Skip to main content

RELATÓRIO METODOLÓGICO - Camila Monteiro

Page 1

1

UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL CURSO DE JORNALISMO

Educação Sexual e Gênero x governo: São Paulo às cegas

SÃO PAULO 2019


2

UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL CURSO DE JORNALISMO

Educação Sexual e Gênero x governo: São Paulo às cegas

Relatório de fundamentação apresentado ao Curso de Jornalismo da Universidade Cruzeiro do Sul, como requisito para obtenção do título de bacharel de Jornalismo.

SÃO PAULO 2019


3

AGRADECIMENTOS

Primeiramente, agradeço a Deus por me abençoar e sempre estar comigo nos momentos mais difíceis ao longo da vida acadêmica. À minha mãe Lucinéia que sempre esteve ao meu lado e me fez hoje, a mulher que sou e com certeza a mulher melhor que vou ser no futuro. À Vitoria Bernardino e Laís Vieira que juntas confeccionamos os trabalhos acadêmicos e são minhas melhores amigas. E que também estiveram ao meu lado nos melhores e piores momentos. Aos professores que em cada conselho e paciência me fizeram ter cada dia mais dedicação a área que eu sempre quis seguir, e a nunca desistir em meados a tempos conturbados. E por fim, a todas as escolas que contribuíram para este trabalho acontecer. Todos os pais que se prontificaram a falar.


4

FICHA TÉCNICA TÍTULO: O monstro da educação sexual e gênero escondidos no armário. Orientador(es): Prof. Me. Antonio Assiz. Palavras – Chave: educação sexual, gênero, escola, adolescentes, pais e governo. DESCRIÇÃO: Relatório de Fundamentação Teórica e Metodológica apresentado à Universidade Cruzeiro do Sul, como parte dos requisitos para a conclusão do curso Jornalismo sob orientação do Professor Mestre Antonio Assiz.


5

RESUMO O relatório aborda como é de suma importância o assunto “educação sexual e gênero” nas escolas do Estado de São Paulo. Procura dar uma visão ampla do que é e como é transmitido dentro das instituições de ensino para os adolescentes. Isto é, a quebra de tabu sobre tal assunto onde essa mensagem passe para o adolescente e que ele procure sua identidade em sociedade. Visando não só falar em sala de aula, mas que existam palestras convidativas para que os pais desses adolescentes possam ser mais participativos, não só responsabilizando a escola como um todo, mas sim, ambas as partes que procuram mais conhecimento e que possa passar para esses adolescentes. Para entendermos o quanto isso é necessário e de extrema urgência para ser falado, confeccionei entrevistas com sexólogas e psicólogas, uma ativista e especialista em educação e dois adolescentes que relataram o seu dia a dia dentro da instituição educacional. Sendo assim, procuramos ouvir experiências e observar pontos que precisamos mudar, ou pelo menos procurarmos saber mais. Palavra – Chave: educação sexual, gênero, escola, adolescentes, pais e governo.


6

SUMÁRIO

1.INTRODUÇÃO…………………………………………….……………………....08 2.JUSTIFICATIVA.............................................................................................10 3.DESCRIÇÃO DOS OBJETIVOS....................................................................12 3.1 Objetivo Geral.............................................................................................12 3.2 Objetivo Específico.....................................................................................12 4. PROBLEMATIZAÇÃO E HIPÓTESE............................................................13 4.1 Problema.....................................................................................................13 4.2 Hipótese......................................................................................................13 5. PLANO ESTRATÉGICO...............................................................................14 6. REFERÊNCIAL TEÓRICO............................................................................15 7. CRONOGRÂMA GERAL................................................................................20 8. INVESTIMENTO.............................................................................................21 9. DIÁRIO DE CAMPO.......................................................................................22 10. REFERÊNCIA..............................................................................................23 11. APÊNTICE....................................................................................................24 12. ANEXO.........................................................................................................37 12.1 Anexo I – Utilizado no site..........................................................................37 12.2 Anexo II – Utilizado no site.........................................................................37 12.3 Anexo III – Autorização de uso de Imagem................................................37


7


8

1. INTRODUÇÃO Muito se tem discutido sobre a importância do assunto sexualidade e gênero dentro do âmbito escolar. E muito também se tem resistido a ser falado nas escolas. A escola como fator primordial na vida de um adolescente tem como objetivo mostrar todos os âmbitos da sociedade em específico, a aprendizagem de um adolescente que está em formação para entender esse novo universo. Contudo, essas escolas e esse ensino que é adquirido também se torna flexível a ponto de mostrar para esses adolescentes sobre gêneros e educação sexual indo mais a fundo sobre esse debate. Com várias informações que esses adolescentes recebem, entendê-las desde cedo, estabelecer o diálogo como eixo principal juntamente com o respeito e esclarecer que ele tem direitos já como cidadãos desde cedo, deixa o caminho livre para que ele trace o que ele quer ser num futuro próximo. Trazendo a ideia de que queremos não idealizar o certo ou errado, mas sim, de que cada conversa sobre gênero dentro de sala de aula tradada de forma coerente e transparente, como forma de um diálogo aberto entre pais e professores, sabendo que isso também é conhecimento que será usado futuramente por ela mesma. As reflexões sobre cada indivíduo têm o intuito de atender as expectativas que cada adolescente pode ter e fazer futuramente uma sociedade mais tolerante e que trate tal assunto com toda naturalidade que deve ter. E vai mais além do que diferenças e corpos diferentes, mas aquele adolescente que é esclarecido e que vivencia o assunto no seu dia a dia escolar. Trazer em relevância que é de extrema importância em todas as escolas do Estado de São Paulo, ou seja, as grandes entidades fazerem ou trazer em evidência tais projetos para tratarem sobre o assunto. Saber pontos negativos e positivos em nossa atual sociedade e refletir como pode ser mais vantajoso um relacionamento direto com a escola, ou seja, o professor com os adolescentes e que com isso poderá abrir debates esclarecedores. Além disso, os pais podem administrar e serem mais participativos, onde a voz ativa seja de livre escolha, de conversas abrangentes e de que o Plano Nacional de Educação (PNE) seja para adolescentes, uma fonte a informações de conhecimentos e autoconhecimento para serem mais


9

do que cidadĂŁos em que possam trilhar o caminho que quiserem com todo direito que lhe cabem como pessoas, independentemente de seu gĂŞnero.


10

2. JUSTIFICATIVA Esclarecer em meio social as relações e possíveis soluções para um ensino onde o certo é somente aprofundar ainda mais o conhecimento. Não ser o conhecimento “engessado” onde só é falado sobre gravidez precoce ou de doenças sexualmente transmissíveis – mas que é de suma importância ser dito - porém que esse adolescente possa fielmente conhecer do que se trata e entender que temos diversas identidades em que podemos ser. Ser significativo o respeito e a liberdade para falar sobre gênero e educação sexual para refletir sobre em que o adolescente está tendo curiosidade para saber e conhecer o seu corpo. Pontos de relevância de pais e professores que poderá trazer mais conforto e não julgamento sobre gênero e sexualidade, mas que isso seja um gancho para desencadear outras possíveis conversas com fluxos naturais que qualquer âmbito pode ter, seja ele familiar ou escolar. De forma clara e objetiva levantando pontos também na parte acadêmica onde seria de suma importância, adolescentes terem conhecimento sobre educação sexual e gênero e como isso é contribuinte, não só para se conhecer como sua identidade, mas também, para professores terem o livre acesso ao diálogo com esses adolescentes. E que com esse diálogo de forma livre, possa ser levado na escola e futuramente na sua vida adulta, onde em uma faculdade seja algo natural e normal para ser falado. Tendo referências de onde aprendeu e de onde estudou, com a intenção de passar esse conhecimento para frente e de não haver mais quem sabe, o preconceito que ainda é tão expressivo tanto em escolas como na vida acadêmica. E o quão importante é de forma acadêmica trazer tal assunto, pois dentro de uma instituição acadêmica o gênero pode ser reconhecido ou até mesmo mais entendido, devido ao aprendizado que vai trazer consequentemente. Sempre trazendo em evidência que quanto mais ensino e mostro para um adolescente sobre corpo, sexualidade e gênero, mais esclarecedor ele vai se tornar. Tomando assim tais atitudes que iriam talvez evitar quaisquer crises existenciais. Como cada escola trata seus adolescentes em referente a ensino e como os pais podem lidar com isso. Se possível for desconstruir ideias que só se viam de um lado e poder ser ideias e debates abrangentes sobre gênero e direitos e educação sexual consequentemente trazidos. Podendo ser combatido qualquer tipo de diferenças, onde tinha que ser


11

uma forma igualitária não só os gêneros, mas sim também os direitos que temos. Adolescentes tendo consciência do que podem e do livre acesso que têm de serem espontâneas do modo que quiserem e das escolhas que fizerem, pois sabem que em âmbito familiar e escolar há pessoas que te cercam com conversas diretas, com informações adquiridas e com fácil acesso a tudo que um adolescente pode ter. Aponto também o grande acréscimo que isso teria na forma profissional, na forma da imprensa, quero abranger tal assunto mesmo tendo suas dificuldades de ser faladas e estabelecidas. Não só especificamente, pais e adolescentes para contribuir e aprender com o projeto, mas sim também de forma que a imprensa dê mais visibilidade para que todos possam aprender. Como sociedade, quero levar esse conhecimento adquirido com o decorrer do projeto para que todos nós passamos refletir e querer saber mais sobre educação sexual e gênero. Consequentemente ter a atitude de não ter intolerância ao assunto abordado.


12

3 DESCRIÇÃO DOS OBJETIVOS 3.1 OBJETIVO GERAL Esclarecer pontos de como o adolescente tem tamanha importância em estabelecer debates sobre educação sexual e gênero com diálogos de forma transparente e direta. 3.2 OBJETIVO ESPECÍFICO Debates de uma desconstrução dentro do âmbito escolar e possivelmente, identificar a sua identidade. Consequentemente, além de aprender mais sobre educação sexual e gênero também aprendendo ser mais tolerante de forma social.


13

4. PROBLEMATIZAÇÃO E HIPÓTESES 4.1 PROBLEMA A escola formal vem reconhecendo a discussão sobre educação sexual e gênero? Se não, porque ainda há resistência da parte de grandes entidades (governo), em falar sobre educação sexual e gênero nas escolas? 4.2 HIPÓTESES Não, as escolas continuam não reconhecendo este assunto abordado, sendo resistente.

Sim, o governo está mais flexível sobre o assunto e deixaram de ser conservadoras.

Sendo

assim,

conseguem

falar

sobre

este

assunto

e

consequentemente, as instituições escolares têm liberdade do diálogo com os adolescentes.


14

5. PLANO ESTRATÉGICO O site que traz uma grande reportagem que tem como intuito o levantamento de dados e como é abordado educação sexual e gênero nas escolas no Estado de São Paulo. Trabalhando com um texto dissertativo, colocamos em prática entrevistas e com referências para complementar tal assunto, a clareza do site foi de suma importância para se encaixar no que foi abordado. Além de um vídeo e duas fotos pelo qual o site traz, ele também conta com entrevistas que são tão relevantes quanto podemos perceber, ou seja, com relatos que trazem a tona a transparência em que se vive dentro de uma sala de aula e como experiências de profissionais, professores e alunos são vista. No levantamento de dados, pude pesquisar e saber sobre o assunto mais a fundo para que não só me ajudasse, mas também, que ficasse visivelmente a necessidade que temos para falar sobre o assunto. E com toda essa informação que o site trouxe, o não há público segmentado para tal leitura ou conhecimento. Pois pude realizar entrevistas que foram extremamente estratégicas para que todos pudessem ter o livre acesso ao material recolhido. Pensando em atingir os leitores para que os levasse a pensar sobre o assunto, o uso da linguagem é de perfeito compreendimento para que a informação não se rompa com nenhuma barreira, ou seja, que ela seja direta. O vídeo por exemplo, é algo complementador fazendo se encaixar nessas entrevistas que pelo processo do trabalho realizei.


15

6. REFERÊNCIAL TEÓRICO Este trabalho foi embasado a estudos e levantamento de dados que educação sexual e gênero não são considerados temas que fazem relevância a escolas no Estado de São Paulo. Se baseou em sites que trouxeram dados de pesquisadoras que abordaram o assunto e em estudos e experiências acompanhados de perto para compreender e comprovar tal realidade conservadora para tal assunto. Tanto em escolas como em âmbito familiar, educação sexual e gênero não é ainda uma quebra de tabu considerando que é de extrema urgência dizer isso atualmente. Como por exemplo, podemos ver que a pesquisadora Mary Neide Figueró que pode concluir em sua pesquisa que menos de 20% das escolas tem um projeto amplo para falar sobre educação sexual e gênero. Considerando assim, relatos de adolescentes juntamente com a pesquisa, Mary ressalta que o assunto deve ser falado de forma ampla e clara para esses adolescentes de escolas públicas. A pesquisa está embasada artigo da Revista Cientifica FASETE “Gênero na Educação Infantil: O que pensam as professoras e professores sobre o tratamento de meninos e de meninas na escola? ” de Morgana Larissa Maciel Henrique Licenciada em Pedagogia da Universidade do Estado da Bahia – UNEB, Vinicius Silva Santos professor da Universidade do Estado da Bahia – UNEB e Jacques Fernandes Santos professor da Universidade do Estado da Bahia – UNEB. No artigo “Gênero, sexualidade e formação de professores” os autores trazem as transformações sociais ocorridas em nossa sociedade nos últimos séculos pósrevolução industrial que trouxeram modificações e evoluções na nossa tecnologia. Sabendo que há vários debates em referência a gênero e sexualidade, torna-se um estudo mais aprofundado sob essas ideias que foram levantadas e contextualizadas através de professoras/es em âmbito escolar. Discursos que são levantados através dos anos com a defesa de que a construção de gênero é dada naturalmente, ou seja, é dada por um fator biológico que frisam as identidades de gênero. Neste embasamento, a autora Braga (2010) diz respeito sobre esse equívoco que é falado em meio social. Segundo a autora:


16

“A diferença biológica é apenas o ponto de partida para a construção social do que é ser homem ou ser mulher, ou melhor, as diferenças anatômicas de se nascer macho ou fêmea. Sexo é atributo biológico, enquanto gênero é uma construção social e histórica. A noção de gênero, portanto, aponta para a dimensão das relações sociais do feminino e do masculino” (BRAGA apud BRAGA, 2010, p.206).

É relatado ainda que gênero é uma construção social-histórica cultural das manifestações identitárias de mulheres e homens. Este estudo traz à tona debates de como gênero ocupam lugares em nossa sociedade. Tendo em vista este amplo debate, sabemos que em ambiente escolar é relevante e importante falarmos sobre tal assunto. Porém muitos dos professores não tiveram um conteúdo para aprender sobre gênero, nem mesmo alguma formação complementar para que possam falar de fato com propriedade.

Pesquisa de uma dissertação de Rose Antonietti Gomes de Almeida da Universidade Federal da Fronteira do Sul, em sua pós-graduação. Baseia-se em blogs educacionais focados na Educação Infantil que transmitem a diferença entre gêneros que contribuem para melhor entendimento de tal assunto. Transita no avanço tecnológico e sua facilidade em relação a internet e consequentemente, tendo mais informações em todas as áreas do conhecimento. Sendo assim, existe um material extremamente importante que aborda o tema no início das interações sociais do ser humano, ou seja, na infância. Portanto, algo acontece até chegar na adolescência, pois este conhecimento não é consciente em boa parte dessa população. O teórico John B. Thompson (2011) citado no trabalho de Rose Antonietti Gomes (ALMEIDA, 2016) fala sobre “Ideologia e Cultura Moderna: Teoria social critica na era dos meios de comunicação em massa” em que abordou a extrema importância de compreender as desigualdades de formas simbólicas, e sustentar relações de dominação. Assim esse teórico teve grande contribuição para entendermos melhor como ilustrações do blog serviram para transformar a denominação baseadas em desigualdades de gênero. “[...] poderíamos deduzir que, o sentido que constrói relações sociais, poderia estar “estabelecendo e sustentando formas simbólicas como os significados de homem/mulher; feminino/masculino; gênero, que apesar de poderem conter inúmeras possibilidades de sentido, podem também estabelecer e sustentar várias relações sociais, que tenham como base


17

manter relações de dominação de gênero, dependendo dos significados que lhes sejam atribuídos socialmente, dependendo da época histórica e de processos de valorização dos diversos sentidos (homem/mulher; masculino/feminino; gênero), já que o sentido é construído e constrói relações sociais.” (ALMEIDA, 2016, p.22)

O livro “Jornalismo, Homofobia e Relações de Gênero”, cujo seu autor é Carlos Alberto de Carvalho, traz em relevância “Pedagogia da sexualidade”, onde fala que dogmas religiosos começa em ações educativas iniciadas desde a infância. O autor mostra que apesar de ter talvez um costume conservador em normas educativas, há educadores que estão tentando contribuir uma forma mais ampla e consequentemente, menos conservadora, sendo assim, com mais informações para a educação infantil. “Contra prática disciplinadoras e normatizadoras dos corpos, assim sendo têm-se se insurgido ao longo dos tempos diversas correntes pedagógicas. Contemporaneamente, as correntes pedagógicas de inspiração queer, essencialmente anti-homofóbicas, destacam-se na de novas configurações educativas, para as quais não é suficiente o mero reconhecimento das pluralidades culturais” (CARVALHO, 2012, pág. 61 e 62).

Em um outro parágrafo, o autor faz relevância em uma outra reflexão muito importante sobre tal assunto: “(...) perspectivas pedagógicas de inspiração queer desafiam os diversos discursos sobre a sexualidades, de natureza cientificista ou marcados por crenças religiosas. Ao buscaram instaurar novos princípios de respeito às diversidades, no campo das sexualidades ou quaisquer outros, formas inovadoras de educação preparam melhor para que as lutas por reconhecimento politizem o problema concernente ao conjunto da sociedade” (CARLOS, 2012, pág. 61 e 62).

Ou seja, com cada vez mais informações sobre gênero em escolas podemos conscientizar adolescentes a combaterem futuros preconceitos que está instalado em meio a nossa sociedade. Pesquisa da autora Camila Ohouan, uma dissertação intitulada como “As relações de gênero na educação a partir da ótica das crianças” que traz o embasamento sobre a experiência de uma professora que presenciou um aluno brincando com bonecas, maquiagens e saias. Foi então que trouxe o assunto em questão para a confecção da dissertação de como a escola tratava sobre o assunto e questões sobre gênero consequentemente. O aluno intitulado como “diferente” por sua vez, despertava sempre a atenção dos colegas de classe e que também era chamado de “menininha” por algum deles. Perante isso, é importante dizer que


18

cada instituição está longe de respeitar quaisquer diferenças e sempre vai ter comentários maldosos com situações parecidas. Para entendermos melhor, a autora Finco (OHOUAN apud 2015) fala que há repressão de crianças e jovens que não correspondem às expectativas de gênero socialmente aceitas: A cristalização dos papéis masculinos e femininos no dia a dia das instituições de educação infantil leva à classificação e hierarquização das diferentes práticas que geram distinção entre os comportamentos ditos normais e anormais. (FINCO, apud OHOUAN 2015, p.14)

Com tudo, a base da teoria da comunicação se encontra no livro “A identidade cultural na pós - modernidade” de Stuart Hall. Segundo ele, as velhas identidades estão em declínio e estão surgindo novas identidades e fragmentando o indivíduo moderno. Ele chama isso de “crise de identidade”, pois é um processo de mudança e que está deslocando coisas já impostas pela sociedade. Isto está relacionado que, o mundo já não é mais o mesmo que antigamente e que as coisas estão em transição. O adolescente procura sua identidade para se encontrar em uma localização social. Isso é encontrado visivelmente dentro das escolas. Essas “velhas identidades” como o autor citou que está em declínio e surgindo novas, são momentos que estamos vivendo da pós modernidade também em instituições de ensino. O autor traz cinco descentramentos dentro de sua teoria e que, considerando os cinco a que mais se enquadra em minha pesquisa é a quarta que é trabalhada no Michel Foucault. Segundo Stuart Hall, o filósofo e historiador Michel Foucault usa o termo “sociedade disciplinar” onde indaga que as novas instituições disciplinam sob um rígido controle. Ou seja, considerando suas ideias, dentro de uma instituição é louvável que o homem seja branco, saudável e heterossexual. Trazendo para os dias atuais e dentro de uma sala de aula, essa disciplina sob rígido controle ensina – ou muita das vezes não – adolescentes a não quererem e não saberem da educação sexual e gênero, isto é, se contentar com o superficial que é passado pelo professor nas matérias por exemplo de biologia e ciência. Isso quando é retratado e discutido, pois muitos dos casos não é no mínimo falado. Stuart também nos faz entender que em muitas das vezes esse adolescente mesmo sem ter conhecimento sobre educação sexual e gênero, ele transita pelo o que ele pode ser, não sendo e tendo uma identidade fixa. Como em um trecho que o autor diz:


19

“Esse processo produz o sujeito pós-moderno, conceptualizado como não tendo uma identidade fixa, essencial ou permanente. A identidade formada e transformada continuamente em relação às formas pelas quais somos representados ou interpelados sistemas culturais que nos rodeiam” (Hall, 1987, pág. 12-13).

Considerando tudo isso, e fazendo relações podemos ver que a identidade é algo que muda e não é permanente. E por isso, é de suma importância um adolescente ser bem estruturado no assunto educação sexual e gênero. E isso com diálogos bem esclarecidos e com os pais também aprendendo a ter esse diálogo. Isso está em constante mudança e sabendo de tudo isso desde cedo, se torna um caminho “mais fácil” saber de si mesmo.


20

7. CRONOGRAMA GERAL ATIVIDADES

FEV

MAR

ABR

MAI

Pesquisa do tema

X

X

X

X

Pesquisa

X

X

X

X

JUN

JUL

X

X

X

X

AGO

SET

OUT

X

X

X

X

X

NOV

bibliográfica e estabelecer o tema identificando como pode ser trabalhado Trazer pesquisar já mais detalhadas juntamente com dados adquiridos

Finalização de pesquisas, portal concluído com levantamento de dados e pesquisas.

X

DEZ


21

8. INVESTIMENTO

Este trabalho foi feito, em sua maior parte, de forma remota. As entrevistas com as sexólogas foram realizadas pelo WhatsApp, uma forma mais dinamizada e flexível para a agenda delas. Apenas uma reportagem foi feita presencialmente, tendo gastos relacionamentos ao transporte público, total de R$40,80. Em relação aos equipamentos utilizados, não houve gastos.


22

9. DIÁRIO DE CAMPO Com essa pesquisa que é bem pessoal para mim pois quis alcançar o que sempre eu e minha mãe sempre conversávamos a respeito do ensino fundamental. Minha mãe era professora e sempre quis diversificar o modo pelo qual ensinava seus alunos e sempre procurava manter em transparência o seu trabalho. Via nela um canal de referência e um canal pelo qual o pouco de informações que tinha, ela simplesmente fazia daquilo uma grande aula, como uma grande professora. E tão pessoal quanto isso, enquanto em vida minha mãe estava, procuramos juntas nos desconstruir de tal tabu que a sociedade sempre se manteve. Vários professores não só por medo de por exemplo algum tipo de processo por falar de educação sexual ou gênero para seus filhos, mas que esses mesmos professores pudessem ver o exemplo da minha mãe, de ter um trabalho muitas das vezes elogiado. Ao finalizar entrevistas, pesquisas e o meu site, pude perceber o quão longe pude ir e o quão achei que seria incapaz de chegar até aqui. Falo com toda propriedade que superei todas minhas expectativas que tive sobre meu tema e como abordei ele da melhor forma possível. Quis transmitir não só o meu lado pessoal, mas como uma cidadã dentro de uma sociedade que ainda existe um tabu e eu estou aqui para que ele possa ser quebrado, nem que for pouco a pouco. Por fim, orgulhosa do que eu trabalhei, das pessoas em que me passaram experiências gloriosas de sua trajetória como profissionais, estudantes e especialistas. Apesar de todas as dificuldades que com o decorrer apareceram e que uma delas, foi perder minha mãe este ano, eu dedico totalmente tudo o que eu fiz a ela. Agradeço à mim por não ter desistido em nenhum momento mas, sobretudo, agradeço a ela por ser minha inspiração.


23

10. REFERÊNCIAS ALMEIDA, Rose Antonietti Gomes de. RELAÇÕES DE GÊNERO NA EDUCAÇÃO INFANTIL: ANÁLISE DE ILUSTRAÇÕES NOS BLOGS EDUCACIONAIS. 2016. 141 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Mestrado em Educação, Universidade Federal da Fronteira Sul Campus Chapecó, Chapecó, 2016. CARVALHO, Carlos Alberto de. Jornalismo, Homofobia e Relações de Gênero. Curitiba: Appris Ltda, 2012. 405 p. Carvalho (2012). HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Tradução: Tomaz Tadeu da Silva Guacira Lopes Louro. Rio de Janeiro: DP&A Editora.11.ed. 2006 HENRIQUE, Morgana Larissa Maciel et al. GÊNERO NA EDUCAÇÃO INFANTIL: O que pensam as professoras e professores sobre o tratamento de meninos e de meninas na escola?. Revista Rios - Fasete, Paulo Afonso-bahia, p.10-23, fev. 2017. OHOUAN, Camila Asato. As relações de gênero na educação infantil a partir da ótica das crianças. 2015. 78 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Educação, Faculdade de Educação Usp, São Paulo, 2015.


24

11. APENDICÊ Texto do site Nova Escola na íntegra. O monstro da educação sexual e gênero escondidos no armário. “Hoje a escola está sendo muito malvista. A gente está recebendo bombardeio de todos os lugares. E se a gente começa a repudiar esse assunto vamos matar seres humanos, matar pessoas. Criando um buraco ou até mesmo uma descaracterização dessa criança” Silvana Bezerra, diretora e ativista. Uma pesquisadora chamada Mary Neide Figueró, relatou que menos de 20% das escolas públicas tem algum projeto amplo sobre educação sexual nas escolas de ensino fundamental voltado para crianças e adolescentes. Outra pesquisa que chamou atenção que é da DataFolha que entrevistou 2077 da população de 319 municípios, indicou que 54% delas são a favor da educação sexual nas escolas. Assim também como dependem a discussão sobre a política nas escolas. Em contraponto, 44% não querem que o tema seja debatido em salas de aula. Para enfrentar esse tabu, esta reportagem trata do universo de adolescentes de 12 a 16 anos que poderiam saber não só de doenças sexualmente transmissíveis e gravidez indesejada. Mas também do colega que está conhecendo o seu corpo e sua identidade enquanto cidadão. Mas sabemos que o tabu não é só existente dentro das escolas, mas também, em âmbito familiar. A sexóloga e psicóloga Michelle Sampaio acredita a responsabilidade não deveria ser deixada na “mão” das escolas e nem da família, mas acredita que se o conteúdo fosse com mais clareza e profundidade, seria de suma importância. Porém ela relata que levar esse assunto para a sala de aula, teria que ser uma ação discutida com alunos e pais desses alunos. Ela relata um caso em que um adolescente participou de uma discussão sobre sexualidade em sala de aula e ao chegar em casa e contar o que ouviu, e isso algumas vezes não foi bem compreendido pelos pais “(...) levar o conteúdo na escola às vezes faz com que o adolescente chegue em casa contando o que aprendeu e isso pode abrir portas. Mas eu também já tive casos de o adolescente chegar em casa contando e os pais basicamente trocar o adolescente de escola. Então quando a escola vai promover uma educação em sexualidade, é interessante que ela também discuta isso com os pais dos alunos (...)”.


25

A puberdade tem início entre 8 e 15 anos tendo já a produção de hormônios chamado hipófise, que libera os hormônios sexuais e que colocam em atividade nos ovários e testículos. Os principais hormônios nas mulheres, são chamados de estrógeno e progesterona. Nos homens a testosterona. A sexóloga e psicóloga Michelle, esclarece algumas sobre o período da puberdade, quando o corpo passa por grandes transformações com a produção de hormônios “(...) a gente vai considerar que ele já está no período pós-hormonal e o período pré-hormonal seria pensarmos até uns 8 ou 9 anos, depois disso ele já entra no período pós-hormonal. Os adolescentes estão produzindo mais hormônios tantos meninos quantas meninas para começar o desenvolvimento das características de cada gênero. Então desde crescimento de pelos, aumento dos seios e aumento de testículos, tudo isso vai acontecendo nesse período hormonal. Período onde eles vão começar a ter mais curiosidade sobre como funciona essa questão da sexualidade (...)”. Ela ainda ressalta que os adolescentes passa a ser “bombardeados” de informações pela mídia, ou seja, pelos meios de comunicação que está ao derredor desse adolescente que está começando sua vida sexual ativa “(...) ele tá recebendo muita informação por causa dos meios de comunicação hoje mas não necessariamente ele tem maturidade para absorver tudo que ele vê. Então ele tem muito acesso, mas é fundamental que ele possa ter uma conversa dirigida sobre isso (...)”. Em outro aspecto, a sexóloga nos traz por meio de um estudo que ela mesma fez, que a educação americana é bem parecida com a nossa. Quase não se fala de educação sexual e quando se fala é focada para não engravidar. Outro enfoque é o método contraceptivo, mas é algo superficial sobre o assunto. Com o decorrer de seu depoimento, ela diz “(...) a gente não fala que é o termo que hoje eles têm até usado mais na Europa a educação em sexualidade que falar dos sentimentos quer falar também do lado bom da vivência do sexo. Porque algumas pessoas acham que falar sobre isso você vai encorajá-las, ou seja, induzir o adolescente a fazer sexo. Pelo contrário. As pesquisas mostram que quanto mais educação e sexualidade você oferta para os adolescentes você vai ter menos exposição a DST e vai correr menos risco de gravidez precoce (...)”. Em uma outra entrevista com uma outra sexóloga e psicóloga chamada Mirian Lopes Valente, ela apresenta um ponto importante como nesta fala “(...) a Educação Sexual é fundamental não apenas para quebrar tabus, mas para ensinar sobre os aspectos cognitivos, físicos, emocionais e sociais da sexualidade. A


26

Educação Sexual não deve apenas focar nos aspectos da fisiologia e anatomia sexual e reprodutiva, mas deve tratar de outras dimensões da sexualidade, como igualdade de gênero, amor, identidade de gênero, e outras discussões contemporâneas, tais como sexting, cyberbullying, entre outros temas, que podem afetar a saúde sexual e emocional dos adolescentes”. Ou seja, além da importância na vida sexual ativa que esses mesmos adolescentes vão começar a ter, o quanto mais esclarecedor for, a sua parte emocional como dentre outras partes dendê a ganhar com tudo isso. Ela ainda continua de forma suscinta que “Uma Educação Sexual ampla que possa abranger os aspectos biológicos, sociais e políticos da afetividade e da sexualidade humana é uma iniciativa importante e fundamental pois contribui para a formação de estudantes para agir com responsabilidade, tomar as decisões com base em princípios éticos, acolher a diversidade sem preconceitos e cuidar emocionalmente de si e dos outros”. Podemos observar o quanto estamos retrocedendo a um assunto que para muitas pessoas, não é permitido falar pois “estimula” a vida sexual do adolescente e aonde ele se encaixa em um gênero que este adolescente não tem o compreendimento mínimo do que seja. Quando falamos de gênero, não falamos de orientação sexual. O gênero é o que você se identifica. Como por exemplo transgêneros que não se identificam com o gênero e passam pela transição (ou não necessariamente) para se auto identificar. Orientação sexual é aquilo que nos atrai, ou seja, a atração do mesmo sexo para homens são os homossexuais e para as mulheres, são lésbicas. É algo complexo e que parecem ser semelhantes, mas tem grande diferença um do outro. E compreender gênero e educação sexual se tornou uma necessidade de que temos que tratá-lo com urgência. É urgente que tratemos do assunto de forma natural e que seja não um assunto não para induzir a vida sexual, mas sim, para que o adolescente identifique o que ele pode ser perante a uma sociedade. No livro “identidade pós modernidade” pelo autor Stuart Hall, é chamado de “crise de identidade”, pois é algo que está em mudança, ou seja, coisas impostas pela sociedade estão se deslocando. O sujeito rompe essa barreira que é dada como ordem segundo a qual ele era no passado em cima de estruturas que neste atual período, apresentam-se totalmente deslocadas, ou seja, o que ele lhe virá ser futuramente desconfigurou o que ele era em seu passado. Mas concordemos que para chegar a tal conclusão ainda mais para o assunto de sexualidade e gênero,


27

esse sujeito que falado, é o adolescente em sala de aula que poderia estar começando a se identificar. Em uma entrevista com Silvana Bezerra uma ativista, especialista em educação e diretora de uma escola ela diz por exemplo que “(...) essa demanda de representantes que é tomado, ou seja, possuídos pela ignorância total e absoluta (...)”. Repudia a atitude de João Dória, atual governador do estado de São Paulo que recolheu apostilas do ensino fundamental que falava sobre gênero e educação sexual para os adolescentes. E ainda ela continua “(...) você tem uma produção de um material que vai tratar de uma questão que é fundamental e não tem como tirar isso do cenário educacional e jogar isso para o cenário familiar. Primeiro que dentro da família a demanda de trabalho é muito grande e o afastamento familiar devido a questão da mídia, a questão da falta de tempo e devido a uma série de coisas a família não tem tempo para trazer para si essa demanda que é importante para ser discutida. Por mais que o João Doria e o governo não entenda, a escola ainda é o maior mecanismo de comunicação e de transmissão de conhecimento”. Esses mesmos alunos do oitavo ano do ensino fundamental, ficaram sem material devido a essa atitude de recolhimento do material que o governador determinou. Com esse acontecimento, Silvana em seu depoimento ainda fala “(...) nós temos que pegar esses acontecimentos e trabalhá-los dentro da escola. E o que ele fez foi tirar a oportunidade de a gente estar diante de um material super importante e bacana. Um material que precisava estar em mãos para poder discutir, para você ter um referencial (...)”. E ela ainda continua “Porque se você enquanto profissional, enquanto professor produz esse material você corre o risco de ser chamado de tendencioso, corre um risco de responder a um processo porque você vai ‘induzir’ o adolescente a fazer sexo ou a ser homossexual. Esse material iria ser passado só do sexto ano para frente (...)”. Com o relato da ativista podemos ver que é praticamente tirado o direito do conhecimento dessa identidade e do conhecimento que cada adolescente tem o direito de ter. Esses mesmos alunos do oitavo ano do ensino fundamental, ficaram sem material devido a essa atitude de recolhimento do material que o governador determinou. Com esse acontecimento, Silvana em seu depoimento ainda fala “(...) nós temos que pegar esses acontecimentos e trabalhá-los dentro da escola. E o


28

que ele fez foi tirar a oportunidade de a gente estar diante de um material superimportante e bacana. Um material que precisava estar em mãos para poder discutir, para você ter um referencial. Assim como o relato de um adolescente de 15 anos que ao ser questionado sobre o que é e o se aprende sobre educação sexual e gênero relata “Eu sei o básico e esse básico, muita das vezes eu mesmo pesquisei na internet, porque na escola não é falado. Foi falado quando eu estava no oitavo ano em torno de sete aulas e só (...)”. E em outra questão, ele também relata “a professora até quer falar sobre o assunto, mas também os alunos atrapalham o que ela quer falar. Com piadas e ironias, ela simplesmente fala que quem quiser saber, pesquise. E esse assunto a professora passa em prova, mas só consegue responder à questão quem pesquisou em casa”. O que chama mais a atenção é que, não é abordado com frequência um tema de suma importância, mas foi passado para avaliação. Em outra entrevista com uma adolescente de 13 anos, foi indagado sobre como tal assunto e ela pontua em outro ponto de vista “(...) nenhuma aula é falado sobre educação sexual e gênero. Eles não comentam o básico que seria sobre prevenção e gravidez precoce por exemplo. O pouco que sei sobre gênero é pela minha irmã que é lésbica e me conta sobre”. Ela também aborda que sobre o assunto da gravidez precoce que aparece de forma expressiva o número de garotas gravidas precocemente dentro da instituição escolar “(...) tenho conhecidas que estão ou já ficaram grávidas. Como por exemplo uma garota do 5º ano do ensino fundamental, já estava grávida. E eu estou indo para o 8º ano do ensino fundamental e nunca falaram disso. Se analisarmos as duas falas desses dois adolescentes, vimos que a diferença é mínima de como tratam sobre o assunto em sala de aula. Um adolescente que sabe sobre assunto, mas é algo superficial que não é passado com transparência como deveria ser. Já em contraponto, a garota adolescente fala que isso em hipótese alguma é trabalhado na instituição de ensino e que pela falta de informação já tem esses reflexos em garotas das mesmas idade e até mesmo, mais novas que ela. Em algum dos episódios de ensino fundamental, a professora Lucinéia foi uma das que tentou modificar esse ensino. Lucinéia foi professora do ensino fundamental da rede municipal do estado de São Paulo e sempre que podia, diversificava seu ensino dentro de sala de aula. Claro que tudo o que os adolescentes adquiriam de novo em sala de aula, contavam para os pais como foi


29

dito aqui anteriormente. E com esses episódios que eram considerados novos para os adolescentes, muitos dos pais questionaram o seu modo de trabalhar em reuniões de pais ou até mesmo indo na secretária da escola querendo algumas explicações. A professora sempre procurava entender também o lado dos pais tendo em vista, não julgar o modo que a família via tal assunto que foi abordado em sala de aula. Explicava ela em seu modo de ensino que era importante todas as crianças saberem do que seu corpo era capaz e do autoconhecimento para que se vivesse em uma sociedade que era repleta de informações vindo de todos os lados e maneiras. Com isso, claro que existia o medo desses mesmos pais não receber o assunto com o devido comportamento, ou seja, de um assunto natural como qualquer outro mas, mesmo tendo esse contato com esses pais que não achava louvável suas justificativas que lhe dera na hora, sempre foi muito elogiada pelo o que ensinou e pela mensagem que através do seu ensino, era compreendida por todos os que estavam ali para aprender. Sua aula para seus alunos e convida aos pais a serem participativos junto com eles. A contraponto de somente falar de gravidez precoce e o uso de camisinha - que são também de extrema importância – ela conseguia com dinâmicas em sala, ensinar e ao mesmo tempo ser algo divertido, porém com conhecimento sobre o corpo. E é assim como a ativista fala “(...) chama a família para a escola e pontua o assunto com a família. E com isso, verifica como é o pensamento da família como que ela encara essa questão (...)”. Ou seja, a escola tem que ser o maior meio de junção, de união com professores, pais e alunos. Não importando o quão a família pode ser conservadora, mas sim, que a escola seja tão próxima dos pais quanto podem ser dos filhos. Assim como a sexóloga lançou em sua fala, a responsabilidade é de ambos os lados. E tendo isso em vista, isso pode ser de extrema importância como citado para o adolescente em consideração a desconstrução social e pessoal que ele virá a ter, mas também, os pais que vão aprender juntos. Ou seja, não seja um conhecimento só segmentado para adolescentes ou só dentro de âmbito escolar, será algo em que professores, funcionários da escola e os pais vão aprender e dessa maneira dinâmica como foi falado, isto é, que os pais participem com palestras e debates em grupo onde todos possam falar e representar suas ideias e indagações.


30

Portanto, foi possível através de diversas vertentes e experiências compreender o quão complexo é a transmissão da informação sobre educação sexual e gênero nas escolas. Assim, considerando que a responsabilidade é compartilhada entre Estado, escola e família é imprescindível que todos andem em concordância. Por fim, consequentemente diminuindo as estatísticas ligadas à bullying, discriminação, gravidez precoce, DST's e preconceitos. Link disponível da matéria publicada: https://camilamonteiro981.wixsite.com/novaescola

Transcrições completas e literais das entrevistas realizadas Sexóloga e psicóloga Mirian Lopes Valente 1- O adolescente de 14/15 anos sem o contato de informações sobre a educação sexual nas escolas, afeta de alguma maneira sua vida adulta? Ou seja, se torna muito precoce o seu desenvolvimento gerando assim consequências não desejáveis como gravidez e doenças? A falta de informação pode dificultar a vida adulta. O adolescente bem orientado sobre os aspectos da sexualidade terá melhor recurso para compreender sobre seu desenvolvimento e poderá se proteger adequadamente em relação aos comportamentos de risco.

2- Ensinar esses adolescentes em âmbito escolar é uma das maneiras em que podemos começar talvez a quebrar este tabu que ainda existe? Sim, a Educação Sexual é fundamental não apenas para quebrar tabus, mas para ensinar sobre os aspectos cognitivos, físicos, emocionais e sociais da sexualidade. A Educação Sexual não deve apenas focar nos aspectos da fisiologia e anatomia sexual e reprodutiva, mas deve tratar de outras dimensões da sexualidade, como igualdade de gênero, amor, identidade de gênero, e outras discussões contemporâneas, tais como sexting, cyberbullying, entre outros temas, que podem afetar a saúde sexual e emocional dos adolescentes.


31

3- Ter o assunto "educação sexual" como forma de disciplina, seria algo solucionável para que essas informações de sexualidade e gênero fosse de forma mais clara e objetiva? Uma Educação Sexual ampla que possa abranger os aspectos biológicos, sociais e políticos da afetividade e da sexualidade humana é uma iniciativa importante e fundamental pois contribui para a formação de estudantes para agir com responsabilidade, tomar as decisões com base em princípios éticos, acolher a diversidade sem preconceitos e cuidar emocionalmente de si e dos outros.

Sexóloga e psicóloga Michelle Sampaio 1- O adolescente atualmente, ele recebe essas informações de forma que haja madura, ou seja, ele recebe de forma tranquila tal assunto mesmo tão novo? Quando a gente fala da maturidade no adolescente a gente não tem como determinar que todos os adolescentes vão ter o mesmo grau de maturidade com tal idade né isso. Varia muito do modelo de educação que ele tem do meio à qual ele é exposto. Às vezes um adolescente que é superprotegido pode ter um comportamento um pouco mais infantilizado, mas pegando essa idade de 14/15 anos a gente vai considerar que ele já tá no período pós-hormonal o período pré hormonal. Pegando esse período a gente pensa até uns 8/9 anos depois disso ele já entra no período pós-hormonal. Neste período os adolescentes estão produzindo mais hormônios tantos meninos quantas meninas para começar o desenvolvimento dos caracteres de cada gênero né então desde crescimento de pelo aumento do seio aumento do pênis de testículo. Então tudo isso vai acontecendo nesse período hormonal período onde eles vão começar a ter mais curiosidade sobre como funciona essa questão da sexualidade começa a se desenvolver já na infância. Desde quando a gente vai reconhecer ainda essas diferenças entre o corpo de um de outro criança tem um hábito que se tocar, mas uma ideia de curiosidade. Às vezes você pega adolescente de 14/15 anos que já tem vida sexual ativa né nem uma vivência da sexualidade né então ele já tem uma vida sexual ativa. Então quando a gente fala de maturidade é um adolescente que ele tá recebendo muita informação por causa dos meios de comunicação hoje, mas não necessariamente ele tem maturidade para absorver tudo que ele vê, então ele tem muito acesso mas é fundamental que ele possa ter uma conversa dirigida sobre isso.

2- Você acha que a escola é o lugar de suma importância abordar educação sexual e gênero?


32

A escola é um espaço para se falar sobre isso com certeza porque a escola é formadora de opinião. Mas a educação sexual adequada ela não tem que ficar só na mão na escola nem só na mão da família. Tem que ter essa interação, porque levar o conteúdo na escola às vezes faz com que o adolescente chegue em casa contando esse assunto. Contando que aprendeu e isso pode abrir portas. Mas eu também já tive casos que o adolescente ao chegar em casa contando e os pais basicamente trocar o adolescente de escola. Então quando a escola vai promover uma educação sexual e gênero é interessante que ela também esteja discutida os pais desses adolescentes. Eu acredito que fazendo isso chamando os pais para escola e discutindo esse tema a gente teria uma melhor efetividade.

3- Tendo mais acesso à educação sexual esses adolescentes sabendo isso mais profundamente, a educação em si ela pode evitar problemas futuros, ou seja, na sua vida adulta? Com certeza poderia ser evitado. Em algumas pesquisas tem uma autora que ela pesquisou uma vez o modelo de educação holandesa. A educação americana em quesito sexualidade mais parecido com o nosso então quase não se fala de educação sexual. Quando é falado é muito focado em não engravidar e ter o método contraceptivo para que não pegue DST. Então a gente não fala que é o termo que hoje eles têm até usado mais na Europa que a educação em sexualidade que falar dos sentimentos quer falar também do lado bom da vivência do sexo. Porque algumas pessoas acham que falar isso você vai me encorajar e pelo contrário. Pesquisas mostram que quanto mais educação sexual mais você oferta para os adolescentes a ter menos exposição a DST, o menos risco de gravidez precoce. Até mesmo, ter menos risco de abuso em crianças porque essas crianças expostas, está ligada à abuso sexual pois muitas vezes elas não receberam a educação. Elas não sabem reconhecer que aquilo não verbalizam que aquilo está acontecendo. Então a educação ela evita todos esses aspectos e cria estruturas extremamente positivas.

4- É de suma importância as escolas fazerem um projeto quanto a isto? Isto é, ter cartilhas, palestras, debates etc.?


33

É de suma importância, porque se às vezes a escola se pauta no que vende um material. Teria que receber sim uma cartilha adequada e claro, sem nenhum preconceito ou juízo de valor enfim. Mas deixei muito claro que isso jamais vai ser ideologia de gênero até dada como influência entre aspas na orientação sexual. Mas são coisas posta são coisas diferentes e a educação só vai acolher as diferenças da sexualidade e com o desenvolvimento dela mesma.

Estudante adolescente de 13 anos 1- Já existiu alguma aula que abordou o tema educação sexual em sala de sala? De início não me recordo de nenhuma aula que falou sobre o tema. Na minha escola, eles não falam nem sobre prevenção para gravidez cedo ou prevenção para doenças. 2- E gênero, como a professora trabalha com esse assunto? Então, eu só sei que eu tenho uma irmã lésbica. Na escola não é falado sobre pessoas transsexuais ou sobre orientação sexual. O conhecimento que tenho é pela minha família que conversa comigo. 3- Conhecem meninas da sua idade na escola que já estão grávidas? Sim, tenho conhecidas minhas que já estão e outras que já estiveram grávidas. Por exemplo no meu quinto ano, tinha meninas grávidas e agora que eu estou indo para a oitava, ninguém mais falou sobre isso.

Estudante adolescente 15 anos 1- Com qual frequência a professora já falou sobre o tema dentro da sala de aula? Bom que eu me recordo, só disseram quando eu estava no oitavo ano e era a professora de ciências. Ela falava sim um pouco, mas o básico, três aulas sobre o assunto e só. 2- Na sua escola, a gravidez cedo também é comum? Sim, bastante. No banheiro da escola já aconteceu bastante esse caso de pegarem dois alunos e é muito comum acontecer isso. Com esse acontecimento do banheiro, como eu estou hoje no 1º ano, a professora só


34

voltou a falar sobre o assunto devido ao caso que aconteceu. Tirando isso, não foi mais falado. 3- E sobre gênero a matéria como biologia, também não foi abordado o tema com profundidade? No começo do ano me lembro que ela começou a falar mas só teve sete aulas falando sobre o assunto e ela começou a falar sobre outros assuntos. Até porque, quando é falado na minha sala é muito difícil deixarem ela falar. Meninos que sentam no fundo, sempre fazem piadas e ela desiste de falar. Ela simplesmente diz “quem quiser saber, pesquisa em casa pois vai cair na prova”. 4- E você sabe o que é educação sexual e gênero? Bom, o pouco que eu sei é exatamente por pesquisar porque não é falado na minha sala. Gênero é “opção” daquela pessoa e educação sexual é para eu não engravidar cedo e me prevenir de doenças sexualmente transmissíveis.

Ativista, especialista em educação e diretora 1- Como evitar o despreparo para que o profissional coloque isso dentro de sala de aula? Uma das maiores necessidades que temos hoje enquanto profissional da educação é o preparo para lidar com a identidade de uma criança ou um adolescente. Porque veja bem, as vezes a escola ela tem uma festa que trabalhará os contos de fada e você tem uma série de fantasias e enquanto criança, o menino quer se fantasiar como uma princesa. Mas o nosso profissional e até me incluo nessa situação, você não sabe se portar perante isso. E esse despreparo de entender e perceber que não é a roupa, brinquedo ou batom que vai fazer com que “pese” na sua orientação sexual na fase da sua adolescência. Até porque a orientação está dentro da pessoa. 2- A educação sexual é trabalhada em sala de aula? Eu trabalho com crianças e adolescentes a questão da educação sexual ela é mais vista como forma de prevenção de saúde. Doenças sexualmente transmissíveis, gravidez indesejada e é mais o trivial. E é assim que a escola trata esse assunto, só. 3- O assunto sobre gênero isso é abordado? Não, isso não é abordado. Nem sobre orientação sexual. Eu particularmente nunca vi sendo abordado. Os livros também que servem de apoio, nunca vi


35

trazendo informações sobre gênero. A escola pontua sim a questão sobre a educação sexual (o básico), ou seja, da saúde. Mas se o adolescente vir a ter uma vida onde a orientação dele seja de homossexual, lésbica ou ele se identifica com tal gênero, isso não é abordado nas escolas. Nem na rede pública e nem na rede particular. 4- Educação sexual e gênero de uma forma mais aprofundada não é inserido num currículo para ser passado dentro de uma sala como você mesma disse. E até trouxe uma experiência de que um menino queria se vestir de princesa. Você já conseguiu ter algum local de fala para falar realmente sobre isso? A primeira vez que a gente conseguiu ter um local de fala sobre isso, como ser humano e como profissional da necessidade de se discutir, mas discutir de verdade o assunto, de discutir com os educadores foi atualmente. Existem questões que precisam ser trabalhadas, e dentro da escola porque vivenciamos com essa criança. E hoje a escola está sendo malvista, estamos recebendo bombardeios de todos os lugares. E se a gente começar a não tratar esse assunto ou repudiar ele, a gente vai matar seres humanos, matando pessoas. Vamos criar um buraco ou até mesmo, uma descaracterização dessas crianças que com toda certeza não será sadio para elas. 5- Do ensino sabemos que existe uma estrutura que ela é formal, ela é conservadora, o cenário escolar ele é conservador. Sabemos que tem pais que não facilita esse tipo de informação, que não tem acesso. Também sabemos que professor não a oportunidade desse aluno falar, é uma questão de “eu estou passando o conhecimento e só você recebe”. Como você trabalha, quais métodos você usa sabendo que nesse cenário conservador para tratar esse assunto em sala de aula? Como falar com esses pais? Os pais não querem que aborde a questão, mas o filho dorme às duas da manhã por exemplo, assistindo a homossexualidade nas mídias. Os pais não querem que falem das doenças sexualmente transmissíveis, mas você vê várias crianças e adolescentes com o celular na mão tendo uma demanda vasta maiores informações. Tudo que é visível e tudo que é mais claro, fica mais fácil de ser falado.


36

6- Como você recebe esse conteúdo para ser administrado com o seu profissional? A grade curricular ela é nacional. Você tem que ter X aulas de Português, X aulas de Matemática e o conteúdo você vai discutir com o seu profissional. Então você tem a semana de planejamento e com base nisso você tem o conteúdo em cima do livro didático que você vai escolher e só. 7- E esse profissional ele tem algum canal, digamos dar uma sugestão, para falar com quem faz esse conteúdo para aquele profissional que queira trabalhar com gênero para falar que existe mulheres/homens trans, não binários e cisgênero? Existe esse canal que seja eficaz para tal mudança? Dentro da política em que estamos vivendo e o pouco espaço que não parece mas

que

conquistamos

de

trabalhar

somente

doenças

sexualmente

transmissíveis e de gravidez indesejada, nós estamos aptos a perder esse pequeno espaço em que conquistamos. Dentro dessa loucura toda, não vamos ter espaço para falar de muitas coisas.


37

12. ANEXO I – Foto utilizada no site.


38

ANEXO II – Foto utilizada no site.


39

ANEXO III - Autorização de uso e imagem


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
RELATÓRIO METODOLÓGICO - Camila Monteiro by Rede Código - Issuu