A CULTURA DO ESPORTE NAS COMUNIDADES O QUE TRANSFORMOU O JARDIM PERI EM FUTEBOL PARA TODOS? O QUE É A TAÇA DAS FAVELAS? O QUE ELES SÃO? E O QUE REPRESENTAM?
Esporte na Quebrada número 01|2019
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Cultura do Esporte nas Comunidades pretende mostrar a descoberta do esporte por crianças e adolescentes de 14 a 17 anos. Especialmente da Favela do Jardim Peri, que tem meninos e meninas que sonham em sair dos jogos de várzea, e das dificuldades do seu bairro, e tem como inspiração alguém que saiu das violentas ruas paulistanas
para o estrelado mundial. O conteúdo tem algumas das seguintes finalidades sociais: mostrar a responsabilidade comercial sobre as experiências esportivas no Brasil; e incentivar a prática da persisAriadny Brito.... tência em sonhar. Está destacado a fábrica inesgotável de talentos que o nosso país tem, mas ao mesmo tempo a dificuldade que é se tornar um jogador (a) de futebol
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por conta da diferença de classe social, faixa etária e até mesmo pelo gênero sexual. O campeonato da Taça das Favelas – São Paulo 2019 foi uma oportunidade de promover a integração das comunidades, a ressignificação do território e o fortalecimento da autoestima da juventude das favelas. Ariadny Brito... 3
Índice
A Taça é a Cufa
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6 a 11 O Peri é futebol pra todos
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A mulher e o empoderamento no mundo futebolístico
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Homenagem Times recebem álbum de figurinhas
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Pesquisa Fala aí Nação
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Expediente ESPORTE NA QUEBRADA A REVISTA É UMA PUBLICAÇÃO DO PROJETO DE TCC DE ARIADNY BRITO, FORMANDA NO CURSO DE JORNALISMO DA UNIVESIDADE CRUZEIRO DO SUL, CAMPUS LIBERDADE, TURMA 8A. TELEFONE (11) 97177-9020. EDITOR ARIADNY BRITO (RGM-16252811) REDATORA ARIADNY BRITO REVISÃO MARJORY PAULA PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO ARIANE SOARES ARIADNY BRITO ASSISTENTE EDITORIAL PROF. ME. LUIZ VICENTE ARIANE SOARES PRODUÇÃO ARIADNY BRITO FOTOS ARIADNY BRITO JONATHAN PAIXÃO ARQUIVO PESSOAL DE ENTREVISTADOS IMPRESSÃO AROPRINT TIRAGEM 25 EXEMPLARES NOVEMBRO DE 2019
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A CULTURA, O ESPORTE, AS COMUNIDADES... A CUFA!
Conhecida há 20 anos como a Central Única das Favelas, a CUFA é uma organização brasileira reconhecida em território nacional e internacional nos âmbitos político, social, esportivo e cultural. Sua criação veio a partir da união entre jovens de várias favelas do Rio de Janeiro, principalmente negros, que até hoje buscam espaço em uma sociedade preconceituosa e de opressão. A instituição tem o rapper MV Bill como um de seus fundadores. Além dele, a CUFA conta com Nega Gizza, uma forte referência feminina no mundo do rap, conhecida e respeitada por seu empenho e dedicação às causas sociais. Tem ainda o produtor Celso Athayde como coordenador geral. A CUFA tem o intuito de promover atividades nas áreas
de educação, lazer, esportes, cultura e cidadania, desenvolvendo uma linguagem própria para ampliar formas e possibilidades de expressão e alcance para conscientizar as camadas desprivilegiadas, sendo elas comunidades, favelas e periferias do Brasil. Desde 1999, através de parcerias, apoios e patrocínios, a CUFA forma e informa os cidadãos do Rio de Janeiro e dos outros 26 Estados brasileiros, além do Distrito Federal e de países como Bolívia, Alemanha, Chile, Hungria, Itália e Estados Unidos. Um dos principais projetos da CUFA, que serve, como ferramentas de integração e inclusão social, é Taça das Favelas, o maior torneio de futebol de campo entre favelas do mundo! Ao todo, mais de 100 mil jovens
participam da competição, que se inicia nas peneiras internas nas comunidades até a grande final. A primeira edição no Estado de São Paulo foi realizada neste ano de 2019, com o meu, seu e nosso Estádio do Pacaembu como palco da grande final. Em conversa com o Celso Athayde, produtor e idealizador da CUFA perguntamos o que a Taça das Favelas significa para ele.
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“Estamos na décima cidade aqui em São Paulo, e o que a gente quer é integrar as pessoas, com artes integradas e criar uma plataforma de agendas positivas para as favelas. Quando você fala desse território normalmente se fala de tragédias, problemas, violência, e etc... A gen-
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te quer fazer que a pauta que se fale na mídia sobre essas pessoas e esses territórios sejam positivas, não só sobre futebol, o futebol está sendo um fio condutor para um projeto muito maior que envolva todos os tipos de cultura, quer dizer que a revolução acaba de começar.”
Celso Athayde CEO da Central Única das Favelas
futebol está sendo um fio condutor para um projeto muito maior que envolva todos os tipos de cultura, quer dizer que a revolução acaba de começar. 7
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De acordo com a divulgação feita, na edição de São Paulo, o campeonato recebeu 2.880 inscrições de favelas, em torno de 40 mil jovens, sendo que 96 foram selecionadas por meio de um sorteio, com 64 equipes masculinas e 32 femininas. Após a seleção das favelas participantes, cada uma delas se organizaram para montar as peneiras de convocação dos jovens que formariam seus respectivos times. Houve uma enorme mobilização na cidade de São Paulo para a realização do torneio, tanto o Governo, como a Prefeitura impulsionaram de diversas formas tal produção. Além disso emissoras de TV e muitos meios de comunicação entraram na briga pela transmissão. Muitos canais de mídias
Fotos: Jonathan Paixão
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veicularam notícias da competição durante os três meses de realização No dia 01 de junho, data na qual ocorreu a final do campeonato no Estádio do Pacaembu, uma das principais emissoras brasileira, sendo ela a TV Rede Globo se dedicou a total transmissão de tal evento, e assim pela primeira vez o futebol de várzea alcançou milhares de pessoas pelo país. Felizmente, desta forma, meninos e meninas das periferias de São Paulo realizaram o sonho de jogar em um estádio de futebol, e ainda tiveram seus respectivos talentos sendo reconhecido e televisionado. Com isso, a Taça das Favelas se tornou mais uma oportunidade de estimular as comunidades a produzir este sonho. A competição visa contribuir para a promoção da inclusão social através do esporte, influenciando positivamente a realidade de crianças e jovens brasileiros. Uma oportunidade de promover a integração das comunidades, a ressignificação do território e o fortalecimento da autoestima da juventude das favelas.
gente quer fazer que a pauta que se fale na mídia sobre essas pessoas e esses territórios sejam positivas.
Paulo Nunes e Grafite Repórteres pelo SporTv na transmissão da Final da Taça das Favelas
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Campeões da Taça das
Time Feminino do C
omplexo da Casa Ve
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Favelas São Paulo 2019
Livro de Ouro, com assinaturas de contribuição de várias figuras conhecidas do cinema
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Time M
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Fotos: Ariadny Brito
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I R E P M I D O JAR ra todos
Jardim Peri, bairro da zona norte de São Paulo, pertencente ao distrito de Cachoeirinha, fundado no dia 7 de maio de 1951, do desmembramento de terras de Peri Ronchetti. Vamos conhecer a história de meninos e meninas que tem o sonho de serem atletas profissionais no futebol. Na coordenação pelo técnico João Parreira, a ONG com o Projeto Social: “Futebol Para todos” fundado em agosto de 2014 é uma associação sem fins lucrativos, voltados para crianças de 07 anos de idade até jovens de 20 anos. Hoje o projeto conta com 122 integrantes. O Jardim Peri foi uma das comunidades a se inscrever e ser sorteada na competição da Taça das Favelas 2019 – São Paulo. Como um dos passos a se cumprir no regulamento era a formação da equipe para representar a favela, sendo assim o Peri recebeu em sua peneira realizada em fevereiro, mais de 200
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é futebol pa
jovens dispostos a participar desta seleção, porém, apenas 30 puderam ser convocados. Nessa ocasião passamos a acompanhar a trajetória da equipe e descobrir o que as crianças e jovens do Peri tem a mostrar em Campo, e consequentemente fora dele. O Jardim Peri é conhecido pelo seu Complexo, ou seja, conjunto de elementos interligados, no caso o Complexo do Peri interliga favelas próximas, sendo algumas delas Jardim Vista Alegre, Eliza Maria, Jardim Santa Cruz, Favela do Sapo, Parque Tietê, Freguesia do Ó, e outras mais. De acordo com o técnico João, eles recebem toda garotada dessas proximidades, pois o
intuito do projeto é seguir o lema do FUTEBOL PARA TODOS! O Jardim Peri estreou na Taça das Favelas no dia 06 de abril no campo da Vila Manchester, contra a Favela do Santa Terezinha, e já estrearam com a vitória por 1x0.
João Parreira Técnico e Idealizador da ONG
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Infelizmente não deu, é aquela história, pênalti não é loteria, pênalti não é sorte, pênalti é competência ...
Após o jogo o técnico João deixou uma mensagem sobre o resultado do jogo: “Infelizmente, não deu, é aquela história, pênalti não é loteria, pênalti não é sorte, pênalti é competência, os meninos do Clipper foram mais competentes e assim acabaram vencendo o jogo. De qualquer forma, todos estão de parabéns, e fica um excelente aprendizado. Vamos embora, e de cabeça erguida, a luta não acabou”
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Na segunda partida, no dia 27 de abril enfrentaram a Favela do Vila Prudente e saíram mais uma vez com o resultado positivo, de 2x0. Com essa vitória o Peri já entrava para uma fase importante da competição, as Oitavas de Final, e enfrentariam a Favela do Jardim Clipper. Até que chega o confronto do dia 11 de maio, Peri e Clipper entram em campo um jogo de muita competitividade, ambos times se defendiam da melhor forma possível, fazendo com que o resultado fosse levado as penalidades. Após uma disputa acirrada, com muito nervosismo e nervos à flor da pele, o Jardim Peri foi eliminado na Taça das Favelas, sofrendo o resultado de 2x0 nos pênaltis. Nessa hora o coração parou, se angustiou, parecia que o sonho tinha acabado...
Não acabou, e nunca vai acabar. Os meninos do Jardim Peri foram eliminados de uma competição, mas não do desejo de sonhar, lutar e realizar.
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Fotos: Arquivo Pessoal Ainda no Peri conhecemos a história do Cauã Aguiar, de 18 anos, natural de Ilhéus na Bahia, que aos 04 anos de idade se mudou com a família para a periferia de Jardim dos Francos em São Paulo. Aos 05 anos de idade Cauã descobriu o que era Futebol e desde então passou a ser um praticante do esporte. Porém não foi uma trajetória fácil, a família chegou a perdeu o barraco no qual moravam por conta de uma enchente. Ficaram sem casa, roupa, e até mesmo sem documentos. Além disso seus pais eram usuários de drogas, até que chegou ao ponto de seu pai perder o controle do vício. Tentaram o internar por diversas vezes, e em uma delas ele fugiu de tudo e de todos. Depois de algum tempo, Cauã foi seguindo a vida com a criação da mãe, e em um certo momento descobriu que seu pai estava vivo, com uma nova família vivendo na Baixada Santista. Aos 13 anos começou a se envolver nos times de bairro, até que em um dos campeonatos de várzea foi notado por um olheiro do time Red Bull, clube brasileiro de futebol sediado na cidade de Jarinu, interior do estado de São Paulo. Quando parecia que o sonho estava só começando, chega uma notícia como um balde água fria, “seu pai verdadeiro faleceu”, e ainda para a sua surpresa estava do outro lado do país, sua terra natal, Salvador. Com o apoio da mãe, da avó e do padrasto, Cauã viajou a Bahia para dar o adeus que não pode dar ao seu pai quando ele fugiu de casa e os deixou quando ainda era uma criança. No seu retorno a São Paulo foi se reapresentar ao clube e o dispensaram justificando a ausência como falta de comprometimento que teve ao viajar em cima da hora. “Fiquei desesperado, meu primeiro clube, minha primeira oportunidade, mas não me arrependo até hoje de ter trocado o futebol pelo meu pai. ” No mesmo ano, ele e a família foram a procura de uma roupinha nova para passar o fim de ano, foi quando conheceram o dono da loja, que então também era técnico e idealizador da ONG Futebol Para Todos, João Parreira. “Mesmo com pouco dinheiro achei uma camiseta do meu gosto,
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e além de ser bonita era barata. Andando mais um pouco, pela loja, avistei uma chuteira. Era rosa, com trava de ferro, me encantei, queria de todo jeito, era maior que meu pé, mas decidi trocar a camiseta por ela.” Naquele momento João viu que o menino tinha gosto pelo futebol e o chamou para ir aos treinos da equipe para conhecê-lo melhor e quem sabe integrá-lo ao time. “Foi onde as coisas começaram a acontecer na minha vida, melhorei meu desempenho no futebol e aprendi muito com os ensinamentos do João. Além disso ele passou a me tratar como filho, me colocou dentro de sua casa, me deu o que comer, o que vestir, e mais do que isso carinho, cuidado e amor...” No decorrer dos meses surgiu a oportunidade de Cauã fazer avaliação no time interno da categoria de base do Corinthians. “Cheguei atrasado e sem material, todos estavam com meião, caneleira e camiseta branca, e eu só com minha chuteira...” e era o que Cauã precisava para bilhar no teste, uma chuteira para deixar seus gols, surpreender os avaliadores e passar a
potencial, por conta de sua classe social, por ser um morador de favela. Ele acredita que um jovem que vive nessas condições precisa ter
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uma mente muito focada para enxergar sua realidade e ter coragem e força de vontade para mudar o rumo da sua vida. “Muitos passam por dificuldades e desistem, e não é o certo, se você acredita em uma coisa, busque, vá atrás. Foi o que eu fiz e vivi momentos inesquecíveis. Não há nada impossível, olha de onde eu saí e tudo que passei, mas sempre estive disposto a acordar cedo e lutar!” Há seis meses Cauã joga pelo clube Votuporanguense e já conquistou a estabilidade aos 18 anos.
Deus foi muito bom comigo, agradeço à Ele por ter me dado a oportunidade de conhecer o João, que abriu as portas pra mim assim como abre pra todos.
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ser parte do Sport Clube Corinthians, na qual ficou lá por 4 anos. Passou a viajar para jogar, conhecendo alguns lugares do Brasil, isso fez com que melhorasse a vida financeira da família ao ponto de tirá-los do aluguel e conquistarem a casa própria. Isso tudo, com apenas 16 anos. “Deus foi muito bom comigo, agradeço à Ele por ter me dado a oportunidade de conhecer o João, que abriu as portas pra mim assim como abre pra todos. O Projeto da ONG é muito sincero, legal e sério. E eles vão estar sempre comigo, onde quer que eu vá.” Nessa trajetória do Cauã, apesar de chegar onde chegou ele passou pelo preconceito e desprezo de muitos que desacreditavam do seu
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A MULHER E O EMPODERAMENTO NO MUNDO FUTEBOLÍSTICO
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que é empoderar? O que é ser empoderada? Nos últimos tempos o termo tem sido muito utilizado e praticado. Porém qual seria a definição do termo? Pelo dicionário Aurélio é dito que: “Ação de se tornar poderoso, de passar a possuir poder, autoridade, domínio sobre; exemplo: processo de empoderamento das classes desfavorecidas. ” O dicionário vai além, oferecendo uma extensão deste conceito, caracterizando-o como gíria: “Passar a ter domínio sobre a sua própria vida; ser capaz de tomar decisões sobre o que lhe diz respeito, exemplo: empoderamento das mulheres.” As mulheres desde muito tempo têm lutado de diversas formas contra o machismo (conceito que valoriza os homens e as desvalorizam) e gerou consequências por toda história deixando marcas em muitas delas. Esse tipo
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de situação e ideia ainda tenta resistir nos dias atuais, mas vem, pouco a pouco, sendo combatido justamente pelo posicionamento das mulheres em deixar de ser conhecidas como o sexo frágil e incapaz. Neste ano de 2019 o mundo futebolístico através da Copa do Mundo Feminina na França agiu em prol do conhecimento e fortalecimento do termo em seu meio. Por muitas eras não se ouvia falar do futebol feminino, mas qual seria o motivo dessa obscuridade? Alguns paradigmas existentes na história de vida do ser humano impe-
diam que a informação chegasse a atingir mulheres que tivessem
interesse no assunto. O machismo na qual já foi citado, é um deles, em algumas ocasiões ele se torna motivo das mulheres não se interessar por assuntos esportivos, fazendo com que muitas delas deixem de assistir e acompanhar jogos criando
uma abominação pelo tema. A causa seria pelo próprio conceito do machismo, que faz com que os homens façam questão de mostrar que entendem mais do que as mulheres. Como
eles podem ter tanta certeza assim? A visibilidade do futebol feminino cresceu muito no decorrer deste ano, fazendo com que outros tipos de paradigmas pudessem ser quebrados, sendo eles o de apoio, cuidado e investimento nessa área. Como o exemplo da Seleção Brasileira Feminina, que pela primeira vez, em uma copa do mundo, puderam ser transmitidas em canal aberto de televisão, tornando-se recordistas com o jogo de maior audiência no confronto contra a França, que infelizmente encerrou com a participação delas na competição por conta da derrota, porém, por outro lado, combatendo toda oposição que dizia que a categoria feminina de futebol não trazia repercussão. Como exemplo trazido pelas meninas da nossa seleção, pudemos conhecer outras histórias no decorrer do campeonato da Taça das Favelas, sendo elas três meninas e mu-
apesar de que na ONG Projeto Social Futebol Para Todos, ter participação feminina nos treinos, a faixa etária e a quantidade de integrantes não supria a necessidade do regulamento. Com isso a Débora só teve uma opção, ir na cara e coragem participar da peneira e dos treinos do time masculino. Infelizmente o seu talento, seu domínio, e seu rosto não chegou a ser televisionado, mas tenho a certeza que com a força de vontade que foi demonstrada, haverá o tempo que muitos outros a conhecerão. Conheçam também Ana Karolyna, mais conhecida pelo apelido que gosta de ser chamada, “Mineira”. Atleta de 21 anos, nascida na cidade de Catuti em Minas Gerais. Aos 18 anos se mudou sozinha para São Paulo para fazer um curso. E na saudade por jogar uma bolinha Mineira, acabou encontrando o
time do PS9 “Projeto Social Nove de Julho”. Mineira foi muito bem recebida nos treinos, foi quando o time se tornou sua segunda família e a abertura de oportunidades mais amplas no futebol. Tiveram algumas tentativas de peneiras, e participação em campeonatos com maior nome, porém nada dava certo. Então surgiu a oportunidade do time ingressar na Taça das Favelas, convocada pelo técnico, Mineira prometeu pra si mesmo que seria sua última tentativa de seguir na carreira futebolística, já estava cansada de tentar e nunca dar certo e talvez isso não seria o caminho a se seguir.
lheres que tiveram transformações em vossas vidas através do futebol. Uma delas é a Débora, de 16 anos, moradora da Favela do Jardim Peri. Como no decorrer da revista puderam conhecer um pouco da história da periferia, alguns meninos formaram o time que participou da competição da Taça, mas pelo lado feminino não houve muita adesão,
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O futebol agradece por ela ter persistido e se tornado um dos nomes mais conhecidos na competição, ajudando a levar seu time a grande final, realizando o sonho de jogar no Pacaembu e sendo não apenas a artilheira da final, como de todo campeonato, levando seu time a ser campeão com o resultado de 2x0, sendo os dois gols de sua autoria. Como terceiro e último nome, Kero-Kero, quer dizer, Angélica, aos 30 anos foi atleta integrante do time de Paraisópolis, time na qual enfrentou o Complexo da Casa Verde na grande final, mas não puderam garantir a conquista da competição. Entretanto a Kero conquistou
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muito mais que isso, no futebol ela encontrou o recomeço de sua vida. Mãe solteira do João Victor de 11 anos ela viveu por um grande tempo na dependência de treinos para poder alimentar a si mesmo, e o seu filho. “O Futebol me manteve de pé, as meninas me falavam vem treinar e tal, e querendo ou não eu estava passando necessidade mesmo, de passar fome, de não ter o que comer para o meu filho, e eu indo para o futebol lá tinha um almoço para mim, tinha um café da manhã para mim, fez toda diferença para mim. Eu ficava feliz quando tinha treino pois a primeira coisa que eu pensava é que eu iria comer bem, e meu filho tam-
bém. A gente vai poder se divertir. ” São histórias de vida como a da Débora, da Mineira e da Kero que fazem o poder feminino ser cada vez mais discutido. Se por um minuto a sociedade esquecesse das diferenças, que não importa sua a sua cor, raça, gênero ou classe, o mundo seria tão diferente, pois no final, todos somos seres humanos, com falhas, e defeitos e com o mesmo fim. A escolha do futebol como caminho possível para transformação social é uma escolha independente do sexo, seja homem ou mulher, basta querer, pois se você quer, você pode e você consegue o que quiser!
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Ficava feliz quando tinha treino pois a primeira coisa que pensava é que eu iria comer bem, e meu filho também.
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- Kero (Angélica)
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A TAÇA DAS FAVELAS E O LEGADO QUE FICOU Depois de toda repercussão e audiência gerada através da primeira realização da competição na cidade de São Paulo, a Taça das Favelas 2019 ainda prosseguiu firme e forte na busca de ampliar cada vez mais os sonhos de meninos e meninas. Com isso, como um dos últimos eventos do ano, através da prefeitura de São Paulo foi realizado no
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dia 14 de setembro no Estádio do Pacaembu, uma homenagem aos atletas participantes da edição 2019 com a entrega do álbum de figurinhas da competição. Álbum na qual contém fotos de todos os jogadores e jogadoras que fizeram parte de seus respectivos times, podendo ter para sempre guardado a oportunidade que foram lhe concedidas.
Todos os 96 times, com seus 30 integrantes receberam o álbum. Além disso, os times que foram campeões: Complexo da Casa Verde representante feminino, e no masculino o Parque Santo Antônio puderam deixar exposto seus troféus no Museu do Futebol, deixando um legado para os próximos a transformar o sonho em realidade.
FALA AÍ NAÇÃO... Em busca de saber um outro lado da história foi formulada uma pesquisa com o tema sobre a Cultura do Esporte nas Comunidades. Já adentrando em um tema mais polêmico, foi perguntado sobre a primeira impressão que geralmente se tem de um residente de periferia e sua criação que geralmente já fica conhecido como o favelado, marginal, traficante, criminoso e se é válido o uso desses termos como justificativa de jovens e adolescentes irem para o mundo que é vos apontado?!
Com em torno de 100 pessoas entrevistas obtivemos alguns respaldos sobre o assunto. Como bem diz aquele ditado que: “só quem viveu sabe” nada melhor do que saber das pessoas com experiências na criação em comunidades, favelas e periferias. E o resultado foi conforme o gráfico ao lado:
Sabe-se que as comunidades, favelas e periferias são a base de talentos futebolísticos, e de outros mais esportes, porém não são tão explorados. E por quais motivos o caminho a esses jovens e adolescentes são mais estreitos?
Apesar da dificuldade encontrada para meninos e meninas alcançarem uma carreira no futebol. Em toda história de pessoas que ficaram conhecidas, a maioria delas pertence a que tipo de classe? Das que vieram das periferias, ou das que sempre tiveram um investimento desde cedo para se profissionalizar?
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A intenção principal desse projeto como todo é mostrar o esporte, unindo o que a sociedade separa. Não seja a sociedade hipócrita, seja a sociedade que se importa! Ariadny Brito... 22
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