ANO 1 | EDIÇÃO 1 | NOVEMBRO DE 2019
CASSIANO KRUGER
COMPOSIÇÕES AO SOM DO MAR BACKSTAGE
DO SINGLE
MÚSICA PELO MUNDO
ALEMANHA | BOLÍVIA ÍNDIA | LETÔNIA
editais de
incentivo
COMPO AO SIÇÃO
LEITOR
E
xistem vários debates sobre os caminhos que a música irá trilhar. Fato é que todo o cenário está se reinventando por causa das tecnologias. Hoje temos certeza que nossos plays vão render alguma monetização para a obra do artista. Gravadoras e artistas se beneficiam desses tipos de serviços, devido a grande visibilidade gerada pelas plataformas. O mundo inteiro pode te ouvir, basta estar online. Contudo, estar no streaming é como ser uma gota no oceano. A Disturb existe para mostrar aos consumidores de música, artistas e curiosos que há mais do que está nas paradas mundiais. Percebemos que o mercado independente é muito grande e pouco divulgado, nossa missão é trazer esse conteúdo para você. Nas páginas dessa edição, o leitor irá encontrar o por trás do single. Profissionais do setor contam o processo de produção até a distribuição da música. Encontrará a melodia praiana de Cassiano Kruger, o coral gospel do Ministério S.E.T.E e a carreira solo do Victor Salles. Vamos viajar pelo mundo e escutar bandas que cantam em outros idiomas e ritmos. Trazemos uma análise sobre editais de incentivo e uma agenda cultural repleta de shows da cena independente. Esta revista é uma homenagem à música independente e ao próprio veículo de comunicação, que resiste. Assim como os artistas.
Mateus Borge, editor
EDITOR-CHEFE Mateus Borge
ORIENTAÇÃO Prof. Me. Luiz Lazáro
REDAÇÃO E FOTOGRAFIA Mateus Borge
FEAT. Allana Machado Camila Fonseca Diego Siliprando Marina Santana Mylla Stefany Wesley Santana
DIAGRAMAÇÃO Mateus Borge
Revista experimental apresentada ao Curso de Jornalismo da Universidade Cruzeiro do Sul, como parte dos requisitos para obtenção do título de bacharel em Jornalismo.
EX PEDI ENTE
traCK Por onde começar pág. 06 ENTRE O MAR E A MÚSICA
(feat. CASSIANO KRUGER) pág. 08
Gospel Independente
(feat. Will Lopes e o Ministério S.E.T.E) pág. 12
Victor Solo
(feat. Victor Salles) pág. 14
list mÚSICA PELO MUNDO pág. 16 O QUE SÃO EDITAIS DE INCENTIVO?
pág. 20
Agenda pág. 21 EXISTÊNCIA MUSICAL Na internet
pág. 22
Por onde começar Saber os passos inciais para lançar uma música é essencial para um bom começo de carreira. Hoje contamos com serviços distribuição que ajudam a divulgar a música para todos os canais de distribuição. Conversamos com produtores e profissionais do setor para explicar como funciona e o que o artista precisa saber POR MATEUS BORGE
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ue começar uma carreira na música é complicado todo mundo deve imaginar, mas transpor essas dificuldades para a cena independente é um exercício que devemos praticar para perceber o quanto esses profissionais lutam para serem ouvidos. Ainda bem que durante todo esse percurso temos profissionais atuantes no mercado que auxiliam na produção das músicas e até em sua distribuição para os serviços de streaming. Entender o por trás dos bastidores do primeiro single é essencial para começar a carreira de forma positiva. Além de buscar se aperfeiçoar nas habilidades musicais, o profissional precisa se preocupar com boas práticas do setor e ainda como irá distribuir as suas músicas. Um dos passos mais importantes para a construção da música
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é encontrar um produtor musical que entenda a sua forma de pensar e consiga extrair o melhor dela. Wilson Souto, vice-presidente da ABMI – Associação Brasileira da Música Independente e produtor na Atração Fonográfica define que o produtor é um orientador “Ele tem uma função, orienta artisticamente o cantor e, ao entender a personalidade dele, pode propor músicas”, explica. Essas músicas podem ser de composição do cantor ou banda, ou apenas uma interpretação ou regravação. O que define isso são as características de cada artista. GRAVAÇÕES E EDIÇÕES Depois de definir o estilo musical ou as músicas que serão gravadas é necessário criar arranjos, instrumentos e estruturas musicais que serão
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usados. Geralmente as bandas e cantores ensaiam o que foi pré produzido para aproveitar o tempo de estúdio. A gravação de uma música, EP ou CD pode acontecer em qualquer estúdio. Na cena independente existem várias gravadoras que podem ser produtoras também, como é o caso da Produtora Catarse do Ignácio Salvati. A empresa que começou como conteúdo para áudio visual e publicidade tem se dedicado à cena independente desde 2018. Para gravações, Ignácio, produtor e arranjador da Catarse acredita que trazer os próprios instrumentos seja o melhor caminho “É sempre legal quando o artista traz o próprio instrumento, por uma questão de costume. Mas, aqui temos o que precisar para gravar, inclusive temos parcerias com outros estúdios que
possuem outros equipamentos”, explica. Também sendo uma produtora, a Catarse consegue auxiliar o artista em composições; contudo, Ignácio revela que prefere focar na parte de arranjos “Prefiro cuidar dos arranjos, produção musical mesmo, mas estamos disponíveis para ajudar com dicas. A letra vem sempre da pessoa, é a perspectiva dela”. Depois de passar pela gravação, a música vai para os processos de edição, afinando vozes, corrigir sons, automações de volumes e preparar tudo o que foi gravado para a mixagem da música. Onde o profissional faz soar da forma esperada tudo o que foi gravado, unindo sons e canais e transformando na música em arquivos prontos para serem trabalhados pela masterização, que transforma os arquivos que passaram por todo o processo de produção em um arquivo final que chegará para o consumidor final. DISTRIBUIÇÃO O último passo é decidir como será publicado o seu trabalho. Salvati comenta que trabalha
com fonogramas, mas vê como um cartão de visitas “Disco não se vende mais e a porcentagem que você recebe do streaming em cada play é muito baixa. É uma forma de mostrar o trabalho, mas querendo ou não essa renda vem sempre dos shows”.
“Disco não se vende mais e a porcentagem que você recebe do streaming em cada play é muito baixa” Ignácio Salvati, Catarse Produções
Os shows representam boa parte da renda de um artista, já que todo o lucro recebido pela música deve ser compartilhado com todos os responsáveis por sua criação. Uma das melhores formas de divulgar seu trabalho são os serviços de streaming. O Spotify,
uma das plataformas mais acessadas conta com 232 milhões de usuários ativos por mês, sendo 21% da América do Sul, segundo dados fornecidos em divulgação trimestral da empresa. Apesar da alta adesão aos serviços digitais pelos usuários, o retorno financeiro para os artistas ainda é muito baixo, sendo apenas 108 milhões de usuários pagantes no serviço. Para a música gravada estar disponível e atrair públicos é preciso que o artista ou gravadora contrate serviços de distribuições, que podem incluir a distribuição física de CDs em lojas. A Tratore é uma das empresas que trabalham com essa funcionalidade: possui um catálogo vasto e é possível ver nos serviços a tag [dist. Tratore] em canções de artistas independentes. Um serviço como o da Tratore custa R$ 50 para a distribuição digital e R$ 240 para o físico “Temos uma equipe de contato comercial que descobre artistas. Às vezes entramos em contato ao perceber que não está nas plataformas, mas na maioria dos casos o contato é do artista ou gravadora”, explica Maurício.
A ABMI oferece oficinas de capacitação para plataformas digitais voltadas para profissionais da música. Viajando por sete capitais brasileiras, os representantes ensinam aos músicos como usar as plataformas digitais de forma ética e prática. O evento é gratuito e as inscrições são feitas através do site www.abmi.com. br/giro-digital-abmi. Wilson Souto afirma que o programa é para “Mostrar para o artista qual o caminho que ele pode ter dentro de uma companhia brasileira ou não, entender o que se pode conquistar com a internet”.
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Aperfeiçoamento para plataformas digitais
Mesa de controle em estúdio de gravação
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ENTRE O
mar E A MÚSICA
Conheça as melodias praianas de Cassiano Kruger que já foram compostas para conquistar corações e para passar mensagens de paz TEXTO E FOTOS POR MATEUS BORGE
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ntrar nas redes sociais de Cassiano Kruger ou navegar por seu site é como visitar a praia. Sua foto de perfil no Instagram @cassianokruger e seu site www.cassianokruger.com com um fundo de oceano em movimento apresentam para o ouvinte o que ele está prestes a escutar. O gaúcho de 37 anos mora há 14 anos na cidade de São Paulo e se aventura pela Avenida Paulista da mesma forma que anseia pelo mar em um dia de Sol. Suas músicas refletem as histórias que vive, acompanhadas de ritmos que combinam com um dia calmo no litoral ou um passeio no centro da cidade grande. Seu mais recente trabalho musical é o single Perto do Mar, produzido pela Comboio Records e distribuído para as plataformas digitais pela Onerpm. Na música o cantor harmoniza com o ritmo do reggae os versos “Eu vou sair daqui / Eu sei que vou voltar / Pode me achar perto do mar”. Algo que lembra muito o subgênero surf music, Cassiano sempre traz essa percepção de praieiro, apesar de surfar sempre que pode ele afirma que “é um hobbie e terapia. Mesmo que
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você não pegue onda nenhuma, a rotina de se preparar para entrar no mar já é uma coisa muito boa do surf”. Em uma visão privilegiada do bairro Jardins, em São Paulo, Cassiano encontra-se com a gente no rooftop do edifício onde mora. Ele conta que é um local em que recebe amigos em rodas de música, festas e conversas. O clima aconchegante ultrapassa o local e atinge a nossa entrevista. Profissional de atuação, modelo e cantor: Cassiano diz que “é importante a gente passar por vários caminhos pra poder entender o que gosta e o que não gosta de fazer”. Formado em economia, o músico também possui registro DRT para ator e confessa que ficou dividido ao ter que escolher entre cantar ou atuar. Entre testes para comerciais de TV e novelas, ele lançou suas quatro primeiras músicas. Acabou focando em estudar música em um reservatório “a música me agradou no sentido que tenho a liberdade de imprimir coisas minhas que acho importantes, coisas pessoais, mensagens, sentimentos, expressões”.
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Mas a música não surgiu em sua vida nos últimos anos. Seu pai foi uma das suas maiores inspirações, com um violão em casa sem uso, com 12 anos começou a aprender a tocar o instrumento. “Com 15 anos eu formei uma banda de pagode no meu colégio para tocar no festival de música”, ele brinca que naquela época o pagode fazia mais sucesso que sertanejo. Aos poucos o artista foi percebendo que o tipo de música que
gostava de tocar se aproximava de ritmos como MPB e reggae “Eu defino minha música como brasileira. No MPB é onde mais me encaixo, apesar de que todos os rótulos do gênero apontam para o movimento em si e os artistas consagrados”. Cassiano acredita que hoje é possível ter várias vertentes desse movimento, aliado a sua conexão com a natureza “algumas músicas caem para o reggae, outras caem para o MPB, mas eu não me sinto como
Cassiano Kruger já criou músicas para reconquistar o amor e também sobre suas maiores inspirações, seu pai e a natureza
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um reggaeiro. Pra ter essa liberdade de compor umas músicas mais românticas, só com voz e violão, acredito que a MPB seja o estilo de música que mais abrange o que eu faço”. STREAMING E SHOW COMO FONTE DE RENDA Atualmente suas músicas são produzidas e gravadas pelo coletivo Comboio Records, um grupo de produtores e artistas que são comprometidos com a arte, inovação e empreendedorismo, de acordo com informações da própria empresa. A Onerpm fica responsável pela distribuição da música em plataformas digitais. Cassiano conta que sua produtora já possuía o contato com a distribuidora “É importante o produtor estar alinhado com esse tipo de distribuidora. É uma coisa que só vejo funcionar, eles não têm custo alto. Em média são 50 reais pagos para subir as músicas. Então o trabalho de subir é fácil”. Apesar das plataformas de digitais terem diminuído o consumo de pirataria, o retorno financeiro para o artista ainda é muito baixo. Cassiano conta que tenta não depender do valor gerado pelos plays em suas músicas “O streaming só vai ser fonte de renda pra quem já é famoso. E o dinheiro que recebe não vai só para o músico, tem que dividir o valor entre produtores, banda, gravadora, distribuidora e tudo o que envolve a música”. Para complementar a sua renda, Cassiano tem sua produtora de vídeos que produz seus videoclipes, conta com trabalhos como modelo para publicidade e realiza shows semanais. Faz alguns shows beneficentes, mas seus trabalhos são pagos pelas casas de show “Podemos fazer um couvert ou algo variável, mas eu vejo que realmente, é importante ter uma profissão. Continuo trabalhando como modelo e
ator de publicidade porque sim, é necessário ter uma fonte de renda, acabei nesse último ano investindo em câmeras e fiz meus próprios videoclipes”.
“Se vier algum incentivo do governo vai ajudar, mas eu não sou dependente disso”
SEU CARTÃO DE VISITAS NA INTERNET Usar as redes sociais para divulgar os trabalhos que realiza é uma das ferramentas disponíveis para aumentar público, assim como as plataformas de música. “O streaming é um indicador que te abre portas, porque as pessoas conhecem através disso e depois começam a chamar para shows”, Kruger comenta. Contudo, o cantor é cobrado constantemente por sua equipe para ser mais engajado nas redes sociais “Eu não tenho essa habilidade. Publico bastante coisa, mas fazer perguntas pessoais para os meus seguidores, não faço. Sei que isso ajuda, tentei algumas vezes e funcionou, mas eu tenho um lado de não ser tão público”, comenta. CENÁRIO INDEPENDENTE E A CULTURA Tentando construir seu próprio caminho, Cassiano revela que se participasse de algum incentivo cultural iria ajudar, mas não quer depender disso para cantar. “Se vier algum incentivo do governo vai ajudar, mas eu não sou dependente disso. Busco viabilizar as minhas coisas”, completa. Com os cortes de cultura no país, sendo de 23% no orçamento só da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo, o cenário independente e outras áreas vão sofrer as consequências. O cantor acredita que todos devem fazer a sua parte sem atacar uns aos outros, “uma das músicas que estou produzindo agora que fala de paz. Todo mundo quer paz, mas a pessoa só bota ódio no que
Cassiano trabalha como modelo para gerar renda extra, esse dinheiro possibilitou a aquisição de equipamentos para gravar seus videoclipes
faz, entra na internet e usa palavras muito pesadas e quer paz”. Quando questionado sobre se existe preconceito no mercado com artistas independentes, o músico afirma que não. “Acredito que cada vez mais as coisas estão se misturando. Podemos ver participações do samba com axé, axé com sertanejo, funk. Acho que também estamos acabando com esse preconceito de nicho que precisava seguir comportamentos”, finaliza o cantor.
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Wesley de Paula
Gospel INDEPENDENTE Prestes a lançar seu primeiro single nas plataformas digitais o coral Ministério S.E.T.E enfrenta as adversidades normais de qualquer músico na cena independente POR MATEUS BORGE
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Wesley de Paula
Will Lopes e o Ministério S.ET.E no concurso Louvai em Guarulhos, o qual ganharam em primeiro lugar
Se viver de música independente já é complicado para quem produz músicas que conversam com públicos de nichos variados, estar em um cenário independente no contexto gospel é ainda mais difícil. O S.E.T.E, formado em 2013, é um grupo de coral gospel que de forma itinerante leva a mensagem evangélica pelas igrejas, principalmente na cidade de Guarulhos em São Paulo. O grupo se chama Will Lopes e o Ministério S.E.T.E, cujo líder concedeu entrevista para a revista e nos contou como funciona o grupo e o que precisam enfrentar. Atualmente, o grupo está em preparativos de lançamento do seu primeiro single. Will Lopes canta desde os 12 anos de idade e começou na igreja, onde seguiu liderando os corais de jovens e adolescentes. Em sua caminhada, o cantor aprendeu a produzir arranjos vocais e liderou um grupo de 300 vozes. Com a formação atual o grupo já ganhou diversos concursos e em 2019 ficou em primeiro lugar no Festival Louvai Guarulhos. “Somos uma banda cristã que não representa uma igreja específica, cada integrante é de uma igreja evangélica”, define o líder. Seu canal do Youtube tem apenas dois vídeos lançados, e atualmente o grupo está em estú-
dio produzindo seu primeiro single que deve ser lançado neste ano “A canção de chama ‘Provisão’ e foi gravada no Estúdio Dissenso, um dos melhores da América Latina. Estamos contando os dias para o lançamento nas plataformas. A música já foi lançada oficialmente na Marcha para Jesus de Guarulhos, neste ano, contando com a presença de 20 mil pessoas”. Will Lopes conta que uma das maiores divulgações que eles possuem estão nas igrejas e eventos evangélicos. “Inicialmente, não temos investido em patrocínio de postagens, por exemplo. Isso será feito a partir do lançamento do single”. Como qualquer artista independente em começo de carreira, o grupo precisa de outras rendas para manter-se na música “Como profissionais da música, nós enfrentamos o que todo artista no Brasil enfrenta: a falta de investimento em arte e o alto custo das produções independentes. A galera tem que trabalhar em outras áreas para ganhar o dinheiro que paga as contas, e isso traz outras dificuldades como a disponibilidade para ensaios”.
Coral e Sync 3, e os cantores gospel mais conhecidos como Aline Barros e o Livres Para Adorar. Com o anúncio do single tocado pela primeira vez na Marcha para Jesus de Guarulhos, as perguntas em torno de um álbum surgiram. O líder afirma que querem muito lançar um álbum, mas que não é o foco no momento “Hoje entendemos que seja mais estratégico gravar singles e depois de um tempo, uni-los em um EP que inclua os singles já lançados e um ou duas músicas inéditas. O custo do EP é muito mais viável do que o de um álbum completo”, finaliza. O single será lançado ainda em novembro nas plataformas digitais e um lyric video no Youtube. Já o clipe oficial está programado para dezembro desse ano.
O FUTURO DO GRUPO Sua maiores inspirações como coral são os grupos Kemuel, Raiz
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Victor Solo Após romper com a banda Efelix, Victor Salles conta as principais diferenças que sente como artista solo
Pedro Felsinger
POR MATEUS BORGE
Victor Salles em ensaio para as suas redes sociais, para criar engajamento com seus seguidores
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Investir em divulgação nas redes sociais parece ser o melhor caminho pra conquistar o público que está na internet. Quando suas músicas conversam com os jovens sobre temas de amor e desilusão o retorno se torna ainda mais eficiente. Com EP recém-lançado nas plataformas digitais, o cantor de 28 anos, Victor Salles, investe seu tempo em divulgações, fotos e contato com os seguidores para alavancar a sua carreira. O artista já fez parte de uma banda voltada para o “rock de garagem” e hoje está em carreira solo. Durante sete anos como vocalista na banda Efelix, Victor tocou em bares ao lado de seus amigos e lançou músicas no Youtube “Na época da banda a gente tocava muito em bares com músicas de outros artistas e colocava nossas musicas entre elas e apostava mais em conhecer a galera pessoalmente, conhecer mais gente próxima do bairro da cidade”. Em carreira solo desde o começo de 2018, o cantor está tentando fazer as coisas de forma diferente. Ele revela que seu objetivo agora é “focar bastante em Instagram, Spotify, tentar colocar as minhas musicas nas playlists prontas com outros artistas maiores, é uma aposta que estou fazendo diferente por causa das dificuldades”. Apesar de ter terminado o ciclo com a banda no ano passado, ele revela que tudo terminou bem ao perceberem que seus objetivos estavam diferentes “a gente era muito novo, eu tinha 19 anos quando tudo começou. Tínhamos ideias em comum, mas é igual um namoro: vai crescendo e às vezes per-
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cebe que crescemos diferente”. Seus amigos e parceiros seguiram carreiras diferentes, um deles deu um tempo da música, outros dois queriam continua cantando cover em bares “Tocar versões não é o que gosto de fazer, tentei um pouco com eles, fiz alguns shows com eles, mas não era o meu foco e comecei a pensar em carreira solo”. DIFERENÇAS ENTRE BANDA E SOLO Se quando estava com a banda o cantor precisava decidir tudo em grupo, atualmente Victor Salles é quem vota por suas próprias ideias “A banda tinha quatro pessoas, então todos precisavam concordar para algo acontecer, é uma democracia. Agora só tem eu para decidir. As coisas fluem mais rápido e eu consigo dar um toque mais pessoal para tudo”. Mas não é são só decisões pessoais que ele precisa tomar no dia a dia. A decisão de focar nas redes sociais foi levando em conta a quantidade de pessoas que consegue alcançar em seus shows “um show meu sozinho é mais complicado. Prefiro fazer menos shows e focar em conseguir um público maior, pra quando fizer um show as pessoas presentes vão estar lá pra me ver”. Com a banda eles tinham o foco de conquistar o público que já estava no local. Apesar de estar no começo desse processo ele diz que “as respostas estão positivas. Eu estou gostando bastante dessa nova fase, desse novo estilo ainda estou me acostumando, aprendendo bastante coisa”.
Victor Salles aponta que apesar do lado financeiro ser um pouco complicado, com a banda ele não tinha como controlar quando fariam algo “Nós dividíamos em quatro pessoas, agora eu tenho que me virar. Naquela época se um de nós não tinha dinheiro o projeto não saía. Sozinho eu sei exatamente quando as coisas vão acontecer”. DE ONDE VEM O DINHEIRO? Como todo artista iniciante na música, principalmente na cena independente, o dinheiro é uma questão. Assim como outros artistas, Victor precisa complementar sua renda com os trabalhos como designer, sua formação “Não penso no streaming como renda por enquanto, precisa ter uma quantidade grande de visualizações e plays para gerar receita. A música por enquanto está em uma fase de investimento, então preciso complementar a renda com design”, explica o cantor.
“PREFIRO FAZER MENOS SHOWS E FOCAR EM CONSEGUIR UM PÚBLICO MAIOR, PRA QUANDO FIZER UM SHOW AS PESSOAS PRESENTES ESTARÃO PARA ME VER”
OS PRÓXIMOS PASSOS
Pedro Felsinger
Apesar de estar feliz com o retorno inicial do lançamento do seu EP, Victor pretende alcançar mais pessoas entrando nas playlists do Spotify “Em dois meses vou lançar algumas músicas e vou mandar para avaliação deles com um mês de antecedência. Se eles aprovarem, vou alcançar muita gente”, completa.
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MÚSICA PELO MUNDO O
s algoritmos podem ser ótimos auxílios na busca por músicas novas, desde que elas estejam próximas do seu gosto musical. Aplicativos como Spotify, Youtube e Deezer, utilizam dados para indicar ao ouvinte o que possivelmente mais vai agradar. É como as redes sociais funcionam, só que nesse caso em um contexto de áudio visual. Os aplicativos possuem playlists, rádios personalizadas e até mesmo categorias de descobertas que permitem escutar músicas que não estão marcadas como favoritas ou que já tenham sido adicionadas. Mas, o aplicativo não vai te indicar uma música pop da Alemanha, mesmo que você ame música pop, simplesmente porque não é algo próximo do seu idioma.
A Disturb utiliza esses aplicativos para descobrir tanto artistas independentes quanto músicas que não dá nem pra pronunciar o nome. Pensando nisso, trouxemos 4 bandas/ artistas que você provavelmente nunca escutou em idiomas que você só sabe que existe por causa das aulas de geografia. Um dos critérios para essa seleção é a quantidade de ouvintes no país. Os artistas não possuem ouvintes em nenhuma cidade do Brasil entre as cinco principais. Convidamos quatro jornalistas que também utilizam serviços de streaming para comentar sobre os artistas. Em cada edição vamos pintando o mapa, até completar o mundo da música!
BANDA MAMMUT - BOLÍVIA Idioma: Espanhol Gênero musical: Rock Convidada: Marina Santana - @marisntn Espanhol nunca me foi um idioma estranho. Apesar de já ter pesquisado bandas que cantam em espanhol por querer ouvir a beleza da pronúncia do idioma, ainda mais de pessoas que o têm como idioma materno, e de também já ter escutado músicas do mesmo gênero, nunca havia ouvido MAMMUT. Errante é um álbum equilibrado. A energia é consistentemente variável, e, como todo álbum, tem suas músicas mais e menos agitadas. O som da guitarra é sempre presente, mas seu tom varia sutilmente. Os títulos das músicas funcionam como se os músicos tentassem resumir quase três minutos de versos em uma palavra só. Nicotina é minha favorita. Se você fuma, ela provavelmente apenas descreve o efeito da nicotina depois de uma tragada em um cigarro. Se não, ela descreve poeticamente como ter uma “válvula de escape” e como alcançá-la em um momento ruim, o que desperta em mim uma sensação de compreensão. De entendimento, e quase uma tranquilidade por ser entendida. É sempre agradável conhecer algo novo e bom. Como rotina, acabo me acostumando a tocar as mesmas playlists todos os dias e ouvir o mesmo compilado de músicas que juntei de acordo com meu gosto. MAMMUT com certeza vai ser adicionado em algum destes compilados.
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ERRANTE Capa do álbum lançado em 2017
IMMER NOCH MENSCH Capa do álbum lançado em 2016
TIM BENDZKO – ALEMANHA Idioma: Alemão Gênero musical: Pop Convidada: Camila Fonseca @camifonsecas Quando eu comecei a ouvir eu pensei que a voz do cantor me lembrava de algum outro artista, mas não conseguia associar com quem. As três primeiras músicas foram as que mais me agradaram, a partir da terceira fiquei com a sensação de estar ouvindo a mesma música sempre. Podemos dizer que senti falta de variedade, de algo diferente no álbum. Principalmente em um álbum com 11 faixas. A voz do cantor é agradável, mas fica irritante depois de um tempo. Apesar da língua, já que nunca ouvi nada em alemão então o choque cultural foi grande, ainda gostaria de ouvir mais trabalhos dele. Achei o Tim Bendzko talentoso e com potencial para canções e álbuns ainda melhores. Particularmente, achei a experiência divertida e com certeza tentaria de novo. Essa foi uma excelente forma de conhecer o trabalho de diferentes artistas.
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BANDA MUSIQQ – LETÔNIA Idioma: Letão Gênero musical: Pop Convidada: Mylla Stefany @myllastefany1 Eu nunca tinha ouvido falar sobre Musiqq e muito menos escutado alguma música na língua Letã. Me apaixonei pelo álbum 10 do grupo, principalmente as músicas Sac Ar Sevi e Fanfaras que são mais alegres e que animam aquela manhã de segundafeira. É impossível não dançar ao som da dupla, que mistura pop com um eletrônico um pouco no estilo summer vibes, como podemos apreciar em algumas faixas. Ao fechar os olhos somos transportados a uma cidade litorânea, curtindo uma festa na praia e observando a bela vista do mar, se o Musiqq fizesse o clipe de Fanfaras com certeza ele seria gravado em Riga, a capital da Letônia, que é banhada pelo Mar Báltico e conhecida por ser um grande centro histórico e ter várias casas de shows. Se propor a escutar músicas de outros países acaba se tornando uma experiência enriquecedora, pois desta forma abrimos a mente para conhecer diferentes culturas ao redor do mundo. Sem falar que a música ajuda, e muito, no aprendizado de um novo idioma.
Musiqq 10 Capa do álbum lançado em 2019
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Fossils 4 Capa do álbum lançado em 2014
BANDA FOSSILS - ÍNDIA Idioma: Indiano Gênero musical: Rock Convidado: Wesley Santana @wes.santana
Não muito conhecida no ocidente, Fossils é uma banda indiana que poderia ser facilmente confundida com várias bandas de rock brasileiro, como Detonautas, por exemplo. O idioma, bem característico, quebra a tradição do eixo rock americano britânico. Apesar de nunca ter ouvido a banda, o som é bastante agradável e dá uma sensação de que você já ouviu aquela música em algum lugar, conduzindo a uma assimilação. O álbum proposto, no caso, Fossils 4, mostra que a banda sabe fazer bom uso das variações do rock e aposta em introduções musicais longas, algumas passando de 1 minuto. Essas introduções preparam o ouvinte para as letras bem construídas e que falam, geralmente, sobre emoção e sentimentos. Para mim, Fossils é uma banda que tem identidade própria e procura se valorizar no cenário musical fazendo uma interface com o rock, que é um estilo praticamente universal. Depois dessa experiência, de ouvir algo, digamos, “fora do padrão”, acredito que conhecer novas bandas e de outras culturas deve passar a ser um exercício. Afinal, nem dá pra imaginar quantas bandas existem no mundo e quantas dessas são boas.
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O que são editais de incentivo? Conheça as regras e contrapartidas para ter acesso aos incentivos culturais da Secretaria da Cultura e Natura Musical POR MATEUS BORGE
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A Natura, que em 2017 inaugurou a Casa Natura Musical, é responsável por patrocínios de festivais de música, incluindo o tradicional Rock in Rio. O edital informa que artistas, bandas e grupos podem se inscrever com novos trabalhos como álbuns, EP, vinil, shows, turnê, clipes, distribuição e divulgação. Paulo Abreu
Na cena independente ter uma carreira é o mesmo que, a principio, ter outras rendas para sustentar o sonho. A composição e conceito é tarefa do artista, mas há outros gastos que são contemplados: ele vai ter banda? Já tem instrumentos? Respondidas essas questões, seguimos para a contratação de um produtor musical, estúdio, editores e finalmente a distribuição. A música vai ser distribuída nas plataformas digitais? Terá versão física? Existem maneiras de abrandar esses gastos. Analisamos editais disponibilizados no ano de 2019 para contar quais são os benefícios de participar e o que é preciso entregar. O edital ProAC – Programa de Ação Cultural nº 12/2019, abriu concurso para a seleção de “Gravação de álbuns musicais inéditos e realização de shows de lançamento” em julho de 2019. A Secretaria de Cultura explica que podem se inscrever pessoas jurídicas e físicas, o que são primeira gravações e ainda limita a inscrição a pessoas que não tenham ganhado o auxílio anteriormente. Para receber o incentivo, o artista realiza contrapartidas que incluem 20% de ingressos gratuitos em atividades e apresentações propostas; participação em atividades culturais; entrega de 20 cópias do álbum produzido para a Secretaria e inclusão das músicas em plataformas de acesso livre durante um ano, após lançamento.
presença ou apresentação sem cachê em eventos ou ações, quando convidado e relatórios mensais. Na edição de 2019, o edital recebeu 2.647 inscrições e foram escolhidos 42 projetos em uma seleção de quase dois meses com 22 curadores. “Os projetos contribuem para que o ecossistema da música se fortaleça e se desenvolva”, diz Fernanda Paiva, gerente de Marketing Institucional da Natura. SERÁ QUE FUNCIONA?
Castello Branco em divulgação do álbum Sermão 2019
A empresa prevê R$ 5,4 milhões para a seleção de projetos “O investimento é resultado da combinação de recursos próprios da Natura com recursos das leis de incentivo à cultura nacional e estaduais”. As contrapartidas incluem aplicações da marca em produtos culturais; participações em gravações de conteúdos exclusivos da Natura Musical;
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Após participar do edital da Natura, o artista Castello Branco lançou o álbum Sermão que completa a trilogia que inclui Serviço, 2013, e Sintoma, 2017. Os três são críticas as situações que o Brasil enfrenta. O artista afirma que não seria possível contratar um time para ajudá-lo na carreira sem o incentivo “São estruturas importantes. Consegui montar, por exemplo, um time que não teria condições sem o apoio da Natura”, explica. Com 51 mil seguidores no Instagram e 223 ouvintes mensais no Spotify o cantor afirma que sua visibilidade cresceu. Seu último clipe, Powerful, já soma 39 mil visualizações. Selecionado no concurso em 2018 e contemplado com o prêmio no ano seguinte, Castello conclui que é preciso cada um avaliar a própria carreira “Acredito que os auxílios chegam de acordo com seu caminhar. Cada um tem um tempo”.
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LINIKER E OS CARAMELOWS
WME AWARDS BY MUSIC2!
Após o sucesso de primeiro disco da banda, Liniker e os Caramelows saem em turnê para divulgar o seu disco Goela Abaixo (2019). Na sala Adoniram Barbosa. Os ingressos podem ser retirados na bilheteria oficial do CCSP.
O 3º Women’s Music Event Awards, primeira premiação dedicada totalmente as mulheres da indústria musical. Será apresentado por Preta Gil e entre as concorrentes estão artistas independentes como Luiza Lian, Duda Beat e Karina Buhr. Assista ao vivo.
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Com referências da Umbanda e harmonizando com o funk, MC Tha traz a turnê de seu álbum, Rito de Passa (2019), no Sesc Vila Mariana com entrada gratuita. Os ingressos podem ser retirados nas bilheterias oficiais do Sesc.
Data: 03/12/2019 Horário: 21h Ao vivo no canal TNT.
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Local: CCSP Rua Vergueiro, 1000 Data: 28/11/2019 Horário: 21h Valor: R$ 40
Local: Sesc Vila Mariana Rua Pelotas, 141 Data: 23/11/2019 Horário 18h Valor: Gratuito
Sarah Leal
MC THA
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Divulgação/Internet
AGENDA
MARIANA NOLASCO
SERIAL FUNKERS
SIM SÃO PAULO
Mariana Nolasco retorna em turnê com o single Planeta Borboleta. Trazendo em seu repertório os sucessos Poemas Para Colorir e Sons de Amor. Os ingressos podem ser comprados em www.bit.ly/2JEgY4Q ou na bilheteria oficial sem taxas de conveniência.
Recriando sucessos de Stevie Wonder, James Brown e outros o grupo Serial Funkers apresenta seu repertório. Couvert artístico é de R$ 75,00 por pessoa. Reservas por telefone 11.5095.6100 ou whatsapp +55 11 970600-113 e online no site www.bit.ly/337qxB1
Durante a Semana Internacional de Música acontecem showcases com entrada gratuita no CCSP. Apresentação de Rosa Neon no dia 05 às 21h; Josyara no dia 06 às 17h; Terno Rei no dia 07 às 21h, entre outros podem ser conferidos em www.bit.ly/33bRfby
Local: Casa Natura Musical Rua Artur de Azevedo, 2134 Data: 24/11/2019 Horário: 16h Valor: a partir de R$ 50 + taxas
Local: Bourbon Street Music Club Rua dos Chanés, 127 Data: 30/11/2019 Horário: 23h59 Valor: R$ 75
novembro de 2019
Shows gratuitos: CCSP Rua Vergueiro, 1000 Datas: 05, 06 e 07/12/2019 Horário: 15h às 21h Valor: Gratuitos
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Existência
musical na
internet
N
a era do streaming, considera-se que o artista que não está nas plataformas digitais não existe, já que, dados os hábitos de consumo audiovisuais atuais, é bastante difícil ser encontrado e reconhecido sem colocar seus trabalhos nessas plataformas. Certamente existem artistas que negam esses serviços, como ocorreu com a cantora Taylor Swift em 2015. A americana, que na época estava na gravadora country Big Machine Records, retirou todo o seu catálogo das plataformas digitais em protesto contra o baixo pagamento aos artistas. Um ato de coragem, mas deve-se considerar que sua carreira já estava formada e consolidada como uma das artistas que mais lucram com álbuns em vendas puras. Pensar tal atitude para um pequeno artista que queira posicionar-se no mercado ou está em processo de lançamento do primeiro álbum é, no mínimo, risível e inocente. Por fim, mesmo Swift voltou as plataformas após acordos grandiosos com sua gravadora. O cenário da música está otimista. Se lembrarmos que há 10 anos a “febre” era fazer o download das músicas por meio de servidores online e colocar de forma ilegal em nossos aparelhos MP3 e celulares, ter uma plataforma que paga ao menos o mínimo para o artista é um avanço gigantesco.
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Apesar do baixo pagamento, essas plataformas digitais não deixam de ser um canal, uma vitrine, que mostra os artistas, álbuns, EPs e singles para o mundo. Ao estar disponível nestas plataformas, o artista de qualquer lugar do mundo tem possibilidade de ser escutado por alguém da Alemanha, Índia ou Letônia, como fizemos nesta edição com o projeto “Música Pelo Mundo”. A visibilidade se tornou imensa: diversos talentos foram descobertos por meio da internet por ouvintes que buscavam esses artistas ou, é claro, por terem se tornado virais. Casos recentes no Brasil apresentaram o caiçara Jão, a dupla Anavitória e as famosas drag queens Pabllo Vittar e Gloria Groove, entre outros muitos músicos, para o mundo inteiro. Alguns com indicações de prêmios nacionais e internacionais. Ao traçar uma linha que liga esses artistas ao sucesso, o resultado está repleto de algoritmos, internet e múltiplas divulgações online. Após viralizarem nas redes e obter números imensos em ouvidas e downloads, os convites começaram a surgir: Rock In Rio, parcerias internacionais, apresentações em premiações e até gravações pelas multinacionais, como a Sony, Warner e Universal Music. Analisar o caminho que esses artistas trilharam e seu engaja-
revista Disturb
mento com os fãs nas redes sociais pode dar boas pistas para se descobrir o que fazer com o seu repertório. Mas sabe-se que não é só de internet que um artista sólido vive. É preciso uma divulgação combinada utilizando os meios de comunicação, tais como o jornalismo. As que as plataformas digitais um excelente veículo para descobrir novas músicas e artistas. Todas têm abas de lançamentos, algumas criam playlists exclusivas de novidades, além de indicar novas músicas de acordo com o que o usuário consumiu recentemente. Os algoritmos vão mostrar conteúdos parecidos com o que o ouvinte já está acostumado. Comece a ouvir outros artistas que novos aparecerão. Com isso, o profissional pode iniciar um processo de curadoria para sua mídia e indicar os sons que ele escutar, o que pode ser feito em formato de listas, posts nas redes sociais, resenhas ou entrevistas em sites especializados, impressos, rádios e programas de televisão. Dessa forma, além de incentivar a cultura, mostrando para o público que há mais do que já é popular e consolidado, este é um processo que também ajuda artistas iniciantes a levantarem sua carreira. Com uma boa divulgação, todo mundo sai ganhando.
Mateus Borge é editor da revista Disturb. Encontre mais em @mateusborge
“Ao traçar uma linha que liga esses artistas ao sucesso, o resultado está repleto de algoritmos, internet e múltiplas divulgações online”
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