiá cas e familiares, mas após um tempo de experiência vocacional na comunidade percebe sua profunda iden dade. Como aconteceu com Eliane Pires, ex-membro da missão de Santo André – SP, que hoje se alegra por tudo que descobriu no tempo que viveu em comunidade. “O que a comunidade me trouxe foi o autoconhecimento, no ser mulher, percebendo que eu não preciso seguir um padrão imposto pela sociedade, mas que eu posso ser feminina do meu jeito, e do jeito que Deus me criou para ser”, confirmou Eliane.

O Erick, ao sair da comunidade não recebeu atenção e nem a presença de muitos daqueles que ele denominava como amigos, os próprios formadores e suas autoridades afastaram-se dele para não precisar lidar com seu problema. “ Todos aqueles que ele conhecia, principalmente na comunidade, deveriam estar mais próximos dele e levando-o para mais perto. Acho que no fundo, ele sen u falta dessas presenças”, afirmou Bruno. A comunidade como uma ins tuição religiosa tem o dever de cuidar do ser humano de uma forma diferente que o 'mundo' cuida, tendo um olhar de compaixão e vivendo fielmente aquilo que lhes é proposto. A comunidade só será resposta para a humanidade de hoje quando os membros viverem aquilo que está escrito nos papéis. Mesmo com os limites pessoais que todos precisam lidar, existe sim uma saída para transbordar o amor de Deus e resgatar aqueles que sofrem no meio comunitário, os que sofrem nas margens da sociedade.

O CARISMA SHALOM É ALGO SANTO DADO POR DEUS, ENRAIZADO NOS CORAÇÕES DISPOSTOS TEM O PODER DE TRANSFORMAR VIDAS E REALIZAR O IMPOSSÍVEL. BASTA APENAS VIVER UM DIA APÓS O OUTRO NA CERTEZA DE QUE CADA UM É SINAL DE ESPERANÇA PARA O OUTRO.

A evangelização da comunidade Shalom conta com processos forma vos de autoconhecimento e descoberta da história que a nge os membros, fazendo-os refle r sobre seu passado e levando ensinamentos evangélicos para o presente. Alguns membros da comunidade, seguem fielmente as regras, porém, por causa de traumas passados e profundas decepções não aguentam conviver com a disciplina e acabam saindo da comunidade. Erick era um dos membros da comunidade que sofreu isso, com sua infância tribulada por causa de conflitos familiares, viveu por alguns anos dentro da comunidade, mas após pedir o desligamento, afastou-se da Igreja, adquiriu a depressão e cometeu o suicídio em Abril de 2019. “Ele sen u falta dos amigos depois que saiu, ele se isolou e carregou sozinho todas as questões que estavam dentro dele”, declarara Bruno Oliveira, amigo do Erick. A comunidade, nesse caso, não é bem preparada para receber e acolher pessoas com doença psicológicas, muitas vezes rotula-os como falta de oração. Mesmo percebendo que a oração sem a ação não responde as necessidades das pessoas. Acontece que ao invés de levá-lo para mais perto do seio comunitário, coloca o enfermo afastado de todos para 'não causar problemas'.

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NOSBASTIDORES

O VERDADEIRO PROGRESSO É INTERIOR! Uma vez escutei a frase de Santa Teresa de Calcutá que diz “Se eu pudesse mudar algo na Igreja, eu mudaria primeiramente a mim mesma”, e achei fantás ca a ideia da frase e a ideia que a própria Santa pregava. Porém, nunca achei possível que eu pudesse algum dia mudar a Igreja mesmo vendo coisas que me incomodavam dentro dela. Até que ao decidir cursar Jornalismo sen a Deus me dizendo: Vá e mostre ao mundo como o mundo realmente é. O mundo é grande demais para que eu pudesse falar dele, então comecei falando e mudando o mundo no qual eu estou inserida que é a Comunidade Católica Shalom. Nas minhas orações quando estava pensando sobre o tema dessa revista, me lembrei de algo que Moyses Azevedo disse no CJS em São Paulo:

Ainda acreditando que a mudança começa de dentro para fora, a reportagem 'fale então faça' foi elaborada porque percebi que era eu quem vivia essas inconstâncias na vocação, era eu quem estava sendo influenciada de uma maneira nega va, era eu quem era pressionada a uma mudança radical que me fazia perder a minha iden dade. Quando aconteceu o suicídio do Erick, mesmo não sendo próxima dele, percebi que eu poderia sim ter escutado os gritos silenciosos que ele deu ao longo do tempo. Uma das entrevistadas me disse o seguinte: a comunidade Shalom só é muito boa para quem tem a vocação. Isso ficou na minha cabeça até hoje, onde eu percebi que não, isso não é a verdade! A verdade que eu vivo e acredito me diz que a Comunidade Católica Shalom é boa para todos, só basta eu ser a mudança que desejo ver.

Queila Lazo – Editora Chefe queilasofiahsm@hotmail.com

“FALE DE DEUS NA SUA CASA, FALE DE DEUS NO SEU SERVIÇO, FALE DE DEUS NO MEIO UNIVERSITÁRIO”

E a par r disso, me sen impulsionada a elaborar essa revista, cujo único obje vo é falar de Deus. Todas as editorias ao longo dessas páginas que você acabou de ler refletem um olhar crí co e inves ga vo de um tempo de pesquisa que fui percebendo no seio da Comunidade, onde através de todos os elementos visuais e textuais, te levam a perceber que a mudança começa de dentro para fora. Na editoria de 'Maná indica' a banda Sinal d' Paz revela que a ousadia de criar uma banda de pagode quebra paradigmas dentro do meio musical da comunidade e leva a todos a perceber que: sim existe música de qualidade dentro da Igreja Católica!

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Quando pensando em Shalom pelo Mundo, logo já percebemos a proporção que hoje o Carisma Shalom pode a ngir e ao entrevistar os cabo-verdianos percebi que se não fosse essa revista eu nunca iria conseguir realizar esse po de conquista internacional.

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Revista Shalom by Rede Código - Issuu